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Numero do processo: 10805.722426/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. PROVA.
Devidamente comprovado com documentação hábil e idônea a existência do direito creditório relacionado com as compensações declaradas, há que se acatar a mesma.
Numero da decisão: 1302-001.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que votava pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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PROVA. Devidamente comprovado com documentação hábil e idônea a existência do direito creditório relacionado com as compensações declaradas, há que se acatar a mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que votava pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 24 26 /2 01 1- 77 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André que reconheceu parcialmente direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ, do anocalendário 2008. A DIPJ apresentava um saldo negativo de IRPJ de R$ 6.789.423,32 no anocalendário de 2008, que foi parcialmente reconhecido pela unidade de origem, no valor de R$ 1.564.985,18, conforme tabela abaixo: IRPJ DIPJ Despacho Decisório IRPJ anual devido 0,00 0,00 IRRF 6.789.423,32 1.564.985,18 IRPJ pago estimativas 0,00 0,00 Saldo Negativo de IRPJ 6.789.423,32 1.564.985,18 A unidade de origem homologou parcialmente as compensações declaradas, porque constatou que não havia crédito suficiente para compensar integralmente os débitos informados porque, dos rendimentos não financeiros, parte das retenções não foi confirmada por Dirf e não houve apresentação de comprovante de retenção da parcela confirmada, parte referese à rendimentos não oferecidos à tributação; e, dos rendimentos financeiros, parte das retenções referese à rendimentos não oferecidos à tributação. IRRF DIPJ Confirado por DIRF Oferecidos a Tributação Sobre rendimentos não financeiros 967.565,76 464.039,43 363.341,53 Sobre rendiemntos financeiros 5.821.857,56 5.821.857,56 1.201.643,66 Total 6.789.423,32 6.285.896,99 1.564.985,19 A defesa alega, em síntese, que todos os rendimentos foram oferecidos à tributação em 2008 e em anoscalendário anteriores. Informa, em relação aos rendimentos financeiros, que “por força da natureza dos investimentos, eram gerados, em períodos específicos, rendimentos passíveis de apropriação, que deveriam ser reconhecidos, pela Contribuinte/investidora, sem que houvesse, de pronto, a retenção do IR pertinente”, justifica que se sujeita ao princípio da competência,“devendo oferecer os rendimentos, por exemplo, de aplicações financeiras, nomomento em que estes se tornam conhecidos, ainda que o pagamento do IRRF pela fonte pagadora se de apenas no momento do resgate”, argumenta que parte dos rendimentos já teria sido tributada em anoscalendário anteriores, quando compuseram as receitas daqueles anos. Quanto à ausência de retenção pelas fontes pagadoras, alega que todos os valores efetivamente foram retidos, e que suas quantias foram recebidas líquidas. Por fim, protesta pela juntada de mais documentos que comprovem suas alegações e requer a conversão do julgamento em diligência para constatação dos valores. O valor do crédito de saldo negativo utilizado nas compensações é de R$ 6.771.255,60. O litígio deste processo corresponde à parte não homologada das compensações, equivalente a R$ 5.206.270,42. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.722426/201177 Acórdão n.º 1302001.661 S1C3T2 Fl. 1.011 3 Anexado a este processo, por apensação, o processo 10805.723720/201287, que trata de auto de infração exigindo a multa isolada de 50% prevista no § 17º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 calculada sobre o valor do crédito objeto das compensações não homologadas. A DRJ/POA, pelo Acórdão de nº 1046.604, por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, conforme emanta a seguir: COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar a existência do direito creditório relacionado com as compensações que declara. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. A diligência é desnecessária quando a prova pretendida pode ser facilmente carreada ao processo pelo contribuinte Cientificada da decisão em 22/11/13, a Interessada apresentou recurso voluntário tempestivo em 19/12/13, alegando basicamente o seguinte: que dos R$ 6.789.423,32 referentes ao IRRF aproveitados pela Recorrente, a autoridade fiscal reconheceu como efetivamente retidos pelas fontes pagadoras o montante de R$ 6.285.896,99. que para homologar o aproveitamento do referido montante a autoridade fiscal passou a verificar se os rendimentos deles proveniente foram oferecidos à tributação e incluídos na DIPJ/2008. que em relação aos rendimentos não financeiros foi constado que foi oferecido à tributação o total de R$ 967.565,76, tendo sido reconhecido, entretanto, como retido na fonte apenas R$ 464.039,43. que a autoridade fiscal constatou que do total de receitas financeiras de R$ 35.809.464,66, a que seria correspondente os R$ 5.821.857,56 de IRRF aproveitados, apenas R$ 7.146.962,50 haviam sido oferecidos à tributação, assim, foi reconhecido apenas o montante de R$ 1.201.643,65 de IRRF. que isso devese ao fato de que a Contribuinte é optante pelo Lucro Real, se sujeitando ao princípio da competência e devendo oferecer os rendimentos, por exemplo, de aplicações financeiras, no momento em que estes se tornam conhecidos, ainda que o pagamento do IRRF pela fonte pagadora se de apenas no momento do resgate. que assim sendo, ainda que as receitas declaradas na DIPJ/2009 sejam incompatíveis com os rendimentos relativos ao IRRF aproveitado, é certo que a maior parte deles já foi tributada em anoscalendários anteriores, quando compuseram as receitas daqueles anos. que o IRRF proveniente de fontes financeiras decorrem de aplicação em CDB, celebrados com os Bancos Votorantin e Unibanco, em 2005, 2006 e 2008, e foram oferecidos a tributação desde sua contratação até a data do resgate. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 que nos anos de 2005, 2006 e 2008 firmou contratos lastreados em CDBs junto aos Bancos Votorantin e UNibanco, as quais geraram os rendimentos cujo IRRF foi aproveitado na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2008. que demonstra nas planilhas coladas na petição, lastreadas nos razões que os rendimentos relativos a cada CDB foram inexoravelmente oferecidos à tributação em 2005, 2006, 2007 e 2008. que consigna a abertura da Linha 24 da Ficha 06 "Outras Receitas Financeiras" das DIPJs relativas aos anos calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, que comprovam que as contas contábeis nas quais os rendimentos foram registrados, compuseram o valor nela lançado. que não restam dúvidas de que os rendimentos foram retidos pelas Instituições Financeiras e foram, oferecidos a tributação, pelo princípio da competência. que pelas DIPJs e pelos razões contábeis, das contas relativas às aplicações financeiras, resta evidente, a efetiva inclusão destes rendimentos no lucro dos referidos períodos, razão pela qual legítimo o seu aproveitamento em 2008. que para o aproveitamento do IRRF basta que se comprove que o rendimento dele proveniente tenha sido oferecido à tributação, no ano calendário que tenha ocorrido, conforme já se manifestou o CARF diversas oportunidades. Junta jurisprudência. que assim, resta comprovado que o total dos rendimentos de juros auferidos nas operações, dos quais provém o IRRF, foram oferecidos à tributação em 2005, 2006, 2007 e 2008. que em obediência ao princípio da ampla defesa, requer seja reconhecida a possibilidade de apresentação, neste momento, de provas e documentos bem como pugna pela conversão do julgamento em diligência para que sejam analisadas todas as informações e documentos juntados pela Recorrente, caso assim entenda a Turma. É o relatório. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.722426/201177 Acórdão n.º 1302001.661 S1C3T2 Fl. 1.012 5 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso é tempestivo e satisfaz os requisitos formais de admissibilidade, e, portanto, dele conheço. Conforme consta do despacho decisório, dos R$ 6.789.423,32 referentes ao IRRF aproveitados pela Recorrente, a autoridade fiscal reconheceu como efetivamente retidos pelas fontes pagadoras R$ 6.285.896,99. Para homologar o aproveitamento do referido montante retido na fonte, a autoridade fiscal passou a verificar se os rendimentos deles proveniente foram oferecidos à tributação e incluídos na DIPJ/2008, segregandoos como financeiros e não financeiros, nos seguintes termos: IRRF Rendimentos Ficha 54 DIPJ/09 IRRF Ficha 54 DIPJ/09 Reconhecido Pendente Comprovação Não financeira 63.773.175,70 967.565,76 464.039,43 503.526,33 Financeira 35.809.464,66 5.821.857,56 5.821.857,56 99.582.640,36 6.789.423,32 6.285.896,99 503.526,33 Em relação aos rendimentos não financeiros foi constatado o oferecimento à tributação de R$ 967.565,76, tendo sido reconhecido, entretanto, como retido na fonte apenas o valor de R$ 464.039,43. Por sua vez, a autoridade fiscal constatou que do total de receitas financeiras de R$ 35.809.464,66, a que seria correspondente os R$ 5.821.857,56 de IRRF aproveitados, apenas R$ 7.146.962,50 haviam sido oferecidos à tributação. Assim, diante da análise conjunta da comprovação da retenção do imposto com o oferecimento dos rendimentos à tributação, reconheceu na apuração do crédito como IRRF proveniente de fontes financeiras apenas o montante de R$ 1.201.643,65 Percebese porém que este procedimento devese ao fato da Recorrente ser optante pelo Lucro Real, sujeita ao princípio da competência, devendo oferecer os rendimentos, no caso, de aplicações financeiras, no momento em que estes se tornam conhecidos, ainda que o pagamento do IRRF pela fonte pagadora se de apenas no momento do resgate. Isso explica o fato das receitas declaradas na DIPJ/2009 serem incompatíveis com os rendimentos relativos ao IRRF aproveitado. Restou claro pela documentação juntada que o IRRF proveniente de fontes financeiras aproveitado na formação do saldo negativo de 2008, provém de rendimentos decorrentes de aplicação em CDB, celebrados entre a Recorrente e os Bancos Votorantin e Unibanco, e que foram oferecidos a tributação. A Recorrente firmou contratos lastreados em CDBs junto ao Banco Votorantin, nos anos de 2005, 2006 e 2008, que geraram os rendimentos cujo IRRF foi Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 aproveitado na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2008, conforme tabela a seguir: Periodo de vigência Valor original 13/06/2005 a 28/05/2008 10.000.000,00 06/01/2008 a 22/12/2008 70.000.000,00 07/01/2008 a 31/12/2008 37.000.000,00 19/03/2008 a 31/12/2008 20.000.000,00 27/03/2008 a 31/12/2008 15.000.000,00 19/06/2008 a 05/08/2008 15.000.000,00 20/06/2008 a 31/12/2008 36.000.000,00 20/06/2008 a 01/09/2008 5.000.000,00 07/08/2008 a 05/09/2008 3.000.000,00 21/08/2008 a 30/09/2008 9.000.000,00 06/11/2008 a 31/12/2008 15.000.000,00 19/11/2008 a 31/12/2008 1.450.000,00 26/11/2008 a 31/12/2008 5.100.000,00 03/12/2008 a 31/12/2008 2.900.000,00 11/12/2008 a 31/12/2008 20.700.000,00 que realizou as mesmas operações em 2006 e 2008 junto ao Unibanco: Periodo de vigência Valor original 01/06/2006 a 07/01/2008 30.000.000,00 13/10/2008 a 17/11/2008 16.500.000,00 21/10/2008 a 27/11/2008 5.000.000,00 21/10/2008 a 27/11/2008 5.000.000,00 10/11/2008 a 09/12/2008 10.000.000,00 05/12/2008 a 29/12/2008 1.200.000,00 Estas planilhas que foram anexadas estão lastreadas nos razões contábeis, que estão devidamente numerados e identificados, e demonstram que os rendimentos relativos a cada CDB foram oferecidos à tributação nos anos calendário de 2005 a 2008. Inobstante tal fato, a Recorrente ainda fez a abertura da Linha 24 da Ficha 06 "Outras Receitas Financeiras" das DIPJs relativas aos anos calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, que comprovam que as contas contábeis nas quais os rendimentos foram registrados, compuseram o valor nela lançado, como se vê: DIPJ 2005 DIPJ 2006 Linha 24 outras receitas financeiras Linha 24 outras receitas financeiras 22.231.048,42 31201020101 (7.386.631,06) 3113020101 789.836,96 31201020102 (1.022.684,43) 3113020102 3.656.191,27 31201020104 (940.086,37) 3113020103 18.812.571,01 31201020106 (7.433.545,35) 3113020104 19.680.689,79 31201020107 (30.097.871,00) 3113020106 900.328,60 31201020108 (7.922.342,99) 3113020107 5.683.281,50 31201020110 457.337,59 3113020108 2.851,37 31201020201 (1.409.177,07) 3113020110 (18.053,92) 3113020201 71.756.800,92 (55.773.054,60) Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.722426/201177 Acórdão n.