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Numero do processo: 10830.721058/2009-18
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente advogada Priscila Cursi OAB 334956 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 58 /2 00 9- 18 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 168/214, visando modificar a decisão de piso que manteve a deliberação do Despacho Decisório de fls. 102/103, que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte em tomar crédito de PIS do período de 01/04/2006 a 30/06/2006, proveniente de despesas de fretes decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos. Consta do Despacho Decisório que o exame do crédito foi formalizado de ofício para tratamento manual de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER – registrado sob nº 05965.36947.260207.1.1.109900 e homologando as compensações declaradas na Dcomp nº 0207.1.3.103201, 16975.06605.09037.1.3.109780, 13871.15618.280307.1.3.109351, 18145.22423.090407.1.3.105405,08112.50036.260407.3.108710, 8501.74861.170609.1.7.10 3522, 24451.47573.170609.1.7.102049, 07029.92706.300507.1.3.108525, 15,, até o limite do crédito reconhecido de PIS no montante, reconhecendo o crédito de R$ 185.226,10, dos R$ 292.237,74 decorrentes de operações no mercado interno, referentes ao 2º Trimestre/2006. Sendo que os débitos assim compensados foram cadastrados no SIEF e estão controlados pelo processo eletrônico de cobrança 08.1.04.002010 002082). A divergência se refere apropriação de créditos relativos ás despesas de fretes tomados decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, cujo entendimento é de que essas despesas não integram o conceito de insumo utilizado na produção e por não se tratar de custo de fretes na operação de venda, mesmo pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliados no país. Extraíse, também, da “Informação Fiscal”, o raciocínio de que as despesas descritas no tópico acima não geram direito a créditos a serem descontados das contribuições do PIS e da COFINS. Irresignada com o conteúdo do Despacho Decisório, a Manifestante discorre sobre suas operações, alega que atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não apenas pela fabricação do mesmo, mas também pela extração de minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo (fertilizantes). Destaca que possui diversos estabelecimentos no território nacional, dentre as unidades mineradoras encontram aquelas localizadas em Minas Gerais e na Bahia, bem como os complexos industriais, assim como, possui uma unidade portuária no Estado do Ceará. Assevera que as despesas efetuadas com frete contratados quando da aquisição de insumos, bem como para a realização de transferências de matérias primas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais a confecção do produto, por essas razões o indeferimento parcial do pleito desrespeita disposição legal que assegura o direito a tomada do crédito dos insumos utilizados na produção de bens e serviços, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721058/200918 Acórdão n.º 3302002.967 S3C3T2 Fl. 7 3 violando, via de conseqüência, o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12º do art. 195 da Constituição Federal, por essa razão entende que deve ser reformada a decisão. Quanto aos insumos extraídos pela Manifestante em suas unidades mineradoras, bem como, os adquiridos de terceiros, disse que são indispensáveis ao processo produtivo. Concluiu afirmando o direito assegurado pela norma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, que elenca os custos e despesas sobre os quais o crédito poderá ser calculado, aplicandose o inciso I, para as empresas comerciais que compram e revendem as mercadorias e o inciso II para as empresas industriais e prestadores de serviços. Os argumentos restaram rechaçados ao fundamento de que os gastos efetuados com fretes na transferência de bens e insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito do PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, por falta de previsão legal, decisão essa que encontra assim resumida: “Cumpre destacar, novamente, que o crédito das contribuições no sistema da não cumulatividade decorre de determinações legais explícitas. E no caso não há base legal para creditamento sobre aquisições isoladas de serviços de fretes nas operações de transferências entre estabelecimentos diferentes da pessoa jurídica, pois não se confundem com fretes na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), como já salientado no Relatório Fiscal. Ainda sobre as possibilidades aventadas para justificar o creditamento, temse o fato de que os gastos com fretes sobre a transferência de produtos e insumos entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica geraria direito ao crédito, por se tratarem de aquisição de serviços utilizados como insumo. Entretanto, tal argumentação não pode prosperar. Isso porque os serviços adquiridos para utilização como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.864, de 2004, implica necessariamente que tais serviços sejam consumidos ou aplicados no processo produtivo, conforme está estabelecido no art. 8º, § 4º, inciso I, letra ‘a’ da IN SRF nº 404, de 2004, já transcrita. Por certo, os serviços de fretes decorrentes dessas transferências não são serviços aplicados especificamente no processo produtivo. Poderseia aceitar que seriam serviços aplicados em fase anterior, preliminar ao processo produtivo, qual seja a aquisição de bens que, geralmente, vão a estoque antes da produção e, dessa forma, os dispêndios com fretes sobre a transferência de produtos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, não são passíveis de creditamento.” A conclusão do voto se refere ausência de comprovação da vinculação do frete com os insumos transportados: “Isso posto, voto no sentido de manter os termos do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS/1094/2011 emitido pela DRF em Campinas, que deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado”. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Ciente da decisão, a Interessada interpôs o Voluntário, e em razões recursais mantém os mesmos fundamentos e irresignação com as glosas, reprisa os termos da defesa e os pleitos formulados em Manifestação de Inconformidade. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda trazida no bojo desse caderno se resume a tomada de crédito de PIS sobre frete de insumos decorrentes de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A glosa encontra justificada por ausência previsão legal e de que só cabe tomada de crédito de frete nas vendas das mercadorias quando o ônus é suportado pelo vendedor. A discussão se restringe a frete. A Interessada argumenta que os insumos dispensam altercação por serem básicos na produção de fertilizante, declina o nome de alguns dos itens. Em relação ao frete sustenta que esses decorrem do transporte contratado com pessoa jurídicas cujo objeto é a transferência da matéria prima extraídas de minas de sua propriedade para os complexos industriais que encontram implantados longe do local de exploração. De outra banda a Informação Fiscal pouco ou quase nada menciona, afirma que investigou o processo industrial da contribuinte, e, por razões tais entendeu glosar parte dos créditos provenientes de alguns insumos adquiridos e produtos em elaboração, bem como, frete relacionado com a transferência da matéria prima explorada pela Contribuinte para o pátio do complexo industrial por ausência de previsão legal. O inconformismo trazido a exame se refere a frete. Lendo a conclusão do voto do Acórdão recorrido, a conclusão encontra fundamentada na inexistência de comprovação: “Isso posto, voto no sentido de manter os termos do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS/1094/2011 emitido pela DRF em Campinas, que deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado” Embora a fundamentação do Despacho Decisório é de que restaram comprovado os desembolsos das aquisições de insumos e da prestação de serviços de transportes. Em sede de ressarcimento e ou restituição, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado, mas, a fiscalização não glosou por ausência de comprovação. A motivação para glosa não decorre de ausência de documento capaz de não justificar a tomada do crédito, segundo se extraí do relatório fiscal, houve notificação para que a Recorrente prestasse informação e planilhas, bem como, apresentasse os livros fiscais, e especificação dos serviços considerados como Despesas de Frete. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721058/200918 Acórdão n.º 3302002.967 S3C3T2 Fl. 8 5 Portanto, quanto a essa questão não há de se enxergar, pois em momento algum houve registro da ausência de comprovação, sendo assim, tratase de decisão equivocada. Em síntese, o tema se refere a frete de transferência entre e estabelecimentos, é o que se vê do Despacho Decisório. Em sendo assim, o ponto nodal da discussão se refere ao frete pago a terceiros no transporte de insumos básicos, necessários e essenciais atividade produtiva da Recorrente, capaz de obstar a atividade da empresa. A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceira pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final. A meu sentir, impedir a tomada de crédito quando se trata de processo produtivo verticalizado configura, no meu entendimento, uma punição ao contribuinte, por buscar, em decorrência da característica do produto produzido, cercarse de segurança da fonte dos insumos para que o processo produtivo não sofra interrupção. Algumas empresas como a Recorrente necessitam de produzir o próprio insumo, entre tantas, destacase as àquelas voltadas à produção de celulose, que precisam plantar eucalipto e posteriormente transportar até unidade fabril. O serviço de transporte nesse caso, quando tomado de pessoa jurídica interna, configura custo de fabricação do produto final, não há como dissociar esse fato, sem o qual obsta todo o processo produtivo. Assim, penso diversamente do signatário do despacho decisório, bem como, do julgador de piso, pois a meu ver tratase de custo necessário e essencial atividade fabril, e, se revela específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece. No caso concreto, o frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local que é produzido o fertilizante se insere no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento, nesse sentido pronunciou o Min. Campbell Marques, de onde se extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento: “... o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.” Explica ainda que, não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Com essas considerações, conheço do recurso e dou provimento para autorizar a tomada de crédito decorrente de frete de insumos entre a extração dos minerais até o complexo fabril da Recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19740.000201/2005-94
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração : 01/01/2000 a 01/04/2000
EMBARGOS. MATÉRIA NÃO APRECIADA NO ACÓRDÃO.
São cabíveis embargos declaratórios para apreciar matéria em relação à qual o Acórdão embargado se tenha omitido.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
PRAZO.
Transcorrido o prazo do art. 168 do CTN, combinado com o art. 3º da Lei nº 118105, não há como efetuar repetição de indébito, seja qual for o motivo do pagamento tido como indevido.
Embargos Acolhidos para Re-Ratificar o Acórdão Embargado.
Numero da decisão: 3302-000.342
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em admitir os embargos para suprir a omissão e ratificar a resultado do julgamento que negou provimento ao recurso. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: Walber José da Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração : 01/01/2000 a 01/04/2000 EMBARGOS. MATÉRIA NÃO APRECIADA NO ACÓRDÃO. São cabíveis embargos declaratórios para apreciar matéria em relação à qual o Acórdão embargado se tenha omitido. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PRAZO. Transcorrido o prazo do art. 168 do CTN, combinado com o art. 3º da Lei nº 118105, não há como efetuar repetição de indébito, seja qual for o motivo do pagamento tido como indevido. Embargos Acolhidos para Re-Ratificar o Acórdão Embargado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA :40 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,ittari= i; TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19740.000201/2005-94 Recurso n° 255.344 Embargos Acórdão n° 3302-00.342 — r Câmara I Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2010 Matéria Omissão no Acórdão Embargante FINASA SEGURADORA S/A Interessado FINASA SEGURADORA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COELNS Período de apuração : 01/01/2000 a 01/04/2000 EMBARGOS. MATÉRIA NÃO APRECIADA NO ACÓRDÃO. São cabíveis embargos declaratórios para apreciar matéria em relação à qual o Acórdão embargado se tenha omitido. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PRAZO. Transcorrido o prazo do art. 168 do CTN, combinado com o art. 3' da Lei ri2 118105, não há como efetuar repetição de indébito, seja qual for o motivo do pagamento tido como indevido. Embargos Acolhidos para Re-Ratificar o Acórdão Embargado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em admitir os embargos para suprir a omissão e ratificar a resultado do julgamento que negou provimento ao recurso. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. WalbertIose da‘riL. 7S-11z6— Presidente e Relator EDITADO EM: 07/04/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Gileno Gurjâo Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. • Relatório Trata o presente de pedido de restituição de Cofins, apresentado no dia 08/06/2005, indeferido pela autoridade da RFB por ter sido apresentado após o prazo de cinco anos, contados da data do pagamento tido como indevido. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, indeferida pela DRJ no Rio de Janeiro - RJ e, então, apresentou recurso voluntário alegando, preliminarmente, que o prazo para pleitear a restituição é de 5 + 5 anos ou, no caso de inconstitucionalidade de lei, o referido prazo conta-se da data da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF. O recurso voluntário foi julgado improcedente, nos tomos do Acórdão n' 2102-00.079, de 06/05/2009. Ciente do acórdão acima, a seguradora ingressou, tempestivamente, com os Embargos de Declaração de fls. 237/242, alegando omissão no julgado, que deixou de apreciar seu argumento de que, com a decretação de inconstitucionalidade da Lei n 9.718/98, o prazo para pleitear a restituição conta-se da data do referido julgamento, ou seja, do dia 09/11/2005. Os embargos foram admitidos pelo Presidente da Terceira Câmara, nos termos do Despacho de fi. 248. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator Como relatado, os embargos de declaração foram admitidos para que o Colegiado aprecie o argumento da embargante de que o prazo para pleitear a restituição em tela conta-se a partir da data da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1 2 do art. 3 2 da Lei ri° 9.718/98, ou seja, a partir do dia 09/11/2005. Preliminarmente, entendo que não se aplica a preclusão aos argumentos da embargante de que o termo inicial do prazo para pleitear a restituição em tela é o dia 09/11/2005 porque a declaração de inconstitucionalidade ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade, ocorrida no dia 11/0712005. Quanto ao mérito dos embargos, entendo que, por absoluta carência de amparo legal, não merece prosperar o argumento da embargante de que o prazo para pleitear a restituição de PIS e de Cofins recolhidas com fulcro no §1' do art. 3' da Lei n' 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, conta-se do dia 09/11/2005 (data da sessão de julgamento do RE n° 346.084). Como se disse no voto vencedor do acórdão embargado, em matéria de repetição de indébito, não há outro termo inicial para o seu exercício que não os assinalados no art. 168 do CTN, independente dos motivos que levaram o contribuinte a entender que tinha Fie(, 2 Processo n° 19740.000201/2005-94 53-C312 Acórdão n.° 3302-00.342 Ft 250 efetuado pagamento indevido ou a maior, inclusive a declaração de inconstitucionalidade da lei que o obrigava a efetuar o recolhimento. Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade não alcançam direitos que não podem mais ser exercidos, por encontrarem-se extintos, como pretende a embargante. Admito que é passível de discussão o prazo para pleitear a restituição dos pagamentos indevidos quando, na data da publicação de decisão defmitiva do STF em ADIN que declarou a inconstitucionalidade, o direito de pleitear a restituição não estava extinto, o que não é o caso dos autos. No mais, com fulcro no art. 50, § P, da Lei ng 9.784/1999 i , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido admitir os embargos para retificar o acórdão if 2102-00.079 e ratificar o resultado do julgamento de negar provimento ao recurso voluntário. Kn Walberàosé da Silva Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos c dos fundamentos juridicos, quando: § 1 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 3
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000332/2008-16
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/05/2005
LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN.
Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal.
O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação.
Processo Anulado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-003.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não anular o lançamento e decidir sobre o mérito da questão. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Carolina Barros Carvalho. OAB: 142.292/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
(assinado digitalmente)
MAURO JOSÉ SILVA Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/05/2005 LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não anular o lançamento e decidir sobre o mérito da questão. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Carolina Barros Carvalho. OAB: 142.292/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não anular o lançamento e decidir sobre o mérito da questão. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Carolina Barros Carvalho. OAB: 142.292/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 32 /2 00 8- 16 Fl. 4272DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 4273DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.230 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MI Montreal Informática LTDA contra decisão monocrática que julgou procedente o lançamento de contribuições sociais previdenciárias devidas e não recolhidas. 2. A ementa da decisão restou assim resumida (fl. 2.844): “DECADÊNCIA. INOCORRÉNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ÓNUS DA PROVA. JUROS E MULTA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8.212191. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou mesmo a apresentação deficiente, o agente fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos do art. 33, § 3 1, da Lei 8.212191. Alegações desacompanhadas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento. A apresentação de provas documentais deve obedecer às regras contidas no art. 90, da Portaria MPS n° 52012004. São devidos os juros e a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso, na forma dos art. 34 e 35 da Lei 8.212191. LANÇAMENTO PROCEDENTE” 3. Como razões recursais (fls. 2.883/2.938) aduz a empresa, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, a decadência dos débitos anteriores a julho de 2001, aduzindo que o lançamento somente se concretizou em 25.08.2006, devendo ser aplicado, no caso, o disposto no art. 150, § 4º do CTN; b) a possibilidade de novas provas serem juntadas no curso do processo administrativo, mesmo após a apresentação da impugnação; c) no mérito, defende que as contribuições para o SESC, SENAC e SEBRAE direcionamse claramente em favor de empresas e empregados que exercem atividades de comércio. É inconcebível, portanto, a idéia de que incida uma contribuição relacionada a comerciários sobre a parcela da folha de salários correspondente ao pagamento de empregados que não exercem atividade mercantil, não possuindo, portanto qualquer vínculo com as instituições destinatárias dos recursos recolhidos; Fl. 4274DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 d) da legalidade de prestação de serviços de informática por intermédio de pessoas jurídicas, sendo competência exclusiva do Poder Judiciário a desconsideração da personalidade jurídica; e) Os pagamentos efetuados pela recorrente não possuem caráter de remuneração, bem como não existia qualquer subordinação entre os funcionários das empresas contratadas e o contribuinte. 4. Junto com suas razões recursais, apresentou a recorrente diversos documentos (fls. 2.939/3.554, sendo que o Chefe do Contencioso Administrativo houve por bem de encaminhar o feito ao Serviço de Fiscalização para que o Auditor Fiscal notificante examinasse a situação e procedesse a emissão do FORCED, em caso de retificação do lançamento (fl. 3556). 5. Em resposta, foi apresentada nova Informação Fiscal confirmando que foi procedida a retificação dos valores do crédito previdenciário referente a alguns lançamentos (fls. 3.568/3.583). 6. Não houve intimação sobre a nova Informação Fiscal ao contribuinte, tampouco apresentação de contrarrazões pelo Fisco, sendo o presente processo encaminhado a este Conselho para apreciação. É o relatório. Fl. 4275DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.231 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade, e passo ao exame das questões preliminares adiante identificadas. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Antes de adentrar na análise do presente processo, relembro aos nobres colegas que já apreciamos inúmeros processos do mesmo contribuinte sobre a mesma fiscalização, decorrente do MPF nº 09241334 (fl.31), que originou, também, a fiscalização ora guerreada. Em todos os casos anteriormente analisados, por unanimidade de votos, essa Turma já sotrancou o entendimento de que a fiscalização era maculada de irregularidades, devendo, por consectário, ser adotado o mesmo entendimento. 3. Ora, irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 4. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD (fls 40/41), determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 5. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 6. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 7. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: “VOTO Fl. 4276DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontrase em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20a alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 – Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2o do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Não obstante repute louvável toda e qualquer medida administrativa que tenha como escopo resguardar o munus fiscalizatório dos órgãos públicos, mormente em se tratando de hipótese de persecução de débitos fiscais, a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2o do art. 127 do CTN “A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito...” , não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo Fl. 4277DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.232 7 razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicílio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distância da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstância ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização/arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria nº 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995, promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores – RJ. Condeno o Réu no reembolso das custas judiciais e no pagamento de honorários de advogado, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa. É como voto. EMENTA Fl. 4278DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 ADMINISTRATIVO – ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO – RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2O, DO CTN. I – Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II – A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2o do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III – Recurso provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas. Decide a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, à unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, constante dos autos, que fica fazendo parte integrante do presente julgado. Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2007. (data de julgamento) SERGIO SCHWAITZER RELATOR PROCESSO Nº 2003.51.01.0224300 IV APELACAO CIVEL ( AC /346266 ) AUTUADO EM 14.07.2004 PROC. ORIGINÁRIO Nº200351010224300 JUSTIÇA FEDERAL RIO DE JANEIRO VARA: 19CI APTE: MI MONTREAL INFORMATICA LTDA ADV: JOAO LUIZ PINTO DA NOBREGA E OUTROS APDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS ADV: FERNANDO LINO VIEIRA RELATOR: DES.FED.SERGIO SCHWAITZER 7A.TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Em 07/12/2007 12:40 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(O) Décima Nona Vara Federal do Rio de Janeiro(GR 00/0162527)07/0162527 Em 27/11/2007 12:40 Trânsito em Julgado DATA DO ÚLTIMO PRAZO: · Em 05/11/2007 16:44 Recebimento NA(O) SUBSECRETARIA DA 7A.TURMA ESPECIALIZADA” Fl. 4279DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.233 9 8. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores – RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 9. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. 10. Com efeito, a fiscalização deixou de observar a legislação que disciplina a matéria relativa ao domicílio tributário, a começar pelo próprio Código Civil: Código Civil: “Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: ... IV das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.” 