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Numero do processo: 10166.911396/2009-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 13 96 /2 00 9- 20 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10166.911396/200920 Acórdão n.º 3003000.050 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 02998.19325.030309.1.3.049626, transmitida eletronicamente em 03/03/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 07/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 172), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 41.114,70. Cientificado dessa decisão em 21/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 9, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte alega erro no preenchimento da DCTF e do Dacon transmitidos originalmente, que não foram retificados antes da emissão do Despacho Decisório. Acrescenta que a declaração e o demonstrativo foram retificados antes da ciência do referido despacho e que as informações retificadas demonstrariam o direito ao crédito pleiteado pela interessada. Argumenta, ainda, que o erro em retificar a DCTF após o pedido de compensação não seria suficiente, por si só, para afastar o direito à quitação do débito compensado. Cita doutrinadores, princípios constitucionais e jurisprudência administrativa para ilustrar sua argumentação. Trata ainda da multa imposta em razão da não homologação, no percentual de 150%, apresentando o entendimento de que esta não deveria ser aplicada por inexistir subsunção do fato concreto à norma jurídica e não ter sido demonstrado que a declaração era falsa. Ao final, apresenta os seguinte pedidos: a) suspensão da exigibilidade do crédito tributário; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10166.911396/200920 Acórdão n.º 3003000.050 S3C0T3 Fl. 4 3 b) deferimento da manifestação de inconformidade; c) homologação do PER/DCOMP objeto dos autos; d) baixa do débito, face a sua compensação; e) afastamento da aplicação da multa de 150% sobre o débito. A 4ª Turma da DRJ em Brasília proferiu decisão, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2004 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando o seguinte: 1. Que as normas da RFB cita as INs 900/08 e 1300/12 que estabelecem critérios para compensação tributária não deixam claro a necessidade de apresentação de outros documentos, além das PER/DCOMPs, DCTFs e DACONs, para a comprovação do crédito pleiteado; 2. Que, visando não deixar dúvidas quanto à legitimidade do crédito pleiteado, traz, além dos documentos já apresentados na impugnação, planilha de apuração da contribuição social, utilizada como memória de cálculo da compensação efetuada, livros fiscais de apuração do IPI e do ICMS, colocandose à disposição para fornecer informações adicionais. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10166.911396/200920 Acórdão n.º 3003000.050 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito efetivamente em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as características apontadas no referido relatório. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse, pelas características do DARF informado pelo contribuinte, que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento relativo ao DARF indicado já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido eletronicamente Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente alega que cometeu erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito de COFINS foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de COFINS a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação de que as declarações originais continham apuração errônea dos débitos de COFINS de onde decorreria o crédito efetivamente litigioso. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10166.911396/200920 Acórdão n.º 3003000.050 S3C0T3 Fl. 6 5 pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a COFINS devida era realmente menor do que o valor constante das declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalado pela decisão recorrida, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10166.911396/200920 Acórdão n.º 3003000.050 S3C0T3 Fl. 7 6 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação trazidos como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, podendose aplicar, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos planilha de apuração da COFINS, além de páginas dos livros de Apuração de IPI e ICMS, a recorrente não demonstrou a natureza e a extensão dos valores atinentes à exclusão e deduções na apuração da COFINS devida, das quais resultou o débito a menor que teria fundamentado a retificação da DCTF e da DACON. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e os valores concernentes às deduções nãocumulativas e aqui são várias rubricas, entre as quais, "compras revenda", "compras PJ", "frete PJ", "embalagens", etc., deduções presumidas "milho pessoa física" e "sorgo pessoa física" e exclusões "Zona Franca", "IPI saída" e "S.Trib." , constantes do demonstrativo de apuração da COFINS devida no período de apuração da DCOMP. Para demonstrar seu direito, a recorrente deveria ter trazido aos autos documentos hábeis e idôneos para comprovar cada rubrica que compõe as deduções não cumulativas, deduções presumidas e exclusões. Poderia, por exemplo, ter trazido notas fiscais de frete, embalagens, além de outros documentos, a fim de provar a natureza e valor das deduções e se são, de fato, aplicáveis a seu caso. Do material probatório apresentado, não há como aferir e atestar a natureza e valores das deduções e exclusões na apuração da COFINS de que resultou o crédito pleiteado nos autos. As planilhas apresentadas e as páginas de livros apuração de IPI e ICMS não são suficientes para comprovar o direito alegado. Se o crédito pleiteado pela recorrente é derivado de pagamento indevido ou a maior em face de apuração errônea da COFINS, deveria a recorrente ter demonstrado a natureza e extensão de cada conta contábil que teria levado à redução do débito da referida contribuição social. Há que se destacar que planilhas, declarações ou demonstrativos apresentados pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo, sua natureza e sua exatidão, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. É de se assinalar, ainda, que a recorrente, apesar de juntar páginas dos livros de apuração de IPI e ICMS sem documentos que os lastreiem, vale registrar , não faz qualquer vinculação de tais escriturações às contas expressas no demonstrativo de apuração apresentado, de maneira a demonstrar a redução da COFINS devida e, por consequência, justificar o direito creditório alegado: ocorreu simples juntada de escrituração, sem esclarecimentos analíticos e específicos para demonstrar a certeza e liquidez do direito alegado. Deveria a recorrente ter trazido descrição minuciosa da apuração da COFINS, estabelecendo conexões entre os documentos contábeis e fiscais apresentados, a fim de demonstrar o direito alegado. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10166.911396/200920 Acórdão n.º 3003000.050 S3C0T3 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 257DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.907655/2009-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84.
É permitida a compensação de pagamentos indevidos de estimativas aos processos pendentes de julgamento, devendo ser aplicado o disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008. Súmula CARF 84.
Numero da decisão: 1003-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal de origem, para que esta se pronuncie a respeito da existência do direito creditório pleiteado e, caso exista, se o valor é suficiente para homologar os débitos confessados no PER/DCOMP nº 21503.01253.280406.1.3.04-3307.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É permitida a compensação de pagamentos indevidos de estimativas aos processos pendentes de julgamento, devendo ser aplicado o disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008. Súmula CARF 84.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal de origem, para que esta se pronuncie a respeito da existência do direito creditório pleiteado e, caso exista, se o valor é suficiente para homologar os débitos confessados no PER/DCOMP nº 21503.01253.280406.1.3.04-3307. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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APLICAÇÃO DA IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É permitida a compensação de pagamentos indevidos de estimativas aos processos pendentes de julgamento, devendo ser aplicado o disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008. Súmula CARF 84. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal de origem, para que esta se pronuncie a respeito da existência do direito creditório pleiteado e, caso exista, se o valor é suficiente para homologar os débitos confessados no PER/DCOMP nº 21503.01253.280406.1.3.043307. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 76 55 /2 00 9- 11 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13971.907655/200911 Acórdão n.º 1003000.356 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0723.876, de 15 de abril de 2011, da 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 28/07/2009, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 24), rastreamento n° 842614647, emitido em 22/06/2009, que não homologou a compensação declarada no PER/DCMP nº 21503.01253.280406.1.3.043307, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do imposto da Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte defendeu ser optante do regime de lucro real e que efetua o pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal e, em 31/08/2005, recolheu um valor maior do que o devido à título de CSLL por estimativa mensal, de forma que ficou com um crédito por este recolhimento indevido. Tal recolhimento indevido foi de R$ 21.987,33. Aduz ter realizado, em 28/04/2006, declaração de compensação através de PER/DCOMP no valor de R$ 14.818,26, utilizando parcialmente o seu crédito. Declara que os artigos utilizados para negar a homologação não vedam a compensação realizada. A DRJ/BSB julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Imposto Sobre Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago indevidamente ou a maior de IR ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) ser optante do regime de lucro real e que efetua o pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal e, em 31/08/2005, recolheu um valor maior do que o devido à título de CSLL por estimativa mensal, de forma que ficou com um crédito por este Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13971.907655/200911 Acórdão n.º 1003000.356 S1C0T3 Fl. 4 3 recolhimento indevido. O recolhimento indevido foi de R$ 21.987,33. Aduz ter realizado, em 28/04/2006, declaração de compensação através de PER/DCOMP no valor de R$ 14.818,26, utilizando o restante do crédito existente; (ii) que o Despacho Decisório fundamentou a não homologação da declaração com base nos arts. 165 e 170 do CTN, art. 10 da IN SRF nº 600/2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430/96, porém esses artigos não vedam a compensação pleiteada; (iii) que a Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, igualmente não veda a compensação e, caso esse fosse o entendimento, estaria a instrução inovando e indo além da determinação legal, demonstrando ser ilegal e inconstitucional tal entendimento. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e do despacho decisório, determinando à autoridade administrativa o deferimento da declaração de compensação. É o Relatório Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 21503.01253.280406.1.3.043307, em razão de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior relativos à Contribuição Social sobre o Lucro LiquidoCSLL. Conforme se depreende do Despacho Decisório, a partir das características do DARF foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Diante disso, a autoridade administrativa não homologou a declaração de compensação pleiteada e que é objeto destes autos, tendo a Recorrente, por seu turno, apresentado manifestação de inconformidade. A DRJ, ao analisar a manifestação de inconformidade, manteve a decisão do Despacho Decisório, sob o fundamento de que a interessada apresentou DCOMP no período de vigência da IN SRF n° 600/2005, na qual pretende utilizar pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ ou de CSLL, como crédito na compensação com débitos em aberto. Entretanto, defendeu não existir previsão legal para tal compensação, de modo que ela não poderia ser aceita. Ocorre que, tendo em vista a publicação da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5/12/2011, que homogeneizou o entendimento da RFB a respeito dessa questão, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13971.907655/200911 Acórdão n.º 1003000.356 S1C0T3 Fl. 5 4 conforme ementa transcrita a seguir, é cabível a análise da existência do direito creditório pleiteado pela contribuinte. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Isto posto, verificase que, pela Solução de Consulta supra, restou decidido pela aplicação do disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que passou a permitir a compensação de pagamentos indevidos de estimativas aos processos pendentes de decisão administrativa. A competência para reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação declarada pelo contribuinte, contudo, é da DRF ou da Delegacia Especial (arts. 76A e 76C da IN RFB nº 1.300/ 2012), não podendo esse julgador, sob pena de supressão de instância, analisar o mérito. Por todo o exposto, voto em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para que essa analise a DCOMP objeto deste processo. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.901200/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
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(Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fl. 02 e 03) contra o Despacho Decisório (fls. 16) que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração nº 20312.11372.300113.1.3.047735 (PerDcomp), sob o fundamente de que, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 01 20 0/ 20 13 -6 7 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10183.901200/201367 Resolução nº 1402000.797 S1C4T2 Fl. 292 2 embora confirmado o pagamento considerado pela contribuinte como indevido, este não pode ser utilizado na presente compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos. A contribuinte alegou que o direito creditório relativo ao período de apuração 30/09/2012 referese ao cancelamento das seguinte notas fiscais de prestação de serviço: A autoridade lançadora, por sua vez, alegou que não homologou a compensação, pois não considerou a última DCTF retificadora, mas o montante constante na DCTF original. Diante da retificação das declarações deve ser gerado o crédito devido no período que validaria as informações constantes na Per/Dcomp; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente (fls.121) a manifestação de inconformidade por entender que a simples retificação da DCTF e da DIJP não dá origem ao direito creditório, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: 10. Em sede recursal, o interessado apresenta suas razões de defesa alegando que ao rever a composição da base de cálculo do IRPJ do terceiro trimestre de 2012 (competência de setembro), verificou que havia declarado valor a maior pois não tinha considerado o valor das notas fiscais canceladas do item 4 do Relatório. 11 Após novas apurações, retificou a DCTF original a fim de reduzir o IRPJ a pagar, de R$ 524.755,63 para R$ 242.259,45, no mês de setembro de 2012, o que, no seu entender, deu origem ao direito creditório ora pleiteado no valor de R$ 282.496,18 (efls. 12). 12 Vêse, portanto, que a origem do direito creditório pleiteado no PerDcomp ora em análise decorre de retificação de valores declarados em DCTF e informados em DIPJ. 13 Nesse sentido, convém observar que a simples retificação da DCTF e da DIPJ, diferentemente do que sustenta o interessado, não dá origem a direito creditório. Notese que a sobredita retificação teve por objetivo reduzir o valor do tributo devido. Nessa linha, dispõe o § 1o. do art. 147, § 1o. do CTN, que “a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10183.901200/201367 Resolução nº 1402000.797 S1C4T2 Fl. 293 3 tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”. 14 Aos autos não foi acostada qualquer prova que pudesse demonstrar eventual erro de declaração de débito em DCTF. 15 A fim de comprovar o erro alegado, caberia ao interessado, além de retificar a DCTF, acostar aos autos provas documentais (exemplo: livros contábeis e fiscais, notas fiscais emitidas no período, as notas fiscais canceladas no período, etc.), sem as quais não há como reconhecer a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. 16. Nesse contexto, para fazer jus ao direito creditório ora pleiteado, caberia ao interessado demonstrar a composição do lucro líquido antes da apuração do IRPJ do 3º trimestre, com a apresentação de todas as notas fiscais emitidas e receitas do período pleiteado, além das notas fiscais eventualmente canceladas, como alega. referente à informação de estimativas mensais pagas que foram utilizadas na apuração. 17 Em consultas aos sistemas da RFB, constatei que o interessado retificou a DIPJ em quatro ocasiões, e informou na última DIPJ retificadora (fls. 173/175) o novo valor do IRPJ, constituindo pagamento a maior no Darf de quitação do IRPJ no valor de R$ 282.496,18, requerido por meio do PerDcomp objeto deste processo (e fls. 5); 18 Cabe ressaltar que na demonstração do resultado, em nenhuma DIPJ apresentada (original ou retificadora) constam vendas canceladas, devoluções ou descontos incondicionais concedidos, conforme se reproduz parcialmente abaixo da última DIPJ apresentada e anexada aos autos: Cientificada em 06 de março de 2018 (AR fls. 133), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 136/138 no qual reitera as alegações já suscitadas. Tendo em vista que a decisão recorrida apontou como razão para desprover a manifestação de inconformidade a ausência de comprovação dos cancelamentos que teriam dado origem ao crédito, a Recorrente juntou ao recurso cópias das notas fiscais abaixo discriminadas : Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10183.901200/201367 Resolução nº 1402000.797 S1C4T2 Fl. 294 4 A Recorrente esclareceu ainda que, após o cancelamento das notas fiscais, a empresa excluiu o registro contábil das referidas notas da conta 3.1.3.02.001 de receita de serviços prestados, no 3º trimestre de 2012. Por esse motivo, não há registro contábil das notas canceladas em conta específica não havendo informação a ser alocada na linha 10 vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais da DIPJ. Ressalta, no entanto, que é possível confirmar que as notas fiscais acima descritas foram canceladas por meio de acesso ao site de verificação de autenticidade da prefeitura http://free.notaeletronica.com.br/cuiaba/NotaDigital/VerificaAutenticidade.aspx, aportando o numero do código de verficação de autenticidade contido nas notas fiscais. Junta as notas fiscais canceladas (fls. 150/160) Alega que a base de cálculo do imposto de renda do 3º trimestre de 2012 quando do recálculo foi de R$ 1.469.404,87, sendo que após a aplicação da alíquota e as deduções legais, a contribuição devida no trimestre resultou em R$ 242.259,45: Junta as notas fiscais de fls. 168/207, 214/235 e 236/320; Para comprovação do referido cálculo requereu a juntada dos seguintes documentos: a) DCTF Retificadora nº 100.2012.2013.1861243924 enviada em 20/05/2013; (fls. 142/143) b) DIPJ retificadora nº 001653993 recepcionada em 26/07/2016 (fls. 144/149) Para comprovar o valor da receita utilizado na apuração do resultado, anexou ao recurso: a) razão analítico da conta 3.1.3.02.001 receita de serviços prestados (fls.161/166); b) balancete contábil do trimestre e as notas fiscais de receita com prestação de serviço do período que perfazem o montante de R$ 11.465.485,23, mesmo valor apresentado na declaração da DIPJ folha 12 linha 05 receita de prestação de serviços (fls. 208/213 ) Por fim, alega que o valor a compensar consta como disponível para empresa no próprio site da Receita Federal do Brasil. É o relatório Voto Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10183.901200/201367 Resolução nº 1402000.797 S1C4T2 Fl. 295 5 Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora A decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a simples retificação da DCTF e da DIPJ não eram suficientes para gerarem o direito ao crédito pretendido. Logo em seguida a decisão afirma que, para comprovar o erro alegado pela Recorrente, "caberia ao interessado, além de retificar a DCTF, acostar aos autos provas documentais (exemplo: livros contábeis e fiscais, notas fiscais emitidas no período, as notas fiscais canceladas no período, etc.), sem as quais não há como reconhecer a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado." Em primeiro lugar, é importante destacar que não é correta a afirmação da decisão recorrida de que a única prova do erro cometido pelo Recorrente foi a DIPJ. Em situação como a dos autos, este conselho tem entendido que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido de compensação quando acompanhada de provas documentais que comprovassem o erro cometido. Nesse sentido, mencionese a decisão proferida no Acórdão 1301003.341 relatado pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto: O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/ 1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10183.901200/201367 Resolução nº 1402000.797 S1C4T2 Fl. 296 6 comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Em atenção às objeções apontadas na decisão recorrida, a contribuinte trouxe a documentação solicitada para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que: a) a unidade de origem confirme, na escrituração contábil fiscal do sujeito passivo, o valor do IRPJ e CSLL devido no período indicado e manifeste sobre existência e suficiência do crédito elaborando, ao final, em relatório circunstanciado e conclusivo; b) Dê ciência ao sujeito passivo para, querendo, se manifestar. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 328DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.948835/2009-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO.
Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE.
Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 88 35 /2 00 9- 18 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 153 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto tempestivamente contra o Acórdão n° 1241.980 (efls. 102 à 111) proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório do Contribuinte. O Despacho Decisório (efl. 09), de 11 de agosto de 2009, aduz que os valores informados na DCOMP (transmitida em 21/08/2006) foram utilizados integralmente para a quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos ora informados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte alegou o que segue: 1. Senhor Delegado — corno se vê do Despacho Decisório, o contribuinte foi penalizado, com base na seguinte alegação: "Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 1.695,42. A partir das características do DAM' discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP..." 2. Não pode, data vênia, conformarse o contribuinte com essa apenação haja vista que: a) A DDT do 40 trimestre de 2002 (N°. 3), nos mostra que o valor principal do débito relativo à competência de dezembro de 2002 é de R$ 4.815,35. (Doc.1) b) No DARF datado de 31 de janeiro de 2003 verificase que o pagamento corresponde ao valor total do débito acima referido. (Doc.2) c) Os lançamentos efetuados no Livro Diário N° 20 folhas 26 c Razão n° 20 folhas 8 e 125 nos mostram que o principal do Fl. 153DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 154 3 débito e o seu respectivo pagamento, também correspondem ao valor acima mencionado. (Docs. 3 e 4) 3. A DCTF do 3 0 trimestre de 2003 (Pág. 3), nos mostra que o valor principal do débito referente A competência de setembro de 2003 é de R$ 2.038,89 e não de R$ 1.659,29 corno consta no PER/DCOMP. (Doc. 5) 4. No DARF com data de 29 de agosto de 2003, verificase que a quantia de R$ 2.038,89 foi recolhida integralmente e dc forma antecipada, isto é, não houve nenhuma compensação relativa ao débito aqui mencionado.(Doc. 6) 5. Portanto, o que dai se extrai, á que o PER/DCOMP foi preenchido e transmitido equivocadamente. (Doc. 7) 6. Isto ainda mais se infere, porque o Pedido de Compensação teve como base o regime mensal de apuração, quando na verdade o Livro Diário N° 20 folhas 207 e o Livro Razão N° 20 folhas 239 nos mostram que o sistema de apuração era trimestral. (Docs. 8 e 9) 7. Cabe citar, que não foi possível reparar o equivoco espontaneamente, em vista do sistema da Receita não ter recepcionado o pedido de cancelamento do PER/DCOMP, por conta da instauração da Ação Fiscal. 8. Sabendo, porém, do espírito de justiça que norteia As decisões proferidas por V. Sa., espera que o PER/DCOMP seja cancelado quando da respectiva Análise no âmbito da Receita Federal. Isto posto, inclusive por juntada de documentos cuja menção vai no bojo do presente, pede V. Sa. Se digne mandar cancelar o crédito tributário, bem como tornar sem efeito o respectivo PER/DCOMP, com base nos fatos aqui demonstrados. Como desiderato final de seu arrazoado, o Acórdão da DRJ concluiu o que segue: 35 Nos termos da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, ao declarante cabe solicitar (antes que a autoridade lançadora emita intimações ou profira decisão administrativa), e sempre através do Programa Gerador de Per/DcompPGD Perdcomp, o cancelamento da Dcomp transmitida, inexistindo previsão para que a autoridade julgadora nele se subrogue, ou que tal se dê em sede de julgamento. 36 Se o declarante não cancela a Dcomp que ele mesmo transmitiu, as declarações nesta veiculadas se consolidam na esfera administrativa, com os efeitos que lhes sic) próprios, ainda mais se não comprovado que o débito objeto de compensação era indevido ou inexistente. 37 Assim, o pedido deve ser rejeitado: quer por ser contrario à legislação de regência, quer por não ter sido comprovado que o débito compensado era indevido ou inexistente. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 155 4 38 Observese, por fim, que, nesta data, estão em julgamento nesta Turma 18 (dezoito) processos (incluindo este), nos quais o interessado, em sede de MI, pede o cancelamento das respectivas Dcomps: (...) Ao longo do processo, restou ajuizada execução fiscal pela Fazenda Nacional, tendo sido proferida sentença extintiva sem julgamento de mérito. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte aduz os seguintes aspectos: PRELIMINARMENTE Requer ao D. Julgador de Io Instância, em sede de pressuposto de admissibilidade recursal, em conformidade com o artigo 32 c/c art. 60, ambos do Decreto 70.235/72, dispondo sobre o processo administrativo fiscal, que seja corrigida de ofício a omissão do julgado, ora recorrido, eis que na decisão atacada é mencionado que a empresa ora recorrente compensou tributo de forma indevida . (...) No caso em debate flagrante a nulidade encontrada, devendo este Colegiado decretar a mesma de ofício, posto que ainda criou a esta recorrente cerceio do direito de defesa, conforme art. 59, II do Decreto 70.235/72. Ad Argumentandum, que a Constituição da República Federativa do Brasil prevê em seu art. 5o, II que ninguém, seja pessoa jurídica e/ou física, está obrigado a cumprir determinado preceito sem previsão legal, pois o ato da autoridade Fiscal não encontra fundamento legal, que ampare o r. decisum, o qual pedimos vênia para transcrever: (...) Caso não sejam acolhidas as assertivas acima, para que seja cancelada a decisão, ora recorrida, vejamos então, preliminar abaixo sobre Prescrição e Decadência: (...) Cumprenos mencionar que no item 32 da decisão, ora recorrida, de fls. 112, o próprio julgador menciona que a compensação foi realizada há mais de 5 (cinco) anos, o que viola a legislação em regência; Bem se a compensação já por isto foi tachado como indevida, mais indevida ainda é a constituição em mora do tributo, sua cobrança, a constituição do crédito tributário, eis que já passados mais de cinco anos. Posto Isto indevida é cobrança, eis que já alcançada pela Decadência, conforme previsão do artigo 173 do Código Tributário Nacional, além ainda de estar prescrita, conforme redação do artigo 174 do CTN, como a seguir pedimos vênia para transcrever: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 156 5 DO MÉRITO Sem nos estendermos por demais, nos comentários, eis que este D. Julgador lê pacientemente todas as questões, ora em comento, melhor sorte não assiste à D. Receita Federal, posto pelas argumentações acima expostas. Verificase claramente pelos documentos acostados aos autos que as declarações e pagamentos estão perfeitamente corretos, conforme os preceitos estipulados na Legislação em vigor, demonstrando toda a boafé da empresa. Ora, passados todos os argumentos, e ainda com a demonstração de todos os protestos acima, requer o provimento do presente recurso para que seja cancelado o débito, em cobrança, por todo exposto acima. DO PEDIDO "Ex Positis" é a presente a fim de requerer a estes Ilustres membros desta Turma Julgadora acolher " In Totun" a presente pretensão, por tudo aquilo que ficou devidamente expositado, dando provimento ao recurso, para que cancelada a cobrança, eis que a PER/DCOMP foi feita de forma equivocada, haja vista a inexistência de débito e saldo a compensar, além da Decadência e Prescrição que já alcançaram o débito, ora cobrado do Recorrente. Cabe consignar que não restou apresentada qualquer prova adicional em sede de Recurso Voluntário. Por fim, consignase a existência de um total de 18 (dezoito) Processos Administrativos Fiscais semelhantes ao presente, sob a relatoria deste Conselheiro que ora subscreve. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 157 6 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço. Preliminares Conforme relatado acima, as preliminares alegadas abarcam uma série de elementos, que serão doravante rechaçados. a) Da correção da suposta omissão do julgado Segundo sustenta o Contribuinte, houve imprecisão material na Decisão de piso, eis que nesta é mencionado que se compensou tributo de forma indevida. No entanto, o Recorrente não aponta exatamente onde estaria o suposto erro material, e se utiliza de argumentos genéricos de impugnação. Sabese que, para que se proponha tal correção, é necessário exibir categoricamente a imprecisão detectada. Caso contrário, a alegação acaba esvaziada por configurar mero argumento de retórica. Portanto, afasto a preliminar de omissão. b) Do suposto cerceamento de defesa Outra preliminar aduzida foi a suposta ocorrência de cerceamento de defesa. Contudo, em momento algum o Recorrente logrou demonstrar em quais oportunidades o dito cerceamento teria se perpetrado. Novamente, notamse alegações genéricas, as quais são desprovidas de amparo fático. Vejo, ainda, que presente Processo Administrativo cumpriu com seu regular deslinde, apresentando todas as oportunidades de defesa à Contribuinte e observando as normas a ele intrínsecas. Assim, não restou comprovada qualquer incidência do rol do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Logo, afasto a preliminar de cerceamento de defesa. c) Da suposta prescrição e decadência Por fim, entende o Recorrente pela existência de prescrição e decadência. Sem embargo, tais fenômenos não ocorreram no presente caso. Isso porque o marco a quo do lustro tem início neste caso quando da apresentação da DCOMP, que, por seu turno, é o veículo introdutório da compensação ora pretendida. Portanto, seria uma absoluta incoerência admitir como início a contagem decadencial ou prescricional em etapa distinta, pois sequer há móvel fáticojurídico para sustentar tal intelecção. Quanto ao mais, anoto que este assunto já se encontra pacificado na jurisprudência deste e. CARF, conforme se extrai do Acórdão n° 340301.376, Rel. i.Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa Fl. 157DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 158 7 totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 159 8 A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. (GN) Igual intelecção é adotada na prescrição, eis a inocorrência do lustro qüinqüenal na modalidade prescritiva. Rechaçadas, pois, as alegações de decadência e prescrição. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao Recorrente, conforme se observará. Trata o presente caso de pedido de compensação, alegando o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária (Art. 74 da Lei n° 9.430,). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (Art. 368 do CC). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Autoridade Administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 159DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 160 9 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. 1. Dos erros de adequação instrumental para a compensação de crédito Em que pese a recalcitrância do Recorrente em admitir equívocos em sua sistemática procedimental, notamse claros erros na via eleita para a compensação. Ao invés de requerer seu cancelamento quando da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte deveria procedêlo por iniciativa própria, conforme se extrai do texto claro da norma (IN RFB n° 900/2008). Aliás, o Acórdão a quo logrou a conferir com precisão os procedimentos que necessários, cujo arrazoado adoto desde já como parte da fundamentação do presente Voto, verbis: 14 Na forma da legislação de regência (Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008), o pedido de cancelamento da Declaração de Compensação Dcomp deve ser transmitido através do programa eletrônico Per/dcomp (disponibilizado a partir de 14 de maio de 2003): CAPITULO XII DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação a RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento a RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa a data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. 15 Além disso, a sobredita Instrução Normativa dispõe que o pedido de cancelamento de Declaração de Compensação — Dcomp só pode ser aceito se transmitido antes da ciência para apresentação de documentos referentes à compensação, ou, antes da decisão administrativa correspondente, sendo vejamos: Art. 86 (..) Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 161 10 16 No caso, o interessado transmitiu a Dcomp em 21.08.2006. O Despacho Decisório foi emitido em 11.08.2009. Desse modo, o pedido do interessado para cancelamento da Dcomp colide com a legislação de regência. 17 Da data da transmissão da Dcomp — 21.08.2006 até a emissão do Despacho Decisório, o interessado teve 3 (três) anos para veicular o pedido de cancelamento da dita Dcomp, porém, não o fez. Destacase, ainda, que o procedimento de DCOMP eletrônica e seu respectivo cancelamento já era há muito tempo adotado pela Receita Federal do Brasil, de modo que não se pode alegar qualquer desconhecimento dessa sistemática. Outrossim, é imperativo ressaltar que a indigitada práxis também é descrita na IN SRF n° 900/2008; e, mesmo editada posteriormente à apresentação da DCOMP, era vigente à época do Despacho Decisório (datado de 11 de agosto de 2009). Logo, o Contribuinte teve ainda mais tempo para proceder com o cancelamento de seu pedido (ainda que se admitisse tal feito após decisão administrativa). Quanto ao mais, o Recorrente não apresenta quaisquer documentos aptos a corroborar seu pleito e sua versão de regularidade contábil. De tal modo, complemento tais aspectos fáticos e normativos com a jurisprudência deste e. CARF na figura do Acórdão n° 1302002.403, Rel. i.Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa , que expõe o trâmite correto na retificação dos valores apresentados na DCOMP, bem como seus consectários: Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. (...) O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 162 11 Logo, sem receio de redundâncias, é fundamental destacar que os pedidos de compensação para que possam ser analisados e deferidos devem seguir os exatos trâmites delineados pela norma. Tal aspecto é que garante o escorreito deslinde petitório, devendo ser respeitado em sua totalidade, e não encarado como uma espécie de "burocracia dispensável". Impende destacar que, para que se tenha faculdade à compensação, torna se necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, também não foi possível à Administração Tributária por consectário lógico reconhecer a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo Contribuinte, pois lhe faltavam elementos probatórios capazes de assegurar a existência do crédito, fosse um pagamento indevido ou a maior ou, mesmo, crédito decorrente de saldo negativo. Assim, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância, quando conclui que não resta demonstrado o direito creditório Portanto, a decisão da DRJ resta irretocável, razão pela qual sua fundamentação serve de igual amparo no presente caso, valendose como fundamentação, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 19 Ainda que a legislação não proibisse que, após a emissão do Despacho Decisório, se intentasse o cancelamento da confissão de divida (real natureza da Dcomp), a diversidade de informações que o interessado confessou em DCTFs, como a seguir se verá, relativamente à natureza, ao montante e aos modos de extinção do débito compensado não se resolve com o registro contábil do pagamento, e nem blinda a informação contábil de questões concernentes a sua confiabilidade. 20 Alias, as folhas de Diário/Razão que o interessado junta aos autos nada dizem acerca das diversas mutações pelas quais passou o dito débito compensado. 21 Com efeito, como se vê no quadro 1, o interessado, nesta Dcomp em tela confessou débito de estimativa de IRPJ de setembro de 2003, terceiro trimestre. (...) 24 A vista da última DCTF do rol acima, e, considerando que as informações em declarações entregues A RFB tam que espelhar a informação registrada na contabilidade sob pena de desconsideração daquelas, desta ou de ambas , é licito supor que, nos registros contábeis do interessado, vigorou pelo menos de 23.08.2006 (data de entrega da penúltima DCTF Retificadora) até 01.12.2008 (data de Fl. 162DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 163 12 entrega da última DCTF Retificadora) o débito de estimativa mensal que ele agora quer cancelar. 25 É ônus do interessado juntar não só a prova dos elementos que compuseram cada um dos diferentes valores apurados, como, também, todos os registros de lançamento e de estorno contábil que embasam tais mutações. 26 Tal está nos moldes da legislação de regência, segundo a qual, a escrituração mercantil só faz prova dos fatos nela registrados se, além de elaborada com a observância das disposições legais e dos princípios contábeis for instruída com os documentos em que se lastreia (art.26 do Decreto n ° 7.574, de 29 de setembro de 2011). 27 Mas, o interessado não junta aos autos os documentos correspondentes. 28 Em seu entendimento, movido pela certeza de que esta Dcomp estaria fadada ao cancelamento automático (porque foge à lógica a simultaneidade de dois regimes de apuração: anual (estimativa e trimestral), transmitiu em 01.12.2008 nova DCTF, na qual a compensação a que se refere esta Dcomp sequer existe. 29 A sobredita DCTF — que, ao final, é aquela cujas informações vigorariam, caso se acolhesse, aqui, o pedido de cancelamento desta Dcomp contém informações sobre compensações efetuadas sem a utilização do Programa Gerador de Per/dcomp, de utilização obrigatória desde maio de 2003. 30 De fato, desde a Medida Provisória (MP) n ° 66, de 30 de agosto de 2002 (convertida na Lei n° 10.637, de 31 de dezembro de 2002), o procedimento de compensação exige a apresentação de Dcomp a esta Secretaria, através do PGD Per/dcomp o que, no caso, não ocorreu. 31 Ademais disso, tais "compensações", veiculadas na última DCTF Retificadora além de informadas sem Dcomp, estão sendo efetuadas com alguns darfs cuja data de arrecadação ocorreu há mais 5 (cinco) anos, e, também por isso, violam a legislação de regência. 32 Com efeito, se desde a entrega da DCTF Retificadora anterior (23.08.2006), o débito estava compensado em Dcomp regularmente entregue a esta Secretaria, e, se apenas em 01.12.2008 o interessado entregou DCTF Retificadora, é essa última data que regerá o procedimento de compensação. 33 No entanto, nela, já havia decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos (darfs de 2001 e darfs de 2002), de forma que tais pagamentos não poderiam mais ser objeto de restituição/compensação. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 164 13 34 Temse, assim, que a última DCTF Retificadora está contraria a legislação em vigor, de modo que as informações nela veiculadas não podem substituir as da DCTF anterior. Nesse espeque, ressalto que não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontar DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 165 14 No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 166 15 Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, o ponto principal não resta claramente demonstrado o alegado saldo negativo. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. No mais, a decisão da DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, apresentando os devidos fundamentos transcritos ao longo destes autos para rebatêla; de seu turno, o Contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, dialeticidade suficiente para apontar, na decisão combatida, quais daqueles argumentos da primeira instância não seriam adequados e conteriam eventual erro de julgamento ou erro de procedimento. Não foram refutados pontos importantes da decisão vergastada, repetindoa sem enfrentar algumas das razões de decidir da decisão objeto do Recurso Voluntário. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15374.948835/200918 Acórdão n.º 1002000.585 S1C0T2 Fl. 167 16 Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917937/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2003
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Inexiste cerceamento do direito de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas acerca do direito creditório alegado cujo ônus é do interessado.
DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte.
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontram-se descritas e fundamentadas nos atos processuais.
Não caracteriza alteração de critério jurídico a decisão de 1ª instância que não reconhece o direito creditório sob o fundamento de ausência de comprovação de pagamento indevido ou a maior, no tocante ao inconformismo do contribuinte em face de despacho decisório eletrônico que não localizou crédito disponível para extinguir debito por compensação. Ambos despachos assentam-se no mesmo fundamento: a não comprovação de existência de crédito.
Numero da decisão: 3201-004.687
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente MULTI OPTICA DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas acerca do direito creditório alegado cujo ônus é do interessado. DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 79 37 /2 00 9- 91 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 3 2 matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontramse descritas e fundamentadas nos atos processuais. Não caracteriza alteração de critério jurídico a decisão de 1ª instância que não reconhece o direito creditório sob o fundamento de ausência de comprovação de pagamento indevido ou a maior, no tocante ao inconformismo do contribuinte em face de despacho decisório eletrônico que não localizou crédito disponível para extinguir debito por compensação. Ambos despachos assentamse no mesmo fundamento: a não comprovação de existência de crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado anteriormente identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I. O presente processo trata de PER/DCOMP com lastro em crédito de Cofins que teria sido recolhida a maior. A Derat/RJO, por meio de despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF pelo contribuinte. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 4 3 Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade [...], na qual alega que: O sistema eletrônico para transmissão do PER/DCOMP apresenta inúmeras limitações probatórias, que inviabilizam a prestação imediata de quaisquer informações úteis ou necessárias à comprovação de plano do direito creditório, não se podendo sustentar que a Requerente teria "faltado" com o dever de apresentar todas as provas do seu crédito (uma vez impossibilitada de fazêlo). Além disso, a prolação do Despacho Decisório sem o detido exame do direito creditório alegado deixou de observar o disposto no artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, o qual estabelece o poderdever de a autoridade administrativa determinar a realização de diligências necessárias ao esclarecimento do direito creditório. Mostrouse prematura a prolação do Despacho Decisório independentemente de se abrir à Requerente o direito de comprovar o seu direito creditório, o que se faz nesta oportunidade. O crédito objeto do PER/DCOMP que originou este Processo Administrativo decorre do pagamento indevido de COFINS sobre receitas advindas de venda (remessa) de mercadorias à Zona Franca de Manaus ("ZFM"), (...) (...) A apuração do referido crédito decorre originalmente das disposições contidas no DecretoLei n° 288/67 (recepcionado pela Constituição Federal de 1988), que regulamentou a Zona Franca de Manaus ("ZFM"). O art. 4º do referido diploma dispôs que "A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Da leitura do supracitado dispositivo depreendese que as operações de remessa de mercadorias de origem nacional para consumo, industrialização ou reexportação para a Zona Franca de Manaus foram equiparadas as operações de exportação brasileira para o exterior. Dessa forma, por força daquele dispositivo legal as remessas de mercadorias de origem nacional para consumo, industrialização ou reexportação à Zona Franca de Manaus são contempladas por todos os benefícios existentes na legislação fiscal em favor das operações de exportação para o exterior. Posteriormente, foi editada a Lei Complementar n° 70/91, que, num primeiro momento, em seu artigo 7° estabeleceu isenção para a COFINS incidente sobre as vendas para o exterior, o que implicou a isenção desta contribuição para vendas de Fl. 176DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 5 4 mercadorias à ZFM, pois equiparadas as operações de exportação, nos termos do citado art. 4° do DecretoLei n° 288/67. Após sucessão de atos disciplinando os benefícios para as exportações de mercadorias, foi editada a Medida Provisória n° 1.8586, na qual restou consignada a isenção sobre as receitas de exportação do PIS e da COFINS, excluindo, no entanto, do alcance desse benefício as receitas de vendas para a ZFM a partir de 1° de fevereiro de 1999. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1' de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; §2° As isenções previstas no caput e no § 1° não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Diante da reedição sucessiva da referida MP, bem como do dispositivo legal supracitado, foi ajuizada, pelo Governador do Estado do Amazonas, em novembro de 2000, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) n° 2.348/DF no Supremo Tribunal Federal, para contestar a constitucionalidade da norma que restringia o benefício isentivo do PIS e da COFINS às vendas de mercadorias à "ZFM". Do julgamento da ADIN n° 2.348/DF restou consignada a suspensão de eficácia à restrição imposta às receitas de vendas de mercadorias destinadas à "ZFM" com efeitos retroativos à data da criação das restrições impostas pela MP n° 1.8586/ 99. Devese mencionar que possuindo efeitos erga omnes, a citada decisão aplicase a todos os contribuintes. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal, foi editada a Medida Provisória n° 2.03725 de 21/12/2000, que alterou o texto legal constante do inciso I, do §2°, do art. 14 da MP n° 1.8586/ 99. Confirase: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999; são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) §2° As isenções previstas no caput e no § 1° não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Conforme depreendese, a alteração supracitada retirou do texto legal o vocábulo "na Zona Franca de Manaus", restando claro que a partir dai não existia mais qualquer restrição à isenção da COFINS para as receitas referentes as vendas para a ZFM. Tal determinação legal foi ratificada pela Medida Provisória nº 2.15835/ 01 e permanece vigente no nosso ordenamento. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 6 5 Todavia, mesmo após a decisão do Supremo Tribunal Federal, a Coordenadoria Geral de Tributação da antiga Secretaria da Receita Federal do Brasil editou, dentre outras, a Solução de Divergência COSIT n° 06, de 13 de junho de 2002, na qual pretendeu, novamente, restringir a isenção de PIS/COFINS às vendas de mercadorias à ZFM. Diante desse novo óbice, o Governo do Estado do Amazonas ajuizou, no Supremo Tribunal Federal, a Reclamação n° 2.2161/ MC, com a qual afastou a eficácia da Solução de Divergência citada. Diante do cenário, a CoordenadoriaGeral de Tributação da antiga Secretaria da Receita Federal publicou o Ato Declaratório Executivo n° 42, de 18 de dezembro de 2002, que afastou quaisquer restrições à isenção do PIS/COFINS sobre as receitas de vendas de produtos nacionais à ZFM: "COORDENADORAGERAL DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 213 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o deferimento de medida liminar, em 13 de dezembro de 2002, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos da Reclamação nº 2.216, ajuizada pelo Governador do Estado do Amazonas, com base na medida liminar deferida na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.3489, declara: Artigo único. Ficam suspensos os efeitos da Solução de Consulta Cosit nº 8, de 4 de junho de 2002, e das Soluções de Divergências Cosit nº 6 e nº 7, de 13 de junho de 2002, e nº 9, de 28 de junho de 2002." Diante do relatado, ao Fisco restou impossibilitada a imposição de restrição à isenção do PIS/COFINS sobre receitas destinadas à "ZFM", pois: (a) a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIN n° 2.348/MC vincula a Administração Pública, que não poderá negar a aplicabilidade da isenção às receitas de venda de mercadorias destinadas ao consumo ou posterior industrialização na "ZFM"; (b) no texto definitivo da MP n° 2.158/35/01 (última edição da MP no 1.8586), atualmente em trâmite legislativo, restou ratificada a isenção do PIS/COFINS para as exportações de forma retroativa a 1° de fevereiro de 1999, sem quaisquer restrições às vendas à "ZFM"; Neste contexto, considerando que no período (...), as vendas efetuadas pela Requerente à ZFM estavam albergadas pela isenção concedida pela MP n° 2.15835/ 01 c/c DecretoLei n° 288/67, o recolhimento de COFINS sobre estas operações configurouse indevido, tornandose, portanto, passível de restituição/compensação nos termos do art. 165 do CTN e do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 7 6 Desta maneira, tivesse a Autoridade Fiscal procedido assim como determinado na IN n° 900/2008 (art. 65), intimando a Requerente para apresentação de esclarecimentos e documentos relativos ao seu direito creditório, teria facilmente confirmado sua existência e homologada a compensação declarada. Não poderia, como o fez, rejeitar a compensação pelo fato de a Requerente, por um lapso, ter deixado de retificar sua DCTF relativa ao período de janeiro de 2003. Portanto, diante do esclarecimento apresentado, é de rigor o reconhecimento do direito creditório da Requerente, uma vez que fazia jus à isenção da COFINS no período em questão. Ressaltese que deve ser observado no presente caso o principio da verdade material, buscandose a essência (conteúdo) dos fatos postos em discussão, em detrimento dos aspectos estritamente formais, conforme tem ressaltado a doutrina especializada: "As faculdades fiscalizatórias da administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do processo administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (..)." (James Marins, Direito processual tributário brasileiro administrativo e judicial, São Paulo, Dialética, 2001, p. 176). "No processo administrativo predomina o principio da verdade material, no sentido de que ai se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso, no processo fiscal o julgador tem mais liberdade do que o juiz. Para formar sua convicção, pode o julgador mandar realizar diligências e, se for o caso, perícia. O Conselho de Contribuintes, por exemplo, possui o hábito de converter o julgamento em diligência, mediante o uso de uma resolução, quando não se sente em condições de se pronunciar sobre o feito." (Antonio Cabral, Processo Administrativo Fiscal, São Paulo, Saraiva, 1993, p. 75) E, completamente alinhada aos fundamentos acima, é a maciça jurisprudência dos antigos E. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES, muitos dos quais tratam incisivamente os erros cometidos no preenchimento de declarações dos contribuintes: "COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido." (1° CC, 5ª Câmara, PA n° 10768.100409/200368, Rel. Valmir Sandri, j. em 27/06/2008) "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ (..) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 8 7 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado." (1° CC, 5ª Camara, PA no 10283.009117/9951, Rel. Wilson Fernandes Guimarães, j. em 14/09/2007) Assim, em homenagem ao principio da verdade material, deve ser superada a ausência de retificação da DCTF, reconhecendose o direito creditório e homologandose a compensação declarada. Ante o exposto, é a presente para requerer o acolhimento desta Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 12051.187, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Foram suscitadas nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida pois as respectivas autoridades não solicitaram em intimação a apresentação de documentos necessários ao esclarecimento do direito creditório. Entende igualmente que é nula a decisão da DRJ por inovação quanto ao critério jurídico para manter o indeferimento do direito pleiteado, qual seja, a falta de apresentação de documentos comprobatórios do alegado crédito decorrente de pagamento a maior da Contribuição. Junta aos autos planilhas de apuração do PIS e da Cofins, Guia de Apuração do ICMS e Folhas do Registro de Saídas, afirmando que esses documentos são suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito. Requer que seja determinada diligência, sob pena de cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.685, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.917936/200947, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.685): (...) "Introdução e Preliminares de Nulidade Enfrentamse as nulidades arguidas: do despacho decisório e da decisão por ausência de intimação para apresentação de documentos necessáiros ao esclarecimento do direito creditório e de inovação jurídica no fundamento da decisão recorrida para negar o direito pleiteado. A contribuinte desenvolve argumentação de que em procedimento eletrônico de análise de Perdcomp não se faz necessária a comprovação de certeza e liquidez do crédito. Raciocínio equivocado e desprovido de base jurídica, pois conquanto a análise de um Perdcomp seja eletrônica e sem intervenção da autoridade, o procedimento tem amparo no art. 170 do CTN1e no art. 74 da Lei nº 9.430/962 que em uma leitura sistêmica depreendese que o direito creditório deve ser apurado e comprovado pelo contribuinte interessado. Cabe explicitar que em verdade tal procedimento é destituído de qualquer complexidade por se resumir no batimento entre pagamento indevido/a maior caracterizado por Darf disponível (crédito) com débito declarado/confessado, de forma que o sistema eletrônico reconhece o crédito e homologa a compensação na hipótese de haver correspondência: crédito disponível para liquidação do débito. Observase que a realização desse batimento não dispensa a comprovação da certeza e liquidez, vez que é verificada na análise eletrônica da DCTF e do sistema em que se encontra alocado o respectivo DARF. Ressaltase que o contencioso se instaura exatamente no inconformismo do interessado ao ter seu pleito não deferido (não reconhecimento do crédito e não homologação 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 10 9 da compensação) e apresenta sua manifestação de inconformidade que deve ser instruída com as provas que irão contrapor o que restou assentado no despacho decisório e está adstritos às prescrições legais dos arts. 14 a 17 do PAF e art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, no tocante ao momento, qualidade e efeitos da ausência de apresentação ou a destempo do conjunto probatório: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Dessa forma, a decisão da DRJ que fundamenta a improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório não inova em seus fundamentos em relação àquele que constou no despacho decisório. Apenas assenta sua decisão na ausência de elementos comprobatórios (documentos fiscais e Livros contábeisfiscais) da certeza e liquidez do direito creditório que uma vez não reconhecido "eletronicamente", é ônus do contribuinte, naquela instância, demonstrar e provar seu direito. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 11 10 Assim, afastase a arguição de nulidade da decisão por inovação nos fundamentos para o indeferimento do pedido da contribuinte. Ademais, não há situações elencadas nos arts. 10 e 59 do PAF que caracterizariam incompetência de autoridade e, mormente, cerceamento do direito de defesa. Ainda no tocante à análise da pretensão manifestada em Perdcomp, entende a recorrente que autoridade fiscal e julgadora deveria intimála a apresentar esclarecimentos e documentos e não rejeitar a compensação pelo simples fato de não retificação de DCTF do período, que consignaria o novo valor do débito da Contribuição que alega ter caracterizado o pagamento a maior. De se apontar que em nenhum momento o indeferimento teve fundamento na ausência de retificação de DCTF. Não obstante, sabendo a contribuinte que esse fato teria contribuído (e fora determinante) para o reconhecimento do pagamento a maior (o crédito) deveria por força dos mencionados artigos do PAF não apenas esclarecer os fatos mas, sobretudo, trazer elementos de sua comprovação em sede de manifestação de inconformidade, ainda que não exaustivos. Na manifestação de inconformidade a contribuinte não trouxe sequer demonstrativo da apuração da Cofins em que evidenciasse o pagamento a maior e apontasse indubitavelmente para o direito creditório. Optou por discorrer acerca da legislação que trata das receitas brutas de PIS e Cofins nas vendas a pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus e posicionamentos dos Tribunais Superiores. Na decisão recorrida consignou a autoridade julgadora que a razão para não reconhecer o crédito é a ausência de elementos probatórios, assim assentado: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis –relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido da Cofins em janeiro de 2003, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. É evidente que a apresentação de documentos ao Fisco referese à fase posterior ao despacho decisório eletrônico, ou seja, a manifestação de inconformidade em que as alegações de pagamento a maior deveriam estar acompanhadas de suporte probatório, ou ao menos apresentação de elementos indiciários que apontassem para o indébito. Destarte, não vislumbro qualquer vício que macule de nulidade o despacho decisório ou a decisão recorrida, concernente à preterição ao amplo direito de defesa. Mérito O mérito do litígio acaba por se confundir com as preliminares pois o inconformismo da contribuinte cingese à decisão de manter o despacho decisório que não reconheceu o direito pois que não há crédito disponível para liquidar o débito por intermédio da compensação. A prova da existência de créditos somente poderia exsurgir nos autos com a demonstração de que haveria receitas brutas de vendas de mercadorias sobre as quais não incidiriam as contribuições. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 12 11 Não se discute o direito suscitado pela contribuinte, diante da legislação que prescreve isenções/não tributações das Contribuições nas vendas efetuadas para pessoas jurídicas da ZFM; contudo, o direito advindo do pagamento indevido/a maior deve ser demonstrado, e tal mister a contribuinte não se desincumbiu. Nenhum demonstrativo do direito fora apresentado à DRJ, que apontou para o conjunto probatório que se fazia necessário ( "comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis") No Recurso Voluntário foram juntados: Guia de apuração e arrecadação do ICMS; Registro de Saída com a apuração do ICMS e IPI; Planilha de apuração de PIS e Cofins; e folha única do razão com a indicação do PIS e Cofins a recolher em dezembro de 2005 (período de apuração da Contribuição a ser compensada com o crédito de janeiro de 2003). Esses documentos não são hábeis a demonstrar a existência de apuração incorreta da Contribuição no período em que se pleiteia o crédito. A GIA é documento de apuração do ICMS; no Registro de Saída apenas indica os totais de saída com fins à apuração do ICMS e IPI; a planilha desacompanhada de documentos (notas fiscais e livros contábeis e fiscais) é mera informação desprovida de respaldo documental; e a única folha do razão aponta para o valor apurado do tributo a ser compensado. Cabe repisar que à luz do art. 170 do CTN o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. O direito creditório que possui atributos de certeza e liquidez é aquele em que se revela inconteste em face da legislação e o interessado demonstre a materialidade e a exatidão de sua apuração mediante livros e documentos fiscais, além de outros elementos auxiliares (a exemplo de planilhas de cálculo). Somente diante da apresentação desses documentos o Fisco poderá exercer seu mister de verificação da exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido, comparálo ao pagamento efetuado e constatar a existência do indébito. Em relação à incumbência da demonstração da certeza e liquidez de um direito, cabe lembrar que nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, no que se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é sua atribuição a demonstração da efetiva existência deste. O ônus processual probatório é regido por dispositivos legais e se trata de um requisito de admissibilidade dos pleitos de natureza creditório, exigindo sua evidência desde a instauração do contencioso. Depreendese dos textos transcritos no tópico introdutório não ser aceitável que um pleito, onde se objetiva o ressarcimento de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. As situações em que se permitem a apresentação extemporânea de elementos probatórios encontramse bem delineados nas letras "a" a "c" do § 4º do art. 16 do PAF e não há demonstração nos autos de qualquer situação fática ou jurídica para superação da preclusão processual. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 15374.917937/200991 Acórdão n.º 3201004.687 S3C2T1 Fl. 13 12 Assim, é ônus da interessada comprovar a existência e o quantum de seu crédito, não cabendo imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. De se ressaltar que não há dúvida envolvida no litígio a ser resolvida com diligência fiscal; ao contrário, é situação de completa ausência de prova material do direito pleiteado, em que a contribuinte apegase a supostas dificuldades na juntada, apresentação e análise de provas. Quanto à afirmação de que o princípio da verdade material impende a realização de diligência, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi, o que não se configura nos autos. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância e a inversão do ônus probatório Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730411/2016-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. CO-TITULARIDADADE.
Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.
Numero da decisão: 2402-006.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros o colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente REJANE MATONE CHANIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. CO TITULARIDADADE. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros o colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 04 11 /2 01 6- 72 Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.345 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A contribuinte foi autuada por omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, anocalendário 2011, e apresentou impugnação tempestiva, na qual basicamente alegou que, apesar de ser cotitular das contas correntes bancárias, os recursos que nelas transitaram seriam de titularidade de seu irmão Alberto e teriam sido movimentadas exclusivamente por ele. A 4ª Turma da DRJ/CGE julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Estando presentes todos os requisitos essenciais do auto de infração e inexistindo cerceamento de defesa, não há que se falar em sua nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação eficaz, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. IMPUGNAÇÃO. PROVA. No âmbito do processo administrativo as alegações apresentadas na impugnação devem ser devidamente comprovadas por documentos hábeis, sob pena de serem desconsideradas. LEGITIMIDADE PASSIVA. Estando demonstrado que o lançamento em relação ao contribuinte decorre de disposição legal e que este tem relação e interesse nos fatos que motivaram o lançamento, não há que se falar em ilegitimidade passiva. Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.346 3 A contribuinte foi intimada da decisão em 05 de junho de 2017 (fl. 2291) e interpôs recurso voluntário em 28 de junho daquele mesmo ano (fls. 2294/2336), no qual basicamente reiterou os mesmos fundamentos de sua impugnação, mormente o fato de que não seria a real titular dos recursos. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da presunção de omissão de rendimentos e da sua titularidade O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.347 4 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.348 5 Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). O § 6º do art. 42 encerra mais uma presunção: a de que, em se tratando de contas conjuntas, o valor dos rendimentos pertence, proporcionalmente, a cada um dos co titulares, mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de pessoas. A Súmula CARF 32, por sua vez, contém a presunção de que a titularidade dos depósitos pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais da instituição financeira, salvo se ficar comprovado o uso da conta por terceiros, o que deverá ser feito mediante Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.349 6 documentação hábil e idônea. Tal verbete tem efeito vinculante, nos termos da Portaria MF 277/2018. Vejase: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). No caso in concreto, desde a resposta ao 1º termo de intimação fiscal, a recorrente vem sustentando que as contas bancárias fiscalizadas são de titularidade/propriedade exclusiva de seu irmão Alberto Davi Matone, e que ela constaria como cotitular apenas para uma eventual necessidade. Vejase, nesse sentido, a primeira parte do conteúdo da resposta ao Termo nº 1 (fl. 19 do pdf): Essa mesma tese foi sustentada na impugnação, mas foi rechaçada pela DRJ, basicamente por aplicação da Súmula CARF 32. No seu recurso voluntário, a contribuinte reafirma sua tese de defesa, o que faz pelas variadas razões ali expostas, e sobretudo porque o próprio termo de verificação fiscal conteria elementos que demonstrariam que ela não seria a real titular nem da conta, nem dos rendimentos. Pois bem. Conforme se verá adiante, o recurso voluntário deve ser provido e a tese recursal está de acordo com a prova dos autos, devendo ser aplicada a segunda parte da Súmula CARF 32, que preconiza que o uso da conta por terceiros afasta a presunção segundo a qual a titularidade dos depósitos pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais. Analisandose o TVF de fls. 2060/2161, observase que toda a fiscalização havia sido dirigida em face do Sr. Alberto Davi Matone, na qualidade de fiscalizado e de controlador direto ou indireto do grupo que ostenta o seu nome, integrado por várias empresas, entre as quais Banco Matone S/A, Matone Participações S/A (sucedida pela Matone Empreendimentos Imobiliários), Matone Holding S/A (incorporadora da Matone Investimentos S/A), etc. Quem, na verdade, esforçouse para demonstrar a origem dos recursos creditados nas contas, sob a alegação de devolução de mútuos que haviam sido concedidos, sempre foi o Sr. Alberto, e toda a demonstração probatória nesse sentido, ainda que não aceita Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.350 7 pela fiscalização nem neste PAF, nem no PAF 11080.730241/201626, no qual ele foi autuado, foi por ele produzida e tinha ele como partícipe e produtor. Os valores foram creditados por empresas controladas direta ou indiretamente pelo Sr. Alberto e foram escriturados nos razões contábeis das respectivas empresas em contas contábeis que o identificavam como único destinatário dos recursos. O TVF, a partir das fls. 2082, passa a relacionar os valores creditados por cada uma das empresas do grupo, informando, expressamente, que nos razões contábeis foram identificados lançamentos a débitos coincidentes com os créditos efetuados nas contas, no período de 01/01/2011 a 31/12/2011 (anocalendário autuado). Vejase, exemplificativamente, trecho extraído da acusação, referente à empresa Matone Holding S/A, valendo ser destacado que esse mesmo tipo de afirmação foi replicado para as demais empresas: Da omissão total apurada, no valor de R$ 86.644.359,60, a totalidade, à exceção de pequenos valores, é oriunda das empresas do grupo. Na contabilidade das empresas, não houve qualquer crédito ou transferência de recursos imputada à recorrente, à razão de 50%, tampouco houve qualquer referência ao seu nome. Pelo contrário, as contas contábeis tinham apenas o nome de seu irmão, como demonstrado acima, e como se vê no TVF. Desde o início da fiscalização, a recorrente foi fiel à tese de que não era a real titular das contas, e a autoridade administrativa, diante de tal esclarecimento, e em face das provas dos autos, tinha a total possibilidade de alcançar o real beneficiário da renda presumida e o verdadeiro detentor da capacidade contributiva e dono do patrimônio necessário e suficiente ao pagamento do crédito tributário. Como diz o professor Hugo de Brito Machado Segundo3: De acordo com o princípio da busca pela verdade real, também conhecido como princípio da busca pela verdade material, decorrente direto da regra da legalidade, a Administração não 3 MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo Tributário. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 31 Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.351 8 pode agir baseada apenas em presunções, sempre que lhe for possível descobrir a efetiva ocorrência dos fatos correspondentes. Ao invés disso, e contrariando a própria prova dos autos, a autoridade lançadora fiouse em meras formalidades e presunções, deixando de investigar melhor os fatos submetidos à sua apreciação e abstendose de lançar todo o crédito tributário contra o real beneficiário dos rendimentos, o qual, a propósito, parece concentrar toda a riqueza econômica e os recursos necessários ao pagamento do imposto, da multa e dos juros. A propósito, vejase que a declaração de rendimentos de fls. 2244/2249 parece indiciar uma situação financeira e patrimonial bastante singela, quando comparada com a movimentação de quantia superior a 80 milhões de reais em um único ano. De tudo que foi produzido nos autos, depreendese que a fiscalização estava documentalmente amparada para autuar apenas o efetivo destinatário dos recursos, como tal contabilizado nas empresas dos quais ditos recursos tiveram origem. Essa contabilização, atrelada aos extratos bancários, poderia, a depender do entendimento do fiscal, viabilizar o lançamento do IRPF como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, uma vez que destinados a acionista das pessoas jurídicas remetentes. À exceção dos dados cadastrais, não há qualquer relação entre os créditos efetuados nas contas com a pessoa da recorrente. Há, a contrario sensu, claro liame entre tais depósitos e a pessoa do Sr. Alberto, seja pelo fato de que ele era o controlador direto ou indireto das empresas, seja pela importantíssima circunstância de que as empresas identificaram apenas o Sr. Alberto em suas contas contábeis. No PAF 11080.730241/201626, em que é sujeito passivo o Sr. Alberto, foi negado provimento ao seu recurso voluntário. Tanto na ementa da decisão do CARF, quanto no voto condutor do acórdão, vêse que a sua tese de defesa estava igualmente centrada nas alegações de devoluções de mútuos concedidos às empresas do grupo. Igualmente se observa que ele era o controlador de tais empresas. Da ementa, extraise o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38 A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.352 9 rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96. Contudo, é dever do contribuinte apontar a natureza dos pagamentos. REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO. Mútuo se caracteriza por uma operação de crédito entre pessoas, pela qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado. Assim, não merecem fé os contratos formalizados quando não se comprove que a essência dos fatos correspondam aos parcos aspectos formais que revestiram as operações. Do voto, logo no início, vêse a seguinte assertiva: As empresas do Grupo Matone Inicia informando que, embora não figure como acionista, é controlador indireto do Grupo Matone, em razão do controle da Matone Empreendimentos Imobiliários, que controlava o Banco Matone até 2010, quando foi alienado, passando a denominarse Banco Original. [...] Nulidade da autuação: as operações que geraram os créditos originários de Matone Patricipações S/A, Matone Investimentos S/A, Matone Holding S/A e ADM Investimentos S/A — subitens IV.I a IV.VI. Afirma a defesa que informou à Fiscalização que os depósitos efetuados em suas contas bancárias seriam decorrentes de mútuos contratados junto às empresas do Grupo, argumento que foi desconsiderado pelo autor do procedimento fiscal em razão da carência de aspectos formais que qualificassem tais instrumentos como mútuo, não havendo, portanto, prova hábil e idônea da origem dos recursos, já que, para a comprovação da origem, não basta identificar quem fez o depósito, mas demonstrar a natureza da operação. Tal conclusão foi corroborada pela Decisão recorrida, que entendeu que o art 42 da Lei 9.430/96 exige comprovação da origem e da motivação de todas as operações que geraram as movimentações financeiras avaliadas. As presunções, como sabido, "são meios de prova indireta"4: "a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário, fato diretamente conhecido, fato implicante), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado, fato indiretamente conhecido, fato implicado"5. Ocorre que a presunção de que os créditos são de titularidade da recorrente (fato indiretamente provado ou fato indiciado) perdeu seu valor probatório indireto diante da própria prova dos autos, sendo sabido, igualmente, que "as presunções têm natureza 4 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no direito tributário. São Paulo: Dialética, 2001, p. 156. 