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Numero do processo: 10880.987783/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 83 /2 01 2- 67 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987783/201267 Acórdão n.º 1401001.965 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987783/201267 Acórdão n.º 1401001.965 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987783/201267 Acórdão n.º 1401001.965 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.010743/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano calendário:2010
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS. EXCLUSÃO
Identificada a existência de débito e não comprovada a suspensão de sua exigibilidade, impõe-se a exclusão do Simples Nacional, nos termos da legislação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1401-000.632
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano calendário:2010 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS. EXCLUSÃO Identificada a existência de débito e não comprovada a suspensão de sua exigibilidade, impõe-se a exclusão do Simples Nacional, nos termos da legislação. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS. EXCLUSÃO Identificada a existência de débito e não comprovada a suspensão de sua exigibilidade, impõese a exclusão do Simples Nacional, nos termos da legislação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão os seguintes Conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 48DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10730.010743/201087 Acórdão n.º 140100.632 S1C4T1 Fl. 2 2 Relatório O relatório da decisão proferida no âmbito da DRJ do Rio de Janeiro é elucidativo, pelo que o adoto, a saber: Através do Ato Declaratório Executivo DRF/NIT n° 431.535 — (fls 15), de 01 de setembro de 2010, a pessoa jurídica "Oklashop Calçados Ltda" foi excluída do Simples Nacional. A causa da exclusão foi o fato de " possuir débitos do regime especial, com exigibilidade não suspensa, ... conforme disposto no inciso V do art 17 da Lei Complementar 123, de 12/12/2006 e na alínea "d" do inciso II do art 3" combinado com o inciso I do art 50, ambos da Resolução CGSN n" 15, de 23/07/2007" A discriminação dos débitos tidos como pendentes consta das fls 15. Cientificada do Ato Declaratório em 21/09/2010 (fls 16), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 01/14, protocolada em 21/10/2010, na qual alega a seu favor que: • a legislação que serviu de base ao Ato Declaratório de Exclusão trata das vedações Aqueles que desejam ingressar no Simples Nacional. Não se aplica para fins de excluir os que já aderiram ao regime de tributação simplificado; • a Lei Complementar 123/06 prevê, no capitulo IV, seção VIII, as hipóteses que autorizam a exclusão do Simples Nacional. Tais hipóteses são exaustivas; • o Ato Declaratório de Exclusão constitui ofensa ao principio da legalidade, ao principio do tratamento favorecido para as micro/pequenas empresas e ao principio da capacidade contributiva; • a interessada efetuou o parcelamento de seus débitos nos termos da Lei 11.941/09; Em julgamento, a DRJ recorrida entendeu pelo indeferimento do pleito da Recorrente, com os seguintes argumentos, in litteris: Nos termos dos artigos 29, inciso I, e 30, inciso II, da Lei Complementar 123/2006, a exclusão da pessoa jurídica do Fl. 49DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10730.010743/201087 Acórdão n.º 140100.632 S1C4T1 Fl. 3 3 Simples Nacional darseá por iniciativa ou de oficio, sempre que ocorrerem quaisquer das situações de vedação previstas naquela Lei. A existência de débitos, justamente, uma destas situações, conforme art 17, inciso V, da norma em comento, faltando, portanto, fundamento a alegação da interessada de que sua ocorrência poderia justificar tão somente vedação ao ingresso, mas não a exclusão do Sistema de Tributação Simplificado. A alegação de defesa de que teriam sido incluídos no parcelamento previsto na Lei 11.941/09 os débitos apontados no Ato Declaratório recorrido também não justifica a revisão do referido ato. Se não, vejamos. Nos termos do art 1°, § 2°, da Lei 11.941/09, só podem ser integrados ao parcelamento nela previsto débitos com vencimento até 30/11/2008. Não é este, porém, o caso dos débitos nos valores de R$ 34.612,20 e R$ 38.077,30, referentes aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2008, apontados no despacho recorrido como pendentes de quitação. Diante do exposto, as alegações de defesa da interessada não a beneficiam no caso concreto. Faço ainda constar que não ha registro, nos arquivos eletrônicos da RFB, de que tenham sido realizados os pagamentos tidos como faltantes, razão pela qual concluo por ratificar o Ato Declaratório Executivo DRF/NIT 431535/2010 (fls 15). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITOS. A alegação de adesão ao parcelamento de que trata a Lei 11.941/09 não assiste à pessoa jurídica cuja exclusão do Simples Nacional tenha decorrido de débitos com vencimentos posteriores a 30/11/2008. Inconformada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em que renova os argumentos da peça impugnatória, acrescentando que, com relação aos meses do débito não contemplados pelo parcelamento da lei nº 11.941, restou demonstrada sua boafé e intenção de saldar o débito. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10730.010743/201087 Acórdão n.º 140100.632 S1C4T1 Fl. 4 4 É o relatório Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O recurso é tempestivo e atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. O art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 dispõe que haverá exclusão de ofício do Simples Nacional sempre que houver a falta de comunicação da exclusão obrigatório. Vejase o dispositivo, in verbis: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Por outro lado, o artigo 30 da mesma lei complementar impõe a exclusão obrigatória sempre que o contribuinte incorrer em qualquer situação de vedação nela previstas. Leiase a lei: Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: (...) II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; Por fim, o art. 17, inciso I do mesmo diploma, veda o recolhimento de impostos e contribuições no âmbito do Simples Nacional às empresas que possuam débitos com as Fazendas Públicas cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vejase: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: Fl. 51DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10730.010743/201087 Acórdão n.º 140100.632 S1C4T1 Fl. 5 5 V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Está, pois, perfeitamente enquadrada a hipótese de exclusão do Simples Nacional da forma como disposto no ato declaratório executivo nº 431535, de 1º de setembro de 2010. Com relação ao argumento de existência de boafé da Recorrente com adesão ao parcelamento da leio nº 11.941, temse que este elemento é, ou deveria ser, requisito essencial de toda a relação entre particulares e entre o particular e o Poder Público, não podendo ser tomado como elemento suficiente para afastar o fato objetivo: existiam débitos sem exigibilidade suspensa suficientes para embasar o ato de exclusão do Simples Nacional. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 52DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
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Numero do processo: 13896.721403/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
IPI. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL POR OPÇÃO. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO. ALTERAÇÃO CADASTRAL JUNTO AO CNPJ. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA.
A opção de equiparação a estabelecimento industrial deve ser formalizada por meio de alteração dos dados cadastrais junto ao CNPJ. Na ausência de tal formalização, não há que se falar no exercício dessa opção, e, consequentemente, na exigência de IPI do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1301-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar prejudicado o exame do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL POR OPÇÃO. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO. ALTERAÇÃO CADASTRAL JUNTO AO CNPJ. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA. A opção de equiparação a estabelecimento industrial deve ser formalizada por meio de alteração dos dados cadastrais junto ao CNPJ. Na ausência de tal formalização, não há que se falar no exercício dessa opção, e, consequentemente, na exigência de IPI do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar prejudicado o exame do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 03 /2 01 3- 23 Fl. 5352DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.353 2 Relatório REAL VET COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA (contribuinte), NEWTON TULLI, MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA GRAJCAR, AILTON MARRON e MARRON ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA (coobrigados) recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1449.634 proferido pela 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou parcialmente procedentes as impugnações apresentadas, exonerando parcela da exigência em razão do reconhecimento de decadência referente ao crédito tributário dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a outubro de 2007. Em razão do montante de tributos e juros exonerados, o Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 03, 03 de janeiro de 2008, haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Ressaltese que mesmo com o advento da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que elevou o limite para interposição de recurso de ofício para R$ 2.500.000,00, o montante exonerado ainda exige novo pronunciamente desta Corte Administrativa. Tratase de exigência reflexa de IPI decorrente de lançamento de IRPJ em razão de suposta omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) encontrase formalizada no processo 13896.721402/201389. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final. Tratase de impugnação ao auto de infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe, no montante de R$ 13.261.690,58 (inclusos juros de mora e multa de ofício agravada e qualificada), em decorrência das seguintes infrações: 1) PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI RECEITA NÃO COMPROVADA / OMISSÃO DE RECEITA O estabelecimento industrial ou equiparado a industrial deu saída a produtos tributados sem o lançamento do imposto, fato verificado através da constatação da ocorrência de omissão de receitas, apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, o que caracteriza saídas não registradas. 2) PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE Fl. 5353DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.354 3 PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI CARACTERIZAÇÃO DE EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) de produtos tributados de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial. 3) PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI E SEM A INFORMAÇÃO DO CÓDIGO NCM CARACTERIZAÇÃO DE EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL Falta de lançamento de imposto nas saídas de produtos tributados de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial. 4) IPI LANÇADO E NAO ESCRITURADO FALTA DE DECLARAÇÃO/ RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) O estabelecimento industrial ou equiparado a industrial não efetuou a escrituração das notas fiscais nos prazos estabelecidos pela legislação nem recolheu o imposto correspondente, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. O procedimento de fiscalização e as conclusões dele decorrentes foram relatadas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 4578 a 4599. Segundo o relato da autoridade fiscal, a contribuinte não apresentou DIPJ relativa ao anocalendário de 2007, DCTF e Dacon relativas ao 1º semestre daquele ano calendário, apresentou DCTF do 2º semestre sem débitos a recolher e Dacon do 2º semestre com fichas em branco. Informou o fisco que não houve qualquer recolhimento de tributo no citado anocalendário. Constatou a fiscalização que a contribuinte declarou ao Fisco Estadual o valor de R$ 10.038.137,55. A fiscalização, tendo em vista que a contribuinte e o sócioadministrador não foram encontrados nos endereços constantes no cadastro do CNPJ, intimou os clientes do sujeito passivo para apresentarem as notas fiscais, contratos, orçamentos e propostas, que comprovassem as compras feitas da contribuinte. Tais documentos revelaram o auferimento de receita no montante de R$ 31.780.571,13. Intimouse, também, os fornecedores a apresentar os comprovantes (notas fiscais, contratos, orçamentos e propostas) das vendas efetuadas para a contribuinte. À contribuinte foi solicitada a apresentação dos extratos da movimentação financeira de todas as contas correntes, de poupança, de investimentos, vinculadas ou garantidas, mantidas no anocalendário de 2007. Como não houve atendimento por parte do sujeito passivo, foi expedida RMF para o Banco do Brasil e Bradesco requisitando tais extratos, os quais foram analisados e a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos valores creditados nas contas bancárias. Fl. 5354DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.355 4 Posteriormente, com o intuito de identificar os reais beneficiários da movimentação financeira efetuada pelo sujeito passivo, foi rastreado o destino dos recursos representados por cheques descontados e/ou sacados na boca do caixa, através da análise das fitas – detalhe de movimentação de caixa. A análise dos documentos obtidos permitiram a identificação de diversas pessoas físicas e jurídicas que se relacionaram com o sujeito passivo no período, isto é, receberam ou enviaram recursos para a contribuinte. Foi apurada omissão de receita da atividade e omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Foi lavrado, então, o auto de infração em comento, com exigência da multa de ofício de 225% e foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de Maria José de Oliveira Grajcar, Ailton Marron, Marron Administração e Participação Ltda., Newton Tullii, Abílio Trindade Domingos. Regularmente cientificado da autuação, Newton Tulli por meio de seu representante legal, apresentou impugnação (fls.4780 a 4816) na qual alegou, em suma: Como a empresa poderia cumprir a exigência de apresentar documentos se estava sendo intimada em local que se sabe não estar estabelecida. Ademais, os sócios e ex sócios não foram citados por edital para fornecer os documentos ou constatar se são pessoas interpostas. É cediço que a citação por edital somente deve ser feita por exceção e não com a habitualidade sistemática realizada pelo fisco. Se o fisco fosse coerente em suas decisões, teria diligenciado cautelosamente, para localizar os sócios, mas para estes basta o retorno de um AR para fazer a citação por edital. É tradição, por ser pilar do estado democrático de direito, a proteção constitucional, em capítulo pétreo, dos direitos e garantias individuais dos cidadãos, no que se insere, dentre tantos outros, o direito à preservação da intimidade e privacidade. As informações financeiras e bancárias são de cunho íntimo e privado do cidadão, são invioláveis e se inserem no conceito de "dados" a que faz menção o inciso XII, do art. 5o, da CF/88. O Poder Judiciário é quem possui a isenção para exercer o mister de, no confronto entre princípios tão caros quanto o Direito a Intimidade e Privacidade e o Interesse Público, aferir qual deles deverá ceder espaço ao outro, quebrando o sigilo bancário quando o interesse público se sobrelevar. Quando se passa ao fisco os detalhes e minúcias da relação havida entre o contribuinte e a instituição financeira, se está a divulgar dados a terceiro, eis que o fisco aí é terceiro. 96. Esta revelação, quando se dá sem a autorização docontribuinte, que é o titular da intimidade e privacidade devassada, caracteriza e materializa a VIOLAÇÃO AO DIREITO À INTIMIDADE, PRIVACIDADE E SIGILO BANCÁRIO. Quando isso ocorre (banco transfere os dados ao Fisco) violase a intimidade e privacidade do contribuinte, bem como o seu sigilo bancário, mesmo que o fisco mantenha sigilo sobre as informações recebidas. Fl. 5355DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.356 5 Por tudo isso se espera que o Nobre Julgador entenda por ilegal a quebra indevida do sigilo e julgue o presente auto de infração nulo, uma vez que as provas obtidas foram feitas em desacordo com a Carta Magna, devendo estas provas serem desconsideradas, pois adquiridas do forma ilegal, tendo por base a tese da árvore do fruto envenenado, ilegal por derivação. Mesmo que sejam aceitas tais provas, o fisco cometeu outro deslize, atribui à sujeição passiva a todos indiscriminadamente, sem individualizar suas condutas, e sem lhes atribuir à interposição/falta de recolhimentos de impostos de forma individual. É sabido por todos, que somente determinada pessoa pode responder efetivamente pelo que efetivamente cometeu, no presente caso, se o Impugnante foi interposta pessoa e deixou de recolher determinado tributo somente por este pode responder. A responsabilidade depende da intenção, o que torna (em princípio) irrelevante a presença de dolo, devendo ser apontada a vontade consciente de adotar a conduta ilícita. No presente caso, quanto ao Impugnante é evidente que este não descumpriu a lei, e se há eventual descumprimento se deveu a razões que escaparam a seu controle (terceiros), a infração não está caracterizada, não cabendo, pois, falarse em responsabilidade passiva solidária. O fisco atribuiu sujeição passiva a todos indiscriminadamente, sem individualizar suas condutas, e sem lhes atribuir à interposição/falta de recolhimentos de impostos de forma individual. No presente caso, se o Impugnante foi interposta pessoa e deixou de recolher determinado tributo somente por este pode responder. É evidente que o impugnante não descumpriu a lei, e se há eventual descumprimento se deveu a razões que escaparam a seu controle (terceiros), a infração não está caracterizada, não cabendo, pois, falarse em responsabilidade passiva solidária. Ademais, não conseguiu o fisco comprovar conluio entre as partes, tampouco qualquer tipo de laço entre estes. Quanto à falta de escrituração contábil, nenhuma responsabilidade possui o Impugnante, pois esta é única e exclusiva dos sócios, sendo este apenas assistente de diretoria, que apenas cumpria ordens, cabendo aos sócios tal responsabilidade. Afirmou a RFB no Auto de Infração, que o Impugnante era procurador da empresa (impugnante), endossou cheques, e ainda, um fornecedor informou ter este recebido pagamento por cheque destes, que não foram depositados na conta da Real, sendo depositados na conta de terceiros, chegando o fisco à conclusão que estes foram utilizados em seu proveito. Estas conclusões são descabidas e não podem prosperar. Sendo assistente de diretoria gozava de confiança para executar determinadas ordens, a mando dos sócios da empresa. Por esse motivo, somente na conta junto ao Banco do Brasil lhe foi outorgado poderes para movimentar a conta, quando necessário, porém, sempre com o consentimento e aval dos sócios. Fl. 5356DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.357 6 Em que pesem todas as alegações do fisco, mesmo que o Impugnante tenha endossado documentos, não há qualquer prova que indique qualquer vantagem financeira ou indevida. Se o Impugnante tinha uma procuração para movimentação bancária, de acordo com os documentos juntados ao processo pela fiscalização, estas foram realizadas para compromissos da empresa Real, e se houve qualquer desvio de finalidade são os sócios que devem responder, pois o Impugnante agia a mando destes. Os documentos acostados ao processo são provas cabais que não houve qualquer vantagem, e caso Vossa Senhoria não tenha se convencido, é de suma importância, sob pena de cerceamento do direito de defesa, a realização de perícia para constatar se os cheques supostamente endossados pelo Impugnante tiveram como destino sua conta bancária e consequente proveito econômico. Da mesma forma, se faz necessário diligenciar para encontrar os sócios, pois não é admissível que pela análise de documentos enviados pelo Estado da Bahia, que fornece "indícios" que são pessoas com baixo grau de instrução, e pior, ao ler um papel afirma veementemente que estes são pessoas simples. Quanto ao Sr. Alessandro agiram da mesma forma. Inicialmente alegam que como foi registrado em uma empresa de dedetização em 2009, isso o isenta de ter obtido proveitos na empresa de sua propriedade (Real). Para acusar o impugnante injustamente, aduz que este ainda hoje trabalha no ramo químico (veterinário), porém, ignora outra empresa aberta no mesmo ramo de atividade da Real. Resta claro que o Sr. Alessandro deve ter, em determinado momento, abandonado as atividades da Real e migrado seus negócios para a Nova Aliança. Outro fator interessante, e que passou despercebido pela fiscalização, é o Sr. Alessandro ter assinado dezenas de cheques, mas mesmo assim, não teve qualquer proveito financeiro, nem administrou, gerenciou ou teve qualquer atividade na Real, conforme pode ser constatado a partir da fl. 552 do processo. Do mesmo modo, o Sr. Formozo, na fl. 390 em diante, assinou cheques, todos com endosso, é forçoso concluir que pessoa é semianalfabeta, que não teve qualquer proveito financeiro, nem administrou, gerenciou ou teve qualquer atividade na empresa Real, este quase beira a santidade. A impressão que o fisco deixa, é que pessoas honestas que nada têm a esconder, que facilmente podem ser localizadas e que respondem as intimações, devem ser acusadas e a estas têm a obrigação imputar culpa, já os que ignoram intimações ou supostamente não são encontrados, seja por desídia ou falta de interesse, até mesmo do fisco, estas não têm responsabilidade por problemas empresarias de terceiros. É absurdo o fisco atribuirlhe responsabilidade passiva solidária por ter seguido ordens, mas não ter sequer qualquer prova que era administrador ou ter tomado qualquer decisão. Fl. 5357DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.358 7 Quanto a ser indicado pelas empresas Fassim e Ciel não é de se causar qualquer espanto, uma vez que o Impugnante reconheceu que laborou na Real, tendo desempenhado função de assistente de diretoria, sempre agindo conforme determinado e a mando dos sócios, tendo contatos corriqueiros com clientes e fornecedores. Diante da expertise adquirida em anos de trabalho, passou a comercializar pequenas quantidades de produtos veterinários, não havendo qualquer vedação legal, ademais, é fácil constar que o volume grande das vendas da Real, até para um leigo, quase que totalidade, foi de produtos derivados de petróleo (plástico) e não veterinários, hoje vendidos pelo Impugnante. Não é possível imputar a este a culpa, pois o fornecedor informou que mantinha contato com este, e um tal de Sr. Eduardo, que sequer foi investigado.Ora, estas empresas não disseram que o Impugnado era dono da empresa, disseram que mantinham contato com ele. Caindo por terra a fraca imputação de culpa ao Impugnado, pela autuante. Ademais, informaram apenas o primeiro nome, Newton, não sendo possível, desta forma, confirmar se este realmente o Impugnante, podendo ser um homônimo. Ao final, solicitou que se julgue improcedente o lançamento, pois os fatos apurados não se subsumem a hipótese sancionatória aplicada, seja por haver responsabilidade deste, pelas provas terem sido obtidas de forma ilegal, o agravamento das multas ter sido indevido, por falta de zelo e diligência do fisco e demais alegações acima, sem a responsabilização dos sócios, reais responsáveis (únicos responsáveis) na presente sujeição passiva. Após ciência, Maria José de Oliveira Grajcar, apresentou impugnação de fls.4662 a 4777, na qual, em suma fez as seguintes considerações: Em que se pesem as alegações da Impugnada, esta não pode prosperar, pois não há qualquer prova juntada aos autos, bem como, qualquer ilação, diante dos fatos narrados, que possa insculpir qualquer vantagem indevida, gerência ou administração