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Numero do processo: 15374.001470/00-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/04/1995 a 30/11/1995; 01/01/1996 a 28/02/1999; 01/04/1999 a 31/12/1999
Ementa: EMBARGOS DECLARATÒRIOS.
Inexistente a omissão e parte da obscuridade apontada os embargos hão de ser rejeitados.
Numero da decisão: 3402-001.446
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer dos embargos declaratórios interpostos e rejeitá-los,
nos termos do voto.
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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score : 1.0
Numero do processo: 13884.001493/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido.
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA DECORRENTE DA AUSÊNCIA DO EFETIVO PAGAMENTO. PADRÃO PROBATÓRIO.
Nos termos da Súmula CARF 180, “[p]ara fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”.
Se houve intimação prévia (durante a fiscalização, isto é, antes da fase “litigiosa”), específica e inequívoca para a apresentação de documentos como extratos, cheques, comprovantes de transferência ou saque etc, e o contribuinte deixou de atender a tal intimação, deve-se manter a glosa das deduções pleiteadas.
Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso.
Essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética).
Numero da decisão: 2202-010.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator
Assinado Digitalmente
Sonia de Queiroz Accioly – Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Robison Francisco Pires, Lilian Claudia de Souza, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA DECORRENTE DA AUSÊNCIA DO EFETIVO PAGAMENTO. PADRÃO PROBATÓRIO. Nos termos da Súmula CARF 180, “[p]ara fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Se houve intimação prévia (durante a fiscalização, isto é, antes da fase “litigiosa”), específica e inequívoca para a apresentação de documentos como extratos, cheques, comprovantes de transferência ou saque etc, e o contribuinte deixou de atender a tal intimação, deve-se manter a glosa das deduções pleiteadas. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética).
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RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA DECORRENTE DA AUSÊNCIA DO EFETIVO PAGAMENTO. PADRÃO PROBATÓRIO. Nos termos da Súmula CARF 180, “[p]ara fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Se houve intimação prévia (durante a fiscalização, isto é, antes da fase “litigiosa”), específica e inequívoca para a apresentação de documentos como extratos, cheques, comprovantes de transferência ou saque etc, e o contribuinte deixou de atender a tal intimação, deve-se manter a glosa das deduções pleiteadas. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). Fl. 121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator Assinado Digitalmente Sonia de Queiroz Accioly – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Robison Francisco Pires, Lilian Claudia de Souza, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Carlos Sebastião de Souza, acima qualificado, foi autuado a recolher o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) no total do crédito tributário de R$ 15.729,35, conforme Notificação de Lançamento e Demonstrativos de fls. 12 a 15. A autuação tem por fundamento legal os seguintes dispositivos arts. 8º, II, “a” e §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.250/1995; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99. A multa de ofício de 75% foi aplicada com base no art. 44, I, e § 3º da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Os juros de mora foram aplicados com base no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996. Na descrição dos fatos que originou o lançamento, fl. 13, a autoridade fiscal informou que não foram comprovados os pagamentos e a efetividade da prestação de serviços realizados por Márcio Vinicius Issa e Rejane Isabel Issa. Fl. 122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 3 Intimado, o contribuinte apresenta impugnação em 08/10/2010, fls. 02 a 06, na qual alega que a omissão do agente fiscalizador na concessão da dilação do prazo requerido em 19/07/2010, o prejudicou, uma vez que teria que recorrer aos profissionais emissores dos recibos para fornecer relatório da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos; embora tendo apresentado recibos para comprovar os pagamentos, estes foram rejeitados de forma arbitrária, não lhe dando o direito do contraditório, não lhe concedendo novo prazo para apresentação de novos documentos; o pedido de comprovação da efetividade da prestação dos serviços é totalmente descabida, arbitrária e ilegal, em virtude de os recibos sanarem as exigências da RFB, ficando a cargo do próprio órgão verificar se os profissionais ofereceram os valores recebidos à tributação; transcreve doutrina e jurisprudência para justificar o entendimento sobre a matéria; solicita perícia; nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa; análise das preliminares arguidas e mérito da questão; por último, requer que sejam enviadas as intimações a/c de Marco Antônio de Campos, sita à Rua Coronel Alfredo de Lima, nº 36, Centro, Santa Branca/SP. Instruíram os autos os documentos de fls. 08 a 11, 18 a 51, representados por Recibos, Declarações, Certidões de Casamento e Nascimento, cópia de Declaração de Ajuste Anual exercício 2007. Respectivo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 Arguições de Afronta aos Princípios da Legalidade e Constitucionalidade. Incompetência para Apreciar. Não se encontra abrangida pela competência das Delegacias de Julgamento a apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade dos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que neste juízo eles se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negar-lhe execução. Glosa de Despesas médicas. Prova Eficaz. A dedução das despesas médicas deve ser efetuada mediante documentação hábil e idônea, acompanhada de elementos adicionais para comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/04/2013, o sujeito passivo interpôs, em 08/05/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os documentos apresentados cumprem com os requisitos legais e são hábeis a comprovar as despesas médicas, pois houve a prestação dos serviços e o efetivo pagamento; Fl. 123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 4 b) cabimento de diligência para atestar a autenticidade dos documentos ou a veracidade dos fatos alegados. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. As razões recursais e os respectivos pedidos têm por objeto o custeio de serviços de saúde prestados por Márcio Vinicius Issa, e por Rejane Isabel Issa. Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. Assim, registro o seguinte trecho do acórdão-recorrido: A impugnação apresentada é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Assim sendo, dela tomo conhecimento. Inicialmente, cabe salientar que o lançamento é ato privativo da Administração Pública pelo qual se verifica e registra a ocorrência do fato gerador, a fim de apurar o quantum devido pelo sujeito passivo da obrigação tributária, prevista no artigo 113 da Lei nº 5.172/1966, o Código Tributário Nacional - CTN. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no parágrafo 1º do art. 142 do CTN. Não cabe discussão da constitucionalidade de lei em sede administrativa consoante estabelece o caput do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: “Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Vale ressaltar que o julgador com mandato nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, ao elaborar seu voto, deve observar o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme art. 7º da Portaria MF n.º 341, de 12 de julho de 2011. Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 5 Perícia. No caso em exame, considero desnecessária a perícia proposta pelo impugnante, por entendê-la dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessita de conhecimento técnico especializado, e, para o presente caso, esse conhecimento específico revela-se desnecessário. Portanto, indefiro o pedido de perícia, nos termos dos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF). Quanto à jurisprudência citada na impugnação, impõe-se observar o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros...”. Sobre decisões judiciais, assim dispõe o Decreto n° 73.529, de 1974: “Art. 1° É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Art. 2° Observados os requisitos legais e regulamentares, as decisões judiciais a que se refere o art. 1° produzirão efeitos apenas em relação às partes que integram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados.” As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, o que se depreende do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional. No âmbito do processo administrativo fiscal, inexiste, até o momento, norma legal que atribua às decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa tal efeito. Portanto, mesmo que reiteradas, as decisões administrativas e judiciais não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. No que concerne aos pronunciamentos doutrinários expostos, conquanto mereçam respeito entendimentos manifestados pelos juristas citados pelo contribuinte, esclareça-se que tais entendimentos não podem prevalecer sobre a orientação dada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da interpretação de dispositivos legais. Nulidade do Lançamento. Não há como anular o ato administrativo lavrado, porque a notificação de lançamento contém todos os requisitos exigidos no art. 11 do Decreto n.º 70.235/1972, inclusive quanto a ter sido lavrada por servidor competente (Auditor-Fiscal da Receita Federal responsável pelo órgão que administra o tributo), com atribuições legais para tal fim, e que a descrição dos fatos nela contida permitiu ao sujeito passivo impugnar o lançamento efetuado. Consta do documento de formalização do lançamento a descrição dos fatos e o enquadramento legal que amparou a alteração dos dados declarados e o novo Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 6 cálculo do imposto devido, e que também compõem o lançamento o demonstrativo de apuração do imposto, com discriminação das alterações promovidas nos dados declarados e de todos os dados considerados no cálculo do imposto, demonstrativo de multa de ofício e juros de mora, com indicação dos valores apurados e a fundamentação legal para a exigência. Convém salientar que o art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972 dispõe que “são nulos: I- os atos e termos lavrado por pessoa incompetente; II- os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. E, consoante o art. 60 do mesmo Decreto, “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Assim, não tendo sido constatado nos autos qualquer das situações previstas no citado art. 59, não há justificativa para se declarar a nulidade do presente lançamento. Cumpre ressaltar que o ato de fiscalização da Receita Federal ora discutido, ao qual estão sujeitas todas as pessoas físicas e jurídicas que mantenham para com a União relação jurídico-tributária, é regrada pelo Decreto 3.000/99. A norma em comento regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, especialmente os seguintes dispositivos: “Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e Decreto-Lei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). § 1º A ação fiscal direta, externa e permanente, realizar-se-á pelo comparecimento do Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientá-lo ou esclarecê-lo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). § 2º A ação do Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional poderá estender-se além dos limites jurisdicionais da repartição em que servir, atendidas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 3º A ação fiscal e todos os termos a ela inerentes são válidos, mesmo quando formalizados por Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º)." É claro da documentação acostada aos autos, que a Receita Federal do Brasil intimou o contribuinte a prestar esclarecimentos relativos à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, ano-calendário 2006, juntamente com os comprovantes originais e cópias das despesas médicas, com identificação do paciente, solicitou também a comprovação dos serviços prestados referentes Fl. 126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 7 aos recibos e comprovar a efetividade dos pagamentos. Tais pedidos, inclusive, encontra respaldo no RIR/99: "Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores- Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º)." “Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximir- se de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 123, Decreto-Lei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197)." Dessa forma, não vislumbro qualquer prejuízo ao contribuinte, muito menos o relativo ao direito de defesa e do contraditório, eis que os atos administrativos lavrados estão revestidos de amparo constitucional e legal. Despesas Médicas. Quanto à dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual, a Lei nº 9.250, de 1995, em seu art. 8º, estabelece: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º - O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II - restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” (Grifou-se). Fl. 127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 8 O artigo 73 e § 1º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, com a correspondente matriz legal indicada, estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Verifica-se, com fulcro nos dispositivos citados, que é admissível a dedução de despesas médicas declaradas na declaração de ajuste anual relativos ao tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. Podendo, ainda, a autoridade lançadora solicitar outros documentos das deduções pleiteadas, se tais despesas forem consideradas de valores expressivos. Assim, havendo motivado questionamento da autoridade fiscal, torna-se necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço e do pagamento correspondente, não bastando, para gozar as deduções com despesas médicas, a disponibilidade de simples recibos ou declarações, como se vê nos julgados a seguir: IRPF – DESPESAS MÉDICAS/ODONTOLÓGICAS – GLOSA – Não logrando o contribuinte comprovar através de documentação hábil, a efetivação da despesa médica/odontológica, bem como o seu pagamento, lícita é a glosa do valor deduzido a esse título na declaração de rendimentos (Ac. 1o CC n.o 104-16.832, de 1999) IRPF – DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS – É de se manter o lançamento quando o contribuinte não comprovar o dispêndio correspondente a despesas médicas (Ac. 1o CC n.o 106-11545, de 2000) COMPROVAÇÃO – Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. CSRF n.o 01-1.458, de 1992) IRPF - DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E OUTRAS DEDUTÍVEIS - A efetividade do pagamento a título de despesas odontológicas não se comprova com mera exibição de recibo, mormente quando o contribuinte não carreou para os autos qualquer prova adicional da efetiva prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados. (Ac. 1ºCC 102-44154/2000) IRPF - DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÃO - Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovados os Fl. 128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 9 desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 104- 16647/1998) Com a impugnação, o contribuinte apresenta cópias dos mesmos recibos já rejeitados pela autoridade fiscal sob a alegação de não terem sido comprovados os pagamentos e a efetividade da prestação dos serviços ministrados por Márcio Vinicius Issa e Rejane Isabel Issa. Neste sentido, vale ressaltar, que não basta a disponibilidade de um simples recibo e declaração, sem vinculação do pagamento, sendo que esta condição é necessária quando se tratar de despesas médicas de valores elevados. Nesse caso, caberia ao contribuinte apresentar outros documentos adicionais para comprovar a transferência de recursos, tais como, cópias de cheques nominativos, extratos bancários, boleto bancário com autenticação bancária, extrato de cartão de crédito, entre outros documentos. Assim sendo, não tendo o contribuinte trazido aos autos documentos que comprovem a efetividade dos pagamentos pleiteados, entendo que a glosa das despesas médicas deve ser mantida. Quanto ao pedido para que as intimações sejam encaminhadas a/c de Marco Antônio de Campos, sita à Rua Coronel Alfredo de Lima, nº 36, Centro, Santa Branca/SP, não há previsão legal para tanto, cabendo ao órgão lançador verificar se é possível cientificar também o representante do contribuinte. Isto posto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o lançamento consubstanciado na notificação, devendo retornar os autos à unidade de origem para prosseguimento da cobrança, inclusive com as atualizações legais, e demais providências cabíveis. A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em se decidir se a comprovação do “efetivo” pagamento, pela via estreita de documentação bancária, é requisito para reconhecimento do direito à dedução de despesas com saúde. Conforme expõe o i. Cons. Honório Albuquerque de Brito: Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de Fl. 129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 10 quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Por oportuno, transcrevo os arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/1999, aplicável aos fatos jurídicos em exame: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). [...] Art.80.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I-aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II-restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III-limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas-CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica-CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 11 IV-não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V-no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. §2ºNa hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. De fato, nos termos da Súmula CARF 180, “para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Assim, a autoridade fiscal tem legitimidade e permissão para exigir do sujeito passivo a apresentação de provas complementares para acolhimento das alegadas despesas médicas efetuadas, de modo a tornar a singela apresentação de recibos insuficiente, ainda que eles atendam aos requisitos formais previstos na legislação. Sem prejuízo da estrita observância à orientação sedimentada no enunciado da Súmula CARF 180, a permissão para a exigência de comprovação complementar é ato plenamente vinculado, isto é, cuja prática não pode ser discricionária. Como qualquer ato administrativo, a rejeição das alegadas despesas médicas deve ser fundamentada e motivada. A imprescindibilidade da motivação decorre do caráter plenamente vinculado do lançamento (art. 142, par. ún., 145, III e 149 do CTN, associados à Súmula 473/STF) e da circunstância de ele se tratar de ato administrativo (art. 50 da Lei 9.784/1999). Afinal, sabe-se que “a presunção de validade do lançamento tributário será tão forte quanto for a consistência de sua motivação, revelada pelo processo administrativo de constituição do crédito tributário” (AI 718.963-AgR, Segunda Turma, DJe 30-11-2010), e, dessa forma, o processo administrativo de controle da validade do crédito tributário pauta-se pela estrita legalidade, de modo a não exceder o montante devido a título de tributo. A propósito, por respeito à regra da legalidade, à indisponibilidade do interesse público e da propriedade, a constituição do crédito tributário deve sempre ser atividade administrativa plenamente vinculada. É ônus da Administração não exceder a carga tributária efetivamente autorizada pelo exercício da vontade popular. Assim, a presunção de validade juris tantum do lançamento pressupõe que as autoridades fiscais tenham utilizado os meios de que legalmente dispõem para aferir a ocorrência do fato gerador e a correta dimensão dos demais critérios da norma individual e concreta, como a base calculada, a alíquota e a sujeição passiva. Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 12 (RE 599194-AgR, Segunda Turma, DJe 08-10-2010) A aderência ao devido processo legal administrativo assume especial relevância, pois os destinatários das decisões promanadas das autoridades estatais não contam com as mesmas garantias ou acervo informacional de suas contrapartidas. Conforme observam Szente e Lachmayer: A observância da prolação de decisões administrativas aos requisitos tanto da lei quanto de direitos fundamentais é necessária para a aceitação dos atos administrativos um exercício legítimo do poder público (Szente, Zóltan, and Konrad Lachmayer.The Principle of Effective Legal Protection in Administrative Law. Nova Iorque, NY, Routledge, 2017, p. 14). Não é por outra razão que muitos órgãos jurisdicionais aproximam as garantias típicas do processo penal ao processo tributário. Assim, a declaração de insuficiência de recibos conjugada à faculdade de exigir documentação complementar, especialmente prova específica da transferência de valores monetários (cheques, PIX, DOCs, TEDs, transferências bancárias, cartão de crédito, extratos bancários) não são discricionárias e, nesse sentido, devem ser devidamente motivadas e fundamentadas. A questão de fundo se torna, assim, saber-se se exige-se a inexorável apresentação desse tipo de documento – prova da operação de transferência de recursos (se as condições de sua exigibilidade foram cumpridas), ou se sua ausência pode ser suprida por outros meios de prova admitidos em direito. De fato, são indícios consistentes a exigir aprofundamento do acervo probatório das despesas médicas, exemplificativamente: Insuficiência do patrimônio ou das receitas declaradas para fazer frente ao custo dos serviços, dada a necessidade de prover outras despesas essenciais à vida humana; 1. Inidoneidade dos prestadores dos serviços médicos; 1. Incompatibilidade dos valores pagos, quando comparados com a prática normalmente verificada na praça; 2. Ausência de registro dos respectivos recebimentos nos deveres instrumentais dos prestadores de serviços (e.g., DAA, DMED); 3. Inusualidade da prática de pagamento de tais quantias em espécie. Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 13 Agustín Gordillo faz uma observação muito interessante e que julgo útil para o estudo das presunções e do “ônus processual probatório" a envolver atos administrativos em sentido amplo: Claro está, se o ato não cumpre sequer com o requisito de explicitar os fatos que o sustentam, caberá presumir com boa certeza, à mingua de prova em contrário produzida pela Administração, que o ato não tem tampouco fatos e antecedentes que o sustentem adequadamente: se houvesse tido, os teria explicitado. (Tratado de derecho administrativo. Disponível em http://www.gordillo.com/tomos_pdf/1/capitulo10.pdf, pág. X-26). Resumidamente, diante de fundada dúvida, a autoridade fiscal pode exigir a apresentação complementar de documentos, como, por exemplo: 1. Recibos, documentos fiscais, declarações ou laudos que atendam aos requisitos formais previstos no art. 80 do Decreto 3.000/1999 (beneficiário/paciente, pagador, indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas-CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica-CNPJ de quem os recebeu, registro profissional do prestador de serviços, descrição do serviço prestado); 1. Títulos de crédito ou extratos bancários que comprovem a efetiva transferência da quantia em dinheiro tida por despesa médica. Uma vez comprovadas as despesas médicas, por documentação idônea, é imprescindível assegurar ao sujeito passivo o direito à respectiva dedutibilidade, observada a legislação de regência. Vão ao encontro da observância do direito à dedutibilidade os seguintes precedentes: Numero do processo:13677.000205/2001-73 Data da sessão:Mon May 10 00:00:00 UTC 2010 Ementa:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 1999 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indicio de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial negado Numero da decisão:9202-000.814 Numero do Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 14 processo:10850.000104/2008-22 Turma:Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017 Data da publicação:Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Numero da decisão:2202-004.319 Numero do processo:10980.720179/2009-29 Turma:Segunda Turma Especial da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu May 12 00:00:00 UTC 2011 Data da publicação:Fri May 13 00:00:00 UTC 2011 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poderdever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou, quem recebeu, o quanto foi pago e em que data, e os requisitos legais. Recurso provido em parte. Numero da decisão:2802-00.824 Numero do processo:13603.000777/2007-10 Turma:2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:2ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. A apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Numero do processo:13830.720850/2016-72 Turma:Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação:Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 15 DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. PRÓTESE ORTOPÉDICA. LAUDO MÉDICO. Notas fiscais com identificação do paciente e médico. Laudo médico apresentado. Comprovação realizada. Numero da decisão:2001-000.204 Sobre a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, na hipótese de adimplemento em espécie, em que pese meu entendimento pessoal, no sentido de que a rejeição dos recibos deve ser expressamente motivada e fundamentada, de modo a inexistir permissão legal para que a autoridade fiscal exija discricionariamente e logo de início prova legitimada por terceiros acerca da efetiva transferência de valores, reconheço que, no âmbito desta Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção do CARF, a compreensão sobre o tema é diversa (cf., e.g., os Processos 19647.001463/2008-87, 17437.720120/2012-41 e 15504.720043/2012-53). Em especial, assim manifestei-me por ocasião do julgamento do RV no Processo 15504.720043/2012-53 (Acórdão 2001-004.897): A efetiva transferência de disponibilidade financeira é um evento, que deve ser vertido em linguagem competente pelo sistema jurídico, de modo a tornar-se um fato jurídico. Em tese, há uma série de documentos capazes de registrar esses eventos em fatos, tais como recibos, notas fiscais, registros de transferências bancárias, registros de operação com cartões de débito ou crédito, títulos de crédito (e.g., cheque) e, mais recentemente, PIX. Quando as autoridades fiscais intimam o sujeito passivo a comprovar as despesas médicas, espera-se essa confirmação de um terceiro, desinteressado e normalmente inserido no fluxo de certificação de pagamentos. É nesse sentido que as intimações costumam exemplificar os documentos aguardados com o apelo a cheques e a extratos bancários, eis que tratam-se de documentos produzidos por instituições financeiras. Por outro lado, as autoridades fiscais tendem a minorar a força probatória de recibos ou declarações emitidas pelos prestadores de serviços, dado que os emissores de tais documentos são os prestadores de serviço, que, por hipótese, seriam sujeitos menos desinteressados no pleito do sujeito passivo, porquanto mais próximos dos contribuintes (i.e., susceptíveis à influência dos sujeitos passivos). Assim, a matéria resume-se na credibilidade relativa da fonte emissora do registro. Contudo, as instituições financeiras não intervêm nas operações de pagamento em espécie, que se resolvem pela entrega de papel moeda ou de moeda sonante pelo tomador ao prestador de serviço. Por padrão, o meio de comprovação dessas transações é o recibo ou, Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 16 quando aplicável, a nota fiscal. Uma outra forma de corroborar o evento descrito no recibo é pela comprovação de disponibilidade de numerário em espécie em poder do tomador do serviço. De fato, se houver a demonstração de ausência dessa disponibilidade, não seria racional implicar a possibilidade de pagamento. Feita essa descrição, a primeira ordem de obstáculos exsurgida refere-se à inexistência de motivação e de fundamentação específicas para a rejeição dos recibos, no lançamento. Os autos não contam com motivação, nem fundamentação, além da sucinta exposição constante na Notificação de Lançamento (fls. 09), verbatim: [...] Não é incomum encontrar a fundamentação do lançamento muito bem exposta nos autos dos processos administrativos, às vezes em documentos intitulados de Termos de Verificação (TVs) ou Termos Circunstanciados (TCs). Mas os autos também não