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Numero do processo: 10725.721441/2011-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 14 41 /2 01 1- 98 Fl. 70DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda implica a manutenção da glosa. Passagens do voto do acórdão de impugnação sustentaram o seguinte: O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$20.150,00. Recibos dos profissionais apontados na Notificação de Lançamento não continham o endereço completo do profissional. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. No caso em concreto, feita essa preleção, compulsando a documentação acostada (fls. 1232), observase que não houve a apresentação de novos recibos, suprindo a deficiência apontada na Notificação de Lançamento (endereço do profissional). Como se esclareceu acima, em regra, deve o documento passado pelo profissional possuir todos os requisitos legais, contudo, entendese que seria perfeitamente aceitável a aposição do endereço da forma como fez a impugnante (logo abaixo da cópia de cada recibo), desde que fosse incluído pelo próprio profissional, com a sua identificação inequívoca, a exemplo da assinatura. Não é o que ocorre, pois não é possível identificar a assinatura do emitente/profissional junto ao endereço aposto em nenhum dos documentos apresentados. Ademais, a título de registro, nesses mesmos papéis, o carimbo do emitente/profissional está ilegível. Curiosamente, está “espelhado” em todos os recibos em que é possível divisálo, enquanto o endereço indicado se encontra na forma usual (fls. 1232). Assim, na ausência de comprovação hábil e idônea da despesa pleiteada, há que considerar subsistente a glosa efetuada. Trechos do recurso voluntário sustentaram o seguinte: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10725.721441/201198 Acórdão n.º 2001000.877 S2C0T1 Fl. 3 3 . Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de glosa do valor de R$ 5.000,00 e R$ 10.000,00, referente a despesas médicas. Demais itens do lançamento já foram providos ou não foram objeto de recurso. No caso, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. De toda forma, nas fls. 63 e 64 o contribuinte apresentou novos recibos e declarações da profissional, indicando o pagamento das despesas médicas. Fl. 72DF CARF MF 4 Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.904792/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
AUSÊNCIA DE EXAME DE PEDIDO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE.
A ausência de exame das razões que embasam a Manifestação de Inconformidade enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, inclusive de ofício, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa.
APLICAÇÃO DO ART. 1.013, § 3º, III, C/C O ART. 15, AMBOS DO NOVO CPC (TEORIA DA CAUSA MADURA).
A necessidade de realização de diligência para que, caso existente, seja oportunizada a anexação de documentos comprobatórios, demonstra que o processo não está em condições de imediato julgamento, sendo medida que se impõe sua devolução à instância de origem para que seja prolatada nova decisão.
Numero da decisão: 3401-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa, ao não analisar argumento relevante de defesa.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 AUSÊNCIA DE EXAME DE PEDIDO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a Manifestação de Inconformidade enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, inclusive de ofício, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa. APLICAÇÃO DO ART. 1.013, § 3º, III, C/C O ART. 15, AMBOS DO NOVO CPC (TEORIA DA CAUSA MADURA). A necessidade de realização de diligência para que, caso existente, seja oportunizada a anexação de documentos comprobatórios, demonstra que o processo não está em condições de imediato julgamento, sendo medida que se impõe sua devolução à instância de origem para que seja prolatada nova decisão.
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NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a Manifestação de Inconformidade enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, inclusive de ofício, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa. APLICAÇÃO DO ART. 1.013, § 3º, III, C/C O ART. 15, AMBOS DO NOVO CPC (TEORIA DA CAUSA MADURA). A necessidade de realização de diligência para que, caso existente, seja oportunizada a anexação de documentos comprobatórios, demonstra que o processo não está em condições de imediato julgamento, sendo medida que se impõe sua devolução à instância de origem para que seja prolatada nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa, ao não analisar argumento relevante de defesa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 47 92 /2 00 9- 73 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10940.904792/200973 Acórdão n.º 3401005.788 S3C4T1 Fl. 171 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo. Relatório 1. Trata o presente caso de Despacho Decisório Eletrônico emitido em 01/03/2011, às fls. 68/106, que analisou o Pedido de Ressarcimento (PER) nº 04671.52776.170904.1.1.010507, referente a créditos de IPI apurados no 2º trimestre de 2004. O valor solicitado/utilizado foi de R$862.557,09, tendo sido reconhecido apenas R$43.654,98, devido à glosa de crédito presumido de IPI considerado indevido por ser referente a aquisições de matériasprimas junto a pessoa física e a fretes, conforme constatado em procedimento fiscal. 2. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 14/03/2011 (à fl. 107), apresentou a Manifestação de Inconformidade às fls. 03/21, alegando, em síntese, o seguinte: 1 A decadência do crédito tributário, caracterizada pela perda do direito do Fisco em cobrar os valores constantes no Despacho Decisório, referentes a períodos anteriores a 14/03/2006, pois somente em Março de 2011 teria havido a constituição definitiva do crédito tributário; 2 A homologação integral do crédito presumido do IPI pelo decurso do prazo, pois em relação aos pedidos de ressarcimento, o art. 24 da Lei nº 11.457/2007 estabelece o prazo de 360 dias para análise; 3 A possibilidade de inserção, na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições de insumo perante pessoas físicas, sendo ilegal a vedação imposta através do art. 5º, §2º, da IN SRF 420/2004; 4 A possibilidade de inserção, na base de cálculo do crédito presumido, dos valores referentes ao frete das aquisições de insumo, uma vez que o frete compõe o custo destas aquisições; 5 A correção monetária do referido crédito presumido. 3. A DRJ Ribeirão Preto (DRJ/RPO) julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, em um primeiro Acórdão exarado na Sessão de 06/11/2012, às fls. 113/115. 4. Em 26/11/2012, a DRF Ponta Grossa emitiu despacho, com fundamento no art. 32 do Decreto 70.235/72 e no art. 67 do Decreto 7.574/2011, devolvendo o processo à DRJ/RPO para verificações e correções que julgar necessárias, tendo em vista que o Acórdão prolatado considerou a Manifestação de Inconformidade procedente, reconhecendo a homologação tácita da "DCOMP nº 04671.52776.170904.1.1.010507", sendo que este Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10940.904792/200973 Acórdão n.º 3401005.788 S3C4T1 Fl. 172 3 documento não é uma DCOMP, mas sim um Pedido de Ressarcimento, não sujeito à homologação por decurso de prazo. 5. Ao PER nº 04671.52776.170904.1.1.010507 estão vinculadas 80 DCOMPs, sendo que o Despacho Decisório analisou todas elas, quando deferiu parcialmente o crédito do pedido de ressarcimento e homologou parcialmente/não homologou as demais DCOMPs a ele relacionadas. Estas DCOMPs foram transmitidas entre as datas de 17/09/2004 até 23/09/2010, logo, apenas parte delas estariam homologadas por disposição legal. 6. Em 12/03/2013 foi proferido pela DRJRPO o Acórdão revisor nº 14 40.801, o qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, restando assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004 ACÓRDÃO RETIFICADOR. Este Acórdão retifica e substitui o de nº 1439.207, de 06/11/2012, por ter deixado de analisar as demais Dcomp anexas ao processo e o direito creditório a que a contribuinte teria direito. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos cinco anos da apresentação de Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa, considerase homologada a compensação e extintos os correspondentes débitos informados. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido de IPI. RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Incabível a atualização monetária de valores referentes a crédito presumido, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic. 7. A ciência deste Acórdão se deu em 02/04/2013, por via postal, com AR à fl. 131. Irresignado com a decisão da DRJRPO, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/04/2013, às fls. 133/149, no qual reproduziu as mesmas alegações constantes da Manifestação de Inconformidade. 8. É o relatório. Voto Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10940.904792/200973 Acórdão n.º 3401005.788 S3C4T1 Fl. 173 4 Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 9. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 10. Verifico, entretanto, que o Acórdão recorrido não decidiu sobre a manifestação do contribuinte em relação à possibilidade de inclusão dos fretes referentes às aquisições de insumos na base de cálculo do crédito presumido, caracterizandose a omissão do julgado. 11. Tal fato também não passou despercebido pelo recorrente, que assim se manifestou em seu Recurso Voluntário, à fl. 145: Na manifestação de inconformidade, foi sustentado que os fretes compõem o custo das aquisições de matériasprimas e produtos intermediários e embalagens, motivo pelo qual devem ser integrados na base de cálculo. Contudo, em que pese isso ter sido alegado, não houve pronunciamento da Delegacia de Julgamento neste ponto. Assim, fazse necessário que esse Egrégio Conselho de Contribuintes manifestese sobre a possibilidade ou não do frete ser incluso na base de cálculos do crédito. 12. Tendo em vista que não há no processo documentação que comprove ter o recorrente suportado o ônus do frete nas suas aquisições, não é possível aplicar o art. 1.013, § 3º, III, c/c o art. 15, ambos do novo CPC: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. (...) Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. (...) § 3º Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: (...) III constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10940.904792/200973 Acórdão n.º 3401005.788 S3C4T1 Fl. 174 5 13. Como a ausência da citada documentação nos autos poderá demandar a realização de diligência para que, caso existente, seja oportunizada sua anexação, constatase que o processo não está em condições de imediato julgamento. 14. Assim, fazse necessário o retorno dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão, na qual o órgão julgador se pronuncie sobre todas as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.721251/2011-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/05/2011
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL À RECORRENTE.
