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Numero do processo: 11060.002030/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ATUALIZAÇÃO.
Recolhimento de estimativas, quando se formam o saldo negativo, a atualização só possível a partir do mês subsequente ao término do trimestre ou ano-calendário.
Numero da decisão: 1402-002.912
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ATUALIZAÇÃO. Recolhimento de estimativas, quando se formam o saldo negativo, a atualização só possível a partir do mês subsequente ao término do trimestre ou anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 20 30 /2 00 5- 85 Fl. 353DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11060.002030/200585 Acórdão n.º 1402002.912 S1C4T2 Fl. 354 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria RS, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente em epígrafe. Do Despacho Decisório: Conforme consta no processo, e qual aproveito e transcrevo o discorrido a respeito no v. acórdão recorrido, pelo bem descrever os fatos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação (PER/DCOMP) e de Pedido de Restituição onde o Contribuinte compensou débitos de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL com créditos provenientes de pagamentos indevido ou a maior de IRPJ referente as estimativas mensal dos períodos de apuração 09/1999 a 02/2000 da sucedida Dicol Distribuidora de Congelados Ltda., CNPJ 93.932.713/000174. (...) A autoridade competente da DRF em Santa Maria analisou as referidas declarações e os documentos pertinentes, e emitiu o Parecer DRF/STM/SAORT nº 281, de 26 de agosto de 2005 (fls. 119120) e o Despacho Decisório DRF/STM, de 26 de agosto de 2005 (fl. 121), homologando as compensações requeridas até o limite do crédito remanescente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 e indeferindo os Pedidos de Restituição constantes no PER/DCOMPs nºs. 32112.04853.260105.1.2.047595, 15556.70409.250205.1.2.047279 e 37134.15048.300305.1.2.3268 por falta de previsão legal. A autoridade competente assim se manifesta no referido Parecer: 5. Em consulta ao Sistema COMPROT, verificouse a existência do processo administrativo fiscal nº 13046.000090/200313, que trata de compensação de crédito oriundo de saldo negativo e pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, da incorporadora DICOL Distribuidora de Congelados Ltda., CNPJ nº 93.932.713/000174, com débitos do (a) interessado (a), mediante a apresentação de Declaração de Compensação. Da análise deste processo verificase que foi efetuada Diligência Fiscal na empresa e refeita pela fiscalização, a apuração dos ajustes anuais do IRPJ dos anoscalendário de 1993 a 2001. 6. Da análise do conteúdo do Relatório de Verificação Fiscal anexado às fls. 64/69 e seus anexos de 70/86, parte integrante deste Parecer, informase que de posse de extratos dos Sistemas da SRF que retratam os valores declarados de DIRPJ e DIPJ e das DCTF e dos valores pagos (SINAL 10), além dos Livros Fiscais e Demonstrativos elaborados pelo (a) contribuinte e levando em conta a legislação de regência, a fiscalização procedeu as alterações na apuração dos ajustes anuais do IRPJ dos anoscalendário 1993 a 2001, destacandose, para o deslinde do presente caso: Fl. 355DF CARF MF 4 I – As planilhas do Anexo 4, fls. 77/85, retratam os valores de IRPJ dos anos calendário 1993 a 2001, da empresa incorporada. O Relatório de Fiscalização assim se expressa sobre seu conteúdo: “O anexo 4 (fls. 211 a 219) demonstra que em 30/11/2001, data da incorporação efetuada pela empresa TECMA, a empresa DICOL apresentou saldos negativos de IRPJ remanescentes apurados nos ajustes de 31/12/1998, 31/12/1999 e 31/12/2000 de R$32.955,65, R$ 140.296,96 e R$ 120.598,05, no montante de R$ 293.850,65, em valores históricos, e no montante de R$ 375.147,21, em valores atualizados pela SELIC, além do saldo negativo de IRPJ de R$ 1.430,09, apurado no ajuste de 30/11/2001, com um valor total de R$ 376.577,30. (grifei).” II – As planilhas do Anexo 5, fls. 86, apresentam, primeiramente, o cálculo anual do IRPJ sobre o lucro real nos anoscalendário 1992 a 2001, de acordo com os valores apresentados pelo contribuinte nas DIRPJ e DIPJ dos exercícios 1993 a 2002 e, após, os valores apurados pela fiscalização. 7. As compensações declaradas pelo (a) contribuinte e constantes do Resumo das Compensações em análise, 100 (frente e verso) e 101, cópia fiel dos dados constantes dos PER/DCOMP transmitidos, evidenciando o débito compensado e os créditos utilizados (pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo às estimativas mensais), embora passíveis de homologação, pois há crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2000 e 31/12/2001 não utilizado até as datas de transmissão dos referidos PER/DCOMP, não podem ser da forma requerida, utilizando como crédito o pagamento efetuado a título de antecipações mensais. 8. O método utilizado pelo contribuinte de considerar o recolhimento de IRPJ das estimativas mensais como crédito a título de “Pagamento indevido ou a maior” efetuando o acréscimo de juros equivalentes a Taxa Selic a partir do mês seguinte ao de cada recolhimento, é incabível, por falta de previsão legal. O contribuinte apura o IRPJ sobre o lucro real anual, podendo deduzir as estimativas pagas ao longo do anocalendário, além das demais deduções previstas em Lei, e terá, se for o caso, saldo negativo de IRPJ apurado em 31 de dezembro daquele anocalendário ao invés de pagamento indevido ou a maior da estimativa, como procedeu o contribuinte. [....] 10. Em conseqüência, refezse o Demonstrativo das compensações, conforme fls. 113 (frente e verso) e 114, considerandose o crédito existente de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2000, remanescente da compensação efetuada no processo nº 11060.001755/200556, para saldar total ou parcialmente os débitos arrolados. [....] 12. Quanto aos Pedidos de restituição, fls. 101 – verso, cujo crédito pleiteado é crédito indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, referentes aos períodos de apuração 10/1999, 01/2000 e 02/2000, pelos motivos expostos, não há previsão legal para ser deferido. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o decidido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual aproveito e transcrevo a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11060.002030/200585 Acórdão n.º 1402002.912 S1C4T2 Fl. 355 5 Em síntese, os motivos pelos quais não se conforma com o decidido no Despacho Decisório DRF/STM, de 26 de agosto de 2005, que aprovou Parecer DRF/STM/SAORT nº 281, são os seguintes: No Relatório de Fiscalização é dado, de forma equivocada, aos recolhimentos de IRPJ estimado efetuados indevidamente a maior, o tratamento de saldo negativo, atualizando os créditos a partir do mês subseqüente ao término do anocalendário, não aplicando a taxa SELIC a partir da data dos recolhimentos a maior, como prevê a legislação. Não foi cientificado da reconstituição dos saldos negativos Relatório de Fiscalização, restando claramente configurado o cerceamento do direito de defesa. Prova disso é o Relatório de Fiscalização datado de 10/06/2005 e o próprio processo em questão, no qual os despachos decisórios foram emitidos em agosto de 2005, sendo notificado apenas em 29/04/09. Desse modo, espera que o próprio fisco venha a considerar os novos valores para que todas as compensações sejam homologadas e assim todo o crédito de direito do contribuinte seja utilizado para compensação ou restituído. Consta no Parecer DRF/STM/SAORT nº 271, processo nº 11060.001755/200556, de 5 de agosto de 2006, que as autocompensações corroboradas pelo Relatório de Fiscalização, utilizaram como créditos, pagamentos parciais dos débitos na data do vencimento, complementando com saldo negativo do IRPJ apurado em 31 de dezembro do ano anterior ao vencimento do débito a ser compensado, afirmativa essa que está incorreta no que diz respeito às compensações com saldo negativo. As compensações com saldo negativo não se limitaram a utilização do saldo de 31 de dezembro do ano anterior ao vencimento do débito, mas sim foram sendo feitas com saldo negativo de IRPJ mais antigo remanescente e ainda não decaído, sendo confirmado com o que consta nas planilhas anexas ao Relatório de Fiscalização (fls. 133136). Dessa forma, as compensações demonstradas no anexo ao Despacho Decisório DRF/STM, de 05 de agosto de 2006 (processo nº 11060.001755/200556) não estão corretas, pois de acordo com o Relatório de Fiscalização, os débitos de janeiro de 1999 e parte de fevereiro de 1999 e os débitos de abril, maio e junho de 2001 foram compensados com o Saldo negativo do anocalendário de 1998 (Anexo I). Devido aos equívocos nas compensações efetuadas e demonstradas no Parecer DRF/STM/SAORT nº 271, na Notificação DRF/STM nº 06/273, de 28 de agosto de 2006, foi apontado saldos de recolhimentos de IRPJ, código 2362 e saldo negativo de IRPJ de 1998 e 1999 totalmente utilizados, não restando saldo credor disponível para futuras compensações. Essa informação é equivocada, pois observandose o descrito no Relatório de Fiscalização e nas planilhas a ele anexas, podese verificar que os saldos negativos a serem compensados após a última efetuada através deste processo (11060.001755/200556) são os seguintes (valor original): * saldo negativo do anocalendário de 1998 ...........R$ 32.955,65 * saldo negativo do anocalendário de 1999 ...........R$ 140.296,96 * saldo negativo do anocalendário de 2000 ...........R$ 120.598,05 * saldo negativo do anocalendário de 2001 ...........R$ 32.955,65 A conclusão no Relatório de Fiscalização de que não há mais saldos negativos de IRPJ de 1998 e 1999 para futuras compensações está incorreta e em Fl. 357DF CARF MF 6 desacordo com o próprio relatório. Assim, os saldos devem ser utilizados para as compensações deste processo. Analisando o art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1995, art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, art. 73 da Lei nº 9.532, de 1997, art. 876 do Código Civil, art. 10 da Instrução Normativa Nº 460, de 2004, questão nº 606 do “Perguntas e Respostas”, art. 150 do CTN e art. 898 do RIR/1999, concluiu se que as compensações efetuadas, referentes ao IRPJ estimativa dos anos calendário de 1998 e 1999, já foram homologadas em função do prazo transcorrido. Não pode a autoridade administrativa, por mera liberalidade, alterar as compensações procedidas naqueles anoscalendário. Conforme a matéria decadencial, mais especificamente lançamento por homologação, há que se dizer que decorrido o período apontado em lei é defeso à fiscalização operar qualquer procedimento contrário ao existente. Ocorreu cerceamento de direito quando a Fiscalização alterou procedimento já imutáveis diante de prazo decadencial. Em relação ao assunto, transcreve ensinamentos de Leandro Paulsen e de Diogo Leite de Campos, e decisões administrativas. Em síntese, os pontos de discordância e os pedidos são os seguintes: a) Que sejam reconhecidos os pagamentos efetuados indevidamente a maior e dado a estes o tratamento com tal. b) A correção pelos juros SELIC, dos recolhimentos de IRPJ efetuados indevidamente a maior, deverá ser com base no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995. c) Sejam homologadas as compensações originalmente efetuadas pelo contribuintes com os pagamentos indevidos a maior. d) Caso não sejam reconhecidos os pagamentos efetuados a maior e prevaleça o disposto no Relatório de Fiscalização, sejam: d.1) Dada a possibilidade de retificar os seus pedidos de compensação relativos aos saldos negativos para corrigir os valores em função das alterações propostas no referido relatório. d.2) Sejam esgotados os créditos de saldo negativo de IRPJ mais antigos para depois passar a compensar para o subseqüente e, após todas as compensações, restando saldo credor, seja o mesmo restituído com o acréscimo de juros SELIC. d.3) Corrigidas as compensações demonstradas no Anexo ao Despacho Decisório DRF/STM, de 05 de agosto der 2006 (processo nº 11060.001755/2005 56) conforme demonstrado no anexo I desta Manifestação de Inconformidade. Finalizando, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para que seja restituído os valores objeto de pedido de restituição. Da decisão da DRJ: Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem manter a decisão da DRF, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11060.002030/200585 Acórdão n.º 1402002.912 S1C4T2 Fl. 356 7 Anocalendário: 2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA É incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, quando comprovado que o Contribuinte foi cientificado do procedimento fiscal, dandolhe suporte material suficiente para que possa conhecêlo e apresentar sua defesa. DECISÕES. DEFINITIVIDADE As decisões da autoridade administrativa não contestadas pelo Contribuinte são definitivas. Desse modo, os saldos negativos de IRPJ apurados pela Fiscalização em processo anterior, quando esgotado o prazo para contestação, não podem ser novamente analisados pela autoridade administrativa. PER/DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO Não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento se manifestar sobre pedido de retificação de PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: Analisando os autos, concluiuse que não ocorreu cerceamento do direito de defesa, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito à defesa e ao contraditório, pois teve a oportunidade de apresentar na Manifestação de Inconformidade, os argumentos e documentos no sentido de comprovar que a decisão da autoridade competente não está correta.. (...) Em relação aos outros argumentos da defesa, entre os quais, que as compensações efetuadas, referente ao IRPJ dos anos calendário de 1998 e 1999, já foram homologadas em função do prazo transcorrido (decadencial), que no Relatório de Fiscalização é dado, de forma equivocada, aos recolhimentos de IRPJ estimado efetuados indevidamente a maior, o tratamento de saldo negativo, atualizando os créditos a partir do mês subseqüente ao término do anocalendário, não aplicando a taxa SELIC a partir da data dos recolhimentos a maior, como prevê a legislação, que as compensações homologadas e demonstradas no anexo ao Despacho Decisório DRF/STM nº 271, de 05 de agosto de 2005 estão incorretas, cabe esclarecer que não cabe a sua análise neste processo, pois a apuração dos saldos negativos dos anoscalendário de 1994 a 2001 foi efetuada no processo nº 13046.000090/200313, assim como também, foram Fl. 359DF CARF MF 8 homologadas todas as compensações feitas, não havendo contestação por parte do Contribuinte, sendo definitiva a decisão proferida pela DRF (fls. 256259). (...). Também, as compensações homologadas no processo nº 11060.001755/200556 não foram contestadas, sendo a decisão proferida definitiva, não cabendo mais a discussão no âmbito administrativo. Conforme Notificação nº DRF/STM/Saort Nº 255, de 24 de abril de 2009 (fl. 253), a Manifestação de Inconformidade protocolizada em 02/10/2006 (fl. 252) não foi conhecida pela DRF em Santa Maria, ato esse que também não foi contestado pelo Contribuinte. Portanto, os saldos negativos de IRPJ apurados conforme Relatório de Fiscalização e anexos (fls. 6486) não são passíveis de revisão, eis que foram apurados no processo nº 13046.000090/200313, que não foi contestado pelo Contribuinte, sendo definitiva a decisão nele proferida (fls. 256 259).. (...) Concluiuse, portanto, que as estimativas contribui para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ. O saldo negativo desse imposto, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente, desde que sua base de cálculo englobe as estimativas recolhidas durante o período.. Logo, as estimativas recolhidas tornamse aproveitáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda. Portanto, por essa razão, os pedidos de restituição das PER/DCOMP nºs. 32112.04853.260105.1.2.047595, 15556.70409.250205.1.2.04 7279 e 37134.15048.300305.1.2.043268, devem ser indeferidos e a atualização do crédito pela taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração.. (...) Também, não assiste razão ao Contribuinte quando alega que a conclusão da DRF de que não há mais saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 1999 é equivocada. Ocorre que conforme Notificação DRF/STM nº 06/273, de 28 de agosto de 2006 (fl. 250), o Contribuinte foi notificado que os saldos credores de recolhimento de IRPJ, código 2362 e saldos negativos de IRPJ/1998 e 1999, apresentados no processo nº 11060.001755/200556, foram totalmente utilizados, conforme Parecer DRF/STM/Saort nº 271, de 05 de agosto de 2005 e Despacho Decisório da mesma data, que homologou as compensações solicitadas, não restando saldo credor disponível Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11060.002030/200585 Acórdão n.º 1402002.912 S1C4T2 Fl. 357 9 para futuras compensações (fls. 250251). E, não tendo apresentado contestação dessa notificação, a matéria não pode ser mais discutida, sendo definitiva essa decisão no âmbito administrativo. Portanto, como visto, não há valor remanescente de saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 1999, passível de compensação neste processo. Isso posto, voto pela manutenção do Despacho Decisório de fl. 121, que aprovou o Parecer DRF/STM/SAORT nº 281, de 26 de agosto de 2005. Do Recurso Voluntário: Cientificada em 16/07/2010, e irresignada com o a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário em 17/08/2010, no qual repisa praticamente as mesmas alegações da peça impugnatória, em que destaco: As compensações efetuadas com pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ, foram consideradas incabíveis, sob a argumentação de que os valores recolhidos por estimativa, mesmo que indevidamente, não podem ser considerados como "pagamento indevido ou a maior". Com base nisto, no processo administrativo fiscal nº 13046.000090/200313 e no Relatório de Verificação Fiscal lá mencionado, resultante de diligência fiscal, foram refeitas todas as autocompensações realizadas pela incorporada, modificando se a composição dos créditos existentes, resultando na compensação com créditos divergentes daqueles informados nas Declarações de Compensação e no indeferimento dos Pedidos de Restituição. O Demonstrativo de compensação refeito levou em consideração o saldo negativo de IRPJ em 31/12/2000, remanescente da compensação efetuada no processo 11060.001755/200556, o qual está totalmente em desacordo com a compensação já demonstrada e convalidada no Relatório de Fiscalização resultante da diligência no processo 13046.000090/200313. (...) CONCLUSÃO A vista de todo o exposto, demonstrada a nulidade, a insubsistência e improcedência do Acórdão que manteve a homologação das compensações de forma diversa da pretendida pelo contribuinte e o deferimento da restituição de crédito em valor inferior ao de direito, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso, para que sejam considerados nulos todos os atos praticados pela RFB com o objetivo de modificar as compensações e os pedidos de restituição declarados pela contribuinte devido ao cerceamento do direito de defesa, sejam Fl. 361DF CARF MF 10 considerados homologados tacitamente todas as compensações e constituições de créditos dos anoscalendário 1993 a 2001 apurados e declarados pela contribuinte e que são objeto de compensação e pedidos de restituição analisados neste e noutros processos vinculados, homologandoas tal qual pretendido pela contribuinte e, em mantendo as reconstituições dos créditos pela RFB, seja determinado a restituição de todo e qualquer crédito de direito da contribuinte, independente de pedido de restituição devido a modificações operadas pela RFB e pela demora em dar conhecimento para que qualquer medida corretiva fosse movida. Da Resolução do Carf: O processo 11060.001066/200975 foi pautado em sessão do dia 05 de agosto de 2011, e através da Resolução 140200.078, foi convertido o julgamento do recurso em diligência. Nos fundamentos da resolução, o relator de então assim fundamentou sua decisão, à qual transcrevo: Trata o presente processo de declarações de compensação, com utilização do direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (SNR IRPJ), anocalendário de 2000, cujo direito creditório foi reconhecido parcialmente pela Unidade de Origem. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, 169 178, que foi indeferida pela DRJ, sendo que no recurso voluntário contesta os fundamentos da DRJ e da DRF, bem como repisa suas alegações iniciais (fls. 263274) . A partir da análise do voto condutor do acórdão recorrido, bem como da peça recursal, cujos trechos relevantes à atual fase do litígio encontramse transcritos no relatório acima, verificase, de plano, que o presente não se encontra em condições de julgamento em 2a. instância, pelo que o processo deve ser convertido em diligência para os seguintes fins: 1) reunir a este os processos 11060.001755/200556 e 13046.000090/200313, nos quais foram apreciados questões repisadas pelo contribuinte no presente processo, sendo que, apesar de o contribuinte ter apresentado manifestação de inconformidade no 1o, protocolizada em 02/10/2006 (fl. 232), não foi conhecida pela DRF em Santa Maria. 2) reunir a este o processo 11060.002030/200585, no qual o contribuinte já interpôs recurso voluntário, para julgamento em conjunto, estando aguardando distribuição no CARF, haja vista que conforme asseverado pelo recorrente, bem como reconhecido na decisão de 1ª. instância, a matéria em litígio no aludido processo repercute no presente. Ou seja, foi proposto a análise e julgamento do processo 11060.001066/2009 75 em conjunto com este. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11060.002030/200585 Acórdão n.º 1402002.912 S1C4T2 Fl. 358 11 É o relatório. Fl. 363DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Das preliminares: No seu recurso voluntário, a recorrente se irresigna com a sistemática de recolhimentos de IRPJ estimados, que segundo ele, foram indevidamente a maior, que seria dado o mesmo tratamento de Saldo Negativo, ou seja, a atualização seria a partir do mês subsequente ao término do anocalendário. Como ignorou esta sistemática de tratamento, e não foi comunicada, a recorrente entende que o impossibilitou de retificar ou refazer os seus pedidos restituição dos Saldos Negativos e ao tratamento dado aos pagamentos indevidos ou a maior das estimativas mensais de IRPJ, o que resultou no indeferimento dos pedidos de restituição neste processo. Atribui a isso tudo um cerceamento de defesa. E apesar da v. decisão recorrida contestar que não houve tal cerceamento de defesa, entendese prejudicado por conta que o quer é uma revisão dos procedimentos adotados pelo fisco a partir dos argumentos e demonstrações trazidas pelas Manifestações de Inconformidade. Sobre o cerceamento de defesa, não vislumbro o alegado pela recorrente, pois teve o mais amplo direito à defesa e ao contraditório, inclusive apresentando manifestação de inconformidade quando foi oportunizado. O processo, incluindo todos os seus elementos, ficou disponível para consulta, bastando ter ido na repartição da Receita Federal competente. Então, não vislumbro o alegado cerceamento de defesa, NEGANDO PROVIMENTO neste sentido. Ainda nas suas preliminares, faz uma série de contestações ao v.acórdão recorrido, que extrapolam o objeto do presente processo, levando a discussão para o objeto do processo 11060.001755/200556, e que nestes não esgotaram os créditos de saldo negativo de 1998 e 1999, devendo os mesmos aproveitados no presente processo. .Antes de qualquer análise do tema, caberia uma verificação da situação do processo 11060.001755/200556, o qual não está disponível como processo digital, mas há uma cópia do mesmo no 11060.001066/200975, e peças deste neste Neste processo, o 11060.001755/200556, todas as compensações foram homologadas, e não foram contestadas. Ou seja, foram decisões definitivas, não cabendo mais discussão na âmbito administrativo. A recorrente até apresentou uma manifestação de Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11060.002030/200585 Acórdão n.º 1402002.912 S1C4T2 Fl. 359 13 inconformidade, que não foi conhecida pela unidade da Receita Federal, ato esse que também não foi contestado pelo contribuinte. Portanto os saldos negativos de IRPJ apurados no processo 11060.001755/200556, através do seu Relatório de Fiscalização, não são passíveis de revisão. Como bem exposto pelo relator da v.acórdão recorrido: Em relação aos outros argumentos da defesa, entre os quais, que as compensações efetuadas, referente ao IRPJ dos anos calendário de 1998 e 1999, já foram homologadas em função do prazo transcorrido (decadencial), que no Relatório de Fiscalização é dado, de forma equivocada, aos recolhimentos de IRPJ estimado efetuados indevidamente a maior, o tratamento de saldo negativo, atualizando os créditos a partir do mês subseqüente ao término do anocalendário, não aplicando a taxa SELIC a partir da data dos recolhimentos a maior, como prevê a legislação, que as compensações homologadas no processo nº 11060.001755/200556 estão incorretas, cabe esclarecer que não cabe a sua análise neste processo, pois a apuração dos saldos negativos dos anoscalendário de 1994 a 2001 foi efetuada no processo nº 13046.000090/200313, assim como também, foram homologadas todas as compensações feitas, não havendo contestação por parte do Contribuinte, sendo definitiva a decisão proferida pela DRF. Assim, não vislumbro o alegado nas preliminares, NEGANDO PROVIMENTO neste sentido Do mérito Em essência, a recorrente se irresigna com a sistemática de recolhimentos de IRPJ estimados, que segundo ele, foram indevidamente a maior, que seria dado o mesmo tratamento de Saldo Negativo, ou seja, a atualização seria a partir do mês subsequente ao término do anocalendário, e não no próprio mês do recolhimento, o que lhe causou um prejuízo da correção monetária aplicada sobre o seu direito creditório. Contudo, compulsando o processo, principalmente em relação ao conteúdo do 11060.001755/200556 aqui anexo em parte, e no 11060.001066/200975 integral, não vislumbrei a situação de ter sido recolhido a maior a estimativa, que se sujeite às características de um indébito tributário. O que verifiquei foi um relatório da fiscalização (efls. 267 e segs.) em que há uma extensa análise de todo o período de 1993 até 2001, de todos os saldos negativos da recorrente, analisado em conjunto com sua contabilidade. Neste ponto, há um destaque que justifica a discrepância levantada pela recorrente e apuração da autoridade fiscal: Fl. 365DF CARF MF 14 Há a menção expressa que o mesmo estava corrigindo seus recolhimentos de estimativa, a partir do mês do recolhimento. Contudo, de acordo com a legislação, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação o crédito decorrente de qualquer tributo ou contribuição administrado pela RFB originado de saldo negativo de IRPJ, apurado no encerramento do trimestre ou do anocalendário, nos casos de apuração trimestral ou anual, respectivamente. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a restituir/compensar no encerramento do período, o Contribuinte pode deduzir os valores das estimativas recolhidas. Se os recolhimentos foram maiores que o imposto devido, apurase saldo negativo, que é passível de restituição e/ou compensação a partir de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Destarte, e como analisado pelo relatório da fiscalização supracitado, os valores pagos a título de imposto de renda por estimativas não traduzem a existência de crédito com a Fazenda Nacional, pois quando efetuadas nos exatos termos dispostos na lei, são consideradas antecipações do imposto devido no encerramento do período de apuração, não gerando, pois, direito à restituição ou compensação enquanto não apurada a existência de crédito do Contribuinte no período (saldo negativo). De toda a forma, o recolhimento por estimativa mensal não pode ser considerada e tratada como indébito tributário. Por conseguinte, as eventuais estimativas recolhidas a maior tornamse restituíveis e/ou compensáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda. Nos termos do v. acórdão recorrido: Por outro lado, na hipótese de saldo negativo de IRPJ, a legislação prevê que, para fins de restituição/compensação, o seu valor será acrescido da taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, conforme Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, então vigente. Assim, não assiste razão a recorrente quando argumenta que o valor da estimativa deve ser atualizada a partir do mês subseqüente ao seu pagamento. Apesar de muito alegado pela recorrente, no processo 11060.001755/2005 56, há Parecer e Despacho Decisório homologando todas as compensações, não restando saldo credor disponível para futuras compensações. E, como já dito acima, tal processo já transitou em definitivo administrativamente. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11060.002030/200585 Acórdão n.º 1402002.912 S1C4T2 Fl. 360 15 Isto tudo posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário da recorrente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726897/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-006.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 68 97 /2 00 9- 11 Fl. 349DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2802001.887, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 128.548,47, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, às fls. 68/73. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 78/114. A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 161/172, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10580.726897/200911 Acórdão n.º 9202006.393 CSRFT2 Fl. 10 3 ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Às fls. 175 e ss., a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de omissão e obscuridade, os quais restaram, porém, rejeitados, conforme fls. 181 e ss. Às fls. 187/199, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. Enquanto a Turma “a quo” concluiu pela não incidência do IRPF sobre os valores correspondentes aos juros de mora aplicáveis sobre as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios URV” com amparo no REsp. Repetitivo n. 1.227.133, o acórdão paradigma entendeu diversamente, afirmando que esse recurso repetitivo que excluiu a exigência do IRPF sobre os juros de mora se aplica tão somente aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista – devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho –, sendo, por conseguinte, perfeitamente cabível o IRPF sobre os juros devidos em virtude do pagamento em atraso das diferenças de remuneração ocorridas em razão da conversão de Cruzeiro Real para a URV. Às fls. 214/216, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. Intimado à fl. 222, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, fls. 224/257 alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Fl. 351DF CARF MF 4 Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Arguiu o Contribuinte que a própria Procuradoria, por meio do Parecer da PGFN/CAT/Nº 1925/2008, mais especificamente no seu parágrafo 91, reconheceu sua total falta de interesse de agir. 3. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 4. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 5. Não Incidência de Juros de Mora sobre o IR Cobrado. Arguiu que, caso seja decidido pela incidência do Imposto de Renda sobre Juros Moratórios, não deve incidir sobre aquele os juros de mora (tal qual foi excluída a multa de ofício), nos termos do art. 722 e conforme decisão juntada do Superior Tribunal de Justiça. Às fls. 312 e ss., o Contribuinte apresentou Contrarrazões tecendo breve argumentação, requerendo, em síntese a inadmissão ou improvimento do Recurso Especial. Às fls. 324 e ss., a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso apenas em relação à terceira divergência arguida: URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Do Despacho de Exame de Admissibilidade, o Contribuinte foi intimado, conforme fl. 337. Às fls. 340 e ss., à Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, requerendo, em síntese, o improvimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo, nos quesitos objeto da presente insurgência. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 128.548,47, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10580.726897/200911 Acórdão n.º 9202006.393 CSRFT2 Fl. 11 5 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O Contribuinte igualmente insurgiuse, alegando divergência jurisprudencial no tocante à matéria: URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. RECURSO DO CONTRIBUINTE IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". Fl. 353DF CARF MF 6 A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10580.726897/200911 Acórdão n.º 9202006.393 CSRFT2 Fl. 12 7 Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Fl. 355DF CARF MF 8 Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10580.726897/200911 Acórdão n.º 9202006.393 CSRFT2 Fl. 13 9 No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas Fl. 357DF CARF MF 10 a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. A questão merece debate, pois está longe de ter entendimento unânime no Tribunal Administrativo. A Fazenda Nacional sustenta a regularidade do auto de infração, pois defende que a interpretação correta do Repetitivo de Controvérsia RE 1227.133/RS, é a de que imposto de renda não incide sobre os juros de mora em apenas duas hipóteses. A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Sustenta assim que no caso em análise, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Se os valores recebidos têm natureza salarial, os juros moratórios, necessariamente, terão a mesma natureza, conforme dispõe o art. 92 do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/02/2002). Por sua vez a Contribuinte defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Sendo assim, insurgese contra o auto de infração, pois partindo do pressuposto de que a verba é isenta, estaria esta fora do campo de incidência do imposto de renda. O acórdão recorrido seguiu neste sentido: "Os juros moratórios em questão não são destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal. Têm, pois, natureza de indenização por lucros cessantes, ou seja, indenização com caráter de compensação. É, portanto, evidente o acréscimo patrimonial deles decorrente, já que não se destinam a reparar nenhum dano emergente, mas sim lucros cessantes. Dessa forma, constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR.” Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10580.726897/200911 Acórdão n.º 9202006.393 CSRFT2 Fl. 14 11 Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Sendo assim, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Cito aqui posicionamento adotado pelo Conselheiro Gerson Guerra, em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Fl. 359DF CARF MF 12 Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10580.726897/200911 Acórdão n.º 9202006.393 CSRFT2 Fl. 15 13 por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso interposto pelo Fazenda Nacional para no mérito quanto a incidência de IRPF sobre juros moratórios negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Em julgamento os Recursos Especiais da Contribuinte e da Fazenda Nacional. Peço vênia para divergir do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao mérito de ambos os apelos. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003. A matéria não é nova neste Colegiado. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, este visa rediscutir a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 361DF CARF MF 14 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: "Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10580.726897/200911 Acórdão n.º 9202006.393 CSRFT2 Fl. 16 15 resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza Fl. 363DF CARF MF 16 jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, este visa rediscutir a incidência de Imposto de Renda sobre a verba recebida a título de juros de mora. A esse respeito, a decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que tal exoneração estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas, recebidas no contexto de rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou encontrarse fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Confirase: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10580.726897/200911 Acórdão n.º 9202006.393 CSRFT2 Fl. 17 17 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. (grifei) Assim, uma vez que as verbas ora tratadas diferenças de URV não foram recebidas no contexto de rescisão de contrato de trabalho, tampouco foram consideradas isentas de Imposto de Renda, não há que se falar que os juros de mora sobre elas incidentes estariam livres de tributação. Destarte, tratandose de verba principal tributável diferenças de URV obviamente que a verba paga a título de juros de mora segue a mesma natureza da verba principal a que os acessórios se referem. É o que determina o art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV. os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” Assim, a verba recebida a título de juros de mora, tal como a verba principal, deve efetivamente sofrer a incidência do Imposto de Renda. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, dele conheço e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 365DF CARF MF 18 Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720091/2015-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Inaplicável ao caso o art. 20-A da Lei nº 9.430/96 eis que, pelo texto legal, o dispositivo abrange apenas fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de 2012.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1402-002.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar-lhe provimento. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Luca Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Inaplicável ao caso o art. 20A da Lei nº 9.430/96 eis que, pelo texto legal, o dispositivo abrange apenas fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2012. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 91 /2 01 5- 72 Fl. 372DF CARF MF 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por darlhe provimento. