Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10880.913892/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.913892/2015-91
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6012568
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.889
nome_arquivo_s : Decisao_10880913892201591.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880913892201591_6012568.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7757909
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907339059200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.913892/201591 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.889 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA ÔNUS DA PROVA Recorrente HOUSE OF VISION COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 38 92 /2 01 5- 91 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.913892/201591 Acórdão n.º 3301005.889 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.948, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.913892/201591 Acórdão n.º 3301005.889 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.913892/201591 Acórdão n.º 3301005.889 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.913892/201591 Acórdão n.º 3301005.889 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900013/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2013
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.820
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.900013/2014-01
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008074
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.820
nome_arquivo_s : Decisao_16682900013201401.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 16682900013201401_6008074.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7744880
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907478519808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900013/201401 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.820 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente TIM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de COFINS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 00 13 /2 01 4- 01 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16682.900013/201401 Acórdão n.º 3302006.820 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12082.399. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16682.900013/201401 Acórdão n.º 3302006.820 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16682.900013/201401 Acórdão n.º 3302006.820 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16682.900013/201401 Acórdão n.º 3302006.820 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16682.900013/201401 Acórdão n.º 3302006.820 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720050/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 05/04/2010 a 23/12/2011
COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DAS SOBRAS. TRIBUTAÇÃO.
A isenção de imposto de renda para o ato cooperativo conferida pela lei alcança apenas as sobras enquanto apuradas e não distribuídas pela cooperativa, não as beneficiando quando incorporadas ao patrimônio dos cooperados, através de distribuição ou capitalização. Nesta hipótese, ocorre o fato gerador do Imposto de Renda, pois se configura o acréscimo patrimonial da pessoa física do cooperado. Tal acréscimo, que se subsume à figura legal tributária rendimentos obtidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, sujeita-se ao Imposto de Renda Retido Exclusivamente na Fonte sobre Aplicações Financeiras de Renda Fixa, a ser recolhido pela fonte pagadora, a cooperativa.
Numero da decisão: 2402-006.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Manifestou intenção de fazer declaração de voto o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza.
O Conselheiro Jamed Abdul Nasser declinou da apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 05/04/2010 a 23/12/2011 COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DAS SOBRAS. TRIBUTAÇÃO. A isenção de imposto de renda para o ato cooperativo conferida pela lei alcança apenas as sobras enquanto apuradas e não distribuídas pela cooperativa, não as beneficiando quando incorporadas ao patrimônio dos cooperados, através de distribuição ou capitalização. Nesta hipótese, ocorre o fato gerador do Imposto de Renda, pois se configura o acréscimo patrimonial da pessoa física do cooperado. Tal acréscimo, que se subsume à figura legal tributária rendimentos obtidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, sujeita-se ao Imposto de Renda Retido Exclusivamente na Fonte sobre Aplicações Financeiras de Renda Fixa, a ser recolhido pela fonte pagadora, a cooperativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16004.720050/2014-11
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6007355
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.883
nome_arquivo_s : Decisao_16004720050201411.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RENATA TORATTI CASSINI
nome_arquivo_pdf_s : 16004720050201411_6007355.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Manifestou intenção de fazer declaração de voto o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. O Conselheiro Jamed Abdul Nasser declinou da apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7738686
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907496345600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 751 1 750 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720050/201411 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.883 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria Cooperativa de Crédito Distribuição de Sobras Recorrente COOPERATIVA DE CREDITO CREDICITRUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 05/04/2010 a 23/12/2011 COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DAS SOBRAS. TRIBUTAÇÃO. A isenção de imposto de renda para o ato cooperativo conferida pela lei alcança apenas as sobras enquanto apuradas e não distribuídas pela cooperativa, não as beneficiando quando incorporadas ao patrimônio dos cooperados, através de distribuição ou capitalização. Nesta hipótese, ocorre o fato gerador do Imposto de Renda, pois se configura o acréscimo patrimonial da pessoa física do cooperado. Tal acréscimo, que se subsume à figura legal tributária “rendimentos obtidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título”, sujeitase ao Imposto de Renda Retido Exclusivamente na Fonte sobre Aplicações Financeiras de Renda Fixa, a ser recolhido pela fonte pagadora, a cooperativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Manifestou intenção de fazer declaração de voto o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. O Conselheiro Jamed Abdul Nasser declinou da apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 00 50 /2 01 4- 11 Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 752 2 (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de impugnação (fls. 397 a 415) aos Autos de Infração (fls. 259 a 285) de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF, por Aplicações Financeiras de Renda Fixa – Beneficiário Pessoa Física ou Jurídica, e de MULTA ISOLADA e JUROS ISOLADOS, por Falta de Retenção ou Recolhimento do IRRF, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2010 e 2011, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras – DEINF/SPO, em 26/03/2014. O crédito tributário constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados: Como enquadramento legal do lançamento do IRRF, o autuante assinala os artigos 729 a 733 do RIR/99. Os Juros de Mora foram exigidos com fundamento no artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, e a Multa de Ofício, no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Para a Multa Isolada (Regulamentar), foi consignado o artigo 9º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo artigo 16 da Lei nº 11.488/07, e, para os Juros Isolados, os artigos 843 e 953 do RIR/99. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 753 3 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 244 a 258), a autoridade noticia, em resumo, que : 1. a autuada, nos anoscalendário de 2010 e 2011, não teria efetuado a retenção do IRRF, sobre os valores distribuídos a título de sobras líquidas, distribuição essa definida em Assembléia Geral, alegando falta de previsão legal para a retenção; 2. a partir dos valores declarados nas DIPJ´s dos anos calendário de 2010 e 2011, Fichas 38 e das Atas da Assembléia Geral, constatara que a autuada teria procedido à distribuição aos cooperados de valores referentes não somente às referidas sobras líquidas sob as mencionadas rubricas, mas também sobre operações de crédito, alegando que não teria efetuado a retenção do IRRF, por falta de previsão legal; 3. porém, conforme a ordem legal vigente, as sobras distribuídas pela cooperativa aos cooperados estariam sujeitas à tributação do IRRF, vez que configuram acréscimo patrimonial dos cooperados, constituindo fato gerador do Imposto de Renda, tendo em conta, ainda, inexistir dispositivo legal de isenção; 4. o artigo 65, parágrafo 4º, alínea c, da Lei nº 8.981/95 estabeleceria a retenção na fonte com respeito aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição financeira; pelo artigo 38 da IN SRF 1.022/2010, tais rendimentos deveriam ser tributados como rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, e, pelo Parecer Normativo COSIT nº 01/2002, c/c o artigo 76 da Lei nº 8.981/95, a pessoa jurídica pagadora seria responsável pelo imposto retido, de caráter exclusivo na fonte. 5. Portanto, ao contrário do alegado pela COPERCITRUS existiria previsão legal fazendo incidir a tributação do IRRF sobre as sobras distribuídas pela cooperativa aos associados, sendo, assim, seria improcedente a alegação de que inexiste norma legal que determine sua retenção. Cientificado do lançamento em 28 de março de 2014 (fl.393), a autuada apresentou sua Impugnação aos Autos de Infração em 28 de abril de 2014 (fl.397), onde após descrever a autuação, trouxe, em resumo, as seguintes razões: da ausência de previsão legal para retenção de IRF sobre sobras líquidas, destrato ao princípio constitucional de legalidade tributária; que sobras líquidas apuradas distribuídas ou capitalizadas a associados de cooperativas não são rendimentos produzidos em operações de aplicação financeira de renda fixa, nem a eles se equiparam por qualquer modo, inexistindo, além disso, qualquer previsão legal estabelecendo a obrigação de retenção do tributo pela fonte pagadora; Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 754 4 cita e transcreve dispositivos da Lei 5.764/71, para concluir que o conceito de sobras em uma sociedade cooperativa corresponde exatamente ao excesso de contribuições ou pagamentos realizados pelos associados diante dos efetivos gastos realizados pela cooperativa no respectivo período; nesse quadro, retornando as sobras aos associados, cumprese o objetivo da lei que é o da sociedade não apurar resultados próprios; e que, de acordo com a própria lei que rege as sociedades cooperativas, o conceito que deve ser entendido pelo termo “sobras”, resta por demais evidente que não se pode atribuir a esses retornos o conceito de rendimentos obtidos em operações de aplicação financeira (transcreve textos doutrinários acerca do tema); independentemente de qualquer indagação quanto à própria subsunção das sobras ao conceito de rendimento ou, para se utilizar a expressão adotada pelo Auditor Fiscal – acréscimo patrimonial – o certo é que não há previsão na legislação para a sua tributação na fonte, não sendo lícito tomar por empréstimo, no caso, a legislação direcionada às aplicações de renda fixa, com as não se confundem; que houve então, dupla agressão ao princípio da legalidade tributária; que o Parecer Normativo nº 522/70 da Coordenação do Sistema de Tributação – COSIT se manifestaria no sentido de que as importâncias devolvidas pelas cooperativas aos associados não são considerados rendimentos, não sendo, assim, tributáveis nas pessoas físicas beneficiadas com a restituição; transcreve ainda ementa de Solução de Consulta nº 117, de 16 de maio de 2000 onde ali consta que “não se constituem em rendimentos tributáveis as importâncias devolvidas pelas cooperativas aos seus associados como retorno ou sobras de caixa.”; que as únicas hipóteses em que a lei que rege as sociedades cooperativas admitiria incidência de impostos seriam aquelas previstas nos artigos 85, 86 e 88, a saber, operações praticadas com terceiros, não associados, conforme o artigo 111 da Lei nº 5.764/71; se, por hipótese, não for admitido o acima exposto, o lançamento não poderia ser acolhido quanto à parte das sobras que teria sido capitalizada nas contascapital dos associados, pois que esta, só em razão da capitalização, não seria disponível aos associados, somente o sendo por ocasião de sua saída do quadro de cooperados, conforme previsto no artigo 13 da Lei nº 5.764/71; não havendo efetiva disponibilização dos valores capitalizados, não poderia haver incidência de Imposto de Renda; da absoluta impossibilidade de se qualificar como renda, para o associado, a devolução de parte dos juros pagos em operações de tomada de crédito por este; Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 755 5 parte significativa das sobras que teriam servido de base de cálculo do tributo exigido, decorreria de operações de crédito celebradas com os associados, situação em que são deles cobrados encargos sobre o crédito concedido e a eles retornada parte desses encargos, findo o exercício, a título de sobras, tendo em conta que a cooperativa não opera com objetivo de lucro; assim, o recebimento de tais sobras não poderia representar acréscimo patrimonial decorrente de operação de aplicação financeira de renda fixa; [...] No recurso voluntário, a recorrente repisa os mesmos argumentos de defesa já apresentados em sua impugnação. Sem contrarrazões. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. A questão que se discute neste processo diz respeito à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre sobras distribuídas nos exercícios 2010 e 2011 aos sócios da Sociedade Cooperativa de Crédito recorrente. O recurso voluntário foi interposto contra o Acórdão nº 0735.742, da 3ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário. O lançamento atribuiu às sobras natureza de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa por pessoa física com tributação em caráter definitivo. O r. auditor aplicou "gross up" sobre o valor das sobras distribuídas por entender que representariam remuneração líquida o que, com todo o respeito, não está correto. Com efeito, inicialmente, registrese que o pagamento de sobras tem natureza e origem societária e não financeira. O fato de a recorrente se tratar de uma cooperativa que tem natureza de instituição financeira não desvirtua aquele pagamento. As sobras, assim como as perdas, são distribuição de resultado e não remuneração por aplicação em renda fixa, como equivocadamente entendeu a fiscalização e o acórdão recorrido. Os sócios de cooperativas operam em condição dúplice, reflexo do princípio da dupla qualidade, próprio das sociedades cooperativas. Desse modo, em cooperativas de crédito, como a recorrente, o sócio realiza operações como cliente dos serviços financeiros prestados pela cooperativa e atua, também, como sócio, suportando o risco da atividade. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 756 6 Não há como atribuir às sobras a condição de rendimento proveniente de aplicação em renda fixa, uma vez que resultam da apuração dos resultados da sociedade como um todo e não do patrimônio sócio individualmente. As operações do sócio são apenas elementos legalmente definidos para basear a distribuição do resultado, mas não significam que têm natureza de aplicações, mesmo porque, sob a mesma lógica, também seriam distribuídas as eventuais perdas decorrentes do resultado da atividade da cooperativa no período. Ademais, notese que as cooperativas são sociedades sem finalidade lucrativa e desenvolvem suas atividades com o objetivo de entregar aos sócios o melhor serviço pelo menor custo possível, as de crédito, inclusive. Nesse contexto, as sobras são geradas em função das operações realizadas com os próprios sócios, uma vez que quando as operações são realizadas com terceiros, o resultado apurado tem natureza de lucro ou prejuízo e, evidentemente, não será distribuído aos sócios. As sobras, assim, são o resultado dessas operações com os sócios. Portanto, a cada operação realizada, o sócio paga ou recebe valores decorrentes de suas demandas financeiras, valores esses que são dimensionados sob critérios que consideram contingências. As sobras são fruto do excesso de contingenciamento aplicado em cada operação. Se, por exemplo, um sócio que tomou um empréstimo a juros de 1,5% e, considerando todos os custos de operação da sociedade (vejam, os custos são da sociedade, do negócio!), a taxa mínima que poderia ter sido cobrada era de 1%, ao final do exercício, abatendose os fundos obrigatórios, o sócio receberá de volta o que sobrou do capital investido após a confirmação do excesso de contingenciamento, ou seja, a sobra apurada. Assim, as sobras geradas em razão das operações, no singelo exemplo acima, tiveram origem no patrimônio do sócio, que tomou um empréstimo e pagou juros de 1,5%, ao invés de 1%. Tratase de retorno de excedentes, e não acréscimo patrimonial, como entendeu o r. auditor fiscal e os julgadores de 1 ª instância. E se representa retorno de valores que originalmente integravam o patrimônio do próprio sócio, não há como se lhes atribuir a natureza de acréscimo patrimonial. Nesse sentido, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça manifestado no REsp nº 1.604.196/AL: RELATOR: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : JURISCRED COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS SERVIDORES E MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO E DE ÓRGÃOS JURÍDICOS EM ALAGOAS ADVOGADOS : CAIUS MARCELLUS DE ARAÚJO LACERDA PB005207 RODRIGO CUNHA PERES PB016064 CÍCERO PEREIRA DE LACERDA NETO PB015401 EMENTA RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 2. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC/1973. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284/STF. COOPERATIVA DE CRÉDITO. IMPOSTO DE RENDA. DISTRIBUIÇÃO DAS SOBRAS LÍQUIDAS AOS COOPERADOS. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE Fl. 757DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 757 7 CONHECIDO E, NESSA PARTE, NÃO PROVIDO (ART. 932, III E IV, DO CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, I E II, RISTJ). DECISÃO Tratase de recurso especial interposto com fulcro no permissivo do art. 105, III, "a", da Constituição Federal de 1988, contra acórdão que julgou procedente a Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária promovida com a finalidade de excluir da incidência do Imposto de Renda as sobras líquidas distribuídas aos cooperados de cooperativa de crédito ao final de cada exercício, nos termos dos arts. 4º, VII, e 79, da Lei nº 5.764/71, bem como do art. 1.094, VII, do Código Civil de 2002, consoante a seguinte ementa (e STJ fls. 316/319): TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA. IMPOSTO DE RENDA. DISTRIBUIÇÃO DAS SOBRAS LÍQUIDAS AOS COOPERADOS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A devolução das sobras de caixa aos cooperados, proporcionalmente às operações realizadas com a Cooperativa, é uma das características das sociedade cooperativas. Inteligência do art. 4º, inciso VII, da Lei nº 5.764/71. 2. Os valores relativos à distribuição das sobras não importam em acréscimo patrimonial, na medida em que decorrem da restituição efetuada pelas cooperativas aos seus associados, das importâncias vertidas por esses para o custeio dos atos cooperativos (e que não foram utilizadas), destarte, não se enquadram na hipótese de incidência do tributo, nos termos do art. 43, do CTN. 3. Tratandose de valores que se prestaram ao custeio dos atos cooperativos, com esses se confundem, nos termos do art. 79, da Lei nº 5.764/71. 4. Deve haver a comprovação de que os valores foram efetivamente custeados pelos cooperados, para que não sejam confundidos com a distribuição de benefícios, vantagens ou privilégios, ou com a possível remuneração excessiva de capital, vedados pelo §3º, do art. 24, da Lei nº 5.764/71, ou, ainda, com resultados positivos de atos não cooperativos, tais como de aplicações financeiras, posto que o STJ já decidiu que "o imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 5. Apelação provida para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigue a Cooperativa ao recolhimento do Imposto de Renda sobre as sobras líquidas distribuídas aos associados por ocasião do encerramento de cada exercício financeiro, mediante a comprovação de que os valores correspondem aos efetivamente custeados pelo cooperados. 6. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários arbitrados no percentual de 10% sobre o valor da causa, que foi atribuída a quantia de R$ 381.098,02, com fulcro no art. 20, § 4º, do CPC. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 758 8 Os embargos de declaração interpostos restaram rejeitados (e STJ fls. 356/359). Alega a recorrente que houve violação aos arts. 20, §4º, 458 e 535, do CPC/1973. Sustenta ter havido omissão quanto à análise dos arts. 20, §4º e 460, parágrafo único, do CPC/1973 (decisão incerta) e arts. 43 e 111, do CTN. Sustenta violação aos mesmos dispositivos legais. Afirma que o acórdão decidiu condicionalmente que não haveria a incidência do Imposto de Renda se os valores, cuja não incidência do imposto se requer, foram: efetivamente, custeados pelo cooperados "para que não sejam confundidos com a distribuição de benefícios, vantagens ou privilégios, ou com a possível remuneração excessiva de capital, vedados pelo §3º, do art. 24, da Lei nº 5.764/71, ou, ainda, com resultados positivos de atos não cooperativos, tais como de aplicações financeiras". No mérito, entende que incide o Imposto de Renda sobre as sobras líquidas distribuídas aos cooperados ao final de cada exercício, distribuição prevista no art. 4º, VII, da Lei nº 5.764/71, bem como no art. 1.094, VII, do CC/2002. Alega haver a incidência das mesmas regras de tributação relativas às aplicações financeiras de renda fixa, dispostas nos arts. 727 e 729 do Regulamento do Imposto de Renda (art. 51, da Lei n. 7.450/85). Por fim, alega que, vencida a Fazenda Pública, os honorários deveriam ter sido fixados segundo a apreciação equitativa do Juiz (eSTJ fls. 366/375). Contrarrazões nas eSTJ fls. 376/387. Recurso regularmente admitido na origem (eSTJ fls. 389). É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso foi interposto na vigência do CPC/1973, o que atrai a incidência do Enunciado Administrativo Nº 2: “Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça”. Afasto a ocorrência da alegada ofensa aos artigos 458 e 535, do CPC/1973. É que o Poder Judiciário não está obrigado a emitir expresso juízo de valor a respeito de todas as teses e artigos de lei invocados pelas partes, bastando para fundamentar o decidido fazer uso de argumentação adequada, ainda que não espelhe quaisquer das linhas de argumentação invocadas. O recurso especial não merece conhecimento em relação ao art. 20, §4º, do CPC/1973, tendo em vista a invocação de argumentos genéricos e incapazes de infirmar o que decidido pela Corte de Origem. Incidência da Súmula n .284/STF. Quanto à alegada violação ao art. 460, parágrafo único do CPC/1973, de registro que a Corte de Origem, no exame dos aclaratórios interpostos pelo CONTRIBUINTE, afirmou expressamente que "as aplicações financeiras no mercado, no Fl. 759DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 759 9 caso de cooperativa de crédito, constitui (sic) ato cooperativo típico, e assim, o resultado positivo decorrente de tais aplicações não devem sofrer a incidência do Imposto de Renda". Assim, deu provimento os Embargos de Declaração para decotar do acórdão a parte que determinou a incidência do Imposto de Renda sobre as aplicações financeiras. Desta forma, o acórdão não restou mais condicionado, não tendo havido o enfrentamento do tema a chamar uma nova incidência da Súmula n. 284/STF. De registro que o pressuposto firmado pelo acórdão proferido pela Corte de Origem foi no sentido de que os valores em questão não importam em acréscimo patrimonial, na medida em que decorrem da restituição efetuada pelas cooperativas aos seus associados, das importâncias vertidas por esses para o custeio dos atos cooperativos (e que não foram utilizadas), destarte não se enquadrando na hipótese de incidência do Imposto de Renda e também não sofrendo a incidência do tributo no que diz respeito às diferenças a maior decorrentes de aplicações financeiras, por se tratarem de ato cooperativo típico de cooperativa de crédito. Já quanto ao mérito, devidamente prequestionados o disposto nos arts. 43 e 111, do CTN, sem razão a FAZENDA NACIONAL. Com efeito, o proveito advindo de ato cooperativo típico não se submete à incidência do Imposto de Renda, já que, por certo, não oferece repercussão econômica por força da ficção legal imposta nos arts. 3º e 79, Parágrafo único, da Lei n° 5.764/71, verbis: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. [...] Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Dos excertos extraise que o ato cooperativo típico não representa lucro para a cooperativa, não sendo tributado também porque somente o resultado das operações das cooperativas com não associados (atos cooperativos atípicos) Fl. 760DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 760 10 serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. No caso exclusivo das cooperativas de crédito, já assentou este Superior Tribunal de Justiça que o ato cooperativo típico abarca também toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado. Especificamente para essas sociedades, em razão de sua finalidade singular, foi excepcionada a aplicação da Súmula n. 262/STJ ("Incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas"). Transcrevo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. [...] 8. [...] (AgRg no AgRg no REsp. 717.126/SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 09.02.2010). TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. LEI N.º 5.764/71. 1. Milita em favor das normas jurídicas a presunção de que foram recepcionadas pelo sistema normativo ante a ruptura constitucional. Enquanto não provocada a Suprema Corte ou Fl. 761DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 761 11 declarada a nãorecepção, a Lei n.º 5.764/71 continua em pleno vigor, não havendo óbice ao conhecimento do recurso especial por violação de um ou alguns de seus dispositivos. 2. O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponível para o PIS. 3. Já os atos não cooperativos geram faturamento à sociedade, devendo o resultado do exercício ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação (art. 87 da Lei n.º 5.764/71). 4. Toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, circunstância a impedir a incidência da contribuição ao PIS. 5. Salvo previsão normativa em sentido contrário (art. 86, parágrafo único, da Lei n.º 5.764/71), estão as cooperativas de crédito impedidas de realizar atividades com não associados. 