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7757909 #
Numero do processo: 10880.913892/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.913892/2015­91  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3301­005.889  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de março de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA ­ ÔNUS DA PROVA  Recorrente  HOUSE OF VISION COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2010  COMPENSAÇÃO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO.  COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.   Para  fazer  jus  à  compensação  pleiteada,  o  contribuinte  deve  comprovar  a  existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob  pena de restar seu pedido indeferido.   Recurso Voluntário Negado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário, nos  termos do relatório e do voto que integram o presente  julgado.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Valcir  Gassen,  Liziane  Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho  Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.          AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 38 92 /2 01 5- 91 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.913892/2015­91  Acórdão n.º 3301­005.889  S3­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  que  manteve  a  não  homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos  sistemas  da RFB  que  o  alegado  recolhimento  indevido  já  tinha  sido  utilizado  integralmente  para quitação de outros débitos.   Confira­se o teor do Despacho Decisório na origem:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Em  manifestação  de  inconformidade,  sustentou  a  contribuinte  que  o  Despacho  Decisório  não  teria  fundamentação,  tampouco  motivação.  Por  isso,  teria  havido  cerceamento do seu direito de defesa.   A DRJ/BHE, no acórdão n° 02­072.948, negou provimento ao apelo.  Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que:  a)  A  decisão  de  piso  não  levou  em  consideração  a  eficácia  dos  princípios  constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o  que  impediu  a  empresa  de  se  defender  adequadamente,  bem  como  demonstrar a existência do crédito;  b)  O  princípio  da  motivação  dos  atos  administrativos  foi  desrespeitado,  uma  vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando  como  fundamento  a  inexistência  do  crédito,  sem  qualquer  esclarecimento  adicional;  c)  Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente,  sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada,  a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada.  Ao  final,  defende  a  reforma da decisão de primeira  instância,  para declarar  insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para  homologá­la.   É o relatório.        Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.913892/2015­91  Acórdão n.º 3301­005.889  S3­C3T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­005.882,  de  27  de  março  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.903814/2014­05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301­005.882):  "O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  legais  de  interposição, dele, portanto, tomo conhecimento.   Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por  ausência  de  motivação,  o  que  lhe  impede  de  fazer  a  comprovação do direito ao crédito,  constituindo o cerceamento  de defesa.  Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar  defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não  foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor  do ato administrativo:   A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Assim,  a  devida  motivação  reside  no  fato  de  que  o  alegado pagamento  indevido não  foi  restituído, porque  já  tinha  sido utilizado para quitar outros débitos.  Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II,  do  Decreto  n°  70.235/72,  sendo  inexistente,  por  conseguinte,  qualquer nulidade.   Ademais,  a  Recorrente  não  traz  apontamento  da  origem  do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitou­se  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade  apenas  a  afirmar  que:  A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS,  utilizou­se  de  base  de  cálculo  com  valores  que  indevidamente  a  integravam,  ou  seja,  de  base  de  cálculo  ampliada.  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.913892/2015­91  Acórdão n.º 3301­005.889  S3­C3T1  Fl. 5          4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a  receita decorrente  de  seu  faturamento,  ou  seja,  de  suas  vendas, mas  sim  as  demais receitas que não devem compô­las.  Para  tanto,  utilizou­se  de  algumas  teses  tributárias  já  julgadas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  de  forma  favorável  aos  contribuintes,  a  exemplo  a  ampliação  da  base  de  cálculo  por  alterar  o  conceito  de  faturamento,  a  exclusão  da  base  de  cálculo  de  determinadas  despesas,  entre outros.   Por  esta  razão  é  que  postulou  a  restituição/compensação  do valor que pagou a maior desta exação.   Tais  afirmações  sequer  foram  reiteradas  no  recurso  voluntário.  É  sabido  que  a  contribuinte  tem  direito  subjetivo  à  compensação,  desde  que  prove  a  liquidez  e  certeza  de  seu  crédito.  Entretanto,  a  Recorrente  não  demonstrou  a  base  de  cálculo utilizada para apurar a COFINS paga.  Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo  utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os  recolhimentos  abrangeram  receitas  mensais  que  não  faziam  parte da atividade da empresa.  Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabia­lhe:   a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS,  relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas  indevidamente incluídas na apuração;  b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados;   c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF;  d)  Mostrar  outros  documentos  fiscais  e  contábeis  que  permitissem  afirmar  que  houve  recolhimento  sobre  as  outras  receitas, que não compusessem o seu faturamento.  Isso  porque,  dispõe  o  art.  170,  do  CTN  que  a  compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos  créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.  Dessa  forma, na ausência de documentação referente ao  crédito,  entendo  que  a  pretensão  da  Recorrente  não  merece  acolhida, uma vez que, regra geral, considera­se que o ônus de  provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art.  373 do CPC/15.  Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e  apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem  o seu direito ao creditamento.   Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.913892/2015­91  Acórdão n.º 3301­005.889  S3­C3T1  Fl. 6          5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em  produzir  a  prova  que  lhe  cabia,  segundo  as  regras  de  distribuição  do  ônus  probatório  do  processo  administrativo  fiscal.  Não  o  fazendo,  acertadamente,  a  compensação  não  foi  homologada.   Do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                              Fl. 104DF CARF MF

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7744880 #
Numero do processo: 16682.900013/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­006.820  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  Processo Administrativo Fiscal  Recorrente  TIM S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2013  PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.  A matéria  já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na  via administrativa. Caracteriza­se a concomitância quando o pedido e a causa  de  pedir  dos  processos  administrativos  e  judiciais  guardam  irrefutável  identidade.        Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)    Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator     Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Walker  Araújo,  Jose  Renato  Pereira  de  Deus,  Gilson  Macedo  Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva  (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.  Relatório  Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER),  transmitido pelo  contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de COFINS.  Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de  origem,  o  qual  concluiu  pela  improcedência  do  crédito  original  informado  no  PER,  sob  o     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 00 13 /2 01 4- 01 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16682.900013/2014­01  Acórdão n.º 3302­006.820  S3­C3T2  Fl. 3          2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação  de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.  Cientificado  desta  decisão,  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12­082.399.   Inconformado  com  a  decisão  da  DRJ,  apresentou  recurso  voluntário  ao  CARF, no qual argumenta que:  a)  A  ausência  de  retificação  de  DCTF  ou  de  qualquer  outra  obrigação  acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida  em  que  o  Fisco  possui  outros  meios  de  apurar  a  existência  de  eventual  indébito  tributário.  Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda  do direito ao crédito;  b)  Não  há  concomitância  entre  o  presente  processo  e  o  Mandado  de  Segurança  n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  A  lide  proposta  foi  no  sentido  de  que  fosse  reconhecido o direito  líquido e certo da recorrente não se sujeitar à  incidência do PIS/Cofins  sobre as  receitas de  interconexão, bem como para  reconhecer o  crédito  referente  a  eventuais  valores  pagos  indevidamente,  relativamente  a  contribuições  apuradas  e  recolhidas  após  a  impetração  do writ.  O  objeto  da  ação  judicial  se  destina  apenas  às  contribuições  de  PIS  e  Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS;  c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos  indevidos  de PIS/COFINS sobre receitas de  interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013,  foram  objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em  apurações  de  PIS/COFINS  feitas  partir  de  23.9.2013,  foram  objeto  do  pedido  judicial  formulado  no Mandado  de  Segurança  n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  Bem  verdade  que  há  certa  semelhança  entre  as  causas  de  pedir  dos  processos  administrativos  e  judicial.  Ambos  estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia,  os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem  como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma  discussão para períodos de apuração distintos. Frise­se: os pedidos administrativos se voltam às  contribuições  apuradas  e  pagas  antes  da  impetração  do  mandado  de  segurança.  Já  aquelas  apuradas  e  pagas  após  o  ajuizamento  da  ação  judicial  são  objeto  do mandado de  segurança.  Diante desse cenário, verifica­se que não há concomitância entre o mandado de segurança em  curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo,  tendo em vista que os  períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos;  d) Os valores  recebidos pela Recorrente e  repassados a outras operadoras a  título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não  se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do  ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros  a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos  que  devem  ser  repassados  ao  terceiro  que  cedeu  seus  meios  de  rede  à  Recorrente.  Não  há,  portanto,  qualquer  efetivo  acréscimo patrimonial  da Recorrente,  porque  já  há  um  imediato  e  compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de  telecomunicação;  e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a  tributação pelo  PIS/COFINS  da  receita  total  auferida  pela  Recorrente  pela  prestação  do  serviço  de  Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16682.900013/2014­01  Acórdão n.º 3302­006.820  S3­C3T2  Fl. 4          3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes.  E,  além  dessa  tributação,  nos  termos  da  pretensão  fiscal,  haveria  uma  nova  incidência  do  PIS/COFINS  pelo  terceiro  que  realiza  a  interconexão,  no  momento  em  que  ele  apropriar  a  receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário;  f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser  integrada por elementos  estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a  título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente  a  título  de PIS/COFINS  sobre  esses  valores  de  interconexão  de  redes  seja  qualificado  como  indébito tributário, que lhe deve ser restituído.  Termina  o  recurso  requerendo  o  provimento  para  que  seja  reformado  o  acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado.  É o breve relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Acórdão nº  3302­006.815,  de  25  de  abril  de  2019,  proferido  no  julgamento  do  processo  16682.900008/2014­90, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302­006.815):  "O  recurso  é  tempestivo  e  apresenta  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  de  forma  que  dele  conheço  e  passo à análise.  O cerne da questão  está  em decidir  se há  concomitância  entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n°  0024185­79.2013.4.02.5101.  Para  tanto,  é  necessário  analisar  os objetos dos respectivos processos.  Conforme  já  mencionado  na  decisão  a  quo,  o  indébito  pleiteado  no  Pedido  de  Restituição  decorre,  nas  palavras  do  contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de  valores  referentes  a  ingressos  de  numerário  em  razão  de  contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da  Manifestante”. Portanto,  defende  em  processo  administrativo a  não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão.  Vejamos o objeto do MS nº 0024185­79.2013.4.02.5101:  Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos:  a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e  certo  da  impetrante  à  suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos  tributários,  nos  termos  do  art.  151,  IV,  do  CTN,  das  Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16682.900013/2014­01  Acórdão n.º 3302­006.820  S3­C3T2  Fl. 5          4 contribuições  ao  PIS  e  a  Cofins,  sobre  os  meros  ingressos  apurados  mensalmente  pelo  regime  de  competência  pela  impetrante  decorrentes  tão  somente  das  tarifas  de  interconexão  recebidas  dos  usuários  pela  co­prestação  dos  serviços  de  telecomunicações  prestados  pelas  demais  operadoras  e  a  elas  integralmente  repassadas  (serviços  de  transmissão,  emissão  ou  recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos,  imagens, sons  ou informações de qualquer natureza);  b)  determinação  à  Autoridade  Coatora  sobre  o  contudo  da  decisão  liminar,  bem  como  acerca  do  conteúdo  do  presente  mandamus,  para que  no  prazo  legal,  preste  as  informações  que  entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do  Ministério Público;  c) Ciência à União Federal,  nos  termos do art.  7º,  II,  da Lei nº  12.016/2009;  d)  ao  final,  a  concessão  da  segurança  para  confirmar  a  liminar  requerida  e  assegurar  o  direito  liquido  e  certo  de  a  impetrante  não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins,  sobre  meros  ingressos  apurados  mensalmente  pelo  regime  da  competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas  de  interconexão  recebidas  dos  usuários  pela  co­prestação  dos  serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras  e  a  elas  integralmente  repassadas  (serviços  de  transmissão,  emissão  ou  recepção  de  símbolos,  caracteres,  sinais,  escritos,  imagens,  sons  ou  informações  de  qualquer  natureza),  sob  pena  de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 §  1º;  150,  I  e  IV  e  195,  I,  "b"  da  Constituição  Republicana  de  1988,  com  a  consequente  compensação  do  indébito  dessas  contribuições,  apurados  desde  a  distribuição  do  presente  writ,  devidamente  atualizado  pela  Taxa  Selic,  após  o  trânsito  em  julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170­A do CTN.  A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº  0024185­79.2013.4.02.5101, assim decidiu:   Trata­se  de  mandado  de  segurança  com  pedido  de  liminar  impetrado  por  INTELIG COMUNICAÇÕES  LTDA  contra  ato  atribuído  ao  DELEGADO  DA  DELEGACIA  ESPECIAL  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  DE  MAIORES  CONTRIBUINTES  NO  RIO  DE  JANEIRO  ­  DEMAC,  objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao  PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo  regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de  interconexão  ­  serviços prestados pelas demais  operadoras,  que  são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a  declaração do direito de compensar o  indébito  referente a  estas  contribuições, apurado desde a distribuição do writ.  Sustenta,  em  apertada  síntese,  que  as  chamadas  "tarifas  de  interconexão"  não  constituem  receita,  e  sim  meros  ingressos  econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm  um  primeiro  momento,  pela  Impetrante,  porem  repassadas  cm  seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao  cliente usuário da Impetrante.  (...)  Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16682.900013/2014­01  Acórdão n.º 3302­006.820  S3­C3T2  Fl. 6          5 Pelo  exposto,  com  fulcro  no  art.  269.  I,  do  CPC.  JULGO  PROCEDENTE  O  PEDIDO  e  CONCEDO  A  SEGURANÇA,  para  determinar  ao  Impetrado  que  se  abstenha  de  exigir  da  Impetrante  que  recolha  o PIS  e  a Cofins,  incluindo  na  base  de  cálculo  o  valor  recebido  pela  Impetrante  e  posteriormente  repassado  a  operadora  congênere,  que  prestou  efetivamente  o  serviço,  a  título  de  "tarifa  de  interconexão",  bem  como  para  declarar  o  direito  da  Impetrante  à  compensação  do  indébito,  apurado  desde  a  distribuição  do  presente,  na  forma  da  lei  de  regência,  de  acordo  com  a  modalidade  escolhida  pelas  Impetrantes, aplicando­se a SELIC como critério de atualização  do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos  termos da fundamentação supra.  Analisando  as  razões  jurídicas  apresentadas  na  peça  recursal,  fico  convencido  da  identidade  das  demandas  administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é  a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins  em  relação  as  receitas  de  interconexão.  O  próprio  recorrente  reconhece essa congruência entre os processos administrativo e  judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara  no  fato de que os pagamentos  indevidos de PIS/COFINS sobre  receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013,  foram  objeto  de  pedido  administrativo  de  restituição,  e  que  apenas  os  pagamentos  realizados  com  base  em  apurações  de  PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido  judicial  formulado  no  Mandado  de  Segurança  n°  0024185­ 79.2013.4.02.5101.   Não comungo do entendimento no qual a concomitância é  afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração  apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial  entre  os  períodos  de  apuração,  aqueles  contemplados  pelo  mandamus  e  os  não  contemplados,  na  minha  visão,  refere­se  somente à possibilidade de o  recorrente utilizá­los para pedido  de  compensação  antes  do  trânsito  em  julgado,  por  ordem  judicial,  conforme  sua  solicitação  na  exordial.  Os  demais  períodos  de  apuração,  os  que  foram  apurados  antes  da  distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da  ação  para  poderem  se  credenciar  a  objeto  de  um  pedido  de  restituição, com possíveis compensações.   Digo  isso,  pois  a  decisão  do  Poder  Judiciário  sobre  a  incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das  tarifas  de  interconexão,  terá  reflexos  para  todos  os  períodos  de  apuração,  independentemente  se  foi  contemplado  no  pedido  do  MS nº 0024185­79.2013.4.02.5101 ou não  Isso  se  deve  ao  fato  de  que  na  existência  de  processos  paralelos,  com objeto  e  finalidade  idênticos,  não  é  salutar  que  haja  decisões  com  efeitos  redundantes  ou  antagônicos.  Em  qualquer  das  hipóteses,  prevalecerá  a  decisão  judicial,  motivo  pelo  qual  a  concomitância  de  processos  ofende  o  princípio  da  economia  processual.  Em  face  disso,  a  opção  do  contribuinte  pela  via  judicial  encerra  o  processo  administrativo  fiscal  em  definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre.  Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16682.900013/2014­01  Acórdão n.º 3302­006.820  S3­C3T2  Fl. 7          6 Registre­se que a coisa julgada a ser proferida no âmbito  do  Poder  Judiciário  jamais  poderia  ser  alterada  no  processo  administrativo,  pois  tal  procedimento  feriria  a  Constituição  Federal,  que  adota  o  modelo  de  jurisdição  una,  onde  são  soberanas as decisões judiciais.  Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela  via  judicial  para  a  discussão  de  matéria  tributária  implica  na  renúncia  ao  poder  de  recorrer  nesta  instância,  nos  termos  do  parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º  do Decreto­lei nº 1.737, de 1979.   Ratificando este entendimento,  foi aprovado o enunciado  de Súmula CARF nº 01, in verbis:  Súmula CARF nº 1  Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso  quanto à matéria  submetida ao  crivo do Poder  Judiciário  e na  parte  conhecida,  nego  provimento  ao  recurso  por  enxergar  identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no  MS nº 2007.70.00.022276­5 e neste recurso administrativo."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                           Fl. 453DF CARF MF

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Numero do processo: 16004.720050/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 05/04/2010 a 23/12/2011 COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DAS SOBRAS. TRIBUTAÇÃO. A isenção de imposto de renda para o ato cooperativo conferida pela lei alcança apenas as sobras enquanto apuradas e não distribuídas pela cooperativa, não as beneficiando quando incorporadas ao patrimônio dos cooperados, através de distribuição ou capitalização. Nesta hipótese, ocorre o fato gerador do Imposto de Renda, pois se configura o acréscimo patrimonial da pessoa física do cooperado. Tal acréscimo, que se subsume à figura legal tributária “rendimentos obtidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título”, sujeita-se ao Imposto de Renda Retido Exclusivamente na Fonte sobre Aplicações Financeiras de Renda Fixa, a ser recolhido pela fonte pagadora, a cooperativa.
Numero da decisão: 2402-006.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Manifestou intenção de fazer declaração de voto o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. O Conselheiro Jamed Abdul Nasser declinou da apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 751          1 750  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.720050/2014­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­006.883  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de janeiro de 2019  Matéria  Cooperativa de Crédito ­ Distribuição de Sobras  Recorrente  COOPERATIVA DE CREDITO CREDICITRUS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Período de apuração: 05/04/2010 a 23/12/2011  COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DAS SOBRAS. TRIBUTAÇÃO.  A  isenção  de  imposto  de  renda  para  o  ato  cooperativo  conferida  pela  lei  alcança  apenas  as  sobras  enquanto  apuradas  e  não  distribuídas  pela  cooperativa,  não  as  beneficiando  quando  incorporadas  ao  patrimônio  dos  cooperados, através de distribuição ou capitalização. Nesta hipótese, ocorre o  fato gerador do Imposto de Renda, pois se configura o acréscimo patrimonial  da pessoa física do cooperado. Tal acréscimo, que se subsume à figura legal  tributária “rendimentos obtidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob  qualquer  forma e a qualquer  título”, sujeita­se ao  Imposto de Renda Retido  Exclusivamente na Fonte sobre Aplicações Financeiras de Renda Fixa, a ser  recolhido pela fonte pagadora, a cooperativa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário. Vencidos  os  Conselheiros  João Victor Ribeiro Aldinucci,  Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini  (Relatora) e Gregório Rechmann Junior,  que  votaram  por  dar  provimento  ao  recurso.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Manifestou  intenção de fazer declaração de voto o  Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza.  O Conselheiro Jamed Abdul Nasser declinou da apresentação de declaração  de voto.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Presidente e Redator Designado     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 00 50 /2 01 4- 11 Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 752          2 (assinado digitalmente)  Renata Toratti Cassini ­ Relatora  Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira  Passos  da Costa Develly Montez  (suplente  convocada  em  substituição  ao  conselheiro  Paulo  Sergio  da  Silva),  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Gregório  Rechmann  Junior,  Jamed  Abdul  Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira  Righetti,  e Renata Toratti Cassini. Ausente,  justificadamente,  o Conselheiro Paulo Sérgio  da  Silva.  Relatório  Por  bem  retratar  os  fatos  ocorridos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  que transcrevo abaixo:  Trata­se de  impugnação  (fls. 397 a 415) aos Autos de  Infração  (fls. 259 a 285) de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE  –  IRRF,  por  Aplicações  Financeiras  de  Renda  Fixa  –  Beneficiário Pessoa Física ou Jurídica, e de MULTA ISOLADA e  JUROS ISOLADOS, por Falta de Retenção ou Recolhimento do  IRRF, relativo a fatos geradores ocorridos nos anos­calendário  de 2010 e 2011,  lavrado pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Instituições  Financeiras  –  DEINF/SPO,  em  26/03/2014.  O  crédito  tributário  constituído  foi  composto  pelos  valores  a  seguir discriminados:    Como enquadramento legal do lançamento do IRRF, o autuante  assinala  os  artigos  729  a  733  do  RIR/99.  Os  Juros  de  Mora  foram exigidos  com  fundamento no artigo 61, parágrafo 3º,  da  Lei nº 9.430/96, e a Multa de Ofício, no artigo 44,  inciso I, da  Lei nº 9.430/96.  Para a Multa Isolada (Regulamentar),  foi consignado o artigo  9º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo artigo 16 da  Lei nº 11.488/07, e, para os Juros Isolados, os artigos 843 e 953  do RIR/99.  Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 753          3 No Termo de Verificação Fiscal  (fls. 244 a 258), a autoridade  noticia, em resumo, que :  1.  a  autuada,  nos  anos­calendário  de  2010  e  2011,  não  teria  efetuado  a  retenção  do  IRRF,  sobre  os  valores  distribuídos  a  título  de  sobras  líquidas,  distribuição  essa  definida  em  Assembléia  Geral,  alegando  falta  de  previsão  legal  para  a  retenção;  2.  a  partir  dos  valores  declarados  nas  DIPJ´s  dos  anos­ calendário de 2010 e 2011, Fichas 38 e das Atas da Assembléia  Geral,  constatara que a autuada  teria procedido à distribuição  aos  cooperados  de  valores  referentes  não  somente  às  referidas  sobras líquidas sob as mencionadas rubricas, mas também sobre  operações  de  crédito,  alegando  que  não  teria  efetuado  a  retenção do IRRF, por falta de previsão legal;  3. porém, conforme a ordem legal vigente, as sobras distribuídas  pela cooperativa aos cooperados estariam sujeitas à  tributação  do  IRRF,  vez  que  configuram  acréscimo  patrimonial  dos  cooperados,  constituindo  fato  gerador  do  Imposto  de  Renda,  tendo em conta, ainda, inexistir dispositivo legal de isenção;  4.  o  artigo  65,  parágrafo  4º,  alínea  c,  da  Lei  nº  8.981/95  estabeleceria a retenção na fonte com respeito aos rendimentos  auferidos  pela  entrega  de  recursos  a  pessoa  jurídica,  sob  qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou  não a fonte pagadora instituição financeira; pelo artigo 38 da IN  SRF 1.022/2010, tais rendimentos deveriam ser tributados como  rendimentos  de  aplicação  financeira  de  renda  fixa,  e,  pelo  Parecer Normativo COSIT nº 01/2002, c/c o artigo 76 da Lei nº  8.981/95,  a  pessoa  jurídica  pagadora  seria  responsável  pelo  imposto retido, de caráter exclusivo na fonte.  5.  Portanto,  ao  contrário  do  alegado  pela  COPERCITRUS  existiria  previsão  legal  fazendo  incidir  a  tributação  do  IRRF  sobre  as  sobras  distribuídas  pela  cooperativa  aos  associados,  sendo,  assim,  seria  improcedente  a  alegação  de  que  inexiste  norma legal que determine sua retenção.  Cientificado do lançamento em 28 de março de 2014 (fl.393), a  autuada apresentou sua Impugnação aos Autos de Infração em  28  de  abril  de  2014  (fl.397),  onde  após  descrever  a  autuação,  trouxe, em resumo, as seguintes razões:  ­  da  ausência  de  previsão  legal  para  retenção  de  IRF  sobre  sobras  líquidas,  destrato  ao  princípio  constitucional  de  legalidade tributária;  ­  que  sobras  líquidas  apuradas  distribuídas  ou  capitalizadas  a  associados de cooperativas não são rendimentos produzidos em  operações de aplicação financeira de renda  fixa, nem a eles se  equiparam por qualquer modo, inexistindo, além disso, qualquer  previsão legal estabelecendo a obrigação de retenção do tributo  pela fonte pagadora;  Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 754          4 ­  cita  e  transcreve  dispositivos  da  Lei  5.764/71,  para  concluir  que  o  conceito  de  sobras  em  uma  sociedade  cooperativa  corresponde  exatamente  ao  excesso  de  contribuições  ou  pagamentos  realizados  pelos  associados  diante  dos  efetivos  gastos realizados pela cooperativa no respectivo período; nesse  quadro,  retornando  as  sobras  aos  associados,  cumpre­se  o  objetivo  da  lei  que  é  o  da  sociedade  não  apurar  resultados  próprios;  ­  e  que,  de  acordo  com  a  própria  lei  que  rege  as  sociedades  cooperativas,  o  conceito  que  deve  ser  entendido  pelo  termo  “sobras”, resta por demais evidente que não se pode atribuir a  esses retornos o conceito de  rendimentos obtidos em operações  de  aplicação  financeira  (transcreve  textos  doutrinários  acerca  do tema);  ­  independentemente  de  qualquer  indagação  quanto  à  própria  subsunção das  sobras  ao  conceito de  rendimento  ou,  ­  para  se  utilizar  a  expressão  adotada  pelo  Auditor  Fiscal  –  acréscimo  patrimonial – o certo é que não há previsão na legislação para a  sua tributação na fonte, não sendo lícito tomar por empréstimo,  no  caso,  a  legislação  direcionada  às  aplicações  de  renda  fixa,  com as não se confundem; que houve então, dupla agressão ao  princípio da legalidade tributária;  ­  que  o  Parecer  Normativo  nº  522/70  da  Coordenação  do  Sistema  de  Tributação  –  COSIT  se  manifestaria  no  sentido  de  que  as  importâncias  devolvidas  pelas  cooperativas  aos  associados não são considerados rendimentos, não sendo, assim,  tributáveis  nas  pessoas  físicas  beneficiadas  com  a  restituição;  transcreve ainda ementa de Solução de Consulta nº 117, de 16  de  maio  de  2000  onde  ali  consta  que  “não  se  constituem  em  rendimentos  tributáveis  as  importâncias  devolvidas  pelas  cooperativas  aos  seus  associados  como  retorno  ou  sobras  de  caixa.”;  ­  que  as  únicas  hipóteses  em  que  a  lei  que  rege  as  sociedades  cooperativas  admitiria  incidência  de  impostos  seriam  aquelas  previstas nos artigos 85, 86 e 88, a saber, operações praticadas  com terceiros, não associados, conforme o artigo 111 da Lei nº  5.764/71;  ­  se,  por  hipótese,  não  for  admitido  o  acima  exposto,  o  lançamento não poderia ser acolhido quanto à parte das sobras  que  teria  sido  capitalizada  nas  contas­capital  dos  associados,  pois que esta, só em razão da capitalização, não seria disponível  aos  associados,  somente  o  sendo  por  ocasião  de  sua  saída  do  quadro de cooperados, conforme previsto no artigo 13 da Lei nº  5.764/71;  não  havendo  efetiva  disponibilização  dos  valores  capitalizados,  não  poderia  haver  incidência  de  Imposto  de  Renda;  ­ da absoluta impossibilidade de se qualificar como renda, para  o associado, a devolução de parte dos juros pagos em operações  de tomada de crédito por este;  Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 755          5 ­  parte  significativa  das  sobras  que  teriam  servido  de  base  de  cálculo  do  tributo  exigido,  decorreria  de  operações  de  crédito  celebradas  com  os  associados,  situação  em  que  são  deles  cobrados encargos sobre o crédito concedido e a eles retornada  parte desses encargos, findo o exercício, a título de sobras, tendo  em  conta  que  a  cooperativa  não  opera  com  objetivo  de  lucro;  assim,  o  recebimento  de  tais  sobras  não  poderia  representar  acréscimo  patrimonial  decorrente  de  operação  de  aplicação  financeira de renda fixa;  [...]  No recurso voluntário, a recorrente repisa os mesmos argumentos de defesa  já apresentados em sua impugnação.   Sem contrarrazões.  É o Relatório.  Voto Vencido  Conselheira Renata Toratti Cassini ­ Relatora.  O recurso voluntário é  tempestivo e estão presentes os demais  requisitos de  admissibilidade, pelo que dele conheço.  A questão que se discute neste processo diz respeito à incidência do Imposto  de Renda Retido na Fonte sobre sobras distribuídas nos exercícios 2010 e 2011 aos sócios da  Sociedade  Cooperativa  de  Crédito  recorrente.  O  recurso  voluntário  foi  interposto  contra  o  Acórdão nº 07­35.742, da 3ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, julgou improcedente a  impugnação e manteve o crédito tributário.  O  lançamento  atribuiu  às  sobras  natureza  de  rendimentos  de  aplicações  financeiras de  renda  fixa por pessoa  física com  tributação em caráter definitivo. O r.  auditor  aplicou  "gross  up"  sobre  o  valor  das  sobras  distribuídas  por  entender  que  representariam  remuneração líquida o que, com todo o respeito, não está correto.  Com efeito, inicialmente, registre­se que o pagamento de sobras tem natureza  e origem societária e não financeira. O fato de a  recorrente se tratar de uma cooperativa que  tem natureza de instituição financeira não desvirtua aquele pagamento.  As  sobras,  assim  como  as  perdas,  são  distribuição  de  resultado  e  não  remuneração por aplicação em renda fixa, como equivocadamente entendeu a fiscalização e o  acórdão recorrido.  Os sócios de cooperativas operam em condição dúplice, reflexo do princípio  da  dupla  qualidade,  próprio  das  sociedades  cooperativas.  Desse  modo,  em  cooperativas  de  crédito,  como  a  recorrente,  o  sócio  realiza  operações  como  cliente  dos  serviços  financeiros  prestados pela cooperativa e atua, também, como sócio, suportando o risco da atividade.  Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 756          6 Não  há  como  atribuir  às  sobras  a  condição  de  rendimento  proveniente  de  aplicação em renda fixa, uma vez que resultam da apuração dos resultados da sociedade como  um  todo  e  não  do  patrimônio  sócio  individualmente.  As  operações  do  sócio  são  apenas  elementos legalmente definidos para basear a distribuição do resultado, mas não significam que  têm natureza de aplicações, mesmo porque, sob a mesma lógica, também seriam distribuídas as  eventuais perdas decorrentes do resultado da atividade da cooperativa no período.  Ademais, note­se que as cooperativas são sociedades sem finalidade lucrativa  e  desenvolvem  suas  atividades  com  o  objetivo  de  entregar  aos  sócios  o melhor  serviço  pelo  menor custo possível, as de crédito, inclusive.  Nesse  contexto,  as  sobras  são  geradas  em  função  das  operações  realizadas  com  os  próprios  sócios,  uma  vez  que  quando  as  operações  são  realizadas  com  terceiros,  o  resultado apurado tem natureza de lucro ou prejuízo e, evidentemente, não será distribuído aos  sócios.  As  sobras,  assim,  são  o  resultado  dessas  operações  com  os  sócios.  Portanto,  a  cada  operação realizada, o sócio paga ou recebe valores decorrentes de suas demandas financeiras,  valores esses que são dimensionados sob critérios que consideram contingências. As sobras são  fruto do excesso de contingenciamento aplicado em cada operação.  Se,  por  exemplo,  um  sócio  que  tomou  um  empréstimo  a  juros  de  1,5%  e,  considerando todos os custos de operação da sociedade (vejam, os custos são da sociedade,  do negócio!),  a  taxa mínima que poderia  ter  sido  cobrada  era  de  1%,  ao  final  do  exercício,  abatendo­se os fundos obrigatórios, o sócio receberá de volta o que sobrou do capital investido  após a confirmação do excesso de contingenciamento, ou seja, a sobra apurada.  Assim, as sobras geradas em razão das operações, no singelo exemplo acima,  tiveram origem no patrimônio do sócio, que tomou um empréstimo e pagou juros de 1,5%, ao  invés de 1%. Trata­se de retorno de excedentes, e não acréscimo patrimonial, como entendeu  o  r.  auditor  fiscal  e  os  julgadores  de  1  ª  instância.  