11. A seu turno, o Código Tributário Nacional assevera com clareza: “Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: ... II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior.” 12. Pelos dispositivos legais acima alinhavados, constatase que é pacifico o entendimento quanto ao estabelecimento do domicílio tributário por intermédio da fixação da sede da empresa. É bem verdade que o órgão fiscalizador pode recusar o domicílio eleito nas hipóteses previstas no artigo 127, §2° do CTN, mas desde que o faça de forma justificada. Para tanto, o ato normativo cuidou de estabelecer regras para a fixação de ofício do domicílio. Neste caso, o estabelecimento centralizador é aquele onde se encontra a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral. 13. Em síntese, temos que, em regra, é respeitada a vontade do sujeito passivo na eleição de seu domicílio tributário e, conseqüentemente, de seu estabelecimento centralizador perante o fisco, que pode ser alterada de ofício nas hipóteses, comprovadamente, Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 de impedimento ou dificuldade para a realização da auditoria fiscal. E no presente caso a fiscalização em momento algum recusou o domicílio eleito pelo recorrente preferindo, entretanto, defender o acerto da fiscalização no estabelecimento determinado pelos próprios auditores. 14. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 15. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório. 16. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, anular o lançamento por vício material. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 17. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para ANULAR de ofício o lançamento fiscal por vício material. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.234 11 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre alguns aspectos relacionados à matéria apresentada pela recorrente ou que consideramos como de ordem pública. Com a devida vênia, divergimos do ilustre Relator quanto ao desfecho do presente. Inicialmente, concordamos com a premissa de que a fiscalização intimou a recorrente, por diversas vezes em local diverso de seu domicílio fiscal, apesar de ser este local um de seus estabelecimentos. O trânsito em julgado da ação declaratória proposta pela recorrente nos leva a adotar tal premissa. Ressaltamos, entretanto, que o provimento jurisdicional somente declara o domicílio fiscal sem prever qualquer conseqüência para a a intimação enviada para domicílio diverso daquele de eleição nos moldes do CTN. A partir disso, o Relator concluiu que estaríamos diante de um caso de nulidade por vício material sem, contudo, apontar o fundamento legal para tanto. Tal argumentação genérica em relação à nulidade, registrese, foi acompanhada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9202002.413, julgado em 07 de novembro de 2012. Na tentativa de apontar a fundamentação legal que teria levado a tais posições, poderíamos buscar os fundamentos legais no art. 32 da Portaria 520/2004, in verbis: Art. 32. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Certamente o caso não envolve lançamento por pessoa incompetente, então poderíamos justificar a nulidade pela preterição do direito a defesa ou por problemas no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). De plano, podemos afastar a possibilidade de tal fato intimações na fase fiscalizatória em local diverso do domicílio de eleição acarretar cerceamento de defesa, tendo em conta que na fase fiscalizatória o procedimento é inquisitório, não se sujeitando os atos praticados nessa fase aos ditames do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a tese de que a intimação dos atos da autoridade fiscal em domicílio diverso daquele de eleição do contribuinte acarrete nulidade por cerceamento de defesa. Quanto ao MPF, passamos a registrar nossa aposição. Mandado de Procedimento Fiscal. Eventuais vícios no MPF não afetam relação jurídica fisco x contribuinte. Procedimentos fiscais concluídos entre 12/2007 a 06/2011. Partimos para desvendar as conseqüências jurídicas para o lançamento tributário de eventuais vícios quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Como nesta Câmara tratamos do julgamento de segunda instância de recursos que versem sobre o que o regimento desta Casa denomina de contribuições previdenciárias, bem como sobre as contribuições devidas a terceiros, temos que, de início, identificar a legislação aplicável ao MPF relativamente a tais tributos. No que tange às contribuições previdenciárias, o MPF foi criado pelo Decreto 3.969/2001, publicado em 16/10/2001, tendo mantido sua vigência até a edição do Decreto 6.104/2007, publicado em 02/05/2007. Assim, as regras relativas ao MPF devem ser buscadas no Decreto 3.969/2001, no período de 16/10/2001 a 01/05/2007, e no Decreto 3.724/2001, alterado pelo Decreto 6.104/2007, a partir de 02/05/2007. Para complementar as normas dos Decretos, foram editadas portarias, sendo aplicáveis a Portaria 4.066/2007, de 02/05/2007 a 11/12/2007, a Portaria 11.371/2007, de 12/12/2007 a 28/06/2001, e a Portaria 3.014/2011, de 29/06/211 até a presente data. Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.235 13 Para o período que interessa ao caso é aplicável a Portaria 11.371/2007. Em resumo, o MPF, segundo o texto do art. 2º do Decreto 3.724/2001, é definido como uma ordem específica que instaura o procedimento fiscal, podendo ser um MPF destinado à fiscalização (MPFF), destinado a realização de diligência (MPFD) ou destinado a casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária ou previdenciária (MPFE) sendo sua emissão realizada por algumas autoridades definidas no art. 6º da Portaria 11.371/2007. Interessanos o MPFF, pois é este instrumento que pode preceder a constituição de crédito tributário pelo lançamento. Entre as informações constantes do MPFF destacamos o prazo para realização do procedimento fiscal (inciso IV do art. 7º, Portaria 11.371/2007), o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, o período de apuração correspondente e as verificações a serem procedidas para constatar a correta determinação das respectivas bases de cálculo, em relação aos valores declarados ou recolhidos nos últimos exercícios (§1º do art. 7º da Portaria 11.371/2007). O MPFF tem prazo inicial de 120 dias, podendo ser prorrogado quantas vezes for necessário, art.12 da Portaria 11.371/2007. Havendo o decurso de prazo, extinguese o MPFF, no entanto, o art. 15 da mesma Portaria estabelece que a extinção do MPF não implica nulidade dos atos praticados, podendo novo MPF ser emitido para a conclusão do procedimento fiscal. Considerando a síntese que fizemos sobre as normas que regem a matéria, podemos sugerir três violações possíveis às disposições da legislação sobre o assunto no seguintes casos: 1. Instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPFF; 2. Prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF; 3. Conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPF F e sem prorrogação ou um novo MPF tenha sido emitido. Para a primeira delas instauração de procedimento fiscal sem a emissão de MPFF o Decreto 3.724/2001 não previu, diretamente, qualquer conseqüência jurídica. No entanto, o descumprimento de tal norma pode ensejar responsabilização funcional por desobediência, por parte do servidor, ao dever de cumprir as normas legais e regulamentares, conforme estabelecido pelo art. 116, inciso III da Lei 8.112/90. Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Em relação à segunda violação – prosseguimento de procedimento fiscal após o prazo para conclusão do MPF – a portaria determinou no art. 16 que a extinção do MPF não implica em nulidade dos atos praticados. Mais uma vez poderia o servidor ser chamado responder por descumprimento de norma legal ou regulamentar, mas, seguindo o que determinou a legislação, os atos praticados seriam válidos. No caso da terceira violação possível conclusão de procedimento fiscal após o prazo previsto para o MPFF e sem que tenha havido prorrogação ou um novo MPF tenha sido emitido – a Portaria 11.371/2007 ou mesmo o Decreto 3.724/2001 não trazem qualquer previsão de nulidade. Portanto, qualquer eventual violação dos dispositivos do Decreto 3.724/2001 e das portarias que regem a matéria em relação ao MPF não gera conseqüências para a relação jurídica fisco x contribuinte, podendo, a depender do caso e de instauração de processo administrativo disciplinar, ensejar punição administrativa aos envolvidos. Passamos para a investigação de quais seriam as hipóteses de nulidade do lançamento validamente existentes em nosso ordenamento jurídico. Veremos as nulidades do ato administrativo do lançamento, sem abordarmos as nulidades processuais que podem surgir após o início do litígio com a apresentação da impugnação. Sabemos que o CTN foi recepcionado como lei materialmente complementar que veicula normas gerais em matéria tributária, tendo tratado do lançamento nos arts. 142 a 150. No entanto, o CTN não traz, explicitamente, qualquer hipótese de nulidade para o lançamento. Apesar de não fazêlo explicitamente, a interpretação sistemática das normas do CTN nos revela as hipóteses de nulidade do lançamento. Sendo o lançamento atividade privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142, a doutrina já reconheceu que sua natureza jurídica é de ato administrativo. Sobre o assunto, Paulo de Barros Carvalho esclareceu que: “lançamento é ato jurídico e não procedimento.... Consiste muitas vezes, no resultado de um procedimento, mas com ele não se confunde. O procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro.”1 Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar , o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: 1 Cf. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 2634. Fl. 4285DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.236 15 “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;” Tomando o conteúdo de tal dispositivo, a doutrina2 identifica os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Segundo o escólio de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, os atos administrativos que possuem tais vícios são atos anuláveis.3 Com relação ao MPF, dois vícios têm sido apontados como ensejadores de nulidade: o vício de competência e o vício relativo à forma. Entre os que enxergam na ausência do MPF um vício de competência, encontramos a Conselheira Liége Lacroix Thomasi, que, no Acórdão 230100.076, de 03 de março de 2009, bem como em diversos outros do mesmo ano, incidentalmente expressou seu entendimento de que o MPF era um requisito formal indispensável para a prática do lançamento, pois representava “a habilitação do agente para o exercício da competência”. Também a exAuditoraFiscal, Mary Elbe Queiroz, vê no MPF um instrumento que atribui competência ao Auditor na medida em que afirma que este é o “veículo normativo legalmente autorizado para estabelecer as regras de competência e investir o AuditorFiscal da Receita 2 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13ª ed., São Paulo: Atlas, 2001, p. 21924. 3 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 226. Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Federal do Brasil nos poderes de fiscalizar de modo individualizado determinado contribuinte”.4 Respeitosamente, discordamos da ilustre Conselheira e da exAuditora. Já tivemos oportunidade de escrever sobre o assunto e aqui aproveitaremos algumas anotações daquele trabalho.5 Temos como induvidosa a importância da competência para os atos administrativos a ponto de cristalizarse o brocardo: defeito nenhum existe tão grande quanto o da competência.6 Embora tratando competência como sinônimo de capacidade, José Cretella Júnior7 fornecenos a dimensão da competência para o ato administrativo dizendo que “a falta de capacidade ou incapacidade do agente, quer absoluta, quer relativa, torna o ato ilegal, passível de conseqüências que podem culminar com seu total aniquilinamento”. Maria Sylvia Zanella Di Pietro8, professora titular de Direito Administrativo da Universidade de São Paulo, ao tratar dos vícios relativos ao sujeito, defende que “visto que a competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei...”9 A autora tratando do elemento sujeito do ato administrativo defineo como “aquele a quem a lei atribui competência para a prática do ato”. A ilustre professora das Arcadas, ao afastar a discricionariedade em relação à competência, reitera a gênese da norma que estatui a competência, insistindo que “a competência para a prática dos atos administrativos é fixada em lei; é inderrogável, seja pela vontade da administração, seja por acordo com terceiros”. Em outra obra10, a autora caracteriza a origem na lei como garantia para o administrado no trecho: “Visto que a competência vem sempre definida em lei, o que constitui garantia para o administrado, será ilegal o ato praticado por quem não seja detentor das atribuições fixadas na lei e também quando o sujeito pratica exorbitando de suas atribuições” 4 Cf. QUEIROZ, Mary Elbe. O Mandado de Procedimento Fiscal. Formalidade essencial, vinculante e obrigatória para o início do procedimento fiscal. Revista Fórum de Direito Tributário. Belo Horizonte, ano 7, n. 37, p. 5398, jan./fev. 2009, (p. 96). 5 Cf. SILVA, Mauro José. A competência para o lançamento e o Mandado de Procedimento Fiscal. Tributação em revista. n. 37, p. 1017, jul./set. 2001. 6 Nullus est maior defectus quam defectus potestatis. 7 Cf. CRETELLA JÚNIOR, José. Tratado de direito administrativo, vol. II, Teoria do ato administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 1966, p. 149. 8 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 186. 9 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 220. 10 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 2), p. 220. Fl. 4287DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.237 17 Amparados nessas seguras lições, já concluímos que “a fixação da gênese normativa da competência na lei encontra respaldo, portanto, da pacífica interpretação da doutrina sobre o instituto, e é autêntica garantia para o administrado”.11 Oportuno lembrar que não podemos confundir competência tributária com competência para o lançamento. Possuir competência tributária – aptidão para criar tributos in abstrato que é conferida constitucionalmente aos entes federativos – não se confunde com competência para o lançamento, pois esta deve ser entendida como a autorização legal para editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo. Ao dizermos que competência para o lançamento é a autorização legal para editar a norma individual e concreta veiculada pelo respectivo ato administrativo tornase oportuno retomarmos a doutrina de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. A autora, instada, em 2002, a opinar quanto à competência para o ato administrativo do lançamento tributário, considerando o conteúdo do art. 142 do CTN e as leis instituidoras dos tributos, asseverou que: “A primeira observação a fazer é no sentido de que a competência para a realização dos procedimentos fiscais é privativa dos AuditoresFiscais nos termos do artigo 8° da Medida Provisória n° 2.17529, já analisada, e da legislação tributária também já mencionada. Como também é de sua competência privativa a constituição, me diante lançamento, do crédito tributário. Sendo sua a competência, por força de lei, não há fundamento legal para a sua limitação por meio de portaria da Secretaria da Receita Federal[referindose à Portaria SRF 3.007/2001 que primeiro tratou da matéria no âmbito da SRF]. Certamente não há impedimento a que as autoridades indicadas na portaria emitam o MPF quando tiverem conhecimento de fatos que devam ser objeto de fiscalização ou de diligência. Mas essa possibilidade não pode limitar ou impedir a iniciativa de cada AuditorFiscal para o exercício das atribuições que são inerentes ao seu cargo e cuja omissão pode caracterizar ilícito administrativo, civil e até criminal. Também não há o mínimo fundamento legal para que o exercício de uma atribuição inerente a um cargo público fique dependendo de determinação de autoridade superior. (...) Aliás, contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que 11 Cf. SILVA, op. cit., (nota 5), p. 14. Fl. 4288DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa. Mencionando, mais uma vez, o conceito de cargo público contido no artigo 3° da Lei no. 8.112/90, verificase que, por ele, o cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades; sendo criado por lei, conforme parágrafo único do mesmo dispositivo, a lei é que define esse conjunto de atribuições e responsabilidades.”12 Merece destaque o trecho na qual a autora, com energia, afirma que “contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa”13. Com a maestria que lhe é peculiar, autora não deixou de considerar que o parágrafo único do art. 142 do CTN estatui que a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” e concluiu que: “o AuditorFiscal tem o dever irrenunciável de exercer todas as atribuições próprias do cargo, por força de lei, não podendo depender, para exercêlas, de decisão de autoridades superiores nem sofrer qualquer tipo de limitação. A omissão no desempenho de suas atribuições caracteriza improbidade administrativa, conforme artigo 11, inciso II, da Lei nº 8.249, de 2.6.92. Além disso, estará cumprindo ordem manifestamente ilegal se for impedido ou limitado no exercício de suas atribuições com base em MPF emitido em desacordo com a lei.”14 Em conclusão de seu parecer, a autora asseverou que: “A competência para realizar o ato administrativo do lançamento tributário é do AuditorFiscal da Receita Federal, em razão de sua investidura no cargo, cujas atribuições são definidas em lei. Essa competência não pode ser condicionada ou limitada por portaria administrativa. O AuditorFiscal da Receita Federal pode exercer as suas atribuições independentemente da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal ou quando este esteja com prazo de validade vencido, 12 Cf. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella; MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Princípios constitucionais da administração pública. Aspectos relativos à competência do AuditorFiscal da Receita Federal e sua função de servidor de Estado. Brasília: Unafisco Sindical, 2002, p. 478. 13 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), p. 48. 14 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), p. 4950. Fl. 4289DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.238 19 sem que isto caracterize incompetência ou vício de nulidade que possa ser declarado pelas autoridades incumbidas do julgamento nos processos de contencioso administrativo.” (grifei) O entendimento acima expresso é corroborado pela sentença proferida em sede de mandado de segurança, pelo juiz Ivan Velasco Nascimento, da 8ª Vara Federal, segundo a qual a norma administrativa que disciplinava o MPF à época, Portaria SRF nº 1.265, de 1999, “é colidente com outras normas tributárias que ocupam patamares mais elevados”, afirmando ainda que: “Não há dúvida de que a exigência de prévia emissão do MPF F, para que o auditor possa cumprir o seu dever, ante a constatação da ocorrência de fato típico, é medida de efeito concreto que hostiliza o disposto no artigo 95 da Lei n° 4.502/94 c/c artigo 9º do DecretoLei 1.024/69 e cerceia o direito e dever, líquido e certo, do auditor executor da fiscalização”. Existem julgados do antigo 2º Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que já consideraram que problemas no MPF não acarretam nulidade no lançamento por vício de competência. Tratavam de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, mas podem ser aplicáveis ao caso, pois tudo que tratamos aqui sobre as nulidades do ato administrativo do lançamento não dependem de norma específica aplicável somente às contribuições previdenciárias. Vejamos dois Acórdãos: 20214693 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF, principalmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal, mas, de nada adianta estar habilitado pelo MPF, se não forem lavrados os termos que indiquem o início ou o prosseguimento do procedimento fiscal. E, mesmo mediante um MPF, o procedimento de fiscalização apenas estará formalizado após notificação por escrito do sujeito passivo, exarada por servidor competente. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que força o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização; isto importa em que, Fl. 4290DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 se ocorrerem problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. CSRF/0202.543 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. Considerando as lições doutrinárias e a jurisprudência administrativa, bem como respeitando as normas que validamente regem a matéria, expressamos nossa conclusão de que o Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento.15 Apresentada nossa posição em relação à ausência de causa para nulidade do lançamento por vício de competência nos casos lançamento não precedidos de MPF ou que foram precedidos de MPF com algum vício de emissão ou prorrogação, passamos a enfrentar a segunda possibilidade de causa para nulidade do ato administrativo de lançamento: vício de forma ou vício por ausência de formalidades essenciais. Entre os que defendem a existência de vício de forma encontramos o ilustre Conselheiro dessa Turma, Damião Cordeiro de Moraes, que se manifestou nesse sentido no voto que proferiu na ocasião do julgamento do recurso 268.580. O Conselheiro concluiu que “o MPF é elemento imprescindível (formalidade essencial) a validade do ato de fiscalização, que precede a constituição do crédito tributário”. No mesmo sentido, a exAuditora Mary Elbe entendeu que o MPF “adquiriu status de um instrumento e uma formalidade essencial, 15 Cf. SILVA, op. cit., (nota 5), p. 17. Fl. 4291DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.239 21 indispensável para que o lançamento, como produto final do procedimento fiscal, seja executado e considerado válido”. No raciocínio de ambos os juristas encontramos duas premissas: o veículo normativo que institui o MPF seria apto a instituir uma formalidade essencial para o lançamento e os procedimentos de fiscalização são imprescindíveis para o ato administrativo do lançamento. Veremos que ambas as premissas devem ser afastadas. Já dissemos que a Constituição Federal, no art. 146, inciso III, alínea “b”, exige que as normas gerais sobre o lançamento sejam estabelecidas em Lei Complementar, sendo que os arts. 142 a 150 do CTN exercem tal função. Especialmente no art. 142 não encontramos a exigência de uma formalidade essencial que pudesse ser equiparada ao MPF. Ou seja, não há previsão no CTN para a existência de uma formalidade essencial para o lançamento similar ao MPF. Considerando que o MPF foi instituído por Decreto, fácil concluir que seu “status” de formalidade essencial – se é que existe foilhe concedido por norma infra legal que não estava autorizada para tanto pelo texto constitucional. Quanto ao lançamento ser, necessariamente, precedido por procedimento inquisitorial investigatório, Paulo de Barros Carvalho já foi categórico em assentar que “o procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro.”16 Além de tal lição doutrinária, podemos observar que inúmeros lançamentos são realizados sem que qualquer procedimento investigatório seja realizado em situações nas quais a autoridade lançadora dispõe de todos os elementos para, em estrita obediência aos ditames do art., 142 do CTN, “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” . No campo da lógica simples já podemos descaracterizar a natureza de formalidade essencial do MPF, pois o que é essencial não se dispensa, existe em todos os casos, está sempre presente, o que não constitui a realidade do MPF. Ainda que fosse admitido o status de formalidade essencial ao MPF, esta seria uma exigência para o procedimento inquisitorial de investigação e não para o ato administrativo do lançamento que pode, como vimos, prescindir de um prévio trabalho investigativo. Assim, concluímos que o Mandado de Procedimento Fiscal diz respeito ao procedimento inquisitorial de investigação fiscal e não ao ato administrativo do lançamento em si, não possuindo, outrossim, status de formalidade essencial capaz de causar nulidade por vício formal no referido ato administrativo. Fl. 4292DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 22 Por fim, há aqueles, como a exAuditorFiscal, Mary Elbe,17 que entendem que o MPF é um instrumento garantidor do contraditório e da ampla defesa, ou mesmo outros, como o Conselheiro Leonardo no voto do recurso 268.580, que entendem a existência do MPF como corolário da segurança jurídica. Como é cediço não podemos falar em contraditório e ampla defesa na fase que antecede a conclusão do lançamento, pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois concluído o lançamento e instalado o litígio administrativo com a apresentação da impugnação é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Quanto à segurança jurídica, Leandro Paulsen18 conclui que são cinco os seus possíveis conteúdos: (i) certeza do direito; (ii) intangibilidade das posições jurídicas; (iii) estabilidade das situações jurídicas;(iv) confiança no tráfego jurídico; e (v) tutela jurisdicional. Considerando que o conteúdo de certeza do direito diz respeito ao conhecimento do direito vigente e aplicável aos casos, de modo que as pessoas possam orientar suas condutas conforme os efeitos jurídicos estabelecidos, buscando determinado resultado jurídico ou evitando conseqüência indesejada, podemos admitir sua relação com a existência do MPF. No entanto, todas as normas a serem consideradas na aplicação da segurança jurídica devem ter sido validamente inseridas no ordenamento jurídico e estarem em plena vigência. Nesse sentido, Ricardo Lobo Torres,19 citando Tipke, afirma que a segurança jurídica é a segurança da regra. Assim, tendo sido demonstrado que não há qualquer regra validamente inserida no 16 CARVALHO, op. cit., (nota 1), p. 2634. 17 Cf. QUEIROZ, op. cit., (nota ), p. 62. 18 Cf. PAULSEN, Leandro. Segurança jurídica, certeza do direito e tributação: a concretização da certeza quanto à instituição de tributos através das garantias da legalidade, da irretroatividade e da anterioridade. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. 165. 