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Luca Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 373 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ERICSSON TELECOMUNICAÇÕES S.A. no qual se insurge em face de decisão da DRJ de São Paulo que considerou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: . DA AUTUAÇÃO Conforme Relatório de Auditoria Fiscal de fl. 01, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, constatouse na DIPJ/2012 (anocalendário 2011) a não inclusão do valor de R$ 104.303.485,14 nas adições do lucro real (Ficha 9A, linha 09) e da base de cálculo da CSLL (Ficha 17, linha 09), correspondente à diferença no ajuste de preço de transferência na importação de bens de vinculadas, por descumprimento de disposições da IN SRF nº 243/2002, conforme relatado abaixo. Visto que houve compensação de prejuízo fiscal no lucro real e de base de cálculo negativa na base de cálculo da CSLL, fazemse as compensações de ofício da diferença apurada. Não se deduzem os saldos negativos de IRPJ e CSLL a pagar, em virtude de compensações realizadas pela contribuinte (processos PER/DCOMP n°s 10880.925386/201544 e 10880.919013/201534). Solicitada a apresentar memória de cálculo do ajuste declarado em DIPJ, a contribuinte apresentou os arquivos digitais constantes do arquivo não paginável "ericsson.zip", autenticados pelo sistema SVA (anexo n° 2). Examinados os arquivos acima, a fiscalização constatou que a contribuinte: 1) ao adotar o método PRL, não incluiu no preço praticado os valores de transporte e seguro nem o Imposto de Importação (II), contrariando o disposto no artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002; 2) ao adotar o método PRL60 (bens aplicados na produção), calculou o preço parâmetro em desacordo com a metodologia de cálculo disposta no artigo 12, § 11, da mesma IN. A fiscalização, partindo dos dados apresentados pela contribuinte, refez o cálculo de tais preços e encontrou a diferença de ajuste de R$ 104.303.485,14, conforme demonstrativos constantes do arquivo não paginável "fiscalização.zip" (anexo n° 3). DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2011: Fl. 374DF CARF MF 4 DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 18/08/2015 (fl. 238), a contribuinte, por meio de seu representante, apresentou, em 16/09/2015 (fl. 239), a impugnação de fls. 240/261. Inicialmente, a impugnante informa que a política de importação de produtos pela Ericsson brasileira advindos da Ericsson sueca, conforme os termos do Contrato de Venda e Distribuição firmado entre as partes (cópia em anexo, doc. 02), baseiase no preço de custo acrescido de 3% (cost plus 3%). Após tecer breves considerações acerca dos motivos e sistemática da legislação de preços de transferência (fl. 242), a impugnante apresenta as "razões de improcedência do lançamento", alegando, em síntese, o seguinte: DA CORRETA NÃO INCLUSÃO DOS VALORES DE FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NO PREÇO PRATICADO (1ª INFRAÇÃO) A primeira infração imaginada pela fiscalização violaria o disposto no artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002. A previsão dessa IN perverte toda a lógica do controle de preços de transferência, assim como contraria frontalmente a legislação que prevê a dedutíbilidade para fins de IRPJ e CSLL de custos, despesas operacionais e encargos (artigos 299 e seguintes do RIR/99). Com o controle dos preços de transferência procurase evitar a manipulação de preços praticados entre empresas vinculadas. Contudo, custos como frete, seguro e Imposto de Importação não são passíveis de manipulação alguma. A sua inclusão no cálculo faz com que não só o preço passível de manipulação sofra um ajuste, como também esses custos "imexíveís" (não manipuláveis), mas que a legislação de IRPJ e CSLL prevê que são integralmente dedutíveis assim como naturalmente seriam dedutíveis se a importação tivesse origem em uma empresa não vinculada. Os custos com frete, seguro e tributos aduaneiros não são valores pagos pela importadora à empresa estrangeira, mas sim pagos a terceiros não vinculados (o transportador, a seguradora e o Fisco Federal). É evidente, pois, que não podem esses custos ter a sua dedutíbilidade limitada. É por isso que o § º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 afirma que "Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação". Para efeito de dedutíbilidade e não para efeito de controle de preço de transferência. A Lei n° 9.430/96 submete ao controle dos preços de transferência "Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 374 5 de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada" (artigo 18, caput). Portanto, a inclusão de custos de frete, seguro e tributos no preço praticado distorce a lógica e a própria função da legislação que disciplina os preços de transferência. A prova cabal da ilegalidade do § 4° do artigo 4º d a IN SRF nº 243/2002 é a expressa alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012 (fruto da conversão da MP nº 563/2012) no § 6º artigo 18 da Lei nº 9.430/96, que passou então a ter a seguinte redação: "§ 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea h do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus lenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tribulação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados" (grifado pela contribuinte). Na Exposição de Motivos da MP nº 563/2002, o próprio Poder Executivo afirmou a impossibilidade de se incluir no preço praticado os gastos com frete, seguro e Imposto de Importação, justamente por se tratarem de "montantes não suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira". Mas também por um outro motivo a soma desses custos e encargos no preço praticado não procede. A impugnante utilizou o método o PRL, que prevê uma margem fixa de lucro de 20% ou de 60%, a depender do caso. Ao fazêlo, está prevendo também uma margem fixa de custo. Portanto, se o método se baseia em margens fixas, é absolutamente inadmissível qualquer adição no preço praticado. Com efeito, concluise que os gastos com frete, seguro e Imposto de Importação, que são despesas operacionais necessárias da impugnante, usuais e normais para o desenvolvimento da sua atividade econômica, só teriam relevância para fins de controle de preços de transferência se fosse pagas a uma empresa vinculada. Como no presente caso são gastos pagos a fornecedores independentes, não podem ser agregados ao preço praticado. DA ILEGAL MUDANÇA DO MÉTODO DE CÁLCULO DO PRL60 PROMOVIDA PELA IN SRF Nº 243/2002 (2ª INFRAÇÃO) A segunda infração da contribuinte teria sido provocada pelo método que utilizou para o cálculo do preçoparâmetro, o qual estaria, no entender da fiscalização, "em desacordo com a metodologia de cálculo disposta no art. 12, § 11, da mesma IN". Tratase do denominado "PRL60", previsto no artigo 18, inciso II, alínea "d", item 1, da Lei nº 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei 9.959/2000, que se aplica quando insumos importados são aplicados pela empresa brasileira na produção de outros, com agregação de valor no Brasil. Fl. 376DF CARF MF 6 Ocorre que, ao editar a IN SRF nº 243/2002, a SRF criou uma nova e distinta metodologia para o PRL60. A prova cabal de que são métodos diferentes é a própria autuação fiscal, onde se apurou uma absurda diferença de mais de cem milhões de reais entre uma metodologia e outra. A toda evidência, a SRF transbordou da sua rasa competência regulamentar e trouxe uma inovação ao ordenamento jurídico comprovadamente incompatível com a previsão da Lei nº 9.430/96, O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CSRF) já reconheceu em diversas oportunidades, a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002. Assim como o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). Não pode uma instrução normativa (como a IN SRF nº 243/2002) alterar a previsão de uma lei (no caso, a Lei nº 9.430/96), sob pena de aniquilação de uma das mais caras garantias constitucionais conquistada pelos povos civilizados que é o princípio da legalidade. Não pode, nem mesmo que sob o (falso) argumento de que a IN SRF nº 243/2002 estaria apenas "explicitando o conteúdo normativo abstrato da lei", como costuma afirmar o Fisco Federal para justificar o injustificável. A Lei nº 9.430/96 não prevê um conceito genérico nem abstrato. Prevê uma fórmula de cálculo específica, que não dá lastro para distinta regulamentação infra legal. Outro fato que ilumina o abuso do singelo poder regulamentar foi a edição da MP nº 478/2009, que pretendeu legalizar o método instituído pela IN SRF nº 243/2002. E isso ficou expressamente dito na sua Exposição de Motivos. Como dito literalmente pelo Executivo Federal, o método de aferição do preço parâmetro, baseado em participações proporcionais do custo/preço do bem/direito importado no valor total da revenda, não tinha previsão legal e era aplicado com fundamento em mera instrução normativa, o que vinha provocando litígios. A MP nº 478/2009 foi editada, assim, justamente para corrigir a inexistência de previsão legal para a aplicação desse método. Mas a MP não foi convertida em lei e perdeu sua eficácia em 01/06/2010. Posteriormente a isso, em 2012, foi editada a MP n° 563/2012, que também pretendeu legalizar o diferente método criado pela Receita Federal de preços proporcionais. Modificando apenas os percentuais presumidos de lucro, a MP nº 563/2012 adotou precisamente a mesma redação utilizada pela IN SRF nº 243/2002, em mais uma demonstração patente de que o método da instrução normativa não tinha previsão legal e conflitava diretamente com a redação da Lei nº 9.430/96, com as alterações da Lei nº 9.959/2000. Aliás, o Poder Executivo foi tão claro quanto a isso, que tomou o cuidado de exigir até obediência ao princípio da anterioridade ao legalizar o novo método – o § 1º do artigo 54 da MP n° 563/2012 estabeleceu que a alteração promo vida na Lei nº 9.430/96 passaria a valer apenas em 1° de janeiro de 2013. E tudo isso ficou mais uma vez explicitamente dito na Exposição de Motivos. Assim, como já decidido pelo CARF em outras oportunidades, deve a presente autuação ser anulada. DO DESCABIMENTO DA MULTA DE 75% RETROATIVIDADE DE LEI MAIS BENIGNA Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 375 7 Em razão das imaginadas infrações que teriam sido cometidas pela impugnante, a autoridade lançadora imputoulhe a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. De fato, para o período de apuração aqui em discussão, o ano de 2011, a Lei nº 9.430/96 não previa qualquer procedimento de correção dos cálculos de preços de transferência que viessem a ser questionados pela fiscalização. A legislação vigente à época previa apenas a aplicação da multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada no lançamento de ofício. Ocorre que a Lei nº 9.430/96 veio a ser alterada pela Lei nº 12.715/2012 (que inseriu o artigo 20A), criandose um procedimento prévio à lavratura do lançamento de ofício que possibilita aos contribuintes corrigir eventuais erros de cálculo identificados em fiscalização, bem como reapresentar as suas contas dentro de 30 dias, sem qualquer previsão de multa. É evidente que a legislação foi alterada para prever uma disciplina mais amigável que busque estabelecer um relacionamento entre o contribuinte e o Fisco sem a imputação automática de penalidade. Realmente, a legislação deixou de definir como infração a desqualificação, no curso de um procedimento fiscal, dos critérios de cálculo adulados pelo contribuinte. Aplicase, pois, ao caso concreto, a disposição do artigo 106, inciso II, alíneas "a" e "c", do CTN. Se os Srs. julgadores tiverem alguma dúvida quanto à interpretação ora invocada retroatividade mais benigna da Lei nº 12.715/2012 , basta lembrar a previsão do artigo 112 do mesmo CTN. Portanto, essa é a única interpretação juridicamente válida para o caso, pelo que se requer que seja integralmente anulada a multa de 75% imputada à impugnante, abrindose a oportunidade para a reapresentação dos cálculos, nos termos do artigo 20A da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.715/2012. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA Após o prazo conferido pelos Autos de Infração para o pagamento espontâneo do crédito tributário, a impugnante ficará sujeita a pagar os juros de mora sobre o valor do tributo, mas também sobre o valor da multa. Uma vez que se venha a encerrar o julgamento do processo pelo CARF, nenhuma outra oportunidade será dada à contribuinte para esse questionamento. Baixados os autos, é ela intimada para efetuar o pagamento do crédito tributário no prazo de 30 dias, sob pena de imediata inscrição em dívida ativa. Nessas condições, ou se reconhece que a exigência de juros sobre a multa de oficio não consta do lançamento, e como tal não pode ser exigida da impugnante, já que não se admite a exigência de crédito tributário que não tenha sido regularmente constituído; ou, então, fazse necessário que se conheça da impugnação apresentada quanto a essa exigência, sob pena de se atribuir às autoridades fiscais a possibilidade de exigir um valor sem se submeter ao controle da legalidade de seus atos. Com efeito, a exigência de juros sobre a multa não tem suporte legal e não autoriza o procedimento adotado pelo Fisco. Fl. 378DF CARF MF 8 Pelo que se infere da legislação que rege a matéria, esta somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo ou da contribuição. Não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o valor da multa, o que torna o procedimento adotado pelo Fisco totalmente ilegal e inconstitucional, por falta de amparo legal. O acórdão na DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL60. PREÇOSPARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou constitucionalidade de normas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto que não faz parte da presente lide, esta autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que questiona (i) a utilização do Preço CIF + II na apuração do preço parâmetro; (ii) a legalidade do cálculo segundo a IN SRF 243/02 visàvis o disposto na Lei 9.430/96; (iii) a multa de 75%, por descumprimento do procedimento previsto no art. 20A da Lei 9.430/96, que seria mais benigna para o contribuinte, atraindo a aplicação do art. 106 do CTN; (iv) impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 376 9 Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Conforme visto em sede do relatório a contribuinte entende pela ilegalidade da IN 243 na medida em ao ser editada extravasou as bordas legais do art.18, II, da Lei n. 9.430/1996 que indica as balizas legais de aplicação do método PRL 60. A legislação brasileira de preços de transferência foi editada com vistas a evitar a transferência "indireta" de lucros ao exterior devendo ser observada por sociedades empresárias que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. As normas de preços de transferência tem fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”). A partir do método adotado operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão sujeitamse aos ajustes de preço de transferência como se houvessem praticado o preço parâmetro. A propósito do assunto didáticas são as lições de Luís Eduardo Schoueri ( Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileio. 2 ed. São Paulo: Dialética, 2006): “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. Fl. 380DF CARF MF 10 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” Prefacialmente se constata, assim, nítida consciência de que toda a legislação de preços de transferência no direito tributário brasileiro tem forte estribo constitucional com destaque para o sobreprincípio da igualdade tributária que tem como consectário imediato o princípio da capacidade contributiva em matéria de impostos na medida em que o legislador ordinário somente está autorizado a empreender determinada tributação mediante imposto ante a manifestação de algum índice de manifestação de riqueza. Nossa Constituição Federal prescreve simultaneamente como limitação outra ao poder de tributar o princípio da legalidade que está a determinar não só que a exação tributária deve realizarse mediante lei, mas que cada um dos aspectos do fato gerador devem todos necessariamente estar previstos no texto da lei em sentido estrito. Os preços de transferência no direito tributário brasileiro encontramse regulados tanto em leis ordinárias como na legislação infralegal que necessariamente deve fiel observância às balizas fixadas em lei. Porventura ultrapassadas as bordas legais terseá por presente ilegalidade flagrante que não justifica a manutenção do crédito tributário. Discussão primeira que merece ser enfrentada respeita à possibilidade os órgãos de julgamento afastar a aplicação de ato infralegal sob o argumento de que padece de vício de legalidade. O tema hoje é pacífico na doutrina e jurisprudência pátria sendo oportuno estabelecer o discrímem que há entre às Delegacias da Receita Federal, responsáveis pela fiscalização e pelo lançamento de tributos, e os atos próprios das chamadas Delegacias Regionais de Julgamento e e deste próprio CARF que têm por atribuição justamente proceder ao controle de legalidade do crédito tributário. Porventura tenha a autoridade fiscal lavrado auto de infração consubstanciado em ato infralegal que extravasa as bordas legais deve necessariamente anular o auto de infração lavrado. Em situação como a acima ilustrada a autoridade julgadora do CARF estará diante de autêntico poderdever devendo, assim, afastar a exação ante eventual vício de legalidade do ato que a fundamentou como já empreendido em diversas outras oportunidades: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 377 11 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE.As autoridade julgadoras, no Processo Administrativo Fiscal Federal, encontramse atreladas aos critérios de legalidade, devendo, sempre que necessário, reconhecer a ilegalidade de atos normativos infralegais que, na aplicação específica, demonstram estar em dissonância com os respectivos comandos normativos. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. IN SRF 243/2002.As disposições do artigo 12 da IN SRF 243/2002, especificamente no que diz respeito aos critérios de aplicação do método PRL60, encontravamse, até a edição da MP 562/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), em descompasso com as determinações legais, somente se evidenciando a harmonia do sistema a partir da inovação legislativa proporcionada pelos novos dispositivos.Por força dessa conclusão, reconhecendose a ilegalidade da composição do método de controle dos preços de transferência referenciado pelo mencionado dispositivo, não se pode admitir a imposição de sua observância pela contribuinte, ao menos no que se refere ao período anterior à alteração legislativa mencionada. (Acórdão n.1301001.275) Sem qualquer pretensão de antecipar qualquer juízo de mérito do caso ora posto em julgamento temse que a sucessão legislativa ocorrida, que consta da ementa, enuncia alguma pecha de ilegalidade no ato da IN 243 que merece ser detalhadamente enfrentada a fim de aferir se de fato há o extravasamento das bordas legais ou mera regulamentação do método previsto no art.18, II, da Lei n.9.430/1996, vejamos: A Lei n.9.430/1996 ao estabelecer o método de controle de preços de transferência do Preço do Lucro de Revenda menos o Lucro parte da ficção de que o contribuinte aufere 60% de lucro quando da sua agregação de valor e revenda do produto final (PRL60). O que ocorre é que quando da edição da IN n.243/2002 houve alterações significativas quanto à metodologia de cômputo do preço parâmetro sendo imperioso desvendar se a IN apenas regulamentoua ou de fato transbordou os limites fixados em lei conforme alegou a recorrente. A questão está em desvendar qual a diferença do método de cálculo previsto em lei daquele introduzido na IN 243. Luís Eduardo Schoueri (Op.Cit, p.169) indica a partir de dois elementos o que está a ensejar a majoração ao ajuste nos preços de transferências: Cálculo da "margem de lucro": a divergência dos resultados da Lei n.9.959/00 e da IN n.243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da "margem de lucro", determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma margem de lucro, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n.243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Fl. 382DF CARF MF 12 Cálculo do "preçoparâmetro": a expressão "preçoparâmetro" é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com ao qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada "controlada". O "preçoparâmetro" é obtido de forma diversa na Lei n.9.959/00 e na IN n.243. Enquanto na lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a IN pretende que o limite seja estabelecido a partir do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador. Cristalino resta, assim, que a IN inovou na legislação tributária rompendo os limites fixados em lei.. O quadro comparativo formulado pelo contribuinte traz luz com as transcrições procedidas para indicar que a IN 243desbordou de sua função regulamentar o comando contido no art. 18 da Lei n. 9.430/1996, de sorte a propiciar seu fiel cumprimento. A Lei n. 9.430 dispõe que o método PRL consiste na média aritmética dos preços de revenda dos bens, ao passo que a IN se refere à média aritmética ponderada. Ademais, a IN consagra, no § 11 do art. 12, metodologia para o cálculo do preço parâmetro, a qual não é versada na Lei nº 9.430. Nessa perspectiva, atentese que, a teor da lei, a aplicação do coeficiente de 60% dáse sobre a média dos preços de venda do bem produzido, enquanto, à vista da instrução normativa, aludida alíquota recai sobre a participação do bem importado no preço de revenda da mercadoria fabricada. Bem é de se ver que tal alteração tem aptidão de majorar o IRPJ e CSLL, em especial naquelas situações em que resta agregado maior valor ao produto no Brasil. O que temse é que antes da edição da IN 243 o PRL era definido após a dedução da margem de lucro, cujo cálculo considerava o valor da venda do produto no mercado interno, ao contrário do que a partir da edição da IN sucede, em que se leva em conta o contributo da mercadoria estrangeira no custo total do bem. Não se ignora conforme consta da decisão da DRJ que a Receita Federal dispõe do poder normativo para a expedição de INs, contudo, deve se ater à disciplina, à interpretação do texto legal em cuja esteira foi o ato editado, na medida exata para permitir a estrita observância. Na ordem constitucional brasileira não se admite que a Administração Tributária termine por legislar de modo a majorar tributo. Tanto mais no caso ora em julgamento no qual a própria lei já fornecia todos os critérios necessários à operacionalização do método PRL, não carecendo a aplicabilidade de regulamentação alguma. Senão outro é o entendimento deste CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002 DECADÊNCIAIRPJ e CSLL ANOCALENDÁRIO DE 2002 O fato gerador de IRPJ e CSLL é o lucro real anual e concluise em 31122002, operandose a decadência apenas a partir de 31122007. DIVERGÊNCIA NA ADIÇÃO DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – ÔNUS DA PROVA – A autoridade fiscal analisou os suportes analíticos apresentados pela contribuinte e notou insuficiência na adição voluntária de preço de Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 378 13 transferência por ela efetuada. A contribuinte nega esse erro, mas não traz quaisquer outros documentos ou suportes que possam infirmar os controles verificados em sede de fiscalização. O ônus da prova cabe à contribuinte que dele não se desincumbiu. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL ACONDICIONAMENTO E EMBALAGEM O acondicionamento dos medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondo se o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL 60% IN SRF 243/02 ILEGALIDADE A IN 243/02 buscou interpretar a Lei, porém excedeu seus limites ao presumir, sem autorização legal ou suporte fático, o valor agregado no Brasil por uma regra de proporcionalidade. Para não resultar em ajuste, tal valor teria que ser no mínimo custo incorrido no Brasil agregado à margem de 150% (60% do preço). As margens fixas determinadas pela Lei 9.430/96 aplicamse apenas aos custos importados de determinadas partes ou aos respectivos preços de revenda, não aos custos ou preços de itens nacionais e nem à margem ou ao valor agregado no Brasil. A IN 243/02 não está de acordo nem com o texto ou com o contexto da Lei. (Acórdão n.130200915). GRIFOS NOSSOS Não se ignora que há posicionamentos diversos perante este Eg. CARF, porém, sobejam argumentos para conclusão pela ilegalidade da IN conforme reiteradamente já reconhecido neste Tribunal Administrativo (Acórdãos n.1202000835 E 1101000864); o que só evidencia que a palavra final sobre a contenda será dada pelo Poder Judiciário por ventura este Tribunal Administrativo não seja fiel ao princípio da legalidade tributária. O Poder Judiciário, por sua vez, já vem posicionandose pela ilegalidade da IN ante inobservância das balizas fixadas em lei, vejamos: TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTAÇÃO EM TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS. METODOLOGIA DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. IN Nº 243/2002. ILEGALIDADE. RECURSO PROVIDO. Tratandose de transações internacionais entre pessoas jurídicas vinculadas, a tributação dáse através do conceito "preço de transferência", sob a metodologia, no caso da impetrante, do "Preço de Revenda menos Lucro" (art. 18 da Lei nº 9.430/1996). À guisa de complementar a disposição legal regente do assunto, sobrevieram instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, incluindo a de nº 243/2002, que extrapolou o Fl. 384DF CARF MF 14 poder regulamentar que lhe é imanente, daí se avistando ofensa ao princípio da reserva da lei formal. Necessidade de se garantir à impetrante a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme art. 18 da Lei nº 9.430/1996, afastadas as alterações trazidas pela IN nº 243/2002. Recurso provido. (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, AMS APELAÇÃO CÍVEL 316016 0034048 52.2007.4.03.6100, Rel. JUIZ CONVOCADO ROBERTO JEUKEN, julgado em 19/08/2010, eDJF3 Judicial 1 DATA:13/09/2010 PÁGINA: 257) Por último oportuna se faz transcrição da ementa de julgado proferido também pelo TRF 3 no mesmo sentido, vejamos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ILEGITIMIDADE DA AUTORIDADE COATORA INDEVIDAMENTE SUBSTITUÍDA, APÓS AS INFORMAÇÕES DA AUTORIDADE CORRETA. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO, NO CASO DOS AUTOS. MAJORAÇÃO DO IR E DA CSL POR FORÇA DA MODIFICAÇÃO DA FORMA DE CÁLCULO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA UTILIZADO EM OPERAÇÕES COM PESSOAS VINCULADAS NO EXTERIOR, CONSOANTE REGULAMENTAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA DA SRF 243/02. AFRONTA À PREVISÃO LEGAL RECONHECIDA. (TRF 3ª Região,APELAÇÃO CÍVEL Nº 002820225 2005.4.03.6100/SP Ante todo o exposto, considerando o posicionamento deste CARF pela ilegalidade da IN e confirmado pelo Poder Judiciário mesmo que ainda não em sede de precedente judicial vinculante, voto por julgar procedente o Recurso Voluntário e extinguir o crédito tributário lançado. Caso prevaleça o método utilizado pela fiscalização, ainda assim seus cálculos deverão ser retificados. Isto porque foi utilizado como base o método CIF + II, ou seja, incluindo na base o valor do frete, seguro e tributos sobre a importação, em que pese sua contratação com terceiros. Ocorre que tal método não se coaduna com a natureza antielisiva das regras de preço de transferência, pois a contratação com terceiros impede eventual manipulação de preços objetivando a transferência de base tributável, estando fora, portanto, do objetivo da norma! Sua inclusão não teria outro objetivo que apenas o aumento do preçoparâmetro e diminuição da parcela dedutível. No escólio das lições de Gerd Rothmann, é importante notar que: o “preçoparâmetro” é um preço hipotético, apurado com base na forma estabelecida, taxativamente, pela Lei n. 9.430/96. Não se confunde, pois, como o preço efetivamente pago pelo importador (“preço praticado”). Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 379 15 Assim, as deduções do preço médio de venda, para se chegar ao preço líquido de venda, são, exclusivamente, as previstas na lei (...) Como não entram no cálculo do hipotético “preçoparâmetro”, mas representam custos efetivos, os valores relativos a frete, seguro e ao imposto de importação, desde que seu ônus tenha sido do importador/revendedor (ou seja, na modalidade “FOB”), podem ser integralmente deduzidos para os efeitos de imposto de renda. Na modalidade CIF, o valor de frete e seguro já está embutido no “preçoparâmetro”, de modo que não pode ser considerado, novamente, como despesa dedutível. Neste contexto, cabe apenas uma observação: se, na modalidade FOB, o transporte e o seguro são contratados com empresa coligada da matriz fornecedora da mercadoria, os respectivos valores pagos estão sujeitos à observância da legislação de preços de transferência. (Gerd Willi Rothmann Preços de transferência método do preço de revenda menos lucro: base CIF (+ II) ou FOB. A margem de lucro (20% ou 60%) em processos de embalagem e beneficiamento. RDDT 165, junho de 2009, p.5455.) Na mesma linha são as lições de Ramon Tomazela e Bruno Fajersztajn : Ademais, a esta altura da exposição, ressaltamos novamente que as regras de preços de transferência têm a finalidade de coibir a manipulação de preços em operações entre pessoas jurídicas brasileiras e suas partes consideradas relacionadas no exterior. Ora, no mais das vezes, os serviços de frete e seguro são prestados por terceiros não vinculados ao importador brasileiro e, logo, não são passíveis de manipulação. Assim, na medida em que somente se sujeitam a ajustes de preços de transferência os custos que podem ser manipulados, os valores de frete e seguros pagos a terceiros não devem estar sujeitos às regras de preço de transferência e, portanto, devem ser integralmente dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e CSLL devidos pelo importador. Realmente, esses valores escapam ao controle exatamente porque são encargos pagos a terceiros, e não ao exportador cujo preço está sujeito à comparação, e somente interessa limitar a dedutibilidade de valores que, integrados aos preços, representem transferência indireta de lucros à pessoa vinculada (ou a país com tributação favorecida). Nada disso está em cogitação quando o importador no Brasil incorre em despesas com frete e seguro com pessoas não vinculadas. Controlar tais operações está fora do escopo das regras de preços de transferência. Idêntico raciocínio se aplica aos tributos aduaneiros, que são devidos à própria União Federal. Não faz sentido controlar tributos cuja incidência e quantificação decorrem de lei e são devidos ao Estado. (Preços de transferência. Frete, seguro e tributos devidos na importação e o método PRL. Revista de Fl. 386DF CARF MF 16 Direito Tributário Atual RDTA, São Paulo: Dialética, n. 29, p. 8493, 2013.) Nesse sentido também caminhou a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscal (CSRF) nos autos do processo administrativo n. 16327.000966/200274 (acórdão n. 910101166), relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. VINCULAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. A autoridade administrativa, ao efetuar o lançamento, está vinculada à Instrução Normativa, bem como ao direito por ela conferido ao contribuinte. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL INCLUSÃO DE CUSTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA APURAÇÃO DO CUSTO — A IN SRF n° 38/97, em seu artigo 4°, § 4°, estabelece que a inclusão dos valores de frete, seguro e imposto de importação na composição do custo é uma faculdade do contribuinte importador. Pela vinculação da autoridade administrativa ao referido ato normativo, deve tal faculdade ser respeitada, sob pena de nulidade do lançamento. Peço, inclusive, vênia aos colegas para incorporar em meu voto as razões de decidir da então Conselheira Karem Dias a seguir transcritas: Ora, preço parâmetro é aquele apurado segundo um dos métodos estipulados por presunção legal. Em se tratando de presunção legal, ao menos a princípio (a depender de prova contundente em contrário), e por princípio, vale o quanto estipulado para cada um dos métodos. Já o preço praticado é aquele submetido à revisão por um dos métodos de apuração do preço de transferência. Logicamente, quanto maior o preço parâmetro menor o ajuste, porque menor a diferença entre o valor do preçoparâmetro e do preço praticado no caso da importação. Não há, portanto, que se falar em inclusão de frete e seguro no preço praticado a depender da inclusão no preço parâmetro, já que o preço parâmetro é presunção legal. Nessa toada, a despeito do moralmente irreparável entendimento que caminha no sentido de aproximar o método de apuração do preço parâmetro da realidade, fato é que a conclusão diverge do que determina o ordenamento jurídico Por último vale notar que tal entendimento vem prosperando na CSRF conforme se nota da decisão proferida nos autos do Processo nº 16327.001448/200600, Acórdão nº 9101002.940: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. FRETE SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Legitimidade da não inclusão de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, pagos a pessoas não vinculadas, para a composição do preço praticado a ser comparado com o preço parâmetro conforme o método PRL. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 380 17 Embora a decisão tenha sido proferida quando estava em vigência a IN 38/97, a verdade é que a mudança legislativa posterior não foi capaz de alterar a racionalidade por detrás das regras de preço de transferência. Vejamos a clara exposição do Conselheirorelator: Ocorre que o lançamento tributário em questão desconsidera o binômio essencial prescrito pela Lei n. 9.430/96: i) operações realizadas com pessoas vinculadas e operações internacionais envolvidas. Para o frete e o seguro, foram contratadas empresas sem vínculos com o contribuinte, o que inviabiliza, por si, o preenchimento do binômio essencial de incidência da Lei n. 9.430/96. Os tributos sobre a importação são devidos à União e aos Estados, que obviamente não são estrangeiros e nem são vinculados ao contribuinte. Esse segundo fundamento para o cancelamento do auto de infração, portanto, decorre do princípio da legalidade em sua acepção mais explícita, que impede que se estenda a sanção normativa da Lei n. 9.430/96 ao frete, seguro e tributos incorridos pelo contribuinte, pois nenhuma dessas situações preenche o binômio prescrito como essencial pelo legislador, qual seja, (i) operação com partes vinculadas (ii) residentes em outros países. A própria exposição de motivos da Medida Provisória 563/12, posteriormente convertida na Lei 12.715/12, afirma que na aplicação das normas não devem ser considerados montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira. Bem notam o objetivo meramente esclarecedor do §6, do art. 18 da Lei 9.430/96, Tomazela e Fajersztajn quando afirmam que: Em verdade, a razão de ser do parágrafo 6º do art. 18 da Lei n. 9.430/96 reside no fato de que a importação pode ser realizada sob o regime CIF, no qual o exportador (vendedor) fica responsável pelas despesas com transporte e seguro. Por isso, a redação do dispositivo apenas esclarece a possibilidade de dedução dos custos relativos a frete e seguro, “cujo ônus tenha sido do importador”, ou seja, nos casos em que a importação tenha sido realizada na modalidade FOB. Tanto é assim que para os tributos incidentes na importação, que consubstanciam sempre ônus do importador, não há qualquer ressalva relativa ao ônus do tributo (Preços de transferência. Frete, seguro e tributos devidos na importação e o método PRL. Revista de Direito Tributário Atual RDTA, São Paulo: Dialética, n. 29, p. 8493, 2013.) Tal posicionamento é importante, porque independente da norma em vigor, não há alteração no fato de que tais valores não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira. De todo o exposto, entendo Fl. 388DF CARF MF 18 que merece prosperar o recurso da contribuinte neste ponto devendo tais valores serem excluídos na apuração do preçoparâmetro. Da multa de 75% e do procedimento introduzido pela Lei 12.715/12 Alega ainda que não deveria subsistir a multa de 75% já que a Lei 12.715/12 teria introduzido o art. 20A na Lei 9.430/96, prescrevendo procedimento específico para que a fiscalização possa recalcular o ajuste de preço de transferência dos contribuintes. Vejamos: Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação § 1o A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. § 2o A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput: I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 3o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput. Referido dispositivo traz uma limitação a possibilidade de o contribuinte alterar o método que deve ser escolhido pelo anocalendário em sua totalidade, evitando que o contribuinte realize cálculos sucessivos durante o ano, alterando o método cada vez que a matemática demonstre que a alteração do método permitirá dedução maior. De outro lado, introduz um procedimento que deve ser seguido nos casos em que o método ou algum de seus critérios de cálculo seja desqualificado pela fiscalização! Oras, no caso, a fiscalização claramente desqualificou o método de cálculo adotado pelo contribuinte, de outra forma não haveria suposto imposto devido. Assim, desqualificado o cálculo, deveria a fiscalização proceder a intimação do contribuinte para que Fl. 389DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 381 19 este apresentasse novo cálculo. O próprio §2º estabelece as hipóteses em que a fiscalização poderá realizar o cálculo. Não podemos nos esquecer que se trata de norma de cunho procedimental, aplicável, portanto, desde logo ao caso concreto. De sorte que não se sustenta a afirmação da DRJ de que: Resta evidente que o procedimento previsto no artigo 20A da Lei nº 9.430/96 somente é exigível para fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2012. Importante observar que a expressão “anocalendário” designa “período de apuração”, não podendo ser confundido com o ano em que ocorre a ação fiscal. Poderia o legislador ter optado pelo método inquisitório, tendo deixado nas mãos do fisco a escolha do método e recálculo, mas optou por uma aproximação cooperativa, incitando a participação do contribuinte nesse processo. Nessa linha, não poderia a fiscalização realizar o recálculo de ofício, sob o risco de ofensa ao art. 40 da IN 1.312/12 e, consequentemente, ao art. 20A da lei 9.430/96, (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012). Do que decorre a nulidade do auto de infração por descumprimento do procedimento previsto no art. 40 da IN 1.312/12. Diante da informação do patrono de que foram apresentados novos cálculos, aqueles deveriam ser utilizados como referência para cálculo do preço parâmetro. Tal procedimento não impede, é verdade, a aplicação de multa de 75% prevista na legislação, mais precisamente, no art. 44, I da Lei 9.430/96. Do juros sobre a multa Se vencido nos itens precedentes, caberia analisar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Clama a Recorrente que seria impossível a aplicação de juros sobre a multa. Entendo não assistir razão ao contribuinte. O art. 61 da Lei 9.430/96 assim prescreve: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Falase em débito com a União decorrente de não pagamentos nos prazos previstos, não há diferenciação entre o tributo em si e a multa de ofício, do que entendo não poder o aplicador diferenciar onde o legislador não o fez, motivo pelo qual entendo aplicável a multa de mora a multa de ofício. É como voto. Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 390DF CARF MF 20 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto – Redator Designado Apresento minhas homenagens ao fundamentado voto do Conselheiro relator mas dele, respeitosamente, ouso divergir no que se refere à suposta ilegalidade da IN/SRF/243/2010, a inclusão dos valores de frete e seguro na apuração do preço praticado e a aplicação do art. 20A da Lei nº 9.430 ao caso em tela. Apuração do ajuste pelo método PRL/60 com base na IN/SRF nº 243/2010: Quanto ao método PRL, o normativo em questão regulamentou o art. 18, da Lei nº 9.430/96 de forma a evitar distorções na apuração tendo como parâmetro principal o fato de que a operação a ser objeto de avaliação é a importação do insumo. Sob esse prisma, a sistemática de apuração deve ter como base uma fórmula com escopo na apuração do preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. O entendimento do sujeito passivo parte de uma leitura equivocada do inciso II do mencionado art. 18 abaixo transcrito (destaques acrescidos): IIMétodo do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a)dos descontos incondicionais concedidos; b)dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c)das comissões e corretagens pagas; d)da margem de lucro de: 1.sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Na redação do item 1, a utilização da contração gramatical da preposição ("de") com o artigo ("o") implica dizer que o valor agregado deve ser diminuído na apuração do preço parâmetro da mesma forma que os descontos, impostos e comissões; e não da margem de lucro como quer ver o sujeito passivo. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente sobre o preço de revenda após deduzidos os valores mencionados Admitese que a redação do dispositivo não foi das mais felizes. Nesse sentido, vale transcrever as observações da PGFN com base em voto pelo I. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: Fl. 391DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 382 21 “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 [...] Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1.sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1.sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” . (grifos nossos) 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 392DF CARF MF 22 Assim, antes mesmo de se adentrar na proporcionalidade trazida pela IN/SRF 243/2010 já se pode definir como equivocada a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18, da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, na ótica até aqui exposta o ajuste obtido ainda merece aprimoramento. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Daí porque se justifica a aplicação da proporcionalidade regulamentada na IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12 que, além de deixar claro que não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010: No que se refere à ilegalidade da IN SRF 243/2010, o estudo da PGFN traz um comparativo com a revogada IN SRF nº 32/2001 para concluir que as opções interpretativas do art. 18 da Lei nº 9.430/96 conduzem à necessidade de regulamentação interpretativa mais específica sem que isso possa implicar em violação ao texto legal: [...] Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML Fl. 393DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 383 23 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. [...] Alega a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa. O legislador pode muito bem reformular o texto legal apenas para não deixar dúvidas sobre a interpretação mais adequada de uma dada norma. Isso, de maneira nenhuma, significa que se deva interpretar o texto pretérito a contrário senso. Para corroborar os argumentos de que a IN SRF 243/2002 não traz qualquer ilegalidade ou aumento de carga tributária, trago, pelo caráter didático, os exemplos contidos em forma de Anexos ao Acórdão 9101002.514: Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: Fl. 394DF CARF MF 24 PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 384 25 PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%* VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLV) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" Fl. 396DF CARF MF 26 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 Interp. do Contrib. Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLVVA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLVML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 Interp. Correta Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV) 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLVMLVA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 385 27 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI → PP – ML, conforme art. 12, § 11, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI → PP, conforme art. 12, § 11, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI → PP 60%* PartBI → PP (3C) PParam = 40%* PartBI → PP, onde: PartBI → PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI → PP = %PartBI> PP*PLV, onde: %PartBI> PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI> PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Fl. 398DF CARF MF 28 Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat –40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 386 29 porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI> PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430/96 Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Exclusão do frete, seguros e tributos sobre importação no preço praticado: No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço praticado, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada na IN/SRF 242/2002. Fl. 400DF CARF MF 30 Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) Quanto à jurisprudência, no âmbito administrativo a questão já está consolidada em todas as turmas ordinárias bem como na CSRF como são exemplos os Acórdãos 9101002.514 e 9101002.317, em julgamentos recentes, Na esfera judicial, não há ainda uma consolidação jurisprudencial determinada por Tribunal superior (Recurso Repetitivo ou Repercussão Geral). Adequação do método: Em relação à adequação do método de apuração dos ajustes de preços de transferência, esclareçase de imediato que não houve qualquer desprezo pela Fiscalização do método adotado pela recorrente. O Fisco não questionou a escolha do método mas sim a sistemática de apuração. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida, o que foi feito. Não há que se falar na aplicação do art. 20A da Lei nº 9.430/96 ao caso presente, eis que o texto legal é literal em estabelecer a aplicabilidade a partir do anocalendário de 2012. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16561.720091/201572 Acórdão n.º 1402002.816 S1C4T2 Fl. 387 31 Ainda nesse ponto, importa ressaltar que o questionamento do sujeito dirigiu se à imputação da multa de ofício e o relator defendeu que essa penalidade seria aplicável mas, por outro lado, entendeu pela nulidade em função da desconsideração do art. 20A da Lei nº 9.430/96, matéria enfrentada no parágrafo anterior. Do exposto , voto por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 402DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.000195/2004-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS INOMINADOS. VÍCIO. LAPSO MANIFESTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO DO JULGADO.
Deve-se acolher embargos sempre que restar caracterizado inconsistência nos dados do acórdão que impede a execução do julgado.
ITR. APP. DECISÃO. RECONHECIMENTO DE ÁREA ISENTA.
No caso de exclusão da tributação do ITR deve ser especificada a área ambiental objeto do beneficio.
Numero da decisão: 9202-006.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-00.985, de 17/08/2010, sanar o vício apontado e definir como Área de Preservação Permanente (APP) o total de 1745,0 hectares.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-00.985, de 17/08/2010, sanar o vício apontado e definir como Área de Preservação Permanente (APP) o total de 1745,0 hectares. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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EMBARGOS INOMINADOS. VÍCIO. LAPSO MANIFESTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO DO JULGADO. Devese acolher embargos sempre que restar caracterizado inconsistência nos dados do acórdão que impede a execução do julgado. ITR. APP. DECISÃO. RECONHECIMENTO DE ÁREA ISENTA. No caso de exclusão da tributação do ITR deve ser especificada a área ambiental objeto do beneficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos para, reratificando o Acórdão nº 920200.985, de 17/08/2010, sanar o vício apontado e definir como Área de Preservação Permanente (APP) o total de 1745,0 hectares. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 01 95 /2 00 4- 41 Fl. 269DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Estamos diante de lançamento para cobrança do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 1999 motivado pela glosa de áreas declaradas como de preservação ambiental haja vista a ausência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão nº 9202 00.985 de 17.08.2010, deu provimento parcial ou recurso especial interposto pelo contribuinte tendo a ementa e o dispositivo da decisão recebido as seguintes redações: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL I TR Exercício: 1999 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso especial em relação à área de preservação permanente, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso em relação à área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Embora tenha havido uma clareza quanto a tese fixada no voto (ser o ADA dispensável para fins de reconhecimento de ARL e APP), a autoridade tributária apresentou um Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10675.000195/200441 Acórdão n.º 9202006.571 CSRFT2 Fl. 270 3 primeiro pedido de esclarecimento (fls. 239), suscitando que "na ementa do acórdão é dito que foi provido o recurso especial do contribuinte em relação à área de preservação permanente e negado em relação à área de reserva legal. Já no penúltimo e últimos parágrafos do Voto, é dito que a glosa deve ser mantida somente em relação à área de utilização limitada não averbada, excluindo da base de cálculo do ITR a área tempestivamente averbada. Sendo assim, solicitamos esclarecimentos de quais áreas (preservação permanente e reserva legal/utilização limitada) devem ser efetivamente excluídas da base de cálculo e quais são seus respectivos valores." Este primeiro pedido de esclarecimento foi analisado como embargos de declaração, nos termos do art. 65 do RICARF vigente, (efls 240) sob o entendimento de que "na análise do acórdão, fls. 0215, há clara contradição entre o dispositivo, fls. 215, e seus fundamentos, fls. 0219, verso, pois o dispositivo afirma que o recurso foi negado em relação à área de reserva legal e no voto há decisão que deves ser excluída do lançamento a área de reserva legal tempestivamente averbada." Entretanto, os embargos foram considerados intempestivos. Sem a análise dos embargos opostos, por meio de manifestação de efls. 243, a Unidade de Origem concluiu que: O CARF expediu o despacho de fls. 224225 que considerou o despacho da DRF Uberlândia como embargos de declaração, tendo sido rejeitados por serem intempestivos. Sendo assim, tendo em vista a necessidade de alimentar o sistema e dar prosseguimento ao rito processual, proponho que seja considerada a decisão proferida no voto do acórdão, que deu provimento parcial em relação a área de reserva legal. Após o trâmite processual, foi interposto pela Delegacia da Receita Federal de Uberlândia/MG (efls. 246) pedido de correção de erro material. O pedido foi assim formulado: Tendo em vista o parágrafo 1.º do artigo 21 e artigo 27 da portaria MF n.º 341, de 12/07/2011, e artigo 66 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, proponho o retorno deste processo ao CARF, para saneamento da inexatidão material abaixo descrita, encontrada no acórdão de fls. 226235 (numeração do eprocesso). Às fls. 229231, foi decidido que a ausência do Ato Declaratório Ambiental – ADA não é impeditivo para que seja deduzida da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente, mas não deixa claro qual o valor desta área deve ser utilizado no cálculo. Entendo haver duas possibilidades de acordo com o texto: a primeira seria a área declarada pelo contribuinte na DITR/1999, no valor de 1.745 hectares, conforme fls. 07; a segunda seria a área de preservação permanente constante do Ato Declaratório Ambiental de fls. 21 , no valor de 356,35 hectares. Referido pedido de correção foi recebido pelo despacho de admissibilidade como embargos inominados tendo em vista que a dúvida da unidade da administração tributária impede a execução do julgado. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF 4 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme exposto no relatório, tratase de pedido de correção de inexatidão material assim delimitado pela Embargante: Às fls. 229231, foi decidido que a ausência do Ato Declaratório Ambiental – ADA não é impeditivo para que seja deduzida da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente, mas não deixa claro qual o valor desta área deve ser utilizado no cálculo. Entendo haver duas possibilidades de acordo com o texto: a primeira seria a área declarada pelo contribuinte na DITR/1999, no valor de 1.745 hectares, conforme fls. 07; a segunda seria a área de preservação permanente constante do Ato Declaratório Ambiental de fls. 21 , no valor de 356,35 hectares. Analisando o inteiro teor das peças, documentos e demais informações constantes do processo devese concluir que o valor a ser considerado como área de preservação permanente para fins de exclusão da base de cálculo do imposto é aquele apontado pelo contribuinte na sua respectiva declaração (DITR) cujo extrato está acostado às efls. 12 e no qual consta como "área preservação" o total de 1.745,0 ha. Referida conclusão é obtida a partir dos seguinte pontos: 1) o lançamento teve como fundamento exclusivo para glosa da área declarada pelo Contribuinte o fato de não ter havido a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA para aquele ano calendário, em nenhum momento o fiscal questiona a existência ou não da área declarada como isenta pelo Contribuinte. Adicionalmente o fiscal reconhece uma ARL averbada de 731,21 ha (efls. 09/10); 2) no demonstrativo de apuração de débito apontase uma glosa no valor total de 1.745,0 ha classificada como "Área de Preservação Permanente" (efls. 07); 3) a decisão da Delegacia de Julgamento (efls. 96/102), mantendo o lançamento fez a seguinte consideração: "Da análise das alegações e documentos apresentados pela interessada, confirmouse o não cumprimento da exigência de reconhecimento da área declarada como de interesse ambiental, incluindo ai uma área de utilização limitada/reserva legal de 731,3ha, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado pelo menos, da protocolização tempestiva de seu requerimento, para ser excluída da tributação". E concluiu: Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10675.000195/200441 Acórdão n.º 9202006.571 CSRFT2 Fl. 271 5 "Dessa forma, não cumprida a exigência de apresentação do ADA e comprovada a protocolização intempestiva de seu requerimento, para fins de não incidência do ITR/1999, entendo que deve ser mantida a glosa da área de preservação permanente (1.745,0 ha)", 4) o Contribuinte em seu recurso voluntário apresenta como "pedido subsidiário" que do total da área declarada como APP seja ao menos considerada como isenta a área averbada de 731,21 ha, 5) o acórdão recorrido assim delimita a lide: "A matéria em questão é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente e utilização limitada da base de cálculo do ITR. Quanto à área de utilização limitada, de fato, houve averbação parcial." E conclui quanto a APP: "entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental ADA não é impeditivo para o gozo da isenção", e quanto a ARL: "Pelas razões já expostas na análise da necessidade ou não de ADA, entendo que a área de utilização limitada tempestivamente averbada, fls. 16 a 18, também deva ser excluída do lançamento, pois não é obrigatório para o gozo da isenção a apresentação do ADA." 6) o ADA apresentado pelo Contribuinte (efls. 21) foi desconsiderado pela decisão embargada, o que leva ao impedido de que seus dados sejam tomados como fonte para fixação da área a ser descontada da base de cálculo do imposto. Pelas considerações acima apontadas, tendo em vista que o lançamento não faz qualquer distinção entre as áreas, entendo que a tese fixada no acórdão embargado é no sentido de ser o ADA instrumento dispensável para fins de reconhecimento da área de preservação permanente declarada pelo contribuinte no total de 1.745 ha, na qual está inserida uma área de reserva legal de aproximadamente 731,0 ha. Diante do exposto acolho os embargos, para sanando a inexatidão definir como área de preservação permanente o total da área de 1745,0 ha nos termos em que declarado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 273DF CARF MF 6 Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.032027/99-14
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.399
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Raimar da Silva Aguiar
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Numero do processo: 10410.004514/2005-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao tratamento do contribuinte, desde que devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea.