E  se  representa  retorno  de  valores  que  originalmente  integravam  o  patrimônio  do  próprio  sócio,  não  há  como  se  lhes  atribuir  a  natureza de acréscimo patrimonial.   Nesse sentido, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça manifestado  no REsp nº 1.604.196/AL:  RELATOR:  MINISTRO  MAURO  CAMPBELL  MARQUES  RECORRENTE:  FAZENDA  NACIONAL  RECORRIDO  :  JURISCRED  ­  COOPERATIVA  DE  ECONOMIA  E  CRÉDITO  MÚTUO  DOS  SERVIDORES  E  MEMBROS  DO  PODER  JUDICIÁRIO  DO  MINISTÉRIO  PÚBLICO  E  DE  ÓRGÃOS  JURÍDICOS  EM  ALAGOAS  ADVOGADOS  :  CAIUS  MARCELLUS DE ARAÚJO LACERDA ­ PB005207 RODRIGO  CUNHA PERES ­ PB016064 CÍCERO PEREIRA DE LACERDA  NETO  ­  PB015401  EMENTA  RECURSO  INTERPOSTO  NA  VIGÊNCIA  DO  CPC/1973.  ENUNCIADO  ADMINISTRATIVO  Nº  2.  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC/1973. FUNDAMENTAÇÃO  DEFICIENTE.  SÚMULA  N.  284/STF.  COOPERATIVA  DE  CRÉDITO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  DISTRIBUIÇÃO  DAS  SOBRAS  LÍQUIDAS  AOS  COOPERADOS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  PARCIALMENTE  Fl. 757DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 757          7 CONHECIDO E, NESSA PARTE, NÃO PROVIDO (ART. 932, III  E IV, DO CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, I E II, RISTJ).  DECISÃO Trata­se de recurso especial interposto com fulcro no  permissivo  do  art.  105,  III,  "a",  da  Constituição  Federal  de  1988,  contra  acórdão  que  julgou  procedente  a  Ação  Declaratória  de  Inexistência  de  Relação  Jurídico­Tributária  promovida com a finalidade de excluir da incidência do Imposto  de  Renda  as  sobras  líquidas  distribuídas  aos  cooperados  de  cooperativa de crédito ao final de cada exercício, nos termos dos  arts. 4º, VII, e 79, da Lei nº 5.764/71, bem como do art. 1.094,  VII,  do Código Civil  de  2002,  consoante  a  seguinte  ementa  (e­ STJ fls. 316/319):  TRIBUTÁRIO.  COOPERATIVA.  IMPOSTO  DE  RENDA.  DISTRIBUIÇÃO  DAS  SOBRAS  LÍQUIDAS  AOS  COOPERADOS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A devolução das sobras  de  caixa  aos  cooperados,  proporcionalmente  às  operações  realizadas  com  a  Cooperativa,  é  uma  das  características  das  sociedade cooperativas. Inteligência do art. 4º, inciso VII, da Lei  nº 5.764/71.  2. Os valores relativos à distribuição das  sobras não  importam  em  acréscimo  patrimonial,  na  medida  em  que  decorrem  da  restituição efetuada pelas cooperativas aos seus associados, das  importâncias  vertidas  por  esses  para  o  custeio  dos  atos  cooperativos  (e  que  não  foram  utilizadas),  destarte,  não  se  enquadram na hipótese de  incidência do  tributo, nos  termos do  art. 43, do CTN.  3. Tratando­se de valores que se prestaram ao custeio dos atos  cooperativos, com esses se confundem, nos termos do art. 79, da  Lei nº 5.764/71.  4.  Deve  haver  a  comprovação  de  que  os  valores  foram  efetivamente  custeados  pelos  cooperados,  para  que  não  sejam  confundidos  com  a  distribuição  de  benefícios,  vantagens  ou  privilégios, ou com a possível remuneração excessiva de capital,  vedados pelo §3º, do art. 24, da Lei nº 5.764/71, ou, ainda, com  resultados  positivos  de  atos  não  cooperativos,  tais  como  de  aplicações  financeiras,  posto  que  o  STJ  já  decidiu  que  "o  imposto  de  renda  incide  sobre  o  resultado  positivo  das  aplicações  financeiras  realizadas  pelas  cooperativas,  por  não  caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ).  5.  Apelação  provida  para  declarar  a  inexistência  de  relação  jurídica que obrigue a Cooperativa ao recolhimento do Imposto  de  Renda  sobre  as  sobras  líquidas  distribuídas  aos  associados  por  ocasião  do  encerramento  de  cada  exercício  financeiro,  mediante  a  comprovação  de  que  os  valores  correspondem  aos  efetivamente custeados pelo cooperados.  6.  Inversão do ônus da sucumbência. Honorários arbitrados no  percentual de 10% sobre o  valor da  causa, que  foi  atribuída a  quantia de R$ 381.098,02, com fulcro no art. 20, § 4º, do CPC.  Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 758          8 Os embargos de declaração  interpostos  restaram rejeitados  (e­ STJ fls. 356/359).  Alega a  recorrente que houve violação aos arts. 20, §4º, 458 e  535, do CPC/1973. Sustenta ter havido omissão quanto à análise  dos arts. 20, §4º e 460, parágrafo único, do CPC/1973 (decisão  incerta) e arts. 43 e 111, do CTN. Sustenta violação aos mesmos  dispositivos  legais.  Afirma  que  o  acórdão  decidiu  condicionalmente  que  não  haveria  a  incidência  do  Imposto  de  Renda se os valores, cuja não  incidência do imposto se requer,  foram:  efetivamente,  custeados  pelo  cooperados  "para  que  não  sejam  confundidos  com  a  distribuição  de  benefícios,  vantagens  ou  privilégios,  ou  com  a  possível  remuneração  excessiva  de  capital,  vedados  pelo  §3º,  do  art.  24,  da  Lei  nº  5.764/71,  ou,  ainda,  com  resultados  positivos  de  atos  não  cooperativos,  tais  como de aplicações financeiras". No mérito, entende que incide  o  Imposto  de  Renda  sobre  as  sobras  líquidas  distribuídas  aos  cooperados ao  final de cada exercício,  distribuição prevista no  art. 4º, VII, da Lei nº 5.764/71, bem como no art. 1.094, VII, do  CC/2002.  Alega  haver  a  incidência  das  mesmas  regras  de  tributação  relativas  às  aplicações  financeiras  de  renda  fixa,  dispostas  nos  arts.  727  e  729  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda (art. 51, da Lei n. 7.450/85). Por fim, alega que, vencida a  Fazenda  Pública,  os  honorários  deveriam  ter  sido  fixados  segundo a apreciação equitativa do Juiz (e­STJ fls. 366/375).  Contrarrazões nas e­STJ fls. 376/387.  Recurso regularmente admitido na origem (e­STJ fls. 389). É o  relatório. Passo a decidir.  Inicialmente  é  necessário  consignar  que  o  presente  recurso  foi  interposto na vigência do CPC/1973, o que atrai a incidência do  Enunciado Administrativo Nº 2: “Aos  recursos  interpostos  com  fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17  de  março  de  2016)  devem  ser  exigidos  os  requisitos  de  admissibilidade  na  forma  nele  prevista,  com  as  interpretações  dadas,  até  então,  pela  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça”.  Afasto a ocorrência da alegada ofensa aos artigos 458 e 535, do  CPC/1973. É que o Poder Judiciário não está obrigado a emitir  expresso juízo de valor a respeito de todas as teses e artigos de  lei  invocados  pelas  partes,  bastando  para  fundamentar  o  decidido  fazer  uso  de  argumentação  adequada,  ainda  que  não  espelhe quaisquer das linhas de argumentação invocadas.  O recurso especial não merece conhecimento em relação ao art.  20,  §4º,  do  CPC/1973,  tendo  em  vista  a  invocação  de  argumentos  genéricos  e  incapazes  de  infirmar  o  que  decidido  pela Corte de Origem. Incidência da Súmula n .284/STF.  Quanto  à  alegada  violação  ao  art.  460,  parágrafo  único  do  CPC/1973,  de  registro  que  a  Corte  de  Origem,  no  exame  dos  aclaratórios  interpostos  pelo  CONTRIBUINTE,  afirmou  expressamente  que  "as  aplicações  financeiras  no  mercado,  no  Fl. 759DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 759          9 caso  de  cooperativa  de  crédito,  constitui  (sic)  ato  cooperativo  típico, e assim, o resultado positivo decorrente de tais aplicações  não devem sofrer a incidência do Imposto de Renda". Assim, deu  provimento  os  Embargos  de  Declaração  para  decotar  do  acórdão  a  parte  que  determinou  a  incidência  do  Imposto  de  Renda sobre as aplicações  financeiras. Desta  forma, o acórdão  não  restou  mais  condicionado,  não  tendo  havido  o  enfrentamento  do  tema  a  chamar  uma  nova  incidência  da  Súmula n. 284/STF.  De registro que o pressuposto firmado pelo acórdão proferido  pela  Corte  de  Origem  foi  no  sentido  de  que  os  valores  em  questão  não  importam  em  acréscimo  patrimonial,  na  medida  em que decorrem da restituição efetuada pelas cooperativas aos  seus  associados,  das  importâncias  vertidas  por  esses  para  o  custeio  dos  atos  cooperativos  (e  que  não  foram  utilizadas),  destarte  não  se  enquadrando  na  hipótese  de  incidência  do  Imposto  de  Renda  e  também  não  sofrendo  a  incidência  do  tributo no que diz respeito às diferenças a maior decorrentes de  aplicações financeiras, por se tratarem de ato cooperativo típico  de cooperativa de crédito.  Já  quanto  ao mérito,  devidamente  prequestionados  o  disposto  nos  arts.  43  e  111,  do  CTN,  sem  razão  a  FAZENDA  NACIONAL.  Com efeito, o proveito advindo de ato cooperativo típico não se  submete à  incidência do  Imposto de Renda,  já que, por certo,  não  oferece  repercussão  econômica  por  força  da  ficção  legal  imposta nos arts. 3º e 79, Parágrafo único, da Lei n° 5.764/71,  verbis:  Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas  que  reciprocamente  se  obrigam  a  contribuir  com  bens  ou  serviços  para  o  exercício  de  uma  atividade  econômica,  de  proveito comum, sem objetivo de lucro.   [...]  Art.  79.  Denominam­se  atos  cooperativos  os  praticados  entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e  pelas  cooperativas  entre  si  quando  associados,  para  a  consecução dos objetivos sociais.  Parágrafo  único.  O  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria.   [...] Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com  não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados  à  conta  do  "Fundo  de  Assistência  Técnica,  Educacional  e  Social"  e  serão  contabilizados  em  separado,  de  molde  a  permitir cálculo para incidência de tributos.  Dos  excertos  extrai­se  que  o  ato  cooperativo  típico  não  representa  lucro  para  a  cooperativa,  não  sendo  tributado  também  porque  somente  o  resultado  das  operações  das  cooperativas  com  não  associados  (atos  cooperativos  atípicos)  Fl. 760DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 760          10 serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo  para incidência de tributos.  No caso exclusivo das cooperativas de crédito, já assentou este  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  o  ato  cooperativo  típico  abarca  também  toda  a  movimentação  financeira  das  cooperativas  de  crédito  –  incluindo  a  captação  de  recursos,  a  realização  de  empréstimos  aos  cooperados,  bem  como  a  efetivação  de  aplicações  financeiras  no  mercado.  Especificamente  para  essas  sociedades,  em  razão  de  sua  finalidade singular, foi excepcionada a aplicação da Súmula n.  262/STJ  ("Incide  o  imposto  de  renda  sobre  o  resultado  das  aplicações  financeiras  realizadas  pelas  cooperativas").  Transcrevo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  COOPERATIVAS  DE  CRÉDITO.  APLICAÇÕES  FINANCEIRAS.  ATOS  COOPERATIVOS.  IMPOSTO DE RENDA. NÃO­INCIDÊNCIA.  SÚMULA  262/STJ.  INAPLICABILIDADE.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  REVISÃO.  MATÉRIA  FÁTICO­ PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ.   1.  A  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  firmou­se  no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos  aqueles  praticados  entre  as  cooperativas  e  seus  associados  ou  entre  os  associados  e  as  cooperativas,  ou  ainda  entre  cooperativas,  para  a  consecução  dos  objetivos  sociais  –  não  geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo  único, da Lei 5.764/1971.  2.  A  Primeira  Seção  do  STJ  pacificou  o  entendimento  de  que  toda  movimentação  financeira  das  cooperativas  de  crédito  –  incluindo a  captação de  recursos,  a  realização de  empréstimos  aos  cooperados,  bem  como  a  efetivação  de  aplicações  financeiras no mercado – constitui ato cooperativo.  3. Infere­se que, se as aplicações financeiras das cooperativas de  crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita,  lucro  ou  faturamento,  o  resultado  positivo  decorrente  desses  negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda.   4. Acresça­se que os julgados que deram origem ao enunciado  da  Súmula  262/STJ  não  analisaram  a  situação  específica  das  cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à  gerência financeira dos recursos creditícios dos associados.  [...]  8.  [...]  (AgRg  no AgRg  no REsp.  717.126/SC,  Segunda  Turma,  Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 09.02.2010).  TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVA DE  CRÉDITO. LEI N.º 5.764/71.  1.  Milita  em  favor  das  normas  jurídicas  a  presunção  de  que  foram  recepcionadas  pelo  sistema  normativo  ante  a  ruptura  constitucional.  Enquanto  não  provocada  a  Suprema  Corte  ou  Fl. 761DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 761          11 declarada a não­recepção, a Lei n.º 5.764/71 continua em pleno  vigor,  não havendo óbice ao  conhecimento do  recurso  especial  por violação de um ou alguns de seus dispositivos.  2. O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O  resultado  positivo  decorrente  desses  atos  pertence,  proporcionalmente,  a  cada  um  dos  cooperados.  Inexiste,  portanto,  receita  que  possa  ser  titularizada  pela  cooperativa  e,  por conseqüência, não há base imponível para o PIS.  3. Já os atos não cooperativos geram faturamento à sociedade,  devendo o  resultado  do  exercício  ser  levado à  conta  específica  para  que  possa  servir  de  base  à  tributação  (art.  87  da  Lei  n.º  5.764/71).  4. Toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito,  incluindo a  captação de  recursos,  a  realização de  empréstimos  aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras  no mercado, constitui ato cooperativo, circunstância a impedir a  incidência da contribuição ao PIS.  5.  Salvo  previsão  normativa  em  sentido  contrário  (art.  86,  parágrafo único, da Lei n.º 5.764/71),  estão as cooperativas de  crédito impedidas de realizar atividades com não associados.  6.  Atualmente,  por  força  do  art.  23  da  Resolução  BACEN  n.º  3.106/2003,  as  cooperativas  de  crédito  somente  podem  captar  depósitos  ou  realizar  empréstimos  com  associados.  Assim,  somente  praticam  atos  cooperativos  e,  por  conseqüência,  não  titularizam faturamento, afastando­se a incidência do PIS.  7.  A  reunião  em  cooperativa  não  pode  levar  à  exigência  tributária  superior  à  que  estariam  submetidos  os  cooperados  caso  atuassem  isoladamente,  sob  pena  de  desestímulo  ao  cooperativismo.  8. Qualquer que seja o conceito de faturamento (equiparado ou  não a receita bruta),  tratando­se de ato cooperativo típico, não  ocorrerá  o  fato  gerador  do PIS  por  ausência  de materialidade  sobre a qual possa  incidir  essa  contribuição social. 9. Recurso  especial  provido  (REsp.  n.  591.298/MG,  Primeira  Seção,  Rel.  Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/acórdão Min. Castro Meira,  julgado em 24.10.2004).  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  AO  ART.  535,  CPC.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL.  NÃO  INCIDÊNCIA  SOBRE  ATO  COOPERATIVO  TÍPICO.  APLICAÇÕES  FINANCEIRAS  REALIZADAS  POR  COOPERATIVA  DE  CRÉDITO.  EXCEÇÃO  À  SÚMULA  N.  262/STJ.  RECURSO  ESPECIAL  A  QUE  SE  NEGA  SEGUIMENTO  (ART.  557,  CAPUT,  CPC).  (REsp.  n.  1.305.294/MG,  decisão  monocrática,  Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 28.05.2013)  A reunião em cooperativa de crédito não pode levar à exigência  tributária superior à que estariam submetidos os cooperados se  Fl. 762DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 762          12 atuassem  isoladamente,  sob  pena  de  desestímulo  ao  cooperativismo.  Desse  modo,  não  faz  sentido  equiparar  a  exigência  tributária  de  uma  cooperativa  de  crédito  que  existe  exatamente  para  esta  finalidade  àquela  que  incidiria  sobre  as  pessoas  físicas  isoladamente  que  efetivassem  as  mesmas  operações financeiras junto aos mesmos bancos.  Consoante a Súmula n. 568/STJ: “O relator, monocraticamente  e  no  Superior  Tribunal  de  Justiça,  poderá  dar  ou  negar  provimento ao  recurso  quando houver  entendimento  dominante  acerca do tema”.  Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III e IV, do CPC/2015 c/c  o  art.  255,  §  4º,  I  e  II,  do  RISTJ,  CONHEÇO EM  PARTE  do  recurso especial e, nessa extensão, NEGO­LHE PROVIMENTO.  Publique­se. Intimem­se.  Brasília (DF), 17 de maio de 2018.  MINISTRO  MAURO  CAMPBELL  MARQUES  Relator  (Destacamos e grifamos)  No  mesmo  sentido  é  o  entendimento  deste  Tribunal,  conforme,  dentre  outros,  precedente abaixo reproduzido:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2004, 2005  COOPERATIVAS.  TRIBUTAÇÃO.  As  sociedades  cooperativas  sujeitam­se  à  incidência  do  imposto  sobre  suas  atividades  econômicas  que,  na  definição  legal,  não  tenham  a  natureza  de  atos cooperados.  RECEITAS  DE  COOPERATIVAS  DE  CRÉDITO.  As  cooperativas  de  crédito  destinam­se,  precipuamente,  a  prover,  por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a  seus  associados.  Os  atos  praticados  pelas  cooperativas  de  crédito,  na  forma artigo  4º  da  Lei  5.764/1971,  constituem  atos  cooperativos,  portanto,  não  são  passíveis  de  incidência  tributária.  A  distribuição  de  sobras  ou  rateio  das  perdas  do  resultado  anual  das  cooperativas  de  crédito,  não  se  enquadra  como  distribuição  de  beneficio,  pois  trata­se  da  devolução  dos  valores  cobrados  à  maior  na  realização  das  operações  de  créditos. 1  Considerando que o  lançamento  foi  realizado como  tributação definitiva na  fonte  decorrente  de  aplicação  financeira  em  renda  fixa  e  que,  ainda  que  esse  não  fosse  o  fundamento, as sobras, na condição de retorno daquilo que se originou do patrimônio do sócio  não implica acréscimo patrimonial, não há como manter o lançamento.  Conclusão                                                              1 Acórdão nº 1802001.384 – 2ª Turma Especial ­ Sessão de 13/09/12.  Fl. 763DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 763          13 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar­lhe  provimento.  O  Conselheiro  Jamed  Abdul  Nasser  declinou  da  intenção  de  apresentar  declaração de voto.  (assinado digitalmente)  Renata Toratti Cassini  Voto Vencedor  Conselheiro Denny Medeiro da Silveira ­ Redator Designado.  Com  a maxima  venia,  divirjo  da  Ilustre Relatora. Em meu  entendimento,  a  distribuição das sobras não representa mero retorno de valores ao patrimônio dos sócios, sem  acréscimo patrimonial.  Quando o associado faz a contribuição (aquisição da cota) para ingressar na  cooperativa, o valor correspondente deixa o seu patrimônio em caráter definitivo, pois não se  trata de empréstimo ou coisa do tipo. Dessa forma, se a cooperativa distribuir sobras, os valores  repassados  aos  associados,  inevitavelmente,  acrescerão  o  patrimônio  desses,  situação  essa  perfeitamente  enquadrada  no  art.  43,  inciso  II,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  Lei  5.172, de 25/10/66:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;  II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.  Nessa  linha  é  a Solução  de Consulta  nº  248  de  23/5/17,  da Cosit2,  da  qual  extraímos os seguintes trechos3:   30  As  sobras  líquidas  das  destinações  legais  e  estatutárias  devem seguir a  sorte preceituada pela Lei nº 5.764, de 2001, a  qual  determina  seu  retorno  aos  associados,  proporcionalmente  às operações por eles realizadas:   Art.  4º.  As  cooperativas  são  sociedades  de  pessoas,  com  forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não  sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos  associados,  distinguindo­se  das  demais  sociedades  pelas  seguintes características:   [...]                                                              2 Coordenação­Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil – Portaria MF nº 430, de 9/10/17.  3 Tal entendimento foi adotado, inclusive, pela Solução de Consulta nº 102, da Cosit, de 17/8/18.  Fl. 764DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 764          14 VII  ­  retorno  das  sobras  líquidas  do  exercício,  proporcionalmente  às  operações  realizadas  pelo  associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia  Geral; (grifou­se)   31 O Código Civil,  de  2002,  prescreve  destino  similar  para  as  sobras líquidas:   Art. 1.094. São características da sociedade cooperativa:  [...]  VII  ­  distribuição  dos  resultados,  proporcionalmente  ao  valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade,  podendo  ser  atribuído  juro  fixo  ao  capital  realizado;  (grifou­se)   32  A  justificativa  para  previsão  legal  de  retorno  das  sobras  líquidas aos associados na equivalência dos negócios realizados  por cada um deles com a cooperativa, encontra  fundamento na  própria natureza dessas  sobras. As sobras originam­se a partir  da dificuldade que a sociedade encontra em fixar com precisão  as  despesas  administrativas  para  o  desempenho  de  suas  atividades.  Por  essa  razão,  durante  o  exercício  é  definido  um  preço  estimado,  que  será  objeto  de  ajuste  por  ocasião  do  levantamento do balanço. Existindo sobra, significa dizer que a  cooperativa  cobrou  um  valor  dos  associados,  à  título  de  despesas administrativas,  superior àquele que seria necessário.  Seria,  portanto,  o montante  correspondente à diferença entre o  que  o  associado  pagou  e  o  que  deveria  ter  pago  pelo  serviço  prestado  a  ele  pela  cooperativa.  A  situação  inversa  simboliza  carência  de  antecipação  de  despesas  administrativas,  que  acarreta  perdas,  as  quais  necessitam  ser,  da  mesma  forma,  partilhadas pelos associados proporcionalmente à utilização dos  serviços ofertados pela sociedade.   33  O  rateio  das  sobras  líquidas  na  proporção  das  operações  realizadas  pelos  associados,  entendido  como  o  retorno  do  excesso  de  despesas  antecipadas  por  cada  um  à  sociedade,  é  suficiente  para  se  compreender  essa  figura  como  uma  complementação  da  remuneração  do  associado  pela  sua  participação  nos  negócios  da  cooperativa.  O  rendimento  auferido  ao  longo  do  exercício  restou  subestimado,  tendo  em  vista  o  excedente  de  despesas  cobradas  no  período.  Caso  as  despesas  tivessem  sido  calibradas  com  exatidão,  o  preço  do  serviço  prestado  pelo  associado,  pelo  qual  este  é  remunerado  pela cooperativa (no caso de uma cooperativa de trabalho para  prestação  de  serviço),  seria  superior,  acarretando  um  rendimento  a  maior,  no  exato  montante  da  sobra  líquida  distribuída.  Insta  trazermos à baila,  também, a ementa da Solução de Divergência Cosit  nº 2, de 21/1/08, já citada pela decisão de primeira instância:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Fl. 765DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 765          15 Sobras líquidas apuradas por cooperativas de trabalho.  Sujeitam­se à tributação na fonte como antecipação do imposto  devido na Declaração de Ajuste Anual as  sobras apuradas por  cooperativas  de  trabalho  e  colocadas  à  disposição  dos  cooperados, inclusive por meio da capitalização.  Dispositivos  Legais:  Constituição  Federal  de  1988,  art.  153,  inciso  III;  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário Nacional (CTN), arts. 43, incisos I e II, e 114; Lei nº  7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 7º, inciso II; Decreto nº  3.000, de 26 de março de 1999, art. 628.  Portanto,  diante  do  quadro  que  se  apresenta,  tem­se  que  as  sobras,  quando  distribuídas  aos  associados,  de  fato  acrescem  o  patrimônio  desses,  restando,  pois,  sujeitas  à  incidência de imposto de renda.  Ademais,  no  caso  em  análise,  nota­se  que  a  fiscalização  não  considerou  as  sobras  como  sendo  remuneração  por  aplicação  em  renda  fixa, mas  apenas  utilizou  a mesma  sistemática tributária do mercado de renda fixa, haja vista a  inexistência de regime  tributário  específico para as sobras. Lembrando que tal procedimento encontra­se devidamente amparado  na  Lei  8.981,  de  20/1/95,  combinada  com  a  Instrução Normativa4  RFB  nº  1.022,  de  5/4/10,  senão, vejamos:  Lei 8.981/95  Do Mercado de Renda Fixa  Art.  65.  O  rendimento  produzido  por  aplicação  financeira  de  renda  fixa, auferido por qualquer beneficiário,  inclusive pessoa  jurídica  isenta,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1995,  sujeita­se  à  incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por  cento.  [...]  § 4º O disposto neste artigo aplica­se também:  [...]  c) aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa  jurídica,  sob  qualquer  forma  e  a  qualquer  título,  independentemente  de  ser  ou  não  a  fonte  pagadora  instituição  autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.  [...]  § 8º É responsável pela retenção do  imposto a pessoa  jurídica  que receber os recursos, no caso de operações de transferência  de  dívidas,  e  a  pessoa  jurídica  que  efetuar  o  pagamento  do  rendimento, nos demais casos.  IN RFB 1022/10                                                              4 Norma complementar do direito ­ art. 100 do CTN.   Fl. 766DF CARF MF Processo nº 16004.720050/2014­11  Acórdão n.º 2402­006.883  S2­C4T2  Fl. 766          16 Art. 38. São também tributados como de aplicações financeiras  de renda fixa os rendimentos auferidos:  [...]  II  ­  pela  entrega  de  recursos  a  pessoa  jurídica,  sob  qualquer  forma  e  a  qualquer  título,  independentemente  de  a  fonte  pagadora  ser  ou  não  instituição  autorizada  a  funcionar  pelo  Banco Central do Brasil;  (Grifo nosso)  Desse modo, mantenho o entendimento do julgado a quo segundo o qual não  há  "como  negar  que  as  novas  cotas  atribuídas  ao  cooperado  no  capital  da  cooperativa,  por  conta de sobras, passam a integrar o patrimônio do cooperado, representando, assim, acréscimo  de riqueza do associado, portanto, tributável, independentemente de sua realização quando da  eventual saída do quadro de associados.”  Conclusão  Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira                  Fl. 767DF CARF MF

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7715242 #
Numero do processo: 10970.000193/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA

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2402­007.074  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de março de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  SOC.AN.BRAS. DE EMPREENDIMENTOS ­ SABE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004  VALE­TRANSPORTE.  VERBA  DE  NATUREZA  INDENIZATÓRIA.  NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  O pagamento de verbas a título de vale­transporte, qualquer que seja a forma  de  pagamento,  possui  natureza  indenizatória,  não  passível,  portanto,  de  incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Declarou­se  impedido  de  participar  do  julgamento  o  conselheiro  Gregório  Rechmann  Junior,  substituído  pelo  conselheiro  José  Alfredo  Duarte  Filho.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Presidente e Relator  Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Maurício  Nogueira  Righetti,  Wilderson  Botto  (suplente  convocado),  Luís  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini,  José  Alfredo  Duarte  Filho  (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 93 /2 00 8- 41 Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10970.000193/2008­41  Acórdão n.º 2402­007.074  S2­C4T2  Fl. 3          2   Relatório  O  presente  recurso  foi  objeto  de  julgamento  na  Sistemática  dos  Recursos  Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de  junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402­007.072 ­ 4ª Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  de  13  de  março  de  2019,  proferido  no  âmbito  do  processo  n°  18050.003581/2008­77, paradigma deste julgamento.  Acórdão nº 2402­007.072 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  em  face  da  Decisão  de  1ª  Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de  Contribuições  Previdenciárias  incidentes  sobre  verbas  pagas  pela  empresa,  a  título  de  "Vale  Transporte",  a  segurados  obrigatórios  do  RGPS,  conforme  discriminado  no  relatório  fiscal.  Irresignado,  o  Contribuinte  apresentou  impugnação  administrativa  em  resistência ao  lançamento  em  tela,  a qual  se  houve  por  julgada  improcedente  pelo  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância.  Devidamente  cientificada da  susocitada  decisão,  a  Impugnante,  agora  Recorrente,  interpôs  Recurso  Voluntário  pugnando,  ao  fim, pela improcedência do lançamento.  É o relatório."  Voto             Conselheiro Denny Medeiros da Silveira ­ Relator.  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 2402­007.072 ­  4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n°  18050.003581/2008­77, paradigma ao qual o presente processo encontra­se vinculado.  Transcrevemos,  a  seguir,  nos  termos  regimentais,  o  excerto  de  interesse  do  voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão  paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o  acima referenciado Acórdão nº 2402­007.072 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março  de 2019.  Acórdão nº 2402­007.072 ­ 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária  "1­ Do Conhecimento do Recurso  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72  e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO.  Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10970.000193/2008­41  Acórdão n.º 2402­007.074  S2­C4T2  Fl. 4          3 [...]  3­ Do Mérito  Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f",  da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título  de vale­transporte, na forma da legislação própria, não integra  o salário de contribuição.  O  vale­transporte  foi  instituído  pela  Lei  nº  7.418/85  e  regulamentado  pelo  Decreto  nº  95.247/87,  definindo  um  paradigma  procedimental  no  qual  o  empregador  fornecerá  os  vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de  deslocamento  residência­trabalho  e  vice­versa,  através  do  sistema  de  transporte  coletivo  público,  urbano  ou  intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os  especiais.  De se observar que a exclusão do vale­transporte do salário­de­ contribuição  pressupõe  o  seu  fornecimento  de  acordo  com  a  legislação,  sob  pena  de  incidência  de  contribuição  previdenciária.   No que pertine à natureza indenizatória do vale­transporte,  é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ  nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda  ­ DOU de 29/03/2016:  Parecer PGFN/CRJ nº 189/20  [...]  5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso  Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art.  543­B do CPC),  em 10/03/2010,  firmou o  entendimento  de  que  é  inconstitucional  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre o  vale­transporte pago em espécie,  já  que,  qualquer  que  seja  a  forma  de  pagamento,  detém  o  beneficio  natureza  indenizatória.  De  acordo  com  a  Corte  Suprema,  ao  admitir­se  que  o  vale­transporte  possa  ter  a  sua  natureza  alterada  pelo  fato  de  ser  pago  em  dinheiro  importaria  em  relativizar  o  curso  legal  da  moeda.  Sendo  assim,  considerou  que  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  valor  pago  em  pecúnia  a  título  de  vale­transporte afrontaria a Constituição em sua totalidade  normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei)  EMENTA:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCIDÊNCIA.  VALE­TRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO  FORÇADO.  CARÁTER NÃO  SALARIAL DO BENEFÍCIO.  ARTIGO  150,  I,  DA  CONSTITUIÇÃO  DO  BRASIL.  CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA.   1.  Pago  o  beneficio  de  que  se  cuida  neste  recurso  extraordinário  em  vale­transporte  ou  em  moeda,  isso  não  afeta  o  caráter  não  salarial  do  benefício.  2.  A  admitirmos  não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu  caráter  seja afetado, estaríamos a relativizar o curso  legal  da  moeda  nacional.  3.  A  funcionalidade  do  conceito  de  Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10970.000193/2008­41  Acórdão n.º 2402­007.074  S2­C4T2  Fl. 5          4 moeda  revela­se  em  sua  utilização  no  plano  das  relações  jurídicas.  O  instrumento  monetário  válido  e  padrão  de  valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de  poder  liberatório:  sua  entrega ao credor  libera o devedor.  Poder  liberatório  e  qualidade,  da  moeda  enquanto  instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente  no  plano  jurídico:  somente  ela  permite  essa  liberação  indiscriminada,  a  todo  sujeito  de  direito,  no  que  tange  a  débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para  o cumprimento dessas  funções decorre da circunstância de  ser  ela  tocada  pelos  atributos  do  curso  legal  e  do  curso  forçado.  5.  A  exclusividade  de  circulação  da  moeda  está  relacionada  ao  curso  legal,  que  respeita  ao  instrumento  monetário  enquanto  em  circulação;  não  decorre  do  curso  forçado,  dado  que  este  atinge  o  instrumento  monetário  enquanto  valor  e  a  sua  instituição  [do  curso  forçado]  importa  apenas  em  que  não  possa  ser  exigida  do  poder  emissor  sua  conversão  em  outro  valor.  6.  A  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  valor  pago,  em  dinheiro,  a  titulo  de  vales­transporte,  pelo  recorrente  aos  seus  empregados  afronta  a  Constituição,  sim,  em  sua  totalidade  normativa.  Recurso  Extraordinário  a  que  se  dá  provimento.  (RE  478410,  Relator(a):  Min.  EROS  GRAU,  Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe­086 DIVULG  13­05­2010  PUBLIC  14­05­2010  EMENT  VOL­02401­04  PP­00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145­166)  6.  Em  sequência,  no  julgamento  de  Embargos  de  Declaração,o  STF,  utilizando  a  técnica  da  declaração  de  inconstitucionalidade  parcial  sem  redução  de  texto,  fez  constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação  da  "inconstitucionalidade  da  aplicação  do  art.  5°  do  Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85  como  fundamentos  para  a  incidência  de  contribuições  previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de  vale­transporte  aos  trabalhadores",  sem  qualquer  modificação, portanto, do teor da deliberação anterior.  [...]  Na  esteira  do  supra  citado  Parecer,  a  PGFN  editou  o  Ato  Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais  fundadas  no  entendimento  de  que  não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  vale­transporte  pago  em  pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba.  No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do  Brasil  consoante  o  entendimento  consolidado  na  Solução  de  Consulta Cosit nº 146, de 27 de  setembro de 2016, sumarizado  na ementa abaixo:  Solução de Consulta Cosit nº 146/2016  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS.  VALE­TRANSPORTE.  PAGAMENTO  EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA.  Não  incide  contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  pagos em dinheiro a título de vale­transporte.  Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10970.000193/2008­41  Acórdão n.º 2402­007.074  S2­C4T2  Fl. 6          5 A  não  incidência  da  contribuição  está  limitada  ao  valor  pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do  deslocamento  residência­trabalho  e  vice­versa,  em  transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418,  de 1985.  Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II  e  §4º,  Ato Declaratório  nº  4,  de  31  de março  de  2016,  da  Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº  60, de 8 de dezembro de 2011.    No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis:  Súmula CARF nº 89  A  contribuição  social  previdenciária  não  incide  sobre  valores  pagos  a  título  de  vale­transporte,  mesmo  que  em  pecúnia.  Nessa perspectiva, considerando­se a natureza indenizatória do  vale­transporte,  são  procedentes  as  alegações  da  Recorrente,  impondo­se  o  cancelamento  do  lançamento  em  apreço,  não  havendo  que  se  falar  de  remuneração  indireta  a  atrair  a  incidência de contribuições previdenciárias.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  do  Recurso  Voluntário para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO.    (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima"    Nesse  contexto,  pelas  razões  de  fato  e  de Direito  ora  expendidas,  voto  por  CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO, cancelando­ se integralmente o lançamento.    (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Relator.                            Fl. 441DF CARF MF

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Numero do processo: 10467.901035/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. PROPORCIONALIDADE. Na composição do saldo negativo de CSLL somente podem ser deduzidos os valores das retenções de CSLL. Nos casos de retenções em que outros tributos são retidos juntamente com a CSLL, o contribuinte somente pode deduzir, na apuração da CSLL o valor proporcional que foi retido desta contribuição.
