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Numero do processo: 11080.909846/2008-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 790541624 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 11089.49572.301204.1.3.042944 o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 09 84 6/ 20 08 -4 6 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 11080.909846/200846 Resolução nº 3001000.031 S3C0T1 Fl. 42 2 débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que em determinado momentos passou por dificuldades financeiras, acarretando no atraso no pagamento de tributos, sendo que, nesta ocorrência, teria recolhido com juros e multa, mesmo antes da entrega da DCTF. Pagamento Indevido Conforme seu entendimento, esses pagamentos seriam indevidos, pois configurariam o instituto da Denúncia Espontânea. Fundamento da Glosa O fundamento da glosa, conforme o mencionado despacho, seria a ausência de crédito, ressaltando a recorrente que a Fazenda assim o fez sem solicitar ao contribuinte nenhum documento capaz de comprovar a existência do crédito. Sustenta que se porventura a autoridade fazendária houvesse solicitado tais documentos, teria tido acesso à planilha de apuração e teria verificado a regularidade do encontro de contas. Segundo os documentos acostados aos autos, verificase que o pagamento deuse fora do prazo, mas que, no entanto, anterior à entrega da DCTF DRJ/POA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1040.751 2ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP DENÚNCIA ESPONTÂNEA PAGAMENTO A DESTEMPO Não constitui denúncia espontânea o pagamento de tributos em atraso desacompanhado da devida multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela DRF Porto Alegre relativo ao aproveitamento de indébito de Pis mediante exame de declaração de compensação transmitida pela interessada, no qual não foi confirmada a existência do crédito informado, uma vez que o pagamento (localizado) foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11080.909846/200846 Resolução nº 3001000.031 S3C0T1 Fl. 43 3 DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato, o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. A motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada pela administração ao apontar que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. A base legal citada e a fundamentação fática são suficientes para convalidar o indeferimento do pleito, sendo plenamente justificável que a administração Tributária tenha considerado dispensável qualquer esclarecimento adicional, pela via da intimação ao contribuinte, uma vez que seus controles de conta corrente já indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível. pela interessada, sendo suficiente tais elementos para a tomada de decisão. Assim sendo, ao acolher a alegação de nulidade do despacho decisório, corretamente exarado pela DRFB jurisdicionante, estaríamos respaldando irregularidades no procedimento de compensação interposto pela interessada. A interessada apresentou declaração de compensação alegando a existência de direito creditório oriundo do recolhimento de multa de mora pelo pagamento a destempo da Cofins/Pis. Argumenta que não seria devida a multa de mora tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Não tem amparo a tese sustentada pela impugnante, no sentido de a denúncia espontânea da infração à legislação tributária, com o recolhimento do tributo devido, desobrigar o contribuinte do pagamento da multa de mora.. Na verdade, está o contribuinte dando interpretação equivocada ao disposto no art. 138 do CTN, não podendo, pois, prosperarem seus argumentos. A denúncia espontânea de uma infração à legislação tributária exclui a responsabilidade pelo ilícito praticado, afastando a aplicação das penalidades cabíveis, nos precisos termos do CTN, art. 138. Isso, contudo, não autoriza a interpretação de que é indevido o pagamento da multa moratória exigida pela Secretaria da Receita Federal em recolhimentos de tributos fora do prazo legal. A espontaneidade exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, resultantes da responsabilidade quanto a crime, contravenção ou delito tributário, não podendo ser aplicada às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída, que não possuem vinculo direto com o fato gerador do tributo. No caso, o não pagamento da exação não constitui infração, e sim, mora ou inadimplência. A multa por atraso no Fl. 43DF CARF MF Processo nº 11080.909846/200846 Resolução nº 3001000.031 S3C0T1 Fl. 44 4 pagamento de tributos tem finalidade de coagir o contribuinte ao recolhimento dos tributos e contribuições dentro do prazo legal. Se desconsiderássemos o recolhimento da multa decorrente da impontualidade do sujeito passivo da obrigação tributária, simplesmente pelo pagamento espontâneo, estaríamos diante de uma afronta ao contribuinte responsável e cumpridor de suas obrigações e sua imposição legal seria inócua. Pelo contrário: os valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Portanto, inexistindo direito creditório passível de compensação, não há como homologar o encontro de contas declarado. Recurso Voluntário Segundo a recorrente, foram apresentados diversos pedidos de compensação de crédito cuja origem terseia dado em recolhimentos indevidos de multa, que, posteriormente, teriam sido utilizados para compensação de débitos de Pis e Cofins. Denúncia Espontânea A tese defendida pela Recorrente valese do argumento no qual reside sorte a seu raciocínio, qual seja, a possibilidade de aplicação do artigo 138 do CTN, quando o pagamento espontâneo ocorre após o vencimento do tributo, mas antes da entrega da DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário cuja pretensão escorase em legitimar a compensação de valores pagos a título de multa de mora. Argumenta pela aplicação de jurisprudência do STJ, indicando estar submetida aos requisitos do precedente judicial apontado. Origem do Crédito pagamento indevido por recolhimento de multa de mora ausência de procedimento fiscalizatório Ao analisar a Perd Dcomp acostada a estes autos percebese que se trata de pagamento ocorrido a destempo, com recolhimento de multa. Pleiteia a devolução do crédito, pago a título de multa, pois entende estar submetido à denúncia espontânea, vez que o recolhimento se deu ante a ausência de procedimento de fiscalização. Débito compensado sem recolhimento de multa de mora Já o débito compensado, no caso em análise, há que confrontálo com a data do pedido de Compensação, ocorrido em 27 de janeiro de 2005 , conforme imagem do carimbo aposto em efls. 02. Neste caso, falta à análise, a DCTF correspondente, para sacar as dúvidas quanto à aplicação do conteúdo prescrito no Resp nº 1.149.022/SP: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 11080.909846/200846 Resolução nº 3001000.031 S3C0T1 Fl. 45 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11080.909846/200846 Resolução nº 3001000.031 S3C0T1 Fl. 46 6 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) De acordo com o precedente judicial, seguiuse a orientação aos julgados deste CARF, conforme se depreende: Acórdão nº 3302004.451 Ano calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Compulsando os autos, verificase que no preenchimento da PER/DCOMP em análise, entregue em 17.11.2004 (fls. 0204), a Recorrente informou débitos de PIS, código de receita 6912 (PISNão Cumulativo), relativos ao mês de março de 2003, sem considerar as multas de mora. Consultando a DCTF entregue pela Recorrente em 15.05.2003 (fls.8182), constatase que o débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003, não havia sido declarado quando foi objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 11080.909846/200846 Resolução nº 3001000.031 S3C0T1 Fl. 47 7 Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação ao débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003 informado na Declaração de Compensação, o qual, conforme já mencionado, também não havia sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação ao débito sob análise. Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp, e, para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF, e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este requisito, a meu ver, satisifeito. Ausência de declaração em DCTF A recorrente argumenta, tanto em manifestação de inconformidade, como em seu recurso voluntário, que o recolhimento da multa de mora, em decorrência do atraso em seu pagamento, se deu antes da entrega da DCTF, o que, por via de consequência, poderseia inferir a ausência desta informação na declaração referenciada. Entretanto, compulsando os autos, não localizo a DCTF, mas tão somente, a Per Dcomp, tornandose inviável a análise da existência das condições para fruição da Denúncia Espontânea prevista no artigo 138 do CTN e com aplicação referendada pelo (REsp 1.149.022) Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901048/2009-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
DILIGÊNCIA. FINALIDADE.
A diligência será determinada quando necessária para a apreciação da matéria. Não tem por finalidade suprir a omissão do contribuinte em trazer aos autos os documentos que estão em sua posse e que cabia a ele apresentar para demonstrar o seu direito.
PRODUÇÃO DE PROVA. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete ao Carf apreciar alegações de ofensa a princípios constitucionais.
