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4679652 #
Numero do processo: 10860.000243/99-01
Data da sessão: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE - Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n.º 165, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-18283
Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para: I - afastar a decadência; II - anular as decisões proferidas pelas autoridades administrativa e julgadora de primeira instância; e III - determinar à autoridade administrativa o enfrentamento do mérito. Vencido o Conselheiro Roberto William Gonçalves que provia o recurso quanto ao mérito.
Nome do relator: Maria Clélia Pereira de Andrade

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-10T16:42:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-10T16:42:35Z; Last-Modified: 2009-08-10T16:42:35Z; dcterms:modified: 2009-08-10T16:42:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-10T16:42:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-10T16:42:35Z; meta:save-date: 2009-08-10T16:42:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-10T16:42:35Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-10T16:42:35Z; created: 2009-08-10T16:42:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-10T16:42:35Z; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-10T16:42:35Z | Conteúdo => c,4.4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10860.000243/99-01 Recurso n°. : 125.085 Matéria : IRPF - Ex(s): 1994 Recorrente : CLODOALDO RAMOS Recorrida : DRJ em CAMPINAS - SP Sessão de : 24 de agosto de 2001 Acórdão n°. : 104-18.283 IRPF— RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.° 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ALCANCE — Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n.° 165, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CLODOALDO RAMOS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para: I — afastar a decadência; II — anular as decisões proferidas pelas autoridades administrativa e julgadora de primeira instância; e III — determinar à autoridade administrativa o enfrentamento do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Roberto William Gonçalves que provia o recurso quanto ao mérito. LEILA 3A RIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE MINISTÉRIO DA FAZENDA sistfr- A , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10860.000243/99-01 Acórdão n°. : 104-18.283 % jou etré ARIA CLÉLIA PEREIRA DE RADE RELATORA FORMALIZADO EM: 19 WH 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, VERA CECILIA MATTOS VIEIRA DE MORAES, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado) e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA. til/ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44 • QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10860.000243/99-01 Acórdão n°. : 104-18.283 Recurso n°. : 125.085 Recorrente : CLODOALDO RAMOS RELATÓRIO CLODOALDO RAMOS, interpôs recurso voluntário contra a decisão singular que manteve o indeferimento de restituição do IRPF relativo ao exercício de 1994, em razão de sua adesão ao programa de incentivo ao desligamento promovido pela empresa em que trabalhou a titulo de IR Fonte sobre verba indenizatória. Trata-se de pedido de restituição de indébito tributário, acompanhado de declaração retificadora e demais documentos que embasam o requerimento. A Delegacia da Receita Federal em Campinas - SP, indeferiu o pleito do contribuinte através da decisão de fls. 24/25, concluindo pelo decurso do prazo conferido ao sujeito passivo para pleitear a restituição do indébito tributário. O interessado manifesta seu inconformismo à fls. 27. Às fls. 29/31, a DRJ em Campinas - SP, manteve o indeferimento à restituição através da decisão assim ementada: 3 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10860.000243/99-01 Acórdão n°. : 104-18.283 "PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. DECADÊNCIA. Extingue-se em cinco anos, contados da data do recolhimento, o prazo para pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte em razão de PDV. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA." fls. 33, o sujeito passivo apresenta recurso voluntário protocolizado em 24.11.00 a esse Colegiado, o qual foi lido na íntegra em sessão. É o Relatório. 4 --•n:..5,t,i),44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10860.000243/99-01 Acórdão n°. : 104-18.283 VOTO Conselheira MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, Relatora O recurso está revestido das formalidades legais, razão pela qual dele conheço. Decidiu a autoridade monocrática, a exemplo do decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal, que estaria decadente o direito de o contribuinte pleitear a restituição, em 23.02.99, relativa ao ano-calendário de 1993, exercício de 1994, ambos entendendo que o marco inicial na contagem do prazo seria a data da extinção do crédito tributário, já tendo transcorrido os cinco anos previstos no Código Tributário Nacional. Portanto, a matéria submetida ao Colegiado restringe-se à questão do termo inicial do prazo decadencial, especificamente em relação ao pedido de restituição do imposto retido na fonte incidente sobre a verba percebida por força da adesão ao Programa de Desligamento Voluntário. Antes de mais nada, é da maior importância ressaltar que não estamos diante de um recolhimento espontâneo feito pelo contribuinte, mas de uma retenção compulsória efetuada pela fonte pagadora em obediência a um comando legal, então válido, inexistindo qualquer razão que justificasse o descumprimento da norma. Feito isso, parece-me induvidoso que o termo inicial não seria o momento da retenção do imposto, isto porque o Código Tributário Nacional, em seu artigo 168, 5 •447';..'-; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES kz1;4;V? QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10860.000243/99-01 Acórdão n°. : 104-18.283 simplesmente não contempla esta hipótese e, por outro lado, a retenção do imposto pela fonte pagadora não extingue o crédito tributário, isto porque não se trata de tributação definitiva, mas apenas antecipação do tributo devido na declaração. Da mesma forma, também não vejo a data da entrega da declaração como o momento próprio para o termo inicial da contagem do prazo decadencial para o requerimento da restituição. Tenho a firme convicção de que o termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculado ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes desse momento, as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo contribuinte na sua declaração de ajuste anual. Isto significa dizer que, anteriormente ao ato da Administração atribuindo efeito "erga omnes" quanto à intributabilidade das verbas relativas aos chamados PDV, objetivada na Instrução Normativa n°. 165, de 31 de dezembro de 1998, tanto o empregador quanto o contribuinte nortearam seus procedimentos adstritos à presunção de legalidade e constitucionalidade próprias das leis. Concluindo, não tenho dúvida de que o termo inicial para contagem do prazo para requerer a restituição do imposto retido, incidente sobre a verba recebida em decorrência da adesão ao Plano de Desligamento Voluntário, é a data da publicação da Instrução Normativa n°. 165, ou seja, 06 de janeiro de 1999, sendo irrelevante a data da efetiva retenção que, no caso presente, não se presta para marcar o inicio do prazo extintivo. 6 1 - es MINISTÉRIO DA FAZENDA st PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' 4'.7144 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10860.000243/99-01 Acórdão n°. : 104-18.283 Comungo da certeza de que uma visão diferente, fatalmente levaria a situações inaceitáveis como, por exemplo, o reconhecimento pela administração pública de que determinado tributo é indevido quando já decorrido o prazo decadencial para o contribuinte pleitear a restituição, constituindo verdadeiro enriquecimento ilícito do Estado e tratamento diferenciado para situações idênticas, o que atentaria, inclusive, contra a moralidade que deve nortear a imposição tributária. Nesse contexto, reconhecendo que o pedido de restituição foi protocolado antes de esgotado o prazo decadencial, voto por DAR provimento ao recurso voluntário para: I — afastar a decadência; II — anular as decisões proferidas pelas autoridades administrativa e julgadora de primeira instância; e III — determinar à autoridade administrativa o enfrentamento do mérito. Sala das Sessões (DF), em 24 de agosto de 2001 017) MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE 7 Page 1 _0026600.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.007722/2001-54
Data da sessão: Tue Feb 17 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Feb 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO OU INCENTIVADO (PDV/PDI - VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO À ADESÃO - NÃO INCIDÊNCIA - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - JUROS - TAXA SELIC - TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA - As verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual. Reconhecida a não incidência tributária, inexiste fato gerador do imposto, razão pela qual cabível o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a partir da data do pagamento indevido e de um por cento relativamente ao mês em que o recurso for colocado à disposição do contribuinte. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/01-04.879
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Remis Almeida Estol (Relator) e Antônio de Freitas Dutra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão.
Matéria: IRPF- processos que não versem s/exigência cred.tribut.(NT)
Nome do relator: Remis Almeida Estol

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Reconhecida a não incidência tributária, inexiste fato gerador do imposto, razão pela qual cabível o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, a partir da data do pagamento indevido e de um por cento relativamente ao mês em que o recurso for colocado à disposição do contribuinte. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Remis Almeida Estol (Relator) e Antônio de Freitas Dutra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão. /4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CA- MARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ''k--W- PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 .1) ON PE" - á RODRIGUES e,,,,E PRESIDENTE -/- 'i/ Â -1--'' LEILA A- IA SCHERRER LEITÃO REDATORA-DESIGNADA FORMALIZADO EM: 0 7 JUN 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, DORIVAL PADOVAN, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, JOSÉ RIBAMAR DE BARROS PENHA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. 2 jr1 4404, MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 Recurso n°. : 102-128.926 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Inconformado com o decidido através do Acórdão n.° 102-45.794, da Egrégia Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional através de seu representante apresenta o Recurso Especial de fls. 86/91, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão com base nas seguintes alegações: "Como se viu, Sr. Relator, a SELIC entrou no Direito Tributário como juros moratórias. Acontece que "juros moratórios" só se aplicam a partir do momento, não propriamente da ocorrência do fato, mas sim, a partir do reconhecimento do fato. Ora, o contribuinte só sabe ser devida uma restituição, ou a partir do momento em que uma decisão administrativa lhe é favorável, ou a partir da declaração de ajuste anual. Portanto, a SELIC, como juros =rotários que são, só correm a favor do contribuinte quando se lhe reconhece o indébito, o que só ocorre a partir, ou de uma decisão administrativa favorável, ou a partir da declaração de ajuste, posto que, antes disso, não sabemos ser indevida a retenção e, se não sabemos ser indevida, os juros moratórios não correm. Esse entendimento se amolda como uma luva ao caso destes autos. Isso porque foi apenas depois da decisão administrativa e/ou do ajuste que a retenção do IR foi declarada indevida. Ora, se foi apenas depois disso que soubemos que a retenção foi indevida, bem como partindo da premissa de que os juros SELIC são juros moratórios, torna-se de uma evidência palmar que a incidência da SELIC só deve ocorrer a partir do reconhecimento da retenção indevida. Nem mais, nem menos."• 3 jrl MINISTÉRIO DA FAZENDA NV~-; :fè CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ''kz~ PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 O referido acórdão recorrido que enfrentou a matéria ora submetida a este Colegiado, apresenta a seguinte ementa: "IRPF — RESTITUIÇÃO DE QUANTIA INDEVIDAMENTE RETIDA — JUROS DE MORA — TERMO INICIAL — A leitura do art. 896 do RIR/99, constata-se que, em tema de contagem de juros em restituição de indébitos pagos a título de imposto de renda, a regra geral é considerar-se, na fixação do marco inicial, a data do pagamento do imposto (confundindo-se com ela, no caso do ano calendário em foco). O marco inicial para a mesma contagem, no caso de restituição apurada em declaração de ajuste, constitui exceção à aludida regra geral e somente se ensejaria sua aplicação se pudéssemos cogitar de compensação com o imposto ali apurado. Recurso provido." Convenientemente intimado, comparece o contribuinte apresentando suas contra-razões, sustentando o acerto do julgado. É o Relatório. - / 4 jrl 4C,z,t4 V MINISTÉRIO DA FAZENDAsa5_: „ CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 VOTO VENCIDO Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Decidiu a Câmara recorrida o imposto de renda restituível ao contribuinte, relativo a verbas decorrentes de sua adesão a Programa de Demissão Voluntária, deveriam ser atualizados pela variação da Taxa SELIC desde a data da retenção. Pretende a Fazenda Nacional, ora recorrente, que esses valores sofram atualização a contar da data da entrega da declaração. Como se vê, trata-se de questão de direito, restrita à identificação do termo inicial para a aplicação da Taxa SELIC nos casos de restituição do imposto que incidiu sobre indenizações vinculadas a adesão a PDV. Analisando as razões de recurso e os fundamentos desenvolvidos em relação ao tema, tenho que assiste razão à Fazenda Nacional. Antes de mais nada, é da maior importância ressaltar que não estamos diante de um recolhimento espontâneo feito pelo contribuinte, mas de uma retenção 5 j rl MINISTÉRIO DA FAZENDA ,N.ISt CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (*;'--Q.-2,,kf:F PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 compulsória efetuada pela fonte pagadora em obediência a um comando legal, então válido, inexistindo qualquer razão que justificasse o descumprimento da norma. Em outras palavras, as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo contribuinte na sua declaração de ajuste anual. Isto significa dizer que, anteriormente ao ato da Administração atribuindo efeito "erga omnes" quanto a intributabilidade das verbas relativas aos chamados PDV, objetivada na Instrução Normativa n°. 165 de 31 de Dezembro de 1998, tanto o empregador quanto o contribuinte nortearam seus procedimentos adstritos à presunção de legalidade e constitucionalidade próprias das leis. Não há dúvidas que esses pedidos implicam, necessariamente, em retificação da declaração de ajuste anual, com a adoção dos seguintes procedimentos: "a) exclusão do valor recebido à título de PDV do rol dos rendimentos tributáveis; b) reajustar a base de cálculo do imposto apurado na declaração; e c) compensar o novo imposto devido com aquele retido na fonte, aí incluindo o IRF que incidiu sobre a verba indenizatória. Agindo desta forma, o que o contribuinte fez foi exatamente pleitear a restituição do "novo" saldo de imposto, agora apurado via revisão da declaração de ajuste anual. Aliás, jamais poderia ser feito de outra maneira, isto sob pena de se gerar inúmeras distorções, como por exemplo: 6 jrl ss:), = MINISTÉRIO DA FAZENDAw-;;* CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 "a) O valor retido e relativo ao PDV poderia ser menor do que aquele resultante da revisão da declaração de ajuste. b) O valor retido e relativo ao PDV poderia ser maior do que aquele resultante da revisão da declaração de ajuste. c) Parte do valor retido relativo ao PDV, já teria sido devolvido. d) Apesar do valor retido relativo ao PDV, ainda teria imposto a pagar. e) É praticamente impossível a coincidência entre o valor retido sobre as verbas do PDV e aquele resultante do aperfeiçoamento da declaração. Portanto, a conduta simplista de aplicar a correção a partir da data da retenção, fatalmente irá resultar em prejuízo, ora da Fazenda ora do Contribuinte, fazendo inferir que a regra geral relativa à repetição de indébitos é inaplicável ao presente caso. Não se trata, pois, de restituição do imposto retido no ato do pagamento das verbas rescisórias. Cuida-se, isto sim, de restituição de imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual, que foi objeto de retificação/revisão. Ora, como o pedido inicial restringiu-se à restituição de imposto apurado na declaração, correta é a decisão que procedeu à devolução atualizada pela Taxa SELIC de acordo com a IN 22/96, ou seja, em relação a anos base de 1995 e anteriores, a partir de janeiro de 1996 e, com relação a anos base de 1996 e posteriores, a partir do mês seguinte àquele fixado como prazo para entrega da declaraç ã/77°. 7 jrl MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ‘41Z+:::é: PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 Mesmo que o contribuinte tivesse mantido intacta sua declaração de ajuste anual (recebendo a restituição ou pagando o saldo de imposto eventualmente apurado), e requerido a restituição do imposto que incidiu sobre os valores pagos a título de PDV, a questão não se resolveria, ou seja, teria a Fazenda de revisar a declaração e fazer um lançamento para reaver a parte excessivamente restituída e/ou complementar a restituição, o que ensejaria termos iniciais para a correção em momentos distintos. Mas, repito, o requerimento de restituição originalmente apresentado referiu- se ao saldo a restituir que foi apurado mediante retificação de declaração e, portanto, desta forma foram fixados os limites do pedido inicial, mesmo porque não poderia ser feito de outra forma. Não bastasse, a prevalecer a tese do recorrente, qualquer declaração com imposto a restituir implicaria que, em algum momento pretérito, houve antecipação ou retenção a maior, passível de atualização dependendo em que mês surgiria o valor excedente. Também importante é o fato de que este Colegiado tem sistematicamente decidido que o termo inicial da decadência não é a data da retenção, não fazendo sentido caminhar em tese oposta para fazer incidir a taxa selic desde então. Logo, nada mais correto e justo do que deferir a restituição do valor resultante dos ajustes feitos pela declaração retificadora, devidamente atualizado pela Taxa SELIC conforme determinado pela Instrução Normativa n.° 22 de 18.04.1996. 8 jrl 44eN)so„, MINISTÉRIO DA FAZENDA•;--* CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS -~ PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 Assim, com as presentes considerações, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial formulado pela douta procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, em 17 de fevereiro de 2004 REM/IS ALMEIDA ESTOL 9 jrl MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ~", PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 VOTO VENCEDOR Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, Redatora-Designada Com todo respeito ao i. Conselheiro-relator, discordo de seu posicionamento, por considerar legítimo o julgamento levado a efeito no Acórdão ora recorrido. Discutem-se, nestes, autos, tão-somente, o termo inicial de atualização referente a imposto de renda retido indevidamente na fonte, a título de antecipação, sobre importâncias pagas a título de indenizações, nos casos de demissões voluntárias, em razão de incentivo à adesão a programas de redução de quadro de pessoal. Tem-se que o julgado recorrido decidiu, em face da legislação de regência que, no caso de restituição de imposto de renda retido na fonte, reconhecidamente indevido, há de ser atualizado, desde a data da efetiva retenção, conforme legislação então vigente. Compulsados os autos, verifica-se que a retenção do imposto pela fonte pagadora se deu em maio de 1995. Reconhecida a retenção indevida, o valor pago indevidamente foi restituído ao sujeito passivo em dezembro de 1999, acrescido de juros moratórios com início de incidência a partir de mês de maio do ano de 1996. Ou seja, a partir do mês subseqüente àquele fixado para a apresentação da DIRPF/1996. 10 jrl MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ni.:40 PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 A jurisprudência das Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, ainda que à maioria de votos, firmou-se no sentido de que as taxas rernuneratórias devem incidir conforme legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, quando da retenção indevida. Para a devida análise, reporto-me aos artigos 165 e 167, do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição, total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do artigo 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Constatado o recolhimento de imposto sobre verba reconhecidamente não sujeita à incidência do imposto, legítima é sua restituição, com os acréscimos devidos, tendo-se como termo inicial a do pagamento indevido, nos termos da legislação de regência. Transcrevo, para embasar o meu voto, o art. 896 do RIR/99, que dispõe sobre a forma de atualização de indébitos, inclusive também base da decisão ora recorrida, e que espelha a legislação que rege a matéria , verbis:", 11 jrl 'W MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.00772212001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 "Art. 896. As restituições do imposto serão (Lei n° 8.383, de 1991, art. 66, § 3°, Lei n° 8.981, de 1995, art. 19, Lei n.° 9.069, de 1995, art. 58, Lei n.° 9.250, de 1995, art. 39, § 4°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 73): I — atualizadas monetariamente até 31 de dezembro de 1995, quando se referir a créditos anteriores a essa data; II — acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente: a)a partir de 1° de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 1997, a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; b) após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Parágrafo único. O valor da restituição do imposto da pessoa física, apurado em declaração de rendimentos, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos até o mês anterior ao da liberação da restituição e de um por cento no mês em que o recurso for colocado no banco à disposição do contribuinte (Lei n° 9.250, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 62)." (destacamos) Constatando tratar-se de rendimento reconhecidamente não sujeito à incidência do imposto e, portanto, não sujeito à base de cálculo na DIRPF anual, por óbvio, a incidência na fonte também se deu indevidamente. Dessa forma, o valor assim retido torna-se indébito e, portanto, não se enquadra no disposto no parágrafo único, do art. 896, do RIR199, acima transcrito. Esse dispositivo aplica-se, exclusivamente, aos valores a restituir em função do ajuste anual., 12 jrl \ MINISTÉRIO DA FAZENDA NP T--;* -st1-1M CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ‘1.+0,' PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 Não se tratando de rendimento sujeito ao ajuste, não aplicável à restituição tratada nos autos o disposto no parágrafo único do art. 896, do RIR/99. Conforme bem enfrentado no Voto Vencedor, "(...) a contagem de juros em restituição de indébitos pagos a título de imposto de renda, a regra geral é considerar-se, na fixação do marco inicial, a data do pagamento do imposto (confundindo-se com ela. No caso do ano-calendário em foco. O marco inicial para a mesma contagem, no caso de restituição apurada em declaração de ajuste, constitui exceção à aludida regra geral e somente se ensejaria sua aplicação se pudéssemos cogitar de compensação com o imposto ali apurado." A propósito, trago à colação decisão do STJ, manifesta através do Acórdão RESP 255.952/PR, D.J. de 28 de outubro de 2003, da qual transcrevo a respectiva ementa: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA NÃO-REPERCUSSÃO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECEDENTES. 3.Na repetição de indébito, seja como restituição ou compensação tributária, com o advento da Lei n° 9.250/95, a partir de 01/01/96, os juros de mora passaram ser devidos pela Taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, não mais tendo aplicação o art. 161 c/c art. 167, parágrafo único, do CTN. Tese consagrada na Primeira Seção, com o julgamento dos EREsp's 291.257/SC 399.497/SC e 425.709/SC em 14/05/2003. 4. É devida a Taxa SELIC na repetição de indébito, desde o recolhimento indevido, independentemente de tratar-se de tributo sujeito a homologação ERE5p's 131.203/RS, 230.427, 242.029 e 244.4437' 13 jrl ' MINISTÉRIO DA FAZENDA wk*•*-:,70 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS s).:¡n4•;,:in r._„2~ PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10580.007722/2001-54 Acórdão n°. : CSRF/01-04.879 5. A SELIC é composta de taxa de juros e correção monetária, em casos de compensação ou restituição, são o IPC, no período de março/90 a janeiro/91; o INPC, de fevereiro/91 a dezembro /1991; a UFIR, de janeiro/1992 a 31/12/95; e a partir de 01/01/96, a taxa SELIC. (g.n.) 7. Recurso Especial improvido" Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo-se a decisão da C. Segunda Câmara, ou seja, de reconhecer o direito à restituição pleiteada, com os acréscimos legais cabíveis, conforme legislação vigente, sobre o valor do imposto de renda retido na fonte, relativo ao PDV, a partir do mês do pagamento indevido/retenção, cujo valor será apurado na execução do presente acórdão, observando-se o valor já restituído ao interessado. Sala das Sessões - DF, em 17 de fevereiro de 2004 01/7/6w5L--.7- LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO 14 jrl Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1