6. Atualmente, por força do art. 23 da Resolução BACEN n.º 3.106/2003, as cooperativas de crédito somente podem captar depósitos ou realizar empréstimos com associados. Assim, somente praticam atos cooperativos e, por conseqüência, não titularizam faturamento, afastandose a incidência do PIS. 7. A reunião em cooperativa não pode levar à exigência tributária superior à que estariam submetidos os cooperados caso atuassem isoladamente, sob pena de desestímulo ao cooperativismo. 8. Qualquer que seja o conceito de faturamento (equiparado ou não a receita bruta), tratandose de ato cooperativo típico, não ocorrerá o fato gerador do PIS por ausência de materialidade sobre a qual possa incidir essa contribuição social. 9. Recurso especial provido (REsp. n. 591.298/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/acórdão Min. Castro Meira, julgado em 24.10.2004). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ATO COOPERATIVO TÍPICO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS POR COOPERATIVA DE CRÉDITO. EXCEÇÃO À SÚMULA N. 262/STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO (ART. 557, CAPUT, CPC). (REsp. n. 1.305.294/MG, decisão monocrática, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 28.05.2013) A reunião em cooperativa de crédito não pode levar à exigência tributária superior à que estariam submetidos os cooperados se Fl. 762DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 762 12 atuassem isoladamente, sob pena de desestímulo ao cooperativismo. Desse modo, não faz sentido equiparar a exigência tributária de uma cooperativa de crédito que existe exatamente para esta finalidade àquela que incidiria sobre as pessoas físicas isoladamente que efetivassem as mesmas operações financeiras junto aos mesmos bancos. Consoante a Súmula n. 568/STJ: “O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema”. Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III e IV, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ, CONHEÇO EM PARTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGOLHE PROVIMENTO. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 17 de maio de 2018. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES Relator (Destacamos e grifamos) No mesmo sentido é o entendimento deste Tribunal, conforme, dentre outros, precedente abaixo reproduzido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 COOPERATIVAS. TRIBUTAÇÃO. As sociedades cooperativas sujeitamse à incidência do imposto sobre suas atividades econômicas que, na definição legal, não tenham a natureza de atos cooperados. RECEITAS DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO. As cooperativas de crédito destinamse, precipuamente, a prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados. Os atos praticados pelas cooperativas de crédito, na forma artigo 4º da Lei 5.764/1971, constituem atos cooperativos, portanto, não são passíveis de incidência tributária. A distribuição de sobras ou rateio das perdas do resultado anual das cooperativas de crédito, não se enquadra como distribuição de beneficio, pois tratase da devolução dos valores cobrados à maior na realização das operações de créditos. 1 Considerando que o lançamento foi realizado como tributação definitiva na fonte decorrente de aplicação financeira em renda fixa e que, ainda que esse não fosse o fundamento, as sobras, na condição de retorno daquilo que se originou do patrimônio do sócio não implica acréscimo patrimonial, não há como manter o lançamento. Conclusão 1 Acórdão nº 1802001.384 – 2ª Turma Especial Sessão de 13/09/12. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 763 13 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. O Conselheiro Jamed Abdul Nasser declinou da intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiro da Silveira Redator Designado. Com a maxima venia, divirjo da Ilustre Relatora. Em meu entendimento, a distribuição das sobras não representa mero retorno de valores ao patrimônio dos sócios, sem acréscimo patrimonial. Quando o associado faz a contribuição (aquisição da cota) para ingressar na cooperativa, o valor correspondente deixa o seu patrimônio em caráter definitivo, pois não se trata de empréstimo ou coisa do tipo. Dessa forma, se a cooperativa distribuir sobras, os valores repassados aos associados, inevitavelmente, acrescerão o patrimônio desses, situação essa perfeitamente enquadrada no art. 43, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Nessa linha é a Solução de Consulta nº 248 de 23/5/17, da Cosit2, da qual extraímos os seguintes trechos3: 30 As sobras líquidas das destinações legais e estatutárias devem seguir a sorte preceituada pela Lei nº 5.764, de 2001, a qual determina seu retorno aos associados, proporcionalmente às operações por eles realizadas: Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: [...] 2 CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil – Portaria MF nº 430, de 9/10/17. 3 Tal entendimento foi adotado, inclusive, pela Solução de Consulta nº 102, da Cosit, de 17/8/18. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 764 14 VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; (grifouse) 31 O Código Civil, de 2002, prescreve destino similar para as sobras líquidas: Art. 1.094. São características da sociedade cooperativa: [...] VII distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado; (grifouse) 32 A justificativa para previsão legal de retorno das sobras líquidas aos associados na equivalência dos negócios realizados por cada um deles com a cooperativa, encontra fundamento na própria natureza dessas sobras. As sobras originamse a partir da dificuldade que a sociedade encontra em fixar com precisão as despesas administrativas para o desempenho de suas atividades. Por essa razão, durante o exercício é definido um preço estimado, que será objeto de ajuste por ocasião do levantamento do balanço. Existindo sobra, significa dizer que a cooperativa cobrou um valor dos associados, à título de despesas administrativas, superior àquele que seria necessário. Seria, portanto, o montante correspondente à diferença entre o que o associado pagou e o que deveria ter pago pelo serviço prestado a ele pela cooperativa. A situação inversa simboliza carência de antecipação de despesas administrativas, que acarreta perdas, as quais necessitam ser, da mesma forma, partilhadas pelos associados proporcionalmente à utilização dos serviços ofertados pela sociedade. 33 O rateio das sobras líquidas na proporção das operações realizadas pelos associados, entendido como o retorno do excesso de despesas antecipadas por cada um à sociedade, é suficiente para se compreender essa figura como uma complementação da remuneração do associado pela sua participação nos negócios da cooperativa. O rendimento auferido ao longo do exercício restou subestimado, tendo em vista o excedente de despesas cobradas no período. Caso as despesas tivessem sido calibradas com exatidão, o preço do serviço prestado pelo associado, pelo qual este é remunerado pela cooperativa (no caso de uma cooperativa de trabalho para prestação de serviço), seria superior, acarretando um rendimento a maior, no exato montante da sobra líquida distribuída. Insta trazermos à baila, também, a ementa da Solução de Divergência Cosit nº 2, de 21/1/08, já citada pela decisão de primeira instância: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 765DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 765 15 Sobras líquidas apuradas por cooperativas de trabalho. Sujeitamse à tributação na fonte como antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual as sobras apuradas por cooperativas de trabalho e colocadas à disposição dos cooperados, inclusive por meio da capitalização. Dispositivos Legais: Constituição Federal de 1988, art. 153, inciso III; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), arts. 43, incisos I e II, e 114; Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 7º, inciso II; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, art. 628. Portanto, diante do quadro que se apresenta, temse que as sobras, quando distribuídas aos associados, de fato acrescem o patrimônio desses, restando, pois, sujeitas à incidência de imposto de renda. Ademais, no caso em análise, notase que a fiscalização não considerou as sobras como sendo remuneração por aplicação em renda fixa, mas apenas utilizou a mesma sistemática tributária do mercado de renda fixa, haja vista a inexistência de regime tributário específico para as sobras. Lembrando que tal procedimento encontrase devidamente amparado na Lei 8.981, de 20/1/95, combinada com a Instrução Normativa4 RFB nº 1.022, de 5/4/10, senão, vejamos: Lei 8.981/95 Do Mercado de Renda Fixa Art. 65. O rendimento produzido por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, a partir de 1º de janeiro de 1995, sujeitase à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento. [...] § 4º O disposto neste artigo aplicase também: [...] c) aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. [...] § 8º É responsável pela retenção do imposto a pessoa jurídica que receber os recursos, no caso de operações de transferência de dívidas, e a pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, nos demais casos. IN RFB 1022/10 4 Norma complementar do direito art. 100 do CTN. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 16004.720050/201411 Acórdão n.º 2402006.883 S2C4T2 Fl. 766 16 Art. 38. São também tributados como de aplicações financeiras de renda fixa os rendimentos auferidos: [...] II pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de a fonte pagadora ser ou não instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil; (Grifo nosso) Desse modo, mantenho o entendimento do julgado a quo segundo o qual não há "como negar que as novas cotas atribuídas ao cooperado no capital da cooperativa, por conta de sobras, passam a integrar o patrimônio do cooperado, representando, assim, acréscimo de riqueza do associado, portanto, tributável, independentemente de sua realização quando da eventual saída do quadro de associados.” Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000193/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10970.000193/2008-41
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5997440
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.074
nome_arquivo_s : Decisao_10970000193200841.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10970000193200841_5997440.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7715242
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907504734208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.000193/200841 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2402007.074 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SOC.AN.BRAS. DE EMPREENDIMENTOS SABE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 VALETRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 93 /2 00 8- 41 Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10970.000193/200841 Acórdão n.º 2402007.074 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10970.000193/200841 Acórdão n.º 2402007.074 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10970.000193/200841 Acórdão n.º 2402007.074 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10970.000193/200841 Acórdão n.º 2402007.074 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10467.901035/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. PROPORCIONALIDADE.
Na composição do saldo negativo de CSLL somente podem ser deduzidos os valores das retenções de CSLL. Nos casos de retenções em que outros tributos são retidos juntamente com a CSLL, o contribuinte somente pode deduzir, na apuração da CSLL o valor proporcional que foi retido desta contribuição.
Numero da decisão: 1401-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. PROPORCIONALIDADE. Na composição do saldo negativo de CSLL somente podem ser deduzidos os valores das retenções de CSLL. Nos casos de retenções em que outros tributos são retidos juntamente com a CSLL, o contribuinte somente pode deduzir, na apuração da CSLL o valor proporcional que foi retido desta contribuição.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10467.901035/2010-14
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6001627
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.327
nome_arquivo_s : Decisao_10467901035201014.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10467901035201014_6001627.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7724527
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907522560000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 238 1 237 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10467.901035/201014 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.327 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria PER/DCOMP SALDO NEGATIVO CSLL Recorrente UNIMED NORTE NORDESTE CONFEDERACAO DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS DE TRABALHO MEDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. PROPORCIONALIDADE. Na composição do saldo negativo de CSLL somente podem ser deduzidos os valores das retenções de CSLL. Nos casos de retenções em que outros tributos são retidos juntamente com a CSLL, o contribuinte somente pode deduzir, na apuração da CSLL o valor proporcional que foi retido desta contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 10 35 /2 01 0- 14 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10467.901035/201014 Acórdão n.º 1401003.327 S1C4T1 Fl. 239 2 Relatório Inicio com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso. Tratam os autos de análise eletrônica das Declarações de Compensação (Dcomp) nº 12304.98013.231009.1.7.039306, 19911.42860.231009.1.7.036081, 25839.44695.231009.1.7.034229, 39581.08825.231009.1.7.039148 e 29975.21474.130210.1.7.034420, cujas cópias estão às fls. 20 a 41, por intermédio das quais o contribuinte pretendeu compensar débitos de tributos diversos com suposto crédito de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2007 no valor de R$ 169.437,20. 2. Como resultado da análise da declaração foi expedido o Despacho Decisório nº 880527166 em de 06 de setembro de 2010, às fls. 03 a 05, que decidiu pela não homologação das compensações declaradas por inexistência do crédito apontado. Em síntese, este despacho apresentou a seguinte motivação: 2.1. na composição do crédito o contribuinte informou retenções na fonte de R$ 181.147,46, sendo que foi confirmada apenas retenção no valor de R$ 3.121,32. Como a CSLL devida apurada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referente ao ano calendário 2007 (DIPJ/2008) foi de R$ 11.710,20, deduzindose o valor confirmado de retenção, obtémse que não houve saldo negativo para o referido período de apuração. 3. Cientificado da decisão em 21 de setembro de 2010, consoante cópia do Aviso de Recebimento (AR) à fl. 44, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 01 e 02, em 19 de outubro de 2010, instruída com os documentos às fls. 03 a 51, onde argumentou que: 3.1. na DIPJ/2008 foi apurado “saldo negativo de CSLL” de R$ 181.147,46. Deste saldo foi utilizado o valor R$ 169.437,26 nas Dcomp; 3.2. este saldo foi utilizado indevidamente na Dcomp como tipo de crédito “saldo negativo da CSLL”. Conforme os códigos de retenções informados (5952, 5960 e 5979), estes saldos se compõem de CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)e de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme tabela abaixo: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10467.901035/201014 Acórdão n.º 1401003.327 S1C4T1 Fl. 240 3 3.3. os saldos de PIS e Cofins deveriam ter sido compensados de outra forma, consoante IN RFB nº 900, de 2008. Esta falha decorreu de desconhecimento da existência de outros meios para a compensação. A orientação dos próprios fiscais da Receita Federal não foram claras, objetivas e suficientes para sanar a irregularidade, quando procurados. Inclusive foram apresentadas DIPJ e Dcomp retificadoras; 3.4. se for considerada apenas a parte da CSLL os créditos são insuficientes para compensar os débitos. A inconformidade é que os créditos existem, mas a forma de compensação foi inadequada; 3.5. considerando as alterações da legislação, sua complexidade, a orientação inadequada, que foram determinantes para que persistisse no erro operacional, e, principalmente, uma vez que existem os créditos de PIS, Cofins e CSLL, requer o acatamento das compensações. 4. Em 05 de novembro de 2010 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa – PB (DRF/JPA) pronunciouse pela tempestividade da manifestação, encaminhando os autos a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE (DRF/REC) para julgamento (fl. 52). 5. É o relatório. Analisando a manifestação a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve a decisão da DRF. Cientificado do acórdão o contribuinte apresentou recurso voluntário, muito sucinto por sinal, no qual alega que as retenções, apesar de se referirem a outros tributos que não a CSLL podem ser utilizadas para a composição do saldo negativo de CSLL. Não trouxe nenhuma nova argumentação. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10467.901035/201014 Acórdão n.º 1401003.327 S1C4T1 Fl. 241 4 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Analisando o presente processo e, notadamente as peças de impugnação e de recurso, observo que o recurso voluntário apresentado em suas razões às fls. 162/164 não trouxe nenhuma nova argumentação em relação à manifestação de inconformidade apresentada. Vêse, em sede de recurso voluntário que a única alegação é a de que as retenções na fonte, apesar de não se referirem ao código de retenção de CSLL estão comprovadas e, por isso, podem compor o saldo negativo da contribuição. Ora esta alegação não faz sentido jurídico. Quando se realiza uma retenção de tributos na fonte existem as retenções de um único tributo (ex: 1708 IRPJ) e retenções de vários tributos em um só código (ex: 5952 PIS, COFINS e CSLL). Assim, quando as retenções se referem a vários tributos há de se fazer a repartição do valor retido e utilizar, na dedução de cada tributo, o valor respectivo de sua retenção. Assim sendo e verificandose que o recurso voluntário em nada inovou com relação à manifestação de inconformidade e que a decisão recorrida já apresentou a correta análise sobre o caso, não havendo nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentados os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10467.901035/201014 Acórdão n.º 1401003.327 S1C4T1 Fl. 242 5 Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso, tanto quanto ao arbitramento do lucro, quanto à possibilidade de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovadas (apesar de não constar recurso expresso em relação a este item) passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação ao presente ponto. Assim, concordando com os fundamentos da decisão de Piso, passo a transcrevêla e utilizar os seus fundamentos como fundamentos de decidir. Início da transcrição do voto da DRJ. 6. A manifestação de inconformidade é tempestiva e atende as formalidades legais, razão pela qual tomo conhecimento da mesma. 7. De início é devido frisar que a DIPJ/2008 retificadora transmitida após a ciência da decisão não tem qualquer valor probatório para fins de apuração do saldo negativo da CSLL, haja vista que o contribuinte já havia sido notificado de conclusão de procedimento fiscal que apreciou o referido direito creditório, não estando mais amparado pela espontaneidade. Em razão disso, este voto levará em consideração os dados declarados na DIPJ/2008 nº 1899804, transmitida em 19 de outubro de 2009, na qual o despacho decisório se baseou. 7. Na espécie o contribuinte pretendeu compensar débitos de tributos diversos com suposto crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário 2007 no montante de R$ 169.437,26, conforme consta das Dcomp analisadas e do extrato da DIPJ/2008 antes referida (fls. 71 a 72). Segundo consta destas declarações, este saldo negativo originouse da dedução, da CSLL devida de R$ 11.710,20, de valores supostamente retidos na fonte no montante total de R$ 181.147,46: 8. Apenas para fins de esclarecimento, o montante deduzido como CSLL paga por estimativa corresponde à somatório dos valores supostamente Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10467.901035/201014 Acórdão n.º 1401003.327 S1C4T1 Fl. 243 6 retidos de CSLL que foram deduzidos da contribuição estimada devida mensalmente. Consoante extrato da DIPJ/2008 às fls. 56 a 70, o contribuinte deduziu R$ 11.710,20 a título de CSLL retida por órgãos públicos nas fichas de apuração das estimativas, exatamente o valor deduzido no ajuste anual como estimativa paga, em cumprimento ao disposto na instrução de preenchimento da DIPJ/2008, aprovada pela IN RFB nº 849, de 2008: Linha 17/59 ( ) CSLL Mensal Paga por Estimativa Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da declaração . Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito da contribuição extinto por meio de: dedução da CSLL retida por órgão público, ou por outra pessoa jurídica de direito privado, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp), compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. O valor da CSLL efetivamente paga por estimativa corresponde ao somatório dos valores mensais relativos à seguinte operação: (...) (Grifei) 9. Assim, todos os valores deduzidos no ajuste referemse supostamente a CSLL retida na fonte. 10. Acontece que o valor informado a título de retenção na fonte de CSLL era, na verdade, composto de CSLL, PIS, IRRF e Cofins retidos na fonte. O valor correspondente à retenção de CSLL foi de R$ 3.121,32 conforme despacho decisório: 10.1. Verificase que o despacho decisório validou retenção de CSLL (R$ 3.121,32) em montante superior ao alegado pelo contribuinte em sua manifestação (R$ 3.101,34). Esta diferença decorre da retenção de R$ 19,99 não considerada pelo contribuinte no código de retenção 8863. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10467.901035/201014 Acórdão n.º 1401003.327 S1C4T1 Fl. 244 7 11. De acordo com as instruções de preenchimento da DIPJ/2008, nas linhas 56, 56, 57 e 59, somente são passíveis de declaração os montantes de CSLL retidas na fonte, não sendo dedutível da CSLL devida os montantes de PIS, Cofins e IRRF retidos juntamente ou não com a CSLL: Linha 17/55 ( ) CSLL Retida na Fonte por Órgãos, Autarquias e Fundações Federais (Lei nº 9.430/1996, art. 64) Indicar, nesta linha, o valor correspondente à CSLL retida na fonte por órgão público federal sobre as receitas que integram a base de cálculo da CSLL. Observar as instruções e limites constantes da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004. (...) Linha 17/56 ( ) CSLL Retida na Fonte pelas Demais Entidades da Administração Pública Federal (Lei nº 10.833/2003, art. 34) Indicar o valor correspondente à CSLL retida na fonte, sobre as receitas que integram a base de cálculo da CSLL devida, pelas seguintes entidades da administração pública federal: I empresas públicas; II sociedades de economia mista; e III demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto, e que dela recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal SIAFI. (...) Linha 17/57 ( ) CSLL Retida na Fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Lei nº 10.833/2003, art. 30) Informar o valor correspondente à CSLL retida na fonte por outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais. (...) Linha 17/58 ( ) CSLL Retida na Fonte por Órgãos, Autarquias e Fundações dos Estados, Distrito Federal e Municípios (Lei nº 10.833/2003, art. 33) Indicar o valor correspondente à CSLL retida na fonte pelos Estados, Distrito Federal e Municípios sobre os pagamentos efetuados por seus órgãos, autarquias e fundações, sobre as receitas que integram a base de cálculo da CSLL devida. (...) Linha 17/59 ( ) CSLL Mensal Paga por Estimativa Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10467.901035/201014 Acórdão n.º 1401003.327 S1C4T1 Fl. 245 8 Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da declaração. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito da contribuição extinto por meio de: dedução da CSLL retida por órgão público, ou por outra pessoa jurídica de direito privado, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp), compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. O valor da CSLL efetivamente paga por estimativa corresponde ao somatório dos valores mensais relativos à seguinte operação: (...) (Grifei) 12. Então, não resta dúvida de que a decisão foi acertada ao validar a dedução apenas da CSLL retida, acarretando, em consequência, a verificação de que não houve saldo negativo para o ano calendário 2007: 13. Para a realização de compensação é condição sine qua non a liquidez e certeza do crédito, consoante art. 170 do Código Tributário Nacional. Na espécie restou demonstrado não haver crédito de saldo negativo de CSLL. Assim, não há se que falar em homologar as compensações declaradas. 14. O contribuinte não contesta o fato de que somente houve retenção de CSLL no valor de R$ 3.121,32 (inclusive, conforme dito, menciona um valor inferior a este validado pela decisão). Além disso, afirma que errou no preenchimento da DIPJ/2007 e, por conseguinte, da Dcomp. Alega em sua defesa tão somente que existe efetivamente o crédito total representado pelas retenções de CSLL, PIS, IRRF e Cofins, mas que errou na forma de efetuar as compensações por desconhecer a legislação, por ser esta bastante complexa e devido a orientações equivocadas de servidores da Receita Federal. 15. É devido salientar que ninguém pode alegar desconhecimento da norma ou complexidade desta para se furtar ao seu cumprimento, ademais quando estamos tratando de uma empresa do porte da Unimed, capaz de se assessorar dos mais competentes contadores e juristas. Nesse sentido, disposição contida no art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, qual Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10467.901035/201014 Acórdão n.º 1401003.327 S1C4T1 Fl. 246 9 seja, DecretoLei nº 4.657, de 1942, com redação dada pela Lei nº 12.376, de 2010: Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. 16. Em relação às supostas orientações equivocadas de servidores da Receita Federal, há que se considerar não haver nos autos qualquer documento que indique informação fiscal determinando que o contribuinte procedesse da forma como fez. É mera alegação sem provas. 17. Assim, diante do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a decisão que homologou parcialmente as compensações declaradas. Fim da transcrição do voto da decisão de Piso. Apresentados os fundamentos deste voto em consonância com o decidido pela decisão de Piso este relator concorda integralmente com os fundamentos de fato e de direito apresentados, razão pela qual passa a utilizálos como fundamento para decidir o presente recurso. Assim, em face da inexistência de novos argumentos em recurso voluntário e em face de a análise da Decisão de Piso, com a qual concordo integralmente, ter sido corretamente realizada não existindo razões de fato ou de direito para modificar o já decidido, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13897.001007/2003-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO.
