Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.915902/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2000
PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.915902/2008-01
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5960600
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.768
nome_arquivo_s : Decisao_10880915902200801.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10880915902200801_5960600.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7602087
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419807842304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 478 1 477 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.915902/200801 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303007.768 – 3ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria PIS PER/DCOMP Embargante SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA. (MICROLITE S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 02 /2 00 8- 01 Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10880.915902/200801 Acórdão n.º 9303007.768 CSRFT3 Fl. 479 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 006.409, às fls. 253e/263e, de 13 de março de 2018, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, relativamente à exigência de crédito tributário da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), negou provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da ementa, a seguir reproduzida: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/2000 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67." A embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado, relativamente a ponto (normas) sobre os quais a Turma deveria ter se pronunciado. Consoante seu entendimento, o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743, de 1º de dezembro de 2016, e no Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017, ambos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deveria ter sido levado em conta no julgamento. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O acórdão embargado negou provimento ao recurso especial do contribuinte sob o fundamento de que, até julho de 2004, não existia norma que desonerasse as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus da contribuição para o PIS. No entanto, na análise e julgamento do recurso especial do contribuinte, o relator não levou em consideração o entendimento da Procuradoria da Geral da Fazenda Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10880.915902/200801 Acórdão n.º 9303007.768 CSRFT3 Fl. 480 3 Nacional exarado no Parecer nº PGFN/CRJ/Nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF’s firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 215835/01, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). O STJ também firmou o entendimento de que o benefício fiscal se aplica ainda que a vendedora (e não apenas a adquirente) seja Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10880.915902/200801 Acórdão n.º 9303007.768 CSRFT3 Fl. 481 4 sediada na ZFM (chamadas “vendas internas”). OBSERVAÇÃO: a dispensa não se aplica quando se tratar de: (i) venda de mercadoria por empresa sediada na ZFM a outras regiões do país; (ii) operação envolvendo pessoa física (vendedor ou adquirente); (iii) venda de mercadoria que não tenha origem nacional; e (iv) receita decorrente de serviços (e não venda de mercadorias) prestados a empresas sediadas na ZFM." Por sua vez o Ato Declaratório, assim dispõe: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. A luz do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.939994/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.939994/2011-84
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5950487
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-000.745
nome_arquivo_s : Decisao_10980939994201184.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10980939994201184_5950487.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7575944
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419810988032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.939994/201184 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.745 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP Recorrente CIA DE CIMENTO ITAMBE Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 39 99 4/ 20 11 -8 4 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10980.939994/201184 Resolução nº 1402000.745 S1C4T2 Fl. 3 2 ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição". Em sua Manifestação de Inconformidade, alegou a Recorrente que efetuou diversos pagamentos espontâneos de tributos devidos, anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização ou cobrança, o que motivou a apresentação do pedido de restituição visando a devolução dos valores indevidamente exigidos a título de multa moratória; Entende que faz jus à devolução da multa de mora, já ser mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação de DCTF. Alega que conforme o art. Nº 138 do CTN, que dispensa o pagamento de multa, seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes de o início de qualquer procedimento administrativo, não há que se cogitar na espécie de multa de qualquer natureza. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se considerando como crédito, compensável, os valores abarcados pela tese da espontaneidade prevista no art. Nº 138 do CTN". Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.739, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.939894/201149, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.739): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente alega que a previsão legal contida no artigo 138, do CTN, bem assim a jurisprudência pátria, inclusive na esfera administrativa, contemplam a exclusão da responsabilidade por força da denúncia espontânea e, consequentemente, a inexigibilidade de qualquer multa sobre os valores recolhidos em atraso, seja ela de mora ou de ofício. Afirma que tratandose a hipótese subexamine de procedimento espontâneo da Contribuinte (quitação de tributo, antes da inclusão do pagamento e da entrega da DCTFRetificadora ou de qualquer ato fiscalizatório), a multa de mora cobrada é de todo indevida, razão pela qual a sua devolução é medida que se impõe. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.939994/201184 Resolução nº 1402000.745 S1C4T2 Fl. 4 3 Aduz que tendo em vista tais premissas fáticas e legais motivadoras do pedido de restituição ora em debate, temse por configurado o "pagamento a maior ou indevido", passível de aproveitamento, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96 (com a redação da pela Lei n° 10.637/02), razão pela qual merece reforma o v. acórdão recorrido, a fim de reconhecer o direito creditório da Empresa. Verificase que em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, esse pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, fazse necessário para a comprovação da mesma, que se verifique se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Pelos fatos expostos, apresentase a necessidade de diligência para confirmar se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderseá formar definitivamente a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para: 1. Pronunciarse sobre a procedência da alegação de espontaneidade apresentada pela recorrente, verificando se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. 2. Juntar ao processo a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. 3. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 4. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10980.939994/201184 Resolução nº 1402000.745 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002612/2008-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/08/2004, 16/09/2004, 05/11/2004, 14/12/2004
AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
As causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 3002-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/08/2004, 16/09/2004, 05/11/2004, 14/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10907.002612/2008-42
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948973
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.503
nome_arquivo_s : Decisao_10907002612200842.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ALAN TAVORA NEM
nome_arquivo_pdf_s : 10907002612200842_5948973.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7572728
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419843493888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.002612/200842 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.503 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria AI ADUANA MULTA Recorrente SEATRADE SERVIÇO PORTUÁRIOS E LOGISTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/08/2004, 16/09/2004, 05/11/2004, 14/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 26 12 /2 00 8- 42 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0726.256 da DRJ/FNS, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 2ª Turma da DRJ/FNS (fls. 58/61), exarado nos seguintes termos: "O presente Auto de Infração, no valor de R$ 20.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls.03/04), a auditoria fiscal fundamentou a autuação no art. 107, inciso IV, alíneas "c" e "e", do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003, bem como nos artigos 37 e 44, da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994. Relata que, na tabela à fl. 10, são informados as datas dos embarques para cada DDE e as datas dos registros dos respectivos dados no Siscomex; e , na tabela à fl. 11, temse a relação de dados por navio, que consolida os efetivos embarques em que houve atraso na informação dos dados. Intimada da autuação (fl. 01), a interessada apresentou a impugnação de fls. 30/33, na qual, em breve síntese, alega que o embarque DDE 20412211246 / MSCUPN040402 ocorreu, de fato, em 05/11/2004, sendo que os dados foram lançados no Siscomex em 08/11/2004 dentro do prazo de 7 dias previstos na legislação. Ocorre que, em 08/12/2004, houve uma exclusão parcial e lançamento de novos dados no Siscomex. O mesmo aconteceu com o embarque DDE 20413981320 / MSCUPN043497, que ocorreu em 14/12/2004, tendo sido os dados lançados no Siscomex em 15/12/2004, logo, dentro do prazo. Porém, em 22/12/2004, houve uma exclusão parcial de dados e lançamento de novos dados no Siscomex, o que é facultado à empresa exportadora. Entretanto, os dados iniciais foram lançados dentro do prazo de 7 dias, o que pode ser verificado em consulta aos históricos dos despachos. Ressalta que apenas quando a empresa deixar de cumprir a obrigação prevista no art. 37 da IN SRF n° 28/1994 é considerado o embaraço A fiscalização e, então, cabível a respectiva multa. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 4 3 0 art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei n° 77, de 1966, com a redação dada pela Lei 10.833, de 2003, é cristalino ao se referir apenas ao fato de "não entrega" das informações. Diante do exposto, requer sejam considerados dentro do prazo legal os registros realizados no Siscomex, relativos aos despachos n°2041221124/6 e n° 2041398132/0. Requer seja observado o disposto no § 2° do art. 293 do Decreto n° 3.048/1999, no sentido de que a autuada, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de oficio com redução de 25%, até a data limite para interposição de recurso. ". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 33/36), mas mesmo assim, resolveu reduzir o valor de R$ 20.000,00 lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação de "embarques de cargas efetuados em 05/11/2004 (DDE n° 2041221124/6) e em 14/12/2004 (DDE n° 2041398132/0), na medida em que discorda da fiscalização quando acusa que essas informações somente tenham sido prestadas em 08/12/2004 e 22/12/2004, respectivamente, uma vez que, segundo informações retiradas do sistema Siscomex (fl. 34), referidos dados foram registrados tempestivamente em 08/11/2004 e 15/12/2004" para R$ 10.000,00, afasta a atipicidade argumentada pelo contribuinte uma vez que "está obrigado a prestar no prazo estipulado pela Receita Federal não são quaisquer informações errôneas ou fictícias, mas sim as informações corretas sobre a carga, e essas só foram apresentadas, na espécie, após o prazo regulamentar para fazêlo", já quanto ao pedido para que seja observado o disposto no § 2º do art. 293 do Decreto nº 3.048/1999, ressalta que o referido Regulamento da Previdência Social não é aplicável ao caso concreto e por fim, não pode ser arguido qualquer nulidade uma vez que "assevero que, no caso de a fundamentação legal ser indicada além do necessário, tal fato não implica a nulidade do lançamento, por não configurar cerceamento de defesa, uma vez postos todos os fatos necessários ao correto julgamento", por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 81/89) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a ilegitimidade passiva, uma vez que "a Recorrente é uma agência marítima, portanto, uma agente de carga", b) a ausência de previsão normativa que obrigue o agente de cargas a realizar o registro dos embarques, c) a nulidade do Auto de Infração em razão do "vício absoluto do auto de infração por não apresentar satisfatoriamente seu requisito da fundamentação legal". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 5 4 A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Preliminar Ilegitimidade passiva Afirma o contribuinte de que "por ser esta parte ilegítima para compor o pólo passivo da obrigação tributária, uma vez que é subsidiária sua responsabilidade (Agência Marítima) e que primeiro se deveria ter Autuado a empresa de transporte internacional, para, somente na falta desta, responsabilizarse a Recorrente pelo descumprimento da obrigação acessória" contudo, entendo que deve ser afastada a preliminar suscitada pelo contribuinte, pois a sua responsabilidade está expressamente determinado no art. 37, § 1º do Decretolei nº 37/1966, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003). § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003). Dispõe o artigo 32, parágrafo único, inciso II do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001, in verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). Por fim, este Conselho Administrativo, vem reconhecendo a responsabilidade do agente marítimo que por expressa determinação legal é o representante do transportador estrangeiro no país, e portando responsável solidário tributário, Nesse sentido, reproduzo a ementa manifestado no Acórdão nº 3002000.012 do Ilustre Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, exarado nos seguintes termos: "PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 6 5 O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada." Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.). Sendo assim, ao meu ver, não assiste razão o contribuinte em sua alegação de nulidade do auto de infração por considerar que "não foi expressamente apontado no "Enquadramento Legal" o dispositivo normativo que fundamenta o prazo para registro" Dessa forma, rejeito as preliminares apresentadas pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. A presente demanda versa sobre a imposição de multa em razão do cumprimento a destempo da obrigação de registro de dados no SISCOMEX. Ausência de previsão normativa que obrigue o agente de cargas a realizar o registro dos embarques Alega o contribuinte que o artigo 107, IV, "e", do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, trata da penalidade a ser "aplicada ao transportador internacional, à empresa prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, OU ao agente de cargas", argumenta ainda que "SRFB, por intermédio da IN/SRF n° 28/1994, atribuiu apenas ao TRANSPORTADOR, entendido este como sendo a empresa de transporte internacional e a empresa prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, a obrigação por registrar os embarques no SISCOMEX, de maneira que não existe qualquer dispositivo normativo que obrigue a Recorrente (agência Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 7 6 marítima) a realizar o registro dos embarques", concluindo que "ora, se não há um dispositivo que obrigue a Recorrente (Agência Marítima Agente de Carga) a realizar a obrigação acessória, também não pode ser aplicada a supracitada multa do DL 37/1966, uma vez que ficou à critério da SRF estabelecer a forma e prazo da obrigação acessória que descumprida ensejaria a incidência da multa, no entanto, a própria SRF excluiu os agentes de cargas da obrigação de realizar os registros dos embarques no SISCOMEX", entendo que não assiste razão ao contribuinte, uma vez que este Conselho Administrativo, vem reconhecendo a responsabilidade do agente marítimo que por expressa determinação legal é o representante do transportador estrangeiro no país, e portando responsável solidário tributário. Sendo assim, pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36204.000963/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUICÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a .31/01/2005
NULIDADE. DESPACHO QUE INDEFERE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO,
O despacho que indefere pedido de restituição deve indicar os motivos de fato e de direito da decisão, com anotação da legislação de regência, de modo a permitir que o interessado tenha respeitado seu direito ao contraditório e ampla defesa.
