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Numero do processo: 10805.001742/87-10
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 1991
Ementa: PIS/DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA - Dado provimento parcial ao recurso principal, em principio, essa orientação
reflete-se para o processo decorrente.
Recurso a que se dá provimento parcial.
Numero da decisão: 103-11.497
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para ajustar a exigência ao decidido no processo matriz, pelo Acórdão n9 103-11.483, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Dícler de Assunção
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score : 1.0
Numero do processo: 10650.900027/2008-69
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EXAME DE ADMISSIBILIDADE DE EMBARGOS.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Alberto Pinto Souza Junior.
Numero da decisão: 1301-001.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relátorio e voto proferidos pelo Relator.ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Relator.ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório A Contribuinte interpôs embargos de declaração em face do Acórdão nº 1301000.651, alegando o seguinte: a despeito da apresentação da DCOMP, o débito que pretendeu compensar foi quitado pela Embargante através de DARF´s (31/03/2003) e compensação com créditos. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 05/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 a conclusão pode ser alcançada mediante análise da documentação ora acarreada aos autos: a) DIPJ do exercício 2003, posteriormente retificada que apresenta valor a pagar a titulo de estimativas de IRPJ equivalente a R$ 1.218.067,27; b) recolhimento de DARF de estimativas de IRPJ equivalente a R$ 1.218.067,27; c) DCOMP 0699.27206.161111.1.03.1.0773 compensando o saldo remanescente da estimativa de fev/03 (R$ 164.449,83) acrescido do pagamento via DARF. o fisco está atrelado ao princípio da verdade material e a RFB mantém o registro de todo pagamento via DARF e o CARF não pode deixar de verificar se o débito está ou não em aberto. Tendo em conta a documentação ora juntada aos autos por meio destes Embargos evidencia a atual inexistência de débito sob o qual versa a demanda e devem ser conhecidos por esta Turma. Requer finalmente, sejam admitidos e providos os embargos, à vista da documentação comprobatória ora trazida a conhecimento dos ilustres julgadores. É o Relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Tendo a Embargante tomado ciência do acórdão nº em 18/04/2012 e protocolado os embargos de declaração em 23/04/12, dentro do prazo regimental de 5 dias, recebo os mesmos como tempestivos. Não obstante, verifico que a situação retratada pela recorrente não são as típicas de serem veiculadas mediante a apresentação de embargos de declaração, previstos no art. 65 do RICARF, in verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10650.900027/200869 Acórdão n.º 1301001.076 S1C3T1 Fl. 2 3 § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: {2} No caso em tela verificase que não ocorreu nenhum dos casos previstos na legislação que autorizam a admissibilidade de embargos de declaração, quais sejam: obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. O que pretende a Recorrente em sede de Embargos é que se volte a analisar o mérito e o pior, acarreando novos documentos aos autos para pautar suas alegações. O §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 admite a juntada posterior de documentos, desde que na presença de força maior, fato ou direito superveniente ou para contraposição de fatos ou argumentos trazidos posteriormente aos autos, senão vejamos: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) grifos meus O §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (acima transcrito) é claro ao fixar as condições objetivas que devem nortear o julgador na admissão de novos documentos, sendo uma delas (com pertinência no caso presente) a exigência da demonstração da força maior. Assim, ainda que se pudesse relevar a falha contida na petição de juntada, por não fazer referência aos motivos de direito que justificassem o ingresso ulterior dos documentos aos autos, não ficou demonstrada o principal ponto que me faria aceitar a documentação ora carreada em sede de embargos, a força maior. Verifico, que não há fato ou direito superveniente, nem fatos ou argumentos trazidos posteriormente aos autos. A questão foi fartamente reprisada desde a fiscalização, tendo a autoridade lavrado os Termos de Intimação Fiscal de 06/03/06 e 03/07/06 (fl.161), nos quais exigia a apresentação das provas para a questão do suprimento de caixa, e finalmente foi formalizada no auto de infração. Teve a oportunidade de juntálos ainda na fase impugnatória e até em sede de recurso, mas agora em sede de embargos querer que se analise nova documentação não me parece possível e prudente. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Neste mesmo diapasão segue, abaixo, jurisprudência da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Processo n° 13819.000863/9828 Recurso n° 105144.999 Especial do Contribuinte Matéria PRECLUSÃO Acórdão n° CSRF/0105.778 Sessão de 04 de dezembro de 2007 Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial PROVAS A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se demonstrada impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Vejase o trecho do voto do ilustre Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, em que o tema é tratado: O parágrafo 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, tratando de prova documental, afirma que sua apresentação deve ser feita por ocasião da interposição da peça impugnatória, precluindo o direito de a interessada fazê lo em outro momento processual. O referido decreto, admite que novas provas documentais possam ser trazidas ao processo após a apresentação da impugnação, desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinase a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas ao processo. Observamos que não se concretizou nenhuma das hipóteses previstas, assim, mesmo que se a matéria não fosse preclusa, as provas dirigidas a este Conselho não poderiam ser analisadas. Quanto ao principio da verdade material, entendo que como qualquer princípio ele é um norte, um rumo a seguir, contudo, ele não pode e nem tem o objetivo de afastar o ordenamento jurídico pátrio. Não me esqueço da importância do Princípio da Verdade Material, cujos valores por ele expressos hão de se fazer irradiar na interpretação do direito processual administrativo; todavia, dada sua iliquidez semântica, tal princípio há de ser devidamente limitado pelos limites objetivos da norma positivada. Caso contrário, a amplidão de limites a cargo do julgador imporia sérios riscos à segurança jurídica. Mas sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 05/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10650.900027/200869 Acórdão n.º 1301001.076 S1C3T1 Fl. 3 5 Embora oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Diante do exposto, voto por não conhecer dos embargos, por não ter sido demonstrada omissão, obscuridade ou contradição. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10283.000406/2007-00
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 10/10/2005, 20/10/2005, 30/10/2005, 30/11/2005
Cerceamento do Direito de Defesa. Inocorrência
A exigência de fundamentação da decisão e de enfrentamento das razões da impugnação não impõe ao julgador o dever de rebater individualmente cada um dos argumentos trazidos pela parte. Jurisprudência do Superior Tribunal
de Justiça.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 10/10/2005, 20/10/2005, 30/10/2005, 30/11/2005
Isenção. Produto Industrializado na ZFM. Condições
A isenção do IPI relativa às saídas de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus está condicionada ao atingimento do nível de industrialização fixado no correspondente processo produtivo básico.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.633