5 FERRAGUT, Maria Rita. Obra citada, p. 155. Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.353 10 processual probatória, a elas sendo sempre aplicáveis os princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório"6. Como destinatário da prova, este julgador não tem como concluir que a recorrente tenha realmente omitido a receita ou os rendimentos de que trata o art. 42 da Lei 9430/1996. Muito pelo contrário, tais recursos foram creditados pelas variadas empresas do grupo Matone, as quais não eram por ela controladas, e estavam contabilizados em contas contábeis que indicavam apenas o seu irmão, o qual, como se vê, era o único que tinha conhecimento das suas origens. Examinandose todos os esclarecimentos prestados nos autos, bem como as teses de defesa da recorrente e de seu irmão, facilmente se conclui que ele era o único titular dos rendimentos e o único que tinha capacidade para identificar as origens dos recursos utilizados nessas operações. Logo, por aplicação da parte final da Súmula CARF 32, deve ser provido o recurso voluntário e cancelado o lançamento efetuado em face da recorrente. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 6 FERRAGUT, Maria Rita. Obra citada, p. 156. Voto Vencedor Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Não obstante o costumeiro brilhantismo do voto condutor, dele ouso a discordar no que toca à exclusão da recorrente do pólo passivo da obrigação tributário a teor do § 5º do artigo 42 da lei 9.430/96. Entendeu o relator, que os fatos trazidos aos autos desmontariam a presunção legal consubstanciada no § 6º do dispositivo acima citado, na medida em que o irmão da recorrente, autuado em outro procedimento em 50% dos valores dos depósitos cujas origens não foram comprovadas, é quem seria o real titular das contas auditadas. Nessa linha, trouxe a Súmula CARF nº 32 como parte de sua fundamentação. Percebase, os §§ 5ºe 6º do artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelecem a responsabilidade pelo crédito tributário àqueles titulares de conta bancária. Vale dizer, são responsáveis pelo crédito tantos sujeitos passivos quantos forem os titulares da conta, mediante a simples divisão do valor não comprovado pelo número de titular. Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.354 11 Não é por outra razão que a Súmula CARF nº 297 determina a intimação de todos os cotitulares da conta para comprovar a origem dos depósitos, sob pena de exclusão da base de cálculo do lançamento, a parcela relativa ao cotitular não intimado. Notese que, com isso, a lei não adota qualquer outro critério, objetivo, para o estabelecimento da responsabilidade, que não a mera divisão do montante entre o número de titular. Há uma espécie de presunção de que os titulares tomaram proveito dos recursos movimentados e, assim sendo, em função da, por vezes, inviabilidade operacional em se identificar, não o destinatário do recurso, mas sim o seu beneficiário, a lei optou por tratálos de forma igualitária. Não comprovada a origem por qualquer dos cotitulares, presumese que teria havido idêntico consumo da renda. Todavia, o próprio dispositivo traz a exceção legal a essa regra/presunção, qual seja, quando comprovado que o titular da conta é, em verdade, interposta pessoa de outra não prontamente identificada nos dados cadastrais da instituição financeira. É o que se usou chamar de "laranja". E é nessa linha o enunciado da Súmula CARF nº 32, quando admite o não lançamento do crédito contra a pessoa titular da conta auditada. Em verdade, esse enunciado guarda estreita relação com o § 5º encimado. Na sequência, o que se pretendeu com aquele § 5º foi evitar que se valendo de uma presunção legal, o Fisco deixasse de cobrar o tributo daquele que efetivamente se beneficiou dos depósitos, para cobrar daquele que teria sido o mero destinatário do recurso e que, via de regra, também seria aquele titular junto à instituição financeira. Assim, nesse caso peculiar, o que se busca, quando há o indício de beneficiário oculto, é a identificação daquele que consumiu a renda, o que não me parece ter sido o caso em questão. Na forma como asseverado pela instância de piso, a recorrente, cotitular das contas, possuía amplos e ilimitados poderes para sua gerência e administração, podendo dispor de todos os recursos financeiros. Nesse ponto, vale destacar que a circunstância que pretendeu evidenciar aquele § 5º dáse, a rigor, de maneira bem diferente. Tais amplos e ilimitados poderes são conferidos, em regra, àquele beneficiário oculto, que é quem movimenta, de fato, os recursos na conta. Ademais, ainda como destacado na decisão vergastada, segundo as DIRPF apresentadas pela autuada para os exercícios 201 2e 2013, ela teria percebido rendimentos na condição de dirigente junto às fontes pagadoras Banco Original S/A, Matone Participações S/A e Matoneinvest Holding S/A, empresas essas que tiveram participação efetiva nas operações financeiras que motivaram o procedimento fiscal, atuando tanto como emissoras, quanto recebedoras de recursos, o que demonstraria sua relação, ainda que de forma indeterminada, com os recursos movimentados. 7 Súmula CARF nº 29 Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares. Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 11080.730411/201672 Acórdão n.º 2402006.794 S2C4T2 Fl. 2.355 12 Como já dito, a recorrente é irmã do outro cotitular da conta, que foi autuado em outro procedimento fiscal à razão de 50% dos depósitos sem comprovação da origem. Assim, até então, apenas a metade do valor consubstanciado naqueles depósitos, cujas origens não haviam sido por ele comprovadas, tampouco pela recorrente, é que foi lá considerado como omissão de rendimentos, nos estritos termos do artigo 42, § 6º da Lei 9.430/96. Vale ressaltar que não havia como ser diferente. O simples fato de as transações que se pretendeu demonstrar enunciarem seu irmão como o agente nas operações, ou a pessoa à sua frente, não autorizaria o autuante a redirecionar a ele a outra metade da tributação, na medida em que, penso eu, macularia o lançamento por ofensa àquele § 6º, posto que não há sequer a demonstração cabal de que a renda consubstanciada naqueles depósitos teria sido consumida, toda e exclusivamente, por seu irmão Alberto. Em outras palavras: não haveria a inconteste comprovação de que a autuada não se valera, sequer indiretamente, dos recursos movimentados em sua conta. Se assim não fosse feito pelo Fisco, certamente abriria em seu recurso (do irmão), a controvérsia acerca dessa tributação então pretendida pela recorrente, ou seja, toda ela em seu irmão. Com efeito, penso que o procedimento fiscal andou de acordo com o disposto nos §§ 5º e 6º do artigo 42 da Lei 9.430/96, não merendo reparos quanto a este aspecto. Ante o exposto, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 2355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000096/2010-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. LANÇAMENTO POSTERIOR AO ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de falta de recolhimento de diferenças de estimativas mensais de IRPJ relativas a períodos de apuração anteriores à Lei nº 11.488/2007, é cabível a cobrança da multa isolada após o término do ano-calendário, desde que tais diferenças não decorram de infração que tenha dado causa à redução do IRPJ apurado no balanço de encerramento do mesmo ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Arau´jo, Demetrius Nichele Macei, Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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LANÇAMENTO POSTERIOR AO ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de diferenças de estimativas mensais de IRPJ relativas a períodos de apuração anteriores à Lei nº 11.488/2007, é cabível a cobrança da multa isolada após o término do anocalendário, desde que tais diferenças não decorram de infração que tenha dado causa à redução do IRPJ apurado no balanço de encerramento do mesmo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 96 /2 01 0- 09 Fl. 495DF CARF MF Processo nº 17883.000096/201009 Acórdão n.º 9101003.810 CSRFT1 Fl. 496 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flav́io Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto por PEUGEOT CITRÖEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do Acórdão nº 1402001.431 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”). O recurso especial versa sobre a aplicação da multa isolada decorrente de suposta insuficiência de recolhimento da estimativa mensal, em que a autuação fiscal ocorreu após o encerramento do respectivo anocalendário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuraçaõ. O contribuinte interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação, requerendo o cancelamento da multa isolada (efls. 384 e seg.). O referido recurso especial foi admitido por despacho (efls. 476 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial, em que, embora não se oponha ao seu conhecimento, requer lhe seja negado provimento (efls. 487 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência da multa isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSL. É importante observar o quanto disposto pela Súmula CARF n. 82: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Ocorre que a multa (acessório) segue por esse mesmo caminho do tributo (principal). Fl. 496DF CARF MF Processo nº 17883.000096/201009 Acórdão n.º 9101003.810 CSRFT1 Fl. 497 3 Após o fim do exercício fiscal sem o recolhimento da referida estimativa mensal, nem esta e nem a corresponde penalidade seriam cabíveis, devendo a fiscalização exigir o recolhimento do efetivo tributo (IRPJ e CSL) por ventura devido e não recolhido a seu tempo, com a multa cabível em razão desse atraso (qualificada, se for o caso). Após esse marco temporal, o bem jurídico em questão (estimativas mensais) deixa de ser exigível, bem como a corresponde penalidade que busca garantir a seu cumprimento espontâneo pelo contribuinte também não é mais exigida pelo legislador. Assim como os respectivos tributos, as regras que impõem sanções pelo não recolhimento destes apresentam em suas hipóteses de incidência critérios materiais, espaciais e temporais. No caso da multa isolada ora em exame, o seu critério temporal está adstrito ao exercício fiscal em que uma determinada estimativa deveria ser apurada e recolhida pelo contribuinte e não o tenha sido. Apenas na hipótese da fiscalização exigir estimativas não apuradas e recolhidas no curso do exercício fiscal (até o dia 31.12) é que seria cabível a imposição da correspondente multa isolada. Merecem destaque algumas decisões proferidas por esta CSRF, que igualmente compreenderam inaplicável aludida multa isolada após o encerramento do ano calendário: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão n. 0105.875, de 25.06.2008) Recurso especial negado. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei IV 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não Fl. 497DF CARF MF Processo nº 17883.000096/201009 Acórdão n.º 9101003.810 CSRFT1 Fl. 498 4 recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor e estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão n. 9101000.575, de 18.05.2010) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (Acórdão n. 9101001.547, de 22.01.2013) Por todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 498DF CARF MF Processo nº 17883.000096/201009 Acórdão n.º 9101003.810 CSRFT1 Fl. 499 5 Voto Vencedor Flávio Franco Corrêa – Redator designado. A Fiscalização descreve que apurou diferenças de estimativa de IRPJ não recolhida, referente aos fatos ocorridos nos meses de maio, julho e setembro do anocalendário de 2005. Tal apuração decorreu da análise de balanços e balancetes de suspensão e redução, considerando, para tanto, os valores do imposto de renda efetivamente retido pelas fontes pagadoras. Assim, constatouse que a recorrente deixou de recolher a importância de R$ 1.081.494,77, a título de estimativas de IRPJ, incorrendo, na espécie, na sanção pecuniária de que trata o artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Importa anotar que a infração em referência não acarretou diferença a ser exigida a título de imposto de renda apurada na declaração de ajuste. A própria recorrente menciona que, ao final do anocalendário, o Fisco verificou saldo negativo, conforme o Anexo I, à efl. 130. Esse cenário revelase incompatível com a incidência da multa de ofício proporcional, uma vez inexistente diferença de imposto calculado sobre a base de cálculo anual. Por conseguinte, não há que se falar em concomitância entre a multa isolada e a multa de ofício proporcional. Assim postos os fatos e localizandoos no tempo, devese assinalar que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do IRPJ por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. Por isso, o contribuinte pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso não observe o dever de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995, a teor do disposto na redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; " Fl. 499DF CARF MF Processo nº 17883.000096/201009 Acórdão n.º 9101003.810 CSRFT1 Fl. 500 6 Ressaltese que não é o caso de aplicação do entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105, pois os autos não versam sobre a incidência concomitante da multa de ofício. Percebase que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, vigente à época, estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já denotava que a multa isolada em lume poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. A opção pela apuração anual já implicava submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa. Nesses termos, não se admite a alegação de que o contribuinte, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não se sujeita à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Todavia, é preciso ter em conta o advento da Lei nº 11.488/2007, que reduziu a multa em questão ao percentual de 50%, verbis: “Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” Pondo em foco a infração no tempo e não havendo, nos autos, justificativa fundada em balanços/balancetes de suspensão ou redução, mostrase procedente a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ, consoante o artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, já com a redução para 50% prevista na Lei nº 11.488/2007, em decorrência do preceito insculpido no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Conclusão: em face do exposto, devese conhecer do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 17883.000096/201009 Acórdão n.º 9101003.810 CSRFT1 Fl. 501 7 (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 501DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15173.720056/2017-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.922
Decisão: Vistos relatados e discutidos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10680.913373/2014-06.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10680.913373/201406. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório O objeto do presente processo versa sobre auto de infração relacionado a multa pela não homologação de declaração de compensação. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 03 077.621, da 4ª Turma da DRJ/BSB, proferido na sessão de 31 de outubro de 2017: Contra a empresa acima identificada foi lavrado Auto de Infração – Outras Multas Administradas pela RFB Multa aplicada em decorrência RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 73 .7 20 05 6/ 20 17 -2 6 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15173.720056/201726 Resolução nº 3302000.922 S3C3T2 Fl. 3 2 de declaração de compensação não homologada, fatos geradores de 24/03/2014 (R$ 12.265.449,87) e 16/04/2014 (R$ 6.398.781,16), perfazendo um total de R$ 18.664,231,03. Enquadramento Legal: § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10. A contribuinte impugna o auto de infração alegando que: (1) Suporte Fático Inexistente: a homologação das DCOMP se encontra pendente de decisão definitiva no âmbito do processo 10680.913373/201406. O mérito defendido naqueles autos está diretamente relacionado ao mérito e pertinência da multa isolada ora impugnada. Em suma, o presente lançamento decorre daquele (relativo ao crédito) e repousa sobre os mesmos suportes fáticos. Assim, enquanto não definida a prevalência ou não do crédito, não há suporte fático a embasar o presente Auto de Infração. (2) Nulidade do Auto relativamente ao enquadramento legal da Multa Isolada. Inaplicável na data da lavratura. Ausência de previsão do percentual da Multa. As multas aplicadas, calculadas a 50% do valor do débito compensado, foram aplicadas com fundamento no §17 do artigo 74 da Lei 9.430/96, “com a redação dada pela Lei 12.249/10”, segundo o Fiscal autuante, no item 3 do TVF. A transcrição do §17 trazida no TVF, contudo, referese à redação dada pela MP 656, de 07/10/2014, ou seja, posterior às compensações: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 656, de 07/10/2014 – convertida na Lei nº 13.097, de 2015) Assim, a transcrição feita no Termo Fiscal não coincide com a efetiva redação do parágrafo dezessete incluído pela Lei 12.249/de 2010, que seria a seguinte: § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Para a aplicação do parágrafo 17 vigente na data do envio das DCOMP's, portanto, se fazia necessária a vigência do §15, que até outubro de 2014 teve a seguinte redação: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Entretanto, na data desta lavratura, o parágrafo 15 encontravase revogado pela MP 656, de 2014. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 15173.720056/201726 Resolução nº 3302000.922 S3C3T2 Fl. 4 3 Isto significa que: nas datas de envio das DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO – DCOMP a redação do §17 do artigo 74 da Lei 9.430/96 era diversa daquela adotada no Relatório Fiscal, e não previa expressamente o percentual da multa, remetendo ao §15; na data da lavratura, abril de 2017, já não mais vigorava o §15, que previa o percentual da multa. Em conclusão: é inviável, na data desta lavratura, a aplicação da redação do §17 em vigor na data dos fatos geradores (ou seja, aquela com a redação da Lei 12.249, de 2010) por inexistir percentual de multa expressamente previsto. Por força do artigo 106, II, do CTN, portanto, a penalidade deixou de existir até a novel redação dada ao §17 pela MP 656, de 07 de outubro de 2014. (3) Impossibilidade de imputação de Multa Isolada concomitantemente à Multa de Ofício (mesmo quando imposta em Auto de Infração diverso): A multa isolada ora impugnada possui a mesma base de cálculo e incide sobre a mesma materialidade tratada no já referido PTA nº 10680.913373/201406, razão pela qual sua aplicação simultânea caracteriza bis in idem. O entendimento aqui esposado está em consonância com as decisões judiciais e administrativas. É o relatório. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo indeferimento do pedido de ressarcimento e consequente não homologação da compensação, recebendo a seguinte ementa: Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano Calendário: 2014 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ERRÔNEO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DO FATO DA MULTA ISOLADA. INOCORRÊNCIA. ARGÜIÇÃO REJEITADA Não ocorre a nulidade do auto de infração por errôneo enquadramento legal e descrição do fato da multa isolada, pois a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (incidência da multa sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada e não do crédito, que lhe seria mais gravosa). Argüição rejeitada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES ESPECÍFICAS À LEGISLAÇÃO. As multas isolada e de ofício não se confundem visto que esta incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 261DF CARF MF Processo nº 15173.720056/201726 Resolução nº 3302000.922 S3C3T2 Fl. 5 4 declaração inexata, enquanto a multa isolada tem como fato gerador a nãohomologação da compensação. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. VINCULAÇÃO E OBRIGAÇÃO. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, atividade esta vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. SOBRESTAMENTO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe o sobrestamento do processo administrativo por não existir disposição que confira efeito suspensivo aos recursos interpostos pelo contribuinte, quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. DECISÕES DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. As Decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF são normas complementares das leis quando a lei atribui eficácia normativa e as decisões judiciais, no caso, só tem efeito inter partes e não erga omnes. Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde repisou todas as razões trazidas na manifestação de inconformidade.. Passo seguinte, o processo distribuído para minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso é tempestivo, versa sobre matéria de competência desse Colegiado, por essa razão passo a analisálo. Estamos diante de auto de infração que imputa à recorrente multa isolada em função de declarações de compensação não homologadas ou homologadas parcialmente, uma vez ter se entendido que não havia crédito para a realização das operações. Em sua manifestação de inconformidade, assim como em seu recurso voluntário, a recorrente alega em síntese que a autuação e lançamento do crédito tributário foram realizados de forma equivocada, uma vez que o processo administrativo em que é tratado o crédito tributário, processo nº 10680.913373/201406, ainda não encontrarse definitivamente julgado. Tal fato tornaria o presente processo decorrente àquele onde é Fl. 262DF CARF MF Processo nº 15173.720056/201726 Resolução nº 3302000.922 S3C3T2 Fl. 6 5 discutido o crédito utilizado nas compensações, havendo assim a necessidade de subrestamento do feito. Realizada pesquisa do andamento processual do processo relacionado ao crédito indicado pela recorrente, pude apurar que no mesmo não houve prolação de decisão definitiva, tendo retornado ao CARF para resdistribuição em 28/09/2018. Pois bem. De acordo com o art. 6º do Anexo II do RICARF, a vinculação de processos pode ocorrer por: a) conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou de pedido do sujeito passivo, fundamentados em fatos idênticos, inclusive aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; b) decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal anteriormente praticados, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e c) reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. No caso em análise entendo que a vinculação seria aquela por decorrência, pois estamos diante de lançamentos de crédito tributário ou de multa isolada formalizados em razão da não homologação de compensação ou do indeferimento de pedido de restituição ou ressarcimento. Desta forma, proponho o sobretamento do presente julgamento no âmbito dessa Câmara, até a decisão definitiva a ser proferida no processo nº 10680.913373/201406. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720023/2016-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar a preliminar de inexistência de concomitância, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; ii) rejeitar as arguições de nulidade do lançamento: ii.i) por violação à decisão judicial; e ii.ii) por ausência de autorização para o reexame do período auditado de 2011 em relação à CSLL; e iii) sobrestar o processo até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 19515.722229/2012-79. A Conselheira Edeli Pereira Bessa manifestou intenção de apresentar declaração de voto. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone votou apenas a matéria discriminada no item i, bem como a negativa de provimento ao recurso de ofício que restou prejudicada pelo sobrestamento do processo.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar a preliminar de inexistência de concomitância, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; ii) rejeitar as arguições de nulidade do lançamento: ii.i) por violação à decisão judicial; e ii.ii) por ausência de autorização para o reexame do período auditado de 2011 em relação à CSLL; e iii) sobrestar o processo até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 19515.722229/2012-79. A Conselheira Edeli Pereira Bessa manifestou intenção de apresentar declaração de voto. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone votou apenas a matéria discriminada no item i, bem como a negativa de provimento ao recurso de ofício que restou prejudicada pelo sobrestamento do processo. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson.