19 Cf. TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. II; Valores e princípios constitucionais tributários. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 173. Fl. 4293DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.240 23 ordenamento jurídico que atribua o efeito de nulidade aos eventuais vícios relacionados ao MPF, não há qualquer violação à segurança jurídica a conclusão de que vícios quanto ao instrumento administrativo não geram efeitos na relação fisco x contribuinte. Por oportuno, não podíamos concluir nossa manifestação sem enfrentar a questão de que a existência do MPF pode contribuir para diminuir os eventuais desvios de conduta das autoridades fiscais e o aparecimento de golpistas particulares que atuariam como falsos AuditoresFiscais. A eventual função de auxílio ao combate a tais ilícitos que o MPF pode exercer não legitima, de per si e em afronta ao direito positivo, a consideração de que ocorreria nulidade quando da existência de quaisquer vícios quanto a tal instrumento de controle administrativo. Em apoio a nossa posição, tomamos, mais uma vez, as seguras lições da administrativista Maria Sylvia Zanella Di Pietro sobre o assunto. Afirmou a professora em parecer no qual considerou os efeitos da existência do MPF: “Os desvios de conduta, sempre possíveis de ocorrer, pela omissão no exercício das atribuições próprias do cargo, devem ser objeto de apuração e aplicação das sanções cabíveis. Não podem, contudo, levar a adoção ou imposição de medidas normativas contrárias à lei(...).” 20 Por todo o exposto, concluímos que a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas, insistimos, sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. Voltando para o caso presente, em resumo, portanto, não temos configurada quaisquer das hipóteses do art. 32 da Portaria 520/2004. Porém, poderíamos justificar a declaração de nulidade do lançamento se alguns dos elementos do ato administrativo do lançamento estivesse deficiente. Ocorre que não vislumbramos qualquer vício nos pressupostos de fato e de direito do lançamento. O lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. 20 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota 12), p. 50. Fl. 4294DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 24 O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Já existe manifestação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastando a nulidade em casos de problemas com o domicílio fiscal de eleição do contribuinte. Vejamos: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Acórdão nº 20601429 do Processo 35301010276200690 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÃ"NOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÃSNCIA DOMICÃ LIO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO NO INTERESSE DO FISCO. O domicílio tributário, previsto no Fl. 4295DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.241 25 CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado. Portanto, de per si, a intimação da recorrente durante a fase fiscalizatória em estabelecimento diferente daquele que elegeu para seu domicílio fiscal não causa nulidade no lançamento. No entanto, cada intimação em domicílio diverso daquele eleito deve ser, a princípio, considerada não realizada. Dizemos a princípio, pois a entrega equivocada da intimação é sanada na medida em que o contribuinte responde à referida intimação ou comparece no processo. Ma s a existência de tais vícios na intimação podem afetar nossa conclusão, se o lançamento for feito com base em arbitramento, a depender da justificativa para este procedimento especial. No caso presente, de fato, o lançamento foi realizado com fundamento no arbitramento previsto no §3º do art. 33 da Lei 8.212/91, in verbis conforme texto vigente à época dos fatos: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9 de Julho de 2001) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 4296DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 26 Para tanto, a fiscalização apontou como motivação os itens 4.1 a 4.4 do Relatório Fiscal. Como podemos extrair do dispositivo em destaque, o motivo para o arbitramento deve ser a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. Nesse sentido, parecenos que a motivação para o lançamento seria aquela constante dos itens 4.3. 1 a 4.3.3 e 4.4. 4.3. Por deixar a MI Montreal de: 4.3.1. apresentar os comprovantes de despesas relativos aos pagamentos e todos os documentos que fundamentaram os lançamentos contábeis das despesas lançadas nas contas abaixo discriminadas, onde conste no histórico do lançamento contábil os documentos denominados Comprovantes de Pequenas Despesas (CPD's) e Resumos de Prestação de Contas (RPC's); 4.3.2. apresentar a relação dos segurados vinculados aos pagamentos destas despesas, contendo a qualificação dos mesmos (CNPJ filial, nome completo, CPF, data de admissão, data de demissão, matrícula na empresa etc.); 4.3.3. identificar a natureza jurídica da prestação laborativa destes segurados (segurado empregado, autônomo, contribuinte individual, cooperado de cooperativa de trabalho etc. ). (...) 4.4. Por apresentar os arquivos digitais, definidos no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD), aprovado pela Portaria MPS/SRP N'058, de 2810112005, Diário Oficial da União (DOU) de 3110112005, com formatos e conteúdos incompatíveis com aqueles exigidos no referido manual (...) A questão a desvendar que interessa ao deslinde do presente é se os documentos e informações acima enumerados deixaram de ser apresentados ou confeccionados adequadamente por conta da intimação da recorrente em domicílio diverso daquele que elegeu em conformidade com o CTN. Ora, nesse aspecto caberia à própria recorrente apontar que a intimação em estabelecimento que não correspondia ao seu domicílio fiscal resultou na impossibilidade de atendimento da intimação ou no seu atendimento deficiente, o que teria resultado em uma motivação falseada do arbitramento. Mas em nenhum momento tal argumento foi utilizado no Recurso Voluntário. A recorrente NUNCA reclamou que não recebeu as intimações. Depois que compareceu ao processo para apresentar sua defesa poderia ter manifestado sua surpresa em relação às intimações que nos autos constam, mas não o fez. O que reclamou é que a justificação do arbitramento não permitia identificar quais documentos não apresentou. Porém, o que ocorreu foi que a recorrente não observou os itens 4.3 e 4.4 acima transcritos, fixandose tão somente no conteúdo do item 1.5 do Relatório Fiscal para argumentar que a justificativa para o arbitramento foi genérica. Fl. 4297DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000332/200816 Acórdão n.º 2301003.488 S2C3T1 Fl. 4.242 27 Aliás, contrariando a tese de que teria havido prejuízo à Recorrente quanto ao atendimento das intimações, a Recorrente, em seu Recurso Voluntário, demonstra conhecer bem o conteúdo das intimações quando diz: "Os fiscais se limitaram a solicitar documentos e mais documentos somente para poder fundamentar seu absurdo procedimento através da recusa desses imaginários documentos. Repitase: a contabilidade da Recorrente não apresenta indícios de fraude. Da análise mais detida dos documentos anexados a este Recurso, outra não pode ser a conclusão senão a de que, ou a fiscalização não examinou todos os documentos disponibilizados correta e adequadamente, ou sequer os solicitou empresa na medida em que foram surgindo as dúvidas com relação aos lançamentos contábeis objetos desta NFLD. " A Recorrente discute a conclusão da autoridade fiscal de considerar não atendida a intimação, mas não demonstra desconhecer ou ter tido dificuldade em atender as intimações pela fato de ter sido intimada em local diverso de seu domicílio. E mesmo em relação ao acerto dos documentos apresentados, apesar de a fiscalização ter apresentado com clareza o que teria levado ao arbitramento, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar que os motivos para o arbitramento não existiam, pois seus argumentos são genéricos. Assim, não tendo havido prejuízo para a Recorrente quanto ao atendimento das intimações decorrente do fato de ser outro seu domicílio fiscal, entendemos que o caso não enseja nulidade. Por oportuno, toda essa discussão sobre a validade de intimação recebida em estabelecimento que não seja o domicílio de eleição já havia sido pacificada nos antigos Conselhos de Contribuintes em virtude do conteúdo do Decreto 70.235/72. Embora não aplicável diretamente ao caso devido à data dos fatos geradores, serve para ilustrar como a questão tem sido tratada, como podemos conferir abaixo: Acórdão nº 10194717 do Processo 10768010249200285 20/10/2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA A indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer. NULIDADE DA INTIMAÇÃO INEXISTÊNCIA Valida a ciência tomada por pessoa com vinculação notória tanto com a incorporada quanto com a incorporadora, além de procurador da holding. NULIDADE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO VALIDADE A teor do disposto no artigo 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto 70.235/72, os procedimentos Fl. 4298DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 28 quanto ao lançamento serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Pelo exposto, mais uma vez pedimos vênia ao Relator para divergir de sua proposição de nulidade, votando na inexistência de nulidade por vício material e na necessidade de análise do mérito. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 4299DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 18050.009949/2008-19
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. GFIP INTEMPESTIVA PARA EFEITOS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
O comando da súmula nº 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF pacifica que: a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
O artigo 106, c , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. GFIP INTEMPESTIVA PARA EFEITOS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. O comando da súmula nº 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF pacifica que: “ a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.” O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 99 49 /2 00 8- 19 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18050.009949/200819 Acórdão n.º 2403001.911 S2C4T3 Fl. 677 3 Relatório A instância “ ad quod ”produziu o Relatório abaixo que , li, compulsei com os autos e tendo corroborado o reproduzo com grifos de minha autoria: “ Tratase de Auto de Infração , DEBCAD n° 37.208 . 7094 lavrado em 20/11/2008 , no montante de R$ 163.135 , 70 (cento e sessenta e três mil cento e trinta e cinco reais e setenta centavos) para constituição do crédito tributário em decorrência do descumprimento de Obrigação Acessória a cargo da KORDSA BRASIL S/A, relativas ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2004. De acordo com o Relatório Fiscal a Empresa acima identificada não apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, assim , o disposto no art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91 O relatório informa que a empresa deixou de declarar em GFIP os valores lançados nas folhas de pagamento referente ao período compreendido entre janeiro de 2004 a dezembro de 2004. O auditor informa que a empresa possui atualmente cerca de 425 empregados e tem como atividade a fabricação de fibras artificiais e sintéticas. O auditor elaborou uma planilha relacionando as remunerações lançadas nas folhas de pagamento dos empregados que não foram declaradas em GFIP. Anexou, por amostragem cópia das folhas de pagamento. Elaborou uma outra planilha relacionando os valores pagos aos Contribuintes Individuais que não foram declaradas em GFIP apuradas através de documentos de caixa e DIRF. Informou não terem sido configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art . 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, nem a atenuante prevista no art . 291 do mesmo Regulamento. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 17 a 19), a multa foi aplicada em consonância com o previsto no art. 32, § 5°, da Lei 8.212/91 , combinado com o art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, no valor de R$ 163.135,70 (cento e sessenta e três mil cento e trinta e cinco reais e setenta centavos). Fl. 688DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 O valor da multa aplicada foi de 100% do valor relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa. Elabora planilha informando o limite da contribuição em função do número de segurados. O valor mínimo foi atualizado pelo art. 9% inciso V, da Portaria Interministerial n° 77, de 11 de março de 2008, publicada no DOU. de 12 de março de 2009 correspondendo a R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos. A ação fiscal teve início com o Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF) fls. 06/07 com ciência em 11/03/2008. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração sob julgamento em 05/12/2008 e apresentou impugnação total em 29/12/2008 (fls. 522) dizendo em síntese: Que vem comprovar o recolhimento regular e as informações tempestivas do período do débito relativo às informações nas Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) anexando comprovantes de envio destas à defesa. Preliminarmente alega nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que o auto não se lastreia em elementos concretos, que enumera valores incorretos e tipifica correspondentes infrações sem, no entanto, demonstrar provada a ilegalidade proveniente dos procedimentos adotados. Afirma que o conjunto das ocorrências dessa autuação afronta ao princípio da impugnação específica consagrado no art. 302 do Código de Processo Civil, onde o registro da infração deve conter, necessariamente, fatos a que suportam suas conclusões e imputações, narrandoos de forma clara e os caracterizando como infrações. Afirma que isso não ocorreu. Que sem esses instrumentos técnicos essenciais o Auto de Infração é inepto e acarreta nulidade do lançamento pretendido pelo agente de arrecadação. No mérito alega nulidade. Afirma que as informações foram devidamente prestadas nas GFIP do período compreendido de janeiro a dezembro de 2004. Que também apresentou as informações complementares no período, entretanto, por conta de falhas identificadas no sistema de informações de recepção das GFIP, as recepcionadas mais recentemente deletam as informações apresentadas anteriormente. O que foi registrado pela impugnante. Diz que com as informações assim distorcidas o auditor presumiu "falhas" de informações da empresa, que de fato, não existiram em nenhum momento concreto. Afirma que usando de sua prerrogativa dentro do prazo legal, encaminhou em 16/12/2008 ao sistema para correção, as informações Fl. 689DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18050.009949/200819 Acórdão n.º 2403001.911 S2C4T3 Fl. 678 5 correspondentes juntando comprovantes de protocolo de envio de arquivos Conectividade Social de 01/2004 a 12/2004. Diz anexar espelho das informações já processadas em 22/12/2008. Pede relevação da multa aplicada por ser primário e não existir agravantes do seu procedimento. Pede seja julgado insubsistente ou mesmo improcedente o Auto de Infração.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.548, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Salvador – BA DRJ/SDR, em 22 DE OUTUBRO DE 2009, exarou o Acórdão n° 1521.445, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.554, reiterou as alegações que fizera em instância “ad quod ” É o relatório. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO. Na condução do voto em primeira instância o i. Julgador assim se manifestou: “O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração sob julgamento pessoalmente em 05/12/2008 e apresentou impugnação em 29/12/2008, assim, a impugnação apresentada é tempestiva. Com relação à defesa apresentada e a alegação de que o Auto de Infração não se lastreia em elementos concretos que enumera valores incorretos e tipifica infrações sem demonstrar a prova da ilegalidade dos procedimentos adotados, não procede a alegação da impugnante. O auditor informa que a falta apontada foi constatada quando da verificação da folha de pagamento e GFIP apresentada no que se refere aos segurados empregados. Quanto aos contribuintes individuais a constatação foi feita quando da verificação da GFIP declarada e comparando com os documentos de caixa e Declaração de Imposto de Renda na Fonte DIRF. A constatação, portanto, foi feita com base nos documentos apresentados pela impugnante. Não há falar em nulidade do lançamento pretendido. Quanto à alegação de apresentação das informações complementares no período e que por conta de falhas identificadas no sistema de informações de recepção das GFIP, as recepcionadas mais recentemente deletam as informações apresentadas anteriormente, não procede a alegação da impugnante. A última declaração é a que vale efetivamente e substitui integralmente a GFIP anterior entregue, porém, todas as GFIP entregues ficam disponíveis para consulta por parte do órgão fiscalizador. Quanto à afirmação de que corrigiu a falta apontada e o pedido de relevação, verificando os sistemas informatizados constatamos que a impugnante não saneou a falta apontada pelos motivos que a seguir passo a expor: Nas competências 01/2004, 06/2004, 07/2004, 10/2004, 11/2004 e 12/2004 a remuneração declarada em GFIP pela autuada Fl. 691DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18050.009949/200819 Acórdão n.º 2403001.911 S2C4T3 Fl. 679 7 tanto com relação aos segurados empregados, quanto com relação a remuneração paga aos contribuintes individuais foi declarada a menor. As competências 02/2004, 03/2004, 04/2004, 05/2004 remuneração referente aos segurados empregados foi declarada a menor. Para a competência 08/2004 não consta informação de GFIP retificadora. A competência 09/2004 a remuneração referente aos contribuintes individuais foi declarada a menor. Com relação ao 13° Salário do exercício de 2004, este era informado juntamente com a competência 12/2004. A empresa quando declarou em GFIP a competência 12/2004 não adotou esta sistemática. Também não consta declaração referente ao 13 0 Salário de 2004 em GFIP retificador. Verificamos que a impugnante não corrigiu as faltas apontadas, apesar de ter declarado GFIP no prazo de defesa visando o saneamento.” Apresentando recurso que em sua quase totalidade prestigiamse elementos de direito e não os fáticos, o contribuinte alega que : “ Não poderia esta administração furtarse à análise dos documentos trazidos a seu conhecimento, em detrimento do direito da Recorrente, e em especial, ao arrepio aos princípios norteadores da administração publica e que regem o processo administrativo, conferindo aos administrados a segurança jurídica necessárias à manutenção da ordem e justiça, implicando no necessário reconhecimento da nulidade da decisão inquinada. ” Na seqüência, inova ao preparar e colacionar as planilhas de fls. 577, afirmando que : “ confrontando as bases de cálculo apresentadas pelo Auditor Fiscal e os depósitos judiciais( ANEXO I) das contribuições do SEBRAE e do INCRA), além das contribuições de AUTÔNOMOS ( ANEXO II) que devidamente conciliadas, fecham definitivamente, os valores demonstrados pelo Auto de Infração, não necessitando de outras intervenções. ” Exortando o princípio da verdade material lembrou que “ Nesse sentido, o dever investigatório dirigido pela discricionariedade da autoridade fiscal não pode ficar adstrito unicamente a uma préhierarquização do material probatório, limitando o alcance da sua atuação cognitiva, sob pena de não descobrir a verdade dos fatos e até mesmo incorrer na limitação do direito da Recorrente.” Fl. 692DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Alegou ainda que : “ ... não se justifica o argumento invocado pela Receita, vez que certamente teria condições de verificar a existência da regularidade de procedimentos adotados da Recorrente, em especial quando se trata de um dos órgãos da administração federal mais aparelhados no que tange aos sistemas de informação, podendo efetivar o 'cruzamento' de dados, já que a solicitação da companhia encontrase registrada em seus cadastros, sendo incabível qualquer argumentação em contrário. Muito embora toda a contrariedade apresentada em recurso, ocorre que às fls. 527, ainda em sede de impugnação, a recorrente registrara que de fato existiam falhas. Afirma que as corrigira e entende que tal procedimento tem o condão de anular o lançamento.: “ Entretanto, por conta de falhas identificadas, no sistema de informações de recepção das GFIP's, as recepcionadas mais recentemente, deletam as informações apresentadas, anteriormente. O que foi registrado, pela Impugnante. Com as informações, assim, distorcidas, o auditor fiscal, presumiu `falas" de informações da empresa, que de fato, não existiram, em nenhum momento concreto. Neste contexto, a Impugnante, usando de suas prerrogativas, dentro do prazo legal, reencaminhou em 16/12/2008, ao sistema para correção, as informações correspondentes(comprovantes de PROTOCOLO de ENVIO de ARQUIVOS Conectividade Social de 01/2004 a 12/2004) . Comprovando a recpctividade das informações, apresenta, em anexo, os espelhos, das informações já processadas, em 22/12/2008.” No item 1.2 do Relatório Fiscal de fls. 13 a Autoridade autuante preparou planilha onde revela que : “ 1.2. Conforme se verifica na planilha abaixo estamos apresentando a relação das remunerações lançadas nas folhas de pagamento dos empregados que não foram declaradas em GFIP. A título de amostragem foram anexadas algumas cópias das folhas de pagamentos.” Compulsório ressaltar que conforme registro de fls. 01, a empresa fora notificada da infração em 05/12/2008. Dessa forma a ação fiscal efetivamente fora concluída anterior à data que a recorrente afirma ter reencaminhado “ dentro do prazo legal” , em 16/12/2008 os arquivos para correção. Assim, o Auditor Fiscal não presumiu falhas como afirma a recorrente mas as encontrou , apontou, demonstrou nos autos e corretamente aplicou o Auto de infração sob pena de não o fazendo se submeter às penas de responsabilidade funcional tal qual previsto no parágrafo único do art. 142 do Código tributário Nacional – CTN, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 693DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18050.009949/200819 Acórdão n.º 2403001.911 S2C4T3 Fl. 680 9 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ” A correção efetuada pela empresa após o encerramento da ação fiscal não pode ser vista do ponto de vista da denúncia espontânea posto que intempestiva. Assim a irregularidade de fato se comprovara á época do lançamento. Ademais a circunstância impõe que se observe a súmula nº 33 deste Conselho onde resta pacificado que : “ a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.” Portanto, não dou provimento aos argumentos da Recorrente. DA MULTA A instância ad quod enfrentou a questão da multa sob o prisma do princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, entretanto os argumentos na conclusão me compulsão a discordar em parte da decisão. Na oportunidade o I. Julgador decidira que : “ A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada neste AI somado com as multas aplicadas na NFLD não exceda o percentual de 75%, previsto no art. 44 Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a remissão do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991.”( grifos de minha autoria) Toda norma jurídica compõemse num suporte fático e numa correlata conseqüência jurídica, no modelo: “Se A, então B”. A aplicação da penalidade, não pertence aos elementos definidores da norma jurídica. Tratase de componente vinculado sujeito às variações moduladas pela autoridade administrativa. Com efeito, sendo as sanções vinculadas às normas vigentes ao tempo da ocorrência do fato tributário definidora de obrigação tributária acessória independente e dissociada da obrigação tributária principal, a superveniência de diretriz que combine em resultado único as condutas independentes não há de ser aplicada . Diante do exposto, vejo impossibilidade jurídica na conclusão “ ad quod ” posto que ao tomar em conjunto os valores das penalidades das condutas previstas para as infrações do art. 32 , com as eventuais lançamento em face do art. 35, na redação anterior à vigência da MP 449/08 e da Lei 11.941/09 ainda que resultante da mesma ação fiscal e comparar com a redação contida no atual art. 35A, todos da Lei 8.212/91, maculase o instituto da tipicidade ao fazer prevalecer penalidade diferenciada não prevista para tipos distintos e inconfundíveis registrados nos relatórios de fundamentos legais dos também distintos lançamentos. Sacha Calmon Navarro Coelho leciona que : "A tipicidade tributária é cerrada para evitar que o administrador ou o juiz, mais aquele do que este, interfiram na sua modelação, pela via interpretativa ou integrativa ” Fl. 694DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Aduz que conforme o Relatório de Descrição Sumária da Infração de Dispositivo Legal Infringido às fls.01, obedecendo aos preceitos legais vigentes, o valor da penalidade foi apurado na forma do artigo. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e Art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, verbis: O § 5°, artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (... ) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 18050.009949/200819 Acórdão n.º 2403001.911 S2C4T3 Fl. 681 11 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” DA MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto deste prisma, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 696DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de acordo com a redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 697DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10730.000520/93-59
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - JULGAMENTO MONOCRÁTICO
- CIÊNCIA - O processo administrativo fiscal, após o julgamento de primeira instância somente pode prosseguir após sua ciência ao autuado. Não tendo havido tal ciência, devem os autos retornar
à repartição de origem para tal providência.