º 1302001.661 S1C3T2 Fl. 1.013 7 DIPJ 2007 DIPJ 2008 Linha 24 outras receitas financeiras Linha 24 outras receitas financeiras (13.019.881,55) 3113020101 (87.228,33) 3111010519 (1.755.264,34) 3113020102 (11.073.760,42) 3113020101 (315.666,09) 3113020103 (1.955.856,70) 3113010102 (7.997.707,83) 3113020104 (276.668,84) 3113010103 (27.137.608,32) 3113020106 (1.679.960,12) 3113010104 (26.646,65) 3113020108 (7.151.126,97) 3113020106 (669,77) 3113020109 (8.727,58) 3113020108 (22.445.498,20) 3113020112 (1.757.960,84) 3113020110 66.172,58 3113020201 16.630.062,26 3113020112 (271.232,23) 3113020113 (56.820,24) 3113020114 354.806,77 3113020201 (72.632.770,17) (7.334.473,24) Assim, não restam dúvidas de que o IRRF dos rendimentos glosados foram retidos pelas Instituições Financeiras no momento do resgate dos juros decorrentes das aplicações financeiras e foram, oferecidos a tributação, pelo princípio da competência, no momento em que foram efetivamente reconhecidos pela Recorrente. Restou evidente, também, pelas DIPJs e razões contábeis das contas relativas às aplicações financeiras sob análise, a efetiva inclusão destes rendimentos no lucro dos referidos períodos, razão pela qual legítimo é o aproveitamento do correspondente IRRF no ano calendário de 2008, período em que foi reconhecidamente retido e recolhido ao Fisco pela fonte pagadora, nos seguintes termos: Contratos Votorantim Valor Rend. Tributável 2005 Rend. Tributável 2006 Rend. Tributável 2007 Rend. Tributável 2008 Principal Resgatado 2008 Rendimetos Resgatados 2008 Contrato 1 10.000.000,00 1.047.127,50 1.695.159,64 563.878,06 1.241,21 (20.000,00) (9.810,27) Contrato 2 70.000.000,00 10.605.176,58 9.662.215,65 781.367,24 (70.000.000,00) (21.048.759,47) Contrato 3 37.000.000,00 1.565.686,82 (36.430.769,23) (1.494.686,84) Contrato 4 20.000.000,00 288.929,25 (19.956.873,31) (284.575,61) Contrato 5 15.000.000,00 362.082,48 (14.978.401,73) (359.936,10) Contrato 6 15.000.000,00 187.552,88 (15.000.000,00) (187.552,88) Contrato 7 36.000.000,00 659.351,11 (35.974.212,03) (657.487,42) Contrato 8 5.000.000,00 115.039,80 (5.000.000,00) (115.039,80) Contrato 9 3.000.000,00 31.503,36 (3.000.000,00) (31.503,36) Contrato 10 9.000.000,00 127.966,31 (9.000.000,00) (127.966,31) Contrato 11 15.000.000,00 150.814,38 (14.979.000,00) (150.382,92) Contrato 12 1.450.000,00 19.705,80 (1.430.000,00) (19.391,87) Contrato 13 5.100.000,00 35.385,79 (5.039.000,00) (34.583,40) Contrato 14 2.900.000,00 12.946,16 (2.838.000,00) (12.295,02) Contrato 15 20.700.000,00 94.731,66 (14.084.000,00) (45.889,56) Contratos Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Unibanco Contrato 16 30.000.000,00 4.462.111,36 4.168.669,02 66.305,64 (30.000.000,00) (8.697.086,02) Contrato 17 16.500.000,00 217.893,90 (16.500.000,00) (217.893,90) Contrato 18 5.000.000,00 70.423,46 (5.000.000,00) (70.423,46) Contrato 19 5.000.000,00 54.503,01 (5.000.000,00) (54.503,01 Contrato 20 10.000.000,00 101.522,96 (10.000.000,00) (101.522,96) Contrato 21 1.200.000,00 9.154,73 (1.200.000,00) (9.154,73) Total 332.850.000,00 1.047.127,50 16.762.447,58 14.394.762,73 4.954.107,95 (315.430.256,30) (33.730.444,91) Assim, restou comprovado que o rendimento no montante de R$ 33.730.444,91, gerador do IRRF aproveitado na apuração do saldo negativo de 2008 foi oferecido à tributação. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13748.000027/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 00 27 /2 00 9- 57 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado a Notificação de Lançamento de fls. 05/09, apurandose o crédito tributário no valor total de R$ 24.147,86 (vinte e quatro mil, cento e quarenta e sete reais e oitenta e seis centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, e ainda com a complementação da descrição dos fatos, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$45.500,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Foi considerado Priscila dos Santos e UNIMED, os outros recibos não estão revestidos das formalidades legais (endereço, carimbo, para quem efetuou a despesa). Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02/03, por meio do qual alegou em suma – que: (...) para fins de Impugnação e acatamento ao disposto no Decreto nº 3.000/99 RIR/99, Lei nº 9.250/95 e instrução Normativa SRF nº 15/2001, estou anexando parte dos documentos que comprovam os valores das deduções que foram consideradas indevidas. O restante dos comprovantes, venho respeitosamente, requerer a V.Sª, se digne concederme prorrogação de prazo para a juntada desses documentos, porquê como já dito acima, recebi a notificação em 15/12/2008 e os profissionais já estavam de férias e estou tendo dificuldades em contactálos. Por fim, postula o Contribuinte pelo acolhimento de sua Impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado, tendo em vista entender ter sido demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Na análise de suas alegações, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/CGE decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendose integralmente o crédito tributário exigido, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. SITUAÇÃO IMPEDITIVA. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13748.000027/200957 Acórdão n.º 2102003.215 S2C1T2 Fl. 75 3 Não comprovada nenhuma das situações legais permissivas da apresentação de provas posteriormente à impugnação, resta precluso esse direito. DESPESAS MÉDICAS. Para que o pagamento de despesa médica seja considerado dedutível da renda tributável anual, ele deve ser especificado e comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos, na forma prevista em lei, a juízo da autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 59/70, reiterando integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda – resumidamente – que: já teria comprovado suas despesas médicas com a apresentação dos respectivos recibos, e que a ausência de endereços não seria sua culpa, mas sim dos profissionais liberais que seriam os responsáveis pela emissão; estaria reapresentando os recibos em conformidade com o que preconiza a lei; os recebimentos feitos pelos profissionais liberais teriam sido lançados nas DIRPF de cada um dos recebedores, devendo ser cruzadas as respectivas informações; todos os documentos teriam sido apresentados em tempo hábil, e que somente não foram aceitos por estarem sem os endereços dos profissionais de saúde que emitiram os recibos; somente não apresentou todos os recibos à época, porque teria recebido a notificação em 15.12.2008, e que os profissionais encontravamse de férias, e por esta razão foi solicitado a dilação do prazo em sua Impugnação; posteriormente promoveu a juntada dos documentos comprobatórios de seus gastos, e que deveria ser rechaçada a premissa de intempestividade e/ou preclusão para tal entrega; a lei prevê que o que comprova o respectivo pagamento é o recibo apresentado e que, na falta deste, a indicação do cheque nominativo serviria para comprovar o efetivo pagamento; ressalta ainda o Contribuinte que: todos os serviços prestados foram efetivamente realizados, bem como os respectivos pagamentos; todos os gastos com saúde apresentados foram referentes aos serviços prestados ao próprio Contribuinte ou a seus dependentes; e os valores foram de fato pagos pelo Contribuinte; a previsão legal quanto à comprovação do pagamento é uma questão alternativa, ou seja, ou o Contribuinte deveria apresentar os recibos de pagamento e/ou o cheque nominal; Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 apresentou todos os recibos, restando ao Estado apenas procurar informações com o prestador de serviço, e, caso haja divergências, que o mesmo seja punido; os médicos e os profissionais de saúde estariam impedidos por determinação legal de informar qualquer tipo de esclarecimento a respeito do tratamento prestado aos seus assistidos, prevalecendo assim o recibo firmado pelo profissional informando o recebimento da importância declarada; há presunção de verdade nos atos praticados pelas pessoas físicas ao assinarem documentos, como seria o caso de quem presta serviço e assina o respectivo recibo; declarou e provou todos os seus abatimentos e comprovou que a sua renda foi suficiente para arcar com as despesas de saúde declaradas, bem como a sua sobrevivência, apresentando uma variação patrimonial favorável, não podendo o julgador “a seu critério”, exigir qualquer outra documentação, já que o Contribuinte teria atendido o que dispõe a legislação inerente a matéria; o Contribuinte relaciona discriminadamente todas as despesas médicas, objetos do lançamento fiscal em comento, informando nomes, endereços, CPF/CNPJ, datas, valores, profissões e seus respectivos cadastros. por fim, pleiteia pelo acolhimento de seu Recurso Voluntário em sua integralidade, cancelandose o débito fiscal reclamado, tendo em vista entender ter sido demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Após recebimento do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, a RFB/SRRF/7ªRF certificou nos autos às fls. 72, quanto a tempestividade do respectivo recurso, haja vista o disposto na Portaria MF nº 23, de 18/01/2011, que suspendeu, de 11/01/2011 a 31/07/2011, o prazo para a prática de atos processuais no âmbito da RFB pelos sujeitos passivos domiciliados no município de Petrópolis/RJ, entre outros. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O recurso é tempestivo (cf. despacho de fls. 72) e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de recurso interposto em face de decisão que manteve lançamento fundado na exigência de IRPF em razão da glosa de despesas médicas, relativamente ao anocalendário de 2006. Como se sabe, a legislação vigente prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13748.000027/200957 Acórdão n.º 2102003.215 S2C1T2 Fl. 76 5 documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento – quando for o caso. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Em resumo, o contribuinte deve provar: a) que ele ou um de seus dependentes efetivamente tenha utilizado os serviços médicos cuja dedução pleiteou; e b) que efetivamente pagou pelos serviços prestados. Por isso a autoridade lançadora pode e deve exigir a comprovação do pagamento das despesas cuja dedução pleiteia o contribuinte em sua DIRPF. Esta comprovação pode ser exigida quando faltarem outros dados de comprovação da efetividade das despesas, e/ou ainda quando a documentação apresentada pelo contribuinte for inidônea – sob pena de ser indeferido o direito à dedução pretendida. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 No caso em exame, a autoridade lançadora entendeu que a documentação apresentada pelo Recorrente não preenchia os requisitos da lei, com exceção das despesas com a Unimed (plano de saúde) e com a profissional Priscila dos Santos. Todas as demais foram objeto de glosa. Inconformado, o Recorrente apresentou Impugnação à qual anexou recibos emitidos por 3 dos profissionais constantes de sua Declaração (e cujas despesas foram objeto de glosa). A decisão recorrida, porém, manteve o lançamento ao argumento de que as despesas não teriam sido satisfatoriamente comprovadas. Em sede de Recurso, o Recorrente buscou esclarecer melhor as despesas incorridas com profissionais da área médica naquele ano de 2006, alegando que teria sim comprovado a sua efetividade, e que não haveria preclusão do direito de apresentar documentos. Os profissionais para os quais o Recorrente pleiteou deduções que não foram aceitas em sua Declaração de Ajuste Anual foram os seguintes: profissional especialidade recibo Valor Namari Lopes Ferreira psicóloga não R$ 3.000,00 Vanessa Barbosa de Matos fonoaudióloga não R$ 5.000,00 Vanessa da Silva Leivas fisioterapeuta não R$ 9.500,00 Marcelle Barbosa Guerra Cabral dentista não R$ 3.500,00 Beatriz de Vasconcelos Machado “médica” Fls. 10/16 R$ 3.500,00 Rosa Maria Dias Fernandes psicóloga Fls. 25/36 R$ 9.000,00 Leandro Correa da Costa fisioterapeta não R$ 9.000,00 Juliana da Costa Nideck dentista Fls. 17/24 R$ 3.000,00 De acordo com o quadro acima, percebese que dos oito profissionais para os quais o Recorrente alega ter efetuado pagamentos no ano de 2006 somente três emitiram recibos da respectiva prestação. Assim, de plano, é preciso deixar claro que quanto aos profissionais cujo recibo sequer foi trazido aos autos, deve ser mantida a glosa por absoluta falta de comprovação, nos termos da legislação acima transcrita. Por outro lado, quanto aos profissionais para os quais foram trazidos recibos aos autos (Beatriz, Rosa e Juliana), melhor sorte não terá o Recorrente, pois a documentação trazida realmente não é suficiente ao fim pretendido. Tal conclusão se deve não ao fato de que teria precluído o direito do Recorrente de fazêlo, mas sim ao fato de que considerando o volume das despesas efetuadas, caberia a ele ter em boa guarda a documentação de suporte de tais despesas (fossem recibos, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13748.000027/200957 Acórdão n.º 2102003.215 S2C1T2 Fl. 77 7 declarações, exames, cópias de cheques, etc.). No entanto, o Recorrente não detinha tal documentação o ser intimado do início da ação fiscal, o que já fragiliza suas alegações. Os recibos acostados aos autos – que correspondem a menos da metade dos prestadores de serviço constantes de sua declaração – somente foram trazidos após a Impugnação, e não podem ser reputados como suficientes para a comprovação pretendida. Contribuem para a formação deste entendimento os seguintes fatores, que devem aqui ser levados em consideração pelo seu conjunto: o Recorrente possuía plano de saúde, razão pela qual – em tese – não precisaria ter despesas tão altas com profissionais da área médica, ou, sendo o caso, teria direito ao reembolso de parte destas despesas; o total das despesas médicas corresponde a aproximadamente 45% do rendimento líquido do Recorrente do ano, percentual bastante significativo; não foi feita a prova do pagamento dos valores a que se referem os recibos, sendo que os montantes gastos eram bastante significativos (notadamente quanto as despesas para as quais ele não possuía recibo); o valor das despesas glosadas é consideravelmente alto, de forma que os serviços prestados provavelmente não se referiam a meras consultas, sendo por isso mesmo fácil a comprovação de quais os serviços teriam sido efetivamente prestados; e o Recorrente em nenhum momento descreveu quais foram os serviços prestados por tais profissionais e tampouco trouxe documentos, exames ou laudos que justificassem suas despesas com os mesmos (lembrando que o mesmo é um profissional médico e por isso saberia descrever os serviços contratados). Ressaltese mais uma vez que a decisão recorrida esclareceu perfeitamente os motivos pelos quais as glosas deveriam ser mantidas, razão pela qual caberia ao Recorrente ter contraditado tais argumentos e trazido novos documentos no intuito de demonstrar o seu bom direito. Não o tendo feito, devem ser mantidas as glosas em questão. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10920.002938/2008-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
GLOSA. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de glosa por parte do Fisco em procedimento de ressarcimento acumulado com compensação, a princípio o ônus da prova cabe ao contribuinte, deixando de fazê-la cabe manter o indeferimento. No caso da tomada de crédito relativa à transferência entre estabelecimentos do próprio contribuinte, logrou se desincumbir do ônus da prova, as planilhas elaboradas não são suficientes provar exclusão do cálculo do crédito.