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/10/2005, 20/10/2005, 30/10/2005, 30/11/2005 Cerceamento do Direito de Defesa. Inocorrência A exigência de fundamentação da decisão e de enfrentamento das razões da impugnação não impõe ao julgador o dever de rebater individualmente cada um dos argumentos trazidos pela parte. Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 10/10/2005, 20/10/2005, 30/10/2005, 30/11/2005 Isenção. Produto Industrializado na ZFM. Condições A isenção do IPI relativa às saídas de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus está condicionada ao atingimento do nível de industrialização fixado no correspondente processo produtivo básico. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. 41~1 Luis arce o Gu- a de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 21/05/2010 i Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrásio (Suplente). Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A DRF Manaus efetuou lançamento do IPI objeto de isenção para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), relativo aos fatos geradores acima citados, tendo em vista haver constatado em auditoria que a empresa acima identificada importou o insumo TERMINAL já "estampado", contaminando o Processo Produtivo Básico (PPB) estabelecido pela Portaria Interministerial n° 235, de 18 de julho de 2005 (inciso III do art. 1°), uma vez que a referida etapa (estampagem) deveria ser obrigatoriamente feita dentro da área de exceção. 2. Segundo relatado na Informação Fiscal n° 009/2007 (fls. 77 a 83), a Suframa também comunicou à Receita Federal, através do Oficio 8693-SRP/CGAPI/COAUP (tl. 15), a aquisição pela empresa 204.000 unidades do referido insumo com a descrição de "LÂMINAS METÁLICAS", cuja importação não sofre controle por parte daquela Autarquia, tendo a empresa assumido a culpa pelo ocorrido e recolhido os impostos objetos das Declarações de Importação (tributos incidentes sobre os insumos), ficando pendente o pagamento dos impostos referentes ao produto final, no caso do presente processo, o IPI interno. 3. Consulta posterior ao banco de dados da SRF revelou que se tratavam, na realidade, de 255.000 unidades, quantidade referendada pela Suframa, através do Oficio 85 63- SRP/CGAPI/COAUP (tl. 14). 4. Em análise do PPB, a Auditoria constatou que haviam sido contaminadas", através da utilização do insumo importado, 51.000 baterias para celular, as quais perderam o direito à isenção do IPI, tendo sido o presente Auto referente apenas aquelas que foram objeto de internação para fora da ZFM 5. Cientificada em 22.01.2007 a interessada apresentou, tempestivamente, em 16.02.2007, impugnação na qual alega que em momento algum deixou de cumprir as etapas básicas do PPB, tendo cercado-se de todos ou cuidados antes de iniciar a produção das baterias com vistas a cumprir as etapas do processo, tendo a Suframa aprovado suas instalações antes de lhe conceder a licença para fabricação do produto. 6. Esclarece que, em vista do curto espaço de tempo para fornecimento dos produtos demandados pelos seus clientes, e diante da necessidade de maior período de tempo para desenvolvimento de fornecedor local para terminais estampados, não teria restado alternativa senão importar as lâminas metálicas para adaptá-las ao seu produto, as quais, por não se 257' Processo n° 10283.000406/2007-00 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.633 Fl. 221 prestarem diretamente ao uso nas baterias, foram submetidas a operações de corte e dobra, para adequá-la ao produto final. Dessa forma, entende que por ter havido etapa de industrialização (corte e dobra) na ZFM, não teria havido contaminação do PPB. 7. Destaca que o processo de estampagem caracteriza-se pela conformação de chapas metálicas, por meio de operações de corte e/ou dobra e/ou repuxo, tendo a impugnante importado - lâminas metálicas embobinadas que somente ficaram aptas ao uso após operações de corte e dobra, ou seja, estampagem, em sua fábrica, em conformidade do PPB, o qual consiste na garantia deque determinado produto foi industrializado em território nacional. 8. Prossegue: "Outrossim, menciona a r. autoridade fiscalizadora na informação fiscal/SEFIA/ALFMNS n° 009/2007, que foram importadas 153.000 peças código 31B1201016, denominadas contato de ouro, cumpre, todavia, destacar que os referidos insumos, de igual forma, estão totalmente em conformidade com o Processo Produtivo Básico de Baterias para Telefone Celular, pois foram importados de forma enfitada, conforme figura anexa (doc. 5), razão pela qual não deveriam constar do referido auto de infração". 9. Por fim, entendendo estar sua produção de acordo com o PPB fixado, requer a improcedência do Auto. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 10/10/2005, 20/10/2005, 30/10/2005, 30/11/2005 ZONA FRANCA DE MANAUS. DESCUMPRIMENTO DE PPB. O descumprimento do Processo Produtivo Básico fixado para a fabricação de produtos com isenção do imposto, na Zona Franca de Manaus, acarreta a perda do beneficio. Lançamento Procedente. Confoiine se extrai do voto condutor, o processo produtivo básico do produto descrito como ACUMULADOR ELÉTRICO PRÓPRIO PARA APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) E APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) COM APARELHO RECEPTOR INCORPORADO BASEADOS EM TÉCNICA DIGITAL, restara efetivamente contaminado. Segundo aduz, as mercadorias relativas às declarações de importação indicadas no auto de infração sofreram beneficiamento no exterior (estampagem) que, de 3 acordo com a Portaria Interministerial n° 235, de 18 de julho de 2005, deveria ser necessariamente realizada na Zona Franca de Manaus. Após tomar ciência da exigência em 12/03/2008, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 10/04/2008, para, em sede de recurso voluntário, pugnar pela refoillia da decisão de piso. Essencialmente, alega que houve equívoco por parte do julgadores de primeira instância quando afii [liaram que os processos de corte e dobra de lâminas metálicas realizados em seu estabelecimento fabril não caracterizariam a "estampagem" exigida pela já falada portaria intenninisterial. Citou definições extraídas de artigo obtido na rede mundial de computadores e do dicionário Michaelis. Trouxe ainda à colação o conceito de industrialização, na modalidade beneficiamento, extraído do Decreto n° 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI) e teceu considerações acerca do alcance da alínea "b", do § 8° do Decreto-lei n° 288, de 1967, juntamente com a portaria interministerial relativa ao produto em litígio, aduzindo que o dispositivo exige exclusivamente que o produto seja industrializado na Zona Franca de Manaus, sem fixar critérios de "preponderância de operações de industrialização". Trouxe à colação, ainda, manifestação da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) ratificando a informação de que o processo de industrialização do componente denominado "terminal de contato da bateria" atende as exigências da Portaria Interministerial n° 123, de 22/07/2007, que substituiu a Portaria Interministerial n° 235, de 2005. Sustenta, finalmente, que "juntou toda documentação relativa à importação do item em questão" e que tal fundamento deixou de ser enfrentado pelo órgão de piso, o que, por si só, seria suficiente para a decretação da decisão de 1' instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator 1- Preliminatinente Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Ainda em sede de preliminar, não vejo o alegado cerceamento do direito de defesa, eis que não há, a meu ver omissão no enfrentamento das questões afetas à importação da mercadoria. Com efeito, o julgado a quo discorreu acerca da obrigatoriedade da realização de determinados beneficiamentos no Território Nacional e, consequentemente, da impossibilidade da sua importação após tal beneficiamento, concluiu que tais etapas não teriam sido realizadas nos termos exigidos. Sustentou, ademais, que a justificativa para sua não realização não se amolda a uma das exceções elencadas na já mencionada portaria interministerial. e7 Processo n° 10283.000406/2007-00 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.633 Fl. 222 Veja-se os seguintes excertos do voto condutor (os destaques não constam do original): 12. Conforme definição dada pela própria Impugnante, o processo de estampagem dá-se a partir de chapas metálicas, submetidas a operações de corte, dobragem e embutimento ou repuxo. O PPB definido pela Portaria acima transcrita impõe que a referida operação, no caso dos terminais e pinos, seja feita em Território Nacional. (.) 15. Além disso, o art. 4° da Portaria Interministerial é bem expresso ao admitir a suspensão ou modificação de qualquer etapa do Processo Produtivo Básico, sempre que fatores técnicos ou econômicos, devidamente comprovados assim o determinarem, sendo tal modificação condicionada à aprovação em Portaria conjunta dos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia. Assim, diante da dificuldade, a Impugnante dispunha de mecanismo para dar continuidade à sua produção sem ferir o PPB. Partindo dessas referências, não vejo como afirmar que a prática dos atos segundo a forma adotada pelo Fisco prejudicara o contraditório ou o pleno exercício do direito de defesa. Não é exigível, portanto, que o julgamento enfrente separadamente todas as questões aduzidas, basta que, em conjunto, explicite sua convicção acerca da sua procedência ou não. Nesse sentido, remansosa é a jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, a exemplo do julgamento dos EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg nos Embargos de Divergência em REsp N° 665.454 — CE, assim ementado': "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PIS. AÇÃO CAUTELAR. SUSPENSÃO. COMPENSAÇÃO. PRINCÍPIO DA DEVOLUTIVIDADE. TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APPELLATUM I. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. Precedentes da Corte Especial: AgRg nos EDcl nos EREsp. 693.711/RS, DJ 06.03.2008; EDcl no AgRg no MS 12.792/DF, DJ 10.03.2008 e EDcl no AgRg nos EREsp 807.970/DF, DJ 25.02.2008 2. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos Ministro Luiz Fux, DJ: 25/05/2009 - 5 utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão."(negritei) Evidentemente, analisar as diferentes (e mutuamente excludentes) versões dos fatos e concordar com as conclusões do Fisco implica necessariamente discordar, ainda que por via obliqua, das alegações da impugnante. A avaliação da correção ou não da decisão do órgão julgador a quo é providência a ser adotada quando da análise do mérito do recurso e poderá eventualmente conduzir à insubsistência da exigência, hipótese que não se confunde com a nulidade do feito. Ainda em sede de preliminar, é imprescindível delimitar o verdadeiro fundamento da exigência fiscal, pois entendo que muito do que se discutiu na impugnação e no acórdão de piso dizem respeito a acusações que não fizeram parte da fundamentação do auto de infração litigioso. Com efeito, conforme é possível extrair do auto de infração de fls. 03 a 07 e no relatório de auditoria de fls. 77 a 84, o sujeito passivo está sendo acusado de importar insumo denominado "Terminal", descrevendo-os como "Lâmina Metálica", produto que ficaria à margem dos controles de importação próprios do regime da Zona Franca de Manaus, fato que foi alvo de comunicação pela SUFRAMA. Ainda segundo aduz a autoridade fiscal, tal irregularidade "contaminara" o processo produtivo básico de 51.000 baterias que saíram do estabelecimento nos períodos de apuração encerrados em 10/10/2005, 20/10/2005, 30/10/2005 e 30/11/2005. Ante a tais alegações, entendeu-se que as saídas dos produtos "contaminados" promovidas em tais períodos não fariam jus à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados própria do regime da Zona Franca de Manaus, motivo que gerou o lançamento do IPI relativo às saídas isentas objeto de glosa, acrescido de multa de oficio e juros de mora. Assim, malgrado a extensa argumentação do sujeito passivo, aliada às considerações do órgão julgador de piso acerca do processo de estampagem, penso que tal discussão é matéria estranha aos fundamentos da autuação. Não contribui para a solução do litígio, portanto, definir a natureza dos beneficiamentos e se tais operações, quando regularmente executadas sobre lâminas metálicas (e não terminais), cumpririam com o definido na portaria interministerial. Com efeito, o Fisco não acusa o sujeito passivo de promover beneficiamentos que não condizem com o PPB definido daquele ato interministerial, mas de, relembre-se, importar mercadorias beneficiadas em desacordo com o PPB e incorporá-los produtos internalizadas no restante do Território Nacional. Aqui, cabe investigar se há elementos nos autos que respaldem essa acusação e, se confirmados tais fatos, caberia efetivamente a cobrança que está sendo imposta. 2 — Mérito Feitas tais considerações, passasse ao exame do mérito do litígio. Processo n° 10283.000406/2007-00 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.633 Fl. 223 Conforme se extrai do item 5 da Informação Fiscal/SEFIA/ALMNS n° 009/20072, dentre os insumos que compõem o produto comercializado pela recorrente, interessa especialmente à solução do litígio os descritos como Lâmina Metálica - Contato de Ouro AU 0.3um, Lâmina Metálica — Contato "+" Nickel 36 e Lâmina Metálica — Contato "-" Nickel 17. Tais lâminas, após os devidos beneficiamentos, conforme ratificou a SUFRAMA, convertem-se em "terminal", parte integrante do produto comercializado pela recorrente. Por outro lado, conforme constou de comunicações expedidas por essa mesma SUFRAMA, o sujeito passivo promoveu a importação de 255.000 unidades de telluinal já beneficiado, descrevendo-os como chapas metálicas, acusação ratificada pela já mencionada Informação Fiscal. Sopesando tais informações, penso que o sujeito passivo não logrou êxito em demonstrar que importou produto diferente dos terminais, nem que eventuais beneficiamentos realizados sobre tais terminais atendem às exigências da Portaria Interministerial. Limitou-se a registrar que, se realizados sobre o insumo "lâminas metálicas", supriria tais exigência. Notar que a correspondência de fls. 75 e 76, de autoria do Diretor Industrial da recorrente, ratifica que, efetivamente, teria sido importado o produto "terminal a granel" e que esses terminais foram empregados em menos da metade das baterias industrializadas no ano de 2005. Não vejo, por outro lado, prova de que parte dos terminais se encontrarem fitados e, ainda que se fizesse tal prova, que o fato do produto se encontrar beneficiado por mais esse processo reduza o grau de industrialização exigido. Veja-se a redação do ato interministerial que fixa o processo produtivo: "Art. 1° O Processo Produtivo Básico para o produto ACUMULADOR ELÉTRICO PRÓPRIO PARA APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) E APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) COM APARELHO RECEPTOR INCORPORADO BASEADOS EM TÉCNICA DIGITAL, das posições NCM 8525.10 E 8525.20, industrializado na Zona Franca de Manaus, estabelecido pela Portaria Interministerial MDIC/MCT n°170, de 5 de julho de 2004, passa a ser o seguinte: - fabricação das células acumuladoras de carga; - injeção das tampas plásticas superiores e inferiores, quando aplicável; III - estampagem dos terminais e pinos, exceto quando enfitados; 2 Doc. de fls. 77 a 84 7 Ora, se o fim almejado é o aumento da industrialização no Território Nacional, certamente a agregação de maior beneficiamento no exterior não reduz o grau de exigência sobre o beneficiamento realizado no Pais, o aumenta. Em assim sendo, penso que não se logrou êxito em demonstrar que os produtos atendem às exigências fixadas pela Portaria que institui o PPB do produto industrializado pela recorrente. Resta verificar se há respaldo legal para a cobrança litigiosa. -- Para tanto, veja-se a atual redação do art. 9°, caput e § 1 0, do Decreto-lei n° - 288, de 1967, fornecida pela Lei n° 8.387, de 1991: Art. 90 Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. § 1 0 A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 70 deste decreto-lei. A seu turno, definiu o art. 7 0, caput e § 8°, "a" e "b", do mesmo Decreto-lei n° 288, cuja redação é igualmente fornecida pela Lei n° 8.387 (os destaques não constam do original): Art. 70 Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matérias-primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). § 8° Para os efeitos deste artigo, consideram-se: (Parágrafo incluído pela Lei n°8.387, de 30.12.91) a) produtos industrializados os resultantes das operações de transformação, beneficiamento, montagem e recondicionamento, como definidas na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados; b) processo produtivo básico é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. Processo n° 10283.000406/2007-00 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.633 Fl. 224 Pode-se verificar, portanto, que o cumprimento das exigências fixadas na legislação não está condicionado exclusivamente à industrialização do produto na ZFM, mas que sejam executados o conjunto mínimo de operações fixados no ato interministerial. Nessa linha, verifica-se que, efetivamente, o sujeito passivo deu saída para fora da Zona Franca de Manaus a 51.000 baterias que deixaram de atingir as condições necessárias para fruição da isenção. Por tal motivo, devida é a cobrança do tributo, acrescida da multa de oficio, nos exatos termos da legislação arrolada no auto de infração que formaliza a exigência. -- 3- Conclusão Com essas considerações, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, nego provimento ao recurso. Luis a ce uerra de Castro 9
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Numero do processo: 19515.002217/2004-14
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE N° 08.
Impõe-se a aplicação da súmula vinculante n° 08 do STF, de modo que, no que tange à CSLL, o prazo decadencial rege-se pelo CTN.
DECADÊNCIA. CSLL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. STJ. RECURSO REPETITIVO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN.
Conforme decisão do STJ, em recurso repetitivo, que deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do artigo 62-A, do CTN, no caso de ausência de pagamento antecipado por parte do contribuinte, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer com base no artigo 173, inciso I, do CTN, de sorte que, no caso, não se caracterizou a decadência.