Numero da decisão: 102-29.645
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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Numero do processo: 10980.009610/2001-25
Data da sessão: Fri Feb 05 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.080
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T11:58:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T11:58:54Z; Last-Modified: 2010-06-16T11:58:54Z; dcterms:modified: 2010-06-16T11:58:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T11:58:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T11:58:54Z; meta:save-date: 2010-06-16T11:58:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T11:58:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T11:58:54Z; created: 2010-06-16T11:58:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-06-16T11:58:54Z; pdf:charsPerPage: 1349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T11:58:54Z | Conteúdo => S3-C111 EL 92 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS S%2"•:;,1,9,,L TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO *-1:7714.:17 Processo n° 10980.009610/2001-25 Recurso n° 342.155 Resolução n° 3101-00.080 — l a Câmara / P Turma Ordinária Data 05 de fevereiro de 2010 Assunto Diligência Recorrente C1RCUIBRAS - INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CIRCUITOS IMPRESSOS PROFISSIONAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em dili gência, nos termos do voto da Relatora , FIenrique Pinheiro Torres - Presidente Valdete Aparg(//ciiela V—arinIZeiro - Relatora EDITADO EM: 28/01/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres„ Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. RELATÓRIO Por bem relatar adota-se o Relatório de fls.67 verso dos autos emanados da decisão da DRJ/RPO , por meio do voto do relator Luis Sérgio Borges Fantacini, nos seguintes termos: "Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fis.4/17 em virtude da apuração de falta de recolhimento da IPI de períodos entre janeiro e dezembro de 1997, exigindo-se-lhe o crédito tributário no valor total de R$ 146.044,23. Nesse valor estão 1 incluídos acréscimos legais e lançamento de insuficiência de pagamento de acréscimos legais em recolhimento efetuado a destempo. . O enquadramento legal encontra-se a fls. 7 e 13/14. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1/3, na qual alegou que houve erro na informação de períodos de apuração e datas de vencimento conforme tabela inserta em sua defesa, requerendo o cancelamento do auto de infração. Efetuada a revisão de oficio pela DRF/Curitiba(PR), inclusive com a retificação de Dali: o valor exigido foi reduzido para R$ 5.775,62, conforme demonstrativo de ft 53. Cientificada da revisão do lançamento conforme AR de fl. 60, a interessada não apresentou nova manifestação." A decisão recorrida emanada do Acórdão n'. 14-18.306 de fls. 67 traz a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - 1P1 Ano-calendário: 1997 MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Exonera-se a multa de oficio imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lei n". 10.833, de 2003, com a redação do art. 18 da Lei ri'. 1L488, de 2007. Lançamento Procedente em Parte" Eresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho de Recursos Fiscais (fls. 76 a 79) através de procurador, onde alega, em suma: I — Que recebeu intimação por ausência de recolhimento do tributo IPI, código 1097, informado na DCTF do terceiro trimestre de 1997, referente ao 2' decêndio de agosto de 1997 (valor total de R$ 3.119,77), de multa (valor R$200,48) e juros (valor R$ 115,55) pagos a menor; II — Que a multa e juros mencionados acima foram devidamente recolhidos, conforme comprovantes anexos fls. 87 e 88; •III —Que preencheu DARF sem código, mas possivelmente tenha sido recebido pelo banco com o código 2089, pois é com este código que se encontra a base de dados da Receita Federal do Brasil; IV — Que a Receita Federal utilizou R$ 90,58 deste valor para apropriação de débito do tributo 2089; V — Que do pagamento acima, restou um saldo de RS 3.029,19, conforme demonstrado na folha 48 desse processo; VI — Que na forma do artigo 156 do CTN o crédito tributário extingue com o pagamento, logo, requer: a)que está comprovado o pagamento de acordo com o enunciado da presente, a alocação do valor correspondente (R$3.029,19) para a quitação parcial do crédito 2 it'Sf Processo n° 10980.009610/20W -25 53-CIT1 Resolução n.° 3101-00.080 Fl. 93 reclamado; b) sejam a notificação da multa e dos juros igualmente canceladas de oficio por terem sido recolhidos conforme comprovantes anexos. É o Relatório. VOTO Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tudo indica que o Recorrente, no passado tenha cometido vários erros no preenchimento de seus Darfs e DCTFs, mas com sua impugnação inicial ; um excelente trabalho foi feito pela Receita Federal no sentido de regularizar a situação fiscal do contribuinte. Entretanto, observa-se que alguma coisa, ainda, restou pendente e a Recorrente gozando do seu direito de recorrer discorda - desse restante que lhe foi cobrado. Assim, antes de emitir qualquer juizo sobre o caso, entendo que o mesmo deve retornar a repartição de origem, para: 1 0) Verificar a veracidade dos recolhimentos efetuados através das cópias dos DARFs de fls. 87 e 88; 2°) Verificar o terceiro DARF de fls. 18 que realmente não contém código de receita, foi parte do seu • valor alocado para pagamento do tributo no código 2089 (vide fls. 48), deixando o contribuinte devedor do valor do IPI em sua totalidade, quando na verdade desde sua impugnação inicial informou que esse recolhimento referia-se ao IPI exigido, ou seja, o contribuinte sempre deixou claro sua intenção de pagar com esse Darf o IPI. É como voto. •ç é Valdete Aparecida Marinheiro 3 •
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Numero do processo: 19647.003480/2006-97
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - LEI N° 9.718/98 - PIS - ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito.
PIS - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - DIREITO DE RESTITUIÇÃO - 5 ANOS.
O direito de pleitear a repetição do indébito tributário relativo a pagamento a maior de PIS extingue-se em 5 anos (art. 150, § 1º, do CTN), contados a partir do pagamento indevido, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional CTN.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Renato Romeu Renk, OAB/RS 10206.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco.
Nome do relator: Relatora Fabiola Cassiano Keramidas
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - LEI N° 9.718/98 - PIS - ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. PIS - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - DIREITO DE RESTITUIÇÃO - 5 ANOS. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário relativo a pagamento a maior de PIS extingue-se em 5 anos (art. 150, § 1º, do CTN), contados a partir do pagamento indevido, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Renato Romeu Renk, OAB/RS 10206. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO LEI N° 9.718/98 COFINS ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. COFINS RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO DIREITO DE RESTITUIÇÃO 5 ANOS. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário relativo a pagamento a maior de COFINS extinguese em 5 anos (art. 150, § 1º, do CTN), contados a partir do pagamento indevido, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO LEI N° 9.718/98 PIS ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 34 80 /2 00 6- 97 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19647.003480/200697 Acórdão n.º 3302001.951 S3C3T2 Fl. 3 2 qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DIREITO DE RESTITUIÇÃO 5 ANOS. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário relativo a pagamento a maior de PIS extinguese em 5 anos (art. 150, § 1º, do CTN), contados a partir do pagamento indevido, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Renato Romeu Renk, OAB/RS 10206. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de PIS e COFINS (fl.02), protocolado em 26/04/2006, relativo às competências 02/1999 a 12/2003, apresentado em função da declaração Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19647.003480/200697 Acórdão n.º 3302001.951 S3C3T2 Fl. 4 3 de inconstitucionalidade do artigo 3°, § 1° da Lei n° 9.718/98, para recuperar valores de COFINS pagos tendo por base outras receitas que não as operacionais da empresa (em especial receitas financeiras). O pedido foi indeferido pela DRF (fls. 106) em despacho decisório que acompanhou parecer nos autos (fls. 104/106), alegando que a decisão declaratória de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal não possuía efeito erga omnes, e que não cabia à autoridade fiscal promover juízo de constitucionalidade das normas. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente (fls. 109/113), apresenta, em síntese, argumentos no sentido de que não se trata de realizar juízo de constitucionalidade, mas sim de adequada interpretação do ordenamento, em consonância, inclusive, com o artigo 110 do CTN. Ainda, disserta sobre o alargamento do conceito de faturamento para o de “receita bruta”, e a impossibilidade de alteração do conceito de direito privado pelas normas tributárias. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, pelos mesmos fundamentos da decisão da DRF – inaplicabilidade da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade da norma em questão e impossibilidade de efetuar juízo de constitucionalidade em relação às normas vigentes (fls. 152/157). Na decisão resta consignado, também, que embora a Recorrente tenha requerido o deferimento do pedido de ressarcimento e de pedidos de compensação, não consta nos autos nenhum pedido de compensação, razão pela qual tal pedido deixou de ser apreciado, tendo apenas sido negado o direito à restituição. Sobreveio o Recurso Voluntário da Recorrente (fls.163/179), o qual refuta a alegação da DRJ, reiterando os fundamentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, além de trazer precedentes do CARF que afastam a aplicação do artigo 3, §1° da Lei n° 9.718/98, em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo constitucional. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Cingese a controvérsia à questão da possibilidade de o contribuinte requerer a restituição de valores pagos a maior a título de PIS e COFINS, por força do alargamento da base de cálculo da contribuição, perpetrado pelo artigo 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A este respeito esta Turma e este Conselho já se manifestaram por diversas vezes, reconhecendo a ilegalidade da tributação de receitas financeiras, com base no alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, perpetrado pela Lei nº 9.718/98. Destaco Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19647.003480/200697 Acórdão n.º 3302001.951 S3C3T2 Fl. 5 4 trecho de voto que proferi, nos autos do Processo Administrativo nº 10675.003086/200485, verbis: “E, no que se refere à Lei nº 9.718/98, claro está que a principal matéria de mérito referese à constitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS. De acordo com o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as matérias já definitivamente julgadas pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, podem ser conhecidas pelos tribunais administrativos, mesmo que sejam matéria de ordem constitucional. Neste sentido, é de domínio público que “ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal, redação esta anterior a EC nº 20/98” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP 00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23062006, pág. 52 EMENT VOL 0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538). Parafraseando o Conselheiro Fernando Lobo D’Eça, que inicialmente trouxe, a esta Câmara, o entendimento da possibilidade de aplicação pelos tribunais administrativos de decisão do pleno do STF, cito: “Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19647.003480/200697 Acórdão n.º 3302001.951 S3C3T2 Fl. 6 5 cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS/PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza.” (destaquei) Logo, forço concluir que o lançamento sob análise não pode prosperar. Isto porque o presente auto de infração tem como fundamento a o artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, pois entendeu a autoridade fiscal que os valores recebidos a título de subvenção são consideradas receitas e, assim, tributáveis pela contribuição ao PIS. Todavia, a ampliação da referida base de cálculo, pretendida por citada norma, ao alargar o conceito de faturamento, já foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, a norma (o fundamento) inconstitucional vicia por completo a autuação. Estando este Conselho obrigado a observar as decisões definitivamente proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, alternativa não há, senão declarar a insubsistência do lançamento ora analisado.” Assim, de se reconhecer o direito da Recorrente em obter a restituição dos valores de PIS e COFINS que foram recolhidos com base em dispositivo contido na Lei nº 9.718/98, já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, decisão esta que já vem sendo seguida, há muito, por este Conselho, dada a definitividade da decisão da Corte Constitucional. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19647.003480/200697 Acórdão n.º 3302001.951 S3C3T2 Fl. 7 6 É de se considerar, todavia, que o pedido de restituição foi realizado em 26/04/2006, o que significa que está sujeito ao prazo decadencial de 5 anos, em virtude da Lei Complementar nº 118/05, do que se conclui que encontramse prescritos os valores pagos anteriormente a 26/04/2001. Em face do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para o fim de garantir o direito à restituição pleiteado pela Recorrente dos valores de PIS e COFINS pagos de 26/04/2001 a dezembro/2003 sobre a base de cálculo alargada da contribuição, ou seja, sobre receitas além daquelas derivadas de venda de mercadorias e prestação de serviços, ressalvado à fiscalização o direito de verificar a adequação dos valores/quantificação pleiteados. É como voto. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas OBS: Acórdão reeditado conforme Despacho nº 3302076, de 19/09/2014. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 13829.000111/87-59
Data da sessão: Thu Oct 12 00:00:00 UTC 1989
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS - ADMINISTRADORAS DE CONSÓRCIOS.
O simples fato de a administradora de consórcios,
no final do exercício, ter procedido a
um ajuste, creditando a conta de ativo Bancos
-Conta Vinculada e debitando a conta de passi
vo Grupos em Andamento, pode ser indício de
urna possível omissão de receitas, mas, por si
só, não sustenta o entendimento de que tal operação
envolve omissão de receitas.
IMOBILIZAÇÕES ESCRITURADAS COMO DESPESAS -FRE
TES PAGOS NA COMPRA DE MÓVEIS PARA A ADMINISTRAÇÃO.
O frete pago pelo adquirente de bens móveis e
que foram escriturados no imobilizado deverá
compor, igualmente, a conta de ativo, e não
ser lançado diretamente ã conta de resultados
do exercício.
DESPESAS ATIVÁVEIS - REPAROS E CONSERVAÇÃO.
Não podem figurar como despesas operacionais,
a título de despesas com reparos e conserva -
• ção de bens e instalações, diversas aquisições
que pela sua natureza e valor deveriam
compor a.conta específica do ativo imobilizado.
OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO
Constitui hipótese de omissão de receitas a
manutenção, no passivo, no balanço patrimonial,
de obrigações já pagas no curso do exerci
cio.
PASSIVO NA() COMPROVADO - ORDENADOS E SALÁRIOS
Constitui hipõtese"de passivo não comprovado
a manutenção da conta "Ordenados e Salários a
Pagar", no balanço patrimonial, sem que a pes
soa jurídica possa apresentar comprovação
que essas obrigações realmente existem.
DESPESAS INDEDUTIVEIS - CORREIOS E TELÉGRAFOS
- ALUGUEIS E CONDOMÍNIOS - PAGAMENTO EM FAVOR
DE TERCEIROS.
Deve ser mantida a glosa de despesas relati -
vas a pagamentos a título de "Correios e Tele
grafos", bem como "Aluguéis e Condomínios" p.;
gos em favor de outra empresa.
DESPESAS INDEDUT1VEIS - PRÉMIOS A PRODUÇÃO.
Deve ser mantida a glosa de despesas a título
de "Prêmios de Produção", quando não há documento
algum a respeito desta rubrica que possa
embasar tal despesa completamente incompro
veda.
MULTAS INDEDUT1VEIS - MULTAS NA ÁREA DA CLT.
Não cabe a dedução como despesa operacional,
na conta Férias e Indenizações, das multas pa
gas na área da CLT.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - FALTA DE FUNDA
MENTOS.
Não basta alegar que um auto de infração é nu
lo. Torna-se necessário dizer por que é nulo,
sobretudo se a única razão plausível para a
decretação de nulidade teria sido o fato de o
ato administrativo ter sido elaborado exigindo-
se imposto por mera presunção, objeção esta,
no entanto, não aceita pelo Colegiado.
Recurso a que se rejeita a preliminar de nuli
dade e, no mérito, se nega provimento.