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
A. dedução dos pagamentos despesas médicas em seu beneficio e de seus dependentes somente é possível quando possui dependentes declarados para efeito de dedução do imposto de renda, e não declarou em conjunto com o seu cônjuge. Inteligência do art 8º, § 2º, II da Lei 9.250/95
Numero da decisão: 2201-004.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 06/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao tratamento do contribuinte, desde que devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. A. dedução dos pagamentos despesas médicas em seu beneficio e de seus dependentes somente é possível quando possui dependentes declarados para efeito de dedução do imposto de renda, e não declarou em conjunto com o seu cônjuge. Inteligência do art 8º, § 2º, II da Lei 9.250/95
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao tratamento do contribuinte, desde que devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. A. dedução dos pagamentos despesas médicas em seu beneficio e de seus dependentes somente é possível quando possui dependentes declarados para efeito de dedução do imposto de renda, e não declarou em conjunto com o seu cônjuge. Inteligência do art 8º, § 2º, II da Lei 9.250/95 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 45 14 /2 00 5- 89 Fl. 120DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 06/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante da resolução de fls. 104/106: “Trata – se de Recurso Voluntário face decisão da 1a. Turma da DRJ/REC, de 16 de junho de 2008 (fls. 85/94), que por unanimidade de votos negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a exigência fiscal objeto de lançamento lavrado no valor de R$ 5.870,87 a título de imposto suplementar, multa de ofício no valor de R$ 4.403,15 e R$ 2.165,76 de juros de mora, perfazendo o total de R$ 12.439,78, conforme extratos de fls. 78, 80 e 82. Conforme consta no Relatório da decisão recorrida, o lançamento decorre dos seguintes fatos: Dedução indevida das seguintes despesas médicas: 1) R$ 12.848,63, relativamente aos usuários do plano de saúde pago pelo contribuinte que não são seus dependentes. Mantido o valor pago pelo contribuinte e pelo seu cônjuge; 2) R$ 8.500,00 com a Sra.Delfina Antonia Carvalho, tendo em vista constar no sistema Dossiê da SRF que esta emitiu recibos apenas para o contribuinte, considerando ainda o valor elevado da despesa. Foi solicitado que o contribuinte comprovasse o pagamento como condição única para a aceitação desta despesa, mas o mesmo apresentou apenas recibos e uma declaração da profissional, não Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10410.004514/200589 Acórdão n.º 2201004.366 S2C2T1 Fl. 121 3 tendo apresentado nenhuma prova do efetivo pagamento, seja em cheque seja em extrato de conta corrente bancária que comprovasse saques para pagamento em dinheiro de valores numa média mensal em torno de R$ 700,00, razão pela qual estas despesas foram desconsideradas das deduções da base de cálculo. Na impugnação, resumidamente, quanto à dedução da base de cálculo do valor pago à ASFAL Saúde, o Recorrente alegou que o inciso II do art. 80 do RIR não condiciona o abatimento de qualquer tipo de despesa médica com os dependentes à sua inclusão nesta condição na DIRPF, e que os pagamentos à Sra. Delfina Antonia Carvalho, no valor total de R$ 8.500,00 foram comprovados através de recibos, e que esta fez constar na sua DIRPF o valor recebido, oferecendo – o à tributação. A decisão proferida pela DRJ manteve integralmente a exigência fiscal, destacando o inciso II do par. 2o do art. 8o da lei n.o 9.250/95, que restringe a dedução da base de cálculo das despesas médicas efetivadas com o próprio contribuinte ou com seus dependentes, e os valores glosados referemse a pessoas que não constaram na DIRPF do Recorrente (fl. 74), tendo o autuante ainda considerado o valor pertinente à sua esposa, embora não constante na DIRPF do autuado, razão pela qual a glosa foi parcial, no valor de R$ 12.848,63, e não R$ 15.944,66, declarados como pagos à ASFAL SAÚDE. Quanto ao pagamento no valor de R$ 8.500,00 à Sra. Delfina Antônio Carvalho, também objeto de glosa, pelo fato de intimado para comprovar os efetivos pagamentos, o autuado não logrou em fazêlo, por cheques ou saques em agencias bancárias que comprovassem a disponibilidade para fazêlo em numerário, mencionou também o fato desta profissional residir em TeresinaPI e o Recorrente em MaceióAL, ser dela o único cliente e dispor, para apresentação já no ato da impugnação, a DIRPF desta profissional. Fundamentou ainda seu entendimento no art. 29 do Decreto n.o 70.235/72, que ampara a livre convicção do julgador, e no art. 73 do decreto n.o 3.000/99, onde o decreto faz as restrições da lei citada no parágrafo anterior, com precedentes do Conselho de Contribuintes. Com efeito, quando firmou a declaração que prestou serviços de psicóloga, constante à fl. 21, em 17 de junho de 2.005, a fez em TeresinaPI, mas Fl. 122DF CARF MF 4 os alegados serviços, constam como prestados em 2.002, podendo para a capital piauiense ter se mudado após aquele ano. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, às fls. 95/99, o Recorrente reitera os termos da impugnação, com a alegação de que a glosa das despesas médicas e com psicóloga que originaram o trabalho fiscal não encontra respaldo legal, contrariando o art. 80 do RIR, que autorizam tais deduções, citando precedente do Conselho de Contribuintes que veda a dedução ou a condiciona a exigências não previstas em lei. 2 – A DRJ às fls. 88/94 através do Acórdão ementado abaixo decidiu pela manutenção do lançamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais e que produzam a convicção necessária ao julgador da realização dos serviços e do seu efetivo pagamento. 3 – Pela resolução da extinta 2ª Turma da 1ª Câmara dessa Seção às fls. 104/106 foi convertido o julgamento em diligência para a juntada da notificação de lançamento nos autos. A diligência foi cumprida às fls. 108/113, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10410.004514/200589 Acórdão n.º 2201004.366 S2C2T1 Fl. 122 5 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – O lançamento tem a seguinte justificativa quanto a glosa das despesas médicas: 6 – Em relação ao item (1) quanto a glosa do plano de saúde, analisando os termos do documento de fls. 56/57 informação do plano de saúde informando os valores pagos relacionados aos dependentes do plano e que não foram indicados na declaração de IR do contribuinte às fls. 75/79 de sua DIRPF. Fl. 124DF CARF MF 6 7 – Acertada a decisão da autoridade julgadora de piso quanto a glosa, pois está de acordo com a legislação de regência art 8º, § 2º, II da Lei 9.250/95, nesse ponto, tomando como minhas as razões de decidir, nego provimento ao recurso nesse ponto, com os fundamentos da decisão verbis: 9. Portanto, o contribuinte somente tem direito A. dedução dos pagamentos despesas médicas em seu beneficio e de seus dependentes. Como não possui dependentes declarados para efeito de dedução do imposto de renda, e não declarou em conjunto com o seu cônjuge, a rigor, só teria direito a dedução da parcela paga correspondente ao seu plano de saúde. De toda sorte, tendo a fiscalização considerado também a dedução do plano de saúde da sua esposa e não sendo a DRJ a unidade da RFB lançadora e nem sendo mais possível o agravamento, tendo em vista o prazo decadencial, mantémse, dos R$ 15.944,66 declarados com o plano de saúde Asfal Saúde, a glosa dos R$ 12.848,63. 8 – Em relação às despesas médicas com a profissional Delfina Antonio Carvalho de fls. 58/70 entendo que passíveis de dedução, explico. 9 Conforme dispõe o inciso III do parágrafo 2º do artigo 8º da Lei nº 9.250/95, as despesas médicas havidas pelos contribuintes são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda desde que seus pagamentos sejam comprovados, a saber: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10410.004514/200589 Acórdão n.º 2201004.366 S2C2T1 Fl. 123 7 § 2º O disposto na alínea "a" do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifos nossos) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; 10 A IN SRF nº 15, de 06/02/2001, ao tratar da comprovação dessas despesas, assim dispõe: “Art. 46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação o cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” 11 Assim, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme preceitua a legislação aplicável. Fl. 126DF CARF MF 8 12 Contudo, no caso concreto, citando decisão do Ilustre Conselheiro Carlos Alberto Amaral Azevedo no AC. nº 2201003.469 desta Colenda Turma tenho que deve ser aplicado o princípio da razoabilidade, verbis: "Temos que o recibo apresentado, inicialmente, não foi aceito por não conter detalhes relativos ao prestador do serviço. Em seguida, tal documento foi complementado de forma a não mais apresentar tal deficiência (fl. 2 e 62). Naturalmente, tivesse a autoridade lançadora firmado sua convicção sobre a necessidade da glosa ou a autoridade julgadora de 1ª Instância lastreado sua manutenção na questão da não comprovação do efetivo pagamento da despesa, teria o contribuinte a oportunidade de apresentar a documentação comprobatória. Contudo, em momento algum tal exigência foi exposta, não fazendo sentido que, em sede de julgamento de 2ª instância, novos motivos sejam utilizados para a manutenção da exigência, o que importaria evidente prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa. Não obstante tudo isso, penso que a exigência da comprovação do efetivo pagamento ou da transferência do numerário ao prestador do serviço é instrumento que pode e deve ser utilizado de forma compatível com o Princípio da Razoabilidade, que é uma diretriz de bomsenso aplicada ao Direito. Esse bomsenso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas que o seu espírito. Portanto, entendo que não devemos lançar mão desse instrumento quando diante de valores que, por sua monta, possam tornar a comprovação do efetivo desembolso difícil ou mesmo impossível, em particular por corresponder a numerário que não justifique movimentação financeira documentada ou extraordinária. No caso em comento, o contribuinte declarou rendimentos que ultrapassam os R$ 132.000,00, sendo perfeitamente razoável considerar que ele possa ter efetuado o pagamento da despesa (R$ 352,00) com recursos disponíveis em espécie, sem terem sido necessários saques ou transferências contemporâneas específicas. Ademais, os extratos apresentados pelo recorrente evidenciam saques Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10410.004514/200589 Acórdão n.º 2201004.366 S2C2T1 Fl. 124 9 nos dias anteriores ao apontado no recibo que seriam suficientes ao pagamento em dinheiro da despesa." 13 Portanto, compreendo legal a adoção desse instrumento quando diante de valores que, por sua monta, possam tornar a comprovação do efetivo desembolso difícil ou mesmo impossível, exclusivamente por corresponder a numerário que não justifica movimentação financeira extraordinária. 14 Imbuído deste primado, de igual forma é razoável considerar como comprobatórios da ocorrência da prestação de serviços médicos, os recibos emitidos em nome do Recorrente, mesmo que ausente nestes a indicação do beneficiário dos serviços, posto que, nos valores em que foram emitidos, e com as informações trazidas (nome, CPF e número do registro profissional dos emitentes, além de nome do Recorrente), são razoáveis para indicar a realização de exames, atendimentos, intervenções ou tratamentos médicos comuns e rotineiros. 15 Corrobora com este entendimento a Solução de Consulta Interna COSIT nº 23, de 30 de agosto de 2013, que dirimiu situação para orientar as autoridades fiscais a considerarem o próprio contribuinte como beneficiário de serviços médicos prestados nas situações em que os recibos apresentados forem emitidos em seu nome, porém sem indicação do beneficiário, senão vejamos: “Solução de Consulta Interna nº 23 – COSIT Data: 30 de agosto de 2013 Origem: COORDENAÇÃO GERAL DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COCAJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Fl. 128DF CARF MF 10 São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III.” 16 Nos casos em que o comprovante de despesa médica contenha os requisitos formais estabelecidos no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, mas não a identificação do beneficiário dos serviços, e o contribuinte informe que a despesa médica se refere a tratamento próprio, podese presumir que os serviços foram prestados ao próprio contribuinte, e pela análise da DIRPF for constatado que tem rendimento suficiente no ano para pagamento de tais valores, entendo ser razoável a sua recepção como comprovação do serviço prestado, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades, o que não é o caso. 17 Conforme declaração de fls. 58 e os recibos mensais de fls. 59/71 em valores de R$ 640,00, R$ 730,00 e R$800,00 e aliado aos rendimentos do contribuinte declarados, entendo razoável a dedução das despesas médicas à profissional Delfina Antonia Carvalho no valor anual de R$ 8.500,00 uma vez que considero estes em valores apropriados à remuneração dos procedimentos médicos prestados ao Recorrente. Assim, voto por restabelecer esta dedução. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10410.004514/200589 Acórdão n.º 2201004.366 S2C2T1 Fl. 125 11 Conclusão 18 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito DOU PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer a dedução do valor de R$ 8.5000,00 com a profissional Delfina Antonia de Carvalho na forma da fundamentação. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900125/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente AUTO POSTO IRMAOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 01 25 /2 01 2- 71 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela DRF JiParaná, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de COFINS não cumulativa/mercado interno e, em conseqüência, homologando parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito concedido. Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que se dedica ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins, que é optante pelo regime de apuração pelo Lucro Real e, portanto, sujeitase à apuração das contribuições para o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Diz que realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis tributados à alíquota zero e que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos, mas, sim, de créditos sobre insumos e serviços necessários na atividade que exerce, uma vez que sendo seu produto final tributado à alíquota zero, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitem o aproveitamento dos créditos sobre esses dispêndios.(grifei). Quanto aos fretes pagos, esclarece que adquire combustíveis e lubrificantes para revenda, mas como a empresa vendedora não entrega os produtos, precisa contratar serviços de fretes de outras pessoas jurídicas para que o produto chegue até seus estabelecimentos e possa realizar a venda, e enfatiza, por isso, que o frete é um serviço/insumo necessário para a realização de sua atividade comercial. Ressalta que o art 3º da Lei nº 10.833, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 4 3 de 2003, não relaciona os insumos/serviços e tampouco considera que apenas indústrias podem realizar créditos, e que a Receita Federal ao editar a IN 404/2004, conceituando o termo insumo, foi além do seu dever de normatizar. Faz uma diferenciação entre a não cumulatividade do PIS e da Cofins e da não cumulatividade do IPI ou do ICMS, citando decisões do CARF, do Tribunal Regional Federal e Soluções de Consulta da Receita Federal. A Recorrente contesta ainda a exclusão dos créditos que foram glosados, pleiteando o seu reconhecimento e a homologação das compensações declaradas, a suspensão da exigibilidade dos débitos e também o direito à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Tendo em vista as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e dada a inexistência de documentos comprobatórios nos autos, foi emitido Termo de Diligência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, solicitando cópias de recibos de aluguéis efetuados no período, comprovação de seu registro contábil e respectivos contratos de locação; bem como relação dos produtos vendidos com detalhamento e sua classificação NCM. Cumprida a solicitação efetuada, os autos retornaram para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06 054.531. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade com relação a Fretes sobre Compras e Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, cabendo destacar quanto ao pedido, em síntese: · Seja acolhido o presente Recurso Voluntário; · Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; · Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, pois foram por ela suportados e atendem a condição de insumo conforme determina a legislação de regência da matéria; · Que seja afastado em definitivo o entendimento de que os fretes sobre compras teriam a mesma natureza tributária do produtos transportado, eis que tal alegação não tem respaldo legal e fere o sistema de nãocumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; · Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores a título de aluguéis de máquinas e equipamentos pagos para pessoas jurídicas, conforme comprovam os boletos bancários pagos Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 5 4 à Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga sob a denominação de “Programa Rodo Rede”, integrantes deste processo, eis que os pagamentos são legítimos e correspondem aos aluguéis de bombas para estabelecimentos de combustíveis com bandeira Ipiranga; · Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; · Determinar que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a incidência da SELIC, a partir do período de apuração do crédito em face das disposições das disposições do Decreto nº 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95.(grifei). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.163, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900124/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.163): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Cabe esclarecer que o Despacho Decisório ao homologar parcialmente a compensação declarada, cientifica e intima o interessado a efetuar o pagamento dos débitos não abrangidos pela homologação, facultando ao interessado nos termos da legislação de regência a apresentação da manifestação de inconformidade. Optando assim o interessado pela apresentação da manifestação de inconformidade, ato processual que inaugura a lide administrativa no caso em tela, está abrigado pela suspensão da Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito tributário, nos termos do 1inciso III do art. 151 do CTN. MÉRITO Observase que a recorrente em extenso arrazoado, discorre sobre o seu suposto direito aos créditos alegados, na ótica de sua interpretação, arguindo ainda que a decisão de piso se mostra confusa e contraditória, notadamente quanto à fundamentação referente à glosa de fretes sobre compras, ressaltando que o julgador em sua interpretação não destaca os dispositivos legais que amparam sua interpretação. Verificase não assistir razão à recorrente, haja vista que a fundamentação da decisão de piso em cada matéria abordada, cita expressamente os dispositivos das Leis nºs 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, que regem a matéria dos autos e respaldam a exegese conferida a cada tópico analisado. Para a análise a seguir é importante destacar que a empresa tem por objeto mercantil o comércio varejista de combustíveis e a prestação de serviços afins. Da glosa dos créditos relativos a Fretes sobre Compras Quanto aos pagamentos de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, que segundo a recorrente consiste em um serviço necessário para a realização de sua atividade comercial, considerando que a questão fática está bem dirimida, prendendose o litígio na interpretação da legislação quanto à possibilidade ou não de creditamento de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, utilizome da fundamentação escorreita e primorosa sobre o assunto, conferida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, através do acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, na qual estão plasmados os fundamentos à luz da legislação de regência sobre a matéria, conforme excertos do voto a seguir transcritos: Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 7 6 No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/ 1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.