Numero da decisão: 3002-000.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações relativas a dano ao Erário e ofensa a princípios constitucionais e, em relação à parte conhecida, acordam, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. FINALIDADE. A diligência será determinada quando necessária para a apreciação da matéria. Não tem por finalidade suprir a omissão do contribuinte em trazer aos autos os documentos que estão em sua posse e que cabia a ele apresentar para demonstrar o seu direito. PRODUÇÃO DE PROVA. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações de ofensa a princípios constitucionais.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente MALTA VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. FINALIDADE. A diligência será determinada quando necessária para a apreciação da matéria. Não tem por finalidade suprir a omissão do contribuinte em trazer aos autos os documentos que estão em sua posse e que cabia a ele apresentar para demonstrar o seu direito. PRODUÇÃO DE PROVA. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 10 48 /2 00 9- 79 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.901048/200979 Acórdão n.º 3002000.583 S3C0T2 Fl. 145 2 instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações de ofensa a princípios constitucionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações relativas a dano ao Erário e ofensa a princípios constitucionais e, em relação à parte conhecida, acordam, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Alan Tavora Nem que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata este processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS no valor de R$ 1.458,32, relativo ao período de apuração abril/2004, com débitos também de PIS (fls. 2 e 3). Por meio de Despacho Decisório à fl. 6, a Delegacia de Administração Tributária em São Paulo (Derat) decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado na declaração havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual esclareceu que o valor pago a maior decorreu de mero erro no preenchimento da DCTF, que não foi retificada anteriormente ao Despacho Decisório. Traz argumentos sobre os princípios que deveriam nortear os atos administrativos, dentre eles o da verdade material (fls. 9 a 22). Juntou, a título de prova, o Despacho Decisório, o AR relativo à ciência deste Despacho, a DCTF retificadora do 2º trimestre de 2004, o PER/Dcomp, e atos de constituição e representação da empresa (fls. 23 a 46). A Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0949.122 (fls. 49 a 53), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que o contribuinte, a quem cabia o ônus probatório, não demonstrou, por meio de documentos fiscais e escrituração contábil, que cometeu mero erro no preenchimento da DCTF, sendo insuficiente para conferir certeza e liquidez ao crédito a mera retificação da declaração após ciência do Despacho Decisório. Consignou, ainda, que não cabia Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.901048/200979 Acórdão n.º 3002000.583 S3C0T2 Fl. 146 3 ao julgador a apreciação de inconstitucionalidade e que indeferia o pedido de diligência porque caberia ao contribuinte, que possui a documentação comprobatória, ter providenciado a sua juntada aos autos. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples alegação de erro no preenchimento da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade de normas tributárias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 21.06.2016, conforme AR constante à fl. 55, e protocolizou seu recurso voluntário em 19.07.2016, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 64. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega que o fato de não ter retificado a DCTF não poderia ter sido fator primordial para a não homologação do Despacho Decisório; que ocorreu mero erro formal; que já há indícios suficientes do direito creditório e que inexistiu dano ao erário. Alega a ofensa a princípios constitucionais, como os da proporcionalidade, razoabilidade e eficiência. Requer a aplicação ao caso do princípio da verdade material e da boafé, bem como a juntada posterior da documentação probatória e a realização de perícia/diligência, caso se conclua que os documentos acostados não são suficientes (fls. 65 a 82). Instrui seu recurso com atos de constituição e representação da empresa, Darf de pagamento da contribuição, Dcomp e DCTF retificadora (fls. 83 a 141). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.901048/200979 Acórdão n.º 3002000.583 S3C0T2 Fl. 147 4 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Alega o contribuinte que cometeu mero erro de preenchimento de DCTF, mas o seu único ato neste processo com vistas a provar esse erro e justificar a compensação foi promover a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório. Mesmo após a DRJ explicar que seria necessário trazer documentos contábeis e fiscais para demonstrar qual seria, de fato, o PIS devido no mês em questão, continuou o contribuinte na mesma linha de defesa, de que já estaria demonstrado o erro e defendendo a produção posterior de provas ou a realização de diligência. Não há dúvida de que não foi demonstrada a existência de crédito para a compensação. A declaração de compensação (PER/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito Fazse necessário, ainda, lembrar que a DCTF é a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais e constitui confissão de dívida. Por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza para fazer o batimento com o PER/Dcomp. Logo, a não homologação da compensação está plenamente justificada pela utilização integral do Darf para quitar os débitos de confessados em DCTF, não procedendo o argumento de que o despacho decisório não poderia ter se escorado na divergência entre DCTF e PER/Dcomp. É pacífico neste Colegiado que a retificação da DCTF tardia pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, como consignado na decisão de primeira instância, mas nada foi trazido aos autos. Não há dúvida de que o ônus probatório pertence ao requerente nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, conforme definido nas normas que regem tanto o processo administrativo, quanto o processo civil. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.901048/200979 Acórdão n.º 3002000.583 S3C0T2 Fl. 148 5 Segundo o art. 373 do Código de Processo Civil, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Em não tendo se desincumbido de seu ônus probatório, requer a realização de diligência ou perícia, caso a documentação não seja suficiente. Deve ser esclarecido que a diligência/perícia consiste em procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial quanto à matéria, que precise ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) No caso em tela não há qualquer dúvida a ser sanada, descabendo requerer a realização do procedimento como forma de suprir omissão do contribuinte na demonstração do seu direito, ainda mais em uma situação em que os documentos aptos a mostrar o montante devido de PIS estão todos na posse da recorrente. Uma vez não comprovada nem a certeza nem a liquidez do crédito, não é possível o reconhecimento do direito à compensação, que somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) O critério para a autorização da compensação é objetivo, descabendo a sua concessão com base no princípio da verdade material e da boafé, alegados no recurso. Não é possível o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda a partir do entendimento de que não houve máfé no erro do preenchimento da DCTF e, menos ainda, alegar ofensa ao princípio da verdade material, uma vez que as decisões neste processo foram tomadas diante dos fatos aqui demonstrados. Quanto ao pedido para produção posterior de provas, é de se esclarecer que precluiu o direito por perda de prazo. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.901048/200979 Acórdão n.º 3002000.583 S3C0T2 Fl. 149 6 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ........................................................................................................ § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Consoante os §§ 4º e 5º acima transcritos, preclui o direito do recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Como não ocorreu nenhuma das hipóteses do § 4º do art. 16 acima transcrito, não cabe mais a produção de provas. Quanto ao argumento de inexistência de dano ao erário, não vejo relação com o objeto do processo. Não estamos diante de uma aplicação de multa ou outra penalidade, nem foi lavrado auto de infração – temos apenas uma declaração de compensação não homologada, além de consistir em inovação de argumento trazida apenas nesta fase, motivos pelos quais não conheço desta alegação. Da mesma forma não conheço das alegações de ofensa a princípios constitucionais, como os da proporcionalidade, razoabilidade e eficiência, por incompetência do CARF para este tipo de apreciação, firmada na Súmula Carf nº 2, que assim dispõe: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A não homologação decorreu dos elementos objetivos trazidos aos autos, em atendimento aos princípios da legalidade, do devido processo legal e da ampla defesa. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.901048/200979 Acórdão n.º 3002000.583 S3C0T2 Fl. 150 7 Com essas considerações, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de dano ao Erário e de ofensa a princípios constitucionais e, em relação à parte conhecida, voto por negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007680/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à unidade de origem e sobrestar o julgamento do recurso até que a decisão judicial favorável ao contribuinte no processo nº 2004.61.05.0011087-7 (relativa ao PAF 10830.009370/2003-44) seja reformada ou transite em julgado, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à unidade de origem e sobrestar o julgamento do recurso até que a decisão judicial favorável ao contribuinte no processo nº 2004.61.05.00110877 (relativa ao PAF 10830.009370/200344) seja reformada ou transite em julgado, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 07 68 0/ 20 07 -5 8 Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 688 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da solicitação de diligencia no. 120200.057, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de Recurso Voluntário interposto tão somente contra parte da decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas que julgou procedente em parte a exigência do IRPJ, decorrente de suposta compensação na determinação do lucro real do anocalendário de 2003, de valores de prejuízos fiscais superiores aos montantes controlados pela Receita Federal. A decisão recorrida manteve parcialmente a exigência, conforme sintetiza a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 ESTIMATIVAS IRPJ E CSLL. DIVERGÊNCIAS. VALORES APURADOS DIPJE RECOLHIDOS. RECOMPOSIÇÃO MENSAL. Constitui infração passível de imposição de multa isolada a falta de recolhimento durante o ano calendário de estimativas devidas pela contribuinte, segundo legislação pertinente. Havendo divergência entre os valores das estimativas, apontados na apuração mensal da DIPJ, e os recolhimentos acumulados no ano pela empresa, cumpre recompor nos autos as diferenças mensais efetivamente não recolhidas, uma vez que a penalidade incide apenas sobre as antecipações não concretizadas. MULTA ISOLADA. IRPJ DEVIDO NO AJUSTE COM MULTA DE OFICIO. COMPATIBILIDADE. No caso de pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro real anal, cabível a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais devidas, independentemente da imposição de multa de oficio sobre o imposto exigido ao final do período, sobretudo quando a diferença exigida no ajuste não decorre de irregularidades nas antecipações. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. INSUFICIÊNCIA DE SALDO. ADEQUAÇÃO DE CÁLCULO. IRPJ A PAGAR. Cabível a exigência de imposto apurado sobre parcela do lucro real compensada com prejuízos fiscais acima do saldo remanescente, em decorrência de autuações em períodos anteriores. Procedese, contudo, a correção no valor da base de cálculo do adicional apurado nos autos, deduzindose a parcela não sujeita ao percentual de 10%. AÇÃO JUDICIAL. PERÍODOS ANTERIORES. OBJETOS DISTINTOS. Inexistindo identidade de objeto das ações judiciais interpostas pela contribuinte e a matéria objeto de apreciação no contencioso administrativo, não há que se falar em suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, fundamentada em depósitos judiciais realizados para garantir exigências fiscais formalizadas em autos específicos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 MULTA ISOLADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Prevendo a legislação vigente na formalização do crédito tributário percentual de penalidade inferior ao aplicável na ocorrência da irregularidade, correta a aplicação da multa isolada no percentual de 50% por força do princípio da retroatividade benigna. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 689 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 09/04/2013 (AR fls. 541), foi interposto o recurso voluntário de fls. 542 e seguintes, em 11/05/2013, no qual a Recorrente sustenta e informa juntandose os respectivos DARF's, recolhidos, dentro do prazo de 30 dias contados da ciência da decisão, o valor das exigências referentes às multas isoladas de IRPJ e CSLL decorrentes das divergências verificadas entre os valores apurados em DIPJ e valores recolhidos por estimativa. Requer, assim, sejam tais valores formalmente excluídos do montante total cobrado por meio do presente processo administrativo. Desta forma, diz que a discussão a partir do presente recurso se restringe às exigências decorrentes da compensação de prejuízos fiscais, sustentando não proceder a parte da decisão que rejeitou os argumentos da Recorrente quanto ao aproveitamento dos prejuízos fiscais, isso porque a conclusão de ações judiciais (ainda em andamento) que possuem como objeto de discussão justamente os valores de prejuízos fiscais de anos anteriores trará efeitos diretos aos resultados do período objeto da presente autuação, motivo pelo qual não faz sentido dar seguimento à presente cobrança sem, no mínimo, aguardarse pelo resultado dos demais feitos. Diz que a Fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, considerou que a Recorrente compensou, na determinação do lucro real do anocalendário de 2003, valores de prejuízos fiscais superiores aos montantes controlados pela Receita Federal. Com efeito, em relação a esta suposta compensação a maior de prejuízo fiscal no ano calendário de 2003, a Fiscalização levou em consideração os prejuízos fiscais alterados de oficio nos anoscalendários de 1996, 1997, 1998 e 1999, através da lavratura de autos de infração que originaram os processos administrativos n os 10830.0049361200180, 10830.0068371200132, 10830.009025/200220 e 10830.0093701200344. Foram considerados, assim, valores que ainda não se encontravam definitivamente constituídos (uma vez que eram objeto de defesas administrativas e ações judiciais que ainda tramitavam na época em que o Auto de Infração ora em discussão foi lavrado) para a composição do montante supostamente não recolhido pela empresa: Em relação à compensação a maior de prejuízo fiscal , será apurado novo valor do Lucro Real para o anocalendário 2003, considerando as alterações provocadas pelos lançamentos de oficio acima mencionados. (grifos nossos). Em outras palavras, o Agente Fiscal tomou conhecimento da suposta irregularidade no cálculo do prejuízo fiscal objeto deste processo administrativo por conta de autuações anteriores. Assim continua o Fiscal em seu relatório: Em decorrência dos Autos de Infração anteriormente lavrados, referentes aos anos calendário de 1996, 1997, 1998 e 1999, formalizados através dos processos nos. 10830.004936/200180, 10830.006837/200132, 10830.0090251200220 e 10830.009370/20034, houve alteração do valor do prejuízo apurado nas respectivas DIPJ, conforme Planilha anexada ao presente Termo de Verificação contendo 3 (três) folhas, que resultou em excesso de compensação de prejuízo no ano calendário de 2003 , ultrapassando o saldo disponível em R$ 1.114.315 ,54. As alterações provocadas pelos lançamentos de oficio não foram registradas na contabilidade fiscal da empresa. Sustenta assim que, da simples leitura do trecho da autuação acima, restar inequívoco o desacerto do procedimento adotado pela Fiscalização e corroborado pela r. decisão recorrida, ao considerar como critério para a apuração da suposta compensação a maior de prejuízo fiscal as alterações promovidas por lançamentos de oficio que ainda se encontravam em discussão, seja no âmbito administrativo, seja no judicial. Assevera que à época da autuação a Recorrente jamais poderia ter alterado em seus livros tampouco nas suas DIPJs os valores dos prejuízos apurados que ainda encontravamse pendentes de análise pela Administração e pelo Poder Judiciário , inclusive com depósitos judiciais das quantias controversas. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 690 4 Portanto, o Auto de Infração em discussão foi lavrado, inadvertidamente, sem a mandatória verificação da ocorrência da constituição definitiva dos respectivos créditos tributários. Passa assim a à análise de cada um dos casos que influenciarão no prejuízo fiscal, objeto do recurso voluntário, temse que: (i)Processo Administrativo n° 10830.004936/200180 — Neste processo, a Fiscalização reduziu o prejuízo fiscal do anocalendário de 1996, de R$ 1.186.998,05 para R$940.144,88, por suposta realização do lucro inflacionário em valor inferior ao percentual mínimo estabelecido por lei. Ocorre que a decisão final administrativa reconheceu um saldo de prejuízo fiscal para 1996 no montante de R$ 1.063.692.50. Assim, houve uma efetiva glosa no montante de R$ 123 .305,55 do saldo de prejuízos fiscais do ano calendário de 1996 . Apenas com relação a este montante a Recorrente reconhece que houve impacto no saldo de prejuízo fiscal de 2003, pois este auto de infração não exigiu qualquer valor a título de IRPJ ou CSLL, mas tão somente ajustou o valor do prejuízo fiscal , refletindo nos saldos de prejuízos fiscais dos anos subsequentes. Apenas com relação a este valor (esta base de cálculo) é que os Julgadores poderiam ter mantido a exigência fiscal (ii)Processo Administrativo n°10830.006837/200132 — Neste processo administrativo, formalizouse a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos anos calendários de 1996, 1997, 1998 e 1999, por apropriação indevida de variação cambial passiva, falta de contabilização de receita e glosa de despesa, reduzindo o prejuízo fiscal do anocalendário de 1996 para R$ 857.877,08. Contudo, embora tenha sido mantida a glosa no âmbito administrativo a Recorrente ajuizou a Ação Anulatória n° 2006.61.05.0101745, depositando em juízo o valor integral dos valores em discussão Uma vez que a Recorrente seja vencedora nesta ação , não prevalecerá qualquer redução no valor do prejuízo fiscal no ano calendário de 1996 e, consequentemente, não deverá ser reconhecido qualquer impacto no prejuízo fiscal de 2003 . Desta forma , enquanto estiver pendente de julgamento a ação judicial e suspensa a exigibilidade do crédito tributário por meio do depósito Judicial, não pode ser reconhecido na via administrativa qualquer impacto deste caso no saldo de prejuízo fiscal de 2003; (iii)Processo Administrativo n° 10830.009025/200220 — Neste processo administrativo, foi formalizada a exigência de IRPJ referente ao anocalendário de 1997, alterando o lucro real de R$ 494.403,23 para R$ 741.259,41, resultando em uma cobrança de um valor de IRPJ de R$ 164.116,13. Ocorre que este crédito tributário, ao final da discussão administrativa . foi reduzido para R$ 10.259,44, isto é, menos de 10% do valor inicialmente exigido. . Ou seja, a alteração do lucro real foi muito menos do que a exigida no auto de infração. O impacto desta decisão administrativa no cálculo do saldo de prejuízos fiscais de 1997 e, consequentemente , no saldo de prejuízos fiscais de 2003 não foi levado em consideração pelo r . decisão recorrida , o que é absolutamente ilegal e irregular; (iv)Processo Administrativo n° 10830.009370/200344 — Neste processo administrativo, foi formalizada exigência de IRPJ referente ao anocalendário de 1999, alterando o lucro real de R$ 1.332.293,69 para R$ 3.576.219,13, que resultou na cobrança de um valor de IRPJ de R$ 105.086,61. Contudo, embora tenha sido mantida a exigência no âmbito administrativo a Recorrente ajuizou a Ação Anulatória n°2004.61.05.0110877, depositando em juízo o valor integral dos valores em discussão . Uma vez que a Recorrente seja vencedora nesta ação, o que provavelmente ocorrerá, eis que já foi vencedora na primeira instância, não prevalecerá qualquer redução no valor do prejuízo fiscal no anocalendário de 1999 e, consequentemente , não deverá ser reconhecido qualquer impacto no prejuízo fiscal de 2003 . Desta forma , enquanto estiver pendente de julgamento a ação judicial e suspensa a exigibilidade do crédito tributário por meio do depósito judicial , não pode ser reconhecido , na via administrativa , qualquer impacto deste caso no saldo de prejuízo fiscal de 2003. Logo, a Fiscalização não poderia considerar valores que não se encontram definitivamente constituídos para a composição do montante supostamente não recolhido pela empresa. Nesse sentido, a Recorrente não poderia mesmo registrar na sua contabilidade fiscal os prejuízos fiscais alterados pelas supramencionadas autuações (especialmente as três últimas Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 691 5 citadas) pelo simples fato de que (i) os créditos tributários terem sido reduzidos pelas decisões administrativas; e (ii) os créditos tributários se encontrarem em discussão e com suas exigibilidades suspensas, nos termos do artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral; A decisão administrativa final proferida nos autos do Processo Administrativo n° 10830.009025/200220 já deveria ter sido reconhecida na r. decisão recorrida, diminuindo, assim, o valor da redução do saldo de prejuízos de 2003. O Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal federal, é claro ao dispor, no seu artigo 42, sobre a definitividade das decisões proferidas no âmbito administrativo, em linha com o disposto no artigo 145 do CTN. Uma vez que a decisão final proferida no processo administrativo mencionado no parágrafo acima (Processo Administrativo n° 10830.009025/200220) reduziu o valor da exigência, reduzindo como consequência, o valor do lucro real do anocalendário de 1997 e, assim, diminuindo a glosa do prejuízo fiscal deste mesmo ano, porque estes fatos definitivos e incontroversos não foram considerados pelos Julgadores de primeira instancia administrativa? Da mesma forma, os créditos tributários objeto dos processos administrativos n°s 10830.006837/200131 e 10830.009370/200344, que se encontram suspensos pela realização dos depósitos judiciais nos autos das respectivas ações anulatórias, também não podem servir de base para a alteração de oficio dos prejuízos fiscais, pois os créditos tributários em discussão somente dariam ensejo ao procedimento na hipótese de os desfechos das mencionadas ações judiciais serem desfavoráveis à Recorrente. Como as decisões referentes aos dois derradeiros Autos de Infração, a serem proferidas pelo Poder Judiciário, refletirão diretamente no presente caso, a r. decisão recorrida deveria, no mínimo ter suspenso o curso da exigência fiscal ora em discussão até que sejam finalizadas as discussões judiciais. O direito ao crédito tributário somente nasce com o lançamento definitivo, que decorre da decisão administrativa transitada em julgado (conforme o citado artigo 42 do Decreto n° 70.235/72) e não impugnada pela via judicial. Evidente, pois, a argumento da Recorrente nos seguintes termos: Atentese que os depósitos judiciais realizados pela contribuinte suspendem a exigibilidade dos créditos tributários constituídos nos autos levados à discussão judicial, tanto que interrompeu a execução dos débitos inscritos na dívida ativa da União, não podendo alcançar o crédito tributário ora em litígio, decorrente de outra ação fiscal e de infrações distintas daquelas levadas ao crivo do Poder Judiciário. Todavia, é de se consignar que na eventualidade de no Poder Judiciário transitar em julgado sentença favorável à empresa , deve ser aferida a repercussão na presente exigência de possível disponibilização de saldo de prejuízos fiscais em 31/12/2002, em montante superior ao admitido na presente ação fiscal. (grifos nossos) Vejam, Ilmos. Julgadores, que a própria decisão já prevê e admite a possibilidade de, existindo decisão judicial favorável à Recorrente, ter de retificar a presente autuação, a qual tramita na esfera administrativa de maneira precária, pois baseada em situação (prejuízo fiscal alterado por Fiscais em autuações contestadas no Poder Judiciário) que pode ser modificada em um futuro próximo. Situações semelhantes já foram apreciadas pelo Conselho de Contribuintes, que reconhece a necessidade de observância daquilo que ficar decidido pelo Poder Judiciário: IRPJ Ex(s): 2001 NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em sede de mandado de segurança não obsta o lançamento para prevenir a Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 692 6 decadência. A concomitância entre o processo judicial e o processo administrativo impede que a administração se pronuncie sobre o mérito da Questão, que será decidida na esfera judicial. Razões de recurso não conhecidas. Por unanimidade de votos, NÃO TOMAR CONHECIMENTO das razões de recurso, face à concomitância de discussão judicial e administrativa. (Ac. 10321.832, em 27.01.2005, Rel. Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento Publicado no DOU em: 08.03.2005). 1° Conselho de Contribuintes / 1 a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.439 em 08.11.2007 No mesmo sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anoscalendário: 1998 e 1999 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio. cuia exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA EXIGIBILIDADE SUSPENSA MEDIANTE DEPOSITO. O depósito do valor do crédito exclui a aplicação da multa de oficio e dos juros de mora até a força do montante depositado. Recurso não conhecido. Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto as matérias submetidas ao Poder Judiciário e excluir a incidência da multa de oficio e juros de mora sobre os valores depositados. (Ac. n° 10196.439 em 08.11.2007, Rel. conselheiro José Ricardo da Silva Publicado no DOU em: 15.09.2008) Portanto, o presente recurso deve ser totalmente provido para cancelar a exigência de IRPJ decorrente do suposto aproveitamento a maior de prejuízos fiscais no anocalendário de 2003. Alternativamente, o presente recurso deve ser provido para modificar a decisão recorrida , de forma que sejam reconhecidos no presente caso os julgamentos proferidos nos autos dos Processos Administrativos n° 10830.004936/200180 e n° 10830.009025/200220, os quais reduziram as exigências fiscais iniciais e, consequentemente, a diferença quanto ao saldo de prejuízos fiscais de 2003 . Ademais, o presente recurso deve ser provido para modificar a decisão recorrida, de forma que se suspenda, até decisão judicial definitiva , a exigência fiscal no presente caso , que decorre em virtude dos lançamentos objeto dos Processos Administrativos n°10830.0068371200132 e n° 10830.009370/200344, cujas decisões impactarão diretamente o presente caso. Em sessão de 05 de março de 2015, a 1a turma ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiu solicitar diligencia, nos termos da Resolução no. 1101 000156. Em 15 de Maio de 2015 foi emitido Termo de Diligencia Fiscal (fl. 624 e segs) em atendimento ao requerido pela Resolução CARF no. 1101000156. Em 19 de Junho de 2015 foi apresentada Manifestação por parte do contribuinte às fls. 666 e segs dos autos do presente processo atendendo ao solicitado por parte das autoridades fiscais. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 693 7 É o relatório. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 694 8 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Fatos Conforme Termo de Verificação Fiscal (fl. 29 e segs), em Ação Fiscal relativa anoscalendário 2002 e 2003, DIPJ 2003 e 2004, respectivamente, foram constatadas as seguintes ocorrências: 1) Os valores informados em DIPJ referentes a "Imposto de Renda a Pagar' por estimativa estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos. AC 2002 e AC 2003. 2) Os valores informados em DIPJ referentes a "CSLL a Pagar" por estimativa estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos. AC 2003. 3) Os valores informados em DIPJ referentes a "CSLL a Pagar" estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos. AC 2002. 4) Os valores informados em DIPJ referentes a "Contribuição para o PIS/Pasep a Pagar" estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos. AC 2002. 5) Os valores informados em DIPJ referentes a "Cofins a Pagar' estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos. AC 2002. 6) Compensação a maior de Prejuízo Fiscal. AC 2003. Considerando que a decisão de primeira instancia julgou procedente em parte a impugnação e a Recorrente recolheu o valor residual das exigências referentes às multas isoladas de IRPJ e CSLL decorrentes das divergências verificadas entre os valores apurados em DIPJ e valores recolhidos por estimativas, a discussão se restringe às exigências decorrentes da compensação indevida de prejuízos fiscais. Compensação indevida de prejuízos fiscais Considerando as ações judiciais e administrativas cuja Recorrente é parte, que estavam em curso e foram consideradas como de influencia ao resultado do presente processo, a Resolução CARF no. 1101000156 (fl. 610) determinou que fosse informado do andamento de tais ações: Desta forma, a discussão a partir do presente recurso se restringe às exigências decorrentes da compensação de prejuízos fiscais, em relação às quais, apesar das ações judiciais não guardarem identidade com os fatos discutidos nos presentes autos, contudo, a despeito de não possibilitar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, todavia, as mesmas poderão influir no resultado do presente processo, conforme alertou a decisão recorrida, pois, dependendo do resultado das ações judiciais (processos 2006.61.05.0101745 e 2004.61.05.01100877), "... que se favoráveis à Recorrente poderá influenciar no saldo de prejuízos fiscais admitidos na apuração da base tributável nos autos" (fl.508). Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 695 9 Assim entendo necessário converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem informe o andamento e eventual resultado dos processos judiciais n°s 2004.61.05.01100877 e 2006.61.05.0101745, e processos administrativos n° 10830.004936/200180 e 10830.009025/200220, devolvendose os autos para prosseguimento do julgamento. Em resposta a Resolução CARF no. 1101000156, a Recorrente se manifestou nos autos esclarecendo o seguinte (fl. 666): Processo Judicial n° 2004.61.05.00110877 A ação foi ajuizada com objetivo de anular o débito fiscal objeto do procedimento administrativo n°10830.009370/200344, expedido pela Delegacia da Receita Federal em Campinas, sob a alegação de que a Avery não havia considerado o lucro inflacionário referente ao IRPJ do exercício de 1999. Em 22 de outubro de 2007, foi publicada sentença julgando procedente o pedido para anular o lançamento fiscal em questão e condenando a ré a suportar as custas processuais e os honorários advocatícios fixados em 5% do valor dado à causa. A Fazenda Nacional apresentou apelação quanto à decisão de primeira instância. Atualmente, aguardase julgamento pelo Tribunal Regional Federal. Processo Judicial n° 2006.61.05.0101745 Tratase de Ação Anulatória de Débito Fiscal movida em face da União Federal, objetivando a anulação do crédito tributário lançado através de Autuação Fiscal (Processo Administrativo n° 10830.006837/200132), onde a União cobra suposto débito relativo ao IRPJ e à CSLL, devido à glosa das despesas referentes à variação cambial passiva decorrente do contrato de empréstimo firmado pela empresa, bem como pela glosa dos juros e variação cambial passiva sobre empréstimos, pela concessão d(ii)Processo Judicial n° 2006.61.05.0101745 Tratase de Ação Anulatória de Débito Fiscal movida em face da União Federal, objetivando a anulação do crédito tributário lançado através de Autuação Fiscal (Processo Administrativo n° 10830.006837/200132), onde a União cobra suposto débito relativo ao IRPJ e à CSLL, devido à glosa das despesas referentes à variação cambial passiva decorrente do contrato de empréstimo firmado pela empresa, bem como pela glosa dos juros e variação cambial passiva sobre empréstimos, pela concessão de empréstimo sem encargos a outra pessoa jurídica. Foi realizado o depósito judicial dos valores em discussão para a suspensão da exigibilidade. Em novembro de 2009, a empresa desistiu da ação, por ter optado pela liquidação dos débitos com os benefícios do programa de parcelamento incentivado de que trata a Lei n° 11.941/2009, mediante a parcial conversão em renda dos depósitos judiciais. Por decisão judicial foi homologado o pedido de desistência, tendo sido fixada a condenação da empresa ao pagamento de honorários de sucumbência em R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Interposto recurso especial pela empresa, versando exclusivamente sobre a condenação em honorários de sucumbência. Em 15/05/2015, transitou em julgado a decisão que manteve a condenação da empresa ao pagamento de honorários de sucumbência. Atualmente, aguardase a intimação da empresa para pagamento dos honorários, a parcial conversão dos depósitos judiciais em renda da União e o levantamento, pela empresa, do saldo remanescente dos depósitos judiciais. Processo Administrativo n° 10830.004936/200180 Redução do prejuízo fiscal de R$ 1.186.998,05 para R$ 940.144,88. Os agentes fiscais entenderam que a Avery calculou erroneamente os prejuízos fiscais de 1996, vez que supostamente não foi considerado o lucro inflacionário. Em 2005, a Avery foi intimada da decisão administrativa de 1a instância, a qual cancelou parte da redução do prejuízo fiscal de 1996. A Empresa assim interpôs Recurso Voluntário no CARF, o qual negou provimento e manteve a decisão que cancelou parcialmente a redução do prejuízo fiscal. O valor dos prejuízos fiscais da Avery de 1996 foi reduzido pelo auto de infração de R$ 1.186.998,05 para R$ 940.144,88. As decisões de 1a e 2a instâncias Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10830.007680/200758 Resolução nº 1301000.629 S1C3T1 Fl. 696 10 administrativas cancelaram parte da redução e reconheceram prejuízos fiscais no valor de R$ 1.063.692,50 (glosa, portanto, de R$ 123.305,55). O processo foi remetido ao Arquivo Geral. Processo Administrativo n° 10830.009025/200220 Cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, referente ao exercício de 1997. Segundo a fiscalização, o IRPJ de 1997 foi incorretamente calculado e pago pela Avery, uma vez que esta supostamente não incluiu no cálculo o valor correspondente ao lucro inflacionário. Em 2005, a Avery foi intimada da decisão administrativa de 1a instância, a qual cancelou parte da autuação fiscal. A Empresa assim interpôs Recurso Voluntário no CARF, o qual negou provimento ao recurso. O processo foi remetido ao Arquivo Geral. Em resumo, dos quatro processos mencionados três já transitaram em julgado, sendo que o Processo Judicial n° 2004.61.05.00110877 ainda aguarda julgamento pelo Tribunal Regional Federal. Entendo, em linha com a Resolução CARF no. 1101000156, que deve o presente processo ser suspenso até que o Processo Judicial n° 2004.61.05.00110877 tenha decisão definitiva transitada em julgado, tendo em vista que seu resultado poderá influenciar no saldo de prejuízos fiscais admitidos na apuração da base tributável nos autos ora discutidos. Considerando que o entendimento majoritário é de que há somente há sobrestamento quando há decisão favorável ao contribuinte em âmbito judicial, a unidade de origem deve acompanhar o processo nº 2004.61.05.00110877 (relativa ao PAF 10830.009370/200344) para que, se houver reforma ou transito em julgado do mesmo, os autos retornem a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Solicito que, antes do retorno dos autos a este Conselho, que sejam refeitos ao cálculos no SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL para que haja ciência por esta turma do valor final de prejuízos fiscais já que os processos administrativos foram favoráveis em parte para o contribuinte. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 696DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.720025/2011-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA.