Anulada a Decisão Recorrida
Numero da decisão: 2301-001.702
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUICÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a .31/01/2005 NULIDADE. DESPACHO QUE INDEFERE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, O despacho que indefere pedido de restituição deve indicar os motivos de fato e de direito da decisão, com anotação da legislação de regência, de modo a permitir que o interessado tenha respeitado seu direito ao contraditório e ampla defesa. Anulada a Decisão Recorrida
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 36204.000963/2007-49
conteudo_id_s : 5960440
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-001.702
nome_arquivo_s : Decisao_36204000963200749.pdf
nome_relator_s : Mauro Jose Silva
nome_arquivo_pdf_s : 36204000963200749_5960440.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
id : 7602034
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419855028224
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T12:59:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T12:59:09Z; Last-Modified: 2011-03-10T12:59:09Z; dcterms:modified: 2011-03-10T12:59:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c0d61bb5-b0c1-4fd7-be38-e0721448c644; Last-Save-Date: 2011-03-10T12:59:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T12:59:09Z; meta:save-date: 2011-03-10T12:59:09Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T12:59:09Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T12:59:09Z; created: 2011-03-10T12:59:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-03-10T12:59:09Z; pdf:charsPerPage: 1301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T12:59:09Z | Conteúdo => RA GOMES — Presidente JULIO S2-C3T1 Fl. 202 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE, JULGAMENTO Processo n" 36204,000963/2007-49 Recurso n" 257.585 Voluntário Acórdão n" 2301-01.702 — 3" Camara / la Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2010 Matéria RESTITUIÇÃO: EMPRESAS EM GERAL Recorrente VIGSERV SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA LIDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL, DE VITÓRIA/ES ASSUNTO: CONTRIBUICOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a .31/01/2005 NULIDADE. DESPACHO QUE INDEFERE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, O despacho que indefere pedido de restituição deve indicar os motivos de fato e de direito da decisão, com anotação da legislação de regência, de modo a permitir que o interessado tenha respeitado seu direito ao contraditório e ampla defesa. Anulada a Decisão Recorrida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORIAM os membros da 3" Camara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por dale de votos, em anular a decisão recorrida, XVII re SILVA — Relator attic' aram do presente julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henr que Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário pot meio do qual a recorrente pretende a restituição de valores que entende recolhidos indevidamente na competência 01/2005 referente guias de recolhimentos não consideradas na apuração de diversos débitos Consolidados em quatro NFLDs e outras autos de infração datados de 25/04/2005 com saldo de RS 20.560,26, 01 , A DRF-Vitória encaminhou os autos para diligência a ser realizada pela mesma autoridade fiscal que havia as fiscalizações que foram realizadas na recorrente no período de 08/200 a 01/2005, tis. 126. No relatório da diligência, ficou consignado que "a empresa incorreu em inúmeras faltas, conforme autos de infração lavrados, inclusive apresentação deficiente de elementos ou até mesmo duplicidade com informações divergentes, fato que causou grande dificuldade no processo de auditoria", fls. 134. Ao lado de tal informação, a mesma autoridade apontou existirem credito a favor da empresa conforme VNA de fls. 129/133. A DRF-Vitória indeferiu o pedido da recorrente e cientificou a interessada de tal despacho em 25/03/2008, fis, 139. O recurso voluntário foi apresentado em 23/04/2008, fls. 142/144, argumentando que existe saldo credor a favor da empresa decorrente de retenções de 11% corn códigos 2631 e 2.402 . o Relatório. Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento.. Nulidade por ausência de motivos de fato e de direito no despacho decisório Notamos que o direito da recorrente ao contraditório e à ampla defesa foi violado, sendo que três fatos nos levam a tal conclusão. O primeiro esta relacionada a uma aparente contradição entre a informação fiscal de fis. 128/134 e o despacho decisório de fls., 137/138.. Na informação fiscal ha uma planilha indicando crédito a favor da recorrente, mas o despacho indefere o pedido com base na informação fiscal. A contradição, como se vê, emerge naturalmente 0 segundo, é a falta de indicação de qual fato levou ao indeferimento, Teria sido a existência de imprecisões na documentação, problemas na guias ou créditos já aproveitados? Não ha como a recorrente inferir isso, de modo que esta se defendeu somente problemas nas guias. 4,7 Processo n°36204000963/2007-49 S2-C3T 1 Acórdiio n " 2301-01,702 Fl 203 O terceiro, é a total ausência de referência A legislação que rege os casos de restituição, salvo urna genérica citação do art, 89 da Lei 8212/91. Os fatos evidenciam um caso de cerceamento de defesa, o que nos leva a posicionarmos pela nulidade do despacho da DRF-Vitória/ES, em conformidade coin o art.. 59, inciso 11 do Decreto 70235/72. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para ANULAR o despacho decisório de fls. 1.37/138 por ter ocorrido cerceamento do direito de defesa. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 3
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934147/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até a decisão a ser prolatada no processo administrativo nº 13839.900581/2013-01.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.934147/2008-56
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964043
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-000.798
nome_arquivo_s : Decisao_10880934147200856.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 10880934147200856_5964043.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até a decisão a ser prolatada no processo administrativo nº 13839.900581/2013-01. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7618138
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419866562560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 291 1 290 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.934147/200856 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.798 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de janeiro de 2019 Assunto Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente FÁBRICA DE MAQUINAS WDB LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até a decisão a ser prolatada no processo administrativo nº 13839.900581/201301. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fl. 22) contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração nº 27272.32114.150604.1.3.025903 (PerDcomp), em 15/06/2004 para compensação de débitos com o crédito de saldo negativo de IRPJ/2004, anocalendário de 2003, no valor de R$ 247.170,62. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 34 14 7/ 20 08 -5 6 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 292 2 A DERAT apurou inconsistência entre as informações registradas no PER/DECOMP e as apresentadas na DIPJ/2004 e nas DCTF´s em razão da qual emitiu o seguinte Termo de Intimação: (i) destaca que os valores dos créditos informados na DIPJ são diferentes dos valores declarados nas DCTF´s (quadro demonstrativo). (ii) que os débitos por estimativa informados na DIPJ são diferentes dos valores declarados nas DCTF´s (quadro demonstrativo). (iii) "Em relação ao crédito demonstrado, solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DECOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Quanto aos débitos por estimativa, solicitase retificar a DIPJ e/ou DCTF tornando coerente as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Em 25/09/2008 a DERAT emitiu Despacho Decisório com o seguinte teor: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser (sic) suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 247.170,62. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 648.391,95. IRPJ devido: R$401.516,80 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitando ao somatório das parcelas da DIPJ) (IRPJ devido) observando que quando esta cálculo resultar negativo, o valor é zero. Valor do saldo negativo disponível:R 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Cientificada (AR fls. ) a empresa apresentou a manifestação de inconformidade (fls 22/27) na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) que a análise do Per/Decomp apresenta grave erro resultante da divergência da expressão "Crédito" e da falta de observação das DCTF´s bem como da comprovação das Deduções do IRPJ e da DIPJ; b) a composição do Credito do IRPJ do exercício de 2004 ano calendário 2003 que é de R$ 246.875,15 e não o valor de R$ 648.391,95 que representa as deduções do IRPJ, pois a DIPJ é documento hábil para apuração do Crédito do IRPJ e não a Per/Dcomp; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 293 3 c) O Regulamento do Imposto de Renda dispõe, em seu artigo 231, que os pagamento mensais a título de estimativa, bem como as retenções de imposto de renda serão tratados como "deduções" do Imposto a pagar apurado anualmente para determinação do valor a pagar ou do "crédito" a ser compensado. Portanto, não há de se confundir "crédito de IRPJ" com "deduções do IRPJ". Em 28 de outubro de 2010 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) deu parcial provimento à manifestação de inconformidade (fls. 105/111) com base nos seguintes fundamentos: a) está bastante claro que o termo "Crédito" se referia à somatória das deduções realizadas, tanto que está mencionado no despacho decisório: "Crédito DIPJ: R$ 648.391,95 (somatório dos valores da FICHA 12 A, LINHAS 12 a 18)". Estas linhas incluem os valores do IRRF e dos pagamentos do IR por estimativa. b) em relação às diferenças apontadas na intimação quanto às estimativas registradas nas DCTF´s e na DIPJ a Impugnante somente apresentou as DCTF´s retificadoras após o despacho descisório em 30/10/2008; c) Foi constatada, através do sistema DIRF, a retenção de IRRF no total de R$ 178.965,69. O total das receitas declaradas nas DIRF´s é compatível com o total apresentado na DIPJ; d) Quanto ao pagamento das estimativas, foi comprovada parte das estimativas no total de R$ 248.027,03. e) As estimativas dos meses de janeiro/03 (R$ 43.369,50), fevereiro/03 (R$ 19.164,42 e março/03 (R$ 97.353,01), foram compensadas com o saldo negativo do IRPJ/2003, ano calendário de 2002, através dos PER/DCOMP´s nºs 35598.00796.18120.31302.7053 (Retificador nº 38467.04981.170908.1.7.024749) e 10.638.26593.18120.31302.1031 (Retificador nº 18714.93172.170908.1.7.03 6394) pendentes de análise (fls. 99/104 numeração do eprocesso). Cientificada (AR fls. 113) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 114/119, no qual alegou, resumidamente, o seguinte. a) Em relação a divergência de valores entre a DIPJ e a DIRF trouxe comprovantes de retenção do Banco Itau, bem como cópia do informe de rendimentos oficial que demonstram que os valores corretos são os constantes da DIPJ. b) Que não é possível dar prosseguimento ao processo de cobrança dessa lide, uma vez a discussão do crédito em questão depende, como reconhecido na própria decisão recorrida, da solução de outros procedimentos de compensação. Enquanto não solucionados os demais processos a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 294 4 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) Da divergência dos valores de IRRF constantes da DIPJ e DIRF. A decisão recorrida reconheceu que o total das receita declaradas nas DIRF´s era compatível com o total apresentado na DIPJ, o que demonstrou no quadro abaixo: A recorrente afirma que o informe de rendimentos oficial fornecido pelo Banco Itaú (fls. 142) comprovam a retenção dos R$ 43.522,95 e os livros contábeis a retenção de R$ 6.555,28 o que demonstraria a falha do sistema DIRF. A diferença apresentada no código 5706 no montante de R$ 4.283,59 referese a retenção ocorrida em 28/03/03. Diante desses fatos requer que seja homologado o valor de retenção de IRRF de R$ 194.204,58. Com efeito, a soma das retenções constantes do Informe de rendimentos financeiros juntado às fls. 142, código 6800, corresponde à R$ 43.522,95. Temos, portanto, dois documentos contraditórios e incompatíveis entre si. Para a receita federal a instituição financeira declarou retenção R$ 32.289,42. Por outro lado, ao enviar o informe de rendimentos financeiros ao contribuinte a instituição registra o valor total de retenções no montante de R$ 43.522,95. O contribuinte não tem como verificar ou mesmo comprovar a eventual incorreção da DIRF. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 295 5 Nesse sentido, é importante registrar que o Código de Processo Civil de 2015 trouxe relevante inovação quanto à distribuição do ônus da prova. O artigo 373, §1º passou a admitir a denominada distribuição dinâmica do ônus da prova, segundo a qual o ônus da prova incumbe a quem tem melhores condições de produzila: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.(grifamos) Como já dito, na hipótese dos autos, parece claro que o contribuinte não tinha como identificar quais os valores tinha sido declarados na DIRF os quais conflitam com os mencionados no informe de rendimentos a ele enviado. Por outro lado, a soma das retenções constantes do Informe de rendimentos financeiros juntado às fls. 142, código 6800, corresponde à R$ 43.522,95 o que é prova suficiente do alegado pelo Recorrente. 2) DO VALOR DAS ESTIMATIVAS E DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. Conforme exposto no relatório a decisão recorrida negou o crédito total requerido pela contribuinte por entende que as estimativas dos meses de janeiro/03 (R$ 43.369,50), fevereiro/03 (R$ 19.164,42 e março/03 (R$ 97.353,01), foram compensadas com o saldo negativo do IRPJ/2003, ano calendário de 2002, através dos PER/DCOMP´s nºs 35598.00796.18120.31302.7053 (Retificador nº 38467.04981.170908.1.7.024749) e 10.638.26593.18120.31302.1031 (Retificador nº 18714.93172.170908.1.7.03 6394) pendentes de análise (fls. 99/104 numeração do eprocesso). Sendo assim, tal fato retiraria a liquidez e certeza do crédito pretendido. No entanto, como reconhece a própria decisão recorrida, os mencionados processos encontramse pendentes de análise no âmbito administrativo.. Sendo assim, não é possível afirmar que o crédito por ela utilizado carece de liquidez e certeza até que os referidos tenham decisão definitiva, tendo em vista o disposto no artigo 151, III, do CTN. Temse aqui uma relação de dependência na medida que a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, é a homologação de outra Declaração de Compensação, que saldou a estimativa de do anocalendário de 2002. Por sua vez, o RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 296 6 §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Essa turma já firmou o entendimento no sentido de que não há como se prosseguir com o julgamento deste processo sem o desfecho dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 297 7 regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação de compensação ulteriomente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Diante de todo o exposto, resolvese por sobrestar o presente feito até a prolatação de Acórdão meritório definitivo apreciando a procedência do crédito e a homologação das compensações, nos autos do processo administrativo nº 13839.900581/2013 01, para, somente então, retomarse o julgamento. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726880/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01
Numero da decisão: 2401-005.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Miriam Denise Xavier - Presidente.
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.726880/2011-51
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5963291
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-005.971
nome_arquivo_s : Decisao_10680726880201151.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10680726880201151_5963291.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Miriam Denise Xavier - Presidente. Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7616550
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419885436928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1545; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.726880/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.971 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PROMED ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Miriam Denise Xavier Presidente. Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 68 80 /2 01 1- 51 Fl. 436DF CARF MF 2 Relatório Contra o sujeito passivo acima identificado foram lavrados os seguintes Autos de Infração, a saber: · DEBCAD n° 37.284.5720 – no valor total de R$ 3.629.451,24 (fl. 5): referente às contribuições destinadas à Seguridade Social e relativas à parte patronal, formalizadas nos levantamentos CI – Contribuinte Individual, e CO e CO2 – Cooperativa de Trabalho; · DEBCAD n° 37.284.5703 – no valor total de R$ 102.136,81 (fl. 3): referente à infração por descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social os valores das Notas Fiscais / Faturas emitidas pelas Cooperativas de Trabalho; e · DEBCAD n° 37.284.5711 – no valor total de R$ 3.811,00 (fl. 4): referente à infração por declarar GFIP de forma incorreta nos campos Código FPAS, Outras Entidades, RAT e CNAE Fiscal. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 14/22), o lançamento foi formalizado para prevenir a decadência das contribuições, suspensas nos termos do inciso V do artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN em razão do deferimento do pedido de tutela antecipada no Processo Judicial de nº 3309519.2011.4.01.3800. Foi aplicada a multa mais benéfica em razão das alterações ocorridas na Lei nº 8.212/1991, promovidas pela Medida nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sendo aplicado o percentual de 24% (vinte quatro por cento) para as competências anteriores à 12/2008, e o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) para a competência 12/2008, de acordo com o Discriminativo de Débito e o título VIII do Relatório Fiscal. Devidamente cientificada, a Interessada apresentou impugnação, às fls. 229/243, em relação ao Auto de Infração – AI nº 37.284.5720, e, às fls. 261/282, em relação ao AI nº 37.284.5703. Em relação ao AI nº 37.284.5711, não há impugnação, mas o pagamento da multa, de acordo com a consulta realizada no Sistema de Cobrança – SICOB da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. O AI nº 37.284.5720 restou impugnado com as seguintes considerações: (i) Argumenta que todos os pagamentos apontados pela fiscalização como fatos geradores das contribuições sociais previstas nos incisos III e IV do artigo 22 da Lei 8.212, de 1991, são objeto de discussão judicial nos autos do Processo nº 33095 19.2011.4.01.3800 em trâmite na 7ª Vara Federal de Belo Horizonte. Defende que aquele Juízo acolheu a tese do Superior Tribunal de Justiça e deferiu a antecipação de tutela pleiteada reconhecendo pela não incidência da tributação sobre os pagamentos correspondentes a atendimentos médicos (contribuintes individuais e cooperados) feitos a favor dos usuários de seus planos de saúde, suspendendo, com isso, a exigibilidade das contribuições. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 3 3 (ii) Tratando dos incisos III e IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e da definição de que é “plano privado de assistência à saúde”, alega que o consumidor, do plano, é quem usa e se beneficia dos serviços prestados pelos prestadores de serviços, onde o papel da autuada limitase ao pagamento das despesas feitas pelo consumidor, e nada mais. (iii) Defende que a situação não pode ser considerada como intermediação de mão de obra, porquanto o prévio credenciamento do profissional importa em mero compromisso do médico (autônomo ou cooperado) em atender ao consumidor, caso requisite, não havendo, assim, qualquer outro vínculo obrigacional da operadora com o profissional, senão o encargo de pagar a referida despesa. Nessa circunstância, discorre no sentido de que não poderá ser considerada como sujeito passivo da obrigação previdenciária em tela, pois quem se aproveita da prestação de serviço exercida pelo profissional de saúde é o usuário de seus planos. (iv) Citando o inciso I do artigo 121 do CTN, fala que a relação direta e pessoal, a configurar a sujeição passiva tributária, seria entre os profissionais (autônomos e cooperados) da área da saúde e o usuário da operadora dos planos. Nessa medida, conclui que o ônus de arcar com a despesa do usuário não configuraria o preenchimento do aspecto pessoal da contribuição social em questão, posto que não é a impugnante quem pratica o pressuposto básico do fato gerador, que seria o de tomar serviço do profissional da área de saúde (autônomo ou cooperado). (v) Alega que os contratos de planos de saúde têm natureza aleatória, e, em razão disso, é que o fato da prestação pelo profissional médico ocorrer ou não em nada influi no exercício da atividade fim da operadora, que é contratada pelo consumidor para fazer frente às suas despesas com assistência médica, caso essas se verifiquem. (vi) Argumenta que nada mais faz do que pagar uma despesa efetuada em nome do paciente atendido pelo hospital, ou, no caso dos autos, pelo profissional da área da saúde, contribuinte individual ou cooperado. Nesse sentido, traz entendimento proferido pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça nos Edcl. do Recurso Especial nº 442.829/MG. (vii) Afirma não existir relação jurídica válida entre a empresa autuada e a União que permita a exigência da contribuição previdenciária prevista no artigo 22, incisos III e IV, da Lei nº 8.212, de 1991, e legislação correlata, no que toca à prestação de serviços por profissionais de saúde aos consumidores de seus planos, e que entendimentos contrários estariam a violar os artigo 109, 110 e 121 do CTN, bem como o inciso I do artigo 1º e 34, ambos da Lei nº 9.656/1998. (viii) Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e recorre ao artigo 62A da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, requerendo, dessa forma, a improcedência do Auto de Infração impugnado. (ix) Além disso, sustenta que o lançamento não teria levado em consideração a alínea “a” do inciso I do artigo 291 da Instrução Normativa MPS/SRP 3, de 14 de julho de 2005. Nessa hipótese, argumenta que a fiscalização teria considerado como base de cálculo o valor bruto das Notas Fiscais, cujo pressuposto afronta a legislação expressa no citado artigo 291, que determina que o tributo incida sobre trinta por cento do valor total da prestação de serviço médico efetuado em ambiente hospitalar. Fl. 438DF CARF MF 4 (x) Ao final, requer a improcedência do Auto de Infração impugnado, e, alternativamente, a aplicação da alínea “a” do inciso I do art. 291 da Instrução Normativa MPS/SRP 3, de 2005. (xi) Ao final, em seus pedidos, requer a produção de qualquer meio de prova permitido, em especial, a produção de prova testemunhal através da qual comprovará que os investimentos em educação e capacitação profissional ocorrem de forma geral abrangendo os empregados e diretores, e, ainda, a juntada de novos documentos e contratos de planos de saúde. Por sua vez, o AI nº 37.284.5703 foi impugnado da seguinte forma: (i) Argumenta que o referido Auto de Infração é conexo com o AI nº 37.284.5720, pelo fato de que o seu objeto é a aplicação de multa pelo não cumprimento da obrigação acessória de declarar fato gerador que também está em discussão naquele auto de infração. Portanto, defende que, se não há obrigação de pagar o tributo propriamente dito, também não há que se falar em obrigatoriedade de declarálo em GFIP, não sendo outra a conclusão, senão a impertinência da multa por descumprimento da obrigação acessória. Dessa forma, requer que o presente feito seja analisado em conjunto com a impugnação do AI nº 37.284.5720. (ii) Argumenta pela nulidade do ato administrativo, porque estaria amparado em fundamentos legais revogados. Esclarece que a Lei nº 11.941/2009 expressamente teria revogado o inciso IV e o parágrafo 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/1991, que deu suporte ao auto de infração, o que não se pode considerar como fundamentos válidos, sob pena de afrontar ao princípio da reserva legal previsto pelo inciso XXXIX do artigo 5º da Constituição Federal. (iii) Defende, com fundamento no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, que se deve aplicar o inciso II do artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, que é norma posta pela Lei nº 11.941/2009, e menos severa do que a anteriormente prevista no parágrafo 5º do artigo 32 da citada Lei nº 8.212/1991, que previa a pena de 100% (cem por cento) do tributo não declarado. (iv) Aduz que a exigibilidade da contribuição social objeto do presente auto de infração encontrase suspensa por causa da antecipação de tutela no Processo nº 33095 19.2011.4.01.3800 em curso perante a 7ª Vara Federal de Belo Horizonte. Dessa forma, defende que, se não há obrigação de pagar tributo, segundo aquela decisão judicial, não se pode falar em obrigatoriedade de declarálo, implicando na impertinência da multa aplicada, sendo isso o que requer. (v) Por fim, repetindo os argumentos expostos na defesa do Auto de Infração de obrigação principal – AI nº 37.284.5720, afirma que não se pode exigir da impugnante a declaração de um tributo que sequer existe, considerando, em apertada síntese, que apenas intermedia planos de saúde, e nada mais faz do que pagar as referidas despesas, como se um cliente particular fosse. (vi) Requer a nulidade do Auto de Infração na medida que os seus fundamentos legais se escoram em dispositivo legal revogado pela Lei nº 11.941/2009. (vii) Requer, alternativamente, a improcedência da autuação, pois, se não existe obrigação tributária principal, inclusive em razão da suspensão por determinação judicial, não haveria a obrigação de constar em GFIP os pagamentos feitos a favor de profissionais da área da saúde, contribuintes individuais e cooperados. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 4 5 (viii) Requer, ainda, na eventualidade de ser devida a multa, que seja aplicado o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, juntamente com o artigo 32A, inciso II, da Lei nº 8.212/1991. (ix) Ai final, requer a produção de qualquer meio de prova permitido, em especial, a juntada de novos documentos e contratos de planos de saúde. Na sequência, tendo em vista que no Relatório Fiscal (fls. 14/22) não havia notícia de qual o tipo de contrato celebrado entre a empresa autuada, como empresa tomadora dos serviços, e as Cooperativas de Trabalho, o processo foi convertido em diligência para o pronunciamento fiscal, conforme Despacho de fls. 302/303. Através de Relatório Complementar de fls. 308/313 e de Informação Fiscal de fls. 314/316, a Fiscalização esclareceu que, analisando os contratos de serviços médicos, entre a PROMED – Assistência Médica Ltda. e as Cooperativas de Trabalho, observouse que “os mesmos têm como objeto social a prestação de serviços de assistência médica prestados por cooperados ao sujeito passivo, em regime de internação hospitalar ou ambulatorial, incluindo exames complementares”. Assim, a Fiscalização concluiu que os contratos firmados entre o sujeito passivo e as Cooperativas encaixavamse na modalidade de grande risco ou risco global, cuja base de cálculo de incidência das contribuições previdenciárias corresponde a 30% (trinta por cento) do valor bruto da Nota Fiscal, conforme estabelecia o ato vigente à época, a Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 3, de 14/07/2005 (DOU de 15/07/2006), em seu artigo 291, inciso I, alínea “a”. Nesse contexto, a Autoridade Fiscal sugere a revisão da base de incidência da contribuição, e informa, para as obrigações acessórias, depois de realizados novos cálculos, que não se altera as multas impostas nos AIs nº 37.284.5703 e nº 37.284.5711. Recebido o Relatório Fiscal Complementar, a empresa fiscalizada manifestouse (fls. 318/349) da seguinte forma: Reportando à Ação Ordinária de nº 3309519.2011.4.01.3800, perante a 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, diz estar suspensa à exigibilidade dos créditos tributários, gerando a nulidade do auto de infração, eis que com a sua lavratura restou preterido o seu direito de defesa. Novamente argumentou que a fiscalização desconsiderou o fato que a empresa é tomadora de serviços que celebra seus contratos com as Cooperativas, que, por sua vez, estabelecem suas relações com os cooperados, repartindo entre os mesmos os dividendos das operações realizadas. Transcreve parte da decisão de primeira instância judicial. Acresce, em vista da ADI 2594, e da manifestação da Procuradoria Geral da República pela procedência da ação e da consequente inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, que o Supremo Tribunal Federal têm sido no sentido de deferir os pleitos em face da presença do fumus boni iuris e do periculum in mora. Cita julgados, inclusive o que estabeleceu a repercussão geral sobre a matéria, e salienta, nesse aspecto, que deveria ser observada, pela Delegacia de Julgamento, a disposição contida no artigo 62A da Portaria MF nº 586, de 2010. Fl. 440DF CARF MF 6 Conclui por ter demonstrado que a cobrança seria indevida, assim como a aplicação da multa, considerando que a norma seria carecedora de constitucionalidade, na qual a situação caminha para o reconhecimento a ser feito pelo STF na ADI 2594. No tópico da cobrança indevida das contribuições, a impugnante reafirma que as prestações dos serviços não são realizadas diretamente por ela, mas apenas repassa a remuneração devida ao profissional da área de saúde, como se fosse particular. Nesse sentido, traz entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Acresce que a alteração trazida pela Lei nº 9.876, de 1999, manteve o que dispunha a norma introduzida pela LC nº 84, de 1996, que a base de cálculo da contribuição diz respeito às remunerações dos serviços prestados pelos cooperados, à tomadora, por intermédio das Cooperativas. Diz que, na vigência da LC nº 84/96, o Superior Tribunal de Justiça já havia se posicionado no sentido de que a base de cálculo desta contribuição seria o valor dos honorários dos médicos cooperados. Cita julgados.. Assim, defende que a base de cálculo da contribuição seria o valor bruto dos serviços prestados, e, para o cálculo do tributo incidente, não poderiam ser consideradas outras despesas pagas pela empresa, como o custo operacional da Cooperativa não relacionado a honorários médicos. Reporta ao artigo 121 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, que diz que os valores de materiais ou de equipamentos (...), discriminados no contrato e na nota fiscal (...) de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, e, observa, assim, que devem ser decotadas do valor as despesas não decorrentes da prestação de serviços. Nesse contexto, argumenta que realizou outros pagamentos às Cooperativas que não eram referentes aos serviços prestados pelos cooperados, tais como medicamentos usados nos tratamentos e outras despesas com pacientes, não devendo estes ser considerados na base cálculo apurada, pois não retrataria o montante sobre o qual deveria incidir a cobrança. Observa, por amostragem, que já teria anexado documentação relativa aos contratos celebrados com as Cooperativas, dos quais constam pagamentos de outras despesas além daquelas decorrentes de honorários médicos. Como exemplo, cita o contrato celebrado com a COMEDI – Cooperativa de Especialidades Médicas de Itabirito. Conclui que o valor cobrado não foi apurado devidamente, porque recaiu sobre todos os pagamentos realizados às Cooperativas e não somente sobre os quais ensejam a cobrança da contribuição para a seguridade, na forma do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e artigo 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Conclui que, suspensa a exigibilidade dos créditos tributários lançados, impõese a declaração de nulidade, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, considerando que a lavratura do auto de infração teria preterido o seu direito de defesa. Na sequência, narra que a fiscalização lançou valores que se tratavam de provisão feita pela impugnante, e não de notas fiscais pagas para as Cooperativas, em desrespeito ao que dispõe o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 5 7 Descreve que esse fato ocorreu em diversos casos, citando como exemplo as provisões feitas para a COOPERCON – Cooperativa de Trabalho Médico de Contagem e a SANCCOP – Cooperativa de Serviços Médicos Ltda. de Montes Claros. Conclui, diante desses argumentos e de todos os documentos acostados ao processo administrativo, que a contabilização da base de cálculo feita pela fiscalização estaria errada e a onerar indevidamente a impugnante. Comenta, em tópico seguinte, que as condutas descritas pela fiscalização (crime de sonegação de contribuição previdenciária do art. 337A, I e II, do Código Penal) não são suficientes para a descaracterização da contabilidade da empresa e não serve para sustentar a representação fiscal com fins penais em face da impugnante. No tópico da finalidade educativa da multa exigida, a impugnante trata dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, e, em que pese o embasamento legal para a sua aplicação, segundo o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, entende que o patamar de 75% deve ser reduzido, pois não haveria gravidade tamanha que motivasse a pesada multa. Alternativamente, salienta que os valores devem ser decotados em relação a cada lançamento anulado. Conclui, em razão de não existir fraude ou mesmo omissão, e na pendência de decisão definitiva no âmbito administrativo e judicial, ser necessária a anulação das multas excessivas, aplicandose tão somente a multa de acordo com o artigo 61 da Lei 9.430, de 1996, ou, pelo menos, a sua diminuição de modo que guarde proporcionalidade entre a violação da norma jurídica e a sua consequência. Requer a nulidade do auto de infração, eis que, com sua lavratura, em face da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, restou preterido o seu direito de defesa. Requer que seja cancelada a cobrança em vista do caráter inconstitucional. Requer, alternativamente, o cancelamento da exigência fiscal. Requer a exclusão das despesas da base de cálculo, conforme documentos. Requer a produção de todos os meios de prova permitidos, notadamente a documental que ora se junta. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0246.610 da 6ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 373/387, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Confirase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 JURISPRUDÊNCIAS JUDICIAIS E DOUTRINAS. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRATOS COM COOPERATIVAS PARA PAGAMENTO Fl. 442DF CARF MF 8 APÓS ATENDIMENTO. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS RFFP. As jurisprudências judiciais e doutrinas, postas em defesa, não vinculam a Administração, em observância ao princípio da legalidade. Incorre em renúncia ao contencioso administrativo quando a impugnação versa sobre a mesma matéria aduzida perante o Judiciário. Considerando que o momento de impugnação é depois da formalização do crédito tributário, não se pode falar em cerceamento de defesa antes do lançamento fiscal. Nos contratos por custo operacional com Cooperativas de Trabalho da área médica, a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, como serviços efetivamente realizados pelos cooperados, é o valor constante das notas fiscais para pagamento após atendimento. Na instância administrativa, não se discute a RFFP. GFIP GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. APLICAÇÃO DA LEI DE REGÊNCIA. Constitui infração à legislação a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições. Aplicase a legislação de regência, consoante o artigo 144 do CTN, quando a penalidade prevista na lei em vigor não é mais favorável ao contribuinte, de acordo com a alínea “c” do inciso II do art. 106 do mesmo Código. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Do resultado do julgamento, o contribuinte Recorrente foi intimado em 22/08/2013 (fl. 390). Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/09/2013 (às fls. 392/417), argumentando, em síntese, o que segue: (i) Do efeito suspensivo. A Recorrente ajuizou em sua defesa Ação Ordinária em face da União Federal com o desiderato de afastar a incidência da contribuição social, matéria objeto de discussão no caso em comento, prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91. No caso, a mencionada Ação Ordinária ainda está em curso perante a 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais (Processo nº 3309519.2011.4.01.3800 e foi deferida a antecipação dos afeitos da tutela, sendo posteriormente confirmada pela procedência dos pedidos, conforme sentença exarada em 08/11/2012. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 6 9 Portanto, resta evidente que está suspensa a exigibilidade dos créditos tributários cobrados por meio deste Auto de Infração eis que com a sua lavratura restou definitivamente preterido o direito de defesa da impugnante. Narra que o Fisco desconsiderou o fato de que a Recorrente é a empresa tomadora de serviços que celebra os seus contratos com as cooperativas, pessoas jurídicas, que por sua vez estabelece as suas relações com os cooperados, repartindo entre os mesmos os dividendos das operações realizadas. Cita as razões de decidir da sentença proferida pelo Juízo da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais (Processo nº 3309519.2011.4.01.3800, destacando o seguinte trecho: “É evidente que o dever da empresa autora resumese no repasse da remuneração devida ao profissional da saúde, como se particular fosse, quando um terceiro, o segurado, utiliza e beneficiase dos serviços prestados”. Não obstante, argumenta que a Receita Federal entendeu de forma diversa, salientando que há em andamento a ADI 2594 que se encontra pendente de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. Afirma que a própria Procuradoria Geral da República, em 2006, se manifestou pela procedência da referida ADI e a consequente inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Do mesmo modo o STF tem se pronunciado favoravelmente, reconhecendo, inclusive, a repercussão geral do tema. Cita jurisprudência. Defende a aplicabilidade do artigo 62A da Portaria MF nº 586/2010, devendo ser observada pelo CARF. Conclui que resta demonstrado a cobrança desarrazoada, assim como a aplicação da multa em face da Recorrente, vez que se funda em norma carecedora de constitucionalidade, situação que caminha para o reconhecimento a ser feito pelo STF, no caso de provimento da ADI 2594. (ii) Da cobrança indevida. As contribuições destinadas à seguridade social com a finalidade de assegurar os direitos sociais relativos à saúde, à previdência e a assistência social, estão insculpidos no artigo 194 da Constituição Federal. Sua instituição está regulamentada no artigo 195, inciso I, alínea “a” da CF. A Lei nº 8.212/91, denominada Lei Orgânica da Seguridade Social, sistematizou a sua organização, instituindo o plano de custeio e dando outras providências. A Lei Complementar 84/96, estabeleceu que uma das formas de seu financiamento seria com as contribuições dos empregados ou tomadores de serviços, tendo como base de cálculo os valores das respectivas remunerações. Deste modo, ficaram as cooperativas responsáveis pela obrigação de recolher a contribuição social incidente sobre as importâncias pagas, distribuídas ou creditadas aos seus cooperados, prestadores de serviço. Fl. 444DF CARF MF 10 Posteriormente, a Lei nº 9.876/99 introduziu o inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212/91, e revogou a referida LC nº 84/96. Com esta inovação na legislação, a responsabilidade pela contribuição passou a recair sobre os tomadores dos serviços, e não mais as cooperativas que realizam o intermédio. No caso, resta claro que a Recorrente não tem o dever em repassar a remuneração devida ao profissional da área de saúde, como se fosse particular, quando um terceiro, qual seja, o segurado, utiliza e se beneficia com os serviços disponibilizados. Diante disso, resta patente que a prestação dos serviços não são realizados diretamente pela Recorrente. Transcreve jurisprudência. Ademais, é certo que a alteração trazida pela Lei nº 9.876/99 manteve o que dispunha a norma tributária introduzida pela LC nº 84/96, que a base de cálculo da contribuição diz respeito às remunerações dos serviços prestados pelos cooperados a tomadora, por intermédio das cooperativas. Na vigência da LC nº 84/96, o STJ já havia se posicionado no sentido de que a base de cálculo desta contribuição seria o valor dos honorários dos médicos cooperados. Cita jurisprudência. Defende que, tendo a lei estabelecido que a base de cálculo da contribuição será o valor bruto dos serviços prestados para o cálculo do tributo incidente, não deverão ser consideradas outras despesas pagas pela Recorrente às cooperativas que não sejam decorrentes dos serviços. Utilizando o artigo 121 da Instrução Normativa RFB nº 971 de 13 de novembro de 2009, defende que devem ser decotadas as despesas que não sejam decorrentes da prestação de serviços, tais como medicamentos usados nos tratamentos e outras despesas com pacientes, não devendo estes considerados na base de cálculo. Sendo assim, não restam dúvidas de que os valores utilizados pelo Agente Fiscal como base de cálculo para a incidência das referidas contribuições, não retrata verdadeiramente aquele montante sobre o qual deveria incidir a cobrança. Por amostragem, a Recorrente já anexou toda a documentação referente a pagamentos realizados de contratos celebrados com as Cooperativas, dos quais constam pagamentos de outras despesas além daquelas decorrentes de honorários médicos. Por último, defende a suspensão de exigibilidade do crédito tributário tendo em vista a interposição do presente Recurso Voluntário. (iii) Da apuração dos valores faturados. Data venia ao entendimento lançado no acórdão guerreado, cumpre registrar que, de acordo com o que dispõe o citado inciso IV, do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99, a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, deverá recair sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Todavia, após detida consulta e análise das planilhas anexadas ao Auto de Infração, apurou se o Agente Fiscal e considerou como base de cálculo da cobrança da contribuição valores que não se tratavam daqueles efetivamente faturados. De fato, na confecção da planilha referente ao ano de 2006 e na elaboração dos cálculos, o Agente Fiscal lançou valores que se tratavam de provisão feita pela Recorrente, conforme cópia do Livro Razão Analítico de 01/01 a 31/12 de 2006, juntado aos autos e não de Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 7 11 notas pagas para as cooperativas, em evidente desrespeito ao que dispõe o artigo 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, data venia, ao r. decisum da 6ª Turma que não aceitou os argumentos lançados. O fato supracitado ocorreu em diversos casos e por amostragem a Recorrente demonstrou devidamente que se tratava de provisões feitas para a COOPERCON e a SANCOOP. Diante desses argumentos e de todos os documentos acostados ao processo administrativo, está suficientemente demonstrado que a contabilização da base de cálculo feita pelo Agente Fiscal é errática e onera indevidamente a Recorrente, não devendo prosperar a presente cobrança, bem como o acórdão recorrido. (iv) Face o exposto, requer a Recorrente que seja recebido o presente Recurso Voluntário aviado contra a decisão de primeira instância administrativa, vez que interposto no prazo previsto em lei, além da Recorrente ter cumprido com as formalidade legais para que: (a) seja cancelada a cobrança, tendo em vista o seu caráter eminentemente inconstitucional; (b) pelo princípio da eventualidade, acaso rechaçados os pedidos acima, sejam revistos os lançamentos efetuados, sendo julgado este Recurso totalmente procedente, cancelando se a exigência fiscal descrita na autuação; (c) seja excluído da base de cálculos os valores relativos às despesas, conforme alegações e documentos juntados; (d) caso assim entenda o I. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sejam os autos baixados em diligência para a análise da documentação apresentada pela contribuinte a fim de que seja certificada a regularidade e lisura dos procedimentos adotados pela Recorrente no que tange ao recolhimentos das contribuições previdenciárias e tributos reflexos; (e) acaso assim não entenda este I. Conselho de Contribuintes seja determinada a realização de prova pericial contábil inicialmente requerida pela Recorrente, sob pena da inafastável nulidade do Processo Tributário Administrativo, seja pelo cerceamento ao direito de defesa ou pela ausência de certeza e liquidez do lançamento realizado, tendo em vista a utilização de artifício matemático pela fiscalização para a apuração pretenso crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 446DF CARF MF 12 A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 22/08/2013 (fl. 390), e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 11/09/2013 (fls. 392/417), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO a. Da existência de Processo Judicial tratando da mesma matéria. Concomitância. Conforme relatado, a Recorrente tem a seu favor ação própria (Processo nº 3309519.2011.4.01.3800), inicialmente em trâmite perante a 7ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, com antecipação de tutela, suspendendo a cobrança das contribuições previdenciárias previstas nos incisos III e IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, em relação aos serviços prestados pelos profissionais de saúde contribuintes individuais e cooperados em favor dos usuários dos planos de saúde da autora, ora a empresa impugnante. A propósito, peço venia para transcrever trecho da r. Decisão que concedeu a antecipação de tutela (fls. 257/260): “Concluise, enfim, que a autora se restringe a intermediar o serviço de assistência médica e tornálo acessível a pessoas que pagam planos de saúde. O vínculo formado entre a operadora de plano de saúde e os médicos credenciados é peculiar e não implica prestação de serviços propriamente dita, hipótese de incidência da contribuição prevista no artigo 22, III e IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Plausível, pois, a tese defendida na exordial. Vinco que o eg. Superior Tribunal de Justiça tem se posicionado de forma favorável à pretensão da autora, (...).” Posteriormente, às fls. 364/367, a Recorrente informa a existência de sentença de procedência proferida pela então 7ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais. Confirase: “[...] É evidente que o dever da empresa autora resumese no repasse da remuneração devida ao profissional da saúde, como se particular fosse, quando um terceiro, o segurado, utiliza e beneficiase dos serviços prestados. Dessa forma, a prestação dos serviços não é feita diretamente à autora. (...). Sendo assim, reputo indevidas as cobranças do tributo previsto nos incisos III e IV do art. 22 do referido diploma legal no que tange à remuneração dos profissionais de saúde que atendem os usuários dos planos ofertados pela autora, sejam eles contribuintes individuais ou cooperados por intermédio das respectivas cooperativas. III – DISPOSITIVO Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 8 13 Pelas razões expostas, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado para determinar que a ré se abstenha de cobrar as contribuições previdenciárias previstas nos incisos III e IV do art. 22 da Lei 8.212/91 em relação aos serviços prestados pelos profissionais de saúde contribuintes individuais e cooperados em favor dos usuários dos planos de saúde da autora devendo ainda repetir os valores pagos a esse título pela empresa a partir de 22/06/2006 devidamente corrigidos pela SELIC. Determino a manutenção da suspensão da exigibilidade da contribuição social em comento independentemente do trânsito em julgado o que faço com fulcro no art. 520, VII do CPC. Processo sentenciado com resolução do mérito (art. 269, I, CPC).” Em consulta ao andamento processual no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1ª Região – (http://portal.trf1.jus.br/portaltrf1/paginainicial.htm), verifiquei a existência de recurso de apelação interposto pela União (Fazenda Nacional). Todavia, em acórdão da lavra do Desembargador Federal Marcos Augusto de Sousa, por unanimidade, a 8ª Turma do TRF da 1ª Região negou provimento ao apelo e à remessa oficial, em acórdão assim ementado: “Numeração Única: 330951920114013800 APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO 0033095 19.2011.4.01.3800/MG Processo na Origem: 330951920114013800 RELATOR(A): DESEMBARGADOR FEDERAL MARCOS AUGUSTO DE SOUSA APELANTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: CRISTINA LUISA HEDLER APELADO : PROMED ASSISTENCIA MEDICA LTDA ADVOGADO: FELIPE MAGALHAES ROSSI E OUTROS(AS) REMETENTE: JUIZO FEDERAL DA 7A VARA MG EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (ART. 22, III E IV, LEI Nº 8.212/91). OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. VALORES PAGOS A PROFISSIONAIS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (AUTÔNOMOS) E COOPERADOS DA ÁREA DE SAÚDE. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA REITERADA DO STJ E DESTE TRIBUNAL. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. Fl. 448DF CARF MF 14 1. A jurisprudência é pacífica no sentido de que não incide a contribuição prevista no artigo 22, III e IV, da Lei nº 8.212/91 sobre os valores repassados a profissionais contribuintes individuais (autônomos) e cooperados da área de saúde por empresa operadora de planos de saúde. Precedentes do STJ e deste Tribunal. 2. Apelação e remessa oficial não providas. ACÓRDÃO Decide a Turma, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial. 8ª Turma do TRF da 1ª Região – 1º/08/2014.” Por sua vez, em decisão monocrática da Ministra Diva Malerbi (desembargadora convocada do TRF da 3ª região), a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça não conheceu do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional (AREsp nº 874945/MG): “[...] Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, inc. II, "a", do RISTJ, na redação dada pela Emenda Regimental n. 22, de 16 de março de 2016, não conheço do recurso especial.” Em seguida, foi certificado o Transitado em Julgado em 08/08/2016, tornandose definitiva, portanto, a decisão judicial. Cotejando os elementos do processo administrativo, em especial, os itens 3 e 4 do Relatório Fiscal (tratam das contribuições previdenciárias exigidas, da ação judicial com decisão definitiva, e do lançamento para prevenir a decadência), ainda, as planilhas elaboradas pela fiscalização (contribuintes individuais – área médica, e Cooperativas de serviços médicos) com o contido nos julgados judiciais e com a defesa administrativa, vêse que não há distinção de objeto quanto a existir ou não relação jurídica tributária entre a Recorrente, como empresa seguradora de planos de saúde, e a União. Com efeito, a propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Nessa linha de entendimento foi editada a Súmula CARF nº 01: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Sobre os efeitos da renúncia, disciplina o Parecer Normativo Cosit nº 7/2014: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 9 15 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012.” Ante o exposto, considerando que a questão debatida nos presentes autos foi objeto de análise pelo Poder Judiciário, constatase que houve renúncia à esfera administrativa, devido ao trânsito em julgado da ação que declarou a inexistência da relação jurídica tributária, bem como a perda de objeto em relação à matéria remanescente, não se conhecendo, assim, dos argumentos explicitados pelo Recorrente, a teor da previsão contida na Súmula CARF nº 01. Fl. 450DF CARF MF 16 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por perda de objeto, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720072/2008-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3002-000.574
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.720072/2008-11
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5966913
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.574
nome_arquivo_s : Decisao_11020720072200811.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 11020720072200811_5966913.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7629220
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419926331392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1233; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 698 1 697 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.720072/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.574 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2019 Matéria PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. Recorrente SAN MARINO (CHIES CHIES E CIA LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação não fazem parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme o que restou decidido pelo STF, com repercussão geral, no julgamento do RE 606.107/RS. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 72 /2 00 8- 11 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 11020.720072/200811 Acórdão n.º 3002000.574 S3C0T2 Fl. 699 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1046.302 da DRJ/POA, que manteve a glosa de créditos de PIS não cumulativa, com os quais a contribuinte visava o seu ressarcimento, sob o fundamento de que a contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição valores recebidos a título de cessão a terceiros de créditos de ICMS. Analisando as argumentações apresentadas pela contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre julgoua parcialmente procedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. FRETE SOBRE COMPRAS. INSUMOS. Comprovado que os valores glosados se referem a frete sobre compras de insumo, devem ser objeto de ressarcimento, pois compõem o insumo da contribuinte, nos termos da legislação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 645/665), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 11020.720072/200811 Acórdão n.º 3002000.574 S3C0T2 Fl. 700 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O cerne da lide posta nos autos se configura como sendo a obrigatoriedade ou não da inclusão na base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS das receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Assim, devese esclarecer que ocorreu, ao longo do tempo, desde a prolação do Acórdão recorrido uma mudança de entendimento do judiciário sobre esse tema. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 606.107/RS, relatado pela Ministra Rosa Weber, submetido à sistemática do art. 543B do antigo CPC (Repercussão Geral), decidiu que é inconstitucional a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS, conforme se constata da ementa do citado julgamento: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim Fl. 700DF CARF MF Processo nº 11020.720072/200811 Acórdão n.º 3002000.574 S3C0T2 Fl. 701 4 de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 11020.720072/200811 Acórdão n.º 3002000.574 S3C0T2 Fl. 702 5 Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (grifo nosso) Por outro lado, o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do antigo Código Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ......................................................................................................... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, há que se reconhecer o direito da contribuinte à reversão das glosas realizadas. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12179.000585/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA. DASN. ATRASO NA ENTREGA. NEGLIGÊNCIA. IRRELEVÂNCIA.
Cabe a aplicação de multa pelo atraso na entrega quando o sujeito passivo não demonstre haver tomado as providências necessárias dentro do prazo legalmente estabelecido. Desnecessária a caracterização de culpa para a aplicação da multa por descumprimento de dever instrumental.