da Impugnante na empresa Real Vet. após o período de 26/11/2006, data de sua saída do quadro societário. Após sua saída do quadro societário, entregou todos os documentos contábeis e referentes da Real Vet. ao Sr. Carlos Alberto, no dia 16/11/2006, tendo tomado o cuidado de tirar cópia de sua CNH, que foi juntado aos autos. Solicitou que seja diligenciado para intimação o Sr. Carlos Alberto da Silva, portador da carteira de identidade RG n° 12.276.579, inscrito no CPF n° 049.910.71879, não bastando para tanto uma única tentativa de intimação, em que não houve resposta. Quanto aos fatos que levaram aos exsócios Formozo e Antonio não conseguirem regularizar a situação no banco, o que levou a Impugnante a comparecer ao Banco para ajudálos, deve ser levado em consideração, que já se passaram mais de 7 (sete) anos e documentos que não são importantes, para esta, não foram guardados, nem mesmo pela mais precavida das pessoas. Não havia razão à impugnante para se opor à assinatura dos cheques, pois diziam respeito a uma empresa que já não era mais de sua propriedade, ademais não lhe prejudicaria em nada, e por este motivo, assinou os cheques já emitidos pelo banco no verso e Fl. 5358DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.359 8 anverso.Ademais, para a Impugnante era uma questão de tempo para sua substituição como sócia perante o Banco do Brasil. É cediço que para pagamentos por meio de cheque, se faz necessária assinatura do verso, quando se paga mais de uma conta, tendo adotado este procedimento para ajudálos, fato que hoje a prejudicou, pois a fiscalização se prende a este único fato não tendo nada que comprove qualquer proveito econômico. Os Sr. João Formoso e Alessandro, Exsócio e sócio da Real Vet., assinaram, endossaram e apuseram seus documentos de identificação em centenas de cheques, conforme documentos juntados pelos Bancos Bradesco e Banco do Brasil. Lamentável que a fiscalização não tenha medido esforços para injustamente culpar a Impugnante e tenha se limitado a enviar um AR aos sócios João Formoso e Antonio Carlos, não fazendo qualquer diligência. Embora a fiscalização tenha tentado, em nenhum momento conseguiu comprovar ter a Impugnante exercido função de gerência ou administração, quitação de obrigações, autorização pagamentos, tendo apenas esta efetuado um único saque e assinado os cheques até então existentes, após sua saída da sociedade, tendo isto ocorrido por um pedido dos sócios. A fim de provar que estes cheques foram assinados logo após a saída da Impugnante, requer que o Banco do Brasil seja oficiado para informar em que data os 125 cheques assinados por esta, foram confeccionados. Pois se a Impugnante era interposta pessoa na gerência ou administração da sociedade, não havia razão para assinar cheques emitidos com antecedência, bastando, para tanto, assinálos conforme a necessidade de sua emissão. A fiscalização afirmou, mas não comprovou, que "continuou participando das atividades de gestão e administração da REAL VET", bem como continuou mantendo interesse comum em suas operações, auferindo vantagens financeiras e efetuando retiradas de recursos. Do mesmo modo que os sócios excluídos pela fiscalização, é pessoa simples, viúva, com rendimentos quase que insignificantes, não tendo sequer casa própria, pagando aluguel e para demonstrar o alegado, junta cópia de extrato de sua conta corrente dos anos de 2007 até a data de hoje (DOC N° 02), bem com, extrato de seu Imposto de Renda do exercício de 2007 a 2012 (DOC N° 03), que é isento de tributação. Por amor a argumentação, que milionário faz um empréstimo pessoal com 10 parcelas de R$ 293,12 e por mais de 3 vezes e não consegue pagar o valor integral da parcela, conforme documento n° 03, fls. 61, 65, 67 e 71, e após 3 meses (sem quitação do primeiro empréstimo) faz novo empréstimo no valor total de R$ 911,15, documento n° 03, fl. 69. Deste modo, resta claro e é evidente que após sua saída da empresa, os cheques foram assinados a pedido dos sócios, não tendo a Impugnante permanecido na sociedade, nem sido interposta pessoa que enriqueceu ilicitamente, ou obteve quer vantagem com a empresa Autuada. Pretende o fisco equiparar a Impugnante a diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado, que podem ser pessoalmente Fl. 5359DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.360 9 responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, ou seja, respondendo por dívidas da empresa que tiveram origem em sua atuação irregular. Ademais, não há qualquer provas do locupletamento e o simples fato do não recolhimento de tributos não pode acarretar responsabilização pessoal, embora esta não fosse mais sócia no período autuado. O agravamento de multa por não apresentação de documentação se a pessoa jurídica não foi localizada não pode prosperar. Se a empresa não é localizada, por óbvio não apresentará qualquer documento, sendo indevido agravamento de multa. Ademais a fiscalização adotou a exceção como regra e passou a fazer publicações por edital sistematicamente agindo de forma ilegal, após realizar uma única diligência para tentar a intimação da empresa e dos sócios. Só pelos fatos narrados até o presente momento o presente auto é nulo, bem como responsabilização da Impugnante. É hialino que somente os sócios poderiam ter e fornecer tais documentos, ocorrendo cerceamento de direito de defesa da Impugnante por não ter o fisco agido com desídia, quanto aos primeiros. Após a fiscalização tomar todas as precauções devidas, aí sim poderia requisitar a um juiz quebra de sigilo bancário, uma vez que dispõe a Constituição Federal ser possível somente por essa autoridade. Por fim requereu que seja diligenciado para localização de todos sócios e ex sócios e do Sr. Carlos Alberto da Silva e Newton Tullii, para esclarecerem e responderem se a Impugnante após a cessão de suas quotas realizou alguma operação, que não as mencionadas neste instrumento ou se de alguma forma se beneficiou após novembro de 2006. E que o lançamento seja julgado improcedente, no que diz respeito à Impugnante, tendo em vista as patentes ilegalidades praticadas e também de não ter sido comprovado qualquer locupletamento, obtenção de vantagens financeiras, controle de fluxo financeiro de recursos, gerência, administração poder de gestão ou interesse comum em seus resultados, tendo em vista, ainda a nulidade das provas obtidas para instrução e conclusão do presente Auto de Infração. Ailton Marron, na impugnação de fls. 4818 a 4875, fez, em suma, as seguintes alegações: Em Preliminar: Da nulidade absoluta do feito Verificase à fl. 37, ser Alessandro Francisco Souza da Silva, o único sócio, unipessoal da Real Vet, e mesmo nesta qualidade, foi o único a não ser sequer incluído como coobrigado ou responsável solidário, o que invalida o procedimento fiscal, na medida em que atribuiuse responsabilidade solidária a terceiros estranhos ao fato gerador e à empresa Real Vet, deixando de fora, o principal responsável, dada a unipessoalidade da sociedade. Além disto, com a falta dc intimação do único responsável elo suposto crédito tributário, tornase nulo todo o feito. Fl. 5360DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.361 10 Da impossibilidade do exercício do direito de defesa :Conforme se verá, o Impugnante jamais teve qualquer vínculo com os negócios da Real Vet, e como desconhece totalmente a referida empresa, não tem condições de exercer o seu direito de defesa, na medida em que não tem acesso a nenhuma informação da Real Vet; não conhece seus sócios; seus dirigentes; e não tem nenhum modo de averiguar as acusações do Fisco, o que torna nulo o presente feito, por ofensa à ampla defesa, contraditório e devido processo legal, insculpidos no inciso LV, do artigo 5o, da Carta Magna. Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Nulidade da autuação Verificase dos autos que com relação ao Impugnante foi expedido somente o Mandados de Procedimento Fiscal MPFDiligência, fl. 4.231. Não houve a expedição de MPFFiscalização, o que era mister, impossibilitando, portanto, o Impugnante de tomar conhecimento que estava sendo fiscalizada. Não havendo a emissão deste, nula é a autuação e, em conseqüência, o crédito tributário nela consubstanciado. Destarte, o MPFDiligência de fl. 4.231 foi expedido em 11/09/2012 com prazo de validade até 09/11/2012. Não houve a expedição de MPF Complementar, não havendo, portanto prorrogação do MPF originário.E a fiscalização foi concluída no dia 22/08/2013, fl. 4.673, ou seja, muito tempo após o vencimento do MPF. O MPF foi extinto e não foi expedido novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, razão pela qual é absolutamente nula a autuação. Verificase, ainda, que o MPF de fl. 4.231 limitase a "coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte responsável Real Vet...", de forma que o Impugnante não tomou conhecimento do objeto da fiscalização, como fazia mister, nos termos do § 1o, do artigo 7o, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011, até porque quem estava sendo fiscalizada era a Real Vet, e não o Impugnante. Noutro viés, quem emitiu o MPF de fl. 4.231, foi o Delegado da Receita Federal do Brasil de Barueri. No entanto, o Impugnante está sediado em São Paulo e, portanto, o MPF com relação ao Impugnante teria que ter sido emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de São Paulo, ex vi do § 1º, do artigo 6o, da referida Portaria RFB n° 3.014. Verificase que o outorgante MPFD de fl. 4.231, não tinha competência para expedilo, ferindo o artigo 6º, § 1º, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011. Portanto, em nenhum momento o Impugnante tomou conhecimento de que estava sendo fiscalizada. Além do mais, não consta no referido MPF, o código de acesso, impossibilitando o Impugnante de consultálo e de ter acesso ao procedimento fiscal contrariando, assim, o disposto no parágrafo único do artigo 4°, da Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011. De outro norte, embora conste do Termo de Início de Ação Fiscal a existência de um MPF emitido para a Real Vet, não há, nos autos, comprovante de entrega do MPF à mesma. Além disso, o Termo de Início de Ação Fiscal de fl. 03, lavrado unicamente contra a Real Vet, especifica unicamente o IRPJ a ser fiscalizado. Não há qualquer referência à fiscalização do IPI. Fl. 5361DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.362 11 Nenhum ato fiscalizatório pode ter início e fim sem que para tanto seja observado os seguintes princípios básicos: legalidade, motivação, moralidade, interesse público, imparcialidade, impessoalidade, finalidade, razoabilidade e justiça fiscal. E, o Fisco não obedeceu a nenhum dos requisitos essenciais e indispensáveis ao procedimento do lançamento tributário. Diante da nulidade dos MPF, nulo é todo o processo tributário administrativo e, por conseqüência, nulo é o crédito tributário pretendido. Tornase, pois, imperativa a decretação de nulidade do processo tributário administrativo n° 13896.721403/201323. Das intimações expedidas ao Impugnante Consta, à fl. 4.230, a primeira intimação do Impugnante, na qual se pede o esclarecimento das transferências bancárias recebidas pelo Impugnante no valor de R$ 480.781,37, assim como esclarecer acerca das aquisições ou transferências de bens entre as empresas. Consta, à fl. 4.236, o Termo de Reintimação Fiscal de 07/11/2012, reiterando a primeira intimação. Às fls. 4.241, consta o segundo Termo de Reintimação Fiscal, desta vez relacionando todas as transferências bancárias recebidas pelo Impugnante. Em nenhum dos Termos de Intimação Fiscal o Impugnante foi intimado a apresentar qualquer escrituração contábil, de forma a oportunizar o conhecimento dos fatos pelo Fisco, o que configurou cerceamento de defesa e ofensa aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, insculpidos no inciso LV, do artigo 5º, da Constituição Federal. Da ausência de sujeição passiva O Fisco atribuiu responsabilidade ao Impugnante com base no artigo 124, I do CTN, ao fundamento de que a mesma recebeu no ano de 2007, mediante transferências de contas bancárias da Real Vet, a quantia de R$ 480.781,37. Sustentou o Fisco que "... configurase o interesse comum da pessoa fisica acima nas atividades da fiscalizada, demonstrado pelos recebimentos de recursos financeiros oriundos das operações mercantis da Real Vet, sem a comprovação das operações que justificassem o recebimento de tais valores." O Impugnante, no período do fato gerador, não teve outra relação jurídica com a Real Vet senão o recebimento do valor acima em virtude de negócios efetivados pela empresa Korbety Aditivos para Plásticos Ltda., que tem como sócio o Impugnante, fls. 3.229, e o recebimento dos valores se deu em virtude de restituição de garantias prestadas. Em 2007 a Korbety comprou da Real Vet, com garantia da empresa Marron Administração, que é a Holding detentora do patrimônio. PORTANTO. É QUEM DETÉM FORÇA E PODER PATRIMONIAL PARA FIANÇAS E GARANTIAS, e às vezes do próprio Impugnante, o valor de R$ 768.411,05, fl. 3.213, promovendo o pagamento conforme se verifica às fls. 3.241/3.297. Importantíssimo ressaltar que as compras efetivadas pela Korbety ocorreram no período de março a maio de 2007. A Korbety promoveu os pagamentos de junho a setembro de 2007, enquanto o Impugnante recebeu as garantias nos meses de maio, junho, julho e outubro de 2007 (fls. 4.232/4.233). Conforme se vê, o Impugnante não teve nenhuma participação na situação que configurou o fato gerador. O Impugnante nunca foi sócio e nunca participou dos negócios da Real Vet. Não existe um só fato que possa vincular o Impugnante com a Real Vet e seus sócios. Presumir que o Impugnante teve interesse comum na situação que constituiu o fato Fl. 5362DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.363 12 gerador, é um absurdo. O Fisco, para atribuir responsabilidade solidária ao Impugnante com base no inciso I, do artigo 124, do CTN, teria que ter provado que a mesma realizou conjuntamente com o contribuinte, a situação configuradora do fato gerador. Em razão do disposto no artigo 142, do CTN, a prova do interesse comum do responsável solidário na situação que constitui o fato gerador da exação é do Fisco, e este não se desincumbiu deste ônus. O mero recebimento de valores da Real Vet não vincula o Impugnante ao fato gerador, sendo, nessa hipótese, impossível que a responsabilidade tributária transborde da Real Vet que supostamente realizou o fator gerador. O ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito é de quem o alega, sendo assim, aplicase aqui a teoria geral da prova, que está consubstanciada nas disposições do Código de Processo Civil, mais precisamente em seu artigo 33. E isto não foi o que ocorreu no caso. O Fisco imputou responsabilidade ao Impugnante por presunção, sem nenhuma prova contundente de que a mesma teria participado da situação que constituiu o suposto fato gerador. Mas, não se admite, no direito tributário, o lançamento por presunção. A Lei veda expressamente o lançamento com base em presunção; não se admite, em hipótese alguma, o lançamento com base em probabilidades, como foi feito in casu. E imprescindível a prova da ocorrência do fato gerador, bem como a prova de que o Impugnante tenha efetivamente contribuído para a sua ocorrência. Da nulidade das intimações da Real Vet e de seu representante legal Conforme fl. 37, a Junta Comercial informa que o endereço do Alessandro Francisco Souza da Silva é na Rua Tocantins, 8, Gonzaga, São Paulo, CEP 11.055.340. O Termo de Intimação Fiscal de fls. 12/14, de 07.11.2012, foi endereçado para Rua Pinheiro, 73, Jabaquara, São Paulo. Já o Termo de Intimação de fl. 15 do mesmo dia 07.11.2012, tem como endereço a Rua Tocantins, 8, Gonzaga, São Paulo, CEP 11.055.340. Conforme fl. 17, o Correio certifica que o mesmo estava AUSENTE quando da entrega do Termo. Outro Termo foi remetido para Rua Av. Conselheiro Nébias, 603, apto. 105, Boqueirão, São Paulo, sem cumprimento. Depois disso, mais três termos de intimação foram expedidos contra o Alessandro, fls. 21/28, mas todos para outros endereços. O Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 125/127 foi enviado para a Rua Pinheirinho, 73, Jabaquara, São Paulo. Todas as intimações enviadas à Real Vet, fls. 43/112, nenhuma delas foi para o endereço do Alessandro. Em 11 de julho de 2007, fls. 36/37, a Real Vet promoveu uma alteração contratual, ocasião em que retiraramse da sociedade João Formoso dos Santos e Antônio Carlos Vieira de Souza, sendo que a partir deste momento a sociedade transformouse cm unipessoal, fls.37, apenas com o sócio ALESSANDRO FRANCISCO SOUZA DA SILVA, pelo prazo de 180 dias. Em 03 de setembro de 2013, fl. 37, a sociedade ainda continuava unipessoal, embora já decorrido o prazo legal de 180 dias. No tempo em que as intimações foram remetidas à Real Vet, a mesma já encontravase com o prazo de duração expirado; assim, todos e quaisquer atos deveriam ser realizados na pessoa de seu único sócio ALESSANDRO, o que não ocorreu, ensejando a nulidade plena. O Alessandro tem endereço certo, sendo que as intimações não foram por ele recebidas, dada sua ausência no local no momento da entrega da intimação, fl. 17, e em tendo endereço certo, o Edital é nulo. Fl. 5363DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.364 13 Requer seja declarada a nulidade do procedimento fiscal face à não intimação da sociedade extinta na pessoa do seu único sócio, Alessandro. Decadência Operouse a decadência do direito de o Fisco constituir o credito tributário referente ao período de janeiro a dezembro de 2007, no que concerne ao IPI. Conforme Relatório Fiscal, o fato gerador do pretenso débito é de janeiro a dezembro de 2007. O lançamento do crédito tributário ocorreu em 22 de agosto de 2013, época em que o Impugnante foi intimado da lavratura dos Autos de Infração. Portanto, nesta data, já havia o Fisco, decaído do direito de lançar o crédito tributário referente ao período de janeiro a dezembro de 2007, porquanto o mesmo dispunha do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário, nos termos do artigo 173,1, do Código Tributário Nacional. No mérito: O Fisco utilizou como base de cálculo o valor de R$ 40.834.113,71, fls. 4.585. No entanto, na remota hipótese de se manter o Impugnante na autuação, a base de cálculo dos supostos tributos devidos por ela, tem que somente o valor que o Fisco alega que o Impugnante recebeu da Real Vet, qual seja, o valor de R$ 480.781,37, fls. 4.232/4.233. Muito embora este valor não constitua nenhuma vantagem econômica, pois decorreu de conseqüências de negócios feitos pela empresa Korbety de titularidade do Impugnante, foi o único valor que efetivamente recebeu da Real Vet. Não participou de mais nenhum ato ou negócio que implicou na geração da receita de R$ 40.834.113,71. Em nenhum momento a Real Vet foi intimada a justificar a origem dos depósitos bancários, ferindo de morte o disposto no artigo 287 do RIR, que determina a regular intimação do contribuinte para justificativa dos depósitos bancários. Ademais, houve a tributação em duplicidade dos valores relativos aos depósitos, senão vejamos: (i) do montante de R$ 9.053.542,68, o valor de R$ 6.922.885,22 referese a recebimento de duplicatas decorrente da receita auferida, o que está amplamente destacado nos extratos bancários e no relatório fiscal de fls. 4.644/4.651. Ali encontrase claramente identificada a origem de R$ 6.922.885,22 como sendo de COBRANÇA OU LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA, tratandose de recebimento das duplicatas emitidas cm decorrência da receita. Logicamente estes valores já se encontram dentro do montante da receita arbitrada de R$ 31.780.571,03, devendo, pois, ser excluídos para fins de incidência de todos os tributos; (ii) o valor de R$ 688.652,11, referese a transferência de agência para agência, ou seja, o numerário saiu do Bradesco e foi para o Banco do Brasil, ou viceversa, mas mesmo assim o Fisco tributou o valor indevidamente; (iii) o valor de R$ 138.346,99 referese a liberação de depósito anteriormente bloqueado, o que de toda maneira não pode ser objeto de tributação. Para que houvesse a tributação de depósito bancário, o Fisco teria que recompor a conta caixa, mas limitouse a relacionar os valores e não cuidou de averiguar se a Recorrente tinha ou não origem. Fl. 5364DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.365 14 Do indevido lançamento do IPI A atividade da Real Vet era de "comercio atacadista de outros produtos químicos e petroquímicos não especificados anteriormente", fls. 37, e nesta condição não é contribuinte do IPI. Sustenta o Fisco às .fls. 4611 não ser permitido a um estabelecimento "efetuar destaque do IPI nas notas de venda para um cliente e não para outro". E mais. Afirma o Fisco que o contribuinte teria optado pela equiparação; no entanto, não traz prova correta da alegação. A verdade é que uma empresa pode sim praticar operações comerciais e industriais. O fato gerador do IPI é a industrialização de produtos, e não a comercialização. O Fisco peca muito em seu relatório. A empresa Grampos Aços Ltda., fls. 2425/2531, anexa as notas fiscais no valor de R$ 3.772.082,50, sendo que em nenhuma delas consta a cobrança do IPI, tratandose unicamente de mercadoria comercializada e não fabricada. As informações trazidas pela Print Cor, fls. 2535/3044, no valor de R§ 3.710.900,00, cujas notas fiscais não tem destaque do IPI, também revelam tratarse de comercialização. A Química Araguaya Ltda., fls. 3048/3212, informa ter adquirido o valor de R$ 1.324.858,65, também de comercialização. A informação prestada pela Pctite Marie Química Ltda., que comprou mercadorias no valor de R$ 8.749.377,00, fls. 2385/2421, não atendeu ao determinado pela fiscalização, sendo certo que referida empresa não foi sequer reintimada a esclarecer os fatos, não podendo ser atribuído o fato gerador do IPI quando não restar comprovada a industrialização. A situação acima demonstra que nem mesmo poderia ter ocorrido a tributação do IPI, e muito menos numa alíquota presumida de 15%. Todas as notas fiscais da Platunion, fls. 1753/2382, revelam que a alíquota do IPI cobrada foi de 5%, jamais de 15%. Nos termos do artigo 197 do RIPI, o valor pode ser arbitrado pela autoridade fiscal; no entanto, o princípio da nãocumulatividade não pode ser desprezado, de forma que do montante apurado de débito deve ser abatido o montante do crédito, nos termos do § 2o, do artigo 155, da Constituição Federal e artigo 225, do RTPI. Portanto devese abater o valor relativo aos créditos. Ilegalidade do aumento do percentual da multa pela metade Ocorre que a Real Vet foi extinta em razão da unipessoalidade além do prazo permitido, e o seu único sócio, Alessandro, não foi intimado de nenhum ato. Assim, não há que se falar em ausência de atendimento de intimação, já que não houve a intimação. Nestes termos, não se aplica, in casu, o disposto no § 2o, do artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, sendo, pois, absolutamente ilegal o aumento do percentual da multa pela metade. Em sua impugnação, a empresa Marron Administração e Participação Ltda. Defendeu o que se segue: Em preliminar: A nulidade absoluta do feito pela ausência de imputação de responsabilidade ao único sócio da Real Vet. Verificase à fl. 37, ser Alessandro Francisco Souza da Silva, o único sócio, unipessoal da Real Vet, e mesmo nesta qualidade, foi o único a não ser sequer incluído como coobrigado ou responsável solidário, o que invalida o procedimento fiscal, na medida em que atribuiuse responsabilidade solidária a terceiros Fl. 5365DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.366 15 estranhos ao fato gerador e à empresa Real Vet, deixando de fora, o principal responsável, dada a unipessoalidade da sociedade. Além disto, com a falta de intimação do único responsável pelo suposto crédito tributário, tornase nulo todo o feito. Da impossibilidade do exercício do direito de defesa da Impugnante.A Impugnante surge nestes autos na qualidade de responsável solidária (sujeição passiva), numa absurda tentativa do Fisco de atribuir à Impugnante, um vínculo com a empresa Real Vet. Pois bem. Conforme se verá, a Impugnante jamais teve qualquer vínculo com os negócios da Real Vet, e como desconhece totalmente a referida empresa, não tem condições de exercer o seu direito de defesa, na medida em que não tem acesso a nenhuma informação da Real Vet; não conhece seus sócios; seus dirigentes; e não tem nenhum modo de averiguar as acusações do Fisco, o que torna nulo o presente feito, por ofensa à ampla defesa, contraditório e devido processo legal, insculpidos no inciso LV, do artigo 5o, da Carta Magna. Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Nulidade da autuação. A Impugnante foi autuada sem que houvesse a emissão de MPFFiscalização. Houve apenas a emissão de MPFDiligência, o que não poderia ocorrer, já que não houve aqui, somente a coleta de informações de interesse da administração tributária, mas sim o lançamento de crédito tributário em face da Impugnante, pelo que tornava mister a emissão de MPFFiscalização. E em não havendo a emissão deste, nula é a autuação e, em conseqüência, o crédito tributário nela consubstanciado. Destarte, o MPFDiligência de fls. 4.286 foi expedido em 11/09/2012 com prazo de validade até 09/11/2012. Não houve a expedição de MPF Complementar, não havendo, portanto prorrogação do MPF originário. Entretanto, a fiscalização foi concluída no dia 22/08/2013. fl. 4.673, ou seja, muito tempo após o vencimento do MPF. O MPF foi extinto e não foi expedido novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, razão pela qual é absolutamente nula a autuação. Verificase, ainda, que o MPF de fl. 4.286 limitase a "coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte responsável Real Vet...", de forma que o Impugnante não tomou conhecimento do objeto da fiscalização, como fazia mister, nos termos do § 1o, do artigo 7o, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011, até porque quem estava sendo fiscalizada era a Real Vet, e não o Impugnante. Noutro viés, quem emitiu o MPF de fl. 4.286, foi o Delegado da Receita Federal do Brasil de Barueri. No entanto, o Impugnante está sediada em São Paulo e, portanto, o MPF com relação ao Impugnante teria que ter sido emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de São Paulo, ex vi do § 1º, do artigo 6o, da referida Portaria RFB n° 3.014. Verificase que o outorgante MPFD de fl. 4.286, não tinha competência para expedilo, ferindo o artigo 6º, § 1º, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011. Portanto, em nenhum momento o Impugnante tomou conhecimento de que estava sendo fiscalizada. Fl. 5366DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.367 16 Não consta no referido MPF, o código de acesso, impossibilitando o Impugnante de consultálo e de ter acesso ao procedimento fiscal contrariando, assim, o disposto no parágrafo único do artigo 4°, da Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011. De outro norte, embora conste do Termo de Início de Ação Fiscal a existência de um MPF emitido para a Real Vet, não há, nos autos, comprovante de entrega do MPF à mesma. Além disto, o Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 03, lavrado unicamente contra a Real Vet, especifica unicamente o IRPJ a ser fiscalizado. Não há qualquer referência à fiscalização do PIS, COFINS, IPI e CSLL. Nenhum ato fiscalizatório pode ter início e fim sem que para tanto seja observado os seguintes princípios básicos: legalidade, motivação, moralidade, interesse público, imparcialidade, impessoalidade, finalidade, razoabilidade e justiça fiscal. O Fisco não obedeceu a nenhum dos requisitos essenciais e indispensáveis ao procedimento do lançamento tributário. Assim, diante da nulidade dos MPF, nulo é todo o processo tributário administrativo e, por conseqüência, nulo é o crédito tributário pretendido. Tornase, pois, imperativa a decretação de nulidade do processo tributário administrativo n° 13896.721402/201389. Das intimações expedidas à Marron À fl. 4.284, consta a primeira intimação da Marron, na qual se pede o esclarecimento das transferências bancárias recebidas pela Impugnante no valor de R$ 191.012,07, assim como esclarecer acerca das aquisições ou transferências de bens entre as empresas. À fl. 4.295, consta o Termo de Reintimação Fiscal de 07/11/2012, reiterando a primeira intimação. À fl. 4.299, consta o segundo Termo de Reintimação Fiscal, desta vez relacionando todas as transferências bancárias recebidas pela Impugnante. Em nenhum dos Termos de Intimação Fiscal a Impugnante foi intimada a apresentar qualquer escrituração contábil, de forma a oportunizar o conhecimento dos fatos pelo Fisco, o que configurou cerceamento de defesa e ofensa aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, insculpidos no inciso LV, do artigo 5º , da Constituição Federal. Assim, ante a falta de intimação da Impugnante para apresentar sua escrituração contábil, o que impediu o conhecimento dos fatos pelo Fisco, impõese a decretação de nulidade do Auto de Infração, sob pena de ofensa ao artigo 5o , inciso LV, da Carta Magna. Da ausência de sujeição passiva O Fisco atribuiu responsabilidade à Impugnante com base no artigo 124, I do CTN, ao fundamento de que a mesma recebeu no ano de 2007, mediante transferências de contas bancárias da Real Vet, a quantia de R$ 191.012,07. Sustentou o Fisco que "...comprovado o interesse comum da pessoa jurídica MARRON ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA. nas atividades operacionais da REAL VET, caracterizado pela obtenção de vantagens financeiras, sem comprovação de fatos que justificassem o recebimento de tais valores." A Impugnante, no período do fato gerador, não teve outra relação jurídica com a Real Vet senão o recebimento do valor acima em virtude de negócios efetivados pela empresa Korbety Aditivos para Plásticos Ltda., que tem como sócio Ailton Marron, fls. 3.229. Fl. 5367DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.368 17 A Impugnante também tem como sócio Ailton Marron, fl. 4.289, e o recebimento dos valores se deu em virtude de restituição de garantias prestadas. Em 2007 a Korbety comprou da Real Vet, com garantia da Impugnante, que é a Holding detentora do patrimônio. PORTANTO É QUEM DETÉM FORÇA E PODER PATRIMONIAL PARA FIANÇAS E GARANTIAS, o valor de R$ 768.411,05, fls. 3.213, promovendo o pagamento conforme se verifica às fls. 3.241/3.297. Importantíssimo ressaltar que as compras efetivadas pela Korbety ocorreram no período de março a maio de 2007. A Korbety promoveu os pagamentos de junho a setembro de 2007, enquanto a Impugnante recebeu as garantias nos meses de julho, agosto e setembro de 2007 (fls. 4.285). Conforme se vê, a Impugnante não teve nenhuma participação na situação que configurou o fato gerador. A Impugnante nunca foi sócia e nunca participou dos negócios da Real Vet. Não existe um só fato que possa vincular a Impugnante com a Real Vet e seus sócios. O Fisco, para atribuir responsabilidade solidária ao Impugnante com base no inciso I, do artigo 124, do CTN, teria que ter provado que a mesma realizou conjuntamente com o contribuinte, a situação configuradora do fato gerador. Da nulidade das intimações da Real Vet e de seu representante lega l Conforme fl. 37, a Junta Comercial informa que o endereço do Alessandro Francisco Souza da Silva e na Rua Tocantins, 8, Gonzaga, São Paulo, CEP 11.055.340. O Termo de Intimação Fiscal de fls. 12/14, de 07.11.2012, foi endereçado para Rua Pinheiro, 73, Jabaquara, São Paulo. Já o Termo de Intimação de fls. 15 do mesmo dia 07.11.2012, tem como endereço a Rua Tocantins, 8, Gonzaga, São Paulo, CEP 11.055.340. Conforme fl. 17, o Correio certifica que o mesmo estava AUSENTE quando da entrega do Termo. Outro Termo foi remetido para Rua Av. Conselheiro Nébias, 603, apto. 105, Boqueirão, São Paulo, sem cumprimento. Depois disso, mais três termos de intimação foram expedidos contra o Alessandro, fls. 21/28, mas todos para outros endereços. O Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 125/127 foi enviado para a Rua Pinheirinho, 73, Jabaquara, São Paulo. Todas as intimações enviadas à Real Vet, fls. 43/112, nenhuma delas foi para o endereço do Alessandro. Em 11 de julho de 2007, fls. 36/37, a Real Vet promoveu uma alteração contratual, ocasião em que retiraramse da sociedade João Formoso dos Santos e Antônio Carlos Vieira de Souza, sendo que a partir deste momento a sociedade transformouse cm unipessoal, fls.37, apenas com o sócio ALESSANDRO FRANCISCO SOUZA DA SILVA, pelo prazo de 180 dias. Em 03 de setembro de 2013, fls. 37, a sociedade ainda continuava unipessoal, embora já decorrido o prazo legal de 180 dias. No tempo em que as intimações foram remetidas à Real Vet, a mesma já se encontrava com o prazo de duração expirado; assim, todos e quaisquer atos deveriam ser realizados na pessoa de seu único sócio ALESSANDRO, o que não ocorreu, ensejando a nulidade plena. O Alessandro tem endereço certo, sendo que as intimações não foram por ele recebidas, dada sua ausência no local no momento da entrega da intimação, fls. 17, e em tendo endereço certo, o Edital é nulo. Assim, requer seja declarada a nulidade do procedimento fiscal face à não intimação da sociedade extinta na pessoa do seu único sócio, Alessandro. Fl. 5368DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.369 18 Decadência Operouse a decadência do direito de o Fisco constituir o credito tributário referente ao período de janeiro a dezembro de 2007, no que concerne ao IPI. No Mérito: A base de cálculo dos supostos tributos devidos pela impugnante deve ser somente o valor que o Fisco alega que a empresa recebeu da Real Vet: R$ 191.012,07, fl. 4.616. Muito embora este valor não constitua nenhuma vantagem econômica, pois decorreu de conseqüências de negócios feitos pela empresa Korbety de titularidade do mesmo sócio da Impugnante, foi o único valor que efetivamente recebeu da Real Vet. Não participou de mais nenhum ato ou negócio que implicou na geração da receita de R$ 40.834.113,71. Da tributação de depósitos bancários sem comprovação – O fisco tributou o valor de R$ 9.053.542,68 (nove milhões, cinquenta e três mil, quinhentos e quarenta e dois reais e sessenta e oito centavos) como omissão de receita, em decorrência de depósito bancários não comprovados, mas em nenhum momento a Real Vet foi intimada a justificar a origem dos depósitos bancários, ferindo de morte o disposto no artigo 287 do RIR, que determina a regular intimação do contribuinte para justificativa dos depósitos bancários. Ademais, houve a tributação em duplicidade dos valores relativos aos depósitos, senão vejamos: (i) do montante de R$ 9.053.542,68, o valor de R$ 6.922.885,22 referese a recebimento de duplicatas decorrente da receita auferida, o que está amplamente destacado nos extratos bancários e no relatório fiscal de fls. 4.644/4.651. Ali encontrase claramente identificada a origem de R$ 6.922.885,22 como sendo de COBRANÇA OU LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA, tratandose de recebimento das duplicatas emitidas em decorrência da receita. Logicamente estes valores já se encontram dentro do montante da receita arbitrada de R$ 31.780.571,03, devendo, pois, ser excluídos para fins de incidência de todos os tributos; (ii) o valor de R$ 688.652,11, referese a transferência de agência para agência, ou seja, o numerário saiu do Bradesco e foi para o Banco do Brasil, ou viceversa, mas mesmo assim o Fisco tributou o valor indevidamente; (iii) o valor de R$ 138.346,99 referese a liberação de depósito anteriormente bloqueado, o que de toda maneira não pode ser objeto de tributação. Para que houvesse a tributação de depósito bancário, o Fisco teria que recompor a conta caixa, mas limitouse a relacionar os valores c não cuidou de averiguar se a Recorrente tinha ou não origem. Do indevido lançamento do IPI A atividade da Real Vet era de "comercio atacadista de outros produtos químicos e petroquímicos não especificados anteriormente", fls. 37, e nesta condição não é contribuinte do IPI. Sustenta o Fisco às .fls. 4611 não ser permitido a um estabelecimento "efetuar destaque do IPI nas notas de venda para um cliente e não para outro". E mais. Afirma o Fisco que o contribuinte teria optado pela equiparação; no entanto, não traz prova correta da alegação. A verdade é que uma empresa pode sim praticar operações comerciais e industriais. O fato gerador do IPI é a industrialização de produtos, e não a comercialização. O Fisco peca muito em seu relatório. A empresa Grampos Aços Ltda., fls. 2425/2531, anexa as Fl. 5369DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.370 19 notas fiscais no valor de R$ 3.772.082,50, sendo que em nenhuma delas consta a cobrança do IPI, tratandose unicamente de mercadoria comercializada e não fabricada. As informações trazidas pela Print Cor, fls. 2535/3044, no valor de R§ 3.710.900,00, cujas notas fiscais não tem destaque do IPI, também revelam tratarse de comercialização. A Química Araguaya Ltda., fls. 3048/3212, informa ter adquirido o valor de R$ 1.324.858,65, também de comercialização. A informação prestada pela Pctite Marie Química Ltda., que comprou mercadorias no valor de R$ 8.749.377,00, fls. 2385/2421, não atendeu ao determinado pela fiscalização, sendo certo que referida empresa não foi sequer reintimada a esclarecer os fatos, não podendo ser atribuído o fato gerador do IPI quando não restar comprovada a industrialização. A situação acima demonstra que nem mesmo poderia ter ocorrido a tributação do IPI, e muito menos numa alíquota presumida de 15%. Todas as notas fiscais da Platunion, fls. 1753/2382, revelam que a alíquota do IPI cobrada foi de 5%, jamais de 15%. Nos termos do artigo 197 do RIPI, o valor pode ser arbitrado pela autoridade fiscal; no entanto, o princípio da nãocumulatividade não pode ser desprezado, de forma que do montante apurado de débito deve ser abatido o montante do crédito, nos termos do § 2o, do artigo 155, da Constituição Federal e artigo 225, do RTPI. Portanto devese abater o valor relativo aos créditos. Ilegalidade do aumento do percentual da multa pela metade. Ocorre que a Real Vet foi extinta em razão da unipessoalidade além do prazo permitido, e o seu único sócio, Alessandro, não foi intimado de nenhum ato. Assim, não há que se falar em ausência de atendimento de intimação, já que não houve a intimação. Nestes termos, não se aplica, in casu, o disposto no § 2o, do artigo 44, da Lei 9.430/96, sendo, pois, absolutamente ilegal o aumento do percentual da multa pela metade. Resumiu os pedidos da seguinte forma: 1) Limitar a responsabilidade da Impugnante ao valor de R$191.012,07, único valor recebido da Real Vet pela mesma a título de restituição de garantia. 2) Excluir da base de cálculo de todos os tributos o valor de R$ 6.922.885,22, relativos a recebimento de cobrança de duplicatas emitidas pela Real Vet, assim bem como a exclusão do valor de R$ 688.652,11, relativos a transferência de numerários entre agências, e o valor de R$ 138.346,99, relativo a desbloqueio de depósito bancário. 3) Limitar a incidência do IPI estritamente às notas fiscais onde existem destaques do imposto. 4) Limitar a incidência, se for o caso, à alíquota de 5%, bem como assegurar o direito ao creditamento. 5) Reconhecer a ilegalidade da aplicação do disposto no § 2º , do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, decotando da multa, o aumento aplicado. Fl. 5370DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.371 20 Analisando a impugnação apresentada o colegiado a quo julgoua parcialmente procedente, restando assim redigida sua a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. OPÇÃO. Na equiparação industrial por opção, a empresa comercial atacadista se equipara a industrial em todas as suas operações de vendas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE DE FATO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituiram os fatos geradores das obrigações autuadas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GERENTE. É solidária a responsabilidade do gerente pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração à lei. MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa de ofício agravada, quando se encontram materializados nos autos os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. EDITAL. VALIDADE. Fl. 5371DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.372 21 Válida a intimação por edital quando resultar improfícua a via pessoal, a postal ou a eletrônica. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. A parcela da exigência exonerada se deu em razão do reconhecimento de decadência referente ao crédito tributário dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a outubro de 2007. Ailton Marron foi cientificado da decisão em 21 de agosto de 2014 (fl. 5019), uma quintafeira, apresentando recurso voluntário de fls. 52175279 em 22 de setembro de 2014 (fl. 5280) – uma segundafeira. Maria José de Oliveira Grajcar foi cientificada da decisão em 21 de agosto de 2014 (fl. 5018), uma quintafeira, apresentando recurso voluntário de fls. 50595088 em 19 de setembro de 2014 (fls. 50895090). Marron Administração e Participação Ltda ME foi cientificada da decisão em 21 de agosto de 2014 (fl. 5018) , uma quintafeira, apresentando recurso voluntário de fls. 51525214 em 22 de setembro de 2014 (fl. 5215) – uma segundafeira. Abílio Trindade Dominigos, que não havia apresentado impugnação, foi cientificado da decisão em 21 de agosto de 2014 (fl. 5021), não constando dos autos qualquer informação sobre a interposição de recurso voluntário. Newton Tullii foi cientificado da decisão em 02 de setembro de 2014 (fl. 5022), apresentando recurso voluntário de fls. 50245056 em 19 de setembro de 2014 (fls. 50575058). Em resumo, os recorrentes reafirmam os termos das impugnações apresentadas. Em 26 de setembro de 2016 Ailton Marron e Marron Administração e Participação Ltda. protocolaram o expediente de fls. 52855417 informando sobre o resultado do julgamento do processo principal (IRPJ) acórdão 1302001.921 por meio do qual os requerentes teriam sido excluídos do polo passivo da obrigação tributária, requerendo que o mesmo entendimento fosse aplicado nos presentes autos em razão de se tratar de exigência reflexa, constituída com os mesmos elementos de prova. É o relatório. Fl. 5372DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.373 22 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e assinados por procuradores devidamente habilitados. Preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deles, portanto, tomo conhecimento. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO O litígio diz respeito a exigência de IPI. A primeira parcela do crédito tributário diz respeito a omissão de receitas apurada em procedimento fiscal que culminou a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre omissão de receitas (divergência entre valores declarados ao Fisco Estadual e ao Fisco Federal, sendo que, em relação aos tributos federais, ou houve ausência de transmissão de declarações, ou foram transmitidas sem informação de qualquer auferimento de receitas, não havendo também qualquer recolhimento de tributo relativo aos períodos de apuração sob procedimento fiscal). Além disso, houve lançamento com base em créditos em contas bancárias sem comprovação de origem (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). A penalidade cominada foi de 225% (multa qualificada e agravada). Foram lavrados diversos termos de responsabilidade incluindo os supostos reais proprietários da pessoa jurídica autuada, uma vez que a autoridade fiscal autuante entendeu que os sócios apontados no contrato social da empresa seriam todos interpostas pessoas. O processo principal (13896.721402/201389) já teve seu recurso voluntário apreciado (acórdão 1302001.921), tendo sido mantida integralmente a exigência, mas excluída a responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados Maria José de Oliveira Gajcar, Ailton Marron e Marron Administração e Participação Ltda (mantevese, contudo, o senhor Newton Tullii no polo passivo da obrigação tributária). Já a presente exigência de IPI, tem como primeira infração justamente o reflexo da omissão de receitas apurada no processo principal. Nesse ponto, haveria de se partir do pressuposto de que, mantida a omissão de receitas no processo de IRPJ, tal conclusão deve ser mantida para fins do litígio ora analisado, sendo necessário tão somente abordar as questões específicas atinentes ao IPI. Além dessa infração, a autoridade fiscal autuante concluiu que haver outras infrações, a saber: 2) PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI CARACTERIZAÇÃO DE EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) de produtos tributados de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial. Fl. 5373DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.374 23 3) PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI E SEM A INFORMAÇÃO DO CÓDIGO NCM CARACTERIZAÇÃO DE EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL Falta de lançamento de imposto nas saídas de produtos tributados de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial. 4) IPI LANÇADO E NAO ESCRITURADO FALTA DE DECLARAÇÃO/ RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) O estabelecimento industrial ou equiparado a industrial não efetuou a escrituração das notas fiscais nos prazos estabelecidos pela legislação nem recolheu o imposto correspondente, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Pois bem, passo à análise do caso concreto. O ponto principal a analisar é se o contribuinte seria ou não contribuinte do IPI. Assim consta na decisão recorrida: IPI. EQUIPARAÇÃO À INDUSTRIAL. Com base nas cópias de notas fiscais emitidas pela contribuinte (com destaque de IPI) obtidas junto a seus clientes, no procedimento de circularização de informações, o Fisco entendeu ter a empresa optado voluntariamente pela equiparação a industrial e lançou de ofício os valores de IPI não destacados nas notas fiscais de saída, de acordo com as classificações fiscais na NCM e alíquotas constantes da TIPI. Além do IPI devido sobre a “omissão de receitas” de origem não comprovada. O contribuinte, por sua vez, alegou que a atividade da Real Vet era de "comercio atacadista de outros produtos químicos e petroquímicos não especificados" e, nesta condição, não seria contribuinte do IPI. E que o Fisco não teria provado corretamente a opção pela equiparação. Alegouse, ainda, que a empresa pode praticar operações comerciais e industriais conjuntamente. Que o fato gerador do IPI é a industrialização de produtos, e não a comercialização. Que a empresa Grampos Aços Ltda, cujas notas fiscais somam o valor de R$ 3.772.082,50, não teve que em nenhuma o destaque do IPI, tratandose unicamente de mercadoria comercializada e não fabricada. As informações trazidas pela Print Cor, no valor de R§ 3.710.900,00, cujas notas fiscais não tem destaque do IPI, também revelam tratarse de comercialização. A Química Araguaya Ltda que informa ter adquirido o valor de R$ 1.324.858,65, também de comercialização. A informação prestada pela Pctite Marie Química Ltda., que comprou mercadorias no valor de R$ 8.749.377,00 não atendeu ao determinado pela fiscalização, sendo certo que referida empresa não foi sequer reintimada a esclarecer os fatos, não podendo ser atribuído o fato gerador do IPI quando não restar comprovada a industrialização. Nestes casos, não poderia ter ocorrido a tributação do IPI, e muito menos a uma alíquota presumida de 15%. Fl. 5374DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.375 24 Todas as notas fiscais da Platunion revelam que a alíquota do IPI cobrada foi de 5%, jamais de 15%. Primeiramente, há que se observar que todas as operações em que houve a identificação da classificação fiscal/alíquota ou do produto foram tributadas às alíquotas correspondentes, conforme se pode observar das relações de notas fiscais e anexos constantes do auto de infração. Quanto à equiparação a industrial, devese ter em mente que o contribuinte, embora comercial atacadista (empresa não industrial), pode optar por se equiparar à industrial nas operações de saída e destacar o IPI em suas notas fiscais. Pareceme ser este o caso do contribuinte, já que este deu saída a vários de seus