Numero da decisão: 9101-001.486
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE N° 08. Impõe-se a aplicação da súmula vinculante n° 08 do STF, de modo que, no que tange à CSLL, o prazo decadencial rege-se pelo CTN. DECADÊNCIA. CSLL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. STJ. RECURSO REPETITIVO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Conforme decisão do STJ, em recurso repetitivo, que deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do artigo 62-A, do CTN, no caso de ausência de pagamento antecipado por parte do contribuinte, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer com base no artigo 173, inciso I, do CTN, de sorte que, no caso, não se caracterizou a decadência.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE N° 08. Impõese a aplicação da súmula vinculante n° 08 do STF, de modo que, no que tange à CSLL, o prazo decadencial regese pelo CTN. DECADÊNCIA. CSLL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. STJ. RECURSO REPETITIVO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Conforme decisão do STJ, em recurso repetitivo, que deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do artigo 62A, do CTN, no caso de ausência de pagamento antecipado por parte do contribuinte, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer com base no artigo 173, inciso I, do CTN, de sorte que, no caso, não se caracterizou a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 17 /2 00 4- 14 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19515.002217/200414 Acórdão n.º 9101001.486 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, com base na apuração das seguintes irregularidades: "Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas enumeradas no Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização. 001RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS Valor apurado conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal. 2 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS Valor apurado conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal; registro da Ficha Demonstração de Resultados da DIPJ/99. 3 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) OUTRAS RECEITAS Valor apurado conforme Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização; Outras Receitas Financeiras (linha 23) e Receitas de Alienação de Bens/Direitos do Ativo Permanente (linha 38), da Ficha Demonstração de Resultado Liquido da DIPJ/99 4 MULTAS PROPORCIONAIS, APRESENTAÇÃO INCORRETA DOS DADOS FORNECIDOS EM MEIO MAGNÉTICO Multa regulamentar, equivalente a meio por cento da receita bruta, pelo não atendimento, quanto a forma de apresentação, dos registros e respectivos arquivos em meios magnéticos. 5 MULTAS PROPORCIONAIS OMISSÃO/ERRO NOS DADOS FORNECIDOS EM MEIO MAGNÉTICO Fl. 998DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19515.002217/200414 Acórdão n.º 9101001.486 CSRFT1 Fl. 4 3 Multa regulamentar, equivalente a 5 (cinco) por cento sobre mo valor da receita omitida ou cuja informa cão solicitada tenha sido prestada incorretamente, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 516/581. A Delegacia da Receita Federal julgou o lançamento procedente em parte, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: DECADÊNCIA — IRPJ LANÇAMENTO DE OFICIO — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA — MULTA REGULAMENTAR — O prazo decadencial relativo ao lançamento de oficio por descumprimento de obrigação acessória é de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LUCRO ARBITRADO — A apresentação de escrita contábil com erros ou deficiências que a torne imprestável para dar suporte à apuração do lucro real é causa que leva ao arbitramento do lucro, sobretudo, quando a fiscalização concede prazo razoável para o sujeito passivo recompor sua escrituração. MULTA REGULAMENTAR —ARTIGO 1.014 DO RIR/1994 — As multas estipuladas nos incisos 1 e 11 do artigo 1.014 do RIR/1994 podem ser aplicadas simultaneamente, tendo em vista que tratam de infrações distintas. MULTA REGULAMENTAR — BASE DE CALCULO — RECEITA BRUTA — Devem ser excluídos da base de cálculo das multas embasadas nos incisos I e II do artigo 1.014 do RIR/1994 os valores que não se incluem no conceito de Receita Bruta. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1998 Ementa: DECADÊNCIA — CSLL — O prazo decadencial para a Fazenda constituir o crédito tributário relativo à CSLL é de 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente em Parte Fl. 999DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19515.002217/200414 Acórdão n.º 9101001.486 CSRFT1 Fl. 5 4 O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 691/757). A antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso, conforme a seguinte ementa: DECADÊNCIA CSLL A criação dos tributos, modo de apuração e a de extinção do crédito tributário estão no campo privativo das competências cometidas aos entes tributantes, espaço reservado na Constituição Federal, que nenhuma lei complementar pode restringir ou anular. O prazo decadencial das contribuições sociais é regulado pelo artigo 45 da Lei 8212/1991. IRPJ. DECADÊNCIA Ocorre a decadência do direito do fisco efetuar lançamento após 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador conforme artigo 150 § 4° do CTN, nos casos em que o tributo é pago com sujeição à posterior homologação, que é o caso do IRPJ. MULTA PROPORCIONAL E MULTA REGULAMENTAR. DECADÊNCIA Não havendo como se exigir a obrigação principal em virtude de decadência, não há falar em aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa ao mesmo período fiscalizado. IRPJ — ARBITRAMENTO — CABIMENTO — Constatadas inconsistências na contabilidade original e havendo proibição legal de ser aceita retificadora que altera a mudança de opção do lucro, correto o procedimento fiscal de arbitramento. IRPJ — ARBITRAMENTO DO LUCRO — FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO — arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro liquido do exercício, ajustandoo, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável. Preliminar de decadência rejeitada. Recurso negado. O contribuinte opôs Embargos de Declaração (fls. 833/840), alegando a ocorrência de obscuridade, contradição e omissão no acórdão recorrido. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fls. 848), sobre o seguinte fundamento: A embargante alega que haveria omissão quanto à decadência do IRPJ, contudo, a questão foi enfrentada no voto vencido do Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19515.002217/200414 Acórdão n.º 9101001.486 CSRFT1 Fl. 6 5 Conselheiro Margil Mourdo Gil Nunes, na qual foi vencedor nesta parte, pois, o único vencido foi o conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. O voto vencedor fl. 822, afirma que discorda do voto vencido no tocante a decadência da CSLL. O contribuinte, então, interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls. 852/871). Sustentou a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário relativo ao CSLL (uma vez que, em relação ao IRPJ, a questão já estava definida). Postulou pela aplicação da súmula vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. Segundo a recorrente: “25. De fato, no presente caso, cuidase de tributo cujo fato gerador ocorreu no exercício de 1998, sendo que o suposto lançamento, via auto de infração, teria se dado em outubro de 2004, ou seja, muito além do prazo de 5 anos! 26. Além disso, também resta demonstrado que a interpretação do v. acórdão recorrido é equivocada, pois vai de encontro com o que decidiu o E. STF sobre a matéria, ou seja, pela inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 (Súmula n° 8 do STF), o que justifica sua reforma nesse aspecto, para declarar, também, a decadência da CSLL.” Suscitou divergência jurisprudencial, também, em relação ao arbitramento do lucro. Deuse seguimento parcial ao recurso especial (despacho de fls. 959/960). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 964/970). O contribuinte interpôs agravo (fls. 980/990), os quais não foram acolhidos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a divergência jurisprudencial alegada restou comprovada. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19515.002217/200414 Acórdão n.º 9101001.486 CSRFT1 Fl. 7 6 Devese atentar, no presente caso, que, no tange á decadência, o órgão a quo decidiu em conformidade com a seguinte parte da ementa: DECADÊNCIA CSLL A criação dos tributos, modo de apuração e a de extinção do crédito tributário estão no campo privativo das competências cometidas aos entes tributantes, espaço reservado na Constituição Federal, que nenhuma lei complementar pode restringir ou anular. O prazo decadencial das contribuições sociais é regulado pelo artigo 45 da Lei 8212/1991. IRPJ. DECADÊNCIA Ocorre a decadência do direito do fisco efetuar lançamento após 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador conforme artigo 150 § 4' do CTN, nos casos em que o tributo é pago com sujeição à posterior homologação, que é o caso do IRPJ. Conforme o resultado do julgamento, pelo voto de qualidade, rejeitouse a preliminar de decadência para a CSLL, vencidos os Conselheiros Margil Mourão Gil Nunes, Orlando José Gonçalves Bueno, Mariam Seif e Helena Maria Pojo do Rego. Por outro lado, quanto ao IRPJ, o resultado do julgamento foi transcrito nos seguintes termos: “Quanto ao IRPJ relativo ao último trimestre de 1998, vencido o Conselheiro Mario Sérgio Fernandes Barroso, e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. No voto do Conselheiro Relator, restou estabelecido a incidência do artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, para a contagem do prazo decadencial, tanto em relação à CSLL quanto no que se refere ao IRPJ, conforme a seguinte passagem: É cediço que desde a edição da Lei n°. 8.383/91, o IRPJ e a CSLL decorrente são tributos lançados por homologação e estão sujeitos assim, à decadência prevista no artigo 150 § 4° do CTN (...) No voto vencedor, da Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, afastou se a preliminar de decadência no que tange à contribuição social, entendendose pela aplicação do artigo 45 da Lei n° 8212/91. No que tange à preliminar de decadência concernente ao IRPJ, nada foi dito no voto vencedor. No seu dispositivo, aliás, apenas se expressou o afastamento da decadência relativa à CSLL. O contribuinte, diante disso, opôs Embargos de Declaração (fls. 833/840), suscitando a ocorrência de omissão no acórdão recorrido, em relação à decadência do IRPJ. Às fls. 848, o Ilustre Presidente da Oitava Câmara, Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, apreciando os Embargos, explicou que: A embargante alega que haveria omissão quanto à decadência do IRPJ, contudo, a questão foi enfrentada no voto vencido do Conselheiro Margil Mourdo Gil Nunes, na qual foi vencedor nesta parte, pois, o único vencido foi o conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. O voto vencedor fl. 822, afirma que discorda do voto vencido no tocante a decadência da CSLL. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19515.002217/200414 Acórdão n.º 9101001.486 CSRFT1 Fl. 8 7 Neste sentido, restou determinado que, no que tange ao IRPJ, a decadência foi decretada, aplicandose o artigo 150, §4°, do CTN. O contribuinte sucumbiu, em relação à decadência, apenas no que se refere à CSLL. Desta forma, o único objeto do presente recurso recai sobre a aplicação do artigo 45 da Lei n° 8.212/91. E, neste ponto, a questão já se encontra fora de discussão, em virtude da súmula vinculante n° 08 do STF: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Diante disso, deve incidir, para a regência do prazo decadencial, as normas pertinentes previstas no Código Tributário Nacional. Devese decidir, enfim, se, na hipótese, aplicase o artigo 150, §4°, ou o artigo 173, inciso I, do CTN. Quanto a esta questão, o STJ já firmou entendimento, em recurso repetitivo, no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial somente se conta pelo artigo 150, §4°, do CTN, se o contribuinte efetuou pagamento antecipado (parcial) do tributo. Caso contrário, incide o artigo 173, inciso I, do CTN. Como se trata de julgamento em recurso repetitivo, esta CSRF, conforme o artigo 62A, do seu Regimento Interno, deve reproduzilo em seus julgados. Diante disso, como se trata de tributo cujo fato gerador ocorreu no dia 31/12/1998, o prazo decadencial somente começou a escoarse a partir de 01/01/2000. Como a ciência do auto de infração ocorreu no dia 25/10/2004, não há que se falar em ocorrência de decadência. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 19515.002217/200414 Acórdão n.º 9101001.486 CSRFT1 Fl. 9 8 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 19647.004731/2005-70
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000, 2003
APRECIAÇÃO DO LITÍGIO.