Numero da decisão: 1401-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO

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1401­003.327  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de abril de 2019  Matéria  PER/DCOMP ­ SALDO NEGATIVO CSLL  Recorrente  UNIMED NORTE NORDESTE ­ CONFEDERACAO DAS SOCIEDADES  COOPERATIVAS DE TRABALHO MEDICO            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2007  SALDO  NEGATIVO.  RETENÇÕES  NA  FONTE.  PROPORCIONALIDADE.  Na composição do saldo negativo de CSLL somente podem ser deduzidos os  valores  das  retenções  de  CSLL.  Nos  casos  de  retenções  em  que  outros  tributos  são  retidos  juntamente  com  a  CSLL,  o  contribuinte  somente  pode  deduzir,  na  apuração  da  CSLL  o  valor  proporcional  que  foi  retido  desta  contribuição.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator.    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira  Neto,  Daniel  Ribeiro  Silva,  Cláudio  de  Andrade  Camerano,  Luciana  Yoshihara  Arcangelo  Zanin,  Carlos  André  Soares  Nogueira,  Letícia  Domingues  Costa  Braga,  Eduardo  Morgado  Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 10 35 /2 01 0- 14 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10467.901035/2010­14  Acórdão n.º 1401­003.327  S1­C4T1  Fl. 239          2     Relatório  Inicio com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso.  Tratam  os  autos  de  análise  eletrônica  das  Declarações  de  Compensação  (Dcomp)  nº  12304.98013.231009.1.7.039306,  19911.42860.231009.1.7.036081,  25839.44695.231009.1.7.034229,  39581.08825.231009.1.7.039148  e  29975.21474.130210.1.7.034420,  cujas  cópias  estão  às  fls.  20  a  41,  por  intermédio  das  quais  o  contribuinte  pretendeu  compensar  débitos  de  tributos  diversos  com  suposto  crédito  de  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  ano­calendário  2007  no  valor  de  R$  169.437,20.    2.  Como  resultado  da  análise  da  declaração  foi  expedido  o  Despacho  Decisório nº 880527166 em de 06 de setembro de 2010, às fls. 03 a 05, que  decidiu  pela  não  homologação  das  compensações  declaradas  por  inexistência  do  crédito  apontado.  Em  síntese,  este  despacho  apresentou  a  seguinte motivação:    2.1. na composição do crédito o contribuinte informou retenções na fonte de  R$  181.147,46,  sendo  que  foi  confirmada  apenas  retenção  no  valor  de  R$  3.121,32.  Como  a  CSLL  devida  apurada  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  referente  ao  ano  calendário  2007  (DIPJ/2008)  foi  de  R$  11.710,20,  deduzindo­se  o  valor  confirmado  de  retenção, obtém­se que não houve saldo negativo para o referido período de  apuração.    3. Cientificado da decisão em 21 de setembro de 2010, consoante cópia do  Aviso  de  Recebimento  (AR)  à  fl.  44,  o  contribuinte  apresentou  a  manifestação de inconformidade às fls. 01 e 02, em 19 de outubro de 2010,  instruída com os documentos às fls. 03 a 51, onde argumentou que:    3.1. na DIPJ/2008 foi apurado “saldo negativo de CSLL” de R$ 181.147,46.    Deste saldo foi utilizado o valor R$ 169.437,26 nas Dcomp;    3.2.  este  saldo  foi  utilizado  indevidamente na Dcomp  como  tipo  de  crédito  “saldo  negativo  da CSLL”. Conforme os  códigos  de  retenções  informados  (5952, 5960 e 5979), estes saldos se compõem de CSLL, Contribuição para o  Programa de  Integração Social  (PIS), Contribuição  para  o Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)e  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF), conforme tabela abaixo:    Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10467.901035/2010­14  Acórdão n.º 1401­003.327  S1­C4T1  Fl. 240          3     3.3.  os  saldos  de  PIS  e  Cofins  deveriam  ter  sido  compensados  de  outra  forma,  consoante  IN  RFB  nº  900,  de  2008.  Esta  falha  decorreu  de  desconhecimento  da  existência  de  outros  meios  para  a  compensação.  A  orientação  dos  próprios  fiscais  da  Receita  Federal  não  foram  claras,  objetivas  e  suficientes  para  sanar  a  irregularidade,  quando  procurados.  Inclusive foram apresentadas DIPJ e Dcomp retificadoras;    3.4. se for considerada apenas a parte da CSLL os créditos são insuficientes  para compensar os débitos. A inconformidade é que os créditos existem, mas  a forma de compensação foi inadequada;    3.5.  considerando  as  alterações  da  legislação,  sua  complexidade,  a  orientação  inadequada,  que  foram  determinantes  para  que  persistisse  no  erro operacional, e, principalmente, uma vez que existem os créditos de PIS,  Cofins e CSLL, requer o acatamento das compensações.    4. Em 05 de novembro de 2010 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em  João  Pessoa  –  PB  (DRF/JPA)  pronunciou­se  pela  tempestividade  da  manifestação, encaminhando os autos a esta Delegacia da Receita Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em Recife  –  PE  (DRF/REC)  para  julgamento  (fl.  52).    5. É o relatório.    Analisando a manifestação a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a  manifestação de inconformidade e manteve a decisão da DRF.  Cientificado do acórdão o contribuinte apresentou recurso voluntário, muito  sucinto por sinal, no qual alega que as retenções, apesar de se referirem a outros tributos que  não a CSLL podem ser utilizadas para a composição do saldo negativo de CSLL.  Não trouxe nenhuma nova argumentação.  É o relatório.          Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10467.901035/2010­14  Acórdão n.º 1401­003.327  S1­C4T1  Fl. 241          4 Voto             Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  legais,  assim  dele  tomo  conhecimento.  Analisando o presente processo e, notadamente as peças de impugnação e de  recurso,  observo  que  o  recurso  voluntário  apresentado  em  suas  razões  às  fls.  162/164  não  trouxe  nenhuma  nova  argumentação  em  relação  à  manifestação  de  inconformidade  apresentada. Vê­se, em sede de recurso voluntário que a única alegação é a de que as retenções  na fonte, apesar de não se referirem ao código de retenção de CSLL estão comprovadas e, por  isso, podem compor o saldo negativo da contribuição.  Ora esta alegação não faz sentido jurídico. Quando se realiza uma retenção de  tributos  na  fonte  existem  as  retenções  de  um único  tributo  (ex:  1708  ­  IRPJ)  e  retenções  de  vários  tributos  em  um  só  código  (ex:  5952  ­  PIS,  COFINS  e  CSLL).  Assim,  quando  as  retenções se referem a vários tributos há de se fazer a repartição do valor retido e utilizar, na  dedução de cada tributo, o valor respectivo de sua retenção.  Assim sendo e verificando­se que o recurso voluntário em nada inovou com  relação  à manifestação  de  inconformidade  e  que  a  decisão  recorrida  já  apresentou  a  correta  análise sobre o caso, não havendo nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentados  os  motivos  pelos  quais  requer  que  a  decisão  seja  modificada  o  recorrente  não  estabelece  contraditório passível de análise recursal.  Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste  CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo.  Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem:  I ­ verificação do quórum regimental;  II ­ deliberação sobre matéria de expediente; e  III ­ relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta.    § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente  aos  conselheiros  do  colegiado,  previamente  ao  início  de  cada  sessão  de  julgamento correspondente, em meio eletrônico.    § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma  estabelecidos  no  §  1º,  a  ementa,  o  relatório  e  o  voto,  serão  retirados  de  pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata.    § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de  primeira  instância,  se  o  relator  registrar  que  as  partes não apresentaram  novas  razões  de  defesa  perante  a  segunda  instância  e  propuser  a  confirmação e adoção da decisão  recorrida.  (Redação dada pela Portaria  MF nº 329, de 2017).    Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10467.901035/2010­14  Acórdão n.º 1401­003.327  S1­C4T1  Fl. 242          5 Referida  regra  foi  editada  com  vistas  ao  atendimento  ao  princípio  da  economia  processual  aos  casos  em  que  se  vislumbre  que  não  existem  novos  argumentos  ou  elementos.  Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado  pela  Decisão  de  Piso,  tanto  quanto  ao  arbitramento  do  lucro,  quanto  à  possibilidade  de  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovadas  (apesar  de  não  constar  recurso  expresso  em  relação  a  este  item)  passo  a,  na  forma  do  art.  57,  §  3º,  do  Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso  em relação ao presente ponto.  Assim,  concordando  com  os  fundamentos  da  decisão  de  Piso,  passo  a  transcrevê­la e utilizar os seus fundamentos como fundamentos de decidir.  Início da transcrição do voto da DRJ.  6. A manifestação de inconformidade é tempestiva e atende as formalidades  legais, razão pela qual tomo conhecimento da mesma.    7. De início é devido frisar que a DIPJ/2008 retificadora transmitida após a  ciência da decisão não  tem qualquer valor probatório para  fins de apuração  do  saldo  negativo  da  CSLL,  haja  vista  que  o  contribuinte  já  havia  sido  notificado  de  conclusão  de  procedimento  fiscal  que  apreciou  o  referido  direito creditório, não estando mais amparado pela espontaneidade. Em razão  disso, este voto levará em consideração os dados declarados na DIPJ/2008 nº  1899804,  transmitida  em  19  de  outubro  de  2009,  na  qual  o  despacho  decisório se baseou.    7.  Na  espécie  o  contribuinte  pretendeu  compensar  débitos  de  tributos  diversos  com  suposto  crédito  de  saldo  negativo  de CSLL  apurado  no  ano­ calendário 2007 no montante de R$ 169.437,26, conforme consta das Dcomp  analisadas e do extrato da DIPJ/2008 antes  referida (fls. 71 a 72). Segundo  consta  destas  declarações,  este  saldo  negativo  originou­se  da  dedução,  da  CSLL devida de R$ 11.710,20, de valores supostamente retidos na fonte no  montante total de R$ 181.147,46:      8.  Apenas  para  fins  de  esclarecimento,  o  montante  deduzido  como  CSLL  paga  por  estimativa  corresponde  à  somatório  dos  valores  supostamente  Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10467.901035/2010­14  Acórdão n.º 1401­003.327  S1­C4T1  Fl. 243          6 retidos  de  CSLL  que  foram  deduzidos  da  contribuição  estimada  devida  mensalmente. Consoante extrato da DIPJ/2008 às fls. 56 a 70, o contribuinte  deduziu R$ 11.710,20 a título de CSLL retida por órgãos públicos nas fichas  de  apuração  das  estimativas,  exatamente  o  valor  deduzido  no  ajuste  anual  como  estimativa  paga,  em  cumprimento  ao  disposto  na  instrução  de  preenchimento da DIPJ/2008, aprovada pela IN RFB nº 849, de 2008:    Linha 17/59   ( ) CSLL Mensal Paga por Estimativa    Esta  linha  deve  ser  preenchida  somente  pelas  pessoas  jurídicas  que  apuraram o lucro real anual.  Somente  podem  ser  deduzidos  na  apuração  do  ajuste  anual  os  valores  de  estimativa  efetivamente  pagos  relativos  ao  ano­calendário  objeto  da  declaração  .  Considera­se  efetivamente  pago  por  estimativa  o  crédito  da  contribuição  extinto  por  meio  de:  dedução  da  CSLL  retida  por  órgão  público,  ou  por  outra  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  compensação  solicitada  por meio  da  Declaração  de  Compensação  (PER/DComp),  compensação  autorizada  por  medida  judicial  e  valores  pagos  mediante  Darf.  O  valor  da  CSLL  efetivamente  paga  por  estimativa  corresponde  ao  somatório  dos  valores  mensais relativos à seguinte operação:    (...) (Grifei)  9.  Assim,  todos  os  valores  deduzidos  no  ajuste  referem­se  supostamente  a  CSLL retida na fonte.    10. Acontece que o valor  informado a  título de retenção na  fonte de CSLL  era, na verdade, composto de CSLL, PIS, IRRF e Cofins retidos na fonte. O  valor  correspondente  à  retenção  de  CSLL  foi  de  R$  3.121,32  conforme  despacho decisório:      10.1.  Verifica­se  que  o  despacho  decisório  validou  retenção  de CSLL  (R$  3.121,32)  em  montante  superior  ao  alegado  pelo  contribuinte  em  sua  manifestação (R$ 3.101,34). Esta diferença decorre da retenção de R$ 19,99  não considerada pelo contribuinte no código de retenção 8863.  Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10467.901035/2010­14  Acórdão n.º 1401­003.327  S1­C4T1  Fl. 244          7   11. De acordo com as instruções de preenchimento da DIPJ/2008, nas linhas  56, 56, 57 e 59, somente são passíveis de declaração os montantes de CSLL  retidas na fonte, não sendo dedutível da CSLL devida os montantes de PIS,  Cofins e IRRF retidos juntamente ou não com a CSLL:    Linha 17/55 ( ) CSLL Retida na Fonte por Órgãos, Autarquias e Fundações  Federais (Lei nº 9.430/1996, art. 64)    Indicar,  nesta  linha,  o  valor  correspondente  à  CSLL  retida  na  fonte  por  órgão público  federal  sobre as  receitas que  integram a base de cálculo da  CSLL.    Observar  as  instruções  e  limites  constantes  da  IN  SRF  nº  480,  de  15  de  dezembro de 2004.  (...)  Linha  17/56  (  )  CSLL  Retida  na  Fonte  pelas  Demais  Entidades  da  Administração Pública Federal (Lei nº 10.833/2003, art. 34)    Indicar o valor correspondente à CSLL retida na fonte, sobre as receitas que  integram  a  base  de  cálculo  da CSLL  devida,  pelas  seguintes  entidades  da  administração pública federal:    I empresas públicas;  II sociedades de economia mista; e  III  demais  entidades  em  que  a  União,  direta  ou  indiretamente,  detenha  a  maioria do capital social com direito a voto, e que dela recebam recursos do  Tesouro  Nacional  e  estejam  obrigadas  a  registrar  sua  execução  orçamentária  e  financeira  na  modalidade  total  no  Sistema  Integrado  de  Administração Financeira do Governo Federal SIAFI.  (...)  Linha  17/57  (  )  CSLL  Retida  na  Fonte  por  Pessoas  Jurídicas  de  Direito  Privado (Lei nº 10.833/2003, art. 30)    Informar o valor correspondente à CSLL retida na fonte por outras pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  pela  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação,  manutenção,  segurança,  vigilância,  transporte  de  valores  e  locação de mão­de­obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia,  mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas  a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais.  (...)  Linha 17/58 ( ) CSLL Retida na Fonte por Órgãos, Autarquias e Fundações  dos Estados, Distrito Federal e Municípios (Lei nº 10.833/2003, art. 33)    Indicar o valor correspondente à CSLL retida na fonte pelos Estados, Distrito  Federal  e  Municípios  sobre  os  pagamentos  efetuados  por  seus  órgãos,  autarquias e fundações,  sobre as  receitas que  integram a base de cálculo da  CSLL devida.  (...)  Linha 17/59 ( ) CSLL Mensal Paga por Estimativa  Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10467.901035/2010­14  Acórdão n.º 1401­003.327  S1­C4T1  Fl. 245          8   Esta  linha  deve  ser  preenchida  somente  pelas  pessoas  jurídicas  que  apuraram o lucro real anual.    Somente  podem  ser  deduzidos  na  apuração  do  ajuste  anual  os  valores  de  estimativa  efetivamente  pagos  relativos  ao  ano­calendário  objeto  da  declaração.    Considera­se  efetivamente  pago  por  estimativa  o  crédito  da  contribuição  extinto  por  meio  de:  dedução  da  CSLL  retida  por  órgão  público,  ou  por  outra  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  compensação  solicitada  por meio  da  Declaração  de  Compensação  (PER/DComp),  compensação  autorizada  por  medida  judicial  e  valores  pagos  mediante  Darf.  O  valor  da  CSLL  efetivamente  paga  por  estimativa  corresponde  ao  somatório  dos  valores  mensais relativos à seguinte operação:    (...) (Grifei)    12.  Então,  não  resta  dúvida  de  que  a  decisão  foi  acertada  ao  validar  a  dedução apenas da CSLL retida, acarretando, em consequência, a verificação  de que não houve saldo negativo para o ano­ calendário 2007:      13. Para a  realização de compensação é condição  sine qua non a liquidez e  certeza  do  crédito,  consoante  art.  170  do  Código  Tributário  Nacional.  Na  espécie restou demonstrado não haver crédito de saldo negativo de CSLL.     Assim, não há se que falar em homologar as compensações declaradas.    14.  O  contribuinte  não  contesta  o  fato  de  que  somente  houve  retenção  de  CSLL no valor de R$ 3.121,32 (inclusive, conforme dito, menciona um valor  inferior  a  este  validado  pela  decisão).  Além  disso,  afirma  que  errou  no  preenchimento  da DIPJ/2007  e,  por  conseguinte,  da Dcomp. Alega  em  sua  defesa tão somente que existe efetivamente o crédito total representado pelas  retenções de CSLL, PIS, IRRF e Cofins, mas que errou na forma de efetuar  as  compensações  por  desconhecer  a  legislação,  por  ser  esta  bastante  complexa  e  devido  a  orientações  equivocadas  de  servidores  da  Receita  Federal.    15. É devido salientar que ninguém pode alegar desconhecimento da norma  ou complexidade desta para  se  furtar ao  seu cumprimento, ademais quando  estamos tratando de uma empresa do porte da Unimed, capaz de se assessorar  dos  mais  competentes  contadores  e  juristas.  Nesse  sentido,  disposição  contida no art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, qual  Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10467.901035/2010­14  Acórdão n.º 1401­003.327  S1­C4T1  Fl. 246          9 seja, Decreto­Lei nº 4.657, de 1942, com redação dada pela Lei nº 12.376, de  2010:    Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.    16. Em relação às supostas orientações equivocadas de servidores da Receita  Federal, há que se considerar não haver nos autos qualquer documento que  indique  informação  fiscal  determinando  que  o  contribuinte  procedesse  da  forma como fez. É mera alegação sem provas.    17.  Assim,  diante  do  exposto,  voto  por  considerar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  para  manter  a  decisão  que  homologou  parcialmente as compensações declaradas.    Fim da transcrição do voto da decisão de Piso.  Apresentados  os  fundamentos  deste  voto  em  consonância  com  o  decidido  pela  decisão  de  Piso  este  relator  concorda  integralmente  com  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  apresentados,  razão  pela  qual  passa  a  utilizá­los  como  fundamento  para  decidir  o  presente recurso.  Assim, em face da inexistência de novos argumentos em recurso voluntário e  em  face  de  a  análise  da  Decisão  de  Piso,  com  a  qual  concordo  integralmente,  ter  sido  corretamente realizada não existindo razões de fato ou de direito para modificar o já decidido,  voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Abel Nunes de Oliveira Neto ­ Relator                               Fl. 246DF CARF MF

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Numero do processo: 13897.001007/2003-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36, da Lei nº 9.784/99, e art 333, I, do antigo CPC - art. 373, I, do atual), devem ser apresentadas na Manifestação de Inconformidade (às quais se aplica o mesmo rito do PAF), precluindo o direito de posterior juntada.
