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Numero do processo: 10980.012074/2005-79
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo as razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário.
A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se provendo o recurso apresentado.
(Súmula CARF Nº 1)
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 16/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo as razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se provendo o recurso apresentado. (Súmula CARF Nº 1) Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
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A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo as razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se provendo o recurso apresentado. (Súmula CARF Nº 1) Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 20 74 /2 00 5- 79 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 5/11, foi efetuado o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, código de receita 2904, no valor de R$ 2.089,47, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, relativos ao ano calendário 2000, exercício 2001. Conforme Demonstrativo das Infrações – parte integrante do Auto de Infração , verificase que a autuação deuse em razão da constatação de omissão de rendimentos no valor de R$ 10.935,36 recebidos a título da fonte pagadora PETROS – FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL. Intimado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, fls.01/02, onde, consoante o relatório do acórdão de primeira instância, cm síntese, alega que do total recebido da PETROS, no valor de R$32.536,08, foram declarados 2/3 como rendimentos tributáveis, ou seja, R$21.690,72 e mais o beneficio recebido do INSSR$9.349,00. Diz que assim procedeu em face da isenção de 1/3 (R$10.845,36) facultada pelo art. 6º, inciso VI da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e que essa proporção tem sido cm média 1/3 do participante e 2/3 da patrocinadora, por isso, faz jus a isenção de 1/3 da suplementação. Argúi que não sonegou nenhum rendimento, e que a sua Declaração de Ajuste Anual exercício 2001 se encontra correta.Requer o acolhimento da impugnação e o imposto a restituir informado na Declaração. A 5ª Turma da DRJ CuritibaPR manteve o auto de infração por meio do Acórdão nº. 0618.760, de 31/07/2008, com a seguinte ementa (fls. 21): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Os benefícios e os valores de resgate de contribuições de previdência privada são tributáveis, excetuandose, apenas, o resgate que corresponder As parcelas de contribuições efetuadas no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, cujo ônus tenha sido da pessoa física. CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS. PROGRAMA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A isenção prevista no art. 39, inciso XI, do RIR/1999, alberga tão somente as contribuições pagas a previdência privada pelo empregador, e não o beneficio ou o resgate dessa contribuição pelo beneficiário. Lançamento Procedente Regularmente notificada do Acórdão em 26/08/208, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls.28 e seguintes, em 25/09/2008 onde reitera os argumentos da impugnação e ainda informa que ingressou com uma ação ordinária nº 2002.70.00.0678490 (PR) contra a União (Receita Federal), conforme acórdão da 2º Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região que junta às fls. 43/50. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.012074/200579 Acórdão n.º 2802002.552 S2TE02 Fl. 3 3 Assevera que a União deve lhe restituir o que foi retido na fonte e recolhido indevidamente a titulo de imposto de renda sobre o beneficio que recebi e recebo da PETROS. Finaliza pedindo a extinção do processo administrativo que gerou a autuação por ele impugnada, ou, ainda, que seja determinada a sua suspensão até o transito em julgado de sua ação judicial. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo mas dele NÃO tomo conhecimento por reconhecer, a concomitância da questão na esfera judicial e administrativa. Também, é sumula nesse Conselho o seguinte: Súmula CARF Nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial.” Como no recurso voluntário apresentado não há matéria fora da discussão judicial, não conheço do presente Recurso Voluntário. É como voto. Dayse Fernandes Leite (Assinado Digitalmente) Fl. 58DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.003256/2001-97
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1996
Ementa:
JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO - ANO CALENDÁRIO 1996 - No
ano-calendário de 1996, a dedução dos juros sobre o capital próprio,ra limitada a (i) à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP, (ii)à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados„m montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. As disposições da Lei n° 9.430/96, que permitem a dedução dos juros sobre o capital próprio quando houver reserva de lucros, somente produziram,feitos a partir de 01.01.1997, de acordo com o art. 87 da Lei n° 9.430/96.Ano- calendário: 1996.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-000.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Francisco Sales Ribeiro de Queiroz. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre
Andrade Lima da Fonte Filho.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO - ANO CALENDÁRIO 1996 - No ano-calendário de 1996, a dedução dos juros sobre o capital próprio,ra limitada a (i) à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP, (ii)à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados„m montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. As disposições da Lei n° 9.430/96, que permitem a dedução dos juros sobre o capital próprio quando houver reserva de lucros, somente produziram,feitos a partir de 01.01.1997, de acordo com o art. 87 da Lei n° 9.430/96.Ano- calendário: 1996. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Francisco Sales Ribeiro de Queiroz. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 15374.003256/2001-97 Recurso n° 155.853 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9101-00.595 — la Turma Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA VALE DO RIO DOCE (incorporadora de FERTECO MINERAÇÃO S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO - ANO CALENDÁRIO 1996 - No ano-calendário de 1996, a dedução dos juros sobre o capital pr6prio,ra limitada a (i) à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP„ (ii) d,xistência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados„m montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. As disposições da Lei n° 9.430/96, que permitem a dedução dos juros sobre o capital próprio quando houver reserva de lucros, somente produziram,feitos a partir de 01.01.1997, de acordo com o art. 87 da Lei n° 9.430/96.Ano- calendário: 1996. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Francisco Sales Ribeiro de Queiroz. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. CARLOS ALBERTO F EITAS BARRETO — Presidente .. SANDRI - Relator KAREM-JUREIDINI DIAS - Redatora Designada - Ad Hoc / EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Com base no permissivo do art. 7°, II, arts. 15 e 16, todos do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF n° 147/2007, a contribuinte interpõe recurso especial (fls 223/232), contra acórdão proferido pela Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 208/214), que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário da contribuinte para manter o lançamento do IRPJ no que tange a dedução dos Juros sobre Capital Próprio. 0 presente auto de infração foi lavrado em razão da revisão efetuada pela Autoridade Fazenddria da declaração de rendimentos da contribuinte do exercício de 1997, na qual foi constatada a existência de irregularidades consubstanciada na adição a menor dos Juros sobre Capital Próprio na apuração do lucro real (art. 9°, § 1° da Lei n° 9.249/95 e art. 31 da IN SRF 11/96), e compensação a maior de IR mensal devido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão, em virtude de insuficiência de IRRF utilizado nos cálculos (art. 37, § 3°, "d", § 4°c art. 18, § 3°, "d", § 4° da IN SRF 11/96). A contribuinte alega, além da nulidade do auto por suposta fundamentação legal equivocada, que calculou e deduziu da base de cálculo do IRPJ valor de juros sobre capital próprio apurado em observância ao determinado pelo art. 9°, § 1°, da Lei 9.249/95, com a alteração da Lei 9.430/96, e os valores recolhidos mensalmente a titulo de IRPJ, assim como os montantes de IRF compensados por ela estão adequados, não existindo qualquer compensação a maior ou insuficiência de IRF. Analisando a impugnação, a DRJ/RJO, rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração e no mérito, julgou procedente em parte o lançamento para considerar indevida a glosa efetuada referente ao IRF e mantendo o lançamento referente à adição a menor dos juros sobre capital próprio. Da parte desfavorável da decisão mantida pela DRJ/RJO, a contribuinte apresentou recurso voluntário sob as mesmas alegações, decidindo a Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes pelo improvimento do recurso, sob a alegação de que "as disposições da Lei n° 9.430/96, que permitem a dedução dos juros sobre o capital próprio quando 2 Processo n° 15374.003256/2001-97 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00395 Fl. 2 houver reserva de lucros, somente produziram efeitos a partir de 01.01.1997, de acordo com o art. 87 da Lei n° 9.430/96", estando à decisão assim ementada, verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. ANO CALENDÁRIO 1996. No ano-calendário de 1996, a dedução dos juros sobre o capital próprio era limitada a (i) a variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TILP; e (h) el existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. As disposições da Lei n° 9.430/96, que permitem a dedução dos juros sobre o capital próprio quando houver reserva de lucros, somente produziram efeitos a partir de 01.01.1997, de acordo com o art. 87 da Lei n°9.430/96. Recurso negado." Em seu recurso especial, a contribuinte, sustenta divergência do acórdão recorrido com o entendimento da Oitava e Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão n° 108-07.934 e 103-22.561, respectivamente), ao decidir que a dedução já era possível mesmo antes de 01.01.1997, uma vez que são comuns os conceitos de "reservas de lucros" e "lucros acumulados", pois embora distintos na classificação contábil, possuem a mesma essência e finalidade. Acrescenta que o art. 78 da Lei 9.430/96, em nada alterou o § 1° do art. 9° da Lei 9.249/95, ao incluir a conta "reserva de lucros", pois veio apenas complementar a regra disposta neste último dispositivo, já que trata de uma conta distinta da de "lucros acumulados", uma vez que ambos os institutos possuem a mesma essência e finalidade, conforme expostos nos acórdãos paradigmas. Ao recurso especial da contribuinte foi dado seguimento pelo Presidente da Câmara recorrida (Despacho n° 484, fls. 292/293), ante a constatação de estarem atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do recurso mediante a demonstração da divergência jurisprudencial. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 295/299), sustentando que, pela leitura do § 1° do art. 9° da Lei 9.249/95, os juros sobre o capital próprio apenas são dedutiveis na apuração do lucro real, quando da existência de lucros computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em patamar, no mínimo, iguais ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados e que somente após a vigência da Lei 9.430/96, é que se abriu a possibilidade de dedução dos juros sobre o capital próprio em caso de ocorrência de reserva de lucros. E' o relatório. 3 Voto Vencido Conselheiro VALMIR SANDRI Com base nos permissivos do art. 7°, II, art. 15 e 16, ambos do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF n°. 