O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Ressalvadas as hipóteses das alíneas a, b e c do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36, da Lei nº 9.784/99, e art 333, I, do antigo CPC - art. 373, I, do atual), devem ser apresentadas na Manifestação de Inconformidade (às quais se aplica o mesmo rito do PAF), precluindo o direito de posterior juntada.
Numero da decisão: 9303-008.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Ressalvadas as hipóteses das alíneas a, b e c do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36, da Lei nº 9.784/99, e art 333, I, do antigo CPC - art. 373, I, do atual), devem ser apresentadas na Manifestação de Inconformidade (às quais se aplica o mesmo rito do PAF), precluindo o direito de posterior juntada.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13897.001007/2003-02
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006766
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.388
nome_arquivo_s : Decisao_13897001007200302.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13897001007200302_6006766.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7738316
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907528851456
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-08T13:30:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-08T13:30:00Z; Last-Modified: 2019-05-08T13:30:00Z; dcterms:modified: 2019-05-08T13:30:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:04571cb9-fcf7-48ee-ad48-813ffd54f998; Last-Save-Date: 2019-05-08T13:30:00Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-08T13:30:00Z; meta:save-date: 2019-05-08T13:30:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-08T13:30:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-08T13:30:00Z; created: 2019-05-08T13:30:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-05-08T13:30:00Z; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-08T13:30:00Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 373 1 372 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13897.001007/200302 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.388 – 3ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria Compensação Prova do Direito Créditório Recorrente FLINT GROUP TINTAS DE IMPRESSÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36, da Lei nº 9.784/99, e art 333, I, do antigo CPC art. 373, I, do atual), devem ser apresentadas na Manifestação de Inconformidade (às quais se aplica o mesmo rito do PAF), precluindo o direito de posterior juntada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 10 07 /2 00 3- 02 Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13897.001007/200302 Acórdão n.º 9303008.388 CSRFT3 Fl. 374 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 228 a 241), contra o Acórdão 3301002.370, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 215 a 222), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA DCP. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96 é um benefício fiscal, cuja utilização está condicionada à apresentação da Declaração de Crédito Presumido DCP. Exigência constante de ato normativo decorrente de outorga de competência da própria lei que instituiu o benefício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA APRESENTADA SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. De acordo com o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF, os documentos probatórios, salvo as exceções previstas, devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em seu Recurso Especial foi dado seguimento parcial, em Exame (fls. 332 a 336) e Reexame (fls. 337 e 338) de Admissibilidade, "apenas em relação à questão atinente à apreciação da prova somente apresentada com o recurso voluntário". Contra estas decisões o contribuinte interpôs Agravo (fls. 353 a 358), ao qual foi negado conhecimento (fls. 362 a 364). Antes disto, a PGFN já havia apresentado Contrarrazões (fls. 340 a 345). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13897.001007/200302 Acórdão n.º 9303008.388 CSRFT3 Fl. 375 3 No mérito, a discussão gira em torno da comprovação do direito creditório, no caso de Declarações de Compensação. O direito à compensação sempre pressupõe direito líquido e certo, conforme preceitua o CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, prescreve o seguinte: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado ... Aplicandose subsidiariamente o antigo Código de Processo de Civil (igual dispositivo é previsto no novo – art. 373, inciso I), isto também fica mais que patente: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; E, ressalvadas algumas exceções (nas quais o presente caso não se enquadra), a prova tem que ser apresentada na Manifestação de Inconformidade (às quais se aplica o mesmo rito do PAF, conforme § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96), precluindo o direito de posterior juntada, a teor do disposto no Decreto nº 70.235/72: Art. 16. ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Consigno ainda que a jurisprudência desta Turma pacificouse no sentido de inadmitir a juntada extemporânea de provas, conforme bem demonstra este recente Acórdão (nº 9303007.448, de 20/09/2018), de relatoria do ilustre Conselheiro Demes Brito: PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13897.001007/200302 Acórdão n.º 9303008.388 CSRFT3 Fl. 376 4 pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.011115/2001-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A verba rescisória paga por critérios subjetivos do empregador em favor de determinados funcionários não se confunde com o PDV e outros planos de demissão incentivada. É essencial para a caracterização da natureza indenizatória do programa a possibilidade de que outros funcionários, na mesma situação objetiva, possam dele se beneficiar. FÉRIAS NÃO GOZADAS INDENIZADAS. Os Atos Declaratórios Interpretativo SRF nºs 5 e 14, de 2005, reconheceram a não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas pela conversão em pecúnia de licença prêmio e das férias não gozadas por necessidade do serviço, inclusive por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.752
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo R$11.564,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A verba rescisória paga por critérios subjetivos do empregador em favor de determinados funcionários não se confunde com o PDV e outros planos de demissão incentivada. É essencial para a caracterização da natureza indenizatória do programa a possibilidade de que outros funcionários, na mesma situação objetiva, possam dele se beneficiar. FÉRIAS NÃO GOZADAS INDENIZADAS. Os Atos Declaratórios Interpretativo SRF nºs 5 e 14, de 2005, reconheceram a não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas pela conversão em pecúnia de licença prêmio e das férias não gozadas por necessidade do serviço, inclusive por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10768.011115/2001-09
conteudo_id_s : 6012772
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.752
nome_arquivo_s : Decisao_10768011115200109.pdf
nome_relator_s : José Raimundo Tosta Santos
nome_arquivo_pdf_s : 10768011115200109_6012772.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo R$11.564,00.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 7759641
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907531997184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.011115/200109 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.752 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria IRPF Recorrente CIOMARA REGINA MOREIRA DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A verba rescisória paga por critérios subjetivos do empregador em favor de determinados funcionários não se confunde com o PDV e outros planos de demissão incentivada. É essencial para a caracterização da natureza indenizatória do programa a possibilidade de que outros funcionários, na mesma situação objetiva, possam dele se beneficiar. FÉRIAS NÃO GOZADAS INDENIZADAS. Os Atos Declaratórios Interpretativo SRF nºs 5 e 14, de 2005, reconheceram a não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas pela conversão em pecúnia de licença prêmio e das férias não gozadas por necessidade do serviço, inclusive por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo R$11.564,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 10.250, proferido pela 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II (fl. 46), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: 1 Tratase de impugnação apresentada pela interessada contra Auto de Infração de fls. 04/06, que modificou o resultado da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício 1999, anocalendário 1998, de imposto a restituir de R$ 13.621,72 para imposto a pagar de R$47,65. 2 O valor lançado referese ao imposto de renda suplementar de R$ 47,65, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora calculados até julho de 2001, perfazendo um crédito tributário total de R$ 101,16. 3 O lançamento de oficio decorreu de procedimento de revisão interna da Declaração de Ajuste Anual entregue pela interessada, no qual, segundo Demonstrativo das Infrações de fl. 05, foi constatada omissão de rendimentos decorrentes de trabalho com vínculo empregatício recebidos do Banco Citibank S:A., no valor de R$ 51.142,03. 4 Cientificado do lançamento em 20/08/2001 (AR à fl. 36), a interessada insurgese contra o lançamento apresentando impugnação de fls. 01/02. " • 5 Afirma que a verba intitulada de "gratificação especial", no valor de R$ 36.138,00, considerada tributável no presente lançamento, foi recebida em razão de ter aderido a Programa de Demissão Voluntária instituído no Citibank S/A sob a denominação de Pivô Programa de Indenização Voluntária. 6 Diz que o Parecer PGFN/CRJ/N° 1278/98 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional concluiu no sentido de que não deve incidir imposto de renda sobre a parcela paga na oportunidade do desligamento do empregado a título de compensação pela perda do emprego, qualquer que seja o nome escolhido, não importando ainda estar o desligamento vinculado a um "Programa de Demissão Voluntária", "Rescisão Contratual Incentivada" ou não. 7 Alega ainda que o mencionado parecer conclui pela não incidência de imposto de Renda sobre as parcelas relativas a indenização de férias e licença prêmio não gozadas, pagas na oportunidade da rescisão do contrato de trabalho. 8 Assim, defende que as verbas indenizatórias recebidas no total de R$ 51.142,03 a título de incentivo a adesão ao Programa de Desligamento Voluntário, não se sujeitam à incidência de Imposto de Renda na Fonte, segundo o Ato Declaratório n° 03 , de 07/01/1999. 9 Ressalta, por fim, que outros empregados que participaram na mesma época do mesmo Programa de Demissão Voluntária do Banco Citibank S/A obtiveram êxito em seus pleitos tendo a Receita Federal adotado entendimento favorável em consonância com o Parecer PGFN/CRJ/N° 1278/98. 10 Constam juntados ao processo: Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fl. 11) e Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (fls. 12 e 13). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10768.011115/200109 Acórdão n.º 210101.752 S2C1T1 Fl. 2 3 Em seu apelo ao CARF, à fl. 54/56, a contribuinte reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A administração tributária já reconheceu o caráter indenizatório das parcelas pagas por adesão a programas de demissão voluntária. No mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Contudo, a verba rescisória paga por critérios subjetivos do empregador em favor de determinados funcionários não se confunde com o “PLANO DE DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS PDV” e outros planos de demissão incentivada. É essencial para a caracterização da natureza indenizatória do Programa a possibilidade de que outros funcionários, na mesma situação objetiva, possam dele se beneficiar. Indenizações direcionadas e destinadas a premiar determinados funcionários por sua excelente performance têm natureza de rendimentos tributáveis, consoante esclarece a missiva à fl. 07. Confirase o seguinte trecho (verbis): Informamos que o Sra. CIOMARA R M DOS SANTOS, portador da carteira profissional n.9 0082794 série 00021, foi nosso funcionário até 06 de Novembro de 1998, tendo recebido por ocasião de sua rescisão do contrato de trabalho, o valor abaixo à titulo de Gratificação Especial por tempo de trabalho dentro do Programa de Indenização Voluntária (PIVO), praticado há muitos anos por este Banco. Este programa é aplicável a funcionários que dentre outros requisitos, tenham apresentados ao longo destes anos uma excelente performance.(grifos acrescidos) É evidente que, quando se trata de indenização, a empresa não escolhe individualmente a quem vai pagar. A escolha caracteriza o pagamento como prêmio, sendo irrelevante o nomem juris que se dê a tal verba. No Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho à fl. 12 o pagamento é efetuado a título de “gratificação especial”, parcela esta que sofreu incidência do imposto de renda retido na fonte. Já o Comprovante de Rendimentos expedido pela fonte pagadora, à fl. 26, indica referido valor como “indenização por demissão voluntária”. No caso concreto, não foram apresentadas as cópias do PDV adotado pelo empregador e do Termo de Adesão do empregado, documentos indispensáveis para se demonstrar a natureza da verba. Valores recebidos a título de incentivo à adesão de planos de demissão incentivada informal, vinculados a critérios subjetivos do empregador, representa mera liberalidade, não podendo ser confundido com o chamado Programa de Demissão Voluntária PDV, inane á tributação. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Com relação às férias indenizadas no Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, à fl. 12/13, verificase que a Secretaria da Receita Federal reconheceu ser indevida a incidência tributária sobre este rendimento, através do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27/04/2005, publicada em 28/04/2005, para os valores pagos (em pecúnia) a título de licençaprêmio e férias não gozadas, por necessidade do serviço. Confirase: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27 de abril de 2005 DOU de 28.4.2005 Dispõe sobre a revisão de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de licençaprêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral ou a servidores públicos e determina o cancelamento de lançamento no caso em que especifica. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e o que consta no processo nº 10168.001185/200533, e considerando que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com base no art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante com relação às decisões que afastaram a incidência do imposto de renda das pessoas físicas sobre as verbas recebidas em face da conversão em pecúnia de licençaprêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, por trabalhadores em geral ou por servidores públicos, por meio dos seguintes pareceres e atos declaratórios: I Parecer PGFN/CRJ/Nº 921/99, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 6 de agosto de 1999, e do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 12 de agosto de 2002, publicado no DOU de 15 de agosto de 2002; II Parecer PGFN/CRJ/Nº 1458/99, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 31 de março de 2000, e do Ato Declaratório PGFN nº 8, de 12 de agosto de 2002, publicado no DOU de 15 de agosto de 2002; e III Parecer PGFN/CRJ/Nº 1905/2004, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 18 de fevereiro de 2005, e do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 18 de fevereiro de 2005, publicado no DOU de 22 de fevereiro de 2005, declara: Art. 1º Os Delegados e Inspetores da Receita Federal deverão rever de ofício os lançamentos referentes ao Imposto sobre a Renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de licençaprêmio e férias não gozadas, por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral ou a servidor público, desde que inexista qualquer outro fundamento relevante, para fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito tributário. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10768.011115/200109 Acórdão n.º 210101.752 S2C1T1 Fl. 3 5 Art. 2º A autoridade julgadora, nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, subtrairá a matéria de que trata o art. 1º na hipótese de crédito tributário já constituído cujo processo esteja pendente de julgamento. Art. 3º Fica formalmente revogado, sem a interrupção de sua força normativa, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 23, de 25 de agosto de 2004. Já o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2005 dispôs sobre as hipóteses nas quais se aplica o ADISRF nº 05/2005, dentre elas a rescisão do contrato de trabalho ou exoneração. Vejamos: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 27 de abril de 2005 DOU de 02.12.2005. Dispõe sobre as hipóteses em que se aplica o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27 de abril de 2005, no caso de revisão de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de férias integrais e de licençaprêmio não gozadas por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral ou a servidores públicos. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e o que consta no processo nº 10168.004133/200519, declara: Art. 1º O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27 de abril de 2005, editado em decorrência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1905/2004, de 29 de novembro de 2004, tratou da não incidência do imposto de renda somente nas hipóteses de pagamento de valores a título de férias integrais e de licençaprêmio não gozadas por necessidade do serviço quando da aposentadoria, rescisão de contrato de trabalho ou exoneração, previstas nas Súmulas nos 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a trabalhadores em geral ou a servidores públicos. Art. 2º Sofrem a incidência do imposto de renda, prevista no art. 3º, §§ 1º e 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, e no art. 43, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), as demais formas de pagamento em pecúnia a título de férias e de licençaprêmio não gozadas.” Referidos Atos Declaratórios Interpretativos tem por suporte as súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça. Vejamos: Súmula 125 O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito a incidência do imposto de renda (D.J.U. de 15.12.94, página 34.815). Súmula 136 O pagamento de licença prêmio não gozada por necessidade de serviço não esta sujeito ao imposto de renda (D.J.U. de 17.05.95, página 13.740).” A então Consultoria Geral Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 da República, hoje Advocacia Geral da União, tem sistematicamente reiterado: Todo trabalhador tem direito ao gozo de férias, que deve ocorrer dentro dos doze meses subseqüentes à sua aquisição. Como punição ao empregador que viola tal norma, a CLT impõe o pagamento em dobro das férias não gozadas. É óbvio que somente por necessidade do serviço tal fato pode ocorrer, devendo, portanto, tal parcela ser excluída da base de cálculo do imposto. Da mesma forma, após o período aquisitivo de doze meses, o empregado adquiri o direito às férias. Se estas não foram gozadas é razoável supor ou presumir que tal fato decorre de necessidade do serviço, uma vez que a sua concessão depende, exclusivamente, do empregador. Assim, o pagamento de valores a título de férias integrais, na rescisão do contrato de trabalho constitui hipótese de não incidência do imposto de renda, sendo certo que o pagamento de férias proporcionais não foram albergados nos Atos Declaratórios acima transcritos, pois o contribuinte sequer havia completado o período aquisitivo para o seu gozo, não havendo que se falar em indenização que substituiu o direito às férias. As decisões deste Conselho têm manifestado o mesmo entendimento, conforme ementa do Acórdão CSRF/0103.256, de 20 de março de 2001: IRPF FÉRIAS Os valores recebidos a título de férias, quando indenizadas, fato que constitui presunção no sentido de que houve necessidade de serviço, assumem natureza indenizatória e, consequentemente, não são alcançados pela incidência do imposto de renda. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo o montante de R$11.564,00, relativo às férias integrais não gozadas, indicadas às fls. 12/13. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13873.720296/2016-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2015
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13873.720296/2016-27
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5997414
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.786
nome_arquivo_s : Decisao_13873720296201627.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13873720296201627_5997414.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7715216
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907538288640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13873.720296/201627 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.786 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2019 Matéria Obrigação Acessória Recorrente MUNÍCIPIO DE BOTUCATU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2015 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13873.720284/201601, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 02 96 /2 01 6- 27 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13873.720296/201627 Acórdão n.º 1201002.786 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de notificação de lançamento lavrado para a cobrança de multa, no montante de R$ R$ 26.653,96, decorrente de atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de janeiro de 2015. A contribuinte teria entregue a referida declaração apenas em 07/06/2016, com 16 meses de atraso. Segundo consta na descrição dos fatos do Auto de Infração, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos”. Devidamente intimada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual afirma que o auto de infração não merece prosperar, seja em razão da ocorrência da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN), seja porque exige multa com caráter confiscatório e desproporcional, já que foi calculada com base em percentual dos tributos informados na declaração. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1157.572, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2015 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitarseá a multa especificada na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de obrigações acessórias depois de decorrido o prazo legal para seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de fato gerador de tributo. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13873.720296/201627 Acórdão n.º 1201002.786 S1C2T1 Fl. 4 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO OBRIGATORIEDADE DO CERTIFICADO DIGITAL E VALOR DA MULTA APLICADA. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão (AR de 11/10/2017), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2017, onde reitera as razões apresentadas em sede impugnação para requerer o afastamento da multa exigida considerando a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) e o efeito de confisco da exigência (vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.774, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13873.720284/2016 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.774): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 49 Conforme exposto no relatório, a exigência em questão referese a multa decorrente de atraso na apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente a janeiro de 2014. A Recorrente não cumpriu o prazo do dia 25/03/2014 e apresentou a declaração apenas em 07/06/2016. Em sede recursal, a Recorrente afirma que apresentou a declaração de forma espontânea, antes de qualquer manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a exclusão de qualquer penalidade. Para corroborar sua alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13873.720296/201627 Acórdão n.º 1201002.786 S1C2T1 Fl. 5 4 De antemão, vale registrar que o instituto da denúncia espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. (Grifos nossos). A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis: “MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso”. (Processo nº 13770.002101/200721, Acórdão nº 1001000.973, Turma Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de setembro de 2018) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIFPapel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário.” (Processo nº 19515.000850/200559, Acórdão nº 3401004.461, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção, Sessão de 22 de março de 2018) Assim, como situação fática apresentada nos presentes autos configura a hipótese tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa exigida (fl. 17) no lançamento deve ser mantida. II. Da Alegação do Caráter Confiscatório da Multa Outro argumento manifesto pela Recorrente é o do caráter confiscatório da multa exigida, o que seria vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Alega que o cálculo da exigência, a partir de percentual do valor declarado, é ilógico e que deveria ter sido aplicado o princípio da proporcionalidade. Em que pese a inconformidade da Recorrente, cumpre consignar que a exigência da multa está compreendida no artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. E, em análise da composição da exigência, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.720296/201627 Acórdão n.º 1201002.786 S1C2T1 Fl. 6 5 constatei que a autoridade fiscal realizou o lançamento corretamente e de acordo com o dispositivo mencionado. O argumento da Recorrente caracteriza a arguição de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais tem esse poder. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721115/2017-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014
NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE.