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Numero do processo: 10825.001006/99-68
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2002
Ementa: DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA - CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE - NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO - Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Desta forma, é de se manter as glosas com despesas de doações e pagamentos diversos, por ausência de provas de que foram necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. DESPESAS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL - CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS - O contribuinte, pessoa física, que receber rendimentos do trabalho não assalariado, incluindo os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição Federal, não poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como as despesas de arrendamento. GASTOS COM INVESTIMENTOS - DESPESAS DE CUSTEIO - Considera-se despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Por outro lado, os gastos com reforma de prédio, aquisição de móveis e utensílios e equipamentos eletrônicos, se referem à aplicação de capital e, portanto, não são dedutíveis da receita por expressa disposição legal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - GLOSA DE DESPESAS - MULTA OFÍCIO EXIGIDA JUNTAMENTE COM O TRIBUTO X MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO - LANÇAMENTO CONCOMITANTE - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida juntamente com o tributo com a aplicação de multa de lançamento de ofício exigida isoladamente do tributo (falta de recolhimento do imposto mensal), já que a segunda somente se torna aplicável de forma isolada, se for o caso, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê-leão). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO - É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê-leão), previsto no artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. IRPF - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA - AUSÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGÍVEL - ARTIGO 44 DA LEI Nº. 9.430/96 - INCOMPATIBILIDADE MANIFESTA COM OS ARTIGOS 97, 113 E 138 DO CTN - A inexistência de crédito tributário via cumprimento da obrigação antes do procedimento fiscal, torna incabível a multa de ofício isolada diante da regra expressa do art. 138 do CTN. - A multa de ofício isolada prevista no inciso III, art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996, conflita com a norma geral de tributação insculpida no Código Tributário Nacional, notadamente em relação ao art. 97, inciso V, combinado com o artigo 113. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-19.120
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: I - excluir da exigência tributária a multa de oficio lançada de forma isolada com base na falta de recolhimento do imposto mensal (camê-leão) informado na Declaração de Ajuste Anual; II - excluir da exigência tributária a multa de oficio isolada exigida concomitantemente com a multa de lançamento de oficio normal; e III - restabelecer as deduções de despesas de aluguel, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann (Relator), Leila Maria Scherrer Leitão e Vera Cecilia Mattos Vieira de Moraes, que negavam provimento em relação à matéria constante no item I. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Remis Almeida Estol.
Nome do relator: Nelson Mallmann