Prejudicial, em sentido estrito, é questão que influencia na decisão principal e sua resolução prejudica a solução do mérito. Ela se relaciona com a solução litigiosa, ou seja, é matéria cuja decisão influenciará ou determinará o conteúdo da questão vinculada.
Em que pese os ajustes efetuados, nestes autos, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, terem servido como fundamento, em outro processo para exigência de crédito tributário, não afasta o legítimo e garantido direito da recorrente em ver apreciados os seus argumentos de defesa contra a análise efetuada pela autoridade administrativa, nas referidas bases de cálculo, que
levaram ao indeferimento do direito creditório reivindicado.
APRECIAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Deve ser declarado nulo o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento que deixa de enfrentar matéria argüida em manifestação de inconformidade apresentada tempestivamente pelo sujeito passivo, contra ajustes efetuados, de ofício, nas parcelas que compõem o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, indicado como direito creditório em Declarações de Compensação, ajustes esses que resultaram no indeferimento de parte do direito creditório invocado para fazer gente às compensações declaradas.
Numero da decisão: 1801-000.605
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2003 APRECIAÇÃO DO LITÍGIO. Prejudicial, em sentido estrito, é questão que influencia na decisão principal e sua resolução prejudica a solução do mérito. Ela se relaciona com a solução litigiosa, ou seja, é matéria cuja decisão influenciará ou determinará o conteúdo da questão vinculada. Em que pese os ajustes efetuados, nestes autos, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, terem servido como fundamento, em outro processo para exigência de crédito tributário, não afasta o legítimo e garantido direito da recorrente em ver apreciados os seus argumentos de defesa contra a análise efetuada pela autoridade administrativa, nas referidas bases de cálculo, que levaram ao indeferimento do direito creditório reivindicado. APRECIAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deve ser declarado nulo o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento que deixa de enfrentar matéria argüida em manifestação de inconformidade apresentada tempestivamente pelo sujeito passivo, contra ajustes efetuados, de ofício, nas parcelas que compõem o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, indicado como direito creditório em Declarações de Compensação, ajustes esses que resultaram no indeferimento de parte do direito creditório invocado para fazer gente às compensações declaradas.
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Prejudicial, em sentido estrito, é questão que influencia na decisão principal e sua resolução prejudica a solução do mérito. Ela se relaciona com a solução litigiosa, ou seja, é matéria cuja decisão influenciará ou determinará o conteúdo da questão vinculada. Em que pese os ajustes efetuados, nestes autos, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, terem servido como fundamento, em outro processo para exigência de crédito tributário, não afasta o legítimo e garantido direito da recorrente em ver apreciados os seus argumentos de defesa contra a análise efetuada pela autoridade administrativa, nas referidas bases de cálculo, que levaram ao indeferimento do direito creditório reivindicado. APRECIAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deve ser declarado nulo o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento que deixa de enfrentar matéria argüida em manifestação de inconformidade apresentada tempestivamente pelo sujeito passivo, contra ajustes efetuados, de ofício, nas parcelas que compõem o saldo negativo de CSLL do ano calendário 2000, indicado como direito creditório em Declarações de Compensação, ajustes esses que resultaram no indeferimento de parte do direito creditório invocado para fazer gente às compensações declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação (fls. 02/38), transmitidas eletronicamente em dezembro de 2003, pelas quais pretende a interessada a compensação de diversos débitos de sua responsabilidade com direito creditório oriundo de saldo negativo de CSLL do exercício 2001 (anocalendário 2000), no valor original de R$ 325.776,64, baixadas para tratamento manual neste processo. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, proferiu o Despacho Decisório de fl. 50, pelo qual reconheceu o direito creditório no valor de R$ 143.941,09, e homologou as compensação até o limite do crédito reconhecido. Tendo em conta a insuficiência do direito creditório para a quitação integral dos débitos indicados nas DCOMP, aos quais foram acrescidos multa de mora e juros de mora, foi determinada a cobrança dos valores remanescente, conforme relatórios às fls. 43 a 49. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telepisa Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 55/68) alegando, em síntese: a) que o reconhecimento a menor do direito creditório devese ao entendimento, expresso no auto de infração lavrado no processo n° 19647.009690/200699, de ser indedutível a amortização do ágio e de ter havido exclusão indevida de valores também relacionados ao ágio; b) que a amortização do ágio e as exclusões realizadas pela empresa estão amparadas pela legislação, além de que o lançamento teria sido realizado após o prazo decadencial, e que a solução do litígio depende da decisão a ser proferida nos autos do processo n° 19647.009690/200699; c) que houve a denúncia espontânea da infração, pelo que se eximiria da aplicação da multa de mora, com arrimo no art. 138 do CTN; b) que a imputação proporcional de principal e multa é ilegal; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004731/200570 Acórdão n.º 180100.605 S1TE01 Fl. 276 3 c) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que teria havido, ao que infere, acréscimo no valor dos débitos, o que afrontaria os arts. 145, 146 e 149 do CTN. Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1128.826 (fls. 156 a 162 ) indeferiu a manifestação de inconformidade. Inicialmente, quanto ao processo n° 19647.0096901200699, esclareceu que em decorrência de ação fiscal de que foi alvo a contribuinte, efetuouse lançamento para exigir lhe crédito tributário, tendo sido formalizado o processo n° 19647.009690/200699. Teria motivado a lavratura do auto de infração, entre outras infrações, o irregular tratamento fiscal dado pela impugnante ao ágio havido sobre operações com empresas. O lançamento, no tocante às mencionadas infrações, teria sido mantido em julgamento proferido pela Quarta Turma da DRJ em Recife/PE através do Acórdão n° 21.175, de 13 de dezembro de 2007. Assim, teriam sido refeitos os cálculos do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com o expurgo dos reflexos advindos das infrações, tendose apurado saldo negativo do imposto menor do que o declarado, conforme demonstrativos citados. Seria, assim, incabível, nestes autos, a discussão acerca do tratamento fiscal do ágio e da decadência, pois já teriam sido objeto de demanda no processo n° 19647.009690/200699, já julgado e, nestes autos, a contenda estaria circunscrita ao reconhecimento do direito creditório advindo do saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário 2000. Tal reivindicação, entretanto, não poderia ser admitida pois ao crédito invocado faltariam os atributos de certeza e liquidez. Observou que nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/2006 99, verificouse, também, além das infrações relacionadas ao ágio, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em conseqüência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anoscalendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. Como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não caberia a glosa das estimativas, e os débitos deveriam ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. Assim é que o processo n° 19647.009690/200699 teria sido influenciado por este, e não o contrário. E, nestes autos, é que seriam cobrados os débitos das estimativas não homologadas, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada teria decorrido do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos cobrados por via do presente processo seriam rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo pertinência na afirmativa de ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Ressaltou que nas DCOMP apresentadas a interessada atualizou o valor do direito creditório pleiteado, contudo em relação aos débitos informados para compensação, deixou de preencher os campos destinados à multa de mora e aos juros de mora, não obstante os débitos já estivessem vencidos à data da transmissão dos PERDCOMP. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Consignou que o artigo 28 da IN SRF no. 210, de 2002, com a redação dada pela IN SRF no. 323, de 2003, determina que sobre os débitos objeto de compensação devam incidir os acréscimos moratórios na forma da legislação de regência, até a data da entrega da DCOMP e que a cobrança de acréscimos moratórios encontrase prevista no art. 61 da Lei no. 9.430, de 1996 e que seria vedado à autoridade administrativa apreciar questionamentos a respeito de legalidade e constitucionalidade de lei. Quanto à imputação proporcional esclareceu que nas compensações pleiteadas a ordem da quitação dos débitos é definida pelo sujeito passivo mas que o débito a ser extinto é constituído do tributo ou contribuição acrescido dos respectivos acréscimos legais, em consonância com o que estabelece o art. 61 da Lei n°9430, de 1996 e que o art. 28, § 1°, da IN SRF n° 460, de 2004, e 36, § 1, da IN SRF n° 900, de 2008, que a compensação do tributo ou contribuição será acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Intimada da decisão, em 12/03/2010 (AR à fl. 164) a interessada apresentou, em 07/04/2010, o Recurso Voluntário de fls. 165 a 180, no qual reproduz as mesmas razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade. Ao final pede pela reforma daquele decisum e a homologação integral das compensações declaradas. Durante a sessão de julgamento fez sustentação oral o Dr. Luiz Carlos F. Del Fiorentino. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Neste processo foi instaurado o litígio sobre a integralidade do direito creditório reivindicado pelo sujeito passivo, de R$ 124.384,28, a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002, não reconhecido pela autoridade da DRF em Recife/PE, assim como pela 3a. Turma da DRJ em Recife/PE. De acordo com a decisão da DRJ em Recife/PE, o não reconhecimento do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 é produto da análise efetuada pela autoridade administrativa no direito creditório invocado pelo sujeito passivo. Tal análise resultou em ajustes efetuados de ofício nas bases de cálculo mensais da CSLL, no ano calendário 2002, que, conforme demonstrativos de fls. 15 a 19, referemse a falta de adição às bases de cálculo mensais da CSLL de despesas não dedutíveis – amortização de ágio e exclusões indevidas. Como este processo trata apenas de reconhecimento de direito creditório e homologação de compensações as exigências de tributos resultantes da alteração, de ofício, das Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004731/200570 Acórdão n.º 180100.605 S1TE01 Fl. 277 5 bases de cálculo mensais da CSLL do anocalendário 2002 se fizeram presentes em sede de outro processo administrativo, processo no. 19647.009690/200699, este último para exigência de crédito tributário. No processo no. 19647.009690/200699, os mesmos fatos apurados de ofício nestes autos falta de adição às bases de cálculo mensais de despesas não dedutíveis – amortização de ágio e exclusões indevidas, além de outras infrações verificadas, ensejaram a lavratura de autos de infração para exigência de tributos no processo no. 19647.009690/2006 99. Na decisão aqui atacada a DRJ argumenta não ser possível, no presente processo, a discussão acerca dos ajustes efetuados de ofício pela autoridade administrativa nas bases de cálculo da CSLL, no que respeita ao ágio amortizado que, ao final, levaram ao reconhecimento do direito creditório em valor inferior ao pleiteado, sob o argumento de que tal discussão deve se circunscrever, apenas, aos autos do processo de exigência de crédito tributário. A DRJ em Recife/PE afirma que este processo não tem vinculo e em nada decorre daquele outro. É certo que tais processos não se vinculam, posto que nos presentes autos se discute a certeza e liquidez de direito creditório invocado pelo sujeito passivo para amparar compensações de débitos, enquanto nos autos do processo no 19647.009690/200699 se discute a exigência de crédito tributário. Mas a análise da certeza e liquidez do direito creditório invocado nestes autos leva a discussão para o âmbitos dos ajustes efetuados nas bases de cálculo mensais da CSLL, dentre esses a falta de adição às bases de cálculo mensais de despesas não dedutíveis relativas à amortização de ágio, e exclusões indevidas. Neste ponto cumpre destacar as peculiaridades jurídicas das questões postas para análise no âmbito do presente processo e sua possível vinculação com os autos do processo no 19647.009690/200699. Preliminares, Prejudiciais e Mérito O processo é dialético. É natural, portanto, que uma das partes alegue e que a outra a essa alegação se contraponha. A alegação impugnada recebe, então, a denominação de ponto controvertido, que significa rigorosamente o mesmo que questão. Ressaltese, no entanto, que o legislador brasileiro, como o de outros países, permitiu ao juiz o conhecimento de determinadas matérias independentemente de alegação e, portanto, de impugnação (CPC, arts. 267, § 3.º, e 301, § 4.º). As matérias cognoscíveis de ofício, nãoalegadas e nãoimpugnadas, são também questões por força de lei. Evidentemente a principal questão do processo é a questão de mérito, descrita no pedido. O pedido fixa o principal ponto duvidoso do processo, também conhecido como objeto litigioso do processo, pretensão, lide de mérito, lide, questão de mérito, mérito da causa ou, simplesmente, mérito. O legislador brasileiro, com alguma freqüência, referese aos vocábulos mérito e lide, atribuindolhes o mesmo significado. Apreciar o mérito ou a lide significa decidir o pedido, julgandoo procedente ou improcedente. Portanto, compete essencialmente ao juiz decidir a questão de mérito, estampada, como regra, no pedido do autor. Todavia, antes de enfrentar a questão de mérito, outras questões deve decidir o juiz. Tais questões são chamadas de questões prévias e caracterizamse pela Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 indispensabilidade de sua resolução para que outras questões possam ser examinadas e decididas (v.g., a questão de mérito). Notese, porém, que é possível entre duas questões questão prévia e questão posterior ocorrer uma relação de dependência lógica, sem que uma delas a questão posterior seja exatamente a questão de mérito. Para alguns doutrinadores as questões prévias podem ser classificadas como questões preliminares ou questões prejudiciais –de acordo com o tipo ou o teor de influência exercido sobre as questões posteriores.. Barbosa Moreira diz que "a solução de determinada questão pode influenciar a de outra: (a) tornando dispensável ou impossível a solução dessa outra; ou (b) predeterminando o sentido em que a outra há de ser resolvida".1 Há, portanto, dois tipos de influência que as questões prévias também chamadas de questões subordinantes ou vinculantes podem exercer sobre as questões posteriores questões subordinadas ou vinculadas. No que respeita às questões preliminares podese dizer que: (i) a decisão da questão preliminar condiciona a apreciação da questão posterior; mas (ii) a decisão da questão preliminar não influencia no teor da decisão da questão posterior. São evidentemente preliminares, entendidas essas em relação à questão de mérito, todas as questões sobre os pressupostos processuais e as condições da ação, pois, preenchidos tais requisitos, o juiz examinará a questão de mérito, mas o pedido será julgado procedente ou improcedente, enquanto, faltando um desses requisitos, o juiz deixará de apreciar a questão de mérito, não julgando o pedido, portanto. Já quanto às questões prejudiciais podese dizer que: (i) a decisão da questão prejudicial influencia no teor da decisão da questão posterior; porém (ii) a decisão da questão prejudicial jamais condiciona a apreciação da questão posterior. Feitas essas considerações importa salientar que a matéria tratada nos Autos de Infração, objeto do processo no 19647.009690/200699, é questão prejudicial que interfere no julgamento da lide e na prestação e eficácia jurisdicional em relação à questão objeto das Declarações de Compensação. Em que pese a resistência da autoridade julgadora da DRJ em Recife/PE, constatase a impossibilidade de desvincular a análise do mérito destes autos, adstrita à verificação da certeza e liquidez do direito creditório invocado, da análise do objeto litigioso discutido nos autos do processo no. 19647.009690/200699. Aquele mérito tornase prejudicial em relação ao mérito destes autos. Isto porque, em que pese os ajustes efetuados, nestes autos, nas bases de cálculo (falta de adição às bases de cálculo mensais de despesas não dedutíveis relativas ao ágio amortizado e exclusões indevidas), terem servido como fundamento, naquele outro processo processo no.19647.009690/200699 para exigência de crédito tributário, não afasta o legítimo e garantido direito da recorrente em ver apreciados os seus argumentos de defesa contra a análise efetuada pela autoridade administrativa, nas referidas bases de cálculo, que levaram ao indeferimento do direito creditório reivindicado. 1 Barbosa Nogueira, Questões Prejudiciais e Coisa Julgada, p. 22 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004731/200570 Acórdão n.º 180100.605 S1TE01 Fl. 278 7 Contudo, não há previsão legal para suspender a apreciação da matéria litigiosa destes autos. O artigo 151 do Código Tributário Nacional (CTN) prevê os casos de suspensão de exigibilidade do crédito tributário e não a suspensão/sobrestamento do processo. Entretanto, a Portaria SRF no. 666, de 24 de abril de 2008, determina a reunião dos objetos litigiosos constantes destes autos e dos autos do processo no.19647.009690/200699. É o que se verifica do artigo 1o., incisos I e II: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; [...] Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Pelas razões expostas este processo deve ser juntado, por anexação, aos autos do processo no.19647.009690/200699, para apreciação, em conjunto, das questões meritórias. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar a remessa deste processo ao órgão em que se encontra os autos do processo no.19647.009690/200699, para a sua juntada, por anexação, àquele, e análise conjunta do mérito. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.900219/2008-04
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ale3xandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ale3xandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 19 /2 00 8- 04 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.803, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 59 a 62, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 66 a 78, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sous Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900219/200804 Acórdão n.º 3803000.667 S3TE03 Fl. 100 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900219/200804 Acórdão n.º 3803000.667 S3TE03 Fl. 101 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como ocorre com os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10620.001322/2002-01
Data da sessão: Wed Oct 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE — EXIGÊNCIA, POR INSTRUÇÃO NORMATIVA, DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - INEFICÁCIA.