Numero da decisão: 103-09.664
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso a fim de se excluir da tributação, no exercício de 1985, a importância de Cr$ 4.582.223.209,51. Vencido o Conselhei ro Braz Januário Pi to. Por unanimidade de votos, rejeitar a preli- minar de nulidade
Nome do relator: Antonio da Silva Cabral
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ACORDA° N•...103-0.9.654 Recurso n, 94.373 - IRPJ - EXS: DE 1984 e 1985 Recorrente REALCAR ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO LTDA. Recorrid DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO - SP • OMISSÃO DE RECEITAS - ADMINISTRADORAS DE CON- SÓRCIOS. O simples fato de a administradora de consór- cios, no final do exercício, ter procedido a um ajuste, creditando a conta de ativo Bancos -Conta Vinculada e debitando a conta de passi vo Grupos em Andamento, pode ser indício de urna possível omissão de receitas, mas, por si só, não sustenta o entendimento de que tal o- peração envolve omissão de receitas. IMOBILIZAÇÕES ESCRITURADAS COMO DESPESAS -FRE TES PAGOS NA COMPRA DE MÓVEIS PARA A ADMINIS- TRAÇÃO. O frete pago pelo adquirente de bens móveis e que foram escriturados no imobilizado deverá compor, igualmente, a conta de ativo, e não ser lançado diretamente ã conta de resultados do exercício. DESPESAS ATIVÁVEIS - REPAROS E CONSERVAÇÃO. Não podem figurar como despesas operacionais, a título de despesas com reparos e conserva - • ção de bens e instalações, diversas aquisi- ções que pela sua natureza e valor deveriam compor a.conta específica do ativo imobiliza- do. OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO Constitui hipótese de omissão de receitas a manutenção, no passivo, no balanço patrimoni- al, de obrigações já pagas no curso do exerci cio. PASSIVO NA() COMPROVADO - ORDENADOS E SALÁRIOS Processo n9 13829/000.111/87-59 1A.SERVIÇO POSEMO FEbERAL Acórdão n9 103-09.664 Constitui hipõtese"de passivo não comprovado a manutenção da conta "Ordenados e Salários a Pagar", no balanço patrimonial, sem que a pes soa jurídica possa apresentar comprovação que essas obrigações realmente existem. DESPESAS INDEDUTIVEIS - CORREIOS E TELÉGRAFOS - ALUGUEIS E CONDOMÍNIOS - PAGAMENTO EM FAVOR DE TERCEIROS. Deve ser mantida a glosa de despesas relati - vas a pagamentos a título de "Correios e Tele grafos", bem como "Aluguéis e Condomínios" p.; gos em favor de outra empresa. DESPESAS INDEDUT1VEIS - PRÉMIOS A PRODUÇÃO. Deve ser mantida a glosa de despesas a título de "Prêmios de Produção", quando não há docu- mento algum a respeito desta rubrica que pos- sa embasar tal despesa completamente incompro veda. MULTAS INDEDUT1VEIS - MULTAS NA ÁREA DA CLT. Não cabe a dedução como despesa operacional, na conta Férias e Indenizações, das multas pa gas na área da CLT. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - FALTA DE FUNDA MENTOS. Não basta alegar que um auto de infração é nu lo. Torna-se necessário dizer por que é nulo, sobretudo se a única razão plausível para a decretação de nulidade teria sido o fato de o ato administrativo ter sido elaborado exigin- do-se imposto por mera presunção, objeção es- ta, no entanto, não aceita pelo Colegiado. Recurso a que se rejeita a preliminar de nuli dade e, no mérito, se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REALCAR ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO LED2k. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso a fim de se excluir da tributação, no exercício de 1985, a importância de Cr$ 4.582.223.209,51. Vencido o Conselhei ro Braz Januário Pi to. Por unanimidade de votos, rejeitar a preli- minar de nulidade. ti- • • S O FEDERAL Processo n9 13829/000.111/87-59 2A.ERVIÇO PODUC Acórdão n9 103-09.664 Sa ril a das Sessões-DF., em 12 =- ,utubro de 1989. —.8~ g-11/4Ni° DA SILVA CABRAL P9:- • E RELATOR I, •4~ r S .ÇIL4akiraet7N—r VISTO EM PINTO PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 3 ONOV1989 NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: AYRES DE OLIVEIRA, WRGIO RIBEIRO, DICLER DE ASSUNÇÃO, FRAN - CISCO XAVI R DA SILVA GUIMARÃES e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausen te por mot vo justificado o Conselheiro ANTONIO PASSOS COSTA DE O- LIVEIRA. SEFNUPOWCOFEDWAL Processo n9 13829/000.111/87-59 Recurso n9 94.373 Acórdão n9 103-09.664 Recorrente: REALCAR - ADMINISTRADORA DE COSCSRCIO.LTDA. RELATÓRIO REALCAR - ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO LTDA., com se de na, Capital do Estado de São Paulo, inscrita no CGC sob o n9 ... 49.889.850/0001-81, não se conformando com a decisão de fls. 224 / /233, recorre a este Conselho para ver reformado o julgamento sin- gular. O presente feito teve início com a ação fiscal que culminou com a verificação de irregularidades ocorridas nos exerci cios de 3,983 e 1984, conforme segue: 1. omissão de receitas, caracterizada por • retira- das das contas correntes bancárias vinculadas no valor de Cr$ .... 4.582.223.209,51,promovidas sem a devida comprovação, no dia 31/ /12/84, representando para o contribuinte receitas originadas do PPoduto da arrecadação da conta "Grupos em Andamento", sem que hou Vessem transitado pela conta de resultado do exercício e ,. também - não adicionadas ao lucro líquido, para apuração do lucro real; 2, imobilizações escrituradas como despesas: 2.1 - no ano-base de 1983 a empresa adquiriu móveis e pagou, igualmente, o frete respectivo, debitando essa despesa,no yalor de Cr$ 324.958,82 em conta de resultado, quando também ela deveria compor o custo de aquisição dos mõveig; 2.2 no ano-base de 1984 levou a débito da conta de despesas "Conservação e Reparação de Bens e Instalações" diver- sas aquisições que, pela sua natureza e valor, deveriam constar do imobilizado,.no montante de Cr$ 556.335,00; 3. omissão de receita operacigial, caracterizada pe la manutenção no saldo da conta Fornecedores, em 31.12.83, da im - portãncia de Cr$ 87,510, correspondente a obrigação já _liquidada no ano-base, bem como falta de ap esentação de documentação compro . SERVICONOLICOFEDERAL processo 1W 13829/000.11/87-59 2. Acórdão 1W 103-09.664 batória de parte do saldo da conta "Ordenados e Salários a Pagar", isto é, Cr$ 5.976.983, no ano-base de 1983; 4. despesas indedut1veis. Escrituração nos regis- tros contábeis da empresa, correspondentes ao ano-base de 1984, de despesas de responsabilidade de terceiros cujos valores não foram adicionados ao lucro liquido do exercício financeiro. No item 7.0 do termo de verificação de fls. 05 estes itens são assim especifica_ dos: a) a empresa contabilizou na conta "Correios, Telé- grafos e Malotes" a importância de Cr$ 53.000, sendo que referido documento é de responsabilidade de outra empresa; b) da mesma forma e a débito da conta "Aluguéis e Condomínios", contabilizou o recibo de 02.05.84, referente a alu - guel de apartamento, no valor de Cr$ 200.000 em favor de outra em- presa; 5. custos não comprovados. A este titulo e a débito da, conta "Prêmios de Produção" registrou durante o ano-base de 1984 o montante de Cr$ 1.801.726, onerando com isto o custo do e - xercício. Regularmente notificada a apresentar os documentos que lastreAvam a contabilização daquela importância, não o fez; 6. multa indedutivel. Falta de adição ao lucro 11 - quido ao exeitIcio da importância de Cr$ 699.723 correspondente ao pagamento de multa da "CLT" no ano-base de 1984, considerada inde- dutível pela legislação do imposto de renda por não se tratar de despesa necessária ã atividade da empresa e por representar multa imposta por infração de que não resultou falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Na impugnação alegou a interessada que o fiscal atu_ ou por mera preetinCao, supondo que as importincias não contabiliza das constituiriam hipótese de omissão de receita. A seguir, mencio_ nou julgados do Poder Judiciário e trechos de autores consagrados, Os quais 40 aceitam a tributação por mera presunção. Acrescento que o dever de prova, na /h pótese dos autos, para que se verificas , umworceux~m Processo n9 13829/000,111/87-59 3. Acórdão n9 103-09.664 se a origem dos depósitos é do fisco e não do contribuinte. A dife rença entre o valor remetido a banco e o efetivamente encontrado nas contas correntes bancárias, foi, no final do exercício, regula rizada. Se houvesse diferenças, esta configuraria ato ilícito,pois representa numerário do consórcio utilizado ou lançado não pela ad_ ministradora não sujeita à tributação, mas a sanção por utilização indevida. Isto porém não ocorreu. Quanto às demais infrações, a im pugnante não concordou com nenhuma delas por dizerem respeito a critérios de contabilização e dedução de custos e despesas do lu- cro real e não podem prescindir de exame pericial contábil, na for ma do art. 17 do Decreto n9 70.235/72. As fls. 176 foi inserida a informação fiscal, pro - pondo os autuantes a manutenção da autuação. AS fls. 181 foi prolatada a decisão, assim ementa_ da: "Caracteriza omissão de receitas operacionais as re- tiradas de recursos de terceiros de contas-corren - tes bancárias vinculadas promovidas sem comprovação, que representaram receitas para a contribuinte sem transitar pela conta "Resultado do Exercício" ou a- dicionais ao lucro líquido. Bens imobilizáveis e despesas acessórias com suas a quisições não devem ser apropriados como despesa' operacionais. A manutenção no passivo de obrigações já liquidadas e passivo não comprovado, indicam omissão de recei- tas. São indedutiveis as despesas de terceiros, os cus - tOs não comprovados de serviços vendidos e o paga - mento de multa prevista no CLT." No recurso voluntário a empresa alegou, como preli- minar, incompetência da Autoridade singular para julgar o feitodá que o domicilio da empresa estava em São Paulo. Esta Cãmara, ao apreciar o feito, em sessão de 09 de agosto de 1988 houve por bem acolher a preliminar de incompetén cia da autoridade julgadora, conforme consta do Acórdão n9 103-08.541 (fls. 212). 21_ Nova decisão fo prolatada, desta vez pelo Delegado • .. . suvico(eucorEoeut Processo n9 13829/000.111/87-59 4. Acórdão n9 103-09.664 da Receita Federal em São Paulo, negando acolhida às razões da empresa pelos motivos que passo a resumir: a) a demonstração contábil da fiscalização está estruturada em documentos e em demonstrativos apresentados, sen- do convincente a argumentação de que a empresa contabilizara em Contas Correntes Vinculadas apenas parte da movimentação :bancária e que no final do ano, para ajustar o saldo da conta Grupos em Andamento debitou-a em Cr$ 4.582.223,51; creditando Bancos Conta Vinculada, sendo que esse valor não passou pela apuração de re - sultados do exercício, constituindo, assim, receita omitida; b) a autuada nenhuma demonstração apresentou em o posição & da fiscalização; c) não merece a acolhida o argumento da impugnan- te no sentido de que se houvesse ilícito este seria punido ape - nas no campo penal, pois conforme se depreende da leitura do art. 767 do RIR/80 os rendimentos derivados das'atiVidadAs.jlçrdtastantéM sofrerão tributação pelo imposto de renda; d) de acordo com o art. 157 do RIR/80, a . pessoa jurídica deverá escriturar todas as operações, tendo o dever de comprovar documentalmente as operações realizadas; conforme de..- termina o art. 165 do RIR/80. Por conseguinte, não procede a ar- gumentação da impugnante no sentido de que o auto de infração foi lavrado por mera presunção; e) quanto às despesas de fretes pagas pelo adqui- rente, devem integrar o custo do bem destinado ao ativo permanen te, conforme orientação do Parecer .Normativo CST n9.58/76. Além disso, capachos e basculantes são bens do ativo imobilizado, com vida útil superior a um ano. Não poderia a ' empresa deduzir tais gastos como custos, por ferir o disposto no art. 193, § 29, do KIM; f) quanto a matéria relativa a passivo fictício a nota fiscal juntada pela fiscalização às fls. 140 fora liquidada em 05/12/ /83 e também a contribuinte não impugnou a afimmwák)da .fiscalização de que ela, impugnante, comprovoudocurentalme~aPenas parte da conta Orde a7 ~nados e Salários a Pagar, constituindo os fatos imo fictício tributáveis como omissão de receitas; sumoofteworcew Processo n9 13829/000.111/87-59 5. Acórdão ,n9 103-09.664 g) as despesas indedutíveis apontadas no item 4 do auto devem ser consideradas infrações, pois esses gastos não são da impugnante, mas de outra empresa, não podendo, pois, ser deduzi das como operacionais; h) quanto aos custos não comprovados, na conta "Pré mios de Produção", a empresa não apresentou documentação que com - provasse esses custos, com violação dos arts. 195, parágrafo único e 165, do RIR/80, não podendo tais gastos integrar o custo, confor me determina o art. 177 do RIR/80; i) quanto ã questão da multa indedutível, relativa A infração ocorrida no campo da legislação do trabalho, esse tipo de despesa não é dedutIvel, conforme esclarecido no Parecer Norma- tivo CST n9 61/79 (itens 6.1 e 6.2). No recurso voluntário a empresa aduziu, em síntese, s o seguinte: 1. dedica-se A administração de consórcio, o qual se caracteriza como um grupo de pessoas que se reúnem para sorteio e compra de bens. Trata-se de atividade de relevância nacionalovis to apresentarem-se os consórcios como instrumento de escoamento da produção de bens diversos, além de envolver poupança popular, pelo que tal atividade é submetida ã Secretaria da Receita Federal; 2. a receita da recorrente é constituída de valores auferido com a taxa de administração, um percentual auferido de cada consorciado pelos serviços de administração prestados aos consorciados; 3. na qualidade de administradora, além da taxa de administração recebe outras receitas, mas-não como receita própria, que adentre para o seu patrimônio. Tais importâncias são do própri o consórcio e se destinam a aquisição de bens. Tal distinção é im- portante, sob o aspecto contibil, eis que tem-se duas contas, a sa ber: a) conta Receita da Administra ora, representada pe smoonalcompeut Processo n9 13829/000.111/87-59 6. Acórdão n9 103-09.664 los valores da taxa de administração, paga pelos consorciados em razão da administração de seus negócios na aquisição de bens durá- veis; b) conta Receita do Consórcio, representada pelos valores de cota de contribuição e do Fundo de Reserva, além de ou- tros valores (v.g. seguro, registro de contrato, etc), ofereci - das pelos consorciados ao próprio consórcio para possibilitar a a- quisição de bens duráveis. Por conseguinte, existem duas contas separadas, au- tônomas, individuais fazendo com que existam: receitas da adminis- tradora e receitas do consórcio; 4. a quantia mencionada pela fiscalização não é pois, conta da administradora do consórcio, mas conta de terceiros. A fiscalização deveria ter atuado de maneira diversa: se a recor - rente recebeu, digamos, NCz$ 500,00 para a compra de bens, livres de sua remuneração, e destinou a mesma importância para a compra de bens no valor igualmente de NCz$ 500,00 tem-se prova de que to- do o dinheiro recebido dos consorciados foi destinado e consumido na aquisição de bens para os associados. Não há qualquer diferença a tributar; 5. do dinheiro recebido, parte se destina a Bancos e parte se destina ao Caixa. No final de cada exercício, a empresa procede a ajustes nas contas correntes e contas bancárias do con sórcio; 6. não há que se falar em omissão de receita opera- cional, pois o numerário de terceiros foi exclusivamente utilizado em favor de terceiros; 7. o que ocorreu foi mero erro contábil, que seria facilmente verificável se a autoridade de primeira instância tives se deferido a prova pericial. É o relatório./ • '. SERVaajCCUEDERAL Processo n9 13829/000.111/87-59 7. Acórdão n9 103-09.664 VOTO Conselheiro ANTONIO DA SILVA CABRAL, Relator: O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 29.03.89 (AR de fls. 235), enquanto a protoco lização do presente ocorreu em 26.04.89 (doc. de fls. 236). PEDIDO DE PERÍCIA A fim de prevenir possível alegação de cerceamen- to do direito de defesa, cumpre lembrar que a empresa disse, às fls. 171, em sua impugnação: "No curso da instrução a administradora fará prova documental e pericial, conforme permite o art. 17 do Decreto n9 70.235 de 06/03/72." Para que se tenha visão nítida deste dispositivo transcrevo seu texto: "Art. 17 - A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a rea lização de diligências, inclusive perícias..quando entende-las necessárias, indeferindo as que consi- derar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único - O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que ti ver e indicará, no caso de perícia, o nome e ende- reço do seu perito." Não é demais lembrar que o processo fiscal se dife_ bl: rencia do processo judicial, entr outras coisas pelo fato de ser . . • SERVIÇONemona Processo n9 13829/000.111/87-59 8. Acórdão n9 103-09.664 um processo escrito, enquanto o processo judicial é predominante mente oral. Por via de consequência, é no âmbito do processo que as questões serão debatidas e analisadas, e não fora dele. A ten- tativa de simplesmente levar a questão para o âmbito local, .onde está a empresa, deve ser a exceção, e não a regra. A recorrente porém, parece pensar de modo diverso, pois em todo o correr do processo apenas ficou em alegações genéricas, quando a fiscaliza- ção apresentara fatos concretos, indicando, inclusive, onde a in- fração foi cometida e quantificando-a. A empresa postou-se na atitude cômoda de "prome- ter" fazer prova documental e pericial, mas até agora não trouxe para os autos prova alguma. A respeito da perícia, cabe 'recordar que o art. 17 do Decreto n9 70.235/72 determina que esta seja so- licitada na fase de instrução, além do que caberá ao contribuinte: 19 - apresentar os pontos de discórdia; 29 - as razões e provas que tiver; 39 - indicar perito, com o respectivo endereço. Nada disso fez a recorrente. Com razão, pois, o julgador de primeira instância negou acolhida ã simples ° suges tão" de perícia. Na fase do recurso voluntário a recorrente não trouxe qualquer razão nem disse por quê, ou a respeito de quê, de veria ser realizada a perícia. Sou pela inexistência de necessidade de se fazer qualquer perícia, pois os fatos estão bastante claros, no proces- so. •OMISSÃO DE RECEITAS - RETIRADAS DE CONTAS BANCÁRI-' •AS VINCULADAS. A primeira infração apontada pela fiscalização diz respeito ao fato de a empresa ter procedido, no dia 31 de dezem - bro de 1984; a uma retirada das ; L tontas bancárias vinculadas, a dé bito da conta Grupos em Andamen o, sem que tal importância houves k' • umimmemonom Processo n9 13 8 29/000.111/87-59 9. Acórdão n9 103-09.664 se transitado pela conta de resultados. Conforme a recorrente o afirma, ela é mera gestora ou administradora de consórcio. A conta bancária vinculada, con - forme ela mesma o admite, não é dinheiro seu, mas dos consorcia - dos. Um crédito em conta bancária vinculada e o respectivo débito em conta de Grupos em Andamento poderá significar: 19 - um dinheiro que é retirado da conta dos con , sorciados para pagamento de comissões, ou da taxa de administra - ção, ou semelhante, em favor da administradora; 29 - uma aquisição de um bem (veículo, por -exem- plo) ou de um direito (pagamento de seguro, por exemplo) em favor dos consorciados. A fiscalização partiu da observação de que os re - cursos financeiros provenientes dos grupos de consorciados capta- dos para a execução das finalidades preceituadas pela legislaeão de regência são gerenciados pela recorrente que os detém em seu ativo sob a rubrica contábil denominada "Bancos Conta Vinculada". Em contrapartida figuram no passivo contas que, dependendo de sua natureza, se classificam como "Grupos em Andamento","Taxa de Admi nistração a Apropriar", "Fundo de Reserva", "Custos e Honofários a Apropriar", "Seguros de Acidentes Pessoais" e "Multas e Juros". Salientou a fiscalização que o resultado operacional é reconheci- do através da taxa de administração, que corresponde ã contrapres tação pecuniária pelos serviços prestados, além das taxas de transferência, correspondência e cobrança arrecadadas dos consor- ciados. Vê-se, desde logo, que a legislação tributária não previu contabilidade em separado para as entradas e saídas rela - cionadas com os consorciados. Na realidade, preferiu-se simplifi- car as coisa, exigindo-se que a recorrente mantivesse uma conta vinculada, no Ativo, e uma conta de que registrasse as entradas e saídas do acervo do consórcio, no Passivo. Não se imitou, por /..