CRÉDITO. GLOSA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. PROVA. ÔNUS.
Procedida glosa de crédito sobre acusação de que se tratam aquisições de pessoas físicas, cabia a Administração Fiscal provar por meio de documentos o acontecimento de que o contribuinte de fato teria tomado o crédito de fornecedor pessoa física, planilha não configura prova. Não provado o fato, cabe reverter à glosa.
CREDITO DE AQUISIÇÕES ISENTAS E TRIBUTADAS PELA ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE.
Há vedação expressa no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 alteração introduzida pela Lei nº 10.965/2004, que alterou o regime que assegurava o direito ao crédito nas hipóteses de isenção, alíquota zero e não incidência da contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa dos créditos tomados por aquisições de pessoa física.
Antonio Carlos Atulim Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 GLOSA. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de glosa por parte do Fisco em procedimento de ressarcimento acumulado com compensação, a princípio o ônus da prova cabe ao contribuinte, deixando de fazêla cabe manter o indeferimento. No caso da tomada de crédito relativa à transferência entre estabelecimentos do próprio contribuinte, logrou se desincumbir do “ônus da prova”, as planilhas elaboradas não são suficientes provar exclusão do cálculo do crédito. CRÉDITO. GLOSA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. PROVA. ÔNUS. Procedida glosa de crédito sobre acusação de que se tratam aquisições de pessoas físicas, cabia a Administração Fiscal provar por meio de documentos o acontecimento de que o contribuinte de fato teria tomado o crédito de fornecedor pessoa física, planilha não configura prova. Não provado o fato, cabe reverter à glosa. CREDITO DE AQUISIÇÕES ISENTAS E TRIBUTADAS PELA ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação expressa no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 alteração introduzida pela Lei nº 10.965/2004, que alterou o regime que assegurava o direito ao crédito nas hipóteses de isenção, alíquota zero e não incidência da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 29 38 /2 00 8- 00 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa dos créditos tomados por aquisições de pessoa física. Antonio Carlos Atulim – Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Cuida o Recurso Voluntário interposto por ABI BELÉM & CIA LTDA. ver modificado o v. Acórdão que manteve o indeferimento de ressarcimento de saldo credor de contribuições sociais para a COFINS e PIS referente ao período de apuração 01.04.2007 a 30.06.2007. A controvérsia se resume as seguintes questões: 1) Aproveitamento de créditos de bens adquiridos de pessoa física; 2) Aproveitamento de créditos de transferência entre estabelecimentos; 3) Aproveitamento de créditos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero. Não se discute interpretação do texto legal da legislação disciplinadora, mas sim, o modo de apuração do crédito e o débito. Assevera a Interessada o equivoco por parte do auditor fiscal encarregado de verificar a certeza e a liquidez do crédito. Diz textualmente que não manteve crédito oriundo de aquisição de pessoas físicas. Também não teria aproveitado créditos decorrentes de transferência entre estabelecimentos da empresa, bem como, não se apropriou de crédito oriundo de compra de produtos sujeitos à alíquota zero. Há demonstrativos tanto da fiscalização quanto do contribuinte que revela o modo pelo qual foram apurados os débitos em relação às receitas de saídas e os créditos oriundos da aquisição de mercadorias e outros insumos relacionados com a atividade empresarial. A decisão recorrida enfatiza ausência de prova, afirma a impossibilidade na sistemática não cumulativa a tomada de créditos de bens adquiridos de pessoa física, transferência entre estabelecimentos e insumos tributados à alíquota zero. Em razão de divergências entre os demonstrativos elaborados pela Interessada e a Fiscalização, essa Turma decidiu transformar o julgamento em diligência para verificar os itens: 1) Adição (à base de cálculo das receitas (saídas), assim como, das entradas as transferências entre estabelecimentos; 2) exclusão da base de cálculo das receitas dos produtos sujeitos à alíquota zero e os produtos monofásicos, bem como, substituição monofásica e 3) exclusão (estorno) Fl. 532DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10920.002938/200800 Acórdão n.º 3403003.301 S3C4T3 Fl. 8 3 dos valores relativamente de bens adquiridos para revenda de pessoas físicas. De modo que, a celeuma centra nestes pontos. Declinado os autos à origem para realização da diligência, retorna o processado a essa Turma confirmado o Despacho Decisório e a inexistência do direito. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho. Celeuma trazida no bojo deste caderno processual se refere ao modo pelo qual se apura o crédito e o débito. Assevera a Interessada que houve equivoco por parte do auditor fiscal encarregado de verificar a certeza e a liquidez do crédito, visto que, o contribuinte não manteve crédito oriundo de aquisição de pessoas físicas, não teria ele aproveitado créditos decorrentes de transferência entre estabelecimentos da empresa, bem como, não se apropriou de crédito oriundo de compra de produtos sujeitos à alíquota zero. O Contribuinte destaca em planilha por ele elaborada, fl. 285, correspondem à fl. 382 do e processo, que o efeito de inclusão de créditos “bens recebidos de transferência” e na apuração dos débitos as “saídas em transferência” é nulo quando se apura o saldo final. Examinando a planilha de fl.382 e fl. 396 verifico que as saídas em transferência foram adicionadas as receitas de vendas e no quadro “entradas” (custos e despesas) no que se refere “crédito”, o valor das transferências foram adicionados ao custo das mercadorias adquiridas. Assim como, constata da mesma planilha o “estorno”, não inclusão à base de cálculo no sentido de apurar o crédito das mercadorias adquiridas junto a Pessoas Físicas. Há às fls. 386/389 planilhas denominadas de “Relatório Auxiliar de Estornos de Créditos”, onde se vê item a item dos créditos estornados. Também à fl. 392 “Relatório Auxiliar de Exclusões das Bases de Cálculo” de Produtos sujeitos à alíquota zero. Fl. 399 e fl.400 sujeito a incidência monofásica. Diante da sustentação de que as aquisições de pessoas físicas e a transferência entre estabelecimentos incluídos no cálculo de apuração do crédito se restringem a metodologia empregada pelo contribuinte, e, ao afirmar que não fez incluir na apuração do crédito as aquisições de Pessoas Físicas e as transferências entre estabelecimento da Recorrente, assim, resta saber a verdade. Em sendo assim, passo fazer cotejo entre os dados trazidos nos respectivos demonstrativos elaborados pelo contribuinte e o fisco. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O Recorrente intimado a apresentar documentos, atendeu à intimação, desincumbindo em parte do "ânus da prova" do fato constitutivo do direito alegado perante DRF. Analisados os documentos pela Autoridade Administrativa chegou à conclusão de que o contribuinte não tem o crédito pleiteado por três motivos: primeiro fato o contribuinte adquiriu de pessoas físicas; segundo fato o contribuinte tomou crédito nas transferências entre estabelecimentos; terceiro fato o contribuinte tomou crédito de produto sujeito a alíquota zero. Em relação aos três motivos existem três fatos que foram invocados pela fiscalização para negar o direito. E assim cabe a fiscalização o ônus de provar esses fatos para fundamentar a glosa. Sendo o despacho decisório ato administrativo vinculado deve ser motivado, ou seja, indicar os pressupostos de direito e de fato da decisão adotada. Os pressupostos de direito foram declinados, mas nem todos os pressupostos de fato foram provados pela auditora, passase análise de cada item da glosa procedida pela fiscalização. Da glosa de aquisições de pessoas físicas. Observase dos autos que a fiscalização não juntou nada, absolutamente nada ao processo, além dos demonstrativos que estão inseridos no despacho decisório e da listagem de notas fiscais que o contribuinte apresentou junto com Dacons. Nesses demonstrativos do despacho decisório estão indicados os números das notas fiscais, o CNPJ do fornecedor, código fiscal de operações, e valores. Com isso, a fiscalização não provou o primeiro fundamento de fato: não provou que houve aquisição de pessoa física. Não aponta uma linha sequer nesse sentido para saber se o fornecedor era pessoa física? No demonstrativo que ela apresentou está especificado o CNPJ, não tem nenhum CPF. Então onde está à prova que o contribuinte comprou de pessoa física? A glosa tem que ser fundamentada e comprovada e neste caso o julgador não tem como conferir se a aquisição foi de pessoa física porque as notas fiscais não estão no processo. Diante da negativa do fato pelo contribuinte de que não aproveitou créditos de pessoa física, que esses créditos foram estornados. Em sendo assim, cabia a DRJ provar que houve inclusão de aquisição de pessoas físicas na tomada do crédito, o que deveria ter sido realizado mencionando os documentos fiscais, um a um, deixando de assim proceder, não justificou a glosa procedida. De modo que, impõe afastar a glosa relativa à suposta inclusão de aquisição de pessoas físicas no cálculo da tomada de crédito sobre aquisições de pessoas físicas por falta de prova por parte da fiscalização. Da inclusão das transferências entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Em relação às transferências entre estabelecimentos, as notas fiscais trazem os CFOP de transferência. A fiscalização também não juntou as notas. Mas além do CFOP ser o de transferências para comercialização, o contribuinte admite as transferências, mas diz que não tomou o crédito sobre elas, pois seu procedimento nulificou esses créditos. A DRJ concorda com isso, mas nega o direito de crédito sob dois fundamentos: a) o procedimento do contribuinte acarreta discrepância entre a realidade e o DACON; e b) as planilhas do contribuinte não comprovam que nelas estão incluídos os números da fiscalização. De fato, as planilhas de fls. 285, 311 e 336 apresentam transferências que totalizam R$ 965.611,00, no trimestre, enquanto que a glosa da fiscalização totaliza no Fl. 534DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10920.002938/200800 Acórdão n.