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Numero do processo: 19515.001502/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS. OMISSÃO DE COMPRAS. A afirmação genérica da contribuinte-recorrente de que os apontamentos fiscais decorreriam de informações prestadas por terceiros, sem que, para tanto, seja apresentado qualquer registro e/ou prova fática capaz de elidir a aplicação da presunção fiscal, não se mostra suficiente para a desconstituição do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 1301-001.218
Decisão: Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso interposto, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS. OMISSÃO DE COMPRAS. A afirmação genérica da contribuinterecorrente de que os apontamentos fiscais decorreriam de informações prestadas por terceiros, sem que, para tanto, seja apresentado qualquer registro e/ou prova fática capaz de elidir a aplicação da presunção fiscal, não se mostra suficiente para a desconstituição do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso interposto, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 02 /2 00 6- 80 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco: MARINHO COMÉRCIO DE CIMENTOS LTDA, já qualificada nos autos, teve contra si lavrado o Auto de Infração (AI) de fls. 238/244, para a formalização da exigência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo aos anoscalendário de 2001 e 2002 (1° trimestre), no montante de R$ 451.740,17, incluídos os correspondentes encargos legais. Segundo a descrição dos fatos contida na peça vestibular e o detalhamento das circunstâncias que motivaram a presente autuação, constante do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 235/237 que leio em Sessão para um perfeito conhecimento do litígio por parte do Colegiado a exigência resultou da constatação de omissão de receita operacional, caracterizada por falta de comprovação da origem dos recursos utilizados para o pagamento de compras não registradas no livro Registro de Entradas de Mercadorias, conforme informações obtidas junto a fornecedores da Fiscalizada, a qual, também, deixou de escriturar os livros Caixa e Diário concernentes ao citado anocalendário (2001). Acrescenta o autor do feito, que a Fiscalizada foi intimada em mais de uma oportunidade, a justificar a referida falta de escrituração, assim como, a comprovar a origem dos recursos utilizados para o pagamento das compras não escrituradas, não se obtendo resposta; aduz, por fim, que forneceu à Autuada, cópias das planilhas entregues pelos seus fornecedores e da Planilha Consolidada Mensal, contendo os dados apurados no procedimento fiscal. A exigência foi fundamentada no artigo 40, da Lei n° 9.430, de 1996, combinado com o artigo 528, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99). De acordo com os Autos de Infração de fls. 245/251, 252/258 e 259/265, foram também exigidas, como lançamentos reflexos, as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), além da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos quais se constituiu o crédito tributário nos valores totais de R$ 167.159,70, R$ 771.507,38 e R$ 276.176,92, respectivamente. Inconformada com as exigências, das quais tomou ciência em 29/08/2006 (fls. 242), a Autuada, por meio de sua procuradora (mandato às fls. 292) apresentou, em 28/09/2006, a impugnação de fls. 268/291, onde, preliminarmente, argúi a decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar exigências do IRPJ e das contribuições sociais relativas a fatos geradores ocorridos até julho de 2001, em razão de o crédito tributário já se achar extinto na data da autuação, devendo ser aplicada a norma contida no parágrafo 4°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional (CTN), conforme jurisprudência citada. Quanto ao mérito, contesta os lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001502/200680 Acórdão n.º 1301001.218 S1C3T1 Fl. 3 3 1. não ocorreu a hipótese de incidência do IRPJ, tendo em vista a inexistência de renda, conforme conceituado no artigo 43, do Código Tributário Nacional (CTN); 2. a exigência fiscal se fundamentou em uma presumida omissão de receitas, caracterizando um estouro de caixa, pois teriam ocorrido pagamentos com recursos à margem da escrituração comercial e fiscal da empresa; 3. nos termos do trecho da acusação fiscal que transcreve, o lançamento de ofício teve por base a ausência de comprovação da origem dos recursos utilizados no pagamento das compras realizadas, não configurando quaisquer das hipóteses de presunção de omissão de receitas previstas nos artigos 281, 283 e 287, do RIR/99; 4. contrariando o disposto no artigo 9°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o procedimento fiscal não se acha instruído com provas documentais que corroborem o lançamento, já que não foram juntados quaisquer documentos, notas fiscais, ou mesmo as supostas declarações apresentadas pelas empresas fornecedoras, limitandose à simples menção de valores e tabelas; assim, não há como se garantir que essas informações sejam verdadeiras; 5. segundo a Autuada, não lhe foi assegurado o direito à ampla defesa, pois pode ter ocorrido um erro de lançamento do Auditor, ou até um falso lançamento por parte das empresas que forneceram as informações, que, por motivo qualquer, precisavam emitir as referidas notas fiscais para esconder alguns de seus negócios escusos; 6. a Impugnante traça um paralelo dessa situação com a obrigatoriedade de a impugnação ser instruída com todas as provas que o contribuinte dispuser, para concluir que não procedem as informações contidas no AI, por não terem sido devidamente comprovadas em tempo hábil, restando precluso o direito de a Fazenda juntar novos documentos, sob pena de violação do princípio da ampla defesa e tratamento igualitário das partes litigantes; 7. segue desenvolvendo a tese, agora se arrimando na doutrina e na jurisprudência, para negar a ocorrência de ilícito tributário, e, em conseqüência, da hipótese de incidência do IRPJ e das demais exações lançadas no procedimento fiscal, por inexistência de base de cálculo, devendo ser decretada a nulidade da constituição do crédito tributário formalizado nos AI. Pede, ao final, que seja julgado improcedente a autuação. A competência desta DRJ/F'ortaleza/CE para a apreciação do presente processo se acha definida pela Portaria RFB n° 336, de 22/02/2008, publicada no DOU de 25/02/2008. A partir dessas considerações, analisando os termos da impugnação apresentada pela contribuinte, manifestouse a douta DRJ Fortaleza (CE) pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, em decisão que assim restou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA • JURÍDICA IRPJ Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 Anocalendário: 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NULIDADE DO PROCEDIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DECADÊNCIA. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS. OMISSÃO DE COMPRAS. Não restando configurados os alegados vícios no procedimento fiscal, descabe a nulidade do lançamento pleiteada pelo sujeito passivo. Tratandose de período de apuração em que a lei atribui definitividade ao pagamento do imposto apurado trimestralmente pelo sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário relativamente ao IRPJ, deve observar o disposto no artigo 150, §4o do Código Tributário Nacional (CTN). Caracteriza omissão de receita, não elidida pela defesa, a ausência de registro de compras nos livros fiscais, cumulada com a falta de comprovação da origem dos recursos utilizados para o seu pagamento, na hipótese de o contribuinte não exibir os livros de sua escrituração contábil. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) DECADÊNCIA LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de período de apuração em que a lei atribui definitividade ao pagamento do tributo apurado periodicamente pelo sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário deve observar o disposto no artigo 150, § 40, do CTN. No caso de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte Intimada a contribuinte no dia 19/03/2009, foi por ela então interposto o seu Recurso Voluntário no dia 14/04/2009, repisando os argumentos apresentados em sua impugnação a título de “mérito”, e, ao final, requerendo a reforma da decisão proferida, nos termos ali então apresentados. Em rápida síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, e, ainda, a partir daquilo que afirmado pela contribuinte, verificase que a situação aqui debatida referese, especificamente, às análises empreendidas pelas autoridades fiscais em relação às operações realizadas pela contribuinte, especificamente no que diz respeito às operações de compras e alienações de mercadorias e produtos nos períodos de 2001 a 2005. O que chama a atenção, sobretudo a partir da leitura dos termos do Recurso Voluntário interposto, é que a contribuinte, a todo instante, afirma não ter realizado as referidas Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001502/200680 Acórdão n.º 1301001.218 S1C3T1 Fl. 4 5 aquisições e, ainda, que a autuação decorreria exclusivamente das informações prestadas por terceiros, não sendo suficientes – em seu entender – para considerar como efetivamente realizados os fatos geradores apontados. Na verdade, a contribuinte chega a sugerir que as referidas “vendas” poderiam decorrer de atos ilícitos praticados pelos próprios fornecedores, a ela não podendo então ser imputados, da forma como efetivado na autuação perpetrada. Entretanto, analisando as informações contidas no Termo de Verificação Fiscal, verificase que, ao contrário do que pretende sugerir a contribuinte, o encaminhamento de solicitação de informações aos fornecedores indicados (Cia de Cimentos do Brasil, Holcim Brasil S.A., Itabira Agro Industrial S.A., Companhia de Cimento Ribeirão Grande e Cimento Tupi S.A.) foi efetivada a partir dos parcos registros por ela própria apresentados, sendo certo e também inconteste nos presentes autos que a contribuinte simplesmente não apresentou (por não as possuir, segundo expressamente declara) diversas informações contábeis exigidas pela fiscalização e obrigatórias por termo de lei, como o Livro Caixa, o Livro Registro de Inventário, e diversas outras informações solicitadas. A partir da verificação dessa realidade fática apontada, verificase que, de forma diversa da que pretende ver afirmado pela contribuinte, a aplicação da presunção fiscal de omissão de receitas decorreu, exatamente, da completa ausência de informações prestadas por ela própria, não podendo agora, sob o argumento da ausência de contraditório e/ou invalidade das presunções, escudarse das imposições efetivadas. Diante dessas considerações, entendo por completamente inexistentes as invalidades apontadas, decorrendo a aplicação da presunção fiscal, exatamente, da negativa apresentada pela própria contribuinte em informar a origem, os destinos e a regularidade de suas operações. Nessa linha, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendo, assim, em todos os seus termos, a decisão proferida em primeira instância, nos termos e fundamentos ali então especificamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11618.001024/2005-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002
ARGAMASSA PARA REJUNTE. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3214.10.10
Argamassa para rejuntamento (Rejunte), resultante da mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), aditivo para hidratação do cimento (retentor de água), pigmento (corante), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para rejuntar placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos, em áreas internas e externas. Apresenta-se em pó seco e é empregada na construção civil. Classifica-se no Item 3214.10.10 da NBM/TIPI, então vigente.
ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3824.50.00
Argamassa para revestimento (Massa única), não refratária, resultante da mistura de cimento, cal hidratada, areia e aditivos (retentor de água e incorporador de ar), que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para reboco e chapisco de paredes e tetos, assentamento de blocos de concreto e regularização de pisos, em áreas internas ou externas. Apresenta-se em pó seco e é empregada na construção civil. Classifica-se na Subposição 3824.50.00 da NBM/TIPI, então vigente.
GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOSO IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e porconseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto.
Numero da decisão: 3302-005.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato de Almeida, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para afastar a reclassificação fiscal efetuada.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002 ARGAMASSA PARA REJUNTE. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3214.10.10 Argamassa para rejuntamento (Rejunte), resultante da mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), aditivo para hidratação do cimento (retentor de água), pigmento (corante), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para rejuntar placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos, em áreas internas e externas. Apresenta-se em pó seco e é empregada na construção civil. Classifica-se no Item 3214.10.10 da NBM/TIPI, então vigente. ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3824.50.00 Argamassa para revestimento (Massa única), não refratária, resultante da mistura de cimento, cal hidratada, areia e aditivos (retentor de água e incorporador de ar), que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para reboco e chapisco de paredes e tetos, assentamento de blocos de concreto e regularização de pisos, em áreas internas ou externas. Apresenta-se em pó seco e é empregada na construção civil. Classifica-se na Subposição 3824.50.00 da NBM/TIPI, então vigente. GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOSO IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e porconseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato de Almeida, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para afastar a reclassificação fiscal efetuada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3214.10.10 Argamassa para rejuntamento (Rejunte), resultante da mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), aditivo para hidratação do cimento (retentor de água), pigmento (corante), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para rejuntar placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos, em áreas internas e externas. Apresentase em pó seco e é empregada na construção civil. Classificase no Item 3214.10.10 da NBM/TIPI, então vigente. ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3824.50.00 Argamassa para revestimento (Massa única), não refratária, resultante da mistura de cimento, cal hidratada, areia e aditivos (retentor de água e incorporador de ar), que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para reboco e chapisco de paredes e tetos, assentamento de blocos de concreto e regularização de pisos, em áreas internas ou externas. Apresentase em pó seco e é empregada na construção civil. Classificase na Subposição 3824.50.00 da NBM/TIPI, então vigente. GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOSO IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e porconseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 10 24 /2 00 5- 67 Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.137 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato de Almeida, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para afastar a reclassificação fiscal efetuada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no período de janeiro/2000 a setembro/2002, em razão de erro na classificação fiscal de argamassas para revestimento e argamassa para rejuntamento e de glosa de 50% dos créditos transferidos da filial para a matriz, conforme relatório fiscal de efls. 859/872, resultando em lançamento de saldos devedores de IPI e multa por falta de destaque de IPI nas notas fiscais. A recorrente adotou a classificação 3214.90.00 ex 01, enquanto a fiscalização entendeu que as argamassas para revestimento deveriam ser classificadas no código 3824.50.00 e as argamassas para rejuntamento no código 3214.10.10. Em impugnação, a recorrente refutou as reclassificações fiscais, bem como o crédito glosado na transferência recebida pela matriz. A Sexta Turma da DRJ em Recife julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002 Classificação incorreta de produto industrializado na NBM/TIPI As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, as Regras Gerais Complementares e a Regra Geral Complementar da TIPI são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializado (TIPI). Argamassa para rejuntamento (Rejunte), resultante da mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), aditivo para hidratação do cimento (retentor de água), pigmento (corante), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para rejuntar placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos, em áreas internas e externas. Apresentase em pó seco e é Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.138 3 empregada na construção civil. Classificase no Item 3214.10.10 da NBM/TIPI, então vigente. Argamassa para revestimento (Massa única), não refratária, resultante da mistura de cimento, cal hidratada, areia e aditivos (retentor de água e incorporador de ar), que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para reboco e chapisco de paredes e tetos, assentamento de blocos de concreto e regularização de pisos, em áreas internas ou externas. Apresentase em pó seco e é empregada na construção civil. Classificase na Subposição 3824.50.00 da NBM/TIPI, então vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002 Recolhimento insuficiente de IPI. Imposto não destacado nas Notas Fiscais de Saída. Constatado que os produtos deram saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, com a emissão de Notas Fiscais, sem destaque do IPI, em decorrência de erro de classificação e, consequente incorreção de alíquota (que foi agravada de 0% para 10%), cabe o lançamento de ofício desse imposto, acrescido dos juros de mora. Diferença do IPI exigível juntamente com a Multa de Ofício. Com relação aos períodos para os quais, após o ajuste fiscal, resultou apurado saldo devedor de IPI, cabe exigir, juntamente com a diferença do imposto não recolhida, a multa de ofício pela falta de recolhimento dessa parcela do tributo. Falta de destaque do IPI nas Notas Fiscais de Saída. Multa de Ofício isolada. Relativamente aos períodos de apuração para os quais, mesmo após o ajuste fiscal, ainda resultou saldo credor de IPI, cabe a exigência da multa isolada de 75% pela falta de destaque do IPI nas respectivas Notas Fiscais de Saída. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, aduzindo as razões, a seguir, sintetizadas: 1. Que laudo técnico requerido pelo CARF em outros processos foi elaborado pelo Professor Givanildo Alves de Azeredo, do Laboratório de Ensaios de Materiais e Estruturas (LABEME) do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal da Paraíba, designado pela DRF/João Pessoa, tendo concluído que os produtos em análise tratavamse de indutos e que continham pelo menos duas das substâncias referidas no ex tarifário 01 do código 3214.90.00; Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.139 4 2. Que a Opinião Classificatória produzida por especialista do Centro Profissional de Comércio Exterior converge com as conclusões produzidas no laudo do LABEME, atestando que as argamassas são indutos e não mastiques; 3. Que os mástiques são destinados a preencher fendas e que as juntas de assentamento não são fendas; 4. Que o ex tarifário prevalece sobre a classificação em outra posição, ainda que distinta da do ex tarifário; 5. Que a solução de consulta utilizada como fundamento da autuação foi publicada em 8/6/2004, quando não mais existia o ex tarifário, abolido em 2002, não tendo a referida solução enfrentado a questão relativa ao ex tarifário; 6. Que a regra do artigo 148 do RIPI, utilizada como fundamento da glosa dos créditos transferidos para a matriz referese a uma relação comercial, não existente entre filial e matriz, e que houve apenas transferência de insumos da filial para a matriz, uma vez que a simples passagem pela filial não poderia resultar na glosa de 50% do crédito, uma vez que a filial seria estabelecimento filial, a teor do artigo 9º do RIPI/1998; 7. A reunião deste processo com os demais relativos aos pedidos de ressarcimento. Na sessão de 24/09/2013, esta turma, em outra composição, converteu o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem juntasse o laudo técnico e a informação fiscal produzidos no processo 11618.002225/0079. Em cumprimento da diligência, a unidade juntou o laudo técnicocientífico produzido pela LABEME – Laboratório de Ensaios de materiais e Estruturas da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba – FUNAPE, o qual concluiu que as argamassas podem ser consideradas como indutos e não como mástiques; que as argamassas analisadas continham pelo menos dois produtos discriminados no ex tarifário 01 do código 3214.90.00; que pedra britada não significa carbonato de cálcio. A informação fiscal refutou as conclusões do laudo técnico, explicitando a incompetência do perito para interpretar as notas do Sistema Harmonizado, que o grupo mástique não está restrito ao exposto no laudo, que a argamassa de rejuntamento não é argamassa utilizada para assentamento de ladrilhos e azulejos, e que as argamassas de revestimentos não são consideradas revestimento definitivo, justamente por não conferir boa aparência e por não cumprir a função de ser impermeável à umidade. Em manifestação sobre a informação fiscal, a recorrente refutou as conclusões fiscais e reiterou os argumentos e pedidos efetuados em recurso voluntário. Na forma regimental, o recurso foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.140 5 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pugna pela reunião deste processo com os relativos aos pedidos de ressarcimento listados na peça recursal. Embora seja evidente a conexão entre tais processos, a teor do artigo 6º, §1º, inciso I do Anexo II do RICARF, tal providência não será necessária, pois referidos pedidos de ressarcimento estão com resolução proferida no sentido de se aguardar o julgamento deste processo, a exemplo da Resolução nº 3801000.648 prolatada no processo nº 11618.001479/200230, cujo conclusão segue abaixo transcrita: "Nesse sentido, voto por julgar converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que a autoridade preparadora aguarde o julgamento definitivo do processo n.º 11618.001024/200567 e após junte aos autos a decisão final do auto de infração supra referido, para posterior apreciação do mérito deste recurso." Assim, este processo servirá de paradigma para a solução dos demais. A primeira questão diz respeito à reclassificação fiscal de argamassa para rejunte e argamassa de revestimento. A recorrente adotou a classificação 3214.90.00 ex 01, enquanto a fiscalização entendeu que as argamassas para revestimento deveriam ser classificadas no código 3824.50.00 e as argamassas para rejuntamento no código 3214.10.10. Inicialmente, destacase que a classificação de mercadorias é efetuada pela aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGISH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71/1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409/1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2º do Decreto nº 766/1993, bem assim como das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC) e da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (TIPI), abaixo transcritas, conforme artigo 161 do Decreto nº 4.544/2002, também reproduzido nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 2.367/1998: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características 1 Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.141 6 essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.142 7 b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5"a", as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1 (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destacamse, ainda, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – que representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. A partir destas considerações, é necessário expor o entendimento sobre o alcance do laudo técnico apresentado. A recorrente defende que o laudo técnico do LABEME deve ser seguido, pois identificou a natureza e a classificação fiscal dos produtos em questão. Porém, há um equívoco na afirmação. Os laudos técnicos serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada sua improcedência e que a classificação fiscal não se considera aspecto técnico, conforme disposto no artigo 30, caput e §1º, do Decreto nº 70.235/1972. Verificando o laudo técnico juntado às efls. 1046/1062, constatase que o primeiro quesito disse respeito à definição se os produtos em análise eram indutos ou mástiques. O perito concluiu que se tratavam de indutos, pela interpretação dos textos das posições, das notas de capítulo e seção, bem como das NESH. Ora, o perito nada fez além de interpretar os textos e notas do Sistema Harmonizado para se concluir que se tratava de induto, ou seja, realizou atividade inerente à classificação fiscal, que é de competência da RFB, a teor Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.143 8 do revogado Decreto nº 3.366/2000 (e nos que se sucederam), cujo artigo 7º do Anexo I dispunha: Art. 7º À Secretaria da Receita Federal compete:: [...] XVIII dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e origem de mercadorias, inclusive representando o país em reuniões internacionais sobre a matéria; Assim, as conclusões obtidas pelo perito não são aspectos técnicos de área de competência a serem adotados, mas efetiva classificação fiscal, atividade inserta na competência da RFB e do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, razão pela qual este julgador não está adstrito à conclusão tomada pelo perito, o que não implica considerar que as conclusões estejam ipso facto equivocadas. Já em relação às afirmações da presença de pelo menos dois dos materiais mencionados no ex tarifário 01 do código 3214.90.00 e de que pedra britada não significa carbonato de cálcio, de fato, são aspectos técnicos a serem adotados, tendo em vista a inexistência de qualquer laudo em sentido contrário que comprove a improcedência de tais afirmações. Outra consideração importante concerne ao entendimento defendido pela recorrente de que o ex tarifário prevaleceria sobre qualquer outra classificação. Ocorre que a Regra Geral Complementar da TIPI (RGC/TIPI) dispõe que: 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destarte, a aplicação das regras gerais de interpretação serão aplicáveis no âmbito de cada código, ou seja, o enquadramento no ex tarifário, necessariamente, pressupõe o enquadramento prévio no código do qual faz parte e somente são comparáveis os ex de um mesmo código. Vale dizer o alcance do ex tarifário não é mais amplo que o alcance do código ao qual está inserido. No caso, a posição 3214 possuía a seguinte descrição à época dos fatos: 32.14 MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO, CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MÁSTIQUES; INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA; INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA 3214.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques; indutos utilizados em pintura 3214.10.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques 10 3214.10.20 Indutos utilizados em pintura 10 Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.144 9 3214.90.00 Outros 10 Ex 01 Mistura de cimento e/ou cal hidratada com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada, pó ' de pedra e semelhantes, adicionada ou não de água, corante ou impermeabilizante 0 O fato de o produto se encaixar na composição do ex 01 não implica dizer que todos os produtos que se encaixarem neste posição devam ser enquadrados no código 3214.90.00. Exemplo são as argamassas das posições 3816 e 3824 que certamente possuem em sua composição cimento e areia e nem por isso devem ser classificadas no código 3214.90.00. Destacase, ainda, que o argumento subsidiário de improcedência da autuação por ter se fundamentado na Solução de Consulta nº 8/2004, processo 10425.000512/200390, não merece prosperar. A referida solução, embora de 2004 e utilizando a TIPI aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002 (após os fatos geradores deste processo), foi fundamentada nos textos das posições analisadas e na interpretação das NESH relativas ás referidas posições e que possuíam a mesma redação das NESH aprovadas pelo Decreto nº 435/1992. Destarte, a interpretação dada pela Solução de Consulta sobre os textos não é invalidada pelo fato de ter sido produzida em 2004, quando os textos estão vigentes desde 1992. Ademais, o fato de o ex tarifário estar revogado quando da publicação da referida solução não a invalida, pois, como já se viu, para se aplicar o ex tarifário, é necessário que o produto esteja classificado no código, subposição e posição, nos quais o ex tarifário está inserido. Voltando às textos das posições e notas do Sistema Harmonizado, o primeiro produto reclassificado foi a argamassa de rejuntamento do código 3214.90.00 ex 01 (adotado pela recorrente) para o código 3214.10.10. O produto foi assim especificado no Relatório Fiscal: "2) ARGAMASSAS PARA REJUNTAMENTO (REJUNTES POLIMASSA) — são fabricados rejuntes com e sem resina, como também com silicone. 0 produto é composto de cimento cinza ou branco, carbonato de cálcio, retentor de água, hidrofugante, bactericida, resina polimero flexibilizante e pigmentos (fls.63). Função — é uma argamassa destinada ao rejuntamento de placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos em áreas internas e externas (fls.64). Uso — é produto aplicado na construção civil. 0 REJUNTE POLIMASSA é apresentado no estado de pó seco devendose, para aplicálo, adicionar água, fazendo a mistura, para, em seguida, aplicálo sobre a superficie a ser rejuntada (embalagem). Na efl. 67 consta a seguinte informação da recorrente: ARGAMASSAS PARA REJUNTAMENTO Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.145 10 Argamassa Colorida para rejuntamento de placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos em Areas internas e externas. • REJUNTE COMUM Todas as cores, sem resina • REJUNTE FLEXÍVEL Todas as cores, com resina • REJUNTE FLEXÍVEL SILICONADO Todas as cores, com resina siliconado P/ rejuntamento externo, interno e porcelanato A divergência reside na definição da subposição. No caso, a posição 3214 possuía a seguinte estrutura: 32.14 MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO, CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MÁSTIQUES; INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA; INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA 3214.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques; indutos utilizados em pintura 3214.10.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques 10 3214.10.20 Indutos utilizados em pintura 10 3214.90.00 Outros 10 Ex 01 Mistura de cimento e/ou cal hidratada com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada, pó ' de pedra e semelhantes, adicionada ou não de água, corante ou impermeabilizante 0 As notas explicativas desta posição explicitam: Os mástiques e indutos da presente posição são preparações de composição muito variável, que se caracterizam essencialmente pela sua utilização. Estas preparações apresentamse freqüentemente sob forma mais ou menos pastosa, endurecendo, geralmente, após sua aplicação. Algumas delas apresentamse sob forma solida ou pulverulenta, e são tornadas pastosas no momento da aplicação, quer por tratamento térmico (fusão, por exemplo), quer por adição de um líquido (água, por exemplo). Em geral, os mástiques e indutos aplicamse por meio de pistola, de espátula, de trolha, de desempenadeira ou de ferramentas semelhantes. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.146 11 I. MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO (MASSA DE VIDRACEIRO), CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MÁSTIQUES Os mástiques utilizamse especialmente para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou a aderência de peças. Diferem das colas e de outros adesivos porque se aplicam em camadas espessas. Convém todavia notar que este grupo de produtos abrange igualmente os mástiques utilizados sobre a pele dos pacientes em volta dos estomas e das fístulas. Este grupo compreende, entre outros: 1) As mástiques a óleo, constituídas essencialmente por óleo sicativos, matérias de carga que reagem com o óleo ou inertes, e agentes endurecedores. Destas mástiques a mais comum é a mástique de vidraceiro (massa de vidraceiro). 2) As mástiques à cera (cera para calafetar; cera de calafate), constituídas por ceras (de qualquer espécie), às quais, frequentemente, se adicionam resinas, gomalaca, borracha, ésteres resínicos, etc., que lhes aumentam as propriedades adesivas. Também se consideram mástiques à base de cera, aquelas em que a cera se substitui, parcial ou totalmente, por produtos tais como álcool cetílico ou álcool esteárico. Entre estas preparações podem citarse as mástiques para enxertias e as empregadas em tanoaria. 3) Os cimentos de resinas, constituídos por resinas naturais (gomalaca, damar, colofônia) ou plástico (resinas alquídicas, poliésteres, resinas de cumaronaindeno, etc.) misturados entre si e mais, frequentemente, adicionados de outras matérias, tais como ceras, óleos, betumes, borracha, pó de tijolo, cal, cimento ou qualquer outra carga mineral. Deve fazer notarse que algumas destas mástiques se encontram já compreendidas noutras mástiques, especialmente aquelas à base de plástico ou de borracha. As mástiques desta categoria têm múltiplas aplicações: utilizamse, por exemplo, como massas de enchimento, na indústria eletrotécnica e para fixação de vidro, de metais ou de artigos de porcelana. Em geral, aplicamse depois de se terem tornado fluidos por fusão. 4) As mástiques à base de vidro solúvel, que se preparam geralmente no momento da aplicação, misturandose dois componentes. Um destes é constituído por uma solução aquosa de silicato de sódio e de silicato duplo de potássio e sódio, o outro por matérias de carga (quartzo em pó, areia, fibra de amianto, etc.). Estas mástiques utilizamse, principalmente, na montagem de velas de ignição, para tornar estanques os blocos e cárteres de motores, os canos de descarga (tubos de escape*), radiadores, etc., ou para vedar algumas juntas. 5) As mástiques à base de oxicloreto de zinco, que se obtêm a partir do óxido de zinco e do cloreto de zinco, a que se adicionam agentes retardadores e, às vezes, matérias de carga. Empregamse para calafetar madeira, matérias cerâmicas e outras matérias. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.147 12 6) As mástiques à base de oxicloreto de magnésio, que se obtêm a partir do cloreto de magnésio e do óxido de magnésio, a que se adicionam matérias de carga (por exemplo, farinhas de madeira). Utilizamse, principalmente, para vedação de fendas em artigos de madeira. 7) As mástiques à base de enxofre, constituídas por enxofre misturado com cargas inertes. São sólidas e usamse em vedações duras, estanques e resistentes aos ácidos, bem como para fixação de peças. 8) As mástiques à base de gesso, e que se apresentam em pó fibroso e flocoso, constituída por uma mistura de cerca de 50% de gesso e de produtos tais como fibra de amianto, celulose de madeira, fibra de vidro, areia, e que, tornadas pastosas pela adição de água, são utilizadas para fixar parafusos, pinos, cavilhas, ganchos, etc. 9) As mástiques à base de plástico (por exemplo, resinas poliésteres, poliuretanos, silicones e epóxidos) mesmo adicionadas numa proporção elevada (até 80 %) de matérias de carga muito variadas, tais como argila, areia e outros silicatos, dióxido de titânio e pós metálicos. Algumas destas mástiques empregamse depois da adição de um endurecedor. Algumas destas mástiques não endurecem e mantêmse macias e aderentes após aplicação (um selante acústico, por exemplo). Outras endurecem por evaporação de solventes, no arrefecimento (mástiques termofusíveis), por reação após contato com a atmosfera ou por reação de diferentes compostos misturados simultaneamente (mástiques multielementos). Os produtos desta natureza permanecem nesta posição apenas quando são inteiramente formulados para ser utilizados como mástiques. As mástiques podem ser utilizadas para assegurar a estanqueidade de certas juntas na construção ou efetuar reparações domésticas; para assegurar a estanqueidade ou a reparação de artigos em vidro, em metal ou em porcelana; como mástique para trabalhos de carroçarias ou no caso dos selantes adesivos, para fixar várias peças ao mesmo tempo. 10) As mástiques à base do óxido de zinco e glicerol, que se empregam na fabricação de revestimentos resistentes aos ácidos, para fixação de peças de ferro em porcelana ou para ligação de tubos. 11) As mástiques à base de borracha, constituídas, por exemplo, por um tioplástico adicionado de matérias de carga (grafita, silicatos, carbonatos, etc.) e, em alguns casos, de um solvente orgânico. Utilizamse, por vezes, depois de se lhes adicionar um endurecedor, na fabricação de revestimentos protetores maleáveis, suscetíveis de resistir aos agentes químicos e aos solventes, e em calafetagem. Estas mástiques podem, também, consistir em uma dispersão aquosa de borracha adicionada de matéria corante, plastificantes, matérias de carga, aglutinantes ou de antioxidantes. São utilizadas para fechar hermeticamente latas. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.148 13 12) As mástiques destinadas a serem utilizadas sobre a pele. Podem ser constituídos, por exemplo, por carboximetilcelulose de sódio, por pectina, por gelatina e por poliisobutileno, em um solvente orgânico tal como o álcool isopropílico. São utilizados, por exemplo, como produtos de vedação para assegurar a estanqueidade em torno dos estomas e das fístulas, entre a pele dos pacientes e a bolsa destinada a recolher as excreções. Eles não têm propriedades terapêuticas ou profiláticas. 13) Os lacres, constituídos essencialmente por uma mistura de matérias resinosas (gomalaca, colofônia, por exemplo), de cargas minerais e de matérias corantes, estas duas últimas incorporadas em proporção geralmente elevada. Utilizamse para encher cavidades, para se conseguir a estanqueidade de aparelhos de vidro, para selar documentos, etc. II. INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA; INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA Os indutos distinguemse dos mástiques porque se aplicam sobre superfícies, em geral, mais importantes. Por outro lado, diferenciamse das tintas, vernizes e produtos semelhantes, por possuírem teor elevado de matérias de carga e, em certos casos, de pigmentos, sendo este teor habitualmente muito superior ao dos aglutinantes e solventes ou ao dos líquidos de dispersão. A) INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA. 32.14 VI32143 Os indutos utilizados em pintura empregamse na preparação de superfícies (por exemplo, paredes interiores), a fim de lhes eliminar as irregularidades, vedarlhes as fendas e orifícios e, também, eliminarlhes a porosidade. Depois de endurecidos e lixados servem de suporte à pintura. Pertencem a esta categoria os indutos à base de óleo, borracha, cola, etc. Os indutos à base de plástico cuja composição é comparável à de algumas mástiques da mesma espécie, utilizamse como indutos para carroçarias, etc. B) INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA. Os indutos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria aplicamse nas fachadas, paredes interiores, pavimentos e tetos de prédios, nas paredes e fundos de piscinas, etc., de modo a tornálos impermeáveis à umidade e a darlhes boa aparência. Em geral, depois de aplicados, formam o revestimento definitivo dessas superfícies. Este grupo compreende, entre outros: 1) Os indutos em pó, constituídos por gesso e areia, em partes iguais, e por plastificantes. 