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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4e'"it QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Recurso n°. : 130.889 Matéria IRPF - Ex(s): 1997 e 1998 Recorrente : WASHINGTON DE JESUS BAPTISTA Recorrida : DRJ em SÃO PAULO - SP II Sessão de : 05 de dezembro de 2002 Acórdão n°. : 104-19.120 DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA - CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE - NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO - Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Desta forma, é de se manter as glosas com despesas de doações e pagamentos diversos, por ausência de provas de que foram necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. DESPESAS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL - CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS - O contribuinte, pessoa física, que receber rendimentos do trabalho não assalariado, incluindo os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição Federal, não poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como as despesas de arrendamento. GASTOS COM INVESTIMENTOS - DESPESAS DE CUSTEIO - Considera- se despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Por outro lado, os gastos com reforma de prédio, aquisição de móveis e utensílios e equipamentos eletrônicos, se referem à aplicação de capital e, portanto, não são dedutíveis da receita por expressa disposição legal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - GLOSA DE DESPESAS - MULTA OFICIO EXIGIDA JUNTAMENTE COM O TRIBUTO X MULTA DE OFICIO EXIGIDA ISOLADAMENTE POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNE-LEÃO - LANÇAMENTO CONCOMITANTE - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida juntamente com o tributo com a aplicação de multa de lançamento de ofício exigida isoladamente do tributo (falta de recolhimento do imposto mensal), já que a segunda somente se toma aplicável de forma isolada, se for o caso, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (camê-leão).il, 774-4$-e-, otre-- T s'ek MINISTÉRIO DA FAZENDA 3'n .0; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO — IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÂO - É cabível, a partir de 1° de janeiro de 1997, a multa de oficio prevista no art. 44, § 1°, III, da Lei n° 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (camê-leão), previsto no artigo 8° da Lei n° 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. IRPF - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA - AUSÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGÍVEL - ARTIGO 44 DA LEI N°. 9.430/96 - INCOMPATIBILIDADE MANIFESTA COM OS ARTIGOS 97, 113 E 138 DO CTN - A inexistência de crédito tributário via cumprimento da obrigação antes do procedimento fiscal, toma incabível a multa de oficio isolada diante da regra expressa do art. 138 do CTN. - A multa de ofício isolada prevista no inciso III, art. 44 da Lei n°. 9.430, de 1996, conflita com a norma geral de tributação insculpida no Código Tributário Nacional, notadamente em relação ao art. 97, inciso V, combinado com o artigo 113. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WASHINGTON DE JESUS BAPTISTA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: I - excluir da exigência tributária a multa de oficio lançada de forma isolada com base na falta de recolhimento do imposto mensal (camê-leão) informado na Declaração de Ajuste Anual; II - excluir da exigência tributária a multa de oficio isolada exigida concomitantemente com a multa de lançamento de oficio normal; e III - restabelecer as deduções de despesas de aluguel, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann (Relator), Leila Maria Scherrer Leitão e Vera Cecilia 7/19-4r" 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA ta,p jsk:: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 Mattos Vieira de Moraes, que negavam provimento em relação à matéria constante no item I. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Remis Almeida Estol. LEILA ARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE - MIS ALMEIDA ESTeL REDATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 10 MAR 2C93 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CLÉLIA MARIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO e JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA. 3 • 1 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA tr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 Recurso n°. : 130.889 Recorrente : WASHINGTON DE JESUS BAPTISTA RELATÓRIO WASHINGTON DE JESUS BAPTISTA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n° 212.100.398-34, com domicílio fiscal na cidade de Bauru, Estado de São Paulo, à Rua General Marcondes Salgado, n.° 2-45, jurisdicionado a DRF em Bauru - SP, inconformado com a decisão de fls. 883/902, prolatada pela DRJ em Ribeirão Preto - SP, recorre a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 911/934. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 14/07/99, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 02/08, com ciência, em 14/07/99, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 318.877,83 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% (art. 44,1, da Lei n.° 9.430/96); da multa de lançamento de ofício isolada; e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês ou fração, calculados sobre o valor do imposto, relativo aos exercícios de 1997 e 1998, correspondente aos anos-calendário de 1996 e 1997. A autuação fiscal decorre constatação das seguintes irregularidades: 4 • 1 4 k MINISTÉRIO DA FAZENDA s.i t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 I — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (CARNÊ-LEÃO): Glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, conforme Relatório Fiscal de folhas 09. Infração capitulada no artigo 6° e parágrafos, da Lei n° 8.134, de 1990; e artigo 8°, inciso II, alínea "g" , da Lei n°9.250, de 1995. II — DEMAIS INFRAÇÕES SUJEITAS A MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ-LEÃO: Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de camê-leão, tendo por base de cálculo o imposto de renda mensalmente informado na declaração de rendimentos e não recolhido nas épocas oportunas oriundo de recebimento de pessoas físicas (camé-leão), acrescido dos rendimentos omitidos apurados de ofício. Infração capitulada no artigo 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n°9.430, de 1996. Os Auditores-Fiscais da Receita Federal, autores do lançamento do crédito tributário, esclarecem, ainda, através do Relatório Fiscal de fls. 09/12, entre outros, os seguintes aspectos: - que em 18 de maio de 1999, iniciamos o procedimento fiscal no contribuinte acima identificado, tendo sido verificadas as Declarações de Operações Imobiliárias no período de janeiro de 1996 a dezembro de 1997 e os valores lançados em livro caixa no mesmo período; - que para melhor análise do livro caixa e respectivos documentos comprobatórios de seus lançamentos, foi efetuada em 19 de maio de 1999 a retenção de oito pastas tipo AZ contendo as Notas Fiscais, recibos e outros documentos comprobatórios das despesas lançadas; 5 - MINISTÉRIO DA FAZENDAws. fr.; v PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44'-'34-€.5:: :" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que em análise à documentação do contribuinte, verificou-se enorme quantidade de gastos efetuados não necessários à percepção do rendimento e à manutenção da fonte pagadora. Em sua peça impugnatória de fls. 789/817, apresentada, tempestivamente, em 13/08/99, o autuado, após historiar os fatos registrados no Auto de Infração, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida a impugnação para considerar insubsistente a autuação, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: - que, em preliminar, o Auto de Infração ora impugnado é nulo de pleno direito, uma vez que viola a garantia constitucional do contraditório e ampla defesa, estampadas no artigo 5°, inciso LV de nosso Diploma Supremo; - que em 10/06/99, foi elaborado pelas autoridades autuantes "Termo de Constatação e Intimação" , onde se solicita manifestação à cerca de 787 documentos relacionados naquele termo; - que, para tanto, em clara afronta ao principio do contraditório e da ampla defesa, as autoridades outorgaram o prazo de cinco dias para a manifestação do autuado; - que o autuado, porém, tentou de todas as formas atender o requerido e apresentou, em 25/06/99, a resposta ao "Termos de Constatação e Intimação", juntando 438 folhas, onde reproduz comprovantes de despesas lançadas no livro caixa, protestando pela aceitação das mesmas por constituírem encargos necessários a percepção do rendimentos, dedutíveis, portanto na determinação do imposto devido; 6 - t " . • MINISTÉRIO DA FAZENDA 'tt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que tais esclarecimentos foram totalmente ignorados pelas autoridades autuantes, que, além de não aprecia-los, nem sequer deram-se ao trabalho de mencionar a sua existência; - que não justificando porque recusaram os esclarecimentos do contribuinte e cada valor componente dos documentos por ele oferecidos, os senhores auditores violaram o preceito retro, viciando, de forma insanável, o procedimento; - que o Auto de Infração, de forma confusa, apenas apresenta valores mensais aleatoriamente, sem fazer qualquer correlação com os documentos analisados na auditoria. Não foram informadas quais seriam as despesas glosadas, sua natureza e respectivos valores. Apenas enumera fornecedores, como se da identificação dos mesmos dependesse a dedutibilidade dos gastos; - que impossível produzir qualquer defesa quando o fisco, adotando descrição obscura dos fatos, apenas aponta o total dos valores considerados indedutíveis a cada mês, sem detalhar sua natureza, como os apurou e porque não podem ser aceitos; - que incompreensível, também por falta de informações, a determinação da multa exigida isoladamente no ano-calendário de 1997. Não se sabe quais os fatos determinantes de sua aplicação e porque os valores tributáveis do imposto compõem o cálculo; - que ao peticionário não foram entregues todos os elementos formadores da convicção dos autuantes. Forneceu-se, apenas, cópias do Auto de Infração e seus demonstrativos e do Relatório Fiscal. Nada do interior teor do processo, para conhecimento dos elementos de prova, das circunstâncias materiais dos fatos ensejadores da exação; 7 . , e.‘4, MINISTÉRIO DA FAZENDA it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que caso entenda o Emérito Julgador Singular não acolher a preliminar suscitada, o que se admite apenas para argumentar, requer o impugnante seja ela tomada em consideração do mérito do lançamento. Se não como preliminar, no mérito tal argüição é suficiente para descaracterizar as exigências; - que, com relação às doações, não estão computados os valores correspondentes ao Conselho Municipal da Criança e Adolescente, por ser possível a dedução do imposto devido, o que traduz benefício maior que o pleiteado como despesa no Livro Caixa. Os pagamentos efetuados a Legião Mirim de Bauru não se identificam com doações, pois decorrem da cessão de mão-de-obra de "mirins" para a prestação de serviços no cartório. Nesses casos o pagamento é efetuado diretamente á entidade assistente do menor - que, com relação aos recibos emitidos pelos funcionários do Cartório, desconhece o fisco que a entrega de Notificações de Títulos e Documentos e Intimações de Protestos devem ser, obrigatoriamente, efetuadas por escreventes do Cartório, em função de normas da Corregedoria. Estes utilizam seus próprios meios de locomoção e recebem a contrapartida por tais diligências, sempre cumpridas fora do horário normal de trabalho; - que, com relação à Empresa Carrilo Batista Ltda, de cujo capital participa o filho do impugnante, a fiscalização justifica a glosa dos valores pagos sob a alegação de inexistência de contrato, valores altos para atividade de baixa complexividade, representando mera liberalidade de pai para filho. Mais uma vez os requisitos indispensáveis para a dedutibilidade foram deliberadamente ignorados. A efetiva prestação dos serviços e seu pagamento não são colocados em dúvida. A fiscalização, sem oferecer qualquer parâmetro, alega valores elevados para locação e manutenção de equipamentos de informática. Sendo que a receita foi regularmente contabilizada na beneficiária, como comprovam os próprios fiscais; 8 4- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que, com relação das despesas com o imóvel da Rua Marcondes Salgado n° 2-47 em Bauru, tratam-se de despesas de conservação e reparos, e não benfeitorias, efetuadas no aludido imóvel, que os dignos auditores não acolheram sob o argumento de estar o contrato de locação com a própria esposa do impugnante. Afirmam ser o imóvel onde se encontra instalado o Cartório de propriedade do contribuinte, tanto que o declarou no item 6 de sua declaração IRPF do ano-calendário 1996. Acrescentam ser o pagamento de aluguel mera conveniência, não podendo ser oposto à Fazenda Pública para fins de dedutibilidade no Livro Caixa, posto que o imóvel é de sua propriedade. O contrato de locação é plenamente válido. A senhora Sumara Simões Batista é proprietária de 50% do imóvel. Embora casada com o impugnante, não é sua dependente. Apresenta Declaração de Rendimentos como contribuinte autônomo, submetendo regularmente à tributação os rendimentos auferidos da referida locação; - que, com relação às despesas com aluguel de terreno contíguo ao Cartório, tem-se que o Cartório situa-se em rua de intenso movimento, a disponibilidade de um estacionamento próprio facilita os clientes, motiva a preferência e incrementa o número deles, com reflexos positivos no rendimento a ser tributado. Fosse o único Cartório da cidade, cujos serviços ficassem restritos ao registro de escrituras apenas, ainda assim seria discutível a rejeição de despesas com o aluguel de estacionamento; - que a autoridade tributante, de forma totalmente arbitrária, formalizou também a exigência de multa isolada, em valor equivalente a 75% dos valores obtidos mediante a glosa de despesas no período de janeiro a dezembro de 1997. Em 05 de junho de 2000, a DRJ em Ribeirão Preto — SP, baixa o processo para que a DRF se pronuncie sobre a impugnação interposta, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: 9 n J• MINISTÉRIO DA FAZENDA '-'tsetn PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .>" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que evidentemente que o auto de infração deve ser instruido com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, cientificando o sujeito passivo desses atos e documentos, bem assim deve a descrição dos fatos ser precisa e deve haver consentaneidade com o enquadramento legal. O relato pelo representante do fisco deve ser completo de modo a não restringir o pleno conhecimento, pelo autuado, dos fatos que motivaram a ação fiscal, para que este tomando conhecimento do que lhe está sendo exigido possa se defender, evitando, inclusive, protelação da lide e aperfeiçoamento da exigência; - que o contribuinte deve ser cientificado do auto de infração, fornecendo-lhe cópia inclusive de todos os elementos de prova que deram suporte à exigência (documentos dos quais ele não teve conhecimento prévio, termos de verificações, resultado de diligências, termo de conclusão e comprovantes indispensáveis à formação de convicção do julgador) e dos demonstrativos que o instruem, com a prova da entrega ao sujeito passivo ou preposto, de modo a prevenir a alegação de cerceamento do direito de defesa; - que no caso dos autos, é de reconhecer o esforço e o trabalho que teve o representante do fisco para analisar e separar, mês a mês, os muitos documentos representativos das despesas lançadas no livro caixa; - que, entretanto, segundo o impugnante, este não teve ciência dos citados demonstrativos, tendo recebido tão-somente cópias do auto de infração e seus anexos e do relatório fiscal, e desconhece se os documentos relacionados no Termo de Constatação são os mesmos que serviram de base para a autuação, citando alguns meses nos quais houve divergência de valores; lo art. "". MINISTÉRIO DA FAZENDAwin. 's'frej tr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '<4,4.)• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que há de se reconhecer que o relatório, não obstante relacionar vários beneficiários dos pagamentos, não fornece a convicção se a citação dos fornecedores e/ou prestadores de serviços é apenas exemplificativa, como foi alegado pela defesa, ou se engloba a totalidade dos beneficiários, cujos pagamentos foram desconsiderados, isto porque o relatório não aponta o valor recusado correspondente a cada fornecedor ou mesmo em relação a cada um dos itens do relatório. Referindo-se aos valores pagos à empresa "Carrilho Batista Ltda.", a autoridade fiscal informou tratar-se de valores elevados, deixando, no entanto, de informar o montante glosado; - que o relatório contendo os totais dos valores glosados relativos a cada fornecedor ou a cada um dos itens do relatório, mês a mês, com referências diretas às folhas do processo onde se encontra os elementos de comprovação, seria de todo mais conveniente porque ajudaria não apenas o julgador mas também o contribuinte a preparar a sua defesa, evitando, como no caso dos autos, a alegação de cerceamento do direito de defesa; - que assim, para evitar que o contribuinte venha no futuro alegar que foi prejudicado por apurações ou cálculos errados, acusações não devidamente explicitadas, e considerando que o conhecimento dos valores glosados em relação a cada item é um direito do contribuinte, inclusive para sua estratégia de defesa, e também importante para o julgador no caso de entender que certas despesas podem ser dedutiveis e, assim, ter que restabelecer os valores correspondentes, proponho seja o processo baixado em diligência com a solicitação para a fiscalização dignar-se a conceder vista ao contribuinte do processo, informando-lhe, mediante demonstrativo, quais dos valores lançados no livro caixa foram desconsiderados, inclusive informando, mês a mês, o total de cada item (espécie) de despesa glosada; 11 • «g. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que se solicita, também, que a fiscalização se manifeste quanto à contestação relativa ao item 1 do relatório (doações), especificamente no que diz respeito ao direito, não concedido, de deduzir do imposto apurado, as doações feitas ao "Condicac" e ao direito de deduzir no livro caixa os pagamentos efetuados em razão do trabalho realizado pelos "mirins" no cartório, bem assim os recolhimentos compulsórios feitos à "Apamagis" e à Associação dos Serventuários e ao IRTDPJ; - que se solicita, ainda, que se manifeste quanto à alegação de que as pessoas mencionadas no item 2 do relatório prestam serviços de diligências e entrega de notificações fora do horário normal de trabalho utilizando-se de seus próprios meios de locomoção, bem assim quanto à alegada divergência entre os valores constantes no auto de infração e no Termo de Constatação e, por último, verificar se a esposa do contribuinte ofereceu à tributação o rendimento de aluguel do prédio onde se encontra instalado o cartório. Consta às fls. 870/871, o Relatório Fiscal emitido pela Seção de Fiscalização da DRF em Bauru — SP, manifestando-se sobre as solicitações da DRJ em Ribeirão Preto — SP. Consta às fls. 876/879, a manifestação do autuado sobre as diligências realizadas pela Seção de Fiscalização da DRF em Bauru —SP a pedido da DRJ em Bibeirão Preto — SP. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a DRJ em Ribeirão Preto - SP conclui pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção em parte do crédito tributário lançado, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA "P PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -:-: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que, em preliminar, o autuado argüiu cerceamento do direito de defesa solicitando a nulidade do auto de infração sob a alegação de que o RIR estabelece o prazo de 20 dias para responder pedidos de esclarecimentos e que, no caso, a autoridade fiscal concedeu apenas 5 dias para o contribuinte manifestar-se a respeito do termo de constatação e intimação que relacionou 787 documentos; - que improcede a alegação de que não teve ciência de todos os elementos de prova ensejadores da exação. Os documentos comprobatórios das despesas foram apresentados pelo contribuinte e a ele foi dado ciência de todas as despesas que não foram aceitas como dedução, bem assim das justificativas, inclusive com os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada, de forma que o contribuinte teve conhecimento do inteiro teor do ilícito tributário, bem assim das provas nas quais se baseou a fiscalização para lavrar o auto de infração, e pôde exercer seu direito de defesa amplamente, o que pode ser confirmado pela alentada impugnação que está sendo objeto de apreciação. O autuado possuía a prerrogativa de anexar aos autos todas as provas que julgasse relevantes para elidir o lançamento. Nessas circunstâncias, esvai-se qualquer argumentação no sentido de questionar a validade do rito processual que foi implementado; - que inscrição da despesa utilizada no Livro Caixa é condição primordial para a admissibilidade de sua dedução dos rendimentos tributáveis, na declaração de ajuste anual, sem contar que não basta a sua comprovação por meio de documentação idônea, devendo ainda ficar comprovado que as despesas de custeio pagas são necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Tais despesas devem estar devidamente discriminadas e identificadas em documentos hábeis e idôneos; - que todos os valores objeto de glosa estão relacionados, mês a mês, no demonstrativo de fls. 830/853, bem assim no demonstrativo de fls. 854/866, no qual a autoridade fiscal discriminou as glosas em função do fornecedor da mercadoria e/ou serviço; 13 . o MINISTÉRIO DA FAZENDA vt .0-r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que, quanto às doações, que há de ser admitida os pagamentos feitos a Condicac, no valor de R$ 900,00, entretanto, quanto aos valores pagos à Legião Mirim de Bauru, que o autuado alega que não se trata de doação, mas de pagamentos por serviços prestados. Porém, não comprovou o alegado, pois os recibos apresentados (fls. 149, 218, 637, etc.) não indicam a natureza dos pagamentos; informam apenas que recebeu do usuário a quantia mencionada a titulo de mensalidade e fundo de manutenção. Portanto, não ficou provado tratar-se de despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora; - que, quantos aos pagamentos feitos a Silvani Aparecida lndrigo, Rogério Geraldo Fonseca e Levi Oliveira Barbosa estão comprovados, mediante recibos, nos valores respectivos de R$ 17.923,99, R$ 12.125,75 e R$ 2.618,88. Além disso, constam dos recibos que os pagamentos foram efetuados a título de diligências e/ou entrega de notificações. Trata-se, portanto, de despesas necessárias à percepção da receita, passíveis de dedução. O fato de os servidores receberem salários por serviços prestados no horário de expediente não impede que recebam por serviços prestados fora do horário normal de trabalho, e sendo estas despesas necessárias à percepção da receita, cabível é sua dedução; - que, quanto aos pagamentos feitos a Carrilho Batista Ltda — ME, tem-se que a fiscalização não colocou em dúvida a efetiva prestação de serviços, bem assim o pagamento. Procedeu-se à glosa tão-somente porque entendeu tratar-se de valores altos para a atividade de baixa complexidade. No entanto não ofereceu qualquer parâmetro ou tabela de preços para contrapor os valores cobrados pelos serviços. O fato de a empresa ser de propriedade do filho do impugnante não constitui óbice para deduzir as despesas pagas, pois não existe na legislação proibição de empresas prestarem serviços a pessoas físicas ou jurídicas cujos sócios são parentes entre si, bastando para ser dedutíveis que as 14 • tr" rr; MINISTÉRIO DA FAZENDA *frA. ;:.t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4'1.1; ?•,: e QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 despesas sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora, condições estas satisfeitas e que não estão em discussão; - que, quanto às despesas com construção, tem-se que a fiscalização justificou a glosa dos valores pagos a esses beneficiários, alegando tratar-se de despesas com benfeitorias em imóvel de propriedade do contribuinte, situado na Rua Gen. Marcondes Salgado, n° 2-47, informado na declaração de bens do ano-calendário de 1996. Acrescentou que o contribuinte, por conveniência, quis atribuir a propriedade do imóvel à sua esposa (Sumara Simões Baptista) para a qual pagou aluguel em virtude de um contrato de locação. Constam dos autos diversas notas fiscais de aquisição de materiais de construção, bem assim recibos de mão-de-obra. Os desembolsos questionados neste item enquadram-se à definição de aplicação de capital, que é o dispêndio com a aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Tais desembolsos não podem ser considerados como dedutíveis, devendo ser informados na declaração de bens, e se integram ao custo do imóvel; - que, quanto aos pagamentos efetuados a Sra. Sumara Simões Baptista a título de aluguel do imóvel na Rua Gen. Marcondes Salgado, n° 2-47, tem-se que os pagamentos efetuados foram glosados sob a alegação de que o imóvel é de propriedade do contribuinte, por sua vez o contribuinte alegou ser válido o contrato de locação do imóvel onde está instalado o cartório feito com sua esposa, proprietária de 50% do imóvel, a qual apresenta declaração em separado. Não obstante a existência do contrato de locação do referido imóvel (fls. 54/58), datado em 01/07/95, tendo como locatário o 1° Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de Bauru — SP e como locadora Sumara Simões Baptista, o que se verifica é que não ficaram comprovados os alegados pagamentos; 15 • e, •4 MINISTÉRIO DA FAZENDA.t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 - que, quanto aos pagamentos feitos a Arlindo Frederico a título de aluguel de terreno, tem-se que foi glosada a quantia de R$ 1.200,00 correspondente a pagamentos de aluguel de um terreno próximo ao cartório utilizado como estacionamento de carros pelos funcionários e por outras pessoas que utilizam os serviços do cartório, sob a alegação de tais despesas não se caracterizam como necessárias à percepção dos rendimentos. Embora se reconheça que o estacionamento constitui uma facilidade para os clientes do cartório, há também que se reconhecer que o aluguel pago pela locação não constitui uma despesa essencial ou necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora, condições para que a despesa seja dedutível; - que, quanto à glosa de pagamentos diversos, tem-se que analisando os documentos trazidos à colação como comprobatórios das despesas de Livro Caixa, observa- se que os pagamentos foram feitos a floricultura, farmácia, produtos de piscina e fatura de cartão de crédito que de maneira alguma se caracterizam como necessárias à percepção do rendimento e à manutenção da fonte pagadora, razão pela qual não há como aceitar referidas despesas como dedutíveis da receita por absoluta falta de amparo legal. Por outro lado, há que se aceitar, como dedutíveis, as despesas relativas aos pagamentos feitos à Associação dos Serventuários da Justiça do Estado de São Paulo, bem assim aos pagamentos feitos à Associação Paulista dos Magistrados; - que, quanto aos pagamentos feitos a Almeida Móveis de Aço, Digitools, Magazine Luiza, Balanças América Bauru e Pen-one Cartier Comércio de Livros Ltda., tem- se que examinando os autos, verifica-se que os valores glosados referem-se a compras de móveis (estantes, arquivos, armários), computadores, monitores, impressoras, bebedouros, livros jurídicos, fogão e refrigerador. Verifica-se que os bens, embora necessários à manutenção da fonte produtora, têm vida útil que ultrapassa o período de um exercício e não se extingue com sua mera utilização, tratando-se, portanto, de aplicação de capital. Referidos bens, como bem ressaltou o autuante, devem ser informados na declaração de 16 • - 2"" • MINISTÉRIO DA FAZENDA • ; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 bens pelo preço de aquisição. Exceção deve ser feita com relação aos livros jurídicos, adquiridos no ano de 1997, no valor total de R$ 26.600,00, que constituem despesas necessárias ao desempenho da atividade exercida pelo impugnante; - que, quanto às despesas de arrendamento mercantil, tem-se que foram glosadas as despesas efetuadas com arrendamento com fundamento no Decreto n° 3.000, de 1999. O procedimento fiscal encontra-se ao amparo da Lei n° 9.250, de 1995, art. 34, § 1°, "a", que excluiu das despesas dedutiveis aquelas decorrentes de arrendamento; - que de todo exposto, conclui-se que o contribuinte não se ateve a deduzir somente despesas necessárias à percepção da receita, lançando despesas que, embora possam ter sido utilizadas no desempenho de sua função, não têm o caráter de essencialidade requerido para a sua dedução como despesa de Livro Caixa; - que alegou o impugnante que não cabe a exigência da multa de 75% duplamente sobre a mesma base de cálculo em lançamento de oficio e na forma de multa isolada; - que de acordo com a Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, III, aplica-se à multa de 75%, isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (camê-leão) que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; - que cabe ainda mencionar que a Instrução Normativa SRF n°46, de 1997, que, complementando a Lei n° 9.430, de 1996, determinou que no caso de rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal, auferidos a partir de 01/01/97, será aplicada a multa de 75% sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido, que será cobrada 17 .4.44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 isoladamente, bem assim o imposto suplementar apurado na declaração, após a inclusão desses rendimentos, acrescidos da multa de 75%. As ementas que consubstanciam os fundamentos da decisão da DRJ em Ribeirão Preto - SP, são as seguintes: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Ano-calendário: 1996, 1997 Ementa: LIVRO CAIXA. DESPESAS As despesas escrituradas em livro Caixa e deduzidas na declaração de ajuste anual estão condicionadas à veracidade dos gastos efetuados, previstos em lei e necessários à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, comprovados por documentos hábeis. GASTOS COM INVESTIMENTOS. Os gastos com reforma de prédio, aquisição de móveis e utensílios e equipamentos eletrônicos, referem-se a aplicação de capital e são indedutíveis da receita. CARNÊ-LEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. Apurando-se omissão de rendimentos sujeitos ao recolhimento do camé- leão, é devida a multa exigida sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido, que será cobrada isoladamente. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE."". Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 06/12/00, conforme Termo constante às fls. 907/910, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (03/01/01), o recurso voluntário de fls. 911/934, no qual demonstra irresignação contra 18 • k 44, MINISTÉRIO DA FAZENDA '39 *.zt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. Consta às fls. 1019/1021, cópia do Mandado de Segurança com Pedido de Liminar com o devido deferimento da segurança para que a autoridade coatora encaminhe o recurso administrativo ao Conselho de Contribuintes. É o Relatório. 19 , 444:.44 -"n •••-.:...V. MINISTÉRIO DA FAZENDA !pm Witt, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;k:V:IN QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 VOTO VENCIDO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos se verifica que a acusação que pesa contra o suplicante se baseia nas seguintes irregularidades: I — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (CARNÊ-LEÃO): Glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, conforme Relatório Fiscal de folhas 09. Infração capitulada no artigo 6° e parágrafos, da Lei n° 8.134, de 1990; e artigo 8°, inciso II, alínea "g" , da Lei n°9.250, de 1995. II— DEMAIS INFRAÇÕES SUJEITAS A MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ-LEÃO: Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de camê-leão, tendo por base de 20 ' 4 ,N*44 "iro MINISTÉRIO DA FAZENDA "tj/ "' nCit. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ). QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 cálculo o imposto de renda mensalmente informado na declaração de rendimentos e não recolhido nas épocas oportunas oriundo de recebimento de pessoas físicas (carnê-leão), acrescido dos rendimentos omitidos apurados de ofício. Infração capitulada no artigo 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n°9.430, de 1996. Após a decisão de Primeira Instância o litígio está concentrado na discussão dos seguintes itens: 1 — Doações —Verifica-se que não foram aceitas co despesas dedutíveis da receita as doações efetuadas às entidades APAE, Sociedade Cristã Maria Ribeiro, Centro Espírita Amor e Caridade, Lar Santa Luzia para Cegos, Sociedade de Apoio a Pessoa co AIDS e Esporte Clube Noroeste; 2 — Despesas com construção — A glosa foi mantida sob o argumento que os desembolsos enquadram-se na definição de aplicação de capital; 3 — Pagamentos efetuados à Sumara Simões Baptista a titulo de aluguel do imóvel na Rua General Marcondes Salgado, n° 2-47 — A glosa foi mantida sob o argumento que o imóvel pertence ao suplicante. O autuado anexa na fase recursal a declaração de fls. 947, onde a Sra Sumara Simões Baptista alega ser proprietária de 50% do imóvel, em virtude ser casada com o Sr. Washington de Jesus Baptista em regime universal de bens, conforme atesta o documento de fls. 946, alegando ainda que recebeu os valores R$ 35.520,00 e R$ 49.920,00, relativo aos anos-calendário de 1996 e 1997, a título de aluguel; 4— Pagamentos efetuados a Arlindo Frederico a titulo de aluguel de terreno — A glosa foi mantida sob a alegação de que a despesa não é essencial ou necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; 21 e • MINISTÉRIO DA FAZENDA ',:ttt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ). QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 5 — Pagamentos diversos — A glosa foi mantida sob a alegação de que a despesa não é essencial ou necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; 6 — Pagamentos feitos a Almeida Móveis de Aço, Digitools, Magazine Luiza, Balanças Americana Bauru e Perrone Cartier Comércio de Livros Ltda. A glosa foi mantida por tratarem-se de aplicação de capital; 7 — Pagamentos de despesas de arrendamento mercantil — A glosa foi mantida por falta de previsão legal e dispositivo de lei que expressamente veda tal dedução; 8 — Multa isolada mantida concomitantemente com a multa de ofício. Indiscutivelmente é sabido que somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Tem-se, também que o contribuinte, pessoa física, que receber rendimentos do trabalho não assalariado, incluindo os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição Federal, não poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como as despesas de arrendamento. É sabido que se considera despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Por outro lado, os gastos com reforma de prédio, 22 • ‘e,: MINISTÉRIO DA FAZENDA ..tiar PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES k.f> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 aquisição de móveis e utensílios e equipamentos eletrônicos, referem-se a aplicação de capital e, portanto, não são dedutiveis da receita por expressa disposição legal. Ora, a inscrição da despesa utilizada no Livro Caixa é condição primordial para a admissibilidade de sua dedução dos rendimentos tributáveis, na declaração de ajuste anual, sem contar que não basta a sua comprovação por meio de documentação idônea, devendo ainda ficar comprovado que as despesas de custeio pagas são necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Tais despesas devem estar devidamente discriminadas e identificadas em documentos hábeis e idôneos. Com o se vê dos autos, todos os valores objeto de glosa estão relacionados, mês a mês, no demonstrativo de fls. 830/853, bem assim no demonstrativo de fls. 854/866, no qual a autoridade fiscal discriminou as glosas em função do fomecedor da mercadoria e/ou serviço. Quanto às doações, que o autuado alega que não se trata de doação, mas de pagamentos por serviços prestados. Tem-se que não comprovou o alegado, pois os recibos apresentados (fls. 149, 218, 637, etc, e fls. 935/945) não indicam a natureza dos pagamentos; informam apenas que recebeu do usuário a quantia mencionada a titulo de mensalidade e fundo de manutenção. Portanto, não ficou provado tratar-se de despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Quanto às despesas com construção, tem-se que a fiscalização justificou a glosa dos valores pagos a esses beneficiários, alegando tratar-se de despesas com benfeitorias em imóvel de propriedade do contribuinte, situado na Rua Gen. Marcondes Salgado, n° 2-47, informado na declaração de bens do ano-calendário de 1996. Acrescentou que o contribuinte, por conveniência, quis atribuir a propriedade do imóvel à sua esposa (Sumara Simões Baptista) para a qual pagou aluguel em virtude de um contrato de locação. 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, • •NriraW • it QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 Constam dos autos diversas notas fiscais de aquisição de materiais de construção, bem assim recibos de mão-de-obra. Os desembolsos questionados neste item enquadram-se à definição de aplicação de capital, que é o dispêndio com a aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consurníveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Tais desembolsos não podem ser considerados como dedutíveis, devendo ser informados na declaração de bens, e se integram ao custo do imóvel. Quanto aos pagamentos efetuados à Sra. Sumara Simões Baptista a título de aluguel do imóvel na Rua Gen. Marcondes Salgado, n° 2-47, tem-se que os pagamentos efetuados foram glosados sob a alegação de que o imóvel é de propriedade do contribuinte, por sua vez o contribuinte alegou ser válido o contrato de locação do imóvel onde está instalado o cartório feito com sua esposa, proprietária de 50% do imóvel, a qual apresenta declaração em separado. Não obstante a existência do contrato de locação do referido imóvel (fls. 54/58), datado em 01/07/95, tendo como locatário o 1° Cartório de Registro de Imóveis e Anexos de Bauru — SP e como locadora Sumara Simões Baptista, entendeu a fiscalização, endossado pelo decisório de Primeira Instância que houve a falta de comprovação destes pagamentos. No recurso o autuado junta aos autos a declaração de fls. 947, onde a Sra Sumara Simões Baptista alega ser proprietária de 50% do imóvel, em virtude ser casada com o Sr. Washington de Jesus Baptista em regime universal de bens, conforme atesta o documento de fls. 946, alegando ainda que recebeu os valores R$ 35.520,00 e R$ 49.920,00, relativo aos anos-calendário de 1996 e 1997, respectivamente, a título de aluguel. Desta forma, é inconteste a dedutibilidade desta despesa. Quanto aos Pagamentos efetuados a Arlindo Frederico a título de aluguel de terreno, tem-se que a glosa foi mantida sob a alegação de que a despesa não é 24 .• , . MINISTÉRIO DA FAZENDA '"‘ -st PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 essencial ou necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entendo que a razão está com o suplicante. Vejamos: Da análise dos autos, nota-se que estes pagamentos feitos ao Sr. Arlindo Frederico a titulo de aluguel de terreno no valor de R$ 1.200,00, correspondem a pagamentos de aluguel de um terreno próximo ao cartório utilizado como estacionamento de carros pelos funcionários e por outras pessoas que utilizam os serviços do cartório. Inegavelmente o estacionamento constitui uma facilidade para os clientes do cartório, e concorrem para melhorar o desempenho da atividade exercida, aumentando a receita da atividade. Seria uma atitude radical entender que o aluguel pago pela locação não constitui uma despesa essencial ou necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora, condições para que a despesa seja dedutivel. Sem dúvidas, que o conceito tributário de despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora são por demais subjetivas. Dependem muito do intérprete e da atividade exercida pelo contribuinte, entretanto, no caso dos autos, entendo que estas despesas de aluguel estão dentro do campo da dedutibilidade, já que, inegavelmente, melhora o desempenho da atividade exercida pelo contribuinte, e não foge em muito do conceito de despesas de custeio, ou seja, aquelas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Quanto à glosa de pagamentos diversos, tem-se que analisando os documentos trazidos à colação como comprobatórios das despesas de Livro Caixa, observa- se que os pagamentos foram feitos a floricultura, farmácia, produtos de piscina e fatura de cartão de crédito que de maneira alguma se caracterizam como necessárias à percepção do rendimento e à manutenção da fonte pagadora, razão pela qual não há como aceitar referidas despesas como dedutiveis da receita por absoluta falta de amparo legal. 25 * . MINISTÉRIO DA FAZENDA "ot PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' > QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 Quanto aos pagamentos feitos a Almeida Móveis de Aço, Digitools, Magazine Luiza, Balanças América Bauru e Perrone Cartier Comércio de Livros Ltda., tem- se que examinando os autos, verifica-se que os valores glosados referem-se a compras de móveis (estantes, arquivos, armários), computadores, monitores, impressoras, bebedouros, fogão e refrigerador. Verifica-se que os bens, embora necessários à manutenção da fonte produtora, têm vida útil que ultrapassa o período de um exercício e não se extingue com sua mera utilização, tratando-se, portanto, de aplicação de capital. Quanto às despesas de arrendamento mercantil, tem-se que foram glosadas as despesas efetuadas com arrendamento com fundamento no Decreto n° 3.000, de 1999. O procedimento fiscal encontra-se ao amparo da Lei n° 9.250, de 1995, art. 34, § 'I°, "a", que excluiu das despesas dedutíveis aquelas decorrentes de arrendamento. Quanto à alegação de que a aplicação da multa isolada, sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas omitidos na declaração de ajuste anual, oriundo das glosas efetuadas pela fiscalização, lançadas de oficio, devem sofrer tributação no ajuste anual, sendo indevida a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento mensal obrigatório (camê-leão), à inteligência do artigo 55, inciso XIII e parágrafo único do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), lançamento de multas em concomitância, só posso concordar com o suplicante. Senão vejamos: Inicialmente, é de se destacar que o lançamento da multa isolada engloba valores recebidos de pessoas físicas (camê-leão), mensalmente apurados e informados na Declaração de Ajuste Anual, porém, recolhidos a menor (fls. 07 e 49), com os rendimentos omitidos, oriundos da glosa de despesas, apurados de ofício. 26 .1 k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 A Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 — Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II — (omissis). § 1° - As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II — isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III — isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8° da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste." 27 • • •• MINISTÉRIO DA FAZENDA -> PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006199-68 Acórdão n°. : 104-19.120 Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido a ação fiscal, após o encerramento do ano-calendário, que deixou de recolher o "camê-leão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de oficio exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere as normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal conclui-se que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de oficio juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de oficio juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (camê-leão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. Enfim, a matéria se encontra longamente debatida no processo, sendo despiciendo maiores considerações. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso para: I — excluir da exigência tributária a multa de 28 I • k'Nt4, • Ité j; • 79. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 ofício isolada exigida concomitantemente com a multa de lançamento de oficio normal; e II — restabelecer as deduções de despesas com aluguel. Sala das Sessões - DF, em 05 de dezembro de 2002 7Nr 29 ; fi; MINISTÉRIO DA FAZENDA wfr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 VOTO VENCEDOR Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, Redator-designado Em que pese a profunda admiração e respeito que dedico ao ilustre relator e aos demais companheiros que o acompanharam, vou me permitir discordar de seu posicionamento quanto à Multa de Oficio Isolada prevista no inciso III do art. 44 da Lei n°. 9.430/96, que diz: Artigo 44: "Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: III — Isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (camê-leão) na forma do art. 8° da Lei n°. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste." Isto significa dizer que, não obstante o contribuinte tenha declarado espontaneamente os rendimentos e recolhido o tributo, ou seja, cumprido integralmente e 30 , te 34.'44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,eysir.. - QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 antes do procedimento fiscal a obrigação tributária principal, é penalizado com multa de oficio isolada que é calculada com base em crédito tributário inexistente. Minha discordância em relação a essa penalidade repousa em dois aspectos, um de natureza lógica e outro de cunho legal. Em situações em que essa multa alcança a hipótese de omissão de rendimentos e, ai sim, há crédito tributário lançado, esta mesma Câmara, à unanimidade, decide pelo afastamento da penalidade sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, conconnitantemente com a multa de oficio normal, incidente sobre o tributo não pago. Em outras palavras, o contribuinte que omite rendimentos e não recolhe o tributo escapa da multa e, aquele que espontaneamente declara o rendimento e o oferece à tributação, fica submetido à penalidade. Também à unanimidade e em relação aos casos em que o tributo é recolhido fora do prazo sem a multa de mora, este Colegiado prestigia a espontaneidade e afasta a imposição da multa isolada. No que tange ao aspecto da legalidade, a aplicação do inciso III, do art. 44 da Lei n°. 9.430/96, apresenta manifesta incompatibilidade com disposições claras do Código Tributário Nacional, notadamente em relação aos artigos 138, 97 e 113. Quanto ao artigo 138, é farta a jurisprudência administrativa e judicial no sentido de afastar qualquer penalidade diante do cumprimento espontâneo dá obrigação. 77111rgt-cla 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA •:sttá,,-;:',' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES &;" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 Reproduzir o texto e interpretação do art. 138 do CTN, sem dúvida, seria cansativo e dispensável. No que se refere aos artigos 97 e 113 do Código Tributário Nacional, pedindo vênia ao Dr. Leonardo Mussi da Silva, Conselheiro da Egrégia Segunda Câmara, designado relator no Recurso n° 120.830— Acórdão n°. 102-44.200, vou adotar suas razões expostas no referido Acórdão, no qual assim se manifesta o ilustrado prolator do julgado a respeito do tema em deslinde: "Entendo, ainda que tal multa de oficio isolada do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96 colide frontalmente com a norma geral de tributação insculpida no Código Tributário Nacional isto porque, o artigo 97, V, que confere à lei fixar penalidades, deve ser interpretado em consonância com os demais dispositivos do Código, notadamente o artigo 113, que preconiza: Art. 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória § 1.0 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2.° A obrigação acessória decorre de legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3.° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O parágrafo 1.° da regra supra, estabelece duas obrigações de dar, quais sejam: (i) a de pagar (dar) tributo; e (ii) a de pagar (dar) penalidade pecuniária, esta corolário de transformação da obrigação de fazer acessória em obrigação de dar no que tange à penalidade pecuniária (parágrafo 3.°). Entendo que, diante da regra supra, somente é possível as autoridades administrativas exigirem a obrigação principal de pagar (dar) penalidade 32 „ 4 -J-.S.• ri; MINISTÉRIO DA FAZENDA tjt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 pecuniária isolada, a multa isolada, no caso de inadimplência do contribuinte em relação à obrigação (de fazer ou não fazer) acessória. É que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória é autônoma, não é acessório da obrigação em comento. Explicando melhor, quando alguém descumpre uma obrigação acessória está obrigado a pagar uma penalidade pecuniária prevista em lei, "convertendo-se a obrigação de fazer em obrigação de dar, nas palavras de Maria Helena Diniz (Ob. Cit. p. 89), relativamente àquela penalidade, que neste momento é isolada da própria prestação de fazer, cujo cumprimento pode ser ainda exigido ou não, na forma da lei. Impossível é a cobrança isolada de multa por infração à obrigação (de dar) principal de pagar tributo, na medida em que neste caso a multa é sempre acessória, e pressupõe sempre o não pagamento do tributo. Em suma, no direito tributário, segundo o CTN, somente é possível estabelecer duas hipóteses de obrigação de dar, uma ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios (juros e a multa) e a outra relativamente à penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória. Ora, a multa exigida pelo auto de infração, com fulcro no art. 44 da Lei n.° 9.430/96, não deflui nem da inobservância da obrigação (de dar) principal nem de infração às regras de obrigação (de fazer e não fazer) acessória, colidindo, portanto, com a regra geral do Código Tributário Nacional.” Concluindo, compactuar com a penalidade prevista no inciso III, art. 44 da Lei n°. 9.430/96, seria admitir que a Lei Ordinária estaria revogando disposições da Lei n°. 5.172— CTN -, que tem estatura de Lei Complementar, o que é inaceitável. Assim, com essas considerações e, esclarecendo que em relação aos demais itens do lançamento, adoto as razões do relator, encaminho meu voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: I — excluir da exigência tributária a multa de ofício isolada relativa ao exercício de 1999; II — excluir da exigência tributária a multa de oficio isolada exigida concomitantemente com a multa de lançamento de oficio relativa ao exercício de 1998; e III 33 • 4 es „c...) e 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10825.001006/99-68 Acórdão n°. : 104-19.120 — limitar os juros de mora, exigidos isoladamente, ao prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual Sala das Sessões — DF, em 05 de dezembro de 2002 REMIS Air EID,A.—OfEsT 34 Page 1 _0045000.PDF Page 1 _0045200.PDF Page 1 _0045400.PDF Page 1 _0045600.PDF Page 1 _0045800.PDF Page 1 _0046000.PDF Page 1 _0046200.PDF Page 1 _0046400.PDF Page 1 _0046600.PDF Page 1 _0046800.PDF Page 1 _0047000.PDF Page 1 _0047200.PDF Page 1 _0047400.PDF Page 1 _0047600.PDF Page 1 _0047800.PDF Page 1 _0048000.PDF Page 1 _0048200.PDF Page 1 _0048400.PDF Page 1 _0048600.PDF Page 1 _0048800.PDF Page 1 _0049000.PDF Page 1 _0049200.PDF Page 1 _0049400.PDF Page 1 _0049600.PDF Page 1 _0049800.PDF Page 1 _0050000.PDF Page 1 _0050200.PDF Page 1 _0050400.PDF Page 1 _0050600.PDF Page 1 _0050800.PDF Page 1 _0051000.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1