produtos com o destaque do IPI (fato comprovado nos autos). O que se discute é se nesta equiparação à industrial, podese dar saídas tributadas e não tributadas pelo imposto. Claro que uma empresa pode ter atividades mistas e, para umas operações ser industrial e outras comercial, destacando o IPI somente nas atividades em que existir a industrialização. Mas aqui, o caso é outro. A empresa não é mista, ou seja, não é industrial e comercial. Como já dito anteriormente, o contrato social do contribuinte prevê seu objeto como sendo “comercial atacadista”. Estamos falando de equiparação industrial por opção, ou seja, a empresa comercial atacadista se equipara a industrial nas suas operações de vendas, todas elas, pois não pode haver a opção parcial, ou seja, somente para algumas operações de vendas, ou para operações com algumas empresas clientes e outras não. Assim, dada a equiparação a industrial, todas as saídas da empresa comercial atacadistas devem ser tributadas pelo IPI. Conforme se observa, a decisão de primeira instância entendeu que o contribuinte, ao destacar IPI em algumas saídas, havia optado pela equiparação a industrial. Concluiuse ainda que com a equiparação a industrial, ainda que por opção, todas as saídas de produtos do estabelecimento do autuado estariam sujeitas à incidência de IPI. Discordo de tal entendimento. Vejase o que dispõe a legislação a respeito do tema, em especial o Regulamento do IPI vigente durante os períodos de apuração objeto da exigência (Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002): Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores; e [...] Opção e Desistência Fl. 5375DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.376 25 Art. 12. O exercício da opção de que trata o art. 11 será formalizado mediante alteração dos dados cadastrais do estabelecimento, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, para sua inclusão como contribuinte do imposto. Parágrafo único. A desistência da condição de contribuinte do imposto será formalizada, também, mediante alteração dos dados cadastrais, conforme definido no caput deste artigo. Art. 13. Aos estabelecimentos optantes cumprirá, ainda, observar as seguintes normas: I ao formalizar a sua opção, o interessado deverá relacionar, no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência modelo 6, os produtos que possuía no dia imediatamente anterior àquele em que iniciar o regime de tributação ou anexar ao mesmo relação dos referidos produtos; II o optante poderá creditarse, no livro Registro de Apuração do IPI, pelo imposto constante da relação mencionada no inciso I, desde que, nesta, os produtos sejam discriminados pela classificação fiscal, seguidas dos respectivos valores; III formalizada a opção, o optante agirá como contribuinte do imposto, obrigandose ao cumprimento das normas legais e regulamentares correspondentes, até a formalização da desistência; e IV a partir da data de desistência, perderá o seu autor a condição de contribuinte, mas não ficará desonerado das obrigações tributárias decorrentes dos atos que haja praticado naquela qualidade. Conforme se observa, os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção para estabelecimentos industriais ou revendedores, podem, por opção, se equiparar a estabelecimento industrial. O conceito de bens de produção encontrase disciplinado no art. 519 do RIPI/2002: a) as matériasprimas; b) os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final,sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; c) os produtos destinados a embalagem e acondicionamento; d) as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; e e) as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no processo industrial. Por meio do Parecer Normativo nº 6/79, a Receita Federal esclareceu que são produtos intermediários as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem assim quaisquer outros Fl. 5376DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.377 26 bens que não sendo partes nem peças de máquinas, sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, sendo, portanto, consumidas no processo industrial, ainda que, ao final, apresentem partes residuais. É importante ressaltar, contudo, que a opção da pessoa jurídica por se tornar um estabelecimento industrial, por equiparação, não se dá de forma tácita, pelo contrário, há de se formalizar a opção mediante alteração cadastral, nos termos do art. 12 do RIPI/2002, e somente a partir de então tal estabelecimento passará a ser contribuinte do IPI. A própria Receita Federal reconhece ser esse o procedimento: A opção de equiparação a industrial pode ser formalizada a qualquer tempo pelo interessado, através de alteração dos dados cadastrais junto ao CNPJ. Tal alteração, à luz da legislação específica, só pode ser realizada através de apresentação de documento por meio magnético.” (Solução de Consulta nº 16/2001 da 7ª RF). ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL POR OPÇÃO. Equiparamse a estabelecimento industrial por opção os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção para estabelecimentos industriais ou revendedores. Tal equiparação resulta na tributação de todos os bens de produção saídos do estabelecimento optante. O exercício da opção será formalizado mediante alteração dos dados cadastrais do estabelecimento, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, para sua inclusão como contribuinte do imposto. (Solução de Consulta nº 322/2010 da 8ª RF) Compulsando os autos, constatase que tal opção inexiste. É incontroverso também que a pessoa jurídica autuada era uma empresa “comercial atacadista”. Portanto, em que pese haver destaque de IPI em algumas notas fiscais obtidas pelo Fisco, não sendo contribuinte do IPI, não há que se falar em débito do imposto. O IPI destacado em tal nota fiscal não o transforma automaticamente em contribuinte do IPI, dando ensejo, isso à restituição dos valores pagos, desde que ultrapassados os óbices impostos pelo art. 166 do Código Tributário Nacional. Nesse cenário, a ausência de qualquer modalidade de industrialização praticada pela autuada, e a inexistência de opção do contribuinte para ser considerado estabelecimento industrial, já se pode afirmar que a exigência deve ser cancelada integralmente. Mas há outros pontos que reforçam a inviabilidade de manutenção da exigência. Ao contrário do que afirmado pela decisão de primeira instância, ainda que houvesse sido formalizada a opção por estabelecimento industrial, por equiparação, não são todas as saídas do estabelecimento que estariam sujeitas a incidência de IPI: somente nas saídas de bens de produção e que fossem encaminhadas para estabelecimentos industriais ou revendedores estariam sujeitas ao destaque do imposto. Se os produtos não se referissem a bens Fl. 5377DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.378 27 de produção, ou se os destinatários não fossem estabelecimentos industriais ou revendedores, não haveria que se falar em débito de imposto. A esse respeito, assim discorre Raymundo Clovis do Valle Cabral1: A equiparação resulta na tributação de todos os bens de produção saídos do estabelecimento optante. Não tem cabimento, portanto, o procedimento consistente em destacar o imposto sobre determinados produtos e não destacar sobre outros, desde que conceituados como bens de produção e saídos para revendedores ou industriais (PN nº 98/75 e ADN nº 16/75). Uma vez adotada a opção, e enquanto prevalecer esta, agirá o optante como contribuinte do imposto relativamente aos bens de produção que saírem de seu estabelecimento e que sejam destinados a industriais e revendedores. As hipóteses previstas no dispositivo em questão têm de ocorrer cumulativamente: saída de bens de produção e que esses bens se destinem a industriais, para emprego no processo industrial, ou a comerciantes (atacadistas ou varejistas), para revenda. [grifos nossos] A Solução de Consulta nº 322/2010 reproduzida alhures também confirma tal exegese. Desse modo, é assente na legislação vigente que não se pode falar em lançamento do IPI quando da saída de bens de produção para estabelecimentos (ou pessoas) diferentes das referidas (industriais ou revendedores). Aliás, o Regulamento do IPI é claro que, embora o estabelecimento equiparado a industrial por opção possa se creditar de IPI em suas aquisições de bens de produção, deverá estornar tais créditos quando venderem seus bens de produção a pessoas que não sejam industriais ou revendedores. Vejase o disposto nos arts. 164 e 193 do RIR/2010: Dos Créditos Básicos Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; [...] Estorno de Créditos Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): [...] II relativo a bens de produção que os comerciantes, equiparados a industrial: 1 MASCARENHAS, Raymundo Clovis do Valle Cabral. Tudo sobre IPI. Imposto Sobre Produtos Industrializados. São Paulo: Aduaneiras, 2008. 6. ed. p. 61. Fl. 5378DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.379 28 a) venderem a pessoas que não sejam industriais ou revendedores; [...] E tal estorno de crédito se dá justamente por não haver incidência de IPI nessa hipótese. Portanto, não há como se querer tributar todas as saídas ou receitas auferidas pela pessoa jurídica autuada. Observase que a exigência imputou IPI à omissão de receitas a que se refere o processo principal de IRPJ e a todas as notas fiscais de saída que a Fiscalização recuperou em seu procedimento de circularização, o que se mostra absolutamente equivocado tanto pela ausência de opção do contribuinte a estabelecimento industrial por equiparação, tanto por extrapolar a incidência de IPI a todas as receitas auferidas e produtos vendidos pelo sujeito passivo, e independentemente de os destinatários dos produtos serem estabelecimentos industriais ou revendedores. Além disso, tratandose de tributo não cumulativo, e tendo a própria Fiscalização obtido inúmeras notas fiscais de aquisições realizadas pelo sujeito passivo, se ainda fosse possível a realização do lançamento, era sua obrigação reconstituir a escrita fiscal do contribuinte, imputandolhe os créditos de IPI que faria jus em relação a tais aquisições de bens de produção ou produtos que estivessem sujeitos à incidência de IPI na saída. Por todas essas razões, hão de ser providos integralmente os recursos voluntários em razão da insubsistência da exigência. E, em razão de tal provimento, a apreciação do recurso de ofício resta prejudicada. Deixo claro que a presente exoneração não possui qualquer correspondência com os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, uma vez que as inconsistências detectadas no presente processo dizem respeito exclusivamente à legislação do IPI. Obviamente, se estivessem presentes todos os elementos necessários para manutenção do lançamento de IPI, assim encaminharia meu voto, no sentido de manter absolutamente o mesmo entendimento firmado no acórdão 1302001.921, inclusive no tocante à responsabilidade atribuída aos coobrigados. Fl. 5379DF CARF MF Processo nº 13896.721403/201323 Acórdão n.º 1301002.690 S1C3T1 Fl. 5.380 29 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por considerar prejudicado o exame do recurso de ofício e dar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 5380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.902370/2011-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB confirme, ou não, o alegado pela Recorrente em relação aos valores objeto desse processo, ou seja, que o débito já se encontra inscrito em Dívida Ativa e sendo pago pela Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB confirme, ou não, o alegado pela Recorrente em relação aos valores objeto desse processo, ou seja, que o débito já se encontra inscrito em Dívida Ativa e sendo pago pela Contribuinte. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB confirme, ou não, o alegado pela Recorrente em relação aos valores objeto desse processo, ou seja, que o débito já se encontra inscrito em Dívida Ativa e sendo pago pela Contribuinte. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido ela 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (efl. 23 e ss): Tratase de declaração de compensação transmitida em 28/12/2007 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 5.268,94, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 6912, do período de apuração de 03/2004, no valor de R$ 6.218,19. A Delegacia de origem, em análise datada de 01.02.2012, registra que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 02 37 0/ 20 11 -0 7 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10280.902370/201107 Resolução nº 3001000.004 S3C0T1 Fl. 3 2 (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega: “(...) vem através desta manifestação de inconformidade (...) contestar pelos seguintes motivos: 1) O Despacho Decisório informa que o pagamento informado na PERDCOMP foi utilizado parcialmente em outra PERDCOMP e na quitação de outro débito. Sendo que o débito quitado na PERDCOMP nº 31937.09257.2812.07 foi inscrito na Dívida Ativa da União em 10/12/2008, através da inscrição 20 6 08 00344990. Estando atualmente parcelado, conforme extrato em anexo. 2) Considerando que o débito se encontra inscrito em Dívida Ativa da União, cuja inscrição foi feita pela Delegacia de Belém, onde se encontra parcelada, não cabe a cobrança do mesmo, pois estaria havendo a cobrança em duplicidade. Com base no exposto acima, requeremos que o Despacho Decisório seja revisto, para que seja cancelado o débito. A DRJ/Belo Horizonte ementou da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. A declaração de compensação não pode ser homologada quando não reste comprovada a existência do direito creditório apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário (efl. 253 e ss), a Recorrente, em suma, repete o pedido de cancelamento do débito por duplicidade de cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães – Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10280.902370/201107 Resolução nº 3001000.004 S3C0T1 Fl. 4 3 O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 12.771,66 (efl. 7), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A Recorrente afirma que o Despacho Decisório deve ser cancelado porque o débito lá reclamado já teria sido inscrito em Dívida Ativa e a mesma estaria pagando seu débito parceladamente. Entendo que não há nos autos elementos suficientes para comprovar, ou não, que os valores em litígio estejam sendo cobrados em duplicidade. Assim, para que se possa concluir sobre as matérias em questão, fazse necessária, preliminarmente, a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB confirme, ou não, o alegado pela Recorrente em relação aos valores objeto desse processo, ou seja, que o débito já se encontra inscrito em Dívida Ativa e sendo pago pela Contribuinte. Após a conclusão da diligência pela unidade de origem, o processo deverá retornar ao CARF, concluso para julgamento. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005468/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 54 68 /2 00 7- 05 Fl. 981DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10410.005468/200705 Acórdão n.º 2202004.189 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 983DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901286/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. Recorrente CENTRO PRUDENTINO DE IMAGEM S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 12 86 /2 00 9- 20 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar débitos de CSLL, PIS e COFINS com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante a constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 15/09/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado em 20 de dezembro de 2012 (fl. 136), apresentou recurso voluntário em 21 de janeiro de 2013 (fl. 138), alegando, em síntese: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente: que resposta a consulta por ele apresentada lhe confere o direito à utilização dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, para apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que se enquadra como empresa prestadora de serviços hospitalares; que demonstrou que o crédito utilizado na compensação é oriundo do pagamento indevido correspondente a quota do IRPJ, cuja declaração foi retificada tendo em vista a resposta da consulta. Nesse sentido, comprovou que o apontamento do débito pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a retificação da DIPJ, a qual foi alterada gerando respectivo crédito. que por ocasião da manifestação de inconformidade juntou aos autos cópia do CNPJ, contrato social, solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 466, de 15 de dezembro de 2008; PER/DCOMP; DIPJ; DCTF e os comprovantes de pagamento indevido, e sustenta que tais documentos são hábeis e suficientes para demonstrar que exerce atividade de prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos, na medida em que (i) o seu objeto social está circunscrito, pura e simplesmente, no exercício das referidas atividades; (ii) no seu CNPJ estão cadastrados os seguintes CNAES: 86.40299 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica não especificadas anteriormente; 86.40206 Serviços de ressonância magnética; 86.40204 Serviços de tomografia; 86.40 205 Serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia; 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética; (iii) sua DIPJ revela que toda a receita operacional percebida pela Recorrente tem sua origem única e exclusivamente na prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos. que, não obstante, a documentação acima foi considerada insuficiente pela DRJ, do que resta configurada a hipótese do artigo 16 do Decreto 70.235/72, que lhe autoriza a juntada de documentação complementar para contrapor os argumentos dessa decisão, qual seja: declaração do contador da empresa de que a Recorrente exerce exclusivamente serviços de radiologia (173); Licença de Funcionamento da Vigilância Sanitária em que se verifica que a atividade de "serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia" (174). Alega ter juntado ainda cópia da folha do livro razão, mas o documento não se encontra nos autos. afirma, ainda, a necessidade superveniente de realização de diligência, haja vista que "emite, em média, um número muito grande de notas fiscais por mês, o que tornaria inviável carrear aos autos todas as notas fiscais". Discorre sobre a necessidade de a autoridade administrativa na busca de efetividade nas suas decisões perquirir sempre em busca da verdade material, alegando que esta tinha por dever funcional determinar a realização de diligências para se determinar a efetiva natureza da atividade exercida pela empresa. Aponta assistente técnico para tanto. que a DRJ pretende uma prova impossível de ser produzida por meio de documentos contábeis, pois nem mesmo se a recorrente juntasse aos autos todas suas notas fiscais juntamente com todos seus registros contábeis a Autoridade Julgadora não poderia chegar à conclusão pretendida quanto à exclusiva prestação de serviços hospitalares. Sustenta, assim, que cabe à Administração Pública comprovar que a Recorrente não exerce efetivamente as atividades de serviços de radiologia e radiodiagnóstico. reitera o argumento referente à nulidade do despacho decisório pois os dispositivos legais invocados seriam inadequados para a conclusão que o Fisco pretende alcançar, vez que tratam da possibilidade de compensação entre pagamentos indevidos de imposto e débitos de imposto a pagar, em nenhum momento estabelecendo em quais condições Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 5 4 uma Declaração de Compensação apresentada por determinado contribuinte pode ser considerada como irregular, e, portanto, nãohomologável. Além disso, foram aplicados correção monetária, juros e multa, sem no entanto se invocar nenhum dispositivo legal que legitimasse tal pretensão. No mérito: afirma que uma das razões para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi o pretenso descumprimento do requisito: “ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil;”. Todavia, o STJ já julgou em sede de recurso repetitivo que "para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).". Transcreve ementas de julgados do STJ e deste CARF neste sentido. sustenta que ainda que assim não se entenda, é cediço que a natureza empresária da sociedade deve ser analisada mais sob o aspecto material do que sob o aspecto formal, ou seja, é plenamente possível que uma sociedade constituída sob a forma de sociedade simples, mas que ostente todas as características de uma sociedade empresarial, seja assim considerada. por fim, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma presunção por parte das autoridades fiscais sem qualquer respaldo probatório, sendo certo que as provas carreadas aos autos demonstram a efetividade da existência do indébito tributário utilizado na compensação. É o relatório. Voto Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.124, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10835.901284/200931. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.124): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No mérito, primeiramente vislumbro um equívoco quanto à premissa adotada pelo despacho decisório proferido, já que este indeferiu a compensação sob a alegação de que inexistem créditos de IRPJ em um contexto em que a DIPJ e a DCTF, tais como retificadas (em retificações ocorridas antes do despacho decisório), contemplavam tais valores. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 6 5 De fato, o Recorrente transmitiu o PER/DCOMP pleiteando a compensação dos créditos ora em análise e alega, ademais, que o direito creditório a seu favor teria sido gerado por ocasião da retificação da DIPJ e da DCTF, após o que o valor do IRPJ a pagar foi reduzido para zero. O despacho decisório que não homologou a compensação foi emitido meses depois. Assim, à época do despacho decisório, o cenário que a autoridade fiscal tinha era a de que o IRPJ "autolançado" em DCTF pelo ora Recorrente era zero e de que a DIPJ contemplava os créditos pleiteados na DCOMP. De fato, a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. No caso, se a empresa apresenta DIPJ e DCTFs contendo tributos a pagar e depois as retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. Isso porque, no mundo jurídico, o débito de IRPJ passou a não mais existir após a transmissão das declarações retificadoras. Assim, se o fisco pretendia cobrar o IRPJ no valor tal como transmitidas a DIPJ e DCTF originais ou seja, se pretendia de alguma forma questionar as retificações deveria ter constituído o crédito tributário por meio do lançamento do tributo. Portanto, da forma como se mostra, o cenário na época da homologação das compensações em questão era de inexistência de débito (lançado ou autolançado) de IRPJ e, por consequência, de aparente existência do crédito pleiteado na compensação tal como declarado na DIPJ retificadora, devendo ser verificada apenas a regularidade de tal crédito ou seja: se os alegados pagamentos efetivamente foram efetuados (e, em se tratando de IRRF, também se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação). Assim, a DRF deveria ter analisado o crédito pleiteado nas compensações levando em consideração que o débito de IRPJ do anocalendário constante das DIPJ e DCTF retificadoras era zero, conforme declarações retificadoras. Pois bem. Em segundo lugar, noto que a razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 7 6 Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 8 7 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportaria pgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 9 8 Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Ante o exposto, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 10 9 compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário e determino que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12%, nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002309/2006-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
COOPERATIVA - ATOS COOPERADOS , NÃO TRIBUTAÇÃO.