Em que pese a identificação de nulidade da decisão recorrida por vício de motivação, esta nulidade deverá ser superada face à possibilidade de se decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade (§3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
ADUANEIRO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Numero da decisão: 3002-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para fins de cancelar a exigência fiscal objeto da presente contenda. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/05/2011 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL À RECORRENTE. Em que pese a identificação de nulidade da decisão recorrida por vício de motivação, esta nulidade deverá ser superada face à possibilidade de se decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade (§3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). ADUANEIRO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
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SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL À RECORRENTE. Em que pese a identificação de nulidade da decisão recorrida por vício de motivação, esta nulidade deverá ser superada face à possibilidade de se decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade (§3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). ADUANEIRO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea e do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A súmula CARF nº 126, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, sedimentou que a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em dar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 12 51 /2 01 1- 72 Fl. 182DF CARF MF 2 provimento ao Recurso Voluntário, para fins de cancelar a exigência fiscal objeto da presente contenda. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 123 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: Houve a vinculação do manifesto de carga fora do prazo previsto na legislação de regência, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, além da relevação de penalidade e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que, de fato, as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese, que prestou as informações dentro do prazo, tendo surgido posteriormente, contudo, necessidade de fazer retificação, e alegou a ocorrência da denúncia espontânea, o que deveria afastar a aplicação da penalidade. Requereu, ao fim, a declaração de nulidade ou improcedência do lançamento. Juntou, com a impugnação, os documentos de fls.93/113, quais sejam: procuração, atos constitutivos, documento de identificação, extrato de email, requerimentos administrativos e cópia de decisão administrativa. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.721251/201172 Acórdão n.º 3002000.466 S3C0T2 Fl. 183 3 Consta do processo, à fl. 119, despacho de saneamento informando o “registro de lacuna de numeração de folhas 16 a 31, ocorrida por problemas operacionais no sistema e Processo”. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 121/126) consignou, inicialmente, deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte e quaisquer argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, ou ocorrência de denúncia espontânea. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 29/03/2018 (vide AR à fl. 130 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 25/04/18, Recurso Voluntário (fls. 133/150). Em seu recurso, o contribuinte alegou, inicialmente, que a decisão de primeira instância manteve a exigência fiscal sem derrubar quaisquer de seus argumentos. Na sequência, alegou: i) ilegitimidade passiva por impossibilidade de responsabilizarse o agente marítimo por ato de responsabilidade do armador; ii) ausência de tipicidade da conduta, pois teria prestado as informações no prazo, e realizado posteriormente a sua retificação; iii) ausência de prejuízo/embaraço à fiscalização; iv) ocorrência da denúncia espontânea, o que deveria afastar a aplicação da penalidade. Requereu, ao fim, o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva e, quanto ao mérito, o reconhecimento da improcedência da ação fiscal e cancelamento do débito fiscal exigido. Juntou, com o recurso, os documentos de fls. 151/178, que são: atos de constituição e alteração da empresa, documento de identificação e cópia de decisão administrativa. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do acórdão recorrido Fl. 184DF CARF MF 4 Em seu recurso, o contribuinte alegou, inicialmente, que a decisão de primeira instância manteve a exigência fiscal sem derrubar quaisquer de seus argumentos. Em outras palavras, embora não tenha chegado a requerer o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, mas apenas a sua reforma, ao analisar o conteúdo da impugnação apresentada pela recorrente e o conteúdo da decisão recorrida, é possível constatar a nulidade do acórdão da DRJ, em razão da deficiência da fundamentação ali posta. É o que será esclarecido em sucessivo. Consoante acima narrado, a contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese, que prestou as informações dentro do prazo, tendo surgido posteriormente, contudo, necessidade de fazer retificação, e alegou a ocorrência da denúncia espontânea, o que deveria afastar a aplicação da penalidade. Requereu, ao fim, a declaração de nulidade ou improcedência do lançamento. O acórdão recorrido, por seu turno, relata da seguinte forma o conteúdo da impugnação apresentada: Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Como se vê, há clara dissonância entre o efetivo conteúdo da impugnação apresentada e a narração constante do acórdão recorrido. Em decorrência desta dissonância, o acórdão recorrido assim consignou: (i) que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo; (ii) afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto; (iii) afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Verificase, portanto, que consta do acórdão recorrido a menção a fundamentos que não fizeram parte da impugnação apresentada, ao passo que deixou de analisar argumentos essenciais à solução da lide, em especial o argumento de mérito no sentido de que se está diante de hipótese de retificação de informação anteriormente prestadas, dentro do prazo. Ao analisar o caso, o acórdão recorrido discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro, prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho e concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. Contudo, não travou qualquer consideração acerca da argumentação trazida pelo contribuinte no sentido de que a hipótese sob análise corresponderia à retificação de informação anteriormente prestada, e não ausência de prestação de informações. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.721251/201172 Acórdão n.º 3002000.466 S3C0T2 Fl. 184 5 Ou seja, verificase que o acórdão recorrido, de fato, julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito qualquer consideração acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso. Ocorre que, a despeito da nulidade aqui identificada, entendo que este Conselho deverá superála no caso concreto que ora se analisa, em razão do disposto no §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Isso porque, consoante será devidamente analisado em sucessivo, entendo que assiste razão ao contribuinte quanto ao mérito da presente contenda. Fl. 186DF CARF MF 6 Nesse mesmo sentido, em que pese a DRJ não ter analisado de forma fundamentada o argumento preliminar de ilegitimidade passiva da Recorrente, entendo que não é o caso de retornar os autos àquela instância para que o faça, em razão da análise de mérito que se fará a seguir. 2. Do mérito Quanto ao mérito, destaca o contribuinte que teria prestado as informações dentro do prazo, tendo surgido posteriormente, contudo, necessidade de fazer retificação. Como dito acima, este argumento não chegou a ser tratado pelo acórdão recorrido, o qual tratou a matéria se forma genérica, sem analisar as particularidades do caso concreto. Sanando tal vício, passo, então, à análise do caso. O auto de infração em epígrafe, ao individualizar o caso, assim se manifestou (vide fl. 72 dos autos): DOS FATOS Em 03/05/11 foi protocolado o PCI EQVIB nº 11/800.513 (fls. 02 a 11) solicitando o desbloqueio, no sistema CARGA, do(s) manifesto(s) eletrônico(s) nº 1511500819257 (fls. 12 a 14), pois este(s) foi (ram) registrado(s) fora do prazo estabelecido em norma, o que ocasionou bloqueio automático gerado pelo sistema. Ou seja, a autuação teve por fundamento a solicitação de desbloqueio, no sistema CARGA, de determinado manifesto eletrônico. O contribuinte, por seu turno, esclareceu desde a sua impugnação que o referido manifesto eletrônico de carga foi entregue e encerrado em 26/04/2011, ou seja, dentro do prazo, uma vez que o navio teria atracado em 03/05/2011. Destacou, porém, que em 28/04/2011 houve notícia de divergência de 02 chassis, o que a levou a solicitar em 03/05/2011 o desbloqueio, no sistema CARGA, do manifesto eletrônico, para que pudesse providenciar a devida retificação. Naquela oportunidade, anexou aos autos, para fins de comprovar o seu direito, os seguintes documentos: (i) extrato com os dados do conhecimento eletrônico (fl. 100), em que consta como data de encerramento o dia 26/04/2011 e como data da operação o dia 02/05/2011, além da indicação dos CEs vinculados; (ii) email enviado pela recorrente com a indicação da data prevista de descarga do navio (02/05) (fl. 101); (iii) comprovantes de solicitação de desbloqueio dos CEs constantes do manifesto, protocolizadas em 03/05/2011 (fls. 102 a 108). Como se vê, entendo que restou comprovado nos autos que o presente caso trata de pedido de retificação de informação, e não de ausência de inserção da informação no sistema. Sendo assim, inaplicável ao presente caso a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37/1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.721251/201172 Acórdão n.º 3002000.466 S3C0T2 Fl. 185 7 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Ou seja, o referido dispositivo legal versa sobre a ausência de prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela SRF. Não trata, portanto, da situação fática em que o contribuinte tenha transmitido a informação dentro do prazo e apenas retificado a informação transmitida fora dele. Em tais casos, não há subsunção do fato à norma, tornando a autuação, portanto, insubsistente. Sobre o assunto, assim se manifestou a Solução de Consulta COSIT nº 2/2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (Grifos apostos). E, nesse mesmo sentido, vem decidindo este Conselho Administrativo Fiscal, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/05/2008, 30/05/2008, 02/06/2008 MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, de acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 2/2016. Recurso Voluntário Provido Nesse contexto, uma vez confirmada a ausência de subsunção do fato à norma, não há como ser mantido o auto de infração aqui analisado. 3. Da denúncia espontânea Fl. 188DF CARF MF 8 Por fim, quanto ao argumento de denúncia espontânea apresentado pelo contribuinte, este não há como ser acolhido, em razão do disposto na súmula nº 126 do CARF, cujo teor transcrevo a seguir: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Como se vê, a referida súmula, cuja aplicação vincula este Colegiado, afasta a possibilidade de reconhecimento da denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado. 4. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expendidas, voto, portanto, no sentido de superar a nulidade do acórdão recorrido, identificada de ofício, e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de cancelar a exigência fiscal objeto da presente contenda. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.909891/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 98 91 /2 01 2- 75 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.909891/201275 Acórdão n.º 3302006.450 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DComp), em razão do transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre a data da arrecadação e a data da transmissão da DComp. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo o seguinte: a) o prazo para se pleitear a restituição do crédito extinguese a partir da data da transmissão da declaração de compensação, sendo equivocado o entendimento de que a extinção do crédito em tributo sujeito ao lançamento por homologação ocorre a partir do pagamento antecipado; b) o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já apreciou a questão (REsp 1.002.932/SP), concluindo que o prazo para se pleitear a restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da Lei Complementar nº 118/2005 segue a tese dos cinco mais cinco anos. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10045.728, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o direito de se pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou de utilizar o indébito para fins de compensação decai com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando que o termo inicial para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito fosse a data de entrega da DCTF retificadora, em conformidade com o decidido no REsp 1.002.932/SP, julgado na sistemática de recursos repetitivos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11065.909891/201275 Acórdão n.º 3302006.450 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.436, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11065.909876/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.436): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A lide se restringe ao termo inicial para repetição do indébito tributário. A recorrente pleiteia que o termo inicial seja contado a partir da entrega de DCTF retificadora, a qual teria constituído o crédito cujo extinção por pagamento seria indevida. A matéria foi pacificada pelo julgamento do RE 566.621, com repercussão geral reconhecida nos termos do artigo 543B do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do § 2º1 do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. O julgamento consolidou a tese dos "cinco mais cinco" contados do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos 150, § 4º, 156, inciso VII e 168, inciso I do CTN, afastando a natureza interpretativa da Lei Complementar nº 118/2005 e aplicando o prazo de cinco anos estabelecido no artigo 168 do CTN, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, conforme ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.909891/201275 Acórdão n.º 3302006.450 S3C3T2 Fl. 5 4 estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dando lhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. A decisão proferida foi reconhecida no REsp 1.269.570/MG, superando o julgado no REsp 1.002.932/SP, conformandose à jurisprudência do STF, nos termos da seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11065.909891/201275 Acórdão n.º 3302006.450 S3C3T2 Fl. 6 5 HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, a Fazenda Nacional reconheceu a aplicação dos julgados aos pleitos administrativos, mediante o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014 (confirmado na Nota PGFN/CRJ/Nº 1217/2014), cuja conclusão em seu item 122 recomendou a adoção de orientação mais flexível, 2 12. Não se está, aqui, a afastar a plausibilidade da orientação plasmada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, perfeitamente adequada ao cenário em que proferida, afinal a Administração Tributária, independentemente da LC nº 118/05, defendia a tese prevista em seu art. 3º, o que, à época, justificou uma interpretação mais restritiva do decidido no RE 566.621/RS. Todavia, os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. 13. São essas as considerações que esta CRJ reputa úteis ao deslinde das questões jurídicas trazidas à sua apreciação, sugerindo, em caso de aprovação, (i) a revogação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, (ii) ampla divulgação do presente Parecer às unidades da PGFN e da RFB, a fim de conferir tratamento uniforme à matéria, (iii) o encaminhamento de cópia deste Parecer à CASTF, para possível desistência dos agravos regimentais pendentes, mencionados na Nota PGFN/CASTF/Nº 683/2014, por incidência do disposto no art. 1º, V, da Portaria PGFN Nº 294/2010 e (iv) a adequação, à orientação aqui contida, do tópico correspondente ao RE 566.621/RS na Lista do art. 1º, V e § 1º, da Portaria PGFN Nº 294/2010. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11065.909891/201275 Acórdão n.º 3302006.450 S3C3T2 Fl. 7 6 privilegiando a razão de decidir do RE 566.621, estendendo a sistemática da tese dos "cinco mais cinco" aos pleitos administrativos formulados anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, ou seja, anteriores a 09/06/2005. Por fim, foi editada a Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador Assim, aos pleitos administrativos protocolados após 09/06/2005, como é o caso dos presentes autos (DCOMP entregue em 29/11/2010), devese considerar a extinção do crédito tributário no momento do pagamento antecipado, no caso 15/02/2005, sendo este o termo inicial para contagem do prazo prescricional de cinco anos e não no momento de entrega de DCTF retificadora. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que, no presente processo, a DComp foi transmitida em 30/11/2010, após, portanto 09/06/2005, tendo o pagamento sido antecipado em 15/06/2004, termo inicial para a contagem do prazo prescricional de cinco anos. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 16624.000479/2005-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles.
Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9303-007.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
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RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 04 79 /2 00 5- 08 Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 9303007.805 CSRFT3 Fl. 1.407 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.899 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de dezembro de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A Turma a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte pois, em síntese, não teria ela se desincumbido do ônus de comprovar o seu direito creditório, bem como em razão da impossibilidade de apreciação dos argumentos trazidos pela Recorrente somente na via recursal e cujo litígio não foi instaurado desde a primeira instância. Além disso, no acórdão recorrido, foi consignado ter ocorrido a juntada de documentos pelo Sujeito Passivo em data posterior ao próprio julgamento do recurso voluntário, corroborando a afirmação contida no decisum de não insurgência da Contribuinte, por meio de manifestação de inconformidade, quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, deixando transcorrer in albis o prazo para a sua defesa. Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 9303007.805 CSRFT3 Fl. 1.408 3 Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados conforme despacho s/n.º, por inexistir quaisquer vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Não resignada, a empresa interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) apreciação de provas trazidas em sede recursal, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72; e (b) aplicação da regra da preclusão, consoante art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, com relação à possibilidade de apreciação dos argumentos suscitados apenas em sede de recurso voluntário e cuja controvérsia não foi instaurada em primeira instância administrativa. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 9303001.842 e 910100.514, respectivamente. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 18 de janeiro de 2017, proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à apresentação extemporânea de documentos e à aplicação da regra da preclusão. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Depreendese da análise do acórdão recorrido ter o mesmo fundamento em dois pontos: (a) não ter a Contribuinte se desincumbido do seu ônus probatório com relação ao crédito pleiteado, bem como (b) ausência de apresentação de defesa com relação ao segundo Termo de Constatação Fiscal no prazo legal estabelecido, o que foi corroborado pela juntada de documentos após o julgamento do recurso voluntário, impossibilitando a sua apreciação. Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição de trechos do acórdão recorrido, in verbis: Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 9303007.805 CSRFT3 Fl. 1.409 4 [...] No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. [...] Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: ∙ Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 536/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a nãohomologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 273/554. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.961, de 14/06/2010. [...] Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. n° 536/2009 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 9303007.805 CSRFT3 Fl. 1.410 5 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: [...] Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. [...] Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 9303007.805 CSRFT3 Fl. 1.411 6 apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: [...] Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. [...] A Contribuinte, ao apresentar o seu recurso especial, insurgiuse tão somente quanto ao argumento da análise de provas apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade e à preclusão, não tendo realizado a comprovação da divergência com relação à atribuição do ônus probatório. Assentandose a decisão em mais de um fundamento, sendo eles autônomos entre si para a manutenção do julgado, é necessário que a parte se insurja quanto a todos eles para que tenha prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido é a Súmula do STF n.º 283: " É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Além disso, com relação ao tema de insurgência análise de provas juntadas aos autos após a manifestação de inconformidade e preclusão não houve a devida comprovação da divergência jurisprudencial por meio dos paradigmas apresentados, conforme despacho de exame de admissibilidade exarado no processo n.º 16098.000064/200955, do mesmo Contribuinte, o qual tem idênticos acórdãos recorrido e paradigmas. Naqueles autos, a negativa de seguimento ao apelo especial deuse em razão da ausência de comprovação do dissenso interpretativo, com base nos seguintes argumentos, que passam a integrar o presente julgado: [...] 1 – COFINS – PROVA – APRECIAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS EXTEMPORANEAMENTE – ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/9303001.842. Vejamos sua ementa: [...] Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 9303007.805 CSRFT3 Fl. 1.412 7 Inicialmente importa ressaltar que o recurso especial é remédio para solução de divergências na interpretação da legislação tributária. Não cabe à Instância Especial a reapreciação do conjunto probatório. A recorrente parte da premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria rechaçado a possibilidade de apreciar provas apresentadas extemporaneamente. Tal não se deu. Não há decisão, no acórdão recorrido, que negue a apreciação das provas apresentadas a destempo, em tese. A rejeição às provas juntadas extemporaneamente, no presente caso, fundamentase no fato material de terem sido apresentadas, conforme a exposição da relatora, depois da data julgamento do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido teria cometido equívoco, ao considerar a data da apresentação das provas em 15/12/2015, quando, alega, foram apresentadas em 01/12/2015. Alega ainda que tal circunstância foi objeto de sustentação oral, porém não acatada pela Turma (folha 1.177 e 1.178). Tais alegações foram rebatidas, em despacho de admissibilidade de embargos, em outros processos da empresa julgados na mesma sessão pela Turma. Neste presente processo os embargos foram rejeitados porque intempestivos. De qualquer modo, o que resta é que o fundamento do acórdão recorrido, neste aspecto, é a ausência das provas quando do julgamento, portanto, decorre a incomparabilidade com o paradigma apresentado. Assim, sendo diversos os fundamentos dos arestos comparados, não há demonstração de divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. 2 – COFINS – MATÉRIA PRECLUSA ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/910100.514. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: [...] O paradigma expressa a tese de que, no contexto da apreciação do instituto da preclusão, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese diferenciar a “defesa” dos “fundamentos de defesa”. A primeira não poderia ser inovada, enquanto os segundos, sim. Em outras palavras, a preclusão incidiria sobre as infrações cometidas e não defendidas, isto é, se todas as infrações tiverem sido contestadas em recurso inicial, eventual recurso a instância superior poderia apresentar novas teses jurídicas. Porém, o acórdão recorrido considerou que o contribuinte não apresentou nenhuma defesa nem defesa, nem fundamentos de defesa perante as infrações apontadas no resultado da diligência fiscal, resultado da diligência fiscal que restou convalidado pela DRJ. Com efeito, o acórdão recorrido relata que o contribuinte foi intimado a manifestarse acerca dos resultados da diligência fiscal que calculou o crédito afinal acatado pela instância julgadora a quo e não o tendo feito, não remanesceu qualquer litígio. Confirase trecho (folha 966): [...] Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 9303007.805 CSRFT3 Fl. 1.413 8 Ressalto que fato de o cálculo ter sido feito apenas em sede de diligência fiscal solicitada pela DRJ foi responsabilidade do contribuinte, posto que não apresentou, na fase anterior, os documentos solicitados. Portanto, a responsabilidade para que a oportunidade de defesa sobre as infrações apontadas tenha se dado após a manifestação de inconformidade também é do contribuinte. [...] Portanto, nenhuma das infrações e diferenças de cálculo apontadas na referida diligência fiscal final foi objeto de “defesa” ou “fundamentos de defesa” por parte do contribuinte, na primeira instância administrativa. Desse modo, a distinção vazada pelo paradigma se revela inócua no presente caso, razão pela qual concluise que não foi demonstrada a divergência quanto a esta matéria. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1413DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.004567/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
AÇÃO JUDICIAL - PEDIDO E DECISÃO SOMENTE PARA COMPENSAÇÃO - SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO - AFRONTA A COISA JULGADA - IMPOSSIBILIDADE.
Para utilização de créditos oriundos de decisão judicial deve-se obedecer integralmente a parte dispositiva da decisão, inclusive quando esta determina com qual a forma de utilização do indébito. Agir de forma diferente, pleiteando restituição quando a decisão judicial somente autoriza a compensação dos indébitos afronta a coisa julgada, ainda mais que não consta em legislação posterior autorização sobre o assunto.
DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA.
Às DCOMP - Declarações de Compensação, não se aplica a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN). A denúncia espontânea, acaso existente, somente excluiria as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária.