A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei.
DILIGÊNCIA.
A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS EMPREGADOS COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS INDEPENDENTEMENTE DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A Lei n.º 10.101 não veda a possibilidade de pagamento simultâneo de PLR, independentemente de compensação, com base em mais de um instrumento negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio. A lei específica apenas faculta a compensação, a teor da decisão a que chegar a negociação coletiva, conforme livre liberdade negocial, não apresentando proibição, prevalecendo a máxima do direito privado de que tudo que não é vedado resta permitido. A concomitância está, portanto, autorizada, devendo-se respeitar as demais disposições da legislação de regência.
PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA FOCADA EM ÍNDICE DE LUCRATIVIDADE FIRMADA NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO, ANTES DA APURAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE.
Focando-se o instrumento negocial na integração entre capital e trabalho, sendo lastreado, especialmente, no inciso I do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando índice de lucratividade (e não no resultado), inclusive prevendo que se inexistir o lucro não será devida qualquer parcela, deve-se compreender que atendeu o requisito do ajuste prévio a negociação finalizada razoavelmente antes de apurado o lucro ou prejuízo.
PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS.
Focando-se o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, deve-se compreender que não atende o requisito do ajuste prévio a negociação subscrita e definitivamente formalizada em data muito avançada em relação ao período aquisitivo (últimos dias do mês de dezembro). Enquanto isso, sendo assinado em meados no exercício (agosto), ainda em tempo razoável para o fim do exercício, mostra-se hígido, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo prévio de negociação.
PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. LEI N.º 10.101/2000. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE.
O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, para os fins da Lei n.º 10.101/2000, enquanto direito social, pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao seu pagamento. Exige, por isso, a lei que as regras sejam claras e objetivas. Não perderá sua clareza, nem se desconsiderará o livremente pactuado coletivamente, o fato de se remeter outros detalhamentos e especificidades para documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva, esclarecendo-se as premissas do procedimento de complementação e dela tenha participado a representação sindical. A complementação das metas por meio de documento apartado, complementar, acessório, por si só, não inviabiliza a condução da PLR.
PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. PREVISÃO DE PARCELA MÍNIMA. PREVISÃO DE VALOR FIXO. POSSIBILIDADE.
A previsão de um valor mínimo ou de valor fixo não desvirtua a PLR, quando for moderada a sua previsão (em valor ínfimo) e quando não estiver condicionada a ausência de alcance de qualquer índice ou meta, mas sim objetive assegurar um mínimo de valor a ser recebido como garantia ao trabalhador, respeitando o direito social que lhe é outorgado.
PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. INEXISTÊNCIA DE LIMITES E DE VINCULAÇÃO AO SALÁRIO.
A participação nos lucros, ou resultados, na forma da legislação específica não se vincula ao salário, sendo independente e autônoma, deste modo efetivando a fiscalização cálculos comparativos aleatórios e assistemáticos para comparar salário x PLR não prevalece a motivação de substituição da remuneração, sem que existam outros elementos, inclusive eventual apontamento quanto a violação do plano acordado. Em nenhum momento a Lei n.º 10.101 tratou de limites mínimos ou máximos e, em verdade, buscou a integração capital e trabalho com a partilha de lucros, os quais possuem variação a cada exercício social.
PAGAMENTO DE PLR AO DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI 10.101. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE.
O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, devidamente informado em GFIP, DIRF, DIPJ, contabilidade e outros, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, inclusive, deste modo, poderia receber PLR na forma da Lei 10.101, como qualquer outro empregado, devendo-se observância ao teor da referida legislação. Caso a lei específica não seja observada em seus parâmetros norteadores, cabe a fiscalização afastar o plano e lançar os valores pagos ao segurado empregado. Se o auto de infração é lavrado considerando os diretores empregados como contribuintes individuais, sem afastar o vínculo de subordinação, resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para afastar a condição de empregados, especialmente diante de existência de Solução de Consulta prevendo a possibilidade de existir o Diretor Empregado, que mantenha as características inerentes a relação de emprego, sob pena de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). É necessário que a fiscalização aponte os elementos concretos, objetivos, necessários a afastar o vínculo de subordinação.
SALÁRIO INDIRETO. GRATIFICAÇÃO. DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE.
O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, deste modo se o auto de infração, por valores recebidos a título de gratificação, é lavrado considerando-o como contribuinte individual e não tendo sido afastado o vínculo de subordinação resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para se afastar a condição de empregados. Precisava a fiscalização apontar os elementos concretos, objetivos, que levava a afastar o vínculo de subordinação, o vínculo de emprego.
Numero da decisão: 2202-005.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencidos os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Martin da Silva Gesto, que a encaminhou. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os pagamentos a título de PLR baseados nas "convenções coletivas" relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados - fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014"; os pagamentos a título de PLR baseados no acordo coletivo de 2012 relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados - fevereiro de 2013, março de 2013"; os pagamentos a título de PLR de Administradores (PLA) contribuintes individuais; e os pagamentos a título de Gratificação aos Administradores contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento integral ao recurso, e o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão. Votou pelas conclusões, no que diz respeito aos pagamentos efetuados aos diretores empregados, o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.721115/2017-45
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008678
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.192
nome_arquivo_s : Decisao_16327721115201745.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 16327721115201745_6008678.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencidos os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Martin da Silva Gesto, que a encaminhou. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os pagamentos a título de PLR baseados nas "convenções coletivas" relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados - fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014"; os pagamentos a título de PLR baseados no acordo coletivo de 2012 relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados - fevereiro de 2013, março de 2013"; os pagamentos a título de PLR de Administradores (PLA) contribuintes individuais; e os pagamentos a título de Gratificação aos Administradores contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento integral ao recurso, e o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão. Votou pelas conclusões, no que diz respeito aos pagamentos efetuados aos diretores empregados, o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7746595
ano_sessao_s : 2019
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. DILIGÊNCIA. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS EMPREGADOS COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS INDEPENDENTEMENTE DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A Lei n.º 10.101 não veda a possibilidade de pagamento simultâneo de PLR, independentemente de compensação, com base em mais de um instrumento negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio. A lei específica apenas faculta a compensação, a teor da decisão a que chegar a negociação coletiva, conforme livre liberdade negocial, não apresentando proibição, prevalecendo a máxima do direito privado de que tudo que não é vedado resta permitido. A concomitância está, portanto, autorizada, devendo-se respeitar as demais disposições da legislação de regência. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA FOCADA EM ÍNDICE DE LUCRATIVIDADE FIRMADA NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO, ANTES DA APURAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. Focando-se o instrumento negocial na integração entre capital e trabalho, sendo lastreado, especialmente, no inciso I do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando índice de lucratividade (e não no resultado), inclusive prevendo que se inexistir o lucro não será devida qualquer parcela, deve-se compreender que atendeu o requisito do ajuste prévio a negociação finalizada razoavelmente antes de apurado o lucro ou prejuízo. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS. Focando-se o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, deve-se compreender que não atende o requisito do ajuste prévio a negociação subscrita e definitivamente formalizada em data muito avançada em relação ao período aquisitivo (últimos dias do mês de dezembro). Enquanto isso, sendo assinado em meados no exercício (agosto), ainda em tempo razoável para o fim do exercício, mostra-se hígido, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo prévio de negociação. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. LEI N.º 10.101/2000. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, para os fins da Lei n.º 10.101/2000, enquanto direito social, pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao seu pagamento. Exige, por isso, a lei que as regras sejam claras e objetivas. Não perderá sua clareza, nem se desconsiderará o livremente pactuado coletivamente, o fato de se remeter outros detalhamentos e especificidades para documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva, esclarecendo-se as premissas do procedimento de complementação e dela tenha participado a representação sindical. A complementação das metas por meio de documento apartado, complementar, acessório, por si só, não inviabiliza a condução da PLR. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. PREVISÃO DE PARCELA MÍNIMA. PREVISÃO DE VALOR FIXO. POSSIBILIDADE. A previsão de um valor mínimo ou de valor fixo não desvirtua a PLR, quando for moderada a sua previsão (em valor ínfimo) e quando não estiver condicionada a ausência de alcance de qualquer índice ou meta, mas sim objetive assegurar um mínimo de valor a ser recebido como garantia ao trabalhador, respeitando o direito social que lhe é outorgado. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. INEXISTÊNCIA DE LIMITES E DE VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. A participação nos lucros, ou resultados, na forma da legislação específica não se vincula ao salário, sendo independente e autônoma, deste modo efetivando a fiscalização cálculos comparativos aleatórios e assistemáticos para comparar salário x PLR não prevalece a motivação de substituição da remuneração, sem que existam outros elementos, inclusive eventual apontamento quanto a violação do plano acordado. Em nenhum momento a Lei n.º 10.101 tratou de limites mínimos ou máximos e, em verdade, buscou a integração capital e trabalho com a partilha de lucros, os quais possuem variação a cada exercício social. PAGAMENTO DE PLR AO DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI 10.101. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, devidamente informado em GFIP, DIRF, DIPJ, contabilidade e outros, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, inclusive, deste modo, poderia receber PLR na forma da Lei 10.101, como qualquer outro empregado, devendo-se observância ao teor da referida legislação. Caso a lei específica não seja observada em seus parâmetros norteadores, cabe a fiscalização afastar o plano e lançar os valores pagos ao segurado empregado. Se o auto de infração é lavrado considerando os diretores empregados como contribuintes individuais, sem afastar o vínculo de subordinação, resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para afastar a condição de empregados, especialmente diante de existência de Solução de Consulta prevendo a possibilidade de existir o Diretor Empregado, que mantenha as características inerentes a relação de emprego, sob pena de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). É necessário que a fiscalização aponte os elementos concretos, objetivos, necessários a afastar o vínculo de subordinação. SALÁRIO INDIRETO. GRATIFICAÇÃO. DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, deste modo se o auto de infração, por valores recebidos a título de gratificação, é lavrado considerando-o como contribuinte individual e não tendo sido afastado o vínculo de subordinação resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para se afastar a condição de empregados. Precisava a fiscalização apontar os elementos concretos, objetivos, que levava a afastar o vínculo de subordinação, o vínculo de emprego.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907544580096
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-15T16:39:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-15T16:39:04Z; Last-Modified: 2019-05-15T16:39:04Z; dcterms:modified: 2019-05-15T16:39:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-05-15T16:39:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-15T16:39:04Z; meta:save-date: 2019-05-15T16:39:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-15T16:39:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-15T16:39:04Z; created: 2019-05-15T16:39:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; Creation-Date: 2019-05-15T16:39:04Z; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-15T16:39:04Z | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.440 1 1.439 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721115/201745 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.192 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BANCO ABC BRASIL S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindolhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. DILIGÊNCIA. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 15 /2 01 7- 45 Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.441 2 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS EMPREGADOS COM BASE EM INSTRUMENTOS DISTINTOS INDEPENDENTEMENTE DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A Lei n.º 10.101 não veda a possibilidade de pagamento simultâneo de PLR, independentemente de compensação, com base em mais de um instrumento negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio. A lei específica apenas faculta a compensação, a teor da decisão a que chegar a negociação coletiva, conforme livre liberdade negocial, não apresentando proibição, prevalecendo a máxima do direito privado de que tudo que não é vedado resta permitido. A concomitância está, portanto, autorizada, devendo se respeitar as demais disposições da legislação de regência. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA FOCADA EM ÍNDICE DE LUCRATIVIDADE FIRMADA NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO, ANTES DA APURAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. Focandose o instrumento negocial na integração entre capital e trabalho, sendo lastreado, especialmente, no inciso I do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando índice de lucratividade (e não no resultado), inclusive prevendo que se inexistir o lucro não será devida qualquer parcela, devese compreender que atendeu o requisito do ajuste prévio a negociação finalizada razoavelmente antes de apurado o lucro ou prejuízo. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS COM BASE EM ACORDO COLETIVO FOCADO EM RESULTADOS FIRMADO NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO. ANÁLISE CONCRETA QUANTO A RAZOABILIDADE AO CONHECIMENTO PRÉVIO PARA O CUMPRIMENTO DE METAS. Focandose o instrumento negocial no incentivo à produtividade, sendo lastreado, especialmente, no inciso II do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, objetivando programa de metas e resultados (e não o lucro), inclusive prevendo pagamento mesmo sem aferição de lucro, devese compreender que não atende o requisito do ajuste prévio a negociação subscrita e definitivamente formalizada em data muito avançada em relação ao período aquisitivo (últimos dias do mês de dezembro). Enquanto isso, sendo assinado em meados no exercício (agosto), ainda em tempo razoável para o fim do exercício, mostrase hígido, sendo possível perseguir as metas e imputar ao negociado os resultados já alcançados face ao processo prévio de negociação. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. LEI N.º 10.101/2000. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, para os fins da Lei n.º 10.101/2000, enquanto direito social, pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao seu pagamento. Exige, por isso, a lei que as regras sejam claras e objetivas. Não perderá sua clareza, nem se desconsiderará o livremente pactuado coletivamente, o fato de se remeter outros detalhamentos e especificidades para documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva, esclarecendose as premissas do procedimento de Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.442 3 complementação e dela tenha participado a representação sindical. A complementação das metas por meio de documento apartado, complementar, acessório, por si só, não inviabiliza a condução da PLR. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. PREVISÃO DE PARCELA MÍNIMA. PREVISÃO DE VALOR FIXO. POSSIBILIDADE. A previsão de um valor mínimo ou de valor fixo não desvirtua a PLR, quando for moderada a sua previsão (em valor ínfimo) e quando não estiver condicionada a ausência de alcance de qualquer índice ou meta, mas sim objetive assegurar um mínimo de valor a ser recebido como garantia ao trabalhador, respeitando o direito social que lhe é outorgado. PAGAMENTO DE PLR AOS EMPREGADOS. LEI N.º 10.101/2000. INEXISTÊNCIA DE LIMITES E DE VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. A participação nos lucros, ou resultados, na forma da legislação específica não se vincula ao salário, sendo independente e autônoma, deste modo efetivando a fiscalização cálculos comparativos aleatórios e assistemáticos para comparar salário x PLR não prevalece a motivação de substituição da remuneração, sem que existam outros elementos, inclusive eventual apontamento quanto a violação do plano acordado. Em nenhum momento a Lei n.º 10.101 tratou de limites mínimos ou máximos e, em verdade, buscou a integração capital e trabalho com a partilha de lucros, os quais possuem variação a cada exercício social. PAGAMENTO DE PLR AO DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI 10.101. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, devidamente informado em GFIP, DIRF, DIPJ, contabilidade e outros, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, inclusive, deste modo, poderia receber PLR na forma da Lei 10.101, como qualquer outro empregado, devendose observância ao teor da referida legislação. Caso a lei específica não seja observada em seus parâmetros norteadores, cabe a fiscalização afastar o plano e lançar os valores pagos ao segurado empregado. Se o auto de infração é lavrado considerando os diretores empregados como contribuintes individuais, sem afastar o vínculo de subordinação, resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para afastar a condição de empregados, especialmente diante de existência de Solução de Consulta prevendo a possibilidade de existir o Diretor Empregado, que mantenha as características inerentes a relação de emprego, sob pena de comportamento contraditório (venire contra factum proprium). É necessário que a fiscalização aponte os elementos concretos, objetivos, necessários a afastar o vínculo de subordinação. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.443 4 SALÁRIO INDIRETO. GRATIFICAÇÃO. DIRETOR ESTATUTÁRIO EMPREGADO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA NÃO AFASTADA. MANUTENÇÃO DO VÍNCULO DE EMPREGO. QUALIFICAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. LANÇAMENTO COMO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. IMPOSSIBILIDADE. O diretor estatutário contratado com vínculo empregatício, que não tenha as características inerentes à relação de emprego descaracterizadas pela fiscalização, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, deste modo se o auto de infração, por valores recebidos a título de gratificação, é lavrado considerandoo como contribuinte individual e não tendo sido afastado o vínculo de subordinação resta deficiente a motivação, não sendo possível a manutenção do lançamento. O só fato da fiscalização informar que os diretores estatutários possuem poderes de Administração não é motivo suficiente para se afastar a condição de empregados. Precisava a fiscalização apontar os elementos concretos, objetivos, que levava a afastar o vínculo de subordinação, o vínculo de emprego. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencidos os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Martin da Silva Gesto, que a encaminhou. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os pagamentos a título de PLR baseados nas "convenções coletivas" relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014"; os pagamentos a título de PLR baseados no acordo coletivo de 2012 relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados fevereiro de 2013, março de 2013"; os pagamentos a título de PLR de Administradores (PLA) contribuintes individuais; e os pagamentos a título de Gratificação aos Administradores contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, que deu provimento integral ao recurso, e o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão. Votou pelas conclusões, no que diz respeito aos pagamentos efetuados aos diretores empregados, o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.444 5 Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 1.322/1.411), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 1.297/1.312), proferida em sessão de 19/10/2018, consubstanciada no Acórdão n.