147/2007, a contribuinte interpõe recurso especial de divergência contra acórdão proferido pela Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que por maioria de votos, negou provimento ao seu Recurso Voluntário para manter o lançamento do IRPJ no que tange à dedução dos Juros sobre o Capital Próprio, tendo a contribuinte demonstrado fundamentadamente a divergência, colacionando para isso, acórdãos paradigmas do Conselho de Contribuintes, atendendo, portanto, o pressuposto para sua admissibilidade, razão pela qual o conheço. Conforme se depreende do Relatório, cinge-se a controvérsia à questão da possibilidade ou não de cômputo das reservas de lucros no cálculo do limite de dedução dos juros sobre o capital próprio, relativamente ao período anterior à vigência da Lei 9.430/96. Para seguimento de seu recurso, a contribuinte traz como paradigma os acórdãos proferidos pela Oitava Camara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (n° 108-07934) e da Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (n° 103- 22561), que entenderam no sentido de que a dedução já era possível mesmo antes de 01.01.1997, uma vez que são comuns os conceitos de "reservas de lucros" e "lucros acumulados", pois embora distintos na classificação contábil, possuem a mesma essência e finalidade, estando tais decisões assim ementadas: "IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Havendo concomitância entre matéria discutida em ação judicial e em processo administrativo, fica impedida esta Colenda Câmara de apreciá-la, independentemente de o intento judicial ter iniciado antes ou depois do lançamento. Parte do recurso que não se conhece. IRPJ. PRELIMINAR DE NULIDADE ANTE A FALTA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DO AUTO. Não há de se acolher preliminar de nulidade ante a falta de descrição suficiente do auto, quando o mesmo preenche todos os pressupostos legais em sua elaboração, bem como em razão de que o autuado demonstrou pleno conhecimento da matéria em sua defesa, não se vislumbrando cerceamento de defesa. IRPJ. JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO. São comuns os conceitos de 'lucros acumulados" e "reservas de lucros", pois, embora distintos na classificação contábil, possuem a mesma essência e finalidade. A modificação trazida pelo art. 78 da Lei 9.430/96 ao §1° do art. 9° da Lei 9.249, apenas veio complementar o texto deste último dispositivo legal, introduzindo a expressão "reservas de lucros", o que não significa dizer que seu conceito seja distinto do de "lucros acumulados". Logo, verificando-se que a dedutibilidade somente não foi aceita em razão da nomenclatura da conta contábil, há de ser destituída a exigência fiscal neste sentido. 4 Processo n° 15374.003256/2001-97 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.595 Fl. 3 1RP.I. JUROS DE MORA. É correta a aplicação de juros de mora sobre exigência fiscal, ainda que a cobrança tenha sido suspensa por decisão administrativa ou judicial, nos termos do art. 5° do Decreto-Lei n°1.736/79. MULTA DE OFICIO. Não cabe a aplicação da multa de oficio em lançamento para prevenir decadência, estando o crédito tributário suspenso por decisão judicial. Inteligência do art. 63 da Lei 9.430/96. Recurso parcialmente não conhecido. Preliminar rejeitada. Recurso provido." "IRPJ - JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - LIMITE PARA DEDUÇÃO - ANO-CALENDÁRIO 1996 - Para fins de apuração do limite de dedução dos juros sobre capital próprio, nos termos do art. 9°, § 1°, da Lei 9.249/95, devem ser computadas as reservas de lucros. Recurso voluntário a que se dá provimento." Entendo que assiste razão ã contribuinte quanto A. inclusão da conta "reservas de lucros" na base de cálculo do limite de dedutibilidade dos referidos juros, para efeito de apuração do lucro real. Isto porque, "lucros acumulados" e "reservas de lucros", a despeito de possuírem nomenclaturas distintas, possuem a mesma essência e finalidade enquanto lançamentos contábeis, o que significa dizer que a finalidade de ambas as contas é basicamente a mesma, ou seja, permitir que as referidas reservas possam ser deliberadas nos moldes definidos pela sociedade, seja para aumento do capital social, por exemplo, ou para operação de juros sobre o capital próprio, como se trata in casu. Tal entendimento foi, inclusive, corroborado no projeto de Lei no 2448- A/1996 (p. 3119), que resultou na Lei n° 9.430/96, que deu nova redação ao § 10 da Lei 9.249/95, quando, ao justificar o motivo exposto para essa alteração asseverou "tal ajuste se justifica em virtude da natureza econômica das referidas reservas, idêntica A. dos lucros acumulados". Assim, tendo em vista a identidade econômica e jurídica dos valores das referidas rubricas, é possível a inclusão das reservas de lucros na apuração do limite de dedutibilidade dos valores pagos a titulo de juros sobre capital próprio, da base de cálculo do imposto de renda. Dessa forma, não há como acolher o argumento da Fazenda Nacional de que somente com a modificação introduzida pelo art. 78 da Lei 9.430/96, é que se abriu a possibilidade de dedução dos juros sobre o capital próprio em caso de ocorrência de reserva de lucros. 5 Isto porque, entendo que o referido artigo possui caráter meramente interpretativo ao § 10 do art. 9° da Lei n° 9.249/95, explicitando o cômputo das reservas de lucros no cálculo do limite de dedução dos juros - sobre capital próprio, já implícito no comando da norma instituidora - art. 9° -, haja vista a identidade de natureza patrimonial entre lucros acumulados e reservas de lucros. Pelo acima exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso de divergência interposto pela contribuinte. É como voto. : 6 Process o n" 15374.003256/2001-97 CSRF-T1 Acórdão n." 9101-00.595 11. 4 Voto Vencedor Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS_Relatora Designada Ad Hoc Não obstante meu entendimento não se coadunar com aquele que restou vencedor no presente julgamento, fui designada para redatora ad hoc do voto vencedor, tendo em vista que o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho não integra mais o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Verifico que o entendimento que prevaleceu foi no sentido de negar provimento ao recurso do contribuinte, mantendo-se, assim, o entendimento do acórdão recorrido (acórdão n° 101-96.698), que também era de relatoria do Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (redator originalmente designado para este voto vencedor). Neste passo, tendo em vista representar o entendimento que prevaleceu, reproduzo as razões do voto condutor do acórdão recorrido (com relação ao então Recurso Voluntário) que justificam a negativa de provimento ao Recurso Especial do contribuinte. "(...) com relação aos juros sobre o capital próprio, a redação original da Lei n° 9.249/95 determinava: Art. 9 0 A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo — TJLP. § 1° 0 efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado • existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados Dessa maneira, no ano-calendário de 1996, a dedução dos juros sobre o capital próprio era limitada a (i) à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo — TJLP; e (it) it existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, ein montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Observe-se que a redação original, aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1996, condicionava a dedução dos juros sobre o capital próprio, na apuração do lucro real, existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Somente com a vigência da Lei n° 9.430/96 é que foi possibilitada a dedução dos juros sobre o capital próprio quando houvesse reserva de lucros. No entanto, de acordo com o art. 87 da Lei n° _ KAREM JUREIDINI DIAS - Redatora Ad Hoc 9.430, a referida Lei somente passou a produzir efeitos financeiros a partir de 01.01.1997, de modo que não há que se falar em aplicação da Lei n° 9.430/96 aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1996. Dessa maneira, e considerando que (i) no ano-base de 1996, a contribuinte possuía lucros no montante de R$ 37.803.497,87; (ii) segundo o art. 90, a contribuinte poderia utilizar o equivalente a 50% do referido montante como limite para a dedução dos juros sobre o capital próprio; observa-se que a contribuinte, ao deduzir o montante de R$ 22.121.000,00, excedeu em R$ 3.219.251,06 o limite para dedução de juros sobre o capital próprio, razão pela qual deve ser mantido o lançamento correspondente. Essas são as razões que apresento como redatora designada ad hoc para o não provimento do Recurso Especial do contribuinte. 8
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Numero do processo: 10830.006571/2007-13
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso de Ofício Negado
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 65 71 /2 00 7- 13 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10830.006571/200713 Acórdão n.º 2302003.273 S2C3T2 Fl. 210 3 Relatório Tratase de recurso de ofício em face da decisão de primeira instância que, por unanimidade de votos, considerou improcedente o lançamento, cancelando o crédito tributário exigido, no montante de R$ 2.476.122,96 (fls. 99 e seguintes). Em razão do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício (inciso II do art. 25 e inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, c/c o inciso I do art. 366 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99) Adotase trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 194 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Consoante relatório fiscal integrante da NFLD – Notificação Fiscal de lançamento de Débito, nº 35.957.2880, tratase de constituição de crédito previdenciário, correspondendo às seguintes contribuições sociais devidas à Seguridade Social, a saber: • Parte da Empresa • Decorrentes do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho; • Destinadas a Entidades e Fundos ( Terceiros) Consta ainda no relatório fiscal que constituem fatos geradores do crédito previdenciário as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e trabalhadores autônomos nas competências compreendidas no período de 01/1996 a 13/1997. (...) Cientificada do lançamento, em 20/12/2006, a entidade apresentou defesa em 04/01/2007 (data da postagem), conforme documento constante às fls. 140/154 (...) Como afirmado, a DRJ, por unanimidade de votos, considerou improcedente o lançamento, cancelando o crédito tributário exigido (fls. 193 e seguintes), recorrendo de ofício. O contribuinte foi cientificado do Acórdão exarado e da abertura de prazo para interposição de recurso voluntário, mas não se manifestou no prazo. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Recurso de Ofício. Decadência. A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 20/12/2006, e compreende as competências de 01/1996 a 12/1997. A decisão a quo, que se manifestou pela exoneração total do crédito, considerou decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008”. Com efeito, se mostra correta a decisão de primeira instância. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Vejamos a parte final do voto proferido pelo Rel. Min. Gilmar Mendes, seguida do texto do aludido enunciado: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Como cediço, os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103 A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10830.006571/200713 Acórdão n.º 2302003.273 S2C3T2 Fl. 211 5 Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Deveras, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 No presente caso, por quaisquer das regras há que se reconhecer a decadência, visto que ultrapassado o lustro normativo, independentemente do dies a quo considerado. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO DO RECURSO DE OFÍCIO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720168/2005-43
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Comprovada a existência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, relativo a IR-Fonte recolhido em face do pagamento de juros sobre o capital próprio JCP, cujo pagamento foi tornado sem efeito em deliberação posterior, devem ser homologadas as compensações declaradas.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento ao recurso.Vencido o Conselheiro Antonio José Praga de Souza que negava provimento e apresentará declaração de voto.