2) Os indutos pulverulentos à base de quartzo em pó e de cimento, adicionados de uma pequena quantidade de plastificantes e utilizados, por exemplo, depois de se lhes adicionar água, para assentamento de ladrilhos e azulejos. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.149 14 3) Os indutos pastosos, que se obtêm impregnando matérias de carga minerais (granalha de mármore, quartzo ou misturas de quartzo e sílica, por exemplo) com um aglutinante (plástico ou resina), e adicionados de pigmentos e, em certos casos, de uma certa quantidade de água ou de solvente. 4) Os indutos líquidos, constituídos, por exemplo, por uma borracha sintética ou por polímeros acrílicos, por fibra de amianto misturada com um pigmento e água. Aplicados, especialmente, em fachadas por meio de pincel ou à pistola, formam uma camada muito mais espessa do que a obtida com uma tinta. Relativamente a alguns dos produtos acima mencionados, a mistura dos diferentes elementos ou adição de alguns deles deve efetuarse na ocasião do seu emprego. Estes produtos mantêm a sua classificação na presente posição, desde que os diferentes elementos constitutivos sejam simultaneamente: 1º) dado o seu modo de acondicionamento, perfeitamente reconhecíveis como destinandose a serem utilizados em conjunto, sem prévio reacondicionamento; 2º) apresentados ao mesmo tempo; 3º) reconhecíveis tanto no que respeita à sua natureza, como às quantidades respectivas, como complementares uns dos outros. Todavia, no caso de produtos a que se deva adicionar um endurecedor no momento da utilização, o fato de este último não se apresentar ao mesmo tempo não exclui da presente posição estes produtos, desde que, em virtude da sua composição e acondicionamento, se reconheça perfeitamente que se destinam a serem utilizados na preparação de mástiques ou de indutos. Esta posição não compreende: a) A resina natural, denominada em alguns países, mástique, gomamástique ou resinamástique (posição 13.01). b) O gesso, a cal e os cimentos (posições 25.20, 25.22 e 25.23). c) Os mástiques de asfalto e outros mástiques betuminosos (posição 27.15). d) Os cimentos e outros produtos para obturação dentária (posição 30.06). e) O breu (pez) para a indústria de cerveja e os outros produtos da posição 38.07. f) Os cimentos e argamassas refratárias (posição 38.16). g) Os aglutinantes preparados para moldes e núcleos de fundição (posição 38.24). Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.150 15 Da análise das notas explicativas, depreendese que os mástiques e os indutos se diferenciam essencialmente pela sua utilização e não pela composição química ou modo de aplicação. Os mástiques utilizamse especialmente para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou a aderência de peças. Já os indutos se diferenciam dos mástiques por serem aplicados em superfícies mais importantes. No caso de indutos para pintura, destinamse a preparar as superfícies, de modo a eliminar as irregularidades, vedarlhes as fendas e orifícios e, também, eliminarlhes a porosidade, servindo de suporte à pintura. No caso de indutos não refratários dos tipos utilizados em alvenaria são aplicados em paredes, pisos e tetos de modo a tornálos impermeáveis e darlhes boa aparência, geralmente, formando o revestimento definitivo das superfícies. O rejunte destinase a preencher o espaçamento entre as placas de cerâmica, porcelanato, granitos, mármores, conferindo uma função de impermeabilização e de estética à superfície, bem como formando o revestimento definitivo das paredes, juntamente com as placas de cerâmica, porcelanato, etc. A fiscalização entendeu que seria mástique por ser aplicado nas juntas entre as placas cerâmicas ou porcelanato e não em toda a superfície como a argamassa colante. Observase que na nota II.A sobre indutos para pintura, há também a função de vedar fendas e orifícios, bem como o induto para alvenaria possui a função de impermeabilidade. A diferença então reside no local a ser aplicado. O induto é aplicado em superfícies mais importantes, ou seja, em superfícies maiores e mais abrangentes, razão pela qual a fiscalização considerou o produto como mástique, uma vez que destinase à aplicação apenas nas juntas de assentamento. No caso, com razão a fiscalização. De fato, a argamassa de rejunte não é aplicada como revestimento de fachadas, pisos ou tetos, mas sobre as juntas de cerâmicas, porcelanatos etc. Observase que as fendas a que se refere a nota explicativa engloba também as juntas, como expressamente exposto na nota I.9, abaixo transcrita: 9) Os mástiques à base de plásticos (por exemplo, resinas poliésteres, poliuretanos e epóxidos) adicionados de elevada proporção (até 80%) de matérias de carga muito variadas, tais como argila, areia e outros silicatos, bióxido de titânio e pós metálicos. Alguns destes mástiques empregamse depois da adição de um endurecedor. Utilizamse para se conseguir a estanqueidade de certas juntas, tais como mástiques para carroçarias, para reparar peças metálicas ou para as fixar a outras matérias, etc. A segunda reclassificação se refere a argamassas para revestimento, identificado pela recorrente como massa única Polimassa e destinada a utilização como reboco, contrapiso, chapisco, assentamento. O produto foi assim especificado pela fiscalização: "3 ARGAMASSAS PARA REVESTIMENTO (Massa Única) conforme informação do fabricante (fls.63) e descrito no item V DOS PRODUTOS, tratase de argamassas compostas de cimento, cal, areia, carbonato de cálcio, retentor de água, incorporador de ar que ao adicionar água forma uma argamassa para assentamento de blocos de concreto ou cerâmico, para revestimentos de paredes e tetos, em áreas Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.151 16 internas e externas, para ponte de aderência entre base e revestimento, para regularização de pisos e lajes revestimento. Tratase de uma argamassa não refratária que está abrangida na posição 3824 (produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas, incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais, não especificados nem compreendidos em outras posições), tendo uma subposição especifica, sem desdobramentos, a 3824.50.00 (Argamassas e concretos (betões), não refratários). Na efl. 66/67, constam as seguintes informações da recorrente: Massa Única Polimassa Cimento, cal, areia, carbonato de cálcio, retentor de água, incorporador de ar. Reboco Pronto Contrapiso ( exceto cal e incorporador de ar ) Chapisco ( exceto cal e incorporador de ar ) Assentamento Assentamento Cola ARGAMASSAS DE REVESTIMENTO • ASSENTAMENTO PRONTO Polimassa ARG II ( Saco com 30 kg ) Classificação Normatizada: ABNT — NBR 13281/95 II — alta — b Argamassa pronta para assentamento de blocos de concreto ou cerâmico • REBOCO PRONTO Polimassa ARG II ( Saco com 30 kg) Externo e int Classificação Norrnatizada: ABNT — NBR 13281/95 II — alta — a Argamassa de revestimentos de paredes e tetos, em Areas internas e externas. • CHAPISCO PRONTO Polimassa ARG III ( Saco com 30 kg ) Classificação Normatizada: ABNT — NBR 13281/95 III — normal — b Argamassa pronta para ponte de aderência entre base e revestimento. • CONTRAPISO PRONTO Polimassa ARG III ( Saco com 30 kg )Classificação Normalizada: ABNT— NBR 13281/95 III — alta — a Argamassa pronta para regularização de pisos e lajes. Os referidos produtos foram reclassificados do código do código 3214.90.00 ex 01 (adotado pela recorrente) para o código 3824.50.00. O texto da posição 38.24 dispõe que: 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.152 17 MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES [...] [...] 3824.50.00 Argamassas e concretos (betões), não refratários 10 As notas explicativas trazem a seguinte informação para a questão: Desde que não contrariem as disposições acima, podem citarse entre os produtos químicos e preparações aqui compreendidos: [...] 3) Os aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concreto (betão), por exemplo, as preparações antiácidas à base de silicatos de sódio ou de potássio e de fluorsilicatos de sódio ou de potássio, e as preparações destinadas a adicionaremse aos cimentos para os impermeabilizar (mesmo contendo sabão), por exemplo, as preparações à base de óxido de cálcio, ácidos graxos (gordos*), etc. 4) As argamassas e o concreto (betão), não refratários. Verificase, assim, que tratase de uma posição residual, ou seja, serão classificados aqui, desde que não especificados ou compreendidos em outras posições do SH. A questão então é saber se estamos diante de um induto de que trata a posição 3214 ou de outras argamassas não refratárias, de que trata a posição 3824. Neste ponto, diversas soluções de consulta diferenciam e definem indutos nos seguintes termos: SC SRRF 4ª RF nº 2/2005, SC SRRF 5º RF nº 33/2010: 5. A NCM divide os indutos em dois tipos básicos. Aqueles do tipo convencional, utilizados na construção civil, nas superfícies de paredes, tetos etc, como suporte, preparação dessas superfícies para as pinturas que serão nela realizadas posteriormente. Esses indutos, voltados para a pintura, eliminam dessas superfícies irregularidades, fendas, orifícios e porosidades, porventura existentes e elas, assim preparadas, são, então, lixadas, tornandose aptas para receber a pintura. Esses são os chamados indutos utilizados em pintura, o que não é o caso do produto submetido à presente Consulta. 6. O segundo tipo de indutos utilizados na construção civil são os não refratários, que têm como objetivo o preparo das superfícies, não contra a ação do calor (por isso são NÃO REFRATÁRIOS), mas contra a ação e os efeitos da umidade provocada por líquidos (água da chuva ou água clorada, por exemplo), fazendo isso através da impermeabilização dessas superfícies. Por outro lado, esses indutos, muitas vezes, já formam o revestimentos definitivo dessas superfícies, dandolhes muito boa aparência. Esses indutos são tratados e denominados pela nomenclatura de indutos do tipo dos utilizados em Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.153 18 alvenaria, e são aplicados em fachadas, paredes interiores, pavimentos e tetos de prédios, em paredes e fundos de piscinas etc. É exatamento o caso do produto submetido à Consulta sob estudo. SC SRRF 10º RF nº 11/2010, SC SRRF 5º RF nº 33/2010: 5.1 Induto, segundo o “Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa”, dezembro de 2001, é, na sua segunda acepção, o mesmo que indumento (‘envoltório’). E indumento, segunda acepção, por extensão de sentido, é o que encobre, disfarça; envoltório, induto, indúvia, revestimento. 5.2 Esta definição encontra respaldo no “Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa Caldas Aulete”, 3ª edição brasileira, 1974: induto, s.m. revestimento, guarnição; emboço; invólucro. 5.3 Na versão oficial em inglês do Sistema Harmonizado (SH), do qual provém a Nomenclatura Comum do Mercosul e, por aposição das alíquotas do IPI, a TIPI, indutos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria vertemse em “nonrefractory surfacing preparations for façades, indoor walls, floors, ceilings or the like”, isto é, em tradução livre, preparações não refratárias para revestimento de paredes externas e internas, pisos, tetos, etc. 5.4 E na versão também oficial em francês do SH, a expressão em comento vertese em “enduits non réfractaires des types utilisés en maçonnerie”. 6. À vista de todo o exposto no item 5 acima, e levando em consideração as especificações do “Revestimento Cimentício Rústico”, conforme o Relatório, concluise que o mesmo se trata de uma preparação não refratária para revestimento de paredes de alvenaria, com finalidade principalmente decorativa, devendo classificarse, por aplicação da Regra Geral Interpretativa nº 1 (RGI1) do SH, na posição 3214, como induto não refratário do tipo dos utilizados em alvenaria. 6.1 Na posição 3824, e em especial na subposição 3824.50 (argamassas e concretos, não refratários), classificam se, por exclusão, aquelas argamassas e concretos, não refratários, cuja função principal não seja o revestimento de alvenaria, mas especialmente o assentamento dos blocos de construção (tijolos, por exemplo). Não sendo esta a função principal do “Revestimento Cimentício Rústico”, seguese que o mesmo não se classifica na subposição 3824.50, como entende o interessado. Percebese que as argamassas de assentamento não possuem a finalidade de revestimento, sendo, de plano, classificáveis no código 3824.50.00. Já as demais argamassas possuem função de preparação para recebimento do revestimento final, como o reboco pronto que pode receber um induto de pintura (massa corrida) ou um induto de alvenaria (revestimento cimentício, por exemplo) ou revestimentos cerâmicos (mediante a utilização de Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.154 19 um induto de alvenaria (argamassa colante), como o chapisco que serve de aderência entre a alvenaria/laje e o reboco ou emboço e como o contrapiso que serve de preparação para recebimento do revestimento final de cerâmica, porcelanato ou mesmo uma pintura. Além disso, não tornam a superfície impermeável à umidade e não formam o revestimento definitivo destas superfícies. Destarte, mantenho a reclassificação das argamassas de revestimento. A segunda matéria em litígio foi a glosa de 50% dos créditos de IPI transferidos da filial para a matriz, em razão de que a filial não era contribuinte do IPI. A recorrente alega que a filial era equiparada a industrial e que o crédito deveria ser integral. A recorrente citou o artigo 9º, inciso III do RIPI/1998, como fundamento para a equiparação a industrial: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: [...] III as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II, e § 2º, DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1º, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); Porém, não há qualquer prova de que a recorrente tenha comercializado produtos importados ou industrializados ou mandados industrializar pelo estabelecimento matriz. Não houve também a apresentação do Livro Registro de Apuração de IPI ou recolhimentos efetuados pela filial que indicassem a sua condição de equiparado a industrial e contribuinte do IPI. Além disso, os extratos de CNPJ às efls. 72/73 indicam que a filial atua no comércio varejista de materiais de construção. Nesta condição, o estabelecimento comercial poderia ter exercido a opção de se equiparar a estabelecimento industrial, nos termos dos artigos 11 do RIPI/1998: Equiparados a Industrial por Opção Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores; Opção e Desistência Art. 12. O exercício da opção de que trata o artigo anterior será formalizado mediante alteração dos dados cadastrais do estabelecimento, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, para sua inclusão como contribuinte do imposto. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.155 20 Parágrafo único. A desistência da condição de contribuinte do imposto será formalizada, também, mediante alteração dos dados cadastrais, conforme definido no caput deste artigo. Art. 13. Aos estabelecimentos optantes cumprirá, ainda, observar as seguintes normas: I ao formalizar a sua opção, o interessado deverá relacionar, no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência modelo 6, os produtos que possuía no dia imediatamente anterior àquele em que iniciar o regime de tributação ou anexar ao mesmo relação dos referidos produtos; II o optante poderá creditarse, no livro Registro de Apuração do IPI, pelo imposto constante da relação mencionada no inciso anterior, desde que, nesta, os produtos sejam discriminados pela classificação fiscal, seguidas dos respectivos valores; III formalizada a opção, o optante agirá como contribuinte do imposto, obrigandose ao cumprimento das normas legais e regulamentares correspondentes, até quando formalizar a desistência; IV a partir da data de desistência perderá o seu autor a condição de contribuinte, mas não ficará desonerado das obrigações tributárias decorrentes dos atos que haja praticado naquela qualidade. Porém, não há qualquer indicação de equiparação por opção no extrato referido acima. Assim, à vista dos elementos dos autos, não há qualquer indicação de que o estabelecimento seja equiparado a industrial. A recorrente aduz, ainda, que a glosa fere o princípio da nãocumulatividade, pois as operações são meras transferências e os dois estabelecimentos são da mesma pessoa jurídica. Neste ponto, o direito de creditamento estava disposto no artigo 147 do antigo RIPI/1998, conforme abaixo: Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.156 21 III do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VIl do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazémgeral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante. Destacase que as hipóteses dos incisos VII e VIII poderiam ensejar o crédito para a recorrente, porém, conforme já exposto, não há elementos que indiquem que o estabelecimento filial era equiparação a industrial. É de bom alvitre salientar que vige no IPI o princípio da autonomia dos estabelecimentos, de acordo com o artigo 51 do CTN e do artigo 291 do antigo RIPI/1998: CTN: Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.157 22 Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Autonomia dos Estabelecimentos Art. 291. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57). Destarte, cabe a cada estabelecimento realizar sua apuração de IPI, de modo que os estabelecimento são tratados como contribuintes autônomos, sendo que o direito ao creditamento somente ocorre nas hipóteses estabelecidas legalmente. Portanto, o fato de os estabelecimentos pertencerem à mesma pessoa jurídica não afasta a autonomia dos mesmos para fins de tributação do IPI. Neste sentido, os seguintes acórdãos: Acórdão nº 3201003.153: [...] GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e por conseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto. [...] Acórdão nº 3402003.796: [...] CRÉDITOS ESCRITURAIS. TRANSFERÊNCIA. AUSÊNCIA DEPREVISÃO LEGAL. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Para fins de incidência do IPI rege o princípio da autonomia dos estabelecimentos, nos termos do art. 51, parágrafo único do CTN. Nessa esteira, também determina a legislação tributária que a utilização dos créditos do IPI deve ser feita por estabelecimento. Assim, salvo em alguns casos indicados expressamente na legislação, é incabível a transferência de créditos escriturais do estabelecimento filial para a matriz. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.158 23 Fl. 1158DF CARF MF
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Numero do processo: 12326.000616/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL VERIFICADO. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE.
Verificada a ocorrência de erro material e contradição entre o voto e a parte dispositiva da decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente no presente caso.