É nulo o acórdão proferido com preterição do direito de defesa, caracterizada pela não apreciação de argumentos relevantes ou por fundamentação insuficiente.
Numero da decisão: 3002-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário e determinar a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem (relator) e Carlos Alberto da Silva Esteves que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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OMISSÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. É nulo o acórdão proferido com preterição do direito de defesa, caracterizada pela não apreciação de argumentos relevantes ou por fundamentação insuficiente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário e determinar a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem (relator) e Carlos Alberto da Silva Esteves que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 00 25 /2 01 1- 74 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.720025/201174 Acórdão n.º 3002000.482 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1295.875 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 58/62), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, além da relevação de penalidade e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que, de fato, as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 34/45), deixando de "acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo" no mérito refutou o argumento da denúncia espontânea, bem como, da ausência de tipicidade, da ilegitimidade passiva e da "relevação da penalidade" e, por fim, argumenta que deve ser mantida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, uma vez que "o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro", por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.720025/201174 Acórdão n.º 3002000.482 S3C0T2 Fl. 4 3 O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 85/105) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a preclusão na constituição definitiva do crédito tributário, b) principio da razoabilidade e da proporcionalidade, argumentando que "tendo o representante do armador acima mencionado, apresentado as informações sobre as cargas transportadas através do Conhecimento Eletrônico master (MBL) acima descrito, associado ao manifesto eletrônico, todos os prazos exigidos pela Receita Federal Brasileira foram cumpridos e, consequentemente, a mesma não sofreu nenhum tipo de dificuldade seja para fiscalização, seja para apuração de créditos destinados ao erário" e, por fim, c) a aplicação da denúncia espontânea a fim de cancelar a penalidade aplicada no Auto de Infração. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Preclusão na constituição do crédito tributário Alega o contribuinte que "não se mostra razoável e, tampouco, proporcional que, após a lavratura do auto de infração, o sujeito passivo da obrigação tributária espere por longos anos a constituição definitiva do crédito tributário" e continua "a Lei n º11.457/2007, estabelece, em seu artigo 24, a todos os órgãos de julgamento da Receita Federal do Brasil a obrigatoriedade em apresentar suas decisões no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias". Importante esclarecer que o prazo máximo estabelecido pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, para que seja proferida decisão administrativa acerca de qualquer petição, defesa ou recurso apresentado pelo contribuinte é meramente programática, não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento. Nesse sentido, colaciono à baila de forma resumida, as seguintes emendas de decisões unânimes: "NORMA DO ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. NORMA PROGRAMÁTICA. A norma citada (É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte) é meramente programática, não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.720025/201174 Acórdão n.º 3002000.482 S3C0T2 Fl. 5 4 descumprimento. (Ac. 2801002.981, Rel. Tânia Mara Paschoalin). PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza a nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. (Ac. 2202003.413, Rel. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa)." Sendo assim, ao meu ver, não assiste razão o contribuinte em sua alegação de que "não é coerente, adequado e, muito menos, justo que o sujeito ativo da obrigação tributária aguarde durante longos anos a definição de sua situação jurídica perante o Fisco". Do cumprimento da obrigação acessória Alega o contribuinte que "cumprindo suas obrigações o agente de navegação promoveu em tempo hábil a inclusão das informações perante o sistema fiscalizador da Receita Federal Brasileira" portanto, o Fisco "não sofreu nenhum tipo de dificuldade seja para fiscalização, seja para apuração de créditos destinados ao erário". Importante ressaltar, que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva, ou seja, dáse alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional, "in verbis": Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Corroborando com entendimento acima exposto, entendo que a responsabilidade por infrações aduaneiras nos artigos 602, parágrafo único e o art. 603, I, do Decreto nº 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro, respectivamente, resolvem a questão, senão vejamos: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 94, § 2o). Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.720025/201174 Acórdão n.º 3002000.482 S3C0T2 Fl. 6 5 Art. 603 Respondem pela infração (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; Sendo assim, a legislação aduaneira adotou a responsabilidade objetiva, ou seja, não importa o elemento volitivo para ser caracterizada a infração, estendendo a responsabilidade pela infração à todos que concorrem para a sua prática ou dela se beneficie. Por isso, em absoluto, a multa regulamentar aqui exigida pode ser entendida como um descumprimento de obrigação acessória tributária, cuja finalidade precípua é auxiliar na exata identificação dos participantes e componentes de uma relação jurídico tributária. Princípio da Razoabilidade e da Proporcionalidade Quanto ao afastamento da legislação aplicada por ferimento ao Princípio da Razoabilidade e da Proporcionalidade, deixo de apreciar, em razão da Súmula nº 2, do CARF, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Denúncia espontânea Já em relação a exclusão da responsabilidade em virtude da denúncia espontânea, requerida pelo contribuinte, entendo que não procede tal alegação, pois, no caso em tela, não se aplica o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, muito menos, a norma específica relativa à infração à legislação aduaneira, conforme expressamente determina o art. 102 do Decretolei nº 37/1966, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º (...) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)." (grifado). O objetivo da denúncia espontânea, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior. Importante ressaltar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Sendo assim, a denúncia espontânea, não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo, para as infrações que têm por Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.720025/201174 Acórdão n.º 3002000.482 S3C0T2 Fl. 7 6 objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciados das ementas a seguir transcritas: "TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164) Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/ MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 03/STJ. SUPOSTA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO. EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA. MULTA.ATRASO NA ENTREGA. LEGALIDADE. REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. ARESTO ATACADO QUE CONTÉM FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS SUFICIENTES PARA MANTÊLO. ÓBICE DA SÚMULA 126/STJ. 1. (...) 2 (...) 3 (...) 4. É cediço o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido da legalidade da cobrança de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, inclusive quando há denúncia espontânea, pois esta "não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas" (AgRg no AREsp 1022862/SP, Rel. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES SEGUNDA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017).". Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.720025/201174 Acórdão n.º 3002000.482 S3C0T2 Fl. 8 7 Portanto, segundo o entendimento do STJ (1ª e 2ª Turma), o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN. Por fim, em face das disposições do art. 72 do Regimento Interno do CARF de observância obrigatória aplico a Súmula nº 126 "A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.". Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator em relação à possibilidade de apreciação do mérito, dada a constatação de omissão no julgamento de primeira instância quanto aos argumentos da impugnação. Compulsando os autos, constatase que o contribuinte apresentou as seguintes alegações em sua impugnação: a) que a obrigação foi cumprida, uma vez que os dados faltantes já constavam de outros documentos informados tempestivamente no sistema (manifesto e master); b) ausência de dano à fiscalização; c) natureza jurídica da responsabilidade por infrações, que não seria objetiva, mas por culpa presumida; d) aplicação da denúncia espontânea; e) ofensa aos princípios constitucionais da segurança jurídica, razoabilidade, proporcionalidade, contraditório e ampla defesa. Pelo relatório, sucinto e genérico, que se reproduz a seguir, vêse o descompasso com as alegações acima relacionadas: Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.720025/201174 Acórdão n.º 3002000.482 S3C0T2 Fl. 9 8 ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. (grifado) O exame do voto proferido nos leva à conclusão de que as alíneas “a” e “c” acima não foram consideradas, sem mencionar a existência de argumentação relativa a matérias não suscitadas. Transcrevemse os parágrafos iniciais: Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Além disso, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva, inexistência de responsabilidade ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Senão vejamos. (grifado) E, no mais, o voto trata, em síntese, do objetivo do controle aduaneiro e dos danos acarretados pelo descumprimento das normas que visem à sua aplicação. Por esses motivos, entendo que deve ser determinada a anulação da decisão para que a impugnação seja novamente apreciada, desta vez na integralidade de seus argumentos, pela caracterização do cerceamento do direito de defesa, hipótese de nulidade do ato prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifado) O fato de a recorrente não ter protestado sobre esse ponto específico em seu recurso voluntário não afeta a posição que aqui se adota, tendo em vista a prevalência do interesse público. Cabe a este Colegiado, no que concerne aos princípios que regem o processo Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.720025/201174 Acórdão n.º 3002000.482 S3C0T2 Fl. 10 9 administrativo fiscal, o controle da legalidade dos atos administrativos podendo, inclusive, como é o caso, ser suscitado de ofício o cerceamento do direito de defesa. Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de determinar a nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos à primeira instância para que seja realizado um novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900632/2011-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.544