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Numero do processo: 10070.001759/98-90
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2006
Ementa: ISENÇÃO – RECONHECIMENTO – NEOPLASIA MALIGNA – APOSENTADORIA/PENSÃO – Manifesta a neoplasia maligna anterior à vigência da Lei 9.250, de 1995, há de ser aplicada a legislação então vigente, quando se exigia apenas que a moléstia grave fosse comprovada com base em conclusão da medicina especializada. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/04-00.454
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leila Maria Scherrer Leitão

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Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE LEILA MA ê IA SCH RRER LEITAO RELATORA FORMALIZADO EM: 2 DEZ 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ RIBAMAR BARROS PENHA, GONÇALO BONET ALLAGE e MARIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. prirp Processo n° :10070.001759/98-90 Acórdão n° : CSRF/04-00.454 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : ELIEZER SCHNEIDER (ESPÓLIO) Recorrida : SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RELATÓRIO • Fanny Feldman Schneider, inventariante de Eliezer Schneider, apresentou pedido de restituição de IRPF referente aos exercícios de 1994 a 1997, alegando que o de cujus era portador de doença enquadrada no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, fazendo jus à isenção de imposto sobre rendimentos decorrentes de aposentadoria. A Colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, à unanimidade de seus pares, acolheu o recurso interposto, provendo-o, sob os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: "IRPF — DOENÇA GRAVE - ISENÇÃO — Pode o requerente valer-se de quaisquer meios de prova para demonstrar a existência de doença grave e o período em que foi contraída. Do voto, transcreve-se: "A questão dos autos limita-se à prova. Tenho me manifestado no sentido de que as condições exigidas pela Lei n° 9.250, de 1995, no que diz respeito ao caso em tela, não são absolutas, podendo o Requerente fazer prova das suas alegações por quaisquer meios. No caso em análise, entendo que ficou cabalmente demonstrada a doença desde 1984, além da aposentadoria em 1985, motivo pelo qual o espólio do Contribuinte em epígrafe tem o direito de restituir o IRPF pago nos últimos cinco anos, a contar do pedido inicial." Cientificado em 15.10.2004, o i. Representante da Fazenda Nacional interpós recurso especial em 20.10.2004, tendo por fundamento o § 1°, do art. 8°, do CPQ2 Processo n° : 10070.001759/98-90 Acórdão n° : CSRF/04-00.454 Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, sob o pressuposto de dissídio jurisprudencial. Após relatar os fatos, objetivando caracterizar o pretendido dissídio, afirma que o julgado vergastado decidiu no sentido de ser possível a admissão de documentos diferentes de laudo pericial. Acrescenta que os Acórdãos 102-46325 e 104-17925 espelham entendimento diverso, no sentido "( ) que a data que pode ser admitida como termo inicial da enfermidade propiciadora da isenção tem de estar identificada no laudo pericial." Transcreve o i. Recorrente as ementas dos Acórdãos apresentados ao confronto, respectivamente: "IRPF - ISENÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - DOENÇA DE PARKINSON - Os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias graves relacionados no inciso XXXIII do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), estão isentos do imposto de renda, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da concessão da aposentadoria. Admite-se como data do aparecimento da doença aquela constante no laudo pericial, corroborada com outros documentos trazidos aos autos." "IRPF - ISENÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - Os rendimentos recebidos são considerados isentos, a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial? Afirma não constar, nos autos, qualquer laudo pericial que indique a data de início da doença do contribuinte no ano de 1984. Afirma que o entendimento recorrido propicia que outros documentos, com datas anteriores à do laudo, poderiam fazer retroagir os efeitos do laudo médico oficial. Reporta-se a Recorrente ao art. 30 da Lei n° 9.250, de 1995, que inseriu a condicionante, a partir de 1° de janeiro de 1996, de que a moléstia deverá ser comprovada 3 .• Processo n° : 10070.001759/98-90 Acórdão n° : CSRF/04-00.454 mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e que, portanto, não é cabível a utilização de outros meios de prova quando a lei a comprovação da existência da enfermidade à existência de laudo oficial. Afirma não haver nos autos qualquer laudo oficial e, ainda, que o Relatório de fls. 53 não comprova ser o contribuinte portador de Mal de Parkinson, indicando apenas que se tratava naquela instituição desde 1984. Invoca o posicionamento da Junta Médica Pericial do Ministério da Fazenda, concluindo não ser possível um parecer conclusivo sobre a doença (fls. 30), para, ao final, solicitar o provimento ao apelo, sob a alegação de que os relatórios médicos de fls. 5 e 6 são oriundos de entidades privadas e datados de 1998, quando já se exigia laudo médico oficial. Despacho n° 106-143/2004, admitindo o dissídio jurisprudencial, sob o seguinte pressuposto: Da confrontação das ementas dos Acórdãos verifica-se que a matéria em discussão respeita ao documento hábil para comprovar o termo inicial da isenção de portador de doença especificada em lei. Assim, no recorrido acatou-se outros meios de prova para demonstrar a existência da doença e a data do termo inicial para fins de isenção dos proventos de aposentadoria. Já nos paradigmas está definida a indispensabilidade do laudo pericial emitido por órgão oficial." Cientificada em 03.05.2005, o espólio de Eliezer Schneider, representado por sua inventariante, apresenta suas contra-razões, em 13.05.2005. Das contra-razões, destaco: "3) - No presente caso, trata-se de moléstia grave (doença de Parkinson), ocorrida com um funcionáriopúblico federal, professor de filosofia da 4 ." Processo n° : 10070.001759/98-90 Acórdão n° : CSRF/04-00.454 Universidade Federal do Rio de Janeiro, que tratou sua doença com um também professor de medicina em um õrgão público (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), médico neurologista e Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia e que exercera o cargo de Diretor do • Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho. Além do laudo pericial emitido pelo médico supra, foi anexado ao processo o atestado de fls. 54, emitido por médico da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), constando, também, o parecer da Junta Médica do • Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro (fls. 30). 4)- Verifica-se, portanto, que, tanto a existência da doença, como a data em que a mesma se manifestou (1984), dada a inquestionável idoneidade dos assinantes dos documentos apresentados, ficaram • cabalmente comprovadas, não cabendo qualquer sombra de dúvida de uma possível fraude, que a mencionada lei 9.250/95 visa coibir." Ao final, afirma não estar a merecer reforma, esperando seja mantida a decisão da C. Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. 5 ." Processo n° :10070.001759/98-90 Acórdão n° : CSRF/04-00.454 VOTO Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, Relatora. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade da peça recursal. Dela conheço. A matéria submetida a este Colegiado restringe-se a decidir se aplicável, ao caso, o artigo 30 da Lei n°9.250, de 1995; que assim estabelece: "Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento • de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." (destacamos) Imprescindível, no caso, o laudo pericial exclusivamente fornecido por médico oficial, conforme constante no dispositivo acima transcrito, quando o pleito à restituição se dá após o óbito? Nos autos, temos os seguintes fatos: (1)contribuinte aposentado (fls. 20/21), não havendo questionamento a respeito; (2)solicitação, em 21.12.1998 (fls. 1), de restituição de imposto de renda relativo aos exercícios de 1994 a 1998 sob argumento de portador de mal de Parkinson; g6 • - Processo n° : 10070.001759/98-90 Acórdão n° : CSRF/04-00.454 (3) falecimento do Sr. Eliezer Schneider em 26.08.1998, no Hospital Beneficência Portuguesa — RJ; (4)— relatório médico datado de 19.06.1998, historiando quadro clinico do então paciente, indicando quadro parkinsoniano a partir de 1991, como doença principal (fls. 05); (5) papeleta com timbre doa hospital "Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de Janeiro", datada de 13/08/1998, com indicação, entre outros episódios médicos, de "Doença de Parkinson (com 10 anos de evolução)". (6)às fls. 30, que os autos foram encaminhados à Junta Médica Pericial da Delegacia de Administração no Estado Rio de Janeiro, que esclareceu, em 06 de junho de 2006: "( ) não ser possível conceder um parecer definitivo, sobre a doença de que padecia o Sr. Eliezer Schneider, falecido em agosto de 1998, uma vez • que esta Junta Médica não o examinou. Os documentos de fls. 05/07, tratam-se de dois relatórios médicos, • datados de junho de 1998 e de julho de 1998, os quais atestam que, o • aposentado em tela, era portador de DOENÇA DE PARKINSON." (destaque do original) (7)Relatório Médico de fls. 53, datado em 11 de junho de 2001, indicando acompanhamento médico ambulatorial no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Neurocirurgia) já em 1984, citando, entre outros dados, manifestações neurológicas características de Mal de Parkinson": (8)Declaração de profissional da área médica, datada de 29 de agosto de 2001, a pedido da inventariante, informando, entre outros dados, ter atendido o paciente em inúmeras vezes, a partir de 1992, tendo o então paciente, inclusive, submetido, em 20 619 C31 7 . ' Processo n° :10070.001759/98-90 Acórdão n° CSRF/04-00.454 de março de 1997, a uma junta médica, com a devida identificação dos profissionais, destacando-se quadro clínico compatível com Mal de Parkinson. Identificada a matéria a ser apreciada, passo à análise do especial interposto. Comungo com o i. Representante da Fazenda Nacional no sentido de que o art. 30, da Lei n° 9250, de 1995, instituiu laudo pericial por serviço médico oficial para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n°7.713, de 1988. Também é certo que, nos termos do art. 111, do Código Tributário Nacional, a lei que disponha sobre isenção há de ser interpretada literalmente. No caso em análise, a questão cinge-se, exclusivamente, à ausência de laudo médico oficial". Não se questiona, entretanto, a verdade estampada nos autos, ou seja, que o Sr. Eliezer Schneider era portador de Mal de Parkinson. Não há, nos autos ou mesmo na peça recursal em julgamento, qualquer negativa ao fato. Também as documentações apresentadas pela inventariante não foram sequer objeto de discussão. Temos que a própria manifestação de fls. 30, emitida pelos membros da Junta Médica da DAMF/RJ, reportando-se aos documentos de fls. 05/07 afirma que os dados "( ) atestam que, o aposentado em tela, era portador de DOENÇA DE PARKINSON.* De bom alvitre seja esclarecido ainda, que o decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro— RJ reconheceu o direito à restituição em relação ao ano-calendário de 1998, ou seja, o ano do óbito, embora não presente o questionado laudo pericial. 8 .• Processo n° : 10070.001759/98-90 Acórdão n° : CSRF/04-00.454 Ocorre que, no caso, o pleito à restituição só se deu após o óbito do Sr. Eliezer Schneider, quando a evidência desse fato coíbe a formalidade de laudo pericial emitido por médico oficial. Por óbvio, o caso em análise não é contemplado no artigo 30 da Lei n°9.250, de 1996. Não sendo o caso em julgamento plausível de submissão a laudo pericial, reporto-me às disposições do inciso III, do art. 108, do CTN, c/c os arts. 4 Q e 5° da Lei de Introdução ao Código Civil. Sendo o art. 30 da Lei n° 9.250, de 1995, omisso frente a tal situação, entendo que a decisão, nesta assentada, há se pautar conforme os princípios gerais de direito público e atendidos os fins sociais a que referido dispositivo legal se destina e às exigências do bem comum. A isenção instituída pelo art. 6°, incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei 7.713, • de 1988, objetiva propiciar ao portador de moléstia grave um alívio econômico para aquisição de medicamentos ou mesmo internações, frente às moléstias ali especificadas. Ou seja, visa fins sociais e o bem comum de toda a população acometida de tais moléstias. • Reitero, nesta assentada, o julgado no Acórdão 104-18.193, que à unanimidade, reconheceu o direito à isenção em caso análogo, conforme espelha a sua ementa: "IRPF - ISENÇÃO - RECONHECIMENTO - CARDIOPATIA GRAVE - COMPROVAÇÃO - Comprovada a cardiopatia grave antes da vigência da Lei n° 9250, de 1995, o contribuinte não se sujeita à exigência de laudo pericial por serviço médico oficial." As provas dos autos deixam claro que já em 1991 a pessoa de Eliezer Schneider era podador de Mal de Parkinson, quadro que foi se agravando e conduzindo a óbito. 9 . • - . • • Processo n° :10070.001759/98-90 Acórdão n° : CSRF/04-00.454 Na referida data vigia o art. 6° da Lei 7.713, de 1988, no sentido de que a doença deveria ser comprovada, com base em conclusão da medicina especializada. Portanto, o fato gerador para o gozo do beneficio era ser aposentado/pensionista e portador de moléstia grave. Não há dúvidas do direito à isenção pleiteada. O fato de não se pleitear a isenção à época, não tira o direito à isenção, mormente quando impossível passar por médico oficial em face do falecimento de Eliezer Schneider. Não alcançando o disposto no art. 30 da Lei n° 9.250, de 1996, a portadores de moléstia grave em ano anterior à sua vigência, suficiente a "conclusão da medicina especializada", fartamente presente nos autos, para se reconhecer o direito à restituição. Reporto-me, ainda, ao Acórdão CSRF/04-00.160, prolatado na Sessão de 13 de dezembro de 2005, assim ementado: "ISENÇÃO — RECONHECIMENTO — NEOPLASIA MALIGNA APOSENTADORIA/PENSÃO - Comprovada pela administração tributária a neoplasia maligna antes da vigência da Lei 9.250, de 1995, o contribuinte não se sujeita aos ditames da citada Lei mas aos da Lei 7.713, de 1988." Não merecendo reforma o Acórdão guerreado, NEGO provimento ao apelo. Sala das Sessões — DF, em 13 de dezembro de 2006. ik(sat LEILA ARIA SCHERRER LEITÃO 10 Page 1 _0042500.PDF Page 1 _0042700.PDF Page 1 _0042900.PDF Page 1 _0043100.PDF Page 1 _0043300.PDF Page 1 _0043500.PDF Page 1 _0043700.PDF Page 1 _0043900.PDF Page 1 _0044100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10166.001915/00-40
Data da sessão: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSUAL — PRÉ-QUESTIONAMENTO - MULTA DE MORA — EXIGÊNCIA NÃO ATACADA DE FORMA ESPECÍFICA PELO SUJEITO PASSIVO. É dever do julgador administrativo, instado a rever o lançamento do crédito tributário exigido, verificar a subsunção dos fatos às normas legais de regência e declarar, inclusive de ofício, a sua ilegalidade, total ou parcial. Os princípios da legalidade e da isonomia devem sempre prevalecer sobre o formalismo processual, tendo-se em conta o interesse latente de se evitar o risco da sucumbência para o Erário Público. Havendo o contribuinte resistido ao lançamento principal, impugnando todo o crédito tributário exigido, tem-se que as demais parcelas, acessórias e decorrentes, foram igualmente atingidas. Comprovada a inaplicabilidade da multa de mora, ainda que não atacada de forma específica pelo sujeito passivo, é de se afastar a sua exigência, excluindo-a do lançamento, inclusive em obediência ao disposto no art. 60, do Decreto n° 70.235/72. Negado provimento ao Recurso da PFN.
Numero da decisão: CSRF/03-03.777
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes

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Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASíLIA - TERRACAP Sessão de : 03 DE NOVEMBRO DE 2003. Acórdão : CSRF/03-03.777 PROCESSUAL — PRÉ-QUESTIONAMENTO - MULTA DE MORA — EXIGÊNCIA NÃO ATACADA DE FORMA ESPECÍFICA PELO SUJEITO PASSIVO. É dever do julgador administrativo, instado a rever o lançamento do crédito tributário exigido, verificar a subsunção dos fatos às normas legais de regência e declarar, inclusive de ofício, a sua ilegalidade, total ou parcial. Os princípios da legalidade e da isonomia devem sempre prevalecer sobre o formalismo processual, tendo-se em conta o interesse latente de se evitar o risco da sucumbência para o Erário Público. Havendo o contribuinte resistido ao lançamento principal, impugnando todo o crédito tributário exigido, tem-se que as demais parcelas, acessórias e decorrentes, foram igualmente atingidas. Comprovada a inaplicabilidade da multa de mora, ainda que não atacada de forma específica pelo sujeito passivo, é de se afastar a sua exigência, excluindo-a do lançamento, inclusive em obediência ao disposto no art. 60, do Decreto n° 70.235/72. Negado provimento ao Recurso da PFN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. EP 9- PE RA RO P- IGUES PRESIDENTE Processo n° : 10166.001915/00-40 Acórdão : CSRF/03-03.777 /1./ PAULO -0B CUCO ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM: O Z MAR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; MOACYR ELOY DE MEDEIROS; MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLI. 2 Processo n° : 10166.001915/00-40 Acórdão : CSRF/03-03.777 Recurso n° : 301 -1 22319 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional, por sua Douta Procuradoria, pleiteando a reforma do Acórdão n° 301-29.631, proferido pela C. Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por unanimidade de votos, excluiu do crédito tributário exigido a Multa de Mora lançada pela repartição de origem, sob fundamento de que tal penalidade só é cabível após o julgamento administrativo definitivo do litígio fiscal. Toda a fundamentação da ora Recorrente assenta-se no entendimento de que houve decisão ultra ou extra petita, uma vez que o sujeito passivo não se insurgiu, especificamente, contra a referida penalidade. Ao Recurso Especial de que se trata, a Recorrente acostou, como paradigma, cópia do Acórdão n° 302-35.002, proferido em 08/11/2001, pela C. Segunda Câmara, do mesmo E. Terceiro Conselho, cujo entendimento, manifestado no Voto Vencedor e condutor do mesmo Acórdão, de lavra da Insigne Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, diverge do acima exposto, conforme transcrição que se segue: "(...) Discordo, entretanto, do voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange à exclusão da multa de mora, posto que tal pleito não integrou o recurso voluntário de fls. 29/30. A atividade de julgamento, seja no âmbito administrativo ou judicial, é regida pelo princípio da inércia, ou seja, o julgador só deve atuar quando provocado pela parte. O princípio da interpretação restritiva do pedido, por parte do julgador, está contido inclusive no Código de Processo Civil, em seus artigos 128 e 460, que a s-guir se transcreve: 41111) 3 Processo n° : 10166.001915/00-40 Acórdão : CSRF/03-03.777 "Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-se defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado." Da mesa forma entende a doutrina, aqui representada por Wambier, Correia de Almeida e Talamini, em seu "Curso Avançado de Processo Civil", Volume 1, 3a Edição, Editora Revista dos Tribunais (paginas 317/318): "Os arts. 128 e 460 expressam o que a doutrina denomina de principio da congruência ou da correspondência, entre o pedido e a sentença. Ou seja, dado o princípio dispositivo, é vedado à jurisdição atuar sobre aquilo que não foi objeto de expressa manifestação pelo titular do interesse. Por isso, é pedido (tanto o imediato como o mediato) que limita a extensão da atividade jurisdicional. Assim, considera-se extra petita a sentença que decidir sobre pedido diverso daquilo que consta da petição inicial. Será ultra palita a sentença que alcançar além da própria extensão do pedido, apreciando mais do que foi pleiteado." Destarte, ao julgador só é dado conhecer de ofício aquelas matérias de ordem pública, elencadas na legislação de regência, dentre as quais não se inclui a exclusão da multa de mora." Em contra-razões a Interessada manifesta-se nos autos pleiteando a manutenção do Acórdão atacado, asseverando que o argumento da ora Recorrente não procede, vez que a Terracap ao resistir ao lançamento tributário principal e ao aviar a sua defesa alcançou todas as parcelas acessórias, sendo certo que a Câmara recorrida, ao proferir o Acórdão ora atacado, operou dentro dos limites da contenda, para eximir a contribuinte de pagamento da multa de mora. É o Relatório. 4 Processo n° : 10166.001915100-40 Acórdão : CSRF/03-03.777 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, Relator: O Recurso atende aos necessários requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. A questão, única, objeto do litígio que aqui nos é dado a decidir, é de caráter genuinamente processual. Tudo o que questiona a Recorrente, a Fazenda Nacional aqui representada por sua D. Procuradoria, é que houve decisão ultra ou extra petita, por parte da C. Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, ao prover parcialmente o Recurso Voluntário interposto pela COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASÍLIA — TERRACAP, excluindo do lançamento contra Ela efetuado pela repartição fiscal competente, a exigência de multa de mora, não tendo havido expressa contestação do sujeito passivo sobre tal exigência. A matéria não representa qualquer novidade para esta Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com efeito, é bom que se destaque, pelo menos duas posições encontram-se registradas em suas mais recentes decisões, completamente antagônicas, como se demonstra: ACÓRDÃO N° CSRF/03-02.653 — SESSÃO DE 25.08.1997 — RP/301-0.481 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Decisão "ultra petita" na exclusão da multa de mora. Provido o recurso da Fazenda Nacional." Neste caso, consoante o seu Voto Condutor, de lavra do Insigne Relator, o Conselheiro João Holanda Costa, entende _ Turma, à unanimidade de 5 ri Processo n° : 10166.001915/00-40 Acórdão : CSRF/03-03.777 votos, que a exclusão da multa de mora, pela Câmara então recorrida, representava decisão "ultra petita", por não ter sido tal matéria prequestionada. Muito recentemente, entretanto, registrou-se posicionamento completamente diverso, como se pode constatar do seguinte Aresto: ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.683 — SESSÃO DE 30.06.2003 — RD/303-121089 "PROCESSUAL — MULTA DE MORA — EXIGÊNCIA NÃO ATACADA DE FORMA ESPECÍFICA PELO SUJEITO PASSIVO. É dever do julgador administrativo, instado a rever o lançamento do crédito tributário exigido, verificar a subsunção dos fatos às normas legais de regência declarando, inclusive de ofício, a sua ilegalidade, total ou parcial. Comprovado ser incabível a cobrança de multa de mora, reconhecendo-se a sua improcedência, ainda que não atacada, especificamente, pelo Recorrente, é de se afastar a sua exigência, excluindo-a do lançamento Negado provimento ao Recurso." Também neste último caso, a decisão foi adotada por unanimidade, em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Alinho-me, como já é conhecido por meus I. Pares, ao entendimento mais recente, estampado no segundo Acórdão acima indicado, cujo Voto condutor é de autoria deste Relator. Repetindo muito do que já disse naquele outro julgado, passo a expor meu pensamento sobre a questão e meu voto para solução do litígio. É entendimento deste Relator que a função primordial dos julgadores, integrantes dos órgãos colegiados administrativos, neste caso dos Conselhos de Contribuintes e desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, na apreciação dos litígios envolvendo, dentre outras coisas, os lançamentos tributários no âmbito da administração pública federal, é justamente a de revisar tais lançamentos, 1701, 6 Processo n° :10166.001915/00-40 Acórdão : CSRF/03-03.777 observando a subsunção dos fatos às normas legais de regência, para dar-lhes, ao final, a condição de título exeqüível. Resumindo, cabe ao julgador, na esfera administrativa, verificar todo o lançamento, os fatos que o ensejaram e a sua legalidade à luz da legislação de regência aplicável podendo, inclusive, declarar, de ofício, a sua nulidade absoluta. Mais incisiva se torna essa realidade quando o contribuinte, a exemplo do caso presente, ataca a exigência principal, atingindo, por conseqüência, todas as parcelas acessórias e/ou decorrentes. A missão maior do julgador administrativo, em matéria tributária, mormente no âmbito federal, está diretamente vinculada ao princípio da legalidade, cabendo-lhe, por conseguinte, revisar o lançamento, em todos os seus aspectos legais e factuais. E não faria sentido a criação e manutenção do contencioso administrativo, inclusive com existência assegurada pela Constituição Federal, se não fosse da forma ora preconizada. Com o devido respeito que me merecem todos quanto entendem de forma contrária, não há aqui que se cogitar da similitude entre o contencioso administrativo tributário, cuja fórmula processual é definida pelo Decreto n° 70.235, de 1972 (lei delegada) e posteriores alterações, com o rito previsto no Código Processual Civil, aplicado no âmbito do Judiciário. Diferentemente do que acontece no Judiciário, no processo administrativo de constituição e exigência de créditos tributários a iniciativa é sempre da autoridade administrativa, cuja competência, exclusiva, para efetuar lançamentos lhe é deferida por lei. 1111' 7 Processo n° : 10166.001915/00-40 Acórdão : CSRF/03-03.777 No caso da multa de mora, objeto do litígio que aqui se cuida, a legislação de regência prevê a sua aplicação apenas no caso do não pagamento, até a data do vencimento, do tributo considerado devido. Tributo devido só pode ser considerado o justo, o legítimo, o certo, o que é de direito ou dever. Neste caso, abrindo-se o lançamento do crédito tributário à discussão no âmbito administrativo, em obediência às disposições do Decreto n° 70.235, de 1972, evidentemente que não se pode falar em tributo devido antes de o lançamento revestir-se da condição de certeza e liquidez, tornando-se, conseqüentemente, exeqüível. Tal condição só se torna atingida, na esfera administrativa, no caso da não instauração da fase litigiosa, não havendo impugnação pelo contribuinte ou sujeito passivo ou, de outra forma, instaurado o litígio, após o trânsito em julgado da sentença definitiva que reconhecer como devido o respectivo tributo, esgotadas as instâncias administrativas de defesa. Forçoso se torna reconhecer, que a 'multa de mora' não poderia ter sido exigida no presente caso, pois que, até o momento do trânsito em julgado da decisão de mérito estampada no Acórdão ora atacado, não se tinha por devido o crédito tributário estampado na Notificação de Lançamento em questão. Não havia incidência de mora por parte do Contribuinte litigante. Portanto, do ponto de vista do lançamento e exigência da questionada multa de mora, no caso presente, torna-se indiscutível que autoridade lançadora incorreu em flagrante equívoco e ilegalidade, fato reconhecido, à unanimidade, pela C. Câmara "a quo' , não tendo havido qualquer restrição a esse respeito por parte da ora Recorrente. 9,9 8 Processo n° : 10166.001915/00-40 Acórdão : CSRF/03-03.777 Reflete o melhor acerto a Decisão atacada, por haver corrigido e legitimado um lançamento tributário que já nasceu inquinado, pela reconhecida ilegalidade da multa de mora exigida. Uma vez reconhecida a improcedência da exigência da multa de mora lançada, como no caso presente, configura-se, sem sombra de dúvida, uma irregularidade diferente daquelas previstas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72 e alterações, tornado-se obrigatório, inquestionavelmente, o saneamento de tal irregularidade, conforme determinado no art. 60, do mesmo diploma legal, o que só é possível mediante a exclusão, do respectivo lançamento, da referida multa de mora, o que foi feito, acertadamente, pela C. Câmara recorrida. Para finalizar, ainda sobre a questão de fundo atacada pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional na Apelação retro, a respeito da decisão "ultra" ou "extra" petita, alinho-me, com plena convicção, ao entendimento daqueles que defendem a prevalência dos princípios da legalidade e da isonomia sobre o formalismo processual, levando em consideração, inclusive, o interesse latente de se evitar o risco da sucumbência para o Erário Público. Não há, portanto, em meu entender, que se fazer qualquer reparo no Acórdão atacado, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial ora em exame. Sala das Sessões-DF, em 03 de novembro de 2003. 4/1 _noir 4. PAULO ROB TZ dC0 ANTUNES RELATOR 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1

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Numero do processo: 19740.000051/2004-38
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há o que se falar em nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, pelo simples fato de a contribuinte não ter sido intimada para estar presente no momento do julgamento e dele poder participar, eis que ausentes no PAF essa hipótese. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS - É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos de natureza não tributária adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei no 9.430/96 e IN SRF no 41/2000). CRÉDITO DE NATUREZA NÃO-TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros (§12, inciso II, alínea "a" do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei no. 11.051/2004). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.254
Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Valmir Sandri

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-10T11:17:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-10T11:17:36Z; Last-Modified: 2010-05-10T11:17:36Z; dcterms:modified: 2010-05-10T11:17:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-10T11:17:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-10T11:17:36Z; meta:save-date: 2010-05-10T11:17:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-10T11:17:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-10T11:17:36Z; created: 2010-05-10T11:17:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-05-10T11:17:36Z; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-10T11:17:36Z | Conteúdo => SI-C3TI Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ^. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19740.000051/2004-38 Recurso n° 174.820 Voluntário Acórdão n° 1301-00.254 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria IRPI e CSLL Recorrente BANCO CLÁSSICO S.A. Recorrida 8' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO 1- RJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há o que se falar em nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, pelo simples fato de a contribuinte não ter sido intimada para estar presente no momento do julgamento e dele poder participar, eis que ausentes no PAF essa hipótese. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS - É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos de natureza não tributária adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei no 9.430/96 e IN SRF no 41/2000). CRÉDITO DE NATUREZA NÃO-TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros (§12, inciso II, alínea "a" do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei ti. 11.051/2004). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. L. 1.1,W LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente I —- _— e ANDAI - Relator EDITADO EM: 26 ABR 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Marcos Vinícius Barros atoni, José de Oliveira Ferraz Correa, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo ri" 19740.000051/2004-38 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.254 EL 2 Relatório BANCO CLÁSSICO S/A, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro - RJ, que por unanimidade de votos, considerou não declarada a compensação efetuada pela contribuinte de créditos obtidos mediante decisão judicial com débitos de IRPJ e CSLL. Trata-se o presente processo de Pedido de Compensação (fls. 01), apresentado em 30.01.2004, referente ao IRPJ do 4° trimestre de 2003 no valor de R$ 4.040.985,28 e a CS LL no valor de R$ 1.456.914,70, mediante utilização de precatório judicial da empresa AGROIMOBILIÁRIA AVANHANDAVA S/A em face do INCRA e cedidos à contribuinte, através de instrumento particular (fls. 04/06) realizado em 26.01.2004. Em despacho decisório às fls. 28/33, a DEINF/RJO não homologou a compensação pleiteada, apresentando os seguintes argumentos: - a Recorrente não procedeu a necessária formalidade de realizar seu pleito mediante "declaração de compensação"; - é vedada por lei a compensação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal mediante créditos cedidos por terceiros. Cientificada do despacho decisório em 03.03.2006, a Recorrente apresentou em 27.03.2006 manifestação de inconformidade (fls. 43/54), alegando preliminarmente a nulidade do despacho decisório da DeinERJOT, pois emitido por autoridade incompetente e que, nos termos do art. 13 da LC 73/93, caberia à Procuradoria da Fazenda Nacional opinar sobre matérias jurídicas. Sustenta ainda que os créditos utilizados na referida compensação não são de terceiros por duas razões: a primeira é que o cedente e o cessionário do crédito são sociedades que possuem o mesmo acionista controlador e a segunda é a de que o instrumento de cessão de créditos é reconhecido pelos arts. 286 a 298 do Código Civil, sendo vedado à legislação tributária, conforme art. 110 do CTN, alterar definição, alcance ou conteúdo dos institutos e conceitos de direito privado. Ademais, explicita que os débitos que pretendeu compensar foram informados em DCTF, constituindo, portanto, confissão de divida. Alega que a Constituição Federal autoriza a cessão de créditos oriundos de precatório e o § 2° do art. 78 do ADCT outorga ao precatório poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por sua vez, entendeu, com base na Portaria SRF 30/2005, ser incompetente para pronunciar-se no caso (fls. 67) e remeteu os autos à Deinf que enviou os débitos para inscrição em Dívida Ativa que foi efetivada em 31.07.2006 (fls. 88/90) e posteriormente executada (fls. 94). A Recorrente então, impetrou mandado de segurança com o fito de ter as impugnações apresentadas no presente processo bem como nos processos administrativos n's 19740.000272/2004-14, 19740.000347/2004-78, 19740.000400/2004.11 e 19740.000560/2004-80 devidamente apreciadas pela DRI/RJ. Por força da liminar concedida nos autos do mandado de segurança supramencionado e dos despachos exarados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 110 e 113), a inscrição em dívida ativa foi suspensa e os autos remetidos para a DRJ/RJ para julgamento das manifestações de inconformidade. A 8a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento manteve o despacho decisório e considerou não declarada a compensação. Quanto à preliminar de nulidade argüida pela Recorrente, entende a Turma que cabe às Delegacias da Receita Federal e não a Procuradoria da Fazenda Nacional decidir sobre pedidos de restituição e compensação e em grau de recurso, as manifestações de inconformidade são julgadas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, invocando o regimento interno da Receita Federal do Brasil. No mérito, argumenta a 8' Turma que, com base no novo regime previsto pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 é vedado as compensações que utilizem créditos de terceiros, relativos a tributos e contribuições federais não administrados pela Secretaria da Receita Federal e cujos respectivos pedidos não tenham sido formulados mediante entrega de "declaração de compensação". Quanto à utilização de créditos de terceiros, a Turma se manifestou no sentido de que adotar entendimento de que referidos créditos não são de terceiros, seria admitir que, na hipótese de cessão de créditos, jamais existiria terceiro na relação, pois uma vez cedido, o crédito sempre se toma próprio do cessionário levando a conclusão de que a vedação legal quanto à compensação de débitos próprios com créditos de terceiros é inócua não podendo ser levada em conta tal tese. Alega ainda que por força do princípio da entidade, as pessoas jurídicas têm existência distinta da de seus sócios, sendo irrelevante que na cessão de créditos a cedente e a cessionária sejam empresas do mesmo grupo econômico, submetidas ao mesmo controle acionário, caracterizando-se a cessão. Quanto à utilização de créditos relativos à tributos e contribuições não administrados pela Secretaria da Receita Federal, saliente a Turma que pelo fato de a compensação em questão referir-se a créditos de origem diversa daquela que é autorizada pela legislação tributária federal é impossível realizar-se. Por fim, alega a DRJ que o fato de o requerimento de compensação ter sido protocolado em 30.01.2004, sem a utilização do Per/Dcomp ou os formulários alternativos e 4111 desconformidade ao § 1 0 do art. 74 da Lei n° 9430/96, impossível a compensação, nos termos do art. 4° da Instrução Normativa n°360/2003. Intimada da decisão da DRJ, a Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 130/144), alegando preliminarmente o cerceamento de defesa pela falta de intimação da realização do julgamento da manifestação de inconformidade pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como porque foi proferida decisão tendente a dificultar o entendimento do que foi efetivamente julgado, obstruindo a defesa. Alega no mérito, em síntese: 4 Processo n° 19740.000051/2004-38 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.254 Fl. 3 (i) não tratar-se de crédito de terceiro uma vez que se tratam de empresas do mesmo grupo econômico, no qual o acionista controlador é o mesmo não podendo as sociedades que possuem o mesmo acionista controlador serem consideradas como terceiro entre si; (ii) além disso, a teor da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005, empresas do mesmo grupo econômico são solidariamente responsáveis pelos débitos previdenciários de qualquer uma delas o que impossibilita serem caracterizadas como terceiro; (iii) se a cessão de crédito, reconhecida pelos arts. 286 a 298 do Código Civil, produz o efeito de transferir o crédito do cedente ao cessionário, não se pode dizer que o crédito oferecido pela Recorrente à compensação é de terceiro, porque, com a formalização do instrumento de cessão, a Recorrente se tomou titular do crédito; (iv) que se trata de crédito liquido e certo oriundo de precatório emitido contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e que não admitir tal crédito como meio legítimo, à semelhança da moeda é praticar o calote; (v) frão praticou fraude, ou quaisquer das práticas definidas pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, pois não impediu ou retardou o conhecimento por parte da autoridade administrativa do fato gerador da obrigação tributária mediante declaração dos créditos tributários em DCTF; (vi) não há óbice à compensação de tributos com precatório cedido; (vii) que com a alteração do art. 90 da MP 2.158-35/2001 há apenas a previsão de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficasse caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71,72 e 73 da Lei n°4.502/64; (viii) que a Fiscalização e o acórdão pretendem negar vigência as normas constitucionais aplicáveis ao precatório (art. 78, ADCT), que obriga ao reconhecimento do poder liberatório dos precatórios bem como o art. 19 da Lei n° 11.033/2005 que prevê a efetivação da compensação; (ix) que o lançamento de oficio de débitos confessados, espontaneamente, em DCTF e a negativa de homologação da compensação configuram atos que atentam contra os Princípios da Moralidade e da Eficiência da administração previstos no art. 37 da Constituição Federal; (x) que o § 2' do art. 78 outorga ao precatório poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora; (xi) que o art. 170 do CTN não faz distinção quanto aos créditos, exigindo que sejam também de natureza tributária, bastando apenas, tratar-se de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública; (xii) a compensação é forma de extinção da obrigação tributária entre credores e devedores recíprocos, nos termos do art. 170, caput, do CTN e Lei n° 9.430/96. Ao final requer o conhecimento e provimento de seu recurso voluntário para preliminarmente, obter a declaração de nulidade do acórdão recorrido, eis que contraria o principio da ampla defesa e do contraditório, bem como no mérito, a improcedência do acórdão posto que a Recorrente promoveu a extinção da obrigação tributária via compensação, direito este lhe assegurado pelo art. 78, § 2° da ADCT. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a contribuinte insurge-se face a decisão de primeira instância que não homologou seu pedido de Compensação de IRPJ e CSLL, sob o argumento de ser incabível a compensação com créditos de terceiros e não oriundos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, considerar a compensação não declarada. O presente processo diz respeito a Pedido de Compensação (fls. 01), apresentado em 30.012004, referente ao 'RH do 4° trimestre de 2003, no valor de R$ 4.040.985,28, e a CSLL no valor de R$ 1.456.914,70, mediante utilização de precatório judicial da empresa AGROIMOBILIÁRIA AVANHANDAVA S/A. em face do INCRA e cedidos à contribuinte, através de instrumento particular (fls. 04/06) realizado em 26.01.2004. Por seu turno, para justificar a compensação efetuada a contribuinte traz em seu socorro os seguintes argumentos: (i) trata-se de compensação com débitos que não são de terceiros pelo fato de a cedente e cessionária pertencerem a um mesmo grupo econômico; HO a possibilidade de compensação com precatório, tendo em vista o disposto no art. 78 do ADCT; (iii) não ocorreu qualquer das hipóteses do art. 18 da Lei n° 10.833/2003; (iv) a compensação é forma de extinção da obrigação tributária entre credores e devedores recíprocos, nos termos do art. 170, caput, do CTN e da Lei ri° 9.430/96 e, (v) nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento do direito de defesa. Quanto a preliminar de nulidade de cerceamento do direito de defesa e do devido processo legal do acórdão recorrido, pelo fato de ter sido criada as Turmas de Julgamento por Portaria em detrimento do Decreto n. 70.235/72, bem como por não ter a recorrente sido intimada e não poder participar da realização do julgamento de primeira instância, entendo que a mesma não tem como prosperar, senão vejamos: Com relação ao argumento de que as Turmas de Julgamento foram criadas de forma arbitrária, é de se observar que a Lei n. 8.748/93 que criou as Delegacias de Julgamento, deu competência ao Ministro da Fazenda para fixar a forma de seu funcionamento, podendo para tal mister, baixar Portaria e outros atos como o fez através da Portaria MF 258/2001, com o fito de constituir as Turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sem que isso ferisse o devido processo legal, conforme equivocadamente entende a recorrente. Quanto ao fato de a contribuinte não ter sido intimada do julgamento, bem como de poder participar do julgamento em primeira instância, de se notar que o Decreto n. 6 Processo n° 19740.000051/2004-38 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.254 Fl. 4 70.235/72, não prevê a hipótese de a contribuinte ser intimada do julgamento e dela participar, mesmo porque, a primeira instância se configura como uma simples autoridade recorrida, eis que, embora tenha status de Turmas de Julgamento, ainda se encontra inserida dentro do órgão lançador com competência para a apreciação de recursos hierárquicos impróprios. Dessa forma, afasto de plano a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, inicialmente cumpre afastar o primeiro argumento despendido pela Recorrente no sentido de que os valores utilizados para a compensação, não se tratam de créditos de terceiros pelo fato de cedente e cessionária pertencerem a um mesmo grupo econômico e possuírem o mesmo acionista controlador. Isto porque, o fato de fazerem parte do mesmo grupo econômico e possuírem o mesmo acionista controlador, não confere a pessoas jurídicas diferentes, com CNPJs distintos, o título de mesma pessoa para fins de compensação de créditos adquiridos por uma delas, tendo em vista que seus atos e decisões por elas praticados são autônomos. Interpretar de forma contrária, ou seja, dar tratamento a cedente e a cessionária como se fosse uma única sociedade pelo simples fato de pertenceres a um mesmo grupo econômico ou por ter o mesmo acionista controlador e/ou administrador, seria uma afronta às regras de Direito Civil e Comercial que outorga autonomia distinta para cada uma delas, razão porque, não há como prosperar os argumentos despendidos pela contribuinte nesse , sentido. No que concerne à possibilidade de se efetuar compensações, que visam à extinção do crédito tributário mediante o encontro de débitos e créditos, entre o contribuinte e a Fazenda Pública, o art. 170, caput, da Lei n. 5.172/66 — CTN —, preconizou sua autorização por lei específica que deve estipular as condições e as garantias, bem como conceder à autoridade administrativa competência para efetivá-la. Nessa perspectiva, a União, disciplinando a utilização do instituto da compensação no âmbito tributário, por intermédio do art. 74 da Lei n. 9.430/96, posteriormente alterado pelas Leis ns. 10.637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004, considerou não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros, vejamos: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar credito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II— em que o credito a) seja de terceiros". 7 Impende observar que o caput do artigo supracitado autoriza exclusivamente a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB com crédito decorrente de apuração do próprio sujeito passivo, inclusive os judiciais com trânsito em julgado. • Da leitura dispositivo acima, vê seque não há previsão de compensação com a utilização de créditos de terceiros, sendo esta, portanto, expressamente vedada, ainda mais quando se trata de créditos de natureza não tributária conforme o presente caso. Cumpre assinalar que o §12, incluído ao art. 74 da Lei n. 9.430/96, pela Lei n. 11.051/2004, não trouxe qualquer inovação ao caput do referido artigo, tendo em vista que a compensação de tributos e contribuições sociais com a utilização de créditos de terceiros não era permitida anteriormente ao seu implemento, revestindo-se, tão somente, de uma norma interpretativa dirigida à SRFB para operacionalização quando da ocorrência desses casos no rito processual. Isto porque, a M' n. 66/2002, que posteriormente foi convertida na Lei n. 10.637/2002, instituiu nova sistemática em relação às compensações que passaram a ser declaradas. Com a edição da IN/SRF n. 210/2002, que disciplinou a nova sistemática das compensações no âmbito da SRFB, a vedação de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros foi reafirmada, sendo repetida pela IN/SRF n. 460/2004. Logo, por se tratarem de empresas distintas quanto aos seus atos e decisões, não resta dúvida que o crédito utilizado pela contribuinte na compensação pleiteada é crédito de terceiros, o que por si só já é suficiente para afastar a sua pretensão, e mesmo que assim não fosse, como visto acima, trata-se de crédito não tributário, impossibilitando dessa forma sua compensação por absoluto amparo legal. De se notar que, ainda que a contribuinte provasse ser credora da União, o que, repita-se, não ficou comprovado no presente autos, os artigos do Código Civil citados pela contribuinte não se aplicam no âmbito tributário, pois o crédito tributário, como matéria de interesse público, não pode ser tratado sob a exclusiva ótica do Código Civil, e sendo assim, a compensação, no âmbito tributário, deve respeitar as regras estabelecidas por lei própria. Quando ao procedimento adotado pela contribuinte por ocasião da compensação, é de se verificar que a mesma não cumpriu os requisitos legais para a sua efetivação, eis que aqui se tem, na verdade compensações não declaradas, porquanto em desacordo com o art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051/2004. Sobre a alegação de que descabe a aplicação de multa isolada pela inexistência das infrações contidas nos artigos 71,72 e 73 da Lei n° 4.502/64, dispõe o art. 18 da Lei n° 10.833/2003: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redacão dada pela Medida Provisória n°472. de 2009) Processo n°19740.000051/2004-38 SI-C3T1 Acórdão n.°130/-00254 Fl. 5 § 1 2 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos § n 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2 A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do débito indevidamente compensado, no percentual:Reda ittelciMedida Provisória n°472, de 2009) I - previsto no inciso Ido caput do art. 44 da Lei n°9430. de 27 de dezembro de 1996. na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado; ou (Incluído pela Medida Provisória n°472 de 20091 11- previsto no inciso Ido caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § E, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. [Incluído pela Medida Provisória n°472, de 2009) § 3° Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 42 Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso Ido caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1°, quando for o caso. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 20072 § 5' Aplica-se o disposto no § 2' do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, as hipóteses previstas nos §§ 22 e 4° deste artigo. (Redação dada pela,z`' 11.488, de 2007)" - Dessa forma, por expressa determinação legal, incide a multa isolada no presente caso. Ademais, sendo a atividade administrativa vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, não podia a fiscalização agir de outra forma se não aplicar a referida penalidade, razão porque, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida. Portanto, não há qualquer ofensa a direitos e garantias constitucionais, gravados com a condição de cláusula pétrea, conforme equivocadamente entende a recorrente, mas sim a inobservância, por parte da interessada, dos requisitos legitimamente fixados em lei editada com fundamento no Código Tributário Nacional, recepcionado como lei complementar na Constituição Federal de 1988, e assim hábil a fixar normas gerais de direito tributário, em especial no que tange à obrigação e ao crédito tributário (art. 146, III, "h" da Constituição Federal), onde está inserida a sua forma de extinção. Pelas razões expostas, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida que não homologou a compensação pleiteada. ca.„ 9 Ante o exposto, voto no sentido de AFASTAR a preliminar suscitada, para no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. NDRI - Rein—tO7- • o