contam com esses documentos, de modo a tornar impossível aferir uma eventual latitude maior da fiscalização. Por hipótese, se o sujeito passivo tinha acesso a tal numerário, é teoricamente possível que tenha efetuado os pagamentos de suas despesas médicas em espécie ao longo do ano calendário. Nesse sentido, a entrega de extrato bancário seria anódina, já que desnecessário comprovar saques para suprimento dos fundos a serem entregues aos prestadores de serviço. Por serem os extratos dispensáveis, o fundamento central do acórdão-recorrido perde sua validade. Nesse ponto, é importante notar que a ausência de apresentação dos extratos foi o critério determinante adotado no lançamento para a rejeição das despesas, conforme se lê à fls. 09. Nesse sentido, existente em tese numerário em espécie suficiente para pagamento das despesas, o lançamento deveria ter expressamente motivado e fundamentado a rejeição dos recibos sem apelo à apresentação de cheques ou de extratos. Não cabia ao julgador administrativo complementar a motivação nem a fundamentação do lançamento. Uma segunda ordem de obstáculos exsurge da falta de motivação, e de fundamentação específicas, para afastar a credibilidade da declaração de existência do numerário em espécie. Ainda que elipticamente, o acórdão-recorrido fundamenta a manutenção do lançamento na inviabilidade de ter-se como crível o numerário em espécie registrado na DAA, pois, se essa declaração de posse for aceita, seria necessário cogitar ao menos a possibilidade fática do pagamento das despesas com referidos recursos. Para ser válido, o lançamento deveria ter expressamente abordado a improbabilidade de esses recursos existirem ou de terem sido utilizados para saldar as alegadas despesas. Uma terceira ordem de obstáculos exsurge da potencial impossibilidade probatória, segundo o padrão estabelecido no lançamento e confirmado pelo acórdão-recorrido. Por outro lado, se a questão se trata de pagamento de despesas em espécie, a demonstração da posse do numerário físico (papel-moeda e moeda sonante) torna-se a única prova mais verossímil e factível, pois não há uma forma de documentação externa fidedigna (e.g., bancária) dessa transação. De fato, extratos bancários não indicam o destino nem a causa das retiradas de dinheiro. O documento por excelência que registra esse tipo de pagamento é o recibo ou, quando aplicável, a nota fiscal, que são emitidos por uma das partes do negócio, e não por um terceiro imbuído de dever fiduciário perante o Estado. Uma outra forma de verificação, dependente da legitimidade e Fl. 136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 17 dos instrumentos estatais, é a extensão da latitude e do aprofundamento da fiscalização, para confirmar se os valores foram registrados pelo recebedor (DAA, DMED etc) ou se são compatíveis com a evolução patrimonial do sujeito passivo. Evidentemente, tais provas não podem ser produzidas pelo próprio sujeito passivo, por falta de legitimidade. Em resumo, ignorar a declaração de posse de numerário físico suficiente para fazer frente aos pagamentos, posse essa não contestada explicitamente, e exigir a documentação da efetiva transferência do papel-moeda por uma autoridade autenticadora fiduciária externa torna a prova impossível de ser realizada, de modo a violar o art. 59, II do Decreto 70.235/1972. Em síntese, o lançamento deve ser revisto, pois: a) Ainda que em procedimento simplificado e sumário, a autoridade lançadora deve motivar, e fundamentar, a inidoneidade ou a insuficiência dos recibos como documentos de registro do pagamento de despesas médicas (ainda que “inquisitório”, o lançamento é ato administrativo plenamente vinculado, e não discricionário), e tais critérios não podem ser supridos pelos órgãos de julgamento; b) Se houver alegação de que o pagamento foi realizado em espécie, compete ao sujeito passivo demonstrar a disponibilidade dos recursos no período em que o pagamento teria ocorrido; c) A autoridade lançadora tem o poder-dever de confirmar ou de infirmar a argumentação do sujeito passivo, em decisão motivada e fundamentada; d) A exigibilidade da apresentação de cheques e de extratos bancários é inoponível à alegação de posse de numerário em espécie por ocasião do início do exercício (registro na DAA anterior e na respectiva), por dissociação de objeto, na medida em que incapaz de afirmar, confirmar ou de infirmar o fato controvertido (existência ou não da disponibilidade); e) A exigibilidade da apresentação de cheques ou de extratos bancários é inoponível à alegação de pagamento em espécie de despesas médicas, por se tratar de prova impossível, porquanto as instituições financeiras (terceiros desinteressados) não participam da operação de transmissão de papel-moeda, nem de moeda sonante. Por observância do Princípio do Colegiado, registro minha posição pessoal, mas adiro à orientação firmada, no sentido de que a autoridade lançadora não precisa motivar com precisão o critério determinante da rejeição dos recibos, se houve intimação prévia (durante a fiscalização, isto é, antes da fase litigiosa), específica e inequívoca para a apresentação de documentos como extratos, cheques, comprovantes de transferência ou saque etc, e o contribuinte deixou de atender a tal intimação. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 18 realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Segundo entendimento desta c. Turma Ordinária, essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). Porém, a necessidade de intimação prévia, específica e inequívoca ainda é necessária, para que não haja violação dos deveres de motivação do ato administrativo e de controle de validade do crédito tributário (arts. 142, par. ún., 145, III e 149 do CTN, aliados à Súmula 473/STF). Singelamente, acrescemos que o sujeito passivo também deve saber exatamente o que a autoridade fiscal entende como necessário para confirmar ou para infirmar os fatos jurídicos relevantes à apuração do tributo. Para assegurar ao sujeito passivo a possibilidade de conhecer e atender à exigência da autoridade fiscal, a especificação desses documentos deve ocorrer logo no início do processo de fiscalização e controle da atividade desempenhada pelo contribuinte, sob pena de violação do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. O detalhamento da documentação necessária na primeira oportunidade de contato com o sujeito passivo é profilática, com o objetivo de evitar futura contaminação do crédito tributário pela inovação de critérios legais originariamente adotados para confirmar ou para infirmar as deduções pretendidas. Elucidativos desse risco são os seguintes precedentes: Numero do processo:10510.007814/2008-34 Turma:Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação:Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2020 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de dedução indevida de IRRF é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão:2003-002.600 Numero do processo:10680.005472/2008-66 Turma:Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014 Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 19 Data da publicação:Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão:2201-002.503 Numero do processo:13162.000079/2009-12 Turma:Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano- calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É de se cancelar a autuação quando a decisão recorrida aponta fundamentos diversos daqueles da autuação para manter a exigência, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Numero do processo:10510.004826/2007-26 Turma:Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara:Quarta Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Restando comprovado o imposto de renda retido na fonte, cabe computa-lo no lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Numero do processo:13748.001852/2008-98 Turma:Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 20 Câmara:Primeira Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação:Mon May 05 00:00:00 UTC 2014 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido A necessidade de observância do estrito processo legal é, ademais, compatível com a aplicação da Súmula CARF 46, assim redigida: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (grifei) O emprego da técnica de distinção não viola a autoridade do precedente, que permanece intacta, pois a razão para se deixar de aplicar a orientação então firmada é a divergência entre os pressupostos fáticos-jurídicos determinantes, isto é, a falta de incidência e de subsunção (Duxbury, N. (2008). The Nature and Authority of Precedent. Cambridge: Cambridge University Press. doi:10.1017/CBO9780511818684). Como bem observou o Min. Victor Nunes Leal, não se deve estender o espectro de aplicabilidade de uma orientação jurisprudencial para âmbito alheio ao que permitem os critérios determinantes que fundamentaram o precedente. Num debate pouco conhecido havido no Supremo Tribunal Federal – STF, durante o julgamento de um recurso extraordinário que não costuma ser encontrado na base de pesquisa aberta ao público, mantida pela Corte, o Ministro Victor Nunes Leal registrou um aviso cardeal àqueles que desejassem bem aplicar os enunciados sumulares, como instrumentos de estabilização de precedentes. Como se sabe, deve-se ao Ministro Victor Nunes Leal a adoção da “Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal” como técnica decisória, destinada a assegurar homogeneidade, segurança jurídica e celeridade à atuação jurisdicional do STF. Na assentada em que julgado o RE 54.190, os colegas do Ministro Victor Nunes Leal estenderam a aplicação da Súmula 303/STF para uma suposta elipse nela contida. Dado o Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 21 enunciado afirmar que um dado tributo não seria devido antes de 21/11/1961, alguns ministros entenderam que o enunciado permitira a tributação após aquela data. Evidentemente, o texto sumular não comportava essa interpretação, pois havia outros fundamentos determinantes que poderiam invalidar a tributação após a data indicada, e que nela não constavam, simplesmente porque o Tribunal não os havia examinado. Diferentemente do recurso voluntário, apenas o recurso extraordinário baseado no art. 102, III, b da Constituição e aquele sujeito ao regime da repercussão geral têm a causa de pedir aberta. Os demais recursos extraordinários tem a causa de pedir fechada, de modo que a Corte não pode conhecer de novos fundamentos. Disse o Ministro Victor Nunes Leal, à época: “O Sr. Ministro Victor Nunes: Exatamente por isso, eminente Ministro Gonçalves de Oliveira, é que me parece não estar previsto. [...] O Sr. Ministro Victor Nunes: Retomando o fio de meu raciocínio, contraditado, antecipadamente, pelos eminentes Ministros Gonçalves de Oliveira e Pedro Chaves7, peço vênia para uma consideração preliminar. Se tivermos de interpretar a Súmula com todos os recursos de hermenêutica, como interpretamos as leis, parece-me que a Súmula perderá sua principal vantagem. Muitas vezes, será apenas uma nova complicação sobre as complicações já existentes. A Súmula deve ser entendida pelo que exprime claramente, e não a contrario sensu, com entrelinhas, ampliações ou restrições. Ela pretende pôr termo a dúvidas de interpretação e não gerar outras dúvidas. No ponto em debate, a Súmula declara que não é devido o selo nos contratos celebrados anteriormente à Emenda Constitucional 5. Mas não afirma que, celebrado o contrato posteriormente, o selo seja devido. [...] O Sr. Ministro Victor Nunes: A Súmula foi criada para pôr termo a dúvidas. Se ela própria puder ser objeto de interpretação laboriosa, de modo que tenhamos de interpretar, com novas dúvidas, o sentido da Súmula, então ela perderá a sua razão de ser. [...] O Sr. Ministro Victor Nunes: Faço um apelo aos eminentes colegas, para não interpretarmos a Súmula de forma diferente do que nela se exprime, intencional e claramente. Do contrário, ela falhará, em grande parte, à sua finalidade. Quando a Súmula afirma que não é devido o selo se o contrato for celebrado anteriormente à vigência da Emenda Constitucional 5, sobre esta afirmação, e somente sobre ela, é que já está tranqüila a orientação do Tribunal. Quanto a ser devido o selo nos contratos posteriores, o Tribunal Pleno ainda não definiu a sua jurisprudência”. Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 22 Acautelados pelo aviso do responsável pela introdução do sistema sumular em nosso ordenamento jurídico, devemos dar máxima efetividade ao que diz os textos dos precedentes vinculantes, sem, contudo, estendê-los para hipóteses diversas. Em sentido semelhante, a necessidade de análise prévia da aplicabilidade do precedente é essencial, conforme reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça, no seguinte julgado: Inicialmente, cabe frisar que a aplicação de um precedente judicial [...] apenas pode ocorrer após a aplicação da técnica da distinção (distinguishing), a qual se refere a um método de comparação entre a hipótese em julgamento e o precedente que se deseja a ela aplicar. A aplicação de tese firmada em sede de recurso repetitivo a uma outra hipótese não é automática, devendo ser fruto de uma leitura dos contornos fáticos e jurídicos das situações em comparação pela qual se verifica se a hipótese em julgamento é análoga ou não ao paradigma. Dessa forma, para aplicação de um precedente, é imperioso que exista similitude fática e jurídica entre a situação em análise com o precedente que visa aplicar. A jurisprudência deste STJ aplica a técnica da distinção (distinguishing), a fim de reputar se determinada situação é análoga ou não a determinado precedente. Nesse sentido: RE nos EDcl nos EDcl no REsp 1.504.753/AL, 3ª Turma, DJe 29/09/2017); REsp 1.414.391/DF, 3ª Turma, DJe 17/05/2016; e, AgInt no RE no AgRg nos EREsp 1.039.364/ES, Corte Especial, DJe 06/02/2018. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.254.567/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 14/8/2018, DJe de 16/8/2018.) No caso da comprovação do efetivo custeio de despesas com saúde, evidentemente, a autoridade lançadora somente poderia constituir o crédito tributário sem antes permitir ao contribuinte expor suas razões e provas “[...] nos casos em que o Fisco dispuse[sse] de elementos suficientes à constituição do crédito tributário” (Súmula CARF 46), o que não ocorre se houver a necessidade de conferir documentos que não sejam de acesso estatal imediato (como recibos e, eventualmente, notas fiscais). Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-010.956 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13884.001493/2010-29 23 Fl. 143DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto OLE_LINK1
score : 1.0
Numero do processo: 13770.001179/2008-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE.
A matéria recorrida de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.
Numero da decisão: 2002-008.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer o Recurso Voluntário interposto, em razão de completa ausência de dialeticidade recursal.
Sala de Sessões, em 16 de outubro de 2024.
Assinado Digitalmente
CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator
Assinado Digitalmente
MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. A matéria recorrida de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer o Recurso Voluntário interposto, em razão de completa ausência de dialeticidade recursal. Sala de Sessões, em 16 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
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A matéria recorrida de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer o Recurso Voluntário interposto, em razão de completa ausência de dialeticidade recursal. Sala de Sessões, em 16 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Fl. 388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.934 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13770.001179/2008-17 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se na origem de pedido de restituição da retenção sofrida pela contribuinte no percentual de 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços referente à competência 04/2008, feito através do pedido de restituição processo 13770.00l 179/2008-1 1, protocolado em 27/05/2008, na Unidade de Atendimento da Receita Federal do Brasil em Serra -ES. O pedido foi indeferido pelo SEORT - Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF Vitória, através do Parecer SEORT/DRF/VIT nº 0812/2009, sob o seguinte fundamento: "Por se tratar de serviço não sujeito à matrícula específica do INSS (CEI), a análise do pedido de restituição deve ser efetuada a vista de todas as notas fiscais emitidas nas mesmas condições, para os diversos contratantes, que deverá ser comparada com a totalidade das contribuições que tem como base de cálculo as remunerações pagas a todos os trabalhadores alocados aos diversos contratantes. A GFIP referente aos trabalhadores alocados aos diversos contratantes possui código de recolhimento' 150. Através do relatório “Dados e Valores Informados na GFIP", fls. 128, verifica-se que a totalidade dos valores retidos (R$ 6.928,59) é inferior ao valor devido à Previdência Social, não cabendo restituição." A contribuinte, diante do indeferimento, apresentou simples requerimento (fls. 134 e 135), onde solicitada uma revisão do processo, apresentando, para tanto, documentação apensa. A DRJ, recepcionando o simples requerimento de revisão como se fosse uma manifestação de inconformidade, julgou improcedente o pleito, apresentado a seguinte decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Periodo de apuração: 01/04/2008 a 31/04/2008 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. Não é cabível a restituição de valores referentes à retenção de contribuições previdenciárias na cessão de mão-de-obra quando os elementos trazidos nos autos do pedido não são suficientes para a verificação do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.934 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13770.001179/2008-17 3 O voto condutor, resumindo os motivos do não acolhimento da manifestação, apresentou os seguintes argumentos: 10. Dessa forma, há inconsistências entre os valores informados nas folhas de pagamento e os valores informados nas GFIP's. Além disso, o resumo geral da folha de pagamento parece englobar também as obras, cujas matrículas CEI são de responsabilidade da empresa e cujas informações devem ser prestadas nas GFIP's de código 155. Não foram juntadas as folhas de pagamento dessas mátriculas. Além disso, não foram juntadas as outras notas fiscais emitidas pela empresa' sobre as quais houve retenção. E nem foram informadas as retenções sofridas e abatidas nos campos corretos das GFIPs. Sendo assim, através da documentação trazida aos autos e mesmo através de consultas realizadas nos sistemas, não foi possível concluir pela procedência do pedido de restituição. Diante de tal decisão a contribuinte apresenta outra simples petição (fl. 196), solicitando novamente uma revisão do processo, com o mesmo texto que apresentara na petição recepcionada como manifestação de inconformidade. Apensa à petição nova documentação foi trazida aos autos. É o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL, Relator Analisando a petição apresentada, verifica-se que fora protocolada dentro do prazo recursal, sendo desta feita tempestiva. No entanto, a petição, caso fosse a intenção da contribuinte apresentar Recurso Voluntário, não merece ser conhecida, em razão da completa falta de dialeticidade recursal. Como relatado, a Recorrente se limita a colacionar documentos e solicitar revisão do processo, sem tecer nenhuma consideração no que tange ao mérito do litígio. Como reproduzido no relatório, a DRJ, após análise da documentação apresentada e exposição das inconsistências verificadas, pronunciou-se da seguinte forma: 10. Dessa forma, há inconsistências entre os valores informados nas folhas de pagamento e os valores informados nas GFIP's. Além disso, o resumo geral da folha de pagamento parece englobar também as obras, cujas matrículas CEI são de responsabilidade da empresa e cujas informações devem ser prestadas nas GFIP's de código 155. Não foram juntadas as folhas de pagamento dessas mátriculas. Além disso, não foram juntadas as outras notas fiscais emitidas pela empresa' sobre as quais houve retenção. E nem foram informadas as retenções sofridas e abatidas nos campos corretos das GFIPs. Sendo assim, através da Fl. 390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.934 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13770.001179/2008-17 4 documentação trazida aos autos e mesmo através de consultas realizadas nos sistemas, não foi possível concluir pela procedência do pedido de restituição. A DRJ, com tal posicionamento, noticia que o indeferimento decorreu da falta da comprovação necessária para análise do pedido de restituição. Tanto isso é verdade que na ementa da decisão consta que não é possível a restituição, nas condições apresentadas, quando “os elementos trazidos nos autos do pedido não são suficientes para a verificação do direito creditório.” Quando a contribuinte interpõe simples petição solicitando uma revisão do processo, sem combater os argumentos firmados na decisão, aparentemente recorrida, a defesa recursal se apresenta de forma genérica, falta-lhe dialeticidade. Um recurso para ser conhecido, necessariamente, precisa atacar os fundamentos da decisão que se almeja ser reformada. Deve expor os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, seus pontos de discordância e as razões. Portanto, por falta de enfrentamento dos fundamentos da decisão recorrida o recurso sequer pode ser conhecido. Ademais, a petição pedindo revisão, o que poderia ser lido como verdadeiro pedido de reconsideração, não é cabível como estabelecido pelo Decreto 70.235/72, em seu art. 36: Art. 36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração. Diante do exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário interposto, em razão de completa ausência de dialeticidade recursal. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL Fl. 391DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13869.000021/2003-18
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. COMPENSAÇÃO. A compensação entre tributos de espécies diversas só era possível mediante pedido à SRF. Posteriormente os pedidos de compensação foram substituídos por PER/DCOMP. A existência de saldo credor do IPI não é requisito para que se efetue compensações com débitos de outros tributos do contribuinte sem que haja pleito expresso neste sentido, nem declarações de compensações.
JUROS E MULTA DE MORA. Tributos vencidos e não recolhidos serão acrescidos de juros e multa de mora quando da sua cobrança.
CRÉDITOS BASICOS. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. À falta de disposição legal de amparo é inadmissível a aplicação de correção monetária aos créditos não aproveitados na escrita fiscal por insuficiência de débitos no respectivo período de apuração, devendo o ressarcimento de tais créditos se dar pelo valor nominal.
Pelo princípio da isonomia, não há de ser aplicada atualizações monetárias no crédito básico de IPI a ser ressarcido uma vez que a Fazenda Nacional não corrige os débitos escriturais deste imposto.
POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA CORREÇÃO DOS CRÉDITOS. A Taxa Selic é juros não se confundindo com correção monetária, razão pela qual não pode em absoluto ser usada para atualizações monetárias de ressarcimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-02.337
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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COntlibtintin 1.4F-Sffindb °flecti 00 Ufa°Processo n2 : 13869.00002112003-18 , publico, no, Dli I • A• Recurso n2 : 137.027 Acórdão n2 : 204-02.337 Rita Recorrente : METALÚRGICA GIRASSOL LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP IPI. COMPENSAÇÃO. A compensação entre tributos de espécies diversas só era possível mediante pedido à SRF. Posteriormente os pedidos de compensação foram substituídos por PER/DCQMP. A existência de saldo credor do IPI não é requisito para que se efetue compensações com débitos de outros tributos do contribuinte sem que haja pleito expresso neste sentido, nem declarações de compensações. JUROS E MULTA DE MORA. Tributos vencidos e não recolhidos serão acrescidos de juros e multa de mora quando da sua cobrança. CRÉDITOS BASICOS. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. 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Sala das Sessões, em 29 de março de 2007. /Henrique PinheiroTorra—. Presidente NayCj i3as4s ana s Rel ora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bemardes de carvalho, Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan, Mauro Wasilewslci (Suplente) e Flávio de Sá Munhoz. ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL _ _ t.tBrasíita. ,05 0 .7- 1 c•••••nOnati---...1 Maria Luzintar Novais Mal S1trk: 91641 . . , hW - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4, bizr 2a CC-MF -,..-',.. Ministério da Fazenda Fl. t. I itt Segundo Conselho de Contribuintes ';‘ %,;1?:» CONFERE COM O ORIGINAL l Processo n9 : 13869.000021/2003-18 Brasília. 1 Lre.5_j_03_ Recurso n' : 137.027 cna-- - Acórdão n2 : 204-02337 Maria larli pv m r Novais . li91(3/1 Recorrente : METALÚRGICA GIRASSOL LTDA. RELATÓRIO . . A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de IPI relativo a insumos aplicados na industrialização de produtos, inclusive isentos ou tributados à alíquota zero, com base na Lei n° 9779/99 e IN SRF 33/97, tendo sido deferido integralmente o seu pedido. As compensações vinculadas ao crédito em questão foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido pela autoridade competente. . A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acerca das 'compensações que não foram homologadas pela SRF, alegando em sua defesa: 1. detinha créditos do EM desde 2002, reconhecidos e homologados pela SRF em virtude de compensação informada via DCTF (4° trimestre 2002); 2. a SRF não considerou as compensações informadas na DCTF tendo ' considerado como data da compensação a da apresentação da PER/DCOMP (25/08/04) e por conseqüência cobrou multa de 20% e juros de mora sobre os valores dos tributos compensados até a data da apresentação da PER/DCOMP, ferindo o disposto no art. 13,§ 3° da IN SRF 21/97, substituída pela IN SRF . 210/02; 3. as compensações informadas em DCTF são plenamente válidas não podendo a empresa ser penalizada pelo simples descumprimento da entrega de PER/DCOMP; 4. existindo o crédito anteriormente deveria este ser corrigido pela taxa Selic, conforme jurisprudência do STJ; 5. a sanção por descumprimento de dever instrumental deve estar prevista em lei, o que não é o caso presente. , A DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu a solicitação da contribuinte sob os argumentos de que as compensações pretendidas pela empresa deveriam ter sido objeto de pedido expresso ou de PER/DCOMP e não apenas informadas em DCTF, conforme disciplinava a legislação vigente e que não há previsão legal para atualização monetária de saldo credor do EPI. . Cientificada a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando, em sua defesa, as mesmas razões da inicial. É o relatório.\‘....7}\ i • 2 - - • 22 CC-MF Ministério da Fazenda, ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE S El. Segundo Conselho de :Coturibuintes CONFERE COM O ORIGINAL - - 14 0 5 / 0-9" Processo n2 : 13869.000021/2003-18 Eirasilia. Recurso n2 : 137.027 Acórdão n2 : 204-02.337 Maria Abri! u€15;11211 is N Sia! • (>164 t VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. A questão fundamental a ser tratada no presente recurso diz respeito à compensação pretendida pela contribuinte entre os valores objeto de pedido de ressarcimento de IPI, deferido integralmente pela autoridade fiscal competente, e outros tributos administrados pela SRF informada inicialmente apenas em DCTF. - Ocorre que a IN SRF 21/97 tratando de compensação entre tributos de diferentes espécies estabelece no seu art. 12° que tais compensações deverão ser objeto de pedido de compensação a ser apresentado pelo contribuinte: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2° e 3°. inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em juizado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte em procedimento de oficio ou a requerimento do interessado. § 1° A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2°A compensação de oficio será precedida de notcação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3° A compensação a requerimento do contribuinte será formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo § 4° Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não • tenha sido restituído ou ressarcido. § 5° Se o valor a ser ressarcido ou restituído na hipótese do ç 4°, fjr insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislacão específica § 6° Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4°, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7° A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. • § 8° A parcela do crédito, passível de restituição ou ressarcimento em espécie, que não for utilizada para a compensação de débitos, será devolvida ao contribuinte mediante emissão de ordem bancária na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN n°117, de 1989. . § 9° Os pedidos de compensação de débitos, vencidos ou vincendos, de um estabelecimento da pessoa jurídica com os créditos a que se refere o inciso II do art. 3°, de titularidade de outro, apurados de forma descentralizada, serão apresentados na DRF ou 1RF da jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento titular do crédito, que .. _ decidirá acerca do pleito. O, 3 • 211 CC-MF Ministério da Fazenda ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e. --eIf Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE cora O ORIGINAL• • Brasilia. 