(Assinado Digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO II SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Comprovada a existência do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, relativo a IRFonte recolhido em face do pagamento de juros sobre o capital próprio JCP, cujo pagamento foi tornado sem efeito em deliberação posterior, devem ser homologadas as compensações declaradas. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento ao recurso.Vencido o Conselheiro Antonio José Praga de Souza que negava provimento e apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 01 68 /2 00 5- 43 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 18/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720168/200543 Acórdão n.º 1402001.346 S1C4T2 Fl. 321 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº. 30722.35165.050504.1.3.04.3734 (fls. 1/5), transmitido em 05.05.2004, visando à compensação de crédito de pagamento a maior de IRRF, no montante original de R$ 2.725.322,85, com débitos de IRPJ e CSLL estimativa, relativos aos períodos de apuração de março e abril do anocalendário 2003. Ao analisar o PER/DCOMP transmitido pela Requerente, a autoridade fiscal houve por bem não homologálo, sob o entendimento de que o crédito que se pretendia utilizar já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Requerente, não restando, portanto, crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 12/13). Nesse passo, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 20/23) esclarecendo que o referido crédito seria oriundo de pagamento indevido a título de IRRF (código 5706), recolhido em virtude da deliberação do pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio (JCP) a seus acionistas, no período de apuração 01/09/2001, conforme extrato de pagamentos obtido junto a Receita Federal do Brasil (fl. 89) e DCTF do período (fl. 90). Aduziu, ainda, que em sessão realizada em 05/11/2001 (Ata de Reunião de Quotistas às fls. 91/92), seus sóciosquotistas deliberaram e aprovaram tornar sem efeito a deliberação que autorizou o pagamento de JCP, ocasião em que cancelouse o pagamento realizado. Dessa forma, referido pagamento de IRRF teria revestidose na condição de crédito a seu favor. Além disso, esclareceu que por um lapso não procedeu à retificação da DCTF referente ao 3º trimestre de 2001, deixando de informar a Receita Federal do Brasil sobre a inexistência do débito de IRRF, razão pela qual, ao analisar o PER/DCOMP em questão, as autoridades fiscais não conseguiram confirmar o crédito da contribuinte. A 7ª Turma da DRJ/SPOI manteve a não homologação da compensação (fls. 173/176), sob o argumento de que a contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do seu direito creditório, afirmando que a contribuinte deveria ter anexado aos autos a DCTF retificadora referente ao 3º trimestre de 2001 e demais documentos comprobatórios, entre eles a escrituração contábil, capazes de demonstrar o ocorrido. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 179/186), repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade e anexando cópia do razão contábil (fls. 246/247) que reflete o estorno do passivo relativo ao pagamento de JCP em 09/11/2001. É o Relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 18/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720168/200543 Acórdão n.º 1402001.346 S1C4T2 Fl. 322 3 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Para demonstração do direito creditório que alega possuir, a Recorrente anexou aos autos: (i) Ata de reunião realizada em 31/08/2001, que delibera pelo pagamento dos juros sobre capital próprio (fls. 97/99); (ii) DCTF referente ao 3º trimestre de 2001 (fl. 90); (ii) Comprovante de recolhimento do IRRF (código 5706) (fl. 89); (iii) Ata de reunião realizada em 05/11/2001, tornando sem efeito a deliberação sobre o pagamento de juros individualizados aos sócios, a título de remuneração do capital próprio, tomada na reunião de quotistas realizada em 31/08/2001 (fl.91/92); (iv) Cópia do Razão Contábil que reflete o estorno do passivo referente ao pagamento de JCP (fls. 246/247). Ora, diante do conjunto probatório apresentado, entendo que está fartamente comprovado que a Recorrente era efetivamente possuidora do crédito indicado no PER/DCOMP nº. 30722.35165.050504.1.3.04.3734, oriundo de pagamento indevido de IRRF no valor de R$ 2.725.322,85. Ressalto, ainda, que muito embora a Recorrente não tenha apresentado a DCTF retificadora do período, consoante princípio da verdade material, a partir dos demais documentos apresentados, tornouse possível verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Posto isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, homologando totalmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº. 30722.35165.050504.1.3.04.3734. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 18/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720168/200543 Acórdão n.º 1402001.346 S1C4T2 Fl. 323 4 Declaração de Voto Conselheiro Antonio José Praga de Souza No transcurso dos debates realizados no colegiado para julgamento deste processo manifestei discordância quanto ao entendimento do ilustre Relator, conselheiro Carlos Pelá. Acabei vencido, pelo que resolvi apresentar a presente declaração de voto para registrar meu posicionamento. É fato incontroverso, provado nos autos, que a contribuinte realizou a retenção e recolhimento do IRFonte incidente no pagamento de Juros Sobre o Capital Próprio (JCP) realizado em 2001. Vejamos a sequencia cronológica de tais fatos: (i) Ata de reunião realizada em 31/08/2001, que delibera pelo pagamento dos juros sobre capital próprio (fls. 97/99); (ii) DCTF referente ao 3º trimestre de 2001 (fl. 90); (ii) Comprovante de recolhimento do IRRF (código 5706) (fl. 89); (iii) Ata de reunião realizada em 05/11/2001, tornando sem efeito a deliberação sobre o pagamento de juros individualizados aos sócios, a título de remuneração do capital próprio, tomada na reunião de quotistas realizada em 31/08/2001 (fl.91/92); (iv) Cópia do Razão Contábil que reflete o estorno do passivo referente ao pagamento de JCP (fls. 246/247). O ilustre Relator concluiu que ao tornar sem efeito a deliberação anterior sobre o pagamento do JCP, o recolhimento do IRFonte tornouse indevido, daí o direito à restituição. De minha parte, defendi que o fato gerador já havia ocorrido (pagamento do JCP), estava perfeito e acabado, daí a correção do recolhimento do tributo e a impossibilidade de sua restituição. Vejamos o disposto nos art. 113 a 118 do Código tributário Nacional – CTN: “CAPÍTULO II Fato Gerador Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 18/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720168/200543 Acórdão n.º 1402001.346 S1C4T2 Fl. 324 5 (...) Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (....) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. (...)” Grifei. A interpretação sistemática dos dispositivos acima transcritos, especialmente das sentenças grifadas, autoriza concluir que uma vez deliberado o pagamento do JCP e tendo sido efetivamente realizado mediante crédito contábil aos sócios/acionistas, bem como tendo havido o recolhimento do tributo, não é possível “tornar sem efeito” a ocorrência do fato gerador. O artigo 668 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) estabelece: Art. 668. Estão sujeitos ao imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito, os juros calculados sobre as contas do patrimônio líquido, na forma prevista no art. 347 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º). Grifei. O “crédito” a que se refere a Lei é justamente o lançamento contábil registrando a obrigação da empresa para com seus sócios. Logo, não resta dúvida de que no momento desse creditamento ocorreu o fato gerador do imposto, sendo que a deliberação da empresa, 3 meses depois não pode ser oponível ao fisco. É certo que o simples “crédito contábil” para terceiros, especialmente para domiciliados no exterior, não implica na ocorrência do fato gerador do IRFonte (vide acórdão CSRF 220200.370 de 3/2/2010). Todavia esse entendimento não se aplica nos creditamentos Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 18/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720168/200543 Acórdão n.º 1402001.346 S1C4T2 Fl. 325 6 contábeis efetuado em comum acordo entre as partes para quitação de dívidas que o beneficiário possua junto à fonte pagadora, muito menos nos creditamentos contábeis efetuados para sócios e acionista, a exemplo de “pro labores”, juros sobre o capital próprio, e créditos para compensações a qualquer título , etc. Situação similar à verificada nos autos ocorre quando um contribuinte efetua a venda de um bem, apura ganho de capital, recolhe o imposto e, posteriormente, o negócio é cancelado. Nessas situações o entendimento neste Conselho é no sentido de que o tributo não cabe ser restituído, a exemplo do acórdão 10611.056, cuja ementa elucida: GANHO DE CAPITAL CANCELAMENTO DA ESCRITURA PÚBLICA IRPF Ex(s): 1995 e 1997 O cancelamento da escritura pública não logra afastar o fato gerador da exação, tendo sido verificada a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. 1º CC. / 6a. Câmara / Acórdão 106 11.056 em 11.11.1999. Publicado no DOU em: 19.05.2000. Por fim esclareço que, a meu ver, o procedimento correto da contribuinte nesses casos é manter o registro contábil do recolhimento do IRFonte sobre o JCP a favor de cada beneficiário e, no momento em que for realizar novamente o pagamento/creditamento a esse título, subtrair o tributo já recolhido, evitando assim a dupla incidência sobre o mesmo rendimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Antonio Jose Praga de Souza Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 07/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assina do digitalmente em 18/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16327.002243/99-71
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Juros Sobre Multa de Officio
Exercício: 1996 a 1998
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária
principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Recurso da Fazenda Nacional Provido.