Numero da decisão: 3402-006.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Alan Tavora Nem (Suplente Convocado) e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz) e Alan Tavora Nem (suplente convocado em substituição a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente nesta sessão a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 AÇÃO JUDICIAL - PEDIDO E DECISÃO SOMENTE PARA COMPENSAÇÃO - SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO - AFRONTA A COISA JULGADA - IMPOSSIBILIDADE. Para utilização de créditos oriundos de decisão judicial deve-se obedecer integralmente a parte dispositiva da decisão, inclusive quando esta determina com qual a forma de utilização do indébito. Agir de forma diferente, pleiteando restituição quando a decisão judicial somente autoriza a compensação dos indébitos afronta a coisa julgada, ainda mais que não consta em legislação posterior autorização sobre o assunto. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Às DCOMP - Declarações de Compensação, não se aplica a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN). A denúncia espontânea, acaso existente, somente excluiria as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Alan Tavora Nem (Suplente Convocado) e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz) e Alan Tavora Nem (suplente convocado em substituição a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente nesta sessão a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
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Para utilização de créditos oriundos de decisão judicial devese obedecer integralmente a parte dispositiva da decisão, inclusive quando esta determina com qual a forma de utilização do indébito. Agir de forma diferente, pleiteando restituição quando a decisão judicial somente autoriza a compensação dos indébitos afronta a coisa julgada, ainda mais que não consta em legislação posterior autorização sobre o assunto. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Às DCOMP Declarações de Compensação, não se aplica a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN). A denúncia espontânea, acaso existente, somente excluiria as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Alan Tavora Nem (Suplente Convocado) e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 45 67 /2 00 5- 41 Fl. 1910DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz) e Alan Tavora Nem (suplente convocado em substituição a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente nesta sessão a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade da empresa COPAGRA COMERCIAL PORTOALEGRENSE DE AUTOMÓVEIS LTDA (doravante denominada de COPAGRA). A Recorrente solicitou compensação de débitos através de DCOMP's em formulário papel, conforme fls. 02/04, 140, 166/167, 191 e 206, após anexação do PAF n° 11080.005616/200644 (que aborda pleito de compensação utilizando créditos de PIS, decorrentes da Ação judicial n° 97.00037797 (cópia da Certidão Narratória nº 038/2005 de fls. 5/6), em litisconsórcio com a COPAGRA, da empresa incorporada COPAGRA LITORAL LTDA, cuja antiga denominação era DIPESUL VEÍCULOS LTDA), e em formulário eletrônico, conforme consolidado no demonstrativo de fls. 1.483/1.489, bem como de restituição de PIS, em formulário eletrônico de fls.1.267/1.268, também fundamentado na Ação judicial n° 97.00037797, da 3ª Vara Federal em Porto Alegre/ RS, que pleiteia o direito de compensação dos valores recolhidos indevidamente de PIS, no período de julho de 1988 a setembro de 1995, pela égide dos DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Na sequência, a DRF/Porto Alegre/RS proferiu o Despacho Decisório nº 2.161/2007, de 26/10/2007, de fls. 1491/1.510, no qual foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 765.910,49, atualizado até 31/12/1995, que foi utilizado para compensar os débitos apontados nas DCOMP's que restaram convalidadas após as devidas análises e cruzamento de dados, no qual foram excluídas as compensações com créditos da incorporada por serem considerados como sendo de terceiros, sendo que também foi indeferido o pleito de restituição porque não encontra respaldo na Ação judicial n° 97.00037797, que somente autoriza a compensação. Não concordando, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade, que começa fazendo um histórico do processo judicial n° 97.00037797 e deste o processo em litígio e, ato contínuo, ataca o Despacho Decisório acima citado. Aduz que na fundamentação do Despacho Decisório consta um trecho no qual é informado que a legislação tributária não permite o aproveitamento de créditos de terceiros, devendo cada autor da Ação judicial compensar seus créditos como seus próprios débitos, pois, embora pertencentes a um mesmo grupo empresarial, não se tratam de filial e matriz. Esta conclusão não se aplicaria à contribuinte, pois esta (COPAGRA LITORAL LTDA) não foi a incorporadora da DIPESUL VEÍCULOS, mas é a própria com nova denominação, conforme modificação contratual em 09/12/1997, sendo posteriormente incorporada pela empresa COPAGRA COMERCIAL PORTOALEGRENSE DE AUTOMÓVEIS LTDA, em 28/05/2006. Por isso, todos os créditos e débitos dá contribuinte foram assumidos pela incorporadora (COPAGRA COMERCIAL PORTOALEGRENSE DE Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 11080.004567/200541 Acórdão n.º 3402006.022 S3C4T2 Fl. 1.911 3 AUTOMÓVEIS LTDA), nos termos do art. 1.116 do Código Civil (antigo) e do art. 227 da Lei das Sociedades Anônimas, bem como da doutrina e jurisprudência. Argumenta da possibilidade de Restituição dos valores, abordando que os créditos decorrentes da Ação judicial podem sim ser realizados através de restituição, nos termos do art. 165 do CTN, pois esta abrange quaisquer pagamentos realizados em desconformidade com a lei, sendo a devolução em dinheiro ou através de compensação espécies de restituição. Que os arts.73 e 74 da Lei 9.430/1996, combinados com o Decreto 2.138/1997 e as IN's 21/1997 e 73/1997, permitem a compensação de valores pagos indevidamente e que a DRF/POA descumpre a lei e a decisão judicial ao não reconhecer a incorporação e não permitir a utilização do crédito pela empresa incorporada. Sobre a Multa de Mora, argumenta que a cobrança de multa de mora, no percentual de 20% nos tributos em atraso que foram compensados não seriam devidos, sendo a multa de mora excluível pela existência de denúncia espontânea, já que houve o pagamento antes de qualquer procedimento fiscalizatório, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional. Por fim, requer a suspensão dos débitos exigidos no PAF nº 11080.007822/200516, devido a conexão com este, devendo ser julgados conjuntamente. A DRJ em Porto Alegre/RS, em seu Acórdão nº 1024.583, de 08/04/2010 (fls. 1.813/1.825), julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório pleiteado pela Recorrente. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 AÇÃO JUDICIAL SOLICITAÇÃO E DECISÃO SOMENTE PARA COMPENSAÇÃO SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO AFRONTA A COISA JULGADA IMPOSSIBILIDADE. A utilização de créditos oriundos de decisão judicial deve obedecer integralmente a parte dispositiva da decisão, inclusive quanto este determina com qual a forma de utilização do indébito. Agir de forma diferente, pleiteando restituição quando a decisão judicial somente autoriza a compensação dos indébitos afronta a coisa julgada, ainda mais que não consta nenhuma legislação posterior que autorize outra interpretação sobre o assunto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA INEXISTÊNCIA. Os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos à multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos, sendo que a espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN, somente exclui as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária. INCORPORAÇÃO CRÉDITOS DE PIS PRÓPRIOS DA INCORPORADORA APÓS PROTOCOLIZAÇÃO NO ÓRGÃO COMPETENTE DCOMP'S VÁLIDAS ATÉ O LIMITE DE CRÉDITO DISPONÍVEL. A partir da protocolização da incorporação no órgão competente, os créditos de PIS da Fl. 1912DF CARF MF 4 incorporada passam a ser créditos próprios da incorporadora, haja vista a extinção da incorporada, tornandose possível a compensação através de DCOMP's até o limite de crédito liquido e certo disponível. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Cientificada da decisão em 09/06/2010 (fl. 1.860) e não concordando com o resultado, manejou Recurso Voluntário protocolado em 09/07/2010 (fls. 1.864/1.876), no qual repisa o disposto em sua Manifestação de Inconformidade, pleiteando seu direito ao crédito, resumido nos seguintes parágrafos: a) requer o reconhecimento da conexão do processo epigrafado, com o processo 11080.007822/200516, para a apreciação em conjunto de ambos tendo em vista o crédito declarado em favor da COPAGRA LITORAL LTDA. DIPESUL AGRICOLA LIDA. aproveitado pela sucessora, ora requerente, COPAGRA COMERCIAL PORTOALEGRENSE DE AUTOMOVEIS LTDA.; b) a suspensão da exigibilidade de eventual débito indevidamente apontado em face de COPAGRA COMERCIAL PORTOALEGREM DE AUTOMOVEIS LTDA., até o julgamento final na esfera administrativa, considerando a apresentação do presente Recurso Voluntário no processo 11080.004567/200541, com a manutenção do direito a otenção de Certidão Negativa de Débito; c) o integral provimento do Recurso Voluntário, com o reconhecimento dos Pedidos de Restituição/Compensação, tendo em vista que está embasado em direito declarado judicialmente e reconhecido no presente processo administrativo, com o cancelamento de eventual cobrança decorrente dos processos administrativos 11080.004567/200541 e 11080.0078/200516; d) o reconhecimento do direito à compensação/restituição de crédito residual em favor da ora Recorrente em decorrência do afastamento da multa moratória, pelo pagamento espontâneo acrescido de encargos, previamente a procedimento fiscalizatório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. Admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Primeiramente é incontroverso nos autos que no pertinente a utilização dos valores dos créditos favoráveis advindos da Ação Judicial n° 97.00037797, da 3ª Vara Federal em Porto Alegre/ RS, tornase obrigado a seguir o decidido judicialmente que transitou em julgado. Assim, não resta dúvida quanto à existência de crédito em favor da Recorrente pelo recolhimento a maior de valores a título da contribuição ao PIS, em razão das indevidas majorações introduzidas pelos referidos Decretosleis. Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 11080.004567/200541 Acórdão n.