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Numero do processo: 10480.002754/2003-53
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1998 a 31/07/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. PIS SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. DIÁRIAS E PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS SEM QUALQUER VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
O PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários não contempla a incidência sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas que não possuam qualquer vínculo empregatício, ainda que a título de diárias e de serviços prestados.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3401-001.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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PIS. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO REGIMENTO DO CARF. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários da Cofins e do PIS/PASEP nos casos em que se confirma a existência de pagamento antecipado dessas contribuições é § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar do fato gerador, consoante, inclusive, decisão do STJ proferida na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil. Aplicação ainda do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. No caso, atingidos pela decadência, os lançamentos dos períodos de apuração de janeiro e de fevereiro de 1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1998 a 31/07/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. PIS SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. DIÁRIAS E PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS SEM QUALQUER VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários não contempla a incidência sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas que não possuam qualquer vínculo empregatício, ainda que a título de diárias e de serviços prestados. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 27 54 /2 00 3- 53 Fl. 3212DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 3213DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.002754/200353 Acórdão n.º 3401001.982 S3C4T1 Fl. 3.213 3 Relatório O processo retorna a julgamento após ter sido concluída a diligência que determináramos em março de 2011 com a Resolução nº 3401000.240. Tratase de auto de infração cientificado ao sujeito passivo em 21/03/2003, uma associação civil de educação média de formação geral, sem fins lucrativos, para a constituição de crédito tributário relativo ao PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, no percentual de 1%, dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1998 e julho de 2002. De acordo com a descrição feita no Auto de Infração pela autoridade fiscal, referidos débitos consistiriam na diferença verificada entre os valores declarados/recolhidos e os efetivamente devidos, apurados a partir dos documentos fiscais e contábeis da entidade. A diligência acima reportada fora elaborada apenas para esclarecimento quanto aos valores pagos a título de “Diárias”, nos seguintes termos [fl. 1.056]: “[...] Assim, diante da impossibilidade de poder aferir a correção dos valores incluídos pelo Fisco na base de calculo a titulo de “Diárias”, e, em homenagem ao princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que a Unidade de origem informe a este Colegiado, para cada um dos valores constantes da coluna “Diárias – 4.3.02;.05.01”, do demonstrativo de fls. 18 e 19, se os mesmos se referem a diárias pagas a empregados e se correspondem ao excedente a 50% dos respectivos salários. A Recorrente deverá ser cientificada quanto ao teor do resultado da diligência para que, em assim o desejando, manifestese no prazo de trinta dias, findo o qual, deverá o processo retornar para este Colegiado.” No Termo de Constatação Fiscal lavrado em 15/02/2012, cuja cópia foi entregue à autuada, constou: “[...] Conforme folhas de pagamento apresentadas pela recorrente, as Diárias pagas foram creditadas a prestadores de Serviço sem vínculos empregatícios, uma vez que ao confrontar os empregados relacionados nas folhas de pagamentos com os nomes consignados nos recibos de pagamentos de Diárias de folhas do processo n°s 406/7, 427/28, 437/38, 504/07, 520/21, 530, 644/51, 654/57, 849/50, 857/58, 938/39, 981/82, 993/99, 1007/10, 1015/18, não houve coincidência nos nomes em relação aos empregados consignados nas Folhas de Pagamentos apresentadas. Portanto os beneficiários de Diárias pagas nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, não foram empregados da fiscalizada, neste período. [...]” Fl. 3214DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Esgotado o prazo concedido à autuada para que se manifestasse sobre os termos da diligência e sem que houvesse qualquer manifestação, o processo foi devolvido ao Carf para julgamento. No essencial, é o Relatório. Fl. 3215DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.002754/200353 Acórdão n.º 3401001.982 S3C4T1 Fl. 3.214 5 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Decadência suscitada de ofício Inicialmente, e, de oficio, suscito a ocorrência da decadência dos lançamentos do PIS/Pasep dos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2003, em face de ter havido o transcurso do prazo de cinco anos até a data de lavratura do auto de infração, que se deu em 21/03/2003. A questão envolvendo o dispositivo do CTN a ser adotado para fins de contagem do prazo decadencial em situações em que se constate a existência de pagamento antecipado, de um lado, e de, outro, a ausência de imputação de dolo fraude ou sonegação, já restou pacificada neste Colegiado, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela da Portaria MF nº 586, de 2010, segundo o qual as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E sobre a aplicação de tais dispositivos, o STJ vem adotando o seguinte posicionamento (contido no RE nº 973.733): “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos Fl. 3216DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Temse, então, que a aplicação deste ou daquele dispositivo, depende da existência ou não do pagamento antecipado, o que, no presente caso, está evidenciado nos demonstrativos elaborados pelo fisco à fl. 26, de sorte que, aplicandose a regra do § 4º do artigo 150, do CTN, devem ser considerados atingidos pela decadência os lançamentos correspondentes aos períodos de apuração de janeiro e de fevereiro de 1998, porquanto a ciência do lançamento se deu em 21/03/2003. PIS/Pasep – incidência sobre a folha de salários A discussão trazida pela Recorrente a este Colegiado cingese somente sobre rubricas que não estariam contempladas pela legislação de regência como ensejadores da incidência do PIS/Pasep na modalidade “folha de salários”. Mais especificamente, referiuse às despesas com “diárias” e com “prestadores de serviços pessoais”. No Demonstrativo da Base de Cálculo do PIS/Pasep – Folha de Salários, que elaborou e acostou à sua peça impugnatória [fls. 247/249, do volume I, e 252/254, do volume II], constatase que autuada não se conformou apenas com a inclusão feita pela fiscalização na base de cálculo dos valores constantes da conta contábil “4.3.02.05.01” [Diárias] e da conta “4.3.02.05.10” [Serviços Prestados por Pessoas Físicas sem vínculo empregatício]. Ou seja, concordou com as diferenças de recolhimento identificadas pelo Fisco no montante de R$ 1.522,05, ao menos é o que aponta como tal no seu Recurso Voluntário, à fl. 346. Fl. 3217DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.002754/200353 Acórdão n.º 3401001.982 S3C4T1 Fl. 3.215 7 Matéria não impugnada Inicialmente, de se esclarecer que, diferentemente do que supõe a Recorrente, o valor a ser considerado como não impugnado, e, portanto, definitivo na esfera administrativa, não monta aqueles R$ 1.522,05 por ela indicados, mas, sim, a R$ 1.618,92, assim apurado a partir do referido Demonstrativo da Base de Cálculo do PIS/Pasep – Folha de Salários, elaborado pela própria Recorrente, porém, sem se considerar os valores ali apontados com o sinal negativo à sua frente, indicativos da existência de recolhimento a maior. É que não pode o contribuinte aproveitar o valor que julga ter recolhido a maior que o devido em determinado período [R$ 7,70, em fevereiro de 1998; R$ 1,41, em fevereiro de 1999; R$ 7,71, em dezembro de 2000; e R$ 10,68, em janeiro e R$ 69,40, em setembro de 2001], para reduzir o valor constituído de oficio pelo Fisco em outro período de apuração. Assim, as somas das diferenças do PIS/Pasep a recolher reconhecidas pela Recorrente e constantes dos referidos demonstrativos, devem ser modificadas para: R$ 2,431, em 1998; R$ 1,45, em 1999; R$ 283,57, em 2000; R$ 549,40, em 2001; e R$ 782,07, em 2002, o que perfaz o total de R$ 1.618,92 de matéria que deve ser considerada definitiva na esfera administrativa, podendo, inclusive, ser objeto de cobrança imediata. Diárias Como visto acima, o resultado da diligência atestou que todos os pagamentos de diárias se deram em favor de pessoas físicas que não possuíam qualquer vínculo empregatício com a autuada, o que caracteriza a improcedência da exigência sobre tais rubricas, visto que a modalidade do PIS/Pasep em comento é aquela que se faz incidir sobre os valores constantes da “folha de salários”; De se cancelar, pois, o lançamento efetuado com base nas diárias. Serviços Prestados por Pessoas Físicas sem vínculo empregatício Na descrição dos fatos do auto de infração, à fl. 6, consta, verbis: “[...] 6 A base de cálculo apurada do PIS FOLHA referida se fundamenta no Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n.142/82, onde diz que as entidades sem fins lucrativos efetivarão as suas contribuições ao Fundo de Participação do Programa de Integração Social, com percentual de 1% sobre a folha de pagamento mensal, entendendo esta como os rendimentos do trabalho assalariado de qualquer natureza, tais como: salários, gratificações, ajudas de custo, comissões, qüinqüênios, 13º salário, etc, mais a remuneração paga pela prestação de serviços a todos os empregados e trabalhadores avulsos durante o mês; [...]” (grifei) 1 Aqui, já desconsiderados os R$ 0,03 de janeiro de 1998, em face da decadência. Fl. 3218DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Malgrado minhas tentativas, não consegui encontrar qualquer dispositivo legal que pudesse sustentar a premissa adotada pela fiscalização, de que haveria a incidência do PIS/Pasep na modalidade “folha de salários” também sobre os pagamentos efetuados a “trabalhadores avulsos”. Bem diferente disso, consta no sitio da própria Receita Federal na internet, sob o título “PIS/Pasep – Folha de Salários” 2 , o seguinte: Contribuintes São contribuintes nesta modalidade: a) até 28 de setembro de 1999, as entidades sem fins lucrativos, definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações ( Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º); b) a partir de 28 de setembro de 1999, as entidades sem fins lucrativos relacionadas no art. 13 da MP nº 1.8586, de 1999, e reedições; c) as sociedades cooperativas (art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, e arts. 15 e 16 da Medida Provisória nº 1.8587, de 1999, e reedições). [...]. Base de Cálculo A base de cálculo é o total da folha de pagamento mensal de seus empregados. Entendese por folha de pagamento mensal, o total dos rendimentos do trabalho assalariado de qualquer natureza, tais como salários, gratificações, comissões, adicional de função, ajuda de custo, aviso prévio trabalhado, adicional de férias, qüinqüênio, adicional noturno, hora extra, 13° salário e repouso semanal remunerado. Não integra a base de cálculo: o saláriofamília; o aviso prévio indenizado; o FGTS pago diretamente ao empregado na rescisão contratual; a indenização por dispensa, desde que dentro dos limites legais. Alíquota A alíquota a ser aplicada sobre a base de cálculo é de 1% (um por cento).” Ora, à evidência, mostrouse totalmente equivocado o procedimento fiscal ao fazer incidir a contribuição do PIS/Pasep sobre os valores pagos a pessoas físicas sem qualquer vínculo empregatício com a autuada. De se cancelar, pois, esta parte do lançamento. Conclusão Em face de todo o exposto, reconheço de oficio a decadência dos lançamentos dos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 1998, e, quanto ao mérito, dou provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência calculada sobre as rubricas “Diárias” e “Serviços Prestados a Pessoas Físicas sem vínculo empregatício”. O provimento é parcial por 2 http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2000/orientacoes/pissalarios.htm [consulta feita em 03/08/2012] Fl. 3219DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.002754/200353 Acórdão n.º 3401001.982 S3C4T1 Fl. 3.216 9 conta da diferença entre o que a Recorrente apontou como correto a ser exigido [R$ 1.522,05] e o que realmente deve ser considerado a esse título [R$ 1.618,92].212 Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 3220DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10768.000071/98-44
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício:
APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL. O PRINCÍPIO tempus regit actum faz com que todos os atos processuais realizados sob a vigência da lei anterior sejam válidos e que as normas processuais tenham aplicabilidade imediata, regendo o desenvolvimento restante do processo.
RECURSO PREVISTO EM NOVO DISPOSITIVO REGIMENTAL. A previsão regimental de um recurso específico só atinge os recursos propostos após a vigência do dispositivo normativo e não retroage para legitimar recursos interpostos antes
da vigência do referido novo dispositivo.
RECURSO ESPECIAL - ADMISSIBILIDADE - RECURSO DE OFÍCIO - A decisão de primeira instância favorável ao sujeito
passivo, acima do limite de alçada, constitui o primeiro momento
de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação
do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de oficio.
Nesse caso, o Tribunal não decide recurso simplesmente
complementa o ato complexo. A decisão de primeira instância
que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é
definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser
confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tomar
definitiva (art. 42 do Decreto no. 70.235/72).