Recurso da Contribuinte Improvido.
Numero da decisão: 9101-000.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ve ciclos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Suzy Gomes Hoffman. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Valmir Sandri
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Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso da Contribuinte Improvido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ve ciclos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidin . Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Suzy Gomes Hoffman. Designada para ridigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner 9 CARLOS ALBER ITA>B" RRETO - Presidente. ..M~.11~110"- Á _ 14 it PRI - R: ator. VIVIANE VIDAL WAGNER - Redatora Designada. EDITADO EM: 1 8 juN Lulu Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias, Susy Gomes Hoffman, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Carlos Alberto Freitas Barreto. • 2 Processo n° 16327.002243/99-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.539 Fl. 2 Relatório Com base nos permissivos do art. 32, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria do MF n. 55/98, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (fls. 516/519) contra acórdão (n. 107-08.679), proferido pela Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria: de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir os juros de mora sobre a multa de oficio a 1% ao mês, excluindo a taxa SELIC. Em face do mesmo acórdão, a contribuinte também apresentou recurso especial (fls. 527/540), com base no permissivo do art. 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais e no art. 56, II, e § 1°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, contra a mesma parte do acórdão que manteve os juros no percentual de 1% ao mês sobre a multa de oficio. De acordo com a autoridade administrativa, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização constatou a falta recolhimento da CSLL relativa aos anos-calendário de 1995, 1996 e 1997, sob o fundamento de que estava amparada em decisão transitada em julgado que teria reconhecido à inconstitucionalidade da exigência, consoante acórdão proferido pelo TRF da ia Região nos autos da apelação cível n°92.01.18688-6. Dessa forma, foi lavrado o Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 02/14), no valor de R$ 402.177,58, já incluídos os juros de mora e multa proporcional. O acórdão da antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 494/514), restou assim ementado, verbis: "CSLL — Nas relações jurídicas de natureza continuada, como ocorre com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, os efeitos da decisão judicial que conclui pela inexistência de relação jurídica entre o fisco e o contribuinte não se estendem aos exercícios sociais seguintes. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS — LIMITES — LEI N° 8.981/95, ARTS. 42 e 58 - Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, no exercício financeiro de 1996 a 1998, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social. IRPJ - MULTAS DECORRENTES DE LANÇAMENTO "EX OFFICIO" - Havendo a falta ou insuficiência no recolhimento do imposto, não se pode relevar a multa a ser aplicada por ocasião do lançamento "ex officio", nos termos do artigo 44, 1, da Lei n°9.430/96. JUROS DE MORA- SELIC - Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei n° 9.065/95, a partir de 1°/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO — Os juros de móra incidentes sobre a multa de oficio proveniente de lançamento de imposto ou contribuição, não paga no vencimento, segue a regra do artigo ' 161 do CIN, não havendo previsão legal para a sua aplicação com base na Taxa Selic." Da parte recorrida pela Procuradoria e pela contribuinte, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, entendeu a Câmara julgadora que a base legal de incidência dos juros de mora prevê sua incidência sobre os tributos e contribuições sociais não pagos no vencimento e que não há de se falar no artigo 61 da Lei 9.430/96 como base legal par a aplicação da taxa SELIC uma vez que a multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Sustenta a Câmara que a multa de oficio decorre nos precisos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização à (i) falta de pagamento ou recolhimento de tributos e contribuições, após o vencimento do prazo sem acréscimo de multa moratória e (ii) falta de declaração e declaração inexata. Sendo assim, concluíram que não há expressa determinação legal no sentido de se aplicar a SELIC sobre a multa de oficio, razão pela qual reduziram os juros de mora sobre a multa de lançamento de oficio a 1% ao mês, aplicando a regra do artigo 161 do CTN. A Fazenda Nacional, em seu recurso especial (fls. 516/517), alega contrariedade do acórdão recorrido aos artigos 84 da Lei n° 8.981/95 e ao artigo 13 da Lei n° 9.065/95, sustentando que os tributos não pagos no ,vencimento ensejam aplicação de multa de oficio, requerendo a aplicação da SELIC a fim de que se corrija e remunere a verba não entregue tempestivamente aos cofres públicos. Ao recurso especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento pelo Presidente da Câmara recorrida (Despacho n° 107-0137/06 fls. 520/521), ante a constatação de que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial, ante a demonstração de contrariedade à lei. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 625/636) alegando, inicialmente o não conhecimento do recurso uma vez a Fazenda Nacional limitou-se a citar artigo da legislação que prevê a aplicação de juros de mora SELIC com relação a tributos e contribuições não pagos no vencimento sem, contudo, demonstrar fundamentadamente qual seria a base legal para a exigência de juros SELIC sobre a multa de oficio. Ou seja, aduz que a Procuradoria da Fazenda Nacional não demonstrou contrariedade à lei presente no acórdão recorrido. No mérito, assevera que o artigo 84 da Lei n° 8.981/95 combinado com o artigo 13 da Lei n° 9.065/95 é expresso no sentido de que se aplicam juros de mora tão somente com relação a tributos e contribuições não pagos nos prazos previstos na legislação tributária acrescentando que referidos artigos sequer são aplicáveis a fatos geradores ocorrido após 01/01/1997, pois confoinie sustenta, estariam disciplinados pela Lei n° 9.430/96. 4 Processo n° 16327.002243/99-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.539 Fl. 3 Acrescenta que "os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo como, aliás, é expresso o art. 30 do CTN. Enquanto os débitos de tributos decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais" Conclui a contribuinte que se os débitos a que se refere o caput do art. 61 da Lei 9.430/96 contemplassem também a multa de oficio, não haveria necessidade de previsão do § único do artigo 43 do mesmo diploma legal, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do caput do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Requer ao final o não conhecimento do recurso da Procuradoria ou seu - improvimento no mérito. Na mesma oportunidade, a contribuinte apresentou recurso especial (fls. 527/540), com base no permissivo do art. 56, II, e § 1 0 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes e art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra a parte do acórdão proferido pela antiga Sétima Câmara do Primeifo Conselho de Contribuintes que manteve os juros no percentual de 1% ao mês sobre a multa de oficio, sob o argumento de que o acórdão recorrido deu à Lei tributária (art. 161 do CTN) interpretação divergente da que lhe foi dada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A contribuinte apresentou como paradigma os acórdãos n° 202-16.397 e 201- 78.718 nos quais, analisando situação semelhante à da contribuinte, a antiga Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes entendeu que o artigo 161 do Código Tributário Nacional aplica-se apenas ao tributo e não à multa de oficio, restando, na parte útil ao caso, o primeiro acórdão assim ementado: "JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de I 9/01/1997, por absoluta falta de previsão legal." Sustenta a contribuinte ser incabível a exigência dos juros de mora sobre o valor da multa de oficio com base no artigo 161 do Código Tributário Nacional por dois motivos. O Primeiro, por que entende que a penalidade que se converte em obrigação principal, estatuído no art. 113 do CTN, é aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória e sendo assim, é somente sobre esta penalidade, que não integralmente paga no , respectivo vencimento podem incidir juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 do CTN, seja com base na taxa SELIC, prevista no art. 43 da Lei n° 9.430/96. Acrescenta que "sobre .a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, como acessória deste, posto que já estivesse incluída no "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá "sem prejuízo das penalidades cabíveis." Segundo porque sustenta que o art. 161 do CTN prevê a aplicação dos juros de mora sobre a multa de oficio apenas se a lei não dispuser de modo diverso, sob o entendimento, com base no Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28/98, de que para os fatos geradores ocorridos entre 01.01.95 a 31.12.96, vigorava, sobre a questão, o art. 84, I, da Lei n° 8.981/95, que dispunha a incidência de juros de mora unicamente sobre os tributos e contribuições sociais, não podendo pretender exigi-los também sobre as multas de oficio. No que diz respeito aos fatos geradores posteriores à 01.01.97, sustenta que pela leitura da Lei n° 9.430/96, resta claro que a incidência de juros pela taxa SELIC se dá apenas sobre os tributos pagos a menor ou sobre eventual valor lançado a título de multa isolada, reconhecido inclusive, pelo acórdão recorrido. • Afirma que os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, enquanto as multas (penalidades) decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. Aduz que se admitisse que a palavra débitos constante no caput do art. 61 incluísse o principal e a multa de oficio, ter-se-ia que admitir que as multas de oficio, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista a determinação do mesmo artigo no sentido de que os débitos serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Ao final, assevera que se os débitos a que se refere o caput do art. 61 da Lei 9.430/96 contemplassem também a multa de ofício, não haveria necessidade de previsão do § único do artigo 43 do mesmo diploma legal, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do caput do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Requer ao final seja admitido e provido seu recurso para que seja reformado parcialmente o acórdão recorrido a fim de que seja cancelada a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O presidente da antiga Sétima câmara admitiu o Recurso Especial, conforme o Despacho n° 1401-048/2009 (fls. 674/677) ante a demonstração da existência do dissenso jurisprudencial. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (679/691) ao recurso especial da contribuinte, alegando que o art. 113, § 10 do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa, que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. Acrescenta que a obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro, restando evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário. Afirma que o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, engloba tributo e multa razão pela qual tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1 0 do art. 161 do Código Tributário Nacional. Sustenta que os débitos a que se refere o art. 61, caput, e seu § 3° da Lei n° 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo (principal) e que os juros incidirão sobre o principal e a multa de oficio aplicada, conforme o referido § 3 0. 6 Processo n° 16327.002243/99-71 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.539 Fl. 4 Quanto a afirmação de que nas expressões "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" e "débitos a que se refere este artigo", constantes, respectivamente, do caput e do § 30 do art. 61 da Lei n° 9.430/96, estão incluídos os créditos tributários (principal e multa de oficio) devidos à União e que então haveria cobrança de multa de mora sobre multa de oficio, já que o caput do mesmo artigo 61 manda acrescer a tais débitos "multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso", entende a Procuradoria da Fazenda Nacional que tal entendimento contraria o disposto no art. 950, § 3°, do RIR199, que afasta a exegese segundo a qual haveria incidência de multa de mora sobre multa de oficio. Conclui que as multas do oficio possuem prazo para pagamento, sendo ele de 30 dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo e, se os juros de mora a que se referem § 3° do art. 61 da Lei n° 9.430/96 somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, eles incidem sobre tais multas, corroborado com o fato de a Lei n° 6.830/80 dispor • em seu § 2° do art. 2° que o crédito que Fazenda Pública está apta a executar abrange juros de mora além dos demais acréscimos legais. • Requer ao final o improvimento do recurso de divergência da contribuinte com a manutenção da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. É o relatório. 1/~11111" • 7 Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri Conforme se depreende do relatório, trata-se de recursos interpostos pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, com base nos permissivos do art. 32, do RICC, aprovado pela Portaria do MF n. 55/98, e pela Contribuinte, com base nos permissivos do art. 15, do RICSRF e no art. 56, II, e § 1°, do RICC, contra acórdão proferido pela Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que por maioria de votos deu provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir os juros de mora sobre a multa de oficio a 1% ao mês, por entender que não há expressa determinação legal no sentido de se aplicar a SELIC sobre a multa de oficio. Tendo os recursos atendidos os pressupostos legais de admissibilidade, conheço de ambos os recursos, e passo a analisá-los conjuntamente, eis que um é prejudicial do outro. Pois bem, como visto acima, a questão posta à análise desta E. Turma diz respeito à incidência ou não dos juros de mora sobre a multa de oficio, seja ela à taxa SELIC ou de 1%. Primeiramente, cabe esclarecer que o artigo 139 do CTN, ao definir crédito tributário explicita que este decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta e, obrigação tributária, conforme descrita pelo artigo 113 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária, ou seja, ambos pertencem ao crédito tributário. Por sua vez, o artigo 161 caput e § 1° do CTN, ao tratar dos juros moratórios, decorrentes dos créditos tributários não pagos nos seus respectivos vencimentos, determina: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês." Por seu turno, o legislador ordinário editou uma série de normas que modificou inúmeras vezes o regime em relação à aplicação dos juros, e para uma melhor análise da exigência acima, faz se necessário uma digressão dos diversos dispositivos legais que trataram e tratam da incidência e cobrança de juros de mora, vejamos: Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII— Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 — Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês-calendário ou fração, 8 Processo n° 16327.002243/99-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.539 Fl. 5 calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° - A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° - A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 — Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos, vê se claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, exclusivamente sobre os "tributos e contribuições" e, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" administrados pela Secretaria da Receita Federal. Posteriormente, Governo Federal emitiu a Medida Provisória n° 1.542-18, de 16 de janeiro de 1997, que foi sendo reeditada, até sua conversão na Lei n° 10.522/2002, a qual tratou acerca da incidência dos juros moratórios nos arts. 29 e 30, vejamos: Eif" 9 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal — UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 10 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) Da simples leitura da norma acima transcrita, vê se que a mesma tratou da incidência de juros de mora sobre "débitos da qualquer natureza", tão somente para os débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995. Assim, tem-se que a regra vigente no momento da constituição do crédito tributário no presente caso é a determinada pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96, a qual regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997, não contemplando, portanto, os débitos decorrentes da multa. Da exegese dos dispositivos acima transcritos, resta clara a inaplicabilidade da taxa Selic sobre a multa de oficio, uma vez que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, e sim do descumprimento do dever legal de declará-lo e/ou pagá-lo. Assim, por não haver suporte legal para tal exigência, sou improvimento do recurso da Fazenda Nacional que requer sua aplicação. Por fim, cabe analisar o pleito da contribuinte que entende pela inaplicabilidade da incidência dos juros moratórios determinados pelo artigo 161 do C'TN sobre a multa de oficio, ao argumento de que esta não foi abarcada pela legislação que determinou a incidência da taxa SELIC sobre o tributo ou contribuição. Conforme já exposto, o artigo 161 do CTN determinou que se a lei ordinária não dispuser de forma diversa, os juros de mora serão calculados à taxa de 1% ao mês sobre o crédito tributário, e o legislador ordinário, por sua vez, utilizando-se do direito a ele concedido pelo próprio CTN alterou todo o regime de incidência de juros, não apenas alterando a taxa a io Processo n° 16327.002243/99-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.539 Fl. 6 ser aplicada como também a base sobre a qual recaem os juros (o crédito tributário foi substituído pelos tributos e contribuições), ao determinar que a taxa a ser utilizada era a SELIC sobre os tributos e as contribuições (artigo 61 da Lei n° 9.430/96), ou seja, havia lei dispondo sobre a incidência dos juros moratórios e esta não previu sua incidência sobre a multa. De fato, o art. 161 do CTN prevê a aplicação dos juros de mora sobre a multa de oficio apenas se a lei não dispuser de modo diverso, o que não é o caso, tendo em vista que ela dispôs - arts. 29 e 30 da Lei n° 10.522/2002 -, que os mesmos incidiriam sobre débitos de qualquer natureza, desde que estejam associadas a fatos geradores ocorridos até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. • E mesmo que se entendesse cabível a aplicação da taxa estipulada no art. 161 do CTN, esta deveria constar expressamente do lançamento, o que não foi o caso; entender que não é devida a taxa Selic imputada pela autoridade lançadora, e alterá-la para a taxa de 1% ao mês constante no CTN, significa inovar no lançamento, procedimento este vedado ao órgão administrativo de julgamento, eis que lhe falece competência para tanto. Dessa forma, sou pelo provimento do recurso da contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, e DAR provimento ao recurso da contribuinte, para excluir os juros de mora à taxa de 1% ao mês sobre a multa de oficio. E como voto. Valmir Sandri — elator • Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, - o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendê-los sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: NI-alheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu - vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." 12 Processo n° 16327.002243/99-71 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.539 Fl. 7 Converte-se em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1 0, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. - § 1 0 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agrega-se a multa de ofício, tomando-se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de - tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n2 9.430, de 1996, art. 61). á' 12 A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 - previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n 2 9.430, de 1996, art. 61, sç 12). § 22 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n2 9.430, de 1996, art. 61, § 22). § 32 A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/04-00.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORÁ — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, busca-se na legislação ordinária a nonna complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem-se a taxa Selic, instituída pela Lei nO 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/0239572-8 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO- OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão-somente rediscutir as razões do julgado. 14 , .. Processo n° 16327.002243/99-71 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.539 Fl. 8 _ 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional parà considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic 7------Viviane Vidal Wagner - Redatora Designada • • - _ 15 ,
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Numero do processo: 10680.720787/2006-75
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001, 2002, 2003
MULTA QUALIFICADA.
A aplicação da multa de 150% encontra amparo legal nas hipóteses de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
DECADÊNCIA
Configurada ação ou omissão dolosa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
ERRO NA DETERMINAÇÃO DA DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA.
Considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos na data da movimentação bancária dos recursos financeiros não registrados na escrituração contábil e fiscal, cuja origem e natureza das operações correspondentes também não foram devidamente comprovadas, mesmo após intimação.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins aplica-se o mesmo procedimento adotado para o IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1202-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de erro de eleição da sujeição passiva e em acolher a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em novembro de 2000, e no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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INOCORRÊNCIA. Ocorre erro na indicação do sujeito passivo quando o infrator apontado é pessoa que não tenha qualquer relação com o fato gerador indicado e isso seja passível de constatação de plano, o que não acontece quando o sujeito indicado é reconhecidamente cliente da empresa Beacon Hill Service Corporation, tendo, inclusive, assumido que praticou diversas outras operações de remessa ou recebimento de divisas no mesmo período. PRESUNÇÃO SIMPLES. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada na concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos e convergentes. REMESSA DE NUMERÁRIO PARA O EXTERIOR. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. OMISSÃO DE RECEITA. Caracteriza omissão de receita a falta de escrituração das operações de movimentação de recursos financeiros no exterior, quando inexiste comprovação, através de documentação hábil e idônea, da natureza das operações que lhe deram causa e da origem dos recursos utilizados. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos na data da movimentação bancária dos recursos financeiros não registrados na escrituração contábil e fiscal, cuja origem e natureza das operações correspondentes também não foram devidamente comprovadas, mesmo após intimação. LANÇAMENTOS REFLEXOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 07 87 /2 00 6- 75 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 3 2 Aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins aplicase o mesmo procedimento adotado para o IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2001, 2002, 2003 PAGAMENTO SEM CAUSA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a causa que deu origem à entrega dos valores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa de 150% encontra amparo legal nas hipóteses de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. DECADÊNCIA Configurada ação ou omissão dolosa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de erro de eleição da sujeição passiva e em acolher a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em novembro de 2000, e no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto (assinado digitalmente) Fl. 911DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 4 3 Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 3 a 39) lavrados em 25 de abril de 2006, contra a empresa MANOEL BERNARDES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contribuição ao PIS, COFINS e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)), com aplicação de multa de 150% e juros com base na taxa SELIC, tendo como fundamento a constatação de irregularidades nos anoscalendários de 2000 a 2002, conforme disposto no Termo de Verificação Fiscal ( fls. 40 a 61). DA FISCALIZAÇÃO E DO AUTO DE INFRAÇÃO Foram realizados os seguintes lançamentos: a) IRPJ Omissão de Receitas Receitas não contabilizadas Multa de 150% Fato Gerador ocorridos nos anoscalendários de 2000 a 2002. Com fundamento legal: artigo 24 da Lei nº 9249/96; artigos 249, II, 251, parágrafo único, 278, 279, 280, 283, 288 do RIR/99. b) CSLL Omissão de receitas CSLL sobre receitas omitidas Multa de 150% Fato Gerador ocorrido nos anoscalendários de 2000 a 2002. Fundamento Legal: artigo 2º e §1º da Lei nº 7689/88; artigos 17 e 24 da Lei nº 9249/1995; artigo 1º da Lei nº 9316/1996; artigo 28 da Lei nº 9430/1996; e artigo 6º da Medida Provisória nº 1858/1999 e reedições. c) Contribuição ao PIS Omissão de receitas Falta/insuficiência do PIS Multa de 150% Fato Gerador ocorrido no período de novembro de 2000 a novembro de 2002. Fundamento Legal: artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/1970; artigo 24, §2º, da Lei nº 9249/1996; artigo 2º, I, 8º, I e 9º da Lei nº 9715/1998; artigos 2º e 3º da Lei nº 9718/1998 e alterações posteriores. d) COFINS Omissão de receita Multa de 150% Fato Gerador ocorrido no período de novembro de 2000 a novembro de 2002. Fundamento Legal: artigo 1° da Lei Complementar n°70/91; artigos 24, §2°, da Lei n° 9249/95; artigos 2°, 3°e 8° da Lei n° 9718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1858/99 e suas reedições. e) IRRF Pagamentos a beneficiário não identificado e pagamentos sem causa Multa de 150% Fato Gerador ocorrido nos períodos de novembro de 2000 a novembro de 2002. Fundamento Legal: artigo 674 do RIR/99 Fl. 912DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 5 4 f) Multa qualificada de 150% e Juros cm base na taxa SELIC. Fundamento legal: artigos 44, II, e 61, §3º, da Lei nº 9430/1996. Consoante o Termo de Verificação Fiscal (fls. 40 a 61), os trabalhos se iniciaram em 22 de setembro de 2005, com a finalidade de verificar o cumprimento das obrigações tributárias da pessoa jurídica nos anoscalendários de 2000 a 2002, buscando informações sobre a natureza e contabilização das operações oriundas de movimentação de recursos no exterior, mais especificamente os efetuados com a empresa Beacon Hill Service Corporation. O Auto de Infração teve como fundamento a suposta omissão de receitas, a qual foi caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos efetuados junto à empresa Beacon Hill Service Corporation, dada a ausência de comprovação da causa e origem dos recursos. Consta na Descrição da Ação Fiscal que, em 4 de agosto de 2003, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), por meio do Oficio n. 120/03/PF/FT/SR/DPT/PR, a quebra do sigilo bancário no exterior da empresa Beacon Hill Service Corporation, sediada em Nova York, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e jurídicas compostas de cidadãos/empresas brasileiras. Em 14 de agosto de 2003, o Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, encarregou a autoridade policial de obter a documentação pertinente. Assim, em 27 de agosto de 2003, a polícia oficializou a Promotoria do Distrito de Nova Iorque sobre o afastamento do sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos EUA. Em 9 de setembro de 2003, a Promotoria Americana apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros relativos à empresa Beacon Hill Service Corporation, após decisão judicial da Suprema Corte Americana proferida em 29 de agosto de 2004. Em 20 de abril de 2004, foi deferida a transferência de dados à Receita Federal, iniciandose a análise dessas informações e desses documentos pela Equipe Especial de Fiscalização, nos termos da Portaria SRF nº463, de 30/04/2004. Feitas essas análises, constatouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, através de contas/subcontas mantidas no JP Morgan Chase Bank pela empresa Beacon Hill Service. Em 6 de outubro de 2005, a contribuinte foi então intimada (fls. 62 e seguintes) a apresentar, dentro do prazo de 20 (vinte) dias úteis, os seguintes documentos: (i) Livros Diário e Razão (Lucro Real), (ii) Livro Registro de Entradas, (iii) Livro Registro de Saídas, (iv) Livro Registro de Apuração do ICMS, (v) Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR), (vi) Livro Registro de Apuração do IPI , (vii) Livro Registro de Apuração do ISS, (viii) Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, (ix) Livros auxiliares da escrituração, (x) Contrato/Estatuto Social e suas alterações, (xi) Declaração de rendimentos, (xii) Extratos bancários das contas correntes empresa, (xiii) Registro de Inventário, (xiv) Cópia de ações judiciais em andamento e Decisões proferidas atualizadas (caso haja), (xv) Cópia declaração REFIS/PAES (caso houvesse), (xvi) Talonário de Notas Fiscais do período sob fiscalização, (xvii) todos os documentos pertinentes às operações de Fl. 913DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 6 5 exportação e/ou remessa de divisas para o exterior ou benefício de recursos em divisas estrangeiras. Em 16 de novembro de 2005, a empresa disponibilizou ao fisco os seguintes documentos: contrato social e alterações, cópias das declarações de informações econômico fiscais, livros razão e diário, registro de apuração do lucro real, registro de entradas e saídas, registro de apuração do ICMS, registro de serviços prestados e 419 pastas de processos correspondentes às exportações e importações efetuadas. Em 2 de dezembro de 2005, foram requeridas novas documentações de divisas no exterior, exclusivamente daquelas em que a empresa consta como beneficiária e remetente, todas relacionadas nas planilhas elaboradas com o amparo na decisão proferida pelo MM Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba: 1 Natureza das operações relacionadas 2 Notas Fiscais/Faturas e Contratos. Contratos de Fechamento de Câmbio, Documentos de Remessas e/ou Recebimentos, Folhas do Diário ou Razão em que se encontram escrituradas citadas operações, Origem dos Recursos Utilizados, etc. 3 Demais documentos pertinentes aos fatos acima descritos, se necessários, ou que a empresa considerar oportuno. A contribuinte verificou duplicidade de lançamentos na planilha entregue, informando esta ocorrência às autoridades fiscais, motivando a expedição de novo Termo de Intimação, entregue em 15 de dezembro de 2005, com apresentação de nova planilha com as correções solicitadas. Tal termo foi atendido parcialmente em 22 de dezembro de 2005, requerendo a contribuinte mais prazo para atender ao restante. Em 6 de fevereiro de 2006, reiterouse a solicitação de entrega de “documentos e demonstrativos correspondentes aos anoscalendário de 2001 e 2002, conforme solicitado no Termo de Início de Ação Fiscal.”, o que foi prontamente atendido em 6 de março do mesmo ano. Ficou esclarecido que a contribuinte atendeu ao pedido somente em relação às operações de exportação e importação que havia realizado, informando que algumas operações não eram do seu conhecimento. De posse dessas informações, procedeuse à verificação, por amostragem de dados, do cumprimento das obrigações tributárias da pessoa jurídica relativas ao período de 11/10/2000 até dezembro/2002, sempre relacionando as movimentações de recursos no exterior com os registros contábeis, notas fiscais de exportação e importação e os dossiês de exportação e importação, constatando, resumidamente, que: as movimentações dos recursos no exterior, onde a contribuinte consta como beneficiária ou remetente, reportamse basicamente às exportações efetuadas pela empresa, conforme