14 I 05 • Processo n' : 13869.00002112003-18 Recurso ri" : 137.027 SR—) • Maria Luz - oro Novais • Acórdão: 204-02337 S;atle 91641 • § 10. Na hipótese do parágrafo anterior, a cbmpensação será pleiteada por meio do formulário 'Pedido de Compensação', de que trata o Anexo 111 • No caso concreto a contribuinte não apresentou pedido de compensação, tendo • apenas informado seu intuito de realizá-la via DCTF. Posteriormente as Leis n° 10637/02, 10831'03 e 11.051/04 determinaram que as compensações pretendidas pelo contribuinte deveriam ser . objeto de declaração de compensação • (PER/DCONT). Verifica-se, pois, que as DCTF não são, bem foram, meios hábeis para que a contribuinte realizasse compensações entre tributos . de diferentes espécies. Apenas para as compensações entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional era permitida apenas a informação na DCTF, sem necessidade de pedido expresso (antes da vigência da legislação que • instituiu as declarações de compensação), o que não é o caso dos autos. A necessidade de apresentação de declaração de compensação é inclusive expressa na Lei n° 9430/96 no seu art. 74: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 12 A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Mesmo anteriormente à vigência da legislação que instituiu as declarações de compensação o art. 74 da citada lei também determinava que a compensação entre tributos diversos fosse requerida à SRF: Art. 74. Observado‘ o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requenmento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. O que se verifica dos autos é que, embora os tributos que pretendeu compensar sejam relativos a períodos de fevereiro a maio de 2003, apenas em 22/10/2003 a recorrente apresentou à SRF PER/DCOMP. Esta é a data que deve ser considerada como realizada ou informada à SRF a compensação em questão. Verifica-se aqui que os débitos em questão eram devidos e estavam vencidos quando foi apresentada a PER/DCOMP razão pela qual, nos termos da legislação de vigência, sobre eles deve incidir multa e jurds de mora, exatamente como fez a fiscalização. Vemos o disposto no art. 61 da Lei n° 9430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, de. correntes de tributos e contribuições -- administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem_a - partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, 4 • — - - CC-MF Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ."1: -F1., , Segundo Conselho de Contribuintes irk)- • CONFERE COM O ORIGINAL OSProcesso n2 : 13869.00002112003-18 Brasa. 114 i O Recurso a2 • : 137.027 Acórdão n2 : 204-02.337 Maria fitais M.1/ S . ,:oe 91641 • serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. . § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. : § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à , taxa a que se refere o § 3° do art. .5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. . Verifica-se, portanto, que a incidência de multa e juros moratórios sobre tributos vencidos e não recolhidos no prazo devido é decorrente de lei não podendo a autoridade fiscal deixar de aplicá-los uma vez que a atividade por ela exercida é vinculante e obrigatória Quanto à atualização monetária dos créditos do IPI a serem ressarcidos com base no art. 11 da Lei n° 9.779/99 é de se verificar, primeiramente, como bem frisou a decisão recorrida, que não se trata de repetição de indébito tributário, para a qual há previsão legal expressa para as atualizações monetárias, mas sim de pedido de ressarcimento de créditos básicos do IPÊ Vejamos que o Parecer AGU/MF n° 01/96 trata especificamente de correção monetária no caso de repetição de indébito tributário. O indébito tributário é representado por um recolhimento indevido ou a maior que o devido, ou seja, nos casos em que houve recolhimento a maior beneficiando a Fazenda Nacional. Neste caso toma-se lógico que na restituição do indébito tributário os créditos existentes em favor do sujeito passivo sejam corrigidos monetariamente pelos mesmos índices que a Fazenda usa para corrigir seus créditos. • Neste escopo é que veio a norma contida no atisigo 66 e seu parágrafo 3°, da Lei n° 8.383/91 tratando exclusivamente do indébito tributário, e sua compensação com valores de créditos tributários devidos, determinado em seu parágrafo 3° que tais operações sejam efetuadas pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR, in litteris: -"Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdencidrias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 3 - A compensação ou restituição será efetvarin pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR." \_\ .5 ,- • . ..,; n :"...,,,_ Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22 CC-MF -.,:-,S":". Segundo Conselho de Contribuinte. CONFERE COM O ORIGINAI E. ..• tb.,';› - .. . Brasil‘a. Iti _i 06_2 (- 9 -._ Processo n2 : 13869.00002112003-18 t0.0..‘ Recurso II2 • 13'7.02'7 N44r1a ; s it . na• Novais Acórdão n2 : 204-02.337 • M.d S,,Inv 91141 Da disposição literal da norma invocada tem-se que não contempla o saldo credor do TI acumulado de um período de apuração para outro na escrituração fiscal. O ressarcimento de créditos básicos do 1PI não utilizados no período trata-se, em verdade de um incentivo fiscal, já que o legislador autorizou o ressarcimento em espécie ou sob forma de compensação com outros tributos, de eventual saldo credor do imposto não utilizado na compensação com débitos do próprio TI. • Diferente portanto da restituição, pois não há pagamento indevido, mas sim uma faculdade, concedida pelo legislador de se ressarcir um crédito não utilizado na dinâmica do IPI. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da não-cumulatividade, inserto no artigo 153, § 3°, II, da Constituição Federal, sendo, portanto, instituto de direito público, devendo o seu exercício se dar nos estritos ditames da lei, sob pena de ser o legislador substituído em matéria de sua estrita competência. Assim, à falta de disposição legal de amparo é inadmissível a aplicação de correção monetária aos créditos não aproveitados na escrita fiscal por insuficiência de débitos no respectivo período de apuração, devendo a compensação de tais créditos se dar pelo valor nominal. O Ministro Moreira Alves, do Supremo Tribunal Federal, em despacho exarado no Agravo de Instrumento n° 198889-1/SP, de 26 de maio de 1997, embora tratando de ICMS, esposa pensamento no mesmo sentido: "(...) Segundo a própria sistemática de não-cumulatividade que gera os "créditos" que o contribuinte tem direito, a compensação deve ocorrer pelos valores nominais. Assim dispõe a lei paulista. A correção monetária dos "créditos", além de não permitida pela lei, desvirtuaria a sistemática do tributo. 23.1 — Em outras palavras, o tributo incide e opera-se o sistema de compensação do imposto devido com o tributo já recolhido sobre a mesma mercadoria, o qual impede a incidência de ICM em cascata. Do quantum simplesmente apurado pela aplicação da akquota sobre a base de cálculo, deduz-se o tributo já recolhido em operações aAteriores com aquela mercadoria, ou seus componentes, ou sua matéria prima produto que esteja, incluído no processo de sua produção de forma direta. Assim, os eventuais créditos não representam o lado inverso da obrigação, constitui apenas um registro contábil de apuração do ICMS, visando sua incidência de forma cumulativa. (...) • 25.) Na realidade, compensam-se créditos e débitos pelo valor nominal constituídos no período de apuração. Incidindo correção monetária nos créditos, sendo contabilizado, um que for, em valor maior que o nominal, haverá ofensa ao princípio da não- cumulatividade. É um efeito cascata ao contrário, porque estará se compensando tributo não pago, não recolhido. 26.) O ato de creditar tem como correlativo o ato de debitar. O correspondente dos "créditos" contábeis em discussão são os valores registrados na coluna dos débitos, os• quais também não sofrem nenhuma correção monetária — o que configura mais uma razão a infirmar a invocação da "isonomia" para justificar a atualização monetária dos . . - - chamados "créditos"—Somente após o cotejo das duas colunas quantca-se o crédito. tributário, o que bem demonstra a completa distinção entre este e aqueles.,?2). )\ ‘ 6 -- - • . • e • -,:i. • 22 CG-ME .7,,t.,;•,01, Ministério da Fazenda NIF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n. • '5./à. r.,,,X > Segundo Conselho de Contribuin - CONFERE COMO oRnava.2...t 017liProcesso n2 : 13869.00002112003-18 Brasa. --1---LU ___Ci..Atigo:, • Recurso n2 : 137.027 • M?.flatrAar Novais• Acórdão n2 • 204-02.337 Mv! man.: 911141 • , 27.) Estabelecido a natureza meramente contábil, escriturai do chamado "crédito" do ICMS (elemento a ser considerado no cálculo do montante do 'ais a pagar), há que se concluir pela impossibilidade de corrigi-lo monetariamente. Tratando-se de operação meramente escriturai, no sentido de que não tem expressão ontologicamente monetária, não se pode pretender, não se pode pretender aplicar o instituto da correção ao , creditamento do ICMS. (...) 29.) Por sua vez não há falar-se em violação ao princípio da isonomia, isto porque, em ,. primeiro lugar, a correção monetária dos créditos não está prevista na legislação e, ao vedar-se a correção monetária dos créditos de ICMS não se deu tratamento desigual a. , situações equivalentes. A correção monetária do créditó tributário Incide apenas quando este está definitivamente constituído, ou quando recolhido em atraso, mas não antes , disso. Nesse sentido prevê a legislação. São créditos na expressão total do termo jurídico, podendo o Estado exigi-los. Diferencia-se do crédito escriturai, que existe para fazer valer o princípio da não cumulatividade." (destaques do original) Teve a mesma compreensão o voto manifestado pelo Ministro Maurício Corrêa, • no R.E. no 223.566-4/SP, de 31 de março de 1998, que também trata de ICMS, que foi assim ementado: m"E0MNTENTÁRAIA: DRGÉCDUÉRBS DÉBITO O si,i1C0MLES. GALCORPRAERAÇÃ AOEXTRAORDINÁRIO. INEXISTÊNCIANCTRIIA LBYTEÁPRRIEVIa ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO • PRINCÍPIO DA ISONOMIA E AO DA NÃO-CUMULAT7WDADE. IMPROCEDÊNCIA. Crédito de ICMS. Natureza meramente contdbil. Operação . escritural, razão pela qual não se pode pretender a aplicação da atualização monetária. A correção monetária do crédito do ICMS, por não estar prevista na legislação estadual, não pode ser deferida pelo Judiciário sob pena de substituir-se o legislador em matéria de sua estrita competência. Alegação de ofensa ao prikicípio da isonomia e ao da não-cumulatividade. Improcedência Se a legislação estadual somente prevê a correção monetária do débito , tributário e não a atualização do crédito, não &I que se falar em tratamento desigual a • situações equivalentes. • 3.1 A correção monetária incide sobre o débito tributário 'devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferencia-se do crédito escriturai — técnica de contabilização para a equação entre débito e crédito -, afim de fazer valer o princípio da não-cunutlatividade." . As manifestações do Supremo Tribunal Federal favoráveis à atualização i monetária dos créditos escriturais dos tributos submetidos ao princípio da não-cumulatividade se dão nas hipóteses em que há obstáculo ao creditamento, consubstandiado em atuação do fisco. Tal não ocorre com a espécie sob análise. É, ainda de se observar que as atualizações monetárias que a Fazenda utiliza na correção de seus créditos estão disciplinadas pela Norma de Execução Conjunta • SRF/COSIT/COSAR no 08, de 27.06.97, que determina a correção monetária dos indébitos, até ' 31.12.1995, deverá ater-se aos índices formadores dos coeficientes da tabela anexa à Norma, que, por sua vez, correspondem àqueles previstos nas normas legais da espécie, bem c mo aos li 7 ...\ . Ministério da Fazenda ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22 CC-MF ti Segundo Conselho de Contribuint CONFERE COM O ORK;;NAL eras ika. (:»5 Processo n2 : 13869.000021/2003-18 Recurso n2 : 137.027 Maria Luri: lar Novais Acórdão n2 : 204-02.337 11!at Sm! t: 91641 admitidos pela Administração, com base nos pressupostos do Parecer AGU no 01/96, para os períodos anteriores à vigência da Lei n° 8.383/91, quando não havia previsão legal expressa para a correção monetária de indébitos. A partir de 01.01.96, sobre os indébitos passa a incidir, exclusivamente, juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para' títulos federais, acumulada mensalmente. O valor da taxa Selic não espelha mera atualização monetária. A atualização refere-se à correção monetária. Trata-se de se calcular o valor monetário nominal presente que certa quantia, anteriormente expressa também em cifra nominal, teria ante a inflação. Seria. simplesmente a aplicação sobre um valor monetário nominal originário de índices de atualização' (ou correção) monetária, a exemplo do IPC, IPCA, IGPM, etc. índices esses que, por seu turno,. buscam espelhar a desvalorização da moeda, em virtude da inflação, unicamente. No valor constante da assim denominada taxa Selic, contudo, há a incidência não de índice de atualização monetária apenas, mas de taxa de juros. Juros esses que são, atualmente, equivalentes à assim denominada taxa Selic. Fato é, portanto, que tal valor está acrescido de juros, em percentual equivalente à taxa Selic, e não de índice algum de correção monetária. Impende salientar e fixar em mente peremptoriamente que juros não são - nem jamais o foram, em delíquio algum - índice qualquer de atualização ou correção monetária. Trata-se de coisas completa e totalmente diferentes. Os índices de Correção monetária são percentuais matemáticos que refletem a inflação de determinado período pretérito, sendo usados para recompor o poder de compra da moeda (assim considerada em seu valor nominal) de forma a neutralizar os efeitos da inflação. Os juros, por sua vez, constituem frutos civis do capital, sendo, portanto, rendimentos oriundos do uso desse capital ao longo do tempo, de modo que espelham ganhos ou acréscimos patrimoniais, e não simples recomposição de poder de compra da moeda, como se dá t com a atualização monetária. Os juros não servem para mensuranma inflação ocorrida e recompor o poder aquisitivo da moeda. Eles refletem perspectivas de ganhos do capital. Muito a propósito, outra não é a preleção que nos oferta Luiz Antônio Scavone Júnior: "É importante observar que os juros - frutos civis que espelham ganho real - não se confundem com a correção monetária, o que se afirma na exata medida em que esta é, portanto, o efeito dos acréscimos ou decréscimos dos preços e, em decorrência, a modcação do poder aquisitivo da moeda "Se assim o é, a correção monetária também espelha um percentual. Todavia, esse percentual representa, apenas, a desvalorização da moeda e não lucro - rendimento ou fruto civil - que é característica do juro, remuneração do , capital e, bem assim, acréscimo real ao valor inicial (in Juros no Direito Brasileiro. São Paulo: RT, 2003, pgs. 279/280)." Por tudo isso, aflora bastante nítido e cristalino que a taxa Selic de juros não pode ser utilizada comó índice de atualizado monetária assim como jamais o foi pela União_ Federal em instante algum, mas somente se prestandõ —a ser empregada-enquanto aquilo que E -- uma taxa de juros. 8 _ _ CC-MFMinistério da Fazenda Fl..w Segundo Conselho de Contribuintes hW - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CÔN ce.r.r. COMO OFHG:NAL Processo n2 13869.000021/2003-18 erac,ffia11.. _1 05 , Recurso n2 : 137.027 Acórdão n2 : 204-02.337 NnvaiS • ', min: 9;h4I Neste ponto, há de se socorrer no-viiiiérità—dárli0erdert ' onio Scavone Júnior: "Resta evidente, de sua conformação, çue a taxa Selic não representa, no seu todo, correção monetária. "Trata-se, em verdade, de taxa de juros, não espelhando os aumentos e diminuições de preços da economia, nada obstante esses elementos possam influir na sua fixação pelo Copam. "Todavia, a simples influência de perspectiva futura e de elementos passados dos aumentos e diminuições de preços na economia não possui o condão de atribuir natureza de correção monetária à taxa Selic. • - "Basta, a título exempliflcativo, verificar que a taxa Selic atingiu, efetivamente, 25,59% no ano de 1999, enquanto que o INPC (índice Nacional de Preços ao Consumidor), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no mesmo período, representou 9,47% (op. cit., pgs. 3165 17).- E prossegue o indigitado autor em sua lição, sufragando o acerto do quanto aqui • preconizada pela Fazenda Nacional no sentido de que não se pode usar taxa de juros como índice de correção monetária, como não o poderia deixar de ser: "A taxa Selic, em verdade, possui natureza de taxa de juro, mormente ante toda a sistemática de sua fixação, como amplamente demonstrado nas atas das reuniões do Copam "Pouco importa, no caso, se a taxa é aplicada a título de juros compensatórios ou moratórias ou se contém, como elemento de sua fi ração, expectativa de inflação e se destine a neutralizar seus efeitos. "O que importa é que sua natureza jurídica é de juro vedada, portanto, sua utiliza cão como mecanismo de atualização (id., pg. 317, grifo nosso)." Ante todas essas considerações, forçoso é reconhecer que, uma vez que se não pode usar uma taxa de juros como índice de correção monetária, não se pode utilizar a taxa de juros SELIC para cálculo de atualização monetária algum, haja vista que ela não tem a natureza de índice de correção monetária simplesmente, mas sim de taxa de juros. Com isso, ao pretender utilizar a ora recorrente a taxa Selic para atualizar o valor dos créditos escriturais de IPI, estaria a inserir juros (e não simples atualização monetária) no montante a haver. Tal acréscimo, porém, é gritante e patentemente indevido, haja vista que não somente não há lei a autorizar tal coisa, como ainda pelas mesmíssimas e idênticas razões que os créditos escriturais não sofrem sequer correção monetária, tampouco rendem juros, pois que ES" se trata de repetição de indébito tributário ou seja, de uma situação em que alguém recolheu um tributo indevidamente, mas sim de créditos meramente financeiros ou escriturais de IPI. Por conta disso, vale dizer, do fato de que não se trata de tributo a ser repetido, inexiste aqui capital transladado de uma pessoa para outra indevidamente, de maneira que aquele que deteve o capital sem azo durante certo período deva responder pelos possíveis frutos civis .. que esse capital teria gerado, como aconteceria cornos juros. Em suma, não se verifica aqui - 9 • e . T - ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUI NfF2 C - -.• •- Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL : Segundo Conselho de Contribuintes Brasika. 1 Il._ 1 05 i 61 : '1 Fl. >,2-.- 4 4'. to—,Processo n2 : 13869.000021/2003-18 Ntin.rlt-I b t Newais IRecurso n2 : 137.027 k, ,,.,..01+.41 4 4 Acórdão ir2 : 204-02.337 qualquer possibilidade de incidir juros de mora à taxa Selic sobre os créditos da recorrente por falta de previsão legal. . Nesse passo, para concluir, não é demais lembrar a respeito da impossibilidade de se fazer incidir juros Selic sobre os supostos créditos da recorrente, ante a — no que também é oportuno relembrar — a inexistência absoluta lei que preveja a incidência de juros SEU C sobre créditos escriturais de IPI, sejam eles reais, provenientes de entradas tributadas, ou virtuais, como os créditos imaginários da contribuinte. 1 Ademais disto é de se verificar que jamais a Fazenda Nacional corrigiu monetariamente ou aplicou juros sobre os débitos escriturais do FPI. O que era passível de atualização monetária, até 31/12195, era o imposto, que não se confunde com débitos e créditos escriturais. A partir de janeiro/96 a Fazenda Nacional sequer atualiza o imposto, como já foi dito, limitando-se a aplicar sobre os valores não recolhidos do tributo juros de mora. Portanto, à luz de tudo o que se expôs neste voto, não há que se falar em incidência de juros Selic para corrigir créditos escriturais de IN, devendo-se, portanto, ilidir por completo a pretensão da recorrente neste particular. • Diante do exposto, nego provimento ao recurso interposto, nos termos do voto. Sala das Sessões, em 29 de março de 2007. . . :-. wA ...,_\e„,,,,-.... . NA BA TOS MANATTA /1 , • . 4', N • , ;•, _ _ _ ___ __ • . _ _ 10 .__ Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10508.720385/2015-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO.
A legislação expressamente determina o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda à razão de 20% sobre a receita bruta da atividade rural quando contribuinte não escritura no Livro Caixa as receitas e despesas decorrentes dessa atividade.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indeferem-se os pedidos de realização de diligência e perícia quando não há dúvidas para o julgamento da lide.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA.
A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, dispondo, no processo, de todos os elementos que lhe possibilitam rebatê-las, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 2402-012.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário interposto e, no mérito, negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
João Ricardo Fahrion Nüske – Relator
Assinado Digitalmente
Francisco Ibiapino Luz – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Rodrigo Duarte Firmino, Gregório Rechmann Junior, Marcus Gaudenzi de Faria, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Rodrigo Rigo Pinheiro(substituto[a] convocado[a] para eventuais participações), Francisco Ibiapino Luz (Presidente)
Nome do relator: JOAO RICARDO FAHRION NUSKE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário interposto e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente João Ricardo Fahrion Nüske – Relator Assinado Digitalmente Francisco Ibiapino Luz – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Rodrigo Duarte Firmino, Gregório Rechmann Junior, Marcus Gaudenzi de Faria, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Rodrigo Rigo Pinheiro(substituto[a] convocado[a] para eventuais participações), Francisco Ibiapino Luz (Presidente)
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. A legislação expressamente determina o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda à razão de 20% sobre a receita bruta da atividade rural quando contribuinte não escritura no Livro Caixa as receitas e despesas decorrentes dessa atividade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferem-se os pedidos de realização de diligência e perícia quando não há dúvidas para o julgamento da lide. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, dispondo, no processo, de todos os elementos que lhe possibilitam rebatê- las, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 1756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada no recurso voluntário interposto e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente João Ricardo Fahrion Nüske – Relator Assinado Digitalmente Francisco Ibiapino Luz – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Rodrigo Duarte Firmino, Gregório Rechmann Junior, Marcus Gaudenzi de Faria, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Rodrigo Rigo Pinheiro(substituto[a] convocado[a] para eventuais participações), Francisco Ibiapino Luz (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10508.720385/2015-62, em face do acórdão nº 11-59.780 -, julgado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJREC), em sessão realizada em 24 de maio de 2018, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 11, através do qual é cobrado, relativamente aos anos calendário de 2010, exercício 2011, o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, sujeito à multa de ofício, no valor de R$2.644.160,91, acrescido ainda de juros de mora (calculados até 10/2015), perfazendo um crédito tributário total de R$ 5.798.116,04. 2. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 3 e 4, os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: 2.1. Omissão de rendimentos recebidos da atividade rural 2.2. Despesa da atividade rural não comprovada nos valores de: Fl. 1757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 3 3. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 12 a 25), a autoridade lançadora relata os fatos que redundaram na lavratura do Auto de Infração. Seguem trechos pertinentes do citado relatório: O contribuinte foi selecionado para fiscalização do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do exercício de 2011, ano-calendário de 2010, tendo em vista a verificação de baixa lucratividade da atividade rural informada em sua DIRPF do período. As receitas de atividade rural declaradas foram principalmente as de venda de eucalipto. A fim de comprova-las o contribuinte apresentou quatro contratos de compra e venda sendo três com a empresa Aracruz Celulose e um com a empresa Suzano Bahia Sul Celulose. Além disso, apresentou também demonstrativo dos pagamentos feitos por essas empresas tanto pela Aracruz quanto pela Suzano durante o ano-calendário 2010, tratando-se de comprovante, emitidos pelas mesmas, dos valores pagos pela madeira entregue no período, assim como demonstrativos dos adiantamentos concedidos no período e da quitação de adiantamentos anteriores. (...) Com relação às receitas, foram abertas diligências junto às empresas Aracruz Celulose e Suzano Bahia Sul Celulose, por serem os principais clientes do contribuinte com a finalidade de verificar os pagamentos feitos a Jamil Antonio Filho como segue: A empresa Aracruz confirmou que os pagamentos feitos a Jamil Antonio Filho foram referentes à operação comercial tratando-se de compra de madeira, de floresta constituída através do programa de fomento florestal referentes aos contratos de nº 03845, 06755 e 06756. Apresentou planilha dos pagamentos decorrentes da compra de madeira, no ano- calendário de 2010 e cópia dos contratos de compra e venda de madeira. (...) Questionada sobre a diferença apurada, a empresa esclareceu que o valor pago ao Sr. Jamil Antonio Filho é composto da seguinte forma; 1 – Valor das notas de entrada, que é a compra efetiva da madeira 2 – Valor de bonus determinado em contrato pelo cumprimento no prazo da entrega, no tamanho da madeira 3 – Adicional de frete, quando a distância da propriedade for superior a 80 km do depósito; e 4 – Adicional de frete quando a madeira for entregue em depósito diferente do que está acordado no contrato, por solicitação da empresa Após a empresa ter esclarecido o pagamento de R$9.128.800,67, verificamos em nossas pesquisas em Sistema da Receita Federal, que havia mais duas notas fiscais Fl. 1758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 4 de entrada referente à compra de mandeira pela Aracruz, que não foram informadas nem pela empresa nem pelo Sr. Jamil. (Valor total de R$1.109.919,68) Desta forma, esta difrença deverá ser acrescida a base de cálculo como receita bruta da atividade, Decreto 3000/99, arts. 57 a 64, 71 a 83, Lei 8023/90, 8134/90 e 9250/95, IN SRF 83/01. (...) Com relação à informação prestada na DIRPF sobre os adiantamentos da SUZANO em 2010, houve divergências nas informações quanto aos descontos de adiantamento. O contribuinte informou ter sido descontado em 2010, R$36.218,23, valores estes convertidos em m3 de madeira e informado no Livro Caixa do contribuinte como receita da atividade, quando na verdade, segundo informações da própria SUZANO, o valor descontato foi de R$51.204,08. Esta diferença, no valor de R$14.985,85 deverá ser acrescida a base de cálculo como receita bruta da atividade. (...) Nos chamou a atenção a despesa com empresa L de Oliveira Borges, devido ao seu valor total de R$8.162,438,49. Essa empresa prestou serviços de corte de madeira de eucalipto e transporte do mesmo, como se verifica na tabela acima em fretes e carretos e serviços de colheira, despesas para as quais foram apresentadas notas fiscais, emitidas pela empresa. A despesa representa aproximadamente 85% da receita da atividade rural e 86,9% da despesas de custeio, sendo de longe o principal custo do produtor Jamil Antonio Filho. Outros aspectos que chamaram a atenção com relação à empresa L. de Oliveira Borges; - Trata-se de um micro empresário individual que tem como atividade cadastral a produção de eucalipto e atividades não cadastradas de prestações de serviços de colheita e transporte de eucalipto, que possui um volume financeiro não compatível com o porte da empresa. - criada em 02.2010, mesmo mês que começou a prestar serviços a Jamil Antonio Filho, e declarada não habilitada pela SEFAZ/BA desde 09/2011 - as notas fiscais foram emitidas fazendo referência ao número do contrato da Aracruz Celulose e Suzano Bahia Sul, ou seja, a plantação em que estava sendo prestado o serviço. Veja que com relação ao contrato 6756, da Aracruz, o valor total recebido no ano por esse contrato foi de R$1.701.723,51 e o pagamento a L. de Oliveira Borges pela prestação do serviço referente a esse contrato foi de R$1.625.776,60. Praticamente todo o valor pago pela ARACRUZ para contrato 6756, para o ano-calendário 2010, foi destinado a despesas com a L. de Oliveira Borges ME. Foi então, solicitado ao contribuinte através do Termo de Intimação 001 a comprovação do pagamento das despesas a L. de Oliveira Borges, como segue: Em resposta ao Termo de Intimação o contribuinte alegou o seguinte; Fl. 1759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 5 - que os serviços foram efetivamente pagos, mediante contra-partida de documentação hábil e idônea, no caso, a apresentação das notas fiscais de serviços prestados de colheira e tratos culturas em áreas não colhidas. Informou que os serviços prestados a que se refere as notas fiscais apresentadas abrangem não só a área que gerou o rendimento mas outras em que possui plantio. O item 03 da resposta a intimação o contribuinte cita os serviços prestados pela L de Oliveira Borges nas unidades de produção, sendo eles: - Serviços de colheita - Construção de estradas principais, secundárias e de contorno - Nivelamento e rebaixamento de tocos em áreas colhidas - Plantios - Combate a formigas - Roçada mecanizada e aplicação de herbicidas - Nas áreas colhidas, serviço de subsolagem - Serviço de cobate a cupins - Serviço de adubação Os serviços alegados pelo contribuinte não estão de acordo com os serviços descritos nas notas fiscais que são apenas de transporte, eolheita e baldeio. Além disso, elas fazem referência aos contratos de produção de eucalipto e se resumem as áreas que tiveram colheira e receitas tributadas. (...) Para que as despesas sejam consideradas dedutíveis elas têm que ser necessárias, efetivamente pagas no ano-calendário e comprovadas com documento hábil e idôneo. A fim de comprovar as despesas com a empresa L. de Oliveira Borges, o contribuinte apresentou notas fiscais de serviço. As notas fiscais apresentadas teriam a finalidade de comprovar a despesa mas não o seu pagamento. Dessa forma, as despesas mesmo que tivessem sido consideradas necessárias, teriam que ter sido efetivamente pagas no ano-calendário, o que não foi comprovado. Não tendo sido comprovado o efetivo pagamento das despesas declaradas pelo Sr. Jamil Antonio Filho junto a empresa L. de Oliveira Borges ME, não resta outra alternativa a esta fiscalização a não ser a glosa das referidas despesas, num total de R$8.162.438,49, no ano-calendário 2010. DAS DESPESAS COM GADO E COM FAZENDAS IMPRODUTIVAS O contribuinte apresentou despesas diversas com relação à criação de animais, tratando-se da sua segunda atividade rural. Foram deduzidas despesas com Fl. 1760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 6 compra de gado, ração de animais e vacinas no ano-calendário 2010, de acordo com seu livro caixa. Foram consultadas as DIRPF´s do ano-calendário 2009 a 2012 e verificou-se que durante esses quatro anos o contribuinte não apresentou nenhuma receita com venda de animais. Para que as despesas sejam dedutíveis estas devem estar relacionadas a uma atividade produtiva, sendo assim, a atividade deve gerar uma receita correspondente. Foi solicitado ao contribuinte através do Termo de Intimação 002, a apresentação de todos os controles e registros da atividade pecuárias, não tendo o contribuinte atendido a mesma. Dessa forma, não tendo o contribuinte comprovado a necessidade da despesa através da comprovação de sua relação a uma receita correspondente, ficam glosadas as despesas realizadas durante o ano-calendário 2010, com a relação à atividade pecuária. Seguindo o mesmo raciocínio, foram verificados diversos contratos de compra e venda de eucalipto entre o Sr. Jamil e as empresas Suzano e Aracruz. Foram verificadas que algumas fazendas não possuem um contrato de compra e venda para plantação de eucalipto correspondente. Sendo a plantação de eucalipto e a atividade pecuárias suas atividades rurais informadas, não tendo sido considerada, por esta fiscalização, a tividade pecuária como produtiva no ano- calendário 2010 e não havendo outra atividade rural nos registros apresentados pelo contribuinte, consideramos a fazendas sem um contrato de compra e venda de eucalipto correspondente como improdutivas no ano-calendário 2010, tendo assim as suas despesas glosadas de acordo com os registros do livro caixa apresetnado, no qual é identificada a despesa como sendo de respectiva fazenda, de acordo com as siglas informadas, já descritas anterioremente neste relatório. Dessa forma foram glosadas pela fiscalização as despesas das seguintes fazendas: Fazenda Futurosa, Fazenda Paraíso, Fazenda Gado Bravo e Fazenda Três Barras. Em julgamento a DRJ firmou a seguinte posição: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2011 ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. A legislação expressamente determina o arbitramento da base de cálculo do imposto de renda à razão de 20% sobre a receita bruta da atividade rural quando contribuinte não escritura no Livro Caixa as receitas e despesas decorrentes dessa atividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 1761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 7 Indeferem-se os pedidos de realização de diligência e perícia quando não há dúvidas para o julgamento da lide. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, dispondo, no processo, de todos os elementos que lhe possibilitam rebatê-las, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repetindo na íntegra os argumentos trazidos na impugnação, qual seja, a ausência de omissão de rendimentos e da correta dedução de despesas com produção. É o relatório VOTO Conselheiro João Ricardo Fahrion Nüske, Relator Sendo tempestivo e preenchidos parcialmente os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Considerando que os argumentos trazidos em sede recursal são os mesmos da impugnação e, considerando que o Recorrente não trouxe nenhum argumento e/ou justificativa capaz de demonstrar equívoco no Acórdão recorrido e, por concordar com os fundamentos utilizados, decido mantê-lo por seus próprios fundamentos, valendo-me do artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/996 c/c o artigo 114, §12, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”)7 , o qual adoto como razão de decidir, in verbis: Do pedido de diligência Fl. 1762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 8 7. Relativamente à diligência solicitada pela defesa, esclarecemos que tal pedido deve obedecer aos requisitos constantes do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV - as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93); § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art.16. (introduzido pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). (...)" 8. Além dos requisitos previstos no art. 16 supra, deve ser analisado se o pedido de realização de diligência ou perícia é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, de acordo com o que dispõe o art. 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.” 9. A realização de diligências e perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. 10. In casu, não houve a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, como se constata da leitura da peça impugnatória, devendo ser indeferido o pedido. 11. Ademais, entendo que não há qualquer dúvida para o julgamento da lide, à luz da documentação já acostada ao processo. 12. Rejeito, portanto, o pedido de realização de diligência. Da alegação de nulidade 18. O impugnante alega que não lhe foi concedido o direito de demonstrar que o lançamento foi ilegal e ilícito, tendo em vista que a glosa de despesas da atividade rural, teria baseado simplesmente na afirmação administrativa do autuante, atribuindo-lhe uma certeza e liquidez absoluta. Fl. 1763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 9 18.1. Com fundamento nos princípios da motivação e da objetividade, requer o interessado que seja declarada a nulidade do MPF n° 0510500/00038/2013, e, via de consequência, do auto de infração em questão. 19. De pronto, devemos deixar claro ao contribuinte que o mesmo foi intimado diversas vezes durante o procedimento fiscal, sendo-lhe concedido prazo para prestar esclarecimento e apresentar documentos comprobatórios. 19.1. Ressalte-se ainda que toda a autuação fiscal se encontra detalhada e motivada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 25, que é parte integrante e inseparável do Auto de Infração. 19.2. Ao contribuinte foi concedido prazo de defesa, o qual foi plenamente utilizado ao protocolar a peça impugnatória de fls. 1236 a 1264, através da qual o interessado revela conhecer detalhadamente as infrações que lhe foram imputadas, rebatendo tanto questões preliminares quanto de mérito. 19.3. O art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, tem a seguinte dicção: aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. O contraditório traduz-se na faculdade da parte de manifestar sua posição sobre fatos ou documentos trazidos ao processo pela outra parte. É o sistema pelo qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e de reagir contra esses. Já o princípio da ampla defesa significa a possibilidade de rebater acusações, alegações, argumentos, interpretações de fatos, interpretações jurídicas, para evitar sanções ou prejuízos, não pode ser restrita, no contexto em que se realiza. Daí a expressão final do inciso LV, ‘com os meios e recursos a ela inerentes’. 19.4. O princípio da ampla defesa está previsto também no Decreto nº 70.235/1972, sendo sua inobservância causa de nulidade do processo administrativo fiscal, conforme art. 59, in verbis: “Art. 59. São nulos: ... II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” 19.5. Ocorre que o impugnante reclama da não aplicação dos princípios da ampla defesa e do contraditório por parte da autoridade lançadora. No entanto, esses princípios são processuais, isto é, devem ser obrigatoriamente obedecidos após instaurada a lide entre as partes e não durante o procedimento de investigação de que decorreu o lançamento. 19.6. A título exemplificativo, podem também ser citados os seguintes Acórdãos emanados do Conselho de Contribuintes: (...) Fl. 1764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 10 19.7. Assim, restando demonstrado que não houve qualquer cerceamento do direito de defesa do contribuinte, e, desde que não resta caracterizada a ocorrência de nenhuma outra das hipóteses de nulidade previstas na legislação, deve ser afastada a preliminar suscitada. Da tributação da atividade rural 20. A matéria deste processo é regida pelo artigo 18 da Lei 9.250, de 1995, assim regulamentado no RIR/99, em seu artigo 60 (Decreto Nº 3.000, de 1999): Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano- calendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 2º). § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinquenta e seis mil reais faculta-se apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 3º). § 4º É permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem sequencial ou tipograficamente. § 5º O Livro Caixa deve ser numerado sequencialmente e conter, no início e nº encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. § 6º A escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente ano calendário. § 7º O Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. (...)grifos acrescidos 20.1. Por seu turno, a Instrução Normativa SRF nº 83, de 11/10/2001, que dispõe sobre a tributação dos resultados da atividade rural das pessoas físicas, estabelece. (...) Fl. 1765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 11 Art. 7º Considera-se despesa de custeio aquela necessária à percepção dos rendimentos da atividade rural e à manutenção da fonte pagadora, relacionada com a natureza das atividades rurais exercidas. Art. 8º Considera-se investimento a aplicação de recursos financeiros, durante o ano-calendário, que visem ao desenvolvimento da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade, realizados com: (...) Art. 10. As despesas de custeio e os investimentos são comprovados mediante documentos idôneos, tais como nota fiscal, fatura, recibo, contrato de prestação de serviços, laudo de vistoria de órgão financiador e folha de pagamento de empregados, identificando adequadamente a destinação dos recursos. Parágrafo único. A Nota Fiscal Simplificada e o Cupom de Máquina Registradora, quando identificarem o destinatário das mercadorias ou produtos, são documentos hábeis para comprovar despesas efetuadas pelas pessoas físicas na apuração do resultado da atividade rural. 20.2. Devemos considerar, ainda, as instruções do preenchimento da DIRPF constantes do Ajuda do programa. Abaixo transcrevemos parte da orientação apresentada na DIRPF/2011: (...) Pode ser considerado despesa de custeio e investimento o gasto, realizado nº ano-calendário de 2010, com computador, telefone, fax, combustíveis, lubrificantes, salários, aluguéis, arrendamentos, ferramentas, utensílios, corretivos e fertilizantes, defensivos agrícola e animal, rações, vacinas e medicamentos, impostos (exceto imposto sobre a renda), taxas, contribuições para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e demais encargos trabalhistas, benfeitorias realizadas no imóvel (currais, casas, galpões, açudes, pastagens, cercas, desmatamentos etc.), aquisição de tratores, equipamentos, implementos, veículos de carga, utilitários rurais, reprodutores, matrizes, rebanho de cria e engorda, desde que necessários ao desenvolvimento da atividade, à expansão da produção ou à melhoria da produtividade rural. (...) As despesas devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, tais como notas fiscais, guias de recolhimento de Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) e de encargos trabalhistas, recibos emitidos por empregados ou prestadores de serviço etc. Fl. 1766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 12 (...) 20.3. Da leitura dos artigos e das instruções de preenchimento da DIRPF, verifica- se que, independentemente de determinado gasto se enquadrar como despesa de custeio ou como investimento, será ele dedutível caso atenda aos seguintes requisitos: a) deve estar relacionada com a atividade exercida; b) deve ser efetivamente realizada no decurso do ano-calendário correspondente ao exercício da declaração; c) deve ser necessária à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; d) deve estar escriturada em Livro Caixa e comprovada com documentação idônea. Do Pedido de Arbitramento. 21. Primeiramente, devemos registrar que, considerando o valor da receita bruta total recebida pelo contribuinte no ano-calendário em questão, o mesmo não estava dispensado de realizar o registro do Livro Caixa (§3º do art. 18, da Lei nº 9.250/1995). 21.1. A opção efetuada pelo contribuinte de tributação dos resultados da atividade rural (receitas – despesas) está prevista no artigo 63 do RIR/99 e tem como base legal a Lei nº 8.023/90, art. 4º e Lei nº 8.383/91, art. 14. Essa é a regra geral de tributação dos resultados da atividade rural, permitindo, inclusive, a compensação de prejuízos dessa atividade. 21.2. Todavia, essa possibilidade que o contribuinte tem de fazer a opção pelo modelo de tributação que seja mais favorável para a sua atividade, se pela diferença entre receitas e despesas no livro caixa ou pela aplicação de 20% diretamente sobre a receita bruta, conforme a previsão contida no art. 5º da Lei nº 8.023/90 (art. 71 do RIR/99), deve ser exercida quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual, no anexo da atividade rural. 21.3. Nesse sentido destaque-se a jurisprudência de segunda instância: (...) 21.4 O arbitramento não constitui punição, mas sim uma forma de apuração do resultado da atividade rural. Ou seja, a apuração do resultado pela utilização desse critério é uma faculdade concedida ao contribuinte, que pode escolher também como forma de tributação a diferença entre receitas e despesas no livro caixa. Cabe, no momento da apresentação da DIRPF, ao contribuinte verificar qual é a forma de tributação que lhe é mais vantajosa. 21.5 Assim, a escrituração existiu e foi considerada pela fiscalização para apuração do resultado tributável da atividade rural. Agiu corretamente a autoridade fiscal, uma vez que a existência da escrituração não configura caso de arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do ano-calendário (§2º do art. 18, da Lei nº 9.250/1995). Lembrando que os agentes públicos devem aplicar as Fl. 1767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 13 disposições da legislação tributária, uma vez que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do CTN). 21.6 O fato de existir receita bruta omitida ou despesa da atividade rural não comprovada não invalida o Livro Caixa e não é fato suficiente para mudar a forma de tributação escolhida pelo contribuinte no momento da apresentação da sua DIRPF. Mais uma vez, esse fato não configura falta de escrituração, mas sim escrituração incompleta ou falta de comprovação. Ressalte-se novamente que o Livro Caixa apresentado foi considerado pela fiscalização para a apuração do resultado tributável da atividade rural. Da escrituração de despesas com gado e fazendas improdutivas 22. Primeiramente, devemos verificar que o contribuinte possui diversas fazendas que fazem parte da sua atividade rural, de acordo com o Livro Caixa apresentado. São elas: Fazenda Futurosa, Fazenda Novo Horizonte, Fazenda Paraíso, Fazenda Gado Bravo, Fazenda Rancho Colorado, Fazenda Veneza, Fazenda Três Barras, Fazenda Boa Vista. Ademais, também explora atividade rural na Fazenda Maravilha, de propriedade da Sra. Rosimeri das Graças Pereira de Aguiar, mediante a formalização de um contrato de comodato. 22.1. Acrescente-se que o Livro Caixa possui siglas que identificam a despesa de acordo com a fazenda a que ela se refere. 22.2. Registre-se ainda que, de acordo com a Declaração apresentada pelo contribuinte e anexada à fl. 907, o mesmo informa que não houve nenhuma atividade produtiva durante o ano de 2010 nas fazendas Futurosa, Paraíso e Três Barras, e que, na Fazenda Gado Bravo, houve apenas atividade pecuária. Também não foi apresentado nenhum contrato de compra e venda para plantação de eucalipto relativo a essas fazendas. 23. Em consulta às DIRPFs do contribuinte relativas aos exercícios de 2010 a 2013, verificou-se que não foi declarada nenhuma receita com venda de animais. Entretanto, o interessado informou em seu Livro Caixa despesa com compra de gado, ração de animais e vacinas. 23.1. As referidas despesas não são dedutíveis no Livro Caixa, uma vez que não possuem uma receita correspondente. Sendo assim, mantenho a glosa das despesas relacionadas à atividade pecuária (Fazenda Gado Bravo). 24. O mesmo raciocínio vale para as fazendas improdutivas, ou seja, as que não possuem atividade rural comprovada e receita correspondente. Portanto, também deve ser mantida a glosa das despesas relativas às fazendas Futurosa, Paraíso e Três Barras. Fl. 1768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 14 Despesa relativa à empresa L. de Oliveira Borges 25. A autoridade fiscal verificou que a despesa registrada no Livro Caixa do contribuinte relativa à empresa L. de Oliveira Borges (serviço de colheita, frete e carretos) corresponde a aproximadamente 85% da receita atividade rural e 86,9% da despesa de custeio. 26. Diante da expressividade da despesa, foi aprofundada a fiscalização na empresa prestadora do serviço a fim de comprovar a efetiva realização do serviço e o efetivo pagamento. A autoridade fiscal obteve as seguintes informações: - Trata-se de um micro empresário individual que tem como atividade cadastral a produção de eucalipto e atividades não cadastradas de prestações de serviços de colheita e transporte de eucalipto, que possui um volume financeiro não compatível com o porte da empresa. - criada em 02.2010, mesmo mês que começou a prestar serviços a Jamil Antonio Filho, e declarada não habilitada pela SEFAZ/BA desde 09/2011 - as notas fiscais foram emitidas fazendo referência ao número do contrato da Aracruz Celulose e Suzano Bahia Sul, ou seja, a plantação em que estava sendo prestado o serviço. Veja que com relação ao contrato 6756, da Aracruz, o valor total recebido no ano por esse contrato foi de R$1.701.723,51 e o pagamento a L. de Oliveira Borges pela prestação do serviço referente a esse contrato foi de R$1.625.776,60. Praticamente todo o valor pago pela ARACRUZ para contrato 6756, para o ano-calendário 2010, foi destinado a despesas com a L. de Oliveira Borges ME. 26.1. Em função dessas informações, o contribuinte foi intimado e reintimado a comprovar o efetivo pagamento da referida despesa. Em resposta, apenas informa que o serviço foi pago em contrapartida da emissão das notas fiscais. Acrescentou ainda que o serviço prestado abrange não só a área que gerou o rendimento, mas outras em que possui plantio. Por fim, lista os serviços que teriam sido prestados pela empresa L. de Oliveira Borges. 26.2. Da análise dessas informações verifica-se que: - Primeiramente, caso parte do serviço fosse destinado a áreas improdutivas, não poderiam ser deduzidos do Livro Caixa do contribuinte; - Os serviços listados na resposta ao Termo de Intimação não estão de acordo com os serviços especificados nas notas fiscais (colheita, baldeio e transporte); - As notas fiscais informam que os serviços se referem ao contrato de plantação de eucalipto relativo às áreas que tiveram colheita e receitas tributadas. 27. Foi aberta uma Diligência Fiscal a fim de obter maiores informações, entretanto as intimações foram devolvidas pelos Correios, informando que a empresa e o seu proprietário não foram encontrados em seus endereços. Fl. 1769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 15 27.1. Também foi feito um deslocamento até o endereço cadastral da empresa e constatado que a empresa não existe no local e que tampouco existe o número da sala informado em seu endereço. Por esse motivo, foi feita uma representação ao Delegado da DRF/ Itabuna. 28. Diante de todos esses acontecimentos e, principalmente, diante da ausência de comprovação do efetivo pagamento da despesa no ano calendário de 2010, requisito indispensável para que a despesa possa ser dedutível no Livro Caixa do contribuinte, mantenho a glosa em questão por ausência de comprovação. 28.1. Em sua impugnação, a defesa apenas alega que teria recursos financeiros disponíveis em espécie e informados em sua DIRPF, entretanto não apresenta nenhum documento comprobatório da efetiva transferência de recursos, como, por exemplo, um comprovante de depósito bancário. 28.2. Ressalte-se que o volume total do pagamento a L. de Oliveira Borges foi de R$1.625.776,60. 28.3 Registre-se ainda que, para fins de dedução, o ônus da prova é do sujeito passivo, cabendo a este apontar documentação suficiente para dirimir os questionamentos acerca do fato informado em sua declaração de ajuste, consoante o art. 73 do RIR/99: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” 28.4. Quando se tem a finalidade de utilizar despesas como dedução, o contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ele e o seu contratado, mas também a Administração Tributária. 28.5. De fato, inexiste vedação por parte da legislação tributária para utilização de moeda em espécie nos pagamentos das despesas, entretanto, para fazer jus à dedução do imposto de renda, cabe ao interessado comprovar a efetiva transferência de recursos financeiros. 29. Assim, pelos citados motivos e com alicerce no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, gravado no art. 291 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, ratifica-se a glosa da despesa em questão por falta de comprovação da efetividade do pagamento. (...) Da omissão de rendimentos recebidos da Aracruz Celulose S.A. 35. Da análise das informações prestadas pelo contribuinte e pela Aracruz e também das informações obtidas através de consultas aos sistemas da Receita Fl. 1770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 16 Federal do Brasil, verificou-se a existência de duas notas fiscais de entrada de mercadoria, CFOP 2101, emitida pela Fibria Celulose S.A. em 30/09/2010 nos valores de R$ 424.682,73 e R$ 685.236,95. 35.1. Esclareça-se que a Fibria Celulose S.A. é a sucessora legal da Aracruz Celulose S.A. 36. Vejamos o que dispõe o Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99- sobre a receita bruta da atividade rural. Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtor-vendedor. § 1º Integram também a receita bruta da atividade rural: I - os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal - AGF e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária - PROAGRO; II - o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção da cultura fumageira; III - o valor da alienação de bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural, exceto o valor da terra nua, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; IV - o valor dos produtos agrícolas entregues em permuta com outros bens ou pela dação em pagamento; V - o valor pelo qual o subscritor transfere os bens utilizados na atividade rural, os produtos e os animais dela decorrentes, a título da integralização do capital. § 2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. § 3º Nas vendas de produtos com preço final sujeito à cotação da bolsa de mercadorias ou à cotação internacional do produto, a diferença apurada por ocasião do fechamento da operação compõe a receita da atividade rural no mês do seu recebimento. § 4º Nas alienações a prazo, deverão ser computadas como receitas as parcelas recebidas, na data do seu recebimento, inclusive a atualização monetária. § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Fl. 1771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.870 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10508.720385/2015-62 17 (Grifo acrescido) 36.1. Verifica, portanto, que a autoridade fiscal baseou o lançamento da omissão de receita em duas notas fiscais de entrada, emitidas pelo adquirente do produto. 36.2. O interessado afirma que estas vendas não teriam ocorrido e que teria solicitado ao emitente das notas uma explicação sobre o fato. Até a presente data nenhum documento nesse sentido foi juntado ao processo. 36.3. Assim como no caso da glosa de despesas, o interessado não apresentou cópia de seus extratos bancários no intuito de comprovar, na situação aqui em análise, os recursos financeiros efetivamente ingressados em suas contas bancárias. 36.4. Por fim, diferentemente do que afirma, o valor do metro cúbico da madeira informado nas notas fiscais de números 14.658 e 14723 não foi de R$ 160,00, mas sim, R$112,3054 (NF 14.658) e R$ 97,2548 (NF 14.723). Esses valores estão compatíveis com os informados nas demais notas fiscais, fls. 1049 a 1088, que variaram de R$ 74,2160 (NF 1.666) a R$ 160,8474(NF 1.738). Acrescente-se o valor total das notas fiscais de fls. 1049 a 1088 foi informado e tributado na DIRPF/2011 do contribuinte. 37. Pelos motivos acima expostos, entendo que deve ser mantido o lançamento com base nas notas fiscais acostadas ao processo. Conclusão Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente João Ricardo Fahrion Nüske 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Fl. 1772DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 12269.001174/2009-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 15/10/1997 a 04/11/2005
IMPUGNAÇÃO INTERPOSTA NÃO CONHECIDA. DEFEITO NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DO CONTRIBUINTE.
Não se conhece de impugnação subscrita por procurador não investido de poderes para impugnar lançamento fiscal junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Transcorrido prazo concedido ao contribuinte para sanar o vício sem a apresentação de instrumento de procuração com poderes adequados.