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.079
Decisão: ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Relatora), Maria Cristina Roza da Costa, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Gonçalo Bonet Allage, Henrique Pinheiro Torres e Antonio Carlos Atulim que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheiro Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: Ivete malaquias Pessoa Monteiro
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I 1: 44 -4 • „." MINISTÉRIO DA FAZENDA t1/4 P;j ..JÉ: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PLENO Processo n° 10768.000071/98-44 • Recurso n• 101 -136.715 Extraordinário Matéria CONHECIMENTO P/ CSRF R.OFICIO Acórdão n° 00-00.079 Sessão de 15 de dezembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BRADESCO SEGUROS S/A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL. O PRINCÍPIO tempus regit actum faz com que todos os atos processuais realizados sob a vigência da lei anterior sejam válidos e que as normas processuais tenham aplicabilidade imediata, regendo o desenvolvimento restante do processo. RECURSO PREVISTO EM NOVO DISPOSITIVO REGIMENTAL. A previsão regimental de um recurso específico só atinge os recursos propostos após a vigência do dispositivo normativo e não retroage para legitimar recursos interpostos antes da vigência do referido novo dispositivo. RECURSO ESPECIAL - ADMISSIBILIDADE - RECURSO DE OFÍCIO - A decisão de primeira instância favorável ao sujeito passivo, acima do limite de alçada, constitui o primeiro momento de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de oficio. Nesse caso, o Tribunal não decide recurso simplesmente complementa o ato complexo. A decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tomar definitiva (art. 42 do Decreto no. 70.235/72). Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Relatora), Maria Cristina Roza da Costa, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Gonçalo Bonet Allage, Henrique . . Processo e 10768.000071/98-44 CSRFT00 Acárdào n.• 00-00.079 Fls. 2 Pinheiro Torres e Antonio Carlos Atulim que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheiro Susy Gomes Hoffinarm. AJO PRA A Pr • . ---In "Ore . els 4•00°Strprd: S PESSOA MONTEIRO Rela G ra SU Y MES HOFFMANN Redatora designada FORMALIZADO EM: 03 II 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Femandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Lhas Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Declararam-se impedidas de participar do julgamento as Conselheiras Maria Teresa Martinez Lopez e Nanci Gama 7".-- 2 .. . . Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 3 Relatório Trata-se de Recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão CSRF/01-05.586, de 05 de dezembro de 2006, de fls. 704/718, no qual, por maioria de votos, não se conheceu o recurso especial da Fazenda Nacional porque interposto contra recurso de oficio, assim confirmou a decisão exarada no acórdão 101-94.744, de 21/10/2004, fls.620/628. O acórdão recorrido está assim ementado: RECURSO ESPECIAL -ADMISSIBILIDADE - RECURSO DE OFICIO A decisão de primeira instância favorável ao sujeito passivo, acima do limite de alçada, constitui o primeiro momento de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de oficio. Nesse caso, o Tribunal não decide recurso simplesmente complementa o ato complexo. A decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tornar definitiva (art. 42 do Decreto n° 70.235/72). Recurso Especial interposto pela Procuradoria é impróprio para desafiar acórdão não- unânime proferido em remessa a officio. Recurso não conhecido Inconformada com o decidido a digna representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Turma apresenta recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 721/737). Entende que, ao concluir nesse sentido, sem dúvida alguma, o acórdão, diverge, frontalmente, com a interpretação que lhe deu a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que A Procuradoria da Fazenda Nacional somente é parte no processo administrativo tributário da União quando o mesmo tramitar nos Conselhos de Contribuintes. E tem interesse em interpor recurso de qualquer decisão de Câmara dos Conselhos de Contribuintes que lhe seja desfavorável. A lei processual administrativa (Decreto n.° 70.235/72) os regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais não traziam, à época, qualquer dispositivo que vedasse a interposição de recurso especial contra de decisão de Câmara dos Conselhos de Contribuintes que negasse provimento a recurso de oficio. Ao contrário, os referidos atos legal e administrativo autorizam o processamento deste recurso. A divergência encontra amparo no Acórdão n° CSRF/03-04.252, apresentado como paradigma da matéria recorrida e juntado às fls. 738/765. O despacho CSRF n°203/2007, fls. 789/791, dá seguimento ao recurso. O Interessado foi regularmente notificado e apresentou contra-razões em tempo hábil às fls.795/810 onde pugna pela manutenção do julgado recorrido. 71/7É o Relatório. riPa ' 3 1 Processo ne 10768.000071/9844 CSRF/TDO Acórdão n.° 00-00.079 Fis• 4 Voto Vencido Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Aprecia-se o recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra a decisão da Câmara Superior de Recursos fiscais que não conheceu o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra recurso de oficio. A controvérsia cinge-se em saber se cabe, ou não, a Câmara Superior de Recursos Fiscais re-analisar o recurso de oficio. Nos termos da decisão combatida o acórdão que nega provimento ao recurso de oficio seria decisão de primeira instância e, portanto, inimpugnável por recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, sob o seguinte entendimento: "Conselho de Contribuintes, nesta hipótese, não atua na condição de segunda instância de cognição, mas como co-partícipe do julgamento em primeira instância que precisa de confirmação para ter eficácia. (..) A decisão da DRJ e do Conselho compõe o primeiro grau de jurisdição" (fls. 712/713). A justificativa para tal conclusão seria a de que a decisão em recurso de ofício seria um "ato complexo(...) O recurso de ofício não é decorrente do princípio do duplo grau de jurisdição, o qual é garantia do particular, sendo que somente haverá essa remessa obrigatória quando prevista em lei. Esse ato administrativo que remete a decisão ao conhecimento do Conselho de Contribuintes não possui as características e objetivos exigidos pela doutrina processual para que se configure um verdadeiro recurso, eis que não se afigura possível o julgador impugnar suas próprias decisões, manifestando-se inconformado com elas e postulando a sua substituição. Além disso, outras razões relevantes indicam na mesma direção, quais sejam: não há interesse contrariado pelo ato decisório inicial por ser ele ainda ineficaz; não há motivação do ato de remessa; não há previsão de contraditório a ser exercido peia outra parte que sequer é intimada desse ato; não há valor liquido e certo ao final do ato decisório inicial e tampouco há preclusão temporal pela inércia da autoridade em remeter o processo ao exame do Conselho de Contribuintes." Consigna a falta de cabimento de recurso especial da PFN contra decisão que negue provimento a recurso de oficio, pois o art. 32 dos Regimentos Internos, conforma a melhor interpretação jurídica quanto aos princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, quando possibilita recurso especial apenas de decisão do Conselho de Contribuintes em recurso voluntário. Usou a como analogia a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que estaria se firmando no sentido de não admitir os embargos infringentes de acórdão que .")) 4 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 5 julgue reexame necessário, nos termos do art. 475 do CPC. Transcreveu decisões neste sentido, dentre essas o Resp 158.000/G0,Di 24/8/98, p.113. e citou o Resp 168.837/RI. Embora bem construída a tese do acórdão, data vênia, apesar de as premissas do raciocínio afigurarem-se, a princípio, corretas, a conclusão está equivocada. Poder-se-ia entender até possível tal conclusão à luz do regimento anterior que era omisso neste particular, mas a luz da Portaria 147 /2007, tal dúvida não mais persiste. Com todo respeito à tese e ao trabalho realizado pelo n. Relator do acórdão recorrido, entendo que os fundamentos expendidos nas razões de decidir do acórdão paradigma, onde o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo transcreveu do Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias as razões a seguir reproduzidas, bem definem o litígio: (..)0 recurso especial objetiva a reforma do acórdão prolatado pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que negou provimento ao recurso de oficio. Por sustentar o cabimento do recurso especial da Procuradoria na hipótese dos autos, e tendo em vista os debates travados nessa sessão de julgamento, reporto-me à declaração de voto que proferi no Acórdão n° CSRF/01-04.995, sessão de 15/06/2004, ocasião em que prevaleceu o entendimento que passo a expor. Dispõe o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n°55/98: "Art. 24. A decisão, em forma de acórdão ou resolução, será assinada pelo Relator e pelo Presidente, e dela constará o nome dos Conselheiros presentes, especificando-se, se houver, os Conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. §1° A decisão será em forma de resolução quando, obrigatoriamente, a mesma ou outra Câmara do Conselho ou, ainda, de outro Conselho de Contribuintes, deva pronunciar-se sobre o mesmo recurso. ..." (o negrito não é do original) 'Art. 32. Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1— de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II — de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara superior de Recursos Fiscais. ..." (o negrito não é do original) Da leitura desses dispositivos regimentais pode-se concluir, de plano, que as decisões suscetíveis de serem atacadas por recurso especial são somente os acórdãos, na medida em que, não sendo as resoluções decisões de natureza terminativa não se prestam, por óbvio, para caracterizar jurisprudência a merecer uniformização. Comungamos do entendimento de que o art. 37 do Decreto n° 70.235/72 confere ao Ministro da Fazenda poderes para regulamentar o julgamento nos Conselhos de Contribuintes nos estritos ditames das leis que regem a matéria. 5 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 6 E isso foi observado, na medida em que a redação dos incisos I e 11 do art. 32 supra é idêntica à do art. 3°, incisos I e II do Decreto n° 83.304/79, que, alterando o Decreto n° 70.235/72, instituiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais e deu outras providências. Comungamos também da idéia de que o intérprete não deve se limitar ao exame literal do texto, mas procurar identificar a sua finalidade. Nesse sentido, não é porque o art. 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes não veda expressamente a interposição de recurso especial em face de decisão que negar provimento a recurso de oficio, que, por si só, autorize o intérprete a concluir pelo seu cabimento. Estamos de acordo, ainda, com o entendimento de que a decisão de primeira instância não tem eficácia enquanto pendente de recurso ex officio. Não obstante, data máxima vênia, não podemos concordar com aqueles que sustentam que as decisões dos Conselhos de Contribuintes em face de recurso ex officio são decisões de primeira instância. Pior ainda: o não cabimento do recurso especial da Fazenda Nacional em face de decisão de Câmara de Conselho de Contribuintes que negar provimento a recurso ex officio teria amparo no art. 42 do Decreto n° 70.235/72, verbis: "Art. 42. São definitivas as decisões: 1 — De primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; O raciocínio desenvolvido por aqueles é o seguinte: 1. a decisão de Conselho de Contribuintes em recurso de oficio seria decisão de primeira instância; 2. como o recurso de oficio foi improvido, por óbvio, não há interesse do contribuinte em interpor recurso voluntário, logo a decisão seria definitiva (art. 42, 1, Decreto n° 70.235/72). Com todo o respeito, tal conclusão revela-se equivocada, uma vez que conflua com outros dispositivos da própria lei processual administrativa fiscal. Dispõe o art. 25 do Decreto n° 70.235/72, verbis: "Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: Caput com redação determinada pela MP 2.158-35/2001, produzindo efeitos a partir de 1° de setembro de 2001. ai)fp, I 6 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 7 I — em primeira instância, às Delegacias da . Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; Inciso I com redação determinada pela MP 2.158-35/2001, produzindo efeitos a partir de I° de setembro de 2001. — em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com a ressalva prevista no inciso III do §1°.°. §1 0 Os Conselhos de Contribuintes julgarão os recursos, de oficio e voluntário, de decisão de primeira instância, observada a seguinte competência por matéria:..." (o negrito não é do original) Ora, se o próprio art. 25 do Decreto n° 70.235/72 estabelece que é de segunda instância a decisão de Conselho de Contribuintes que julga recurso de oficio, como sustentar a aplicação à hipótese da mencionada norma do art. 42, I, do mesmo diploma legal? Também em outros artigos, o Decreto n° 70.235/72 confirma a idéia de que os Conselhos de Contribuintes, ao julgarem recurso de oficio, proferem decisão de segunda instância. Dispõe o art. 36, inserido na Seção VI - Do Julgamento em Primeira Instância: "Art. 36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido reconsideração". (o negrito não é do original) Já o art. 37, inserido na Seção VII — Do Julgamento em Segunda Instância, estabelece: "Art. 37. O Julgamento nos Conselhos de Contribuintes far-se-á conforme dispuserem seus regimentos internos. § 1° Os Procuradores Representantes da Fazenda recorrerão ao Ministro da Fazenda, no prazo de trinta dias, de decisão não unânime, quando a entenderem contrária à lei ou à evidência da prova. § 200 órgão preparador dará ciência ao sujeito passivo da decisão do Conselho de Contribuintes, intimando-o, quando for o caso, a =pi- la, no prazo de trinta dias, ressalvado o disposto no parágrafo seguinte. §3° Caberá pedido de reconsideração. I — de decisão que der provimento a recurso de oficio; ..." (o negrito não é do original) À toda evidência, o art. 37, §3°, 1, do Decreto n° 70.235/72 reafirma a idéia que a decisão de Conselho de Contribuintes que der provimento a recurso de oficio é decisão de segunda instância e que, ao menos à época, cabia pedido de reconsideração. Como sustentar que tal decisão é de primeira instância, se o art. 36 veda o pedido de reconsideração? Por outro lado, argumentam alguns que faltaria interesse à Fazenda Nacional para recorrer de decisão de Conselho de Contribuintes que • •I 7 Processo ri 10768.000071/98-44 CSRFITOO Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 8 negar provimento a recurso de oficio, na medida em que o entendimento nela externado teria sido confirmado por dois órgãos julgadores distintos. Lembram também que são definitivas as decisões de primeira instância que exoneram crédito tributário abaixo do limite de alçada e que os órgãos julgadores de primeira instância estão vinculados aos entendimentos normativos emanados da Secretaria da Receita FederaL Não me sensibilizam esses argumentos. A uma, porque a Procuradoria da Fazenda Nacional só atua em segunda instância, nos Conselhos de Contribuintes, e em instância especial, na Câmara Superior de Recursos Fiscais. A duas, porque o recurso especial da Fazenda Nacional tanto pode suscitar dissídio jurisprudencial, como contrariedade à lei ou à evidência das provas. Nessa última hipótese é impertinente falar-se em observância de entendimentos normativos expedidos pela Secretaria da Receita FederaL A três, porque, mesmo no caso de recurso especial da Procuradoria fundado em divergência jurisprudencial, parece-me legitimo o interesse da Fazenda Nacional, na medida em que, não raro, os órgãos julgadores de primeira instância adotam entendimento amplamente dominante nos Conselhos de Contribuintes, que posteriormente vem a ser alterado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A quatro, e principalmente, porque, a prevalecer o