Numero da decisão: 1401-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente), Carlos André Soares Nogueira (relator), Abel Nunes de Oliveira Neto, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA. DASN. ATRASO NA ENTREGA. NEGLIGÊNCIA. IRRELEVÂNCIA. Cabe a aplicação de multa pelo atraso na entrega quando o sujeito passivo não demonstre haver tomado as providências necessárias dentro do prazo legalmente estabelecido. Desnecessária a caracterização de culpa para a aplicação da multa por descumprimento de dever instrumental.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12179.000585/2010-95
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5963281
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.113
nome_arquivo_s : Decisao_12179000585201095.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12179000585201095_5963281.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente), Carlos André Soares Nogueira (relator), Abel Nunes de Oliveira Neto, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7616540
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419942060032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 74 1 73 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12179.000585/201095 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.113 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2019 Matéria Atraso na entrega de DASN Recorrente LUZMAQ INDÚSTRIA BRASIL DE MÁQUINAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA. DASN. ATRASO NA ENTREGA. NEGLIGÊNCIA. IRRELEVÂNCIA. Cabe a aplicação de multa pelo atraso na entrega quando o sujeito passivo não demonstre haver tomado as providências necessárias dentro do prazo legalmente estabelecido. Desnecessária a caracterização de culpa para a aplicação da multa por descumprimento de dever instrumental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente), Carlos André Soares Nogueira (relator), Abel Nunes de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 17 9. 00 05 85 /2 01 0- 95 Fl. 74DF CARF MF 2 Neto, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de notificação de lançamento de multa isolada por atraso na entrega da Declaração Anual do Simples Nacional DASN relativa ao período de 07 a 12/2007, no valor de R$ 38.705,07. Na instância de piso, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário lançado de ofício foi inteiramente mantido, conforme Acórdão nº 0940.895 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO. DASN. É cabível a aplicação da multa por atraso na entrega da DASN, quando não restar comprovado nos autos que, durante o prazo de entrega, a empresa adotou as medidas necessárias para viabilização da transmissão de sua declaração na sistemática de apuração em que estava enquadrada. Por retratar fielmente os fatos e argumentações até aquela etapa do processo, reproduzo abaixo o relatório elaborado pela DRJ: Trata o presente processo de notificação de lançamento para exigência de multa por atraso na entrega da DASN, referente ao anocalendário 2007, da empresa supra, no valor de R$ 38.705,07. A interessada apresentou impugnação, alegando que: Por Ocasião da entrega da declaração (DASN) referente ao período de julho à Dezembro de 2007, o sistema do Simples Nacional não aceitou a transmissão da mesma uma vez que constava no cadastro da empresa a “data _fim de Opção=01.07.2007 e não 31.12.2007" o que seria correto, pois, durante todo o período foi considerada e recolheu os tributos como optante pelo sistema "Simples'Nacional" (doc. 01) A partir do ocorrido a empresa iniciou o processo de busca de informações sobre o procedimento correto visando a regularização da pendência, ou seja, a entrega da declaração supra citada. Obtidas as informações a empresa protocolizou requerimento de alteração de cadastro em 26.11:2009, gerando o processo administrativo no. 12179.001894/200949, ainda em andamento (doc.02) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 12179.000585/201095 Acórdão n.º 1401003.113 S1C4T1 Fl. 75 3 Numa segunda tentativa de entrega da DASN, a empresa foi informada pela Receita Federal que para ser transmitida deveria fazer constar o numero do Processo Administrativo anteriormente citado. Isto feito a DASN foi transmitida em 25.03.2010 e automaticamente emitida a Notificação de Lançamento (doc. 03). (...) A empresa desde o momento que tomou ciência da não transmissão da DASN, buscou por todos os meios regularizar a situação pendente. Caso não houvesse o erro de cadastro, a "data: de fim de opção", a DASN teria sido transmitida regulamente. Finalmente, a empresa não negligenciou suas obrigações fiscais. No recurso voluntário, a contribuinte reiterou os argumentos da impugnação, destacando que não teria ocorrido negligência da empresa, mas falha no cadastro na ocasião da opção pelo regime do Simples Nacional. Alegou que, chegou a apresentar uma Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao período de 07 a 12/2007, com opção pelo Lucro Presumido. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Assim, dele tomo conhecimento. A controvérsia instaurada diz respeito ao cumprimento tempestivo do dever instrumental de apresentação da Declaração Anual do Simples Nacional DASN relativa ao segundo semestre de 2007. De um lado, resta incontroverso nos autos que a declaração foi entregue com atraso. De outro, alega a contribuinte que teria ocorrido um equívoco no cadastro do Simples Nacional que teria impedido o envio da declaração dentro do prazo determinado pela legislação de regência. Não teria ocorrido, portanto, negligência da contribuinte. A posteriori, foi protocolado processo para corrigir o cadastro (26/11/2009) e a declaração foi enviada (25/03/2010). De início, impende destacar que o dever instrumental de entrega da declaração foi instituído por meio do disposto no artigo 25 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. Quanto ao prazo de entrega da DASN relativa ao segundo semestre de 2007, este foi determinado por meio da Resolução CGSN nº 10, de 28 de junho de 2007. O artigo 14 da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional, com redação dada pela Resolução CGSN Fl. 76DF CARF MF 4 nº 33, de 17/03/2008, dispôs que, excepcionalmente, a declaração relativa aos fatos geradores ocorridos no segundo semestre de 2007 devia ser entregue até 30 de junho de 2008. Como se pode constatar, a DASN, que deveria ter sido entregue até 06/2008, foi entregue somente em 03/2010. Uma vez descumprido o dever instrumental, temse a hipótese de instituição de multa, conforme norma de estrutura veiculada pelo § 3º do artigo 113 do CTN, que assim dispõe: "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária". Sobre o tema, ensina Leandro Paulsen: A impropriamente chamada conversão depende de previsão legal específica, estabelecendo pena pecuniária para o descumprimento da obrigação acessória. Ou seja, não há uma conversão automática em obrigação principal. O que ocorre, sim, é que o descumprimento da obrigação acessória normalmente é previsto em lei como causa para a aplicação de multa, esta considerada obrigação principal nos termos do § 1º deste artigo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário comentados à luz da doutrina e da jurisprudência. 18 ed. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 941) No caso em tela, a norma que prevê a multa por atraso na entrega encontrase no artigo 30 da citada Lei Complementar nº 123. Quanto à alegação da contribuinte de que não teria havido negligência, valem os ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho: Também podem classificarse as infrações tributárias, consoante haja ou não referência à participação subjetiva do agente, na descrição hipotética da norma. Teremos, assim, as infrações subjetivas e objetivas. Infração subjetiva é aquela para cuja configuração exige a lei que o autor do ilícito tenha operado com dolo ou culpa (esta em qualquer de seus graus) [...] As infrações objetivas, de outra parte, são aquelas em que não é preciso apurarse a vontade do infrator. Havendo o resultado previsto na descrição normativa, qualquer que seja a intenção do agente, dáse por configurado o ilícito.(Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 23ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 595) Tratase, no caso sob análise, de infração objetiva, sujeita às normas atinentes ao Direito Administrativo. É irrelevante se o contribuinte agiu com culpa (negligência) para a caracterização da hipótese de incidência da regra que institui a penalidade pecuniária. Ocorrendo o atraso na entrega, incide a multa. Concluise pelos fatos narrados nos autos que o atraso não foi causado pela Administração Tributária. Ademais, é de se afastar a argumentação de que teria havido a tentativa de entrega tempestiva da declaração, pois dessa tentativa o contribuinte não faz prova. Conforme Fl. 77DF CARF MF Processo nº 12179.000585/201095 Acórdão n.º 1401003.113 S1C4T1 Fl. 76 5 os elementos que constam dos autos, as providências para solução do erro no cadastro e para a transmissão da declaração foram tomadas após o prazo de entrega da declaração. Também não há que se considerar a entrega de DIPJ com opção pelo Lucro Presumido. Afinal, tratase de dever instrumental distinto daquele ao qual a contribuinte estava obrigada. A entrega de DIPJ, ao invés de configurar o cumprimento do dever instrumental ao qual a contribuinte está obrigada, em verdade, leva à Administração Tributária uma informação distinta da realidade, pois a contribuinte havia apurado seus tributos com base na sistemática do Simples Nacional e não de acordo com as normas a que estão obrigadas as empresas fora desse sistema. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e manter integralmente o crédito tributário. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.013401/99-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998
IRRF. DIVIDENDOS. COMPENSAÇÃO:
Nos termos da legislação, o IRRF sobre dividendos somente é compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses.
Numero da decisão: 1302-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, substituído no colegiado pelo conselheiro suplente (convocado) Edgar Bragança Bazzumi.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flavio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado).