º 0135.783, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (DRJ/BEL), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à impugnação (efls. 705/785), mantendo integralmente o crédito tributário lançado (efls. 639/646 e 648/653) no valor de R$ 74.864.189,80 (setenta e quatro milhões e oitocentos e sessenta e quatro mil e cento e oitenta e nove reais e oitenta centavos, efl. 693), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2013 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADO. NÃO INCIDÊNCIA CONDICIONADA AO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A Participação nos Lucros e Resultado tem como objetivo estimular a produtividade dos trabalhadores, para isso é necessário que eles tenham conhecimento das regras que resultarão neste benefício, como condição para promover um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida. Nesse contexto, há uma preclusão lógica temporal assinar acordos coletivos no final do ano para orientar e estimular a produção dos trabalhadores durante o ano que já se passou. O não cumprimento de todos os termos exigidos pela lei específica que regula a Participação nos Lucros e Resultados é condição suficiente para a não fruição da isenção de contribuições previdenciárias sobre essas verbas. DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONJUNTO PROBATÓRIO. O êxito das alegações contidas na impugnação está diretamente ligado ao conjunto probatório existente nos autos e em sua conformidade com as exigências contidas na legislação tributária, de forma a não deixar dúvida em relação à fidedignidade dos fatos alegados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento, no Procedimento Fiscal n.º 0816600.2016.00253, para fatos geradores ocorridos entre 01/02/2013 a 31/12/2014, com auto de infração lavrado em 18/12/2017 (efls. 639/646 e 648/653), notificado o contribuinte em 20/12/2017 (efls. 693/694), com Relatório Fiscal juntado aos autos (efls. 655/691), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.445 6 Tratase de Impugnação em resistência aos Autos de Infração, abaixo discriminados, lavrados em face do Interessado, já qualificado nos autos, em procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias relativas às Contribuições Previdenciárias e de Terceiros (destinadas para outras entidades e fundos) incidentes sobre as remunerações de Segurados Empregados e Contribuintes Individuais filiados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. Auto de Infração referente às Contribuições Previdenciárias e GILRAT, no montante de R$ 70.389.125,79. Auto de Infração relativo às Contribuições destinadas ao FNDE (Salário Educação) e ao INCRA, no valor total de R$ 4.475.064,01. Notícia o Relatório Fiscal, fls. 655/691, que: Os fatos que ensejaram os lançamentos tributários foram os pagamentos realizados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR a Segurados Empregados e Contribuintes Individuais (Administradores) e gratificações a Administradores (Contribuintes Individuais), em desacordo com a legislação específica. O Interessado forneceu informações sobre os valores, posteriormente confirmadas em sua contabilidade e folhas de pagamento. Após incursionar pela legislação que regula a Participação nos Lucros e Resultados conclui a peça fiscal que é imperioso o estabelecimento prévio de indicadores para o pagamento da PLR a partir de uma negociação entre o empregador e seus empregados, com a necessária participação do sindicato da categoria. A exclusão da tributação sobre o pagamento dessas verbas depende do preenchimento dos requisitos estabelecidos na Lei 10.101/2000. Analisa algumas cláusulas das Convenções Coletivas de Trabalho sobre a PLR de 02/10/2012, 18/10/2013 e 13/10/2014 para sustentar que os valores pagos não são compensados com quaisquer outro instrumento e, ainda que o fossem, só o seriam parcialmente, uma vez que há uma parcela de valor fixo não compensável previstas nas Convenções Coletivas de Trabalho que tratam da PLR. Aduz que a empresa utiliza dois instrumentos contemplando os mesmos empregados sem haver compensação entre eles, o que contraria o Acórdão CARF n.º 240102.250 4.ª Câmara/1.ª Turma Ordinária e a Lei 10.101/2000. Constatou que todas as convenções coletivas de trabalho que tratam de PLR foram elaboradas após o início do período a que se referem os lucros e os resultados, em contrariedade às exigências legais, de forma que durante quase todos os anos os empregados desconheciam os requisitos a que deveriam atender para fazer jus a PLR, não se configurando, assim, em estímulo à produtividade. "A Convenção Coletiva que trata da PLR relativa ao exercício de 2012 só foi assinada em 02/10/2012, a que trata da PLR relativa ao exercício de 2013 só foi assinada em 18/10/2013 e a referente ao exercício de 2014 só foi assinada em 13/10/2014". Tal fato também ocorreu em relação aos Acordos Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.446 7 Coletivos de Trabalho que versavam sobre PLR celebrados em 10/08/2012, 17/12/2013 e 11/12/2014. Afirma que nos Acordos Coletivos de Trabalho, no que diz respeito ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados, não existe uma regra sequer quanto à fixação dos direitos dos empregados, tanto quanto a índices de lucros, quanto a metas individuais. Até menciona metas quantitativas e qualitativas, sem definilas. A única regra clara é a obrigatoriedade de negociação individual de cada empregado com sua chefia, sem a participação do sindicato. Transcreve cláusulas dos Acordos Coletivos de 10/08/2012, 17/12/2013 e de 11/12/2014 para demonstrar que independentemente do cargo ocupado pelo empregado e do percentual de meta atingido, mesmo que seja zero, é assegurado um valor fixo mínimo de PLR. "Se o empregado jamais deixa de receber valor referente à participação nos lucros e resultados, uma vez que existe um valor fixo mínimo, tratase tal verba na verdade de uma gratificação, bonificação ou outro nome que se queira denominar, menos de PLR". Destaca que a PLR não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, conforme norma contida na Lei 10.101/00. Discorre sobre o pagamento de remunerações feitas por meio de PLR. A partir da análise das folhas de pagamento constatou várias ocorrências de pagamento de PLR em valores que excedem o salário mensal do próprio empregado. Há situações em que o valor da Participação nos Lucros e Resultados excede em mais de vinte vezes o salário do funcionário. "Quando a suposta 'participação nos lucros ou resultados' paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário base contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração". No que diz respeito à participação e gratificação dos Administradores de uma sociedade anônima, como é o Interessado, argumenta, com base na Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que o pagamento dessa verba é uma faculdade da empresa e que referida lei não desvincula tal verba da remuneração e não determina que sobre ela não haverá incidência das contribuições previdenciárias. Conforme interpretação de dispositivos da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, sustenta que todos os rendimentos recebidos pelos contribuintes individuais compõem o salário de contribuição, base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, admitida apenas as exclusões contidas no § 9.º, art. 28 dessa lei previdenciária. Tece comentários sobre a diferença entre a participação nos lucros pagas a contribuintes individuais e aquela paga a empregados, para sustentar que a PLR desvinculada da remuneração é restrita aos segurados empregados, se em conformidade com a Lei 10.101/2000. Situação diferente da participação paga ao contribuinte individual, que é considerada base de incidência das contribuições previdenciárias por falta de previsão legal de não incidência, em razão disso será sempre tributada. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.447 8 Estabelece também a diferenciação entre participação nos lucros com os dividendos, estes independem de qualquer trabalho para auferilo, pois representa a remuneração do capital investido. Por sua vez, a participação nos lucros é paga em retribuição aos serviços prestados à Companhia, fato gerador de Contribuições Previdenciárias. Informa que nas declarações entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil o Interessado classifica seus diretores como empregados. Sustenta que "a existência ou não de contratos de trabalho na modalidade emprego, celebrados entre a empresa e os diretores, não os afasta da condição de administradores do banco" e não lhe concede o direito de usufruir da dedução permitida pela Lei 10.101/2000. Em resposta à intimação fiscal o Interessado informou que não foram pagos dividendos, somente juros sobre o capital próprio. Relata que os diretores estatutários receberam participação nos lucros e resultados nas modalidades: Pagamento em espécie e pagamento em ações. Já o pagamento a título de gratificações aos administradores foram pagos em espécie, conforme registros nas folhas de pagamento. No item 8.1 do Relatório Fiscal são listados os documentos que serviram de base para os lançamentos tributários. Da Impugnação ao lançamento O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 18/01/2018 (efls. 702/785), a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, controverteuse na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris: O Interessado, devidamente citado, impugna o lançamento tributário, fls. 705/785, com base nos argumentos a seguir relatados. Em sede de preliminar requer a nulidade do Auto de Infração das Contribuições devidas a Terceiros por não observância do limite de 20 salários mínimos das bases de cálculos, conforme determinação contida no art. 4.º da Lei 6.950/81, que permanece intacto, pois o DecretoLei n.º 2.318/86 revogou o limite de 20 salários mínimos tão somente em relação as contribuições previdenciárias da empresa. Em outras palavras, o cálculo das contribuições destinadas a terceiros permanece limitado a vinte salários mínimos, o que não foi observado pela Autoridade Fiscal. Outra nulidade defendida pelo Impugnante diz respeito a ocorrência de duplicidade na apuração da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, uma vez que nos meses de fevereiro e agosto de 2014 foram pagos gratificações a empregados/diretores e em abril e agosto de 2014 a PLR aos mesmos empregados/diretores, conforme tabela apresentada, fls. 713, in fine, e 714. "Por um lapso, o Impugnante informou o pagamento do mesmo valor em duas colunas distintas", sustenta que se trata de um único pagamento contabilizado duas vezes. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.448 9 "O Impugnante reconhece que a duplicidade das informações adveio de seus preenchimento de relatório solicitado na fiscalização. Todavia, tal fato não elide a atribuição legal conferida à Autoridade Fiscal para confirmar os elementos intrínsecos à efetiva ocorrência do fato gerador", o que macula de nulidade os autos de infrações litigiosos, uma vem que carecem de liquidez e certeza. Alternativamente, argumenta que se esses erros na base de cálculo não forem entendidos como suficientes para o cancelamento das autuações, devese converter o presente julgamento em diligência para que se verifique a duplicidade alegada pelo Impugnante. No mérito defende a regularidade dos pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros e Resultados e em razão disso a não incidência de Contribuições Previdenciárias. Sustenta que não há vedação legal expressa ao pagamento PLR com base no disposto em convenção coletiva e, também, em acordo coletivo, já que esses instrumentos possuem abrangências e competências distintas. O que é facultado aos empregadores é a compensação entre tais pagamentos art. 3.º, § 3.º, da Lei 10.101/00, portanto, equivocada é a conclusão que a compensação seria impositiva. Defende a inaplicabilidade, para o caso concreto, da teoria do "conglobamento" e do art. 620 da CLT, isso porque: (I) as Convenções não são mais favoráveis que os Acordos (II) os direitos substantivos previstos em ambos são complementares e não alternativos, (III) enquanto as Convenções impõem a impossibilidade de compensação de parte dos valores a serem pagos a título de PLR (item "II.a" das respectivas cláusulas primeiras), os Acordos impõem a impossibilidade de compensação da totalidade dos valores pagos a título de participação (respectivas cláusulas oitavas). "Portanto, tendo em vista que o pagamento com base em dois instrumentos de PLR, mesmo sem que houvesse compensação entre os valores distribuídos, não implicou qualquer violação aos requisitos previstos na Lei 10.101/00". No entanto, se o entendimento da Turma de Julgadores for pela impossibilidade da existência de 2 (dois) ou mais instrumentos de PLR, devese reconhecer que os valores pagos a título de PLR com base nas Convenções são válidos e cumprem os requisitos da lei, assim, não prospera esta parte dos autos de infração. No que diz respeito à data de assinatura e vigência retroativa das Convenções e dos Acordos, destaca que a despeito das assinaturas terem ocorrido nos meses de outubro de cada ano, isso não invalida esses instrumentos, pois ocorreram negociações prévias e complexas com os sindicatos, inclusive são anexadas as reivindicações dos sindicatos. Afirma que antes da assinatura das Convenções e Acordos de PLR, o Impugnante já havia dado conhecimento aos seus empregados de quais eram os critérios, as metas e as condições para o pagamento de PLR (doc. 5). Assinala também a semelhança dos critérios e condições com os PLR de anos anteriores. Adverte que esperar ou exigir que acordos e convenções coletivas dessa magnitude de PLR sejam assinados antes do Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.449 10 início do ano ou nos primeiros meses do ano "é fruto não só do desconhecimento do que diz a Lei n.º 10.101/00, mas também da realidade imposta às negociações envolvendo cada instrumento de PLR e de como elas são demoradas e complexas". A Lei indica que a negociação deve anteceder ao pagamento, o que foi observado pelo Impugnante. Desta feita, a data da assinatura do acordo jamais poderia ser considerada como descumprimento de requisito para a sua validade. Entende que não procede a desconsideração do PLR, pois: a celebração dos programas foi precedida da formação de comissão de negociação eleita pelos empregados; as metas foram previamente negociados com os empregados, que tinham amplo conhecimento tanto das metas global e individual, conforme Anexo I dos Acordos Contratos de metas, inclusive a própria fiscalização reconhece a existência de metas individuais negociadas entre empregados e superiores, sem impedimentos legais para tal procedimento. "Se os empregados entendessem que as metas não eram claras ou que prejudicavam seu direito à PLR, é evidente que, no mínimo, tentariam alterar parcialmente o formulário. Seja diretamente, na contratação das metas, seja indiretamente, pela representação sindical no momento da negociação". "Tal fato é reforçado pelos Comunicados Gerais enviados a todos os empregados acerca do período de estabelecimento de metas e celebração de contratos individuais". Destaca que não há proibição legal para a especificação mais detalhada das regras e metas do PLR, a exemplo da negociação de metas individuais entre empregados e seus superiores. Se esses personagens consideram as cláusulas do PLR suficientes claras e objetivas a ponto de celebrar acordos, "o Fisco não tem qualquer poder ou competência para intervir nessas relações, notadamente 4 e até 5 anos depois de entabuladas". Relata que, na prática, os pagamentos de PLR realizados pelo Impugnante, pautaramse, efetivamente, na avaliação individual de cada empregado, para verificar se eles atingiram a meta, de acordo com previsão contida na cláusula quarta do Programa de PLR. Acerca do valor fixo mínimo pago a título de PLR, sustenta a ausência de vedações na Lei 10.101/00 às partes fixarem uma participação nos lucros ainda que os resultados financeiros sejam modestos. "Por outro lado, devese observar que o Impugnante sempre auferiu lucros expressivos, sendo o valor fixo mínimo vinculado aos esforços empreendidos por todos os empregados do Impugnante que levam ao resultado positivo do período. Ou seja, o valor fixo mínimo está intrinsecamente correlacionado ao cumprimento de metas e resultados, mesmo que globais". Assevera que os pagamentos realizados de PLR não objetivavam substituir ou complementar a remuneração devida aos empregados. No caso, deveria a Autoridade Fiscal comprovar que os salários pagos aos empregados seriam inferiores ao mercado ou irrisórios, de modo que o valor da participação substituiria a remuneração. Ademais, não há na legislação qualquer limitação quanto aos valores máximos de PLR a serem pagos. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.450 11 Observa que o fato de haver montantes pagos a título de PLR que superam os salários pagos é apenas mais um indicativo de que tais programas foram efetivamente praticados e atingiu seus objetivos: compartilhar com os seus empregados os resultados auferidos pela empresa, uma demonstração de efetiva distribuição de riqueza. Quanto a participação nos lucros e resultados de Diretores Empregados, sustenta que com exceção de seu presidente, os demais diretores ostentam a condição de empregados com vínculo pela CLT e mesmo que os diretores não fossem empregados não incidiria Contribuição Previdenciária sobre a PLR de acordo com a Lei 10.101/00. Discorda que a Participação nos Lucros conferida aos diretores empregados teria origem no art. 152 da Lei 6.404/76. Estes são empregados regidos pela CLT, com carteira de trabalho assinada, inclusive com previsão no art. 12, I, alínea "a" da Lei 8.212/91, em razão disso devem ser tratados como os demais empregados. Não se justifica a desconsideração do vínculo empregatício, por mera presunção, desacompanhada de provas que evidencie a inexistência de requisitos inerentes à configuração do vínculo empregatício, especialmente a subordinação dos diretores empregados ao Diretor Presidente, que não é celetista, ao Conselho de Administração, art. 21 do Estatuto Social, e a Assembleia Geral, sem autonomia para serem considerados contribuintes individuais. "Aliás, a submissão da Diretoria ao Conselho de Administração e à Assembleia Geral decorre da própria Lei 6.404/76". Transcreve informações relativas ao Diretor Alexandre Yoshiaki Sinzato, que foi promovido a Diretor, sem suspensão do vínculo empregatício. "Do exemplo descrito acima, depreendese principalmente dois aspectos de extrema relevância para a configuração da relação empregatícia, quais sejam, o cumprimento de horários de trabalho predefinidos, o que demonstra a habitualidade e subordinação, bem como a continuidade do vínculo empregatício". Aduz que a necessidade de eleição de diretores estatutários decorre de normas do Banco Central, as quais tiveram que ser atendidas pelo Impugnante, ainda que esses diretores não atuem como administradores. Observa que o Direito é uno. Inexiste uma realidade autônoma do Direito Tributário/Previdenciário, assim a Fiscalização não poderia ter se afastado da doutrina e jurisprudência trabalhista acerca da relação empregatícia dos diretores. Da mesma forma sustenta que não cabe presumir que toda diretoria exercia a função de administrar a sociedade, tampouco o Estatuto Social é suficiente para atestar, que efetivamente, todos os Diretores exerciam as funções típicas de administradores, apesar da previsão estatutária nesse sentido. Assevera que inexiste previsão legal que autorize a desconsideração da natureza dos pagamentos de PLR efetuados aos Diretores, ainda que não fossem empregados, de acordo com a Lei 10.101/00 e o art. 7.º, XI, da Constituição Federal. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.451 12 Demonstrado que os Diretores são efetivamente empregados não deve subsistir o lançamento de Contribuições sobre as gratificações pagas, pois se trata de ganhos eventuais, nos termos do art. 28, § 9.º, alínea "e", item 7, da Lei 8.212/91. Afirma que não possui política de pagamento de gratificações, o que demonstra sua eventualidade. Ad argumentandum, caso se entenda por manter a autuação, dever ser realizada a compensação de ofício dos créditos decorrentes do recolhimento indevido de contribuições previdenciárias ao RAT/SAT sobre o total da remuneração desses diretores nos últimos cinco anos. Por falta de previsão legal sustenta que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre as multas de ofício lançadas. São transcritos excertos da doutrina e de julgados, administrativos e judiciais, para reforçar as teses de defesa. Requer a integral procedência da Impugnação e o cancelamento das autuações fiscais. Alternativamente, a conversão do julgamento em Diligência, em razão da duplicidade na base de cálculo. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário. Eis a conclusão da decisão a quo: "Em face do exposto, da ausência de nulidade, votase pela Improcedência da Impugnação e manutenção integral dos Autos de Infração que compõem o presente processo." Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 29/11/2018 (efls. 1.320/1.411), o sujeito passivo, reiterando os termos da impugnação, postula seja reconhecida a nulidade da decisão para retorno dos autos ao juízo a quo. Não entendendo pela nulidade da decisão de piso, que seja dado provimento ao recurso para que se reforme a decisão recorrida para, acatando as preliminares, reconhecer a nulidade dos autos de infração para cancelar a autuação. Na eventualidade, requer o provimento ao recurso para que se reforme a decisão recorrida para reconhecer a improcedência da autuação em razão dos argumentos de mérito, com desconstituição dos créditos tributários e o cancelamento dos autos de infração. Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Preliminar de nulidade da decisão recorrida (ausência de exame da documentação e dos esclarecimentos apresentados na impugnação); b) Preliminar de nulidade do auto de infração das contribuições devidas a terceiros (não observância do limite de 20 salários mínimos das bases de cálculos); c) Preliminar de Nulidade do auto de infração por erro na identificação da base de cálculos (iliquidez e incerteza); d) Regularidade dos pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (não incidência de contribuições previdenciárias); e) Possibilidade de pagamentos simultâneos de PLR efetuados com base em mais de um instrumento previsto na Lei n.º 10.101 (Convenções e Acordo Coletivos); f) Data de assinatura e da negociação prévia (vigência retroativa das convenções e dos acordos); g) Acusações aos Acordos Coletivos de Trabalho; h) Existência de metas e regras claras e objetivas nos Acordos; i) Fixação de valor mínimo a ser pago a título de PLR; j) Suposto caráter substitutivo da remuneração atribuído aos pagamentos realizados a título de PLR; k) Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.452 13 Participação nos Lucros ou Resultados de diretores empregados; l) Ausência de provas para a desconsideração do vínculo empregatício existente entre os diretores empregados e o recorrente (presunção); m) Unicidade do direito (existência da figura do diretor empregado no ordenamento jurídico pátrio); n) Indevida presunção de que todos os diretores seriam Administradores; o) Inexistência de previsão legal que autorize a desconsideração da natureza dos pagamentos efetuados aos diretores e a possibilidade de pagamento de PLR com base na Lei n.º 10.101; p) Gratificação pagas aos diretores empregados; q) compensação de ofício dos tributos recolhidos indevidamente. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/03/2019. Consta no processo eletrônico arquivos não pagináveis, todos conferidos por este relator, sendo elementos instrutórios dos autos. Consta, ainda, dos autos que não houve requisição para apresentação de contrarrazões pela PGFN (efl. 1.4039). É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecêlo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 31/10/2018, efls. 1.318/1.319, protocolo recursal em 29/11/2018, efls. 1.320/1.322, e despacho de encaminhamento, efl. 1.438), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito De início, observo que a recorrente requereu que seja reconhecida a nulidade da decisão objurgada para que os autos retornem ao juízo a quo e seja complementado o julgamento. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.453 14 Pois bem. Passo a apreciar as preliminares. Preliminar de nulidade da decisão recorrida (ausência de exame da documentação e dos esclarecimentos apresentados na impugnação) Em síntese, o recorrente alega, por vários argumentos, que a decisão de piso não apreciou todos os argumentos ventilados na manifestação de inconformidade, especialmente deixando de apreciar os documentos colacionados na defesa, limitandose a replicar as razões do autuante, o qual, por sua vez, não teria motivado as suas alegações e tampouco apresentado provas que a corroborassem, valendose de meras presunções, sendo o lançamento não motivado e não sustentado em provas. Pois bem. A despeito do arrazoado, entendo que não assiste razão ao recorrente. Deveras, lendo o Relatório Fiscal juntado aos autos (efls. 655/691), bem como a impugnação (efls. 705/785) e confrontandose eles e os demais elementos dos autos com a decisão de piso (efls. 1.297/1.312), constato que, diante do litígio instaurado, a decisão hostilizada enfrentou todas as questões postas a sua apreciação externando as suas razões para firmar sua livre convicção e tecer seu dispositivo. Não observo error in procedendo do julgador de piso ou mesmo da fiscalização no ato de efetivar o lançamento, aliás a fiscalização bem fundamentou o ato exarado. Quando muito, as alegações do recorrente estão ligadas a um suposto error in iudicando da decisão de piso, no que seria um possível equívoco no interpretar o direito positivo face as provas coligidas no caderno processual, portanto não é caso de nulidade da decisão de primeira instância, mas sim, se for a hipótese, de reforma da decisão. Nesta toada, o eventual error in iudicando é enfrentado no debate traçado quanto ao mérito recursal, frente aos argumentos de mérito delineados pela defesa no seu recurso voluntário bem concatenado com 90 (noventa) laudas de exposição argumentativa. Outrossim, registro que, conforme lição da jurisprudência uníssona do STJ, o julgador não está "obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão." (AgInt no REsp 1662345/RJ, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017) Isto é, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma questão, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado para a questão enfrentada. Ou, em outras palavras, o julgador não está obrigado a responder, um a um, a todos os argumentos apresentados pelo interessado, contanto que se baseie em motivo suficiente para fundamentar a decisão da respectiva questão. Vejase que a matéria controvertida foi totalmente julgada pelo juízo a quo, inexistindo, inclusive, qualquer omissão. Eventual inconformismo é caso de debate no mérito. O fato é que inexiste nulidade, não há cerceamento de defesa ou violação ao devido processo legal. Demais disto, não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal. Aliás, a autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum interpretativo quanto as provas analisadas e Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.454 15 não tratam de presunções, estando os autos bem instruídos e substanciados para a dá lastro a subsunção jurídica efetivada, contando o presente processo com mais de mil páginas, a maior parte instruída por ocasião do lançamento, além de arquivos não pagináveis anexados. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e o recorrente exerceu claramente seu direito de defesa rebatendoos, a tempo e modo, em extenso arrazoado para o bom e respeitado debate. Discordar dos fundamentos, das razões de decidir, não torna o ato nulo, mas sim passível de recurso para enfrentamento do mérito. Em suma, não observo preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não constato qualquer nulidade, pois verifico, isto sim, que, pela motivação consignada na decisão recorrida, é possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Foram enfrentadas as questões capazes de, em tese, infirmar as conclusões adotadas. Depreendese do acórdão que houve o pronunciamento de forma adequada e suficiente sobre as razões de defesa suscitadas pelo recorrente na impugnação, adotandose decisão bem delineada quanto as suas conclusões. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada e fundamentada. De acordo com a peça recursal, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão. Não há error in procedendo. As análises a serem efetivas, decerto, são pertinentes a error in iudicando, conhecendose seus aspectos no mérito. Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar. Preliminar de nulidade do auto de infração das contribuições devidas a terceiros (não observância do limite de 20 salários mínimos das bases de cálculos) Em outra preliminar, em suma, o recorrente aduz que a autuação, para as contribuições de terceiras (INCRA e FNDE salário educação), é nula, pois a base de cálculo não observou o limite legal de 20 vezes o saláriomínimo, conforme previsto no parágrafo único do art. 4.º da Lei n.º 6.950, de 1981. Em que pese o arrazoado apresentado pelo recorrente, não lhe assiste razão. Isto porque, efetivamente, hodiernamente, não é possível manter o entendimento de que com a revogação do caput do art. 4.º da Lei n.º 6.950, de 1981, mantenhase hígido o seu parágrafo único. É que, por força da Lei Complementar n.º 95, de 1998, o artigo se desdobra em parágrafo e este expressa os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo, portanto há uma relação de subordinação. Deste modo, considerando as épocas dos fatos geradores, entendo que a antiga limitação de 20 salários mínimos, prevista no parágrafo único do artigo 4.º da Lei n.º 6.950 foi revogada juntamente com o caput do artigo 4.º, pelo DecretoLei n.º 2.318, de 1986, pois não é possível subsistir em vigor o parágrafo estando revogado o artigo correspondente. Além disto, em conclusão, com a Lei n.º 9.876, de 1999, a sistemática de escala de saláriobase deixou definitivamente de existir. Penso que o entendimento do juízo a quo é o mais consentâneo com a interpretação atual. De mais a mais, sendo remansoso o entendimento aplicado pela decisão Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.455 16 hostilizada, entendo, doravante, suficiente transcrever as razões de decidir da DRJ para motivar o não acolhimento desta preliminar, haja vista minha concordância com os fundamentos bem postos no decisum, logo peço vênia para, com base no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.º do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015, que instituiu o Regimento Interno do CARF ― RICARF, expor os trechos daquela decisão onde estão consignados os motivos determinantes que entendo irreparáveis e os quais reputo consistentes e válidos, verbo ad verbum: Não se observa nenhuma nulidade no lançamento das Contribuições destinadas ao INCRA e ao FNDE (Salário Educação) pelo fato da não aplicação do limite de 20 salários mínimos nas bases de cálculos, conforme determinação contida no art. 4.º da Lei 6.950/81. Este teto não existe mais, era uma sistemática de apuração prevista pelo art. 5.º da Lei n.º 6.332, de 18 de maio de 1976. Antes mesmo da vigência do atual ordenamento jurídico, referido teto foi revogado, expressamente, pelo art. 3.º do Decreto Lei n.º 2.318/86, ... (...) Adotase esse posicionamento por entender que a interpretação anteriormente exposta, relacionada à revogação do teto de 20 salários mínimos, está em consonância com o novo ordenamento jurídico fundado pela Constituição de 1988, inclusive no que diz respeito aos valores sobre os quais o atual ordenamento jurídico se estrutura e busca se consolidar, mormente a educação básica pública, financiada pela contribuição social do salário educação, conforme texto constitucional. Portanto, afastase esta preliminar de nulidade, que, se acatada, resultaria no máximo no pagamento a menor de Salário Educação e Contribuição ao INCRA, com base em um parágrafo sem caput, acéfalo, que dizia respeito a uma sistemática de escala de saláriobase, ficção legal há muito inexistente revogada pela Lei 9.876/99. Ademais, não se pode afastar a interpretação que considera a redução da base de cálculo ou a limitação da base de cálculo como um benefício fiscal, esta forma de ver também resulta na inaplicabilidade do mencionado limite em razão do comando contido no § 1.º, art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT: Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1.º Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. Não é demais consignar que a contribuição devida ao FNDE não está fundamentada na Lei n.º 6.950/81, mas sim na Lei n.º 9.424, de 24/12/1996, artigo 15: Art 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, § 5.º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.456 17 creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991. Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar. c) Preliminar de Nulidade do auto de infração por erro na identificação da base de cálculos (iliquidez e incerteza); Em mais uma preliminar, o recorrente, em apertada síntese, advoga que houve duplicidade na apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, considerando que nos meses de fevereiro e agosto de 2014 foram pagas gratificações a empregados/diretores e em abril e agosto de 2014 foi pago PLR aos mesmos empregados/diretores, conforme tabela comparativa apresentada. Sustenta que teria havido equívoco ao fornecer informes para a fiscalização. Diz que por ser errôneo o dado, mas tendo dela se utilizado a autoridade fiscal, o lançamento é nulo por falta de liquidez e certeza, pois estava a autoridade lançadora obrigada a determinar a matéria tributável conferindo as informações prestadas pela recorrente. Alega, outrossim, que a diferença entre os valores contabilizados como gratificação em 02/2014 e aqueles contabilizados como PLR em 04/2014 advém da correção monetária aplicada. Para os Senhores José Eduardo e Sérgio Lulia os valores correspondem por serem pagos no mesmo período 08/2014, sem atualização monetária. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente neste ponto. Não observo nulidade da autuação com base nestas alegações. Ademais, como bem pontuado pela decisão recorrida, o recorrente não demonstrou efetivamente o suposto equívoco. Apesar do bem apresentado arrazoado, a prova colacionada ao caderno processual não são hábeis para validar o afirmado. A coincidência de valores, por si só, não amparam o asseverado, prescindindo de demonstração contábil e de outra documentação idônea a atestar o que foi dito pela defesa. Isto porque, a título ilustrativo, observo que a "folha de pagamento" colacionada (efls. 954/955) atesta que os valores pagos a "Cláudio Roberto Frizão Rey" em 08/2014 foram no total de R$ 8.156,16 sendo R$ 4.078,08 de gratificação e R$ 4.078,08 de PLR, por sua vez, para "João Francisco Martins Filho" o valor de R$ 13.651,46 correspondente a soma de R$ 6.825,73 referente à gratificação e R$ 6.825,73 de PLR, noutra lente, para "Marcelo Yazeji Cardoso" o valor de R$ 23.254,82 referente a soma de R$ 11.627,41 pertinente à gratificação e R$ 11.627,41 de PLR, por sua vez, para "Maria Bernadete de Paula Leite Moraes" o valor de R$ 22.398,28 referente a soma de R$ 11.199,14 pertinente à gratificação e R$ 11.199,14 de PLR, enquanto para "Roberto Archanjo Carramaschi" o valor de R$ 19.571,02 referente a soma de R$ 9.785,51 pertinente à gratificação e R$ 9.785,51 de PLR. Tendo em vista tais constatações, vêse que a própria "folha de pagamento" (efls. 954/955) aponta para a prática de coincidirem os valores de PLR e de gratificação. Os três segurados estão na planilha do suposto pagamento dúplice apontado no capítulo ora em análise do recurso, porém não há provas concretas do equívoco. Além do mais, o dever de provar a alegação da duplicidade compete ao recorrente, não sendo pertinente ao caso a realização de diligência. Aliás, importante consignar que o Decreto n.º 70.235, de 1972, regulamenta os requisitos obrigatórios para Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.457 18 possibilitar a efetivação de diligências, sendo que a inobservância deles acarreta no indeferimento do requerimento. A matéria está posta no disciplinamento da impugnação, enquanto instrumento de defesa do contribuinte, mas é aplicável na fase recursal por se tratar de norma geral do processo administrativo fiscal. Vejase: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1.º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Sob essas razões, afirmo que a realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos autos. Destaquese, outrossim, que, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a autoridade julgadora determinará ou deferirá a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Sendo assim, entendo como não necessária a diligência. Logo, não observo qualquer equívoco na identificação da base de cálculo. A mensuração foi efetivada de forma líquida e certa, conforme lançamento realizado inexistindo nulidade, devendo ser negada essa preliminar. Em acréscimo, repito que estão ausentes as causas de nulidade previstas nos arts. 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora motivou o ato, indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária que imputou aplicável, ainda mais quando, efetivamente, mensurou motivadamente os fatos que indicou para imputação, estando determinada a matéria tributável. Ademais, os relatórios fiscais, em conjunto com os documentos acostados, atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, e pelo art. 37, da Lei n.º 8.212/1991, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto n.º 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à constituição do presente crédito tributário, caracterizandoos como fatos geradores de contribuições previdenciárias e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento. Ou, em outras palavras, o auto de infração está revestido de todos os requisitos legais, uma vez que o fato gerador foi minuciosamente explicitado no relatório fiscal, a base legal do lançamento foi demonstrada no Relatório de Fundamentos Legais FLD, e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal e de sua mensuração constam dos diversos discriminativos que integram o AI. Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar. Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.458 19 Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciálo, porém, inicialmente, consigno que a controvérsia dos autos remonta em sua gênese ao lançamento de ofício por ter a fiscalização descaracterizado as verbas pagas a título (i) de PLR de Empregados (PLR), (ii) de PLR de Administradores (PLA) e (iii) de Gratificação paga aos Administradores, todas escrituradas pelo contribuinte como não sendo fatos constitutivos de contribuições previdenciárias e de terceiros e entendendo a fiscalização que são base de cálculo para as contribuições. Dito isto, é de todos conhecido que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais" (DecretoLei 1.598, art. 9.º, § 1.º), cabendo à "autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos" nela registrados (art. 9.º, § 2.º), apenas não se aplicando a dita regra se a lei, por disposição especial, atribuir ao contribuinte o "ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração" (art. 9.º, § 3.º). No relatório da autuação (efls. 655/691) se descaracteriza a natureza das PLR's pagas aos Empregados, em suma, sob o argumento de que (i) houverem mais de um instrumento de negociação para substanciar o pagamento de PLR e inexistiu compensação entre eles, (ii) vigência retroativa das negociações não sendo subscritos previamente no início do período de referência, (iii) inexistência de regras claras e objetivas, ausência de normas substantivas e adjetivas para o empregado aferir o eventual recebimento e metas, com negociações individuais sem a participação sindical, (iv) PLR assegurada em valor fixo mínimo, mesmo que a meta seja zero, (v) PLR em valor superior ao salário, no confronto "PLR x salário". Outrossim, quanto a descaracterização da natureza das PLR's pagas aos Administradores, em síntese, somandose aos aspectos anteriores, alegase (i) não aplicação da Lei 6.404 para afastar a tributação, (ii) não aplicação da Lei 10.101 aos diretores estatutários, mesmo que com vínculo de emprego, (iii) pagamento de PLR aos diretores baseado em plano de remuneração fixa e variável dos administradores com pagamentos em espécie e em ações. Igualmente, quanto a descaracterização da natureza da gratificação paga aos Administradores, em resumo, aduzse (i) os diretores estatutários, ainda que com vínculo de emprego, são "de fato" dirigentes da Companhia e todos os valores pagos compõe o saláriodecontribuição, face ao critério amplo para o segurado contribuinte individual, (ii) não aplicação da Lei 10.101 aos diretores. Logo, tratandose de lançamento de ofício, que prescinde de aperfeiçoamento com a discussão de seu mérito e legalidade, assim como considerando o litígio instaurado e a devolutividade da matéria pertinente as razões do lançamento fiscal, passo a fixar as premissas jurídicas e, em seguida, analiso as questões postas ao debate. Considerações básicas e gerais sobre a famigerada PLR A denominada "PLR" é uma verba polêmica que tem suscitado muita discussão ao longo do tempo, especialmente quanto aos seus elementos jurídicos estruturantes e a hermenêutica que circunda a mencionada parcela. Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.459 20 Recentemente, em análise diversa da destes autos, o Egrégio Tribunal Regional Federal da 3.ª Região afirmou que: “A participação nos lucros e resultados PLR é verba remuneratória. É fruto do trabalho, decorrente de incentivo promovido pelo empregador para aumentar a produtividade de seus empregados. É, portanto, contraprestação pelos serviços prestados” (TRF 3.ª Região, Terceira Turma, Apelação Cível 2119764 000224367.2010.4.03.6103, julgado em 13/03/2019, eDJF3 Judicial 1 em 20/03/2019) Do ponto de vista da materialidade, do mundo real ou, melhor dizendo, da realidade fenomenológica apreendida pelos meios de percepção direta, pareceme, em regra, correta essa assertiva daquela Egrégia Corte, especialmente para a análise que lhe afigurava, porém, para fins previdenciários, exsurge especial atenção para o instituto da PLR quanto ao campo do exercício da competência impositiva em relação a tributação das contribuições sociais previdenciárias e de terceiros. É que, por força de norma constitucional, encartada no inciso XI do art. 7.º e reafirmada com outra linguagem no § 4.º do art. 218 da Carta Magna, a “participação nos lucros, ou resultados” (PLR), além de ter sido elevada à categoria de direito social dos trabalhadores, foi considerada, do ponto de vista normativo e especialmente para fins previdenciários, como verba desvinculada da remuneração, de toda sorte, esta imposição ocorre desde que se atenda ao definido em lei específica. Tratase de imunidade especial estabelecida na Constituição, mas condicionada aos requisitos estabelecidos em Lei. Vale dizer, a rubrica ou verba conhecida como "PLR" pode ser paga sem repercussão previdenciária e da destinada a terceiros, havendo, para essa hipótese, norma jurídica que impõe ao interprete o exercício de processo gnosiológico figurativo que obriga a classificação deste pagamento como desvinculado da remuneração, não servindo a verba de suporte fático de contribuições sociais, haja vista que, por este processo hermenêutico, deve o exegeta excluíla do conceito de saláriodecontribuição. Porém, para que essa exegese prevaleça, precisase observar o que estiver definido em lei. Isto porque, o dispositivo constitucional que trouxe o enunciado prescritivo do qual se extrai a norma jurídica em comento produz norma de eficácia limitada a exigir prévia regulamentação. Deveras, o Supremo Tribunal Federal, no RE n.º 569.441 (Tema 344 da Repercussão Geral/STF), confirmou a eficácia limitando ao consolidar o entendimento da não incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba somente após a regulamentação do artigo 7.º, inciso XI, da Constituição Federal, o que se deu após o advento da MP n.º 794, de 1994, a qual, após sucessivas reedições, inclusive com mudança de numeração, foi, finalmente, convertida na Lei n.º 10.101, de 2000, atualmente em vigor. Foi firmada a tese: "Tema 344 da Repercussão Geral/STF. Incide contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7.º, XI, da Constituição Federal de 1988." Neste diapasão, a lei ordinária tem o condão de definir os requisitos para a caracterização da “PLR" como verba "desvinculada da remuneração", retirando a verba paga do campo do exercício da competência impositiva, não servindo de suporte fático da tributação, excluindoa do conceito de remuneração para os fins previdenciários e das contribuições destinadas a terceiros. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.460 21 A seu turno, o Plano de Custeio da Seguridade Social, instituído pela Lei n.º 8.212, de 1991, prescreve que não integram a remuneração (Lei 8.212, art. 22, § 2.º) ou, com outras palavras, não integram o saláriodecontribuição: a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica (Lei 8.212, art. 22, § 9.º, alínea "j"). A lei específica, como dito, é a Lei n.º 10.101, inclusive conforme RE n.º 569.441 (Tema 344 da Repercussão Geral/STF, com tese firmada e consolidada). Como se vê, a leitura constitucional (CF, art. 7.º, XI) implica na necessidade de imposição de regulamentação por lei. Temse uma imunidade condicionada. Desde logo, temos uma das primeiras grandes controvérsias sobre a PLR: A lei regulamentadora do instituto pode ser, também, a Lei n.º 6.404, quando trata da participação nos lucros dos administradores (Lei 6.404, art. 152, § 1.º)? Pareceme que a resposta é negativa, seja porque o STF, em repercussão geral, indicou a Lei n.º 10.101 como a única regulamentadora da norma, seja porque os entendimentos jurisprudenciais são sólidos na compreensão de que a Lei das S/A não regula a matéria. A título ilustrativo cito a compreensão dada pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, nestes termos: "Os dispositivos da Lei das Sociedades Anônimas (Lei n.º 6.404/76) tratam de normas de contabilização, não possuindo o condão de afastar as normas de Direito Tributário." (TRF 3.ª Região, Terceira Turma, Ap Apelação Cível 1955377 000403993.2010.4.03.6103, julgado em 13/03/2019, eDJF3 Judicial 1 em 20/03/2019) Nesta toada, debruçandome sobre a Lei n.º 10.101, de 2000, observo, inicialmente, que na regulamentação da matéria o legislador fez questão de expressar que a mencionada lei "regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7.º, inciso XI, da Constituição" (Lei 10.101, art. 1.º). Por conseguinte, desde logo, constatase que a finalidade da PLR, para os fins da lei específica (Lei 10.101), é promover a integração entre o capital e o trabalho e incentivar ganho de produtividade. Num olhar mais amplo da Lei n.º 10.101, de 2000, verifico que o legislador fez questão de ressaltar que, atendida a referida lei, a participação nos lucros ou resultados "não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade" (Lei 10.101, art. 3.º). Outrossim, preocupado com a razão de ser da PLR, objetivando deixar claro que não pode ser desvirtuada, o legislador fez questão de regrar que é "vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil" (Lei 10.101, art. 3.º, § 2.º, redação original). Posteriormente, deu nova redação para modificar tal periodicidade vedando a antecipação ou distribuição "em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil" (Lei 10.101, art. 3.º, § 2.º, redação dada pela Lei 12.832, de 2013). Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.461 22 Atento a regulamentação observo, ainda, que a participação nos lucros ou resultados tem que ser, obrigatoriamente, objeto de negociação entre a empresa e seus empregados (Lei 10.101, art. 2.