entendimento da corrente ora vencida, estar-se-ia retirando da Câmara Superior de Recursos Fiscais a sua principal atribuição, qual seja, a de garantir a uniformização da jurisprudência administrativa. Ponderam outros, ainda, que o conhecimento de recurso especial da Fazenda Nacional na hipótese em foco poderia caracterizar ofensa ao princípio da ampla defesa, uma vez que, no caso de provimento do especial, a Turma da Câmara Superior de Recursos Riscais estaria restabelecendo definitivamente certa exigência fiscal formalizada em auto de infração. De fato, excetuada a hipótese de o contribuinte vir a suscitar e demonstrar divergência entre Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decisão na situação em tela seria definita, sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de, ele próprio, interpor recurso. Entretanto, a ampla defesa é assegurada ao contribuinte, na medida em que os Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais facultam-lhe o oferecimento de contra-razões (art. 34, caput, R1CC e art. 8°, caput, RICSRF), bem assim a sustentação oral (art. 21, II, RICC e art 21, .11, RICSRF). Por outro lado, o duplo grau de jurisdição, em sentido estrito, não é preceito constitucional garantido ao contribuinte no processo 8 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T130 Acórdão n°00-00.079 Fls. 9 administrativo, conforme já decidiu o E. Supremo Tribunal Federal na ADI 1922 MC/DF. Por fim, registro que, na órbita judicial, em que a União é parte desde a primeira instância, o E. Superior Tribunal de Justiça, no RESP n° 29.800-7/MS, conheceu de recurso especial da União em face de acórdão não-unânime de Tribunal Regional Federal, que negou provimento à remessa oficial Referido acórdão decorre de decisão anterior do próprio STJ, no sentido de acolher agravo da União em face de despacho do presidente do referido TRF, que negara seguimento ao recurso especial interposto, ao fundamento de que o remédio processual cabível seriam os embargos infringentes. Não obstante, entendeu o STJ que os embargos infringentes só são cabíveis de acórdão de TRF que julgar apelação e que, na hipótese, por se tratar de remessa oficial, cabia o recurso especial. Ou seja, no âmbito do Poder Judiciário já se decidiu que a União pode manejar recurso em face de decisão de Tribunal Regional Federal que negar provimento a remessa oficial. A propósito, desse mesmo julgado também se extrai a conclusão que é de segunda instância a decisão de tribunal que julga a remessa ex officio. Com efeito, o Ministro Relator Humberto Gomes de Barros, destacando as alterações introduzidas no sistema de recursos pelo Código de Processo Civil de 1973, reportou-se ao voto proferido pelo Ministro Moreira Alves, no julgamento do RE n° 89.490, nestes termos: "... não há dúvida alguma de que a modificação em causa decorreu de intenção preconcebida de alterar o sistema atual, e a alteração se fez com a retirada, do Código atual, da "apelação ex officio" do capítulo dos recursos, e a colocação de sujeição a duplo grau de jurisdição no capítulo da Coisa Julgada, para caracterizar que a sentença, nesses casos, não transita em julgado com o ato de julgamento de primeiro grau, mas se desdobra em ato complexo. Para que ela transite em julgado, necessário se faz que, além do julgamento de primeira Processo n" : 11060.000995/97-16 Acórdão n" : CSRF/01-05.128 12 instância, haja o de segunda, tanto por maioria de votos, como por unanimidade. Ora, no sistema do Código anterior, só se admitiam, quando houvesse divergência, embargos infringentes, porque estes eram cabíveis, quando não fosse unânime a decisão em apelação, e, no caso, havia apelação, embora ex officio. É certo que, mesmo sob o império do Código de 1939, houve parte da doutrina que se manifestou em contrário, entendendo que a apelação necessária, ou ex officio não era propriamente recurso. Mas, essa doutrina não vingou, porque a questão não era ontológica, mas devia ser resolvida em face do tratamento que a lei lhe dava, e este era o de apelação. 9 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 10 Em face do novo Código de Processo Civil, isso não mais ocorre, não cabendo, conseqüentemente, embargos infringentes, que, pelo artigo 530, só se admitem com relação a julgados proferidos em apelação e em ação rescisória. Em face do exposto, Sr. Presidente, com a devida vênia dos que pensam em contrário, acompanho o voto do eminente Ministro Cunha Peixoto, e, portanto, conheço do recurso, mas lhe nego provimento." (o negrito não é do original) Nessa ordem de juizos, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional.(...)" Os princípios gerais, disciplinadores da aplicação da lei no tempo, são o da não-retroatividade e o da aplicação imediata da lei nova. O primeiro está consagrado na Constituição Federal, art. 5°, XXXVI, e na Lei de Introdução ao Código Civil, art. 6°, e o segundo, no Código de Processo Civil, art. L211, na Lei de Introdução ao Código de Processo Penal, art. 1°, e no Código de Processo Penal, art. 20. O principio da não-retroatividade visa a tutelar a certeza e a segurança das situações jurídicas passadas. O princípio da aplicação imediata da lei nova visa a garantir a imediata eficácia da lei posterior, que se presume melhor que a anterior. (...)4. Processos pendentes A aplicação imediata da lei nova aos processos pendentes poderia aparentar, ao primeiro exame, que estaria havendo aplicação retroativa da lei, uma vez que o processo estava em curso quando sobreveio a lei nova. Isto, porém, não acontece. De fato, como o processo é uma série interligada de atos, a aplicação da lei nova aos processos em curso não é retroativa, porque não atinge os atos já praticados na vigência da lei velha, nem os efeitos por ele produzidos. Seria retroativa se pusesse em causa os atos praticados segundo a lei anterior. Mas como dissemos, "a lei nova atinge o processo em curso no ponto em que este se achar, no momento em que ela entrar em vigor, sendo resguardada a inteira eficácia dos atos processuais até então praticados". Por conseguinte, no caso dos processos pendentes, a aplicação da lei nova não configura retroatividade, porque só alcança os atos futuros, ou seja, os atos posteriores à vigência, deixando válidos os atos realizados segundo a lei revogado. (ROCHA, José de Albuquerque. Teoria Geral do Processo. 4. etL - São Paulo: Malheiros. 1999. p. 74 a 76) Com essas considerações voto no sentido de DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional e, nesta conformidade devolver os autos para conhecimento da 1 a.Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sala das Sa- ;es, em 15 de dezembro de 2008 Iv , .7 1v • =lin. fsJ onteiro 10 PrOCCSSO n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão ri? 00-00.079 Fls. 11 Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffinann, Redatora Designada Entendo que o mérito deste Recurso passa por duas questões: a) eventual aplicação do dispositivo do novo Regimento que prevê expressamente a possibilidade de interposição de Recurso especial contra decisão que negar provimento a recurso de oficio; e b) a verificação da possibilidade de interposição de Recurso Especial contra decisão do Conselho de Contribuintes que negou provimento ao Recurso de Oficio, antes do advento do novo Regimento. Assim, deve ser enfrentada primeiramente a questão que versa sobre a eventual aplicação do novo Regimento a Recursos interpostos antes da sua vigência. O tema é a aplicação da regra processual no tempo. No momento que foi interposto o primeiro recurso especial, ainda perante a Primeira Turma da Câmara Superior, não havia o dispositivo expresso com esta previsão específica e o julgamento entrou no mérito da possibilidade da interposição deste recurso em vista da previsão do Decreto 70.235/72. Aquele recurso foi julgado perante a Primeira Turma que entendeu por não conhecê-lo e dai foi interposto este Recurso Especial, com vista em um Acórdão da Terceira Turma, que em caso similar entendeu cabível o conhecimento do Recurso, e, nos dois julgamentos restou claro que não havia um dispositivo expresso no Decreto 70.235/72 e no Regimento dos Conselhos e da Câmara Superior que abrigasse a possibilidade da interposição deste recurso. Pois bem, entendo que com o advento do Novo Regimento Interno dos Conselhos e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que prevê a possibilidade de interposição de Recurso Especial da decisão da Câmara que negar provimento ao Recurso de Oficio, há de ser enfrentada a questão da lei processual no tempo, para tanto vou me socorrer da previsão da Lei de Introdução ao Código Civil e das lições do processualistas. Maria Helena Diniz em seu livro "Lei de Introdução ao Código Civil Interpretada", página 176 e seguintes, ao tratar do artigo 6°. Da Lei de Introdução ao Código Civil (Art. 6°. — A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitado o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada), assim dispõe: O art. 6°, ora comentado, trata da obrigatoriedade da lei no tempo, da limitação da eficácia da nova norma em conflito com a anterior. Como revogar é cessar o curso da vigência da norma, não implicando necessariamente eliminar totalmente a eficácia, guando a nova norma vem modificar ou regular, de forma diferente, a matéria versada pela anterior, no todo (ab-rogação) ou em parte (derrogação), podem surgir conflitos entre as novas disposições e as relações jurídicas já definidas sob a vigência da velha norma revogado. A norma mais recente só 11 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/160 Acórdão n.• 00-00.079 Rs. 12 teria vigor para o futuro ou regularia situações anteriormente constituídas? A nova norma repercutiria sobre a antiga atingindo os fatos pretéritos já consumados sob a égide da norma revogada, afetando os efeitos produzidos de situações já passadas ou incidindo sobre feitos presentes ou futuros de situações pretéritas? O direito intertemporal soluciona o conflito de leis no tempo, apontando critérios para aquelas questões, disciplinando fatos em transição temporal, passando da égide de urna lei a outra, ou que se desenvolvem entre normas temporalmente diversas. Para solucionar tais questões, os critérios utilizados são; O das disposições transitórias, chamadas direito intertemporal, que são elaboradas pelo legislador no próprio texto normativo para conciliar a nova norma com as relações já definidas pela anterior. São disposições que têm vigência temporária, com o objetivo de resolver e evitar conflitos ou lesões que emergem da nova lei em confronto com a antiga. O dos princípios da retroatividade e da irretroatividade das normas, construções doutrinárias para solucionar conflitos entre a norma mais recente e as relações jurídicas definidas sob a égide da norma anterior, na ausência de norma transitória. Quanto ao âmbito de validade temporal da norma, na teoria kelseniana, deve-se distinguir o período de tempo posterior e o anterior à promulgação, ou melhor à publicação. ... Assim sendo, no que atina à extensão do tempo de sua obrigatoriedade, a lei poderá ser retroativa, se estender sua eficácia ao passada, ou irretroativa, se alcançar somente o futuro. Há, portanto, normas que podem dispor para o passado e para o futuro; outras só para o futuro ou para o passado. Não poderia ser outro o entendimento ante a teoria dogmática da incidência normativa, pela qual a incidência consistiria na configuração atual de situações subjetivas e produção de efeitos em sucessão. A norma vigente podem ter eficácia, isto é, possibilidade de produção de efeitos. Quando ocorre a produção de efeitos, configurando uma situação subjetiva, tem-se a incidência da norma. Incidência diz respeito aos efeitos já produzidos. A norma revogada por outra não mais produzirá efeitos, mas sua incidência, isto é, a configuração de situação subjetiva efetuada, permanece. Embora revogada, seus efeitos permanecem. A norma precedente não se mantém viva; perderá sua eficácia apenas ex nunc, porque persistem as relações já constituídas sob seu império. — Da análise do art. 6. da Lei de Introdução, a doutrina e a jurisprudência têm apresentado os seguintes critérios norteadores da questão da aplicabilidade dos princípios da retroatividade e da irretroatividade. i) O princípio tampas regit actum faz com que todos os atos processuais realizados sob a vigência da lei anterior sejam válidos e /r5 12 • Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 13 que as normas processuais tenham aplicabilidade imediata, regendo o desenvolvimento restantes do processo. Portanto, de acordo com a interpretação acima, no presente caso ter-se-á a aplicação do princípio tempus regit actum de tal modo que quando há uma nova lei processual os atos processuais anteriores não se modificam e o processo deve se adequar à nova lei, assim, a lei só se aplica aos atos restantes. Deste modo, no presente caso, o novo dispositivo regimental que prevê este recurso não pode ser argumento para o conhecimento do recurso à época de sua propositura, eis que no momento da propositura ocorreu a incidência normativa e a norma então regente não previa tal recurso. E, sem a previsão especifica de tal recurso, é impossível o seu conhecimento de acordo com a doutrina de direito processual que se socorre do princípio da inatividade ou da tipicidade que nos dizeres de Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery, em Código de Processo Civil Comentado, página 712, assim explicam: TAXATNIDADE. O princípio da taxatividade decorre do CPC 496, que se utiliza da expressão "são cabíveis os seguintes recursos", de forma a indicar que a regra geral do sistema recursal brasileiro é o da taxatividade dos recursos. Isto quer significar que os recursos são enumerados pelo CPC e outras leis processuais numerus clausus, vale dizer, em rol exaustivo. Somente são recursos os meios impugnativos assim denominados e regulados na lei processual. Não são recursos a correição parcial, a remessa necessária e o pedido de reconsideração. Para finalizar, trago à colação o inteiro teor de Acórdão do TJMG que trata deste tema e traz a conclusão aqui adotada. Número do processo: 1.0144.06.015913-0/001(1) Relator: MÁRCIA DE PA OU BALBINO Relator do Acordão • MÁRCIA DE PA 011 BALBINO Data do Julgamento: 05/06/2008 Data da Publicação: 24/06/2008 Inteiro Teor: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL- AGRAVO DE INSTRUMENTO- AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL - CONVERSÃO EM AGRAVO RETIDO - IMPOSSIBILIDADE - EMBARGOS DO DEVEDOR OPOSTOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI 11.382/2006 - REQUISITOS LEGAIS DOS EMBARGOS PRESENTES - EFEITO SUSPENSIVO MANTIDO - RECURSO NÃO PROVIDO.-Os efeitos da lei processual nova, não retroagem para modificar os atos já praticados.-Opostos embargos do devedor antes da vigência da lei 1L382/2006, aplica-se a lei antiga, para a apreciação dos requisitos de sua admissibilidade e do efeito suspensivo. -Recurso conhecido e provido. AGRAVO Na 1.0144.06.015913-0/001 - COMARCA DE CARMO DO RIO CLARO - AGRAVANTE(S): ANDERSON AlV7'0N10 LEANDRO - AGRAVADO(A)(S): ANTONIO CARLOS CANELO - RELATORA: 13 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T30 Acórdão n.• 00-00.079 Fls. 14 Mr. SR°. DES° MÁRCIA DE PAOL1 &ALBINO ACÓRDÃO Vistos etc., acorda, em Turma, a 17° CAMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM DEFERIR OS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA, REJEITAR A PRELIMINAR E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Belo Horizonte, 05 de junho de 2008. DES°. MÁRCIA DE PAOLI BALBINO - Relatora NOTAS TAQUIGRÁFICAS A SR°. DEIS". MÁRCIA DE PAOLI BALBINO: VOTO Trata-se de agravo de instrumento interposto em razão da decisão do MM Juiz, trasladada à fl. 37-TJ, prolatada nos autos dos embargos opostos pelo agravado, à execução de titulo extrajudicial que lhe move o agravante, em que S. Exa, entendeu por bem em receber os embargos também no efeito suspensivo, conforme art. 739- A, §10 do CPC, ao fundamento de que são relevantes as alegações do embargante e de que há risco de dano caso a execução prossiga. O agravante pugna pela concessão do efeito suspensivo e pelo final provimento do recurso, sustentando que, conforme nova redação do CPC, os embargos só são recebidos no efeito suspensivo excepcionalmente e que no caso não se justifica a suspensão da execução, porque não demonstrados os requisitos exigidos pelo art. 739-A do CPC, e ainda porque os embargos são intempestivos e ineptos por ausência de documentos essenciais agora exigidos pelo art. 736, parágrafo único do CPC. Na decisão de fl. 44/45, foi indeferido o efeito suspensivo ao recurso. O agravado apresentou contraminuta, sustentando que os vícios apontados pelo agravante são sanáveis; que o caso é passível de agravo retido; que o título da execução foi preenchido e executado de má-fé; que se trata de falsidade ideológica. Requereu que o recurso seja inadmitido, por se tratar de caso passível de agravo retido, ou, que seja negado provimento. O MM Juiz apresentou as informações solicitadas, informando que manteve a decisão agravada. É o relatório. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE: Conheço do recurso, porque próprio e tempestivo. Ressalto que o agravante, requereu os beneficios da justiça gratuita também nesta segunda instância. Considerando que os benefícios da justiça gratuita podem ser concedidos em segunda instância, e que o agravante trata-se de pessoa física, sua simples declaração de hipossuficiência autoriza a concessão conforme art. 4° da Lei 1.060/50. 6." 14 • Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 15 Art. 4°. A pane gozará dos beneficios da assistência judiciária, mediante simples afirmação, na própria petição inicial, de que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família. Portanto, concedo tais beneficios para o agravante e conheço do recurso. PRELIMINAR/INÉPCIA RECURSAL SEGUNDO SUA FORMA: Ao contrário do que alega o agravado, na espécie não cabe agravo retido, porque inócuo ao fim pretendido, que é o do prosseguimento da execução. Se meramente retido, o agravo só seria apreciado quando da eventual apelação relativa à oportuna sentença que julgar os embargos do devedor. Logo, da decisão que confere efeito suspensivo aos embargos do devedor para suspender a execução cabível é o agravo de instrumento se a parte pretende a continuidade da execução, sob a alegação de ausência dos requisitos do §1° do art. 739-A do CPC. Rejeito a preliminar. MÉRITO: O agravante recorre da decisão que concedeu efeito suspensivo aos embargos do devedor opostos pelo agravado. Anoto que a decisão recorrida é passível de agravo de instrumento, não sendo o caso de conversão para a forma retida, nos moldes da Lei 11.187/2005, porque, em tese, contém potencial lesivo à parte. Tenho que assiste razão ao agravante. O presente recurso decorre da decisão de fl. 37. Nela o MM. Juiz recebeu os embargos do agravado e lhes atribuiu efeito suspensivo, à luz do §1° do art. 739-A do CPC. O exeqiiente, ora agravante, recorre sob três argumentos: ausência dos requisitos do art 739-A §1 0 do CPC, inépcia da inicial por falta de documentos essenciais conforme art 736 parágrafo único do CPC, e intempestividade dos embargos. Todavia, a lei nova não retroage para modificar os atos processuais já praticados. Segundo a doutrina, o tema tem o seguinte significado e alcance: "As leis processuais brasileiras estão sujeitas às normas relativas à eficácia temporal das leis, constantes da Lei de Introdução ao Código Civil (.J. A lei processual em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico petfeito, o direito adquirido e a coisa julgada (LICC, art.6o.). A própria Constituição Federal assegura a estabilidade dessas situações consumadas em face da lei nova (art. 5o., 15 Processo e 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão o.° 00-00.079 Fls. 16 inc. XXXVI)... A questão coloca-se pois apenas no tocante aos processos em curso por ocasião do início da vigência da lei nova. Diante do problema, três diferentes sistemas poderiam hipoteticamente ter aplicação: a) o da unidade processual, segundo o qual, apesar de se desdobrar em uma série de atos diversos, o processo apresenta tal unidade que somente poderia ser regulado por uma única lei, a nova ou a velha, de modo que a velha teria de se impor para não ocorrer retroação da nova, com prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência; b) o das fases processuais, para o qual distinguir-se-iam fases processuais autônomas (postulatória, ordinatória, instrutó ria, decisória e recurso!), cada uma suscetível, de per si, de ser disciplinada por uma lei diferente- c) a do isolamento dos atos processuais, no qual a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais. Este último sistema tem contado com a adesão da maioria dos autores e foi expressamente consagrado pelo art. 2o. do Código de Processo Penal: " a lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior". E, conforme entendimento de geral aceitação pela doutrina brasileira, o dispositivo transcrito contém um princípio geral de direito processual intertemporal que também se aplica, como preceito de superdireito, às normas de direito processual civil" (Ada Pellegrini Grinover /Cândido R. Dinamarco /Antônio Carlos A Cintra- Teoria Geral do Processo- 21a. Ed., 2005, Malheiros: São Paulo, p.100-102). A jurisprudência adotou este entendimento doutrinário: "Tendo em vista se constituir o processo de uma série de atos que se desenvolvem e se praticam sucessivamente no tempo, podendo ser atingidos pela nova lei no meio de uma fase, pode haver dificuldades na solução do conflito temporal de leis processuais. Segundo a doutrina, a questão pode ser solucionada conforme três diferentes sistemas. O primeiro, da unidade processual, que considera o processo como um todo, portanto, a antiga lei deve se impor para não ocorrer a retroação da nova, com prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência. O segundo, das fases processuais, que divide o processo em fases processuais autônomas, segundo o qual a lei nova não se aplicaria enquanto não se concluísse a fase em que se encontra o processo, que continuará regulado pela lei velha, considerando-se basicamente a fase postulató ria, a fase probatória, a fase decisória e a fase recurso!. E o último sistema, do isolamento dos atos processuais, no qual a lei nova não atinge aqueles já praticados, nem seus efeitos, mas será aplicável aos atos processuais que ainda não foram praticados, e que puderem ser perfeitamente isolados dos anteriores. O ordenamento jurídico brasileiro, adotando tal sistemática, prevê no artigo 1.211 do Código de Processo Civil: "Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicar-se-ão desde logo aos 16 Processo rr 10768.000071/98-44 CSRF7T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 17 processos pendentes". Por conseguinte, vigente a nova lei processual, aplica-se imediatamente a todos os processos em andamento, bem como aos que se iniciem, atendendo-se ao princípio tempus regit ACTUM, tendo como referência a prática do ato processuaL Veja-se a jurisprudência: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS INFRINGENTES. APELAÇÃO. PUBLICAÇÃO. LEI N" 10.352/2001. ANTERIORIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO: PERÍODO POSTERIOR LEI NOVA. REGÊNCIA. I - Consoante entendimento pacífico, a lei processual nova tem incidência imediata, devendo ser aplicada aos processos em curso, resguardados os atos praticados sob a legislação revogada. (.) (RESP 638239/RS, rel. Min. Felix Fischer, DJU de 16.082004, p. 281). Assim, podemos isolar momentos distintos do processo, tais como ajuizamento da ação, citação, oferecimento de contestação, designação de audiência, produção de provas pericial, documental e testemunhal, sentença, apelação, e, a cada um deles, aplicar a lei vigente à época de sua realização, sem submissão à lei vigente na data da propositura da ação." (AC 1.0479.05.091.923-8/001, 14" Cavel/TJMG, reL Des. Renato Martins Jacob, j. 06.10.2005, DJ. 221.11.2005). "EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO - LEI 11 232 - NORMA PROCESSUAL - APLICAÇÃO IMEDIATA - PENHORA - OFERECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO - PAGAMENTO DE PENSÃO MENSAL - CONSTITUIÇÃO DE CAPITAL - INEXISTÊNCIA DE EXCESSO. O Código de Processo Civil foi alterado pela Lei 11.232/05. sendo acrescido de diversos dispositivos legais, cuia vi gência iniciou em 24106/2006.Em matéria processual, o ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema do isolamento dos atos, de modo que a lei processual nova tem eficácia imediata, aplicando-se a todos os processos em trâmite.Não se deve olvidar que o ato processual rege- se pela lei do tempo da prática do mesmo, consoante o princípio tempus regit ACTUM.A pensão mensal vitalícia fixada tem caráter alimentar, de modo que não se mostra indicado o levantamento de quantia pelo devedor, tendo em vista tratar-se de prestacões continuas, cujo débito remonta a data pretérita." (AC 1.0145.01.034.557-0/001, 1r CCivel/TJMG. rel. Des. lrmar Ferreira Campos, i. 24.05.2007. DJ. 15.06.2007). Segundo lição de Teresa Arruda Alvim Wambier em sua recentissima obra "Os agravos no CPC Brasileiro, 4a.Ed. ampliada de acordo com a Lei 11.187/05, 2006, Ri': São Paulo, p. 617-625, o princípio da não retroação da nova lei processual nos atos do processo já praticados ou consumados tem o seguinte signcado e alcance: "As normas jurídicas, em princípio, regem as situações fénicas que ocorrem enquanto elas(normas) estão em vigor. Portanto, as normas jurídicas disciplinam situações que ocorrem no mundo empírico, no espaço que vai desde o momento em que entram em vigor até aquele em que foram tácita ou expressamente revogadas. Assim, e em princípio, as leis passam a regrar os atos imediatamente, ou seja, a partir do momento em que passam a ser leis vigentes. Não são disciplinados pela lei nova fatos que ocorreram no passado, nem fatos que no futuro terão lugar, depois da sua (da lei) revogação. A lei, de regra, se aplica ao presente. Dai nossa receptividade à noção de 17 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 18 direito adquirido processual, tão utilizada por Galeno Lacerda, em seu primoroso trabalho sobre direito intertemporal (...)Dessas observações, feitas por um dos nossos autores clássicos no que diz respeito ao direito intertemporal, pode-se, com a devida vênia dos que em contrário pensam, inferir o seguinte: é insuportável a idéia de que as partes possam ser legitimamente " surpreendidas" com a lei nova, incidente em processo pendente. Essa insuportabilidade é tanto jurídica quanto política-já que incompatível com o Estado de Direito- , e, como diz sabidamente o autor referido, é também "popularmente" intolerável (referindo-se ao autor Rubens Limongi França). Assim, a lei nova, ao incidir em processo pendente, não pode causar surpresas. Essa proteção à situação das partes acaba por ligar-se inexoravelmente a uma figura, se não idêntica, análoga à do direito adquirido. Atentar aos princípios que inspiram a lei e ao sistema político em que vivemos é o único modo de o jurista não se tornar verdadeiro prisioneiro de jogos de palavras, em que vence o participante mais hábil. Veja-se, por exemplo, a expressão "incidência imediata" em confronto com "situação consumada"; alterada norma que diga respeito a recurso, esta alteração atinge recurso já interposto, ou seja, recurso interposto em situação consolidada? A nosso ver, deve-se optar pela resposta que prestigie de modo mais incisivo e veemente os valores segurança e previsibilidade, que são verdadeiras finalidades do direito, considerado atemporalmente. Na esfera dos recursos, parece que realmente essa aplicação imediata não pode significar senão que o novo regime seja aplicável aos casos em que a decisão se tenha tornado recorrível já na vigência da nova lei. Assim, se a lei nova passa a vigorar, tendo sido já prolatada a decisão, ainda em curso prazo para a interposição do recurso, este deve ser interposto no antigo regime. O recurso segue o regime da lei vigente à época da prolação da decisão. Assim, entendemos que o dia em que a decisão é proferida é o que determina a lei que deve incidir (.) Há, portanto, identidade cronológica, entre o conhecimento do ato decisório (referindo-se ao primeiro grau) e sua publicidade; é a publicidade que revela o conteúdo do ato sentencial, que é escrito (.) Por isso, parece ressaltar evidente que os efeitos do julgamento (referindo-se aos tribunais) nascem e se exaurem no momento em que se realiza e termina o julgamento. O que se segue, como se disse, é mera e estrita documentação (.) Transpondo-se este raciocínio para o plano do processo e especificamente dos recursos, pode-se dizer que quem interpôs certo recurso sob determinado procedimento tem a legítima expectativa de vê-lo julgado naquele regime. Até porque o fato de se ter alterado o regime do recurso pode, por exemplo, fazer desaparecer o interesse de agir para tê-lo interposto (.) Galeno Lacerda diz expressamente que "os recursos interpostos pela lei antiga e ainda não julgados, deverão sê-lo, consoante as regras desta, embora abolidas ou modificadas" pela nova lei (" O novo direito processual civil, p.69)... Semelhantemente, a nova redação do art. 527, parágrafo único, do CPC (cf Lei 1L187/05), que dispõe sobre a irrecorribilidade das decisões referidas nos casos dos incisos II e III do mesmo artigo, somente incide em relação às decisões proferidas na vigência da lei nova. Assim, por exemplo, a decisão que determinar a conversão do agravo de instrumento em agravo retido, antes de as alterações da Lei 11.187/05 entrarem em vigor, pode ser objeto de recurso de agravo, nos °Lr 18 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 19 termos da revogada redação do art. 527, H". A jurisprudência acolheu ente entendimento doutrinário: PROCESSUAL CIVIL ART. 515, 3°, DO CPC, ACRESCIDO PELA LEI 10.352/01. APLICAÇÃO NO TEMPO. PRINCIPIO TEMPUS REGIT ACTUM. I. As regras de direito intertemporal consagram o principio tempus regit ACTUM, de modo que a lei processual nova tem eficácia imediata, incidindo sobre os atos praticados a partir do momento em que se torna obrigatória, não alcançando, todavia, os atos consumados sob o império da legislação anterior, sob pena de retroagir para prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. 2. Antes da vigência da Lei 10.352/01, que acrescentou o ,f 3° ao art. 515 do CPC, não havia permissão legal para que os tribunais do pais, ao julgar o recurso de apelação, apreciassem diretamente o mérito da causa se a sentença apelada havia-se limitado a extinguir o processo sem exame de natureza meritória. 3.Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público. 4.Recurso especial provido. (REsp 1014444/R1 ReL Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 19.02.2008, DJ 06.03.2008 p. 1) Este Tribunal já decidiu: EMBARGOS INFRINGENTES. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO CONVERTIDA EM AÇÃO DE DEPÓSITO. ALTERAÇÕES DAS NORMAS QUE REGULAM O PROCEDIMENTO. LEI N° 10.931104. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. VIABILIDADE DA DISCUSSÃO DAS CLÁSULAS CONTRATUAIS ABUSIVAS MESMO ANTES DA VIGÊNCIA DA NOVA LEI. RELAÇÃO DE CONSUMO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO EX OFFICIO A QUALQUER TEMPO E GRAU DE JURISDIÇÃO. PRECEDENTES NO STJ. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. LEGALIDADE DA COBRANÇA DESDE QUE NÃO CUMULADA COM CORREÇÃO MONETÁRIA E OUTROS ENCARGOS MORA TÓRIOS. As alterações trazidas pela Lei n° 10.931/04, relativamente às normas de cunho processual, se aplicam, de forma imediata, aos processos em andamento, resguardados os atos praticados sob à égide da lei revogada. (..)Emb. Intr.: 2.0000.00.483744-1/002(1); Uberaba; 15° C. ave! do TJMG; Rel: Bitencourt Marcondes; J: 09/11/2006; DJ: 16/01/2007 AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE CONVERSÃO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RETIDO. INVIABILIDADE. ALTERAÇÕES DA LEI 11 187/05 POSTERIORES AO DESPACHO DE ADMISSIBILIDADE. NÃO RETROATIVIDADE DA NORMA PROCESSUAL. TEMPUS REGIT ACTTIM. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. CARÊNCIA SUPERVENIENTE DE INTERESSE RECURSAL. MATRÍCULA EM SEMESTRE CUJO PERÍODO LETIVO JÁ TERMINOU ANÁLISE DO MÉRITO DO AGRAVO PREJUDICADA. 