(grifei). Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 8 7 citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe.(grifei). (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); (grifei). b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os fundamentos acima expendidos, cuja hermenêutica da legislação expressamente citada e sistematicamente organizada permitem inferir que não há amparo legal para o aproveitamento de crédito sobre fretes utilizados pela contribuinte, na compra de combustíveis para revenda, como bem destacou a decisão de piso, em trecho a seguir ressaltado: (...) o frete está relacionado à aquisição de combustíveis, e esta operação, compra de combustíveis, está submetida ao regime monofásico que não gera direito a crédito. Por isso esses gastos de fretes, ainda que componham o custo de aquisição de combustíveis, não podem ser admitidos para efeito de aproveitamento de crédito. Ou seja, não havendo possibilidade de aproveitamento de crédito com a própria aquisição de Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 9 8 combustíveis assim também não o haverá para o gasto com seu transporte.(grifei). Assim, mantémse a glosa acima destacada, por falta de amparo legal para seu creditamento. Das glosas com Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Com relação à glosa em apreço, dispõem as leis de regência, Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;(grifei) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Destaca o relatório fiscal: Foram analisados os comprovantes de pagamento de aluguéis, mês a mês, e solicitamos a cópia autenticada do contrato de aluguel para aferirmos se a utilização dos equipamentos se daria nas atividades da empresa. Foram apresentados apenas os contratos de locação feitos com a Transportadora Giomila LTDA e com a Transportadora Batista LTDA. O contrato de locação com a Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga não foi localizado pelo contribuinte.(grifei). Referida glosa foi objeto de procedimento de diligência, nos seguintes termos (...) que seja intimada a interessada a apresentar, relativamente aos 3º e 4º trim/2004 e aos 1º ao 4º trim/2005: 1) cópias dos recibos de aluguéis efetuados no período à Transportadora Batista Ltda. e à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, bem como o seu respectivo registro nos livros contábeis, além dos contratos de locação (...);(grifei) Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 10 9 O resultado está consignado nos excertos da decisão de piso como a seguir demonstrado: Em atendimento à diligência efetuada, a interessada juntou comprovantes de pagamentos efetuados no período à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, assim como cópia do seu livro Diário onde consigna o respectivo registro. Entretanto, os recibos trazidos aos autos em nada esclarecem a que se referem cada um dos pagamentos, estando em alguns deles mencionado simplesmente referirse a ‘Programa Rodo Rede’. Por óbvio que não restou demonstrado que esses pagamentos são relativos a aluguéis de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) utilizados nas atividades da empresa, como pondera a interessada, que possa ser aproveitado para o cálculo do crédito a ser deduzido da contribuição devida.(grifei) Verificase que o direito ao crédito da espécie em análise, requer conforme o preceito legal destacado, duas condições: aluguéis (...), pagos... e utilizados pessoa jurídica, nas atividades da empresa. Com efeito, tratandose de direito creditório, cabe ao interessado a comprovação de seu direito arguido. No caso em apreciação, a interessada além de não apresentar o contrato de locação já referido, os recibos apresentados, conforme arquivos não pagináveis acostados aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos quanto à locação arguída, mesmo após a diligência deferida pela instância a quo, visto que não há nestes documentos a identificação da operação que visam respaldar. Ante o exposto, mantémse a glosa por falta de comprovação pela interessada. Do direito à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC Quanto à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC, tratase de expressa vedação legal, conforme dispõe o 2art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, logo tornase impossível o atendimento ao pleito da recorrente. Destaquese que o direito à compensação, pugnado na peça recursal prendese ao cumprimentos dos requisitos impostos pela legislação. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante frisar que no presente processo o litígio abarca o direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, que encontram correspondência com os pleiteados pela Recorrente no caso do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13227.900125/201271 Acórdão n.º 3302005.165 S3C3T2 Fl. 11 10 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.000297/00-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB aguarde o desfecho definitivo do processo administrativo nº 11618.001024/2005-67, prejudicial à análise do presente processo, juntando aos autos a decisão final administrativa.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB aguarde o desfecho definitivo do processo administrativo nº 11618.001024/200567, prejudicial à análise do presente processo, juntando aos autos a decisão final administrativa. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 18 .0 00 29 7/ 00 -1 7 Fl. 809DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 810 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A interessada acima qualificada formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 37.527,11, referente ao período de janeiro a dezembro de 1999, com fundamento no art. 11 da Lei n.° 9.779, de 1999. As fls. 244, 246, 301, 302, 303, 304 e 306, encontramse pedidos de compensação com débitos neles elencados. 2. No Termo de Informação Fiscal de fls. 436/446, a autoridade diligenciadora, depois de elencar os processos de ressarcimento formulados pela contribuinte e os fundamentos jurídicos dos pedidos, consignou, em apertada síntese, as seguintes informações: 2.1. A contribuinte fabrica argamassas colante, para rejuntamento e para revestimentos, que classifica com alíquota de 0% (zero por cento); 2.2. As notas fiscais que embasaram o pedido referemse a insumos destinados à industrialização; 2.3. Glosouse o valor de R$ 1.198,66, que se refere a transferências de cimento da filial para a matriz, nas quais a contribuinte creditouse do IPI à alíquota de 4%. A filial é não contribuinte de IPI, pois se dedica à revenda de mercadorias e não fez a opção pela equiparação. Como a filial é estabelecimento comercial que exerce o comércio atacadista, a matriz só terá direito a se creditar do IPI, calculado mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre 50% (cinqüenta por cento) do valor que consta da nota fiscal (art. 148 do Regulamento do IPI de 1998 — RIPI198); 2.4. Classificando os produtos fabricados pela contribuinte com base na Tabela do WI — UPI e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), editadas pela Instrução Normativa — IN SRF n.° 157/2002, contatouse que a argamassa colante tem classificação na posição 3214.90.00, "Ex" 01, com alíquota de 0% (zero por cento); a argamassa para rejuntamento classificase na posição 3214.10.10, com alíquota de 10% (dez por cento); e a argamassa para revestimento classificase na posição 3824.50.00, com alíquota de 10% (dez por cento); 2.5. Elaborada planilha de apuração de saldo do IPI, constatou se que o saldo credor, relativo ao ano de 1999, foi de R$ 10.189,27. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 811 3 3. Tendo em vista as informações consignadas, a autoridade a quo deferiu em parte o pedido de ressarcimento, no valor proposto (R$ 10.189,27), e homologou, neste mesmo montante, os pedidos de compensação apresentados (fl. 447). 4. Inconformada, a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, acostada As fls. 453/470, na qual aduz, em apertada síntese: 4.1. Não há que se falar em comércio entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. No aspecto fiscal, os estabelecimentos matriz e filial são autônomos entre si; no aspecto econômico e tributário, um é extensão do outro; 4.2. As transferências de bens de produção (cimento) da filial para a matriz foram feitas com destaque de 4% de WI, imposto que deve ser creditado integralmente por ocasião da entrada. O estabelecimento filial é contribuinte do WI, porque se dedica A comercialização de produtos fabricados pela matriz, na forma do art. 9°, III, do R1P1198. 4.3. O art. 40, XI, do mesmo Regulamento contempla hipótese de suspensão do IPI; seu §3° prevê os casos em que a referida suspensão não se aplica. Só se pode suspender o que existe.O imposto destacado nas notas das filiais foi feito com acerto e correção, porque sendo o aludido estabelecimento equiparado a industrial, outro não poderia ser o seu comportamento, ao promover a saída do produto tributado. Cabe salientar que o valor do WI incidente sobre a compra de cimento portland, destacado nas notas fiscais do fornecedor, cujo produto, embora destinado A fabrica, fora endereçado e entregue no estabelecimento filial, foi registrado em seu Registro de Entradas e, sem seguida, esta promoveu a transferência para o efetivo destinatário; Preliminarmente 4.4. Requer a juntada deste processo ao de n.° 11618.001024/200587, para que sejam decididos conjuntamente. 4.5. O Despacho Decisório é nulo, pois, mesmo que tivesse recolhido a maior ou a menor, o direito de a Fazenda Pública proceder A. revisão do lançamento só pode ser realizado no prazo de cinco anos, conforme arts. 149 e 150 do CTN. Em relação ao ano de 1999, a operação se encontra perfeita e acabada, "mormente o atestado da própria fiscalização quanto as entradas consideradas para efeito de crédito do IPI, referirse, efetivamente, a insumos empregados na produção". Reclassificação fiscal dos produtos Fl. 811DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 812 4 4.6. Entre 10 de janeiro e 31 de dezembro de 1999, encontravase vigente a Tabela de IPI (TIPI), aprovada pelo Decreto n.° 2.092, de 10/12/1996. Nesta tabela, consta o "Ex" 01 na posição 3214.90.00; 4.7. A autoridade autuante, baseandose em Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), editadas pela IN SRF n.° 157/2002, e da Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, datada de 08/06/2004, cuidou de censurar o procedimento da empresa para aplicar aos casos pretéritos legislação que somente veio a ser editada vários anos depois dos fatos geradores; 4.8. Foram consideradas, também, normas do Decreto n.° 4.070, de 28/12/2001, que não se pode aplicar a fatos geradores ocorridos no ano de 1999, pois somente entrou em vigor em 1° de janeiro de 2002; 4.9. As Notas Explicativas para interpretação da TIPI, nos períodos de que cuida o processo, reportamse ao Decreto n.° 435, de 28/01/1992, que aprovou as NESH, "alterado pela IN SRF 111/94; IN 25/95; IN 123/98; IN 05/99; IN 54/99" (sic). Na auditoria, não se percebeu que, até a publicação do Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, existia na TIPI o "Ex" 01 na posição 3214.90.00, que só foi revogado a partir de 1 0/11/2002. A Solução de Consulta SRRF/4a/RF/Diana n.° 8, de 2004, não se presta para situação ocorrida no ano de 1999, porque não se encontrava mais em vigor o "Ex" 01 da posição 3214.90.00; 4.10. Os produtos fabricados pela empresa são classificados no "Ex" 01 da posição 3214.90.00, porque todos eles foram tipificados dentro da especificação estabelecida, por se tratar de mistura de cimento e/ou cal, com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada, pó de pedra e semelhantes, adicionada ou não de água, corante ou impermeabilizante; Argamassas de Rejuntamento 4.11. Esses produtos são comercializados com a denominação de "Rejunto sem Resina" e "Rejunte com Resina". Compõese, como descrito, de uma mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), retentor de Água, corante (pigmento), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, sendo que, em alguns casos, é utilizado areia no lugar de pedra britada. De acordo com a TIPI, o "Ex" 01 da posição 3214.90.00 é a mais especifica para classificar este produto; 4.12. O induto diferenciase de mastique por possuir elevado teor de matérias de carga, sendo este teor muito superior ao dos aglutinantes. No caso da argamassa de rejuntamento, o teor de Fl. 812DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 813 5 material de carga é de 73,15% (pedra britada e corante) e de aglutinantes é de 26,85% (cimento, retentor de água, impermeabilizante e polímero). Logo, fácil concluir que a argamassa de rejuntamento é um induto, não um mastigue, pois na mistura dos aglutinantes o cimento corresponde a 25%, ou seja, é um produto rígido, deixando esta argamassa com grande quantidade de material de carga e não elástica ou borracha, que são características do mastigue; 4.13. A classificação adequada para a argamassa de rejuntamento é na posição 3214, no "Ex" 01, por se tratar de induto não refratário do tipo dos utilizados em alvenaria e por comporse de cimento e pedra britada; Argamassa de revestimento 4.14. Outro equivoco foi enquadrar a argamassa de revestimento, com nome de fantasia "Assentamento Pronto", "Reboco Pronto", "Massa Unica", "Chapisco Pronto", e "Contrapiso Pronto", na posição 3824.50.00, quando a própria disposição do capitulo encontrase claramente ressalvada que a tipificação somente se daria ali caso não estivesse compreendida em outra posição. Existe um "Ex" 01, na posição 3214.90.00, que se constitui "em exceção a regra por mais especifica que seja, destaque prevalente em qualquer situação como já descrito, fato esse que já dispensaria por si só a necessidade de ressalva acima mencionada"; 4.15. Além disso, a Regra Geral 3a. para interpretação do Sistema Harmonizado estabelece que a posição mais especifica prevalece sobre a mais genérica; 4.16. A interpretação da fiscalização, baseada na Solução de Consulta realizada para outra empresa em 8/06/2004, cuida de TEN que não se aplica ao período examinado. 0 "Ex" 01 da posição 3214.90.00 já havia sido extinto pelo Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, ou seja, a TIPI utilizada para a resposta era diferente daquela do período fiscalizado; 4.17. A referida Solução de Consulta não deve ser estendida a terceiros e por esses utilizada; 4.18. Consta no Capitulo 32, posição 14, "INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA", "e nas subposições e itens da tabela dessa posição não aparecer especificamente, levando a concluir, logicamente, que se insere no subitem 3214.90.00 e, em especial, dentro do Destaque 'Ex 01' desse subitem"; 4.19. Nas Notas Explicativas previstas na IN SRF n.° 157, de 2002, que tratam de indutos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria, diz que se aplicam nas fachadas, paredes Fl. 813DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 814 6 interiores, pavimentos e tetos de prédios, nas paredes e fundos de piscinas etc., de modo a tornálos impermeáveis a umidade e a darlhes boa aparência. Este grupo compreende, entre outros, os indutos pulverizados A base de quartzo em pó e cimento, adicionados de uma pequena quantidade de plastificantes e utilizados, por exemplo, depois de se lhes acrescentar água, para assentamento de ladrilhos de azulejos; 5. Ao final, requer o crédito fiscal indevidamente glosado, que seja desconsiderada a reclassificação feita pela fiscalização, homologada as compensações do imposto acostadas, tornada sem efeito o refazimento da escrita e nulos os atos decorrentes do procedimento equivocado da autoridade autuante. 6. Através do Acórdão DRJ/REC n.° 13.614, de 27/10/2005 (fls. 473/493), anulouse a decisão proferida nos autos, pois entendida em desconformidade com a legislação. Na oportunidade, o relator do voto vencedor reputou conveniente averiguar se os créditos constantes no RAIPI, na rubrica reservada a "transferências para industrialização", já teriam sido escriturados a titulo de "compras para industrialização", além do que, diante da circunstancia de que algumas mercadorias transitaram inicialmente pela filial, verificar quais insumos chegaram ao estabelecimento industrial e, conseqüentemente, foram empregados no processo produtivo. 7. A autoridade a quo prolatou nova decisão, por meio da qual deferiu em parte o pedido de ressarcimento, no montante de R$ 9.054,33, e homologou a compensação no valor do crédito reconhecido (vide fls. 520). Na Informação Fiscal de fls. 508/519, a autoridade diligenciadora consignou, quanto i primeira das indagações apresentadas pela DRJ, que não houve duplicidade de escrituração; quanto A seguinte, que as aquisições de cimento pela filial foram escrituradas no Livro de Registro de Entradas e, quando da transferência para a matriz, no Livro de Registro de Saídas; no estabelecimento matriz, foram escrituradas no Livro de Registro de Entradas e de Apuração de lPI, respectivamente, com valores equivalentes. Diz, ainda, que as transferências de cimento (sacos) da filial para a matriz, suscitadas no Acórdão DRJ/REC n.° 13.614, de 27/10/2005, como nãopassíveis de direito ao crédito do IPI em sua totalidade, estão sendo glosados integralmente (aplicação da aliquota de 4% sobre 50% do valor das notas fiscais). 8. A contribuinte apresentou, no prazo legal, manifestação de inconformidade contra a nova decisão (fls. 522/549), na qual aduz, em síntese: A filial é equiparada a industrial Fl. 814DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 815 7 8.1. A filial foi constituída como varejista, mas opera no atacado (80%), com venda de bens de produção, e no varejo (20%), com venda de bens de consumo, predominando a venda de produtos de fabricação própria (90%); 8.2. O Decreto n.° 2.637, de 1998 (RIPI198), consagra, em seu art. 14, inciso II, que estabelecimento comercial varejista é aquele que efetuar vendas diretas para consumidor, ainda que realize vendas por atacado esporadicamente, considerandose esporádicas as vendas por atacado quando, no mesmo semestre civil, o seu valor não exceder a vinte por cento do total das vendas realizadas. A fiscalização teve acesso a tais dados; a empresa não poderia ser considerada varejista, pois excedeu o limite várias vezes; 8.3. A filial é estabelecimento equiparado a industrial. Quando de sua implantação, imaginouse que a sua atividade preponderante seria a de comércio varejista, sendo que a sua realidade é outra, tendo sido promovida a correspondente alteração cadastral; Transferências entre matriz e filial 8.4. Para cada nota fiscal emitida pelo fornecedor em nome da filial, sem que o insumo fosse sequer recebido, a empresa emitia uma nota fiscal (de transferência), na mesma quantidade, para "capear" a primeira nota, fazendo o insumo chegar A fábrica acompanhado por ambas os documentos fiscais. 0 art. 171, III, do RIPI198 prescreve que os créditos serão escriturados pelo beneficiário "nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação". Tal dispositivo consagra o direito da empresa em consonância com o principio da nãocumulatividade e com o disposto no art. 163 do RIPI/2002. Ilegítimo glosar os créditos de tais notas fiscais, emitidas para acompanhar o trânsito entre o estabelecimento filial e a matriz, para neste último ser empregado na produção industrial; Reclassificação fiscal dos produtos 8.5. No período, encontravase vigente a Tabela de IPI (UPI), aprovada pelo Decreto n.