- exemplo, a maneira de escrituração das sociedades em conta de par ' SERVICOPOWCOFEDERAL Processo n9 13829/000.111/87-59 10. Acórdão n9 103-09.664 ticipação. Deste modo, o dinheiro da administradora se _mistura com o dinheiro dos administrados e somente as contas de ativo e de passivo é que demonstram a origem e o destino do dinheiro. Esta realidade contábil, no entanto, não se , pode confundir com a natureza jurídica do consórcio. Não se perca de vista que a recorrente é simples administradora de bens de tercei ros. Por isso é que a empresa insiste em dizer que se houve apro- priação de dinheiro de terceiros não se trata de omissão de recei tas, mas de apropriação indébita, ilícito penal, que nada tem a ver com o Direito Tributário propriamente dito. Se ela se apropri ou indevidamente do numerário pertencente aos consorciados, cabe- ria a eles zelar para a recuperação do dinheiro desviado. O Ministéria da Fazenda, além da cobrança de tribu tos tem por missão, também, cuidar das finanças públicas e da eco nomia como um todo e, por isso mesmo, recebeu a atribuição de fis calizar preços, estabelecer parâmetros para vendas (limites __. de preços), e, inclusive, fiscalizar e controlar os consórcios. Vai daí que uma infração na área do CIP, por exemplo, não pode ser punida com tributação própria do imposto de renda. Uma coisa é a legislação do CIP e outra é a legislação do IR. O mesmo se •diga para o caso presente. O que parece claro é ter a recorrente . in- fringido normas específicas que regem a atividade de administra - ção de consórcios, mas não regras no campo específico do imposto de renda. . Com razão a recorrente, quando diz que o fisco es- tá tributando, no caso, por mera presunção. Não há dúvida de que o valor baixado, no fim do exercício, sem qualquer demonstração e comprovação, pode levar a uma possível omissão de receitas, no sentido de que o valor baixado seria, na verdade, o montante da taxa de administração, que é receita da empresa ou o fruto de ati vidade marginal. Ora, esta é uma das várias possibilidades. Enten_ do que valeria como "hipótese de trabalho", ou mesmo, como "indí- cio" de possível omissão de receitas, mas que deveria receber mal or trabalho por parte da fiscalização. Poderia ser, também, que a baixa da importância glosada se devesse a meros "ajustes" na Contabilidade, o que é permitido pei _lei das sociedades por a- ções. - • sERvicopoeucornew. Processo n9 13829/000.111/87-59 11. Acórdão n9 103-09.664 • Salientou a fiscalização que pelo plano de contas contábil utilizado, a conta "Grupos em Andamento" representa a obrigação da empresa para com os seus consorciados, pois é credi- tada pelo recebimento das prestações e debitada no momento em que pagamentos são realizados para a aquisição dos bens entregues aos contemplados. Este raciocínio é de todo correto, mas sob o aspec- to da técnica contábil, não correspondendo à realidade jurídica do caso concreto. Não se deve perder de vista que não se trata, ape- nas, de considerar a conta "Grupos em Andamento", como uma conta estanque, tal como se fosse uma conta qualquer de Passivo. Na rea lidada esta foi a maneira mais fácil de a legislação dos consOrci os criar uma espécie de contabilidade do consórcio dentro da con- tabilidade da administradora, para evitar a multiplicação de es - criturações. A esta conta de Passivo corresponde uma conta de Ati vo, que representa o dinheiro dos consorciados. Logo, há, também, um direito da empresa contra os administrados. O erro em conta de passivo não representa, por si só, uma omissão de receitas como se fosse um passivo fictício, ou um passivo não comprovado, ou coisa semelhante. O erro apontado pelos fiscais talvez com mais precisão tivesse lugar no campo da legislação de consórcios. Por isso mesmo, não ha razão para se levar para o campo do Imposto de Renda a observação de que confrontando-se as Listagens Sintéticas das rubricas recebidas pelo consórcio (janei ro/83 a Dezembro/84), com os assentamentos no livro Diário Auxili ar, denota-se que existe concordância entre um e outro, enquanto a mesma informação não pode ser dada com relação aos pagamentos de bens contemplados pelo consórcio (jan/83 a Dez/84). Pergunta - -se: que tem a ver tudo isto com a legislação do imposto de ren - da? Disse a fiscalização que detectou um lançamento su plementar em 31.12.84, no Livro Diário Auxiliar, a débito da con- ta Grupos em Andamento e a crédito da conta Bancos Conta Vincula- da, que não consta das fichas de lançamentos sintetizados. Con - cluiu a fiscalização que este lançam to não se encontra lastrea- --5 . • SERVIÇONBUCOWIAL Processo n9 13829/000,111/87-59 12. Acórdão n9 103-09.664 do em documentação emitida por terceiros. O raciocínio é válido., talvez, para punição específica no campo dos consórcios-. , mas na da tem a ver com o imposto de renda, pois não se trata de despesa da empresa, mas sim do consórcio. Esta espécie de raciocínio tem sua razão de ser quando a pessoa jurídica leva à conta de resulta dos uma despesa sem lastro em documentação emitida por terceiros, mas não quando se trata de mera conta que representa patrimônio de terceiros. Disse o autuante no item 3.4 de sua informação constante do Termo de Verificação Fiscal: "Frize-se que o lança - mento complementar que restou incomprovado teve como objetivo o de ajustar o saldo contábil da conta "Grupos em Andamento" aos va lores arrecadados e efetivamente comprometidos para a entrega dos bens aos consorciados em 31/12/84, ou seja, foi realizado para que o saldo digo o balanço de encerramento do ano base de 1984,pu desse traduzir a real situação patrimonial da empresa. Serviu tam bem para reduzir o saldo contábil da conta "Bancos C/ Vinculadas", que é substancialmente superior aos valores mantidos nos estabele cimentos bancários no transcorrer de todos os meses do .. .período sob fiscalização, indistintamente, situação essa que se confirma através dos demonstrativos de fls." Nada disso tem influência no caso, para fins de comprovar omissão de receitas. Esses fatos po- dem importar em infração, mas no campo dos consórcios e não no campo do imposto de renda, eis que em nehum momento a empresa so- negou, com esse lançamento, qualquer receita, mesmo porque o di - nheiro de que se trata não era dela, mas dos consorciados. Alegou, ainda, a fiscalização: "O fato de os extra _ tos bancários apresentarem mensalmente, saldos inferiores àqueles constantes da contabilidade, evidencia de forma clara, cristalina, que apenas parte dos saques bancários efetuados pela empresa admi nistradora foram contabilizados." Tudo isto pode ser verdade, mas não se perca de vista que o erro foi cometido com dinheiro perten cente a terceiros. Onde está a omissão de receitas? pL Outro seria o caso, por exemplo, se a fiscalização • . • SERVIOPOSUCOFEDERAI. Processo n9 13829/000.111/87-59 13. Acórdão n9 103-09.664 trouxesse para o processo provas concretas de que esse dinheiro que não constava da conta vinculada estava sendo empregado pela recorrente para auferir rendimentos no open ou no over. AI, sim , valeria o velho provérbio do pecunianal olet, pois neste caso es- taria a empresa omitindo à tributação um rendimento obtido no mer cado financeiro, ainda que com dinheiro dos consorciados. Infeliz mente a fiscalização não desceu a maiores inquisições, ficando •, apenas, nos equívocos cometidos no campo da legislação dos consór cios. Da mesma forma, o raciocínio da fiscalização: "A- lerte-se ainda, que mesmo com esse lançamento de ajuste, o saldo real existente na rede bancária é muito aquém daquele consignado na escrituração contábil." Esta espécie de raciocínio tem sido vã_ lida, quando se trata de disparidade entre o valor registrado na contabilidade e o saldo verificado na conta Bancos, mas desde que se trate de dinheiro da empresa. Também aqui o que se apontou foi mera infração ã legislação de consórcios, e não ã legislação do imposto de renda. No MEMORIAL distribuído pelo advogado da recorren- te foi anexada cópia do Aerograma n9 6387465, que levou ã comuni- cação do Grupo Garavello a notícia do Acórdão n9 105-03.630, de 18.09.89, decisão esta prolatada no Recurso n9 94.395, ocasião em que a 59 Câmara do 19 C.C., analisando a mesmíssima matéria que ora é objeto de julgamento, houve por bem dar razão ã recorrente. Quanto aos demais itens da autuação, a recorrente não impugnou nem recorreu propriamente, limitando-se a dizer que o auto está incorreto. Por se tratar de meras alegações, adoto co_ mo razão de decidir os mesmos fundamentos utilizados pela autori- dade julgadora de primeira instância e as provas dos autos. Não se pode perder de vista mie a empresa, no des- fecho de seu recurso, solicita deste Colegiado, a declaração de nulidade do auto de infração, sem, no entanto, aduzir razões que possam embasar tal pedido. Supõe-se que o pedido de nulidade, ao ci- invés de preliminar seja o corolário de tudo q anto foi dito, so- • ' • SERVIÇOEMUCOFEDERM. Processo n9 13829/000.111/87-59 14. Acórdão n9 103-09.664 bretudo o fato de o auto ter sido, segundo a recorrente, lavrado por mera presunção. Acontece que, no correr do voto, já demonstrei não se tratar de presunção e, por falta de argumentos específicos, só resta, também aqui, aduzir a falta de embasamento legal para esta Câmara declarar a nulidade de um ato que, até prova em contrário, nada tem de nulo. Por todo o exposto e por tudo o mais que do proces so consta, voto no sentido de se rejeitar a preliminar de nulida- de e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso a fim de se ex cluir da tributação, no exercício de 1985, a importância de Cr$.. 4.582.223.209,51. i Bras I lia- DF., em 12 de outubro de 1989. IP. --.9111n0 DA SILVA CABRAL - RELAT.. cvgc Page 1 _0066300.PDF Page 1 _0066500.PDF Page 1 _0066700.PDF Page 1 _0066900.PDF Page 1 _0067100.PDF Page 1 _0067300.PDF Page 1 _0067500.PDF Page 1 _0067700.PDF Page 1 _0067900.PDF Page 1 _0068100.PDF Page 1 _0068300.PDF Page 1 _0068500.PDF Page 1 _0068700.PDF Page 1 _0068900.PDF Page 1 _0069100.PDF Page 1 _0069300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10552.000066/2007-91
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2005
A apresentação de comprovantes de recolhimento não são aptos a comprovar que a empresa efetuou os descontos as contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, persistindo a obrigação acessória e consequente imputação da multa aplicada nos termos do art. 283, I, g, do Regulamento da Previdência Social - RPS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 00 66 /2 00 7- 91 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Valhome do Relatório formulado na Resolução nº.2403000.087, referente ao processo em epígrafe, abaixo transcrito: Tratase de Auto de Infração – AI nº. 35.912.1900, lavrado em razão de a empresa ter deixado de arrecadar a contribuição dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, no período de 04/2003 a 07/2005, no valor de R$ 1.156,83 (um mil cento e cinquenta e seis reais e oitenta e três centavos). A infração foi devidamente descrita no Relatório Fiscal, fls. 07/08, in verbis: Autuo a empresa uma vez que não arrecadou a contribuição dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nas competências abr/2003 a jul/2005, conforme PLANILHA DAS CONTRIBUIÇÃO NÃO RETIDAS DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS AUTÔNOMOSPlanilha1, a PLANILHA DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIDAS DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAISEMPRESÁRIOSPlanilha2, em anexo. Tal fato foi constatado no exame da contabilidade, nas seguintes contas: 20072 – INSS A RECOLHER, 50055 – PRO LABOREMATRIZ, 50014 – COMISSÃO SOBRE VENDAS, 50534 – SERVIÇOS DE TERCEIROS PESSOA FÍSICA, 10104 – BENFEITORIAS PRÉDIOS TERCEIROS, 50276 – BONIFICAÇÃO, 50415 – DESPESAS DIVERSAS, 50422 – MANUTENÇÃO DO IMOBILIZADO e nos recibos de pagamentos. Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio de instrumento de fls. 59/65, requerendo um prazo maior para poder apresentar os comprovantes de recolhimento, já que o prazo de 15 (quinze) dias seria insuficiente, face a dificuldade de selecionar a documentação, bem como requerendo perícia técnica para comprovar os efetivos descontos da respectiva remuneração, pois essa comprovação seria complexa, merecendo atenção específica e imparcial quanto à existência e exatidão do montante. Após analisar os argumentos da Recorrente, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS – DRJ/POA, prolatou o Acórdão n° 35.912.1900 de fls. 76/80, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2005 Ementa: Auto de Infração. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda a todos os requisitos legais exigidos. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10552.000066/200791 Acórdão n.º 2403002.096 S2C4T3 Fl. 3 3 Não cabe na instância administrativa discussão sobre a inconstitucionalidade das leis. Lançamento procedente. Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, de fls. 87/93, requerendo a reforma do julgado, ao argumento de já ter efetuado o recolhimento das contribuições do período cobrado no Auto de Infração em tela, juntando, em anexo, os comprovantes de arrecadação para comprovação. Diante dos documentos colacionados pela Recorrente, este Conselho proferiu a Resolução nº. 2403000.087, fls. 608/611, na qual solicitou a baixa do processo em diligência para que se apurassem as GPS, identificando se elas condizem com o valor integralmente levantado como crédito previdenciário pela fiscalização. A diligência requestada culminou na informação fiscal de fl. 620, com o seguinte resultado: 1. Em atendimento ao solicitado, informamos que o Auto de Infração DEBCA nº 35.912.1900 lavrado, referese a descumprimento de obrigação acessória, ou seja, deixou de descontar da remuneração dos contribuintes individuais a contribuição previdenciária a seu encargo. 2. O Auto de Infração em questão, não tem como objeto a cobrança de valores não recolhidos em GPS, ou seja, não se trata de descumprimento de obrigação principal. Portanto, não há o que se falar em análise de Guias de Recolhimento – GPS, com o intuito de verificação de recolhimento de contribuições previdenciárias. 3. A alegação da empresa de que adimpliu com a contribuição previdenciária em relação ao período autuado, compreendido entre 04/2003 a 07/2005, não é pertinente a este caso específico. 4. Em relação ao Auto de Infração objeto desta diligência, a empresa deveria comprovar que efetuou os descontos da contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais (autônomos e empresários) e não que efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias. 5. Cabe salientar que são dois atos totalmente distintos: um é efetuar o desconto da remuneração e o segundo é recolher em GPS o valor descontado. 6. Diante do acima exposto, não há nada a ser examinado. É o relatório. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl., o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. MÉRITO A capitulação legal do processo em epígrafe consiste na infração ao art. 30, I, “a”, da Lei nº. 8.212/91, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Portanto, cumulase, nesta alínea, a obrigação da empresa em praticar dois atos, quais sejam, a arrecadação das contribuições previdenciárias dos segurados empregados, cujos GPS foram acostados ao presente processo pela empresa, bem como efetuar o desconto das respectivas remunerações. A multa pelo descumprimento das referidas obrigações encontrase disciplinada no art. 92 da Lei nº. 8.212/91, cumulada com o art. 283, I, do RPS, Decreto nº. 3.048/99, Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. ²4 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos). RPS – Decreto nº. 3.048/99 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10552.000066/200791 Acórdão n.º 2403002.096 S2C4T3 Fl. 4 5 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) Vêse, portanto, que o fundamento legal da multa aplicada, conforme fl. 3, é justamente a ausência dos descontos que deveriam ter sido realizados pela empresa em relação às contribuições devidas pelos segurados, sendo desnecessária para a resolução da lide o seu efetivo recolhimento, cuja discussão remete à obrigação principal. Nesta senda, procede o alegado na informação fiscal, eis que os documentos trazidos pela Recorrente referemse tão somente aos comprovantes de recolhimento, sem, contudo, anexar prova de que efetuou os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço. Ora, se à auditoria fiscal não foi possível atestar os descontos supostamente efetuados pelo Recorrente, caberia a ele fazer prova da sua existência, de modo que se extinguiria a presente obrigação acessória. Isso porque, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder, quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes”. (NEDER, Marcus Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de. FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 331) Logo, ausentes quaisquer elementos probatórios capazes de atestar que a empresa efetuou os descontos, persiste a obrigação acessória, conseguintemente, a imputação da multa aplicada. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 639DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13851.000752/97-15
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO.
I. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO-CONTRIBUINTES.
Incabível o ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS a
título de incentivo fiscal em relação a produtos adquiridos de
pessoas físicas e ou cooperativas que não suportaram o
pagamento dessas contribuições. Ao determinar a forma de
apuração do incentivo, a Lei n° 9.363/96 excluiu da base de
cálculo do beneficio fiscal as aquisições que não sofreram
incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no
fornecimento ao produtor-exportador.
II. CUSTO DE MÃO-DE-OBRA DA INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS.
As mercadorias industrializadas por encomenda do exportador que as destina para o exterior tais quais as recebeu do fabricante não podem ter seus custos de produção incluídos no cálculo do valor das compras (de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem) incentivadas
III. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros, mas tais produtos são excluídos do valor correspondente às compras de insumos.
IV. TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de
correção monetária, não justificando a sua adoção, por
analogia, em processos de ressarcimento de créditos
incentivados, por implicar na concessão de um "plus", sem
expressa previsão legal.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 202-15.980
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir na receita de exportação as vendas para o exterior. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Dalton César Cordeiro de Miranda e Raimar da Silva Aguiar, quanto à aquisição de insumos de não-contribuintes e quanto a Taxa SELIC; o Conselheiro Jorge Freire, quanto a Taxa SELIC ; e o Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, quanto a aquisição de insumos
de não-contribuintes.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Ministério da Fazenda Fl. ").-;‘-siait- Segundo Conselho de Contribuintes j Processo n' : 13851.000752/97-15 C %(g, "? °IX Recurso 111 : 118.463 C I Ruir “..1 Acórdão ng : 202-15.980 Recorrente : CAMBUHY CITRUS COMERCIAL E EXPORTADORA S/A Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto/SP IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. I. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO-CONTRIBUINTES. Incabível o ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS a título de incentivo fiscal em relação a produtos adquiridos de pessoas fisicas e ou cooperativas que não suportaram o pagamento dessas contribuições. Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a Lei n° 9.363/96 excluiu da base de cálculo do beneficio fiscal as aquisições que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no MINISTÉRIO DA FAZENDA fornecimento ao produtor-exportador.Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COPA O ORIGINAL( II. CUSTO DE MÃO-DE-OBRA DA INDUSTRIALIZAÇÃO Brasiiia-DF. em o /-1 POR TERCEIROS. L. As mercadorias industrializadas por encomenda do C eiett.ii Secretaria da Segunda Gemeu exportador que as destina para o exterior tais quais as recebeu do fabricante não podem ter seus custos de produção incluídos no cálculo do valor das compras (de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem) incentivadas III. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros, mas tais produtos são excluídos do valor correspondente às compras de insumos. IV. TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CAMBUIlY CITRUS COMERCIAL E EXPORTADORA S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para incluir na receita de exportação as vendas para o exterior. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Dalton César Cordeiro de Miranda e Raimar da Silva Aguiar, quanto à aquisição de insumos de não-contribuintes e quanto a Taxa SELIC; o Conselheiro Jorge Freire, quanto a Taxa 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 22 CC-MF "'"•;',";-.. Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL Fl.sa:•:\ez: ft.. ttz--Qr Segundo Conselho de Contribuintes Brashia-DF. em O / 3 / fr 'Lr :. 11; I: Processo Kr' : 13851.000752/97-15 C euza aízifujt Recurso re 118.463 Secretária da Segunda C ãmara: Acórdão n9 : 202-15.980 SELIC ; e o Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, quanto a aquisição de insumos de não-contribuintes. Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2004. vf/ ..7 0 /- ,..• 45 _ .,•":" 4,..... ,,,, (0 -2 -5ennquee Pinheiro Torres Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro e Nayra Bastos Manatta. /opr 9 a MINISTÉRI O DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 2° CC-MF Ministério da Fazenda1, • CONFERE COM O ORIGINAL, Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Brasllia-DF. em_Altat,kr.t hz:":„.es• Processo n9 : 13851.000752/97-15 CSPItetafuji Recurso n : 118.463 Secretária da Segunda Câmara Acórdão n9 202-15.980 Recorrente : CAMBUHY CITRUS COMERCIAL E EXPORTADORA S/A. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório da Decisão DRJ/RPO N° 990, de 22 de maio de 2001, fls. 141/146: "O interessado acima identificado pleiteou o ressarcimento do crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados (1P1), referente ao ano de 1996, com base na Portaria ME n° 38, de 27 de fevereiro de 1997. A DRF/Araraquara indeferiu parte do pedido conforme o despacho decisório de fls. 113/118, em razão dos motivos que, resumidamente, se seguem: I. Nas apurações do crédito presumido devem ser excluídas as aquisições advindas de pessoas fisicas e o IPI destacado em nota fiscal, por não sofrerem a incidências da Cofins e do PIS/Pasep. 2. Quanto aos insumos, a mão-de-obra utilizada no processo produtivo não é considerada insumo na legislação do IPI, e não se computam como aquisições as mercadorias devolvidas aos fornecedores. 3. Não é incluída no cálculo do incentivo fiscal a receita de exportação advinda da revenda de mercadorias adquiridas de outras empresas, tampouco as devoluções de vendas incluem-se no cálculo da receita bruta. Cientificado em 03/11/1998, apresentou, em 30/11/1998, a manifestação de inconformidade delis. 128/133, alegando, em síntese, o seguinte: 1. O exame da legislação de regência não deixa dúvidas: a natureza jurídica do beneficio previsto na Medida Provisória (MP) no 948 é de um crédito presumido de IPI, nem mesmo importando se houve alguma incidência de PIS e de Cofins nas operações anteriores, pois presume-se que houve duas incidências de PIS e de Cofins nas operações anteriores, independentemente de quantas tenham ocorrido, assim está errado o raciocínio da fiscalização ao excluir do crédito presumido o valor das matérias-primas adquiridas de pessoas fisicas. 2. A mão-de-obra utilizada na industrialização efetuada por terceiros deve ser considerada como insumos, conforme se constata na análise da IN SRF n° 13, de 1997, que regulamenta a apresentação da DIP1, quando informa que, no item 01 — Insumos — consta que deve ser informado o valor total das entrada de insumos, inclusive os designados sob código 1.13, e verifica-se que, na Tabela de Códigos Fiscais de Operações e Prestações, os insumos abrangidos pelo referido código referem-se à "industrialização efetuada por outras empresas". 3. A análise da Portaria ME n°129, de 5 de abril de 1995, deixa evidente que compõe a receita de exportação da empresa exportadora a totalidade dos valores obtidos mediante a venda de mercadorias para o exterior, sendo irrelevante quem é o produtor de tais mercadorias. 4. Requereu que seja concedido o ressarcimento tomando em consideração os valores glosados pela fiscalização, devidamente acrescidos de juros computados 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 2, CC-MFMinistério da Fazenda CONFERE COM ORIGINAL„ Segundo Conselho de Contribuintes BrasItia -DF. em S / / 20)141 Fl. >;z:;•eillt?' L. Processo e : 13851.000752/97-15 C euza dkáfuji Secretária da Segunda Câmara Recurso n' : 118463 Acórdão n' : 202-15.980 à taxa Selic, tendo em vista a jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes. A Decisão de primeiro grau encontra-se resumida nos termos da seguinte ementa, f1. 141: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IP1 Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das receitas de mercadorias acabadas adquiridas no mercado interno e exportadas e das mercadorias adquiridas de pessoas não sujeitas ao PIS/Cofins, bem como de produtos não tributados na receita de exportação da empresa produtora e exportadora, assim como não poderão ser incluídos no total de insumos adquiridos pela empresa os valores correspondentes a aquisições efetuadas a pessoas físicas ou cooperativas. SOLICITA çÃo INDEFERIDA". Insurgindo-se contra o julgado em epígrafe, a interessada interpôs Recurso Voluntário, fls. 159/1 Si, no qual solicitou que lhe seja reconhecido o direito ao ressarcimento do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96, incluindo-se no cálculo do incentivo os valores relativos às matérias-primas adquiridas de produtores rurais, pessoas flsicas e mão-de-obra empregada na industrialização por terceiros. Requer ainda seja incluído no cálculo da receita de exportação o produto das vendas realizadas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros. Além disso requer lhe seja reconhecido o direito ao ressarcimento acrescido de juros pela Taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Pede, por fim, o provimento dos pedidos de compensação apresentado pela Recorrente e relacionados ao valor "sub judice", cancelando-se assim os respectivos aviso de cobrança. Em 04/10/2002, à fl. 221, a Delegacia da Receita Federal em Araraquara - SP, buscando evitar que créditos tributários decaiam ou prescrevam por inércia da Receita Federal, solicitou a este Conselho o envio dos processos 13851.000085/98-25, 1385 1 .000751/97-44, 13851.000752/97-15, 13859.000002/00-60. Em 16 de outubro de 2002, fl. 222, o Presidente do Segundo Conselho de Contribuintes atendeu ao solicitado no Memorando DRF/AQA/SORAT n° 251/2002. Resolveram os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, fls. 306/3 10, solicitando à autoridade preparadora o esclarecimento quanto à glosa do custo da mão- de-obra da industrialização efetuada por terceiros. Entendeu que não restou claro nos autos se os produtos referentes a essa fabricação por encomenda são matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem empregados pela reclamante na industrialização de produtos por ela exportados, ou se são produtos já acabados e apenas exportados pela recorrente. A contribuinte, CITROVITA COMERCIAL E EXPORTADORA S.A., sucessora de CAMBUHY CITRUS COMERCIAL E EXPORTADORA S/A, em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal / Sol icitação de Documentos, fl. 316, apresentou, às fls. 3 18/330, respostas à solicitação de esclarecimentos. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA , Segundo Conselho de Contribuintes 22 CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL _tkz; Segundo Conselho de Contribuintes Brasttia-DF. em 1 É Fl. Processo n9 : 13851.000752/97-15 le z T kafuji Recurso re 118.463 Sambam da Segunda Camela : Acórdão n2 : 202-15.980 Em atendimento à solicitação feita pelos Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a Delegacia da Receita Federal em Araraquara apresentou Relatório de Diligência, no qual concluiu que as respostas fornecidas pela contribuinte "não acrescentaram nenhuma informação nova que possam esclarecer a presente contenda e que nesta oportunidade, a diligenciada deixou de apresentar documentos, demonstrativos ou planilhas que comprovassem toda a operação objeto da diligência", fls. 331/332. É o relatório., 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE cog 0 ORIGkictã 2 CC-MF r- Ministério da Fazenda ..AVZ.risr Brasitia-DF. ern 111 cs__ FI. ttri,..4,it: Segundo Conselho de Contribuintes L.;.4:VA4 euza alWafuft Processo 10 : 13851.000752/97-15 Secretária da Segunda Carnaça Recurso n' : 118.463 Acórdão flQ : 202-15.980 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES A teor do relatado, quatro são as questões postas em debate: exclusão da base de cálculo do crédito presumido de insumos adquiridos de não contribuintes (pessoas fisicas e cooperativas); glosas das despesas havidas com custo da mão-de-obra da industrialização efetuada por terceiros; exclusão da receita de exportação dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros e, por fim, correção monetária do montante a restituir com base na Taxa Selic. I. Da exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos a insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS. O Fisco, a teor da Portaria MF n° 129/95, exclui do cálculo do crédito presumido de IPI para ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, incidentes nas aquisições de insumos no mercado interno pelo produtor/exportador de mercadorias nacionais, aqueles insumos adquiridos de pessoas físicas, enquanto a Recorrente entende que o ressarcimento, por ser presumido, alcança também as compras de insumos de não contribuintes das contribuições sociais. Essa matéria, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição da Receita Federal, ora a dos contribuintes, dependendo da composição do colegiado. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão de insumos adquiridos de não contribuintes no cômputo da base de cálculo do crédito presumido, já que, nos termos do caput do art. 1° da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito tem como escopo a ressarcir as contribuições (PIS E COFINS) incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem para utilização no processo produtivo. A norma concessiva de incentivo fiscal deve sempre ser interpretada literal e restritivamente, de forma a não estender por vontade do intérprete, beneficio não autorizado pelo legislador. O vocábulo ressarcir, do Latim resarcire, juridicamente tem vários significados, consertar, emendar, reparar ou compensar um dano, um prejuízo ou uma despesa. No caso presente, ressarcir significa exatamente compensar o produtor exportador, por meio de crédito presumido, as contribuições incidentes sobre os insumos por ele adquiridos. Ora, se não houve a incidência, não há falar-se em ressarcimento, pois o objeto deste, o encargo tributário não existiu. Em arrimo ao entendimento de que se deve excluir do cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos adquiridos de não contribuintes, pessoas físicas e cooperativas, transcrevo abaixo o voto condutor do Acórdão n° 202-12.551 onde o então conselheiro e presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Marcos Vinícius Neder de Lima, que enfrentou minuciosamente essa matéria: 'O incentivo em questão constitui-se num crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em ftração do valor das aquisições de insumos aplicados em 6 • MINISTÉRIO DA FAZENDA eya,. Segundo Conselho de Contribuintes Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL, r CC-IMF -.-srrsV Zsênc,,,:tr Segundo Conselho de Contribuintes BrasIlia-CIF. em a 3 iZtoo A. petf"t;',;,, Processo n9 : 13851.000752/97-15 C eu a atifuji Secten cla Segunda CrIbfli Recurso n 9 : 118.463 Acórdão : 202-15.980 produtos exportados. Tem origem na carga tributária que onera os produtos exportados e tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. Trata-se, portanto, de norma de natureza incentivadora, em que a pessoa tributante renuncia à parcela de sua arrecadação tributária em favor de contribuintes que a ordem jurídica considera conveniente estimular. A exegese deste preceito, à luz dos princípios que norteiem as concessões de beneficios fiscais, há de ser estrita, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Neste diapasão, caso não haja previsão na norma compulsória para determinada situação divergente da regra geral, deve-se interpretar como se o legislador não tivesse tido o intento de autorizar a concessão do beneficio nessa hipótese. No dizer do mestre Carlos Maximiliano l : "o rigor é maior em se tratando de dispositivo excepcional, de isenções ou abrandamentos de ónus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis: ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. •". A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos termos do art. I" da MP n° 948/95, posteriormente convertida na Lei n" 9.363/96. Ou seja, as aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem devem ser feitas no mercado interno, utilizadas no processo produtivo e o beneficiário deve ser, simultaneamente, produtor e exportador. Vejamos o que disse o referido artigo: Verifica-se que o legislador estabeleceu nesse dispositivo que o incentivo fiscal deve ser concedido como ressarcimento da Contribuição ao PIS e da COFINS. A empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do crédito presumido e, na impossibilidade desta, na forma de ressarcimento em espécie. Ao compensar o contribuinte, na forma de crédito presumido, com a devolução do montante de tributo pago, o incentivo visa justamente anular os efeitos da tributação incidente nas etapas precedentes. As pequenas diferenças, para mais ou para menos, porventura existentes nesse processo, se compensam mutuamente dentro de um contexto mais abrangente. Não sendo relevante, sob o ponto de vista económico, que o crédito concedido não corresponda exatamente aos valores pagos de tributo na aquisição da mercadoria. Esse Hermenêutica e aplicação do Direito, ed. Forense, I 6 a ed, p. 333. s 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 2° CC-M F Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Fl. n.t.;( 11" Segundo Conselho de Contribuintes BrasIlia-DF. em 5 /3__et Processo n" : 13851.000752/97-15 C e za akrcifup &celta da Segunda UM/ri Recurso n' : 118.463 Acórdão n' : 202-15.980 tratamento, aliás, tem sido muito empregado pelo legislador na concessão de incentivos. A Administração Pública, para facilitar os mecanismos de execução e controle, vem realizando os ressarcimentos dos créditos por valores estimados (v.g. a regra geral de apuração proporcional de créditos prevista na Instrução Normativa n°114/882). Esclareça-se, por oportuno, que o crédito presumido não pode ter a natureza de subvenção económica para incremento de exportações, como defende a ilustre Relatora. Segundo De Plácido e Silva s, a subvenção, juridicamente, não tem o caráter de compensação. Sabidamente, o crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. Feita essa breve introdução, verifica-se que o artigo I° restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições.., incidentes nas respectivas aquisições ". Em que pese a impropriedade na redação da norma, eis que não há incidência sobre aquisições de mercadorias na legislação que rege as contribuições sociais, a melhor exegese é no sentido de que a lei tem de ser referida à incidência de COFINS e de PIS sobre as operações mercantis que compõem o faturamento da empresa fornecedora. Ou seja, a locução "incidentes sobre as respectivas aquisições" exprime a incidência sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora! Aliás, a linguagem e termos jurídicos postos em uma norma devem ser investigados sob a ótica da ciência do direito e não sob a referência do direito positivo, de índole apenas prescritiva. Como ensina Paulo de Barros Carvalhos, "A Ciência do Direito cabe descrever esse enredo normativo, ordenando-o, declarando sua hierarquia, exibindo as formas lógicas que governam o entrelaçamento das várias unidades do sistema e oferecendo seus conteúdos e significação". O termo incidência tem significação própria na Ciência do Direito. Segundo Alfredo Augusto Becker6: "(..) quando o direito tributário usa esta expressão. 2 "IN SRF 114/88... item 4. Poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos oriundos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que se destinem indistintamente à industrialização de: a) produtos que tenham expressamente assegurada a manutenção de créditos como incentivo; b) produtos que gerem créditos básicos; c) produtos desonerados do imposto no mercado interno, sem direito a crédito". 3 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, volume IV. Ed. Forense, 2' ed. p. 1462. 4 O termo "respectivas" foi introduzido pela Medida Provisória n° 948/95. Veio a substituir a expressão "adquiridos no mercado interno pelo exportador" constantes do enunciado do artigo 1° nas Medidas Provisórias n°s 845/95 e 945/95, que tratavam da concessão de crédito presumido antes da MP n°948/95. 5 Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, ed. Saraiva, 6° ed., 1993 In Teoria Geral do Direito Tributário , Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 83/84. j 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM OMinistério da Fazenda Brasilia-OF. em dolb 3 iavõ Fl.% Segundo Conselho de Contribui ORIGINAL,- 2° CC-MF ntes ri tf.' Cleuza Aicifuji Processo u9 13851.000752/97-15 Sacie/lá:ta da Segunda Cárnata •Recurso 1/9 : 118.463 Acórdão 10 : 202-15.980 ela significa incidência da regra jurídica sobre sua hipótese de incidência realizada (fato gerador), juridicizando-a, e a conseqüente irradiação, pela hipótese de incidência juridicizada, da eficácia jurídica tributária e seu conteúdo jurídico: direito (do Estado) à prestação (cujo objeto é o tributo) e o correlativo dever (do sujeito passivo, o contribuinte) de prestá-la; pretensão e correlativa obrigação; coação e correlativa sujeição." Nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor para a interessada não sofreram a incidência de contribuição, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de Contribuição ao PIS e de COFINS, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento específico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no artigo 1°. O contra-senso aparente dessa afirmação, se cotejada com a finalidade do incentivo de desonerar o valor dos produtos exportados de tributos sobre ele incidentes, resolve-se em função da opção do legislador pela facilidade de controle e praticidade do incentivo. Sabidamente, instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos, que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produto exportado, é tarefa complexa e de muito difícil controle. Basta lembrar as inúmeras imposições tributárias que incidem sobre o valor dos serviços contratados e sobre a aquisição de equipamentos necessários ao processo industrial, além das diversas taxas a título de contraprestação de serviço cobradas pelos entes da Federação que, somadas àquelas incidentes sobre folha de pagamento, oneram expressivamente a empresa industriaL O escopo da lei, partindo de tais premissas, foi o de instituir, a título de estímulo fiscal, um incentivo consubstanciado num crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. É certo que esse crédito não tem por objetivo ressarcir todos os tributos que incidem na cadeia de produção da mercadoria, até por impossibilidade prática. Todavia, chega a desonerar o contribuinte da parcela mais signcativa da carga tributária incidente sobre o produto exportado. A opção do legislador por essa determinada sistemática de apuração do incentivo às exportações decorre da contraposição de dois valores igualmente relevantes. O primeiro cuida da obtenção do bem-estar social e/ou desenvolvimento nacional através do cumprimento das metas econômicas de exportação fixadas pelo Estado. O outro decorre da necessidade de coibir /// 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 2° CC-MF -"?.•,:tri;i:e, Ministério da Fazenda CONFERE CI / • Fl. O ORIGINAL,. 12£270—th:r.,;f Segundo Conselho de Contribuintes Srasllia-DF. em -3,,,:j. • Processo n' : 13851.000752197-15 C euza afio Secretarie da Segunda Centeio Recurso n2 118.463 Acórdão n2 : 202-15.980 desvios de recursos públicos e de garantir a efetiva aplicação dos incentivos na finalidade perseguida pela regra de Direito. O Estado tem de dispor de meios de verificação que evitem a utilização do beneficio fiscal apenas para fugir ao pagamento do tributo devido. Daí o legislador buscou atingir tais objetivos de política econômica, sem inviabilizar o indispensável exame da legitimidade dos créditos pela Fazenda. Ocorre que, para pessoa fisica, não há obrigatoriedade de manter escrituração fiscal, nem de registrar suas operações mercantis em livros fiscais ou de emitir os documentos fiscais respectivos. A comprovação das operações envolvendo a compra de produtos, nessas condições, é de difícil realização. Assim, a exclusão dessas aquisições no cômputo do incentivo tem por finalidade tornar factível o controle do incentivo. Nesse sentido, a Lei n°9.363/96 dispõe, em seu artigo 3°, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência do PIS e da COFINS, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor/exportador. A vinculação da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que somente as aquisições de insumos, que sofreram a incidência direta das contribuições, é que devem ser consideradas. A negação dessa premissa tornaria supérflua tal disposição legal, contrariando o principio elementar do direito, segundo o qual não existem palavras inúteis na lei. Reforça tal entendimento o fato de o artigo 5° da Lei n° 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor/exportador, quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da COFINS pagas pelo fornecedor na etapa anterior. Ou seja, o legislador prevê o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor, no caso de restituição ou de compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo, na hipótese em que a contribuição foi paga pelo fornecedor e restituída a seguir, resta claro que o legislador optou por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa. Pensar de outra forma levaria ao seguinte tratamento desigual: o legislador consideraria no incentivo o valor dos insumos adquiridos de fornecedor que não pagou a contribuição e negaria o mesmo incentivo quando houve o pagamento da contribuição e a posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria o direito ao incentivo sem que houvesse ónus do pagamento /./ da contribuição e na outra não. 'n 'o ' - MINISTÉRIO DA FAZENDA Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes r cc-m F CONFERE COMP 0j8IGIUM_, "P.P.-t,e0r Segundo Conselho de Contribuintes Fl. > Brasllia-DF. em C' i_a_l_ef_garc" 1. Processo n9 : 13851.000752/97-15 Cadekefuji Recurso n' : 118.463 secamos da Segunda UME, Acórdão n9 : 202-15.980 O que se constata é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo a ser empregada, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que queria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando a exoneração fiscal para hipóteses não previstas. E. como ensina o mestre Becker7, "na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, continua ele, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha". (grifo meu) Em harmonia com as exigências de segurança pública do Direito Tributário, utilizando-se a lição de Karl English, pode-se dizer que devemos fazer coincidir a expressão da lei com seu pensamento efetivo, mas, para tanto, a interpretação deve se manter sempre, de qualquer modo, nos "limites do sentido literal" e, portanto, pode (e, por vezes, deve) inclusive forçar estes limites, embora não possa ultrapassá-los. A interpretação encontra, pois, o seu limite, onde o sentido das palavras já não dá cobertura a uma decisão jurídica. Como frisa Heck: "o limite das hipótese de interpretação é o sentido possível da letra". 8 E mesmo que se recorra à interpretação histórica da norma, verifica-se, pela Exposição de Motivos n° 120, de 23 de março de 1995, que acompanha a Medida Provisória n° 948/95, que o intuito de seus elaboradores não era outro se não o aqui exposto. Os motivos para a edição de nova versão da Medida Provisória, que institui o beneficio, foram assim expressos: "(.) na versão ora editada, busca-se a simplificação dos mecanismos de controle das pessoas que irão fluir o beneficio, ao se substituir a exigência de apresentação das guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, por documentos fiscais mais simples, a serem especificados em ato do Ministro da Fazenda, que permitam o efetivo controle das operações em foco". (Grifo meu) Ressalte-se, por relevante, que o Ministro da Fazenda, autor da proposta, sustenta que a dispensa de apresentação de guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores decorre unicamente da simplificação dos mecanismos de controle. 7 In Teoria Geral do Direito Tributário, 3 ', Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 133. e Batista Júnior, Onofre. A Fraude à Lei Tributária e os Negócios Juridicos Indiretos. Revista Dialética de Direto Tributário n°61. 2000. p. 100. CC-MF Ministério da Fazenda MINI ST DETRtERn sei Piop dAe FAZENDA Contribuintes InDt els_ Brasilia-DF. em Fl. Segundo Conselho de Contribuintes at'te-tiefr uza lactfup Processo Te : 13851.000752/97-15 Semeara da Segunde Câmara Recurso n' 118.463 Acórdão n' : 202-15.980 Aliás, o ato normativo, citado na exposição de motivos in fine, foi editado logo após, em 05 de abril de 1995, e estabelece, em seu artigo 2°, inciso II, que o percentual (receita de exportação sobre receita operacional bruta) deve ser aplicado sobre "o valor das aquisições, no mercado interno, das matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagens, realizadas pelo produtor e_x-portador". (Grifo meu) Do exposto, conclui-se que, mesmo que se admita que o ressarcimento vise desonerar os insumos de incidências anteriores, a lei, ao estabelecer a maneira de se operacionalizar o incentivo excluiu do total de aquisições aquelas que não sofreram incidência na última etapa. No caso em tela, a ora recorrente considerou no cálculo do incentivo as aquisições de insumos de pessoas físicas não sujeitas ao recolhimento de COP1NS e de PIS. Assim, não sendo contribuintes das referidas contribuições, não há o que ressarcir ao adquirente, como ficou largamente demonstrado." II. Da inclusão no cálculo das aquisições de insanos do custo da mão-de- obra empregada na industrialização efetuada por terceiros. Essa matéria encontra-se apascentada nesta Câmara, no sentido de se permitir a inclusão na apuração do total das compras incentivadas que integram a base de cálculo do crédito presumido, tão-somente, dos valores correspondentes aos insumos industrializados por encomenda, quando estes, posteriormente, sejam utilizados pelo produtor/exportador na fabricação de produtos por ele destinados ao exterior. A Lei n° 9.363/1996, ao conceder o beneficio fiscal, especificou que o crédito presumido seria devido à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais como forma de ressarcimento das contribuições (PIS e COFINS) incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Vê-se, pois, que o crédito é devido ao produtor/exportador que tenha adquirido matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem e os tenha empregados na fabricação de mercadorias que tenham sido por ele destinadas ao exterior. No caso de o exportador adquirir as mercadorias já prontas para a exportação, sem nela realizar quaisquer das operações de industrialização previstas no regulamento do 1P1, deixa o adquirente de preencher um dos requisitos básicos para fruição do crédito presumido, qual seja, a de ser o produtor das mercadorias exportadas, com isso, não tem qualquer direito ao ressarcimento das contribuições eventualmente nelas incidentes. Demais disso, nessas operações, tais mercadorias não se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, ao contrário, são produtos finais, cujas aquisições, pelo exportador, não são contempladas com o beneficio fiscal. Registre-se, por oportuno, que a situação acima referida é completamente distinta da que ocorre nos casos em que o produtor/exportador adquire determinado insumo e o remete para que terceiros o beneficie. Depois de beneficiado o produto é devolvido ao encomendante que o utiliza como matéria-prima de mercadoria por ele destinada ao exterior. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 22 CC-MFMinistério da Fazenda CONFERE COO O ORI011igiitk, Fl.z‘,I.2L'ArK Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia-DF. em 21•-• / 3 / ;Mjilt> efiScM"afujtProcesso e : 13851.000752/97-15 Secretária da Segunda Camara Recurso n2 : 118.463 Acórdão n2 : 202-15.980 Nessa hipótese, o exportador é, também, o produtor da mercadoria exportada Além disso, o insumo que ele adquiriu e remeteu para beneficiamento por terceiro foi utilizado como matéria- prima na fabricação da mercadoria exportada. Nesse caso, tem-se o produtor/exportador e, também, a aquisição de matéria-prima, cuja aquisição é dá azo ao beneficio. Aqui, o custo do beneficiamento compõe o custo final da matéria-prima, dai poder ser incluído no cálculo das compras incentivadas. Como exemplo desse processo produtivo, pode-se citar o da fabricação de calçados, onde a indústria calçadista compra o couro cru, manda-o para o cortume beneficiá-lo (transformá-lo em wet blue) e, quando o recebe, transforma-o em calçados e os exporta. Neste caso, a jurisprudência pacifica desta câmara é no sentido de autorizar a inclusão dos custos do beneficiamento no montante das compras incentivadas. No caso dos autos, como a recorrente manda industrializar as mercadorias e as exporta tais quais as recebeu do industrial que as fabricou, não vejo como se possa incluir o custo da industrialização no total das compras de insumos (matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem). Da inclusão no cálculo da receita de exportação dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros. Quanto à exclusão da receita de exportação dos valores correspondentes às exportações de produtos adquiridos de terceiros, a matéria ainda não se encontra apascentada na jurisprudência administrativa, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. Ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal, no que pertine à determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, é aquela pela inclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos adquiridos de terceiros no cálculo da receita de exportação. Explico: a Lei n° 9.363/1996, ao instituir o beneficio, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica "emprestados" às contribuições, senão vejamos: "Art. 3 0 .Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. tendo cri vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional 13ruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IP'. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determinar a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matéria-prima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: "Parágrafo único. Utilizar-se-á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes rCC-MF am: CONFERE ORI_ ,NAL19 1LiTZ,ne. Segundo Conselho de Contribuintes 4;rtfr. Brasília-DF. e COM O IG Fl. m d> / - Processo n° : 13851.000752/97-15 aálkiafuje Recurso n' : 118.463 Secretária da Segunda Câmara Acórdão n° : 202-15.980 de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem." Por outro lado, a Portaria MF n° 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2°, § 2°, inciso II, definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trata-os de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estar-se-ia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Enfim, como os valores das vendas para o exterior dos produtos adquiridos de terceiros (não industrializados diretamente pelo produtor/exportador) não foram expurgados da receita operacional bruta, impõe-se a isonornia de procedimentos, ou seja, que também sejam incluídos na receita de exportação. Esclareça-se, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecer-se o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insurnos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das "aquisições incentivadas". Para melhor entendimento do aqui exposto, cabe urna breve explanação sobre o cálculo do crédito presumido e seus estágios: Primeiro, coteja-se a receita de exportação com a operacional bruta (sem expurgos das receitas provenientes das vendas, no mercado interno ou externo, dos produtos adquiridos de terceiros) para se encontrar o coeficiente a ser aplicado sobre as aquisições dos insumos; segundo, apura-se o total das compras de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) utilizados no processo de industrialização do produtor exportador. Nesse total não se incluem, obviamente, os produtos que sem qualquer industrialização efetuada pelo adquirente, são revendidos no mercado interno ou são exportados para o exterior. Do total das compras de insumos, são excluídos aqueles que não geram direito ao crédito presumido, tais como os que não se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Devem ainda ser excluídos os valores correspondentes às matérias-primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos não acabados e de produtos acabados, mas não vendidos em estoque no último trimestre do ano ou no último que houve exportação. Feitas as exclusões, sobre o valor restante aplica-se o citado coeficiente para se chegar às aquisições incentivadas, que são a base de cálculo do crédito presumido. Para se chegar ao valor do crédito presumido a ressarcir, aplica- se sobre essas aquisições incentivadas o percentual de 5,37%. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes Ministério da Fazenda CONFERE cog O ORIGINAç 2° CC-MF %Iss f- Bresilia-DF. em Fl. rti&n,15 Segundo Conselho de Contribuintes eu z ajtProcesso n" : 13851_000752/97-15 Secretine da Seg ui unda Cárnau Recurso n2 : 118.463 Acórdão ri9 : 202-15-980 Do exposto acima, percebe-se que o fato de parte das exportações da reclamante referir-se a produtos adquiridos de terceiros (por ela não industrializados) não tem relevância na determinação da receita de exportação, pois a única restrição legal é quanto à nacionalidade das mercadorias. Diante disso, é de se determinar que no cálculo do crédito presumido seja incluído na Receita de Exportação o valor correspondente às vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pela reclamante, mas que, por outro lado, sejam tais produtos excluídos do valor correspondente às compras de insumo. IV. Da Correção pela Taxa Selic A matéria é objeto de acirrados debates no Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência da Taxa Selic sobre esses créditos, visto que, contra dita pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que a autorize. Tanto a Lei concessiva do beneficio, quanto a instituidora da Selic não tratam dessa questão. Sobre essa questão o conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro discorreu magistralmente, no voto vencedor proferido no Acórdão n" 202-13.651, cujos excertos honram- me transcrevê-los como fundamento de meu voto: "A propósito da aplicação da denominada Taxa SELIC sobre o valor de créditos incentivados do IPI em pedidos de ressarcimento, à guisa de correção monetária, por aplicação analógica do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, assim me manifestei em casos semelhantes ao presente: Weste Colegiada, é pacifico o entendimento quanto ao direito à atualização monetária, segundo a variação da UFIR, no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente do valor de créditos incentivados do IPI em pedidos de ressarcimento, conforme muito bem expresso no Acórdão CSRF/02- 0.723 e segundo a metodologia de cálculo ali referendada, válida até 31.12.1.995. No entanto, não vejo amparo nessa mesma jurisprudência para a pretensão de dar continuidade à atualização desses créditos, a partir de 31.12.95, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais (Taxa Selic), consoante o disposto no § 4° do art. 39 da Lei n o 9.250, de 26.12.1995 (DOU 27.12.1995).9 9 ART.39 - A compensação de que trata o art.66 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art58 da Lei 11 • 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importincia correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinarão constitucional. apurado em períodos subseqüentes. le(VETADO). 2' (VETADO). 3° (VETADO). f 4° A partir de I" de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para titulos federais, acumulada mensalmente. calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA segAdo conselho de ConInbutntes 2° CC-MF Ministério da Fazenda CONFERt COM O ORiGINA Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Brasilla-DF em 70 ;;02y>— _ Processo n9 : 13851.000752/97-15 euz atm Sacatima da Segunda Camara Recurso n° : 118.463 Acórdão n" : 202-15.980 Apesar desse dispositivo legal ter derrogado e substituído, a partir de 1° de janeiro de 1.996, o § 3o do art. 66 da Lei n° 8.383/91, que foi utilizado, por analogia, para estender a correção monetária nele estabelecida para a compensação ou restituição de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições ao ressarcimento de créditos incentivados de 1P1. Com efeito, todo o raciocínio desenvolvido no aludido acórdão, bem como no Parecer AGU n° 01/96 e às decisões judiciais a que se reporta, dizem respeito exclusivamente à correção monetária como "..simples resgate da expressão real do incentivo, não constituindo plus' a exigir expressa previsão legal". Ora, em sendo a referida taxa a média mensal dos juros pagos pela União na captação de recursos através de títulos lançados no mercado financeiro, é evidente a sua natureza de taxa de juros e, assim, a sua desvalia como índice de inflação, já que informados por pressupostos econômicos distintos. De se ressaltar que, no período em referência, a Taxa Selic refletiu patamares muito superiores aos correspondentes índices de inflação, em virtude da política monetária em curso, o que traduziria, caso adotada, na concessão de um "plus", o que manifestamente só é possível por expressa previsão legal Desse modo, considerando o novo contexto econômico introduzido pelo Plano Real de uma economia desindexada e as distinções existentes entre o ressarcimento e o instituto da restituição, conforme assinalado pela decisão recorrida, aqui não pode mais se invocar os princípios da igualdade, finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa para também aplicar, por analogia, a Taxa Selic ao ressarcimento de créditos incentivados de 1PL Pois, se assim ocorresse, poderia advir, na realidade, um tratamento privilegiado, mercê dos acréscimos derivados da Taxa Selic, para os contribuintes que não tivessem como aproveitar automaticamente os créditos incentivados na escrita fiscal, que seria o procedimento usual, em comparação com a maioria que assim o faz." Agora passo a fazer apreciações adicionais para realçar os motivos que me levam a manter essa posição. Em primeiro lugar, manifesto minha discordância com o entendimento manifestado, inclusive nos tribunais superiores, de que a taxa SEL1C possuiria a natureza mista de juros e correção monetária, o que se depreenderia da definição a ela conferida pelo Banco Central e da aferição de sua metodologia, consoante afirmado no voto condutor do RESP n° 215.881 — PR, da lavra do ilustre Ministro Franciulli Nem), no qual é realizada urna extensa análise sobre vários aspectos dessa taxa, culminando justamente por suscitar o incidente de inconstitucionalidade do art. 39, § 4°, da Lei 9.250/95, aqui adotado analogicamente para estender a aplicação da taxa SEL1C no ressarcimento de créditos incentivados do IPL Da definição do que seja a taxa SELIC só vislumbro taxa de juros, como se pode conferir, dentre outros normativos, nas Circulares BACEN n en 2.868 e 2.900/99, ambas no art. 2°, § I°, a saber: "Define-se Taxa SELIC corno a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais." . 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA4P;era% Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 20 CC-MF stfr. CONFERE COM O ORIGINAL, Fl. w Segundo Conselho de Contribuintes BrasIlia-DF. em 23 la706. a;rjfig > Á. Processo n' : 13851.000752/97-15 C cat éata fuji Recurso n g : 118.463 Secretarie da Segunda Câmara Acórdão n : 202-15.980 No que respeita à metodologia de cálculo da Taxa SELIC, segundo as informações colhidas em consulta junto ao Banco Central, citadas no indigitado RESP 215.881 — Pl?, só vejo reforçada a sua exclusiva natureza de juros, a saber: "... as taxas das operações overnight, realizadas no mercado aberto entre diferentes instituições financeiras, que envolvem títulos de emissão do Tesouro Nacional e do Banco Central, formam a base para o cálculo da taxa SELIC. Portanto, a Taxa SELIC é um indicador diário da taxa de juros, podendo ser definida como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados com títulos públicos federais. Essa taxa média é calculada com precisão, tendo em vista que, por força da legislação, os títulos encontram-se registrados no Sistema SELIC e todas as operações são por ele processadas. A taxa média diária ajustada das mencionadas operações compromissadas overnight é calculada de acordo com a seguinte fórmula: (..) Com a finalidade de dar maior representatividade à referida taxa, são consideradas as taxas de juros de todas as operações overnight ponderadas pelos respectivos montantes em reais" (negritei). Em resposta a essa mesma consulta é dito pelo Banco Central que "a taxa SELIC reflete, basicamente, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário (oferta versus demanda por recursos financeiros). Finalmente, ressalte-se que a taxa SELIC acumulada para determinado período de tempo correlaciona-se positivamente com a taxa de inflação apurada "ex-post", embora a sua fórmula de cálculo não contemple a participação expressa de índices de preços". (negritei e subscrite0) Aqui releva salientar que a ocorrência da aludida "correlação" nada afeta a natureza de juros da Taxa SELIC e nem a torna híbrida pela incorporação da taxa de inflação, mas simplesmente indica que, em termos estatísticos, tem-se verificado uma relação positiva entre essas duas variáveis, ou seja, que as suas grandezas variaram no mesmo sentido no período considerado, sem que haja alteração na especificidade de cada uma dessas variáveis. A Taxa SELIC em si não está investida de nenhum propósito, sendo, inclusive, impróprio acoimá-la de neutralizadora dos efeitos da inflação, já que, como visto, é uma variável de resultado que reflete a média das taxas de juros praticadas pelo mercado nas operações overnight com títulos públicos, que é reconhecida pela teoria económica como um indicador das condições de liquidez do mercado monetário, constituindo também na denominada taxa básica da economia. Por outro lado, é certo que o Banco Central na qualidade de autoridade monetária (CF, art. 164) dispõe de um amplo arsenal de instrumentos de política monetária com vistas a assegurar o nível de liquidez adequada para a economia, inclusive no sentido de prevenir a ocorrência de surtos inflacionários, que, em última análise, influencia as taxas praticadas no mercado de financiamentos por um dia !astreados com títulos públicos e, consequentemente, a taxa SELIC. 17 e= II MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 2° CC-M F Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINPA, let lera- Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia-CIF. em eao Processo n 9 : 13851.000752/97-15 leuza akafujt Recurso n' : 118.463 Secretária da Segunda Cárneo. Acórdão n' 202-15.980 Mais recentemente foi estabelecido como instrumento de política monetária afixação de meta para a Taxa SELIC e seu eventual viés w, visando o cumprimento da meta para a Inflação, estabelecida pelo Decreto n°3.088, de 21 de junho de 1999. É importante salientar que esse instrumento apenas fixa a meta para a taxa SEL1C e não essa taxa em si, valendo mais urna vez repisar que a taxa de financiamento, como qualquer outro preço, é determinada no mercado pelas forças de procura e oferta de financiamento, refletindo a situação das reservas do sistema bancário a cada momento. Com o estabelecimento da meta, obviamente que o Banco Central na condução da política monetária e da política de títulos públicos buscará induzir o mercado na direção da meta para a Taxa SELIC estabelecida, julgada, por sua vez, adequada para assegurar a meta de inflação perseguida. Portanto, na realidade, com essas políticas o Banco Central objetiva que a taxa de juros básica praticada na economia seja suficiente para prevenir a inflação ou mantê- la nos limites da meta focada, atuando, assim, a autoridade monetária na esfera das expectativas inflacionárias dos agentes econômicos, aspecto esse que também realça a distinção entre taxa de juros e taxa de inflação, já que esta última é voltada para rnensuração da inflação pretérita. Aliás, considerando a similaridade entre a Taxa SELIC e a TR, é de se notar que a impropriedade e desvalies de se pretender valer de taxa de juros dessa natureza, como instrumento de correção monetária, foi muito percebida pelo STF ao declarar a inconstitucionalidade ara TR como tal, na 1ID1N 493 - DF, como se verifica no excerto do voto do ilustre Ministro Moreira Alves: "a taxa referencial (TR) não é índice de correção monetária, pois, refletindo as variações do custo primário da captação dos depósitos a prazo fixo, não constitui índice que reflita variação do poder aquisitivo da moeda ..." Do exposto, tenho também como equivocado o entendimento de que a Fazenda Nacional estaria se valendo da Taxa SELIC como uma forma velada de dar continuidade à correção monetária dos créditos tributários não integralmente pagos no vencimento em face do advento do Mano Real, a partir do qual paulatinamente foi extinta a utilização da correção monetária para fins tributários. Em verdade o emprego da Taxa SELIC como juros de mora, no ambiente econômico de uma economia desinclexaa'a, está em consonância com o imperativo econômico de inibir os contribuintes a adiarem o adimplemento de suas obrigações tributárias como forma alternativa de sefinanciarern junto ao sistema bancário. Com isso, mais urna vez impende gizar que a natureza da Taxa SEL1C é exclusivamente de juros e como tal é a lógica econômica de seu uso para fins tributários, o que tornam prejudicadas as ilações extraídas a partir do falso pressuposto de ela estar mesclada com um componente de correção monetária. Quanto à incidência da Taxa SELIC sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido, instituída pelo art. 39„Ç 4°, da Lei n°9.250/95, é indisfarçável a motivação isonômica dessa medida ao garantir o mesmo tratamento, neste particular, para os créditos da Fazenda Pública e aos dos contribuintes, quando decorrentes do I ° Circulares Bacen n i" 2.868 e 2.900 de 1999. 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA S egundo Conselho de Contribuintes 2° CC-MF Ministério da Fazenda.t, CONFERE COM O ORIG= A. yX Segundo Conselho de Contribuintes Brasília-DF. em 25 13 / Processo flQ 13851.000752/97-15 d 4hafuJi Recurso n2 : 118.463 Seeredina da Segunda Câmara Acórdão ng : 202-15.980 pagamento indevido ou a maior de tributos, chegando, inclusive, a preponderar sobre a disposição do parágrafo único do art. 167. do Código Tributário Nacional, que faculta à Fazenda Pública restituir o indébito com vencimento de juros não capitalizáveis a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Agora, como já havia dito alhures, não vejo como justo e nem próprio, muito pelo contrário, pretender lançar mão da analogia, com base nos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, para estender a incidência da Taxa SELIC aos valores a serem ressarcidos oriundos de créditos incentivados na área do IPI, a exemplo do decidido no Acórdão CSRF/02-0.723, no que diz respeito à atualização monetária, segundo a variação da DEI& no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente, do valor de créditos incentivados do 1P1 e segundo a metodologia de cálculo ali referendada, válida até 31.12.95. Aqui não se está a tratar de recursos do contribuinte que foram indevidamente carreados para a Fazenda Pública, mas sim de renúncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, cuja concessão, à evidência, se subordina aos termos e condições do poder concedente e necessariamente deve ser objeto de estrita delimitação pela lei, que, por se tratar de disposição excepcional em proveito de empresas, como é sabido, não permite ao interprete ir além do que nela estabelecido. Numa conjuntura económica de inflação alta, como a vigente antes do Plano Real, em que o valor da importáncia a ser ressarcida acusava perda de até 95% devido ao fenômeno inflacionário, se justificou, forte no princípio da finalidade, que se recorresse ao processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma para que fosse deferida a correção monetária aos pleitos de ressarcimento em espécie de créditos incentivados do IPI, sob pena de, em certos casos, tornar inócuo o incentivo fiscal, conforme asseverado no aludido Acórdão n° CSRF/02-0.723. De se ressaltar, ainda, que a extensão da correção monetária, sem expressa previsão legal, ali defendida também se escorou no entendimento do Parecer da Advocacia Geral da União n° GQ — 96 e na jurisprudência dos tribunais superiores, no sentido de que "a correção monetária não constitui 'Nus' a exigir expressa previsão legal" (negritei) A partir do Plano Real, pela primeira vez, com um sucesso duradouro, logrou-se reduzir os efeitos da inflação inercial l I , passando a economia a apresentar níveis de inflação significativamente inferiores ao período anterior, tendo sido enteial para isso a eliminação ou alargamento dos prazos para a incidência da correção monetária, ou seja, pela progressiva atenuação do nível de indexação até então vigente na economia, que se prestava num moto contínuo a realimentar a inflação. Nesse novo contexto, não há mais nem mesmo como invocar o princípio da finalidade para tola court justificar a recorrência ao principio de integração analógica para a correção monetária corno _forma de simples resgate de da expressão real dos créditos incentivados do IPI, em relação ao período de tramitação do pleito correspondente, que na quase totalidade são solucionados CM prazos inferiores a um ano. 0 que não dizer então do emprego da taxa SELIC com esse propósito que, a par de não guardar a menor verossimilhança com índices de preços, consoante já II Inflação inereial. Econ. I. A que se origina da repetição dos aumentos passados de preços, pela ação dos mecanismos de indexação. (Dicionário Aurélio - Século XXI) 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 2 CC-MF "C•3-;;;;.: Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL, Fl. rfr--:-,z4:'5" Segundo Conselho de Contribuintes BrasIba-DF. em 23 I 3 1202t --, - Processo e : 13851.000752/97-15 Recurso n9 : 118.463 seaCirdidtkÁsteartztic: Segunda Acórdão e : 202-15.980 exaustivamente asseverado, apresentou, no período, patamares muito superiores aos correspondentes índices de inflação, em virtude da política monetária praticada desde a edição do Plano Real, em razão, inclusive, de contingências exógenos tais como a necessidade de defender a economia nacional de choques externos provocados por crises como a asiática a russa e, presentemente, a Argentina e a relacionada com atentado às torres do Word Trade Center. Para ilustrar a discrepância entre os valores da Taxa SELIC e os dos principais índices de preços, a exemplo do índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC, no período de 1996 a 2001 12, apresento a tabela abaixo: TAXA SELIC X INPC 1996/2001 ANO4NDICE SELIC INPC TAXA ANUAL UNITÁRIO TAXA ANUAL UNITÁRIO SELICANPC 1996 24,91 1,249100 9,12 1,091200 2,731360 1997 40,84 1,759232 4,34 1,138558 9,410138 1998 28,96 2,268706 2,49 1,166908 11,630522 1999 19,04 2,700668 8,43 1,265279 2,258600 2000 15,84 3,128454 5,27 1,331959 3,005693 2001 19,05 3,724424 7,25 1,428526 2,627586 FONTE: BACENTISGE Dessa tabela, verifica-se que no período de 1996/2001 (até 31.10.2001) a Taxa SELIC superou, no mínimo, 2,25 vezes (1999) e, no máximo, 11,63 vezes (1998) o INPC, apresentando uma variação total de 272,44% em contraste com a de 42,85% relativa ao INPC. Portanto, a adoção da Taxa SELIC como indexador monetário, além de configurar uma impropriedade técnica, implica numa desmesurada e adicional vantagem económica aos agraciados (na realidade um extra "plus'), promovendo enriquecimento sem causa e expressa previsão legal, condição inarredável para a outorga de recursos públicos a particulares." Com essas considerações, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar que sejam incluídos no cômputo da receita de exportação os valores das vendas para o exterior de mercadorias industrializadas por encomenda da reclamante. Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2004. 4L /Al/cCi7ENRIQUE PINHEIRO 12 até 31.10.2001. 20
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