Numero da decisão: 9303-008.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-08T13:30:00Z | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 373          1 372  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13897.001007/2003­02  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­008.388  –  3ª Turma   Sessão de  21 de março de 2019  Matéria  Compensação ­ Prova do Direito Créditório  Recorrente  FLINT GROUP TINTAS DE IMPRESSÃO LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003  COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO.  O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos  do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DO  SUJEITO  PASSIVO.  MOMENTO  PARA  APRESENTAÇÃO.  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  Ressalvadas  as  hipóteses  das  alíneas  “a”,  “b”  e  “c”  do  §  4º  do  art.  16  do  Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de  quem o alega (art. 36, da Lei nº 9.784/99, e art 333,  I, do antigo CPC ­ art.  373, I, do atual), devem ser apresentadas na Manifestação de Inconformidade  (às quais se aplica o mesmo rito do PAF), precluindo o direito de posterior  juntada.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso  Especial  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencidas  as  conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 10 07 /2 00 3- 02 Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13897.001007/2003­02  Acórdão n.º 9303­008.388  CSRF­T3  Fl. 374          2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas.  Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls.  228 a 241), contra o Acórdão 3301­002.370, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara  da 3ª Sejul do CARF (fls. 215 a 222), sob a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003  IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA  DCP. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  O  crédito  presumido  do  IPI  previsto  na  Lei  nº  9.363/96  é  um  benefício  fiscal,  cuja  utilização  está  condicionada  à  apresentação da Declaração de Crédito Presumido ­ DCP.  Exigência constante de ato normativo decorrente de outorga de  competência da própria lei que instituiu o benefício.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PROVA  APRESENTADA  SOMENTE  NO  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  PRECLUSÃO.  De acordo com o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ­ PAF,  os  documentos  probatórios,  salvo  as  exceções  previstas,  devem  ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de fazê­lo  em outro momento processual.  Em seu Recurso Especial foi dado seguimento parcial, em Exame (fls. 332 a  336) e Reexame (fls. 337 e 338) de Admissibilidade, "apenas em relação à questão atinente à  apreciação da prova somente apresentada com o recurso voluntário".  Contra estas decisões o contribuinte interpôs Agravo (fls. 353 a 358), ao qual  foi negado conhecimento (fls. 362 a 364).  Antes disto, a PGFN já havia apresentado Contrarrazões (fls. 340 a 345).  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  Preenchidos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço  do Recurso Especial, na parte admitida.    Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13897.001007/2003­02  Acórdão n.º 9303­008.388  CSRF­T3  Fl. 375          3 No mérito, a discussão gira em torno da comprovação do direito creditório,  no caso de Declarações de Compensação.  O direito à compensação sempre pressupõe direito líquido e certo, conforme  preceitua o CTN:  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  A  Lei  nº  9.784/99,  que  regula  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração Pública Federal, prescreve o seguinte:   Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado ...  Aplicando­se  subsidiariamente o  antigo Código de Processo de Civil  (igual  dispositivo é previsto no novo – art. 373, inciso I), isto também fica mais que patente:   Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  E, ressalvadas algumas exceções (nas quais o presente caso não se enquadra),  a  prova  tem  que  ser  apresentada  na Manifestação  de  Inconformidade  (às  quais  se  aplica  o  mesmo  rito  do  PAF,  conforme  §  11  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96),  precluindo  o  direito  de  posterior juntada, a teor do disposto no Decreto nº 70.235/72:  Art. 16. ...  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  Consigno ainda que a jurisprudência desta Turma pacificou­se no sentido de  inadmitir a juntada extemporânea de provas, conforme bem demonstra este recente Acórdão (nº  9303­007.448, de 20/09/2018), de relatoria do ilustre Conselheiro Demes Brito:  PRECLUSÃO.  MATÉRIA  NÃO  SUSCITADA  PELO  SUJEITO  PASSIVO  NA  IMPUGNAÇÃO.  JUNTADA  DE  RAZÕES  EXTEMPORÂNEAS  APÓS  O  PRAZO  REGULAMENTAR.  IMPOSSIBILIDADE.  O  julgamento  da  causa  é  limitado  pelo  pedido,  devendo  haver  perfeita  correspondência  entre  o  postulado  pela  parte  e  a  decisão,  não  podendo  o  julgador  afastar­se  do  que  lhe  foi  Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13897.001007/2003­02  Acórdão n.º 9303­008.388  CSRF­T3  Fl. 376          4 pleiteado,  sob  pena  de  vulnerar  a  imparcialidade  e  a  isenção,  conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera­se  não  impugnada  a  matéria  não  deduzida  expressamente  no  recurso  inaugural,  o  que,  por  conseqüência,  redunda  na  preclusão do direito de fazê­lo em outra oportunidade.  À  vista  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  Recurso  Especial  interposto pelo contribuinte.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas                            Fl. 376DF CARF MF

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Numero do processo: 10768.011115/2001-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A verba rescisória paga por critérios subjetivos do empregador em favor de determinados funcionários não se confunde com o PDV e outros planos de demissão incentivada. É essencial para a caracterização da natureza indenizatória do programa a possibilidade de que outros funcionários, na mesma situação objetiva, possam dele se beneficiar. FÉRIAS NÃO GOZADAS INDENIZADAS. Os Atos Declaratórios Interpretativo SRF nºs 5 e 14, de 2005, reconheceram a não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas pela conversão em pecúnia de licença prêmio e das férias não gozadas por necessidade do serviço, inclusive por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.752
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo R$11.564,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 1          1 0  S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10768.011115/2001­09  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­01.752  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de julho de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  CIOMARA REGINA MOREIRA DOS SANTOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 1998  IRPF.  RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS.  A  verba  rescisória  paga  por  critérios  subjetivos  do  empregador  em  favor  de  determinados  funcionários  não  se  confunde  com  o  PDV  e  outros  planos  de  demissão  incentivada.  É  essencial  para  a  caracterização  da  natureza  indenizatória  do  programa  a  possibilidade de que outros funcionários, na mesma situação objetiva, possam  dele se beneficiar.  FÉRIAS  NÃO  GOZADAS  INDENIZADAS.  Os  Atos  Declaratórios  Interpretativo  SRF  nºs  5  e  14,  de  2005,  reconheceram  a  não  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  as  verbas  recebidas  pela  conversão  em  pecúnia  de  licença prêmio e das férias não gozadas por necessidade do serviço, inclusive  por ocasião da rescisão do contrato de trabalho.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo R$11.564,00.    (assinado digitalmente)  ___________________________________  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente      (assinado digitalmente)  ___________________________________  José Raimundo Tosta Santos ­ Relator        Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  José  Raimundo  Tosta  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka,  Célia  Maria  de  Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.  Relatório  O  recurso  voluntário  em  exame  pretende  a  reforma  do Acórdão  nº  10.250,  proferido  pela  1ª  Turma  da DRJ Rio  de  Janeiro  II  (fl.  46),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou procedente o Auto de Infração.   A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na  impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos:  1 Trata­se de  impugnação apresentada pela interessada contra Auto de Infração de  fls. 04/06, que modificou o resultado da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício 1999,  ano­calendário 1998, de imposto a restituir de R$ 13.621,72 para imposto a pagar de R$47,65.  2 O valor lançado refere­se ao imposto de renda suplementar de R$ 47,65, acrescido  de multa de oficio de 75% e de juros de mora calculados até julho de 2001, perfazendo um crédito  tributário total de R$ 101,16.  3  O  lançamento  de  oficio  decorreu  de  procedimento  de  revisão  interna  da  Declaração  de  Ajuste  Anual  entregue  pela  interessada,  no  qual,  segundo  Demonstrativo  das  Infrações  de  fl.  05,  foi  constatada  omissão  de  rendimentos  decorrentes  de  trabalho  com  vínculo  empregatício recebidos do Banco Citibank S:A., no valor de R$ 51.142,03.  4 Cientificado do lançamento em 20/08/2001 (AR à fl. 36), a interessada insurge­se  contra o lançamento apresentando impugnação de fls. 01/02. " • 5 Afirma que a verba intitulada de  "gratificação especial", no valor de R$ 36.138,00, considerada tributável no presente lançamento,  foi recebida em razão de ter aderido a Programa de Demissão Voluntária instituído no Citibank S/A  sob a denominação de Pivô ­ Programa de Indenização Voluntária.  6  Diz  que  o  Parecer  PGFN/CRJ/N°  1278/98  da  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  concluiu no sentido de que não deve  incidir  imposto de  renda  sobre a parcela paga na  oportunidade  do  desligamento  do  empregado  a  título  de  compensação  pela  perda  do  emprego,  qualquer que seja o nome escolhido, não  importando ainda estar o desligamento vinculado a um  "Programa de Demissão Voluntária", "Rescisão Contratual Incentivada" ou não.  7 Alega ainda que o mencionado parecer conclui pela não incidência de imposto de  Renda sobre as parcelas relativas a  indenização de férias e licença prêmio não gozadas, pagas na  oportunidade da rescisão do contrato de trabalho.  8 Assim, defende que as verbas indenizatórias recebidas no total de R$ 51.142,03 a  título de incentivo a adesão ao Programa de Desligamento Voluntário, não se sujeitam à incidência  de Imposto de Renda na Fonte, segundo o Ato Declaratório n° 03 , de 07/01/1999.  9 Ressalta,  por  fim,  que  outros  empregados  que  participaram na mesma  época  do  mesmo Programa de Demissão Voluntária do Banco Citibank S/A obtiveram êxito em seus pleitos  tendo  a  Receita  Federal  adotado  entendimento  favorável  em  consonância  com  o  Parecer  PGFN/CRJ/N° 1278/98.  10  Constam  juntados  ao  processo:  Comprovante  de  Rendimentos  Pagos  e  de  Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fl. 11) e Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (fls.  12 e 13).  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10768.011115/2001­09  Acórdão n.º 2101­01.752  S2­C1T1  Fl. 2          3 Em seu apelo ao CARF, à fl. 54/56, a contribuinte reitera as mesmas questões  suscitadas perante o Órgão julgador a quo.   É o Relatório.  Voto             Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator.  O recurso atende os requisitos de admissibilidade.  A administração tributária já reconheceu o caráter indenizatório das parcelas  pagas por  adesão a programas de demissão voluntária. No mesmo sentido é a  jurisprudência  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  e  no  âmbito  do  Superior  Tribunal  de  Justiça.   Contudo, a verba rescisória paga por critérios subjetivos do empregador em  favor  de  determinados  funcionários  não  se  confunde  com  o  “PLANO  DE  DEMISSÕES  VOLUNTÁRIAS  ­  PDV”  e  outros  planos  de  demissão  incentivada.  É  essencial  para  a  caracterização  da  natureza  indenizatória  do  Programa  a  possibilidade  de  que  outros  funcionários,  na  mesma  situação  objetiva,  possam  dele  se  beneficiar.  Indenizações  direcionadas e destinadas a premiar determinados funcionários por sua excelente performance  têm natureza de rendimentos  tributáveis, consoante esclarece a missiva à  fl. 07. Confira­se o  seguinte trecho (verbis):  Informamos  que  o  Sra.  CIOMARA  R  M  DOS  SANTOS,  portador  da  carteira  profissional  n.9  0082794  série  00021,  foi  nosso  funcionário até 06 de Novembro de 1998,  tendo recebido  por  ocasião  de  sua  rescisão  do  contrato  de  trabalho,  o  valor  abaixo à  titulo de Gratificação Especial por  tempo de  trabalho  dentro  do  Programa  de  Indenização  Voluntária  (PIVO),  praticado  há  muitos  anos  por  este  Banco.  Este  programa  é  aplicável  a  funcionários  que  dentre  outros  requisitos,  tenham  apresentados  ao  longo  destes  anos  uma  excelente  performance.(grifos acrescidos)  É  evidente  que,  quando  se  trata  de  indenização,  a  empresa  não  escolhe  individualmente  a  quem  vai  pagar.  A  escolha  caracteriza  o  pagamento  como  prêmio,  sendo  irrelevante  o  nomem  juris  que  se  dê  a  tal  verba.  No  Termo  de  Rescisão  do  Contrato  de  Trabalho à fl. 12 o pagamento é efetuado a título de “gratificação especial”, parcela esta que  sofreu  incidência  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte.  Já  o  Comprovante  de  Rendimentos  expedido pela fonte pagadora, à fl. 26, indica referido valor como “indenização por demissão  voluntária”.  No  caso  concreto,  não  foram  apresentadas  as  cópias  do  PDV  adotado  pelo  empregador  e  do  Termo  de  Adesão  do  empregado,  documentos  indispensáveis  para  se  demonstrar a natureza da verba. Valores recebidos a título de incentivo à adesão de planos de  demissão  incentivada  informal,  vinculados  a  critérios  subjetivos  do  empregador,  representa  mera  liberalidade,  não  podendo  ser  confundido  com  o  chamado  Programa  de  Demissão  Voluntária ­ PDV, inane á tributação.   Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS     4 Com  relação  às  férias  indenizadas  no  Termo  de  Rescisão  do  Contrato  de  Trabalho, à fl. 12/13, verifica­se que a Secretaria da Receita Federal reconheceu ser indevida a  incidência tributária sobre este rendimento, através do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº  5,  de  27/04/2005,  publicada  em  28/04/2005,  para  os  valores  pagos  (em  pecúnia)  a  título  de  licença­prêmio e férias não gozadas, por necessidade do serviço. Confira­se:  Ato Declaratório  Interpretativo SRF nº 5, de 27 de abril de  2005 ­ DOU de 28.4.2005  Dispõe sobre a revisão de crédito tributário relativo ao Imposto  sobre a Renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a  título de licença­prêmio e férias não gozadas por necessidade do  serviço,  a  trabalhadores  em  geral  ou  a  servidores  públicos  e  determina  o  cancelamento  de  lançamento  no  caso  em  que  especifica.   O  SECRETÁRIO  DA  RECEITA  FEDERAL,  no  uso  da  atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento  Interno  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  aprovado  pela  Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista  o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de  julho  de  2002,  e  o  que  consta  no  processo  nº  10168.001185/2005­33,  e  considerando  que  a  Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional,  com base no art.  19,  II,  da Lei nº  10.522, de 19 de julho de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346,  de 10 de outubro de 1997, autorizou a dispensa de interposição  de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista  outro  fundamento  relevante  com  relação  às  decisões  que  afastaram a incidência do imposto de renda das pessoas físicas  sobre as verbas recebidas em face da conversão em pecúnia de  licença­prêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço,  por trabalhadores em geral ou por servidores públicos, por meio  dos seguintes pareceres e atos declaratórios:  I  ­  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  921/99,  aprovado  por  despacho  do  Ministro  da  Fazenda,  publicado  no  Diário  Oficial  da  União  (DOU) de 6 de agosto de 1999, e do Ato Declaratório PGFN nº  4, de 12 de agosto de 2002, publicado no DOU de 15 de agosto  de 2002;  II ­ Parecer PGFN/CRJ/Nº 1458/99, aprovado por despacho do  Ministro  da  Fazenda,  publicado  no  DOU  de  31  de  março  de  2000,  e  do  Ato  Declaratório  PGFN  nº  8,  de  12  de  agosto  de  2002, publicado no DOU de 15 de agosto de 2002; e  III ­ Parecer PGFN/CRJ/Nº 1905/2004, aprovado por despacho  do Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 18 de  fevereiro  de 2005, e do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 18 de fevereiro de  2005, publicado no DOU de 22 de fevereiro de 2005, declara:  Art.  1º Os Delegados  e  Inspetores  da Receita Federal  deverão  rever  de  ofício  os  lançamentos  referentes  ao  Imposto  sobre  a  Renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de  licença­prêmio  e  férias  não  gozadas,  por  necessidade  do  serviço,  a  trabalhadores  em geral ou a  servidor público,  desde  que  inexista qualquer outro  fundamento  relevante,  para  fins de  alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito tributário.  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10768.011115/2001­09  Acórdão n.º 2101­01.752  S2­C1T1  Fl. 3          5 Art.  2º  A  autoridade  julgadora,  nas  Delegacias  da  Receita  Federal de Julgamento, subtrairá a matéria de que trata o art. 1º  na  hipótese  de  crédito  tributário  já  constituído  cujo  processo  esteja pendente de julgamento.  Art.  3º  Fica  formalmente  revogado,  sem  a  interrupção  de  sua  força normativa, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 23, de  25 de agosto de 2004.  Já o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2005 dispôs sobre as hipóteses  nas quais se aplica o ADI­SRF nº 05/2005, dentre elas a  rescisão do contrato de  trabalho ou  exoneração. Vejamos:  Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 27 de abril de  2005 ­ DOU de 02.12.2005.  Dispõe sobre as hipóteses em que se aplica o Ato Declaratório  Interpretativo  SRF  nº  5,  de  27  de  abril  de  2005,  no  caso  de  revisão de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda  incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de férias  integrais  e  de  licença­prêmio  não  gozadas  por  necessidade  do  serviço, a trabalhadores em geral ou a servidores públicos.  O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição  que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da  Secretaria  da  Receita  Federal,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto nos §§  4º e 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e o  que consta no processo nº 10168.004133/2005­19, declara:  Art.  1º  O Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  nº  5,  de  27  de  abril de 2005, editado em decorrência do Parecer PGFN/CRJ/Nº  1905/2004, de 29 de novembro de 2004, tratou da não incidência  do  imposto  de  renda  somente  nas  hipóteses  de  pagamento  de  valores  a  título  de  férias  integrais  e  de  licença­prêmio  não  gozadas  por  necessidade  do  serviço  quando  da  aposentadoria,  rescisão  de  contrato  de  trabalho  ou  exoneração,  previstas  nas  Súmulas nos 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a  trabalhadores em geral ou a servidores públicos.  Art. 2º Sofrem a incidência do imposto de renda, prevista no art.  3º, §§ 1º e 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, e no art. 43, inciso III, do  Decreto  nº  3.000,  de  26  de  março  de  1999  ­  Regulamento  do  Imposto de Renda  (RIR/1999),  as demais  formas de pagamento  em pecúnia a título de férias e de licença­prêmio não gozadas.”  Referidos Atos Declaratórios Interpretativos tem por suporte as súmulas 125  e 136 do Superior Tribunal de Justiça. Vejamos:  Súmula  125  ­  O  pagamento  de  férias  não  gozadas  por  necessidade do serviço não está sujeito a incidência do imposto  de renda (D.J.U. de 15.12.94, página 34.815).  Súmula  136  ­ O pagamento  de  licença  prêmio  não  gozada por  necessidade  de  serviço  não  esta  sujeito  ao  imposto  de  renda  (D.J.U. de 17.05.95, página 13.740).” A então Consultoria Geral  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS     6 da  República,  hoje  Advocacia  Geral  da  União,  tem  sistematicamente reiterado:  Todo trabalhador tem direito ao gozo de férias, que deve ocorrer dentro dos  doze meses subseqüentes à sua aquisição. Como punição ao empregador que viola tal norma, a  CLT  impõe  o  pagamento  em  dobro  das  férias  não  gozadas.  É  óbvio  que  somente  por  necessidade do serviço tal fato pode ocorrer, devendo, portanto, tal parcela ser excluída da base  de  cálculo  do  imposto.  Da  mesma  forma,  após  o  período  aquisitivo  de  doze  meses,  o  empregado adquiri o direito às férias. Se estas não foram gozadas é razoável supor ou presumir  que  tal  fato  decorre  de  necessidade  do  serviço,  uma  vez  que  a  sua  concessão  depende,  exclusivamente, do empregador. Assim, o pagamento de valores a título de férias integrais, na  rescisão  do  contrato  de  trabalho  constitui  hipótese  de  não  incidência  do  imposto  de  renda,  sendo  certo  que  o  pagamento  de  férias  proporcionais  não  foram  albergados  nos  Atos  Declaratórios  acima  transcritos,  pois  o  contribuinte  sequer  havia  completado  o  período  aquisitivo para o seu gozo, não havendo que se falar em indenização que substituiu o direito às  férias.  As  decisões  deste  Conselho  têm  manifestado  o  mesmo  entendimento,  conforme ementa do Acórdão CSRF/01­03.256, de 20 de março de 2001:  IRPF ­ FÉRIAS ­ Os valores recebidos a título de férias, quando  indenizadas,  fato  que  constitui  presunção  no  sentido  de  que  houve necessidade de serviço, assumem natureza indenizatória e,  consequentemente,  não  são  alcançados  pela  incidência  do  imposto de renda.  Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para excluir da base  de cálculo o montante de R$11.564,00, relativo às férias integrais não gozadas, indicadas às fls.  12/13.  (assinado digitalmente)  José Raimundo Tosta Santos                              Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS

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Numero do processo: 13873.720296/2016-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.
Numero da decisão: 1201-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

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1201­002.786  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de março de 2019  Matéria  Obrigação Acessória  Recorrente  MUNÍCIPIO DE BOTUCATU  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2015  MULTA  POR  ATRASO  NO  CUMPRIMENTO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE  A  denúncia  espontânea  não  afasta  a  aplicação  da  multa  por  atraso  no  cumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias,  ainda  que  o  contribuinte  efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor  da  Súmula  CARF  nº  49:  “A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega de declaração”.  MULTA.  CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  ANÁLISE  DE  CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.  Não  pode  a  autoridade  lançadora  e  julgadora  administrativa,  invocando  o  princípio do não­confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo,  significaria  declarar,  incidenter  tantum,  a  inconstitucionalidade  da  lei  tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de  ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente  para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  em  conhecer  e  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  por  unanimidade.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  13873.720284/2016­01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente e Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 02 96 /2 01 6- 27 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13873.720296/2016­27  Acórdão n.º 1201­002.786  S1­C2T1  Fl. 3          2 Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Neudson Cavalcante  Albuquerque,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Allan  Marcel  Warwar  Teixeira,  Gisele  Barra  Bossa,  Efigênio  de  Freitas  Junior,  Breno  do  Carmo  Moreira  Vieira  (Suplente  convocado),  Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).    Relatório  Trata­se de processo administrativo decorrente de notificação de lançamento  lavrado para a cobrança de multa, no montante de R$ R$ 26.653,96, decorrente de atraso na  entrega da DCTF, referente ao mês de janeiro de 2015. A contribuinte teria entregue a referida  declaração apenas em 07/06/2016, com 16 meses de atraso.  Segundo consta na descrição dos fatos do Auto de Infração, a Declaração de  Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação  enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e  contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida  em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de  20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos”.  Devidamente intimada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento,  na qual afirma que o auto de  infração não merece prosperar,  seja em razão da ocorrência da  denúncia espontânea (artigo 138 do CTN), seja porque exige multa com caráter confiscatório e  desproporcional,  já  que  foi  calculada  com  base  em  percentual  dos  tributos  informados  na  declaração.  Em  sessão  de  11  de  setembro  de  2017,  a  4ª  Turma  da  DRJ/REC,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  impugnação,  nos  termos  do  voto  relator,  Acórdão nº 11­57.572, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis:  “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2015  ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.  O  sujeito  passivo  que  deixar  de  apresentar  Declaração  de  Débitos e Créditos Tributários Federais ­ DCTF, sujeitar­se­á a  multa especificada na legislação.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  RESPONSABILIDADE  POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de  obrigações  acessórias  depois  de  decorrido  o  prazo  legal  para  seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade  do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de  fato gerador de tributo.  Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13873.720296/2016­27  Acórdão n.º 1201­002.786  S1­C2T1  Fl. 4          3 INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  INCOMPETÊNCIA  PARA  APRECIAÇÃO  ­  OBRIGATORIEDADE  DO  CERTIFICADO DIGITAL E VALOR DA MULTA APLICADA.  As  autoridades  administrativas  são  obrigadas  a  observar  a  legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para  apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente  editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido”.  Cientificada da decisão  (AR de 11/10/2017), a Recorrente  interpôs Recurso  Voluntário  em  09/11/2017,  onde  reitera  as  razões  apresentadas  em  sede  impugnação  para  requerer o  afastamento  da multa  exigida considerando  a denúncia  espontânea  (artigo 138 do  CTN) e o efeito de confisco da exigência (vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição  Federal).   É o relatório.   Voto             Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator.   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1201­002.774,  de  20/03/2019,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  13873.720284/2016­ 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201­002.774):  O  Recurso  Voluntário  interposto  é  tempestivo  e  cumpre  os  demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele  tomo conhecimento e passo a apreciar.  Questões de Mérito  I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 49  Conforme exposto no relatório, a exigência em questão refere­se  a multa decorrente de atraso na apresentação de Declaração de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  referente  a  janeiro  de  2014.  A  Recorrente  não  cumpriu  o  prazo  do  dia  25/03/2014  e  apresentou a declaração apenas em 07/06/2016.  Em  sede  recursal,  a  Recorrente  afirma  que  apresentou  a  declaração  de  forma  espontânea,  antes  de  qualquer  manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a  exclusão  de  qualquer  penalidade.  Para  corroborar  sua  alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina.  Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13873.720296/2016­27  Acórdão n.º 1201­002.786  S1­C2T1  Fl. 5          4 De  antemão,  vale  registrar  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive,  é objeto da Súmula CARF nº 49:  “A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na  entrega  de  declaração.  (Vinculante,  conforme  Portaria MF  nº  277,  de  07/06/2018,  DOU  de  08/06/2018)”.  (Grifos  nossos).  A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o  benefício  da  denúncia  espontânea,  previsto  no  artigo  138  do  CTN,  para  afastar  penalidade  decorrente  de  atraso  na  entrega  de declaração.   Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis:  “MULTA  POR  ATRASO  NO  CUMPRIMENTO.  EFEITOS  DA  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  IMPOSSIBILIDADE.  APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.  A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por  atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias.  Aplicação  da  Súmula  CARF  nº.  49.  Assim,  impossível  aplicar­se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de  multa  por  entrega  de  FCONT  em  atraso”.  (Processo  nº 13770.002101/2007­21,  Acórdão  nº  1001000.973,  Turma  Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de setembro de 2018)  “DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49  Ainda  que  o  contribuinte  efetue  a  regularização  da  entrega  de obrigação acessória (DIF­Papel Imune) antes de iniciado  procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia  espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do  STJ.  Existência  de  súmula  desse  Colegiado,  o  que  impede  decisão em contrário.”  (Processo nº 19515.000850/2005­59,  Acórdão nº 3401004.461, 4ª Câmara  / 1ª Turma Ordinária /  3ª Seção, Sessão de 22 de março de 2018)  Assim,  como  situação  fática  apresentada  nos  presentes  autos  configura a hipótese  tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa  exigida (fl. 17) no lançamento deve ser mantida.  II. Da Alegação do Caráter Confiscatório da Multa  Outro  argumento  manifesto  pela  Recorrente  é  o  do  caráter  confiscatório  da multa  exigida,  o  que  seria  vedado pelo  artigo  150, inciso IV, da Constituição Federal. Alega que o cálculo da  exigência, a partir de percentual do valor declarado, é ilógico e  que deveria ter sido aplicado o princípio da proporcionalidade.  Em que pese a inconformidade da Recorrente, cumpre consignar  que a exigência da multa está compreendida no artigo 7º da Lei  nº 10.426/2002.  E,  em  análise  da  composição  da  exigência,  Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.720296/2016­27  Acórdão n.º 1201­002.786  S1­C2T1  Fl. 6          5 constatei  que  a  autoridade  fiscal  realizou  o  lançamento  corretamente e de acordo com o dispositivo mencionado.  O  argumento  da  Recorrente  caracteriza  a  arguição  de  inconstitucionalidade  dos dispositivos  legais  que dão  suporte  à  penalidade  aplicada  e,  a  respeito,  não  cabe  à  Administração  Pública afastar a legislação vigente.  Isso  ocorrendo,  significaria  declarar,  incidenter  tantum,  a  inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base  legal  do  lançamento.  Ora,  como  é  cediço,  somente  os  órgãos  judiciais tem esse poder.   Essa  é  a  diretriz  da  Súmula  CARF  nº  2:  "O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei tributária".  Conclusão   Diante  do  exposto,  VOTO  no  sentido  de  CONHECER  do  RECURSO interposto e, no mérito, NEGAR­LHE provimento.   É como voto.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, VOTO no sentido  de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGAR­LHE provimento      (assinado digitalmente)    Lizandro Rodrigues de Sousa                            Fl. 63DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.721115/2017-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. DILIGÊNCIA. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS EMPREGADOS COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS INDEPENDENTEMENTE DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A Lei n.º 10.101 não veda a possibilidade de pagamento simultâneo de PLR, independentemente de compensação, com base em mais de um instrumento negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio. A lei específica apenas faculta a compensação, a teor da decisão a que chegar a negociação coletiva, conforme livre liberdade negocial, não apresentando proibição, prevalecendo a máxima do direito privado de que tudo que não é vedado resta permitido. A concomitância está, portanto, autorizada, devendo-se respeitar as demais disposições da legislação de regência. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA FOCADA EM ÍNDICE DE LUCRATIVIDADE FIRMADA NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO, ANTES DA APURAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. Focando-se o instrumento negocial na integração entre capital e trabalho, sendo lastreado, especialmente, no inciso I do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando índice de lucratividade (e não no resultado), inclusive prevendo que se inexistir o lucro não será devida qualquer parcela, deve-se compreender que atendeu o requisito do ajuste prévio a negociação finalizada razoavelmente antes de apurado o lucro ou prejuízo. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS. Focando-se o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, deve-se compreender que não atende o requisito do ajuste prévio a negociação subscrita e definitivamente formalizada em data muito avançada em relação ao período aquisitivo (últimos dias do mês de dezembro). Enquanto isso, sendo assinado em meados no exercício (agosto), ainda em tempo razoável para o fim do exercício, mostra-se hígido, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo prévio de negociação. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. LEI N.º 10.101/2000. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, para os fins da Lei n.º 10.101/2000, enquanto direito social, pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao seu pagamento. Exige, por isso, a lei que as regras sejam claras e objetivas. Não perderá sua clareza, nem se desconsiderará o livremente pactuado coletivamente, o fato de se remeter outros detalhamentos e especificidades para documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva, esclarecendo-se as premissas do procedimento de complementação e dela tenha participado a representação sindical. A complementação das metas por meio de documento apartado, complementar, acessório, por si só, não inviabiliza a condução da PLR. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. PREVISÃO DE PARCELA MÍNIMA. PREVISÃO DE VALOR FIXO. POSSIBILIDADE. A previsão de um valor mínimo ou de valor fixo não desvirtua a PLR, quando for moderada a sua previsão (em valor ínfimo) e quando não estiver condicionada a ausência de alcance de qualquer índice ou meta, mas sim objetive assegurar um mínimo de valor a ser recebido como garantia ao trabalhador, respeitando o direito social que lhe é outorgado. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. INEXISTÊNCIA DE LIMITES E DE VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. A participação nos lucros, ou resultados, na forma da legislação específica não se vincula ao salário, sendo independente e autônoma, deste modo efetivando a fiscalização cálculos comparativos aleatórios e assistemáticos para comparar salário x PLR não prevalece a motivação de substituição da remuneração, sem que existam outros elementos, inclusive eventual apontamento quanto a violação do plano acordado. Em nenhum momento a Lei n.º 10.101 tratou de limites mínimos ou máximos e, em verdade, buscou a integração capital e trabalho com a partilha de lucros, os quais possuem variação a cada exercício social. PAGAMENTO DE PLR AO DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI 10.101. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, devidamente informado em GFIP, DIRF, DIPJ, contabilidade e outros, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, inclusive, deste modo, poderia receber PLR na forma da Lei 10.101, como qualquer outro empregado, devendo-se observância ao teor da referida legislação. Caso a lei específica não seja observada em seus parâmetros norteadores, cabe a fiscalização afastar o plano e lançar os valores pagos ao segurado empregado. Se o auto de infração é lavrado considerando os diretores empregados como contribuintes individuais, sem afastar o vínculo de subordinação, resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para afastar a condição de empregados, especialmente diante de existência de Solução de Consulta prevendo a possibilidade de existir o Diretor Empregado, que mantenha as características inerentes a relação de emprego, sob pena de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). É necessário que a fiscalização aponte os elementos concretos, objetivos, necessários a afastar o vínculo de subordinação. SALÁRIO INDIRETO. GRATIFICAÇÃO. DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, deste modo se o auto de infração, por valores recebidos a título de gratificação, é lavrado considerando-o como contribuinte individual e não tendo sido afastado o vínculo de subordinação resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para se afastar a condição de empregados. Precisava a fiscalização apontar os elementos concretos, objetivos, que levava a afastar o vínculo de subordinação, o vínculo de emprego.
Numero da decisão: 2202-005.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencidos os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Martin da Silva Gesto, que a encaminhou. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os pagamentos a título de PLR baseados nas "convenções coletivas" relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados - fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014"; os pagamentos a título de PLR baseados no acordo coletivo de 2012 relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados - fevereiro de 2013, março de 2013"; os pagamentos a título de PLR de Administradores (PLA) contribuintes individuais; e os pagamentos a título de Gratificação aos Administradores contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento integral ao recurso, e o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão. Votou pelas conclusões, no que diz respeito aos pagamentos efetuados aos diretores empregados, o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencidos os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Martin da Silva Gesto, que a encaminhou. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os pagamentos a título de PLR baseados nas "convenções coletivas" relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados - fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014"; os pagamentos a título de PLR baseados no acordo coletivo de 2012 relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados - fevereiro de 2013, março de 2013"; os pagamentos a título de PLR de Administradores (PLA) contribuintes individuais; e os pagamentos a título de Gratificação aos Administradores contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento integral ao recurso, e o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão. Votou pelas conclusões, no que diz respeito aos pagamentos efetuados aos diretores empregados, o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. DILIGÊNCIA. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS EMPREGADOS COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS INDEPENDENTEMENTE DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A Lei n.º 10.101 não veda a possibilidade de pagamento simultâneo de PLR, independentemente de compensação, com base em mais de um instrumento negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio. A lei específica apenas faculta a compensação, a teor da decisão a que chegar a negociação coletiva, conforme livre liberdade negocial, não apresentando proibição, prevalecendo a máxima do direito privado de que tudo que não é vedado resta permitido. A concomitância está, portanto, autorizada, devendo-se respeitar as demais disposições da legislação de regência. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA FOCADA EM ÍNDICE DE LUCRATIVIDADE FIRMADA NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO, ANTES DA APURAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. Focando-se o instrumento negocial na integração entre capital e trabalho, sendo lastreado, especialmente, no inciso I do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando índice de lucratividade (e não no resultado), inclusive prevendo que se inexistir o lucro não será devida qualquer parcela, deve-se compreender que atendeu o requisito do ajuste prévio a negociação finalizada razoavelmente antes de apurado o lucro ou prejuízo. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS. Focando-se o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, deve-se compreender que não atende o requisito do ajuste prévio a negociação subscrita e definitivamente formalizada em data muito avançada em relação ao período aquisitivo (últimos dias do mês de dezembro). Enquanto isso, sendo assinado em meados no exercício (agosto), ainda em tempo razoável para o fim do exercício, mostra-se hígido, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo prévio de negociação. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. LEI N.º 10.101/2000. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, para os fins da Lei n.º 10.101/2000, enquanto direito social, pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao seu pagamento. Exige, por isso, a lei que as regras sejam claras e objetivas. Não perderá sua clareza, nem se desconsiderará o livremente pactuado coletivamente, o fato de se remeter outros detalhamentos e especificidades para documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva, esclarecendo-se as premissas do procedimento de complementação e dela tenha participado a representação sindical. A complementação das metas por meio de documento apartado, complementar, acessório, por si só, não inviabiliza a condução da PLR. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. PREVISÃO DE PARCELA MÍNIMA. PREVISÃO DE VALOR FIXO. POSSIBILIDADE. A previsão de um valor mínimo ou de valor fixo não desvirtua a PLR, quando for moderada a sua previsão (em valor ínfimo) e quando não estiver condicionada a ausência de alcance de qualquer índice ou meta, mas sim objetive assegurar um mínimo de valor a ser recebido como garantia ao trabalhador, respeitando o direito social que lhe é outorgado. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. INEXISTÊNCIA DE LIMITES E DE VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. A participação nos lucros, ou resultados, na forma da legislação específica não se vincula ao salário, sendo independente e autônoma, deste modo efetivando a fiscalização cálculos comparativos aleatórios e assistemáticos para comparar salário x PLR não prevalece a motivação de substituição da remuneração, sem que existam outros elementos, inclusive eventual apontamento quanto a violação do plano acordado. Em nenhum momento a Lei n.º 10.101 tratou de limites mínimos ou máximos e, em verdade, buscou a integração capital e trabalho com a partilha de lucros, os quais possuem variação a cada exercício social. PAGAMENTO DE PLR AO DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI 10.101. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, devidamente informado em GFIP, DIRF, DIPJ, contabilidade e outros, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, inclusive, deste modo, poderia receber PLR na forma da Lei 10.101, como qualquer outro empregado, devendo-se observância ao teor da referida legislação. Caso a lei específica não seja observada em seus parâmetros norteadores, cabe a fiscalização afastar o plano e lançar os valores pagos ao segurado empregado. Se o auto de infração é lavrado considerando os diretores empregados como contribuintes individuais, sem afastar o vínculo de subordinação, resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para afastar a condição de empregados, especialmente diante de existência de Solução de Consulta prevendo a possibilidade de existir o Diretor Empregado, que mantenha as características inerentes a relação de emprego, sob pena de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). É necessário que a fiscalização aponte os elementos concretos, objetivos, necessários a afastar o vínculo de subordinação. SALÁRIO INDIRETO. GRATIFICAÇÃO. DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, deste modo se o auto de infração, por valores recebidos a título de gratificação, é lavrado considerando-o como contribuinte individual e não tendo sido afastado o vínculo de subordinação resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para se afastar a condição de empregados. Precisava a fiscalização apontar os elementos concretos, objetivos, que levava a afastar o vínculo de subordinação, o vínculo de emprego.