º 3403003.301 S3C4T3 Fl. 9 5 trimestre R$ 899.113,00. Não dá para saber se o valor apurado na planilha elaborada pela Recorrente está contido no valor apontado pela fiscalização, pois o contribuinte não detalhou as planilhas de fls. 285, 311, 336. Os números estão apresentados de forma sintética. Nesse caso tenho que o contribuinte não logrou se desincumbir do “ônus da prova” e assiste razão a DRJ, pois não dá para saber se a glosa fiscal está contida na planilha do contribuinte. Ao contrário do contribuinte, a fiscalização comprovou as transferências pela indicação do número das notas fiscais e do CFOP. O contribuinte acatou a existência do fato e alegou fato modificativo da pretensão fiscal, mas não comprovou o fato modificativo alegado. Em sendo assim, a glosa é pertinente aos valores das transferências entre estabelecimentos da recorrente deve ser mantida. Passo examinar as glosas relativamente às aquisições de produtos isentos e alíquota zero. O PIS e a COFINS e seus regime de apuração. É oportuno trazer à baila a lição de Ricardo Mariz de Oliveira: “De fato desde logo se pode perceber que, neles (PIS/COFINS), por incidirem sobre receitas em geral, ocorre um fenômeno diferente do que se dá como o IPI e o ICMS, pois elas não têm, rigorosamente falando, uma incidência multifásica, mas sempre necessariamente unifásica, no sentido de que cada receita é fato isolado de todas as demais receitas, ainda que duas ou mais advenham da circulação de um mesmo bem, pois este não é elemento essencial para a definição de receita e não estabelece qualquer relação entre uma e outras.” Dispõe o art. 1º da Lei nº 10.637/2002: “A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Também é o que disciplina o art. 1º da Lei nº 10.833/2003: “Art. 1º A Contribuição para o financiamento da /seguridade social – COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independemente de sua denominação ou classificação contábil.” Como é de conhecimento geral a apuração do crédito dáse a partir dos custos e despesas apropriadas exclusivamente para auferimento das respectivas receitas ou proporcionalmente ao volume de cada um dos tipos de receitas, nos casos em que o contribuinte tiver parte de suas receitas sujeitas ao regime não cumulativo, o crédito é apurado apenas em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essa operação. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 No caso dos autos o contribuinte pretende manter o crédito decorrente de aquisições de bens vinculados às vendas sujeitas à incidência da alíquota zero com fundamento na norma do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Sendo assim, só pode ser mantido aquilo que se tem. A aquisição de produtos destinados à revenda que sofreram incidência de alíquota zero dá direito apuração de crédito, essa é a controvérsia a ser decidida. O entendimento expressado pela Receita Federal em Solução de Consulta nº 19/2008, que os insumos sujeitos a alíquota zero, não assistem direito ao contribuinte tomar crédito, mesmo que a operação subseqüente seja tributada. “AQUISIÇÃO DE INSUMO COM ALÍQUOTA REDUZIDA A ZERO DIREITO A CREDITO. Não dará direito a crédito, para fins de determinação da COFINS, o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento dessa contribuição, utilizados como insumo, à exceção dos adquiridos com isenção, quando da saída tributada dos produtos”. A norma originária da Lei nº 10.833/2003, assegurava o direito ao crédito nas hipóteses de isenção, alíquota zero e não incidências de contribuição. Com o advento da Lei nº 10.865/2004, que fez incluir dois incisos no § 2º do art. 3º da lei nº 10.833/2003, afastou esse direito, conforme restou disciplinado: “II – da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0(zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Desse modo o legislador ordinário criou óbice à tomada de crédito sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, incluindo no rol a isenção, e, quando o produto produzido for tributado alíquota zero. É certo que os produtos comercializados pelo Recorrente estão incluídos entre aqueles sujeitos a alíquota zero e isentos como se vê dos autos. Sendo assim, não vislumbro possibilidade de acudir a tese da recorrente de que devem ser incluídos no cálculo da tomada do crédito de todos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país. Inexistindo resistência aos valores glosados pela fiscalização, tenho como certo. De modo que, cabe manter a glosa quanto à tomada de crédito decorrente de aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição por estarem incluídas no rol das isentas e tributadas com alíquota zero. Assim, conheço do recurso e dou provimento parcial para reverter às glosas de pessoas físicas, por carência probatória da fiscalização. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 536DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10920.002938/200800 Acórdão n.º 3403003.301 S3C4T3 Fl. 10 7 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909677/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 77 /2 00 9- 86 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909677/200986 Acórdão n.º 3202001.545 S3C2T2 Fl. 371 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10510.002911/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2007
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente. Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.611
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Declarações de impedimento: Juliana Campos de Carvalho Cruz
Liege Lacroix Thomasi - Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2007 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente. Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 615 1 614 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.002911/200831 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.611 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Recorrente DALL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2007 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente. Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarações de impedimento: Juliana Campos de Carvalho Cruz Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 29 11 /2 00 8- 31 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 23/06/2008, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 02/07/2008, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 03/2003 a 06/2007, todos os valores pagos ao segurados empregados, contribuintes individuais e às cooperativas de trabalho, conforme planilhas de fls. 30/34. Após a impugnação, onde o autuado solicitou a relevação da multa frente à correção da falta, o que buscou comprovar com a documentação acostada, Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ de Salvador/BA às fls. 511/517, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que foi apreciado por este Colegiado e exarado o Acórdão de fls. 542/546, pugnando pela anulação da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa, já que não foram apreciados os documentos juntados pelo contribuinte por ora da defesa. Foi emitido novo Acórdão pela DRJ de Salvador/BA, mantendo a autuação porque o contribuinte não logrou demonstrar a correção total das infrações cometidas. Ainda inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, arguindo em síntese: a) a decadência dos créditos anteriores a 07/2003; b) a relevação da multa, conforme artigo 291§1º, do Regulamento da Previdência Social, porque providenciou a correção das faltas e não incorreu em agravantes; c) que a sua conduta não se subsume à infração, porque apenas apresentou GFIP incompleta, mas não deixou de apresentar dados relativos aos fatos geradores das contribuições previdenciárias; d) que a multa é ilegal, desproporcional e deve ser reduzida; e) que várias despesas incorridas o foram para custear viagens profissionais. f) Por fim, requer a relevação da multa, que seja declarado nulo oauto de infração devido a correção da falta , devendo ser julgado insubsistente o lançamento. É o relatório. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10510.002911/200831 Acórdão n.º 2302003.611 S2C3T2 Fl. 616 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 542/546, em 13/07/2012, fls. 570, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 16/07/2012, fruindo até 14/08/2012. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 17/08/2012, conforme protocolo de fls. 575, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: Fl. 622DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 623DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15586.720532/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2012 a 30/11/2012
AI DEBCADs sob nº 51.040.356-5 e nº 51.040.357-3
DA NÃO INCIDÊNCIA NAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS. AFASTAMENTO NOS 15 PRIMEIROS DIAS DE FUNCIONÁRIO DOENTE, ACIDENTADO E ADICIONAL DE FÉRIAS DE 1/3. MATÉRIA PACIFICADA NO STF. DIREITO A COMPENSAR O QUE FOI PAGO INDEVIDO. IMPROVIMENTO. COMPENSAÇÃO SEM RESPEITO LEGAL.
Não pode haver compensação de forma procedimental diferente do que determina a legislação.
No presente caso não se está discutindo o mérito da incidência de contribuição previdenciária em verba paga pelo afastamento dos 15 primeiros dias e ou de adicional de férias. Mas, o que foi realizado o lançamento é por existir compensação sem respeito procedimental, bem como de verbas de exações diferentes.
INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 1.300, DE 20 DE NOVEMBRO DE 2012.
Diz a instrução normativa supra que a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela secretaria da receita federal do Brasil (RFB) e de outras receitas da união arrecadadas mediante documento de arrecadação de receitas federais (DARF) ou guia da previdência social (GPS), bem como a compensação de créditos do imposto sobre produtos industrializados (IPI), da contribuição para o pis/pasep e da contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS) e do regime especial de reintegração de valores tributários para as empresas exportadoras (reintegra), serão efetuados conforme o disposto nela.
No caso em tela a Recorrente compensou exações de outra natureza e ainda desrespeitou as formalidades da legislação.
MULTA ISOLADA. CONFISCO. INEXISTÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL TEM ORIENTADO QUE O VALOR DO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE, INCLUINDO JUROS E MULTAS, É A BASE DE CÁLCULO PARA A APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA EM CASO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA INDEVIDA PELA FISCALIZAÇÃO.
A fiscalização que tem como a base de cálculo o valor do débito, incluindo juros e multa não estão incorreta diante da orientação.