º), portanto deve ser razoavelmente negociada e instrumentalizada, conforme critério a ser escolhido. Decerto, que não necessariamente será exigido o seu acertamento antes do início do exercício ou do período aquisitivo, inclusive por questões de ordem prática, porém, razoavelmente, devese esperar que seja finalizada em tempo apto a atender a seus objetivos, seja de integrar o capital e o trabalho, seja de incentivar à produtividade. O instrumento para a negociação, a ser escolhido de "comum acordo", pode ser a convenção ou o acordo coletivo (Lei 10.101, art. 2.º, II) ou uma comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria (Lei 10.101, art. 2.º, I)1. Observase, por pressuposto lógico, que o plano de participação nos lucros ou resultados precisa contar com a participação de representante da entidade sindical da categoria na sua elaboração. Objetivase integrar capital e trabalho e legitimar e assegurar a função do instituto. A participação da entidade sindical, representando os empregados, é requisito legal para que se possa afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. Aliás, essa participação sindical é tão destacada na legislação que se impõe a seguinte obrigação: "O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores" (Lei 10.101, art. 2.º, § 2.º). Aliás, de modo benéfico, considerando a possível existência de mais de uma negociação firmada na forma da lei regulamentadora em espécie, o legislador estabeleceu que "todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados" (Lei 10.101, art. 3.º, § 3.º). Complementese que, não raro, chamamse os tais "planos" de "planos próprios". Conforme dispõe a lei específica (Lei 10.101, art. 2.º, § 1.º), no plano acordado deverão constar "regras claras e objetivas" (contornos concretos), fixandose os direitos substantivos da participação (o conjunto de definições, de direitos, de obrigações e de relações, o direito material à PLR) e das regras adjetivas (o conjunto de regras procedimentais a serem executadas, atendidas e observadas no fluxo que terá como produto final a apuração se será efetivado o pagamento da PLR, ou não, devendo constar do plano os "mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo"). Prescrevese que podem ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: (i) "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" (Lei 10.101, art. 2.º, § 1.º, I); e (ii) "programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente" (Lei 10.101, art. 2.º, § 1.º, II). E, se eventualmente, forem considerados estes critérios e condições, "a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação" (Lei 10.101, art. 2.º, § 4.º, I, incluído pela Lei 12.832, de 2013) e "não se aplicam as metas 1 A partir da Lei n.º 12.832, de 2013, que modificou a redação do inciso I do art. 2.º da Lei n.º 10.101, de 2000, pasouse a exigir "comissão paritária". Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.462 23 referentes à saúde e segurança no trabalho" (Lei 10.101, art. 2.º, § 4.º, II, incluído pela Lei 12.832, de 2013). Relembrese que a famigerada "PLR" é sinônimo de "participação nos lucros" ou de "participação nos resultados", sendo verdadeiro afirmar que a vertente paga com base em "lucros" tem um caráter aproximado das "gratificações de desempenho"2 e a lastreada nos "resultados" se assemelha aos "prêmios por desempenho"3. Para a doutrina justrabalhista a gratificação independeria de fatores ligados ao empregado, enquanto o prêmio, para que o empregado fizesse jus a ele, dependeria do seu próprio esforço. Aliás, complementese, outrossim, que muitos denominam o plano voltado aos lucros de PLR, mantendo a designação mais conhecida, enquanto o plano dirigido aos resultados, para alguns, é denominado de PPR Programa de Participação nos Resultados. Rememorese, igualmente, que, a despeito de se exigir negociação, que pressupõe, então, seja subscrita e, por conseguinte, devidamente formalizada, questões práticas do cotidiano das relações sociais esperadas na média das situações concretas impõem, corriqueiramente, a sua celebração durante o período aquisitivo em curso. A razoabilidade e proporcionalidade devem prevalecer, inclusive por serem corolários lógicos do devido processo legal substantivo, sendo certo que as negociações, por vezes, são complexas e envoltas por vários atores sociais, verbi gratia, entes sindicais, empregados e empregadores, podendo, inclusive, resultar em impasse, hipótese em que a lei prevê os meios de solução (Lei 10.101, art. 4.º). Deste modo, à guisa de complementação, cabe anotar que, se a PLR acordada tem por base "lucros", como, por exemplo, a pessoa jurídica alcançar um determinado "índice de lucratividade", em verdade, como não é possível exigir condutas predefinidas que diretamente contribuam para alcançar o índice almejado, pois atingir o indicador de lucratividade nem sempre vai depender de um específico comportamento volitivo do trabalhador, considerando que inúmeros aspectos, fatores e situações concretas podem interferir na lucratividade, independentemente do agir humano e da própria vontade dos agentes econômicos, não se pode ser tão rigoroso em relação ao prazo da concretização final da negociação da PLR durante o exercício. Neste tipo de negociação prevalece, com mais ênfase, a integração do capital e do trabalho. Por sua vez, se a PLR acordada tem por base "resultados", podese esperar que o trabalhador atinja metas e marcas previamente ajustadas, alcançando resultados concretos, ainda que departamentalizados ou setorizados, precisando conhecer com antecipação sua metas, tarefas e encargos, devendose exigir que a negociação seja concretizada mais celeremente, especialmente frente ao período aquisitivo de referência, malgrado se reconheça que, muitas vezes, os planos se repetem no tempo, todavia a mera expectativa de renovação não pode sobrepujar a efetiva renovação em razoável periodicidade. Por isso, neste tipo de negociação, o destaque é o incentivo à produtividade, sempre importando, mesmo em renovações, o restabelecimento de metas, sendo secundária a integração capital e trabalho. 2 Neste sentido conferir precedente judicial: TRF 3.ª Região, Terceira Turma, Ap Apelação Cível 1955377 000403993.2010.4.03.6103, julgado em 13/03/2019, eDJF3 Judicial 1 em 20/03/2019. Em sentido similar, conferir voto vencedor no Acórdão n.º 2402006.068, de 03 de abril de 2018, do CARF, da lavra do Ilustre Conselheiro Ronnie Soares Anderson. 3 Idem. Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.463 24 Aliás, quando a Lei n.º 10.101, de 2000, fala em "pactuados previamente" ela trata no mesmo enunciado prescritivo de "programas de metas, resultados e prazos" (art. 2.º, § 1.º, II), não cuidando dos critérios "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" (art. 2.º, § 1.º, I) em conjunto com o termo "pactuados previamente". Este é exclusivo daquele primeiro grupo. Em outras palavras, o verbete "pactuados previamente" está conectado unicamente com "programas de metas, resultados e prazos", ademais, penso que a expressão sequer esteja associada diretamente ao caput, quiçá, do ponto de vista hermenêutico, signifique que, para os fins da negociação do direito social à PLR, possa ser utilizado programas de metas, resultados e prazos já existentes, já pactuados, já em vigor, pois, não raro, as empresas possuem programas de metas em constante fluxo contínuo, tanto que é bem comum se observar a repetição dos planos de resultados firmados com supedâneo na Lei 10.101. De toda sorte, malgrado este raciocínio antecedente, a lei impõe instrumento negociado, pelo que penso, em ponderação e como minha posição efetiva, que é, ao menos, razoavelmente esperado que este instrumento negociado esteja formalizado previamente, podendose, repito, "ponderar" a data de sua concretização, avaliandose integrativamente elementos, tais como, período de negociação, colaboração das partes, ou eventuais negativas sindicais, deliberações, publicação de convocação, existência de assembleia etc. Concluída toda essa digressão, que objetivei necessária a fixação das premissas jurídicas de minha convicção, passo aos tópicos do recurso voluntário. Pois bem. A contribuinte alega regularidade nos pagamentos a título de PLR não podendo haver a descaracterização deles. Neste sentido, levanta tópicos para deliberação. Passo a análise capitulada enfrentando cada questão. PLR EMPREGADOS Da possibilidade de pagamentos simultâneos de PLR efetuados com base em mais de um instrumento previsto na Lei n.º 10.101 (Convenções e Acordo Coletivos) Advoga a recorrente que podem ocorrer pagamentos com base em mais de um instrumento negociado, convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio. Pois bem. Entendo que assiste razão ao recorrente neste arrazoado. Isto porque, como anteriormente afirmado nas considerações gerais sobre a PLR, de modo benéfico, considerando a possível existência de mais de uma negociação firmada na forma da Lei n.º 10.101, o legislador estabeleceu que "todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados" (Lei 10.101, art. 3.º, § 3.º). A Lei n.º 10.101 não veda a possibilidade de pagamento simultâneo de PLR, independentemente de compensação, com base em mais de um instrumento negociado, seja convenção coletiva e/ou acordo coletivo e/ou plano próprio. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.464 25 A lei específica apenas faculta a compensação, a teor da decisão a que chegar a negociação coletiva, conforme livre liberdade negocial, que é extremamente prestigiada no instituto em foco, não apresentando proibição ao pagamento simultâneo de PLR com fulcro em distintos instrumentos, prevalecendo a máxima do direito privado de que tudo que não é vedado é permitido. A concomitância está, portanto, autorizada, devendose respeitar as demais disposições da legislação de regência. Neste sentido, temse outras decisões do CARF, verbi gratia, Acórdãos n.º 2301005.419, de 04/07/2018, n.º 2301005.011, de 09/05/2017, n.º 2401005.986, de 12/02/2019. Assim, resta superado um dos argumentos utilizados pela fiscalização para descaracterizar a natureza das PLR's pagas. Porém, como existem outros pontos a serem enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em mais de um motivo determinante e independente, mantenho a análise. Data de assinatura e da negociação prévia (vigência retroativa das convenções e dos acordos) Advoga a recorrente que os instrumentos possuem vigência retroativa e que foram negociados antes, apenas a assinatura é posterior, enquanto que a fiscalização refuta a legitimidade das PLR's pagas aos empregados, uma vez que não precedidas de ajuste prévio. Vejase que as PLR's pagas aos empregados o foram em fevereiro de 2013, março/2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014, enquanto aos administradores foram em fevereiro de 2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e novembro de 2014. A fiscalização, em síntese, indica os instrumentos negociados, listandoos (efls. 661/662), no entanto, por síntese, destaco que temse: a) Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2012, datada de 02/10/2012, referente ao anobase de 2012, com vigência declarada de 01 de setembro de 2012 a 31 de agosto de 2013, com pagamento convencionado para ocorrer até 01/03/2013, podendo ocorrer antecipação; b) Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2013, datada de 18/10/2013, referente ao anobase de 2013, com vigência declarada de 01 de setembro de 2013 a 31 de agosto de 2014, com pagamento convencionado para ocorrer até 03/03/2014, podendo ocorrer antecipação; c) Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2014, datada de 13/10/2014, referente ao anobase de 2014, com vigência declarada de 01 de setembro de 2014 a 31 de agosto de 2015, com pagamento convencionado para ocorrer até 02/03/2015, podendo ocorrer antecipação; Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.465 26 d) Acordo Coletivo de Trabalho – Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados, datado de 10/08/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012, com pagamento convencionado para ocorrer até 31/08/2012 (apuração 01/01/2012 a 30/06/2012) e 28/02/2013 (apuração 01/07/2012 a 31/12/2012); e) Acordo Coletivo de Trabalho – Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados, datado de 17/12/2013, com vigência retroativa no período de 01/01/2013 a 31/12/2013, com pagamento convencionado para ocorrer até 31/08/2013 (apuração 01/01/2013 a 30/06/2013) e 28/02/2014 (apuração 01/07/2013 a 31/12/2013); e f) Acordo Coletivo de Trabalho – Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados – Exercício 2014, datado de 11/12/2014, com vigência retroativa no período de 01/01/2014 a 31/12/2014, com pagamento convencionado para ocorrer até 31/08/2014 (apuração 01/01/2014 a 30/06/2014) e 28/02/2015 (apuração 01/07/2014 a 31/12/2014). Estes instrumentos instruem o processo por meio de arquivo não paginável intitulado "Arquivo Não Paginável Acordos e CCT que tratam da PLR_Acordos e CCT que tratam da PLR". Análise das Convenções Coletivas Analisando as Convenções Coletivas deste autos, compreendo que, a despeito das datas em que subscritas em definitivo, considerando sua complexidade negocial, bem como havendo tempo razoável para a apuração do lucro, tendo sido elas firmadas com base em índice de lucratividade, de modo a atender ao objetivo de integrar o capital e o trabalho, sendo lastreadas, especialmente, no inciso I do § 1.º do art. 2.º da Lei 10.101, estando focada no "lucro" (e não no resultado), inclusive se inexistir o lucro não sendo devida e naquele momento não estando definitivamente apurado o lucro anual, daí tendo um caráter aproximado das "gratificações de desempenho", o que, para a doutrina trabalhista, o seu recebimento independeria diretamente de fatores e condutas específicas e diretamente ligadas ao empregado, entendo que deve se moderar o entendimento relativo ao chamado ajuste prévio, podendo, para estes instrumentos, serem validados como "prévios", uma vez que finalizados antes do conhecimento do lucro do ano. É que, se a PLR acordada tem por base "lucros", como, por exemplo, a pessoa jurídica alcançar um determinado "índice de lucratividade", em verdade, como não é possível exigir condutas predefinidas que diretamente contribuam para alcançar o índice almejado, pois atingir o indicador de lucratividade nem sempre vai depender de um específico comportamento volitivo do trabalhador, considerando que inúmeros aspectos, fatores e situações concretas podem interferir na lucratividade, independentemente do agir humano e da própria vontade dos agentes econômicos, não se pode ser tão rigoroso em relação ao prazo da concretização final da negociação da PLR durante o exercício. Neste Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.466 27 tipo de negociação prevalece, com mais ênfase, a integração do capital e do trabalho, o que resta atendido com as convenções coletivas. Vejase que as convenções foram firmadas com base no lucro líquido, de modo que, uma vez apresentado prejuízo, estaria o banco isento do pagamento. Assim, resta superado um dos argumentos utilizados pela fiscalização para descaracterizar a natureza das PLR's pagas com base nas convenções coletivas. Porém, como existem outros pontos a serem enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em mais de um motivo determinante, mantenho a análise. Análise dos Acordos Coletivos Analisando, doravante, os Acordos Coletivos destes autos observo que diferentemente das convenções deste processo o seu espectro é mais amplo. Eles não focam apenas em índice de lucratividade, como as convenções colacionadas. Enquanto as convenções do caso concreto focam no lucro e na sua partilha, os acordos coletivos colmatados nos fólios eletrônicos tem claro objetivo em metas, isto é, em resultados. Vejase que, diversamente das convenções destes autos, os acordos coletivos do caderno processual dizem que os programas tem como objetivo: (i) alinhar objetivos entre banco e empregados; (ii) estimular a performance e a criatividade dos empregados com foco no aumento do resultado para o banco dentro de níveis aceitáveis/prudentes de risco; (iii) reconhecer o esforço individual de cada empregado no alcance de melhores resultados, por intermédio de metas préestabelecidas, (iv) distribuir lucros ou resultados aos empregados, como forma de reconhecimento do esforço. Pode, até mesmo, haver pagamento sem lucro. Dito com outras palavras, a partir da análise da Lei n.º 10.101, os Acordos Coletivos analisados nestes autos não se direcionam exclusivamente ao inciso I do § 1.º do art. 2.º, mas também e, em especial, ao inciso II da Lei n.º 10.101, objetivando alcançar resultados, produtividade e, para isso, penso que subscrevêlos ao final do quarto trimestre do respectivo exercício social não se afigura atender ao preceito do ajuste prévio para incentivar, verdadeiramente, a produtividade. O quarto trimestre é o final do período aquisitivo, o final do anocalendário ou, como queiram, do anobase. Vejase as datas dos acordos: d) Acordo Coletivo de Trabalho – Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados, datado de 10/08/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012, com pagamento convencionado para ocorrer até 31/08/2012 (apuração 01/01/2012 a 30/06/2012) e 28/02/2013 (apuração 01/07/2012 a 31/12/2012); e) Acordo Coletivo de Trabalho – Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados, datado de 17/12/2013, com vigência retroativa no período de 01/01/2013 a 31/12/2013, com pagamento convencionado para ocorrer até 31/08/2013 (apuração 01/01/2013 a Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.467 28 30/06/2013) e 28/02/2014 (apuração 01/07/2013 a 31/12/2013); e f) Acordo Coletivo de Trabalho – Programa Próprio de Participação nos Lucros e Resultados – Exercício 2014, datado de 11/12/2014, com vigência retroativa no período de 01/01/2014 a 31/12/2014, com pagamento convencionado para ocorrer até 31/08/2014 (apuração 01/01/2014 a 30/06/2014) e 28/02/2015 (apuração 01/07/2014 a 31/12/2014). Excetuado o Acordo firmado em 2012, os ACT's firmados em 2013 e 2014 não são apresentam tempestivos para suas finalidades, de modo a desvirtuar o objetivo pretendido na Lei 10.101. O fato de haverem negociações prévias e se repetirem no tempo não os válida, quando muito, teríamos meras expectativas, enquanto não efetivamente subscrito para validação certa e acabada. No objetivo de atingir resultados, diferentemente do foco em lucros, podese esperar uma efetiva participação do trabalhador, desejandose que ele atinja metas e marcas específicas, as quais precisa conhecer, daí ser exigido o prévio ajuste, alcançando resultados concretos, ainda que departamentalizados ou setorizados, precisando conhecer com antecipação sua metas, tarefas e encargos, suas obrigações, precisando ser gerenciado conforme boas práticas de administração e de pessoal, devendose exigir que a negociação seja concretizada mais celeremente considerando o período aquisitivo, demais disto o âmbito da negociação, apesar de ainda complexo, é bem mais curto do que uma convenção coletiva. Por isso, quando a negociação se direciona aos "resultados", o destaque é o incentivo à produtividade, sendo secundária a integração capital e trabalho (a partilha do lucro). Relembrese que a Lei n.º 10.101 tem duas pilastras independente que podem ser elegíveis em conjunto ou independentes: a) integrar capital e trabalho; e b) incentivar a produtividade. Aliás, nas negociações que se relacionam mais aos resultados, ainda que inexista o "lucro", temse que efetuar a quitação da PLR que for negociada. Quando a Lei n.º 10.101, de 2000, fala em "pactuados previamente" ela trata no mesmo enunciado prescritivo de "programas de metas, resultados e prazos" (art. 2.º, § 1.º, II). Ela não cuida dos critérios "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" (art. 2.º, § 1.º, I) em conjunto com o termo "pactuados previamente", como faz naqueloutra ocasião. Este é exclusivo daquele primeiro grupo. Por fim, quanto ao Acordo Coletivo de 2012, fazendo um corte metodológico para analisar apenas este aspecto, já que é o único que foge a regra de assinatura ao final do quarto trimestre, penso que estão hígidos e válidos os pagamentos realizados sob sua égide, portanto não sofrendo incidência de contribuições. Decerto, para a concreta não incidência, precisarseá atender outros parâmetros ainda a serem analisados neste voto. Ora, eles foram firmados em 10/08/2012, com vigência retroativa, é verdade, para o período de 01/01/2012 a 31/12/2012, todavia com tempo razoável, ainda, para que a classe trabalhadora pudesse se motivar a alcançar e perseguir resultados especiais, inclusive pela motivação e certeza assegurada com a subscrição do instrumento e Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.468 29 havendo tempo razoável para o fim do exercício, apesar de já iniciado e em pleno curso. Para mim, aliás, o efeito psicológico, quiçá, seja até maior frente a uma percepção que os empregados pudessem apropriar acerca da possibilidade de não existir a PLR para o ano base, incentivase, certamente, e muito, à produtividade o "correr atrás" das metas para fazer jus a PLR. Além disto, neste caso, as deliberações anteriores e convocação de Assembleia Geral Extraordinária (AGE), pela Entidade Sindical respectiva, para deliberar especialmente as propostas do Acordo Coletivo, decerto se somam para a moderação da regra de ajuste prévio. Assim, resta parcialmente superado outro argumento utilizado pela fiscalização para descaracterizar a natureza das PLR's pagas. Porém, como existem mais pontos a serem enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em diversos motivos determinantes e independentes, mantenho a análise. Porém, como existem outros pontos a serem enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em mais de um motivo determinante, prossigo na análise para que ocorram todos os enfrentamentos. Existência de metas e regras claras e objetivas A contribuinte alega que as acusações de inexistência de regras claras e objetivas não merecem prosperar. Pois bem. Analisando as regras das convenções coletivas concordo com a defesa, pois são muito claras e elucidativas, vejase, por exemplo, o seguinte trecho da Convenção de 2012, que se repete nas demais: Cláusula 1.