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A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos  trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para  proferir  a  decisão  sobre  as  questões  controvertidas  no  processo,  principalmente  quando  os  fundamentos  expressamente  adotados  são  suficientes  para  afastar  a  pretensão  da  parte  recorrente  e  arrimar  juridicamente o posicionamento adotado.  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a  alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade  lançadora  indicou  expressamente  a  infração  imputada  ao  sujeito  passivo  e  propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base  na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade  administrativa é privativa, competindo­lhe constituir o crédito tributário com  a aplicação da penalidade prevista na lei.  DILIGÊNCIA.  A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser  produzida  por  uma  das  partes,  ou  que  o  fato  a  ser  provado  necessite  de  conhecimento  técnico especializado,  fora do campo de atuação do  julgador.  Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que  considerar prescindíveis ou impraticáveis.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 15 /2 01 7- 45 Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.441          2 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS EMPREGADOS  COM  BASE  EM  INSTRUMENTOS  DISTINTOS  INDEPENDENTEMENTE DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.  A Lei n.º 10.101 não veda a possibilidade de pagamento simultâneo de PLR,  independentemente de compensação,  com base em mais de um  instrumento  negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio.  A lei específica apenas faculta a compensação, a teor da decisão a que chegar  a  negociação  coletiva,  conforme  livre  liberdade  negocial,  não  apresentando  proibição, prevalecendo a máxima do direito privado de que tudo que não é  vedado resta permitido. A concomitância está, portanto, autorizada, devendo­ se respeitar as demais disposições da legislação de regência.  PAGAMENTO  DE  PLR  AOS  EMPREGADOS  COM  BASE  EM  CONVENÇÃO  COLETIVA  FOCADA  EM  ÍNDICE  DE  LUCRATIVIDADE FIRMADA NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO,  ANTES DA APURAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE.  Focando­se  o  instrumento  negocial  na  integração  entre  capital  e  trabalho,  sendo lastreado, especialmente, no inciso I do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101,  objetivando índice de lucratividade (e não no resultado),  inclusive prevendo  que  se  inexistir  o  lucro  não  será  devida  qualquer  parcela,  deve­se  compreender que atendeu o requisito do ajuste prévio a negociação finalizada  razoavelmente antes de apurado o lucro ou prejuízo.  PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM ACORDO  COLETIVO  FOCADO  EM  RESULTADOS  FIRMADO  NO  CURSO  DO  PERÍODO  AQUISITIVO.  ANÁLISE  CONCRETA  QUANTO  A  RAZOABILIDADE  AO  CONHECIMENTO  PRÉVIO  PARA  O  CUMPRIMENTO DE METAS.  Focando­se  o  instrumento  negocial  no  incentivo  à  produtividade,  sendo  lastreado,  especialmente,  no  inciso  II  do  §  1.º  do  art.  2.º  da  Lei  10.101,  objetivando  programa  de  metas  e  resultados  (e  não  o  lucro),  inclusive  prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, deve­se compreender que  não  atende  o  requisito  do  ajuste  prévio  a  negociação  subscrita  e  definitivamente formalizada em data muito avançada em relação ao período  aquisitivo (últimos dias do mês de dezembro). Enquanto isso, sendo assinado  em meados  no  exercício  (agosto),  ainda  em  tempo  razoável  para  o  fim  do  exercício, mostra­se hígido,  sendo possível perseguir as metas  e  imputar ao  negociado os resultados já alcançados face ao processo prévio de negociação.  PAGAMENTO  DE  PLR  AOS  EMPREGADOS.  REGRAS  CLARAS  E  OBJETIVAS.  LEI  N.º  10.101/2000.  DOCUMENTAÇÃO  COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE.  O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, para os  fins  da  Lei  n.º  10.101/2000,  enquanto  direito  social,  pretende  privilegiar  a  livre  negociação  entre  as  partes  na  fixação  das  regras  atinentes  ao  seu  pagamento. Exige, por isso, a lei que as regras sejam claras e objetivas. Não  perderá  sua  clareza,  nem  se  desconsiderará  o  livremente  pactuado  coletivamente,  o  fato  de  se  remeter  outros  detalhamentos  e  especificidades  para  documento  apartado,  desde  que  haja menção  ao mesmo  no  acordo  ou  convenção  coletiva,  esclarecendo­se  as  premissas  do  procedimento  de  Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.442          3 complementação  e  dela  tenha  participado  a  representação  sindical.  A  complementação das metas por meio de documento apartado, complementar,  acessório, por si só, não inviabiliza a condução da PLR.  PAGAMENTO  DE  PLR  AOS  EMPREGADOS.  LEI  N.º  10.101/2000.  PREVISÃO  DE  PARCELA  MÍNIMA.  PREVISÃO  DE  VALOR  FIXO.  POSSIBILIDADE.  A  previsão  de  um  valor  mínimo  ou  de  valor  fixo  não  desvirtua  a  PLR,  quando for moderada a sua previsão (em valor ínfimo) e quando não estiver  condicionada  a  ausência  de  alcance  de  qualquer  índice  ou  meta,  mas  sim  objetive  assegurar  um  mínimo  de  valor  a  ser  recebido  como  garantia  ao  trabalhador, respeitando o direito social que lhe é outorgado.   PAGAMENTO  DE  PLR  AOS  EMPREGADOS.  LEI  N.º  10.101/2000.  INEXISTÊNCIA DE LIMITES E DE VINCULAÇÃO AO SALÁRIO.  A  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  na  forma da  legislação  específica  não  se  vincula  ao  salário,  sendo  independente  e  autônoma,  deste  modo  efetivando  a  fiscalização  cálculos  comparativos  aleatórios  e  assistemáticos  para  comparar  salário  x PLR  não prevalece a motivação de  substituição  da  remuneração,  sem  que  existam  outros  elementos,  inclusive  eventual  apontamento quanto a violação do plano acordado. Em nenhum momento a  Lei n.º 10.101 tratou de limites mínimos ou máximos e, em verdade, buscou a  integração  capital  e  trabalho  com  a  partilha  de  lucros,  os  quais  possuem  variação a cada exercício social.  PAGAMENTO  DE  PLR  AO  DIRETOR  ESTATUTÁRIO  EMPREGADO.  NÃO  OBSERVÂNCIA  DA  LEI  10.101.  SUBORDINAÇÃO  JURÍDICA  NÃO  AFASTADA.  MANUTENÇÃO  DO  VÍNCULO  DE  EMPREGO.  QUALIFICAÇÃO  COMO  SEGURADO  EMPREGADO.  LANÇAMENTO  COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE.  O  diretor  estatutário  contratado  com  vínculo  empregatício,  devidamente  informado  em GFIP, DIRF, DIPJ,  contabilidade  e outros,  que  não  tenha  as  características  inerentes  à  relação  de  emprego  descaracterizadas  pela  fiscalização,  é  segurado  obrigatório  da  previdência  social  na  qualidade  de  empregado,  inclusive,  deste  modo,  poderia  receber  PLR  na  forma  da  Lei  10.101, como qualquer outro empregado, devendo­se observância ao teor da  referida  legislação.  Caso  a  lei  específica  não  seja  observada  em  seus  parâmetros norteadores, cabe a fiscalização afastar o plano e lançar os valores  pagos ao segurado empregado. Se o auto de infração é lavrado considerando  os  diretores  empregados  como  contribuintes  individuais,  sem  afastar  o  vínculo de subordinação,  resta deficiente a motivação, não sendo possível a  manutenção  do  lançamento.  O  só  fato  da  fiscalização  informar  que  os  diretores  estatutários  possuem  poderes  de  Administração  não  é  motivo  suficiente  para  afastar  a  condição  de  empregados,  especialmente  diante  de  existência  de  Solução  de  Consulta  prevendo  a  possibilidade  de  existir  o  Diretor  Empregado,  que mantenha  as  características  inerentes  a  relação  de  emprego,  sob  pena  de  comportamento  contraditório  (venire  contra  factum  proprium).  É  necessário  que  a  fiscalização  aponte  os  elementos  concretos,  objetivos, necessários a afastar o vínculo de subordinação.  Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.443          4 SALÁRIO  INDIRETO.  GRATIFICAÇÃO.  DIRETOR  ESTATUTÁRIO  EMPREGADO.  SUBORDINAÇÃO  JURÍDICA  NÃO  AFASTADA.  MANUTENÇÃO  DO  VÍNCULO  DE  EMPREGO.  QUALIFICAÇÃO  COMO  SEGURADO  EMPREGADO.  LANÇAMENTO  COMO  CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE.  O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, que não tenha as  características  inerentes  à  relação  de  emprego  descaracterizadas  pela  fiscalização,  é  segurado  obrigatório  da  previdência  social  na  qualidade  de  empregado, deste modo se o auto de infração, por valores recebidos a título  de gratificação, é lavrado considerando­o como contribuinte individual e não  tendo sido afastado o vínculo de subordinação resta deficiente a motivação,  não  sendo possível  a manutenção  do  lançamento. O  só  fato  da  fiscalização  informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não  é motivo  suficiente  para  se  afastar  a  condição  de  empregados.  Precisava  a  fiscalização apontar os elementos concretos, objetivos, que levava a afastar o  vínculo de subordinação, o vínculo de emprego.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  proposta  de  realização  de  diligência,  vencidos  os  conselheiros  Rorildo  Barbosa  Correia  e  Martin  da  Silva  Gesto,  que  a  encaminhou.  Acordam,  ainda,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  excluir  do  lançamento  os  pagamentos  a  título  de  PLR  baseados  nas  "convenções  coletivas"  relacionado  a  rubrica  "Participação  nos  Lucros  ou  Resultados de Empregados ­  fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013,  fevereiro de  2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014"; os pagamentos a título de PLR baseados no acordo  coletivo de 2012 relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados  ­ fevereiro de 2013, março de 2013"; os pagamentos a título de PLR de Administradores (PLA)  contribuintes  individuais;  e  os  pagamentos  a  título  de  Gratificação  aos  Administradores  contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento  integral ao recurso, e o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em  menor  extensão. Votou  pelas  conclusões,  no  que  diz  respeito  aos  pagamentos  efetuados  aos  diretores empregados, o conselheiro Ronnie Soares Anderson.    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  de  Sousa  Sateles,  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,  Ludmila  Mara  Monteiro  de  Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha  de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes  Chieregatto.  Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.444          5 Relatório  Cuida­se, o caso versando, de Recurso Voluntário  (e­fls. 1.322/1.411),  com  efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6  de  março  de  1972,  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo  fiscal  ―,  interposto  pelo  recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com  a  decisão  de  primeira  instância  (e­fls.  1.297/1.312),  proferida  em  sessão  de  19/10/2018,  consubstanciada no Acórdão n.º 01­35.783, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em  Belém/PA  (DRJ/BEL),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  à  impugnação  (e­fls.  705/785),  mantendo  integralmente  o  crédito  tributário  lançado (e­fls. 639/646 e 648/653) no valor de R$ 74.864.189,80 (setenta e quatro milhões e  oitocentos e sessenta e quatro mil e cento e oitenta e nove reais e oitenta centavos, e­fl. 693),  cujo acórdão restou assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014   CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS  LUCROS  E  RESULTADO.  NÃO  INCIDÊNCIA  CONDICIONADA  AO  ATENDIMENTO  DOS  REQUISITOS  LEGAIS.  A  Participação  nos  Lucros  e  Resultado  tem  como  objetivo  estimular  a  produtividade  dos  trabalhadores,  para  isso  é  necessário  que  eles  tenham  conhecimento  das  regras  que  resultarão  neste  benefício,  como  condição  para  promover  um  esforço  adicional  para  alcançar  a  meta  estabelecida.  Nesse  contexto,  há  uma  preclusão  lógica  temporal  assinar  acordos  coletivos no  final do ano para orientar  e estimular a produção  dos  trabalhadores  durante  o  ano  que  já  se  passou.  O  não  cumprimento de todos os termos exigidos pela lei específica que  regula  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  é  condição  suficiente  para  a  não  fruição  da  isenção  de  contribuições  previdenciárias sobre essas verbas.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL. CONJUNTO PROBATÓRIO.  O êxito das alegações contidas na impugnação está diretamente  ligado  ao  conjunto  probatório  existente  nos  autos  e  em  sua  conformidade  com  as  exigências  contidas  na  legislação  tributária,  de  forma  a  não  deixar  dúvida  em  relação  à  fidedignidade dos fatos alegados.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Do lançamento fiscal  A  essência  e  as  circunstâncias  do  lançamento,  no  Procedimento  Fiscal  n.º  0816600.2016.00253, para fatos geradores ocorridos entre 01/02/2013 a 31/12/2014, com auto  de  infração  lavrado  em  18/12/2017  (e­fls.  639/646  e  648/653),  notificado  o  contribuinte  em  20/12/2017  (e­fls.  693/694),  com  Relatório  Fiscal  juntado  aos  autos  (e­fls.  655/691),  foram  bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a  adotá­lo:  Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.445          6   Trata­se  de  Impugnação  em  resistência  aos  Autos  de  Infração,  abaixo  discriminados,  lavrados  em  face  do  Interessado,  já  qualificado  nos  autos,  em  procedimento  de  verificação  do  cumprimento  de  obrigações  tributárias  relativas  às  Contribuições  Previdenciárias  e  de  Terceiros  (destinadas  para  outras  entidades  e  fundos)  incidentes  sobre  as  remunerações  de  Segurados  Empregados  e  Contribuintes  Individuais  filiados  ao  Regime  Geral  de  Previdência  Social  ­  RGPS.    Auto de Infração referente às Contribuições Previdenciárias  e GILRAT, no montante de R$ 70.389.125,79.    Auto  de  Infração  relativo  às  Contribuições  destinadas  ao  FNDE  (Salário  Educação)  e  ao  INCRA,  no  valor  total  de  R$  4.475.064,01.    Notícia o Relatório Fiscal, fls. 655/691, que:    Os fatos que ensejaram os lançamentos tributários foram os  pagamentos  realizados  a  título  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  ­  PLR  a  Segurados  Empregados  e  Contribuintes  Individuais (Administradores) e gratificações a Administradores  (Contribuintes  Individuais),  em  desacordo  com  a  legislação  específica. O Interessado forneceu informações sobre os valores,  posteriormente  confirmadas  em  sua  contabilidade  e  folhas  de  pagamento.    Após incursionar pela legislação que regula a Participação  nos Lucros e Resultados conclui a peça fiscal que é imperioso o  estabelecimento prévio de indicadores para o pagamento da PLR  a  partir  de  uma  negociação  entre  o  empregador  e  seus  empregados,  com  a  necessária  participação  do  sindicato  da  categoria.    A exclusão da tributação sobre o pagamento dessas verbas  depende  do  preenchimento  dos  requisitos  estabelecidos  na  Lei  10.101/2000.    Analisa  algumas  cláusulas  das  Convenções  Coletivas  de  Trabalho sobre a PLR de 02/10/2012, 18/10/2013 e 13/10/2014  para sustentar que os valores pagos não são compensados com  quaisquer outro instrumento e, ainda que o fossem, só o seriam  parcialmente,  uma  vez  que  há  uma  parcela  de  valor  fixo  não­ compensável  previstas  nas  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  que tratam da PLR.    Aduz que a empresa utiliza dois instrumentos contemplando  os mesmos empregados sem haver compensação entre eles, o que  contraria  o  Acórdão  CARF  n.º  2401­02.250  ­  4.ª  Câmara/1.ª  Turma Ordinária e a Lei 10.101/2000.    Constatou  que  todas  as  convenções  coletivas  de  trabalho  que tratam de PLR foram elaboradas após o início do período a  que  se  referem  os  lucros  e  os  resultados,  em  contrariedade  às  exigências legais, de forma que durante quase todos os anos os  empregados desconheciam os requisitos a que deveriam atender  para fazer jus a PLR, não se configurando, assim, em estímulo à  produtividade. "A Convenção Coletiva que trata da PLR relativa  ao exercício de 2012 só foi assinada em 02/10/2012, a que trata  da  PLR  relativa  ao  exercício  de  2013  só  foi  assinada  em  18/10/2013 e a referente ao exercício de 2014 só foi assinada em  13/10/2014". Tal  fato  também ocorreu em relação aos Acordos  Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.446          7 Coletivos  de Trabalho  que  versavam  sobre PLR  celebrados  em  10/08/2012, 17/12/2013 e 11/12/2014.    Afirma que nos Acordos Coletivos de Trabalho, no que diz  respeito ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados,  não  existe  uma  regra  sequer  quanto  à  fixação dos  direitos  dos  empregados,  tanto  quanto  a  índices  de  lucros,  quanto  a  metas  individuais. Até menciona metas quantitativas e qualitativas, sem  defini­las.  A  única  regra  clara  é  a  obrigatoriedade  de  negociação individual de cada empregado com sua chefia, sem a  participação do sindicato.    Transcreve cláusulas dos Acordos Coletivos de 10/08/2012,  17/12/2013  e  de  11/12/2014  para  demonstrar  que  independentemente  do  cargo  ocupado  pelo  empregado  e  do  percentual de meta atingido, mesmo que seja zero, é assegurado  um valor fixo mínimo de PLR. "Se o empregado jamais deixa de  receber  valor  referente  à  participação  nos  lucros  e  resultados,  uma vez que  existe um valor  fixo mínimo,  trata­se  tal verba na  verdade de uma gratificação, bonificação ou outro nome que se  queira  denominar,  menos  de  PLR".  Destaca  que  a  PLR  não  substitui  ou  complementa  a  remuneração  devida  a  qualquer  empregado, conforme norma contida na Lei 10.101/00.    Discorre  sobre  o  pagamento  de  remunerações  feitas  por  meio  de  PLR.  A  partir  da  análise  das  folhas  de  pagamento  constatou várias ocorrências de pagamento de PLR em valores  que  excedem  o  salário  mensal  do  próprio  empregado.  Há  situações  em  que  o  valor  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  excede  em  mais  de  vinte  vezes  o  salário  do  funcionário.  "Quando  a  suposta  'participação  nos  lucros  ou  resultados' paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e  é tão ou mais relevante do que o próprio salário base contratado  com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de  remuneração".    No  que  diz  respeito  à  participação  e  gratificação  dos  Administradores  de  uma  sociedade  anônima,  como  é  o  Interessado,  argumenta,  com  base  na  Lei  6.404,  de  15  de  dezembro  de  1976,  que  o  pagamento  dessa  verba  é  uma  faculdade da empresa e que referida lei não desvincula tal verba  da  remuneração  e  não  determina  que  sobre  ela  não  haverá  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Conforme  interpretação  de  dispositivos  da  Lei  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  sustenta  que  todos  os  rendimentos  recebidos  pelos  contribuintes  individuais  compõem  o  salário  de  contribuição,  base  de  cálculo  das  Contribuições  Previdenciárias,  admitida  apenas  as  exclusões  contidas  no  §  9.º,  art.  28  dessa  lei  previdenciária.    Tece  comentários  sobre  a  diferença  entre  a  participação  nos  lucros  pagas  a  contribuintes  individuais  e  aquela  paga  a  empregados,  para  sustentar  que  a  PLR  desvinculada  da  remuneração  é  restrita  aos  segurados  empregados,  se  em  conformidade  com  a  Lei  10.101/2000.  Situação  diferente  da  participação paga ao contribuinte individual, que é considerada  base de incidência das contribuições previdenciárias por falta de  previsão  legal  de  não  incidência,  em  razão  disso  será  sempre  tributada.  Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.447          8   Estabelece  também a  diferenciação  entre  participação nos  lucros  com  os  dividendos,  estes  independem  de  qualquer  trabalho  para  auferi­lo,  pois  representa  a  remuneração  do  capital investido. Por sua vez, a participação nos lucros é paga  em  retribuição  aos  serviços  prestados  à  Companhia,  fato  gerador de Contribuições Previdenciárias.    Informa  que  nas  declarações  entregues  à  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil o Interessado classifica seus diretores  como  empregados.  Sustenta  que  "a  existência  ou  não  de  contratos de trabalho na modalidade emprego, celebrados entre  a  empresa  e  os  diretores,  não  os  afasta  da  condição  de  administradores  do  banco"  e  não  lhe  concede  o  direito  de  usufruir da dedução permitida pela Lei 10.101/2000.    Em resposta à intimação fiscal o Interessado informou que  não  foram  pagos  dividendos,  somente  juros  sobre  o  capital  próprio.    Relata que os diretores estatutários receberam participação  nos lucros e resultados nas modalidades: Pagamento em espécie  e pagamento em ações. Já o pagamento a título de gratificações  aos administradores foram pagos em espécie, conforme registros  nas folhas de pagamento.    No item 8.1 do Relatório Fiscal são listados os documentos  que serviram de base para os lançamentos tributários.  Da Impugnação ao lançamento  O  contencioso  administrativo  teve  início  com  a  impugnação  efetivada  pelo  recorrente,  em 18/01/2018  (e­fls. 702/785),  a qual delimitou os contornos da  lide. Em suma,  controverteu­se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na  decisão vergastada, pelo que replico, litteris:    O  Interessado,  devidamente  citado,  impugna o  lançamento  tributário,  fls.  705/785,  com  base  nos  argumentos  a  seguir  relatados.    Em  sede  de  preliminar  requer  a  nulidade  do  Auto  de  Infração  das  Contribuições  devidas  a  Terceiros  por  não  observância  do  limite  de  20  salários  mínimos  das  bases  de  cálculos,  conforme  determinação  contida  no  art.  4.º  da  Lei  6.950/81, que permanece intacto, pois o Decreto­Lei n.º 2.318/86  revogou o limite de 20 salários mínimos tão somente em relação  as  contribuições  previdenciárias  da  empresa.  Em  outras  palavras,  o  cálculo  das  contribuições  destinadas  a  terceiros  permanece  limitado  a  vinte  salários  mínimos,  o  que  não  foi  observado pela Autoridade Fiscal.    Outra  nulidade  defendida  pelo  Impugnante  diz  respeito  a  ocorrência de duplicidade na apuração da base de  cálculo das  Contribuições  Previdenciárias,  uma  vez  que  nos  meses  de  fevereiro  e  agosto  de  2014  foram  pagos  gratificações  a  empregados/diretores  e  em  abril  e  agosto  de  2014  a  PLR  aos  mesmos empregados/diretores, conforme tabela apresentada, fls.  713,  in  fine,  e  714.  "Por  um  lapso,  o  Impugnante  informou  o  pagamento do mesmo valor em duas colunas distintas", sustenta  que se trata de um único pagamento contabilizado duas vezes.  Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.448          9   "O  Impugnante  reconhece  que  a  duplicidade  das  informações  adveio  de  seus  preenchimento  de  relatório  solicitado  na  fiscalização.  Todavia,  tal  fato  não  elide  a  atribuição legal conferida à Autoridade Fiscal para confirmar os  elementos  intrínsecos  à  efetiva  ocorrência  do  fato  gerador",  o  que  macula  de  nulidade  os  autos  de  infrações  litigiosos,  uma  vem  que  carecem  de  liquidez  e  certeza.  Alternativamente,  argumenta  que  se  esses  erros  na  base  de  cálculo  não  forem  entendidos como suficientes para o cancelamento das autuações,  deve­se converter o presente julgamento em diligência para que  se verifique a duplicidade alegada pelo Impugnante.    No  mérito  defende  a  regularidade  dos  pagamentos  efetuados a título de Participação nos Lucros e Resultados e em  razão disso a não incidência de Contribuições Previdenciárias.    Sustenta que não há vedação  legal expressa ao pagamento  PLR com base no disposto em convenção coletiva e, também, em  acordo  coletivo,  já  que  esses  instrumentos  possuem  abrangências  e  competências  distintas.  O  que  é  facultado  aos  empregadores é a compensação entre tais pagamentos ­ art. 3.º,  § 3.º, da Lei 10.101/00, portanto, equivocada é a conclusão que  a compensação seria impositiva.    Defende a inaplicabilidade, para o caso concreto, da teoria  do  "conglobamento"  e  do  art.  620  da CLT,  isso  porque:  (I)  as  Convenções  não  são  mais  favoráveis  que  os  Acordos  (II)  os  direitos  substantivos previstos em ambos são complementares e  não  alternativos,  (III)  enquanto  as  Convenções  impõem  a  impossibilidade  de  compensação  de  parte  dos  valores  a  serem  pagos  a  título  de  PLR  (item  "II.a"  das  respectivas  cláusulas  primeiras),  os  Acordos  impõem  a  impossibilidade  de  compensação  da  totalidade  dos  valores  pagos  a  título  de  participação (respectivas cláusulas oitavas).    "Portanto,  tendo  em  vista  que  o  pagamento  com  base  em  dois  instrumentos  de  PLR,  mesmo  sem  que  houvesse  compensação  entre  os  valores  distribuídos,  não  implicou  qualquer violação aos requisitos previstos na Lei 10.101/00". No  entanto,  se  o  entendimento  da  Turma  de  Julgadores  for  pela  impossibilidade  da  existência  de  2  (dois)  ou mais  instrumentos  de PLR, deve­se reconhecer que os valores pagos a título de PLR  com base nas Convenções  são válidos  e cumprem os  requisitos  da lei, assim, não prospera esta parte dos autos de infração.    No  que  diz  respeito  à  data  de  assinatura  e  vigência  retroativa das Convenções e dos Acordos, destaca que a despeito  das  assinaturas  terem  ocorrido  nos  meses  de  outubro  de  cada  ano,  isso  não  invalida  esses  instrumentos,  pois  ocorreram  negociações  prévias  e  complexas  com  os  sindicatos,  inclusive  são anexadas as reivindicações dos sindicatos.    Afirma que antes da assinatura das Convenções e Acordos  de  PLR,  o  Impugnante  já  havia  dado  conhecimento  aos  seus  empregados de quais eram os critérios, as metas e as condições  para  o  pagamento  de  PLR  (doc.  5).  Assinala  também  a  semelhança  dos  critérios  e  condições  com  os  PLR  de  anos  anteriores.    Adverte  que  esperar  ou  exigir  que  acordos  e  convenções  coletivas  dessa  magnitude  de  PLR  sejam  assinados  antes  do  Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.449          10 início do ano ou nos primeiros meses do ano "é fruto não só do  desconhecimento do que diz a Lei n.º 10.101/00, mas também da  realidade  imposta às negociações envolvendo cada  instrumento  de  PLR  e  de  como  elas  são  demoradas  e  complexas".  A  Lei  indica que a negociação deve anteceder ao pagamento, o que foi  observado pelo Impugnante. Desta feita, a data da assinatura do  acordo jamais poderia ser considerada como descumprimento de  requisito para a sua validade.    Entende que não procede a desconsideração do PLR, pois:  a  celebração  dos  programas  foi  precedida  da  formação  de  comissão  de  negociação  eleita  pelos  empregados;  as  metas  foram previamente negociados com os empregados, que  tinham  amplo  conhecimento  tanto  das  metas  global  e  individual,  conforme Anexo I dos Acordos ­ Contratos de metas, inclusive a  própria fiscalização reconhece a existência de metas individuais  negociadas  entre  empregados  e  superiores,  sem  impedimentos  legais para tal procedimento.  "Se os empregados entendessem que as metas não eram claras ou  que  prejudicavam  seu  direito  à PLR,  é  evidente  que,  no mínimo,  tentariam alterar parcialmente o formulário. Seja diretamente, na  contratação  das  metas,  seja  indiretamente,  pela  representação  sindical no momento da negociação".  "Tal  fato é  reforçado pelos  Comunicados Gerais  enviados  a  todos  os  empregados  acerca  do  período  de  estabelecimento  de  metas  e  celebração  de  contratos  individuais".    Destaca  que  não  há  proibição  legal  para  a  especificação  mais  detalhada  das  regras  e  metas  do  PLR,  a  exemplo  da  negociação  de  metas  individuais  entre  empregados  e  seus  superiores.  Se  esses  personagens  consideram  as  cláusulas  do  PLR suficientes claras e objetivas a ponto de celebrar acordos,  "o Fisco não  tem qualquer poder ou competência para  intervir  nessas  relações,  notadamente  4  e  até  5  anos  depois  de  entabuladas".    Relata  que,  na  prática,  os  pagamentos  de  PLR  realizados  pelo  Impugnante,  pautaram­se,  efetivamente,  na  avaliação  individual de cada empregado, para verificar se eles atingiram a  meta,  de  acordo  com  previsão  contida  na  cláusula  quarta  do  Programa de PLR.    Acerca do valor fixo mínimo pago a título de PLR, sustenta  a ausência de vedações na Lei 10.101/00 às partes fixarem uma  participação  nos  lucros  ainda  que  os  resultados  financeiros  sejam modestos.  "Por  outro  lado,  deve­se  observar  que  o  Impugnante  sempre  auferiu  lucros  expressivos,  sendo  o  valor  fixo  mínimo  vinculado  aos  esforços  empreendidos  por  todos  os  empregados  do  Impugnante que levam ao resultado positivo do período. Ou seja, o  valor  fixo  mínimo  está  intrinsecamente  correlacionado  ao  cumprimento de metas e resultados, mesmo que globais".    Assevera  que  os  pagamentos  realizados  de  PLR  não  objetivavam  substituir  ou  complementar  a  remuneração  devida  aos  empregados.  No  caso,  deveria  a  Autoridade  Fiscal  comprovar  que  os  salários  pagos  aos  empregados  seriam  inferiores  ao  mercado  ou  irrisórios,  de  modo  que  o  valor  da  participação  substituiria  a  remuneração.  Ademais,  não  há  na  legislação  qualquer  limitação  quanto  aos  valores  máximos  de  PLR a serem pagos.  Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.450          11   Observa  que  o  fato  de  haver  montantes  pagos  a  título  de  PLR que superam os salários pagos é apenas mais um indicativo  de  que  tais  programas  foram  efetivamente  praticados  e  atingiu  seus  objetivos:  compartilhar  com  os  seus  empregados  os  resultados auferidos pela empresa, uma demonstração de efetiva  distribuição de riqueza.    Quanto a participação nos lucros e resultados de Diretores  Empregados,  sustenta  que  com  exceção  de  seu  presidente,  os  demais  diretores  ostentam  a  condição  de  empregados  com  vínculo  pela  CLT  e  mesmo  que  os  diretores  não  fossem  empregados  não  incidiria Contribuição  Previdenciária  sobre  a  PLR de acordo com a Lei 10.101/00.    Discorda  que  a  Participação  nos  Lucros  conferida  aos  diretores empregados teria origem no art. 152 da Lei 6.404/76.  Estes  são  empregados  regidos  pela  CLT,  com  carteira  de  trabalho  assinada,  inclusive  com  previsão  no  art.  12,  I,  alínea  "a" da Lei 8.212/91, em razão disso devem ser tratados como os  demais empregados.    Não se justifica a desconsideração do vínculo empregatício,  por mera presunção, desacompanhada de provas que evidencie a  inexistência  de  requisitos  inerentes  à  configuração  do  vínculo  empregatício,  especialmente  a  subordinação  dos  diretores  empregados  ao  Diretor  Presidente,  que  não  é  celetista,  ao  Conselho  de  Administração,  art.  21  do  Estatuto  Social,  e  a  Assembleia  Geral,  sem  autonomia  para  serem  considerados  contribuintes  individuais.  "Aliás,  a  submissão  da  Diretoria  ao  Conselho  de  Administração  e  à  Assembleia  Geral  decorre  da  própria Lei 6.404/76".    Transcreve  informações  relativas  ao  Diretor  Alexandre  Yoshiaki Sinzato, que foi promovido a Diretor, sem suspensão do  vínculo empregatício.  "Do  exemplo  descrito  acima,  depreende­se  principalmente  dois  aspectos  de  extrema  relevância  para  a  configuração  da  relação  empregatícia, quais sejam, o cumprimento de horários de trabalho  predefinidos,  o  que  demonstra  a  habitualidade  e  subordinação,  bem como a continuidade do vínculo empregatício".    Aduz que a necessidade de eleição de diretores estatutários  decorre de normas do Banco Central, as quais  tiveram que ser  atendidas pelo Impugnante, ainda que esses diretores não atuem  como administradores.    Observa  que  o  Direito  é  uno.  Inexiste  uma  realidade  autônoma  do  Direito  Tributário/Previdenciário,  assim  a  Fiscalização  não  poderia  ter  se  afastado  da  doutrina  e  jurisprudência  trabalhista  acerca  da  relação  empregatícia  dos  diretores.    Da mesma forma sustenta que não cabe presumir que toda  diretoria exercia a função de administrar a sociedade, tampouco  o  Estatuto  Social  é  suficiente  para  atestar,  que  efetivamente,  todos  os  Diretores  exerciam  as  funções  típicas  de  administradores, apesar da previsão estatutária nesse sentido.    Assevera  que  inexiste  previsão  legal  que  autorize  a  desconsideração da natureza dos pagamentos de PLR efetuados  aos Diretores, ainda que não fossem empregados, de acordo com  a Lei 10.101/00 e o art. 7.º, XI, da Constituição Federal.  Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.451          12   Demonstrado  que  os  Diretores  são  efetivamente  empregados  não  deve  subsistir  o  lançamento  de  Contribuições  sobre as gratificações pagas, pois se trata de ganhos eventuais,  nos termos do art. 28, § 9.º, alínea "e", item 7, da Lei 8.212/91.  Afirma que não possui política de pagamento de gratificações, o  que demonstra sua eventualidade.    Ad  argumentandum,  caso  se  entenda  por  manter  a  autuação,  dever  ser  realizada  a  compensação  de  ofício  dos  créditos decorrentes do  recolhimento  indevido de  contribuições  previdenciárias  ao  RAT/SAT  sobre  o  total  da  remuneração  desses diretores nos últimos cinco anos.    Por falta de previsão legal sustenta que os juros calculados  com  base  na  taxa  SELIC  não  poderão  ser  exigidos  sobre  as  multas de ofício lançadas.    São  transcritos  excertos  da  doutrina  e  de  julgados,  administrativos e judiciais, para reforçar as teses de defesa.    