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 IRRF. DIVIDENDOS. COMPENSAÇÃO: Nos termos da legislação, o IRRF sobre dividendos somente é compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13807.013401/99-91
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946558
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.309
nome_arquivo_s : Decisao_138070134019991.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 138070134019991_5946558.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, substituído no colegiado pelo conselheiro suplente (convocado) Edgar Bragança Bazzumi. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Flavio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7566582
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419967225856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 203 1 202 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.013401/9991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.309 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria IRRF Recorrente Nova América Representações Administração e Participação Ltda. Recorrida Fazenda Nacioanl ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 IRRF. DIVIDENDOS. COMPENSAÇÃO: Nos termos da legislação, o IRRF sobre dividendos somente é compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, substituído no colegiado pelo conselheiro suplente (convocado) Edgar Bragança Bazzumi. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flavio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 34 01 /9 9- 91 Fl. 204DF CARF MF 2 Relatório Tratase, o presente processo, de pedido de restituição de crédito de IRRF protocolizado pelo contribuinte, ora Recorrente, Nova América Representações Administração e Participação Ltda., em 09/11/1999. O crédito tributário objeto da restituição se refere a Imposto de Renda retido no pagamento de dividendos recebidos durante o período de 1994 a 1998 (fl. 01), cujo valor original é de R$ 719.993,91. Nos termos do Despacho Decisório de fl. 95/97, o pedido do contribuinte foi indeferido, sob o argumento de que IRRF objeto do pedido só poderia ser compensado com Imposto de Renda que a Pessoa Jurídica tivesse que recolher relativo à distribuição de seus dividendos e lucros. Assim, entendeuse que, no caso de ausência de distribuição de lucros, como o próprio contribuinte declarou, a "tributação é considerada definitiva". Não concordando com tal decisão, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram assim sintetizados pelo Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP): • Em não tendo distribuído lucro, no período de 1994 a 1995, e, não ter apurado IR a pagar na declaração de rendimentos, não restou outra opção sendo apresentar pedido de restituição dos referidos valores; • A compensação nada mais é do que uma espécie do gênero restituição e, portanto, no presente caso, assiste razão à contribuinte quanto ao seu pedido de restituição dos valores retidos na fonte; • Cita o ADN COSIT no 31/1999, o qual dispõe sobre a possibilidade de restituição de saldos negativos de IRPJ e CSLL; • A requerente não estava obrigada a distribuir dividendos e, ademais, não poderia o Fisco se apropriar do referido valor por caracterizar enriquecimento indevido; • A partir da Lei n° 9.249/95 as distribuições de dividendos e lucros passou a ser isenta de IR e, dessa forma, os montantes antecipados a titulo de IRRF não poderiam ser recuperados a partir de então; • Em virtude disso, deverseá interpretar a legislação de forma sistemática a fim de possibilitar a restituição pleiteada nos presentes autos; • Enfim, solicita a procedência integral de seu pedido. Contudo, aquela Delegacia entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do Recorrente, recebendo a seguinte ementa o acórdão proferido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13807.013401/9991 Acórdão n.º 1302003.309 S1C3T2 Fl. 204 3 IRRF sobre DIVIDENDOS. O IRRF sobre dividendos somente é compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Ao ser intimado da decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, renova os argumentos e as razões recursais anteriormente apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Há de se ressaltar, ainda, que originariamente estes autos foram distribuídos para a 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Contudo, nos termos do despacho de fls. 194 e 195, o relator daquela Seção, com o "de acordo" da Presidente da Turma, entendeu que a competência para análise do presente feito seria da 1ª Seção de Julgamento. Assim, os autos foram distribuídos a este relator. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE E DA COMPETÊNCIA. Como se denota dos autos, o Recorrente teve ciência do acórdão, via AR (fl. 159v), no dia 07/08/2008, apresentando o seu Recurso Voluntário no dia 05/09/2008 (fl. 160), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. No que tange à competência desta Seção de julgamento, a controvérsia, como mencionado no relatório acima, foi solucionada através do despacho de fls. 194 e 195. Portanto, sem maiores delongas, por ser tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado. DA COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Como relatado acima, a discussão do presente processo está arrimada na possibilidade de ser deferido pedido de restituição de crédito tributário de IRRF retido quando do pagamento de dividendos recebidos pela participação societária em outras entidades. Em seu arrazoado, o Recorrente alega (i) que comprovou as retenções sofridas com os "informes de rendimentos pagos ou creditados emitidos pelas fontes pagadoras dos dividendos, demonstrativos dos cálculos dos valores a serem restituídos e Fl. 206DF CARF MF 4 cópias dos livros razão"; (ii) que tem direito à restituição "das antecipações não absorvidas por oportunidade do ajuste, seja na modalidade compensação ou restituição em espécie". No que tange à primeira alegação, de fato, ao contrário do que restou decidido pela DRJ, a comprovação do direito creditório, no caso da retenção na fonte, é feita com os informes de rendimentos, devidamente emitidos pelas fontes pagadoras. E, no presente caso, o próprio Despacho Decisório atesta essa comprovação. Vejase trecho daquela decisão neste sentido: À fl. 03, o postulante demonstra a origem do valor que pretende seja restituído, comprovando estes valores com as cópias dos informes de rendimento juntados As fls. 04/13. A pesquisa ao sistema IRF/cons (extrato fls. 76/85) confirma estes informes e indica que as retenções foram efetuadas no código 4424 que se refere, precisamente, a rendimentos de ações, quotas ou quinhão de capital — lucros apurados no período de 1°/01/94 a 31/12/95. Assim, entendese que, como a apresentação dos informes de rendimentos, cujas as retenções foram posteriormente confirmadas pela DRF, não há dúvidas de que houve a comprovação dos valores retidos. Contudo, com relação à restituição em espécie desses valores, em que pese se concordar com a irresignação do contribuinte, na via estreita do julgamento do processo administrativo tributário, não se pode superar vedação expressa de lei neste sentido. É que, no presente caso, a lei vigente à época era bem clara no sentido de que os valores retidos a título de IRRF, quando do pagamento de dividendos, só poderiam ser compensados com IRRF incidente na distribuição de lucros e dividendos. Assim, não há reparos a se fazer no que restou decido pela DRJ, adotandose no presente voto, como autorizado pelo § 3, do artigo 57 do RICARF, os fundamentos constantes daquele acórdão, que são abaixo transcritos, in verbis: Quanto ao mérito, cabe esclarecer que o imposto de renda regularmente retido na fonte não pode ser compensado com outros tributos ou contribuições nem objeto de restituição. De acordo com o art. 12 da Instrução Normativa n.° 21, de 10 de março de 1997, do Secretário da Receita Federal (IN SRF n.° 21, de 1997, alterada pela IN SRF n.° 73/97), só podem ser utilizados para compensação com débitos da contribuinte, em procedimento de oficio ou a requerimento do interessado, os créditos de que tratam os seus arts. 2° transcritos: "Art. 2° Poderão ser objeto de pedido de restituição os créditos decorrentes de qualquer tributo ou contribuição, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13807.013401/9991 Acórdão n.º 1302003.309 S1C3T2 Fl. 205 5 III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O IRRF não se enquadra em nenhum dos casos, nem mesmo no do inciso I do art. 2° (pagamento indevido ou a maior). No caso especifico do presente pleito cabe ressalvar que os recolhimentos efetivados do Imposto de Renda na Fonte são devidos, na forma da lei, e não dão ensejo de per si à restituição/compensação. Os dividendos e lucros apurados durante os anoscalendário de 1994 e 1995 serão tributados à aliquota de 15% sendo que o imposto retido poderá ser deduzido do IR a pagar ou sofrer tributação exclusiva ou definitiva (RIR199): "Art.655.0s dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, relativos aos lucros apurados nos anos calendário de 1994 e 1995, quando pagos ou creditados a pessoas fisicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no Pais, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte aliquota de quinze por cento (Lei n 2 8.849, de 1994, art. 22, e Lei n2 9.064, de 1995, art. 12). Tratamento Tributário Art. 656.0 imposto descontado na forma do artigo anterior será (Lei n2 8.849, de 1994, art. 22, §12, e Lei n2 9.064, de 1995, art. 2º): 1deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa fisica, assegurada a opção pela tributação exclusiva; II considerado como antecipação, compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações ern dinheiro, lucros e outros interesses; III definitivo nos demais casos. §1º A compensação a que se refere o inciso 11 poderá ser efetuada corn o imposto, que a pessoa jurídica tiver que recolher, relativo à retenção na fonte sobre a distribuição de lucros ou dividendos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior (Lei n 2 8.849, de 1994, art. 22, §22, e Lei n2 9.064, de 1995, art. 22). §2º A incidência prevista nesta Subseção alcança, exclusivamente, a distribuição de lucros apurados na escrituração comercial por pessoa jurídica tributada corn base no lucro real (Lei n2 8.849, de 1994, art. 22, §42, e Lei n2 9.064, de 1995, art. 22).". De acordo com o referido dispositivo, somente são compensáveis o IRRF sobre lucros e dividendos os quais tiverem sido Fl. 208DF CARF MF 6 distribuídos. Dessa forma, em não se caracterizando a distribuição de lucros ou dividendos, a tributação é definitiva, sem possibilidade de compensação. Cabe lembrar que a restituição é vedada no presente caso, tendo em vista que, somente é admitida a compensação com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada no regime do lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, inclusive com os retidos com os valores pagos ou creditados a titulo de juros remuneratórios do capital próprio (Leis n° 8.894/94, art.2°, 9.064/95, art.2°; 9.249/95, art.10e IN SRF n° 12/99, art.2°). Quanto à utilização dos saldos negativos apurados na declaração de rendimentos, prevê o Ato Declaratório SRF n.° 003, de 07 de janeiro de 2000 (DOU de 11/01/2000), conjugando o entendimento da Lei n.° 9.249/95 e Lei n.° 9.430/96, que "os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituidos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." Somente o saldo negativo apurado na declaração de rendimentos pode ser objeto de restituição ou compensação com tributos administrados pela SRF não sendo extensível ao IRRF sobre dividendos e lucros, os quais somente poderão ser deduzidos do IR a pagar, caso tenham sido distribuídos, e gerar, por conseqüência, saldo negativo passível de restituição. Não é o que ocorre no presente caso . Por fim, não se pode dar guarida ao argumento do contribuinte de que a compesação do tributo se equipara à restituição. A compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso III do Código Tributário Nacional e o próprio CTN fala, em seu artigo 170, que a "lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". E, no presente caso, como demonstrado, o legislador limitou as possibilidades de compensação do IR retido quando do pagamento de dividendos. E mais: entendeuse que a tributação se tornaria definitiva caso não houvesse com o que compensar o tributo. Em que pese os bem articulados argumentos do contribuinte, não há como superar a barreira legal na esfera administrativa. Este papel, se for o caso, como sabido, é do Poder Judiciário. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13807.013401/9991 Acórdão n.º 1302003.309 S1C3T2 Fl. 206 7 Por todo exposto, NEGASE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Recorrente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910155/2012-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.910155/2012-11
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964073
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.080
nome_arquivo_s : Decisao_13896910155201211.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCIO ROBSON COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 13896910155201211_5964073.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7618168
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419982954496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 244 1 243 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.910155/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.080 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente JPTE ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 55 /2 01 2- 11 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13896.910155/201211 Acórdão n.º 3003000.080 S3C0T3 Fl. 245 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 21581.64700.200412.1.3.048130 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 17.333,88, referente ao período de apuração (PA) de jul/09. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão, acórdão nº. 09 47.510, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13896.910155/201211 Acórdão n.º 3003000.080 S3C0T3 Fl. 246 3 confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13896.910155/201211 Acórdão n.º 3003000.080 S3C0T3 Fl. 247 4 O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No presente caso o contribuinte transmitiu a DCOMP descrita no relatório acima e indicou a existência de crédito em razão de pagamento a maior. A auditoria fiscal ao analisar a DCOMP transmitida, verificou que não havia o saldo pretendido, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, diante desse fato foi publicado o Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Importa observar que a retificação da DCOMP foi em data posterior ao despacho decisório. Tal procedimento foi validado pelo Parecer Normativo COSIT Nº 2, de 28 de agosto de 20151, contudo, a produção da prova relacionada a essa retificação deve ser realizada de forma minuciosa, como veremos no decorrer deste voto. A impugnação sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração 1 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13896.910155/201211 Acórdão n.º 3003000.080 S3C0T3 Fl. 248 5 contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13896.910155/201211 Acórdão n.º 3003000.080 S3C0T3 Fl. 249 6 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, conforme bem evocado no Recurso Voluntário, e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/722. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF e assim não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13896.910155/201211 Acórdão n.º 3003000.080 S3C0T3 Fl. 250 7 homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, das notas fiscais acostadas não se pode presumir a causa do que deu consequência a retificação, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas na retificação da DCTF o Parecer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa", sendo conveniente dizer que do mesmo modo os poderia ter juntado aos autos no momento oportuno, mas não o fez, ocorrendo a preclusão. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13896.910155/201211 Acórdão n.º 3003000.080 S3C0T3 Fl. 251 8 Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Márcio Robson Costa Relator Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