-A cooperativa, uma vez não descaracterizada sua natureza, tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre seus resultados decorrentes dos atos cooperados, não havendo possibilidade de se exigir tributos sobre esses atos.
RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. AÇÃO CAUTELAR, EFEITO NÃO VINCULATIVO, EC .33/2001 - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA, A decisão exarada em Ação Cautelar pelo Supremo Tribunal Federal, a respeito da imunidade das contribuições sociais sobre as receitas de exportação, instituída pela EC 33/2001, só tem validade entre as partes e,
portanto, não tem o condão de alterar a incidência da tributação da CSLL sobre essas receitas aos demais sujeitos passivos.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO, DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO
A multa isolada, pela falta de pagamento das estimativas mensais da CSLL a que está sujeita a pessoa jurídica, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio pela falta de pagamento da CSLL anual, porque os fundamentos legais e os bens jurídicos protegidos são distintos A data de início do prazo decadencial para imposição da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais do ano calendário de 2001 somente se inicia em 01/01/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 1202-000.294
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação o item RESULTADO POSITIVO COM SÓCIOS (cooperados), Quanto às outras matérias, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o Relator, Orlando José Gonçalves Buena, e os Conselheiros André Ricardo Lemes da Silva e Nereida de Miranda Finamore Horta que lhe davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Ausente justificadamente a Conselheira Valeria Cabral Géo Verçoza.
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10925,00230912006-60 Recurso n° 177,180 Acórdão n0 1202-00.294 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria CSLL Recorrente COOPERATIVA REG AGROPECUARIA CAMPOS NOVOS Recorrida 3' Turma/ DRJ/ FNS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA - ATOS COOPERADOS , NÃO TRIBUTAÇÃO. -A cooperativa, uma vez não descaracterizada sua natureza, tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre seus resultados decorrentes dos atos cooperados, não havendo possibilidade de se exigir tributos sobre esses atos. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. AÇÃO CAUTELAR, EFEITO NÃO VINCULATIVO, EC .33/2001 - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA, A decisão exarada em Ação Cautelar pelo Supremo Tribunal Federal, a respeito da imunidade das contribuições sociais sobre as receitas de exportação, instituída pela EC 33/2001, só tem validade entre as partes e, portanto, não tem o condão de alterar a incidência da tributação da CSLL sobre essas receitas aos demais sujeitos passivos. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO, DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO A multa isolada, pela falta de pagamento das estimativas mensais da CSLL a que está sujeita a pessoa jurídica, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio pela falta de pagamento da CSLL anual, porque os fundamentos legais e os bens jurídicos protegidos são distintos A data de início do prazo decadencial para imposição da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais do ano calendário de 2001 somente se inicia em 01/01/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n õ 10925002309/2006-60 S1-C2112 Acórdão n.' 1202-00.294 Fl. 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação o item RESULTADO POSITIVO COM SÓCIOS (cooperados), Quanto às outras matérias, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o Relator, Orlando José Gonçalves Buena, e os Conselheiros André Ricardo Lemes da Silva e Nereida de Miranda Finamore Horta que lhe davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Ausente justificadamente a Conselheira Valeria Cabral Géo Verçoza. ..),,,....., elson Lósso r ilho ji.lit> idente(&---- 1/ 4 ' OrlandkY José Ge' , lves Bueno — Relator \ --'-ê- ar<s Alberto e nassolo — Redator designado 0 2 SFT Presentes os seguintes Conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, André Ricardo Lemes da Silva, Darei Mendes de Carvalho lho, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Cif 2 Processo ri° 10925.002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n 1202-00194 Fl 3 Relatório Trata-se de exigência de oficio da CSLL, referente ao ano de 2001, 2002, 2003 e 2004 relativamente as seguintes infrações: 1- Base de cálculo negativa de períodos anteriores, compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, aplicado em 2002, referente 2001; 2- Apuração incorreta da CSLL, decorrente de exclusões de resultado positivo nas operações com sócios e de resultado positivo nas exportações, referente a 2001 e 2002; 3- Multas isoladas por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, em função da exclusão indevida de resultado positivo nas operações com sócios e de resultado positivo nas exportações, referente a 2001, 2002,2003 e 2004. O sujeito passivo foi cientificado em 23 de novembro de 2006, conforme fis.04 dos autos. Tempestivamente apresenta a contribuinte sua impugnação, fundamentando seu entendimento nos seguintes argumentos: - quanto a exclusão de valores de resultados de exportações entende aplicável a não incidência prevista na Emenda Constitucional no, 33/2001, posto que tal imunidade da receita de exportação atinge igual efeito quanto ao lucro, visto que esse é espécie daquela; - quanto a multa isolada entende inacumulável com a multa de oficio por duplicidade de incidência sobre a mesma base; - aduz considerações quanto ao mérito alusivas a distinção do tratamento de resultado das cooperativas que produzem "sobras" e "lucros"; - impugna o alcance dos artigos 39 e 48 da Lei n. 10.865/2004, posto que somente com o advento desse diploma legal foi reconhecida a isenção da CSLL sobre atos cooperativos, mas que a imunidade é anterior em decorrência da emenda constitucional, sendo que se fez necessário realizar um corte temporal para que a Fazenda Nacional estancasse os lançamentos levados a efeito até 2004, A DRJ julgou o lançamento procedente em parte, para reduzir somente a multa isolada de 75% para 50%, conforme autorizado pelo Lei no, 11,488/2007, que alterou o art. 44 da Lei no, 9,430/96 no que se refere ao percentual dessa penalidade, adotando a seguinte ementa: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. ã- CY71° 3 Processo n" 10925..002309/2006-60 SI-C2T2 Acórdfio n° 1202-00194 F1 4 Ano-calendário: 2001, 2002, 2003,2004 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos às operações internas ou de exportação, com associados ou não (Lei no.8.212, de 1991, art 10, Lei no. 7.689, de 1988, art, 40 e IN SRF no. 198, de 1988). O fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluí-la do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados ("sobras"), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto a distribuição de lucro deve guardar relação com a contribuição de cada sócio na formação do capital ( Lei no, 6.404, de 1976, art. 187). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ano-calendário: 2001, 2002, 2003,2004 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. DECADÊNCIA. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA TERMO INICIAL DA CONTAGEM. A contagem do prazo decadeneial qüinqüenal para formalização de lançamento de multa de oficio aplicada isoladamente, em relação às estimativas mensais da CSLL não-recolhidas, rege-se pelo disposto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional; assim, seu termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Os contribuintes que deixaram de recolher no curso do ano-calendário as parcelas devidas a título de antecipação (parcelas de estimativa) do IRPJ ou da CSLL, sujeitam-se à multa de oficio de cinqüenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de oficio não se confunde com aquela aplicada sobre o IRRI e CSLL apurados no ajuste anual, não pagos no vencimento, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridade administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. o* 4 Processo ri° 10925 002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n ° 1202-00.294 Fl. 5 RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI, MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. REDUÇÃO DE 75% para 50%. Aplica-se a ato ou fato pretérito — tratando-se de ato não definitivamente julgado — quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, Lançamento Procedente em Parte." Portanto, procedeu redução da multa isolada de 75% para 50%. E como exonerou valor abaixo do valor de alçada, que é, à data do julgamento, de R$ 1.000.000,00, não há remessa necessária para esta segunda instância de julgamento administrativa A contribuinte interpôs seu recurso voluntário, alegando os mesmos fundamentos já explicitados na sua peça impugnatória, acrescendo o argumento do prazo decadencial em relação a multa isolada a partir do mês de janeiro de 2001, sendo que os autos foram cientificados em 23 de novembro de 2006, donde se segue que relativamente aos fatos geradores ocorridos até o dia .31 de outubro de 2001, ocorreu a decadência, pela simples razão de que o lançamento da multa deve seguir a regra do próprio tributo — lançamento por homologação- na esteira da jurisprudência deste E,Conselho, em não se constatando evidência de intuito de fraude, ou qualificadora da m ,Ita cominada, Eis o sucinto relatório. - _ .,y diin l' ilik 5 Processo nú 10925002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão o ° 1202-00.294 Fl 6 Voto Conselheiro Relator, Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal — tempestividade, parte legítima e pedido pertinente — conheço as razões recursais. Há duas questões principais no objeto do presente lançamento. A primeira contém a segunda e uma vez decidida pode resolver, parcialmente, a problemática da segunda questão. Assim, a primeira diz respeito ao sentido e alcance da Emenda Constitucional ri. 33, de 2001, que trata da imunidade tributária relativa as receitas de exportações. A segunda, por sua vez, cuida da análise quanto a tributação das cooperativas. Como matéria discutível também se apresenta a sanção cominada, como multa isolada, e a cumulatividade com a multa de oficio do lançamento e, nesse aspecto, a questão do cabimento, ou não, da decadência suscitada para tal multa, no período até 31 de outubro de 2001, Passemos a análise da primeira questão. A Emenda Constitucional no. 33/2001 já foi apreciada pela Suprema Corte, conforme Ação Cautelar, n. 1.738-6, Sessão Plenária de 17/09/2007, Rel, Min. César Peluso, DJ, de 19/10/2007, neste ato parcialmente transcrito os dizeres do i.relator: "A Emenda Constitucional no. 33, em 12 de dezembro de 2001, modificou o texto do art. 149 da Constituição da República, afastando, no parágrafo 2. inc, 1 sobre as receitas decorrentes de exportação, incidência de todas as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, entre as quais a de que cuida esta ação, a CSLL. Tal imunidade implicou verdadeira limitação ao poder de tributar, com estender', sem restrição nem distinção alguma, o campo da não-incidência ou da incompetência tributária, às 'receitas decorrentes de exportação', genericamente consideradas, as quais já não podem ser alvo de contribuições sociais de nenhuma espécie, quer incidam, formal e nominalmente, sobre a receita (art, 195, inol ir', como o PIS/COFINS), quer atinjam o lucro (195, 1, 'c), É que o lucro, como entidade e vantagem provinda das receitas de exportação, não pode ser atingida, de maneira transversa, por nenhuma contribuição social, vedada que está, a incidência desta sobre aquelas. Se se não pode tributar o mais (as receitas), a fortiori, não se pode gravar o menos (o lucro). 6 Processo e 10925.002309/2006-60 SI-C2T2 Acórdão n° 1202-00,294 Fl 7 Não deixa dúvida a respeito de sua natureza, a conceituaçã'o de lucro, qualquer que seja o .fim que se considere, fiscal, contábil ou econômico. A CSLL incide sobre o resultado do exercício, ajustado por adições e exclusões previstas no art.. 2, parágrafo 1°, da Lei federal n. 7,689/88. Mas esse lucro nada mais é do que o resultado positivo do exercício, ou seja, o valor das receitas da empresa, descontados os custos e despesas operacionais e não-operacionais. (-) O lucro, portanto, embora não se confunda com a receita, desta depende estruturalmente, como uma elaboração do seu conceito mesmo". Não obstante a decisão do STF ainda não tenha efeito vinculante, eis que pronunciada em sede de controle difuso de constitucionalidade, no trecho acima reproduzido bem se vê o conceito de lucro, como espécie de receita, cujo vocábulo foi empregado no texto da emenda constitucional analisada. Impende lembrar que o STF é órgão decisório máximo no sistema jurídico brasileiro, que imprime definitividade à interpretação normativa, dizendo, efetivamente, o que é o direito. Não se está discutindo, nesta instância administrativa, qualquer argumento de constitucionalidade, ou inconstitucionalidade, com o objetivo de declarar uma, ou outra situação neste processo, mas e tão somente, o entendimento de alcance e sentido da Emenda Constitucional n, 3.3/2001, na esteira do pronunciamento oficial do STF. A citada emenda, alterando o artigo 149, parágrafo segundo, inciso 1 da Constituição Federal, a meu ver, contemplou a CSLL, posto que a própria Suprema Corte já se posicionou no sentido de que as contribuições sociais previstas no artigo 149 da CF desdobram-se em : a) contribuições de seguridade social; b) outras de seguridade social e, c) contribuições sociais gerais, tendo afirmado ainda, que as primeiras, ou seja, as de 'seguridade social' são as disciplinadas no artigo 195, incisos I, II e III da Carta Maior (RE 138,284/CE, de 01/07/1992). Entendo, destarte, que se encontra ao alcance da imunidade tributária, a CSLL, pela sua própria natureza e vinculação, nos termos estabelecidos pela Lei n. 7.689/88, dizendo em seus artigos 1 e 20: "Art. 1" Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao .financiamento da seguridade social, Art, 2"A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda" À luz da questão ora suscitada, inclusive quanto ao entendimento anterior a EC 33/2001 relativamente a tributação da CSLL sobre as receitas de exportações, tal situação ocorreu porque somente existiam os diplomas legais ordinários que isentavam as receitas de exportações nas bases de cálculo do PIS e da COF1NS, e que, após o advento da EC 33/2001, o tratamento que exclui as receitas de exportações das contribuições sociais, agora, aí, incluída a CSLL, ficou expressamente previsto em sede constitucional, como expressa regra-matriz de imunidade, com toda a força e soberania do preceito constitucional. , (:) " " 7 Processo n° 10925.002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n a 1202-00.294 Fl 8 A exegese constitucional pronunciada pelo STF, como dito, ainda que não vinculante do Poder Judiciário e da Administração Pública, direta e indireta, denota a expressão do conteúdo normativo do texto constitucional ora examinado, ou seja, um 'processo concretizador da norma da constituição com a atribuição de wn significado aos' enunciados lingüísticos do texto constitucional" pelos dizeres do prof. J,J,Gomes Canotilho (Direito Constitucional e Teoria da Constituição, Almedina, 7. , Ed,p1215), Pois bem, o renomado autor constitucionalista ainda preleciona, na obra citada, à página 1,221: "O processo de concretização normativo-constitucional, iniciado com a mediação do conteúdo dos enunciados lingüísticos (programa normativo) e com a seleção dos dados reais constitutivos do universo exterior abrangidos pelo programa da norma, conduz-nos a uma primeira idéia de norma juridico-constitucional: modelo de ordenação material prescrito pela ordem jurídica como vinculativo e constituído por (a) uma medida de ordenação linguisticamente formulada (ou captada através de dados lingüísticos); (b) um conjunto de dados reais selecionados pelo programa normativo (domínio normativo). A este nível, a norma jurídica é ainda uma regra geral e abstrata, que representa o resultado intermédio do processo concretizador, mas não é ainda imediatamente normativa. Para se passar da normatividade mediata para normatividade concreta, a norma jurídica precisa de revestir o carácter de norma de decisão," Referindo-me a esse modelo teórico de entendimento e sentido da regra constitucional, pode-se deduzir a geração, como resultado do processo administrativo fiscal, na realidade concreta do caso, da aludida norma de decisão, em idêntico procedimento e sentido da interpretação formulada pelo STF no caso concreto (com as devidas diferenças, pois se trata do órgão máximo de jurisdição de nosso ordenamento), que lhe foi submetido relativamente a exclusão das receitas de exportações na base de cálculo da CSLL, pelo pronunciamento no processo cautelar sobredito. Portanto, adotando o mesmo modelo decisório, sem invadir a competência jurisdicional exclusiva do Poder Judiciário, verifica-se que o diploma legal que instituiu a CSLL, em seu artigo 1°, criou sua regra-matriz, e logo em seguida, por seu art. 2, a respectiva base de cálculo, Mais especificamente, a regra-matriz de incidência da CSLL, ou fato gerador da obrigação tributária, sob a ótica clássica doutrinária, é, como regra geral e abstrata, o LUCRO, cuja arrecadação, como sói acontecer com a espécie tributária das contribuições, está vinculada à seguridade social, sendo sua base de cálculo, o VALOR DO RESULTADO DO EXERCÍCIO, ANTES DA PROVISÃO PARA O IMPOSTO DE RENDA, ou seja, o lucro líquido apurado no exercício., Pois bem, a regra constitucional, alterada pela Emenda Constitucional n. 33/2001, por seu lado, criou a regra-matriz da imunidade tributária, sobre as contribuições sociais destinadas à seguridade social, como bem explicitado no voto do ministro do STF acima mencionado, Por isso, cotejando a regra- matriz da CSLL, com a regra-matriz constitucional da imunidade tributária, há consonância da regra inferior em relação a superior, ou seja, adequa- se, ajusta-se harmonicamente o conteúdo do programa normativo constitucional com o o 0p) . 8 Processo n° 10925 002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão ri ° 1202-00.294 Fl. 9 conteúdo do programa normativo da lei ordinária, específica que instituiu a CSLL e sua base de cálculo. Em suma, significa que a CSLL está entre as contribuições sociais que recebem o efeito imunizante, na sua composição da base material de incidência, sobre as receitas de exportações. E, mais uma vez ponderando a regra geral e abstrata, seja no plano constitucional, seja no plano infra-constitucional, com sua lei ordinária de criação da CSLL, e a realidade apurada nos autos pela autoridade administrativa fiscalizadora, compreende-se que, aqui, foi exigida a inclusão da rubrica "resultado positivo das exportações", fls. 05, na base de cálculo da CSLL, objeto do lançamento de oficio, em desconformidade com a regra constitucional imunizadora dessa exigência. Contudo tenha sido esse o entendimento da autoridade lançadora, a meu ver, não guarda ela consistência e fundamento de validade em face a regra-matriz constitucional da imunidade tributária sobre receitas de exportações para contribuições sociais prescrita pela E.C. .33/2001, afetando diretamente o interesse do Poder Tributante para exigir o cumprimento de obrigação tributária, afastada que foi pela imunidade estabelecida na superior regra constitucional em comento, Criou-se uma limitação ao poder de tributar as receitas de exportações, no âmbito da composição das bases de contribuições sociais, dentre as quais se insere a CSLL. Pelo exposto, neste aspecto, sou por admitir fundamento jurídico aos argumentos da Recorrente, acolhendo as razões recursais para dar provimento, a fim de excluir as rubricas denominadas "resultados positivos das exportações" do presente lançamento. Enfrentada uma questão relevante, passa-se a outra questão, que é a tributação das receitas oriundas de atos cooperados e atos não cooperados. A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes é copiosa no sentido de que somente podem ser objeto de adição à base de cálculo da CSLL as receitas efetivamente decorrentes de operações não propriamente com seus cooperados, mas sim todas as demais que não sejam oriundas dessa natureza intrínseca e legal de existência válida do sistema cooperativista. Isto significa que somente se apresenta tributável aquelas receitas que não estão sob o manto do cooperativismo, mas que expressam mera atividade econômica lucrativa, as quais devem ser a minoria, como a prática comercial tem demonstrado nos inúmeros casos julgados perante esta segunda instância administrativa, O STJ também vem se pronunciando sobre tal matéria, no mesmo sentido. Nem se adentra na discussão conceituai e terminológica sobre a diferença de lucro, nas sociedades empresárias, e sobras, nas sociedades cooperativas, pois a definição é dicção legal (Lei 5.764/71), não cabendo ao intérprete criar entendimento novo perante a própria lei que criou a diferença, pois é da natureza do associativismo cooperativo a não distribuição de lucros, mas sim sobras, portanto, valores confiados pela mútua cooperação da categoria profissional, que tem destinação específica. Como ensina o mestre português constitucionalista citado, toda interpretação da lei inicia-se com a semântica de seu texto, portanto, o que está escrito no texto legal é o começo da interpretação para a criação da norma de decisão, finalidade deste processo administrativo. 9 Processo n° 10925 002309/2006-60 S1 -C212 Acórdão n. 1202 -00194 El 10 Desse modo, sendo pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial, as entidades cooperativas não apurando lucros, ou prejuízos, seus resultados não se incluem no campo de incidência previsto na Lei ri, 7,689/88, posto que não se produziu o lucro como descrito na hipótese legal de incidência. Nem se há que discutir a aplicação do art. 111 do CTN, no que se refere a disposição isencional da Lei n 10.865/2004, a qual reconheceu expressamente a isenção, relativamente a atos cooperativos da CSLL das sociedades cooperativas, por uma única e clara razão, tais sociedades não produzem lucro por seus próprios atos, qualificados que foram pelo diploma normativo próprio constante da Lei ri. 5.764/1971. Porém, se produzir lucro decorrente do exercício de outras atividades com não cooperados, tem cabimento a exigência tributária em comento, por contrariar a própria natureza da relação jurídica associativa intrínseca nas suas operações, determinada expressamente pela lei instituidora e reguladora referida. Portanto, a questão antecede a prescrição da regra isencional, pois infere-se do próprio regime jurídico das cooperativas, de seu regular funcionamento associativo, pressuposto básico e necessário para compreender-se que essas sociedades não geram lucro, no sentido da Lei n 7.689/88, portanto, estão fora do alcance da incidência dessa exigência tributária, Quer me parecer que a autoridade fiscal lançou (fis.05 e 27 dos autos), no caso, a CSLL sobre o resultado do exercício, não se detendo em apurar e/ou discriminar, nesse mesmo resultado, o que decorreu de ato cooperado do ato não cooperado, apenas inferindo que tal resultado é lucrativo, porque positivo, e deve ser tributável, destoando totalmente do quanto asseverado sobre o regime jurídico específico das sociedades cooperativas. Em face disso, por se tratar de operação de atividade cooperativista não vislumbro outra solução que não aquela que reconhece a inaplicabilidade da exigência da CSLL sobre os resultados próprios de atos cooperados, e, não existindo no trabalho fiscal qualquer outro elemento informador de que os resultados são constituídos de atividades com não cooperados, o lançamento, nesse aspecto, também encontra-se insanável, cabendo seu cancelamento. Cabe, por último, apreciar a questão da exigência da multa isolada juntamente com multa de lançamento de oficio. Por esse lado, não se sustentando o lançamento de oficio pelos fundamentos e motivações já expostas, a multa de oficio, como consectário sancionatório segue a mesma senda do principal, o auto de infração restou cancelado, não se pode aplicar a multa de oficio, contudo assim seja, cabe analisar o cabimento da multa isolada por falta de recolhimento da contribuição social sobre a base estimada (item 3 do auto de infração analisado). Já tive oportunidade de apreciar a questão em outros julgados, relativamente a idêntica matéria, pelo que reproduzo os seguintes argumentos, haja vista que a aplicação da multa ocorreu após o exercício de 2001/2002/2003 e 2004, ou melhor, somente em 2006, corroborando meu entendimento a seguir. Em breve análise, conforme os ensinamentos científicos do prof: Paulo Barros Carvalho, considerando a premissa jusfilosófica que não há texto, sem contexto, vale dizer, no campo da teoria da interpretação, onde o texto é apenas o ponto inicial para a correta Processo n° 10925002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n,° 1202-00194 El. 11 interpretação e a criação da norma jurídica, individual e concreta, manifestada pela decisão administrativa, em sede do processo tributário, passa-se a expor o presente entendimento sobre a multa isolada, nos termos do art. 44, § 1°, item IV da Lei n° 9.430/96. Primeiramente trata-se de penalidade, ou seja, consequente normativo para efeito de acepção do que se compõe toda norma, isto é, constitui-se da norma primária, preceito de conduta ôntica (dever ser) que se