Numero da decisão: 2002-008.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação à instauração da fase litigiosa e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator
Assinado Digitalmente
MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação à instauração da fase litigiosa e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
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DEFEITO NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DO CONTRIBUINTE. Não se conhece de impugnação subscrita por procurador não investido de poderes para impugnar lançamento fiscal junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Transcorrido prazo concedido ao contribuinte para sanar o vício sem a apresentação de instrumento de procuração com poderes adequados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação à instauração da fase litigiosa e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente). Fl. 123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.905 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12269.001174/2009-74 2 RELATÓRIO Por bem representar os fatos ocorridos no presente feito, transcrevo relatório apresentado pela Delegacia Regional de Julgamento. DO LANÇAMENTO Este lançamento fiscal foi identificado nos sistemas informatizados da Seguridade Social pelo Debcad n° 37.116.300-5 e, para fins de controle na Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, recebeu nova numeração, passando a consubstanciar o processo n° 12269.001174/2009-74. Trata-se de crédito previdenciário constituído em 13/08/2007, por descumprimento da obrigação principal de recolhimento de contribuições à seguridade social no período de 10/1997 a 11/2005, incidentes sobre remuneração paga a segurada empregada doméstica. Foi atribuída à empregadora, sujeito passivo deste lançamento, a matrícula CEI n° 35.610.03932/02. O lançamento atingiu o montante de R$ 13.082,50 (treze mil, oitenta e dois reais e cinquenta centavos), consolidado em 13 de agosto de 2007. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento fiscal por via postal em 14/08/2007, conforme comprovante (A. R.) fls. 54 dos autos, a notificada constituiu procurador para lhe representar "em qualquer instância administrativa em procedimentos necessários para requerer e assinar parcelamento de débito junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social", conforme consta do instrumento de fls. 83. Em 13/09/2007 foi protocolizada impugnação junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB (fls. 76/80), assinada pelo mesmo procurador referido. A empregadora notificada foi intimada, conforme Termo de Intimação .n° 272/2009 (fls. 86), a regularizar no prazo de 15 (quinze) dias, a procuração acostada aos autos, visto tal instrumento não legitimar o outorgado a impugnar a exigência fiscal. A intimação foi recepcionada pela interessada em 25/05/2009, conforme comprovante de recebimento por via postal de fls. 87 e não regularizou a situação. A DRJ, ao apreciar a impugnação, entendeu que não deveria conhecer da impugnação uma vez que o litígio não teria sido instaurado, face a ausência de regular a representação do procurador que firmou a impugnação apresentada. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário sustentando que, quanto ao defeito de representação, o processo administrativo deve observar a informalidade, e que, mesmo que a impugnação não tenha sido conhecida, como um dos pontos abordados é a Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.905 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12269.001174/2009-74 3 ocorrência de decadência, matéria de ordem pública, deve ser conhecida de ofício pela administração. Neste último ponto apresenta as razões que daria suporte à ocorrência da decadência. É o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento apenas quanto a instauração da fase litigiosa. Fase litigiosa não instaurada. Não conhecimento de impugnação por defeito na representação. Ausência de poderes para questionar lançamento. Em sede de recurso voluntário a contribuinte se limita a sustentar que o processo administrativo fiscal deve ser pautado pelo princípio da informalidade, querendo fazer crer que a procuração apresentada, apesar de não especificar poderes para oferta de impugnação, deveria ser aceita e a matéria trazida ser conhecida. Neste ponto a decisão da DRJ não merece ser reformada. Mesmo que o processo administrativo fiscal seja pautado pela informalidade, aceitar uma procuração outorgada com poderes específicos para proceder a parcelamento de débitos não autoriza que o outorgado promova a instauração de fase litigiosa. Caso tal instrumento procuratório fosse admitido, a administração estaria abrindo espaço para diversos outros questionamentos caso o contribuinte não lograsse êxito. Ademais, como bem ressaltado pela DRJ, foi aberto espaço para a regularização, o que poderia ser promovido com a juntada de instrumento procuratório com poderes para tanto, no entanto a contribuinte não o fez. Assim, por tais fundamentos, não deve ser provido o presente recurso. Conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário apenas quanto a instauração da fase litigiosa e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.905 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12269.001174/2009-74 4 CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL Fl. 126DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 13807.008239/2001-83
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS adquiridos de não contribuintes pessoas físicas. Excluem-se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à Cofins no fornecimento ao produtor-exportador.
DESPESAS COM MÃO-DE-OBRA PARA DESCARREGAMENTO DE PRODUTOS. DESCABIMENTO. Não constituindo nem matéria-prima, nem produto intermediário, as despesas com pessoal não podem ser incluídas na base de cálculo do incentivo, ainda que possam compor o custo contábil da empresa.
DESPESAS Havidas com ENERGIA ELÉTRICA. DESCABIMENTO. Somente podem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima, de produto intermediário ou de material de embalagem. Nos termos da legislação do IPI a energia elétrica somente pode ser considerada como tal se consumida por ação direta sobre o produto em elaboração.
APLICAÇÃO TAXA SELIC. Não se revestindo a atualização monetária de nenhum plus, deve incidir sobre os valores a serem ressarcidos a título de incentivo fiscal, desde o protocolo do pedido, a taxa Selic, sob pena de afrontar a própria lei instituidora do benefício se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. De outro turno, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda reveste-se de verdadeiro enriquecimento ilícito da parte contrária.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 204-02.323
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à atualização pela taxa Selic, a partir do pedido. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Leonardo Siade Manznn Mauro Wasilewski (Suplente) e Flávio de Sá Munhoz, quanto às aquisições de pessoas físicas; os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres. Júlio César Alves Ramos (Relator) quanto à taxa Selic. Designado o
Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto quanto à taxa Selic.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Recorrente : BERTIN LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP 1131. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES PESSOAS FÍSICAS. Excluem- se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à Cofias no fornecimento ao produtor-exportador. • DESPESAS COM MÃO-DE-OBRA PARA DESCARREGAMENTO DE PRODUTOS. DESCABIMENTO. Não" constituindo nem matéria-prima, nem produto intermediário, as despesas com pessoal não podem ser incluídas na base de cálculo do incentivo, ainda que possam compor o custo contábil da empresa. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA. DESCABIMENTO. Somente podem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima, de produto intermediário ou de material de • embalagem. Nos termos da legislação do IPI a energia elétrica somente iode ser considerada como tal se consumida por ação direta sobre o Kari ao em 't , elaboração. APLICAÇÃO TAXA SELIC Não se revestindo a atualização mo . ..t, t. a de < nenhum plus, deve incidir sobre os valores a serem ressarcidos a . : . '„ub de incentivo fiscal, desde o protocolo do pedido, a taxa Selic, sob ;yen de afrontar a própria lei instituidora do benefício se este tiver seu valo i conoído pelos efeitos da inflação. De outro turno, a não aplicação de qualq .0 indice • • para recompor o valor de compra da moeda reveste-se de werdadeiro • • enriquecimento ilícito da parte contrária. Recurso provido em parte. • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BERTIN LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à atualização pela taxa Selic, a partir do pedido. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bemardes de Carvalho, Leonardo Siade Manznn Mauro Wasilewski (Suplente) e Flávio de Sá Munhoz, quanto às aquisições de pessoas físicas; os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres. Júlio César Alves Ramos (Relator) quanto à taxa Selic. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto quanto à taxa Selic. Sala das Sessões, em 28 de março de 2007. /"."" HenriqUe Pinheiro Torres 11F - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia. 1/ / /93 I OS Jorge Freire Relator-Designado MariatA unovais Mal Sia u91641 • trt,.., Ministério da Fazenda - SEGUNDO CONSELHO DE CQNTRIBUINTES Fl. Segundo Conselho de Contribuinte • CONFERE COMO ORIGINAL> 1 Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Brasile. / O I 02 Recurso n2 : 136.781 • Acórdão n2 : 204-02323 Maria Lu ;mar ovais Mal Sb% e91641 Recorrente : BERTLN LTDA. RELATÓRIO Versa o processo acima de pedido de ressarcimento de créditos de LPI referente ao terceiro trimestre do ano de 2000. Analisado pela Derat São Paulo e pela DRJ em Ribeirão Preto - SP, foi parcialmente deferido. O relatório elaborado pelo i. relator a quo ressalta que a fiscalização promoveu a exclusão, do montante indicado pela empresa, dos valores atinentes apenas a aquisições de insumos à pessoas físicas, aquisição de energia elétrica, pagamentos de fretes e despesas com mão-de-obra para descarregamento dos produtos e do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição dos insumos. Este último item (indevida inclusão do IPI das aquisições) não foi contestado junto à DRJ tornando-se definitivo. • As demais glosas promovidas pela fiscalização foram integralmente mantidas pela DRJ, que não acolheu nenhum dos argumento em sentido contrário expendidos pela empresa. Ressalte-se que na manifestação de inconformidade apresentada, a empresa incluiu itens que não haviam sido objeto de glosa pela Derat, a saber, inclusão de aquisições de serviços de telefonia e de insumos importados, bem como uma pretensa exclusão de saldo final de estoques (que a empresa designa como variação de estoqueS) a qual somente tem reflexo sobre o montante a ser deferido no quarto trimestre do ano, não afétando o pedido versado nestes autos. A DRJ negou ainda a postulada "atualização monetária" pela taxa Selic por falta de previsão legal. Em seu recurso, a empresa mantém os itens já apontados como indevidos pela DRI e se insurge contra a: 1.não aplicação da taxa Selic como "atualização monetária" dos valores originais propostos, desde a entrada dos insumos, od. alternativamente, ao menos da data do protocolo do pedido; 2. a não aceitação da inclusão entre as aquisições de insumos daqueles comprados junto a pessoas físicas e cooperativas; • 3. inclusão na base de cálculo do benefício das despesas havidas com telefonia e energia elétrica, bem como de insumos importados, insumos não tributados, além dos fretes e dos serviços de carga; 4. inclusão das receitas de exportação obtidas com a remessa para o exterior de bens considerados NT pela legislação do LH, para efeito de determinação do quociente entre a receita de exportação e a receita bruta a ser aplicado às aquisições de insumos para determinação da base de cálculo do imposto; e 5. inclusão de parcela de estoques finais, feita com base no art. 11 da Instrução Normativa n°69/2001. Em sua fundamentação, em síntese, alega não haver na lei instituidora do benefício restrição alguma que ampare as glosas praticadas pela fiscalização. Quanto à incidência da taxa Selic aduz que embora seja desnecessária previsão legal específica, já que a atualização não é acréscimo mas apenas recomposição, tal previsão existe e é dada pela própria Lei n° 9.363;mesmo que assim não se entenda, é de aplicação o artigo 39 da Lei n° 9450/95, por analogia; fundamenta ainda que descabe nega-la por não ser índice de atualização mokietária uma l" 2 Ministério da Fazenda CC-MF tos-515 Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Recurso n2 : 136.781 Acórdão n2 : 204-02.323 • vez que a legislação também previa a "atualização" pela UFIR que também não era índice de atualização "puro". É o relatóriol• / iÈGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE% CONFERE COMO ORIGINAL Brasilia. O I 03 jO R a Maria Luzi ar Novais Mat. Si • 91641 • • • . • 3 t.-CJ sita* Ministério da Fazenda ME SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF riCS-17,0- Segundo Conselho de Contribuintt s CONFERE COM O ORIGINAL FL Brasile. II 03 08 Processo n2 : 13807.008239/2001-83 • Recurso n2 : 136.781 Maria grar Novais Acórdão n2 : 204-02.323 r In q 1641 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso é tempestivo, pois, cientificada em 21/8/2006, a empresa o apresentou em 13/9/2006. Tratando-se de pedido de ressarcimento, é desnecessário arrolamento de bens. Por isso, cumpridos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Antes de adentrar o mérito da postulação deve-se ratificar a informação constante . do relatório de primeira instância no sentido de que não há glosas relativas a aquisições de insumos importados nem de telecomunicações (ver Relatório Fiscal de fls. 641/646, em especial a informação do seu item El, à fl. 645). Também não se apontam, de forma explícita, aquisições a cooperativas. Às fls. 583 a 627 consta planilha, listando as aquisições a pessoas físicas — produtores rurais — em cada mês do trimestre em discussão. Os montantes mensais nelas • consignados correspondem exatamente aos que constam no item sob o título "Aquisições de Não - Contribuintes" na planilha de fl. 638 (GLOSA DE CUSTOS APRESENTADOS NO DCP . RETIFICADOR E NÃO CONTEMPLADOS PELA LEGISLAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO). Provado não terem sido glosadas aquisições a cooperativas. Igualmente não se vislumbra nos extensos relatórios de auditoria qualquer referência a glosa na receita de exportação por desconsiderar valores atinentes à exportação de produtos NT. Ao contrário. o meticuloso AFRF incumbido da segunda diligência faz expressa • menção de que tanto a receita operacional bruta, quanto a receita de exportação correspondem às que constam na contabilidade da empresa (fl. 636). As glosas efetuadas restringiram-se, pois, às aquisições. Por fim, o último item apontado no recurso somente tem pertinência com a análise do processo relativo ao último trimestre do ano. Isto porque se refere à exclusão do montante das aquisições do ano da parcela que remanescia como saldo final de matérias-primas, somente passível de apropriação para fruição do benefício no ano seguinte. Essa glosa é mencionada no relatório da fiscalização apenas porque ela analisou todos os quatro pedidos do contribuinte referentes ao ano. . , . Com base nisso, a análise a seguir se restringirá aos itens já corretamente apontados pela DRI: aplicação da taxa Selic, aquisições a não contribuintes, despesas com energia elétrica, fretes e despesas de descarregamento. Examinemos cada item separadamente. As aquisições a pessoas físicas já suscitaram acalorados debates nesta Câmara, tendo prevalecido a opinião, à qual me filio, de que não se pode acolhê-las. Como bom resumo • das suas fundamentações, permito-me transcrever, com a devida licença do autor, elucidativo voto do Presidente desta Câmara, Dr. Henrique Pinheiro Torres, proferidas no voto do Recurso Voluntário n° 122.347, com a ressalva de que a parte relativa a cooperativas não tem aplicação ao caso concreto. (. . .) o Fisco, dando cumprimento ao disposto na Portaria MF n° 129/95, exclui do • cálculo do crédito presumido de IPI para ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS incidentes nas aquisições de insumos no mercado intento pelo produtor exportador de mercadorias nacionais, aqueles insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas, enquanto a Recorrente pleiteia a inclusão destes sob a alegação de que o ressarcimento, por ser presumido, alcança também as aquisições de não contribuintes de tais contribuições sociais. , 4 n • • ..1C CC-MF tif r* Ministério da Fazenda 0000ERCIGOINNTARL . CONTRIBUINTES % ,ofr 7-:-..,11r Segundo Conselho de Contribuintes F•SE GUNDO CONFEREN F ECROEN CS SOL; 'Há 1. Brasília. I 1 03 1(9? Processo n2 : 13807.00823912001-83aeor. Mariaa Luzi l k ar Novais Recurso» : 136.781 Alai Siti.L1641 Acórdão n2 : 204-02.323 Essa matéria, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Receita Federal, ora a do sujeito passivo, dependendo da composição do colegiada A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão de insumos adquiridos de não contribuintes no cômputo da base de cálculo do crédito presumido, já que, nos termos do caput do art. I° da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito tem como escopo ressarcir as contribuições (PIS E COFINS) incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. A norma concessiva de incentivo fiscal deve sempre ser interpretada literal e restritivamente, de forma a não estender por vontade do intérprete, benefício não autorizado pelo legislador. • O vocábulo ressarcir, do Latim resarcire, juridicamente tem vários significados: consertar, emendar, reparar ou compensar um dano, um prejuízo ou uma despesa. No caso presente, ressarcir significa exatamente compensar o produtor exportador, por meio de crédito presumido, as contribuições incidentes sobre os insumos por ele adquiridos. Ora, se não houve a incidência, não há falar-se em ressarcimento, pois o objeto deste, o encargo tributário não existiu. Em arrimo ao entendimento de que se deve excluir do cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos adquiridos de não contribuintes, pessoas físicas e cooperativas, transcrevo abaixo o voto condutor do acórdão n° 202-12.551 onde o então conselheiro e presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Marcos Vinícius Neder de Lima, enfrentou minuciosamente essa matéria: O incentivo em questão constitui-se num crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional • em função do valor das aquisições de insuntos aplicados em produtos exportados Tem origem nu carga tributária que onera es produtos exportados e tem por finalidade • permitir maior competitividade desses produtos no mercado externa Trata-se, portanto, de norma de natureza intentivadora, em que a pessoa tributou:te renuncia à parcela de sua arrecadação tributária em favor de contribuintes que a ordem 411 jurídica considera conveniente estimular. A exegese deste preceito, à luz dos princípios que norteiam as concessões de benefi'cios fiscais, há de ser estrita, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Neste diapasão, caso não haja previsão na norma compulsória para determinada situação divergente da regra geral, deve-se interpretar como se o legislador não tivesse tido o intento de autorizar a concessão do beneficio nessa hipótese. No dizer do mestre Carlos Maxintiliano l: "o rigor é maior em se tratando de dispositivo excepcional de isenções ou abrandamentos de ânus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva." A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos termos do art. I° da MP n° 948195, posteriormente convertida na Lei n° 9.363/96. Ou seja, as aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem devem ser feitas no I Herineneutica e aplicação do Direito, ed. Forense, 164 ed, p. 333 5R(.../\ t ' n • ide; . • /vIinistério da Fazenda• kW ;SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Fl. BrasIfia. I 03 o/? Processo n2 : 13807.008239/2001-83 • Recurso n2 : 136.781 Mari /lin:Novais Acórdão n2 : 204-02.323 sim s ;Ire 41441 mercado interno, utilizadas no processo produtivo e o beneficiário deve ser, simultaneamente, produtor e exportador. Vejamos o que disse o referido artigo: Verifica-se que o legislador estabeleceu nesse dispositivo que o incentivo fiscal deve ser concedido corno ressarcimento da Contribuição ao PIS e da COFINS. A empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do crédito presumido e, na impossibilidade desta, na forma de ressarcimento em espécie. Ao compensar o contribuinte, na forma de crédito presumido, com a devolução do • montante de tributo pago, o incentivo visa justamente anular os efeitos da tributação incidente nas etapas precedentes. As pequenas diferenças, para mais ou para menos, • *porventura existentes nesse processo, se compensam mutuamente dentro de um contexto mais abrangente. Não sendo relevante, sob o ponto de vista econômico, que o crédito • • concedido não corresponda exatamente aos valores pagos de tributo na aquisição da mercadoria. Esse tratamento, aliás, tem sido muito empregado pelo legislador na concessão de incentivos. A Administração Pública, para facilitar os mecanismos de execução e controle, vem realizando os ressarcimentos dos créditos por valores estimados (v.g. a regra geral de apuração proporcional de créditos prevista fric Instrução Normativa n° 114/882). Esclareça-se, por oportuno, que o crédito presumido não pode ter' . outureza de subvenção econômica para incremento de exportações, como 'defende a Te Relatora. Segundo De Plácido e Silva3, a subvenção, juridicamente, não ten. caráter de compensação. Sabidamente, o crédito presumido é unza forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. Feita essa breve introdução, verifica-se que o artigo 1° restringe . o beneficio ao "ressarcimento de contribuições ... incidentes nas respectivas aquisições". Em que pcse • a impropriedade na redação da norma, eis que não há incidência sobre aquisições de mercadorias na legislação que rege as contribuições sociais, a melhor exegese é no sentido de que a lei tem de ser referida à incidência de COFINS e de PIS sobre as operações mercantis que compõem o faturamento da empresa fornecedora. Ou seja, a • locução "incidentes sobre as respectivas aquisições" exprime a incidência sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e • exportadora.4 Aliás, a linguagem e termos jurídicos postos em uma norma devem ser investigados sob a ótica da ciência do direito e não sob a referência do direito positivo, de índole apenas • prescritiva. Como ensina Paulo de Barros Carvalhos, "À Ciência do Direito cabe 2 "IN SRF 114/88... item 4. Poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período dè apuração a considerar, os créditos oriundos de matérias-primas, produtos intermediários e material de ern ,,a l agem que se destinem indistintamente à industrialização de: a) produtos que tenham expressamente assegurada a manutenção de créditos como incentivo; b)produtos que gerem créditos básicos; c)produtos desonerados do imposto no mercado interno, sem direito a crédito". 3 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, volume IV. Ed. Forense, 2' ed. p. 1462. O termo "respectivas" foi introduzido pela Medida Provisória n° 948/95. Veio a substituir a expressão "adquiridos no mercado interno pelo exportador" constantes do enunciado do artigo 1° nas Medidas Provisórias n°s 845/95 e 945/95, que tratavam da concessão de crédito presumido antes da MP n 948/95. 'Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, ed. Saraiva, 6' ed., 1993 , .6n s • Ministério da Fazenda DP • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2' CC-NIF ?fr. ; Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Brasilia. I I 0 3 iog Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Recurso n2 : 136.781 Maria iar Novais Acórdão n2 : 204-02.323 Mdt. S9:91611 descrever esse enredo normativo, ordenando-o, declarando sua hierarquia, exibindo as formas lógicas que governam o entrelaçamento das várias unidades do sistema e oferecendo seus conteúdos e significação". O termo incidência tem signcação própria na Ciência do Direito. Segundo Alfredo Augusto Becker6: "(...) quando o direito tributário usa esta expressão, ela significa incidência da regra jurídica sobre sua hipótese de incidência realizada (lato gerador2 juridicizando-a, e a conseqüente irradiação, pela hipótese de incidência juridicizada, da eficácia jurídica tributária e seu conteúdo jurídico: direito (do Estado) à prestação (cujo objeto é o tributo) e o correlativo dever (do sujeito passivo, o contribuinte) de prestá-la; pretensão e correlativa obrigação; coação e correlativa sujeição." Nesse caso, se as vindas de insumos efetuadas pelo fornecedor para a interessada não sofreram a incidência de contribuição, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. • Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de Contribuição ao PIS e de COFINS, o ressarcimento, tal conto foi concebido, não alcança esse pagamento especifico. Estar-se- ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador prekistas no artigo I°. O contra-senso aparente dessa afirmação, se cotejada com a finalidade do incentivo de desonerar o valor dos produtos exportados de tributos sobre ele incidentes, resolve-se em função da opção do legislador pela facilidade de controle e praticidade do incentivo. Sabidamente, instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos, que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produto exportado, é tarefa complexa e de muito difícil controle. Basta lembrar as inúmeras imposições tributárias que incidem sobre o valor dos serviços contratados e sobre a aquisição de equipamentos necessários ao processo industrial, além das diversas taxas a titulo de contraprestação • de serviço cobradas pelos entes da Federação que, somadas àquelas incidentes sobre folha de pagamento, oneram expressivamente a empresa industrial. O escopo da lei, partindo de Mis premissas, foi o de instituir, a título de estímulo fiscal, • um incentivo consubstanciado num crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de irisamos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. É certo que esse crédito não tem por objetivo ressarcir todos os tributos que incidem na cadeia de produção da mercadoria, até por impossibilidade prática. Todavia, chega a desonerar o contribuinte da parcela mais significativa da carga tributária incidente sobre o produto exportado. A opção do legislador por ,essa determinada sistemática de apuração do incentivo às exportações decorre da contraposição de dois valores igualmente relevantes. O primeiro cuida da obtenção do bem-estar social e/ou desenvolvimento nacional através do cumprimento das metas econômicas de exportação „fi radn S pelo Estado. O outro decorre da necessidade de coibir desvios de recursos públicos e de garantir a efetiva aplicação dos incentivos na finalidade perseguida pela regra de Direito. O Estado tem de dispor de meios de verificação que evitem a utilização do beneficio fiscal apenas para fugir ao pagamento do tributo devido. Daí o legislador buscou atingir tais objetivos de política econômica, sem inviabilizar o indispensável exame da legitimidade dos créditos pela Fazenda Ocorre que, para pessoa física, Mio há obrigatoriedade de manter escrituração fiscal, nem de registrar suas 6 1nremia Çeral á Direito Tributário Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 83/84. 