O Poder Executivo, ao baixar provisões regulamentares, de caráter
secundário, deve conter-se nos limites traçados pela lei, não podendo exorbitar em seus termos, sob pena de ineficácia. Só a lei pode ditar regras de ação positiva (fazer) ou negativa (deixar de fazer ou abster-se) em obediência ao princípio da legalidade. Assim, instrução normativa não pode impor
obrigação estabelecendo exigência, não prevista em lei, para que o sujeito passivo faça jus à exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter a tributação da área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva (relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convacada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE — EXIGÊNCIA, POR INSTRUÇÃO NORMATIVA, DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - INEFICÁCIA. O Poder Executivo, ao baixar provisões regulamentares, de caráter secundário, deve conter-se nos limites traçados pela lei, não podendo exorbitar em seus termos, sob pena de ineficácia. Só a lei pode ditar regras de ação positiva (fazer) ou negativa (deixar de fazer ou abster-se) em obediência ao princípio da legalidade. Assim, instrução normativa não pode impor obrigação estabelecendo exigência, não prevista em lei, para que o sujeito passivo faça jus à exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido em parte.
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Numero do processo: 10935.003713/2004-70
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: EMENTA: SIMPLES. ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO E REPARO DE MÁQUINAS. POSSIBILIDADE. LEI N° 9.317/96.
As pessoas jurídicas que exploram o ramo de manutenção e reparo de máquinas, que utilizam mão-de-obra não qualificada, não se sujeitam à vedação do art. 9º, XIII, da Lei n.º 9.317/96.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2, DO CARF.
Nos exatos termos da Súmula n.° 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1102-000.226
Decisão: Acordam os membros do colegiada, par maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Opperman Thomé e José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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TURMA/DRI-CURITIBA/PR EMENTA: SIMPLES. ATIVIDADE DE MANUTENÇÃO E REPARO DE MÁQUINAS:. POSSIBILIDADE. LEI N°9.317/96. As pessoas jurídicas que exploram o ramo de manutenção e reparo de máquinas, que utilizam mão-de-obra não qualificada, não se sujeitam à vedação do art.. 9', XIII, da Lei n." 9,317/96, INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARI', SÚMULA N," 2, DO CARF, Nos exatos termos da Súmula n.° 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, par maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Otávio Opperman Thomé e José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (À41.01_ ViArÉAit-)U1AS:PESSOA MONTEIRO - Presidente. SILVANA RE GUERRA BARRETTO Relato',W -I31\10 EDITADO EM: 10 NO V 201(1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma ), José Sergio Gomes, João Carlos de Lima .Júnior (Vice Presidente), João Otavio Opperman Thome, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado), Silvana Rescigno Guerra Barreto (Relatara). Relatório A Delegacia da Receita Federal de Cascavel expediu o Ato Declaratório Executivo DRF/CVL IV 521540, de 02 de agosto de 2004 (ti. 07), para determinar a exclusão da Recorrente do SIMPLES, em razão da atividade por ela desempenhada, com fundamento no art. 90 , XIII, da Lei n.° 9.317/96, Inconformada, a Recorrente apresentou Impugnação, com base nos seguintes argumentos: i) Exerce atividade de prestação de serviços de mecânica industrial e tornearia; ii) não poderia ser caracterizada como prestadora de serviços de engenharia ou assemelhados, porquanto jamais exigida habilitação e inexistente lei formalizando tal exigência; iii) as atividades arroladas na Resolução n,° 218, de 29 de junho de 1973, do CONFEA não corresponderiam às realidades e necessidades atuais e deveriam ser atualizadas; não poderia ser enquadrada como sociedade profissional, nem por semelhança, por lhes faltar os requisitos para essa classificação: mesma qualificação técnica pessoal e desempenho pessoal do sócio; v) O Regulamento do Imposto de Renda, ao estabelecer como prestação de serviços caraeterizadamente como de natureza profissional, em seu art. 647, não arrola entre esses os serviços desenvolvidos no segmento; vi) A decisão de exclusão do SIMPLES fere os arts, 50, XXXVI e 170, IX, da Constituição Federal; vii) Deveria ser afastada a exclusão retroativa, em razão da prévia submissão da opção ao SIMPLES, desde o início de suas atividades; viii) O Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda teria autorizado a manutenção no SIMPLES nas situações em que o contribuinte não exerce atividades privativas de engenharia; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba afastou as afrontas aos comandos constitucionais invocados pela Recorrente e manteve o Ato de exclusão, asseverando, em síntese, que: i) a opção efetuada pelo contribuinte não impede a posterior apreciação da legalidade daquele ato; iv) 2 i) ii) Processo n" 10935 003713/2004-70 Acáidão n." 1102-00226 SI-C1T2 Fl 197 ii) a atividade de prestação de serviços de mecânica industrial e tornearia não teria sido contestada pela Recorrente e ensejaria a exclusão do SIMPLES; iii) o art, 13, da Lei n..° 9317/96 exigiria a informação do contribuinte, em caso de adequação a uma das situações previstas no art. 9°, da mesma norma; iv) o art. 14, da Lei n.° 9,317/96 impõe a exclusão, quando o contribuinte não adota a conduta exigida no artigo 13, do mesmo diploma legal; v) apesar de ter sido detectada a exclusão em 21 de outubro de 1999, o ato de exclusão apenas surtiu efeitos a partir de 01 de janeiro de 2002, não ocasionando prejuízos ao contribuinte; vi) o Ato Declaratório (Normativo) n.° 04, de 22 de fevereiro de 2000, ratificaria a necessidade de exclusão; vii) improcedentes os argumentos suscitados para caracterizar o aceite da Receita Federal quando do pedido de adesão, porquanto as prescrições legais não se subordinam a eventual manifestação da autoridade administrativa; viii) a Administração Pública não pode afastar comando de lei, sob o argumento de que seria contrário à Constituição Federal; Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, repetindo as razões suscitadas na Impugnação e acrescentando que: seria nulo o ato administrativo que a excluiu do SIMPLES, porquanto a atividade exercida e informada não teria previsão no art. 9', da Lei n.° 9.317/96 e não há qualquer informação quanto à atividade ou profissão tida como semelhante a sua; não possui em seu quadro profissionais com formação universitária ou técnica e tem atividade de prestação de serviços gerais de mecânica e não a manutenção/instalação de máquinas; iii) não poderia ser retroativo o Ato Declaratório, É o relatório, 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preenchidos os pressupostos recursais, passo a apreciar o Recurso Voluntário. Preliminarmente, a Recorrente pugna pela nulidade do Ato de Exclusão fundamentada na ausência de motivação ou de indicação de qual atividade se assemelharia àquelas por ela desempenhadas. Constato que não houve qualquer prejuízo quanto ao direito ao contraditório e ampla defesa assegurados pelo Decreto n.° 70,235/72 e pela Carta Magna Federal a permitir a decretação da nulidade, haja vista que, quando apresentou Impugnação (fls. 01/06), demonstrou ter compreendido o motivo da exclusão ao asseverar que as atividades que desempenha não poderiam "JAMAIS, serem caracterizadas com prestação de serviços profissionais de engenharia, ou assemelhados a essas, ou de outras profissões que dependem de habilitação legalmente exigida, pois não existe lei que assim determine". Diante da evidente compreensão da controvérsia e manifestação expressa da Recorrente quanto à alegada semelhança com as atividades de engenharia, afasto a preliminar de nulidade. No mérito, cinge-se a controvérsia acerca do enquadramento das atividades desempenhadas pela Recorrente de prestação de serviços de mecânica e tornearia como de engenharia ou assemelhada, para fins de adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES.. O ato de exclusão está fundamentado no art. 9 0 , XIII, da Lei n.