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Numero do processo: 10880.034214/99-24
Data da sessão: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da publicação da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 08/12/99. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.812
Decisão: ACORDAM os membros da terceira turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação as demais matérias. As Conselheiras Anelise Daudt Prieto, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões quanto ao prazo para pleitear o direito.
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO

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E COM. DE ÓCULOS LTDA. FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da publicação da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do• recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 08/12/99. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciação as demais matérias. As-Conselheiras Anelise Daudt Prieto, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões quanto ao prazo para pleitear o direito. A ONIO PRAGA Presidente • Processo n° 10880.034214/99-24 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-05.812 Fls. 2 MN, \\N» OTACILIO DANT C • RTAXO Relator per14tiv_b0 13 OUT 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros OTACILIO DANTAS CARTAXO, SUSY GOMES HOFFMANN, JUDITH DO AMARAL MARCONDES, ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, ANELISE DAUDT PRIETO, NANCI GAMA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. A<- 2 Processo n° 10880.034214/99-24 CS RF/T03 Acórdão n.° 03.05.812 Fls. 3 Relatório O relatório da acórdão recorrido é o seguinte: Em exame o recurso voluntário apresentado pelo interessado acima identificado, pertinente a pedido de restituição de quantias pagas em percentual superior à alíquota de 0,5% entre dezembro de 1989 e abril de 1992, a título de contribuição para o Fundo de Investimento Social --Finsocial Instituída pelo art.-1 2 do Decreto-lei n2 1.940/82. A solicitação teve como fundamento a declaração de inconstitucionalidade do art. 92 da Lei n2 7.689/88, que manteve a contribuição para o Finsocial após a CF/88, e dos arts. 72 da Lei n2 7.787/89, 12 da Lei n2 7.894/89 e I Q da Lei na 8.147/90, que estabeleceram sucessivos acréscimos à alíquota originalmente fixada, para 1%, 1,2% e 2%, respectivamente. O pleito foi indeferido no julgamento de primeira instância, nos termos da Decisão DRJ/CTA n2 735, de 27/6/2001, proferida pelo Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 55/58), cuja ementa dispõe, verbis: "FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declarató ria int em recurso extraordinário, extingue- se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida" Na análise do pedido, a decisão monocrática considerou que o Código Tributário Nacional - CTN, em seu art. 156, inciso I, especca que o pagamento é modalidade de extinção de crédito tributário, e que, no caso, a última data de extinção, pelo pagamento, dos valores de restituição pleiteados foi em 6/4/1992, enquanto que o pedido foi protocolizado em 8/12/1999, razão pela qual, e à vista do disposto nos arts. 165, inciso 1 e 168, inciso I, do C7N, e no Ato Declaratório SRF n2 96/99, baseado no Parecer PGFN/CAT n2 L538/99, concluiu que já havia transcorrido o prazo de 5 anos para o contribuinte solicitar a restituição, contado da data da extinção do crédito tributário, estando, portando, decaído o direito do contribuinte à repetição de indébito. No recurso apresentado (lis. 61/63), o contribuinte alega que o indeferimento viola direito líquido e certo do recorrente, tendo em vista que a decisão respaldou-se no Ato Declaratório SRF rf 96/99, com base no Parecer PGFN/CAT n 2 1.538/99, não questionando a certeza e a liquidez do crédito. Acresce que o Finsocial nunca esteve adstrito ao CIN e que os arts. 121 e 122 do Decreto n 2 92.698/86 (Regulamento do 3 Processo n°10880.034214199-24 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-05.812 Fls. 4 Finsocial) fixaram o prazo de 10 anos para pleitear a restituição dessa Contribuição, não obstante o C7'N já estivesse em vigor. Que em obediência à legislação especifica, a SRF sempre deferiu os pedidos de restituição, mas que, surpreendentemente, com o advento do Ato Declaratório SI?? n' 96/99, negou o pedido do recorrente. Pelo exposto, e afirmando que o Ato Declara tório não pode se sobrepor à lei, requer seja reformada a decisão para que seja procedida a restituição da contribuição, na forma de compensação e nos termos do pedido O Acórdão n° 301-31027 (fls. 69/80) prolatou a decisão proferida na Sessão de Julgamento pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 19/02/2004, cujo entendimento encontra-se sintetizado na ementa adiante transcrita: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de aliquota do Finsocial é de 5 anos, contado de 12/6/98, data de publicação da Medida Provisória rf 1.621-36/98, que, de forma definitiva, trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de reconhecer o direito e possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação. RECURSO PROVIDO. DETERMINADO O RETORNO DO PROCESSO Á DRJ PARA EXAME DO MÉRITO In casu, o pedido ocorreu em data de 08/12/1999, quando ainda existia o direito de o contribuinte de pleitear a compensação. Cientificada do acórdão retromencionado, contra o mesmo insurge-se a Fazenda Nacional (fls. 82/91), aviando o seu recurso, com fulcro no art. 5°-11 do RICSRF, oferecendo como paradigma de divergência o acórdão n' 302-35782. • Aduz o d. Procurador: • A questão central que se discute no feito é saber qual o termo inicial e o final para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL, que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. • O v. acórdão recorrido entendeu que o direito de pleitear a restituição ou compensação do Finsocial somente começa a ser contada a partir da edição da MP n' 1.110/95, expedida em 30/08/95. • Pronuncia-se em favor da tese contida nos arts. 165-1 e 168-1, ambos do CTN que reconhece o direito ao crédito tributário, entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção pelo pagamento (art. 156-1, CTN), ocorrendo o inicio da contagem do prazo decadencial de cinco anos no dia do pagamento espontâneo do tributo devido. 4 Processo n° 10880.034214/99-24 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-05.812 Fls. 5 • O art. 3 da LC ti 118 deixa claro que para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § l' do art. 150 do mesmo mandamus, devendo o mesmo ser aplicado retroativamente a teor do art. 106-1 do CTN. • Complementa a sua fundamentação com o ADN/SRF n' 96/99, como norma integrante da legislação tributária, de caráter vinculante para a administração tributária (arts. 100-1 e 103-1, CTN), sobre o seu entendimento concernente ao prazo decadencial. • Não há na lei qualquer autorização que justifique ser considerada a data da publicação da MP n 1.110/95, o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial, por conseguinte para se considerar esse termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário público. • Requer a reforma da decisão hostilizada para que seja restituída a decisão de primeira instância: • Admitido o REsp da PFN em 13/07/2004, conforme Despacho exarado pelo Presidente da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 120), mediante o reconhecimento da existência de tempestividade e de divergência entre o julgado e o acórdão paradigma apresentado. Intimado a apresentar suas contra-razões (vide AR, n. 124-v) a interessada não compareceu aos autos, oportunamente. É o relatório. c\N • Processo n° 10880.034214/99-24 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-05.812 Fls. 6 Voto Conselheiro OTACILIO DANTAS CARTAXO, Relator O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional preenche os quesitos necessários à sua admissibilidade quanto aos critérios de tempestividade e de divergência, conforme atestado no despacho de fl. 120, portanto merece ser conhecido. A matéria versa sobre o reconhecimenTo de direito creditório de contribuinte, — oriundo de indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n° 150.764- 1, DJU de 02/03/93, bem como quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do indébito. A tese esposada pela decisão de primeira instância adotou o entendimento contido no AD/SRF n° 96/99, consubstanciado nos arts. 165-1, 168 –I, 150-§ 1° e 156-1, todos do CTN, para argüir a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição/compensação de indébito tributário oriundo da majoração da alíquota do Finsocial acima de 0,5%, majoração essa declarada inconstitucional pelo STF. De acordo com esse entendimento, a referida decisão reconhece o direito do contribuinte ao crédito tributário (art. 165-1, ato, entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção (art. 168-1, CTN e 3' da LC 118) pelo pagamento (art. 156-1, crN). A Fazenda Nacional defende os mesmos argumentos, postulando pela reforma do acórdão recorrido e pelo restabelecimento da decisão de primeira instância. De antemão, é sabido que o Dec. n° 92.698/86 não foi recepcionado pelo novo ordenamento jurídico (CF/88), por não estar fundado na lei geral sobre tributação e nem mesmo em lei especial derrogatória, conclusão esta que já foi externada pela própria COSIT por meio do seu Parecer n° 58/98, consubstanciado no Parecer PGFN/CAT n° 437/98, com fulcro no art. 168, CTN, cujo direito do contribuinte pleitear a repetição do indébito extingue- se após o transcurso de prazo de cinco anos, contado do pagamento indevido, da data de extinção do débito. Observou-se, também, que a autoridade fiscal manteve-se inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Logo, depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, da data para o contribuinte exigir o ressarcimento do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165- 1 e 168-1. do CTN, não havendo o que se falar em decadência, por conseguinte em homologação. A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no • 6 13/4 Processo n° 10880.034214/99-24 CSRUTO3 Acórdão o.° 03-05.812 Fls. 7 Parecer COSIT n° 58/98, de 27/10/98, o reconhecimento expresso naquele Parecer que referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n° 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n° 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa o novo entendimento a se contrapor àquele esposado anteriormente. Como visto, a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n° 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do _ Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outrostantoUforam-prejudicados -por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrário do que expôs o juízo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do F1NSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto à Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação à prescrição. Análise essa pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional matéria essa questionada pela ora recorrente, traz-se à baila o Ac. CSRF/01-03.239 que sabiamente estabelece que em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo STF em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; e c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. -A MP n° 1.110/95, art. 17 — III, DOU de 31/08/95 — p. 013397, por sua vez, foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento ef-‘ 7 • 3/4. Processo n° 10880.034214/99-24 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-05.812 Fls. 8 do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, passando a ser utilizado como referencial para o marco inicial da contagem do prazo decadencial. Somente com o advento dessa MP é que os contribuintes, de boa-fé e com a observância do dever legal, puderam demandar sobre o ressarcimento dos pagamentos indevidos, com base nas aliquotas majoradas, acima de 0,5%, nas épocas indicadas, da referida Contribuição para o FINSOCIAL, estabelecendo-se, certamente, com isso, o marco inicial. O reconhecimento desse indébito restou consolidado através das reiteradas reedições e posteriores edições da retromencionada MP sob os ifs 1.142/95, 1.175/95, _ _ 1.209/95, 1.244/95, 1.281/96, 1.320/96, ..., 1.490/96 e 1.621-36/98, sendo convertida na Lei n° 10.522/02, a qual nata da matéria através do art. 18-111. _ Posteriormente a essa MP a Secretaria da Receita Federal através da IN/SRF n° 32, de 09/04/97, em seu artigo 2° convalidou a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Cofins, com fimdamento no art. 9° da Lei n° 7.689/88, na aliquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio de ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a título de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 6°, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178) Insubsistente, portanto, os argumentos do d. Procurador com relação à lide. Finalmente, tem-se que o pedido de compensação de Finsocial formulado junto a DRF/TSA-SP é de 08/12/99 (fi. 01) e que o término da contagem do prazo prescricional, sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido dá-se em 31/08/00, não havendo se falar em prescrição. , Ante o exposto, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito, nego-lhe provimento. É assim que voto. Sala das Sessões, em 17 junho de 2008 •lioN, W t/é(,OTACILIO D . ' TAS CARTAXO 8 Page 1 _0123900.PDF Page 1 _0124100.PDF Page 1 _0124300.PDF Page 1 _0124500.PDF Page 1 _0124700.PDF Page 1 _0124900.PDF Page 1 _0125100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.015153/99-44
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF - IMPOSTO DE RENDA - RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA - PAGAMENTO INDEVIDO - RESTITUIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL - Nos casos de reconhecimento da não-incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou da data do ato da administração tributária que reconheça a não-incidência do tributo. Permitida nesta hipótese, a restituição de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Desta forma, não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não-incidência pela administração tributária (IN nº 165, 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-18263
Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para: I - afastar a decadência; II - anular as decisões proferidas pelas autoridades administrativa e julgadora de primeira instância; e III - determinar à autoridade administrativa o enfrentamento do mérito. Vencido o Conselheiro Roberto William Gonçalves que provia o recurso quanto ao mérito.
Nome do relator: Vera Cecília Mattos Vieira de Moraes