7 , MF- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22CC-MF --.0"..mras. Ministério da Faze ruía 1..esq[Z,pr Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAI. kt• Brasilia. I / 03 / Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Recurso n2 : 136.781 ?mar ovasM ria I Novai s Acórdão n2 : 204-02.323 S.r...")14.11 operações mercantis em livros fiscais ou de emitir os documentos fiscais respectivos. A comprovação das operações envolvendo a compra de produtos, nessas condições, é de difícil realização. Assim, a exclusão dessas aquisições no cômputo do incentivo tem por finalidade tornar factível o controle do incentivo. Nesse sentido, a Lei n° 9.363/96 dispõe, em seu artigo 3°, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de .Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência do PIS e da COFINS, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao • produtor/exportador. A vinculação da apuração do montante das aquisições às norntas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que somente as aquisições de insumos, que sofreram a incidência direta das contribuições, é que devem ser consideradas. A negação dessa premissa romaria supérflua tal disposição • legal, contrariando o principio elementar do direito, segundo o qual não existem palavras inúteis na lei. Reforça tal entendimento o fato de o artigo 5° da Lei n° 9.363/96 prever o imediato - estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor/exportador, quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da COFINS pagas pelo •..,fornecedor na etapa anterior. Ou seja o legislador 'prevê o estorno da parcela de ,•incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor, no caso de restituição ou de compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo, na hipótese em que a contribuição foi paga pelo fornecedor e restituída a seguir, resta claro que o legislador optou por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa Pensar de outra forma levaria ao seguinte tratamento desigual: o legislador. . consideraria no incentivo o valor dos insumos adquiridès de fornecedor que não pagou a contribuição e ne &ria o mesmo incentivo quando holiv,e o pagamento da contribuição e a posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria o direito ao incentivo sem que houvesse ônus do pagamento da contribuição e na outra não. •O que se constata é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo a ser • empregada, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que queria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando a exoneração fiscal para hipóteses não previstas. E, como ensina o mestre Becker7, "na extensão não há interpretação mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, continua ele, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de cena analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha". (grifo meu) Em harmonia com as exigências de segurança pública do Direito Tributário, utilizando- se a lição de Karl English, pode-se dizer que devemos fazer coincidir a expressão da lei com seu pensamento efetivo, mas, para tanto, a interpretação deve se manter sempre, de qualquer modo, nos "limites do sentido literal" e, portanto, pode (e, por vezes, deve) 7 In Teoria Geral á Qii-dm Tributário S' Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 133. 111 SÉÕUNDO CONSELHO OE CONTRIBUINTES 22 CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL - Fl. -er--ZY Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia, i I / 03 1 01 '',,2.,,Icifle Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Recurso n2 : 136.781 Mari .tit ar ovais ....................................Nlai St.— 9(64 I Acórdão n2 : 20402.323 inclusive forçar estes limites, embora não possa ultrapassá-los. A interpretação encontra, pois, o seu limite, onde o sentido das palavras já não dá cobertura a urna decisão jurídica. Como frisa Heck: "o limite das hipótese de interpretação é o sentido possível da letra". 3 E mesmo que se recorra à interpretação histórica da norma, verifica-se, pela Exposição de Motivos n° 120, de 23 de março de 1995, que acompanha a Medida Provisória vtt: 948/95, que o intuito de seus elaboradores não era outro se não o aqui exposto. Os motivos paro a edição de nova versão da Medida Provisória, que institui o benefício, foram assim expressos: "(...) na versão ora editada, busca-se a simplificação dos mecanismos de controle das pessoas que irão fluir o beneficio, ao se substituir a exigência de apresentação das guias de recolhimento das contribuições por parte dos . fornecedores de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, por . documentos .fiscais mais simples, a serem especificados em ato do Ministro da Fazenda, • que pennitcun o efetivo controle das operações em foco". (Grifo meu) . Ressalte-se, por relevante, que o Ministro da Fazenda, autor da proposta, sustenta que a dispensa de apresentação de guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedo res decorre unicamente da simplificação dos mecanismos de controle. Aliás, o ato normativo, citado na exposição de motivos in fine, foi editado logo após, em . 05 de abril de 1995, e estabelece, em seu artigo 2°, inciso II, que o percentual (receito .19 exportação sobre receita operacional bruta) deve ser aplicado sobre , % valor 'lis . 4...... aquisições, no mercado interno, das matérias-primas, produtos intermediários e -j material de embalagem, realizadas pelo produtor exportador". (Grifo meu) Do exposto, conclui-se que, mesmo que se admita que o ressarcimento vise desonerar os insumos de incidências anteriores, a lei, ao estabelecer a maneira de se operacionalizur . o incentivo, excluiu do total de aquisições aquelas que não sofreram incidência na últirna * ;,.. . etapa. . 4. No caso em tela, a ora recorrente considerou no cálculo do incentivo as aquisiçõek de insuntos de pessoas físicas não sujeitas ao recolhimento de COFINS e de PIS. Assim, não sendo contribuintes das referidas contribuições, não há o que ressarcir ao adquirente, • como ficou largamente demonstrado." A respeito dos fretes é meu o voto inaugural que o reconheceu sob a condição de • que se trate de despesa diretamente paga pelo exportador ao fornecedor da matéria-prima, . produto intermediário ou material de embalagem que dê efetivo direito ao benefício. Ou seja,. duas condições hão de ser observadas: a) a aquisição deve dar efetivo direito ao benefício; e b) a despesa deve figurar na nota fiscal de aquisição, ainda que separadamente do • preço do produto. • Para fundamentá-la, considero que a legislação autoriza a incidência do benefício sobre o valor total das aquisições (Portaria MF 38/97). Cediço que o valor total da aquisição é o valor da nota fiscal, no qual se somam o preço do produto e todas as demais despesas, ditas acessórias, a ele diretamente pagas, a exemplo dos fretes. 8 Batista Júnior, Onofre. A Fraude à Lei Tributária e os Negócios Jurídicos Indiretos. Revista Dialética de Direto Tributário n°61. 2000. p. 100 9 " • )C......\ .\\.1 MF. $ED5CONSHb DE r CC-ls.1FMinistério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAI FI. cra Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Recurso n2 : 136.781 Maria%N4iv;i7ovais Acórdão n2 : 204-02.323 Mal Sia e 91641 — A par disso, sabe-se que a fornecedora dos Sumos, sendo contribuinte do PIS e da Cofins, deverá reconhecer como receita este valor total. E é sobre ele que incidirão as contribuições. Ocorre que, no caso vertente, não restou comprovado o cumprimento das duas • condições acima. Com efeito, foi apontado pela fiscalização e não foi consistentemente desmentido pela recorrente que esta última pretendia incluir despesas próprias com o pagamento de pessoal incumbido de descarregar as mercadorias. Ainda que esse pessoal seja terceirizado, • entendo incabível a inclusão dessa despesa, que nada tem a ver com o benefíco em causa. No que pertine à inclusão de energia elétrica, também já se pacificou o • • entendimento de que ela só é cabível quando o beneficio seja calculado com base nas disposições da Lei n° 10.276/2001. Nesse sentido, ressalta que a Lei n° 9.363 remete o intérprete a outras • normas mais específicas, a saber, a legislação do imposto sobre a renda, fio que tange aos conceitos de receita bruta e de receita de exportação, e à legislação do IPI no que concerne à fixação dos conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem (que irão, juntos, definir a base de cálculo do benefício), e de produção (entendido como sinônimo de industrialização) que servirá para aceitar ou não uma atividade como beneficiária do incentivo, dado que destinado apenas ao produtor-exportaüor e não a todo e qualquer exportador. E é nessa interpretação que têm residido as maiores polêmicas entre fisco e contribuinte Em primeiro lugar, quanto ao alcance 'do conceito de matérias-primas e produtos intermediários. É cediço que o art. 25 da Lei n° 4.502/64, aplicando o princípio da não- cumulatividade ao IPI, definiu a compensação do imposto que já houvesse incidido sobre as matérias-primas, os produtos intermediários e p material de embalagem. Ocorre que a lei não • definiu expressamente o que seria produto intermediário. Os diversos decretos baixados como regulamentos do TI, cumprindo a sua missão de suprir as lacunas legais, vieram fazendo-o, e dando a interpretação de que compreendia os bens que se consumiam direta e imediatamente no processo produtivo. • Entretanto, a partir do regulamento baixado no ano de 1979, deixou-se de adotar a expressão "direta e imediatamente" na definição de produtos intermediários. Isso motivou a • edição, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, do Parecer Normativo n° 65/79, que definiu que o consumo de que falava o regulamento era apenas aquele que decorresse de um contato físico com o produto em elaboração. Isso afastava a aplicação do conceito a uma série de itens que se poderiam enquadrar na definição do regulamento, com destaque para a energia elétrica e os combustíveis empregados no processo produtivo. Sendo, todavia, enquadrados pela legislação do mi como produtos NT, a energia elétrica e os combustíveis não geraram historicamente grandes demandas, dado que sempre se entendeu que tais produtos não geram direito de créditos básicos do imposto. A questão renasce com a edição da Lei n° 9.363/96, já que não se fala aqui de créditos básicos de EPI, mas do ressarcimento de contribuições que, sem sombra de dúvidas, incidem sobre a energia elétrica e os combustíveis empregados no processo produtivo e, portanto, oneram o preço final a ser cobrado pelo produtor-exportador. Entendo, e assim tenho votado, que a solução do impasse deve ser buscada diretamente na disposição do art. 96 do CTN: 10 Q.." .\ LIF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR I GUl@rtS'i 7,2 cc-MF ' Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Fl. le4j.--Z,;fr Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia. / Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Recurso n2 : 136.781 Maria I.uzi ar Novais' 91441 Acórdão n2 : 204-02.323 Mal. SE An. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as • convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O inciso I do art. 100 do mesmo código, por sua vez, inclui entre as normas complementares os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Isto posto, tenho convicção firmada de que mesmo no benefício em discussão é de rigor observar-se a interpretação contida no Parecer Normativo CST n° 65/79, norma complementar que é, integrante, pois, da expressão "legislação", utilizada pela Lei n° 9.363/96, em seu art. 3°, verbis: . Art. 3° Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos .interrnediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. I°, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizar-se-4 subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria-prima, produtos .55- intermediários e material de embalagem 4' Assim, somente se incluem na base de cálculo do beneficio as aquisições de ,c • produtos pie se integrem ao produto final (matérias-primas), não os integrem mas se desgastem em menos de um ano em decorrência de uma ação física sofrida por contato com o bem em elaboiação (produtos intermediários) ou que sirvam ao acondicionamento do produto (material de embalagem). É mister ainda que sofram a incidência das contribuições que se busca ressarcir. . No caso concreto em discussão, é de se afastar de plano O coi,sumo de energia elétrica e outros elementos que não se subsumem àquele conceito de produto intermediário. Resta, ao fim, o exame da admissibilidade do deferimento de juros calculados com base na taxa Selic sobre pedidos de ressarcimento. A própria empresa acaba reconhecendo • que nãõ há lei autorizativa para tanto. De fato, o que pretende ser tal embasamento (seja a própria Lei n° 9.363, seja a Lei n° 9.250) apenas a explicitam para os casos de restituição. Não é correto dizer, como o fez a recorrente, que haja previsão para aplicação de Selic em Compensação tributária. A compensação é forma de aproveitamento de créditos fiscais que possuam os contribuintes. Deve ser precedida, sempre, da apuração de algum indébito fiscal — casos de restituição — ou benefício fiscal ressarcível. Não é em relação ã compensação, portanto, que se apula a Selic, mas em relação ao crédito que será utilizado para anular algum débito do contribuinte. E a legislação apenas a previu quando o crédito a ser compensado provém de um indébito tributário. Isto é, quando houve algum pagamento indevido ou a maior anterior. Inexistente a previsão legal, restam os argumentos quanto à sua desnecessidade ou a que se deva usar a analogia para estendê-la aos casos de ressarcimento. Nem uma, nem outra. Contrário ao primeiro há a evidência de que a Selic não é mero índice de correção ou atualização monetária. Trata-se, ao invés, de autêntica taxa de juros, que incorpora, além da expectativa de inflação, efetiva remuneração, de vez que aplicada, em sua origem, à remuneração 11 LIE SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -"g CC -MF Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Brada ik ts3 Processo n' : 13807.008239/2001-83 • Recurso n" : 136.781 Maria . lar Novais • Acórdão n" : 204-02323 Mai. Siai 91641 dos títulos da dívida pública e apenas trazida ao mundo tributário por força, originalmente, da Lei n° 9.250/95. Assim sendo, não se pode admitir a tese de que sua aplicação independa de existência de norma legal, ao sabor do entendimento doutrinário pacificado de que "a correção monetária não constitui plus" mas apenas reposição do anterior poder aquisitivo do crédito. A taxa Selic é, sim, plus e plus bastante alto, por sinal, como, aliás, reconhecem os mesmos contribuintes quando se trata de pagá-la nos recolhimentos em atraso. Ocorre que sendo uma renumeração, que embute, mas extrapola, o que se poderia chamar de correção monetária (de vez que, enquanto forma de compensar a inflação, não mais existe, extinta que foi esta última "decretalmente") a aplicação de juros ao ressarcimento constituiria, ao contrário, enriquecimento do sujeito passivo, que nada pagou indevidamente. Não é ele, portanto, credor da União, seja tributário seja não tributário. • Sobre este ponto vale um aprofundamento. Sabemos todos que o instituto da correção monetária, criado à época da ditadura militar, tinha por escopo preservar o valor de determinado crédito compensando-o pela inflação passada. Por outro lado, como taxa de juros prefixados que é, e disso não há dúvidas, o que a Selic embute é uma expectativa de inflação; ou seja, é a inflação que se espera que ocorrerá, não a que tenha eventualmente ocorrido e que se mede por um dos muitos índices disponíveis: IPC, INPC, IPCA etc. Como tal, podese confirmar ou não. Pois bem, após o plann real não tem sido incomum, e recentemente tivemos novamente notícia disso, que se registrem defláções (o que nem por isso fez a Selic negativa), $erá que os que advogam a incidência de correção monetária pretenderão, nesse caso, reduzir &montante a ressarcir? Caso contrário, considetarão que há enriquecimento sem causa do postulante ao ressarcimento? Daí porque nãb podemos concordar com o argumento, mais uma vez aqui aduzido, de que a aplicação aos casos de ressarcimento deva se fazer por analogia com a situação de restituição. E isto porque analogia é tratar iguais de forma igual, mas não há igualdade entre o ressarcimento e a restituição. Não obstante em ambas haja a liberação de recursos do ente estatal para o particular, entre eles há 'a diferença fundamental de na segunda ter havido um recolhimento, um ingresso de recursos nos cofres públicos que se revela indevido à luz do • ordenamento jurídico. Com os recursos assim obtidos, deixa o Estado, em última instância, de pagar a Selic sobre recursos de igual valor. E isto se dá mesmo que não precise incorrer em nova dívida, pois poderá, com eles, abater dívida já existente. É, por isso, de todo justo que, ai sim por analogia, devolva a União àquele que lhe forneceu indevidamente tais recursos aquilo que ela, indevidamente, com eles ganhou (ou deixou de perder). Nada semelhante se passa com a figura do ressarcimento. Nesta não há ingresso indevido algum. Mesmo no caso de que nos ocupamos, não se pode dizer que as contribuições que se quer ressarcir tenham sido indevidamente recolhidas. Não: elas incidiram porque naquele momento estava ocorrendo uma mera venda no mercado interno, não amparada por qualquer tipo de benefício fiscal. Assim, não é também legítimo falar que já exista um valor a ressarcir no momento, por exemplo, da entrada dos insumos adquiridos. Somente quando se consuma a exportação do produto que utilizou aquele insumo é que a legislação faz nascer o direito de crédito escriturai. Este crédito escritural poderá ser ressarcido apenas no montante que exceder o IPI devido, primeira e obrigatória forma de aproveitamento do benefício determinada na lei. lpir • :7Y CC-MF Ministério da Fazenda 4 n.:1-:;,;lr Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Recurso n2 : 136.781 Acórdão n2 : 204-02.323 Mas estando o crédito devidamente escriturado e já tendo sido utilizado para abater o IPI devido pode ser pleiteado em ressarcimento/compensação. Entendem alguns, por isso mesmo, que a partir da entrada do pedido deva ser garantida "atualização monetária" ao valor já de direito da empresa. Acho o pleito justo, mas, dada a já apontada distinção entre taxa Selic e índice de atualização monetária, também a essa tese não adiro. • • Quanto a este último ponto, recente julgado 'do STJ patenteou a imprestabilidade • da taxa Selic como índice de atualização monetária, exatamente com os mesmos argumentos acima expendidos. • _ . Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso apenas para • reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do benefício das parcelas paus diretamente ao • • fornecedor dos insumos a título de frete e desde que estejam destacadas na nota fiscal de • aquisição. • É COMO vota • • Sala das Sessõ . s, m 28 de março de 2007. • _..'114.-----r-----"------3F•.SEGUNDOCONSELHODECPNTROUINTES. .J IO CÉSAR ALVE RAMOS • • • CONFERE COM O ORIG!NAL J08 Maria Luzi ar Novais . Mat Sia e 916-11 • . • • ••. •• • • 13 _ , *LIF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES --2a Cn—C-:.- 1-7 - CONFERE COMO ORISINAi . - Ministério da Fazenda Brasília. _ILJ__Ql_j O Segundo Conselho de Contribuintes a.it"e":2e.---: Processo n2 : 13807.008239/2001-83 . Recurso n2 : 136.781 Maria Lu Stanvai Acórdão n2 : 204-02.323 mat. st • 9164 I S --.. VOTO DO CONSELHEIRO-DESIGNADO JORGE FREIRE, QUANTO À APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Parte dos créditos foi reconhecido pelas instâncias a quo, porém negando-se a atualização monetária dos mesmos. E esta é minha única divergência com o ínclito relator, pois entendo que os valores ressarcidos devem sofrer a incidência da taxa Selic nos termos que a seguir articulo. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA - APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Creio majoritário no âmbito deste Conselho de Contribuintes, o entendimento de que mesmo o ressarcimento de valor a título de benefício fiscal deve ser creditado áo II contribuinte com a atualização monetária correspondente. Se assirn fosse, estaria prejudicada ou poderia tomar inócua a .própria política visada pelo legislador. Ainda mais numa economia como a brasileira, aonde já chegamos a . níveis estratosféricos da espiral inflacionária. Sem falar o tempo em que a Administração tributária necessita para aferir a legalidade e legitimidade do direito postulado. Sem embargo, a Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF), em conscrancia com o que já vinha decidindo o Judiciário de há muito, pôs uma pá de cal nessa discusão decidindo que também em relação ao ressarcimento ela é cabível, conforme Acórdão CSRF/02- ., 0.707, publicado no DOU de 25/06/98. Todavia, discordo dos fundamentos do voto da I•grégia Câmara Superior, vez entender que restituição e ressarcimento não têm mesma natureza jurídica. A questão de fundo é a perda do valor aquisitivo da moeda, desnaturando o valor do incent,vo. _ A questão que eu debatia é quanto à aplicação da taxa Selic, cuja aplicação eu . • - • então negava, posto que em tal taxa estariam embutidos os juros remuneratórios. E desd.. essa . época o Conselheiro Serafim Femandes, conforme as razões lançadas em seus votos, esposaudo entendimento que a partir de 01/01/1995 a legislação, por força dos artigos 5° e 6° da Lei 11° 8.981/95, teria desindexado a economia como um todo, desta forma não permitindo a atualização 111 de tributos. No entanto, minha divergência com aquele ilustre par, à época na Primeira Câmara deste Conselho, é no sentido de que poderia ter havido desindexação da economia, mas não fim da inflação, a qual, uma vez existindo, retira o poder de compra da moeda, fulminando o real valor do benefício e, assim, desnaturando-o. Em suma, entendo que havendo inflação, esta deve ser reposta nos casos de ressarcimento de incentivo fiscal como definiu a CSRF, e mesmo o Parecer AGU 01/96. De outra forma, haveria enriquecimento ilícito da União, e flagrante afronta à isonomia das partes, uma vez que em relação aos seus débitos tributários a União faz incidir a taxa Selic. . . Com efeito, hoje, a jurisprudência do STJ é farta no sentido de que a taxa Selic traz embutida em si não só índice de reposição da perda do valor da moeda, como também juros. E aí a divergência que vinha esposando quanto à aplicação da taxa Selic, já que entendo não ser legítimo o pagamento de juros pela mora nos ressarcimentos decorrentes de créditos incentivados, como espécie de benefício fiscal, onde há renúncia fiscal pela Fazenda Pública. E aí sim relevante a diferença entre repetição de indébito e ressarcimento, cujos fundamentos são díspares. O entendimento do STJ foi sempre no sentido de que a taxa Selic embu 1 tanto aiç expectativa de perda inflacionária como os juros morat6rios. Com base nessa premiss é que o / — 14 - _ . _ • 5. 2" CC-MFMinistério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n2 : 13807.008239/2001-83 Recurso n2 : 136.781 Acórdão n2 : 204-02.323 STJ julgava indevida a aplicação da taxa Selic cumulada com qualquer outro índice de atualização monetária. A mim, indene de dúvida que não pode haver perda do valor real de qualquer incentivo com a perda do valor de compra da moeda circulante. Então, sopesando esta questão e qual o índice a ser aplicado, concluí, à míngua dtpennissvo legal para utilização de outro índice de correção monetária, e sendo esta a posição adotada pelo STJ, que o mais justo seria aplicar • aos benefícios fiscais os índices utilizados pela Fazenda em relação a seus créditos tributários. • Por isso que, desde a votação dos Recursos ifs 114.029, da lavra do eminente • Conselheiro Antônio Mário de Abreu Pinto, e 106.200, por mim relatado, venho acatando o • entendimento majoritário desta Câmara de que os créditos a serem ressarcidos devem ser atualizados monetariamente, a partir de 01/01/1996, de acordo com a Norma de Execução • Conjunta SRF/COS1T/COSAR 08/97. • Por fim, temos ainda o § 4° do artigo 39 da Lei n° 9.250/95, que determina que em relação às compensações e restituições seja aplicada a referida taxa. Na falta de outro dispositivo legal, tendo em conta que a atualização monetária não se reveste de nenhum plus e que pode. consoante entendimento sedimentado no Judiciário de que a correção monetária independe de 4:4 pedido ou lei expressa, entendo que esta norma poderia ser perfeitamente aplicável ao caso sob t! exame. Todavia, reitero meu entendimento pessoal, como dantes colocado, de 'que' é descabida a • ' aplicação de juros moratórios em ressarcimento de créditos incentivados. Mas paia aqueles que entendem que ressarcimento é espécie de repetição, do que discordo, a referida norma incide na espécie. CONCLUSÃO • : Dou provimento parcial ao recurso para que em relação aos créditos reconhecidos rias instâncias a quo, seja aplicada a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo aproveitamento (ressarcimento/compensação). Sala das Sessões, em 28 de março de 2007. • . • MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE C. OM O ORIGINAL- JORGE FREIRE Brasitia, l 1 1 o 1 • MarirniTN ov3iS. . Mat.Sk4te 91641 fclb 15 Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11274.720296/2023-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2019, 2020
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA INCORPORAÇÃO.
A amortização fiscal do ágio é legítima quando comprovada a efetiva incorporação da empresa adquirida, nos termos da legislação societária e tributária vigente. A comprovação da incorporação pode ser demonstrada por meio de conjunto probatório que evidencie a unificação operacional, contábil e jurídica das empresas, incluindo a baixa do CNPJ da incorporada nos sistemas da Receita Federal com efeitos retroativos, escrituração unificada das receitas e despesas, emissão de alvarás de funcionamento em nome da incorporadora e demais documentos que demonstrem a efetiva integração das atividades.
Numero da decisão: 1101-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negarprovimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Sala de Sessões, em 9 de outubro de 2024.
Assinado Digitalmente
Itamar Artur Magalhães Alves Ruga – Relator
Assinado Digitalmente
Efigenio de Freitas Junior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Efigenio de Freitas Junior (Presidente).
Nome do relator: ITAMAR ARTUR MAGALHAES ALVES RUGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2019, 2020 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA INCORPORAÇÃO. A amortização fiscal do ágio é legítima quando comprovada a efetiva incorporação da empresa adquirida, nos termos da legislação societária e tributária vigente. A comprovação da incorporação pode ser demonstrada por meio de conjunto probatório que evidencie a unificação operacional, contábil e jurídica das empresas, incluindo a baixa do CNPJ da incorporada nos sistemas da Receita Federal com efeitos retroativos, escrituração unificada das receitas e despesas, emissão de alvarás de funcionamento em nome da incorporadora e demais documentos que demonstrem a efetiva integração das atividades.