° 2.092, de 10/12/1996. Nessa tabela, consta o "Ex" 01 na posição 3214.90.00. A empresa aplicou o "ex" tarifário na comercialização dos produtos: argamassa colante, argamassa para rejuntamento e argamassa para revestimento, cujas saídas se deram com aliquota zero. Tais produtos se tratam de mistura de cimento, com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra Fl. 815DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 816 8 britada e pó de pedra e semelhantes, adicionado, ou não, água, corante ou impermeabilizante. Para que o produto pudesse ser tarifado no "ex" 01 da posição 3214.90.00, bastava se tratar de uma mistura de cimento (e/ou cal), com saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada ou p6 de pedra. Irrelevante que fosse adicionada, ou não, água, corante ou impermeabilizante; 8.6. A fiscalização considerou a Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, datada de 08/06/2004, que somente veio a ser editada depois dos fatos geradores. A nova apuração do WI, decorrente da decisão prolatada DRJ/REC, visou corrigir o procedimento antes homologado, permanecendo o entendimento da fiscalização em procurar demonstrar a exaustão que os produtos deveriam ter sido classificados diferentemente; 8.7. A empresa se socorreu de entendimento técnico abalizado, no caso, o CENTRO PROFISSIONAL DE COMÉRCIO EXTERIOR — CENPEC, o qual tem como titular um ex Auditor Fiscal e professor de Comércio Exterior, para que fosse aceito ou tivesse valia para Fazenda Pública. Além de discordar da interpretação da fiscalização, consignou, dentre outras informações, que o "Ex 'Tarifário se refere a uma mercadoria muito bem especificada e não simplesmente vinculada a uma determinado código, muitas vezes mal classificado pela administração pública" (ipsis litteris; sublinho do original); 8.8. Não resta dúvida que, existindo um "ex" tarifário, o produto que se tipifique com a especificação nele trazida, esteja onde estiver classificado na TIPI, terá que se deslocar, para fins de tributação, para esse "ex" tarifário. Não muda a classificação fiscal do produto, o que muda é a tributação incidente (cita decisões do Conselho de Contribuintes para embasar seu raciocínio); 8.9. Utilizandose das características do produto argamassa de revestimento, da Regra Geral do Sistema Harmonizado RGI/SH n.° 1 (valor legal do produto determinado pelo texto da posição) e das notas explicativas da posição, a sua classificação é 3214.90.00, "Ex" 01, conforme atesta o Parecer Técnico n.° 016.454 do Instituto Tecnológico de Pernambuco —ITEP (cita as Soluções de Consulta para embasar o seu entendimento); 8.10. A ressalva contida no texto da posição 3824 somente deve ser considerada se não existirem outras posições cuidando das mesmas coisas (a posição 3214 é mais especifica). A opinião de AuditorFiscal aposentado corrobora o entendimento da empresa; 8.11. No caso de argamassa para rejuntamento, a mesma é um induto, não um mistique; Fl. 816DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 817 9 8.12. As notas fiscais de do Sistema Harmonizado são pobres em definir e distinguir induto de mástique. Segundo tais notas, os mastigues se destinam a obturar fendas. As argamassas de rejuntamento produzidas pela empresa destinamse a preencher juntas de assentamento. Não se pode confundir fenda com junta de assentamento (reproduz trecho de norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, na qual se define junta de assentamento); 8.13. O rejunte da empresa não é utilizado para obturar fenda em alvenaria, mas, sim, para ser aplicado em superficies mais importantes, isto, 6, no acabamento das juntas de assentamento de revestimentos cerâmicos e azulejos. As notas explicativas da posição 3214 explicam que mastique e induto se caracterizam, essencialmente, pela sua utilização. A argamassa de rejuntamento é um induto, e a sua classificação correta é na posição 3214.90.00, "Ex" 01; 8.14. Juntase correspondência do SINAPROCIM, enviada "ao então Sr. Secretário da Receita Federal, em face do Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, que extinguiu o ex 01, da posição 3214.90.00 para as argamassas (Doc. 08), cuja resposta enviada pelo Coordenador Geral de Tributação, datada de 22/05/2003 (Doc. 09), procurou justificar o porquê da alteração de sua tributação para 10%, a partir de 1 0 de novembro de 2002, sem qualquer divergência, com o entendimento esposado na correspondência do Sindicato, quanto a classificação das argamassas de revestimento e de rejuntamento no "ex" 01 da posição 3214.90.00" (ipsis litteris; negritos do original; 8.15. Foram, anexadas notas fiscais emitidas por empresas de grande porte, que tiveram o mesmo entendimento; 8.16. A Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, de 08/06/2004, esta embasada na TIPI aprovada pelo Decreto n.° 4.542, de 26/12/2002, que entrou em vigor em 01/01/2003, embora o presente processo somente se refira ao ano de 1999. 9. Ao final, requer a restauração do crédito indevidamente glosado, a desconsideração da classificação fiscal pretendida pela fiscalização, a homologação da compensação, bem como seja tornado sem efeito o refazimento da escrita fiscal. E o que importa relatar. A Delegacia de Julgamento em Recife proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 817DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 818 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA COLANTE. TIPI 3214.90.00. A argamassa colante, induto nãorefratário, resultante da mistura, de cimento, areia, retentor de água, resina polímero 'aderente e resina polímero flexível, que, adicionada de água, é utilizada para assentar Cerâmicas, pastilhas, e porcelanatos, classificase na posição 3214.90.00 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA PARA REJUNTAMENTO. TIPI. 3214.10.10. A argamassa para rejuntamento (mastigue), resultante da mistura de cimento, carbonato de cálcio, retentor de água, hidrofugante, bactericida, resina polímero flexibilizante e pigmentos, que, adicionada de água, é utilizada para rejuntar peças cerâmicas, classificase na posição 3214.10.10 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. TIPI. 3824.50.00. A argamassa para revestimento nãorefratária, resultante da mistura de cimento, cal, carbonato de cálcio, retentor de agua, hidrofugante, bactericida, resina polímero flexibilizante e pigmentos, que, adicionada de água, é utilizada para assentar blocos de concreto ou cerâmicos ou de cimento e revestir paredes e tetos, de Areas internas e externas, para ponte de aderência entre base e revestimento, para regularização de pisos e lajes de revestimento, classificase na posição 3824.50.00 da TIPI. Solicitação Indeferida Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho, conforme recurso de fls. 609 a 625, tendo sido proferida a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 NORMAS PROCESSUAIS. CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O parágrafo quarto do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 , introduzido pela Lei n° 10.637/2002, transformou os pedidos de compensação em declarações de compensação, desde o protocolo do respectivo pedido. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 819 11 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 05 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerarseá homologada (homologação tácita) a compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. Recurso Voluntário Provido Dessa decisão, a Fazenda Nacional recorreu a CSRF, conforme recurso de fls. 732 a 741, tendo sido proferida a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita, tendo sido dado provimento ao especial fazendário, com retorno à instância a quo para se manifestar sobre as demais questões de mérito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5o do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. Recurso especial provido. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Direto ao ponto, a questão não é nova neste Conselho, havendo vários processos no GABIN/SAORT/DRF/JOÃO PESSOAPB à espera da decisão definitiva do processo nº 11618.001024/200567, adotandose como razão de decidir do presente, as razões dos diversos precedentes relativos aos processos abaixo elencados, que concluíram nesse mesmo sentido, acatando pedido preliminar da ora Recorrente, requerendo a juntada deste processo ao aludido, para que sejam decididos conjuntamente. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 11618.000297/0017 Resolução nº 3401001.351 S3C4T1 Fl. 820 12 Da análise do presente processo e do de nº 11618.001024/200567, ambos resultantes do mesmo procedimento fiscal, relativo ao período de 01/01/1999 a 30/09/2002, cujos valores dos saldos deste repercutem nas imputações promovidas naquele, referentes ao lançamento de ofício do IPI, por faltas de destaque do tributo, relativo aos períodos de apuração 01/2000 a 09/2002, inferese que a autoridade fiscal refez a escrita fiscal do contribuinte, levando em conta a nova classificação fiscal adotada para os produtos ARGAMASSA PARA REJUNTAMENTO (NCM 3214.10.10 – alíquota de 10%) e ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO (NCM 3824.50.00 – alíquota de 10%). Em razão do acima exposto, para que não haja decisões conflitantes no presente caso, uma vez que está pendente de decisão a classificação fiscal adotada, se a do contribuinte ou a do fisco, entendo que se faz necessária a juntada ao presente processo da decisão final acerca do auto de infração consubstanciado no processo nº 11618.001024/200567. Desse modo, encaminho meu voto no mesmo sentido dos diversos precedentes supracitados, que acolheram os embargos de declaração com efeitos modificativos, para alterar a decisão anterior que reconheceu a homologação tácita, convertendo o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que a autoridade preparadora aguarde o julgamento definitivo do processo nº 11618.001024/200567 e após junte aos autos a decisão final do auto de infração supra referido, para posterior apreciação do mérito deste recurso. Com estas considerações, na linha do que exposto, voto por converter o julgamento em diligência, com devolução deste processo à unidade preparadora, para que aguarde a decisão definitiva irreformável, em âmbito administrativo, no processo nº 11618.001024/200567 e, em seguida, anexe cópia da aludida decisão administrativa e devolva a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 820DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923121/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/11/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.832
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/11/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 21 /2 01 2- 69 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.923121/201269 Acórdão n.º 3302004.832 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.296. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.923121/201269 Acórdão n.º 3302004.832 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.923121/201269 Acórdão n.º 3302004.832 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.923121/201269 Acórdão n.º 3302004.832 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.923121/201269 Acórdão n.º 3302004.832 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.954141/2009-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Em 14.09.2006 o recorrente transmitiu Declaração de Compensação DCOMP, objetivando a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido de COFINS não cumulativa referente ao mês de maio/2005, com débito da mesma contribuição relativo ao mês de agosto/2006. (fls. 03 a 06) Em 24.08.2009 foi emitido Despacho Decisório informando que o pagamento declarado pela empresa foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 54 14 1/ 20 09 -1 0 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 15374.954141/200910 Resolução nº 3002000.004 S3C0T2 Fl. 96 2 PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada, exigindose, por conseguinte, o pagamento do tributo cuja quitação se pretendia fazer por meio da DCOMP em comento. (fl. 08) Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 01.09.2009, o contribuinte apresentou, em 17.09.2009, Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) Equivocouse ao preencher a DCTF do 1º semestre de 2005, informando débito de COFINS (código 5856) no valor de R$17.661,74, quando o correto seria não informar nenhum valor, pois o valor do tributo devido nessa competência foi compensado integralmente com créditos de insumos, conforme informações constantes da DACON relativa ao mesmo período de apuração; b) Constatado o equívoco, entregou, em 17.09.2009, DCTF retificadora com exclusão do débito de COFINS da competência 05/2005, evidenciando dessa forma, aos sistemas da RFB, a existência do crédito decorrente do pagamento indevido; c) O pagamento indevido de COFINS, relativo a competência 05/2005 deve ser considerado para a quitação do débito de COFINS referente ao mês de agosto/2006, nos termos da DCOMP apresentada. d) Anexou cópia: do Despacho Decisório, da DCTF retificadora; das fichas 13 (maio/2005) e 17B da DACON do 2º trimestre de 2005, e de documentos de identificação e legitimidade; A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE DRJ/FOR, em sessão de 28.04.2014, por meio do Acórdão nº 0829.485, considerou improcedente a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 15374.954141/200910 Resolução nº 3002000.004 S3C0T2 Fl. 97 3 A autoridade julgadora de primeira instância consignou em seu voto que: "...os débitos declarados em DCTF constituem confissão de dívida, por isso dispensam inclusive lançamento de ofício, para fins de inscrição na Dívida Ativa, quando necessário." "...prevalece o que foi confessado pela DCTF Ativa na data do Despacho Decisório, descabendo o valor informado pela última DCTF Retificadora, por motivo de esta haver sido transmitida após a ciência do Despacho Decisório." "...o Interessado... não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar o direito alegado." Nos termos da decisão proferida pela DRJ/FOR, o contribuinte não logrou comprovar os requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário utilizado na compensação, vez que deixou de anexar documentos probantes do direito creditório pleiteado. Alegaram também os representantes do fisco, que a ciência do conteúdo do Despacho Decisório instaurou procedimento fiscal para a cobrança do referido débito, excluindo a espontaneidade do Sujeito Passivo em relação aos atos envolvidos com as infrações verificadas. O acórdão combatido aduz que uma vez instaurado o litígio, com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, devem ser apresentadas as provas documentais do direito alegado, nos termos do art. 16, §4º do DeL 70.235/72, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade. Aduz ainda a DRJ/FOR que embora a DACON tenha sido instituída, pela IN SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido da COFINS e da contribuição ao PIS, prevalece o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF. Por fim, conclui pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade por não ter sido demonstrada a certeza e liquidez do direito creditório do manifestante, requisito indispensável para que o seu pleito fosse acatado. O contribuinte tomou ciência dessa decisão em 22.10.2014 por meio de correspondência registrada, (fl. 50), tendo protocolado o presente Recurso Voluntário em 19.11.2014. Em suas razões de recuso, o sujeito passivo ratifica as razões da manifestação de inconformidade, invocando em sua defesa o princípio da verdade material, segundo o qual devem prevalecer, no presente caso, as informações prestadas na DACON, enquanto instrumento hábil para a demonstração e controle de todas as operações que influenciam na apuração do valor devido a título de COFINS e contribuição ao PIS. Em fase recursal, o contribuinte anexou documentos de identificação e legitimidade dos recorrentes, razão contábil da conta COFINS a recuperar, bem como nova cópia da mesma DACON juntada por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 15374.954141/200910 Resolução nº 3002000.004 S3C0T2 Fl. 98 4 Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. No caso em análise, o contribuinte confessou, em sua Manifestação de Inconformidade, ter cometido equívoco no preenchimento da DCTF do 1º semestre de 2005 enviada originalmente, onde informou como valor devido a título de COFINS referente ao mês de maio/2005 o montante de R$17.661,74, quando o correto seria não ter informado saldo devedor desta contribuição para tal mês, haja vista que os débitos do período foram totalmente compensados com créditos oriundos da aquisição de insumos. Para comprovar sua alegação, o contribuinte trouxe aos autos, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, cópia das fichas 13 e 17B da DACON relativa ao mesmo período, transmitida em 27.09.2005, ou seja, dentro do prazo regulamentar de envio e anterior a qualquer procedimento por parte do fisco em relação à declaração de compensação em tela. A DACON carreada aos autos evidencia que o crédito utilizado na compensação em apreço, advém de saldo credor de meses anteriores. A autoridade julgadora de primeira instância não determinou análise da veracidade dos dados constantes da DACON, limitandose apenas a informar, na única passagem do voto que faz menção a tal demonstrativo, que ...embora o citado demonstrativo haja sido instituído pela IN SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das Contribuições ao PIS e COFINS, prevalece o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF. Ao afirmar que a DACON foi instituída para fins de que o sujeito passivo mantenha o controle de todas as operações que influenciem na apuração das contribuições ao PIS e à COFINS, poderia a DRJ, consoante ao disposto no art. 29 do DEL 70.235/72, ter determinado diligências a fim de certificar a exatidão dos dados constantes de tal demonstrativo, em especial a existência do saldo credor de meses anteriores, utilizado pelo contribuinte no período de apuração em discussão nestes autos. A recorrente, por seu turno, já em fase recursal, anexou ao PAF: a) cópias do razão contábil das contas "Cofins a Recuperar Não Cumulativo", "Cofins a Recuperar (Pg. a maior)" e "Cofins Cód. 5856 Não Cumulativo"; b) cópia da DACON relativa ao trimestre anterior àquele a que se referem os fatos, comprovando que o crédito utilizado na compensação dos débitos relativos ao mês de 05/2005 era, na verdade, resultado de transferência de saldo credor de períodos anteriores; c) nova cópia da mesma DACON apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, evidenciando que tal demonstrativo permaneceu sem alterações durante todo o período da lide. Assim, tendo em vista: a) a falta de verificação, pela autoridade fiscal e pelo julgador de primeira instância, dos créditos de períodos anteriores constantes da DACON apresentada como prova pelo contribuinte em momento oportuno; b) os documentos apresentados pelo recorrente em seu último ato neste processo, que reforçam o contido na Fl. 99DF CARF MF Processo nº 15374.954141/200910 Resolução nº 3002000.004 S3C0T2 Fl. 99 5 DACON em comento, mas ainda não são suficientes, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito utilizado; c) O princípio da verdade material, que deve orientar as ações do julgador administrativo no sentido buscar a decisão que melhor se coaduna à realidade dos fatos, não merece prosperar a alegação de que deve prevalecer o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF original, em detrimento da apuração detalhada e controlada pela DACON e dos outros elementos constantes dos autos. Diante de todo o exposto, VOTO por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB de origem: a) Intime o contribuinte à apresentação de documentos hábeis e idôneos, que possam comprovar a certeza e liquidez do crédito escritural de COFINS, declarado nas DACONs apresentadas nestes autos, inclusive no que diz respeito ao crédito remanescente do ano de 2004, elaborando parecer conclusivo sobre sua existência, ou não; b) Intime o contribuinte quanto ao teor do relatório da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, retornando, por fim, os autos ao CARF para julgamento. Diego Weis Junior Relator Fl. 100DF CARF MF
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