descumprido, redunda no consequente, que se constitui o efeito sancionatório. Delimita-se, com a multa isolada prevista no texto do art. 44, parágrafo 1 o, inciso IV, que seu objeto é a disciplina de aplicação de consequente normativo, de natureza sancionatória, Isto posto, veja-se a sua própria redação: "isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeito ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2o., que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente". Na denotação analítica pode-se, no seu corpo textual, distinguir-se as normas e/ou regras condicionantes, existentes, quais sejam: 1-pessoa jurídica obrigada ao pagamento do IRP.1 e CSLL da estimativa mensal; 2- omissão de pagamentos das respectivas estimativas mensais ainda que tenha apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Pode-se extrair, logicamente,o seguinte enunciado prescritivo: Deixar de pagar as estimativas mensais do IRP3 e CSLL, ainda que no final do ano-calendário, tenha apurado prejuízo ou base de cálculo negativa, caberá a multa isolada. Evidencia-se, desde já, que a aludida disposição normativa trata de duas condicionantes: o não-pagamento e a consideração de se apurar ou não o prejuízo fiscal, referindo-se claramente a possibilidade de se apurar, para o período anual, vale dizer, o próprio regime de apuração anual, prejuízo fiscal. E essa referência o legislador não fez sem sentido próprio, ou despropositadamente, como se demonstrará a seguir. Esse desmembramento dos efeitos implicacionais conduz para a análise da identificação da regra-matriz de incidência tributária, que preexiste necessariamente, a fim de se considerar a penalidade pelo descurnprimento dessa exigência tributária, Estar-se-á tratando de uma ou de duas regras de incidência tributária sobre o IRPJ e CS S L ? A meu ver, apenas um regra-matriz de incidência, sendo a sanção meramente uma conseqüência, uma penalidade pelo inadimplemento da obrigação tributária. Qual seria tal regra-matriz de incidência ? Processo rl° t0925002309/2006-6O S1 -C21 2 Acórdão n ° 1202-00.294 El. 12 Como consequente normativo sancionatório faz expressa menção sobre o prejuízo, que poderia ter lucro, no ano-calendário, bem se pode verificar que diz respeito apenas a um aspecto da regra-matriz, qual seja, o momento temporal do pagamento e a materialidade desse dever tributário, no caso, a falta de pagamento da estimativa mensal. Recorra-se, novamente, aos ensinamentos do prof. Paulo de Barros Carvalho, que analisa a regra-matriz de incidência: "Ao mesmo tempo, a regra-matriz de incidência, como anunciamos anteriormente, se inscreve entre as normas gerais e abstratas, havendo nela condicionalidade. O antecedente é posto em formulação hipotética:` se ocorrer o fato F'. Além disso, integra o quadro das regras de conduta, pois define por inteiro a situação de fato, sobre qualificar deonticamente os comportamentos inter-humanos por ela alcançados. No descritor da norma (hipótese, suposto, antecedente) teremos diretrizes para identificação de eventos portadores de expressão econômica. Haverá um critério material (comportamento de alguma pessoa), condicionado no tempo (critério temporal) e no espaço (critério espacial). Já na conseqüência (prescritor), toparemos com um critério pessoal (sujeito ativo e sujeito passivo) e um critério quantitativo (base de cálculo e alíquota)" 1 Destarte, no texto em comento como se verifica a regra-matriz de incidência tributária? Ora, se buscarmos a identificação de tal modelo doutrinário pode-se, analiticamente, discriminar-se o seguinte: - critério material: pagamento por estimativa mensal (obrigação tributária) (conduta do agente: pagar as estimativas - art 2' da Lei n° 9.430/96); - critério temporal: mensalmente, com observância do regime tributário adotado; - critério quantitativo: base de cálculo : o valor da estimativa mensal e sua alíquota. Contudo, ao deixar de pagar as estimativas, ou seja, incorrendo em conduta omissiva, tal fato redunda no consequente da hipótese legal de incidência, qual seja, a sanção, pois que se pode asseverar: tendo o sujeito passivo exercido a opção de recolher por estimativa, constitui ela sua obrigação tributária, e se a deixar de pagar, incide no consequente normativo sancionatório em comento, qual seja, a multa isolada, que, por si só, não tem o condão de afetar, neutralizando os efeitos, da própria natureza principal da obrigação tributária, o pagamento mensal das estimativas. Em outras palavras, a multa pela falta de pagamentos das estimativas não atinge a necessária consideração do tratamento de regime de tributação a que está sujeito o contribuinte, vez que se submete às expressas determinações legais para apuração do tributo devido conforme o regime tributário adotado. Não há com reconhecer duas regras-matriz de incidência tributária, mas uma única, como antecedente e, por seu descumprimento, o seu consequente, isto é, a sanção constituída na multa isolada. 11. Direito Tributário - Fundamentos Jurídicos da Incidência, Ed Saraiva, 5 a ed. 94, 12 Processo n° I 0925 002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n " 1202-00,294 Fl 13 A lição do Prof. Paulo de Barros Carvalho pode nos esclarecer, pelo dado que ocorrem duas coisas distintas, o fato lícito: obrigação tributária e o fato ilícito, seu descumprimento, a saber: "Se é certo asseverar que a relação jurídica que se instala em virtude do acontecimento de um ilícito apresenta grande similitude com a obrigação tributária, na hipótese das multas, posto que em ambas há de prestar o sujeito passivo um valor pecuniário, não menos evidente que o próprio legislador do Código Tributário Nacional traçou as fronteiras que separam as duas entidades, associando-as a fatos intrinsecamente distintos: fato licito para a obrigação tributária; fato ilícito para a penalidade pecuniária Examinadas isoladamente, nenhuma distinção apresentam a relação jurídica tributária e a relação jurídica sancionadora. Em ambas divisamos um sujeito ativo, titular de um direito subjetivo público de exigir, do sujeito passivo, o cumprimento de específica prestação, simbolizada em valores patrimoniais„ É por isso que os elementos caracterizadores desses institutos jurídicos devem ser pesquisados em terreno alheio ao do liame obrigacional. E o legislador elegeu o critério apropriado, na exata proporção em que atrelou cada um dos vínculos a ocorrências fácticas de índoles jurídicas discrepantes: a relação sancionadora será efeito insopitável de todos os ilícitos, ao passo que o liame obrigacional tributário só poderá corresponder à realização dos fatos lícitos„ Por amor a formulações singelas e desamor ao senso jurídico, não se admite comprometer a estrutura sistêmica de tão relevantes instituições, que jamais se confundem numa única realidade, mas que operam conjugadas para dar força e expressão ao direito,"2 Na linguagem prescritiva do direito positivo de que a regra-matriz de incidência mensal (pagamentos por estimativas mensais) deve estar harmonizada com o regime de tributação anual, estão as seguintes determinações legais: "Lei n° 8.981/95: art. 27. Para efeito de apuração do imposto de renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta Seção, sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37. Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art, 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 dezembro de cada ano-calendário ou na data da extinção, .„ § 3' Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a)... b)... c)... d)do imposto de renda calculado na forma dos arts. 27 e 35 desta Lei, pago mensalmente." Lei n° 9.430/96: 101112 Curso de Direito Tributário, 17° , Ed Saraiva, p.296/297 Processo o' 10925002309/2006-60 S1-C212 Acórdão ri 1202-00.294 Fl 14 Art. 2 0 A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ I' e 2° do art. 29 e nos arts. 30 e 32, 34 e 35 da Lei ri° 8,981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9,065, de 20 de junho de 1995. § 1° § 2' ... § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1' e 2° do artigo anterior. § 40 Para efeito de deterrninação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - II - III - IV — do imposto de renda pago na forma deste artigo." Ademais, não se pode, igualmente, olvidar o texto de lei citada da multa isolada que diz: "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente", o que determina, insofismavelmente, uma condicionante para a efetiva incidência, ou melhor, a individualização da norma geral e abstrata em norma concreta, ou seja, sua aplicação e exigência. Vale dizer, para que seja o consequente„ necessário cumprir todos os requisitos do antecedente. Tal enunciado remete, portanto, a imperiosa necessidade do agente observador do texto legal em aferir, no período anual, se ocorreu a condição necessária e suficiente, para a incidência penal conforme estipulada. Em outras palavras, o agente, obrigatoriamente, terá que conferir, na realidade, se o sujeito passivo encerrou o ano-calendário, com seu ajuste anual, E como no texto legal não se pode admitir proposições sem sentido, é mister considerar que a aplicabilidade da multa isolada está condicionada ao final do ano-calendário, ou seja, a regra-matriz de incidência somente se completa no implemento do seu critério temporal, final do ano-calendário, sobre o qual deve confirmar sua incidência. Uma vez satisfeita essa condição, há se analisar se o dispositivo penal pode ser aplicado, posto que constatado se o sujeito passivo deixou de recolher (omitiu-se na conduta de pagar) as estimativas mensais no decorrer do ano-calendário, pura e simplesmente e se se o contribuinte, ao final do exercício, apurou que as estimativas mensais não eram devidas. Sempre presente a atenção para o cânone jurídico básico da obrigação tributária, de que só se deve pagar aquilo que é devido. Embora seja denominada multa isolada, a interpretação para a busca do sentido normativo e formação da norma individual e concreta não pode ser isolada, mas sim sistêmica sempre vinculada a um domínio de significações, como ensina Paulo de Barros Carvalho: Nb. 14 Processo n" 0925 002309/2006-60 S1-C212 Acórdão n° 1202-00,294 Fl 15 "O procedimento de quem se põe diante do direito com pretensões cognoscentes há de ser orientado pela busca incessante da compreensão desses textos prescritivos. Ora, como todo texto tem um plano de expressão, de natureza material, e um plano de conteúdo, por onde ingressa a subjetividade do agente, para compor as significações da mensagem, é pelo primeiro, vale dizer, a partir do contacto com a literalidade textual, com o plano dos significantes ou com o chamado plano da expressão, como algo objetivado, isto é, posto intersubjetivamente, ali onde estão as estruturas morfológicas e gramaticais, que o intérprete inicia o processo de interpretação, propriamente dito, passando a construir os conteúdos significativos dos vários enunciados ou frases prescritivas para, enfim, ordená-los na forma estrutural de normas jurídicas, articulando essas entidades para constituir um domínio. Se retivermos a observação de que o direito se manifesta sempre nesses quatro planos: o das formulações literais, o de suas significações enquanto enunciados prescritivos, o das normas jurídicas, como unidades de sentido obtidas mediante o grupamento de significações que obedecem determinado esquema formal (implicação), e o da forma superior do sistema, que estabelece os vínculos de coordenação e subordinação entre as normas jurídicas criadas no plano anterior; e se pensarmos que todo nosso empenho se dirige para estruturar essas normas contidas num estrato de linguagem; não será dificil verificar a gama imensa de obstáculos que se levantam no percurso gerativo de sentido ou, em termos mais simples, na trajetória da interpretação"3. Isto posto é certo que a regra em comento não pode ser analisada de forma isenta e isolada do seu conteúdo e da sua expressão, enquanto enunciado prescritivo sancionatório, perante a regra de incidência tributária propriamente dita, ou seja, a aplicação do regime tributário a que está sujeito o contribuinte (lucro real, ou presumido, ou arbitrado). O professor mencionado faz importante menção sobre as significações e a implicação. Ora, se a multa isolada deve ser aplicada, ainda que se apure o prejuízo fiscal, o legislador logicamente remete à observância de pertinência para o ano-calendário, sendo lógico que se o núcleo material da conduta °missiva — deixar de pagar as estimativas mensais — se operou, não há se falar na implicação da conseqüência, ou seja, na penalidade isolada, uma vez provada, no final do ano-calendário, que o cerne da obrigação tributária, o tributo devido, remanesceu inexistente, uma vez que a norma primária, em seu antecedente não se verificando a incidência tributária, não pode penalizar pelo que não se materializou como devido. Enfatize-se, é inseparável considerar-se a "multa isolada" de maneira vinculada ao regime de tributação, posto que a estimativa, como diz o art. 2" da Lei n° 9,430/96, se trata de um regime de pagamento e não de tributação, não podendo o mero descumprimento da obrigação tributária isolar-se, para efeito de cobrança e efeitos, para se entender como crédito tributário, sendo na realidade uma penalidade (como disse acima o professor citado, a relação jurídica tributária tem natureza própria que não pode ser confundida com a relação jurídica sancionadora) cabendo interpretar sua aplicabilidade considerando os efeitos determinantes do regime de tributação anual, adotado pelo contribuinte, em observância das disposições da Lei n" 9891/95 e Lei n° 9.430/96, como anteriormente reproduzidas. Não se pode esquecer, no caso aqui analisado, que a sanção é decorrente da previsão de falta de cumprimento de obrigação tributária, ligada essa diretamente ao regime de tributação do contribuinte, pois entender uma segregação também "isoladamente" com a 3 Direito Tributário - Fundamentos Jurídicos da Incidência, Ed, Saraiva, p.67;68 15 Processo n" 10925.002309/2006-60 SI-C21.2 Acárdüo n " 1202-00294 Fl 16 finalidade aplicativa, seria corno se considerar que as pernas naturais de um empo humano possam andar independentes do mesmo... Em síntese final e confirinativa, assim, a criação da norma jurídica, individual e concreta, não pode, na construção de sentido, ser subtraída de seu contexto sistêmico normativo, vez que se está analisando uma penalidade, uma sanção, portanto, decorrente de conduta reconhecida como ilícita, e como tal, em se tratando de um aspecto operacional de pagamento do tributo por estimativa sujeita a conexão do quanto apurado no período, tal interpretação se impõe como adequada para observância do regime tributário adotado pelo sujeito passivo, após o que se pode considerar completa a análise para admissão da multa isolada como enunciada. Em face a todo exposto, sou por dar provimento ao recurso voluntário, paia o cancelamento integral do lançamento e seus consectários legais. i)Sala das Sessões, e i- 18 de maio de 2010 , 0 Oiland 1 José - -çalves Buena \ I6 Processo n° 10925 002309/2006-60 S1-C212 Acórdão n 1202-00294 El 17 Voto Vencedor Em que pese os valiosos argumentos apresentados pelo ilustre relator, peço vênia para discordar do seu entendimento. De acordo com o manifestado no voto, existem duas questões divergentes a serem enfrentadas. A primeira diz respeito ao sentido e alcance da Emenda Constitucional n. 33, de 2001, que trata da imunidade tributária relativa às receitas de exportações. A segunda cuida do cabimento da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas devidas da CSLL, bem como da sua cumulatividade com a multa de oficio do lançamento e, nesse aspecto, a questão do cabimento, ou não, da decadência suscitada para tal multa isolada, no período até 31 de outubro de 2001. Passemos a análise da primeira questão. Como bem explicado no voto vencido, o alcance da Emenda Constitucional n. 33, de 2001, foi enfrentado pela Suprema Corte na Ação Cautelar 1.738-6, Sessão Plenária de 17/09/2007, Rel„ Min. César Peluso, RIU de 19/10/2007. Na referida ação ficou decidido que referida Emenda Constitucional, ao afastar a incidência das contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação, também incluiu a CSLL, posto entender que o lucro, embora não se confunda com a receita, desta depende estruturalmente. Não obstante a decisão do STF, ficou evidenciado no voto vencedor que tal decisão não tem efeito vinculante, eis que pronunciada em sede de controle difuso de constitucionalidade. Pois bem„ Reconhecido que as Ações Cautelares não tem efeito erga (mines, nem efeito vinculante para os órgão da administração, conclui-se que essa decisão somente tem validade entre as partes envolvidas, não podendo ser aplicada ao caso aqui examinado. E a lei que trata da apuração da base de cálculo da CSLL, estabelece que as normas de sua apuração devem ser as mesmas aplicadas para a apuração do IRPJ, consoante disciplina o art„ da Lei n° 57 da Lei n° 8.981, de 1995 com a redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas ,juildica.s, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, manadas a base de cálculo e as aliquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei (Redação dada nela Lei n°9.065, de 1995) (grifei) 17 Processo n° 10925.002309/2006-60 S1-C212 Acórdão n 0 1202-00.294 Fl. 18 Já os valores das receitas decorrentes da exportação de mercadorias e serviços estão incluídos no conceito de receita bruta, nos termos do art. 279 do RIR/99, a saber: Art. 279, A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações- de conta alheia (Lei n" 4.506, de 1964, art. 44, e Decreto-Lei n" L.598, de 1977, ai. 12) Assim, como as normas aplicáveis à apuração do lucro para incidência do IRPJ não excluem as receitas de exportação da base de cálculo desse imposto, não podem, por conseqüência, serem excluídas da base de cálculo da CSLL, como pretende o autuado. O antigo Primeiro Conselho de Contribuintes também vinha decidindo no mesmo sentido, conforme se verifica na transcrição de parte da ementa proferida no Acórdão n" 101-97077, sessão de 17/12/2008, da relatoria da ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni, dentre outros: CSLL- RECEITAS DE EXPORTAÇÃO- A Emenda Constitucional n" 33, de 2001, ao dispor que as contribuições sociais não incidiriam sobre a receita de exportação, alcança apenas as contribuições instituídas com base na alínea "b" do inciso I do art 195, que são as que incidem sobre a receita ou faturamento, não alcançando a CSLL, que incide sobre o lucro. Dito isso, é preciso também registrar que este órgão julgador não pode interpretar dispositivo constitucional, sob pena de incorrer em violação ao art. 26-A do Decreto no 70.235, de 1972 (PAF), incluído pela Lei n° 11.941, de 2009, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo _fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fimdamento de incorzstitucionalidade Dessa forma, conclui-se que o Acórdão recorrido decidiu corretamente a matéria, devendo ser mantida a incidência da CSLL sobre as receitas de exportação. Em relação a segunda questão, cabe dizer inicialmente que a aplicação da multa isolada incidente sobre as parcelas das estimativas não recolhidas encontra respaldo em lei, de obediência obrigatória por este órgão julgador. Com efeito, a base legal para a imposição da multa isolada, no percentual de 75%, era o inciso IV do § 1° do art, 44 da Lei 9.430, de 1996 na sua redação original, que foi reduzida para o percentual de 50%, na redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11 488, de 2007) 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) 18 Processo Tf 10925.002309/2006-60 S1 -C2T2 Acórdão n ° 1202-00,294 Fl. 19 - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) a) na forma do art 8" da Lei n" 7,713, de 2.2 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa Mica; (Incluída pela Lei n" 11,488, de 2007) b) na forma do art. 2" desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica, (Incluída pela Lei n°11.488, de 2007) (grifei) Da leitura dos dispositivos legais transcritos, percebe-se a existência de duas penalidades que incidem sobre fatos distintos: a primeira, no percentual de 75%, aplicada nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto ou contribuição; a segunda, no percentual de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa (art. 20 da lei) que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurada base de cálculo negativa da CSLL no ano- calendário correspondente. A razão para a existência de duas penalidades foi que o legislador quis proteger dois bens jurídicos distintos: uma para desencorajar o não pagamento das estimativas mensais (antecipação) a que estão sujeitos os contribuintes e a outra para coibir a falta do pagamento dos impostos e contribuições definitivamente apurados. Por isso entendeu criar duas penalidades distintas pelo descumprimento da obrigação tributária. Além disso, a lei não previu nenhuma relação de dependência entre essas duas penalidades, porquanto são independentes uma das outras, podendo ser aplicadas em conjunto ou individualmente, sem restrição. Assim, a exigência da multa isolada pela falta de recolhimentos por estimativa ao longo do ano-calendário, sem qualquer justificativa, ensejam a incidência da norma penalizadora mesmo que, conforme previsto no art. 44, II, "b" da Lei n° 9,430, de 1996, a pessoa jurídica apure ao final do ano-calendário correspondente, base de cálculo negativa para a CSLL, Por fim, nesse mesmo sentido, por se considerar que o recolhimento das estimativas mensais é uma obrigação autônoma em relação ao pagamento da contribuição apurada ao final do ano-calendário, na declaração DIPJ, entende-se que a mesma tem natureza diversa da regra prevista no caput do art. 150 do MN, cujo surgimento, inclusive, independe da ocorrência do fato gerador do tributo (lucro líquido ajustado), e que, por isso, não se subsume às disposições do referido art. 150, mas sim à regra geral do art. 173, I, do CTN„ Dessa forma, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial para a imposição da multa isolada no ano-calendário de 2001, posto que o prazo decadencial de 5 anos previsto no art„ 17.3, I, do C'TN somente se inicia em 01/01/2002 e se encerra em 01/01/2007, após, portanto da data do lançamento que ocorreu em 2006. Esse é também o entendimento do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme transcrição de ementários de acórdãos que se transcreve, a titulo exemplificativo: AP 411P irE:i ,9 Processo IV W925..002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão o .° 1202-00194 Fl. 20 Acórdão IV 10547427, sessão de 06/02/2009, da relatoria do Conselheiro José Clóvis Alves: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício.' 2002, 2003, 2004. Ementa: IRPJ E CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E OU CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO - A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada, A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso, ( Lei n" 8,981/95, art. 35 c/c art. 2" Lei n" 9.430/96) A falta de recolhimento ou recolhimento a menor, está sujeita à multa de 50%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ OU CSL do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores, (Lei n" 9.430/9644 com redação dada pelo artigo 14 da MP 351/2007). A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor, (Lei n" 9,430/96 art. 44 caput c/c § 1" inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1" letra "b"). Acórdão n" 198-00101, sessão de 30/01/2009, da relatoria do Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL ANO-CALENDÁRIO: 2000 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS - DECADÊNCIA As estimativas mensais representam uma obrigação autônoma e de natureza diversa daquela prevista no caput do ar!. 150 do C11V; cujo surgimento, inclusive, independente da ocorrência do .fato gerador do tributo (lucro líquido ajustado), e que, por isso, não se subsume às disposições do referido art. 150, mas sim à regra geral do art. 173. L do CIN, MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS - LIMITE TEMPORAL O texto do inciso IV do § 1" do art 44 da Lei 9.430/96 não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no 20 Processo n° 10925 002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n° 1202-W294 F1 21 sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso. Ao contrário, o texto prevê a multa ainda que a PJ "tenha apurado" prejuízo fiscal no final do período, MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PADRÃO - CONCOMITÂNCIA As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem COM a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual Não há previsão legal de afastamento da multa isolada em razão da aplicação da multa de oficio vinculada ao tributo anual que deixou de ser recolhido. Em vista do acima exposto, entendo que deva ser negado provimento ao recurso voluntário no que se refere às seguintes matérias: i) manter a incidência da CSLL sobre as receitas de exportação; ii) manter a multa isolada aplicada, reduzida ao percentual de 50%, pelo não recolhimento das estimativas mensais da CSLL nos anos-calendários correspondentes, afastada a ocorrência da decadência. a Carlos Alberto e inassolo 21 , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10925,002309/2006-60 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do ai t 81, § 3, do anexo II, do Regimento Interno do CARI, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 03 de setembro de 2010. Maria Cone ição de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurado; (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração,.