Assim, no caso em tela, entendeu a fiscalização que, para justificar a compensação indevida a própria recorrente se declarou possuidora de um crédito líquido e certo e efetuou a compensação, sabendo que tal título ainda não era líquido e certo, pois ainda não possuía decisão judicial definitiva, sendo, portanto, incontroverso tal comportamento. Mas, isto é mera presunção o que não comporta o lançamento da multa qualificada, pois a fraude, e ou o dolo e ou a simulação há de ser provada e não presumida.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento somente a multa isolada, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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AFASTAMENTO NOS 15 PRIMEIROS DIAS DE FUNCIONÁRIO DOENTE, ACIDENTADO E ADICIONAL DE FÉRIAS DE 1/3. MATÉRIA PACIFICADA NO STF. DIREITO A COMPENSAR O QUE FOI PAGO INDEVIDO. IMPROVIMENTO. COMPENSAÇÃO SEM RESPEITO LEGAL. Não pode haver compensação de forma procedimental diferente do que determina a legislação. No presente caso não se está discutindo o mérito da incidência de contribuição previdenciária em verba paga pelo afastamento dos 15 primeiros dias e ou de adicional de férias. Mas, o que foi realizado o lançamento é por existir compensação sem respeito procedimental, bem como de verbas de exações diferentes. INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 1.300, DE 20 DE NOVEMBRO DE 2012. Diz a instrução normativa supra que a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela secretaria da receita federal do Brasil (RFB) e de outras receitas da união arrecadadas mediante documento de arrecadação de receitas federais (DARF) ou guia da previdência social (GPS), bem como a compensação de créditos do imposto sobre produtos industrializados (IPI), da contribuição para o pis/pasep e da contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS) e do regime especial de reintegração de valores tributários para as empresas exportadoras (reintegra), serão efetuados conforme o disposto nela. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 32 /2 01 3- 23 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 2 No caso em tela a Recorrente compensou exações de outra natureza e ainda desrespeitou as formalidades da legislação. MULTA ISOLADA. CONFISCO. INEXISTÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL TEM ORIENTADO QUE O VALOR DO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE, INCLUINDO JUROS E MULTAS, É A BASE DE CÁLCULO PARA A APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA EM CASO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA INDEVIDA PELA FISCALIZAÇÃO. A fiscalização que tem como a base de cálculo o valor do débito, incluindo juros e multa não estão incorreta diante da orientação. Assim, no caso em tela, entendeu a fiscalização que, para justificar a compensação indevida a própria recorrente se declarou possuidora de um crédito líquido e certo e efetuou a compensação, sabendo que tal título ainda não era líquido e certo, pois ainda não possuía decisão judicial definitiva, sendo, portanto, incontroverso tal comportamento. Mas, isto é mera presunção o que não comporta o lançamento da multa qualificada, pois a fraude, e ou o dolo e ou a simulação há de ser provada e não presumida. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento somente a multa isolada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15586.720532/201323 Acórdão n.º 2301004.267 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário contra a Recorrente autuada e em dois Autos de Infração: 1. AI DEBCAD nº 51.040.3565 – referente a cota patronal incidente sobre as rubricas que efetivamente integram o saláriodecontribuição (15 primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílio acidente, saláriomaternidade, férias, adicional de 1/3 de férias, aviso prévio indenizado e a respectiva parcela de 13° salário proporcional). 2. AI DEBCAD n° 51.040.3573, referente a multa isolada por falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo em GFIP relativamente à compensação. O lançamento foi efetuado por meio dos seguintes levantamentos: 1. GL – GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as compensações informadas nas GFIP’s das competências de 03/12 a 11/12, dos estabelecimentos Matriz e filiais 000210 e 001101, apresentadas pelo contribuinte e confirmadas no Sistema GFIP WEB. O sujeito passivo não poderia ter procedido à compensação do valor pago devidamente em consonância com a legislação de regência, portanto as compensações efetuadas, tendo como crédito a contribuição previdenciária relativa à cota patronal (20%) regularmente recolhida à época do fato gerador (01/07 a 10/12), 2. MI – MULTA ISOLADA. Levantamento referente à aplicação da multa isolada de 150% incidente sobre os montantes indevidamente compensados pelo contribuinte, aplicável quando se pode comprovar que houve compensação, com falsidade de declaração. Diz a Fiscalização que ficou comprovada a falsidade nas GFIP apresentadas pelo sujeito passivo nas competências de 03/12 a 09/12 e 11/12 com a inserção de créditos inexistentes, o que configura evidente intuito de fraude e implica, além da glosa correspondente, na aplicação da multa agravada. Considerando a presença de falsidade e, em tese, de crime contra ordem tributária, aplicouse a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre o total do débito indevidamente compensado e efetuado o lançamento na competência de entrega das GFIP. Alega ainda a Fiscalização que a Recorrente aviou Mandado de Segurança com pedido liminar na Seção Judiciária Federal do Estado do Espírito Santo – 2ª Vara Federal Civil sob o n° 2010.50.01.0060729, constando como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 4 O fim do ‘mandamus’ era assegurar ao Impetrante o seu direito liquido e certo, em face de inexistência de relação jurídica, de não ser compelida ao recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre verbas pagas em situações em que não existe remuneração de serviços prestados, ou seja, nos 15 primeiros dias de afastamento de empregados doentes ou acidentados e também daqueles recebendo saláriomaternidade, férias e adicional de 1/3 de férias. E, no mesmo ‘writ’ deseja que o Judiciário reconheça o seu direito a compensar as quantias pagas indevidamente a este título, tendo como referência os 10 últimos anos antes do ajuizamento do mandado. Quanto ao requerido direito de compensar o Judiciário extinguiu sem julgamento a parte que trata do recolhimento indevido, antes do ajuizamento da ação e julgou procedente em parte os pedidos, a fim de reconhecer a inexistência de relação jurídica que dê azo à cobrança de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas nos 15(quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados (antes da obtenção do auxílio doença ou do auxílio acidente), de adicional de 1/3 (um terço) de férias. Reconheceu, ainda, o direito de a impetrante de efetuar a compensação do indevidamente recolhido gerado a partir da impetração, isto é, 08 de junho de 2010, observando as normas jurídicas que regem o tema, inclusive aquelas contidas nas Instruções Normativas. Sentença sujeita à remessa necessária. A Recorrente procurou novamente o pálio judicial, impetrando novo mandado de segurança com pedido de liminar, sob n° 000048095.2012.4.02.5001, em 11 de janeiro de 2012, na Seção Judiciária do Espírito Santo – 6ª Vara Federal Civil, em que objetiva a suspensão da exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição social previdenciária patronal incidente sobre as verbas concernentes aos adicionais: horasextras, adicional noturno, de insalubridade, de periculosidade, de transferência, bem como aviso prévio indenizado e a respectiva parcela de 13° salário proporcional. Postula ainda que seja reconhecido o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tais títulos, observandose: a) o prazo prescricional decenal relativos aos valores recolhidos antes da vigência da LC 118/05, bem como o prazo prescricional qüinqüenal no que tange aos pagamentos posteriores a tal vigência; b) o direito à compensação, especificamente no que se refere ao aviso prévio indenizado e respectivo avo de 13° salário, relativo aos valores indevidamente recolhidos a partir de janeiro/2009; incidência da taxa SELIC, além de juros de mora de 1% ( um por cento) ao mês a partir de cada recolhimento indevido, conforme o artigo 39, § 4º da Lei 9.250/95, ou subsidiariamente, com a aplicação dos mesmos índices de correção monetária e juros aplicados pela impetrada quando da cobrança de seus créditos. Foi indeferida a medida liminar pleiteada. O juízo da sexta Vara Federal Cível, em 31/07/2012, deferiu parcialmente o pedido da impetrante e resolveu o mérito, para: determinar que a autoridade impetrada se abstenha de recolher (ou realize a cobrança da) contribuição previdenciária a cargo da impetrante sobre os pagamentos feitos aos empregados a título de aviso prévio indenizado e seu respectivo 13° salário proporcional; declarar o direito da impetrante de efetuar a compensação da contribuição previdenciária a cargo do empregador incidente sobre as rubricas mencionadas, respeitada a prescrição qüinqüenal, contada do ajuizamento da ação, nos termos fundamentados, segundo normas estabelecidas pela Receita Federal do Brasil; determinar que a ré aplique, sobre o valor a ser compensado, a taxa SELIC, a título de juros e correção monetária, a iniciar do recolhimento de cada contribuição indevida, respeitada a prescrição nos termos fundamentados. Sentença sujeita à remessa necessária. Inconformada com o lançamento a Recorrente aviou sua impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. A Recorrente tomou conhecimento do teor da decisão de piso em 15 de abril de 2014, face abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Fl. 966DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15586.720532/201323 Acórdão n.º 2301004.267 S2C3T1 Fl. 4 5 Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, e em 12 de maio aviou o presente remédio recursivo. É a síntese do necessário. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 6 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O presente Recurso Voluntário foi aviado dentro do trintídio e acode os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo analise dos argumentos expendidos para, afinal, julgamento deles. DA NÃO INCIDÊNCIA NAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS. Alega a Recorrente que por muitos anos o FISCO cobroulhe contribuição social previdenciária incidente sobre valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento de funcionário doente, acidentado, bem como sobre o adicional de férias de 1/3. Hodiernamente, continua, o STF e STJ vem consolidando jurisprudência no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre o terço de férias e sobre os 15 dias primeiros de afastamento por doença e ou acidente. Junta jurisprudência exarada no REsp 1.230957 – RS, afirmando tratar de recurso repetitivo que deverá ser seguida a decisão pelos demais colegiados, inclusive o administrativo. Alega ainda que a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 01, de 12 de fevereiro de 2014, que trata do recurso repetitivo, recomenda a não ‘relutar’ contra jurisprudência consolidada e pacificada no Pretório Excelsior’, isto porque implicaria em violação aos princípios pétreos da Carta Magna. Menciona com muita propriedade o artigo 62A do RICARF, cujo qual pelo vênia para transcrevêlo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) Desta forma, conclui, em já havendo decisão definitiva no STF, onde reconhece que não incide contribuição previdenciária sobre o salário pago nos 15 primeiros dias de afastamento por doença e ou acidente, bem como no pagamento no adicional de 13 de férias, requer que esta Corte reconheça este seu direito, ora perquerido, o de ser compensado. Todavia, não adentro à questão de ser indevida ou não a contribuição previdenciária nas exações mencionas, eis que este não é o ponto nodal da questão, uma vez que a Fiscalização aviou o lançamento por ter ocorrido compensação indevida, ou seja, sem que se tenha seguido o procedimento correto. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15586.720532/201323 Acórdão n.º 2301004.267 S2C3T1 Fl. 5 7 Segundo a Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de novembro de 2012, a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) ou Guia da Previdência Social (GPS), bem como a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), serão efetuados conforme o disposto nela. Anterior a Instrução Normativa acima, os valores recolhidos indevidamente a título de Contribuições descritas na Lei 8.212/91, seguiam um rito moroso muito prejudicial ao contribuinte. Porém, após a unificação da administração da arrecadação tanto dos tributos federais quanto das contribuições previdenciárias pela Receita Federal, esta passou a unificar os procedimentos, resultando na citada Instrução Normativa que alterou a Instrução Normativa nº 900/2008, a qual passou a ditar também as regras de compensação de tais tributos. Entretanto, a compensação dos créditos de contribuições previdenciárias segue algumas regras que devem ser observadas pelas empresas, e deveria ser observada pela Recorrente. Veja, o primeiro aspecto importante a ser observado é que os créditos de tais tributos somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subseqüentes. Isto significa que, ‘a priori’, os débitos anteriores não podem ser objeto de pedidos de compensação. Mas não é só, eis que, para efetuar a compensação, o contribuinte deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. Para noticiar o Fisco, mister que a desejada compensação seja informada em GFIP na competência de sua efetivação. Não olvidemos que se efetuada uma compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora, devidos. E, exatamente aí reside o problema, eis que nos trás o Relatório Fiscal que: 2.1 AUTO DE INFRAÇÃO AI DEBCAD 51.040.3565 – Lavrado por descumprimento de obrigação principal. Referese às contribuições previdenciárias, devidas à Seguridade Social, correspondente à glosa de compensação, de quantias recolhidas supostamente indevidas, a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas acima mencionadas. Diante da discordância quanto ao que foi declarado pelo contribuinte a título de compensação nas GFIP, esta fiscalização Fl. 969DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 8 está realizando o lançamento de ofício de todo o crédito, conforme o que dispõe o artigo 150, § 3° do Código Tributário Nacional CTN. A verificação pelo fisco de que não existe o crédito declarado, impõe a realização do lançamento de ofício das contribuições devidas no período de 03/12 a 09/12 e 11/12, que correspondem aos exatos valores glosados. A compensação realizada pelo sujeito passivo foi indevida e buscou evitar o pagamento das contribuições devidas relativas ao período de 03/12 a 09/12 e 11/12, por quanto os créditos utilizados são inexistentes de fato. Período do Lançamento do Débito das Contribuições Previdenciárias: 03/12 a 11/12 e envolve o levantamento GL GLOSA DE COMPENSAÇÃO, constante dos anexos "DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO" e "RL RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS". Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as compensações informadas nas GFIP's das competências de 03/12 a 11/12, dos estabelecimentos Matriz e filiais 000210 e 001101, apresentadas pelo contribuinte e confirmadas no Sistema GFIP WEB, conforme demonstradas no item III Da Descrição dos Fatos. Informamos que foram consideradas válidas para o presente levantamento, as que estavam com o Status GFIP 1Exportada, declaradas nos códigos de pagamento 115 e 650. Fato é que o contribuinte, utilizandose da ferramenta da "compensação", deixou de recolher aos cofres públicos, valores verdadeiramente devidos à previdência social no período de 03/12 a 09/12 e 11/12. E como já sobejamente comprovado nos itens anteriores, essa "compensação" foi efetuada indevidamente. E tudo isso com um único propósito: REDUZIR O RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Conforme já exaustivamente debatido anteriormente, o sujeito passivo não poderia ter procedido à compensação do valor pago devidamente em consonância com a legislação de regência, portanto as compensações efetuadas, tendo como crédito a contribuição previdenciária relativa à cota patronal (20%) regularmente recolhida à época do fato gerador (01/07 a 10/12), incidente sobre as rubricas que efetivamente integram o salário decontribuição (15 primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente, saláriomaternidade, férias, adicional de 1/3 de férias, aviso prévio indenizado e a respectiva parcela de 13° salário proporcional) são totalmente indevidas. Os valores glosados e que ora estão sendo lançados encontram se demonstrados em planilha anexa. 