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 06 32 /2 01 1- 54 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10640.900632/201154 Acórdão n.º 1002000.544 S1C0T2 Fl. 151 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 78) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 72/74), proferida em sessão de 20 de janeiro de 2014, consubstanciada no Acórdão n.º 1448.167, da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 03/04) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 01/04/2011 (efl. 02), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 39497.47456.040506.1.3.049993 (efls. 60/69), transmitido em 04/05/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO INTEIRAMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Despacho Decisório que homologou parcialmente Declaração de Compensação – DCOMP eletrônica, n.º 39497.47456.040506.1.3.049993, transmitida em 04/05/2006. Na fundamentação do ato, consta: (...). [transcreve despacho decisório efl. 02] Cientificada em 12/04/2011, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 29/04/2011, alegando, que de 08/2004 a 02/2005 efetuou pagamentos a maior de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, e que a partir de 03/2005 iniciou a compensação dos créditos gerados. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10640.900632/201154 Acórdão n.º 1002000.544 S1C0T2 Fl. 152 3 Apresenta relação dos valores devidos no período e dos valores pagos a maior e cita um REDARF que não teria sido analisado. Junta cópia da DIPJ e do Redarf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 4.628,11, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do crédito indicado no PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito objeto da irresignação e, por conseguinte, não homologando a compensação no limite do crédito objeto do inconformismo, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: De início, é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica: comparandose o pagamento indicado na DCOMP como origem do crédito com as confissões de débitos constantes de declarações da contribuinte, constatandose que o DARF de recolhimento informado na DCOMP estava integralmente utilizado para quitação de débitos declarados em DCTF e em outras Dcomps, não restando créditos suficientes para a compensação pleiteada. Cabe lembrar que os débitos, apresentados em DCTF e/ou em DCOMP, por expressa disposição legal (§§ 1.º e 2.º do art. 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13/06/1984 c/c § 1.º do art. 8.º da Instrução Normativa SRF n.º 255, de 11/12/2002 e art. 74, § 6.º da Lei n.º 9.430/1996, respectivamente), constituem confissão de dívida. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informa dispor de créditos gerados pelo pagamento a maior de vários tributos e vários períodos de apuração. Entretanto, na presente Dcomp, discutese apenas o crédito nela informado, no valor de R$ 4.987,81, que teria sido informado em Dcomp inicial, de n.º 24566.88913.040506.1.3.04 2820. Todavia, a Dcomp de n.º 24566.88913.040506.1.3.042820 foi objeto de análise e decisão no acórdão n.º 1448.166, desta Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10640.900632/201154 Acórdão n.º 1002000.544 S1C0T2 Fl. 153 4 sessão de julgamento, onde concluiuse pelo não reconhecimento do crédito nela pleiteado. Segue trecho do acórdão: (...) na presente Dcomp, discutese apenas o crédito nela informado, no valor de R$ 1.125,14, que teria sido informado em Dcomp inicial, de n.º 15801.05562.030506.1.3.044509. (...) conforme consta dos sistemas da Receita Federal, (...), a Dcomp inicial de n.º 15801.05562.030506.1.3.044509 foi homologada com direito creditório reconhecido no valor de R$ 334,88, totalmente utilizado na compensação nela pleiteada, nada restando de saldo para utilização em outras Dcomps. (...) Em face do exposto voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecido o direito creditório pleiteado na Dcomp n.º 24566.88913.040506.1.3.042820. Em face do exposto voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecido o direito creditório pleiteado na Dcomp n.º 39497.47456.040506.1.3.049993. No recurso voluntário (efl. 78), em síntese, o contribuinte apresentou os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, inclusive denominou a petição de "manifestação de inconformidade". Em seguida, a Unidade de Origem notificou o contribuinte para sanar divergências contidas na petição recursal, pois a peça de defesa continha o nome de "manifestação de inconformidade" ao invés de "recurso voluntário" e não haviam sido anexados documentos de identificação pessoal que identifiquem o assinante, nem da procuração que o habilite a praticar atos extrajudiciais em nome da empresa (efl. 93). O contribuinte, atendendo a notificação, reapresentou o recurso com o nome de "recurso voluntário" (efl. 96) e juntou documentos. Em resumo, a tese de defesa, reiterada no recurso voluntário, é que o pagamento datado de 14/01/2005, no valor de R$ 613,95, "foi feito por engano em outro CNPJ, anexo xérox do Pedido de Retificação de DarfREDARF". Por fim, argumenta que no período de "03/2005 a 02/2006 foi feito a compensação, porque se apurar o débito da competência 08/2004 a 02/2006 irão verificar que os débitos fecham com os pagamento efetuados". Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10640.900632/201154 Acórdão n.º 1002000.544 S1C0T2 Fl. 154 5 Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 4.628,11. Observo, ainda, que, pelo princípio do informalismo, o Recurso Voluntário (efl. 78) atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 21/05/2014, efls. 75/76, e protocolo recursal em 17/06/2014, efl. 78), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário (efl. 78). Por fim, quanto a petição do efl. 96, que sobreveio após notificação da Unidade de Origem para regularização processual, entendo que não deve ser conhecida por força da preclusão, uma vez que apresentada após o trintídio legal e já tendo sido apresentada a petição do efl. 78, com natureza jurídica de recurso voluntário. De toda sorte, o conteúdo da petição do efl. 96 é basicamente o mesmo da petição do efl. 78, sendo esta recebida tempestivamente e como recurso voluntário. Por conseguinte, o mérito do objeto destes autos será apreciado a seguir. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10640.900632/201154 Acórdão n.º 1002000.544 S1C0T2 Fl. 155 6 compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, caracterizado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. Verificase que o suposto crédito de pagamento indevido ou a maior indicado no PER/DCOMP objeto desta lide já havia sido informado em outro PER/DCOMP, qual seja, n.º 24566.88913.040506.1.3.042820. Aqui nestes autos discute se apenas o crédito vindicado nos limites pleiteados (efls. 60/69). Por sua vez, o PER/DCOMP n.º 24566.88913.040506.1.3.042820 já havia sido informado em outro PER/DCOMP, qual seja, n.º 15801.05562.030506.1.3.04 4509. A questão é que o crédito não se comprovou como líquido e certo, aliás o PER/DCOMP n.º 24566.88913.040506.1.3.042820 foi objeto de análise e decisão no Acórdão n.º 1448.166, da DRJ, não tendo sido reconhecido o crédito vindicado. A referida decisão foi mantida no julgamento do Acórdão n.º 1002000.541 desta sessão de julgamento do CARF (Processo n.º 10640.900631/201118). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10640.900632/201154 Acórdão n.º 1002000.544 S1C0T2 Fl. 156 7 A fim de comprovar o crédito, o contribuinte alega que teria créditos de vários tributos. Na manifestação de inconformidade desenha o seguinte quadro (a despeito do PER/DCOMP trazer crédito de IRPJ): Ocorre que, não demonstra a comprovação do referido crédito. Ademais, o crédito constante no PER/DCOMP (R$ 4.897,81) é integralmente apontado para restituição, quando o próprio contribuinte em outra coluna demonstra valores devidos, o que não justificaria sequer o pleito integral da restituição, o que já demonstra equívocos e controvérsias quanto ao crédito vindicado. Se crédito existisse seria pela diferença entre o supostamente recolhido a maior e o valor declarado como devido. Claramente não há certeza, nem liquidez no pleito do contribuinte. Os autos apontam que o crédito já foi alocado, pois já havia sido utilizado em outros PER/DCOMP's e em débito próprio do contribuinte. Desta forma, o PER/DCOMP objeto da lide não possui saldo disponível, por isso não se homologou a compensação. Temse, ainda, que pontuar que não consta nos autos cópia de decisão administrativa sobre o pedido de REDARF e, além disso, o REDARF foi protocolizado após a data de transmissão do PER/DCOMP, o que retira a liquidez e certeza do crédito vindicado. Noutro prisma, o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório de provar a existência do direito creditório, não infirma o argumento da alocação do crédito, isto é, não desconstitui a afirmativa de que o crédito já foi utilizado. O que se observa de concreto é a plena ausência de certeza e liquidez. Não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da recorrente. Em realidade, o sujeito passivo não infirma as razões da decisão recorrida. Não comprova qualquer erro in iudicando ou erro in procedendo. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. A despeito dos argumentos postos no recurso, inexiste provas, mínimas que sejam, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. No que se refere aos argumentos da primeira instância, o contribuinte não os refuta adequadamente, inexiste base probatória nas razões recursais, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10640.900632/201154 Acórdão n.º 1002000.544 S1C0T2 Fl. 157 8 Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Da forma como foi vindicado o direito creditório apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez, este é o fato comprovado. Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração e, consequente, comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Em suma, não há como comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito. A prova dos autos aponta a já utilização do crédito, tendo sido demonstrada a sua alocação, que não é refutado pelo recorrente a contento. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10640.900632/201154 Acórdão n.º 1002000.544 S1C0T2 Fl. 158 9 Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.903904/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.651
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 04 /2 01 3- 24 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.581.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903904/201324 Acórdão n.º 3402005.651 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907563/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.354
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 07 56 3/ 20 12 -2 0 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.907563/201220 Resolução nº 3201001.354 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.907563/201220 Resolução nº 3201001.354 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.907563/201220 Resolução nº 3201001.354 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.901092/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
DRF. SUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. CONFIRMAÇÃO.