º 3402006.022 S3C4T2 Fl. 1.912 5 Há que se ressaltar ainda que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, ao analisar o aproveitamento do crédito de PIS por meio da compensação, NÃO por terceiro, mas SIM pela pelo próprio contribuinte em decorrência da incorporação, uma vez que a incorporadora COPAGRA COMERCIAL PORTOALEGRENSE DE AUTOMÓVEIS LTDA., adquiriu todas as obrigações e todos os direitos da incorporada COPAGRA LITORAL LTDA., e proferiu seu voto no Acórdão n° 1024.583, no sentido de restar reconhecidos os créditos da RecorrenteIncorporadora como próprios, e não de terceiros, considerando a extinção da incorporada, levando em consideração os pedidos de compensação e de restituição contidos no PAF n° 11080.0078221/200516, no limite de R$ 228.745,84. Por outro lado, restou afastado o Pedido de Restituição/Compensação do montante residual do crédito, sob o entendimento de cabimento meramente de COMPENSAÇÃO (nos estritos termos da Ação judicial n° 97.00037797) e da impossibilidade de exclusão da multa moratória, pela denúncia espontânea, nos pagamentos efetuados por meio da compensação previa a qualquer procedimento fiscalizatório. a) Do alegado Direito à COMPENSAÇÃO ou à RESTITUIÇÃO Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Não bastasse a declaração judicial proferida no Mandado de Segurança 97.00037797, de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445 e 2.449 de 1998, com o reconhecimento do direito à compensação, o direito à restituição de créditos tributários pagos indevidamente ou a maior está amparado no Código Tributário Nacional , ao disciplinar a repetição de indébito através dos artigos 165 a 169. De onde se traduz que o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo , seja qual for a modalidade do seu pagamento". "(...) A compensação, é uma modalidade de restituição. Diante disso, não pode prevalecer o entendimento estampado no respeitável Acórdão vergastado no sentido de afastar o aproveitamento da integralidade do crédito em favor ora recorrente seja pela via da compensação. seja pela via da restituição". Pois bem. Como relatado, trata o presente processo de Compensação de débitos através de DCOMP's em formulário papel, conforme fls. 02/04, 140, 166/167, 191 e 206, após anexação do PAF n° 11080.005616/200644 (que aborda pleito de compensação utilizando créditos de PIS, decorrentes da Ação judicial n° 97.00037797 (cópia da Certidão Narratória nº 038/2005 de fls. 5/6), em litisconsórcio com a COPAGRA, da empresa incorporada COPAGRA LITORAL LTDA, cuja antiga denominação era DIPESUL VEÍCULOS LTDA), e em formulário eletrônico, conforme consolidado no demonstrativo de fls. 1.483/1.489, bem como de restituição de PIS, em formulário eletrônico de fls.1.267/1.268, fundamentado na Ação judicial n° 97.00037797, da 3ª Vara Federal em Porto Alegre/ RS, que pleiteia o direito de compensação dos valores recolhidos indevidamente de PIS, no período de julho de 1988 a setembro de 1995, pela égide dos DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Pode ser verificado no processo e que também foi confirmado pela decisão a quo, o que consta da Certidão Narratória nº 038/2005 da Ação judicial n° 97.00037797, da 3ª Vara Federal em Porto Alegre/RS (fls.05 e 06), que fundamentou o Pedido de habilitação de crédito, a qual foi reconhecido os créditos por decisão judicial transitada em julgado em 25/09/2000. Vejase trecho da Certidão: Fl. 1914DF CARF MF 6 "(...) Da decisão que não admitiu o recurso especial, as demandantes interpuseram agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento em 25.08.2000, tendo o processo de conhecimento, transitado em julgado em 25.09.2000". (Grifei) Observase no corpo da Certidão Narratória que a Recorrente solicitou a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS com obrigações vincendas da mesma espécie ou com outros tributos administrados pela RFB, nos termos do art.74 da Lei 8.430/1996, devido a inconstitucionalidade das alterações realizadas na legislação pelos Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, tendo sido concedido o direito de compensar as importâncias recolhidas a maior de PIS, devido a inconstitucionalidade dos citados Decretos Leis, com o próprio PIS. Vejase trechos da Certidão Narratória: "(...) CERTIFICO E DOU FÉ que, a pedido da parte interessada, revendo as anotações na Secretaria da Terceira Vara Cível Federal de Porto Alegre, Seção Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul, tramita neste Juízo a Ação Ordinária n.° 97.000.37797, movida por COPAGRA COMERCIAL PORTOALEGRENSE DE AUTOMÓVEIS LTDA., RAMADA VEÍCULOS LTDA. (...), contra a UNIÃO FEDERAL, protocolada em 04.03.97, com pedido de antecipação de tutela visando assegurar o direito das demandantes à COMPENSAÇÃO dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS com obrigações vincendas da mesma espécie ou com outros tributos administrados pelo Fisco Federal, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, (...)... convalidandose o direito das autoras de promover a COMPENSAÇÃO na forma requerida, observada a correção monetária das parcelas (...)". (Grifei) Ressaltese que posteriores recursos não alterou esta parte da decisão, somente afetando os honorários e os juros aplicáveis. Como é cediço, explico que ambos os institutos (Restituição e Compensação), estão contidos pelo Código Tributário Nacional, sendo a Compensação abordada nos arts. 156, inciso II, e 170, e 170A, e a Restituição nos arts.165 a 169, com peculiaridades e características próprias, pois a Restituição é forma de devolução de indébito, enquanto a Compensação é forma de extinção de débito pela utilização de créditos do contribuinte (restituição e ressarcimento, entre outros). Ou seja, nem toda Compensação utiliza uma restituição para fins de ser efetivada, não se podendo converter Compensação para Restituição em dinheiro por vontade própria, mas somente por instituto legal ou judicial específico. Da leitura do texto acima e do contido na Certidão Narratória nº 038/2005 (fls. 5/6), tornase inaplicável a alegação da Recorrente de que a Compensação é urna espécie da Restituição e, por isso, poderia alterar o decidido judicialmente. Por conseguinte, os indébitos de PIS, fundamentados na Ação judicial n° 97.00037797, somente podem ser utilizados para fins de COMPENSAÇÃO, pois não houve legislação posterior que possibilite a interpretação diferente do disposto na coisa julgada materialmente. b) Da exclusão da MULTA DE MORA Denúncia espontânea Argumenta a Recorrente em seu recurso que, "(...) No que diz respeito à exclusão da multa de mora pela denúncia espontânea no pagamento através das compensações, também não merece amparo o entendimento trazido através do Acórdão objeto de recurso, eis que manteve a inclusão da multa, por interpretação avessa àquela prevista na norma contida no artigo 138 do CTN". (Grifei) Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 11080.004567/200541 Acórdão n.º 3402006.022 S3C4T2 Fl. 1.913 7 Informa que diante da existência de débitos fiscais que a Recorrente possuía a título de PIS e de outros tributos administrados pela RFB, procedeu em alguns pagamentos, em atraso, com adição dos juros pela SELIC, por meio da compensação com o crédito de PIS que lhe foi declarado judicialmente, antecipandose a qualquer procedimento de natureza fiscal. E, que o procedimento realizado está albergado na legislação, bem como em reiteradas decisões proferidas em casos análogos ao presente no âmbito desse CARF (cita Acórdãos), considerando a interpretação do artigo 138, do CTN. Art. 138 "A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa quando o montante do tributo dependa de apuração." A Recorrente afirma que foi exatamente essa a conduta quando se antecipou a qualquer procedimento fiscal e espontaneamente solicitou a compensação de débitos fiscais com o crédito que lhe foi reconhecido judicialmente. Continua afirmando a Recorrente que "(...) O princípio de pagamento sinaliza o início do cumprimento da obrigação, não sendo lícita, portanto, a presunção de que a requerente, pelo fato de realizar o recolhimento do tributo por meio de compensação não esteja investida do instituto da denúncia espontânea, até porque a iniciativa evidencia sua boa fé". "(...) Com o objetivo de demonstrar sua responsabilidade e interesse pelo pagamento da dívida, a recorrente preencheu formulários referentes à compensação por meio de PERDCOMP. Através desses procedimentos, indubitavelmente, caracterizouse a origem do débito e o seu pagamento, com confissão espontânea". No entanto, no meu entender, não tem amparo a tese sustentada pela Recorrente, no sentido de que a denúncia espontânea da infração à legislação tributária, com o recolhimento do tributo devido, via compensação através de DCOMP's, possa desobrigar o contribuinte do pagamento da multa de mora no percentual de 20% (vinte por cento). Na verdade, está o contribuinte dando interpretação equivocada ao disposto no art. 138 do CTN, não podendo, pois, prosperarem seus argumentos. Inclusive, no mesmo sentido encontrase precedentes desta e de outras Turmas deste CARF, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Insisto, pagamento e, não compensação, como é o caso. A teor do julgamento do REsp nº 1.149.022/SP, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que, "(...) a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente."; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art.62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. Fl. 1916DF CARF MF 8 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA.CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior,cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada,com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS,Rel.Ministro TeoriAlbino Zavascki,julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, ao caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o Voto Vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, trecho abaixo transcrito, adotando suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração), pelo pagamento de tributo sem atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96), trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art.138 do CTN. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido Ag. Rgno. Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: (...)". Por fim, vale destacar que não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. O art.138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). Como no presente caso a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica nos autos, entendo ser inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art.138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 11080.004567/200541 Acórdão n.º 3402006.022 S3C4T2 Fl. 1.914 9 c) Do pedido de efeito suspensivo ao Recurso Voluntário Uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela Recorrente nesse sentido. d) Da conexão deste processo com o PAF nº 11080.007822/200516 Solicita a Recorrente o reconhecimento da conexão do processo epigrafado, com o PAF nº 11080.007822/200516, para a apreciação em conjunto de ambos tendo em vista o crédito declarado em favor da COPAGRA LITORAL LTDA. DIPESUL AGRICOLA LIDA. aproveitado pela sucessora, ora requerente, COPAGRA COMERCIAL PORTOALEGRENSE DE AUTOMOVEIS LTDA. Em pesquisa realizada no sitio do CARF, é possível verificar que o PAF nº 11080.007822/200516, encontrase julgado por este Conselho na 1ªTO/2ªCâmara/3ª Sejul, conforme Acórdão nº 3201001.414, de 30/09/2013, apresentando o seguinte dispositivo: "(...) No momento em que o contribuinte não junta, nem apresente, recurso nestes autos, não há como ser apreciada uma irresignação que, em verdade, não existe. É corolário jurídico de que o que não está nos autos não está no mundo jurídico, motivo pelo qual não se pode conhecer e analisar recurso interposto somente em outro processo administrativo. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário, por sua inexistência, prejudicados os demais argumentos". e) Dispositivo Ex positis, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose nos estritos termos a decisão recorrida. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1918DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002290/2005-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/02/2005
DECLARAÇÃO DE DÉE1TOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS - DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO.
A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência.