2.1.3 Os documentos examinados que serviram de base para os lançamentos acima foram: Resumos das Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Fl. 970DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15586.720532/201323 Acórdão n.º 2301004.267 S2C3T1 Fl. 6 9 Serviço e Informações à Previdência Social GFIP apresentadas pela empresa e confirmadas no Sistema da GFIP WEB, Guias da Previdência Social GPS, Livros Razão entregues em arquivos digitais, Contrato Social e alterações e Planilhas apresentadas pela empresa. Foram anexadas (por amostragem) as cópias extraídas da documentação, que serviram de prova dos fatos relatados, que ensejaram a presente autuação. ... Assim, a questão toda posta a lume é a compensação indevida e não a questão de ser matéria repetitiva de repercussão geral. A Recorrente alegou ser detentora de direito certo e liquido sem antes ter decisão definitiva e compensando exações diferentes. Desta forma, não vejo razão à Recorrente. MULTA Alega a Recorrente que há violação ao principio do não confisco, sendo consolidado no Pretório Excelsior o impedimento, abarcando o artigo 150, inciso IV da Carta Maior, cuja qual veda a aplicação tributária do confisco. Transcrevo: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ...... IV utilizar tributo com efeito de confisco; Segundo a Recorrente, considerar justa a multa isolada aplicada no Auto de Infração em tela afasta o conceito de justiça fiscal, afrontando, sobretudo, os princípios da isonomia tributária e da moralidade da administração pública fiscal. A Receita Federal do Brasil tem orientado que o valor do débito declarado pelo contribuinte, incluindo juros e multas, é a base de cálculo para a aplicação de multa isolada em caso de compensação considerada indevida pela fiscalização. Essa é a orientação da Receita Federal para os fiscais de todo o país. Ela foi divulgada por meio da Solução de Consulta Interna nº 29. No caso em tela, entendeu a Fiscalização que, para justificar a compensação indevida a própria Recorrente se declarou possuidora de um crédito líquido e certo e efetuou a compensação, sabendo que tal título ainda não era líquido e certo, pois ainda não possuía decisão judicial definitiva, sendo, portanto, incontroverso tal comportamento. De mais a mais, mister dizer que a multa isolada resulta da compensação indevida, ou seja, a multa nasce no momento da apresentação da GFIP e visa coibir a tentativa de compensação irregular. O que considerou a Fiscalização e a decisão hostilizada é que a aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, só teve cabimento em situação específica como a que ocorreu em tela, onde ficou evidenciado o comportamento anormal do Fl. 971DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 10 sujeito passivo, caracterizado pela falsidade na declaração, conforme dispõe o §° 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212 de 1991. “In verbis’: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Nova redação dada pela Lei nº 11.941/2009) .... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) O inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 reza que: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Vejamos a motivação da Fiscalização para justificar o lançamento da multa isolada, considerando falsa a declaração das compensações: AUTO DE INFRAÇÃO AI DEBCAD 51.040.3573 – Este AI está sendo lavrado para aplicação da multa isolada de 150% incidentes sobre os montantes indevidamente compensados pelo contribuinte, aplicável quando se pode comprovar que houve compensação,com falsidade de declaração. Ficou comprovada a falsidade nas GFIP's apresentadas pelo sujeito passivo nas competências de 03/12 a 09/12 e 11/12 com a inserção de créditos inexistentes, conforme exposto acima, o que configura evidente intuito de fraude e implica, além da glosa correspondente, a aplicação da multa agravada no termos do parágrafo 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941, abaixo transcrito: (...) Assim, a declaração em GFIP de compensação incluindo créditos a que o contribuinte não faz jus constitui falsidade apta a ensejar a incidência da multa isolada prevista no artigo 89 acima transcrito. Conforme acima já mencionado, a compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao Fl. 972DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15586.720532/201323 Acórdão n.º 2301004.267 S2C3T1 Fl. 7 11 mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). Informamos que não foi verificada a ocorrência de pagamentos a maior destinados à Previdência Social, que justificassem o montante dos valores compensados em 2012, ou seja, inexistência de créditos da empresa para serem compensados com as contribuições previdenciárias. Entretanto, penso que a existência de dolo, fraude e ou simulação há de ser comprovada e não aceito a presunção, porque o artigo 44, II da Lei 9.430/96 não admite presunção, conforme vem decidindo esta Corte, a muito tempo. “in verbis”: Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10248607 do Processo 10920002560200411 Data 13/06/2007 Ementa IRPF MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS A aplicação da multa qualificada de 150% somente pode ser imputada ao sujeito passivo em casos de existência real e comprovada de fraude ou de comprovado intuito de fraude. A regra do artigo 44, inciso II, não comporta presunção de nenhuma espécie. A presunção relativa estabelecida na Lei 9.430 de 1996, art. 42 não se estende ao artigo 44, inciso II do mesmo diploma legal, inclusive no que se refere ao ônus probatório. SUMULA 21: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." DECADÊNCIA INEXISTÊNCIA DE DOLO OU FRAUDE OU INTUITO DE DOLO OU FRAUDE Hipótese em que o prazo decadencial é deflagrado conforme as regras estabelecidas no artigo 150, parágrafo 4o do CTN. Somente quando há dolo, fraude ou simulação, a hipótese é a do artigo 173, I do mesmo diploma legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPOSITOS BANCÁRIOS Presunção legal relativa estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430 de 1.996 Inversão do ônus da prova Não logrando o sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos realizados na conta corrente bancária de sua titularidade, deve ser mantido o lançamento. Recurso negado. Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10246774 do Processo 13984001298200261 Data 19/05/2005 Fl. 973DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 12 EMENTA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS MULTA QUALIFICADA A aplicação da multa qualificada de 150% somente pode ser imputada ao sujeito passivo em casos de existência real e copmprovada de fraude ou de comprovado intuito de fraude. A regra do artigo 44, inciso II, não comporta presunção de nenhuma espécie. A presunção relativa estabelecida na Lei 9.430, de 1996, art. 42 não se estende ao artigo 44, inciso II do mesmo diploma legal inclusive, no que se refere ao ônus probatório. DECADÊNCIA INEXISTÊNCIA DE DOLO OU FRADE OU INTUITO DE DOLO OU FRAUDE Hipótese em que o prazo decadencial é deflagrado conforme as regras estabelecidas no artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Somente quando há dolo, fraude ou simulação, a hipótese é a do artigo 173, I do mesmo diploma legal. Preliminar acolhida. Assim, penso que nos autos, assim como a Fiscalização e a Decisão de piso, há´indícios, mas não está comprovado o dolo, a fraude e ou a simulação, razão pela qual a excluo do lançamento. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, estando o presente Recurso Voluntário em pleno ajuste com a legislação, dele conheço para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir a multa isolada porque há de comprovar o dolo a fraude e ou a simulação. É como Voto. Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator (assinado digitalmente) Fl. 974DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10980.723623/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci De Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas De Mello.
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 18/07/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci De Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas De Mello. Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, fls. 49 a 56, referente ao exercício de 2009, exigindo R$ 145,04 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, e R$ 10.111,89 de imposto, com multa e juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos recebidos em reclamatória trabalhista, no valor de R$ 636,25, e compensação indevida de R$ 12.198,35 de IRRF sobre o montante auferido judicialmente. Às fls. 51 a 53, consta demonstrativo dos valores considerados no lançamento. Apreciada a Impugnação (fl. 2/27), o lançamento foi julgado procedente, para não acatar a preliminar de nulidade argüida; indeferir o pedido de julgamento extrapetita e considerar procedente a parte impugnada do lançamento, declarando definitiva a exigência de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 62 3/ 20 11 -8 2 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.723623/201182 Resolução nº 2802000.155 S2TE02 Fl. 186 2 R$ 145,04 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, e de R$ 10.111,89 de imposto, com multa e juros de mora, cuja implementação deve ocorrer em conformidade com a decisão judicial definitiva, conforme ADN COSIT nº 3, de 1996. Nas razões de Voluntário (fl. 158/), reitera os argumentos da impugnação, insiste para que a ação fiscal seja suspensa até o julgamento definitivo do processo 2009.70.500165585, suscita erro de direito no acórdão, no que se refere `a aplicação do ADN COSIT nº 3, de 1996 e do art. 59 do Decreto 70.235/75, desconsiderandose os elementos essenciais do ato administrativo, nulidade do lançamento por ter sido apurado com base em valores globais. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Versam os presentes autos sobre litígio cuja matéria de fundo trata da incidência do imposto de renda pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99, conforme trecho da ementa da decisão recorrida (fl. 125), a seguir: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A legislação tributária determina que o regime de tributação aplicável é o previsto na norma vigente à época do fato gerador, dessa forma, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário de 2008, o imposto incide no mês do recebimento. Por se tratar de matéria sob Repercussão Geral no STF (Tema 368 leading case RE 614466), portanto, submetida ao rito a que se refere o artigo 543B do CPC, proponho o sobrestamento do feito, com fulcro no art. 62A, §1º do Regimento Interno do CARF c/c.o parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n. 1/2012. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10715.004861/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 48 61 /2 00 9- 19 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.004861/200919, contra o acórdão nº 0721.875, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 29 de outubro de 2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 35.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, 3 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, no que se refere à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração ontida a línea e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. 4 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculado e obrigatória. Impugnação rocedente em Parte Crédito Tributário Mantido Parte Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; 2 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 3 Aplicação do art. 654 quanto à relevação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 4 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. 5 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código 6 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) 7 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. 8 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Havendo dúvida sobre capitulação legal do fato deve ser afastada a aplicação da multa. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM 9 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator 10 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 11 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001460/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 60 /2 00 9- 39 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei 8.212/1991, c/c os art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em razão da empresa não ter prestado ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme exposto no Relatório Fiscal da Infração, para as competências 01/2006 a 12/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, a autuada – apesar de devidamente intimada, conforme Termo de Intimação Fiscal (TIF) – deixou de apresentar ao Fisco esclarecimentos e informações no tocante aos livros ou fichas auxiliares utilizados para registro individualizado de fatos escriturados contabilmente de forma englobada. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/07/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 20/25), alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, alega nulidade do lançamento sob o fundamento de que a fiscalização compreendeu período distinto daquele conStante do Termo de Inicio de Ação Fiscal (TIAF) n° 0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. Aduz que o citado Termo informa o período de 03/2006 a 08/2008 e a fiscalização ocorreu em relação aos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008, sem que qualquer comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita; 2. No mérito salienta que mantém em dia sua contabilidade, revestida das formalidades legais e aplicação dos princípios contábeis geralmente aceitos, não se encontrando documentos apócrifos que dêem causa a fato gerador de tributo. Afirma que todos os documentos foram entregues 6. fiscalização e que, como se pode perceber pelas cópias acostadas aos autos, seus livros contábeis foram escriturados em conformidade com os princípios e normas contábeis vigentes; 3. Assegura que a contabilização de forma englobada não gerou necessidade de aferição indireta das bases de calculo de contribuições e que não houve ausência de lançamentos ou base de cálculo diferenciada; 4. Diz que em nenhum momento prejudicou o trabalho da fiscalização, negando informações ou deixando de apresentar documentos que lhe foram exigidos, tendo inclusive entregue o sistema integrado de coleta (Sinco) arquivos contábeis, nos parâmetros determinados pela legislação vigente; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001460/200939 Acórdão n.º 2402004.562 S2C4T2 Fl. 3 3 5. Ressalta que não há qualquer outro livro contábil auxiliar obrigatório em nosso ordenamento jurídico, porque se houvesse seria escriturado e apresentado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0231.394 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 59/63) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 28/04/2011, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 0231.394 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 59/63) –, em 25/03/2011 (sexta feira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 28/04/2011, quintafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001460/200939 Acórdão n.º 2402004.562 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001127/2003-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PRELIMINAR - ILEGITIMIDADE PASSIVA - DE CUJUS - ESPÓLIO -
Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento.
IRPF - DEPÓSITO BANCÁRIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.ESPÓLIO .
A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta-corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: pela maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Guilherme Barranco de Souza, que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR - ILEGITIMIDADE PASSIVA - DE CUJUS - ESPÓLIO - Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. IRPF - DEPÓSITO BANCÁRIO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.ESPÓLIO . A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta-corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: pela maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Guilherme Barranco de Souza, que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Rafael Pandolfo.