ª Ao empregado admitido até 31.12.2011, em efetivo exercício em 31.12.2012, convencionase o pagamento pelo banco, até 01.03.2013, a título de PLR, até 15% (quinze por cento) do lucro líquido do exercício de 2012, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: I . REGRA BÁSICA Esta parcela corresponderá a 90% (noventa por cento) do saláriobase acrescido das verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2012, mais o valor fixo de R$ 1.540,00 (um mil, quinhentos e quarenta reais), limitada ao valor individual de R$ 8.414,34 (oito mil, quatrocentos e catorze reais e trinta e quatro centavos). O percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados na REGRA BÁSICA observarão, em face do exercício de 2012, como teto, o percentual de 13% (treze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Se o valor total da REGRA BÁSICA da PLR for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco, no exercício de 2012, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2,2 (dois inteiros e dois décimos) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 18.511,54 (dezoito mil, quinhentos e onze reais e cinquenta e quatro centavos), ou até que o valor total da REGRA BÁSICA da PLR atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. I.a) No pagamento da REGRA BÁSICA da PLR o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.469 30 pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2012, em razão de planos próprios. II . PARCELA ADICIONAL O valor desta parcela será determinado pela divisão linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do lucro líquido do exercício de 2012, pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras desta convenção, em partes iguais, até o limite individual de R$ 3.080,00 (três mil e oitenta reais). II.a) A parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios. Parágrafo Primeiro O empregado admitido até 31.12.2011 e que se afastou a partir de 01.01.2012, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral da Participação nos Lucros ou Resultados, ora estabelecido. Parágrafo Segundo Ao empregado admitido a partir de 01.01.2012, em efetivo exercício em 31.12.2012, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido, por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Ao afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. Parágrafo Terceiro Ao empregado que tenha sido ou venha a ser dispensado sem justa causa, entre 02.08.2012 e 31.12.2012, será devido o pagamento, até 01.03.2013, de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no caput, por mês trabalhado, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Parágrafo Quarto O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2012 (balanço de 31.12.2012) estará isento do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados. Aliás, diante disto, inclusive, a controvérsia parece estar mais nos acordos coletivos 2013 e 2014 e é nisto que foca a defesa. Embora os acordos coletivos sejam intempestivos, com exceção do de 2012, na forma da análise anterior, en passant, penso que, respeitosamente, consignando manifestação própria em obiter dictum, neste ponto não assistiria razão a fiscalização, vez que claras e objetivas são as regras de todos eles e o fato de se remeter o detalhamento das minúcias de tais regras e metas para documentos apartados não lhes afasta a clareza. Neste diapasão, citese ementa de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI N.º 10.101/2000. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.470 31 lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Na hipótese dos autos a negociação das metas claras e objetivas por meio de documento apartado por si só não inviabiliza a condução do isenção. (Acórdão n.º 9202007.012, de 20/06/2018) Assim, estaria superado um outro argumento utilizado pela fiscalização para descaracterizar a natureza das PLR's pagas aos Empregados. Porém, como existem outros pontos a serem enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em mais de um motivo determinante, mantenho a análise. Fixação de valor mínimo a ser pago a título de PLR A fiscalização não concorda que os planos de pagamento de PLR, por quaisquer formas que tenha sido celebrados, prevejam pagamento mínimo e diante disto se insurge a recorrente. Pois bem. Neste ponto, assiste razão a defesa, tendo em vista que a previsão de pagamento mínimo não desvirtua o plano, mantém a integração capital e trabalho, demais disto é moderada a sua previsão (em valor ínfimo) e, importantíssimo que se diga, não necessariamente está condicionado a ausência de alcance de qualquer índice de lucratividade ou de meta de produtividade, mas sim assegura um mínimo de valor a ser recebido como garantia ao trabalhador tratandose de um direito social fruto de negociação coletiva. Vejase que, do ponto de vista de resultados, foco no incentivo à produtividade, o trabalhador, por corolário lógico, terá alguma contribuição para o trabalho, então, por regra, não deve ser usual, nem crível que não apure qualquer produtividade, porém seu desempenho pode ser mais baixo do que o de seus pares, mas como, de certo modo, terá contribuído para a empresa receberá um modesto valor atendendo ao fim do direito social em foco. Antes de pensarmos nos aspectos fiscais, não se pode olvidar o caráter social do instituto e a negociação coletiva imposta para seu nascedouro, sendo certo que as entidades sindicais fazem ampla proteção aos seus tutelados, de modo que não havendo prova de qualquer excesso, fraude ou dolo para este específico aspecto, o apontamento genérico da fiscalização não se sustenta. Por sua vez, do ponto de vista do lucro, foco na integração trabalho e capital, o pagamento da PLR atrelado ao auferimento de lucros, prevendose em contrário a ausência da verba, não pode ter por abusiva a previsão de um prédeterminado mínimo valor assegurado a classe trabalhadora, sobretudo em valor ínfimo como, em regra, é estabelecido e em prol de toda a categoria, não invalidando o efetivo pagamento. Neste sentido, temse o Acórdão CARF n.º 2402006.431, de 04/07/2018. Assim, resta superado outro argumento utilizado pela fiscalização para descaracterizar a natureza das PLR's pagas. Porém, como existem mais pontos a serem Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.471 32 enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em diversos motivos determinantes e independentes, mantenho a análise. Suposto caráter substitutivo da remuneração atribuído aos pagamentos realizados a título de PLR A fiscalização sustenta que por serem às vezes verbas em valor superior ao salário se consubstanciaria caráter substitutivo da remuneração, a qual pode ser variável. Mais uma vez, insurgese a recorrente. Pois bem. Neste ponto, penso que assiste razão a defesa, uma vez que a autoridade fiscal não demonstrou a contento razões fáticas efetivas para suas conclusões. Ora, os lucros das empresas podem ser significativos, variando de anoaano e havendo PLR negociada com base em lucros auferidos a serem partilhados, então quanto maior o lucro maior será a PLR recebida. Ademais, a PLR tem por objetivo desprenderse do salário. A contrario sensu, a fiscalização efetivou alguns cálculos comparativos como se estivesse ligada ao salário. Em nenhum momento a Lei n.º 10.101 fala em limites mínimos ou máximos ou manter se comparar salário x PLR. O mero comparativo assistemático não desvirtua o instituto. Sem razão a fiscalização. No mesmo sentido Acórdão CARF n.º 2402006.431, de 04/07/2018, verbis: CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. MONTANTE DOS VALORES PAGOS E FORMA DE PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. 1. A grande lucratividade das instituições financeiras faz com que o montante dos lucros ou resultados a serem distribuídos seja igualmente grande, de forma a representar uma quantia considerável quando comparada com a remuneração normal do trabalhador. Sendo estabelecida em percentual, quanto maior a lucratividade da empresa, maior a participação a ser paga ao empregado, o que de forma alguma descaracteriza o benefício. Nessa hipótese, maior é a concretização do direito social e maior é a realização do princípio da isonomia, pois o empregado participa em maior medida da rubrica a que ele não teria direito por não ser o dono do capital. 2. Quanto maior o impacto de uma categoria na formação do lucro, maior pode ser a sua participação. A desproporção, por si só, não milita em desfavor da contribuinte, mas está de acordo com a sua finalidade primordial: a geração de lucros. Assim, resta superado outro argumento utilizado pela fiscalização para descaracterizar a natureza das PLR's pagas. Porém, como existem mais pontos a serem enfrentados, vez que o auto de infração é lastreado em diversos motivos determinantes e independentes, mantenho a análise. Conclusão da análise da rubrica PLR EMPREGADOS Considerando o até aqui analisado, como os Acordos Coletivos de 2013 e 2014 só foram assinados nos últimos dias dos respectivos meses de dezembro, neste especial ponto assiste razão a fiscalização, de modo que todos os pagamentos relativos à Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.472 33 PLR ligada a eles sofrem incidência de contribuições, competências agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014. Porém, com relação ao ACT 2012, este deve ser afastado do lançamento, tendo razão a defesa, decotando do lançamento competências fevereiro de 2013, março/2013. PLR DIRETORES ESTATUTÁRIOS COM DECLARADO VÍNCULO DE EMPREGO Participação nos Lucros ou Resultados de diretores estatutários com declarado vínculo de emprego Por vários argumentos, a defesa sustenta serem os diretores com declarado vínculo de empregado elegíveis ao recebimento da PLR com as benesses em comento, enquanto que a fiscalização nega essa possibilidade, especialmente destacando os poderes estatutários e o plano de remuneração da administração, com pagamento de PLR, inclusive com a entrega de ações. A defesa avança alegando ausência de provas para a desconsideração do vínculo empregatício existente entre os diretores empregados e o recorrente (presunção), aduz o dever de unicidade do direito (existência da figura do diretor empregado no ordenamento jurídico pátrio), continua sustentando a indevida presunção de que todos os diretores sejam Administradores e aduz a inexistência de previsão legal que autorize a desconsideração da natureza dos pagamentos efetuados aos diretores e a possibilidade de pagamento de PLR com base na Lei n.º 10.101. Alega, ainda, que haveria nulidade, vez que a decisão de piso teria mudado o critério jurídico ao alegar que não houve o enquadramento na Lei 10.101, ao invés de tratar exclusivamente da subordinação jurídica ou não, bem como porque teria descaracterizado a relação de emprego. Pois bem. Inicialmente, entendo que não existe a nulidade, pois a fiscalização também destacou este ponto do não cumprimento da Lei 10.101 ao tratar do plano de remuneração dos administradores (item 6.38 do relatório fiscal, efl. 684). Também, não vejo que a decisão de piso tenha descaracterizado o vínculo de emprego. Em verdade, ainda que superficialmente, a fiscalização já o fez quando informou que o diretor empregado pelo só fato de ser administrador não poderia manter a qualidade de empregado. Em continuidade, observo que no relatório fiscal vêse que o plano de remuneração da administração, com pagamentos de PLR, inclusive com a entrega de ações, não está vinculado aos preceitos da Lei 10.101 ou a negociação com participação sindical, sendo instrumentalizada por meio próprio destoante das regras da lei específica, sendo trazidos a exemplificação pela fiscalização e estando colacionado aos autos (efls. 429/471 e seguintes). Ademais, ele consta como aprovado sempre, exclusivamente, por órgãos estatutários (por exemplo, efls. 216/227, 258/269) e no termo de intimação consta que sequer foram assinados (efls. 35). Nos autos consta a afirmativa da empresa dizendo, inclusive, que (efl. 484): "O plano de remuneração dos administradores produz efeito a partir da adesão do administrador mediante assinatura do termo de adesão e contrato bilateral." Noutra passagem temos a assertiva que: "O Banco ABC Brasil tem a política (Plano) de remuneração dos administradores aprovada pelo Comitê de Remuneração" (efl. 486). Esclarecese, também, que (efl. 487): Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.473 34 Os documentos já apresentados constituem a política (Plano) de remuneração dos administradores desde 2012. Os mesmos são de prazo indeterminado e deram suporte às entregas de ações em 2013 e 2014. A política (Plano) de remuneração dos administradores incluí a remuneração baseada em ações. As assinaturas constam dos contratos bilaterais e termos de adesão à política de remuneração. A política não contém assinatura já que tal formalidade foi cumprida na aprovação da política pelo Comitê de Remuneração. Caso essa fiscalização entenda necessária a aposição de assinaturas nesse documento o Banco ABC Brasil fica à disposição para providenciar essa formalidade. Não resta dúvidas nos autos, aliás, de que as PLR's aos diretores foram baseadas nestes planos de remunerações e, como dito, a fiscalização, no relatório fiscal, conclui no tópico da PLR aos diretores empregados que (efl. 684): "6.38 À guisa de conclusão, o pagamento de participação nos lucros ou resultados somente estará desvinculado da remuneração e, consequentemente, fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, quando pago de acordo com os termos e requisitos da Lei n.º 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A participação paga a administradores integra o salário de contribuição, ficando, pois, sujeita à incidência das contribuições em tela." Nos itens seguintes (especialmente itens 6.40, efl. 684, e 6.43, efl. 688) a fiscalização apresenta os excertos do plano que validou as PLR's aos diretores. Então, o fato é que estes diretores com declarado vínculo de emprego receberam PLR fora dos parâmetros da Lei n.º 10.101, sendo legitimados pelos planos de remuneração da diretoria sempre autorizados pelos órgãos estatutários e não por negociação com participação sindical. Vejo, também, que é incontroverso nos autos que os chamados "Diretores Empregados" da recorrente estão devidamente declarados em GFIP, DIRF e DIPJ, além de constarem em "folha de pagamento" como Empregados. A própria fiscalização afirma e constata isso, no entanto pondera que no seu refletir, face aos poderes dados pelo Estatuto, tratam de fato e, portanto, também, de direito , como Contribuintes Individuais e, só por isso, afasta a condição de empregados, não adentra nos requisitos da subordinação, do vínculo de emprego. De toda sorte, tenho que dizer que o lançamento é de contribuições devidas por "segurados individuais". A motivação do auto de infração foi recebimento de valores por "segurados individuais". A fiscalização faz esse enquadramento apenas porque os diretores empregados são "Administradores" e porque receberam conforme o famigerado plano de remuneração da administração. Ora, cabia a administração afastar motivadamente o vínculo de subordinação, que conceitua o vínculo de emprego. Penso que o só fato de serem diretores estatutários não é motivo suficiente para se afastar a condição de empregados que possuem. Precisava a fiscalização apontar os elementos concretos, objetivos, que levava a afastar o vínculo de subordinação, o vínculo de emprego. Observo, inclusive, que a fiscalização em nenhum momento se aprofundou sobre os vínculos de emprego ou emitiu intimação para a contribuinte prestar algum esclarecimento sobre o assunto. Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.474 35 De mais a mais, o assunto conta com vários precedentes no CARF, a teor dos Acórdãos ns.º 2202004.712, de 09/08/2018; 2201004.565, de 06/06/2018; 2401 005.847, de 07/11/2018; 2401005.676, de 07/08/2018; 2401004.795, 10/05/2017. Além disto, cito o Acórdão n.º 2201003.655, 06/06/2017, que possui pequeno distinguishing, mas reflete, em linhas gerais, o mesmo raciocínio. Além disto, temse, outrossim, a Solução de Consulta Cosit n.º 16, de 14 de março de 2018, nestes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EMENTA : DIRETOR DE SOCIEDADE ANÔNIMA. CONDIÇÃO DE SEGURADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI N.º 10.101, DE 2000. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para o cargo de direção de sociedade anônima, que não mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de contribuinte individual, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei n.º 10.101, de 2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. SEGURADO EMPREGADO. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei n.º 10.101, de 2000, não integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT N.º 368, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2014. Dispositivos Legais: Lei n.º 8.212, de 1991, art. 12, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, art. 22, incisos I e III, § 2.º, e art. 28, incisos I e III, e § 9.º, alínea “f”; Lei n.º 10.101, de 2000, arts. 1.º a 3.º; Decreto n.º 3.048, de 1999, art. 9.º, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, e §§ 2.º e 3.º. Ora, se a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, na citada solução de consulta, prevê a possibilidade de existir o "diretor empregado", não poderia a fiscalização unicamente afirmar que esta figura é qualificável como "contribuinte individual" pela só circunstância de ser diretor, caso contrário, estaria sendo contraditória. Neste pensar, em realidade, a figura do "diretor empregado" nunca existiria para a finalidade indicada na dita solução de consulta. Este comportamento é contraditório e considerado proibido sob o prisma da ordem jurídica vigente (nemo potest venire contra factum proprium). Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.475 36 Penso, inclusive, que, desde a Solução de Consulta Cosit n.º 368, de 18 de dezembro de 2014, gerouse nos administrados legítima expectativa quanto a possibilidade de existir o chamado "diretor empregado", especialmente sob a ótica da boa fé objetiva, no âmbito da tutela da confiança na relação fiscocontribuinte. Neste sentido, o dever de agir conforme a boafé, evitandose a prática de comportamentos contraditórios, contrários ao direito positivo em seu amplo referencial normativo, também é exigido da Administração Tributária e é imprescindível para a concepção de estabilidade e de segurança jurídica no viés hodierno da análise jurídica. Desde idos de 1956, com decisão inovadora do Superior Tribunal Administrativo de Berlim propagavase, de forma inédita no mundo, a aplicação do princípio de proteção da confiança na relação com os administrados, objetivandose assegurar estabilidade nas relações jurídicas exsurgidas com legítima expectativa do administrado por condutas da Administração. Neste contexto, é oportuno consignar que o direito brasileiro agiu bem ao adotar a proteção da confiança legítima, especialmente para garantir segurança jurídica as relações tuteladas pelo Estado, inclusive o Parecer PGFN/CDA n.º 2.025/2011 já teve a oportunidade de confirmar que se aplica a teoria dos atos próprios ao Fisco, vedandose o comportamento contraditório da Administração Pública. Dizer que o diretor empregado é administrador e que, por isso, não pode ser empregado não é enfrentar a matriz do suposto problema. Logo, entendo que não descaracterizado a contento o vínculo, mantémse a qualidade de empregado. Dito isto, mantida a qualidade de empregado o auto de infração se apresenta deficiente ao efetuar o lançamento referente a contribuintes individuais (Lei 8.212, art. 22, III) ao invés de autuar como empregados que são (Lei 8.212, art. 22, I). Sendo assim, com razão o recorrente neste capítulo. Gratificações aos diretores com declarado vínculo de emprego Quanto as gratificações pagas aos diretores com declarado vínculo de emprego, seguem a mesma sistemática do capítulo anterior, sendo os diretores empregados e sendo o fundamento do auto de infração "contribuintes individuais", não se sustenta o lançamento. Sendo assim, com razão o recorrente neste capítulo. Compensação de ofício dos tributos recolhidos Por fim, a defesa sustenta que recolheu contribuições previdenciárias ao RAT/SAT sobre toda a remuneração dos diretores com declarado vínculo de emprego, de modo que se forem tributados como contribuintes individuais pelos valores recebidos em litígio nestes autos, devese ordenar a compensação de ofício, posto que, nesta hipótese, a tributação destas verbas se dá apenas no que se refere aos empregados. Pois bem. O referido pleito resta prejudicado, de toda sorte, se fosse o caso, entendo que carece de competência a este Colegiado para determinar a compensação Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 16327.721115/201745 Acórdão n.º 2202005.192 S2C2T2 Fl. 1.476 37 de ofício, inclusive, em regra, o pleito não faz parte do litígio que é vertido a discutir o lançamento efetivado pela fiscalização. Tratandose de compensação o procedimento é iniciado pelo próprio sujeito passivo em sua unidade de origem, prescindindo da comprovação de crédito líquido e certo (direito creditório), sendo necessário demonstrar os pagamentos em excesso ou indevidos. A compensação prescinde de procedimento próprio, na forma do art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, complementado pelo art. 39 da Lei n.º 9.250, de 1995, e, especialmente no âmbito previdenciário, a compensação tem tutela na forma do art. 89 da Lei n.º 8.212, de 1991, estabelecendose que as contribuições sociais previdenciárias poderão ser compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Logo, não havendo competência outorgada a este Colegiado, que analisa outro litígio, não caberia manifestação sobre compensação não instaurada. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário De livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, entendo por reformar parcialmente a decisão recorrida, conhecendo do recurso voluntário, rejeitando as preliminares e, no mérito, dandolhe parcial provimento para excluir do lançamento os pagamentos a título de PLR baseados nas convenções coletivas relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014", os pagamentos a título de PLR baseados no acordo coletivo de 2012 relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados fevereiro de 2013, março de 2013", os pagamentos a título de PLR de Administradores (PLA) contribuintes individuais e os pagamentos a título de Gratificação aos Administradores contribuintes individuais. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento os pagamentos a título de PLR baseados nas "convenções coletivas" relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados fevereiro de 2013, março de 2013, agosto de 2013, fevereiro de 2014, agosto de 2014 e dezembro de 2014"; os pagamentos a título de PLR baseados no acordo coletivo de 2012 relacionado a rubrica "Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados fevereiro de 2013, março de 2013"; os pagamentos a título de PLR de Administradores (PLA) contribuintes individuais; e os pagamentos a título de Gratificação aos Administradores contribuintes individuais. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 1476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908269/2012-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.908269/2012-91
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6009702
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.190
nome_arquivo_s : Decisao_13888908269201291.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
nome_arquivo_pdf_s : 13888908269201291_6009702.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7749994
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907573940224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.908269/201291 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.190 – Turma Extraordinária / 1ª Turmaa Data 16 de abril de 2019 Assunto Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 26 9/ 20 12 -9 1 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13888.908269/201291 Resolução nº 3001000.190 S3C0T1 Fl. 3 2 DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035273 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 37640.17967.281111.1.3.041969. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$44.482,88, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 24/09/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de COFINS, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13888.908269/201291 Resolução nº 3001000.190 S3C0T1 Fl. 4 3 contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando Fl. 990DF CARF MF Processo nº 13888.908269/201291 Resolução nº 3001000.190 S3C0T1 Fl. 5 4 que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 1032). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13888.908269/201291 Resolução nº 3001000.190 S3C0T1 Fl. 6 5 Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13888.908269/201291 Resolução nº 3001000.190 S3C0T1 Fl. 7 6 para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13888.908269/201291 Resolução nº 3001000.190 S3C0T1 Fl. 8 7 Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 994DF CARF MF
score : 1.0