Numero da decisão: 1001-000.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/02/2005 DECLARAÇÃO DE DÉE1TOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS - DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DECLARAÇÃO DE DÉE1TOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 22 90 /2 00 5- 63 Fl. 27DF CARF MF Processo nº 10950.002290/200563 Acórdão n.º 1001000.991 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 20 a 23) interposto contra o Acórdão nº 0613.163, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 13 a 16), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRlAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DECLARAÇÃO DE DÉE1TOS E CRÉDITOS TR1EUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de auto de infração (fl. 02), mediante o qual é exigido da contribuinte qualificada o crédito tributário total de R$ 500,00, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativa ao quarto trimestre de 2004. 2. O enquadramento legal do lançamento encontrase discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do auto de infi'ação, à fl. O2. 3. Em 15/07/2005, a contribuinte apresentou a impugnação de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 02 e 04/06 (cópia do auto de infração e da 3” alteração do contrato social), onde alega, em síntese, que a DCTF foi entregue fora do prazo em virtude de problemas de “congestionamento ou de manutenção na rede da internet, impossibilitando a entrega da declaração ä partir das 16:00 horas.” Requer, em conseqüência, o cancelamento do auto de infração. 4. À fl. 11, cópia do aviso de recebimento (AR) relativo ao auto de infração." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando que agiu com máxima diligência, contudo não conseguiu apresentar a declaração devida no prazo correto por culpa exclusiva dos sistemas da RFB. É o relatório. Fl. 28DF CARF MF Processo nº 10950.002290/200563 Acórdão n.º 1001000.991 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente admite que a declaração só foi entregue no dia 24/02/2005 quando o prazo final seria o dia 15/02/2005. No entanto, pede a reconsideração do auto de infração alegando que o atraso no cumprimento da obrigação acessória decorreu única e exclusivamente de falha dos sistemas da Receita Federal do Brasil que teria impedido a transmissão na data correta. Conforme trazido aos autos, realmente houve instabilidade dos sistemas fazendários na data final do prazo, haja vista que a própria administração fazendária editou o Ato Declaratório Executivo SRF nº 24/2005 considerando tempestivos as Declarações entregues nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005. Contudo, notase que mesmo com essa dilação do termo final do prazo regular, a Recorrente ainda só foi entregar a DCTF em questão 06 dias depois. Não há qualquer elemento nos autos que demonstre que houve nova instabilidade no sistema ou qualquer outra circunstância de força maior que justificasse todo o atraso incorrido pela Recorrente. Ora, conforme cediço, é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é função deste julgador zelar pela boa aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Em outras palavras, não cabe aos julgadores deste Conselho fazerem considerações de ordem política e pretenderem dizer como a norma "deveria ser", e sim interpretar as normas postas pelas autoridades com competência para tanto, e aplicálas aos casos que lhes são postos à análise. Desta feita, considerando que é inconteste nos autos o atraso incorrido pela Contribuinte, e que não há elementos suficientes ou justificativa capaz de eximilo desta responsabilidade, não há que se falar em reforma do decisum. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10950.002290/200563 Acórdão n.º 1001000.991 S1C0T1 Fl. 5 4 7. De acordo com o auto de infração, à fl. 02, a expedição da intimação teria ocorrido em 10/06/2005. No AR (aviso de recebimento) de fl. ll 0 destinatário omitiu a data do recebimento. Nele consta, apenas, carimbo aposto pela unidade responsável pela entrega (com a data de 28/O6/2005). Assim, devese considerar que a ciência somente ocorreu quinze dias após 10/06/2005, ou seja, em 25/06/2005, e que o prazo para interposição de impugnação acabaria somente em 25/07/2005. Diante do exposto, uma vez que a impugnação Ê apresentada em 15/07/2005 (fl. 01), devese considerála tempestiva. Conseqüentemente, dela se toma conhecimento. 8. A interessada alega que o atraso na entrega da DCTF do 4° trimestre de 2004 ocorreu devido a problemas de “congestionamento ou de manutenção na rede da internet, impossibilitando a entrega da declaração a partir das 16:00 horas.”. Requer, em decorrência, o cancelamento do lançamento. 9. Inicialmente, devese esclarecer que a multa por atraso na entrega de DCTF está prevista na legislação tributária, cujos dispositivos encontramse arrolados no auto de infração de fi. 02, não podendo as autoridades administrativas deixar de observar o seu cumprimento, afinal, a teor do parágrafo único do art. 142 do CTN, a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. 10. Seguindo a regra fixada no art. 3° da IN SRF n° 395, de 5 de fevereiro de 2004, o último dia para entrega (tempestiva) da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004 seria 15/02/2005, verbis: “Art. 31' A DCTF deve ser apresentada, trimestralmente, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre calendário de ocorrência dosfiztos geradores. " 11. _ Considerando que no referido dia (15/02/2005) houve, de fato, problemas técnicos nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serpro para a recepção e transmissão de declarações e que, por esse motivo, vários contribuintes haviam efetuado a transmissão nos dias imediatamente seguintes, após o prazo portanto, decidiuse considerar como entregues em 15/02/2005, em respeito ao contido no Ato Declaratório Executivo SRF n” 24, de 8 de abril de 2005 (DOU de 12/04/2005), todas as declaracões apresentadas até 18/02/2005, verbis: "Dispõe sobre o prazo de entrega da Declaração de Débitos e Créditos T ributários Federais (DCTF), referente ao 4 " trimestre de 2 004. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaría da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n" 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF n"255, de 11 de dezembro de 2002, , e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10950.002290/200563 Acórdão n.º 1001000.991 S1C0T1 Fl. 6 5 Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4” trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. JORGE ANTONIO DEHER RACHID " 12. De acordo com os autos, no entanto, a contribuinte apresentou a DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004 somente em 24/02/2005, ou seja, 06 dias após 0 dia 18/02/2005. 13. A IN SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002, dispõe que, in verbis: “Art 7" O suieíto passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãogpresentação, ou a prestar esclarecimentos. nos demais casos. no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal. e suieitarseá às seguintes multas: 1 de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 31'; 11 de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1” Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo oríginalmenteƒixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 21' Observado o disposto no § 35', as multas serão reduzidas: I em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; 11 em vinte e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 31' A multa mínima a ser aplicada será de: 1 R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; 11 R$ 5 00, 00 (quinhentos reais), nos demais casos. " (Grifouse) 14. Salientese que a IN SRF n° 255, de 2002, foi fonnalmente revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela IN SRF n° 482, de 21 de dezembro de 2004, que também foi formalmente revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela IN SRF 583, de 20 de dezembro de 2005, que, a propósito, manteve, no art. 10, a penalidade acima referida. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10950.002290/200563 Acórdão n.º 1001000.991 S1C0T1 Fl. 7 6 15. Nos tennos da legislação transcrita, e pelo que consta dos autos, a contribuinte estava legalmente obrigada à entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004. 16. A Secretaria da Receita Federal, diante da ocorrência de efetivos problemas técnicos nos sistemas eletrônicos de recepção e transmissão de declarações no dia 15/02/2005, considerou tempestivas, ou seja, como se tivessem sido entregues até 15/02/2005. todas as DCTF apresentadas até 18/02/2005. 17. A contribuinte, como se sabe, diante do “congestionamento” alegado, não entregou a DCTF no dia 15, nem nos dias 16 (dia imediatamente seguinte ao dia que teria havido o alegado congestionamento) 17 ou 18 de fevereiro de 2005, mas, em 24/02/2005, ou seja, seis dias após 0 novo prazo delimitado pela legislação. Consectário lógico, não há como considerar como tendo sido apresentada no prazo a DCTF em questão. 18. Posto isso, voto para que seja julgado procedente o lançamento, mantendo a exigência de R$ 500,00, relativa à multa por atraso na entrega da DCTF do 4° trimestre de 2004. (...)" Conforme apontando, resta assentado o inescusável atraso na entrega da declaração por parte da Recorrente. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 32DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900553/2008-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/07/1999
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/07/1999
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.517
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/07/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/07/1999 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 47 1 46 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.900553/200860 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.517 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 4 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CLÍNICA SÃO VICENTE FERRER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/07/1999 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 05 53 /2 00 8- 60 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10665.900553/200860 Acórdão n.º 1002000.517 S1C0T2 Fl. 48 2 Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG (DRJ/BHE) mediante o Acórdão n.º 0230.483, de 19/01/2011 (efls. 31 a 36). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 1, por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.° 00474.05034.270104.1.3.046052 foi nãohomologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 2089, no valor de R$ 2.133,46, efetuado em 30/07/1999. Consta do despacho decisório, que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas o valor recolhido foi utilizado para quitação de débito do contribuinte, de mesmo código de receita e período de apuração. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 2.367,50 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho se deu em 05/05/2008 (fl. 24). Em 02/06/2008, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fl. 07 a 12. Nela constam os seguintes argumentos: • o despacho decisório é nulo; • a lei autoriza o contribuinte afazer, ele mesmo, um juízo de valor, por sua conta e risco, sobre um pagamento ter sido feito indevidamente ou a maior do que o devido e utilizálo, ele mesmo, o contribuinte, na compensação de débitos próprios; • a compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10665.900553/200860 Acórdão n.º 1002000.517 S1C0T2 Fl. 49 3 • tendo a compensação realizada pelo sujeito passivo presunção de validade, conforme art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, o fisco, se a quiser desconstituir, tem que expedir ato fundamentado para este fim; • para indeferir uma compensação, é ônus do fisco dizer, fundamentadamente, o porquê do crédito utilizado não ter sido aceito; • o manifestante considerou como indevido o pagamento feito no período correspondente e usou a faculdade legal de compensálo com débito seu; • a compensação não foi homologada, porque o fisco não reconheceu a existência do crédito, com a alegação de que o recolhimento foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ relativo ao período de apuração encerrado em 30/06/1999; • a alegação do fisco é vazia e desprovida de fundamentação; • dizer que as compensações foram indeferidas com a alegação de que o crédito foi utilizado para quitar o débito do período correspondente não constitui explicação fundamentada; • a cada crédito pleiteado pelo sujeito passivo há um correspondente pagamento de tributo considerado indevido por este; • por deixar de expor, fundamentadamente, as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento, o despacho decisório é nulo, conforme decisões do Conselho de Contribuintes; • o despacho decisório, por não ser fundamentado, viola o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa (art. 5% inciso LV, da CF); • se a parte contra a qual recai o despacho não tiver conhecimento das razões que o justificam a tomada de determinada decisão, nem sequer saberá quais os fatos e fundamentos específicos que terá de impugnar, ficando prejudicada a sua defesa; • é como se uma determinada pessoa fosse presa por crime de furto, mas não houvesse, na decisão que determinou a sua prisão, qual o objeto furtado, quando e em que local houve o furto, e qual o fundamento legal específico que a conduta imputada a ela se enquadra; • sem essas informações, o preso não tem como se defender; • o mesmo ocorre no caso, em que o fisco não expôs, fundamentadamente, as razões de fato e de direito que o levaram a indeferir as compensações, impedindo o manifestante de impugnálas; • pelo exposto, pedese que o despacho seja declarado nulo. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, o que motivou o contribuinte a interpor recurso voluntário, em 02/03/2011 (efls. 39 a 45), no qual alega, em síntese, que: a) Faltou fundamentação no Despacho Decisório, o que teria impedido o regular exercício do contraditório e da ampla defesa; b) O contribuinte não tem obrigação de retificar a DCTF para excluir valor informado como débito; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10665.900553/200860 Acórdão n.º 1002000.517 S1C0T2 Fl. 50 4 c) O Fisco deveria ter examinado a materialidade do crédito; d) Só a lei pode instituir obrigações ao contribuinte, e não normas infralegais, conforme o art. 5.º, II, da CF/88; e) Seria impossível cumprir o que determina o art. 9.º da IN RFB n.