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Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. IRPF DEPÓSITO BANCÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.ESPÓLIO . A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da conta corrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: pela maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator) e Guilherme Barranco de Souza, que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte a Conselheira Dayse Fernandes Leite QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 11 27 /2 00 3- 08 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Rafael Pandolfo. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A fiscalização iniciouse a partir de MPF com a finalidade de apurar a origem dos depósitos/creditamentos na conta nº 260266 do Banco Bradesco, ao longo do ano calendário 1998. O presente contribuinte é falecido, motivo pelo qual, após intimar o juízo da vara onde o inventário estava ocorrendo, procedeuse reiteradas tentativas de intimação da inventariante, Sra. Ana Terezinha Volpi, viúva do contribuinte. Devido ao insucesso na obtenção de informações junto à inventariante, a Fiscalização utilizouse de RMF (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira) com o fim de descobrir a origem dos depósitos. Após uma série de RMF’S, o Fisco acabou por concluir a forma dos depósitos e a cotitular da conta bancária, a Sra. Claudia Maria Volpi Santana. Após ser intimada, a contribuinte informou que os saques na conta visavam movimentar as atividades do Posto Vapabuçu. Por considerar insuficientes as explicações concedidas, a Fiscalização decidiu lavrar o Auto de Infração. 2 Auto de Infração A autoridade fiscal repartiu o ônus tributário do lançamento entre os dois contribuintes detentores da contaconjunta na qual foi verificada a movimentação atípica. Com base nos valores encontrados na conta bancária nº 26.0266 do Banco Bradesco, foi lançado crédito tributário no valor total de R$ 1.276.239,95, inclusos juros de mora e multa. 3 Impugnação Indignado com a autuação, a inventariante do recorrente apresentou impugnação (fls. 104141) tempestivamente, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o contribuinte é finado e está sendo representado por sua viúva, a Sra. Ana Terezinha Volpi, que é também sua inventariante; b) embora a Lei determine que as obrigações do contribuinte sejam passadas ao espólio, na figura do inventariante, é impossível para a inventariante esclarecer fato ocorridos mais de cinco anos antes da abertura da sucessão. Além disso, somente é obrigação do inventariante prestar informações referentes aos tributos devidos pelo espólio enquanto espólio, conforme a IN nº 53/98; c) só foi possível chegar a tais valores através de quebra de sigilo bancário; d) além da quebra de sigilo bancário, a Fazenda ainda aplicou retroativamente a Lei Complementar nº 105/01; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 e) as intimações prévias não foram atendidas, pois além da impossibilidade da inventariante conhecer a intimidade bancária do falecido marido, as correspondência foram remetidas ao finado, sendo que já era conhecido à época, pelo Fisco, que o mesmo não estava mais vivo; f) o sigilo foi quebrado sem a existência de procedimento fiscal prévio, conforme determina o art. 2º do Decreto nº 3.724/01. A quebra de sigilo bancário ocorreu em 29/03/01, sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal que deu origem a esse procedimento é de 13/10/03; g) os valores eram referentes à movimentação do Posto Vapabuçu, sendo os cheques descontados provenientes de caminhoneiros. Os cheques eram descontados em sua conta, mas, logo havia o saque da quantia e apenas pequena parcela era retida pelo Posto Vapabuçu Ltda. a título de venda de combustível para os caminhoneiros. Algumas vezes, os cheques eram diretamente repassados aos fornecedores do posto. Sendo assim, os valores apurados não são rendimento do contribuinte, que era gerente administrativo e sócio majoritário do posto; h) as regras básicas do processo prescrevem que aquele que alega deve provar, não podendo a Fazenda se basear em presunções para lançar o imposto sobre suposta omissão, quando deveria comprovar valor por valor a existência de omissão; i) a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic. Junto à impugnação, acostou aos autos os seguintes documentos: a) cópias de notas fiscais do fornecedor Ale Combustíveis S/A; b) cheques utilizados para pagar as compras demonstradas nas notas fiscais, com recursos da conta do contribuinte; c) declarações de caminhoneiros referentes aos recebimentos; d) cópias dos cheques utilizados para pagar os referidos caminhoneiros; 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, improcedente (fls. 29310), sendo o crédito tributário integralmente mantido. Os fundamentos foram os seguintes: a) não procede o pedido do julgamento conexo com o processo administrativo da contribuinte Claudia Maria Santana Volpi, pois isto deve ocorrer somente para processos do mesmo sujeito passivo que compartilhem os mesmos elementos de prova; b) a quebra de sigilo foi autorizada em processo administrativo de quebra de sigilo (fls. 287292); c) a retroatividade da Lei Complementar nº 105/01 é permitida, pois referente às regras procedimentais; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 4 5 d) foram seguidos os ditames legais, uma vez que o lançamento é atividade vinculada; e) as provas não podem ser juntadas após a impugnação, pois segundo o art. 16, § 4º, preclui, em regra, esta faculdade; f) a presunção utilizada no lançamento é proveniente de lei, sendo necessária a comprovação da sua existência, e cabendo ao contribuinte desqualificar os rendimentos da categoria de tributáveis;; g) o contribuinte apenas diz que a origem dos recursos decorre das operações do Posto Vapabuçu, mas não há comprovação necessária desta relação, e a análise dos livros contábeis da empresa não demonstram tal relação. Ademais, os valores comprovadamente pagos a caminhoneiros sequer fazem parte do lançamento, o mesmo vale para os cheques juntados em anexo à declaração da Siderúrgica Bandeirante Ltda.; h) não cabe ao órgão administrativo se pronunciar sobre a constitucionalidade da utilização da taxa Selic; i) a jurisprudência judicial e administrativa não vincula a administração tributária, salvo se for coisa julgada em favor do próprio contribuinte. 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, arguindo que: a) a intimação extrapolou no tocante às exigências feitas ao inventariante, que somente tem o dever de prestar informações relativas aos anos calendário referentes à duração do processo de inventário; b) o procedimento é nulo, pois foi efetuada quebra de sigilo bancário sem existência de processo administrativo fiscal. Além disso, a decisão comete o desaino de declarar que o falecido, Sr. Geraldo da Silva Santana, fora cientificado do processo; c) o sujeito passivo correto deveria ser o Espólio de Geraldo Santana da Silva, não a Sra. Ana Teresinha Volpi. A responsabilidade de terceiros do art. 134 do CTN só se aplica quando ocorre ilicitude por parte de terceiro, e o de cujus não pode ser sujeito passivo, pois não mais existe; d) foi desrespeitado o disposto no art. 2º do Decreto nº 3.724/01, uma vez que foi efetuada quebra de sigilo bancário antes da abertura do procedimento fiscal; e) a utilização do cadastro da CPMF atingiu períodos anteriores à entrada em vigência da Lei nº 10.174/01, que permitiu a utilização das informações; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 f) as informações teriam sido obtidas sem a devida quebra de sigilo bancário por meio judicial; g) a atuação é inválida, pois foi descumprido o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, que determina a prévia intimação dos titulares da conta antes da lavratura do auto de infração, o que não ocorreu, uma vez que o contribuinte, Geraldo Santana, estava morto à época das intimações e, mesmo assim, foi destinatário desta; h) a fiscalização não comprovou que os depósitos caracterizavam rendimentos omissos; i) os valores depositados eram provenientes da ação de troca de cheques para caminhoneiros que abasteciam no Posto Vapabuçu Ltda., que davam o cheque para que o contribuinte descontasse, e recebiam o valor do cheque descontado do valor do combustível que havia sido utilizado para abastecer seus veículos de trabalho. A prática era um atrativo para que os profissionais abastecessem no Posto Vapabuçu Ltda. Inclusive, por diversas vezes, os cheques eram utilizados para pagar a Fornecedora Ale Combustíveis; j) o que comprova as afirmações é que a própria fiscalização listou como cheques devolvidos, seis cheques utilizados por caminhoneiros; k) é inconstitucional a aplicação da taxa Selic. 6 Sobrestamento Em 12/03/12, através da Resolução nº 2202000.168 (fls. 386394 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Ilegitimidade Passiva O Auto de Infração (fls. 0309) debatido no presente recurso, foi lavrado em 22/11/03, e nele figurou como sujeito passivo o contribuinte Geraldo da Silva Santana. Ocorre que, já no início do procedimento de fiscalização, a autoridade administrativa tomou ciência de que o contribuinte em questão era falecido, de modo que solicitou ao Magistrado da Vara de Fl. 401DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Família/Sucessões da Comarca de Sete Lagoas MG (fl. 70), cópia do documento de constituição do inventariante do espólio do de cujus. Com a documentação em mãos, a fiscalização continuou a intimar o de cujus, tendo sua inventariante respondido às intimações em momento posterior, conforme se vê nas intimações de fls. 54, 311313. A ciência da Fiscalização de que o contribuinte já era falecido, pode corroborada pelas informações contidas no Termo de Início de Fiscalização, as quais transcrevo abaixo: “Consultando a última Declaração de Rendimentos entregue à SRF (exercício 2003, anocalendário de 2002) constatamos tratarse de espólio, tendo em vista a natureza da ocupação informada (Código 81).” O Código Tributário Nacional, em seu art. 142, prevê que compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário através do lançamento, no qual deve identificar corretamente o sujeito passivo. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Igualmente, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, norma geral que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece os requisitos obrigatórios que devem constar no auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá, obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila e impugnala no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O art. 131, III, do CTN, define o espólio como sujeito passivo da obrigação tributária que não pode ser constituída contra quem não mais existe (de cujus), senão vejamos: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: III – o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Assim, nos casos de sucessão, temos a transferência da obrigação jurídica tributária: falecida uma pessoa física, ou extinta uma pessoa jurídica, que ocupavam posições Fl. 402DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 6 9 passivas numa relação jurídica tributária, a pessoa sucessora (o espólio, no caso em análise) passa a responder pela obrigação. Todavia, no caso em tela, o auto de infração foi lavrado em face de contribuinte já falecido, conquanto tivesse a fiscalização ciência desse fato. Isto é, deveria a fiscalização ter lavrado o auto de infração tendo como polo passivo o Espólio do Sr. Geraldo da Silva Santana, pois à época do lançamento era de conhecimento da autoridade administrativa que o mesmo era falecido, bem como quem representava seu espólio, pois, nos termos do art. 131 do CTN, o espólio é pessoalmente responsável. Nesse sentido: ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural EXERCÍCIO: 2001 ITR, ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento feito em face de pessoa que na data do fato gerador já se encontrava morta. No caso o lançamento deveria ter ocorrido em face do espólio do morto e não contra este. Decisão recorrida nula. Vistos, relatos e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do relator, suscitada de ofício pelo relator por erro de identificação do sujeito passivo. (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 2201 000.725. Julg. Em 17/06/10). Classificação de Mercadorias Exercício: 2003 IRPF – DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVROCAIXA – LANÇAMENTO LAVRADO QUANDO JÁ FALECIDO O CONTRIBUINTE – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Se comprovadamente o contribuinte já havia falecido muito antes da lavratura do auto de infração, sem sequer ter participado dos atos antecedentes da fiscalização, há de reconhecerse a ilegitimidade passiva do contribuinte. Recurso provido. (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Especial. Ac. 2802 001.027. Rel. Dayse Fernandes Leite. Julg. em 16/07/13). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. IMÓVEL TRIBUTATO. VIÚVA MEEIRA. COPROPRIETÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO DA EXECUÇÃO FISCAL POR DECISÃO JUDICIAL. SUBSTITUIÇAÕ DA CDA. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 1. O cônjuge meeiro deve ser incluído no lançamento do crédito tributário e, a fortiori, na CDA, para viabilizar sua letigimatio ad causam (sic) passiva para a execução fiscal. 2. O falecimento do cônjuge virago, por si só, no curso da execução fiscal, com fulcro em lançamento efetivado apenas em nome do de cujus, não autoriza a execução direta contra o cônjuge supérstite. 3. É que, resulta cediço na Corte que: a. Iniciada a execução, é vedada a substituição da CDA para a inclusão do cônjuge sobrevivente na condição de contribuinte do IPTU (CTN, art. 34) e não como sucessor (CTN, art. 131, II). b. É que a presunção de legitimidade da CDA alcança as pessoas nela referidas. Por isso que este e. STJ firmou entendimento no sentido de que “A Fazenda Pública pode substituir a certidão ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou forma, veda a modificação do sujeito passivo da execução” (Súmula 392/STJ). Precedente: REsp 1045472/BA, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJe 18/12/2009 c. In casu, o cônjuge supérstite não é sucesso do cônjuge falecido, senão titular da metade do imóvel. 