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INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA INCORPORAÇÃO. A amortização fiscal do ágio é legítima quando comprovada a efetiva incorporação da empresa adquirida, nos termos da legislação societária e tributária vigente. A comprovação da incorporação pode ser demonstrada por meio de conjunto probatório que evidencie a unificação operacional, contábil e jurídica das empresas, incluindo a baixa do CNPJ da incorporada nos sistemas da Receita Federal com efeitos retroativos, escrituração unificada das receitas e despesas, emissão de alvarás de funcionamento em nome da incorporadora e demais documentos que demonstrem a efetiva integração das atividades. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 9 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Itamar Artur Magalhães Alves Ruga – Relator Fl. 721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720296/2023-80 2 Assinado Digitalmente Efigenio de Freitas Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Efigenio de Freitas Junior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra decisão da DRJ que julgou procedente a impugnação apresentada pela contribuinte , exonerando o crédito tributário lançado referente ao IRPJ e CSLL. A ciência do lançamento foi realizada em 06/06/23. Do Relatório Fiscal O lançamento tributário em relação aos ACs de 2019 e 2020 teve como objeto a tributação do IRPJ, CSLL e IOF. Ação fiscal iniciada em 03/01/2022. 2. Das Infrações Identificadas e Sua Tributação 2.1. Tributação do IRPJ e da CSLL Amortização de Ágio Indevida: O Hospital Esperança adquiriu a empresa UDI Hospital - Empreendimentos Médico Hospitalares do Maranhão Ltda. (UDI Hospital) em 07/02/2018. O ágio reconhecido na aquisição foi contabilizado na conta 120401001121 - AGIO - HOSPITAL UDI, no valor de R$ 335.882.752,38. Em síntese, expõe a Autoridade Fiscal: A partir de janeiro de 2019, o Hospital Esperança passou a amortizar o ágio, excluindo o valor de R$ 67.176.550,48 por ano da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Essa prática, no entanto, é indevida pois a lei veda a dedução da amortização de ágio para fins de IRPJ e CSLL. O Hospital Esperança alegou que a UDI Hospital foi incorporada em janeiro de 2019, justificando a amortização do ágio. No entanto, a análise da documentação e das movimentações da UDI Hospital demonstram que a empresa não foi de fato incorporada. A incorporação exige a extinção da empresa incorporada, tanto contabilmente quanto em sua totalidade. O Hospital Esperança não comprovou a extinção da UDI Hospital, que permanece ativa na Junta Comercial do Maranhão e na Receita Federal do Brasil. Fl. 722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720296/2023-80 3 A empresa UDI Hospital também realizou diversas atividades incompatíveis com uma empresa incorporada, como a emissão de DCTFs e a realização de operações financeiras. A Lei nº 6.404/76, que regulamenta as Sociedades Anônimas, exige que a incorporação seja concluída com o arquivamento e publicação dos atos da incorporação. O Hospital Esperança não concluiu o processo de incorporação. O Hospital Esperança utilizou a amortização do ágio para reduzir indevidamente sua carga tributária, antecipando o beneficio fiscal sem que as condições para tal estivessem satisfeitas. A exclusão do ágio na base de cálculo do IRPJ e CSLL foi realizada no e-Lalur, nos registros N630 e N670. O Contrato de Operação de Conta-Corrente apresentado pelo Hospital Esperança indica a disponibilização de recursos financeiros sem a definição do valor principal a ser utilizado, caracterizando a operação de mútuo. Conclusão: O Hospital Esperança S.A. cometeu as seguintes infrações: Amortização indevida do ágio na aquisição da UDI Hospital, resultando em exclusão indevida na base de cálculo do IRPJ e CSLL; Falta de recolhimento do IOF devido nas operações de crédito rotativo com empresas ligadas e controladas Da Impugnação A impugnação apresentada contra a autuação fiscal se estrutura em torno da nulidade do lançamento tributário e da legalidade da amortização do ágio. III. Nulidade do Lançamento Tributário: A impugnante argumenta que o lançamento tributário é nulo por ser ilíquido e incerto. Esse argumento se baseia na alegação de que a autoridade fiscal, ao desconsiderar a incorporação da UDI Hospital, deveria ter reapurado o lucro real do Hospital Esperança, excluindo as receitas e despesas da UDI Hospital. A impugnante argumenta, ainda, que a autoridade fiscal não apresentou provas suficientes para desconsiderar o negócio jurídico da incorporação, caracterizando uma aplicação equivocada da "teoria da substância econômica". A impugnante se baseia no artigo 142 do CTN, que define os elementos essenciais do lançamento tributário, incluindo a identificação do sujeito passivo e o cálculo do tributo devido. A falta de um desses elementos, no caso a identificação precisa do lucro tributável do Hospital Esperança após a desconsideração da incorporação, tornaria o lançamento nulo. A impugnante cita ainda a doutrina de Manoel Antonio Gadelha Dias e dois acórdãos do CARF (nº 2202-003.151 e nº 3102-002.398) para sustentar a necessidade de liquidez e certeza nos autos de infração. IV. Legalidade da Amortização do Ágio: A impugnante argumenta que a amortização do ágio foi realizada em conformidade com a legislação, uma vez que a incorporação da UDI Hospital foi perfectibilizada em 1º de janeiro de Fl. 723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720296/2023-80 4 2019. Para comprovar a incorporação, a impugnante apresenta uma série de argumentos, abaixo sintetizados. IV.1. Dedutibilidade das despesas de amortização de ágio Cumprimento dos Requisitos Legais: A impugnante aduz que foram cumpridos todos os requisitos legais para a incorporação, incluindo a aprovação da operação pelas assembleias gerais das empresas, a elaboração de um laudo de avaliação e o protocolo dos documentos nas Juntas Comerciais. Baixa do CNPJ da UDI Hospital: A impugnante destaca que a Junta Comercial do Maranhão (JUCEMA) reconheceu a incorporação e baixou o CNPJ da UDI Hospital com data retroativa a 1º de janeiro de 2019, o que também foi registrado nos sistemas da RFB. Escrituração Contábil Unificada: A impugnante argumenta que, a partir da data da incorporação, passou a escriturar as receitas e despesas da UDI Hospital em sua contabilidade, o que é corroborado por extratos bancários e pelo livro razão. Alvarás de Funcionamento: A impugnante apresenta alvarás de funcionamento de 2019 e 2020 emitidos em nome do Hospital Esperança com a utilização do nome fantasia "UDI Hospital", corroborando a tese de incorporação. Lançamentos Contábeis e Obrigações Acessórias: A impugnante justifica os lançamentos contábeis que geraram saldo credor na conta da UDI Hospital como um erro, e argumenta que a entrega de DCTFs posteriores à data da incorporação foi necessária por conta de demoras na atualização dos sistemas da RFB. A impugnante destaca ainda que as DCTFs foram entregues sem valores, e que a apuração dos tributos federais foi feita de forma unificada pelo Hospital Esperança. Bens Imóveis e Movimentações Financeiras: A impugnante argumenta que a manutenção de bens imóveis em nome da UDI Hospital não invalida a incorporação, e que as movimentações financeiras realizadas no CNPJ da UDI Hospital foram devidamente registradas na contabilidade do Hospital Esperança. A impugnante se baseia na Lei nº 6.404/76, que regulamenta as Sociedades Anônimas, para defender a validade da incorporação. Utiliza também o artigo 22 da Lei nº 12.973/2014 para justificar a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio após a incorporação. Cita ainda o Pronunciamento Técnico CPC 15 (R1) para argumentar sobre a adequação da amortização do ágio à luz das normas contábeis. IV.2. Indevida Tentativa de Desconsideração de Negócio Jurídico Legítimo: A impugnante argumenta que a autoridade fiscal, ao desconsiderar a incorporação, está, na prática, tentando desconsiderar um negócio jurídico legítimo sem apresentar provas suficientes de simulação, dolo ou fraude. A impugnante argumenta, ainda, que a operação de incorporação se configura como uma "opção fiscal" legítima, e que a autoridade fiscal não pode desconsiderar a autonomia da empresa em estruturar seus negócios de forma menos onerosa, desde que dentro da lei. A impugnante se baseia no artigo 116 do CTN, que trata da desconsideração de atos e negócios jurídicos para fins tributários, argumentando que a desconsideração só pode ocorrer em casos de dolo, fraude ou simulação. Cita ainda a ADI nº 2.446, utilizando o voto da Ministra Cármen Lúcia para defender a impossibilidade de desconsideração de atos e negócios jurídicos com base em meras ilações. Utiliza também a doutrina de Marco Aurélio Greco para defender a Fl. 724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720296/2023-80 5 legalidade das "opções fiscais". Cita dois acórdãos do CARF 1302-003.290) e 1301-003.656 para defender o planejamento tributário lícito e a validade da formação do ágio, respectivamente. IV.3. Verdadeiro Critério para Interpretação e Aplicação da Legislação Tributária neste caso: artigo 24 da LINDB: A impugnante argumenta que a interpretação da legislação tributária neste caso deve levar em consideração o artigo 24 da LINDB e a Lei da Liberdade Econômica. Segundo a impugnante, como a incorporação da UDI Hospital foi realizada em conformidade com a legislação vigente à época, a autoridade fiscal não pode desconsiderar a operação com base em mudanças posteriores de interpretação . A impugnante utiliza o artigo 24 da LINDB, que trata da segurança jurídica na aplicação do direito, para defender a validade da incorporação, uma vez que a operação foi realizada em conformidade com a legislação vigente à época . Cita, ainda, a Lei da Liberdade Econômica e a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 881/2019 para defender a presunção de boa-fé nos atos praticados no exercício da atividade econômica. IV.4. Subsidiariamente: Descabimento da Multa Isolada (50%): A impugnante argumenta, subsidiariamente, que a multa isolada de 50% é indevida por configurar bis in idem, uma vez que já foi aplicada a multa de ofício de 75% sobre os mesmos fatos geradores. A impugnante argumenta, ainda, que a multa isolada só poderia ser aplicada caso não houvesse valores de imposto principal a serem pagos, o que não é o caso. Utiliza o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 para questionar a legalidade da aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício. Cita, ainda, a Súmula CARF nº 82, a Súmula CSRF nº 105, a doutrina de Marco Aurélio Greco e jurisprudência do STJ e do CARF para defender a impossibilidade de dupla penalização pelos mesmos fatos geradores. Da Decisão de Primeira Instância A DRJ julgou procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário, interpondo o recurso de ofício. É o relatório. VOTO Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator Fl. 725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720296/2023-80 6 O Recurso de Ofício foi interposto tendo em vista a exoneração total do crédito tributário constituído pelo Colegiado de primeira instância. Da Decisão da DRJ A decisão da DRJ analisa a questão em dois capítulos principais: a alegação de nulidade do lançamento tributário e a procedência da amortização do ágio. 1. Nulidade do Lançamento Tributário: A impugnante alegou nulidade do lançamento por ele ser ilíquido e incerto. Essa alegação se baseia em dois argumentos principais: A tentativa da autoridade fiscal de desconsiderar o negócio jurídico sem provas suficientes de simulação, dolo ou fraude. A não exclusão dos rendimentos da UDI Hospital na contabilidade da impugnante, mesmo após a desconsideração da incorporação. O relator argumenta que a nulidade de um auto de infração só pode ser reconhecida em casos específicos, como quando emitido por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, incluindo a inobservância dos requisitos legais para sua lavratura. No caso em análise, o relator expôs que o auto de infração atendeu aos requisitos do Artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. O relator também considerou que a discordância em relação à apuração do valor tributável, como no caso da inclusão dos rendimentos da UDI Hospital, deveria ser tratada na análise do mérito da impugnação, e não na preliminar de nulidade. Entendeu que o auto de infração foi lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) no pleno exercício de suas funções, estando presentes os requisitos de validade previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Concluiu que há plena consonância entre os fatos apontados, os enquadramentos legais e o lançamento aplicado, e que eventual erro na apuração do valor tributável deveria ser analisado no mérito. Com efeito, correto o entendimento de modo a afastar a nulidade. 2. Amortização do Ágio: O ponto central da disputa é a data efetiva da incorporação da UDI Hospital pelo Hospital Esperança e as implicações tributárias decorrentes. A fiscalização argumentou que a incorporação não se concretizou de fato e, portanto, o Hospital Esperança não teria direito à amortização do ágio. analisou as informações presentes nos sistemas da RFB e constatou que a empresa UDI Hospital foi baixada em 01/2019, com a informação de incorporação sendo incluída no sistema em 06/2023. Fl. 726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720296/2023-80 7 análise da ECF de 2019 da UDI Hospital também corrobora a informação de incorporação em 01/01/2019. O relator considerou plausível a justificativa da impugnante em relação à entrega de DCTFs posteriores à data da incorporação. A empresa alegou que as entregas foram feitas por conta da demora na atualização dos sistemas da RFB. A documentação apresentada, como extratos bancários e livro razão, demonstra que o Hospital Esperança escriturava as receitas da UDI Hospital em sua contabilidade. Os alvarás de funcionamento de 2019 e 2020, emitidos em nome do Hospital Esperança com a utilização do nome fantasia "UDI Hospital", também corroboram a tese de incorporação. Com base nesses elementos, o relator concluiu que a incorporação da UDI Hospital ocorreu em 01/01/2019. Por consequência, reconhecendo o único argumento da Fazenda (a não incorporação) como improcedente, o relator decidiu pelo cancelamento do lançamento tributário. Em suma, a decisão da DRJ se fundamentou no reconhecimento da incorporação da UDI Hospital pelo Hospital Esperança em 01/01/2019. A partir dessa conclusão, o relator considerou procedente a amortização do ágio e decidiu pelo cancelamento do lançamento tributário. No próprio sistema da RFB está a situação incorporada com a data retroativa: Da Baixa no CNPJ nos sistemas da RFB Fl. 727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720296/2023-80 8 Pelo exposto, mantenho a decisão de primeira instância pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Itamar Artur Magalhães Alves Ruga Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil Fl. 728DF CARF MF Original Acórdão Relatório Do Relatório Fiscal 2. Das Infrações Identificadas e Sua Tributação 2.1. Tributação do IRPJ e da CSLL Amortização de Ágio Indevida: Da Impugnação III. Nulidade do Lançamento Tributário: IV. Legalidade da Amortização do Ágio: IV.1. Dedutibilidade das despesas de amortização de ágio IV.2. Indevida Tentativa de Desconsideração de Negócio Jurídico Legítimo: IV.3. Verdadeiro Critério para Interpretação e Aplicação da Legislação Tributária neste caso: artigo 24 da LINDB: IV.4. Subsidiariamente: Descabimento da Multa Isolada (50%): Da Decisão de Primeira Instância Voto Da Decisão da DRJ 1. Nulidade do Lançamento Tributário: 2. Amortização do Ágio: Da Baixa no CNPJ nos sistemas da RFB Conclusão
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Numero do processo: 17933.720569/2014-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Os proventos de pensão, aposentadoria ou reforma recebidos por pessoa física portadora de moléstia grave definida na legislação são isentos do imposto de renda.
Numero da decisão: 2001-007.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andressa Pegoraro Tomazela (substituto[a] integral), Marcelo Milton da Silva Risso, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Lilian Claudia de Souza.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os proventos de pensão, aposentadoria ou reforma recebidos por pessoa física portadora de moléstia grave definida na legislação são isentos do imposto de renda.
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os proventos de pensão, aposentadoria ou reforma recebidos por pessoa física portadora de moléstia grave definida na legislação são isentos do imposto de renda. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andressa Pegoraro Tomazela (substituto[a] integral), Marcelo Milton da Silva Risso, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Lilian Claudia de Souza. RELATÓRIO A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 12-69.068 da 18ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ (fls. 32 e segs.). Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.23/26 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2012, para cobrança do crédito tributário de R$ 2.145,28. Fl. 102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.299 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17933.720569/2014-71 2 O lançamento é decorrente da seguinte infração: rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, relativos a duas fontes pagadoras: * Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão no valor de R$ 19.229,35; * Instituto de Previdência Municipal de Governador Valadares de R$ 23.575,83. O enquadramento legal encontra-se às fls. 24 e 26. Inconformada, a interessada, por intermédio de seu procurador (documentos de fls.09/11), ingressou com a impugnação de fls. 02/03, alegando que os rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave no lançamento corresponde a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, recebidos por portadora de moléstia grave. Por fim, ressalta que está anexando documentos e solicita prioridade na tramitação do processo, com base no Estatuto do Idoso. Em seguida, o processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento para solução da lide (fl.31). Após análise, a DRJ não acatou os argumentos da contribuinte. Do voto do acórdão recorrido: 1. RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE. Faz-se mister salientar que a isenção para portadores de moléstia grave encontra- se regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6 ............................................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” A partir do ano-calendário de 1996, deve-se aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pelo artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, in verbis: “Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de Fl. 103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.299 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17933.720569/2014-71 3 dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.”(g.n.) A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: "Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: ................................................................................................................................. XII - proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia ( ...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(g.n.) § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II - do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municipíos, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial." (g.n.) Sendo assim, da análise de todos os dispositivos supra mencionados, depreende- se, ab initio, que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta-se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma, e o outro relaciona-se com a existência da moléstia tipificada no texto legal. No presente caso, é de se informar que a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprove a natureza dos rendimentos auferidos tanto da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão como do Instituto de Previdência Municipal de Governador Valadares Quanto ao outro requisito essencial à fruição da isenção ora analisada, é de se informar que a interessada acostou aos autos o laudo de fl.12, exarado pela Secretaria Muncipal de Saúde, firmando que a contribuinte é portadora da moléstia classificada sob o código discriminado na CID X como N.18.0 (doença renal em estádio final), cujo tratamento de hemodiálise iniciou em 30/09/2011. Fl. 104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.299 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17933.720569/2014-71 4 Ressalte-se que, a supracitada moléstia não se encontra discriminada no rol das moléstias previstas na Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Com relação ao documento acostado à fl. 13, é de se informar que trata-se de laudo particular que não pode ser aceito para fins e comprovação de moléstia grave, nos termos do que determina a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, em seu art. 5º§ 2º item II. Cumpre frisar que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Não há como interpretar de modo diferente o assunto. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Conclui-se, então, que a contribuinte não tem direito à isenção prevista na Lei nº 7.713/1988, artigo 6º, inciso XIV, com a redação da Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei nº 9.250/1995, porque não preencheu nenhum dos dois requisitos essenciais à comprovação da isenção ora pleiteada. Destarte, em face de todo o exposto supra, voto no sentido de julgar IMPROCEDENTE a impugnação. Cientificado da decisão de primeira instância em 05/11/2014, o sujeito passivo interpôs, em 04/12/2014, Recurso Voluntário, fl. 41, sustentando, em apertada síntese, que os rendimentos são isentos por ser portadora de moléstia grave, conforme documentos comprobatórios juntados aos autos. Em sessão do dia 25 de abril de 2023, esta turma julgadora do CARF decidiu por converter o julgamento em diligência junto à unidade de origem da Receita Federal, para que se intimasse a recorrente a comprovar, por meio de documentação hábil para tal, serem os rendimentos recebidos no ano-calendário de 2012 das fontes pagadoras Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (R$ 19.229,35) e Instituto de Previdência Municipal de Governador Valadares (R$ 23.575,83) decorrentes de pensão, aposentadoria ou reforma. Com o retorno do processo, prossegue-se com o julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Honorio Albuquerque De Brito - Relator(a) Fl. 105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.299 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17933.720569/2014-71 5 Conforme se extrair do relatório acima, a turma julgadora de primeira instância não considerou a condição alegada pela contribuinte de portadora de moléstia grave, para fins de isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria recebidos, por entender que a moléstia constante do laudo médico apresentado não se encontra discriminada no rol das moléstias previstas na Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, incisos XIV e XXI. Em recurso voluntário a recorrente, hoje falecida e representada por seu cônjuge, esclarece ser portadora de nefropatia grave, doença isentiva nos termos da lei, desde 2011, conforme laudo de serviço médico oficial já anteriormente trazido. De fato, resta razão nesse aspecto à recorrente, da análise do atestado médico de fl. 12, emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Governador Valadares/MG, assinado por profissional médico do SUS. Para reforçar o esclarecimento, a contribuinte acrescenta ainda atestado de serviço médico particular no mesmo sentido, à fl. 46. Quanto à condição de serem os rendimentos que se pleiteiam isentos referentes a proventos de aposentadoria, a interessada, em atendimento a intimação em diligência da unidade da Receita Federal, anexa ao recurso comprovantes de aposentadoria concedida pela Prefeitura de Governador Valadares e Secretaria do Estado de Planejamento e Gestão (fls. 93 a 97). Assim sendo, no caso em comento, uma vez comprovada a condição de portador de moléstia grave relacionada na lei isentiva e sendo os recebimentos proventos de aposentadoria, os rendimentos são isentos do IR e deve ser afastado o crédito tributário lançado. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito, para afastar o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 106DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001315/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 30/09/2000,01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 31/05/2002, 01/08/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 31/05/2004,
01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE
DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS
RECEITAS.AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA.
A base de cálculo da Cofins e do PIS, depois da declaração de
inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do artigo 3º da Lei 9718/98, passou a
ser o faturamento, assim entendida as receitas que correspondam às
atividades operacionais próprias da empresa. Tal entendimento foi reafirmado
pela Corte Superior em ação judicial própria interposta pela contribuinte, com
transito em julgado.
VARIAÇÕES MONETÁRIAS E CÂMBIAIS. ADOÇÃO REGIME DE
COMPETÊNCIA.
As variações cambiais ativas integram a base de cálculo da contribuição por expressa determinação contida na lei, e, se tributadas pelo regime de competência, por opção do contribuinte, devem ser reconhecidas mensalmente, independente da efetiva liquidação das operações que as geraram. As variações monetárias ativas integram, igualmente, a base de calculo da contribuição, devendo ser reconhecidas mensalmente
Numero da decisão: 3402-001.437
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento parcial ao recurso voluntário interposto para excluir os valores lançados sob a égide da Lei 9718/98 por se tratarem apenas de lançamentos relativos a receitas financeiras,
cuja tributação, no período, relativa ao PIS e à Cofins foi afastada pelo STF em ação própria interposta pela contribuinte
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 30/09/2000,01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 31/05/2002, 01/08/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 31/05/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS.AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA. A base de cálculo da Cofins e do PIS, depois da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do artigo 3º da Lei 9718/98, passou a ser o faturamento, assim entendida as receitas que correspondam às atividades operacionais próprias da empresa. Tal entendimento foi reafirmado pela Corte Superior em ação judicial própria interposta pela contribuinte, com transito em julgado. VARIAÇÕES MONETÁRIAS E CÂMBIAIS. ADOÇÃO REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações cambiais ativas integram a base de cálculo da contribuição por expressa determinação contida na lei, e, se tributadas pelo regime de competência, por opção do contribuinte, devem ser reconhecidas mensalmente, independente da efetiva liquidação das operações que as geraram. As variações monetárias ativas integram, igualmente, a base de calculo da contribuição, devendo ser reconhecidas mensalmente