19 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 20 Em sede de direito intertemporal, o ordenamento pátrio (art. 1211, CPC e art. 2°, CPP) adotou o princípio do isolamento dos atos processuais - tempus regit A ani, segundo o qual a lei nova não atinge aqueles já praticados, nem seus efeitos, mas será aplicável aos atos processuais que ainda não foram praticados (processos pendentes), e que puderem ser perfeitamente isolados dos anteriores. Se o agravo foi admitido na modalidade de instrumento, deverá como tal ser apreciado, sob pena de se conferir retroatividade à norma processual e violar a segurança jurídica, o que não se admite. Logo, se o ato está consumado, não há como aplicar a lei nova. Quando o recurso, após o seu processamento, não puder trazer qualquer utilidade ou beneficio ao agravante, em razão da irreversibilidade da situação fática, é evidente a carência superveniente de interesse recurso!, o que leva a concluir que a análise do mérito do agravo restou prejudicada. Tal situação se evidencia na medida em que o agravante pleiteava, na medida liminar, a sua matrícula em semestre, cujo período letivo terminou antes do processamento do agravo. Ag. n°: 1.0384.05.039105-9/001(1); Leopoldina; 14° C. Cível; Reb Renato Martins Jacob; J: 14/06/2006; DJ: 18/07/2006 PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO DE INTRUMEIVTO -EMBARGOS À EXECUÇÃO - AJUIZAMENTO ANTES DA VIGÊNCIA DO sç 5° DO ART. 739-A DO CPC INTRODUZIDO PELA LEI 11.382/06 - DIREITO INTER TEMPORAL - AÇÃO INTERPOSTA NA VIGÊNCIA DA LEI ANTIGA - PROVAS JÁ PEDIDAS - DECISÃO QUE DETERMINA AO EMBARGA1V7'E JUNTAR PLANILHA DE CALCULO - REJEIÇÃO DOS EMBARGOS EM CASO DE DESCUMPRIMEIVTO - IMPOSSIBILIDADE - PROSSEGUIMENTO DOS EMBARGOS - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. O direito brasileiro, quanto à eficácia da lei processual no tempo, adotou o sistema do isolamento dos atos processuais, no qual a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, e se aplica aos atos processuais subseqüentes. Processados os embargos antes da vigência da referida Lei, e já estando os embargos na fase de produção de provas, não se há de cogitar em possível rejeição dos embargos anteriores à nova lei, por ausência da planilha de cálculo do devedor. Recurso parcialmente provido. Ag. n.°: 1.0024.06.102467-5/001(1); Rei: Márcia De Paoli Balbino; J: 21/06/2007; DJ: 13/07/2007 A citação do agravado (ft 18), se deu sob a forma do procedimento antigo da execução, ou seja, em setembro de 2006. Houve penhora e avaliação já em 28/12/2007 (fl. 22), cujo mandado foi juntado em 24/01/2008 (ft 20v.). Logo, em primeiro lugar, como a citação para os termos da execução se deu antes da vigência da Lei 11.382/2006, esta não se aplica ao caso dos autos conforme princípio da irretroatividade. Os embargos do agravado deram entrada no protocolo em 07/02/2008 (ft 25). Logo, em segundo lugar, como o art. 738 do CPC previa embargos com efeito suspensivo no prazo de 10 (dez) dias contados da data da juntada do mandado de intimação da penhora, os embargos se afiguram tempestivos, pois o prazo iniciou-se em 25/01/2008, terminando em 03/02/2008 (domingo seguindo do feriado de carnaval etS 20 Processo n°10768.000071/98-44 CSRF/r00 Acórdão o.° 00-00.079 Fls. 21 de 04/02/2008 segunda-feira) até 06/02/2008 (quarta feira), por isso prorrogado o término para 07/02/2008. Logo o agravante não tem razão ao alegar intempestividade dos embargos. Também não tem razão, em terceiro lugar, na alegação de inépcia porque se trata de documentos exigidos por força de lei nova, inaplicável à espécie, até porque os embargos estão instruidos com documentos suficientes ao seu julgamento pelo MM Juiz 07. 30/35). Por fim, e em quarto lugar, quanto aos requisitos do art. 739-A, §1°, do CPC, caso fosse entendido aplicável, em principio são relevantes as alegações do agravado nos seus embargos porque embasados na alegação de apropriação indevida e falsfficação do titulo, e na inexistência de relação jurídica entre as partes (emitente agravado e beneficiário agravante). A alegação é relevante porque, se comprovada, enseja extinção da execução. Demais disso, também o requisito do risco de dano ao executado, agravado, é evidente, porque caso prossiga a execução, terá excutido o bem penhorado, sem que nos autos haja sentença que reconheça ou não a alegada falsidade do titulo exeqüendo. DISPOSITIVO: Assim sendo, concedo os beneficios da justiça gratuita, rejeito a preliminar e nego provimento ao recurso. Custas pelo agravante, suspensa a exigibilidade conforme art. 12 da Lei 1.060/50. Votaram de acordo com o(a) Relator(a) os Desembargador(es): LUCAS PEREIRA e EDUARDO MAR1NÉ DA CUNHA. SÚMULA : DEFERIRAM OS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA, REJEITARAM A PRELIMINAR E NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS AGRAVO N° 1.0144.06.015913-0/001 (grifos da relatora deste processo) Desta forma e fundamentada na doutrina e jurisprudência pátrias entendo por inaplicável ao caso a aplicação do novo dispositivo regimental como fundamento para a decisão de acatar o Recurso Especial interposto perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quanto à segunda questão a ser enfrentada, que trata propriamente da divergência de posicionamento entre a Primeira e a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendo que o tema foi exaustivamente tratado nos dois Acórdãos. No Acórdão ora recorrido, o tema foi tratado e debatido consoante se verifica da análise do Voto Vencedor da lavra do Conselheiro Marcos Vinícius Neder e da análise do Voto Vencido do Conselheiro Manoel Gadelha. Na Terceira Turma, o Voto Vencedor de lavra do Conselheiro Otacilio Cartaxo é pautado no voto do Conselheiro Manoel Gadelha e há a declaração de voto it( 21 Processo n° 10768.000071/98-44 CSRPTOO Acórdão n.° 00-00.079 Fls. 22 vencido por parte da Conselheira Anelise Daudt Prieto que a partir do voto do Marcos Vinícius trabalha ainda mais o tema. A posição vencida na Primeira Turma e que é o fundamento da decisão da Terceira Turma entende, em breve resumo, que a) apesar da decisão de primeira instância não tem eficácia enquanto pendente de recurso ex officio; entretanto, entende que a decisão da Conselho é de segunda instância, em vista da previsão doa artigo 25 do Decreto 70.235/72; b) há interesse da Fazenda Nacional em recorrer da decisão de Conselho de Contribuintes que negar provimento a recurso de oficio, especialmente porque o recurso especial da Fazenda Nacional tanto pode suscitar dissídio jurisprudencial como contrariedade à lei ou à evidência das provas; e, c) porque na órbita judicial, a jurisprudência do STJ vem aceitando Recurso Especial em face de acórdão de tribunal que negou provimento à remessa oficial. Por sua vez, a posição vencedora da Primeira Turma e admitida por Conselheiros vencidos na Terceira Turma entende, em breve resumo, que: a) a finalidade da criação do recurso especial é natureza extraordinária, de tal modo que "sua finalidade principal é garantir a correta compreensão da aplicação da legislação federal no contencioso administrativo.., assim, decisão de primeira instância é definitiva quando contrária à Fazenda Nacional. O sistema recursal concebido no PAF, idealizado e proposto pela própria Administração tributária, dá-se por satisfeito apenas com a decisão de primeira instância que exonerar o crédito tributário." E prossegue no sentido de consolidar o entendimento de que o recurso de oficio é uma ferramenta para que seja dada maior segurança ao sistema quando houver um valor exonerado acima de um determinado limite; b) a decisão do Conselho de Contribuintes nos julgamento de recurso de oficio não é uma decisão de segunda instância, visto que o Conselho de Contribuintes é uma segunda etapa de uma decisão única que compõe, na verdade, um primeiro e único grau de jurisdição. Para melhor entendimento deste item, os Conselheiros que trabalharam este tema trouxeram jurisprudência administrativa e judicial; c) não há qualquer prejuízo à Fazenda Nacional em não poder apresentar Recurso Especial da decisão do Conselho de negar provimento ao recurso de oficio, pois a decisão passou por duas etapas de julgamento e está fundamentada em bases seguras; d) se fosse admitido recurso especial a decisão do Conselho que nega provimento ao recurso de oficio implicaria em duplicidade de apreciação do mesmo processo por instâncias superiores; e) o fato de o STJ ter aceitado Recurso Especial a decisão de Tribunal que negou provimento à remessa oficial não é situação análoga ao deste caso, posto que os Tribunais têm competências distintas e os casos são distintos. Adoto, como razão de decidir todos os argumentos aduzidos no Acórdão ora Recorrido e na declaração de voto vencido do Acórdão divergente da Terceira Turma, pois entendo que os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima e Anelise Daudt Prieto trabalharam exaustivamente a matéria e nada há a acrescentar aos seus argumentos. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. SUSY GaKN 22 Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.004155/2007-28
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-Calendário: 2003, 2004, 2005 DECISÃO DE 1 a. INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Verificado que cabe razão ao contribuinte quanto ao mérito, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. IRPJ E CSLL. VALOR TRIBUTÁVEL. RECONSTITUIÇÃO DO SALDO DE IMPOSTO A PAGAR. SUBTRAÇÃO DAS ESTIMATIVAS RECOLHIDAS E RETENÇÕES EM FONTE. Na apuração do IRPJ e CSLL devidos, mediante lançamento de oficio, devem ser subtraídos os valores de IR-Fonte (antecipação) e Recolhimentos mensais por estimativa. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.904
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em s superar a preliminar de nulidade da decisão de 1 a. instância e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as multas de oficio isoladas dos anos-calendário de 2003 e 2004 (concomitante com a multa de oficio), bem como as exigências de IRPJ e CSLL do ano- calendário de 2005, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AnoCalendário: 2003, 2004, 2005 DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Verificado que cabe razão ao contribuinte quanto ao mérito, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. IRPJ E CSLL. VALOR TRIBUTÁVEL. RECONSTITUIÇÃO DO SALDO DE IMPOSTO A PAGAR. SUBTRAÇÃO DAS ESTIMATIVAS RECOLHIDAS E RETENÇÕES EM FONTE. Na apuração do IRPJ e CSLL devidos, mediante lançamento de oficio, devem ser subtraídos os valores de IRFonte (antecipação) e Recolhimentos mensais por estimativa. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em s superar a preliminar de nulidade da decisão de 1a. instância e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as multas de oficio isoladas dos anoscalendário de 2003 e 2004 (concomitante com a multa de oficio), bem como as exigências de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2005, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório SUN MICROSYSTEMS DO BRASIL IND.E COM. LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração do IRPJ no valor de R$ 10.631.424,31, multa isolada do IRPJ no valor de R$ 4.245.304,65, que adicionado com os encargos legais resulta em um crédito tributário de R$ 27.725.846,24 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de R$ 3.830.486,17 com multa isolada de R$ 1.191.671,87 que com a adição dos encargos legais monta em crédito tributário de R$ 9.679.712,72. Descreve o Termo de Verificação Fiscal de fls. 597/600, que as infrações detectadas foram: a) Valores informados nas DIPJ/2004 e 2005, referentes ao imposto de renda a pagar por estimativa e CSLL a pagar por estimativa, superiores aos informados em DCTF ou superiores àqueles recolhidos aos cofres públicos; b) Valores informados nas DIPJ/2004, 2005 e 2006, referentes ao imposto de renda a pagar e a CSLL a pagar, superiores aos informados bem DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos. Ciente do lançamento em 18/12/2007, o contribuinte apresentou impugnação em 17/01/2008, onde apresenta as seguintes alegações: Esclarece de inicio que dos autos de infração em referência, ofereceu e formalizou pedido de parcelamento em 60 parcelas do valor total correspondente ao IRPJ e a CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004, valendose da redução da multa de 40%. Que não pode concordar com os termos do auto de infração especificamente na parte relativa ao anocalendário de 2005, como também à exigência da multa isolada de 50% sobre os valores de estimativa mensal de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 3 Que, conforme demonstrará em seguida, o lançamento, no que concerne a esses dois pontos, revelase absolutamente indevido e ilegítimo diante das normas fiscais de regência aplicável à matéria tributável sob comenta, razão da presente impugnação. Que há um claro equívoco perpetrado com relação ao anocalendário de 2005, a ser corrigido de plano, pois em que pese a acusação fiscal ter situado no mesmo item dos demais anoscalendário (2003 e 2004), a ocorrência relativa ao anocalendário de 2005 não pode ser entendida pela simples acusação de que: “O contribuinte não declarou na DCTF os débitos de IRPJ e da CSLL apurados através das DIPJ/2006, anocalendário 2005, na DCTF e nem foram recolhidos mediante DARF, caracterizando a insuficiência de declaração de IRPJ e CSLL”, pela simples e única razão de que nada havia a ser declarado em DCTF nos meses do anocalendário de 2005, pois não havia nenhum débito a ser recolhido. Que como demonstra a Ficha 11 da DIPJ do anocalendário de 2005, a Impugnante apurou prejuízos nos meses de janeiro a maio, julho e agosto, e outubro de 2005. Que nos meses de junho, setembro e novembro daquele mesmo anocalendário, apurou lucro nos balanços de suspensão e redução, deixando de efetuar recolhimentos mensais por estimativa tendo em vista que os valores de imposto retido na fonte por terceiros (entidades privadas e governamentais) superam o imposto (e a contribuição) devidos no período em curso. Que em dezembro, finalmente, quando então foi apurado lucro tributável superior ao até então acumulado no curso do anocalendário de 2005, antes das deduções. Que sendo assim, como espelha a Ficha 11 da DIPJ de 2006 (fls. 8 e 10 – Doc. 05), o imposto apurado, antes das deduções, foram os seguintes: Apresenta demonstrativo de fl. 649, onde procura demonstrar que as deduções efetuadas no ano montam em R$ 1.199.439,38, valor igual ao tributado como omitido a folha 610, o mesmo ocorrendo para a CSLL no valor de R$ 437.714,32. No parágrafo 21, fl. 651, o Impugnante conclui que os valores lançados para o anocalendário de 2005 correspondem exatamente aos valores de créditos por retenção na fonte, que a fiscalização desconsiderou sem nenhuma razão. Quanto a multa isolada. Alega excesso de cobrança da multa isolada cumulada com a multa de ofício relativa aos anoscalendário de 2003/2004. Que a fundamentação legal descrita para a imputação da multa isolada está enquadrada no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, que dispõe: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata; Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 4 II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Resume que, em outras palavras, há duplicidade de multas para a mesma ocorrência, o que de todo é descabido. Que segundo o auto de infração, tratase de exigência de pagamento de multa isolada incidente sobre o valor dos tributos em comento declarados na DIPJ dos respectivos anoscalendário visando penalizar a Impugnante, Que referida penalidade monta sozinha em a quantia de R$ 5.436.976,51 ou seja, o equivalente a um montante muito maior ao crédito tributário (tributo, multa de ofício e juros) equivalentes a R$ 3.251.419,13. Que a jurisprudência administrativa é farta no sentido de afastar a duplicidade da multa, como se pode observar das decisões proferidas pelos órgãos julgadores em processos administrativo de 1ª instância (DRJ) e de 2ª instância (Conselho de Contribuintes) e transcreve diversas ementas dos referidos tribunais administrativos. Alega que a multa é arbitrária e confiscatória, incorrendo em verdadeiro locupletamento do Fisco, o que causa repulsa nos termos do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Afirma que ainda que fosse admitida a regularidade do lançamento, não merece subsistir a cobrança da multa isolada em virtude de seu caráter confiscatório por não guardar nenhuma proporcionalidade e razoabilidade com a realidade dos fatos. Pede a improcedência do lançamento. A decisão recorrida está assim ementada: DIPJ. VALOR TRIBUTÁVEL PELO IRPJ E CSLL. DCTF. LANÇAMENTO. Uma vez constatado que o contribuinte apurou em sua DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscal da Pessoa Jurídica valor tributável pelo Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, e, em sua DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais não confessou os correspondentes tributos, cabível o competente lançamento de ofício para dar ensejo à cobrança do crédito tributário dali decorrente. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. Aos tribunais administrativos não cabe a apreciação das alegações de inconstitucionalidade de lei, sendo tal ato privativo do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 5 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguinte termos (verbis): . É o relatório. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Passo à apreciação das razões recursais. Ano – Calendário de 2005 Preliminar de Nulidade da Decisão de 1a. Instância e mérito. Aduz a recorrente: Da questão de mérito principal não analisada pelo Ilustre Julgador de Primeira Instância 7.Por primeiro, antes de adentrar ao mérito da presente discussão, imprescindível abordar aspecto da Impugnação que não foi objeto de análise em Primeira Instância, porquanto tratarse de questão essencial A correta compreensão dos fatos relativos A autuação, especificamente no que se refere A indevida exigência de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2005. Tratase, portanto, da apreciação e análise de todos os documentos havidos no processo administrativo que comprovam o montante total das retenções havidas no referido anocalendário que justamente correspondem ao IRPJ e CSLL exigidos pela autuação fiscal em combate. 8.Conforme tratado anteriormente, no decorrer do mencionado período, a Recorrente apurou lucro apenas nos meses de junho, setembro e novembro, por meio dos balanços de suspensão e redução. Contudo, em virtude das deduções legais realizadas a partir de incentivos fiscais e retenções na fonte efetuadas por terceiros, ao final do anocalendário houve débito a ser recolhido a titulo de IRPJ e CSLL, por ocasião do ajuste dos referidos tributos na DIPJ. Os valores principais recolhidos pela Recorrente foram os seguintes: (...) 9.Em sendo assim, a Recorrente fundamentou sua defesa para demonstrar que as retenções realizadas pelas fontes pagadoras suportam as deduções realizadas no anocalendário de 2005, não havendo tributo a ser recolhido da forma como entendeu a r. fiscalização. 10.Para demonstrar o alegado, na oportunidade a Recorrente anexou A. sua Impugnação diversos documentos que atestavam de forma inequívoca não apenas as referidas retenções, mas, também, e, sobretudo, a suficiência delas para absorção de parte do lucro tributável apurado no anocalendário em questão. 11.Para tanto, foram apresentados os Comprovantes/Extratos Anuais de Retenções fornecidos por todas as suas fontes pagadoras no período, bem como as Fichas da DIPJ2006 (anocalendário 2005) em que tais retenções foram declaradas — Ficha 50. Além disso, a Recorrente apresentou planilhas que possibilitavam o cotejo entre os dados declarados na DIPJ2006 e aqueles constantes nos Informes de rendimentos das fontes pagadoras, as quais demonstravam também a inexistência Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 7 de qualquer valor a titulo de IRPJ ou CSLL a ser recolhido para o anocalendário de 2005. 12.Em que pese todo o esforço da Recorrente em demonstrar os fatos que permearam a inexigibilidade dos tributos em comento, e, por conseguinte, a improcedência do Auto de Infração, o Ilustre Julgador de Primeira Instância simplesmente ignorou as provas oferecidas em sede de Impugnação, desconsiderando a existência de qualquer retenção na fonte a titulo de IRPJ e CSLL. 13.Em suas alegações o Ilustre Julgador de Primeira Instância partiu da premissa equivocada de que "o contribuinte apurou imposto de renda a pagar no valor de R$ 1.241.898,22 e, conforme acusa o Fisco e ratifica o Impugnante, pois não havia nenhum débito a ser recolhido não foi apresentada a respectiva DCTF". E insistiu, "verificase que todas as retenções de fonte e estimativas foram utilizadas pelo contribuinte do imposto não declarado". 14.Verificase, portanto, a clara desconsideração dos fatos e documentos apresentados pela Recorrente nos presentes autos por parte do Ilustre Julgador de Primeira Instância, na medida em sua conclusão partiu tão somente do que fora declarado na DIPJ nas fichas 11, 12A, 16 e 17 e desconsiderou o que fora declarado na DIPJ na Ficha 50, que relaciona o total das retenções havidas pelas entidades privadas e governamentais, bem como os comprovantes emitidos por essas entidades. 15.Se tivesse analisado a declaração como um todo, chegaria A. conclusão inequívoca de que não há tributo a ser exigido, por ter havido erro no preenchimento da DIPJ. Esse fato foi o que levou a fiscalização lavrar o auto de infração em combate. Todos esses detalhes serão demonstrados nas razões de mérito do presente recurso, fazendo importante ressaltar de antemão as considerações preliminares para demonstrar a afronta ao principio da verdade material, o que implicará na nulidade da r. decisão de primeira instância. 16.A ser dessa forma não pode a Recorrente se conformar com tal descaso. A negligência da Autoridade Julgadora de Primeira Instância em efetivamente apreciar as provas produzidas não pode prejudicar o direito constitucional à ampla defesa da Recorrente e tampouco violar a legalidade tributária. 17.A r. decisão recorrida padece de nulidade, pois cerceou os direitos à ampla defesa e ,/ ao duplo grau de jurisdição da Recorrente, bem como violou normas gerais de Direito Tributário. E como dispõe o artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972: (...) 20. Dessa forma, a r. decisão de Primeira Instância deve ser anulada, conforme ditame do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972, por ter visivelmente violado o direito da Recorrente à ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição e também por ter desrespeitado o principio da verdade material, justamente por ter se limitado ao que esta declarado na DIPJ do anocalendário de 2005, nas Fichas 12 A e 17, sem levar em consideração: (i) o montante total de IRPJ e CSLL retidos na fonte por entidades privadas e governamentais, conforme Ficha 50; (ii) Comprovantes Anuais de Retenção de Tributos; e (iii) planilha de consolidação dos valores declarados na Ficha 50 da DIPJ. (...) Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 8 Pois bem, o Decreto 70.235/1972, no art. 59, §3o (incluído pela que Lei 8748/1993), estabelece que podendo decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a nulidade será superada. Da análise das alegações e provas trazidas aos autos pela recorrente na impugnação, bem como dos demais elementos do autos, convencime de que a exigência do anocalendário de 2005 está mesmo equivocada. Desde a Auditoria, a contribuinte vem afirmado que foram identificados indícios de erros de preenchimento da DIPJ/2006 (anocalendário 20050, em razão de saldos contábeis a recuperar existentes na escrituração contábil (fls. 407). Portanto, cumpre superar a preliminar de nulidade da decisão recorrida é cancelar as exigências do anocalendário de 2005. Conforme asseverado no recurso voluntário, a contribuinte juntou todos os documentos solicitados pela Fiscalização e prestou esclarecimentos sobre a suposta insuficiência de declaração e recolhimento do valor de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2005 apontados no Termo de Intimação — fls. 409/411. Esclareceu que os valores de R$ 368.424,21 e R$ 155.337,89 correspondem exatamente aos valores informados na DIPJ do respectivo período nas Fichas 11 e 16 do mês de dezembro, linhas 7 e 9, a titulo de tributos retidos na fonte por entidades da Administração Pública Federal e por terceiros. Juntou também os recolhimentos efetuados no mês de dezembro a titulo de IRPJ e CSLL recolhidos por estimativa (código da receita 2362 e 2484) nos valores de R$ 3.080.271,92 (três milhões, oitenta mil, duzentos e setenta e um reais e noventa e dois centavos) — fls. 413 e R$ 702.111,23 (setecentos e dois mil, cento e onze reais e vinte e três centavos) — fls. 412, respectivamente. Ocorre que a fiscalização deixou de considerar os valores de R$ 3.953.745,73(IRPJ) e R$ 934.441,07 (CSLL), recolhidos por estimativa durante o ano calendário de 2005, conforme consulta de pagamentos de fls. 585 a 588. A contribuinte também deixou de adicionar os valores das retenções por entidades privadas e governamentais — linhas 13 (R$ 207.504,04) e 14 (R$ 1.233.137,05) da Ficha 12 A, e linhas 49 (R$ 82.251,17) e 40 (R$ 355.463,15 da Ficha 17 preenchidas na DIPJ, os valores que foram retidos nos meses de junho e dezembro do anocalendário de 2005. Ao se considerar a totalidade dos valores efetivamente retidos por entidades privadas e governamentais no anocalendário de 2005, conforme Ficha 50 da DIPJ e planilha de conciliação de todos os valores apresentados pela recorrente (fs ), a DIPJ do referido ano calendário de 2005 passa a ter as seguintes apurações: Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 9 Frisese que os valores de IRPJ a pagar e CSLL a pagar foram recolhidos pela contribuinte antes da auditoria fiscal, conforme cse comprova nos extratos de consulta de pagamento citados pela própria fiscalização As fls. 586/588. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 10 Multa Isolada por falta de recolhimento das estimativas – anos calendário de 2003 e 2004. Resta em litígio a exigência da multa de oficio isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ. Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado, que já manifestei em diversas decisão no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009,cuja ementa transcrevo: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;”(...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 19515.004155/200728 Acórdão n.º 140200.904 S1C4T2 Fl. 0 11 § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Logo, as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas devem mesmo ser excluídas do auto de infração. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de superar a preliminar de nulidade da decisão de 1a. instância e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as multas de oficio isoladas dos anoscalendário de 2003 e 2004 (concomitante com a multa de oficio), bem como as exigências de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2005. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 10580.010396/2002-43
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993
IRPF. PDV. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRECRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 24/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1993 IRPF. PDV. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRECRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 24/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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PDV. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRECRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 24/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 03 96 /2 00 2- 43 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 75 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 04 01.152, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para determinar que o prazo para restituição do indébito tributário, nos casos de valores de IR recolhidos sobre montantes recebidos a título de Programas de Demissão Voluntária PDV, tem início no momento em que o Poder Executivo reconhece (por meio da IN SRF 165) não mais ser devida a exação. No seu voto, o Relator do acórdão recorrido sustenta que: “Ocorre, que para algumas hipóteses excepcionais, a jurisprudência, inclusive advinda desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem admitido um novo início de prazo decadencial, que não se confunde com o fato gerador da obrigação tributária. Tal posicionamento tem fundamento, principalmente, nos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e da proibição do enriquecimento sem causa. Dentre as exceções consignadas pela jurisprudência, relevante destacar adeclaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal — STF, a expedição de Resolução do Senado Federal, prevista no artigo 52, inciso X, da Carta Fundamental ou, ainda, o reconhecimento, por parte do poder tributante, de que uma exigência tributária é indevida. Pelo entendimento prevalente no âmbito do Conselho de Contribuintes, a data em que ocorrer alguma dessas situações configura o dies a quo do prazo para que o contribuinte peça a restituição de tributo indevidamente recolhido.” Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10580.010396/200243 Acórdão n.º 9900000.475 CSRFPL Fl. 105 3 firmar posição, agora, no sentido de que a declaração deinconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifouse). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 98, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, conforme informação a fls. 103, a contribuinte não apresentou contrarrazões. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 Por essa razão conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, pois resta presente o dissídio jurisprudencial. Esclareçase, inicialmente, que a tese do acórdão recorrido (que o dies a quo do prazo prescricional da pretensão à restituição do indébito tributário passa a ser a data da publicação da IN SRF 165/98) decorre do entendimento de que, em situações extraordinárias o dies a quo do prazo prescricional se modifica, ou seja, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo Supremo Tribunal Federal, de Resolução do Senado Federal suspendo a eficácia de norma ou do reconhecimento pela administração que a exação é indevida. Assim, a decisão recorrida também decorre da tese de que a declaração de inconstitucionalidade da norma tributária tem o condão de alterar o dies a quo do prazo prescricional da pretensão à restituição ao indébito tributário, afastando, assim, a aplicação do art. 168, I, do CTN. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, reproduzo o que fora decidido no REsp nº 1.110.578/SP, representativo de controvérsia julgado pela sistemática do art. 543 do CPC, cuja ementa a seguir transcrevo: REsp 1110578 /SP RECURSO ESPECIAL 2009/00083134 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 12/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 21/05/2010RT vol. 900 p. 204 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMOINICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. MinistroHERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min.HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp.732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10580.010396/200243 Acórdão n.º 9900000.475 CSRFPL Fl. 106 5 PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008."[grifo nosso] Do julgado acima transcrito, de plano já se conclui que o acórdão recorrido merece reforma, pois, como ali decidido, "declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício". Ora, da mesma forma é despicienda, para contagem do prazo prescricional da pretensão à restituição do indébito tributário, o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação pelo Poder Executivo, mesmo porque, tal posicionamento não encontra qualquer suporte no Direito posto. Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois a posição adotada no item 1 do acórdão acima transcrito referese unicamente aos lançamentos de ofício. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10580.010396/200243 Acórdão n.º 9900000.475 CSRFPL Fl. 107 7 ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 27/09/2002, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador. Razão pela qual afasto a preliminar de prescrição e concluo ser tempestivo o pedido de restituição do IRPF que incidiu sobre as verbas de incentivo a participação em programa de demissão voluntária no ano de 1993. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007326/2002-64
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVOLUTIVIDADE. Pode o julgador conhecer de questões de ordem pública inclusive de oficio, mesmo em sede de embargos de declaração e mesmo que disso resulte efeitos infringentes do julgado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE. A tempestividade dos atos no processo administrativo é contada do ato formal de intimação.