4. O falecimento do contribuinte não impede o Fisco de prosseguir na execução dos seus créditos, sendo certo que, na abertura da sucessão, o espólio é responsável pelos tributos devidos pelo “de cujus”, nos termos do art. 133, III, do CTN. 5. A doutrina nos revela que “se a dívida é inscrita em nome de uma pessoa, não pode a Fazenda ir cobrála de outra nem tampouco pode a cobrança abranger outras pessoas não constantes do termo e da certidão, salvo, é claro, os sucessores, para quem a transmissão do débito é automática e objetiva, sem reclamar qualquer acertamento judicial ou administrativo. Em suma, a coresponsabilidade tributária não pode, em regra, decorrer de simples afirmação unilateral da Fazenda no curso da execução fiscal”. (Humberto Theodoro Júnior. Lei de Execução Fiscal. 11ª ed., p.40). 6. No mesmo sentido: “Quando haja equívocos no próprio lançamento ou na inscrição em dívida, fazendose necessária alteração de fundamento legal ou do sujeito passivo, nova apuração do tributo com aferição de base de cálculo por outros créditos, imputação de pagamento anterior à inscrição etc..., será indispensável que o próprio lançamento seja revisado, se ainda viável em face do prazo decadencial, oportunizandose ao contribuinte o direito à impugnação, e que seja revisada a inscrição, de modo que não se viabilizará a correção do vicio apenas na certidão de dívida. A certidão é um espelho da inscrição que, por sua vez, reproduz os termos do lançamento. Não é possível corrigir, na certidão, vícios do lançamento e/ou da inscrição. Nestes casos, será inviável simplesmente substituir se a CDA.” (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrida Schroder Sliwka, in “Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e da Jurisprudência”, Livraria do Advogado, 5ª ed., Porto Alegre, 2009, pág..205_. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 7 11 7. In casu, incontroverso que a ora recorrente é coproprietária do imóvel tributado, do mesmo modo, irrefragável que os lançamentos de ofício do IPTU e da TLCVLP foram realizado exclusivamente em nome do “de cujus”, por opção do fisco municipal, que poderia têlos realizado em nome dos co proprietários. 8. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 9. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial provido. (REsp 1124685/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUZ, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/10/2010, DJe 03/11/2010). grifei. Ressalto que a intimação da Sra. Cláudia Maria Volpi Santana, cotitular da conta bancária dos créditos glosados, e a posterior lavratura de auto de infração em face dessa contribuinte, não convalidam o erro de identificação do sujeito passivo, pois a Sra. Cláudia não é a inventariante do espólio do contribuinte Geraldo da Silva Santana. A inventariante, como informado pelo Poder Judiciário, e é a Sra. Ana Terezinha Volpi, viúva do Sr. Geraldo da Silva Santana. 2. MÉRITO O crédito tributário objeto do presente lançamento tem por fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 que se refere a uma obrigação não só de caráter pessoal, como também de caráter personalíssimo, dirigida ao contribuinte, “titular, pessoal física ou jurídica”, e que não pode ser transferida ao responsável tributário. In verbis: Art42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É pacífico que a tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, tratase de Presunção, esta sendo o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável. Tendo respaldo legal e admitindo prova em contrário (presunção relativa), é considerada válida no direito tributário. No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial; tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação, logo omitido – o fato desconhecido de existência provável. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 Por ser presunção relativa, é necessário que a contribuinte seja intimado regularmente, e que este seja intimado do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 tem como elemento essencial a prévia intimação do titular da conta bancária. Destacase que em se tratando de conta bancária é conjunta, a jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que devem ser intimados todos os co titulares da conta bancária para que busquem comprovar a origem dos depósitos nela havidos, sob pena de improcedência da autuação quanto à parte não intimada. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 29: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. No caso em análise, a hipótese normativa é de materialização impossível, pois o titular das contas bancárias autuadas, Sr. Geraldo da Silva Santana, já era falecido antes mesmo do início da fiscalização. Conforme referido, a obrigação prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não se transfere ao inventariante ou ao espólio, pois esses não se confundem com o de cujus. Uma vez que é impossível a intimação do titular da conta bancária para o mesmo comprove a origem dos depósitos apontados, pois já falecido, não há como materializar a hipótese de incidência tributária prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, em decorrência do princípio da legalidade tributária. Assim, a exigência de comprovação da origem dos depósitos implicaria em transformar uma presunção relativa em uma presunção absoluta, pois, ao fim e ao cabo, a totalidade dos depósitos seria considerada como não comprovados, uma vez que seria impossível a sua comprovação. Como se ainda assim não fosse, se violaria o princípio da legalidade quando dirigida a intimação – elemento essencial da norma jurídicotributária do referido art. 42 – à inventariante, já que ela não se confunde com o de cujus. Prevê o art. 131, II e III, do CTN, a responsabilidade tributária por sucessão. In verbis: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Ocorre que a referida previsão apenas se configuraria, ainda que se considera que os fatos que ensejaram a autuação são anteriores ao falecimento do contribuinte, se fosse material e autonomamente possível a aplicação da previsão contida na regra que embasa o lançamento, o que não ocorre neste caso, pois as o art. 42 da Lei nº 9.430/96 tem como elemento essencial a prévia intimação do titular da conta bancária, como referido anteriormente. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 8 13 Como se percebe, a obrigação tributária que decorre da previsão do art. 42 é de nascimento impossível no caso em análise, em virtude da impossibilidade de intimação do titular da conta bancária. Nem mesmo podese cogitar a hipótese de responsabilidade tributária, pois ela depende de uma obrigação tributária préconstituída, inexistente no caso em exame. Desta forma, vêse que a figura da responsabilidade tributária não é autônoma, pois pressupõe a existência de uma obrigação tributária préconstituída (independentemente da sua formação ou declaração pelo lançamento) e cujo comprometimento não foi honrado pelo contribuinte, por qualquer uma das situações previstas no CTN. No que refere ao caráter de “norma secundária” da responsabilidade tributária, e quanto à sua dependência em relação à norma principal que instituiu a obrigação tributária, Misabel Abreu Machado Derzi leciona que: “Toda vez que estamos diante da eleição de um responsável por lei, estamos diante de duas normas jurídicas interligadas. A primeira é a norma básica ou matriz, a que já nos referimos anteriormente, que disciplina a obrigação tributária principal ou acessória. A segunda é a norma complementar ou secundária, dependente da primeira, que se presta a alterar apenas o aspecto subjetivo da conseqüência da norma anterior, uma vez ocorrido o fato descrito em sua hipótese. Nesse sentido, podemos falar em hipótese ou fato gerador básico ou matriz e em fato gerador secundário, complementar e dependente. Se não ocorrer o fato descrito na hipótese de incidência da norma básica ou matriz, ou mesmo ocorrendo e estando extinta a obrigação do contribuinte, então também inexistirá a obrigação do responsável tributário. O fato gerador da norma secundária não é, assim, suplementar ou sucedâneo (chamado de Ersatztatbestand pelos alemães), nem de substituição, mas pressupõe, antes de tudo, a ocorrência do fato gerador da norma básica ou matriz (quer da obrigação principal, acessória ou das sanções).” (DERZI, Misabel Abreu Machado, In: BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro, Editora Forense, 11ª Edição, 1999, Rio de Janeiro, pág. 724 – negritos e sublinhados nossos, outros destaques do original) Assim, no momento em que o titular das contas bancárias autuadas não é intimado para comprovar a origem dos respectivos depósitos, não se materializa a previsão normativa da obrigação tributária básica ou matriz (prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96), o que, consequentemente, não enseja o surgimento da norma secundária, relativa à responsabilidade tributária por sucessão. Desta forma, resta claro que o procedimento adotado pela fiscalização, desde o seu primeiro ato, acabou por transformar o responsável tributário – espólio e seu inventariante – em verdadeiro contribuinte do IRPF objeto desta autuação. Ressalto que as decisões deste Conselho que atribuem e reconhecem a responsabilidade do espólio pelas obrigações tributárias do de cujus referemse a situações em que o lançamento foi feito ainda contra o de cujus, o que difere do caso concreto. Nesse sentido: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 “ESPÓLIO RESPONSABILIDADE Responde o espólio pelos tributos devidos, inclusive decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, caso constatado o ilícito e lançado o crédito tributário antes do falecimento do Contribuinte. Recurso negado.” (Acórdão nº 10614828, de 10.08.2005, Relator Cons. José Carlos da Matta Rivitti – grifos nossos) Em caso idêntico ao presente, vejase o seguinte acórdão: “IRPF – DEPÓSITO BANCÁRIO – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – ESPÓLIO A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da contacorrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte – único titular das contascorrentes – era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio e a inventariante. Recurso de Ofício Negado. (Acórdão nº 10422.290, de 28.03.2007) Diante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em virtude da manifesta ilegitimidade do sujeito passivo tributário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13609.001127/200308 Acórdão n.º 2202002.639 S2C2T2 Fl. 9 15 Voto Vencedor Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, não posso acompanhar seu entendimento no que toca a preliminar de ilegitimidade passiva: Registrese, por pertinente, que no relativo a materia de mérito, entendeu o colegiado por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assim, quanto a preliminar de ilegitimidade passivo, entendo que não assiste razão à recorrente, pois a identificação do sujeito passivo sem a denominação “espólio” não causou nenhum prejuízo à sua defesa. Compulsando os autos, verificase que a autoridade fiscal, ao tomar conhecimento de que o contribuinte havia falecido, foi diligente no sentido de identificar quem seria o inventariante. Para tanto, encaminhou ofício ao Juízo da Vara de Sucessões solicitando cópia do documento de constituição do inventariante do espólio. A partir da resposta do Juízo, todas as intimações foram direcionadas à inventariante, tais como o termo de início de fiscalização (fl. 68) e o auto de infração (fl. 98). A inventariante, por meio de procurador, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 104 a 141) e recurso voluntário (fls. 314 a 340). Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. Conforme Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) Nesse sentido foi proferida decisão pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INTIMAÇÃO Para a sua validade, é primordial que o ato de intimação seja capaz de dar Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 total conhecimento ao sujeito passivo do resultado do procedimento fiscal, sendo eficaz no seu objetivo da mais larga defesa do sujeito passivo. A identificação concreta do prejuízo causado à defesa do sujeito passivo seria, por si só, suficiente para a invalidação da intimação, o que não ocorre na espécie, vez que exsurgem dos autos evidências que demarcam não ter ocorrido qualquer dano ao recorrente. NOTIFICAÇÃO EM NOME DO "DE CUJUS" SEM A IDENTIFICAÇÃO DE ESPÓLIO Os atos processuais têm caráter instrumental, e, se a finalidade da lei for alcançada, embora mediante forma imperfeita, há de se ter a forma ou o ato como válidos. Se a notificação for feita em nome do "de cujus", sem o acréscimo da palavra "espólio" após o nome próprio do falecido, mas o representante legal impugnar o lançamento em nome do espólio e todos os demais atos forem praticados em nome ou contra o espólio, a finalidade da lei foi alcançada, mesmo que a forma adotada no lançamento não tenha sido perfeita (Precedente da CSRF). IRPF ESPÓLIO MULTA DE OFICIO Não responde o s sucessor pela multa de natureza fiscal que deva ser aplicada em razão de infração cometida pelo "de cujus". Inteligência do artigo 133 do CTN. (Precedentes da CSRF). Recurso parcialmente provido. (Acórdão nº 10615.703 – 1º Conselho de Contribuintes – Sexta Câmara). Dessa forma, em não tendo havido qualquer dano à defesa do autuado e tendo sido alcançada a finalidade da lei, não há que ser acolhida a alegação de nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Redatora Designada Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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