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar a preliminar de inexistência de concomitância, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; ii) rejeitar as arguições de nulidade do lançamento: ii.i) por violação à decisão judicial; e ii.ii) por ausência de autorização para o reexame do período auditado de 2011 em relação à CSLL; e iii) sobrestar o processo até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 19515.722229/201279. A Conselheira Edeli Pereira Bessa manifestou intenção de apresentar declaração de voto. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone votou apenas a matéria discriminada no item i, bem como a negativa de provimento ao recurso de ofício que restou prejudicada pelo sobrestamento do processo. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sergio Abelson (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Sergio Abelson. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 02 3/ 20 16 -9 4 Fl. 3668DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3.666 ___________ Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do ora Recorrente, Whirlpool S.A., no qual a fiscalização alega que, nos anos calendário de 2011 e 2012, a contribuinte, ao apurar o lucro real, deixou de adicionar os valores dos lucros auferidos por suas controladas, com domicílios na China, Uruguai, Argentina e Chile. As DIPJs apresentadas pela fiscalizada referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012 (Ficha 34) revelam que ela detinha 6 participações em sociedades domiciliadas no exterior, conforme demonstrativo a seguir : Da relação de controladas acima transcrita, de acordo com dados informados nas DIPJs (Ficha 35), apenas as seguintes apresentaram lucros tributáveis nos anoscalendários de 2011 e 2012: De acordo com o relatório fiscal, o exame da linha 07 das Fichas 09A e 17 das DIPJs dos anoscalendário de 2011 e 2012 revela que a fiscalizada adicionou a título de "lucros disponibilizados do exterior" para fim de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL os valores de R$ 10.059.965,17 e R$ 24.999.951,19 respectivamente. A fiscalizada esclareceu que (fls. 29/35)"o valor declarado como disponibilizado se refere ao recebimento de dividendos da empresa BESCO no montante de R$ 10.059.965,17 em 2011 e R$ 24.999.951,19 em 2012, integralmente adicionado no cálculo do IRPJ e da CSLL para fins de tributação. Outrossim, informamos que a comprovação do recebimento destes Dividendos pode ser feita das Demonstrações Financeiras auditadas". Diante desse esclarecimento, a fiscalizada foi intimada (fls. 1887/1888) a informar o ano em que foram apurados os lucros que deram origem aos mencionados dividendos. Em resposta (fls. 1.892/1896), a fiscalizada informou que "A título de esclarecimento quanto aos períodos de apuração dos lucros que deram origem aos dividendos recebidos, segue a Deliberação da 29ª, 30ª e 31ª Reunião do Conselho da referida empresa, traduzida. Cumpre informar, ambos os dividendos distribuídos são referentes ao lucro distribuível auferido pela investida em 2010, conforme podese comprovar pela documentação ora anexada (diferenças entre os valores em razão das taxas de câmbio em períodos distintos)". Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.667 3 Em resposta apresentada em 23/03/2015, o fiscalizado juntou (fls.29/35) documentos consularizados e notarizados aptos a comprovar o valor do tributo efetivamente pago no exterior nos anoscalendário de 2011 e 2012 pela BESCO, EECON, LAWSA e WASA. Analisando os dados fornecidos pelo contribuinte, a fiscalização constatou que existe saldo de imposto pago do exterior passível de compensação (fls. 2191). Os valores pagos no exterior pelas controladas foram os seguintes: A fundamentação legal utilizada pelo trabalho fiscal foi o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.158, de 24 de agosto de 2001 e art. 26. da Lei nº 9.249/95. Menciona ainda a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.558 e a Solução de Consulta Interna (SCI) nº 18, da Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal (COSIT RFB) de 08/08/2013. Como conclusão do trabalho fiscal, a autoridade lançadora apurou lucros auferidos por controladas domiciliadas no exterior não oferecidos à tributação, conforme quadro abaixo: A fiscalização relata, ainda, que a contribuinte ajuizou mandado de segurança nº 2008.61.00.0025252 com pedido de liminar, no qual requer a suspensão da exigibilidade do crédito de IRPJ e da CSLL decorrentes dos lucros acumulados pelas sociedades estrangeiras, relativos ao ano calendário de 2007 e aos exercícios futuros até o momento da sua efetiva disponibilização. Em 31/01/2008 foi proferida decisão deferindo a liminar. Em 17/10/2012 foi proferida decisão confirmando a liminar, julgando procedente o pedido formulado na inicial e concedendo a segurança para reconhecer o direito líquido e certo das impetrantes de não serem compelidas ao recolhimento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre os lucros auferidos por sociedades estrangeiras controladas ou coligadas relativos ao ano calendário de 2007 e aos exercícios futuros antes de sua efetiva disponibilização. Em 14/10/2014 foi proferida decisão recebendo apelação da União Federal (Fazenda Nacional) no efeito devolutivo. Os autos permanecem conclusos ao relator desde 16/10/2014. Fl. 3670DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.668 4 Desta forma, os créditos tributários do IRPJ e da CSLL apurados em função das infrações ora apontadas, destinados a prevenir a decadência, foram constituídos sem lançamento de multa de ofício (artigo 63 da Lei n° 9.430/96). Cientificada dos lançamentos em 18/05/2016 (fl. 2215), a contribuinte, apresentou, em 17/06/2016 (fls. 2217 e 3485), a impugnação de fls. 2218/2259, alegando, em síntese, o seguinte: a) Preliminares: a.1) Inexistência de concomitância entre as questões versadas nesse processo e no MS nº 000252585.2008.4.03.6100, tendo em vista que as questões suscitadas são distintas daquelas que são objetos do writ, que se limita a requerer: a) inconstitucionalidade do artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 e b) incompatibilidade deste último com o artigo 7º dos tratados para prevenir a dupla tributação da renda; a.2) nulidade do lançamento efetuado em violação à decisão judicial, uma vez que, o lançamento para prevenir decadência, previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, apenas se aplica nos casos em que há suspensão da exigibilidade por meio de liminar ou tutela antecipada. Sendo assim, a sentença em mandado de segurança não foi incluída no rol de situações que permitem o referido lançamento; a.3) nulidade decorrente da ausência de autorização para o reexame do período auditado de 2011 em relação à CSLL, uma vez que, de acordo com o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) nº 08.1.85.002014002824 que consta do processo, a fiscalização foi originalmente autorizada para o IRPJ relativo ao anocalendário de 2011; b) Mérito b.1) Equívoco do lançamento ao adicionar o montante de R$ 45.223.068,16 relativo aos lucros auferidos por sua controladas na apuração do seu lucro real de 2011. Isso porque, conforme consta da Ficha 09A da DIPJ/2012, impugnante apurou resultado negativo no montante de (R$ 394.123.802,16). Considerando o resultado negativo de (R$ 394.123.802,16), mesmo se adicionados os lucros de suas controladas no exterior apurados pelo Auto de Infração, que juntos somam R$ 45.219.388,08, não haveria IRPJ e CSLL a pagar no período, mas apenas a redução do prejuízo fiscal, para (R$ 348.904.414,08). b.2) Ilegítima desconsideração dos créditos do imposto pago no exterior pelas controladas da impugnante em 2011 uma vez que a impugnante obteve um resultado negativo de (R$ 394.123.802,16) que, após a adição dos lucros estrangeiros (R$ 45.219.388,08), reduziria o prejuízo fiscal para (R$ 348.904.414,08). Desta forma, os créditos dos impostos pagos no exterior em 2011 (total de R$ 10.088.347,05, conforme reconhecido no Auto de Infração) deveria ter sido transferido integralmente e compensado com os resultados do ano calendário 2012 e seguintes. b.3) Erro na apuração do lucro de WASA (Whirlpool Argentina) passível de adição ao lucro real, uma vez que o lucro do período antes do IR (em pesos) foi de 23.816.993,00. Sendo assim, como a impugnante detém uma participação societária naquela entidade de 95%, concluise que os lucros passíveis de adição montam a R$ 9.864.998,50 (=95% de R$ 10.384.208,95). Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.669 5 b.4) Indevida adição de lucros da BESCO nos anos de 2011 e 2012, os quais já tinham sido oferecidos à tributação pela impugnante no ano de 2013, por ocasião da distribuição de dividendos por parte da BESCO. Diante desse fato, o fisco poderia, quando muito, pretender exigir os juros pelo pagamento espontâneo dos tributos fora do prazo de vencimento. b.5) Isenção dos dividendos pagos pelas sociedades LAWSA e WASA (situadas na argentina) tendo em vista o disposto no parágrafo 2º do artigo 23 do Tratado Brasil Argentina. b.6) Aplicação do tratado com a Argentina à CSLL. Em 29 de junho de 2017, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. VIOLAÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. Considerando que a sentença obtida pela contribuinte apenas impede que ela seja obrigada ao recolhimento do IRPJ e da CSLL em tela, deve a fiscalização fazer o lançamento correspondente, com a exigibilidade suspensa, para prevenir a decadência. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DA CSLL. Quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributos objeto do TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no TDPF. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL ARGENTINA. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. LUCRO DISPONIBILIZADO. ERRO NA APURAÇÃO. Constatado erro na apuração do lucro disponibilizado por uma das controladoras da contribuinte, impõese o recálculo dos tributos mantidos. POSTERGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Fl. 3672DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.670 6 Considerase postergada a parcela do tributo relativo a determinado períodobase quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. O efeito dessa postergação deve ser considerada no momento do lançamento de ofício, utilizandose a imputação proporcional. DEDUÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. TRATADO BRASILARGENTINA. APLICAÇÃO À CSLL. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Cientificada (fls. 3549) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3554/3603, no qual reiteras as alegações já suscitadas. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) DO RECURSO DE OFÍCIO O acórdão recorrido reconheceu erro no cálculo dos lucros da controlada no exterior WASA passível de adição ao lucro real da Recorrente, uma vez que o valor lançado pela fiscalização tomou por base o percentual de 100% ao passo que a participação da Recorrente correspondia a 95%, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Alega a impugnante erro no cálculo dos lucros da controlada no exterior WASA considerados disponibilizados para a contribuinte no anocalendário de 2011, que seria R$ 9.864.998,50, ao invés de R$ 10.384.208,95, calculado pela fiscalização no Demonstrativo 10, a seguir sintetizado: (…) Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.671 7 Com bem observa a impugnante, o valor de R$ 10.384.208,95 corresponde em reais à totalidade (100%) dos lucros auferidos pela WASA (R$ 23.816.993,00 X TC 0,4360). Como a contribuinte detém uma participação societária naquela entidade de 95%, concluise que os lucros passíveis de adição montam a R$ 9.864.998,50 (= 95% de R$ 10.384.208,95). Assiste, portanto, razão à impugnante. Conforme se observa pelo trecho acima transcrito, tratase erro de fato corrigido pela decisão recorrida, motivo pelo qual, nego provimento ao recurso de ofício 2)PRELIMINARES 1.1) Inexistência de concomitância entre as questões versadas nesse processo e no MS nº 00252585.2.008.4.03.61. De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial A decisão recorrida concluiu pela concomitância da questão jurídica relativa à isenção prevista no artigo 23 parágrafo 2º do Tratado BrasilArgentina e a discussão desenvolvida no Mandado de Segurança 00252585.2.008.4.03.61 com base nos seguintes fundamentos. Ou seja, em ambos os processos (judicial e administrativo) a contribuinte discute a natureza jurídica dos lucros considerados distribuídos nos termos do artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 (lucros ou dividendos ?). Além disso, no processo judicial (que prevalece sobre o processo administrativo) a contribuinte afirma, categoricamente, que os lucros tributados em face do referido artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 não se caracterizam como dividendos, contradizendo o que afirma neste processo administrativo. Conforme já mencionado, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo. Dessa forma, esta Delegacia de Julgamento fica impedida de se manifestar acerca deste item da impugnação, que, antes de mais nada, discute a natureza jurídica dos valores objeto da autuação, cuja decisão compete ao Poder Judiciário, um vez provocado pela contribuinte. A Recorrente, por sua vez, contesta a decisão recorrida sob as seguintes alegações: a) No processo judicial, em momento algum, foi invocada a aplicação do artigo 23 do tratado com a Argentina; b) A referências a "dividendos" "que constam das passagens do writ citadas pela decisão recorrida constituem mero obter dictum, pois são usadas como forma de completar o raciocínio da parte Autora/ RECORRENTE pela técnica de contraposição de ideias, Fl. 3674DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.672 8 ressaltando as diferenças entre a qualificação ao abrigo do art. 7º discutida no writ e eventual qualificação alternativa, ao abrigo do art. 10 (dividendos). São, pois, argumentos acessórios que esclarecessem o raciocínio da parte com relação à causa de pedir sem se constituir em objeto daquele processo, sem afetar a ratio decidendi e sem se referir ao art. 23 do tratado que é o objeto deste processo. c) Só haverá concomitância se houver tríplice identidade, isto é, só há litispendência ou a coisa julgada quando partes, pedido e causa de pedir são iguais. Se a causa de pedir ou o pedido são distintos, não há concomitância, pois em situação análoga não haveria litispendência. Nesse ponto, discordo da Recorrente. A menção feita aos dividendos não é mero obiter dictum, mas compõe sim a ratio decidendi da sua pretensão. Isso porque, parte central utilizada na sua fundamentação é a de que os tratados internacionais regulam de forma distinta os lucros e dividendos. Em relação aos lucros a regra é que sejam tributados no Estado contratante onde se situa a empresa, exceto se essa exercer atividades no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente. Já os dividendos devem ser tributados pelo Estado Contratante onde se situa a empresa que os recebeu. Esse raciocínio encontrase claramente exposto nos itens 58, 59 e 60 do mandado de segurança (fls. 1717) 58. A maioria dos tratados internacionais foi celebrada de acordo com o modelo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico ("OCDE"). Os tratados estabelecem regras para a tributação dos lucros das empresas e dos dividendos. Em relação aos lucros das empresas, os tratados internacionais prescrevem que os lucros devem ser tributados no Estado Contratante onde se situa a empresa, exceto se a empresa exercer atividades no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente. Já quanto aos dividendos, prescrevem que devem ser tributados pelo Estado Contratante onde se situa a empresa que os recebeu. . 59. A sistemática prevista pelo artigo 74 da MP 2.15835/2001 acaba por tributar rendimentos da empresa estrangeira que ainda não foram distribuídos à empresa brasileira. Por tal motivo, na ótica dos Tratados, referidos valores são lucros da empresa estrangeira e não dividendos da empresa brasileira. 60. Ora, o fato de tais lucros não serem configurados como dividendos impede que a empresa brasileira tribute tais valores, já que produzidos pela empresa estrangeira, tal como previsto pelos tratados internacionais celebrados de acordo com o modelo da OCDE. Tais lucros somente podem ser tributados pela empresa brasileira no momento em que distribuídos, podendo então ser tratados como dividendos" (grifos no original) Pela leitura dos trechos acima transcritos, verificase que a Recorrente afirma que os valores tributados pela sistemática introduzida pelo artigo 74 da MP 2.15835/2001 constituem lucros e, sendo assim, só poderiam ser tributados no Brasil se a empresa nele tivesse estabelecimento permanente (art. 7º). Os dividendos, por sua vez, só poderiam ser tributados quando efetivamente pagos. Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.673 9 Dessa forma, seria contraditório mencionar a norma do artigo 23, parágrafo 2 do Tratado BrasilArgentina, uma vez que a referida norma tem como antecedente o recebimento de dividendos: ARTIGO XXIII Métodos para evitar a dupla tributação (...) 2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Argentina a uma sociedade residente do Brasil detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que sejam tributáveis na Argentina de acordo com as disposições da presente Convenção, estarão isentos do imposto no Brasil.(grifamos) Tanto a Recorrente quanto a autoridade fiscal adotam a mesma premissa, qual seja, a de que os valores lançados no presente Auto de Infração têm a natureza jurídica de lucros . Exatamente por isso foi feito o lançamento para prevenir decadência, sem imposição de multa. Sendo assim, o artigo 23 do Tratado Brasil/Argentina é matéria estranha ao presente processo, uma vez que pressupõe que a natureza jurídica dos valores lançados é de dividendos. Todavia, como exposto, em primeiro lugar, é fundamental que se defina a natureza jurídica dos valores lançados como dividendos para, só então, suscitar a incidência da norma isentiva. Tendo em vista que norma se distingue dos dispositivos legais isoladamente considerados, poderíamos formular da seguinte forma a norma de incidência prevista nos tratados em relação à tributação dos dividendos: "Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado" (art.7º) exceto "os dividendos pagos por uma sociedade residente da Argentina a uma sociedade residente do Brasil detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que sejam tributáveis na Argentina de acordo com as disposições da presente Convenção, estarão isentos do imposto no Brasil. (art. 23. parágrafo 2º) Ademais, conforme primorosamente esclarecido pelo então Conselheiro Marcos Shigueo Takata, no Acórdão nº 1103001.122, não é possível admitir que os valores tributados nos termos do art. 74 da MP 2.158/01 são espécie de dividendos fictos: A redação do art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Mas, podem ser tributados dividendos fictos? Antes de falar sobre dividendos fictamente distribuídos, trato do argumento de que o suporte fático eleito pela norma legal não são os dividendos, pois o que se tributa são os lucros antes de descontado o tributo pago no país de origem. E, por óbvio, só se cogita de dividendos após todas as despesas incorridas, nas quais se inclui o tributo pago sobre os lucros no país de origem. O que a sociedade delibera distribuir aos sócios ou acionistas, como dividendos, só pode ser o resultado líquido do tributo pago sobre o lucro. Essa dimensão do pressuposto fático de incidência tributária é Fl. 3676DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.674 10 prevista textualmente no art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF 213/02: § 7º. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. O argumento não me impressiona, se interpretado o art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF 213/02 em seus devidos termos. Dividendos são distribuição de lucros apurados pela sociedade a seus sócios ou acionistas. E só há lucros distribuíveis após a despesa com pagamento de tributo sobre o lucro. Entretanto, o mesmo argumento caberia para tributação de lucros da sociedade controlada ou coligada no exterior. Lucros da sociedade são o resultado líquido de um período, após a despesa incorrida com tributo: só se pode falar de lucros, ainda mais lucros distribuíveis, após a despesa incorrida com tributo pago sobre o lucro; afinal o objeto da tributação, se não forem dividendos, é o lucro líquido auferido pela controlada ou coligada no exterior. A meu ver, o que o art. 1º, § 7º, da IN 213/02 fez, ao interpretar o comando legal, foi o seguinte. A norma legal confere o tax credit correspondente ao tributo pago no exterior, com a instituição da tributação em bases universais para a pessoa jurídica. Ao se ver sistematicamente o objeto da tributação, em bases universais, o valor do tributo pago no exterior não é despesa, mas ativo da controladora ou da coligada participante no Brasil –afinal, referido valor é compensável no País – ou melhor, desde que e no limite do que seja compensável no País. Logo, como a lei confere o tax credit relativo ao tributo pago no país de origem, o legislador infralegal, ao falar que os lucros do exterior da controlada ou coligada serão considerados antes de descontado o tributo pago no país de origem, simplesmente utilizou a expressão como técnica tributária de se reconhecer que tal valor não deve reduzir a base tributável, por ser um ativo. E a leitura que faço do art. 1º, § 7º, da IN SRF 213/02 é a de considerar os lucros antes de descontado o tributo pago no país de origem, no limite do compensável no País. Nesse passo, e nos termos acima expostos, cuidase de técnica tributária que não desborda o limite legal. I.e., versase técnica de aplicação e, assim, de interpretação das normas legais, desde que (o antes de descontado) nos limites do imposto que seja compensável no País. Não se está, com isso, a tributar algo por ficção ou mesmo por presunção, ou precisamente: não se está definindo materialidade ou seu aspecto temporal por ficção, ou mesmo por presunção. É como entendo. Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.675 11 Daí ter dito que o argumento não impressiona, interpretado o preceito em comentário em seus devidos termos. Como disse, a redação do art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Retomo, pois, a questão que considero fundamental: podem ser tributados dividendos fictos? A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 recai sobre dividendos fictos? (...) É muito claro que o dispositivo convencional trata dos dividendos pagos, ao versar sobre a competência tributária cumulativa dos Estados contratantes sobre a materialidade em questão. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado BrasilHolanda (e do art. 10 do Tratado BrasilArgentina), em seu § 3º. Ainda, o referido § 3º do art. 10 do tratado não permite que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. E também remete ao Estado fonte, i.e., ao Estado contratante em que reside a sociedade distribuidora dos dividendos, a qualificação residual de dividendos, mas coloca como um dos limites: a distribuição efetiva. É expressa nesse sentido a parte final do § 3º do art. 10 do tratado em questão. Em face de todo exposto, entendo que a matéria relativa a aplicação do artigo 23, parágrafo 2, do Tratado Brasil/ Argentina, não pode ser conhecida pois tratase de matéria estranha a lide, uma vez que nem o trabalho fiscal nem a Recorrente, em momento algum, admitem que os valores lançados teriam a natureza jurídica de dividendos. 2.2) NULIDADE DO LANÇAMENTO REALIZADO EM DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL Alega a Recorrente nulidade do lançamento efetuado em violação à decisão judicial. Isso porque o lançamento para prevenir decadência, previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, apenas se aplica nos casos em que há suspensão da exigibilidade por meio de liminar ou tutela antecipada. Sendo assim, como já foi proferida sentença e esta não foi incluída no rol de situações que permitem o referido lançamento, este seria nulo. Incorreta a alegação da Recorrente. Como ela própria reconhece, a sentença proferida no mandado de segurança foi recebida apenas no efeito devolutivo e, sendo assim, a exigibilidade do crédito continua suspensa. Dessa forma, a situação jurídica permanece a mesma desde a concessão da medida liminar. Todavia, como já decidido reiteradamente pelo Superior Tribunal de Justiça, "as causas de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, previstas no artigo 151 do Código tributário Nacional, não afastam o dever da Fazenda Pública em proceder o lançamento com o desiderato de evitar a decadência, cuja contagem não se sujeita às causas suspensivas ou interruptivas. Precedentes: EREsp 572.603/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 8/6/2005, DJ 5/9/2005; REsp 736.040/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Fl. 3678DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.676 12 Turma, julgado em 15/5/2007, DJ 11/6/2007; AgRg no REsp 1.058.581/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 07/05/2009, DJe 27/05/2007. Aplicável, portanto, o artigo 63 da Lei nº 9.430/96, uma vez que a sentença não interrompe o prazo decadencial da fazenda pública para efetuar o lançamento. 2.3) DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DECORRENTE DA AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO PARA O REEXAME DO PERÍODO AUDITADO DE 2011 EM RELAÇÃO À CSLL Por fim, alega recorrente nulidade do lançamento em razão da ausência de autorização para o reexame do período auditado de 2011 em relação à CSLL, uma vez que, de acordo com o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) nº 08.1.85.002014 002824 que consta do processo, a fiscalização foi originalmente autorizada para o IRPJ relativo ao anocalendário de 2011. Improcedentes as alegações da Recorrente. Como corretamente apontou a decisão recorrida: Conforme Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) nº 08.1.85.00 2014002824 (fls. 02/03): · a fiscalização foi originalmente autorizada para o IRPJ relativo ao anocalendário de 2012; · posteriormente foi dada autorização para reexame do IRPJ relativo ao anocalendário de 2011. Dispõe o 8º da Portaria RFB nº 1687/2014 que: "Art. 8º Quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributos objeto do TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no TDPF". A própria impugnante admite, no parágrafo 130 de sua impugnação (fl. 2256), que: "(…). É que, na verdade, ela [a CSLL] é, na sua substância, um adicional ao imposto de renda, distinguindose apenas pela sua destinação, vinculada à finalidade específica da seguridade social. Ora, a natureza dos tributos deve identificarse no fato gerador e na base de cálculo (substancialmente idênticos aos do imposto de renda propriamente dito) e não na sua denominação ou destino, como esclarece o art. 4º do Código Tributário Nacional". Assim, tanto a autorização para fiscalização do IRPJ do ano calendário de 2012 quanto a autorização para reexame do IRPJ do anocalendário de 2011 abrangem, nos termos do 8º da Portaria RFB nº 1687/2014, também a CSLL. Dessa forma, improcede a alegação de ausência de autorização para o reexame da CSLL relativa ao anocalendário de 2011. Fl. 3679DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.677 13 Sumula 111 DO CARF 2) MÉRITO 2.1) Do Lucro real apurado pela Recorrente em 2011 Alega a Recorrente que a fiscalização se equivocou ao adicionar o montante de R$ 45.223.068,16 relativo aos lucros auferidos por sua controlada na apuração do seu lucro real de 2011. Isso porque, conforme consta da Ficha 09A da DIPJ/2012, impugnante apurou resultado negativo no montante de (R$ 394.123.802,16). Considerando o resultado negativo de (R$ 394.123.802,16), mesmo se adicionados os lucros de suas controladas no exterior apurados pelo Auto de Infração, que juntos somam R$ 45.219.388,08, não haveria IRPJ e CSLL a pagar no período, mas apenas a redução do prejuízo fiscal, para (R$ 348.904.414,08). A decisão recorrida, por sua vez, negou que tivesse ocorrido o mencionado equívoco, pois o referido prejuízo fiscal teria sido alterado para lucro real (de R$ 45.223.068,16), em razão da autuação consubstanciada nos autos do processo nº 19.515.722229/201279. No entanto, conforme alega a Recorrente, o lançamento do processo 19.515.722229/201279 foi anulado pelo CARF que reconheceu a decadência, encontrandose pendente de recurso especial na fazenda nacional. Ao analisar o andamento do referido processo no site do CARF, verificase que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 04/10/2017, deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. Ocorre que, conforme demonstrado, o processo 19.515.722229/201279 ainda não foi definitivamente julgado no âmbito deste Conselho. Sendo assim, não é possível afirmar que o valor do débito de IRPJ e CSLL nele cobrado é exigível, tendo em vista o disposto no artigo 151, III, do CTN, tampouco que o prejuízo fiscal considerado naquelas autuações foi definitivamente utilizado. Em situações como a dos autos a turma tem decidido pelo sobrestamento do processo, nos termos do art. 313, inciso V, alínea "a" do Novo Código de Processo Civil, assim redigido: Art. 313. Suspendese o processo: [...]V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; [...]