º 1.110/2010, "pois, evidentemente, em tais tipos de compensação, o Darf tem que constar na DCTF. Caso retificada a DCTF terseia que suprimir o Darf da declaração e consequentemente sua identificação não seria possível por parte da Receita Federal do Brasil."; f) A retificação da DCTF não é condicionante para que seja admitida a compensação; g) PER/DCOMP é declaração e tem presunção legal de validade. Por fim, pede que seja o Despacho Decisório declarado nulo, homologada a compensação, e que o fisco se manifesta com relação ao mérito do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Nulidade do Despacho Decisório. De início, o recorrente alega que o Despacho Decisório (DD) de efl. 2 é nulo, por falta de fundamentação para a não homologação ali consignada. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10665.900553/200860 Acórdão n.º 1002000.517 S1C0T2 Fl. 51 5 processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, que deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado, o ato deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. As autoridades tributárias responsáveis pela elaboração do Despacho Decisório (DD) e pelo julgamento de 1.ª instância agiram em cumprimento com o dever de ofício, e com zelo e dedicação as atribuições afetas ao cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando os atos decisórios, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.3 O Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente, com observância de todos os requisitos legais, do qual o sujeito passivo foi regularmente notificado4. Assinala claramente o referido DD que o motivo da não homologação é a não existência do crédito alegado, pois o pagamento via DARF que o contribuinte pretendeu que fosse reconhecido como pagamento a maior já estava vinculado a um débito de responsabilidade do pleiteante, declarado por ele em DCTF. Consta também no DD o enquadramento legal que dá suporte à conclusão: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 2, e o Acórdão da 3.ª TURMA/DRJ/BHE n.º 0230.483, de 19/01/2011, efls. 31 a 36, contêm todos os requisitos legais, o que lhes confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que está instruído com as provas produzidas por meios lícitos, em 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 4 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10665.900553/200860 Acórdão n.º 1002000.517 S1C0T2 Fl. 52 6 observância às garantias ao devido processo legal. Não obstante, a maneira como foram enfrentadas as questões na peça de defesa denota compreensão da fundamentação e da base legal correlata que ensejaram a não homologação expressa no Despacho Decisório. A tese protetora exposta pelo defendente, de lesão aos princípios da ampla defesa e do contraditório, assim sendo, não está demonstrada. Ônus da prova da liquidez e certeza do crédito nos procedimentos de compensação de tributos. Em uma segunda linha argumentativa, o recorrente se esquiva do núcleo da fundamentação da decisão de piso, que contempla a ausência de apresentação de material probatório capaz de desconstruir a constatação contida no Despacho Decisório: de que não havia crédito em favor do contribuinte por conta de que o DARF apontado como gerador de pagamento a maior já estava alocado a um débito regularmente confessado em DCTF pelo próprio recorrente. É bom que se diga que, ao contrário do que pretende fazer crer o recorrente, não há qualquer disposição na decisão recorrida exigindo ou condicionando a compensação a retificação de DCTF ou de outro tipo de declaração. O que consta do acórdão recorrido a propósito deste tema é a observação sobre a necessidade de o pleiteante ao direito creditório comprovar efetiva e inequivocamente a liquidez e certeza do crédito pretendido, o que inclui, entre outros itens que também concorrem para a comprovação, retificar DCTFs, DIPJs etc., quando for o caso. Por exemplo e no limite da ocorrência do erro de fato, conforme contorno normativo, quando o débito que havia sido declarado em DCTF o foi a maior, equivocadamente. A retificação da DCTF reduzindo o valor do débito tributário apurado no período, no interesse da exatidão da informação, denotará um pagamento a maior, relativamente ao DARF que foi usado para quitar o débito original. Essa declaração retificadora consiste num dos vários itens com teor probante que deverá, se necessário, compor com os demais elementos (escrita contábil, cópias de DARFs, demonstrativos de cálculo etc.) o conjunto apropriado de dados aptos para a confirmação da certeza e liquidez do crédito. No corpo do recurso voluntário figura ainda a eloquente defesa da presunção de validade do PER/DCOMP como declaração, e da obrigação do Fisco de examinar a materialidade do crédito, o que não teria ocorrido por culpa do Fisco. Nada mais fora de contexto. As razões de decidir contidas no Acórdão recorrido não retiram a presunção de validade do PER/DCOMP. Apenas — e isso se infere da leitura integral da decisão — lhe dispensam o tratamento adequado, que passa por entendêlo como instrumento que não possui presunção absoluta, e, dessa forma, carece de comprovação a respeito de informações ali declaradas. Outro disparate é o argumento que tenta transferir ao Fisco o exame de itens, elementos, que sequer foram trazidos aos autos, e cuja obrigação de apresentálos associase ao contribuinte que alega deter direito creditório. Esse ônus e a quem se dirige será melhor definido adiante. Quanto à defesa referente ao fato de que norma infralegal não pode criar obrigações, somente a lei, a seguir será demonstrado que as exigências que implicam na obrigação do contribuinte fazer prova da certeza e liquidez do crédito estão previstas em dispositivos legais, estrito senso. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10665.900553/200860 Acórdão n.º 1002000.517 S1C0T2 Fl. 53 7 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O pedido de compensação de que trata este processo encontrase em efls. 3 a 7, e data 27/01/2004. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior6. Lei n.º 5.869/73 (CPC vigente à época da manifestação de inconformidade): (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) (corresponde ao art. 373, I, no novo CPC Lei n.º 13.105/2015). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha tido o recorrente ampla oportunidade para tal, nas ocasiões de impetração das peças de defesa administrativa. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações8. Por fim, deve restar consignado que a jurisprudência colacionada no recurso voluntário referese a contexto fático diverso do que se discute nestes autos, e que não se identifica com as decisões de observância obrigatória pelo CARF de que trata o § 2.º do art. 62, do Anexo II, da Potaria MF N.º 343/2015 (RICARF). Mencionese ainda o impedimento legal de apreciação pelas instâncias julgadoras administrativas acerca da possibilidade ou não de 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10665.900553/200860 Acórdão n.º 1002000.517 S1C0T2 Fl. 54 8 cumprimento, pelos contribuintes, do que determina o art. 9.º da IN RFB n.º 1.110/2010, dada a vinculação à lei a que se submete a atividade julgadora em sede administrativa. Por tudo analisado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000115/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.
Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 15 /2 01 1- 11 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12585.000115/201111 Acórdão n.º 3302006.188 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), tendo como fundamento a existência de vedação legal expressa (§ 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003), que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças. Segundo a Fiscalização, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, devia ser entendido no sentido de que os créditos que podiam ser mantidos eram aqueles que existissem caso a receita à qual eram vinculados não fosse tributada à alíquota zero, inexistindo lógica na manutenção de crédito que a lei vedava desde a sua definição, em função da vedação expressa contida no artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Ainda de acordo com a autoridade fiscal, à semelhança da substituição tributária, a tributação monofásica aplicada a certos produtos – dentre os quais os veículos e autopeças – fazia incidir toda a carga tributária das contribuições na pessoa jurídica fabricante ou no importador, atribuindo alíquota zero aos elos subsequentes do ciclo de venda do produto (atacadistas e varejistas), sendo que a concessão de crédito a estes últimos viria a distorcer a tributação, anulando o aumento da carga tributaria paga pela pessoa jurídica fabricante ou pelo importador. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que existia norma que possibilitava o creditamento, este intrínseco à não cumulatividade, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Por outro lado, argumentou o então Manifestante ser desnecessário o enfrentamento do mérito, uma vez que Despacho Decisório havia sidolhe cientificado após o limite temporal de 5 anos contados da data de protocolização do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16065.094, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, tratandose de pedido de ressarcimento, não havia que se falar em prazo de cinco anos para sua análise, inexistindo hipótese de reconhecimento tácito do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12585.000115/201111 Acórdão n.º 3302006.188 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.167, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 12585.000094/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.167): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal os seguintes argumentos de defesa: a. existe norma que possibilita o creditamento, afinal é intrínseco à não cumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei nº 11.033/04; b. mas não será necessário nem estender esse mérito, já que o Despacho Decisório não pode prevalecer já que cientificado após o limite temporal, como se passa a demonstrar. Referida matéria já foi objeto de análise por esta antiga turma nos autos do PA nº 19515.721292/201379 (acórdão nº 3302005.274), onde restou decido por afastar o direito de tomar crédito em relação as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica, bem como afastar a incidência do instituto da homologação tácita para os pedidos de restituição/ressarcimento, cujas razões adoto como causa de decidir: Da inexistência de homologação tácita Quanto à suposta homologação tácita objeto dos pedidos de ressarcimento, urge esclarecer que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, trata do prazo para homologação da compensação declarada, inexistindo na legislação prazo quanto à homologação tácita de pedido de ressarcimento, que aliás, não é o caso dos autos. Rejeitase assim a preliminar arguida. MÉRITO Quanto ao mérito, destacamse a seguir os excertos do TVF: Inicialmente, vale esclarecer que o interessado é pessoa jurídica revendedora de veículos e autopeças, mercadorias sujeitas à incidência monofásica, e incide, portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos na aquisição, para revenda, das máquinas, veículos e autopeças especificadas na Lei nº 10.485, de 2002. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12585.000115/201111 Acórdão n.º 3302006.188 S3C3T2 Fl. 5 4 3. A despeito da vedação supracitada, o contribuinte apura créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) A par da tributação concentrada, estipulada aos fabricantes e importadores de veículos e autopeças, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas. “Art.3º ... § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)” 15. Em suma, para as máquinas, veículos e autopeças relacionados na Lei nº 10.485, de 2002, vigora o regime de incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com concentração da tributação nos respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de alíquota zero para as receitas apuradas, por comerciantes atacadistas e varejistas, com as vendas das mesmas. (...) Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)” (g.n.) Art. 2°, § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (g.n.) (...) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 12585.000115/201111 Acórdão n.º 3302006.188 S3C3T2 Fl. 6 5 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. Estando bem delineada a espécie normativa que fundamenta a questão e objetivamente abordada pela decisão de piso, reproduzemse os fundamentos, como razão de decidir, com escopo no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, a seguir destacados: Quanto ao mérito, digase que a alegação da impugnante de que existiria norma que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como bem disse o Despacho Decisório, em uma interpretação equivocada do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse artigo apenas afirma que podem ser mantidos os créditos porventura existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No presente caso não existe crédito a ser mantido, pouco importando, pois, que a operação de venda da contribuinte tenha sido com alíquota zero. E o crédito não existe porque, como também deixa claro o Despacho Decisório, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica:(grifei). Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Lei nº 10.833, de 2003: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 12585.000115/201111 Acórdão n.º 3302006.188 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuinte não podia apurar nenhum crédito decorrente da aquisição de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica e, portanto, não há sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não há crédito a ser mantido. Com isso, concluise novamente pela correção do procedimento fiscal ao lavrar os lançamentos de ofício para formalizar as glosas dos créditos, devendo a contribuinte retificálos em suas declarações.(grifei). No mesmo sentido são as decisões proferidas nos acórdãos nº 3302 005.447 e 3302005.447, envolvendo o crédito nas aquisições de produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica e a homologação tácita, respectivamente: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12585.000115/201111 Acórdão n.º 3302006.188 S3C3T2 Fl. 8 7 art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Em relação ao prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para conclusão do procedimento administrativo, previsto no artigo 24, da Lei nº 11.457/07, constatase que referida matéria não foi suscitada na impugnação, ensejando, assim, a aplicação do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 13962.000122/99-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/05/1999
PAF - PRINCÍPIO DA LIVRE PERSUASÃO RACIONAL - DILIGÊNCIA - DILIGÊNCIA REPUTADA DESNECESSÁRIA PELO JULGADOR - INDEFERIMENTO. PRECEDENTES DO STJ.