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-10T16:42:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-10T16:42:18Z; Last-Modified: 2009-08-10T16:42:18Z; dcterms:modified: 2009-08-10T16:42:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-10T16:42:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-10T16:42:18Z; meta:save-date: 2009-08-10T16:42:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-10T16:42:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-10T16:42:18Z; created: 2009-08-10T16:42:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-08-10T16:42:18Z; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-10T16:42:18Z | Conteúdo => - 0.i2b4 MINISTÉRIO DA FAZENDA tE-14tv PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153/99-44 Recurso n°. : 125.468 Matéria : IRPF - Ex(s): 1999 Recorrente : JOSUÉ NUNES DE JESUS Recorrida : DRJ em SALVADOR - BA Sessão de : 23 de agosto de 2001 Acórdão n°. : 104-18.263 IRPF - IMPOSTO DE RENDA - RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA - PAGAMENTO INDEVIDO - RESTITUIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL - Nos casos de reconhecimento da não-incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou da data do ato da administração tributária que reconheça a não-incidência do tributo. Permitida nesta hipótese, a restituição de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Desta forma, não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária (IN n° 65, 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSUÉ NUNES DE JESUS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para: I - afastar a decadência; II - anular as decisões proferidas pelas autoridades administrativa e julgadora de primeira instância; e III - determinar à autoridade administrativa o enfrentamento do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Roberto William Gonçalves que provia o recurso quanto ao mérito. LEI á MARIA CHERRER LEITÃO PRESIDENTE MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153/99-44 Acórdão n°. : 104-18.263 Ojja( 10171-, 02-4~ VERA CECÍLIA MATTOS VIEIRA DE MORAES RELATORA FORMALIZADO EM: 21 SEI 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado) e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente, justific.adamente, o Conselheiro JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA pot.- 2 yv MINISTÉRIO DA FAZENDA Nr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153/99-44 Acórdão n°. : 104-18.263 Recurso n°. : 125.468 Recorrente : JOSUÉ NUNES DE JESUS RELATÓRIO Josué Nunes de Jesus, solicita restituição de imposto de renda retido na fonte sobre o valor recebido a título de incentivo à adesão Programa de Saída Voluntária, de Ajuste Operacional instituído por Caraíba Metais S/A, referente ao ano calendário de 1988 exercício 1989. O processo foi formalizado em 07/07/99. A Delegacia da Receita Federal em Salvador - BA, ao apreciar o pedido considerou que já se esgotara o prazo de 5 anos da efetiva retenção, o que se deu em 06/12/88, conforme Termo de Rescisão. Assim, com base no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999, indeferiu o pleito por julgá-lo intempestivo sob o fundamento de que o prazo para requerer a restituição de tributo pago indevidamente se extingue após 5 (cinco) anos contado da data da extinção do crédito tributário. Em manifestação de inconformidade, a contribuinte alega, que seu direito está assegurado no art. 165 do CTN. 3 • • . MINISTÉRIO DA FAZENDA••, i• fr..!$'L PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153/99-44 Acórdão n°. : 104-18.263 Observa que o imposto era retido pela fonte até que a Secretaria da Receita Federal editasse a Instrução Normativa n° 165, publicada em 06/01/99, e o Ato Declaratório n° 003 de 07/01/99, cujo item II assim dispõe: "II - a pessoa física que recebeu os rendimentos de que trata o inciso I, com desconto do imposto de renda na fonte, poderá solicitar a restituição ou compensação do valor retido, observado o disposto na Instrução Normativa SRF n°21 de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997". Tendo em vista o Ato Declaratório COSIT n° 4, de 20/01/99, o contribuinte entende que o prazo para pleitear a restituição é contado a partir de 6 de janeiro de 1999. Porém em 30/11/99 foi editado o Ato Deciaratório SRF n° 096 que assim dispõe: "I - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). II - o prazo referido no item anterior aplica-se também à restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos recebidos como verbas indenizatórias a título de incentivo à adesão de Programas de Desligamento Voluntário - PDV". Tece ainda considerações sobre a natureza do Imposto de Renda Retido na Fonte, concluindo pela característica de lançamento por homologação. 4 . MINISTÉRIO DA FAZENDA 'j• CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153/99-44 Acórdão n°. : 104-18.263 Deste modo a extinção do crédito se daria após 5 anos da ocorrência do fato gerador (art. 150 § 4° CTN. Consequentemente o direito de pleitear a restituição se extinguiria no prazo de cinco anos contados de sua homologação expressa ou tácita (art. 1681 do CTN). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador - BA, na análise do pleito, conclui que o prazo para pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, Contados da data da extinção do crédito tributário. A justificar seu entendimento, cita o art. 168 inciso I do CTN e o Ato Declaratório SRF n°96 de 26 de novembro de 1999, especialmente o inciso O julgador de primeira instância, conclui ainda que o pagamento antecipado, nas hipóteses de tributos sujeitos a lançamento por homologação, extingue o crédito, ainda que sob condição resolutória. Menciona também o problema da declaração de inconstitucionalidade de leis tributárias pelo Supremo Tribunal Federal e a decadência do direito de pleitear a restituição, transcrevendo Parecer PGFN/CAT n° 1538/99 e o Ato Declaratório n° 96/1999. Assim julga improcedente a manifestação de inconformidade e indeferiu o pedido de retificação da declaração do Imposto de Renda e consequentemente da restituição pretendida. Nas razões apresentadas a fls. 39/47, o recorrente alega em resumo que: 5 .4 MINISTÉRIO DA FAZENDA r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES " ;c1--s QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153/99-44 Acórdão n°. : 104-18.263 1 - A Receita Federal entendia que os rendimentos eram tributáveis, face ausência de expressa previsão legal que outorgasse a isenção. 2 - Em 31/12/98, foi editada a Instrução Normativa n° 165, dispensando a constituição de crédito relativamente incidência ao IR Fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária, autorizando a revisão de ofício dos lançamentos assim constituídos. Se pendentes de julgamento, a matéria deverá ser subtraída pelos Delegados de Julgamento. 3- Também foi publicado em 7/1/99 o Ato Declaratório n° 003 que no inciso II permite a restituição ou compensação do valor assim relido. 4 - Em 28/01199 foi editado o Ato Declaratório COSIT n°4 determinando que o prazo para solicitar a repetição seria contado a partir do ato que concedeu ao contribuinte ui-- o efetivo direito de pleitear a restituição (item 4). 5 - Surge então o Ato Dedaratório n° 096, estabelecendo que o prazo se conta a partir da data da extinção do crédito tributário art. 165, I, art. 168 I do CTN. 6 - Em nome dos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público, pede que seja aplicado ao pleito o ADN COSIT n° 04/99. 7 - O Imposto de Renda na Fonte tem natureza de lançamento por homologação, e assim seu direito à restituição não está prescrito. e .9. MINISTÉRIO DA FAZENDA, • P4? PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153199-44 Acórdão n°. : 104-18.263 8 - Em relação ao mérito, alega que a natureza do rendimento é de indenização, trazendo aos autos inúmeros Acórdãos no âmbito administrativo e judicial, a corroborar seu entendimento, bem como doutrina no mesmo sentido. É o Relatório. 7 .9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153/99-44 Acórdão n°. : 104-18.263 VOTO Conselheira VERA CECILIA MATTOS VIEIRA DE MORAES, Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço Trata-se de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, relativo ao ano calendário 1988, exercício de 1989, referente às importâncias pagas a título de indenização, quando da adesão a Programas de Desligamento Voluntário, Programa de Incentivo a Aposentadoria, Programa de Saídas Voluntárias ou outros assemelhados. O problema gira em tomo do "dies a quo" para contagem do prazo de 5 ,J)-t- (cinco) anos a fim de se pleitear o direito à restituição do imposto indevido. Dispõe o artigo 168, Inciso I c/c artigo 165 Inciso I e II do Código Tributário Nacional, que o direito de pleitear a restituição, nos casos de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido, ou maior que o devido, extingue-se com o decurso de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário. Esta é a regra geral a ser aplicada em matéria de restituição. 8 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES s. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153/99-44 Acórdão n°. : 104-18.263 Porém, nos casos em que o imposto passou a ser indevido por decisão judicial transitada em julgado, ou por ato da administração que trate de sua inexigibilidade, outro enfoque deverá ser dado à questão. Com efeito, nestes casos, há necessidade de se estabelecer em que momento estará caracterizado o indébito tributário. Sem dúvida alguma, no primeiro caso, a partir do trânsito em julgado da decisão, se dará início à contagem do prazo ora perquirido. Em relação ao ato da administração, não há como não entender como termo inicial, a data em que houve o reconhecimento da não incidência do tributo pela administração tributária. No presente processo somente a partir da publicação da Instrução »4- Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, (DOU 06/01/99) é que surge para o requerente o direito de pleitear a restituição. Foi exatamente neste momento que houve o reconhecimento da não incidência do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de planos ou programas de desligamento voluntário ou incentivado. Na verdade, as regras definidas nos dispositivos do Código Tributário Nacional, pelas características aqui apontadas, não podem ser aplicadas de forma literal. Isto porque ao receber os valores pertinentes à indenização por adesão aos programas mencionados, o imposto de renda incidente era considerado devido na fonte e na declaração. 9 • : :.. MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.015153199-44 Acórdão n°. : 104-18.263 Não poderia o contribuinte pedir restituição de valores legalmente retidos e recolhidos. O direito de requerer a devolução do imposto só surge a partir do momento em que foi considerado indevido, por outro ato legal ou por decisão transitada em julgado. Dentro deste espírito, face a reiteradas decisões do judiciário, especialmente do Superior Tribunal de Justiça, e principalmente tendo em vista o inciso I do art.165 do Código Tributário Nacional, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF n°165/98. Como o pedido for protocolado em 07/07/99, não há que se falar em decadência. Estas são as razões pelas quais o voto é no sentido de DAR provimento ao recurso para AFASTAR a decadência do direito de pedir restituição, anulando portanto as decisões proferidas respectivamente pela Delegacia da Receita Federal e Delegacia da Receita Federal de Julgamento e DETERMINAR a remessa, dos autos à repartição de origem para apreciação do mérito. Sala das Sessões - DF, em 23 de agosto de 2001 ..Lac GÁA-12-C°' (") 1c9)- "scx; VERA CECILIA MATTOS VIEIRA DE MORAES to Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1

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4640744 #
Numero do processo: 18336.000334/2002-27
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/03/2002 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO APÓS O VENCIMENTO SEM A MULTA DE MORA. PENALIDADE. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. É perfeitamente legal a imposição de multa moratória àqueles que, mesmo espontaneamente, paguem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. O pagamento a destempo sem os consectários legais caracterizava infração apenada com a multa de 75% do tributo devido. Todavia, essa penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixou de impor sanção à conduta então proibida, por força do princípio da retroatividade benigna. Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.164
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Nanci Gama. Esteve presente ao julgamento o Dr. Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF 20.191.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres

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RECOLHIMENTO DE TRIBUTO APÓS O VENCIMENTO SEM A MULTA DE MORA. PENALIDADE. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. É perfeitamente legal a imposição de multa moratória àqueles que, mesmo espontaneamente, paguem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. O pagamento a destempo sem os consectários legais caracterizava infração apenada com a multa de 75% do tributo devido. Todavia, essa penalidade deve ser excluída quando lei posterior deixou de impor sanção à conduta então proibida, por força do princípio da retroatividade benigna. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar erovimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Declarou-se impedida de votar a Con Iheira Nanci Gama. Esteve presente ao julgamento o Dr. Igor Vasconcelos S danha, OAB/D ° 20.191. CARLOS ALBER REITAS B r Presidente Ta--z7,e2. ENRIQUE PINHEIRÇ TORMS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hofflnann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz (Substituto convocado), José Adão Vitorino de Morais (Substituto Convocado), Maria Teresa Martínez López e Leonardo Siade Manzan (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Trata-se de auto de infração lavrado, em 15/07/2005, em virtude de ausência de recolhimento de multa de mora, no valor de R$ 9.857,84, relativa à complementação da CIDE — Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, referente à Declaração de Importação n° 02/0228910-3, registrado em 15/03/2002, na modalidade antecipada. A autuada apresentou impugnação tempestiva, que não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza — CE, ao fundamento de que "o recolhimento de tributo após o vencimento do prazo previsto na legislação, sem o acréscimo de multa de mora, constitui infração punível com multa de setenta e cinco por cento sobre o valor pago com o atraso ". Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, que: a) o 3° Conselho de Contribuintes já decidiu a favor da recorrente em 28 casos idênticos ao deste processo; b) e efetuou denúncia espontânea, recolhendo diferença da CIDE, com juros, porém sem multa, nos termos do art. 138, do CIN; c) não se aplica ao caso o art. 44, da Lei n° 9.340/96, pois não se trata de lançamento de oficio, pois tanto o lançamento quanto o pedido de retificação da DI foram espontâneos; e d) o Código Tributário Nacional não pode ser alterado pela Lei n° 9.430/96, que é lei ordinária. A Câmara a quo deu provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ART. 138 CIN - MULTA DE MORÁ — IMPROCEDÊNCIA A denúncia espontânea de infração fiscal/tributária, estabelecida no art. 138 do CIN, alcança todas as penalidades, punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais dou acessórias, sem distinção. A multa de mora, por conseguinte, é excluída pela denúncia espontânea, desde que efetuado o pagamento do tributo devido, se for o caso, acompanhado dos juros de mora incidentes. Incabível, neste caso, a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, inciso I, 1° da Lei n°9.430/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, fls. 125/127, alegando obscuridade e omissão por entender que a relatora não teria apresentado a fundamentação legal de seu voto.( 2 Processo n° 18336.000334/2002-27 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.164 Fl. 175 Por meio do Despacho de fl. 129, a Presidente da 2' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, determinou a reinclusão do recurso em pauta para apreciação e deliberação dos embargos declaratórios. Os embargos foram acolhidos e, em setembro de 2006, foi proferido o Acórdão n° 302-38.917, o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/03/200 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo obscuridade e omissão do julgado sobre ponto a que devia se pronunciar, cabível a apresentação de embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS E PROVIDOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ART. 138 CTN - MULTA DE MORA — IMPROCEDÊNCIA A denúncia espontânea de infração fiscal/tributária, estabelecida no art. 138 do CIN, alcança todas as penalidades, punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias, sem distinção. A multa de mora, por conseguinte, é excluída pela denúncia espontânea, desde que efetuado o pagamento do tributo devido, se for o caso, acompanhado dos juros de mora incidentes. Incabível, neste caso, a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44, inciso I, § 1° da Lei n°9.430/96. EMBARGOS ACOLHIDOS. A Fazenda Nacional dissentiu da decisão e apresentou recurso especial por contrariedade à lei, fls. 140/146, por meio do qual requereu a reforma do acórdão vergastado para que se restabelecesse a decisão da Primeira Instância Administrativa. O recurso foi admitido pela Presidente da r Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, despacho às fls. 147/149, quanto ao afastamento da multa de oficio isolada e da multa de mora em razão da denúncia espontânea de infração fiscal/tributária, estabelecida no art. 138 do CTN. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 197/213. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Da análise dos autos, verifica-se ser incontroverso o fato de a autuada haver recolhido o Imposto de Importação fora do prazo de vencimento, sem a multa de mora exigida no art. 61 da Lei n° 9.430/96. A inobservância dessa norma configurava infração punível com multa de 75% do valor do imposto devido, nos exatos termos do inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/96, combinado com o inciso II do § 1° desse artigo, que previa, expressamente, a imposição de multa isolada quando o tributo ou a contribuição houvesse sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. Sempre entendi cabível a exigência da multa de mora no caso em que o sujeito passivo recolhia espontaneamente o tributo, mas fora do prazo legal estabelecido em lei para satisfazer a obrigação tributária, posto que tal penalidade decorre de lei. Assim, sendo devida a multa de mora, correta foi a imputação feita pelos autuantes que exigiu a multa de oficio isolada, no percentual de 75%, incidente sobre o total da contribuição devida. Todavia, a multa que sancionava essa conduta proibida foi excluída do ordenamento jurídico, por meio da Medida Provisória n° 371/2007, e, como é de todos sabido, por força do princípio da retroatividade benigna, a lei deve retroagir quando deixar de prever a penalidade em questão ou quando tratar de penalidade mais benéfica. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2009. /CENIWUE ÇINHEIRO T5OS 4

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Numero do processo: 10880.005500/2003-84
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DECADÊNCIA – IRPJ - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei nº 8.383/91, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4ºe 173-I e § único do CTN). DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - A contribuição social sobre o lucro liquido, “ex vi” do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, III, “b” , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar específica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/01-05.440
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber, que deu provimento integral ao recurso, e os Conselheiros Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência da CSL. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima.
Nome do relator: José Clóvis Alves