° 9.317/96: "Art. 9' Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica • ( .) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor .- de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor ., consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida," ( .) Deflui-se da leitura do inciso XIII, do art. 9° acima transcrito que a vedação para adesão ao SIMPLES ali disciplinada está diretamente relacionada ao exercício de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, hipótese diversa da submetida à apreciação do Colegiado, consoante provam Contrato Social e alterações acostados aos autos (fls.. 09/22), que atestam a atividade de mecânica industrial e tornearia, atividade que não requer formação profissional universitária para o seu exercício, A Recorrente colacionou ainda notas fiscais (fis.. 52/161) de serviços prestados para evidenciar a atividade que desempenha, demonstrou que não possui engenheiros em seu quadro, não exerce atividade que possa ser assemelhada e cujo exercício dependa de 4 Processo n' 10935 003713/2004-70 SI-C1T2 Acórdão n " 1102-00.226 Fl. 198 habilitação profissional legalmente exigida, bem corno acostou relação de empregados (11, 165) e registros (lis, 166/190).. As atividades exercidas não exigem ou tem o condão de enquadrar a Recorrente como de engenharia e afastam o impedimento legal utilizado no ato de exclusão, porquanto realizadas por técnicos, sem a necessidade de formação em nivel superior. Finalmente, corroborando as razões ora expostas, transcrevo a seguir ementas de decisões administrativas na mesma direção defendida pela Recorrente, verbis: "EMENTA: O reparo e manutenção de máquinas e equipamentos de terceiras somente impedem a opção pelo SIMPLES quando constitua atividade típica e inserida no campo das atribuições do profissional de engenharia, ainda que seja irrelevante para a exclusão do .sistenza a prestação ocasional do serviço, não impede a opção pelo SIMPLES," (Processo n° 10.86.5.000437/00-46, Re. Luiz Sérgio Fonseca Soares, Acórdão 301-30581) 'Ementa.. SIMPLES. EXCLUSÃO. Não podo á ser confundida com atividade similar a de engenharia mecânica, privativa de engenheiros ou assemelhados, ramo de oficina de prestação de serviços na área de manutenção e reparo de equipamentos hidráulicos e pneumáticos. Atividade exercida não se encontra enquadrada nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Recurso 136444, Rel. Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Acórdão 302-39217, Sessão do dia 06/12/07) "Simples. Exclusão indevida Não poderá ser . confundida com atividade similar a de engenharia mecânica privativa de engenheiros ou assemelhados ramo de oficina de prestação de serviços na refbrma de máquinas pesadas, tratores e comércio de peças e equipamentos Atividade exercida não se encontra enquadrada nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das mio-oenzpresas e das empresas de pequeno porte RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." (Recurso 133141, Rel. Sílvio Marcos Buirei° Fiúza, Acórdão 303-33212, Sessão do dia 2.5/05061 Apesar de despiciendo, em razão do reconhecimento da ilegalidade do ato de exclusão, registro que esse Colendo Conselho não é competente para apreciar. inconstitucionalidade de norma, conforme disciplina a Súmula ft' 1, verbis: 5 "SÚMULA N" 2 do GARP O CARI' não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, para afastar o Ato de Exclusão do Simples. É como voto àtp SILVANA RESIGNO GUERRA BARRETTO 6
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Numero do processo: 10980.015395/2007-97
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.241
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Verbas trabalhista. Sobrestamento Recorrente SYRTH NICOLLELI FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: (...) Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.015395/200797 Resolução n.º 220200.241 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR, que manteve parte da autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do exercício de 2005, relativo a “omissão de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista”, com seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Ê desnecessária a perícia que objetiva responder a questões que não dependem de conhecimento técnico especializado não dominado pela autoridade julgadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. FÉRIAS PROPORCIONAIS. FGTS. ISENÇÃO. Os reflexos sobre férias proporcionais, assim como o FGTS, são verbas isentas do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. HORAS EXTRAS. COMISSÕES. DEVOLUÇÕES DE DESCONTOS. ADICIONAL DE HORAS EXTRAS. REFLEXOS. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis todas as verbas, recebidas por meio de ação trabalhista, para as quais não haja isenção. A autuação (fls. 91/97) decorre da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista, com rendimentos tributáveis de R$ 203.463,29, declarado pelo contribuinte na DIRPF de R$ 89.246,16, resultando no valor total tributável remanescente de R$ 114.217,13, com o crédito tributário de R$ 38.816,37, objeto da autuação. A decisão recorrida (fls. 120/131), com ciência em 07/02/2011 (AR de fls. 134), manteve a autuação sobre a omissão de rendimentos decorrente das verbas recebida em acordo firmado em ação trabalhista. No Recurso Voluntário a fls. 135/155, sustenta: • Nulidade do auto de infração e da decisão recorrida por falta de fundamento e motivação da autuação, dificultando a defesa, o recorrente não sabe se o lançamento levou em consideração o regime de caixa ou de competência; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.015395/200797 Resolução n.º 220200.241 S2C2T2 Fl. 3 3 • No mérito, as verbas do acordo trabalhista, aviso prévio e férias indenizadas, multas convencionais, multa do art. 467 da CLT, FGTS + multa 40%, juros moratórios, atentou o recorrente para o fato de que referidas verbas possuem natureza indenizatória, não é renda nem de acréscimo patrimonial (art. 43, CTN), não sendo, assim, fato gerador do imposto de renda, e, portanto, atentandose ao princípio da legalidade. • Alega ainda isenção do imposto de renda, prevista no art. 70 da Lei nº 9.430/96, e art. 6º, inc. V, da Lei nº 7.713/88, uma vez que se trata de indenização trabalhista paga em conformidade com a própria lei trabalhista, que se sujeita a tributação; • Aduz ofensa a capacidade contributiva. Precedentes do STJ: REsp 424225/S (DJ 19/12/2003), REsp 505081/RS (DJ 31/05/2004); REsp 1075700/RS (DJ 17/12/20b8); AgRg no REsp 641.531/SC (DY" 21/11/2000; REsp 901.945/PR (DJ 16/08/2007) e REsp 613996/ RS, Súmula nº 227, que, acompanhando o entendimento da Súmula nº 284/STF, afirma a intributabilidade das indenizações. • Indevida, ainda, a tributação sobre as férias indenizadas e prêmios na forma das súmulas 125 (férias não gozadas por necessidade do serviço) e 136 (licençaprêmio não gozada por necessidade do serviço), ambas do STJ, corroborando isenção das verbas. É o breve relatório. Voto. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.015395/200797 Resolução n.º 220200.241 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. A apreciação do presente recurso encontrase prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento dos Recursos Especiais nos 614.232/RS e 614.406/RS, de 20/10/2010, em que o Superior Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A do Código de Processo Civil, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que trata dos rendimentos recebidos acumuladamente. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil. Concluise, assim, que parte da discussão no presente processo referese à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.015395/200797 Resolução n.º 220200.241 S2C2T2 Fl. 5 5 Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 13161.001798/2008-71
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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