Numero da decisão: 2402-006.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, mantendo-se a decisão originária, e procedendo-se aos ajustes na ementa e no texto do voto, de forma a excluir as referência à realização de diligência e a ajustar a fundamentação no sentido de dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL VERIFICADO. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. Verificada a ocorrência de erro material e contradição entre o voto e a parte dispositiva da decisão embargada, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 06 16 /2 01 0- 77 Fl. 94DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, mantendose a decisão originária, e procedendose aos ajustes na ementa e no texto do voto, de forma a excluir as referência à realização de diligência e a ajustar a fundamentação no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 12326.000616/201077 Acórdão n.º 2402006.210 S2C4T2 Fl. 1.203 3 Relatório Por bem retratar os elementos processuais que devem ser analisados em razão dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, adotaremos o relatório e dispositivo apostos no despacho de admissibilidade de Fls 90/92: "Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Do acórdão embargado A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402 005.927, em 6/7/17, fls. 78 a 83, dando provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte e consignando no acórdão a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente. Quanto a natureza dos pagamentos que originaram o lançamento guerreado, existem indícios fortes de sua natureza previdenciária, porém, não há certeza quanto a tal, o que desafia a realização de diligência em atenção ao princípio da verdade material. Dos Embargos de Declaração O presente processo foi encaminhado à PGFN em 18/9/17, segundo o despacho de fl. 84. Dessa forma, de acordo com o disposto Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 79, § 2º, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorria em 18/10/17. Em 19/9/17, porém, a PGFN apresentou os Embargos de Declaração de fls. 85 a 86, com fundamento no RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, inciso III, alegando contradição no Acórdão nº 2402005.927, conforme razões a seguir transcritas: Analisandose a conclusão do julgamento e do votocondutor, temos ali consignado que DEUSE PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. Fl. 96DF CARF MF 4 Se assim ocorreu, então o auto de infração deveria ter sido julgado improcedente, que é o pedido formulado no recurso voluntário do contribuinte. Ocorre que analisandose o votocondutor, o que se determinou é que fosse BAIXADO O PROCESSO EM DILIGÊNCIA, a fim de verificar a origem previdenciária ou não dos ganhos do contribuinte, evidenciando a CLARA CONTRADIÇÃO, senão vejamos, “verbis”: Entretanto, acreditamos ser adequado, em respeito ao princípio da verdade material e para formação da convicção plena deste relator, converter o julgamento em diligência, baixando o processo para a origem para que seja diligenciado junto ao INSS buscando obter manifestação do órgão no sentido de indicar a natureza do pagamento em questão, bem como apresentar seu respectivo detalhamento. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam CONHECIDOS e PROVIDOS os presentes embargos de declaração, a fim de extirpar a contradição apontada acima. (Grifos no original) Da admissibilidade dos Embargos de Declaração Da tempestividade Considerando que a ciência presumida da PGFN ocorria em 18/10/17, temse pela tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 18/9/17. Da alegada contradição Segundo a Embargante, o acórdão embargado apresenta contradição, pois, enquanto o voto condutor teria determinado a baixa do processo em diligência para que fosse verificada a “origem previdenciária ou não dos ganhos do contribuinte”, na conclusão do julgamento e do voto condutor teria sido dado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Pois bem, vejamos o que dispôs a parte final do voto condutor e sua conclusão: Entretanto, acreditamos ser adequado, em respeito ao princípio da verdade material e para formação da convicção plena deste relator, converter o julgamento em diligência, baixando o processo para a origem para que seja diligenciado junto ao INSS buscando obter manifestação do órgão no sentido de indicar a natureza do pagamento em questão, bem como apresentar seu respectivo detalhamento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Como se vê, enquanto a parte final do voto determinou a realização de diligência para que o INSS se manifestasse sobre a Fl. 97DF CARF MF Processo nº 12326.000616/201077 Acórdão n.º 2402006.210 S2C4T2 Fl. 1.204 5 natureza do pagamento efetuado ao contribuinte, a conclusão desse voto, de forma absolutamente contraditória, deu provimento ao recurso. Tal provimento, inclusive, é repetido no dispositivo do acordão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. Acontece que a própria ementa do acórdão é no sentido de se realizar a diligência: “MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente. Quanto a natureza dos pagamentos que originaram o lançamento guerreado, existem indícios fortes de sua natureza previdenciária, porém, não há certeza quanto a tal, o que desafia a realização de diligência em atenção ao princípio da verdade material.” Portanto, resta clara a contradição entre o que foi decidido no voto condutor (realização de diligência) e a decisão unânime do colegiado (provimento do recurso). Conclusão Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciada a contradição apontada. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. É o Relatório. Fl. 98DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Os embargos preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, merecendo ser conhecido. Tratamse de embargos de declaração opostos pela d. Fazenda Nacional, tomado contra voto proferido por esta e. Turma em acolhimento ao voto deste Relator, proferido nos seguintes termos originais: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente. Quanto a natureza dos pagamentos que originaram o lançamento guerreado, existem indícios fortes de sua natureza previdenciária, porém, não há certeza quanto a tal, o que desafia a realização de diligência em atenção ao principio da verdade material [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. [...] Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitoza. [...] Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade dispostas no Decreto 70.235 de 06 de março de 1972, razão pela qual voto por conhecêlo. O recurso confunde relato dos fatos com questões preliminares, não havendo assim matéria a ser analisada nesta condição No mérito, a discussão persiste nas mesmas bases das discussões travadas na fase prévia. Persiste o Recorrente na busca do reconhecimento de seu direito a isenção por ser portador de moléstia grave, tendo a DRJ denegado sua pretensão tendo em vista ter considerado só documentos juntados a época como Fl. 99DF CARF MF Processo nº 12326.000616/201077 Acórdão n.º 2402006.210 S2C4T2 Fl. 1.205 7 inábeis a prova de que o mesmo era portador da referida moléstia na época dos rendimentos, tão pouco, quanto a natureza dos valores recebidos, restaria provada a condição de proventos de aposentadoria. Quanto a condição de portador de moléstia grave está claro que o mesmo é portador de doença compatível com os requisitos dispostos na legislação de referencia, entretanto, os documentos de fls 09 a 12 não eram suficientes para tal comprovação. Contudo, em sede de recurso, juntou novo comprovante (fls. 58) onde comprova ser portador de moléstia grave desde 1999, preenchendo assim o primeiro requisito previsto no Art. 6º, XIV da Lei 11.052/04. Seguindo na análise, passamos a investigar a natureza do rendimento que deu base ao lançamento combatido, pois, como requisito cumulativo ao reconhecimento da isenção buscada, os rendimentos devem ter natureza de proventos de aposentadoria. Nesse sentido, desde logo, cabe excluir da presente análise o valor de R$ 3.211,44, pago pela fonte Makro Atacadista Sociedade Anônima por outro interessado, portador do CPF n° 067.840.37730 tendo em vista não possuir a natureza de aposentadoria, conforme reconhecido pelo próprio Recorrente em sua peça recursal. Quanto ao valor de R$ 71.402,01 pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social, de fato, não consta informação clara quanto a natureza do rendimento, entretanto, consta indicação de numero de beneficio. Outrossim, em seu Recurso Voluntário, junta comprovante de que é beneficiário de aposentadoria por tempo de contribuição paga pelo referido instituto e concedida em 13/04/2004 (fls.59). Apesar de não haver clareza quanto a natureza dos valores pagos pelo INSS no montante de R$ 71.402,01,não é possível ignorar a existência de fortes indícios de tratarse de proventos de aposentadoria,eis que o Recorrente é beneficiário de aposentadoria por tempo de serviço desde 2004, conforme documento de folha 59, ainda, raras são as situações em que o referido instituto efetua pagamentos que não tenham natureza de beneficio. Dada a comprovação da condição de portador de moléstia grave desde 1999 e os indícios de tratarse, o rendimento pago pelo INSS e tido por omitido no lançamento combatido, de proventos de aposentadoria, tenderíamos a votar pelo provimento do recurso. Entretanto, acreditamos ser adequado, em respeito ao principio da verdade material e para formação da convicção plena deste relator, converter o julgamento em diligência, baixando o processo para a origem para que seja diligenciado junto ao INSS buscando obter manifestação do órgão no sentido de indicar a natureza do pagamento em questão, bem como apresentar seu respectivo detalhamento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento." Analisando o texto, obviamente há pontos que merecem ser clarificados. Em realidade, tratase de equívoco cometido pelo relator durante o processo de formalização do voto no sistema eprocessos, onde acabou por juntar minuta de voto alternativa em que Fl. 100DF CARF MF 8 inicialmente tendia a encaminhar a discussão para conversão em diligência, mas que não guarda relação com o texto do voto apresentado em sessão. Isso posto, o voto e ementa devem ser integralmente corrigidos, passando a viger com o texto efetivamente apresentado em sessão, que possui os seguintes termos: "MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente no presente caso. [...] Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade dispostas no Decreto 70.235 de 06 de março de 1972, razão pela qual voto por conhecêlo. O recurso confunde relato dos fatos com questões preliminares, não havendo assim matéria a ser analisada neste condição. No mérito, a discussão persiste nas mesmas bases das discussões travadas no colegiado a quo. Persiste o Recorrente na busca do reconhecimento de seu direito a isenção por ser portador de moléstia grave, tendo a DRJ denegado sua pretensão tendo em vista ter considerado os documentos juntados como inábeis a prova de que o mesmo era portador da referida moléstia na época dos rendimentos e que os rendimentos tinham natureza de proventos de aposentadoria ou reforma. Quanto a condição de portador de moléstia grave está claro que o mesmo é portador de doença compatível com os requisitos dispostos na legislação de referencia, entretanto, os documentos de fls 09 a 12 não era suficientes para tal comprovação. Contudo, em sede de recurso, em decorrência do apontado na decisão recorrida, juntou novo comprovante (fls. 57/58) onde consta claramente, em documento emitido por serviço médico oficial, ser o Recorrente portador de doença de parkinsons, CID 10G20, desde 1999, preenchendo assim o primeiro requisito previsto no Art.6º, XIV da LEI Nº 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose Fl. 101DF CARF MF Processo nº 12326.000616/201077 Acórdão n.º 2402006.210 S2C4T2 Fl. 1.206 9 múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)(Vide Lei nº 13.105, de 2015)(Vigência) Seguindo requisito para obtenção da isenção pleiteada está centrado na natureza do rendimento que deu base ao lançamento combatido, pois, como requisito cumulativo ao reconhecimento da isenção buscada, os rendimentos devem ter natureza de proventos de aposentadoria. Nesse sentido, desde de logo, cabe excluir da presente análise o valor de R$ 3.211,44, pago pela fonte Makro Atacadista Sociedade Anônima por outro interessado, portador do CPF n° 067.840.37730 tendo em vista não possuir a natureza de aposentadoria, conforme reconhecido pelo próprio Recorrente em sua peça recursal, portanto, objeto de desistência. Quanto ao valor de R$ 71.402,01 pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social, de fato, não consta informação quanto a natureza do rendimento, entretanto, consta indicação de número de beneficio, um indicio claro de tal condição. Outrossim, em seu Recurso Voluntário, junta comprovante de que é beneficiário de aposentadoria por tempo de contribuição paga pelo referido instituto e concedida em 13/04/2004 (fls. 59). Sendo o Recorrente beneficiário de aposentadoria por tempo de serviço desde 2004, conforme documento de folha 59 e ainda, sendo raras são as situações em que o referido instituto efetua pagamentos que não tenham natureza de beneficio de aposentadoria, não há como negar tal natureza, eis que os elementos contidos nos autos são convincentes o suficiente para tal conclusão. Dada a comprovação de ser o Recorrente, desde 1999, portador de mal de parkinson, moléstia grave elegível para os fins de isenção em pleito e sendo os recursos em questão, claramente, proventos de aposentadoria, encaminhamos nosso voto no sentido de dar provimento ao recurso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento." Este é o texto do voto que foi apresentado em sessão realizada em 06 de julho de 2017, sendo acompanhada por unanimidade dos membros do colegiado, nos seguintes termos: Fl. 102DF CARF MF 10 "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em conhecer do recurso e darlhe provimento. [...] Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitoza." Conclusão Pelo exposto, acolho os embargos sem efeitos infringentes para, sanando o erro e contradição apontados, manter a decisão anterior constante em dispositivo emitida no sentido de conhecer do recurso e no mérito darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 35247.000382/2005-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/07/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 24 7. 00 03 82 /2 00 5- 86 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 193DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 194DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 195DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 196DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 197DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 198DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 199DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.721797/2015-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 17 97 /2 01 5- 57 Fl. 1276DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.1242/1250) que transcrevo a seguir: LANÇAMENTO Trata o presente processo de impugnação ao auto de infração de fls. 03 e seguintes, referente ao Simples Nacional, período de apuração 01/2010 a 12/2011, com exigência do valor de R$ 85.497,39 a título de impostos e contribuições devidos na sistemática do Simples Nacional, multa de 150% no valor de R$ 119.217,25 e juros calculados até setembro de 2015, no valor de R$ 36.344,27, totalizando o crédito tributário de R$ 241.058,91. As infrações que motivaram o lançamento foram: i) omissão de receitas apurada com base em depósitos ou investimentos em instituições financeiras cuja origem não foi comprovada; e ii) insuficiência de recolhimento por diferenças de alíquota. Os fundamentos legais que embasam o lançamento são (fls. 08): Arts. 3º, § 1º, 13, 18, 25, 26, inciso II e § 2º, e 34 da Lei Complementar nº 123/2006 e atualizações. Arts. 9°, 13, 14, inciso I, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. Art. 42 da Lei n° 9.430/96. Art 287 do RIR/99. Arts. 3º, § 1º, 13, 18, e 25, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações . Arts.1º, 2º, 3º, 4º, 5º, e 18 da Resolução CGSN nº 51/2008 e alterações. Arts. 13 e 14, inciso III, da Resolução CGSN nº 30/2008. A AuditoriaFiscal relata detalhadamente o procedimento de que resultou a autuação no termo de fls. 135 e seguintes, com os valores discriminados na planilha de fls. 146. Os créditos bancários não comprovados estão discriminados na planilha de fls. 147 e seguintes, enquanto que os comprovados estão relacionados na planilha de fls. 161 e seguintes. IMPUGNAÇÃO A interessada apresentou impugnação de fls. 801 e seguintes, argüindo, em síntese: i. Sua contabilidade integra contas bancos e caixa, a qual centraliza o movimento financeiro. Todos os cheques emitidos são contabilizados como entradas na conta caixa e os depósitos como saídas, conciliadas com os extratos bancários, razão pela Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10660.721797/201557 Acórdão n.º 1201002.232 S1C2T1 Fl. 3 3 qual a conta caixa, que nunca fica credora, justifica a origem de todos os depósitos bancários; ii. Por essa razão, os depósitos bancários têm sua origem conhecida, qual seja, as disponibilidades mantidas na conta caixa, razão pela qual devem ser excluídos da tributação, assim como o depósito de n° 380; iii. Admite que ocorreram falhas de conciliação e que “(...) havia necessidade de melhor esclarecer a origem (...) depósitos identificados a seguir (...) números 397, 404, 425, 429, 436, 438, 439, 442, 451, 457, 461, 462, 467, 469, 470, 478, 575, 592, 603” iv. Quanto à insuficiência de recolhimento, estará extinta com o acolhimento das razões contra a omissão de receita com base em depósitos bancários; v. Sobre o agravamento da multa, aponta a existência da Súmula CARF n° 25, justificando a redução da multa aplicada para 75%. Por fim, requer a exclusão de toda a receita omitida os depósitos bancários cuja origem esteja vinculada a transferências entre as contas caixa e bancos, com o decorrente reflexo na infração de insuficiência de recolhimento decorrente de agravamento das alíquotas do Simples Nacional; e a exclusão da multa de 150%. A interessada aditou a impugnação, fls. 975, apontando que o Supremo Tribunal Federal deu efeito de repercussão geral ao RE 855.649/RS, relativo à constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/96. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS (2ª Turma da DRJ/CGE) julgou parcialmente procedente a Impugnação para afastar a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%, em decisão proferida no venerando Acórdão nº 0440.646, de 26 de abril de 2016, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010,2011 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Os valores dos depósitos cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É devido valores lançados decorrentes de insuficiência de recolhimento em razão de mudança de patamar de receita bruta Fl. 1278DF CARF MF 4 total obtida a partir da soma da receita declarada mais a omitida detectada em procedimento fiscal. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A interessada tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.1263, em 18/05/2016 e, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.1265/1272, em 09/06/2016, conforme carimbo de postagem pelos Correios em 06/06/2016 e recepcionado pela DRF/Varginha/MG, conforme envelope com carimbo datado de 09/06/2016 (fl.1.272) juntado ao Recurso Voluntário. A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, o que torna desnecessário repetilos, nos tópicos: OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É o relatório Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo, de acordo com o Ato Declaratório Normativo (SRF) n° 19, de 26/05/1997, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Importa lembrar que a decisão proferida no predito Acórdão nº 0440.646, de 26 de abril de 2016, da qual não cabe recurso de ofício, afastou a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%. Assim, a lide cingese às matérias: OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Os argumentos apresentados em sede de recurso voluntário serão examinados na ordem em que apresentados pela Recorrente. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS Inicialmente a Recorrente apontando que o Supremo Tribunal Federal deu efeito de repercussão geral ao RE 855.649/RS relativo à constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/96, que fundamentou a autuação, solicita aos Egrégios Conselheiros que acolham a Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10660.721797/201557 Acórdão n.º 1201002.232 S1C2T1 Fl. 4 5 questão suscitada quanto à constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/1996 como uma preliminar de nulidade absoluta, impeditiva da análise de mérito do lançamento efetuado pelo fisco, devendose suspender o julgamento do presente Recurso Voluntário até que o STF se pronuncie de forma definitiva sobre a matéria. Nesse ponto, cabe esclarecer que, de acordo com o artigo 62 da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o Regimento Interno do CARF, em consonância com o art. 26A do Decreto 70.235/72, resta vedado aos membros das turmas de julgamento desse órgão, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo se tiver sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; ... Portanto, o afastamento do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, encontra óbice no mencionado dispositivo regimental, e, não se tendo conhecimento de decisão definitiva do STF em relação ao alegado, incabível o sobrestamento do julgamento do presente Recurso Voluntário, como pretende a Recorrente. Quanto a omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a Recorrente insiste nos mesmos argumentos aduzidos na impugnação em sede de 1ª instâncias, argüindo, em síntese, que: Sua contabilidade integra contas bancos e caixa, a qual centraliza o movimento financeiro. Todos os cheques emitidos são contabilizados como entradas na conta caixa e os depósitos como saídas, conciliadas com os extratos bancários, razão pela qual a conta caixa, que nunca fica credora, justifica a origem de todos os depósitos bancários; Por essa razão, os depósitos bancários têm sua origem conhecida, qual seja, as disponibilidades mantidas na conta caixa, razão pela qual devem ser excluídos da tributação, os depósitos relacionados a seguir, identificados pelo número com que são citados na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS": Ano calendário de 2010: números 34, 59, 64, 66, 96, 144, 160, 187, 193,217. Ano calendário de 2011: números 232, 247, 261, 265, 277, 299, 300, 317, 358, 368. Fl. 1280DF CARF MF 6 Diz que, para comprovar que sua contabilidade atende a todos os preceitos e princípios estabelecidos pela legislação societária, com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, razão pela qual merecem fé os lançamentos contábeis integrantes da mesma, fazendo prova a favor do sujeito passivo, foram anexados o Livro Diário e o Livro Razão referentes ao período fiscalizado. A análise dos argumentos trazidos pela Recorrente encontrase bem explicitada no acórdão recorrido (fls.1247), vejamos: No caso em exame, a interessada foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas em instituições financeiras, após análise procedida pela autoridade fiscal segundo os critérios legais e regulamentares apontados. Dos esclarecimentos e documentos apresentados, a Auditoria Fiscal deduziu as planilhas demonstrativas dos créditos em contas mantidas em instituições financeiras, indicando os que foram comprovados e os não comprovados, separadamente. Com a impugnação nenhuma comprovação adicional foi apresentada, salvo a alegação de que a contabilização conjunta das contas caixa e bancos justificaria a origem dos depósitos. Por esse raciocínio, os créditos em contas bancárias seriam justificados pelo saldo da conta caixa. Ora, a técnica contábil adotada não afasta o pressuposto fático para a presunção legal em tela, qual seja, o ingresso de recursos em conta mantida em instituição financeira. Ordinariamente, a justificativa de origem se faria com a indicação de correspondência entre os valores e a atividade da empresa, por exemplo, o recebimento por vendas ou prestação de serviços devidamente escrituradas e declaradas ao Fisco. Nesse caso, como o depósito corresponde a uma transação submetida à incidência tributária, nada mais haveria a se exigir de seu titular. Nos casos contrários, em que inexiste uma justificativa para os ditos depósitos, ocorre subsunção à hipótese legal do artigo 42 da Lei 9.430/96, e a conseqüente tributação deve ser mantida, já que com a impugnação não foram apresentados documentos e/ou esclarecimentos hábeis para afastar a presunção legal. Como se vê, apesar dos fundamentos da decisão recorrida, que também adoto como razão de decidir, a Recorrente em sua contestação apenas repete o que já dissera na impugnação e enumera depósitos ditos que são citados na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", porém não há qualquer demonstração e/ou comprovação da inexistência dos depósitos ou exclusão/devolução de depósitos efetuados. Com efeito, as justificativas trazidas pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10660.721797/201557 Acórdão n.º 1201002.232 S1C2T1 Fl. 5 7 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, um mínimo de esclarecimento com provas por parte do contribuinte e, na espécie, a Recorrente deixou transcorrer em branco a oportunidade a ele concedida para tanto, por meio do Termo de Intimação nº 4, cientificado à fiscalizada em 19/12/2014, conforme o Termo de Verificação Fiscal, efls.135/145, no qual consta que "a fiscalizada não apresentou nenhum documento comprobatório da origem dos recursos." Conforme relatado, a AuditoriaFiscal descreve detalhadamente o procedimento de que resultou a autuação no termo de fls. 135 e seguintes, com os valores discriminados na planilha de fls. 146. Os créditos bancários não comprovados estão discriminados na planilha de fls. 147 e seguintes, enquanto que os comprovados estão relacionados na planilha de fls. 161 e seguintes. A Recorrente argúi que, o acórdão recorrido, ao não acolher que os depósitos bancários em moeda corrente, identificados pelo número do caixa automático dos Fl. 1282DF CARF MF 8 bancos e/ou realizados pelo próprio favorecido, que constituem a imensa maioria dos valores incluídos na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS" tem origem conhecida, sendo provenientes do depósito nas contas bancárias de disponibilidades mantidas no "Caixa" da empresa, devendo ser excluídos da tributação, na prática, estabelece a imprestabilidade da contabilidade da empresa, decidindo contra as provas dos autos, uma vez que a fiscalização não demonstra a imprestabilidade da escrituração da recorrente, limitandose a criticar os históricos utilizados. Ora, não se trata de imprestabilidade da escrituração pois a autuação decorre de presunção legal, onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). Vêse que apesar de a defendente argumentar que merecem fé os lançamentos contábeis integrantes da mesma, fazendo prova a favor do sujeito passivo, foram anexados o Livro Diário e o Livro Razão referentes ao período fiscalizado, subsiste a obrigação de a Recorrente fazer prova da origem e natureza dos créditos efetuados em suas contas correntes bancárias, por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores para sustentar seus argumentos e infirmar a autuação. É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96, ao contrário do procedimento aventado pela interessada/Recorrente, permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de tal comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora, por presunção, suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Quanto à insuficiência de recolhimento, a Recorrente aduz que a infração estará extinta com o acolhimento das razões contra a omissão de receita com base em depósitos bancários. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10660.721797/201557 Acórdão n.º 1201002.232 S1C2T1 Fl. 6 9 A insuficiência de recolhimento apurada pela fiscalização decorreu do incremento das alíquotas do Simples Nacional pela inclusão na base de cálculo das receitas omitidas apuradas na auditoria fiscal. Como explicitado no tópico anterior, a autuação restou mantida em virtude da caracterizada omissão de receitas por não haver a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. Desse modo, razão não há para ser afastada a autuação por insuficiência de recolhimento conforme descrito no auto de infração, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1284DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.004076/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IRPF. COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. INOCORRÊNCIA.
Sem comprovação dos gastos efetuados na compra de materiais de forma idônea, não há como aceitar por verdadeiro o custo de aquisição declarado pelo contribuinte, sendo certo que o direito, sendo de seu interesse, deve ser comprovado pelo mesmo, caso contrário seus argumentos não podem prevalecer. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2402-006.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. INOCORRÊNCIA. Sem comprovação dos gastos efetuados na compra de materiais de forma idônea, não há como aceitar por verdadeiro o custo de aquisição declarado pelo contribuinte, sendo certo que o direito, sendo de seu interesse, deve ser comprovado pelo mesmo, caso contrário seus argumentos não podem prevalecer. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 40 76 /2 00 7- 31 Fl. 283DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 284 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 272/281, lançado contra Acórdão de fls. 254/264 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Por bem delinear a lide até a interposição do apelo, vale que se transcreva o relatório da decisão objurgada. Confirase: Trata o processo de Auto de Infração de fls. 04/235, resultante da revisão das Declarações de Ajuste Anual DAA correspondentes aos exercícios de 2003, 2004 e 2005, anos calendário respectivos de 2002, 2003 e 2004, que exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$65.654,63, resultante do somatório do Imposto no valor de R$27.566,85, de multa proporcional R$20.860,98 e juros de mora (calculados até 30/03/2007), R$17.226,80, em virtude de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganho de capital referente a venda de imóvel. Consoante Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), procedeu à fiscalização do contribuinte acima identificado, conforme determinado no Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2006.007589, e após exame de toda a documentação disponível no presente procedimento, chegou às seguintes conclusões fiscais, com fundamento nos fatos verificados e a seguir descritos. Da Infração por Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Considerando que foi detectada movimentação financeira nas contas do contribuinte em epígrafe, contas correntes ou de investimentos, mantidas junto às instituições financeiras abaixo relacionadas, no montante de R$173.928,11, expressivamente maiores do que os rendimentos informados nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa FísicaDIRPF, do exercício de 2004, anocalendário 2003: BANCOCNPJVALOR DA MOVIMENTAÇÃO UNIBANCO S/A 33.700.394/000140R$75.457,59 BCN S/A60.898.723/000181 R$98.470,52 TOTALR$173.928,11 Ao autuado foi solicitado a apresentar todos os extratos bancários relativos as contas correntes, de poupança e de aplicações financeiras que deram origem as movimentações financeiras discriminadas acima, informar se possui contas em conjunto e com quem; comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados/creditados e justificar os motivos dessa movimentação financeira expressivamente maior do que os rendimentos declarados na sua DIRPF (ZERO). Fl. 285DF CARF MF 4 Em resposta, o contribuinte informa que junta extratos dos bancos Unibanco e BCN e informa que é o único titular de ambas as contas. Outrossim, também declara que os depósitos efetuados originamse da venda do imóvel referenciado no item (A) e que servem tanto para a cobertura das despesas normais de uma família, quanto para a implementação de melhorias na residência do contribuinte, imóvel esse posteriormente vendido. Anexa extratos do BCN de janeiro a dezembro, sendo que o do mês de setembro está faltando a movimentação mensal; e extratos do Unibanco de janeiro a junho, e agosto a novembro. Foi o autuado intimado em 08/01 e reintimado em 15/02/2007 a, no prazo de 30 dias do recebimento da intimação e 05 dias úteis da reintimação, apresentar o extrato do mês de setembro/2003 do BCN e os extratos dos meses de julho/2003 e dezembro/2003 do Unibanco (fls. 186 a 192). Os AR respectivos foram recebidos em 15/01 e 22/02/2007, não havendo resposta. Da mesma forma, foi intimado em 14/03 e reintimado em 28/03/2007 a, no prazo de 05 dias úteis, comprovar a origem do depósito em cheque no valor de R$ 20.000,00 dia 21/02/2003 na c/c 150.1830 agência 0253 do BCN (fls. 194 a 200). Os AR respectivos foram recebidos em 16/03 e 30/03/2007, também, não havendo resposta. Após auditoria realizada nas movimentações financeiras acima citadas (vide fls. 17/18), a autoridade fiscal concluiu que o único depósito a ser pesquisado é o de R$20.000,00, e, em função de que o contribuinte intimado e reintimado a comproválo não o fez, tal valor é considerado como depósito de origem não comprovada e a multa de ofício é também majorada em 50% pelo não atendimento às intimações recebidas. Como a DIRPF/2004 foi entregue no formulário simplificado e totalmente zerada, o contribuinte tem direito ao desconto simplificado de 20%, no caso, 20% x R$ 20.000 = R$4.000,00. Da Infração por Falta de Recolhimentos do Imposto Incidente Sobre Ganho de Capital Referente à Venda de Imóveis. Exercício 2003 Ano Calendário 2002: o autuado foi solicitado a apresentar documentação para comprovar o custo de aquisição dos imóveis à rua Castelo de Montalvão 131 casa 1 e 133 casa 2 com vistas ao cálculo do ganho de capital na sua alienação conforme matrículas 82.770 e 82.771 do Cartório do 3º Ofício de Registro de Imóveis de BH. Em resposta informa que adquiriu, juntamente com o Sr. Alexandre José Folgado Sanches Moreno CPF 213.018.01836, no dia 03/12/1999 pelo preço de R$ 31.150,00 o lote n° 13 do quarteirão 01 do bairro Castelo onde posteriormente foram edificadas duas casa geminadas e que receberam os números de matrícula 82770 e 82771 junto ao 3ºo Ofício do RGI de BH. Informa também que, para a edificação de duas casas com 100m2 cada, contrataram mãodeobra no valor de R$45.000,00 (para 200m2 de área construída) e desembolsaram cerca de R$464,54 por m2 de área construída com material de acordo com tabela do SINDUSCONMG anexa. Assim, conforme Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 285 5 declarado, computado também o valor do terreno, o custo total da obra, por unidade, é da ordem de R$84.529,00 e considerandose honorários de corretagem de imóveis e despesas com despachantes, o custo final de cada casa equivale ao seu preço de venda, o que importa dizer que não há ganho de capital substancial que enseje a tributação. Ressalta que, conforme consta dos documentos juntados, é responsável por apenas uma das unidades, ou seja, metade de ambas as casas geminadas. Anexa escritura de 03/12/1999 do 8º Ofício de Notas de BH Livro 682N fls. 192/193 correspondente à aquisição do lote 13 do quarteirão 01 do bairro Castelo pelo valor de R$33.500,00; Certidão de óbito de 01/07/2003 de Alexandre José Folgado Sanchez Moreno; Contrato de Fornecimento de Mão de Obra por Empreitada Global de 23/02/2001 para a construção das duas casas geminadas pelo valor de R$40.500,00; Certidão do 3º RGI de BH da matrícula 8748 correspondente à maior porção; Certidão do 3º RGI de BH do registro auxiliar 3.656 contendo a especificação das unidades das casas 01 e 02 localizadas à rua Castelo de Montalvão 131 e 133; Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda e Cessão de Direitos de 06/09/2002 referente alienação da casa 02 à rua Castelo de Montalvão 133 pelo preço de R$95.000,00 sob condição suspensiva de obtenção de financiamento pelo SFH; Certidões do 3o Ofício do RGI de BH das matrículas 82770 e 82771; Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda e Cessão de Direitos de 11/2001 referente alienação da casa 01 à rua Castelo de Montalvão 131 pelo preço de R$95.500,00 sob condição suspensiva de obtenção de financiamento pelo SFH; Recibo de honorários relativo à venda do imóvel à rua Castelo de Montalvão 131 em 04/09/2002 no valor de R$1.525,00; Tabela do SINDUSCONMG do mês de outubro/2002. Após auditoria realizada (vide fls. 16/17), a autoridade fiscal concluiu que de acordo com certidões do 3º RGI de BH (fls. 201 a 207), na matrícula da maior porção do imóvel n° 8478 constatase que o lote 13 do quarteirão 01 do bairro Castelo foi adquirido pelo contribuinte e pelo seu sócio em 03/12/1999 pelo preço de R$33.500,00 e não R$31.150,00 conforme informado no Termo de Resposta. Nas suas DIRPF/2002 e DIRPF/2003 não há qualquer menção aos imóveis na declaração de bens e direitos. Teve o contribuinte a oportunidade de comprovar o custo de aquisição e apenas apresentou o Contrato de Fornecimento de Mão de Obra por Empreitada Global no valor de R$40.500,00. Nenhum documento referente à compra de materiais. Não se pode aceitar tabela do SINDUSCONMG para efeitos fiscais. É preciso a verdade material. Também não pode o contribuinte dizerse responsável por apenas uma das unidades. De acordo com o art. 124 e parágrafo único da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação Fl. 287DF CARF MF 6 principal, sendo que essa solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. De acordo com o ato R4 da matrícula 82770, a alienação da casa 01 à rua Castelo de Montalvão nº 131 deuse em 18/06/2002 pelo preço de R$96.000,00 conforme Instrumento Particular com força de