Requer  a  integral  procedência  da  Impugnação  e  o  cancelamento  das  autuações  fiscais.  Alternativamente,  a  conversão  do  julgamento  em  Diligência,  em  razão  da  duplicidade na base de cálculo.  Do Acórdão de Impugnação  A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso  tributário. Eis a conclusão da decisão a quo: "Em face do exposto, da ausência de nulidade,  vota­se pela Improcedência da Impugnação e manutenção integral dos Autos de Infração que  compõem o presente processo."   Do Recurso Voluntário  No  recurso  voluntário,  interposto  em  29/11/2018  (e­fls.  1.320/1.411),  o  sujeito  passivo,  reiterando os  termos  da  impugnação,  postula  seja  reconhecida  a  nulidade  da  decisão  para  retorno  dos  autos  ao  juízo a quo. Não  entendendo pela  nulidade  da decisão  de  piso,  que  seja  dado  provimento  ao  recurso  para  que  se  reforme  a  decisão  recorrida  para,  acatando as preliminares, reconhecer a nulidade dos autos de infração para cancelar a autuação.  Na eventualidade, requer o provimento ao recurso para que se reforme a decisão recorrida para  reconhecer  a  improcedência  da  autuação  em  razão  dos  argumentos  de  mérito,  com  desconstituição dos créditos tributários e o cancelamento dos autos de infração.  Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao  CARF: a) Preliminar de nulidade da decisão recorrida (ausência de exame da documentação e  dos  esclarecimentos  apresentados  na  impugnação);  b)  Preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração  das  contribuições  devidas  a  terceiros  (não  observância  do  limite  de  20  salários  mínimos  das  bases  de  cálculos);  c)  Preliminar  de Nulidade  do  auto  de  infração  por  erro  na  identificação  da  base  de  cálculos  (iliquidez  e  incerteza);  d)  Regularidade  dos  pagamentos  efetuados a  título de Participação nos Lucros ou Resultados (não  incidência de contribuições  previdenciárias); e) Possibilidade de pagamentos simultâneos de PLR efetuados com base em  mais de um instrumento previsto na Lei n.º 10.101 (Convenções e Acordo Coletivos); f) Data  de  assinatura  e  da  negociação  prévia  (vigência  retroativa  das  convenções  e  dos  acordos);  g)  Acusações  aos  Acordos  Coletivos  de  Trabalho;  h)  Existência  de  metas  e  regras  claras  e  objetivas  nos  Acordos;  i)  Fixação  de  valor  mínimo  a  ser  pago  a  título  de  PLR;  j)  Suposto  caráter  substitutivo  da  remuneração  atribuído  aos  pagamentos  realizados  a  título  de PLR; k)  Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.452          13 Participação nos Lucros ou Resultados de diretores empregados;  l) Ausência de provas para a  desconsideração  do  vínculo  empregatício  existente  entre  os  diretores  empregados  e  o  recorrente (presunção); m) Unicidade do direito (existência da figura do diretor empregado no  ordenamento  jurídico  pátrio);  n)  Indevida  presunção  de  que  todos  os  diretores  seriam  Administradores; o) Inexistência de previsão legal que autorize a desconsideração da natureza  dos pagamentos efetuados aos diretores e a possibilidade de pagamento de PLR com base na  Lei n.º 10.101; p) Gratificação pagas aos diretores empregados; q) compensação de ofício dos  tributos recolhidos indevidamente.  Nesse  contexto,  os  autos  foram  encaminhados  para  este  Egrégio  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  sendo,  posteriormente,  distribuído  por  sorteio  público para este relator, em data de 12/03/2019.  Consta no processo eletrônico arquivos não pagináveis, todos conferidos por  este relator, sendo elementos instrutórios dos autos.  Consta,  ainda,  dos  autos  que  não  houve  requisição  para  apresentação  de  contrarrazões pela PGFN (e­fl. 1.4039).  É  o  que  importa  relatar.  Passo  a  devida  fundamentação  analisando,  primeiramente,  o  juízo  de  admissibilidade  e,  se  superado  este,  o  juízo  de  mérito  para,  posteriormente, finalizar com o dispositivo.  Voto             Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator  Admissibilidade  O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade  intrínsecos,  relativos  ao  direito  de  recorrer,  e  extrínsecos,  relativos  ao  exercício  deste  direito, sendo caso de conhecê­lo.  Especialmente,  quanto  aos  pressupostos  extrínsecos,  observo  que  o  recurso se apresenta tempestivo (notificação em 31/10/2018, e­fls. 1.318/1.319, protocolo  recursal  em 29/11/2018,  e­fls.  1.320/1.322,  e despacho de  encaminhamento,  e­fl.  1.438),  tendo  respeitado  o  trintídio  legal,  na  forma  exigida  no  art.  33  do Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  que  dispõe  sobre  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  bem  como  resta  adequada  a  representação  processual,  inclusive  contando  com  advogado  regularmente  habilitado,  de  toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal,  é  incabível  a  intimação  dirigida  ao  endereço  de  advogado  do  sujeito  passivo,  sendo  a  intimação destinada ao contribuinte.  Por conseguinte, conheço do recurso voluntário.  Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito  De  início,  observo  que  a  recorrente  requereu  que  seja  reconhecida  a  nulidade  da  decisão  objurgada  para  que  os  autos  retornem  ao  juízo  a  quo  e  seja  complementado o julgamento.  Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.453          14 Pois bem. Passo a apreciar as preliminares.  ­ Preliminar de nulidade da decisão recorrida (ausência de exame da  documentação e dos esclarecimentos apresentados na impugnação)  Em síntese, o  recorrente alega, por vários argumentos, que a decisão de  piso  não  apreciou  todos  os  argumentos  ventilados  na  manifestação  de  inconformidade,  especialmente deixando de apreciar os documentos colacionados na defesa, limitando­se a  replicar as razões do autuante, o qual, por sua vez, não teria motivado as suas alegações e  tampouco apresentado provas que a corroborassem, valendo­se de meras presunções, sendo  o lançamento não motivado e não sustentado em provas.  Pois  bem.  A  despeito  do  arrazoado,  entendo  que  não  assiste  razão  ao  recorrente. Deveras, lendo o Relatório Fiscal juntado aos autos (e­fls. 655/691), bem como  a impugnação (e­fls. 705/785) e confrontando­se eles e os demais elementos dos autos com  a decisão de piso (e­fls. 1.297/1.312), constato que, diante do litígio instaurado, a decisão  hostilizada enfrentou todas as questões postas a sua apreciação externando as suas razões  para firmar sua livre convicção e tecer seu dispositivo.  Não  observo  error  in  procedendo  do  julgador  de  piso  ou  mesmo  da  fiscalização no ato de efetivar o  lançamento, aliás a  fiscalização bem fundamentou o ato  exarado. Quando muito,  as  alegações  do  recorrente  estão  ligadas  a  um  suposto  error  in  iudicando da decisão de piso, no que seria um possível equívoco no  interpretar o direito  positivo face as provas coligidas no caderno processual, portanto não é caso de nulidade da  decisão  de  primeira  instância,  mas  sim,  se  for  a  hipótese,  de  reforma  da  decisão. Nesta  toada,  o  eventual  error  in  iudicando  é  enfrentado  no  debate  traçado  quanto  ao  mérito  recursal, frente aos argumentos de mérito delineados pela defesa no seu recurso voluntário  bem concatenado com 90 (noventa) laudas de exposição argumentativa.  Outrossim,  registro  que,  conforme  lição  da  jurisprudência  uníssona  do  STJ,  o  julgador  não  está  "obrigado  a  responder  a  todas  as  questões  suscitadas  pelas  partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão." (AgInt no  REsp  1662345/RJ,  Rel.  Ministra  REGINA  HELENA  COSTA,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017)  Isto é, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos  trazidos na peça recursal sobre a mesma questão, principalmente quando os  fundamentos  expressamente  adotados  são  suficientes  para  afastar  a  pretensão  da  parte  recorrente  e  arrimar juridicamente o posicionamento adotado para a questão enfrentada. Ou, em outras  palavras,  o  julgador  não  está  obrigado  a  responder,  um  a  um,  a  todos  os  argumentos  apresentados  pelo  interessado,  contanto  que  se  baseie  em  motivo  suficiente  para  fundamentar  a  decisão  da  respectiva  questão.  Veja­se  que  a  matéria  controvertida  foi  totalmente julgada pelo juízo a quo, inexistindo, inclusive, qualquer omissão.  Eventual inconformismo é caso de debate no mérito. O fato é que inexiste  nulidade,  não  há  cerceamento  de  defesa  ou  violação  ao  devido  processo  legal.  Demais  disto,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  quando  a  autoridade  lançadora  indicou  expressamente  a  infração  imputada  ao  sujeito  passivo  e  observou  todos  os  demais  requisitos  constantes  do  art.  10  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  reputadas  ausentes  as  causas  previstas  no  art.  59  do  mesmo  diploma  legal.  Aliás,  a  autuação  e  o  acórdão  de  impugnação convergem para aspecto comum interpretativo quanto as provas analisadas e  Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.454          15 não tratam de presunções, estando os autos bem instruídos e substanciados para a dá lastro  a subsunção  jurídica efetivada, contando o presente processo com mais de mil páginas, a  maior  parte  instruída  por  ocasião  do  lançamento,  além  de  arquivos  não  pagináveis  anexados.  Os  fundamentos  estão  postos,  foram  compreendidos  e  o  recorrente  exerceu  claramente seu direito de defesa rebatendo­os, a tempo e modo, em extenso arrazoado para  o bom e respeitado debate.  Discordar dos fundamentos, das razões de decidir, não torna o ato nulo,  mas sim passível de recurso para enfrentamento do mérito.  Em suma, não observo preterição ao direito de defesa, nos termos do art.  59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não constato qualquer nulidade, pois verifico, isto  sim, que, pela motivação consignada na decisão recorrida, é possível aferir as razões pelas  quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Foram enfrentadas as questões capazes  de, em tese, infirmar as conclusões adotadas.  Depreende­se  do  acórdão  que  houve  o  pronunciamento  de  forma  adequada e suficiente sobre as razões de defesa suscitadas pelo recorrente na impugnação,  adotando­se decisão bem delineada quanto as suas conclusões. Portanto, trata­se de decisão  adequadamente motivada e fundamentada.  De  acordo  com  a  peça  recursal,  a  recorrente  demonstrou  pleno  conhecimento  dos  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  aduzidos  no  voto  condutor  da  questionada decisão. Não há error  in  procedendo. As  análises  a  serem  efetivas,  decerto,  são pertinentes a error in iudicando, conhecendo­se seus aspectos no mérito.  Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar.  ­  Preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração  das  contribuições  devidas  a  terceiros  (não  observância  do  limite de  20  salários mínimos  das  bases  de  cálculos)  Em outra preliminar, em suma, o recorrente aduz que a autuação, para as  contribuições  de  terceiras  (INCRA  e  FNDE  ­  salário  educação),  é  nula,  pois  a  base  de  cálculo  não  observou o  limite  legal  de  20  vezes  o  salário­mínimo,  conforme previsto  no  parágrafo único do art. 4.º da Lei n.º 6.950, de 1981.  Em  que  pese  o  arrazoado  apresentado  pelo  recorrente,  não  lhe  assiste  razão. Isto porque, efetivamente, hodiernamente, não é possível manter o entendimento de  que com a revogação do caput do art. 4.º da Lei n.º 6.950, de 1981, mantenha­se hígido o  seu  parágrafo  único. É  que,  por  força da Lei Complementar  n.º  95,  de  1998,  o  artigo  se  desdobra em parágrafo e este expressa os aspectos complementares à norma enunciada no  caput  do  artigo,  portanto  há  uma  relação  de  subordinação. Deste modo,  considerando  as  épocas dos fatos geradores, entendo que a antiga limitação de 20 salários mínimos, prevista  no parágrafo único do artigo 4.º da Lei n.º 6.950 foi revogada juntamente com o caput do  artigo  4.º,  pelo Decreto­Lei  n.º  2.318,  de  1986,  pois  não  é  possível  subsistir  em  vigor  o  parágrafo estando revogado o artigo correspondente. Além disto, em conclusão, com a Lei  n.º 9.876, de 1999, a sistemática de escala de salário­base deixou definitivamente de existir.  Penso  que  o  entendimento  do  juízo a quo  é  o mais  consentâneo  com a  interpretação atual. De mais a mais, sendo remansoso o entendimento aplicado pela decisão  Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.455          16 hostilizada,  entendo,  doravante,  suficiente  transcrever  as  razões  de  decidir  da  DRJ  para  motivar  o  não  acolhimento  desta  preliminar,  haja  vista  minha  concordância  com  os  fundamentos bem postos no decisum, logo peço vênia para, com base no § 1.º do art. 50, da  Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.º do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015,  que instituiu o Regimento Interno do CARF ― RICARF, expor os trechos daquela decisão  onde  estão  consignados  os  motivos  determinantes  que  entendo  irreparáveis  e  os  quais  reputo consistentes e válidos, verbo ad verbum:    Não  se  observa  nenhuma  nulidade  no  lançamento  das  Contribuições  destinadas  ao  INCRA  e  ao  FNDE  (Salário­ Educação)  pelo  fato  da  não  aplicação  do  limite  de  20  salários  mínimos  nas  bases  de  cálculos,  conforme  determinação contida no art.  4.º  da Lei 6.950/81. Este  teto  não  existe mais,  era  uma  sistemática  de  apuração  prevista  pelo art. 5.º da Lei n.º 6.332, de 18 de maio de 1976. Antes  mesmo da vigência do atual ordenamento  jurídico, referido  teto  foi  revogado,  expressamente,  pelo  art.  3.º  do Decreto­ Lei n.º 2.318/86, ...  (...)    Adota­se  esse  posicionamento  por  entender  que  a  interpretação  anteriormente  exposta,  relacionada  à  revogação  do  teto  de  20  salários  mínimos,  está  em  consonância com o novo ordenamento jurídico fundado pela  Constituição  de  1988,  inclusive  no  que  diz  respeito  aos  valores  sobre  os  quais  o  atual  ordenamento  jurídico  se  estrutura  e  busca  se  consolidar,  mormente  a  educação  básica  pública,  financiada  pela  contribuição  social  do  salário  educação,  conforme  texto  constitucional.  Portanto,  afasta­se  esta  preliminar  de  nulidade,  que,  se  acatada,  resultaria  no  máximo  no  pagamento  a  menor  de  Salário­ Educação  e  Contribuição  ao  INCRA,  com  base  em  um  parágrafo  sem  caput,  acéfalo,  que  dizia  respeito  a  uma  sistemática de escala de salário­base, ficção legal há muito  inexistente  ­  revogada  pela  Lei  9.876/99.  Ademais,  não  se  pode  afastar  a  interpretação  que  considera  a  redução  da  base de cálculo ou a limitação da base de cálculo como um  benefício  fiscal,  esta  forma  de  ver  também  resulta  na  inaplicabilidade do mencionado limite em razão do comando  contido  no  §  1.º,  art.  41  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias ­ ADCT:  Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados,  do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos  os  incentivos  fiscais de natureza  setorial  ora  em  vigor,  propondo  aos  Poderes  Legislativos  respectivos  as  medidas cabíveis.  §  1.º  Considerar­se­ão  revogados  após  dois  anos,  a  partir  da  data  da  promulgação  da  Constituição,  os  incentivos que não forem confirmados por lei.    Não  é  demais  consignar  que  a  contribuição  devida ao  FNDE não está fundamentada na Lei n.º 6.950/81, mas sim  na Lei n.º 9.424, de 24/12/1996, artigo 15:  Art 15. O Salário­Educação, previsto no art. 212, § 5.º,  da  Constituição  Federal  e  devido  pelas  empresas,  na  forma  em  que  vier  a  ser  disposto  em  regulamento,  é  calculado  com  base  na  alíquota  de  2,5%  (dois  e  meio  por  cento)  sobre  o  total  de  remunerações  pagas  ou  Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.456          17 creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei  n.º 8.212, de 24 de julho de 1991.  Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar.  c)  Preliminar  de  Nulidade  do  auto  de  infração  por  erro  na  identificação da base de cálculos (iliquidez e incerteza);  Em mais uma preliminar, o  recorrente, em apertada síntese, advoga que  houve  duplicidade  na  apuração  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  considerando  que  nos meses  de  fevereiro  e  agosto  de  2014  foram  pagas  gratificações  a  empregados/diretores  e  em  abril  e  agosto  de  2014  foi  pago  PLR  aos  mesmos  empregados/diretores, conforme tabela comparativa apresentada. Sustenta que teria havido  equívoco  ao  fornecer  informes  para  a  fiscalização. Diz  que  por  ser  errôneo  o  dado, mas  tendo  dela  se  utilizado  a  autoridade  fiscal,  o  lançamento  é  nulo  por  falta  de  liquidez  e  certeza,  pois  estava  a  autoridade  lançadora  obrigada  a  determinar  a  matéria  tributável  conferindo  as  informações  prestadas  pela  recorrente.  Alega,  outrossim,  que  a  diferença  entre  os  valores  contabilizados  como  gratificação  em  02/2014  e  aqueles  contabilizados  como  PLR  em  04/2014  advém  da  correção  monetária  aplicada.  Para  os  Senhores  José  Eduardo  e  Sérgio  Lulia  os  valores  correspondem  por  serem  pagos  no  mesmo  período  08/2014, sem atualização monetária.  Pois  bem.  Não  assiste  razão  ao  recorrente  neste  ponto.  Não  observo  nulidade  da  autuação  com  base  nestas  alegações.  Ademais,  como  bem  pontuado  pela  decisão  recorrida,  o  recorrente não demonstrou  efetivamente o  suposto  equívoco. Apesar  do bem apresentado arrazoado, a prova colacionada ao caderno processual não são hábeis  para validar o afirmado. A coincidência de valores, por si só, não amparam o asseverado,  prescindindo de demonstração contábil e de outra documentação idônea a atestar o que foi  dito pela defesa.  Isto  porque,  a  título  ilustrativo,  observo  que  a  "folha  de  pagamento"  colacionada  (e­fls. 954/955) atesta que os valores pagos a "Cláudio Roberto Frizão Rey"  em 08/2014 foram no total de R$ 8.156,16 sendo R$ 4.078,08 de gratificação e               R$  4.078,08  de  PLR,  por  sua  vez,  para  "João  Francisco  Martins  Filho"  o  valor  de  R$  13.651,46 correspondente a soma de R$ 6.825,73 referente à gratificação e R$ 6.825,73 de  PLR,  noutra  lente,  para  "Marcelo  Yazeji  Cardoso"  o  valor  de  R$  23.254,82  referente  a  soma de R$ 11.627,41 pertinente à gratificação e R$ 11.627,41 de PLR, por sua vez, para  "Maria Bernadete de Paula Leite Moraes" o valor de R$ 22.398,28 referente a soma de R$  11.199,14  pertinente  à  gratificação  e  R$  11.199,14  de  PLR,  enquanto  para  "Roberto  Archanjo  Carramaschi"  o  valor  de  R$  19.571,02  referente  a  soma  de  R$  9.785,51  pertinente à gratificação e R$ 9.785,51 de PLR.  Tendo  em  vista  tais  constatações,  vê­se  que  a  própria  "folha  de  pagamento" (e­fls. 954/955) aponta para a prática de coincidirem os valores de PLR e de  gratificação. Os  três  segurados  estão na planilha do suposto pagamento dúplice apontado  no capítulo ora em análise do recurso, porém não há provas concretas do equívoco.  Além do mais, o dever de provar a alegação da duplicidade compete ao  recorrente,  não  sendo  pertinente  ao  caso  a  realização  de  diligência.  Aliás,  importante  consignar que o Decreto n.º 70.235, de 1972,  regulamenta os  requisitos obrigatórios para  Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.457          18 possibilitar  a  efetivação  de  diligências,  sendo  que  a  inobservância  deles  acarreta  no  indeferimento do  requerimento. A matéria  está posta no disciplinamento da  impugnação,  enquanto  instrumento  de  defesa  do  contribuinte,  mas  é  aplicável  na  fase  recursal  por  se  tratar de norma geral do processo administrativo fiscal. Veja­se:  Art. 16. A impugnação mencionará:  IV  ­  as diligências, ou perícias que o  impugnante pretenda  sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com  a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados,  assim  como,  no  caso  de  perícia,  o  nome,  o  endereço  e  a  qualificação profissional do seu perito.  § 1.º Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência  ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso IV do art. 16.  Sob essas  razões, afirmo que a  realização de diligência pressupõe que a  prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado  necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o  que não é o caso dos autos.  Destaque­se, outrossim, que, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235,  de 1972, a autoridade julgadora determinará ou deferirá a realização de diligências, quando  entendê­las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.  Sendo assim, entendo como não necessária a diligência.  Logo, não observo qualquer equívoco na identificação da base de cálculo.  A  mensuração  foi  efetivada  de  forma  líquida  e  certa,  conforme  lançamento  realizado  inexistindo nulidade, devendo ser negada essa preliminar.  Em acréscimo, repito que estão ausentes as causas de nulidade previstas  nos arts. 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não há que se falar em nulidade quando a  autoridade lançadora motivou o ato, indicou expressamente a infração imputada ao sujeito  passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na  legislação  tributária  e  previdenciária  que  imputou  aplicável,  ainda  mais  quando,  efetivamente,  mensurou  motivadamente  os  fatos  que  indicou  para  imputação,  estando  determinada a matéria tributável.  Ademais,  os  relatórios  fiscais,  em  conjunto  com  os  documentos  acostados, atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, e pelo  art.  37,  da  Lei  n.º  8.212/1991,  bem  como  pela  legislação  federal  atinente  ao  processo  administrativo fiscal (Decreto n.º 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à  constituição  do  presente  crédito  tributário,  caracterizando­os  como  fatos  geradores  de  contribuições previdenciárias e  fornecendo  todo o embasamento  legal e normativo para o  lançamento. Ou, em outras palavras, o auto de infração está revestido de todos os requisitos  legais,  uma  vez  que  o  fato  gerador  foi minuciosamente  explicitado  no  relatório  fiscal,  a  base legal do  lançamento foi demonstrada no Relatório de Fundamentos Legais  ­ FLD, e  todos  os  demais  dados  necessários  à  correta  compreensão  da  exigência  fiscal  e  de  sua  mensuração constam dos diversos discriminativos que integram o AI.  Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar.  Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.458          19 Mérito  Quanto  ao  juízo  de  mérito,  passo  a  apreciá­lo,  porém,  inicialmente,  consigno que a controvérsia dos autos remonta em sua gênese ao lançamento de ofício por  ter  a  fiscalização  descaracterizado  as  verbas  pagas  a  título  (i)  de  PLR  de  Empregados  (PLR),  (ii)  de  PLR  de  Administradores  (PLA)  e  (iii)  de  Gratificação  paga  aos  Administradores,  todas  escrituradas pelo  contribuinte  como não  sendo  fatos  constitutivos  de contribuições previdenciárias e de terceiros e entendendo a fiscalização que são base de  cálculo para as contribuições.  Dito  isto,  é  de  todos  conhecido  que  a  "escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em preceitos  legais"  (Decreto­Lei 1.598,  art.  9.º,  § 1.º),  cabendo à  "autoridade  administrativa a prova da inveracidade dos fatos" nela registrados (art. 9.º, § 2.º), apenas  não  se  aplicando  a  dita  regra  se  a  lei,  por  disposição  especial,  atribuir  ao  contribuinte  o  "ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração" (art. 9.º, § 3.º).  No relatório da autuação (e­fls. 655/691) se descaracteriza a natureza das  PLR's pagas aos Empregados, em suma, sob o argumento de que (i) houverem mais de um  instrumento de negociação para substanciar o pagamento de PLR e inexistiu compensação  entre  eles,  (ii)  vigência  retroativa  das  negociações  não  sendo  subscritos  previamente  no  início do período de referência,  (iii)  inexistência de regras claras e objetivas, ausência de  normas substantivas e adjetivas para o empregado aferir o eventual  recebimento e metas,  com  negociações  individuais  sem  a  participação  sindical,  (iv)  PLR  assegurada  em  valor  fixo  mínimo,  mesmo  que  a  meta  seja  zero,  (v)  PLR  em  valor  superior  ao  salário,  no  confronto "PLR x salário".  Outrossim, quanto  a descaracterização da natureza das PLR's pagas  aos  Administradores,  em  síntese,  somando­se  aos  aspectos  anteriores,  alega­se  (i)  não  aplicação  da  Lei  6.404  para  afastar  a  tributação,  (ii)  não  aplicação  da  Lei  10.101  aos  diretores  estatutários, mesmo  que  com  vínculo  de  emprego,  (iii)  pagamento  de PLR  aos  diretores  baseado  em  plano  de  remuneração  fixa  e  variável  dos  administradores  com  pagamentos em espécie e em ações.  Igualmente, quanto a descaracterização da natureza da gratificação paga  aos  Administradores,  em  resumo,  aduz­se  (i)  os  diretores  estatutários,  ainda  que  com  vínculo  de  emprego,  são  "de  fato"  dirigentes  da  Companhia  e  todos  os  valores  pagos  compõe  o  salário­de­contribuição,  face  ao  critério  amplo  para  o  segurado  contribuinte  individual, (ii) não aplicação da Lei 10.101 aos diretores.  Logo,  tratando­se  de  lançamento  de  ofício,  que  prescinde  de  aperfeiçoamento com a discussão de seu mérito e legalidade, assim como considerando o  litígio instaurado e a devolutividade da matéria pertinente as razões do lançamento fiscal,  passo a fixar as premissas jurídicas e, em seguida, analiso as questões postas ao debate.  ­ Considerações básicas e gerais sobre a famigerada PLR  A  denominada  "PLR"  é  uma  verba  polêmica  que  tem  suscitado  muita  discussão  ao  longo  do  tempo,  especialmente  quanto  aos  seus  elementos  jurídicos  estruturantes e a hermenêutica que circunda a mencionada parcela.  Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.459          20 Recentemente,  em  análise  diversa  da  destes  autos,  o  Egrégio  Tribunal  Regional Federal da 3.ª Região afirmou que: “A participação nos lucros e resultados ­ PLR  é  verba  remuneratória.  É  fruto  do  trabalho,  decorrente  de  incentivo  promovido  pelo  empregador  para  aumentar  a  produtividade  de  seus  empregados.  É,  portanto,  contraprestação  pelos  serviços  prestados”  (TRF  3.ª  Região,  Terceira  Turma,  Apelação  Cível ­ 2119764 ­ 0002243­67.2010.4.03.6103, julgado em 13/03/2019, e­DJF3 Judicial 1  em 20/03/2019)  Do ponto de vista da materialidade, do mundo real ou, melhor dizendo,  da  realidade  fenomenológica apreendida pelos meios de percepção direta, parece­me,  em  regra,  correta  essa  assertiva  daquela Egrégia Corte,  especialmente  para  a  análise que  lhe  afigurava,  porém,  para  fins  previdenciários,  exsurge  especial  atenção  para  o  instituto  da  PLR quanto ao campo do exercício da competência impositiva em relação a tributação das  contribuições sociais previdenciárias e de terceiros.  É que, por força de norma constitucional, encartada no inciso XI do art.  7.º e reafirmada com outra linguagem no § 4.º do art. 218 da Carta Magna, a “participação  nos lucros, ou resultados” (PLR), além de ter sido elevada à categoria de direito social dos  trabalhadores,  foi  considerada,  do  ponto  de  vista  normativo  e  especialmente  para  fins  previdenciários,  como verba  desvinculada  da  remuneração,  de  toda  sorte,  esta  imposição  ocorre desde que se atenda ao definido em lei específica. Trata­se de  imunidade especial  estabelecida na Constituição, mas condicionada aos requisitos estabelecidos em Lei.  Vale dizer, a rubrica ou verba conhecida como "PLR" pode ser paga sem  repercussão previdenciária e da destinada a terceiros, havendo, para essa hipótese, norma  jurídica que impõe ao interprete o exercício de processo gnosiológico figurativo que obriga  a classificação deste pagamento como desvinculado da remuneração, não servindo a verba  de suporte fático de contribuições sociais, haja vista que, por este processo hermenêutico,  deve o exegeta excluí­la do conceito de salário­de­contribuição.  Porém, para que essa exegese prevaleça, precisa­se observar o que estiver  definido em lei. Isto porque, o dispositivo constitucional que trouxe o enunciado prescritivo  do qual se extrai a norma jurídica em comento produz norma de eficácia limitada a exigir  prévia regulamentação.  Deveras, o Supremo Tribunal Federal, no RE n.º 569.441 (Tema 344 da  Repercussão Geral/STF), confirmou a eficácia limitando ao consolidar o entendimento da  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  a  referida  verba  somente  após  a  regulamentação  do  artigo  7.º,  inciso  XI,  da  Constituição  Federal,  o  que  se  deu  após  o  advento da MP n.º 794, de 1994, a qual, após sucessivas reedições, inclusive com mudança  de numeração, foi, finalmente, convertida na Lei n.º 10.101, de 2000, atualmente em vigor.  Foi  firmada  a  tese:  "Tema  344  da  Repercussão  Geral/STF.  Incide  contribuição  previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que  antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7.º,  XI, da Constituição Federal de 1988."  Neste diapasão, a lei ordinária tem o condão de definir os requisitos para  a caracterização da “PLR" como verba "desvinculada da remuneração", retirando a verba  paga do campo do exercício da competência impositiva, não servindo de suporte fático da  tributação,  excluindo­a  do  conceito  de  remuneração  para  os  fins  previdenciários  e  das  contribuições destinadas a terceiros.  Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.460          21 A seu turno, o Plano de Custeio da Seguridade Social, instituído pela Lei  n.º 8.212, de 1991, prescreve que não integram a remuneração (Lei 8.212, art. 22, § 2.º) ou,  com outras palavras, não integram o salário­de­contribuição: a participação nos lucros ou  resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica (Lei 8.212,  art. 22, § 9.º, alínea "j"). A lei específica, como dito, é a Lei n.º 10.101, inclusive conforme  RE n.º 569.441 (Tema 344 da Repercussão Geral/STF, com tese firmada e consolidada).  Como  se  vê,  a  leitura  constitucional  (CF,  art.  7.º,  XI)  implica  na  necessidade de imposição de regulamentação por lei. Tem­se uma imunidade condicionada.  Desde logo, temos uma das primeiras grandes controvérsias sobre a PLR:  A  lei  regulamentadora  do  instituto  pode  ser,  também,  a  Lei  n.º  6.404,  quando  trata  da  participação nos lucros dos administradores (Lei 6.404, art. 152, § 1.º)?  Parece­me que a resposta é negativa, seja porque o STF, em repercussão  geral,  indicou  a Lei  n.º  10.101  como  a  única  regulamentadora  da norma,  seja  porque  os  entendimentos  jurisprudenciais  são  sólidos  na  compreensão  de  que  a  Lei  das  S/A  não  regula a matéria.  A  título  ilustrativo  cito  a  compreensão  dada  pelo  Egrégio  Tribunal  Regional  Federal  da  3.ª  Região,  nestes  termos:  "Os  dispositivos  da  Lei  das  Sociedades  Anônimas (Lei n.º 6.404/76) tratam de normas de contabilização, não possuindo o condão  de  afastar  as  normas  de  Direito  Tributário."  (TRF  3.ª  Região,  Terceira  Turma,  Ap  ­  Apelação Cível ­ 1955377 ­ 0004039­93.2010.4.03.6103,  julgado em 13/03/2019, e­DJF3  Judicial 1 em 20/03/2019)  Nesta  toada,  debruçando­me  sobre  a  Lei  n.º  10.101,  de  2000,  observo,  inicialmente, que na regulamentação da matéria o legislador fez questão de expressar que a  mencionada  lei  "regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à  produtividade, nos termos do art. 7.º, inciso XI, da Constituição" (Lei 10.101, art. 1.º).  Por conseguinte, desde logo, constata­se que a finalidade da PLR, para os  fins da  lei específica  (Lei 10.101), é promover a  integração entre o capital e o  trabalho e  incentivar ganho de produtividade.  Num  olhar  mais  amplo  da  Lei  n.º  10.101,  de  2000,  verifico  que  o  legislador fez questão de ressaltar que, atendida a referida lei, a participação nos lucros ou  resultados "não  substitui  ou  complementa a  remuneração devida a qualquer  empregado,  nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o  princípio da habitualidade" (Lei 10.101, art. 3.º).  Outrossim,  preocupado  com  a  razão  de  ser  da  PLR,  objetivando  deixar  claro  que  não  pode  ser  desvirtuada,  o  legislador  fez  questão  de  regrar  que  é  "vedado  o  pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos  lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de  duas  vezes  no  mesmo  ano  civil"  (Lei  10.101,  art.  3.º,  §  2.º,  redação  original).  Posteriormente, deu nova redação para modificar tal periodicidade vedando a antecipação  ou distribuição "em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior  a 1 (um) trimestre civil" (Lei 10.101, art. 3.º, § 2.º, redação dada pela Lei 12.832, de 2013).  Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.461          22 Atento a regulamentação observo, ainda, que a participação nos lucros ou  resultados  tem  que  ser,  obrigatoriamente,  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados  (Lei  10.101,  art.  2.º),  portanto  deve  ser  razoavelmente  negociada  e  instrumentalizada,  conforme  critério  a  ser  escolhido.  Decerto,  que  não  necessariamente  será  exigido  o  seu  acertamento  antes  do  início  do  exercício  ou  do  período  aquisitivo,  inclusive por questões de ordem prática,  porém,  razoavelmente,  deve­se  esperar que  seja  finalizada em tempo apto a atender a seus objetivos, seja de integrar o capital e o trabalho,  seja de incentivar à produtividade.  O  instrumento  para  a  negociação,  a  ser  escolhido  de  "comum  acordo",  pode  ser  a  convenção  ou  o  acordo  coletivo  (Lei  10.101,  art.  2.