NOTA COSIT 141/03. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA. A melhor interpretação da Nota COSIT 141/03 é aquela que, de fato, traz isonomia aos Contribuintes, e que cumpre o papel social da norma. Assim, a mesma se aplica mesmo para legislação contemporânea As decisões judiciais limitadoras da compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-000.165
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / lª TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, anulando, contudo, o acórdão embargado e, concomitantemente, julgar o novo acórdão colocado em votação pelo relator, cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, reconhecendo à recorrente o direito A compensação de PIS também com débitos da Cofins, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Dr. Mauricio Taveira e Silva e a Dra. Mônica Monteiro Garcia de Los Rios. Vencido o Conselheiro Dr. José Adão Vitorino de Morais.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVOLUTIVIDADE. Pode o julgador conhecer de questões de ordem pública inclusive de oficio, mesmo em sede de embargos de declaração e mesmo que disso resulte efeitos infringentes do julgado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE. A tempestividade dos atos no processo administrativo é contada do ato formal de intimação. NOTA COSIT 141/03. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA. A melhor interpretação da Nota COSIT 141/03 é aquela que, de fato, traz isonomia aos Contribuintes, e que cumpre o papel social da norma. Assim, a mesma se aplica mesmo para legislação contemporânea As decisões judiciais limitadoras da compensação. Recurso Voluntário Provido.
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DEVOLUTIVIDADE. Pode o julgador conhecer de questões de ordem pública inclusive de oficio, mesmo em sede de embargos de declaração e mesmo que disso resulte efeitos infringentes do julgado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE. A tempestividade dos atos no processo administrativo é contada do ato formal de intimação. NOTA COSIT 141/03. INTERPRETAÇÃO TELEOLóGICA. A melhor interpretação da Nota COSIT 141/03 é aquela que, de fato, traz isonomia aos Contribuintes, e que cumpre o papel social da norma. Assim, a mesma se aplica mesmo para legislação contemporânea As decisões judiciais limitadoras da compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3' CÂMARA / la TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, anulando, contudo, o acórdão embargado e, concomitantemente, julgar o novo acórdão colocado em votação pelo relator, cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, reconhecendo à recorrente o direito A compensação de PIS também com débitos da Cofins, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Dr. Mauricio Taveira e Silva e a Dra. Mônica Monte' Garcia de Los Rios. Vencido o Conselheiro Dr. José Adão Vitorino de Morais. JOSÉ AD RINO DE MORAIS - Presidente * kELY NCAR - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mauricio Taveira e Silva, Mônica Garcia de Los Rios, Antonio Lisboa Cardoso e Maria Tereza Martinez Lopez. Relatório Trata-se de embargos de declaração interpostos pela DRJ em Fortaleza/CE, sob o fundamento de que: - o acórdão recorrido teria se omitido quanto A intempestividade do recurso, visto que a intimação se deu de forma pessoal, em abril de 2003, e o recurso foi apresentado em julho de 2003; - que a renúncia A esfera administrativa não pode ser afastada, e que não se aplica à espécie o disposto na Nota COSIT 141/03. É o Relatório. Voto Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Conheço dos Embargos por tempestivos. Inicialmente, quanto A questão da tempestividade do recurso, o Recurso Voluntário foi protocolizado em 14 de julho de 2003, e as fls. 111 há oficio de encaminhamento do Acórdão da DRJ, cujo Aviso de Recebimento foi-recebido -em- 19 de novembro de 2003 (AR as fls. 116). Assim, como no processo administrativo fiscal a formalidade na intimação deve ser sempre buscada, mesmo que o contribuinte, informalmente, tivesse tomado ciência da decisão da DRJ,a intimação formal somente se deu após a interposição do recurso. Logo, tempestivamente. 2 Processo n° 10380.007326/2002-64 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.165 Fl. 167 Assim, ultrapasso esta questão. Entende a embargante que não seria o caso de aplicação da Nota COSIT 141/03, pois a mesma se refere a legislação superveniente e contrária à decisão judiciai. Entendo que a referida Nota se aplica, pelas razões que exporei a seguir; e rejeito os Embargos. Outrossim, aproveito a devolutividade para reapreciar o caso, por entender que a decisão embargada deve ser anulada, para que outra seja prolatada, desta feita apreciando o mérito da causa. Explico. Este Colegiado houve por bem anular a decisão de primeira instância que entendeu pela ocorrência da chamada renúncia à esfera administrativa, por opção pela via judicial. Todavia, não é o caso de se afastar a renúncia e se anular a decisão, mas sim de se afastar a renúncia e se apreciar o recurso, que é o que faço agorâ. cediça a possibilidade de compensação entre os diversos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A interpretação sistemática do artigo 66 da Lei 8.383/91, do artigo 39 da Lei 9.250/95, dos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96, e 12 da IN SRF 21/97, além da Nota COSIT 141/03 e Solução de Consulta 36/04, da 9 a. Regido Fiscal, nos fazem concluir pela possibilidade de compensação entre todos os tributos mesmo em caso de decisão judicial desfavorável para o interessado, por conta e principalmente por uma questão de isonomia. certo que a Nota COSIT 141/03 fala em legislação superveniente, e, no caso, a legislação não é superveniente mas contemporânea à decisão judicial. Outrossim, a melhor exegese do dispositivo nos faz concluir pela aplicação a casos como o aqui discutido. Seria a interpretação teleológica pura e simples do dispositivo, visando a isonomia entre os contribuintes. HA inclusive precedentes, citados pelo Recorrente, neste sentido, como o RV 116.970. Logo, conheço dos Embargos e os rejeito, com efeitos infringentes do julgado, dando provimento ao recurso do Contribuinte e para reconhecer o direito compensação do PIS com a COFINS, nos termos da fundamentação supra. como voto. 3 Acordão
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Numero do processo: 13678.000088/00-95
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CORREÇÃO MONETÁRIA
A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da lei nº 9.250/95. Incabível a atualização do indébito tributário pelos expurgos inflacionários, por ausência de previsão legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.954
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez Lopez, Leonardo Siade Manzan e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que deram provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : CORREÇÃO MONETÁRIA A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da lei nº 9.250/95. Incabível a atualização do indébito tributário pelos expurgos inflacionários, por ausência de previsão legal. Recurso especial negado.
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Numero do processo: 35319.002428/2004-20
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 21/09/2004
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo I° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-000.048
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/09/2004 Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo I° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Fatos Geradores Recorrente GUSTAVO ADOLFO FRANÇA GALVÃO Recorrida DRP/DUQUE DE CAXIAS/RJ ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/09/2004 Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo I° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n° 353 19.002428/2004-20 S2-C31'2 Acórdão n.° 2302-00.047 Fl. 185 ACORDAM os membros da 3" Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da relatora. cLue( a , • LIÉGE LACROIX THOMASI Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Leonardo Henrique Pires Lopes (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros (Suplente) e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). Ausente o conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. k 2 Processo n° 35319.002428/2004-20 52-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.047 A. 186 Relatório • Trata o presente de auto-de-infração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5°, da Lei n.° 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n." 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5" da Lei n." 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP's das competências de 04/2003 a 12/2003, o pagamento de gratificações a prestadores de serviço, considerados pela fiscalização como empregados e as remunerações dos segurados contribuintes individuais. Após a apresentação da defesa os autos baixaram em diligência, sendo a multa aplicada retificada. O contribuinte foi devidamente cientificado, conforme documento de fls. 121. Decisão-Notificação de fls. 122/128, julgou a autuação procedente, mas relevou a multa parcialmente. Ainda inconformado o contribuinte interpôs recurso, onde alega em síntese: a nulidade da notificação porque não foi autuado pessoalmente; que foram apresentados documentos que comprovaram a inexistência de irregularidades; que anexa documentos correspondentes às diferenças apontadas. Requer o cancelamento da multa aplicada. A DRP ofereceu as contra-razões pela manutenção da decisão recorrida e argüindo a intempestividade do recurso. É o relatório. 1 3 Processo n°35319.002428/2004-20 52-C3T2 Acórdão n." 2302-00.047 Fl. 187 Voto Conselheira LIÉGE LACROIX THOMASI, Relatora • Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo da Decisão-Notificação em 31/01/2006, fls.136, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.° 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, iniciou em 01/02/2006, fluindo até 02/03/2006. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 07/03/2006, conforme protocolo de fls.137, configurando-se, portanto, sua intempestividade. Lei n°8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social-INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto n°6.032 - de 172/2007 - DOU DE 2/2/2007) § 1 2 É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contra-razões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: "Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção." Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Sala das Sessões, em 08 de julho de 2009 8,4,c2eiga LIÉGE LACR IX THOMASI - Relatora 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10855.900045/2008-44
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderando-se tal equívoco.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o erro cometido pelo pela sujeito passivo no que tange à não retificação da DCTF, volvendo os autos à Unidade de origem para elaborar novo despacho decisório no qual deverá ser apurado o direito creditório a que faz jus, considerando que o valor correto devido a título de IRPJ no 3o. trimestre de 1999 é o declarado na DIPJ relativa àquele ano, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderando-se tal equívoco. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o erro cometido pelo pela sujeito passivo no que tange à não retificação da DCTF, volvendo os autos à Unidade de origem para elaborar novo despacho decisório no qual deverá ser apurado o direito creditório a que faz jus, considerando que o valor correto devido a título de IRPJ no 3o. trimestre de 1999 é o declarado na DIPJ relativa àquele ano, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderando se tal equívoco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o erro cometido pelo pela sujeito passivo no que tange à não retificação da DCTF, volvendo os autos à Unidade de origem para elaborar novo despacho decisório no qual deverá ser apurado o direito creditório a que faz jus, considerando que o valor correto devido a título de IRPJ no 3o. trimestre de 1999 é o declarado na DIPJ relativa àquele ano, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 45 /2 00 8- 44 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10855.900045/200844 Acórdão n.º 1402001.194 S1C4T2 Fl. 104 2 Relatório JEMMA ENTERPRISE COMERCIO EXTERIOR LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão PretoSP em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (Cofins) com alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, referente ao período 03T/1999. Por meio de despacho decisório, foi indeferido o pedido, e declarada não homologada a compensação, ante constatação de que o pagamento indicado pela interessada foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o pedido de compensação em questão teria sido gerado a partir da retificação da DIPJ visando reconhecimento de recolhimento a maior efetuado; que “quando da elaboração do processo, não houve orientação para retificação de DCTF, que demonstra o débito cobrado pela RFB, motivo principal do indeferimento do pleito acima mencionado”; que para fundamentar seu pedido, anexa aos autos cópias da DIPJ retificadora e do documento de arrecadação (Darf). Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade. A decisão recorrida está assim ementada: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, trazendo cópia de seus registros contábeis, visando comprovar o valor efetivamente devido a título de IRPJ do período de apuração 03T/1999, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10855.900045/200844 Acórdão n.º 1402001.194 S1C4T2 Fl. 105 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a DCOMP do contribuinte não foi homologada por inexistência do crédito. Segundo o contribuinte, o credito seria oriundo de recolhimento a maior de IRPJ do 3o. Trimestre/1999 (fl. 1), tendo a contribuinte retificado a DIPJ, fl. 9. Todavia a contribuinte não retificou a DCTF, logo, o valor recolhido permaneceu inteiramente devido nos sistemas da RFB, o que levou a não homologação da DCOMP. A contribuinte alegou que deixou de retificar a DCTF por falta de orientação da necessidade desse procedimento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade pelos seguintes fundamentos: Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)”. Nesse contexto, portanto, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo de IRPJ, são indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte. Registrese que a contribuinte deve vincular, em sua escrita contábil/fiscal, o recolhimento visando quitar obrigação tributária a uma certa apuração, que constitua sua causa (fato gerador), demonstrando a regular composição da respectiva base de cálculo tributável. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com essa intenção, limitandose tão somente a apresentar cópias de documentos de arrecadação e da declaração de rendimentos, os quais se mostram, por si só, insuficientes a dar respaldo a suas alegações. Pois bem, verificase que no recurso voluntário a contribuinte apresentou os livros com os devidos registros contábeis, fls. 41 e seguintes para comprovar que o valor correto da IRPJ devida em set/1999 é R$ 5.112,66 (fl. 9), conforme declarado em sua DIPJ, e não o valor recolhido (R$ 12.961,32 – fl.12). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10855.900045/200844 Acórdão n.º 1402001.194 S1C4T2 Fl. 106 4 Considerando que os elementos contábeis são também do ano de 1999, uma vez que a DIPJ foi apresentada espontaneamente, bem antes da apreciação da DCOMP, formei convencimento de que se trata mesmo de erro do contribuinte no que tange à não retificação da DCTF. Registrese que o pleito foi interposto em dezembro/2003, ou seja, antes do transcurso do prazo para pleitear o reconhecimento do direito creditório de 1999. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso, para reconhecer o erro cometido pela contribuinte, no que tange à não retificação da DCTF, volvendo os autos à Unidade de origem para elaborar novo despacho decisório no qual deverá ser apurado o direito creditório a que faz jus, considerando que o valor correto devido a título de IRPJ no 3o. trimestre de 1999 é o declarado na DIPJ relativa àquele ano. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001676/2002-18
Data da sessão: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993
COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA.