§ 4o O prazo de suspensão do processo nunca poderá exceder 1 (um) ano nas hipóteses do inciso V e 6 (seis) meses naquela prevista no inciso II. § 5o O juiz determinará o prosseguimento do processo assim que esgotados os prazos previstos no § 4o. Fl. 3680DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.678 14 Em face do exposto, voto por sobrestar o julgamento do presente processo que deverá ser suspenso até o julgamento definitivo do processo 19.515.722229/201279. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Declaração de voto Conselheira Edeli Pereira Bessa A presente exigência tem em conta lucros auferidos no exterior em 2011 e 2012 por controladas da contribuinte domiciliadas na China, Uruguai e Chile, além de lucros auferidos em 2011 por controlada domiciliada na Argentina. A autoridade lançadora observou que inexistiam prejuízos acumulados passíveis de compensação, mas identificou tributos pagos na China e na Argentina, passíveis de dedução com os tributos exigidos no presente lançamento, e abordou os tratados firmados entre Brasil e Argentina e entre Brasil e China, concluindo que a incidência sobre os lucros não os violaria. Consignou, ainda, que: 9– MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2008.61.00.0025252 O fiscalizado possui mandado de segurança com pedido de liminar por meio do qual postula suspender a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ e da CSLL relativo aos lucros acumulados pelas sociedades estrangeiras, relativos ao ano calendário de 2007 e aos exercícios futuros, até sua efetiva disponibilização. Em 31/01/2008 foi proferida decisão deferindo a liminar. Em 17/10/2012 foi proferida decisão confirmando a liminar e julgando procedente o pedido formulado na inicial e concedendo a segurança para reconhecer o direito líquido e certo das impetrantes de não serem compelidas ao recolhimento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre os lucros auferidos por sociedades estrangeiras controladas ou coligadas relativos ao ano calendário de 2007 e aos exercícios futuros antes de sua efetiva disponibilização. Em 14/10/2014 foi proferida decisão recebendo apelação da União Federal (Fazenda Nacional) no efeito devolutivo. Os autos permanecem conclusos ao relator desde 16/10/2014. Desta forma, os créditos tributários do IRPJ e da CSLL apurados em função das infrações ora apontadas, destinados a prevenir a decadência foram constituídos sem lançamento de multa de ofício (Art. 63 da Lei nº 9430/96). A autoridade julgadora de 1ª instância acolheu parcialmente a impugnação para corrigir erro de cálculo no lucro da controlada WASA passível de tributação, reduzindo proporcionalmente a dedução do tributo pago no exterior, bem como para reconhecer os efeitos da postergação na tributação dos lucros da controlada BESCO, oferecidos à tributação em 2013. A exoneração parcial do crédito tributário foi submetida a reexame necessário. Na decisão recorrida e sob reexame, a Turma Julgadora admitiu a discussão de matérias não abordadas na esfera judicial, rejeitou a arguição de nulidade dos autos de infração por violação da decisão judicial, vez que esta não vedaria a formalização de lançamento para prevenir a decadência, e examinou as alegações de nulidade decorrente da ausência de Fl. 3681DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.679 15 autorização para o reexame do período auditado de 2011 em relação à CSLL, bem como de apuração de prejuízo fiscal em 2011 e ampliação da dedução de tributos pagos no exterior pelas controladas, para além das alegações providas De outro lado, declarou a concomitância para deixar de apreciar o seguinte argumento: Da alegação de isenção dos dividendos nos termos do artigo 23 do tratado com a Argentina Alega a impugnante que os lucros das controladas LAWSA e WASA, situadas na Argentina, não podem ser tributados no Brasil em face da isenção de dividendos prevista no parágrafo 2º do artigo 23 do tratado BrasilArgentina destinado a evitar a dupla tributação, in verbis: "ARTIGO XXIII Método para eliminar a dupla tributação (...) 2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Argentina a uma sociedade residente do Brasil detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que sejam tributáveis na Argentina de acordo com as disposições da presente Convenção, estarão isentos do imposto no Brasil". E que não há concomitância entre o mandado de segurança por ela impetrado e este processo, pois, enquanto no processo judicial se busca a declaração de que os lucros das controladas estrangeiras não podem ser tributados pelo Brasil, diante da competência exclusiva do país de domicílio da controlada estrangeira, prevista no artigo 7º do tratado, no presente processo administrativo discutese a aplicação da isenção contida no parágrafo 2º do artigo 23. Neste ponto (existência ou não da concomitância) ouso discordar da impugnante. No mandado de segurança (fl. 1717) a contribuinte afirma, expressamente, que: "59. A sistemática prevista pelo artigo 74 da MP 2.15835/2001 acaba por tributar rendimentos da empresa estrangeira que ainda não foram distribuídos à empresa brasileira. Por tal motivo, na ótica dos Tratados, referidos valores são lucros da empresa estrangeira e não dividendos da empresa brasileira. 60. Ora, o fato de tais lucros não serem configurados como dividendos impede que a empresa brasileira tribute tais valores, já que produzidos pela empresa estrangeira, tal como previsto pelos tratados internacionais celebrados de acordo com o modelo da OCDE. Tais lucros somente podem ser tributados pela empresa brasileira no momento em que distribuídos, podendo então ser tratados como dividendos" (grifei). Ou seja, em ambos os processos (judicial e administrativo) a contribuinte discute a natureza jurídica dos lucros considerados distribuídos nos termos do artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 (lucros ou dividendos ?). Além disso, no processo judicial (que prevalece sobre o processo administrativo) a contribuinte afirma, categoricamente, que os lucros tributados em face do referido artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 não Fl. 3682DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.680 16 se caracterizam como dividendos, contradizendo o que afirma neste processo administrativo. Conforme já mencionado, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo. Dessa forma, esta Delegacia de Julgamento fica impedida de se manifestar acerca deste item da impugnação, que, antes de mais nada, discute a natureza jurídica dos valores objeto da autuação, cuja decisão compete ao Poder Judiciário, um vez provocado pela contribuinte. Da aplicação do tratado com a Argentina à CSLL Dispõe o parágrafo 2 do artigo 2 do tratado BrasilArgentina destinado a evitar a dupla tributação que: "A presente Convenção se aplicará também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem posteriormente introduzidos, seja em adição aos existentes, seja em sua substituição. As autoridades competentes dos Estados Contratantes notificarseão mutuamente sobre qualquer modificação significativa que tenha ocorrido em suas respectivas legislações tributárias" (grifei). Alega a impugnante que o referido tratado aplicase também à CSLL, visto que: "(…) ela [a CSLL] é, na sua substância, um adicional ao imposto de renda, distinguindose apenas pela sua destinação, vinculada à finalidade específica da seguridade social. Ora, a natureza dos tributos deve identificarse no fato gerador e na base de cálculo (substancialmente idênticos aos do imposto de renda propriamente dito) e não na sua denominação ou destino, como esclarece o art. 4º do CTN". De fato, dispõe o artigo 4º do CTN que: "Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação". Apesar de haver entendimentos contrários, concordo plenamente com a impugnante. Ainda mais depois da edição da Lei nº 13.202/2015, que, em seu cujo artigo 11, dispõe que: "Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Fl. 3683DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.681 17 Parágrafo único. O disposto no caput alcança igualmente os acordos em forma simplificada firmados com base no disposto no art. 30 do DecretoLei no 5.844, de 23 de setembro de 1943". Concluise, portanto, que o referido tratado BrasilArgentina aplicase também à CSLL. Assim, o que se aplica ao IRPJ aplicase também à CSLL. Dessa forma, quanto à possibilidade de se aplicar à CSLL o disposto no parágrafo 2º do artigo 23 do tratado BrasilArgentina essa Delegacia de Julgamento também fica impedida de se manifestar, conforme explicado no tópico anterior. A recorrente reitera que todas suas alegações são distintas daquelas que são objeto do writ, que se limita a suscitar a i) inconstitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 e ii) incompatibilidade deste último com o art. 7º de certos tratados celebrados para prevenir a dupla tributação da renda, e insiste que a impossibilidade da tributação dos lucros das controladas argentinas em face da isenção de dividendos não é objeto da ação judicial, apresentando o seguinte quadro para demonstrar serem distintos os pedidos de ambos os processos: Fl. 3684DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.682 18 A recorrente argumenta que não invoca, no processo judicial, a aplicação do art. 23 (isenção) do tratado com Fl. 3685DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.683 19 a Argentina, dispositivo em discussão nesse processo e que não é nem mencionado no writ. As referência a esse respeito, destinadas a ressaltar as diferenças entre a qualificação ao abrigo do art. 7º discutido no writ e eventual qualificação alternativa, ao abrigo do art. 10 (dividendos), seriam argumentos acessórios que esclarecessem o raciocínio da parte com relação à causa de pedir, sem se constituir em objeto daquele processo. Cogita que o risco de decisões conflitantes se verificaria apenas quanto à definição se o objeto da tributação são, ou não, lucros da controlada estrangeira, pois entende que o impedimento decorrente da concomitância pressupõe a identidade da argumentação (causa de pedir) nos processos, o que poderia gerar decisões opostas sobre uma mesma matéria, circunstância esta que já não se verifica quando são aduzidos diferentes argumentos (causa de pedir) pelo contribuinte nos dois processos. Defende que no presente caso deve se aplicada a regra da tríplice identidade, isto é, só há litispendência ou a coisa julgada quando partes, pedido e causa de pedir são iguais, e observa que no presente caso tanto o pedido (isenção dos lucros da controlada nos termos do art. 23 do tratado), como a causa de pedir são distintos (art. 23 isenção do tratado) daquele do processo judicial (não tributar lucros enquanto não distribuídos em razão do efeito bloqueador do art. 7º do tratado). Opõese à decisão recorrida que apontou contradição da posição por ela adotada no processo judicial, e assevera que mesmo se houvesse tal contradição, o que não reconhece, ainda assim a concomitância não se verificaria, vez que sua defesa considera que os lucros das sociedades argentinas não podem ser tributados pelo Brasil (i) antes de distribuídos aos sócios brasileiros por força do art. 7º do tratado as sociedades argentinas (o que é objeto de discussão no processo judicial) e (ii) após a distribuição aos sócios no Brasil em razão do art. 23, parágrafo 2º do tratado com a Argentina que determinou a isenção dos dividendos. Em seu entendimento: 18. A regra contida no art. 23, parágrafo 2º do tratado com a Argentina evidencia a impossibilidade de o Brasil tributar valores que nosso Governo, ao celebrar Convenção Internacional, se comprometeu a jamais tributar, não havendo como se interpretar o tratado no sentido de permitir, ainda que antes da distribuição, essa tributação, pois tal seria uma fraude, burla ao tratado por parte do Governo do Brasil. 19. Ou seja, o que se defende neste processo é que a interpretação correta do tratado, à luz da boafé e da finalidade, não permitiria jamais a interpretação pretendida pelo Auto de Infração e subscrita pela decisão recorrida de que os lucros das controladas argentinas poderiam ser tributados no Brasil. Tal tributação não poderia se dar nunca porque o Brasil, ao isentar dividendos, demonstra ter aberto mão de tributar por completo os rendimentos oriundos de investimentos naquele país (Argentina), não sendo legítimo unilateralmente alterar a denominação do rendimento ou o momento da tributação para se arrogar a tributação de valores que, por Convenção Internacional, o Brasil concordou em jamais tributar. Acrescenta que os valores sob tributação devem ser qualificados como lucro ou dividendos, não podendo ser "um nada", ao qual o tratado jamais se aplicaria como pretende o Fisco, até porque a própria Procuradoria da Fazenda no julgamento da ADI 2.588 sustentou que o art. 74 da MP nº 2.15835/01 simplesmente alterou o momento do reconhecimento dos lucros de controladas no exterior, adotando o MEP, ao invés do regime de caixa, Fl. 3686DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.684 20 implicitamente atribuindolhes a natureza de dividendos. Em seu entendimento, os valores em causa jamais poderiam ser tributados seja se o Poder Judiciário confirmar no writ a qualificação no art. 7º, seja no entendimento da própria Fazenda, tendo em vista a isenção do art. 23 do tratado. Considerando que a isenção prevista no art. 23 do tratado com a Argentina não foi suscitada no processo judicial, se ela não for examinada neste processo administrativo, também não o será writ, já que o Juiz só pode se manifestar sobre as matérias suscitadas pelas partes. O pedido da referida ação mandamental está assim redigido (fls. 1699/1728): 99. Como conclusão de todo o exposto, as Impetrantes têm como demonstrada a total inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência do IRPJ e da CSL sobre os lucros acumulados por empresas coligadas e controladas sediadas no exterior da Impetrantes, relativos ao ano calendário de 2007 e exercícios futuros, tendo em vista a ofensa do artigo 74, caput, da MP 2.15835/2001 ao conceito de renda previsto no artigo 43, caput e §2º, do CTN e 153, inciso III, da CF/88, bem como aos princípios da estrita legalidade em matéria tributária (artigos 97 do CTN e 150, inciso I, da CF/88) e da capacidade contributiva (artigo 145, §1º, da CF/88). 100. Além disso, demonstrouse também que os lucros meramente auferidos por sociedades coligadas ou controladas situadas em países que possuem tratado para evitar a dupla tributação devem sujeitarse à sistemática específica dos tratados internacionais, em detrimento do artigo 74 da MP 2.15835/2001, uma vez que são leis especiais em relação às normas internas, razão pela qual os lucros auferidos pela sociedade de um país contratante somente serão tributados no Brasil quando houver disponibilidade dos dividendos. 101. Por fim, restou comprovada a ilegalidade do artigo 7º, §1º, da IN 213/2002, tendo em vista a ofensa aos artigos 33, §2º do Decretolei 1.598/1977 e 1º, inciso V, do Decretolei nº 1.648/1978, incorporados ao artigo 428 do Regulamento do Imposto de Renda/99, uma vez que não há lei que determine a adição dos resultados positivos de equivalência patrimonial na base de cálculo do IRPJ e da CSL. 102. Assim sendo, requerem a concessão liminar da ordem, com fundamento no artigo 7º, inciso II, da Lei nº 1.533/51, a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário de IRPJ e CSLL relativo aos lucros acumulados pelas sociedades estrangeiras, relativos ao ano calendário 2007 e aos exercícios futuros, até sua efetiva disponibilização, impedindo ainda que as DD. Autoridades Administrativas pratiquem qualquer ato tendente à imposição de penalidades pelo fato das Impetrantes não recolherem o IRPJ e a CSL, em vista da: (i) ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 74, caput, da MP 2.15835/2001, mantendo a aplicação da sistemática contida no artigo 1º da Lei nº 9.532/97; e (ii) impossibilidade de tributação dos lucros acumulados auferidos no exterior por sociedades controladas ou coligadas situadas em países que possuem tratado internacional com o Brasil, no qual haja previsão de que os lucros auferidos pela sociedade Fl. 3687DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.685 21 de um país contratante somente serão tributados no Brasil quando houver disponibilidade dos dividendos. 103. Cumulativamente, as Impetrantes requerem seja imediatamente afastada a aplicação do artigo 7º, §1º, da IN 213/2001, para o fim de que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário relativo à tributação pelo IRPJ e CSL dos valores relativos aos resultados positivos de variação cambial concernentes aos investimentos detidos no exterior, nas quais sejam sociedade controladora ou coligada, não tributados no transcorrer do anocalendário de 2007 e exercícios futuros. 104. Frisese, uma vez mais, que o periculum in mora se encontra presente diante da iminência de dano de difícil e incerta reparação, já que o IRPJ e a CSL relativos ao anocalendário 2007 deve ser recolhidos até 31 de janeiro sobre os lucros acumulados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas sediadas no exterior, quais seja, WHIRLPOOL ARGENTINA, WHIRPOOL PUNTANA, LAWSA, EMBRACO MEXICO, EMBRACO SERVICIOS, EALING E EMBRACO EUROPE. 105. No mérito, as Impetrantes requerem a concessão em definitivo da segurança, nos termos do artigo 5º, inciso LXIX, da Constituição Federal de 1988 e artigos 1º e seguintes da Lei nº 1.533, de 31.12.1951, reconhecendose o direito líquido e certo das Impetrantes de não serem compelidas ao recolhimento do IRPJ e da CSL incidentes sobre os lucros auferidos por sociedades estrangeiras controladas ou coligadas, relativos ao anocalendário de 2007 e aos exercícios futuros, antes de sua efetiva disponibilização por uma das hipóteses previstas na Lei nº 9.532/97, tendo em vista as inconstitucionalidades e ilegalidades apontadas acima. 106. Cumulativamente, as Impetrantes requerem seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 7º, §1º, da IN 213/2002, para o fim de que seja excluída da tributação do IRPJ e CSL a parcela relativa aos resultados positivos de variação cambial, não tributados no transcorrer do anocalendário de 2007 e exercícios futuros. Termos em que, D.R. e A. a presente, com os anexos documentos, requerendo ainda a notificação das DD. Autoridades Coatoras para que preste as informações que entender convenientes, no prazo da lei, obedecidas os requisitos processuais, e dandose à presente ação mandamental o valor de R$ 195.000,00 (Cento e noventa e cinco mil Reais), para fins de alçada. A liminar foi concedida sob o entendimento de que as disposições do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 ofenderiam o conceito de renda, visto que não ocorre a disponibilidade econômica ou jurídica de renda na data do balanço da sociedade empresária controlada ou coligada sediada no exterior, porquanto a destinação de eventuais lucros apurados depende de determinação da assembléia e outros fatores que impedem que, automaticamente, após a verificação da existência de lucros, se verifique aumento do valor nominal das ações ou mesmo distribuição dos lucros por intermédio de dividendos, ressalvandose apenas a hipótese de o ordenamento jurídico do país em que se encontra situada a sociedade coligada ou controlada determine a automática participação nos lucros apurados no exercício (fls. 1729/1737). Em consequência, a liminar foi deferida em relação Fl. 3688DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.686 22 aos lucros apurados pelas sociedades estrangeiras das quais as Impetrantes são coligadas ou controladoras, relativos ao anocalendário de 2007 até sua efetiva disponibilização. Posteriormente, a decisão foi integrada para alcançar exercícios futuros, bem como os resultados positivos de variação cambial decorrentes dos investimentos detidos no exterior. (fls. 1738/1743). A sentença reafirmou a decisão liminar (fls. 1744/1760) e contra ela a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional na 3ª Região interpôs apelação defendendo o método da transparência fiscal instituído com o art. 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, invocando o art. 43, §2º do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar nº 104/2001 e pleiteando a reforma da sentença para que a tributação se dê no momento da disponibilidade jurídica sobre estes recursos, tal como dispõe o art. 74 da MP nº 2.158/34/2001 combinado com o art. 7º, §1º da IN nº 213/02 (fls. 1761/1780). Em contrarrazões (fls. 1781/1795), a contribuinte, além de discordar da tributação baseada na distribuição automática dos lucros à empresa brasileira, abordou, dentre outros aspectos, os efeitos dos tratados internacionais, defendendo que a tributação de valores não distribuídos evidencia a incidência sobre lucros da empresa estrangeira e não dividendos da empresa brasileira, e consignando que: 36. Ora, o fato de tais lucros não serem configurados como dividendos impede que a empresa brasileira tribute tais valores, já que produzidos pela empresa estrangeira, tal como previsto pelos tratados internacionais celebrados de acordo com o modelo da OCDE. Tais lucros somente podem ser tributados pela empresa brasileira no momento em que distribuídos, podendo então ser tratados como dividendos. 37. É o caso das sociedades LAWSA, WHIRPOOL PUNTANA E WHIRPOLL ARGENTINA, situadas na Argentina, WHIRPOOL CHILE, situada no Chile, BEIJING, situadas na China, EMBRACO MEXICO e EMBRACO SERVICIOS, situada no México, e EMBRACO EUROPE e EMBRACO EUROSALES, situada na Itália. 38. Os Tratados firmados pelo Brasil e aos respectivos países prescrevem que os lucros acumulados auferidos por empresas coligadas ou controladas situadas no exterior deve ser tributados pelo próprio país e não pelo Brasil, a menos que tal empresa possua um estabelecimento permanente no Brasil, o que não ocorre no presente caso. [...]43. Dessa forma, resta demonstrado que os lucros acumulados auferidos por empresas coligadas ou controladas situadas no exterior e que possuem tratados internacionais para evitar bitributação com o Brasil devem ser tributados nos termos dos tratados internacionais, já que (i) são leis especiais em relação às normas internas; (ii) os valores que o artigo 74 da MP 2.15835/2001 pretende tributar devem ser considerados como lucros das empresas, uma vez que ainda não foram distribuídos e, portanto, não podem ser denominados dividendos; e (iii) os tratados internacionais celebrados de acordo com o modelo da OCDE estabelecem que os lucros das empresas devem ser tributados pelo Estado Contratante onde a empresa se situa, caso a empresa não possua estabelecimento permanente no outro Estado Contratante. Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.687 23 Os autos ingressaram no TRF/3ª Região em 22/04/2013 e lá permanecem aguardando julgamento. Frente a este cenário, são aqui adotadas as mesmas conclusões da Conselheira Relatora: há concomitância e, ainda que não houvesse, a alegação da interessada não poderia ser conhecida por ser estranha à lide. Isto porque a definição quanto à natureza jurídica dos valores lançados indiscutivelmente integra o objeto da ação judicial. A impetrante defendeu que eles teriam natureza de lucro e que, assim, sua apuração pela investida não representaria renda tributável, também argumentando que a incidência do IRPJ e da CSLL deveria observar os tratados firmados entre o Brasil e os países nos quais se situam as investidas, os quais vedariam a tributação antes de sua disponibilização como dividendos. As decisões judiciais até então proferidas, por sua vez, acolheram tais alegações, afastando a incidência enquanto não houver determinação da assembléia ou estiverem presentes outros fatores que impedem que, automaticamente, após a verificação da existência de lucros, se verifique aumento do valor nominal das ações ou mesmo distribuição dos lucros por intermédio de dividendos, ressalvandose apenas a hipótese de o ordenamento jurídico do país em que se encontra situada a sociedade coligada ou controlada determine a automática participação nos lucros apurados no exercício. De outro lado, a exigência fiscal foi formatada segundo a interpretação fiscal acerca do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, qual seja, sob a premissa de que a apuração do lucro pelas investidas é suficiente para a incidência do IRPJ e da CSLL. Não se perquiriu, assim, de regras contratuais estabelecidas para distribuição dos lucros das sociedades estrangeiras, das disposições do ordenamento jurídico dos países de origem quanto à distribuição de lucros, nem mesmo quanto à efetiva distribuição dos lucros por meio de dividendos nos períodos autuados. A autoridade lançadora apenas constatou que os lucros oferecidos à tributação dos períodos fiscalizado correspondiam a dividendos distribuídos pela investida BESCO (situada na China), mas decorrentes de lucros apurados em 2010, e que assim não afetariam os valores identificados no procedimento fiscal, correspondentes a lucros pelas investidas em 2011 e 2012. Dessa forma, se não há, nestes autos, incidência determinada em razão da distribuição de dividendos, efetivamente realizada ou decorrente de regras societárias ou normativas do país da investida, ou mesmo sob a interpretação de que a tributação incidiria sobre a distribuição ficta de dividendos, correta se mostra a postura da autoridade julgadora de 1ª instância que deixou de conhecer os argumentos da interessada acerca da isenção que o tratado firmado entre Brasil e Argentina confeririam a dividendos distribuídos por investidas situadas naquele país estrangeiro. Para adentrar a este argumento, a autoridade julgadora de 1ª instância precisaria previamente determinar a natureza dos valores tributados, tema este submetido ao Poder Judiciário, e que assim ensejou, validamente, a constituição do crédito tributário com suspensão da exigibilidade, bem como impede qualquer manifestação neste sentido no âmbito do contencioso administrativo. Discordase, assim, das ponderações da Conselheira Relatora no sentido de que a autoridade fiscal e a recorrente adotariam a mesma premissa de os valores lançados terem natureza de jurídica de lucro, porque a recorrente aborda este conceito de forma diferenciada, sem considerar os efeitos da Tributação em Bases Universais defendida no Termo de Verificação Fiscal, e que repercute, precisamente, na titularidade dos valores auferidos e, por Fl. 3690DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.688 24 consequência, no momento da disponibilização jurídica da renda, aspetos estes integralmente abrangidos pelo objeto da ação judicial. Neste sentido, aliás, são os argumentos da Fazenda Nacional na apelação interposta no Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0025252 (renumerado para 000252585.2008.403.6100): Primeiramente, cumpre relacionar a transparência fiscal e a tributação do lucro de sociedades coligadas e controladas no exterior. Para tanto, é necessário trazer à lume alguns preceitos relativos à tributação internacional, especialmente conceitos adotados pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada pelas maiores economias mundiais. A partir do final do século passado e início deste, os países membros da dita entidade passaram a verificar que, com o desenvolvimento das transações internacionais, os instrumentos internacionais de combate à sonegação já não eram suficientes para conter a fuga de capitais tributáveis de seus domínios. Era plenamente passível ao nacional de determinado país transferir seus maiores lucros para entidades situadas em "paraísos fiscais" e diferir indefinidamente a tributação (tax deferrat), postergando ad infinitum, a distribuição dos lucros por tal entidade. Visando a combater tal planejamento, ditos Estados passaram então a adotar o que se denominou de técnica da "transparência fiscal". Tal modalidade de tributação já era utilizada por diversos países no âmbito interno, tendo sido apenas transplantada para as relações internacionais. Resumese a tornar, de fato, "transparente" a entidade que possua determinado tipo de negócio, no caso, investimentos no exterior, de modo a que tudo o que aconteça em território alinígena repercuta diretamente, em âmbito nacional, sobre o patrimônio do contribuinte titular daquela atividade. [...]Para consolidar de vez a posição adotada pelo Brasil, na linha dos países mais desenvolvidos, foi editada a MP nº 2.158, que em sua 35ª reedição, datada de 27 de agosto de 2001, estabeleceu, em seu art. 74, a tributação dos lucros auferidos por coligadas e controladas no exterior na data do balanço. Consagrouse o método da transparência fiscal. A redação do dispositivo é a seguinte: [...]Debatese a respeito do conceito de "disponibilidade jurídica" da renda tributável. Extraise a teor das manifestações das impetrantes que estas não concordam com a possibilidade de a lei estabelecer o momento em que se considerará disponibilizado o objeto tributável e, neste ponto, ignorando o que dispõe o art. 43, §2º do CTN, com redação dada pela Lei Complementar nº 104/2001, verbis: [...]Ante todo o exposto, a União requer que seja conhecido e provido o presente recurso de apelação, reformandose integralmente a r. sentença de fls. 119/126, fazendo imperar o entendimento de que as hipóteses de incidência do IRPJ e da CSLL em se tratando de lucros auferidos por empresas brasileiras em relação a suas coligadas e controladas no exterior, deve se dar no momento da disponibilidade jurídica sobre estes recursos, tal como dispõe o art. 74 da MP nº 2.158/34/2001 combinado com o art. 7º, §1º, da IN nº 213/02. Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.689 25 Sob esta ótica, reputase incabível qualquer consideração acerca do conteúdo e do alcance do art. 23 do Tratado firmado entre Brasil e Argentina, bem como em relação à incidência do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 sobre dividendos fictos. A questão precedente a qualquer debate neste sentido está alcançada pela ação judicial proposta pelo sujeito passivo, impondose o reconhecimento da concomitância, até porque não houve acusação de distribuição de dividendos correspondentes aos lucros submetidos à tributação, o que também impõe o não conhecimento dos argumentos suscitados. Estas as razões, portanto, para acompanhar a Conselheira Relatora em suas conclusões acerca da alegação de inexistência de concomitância. Também rejeitase a arguição de nulidade do lançamento por descumprimento de decisão judicial e por ausência de autorização para reexame do período auditado de 2011 em relação à CSLL, na forma exposta pela Conselheira Relatora, cumprindo apenas recordar, quanto a este segundo ponto, a recente aprovação da Súmula CARF nº 111: O Mandado de Procedimento Fiscal supre a autorização, prevista no art. 906 do Decreto nº 3.000, de 1999, para reexame de período anteriormente fiscalizado. No mérito, observase que as demais alegações da recorrente não são hábeis a desconstituir integralmente as exigências remanescentes na decisão recorrida e sob reexame. De fato, a interessada questiona a indevida adição dos lucros da BESCO nos anos de 2011 e 2012, dado seu oferecimento à tributação em 2013, remanescendo intocados os lucros apurados pelas investidas LAWSA, EECON e WASA, que poderiam ser afetados, apenas, pelos questionamentos da interessada acerca da determinação do lucro tributável de 2011 e aproveitamento de créditos de imposto pago no exterior, dependente da tributação dos lucros correspondentes auferidos no exterior. Ocorre que, relativamente à pretensão da recorrente de que o lançamento deveria contemplar o prejuízo por ela originalmente no anocalendário 2011, apesar das considerações da Conselheira Relatora no sentido de que o lançamento formalizado nos autos do processo administrativo nº 19515.722229/201279 permanece em discussão neste Conselho, importa ter em conta que a exigência ali formalizada também alcançou, segundo relato do Acórdão nº 1301001.702, o período de apuração de 2011, revertendo para lucro o prejuízo fiscal originalmente apurado pelo sujeito passivo, consoante apontado pela decisão de 1ª instância e registrado no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL SAPLI, às fls. 3497/3498. Já o presente lançamento, afeta o mesmo período de apuração, e resultou em incidência sobre a totalidade das infrações apuradas, na medida em que a apuração original do sujeito passivo havia sido revertida para lucro. Não se trata, portanto, de pretensão do sujeito passivo de utilização de prejuízos fiscais ou bases negativas passados para compensação, hipótese na qual esta Conselheira tem assim se manifestado, nos termos da declaração de voto apresentada na Resolução nº 1402 000.724: Divirjo do I. Relator quanto ao sobrestamento do feito. Fl. 3692DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.690 26 Isto porque a compensação de prejuízos fiscais inviabilizada pelos lançamentos referidos1 foi pleiteada pelo sujeito passivo em face da exigência formalizada nestes autos em 15/12/2014, da qual resultou a ampliação do lucro tributável antes apurado no processo administrativo nº 16327.720616/201461, que se prestou a reverter para lucro o prejuízo fiscal originalmente declarado no anocalendário 2009. Ou seja, no momento da lavratura do presente lançamento, os prejuízos fiscais já estavam infirmados pelos lançamentos em referência. Ocorre que a reversão de prejuízos fiscais é ato administrativo de efeito imediato, até porque a suspensão da exigibilidade prevista no art. 151, III do CTN, decorrente da apresentação de recursos administrativos, somente afeta a exigibilidade do crédito tributário, e não as demais consequências do lançamento tributário. De fato, em sede de recurso administrativo, somente se cogita de efeito suspensivo quando a lei expressamente assim o diz. Nesse mesmo sentido, são os ensinamentos da professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (in Direito Administrativo, pág. 640, 18ª ed. 2005): Recursos administrativos são todos os meios que podem utilizar os administrados para provocar o reexame do ato pela Administração Pública. Eles podem ter efeito suspensivo ou devolutivo; este último é o efeito normal de todos os recursos, independendo de normal legal ; ele devolve o exame da matéria à autoridade competente para decidir. O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso; ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da Lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo. E isto porque, segundo as lições da mesma doutrinadora, os atos administrativos, revestidos de presunção de legitimidade, detêm auto executoriedade, e assim produzem efeitos enquanto não anulados ou cancelados por autoridade competente: A presunção de legitimidade, assim, opera no sentido da atribuição de validade aos atos administrativos, caso não restem concreta e eficazmente invalidados pelo contribuinte (de se lembrar a inadmissibilidade da negação geral); nesta hipótese, a presunção atribui força tal ao ato que pode ele instrumentar as medidas seguintes na direção de sua execução forçada. Assim, à falta de previsão expressa em outro sentido, os recursos administrativos têm apenas efeito devolutivo da matéria recorrida. Ou seja, se a norma em referência determina, tão só, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, claro está que apenas este efeito do ato administrativo é postergado. A reversão ou redução do prejuízo fiscal tem efeito imediato e a disponibilidade desse valor para compensação somente é restabelecida quando decisão administrativa, ou judicial, reverter o lançamento administrativo. 1 Processos administrativos nº 16327.720616/201461, 16327.721332/201310, 16327.720693/201331 e 16327.720328/201326 Fl. 3693DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.691 27 Por tais razões, considero desnecessário o sobrestamento do feito para se aguardar o desfecho dos processos administrativos que, eventualmente, somente poderão disponibilizar prejuízos para utilização em períodos de apuração posteriores à decisão administrativa ou judicial definitiva que desconstituir aqueles atos administrativos, sem operar, assim, efeitos pretéritos para autorizar o aproveitamento dos prejuízos fiscais de 2008 e 2009 na apuração do crédito tributário promovida, por meio do presente lançamento, em 15/12/2014. É como voto. No presente caso, a definição acerca do lançamento antes formalizado para o mesmo anocalendário é essencial para determinação do lucro do período, antes de qualquer compensação de prejuízos ou bases negativas da CSLL, em razão das infrações que eventualmente venham a ser mantidas. Assim, a liquidação da decisão do presente processo passa a ser dependente da solução definitiva do litígio estabelecido no processo administrativo nº 19515.722229/201279. Vejase que não se trata, aqui, de nenhuma das hipóteses de vinculação entre processos previstas no art. 6º do Anexo II do RICARF: a conexão não se verifica, vez que os lançamentos repousam em infrações substancialmente distintas; não há decorrência porque o presente lançamento não foi formalizado em razão de procedimento fiscal precedente; e o presente processo não é reflexo do anterior, dada sua formalização em procedimento fiscal distinto. Apenas que a determinação do crédito tributário resultante das infrações aqui mantidas é dependente da decisão final do lançamento antes formalizado para o mesmo anocalendário. Ou seja, a decisão de mérito acerca das infrações imputadas ao sujeito passivo nestes autos não permitiria a liquidação dos valores devidos, inclusive para fins da cobrança resultante da presente decisão, porque condicionada ao desfecho do processo administrativo nº 19515.722229/201279, no qual será definido se deve prevalecer a apuração deficitária original do sujeito passivo, ou valores reajustados até o limite da acusação veiculada naqueles autos, eventualmente reduzindo a base imponível nestes autos ou atraindo a isenção do adicional do IRPJ. De outro lado, não é possível permitir, aqui, a recomposição da base de cálculo de 2011 desconsiderando o lançamento precedente, apenas porque ainda não definitivamente julgado. Aquele ato administrativo infirmou a apuração deficitária originalmente apresentada pelo sujeito passivo, e assim ela não detém mais a certeza que autorizaria contemplar seus efeitos na presente exigência. Em tais circunstâncias, na medida em que o Decreto nº 70.235/72 nada dispõe a respeito, mostrase aplicável, subsidiariamente, o art. 313, inciso V, alínea "a" do Novo Código de Processo Civil, assim redigido no que importa ao presente litígio: Art. 313. Suspendese o processo: [...]V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Fl. 3694DF CARF MF Processo nº 16561.720023/201694 Resolução nº 1402000.793 S1C4T2 Fl. 3.692 28 b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; [...]§ 4o O prazo de suspensão do processo nunca poderá exceder 1 (um) ano nas hipóteses do inciso V e 6 (seis) meses naquela prevista no inciso II. § 5o O juiz determinará o prosseguimento do processo assim que esgotados os prazos previstos no § 4o. [...] Por tais razões, discordase da condução dada pela Conselheira Relatora ao tema, e concluise pela necessidade de sobrestamento do presente feito até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 19515.722229/201279. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Conselheira Fl. 3695DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720254/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2010
PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVIDADE DE ENTREGA.
O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, e deverá estar lastreada na existência de disponibilidade dos recursos para o sócio mutuante.
Por se tratar de exigência fiscal fundada em presunção legal, somente se enquadram na tipificação legal de omissão de receita, as hipóteses de suprimentos de caixa registradas como proveniente das pessoas relacionadas no artigo 282 do RIR/1999, para os quais, a empresa, intimada a comprovar a origem e efetiva entrega dos recursos, não logra fazê-lo.
A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de re-cursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos (Súmula CARF nº 95).
Numero da decisão: 1301-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2010 PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVIDADE DE ENTREGA. O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, e deverá estar lastreada na existência de disponibilidade dos recursos para o sócio mutuante. Por se tratar de exigência fiscal fundada em presunção legal, somente se enquadram na tipificação legal de omissão de receita, as hipóteses de suprimentos de caixa registradas como proveniente das pessoas relacionadas no artigo 282 do RIR/1999, para os quais, a empresa, intimada a comprovar a origem e efetiva entrega dos recursos, não logra fazê-lo. A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de re-cursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos (Súmula CARF nº 95).
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OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FAMA USINAGEM E INDÚSTRIA EIRELI EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2010 PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVIDADE DE ENTREGA. O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, e deverá estar lastreada na existência de disponibilidade dos recursos para o sócio mutuante. Por se tratar de exigência fiscal fundada em presunção legal, somente se enquadram na tipificação legal de omissão de receita, as hipóteses de suprimentos de caixa registradas como proveniente das pessoas relacionadas no artigo 282 do RIR/1999, para os quais, a empresa, intimada a comprovar a origem e efetiva entrega dos recursos, não logra fazêlo. A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de re cursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos (Súmula CARF nº 95). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 54 /2 01 3- 31 Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.919 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.920 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário apresentado em 21/05/2014 (efls.1828/1851, 1853/1876 e 1888/1911) em face do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis (efls. 1776/1787) que julgou a Impugnação improcedente, ao manter os autos de infração do SIMPLES NACIONAl, anocalendário 2010. Quanto aos fatos consta dos autos: que, em 29/04/2013, a Fiscalização da RFB, unidade DRF/Londrina, conforme Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal dessa data (efls. 1675/1676), lavrou Autos de Infração do SIMPLES NACIONAL, in verbis: (...) (...) que foram imputadas as seguintes infrações quanto aos autos de infração do SIMPLES NACIONAL (IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição Patronal Previdenciária (efls. 02/66), anocalendário 2010, in verbis: (...) OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO (...) Enquadramento legal: Arts. 3º, § 1º, 13 inciso I, 18 §§1º, 3º e 4º, 25 e 34, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações. Arts. 1º,2º, 3º, 4º e 5º §1º, 6º e 18, inciso II, da Resolução CGSN nº 51/2008 e alterações.Arts. 9º, 13 e 14, inciso I, 19 §§ 1º a 4º, da Resolução CGSN nº 30/2008. Art. 282 do RIR/99. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.921 4 (...) Enquadramento legal: Arts. 3º, § 1º, 13 inciso I, 18 §§1º, 3º e 4º, 25 e 34, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações. Arts. 1º,2º, 3º, 4º e 5º §1º, 6º e 18, inciso II, da Resolução CGSN nº 51/2008 e alterações.Arts. 9º, 13 e 14, inciso I, 19 §§ 1º a 4º, da Resolução CGSN nº 30/2008. Art. 282 do RIR/99. (...) que quanto ao fatos imputados consta descrição, narrativa da fiscalização da RFB, consoante Relatório Fiscal (efls. 1677/1688), parte integrante dos autos de infração, in verbis: (...) II DAS INFRAÇÕES II. 1 Da Omissão de Receitas Suprimento de Caixa 22. No decurso da presente ação fiscal constatouse que a empresa deixou de informar a totalidade de suas receitas na Declaração Anual obrigatória para integrantes do sistema tributário SIMPLES da Lei Complementar 123/2006. 23. Tal constatação deuse pelo comparativo entre as receitas informadas na declaração anual (DASN anocalendário 2010) e as receitas apuradas através de verificações contábeis e documentais, no caso, contabilização de empréstimo obtido de sócio, para o qual não foram apresentados documentos de origem, regulares e suficientes para a sua devida comprovação. 24. As declarações e documentos apresentados não servem para comprovação pois que: a) não foram apresentados recibos, cheques descontados ou qualquer comprovação da movimentação física dos valores; b) o contrato de mútuo apresentado não se encontra registrado em cartório de títulos e documentos, não sendo possível comprovar a sua efetiva data de lavratura (também possui prazo de quitação indeterminado); c) A retificação da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física anocalendário 2010, do Sr. Adriano, não pode ser considerada pois ocorreu após o início do procedimento fiscal na empresa, portanto, já se encontrava fora do período de espontaneidade; d) Ainda que pudesse ser aceita no que se refere à data de sua retificação, não poderia ser aceita por tratarse de origem não comprovada, ou seja, em última instância, não há comprovação que o sócio recebeu dinheiro de pessoas físicas nem que possuía condições financeiras para efetuar o empréstimo; Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.922 5 e) A sequência de fatos demonstra que a retificação da Declaração de Imposto de Renda do sócio foi produzida com a única finalidade de dar suporte financeiro ao empréstimo contabilizado; f) Por acréscimo, notese que ambos, empresa e sócio, declararam que não havia sido quitada nenhuma parcela de empréstimo; no entanto, há um pagamento de R$100.000,00 lançado na contabilidade, na data de 31/12/2010; 25. Devese considerar que o início do procedimento fiscal retira do sujeito passivo, de imediato, a espontaneidade para atos relativos ao objeto da ação fiscal. O óbice à espontaneidade é extensiva aos terceiros envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas, independentemente de intimação específica, conforme Decreto n. 70.235/1972 (art. 7º): (...) 26. Devese também considerar o disposto no artigo 34 da Lei Complementar 123/2006: "Art. 34. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. " 27. Por outro lado, o Regulamento do Imposto de Renda RIR Decreto 3.000/99 esclarece que: "Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecreloLei ns 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). (...) II.2 Insuficiência de Recolhimento 30. Em decorrência da omissão de receitas, conforme já relatado, houve mudança de faixa e consequente insuficiência de recolhimento para a qual, neste momento, é efetuado o lançamento de ofício (...) que ainda consta do referido Relatório Fiscal o demonstrativo do valor tributável da infração Omissão de Receitas Suprimento de Numerário: (...) 28. Aplicandose os conceitos acima descritos apuramse os seguintes valores: Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.923 6 Período de Apuração RECEITAS REGISTRADAS NA CONTABILIDADE RECEITAS INFORMADAS EM DASN RECEITAS DECLARADAS RECEITAS OMITIDAS TOTAL DE RECEITAS 01/2010 157.225,65 67.000,00 224.225,65 157.225,65 02/2010 236.955,80 5.000,00 241.955,80 236.955,80 03/2010 668.240,08 20.000,00 688.240,08 668.240,08 04/2010 0,00 0,00 ,00 0,00 05/2010 29.742,73 0,00 29.742,73 29.742,73 06/2010 210.265,30 0,00 210.265,30 210.265,30 07/2010 182.827,71 0,00 182.827,71 182.827,71 08/2010 174.523,26 76.000,00 250.523,26 174.523,26 09/2010 153.149,19 0,00 153.149,19 153.149,19 10/2010 275.188,33 405.000,00 680.188,33 275.188,33 11/2010 123.951,08 0,00 123.951,08 123.951,08 12/2010 131.087,31 310.000,00 441.087,31 131.087,31 Totais 2.343.156,44 883.000,00 3.226.156,44 2.343.156,44 Obs: Receitas omitidas (não declaradas): obtidas nos registros contábeis : conta 210401004 Sócios c/c. 29. Esclareçase que a empresa optou pela sua contabilização em Livros Diário e Razão, apresentandoos a esta auditoria em arquivo digital previsto no "MANAD", e, em papel, os Balanços Patrimoniais. (...) que o crédito tributário lançado de ofício do SIMPLES NACIONAL, ano calendário 2010, na data de lavratura dos autos de infração (encerramento do procedimento de fiscalização), perfaz o montante de R$ 170.016,13, assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 04/2013) (R$) Multa de Ofício 75% (R$) Total (R$) IRPJSimples 5.710,87 1.304,48 4.283,14 11.298,49 IPI Simples 5.241,14 1.194,71 3.930,84 10.366,69 CSLL Simples 5.710,87 1.304,48 4.283,14 11.298,49 Cofins Simples 16.829,92 3.839,52 12.622,41 33.291,85 PISCofins 4.042,89 924,88 3.032,14 7.999,91 Contrib. Patronal Previd Simpels 48.408,88 11.045,17 36.306,65 95.760,70 Total (R$) 170.016,13 Ciente do lançamento fiscal, o sujeito passivo apresentou Impugnação, cujas razões, em síntese, estão consignadas no relatório da decisão recorrida e que transcrevo nessa parte, in verbis: (...) Fl. 1923DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.924 7 Cientificada dos autos de infração, a Interessada apresentou sua impugnação (fls.1.738 a 1.770) aos lançamentos onde, após um breve relato do procedimento fiscal que sofreu, alega, em resumo, que (i) a operação de empréstimo é perfeitamente legal, não podendo a fiscalização desconstituir ato jurídico perfeito, (ii) que os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé (art.113 do CC), (iii) que teve afrontado seu direito de defesa, visto que tinha contrato entre as partes, não tendo a fiscalização competência para desconsiderar tal documento, (iv) que não existiu omissão de receitas, pois os valores emprestados pelo sócio à Impugnante foram feitos em espécie, não sendo lícito exigir do contribuinte comprovações que não as exigidas em lei, (v) que tinha contrato de mútuo e não existe norma legal que obrigue o registro em cartório, (vi) que a retificação da declaração de rendimentos do sócio não foi considerada, mas a retificação de documentos tratase de um direito de qualquer cidadão brasileiro e que não havia nenhum procedimento fiscalizatório quanto à pessoa do sócio, portanto a retificação podia ser feita a qualquer tempo, (vii) que a fiscalização lavrou auto de infração com base em mera presunção, sem demonstrar os elementos que deram ensejo ao fato gerador, que a autoridade administrativa não produziu a prova necessária, (viii) traz doutrinas e ementas de julgados na direção que defende, (ix) sendo indevida a tributação, não seria aplicável a multa de ofício de 75% e (x) da ilegalidade da Taxa SELIC. Na sessão de 11/04/2014, a 3ª Turma da DRJ/Florianópolis julgou a Impugnação improcedente, ao manter o lançamento fiscal, conforme Acórdão cuja ementa e parte dispositiva transcrevo (efls. 1776/1787), in verbis: (...) ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 Omissão de Receitas. Suprimentos de Caixa Por Sócio. Contrato de Mútuo. Os suprimentos de numerários contabilizados como contratos de mútuo (empréstimos), atribuídos a sócio da pessoa jurídica devem ser tributados como omissão de receitas quando não comprovada a efetiva entrega e origem dos recursos com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 Multa de Ofício. Exigibilidade. É legítima a cobrança da multa punitiva no caso de lançamento de ofício decorrente de infração ao dispositivo legal detectada pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora. Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.925 8 Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. Jurisprudência Administrativa. Súmula CARF n° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Ciente desse decisum em 22/04/2014 (terça feira) por via postal, Aviso de Recebimento AR (efls. 1792 e 1915), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 21/05/2014 quartafeira (efls. 1828/1851, 1853/1876 e 1888/1911), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que o motivo do lançamento fiscal, tributos e contribuições do SIMPLES NACIONAL, anocalendário 2010, foi o entendimento equivocado da fiscalização de não reconhecer os empréstimos efetuados pelo sócio para a pessoa jurídica. Por consequência, o fisco entendeu pela omissão de receitas; que a decisão recorrida merece reforma, visto que as irregularidades apontadas pelo fisco não ocorreram; razão pela qual o lançamento fiscal em referência deve ser julgado totalmente nulo e insubsistente, com o consequente cancelamento da exigência do crédito tributário; que em relação ao empréstimo (mútuo): a) pela narrativa da fiscalização, a respeito do empréstimo realizado pelo sócio para a pessoa jurídica ora recorrente, podese concluir que tal operação seria procedimento "malvisto, não aceitável ou até proibido"; b) data venia, tal operação é comum no meio empresarial. Tais empréstimos podem ocorrer nos dois sentidos; Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.926 9 c) nos termos do artigo 586 do Novo Código Civil o mútuo é definido como empréstimo de coisa fungível (dinheiro), portanto, o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu. Normalmente cabe ao mutuário remunerar o capital que lhe foi colocado à disposição, mediante o pagamento de juros, conforme expresso em contrato; d) a operação de empréstimo é perfeitamente legal, não podendo a fiscalização desconstituir ato jurídico perfeito; e) a fiscalização tenta desconsiderar o contrato de empréstimo sob argumentos pífios; f) pela função social dos contratos, os negócios jurídicos patrimoniais devem ser analisados de acordo com o meio social; g) ao lado da função social dos contratos, a boafé objetiva procura valorizar a conduta de lealdade dos contratantes em todas as fases contratuais (art. 422 do novo Código Civil função de integração da boafé); h) na dúvida, os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé (art. 113 do novo Código Civil função de interpretação da boafé); i) a boafé objetiva está relacionada com deveres anexos, inerentes a qualquer negócio. A quebra desses deveres caracteriza o abuso de direito (art. 187 do novo Código Civil função de controle da boafé); j) por tais motivos, as argumentações da fiscalização em pretender desconsiderar o contrato de empréstimo existente e reconhecido entre a recorrente e seu sócio, é totalmente sem propósito e validade legal; k) existiu somente suposições do fisco, destacando que no caso de: OMISSÃO DE RECEITAS O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. A constatação de omissão de receitas pela pessoa jurídica, deve ser devidamente comprovada pela fiscalização, através da realização das verificações necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à validação do crédito tributário. (Acórdão n° 10321.437, 1o CC/3a Câmara, publ. 24/12/2003); l) por fim, face ao disposto no art. 50, XXXVI, da CF/88, é indubitável que o contrato válido entre as partes in caso, contrato de empréstimo constitui ato jurídico perfeito, protegido pelo texto constitucional, dele irradiando, para uma ou ambas as partes, direitos adquiridos e obrigações, não podendo a fiscalização por ato superveniente à data da celebração, desconstituir condições pactuadas; m) na verdade o ato administrativo da fiscalização em desconstituir o contrato de empréstimo é totalmente nulo, até porque, no ensinamento do Prof. HELY LOPES MEIRELLES, Direito Administrativo Brasileiro, 15a Ed.. RT, SP, pg 150, nota 12: "ninguém adquire direitos (agindo) contra a Lei"; n) o referido procedimento de fiscalização, por vias indiretas, cerceou o direito de defesa da recorrente, teve afrontado seu amplo direito de defesa garantido pela Constituição Federal, Código Tributário Nacional e Decreto n° 70.235/72, visto que existindo contrato ( ato jurídico perfeito) entre as partes, e tendo as partes efetivamente reconhecido o mesmo, não possui a fiscalização competência, e muito menos poder para desconsiderar referido documento; Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.927 10 o) o ato de lançamento, espécie do gênero ato administrativo, deve obedecer, em seu regime jurídico, não só aos critérios usuais do Direito Administrativo, mas também aos rigores próprios da atividade tributária. Assim sendo, os vícios do procedimento de fiscalização e apuração contaminam a validade do ato de lançamento. Assim, deve ser anulado o ato administrativo fiscal que deu origem ao lançamento tributário e não apenas o auto de infração em referência; p) o lançamento fiscal exige da recorrente valores complementares na modalidade de tributação do SIMPLES NACIONAL do IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, IPI e INSS/CP, juros e multa, relativamente ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2010, por supostamente ter existido omissão de receitas.Tal conclusão da fiscalização foi obtida pelo fato da mesma não ter admitido/aceitado empréstimos de numerários efetuados à recorrente por seu sócio. A fiscalização entendeu pela omissão de receitas, porque não teria sido apresentado recibos, cheques, bem como, não teria sido o contrato de empréstimo registrado em cartório e porque o sócio teria retificado seu imposto de renda para dar suporte financeiro ao empréstimo; q) data venia, a fiscalização criou ficção para justificar o lançamento tributário, alegando situações totalmente sem propósitos e validade jurídica. Todos os valores emprestados, pelo sócio para a recorrente, foram efetuados em espécie. A fiscalização quanto a essa questão "esquece" da existência do dinheiro (cédulas), parecendo crer que no meio financeiro somente existem operações junto a bancos (cheques, TED's, etc...); r) data venia, não existe norma legal que obrigue o registro de contrato em cartório; s) em nenhum momento o sócio havia sido intimado por qualquer procedimento fiscalizatório antes da retificação da declaração da pessoa física; t) para ser exigível o crédito tributário deve revestirse das formalidades previstas no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No presente caso, a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato jurídico tributário. Destarte, não basta a simples presunção levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas. Não se pode vaticinar o comportamento cômodo do fisco que, em vez de buscar a verdade material, escondese em frágeis presunções, jogando, abusivamente, para o contribuinte, deveres legais que lhe incumbiam. Como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, a que se reporta o art. 43 do Código Tributário Nacional, deve ser efetiva, não há margem para manutenção do lançamento fiscal; u) a autoridade administrativa aplicou multa equivalente a 75% sobre os valores dos débitos, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9430/96; Não houve "omissão de receitas" e, por consequência, falta de recolhimento de quaisquer tributos, uma vez que indevidos os débitos exigidos, inaplicável a multa de ofício, porque ausente o objeto que daria ensejo a tal penalidade; v) ilegalidade da taxa SELIC. Por fim, ante o exposto, razões de fato e direito, a recorrente pediu seja afastada a presunção de "omissão de receitas", uma vez que claramente demonstrado que as operações praticadas encontramse lastreadas em documentação hábil e idônea, e julgado totalmente improcedente e insubsistente os autos de infração em referência, afastandose, por conseguinte, a imposição de valores complementares na modalidade de tributação do SIMPLES NACIONAL referente ao IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, IPI e INSSContribuição Patronal, da multa e dos juros. É o relatório. Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.928 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. A lide versa acerca da exigência do crédito tributário do SIMPLES NACIONAL, anocalendário 2010, lançamento de ofício (Autos de Infração do IRPJ Simples, IPISimples, PISSimples, Cofins Simples, CSLL Simples e Contribuição Patronal Previdenciária INSSSimples, com aplicação de multa de ofício de 75%), em decorrência da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas (suprimento de caixa, de numerário pelo sócio ADRIANO JESUS DE RIZZO); b) insuficiência de recolhimento quanto à receita declarada no SIMPLES NACIONAL (infração reflexa). Quanto à imputação da infração omissão de receitas (suprimento caixa), consta do Relatório Fiscal que o fisco durante o procedimento de fiscalização intimou a empresa e o sócio, no sentido de que fosse comprovada a entrega e origem dos recursos . Primeiro foi intimada a empresa. Em resposta à intimação do fisco, em 12/03/2013, a empresa fiscalizada FAMA USINAGEM E INDÚSTRIA LTDA assim se pronunciou (efl. 1237), in verbis: (...) ASSUNTO: EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS: Em atendimento ao M.P.F. 0910200.2012.00782 para Esclarecimentos relativos aos empréstimos tomados de sócios relativos aos anos de 2008 a 2010 informamos o quanto segue: Os empréstimos foram efetuados pelo sócio ADRIANO JESUS DE RIZZO, em moeda corrente, no caixa da empresa conforme datas abaixo: 01/2008 R$ 120.749,79, 01/2009 R$ 150.000,00 02/2009 R$ 70.000,00 03/2009 R$ 50.000,00 05/2009 R$ 60.000,00 Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.929 12 12/2009 R$ 70.000,00 01/2010 R$ 67.000,00 02/2010 R$ 5.000,00 03/2010 R$ 20.000,00 08/2010 R$ 76.000,00 10/2010 R$ 405.000,00. 12/2010 R$ 310.000,00 Juntamos também contrato de mútuo entre as partes. (...) Como visto, a empresa não comprovou o efetivo ingresso do numerário e a origem dos recursos. Apenas citou valores e juntou cópia de instrumento de contrato de mútuo. Porém, exigese a efetiva entrega e a origem dos recursos. Na sequência, por último, em 16/03/2013. foi intimado pelo fisco o sócio ADRIANO JESUS DE RIZZO a fazer comprovação da efetiva entrega e origem desses recursos emprestados (mútuo concedido) à empresa FAMA USINAGEM E INDÚSTRIA LTDA (efls. 1638/1640) e o intimado assim se pronunciou em 22/03/2013, juntando cópia do instrumento do contrato de mútuo (empréstimo) suprimento de numerário em favor da citada empresa até o limite de R$ 1.800.000,00 de 20/03/2007 (efls. 1641/1643): (...) Em atendimento ao TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL/SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS, referente ao M.P.F. 0910200.2013.00272, datado de 13/03/2013 informo o quanto segue: a) Informo que efetuei empréstimos à empresa FAMA USINAGEM E INDÚSTRIA LTDA, nas seguintes datas e valores 01/2008 R$ 120.749,79, 01/2009 R$ 150.000,00 02/2009 R$ 70.000,00 03/2009 R$ 50.000,00 05/2009 R$ 60.000,00 12/2009 R$ 70.000,00 01/2010 R$ 67.000,00 02/2010 R$ 5.000,00 03/2010 R$ 20.000,00 08/2010 R$ 76.000,00 Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.930 13 10/2010 R$ 405.000,00. 12/2010 R$ 310.000,00 Declaro ainda, que até o presente momento a empresa não efetuou qualquer pagamento relativo aos empréstimos acima. b) Contrato de Mútuo anexo; c) Os rendimentos que suportam os empréstimos efetuados à minha empresa foram recebidos de diversas pessoas físicas e encontramse devidamente declarados em minhas declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física relativas aos anos de 2008 a 2010. (...) Obs: Cópias de DIRPF retificadoras (efls. 1662/1674). O Sr. ADRIANO JESUS DE RIZZO, sóciodiretor da empresa limitouse a fazer a juntada de cópia do instrumento de contrato de mútuo concedido à autuada FAMA USINAGEM E INDÚSTRIA LTDA e juntada de cópia de suas declarações (DIRPF). Ora, são elementos de prova são insuficientes. É necessário comprovar a efetiva entrega do numerário à empresa, não basta apenas comprovar capacidade financeira do mutante sócio. Assim, como demonstrado, não houve durante o procedimento de fiscalização a comprovação da origem e da efetiva entrega do numerário, pois o valor teria sido disponibilizado em espécie à empresa, dinheiro vivo (cash). Ou seja, faltou por parte da empresa e pelo sócio a comprovação da entrega efetiva e da origem dos recursos. Por isso, da imputação da infração omissão de receitas (suprimento de caixa, de numerário, sem comprovação da origem e da entrega efetiva dos recursos) quanto anocalendário 2010, período de apuração objeto do lançamento fiscal. Nesse sentido, transcrevo a conclusão da fiscalização constante do Relatório Fiscal (efls. 1677/), parte integrante do lançamento fiscal: (...) Nos termos do Decreto 3.724 de 10/01/2001, alterado pelo Decreto 6.104, de 30/04/2007 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF número n° 0910200.2012.00782, do qual o contribuinte foi regularmente cientificado em data de 06/07/2012, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF. (...) 10. Em 21/12/2012, após ter sido constatado por esta fiscalização, prestações de serviços contabilizadas de forma genérica e existência de empréstimos, em espécie, tomados de empresa cliente e de sócios, a empresa foi intimada para, no Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.931 14 prazo de 20 dias, apresentar demonstrativo de custos de produção separados entre produção própria e para terceiros e apresentação de documentos comprobatórios relativos aos empréstimos tomados da empresa cliente e de sócio. (...) 16. Em 12/03/2013 o contribuinte traz correspondência esclarecendo que os empréstimos tomados dos sócios ocorrem apenas com o sócio Adriano Jesus de Rizzo, em moeda corrente, no caixa da empresa, relacionando os valores emprestados e juntando um contrato de mútuo. 17. Em 18/03/2013 o contribuinte foi cientificado de nova Intimação para, no prazo de 05 dias úteis informar e, sendo o caso, apresentar documentos hábeis, relativos à quitação total ou parcial dos empréstimos obtidos com o sócio. Em 22/03/2013 o contribuinte apresentou esclarecimento informando que até aquela data não havia efetuado qualquer pagamento dos empréstimos tomados do sócio. 19. Paralelamente foi aberta Diligência Vinculada na pessoa física do sócio Adriano Jesus de Rizzo onde de início, foi constatado que não possuía bens, direitos ou rendas suficientes para o empréstimo declarado, conforme dados obtidos em suas declarações originais de Imposto de Renda. Somente após iniciado o procedimento fiscal junto à empresa, da qual é sócioadministrador e, inclusive, após terse intimado a mesma a comprovar com documentos hábeis, a efetivação do empréstimo, o Sr. Adriano, em 07/03/2013, providenciou retificação de suas declarações de imposto de renda e passou a declarar rendimentos compatíveis com o empréstimo à empresa, bem como lançar o empréstimo em sua relação de bens e direitos. 21. Em 16/03/2013, o sr. Adriano foi intimado para confirmação da existência e condições do empréstimo sendo que, em 22/03/2013, confirmou a concessão de empréstimo. No entanto, nada apresentou quanto à origem dos valores informados como recebidos de pessoas físicas em suas declarações de imposto de renda, não identificando os pagantes, nem os motivos dos recebimentos e não apresentando qualquer documento comprobatório do alegado. 22. No decurso da presente ação fiscal constatouse que a empresa deixou de informar a totalidade de suas receitas na Declaração Anual obrigatória para integrantes do sistema tributário SIMPLES da Lei Complementar 123/2006. 23. Tal constatação deuse pelo comparativo entre as receitas informadas na declaração anual (DASN anocalendário 2010) e as receitas apuradas através de verificações contábeis e documentais, no caso, contabilização de empréstimo obtido de Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.932 15 sócio, para o qual não foram apresentados documentos de origem, regulares e suficientes para a sua devida comprovação. 24. As declarações e documentos apresentados não servem para comprovação pois que: a) não foram apresentados recibos, cheques descontados ou qualquer comprovação da movimentação física dos valores; b) o contrato de mútuo apresentado não se encontra registrado em cartório de títulos e documentos, não sendo possível comprovar a sua efetiva data de lavratura (também possui prazo de quitação indeterminado); c) A retificação da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física anocalendário 2010, do Sr. Adriano, não pode ser considerada pois ocorreu após o início do procedimento fiscal na empresa, portanto, já se encontrava fora do período de espontaneidade; d) Ainda que pudesse ser aceita no que se refere à data de sua retificação, não poderia ser aceita por tratarse de origem não comprovada, ou seja, em última instância, não há comprovação que o sócio recebeu dinheiro de pessoas físicas nem que possuía condições financeiras para efetuar o empréstimo; e) A sequência de fatos demonstra que a retificação da Declaração de Imposto de Renda do sócio foi produzida com a única finalidade de dar suporte financeiro ao empréstimo contabilizado; f) Por acréscimo, notese que ambos, empresa e sócio, declararam que não havia sido quitada nenhuma parcela de empréstimo; no entanto, há um pagamento de R$100.000,00 lançado na contabilidade, na data de 31/12/2010; 25. Devese considerar que o início do procedimento fiscal retira do sujeito passivo, de imediato, a espontaneidade para atos relativos ao objeto da ação fiscal. O óbice à espontaneidade é extensiva aos terceiros envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas, independentemente de intimação específica, conforme Decreto n. 70.235/1972: Art. 7º . O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas." Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.933 16 26. Devese também considerar o disposto no artigo 34 da Lei Complementar 123/2006: "Art. 34. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. " 27. Por outro lado, o Regulamento do Imposto de Renda RIR Decreto 3.000/99 esclarece que: "Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecreloLei ns 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). (...) A infração omissão de receitas (suprimento de caixa) art. 282 do RIR/99 encerra presunção legal. Isso quer dizer que o ônus de comprovar que não houve omissão de receitas é da recorrente, pois a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. Na instância a quo e nesta instância recursal, o sujeito não produziu prova do ingresso efetivo de numerário (suprimento de caixa) e da origem dos recursos. Especificamente sobre a presunção legal aqui discutida, Higuchi leciona: Os suprimentos de Caixa cuja origem dos recursos não for devidamente comprovada são tributados como receitas omitidas da própria empresa. Quando a pessoa jurídica paga duplicatas com recursos provenientes de receitas omitidas e contabiliza os pagamentos terá necessidade de contabilizar a entrada de dinheiro no conta Caixa, porque, do contrário, o seu saldo ficaria credor. Essa contabilização, denominada suprimentos de Caixa, poderá ter como contrapartida a conta dos sócios ou capital. Qualquer que seja a contrapartida dos lançamentos, os suprimentos de caixa devem ser comprovados com documentação idônea e coincidente em datas e valores.(Imposto de Renda das Empresas. Interpretação e Prática. 29ª Ed. São Paulo:Editora do Autor, 2004, p.600). Nesse sentido também são os precedentes do CARF, cujas ementas de acórdãos transcrevo, a título ilustrativo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2005. (...). OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA POR ADMINISTRADORES OU Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.934 17 SÓCIOS. No caso de suprimentos de caixa realizados por administradores ou sócios, cabe ao contribuinte apresentar prova não apenas da origem, mas também da efetiva entrega dos recursos à empresa. Do contrário, fica configurada a prática de omissão de receitas, por presunção legal. (...) (Acórdão nº 1802 002.227–2ª Turma Especial, sessão de 29/07/2014, Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício:200. (...). SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. O suprimento de caixa proveniente de empréstimo de pessoa ligada deve ser evidenciado por documentação que comprove o desembolso e a efetiva entrega do numerário coincidentes em datas e valores, bem como a existência de disponibilidade de recursos do mutuante para suportar a operação. (Acórdão nº 1801001.713– 1ª Turma Especial, sessão de 05/11/2013, Carmen Ferreira Saraiva Relatora). OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E ENTREGA DOS RECURSOS. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe ao sujeito passivo comprovar, com documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso dos recursos no caixa da empresa e de origem ou fonte estranha à sociedade, presumindose, quando não produzida tal prova, que os recursos provieram de receita omitida, não registrada na sua escrituração contábil e fiscal. (Acórdão nº 1802001.320–2ª Turma Especial, sessão de 07/08/2012, Relator Nelso Kichel). NULIDADE DOS LANÇAMENTOS — PRESUNÇÕES. O ordenamento jurídico tributário pode estabelecer, dentro de certos limites presunções, inclusive absolutas, ou mesmo ficções A questão vertente não é de presunção extraída diretamente pela autoridade fiscal, de presunção hominis, mas de presunção legal relativa . Os pressupostos para a aplicação da presunção legal, relativa, foram concretizados os sócios foram previamente intimados a esclarecer e a comprovar a efetividade e a origem dos suprimentos de caixa escriturados na contribuinte. SUPRIMENTOS DE CAIXA POR SÓCIOS EFETIVIDADE E ORIGEM. Suprimento de caixa de efetividade e origem incomprovadas é "irmão" de saldo credor de caixa: em ambos o casos procurase acobertar omissão de receitas pretérita — sem o suprimento de caixa podese inclusive a chegar a um saldo credor de caixa; intentase deixar de expor o saldo credor de caixa por lançamento a débito no caixa contra alguma exigibilidade (inclusive capital social). Cópias das DIRPF dos sócios a demonstrar que eles possuíam recursos para o suprimento de caixa integralização de capital — são insuficientes para a comprovação da efetividade e da orige m do suprimento de caixa feito supostamente em numerário; o mesmo se diga quanto a cópia de DIRPF e recibo emitido pela Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.935 18 recorrente, para suposto empréstimo feito pelo sócio à contribuinte. Nesses casos, meio de prova seriam dados de fato de terceiro. (Ac. 110300.286, sessão de 30/08/2010, Relator Marcos Shigueo Takata). SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. (Ac. nº 180301353, sessão de 13/06/2012, Relator Sérgio Rodrigues Mendes). OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. O suprimento de caixa por numerário proveniente de empréstimo de sócio deverá ser comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor com os registros contábeis. (Ac. nº180300.761, sessão de 16/12/2010, Relatora Selene Ferreira de Moraes). OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Prevalece a presunção legal de omissão de receitas se a contribuinte não faz prova de sua improcedência. (Ac. nº 1301 000.447, sessão de 12/11/2010, Relator Paulo Jackson da Silva Lucas). IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIO INCOMPROVADOS. ADIANTAMENTOS PARA AUMENTO DE CAPITAL. Se a empresa não logra com provar a origem e o efetivo ingresso, no caixa, dos recursos registrados contabilmente como Adiantamento de Sócios para futuro aumento de capital, aplica se o artigo 282 do RIR/99 em relação à omissão de receitas. (Ac. 120200.419, sessão de 10/11/2010, Relatora Nereida de Miranda Finamore Horta). SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. A falta de comprovação da origem e da efetiva entrega de numerários a titulo de empréstimo de sócio autoriza a exclusão desses valores na recomposição do saldo da conta Caixa. Irrelevante que o sócio tivesse, na ocasião, capacidade econômica e financeira para suportar os alegados suprimentos. Apurado saldo credor, presumese ter havido omissão de receitas em montante equivalente. (Ac. nº 130200.054, sessão de 27/08/2009, Relator Irineu Bianchi). OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO. SALDO CREDOR DE CAIXA. Os suprimentos de caixa ou empréstimos lançados sem respaldo em documentação que demonstre inequivocamente a origem e a efetiva entrada de recursos e que a conta caixa sem esse aporte gere saldo credor de caixa são considerados omissão de Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.936 19 receitas.(Ac. nº 120100.076, sessão de 14/05/2009, Relator Antônio Bezerra Neto). OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA — FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — NÃO COMPROVADA SITUAÇÃO ELISIVA DA PRESUNÇÃO SUBSISTE O LANÇAMENTO. Não tendo a empresa, durante todo o processo, produzido qualquer prova do fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, notadamente no sentido de afastar a apuração do saldo credor de caixa e/ou o suprimento de numerário, bem como os pagamentos não escriturados, subsiste a presunção de omissão de receitas.(Ac. nº 180300.076, sessão de 28/05/2009, Relator Luciano Inocêncio dos Santos). Como já dito, nesta instância recursal ordinária de julgamento a recorrente não produziu prova hábil, idônea, cabal, para arrostar, afastar a infração omissão de receitas. No caso de suprimento de numerário, a recorrente, por exemplo, deveria juntar aos autos cópia de cheque emitido pelo sócio pessoa física, com coincidência ou identidade de valores e datas entre os lançamentos contábeis e as saídas de numerário da conta corrente do sócio (extrato bancário). Entretanto, nenhuma prova nesse sentido produziu a recorrente bem como o sóciodiretor mutuante. Aplicação da SÚMULA CARF 95, cujo verbete reza: A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Por conseguinte não há reparo a fazer na decisão recorrida quanto à infração imputada Omissão de Receita (suprimento de caixa) e quanto à infração reflexa, pois a recorrente não comprovou a efetiva entrega do numerário pelo sócio, bem como a origem dos recursos, devendo ser mantida a decisão a quo. Mantémse a multa de ofício de 75%, aplicada em atividade repressiva de fiscalização (investigação externa), como decorrência das infrações imputadas. Tratase de multa de ofício aplicada no seu patamar mínimo (75%) pela falta de pagamento dos tributos do SIMPLES Nacional, em face das infrações apuradas e sancionadas. Mantémse também os juros de mora, matéria sumulada. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 11634.720254/201331 Acórdão n.º 1301003.627 S1C3T1 Fl. 1.937 20 Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Por tudo que foi exposto, voto para conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1937DF CARF MF
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