º,  II)  ou  uma  comissão  escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da  respectiva  categoria  (Lei  10.101,  art.  2.º,  I)1.  Observa­se,  por  pressuposto  lógico,  que  o  plano  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  precisa  contar  com  a  participação  de  representante  da  entidade  sindical  da  categoria  na  sua  elaboração.  Objetiva­se  integrar  capital e trabalho e legitimar e assegurar a função do instituto.   A  participação  da  entidade  sindical,  representando  os  empregados,  é  requisito legal para que se possa afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre  valores pagos a esse  título. Aliás, essa participação sindical é  tão destacada na  legislação  que se impõe a seguinte obrigação: "O instrumento de acordo celebrado será arquivado na  entidade sindical dos trabalhadores" (Lei 10.101, art. 2.º, § 2.º).  Aliás, de modo benéfico, considerando a possível existência de mais de  uma  negociação  firmada  na  forma  da  lei  regulamentadora  em  espécie,  o  legislador  estabeleceu que "todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de  trabalho  atinentes  à  participação  nos  lucros  ou  resultados"  (Lei  10.101,  art.  3.º,  §  3.º).  Complemente­se que, não raro, chamam­se os tais "planos" de "planos próprios".  Conforme  dispõe  a  lei  específica  (Lei  10.101,  art.  2.º,  §  1.º),  no  plano  acordado deverão constar "regras claras e objetivas" (contornos concretos), fixando­se os  direitos substantivos da participação (o conjunto de definições, de direitos, de obrigações e  de  relações,  o  direito  material  à  PLR)  e  das  regras  adjetivas  (o  conjunto  de  regras  procedimentais  a  serem  executadas,  atendidas  e  observadas  no  fluxo  que  terá  como  produto final a apuração se será efetivado o pagamento da PLR, ou não, devendo constar  do  plano  os  "mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo").  Prescreve­se  que  podem  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  (i)  "índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa"  (Lei 10.101, art. 2.º, § 1.º,  I);  e  (ii) "programas de metas,  resultados e prazos,  pactuados  previamente"  (Lei  10.101,  art.  2.º,  §  1.º,  II).  E,  se  eventualmente,  forem  considerados estes critérios e condições, "a empresa deverá prestar aos representantes dos  trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação" (Lei  10.101,  art.  2.º,  §  4.º,  I,  incluído  pela Lei  12.832,  de  2013)  e  "não  se  aplicam as metas                                                              1 A partir da Lei n.º 12.832, de 2013, que modificou a redação do inciso I do art. 2.º da Lei n.º 10.101, de  2000, pasou­se a exigir "comissão paritária".  Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.462          23 referentes à saúde e segurança no trabalho" (Lei 10.101, art. 2.º, § 4.º, II, incluído pela Lei  12.832, de 2013).  Relembre­se  que  a  famigerada  "PLR"  é  sinônimo  de  "participação  nos  lucros" ou de "participação nos resultados", sendo verdadeiro afirmar que a vertente paga  com base em "lucros" tem um caráter aproximado das "gratificações de desempenho"2 e a  lastreada  nos  "resultados"  se  assemelha  aos  "prêmios  por  desempenho"3. Para  a  doutrina  justrabalhista  a  gratificação  independeria  de  fatores  ligados  ao  empregado,  enquanto  o  prêmio, para que o empregado fizesse jus a ele, dependeria do seu próprio esforço. Aliás,  complemente­se,  outrossim,  que muitos  denominam o  plano  voltado  aos  lucros  de  PLR,  mantendo  a  designação  mais  conhecida,  enquanto  o  plano  dirigido  aos  resultados,  para  alguns, é denominado de PPR ­ Programa de Participação nos Resultados.  Rememore­se,  igualmente,  que,  a despeito  de  se  exigir  negociação,  que  pressupõe,  então,  seja  subscrita  e,  por  conseguinte,  devidamente  formalizada,  questões  práticas  do  cotidiano  das  relações  sociais  esperadas  na  média  das  situações  concretas  impõem,  corriqueiramente,  a  sua  celebração  durante  o  período  aquisitivo  em  curso.  A  razoabilidade e proporcionalidade devem prevalecer, inclusive por serem corolários lógicos  do  devido  processo  legal  substantivo,  sendo  certo  que  as  negociações,  por  vezes,  são  complexas e envoltas por vários atores sociais, verbi gratia, entes sindicais, empregados e  empregadores,  podendo,  inclusive,  resultar  em  impasse,  hipótese  em  que  a  lei  prevê  os  meios de solução (Lei 10.101, art. 4.º).  Deste  modo,  à  guisa  de  complementação,  cabe  anotar  que,  se  a  PLR  acordada  tem  por  base  "lucros",  como,  por  exemplo,  a  pessoa  jurídica  alcançar  um  determinado  "índice de  lucratividade",  em verdade,  como não  é  possível  exigir  condutas  predefinidas  que  diretamente  contribuam  para  alcançar  o  índice  almejado,  pois  atingir  o  indicador  de  lucratividade  nem  sempre  vai  depender  de  um  específico  comportamento  volitivo do trabalhador, considerando que inúmeros aspectos, fatores e situações concretas  podem interferir na lucratividade, independentemente do agir humano e da própria vontade  dos agentes econômicos, não se pode ser tão rigoroso em relação ao prazo da concretização  final da negociação da PLR durante o exercício. Neste tipo de negociação prevalece, com  mais ênfase, a integração do capital e do trabalho.  Por  sua  vez,  se  a  PLR  acordada  tem  por  base  "resultados",  pode­se  esperar  que  o  trabalhador  atinja  metas  e  marcas  previamente  ajustadas,  alcançando  resultados  concretos,  ainda  que  departamentalizados  ou  setorizados,  precisando  conhecer  com  antecipação  sua metas,  tarefas  e  encargos,  devendo­se  exigir  que  a  negociação  seja  concretizada mais  celeremente,  especialmente  frente  ao  período  aquisitivo  de  referência,  malgrado se reconheça que, muitas vezes, os planos se repetem no tempo, todavia a mera  expectativa  de  renovação  não  pode  sobrepujar  a  efetiva  renovação  em  razoável  periodicidade. Por isso, neste tipo de negociação, o destaque é o incentivo à produtividade,  sempre importando, mesmo em renovações, o restabelecimento de metas, sendo secundária  a integração capital e trabalho.                                                              2 Neste sentido conferir precedente judicial: TRF 3.ª Região, Terceira Turma, Ap ­ Apelação Cível ­ 1955377  ­ 0004039­93.2010.4.03.6103, julgado em 13/03/2019, e­DJF3 Judicial 1 em 20/03/2019.  Em sentido similar, conferir voto vencedor no Acórdão n.º 2402­006.068, de 03 de abril de 2018, do CARF,  da lavra do Ilustre Conselheiro Ronnie Soares Anderson.  3 Idem.  Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.463          24 Aliás,  quando  a  Lei  n.º  10.101,  de  2000,  fala  em  "pactuados  previamente"  ela  trata  no  mesmo  enunciado  prescritivo  de  "programas  de  metas,  resultados  e  prazos"  (art.  2.º,  §  1.º,  II),  não  cuidando  dos  critérios  "índices  de  produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" (art. 2.º, § 1.º, I) em conjunto com  o termo "pactuados previamente". Este é exclusivo daquele primeiro grupo.  Em  outras  palavras,  o  verbete  "pactuados  previamente"  está  conectado  unicamente  com  "programas  de  metas,  resultados  e  prazos",  ademais,  penso  que  a  expressão  sequer  esteja  associada  diretamente  ao  caput,  quiçá,  do  ponto  de  vista  hermenêutico, signifique que, para os fins da negociação do direito social à PLR, possa ser  utilizado programas de metas, resultados e prazos já existentes, já pactuados, já em vigor,  pois,  não  raro,  as  empresas  possuem  programas  de  metas  em  constante  fluxo  contínuo,  tanto  que  é  bem  comum  se  observar  a  repetição  dos  planos  de  resultados  firmados  com  supedâneo na Lei 10.101. De toda sorte, malgrado este raciocínio antecedente, a lei impõe  instrumento negociado, pelo que penso, em ponderação e como minha posição efetiva, que  é,  ao menos,  razoavelmente  esperado  que  este  instrumento  negociado  esteja  formalizado  previamente,  podendo­se,  repito,  "ponderar"  a  data  de  sua  concretização,  avaliando­se  integrativamente elementos, tais como, período de negociação, colaboração das partes, ou  eventuais  negativas  sindicais,  deliberações,  publicação  de  convocação,  existência  de  assembleia etc.  Concluída  toda  essa  digressão,  que  objetivei  necessária  a  fixação  das  premissas jurídicas de minha convicção, passo aos tópicos do recurso voluntário.  Pois  bem. A  contribuinte  alega  regularidade nos pagamentos  a  título  de PLR não podendo haver a descaracterização deles. Neste sentido, levanta tópicos para  deliberação. Passo a análise capitulada enfrentando cada questão.  PLR EMPREGADOS  ­ Da possibilidade de pagamentos simultâneos de PLR efetuados com  base  em mais  de  um  instrumento  previsto  na Lei  n.º  10.101  (Convenções  e Acordo  Coletivos)  Advoga a  recorrente que podem ocorrer pagamentos com base em mais  de um instrumento negociado, convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio.  Pois bem. Entendo que assiste  razão ao  recorrente neste  arrazoado.  Isto  porque,  como  anteriormente  afirmado  nas  considerações  gerais  sobre  a  PLR,  de  modo  benéfico, considerando a possível existência de mais de uma negociação firmada na forma  da  Lei  n.º  10.101,  o  legislador  estabeleceu  que  "todos  os  pagamentos  efetuados  em  decorrência  de  planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de  trabalho  atinentes  à  participação  nos  lucros  ou  resultados" (Lei 10.101, art. 3.º, § 3.º).  A Lei n.º  10.101 não veda  a possibilidade de pagamento  simultâneo de  PLR,  independentemente  de  compensação,  com  base  em  mais  de  um  instrumento  negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio.  Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.464          25 A  lei  específica  apenas  faculta  a  compensação,  a  teor  da  decisão  a  que  chegar  a  negociação  coletiva,  conforme  livre  liberdade  negocial,  que  é  extremamente  prestigiada no instituto em foco, não apresentando proibição ao pagamento simultâneo de  PLR com fulcro em distintos  instrumentos, prevalecendo a máxima do direito privado de  que  tudo  que  não  é  vedado  é  permitido.  A  concomitância  está,  portanto,  autorizada,  devendo­se respeitar as demais disposições da legislação de regência.  Neste  sentido,  tem­se outras decisões do CARF,  verbi gratia, Acórdãos  n.º 2301­005.419, de 04/07/2018, n.º 2301­005.011, de 09/05/2017, n.º 2401­005.986, de  12/02/2019.  Assim,  resta  superado  um  dos  argumentos  utilizados  pela  fiscalização  para  descaracterizar  a  natureza  das  PLR's  pagas.  Porém,  como  existem  outros  pontos  a  serem  enfrentados,  vez  que  o  auto  de  infração  é  lastreado  em  mais  de  um  motivo  determinante e independente, mantenho a análise.  ­ Data de assinatura e da negociação prévia (vigência retroativa das  convenções e dos acordos)  Advoga a  recorrente que os  instrumentos possuem vigência  retroativa e  que  foram negociados  antes,  apenas  a  assinatura  é posterior,  enquanto que  a  fiscalização  refuta  a  legitimidade  das  PLR's  pagas  aos  empregados,  uma  vez  que  não  precedidas  de  ajuste prévio.  Veja­se  que  as  PLR's  pagas  aos  empregados  o  foram  em  fevereiro  de  2013, março/2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014,  enquanto  aos  administradores  foram  em  fevereiro  de 2013,  agosto  de 2013,  fevereiro  de  2014, agosto de 2014 e novembro de 2014.  A fiscalização, em síntese, indica os instrumentos negociados, listando­os  (e­fls. 661/662), no entanto, por síntese, destaco que tem­se:   a)  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  sobre  Participação  dos Empregados  nos  Lucros  ou Resultados  dos Bancos  em  2012, datada de 02/10/2012, referente ao ano­base de 2012,  com vigência declarada de 01 de setembro de 2012 a 31 de  agosto  de  2013,  com  pagamento  convencionado  para  ocorrer até 01/03/2013, podendo ocorrer antecipação;   b)  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  sobre  Participação  dos Empregados  nos  Lucros  ou Resultados  dos Bancos  em  2013, datada de 18/10/2013, referente ao ano­base de 2013,  com vigência declarada de 01 de setembro de 2013 a 31 de  agosto  de  2014,  com  pagamento  convencionado  para  ocorrer até 03/03/2014, podendo ocorrer antecipação;  c)  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  sobre  Participação  dos Empregados  nos  Lucros  ou Resultados  dos Bancos  em  2014, datada de 13/10/2014, referente ao ano­base de 2014,  com vigência declarada de 01 de setembro de 2014 a 31 de  agosto  de  2015,  com  pagamento  convencionado  para  ocorrer até 02/03/2015, podendo ocorrer antecipação;  Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.465          26 d)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  –  Programa  Próprio  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  datado  de  10/08/2012,  com  vigência  retroativa  no  período  de  01/01/2012  a  31/12/2012,  com  pagamento  convencionado  para  ocorrer  até  31/08/2012  (apuração  01/01/2012  a  30/06/2012)  e  28/02/2013  (apuração  01/07/2012  a  31/12/2012);  e)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  –  Programa  Próprio  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  datado  de  17/12/2013,  com  vigência  retroativa  no  período  de  01/01/2013  a  31/12/2013,  com  pagamento  convencionado  para  ocorrer  até  31/08/2013  (apuração  01/01/2013  a  30/06/2013)  e  28/02/2014  (apuração  01/07/2013  a  31/12/2013); e  f)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  –  Programa  Próprio  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  –  Exercício  2014,  datado  de  11/12/2014,  com  vigência  retroativa  no  período  de 01/01/2014 a 31/12/2014, com pagamento convencionado  para  ocorrer  até  31/08/2014  (apuração  01/01/2014  a  30/06/2014)  e  28/02/2015  (apuração  01/07/2014  a  31/12/2014).  Estes  instrumentos  instruem  o  processo  por  meio  de  arquivo  não  paginável  intitulado  "Arquivo  Não  Paginável  ­  Acordos  e  CCT  que  tratam  da  PLR_Acordos e CCT que tratam da PLR".  Análise das Convenções Coletivas  Analisando  as  Convenções  Coletivas  deste  autos,  compreendo  que,  a  despeito  das  datas  em  que  subscritas  em  definitivo,  considerando  sua  complexidade  negocial,  bem  como  havendo  tempo  razoável  para  a  apuração  do  lucro,  tendo  sido  elas  firmadas com base em índice de lucratividade, de modo a atender ao objetivo de integrar o  capital e o trabalho, sendo lastreadas, especialmente, no inciso I do § 1.º do art. 2.º da Lei  10.101, estando  focada no "lucro" (e não no  resultado),  inclusive se  inexistir o  lucro não  sendo devida e naquele momento não estando definitivamente apurado o  lucro anual, daí  tendo  um caráter  aproximado das  "gratificações  de  desempenho",  o  que,  para  a doutrina  trabalhista, o seu recebimento independeria diretamente de fatores e condutas específicas e  diretamente  ligadas ao empregado, entendo que deve se moderar o entendimento relativo  ao  chamado  ajuste  prévio,  podendo,  para  estes  instrumentos,  serem  validados  como  "prévios", uma vez que finalizados antes do conhecimento do lucro do ano.   É que, se a PLR acordada tem por base "lucros", como, por exemplo, a  pessoa jurídica alcançar um determinado "índice de lucratividade", em verdade, como não  é possível exigir condutas predefinidas que diretamente contribuam para alcançar o índice  almejado,  pois  atingir  o  indicador  de  lucratividade  nem  sempre  vai  depender  de  um  específico  comportamento  volitivo  do  trabalhador,  considerando  que  inúmeros  aspectos,  fatores e situações concretas podem interferir na lucratividade, independentemente do agir  humano  e  da  própria  vontade  dos  agentes  econômicos,  não  se  pode  ser  tão  rigoroso  em  relação ao prazo da concretização final da negociação da PLR durante o exercício. Neste  Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.466          27 tipo de negociação prevalece, com mais ênfase, a integração do capital e do trabalho, o que  resta atendido com as convenções coletivas.  Veja­se que as convenções foram firmadas com base no lucro líquido, de  modo que, uma vez apresentado prejuízo, estaria o banco isento do pagamento.  Assim,  resta  superado  um  dos  argumentos  utilizados  pela  fiscalização  para descaracterizar a natureza das PLR's pagas com base nas convenções coletivas. Porém,  como existem outros pontos a serem enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em  mais de um motivo determinante, mantenho a análise.  Análise dos Acordos Coletivos  Analisando,  doravante,  os  Acordos  Coletivos  destes  autos  observo  que  diferentemente das convenções deste processo o seu espectro é mais amplo. Eles não focam  apenas  em  índice  de  lucratividade,  como  as  convenções  colacionadas.  Enquanto  as  convenções  do  caso  concreto  focam  no  lucro  e  na  sua  partilha,  os  acordos  coletivos  colmatados nos fólios eletrônicos tem claro objetivo em metas, isto é, em resultados.   Veja­se  que,  diversamente  das  convenções  destes  autos,  os  acordos  coletivos  do  caderno  processual  dizem  que  os  programas  tem  como  objetivo:  (i)  alinhar  objetivos  entre  banco  e  empregados;  (ii)  estimular  a  performance  e  a  criatividade  dos  empregados  com  foco  no  aumento  do  resultado  para  o  banco  dentro  de  níveis  aceitáveis/prudentes de risco;  (iii) reconhecer o esforço  individual de cada empregado no  alcance de melhores  resultados, por  intermédio de metas pré­estabelecidas,  (iv) distribuir  lucros ou resultados aos empregados, como forma de reconhecimento do esforço. Pode, até  mesmo, haver pagamento sem lucro.   Dito  com  outras  palavras,  a  partir  da  análise  da  Lei  n.º  10.101,  os  Acordos Coletivos analisados nestes autos não se direcionam exclusivamente ao inciso I do  § 1.º  do  art.  2.º, mas  também e,  em especial,  ao  inciso  II  da Lei n.º  10.101, objetivando  alcançar resultados, produtividade e, para isso, penso que subscrevê­los ao final do quarto  trimestre do respectivo exercício social não se afigura atender ao preceito do ajuste prévio  para incentivar, verdadeiramente, a produtividade. O quarto trimestre é o final do período  aquisitivo, o final do ano­calendário ou, como queiram, do ano­base.  Veja­se as datas dos acordos:  d)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  –  Programa  Próprio  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  datado  de  10/08/2012,  com  vigência  retroativa  no  período  de  01/01/2012  a  31/12/2012,  com  pagamento  convencionado  para  ocorrer  até  31/08/2012  (apuração  01/01/2012  a  30/06/2012)  e  28/02/2013  (apuração  01/07/2012  a  31/12/2012);  e)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  –  Programa  Próprio  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  datado  de  17/12/2013,  com  vigência  retroativa  no  período  de  01/01/2013  a  31/12/2013,  com  pagamento  convencionado  para  ocorrer  até  31/08/2013  (apuração  01/01/2013  a  Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.467          28 30/06/2013)  e  28/02/2014  (apuração  01/07/2013  a  31/12/2013); e  f)  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  –  Programa  Próprio  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  –  Exercício  2014,  datado  de  11/12/2014,  com  vigência  retroativa  no  período  de 01/01/2014 a 31/12/2014, com pagamento convencionado  para  ocorrer  até  31/08/2014  (apuração  01/01/2014  a  30/06/2014)  e  28/02/2015  (apuração  01/07/2014  a  31/12/2014).  Excetuado  o  Acordo  firmado  em  2012,  os  ACT's  firmados  em  2013  e  2014  não  são  apresentam  tempestivos  para  suas  finalidades,  de  modo  a  desvirtuar  o  objetivo pretendido na Lei 10.101. O fato de haverem negociações prévias e se repetirem  no  tempo  não  os  válida,  quando  muito,  teríamos  meras  expectativas,  enquanto  não  efetivamente subscrito para validação certa e acabada.  No  objetivo  de  atingir  resultados,  diferentemente  do  foco  em  lucros,  pode­se esperar uma efetiva participação do trabalhador, desejando­se que ele atinja metas  e marcas específicas, as quais precisa conhecer, daí ser exigido o prévio ajuste, alcançando  resultados  concretos,  ainda  que  departamentalizados  ou  setorizados,  precisando  conhecer  com antecipação sua metas, tarefas e encargos, suas obrigações, precisando ser gerenciado  conforme boas práticas de administração e de pessoal, devendo­se exigir que a negociação  seja  concretizada  mais  celeremente  considerando  o  período  aquisitivo,  demais  disto  o  âmbito da negociação, apesar de ainda complexo, é bem mais curto do que uma convenção  coletiva.  Por isso, quando a negociação se direciona aos "resultados", o destaque é  o incentivo à produtividade, sendo secundária a integração capital e trabalho (a partilha do  lucro). Relembre­se que  a Lei n.º 10.101  tem duas pilastras  independente que podem ser  elegíveis  em  conjunto  ou  independentes:  a)  integrar  capital  e  trabalho;  e  b)  incentivar  a  produtividade.  Aliás,  nas  negociações  que  se  relacionam mais  aos  resultados,  ainda  que  inexista o "lucro", tem­se que efetuar a quitação da PLR que for negociada.  Quando a Lei n.º 10.101, de 2000, fala em "pactuados previamente" ela  trata no mesmo enunciado prescritivo de "programas de metas, resultados e prazos"  (art.  2.º,  §  1.º,  II).  Ela  não  cuida  dos  critérios  "índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa"  (art.  2.º,  §  1.º,  I)  em  conjunto  com  o  termo  "pactuados  previamente", como faz naqueloutra ocasião. Este é exclusivo daquele primeiro grupo.  Por  fim,  quanto  ao  Acordo  Coletivo  de  2012,  fazendo  um  corte  metodológico  para  analisar  apenas  este  aspecto,  já  que  é  o  único  que  foge  a  regra  de  assinatura ao  final do quarto  trimestre,  penso que  estão hígidos  e válidos  os pagamentos  realizados sob sua égide, portanto não sofrendo incidência de contribuições. Decerto, para  a concreta não incidência, precisar­se­á atender outros parâmetros ainda a serem analisados  neste voto.  Ora,  eles  foram  firmados  em  10/08/2012,  com  vigência  retroativa,  é  verdade, para o período de 01/01/2012 a 31/12/2012,  todavia com tempo razoável, ainda,  para  que  a  classe  trabalhadora  pudesse  se  motivar  a  alcançar  e  perseguir  resultados  especiais, inclusive pela motivação e certeza assegurada com a subscrição do instrumento e  Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.468          29 havendo  tempo razoável para o  fim do exercício, apesar de  já  iniciado e em pleno curso.  Para mim, aliás, o efeito psicológico, quiçá, seja até maior frente a uma percepção que os  empregados pudessem apropriar acerca da possibilidade de não existir a PLR para o ano­ base,  incentiva­se,  certamente,  e  muito,  à  produtividade  o  "correr  atrás"  das  metas  para  fazer  jus  a  PLR.  Além  disto,  neste  caso,  as  deliberações  anteriores  e  convocação  de  Assembleia Geral Extraordinária (AGE), pela Entidade Sindical  respectiva, para deliberar  especialmente  as  propostas  do Acordo Coletivo,  decerto  se  somam para  a moderação  da  regra de ajuste prévio.   Assim,  resta  parcialmente  superado  outro  argumento  utilizado  pela  fiscalização para descaracterizar  a natureza das PLR's pagas. Porém,  como existem mais  pontos  a  serem enfrentados,  vez que o  auto de  infração é  lastreado em diversos motivos  determinantes e independentes, mantenho a análise. Porém, como existem outros pontos a  serem  enfrentados,  vez  que  o  auto  de  infração  é  lastreado  em  mais  de  um  motivo  determinante, prossigo na análise para que ocorram todos os enfrentamentos.  ­ Existência de metas e regras claras e objetivas   A contribuinte alega que as acusações de  inexistência de regras claras e  objetivas não merecem prosperar.   Pois bem. Analisando as regras das convenções coletivas concordo com a  defesa,  pois  são  muito  claras  e  elucidativas,  veja­se,  por  exemplo,  o  seguinte  trecho  da  Convenção de 2012, que se repete nas demais:  Cláusula 1.ª  Ao empregado admitido até 31.12.2011, em efetivo exercício  em 31.12.2012, convenciona­se o pagamento pelo banco, até  01.03.2013, a título de PLR, até 15% (quinze por cento) do  lucro líquido do exercício de 2012, mediante a aplicação das  regras estabelecidas nesta cláusula:  I . REGRA BÁSICA    Esta parcela corresponderá a 90% (noventa por cento)  do  salário­base  acrescido  das  verbas  fixas  de  natureza  salarial, reajustados em setembro/2012, mais o valor fixo de  R$ 1.540,00 (um mil, quinhentos e quarenta reais), limitada  ao valor individual de R$ 8.414,34 (oito mil, quatrocentos e  catorze  reais  e  trinta  e  quatro  centavos).  O  percentual,  o  valor  fixo  e  o  limite  máximo  convencionados  na  REGRA  BÁSICA  observarão,  em  face  do  exercício  de  2012,  como  teto, o percentual de 13% (treze por cento) e, como mínimo,  o  percentual  de  5%  (cinco  por  cento)  do  lucro  líquido  do  banco.  Se  o  valor  total  da  REGRA  BÁSICA  da  PLR  for  inferior a 5%  (cinco por  cento) do  lucro  líquido do banco,  no exercício de 2012, o valor individual deverá ser majorado  até  alcançar  2,2  (dois  inteiros  e  dois  décimos)  salários  do  empregado e limitado ao valor de R$ 18.511,54 (dezoito mil,  quinhentos  e onze  reais  e cinquenta e quatro  centavos), ou  até que o valor total da REGRA BÁSICA da PLR atinja 5%  (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro.    I.a) No pagamento da REGRA BÁSICA da PLR o banco  poderá compensar os valores  já pagos ou que vierem a ser  Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.469          30 pagos,  a  esse  título,  referentes  ao  exercício  de  2012,  em  razão de planos próprios.  II . PARCELA ADICIONAL    O  valor  desta  parcela  será  determinado  pela  divisão  linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do  lucro  líquido  do  exercício  de  2012,  pelo  número  total  de  empregados  elegíveis  de  acordo  com  as  regras  desta  convenção,  em  partes  iguais,  até  o  limite  individual  de  R$  3.080,00 (três mil e oitenta reais).    II.a)  A  parcela  adicional  não  será  compensável  com  valores devidos em razão de planos próprios.  Parágrafo Primeiro  O  empregado  admitido  até  31.12.2011  e  que  se  afastou  a  partir  de  01.01.2012,  por  doença,  acidente  do  trabalho  ou  licença­maternidade,  faz  jus  ao  pagamento  integral  da  Participação nos Lucros ou Resultados, ora estabelecido.  Parágrafo Segundo  Ao  empregado admitido  a  partir  de  01.01.2012,  em efetivo  exercício  em  31.12.2012, mesmo  que  afastado  por  doença,  acidente do trabalho ou  licença­maternidade, será efetuado  o  pagamento  de  1/12  (um  doze  avos)  do  valor  estabelecido,  por  mês  trabalhado  ou  fração  igual  ou  superior  a  15  (quinze) dias. Ao afastado por doença, acidente do trabalho  ou licença­maternidade fica vedada a dedução do período de  afastamento para cômputo da proporcionalidade.  Parágrafo Terceiro  Ao empregado que tenha sido ou venha a ser dispensado sem  justa  causa,  entre  02.08.2012  e  31.12.2012,  será  devido  o  pagamento, até 01.03.2013, de  1/12  (um doze avos) do valor  estabelecido no caput, por mês  trabalhado, ou fração  igual  ou superior a 15 (quinze) dias.  Parágrafo Quarto  O  banco  que  apresentar  prejuízo  no  exercício  de  2012  (balanço  de  31.12.2012)  estará  isento  do  pagamento  da  Participação nos Lucros ou Resultados.  Aliás, diante disto, inclusive, a controvérsia parece estar mais nos acordos  coletivos  2013  e  2014  e  é  nisto  que  foca  a  defesa.  Embora  os  acordos  coletivos  sejam  intempestivos,  com exceção do de 2012, na  forma da análise  anterior,  en passant,  penso  que, respeitosamente, consignando manifestação própria em obiter dictum, neste ponto não  assistiria razão a fiscalização, vez que claras e objetivas são as regras de todos eles e o fato  de  se  remeter  o  detalhamento  das  minúcias  de  tais  regras  e  metas  para  documentos  apartados não lhes afasta a clareza.  Neste  diapasão,  cite­se  ementa  de  decisão  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, verbis:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  PAGAMENTO  EM  CONFORMIDADE  COM  A  LEI  N.º  10.101/2000.  O  método  de  pagamento  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a  Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.470          31 lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na  fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as  regras  acordadas  sejam  claras  e  objetivas,  podendo  inclusive  estarem  escritas  em  documento  apartado,  desde  que  haja  menção  ao  mesmo  no  acordo  ou  convenção  coletiva.  Na  hipótese  dos  autos  a  negociação  das  metas  claras  e  objetivas  por  meio  de  documento  apartado  por  si  só  não  inviabiliza a condução do isenção.  (Acórdão n.º 9202­007.012, de 20/06/2018)  Assim,  estaria  superado  um outro  argumento  utilizado  pela  fiscalização  para  descaracterizar  a  natureza  das  PLR's  pagas  aos  Empregados.  Porém,  como  existem  outros pontos a serem enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em mais de um  motivo determinante, mantenho a análise.  ­ Fixação de valor mínimo a ser pago a título de PLR  A  fiscalização  não  concorda  que  os  planos  de  pagamento  de  PLR,  por  quaisquer formas que tenha sido celebrados, prevejam pagamento mínimo e diante disto se  insurge a recorrente.  Pois  bem.  Neste  ponto,  assiste  razão  a  defesa,  tendo  em  vista  que  a  previsão  de  pagamento  mínimo  não  desvirtua  o  plano,  mantém  a  integração  capital  e  trabalho, demais disto é moderada a sua previsão (em valor ínfimo) e, importantíssimo que  se diga, não necessariamente está condicionado a ausência de alcance de qualquer índice de  lucratividade  ou  de meta de  produtividade, mas  sim  assegura  um mínimo de  valor  a  ser  recebido como garantia ao trabalhador tratando­se de um direito social fruto de negociação  coletiva.  Veja­se  que,  do  ponto  de  vista  de  resultados,  foco  no  incentivo  à  produtividade,  o  trabalhador,  por  corolário  lógico,  terá  alguma  contribuição  para  o  trabalho,  então,  por  regra,  não  deve  ser  usual,  nem  crível  que  não  apure  qualquer  produtividade, porém seu desempenho pode  ser mais baixo do que o de  seus pares, mas  como,  de  certo  modo,  terá  contribuído  para  a  empresa  receberá  um  modesto  valor  atendendo ao fim do direito social em foco. Antes de pensarmos nos aspectos fiscais, não  se  pode  olvidar  o  caráter  social  do  instituto  e  a  negociação  coletiva  imposta  para  seu  nascedouro,  sendo  certo  que  as  entidades  sindicais  fazem  ampla  proteção  aos  seus  tutelados, de modo que não havendo prova de qualquer excesso, fraude ou dolo para este  específico aspecto, o apontamento genérico da fiscalização não se sustenta.  Por  sua  vez,  do  ponto  de  vista  do  lucro,  foco  na  integração  trabalho  e  capital, o pagamento da PLR atrelado ao auferimento de lucros, prevendo­se em contrário a  ausência  da  verba,  não  pode  ter  por  abusiva  a  previsão  de  um  pré­determinado mínimo  valor  assegurado  a  classe  trabalhadora,  sobretudo  em  valor  ínfimo  como,  em  regra,  é  estabelecido e em prol de toda a categoria, não invalidando o efetivo pagamento.  Neste sentido, tem­se o Acórdão CARF n.º 2402­006.431, de 04/07/2018.  Assim,  resta  superado  outro  argumento  utilizado  pela  fiscalização  para  descaracterizar  a  natureza  das  PLR's  pagas.  Porém,  como  existem mais  pontos  a  serem  Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.471          32 enfrentados, vez que o auto de  infração é  lastreado em diversos motivos determinantes e  independentes, mantenho a análise.  ­  Suposto  caráter  substitutivo  da  remuneração  atribuído  aos  pagamentos realizados a título de PLR  A fiscalização sustenta que por serem às vezes verbas em valor superior  ao salário se consubstanciaria caráter substitutivo da remuneração, a qual pode ser variável.  Mais uma vez, insurge­se a recorrente.  Pois bem. Neste ponto, penso que assiste razão a defesa, uma vez que a  autoridade  fiscal não demonstrou a contento  razões  fáticas efetivas para  suas conclusões.  Ora,  os  lucros  das  empresas  podem  ser  significativos,  variando  de  ano­a­ano  e  havendo  PLR negociada com base em  lucros auferidos  a  serem partilhados, então quanto maior o  lucro  maior  será  a  PLR  recebida.  Ademais,  a  PLR  tem  por  objetivo  desprender­se  do  salário. A contrario  sensu,  a  fiscalização  efetivou alguns  cálculos  comparativos  como  se  estivesse ligada ao salário. Em nenhum momento a Lei n.º 10.101 fala em limites mínimos  ou máximos ou manter se comparar salário x PLR. O mero comparativo assistemático não  desvirtua  o  instituto.  Sem  razão  a  fiscalização.  No  mesmo  sentido  Acórdão  CARF  n.º  2402­006.431, de 04/07/2018, verbis:  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  À  SEGURIDADE  SOCIAL.  PLR. MONTANTE DOS VALORES PAGOS E FORMA DE  PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.  1.  A  grande  lucratividade  das  instituições  financeiras  faz  com  que  o  montante  dos  lucros  ou  resultados  a  serem  distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar  uma  quantia  considerável  quando  comparada  com  a  remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em  percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior  a  participação  a  ser  paga  ao  empregado,  o  que  de  forma  alguma descaracteriza o benefício. Nessa hipótese, maior é a  concretização  do  direito  social  e  maior  é  a  realização  do  princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior  medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o  dono do capital.  