Restando comprovada a suficiência do crédito pela própria autoridade fiscal, cabe reconhecer o direito creditório e homologar a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1201-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Sérgio Abelson (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. DRF. SUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. CONFIRMAÇÃO. Restando comprovada a suficiência do crédito pela própria autoridade fiscal, cabe reconhecer o direito creditório e homologar a compensação pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Sérgio Abelson (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.901092/200984 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.710 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2019 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente CETREL S/A EMPRESA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 84: “É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”. DRF. SUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. CONFIRMAÇÃO. Restando comprovada a suficiência do crédito pela própria autoridade fiscal, cabe reconhecer o direito creditório e homologar a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 10 92 /2 00 9- 84 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13502.901092/200984 Acórdão n.º 1201002.710 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Sérgio Abelson (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício). Relatório 1. Tratase de processo administrativo instaurado a partir da apresentação de Manifestação de Inconformidade (fls. 11/13) contra o Despacho Decisório nº 831203098 (fl. 3), emitido em 09/04/2009, referente ao PER/DCOMP nº 08988.35815.301006.1.3.04 6032. 2. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, crédito decorrente de recolhimento mensal indevido de IRPJ (cód. 2362), referente a maio de 2006 (valor do crédito original de R 154.635,84, valor atualizado de R$ 161.578,99), e solicitou a compensação de débitos de CSLL (cód. 246901), referentes a junho e setembro de 2006 (R$ 56.401,88 e R$ 53.867,85). 3. No despacho decisório a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, concluiu pela improcedência do crédito, "por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". A contribuinte foi intimada a recolher o débito indevidamente compensado no montante de R$ 99.604,05, acrescido de multa (R$ 19.920,81) e juros (R$ 30.404,92). 4. Devidamente intimada do despacho em 07/05/2009 (fl. 3), apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/13), na qual alega: (i) a DCTF retificadora e DIPJ comprovam seu direito creditório; e (ii) o débito exigido não pode figurar como óbice à homologação da compensação pleiteada. 5. Em sessão de 3 de março de 2010, a 2ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1522.718 (fls. 35/39), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO. O recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em consequência, passível de restituição e compensação é o saldo negativo de IRPJ apurado na Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13502.901092/200984 Acórdão n.º 1201002.710 S1C2T1 Fl. 4 3 Declaração de Ajuste Anual, diante da ausência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSENCIA DE PROVAS. Na falta de comprovação de pagamento indevido ou a maior, descabe a compensação de valores recolhidos a título de estimativa”. 6. A DRJ/ SDR manteve a não homologação da compensação sob seguintes os fundamentos: (i) o pagamento por estimativa mensal não configura crédito líquido e certo, logo não é passível de compensação; e (ii) a contribuinte não foi capaz de demonstrar o alegado equívoco cometido na apuração do valor de R$ 154.635,84 a fim de comprovar existência do seu direito creditório. 7. Cientificada da decisão (AR de 09/04/2010, fl. 43), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 44/56) em 11/05/2010 e complementou sua defesa com os seguintes pontos: (i) a efetiva inexistência de valor a ser antecipado na competência de maio de 2006 encontra lastro não apenas na DIPJ/2007, mas também nos lançamentos efetuados no LALUR; (ii) o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 é ilegal e não deve ser aplicado; (iii) a própria Administração Pública já tratou de reverter a arbitrariedade disposta no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, com a publicação da IN SRF nº 900/2008. Por fim, requer que seu direito creditório seja integralmente reconhecido, homologandose a compensação. Subsidiariamente, requer que os autos sejam baixados em diligência. 8. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 9. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 84 10. Antes de analisar a liquidez e certeza do direito creditório, é essencial enfrentar a possibilidade legal de a contribuinte compensar crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal a partir da data de seu recolhimento. 11. Da simples leitura do despacho decisório, fica evidente que a não homologação da compensação pleiteada teve como único fundamento a suposta vedação prevista no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época da transmissão da DCOMP: Despacho Decisório “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13502.901092/200984 Acórdão n.º 1201002.710 S1C2T1 Fl. 5 4 dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. 12. Por sua vez, o r. Acórdão da DRJ (fls. 35/39), além de considerar que inexistem provas para fundamentar o crédito pleiteado, mantém a não homologação por entender que os recolhimentos mensais por estimativa são meras antecipações do tributo e, portanto, não legitimam o direito creditório da contribuinte: Acórdão DRJ “Notese que o entendimento predominante é de que existe urna impropriedade na expressão “pagamento por estimativa”, já que pagamento é forma de extinção do crédito tributário, fato que não se configura nos recolhimentos mensais por estimativa, que se traduzem por meras antecipações do tributo devido, a ser apurado definitivamente ao termino do período definido na legislação. Portanto, como estimativa não configura crédito líquido e certo, não seria passível de compensação. O crédito passível de ser restituído ou compensado é aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos, na qual são considerados os valores devidos por estimativa, assim como o imposto devido em relação ao ano todo. Esclareçase, ainda, que a apuração de imposto devido ao final do exercício, em valor inferior ao que foi recolhido por estimativa, indica a existência de crédito restituível a ser apurado na declaração de rendimentos, mas não caracteriza como indevidos os valores recolhidos a título de estimativa.” 13. Desde já, é importante registrar que a matéria em questão foi altamente debatida por este E. CARF, inclusive é objeto da Súmula CARF nº 84: “É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). 14. A partir da edição da referida Súmula, entendese que o contribuinte adquire o direito de utilizar o crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal a partir da data de seu recolhimento. Para ter direito a compensação, o contribuinte terá o ônus de (i) comprovar o erro que levou ao pagamento a maior ou indevido; e (ii) demonstrar que o montante não foi utilizado na declaração de ajuste anual (para compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período). 15. No presente caso, o sujeito passivo pretende utilizar crédito oriundo de recolhimento mensal indevido de estimativa mensal de IRPJ, referente a maio de 2006, para compensar débito de estimativa mensal de CSLL, referente a junho e setembro de 2006. 16. Em consonância com a Súmula CARF nº 84, considero que não deve prevalecer o entendimento exposto no despacho decisório e no r. acórdão da DRJ de que o referido pagamento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13502.901092/200984 Acórdão n.º 1201002.710 S1C2T1 Fl. 6 5 17. Nesse mesmo sentido, são as ementas abaixo transcritas, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual.” (Processo nº 10283.907873/200916, Acórdão nº 1301003.233, 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, 1ª Seção, Sessão de 26 de julho de 2018, Relator Nelso Kichel)." (Grifos nossos) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (aprovada em 10/12/2012). Tal enunciado é aplicável a compensações pleiteadas tanto antes quanto durante a vigência das INs SRF 460/2004 e 600/2005.” (Processo nº 10680.935181/200985, Acórdão nº 1401001.796, 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, 1ª Seção, Sessão de 16 de fevereiro de 2017, Relatora Livia de Carli Germano). 18. No mais, alinhada aos julgados supra, entendo que não há qualquer limitação temporal da aplicabilidade da Súmula CARF nº 84, sendo irrelevante, portanto, qual normativo interno da RFB regulava a matéria à época do pedido de compensação. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13502.901092/200984 Acórdão n.º 1201002.710 S1C2T1 Fl. 7 6 19. Diante do exposto, considero legítimo o procedimento adotado pela contribuinte, razão pela qual deve ser afastada a vedação à compensação. II. Da Legitimidade do Crédito Pleiteado 20. Quanto a legitimidade do crédito pleiteado, a análise da sua suficiência já foi feita pela autoridade fiscal de origem, considerando o contexto da análise do pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal. Confirase a manifestação expressa da Delegacia da Receita Federal de Camaçari, Bahia (fl. 30): “Ressaltese que, conforme demonstrado às fls. 26 a 28, através de cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional, o valor do crédito utilizado na referida DCOMP seria suficiente para fazer frente ao valor do débito cuja compensação fora submetida à homologação, controlado por meio do processo de cobrança n° 13502901240/20096l, restando evidenciada a suspensão da exigibilidade do referido crédito. tributário, É razão da Manifestação de Inconformidade apresentada, nos termos do art. 48, § 3º, I c/c II, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005”.(grifos nossos) 21. Portanto, uma vez afastada a vedação prevista na IN SRF nº 600/2005 para a compensação pleiteada e restando comprovada a suficiência do crédito pela própria autoridade fiscal, cabe reconhecer o direito creditório e homologar a compensação da Recorrente. Conclusão 22. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE provimento para, com fundamento na Súmula CARF nº 84, afastar a vedação à compensação constante da IN SRF 600/2005 e homologar a compensação constante do PER/DCOMP nº 0898835815.301006.1.3.046032. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000114/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 14 /2 01 0- 61 Fl. 915DF CARF MF Processo nº 12898.000114/201061 Acórdão n.º 1402003.513 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 12898.000114/201061 Acórdão n.º 1402003.513 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.000139/2002-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique o saldo acumulado de crédito.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique o saldo acumulado de crédito. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique o saldo acumulado de crédito. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 84 à 87) interposto contra o Acórdão n° 0520.773, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (efls. 73 à 77), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida, e exonerando a multa de ofício aplicada, em decorrência da retroatividade benéfica da lei. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .0 00 13 9/ 20 02 -9 8 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 107 2 Trata o presente processo do Auto de Infração relativo A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, lavrado em 30/10/2001 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 13/12/2001, formalizando crédito tributário no valor total de R$24.297,57, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não localização dos pagamentos de R$ 2.991,65, R$ 3.254,55 e R$ 2.812,96, vinculados aos débitos declarados no 1° trimestre de 1997. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, protocolizou a impugnação de fl. 1, em 04/01/2002, juntando os documentos de fls. 2/30 e afirmando, em sua defesa, que recolheu os principais de R$ 3.254,55 e R$ 2.812,96 [fls. 10/11]. Afirma, também, que o valor não recolhido foi compensado em 31/08/99, conforme documentos que anexa [Cópia simples de protocolo do Processo Administrativo n° 10875.002125/9998, cópia simples de formulário de pedido de compensação de débito de CSLL, relativo ao 1° trimestre de 1997, no valor de R$ 2.991,65]. À fl. 36 a autoridade preparadora informa o seguinte: Os débitos mencionados nos pedidos de compensação foram excluídos do Profisc em função dos mesmos estarem controlados pelo Sief/Fiscalização Eletrônica com geração de Auto de Infração, e, além disso a restituição pleiteada ter sido indeferida. E, à fl. 49 acresce que: (..) o contribuinte alega que uma parte do crédito tributário foi compensada e a restante está paga. Exarado o despacho de f1s. 36 e tendose em conta que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte de fls. 10/11, efetuados após a ciência do AUTO DE INFRAÇÃO, foram acrescidos da multa moratória de 20%, entretanto a multa cobrada pelos sistemas informatizados da RFB é a de 75% (fls. 45), proponho o encaminhamento ao SECOJ/DR1/CAMPINAS/SP (.) para prosseguimento. Conforme destacado no relatório da DRJ, o Contribuinte apresentou os respectivos DARF's de quitação referentes a duas quantias outrora consideradas em aberto pela Fiscalização (efls. 11 e 12), restando em discussão apenas o valor de R$ 2.991,65, por entender sua quitação como não comprovada. Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões de mérito: Egrégia Turma! Prafesta Ind. Com. de Descartáveis Ltda, empresa sediada e estabelecida à Rua Faustino Felix Bueno, 140 — Terra Preta, Mairiporã — SP, devidamente inscrita e cadastrada no CNPJ sob o n° 56.173.131/000125, inconformada com o despacho proferido pela Delegacia da Receita Federal e Julgamento em Campinas, em total dissonância do que vem sendo reiteradamente decidido quer seja pelo Egrégio Conselho, quer seja pelo Supremo Tribunal de Justiça, vem Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 108 3 apresentar as razões de seu recurso ao processo 10875 11/ 000.139/2002 98, as quais articuladamente passa a aduzir: 1. Tratouse o presente da CSLL, compensado com pedido de restituição de indébito no processo n° 10875.002125/9998, com fulcro na inconstitucionalidade da majoração da alíquota do Finsocial, no que foi recolhido acima de 0,5% do faturamento bruto, alterações estas julgadas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em dezembro de 1992, quando do julgamento de recurso extraordinário n° 148.7542/210. 2. Por sua vez a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, 5' Turma da DRJ/CPS, insiste em manter a exigência, alegando a ausência de liquidez e certeza do credito tributário por falta de julgamento de compensação, processo n° 10875.002125/9998 que aguarda deferimento pelo Egrégio Conselho. Alegam ainda, que nessas condições, estando o pedido de restituição/compensação pendente de julgamento definitivo, na esfera administrativa, os débitos remanescentes devem ser mantidos, na integra, por representarem as quantias realmente devidas pelo contribuinte, a titulo de CSLL, nos períodos de apuração autuados. Outro argumento é que já foi dado ao contribuinte ciência do indeferimento pela 5° Turma da DRJ/CPS no Acórdão n° 4.502 de 22/07/2003, que ratificou a decisão da autoridade administrativa que havia indeferido o pedido de restituição/compensação formalizado no Processo Administrativo n° 10875.002125/9998. 3. A situação colocada pela Turma Julgadora a quo, é uma afronta aos ditames que vêm sendo pronunciados reiterada e sistematicamente pelo STJ e também consagrados por esta Egrégia Turma, aos que permitimonos mostrar o direito ao crédito do Finsocial, transcrevendo decisório do STJ, entidade máxima neste mister: (...) 4. Por fim, permitanos transcrever, de forma cabal e definitiva, a ementa pronunciada por este Egrégio Conselho que, sem qualquer sombra de dúvida, abordou o tema com clareza e sensatez, assim traduzindo, de forma irretocável, os seguintes dizeres: (...) 5. Claro está que todos os outros acórdão situamse em total consonância com o que acima Citado, assim podemos afirmar que a compensação é legitima e foi solicitada antes do Auto de Infração n° 0001807. 6. Isto posto, e considerado que os argumentos aqui apresentados são suficientes para alterar o julgado, requer que seja dado provimento ao presente recurso para que afastado a ausência de julgamento, seja deferido o pedido de restituição de indébitos e sustentada a compensação destes créditos com os débitos já vencidos, ambos corrigidos até o encontro de contas. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 109 4 Termo em que Pede e Espera Deferimento Posteriormente, os presentes autos foram sobrestados por decisão da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento (efls. 91 e 92), por intermédio do Despacho 1803, de 01 de dezembro de 2011, verbis: Tratase de auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrente de revisão de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) relativa ao 1º trimestre do anocalendário de 1997. Remanescem em litígio apenas o valor de R$ 2.991,65, cujo pagamento declarado não foi comprovado, e os correspondentes juros de mora. Em sua Impugnação e Recurso, a Recorrente alega que teria compensado esse valor, conforme processo administrativo nº 10875.002125/9998, anteriormente à autuação. Esse fato é reconhecido pela própria decisão recorrida (fls. 62): Das informações prestadas pela autoridade administrativa depreende se que a referida parcela do débito foi, de fato, objeto de pedido de compensação formalizado no Processo Administrativo nº 10875.002125/9998. Conforme pesquisa procedida por este Relator, referido processo encontrase pendente de decisão em Recurso Extraordinário impetrado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o que poderá implicar o retorno daquele para novo exame do mérito do pleito de restituição e compensação pela DRF de origem, se negado provimento àquele Recurso pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Proponho, por conseguinte, o sobrestamento do julgamento deste processo até a solução definitiva do processo nº 10875.002125/9998, em face da íntima conexão entre ambos os processos. No deslinde final do processo que motivou o sobrestamento deste PAF, a Fazenda Nacional teve o provimento seu pedido negado pela Câmara Superior, em sessão de 29 de agosto de 2012, por intermédio do Acórdão n° 9900000.459, vejase: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 110 5 seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de FINSOCIAL, recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787 e 7.894, ambas de 1989, e 8.147, de 1990. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 111 6 somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: (...) Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido em 31/08/1999, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 31/08/1989 são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para AFASTAR a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores do FINSOCIAL que ocorreram após 31/08/1989 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Como desiderato de tal julgamento, efetuouse retorno à DRF de Origem, conforme aponta o Despacho 1803, de 18 de março de 2014 (efl. 94): Tratase de auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrente de revisão de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) relativa ao 1º trimestre do anocalendário de 1997. Remanescem em litígio apenas o valor de R$ 2.991,65, cujo pagamento declarado não foi comprovado, e os correspondentes juros de mora. Em sua Impugnação e Recurso, a Recorrente alega que teria compensado esse valor, conforme processo administrativo nº 10875.002125/9998, anteriormente à autuação. Esse fato é reconhecido pela própria decisão recorrida (fls. 62): Das informações prestadas pela autoridade administrativa depreendese que a referida parcela do débito foi, de fato, objeto de pedido de compensação formalizado no Processo Administrativo nº 10875.002125/9998. Conforme pesquisa procedida por este Relator, nesta data (18/03/2014), referido processo foi objeto de decisão em Recurso Extraordinário impetrado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) – Acórdão nº 9900000.459, de 29 de agosto de 2012, o que implicou o retorno daquele processo para novo exame do mérito do pleito de restituição e compensação pela DRF de origem, por ter sido negado provimento àquele Recurso pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 112 7 Deve, portanto, ser mantido o sobrestamento do julgamento deste processo até a solução definitiva do processo nº 10875.002125/9998, em face da íntima conexão entre ambos os processos. Com relação ao despacho de reinclusão em pauta de processo sobrestado, de fls. 80, conforme mencionado acima, o presente sobrestamento não decorreu das disposições contidas nos §§ 1º e 2º do art. do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo que não é possível, até o presente momento, a sua reinclusão em pauta. Após efetivada a providência supramencionada, restou proferido Despacho Decisório (efls 103 à 105) em que se deferiu parcialmente a restituição do Contribuinte, e se quedou homologada a compensação, devido à existência de crédito suficiente; transcrevo os principais excertos: O direito de solicitar a restituição não está prescrito, conforme a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A alíquota do Finsocial cuja alíquota era de 05%, passou para 1,00% em 09/89 pela Lei 7.787/89, 1,20% em 02/1990 pela Lei 7.894/89, e 2,00% em 0391 pela Lei 8.147/90. Essas majorações foram consideradas inconstitucionais, o que foi reconhecido pelo artigo 17 da Medida Provisória 1.110/95, convertida na Lei 10.522/2002, após sucessivas reedições: Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) III à contribuição ao Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, exigida das empresas comerciais e mistas, com fulcro no artigo 9° da Lei n° 7.689, de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis n°s 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990; Na própria razão social da empresa está explícita sua atividade comercial. Assim, cabe o direito de restituir pagamentos de Finsocial calculados com alíquotas superiores a 0,5%, conforme A tabela abaixo calcula os valores recolhidos a maior. A data de pagamento e valor pago, em moeda da época, foram retirados dos Darfs anexados pelo contribuinte ao processo. A base de cálculo (não mostrada na tabela) foi calculada pela divisão do valor pago pela alíquota vigente. O valor devido é a base de cálculo multiplicada pela alíquota de 0,5%. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 113 8 Com base nesses valores de diferença e nos débitos informados nas declarações de compensação foram montadas planilhas no aplicativo SAPO, conforme folhas 211 a 220, que demonstram a suficiência dos créditos acima para liquidação da compensação, ainda restando um valor a restituir. Quanto aos débitos, o Conselho de Contribuintes determinou a apensação do processo 10875.000142/200210 a este (folha 137 do processo 10875.000142/200210), suspendendo, portanto, sua cobrança. O débito de IRPJ de RS 12.873,24 que consta no processo corresponde exatamente ao valor declarado em DCTF pelo contribuinte. No entanto, a soma das parcelas de IRPJ compensadas, conforme folha 6, montam a R$ 12.036,07 (3.739,56 + 4.780,31 + 3.516,20), conforme explicado na decisão da DRJ de folha 92 do processo 10875.000142/200210. Portanto, o valor remanescente de R$ 837,12 deve ser cobrado no processo 10875.000142200210. Os demais débitos informados nas declarações de compensação também for; i declarados em DCTF e transferidos para controle do sistema conta corrente PJ. A apreciação do senhor chefe do SEORT. ANÍBAL MALGUEIRO MOREIRA AFRFBMatrícula: 1291562 DECISÃO Conforme informações acima, no uso das competências previstas no art. 2°, inciso 1, art. 69, e art. 71 da Instrução Normativa RFB 1.300, subdelegadas pela Portaria DRF/Jundiaí n° 81 de 22/05/2007, decido homologar integralmente a compensação e restituir o valor remanescente após cobrança do valor remanescente no processo 10875.000142/200210. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 114 9 Nessa oportunidade, juntouse anexo o extrato do processo (efl. 107): Transcorrido o deslinde acima, o processo veio concluso a este Relator, que ora subscreve. É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Por primeiro, cumpre destacar a existência de conexão com o processo n° 10875.002125/9998, conforme bem identificado ao longo deste PAF. E de igual sorte está claro que remanesce em litígio apenas o valor de R$ 2.991,65 (1° Trimestre de 1997). Ora, segundo relatado nas páginas anteriores, a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou o processo n° 10875.002125/9998 a favor do Contribuinte. Todavia, mesmo com todo o notável trabalho desenvolvido posteriormente na Unidade de Origem, quando do retorno dos autos, não restou claro se há, de fato, saldo residual de crédito, apto a compensar por completo o valor requerido pelo Contribuinte. Especialmente em virtude da informação segundo a qual haveria montante remanescente a ser cobrado em outro processo, de n° 10875.000142/200210. Nessa senda, anoto que o Despacho Decisório homologou a compensação pleiteada, embora não restou claro se esta providência foi relacionada àquele valor de R$ 2.991,65 (1° Trimestre de 1997). Ademais, tampouco foi possível à esta Turma Extraordinária Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10875.000139/200298 Resolução nº 1002000.042 S1C0T2 Fl. 115 10 apesar do esforço desempenhado para tanto correlacionar ou identificar valores, derivados do cotejo entre os processos conexos citados naquela Despacho. Portanto, é necessário esclarecer qual a quantia efetivamente disponível como saldo de compensação, e se esta já foi devidamente homologada, liquidando o valor ora em litígio. Quanto ao mais, o extrato do processo relaciona como "extinto" boa parte do créditos (seja por pagamento, seja por compensação), incluindo o valor do presente PAF: Logo, caso não haja nenhum valor adicional de saldo neste Processo Administrativo Fiscal, alcançarseá o desiderato de encerramento desta via administrativa, com a satisfação total do direito do Contribuinte. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de identificar eventual saldo residual de crédito, considerando os termos expostos Despacho Decisório (efls. 103 à 105) e seu respectivo extrato. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 118DF CARF MF
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