escritura pública de compra e venda. A este valor deduzse R$1.525,00 referente pagamento de honorários em nome de Geraldo Matos Imóveis Ltda resultando no valor líquido de alienação de R$94.475,00. De acordo com o ato R2 da matrícula 82771, a alienação da casa 02 à rua Castelo de Montalvão nº 133 deuse em 21/10/2002 pelo preço de R$95.000,00 conforme Instrumento Particular. Na falta de maiores esclarecimentos por parte do contribuinte, dividese o custo de aquisição comprovado de R$33.500,00 + R$ 40.500,00 = R$ 74.000,00 pelas duas casas, e assim temse: Ganho de Capital casa 01 R$ 94.475 R$ 37.000 = R$ 57.475,00 em 06/2002; O Ganho de Capital casa 02 R$ 95.000 R$ 37.000 = R$ 58.000,00 em 10/2002. Exercício 2005 Ano Calendário 2004: o autuado foi solicitado a apresentar documentação para comprovar o custo de aquisição do imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso 630 com vistas ao cálculo do ganho de capital na sua alienação conforme matrícula do Cartório do 6º Ofício de Registro de Imóveis de BH. Em resposta informa que adquiriu no mês de junho de 1998 o imóvel à Rua Heitor Sócrates Cardoso 630 pelo preço de R$75.000,00 e que, após oito anos de uso e melhoramentos, alienouo por R$140.000,00. Assim, considerando os seis anos de desvalorização do imóvel (5% ao ano, totalizando 30% em seis anos) e as despesas acima referidas, não se pode dizer que houvera “ganho de capital na alienação” e não há o que falar em tributação incidente sobre sua venda, mormente tratandose de imóvel com fim exclusivamente residencial. Anexa Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda e Cessão de Direitos de 29/06/2004 referente alienação da casa à rua Heitor Sócrates Cardoso 630 pelo preço de R$140.000,00 sob condição suspensiva de obtenção de financiamento pelo SFH; Certidão do 6º ofício do RGI de BH da matrícula 47.107; Escritura de 06/05/1998 do 10° Ofício de Notas de BH Livro 566N, fls. 12/13, referente aquisição do imóvel pelo preço de R$75.000,00; Certidão da CEF de 03/11/2004 informando que foram depositados em 26/07/2004 a importância de R$70.000,00 provenientes da venda do imóvel em sua conta de poupança. Após auditoria realizada (vide fls. 18/19), a autoridade fiscal concluiu que de acordo com certidão do 6º RGI de BH (fls. 208 a 213) matrícula 47107, no ato R13 o contribuinte adquiriu o imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso 630 em 06/05/1998 pelo preço de R$75.000,00 diverso do declarado na DIRPF/2003, de R$ 55.000,00 e o alienou conforme ato R14 em 26/07/2004 por Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 286 7 R$140.000,00. O contribuinte em nada acrescentou com documentos ao apurado acima no seu Termo de Resposta. Portanto, o ganho de capital apurado na alienação do imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso calculase por: R$ 140.000 R$ 75.000 = R$65.000,00 em 07/2004. Do Enquadramento Legal. Ganhos de Capital: Art. 124° da Lei n°5.172/66 Código Tributário Nacional; Arts. Io , 2 o , 3 o e §§, 16°, 18° a 22°, da Lei n°7.713/88; Arts. Io e 2 o , da Lei n°8.134/90; Arts. 7°, 21° e 22°, da Lei n°8.981/95; Art. 17°, 23° e §§, da Lei n°9.249/95; Arts. 22° a 24°, da Lei n°9.250/95; Arts. 16°, 17° e §§, da Lei n°9.532/97; Arts. 123° a 125°, 128°, 129°, 131°, 132°, 138° e 142° do RIR/99. Depósito de Origem não Comprovada: Art. 849° do RIR/99; Art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002. Multas Passíveis de Redução: Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 75,00%, Art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96. Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 112,50%, Art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n°9.430/96. Juros de Mora: Fatos Geradores a partir de 01/01/97. Percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96 Cientificado do lançamento em 20/04/07, conforme “AR” de fl. 239, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 197 e 218, em 18/05/07, alegando, em síntese, que: Fatos Geradores de junho e outubro de 2002 Juntamente com o Sr. Alexandre José Folgado Sanches Moreno, CPF 213.018.018 36, adquiriu um lote de terreno onde foram erigidas duas casas (geminadas) e que receberam os números de matrícula 82770 e 82771, junto ao Terceiro Oficio de Registro de Imóveis de Belo Horizonte – MG. Sem se constituírem em empresa, e de forma bastante amadora, ambos contribuintes, certamente por falta de experiência e orientação, firmaram um contrato que previa a construção dos imóveis com emprego de mãodeobra, mas se esqueceram de considerar o material de aplicação em seu custo. Instado a comprovar o custo total da obra a fim de que fosse apurada a existência de ganho de capital, fez juntar o referido contrato de empreitada mas, à falta de comprovantes fiscais de aquisição do material de construção, juntou a tabela do SINDUSCON, que reflete com bastante precisão, o custo de construção por metro quadrado, que serviria, então, para que fosse apurado o custo total de construção de cada unidade. Fl. 289DF CARF MF 8 Em que pese o subsidio apresentado, a auditoria fiscal simplesmente desprezou a tabela do SINDUSCON e considerou ganho de capital a diferença entre o preço de venda e os de aquisição do terreno, mãodeobra e corretagem imobiliária. Desta forma, como se todo o material de construção não tivesse custado nada, o ganho de capital de ambas as casas teria sido da ordem de R$115.475,00, sendo que a justificativa da autoridade fiscal para não considerar qualquer custo de material de construção seria o fato de que não havia juntada de comprovantes de compra de materiais. Em que pese a decisão da autoridade administrativa, não é razoável que a simples falta de juntada de comprovantes de compra de materiais implique em reconhecer que não houve custo para erigir a obra; pelo contrário, como admitem a doutrina e a jurisprudência, considerando o ônus da prova no procedimento administrativo como sendo do fisco, nada mais razoável que os meios e justificativas apresentados pelo contribuinte sejam considerados a fim de que seja verificada a existência real do fato gerador e tributo, se devido, seja recolhido aos cofres públicos. Isso posto, requer seja provido o recurso nesse ponto a fim de que seja considerado o custo de material de construção no custo global da obra, com base na tabela do SINDUSCON, e a conseqüente revisão da base de cálculo e inexigibilidade do tributo e multa. Fato Gerador de julho de 2004. Adquiriu, no mês de junho de 1998 um imóvel para servir de residência de sua família na rua Heitor Sócrates Cardoso n°630, em Belo Horizonte, MG. Após oito anos de uso e melhoramentos, com reforma de toda a estrutura do telhado, construção de área de lazer externa, churrasqueira, quiosque e piscina, agregando se valor ao imóvel, a casa foi vendida por R$140.000,00. Assim, em face da desvalorização do imóvel e das despesas com manutenção e benfeitorias, não se pode dizer que tenha havido ganho de capital e conseqüente incidência tributária. Da mesma forma que a autoridade fiscal não considerou custo de material quando da construção dos imóveis citados no item anterior, a melhoria na estrutura do imóvel, significativo investimento, também não foi considerado. Sequer a correção monetária entre a data de aquisição do imóvel e a data da alienação foi observada, o que, certamente, reduziria, senão anularia, a base de cálculo do tributo. Desse modo, requer lhe seja dado provimento para declarar a inexigibilidade do tributo, a multa e juros no importe de R$20.950,30. Requer, também, a produção de provas cabíveis e admissíveis, notadamente a pericial e juntada ulterior de documentos. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 287 9 Alega o recorrente, de início, que não há, in casu, ocorrência de ganho de capital como alegado pela d. decisão recorrida. Teria havido, na verdade, prejuízo na venda do imóvel em questão. Aponta que não possuía, à época da interposição da Impugnação, os comprovantes de aquisição dos materiais utilizados na obra, pelo que referenciouse à tabela CUBSINDUSCON. No entanto o pedido foi negado pelo acórdão recorrido, o que mereceria reforma. Isso porque, afiança ser a Tabela do Custo Unitário Básico, elaborada pelo Sindicato Nacional da Construção Civil, como documento idôneo e completamente hábil para comprovar as despesas realizadas. Assenta, em seguida, que "é notória a prática rotineira dos comerciantes pequenos não emitirem nota fiscal. É o que ocorreu no presente caso: os materiais empregados, em sua maioria, foram adquiridos no comércio de bairro e não têm comprovação fiscal" (sic., fls. 275) Dessa forma, alvitra que seria obstrução dos princípios da Justiça e Equidade aceitar apenas um tipo de documento para comprovação das despesas empregadas. Portanto, considerar a tabela CUB em nada lesionaria o ordenamento jurídico, eis que o objetivo do Fisco é de que o contribuinte pague o IR sob a renda auferida. Aventa que o ordenamento jurídico atual possibilitou que os Sindicatos pudessem elaborar documentos que podem ser utilizados como fonte do Direito. Como é o caso do Custo de Unidade Básica por ele referenciado que, por ter sido elaborado pelos Sindicatos da Construção Civil para estimativa de custo de unidades imobiliárias, criado em 1986, seria documento mais que apto para a estimação do valor. Às fls. 277 indica que "o CUB reflete a variação mensal dos custos de materiais e mãodeobra da construção cível, através de metodologia própria estabelecida em norma brasileira editada pela ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas". E prossegue dizendo "desde a sua criação, a CUB tem sido ferramenta reconhecida pelo mercado para ser parâmetro dos custos dos imóveis. Até mesmo porque os sindicatos da indústria da construção mensalmente atualizam e divulgam os dados colhidos". Assinala que o próprio Estado utiliza a CUB em certos casos, tais como para expedição de Certidões Negativas de Débito e no INSS, dessa forma, não aceitála no presente caso seria "incoerência" (fls. 278). Indigita que a CUB seria amplamente aceito pela jurisprudência como base de cálculo da mãodeobra nas construções civis e referenciase ao art. 344 da Instrução Normativa RFB nº 971/09 que, a seu ver, autoriza a presunção de gastos como no caso em tela. Importa que a tabela CUB apresentada possui todos os requisitos necessários para a efetiva comprovação dos custos e despesas bem como os demais elementos capazes de assegurar a veracidade do que afirmado, assim sendo, seria razoável que aceitar as tabelas do CUB como prova de gastos de material de construção. Fl. 291DF CARF MF 10 Ao arremate, alinhava que haveria provas suficientes no processo para que se notasse que o valor das despesas foi maior do que o valor obtido com a venda do imóvel e, por isso, não haveria ganho de capital tributável na presente demanda. Requer, pois, o provimento do recurso para que seja reconhecido como parâmetro de avaliação de custos a tabela do CUB e, notandose que não houve aumento patrimonial, seja cancelado o crédito tributário. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 288 11 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade recursal, merecendo, portanto, ser conhecido. Cabe frisar, desde logo que, conforme art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a parte não impugnada considerarseá como não contestada, vejase: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Confirase iterativa jurisprudência deste e. CARF: “PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário.” (Acórdão nº 3402 004.672) “ITR. MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente.” (Acórdão nº 9202005.673) Portanto, e como o recorrente limitouse a reagitar apenas a matéria referente à não aceitação da tabela de fls. 57/58, será a única a ser debatida, sendo que as demais foram alcançadas pela preclusão. Com isso bem posto, temos que o recorrente considera ser a Tabela produzida pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais – SINDUSCOM MG, documento completamente hábil para a demonstração dos gastos referentes a mãodeobra nos imóveis descritos no Termo Fiscal de fls. 20/23 e essa é, reprisase, a fundamentação completa do apelo. Para que se possa analisar as alegações a luz dos fatos, cabe reprisar a posição fiscal registrada como fundamento para o lançamento de ganho de capital apurado sobre a venda dos referidos imóveis. "(I) Exercício 2003 de acordo com certidões do 3º RGI de BH (fls. 201 a 207), na matrícula da maior porção do imóvel n° 8478 constatase que o lote 13 do quarteirão 01 do bairro Castelo foi adquirido pelo contribuinte e pelo seu sócio em 03/12/1999 pelo preço de R$ 33.500,00 e não R$ 31.150,00 conforme informado no Termo de Resposta. Nas suas DIRPF/2002 e DIRPF/2003 não há qualquer menção aos imóveis na declaração de bens e direitos. Teve o contribuinte a oportunidade de comprovar o custo de aquisição e apenas apresentou o Contrato de Fornecimento de Mão de Obra por Empreitada Global no valor Fl. 293DF CARF MF 12 de R$ 40.500,00. Nenhum documento referente à compra de materiais. Não se pode aceitar tabela do SINDUSCONMG para efeitos fiscais. É preciso a verdade material. Também não pode o contribuinte dizerse responsável por apenas uma das unidades. De acordo com a Lei 5.172/66 Código Tributário Nacional: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o feto gerador da obrigação principal. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Portanto, há base legal para que todo o ganho de capital seja tributado no contribuinte em questão. De acordo com o ato R4 da matrícula 82770, a alienação da casa 01 à rua Castelo de Montalvão 131 deuse em 18/06/2002 pelo preço de R$ 96.000,00 conforme Instrumento Particular com força de escritura pública de compra e venda. A este valor deduzse R$ 1.525,00 referente pagamento de honorários em nome de Geraldo Matos Imóveis Ltda resultando no valor líquido de alienação de R$ 94.475,00. De acordo com o ato R2 da matrícula 82771, a alienação da casa 02 à rua Castelo de Montalvão 133 deuse em 21/10/2002 pelo preço de R$ 95.000,00 conforme Instrumento Particular. Na falta de maiores esclarecimentos por parte do contribuinte, dividese o custo de aquisição comprovado de R$ 33.500,00 + R$ 40.500,00 = R$ 74.000,00 pelas duas casas, e assim temos: Ganho de Capital casa 01 R$ 94.475 R$ 37.000 = R$ 57.475,00 em 06/2002; O Ganho de Capital casa 02 R$ 95.000 R$ 37.000 = R$ 58.000,00 em 10/2002; [...] (Ill) Exercício 2005 de acordo com certidão do 6 o RGI de BH (fls. 208 a 213) matrícula 47107, no ato R13 o contribuinte adquiriu o imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso 630 em 06/05/1998 pelo preço de R$ 75.000,00 diverso do declarado na DIRPF/2003 de R$ 55.000,00 e o alienou conforme ato R14 em 26/07/2004 por R$ 140.000,00. O contribuinte em nada acrescentou com documentos ao apurado acima no seu Termo de Resposta. Portanto, o ganho de capital apurado na alienação do imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso calculase por: R$ 140.000 R$ 75.000 = R$ 65.000,00 em 07/2004." Analisando todo o contexto e documentos juntados, concluímos que o recurso desmerece provimento. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 289 13 A bem lançada decisão recorrida enfrentou os argumentos levantados pelo Contribuinte, não remanescendo dúvidas no que tange ao acerto da exigência do imposto lançado, mesmo porque, as provas e evidências constantes nos autos militam, em boa parte, em desfavor do apelante. Assim o é posto que as alegações nada aportam, seja no plano dos fatos ou de direito, de suficientemente novo a modificar a decisão recorrida, uma vez que restou claro que o documento trazido aos autos, qual seja, a tabela de precificação média de fls. 57/58, não serve para a comprovação de qualquer gasto efetuado pelo recorrente no que se refere aos materiais para construção e mãodeobra. Percebam que no caso concreto, o i. Agente fiscal considerou a documentação hábil e idônea disponível, tomando o preço do contrato de mão de obra para construção e custo de corretagem como redutores do ganho de capital apurado. Ora... a busca pela verdade material é princípio processual específico do processo, que se ampara no devido processo legal e na ampla defesa, que não podem, de nenhuma forma ou sob qualquer aspecto, sofrer violações num Estado Democrático de Direito. Confirase o escólio de Odete Madauar e do sempre festejado mestre Celso Antonio Bandeira de Mello, respectivamente: “O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas.” (MEDAUAR, Odete. A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008) “Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado...” (MELLO, Celso Antonio Bandeira de, Curso de Direito Administrativo, São Paulo, Malheiros, 2003, 17ª edição) Dessa forma, aceitar como “documento idôneo” aquilo que não é, extrapola as condições processuais, eis que o recorrente foge de ônus legal que lhe cabe, posto no art. 373, inc. II da Lei Processual Civil e art. 16, inc. III do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, a prevalecer o uso da Tabela CUB como elemento suficiente para substituir a comprovação de custos de obras, estaríamos abrindo a possibilidade de escolha do meio de prova quanto ao custo de aquisição mais conveniente. Pois se em determinada operação, o custo real for inferior aquele apurável com base na Tabela CUB, bastaria erigir tal elemento para definição do custo. Em perspectiva inversa, caso não seja a tabela CUB o maior valor apuração do custo de aquisição se optaria por juntar os documentos relativos a compra de material de construção e mão de obra. Fl. 295DF CARF MF 14 Hodiernamente, não faz sentido alegar que, por ser pequeno empreendedor ou por haver “intimidade entre o comerciante pequeno e o comprador”, não há a expedição de documento fiscal, como aventado às fls. 275, eis que com os novos modos de formalização do trabalho como o MEI – Micro empreendedor Individual – todos podem ter acesso à emissão de comprovantes de compra e venda a sustentar seu direito. Portanto, alegar não ter os comprovantes dos gastos e fiarse em documento sem força qualquer para sustentar suas alegações é afastarse completamente do êxito processual, uma vez que isso nada mais é do que haver ausência de prova. Sendo certo que o direito do contribuinte não pode ser “presumido” mas deve ser comprovado, temse que não lhe assiste dinâmica favorável no caso concreto. O acolhimento da postulação do recorrente em tal jaez configuraria fazer letra morta das leis processuais e afastarseia da doutrina e, por que não, da segurança jurídica e bom direito. Ademais, como antecipado, furtase o contribuinte de dever que lhe incumbe, não havendo, pois, como se concluir pelo acolhimento do pleito recursal, uma vez que o recorrente – repisese nada comprova, merecendo ser mantida a decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005067/97-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO.
Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustível (Súmula CARF nº 19) necessários ao seu acionamento.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993.164/MG, DJe 17/12/2010).
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA.