2. Quanto maior  o  impacto  de  uma categoria  na  formação  do  lucro,  maior  pode  ser  a  sua  participação.  A  desproporção,  por  si  só,  não  milita  em  desfavor  da  contribuinte,  mas  está  de  acordo  com  a  sua  finalidade  primordial: a geração de lucros.  Assim,  resta  superado  outro  argumento  utilizado  pela  fiscalização  para  descaracterizar  a  natureza  das  PLR's  pagas.  Porém,  como  existem mais  pontos  a  serem  enfrentados, vez que o auto de  infração é  lastreado em diversos motivos determinantes e  independentes, mantenho a análise.  ­ Conclusão da análise da rubrica PLR EMPREGADOS  Considerando o até aqui analisado, como os Acordos Coletivos de 2013 e  2014  só  foram  assinados  nos  últimos  dias  dos  respectivos  meses  de  dezembro,  neste  especial ponto assiste  razão a  fiscalização, de modo que  todos os pagamentos  relativos à  Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.472          33 PLR  ligada  a  eles  sofrem  incidência  de  contribuições,  competências  agosto  de  2013,  fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014. Porém, com relação ao ACT 2012,  este  deve  ser  afastado  do  lançamento,  tendo  razão  a  defesa,  decotando  do  lançamento  competências fevereiro de 2013, março/2013.  PLR DIRETORES ESTATUTÁRIOS  COM DECLARADO VÍNCULO DE EMPREGO   ­  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  de  diretores  estatutários  com declarado vínculo de emprego  Por  vários  argumentos,  a  defesa  sustenta  serem  os  diretores  com  declarado  vínculo  de  empregado  elegíveis  ao  recebimento  da  PLR  com  as  benesses  em  comento, enquanto que a fiscalização nega essa possibilidade, especialmente destacando os  poderes estatutários e o plano de remuneração da administração, com pagamento de PLR,  inclusive com a entrega de ações.  A defesa avança alegando ausência de provas para a desconsideração do  vínculo  empregatício  existente  entre os  diretores  empregados  e o  recorrente  (presunção),  aduz  o  dever  de  unicidade  do  direito  (existência  da  figura  do  diretor  empregado  no  ordenamento  jurídico pátrio),  continua sustentando a  indevida presunção de que  todos os  diretores  sejam  Administradores  e  aduz  a  inexistência  de  previsão  legal  que  autorize  a  desconsideração da natureza dos pagamentos efetuados aos diretores e a possibilidade de  pagamento de PLR com base na Lei n.º 10.101. Alega, ainda, que haveria nulidade, vez que  a decisão de piso teria mudado o critério jurídico ao alegar que não houve o enquadramento  na  Lei  10.101,  ao  invés  de  tratar  exclusivamente  da  subordinação  jurídica  ou  não,  bem  como porque teria descaracterizado a relação de emprego.  Pois  bem.  Inicialmente,  entendo  que  não  existe  a  nulidade,  pois  a  fiscalização  também destacou este ponto do não cumprimento da Lei 10.101 ao  tratar do  plano  de  remuneração  dos  administradores  (item  6.38  do  relatório  fiscal,  e­fl.  684).  Também, não vejo que a decisão de piso tenha descaracterizado o vínculo de emprego. Em  verdade, ainda que superficialmente, a fiscalização já o fez quando informou que o diretor  empregado pelo só fato de ser administrador não poderia manter a qualidade de empregado.  Em  continuidade,  observo  que  no  relatório  fiscal  vê­se  que  o  plano  de  remuneração da administração, com pagamentos de PLR, inclusive com a entrega de ações,  não está vinculado aos preceitos da Lei 10.101 ou a negociação com participação sindical,  sendo  instrumentalizada  por  meio  próprio  destoante  das  regras  da  lei  específica,  sendo  trazidos a exemplificação pela fiscalização e estando colacionado aos autos (e­fls. 429/471  e  seguintes).  Ademais,  ele  consta  como  aprovado  sempre,  exclusivamente,  por  órgãos  estatutários  (por  exemplo,  e­fls.  216/227,  258/269)  e  no  termo  de  intimação  consta  que  sequer foram assinados (e­fls. 35).  Nos  autos  consta  a  afirmativa  da  empresa  dizendo,  inclusive,  que  (e­fl.  484): "O plano de remuneração dos administradores produz efeito a partir da adesão do  administrador  mediante  assinatura  do  termo  de  adesão  e  contrato  bilateral."  Noutra  passagem  temos  a  assertiva  que:  "O  Banco  ABC  Brasil  tem  a  política  (Plano)  de  remuneração  dos  administradores  aprovada  pelo  Comitê  de  Remuneração"  (e­fl.  486).  Esclarece­se, também, que (e­fl. 487):  Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.473          34   Os  documentos  já  apresentados  constituem  a  política  (Plano)  de  remuneração  dos  administradores  desde  2012.  Os mesmos são de prazo indeterminado e deram suporte às  entregas de ações em 2013 e 2014.    A política (Plano) de remuneração dos administradores  incluí  a  remuneração  baseada  em  ações.  As  assinaturas  constam  dos  contratos  bilaterais  e  termos  de  adesão  à  política de remuneração.    A política não contém assinatura já que tal formalidade  foi  cumprida  na  aprovação  da  política  pelo  Comitê  de  Remuneração. Caso  essa  fiscalização  entenda necessária  a  aposição  de  assinaturas  nesse  documento  o  Banco  ABC  Brasil fica à disposição para providenciar essa formalidade.  Não  resta dúvidas nos  autos,  aliás, de que as PLR's aos diretores  foram  baseadas  nestes  planos  de  remunerações  e,  como  dito,  a  fiscalização,  no  relatório  fiscal,  conclui  no  tópico  da  PLR  aos  diretores  empregados  que  (e­fl.  684):  "6.38  À  guisa  de  conclusão,  o  pagamento  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  somente  estará  desvinculado  da  remuneração  e,  consequentemente,  fora  do  campo  de  incidência  das  contribuições previdenciárias, quando pago de acordo com os termos e requisitos da Lei  n.º 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A participação paga a administradores integra o  salário de contribuição, ficando, pois, sujeita à incidência das contribuições em tela." Nos  itens  seguintes  (especialmente  itens  6.40,  e­fl.  684,  e  6.43,  e­fl.  688)  a  fiscalização  apresenta os excertos do plano que validou as PLR's aos diretores.  Então,  o  fato  é  que  estes  diretores  com  declarado  vínculo  de  emprego  receberam PLR fora dos parâmetros da Lei n.º 10.101, sendo legitimados pelos planos de  remuneração  da  diretoria  sempre  autorizados  pelos  órgãos  estatutários  e  não  por  negociação com participação sindical.  Vejo, também, que é incontroverso nos autos que os chamados "Diretores  Empregados" da recorrente estão devidamente declarados em GFIP, DIRF e DIPJ, além de  constarem  em  "folha  de  pagamento"  como Empregados. A  própria  fiscalização  afirma  e  constata isso, no entanto pondera que no seu refletir, face aos poderes dados pelo Estatuto,  tratam de fato ­ e, portanto, também, de direito ­, como Contribuintes Individuais e, só por  isso,  afasta  a  condição  de  empregados,  não  adentra  nos  requisitos  da  subordinação,  do  vínculo de emprego.  De  toda  sorte,  tenho  que  dizer  que  o  lançamento  é  de  contribuições  devidas por "segurados individuais". A motivação do auto de infração foi recebimento de  valores por "segurados individuais". A fiscalização faz esse enquadramento apenas porque  os  diretores  empregados  são  "Administradores"  e  porque  receberam  conforme  o  famigerado  plano  de  remuneração  da  administração.  Ora,  cabia  a  administração  afastar  motivadamente o vínculo de subordinação, que conceitua o vínculo de emprego.  Penso  que  o  só  fato  de  serem  diretores  estatutários  não  é  motivo  suficiente para se afastar a condição de empregados que possuem. Precisava a fiscalização  apontar os elementos concretos, objetivos, que levava a afastar o vínculo de subordinação,  o  vínculo  de  emprego.  Observo,  inclusive,  que  a  fiscalização  em  nenhum  momento  se  aprofundou sobre os vínculos de emprego ou emitiu intimação para a contribuinte prestar  algum esclarecimento sobre o assunto.  Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.474          35 De mais a mais, o assunto conta com vários precedentes no CARF, a teor  dos Acórdãos ns.º 2202­004.712, de 09/08/2018; 2201­004.565, de 06/06/2018;      2401­ 005.847, de 07/11/2018; 2401­005.676, de 07/08/2018;  2401­004.795, 10/05/2017. Além  disto,  cito  o  Acórdão  n.º  2201­003.655,  06/06/2017,  que  possui  pequeno  distinguishing,  mas reflete, em linhas gerais, o mesmo raciocínio.  Além disto, tem­se, outrossim, a Solução de Consulta Cosit n.º 16, de 14  de março de 2018, nestes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  EMENTA  :  DIRETOR  DE  SOCIEDADE  ANÔNIMA.  CONDIÇÃO  DE  SEGURADO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  LEI  N.º  10.101,  DE  2000.  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO.  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL.  O  diretor  estatutário,  que  participe  ou  não  do  risco  econômico  do  empreendimento,  eleito  por  assembleia  geral  de  acionistas  para  o  cargo  de  direção  de  sociedade  anônima,  que  não  mantenha  as  características  inerentes à  relação de  emprego, é  segurado  obrigatório  da  previdência  social  na  qualidade  de  contribuinte  individual,  e  a  sua  participação  nos  lucros  e  resultados  da  empresa  de  que  trata  a  Lei  n.º  10.101,  de  2000,  integra  o  salário­de­contribuição,  para  fins  de  recolhimento das contribuições previdenciárias.   SEGURADO  EMPREGADO.  O  diretor  estatutário,  que  participe  ou  não  do  risco  econômico  do  empreendimento,  eleito  por  assembleia  geral  de  acionistas  para  cargo  de  direção  de  sociedade  anônima,  que  mantenha  as  características inerentes à relação de emprego, é segurado  obrigatório  da  previdência  social  na  qualidade  de  empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da  empresa de que trata a Lei n.º 10.101, de 2000, não integra  o  salário­de­contribuição,  para  fins  de  recolhimento  das  contribuições previdenciárias.  SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE  CONSULTA  COSIT  N.º  368,  DE  18  DE  DEZEMBRO  DE  2014.  Dispositivos Legais: Lei n.º 8.212, de 1991, art. 12, incisos I,  alínea “a”, e V, alínea “f”, art. 22,  incisos  I e III, § 2.º,  e  art. 28, incisos I e III, e § 9.º, alínea “f”; Lei n.º 10.101, de  2000,  arts.  1.º  a  3.º;  Decreto  n.º  3.048,  de  1999,  art.  9.º,  incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, e §§ 2.º e 3.º.  Ora,  se  a  própria  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  na  citada  solução de consulta, prevê a possibilidade de existir o "diretor empregado", não poderia a  fiscalização  unicamente  afirmar  que  esta  figura  é  qualificável  como  "contribuinte  individual" pela só circunstância de ser diretor, caso contrário, estaria sendo contraditória.  Neste  pensar,  em  realidade,  a  figura  do  "diretor  empregado"  nunca  existiria  para  a  finalidade  indicada  na  dita  solução  de  consulta.  Este  comportamento  é  contraditório  e  considerado proibido  sob o prisma da ordem  jurídica vigente  (nemo potest  venire  contra  factum proprium).   Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.475          36 Penso,  inclusive,  que,  desde  a Solução  de Consulta Cosit  n.º 368, de 18  de  dezembro  de  2014,  gerou­se  nos  administrados  legítima  expectativa  quanto  a  possibilidade de existir o chamado "diretor empregado", especialmente sob a ótica da boa­ fé objetiva, no âmbito da tutela da confiança na relação fisco­contribuinte.  Neste sentido, o dever de agir conforme a boa­fé, evitando­se a prática de  comportamentos  contraditórios,  contrários  ao  direito  positivo  em  seu  amplo  referencial  normativo,  também  é  exigido  da  Administração  Tributária  e  é  imprescindível  para  a  concepção  de  estabilidade  e  de  segurança  jurídica  no  viés  hodierno  da  análise  jurídica.  Desde  idos  de  1956,  com  decisão  inovadora  do  Superior  Tribunal  Administrativo  de  Berlim propagava­se, de forma inédita no mundo, a aplicação do princípio de proteção da  confiança  na  relação  com  os  administrados,  objetivando­se  assegurar  estabilidade  nas  relações  jurídicas  exsurgidas  com  legítima  expectativa  do  administrado  por  condutas  da  Administração. Neste contexto, é oportuno consignar que o direito brasileiro agiu bem ao  adotar a proteção da confiança legítima, especialmente para garantir segurança jurídica as  relações  tuteladas  pelo  Estado,  inclusive  o  Parecer  PGFN/CDA n.º  2.025/2011  já  teve  a  oportunidade de confirmar que se aplica a teoria dos atos próprios ao Fisco, vedando­se o  comportamento contraditório da Administração Pública.  Dizer que o diretor empregado é administrador e que, por isso, não pode  ser empregado não é enfrentar a matriz do suposto problema.  Logo, entendo que não descaracterizado a contento o vínculo, mantém­se  a qualidade de empregado.  Dito  isto,  mantida  a  qualidade  de  empregado  o  auto  de  infração  se  apresenta  deficiente  ao  efetuar  o  lançamento  referente  a  contribuintes  individuais  (Lei  8.212, art. 22, III) ao invés de autuar como empregados que são (Lei 8.212, art. 22, I).  Sendo assim, com razão o recorrente neste capítulo.  ­ Gratificações aos diretores com declarado vínculo de emprego  Quanto  as  gratificações  pagas  aos  diretores  com  declarado  vínculo  de  emprego, seguem a mesma sistemática do capítulo anterior, sendo os diretores empregados  e  sendo  o  fundamento  do  auto  de  infração  "contribuintes  individuais",  não  se  sustenta  o  lançamento.  Sendo assim, com razão o recorrente neste capítulo.  ­ Compensação de ofício dos tributos recolhidos   Por fim, a defesa sustenta que recolheu contribuições previdenciárias ao  RAT/SAT sobre toda a remuneração dos diretores com declarado vínculo de emprego, de  modo que se  forem tributados como contribuintes  individuais pelos valores  recebidos em  litígio nestes autos, deve­se ordenar a compensação de ofício, posto que, nesta hipótese, a  tributação destas verbas se dá apenas no que se refere aos empregados.  Pois  bem. O  referido  pleito  resta  prejudicado,  de  toda  sorte,  se  fosse  o  caso, entendo que carece de competência a este Colegiado para determinar a compensação  Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 16327.721115/2017­45  Acórdão n.º 2202­005.192  S2­C2T2  Fl. 1.476          37 de ofício,  inclusive,  em  regra,  o pleito não  faz parte do  litígio que  é vertido  a discutir  o  lançamento efetivado pela fiscalização.  Tratando­se  de  compensação  o  procedimento  é  iniciado  pelo  próprio  sujeito passivo em sua unidade de origem, prescindindo da comprovação de crédito líquido  e  certo  (direito  creditório),  sendo  necessário  demonstrar  os  pagamentos  em  excesso  ou  indevidos. A compensação prescinde de procedimento próprio, na forma do art. 66 da Lei  n.º 8.383, de 1991, complementado pelo art. 39 da Lei n.º 9.250, de 1995, e, especialmente  no âmbito previdenciário, a compensação tem tutela na forma do art. 89 da Lei n.º 8.212,  de  1991,  estabelecendo­se  que  as  contribuições  sociais  previdenciárias  poderão  ser  compensadas  nas  hipóteses  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido  ou  maior  que  o  devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Logo, não havendo competência outorgada a este Colegiado, que analisa  outro litígio, não caberia manifestação sobre compensação não instaurada.  Conclusão quanto ao Recurso Voluntário  De  livre  convicção,  relatado,  analisado  e  por  mais  o  que  dos  autos  constam,  entendo  por  reformar  parcialmente  a  decisão  recorrida,  conhecendo  do  recurso  voluntário,  rejeitando  as  preliminares  e,  no  mérito,  dando­lhe  parcial  provimento  para  excluir do  lançamento os pagamentos a  título de PLR baseados nas convenções coletivas  relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados ­ fevereiro de  2013, março de 2013, agosto de 2013,  fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de  2014", os pagamentos a título de PLR baseados no acordo coletivo de 2012 relacionado a  rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados ­ fevereiro de 2013, março  de  2013",  os  pagamentos  a  título  de  PLR  de  Administradores  (PLA)  contribuintes  individuais  e  os  pagamentos  a  título  de  Gratificação  aos  Administradores  contribuintes  individuais.  Dispositivo  Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, DOU­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO,  para  excluir  do  lançamento  os  pagamentos  a  título  de  PLR  baseados  nas  "convenções  coletivas"  relacionado  a  rubrica  "Participação  nos  Lucros  ou  Resultados de Empregados ­ fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013, fevereiro  de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014"; os pagamentos a título de PLR baseados no  acordo coletivo de 2012 relacionado a  rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de  Empregados  ­  fevereiro  de  2013,  março  de  2013";  os  pagamentos  a  título  de  PLR  de  Administradores (PLA) contribuintes individuais; e os pagamentos a título de Gratificação  aos Administradores contribuintes individuais.  É como Voto.    (assinado digitalmente)  Leonam Rocha de Medeiros ­ Relator              Fl. 1476DF CARF MF

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Numero do processo: 13888.908269/2012-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T1  Fl. 2          1 1  S3­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.908269/2012­91  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3001­000.190  –  Turma Extraordinária / 1ª Turmaa  Data  16 de abril de 2019  Assunto              Recorrente  ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade  de  Origem,  para  tomar  conhecimento  dos  documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos  termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o  pedido de diligência.      (assinado digitalmente)  Marcos Roberto da Silva ­ Presidente.      (assinado digitalmente)  Francisco Martins Leite Cavalcante ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva,  Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.      RELATÓRIO  Por  bem  resumir  os  fatos,  adoto  por  transcrição  o  suscinto  relatório  do  v.  Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 26 9/ 20 12 -9 1 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13888.908269/2012­91  Resolução nº  3001­000.190  S3­C0T1  Fl. 3          2 DESPACHO DECISÓRIO   O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o  Despacho  Decisório  nº  rastreamento  41035273  emitido  eletronicamente  em  05/12/2012,  referente  ao  PER/DCOMP  nº  37640.17967.281111.1.3.04­1969.  A Declaração de Compensação gerada pelo  programa PER/DCOMP  foi  transmitida  com  o  objetivo  de  compensar  o(s)  débito(s)  discriminado(s)  no  referido  PER/DCOMP  com  crédito  de  COFINS,  Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de  R$44.482,88,  decorrente  de  recolhimento  com  Darf  efetuado  em  24/09/2010.  De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do  DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados  um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO  FOI HOMOLOGADA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172  de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN), art. 74  da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE   Cientificado  do  Despacho  Decisório  em  17/12/2012,  o  interessado  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  em  16/01/2013,  ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos  fatos.  Em  preliminar,  argui  a  nulidade  do  despacho  decisório,  ante  a  aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e  do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para  a não­homologação da compensação declarada.  No mérito,  destaca  os  procedimentos  administrativos motivadores  do  PER/DCOMP,  tendo  ressaltado  que  a  empresa  está  submetida  à  incidência  não  cumulativa  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Leis  10.637/02  e  10.833/03,  tendo  procedido  à  revisão  dos  créditos  da  contribuição  ao PIS/Pasep  e  da Cofins,  do  período de  agosto/2006 a  junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.  No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior  de COFINS, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido  com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa  então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no  PER/DCOMP.  Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I  do  CTN  e  art.  74  da  Lei  9.430/96,  apurando  crédito  passível  de  restituição,  o  qual  pode  ser  compensado  com  débitos  próprios  do  Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13888.908269/2012­91  Resolução nº  3001­000.190  S3­C0T1  Fl. 4          3 contribuinte, não havendo razão  justificável para a não homologação  da compensação declarada.  Ao  final,  requer,  preliminarmente,  o  reconhecimento  da  nulidade  do  despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente  manifestação  de  inconformidade  seja  provida,  culminando  no  reconhecimento integral da compensação.  A DRF de origem se manifestou pela  tempestividade da manifestação  de inconformidade, consoante documentos anexados.  No  mérito,  destaca  os  procedimentos  administrativos  motivadores  do  PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do  PIS  e  da Cofins,  nos  termos  das Leis  10.637/02  e 10.833/03,  tendo procedido  à  revisão  dos  créditos da contribuição  ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de  agosto/2006 a  junho/2011,  verificando  que  pagou  de  forma  indevida  e  a maior.Regularmente  cientificada  do  teor  do  v.  Acórdão  recorrido,  a  empresa  ingressou  com  Recurso  Voluntário  instruído  com  centena  de  documentos,  reiterando  suas  razões  impugnatórias  e  sustentando  mais  que:  (a)  ­  o  Fisco  laborou  realmente  em  nulidade  ao  não  atentar  para  as  normas  adequadas  de  regência;  (b)  ­  houve  cerceamento  ao  direito  de  defesa  do  contribuinte  pela  falta  de  análise  das  provas  apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a  verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material,  o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) ­ o simples fato de a DCTF não ter  sido  retificada  pelo  contribuinte,  e  portanto  estar  divergente  do  DACON,  não  poderia  ser  suficiente  para  indeferir  o  pedido  da  empresa,  visto  que  a mesma  (DCTF)  por  si  só,  não  é  garantia  de  liquidez  ou  certeza  da  compensação,  consoante  já  decidido  através  do  Acórdão  3302­002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF.  Arrimado  na  doutrina  de  Alexandre  Gomes  e  em  julgados  deste  Conselho,  argumentou  que  não  pode  o  julgador  simplesmente  alegar  a  inexistência  do  crédito  com  simples  base  na  conferência  da  DCTF,  sem  analisar  os  demais  documentos  pertinentes  à  operação.  A  própria  2ª  Turma  da  DRJ/BH  deveria  ter  se manifestado  sobre  o  conteúdo  do  DACON  retificador  e  solicitado  diligência  para  apurar  as  divergências  entre  o DACON  e  a  DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo.  Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês  de  julho  de  2011,  a  Recorrente  ter  realizado  uma  revisão  dos  seus  créditos  da  contribuição  PIS/PASEP  e  da COFINS  tomados  no  período  de  agosto  de  2006  a  junho  de  2011,  quando  ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços  de  ferramentaria,  usinagem de  peças e de manutenção de máquinas;  armazenagem de mercadorias;  serviços  de  transporte  (frete)  e  aquisições  de  materiais  e  peças  para  a  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos  e  outros  insumos,  o  que  resultou  no  seu  pagamento  da  contribuição  PIS/Pasep  e  da  COFINS a maior durante todo o período revisado".  Transcreve ementa do Acõrdão 3302­002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara,  do  CARF,  no  sentido  de  que  "o  direito  à  repetição  de  indébito  não  está  condicionado  à  prévia  retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.;  a DCTF (retificadora ou  original)  e  a  DACON  não  fazem  prova  da  liquidez  e  certeza  do  cfédito  a  restituir;  e  na  apuração  da  liquidez  e  certeza do  crédito  pleiteado,  deve­se  apreciar  as  provas  trazidas  pelo  contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador  simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem  analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando  Fl. 990DF CARF MF Processo nº 13888.908269/2012­91  Resolução nº  3001­000.190  S3­C0T1  Fl. 5          4 que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria  ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON  retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para  obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente  negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON..  Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante  aos  contribuintes  optante  pelo  regime  não  cumulativo  da  contribuição  ao  PIS/PASEP  e  COFINS  a  apropriação  dos  créditos  decorrentes  da  aquisição  de  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa.,  podendo­se  observar  que  "insumo"  e  "custo"  possuem  o  mesmo  significado,  representam  a  mesma  realidade,  a  dos  gastos  realizados  pela  empresa  na  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados na produção de outros bens e serviços   Na  sequêncvia,  foi  exarado  despacho  pela  DRF/Piracicaba,  encaminhando  o  Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 1032).  É o relatório.  VOTO  Francisco Martins Leite Cavalcante ­ Relator   A  tempestividade  do  Recurso  Voluntário  já  foi  reconhecida  pelos  órgãos  de  origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo.  Como  se  verifica  do  relatório,  a  divergência  reside  no  fato  de  que  (a)  ­  a  empresa  entende que  fez  a  retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e,  mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe  seja  restituído,  conforme  documentos  exibidos  com  sua  impugnação/manifestação  de  inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) ­ por sua vez, sustenta o  Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF  por DACON não caracteriza a  liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a  restituição  pretendida.  Registre­se  que  após  a Manifestação  de  Inconformidade,  e  até  a  prolação  do  Acórdão  recorrido,  a  discussão  girou  em  torno  da  alegada  intempestividade  da  impugnação,  culminando com o  reconhecimento da  tempestividade da defesa da empresa e o consequente  julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido.   Com  o  recurso  voluntário,  porém,  vieram  aos  autos  centenas  de  outros  documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas  na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) ­ à retificação da DCTF, embora  que  através  da  DACON;  corroborar  o  seu  alegado  erro  material;  (b)  ­  demonstrar  a  legitimidade  do  perseguido  crédito  tributário  cuja  restituição  cuida­se  neste  processo;  (c)  ­  insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de  defesa  ao  não  analisar  adequadamente  os  seus  documentos  comprobatório  de  seu  direito  à  restituição;  e,  (d)  ­  reiterar  que  não  pode  o  julgador  simplesmente  alegar  a  inexistência  do  crédito  com  simples  base  na  conferência  da  DCTF,  sem  analisar  os  demais  documentos  pertinentes à operação.  Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13888.908269/2012­91  Resolução nº  3001­000.190  S3­C0T1  Fl. 6          5 Entre  outros  documentos  exibidos  com  o  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes  empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a  existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição  pretendida nos termos da legislação de regência.  Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso  Voluntário,  não  foram  analisados  pelos  ilustres membros  do Colegiado  autor do  v. Acórdão  recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso.  A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já  se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido  em  16  de maio  de  2017,  quando  emitiu  o  Acórdão  nº  9303­005.065,  cuja  parte  da  ementa  pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis.  ............................................(omissis)........................................................  PROVAS  DOCUMENTAIS  NÃO  CONHECIDAS.  REVERSÃO  DA  DECISÃO  NA  INSTÂNCIA  SUPERIOR.  RETORNO  DOS  AUTOS  PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.  Considerado  equivocado  o  acórdão  recorrido  ao  entender  pelo  não  conhecimento  de  provas  documentais  somente  carreadas  aos  autos  após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar  à  instância  inferior  para  a  sua  apreciação  e  prolação  de  novo  Acórdão.  Com  arrimo  no  Acórdão  CSRF  9303­005.065  acima  mencionado,  diversos  processos  da  empresa  Autotrac  Comércio  e  Telecomunicações  Ltda.  foram  baixados  em  Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001­000.085,  de  10  de  julho  de  2018  (do  qual  fui  o  Relator),  para  que  a  Unidade  de  Origem  tome  conhecimento  dos  documentos  (e  argumentos)  carreados  aos  autos  após  o  Acórdão  daquele  órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos  Fiscais  ­  CSRF.  Do  meu  voto  que  resultou  na  mencionada  Resolução  nº  3001­000.085,  constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis.  Verifica­se,  porém, que a documentação e os  fundamentos que  foram  trazidos com o apelo a este Colegiado ­ e posteriormente reiterados e  complementados  nos  Embargos  Declaratórios  subsequentes  ­  não  passaram  pelo  crivo  e  apreciação  da  2ª  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Brasília  ­  Distrito  Federal,  prolatora  da  primitiva  decisão  colegiada  proferida  através do v. Acórdão 03­30.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de  março de 2009 (fls. 342/346).  ............................................(omissis)............................................  Registre­se,  por  outro  lado,  que  o  Recurso  Especial  do  contribuinte­ recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinando­se o  "retorno  dos  autos  ao  colegiado  de  origem  para  análise  de  novos  documentos  juntados  pelo  sujeito  passivo"  (fls.  655);  e,  no  voto  vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu  voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa  Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13888.908269/2012­91  Resolução nº  3001­000.190  S3­C0T1  Fl. 7          6 para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de  recurso voluntário.".  Diante  do  exposto,  coerente  com  o  voto  condutor  do  v.  Acórdão  da  CSRF  acima  citado,  tendo  em  conta  principalmente  a  parte  final  da  ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente  que  houve  supressão  de  instância,  VOTO  pela  conversão  do  julgamento  em Diligência para que o órgão  julgador de 1ª  instância,  no  caso  a  DRJ/BSA,  tome  conhecimento  dos  documentos  (e  argumentos)  carreados  aos  autos  após  o  Acórdão  por  ele  proferido,  nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais  ­ CSRF, através do Acórdão 9303­005.065 ­ 3ª Turma..  Acrescente­se mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de  Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras  do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário ­ assim  entendido  aqueles  que  não  foram  exibidos  e/ou  apreciados  pela  turma  julgadora  singular  ­­  devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscando­se, assim, a  verdade material.  Ressalte­se, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido  de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa ­­ sejam as Delegacias da Receita Federal  de  Julgamento,  sejam  as  diversas  Turmas  e  Sessões  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­­  devem balizar  seus  posicionamentos  sempre  tendo  em mira  a  busca,  em  primeiro  lugar,  da  verdade  material,  da  verdade  real,  sem  os  excessos  de  formalismos,  ou  mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo.  Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis'  são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas  sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material.  Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com  meus  pronunciamentos  anteriores, VOTO no  sentido  de  tomar  conhecimento  do Recurso  do  Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a  adotar as seguintes providências :  01) ­ Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do  Recurso Voluntário do contribuinte;  02) ­ Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no  DACON/DCTF;  03)  ­  Caso  entenda  necessário,  intimar  a  empresa  para  apresentar  outros  documentos que julgar pertinentes;  04)  ­  Elaborar  relatório  conclusivo  e  circunstanciado  sobre  os  procedimentos  adotados; e, 05) ­ Dar ciência do relatório à recorrente, concedendo­lhe prazo de 30 dias para,  querendo, se manifestar.  Para  tanto,  devem  os  presentes  autos  retornarem  para  a Delegacia  da Receita  Federal do Brasil em Piraciba ­ São Paulo, para atendimento da diligência.  Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13888.908269/2012­91  Resolução nº  3001­000.190  S3­C0T1  Fl. 8          7 Ao  final,  os  presentes  autos  deverão  ser  devolvidos  a  este  CARF,  para  prosseguimento do feito.       (assinado digitalmente)  Francisco Martins Leite Cavalcante ­ Relator  Fl. 994DF CARF MF

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