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Numero do processo: 18088.720054/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/05/2006
DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA
Não consta nos autos a antecipação do pagamento do tributo exigido, o que atrai a regra do artigo 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. Como o lançamento ocorreu em 01/04/2011 com a intimação em 04/04/2011, não há que se falar em decadência.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORRETO O LANÇAMENTO DECORRENTE DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR REFERENTE AO QUINHÃO RECEBIDO PELAS HERDEIRAS. INCORRETA A TRIBUTAÇÃO DO QUINHÃO DO CONJUGE MEEIRO ÀS HERDEIRAS. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO
Nos termos do art. 131, inciso II, do CTN, a responsabilidade objetiva deve ser atribuída ao cônjuge-meeiro e aos herdeiros na medida do respectivo quinhão.
ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Não há nulidade na eleição do sujeito passivo, conforme art. 131, inciso II do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo a parcela relativa aos valores recebidos por doação. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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INEXISTÊNCIA Não consta nos autos a antecipação do pagamento do tributo exigido, o que atrai a regra do artigo 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. Como o lançamento ocorreu em 01/04/2011 com a intimação em 04/04/2011, não há que se falar em decadência. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORRETO O LANÇAMENTO DECORRENTE DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR REFERENTE AO QUINHÃO RECEBIDO PELAS HERDEIRAS. INCORRETA A TRIBUTAÇÃO DO QUINHÃO DO CONJUGE MEEIRO ÀS HERDEIRAS. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO Nos termos do art. 131, inciso II, do CTN, a responsabilidade objetiva deve ser atribuída ao cônjugemeeiro e aos herdeiros na medida do respectivo quinhão. ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Não há nulidade na eleição do sujeito passivo, conforme art. 131, inciso II do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 54 /2 01 1- 07 Fl. 321DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo a parcela relativa aos valores recebidos por doação. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, decidiu desconhecer das nulidades suscitadas e, no mérito, considerar improcedente as impugnações oferecidas, para manter a exigência do crédito tributário constante do auto de infração, conforme ementa do Acórdão nº 0957.622 (fls. 256/263): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/05/2006 GANHOS DE CAPITAL. SUCESSÃO. VALOR DE TRANSMISSÃO. A legislação possibilita que o imóvel seja transferido a herdeiros pelo valor que constava na declaração de bens do "de cujus", contudo se a transmissão se der por valor distinto, este é o que deve ser considerado e constatado o ganho de capital cabe o recolhimento do imposto devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. HERDEIROS. Apurouse o ganho de capital na transmissão do imóvel, cabendo àquelas que detinham interesse em comum na situação que constituiu o fato gerador a obrigação solidária, no caso as herdeiras envolvidas, respeitado o quinhão afeto a cada uma, sendo o lançamento realizado em nome de uma delas, com a caracterização das demais na forma de responsáveis solidárias. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESES. DECADÊNCIA. Além de não se vislumbrar no caso em concreto prazo superior ao previsto nos lançamentos por homologação, a ausência de qualquer recolhimento transportaria o início da contagem decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 151/158), lavrado contra a Contribuinte em 01/04/2011, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao anocalendário 2006, no valor de R$ 89.303,34, Juros de Fl. 323DF CARF MF 4 Mora, calculados até março de 2012, no valor de R$ 45.678,65 e Multa Proporcional no valor de R$ 8.930,33, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 143.912,32. Conforme consta na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL – Imposto de Renda Pessoa Física (fl. 153), o lançamento decorre de “omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, correspondente ao valor tributável de R$ 595.355,62 (fato gerador 31/05/2006) ”. No RELATÓRIO FISCAL IRPF (fls. 159/162) consta que a Fiscalização apurou a ocorrência de ganho de capital na cessão pelos pais das contribuintes Juliane Joas Silveira Araújo (autuada), Cristiane Joas Silveira (responsável solidária) e Rejane Joas Silveira Alves (responsável solidária), do imóvel rural denominado Fazenda Santa Floriana, localizada em Ribeirão Bonito/SP com 296,42 ha, declarado pelo pai das contribuintes como valor original de R$ 95.701,62, adquirida em 1986 e cedido às filhas em 2006. De acordo com o Relatório Fiscal: 1. Os pais das contribuintes faleceram em 2004 (Márcia Joas Herdy Silveira Mãe) e em 2007 (Reinor Alves Silveira Pai); 2. No Formal de Partilha dos bens de Márcia Joas Herdy Silveira consta como inventariante o Sr. Reinor Alves Silveira, e como herdeiras as suas três filhas; 3. Os bens repartidos foram uma casa (adquirida em 1962) e o referido imóvel rural; 4. Houve a transferência pela sentença de homologação do Formal de Partilha dos bens de Márcia Joas Herdy Silveira para seu esposo Reinor Alves Silveira e suas três filhas e, concomitantemente, a transferência pelo Sr. Reinor Alves Silveira destas mesmas propriedades para suas três filhas; 5. Na avaliação constante do Formal de Partilha o imóvel rural foi avaliado em R$ 796.120,00; 6. O imóvel rural foi dividido em três partes iguais entre as filhas, 1/3 para cada uma delas; 7. Cada 1/3 foi transferido pelo valor de R$ 265.373,33; 8. O Sr. Reinor Alves Silveira ficou como usufrutuário vitalício do imóvel rural. 9. Apesar de a transferência ter ocorrido em 2006, exercício fiscal de 2007, a propriedade não foi “baixada” na DIRPF do Sr. Reinor, bem como, também não foi declarada em qualquer DIRPF de suas filhas neste exercício, conforme determina a legislação; 10. Houve ganho de capital pela transferência do bem denominado Fazenda Santa Floriana, no montante de R$ 595.355,62, conforme demonstrado à fl. 162. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 4 5 A Contribuinte e suas irmãs, Cristiane Joas Silveira e Rejane Joas Silveira, responsáveis solidárias, tomaram ciência da lavratura do Auto de Infração em 05/04/2011 (fls. 174/176). Em 04/05/2011, a Contribuinte e Cristiane Joas Silveira interpuseram em conjunto sua impugnação (fls. 178/185), instruída com os documentos nas folhas 186 a 241, na qual, em síntese, trazem as seguintes alegações: 1. O formal de partilha dos bens da Sra. Márcia Joas Herdy Silveira (mãe das impugnantes), retratou a transmissão do imóvel nos termos da Lei Estadual (SP) n. 10.705/2000, art. 13, inciso II; 2. Não haveria que se falar de lucro imobiliário, uma vez que o valor do imóvel rural deveria, por imposição legal, ser lançado no valor constante do ITR, qual seja, o de R$ 796.120,00, tanto para efeitos do próprio ITCMD como para efeito das custas processuais; 3. Também não cabe fundar parte do auto de infração na informação constante da DAA/2008 da codevedora solidária Rejane Joas Silveira Alves, que declarou sua parte ideal em R$ 265.373,33, pois as impugnantes não tinham conhecimento do valor lançado na declaração da irmã, já que se constitui em informação sigilosa; 4. "De forma correta e dentro dos termos da legislação fiscal vigente, as Impugnantes sempre lançaram suas respectivas quotasparte de 1/3 no valor de R$ 31.900,40”; 5. Ao contrário da afirmação do Auditor Fiscal, a Contribuinte declarou sim DIRPF 2007exercício 2008, onde, claramente está lançado o valor do imóvel na monta de R$ 31.900,40 (Doc. 11 – fls. 234/239); 6. Em 2008 a Contribuinte alienou sua parte do imóvel rural e, para efeito de tributação, em sua DAA/2008 ofereceu ao Fisco o lucro imobiliário tomando como custo a importância de R$ 31.900,40 (Doc. 12 – fls. 240/241). Por sua vez, Rejane Joas Silveira, também apontada pela fiscalização como responsável solidária, interpôs sua Impugnação em 02/05/2011 (fls. 242/250), na qual, em síntese, alega que: 1. O Auto de Infração é nulo por afrontar as disposições do art. 142, do Código Tributário Nacional; 2. Nos termos do art. 131, inciso II, do CTN, a responsabilidade objetiva deve ser atribuída ao cônjugemeeiro e aos herdeiros na medida do respectivo quinhão. Tais exigências tributárias devem ser distintas e individuais, isto é, lançadas em nome de cada um, sendo inconcebível a lavratura de auto de infração apenas contra um dos herdeiros figurando os demais como responsáveis solidários. Reforça seu argumento citando o Acórdão nº 104215545 do Primeiro Conselho de Contribuintes; Fl. 325DF CARF MF 6 3. Entre a data da sentença homologatória do formal de partilha (15/03/2006) e a ciência do auto de infração/termo de sujeição passiva solitária (01/04/2011), medeia lapso temporal superior a cinco anos, o que configura a decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN; 4. Não há nos autos qualquer explicação para o estabelecimento do fato gerador em 31/05/2006, sendo esta data totalmente estranha aos atos jurídicos praticados, o que também contamina o lançamento de vício insanável, conforme o entendimento emanado no "Acórdão n. 104 20.365", nos termos da ementa transcrita às fls. 248/249; 5. Na declaração IRPF relativa ao anocalendário 2006, apresentada por Reinor Alves Siqueira, a propriedade rural transferida figura pelo valor de R$ 95.701,62, o que não justifica a adoção de R$ 796.120,00 para transferência. Diante das impugnações tempestivas o processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0957.622, decidiu pela improcedência das impugnações apresentadas, mantendo o crédito tributário exigido. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, via Correio, em 24/04/2015 (AR – fl. 266) e, tempestivamente em 20/05/2015, apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO em seu nome e da Responsável Solidária Cristiane Joas (fls. 272/280), onde repete os mesmos argumentos aduzidos na impugnação para ao final requerer que seja reconhecida a insubsistência da autuação combatida. A Responsável Solidária Rejane Joas foi cientificada do Acórdão da DRJ/JFA, via Correio, em 26/05/2015 (AR – fl. 290), apresentando seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 292/302) em 25/05/2015, onde, em síntese traz as mesmas alegações da impugnação para ao final requerer que seja acolhido seu pleito e reformada a decisão prolatada pela DRJ/JFA para declarar a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência As Recorrentes alegam a decadência do lançamento ocorrido em 01/04/2011, com base no prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Sem razão. A transferência do imóvel aos herdeiros ocorreu por ocasião da sentença de homologação do formal de partilha do inventário que transitou em julgado em 02/05/2006 (fl. 11). Não consta nos autos a antecipação do pagamento do tributo exigido, o que atrai a regra do artigo 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. Como o lançamento ocorreu em 01/04/2011 com a intimação em 04/04/2011, não há que se falar em decadência. Assim, rejeito a preliminar suscitada. Constituição do Crédito Tributário Da identificação do fato gerador Trata de lançamento apurado para a exigência de IRPF sobre o ganho de capital na cessão de bens pelos pais das contribuintes de um imóvel rural denominado Fazenda Santa Floriana, adquirido no ano de 1986 e cedido às filhas no ano de 2006. As Recorrentes se insurgem contra a exigência do lançamento. Alegam contrariedade ao artigo 142 do Código Tributário Nacional. Cumpre destacar as premissas utilizadas pelo Auditor Fiscal para a efetivação do lançamento: (i) na Declaração do Imposto de Renda – DIRPF/2007 dos pais das contribuintes consta um imóvel rural denominado Faz. Santa Floriana adquirido no ao ano de 1986 pelo valor de R$ 95.701,62; (ii) na aquisição anterior a Lei 9.393/96, o ganho de capital é calculado pela diferença entre o constante na DIRPF e seu valor de venda e ou transmissão; Fl. 327DF CARF MF 8 (iii) no Formal de Partilha dos bens de Márcia Joas Herdy Silveira consta como inventariante o Sr. Reinor Alves Silveira, e como herdeiras as suas filhas; (iv) na avaliação constante do Formal de Partilha o imóvel rural foi avaliado em R$ 796.120,00, e o Sr. Reinor Alves Silveira ficou como usufrutuário vitalício, dividindo a propriedade em três partes iguais com suas filhas, e transferindo a propriedade pelo valor de R$ 265.373,33 (1/3); (v) ocorreu a transferência pela sentença de homologação do Formal de Partilha dos bens de Márcia Joas Herdy Silveira para seu esposo Reinor Alves Silveira e suas três filhas e concomitantemente a transferência pelo Sr. Reinor Alves Silveira destas mesmas propriedades para suas três filhas, com ganho de capital pela transferência do bem denominado Fazenda Santa Floriana assim calculado: Constatase que o ganho de capital ocorreu por ocasião do fechamento do inventário, na transferência do bem pela sentença de homologação do formal de partilha, quando o imóvel passou do valor de R$ 95.701,62, para ser avaliado por R$ 796.120,00. O fato gerador do ganho de capital se perfectibilizou no espólio e não por ocasião da declaração feita pelas herdeiras, como indicou o AFRF à fl. 161 nos seguintes termos: “Apesar desta transferência ter se dado no ano de 2006 exercício fiscal de 2007, esta propriedade não foi “baixada” zerando seu valor na DIRPF do Sr. Reinor, também não foi declarada “entrada” em qualquer DIRPF de suas filhas neste exercício conforme a legislação determina.” Destarte, a IN SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001, estabelece que a transferência dos bens aos herdeiros pode ser efetuada pelo valor constante na última declaração de bens apresentada pelo de cujos ou pelo valor de mercado. No presente caso a transferência se deu no inventário pelo valor atualizado. Transcrevemos: Art. 10. A transferência dos bens e direitos aos herdeiros ou legatários pode ser efetuada pelo valor constante na última declaração de bens e direitos apresentada pelo de cujus ou pelo valor de mercado. § 1º No caso em que o de cujus não houver apresentado Declaração de Ajuste Anual por não se enquadrar nas condições de obrigatoriedade estabelecidas pela legislação tributária, a transferência pode ser efetuada pelo custo de aquisição do bem ou direito, atualizado monetariamente até 31/12/1995, conforme Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos (Anexo I). § 2º Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na última declaração do de cujus ou do custo de aquisição, referido no § 1º, a diferença constitui ganho de capital tributável, sujeito à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 6 9 § 3° A opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação. § 4º Na hipótese do § 2º, o inventariante deve apurar o ganho de capital por meio do Programa Demonstrativo de Ganhos de Capital do anocalendário correspondente ao que for proferida a decisão judicial ou lavratura da escritura pública e importar os respectivos dados para a Declaração Final de Espólio. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) § 5º O imposto devido sobre ganho de capital de que trata este artigo deve ser pago pelo inventariante até 30 (trinta) dias do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação ou lavratura da escritura pública. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) § 5º O imposto devido sobre ganho de capital de que trata este artigo deve ser pago pelo inventariante até a data prevista para a entrega da Declaração Final de Espólio. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1620, de 19 de fevereiro de 2016) § 6º Na Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício correspondente ao anocalendário da decisão judicial transitada em julgado, os herdeiros e os legatários deverão incluir os bens e direitos recebidos pelo valor informado na coluna "Valor de Transferência" da declaração de bens e direitos correspondente à Declaração Final de Espólio. § 7º Na apuração do ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo, deve ser considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o § 6º. § 8º Caso o custo de aquisição utilizado pelo herdeiro no cálculo do ganho de capital, na alienação de bens e direitos recebidos em herança, legado ou meação antes da entrega da Declaração Final de Espólio, seja maior do que o valor atribuído ao respectivo bem nessa declaração, caberá ao herdeiro o recolhimento da diferença do imposto sobre o ganho de capital apurado com base no valor de transferência, com os devidos acréscimos legais. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) (Grifos nossos). Ocorre que foi no próprio inventário que se fez a majoração do valor do imóvel. O inventário foi fechado com o bem avaliado pelo valor de mercado, o que gerou a obrigação do inventariante na declaração final do espólio e a fazer a apuração do ganho de Fl. 329DF CARF MF 10 capital e pagar o imposto na forma estabelecida nos §§ 4º e 5º, do art. 10 da IN SRF nº 81/2001, o que não se tem notícias nos presentes autos se efetivamente ocorreu ou não, na medida em que a fiscalização não verificou se foi efetuada a declaração do espólio e se ocorreu pagamento do tributo pelo inventariante. Como a transferência dos bens aos herdeiros ocorreu durante o inventário pelo valor de avaliação de R$ 796.120,00, correta está a declaração apresentada por uma das herdeiras em que consta o valor de R$ 265.373,33, correspondente a terça parte do imóvel em questão, não configurando, nesse passo, ganho de capital, conforme afirmado na acusação fiscal (fl.162) e corroborado pela decisão de piso: Ademais, erro na declaração não faz nascer a obrigação tributária que surge com a ocorrência do fato gerador (art. 113 do CTN), qual seja, o ganho de capital, assim considerado como a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. A Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, destaca que o herdeiro deverá incluir os bens ou direitos na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência, in verbis: Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. § 2º O imposto a que se referem os §§ 1o e 5o deverá ser pago: (Redação dada pela Lei nº 9.779, de 1999) I pelo inventariante, até a data prevista para entrega da declaração final de espólio, nas transmissões mortis causa, observado o disposto no art. 7o, § 4o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995; (Incluído pela Lei nº 9.779, de 1999) II pelo doador, até o último dia útil do mêscalendário subseqüente ao da doação, no caso de doação em adiantamento da legítima; (Incluído pela Lei nº 9.779, de 1999) III pelo excônjuge a quem for atribuído o bem ou direito, até o último dia útil do mês subseqüente à data da sentença Fl. 330DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 7 11 homologatória do formal de partilha, no caso de dissolução da sociedade conjugal ou da unidade familiar. (Incluído pela Lei nº 9.779, de 1999) § 3º O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência. (Grifamos). Nesse diapasão, restou confusa a acusação fiscal quando indicou que na declaração das herdeiras ocorreu o fato gerador do ganho de capital, quando o próprio Relatório Fiscal demonstra que este já havia ocorrido no encerramento do inventário, haja vista a majoração do valor do imóvel. Desta feita, entendo que o lançamento não fez a correta apuração do fato gerador consoante dispositivo do artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Quanto à alegativa de erro na identificação do sujeito passivo, não assiste razão à Recorrente. O lançamento foi efetuado em nome de Juliane Joas Silveira Araujo, tendo como responsáveis solidárias pelo pagamento do tributo as irmãs Cristiane Joas Silveira e Rejane Joas Silveira Alves, estando consignado no Auto de Infração que o lançamento foi limitado ao montante do quinhão, do legado ou da meação, nos termos e na forma do art. 131, II do CTN, que atribui a responsabilidade pessoal do sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; razão pela qual não há que se falar em nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Desta feita, tendo em vista que o lançamento não fez a correta apuração do fato gerador, deve ser considerado improcedente e extinto o crédito tributário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE PROVIMENTO para declarar a improcedência do lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 331DF CARF MF 12 Voto Vencedor Em que pese as doutas razões de decidir da eminente Relatora, Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, divirjo para julgar parcialmente procedente o pedido, em face ao que dispõe o art. 131, inciso II, do CTN, que ensina que a responsabilidade objetiva do pagamento de tributos deve ser atribuída ao cônjugemeeiro e aos herdeiros na medida do respectivo quinhão, ou seja, 50% dos bens integrantes do espólio ao cônjuge meeiro e 50% para partilha aos herdeiros. Assim, no presente caso, a exigência tributária referente à parte (meação) do cônjuge meeiro, que foi, ato contínuo, objeto de doação às herdeiras, é indevida. Tais exigências tributárias devem ser distintas e lançadas em seus respectivos fatos geradores, que no presente caso são dois falecimento (mãe) e imposto sobre doação o que não ocorreu. Nesse descortino entendo que são indevidos os valores lançados à tributação considerando a parte que o meeiro doou às herdeiras, já que o sujeito passivo dessa obrigação, naquele momento, era o cônjuge meeiro e não as herdeiras. Quanto ao restante do lançamento, entendo que é procedente e adoto como razões de decidir os fundamentos constantes no Acórdão proferido pela instância a quo, no que não contrariar o entendimento acima esposado. Em razão dos fundamentos adotados, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721564/2015-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
Domicílio Fiscal. Transferência. Comunicação Formal.