O artigo 131 do CPC aplicável subsidiariamente ao PAF consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o julgador a valer-se do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, compete-lhe rejeitar perícias ou diligências, quando desnecessárias ou que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/05/1999
IPI - RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO - INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, considerando-se que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do resssarcimento.
Numero da decisão: 3402-002.050
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1998 a 31/05/1999 PAF - PRINCÍPIO DA LIVRE PERSUASÃO RACIONAL - DILIGÊNCIA - DILIGÊNCIA REPUTADA DESNECESSÁRIA PELO JULGADOR - INDEFERIMENTO. PRECEDENTES DO STJ. O artigo 131 do CPC aplicável subsidiariamente ao PAF consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o julgador a valer-se do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, compete-lhe rejeitar perícias ou diligências, quando desnecessárias ou que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/09/1998 a 31/05/1999 IPI - RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO - INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, considerando-se que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do resssarcimento.
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Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1998 a 31/05/1999 PAF PRINCÍPIO DA LIVRE PERSUASÃO RACIONAL DILIGÊNCIA DILIGÊNCIA REPUTADA DESNECESSÁRIA PELO JULGADOR INDEFERIMENTO. PRECEDENTES DO STJ. O artigo 131 do CPC aplicável subsidiariamente ao PAF consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o julgador a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, competelhe rejeitar perícias ou diligências, quando desnecessárias ou que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/1998 a 31/05/1999 IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, considerandose que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do resssarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 01 22 /9 9- 38 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 656/669) contra o Acórdão DRJ/RPO nº 1422.411 de 04/03/09 constante de fls. 645/650 exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 418/425, mantendo o Despacho Decisório de fls. 407/410 da DRF de Blumenau SC, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de créditos básicos de IPI, com base no art. 5º do DecretoLei n° 491/69 e inciso II, art. 1º da Lei n° 8402/92, no valor de R$ 43.713,77, e no art. 11 da Lei n° 9.779/99, no montante de R$ 149.008,31, durante os períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1998 e maio de 1999, conforme o Pedido de Ressarcimento constante da fl. 01 , depois substituído pelo da fl. 358, que, descontando o débito de R$ 11.698,34 do período, restou R$ 181.023,74. Por seu turno, a r. decisão de fls. 645/650 da 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 418/425, mantendo o Despacho Decisório de fls. 407/410 da DRF de Blumenau – SC, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IP I Período de apuração: 01/09/1998 a 31/05/1999 PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO . FALTA DE APLICAÇÃO DOS INSUMOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DO ESTABELECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 5º do Decretolei n° 491/69 e art. 1º, inciso II, da Lei n° 8402/92, e também do saldo credor do IPI, art. 11, da Lei n° 9.779, de 1999, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente aplicados processo industrial. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13962.000122/9938 Acórdão n.º 3402002.050 S3C4T2 Fl. 3 3 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido diligência ou perícia. Solicitação Indeferida” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 656/669) apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista: a) preliminarmente que o posicionamento da r. decisão recorrida mereceria reforma porque contrário ao princípio da verdade material e às normas aplicáveis à espécie que possibilitariam a apresentação de documentos em fase recursal, razões pelas quais, embora entenda suficiente a documentação carreada aos autos, para demonstrar a industrialização por encomenda, apresentava outros na fase recursal, a fim de demonstrar, de uma vez por todas, que a propriedade intelectual das mercadorias industrializadas pela terceira empresa (Irmãos Zen S.A.) não era de ninguém mais senão da própria Remy ora Recorrente; b) que caracterizandose como estabelecimento encomendante de industrialização realizadas por terceiro faria jus ao crédito do imposto destacado nas notas fiscais emitidas por este último e ao ressarcimento pleiteados nos termos do RIPI/98 (arts. 9º, inc. IV e 147, inc. IV); c) no tocante aos créditos de produtos importados , ora recorrente a r. decisão recorrida não nega a existência dos mesmos limitandose a asseverar que estes não seriam passíveis de pedido de compensação/ressarcimento, da forma procedida pela empresa, o que não subsistiria em face de sua equiparação a estabelecimento industrial; b) que o indeferimento dos créditos e seu ressarcimento seria conseqüência de interpretação restritiva da legislação, razão pela qual seriam “legítimos” os créditos de IPI e o ressarcimento pleiteado nos termos da legislação de regência e da Jurisprudência que cita. Às fls. 707/709 a ora Recorrente formalmente requereu a desistência parcial da impugnação ou do recurso interposto constante do processo administrativo nº 13962.000122/9938, exclusivamente, em relação aos débitos compensados principal, juros e multas (código 2362 período 02/1999 a 07/1999 e código 2484 período 02/1999 a 07/1999), para que estes fizessem parte integrante, portanto, da consolidação dos valores, para fins do parcelamento concedido pela lei 11.941 de 27 de maio de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Preliminarmente rejeito a alegação de suposta violação ao princípio da verdade material, eis que como ressaltado na r. decisão recorrida, a ora Recorrente teve oportunidade de demonstrar a procedência de suas alegações mediante a prova documental não produzida oportunamente e, como também já assentou o E. STJ “o artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, competelhe rejeitar Fl. 813DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 diligências que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual. (cf. REsp 886.695/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2007, DJ 14.12.2007; e EDcl no REsp 37033/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 15.09.1998, DJ 03.11.1998)” (cf. AC. da 1ª do STJ no REsp 896045/RN, Reg. nº 2006/02290861, em sessão de 18/09/2008, Rel. Min. LUIZ FUX, Publ. in DJU de15/10/2008). No mérito, ante a ausência de comprovação oportuna da legitimidade do crédito e do ressarcimento pleiteados deve subsistir a r decisão recorrida, por seus próprios e jurídicos fundamentos que adoto como razões de decidir e transcreto: Inicialmente, devese esclarecer que o auditorfiscal diligenciador cumpriu integralmente o que foi solicitado através do despacho de fls. 489/490 da Delegacia da Recita Federal de Julgamento em Porto Alegre, que, em síntese, apresenta como ponto principal verificar se a contribuinte realiza operação de industrialização. Logo, os pontos de discordância apresentados na manifestação de inconformidade e na manifestação contra o Relatório Fiscal, não dependem de diligência, posto que os elementos constantes dos autos são suficientes para o julgamento. Deste modo, e em conformidade com o art. 18, caput, do PAF, indefiro o pedido de diligência formulado na manifestação, fl. 615, por considerála prescindível para a solução do litígio administrativo. Acrescentese ainda que não foram apresentados os quesitos, exigência prevista no art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. A interessada requer o ressarcimento do crédito de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, Decretolei n° 491/69, art. 5º e Lei n° 8.402/92, art. 1º, inciso II e também do saldo credor de IPI, art. 11 da Lei n° 9.779/99: Decretolei n° 491/69 Art. 5º E assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. Lei n° 8402/92 Art. 1° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: (...) II manutenção e utilização do crédito do Imposto sobre Prpdutos Industrializados relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969; Lei n° 9.779/99 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o Fl. 814DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13962.000122/9938 Acórdão n.º 3402002.050 S3C4T2 Fl. 4 5 contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Com os dispositivos transcritos acima, evidenciase a existência de toda uma legislação própria para o IPI, que cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais, no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Somente se referem ao aproveitamento de créditos do imposto, no presente caso (ressarcimento/compensação), relativamente a insumos adquiridos e aplicados na industrialização. Até 31/12/1998, somente os créditos incentivados, cuja manutenção e utilização estavam assegurados por lei específica, eram passíveis de ressarcimento. A partir do advento, em 30/12/1998, da Medida Provisória n° 1.788/1998, posteriormente convertida na Lei n° 9.779/99, especificamente em seu art. 11, devidamente regulado pela IN SRF 33/99, deixouse de fazer diferenciação entre crédito básico e crédito incentivado, criandose uma nova sistemática jurídicotributária. Permitiuse, então, que créditos excedentes desse imposto por insuficiência de débito, acumulados em cada trimestre calendário, pudessem ser utilizados de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/1996, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF. Em linhas gerais, o Despacho Decisório indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito de IPI, pois o aproveitamento do crédito está diretamente vinculado ao emprego dos insumos adquiridos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) no processo de industrialização. Não havendo industrialização não há que se pleitear crédito algum. Alega a contribuinte em sua impugnação que realiza operações de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º da RIPI/98), apresentando como prova com os documentos de fls. 463/467. Tais documentos, emitidos pela empresa Irmãos Zen S.A., empresa da qual a contribuinte adquire seus produtos, são apenas cópias das fichas do produto, fazendo menção expressa à conferência do plano de embalagem "DELCO" , inclusive com marcação nas peças da marca "AC DELCO " e números de série. Não há como concordar com a impugnante, pois não comprova documentalmente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem para a realização das operações de acondicionamentos e reacondicionamentos. Assim como, não há provas que o processo de industrialização tenha sido realizado "por encomenda" em outros estabelecimentos industriais, conforme definido no art. 9º, inciso IV, e arts. 415 a 419 do Decreto n° 4.544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/2002). Fl. 815DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Correto a impugnante ao afirmar que os estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira que promoverem a saída desses produtos são equiparados a industrial (RIPI/2002, art. 9º). Isso obriga ao destaque do imposto nas saídas (RIPI/art.24). Porém, no caso concreto, não há operação de industrialização no âmbito estabelecimento importador, que apenas dá saída aos insumos importados. O concernente ao desembaraço aduaneiro das matériasprimas pode até existir e ser compensado na escrita fiscal com débitos do próprio imposto em outras operações, contudo, este não ser usufruído sob a forma de ressarcimento e compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11. Quanto ao ressarcimento do crédito de insumos utilizados na fabricação produtos exportados, Decretolei n° 491/69, art. 5º e Lei n° 8.402/92, art. 1º, inciso II, conforme citado acima, a contribuinte não comprovou em momento algum as aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados industrialização dos produtos exportados. Não havendo processo de industrialização, não que se pleitear crédito algum. A título de informação para a reclamante, a parte que invoca resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. N o caso concreto, o administrado deve carrear aos autos as provas que dão lastro ao direito creditório reclamado. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, instituído pela Lei n° 5.869, 11 de janeiro de 1973, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. O pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos a demonstrar o direito da requerente, ou seja, a empresa deve provar o que alegou em manifestações: que realiza operações de industrialização. Tal circunstância não comprovada, não há qualquer indicação de existência de processo produtivo, nem ao uma aquisição de material de embalagem para as supostas operações de acondicionamento reacondicionamento. A comprovação documental é imprescindível para o deferimento pleito. Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que na fase instrutória, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do resssarcimento. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13962.000122/9938 Acórdão n.º 3402002.050 S3C4T2 Fl. 5 7 Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É como voto Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 817DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 06/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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