É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido dos valores constantes em Notas Fiscais de Entrada emitidas em desacordo com o art. 335 do RIPI/98. Considera-se inidôneo o documento emitido por pessoa jurídica que teve a sua inscrição no CNPJ declarada inapta.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento em maior extensão para excluir a receita de exportação de soja do conceito de receita operacional bruta (denominador).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustível (Súmula CARF nº 19) necessários ao seu acionamento. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993.164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido dos valores constantes em Notas Fiscais de Entrada emitidas em desacordo com o art. 335 do RIPI/98. Considera-se inidôneo o documento emitido por pessoa jurídica que teve a sua inscrição no CNPJ declarada inapta. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustível (Súmula CARF nº 19) necessários ao seu acionamento. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993.164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. É legítima a glosa da base de cálculo do crédito presumido dos valores constantes em Notas Fiscais de Entrada emitidas em desacordo com o art. 335 do RIPI/98. Considerase inidôneo o documento emitido por pessoa jurídica que teve a sua inscrição no CNPJ declarada inapta. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 50 67 /9 7- 81 Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.125 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento em maior extensão para excluir a receita de exportação de soja do conceito de receita operacional bruta (denominador). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: "Versa o presente processo sobre apreciação de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, formalizado pela interessada em epígrafe no documento de fl. 01, no valor de R$ 3.656.556,61, relativamente ao 3 0 trimestre de 1997. Conforme consignado no documento de fl. 212, ao presente processo foram anexados outros de e 10183.002945/9742 (fls. 173/180), 10183.003343/97 85 (181/203) e 10183.02133/9705 (204/211), que tratam de solicitações de compensação de crédito presumido do IN com débitos referentes h contribuição para o PIS e h COFINS. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 228/233, elaborado em substituição ao anterior de fls. 168/171, o AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF) encarregado da verificação da legitimidade do crédito presumido requerido pela interessada expendeu arrazoado e posicionamento favorável ao ressarcimento apenas da parcela de R$ 256.280,79. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em CuiabáMT, a partir da fundamentação exposta no Parecer SASIT n° 213/2001 de fls. 235/244, que corroborou o entendimento do Termo de Verificação Fiscal acima citado, reconheceu, por meio do Despacho Decisório de fls. 245, o direito da solicitante ao crédito presumido do IPI apenas naquela parcela de R$ 256.280,79, tendo autorizado as compensações tratadas nos processos retro mencionados. Em discordância ao deferimento parcial do pleito, foi interposta manifestação de inconformidade de fls. 252/277, na qual, em síntese: Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.126 3 refutouse a negativa da autoridade fiscal ao direito de utilização do crédito presumido do IPI decorrente das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetuadas de cooperativas e de pessoas físicas produtores rurais nãocontribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, sob a argumentação de que restrição partia de uma interpretação literal indevida do art. 10 da Lei n° 9.393/96. Defendeuse que o correto era uma interpretação teleológica, mais abrangente, que melhor traduzisse a intenção dos Poderes Executivo e Legislativo de, ao instituir o beneficio fiscal do credito presumido, desonerar ao máximo a carga tributária das mencionadas contribuições nos produtos industrializados destinados à exportação, sem necessidade de que os fornecedores dos insumos fossem contribuintes do PIS e da COFINS, ou seja, sem vedações aos fornecedores cooperativas ou produtores rurais pessoas físicas. Nesse compasso, foi aduzido que a desoneração tributária das aludidas contribuições referiase não apenas à Última etapa do processo produtivo, mas às duas etapas antecedentes, conforme revelado pelo percentual de 5,37% a ser aplicado para o cálculo do beneficio, pelo que era justo o credito presumido do IPI como ressarcimento daquelas contribuições incidentes nas aquisições de insumos feitas de pessoas físicas e cooperativas; reconheceuse que era procedente a exclusão das exportações de soja do montante da receita de exportação, ressalvandose, porém, que a autoridade administrativa deveria, nos seus cálculos, ter igualmente excluído aquelas exportações do montante da receita bruta, o que, se não providenciado, resultaria em grave e equivocada distorção no resultado final do percentual entre a receita de exportação considerada válida e a receita operacional bruta; alegouse a inexistência de amparo legal ao Fisco para desconsiderar os valores das aquisições de energia elétrica e de serviços de transporte como produtos intermediários consumidos no processo produtivo, mesmo não havendo incorporação fisica daqueles ao produto final. Como argumentos de defesa, foram feita referências ao Regulamento do IPI e a excertos de entendimentos judiciais e administrativos (fls. 259/265), destacandose a menção de que "tendo sido a energia elétrica e os serviços de transporte alçados a categoria de mercadorias, notadamente após a CF/88, tanto que há previsão expressa acerca da incidência do ICMS, impossível se questionar sua natureza jurídica para efeitos do IPI Na qualidade de mercadorias, forçoso reconhecer que são adquiridas para serem consumidas no processo de industrialização, como produto intermediário, integrando efetivamente a mercadoria final a ser exportada" (fls. 264/265); por meio dos arrazoados desenvolvidos nas fls. 265/277, foi repudiada a exclusão do dos valores referentes As aquisições de empresas cujas inscrições no CNPJ haviam sido declaradas inaptas pelos Atos Declaratórios da DRF Cuiabá números 02, de 11 de fevereiro de 1999 e 05, de 25 de fevereiro de 2000; foi requerida, ao final, a procedência do ressarcimento no montante integral pleiteado. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.127 4 Encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Juiz de ForaMG, o processo foi, em seguida, remetido de volta à DRF de origem para efetivação das instruções solicitadas no Despacho da Presidência n° 3.17/2003 (fls. 302/303) da 3a Turma de Julgamento daquela DRJ. A instrução acima adveio consoante os documentos de fls. 304/355, com destaque para a Intimação de fl. 304 seguida pelas respostas da Intimada A fl. 307, acompanhadas das tabelas de fls. 308/335 e de cópias de notas fiscais e de conhecimentos de transportes acostadas às fls. 36/349. Com o Despacho de fl. 357, foram os autos encaminhados a esta DRJ, para julgamento. É o relatório." A decisão de primeira instância, proferida em 26/03/2004 (fls. 399/411), foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, negandolhe provimento, indeferindo o ressarcimento da diferença de R$ 3.400.275,82, resultante entre o inicialmente pleiteado (R$ 3.656.556,61) e a parcela reconhecida pela DRFCuiabá/MT no Despacho Decisório (R$ 256.280,79). Após ciência ao acórdão de primeira instância, em 29/04/2004 (AR à fl. 413), apresentase o Recurso Voluntário de fls. 416/442, em 26/05/2004, com alegações a respeito : (i) Das Aquisições de Produtores Rurais pessoas Físicas e Cooperativas; (ii) Da Glosa da Receita de Exportação de Soja; (iii) Da Exclusão dos Valores da aquisição de Energia Elétrica, de Combustível e de Serviços de Transporte; e (iv) Da Glosa das Aquisições das pessoas jurídicas declaradas inaptas. Em Sessão de 12/09/2005, via Resolução nº 20300.639 (fls. 453/456), determinouse a conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator original Valdemar Ludvig, o qual entendeu oportuna a conversão do julgamento em diligência para que a Recorrente fosse intimada a trazer aos autos provas materiais que confirmem a regularidade das operações realizadas com as empresas Agropecuária Planaltina Ltda. e Agropecuária Vária Vertical Ltda., glosadas pelo Fisco (fl. 456). A INFORMAÇÃO FISCAL (fl. 460), do Serviço de Fiscalização da DRF Cuibá/MT, após verificações, informou que a diligência solicitada foi concluída no curso da ação fiscal programada pela FM 001/99 e que os elementos necessários para embasamento da decisão do Conselho constam no processo nº 10183.000791/0077 multa proporcional ao valor da mercadoria por utilização de nota fiscal irregular (fls. 497/553), negado provimento ao recurso voluntário (Acórdão nº 20177.831, de 14/09/2004) e rejeitado pela CSRF o pedido de reexame de admissibilidade ao recurso especial interposto pela contribuinte. Em Sessão de 29/01/2013, via Resolução nº 3401000.631 (fls. 479/483), determinouse nova conversão do julgamento em diligência, nos mesmos moldes propostos na anterior, nos termos do voto do Conselheiro Relator subseqüente Fernando Marques Cleto Duarte, o qual entendeu ineficaz a diligência original, visto que não verificou exatamente aquilo que fora pedido via Resolução nº 20300.639, de 12/09/2005, além de ter privado a contribuinte da possibilidade de ampla defesa sobre o seu resultado. Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.128 5 Nova INFORMAÇÃO FISCAL (fl. 563), do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF Cuibá/MT, em despacho de encaminhamento, consigna não ter sido atendida pelo interessado à intimação fiscal (fl. 495), instrumento da diligência determinada, por não ter sido localizado no domicílio fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. (i) As aquisições de matériasprimas realizadas junto às pessoas físicas e sociedades cooperativas Alega a Recorrente que a leitura do art. 1°, da Lei n° 9.363/96, onde consta "incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo", deve ser realizada com interpretação mais abrangente, pouco importando o fato de que algumas aquisições tenham sido realizadas junto a Cooperativas e Produtores Rurais (pessoas físicas) na condição de não contribuintes. Sobre a matéria, o STJ, com fundamento na sistemática do art. 543C, do CPC, firmou o seguinte entendimento: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.129 6 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.130 7 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). [...] 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.131 8 Assim, por força do §2º, do art. 621, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015), os Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, devem reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática dos recursos repetitivos, neste caso concreto, reconhecendo o direito ao crédito presumido de IPI, em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas (ii) Da Glosa da Receita de Exportação de Soja Segue em suas alegações a Recorrente afirmando que foi glosada a inclusão das receitas de exportação de soja no faturamento no mercado externo, todavia não procedeuse sob o mesmo critério no faturamento total (mercado interno + mercado externo), admitindo a glosa no numerador (mercado externo), todavia, recorrendo por ajuste no denominador (mercado interno + mercado externo) pela exclusão do mesmo valor. Quanto à essa questão, entendo que foi bem e corretamente enfrentada pelo acórdão recorrido. Vejase (fls. 403/404): Sobre a exclusão do valor da soja em grãos exportada efetuada pela autoridade fiscal no cálculo da Receita de Exportação (REX), não resta dúvida quanto à sua procedência, tanto que reconhecida pela interessada, uma vez que tais grãos não sofreram qualquer processo de industrialização no estabelecimento da requerente, alem de estarem fora do campo de incidência do IPI porquanto classificados na TIPI como "NÃOTRIBUTADOS" (posição 1201.00). Com efeito, sua aquisição pelo produtor exportador não lhe enseja o direito ao crédito presumido do imposto. Por outro lado, nos termos da legislação vigente à época do pleito, o valor referente às exportações de mercadorias/produtos classificados como "NÃOTRIBUTADOS" não deve ser excluído da Receita Operacional Bruta (ROB), visto que esta representa o produto da venda de todos os bens e serviços nas operações de conta própria, além do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia, conforme definido no inciso I do § 15 do art. 3° da Portaria MF n° 38/97, e no inciso I do art. 8° da IN SRF n° 23/97: "Art. 3° O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. §15 Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o prego dos 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.132 9 serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia;" "Art. 8° Para efeitos desta Instrução Normativa, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o prego dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia;" Nesse compasso, dispôs a COSIT no retro aludido Boletim Central n° 147/1998 (Pergunta e Resposta n° 13): "13) Caso a empresa exporte produtos tributados e produtos não tributados: 13.1) Devera ser excluído da receita de exportação o valor referente as exportações de produtos N/T? R) Sim, os produtos N/T estão fora do campo de incidência do tributo e não geram direito ao crédito presumido.(.) 13.2) Devera ser excluído da receita operacional bruta o valor referente as exportações de produtos N/T? R) Não (art. 3°, §15, inciso I, da Portaria MF n°38/97 e art. 8°, inciso I, da IN SRF n° 23/97)." Deveras, mostrase descabida a pretensão da defesa de excluir o valor da soja em grãos exportada da Receita Operacional Bruta, por representar tal exclusão procedimento não abrigado pela legislação vigente à época do pleito para a apuração do crédito presumido do 'PT. Não tendo a ora Recorrente, nesse ponto, apresentado novas razões de defesa perante a segunda instância, proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos moldes do §3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei n. 9.784/99, para não acolher o requerimento de ajuste proposto pela defesa. (iii) Da Exclusão dos Valores da aquisição de Energia Elétrica, de Combustível e de Serviços de Transporte. Quanto à exclusão dos valores da aquisição de energia elétrica e de combustível da base de cálculo do crédito presumido de IPI, resta aplicar o enunciado da Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.133 10 Já quanto à exclusão dos valores de Serviços de Transporte em geral, acompanho a decisão recorrida pelas conclusões, no sentido da ausência de provas, pelas razões abaixo transcritas: "Mesmo em se cogitando que as pessoas jurídicas para as quais foram pagos fretes tivessem sido todas contribuintes do PIS e da COFINS (o que se faz somente a titulo ilustrativo, porquanto, nos autos, como exposto, isso não resta caracterizado), não há indícios, no processo, de que a exclusão da diferença acima mencionada seria possível. Isso porque, a teor da resposta e 2, de que "Os serviços de frete, prestados por pessoas (..) jurídicas, não foram incluídos no preço indicado nas notas fiscais de aquisição de insumos (..), sendo emitidos conhecimentos de transporte em separado", não se verifica a apresentação pela interessada de elementos de prova que atestem documentalmente tal assertiva e, por conseqüência, a comprovação da necessária vinculação entre os conhecimentos de transporte alegados como emitidos e as respectivas notas fiscais de aquisição de insumos. Nesse ponto, cabe destacar que as cópias das notas fiscais apresentadas dentre as fls. 336/349 tratam de notas de saída, referentes a operações de venda efetuadas pela empresa requerente (com códigos fiscais de operação 5.12 ou 6.12 — "vendas de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros") e não operações de aquisição de insumos realizadas pela referida empresa. Conseqüentemente, as cópias dos conhecimentos de transporte também constantes dentre as fls. 336/349 não evidenciam execuções de serviços de frete que possam contar com amparo legal para participação no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do ipi. Destarte, este julgador entende que, na apuração dos insumos consumidos pela requerente, mostrase lídima a exclusão do valor a titulo de frete (R$ 13.604.889,12) efetuada pela autoridade fiscal nas fls. 224 e 239. Já no caso de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, acompanho integralmente a decisão a quo, ao entender que o frete e outras despesas acessórias nunca integrarão a base de calculo desse beneficio, nem quando for decorrente de remessa para industrialização fora do estabelecimento, porquanto não configuram hipóteses de aquisição de MP, PI e ME, não se vislumbrando o levantamento de discussão específica ou exibição de documentos comprobatórios relativamente ao frete que possam infirmar as conclusões alcançadas pela decisão recorrida e ora ratificadas. (iii) Da Glosa das Aquisições das pessoas jurídicas declaradas inaptas. Por fim, quanto à questão relacionada às inaptidões, entendo que também foi bem e corretamente enfrentada pelo acórdão recorrido. Vejase (fls. 407/411): Partese, a seguir, para a análise da exclusão do valor de R$ 3.854.632,50, também realizada pelo Fisco na apuração dos Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.134 11 insumos consumidos, indicada na rubrica "INEFICAZES" da fl. 226 no item 23 e na linha "G" da tabela de fl. 241. Consoante o disposto no Termo de Verificação Fiscal, item "d", as fls. 231/232, tal exclusão decorreu da presunção do Fisco de que as aquisições de matériasprimas indicadas na relação de fls. 216/220 teriam sido efetuadas: a) de pessoas físicas e não das pessoas jurídicas denominadas Comercial Agropecuária Planaltina Ltda., CNPJ n° 01.634.026/000154, e Comercial Agropecuária Vertical Ltda., CNPJ n° 73.873.614/000151, já que estas tiveram suas inscrições no CNPJ declaradas inaptas pelo Delegado da Receita Federal em CuiabáMT, por meio dos Atos Declaratórios Executivos (ADE) expedidos, respectivamente, em 11/02/1999 e 25/02/2000 (fls. 221/222 e 358/359); b) sem evidência de boafé por parte da interessada adquirente. Ao tempo da edição dos ADE, estava em vigor a IN SRF n° 66, de 29 de agosto de 1997, que regulamentou em primeiro lugar os arts. 80 a 82 da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Tratou a IN da declaração de inaptidão da pessoa jurídica, tendo em vista a caracterização de sua inexistência de fato e da ineficácia tributária de documentação por ela emitida. Os artigos 80 a 82 da Lei n° 9.430/96 dispõem: [...] No tocante A. IN SRF n° 66/97, importa ao caso em questão a transcrição dos arts. 2°, 11 e 15: [...] Os dispositivos da IN acima reproduzidos detalham os casos legais em que se declara a inaptidão da pessoa jurídica: especificam as situações que a caracterizam e os efeitos legais da utilização e aproveitamento, por terceiros interessados, de documentação emitida por empresas declaradas inaptas. Verificase o estabelecimento legal de uma presunção de ineficácia tributária dos documentos emitidos por empresas inaptas, a qual, entretanto, pode ser elidida na hipótese do parágrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430/96, repetida pelo § 5° do art. 15 da IN SRF n° 66/97. Isso revela que tal presunção é do tipo juris tantum, ou seja, admitese seu afastamento pela apresentação de prova em contrário, cujo ônus, entretanto, compete não ao Fisco, mas ao "terceiro interessado". Deveras, o efeito da declaração de inaptidão não alcança os adquirentes que comprovarem cumulativamente a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou a utilização dos serviços. Atentese que, na comprovação material cumulativa supra aludida, está presente, de modo subjacente, a caracterização de boafé (elemento subjetivo) do adquirente, isto 6, a evidência de que não houve de sua parte a intenção de praticar juntamente com o seu fornecedor o ato lesivo à Fazenda Pública. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.135 12 A par disso, cumpre destacar que a legislação tributária, nos termos do Processo Administrativo Fiscal, estabelece que o período de interposição da impugnação escrita é o momento apropriado para o autuado apresentar as razões e as provas inequívocas que afastem veementemente o entendimento fiscal do qual discorda. Todavia, no caso presente, observase a completa ausência, na impugnação, dos elementos de prova cumulativos necessários e capazes de suprimir os efeitos das declarações de inaptidão das empresas Comercial Agropecuária Planaltina Ltda. e Comercial Agropecuária Vertical Ltda. De outro lado, importa salientar que os mencionados atos de declaração de inaptidão decorreram de apurações efetuadas pelo Fisco devidamente formalizadas nos processos administrativos to 10183.000247/9947 e 10183.004661/9906, tendo havido, contrariamente ao entendimento da reclamante, pleno atendimento ao principio da publicidade, enunciado no caput do art. 17 da IN n° 66/97, porquanto foram os atos devidamente publicados no Diário Oficial da Unido, como se constata das cópias apensadas as fls. 358/359. Ademais, verificase que ambos os atos administrativos fazem referências expressas ao motivo: "inexistência de fato" e à temporalidade da inaptidão: o período de 10/12/1993 até 13/01/2000 para a Comercial Agropecuária Vertical Ltda, e desde 27/01/1997 para a empresa Comercial Agropecuária Planaltina Ltda, atendendose o art. 16 da IN em comento. A propósito, do preceito desse art. 16, combinado com as prescrições emanadas das alíneas do § 3° do art. 15 da referida IN, em especial a alínea "c" para o caso ora em apreço, não resta dúvida, novamente ao contrário do aduzido pela reclamante, que a natureza daqueles atos é declaratória, logo, com produção de efeitos retroativos. A eficácia da inaptidão 6, pois, ex tunc, ficando, porém, adstrita ao período consignado no respectivo ato declaratório. Assim sendo, e nos termos da Portaria MF no 258/01 — cujo art. 7°, conforme mencionado na primeira parte deste voto, estabelece ao "julgador o dever de observar (..) o entendimento da SRF expresso em atos tributários e aduaneiros" — em consonância com a Portaria SRF n° 001, de 02 de janeiro de 2001 — que, no art. 2°, inciso I, alínea "d", estipula o Ato Declaratório Executivo emitido por Delegado da Secretaria da Receia Federal RF como sendo Ato Tributário e Aduaneiro —, este julgador entende ser procedente a exclusão dos insumos registrados pela interessada como adquiridos daquelas empresas declaradas inaptas, realizada pelo Fisco na fl. 226 sob a rubrica "INEFICAZES" e, na fl. 241, no item 23 e na linha "G" da tabela ali inserta. Não tendo a ora Recorrente, também nesse ponto, apresentado novas razões de defesa perante a segunda instância, mesmo após duas tentativas de diligências fiscais, Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10183.005067/9781 Acórdão n.º 3302005.590 S3C3T2 Fl. 2.136 13 proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos moldes do §3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei n. 9.784/99, para negar provimento ao recurso voluntário interposto. Pelas razões expostas, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 2136DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.907671/2013-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 71 /2 01 3- 56 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907671/201356 Acórdão n.º 1302002.828 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1150.031, de 30 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao mês de maio de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 6.534,37, originarseia de pagamento efetuado em 29/06/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907671/201356 Acórdão n.º 1302002.828 S1C3T2 Fl. 4 3 c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 12/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907671/201356 Acórdão n.º 1302002.828 S1C3T2 Fl. 5 4 d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907671/201356 Acórdão n.º 1302002.828 S1C3T2 Fl. 6 5 Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907671/201356 Acórdão n.º 1302002.828 S1C3T2 Fl. 7 6 A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907671/201356 Acórdão n.º 1302002.828 S1C3T2 Fl. 8 7 receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907671/201356 Acórdão n.º 1302002.828 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13831.000103/2009-85
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. SÓCIO DOMICILIADO NO EXTERIOR.