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PRIMEIRA TURMA Processo n.° : 10880.005500/2003-84 Recurso n.° : 107-137104 Matéria : IRPJ e CSSL — EX. 1995 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : r C.ÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRI3UINTES Interessado : BBA TRADING SA Sessão de : 21 de março de 2.006. Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 DECADÊNCIA — IRPJ - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o inicio da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 173-1 e § único do CTN). DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - A contribuição social sobre o lucro liquido, "ex vi" do disposto no art. 149, cc. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, 111, "b', da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. Á falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do 1 : n • Processo n.° : 10880.005500/2003-84 Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber, que deu provimento integral ao recurso, e os Conselheiros Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência da CSL. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima. 179 (--"---- MANOEL ÂNTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE 2 ?J '.É lier 0 IS s • OR FORMALIZADO EM: 1 O MPI 1 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN, JOSÉ HENRIQUE LONGO. 2 Protesso n.° : 10880.005500/2003-84 1 Acórdão n.° CSRF/01-05.440 Recurso n° : 107-137.104 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : BBA TRADING SA RELATÓRIO Trata o presente de recurso do Procurador da Fazenda Nacional, contra o acórdão 107-07.648 de 12 de maio de 2.004. A câmara recorrida, por maioria de votos, ACOLHEU a preliminar de decadência para cancelar os lançamentos do IRPJ e CSSL, relativamente aos fatos geradores consumados em 28 de fevereiro de 1994, cuja ciência do auto se deu em 26/10/1.999, conforme data aposta às fls. 22 e 26. Inconformado com a decisão prolatada, o PFN com fulcro no artigo 5° incisos I e II do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF 58/98, apresentou o recurso especial de folhas 145 a 170, com base no inciso I, do artigo 5°, contrariedade à Lei. Tratam os autos lançamentos de IRPJ e CSL, exercício de 1995, com fato gerador em 28.02.94, formalizado em virtude de glosa de despesas operacionais e omissão de receitas. A multa aplicada foi de 75%. A empresa impugnou o lançamento, a DRJ manteve e a Câmara recorrida decidiu pelo acolhimento da preliminar de decadência ementado o acórdão da seguinte forma, fl. 134: O recurso do PFN argumenta em síntese o seguinte. RAZÕES PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO NO QUE SE REFERE AO PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO DA CSL. A) Não cabe ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 eis que estaria decretando sua inconstitucionalidade. Diz que a câmara fundamentou a decadência em um suposto conflito entre o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 e o artigo 146 da CF. Ao não aplicar o artigo 45 da referida lei a Câmara declarou sua inconstitucionalidade. Diz que o 61/1) 1 3 ProÇasso n.° : 10880.005500/2003-84 ' Acórdão n.° CSRF/01-05.440 STJ, no RESP 262.426/RS, já decidiu que a apreciação de conflito entre dispositivos de lei complementar e lei ordinária significa decidir se esta última norma ultrapassou ou não a competência que lhe foi delimitada na Constituição Federal. Diz que nesses casos de incompatibilidade o STJ declina competência para o STF. Diz que o art. 22A do RI CSRF, com redação dada pela Portaria MF n° 103/2002, veda o exame de inconstitucionalidade de lei por este colegiado. Afirma que o artigo 77 da Lei 9.430/96 permite ao Poder Executivo dispensar a cobrança de tributo, objeto ou não de lançamento, fundamentados em lei que tenham sido declaradas inconstitucionais pelo STF. Assim contrario sensu, enquanto o STF não declarar a inconstitucionalidade não pode o Poder Executivo dispensar a cobrança. Diz que os tribunais vêm declarando a constitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91. B) Consoante a Jurisprudência do STF, afastar a aplicabilidade de lei significa declarar sua inconstitucionalidade. Cita decisão do STF no RE 179.170-5 CEARÁ, no qual o ministro Moreira Alves, examinando recurso extraordinário, no sentido de que afastar a aplicação de uma norma legal é o mesmo que declara-Ia inconstitucional. C) Da constitucionalidade e legalidade do Art. 45 da Lei n° 8.212/91. O art. 45 da Lei 8.212/91 é norma especial frente ao art. 150 § 4° do CTN, e, como este mesmo diploma admite a edição de normas especificas sobre o prazo decadencial, inexiste qualquer conflito entre essas disposições. Cita decisões judiciais do TRF 1" Região, que apreciaram o artigo 45 da referida lei no âmbito das contribuições previdenciárias. 4 c49 7 Processo n.° : 10880.005500/2003-84 • Acórdão n.° CSRF/01-05.440 Transcreve o artigo 146 da Constituição Federal e passa a aprecia-lo para dizer que a CF admitiu a edição de normas especificas sobre determinadas matérias tributárias e que não foi determinada a natureza dessa norma especifica, sendo licito concluir tratar-se de norma de lei ordinária. Diz que a Lei 8.212 tem caráter supletivo, pois o próprio CTN admite o estabelecimento de outro prazo, artigo 150 § 4° do CTN. Traz doutrina de Roque Antônio Carraza, sobre a possibilidade de lei ordinária federal fixar novos prazos prescricionais e decadenciais para um tipo de tributo federal. No caso para as contribuições previdenciárias. D) O prazo decadencial refere-se ao lançamento das contribuições destinadas à seguridade social, destinação esta que independe da natureza do sujeito ativo da obrigação. Para refutar argumentos de que a referida lei só tem como destinatária a previdência social, ou seja o INSS, diz que é lei orgânica da seguridade social, segundo o artigo 195 da CF, que, conforme a jurisprudência do e. Supremo Tribunal Federal, possuem natureza de tributos cuja arrecadação tem destinação especifica. Nesta especificidade, funda-se a distinção jurídica entre as contribuições sociais e as demais espécies de tributos. Afirma que a lei não distinguiu os sujeitos ativos da relação jurídico tributária, logo aplicável, tanto ao INSS como às outras contribuições sociais administradas pela SRF. RAZÕES PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO NO QUE SE REFERE AO PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO DO IRPJ. Cita lição de Luciano Amaro sobre a decadência, para em seguida dizer que a entrega da declaração de rendimentos pelo sujeito passivo não é termo inicial de fiscalização, não representa início de processo de investigação. A declaração de 5 É Processo n.° : 10880.005500/2003-84 ' Acórdão n.° CSRF/01-05.440 rendimentos é simples apresentação de informações que poderão, mais tarde, ser conferidas pelo fisco mediante fiscalização; não tendo o cunho de antecipar o início da contagem do prazo decadencial. Cita decisão de primeira instância, que trouxe decisão judicial no sentido de que a entrega da declaração é um ato praticado pela interessada, onde a Fazenda Pública tem presença passiva. Não fica caracterizada a situação prescrita no artigo 173 do CTN, visto que a medida preparatória indispensável ao lançamento é ato que dever advir da Fazenda Pública e não da interessada. Conclui seu apelo pedindo a nulidade do acórdão que extrapolou a competência reservada ao colegiado e se superada que se dê provimento ao recurso. Através do despacho 107-016/2005, fls. 171172, o presidente da 7 a Câmara deu seguimento ao recurso especial do PFN. Remetido à repartição de origem, cientificada a empresa apresentou contra-razões, juntadas às páginas 177 a 198, argumentando, em epítome o seguinte. INADMISSIBILIDADE DO RE a) Da inexistência de contrariedade à lei. Argumenta que a r Câmara não contrariou o artigo 45 da Lei 8.212/91, apenas realizou, com muita propriedade a interpretação e aplicação da legislação. Houve valoração do conteúdo dos dispositivos contidos no CTN que regem o prazo decadencial. O prazo previsto no artigo 173 do mesmo código diz respeito a outras modalidades de extinção do crédito tributário não tratadas em outros artigos. A Câmara não contrariou o artigo 173 do CTN pois valorando a norma à luz do caso concreto entendeu pela aplicação da regra complementar de lançamento disciplinada no artigo 150 do mesmo diploma. Diz que também não foi contrariado o artigo 45 da Lei 8.212/91, pois o que a Câmara fez foi interpreta-lo à luz da ordem jurídica posta, pois não parece que o referido ./0 6 Proéesso n.° : 10880.005500/2003-84 Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 artigo possa resistir ao confronto com os demais dispositivos de lei complementar que regem a matéria, devendo a lei em matéria de decadência obedecer ao previsto no artigo 146, III, da Constituição Federal de 05 de outubro de 1.988. b) Da inexistência de declaração de inconstitucionalidade. Seguindo o decidido no acórdão diz que o conflito é de ilegalidade e não de inconstitucionalidade. MÉRITO DECADÊNCIA DO IRPJ Diz que a hipótese típica do lançamento por homologação é a previsão legal do dever do sujeito passivo de aferir a matéria tributável e antecipar o pagamento; o fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento por homologação, ditada pela previsão legal a respeito do dever do sujeito passivo de entre outras atividades, efetuar a antecipação do pagamento, sendo tais características inerentes à estruturação normativa do tributo, não ficando sujeitas à exclusiva ingerência do contribuinte. Além do pagamento o contribuinte deve identificar o sujeito passivo, calcular o montante do tributo, o contribuinte poderá chegar à conclusão de que nada tem a pagar, seja por ter apurado saldo credor na escrita, seja por ser beneficiário de incentivo fiscal, só para citar dois exemplos. Cita decisão n° 107-06.382 da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. DECADÊNCIA DA CSLL. Diz que a CSL está submetida à modalidade de lançamento por homologação. Cita decisão do STF no RE 138.284-8, para dizer que a CSLL tem natureza tributária. czie 7 k...çesso n.° : 10880.005500/2003-84 ' Acórdão n.° : CSRF/01-05440 Cita decisão desta Turma da CSRF proferida no acórdão CSRF n° 01- 049888, no sentido de que a CSL rege-se pela modalidade de lançamento por homologação e deve seguir o artigo 150 do CTN e não o artigo 45 da Lei 8.212/91. Pede o improvimento do recurso. É o relatório. git) 0 8 Processo n.° : 10880.005500/2003-84 'Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 VOTO Conselheiro JOSÉ CLÓ VIS ALVES, Relator. O recurso é tempestivo e teve seu seguimento deferido dele tomo conhecimento, bem como das contra-razões apresentadas pela empresa. Deixo de falar sobre a preliminar de inadmissibilidade do RE apresentada nas contra-razões em função do mérito favorável ao contribuinte. Examinemos inicialmente quando cabe o recurso especial, para isso transcrevamos o artigo 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF 55 de 16 de março de 1998. Art. 32. Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais: I — de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II — de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1° No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. O Procurador interpôs recurso especial de divergência baseado no inciso 1, apontou demonstrou a contrariedade à lei atendendo portanto o recurso aos preceitos regimentais. cd) 9 Prociesso n.° : 10880.005500/2003-84 • Acáidão n.° : CSRF/01-05.440 Tratando de matéria relativa a decadência é importante fixar as datas de ocorrência dos Fatos Geradores , o início da contagem do prazo decadencial, o fim e, a data de ciência do auto de infração. Fatos geradores 28.02.1.994. Data da ciência da autuação 26 de outubro de 1.999. Posto isso passemos a analisar a matéria de direito em relação à decadência. Quanto à decadência do direito de lançar a CSL a tese da Câmara recorrida é a seguinte. Entende a câmara recorrida que a CSL, por se tratar de tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. Acolhe a câmara a tese de prevalência do artigo 150 § 4° do CTN. Entendo não haver razão ao recorrente, é que sendo a decadência, por força do artigo 146 inciso III letra "tf da Constituição Federal de 1988, matéria de reservada à Lei Complementar, somente lei de igual hierarquia poderia alterar os conceitos existentes na Lei n.° 5.172/66, CTN. Entendo também que o § 40 do artigo 150 do CTN quando diz "se a lei não dispuser de forma diversa', está se referindo a outra lei complementar, pois se assim não for entendido estaríamos diante da situação na qual o legislador complementar contrariaria o constitucional, pois quis esse último reservar determinadas matérias à Lei Complementar que tem quorum privilegiado. f2 cre to • Processo n.° : 10880.005500/2003-84 • Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 Não se trata de declarar a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.541 de 1992, de opção pela lei maior, Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Como fundamento para o decidido, vale transcrever voto do iminente conselheiro Natanael Martins no Acórdão n.° 107-06.455 de 08 de novembro de 2.001, que tem aplicação tanto à CSL como ao IRPJ o qual adoto como razão de decidir, pois a partir da edição da Lei 8.383/91, a contribuição e o tributo em lide passara a ser regidos pelo lançamento do tipo homologação previsto no artigo 150 do CTN. "A questão ora sob exame resulta de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Inicialmente, deve ser apreciada a preliminar de decadência argüida pela contribuinte, a qual tem relevância fundamental no julgamento deste processo, sendo certo que a natureza jurídica do lançamento da contribuição social sobre o lucro, pelas suas próprias características é, em tudo e por tudo, idêntica à do IRPJ, pelo que tomo a liberdade de me reportar ao que sobre o assunto já tive a oportunidade de escrever . "A questão da natureza jurídica do lançamento do imposto de renda das pessoas jurídicas no âmbito do 1° Conselho de Contribuintes ainda é acirrada, podendo no entanto afirmar-se que a corrente pelo menos até hoje majoritária entende tratar-se de um lançamento por declaração. Não é o que pensamos e o que passaremos a demonstrar, obviamente deixando de lado as criticas que a doutrina faz relativamente aos tipos de lançamentos descritos no CTN, dado não ser este o escopo de nosso trabalho. Com efeito, o Código Tributário Nacional, instituído pela Lei 5172/66, recepcionado com eficácia de lei complementar, como é cediço, disciplina as normas gerais em matéria tributária, inclusive no concernente aos tipos de lançamento e aos prazos em f. matéria de decadência e prescriçãof,. ti . 1 Protesso n.° : 10880.005500/2003-84 Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 No que se refere à decadência, genericamente, estabelece o art. 173 do CTN: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II. da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento". Por outro lado, de forma totalmente assistemática, na disciplina do denominado lançamento por homologação, estabeleceu-se no art. 150, § 4°, do CTN: "Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação" Ou seja, enquanto que, regra geral, o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado (CNT, art. 173, I), sendo lícito, portanto, afirmar-se 12 •i Professo n.° : 10880.005500/2003-84 • Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 que o prazo, contado da ocorrência do fato gerador, não é propriamente de cinco anos, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador sendo o prazo, neste caso, propriamente de cinco anos. Lançamento por homologação, na definição do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operando-se pelo ato em que referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Pois bem, relativamente ao imposto de renda das pessoas jurídicas, muito se discutiu e ainda hoje se discute, sobre a natureza jurídica do lançamento que o corporifica, havendo aqueles que o julgam como um tributo sujeito a lançamento por declaração ou misto, outros, mais recentemente, defendendo que a sua natureza, hoje, seria a de lançamento por homologação. Alberto Xavier, em sua clássica obra Do lançamento, Editora Resenha Tributária, 1977, ferindo a questão, naquela oportunidade, defendeu a idéia de que o lançamento do imposto de renda não se traduz num caso de auto lançamento (ou lançamento por homologação), pela circunstância específica de que a fiscalização, no ato da entrega da declaração, examina o seu conteúdo, procedendo em face deste ao lançamento e, no próprio momento, notifica o contribuinte do imposto que lhe foi lançado. Daí conclui Alberto Xavier. "Ora, na hipótese em apreço não se verifica um pagamento prévio ou antecipação do imposto, mas sim um verdadeiro lançamento com base na declaração, regido pelos arts. 147 e 149 do Código Tributário Nacional, com a única particularidade de o ato administrativo de lançamento ser praticado no próprio ato da entrega da declaração e não no momento posterior do procedimento tributário". (pg. 80).je, 91) 13 ; Protesso : 10880.005500/2003-84 • Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 Entretanto, se naquela ocasião podíamos compartilhar da opinião de Alberto Xavier, após o advento do Decreto-lei 1967/82 (e, com maior razão, ainda, a vista das Leis 8383/91, 8541/92, 8981/93 e 9249/95), passamos a pensar de forma diversa. Com efeito, com a edição do Decreto-lei 1967/82, desvinculou-se o prazo do pagamento do imposto com a entrega da declaração de rendimentos não havendo mais, pois, o prévio exame da autoridade administrativa. Se mais não bastasse, com a descentralização da entrega da declaração de rendimento, não se pode alegar, em absoluto, estar havendo exame do lançamento pela autoridade administrativa, pois o simples carimbo aposto pelo estabelecimento receptor da declaração (que, aliás, pode ser uma instituição financeira), à evidência, não pode ser considerado notificação de lançamento nos termos preconizados no art. 142 do CTN. Logo, o contribuinte recolhe (está obrigado) as parcelas do imposto devido sem que tenha ocorrido qualquer manifestação da autoridade administrativa. Ademais, grande parte do imposto já deve ser recolhido antes da própria entrega da declaração de rendimentos sob a forma de antecipações, duodécimos ou recolhimentos estimados (calculável com base em lucro presumido) na linguagem atual. Não há dúvida, pois, ser o IRPJ um tributo sujeito a lançamento por homologação. A declaração do imposto de renda, hoje, representa o cumprimento de um dever meramente instrumental do contribuinte perante a Fazenda Pública, constituindo-se, além disso, por força das normas que a disciplina, do ponto de visto jurídico, confissão de dívida quanto ao crédito tributário porventura indicado ou, quanto ao resultado negativo nela quantificado, o direito de crédito (abatimento) do contribuinte. Nessa linha de raciocínio, a Fazenda Nacional deve verificar a atividade do contribuinte, homologando-a dentro do prazo de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual considerar-se-á, de forma tácita, homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito a ele correspondente, decaindo, portanto, o direito de a Fazenda corrigir ou lançar "ex officio" (via auto de infração) o tributo anteriormente não pago, sendo inaplicável à espécie a regra do art. 173, I, do CTN ou a disciplinada no § 20 do art. 711 do RIR/80, aliás não reproduzida no atual RIR/94. _ft 14 Proéesso n.° : 10880.00550012003-84 'Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 Paulo de Barros Carvalho, a esse propósito, é claro: "Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direito da Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o aludido prazo, uma vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. O exposto já nos permite uma inferência: é incorreto mencionar prazo qüinqüenal de decadência, a não ser nos casos em que o lançamento não é da essência do tributo - hipóteses de lançamento por homologação - em que o marco inicial de contagem é a data do fato jurídico tributário" (Curso do Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. Ed., pg. 311). Nem se diga que a regra de contagem, em eventuais casos de prejuízos fiscais não poderia ser a estabelecida no art. 150, § 4°, do CTN, mas sim a do art. 173, I, ao argumento de que não teria havido nenhum pagamento (apurou-se prejuízo fiscal no período), não havendo, pois, o que homologar. A primeira vista esse argumento impressiona, "máxime" em face de decisões do Conselho de Contribuintes relativas a IRF, que se consubstanciaria em hipótese de lançamento de ofício e não por homologação, regrado pelo art. 173, I, do CTN, justamente porque, dizem, não havendo pagamento, nada há a ser homologado. (confira- se, v.g., Acórdão do 1° C.C. n.° 101-83.005/92 - DOU de 07.01.94) Entretanto, o entendimento acima exposto, sufragado pelo Conselho de Contribuintes, em nada se assemelha ao tema que ora se debate, já que naquelas hipóteses (lançamento de ofício de IRF) o contribuinte de fato não praticou nenhuma ação (atividade) tendente à quantificação do "quantum debeatur" sujeito a pagamento antecipado. É que em matéria de imposto de renda determinado em função do lucro (real ou presumido), os contribuintes, sempre e necessariamente, levam ao conhecimento da autoridade administrativa toda a atividade que exercem (procedimentos), tendente a 15 12 is ProCesso n.° : 10880.005500/2003-84 . Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. Ora, o que se homologa não é propriamente o pagamento, mas sim toda a atividade procedimental desenvolvida pelo contribuinte. Souto Maior Borges, em sua magnifica obra sobre o Lançamento Tributário (volume 4 do Tratado de Direito Tributário Brasileiro, Forense, 1981), em diversas passagens, fere profundamente essa questão não deixando dúvidas sobre a matéria, valendo a pena transcrevê-las: "... o que se homologa não é um prévio ato de lançamento, mas a atividade do sujeito passivo adentrada no procedimento de lançamento por homologação, não é ato de lançamento, mas pura e simplesmente a "atividade" do sujeito, tendente à satisfação do crédito tributário"... (fls. 432). ... "...Compete à autoridade administrativa, "ex vi" do art. 150, caput, homologar a atividade previamente exercida pelo sujeito passivo, atividade que em princípio implica, embora não necessariamente, em pagamento. E, o ato administrativo de homologação, na disciplina do C.T.N., identifica-se precisamente com o lançamento (art. 150, caputr. (fls. 440/441), Mais adiante, dando fecho a sua conclusão, assevera o Mestre Pernambucano: "...Conseqüentemente, a tecnologia contemplada no C.T.N. é, sob esse aspecto, feliz: homologa-se a "atividade" do sujeito passivo, não necessariamente o pagamento do tributo. O objeto da homologação não 12 será então necessariamente o pagamento". (fls. 445) 16 Proéesso n.° : 10880.005500/2003-84 • Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 Aliás, a interpretação de que o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento realizado é a única possível, sob pena de nulificar todas as regras insertas no art. 150 e §§ do CTN, especialmente a do § 4°. Com efeito, dizer-se que o que se homologa seria o pagamento (interpretação puramente literal do caput do art. 150 do CTN), com a devida vênia, significa nada dizer-se já que o pagamento, caso efetuado, sempre e necessariamente, seria homologável. Noutras palavras, o legislador, à evidência, não quis dizer (e não disse) que homologável seria o pagamento do tributo (R$ 100,00, p.ex.), posto que o valor recolhido, qualquer que seja a sua grandeza, considerado em si mesmo, não diverge (R$ 100,00 são, sempre e necessariamente, R$ 100,00) sendo, pois, inexoravelmente homologável. Nesse diapasão, admitindo-se a tese de que homologável seria apenas o valor pago (atividade de pagamento), a regra inserta no § 4° do art. 150 do CTN, porque então não haveria sobre o que divergir, seria estúpida e absolutamente desnecessária, posto que não abrangeria as situações em que não tenha havido pagamento ou que, em tendo havido, o teria sido feito com insuficiência, não obstante toda a atividade procedimental exercida pelo contribuinte. Certamente que esta conclusão, por conduzir ao absurdo, não pode e não deve prevalecer. O intérprete e aplicador do direito, sobretudo o investido em funções judicantes, deve buscar, para além das palavras, o exato conteúdo norrnatizado. Ou nos afastamos do sentido puramente literal posto na lei ou, com a devida vênia, sem demérito aos ilustres filólogos e lexicográficos, se interpretar o direito significasse simplesmente colocar a norma jurídica à vista de conceitos postos em dicionários, parodiando Paulo de Barros Carvalho, "... seríamos forçados a admitir que os meramente alfabetizados, quem sabe com o auxilio de um dicionário de tecnologia jurídica, estariam credenciados a descobrir as substâncias das ordens legisladas, explicitando as proporções do significado da lei. O reconhecimento de tal possibilidade roubaria à Ciência do Direito todo o teor de suas conquistas, relegando o ensino universitário, ministrado nas Faculdades, a um esforço estéril, sem expressão a sentido prático de existência. Daí por que o texto escrito, na 17 g") • Processo n.° : 10880.005500/2003-84 ' Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 singela conjugação de seus símbolos, não pode ser mais que a porta de entrada para o processo de apreensão da vontade da lei; jamais confundida com a intenção do legislador. O jurista, que nada mais é do que o lógico, o semântico e o pragmático da linguagem do direito, há de debruçar-se sobre os textos, quantas vezes obscuros, contraditórios, penetrados de erros e imperfeições terminológicas, para captar a essência dos institutos, surpreendendo, com nitidez, a função da regra, no implexo quadro normativo. E, à luz dos princípios capitais, que no campo tributário se situam no nível da Constituição, passa a receber a plenitude do comando expedido pelo legislador, livre de seus defeitos e apto para produzir as conseqüências que lhe são peculiares. (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. edição, pgs. 81/82). Carlos Maximiliano, mestre dos mestres na arte da hermenêutica e interpretação do direito, a propósito da matéria preleciona: "... nunca será demais insistir sobre a crescente desvalie do processo filológico, incomparavelmente inferior ao sistemático e ao que invoca os fatores sociais, ou do Direito comparado. Sobre o pórtico dos Tribunais conviria inscrever o aforismo de Celso ...: "saber as leis é conhecer-lhes, não as palavras, mas a força e o poder", isto é, o sentido e o alcance respectivo. (Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 9' edição, pg. 122). Mais adiante, já tratando do processo sistemático de interpretação, Carlos Maximiliano dá a pedra de toque à sua lição: "Consiste o Processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese, com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto. /0 /f 18 Protesso n.° : 10880.005500/2003-84 ' Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 Não se encontra um princípio isolado, em ciência alguma, acha-se cada um em conexão íntima com outros... Cada preceito, portanto, é membro de um grande todo; por isso do exame em conjunto resulta bastante luz para o caso em apreço. Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da mesma emanaram; verifica-se o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, e deste modo se obtém esclarecimentos preciosos. O preceito, assim submetido a exame, longe de perder a própria individualidade, adquire realce maior, talvez inesperado. Com esse trabalho de síntese é melhor compreendido. O hermeneuta eleva o olhar, dos casos especiais para os princípios dirigentes a que eles se acham submetidos; indaga se, obedecendo a uma, não viola outra; inquire das conseqüências possíveis de cada exegese isolada. Assim contempladas do alto os fenômenos jurídicos, melhor se verifica o sentido de cada vocábulo, bem como se um dispositivo deve ser tomado na acepção ampla, ou na estrita, como preceito comum, ou especial. (ob. cit., pgs. 128/129) Ou seja, concluir se o pagamento ou não do tributo teria o condão de definir a natureza do lançamento do tributo e, conseqüentemente, o prazo de decadência a ele aplicável, impõe-se empreender não a busca de significado literal que os vocábulos postos nos textos legais possam ter, mas sim analisá-los à luz de todo o ordenamento jurídico- tributário para, somente após, chegar-se à correta conclusão. Ora, tendo-se presente consistir o lançamento um procedimento administrativo (atividade) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, etc (CTN, art. 142); tendo-se presente que nos tributos sujeitos ao pagamento sem o prévio exame da administração não existe, propriamente, o lançamento; tendo-se presente, por fim, que a administração pública, tomando por empréstimo toda a atividade exercida pelo contribuinte (não apenas o pagamento, que é eventual), tacitamente a homologa, evidentemente que o pagamento do 1 C4-Q i Protesso n.° : 10880.005500/2003-84 • Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 tributo não é fator fundamental, senão para a simples conferência se o "quantum" apurado "casa" com o "quantum" recolhido. Fundamental, isto sim, é toda atividade exercida pelo contribuinte levada a conhecimento da autoridade administrativa, esta sim objeto da homologação. O pagamento, assim, por si só, não tem o condão de definir a modalidade de lançamento a que o tributo se sujeita, sob pena de se ter de assumir que esta poderia ser dupla, conforme houvesse ou não o pagamento; Enfim, por essas razões, entendemos que o lançamento de IRPJ é por homologação, devendo a contagem de prazo decadencial, portanto, ser feita em conformidade com a regra prescrita no artigo 150, § 4°, do CTN" (Revista Dialética de Direito Tributário n.° 26— p. 61/66)." Para que não se alegue omissão passo a analisar os argumentos do recorrente um a um. O recorrente diz que não cabe ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pois assim estaria decretando sua inconstitucionalidade. Diante de um conflito de leis cabe a aplicador, seguindo a sua hierarquia aplicar a lei maior no caso o CTN, se a opção fosse pela aplicação do artigo 45 da Lei 8.212/91, estaria a câmara não só decidindo pela inconstitucionalidade do artigo 173 do CTN, pois negaria-lhe vigência como estaria deixando de obedecer não só a constituição como a hierarquia das leis. Não é o aplicador da lei que estabelece essa hierarquia mas o próprio constituinte ao entender que determinadas matérias pela sua importância devem ter quorum privilegiado, e portanto só podem ser veiculadas através de lei complementar. Quanto à jurisprudência do STJ, o recorrente se socorre de tese já ultrapassada visto que a mais recente, RESP N° 616.348-MG (2003/02229004-0) de 14 de dezembro de 2.004, assim se posiciono/.0fi 20 Precesso n.° : 10880.005500/2003-84 Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no artigo 146, III, b, da Constituição, segundo a qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadências tributárias, compreendida nesta cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que fixou o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social? Mesmo tratando de contribuição para a previdência, sobre a qual não resta dúvida ter dirigido a lei 8.212/91, o STJ tem idêntica posição daquela tomada pela maioria desta Turma. A aplicação de uma lei complementar em detrimento da lei ordinária não significa que o Conselho tenha por via indireta decretado a inconstitucionalidade da lei que deixou de ser aplicada conforme já decidiu o STF, nos seguintes julgamentos: STF — 1° Turma, RE 274.362 AgR/ RS, Relatora Min. Ellen Gracie, DJ 08.11.2002. 'Ementa: o acórdão recorrido decidiu conflito entre normas infra constitucionais, referente a expedição de Certidão Negativa de Débitos, o que inviabiliza a admissão do recurso extraordinário. Agravo regimental desprovido? No voto a Ministra assim se manifestou: 'O acórdão recorrido julgou o confronto entre normas de índole ordinária (Código Tributário Nacional e Lei n°8.212/91) ' para concluir que a agravada faz jus a recebimento da certidão positiva de débitos, com efeito de negativa. A matéria, portanto, não se reveste do conteúdo constitucional 21 — 1". • Piicesso n.° : 10880.00550012003-84 Acórdão n.° : CSRF/01-05.440 que o agravante insiste em lhe atribuir, a impedir a admissão do recurso extraordinário.' (grifamos). STF — r TURMA, RE 377.026 AgR/RS, DJ de 12/03/2004 'Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. OFENSA REFLEXA À CF188. INADMISSIBILIDADE. 1. Acórdão de origem reconheceu a limitação imposto pela Lei Complementar 82/95 à regra contida na Lei Estadual n° 10.395/95, considerada hierarquicamente inferior àquela. 2. É inadmissível o recurso extraordinário no qual, a pretexto de ofensa ao princípio da legalidade , pretende-se a exegese de legislação infra constitucional. Ofensa à Constituição meramente reflexa ou indireta. Agravo Regimental improvido.° Concluindo, o próprio STF já se posicionou sobre o tema, ou seja o fato da Câmara deixar de aplicar uma lei ordinária, por padecer de ilegalidade pois avançou no campo de outra lei hierarquicamente superior, não significa que esteja declarando nem por via indireta sua inconstitucionalidade. Interessante que ao mesmo tempo que o recorrente diz que os Conselhos não podem avançar até a constituição para a interpretação da lei aplicada ao caso concreto, defende a constitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91, ou seja acaba sendo incoerente pois se não há autorização para avançar até a constituição para mostrar a incompatibilidade da lei com a Carta Magna, tampouco o teria para mostrar sua compatibilidade. Como entendo não ter em nenhuma hipótese a câmara recorrida declarado ainda que de forma indireta a inconstitucionalidade da referida norma não há o que falar sobre a constitucionalidade defendida pelo PFN. Assim, conheço o recurso especial apresentado pelo PFN, bem como as contra-razões trazidas pelo contribuinte e, no mérito voto no sentido de NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões - DF, em 21 de março de 2.006. / PJ)il I •ji 1ES g4/2 22 Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1 _0040600.PDF Page 1 _0040700.PDF Page 1 _0040800.PDF Page 1 _0040900.PDF Page 1 _0041000.PDF Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041200.PDF Page 1

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