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FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS.AÇÃO JUDICIAL PROPRIA. A base de cálculo da Cofins e do PIS, depois da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do artigo 3º da Lei 9718/98, passou a ser o faturamento, assim entendida as receitas que correspondam às atividades operacionais próprias da empresa. Tal entendimento foi reafirmado pela Corte Superior em ação judicial própria interposta pela contribuinte, com transito em julgado. VARIAÇÕES MONETARIAS E CÂMBIAIS. ADOÇÃO REGIME DE COMPETENCIA. As variações cambiais ativas integram a base de cálculo da contribuição por expressa determinação contida na lei, e, se tributadas pelo regime de competência, por opção do contribuinte, devem ser reconhecidas mensalmente, independente da efetiva liquidação das operações que as geraram. As variações monetárias ativas integram, igualmente, a base de calculo da contribuição, devendo ser reconhecidas mensalmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para excluir os valores lançados sob a égide da Lei 9718/98 por se tratarem apenas de lançamentos relativos a receitas financeiras, cuja tributação, no período, relativa ao PIS e à Cofins foi afastada pelo STF em ação própria interposta pela contribuinte Nayra Bastos Manatta – Presidente e relatora EDITADO EM: 29/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO Relatório Tratase de auto de infração objetivando a exigência da COFINS relativa aos períodos de apuração de fevereiro a junho, setembro/00; janeiro , março a julho, setembro a dezembro/01; janeiro a maio, agosto, outubro a novembro/02; fevereiro a abril, junho a dezembro/03; fevereiro a maio, agosto, outubro a novembro/04 em virtude de diferença apurada entre os valores escriturados e os declarados/pagos. A contribuinte apresenta impugnação alegando: 1. O lançamento decorre de suposta receita financeira decorrente de variação cambial nos anos calendários examinados. Todavia, nestes períodos a contribuinte suportou o ônus de variação cambial passiva o que seria suficiente para determinar a insubsistência da pretensão; 2. Nenhum valor foi incorporado ao patrimônio da empresa razão pela qual não se pode falar em receita, conforme se depreende pela analise de sua contabilidade, que, desde já requer seja examinada; 3. No documento 03 anexo estão contabilizadas as variações cambiais ativas apuradas na liquidação dos contratos de cambio especificados, significando o que se ganhou efetivamente, sendo que tal receita foi submetida à tributação; 4. Na medida em que as compensações realizadas não foram formalmente rejeitadas e nem foram apresentadas razões neste sentido temse uma impropriedade do lançamento; 5. A empresa registrava mensalmente a variação cambial passiva correspondente a cada contrato e no mês em que eventualmente baixasse a cotação do dólar contabilizava a recuperação/reversão do valor apurado mediante a conversão da quantidade de dólares do respectivo contrato pelo valor da moeda americana no mês de cotação, escriturando tais operações na conta variação cambial acima da UFIR; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10410.001315/200519 Acórdão n.º 3402001437 S3C4T2 Fl. 2 3 6. O fisco considerou como integrante da base de calculo das contribuições (PIS E COFINS) os valores das recuperações/reversões das variações cambiais negativas anteriores, interpretando meros ajustes como receitas financeiras; 7. A fiscalização não tributou receitas mas apenas ganhos temporários de variações cambiais ativas, sendo que tais ganhos não foram compensados com as perdas; 8. Sob o titulo créditos em juros passivos acima da UFIR o Fisco pretende fazer incidir o PIS e a COFINS sobre valores que correspondem a reversão de variações monetárias passivas decorrentes de cotação anteriores da taxa do dólar em relação aos mesmos contratos e durante a respectiva vigência, ou seja, antes da liquidação da operação; 9. Discorre sobre os contratos considerados pela fiscalização, demonstrando que em realidade suportou variações passivas; 10. as decisões proferidas pelo STF em relação à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98 afastam a exigência consubstanciada no presente lançamento por inconstitucionais, devendo tais decisões serem observadas pela Administração. A DRJ em Recife julgou procedente o lançamento. Cientificada a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em sua defesa as mesmas razões da inicial, acrescendo: 1. Nulidade da decisão recorrida uma vez que esta não se pronunciou sobre a compensação que a empresa realizou via DCOMP dos valores objeto deste lançamento com créditos advindos do IPI, bem como sobre a aplicação das decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, que deveriam ter sido observadas pela Administração; 2. Na conta variação cambial acima da UFIR estão registrados apenas os ajustes originários da variação de cotação do dólar americano em relação ao real, razão pela qual a possível confusão alegada pela relatora do acórdão recorrido não resta configurada; 3. As variações cambiais referemse exclusivamente às importações de trigo e é na conta importações em andamento que a recorrente contabiliza as operações em relação às quais ainda não ocorreu o desembaraço e a entrada do produto importado. Assim a variação cambial, passiva ou ativa, contabilizada nesta conta tem o único efeito de ajustar o valor em reais a ser contabilizado na conta de estoques por ocasião do desembaraço e entrada do produto no estabelecimento da recorrente; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 4. A variação cambial, neste caso, jamais configura um ganho ou perda para apuração de resultados. Tanto é verdade que a contabilização ocorreu tão somente em contas patrimoniais. Desta forma a variação cambial escritura na conta importações em andamento não constitui base de calculo do PIS e da COFINS no regime não cumulativo, no período em que era legalmente permitido, e, pelas mesmas razões, não deveria ter constituído base de calculo destas contribuições no regime cumulativo por não representar receita ou despesa. A Segunda Câmara do Segundo Conselho do CARF anulou a decisão recorrida por cerceamento de direito de defesa uma vez que esta não havia se manifestado sobre as compensações alegadas pela contribuinte. Foi proferida nova decisão julgando a impugnação da contribuinte improcedente. A contribuinte apresentou recurso voluntário alegando as mesmas razoes da inicial e acrescendo: As receitas financeiras não podem integrar a base de calculo da contribuição em virtude de decisão proferida pelo STF que declarou inconstitucional toda a exigência desta contribuição que exceda o conceito de faturamento; Possui ação própria acerca do alargamento da base de calculo do PIS e da Cofins pela Lei 9718/98, tendo obtido provimento das suas pretensões por meio do RE/488882 proferido pelo STF que afastou o parágrafo 1° do artigo 3° da Lei 9718/98 por inconstitucional; Toda a tributação e recolhimentos efetuados a titulo do PIS e da Cofins, inclusive as contidas neste processo, sobre as receitas financeiras auferidas, é, portanto, indevida. É o relatório. Voto Conselheiro Nayra Bastos Manatta O recurso interposto encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. No que diz respeito à compensação alegada pela contribuinte deve ser dito que a compensação inicialmente prevista na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 CTN, como urna das modalidades de extinção do credito tributário, tinha desde o inicio como condição básica a certeza e liquidez do credito conforme preceitua o art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir csi Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10410.001315/200519 Acórdão n.º 3402001437 S3C4T2 Fl. 3 5 autoridade administrativa, autorizar compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Consta ainda do citado dispositivo a autorização dada para que a. lei ordinária estipulasse as condições e garantias para a autoridade administrativa proceder sua homologação. A Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que em seu art.66, com a redação dada pelo art. 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispôs sobre a compensação: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1° A compensação so poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2"Éfácultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. No regime da Lei n° 8.383/91, a compensação era possível apenas entre indébito e debito fiscal, vincendos, da mesma espécie e destinação constitucional Posteriormente foi editada a Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, que em seu art.74 (redação original) autorizava a compensação entre créditos e débitos relativos a espécies tributárias distintas, por meio de requerimento administrativo e com autorização do Fisco, vedada a consecução do procedimento, sem tais formalidades, por iniciativa unilateral do contribuinte. 0 dispositivo legal acima foi posteriormente regulamentado pelo Decreto n° 2.138, de 29 de janeiro de 1997, em seus arts.1° a 3: Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de oficio, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Art. 2 0 sujeito passivo, que pleitear a restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, pode requerer que a Secretaria c/a Receita Federal efetue a compensação do valor do seu crédito com débito de sua responsabilidade. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 6 Art. 3 A Secretaria da Receita Federal, ao reconhecer o direito de crédito do sujeito passivo para restituição ou ressarcimento de tributo ou contribuição, mediante exames fiscais para cada caso, se verificar a existência de débito do requerente, compensara os dois valores. A autorização legal concedida foi para a compensação dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, mesmo de espécies diferentes. No caso dos autos a contribuinte alega ter ingressado administrativamente com os pedidos de compensação por meio das Dcomp, na DRF/Maceió, na época dos períodos do lançamento, sem, contudo anexar qualquer cópia de documento comprobatório. Todavia nos sistemas sistema DCTF da Receita Federal, cujas telas foram anexadas pela autoridade julgadora de primeira instancia constatase: 1. Janeiro e Março de 2000 (fl. 484), não foi realizada compensação (fls. 753/754), 2. fevereiro e abril de 2000 (fls. 755/756) não foi realizada compensação 3. nos meses de maio, junho, julho e agosto de 2000 (fls. 757/760), houve valores compensados, que foram considerados pela autoridade autuante, como se vislumbra no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada (fl. 35); 4. nos meses de setembro, outubro, novembro, dezembro de 2000, janeiro e fevereiro de 2001 não houve compensação (fls. 761/766); 5. no mês de março/2001 (fl. 767), houve compensação que foi considerada pelo fiscal (fl 36); 6. nos meses de abril, maio, outubro e novembro de 2001 (fls. 768/771) não houve valores compensados; 7. nos meses de julho, agosto, setembro, dezembro/2001 (fls. 772/775), os valores compensados foram considerados na autuação, no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada (fl. 36), 8. nos meses de janeiro, fevereiro, abril e maio de 2002 (fls. 776/779), não houve compensação; 9. nos meses de março, junho, julho, setembro, novembro e dezembro de 2002 (fls. 780/787), os valores compensados foram considerados pela autoridade fiscal, no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada de fls. 37; 10. nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003 (fls. 788/790) houve compensação e tais valores foram considerados pelo fiscal, conforme demonstrativo (fl. 38); 11. nos meses de abril, junho, outubro, novembro e dezembro de 2003 (fls. 7911795) não constam valores compensados. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10410.001315/200519 Acórdão n.º 3402001437 S3C4T2 Fl. 4 7 Assim não procede a alegação da contribuinte de que são indevidos os valores de Cofins compensados com créditos de 1PI. Analisando agora o lançamento deveremos dividilo em dois períodos: um sob a égide da Lei 9718/98 e outro sob a égide da Lei 10833/03. Primeiramente se analisará o período lançado sob a égide da Lei 9718/98 que alcança os fatos geradores ocorridos até dezembro/03. Neste período a diferença de recolhimento da Cofins que foi objeto do lançamento decorre unicamente de chamadas receitas financeiras, introduzidas na base de calculo da contribuição pelo parágrafo 1° do art. 3° da Lei 9718/98, que foi afastado por inconstitucional em sede de ação própria interposta pela contribuinte, cuja decisão proferida pelo STF no RE/488882 transitou em julgado. Havendo decisão própria com transito em julgado em favor da recorrente é de se afastar a tributação sobre as receitas financeiras ocorridas na égide da Lei 9718/98. Analisemos agora a tributação das receitas financeiras sob a égide da Lei 10833/2003. No que diz respeito às variações cambiais decorrentes variação de cotação da moeda estrangeira é de se observar que a questão tratada aqui resumese à tributação destas variações pelo regime de competência. Para o deslinde destas questões é preciso, antes de qualquer coisa, conceituar o que seria considerado como receita para efeito da base de calculo das contribuições sociais, conforme definido na Lei nº10833/03 O artigo 1° do citado dispositivo legal assim dispõe: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica Anteriormente à Lei nº 10833/03 o conceito de receita utilizado na base de calculo do PIS e da Cofins era o coincidente com o conceito de faturamento, ou seja, limitava se às receitas decorrentes da venda de bens e serviços, não abrangendo, portanto, as demais receitas auferidas pelas pessoas jurídicas. Com o advento da Lei nº 10.833/03 a base de calculo das contribuições passou a ser considerada como sendo a recita bruta, permitindo algumas exclusões previstas no seu art. 1º, §3º O legislador ao se reportar à base de calculo das contribuições sociais não cuidou de definir, expressamente, o que afinal integraria a totalidade das receitas auferidas pela Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 8 pessoa jurídica, limitandose apenas a dizer que não importaria a atividade exercida ou a classificação contábil adotada para as receitas. É na legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica iremos encontrar a conceituação do que seja “receita bruta”, segundo preceituou a referida Lei 9.718/98. A Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e o Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 12 matriz legal do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 explicita o que seja uma receita bruta e os critérios para que possa ser identificada como tal. Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Assim, objetivando expandir a base de calculo destas contribuições, a norma jurídica fez com que incidisse sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, conceito este mais abrangente que o de faturamento. A conceituação dada pelo Instituto Brasileiro de Contabilidade, por meio das disposições contidas no Pronunciamento XIV – “Receitas e Despesas/Resultado”, é que “receita corresponde a acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos1, reconhecidos e medidos em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes de diversos tipos de atividades que possam alterar o patrimônio liquido”. Eldon S. Hendriksen e Michael F. Van Breda (1999) conceituaram o que seria aceito como receitas: “Receitas podem ser definidas, em termos gerais, como o produto gerado por uma empresa. Tipicamente, são medidas em termos de preços correntes de troca. Devem ser reconhecidas após um evento crítico ou assim que o processo de venda tenha sido cumprido em termos substanciais. Na prática, isto normalmente significa que as receitas são reconhecidas no momento da venda... As receitas são o fluído vital da empresa. Sem receitas, não haveria lucros. Sem lucros, não haveria empresa. Dada sua importância, tem sido difícil definir a receita como um elemento contábil. O que ocorre com as receitas também ocorre com as despesas, que são de definição igualmente difícil. Em termos ideais, deve ser possível, dado que receitas e despesas são elementos do lucro. 1 A leitura desse pronunciamento permite concluir que os acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, designados como receitas, são relativos a eventos que alteram bens, direitos e obrigações. Receita, entretanto, não inclui todos os acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos. Recebimento de numerários por venda a dinheiro é receita, porque o resultado liquido da venda implica alteração do patrimônio liquido. Por outro lado, o recebimento de numerário por empréstimos tomados ou o valor de um ativo comprado a dinheiro não são receitas, porque não altera o patrimônio liquido. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10410.001315/200519 Acórdão n.º 3402001437 S3C4T2 Fl. 5 9 (. . .) Em seu nível mais fundamental, receita é um aumento de lucro. Tal como o lucro, tratase de um fluxo – a criação de bens ou serviços por uma empresa durante um período.” Estes autores reconhecem que outros ingressos que não só os decorrentes do faturamento também seriam conceituáveis como receita: “Os autores deste livro preferem distinguir entre as atividades produtoras de riqueza da empresa e as transferências inesperadas de riquezas decorrentes de doações ou eventos imprevistos. Em outras palavras, todas as atividades, sejam importantes ou não, relacionadas às atividades produtoras de riqueza da empresa, seriam incluídas na categoria geral de receitas. Daí resultaria uma visão mais abrangente da receita. Entre os que adotaram tal visão abrangente da receita está o APB, em seu Pronunciamento numero 4. Alem de vendas e serviços, incluise nas receitas a venda de recursos que não sejam produtos, tais como instalações de equipamentos, ativos financeiros. Paton e Littlefield também consideram que embora o “fluxo de concretização” fosse a principal fonte de receita, toda a gama de bens e serviços oferecidos pela empresa, independente do valor relativo de determinado item, era incluída na receita . . .”. Com efeito, os autores ao sintetizarem a conceituação do que seja receita ensinam quatro acepções possíveis: na primeira, receita é vista como produto da empresa (faturamento); na segunda, consistiria no produto da empresa transferido a seus clientes; na terceira, corresponde à entrada de ativos na empresa (fluxo de entrada); e na ultima, a recita representaria o aumento bruto de ativos (patrimônio). O patrimônio é a composição representada pelo ativo menos o passivo, sendo o diferencial entre os dois grupos – ativos e passivos, exatamente o que se denomina de “patrimônio liquido”. Este patrimônio é aumentado pela receita, seja a decorrente do faturamento ou de outros ingressos, e diminuído pelos custos e/ou despesas. Para Lopes de Sá (1993), a receita representa recuperação dos investimentos, renda produzida por um bem patrimonial e o valor que representa a parte positiva no sistema de resultados. Também é o resultado de uma operação produtiva e o provento ou remuneração por serviços prestados. A definição do que seja “receita” foi muito bem enfrentada pelo Conselheiro Gustavo Kelly Alencar quando do julgamento do RV 120.937, motivo pelo qual adoto enxertos do voto proferido naquele voto como razões de decidir: “Podemos definir receita como sendo, segundo bem Podemos definir receita como toda entrada de valores que, integrandose ao patrimônio da pessoa (física ou jurídica, pública ou privada), sem quaisquer reservas ou condições, venha acrescer o seu vulto como elemento novo e positivo. Quanto ao conceito de "receita", muito se discutiu esse problema da exigência de ingresso no patrimônio da pessoa para ser receita. Para alguns autores, a receita é sinônimo de "entrada financeira", sendo assim Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 10 considerada qualquer entrada de dinheiro, venha ou não a constituir patrimônio de quem a recebe. Todos os recebimentos auferidos são incluídos como receita, seja qual for o seu título ou natureza, inclusive o produto da caução, de depósito, de empréstimo ou de fiança criminal. Tudo que se recebe constitui receita, seja "entrada financeira" (não há o ingresso no patrimônio da pessoa), "renda" (auferida de determinada fonte de propriedade da pessoa), "preço" (auferido da venda de um bem material ou de um serviço) ou "receita" (soma de valor que entra para o patrimônio da pessoa). Receita vem a ser, assim, sinônimo de "entrada financeira", como atestam João Pedro da Veiga Filho e Walter Paldes Valério, além de outros insignes autores. Para outros doutrinadores, o conceito de receita é mais restrito. A entrada financeira, para ser receita deve ingressar no patrimônio da pessoa, que fica proprietário da mesma. Aliomar Baleeiro conceitua a receita pública da seguinte forma: "a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo". Manuel de Juano, diz ser receita pública, "toda quantidade de dinheiro ou bens que obtém o Estado como proprietário para empregálos legitimamente na satisfação das necessidades públicas". Seguindo os ensinamentos de Quarta, receita "é uma riqueza nova que se acrescenta ao patrimônio". No mesmo sentido: V. Gobbi, Ezio Vanni, Carlos M. Giuliani Fonrouge, além de outros mestres. Conforme se nota, o elemento "entrada para o patrimônio da pessoa" é essencial para caracterizar a entrada financeira como receita. Esta abrange toda quantidade de dinheiro ou valor obtido pela pessoa, que venha a aumentar o seu patrimônio, seja ingressando diretamente no caixa, seja indiretamente pelo direito de recebêla, sem um compromisso de devolução posterior, ou sem baixa no valor do ativo. Ao examinar e comentar a Lei nº 4.320, de 1964, J. Teixeira Machado Jr., define receita da seguinte forma: "Um conjunto de ingressos financeiros com fontes e fatos geradores próprios e permanentes, oriundos da ação de tributos inerentes à instituição, e que, integrando patrimônio na qualidade de elemento novo, produzlhe acréscimos, sem contudo gerar obrigações, reservas e reivindicações de terceiros".” Mesmo se considerarmos o conceito de receita na teoria econômica, verifica se que esta representa o “acréscimo de valor patrimonial (riqueza nova, acréscimo de riqueza), representativo da obtenção de produto, da ocorrência de fluxo de riqueza ou de simples aumento no valor do patrimônio, de natureza material ou imaterial, acumulado ou consumido, que decorre ou não de uma fonte permanente, que decorre ou não de uma fonte produtiva, que não necessariamente esta realizado, que não necessariamente está separado, que pode ou não ser periódico ou reprodutível, normalmente liquido, e que pode ser de índole monetária, em espécie ou real”, segundo Belsunce in “El concepto de redito em la doctrina y em el derecho tributário”. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10410.001315/200519 Acórdão n.º 3402001437 S3C4T2 Fl. 6 11 Verificase daí que receita na concepção da Lei nº 10833/03 é todo ingresso financeiro que entre na contabilidade do contribuinte, seja ele "entrada financeira" (não há o ingresso no patrimônio da pessoa), "renda" (auferida de determinada fonte de propriedade da pessoa), "preço" (auferido da venda de um bem material ou de um serviço) ou "receita" (soma de valor que entra para o patrimônio da pessoa). A Lei nº 10833/03 no seu art. 1º estabeleceu como base de calculo da Cofins a receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Depreendese daí que as variações monetárias ativas decorrentes da taxa de câmbio, constituindose receita da pessoa jurídica, sofrem a incidência da COFINS. Verificase, ainda, que no caso das variações monetárias de direitos e obrigações do contribuinte não se pode admitir que as variações monetárias passivas sejam consideradas despesas financeiras e que os ganhos sejam compensados com as perdas tributandose apenas o ganho liquido das variações cambiais e monetarias. Os ingressos positivos hão de ser tributados, ainda que haja perdas no mesmo período. Os ganhos a serem tributados podem ser originados tanto de direitos de credito como de obrigações do contribuinte. A cada vez que ocorrer variação cambial ativa esta será tributada pelo PIS e pela COFINS. Vejase que no caso de contas que representem direitos as variações cambiais ativas ocorrerão quando houver atualização a ganho do contribuinte, ou seja, quando houver ganho em função de a moeda nacional ter sido desvalorizada em relação à estrangeira. Nas contas de obrigações estas variações cambiais ativas surgem quando ocorre uma valorização da moeda nacional em relação às estrangeiras Estas variações cambiais configuramse receita bruta e devem ser tributadas pelo PIS e pela COFINS. É preciso observar que a partir de janeiro de 2000 as variações monetárias dos direitos de créditos e das obrigações da contribuinte, em função da taxa de cambio, poderiam ser reconhecidas quando da liquidação da correspondente operação, e no seu parágrafo primeiro, ressalva a opção da pessoa jurídica de efetuar o reconhecimento de tais variações segundo o regime de competência. Da analise dos autos verificase que, embora a legislação permitisse que a contribuinte reconhecesse tais variações quando da liquidação da correspondente operação, como argüido pela recorrente em seu recurso, tal opção não foi efetivada uma vez que constam dos registros contábeis da recorrente o reconhecimento de tais variações pelo regime de competência. Ressaltese que a própria recorrente informou ao Fisco que adotou o regime de competência. Assim sendo, embora a lei permitisse que as variações cambiais fossem reconhecidas quando da liquidação das operações a contribuinte não se utilizou de tal opção, efetuando seus registros pelo regime de competência. Incabível, pois, que se insurja em grau de recurso contra procedimento por ela mesmo adotado. Vejamos o que diz Higuchi in Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Pratica, pp. 617, acerca dos regimes de apropriação de receitas para efeito do PIS e da Cofins: “O §1º do art. 187 da Lei nº 6.404/76 que dispõe que na determinação do resultado do exercício serão computadas as Fl. 11DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 12 receitas e os rendimentos ganhos no período, independente da sua realização em moeda. Essa regra é conhecida como regime de competência e é adotada pela legislação tributaria, salvo disposição em contrario. Na determinação da base de calculo de COFINS e PIS/PASEP, a regra geral é o regime de competência (. . .). A partir de 01012000, o art. 30 da Mp nº 1.858, que vem sendo reeditada, dispõe que as variações monetárias dos direitos de credito, em função da taxa de cambio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de calculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando da liquidação da correspondente operação. Com isso, as variações cambiais ativas serão apropriadas pelo regime de caixa.” (grifo nposso) Depreendese daí que no regime de competência, adotado pela contribuinte por opção, inclusive no reconhecimento das variações cambiais, as receitas são computadas no período em que ocorrem, independente de sua realização. Por outro lado, se a recorrente tivesse adotado o regime de caixa, as variações cambiais só seriam reconhecidas na liquidação da correspondente operação, evitando as distorções que agora vem alegar. Todavia, é preciso deixar claro que embora tivesse a opção de fazer a tributação das variações cambiais pelo regime de caixa, optou, de livre e espontânea vontade, por utilizarse do regime de competência para fazelo, embora ciente das distorções que tal opção poderiam ocasionar. No caso especifico do PISe da COFINS o regime de competência é mensal e as receitas apuradas neste interstício temporal devem ser oferecidas à tributação. No caso especifico das variações cambiais ativas elas devem ser apuradas mensalmente, por opção da contribuinte em utilizar regime de competência, e oferecidas à tributação, independente da liquidação da operação a que correspondam. Quisesse a recorrente ver tributada a variação cambial ativa decorrente de cada operação quando da sua efetiva liquidação teria adotado o regime de caixa, como faculta a lei. Mas não o fez, preferiu adotar o regime de competência levando à tributação mensal de tais receitas, talvez porque tal opção fosse mais vantajosa em relação a outros tributos, e a lei exigia que a opção pelo regime de caixa ou competência fosse para todos os tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Segundo Higuchi, pp. 140, existem distorções que podem ocorrer em virtude da adoção do regime de caixa para a tributação das variações cambiais em relação à CSLL e ao IRPJ que talvez justifiquem a opção da contribuinte pelo regime de competência, embora este gere distorções em relação ao PIS e à Cofins: “O reconhecimento pelo regime de caixa das variações cambiais ativas e passivas trará distorção na apuração do lucro liquido , com vantagens ou desvantagens no pagamento do imposto de renda e da CSLL. Isso poderá ser facilmente demonstrado. Uma empresa que tenha empréstimo em moeda estrangeira com prazo de cinco anos para liquidação não poderá reconhecer a variação cambial passiva durante quatro anos para apuração do lucro real e da base de calculo da CSLL, apesar desse empréstimo gerar lucro naquele período. Situação inversa ocorre quando a empresa tem credito em moeda estrangeira de longo prazo. Nesta hipótese, o reconhecimento da receita de variação cambial ocorrerá Fl. 12DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10410.001315/200519 Acórdão n.º 3402001437 S3C4T2 Fl. 7 13 somente na liquidação enquanto a despesa financeira para captação dos recursos em moeda nacional será reconhecida anualmente pelo regime de competência, gerando distorção no lucro.” Não existe aqui qualquer condição suspensiva ou resolutória, como quer fazer crer a recorrente. Existe sim uma receita computada mensalmente decorrente da flutuação da taxa de cambio denominada variação cambial que, se positiva ou ativa deve ser tributada pelo PIS e pela COFINS. A flutuação da taxa de cambio é fato concreto, não havendo qualquer condição que possa alterar este fato, conseqüentemente a receita auferida pela empresa dela decorrente também é fato concreto, independente de qualquer outra condição para consumalo. Esta afirmativa aplicase também às variações monetárias decorrentes das variações dos índices de atualizações empregados na correção da divida, uma vez que não há qualquer fato incerto, condição resolutiva ou suspensiva. Aqui vale ressaltar que para as variações monetárias não existe previsão legal para que se adote o regime de caixa para o reconhecimento das receitas delas oriundas. Existindo ganho no período mensal, período de competência do PIS e da COFINS, decorrente da variação positiva da taxa de cambio este há de ser tributado, ainda que no mês seguinte venha a ser revertido pela mesma flutuação cambial que o gerou. Merece destacar que não há qualquer possibilidade na legislação do PIS e da COFINS, se adotado o regime de competência, de se compensar os ganhos com as perdas decorrentes das flutuações cambiais mensais para que se tribute apenas o valor liquido decorrente das variações cambiais. Ademais disto, caso a contribuinte, mesmo adotando o regime de competência, pudesse tributar as variações cambiais apenas no momento do efetivo recebimento das obrigações estarseia diante do regime de caixa. Ou seja, ao admitir tal assertiva passaria a inexistir diferença entre regime de caixa e competência, o que se configura verdadeiro absurdo. Frisese, ainda, que certamente, em relação ao IRPJ e à CSLL, com certeza a recorrente não reconheceu suas receitas decorrentes de variação cambial no momento da liquidação do contrato, da obrigação, simplesmente porque no caso destes tributos é permitido deduzir as perdas com as flutuações da moeda estrangeira, o que torna interessante para as empresas a adoção do regime de competência pois reduzem o montante devido destes dois tributos. Assim terseia para uma mesma empresa dois regimes de reconhecimento de receitas distintos: o de competência para o IRPJ e CSLL e o de caixa para o PIS e a COFINS, baseados única e exclusivamente no interesse econômico da empresa em reduzir o montante a recolher de cada um destes tributos, o que é inadmissível sob qualquer aspecto, ferindo, frontalmente todas as regras de contabilidade e do Direito Tributário. Verificase, ainda que a recorrente ao invés de contabilizar em contas especificas de receitas e despesas as variações cambiais ativas e passivas, respectivamente, utilizouse de contas de despesas para contabilizar, a credito, as variações cambiais ativas, o que poderia resultar numa dificuldade de visualização destas variações ativas, que é o que interessa para apuração do PIS e da COFINS. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA 14 A empresa utilizava contas indicativas de importações em andamento especifica para cada carregamento de trigo importado, identificadas pelo nome do navio transportador. A debito destas contas contabilizava as despesas inerentes à compra, demais despesas de importação (seguro, frete, comissões, transporte, desembaraço) e as variações cambiais passivas decorrentes de obrigações em moeda estrangeira. As variações ativas decorrentes de variação a menor na taxa de cambio eram contabilizadas a credito destas contas. Ao final do processo de importação o saldo devedor desta conta era creditado e debitado à conta de estoques de trigo. Na apuração do PIS e da COFINS as variações cambiais ativas não eram consideradas na apuração mensal destas contribuições. Na conta variação cambial acima da UFIR a empresa contabilizava as variações cambiais mensais ocorridas e apuradas em todas as suas obrigações sujeitas à variação do dólar, tanto passivas como ativas. A contrapartida era a conta do passivo correspondente a estas obrigações. Quando surgia uma oscilação a menor na taxa de cambio, a variação, ao invés de ser contabilizada em conta própria indicativa de variação cambial ativa era contabilizada a credito nesta conta de despesas. A conta variação cambial ativa apresentou utilização em alguns meses de 2000, 2003 e 2004, tendo sido estas variações ativas consideradas pela empresa na apuração da base de calculo das contribuições. Apesar de ser conta de receita não trouxe impacto para apuração do IRPJ e da CSLL pois sempre que utilizada a contrapartida era um debito na conta de despesa variação cambial acima da UFIR. Esta conta era utilizada para apuração das variações cambiais ativas ocorridas em liquidação de importações e serviria para oferecer tais variações à tributação do PIS e da COFINS. Entretanto, o regime de apuração da empresa, como se disse, era o de competência e não o de caixa. Se adotado regime de caixa as despesas com variações cambiais passivas que a empresa apurava mensalmente não poderiam ser consideradas na apuração da base de calculo do IRPJ e da CSLL, e o foram. A fiscalização identificou em contas de despesas representativas de variações cambiais os eventuais lançamentos a credito indicativos de variações cambiais e monetárias ativas e sobre tais valores fez incidir as contribuições ao PIS e a COFINS, conforme consta das planilhas “apuração da base de calculo”. No caso de apuração cumulativa, o valor do debito apurado está demonstrado nas planilhas “apuração de débitos”. A diferença apurada está demonstrada nas planilhas “demonstrativo de situação fiscal apurada”. No caso de apuração não cumulativa o valor do debito e as diferenças apuradas estão demonstradas na planilha “apuração não cumulativa” Assim sendo voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para excluir os valores lançados sob a égide da Lei 9718/98 por se tratarem apenas de lançamentos relativos a receitas financeiras, cuja tributação, no período, relativa ao PIS e à Cofins foi afastada pelo STF em ação própria interposta pela contribuinte. Nayra Bastos Manatta Relator Fl. 14DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10410.001315/200519 Acórdão n.º 3402001437 S3C4T2 Fl. 8 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA
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