As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, até 31 de março de 1997, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da Cofins.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993 COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, até 31 de março de 1997, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da Cofins. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Sociedades Civis de Serviços Profissionais Relativos ao Exercício de Profissão Legalmente Regulamentada. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JANDRÉ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/C LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993 COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, até 31 de março de 1997, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da Cofins. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 76 /2 00 2- 18 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido. Tratase de auto de infração, cuja ciência foi dada ao contribuinte via A R em 05/08/02 objetivando a cobrança da Cofins relativa aos períodos de apuração de 1993 em virtude de falta de recolhimento da contribuição, tendo sido o lançamento original formulado no Processo n° 10768.003440/9724 (apenso a este) anulado por vicio formal. A contribuinte apresentou impugnação alegando em sua defesa: 1. nulidade do auto de infração por não conter data e hora da sua lavratura; 2. decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário por haver decorrido mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores nos termos do art. 150, § 4o do CTN; 3. a própria autoridade administrativa entendeu ser indevido o lançamento em virtude de fartas decisões tanto administrativas como judiciais que entendem que a isenção concedida pela LC 07/91 às sociedades civis não estava vinculada ao tipo de tributação pela o qual a contribuinte optasse; 4. descabido o entendimento constante do Parecer Normativo COSIT n° 03/94 no sentido de que as sociedades civis de profissão regulamentada que optassem pela tributação com base no lucro real ou presumido, conforme lhes facultava a lei, perderiam o direito à isenção de que trata o art. 6o, II da LC 70/91; e 5. na época dos fatos ocorridos a contribuinte denominavase André Martins de Andrade Consultoria Empresarial S/C e fazia jus à citada isenção. A DRJ no Rio de Janeiro manteve o lançamento. A contribuinte apresentou recurso voluntário alegando as mesmas razões da inicial. Sobreveio o acórdão recorrido onde a Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Confirase sua ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1993 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.001676/200218 Acórdão n.º 9303002.176 CSRFT3 Fl. 308 3 ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado (Súmula 276, STJ). Recurso Voluntário Provido. Regularmente intimada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial pugnando pela reforma total do acórdão vergastado e conseqüente restabelecimento da decisão de primeira instância. Contrarrazões vieram às fls. 218 a 232. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Como relatado, tratase de auto de infração para constituir o crédito tributário de Cofins, relativo ao período de apuração compreendido entre janeiro e dezembro de 1993, que a autuada deixou de recolher por entender que gozava da isenção conferida às sociedades civis a que se refere o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. A Cofins, nos termos dos artigos 1º e 2º da lei supracitada, incide sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas e as a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda. Predito faturamento compreende a receita bruta de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Por outro lado, o artigo 6º dessa lei isentava de contribuição, dentre outras, as sociedades civis a que se refere o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, a seguir transcrito: Art. 1º. A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada anobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. (Destaquei). Predita isenção teve vigência até março de 1997, quando então foi revogada pelo art. 56 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispôs. Art. 56. As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 serviços, observadas as normas da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Parágrafo único. Para efeito da incidência da contribuição de que trata este artigo, serão consideradas as receitas auferidas a partir do mês de abril de 1997. Da análise dos dispositivos legais aludidos, verificase que até o início da vigência do disposto nesse artigo 56, as condições para as pessoas jurídicas fazerem jus à isenção em comento são as previstas no art. 1º do Decretolei nº 2.397/87, quais sejam: a) a pessoa jurídica deve ser sociedade civil prestadora de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; b) deve ser registrada no Registro Civil da Pessoa Jurídica; e c) deve ser constituída, exclusivamente, por pessoas físicas domiciliadas no País. A meu sentir, os requisitos legais a serem preenchidos pelas sociedades civis são, tãosomente, os elencados no artigo 1º do já citado DecretoLei, não sendo lícito acrescentarlhes outros não previstos em lei. Não se alegue que a opção pela apuração do imposto de renda com base no lucro presumido ou no lucro real, facultado às aludidas sociedades civis pelo art. 71 da Lei 8.383/1991, as excluem da isenção ora discutida. Como bem observou o conselheiro Gilberto Cassuli, no voto proferido no julgamento do recurso voluntário 106.403 (acórdão 20175.051), a Lei nº 8.383/91, em seu art. 71, possibilita às pessoas jurídicas referidas no art. 1º do Decretolei nº 2.397/87, preenchidos os demais requisitos, a opção pela tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Presumido. Posteriormente, a Lei nº 8.541/92, em seus arts. 1º e 2º, procedeu algumas alterações nesta matéria, possibilitando a tributação do imposto de renda, devido pelas pessoas jurídicas das quais estamos tratando, com base no lucro real, presumido ou arbitrado, à medida em que os lucros fossem sendo auferidos. Entretanto, não houve restrição à isenção, no art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, em virtude da forma de tributação do Imposto de Renda. Por isso, não podem outras normas, de hierarquia inferior, ou ainda o aplicador, sob argumento de interpretar a lei, exigir outro requisito. Não se pode, com base nesta restrição, disciplinar de maneira diferente, e restritiva, a isenção concedida pela Lei Complementar que instituiu a contribuição. A opção pelo pagamento do Imposto de Renda com base no lucro presumido somente reflete na tributação deste imposto. É de notarse que o art. 1º do DL nº 2.397/87 dispõe sobre a não incidência do Imposto de Renda sobre o lucro apurado dessas sociedades civis, o que não tem qualquer pertinência com a tributação da Cofins. Demais disso, o artigo 6º da citada Lei Complementar não condiciona a isenção dessa contribuição ao regime de tributação do Imposto de Renda adotado pela sociedade civil beneficiária da desoneração fiscal. Lembrando ainda que não é lícito ao intérprete ou ao aplicador da lei restringirlhe o alcance quando o legislador assim não o fez. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.001676/200218 Acórdão n.º 9303002.176 CSRFT3 Fl. 309 5 1Hugo de Brito Machado, comentando as isenções subjetivas assevera que elas são “concedidas em função de condições pessoais de seu destinatário”. Desta feita, as condições inerentes à beneficiária do favor fiscal devem circunscrever à sua natureza jurídica – se sociedade civil prestadora de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registrada no Registro Civil da Pessoa Jurídica e não ao regime de tributação a que estão sujeitas. Quanto ao Parecer Normativo Cosit nº 003/1994, citado na decisão de primeira instância, é oportuna a lição do professor Paulo de Barros Carvalho, citada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lópes, no voto proferido no julgamento do recurso voluntário 103.384 (acórdão 20211.773): Pareceres normativos consistem em manifestações de agentes especializados na esfera federal, sobre matéria tributária submetida à sua apreciação, e que adquirem foros normativos, vinculando a interpretação entre funcionários. Mas o contribuinte, de forma alguma, está obrigado a obedecer as disposições constantes de parecer normativo, pois só é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa em virtude de lei. O parecer normativo representa única e exclusivamente a opinião do Fisco sobre determinada disposição legal, tendo o mesmo valor jurídico que a opinião do contribuinte. Não pode ir além, nem ficar aquém das disposições legais, sob pena de fatal ilegalidade. Somente pode explicitar o que está implícito na lei e visando colaborar com o contribuinte, uma vez que não passam de subsídio interpretativo da norma legal. Ora, se pareceres normativos não podem ir além das disposições legais, obviamente, o citado Parecer Cosit, ao restringir o alcance da norma isencional, não se ateve à natureza meramente interpretativa, transfigurouse em ato constitutivo. Portanto ilegal. O mesmo entendimento, mutatis mutandis, aplicase à Instrução Normativa SRF nº 21/1992. Por derradeiro, cabe registrar que a isenção das sociedades civis já foi analisada pelo 2Superior Tribunal de Justiça, que assim temse manifestado: REsp 156839/SP, julgado em 23/03/98, Relator Ministro José Delgado. COFINS – ISENÇÃO – SOCIEDADE CIVIS DE PROFISSIONAIS – REQUISITOS. "Tributário. COFINS. Isenção. Sociedades civis prestadoras de serviços médicos, l A Lei Complementar n° 70/91, de 30.12.91, em seu art. 6°, II, isentou, expressamente, da contribuição do COFINS, as sociedades civis de que trata o art. 1° do Decreto lei n° 2.397, de 22.12.87, sem exigir qualquer outra condição senão as decorrentes da natureza jurídica das mencionadas entidades. 2 Em conseqüência da mensagem concessiva de isenção contida no art. 6°, II, da LC n° 70/91, fixase o 1 Curso de Direito Tributário, 13ª ed., Malheiros, São Paulo, 1998. 2Resp 209629/MG – DJ de 16/11/1999 – Min. Milton Luiz Pereira – 1ª T; e Resp 192156 – 28/06/1999 – Min – Garcia Vieira – 1ª T. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 entendimento de que a interpretação do referido comando posto em lei complementar, conseqüentemente, com potencialidade hierárquica em patamar superior à legislação ordinária, revela que serão abrangidas pela isenção do COFINS as sociedades civis que, cumulativamente, apresentem os seguintes requisitos: seja sociedade constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no Brasil; tenha por objetivo a prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; e – esteja registrada no registro civil das pessoas jurídicas. 3 Outra condição não foi considerada pela Lei Complementar, no seu art. 6°, II, para o gozo da isenção, especialmente, o tipo de regime tributário adotado para fins de incidência ou não de imposto de renda. 4 Posto tal panorama, não há suporte jurídico para si; acolher a tese da Fazenda Nacional de que há, também., ao lado dos requisitos acima elencados, um último, o do tipo de regime tributário adotado pela sociedade. A Lei Complementar não faz tal exigência, pelo que não cabe ao intérprete criála. 5 É irrelevante o fato das recorridas terem optado pela tributação dos seus resultados, com base no lucro presumido, conforme lhes permite o amigo 71 da Lei n° 8.383/91 e os artigos 1° e 2° da Lei n° 8.S41/92. Essa opção terá reflexos para fins de pagamento do imposto de renda. Não afeta, porém, a isenção concedida pelo artigo 6º, II, da Lei Complementar nº 70/91, haja vista que esta, repitase, não colocou como pressuposto para o gozo da isenção o tipo de regime tributário seguido pela sociedade civil” Diante do exposto e considerando tratarse a reclamante de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, e estar constituída por pessoas físicas domiciliadas no País, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 312DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10950.001604/2008-53
Data da sessão: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador. 21/01/1206
Havendo inovação da Matéria Litigiosa, no caso, com relação a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, há que se conferir oportunidade para que a matéria seja debatida em todas as instâncias.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-00.569
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, para determinar o julgamento do recurso como impugnação.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para determinar o julgamento do recurso como impugnação. erra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 03/02/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Beatriz Veríssimo de Sena, Nilton Luiz Bártoli e Celso Lopes Pereira Neto Ausente justificadamente a Conselheira Nanci Gama Relatório Trata-se de recurso voluntário manejado contra acórdão da e. DRJ Florianópolis, que reconheceu a extinção do litígio a via administrativa, face à propositura de ação judicial com mesmo objeto, a não incidência das contribuições para o Programa de Integração Social c para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) e do Imposto sobre Produtos Industrializados na importação levada a efeito por meio da declaração de importação n°06/1411698-2. Notar que o presente processo foi formulado após a decisão do órgão julgador recorrido, no intuito de dar prosseguimento à cobrança de parte da exigência consignada no processo administrativo de n° 12709.00067812006-06 1 , alvo do Recurso Voluntário n°342379. Conforme se extrai da leitura do despacho de fls. 308/309, entende a autoridade preparadora que, apesar da integral renúncia à via administrativa, a recorrente só logrou êxito em suspender a exigibilidade da fração do lançamento correspondente ao cômputo do ICMS e das contribuições para o PIS/Cofins na sua própria base de cálculo. O sujeito passivo, a seu turno, contesta tal entendimento, defendendo incidir, na hipótese, o art. 151, lido Código Tributário Nacional, eis que realizou depósito do montante integral dos tributos debatidos em juizo. Reitera, adumais, as razões pelas quais entende aquelas exigências indevidas. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator O recurso é tempestivo e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Penso, entretanto, que não se pode tomar conhecimento do mesmo. Com efeito, a discussão acerca do encerramento ou não da via administrativa e, consequentemente, da definitividade da exigência já está sendo travada no âmbito do processo administrativo de n° 12709.000678/2006-06, alvo do Recurso Voluntário n° 342379. Entretanto, após esse reconhecimento, perdurará aspecto litigioso que não fez parte do processo principal, qual seja, a suspensão da exigibilidade de parte do crédito, que só passou a ser debatido após a representação de fl. 01. Sem dúvida, a formação de autos apartados simplifica sobremaneira o prosseguimento de eventual processo de execução relativo à fração do lançamento cuja exigibilidade, segundo defende o Fisco, não se encontraria suspensa. Representação à fl. 01 Processo n" 10950.001604/2008-53 53-C1T2 Acórdão n."3102-00.569 Fl. 346 Penso, entretanto, que a autoridade preparadora equivocou-se ao pretender dar prosseguimento ao processo antes do julgamento definitivo daquele recurso administrativo, na medida em que, efetivamente, a fração não alcançada pela decisão judicial encontra-se com sua exigibilidade suspensa, em razão da regra expressa no art. 151, III do Código Tributário Naciona12. Discordo, por outro lado, que, como pretende o sujeito passivo, o depósito efetuado tenha o condão de, por si só, suspender a exigibilidade do tributo, ou seja, que o inciso II do mesmo art. 151 autorize a suspensão da exigibilidade a seu exclusivo critério. De tal sorte, estou em que, efetivamente, a exigibilidade dos tributos lançados encontrar-se-ia suspensa, mas essa suspensão não perduraria, como pretende o sujeito passivo, até o encerramento do processo judicial. Justamente por discordar, em tese, do pedido e saber que essa discussão acerca da suspensão somente surgiu após a decisão de primeira instância é que este colegiado não pode, sob pena de supressão de instância, se pronunciar enquanto o órgão julgador de 1a instância não enfrentar a inovação promovida pela autoridade preparadora. Lembrar, nessa esteira, que o § 3 0 do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 19723 só permitiria que se desprezasse essa falha se o mérito fosse julgado favoravelmente ao sujeito passivo. Ante ao exposto, deixo de tomar conhecimento do presente recurso e determino o seu recebimento como impugnação, a ser enfrentada pela autoridade de primeira instância competente para tanto. •• arc- Guerra de Castro 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo 3 .§ 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falia. 3
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