O pressuposto é de que não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que tenha sócio domiciliado no exterior.
Numero da decisão: 1003-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para limitar os efeitos da exclusão do Simples Nacional ao ano-calendário de 2009.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. SÓCIO DOMICILIADO NO EXTERIOR. O pressuposto é de que não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que tenha sócio domiciliado no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para limitar os efeitos da exclusão do Simples Nacional ao ano calendário de 2009. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório O Termo de Indeferimento da Opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, fl. 05, a partir de 01.01.2009, fl. 01, está fundamentado de fato e de direito a seguir discriminados: Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 8° da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 00 01 03 /2 00 9- 85 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13831.000103/200985 Acórdão n.º 1003000.086 S1C0T3 Fl. 62 2 de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional por incorrer na(s) seguinte(s) situação(ões): Estabelecimento CNPJ: 10.518.700/000126 Existência de sócio domiciliado no exterior. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso II. Existência de sócio domiciliado no exterior. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso II. A pessoa jurídica poderá impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação deste Termo. A impugnação deverá ser dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento com jurisdição sobre o domicilio tributário do contribuinte e protocolizada em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Considerase feita a intimação quinze dias contados da data do registro deste Termo. (Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 5º, 15,17 e 23, § 2°, III, "b"). A pessoa jurídica, caso já tenha regularizado as pendências acima enumeradas, poderá solicitar nova opção pelo Simples Nacional no prazo de trinta dias contados da data do último deferimento da inscrição municipal e, se exigível, da estadual. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 0122.465, de 28.07.2011, efls. 3340: INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. IMPEDIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE SÓCIO DOMICILIADO NO EXTERIOR. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 24.05.2012, efls. 5051, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.06.2012, fls. 5259, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Referente ao cumprimento dos requisitos para deferimento da Opção pelo Simples Nacional aduz que: Adriana Midori Hara Porceli, vem através desta comunicar em relação ao Comunicado 2012/0335 de 21052012 referente ao Processo 13831.000103/2009 85, indeferindo a opção pelo Simples Nacional, houve alteração do quadro societário da empresa EXTREME STRONGER AUDIO PARTS SOM AUTOMOTIVO LTDA CNPJ 10.518.700/000126, conforme documentos em anexo. A opção pelo Simples Nacional iniciou em 01012010, sendo a constituição em 19112008. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13831.000103/200985 Acórdão n.º 1003000.086 S1C0T3 Fl. 63 3 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente se insurge contra o indeferimento da Opção Pelo Simples Nacional ao argumento de que houve alteração do quadro societário. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A pessoa jurídica não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos 1. O pressuposto é de que não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que tenha sócio domiciliado no exterior 2. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007,e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal e inciso II do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13831.000103/200985 Acórdão n.º 1003000.086 S1C0T3 Fl. 64 4 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No que se refere às condições cumulativas de opção pelo Simples Nacional, a Recorrente com início de atividade no anocalendário de 2008 deveria cumprir os seguintes requisitos concomitantemente: (a) poderia efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade até 08.02.2009 (dez dias contados do último deferimento de inscrição formal), fl. 16; (b) poderia efetuar sua opção pelo Simples Nacional até o dia 18.05.2009 (180 dias da inscrição do CNPJ), a saber: 11 dias em novembro + 31 dias em dezembro do ano de 2008 + 31 dias em janeiro + 289 dias fevereiro + 31 dias em março + 30 dias em abril + 18 dias em maio do ano de 2009, fls. 0612. A Recorrente fez a solicitação de Opção no Simples Nacional em 02.02.2009 em cumprimentos aos requisitos legais de início de atividades. Ocorre, porém, que houve análise das circunstâncias legais de vedação. Em sede de recurso voluntário a Recorrente instrui os autos com a Ficha Cadastral Simplificada da Junta Comercial do Estado de São Paulo, efls. 5259, cujas informações por serem públicas e com validade perante terceiros devem ser consideradas (art. 967 do Código Civil): NESTA FICHA CADASTRAL SIMPLIFICADA, AS INFORMAÇÕES DOS QUADROS "EMPRESA", "CAPITAL", "ENDEREÇO", "OBJETO SOCIAL" E "TITULAR/SÓCIOS/DIRETORIA" REFEREMSE À SITUAÇÃO ATUAL DA EMPRESA, NA DATA DE EMISSÃO DESTE DOCUMENTO. A SEGUIR, SÃO INFORMADOS OS EXTRATOS DOS CINCO ÚLTIMOS ARQUIVAMENTOS REALIZADOS, SE HOUVER. A AUTENTICIDADE DESTA FICHA CADASTRAL SIMPLIFICADA PODERÁ SER CONSULTADA NO SITE WWW.JUCESP.FAZENDA.SP.GOV.br, MEDIANTE O CÓDIGO DE AUTENTICIDADE INFORMADO AO FINAL DESTE DOCUMENTO. PARA OBTER Ò HISTÓRICO COMPLETO DA EMPRESA, CONSULTE A FICHA CADASTRAL COMPLETA. [...] TITULAR/SÓCIOS/DIRETORIA ADRIANA MIDORI HARA PORCELI, NACIONALIDADE BRASILEIRA, CPF: 374.430.74840, RG/RNE: 403890007 SP, RESIDENTE À RUA ANTONIO ZAKI ABUCHAM, 565, JD OURO FINO, OURINHOS SP, CEP 19914150, NA SITUAÇÃO DE SÓCIO E ADMINISTRADOR, REPRESENTANTE DE LANA HARA PORCELI, ASSINANDO PELA EMPRESA. COM VALOR DE PARTICIPAÇÃO NA SOCIEDADE DE $ 9.900,00. LANA HARA PORCELI, NACIONALIDADE BRASILEIRA, CPF: 419.929.75884, RG/RNE: 536244066 SP, RESIDENTE À RUA ANTONIO ZAKI ABUCHAM, 565, JD OURO FINO, OURINHOS SP, CEP 19914150, NA SITUAÇÃO DE SÓCIO. COM VALOR DE PARTICIPAÇÃO NA SOCIEDADE DE $ 100,00.' 5 ÚLTIMOS ARQUIVAMENTOS NUM.DOC: 351.674/081 SESSÃO: 19/11/2008 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13831.000103/200985 Acórdão n.º 1003000.086 S1C0T3 Fl. 65 5 PUBLICO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO, COMPARECERAM COMO OUTORGANTES, ANDRE SHATOSHI HARA, CPF: 295.496.81840 E RG: 32.644.4105 E ANDERSON MASSAYUKI HARA, CPF: 337.714.01828 E RG 40.389.3197, NOMEIAM E CONSTITUEM SUA BASTANTE PROCURADORA ADRIANA MIDORI HARA PORCELI, CPF: 374.430.74840 E RG: 40.389.0007, A QUEM CONFEREM AMPLOS, GERAIS E ILIMITADOS PODERES ESPECIAIS, PERANTE TERCEIROS, PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS, REPARTIÇÕES E ÓRGÃOS PÚBLICOS FEDERAIS, MUNICIPAIS E SUAS AUTARQUIAS, INCLUSIVE NA JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO JUCESP, COM A FINALIDADE ESPECIAL DE PROCEDER TODA DOCUMENTAÇÃO INDISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÃO DE EMPRESA E INÍCIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL, ALEM DO DISTRATO E ENCERRAMENTO DE EMPRESA E TERMINO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL, PODENDO ELABORAR, ASSINAR E REGISTRÁLOS NOS ÓRGÃOS COMPETENTES, REGISTRAR, REPRESENTAR E ASSINAR EVENTUAIS ALTERAÇÕES CONTRATUAIS NUM.DOC: 942.616/080 SESSÃO: 19/11/2008 REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE ENQUADRAMENTO DE MICROEMPRESA (ME). NUM.DOC: 414.783/098 SESSÃO: 17/11/2009 ALTERAÇÃO DE SÓCIOS/TITULAR/DIRETORIA: RETIRASE DA SOCIEDADE ANDRE SHATOSHI HARA, NACIONALIDADE BRASILEIRA, CPF: 295.496.81840, RESIDENTE A RUA ANTONIO ZAKI ABUCHAM, 565, JD OURO FINO. OURINHOS SP, CEP 19914150. NA SITUAÇÃO DE SÓCIO. COM VALOR DF PARTICIPAÇÃO NA SOCIEDADE DE $ 5.000,00 (CINCO MIL REAIS). RETIRASE DA SOCIEDADE ANDERSON MASSAYUKI HARA, NACIONALIDADE BRASILEIRA, CPF: 337.714.01828, RESIDENTE À RUA ANTONIO ZAKI ABUCHAM, 565, JD OURO FINO, OURINHOS SP, CEP 19914150, NA SITUAÇÃO DE SÓCIO, COM VALOR DE PARTICIPAÇÃO NA SOCIEDADE DE $ 5.000,00 (CINCO MIL REAIS). REDISTRIBUIÇÃO DO CAPITAL DE ADRIANA MIDORI HARA PORCELI, NACIONALIDADE BRASILEIRA, CPF: 374.430.74840, RG/RNE: 40.389.0007 SP, RESIDENTE À RUA ANTONIO ZAKI ABUCHAM, 565, JD OURO FINO, OURINHOS SP, CEP 19914150, REPRESENTANDO LANA HARA PORCELI, NA SITUAÇÃO DE SÓCIO E ADMINISTRADOR, ASSINANDO PELA EMPRESA, COM VALOR DE PARTICIPAÇÃO NA SOCIEDADE DE $ 9.900,00 (NOVE MIL, NOVECENTOS REAIS). ADMITIDO LANA HARA PORCELI, NACIONALIDADE BRASILEIRA, CPF: 419.929.75884, RG/RNE: 53.624.4066 SP, RESIDENTE À RUA ANTONIO ZAKI ABUCHAM, 565, JD OURO FINO, OURINHOS SP, CEP 19914150, NA SITUAÇÃO DE SÓCIO, COM VALOR DE PARTICIPAÇÃO NA SOCIEDADE DE $ 100,00 (CEM REAIS). INCLUSÃO DE CNPJ 10.518.700/000126 CONSOLIDAÇÃO CONTRATUAL DA MATRIZ. SITUADA À RUA ANTONIO ZAKI ABUCHAM, 557, SALA 02, JD OURO FINO, OURINHOS SP, CEP 19914150, COM OBJETO DESTACADO DE COMÉRCIO A VAREJO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS NOVOS PARA VEÍCULOS AUTOMOTORES. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13831.000103/200985 Acórdão n.º 1003000.086 S1C0T3 Fl. 66 6 Houve Alteração de Sócios/Titular/Diretoria nº 414.783/098 em 17.11.2009 com a retirada dos sócios domiciliados no exterior André Shatoshi Hara eAnderson Masayuki Hara e admissão da sócia Lana Hara Porceli residente na Rua Antônio Zaki Abucham, nº 565, bairro Jardim Ouro Fino, na cidade de Ourinhos/SP. Restou comprovado que a Recorrente regularizou a situação impediente em 17.11.2009, de acordo com a Ficha Cadastral Simplificada da Junta Comercial do Estado de São Paulo, efls. 5259, ou seja, após expirado o prazo excepcional constante nas condições cumulativas de opção pelo Simples Nacional de empresa no início de atividade no ano calendário de 2008. Diante desta circunstância está correto o indeferimento da opção pelo Simples Nacional no anocalendário de 2009, uma vez que a Recorrente comprovou que cessou a circunstância impeditiva em 17.11.2009. A inferência denotada na peça recursal, nesse caso, acertada em parte. Especificamente sobre a opção pelo Simples Nacional, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tão somente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto para o anocalendário de 2009, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em dar provimento parcial ao recurso, para limitar os efeitos da exclusão do Simples Nacional ao anocalendário de 2009. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902287/2015-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 22 87 /2 01 5- 09 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13005.902287/201509 Acórdão n.º 1201002.179 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de CSLL. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de CSLL para o 3º trimestre/2010, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 12% para apuração da base de cálculo da CSLL por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativo ao 3º trimestre de 2010, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 30695.51065.030915.1.2.042140. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13005.902287/201509 Acórdão n.º 1201002.179 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, em seu art. 20 estabelece que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral, sob o regime do Lucro Presumido, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). Contudo, o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" (redação alterada pela Lei 11.727/08), previu uma exceção ao percentual de 32% exatamente para os serviços hospitalares, caso da Manifestante, em que a base da CSLL será de 12%, desde que seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13005.902287/201509 Acórdão n.º 1201002.179 S1C2T1 Fl. 5 4 de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 12%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para utilizaação da alíquota no percentual de 12%, para apuração da base de cálculo sobre o lucro presumido da CSLL, é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13005.902287/201509 Acórdão n.º 1201002.179 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de CSLL, relativo ao 3º trimestre/2010. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13005.902287/201509 Acórdão n.º 1201002.179 S1C2T1 Fl. 7 6 DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13005.902287/201509 Acórdão n.º 1201002.179 S1C2T1 Fl. 8 7 excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13005.902287/201509 Acórdão n.º 1201002.179 S1C2T1 Fl. 9 8 No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13005.902287/201509 Acórdão n.º 1201002.179 S1C2T1 Fl. 10 9 Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 209DF CARF MF
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