O contribuinte que transferir a sede de seu estabelecimento fica obrigado a comunicar a mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, observada a forma estabelecida nos atos normativos.
Recurso. Intempestividade. Pedido de Parcelamento. Ausência de Requisitos de Admissibilidade.
Não reúne condições de admissibilidade o recurso apresentado de forma extemporânea, bem como aquele que conteste débito objeto de pedido de parcelamento.
Numero da decisão: 1301-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da pessoa jurídica. Por voto de qualidade, não conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por conhecer dos recursos e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que os coobrigados fossem intimados da retificação do termo de verificação, reabrindo-se prazo para apresentação de impugnação, e a Conselheira Bianca Felícia Rothschild que votou por conhecer dos recursos e dar-lhes provimento para excluir os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DOMICÍLIO FISCAL. TRANSFERÊNCIA. COMUNICAÇÃO FORMAL. O contribuinte que transferir a sede de seu estabelecimento fica obrigado a comunicar a mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, observada a forma estabelecida nos atos normativos. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. PEDIDO DE PARCELAMENTO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Não reúne condições de admissibilidade o recurso apresentado de forma extemporânea, bem como aquele que conteste débito objeto de pedido de parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da pessoa jurídica. Por voto de qualidade, não conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por conhecer dos recursos e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que os coobrigados fossem intimados da retificação do termo de verificação, reabrindose prazo para apresentação de impugnação, e a Conselheira Bianca Felícia Rothschild que votou por conhecer dos recursos e darlhes provimento para excluir os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 15 64 /2 01 5- 87 Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.347 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por OPP INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0268.970 (fls. 2.997 a 3.021), da 4ª Turma da DRJ Belo Horizonte, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo a integralidade do crédito tributário constituído pelos autos infração de fls. 2.750 a 2.808. A Fiscalização apurou as seguintes infrações: a) omissão de receitas caracterizada tanto por saldo credor de caixa, quanto por passivo fictício; b) custos, despesas e encargos não comprovados; c) custos contabilizados em duplicidade; d) cotas de depreciação não dedutíveis; e, por último, e) despesas financeiras não comprovadas. Diante de tais infrações, foi lançado crédito tributário relativo a IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no montante de R$ 85.118.856,26. O lançamento foi direcionado contra a pessoa jurídica, OPP INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA., e contra seus sócios, CLEBERSON CRISTIANO POLOTO FERREIRA e CLERISSON FABIANO POLOTO FERREIRA, que ingressaram no polo passivo na qualidade de responsáveis solidários. Contra a exigência fiscal foi apresentada apenas pela primeira autuada (OPP Indústria Têxtil Ltda.) impugnação, a que a DRJ BHE negou provimento, em acórdão cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. MULTA QUALIFICADA. Verificada a conduta volitiva do contribuinte em não oferecer seus resultados à tributação, é cabível a aplicação da multa qualificada, uma vez que tal conduta tem Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.348 3 claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2011 MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O cancelamento de multa de ofício aplicada fundado no acolhimento do argumento de sua natureza confiscatória exigiria o exame da constitucionalidade do dispositivo legal que a instituiu e essa atividade é estranha ao contencioso administrativo, inserindose no âmbito da competência exclusiva do Poder Judiciário. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnado e incontroverso o item do lançamento cuja matéria não seja expressamente contestada e aquela com a qual o interessado concorde, em ambos os casos não se instaurando o litígio, o que a torna definitivamente consolidada na esfera administrativa. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Estando ausente o interesse recursal, mostrase imprópria a pretensão de se questionar a responsabilidade tributária imputada a terceiros, ainda que estes figurem no contrato social como sócios. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 GLOSAS DE CUSTO, DE DESPESAS E OMISSÃO DE RECEITAS. Não tendo a interessada demonstrado a improcedência das irregularidades apontadas pela fiscalização, o lançamento não deverá merecer qualquer ressalva. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento decorrente com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Não tendo a interessada demonstrado a improcedência das irregularidades apontadas pela fiscalização, o lançamento não deverá merecer qualquer ressalva. Não resignada, a recorrente se insurgiu contra a decisão. Alegou preliminarmente a tempestividade do recurso. Arguiu nulidade do acórdão recorrido e da própria intimação do acórdão. Disse, ademais, inexistir lançamento contra os sócios, sendo inválida a iniciativa de lhes imputar responsabilidade pelo crédito tributário. Acusou o cerceamento do direito de produzir provas, e invocou o princípio da verdade material. No mérito, considerou indevida a glosa de custos, pois não teria havido má fé, nem dolo, mas simples erro interno de registro contábil. Quanto à omissão de receitas, questionou o emprego de presunções. Aduziu, por outro lado, ser indevida a glosa de depreciação de veículos e aeronaves. Contestou a aplicação de multa qualificada e, por fim, alegou ofensa ao princípio da razoabilidade. Com essas razões, pediu o provimento do recurso. Os responsáveis solidários também recorreram. Em petições de mesmo teor, arguiram preliminarmente nulidade por não terem sido intimados da retificação do Termo de Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.349 4 Verificação Fiscal TVF. Alegaram também vício na formação do processo administrativo, porquanto algumas infrações teriam sido apuradas em auto de infração diverso, ao qual os recorrentes não tiveram acesso. Haveria também nulidade dos termos de sujeição passiva. Afirmaram, outrossim, não ter havido intimação do acórdão da DRJ, o qual, ademais, seria nulo por falta de diligência acerca da ausência de intimação dos recorrentes quanto à retificação do TVF. No mérito, alegaram a inaplicabilidade do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN; questionaram as glosas de despesas e deduções, bem como as omissões de receitas apuradas por passivo fictício e por saldo credor de caixa. Pugnaram, ao final, pelo provimento dos recursos. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Recurso de OPP Indústria Têxtil Ltda. O recurso de OPP Indústria Têxtil Ltda. não reúne as condições de admissibilidade. Primeiro, porque é manifestamente intempestivo; depois, por existir pedido expresso de parcelamento dos débitos objeto deste processo, o que implica a tácita desistência do recurso já interposto. A intimação do Acórdão nº 0268.970 deuse em 15/07/2016, conforme o A.R. de fl. 3.051. O recurso, porém, só veio a ser apresentado em 26/09/2016 (fls. 3.174 e 3.175), mais de dois meses depois do recebimento da decisão de primeira instância. A recorrente alegou nulidade da intimação, que não teria sido enviada para seu domicílio fiscal, transferido, dias antes, para a capital do Estado de São Paulo. A transferência do domicílio fiscal é ato da esfera jurídica do contribuinte. Porém, o exercício desse direito exige que o ato seja formalmente comunicado à Receita Federal. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, assim dispõe sobre a matéria: Art. 212. O domicílio fiscal da pessoa jurídica é (Lei nº 4.154, de 28 de novembro de 1962, art. 34, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 127): I em relação ao imposto de que trata este Livro: a) quando existir um único estabelecimento, o lugar da situação deste; b) quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, à opção da pessoa jurídica, o lugar onde se achar o estabelecimento centralizador das suas operações ou a sede da empresa dentro do País; Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.350 5 II em relação às obrigações em que incorra como fonte pagadora, o lugar do estabelecimento que pagar, creditar, entregar, remeter ou empregar rendimento sujeito ao imposto no regime de tributação na fonte. § 1º O domicílio fiscal da pessoa jurídica procuradora ou representante de residentes ou domiciliados no exterior é o lugar onde se achar seu estabelecimento ou a sede de sua representação no País (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 174). § 2º Quando não couber a aplicação das regras fixadas neste artigo, considerarseá como domicílio fiscal do contribuinte o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação tributária (Lei nº 5.172, de 1966, art. 127, § 1º). § 3º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose, neste caso, a regra do parágrafo anterior (Lei nº 5.172, de 1966, art. 127, § 2º). Art. 213. Quando o contribuinte transferir, de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município, a sede de seu estabelecimento, fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 195). § 1º As comunicações de transferência de domicílio poderão ser entregues em mãos ou remetidas em carta registrada pelo correio (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 196). § 2º A repartição é obrigada a dar recibo da entrega desses documentos, o qual exonera o contribuinte de penalidade (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 196, § 1º). § 3º As repartições fiscais transmitirão, umas às outras, as comunicações que lhes interessarem (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 196, § 2º). (g.n.) A formalização da transferência de domicílio fiscal deve ser feita com observância das disposições contidas na Instrução Normativa RFB nº 1.634/2016. No caso em tela, a recorrente não apresentou prova de que tenha feito qualquer comunicação formal de alteração de domicílio; muito menos, a comunicação prevista na aludida IN RFB nº 1.634. Sendo assim, para a Receita Federal, o domicílio da recorrente permanecia sendo aquele para o qual a intimação fora remetida. Observese que a própria recorrente, na procuração de fl. 3.340, datada de 17/10/2016, indica o estabelecimento sede como sendo o situado na "Avenida Rio Branco, s/n, Zona Rural, lote 714, Gleba Pérola, CEP 87540000, na Cidade de Pérola, Estado do Paraná", mesmo endereço para o qual a Fiscalização havia remetido a intimação do Acórdão nº 0268.970. Portanto, não houve vício na intimação, aplicandose aqui o enunciado da Súmula CARF nº 9. Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.351 6 Todavia, mesmo na hipótese de vício na intimação, o recurso não poderia ser admitido, dada a existência do pedido de parcelamento, formalizado no documento de fl. 3.344. Parcelamento tem por pressuposto o reconhecimento da dívida, que é incompatível com a vontade de impugnar a obrigação tributária. Sendo assim, a apresentação de pedido de parcelamento implica a desistência tácita de eventual impugnação ou recurso já interposto. Recursos dos responsáveis solidários Cleberson Cristiano Poloto Ferreira e Clerisson Fabiano Poloto Ferreira alegaram que, após a conclusão do lançamento, procedeuse a uma retificação do TVF, da qual nenhum dos dois teria sido intimado. Tal omissão, segundo os recorrentes, acarretaria nulidade insanável, inviabilizando a responsabilidade solidária estabelecida no lançamento. É que o vício os teria impedido de exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa. Semelhante omissão também teria se verificado quanto ao acórdão da DRJ Belo Horizonte, do qual os recorrentes também não foram intimados. Não procede a alegação dos recorrentes. Não houve cerceamento de defesa e tampouco ofensa ao contraditório. O erro apontado e corrigido pela autoridade lançadora não passa de mera imprecisão material na elaboração de uma planilha e de um item do TVF. Houve inserção incorreta de determinado valor no demonstrativo elaborado. No auto de infração, entretanto, os valores estão registrados corretamente. A retificação não alterou o montante do crédito tributário lançado, não modificou a descrição das infrações no TVF, nem o enquadramento legal. Em suma, não houve retificação dos elementos estruturais do ato administrativo: não se procedeu à qualquer mudança no valor do crédito tributário lançado, na descrição dos fatos ou nos fundamentos jurídicos. A imprecisão que foi corrigida no TVF poderia ter sido sanada a qualquer tempo, inclusive de ofício, sem que isso acarretasse qualquer prejuízo ao direito do contribuinte ou à validade do lançamento. O erro quanto a um determinado número, em um dos anexos do TVF, de forma nenhuma tangencia a essência do ato administrativo, senão em um aspecto de natureza meramente formal. Nessa linha, é o entendimento reiterado do E. Superior Tribunal de Justiça STJ, do qual é exemplo o acórdão proferido no Recurso Extraordinário nº 1.372.254 CE, de cuja ementa se pode extrair o seguinte trecho: A teor da iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o erro material pode ser corrigido a qualquer tempo, inclusive de ofício, nos termos do art. 463, I, do Código de Processo Civil, sem que isso implique em violação à coisa julgada. Nesse julgamento, o relator, o eminente Ministro Ari Pargendler, deixou assentado: A teor da iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o erro material pode ser corrigido a qualquer tempo, inclusive de ofício, nos termos do Fl. 3351DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.352 7 art. 463, I, do Código de Processo Civil, sem que isso implique em violação à coisa julgada. Entendese por erro material "aqueles equívocos facilmente observados pela simples leitura da decisão e dizem respeito à forma de expressão do julgamento, e não ao seu conteúdo, a exemplo de erros de cálculos aritméticos, erros de digitação" (AgRg na Pet n° 6.745, RJ, relator o Ministro Castro Meira). (g.n.) O erro ou imprecisão material não afeta o conteúdo do ato, nem implica nulidade. É o que se passa no caso ora em exame. Todavia, ainda que fosse decretada a nulidade do lançamento, ela jamais alcançaria o ato no seu todo, mas apenas a parte objeto da retificação. A nulidade, se existisse, ficaria restrita à parte comprometida pelo equívoco no preenchimento de uma das linhas da planilha anexa ao TVF. Se admitida a existência de vício, aos recorrentes só caberia falar sobre a parte retificada, adotandose, por analogia, a regra do art. 203 do CTN, que assim dispõe: Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo, são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada. Por outro lado, é necessário dar especial destaque ao fato de que os recorrentes não chegaram sequer a impugnar o lançamento (na sua forma original). Mesmo intimados, não manifestaram inconformismo com a exigência do crédito tributário ou com qualquer outro aspecto do lançamento. Tivessem apresentado impugnação, então se poderiam alegar que a imprecisão material produzira algum tipo de prejuízo. Mas os sócios, arrolados como responsáveis pelo crédito tributário, deixaram transcorrer o prazo, sem impugnar a exigência fiscal. Os recorrentes, frisese, incorreram em revelia. Portanto, não existindo impugnação à DRJ, não é correto, pelas regras do processo administrativo fiscal, que venham os autuados discutir o lançamento diretamente no CARF. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário de OPP Indústria Têxtil Ltda., nem dos recursos de Cleberson Cristiano Poloto Ferreira e Clerisson Fabiano Poloto Ferreira. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.353 8 Fl. 3353DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.010744/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/08/2010, 08/09/2010
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1.
De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir.
Numero da decisão: 3201-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário em razão da concomitância.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário em razão da concomitância. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 07 44 /2 01 0- 32 Fl. 234DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 215 em face da decisão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 205 que manteve o lançamento de II, IPI, Pis e Cofins, diante de indícios de falta de recolhimento de tributos, por importação não amparada por imunidade e, ao mesmo tempo, reconheceu a concomitância. A autoridade lavrou os Autos de Infração das fls. 87 a 105. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação dos fatos, matéria e trâmite dos autos, conforme segue: "DO LANÇAMENTO A interessada, por meio da DI nº 10/15040588, registrada em 30/08/2010, submeteu a despacho mercadoria descrita nas adições 001, 002 e 003, classificáveis na Tarifa Externa Comum nos códigos 9402.9010, 9402.9090 e 9402.9010 respectivamente, tendo sido desembaraçada a mercadoria importada por força de liminar concedida em Mandado de Segurança (nº 0013806 67.2010.4.03.6100). A fiscalização procedeu ao lançamento visando prevenir a decadência, relativamente ao II, IPI, COFINS e PIS/PASEP incidentes sobre as mercadorias importadas e seus respectivos juros de mora. O valor consolidado do crédito tributário perfaz a soma de R$ 84.685,71. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a empresa autuada apresentou tempestivamente a sua defesa, com as seguintes alegações, em síntese: a) nos termos de seu Estatuto Social, é associação de caráter beneficente, sem fins lucrativos, que se propõe a dar assistência social, moral, material e na área de saúde às pessoas necessitadas, sem distinção de raça, nacionalidade, condição social, religião, cor ou outras formas de discriminação; b) A Constituição Federal não define e nem indica quais as características essenciais, além dos fins não lucrativos, que uma entidade deve ter para que possa ser considerada de assistência social e, portanto, imune à tributação, mencionando apenas os requisitos da lei; c) informa que o CTN, em seu art. 14, determina os requisitos legais a serem atendidos para o gozo da imunidade em tela, além disso, a jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal tem exigido a prestação de assistência gratuita a pessoas carentes, atividade esta prevista expressamente no art. 10 do Estatuto Social da Impugnante. Assim, é beneficiária da imunidade tanto no que se refere aos impostos quanto às contribuições, uma vez que preenche todos os requisitos constitucionais e legais previstos; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10314.010744/201032 Acórdão n.º 3201003.157 S3C2T1 Fl. 235 3 d) o Ato Declaratório do PGFN nº 9, de 2006, dispõe sobre a dispensa de interposição de recurso nas ações judiciais que aleguem o alcance da imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da CF ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados. Cita Acórdão da então Câmara Superior de Recursos Fiscais; e) os bens adquiridos pela Impugnante destinamse a uso próprio hospitalar dentro de suas instalações, ou seja, estão diretamente relacionados com sua finalidade essencial, em perfeita consonância com o que dispõe o artigo 150, § 4° da Constituição Federal; f) a exigibilidade do crédito está suspensa e não há que se falar em aplicação de juros pois, se o tributo não pode ser cobrado, não se pode dizer que o contribuinte encontrase em mora. Transcreve trecho de ementa de decisão do então Conselho de Contribuintes; Por fim, requer a declaração de insubsistência do auto de infração ora combatido. É o relatório." A DRJ/PE de fls. 205 publicou seu acórdão de primeira instância com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/08/2010, 08/09/2010 Ação Judicial II, IPI, PIS e Cofins lançamentos. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa dos impostos e contribuições sociais devidos, que deve ser realizado, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente a esses tributos, ficando o crédito constituído sujeito ao que vier a ser decidido, com trânsito em julgado, pela autoridade judicial. Concomitância de objeto com ação judicial. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto da ação administrativa implica em renúncia a este litígio e, em conseqüência, no impedimento da apreciação, pela autoridade administrativa, das razões de mérito, no tocante à cobrança dos tributos vinculados à importação. Lançamento para prevenir a decadência. Juros de Mora. De acordo com a legislação em vigor, os juros de mora são devidos mesmo durante o período de suspensão da respectiva cobrança por decisão administrativa ou judicial. Fl. 236DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O processo digitalizado foi distribuído e pautado nos termos do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é possível conhecêlo em razão de concomitância com processo judicial. Conforme destacado no relatório, o lançamento ocorreu diante de indícios de importação não amparada por imunidade, com expressa menção à medida judicial de fls. 185 e seguintes perante a 7.ª Vara Federal Cível de São Paulo/SP, Mandado de Segurança n° 2001380667.2010.4.03.6100. O contribuinte, tanto em Impugnação (fls. 123) quanto em Recurso Voluntário (fls. 215) alegou ser imune aos tributos em razão de ser entidade sem fins lucrativos com finalidade de assistência social e fundamentou sua alegação nos Art. 150, VI, c, da CF/88. Analisada decisão de fls. 201 proferida no âmbito judicial, é possível concluir que o Poder Judiciário trata da mesma matéria submetida à esta lide administrativa fiscal, conforme segue: Portanto, a decisão de primeira instância errou em julgar improcedente a Impugnação, uma vez que, ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário, com o reconhecimento de sua imunidade, o contribuinte optou por uma via de defesa, o que gerou concomitância, prevista na Súmula n.º 1 deste Conselho: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10314.010744/201032 Acórdão n.º 3201003.157 S3C2T1 Fl. 236 5 "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para que o Recurso Voluntário não seja conhecido, em razão da CONCOMITÂNCIA. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 238DF CARF MF
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