demonstram os registros nos livros contábeis e fiscais, contratos de câmbio, processos de exportação/importação e notas fiscais de exportação/importação; do cotejamento realizado entre as movimentações e os registros contábeis fiscais, ora como beneficiário ora como remetente, restaram não comprovadas algumas operações correspondentes à movimentação de recursos no exterior, porque não foram escrituradas nos livros comerciais e fiscais nem mesmo justificadas, motivo pelo qual estão Fl. 914DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 7 6 sendo consideradas como omissão de receitas, conforme consta do demonstrativo "Tabela de Recursos movimentados no exterior e não comprovados de conversão de US$ para R$ e reajuste da base de cálculo para fins do IRRF." Considerando esses fatos, a autoridade fiscalizadora entendeu ser devida também multa qualificada de 150%, consoante inciso II do artigo 957 do RIR/99. Em virtude da existência de valores indicados como “remetente”, estes foram considerados como pagamentos sem causa e sem comprovação, sujeitandoos à incidência do IRRF, segundo o disposto nos §§ 1°, 2° e 3° do artigo 674 do RIR/99. Continuando, como a fonte pagadora assumiu o ônus do IRRF devido pelo beneficiários, consoante o disposto no artigo 725 do RIR/99, foi calculado o reajustamento da importância paga e/ou remetida. Em seguida, a autoridade fiscal relembra que essa fiscalização é continuação de procedimento anterior, o qual teve a mesma origem e matéria tributável, ensejando respectivo lançamento do IRPJ e seus reflexos, bem como do IRRF. Ao final esclarece que a fiscalização foi motivada por informações oriundas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal junto à empresa Beacon Hill Service Corporation, e assim, ante a ciência dos fatos que podem vir a configurar crime em tese, não foi efetuada representação fiscal para fins penais. Isto porque a orientação da legislação pertinente indica que, nestes casos, a ação restringirseá à comunicação aos órgãos interessados, dos fatos apurados pelo AuditorFiscal da Receita Federal. DA IMPUGNAÇÃO Em 24 de maio de 2006, a recorrente apresentou Impugnação, (fls. 268 a 327), alegando que: 1) Da Ausência de Comprovação dos Fatos Alegados – Não há qualquer documento colacionado aos autos, que fazem remissão às transações descritas pelas autoridades fiscais. Portanto, requer seja cancelado o auto de infração com a extinção do crédito tributário pelo mesmo constituído, bem como todos os seus efeitos. 2) Da Eleição Errônea do Sujeito Passivo – com base no artigo 142 do CTN. A recorrente alega que foi intimada a prestar esclarecimentos que prontamente o fez quando se tratou de operações realizadas pela empresa. Todavia, não lhe foi possível apresentar documentação de operações que desconhecia. Ainda, a autoridade fiscal afirmou que a "Manoel Bernardes Comércio e Indústria Ltda.” praticou tais operações, mas não apresentou alguma documentação comprovando, apenas alega que foram encontrados documentos na "Beacon Hill Service Corporation" que identificam a "Org. M.Bernardes" como parte dessas transações. A autoridade fiscalizadora menciona que tal identificação se refere à recorrente; todavia, a recorrente relata que numa simples e superficial consulta ao termo Manoel Bernardes e Manuel Bernardes pela internet, em resposta obteve inúmeros resultados que lista na impugnação (fls. 274 a 276). Nesse sentido, carece de liquidez e certeza pela ausência de prova de autoria do ilícito, revelando eleição errônea do sujeito passivo. Enfatiza que não fora apresentado, em qualquer momento, nenhuma comprovação de que a “Org. M. Bernardes” seja a mesma Manoel Bernardes Comércio e Indústria Ltda.” com sede em Belo Horizonte, MG, à Avenida do Contorno, n°5.417, Cruzeiro, MG. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 8 7 3) Do Erro na Determinação Aspecto Temporal da Hipótese de Incidência – pela conta bancária da empresa americana, obtiveram as ordens de pagamentos para comprovar remessas feitas para a mesma empresa americana. Ora, se já há saldo, é porque o recebimento ocorreu em data pretérita à existência deste. Assim, impossível se determinar qual a legislação aplicável, se não se sabe com precisão a data da remessa, contaminando e comprometendo totalmente o lançamento e, da mesma forma do item anterior, tais irregularidades o fazem carecer de liquidez e certeza, resultando em sua nulidade integral, ficando requerido que assim seja declarado. 4) Multa majorada – a multa de 150% foi aplicada com base no artigo 957 do RIR/99. Ora, o lançamento foi feito com base em “Omissão de Receitas" que é baseada em presunção legal e não restou comprovado o intuito de fraude. Apresenta diversas decisões desse Conselho de Contribuintes nesse sentido. 5) Da decadência do direito de lançar – contribuição ao PIS, COFINS e IRRF – deve ser aplicado o artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional em detrimento dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212, pois as contribuições já foram consideradas pela doutrina e jurisprudência como sendo tributos. Portanto, faleceu o direito de exigir esses tributos no período de novembro de 2000 a janeiro de 2001. DA DILIGÊNCIA SOLICITADA PELA DRJ/ BELO HORIZONTE Os autos foram encaminhados à 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte, que, em 27 de julho de 2006, resolve converter o julgamento em diligência para juntada dos documentos que serviram de base para a elaboração da “Tabela de Recursos Movimentados no exterior e não comprovado; de conversão de US$ para Real e reajuste da base de cálculo para fins de IRRF” (fl. 44) e dos demonstrativos de “Operações de Recursos Movimentados no Exterior.” (fls. 66/69 e 71/73). Nos termos solicitados, foi feita juntada dos seguintes documentos: Representação Fiscal n° 154104 e Representação Complementar da Representação Fiscal n° 15/04, emitida pela Equipe Especial de Fiscalização, autorizada pela Portaria SRF n° 46/04 — CoordenaçãoGeral de fiscalização; Relação/transcrição das operações em que a contribuinte identificada aparece como beneficiária, ordenante e/ou remetente de divisas através das contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova York por BHSC — Beacon Hill Service Corporation; Cópias de diversas ordens de pagamento relacionadas à contribuinte, referentes às operações acima, disponibilizadas no dossiê, devidamente atestadas pelo consuladoGeral do Brasil em Nova Iorque; Valor da taxa de dólar utilizada, disponibilizado pelo Banco Central do Brasil, cuja conversão foi efetuada de acordo com o artigo 3° da Lei 9.816/99 e da IN do SRF 41/99, relativa à cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio; Relativamente ao IRRF, apresentou cálculos com reajustamento da base e sujeição à alíquota de 35%; Fl. 916DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 9 8 Diversos documentos extraídos dos dossiês de fiscalização, dentre os quais: históricos da investigação, decisões exaradas pela Justiça Federal, afastamento de sigilo fiscal e pedido de investigação criminal nos EUA, Laudo Pericial da Polícia Federal. Por fim, esclarece que o relatório da presente diligência está sendo encaminhado para instrução do processo acima discriminado, para que a contribuinte tome as devidas providências após sua ciência, estando o prazo para manifestação reaberto em até 20 (vinte) dias da data de recebimento do AR. Consoante fls. 414, o relatório foi recebido em 3 de abril de 2007. Em 18 de abril do mesmo ano, a recorrente solicitou à SRF cópias de documentos (fl. 416), mas não se manifestou. A DRJ entendeu que não restou claro que a contribuinte teve acesso ao resultado da diligência. Assim, em 5 de julho de 2007 requer seja comunicado novamente do resultado. DO JULGAMENTO DA DRJ Encaminhados os autos novamente à DRJ, julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO E NA DETERMINAÇÃO DA DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E OMISSÃO DE RECEITAS. Previamente submetida à pericia técnica especializada do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça MJ/DPF/INC que expediu laudos conclusivos, a documentação remetida ao Brasil por autoridades estrangeiras de notório reconhecimento afasta a possibilidade de ocorrência do alegado erro na identificação do sujeito passivo. Caracterizase omissão de receita a falta de escrituração das operações de movimentação de recursos financeiros no exterior, quando, regularmente intimada na fase preliminar de investigações, a empresa não comprova com documentação hábil e idônea, a natureza das operações que lhe deram causa e a origem dos recursos utilizados, elementos que continuam sem a comprovação necessária mesmo após o contencioso. Tratandose de situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos na data da movimentação bancária dos recursos financeiros não registrados na escrituração contábil e fiscal, cuja origem e natureza das operações correspondentes também não foram comprovadas com as informações necessárias e documentação hábil e idônea, mesmo após intimação. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 10 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2001, 2002, 2003 MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Sujeitamse à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a causa que deu origem à entrega dos valores, nem identificado o beneficiário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003 NORMAS GERAIS: DECADÊNCIA E MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IRRF extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à Contribuição para o PIS e à Cofins extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A aplicação da multa de cento e cinqüenta por cento encontra amparo legal, nas hipóteses de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria principal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS: NULIDADE E TRIBUTAÇÃO REFLEXA Rejeitase preliminar de nulidade argüida sem causa necessária e suficiente para caracterizála, principalmente quando as razões apresentadas se confrontarem de forma direta, com as provas documentais constantes dos autos e com os dispositivos da legislação que fundamentam as exigências tributárias. Os interessados têm direito à vista do processo tributário fiscal na unidade administrativa e a obter cópias xerográficas dos dados e documentos que o integram, observada iniciativa nesse sentido e a adoção das providências necessárias ao exercício do direito. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 11 10 Observada a legislação de regência, aplicase aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS, Cofins, e IRRF o mesmo procedimento adotado para o IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente” Cumpre ressaltar que em relação à preliminar de decadência, rejeitaa tendo em vista que seu entendimento é no sentido de que para os lançamentos efetuados de ofício, aplicase o disposto no artigo 173, I, do CTN. Em relação à preliminar de erro na identificação do Sujeito Passivo, também as rejeita porque as razões apresentadas confrontamse, de forma direta, com as provas documentais constantes dos autos e com os dispositivos da legislação que fundamentam as exigências tributárias. Quanto às demais alegações, estão resumidas na ementa acima transcrita, as quais se referem a Lançamento Reflexo, Multa Qualificada e IRRF. Ciente em 23 de novembro de 2007, conforme AR (fls. 453), a recorrente apresenta Recurso Voluntário em 21 de dezembro do mesmo ano reiterando o que já havia dito na Impugnação, acrescendo que a DRJ: a) Não examinou os argumentos colocados na Impugnação pela contribuinte; b) Solicitou Diligência, tendo em vista que concordou que inexistiam elementos que permitissem à contribuinte ter acesso ao que lhe foi imputado. Isso é verdade, tanto que foram solicitados e foram juntados aos autos outros documentos que, ao final, os julgadores da DRJ entenderam ser suficientes para embasar o lançamento. Em relação aos documentos trazidos como resultado da diligência, a contribuinte quis enfatizar que, dentre os novos documentos trazidos aos autos, especialmente o "Laudo de Exame EconômicoFinanceiro", referenciado como "Laudo n° 1258/04 INC" foi preparado pelo Instituto Nacional de Criminalística, órgão subordinado à mesma Polícia Federal encarregada da investigação. Segundo o aludido laudo, o material examinado foram mídias computacionais (CDR) contendo um arquivo de nome "Beacon.zip" e trinta outros em formato Microsoft Excell relativos às contas e subcontas que a Beacon Hill Service Corporation administrava junto ao banco JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque. Consta no laudo que não tiveram acesso a nenhum documento apreendido nas dependências da empresa Beacon Hill Service Corporation, bem como não obteve nenhum documento com assinatura da recorrente. Conclui que não há qualquer documento que comprove indubitavelmente que foi a contribuinte quem efetuou as movimentações. Os autos vieram a esse Conselho para julgamento. Na sessão de 31 de agosto de 2010, esse colegiado decidiu pela conversão em diligência, para que se pudesse identificar e ratificar os indícios levantados pela fiscalização e que fosse demonstrado: “A) O vínculo entre a empresa autuada e o destinatário da remessa, e o remetente do exterior dos recursos para a empresa autuada; e, Fl. 919DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 12 11 B) Que os beneficiários dos pagamentos constantes da listagem considerados como omissão de receitas são clientes e/ou fornecedores usuais da mesma forma que os demais pagamentos e/ou recebimentos regularmente registrados na contabilidade da empresa autuada.” Em resposta à diligência (fls. 494 e 495) a autoridade fiscalizadora procedeu à narrativa dos procedimentos verificados durante a fiscalização, não trazendo nenhuma nova evidência das questões enviadas: não apresentou vínculo entre a empresa autuada e o destinatário da remessa, entre o remetente do exterior dos recursos com a empresa autuada; bem como se os beneficiários eram clientes e/ou fornecedores usuais da empresa. A empresa foi cientificada do resultado da diligência, fl. 497, e apresentou suas considerações de que o lançamento não deve prosperar uma vez que não foram ratificados os indícios levantados pela fiscalização. Trouxe também cópia do inteiro teor do Acórdão de n° 10809.669, Processo n° 10680.015516/200432, o qual é o processo idêntico ao sob análise, todavia, referente ao anocalendário de 1999, exercício de 2000. O referido Acórdão ficou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Exercício: 2000 LANÇAMENTO FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SUJEIÇÃO PASSIVO A atividade da fiscalização deve ser exercida sempre que se tratar de possibilidade de lesão ao erário, por força de descumprimento das regras tributárias. A aplicação de presunções, todavia, somente pode ser realizada na hipótese em que houver prova contundente dos indícios que cumpram os requisitos de gravidade, precisão e concordância, passando, então a caracterizaremse como verdadeiros elementos probantes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Em razão da estreita relação de causa e efeito existente entre o lançamento principal e os decorrentes, uma vez cancelada a imposição no processo matriz, igual medida impõese aos demais. Recurso Voluntário Provido.” Transcreve trechos do voto proferido no acórdão citado, que abaixo reproduzo: "O caso presente tratase de presunção simples, a qual tem lugar quando o aplicador da lei, in casu, autoridade administrativa constituidora do crédito tributário, opera a subsunção do evento ocorrido no mundo fenomênico à norma geral e abstrata. Por esta razão, tratase de atividade dotada de subjetividade e que sempre admitirá prova em contrário da conclusão auferida pelo raciocínio presuntivo, já que está sujeito ao elemento da probidade. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 13 12 As presunções, por estarem no campo do raciocínio lógico, só devem ser utilizadas subsidiariamente, bem como deve haver comprovação do indício ou do fato presuntivo, e como deve existir a demonstração da relação de causalidade entre os indícios e o fato presumido. Ainda, para que a presunção seja subsistente devem ser preenchidos os requisitos de gravidade, precisão e concordância. No que tange a tais requisitos, nas lições de MOACYR AMARAL SANTOS, " ... graves, isto é, geradoras de probabilidade com eficácia de criar convicção, precisas, no sentido de se não prestarem a dúvidas ou contradições lógicas; concordantes, ou seja, convergentes para o mesmo resultado." (in Primeiras linhas de direito processual civil, p. 501). No presente caso, entendo que os indícios não foram capazes de se determinar um fato presumido grave, preciso e concordantes, ou seja, pelos documentos apresentados, não é possível se fazer a relação entre o indício e o fato presumido. Conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal (fls.32): "Registrese, também, que nas operações listadas na referida Representação Fiscal, o contribuinte incidiu, por vezes em duas ou três situações consideradas, a saber, ordenante, remetente e beneficiário, sendo certo que é, pelo menos, ordenante em todas elas, fato caracterizado pela oposição da abreviatura " B/O (By Order) em algum campo do documento." Ocorre que para provar o alegado, os documentos juntados correspondem apenas a: 1) Laudo de exame econômicofinanceiro que tem por objeto mídias computacionais relativas a contas e subcontas que a Beacon Hill administrava junto ao JP Morgam Chase Bank em Nova York. Nesse passo, conforme se verifica do item 23 do Laudo do Instituto Nacional de Criminalística (fls. 138), nos registros das ordens de pagamento, especificamente no campo "order customer", o "cliente" que determinou a ordem de pagamento não constitui, necessariamente, o remetente original. 2) Transcrição pela equipe de fiscalização, das operações em que o contribuinte identificado aparece como beneficiário, ordenante ou remetente de divisas, sendo, inclusive, incerta a posição que este eventualmente adotava. 3) Cópias de supostas ordens de pagamento autenticada pelo consulado geral do Brasil, mas que não possui assinatura do contribuinte ou comprovação de que foi o dinheiro remetido de sua conta, tampouco evidencia a procedência do fax enviado. Enfim, não há provas da autoria efetiva na remessa, tampouco prova contundente de que o Recorrente foi o beneficiário dos recursos. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 14 13 Se não há provas de que o Recorrente procedeu às remessas, também impossível acusalo de efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Ademais, nos termos do artigo 112, inciso III do Código Tributário Nacional, temse que, em caso de dúvida quanto à autoria, interpretase a lei tributária, que define infrações, de maneira mais favorável ao acusado, razão pela qual considero, também, que não restou comprovada a sujeição passiva do Recorrente. ............................ Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte." É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratamse os autos de lançamento referente aos anos calendários de 2000 a 2002, para o IRPJ, contribuição ao PIS, COFINS e CSLL, com fundamento em suposta omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de valores recebidos e, para o IRRF, incidente sobre as remessas efetuadas cuja causa e origem não foi comprovada. Tais recebimentos e também remessas se reportam a pagamentos que foram identificados a partir de documentos obtidos com a quebra de sigilo bancário da empresa Beacon Hill Service Corporation, a qual atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e jurídicas em agências do JP Morgan Chase Bank. Finda a fiscalização e analisada a documentação, presumiuse que a recorrente efetuava movimentações de divisas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos do exterior e para o exterior. A recorrente, em seu Recurso Voluntário, argumenta que: 1)Houve eleição errônea do sujeito passivo, em face da ausência de identificação do mesmo nos documentos que fundamentam a autuação fiscal, tal como algum documento comprovando que as transações haviam sido requisitadas por eles e também as assinaturas nos documentos, consoante artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN. Enfatiza que está sendo indicada como responsável e devedora, sujeitandose, ainda, à representação criminal, por ter constado na documentação nome semelhante ao seu. Entende que carece de liquidez e certeza pela ausência de prova de autoria do ilícito, a qual não foi apresentada, não há nenhuma comprovação de que a “Org. M. Bernardes” seja a mesma “Manoel Bernardes Comércio e Indústria Ltda.” com sede em Belo Horizonte, MG, à Avenida Fl. 922DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 15 14 do Contorno, n°5.417, Cruzeiro, MG. Alega também que não é possível apresentar documentação de operação que não conhecia. 2) O Auto de Infração é nulo por conter vício formal, uma vez que os fatos alegados não se referem a qualquer documento trazido aos autos. Entende que deve ser cancelado e declarado nulo de ofício, consoante o inciso IV do Art. 10 do Decreto 70.235/72, in verbis: "Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá, obrigatoriamente: ........ IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;” 3) Houve erro na determinação do aspecto temporal da hipótese de incidência, pela conta bancária da Beacon Hill Corporation, foram obtidas as ordens de pagamentos para comprovar remessas feitas para a mesma empresa americana. Esclarece que se já há saldo, é porque o recebimento ocorreu em data pretérita à existência deste. Assim, é impossível se determinar qual a legislação aplicável, se não se sabe com precisão a data da remessa, contaminando e comprometendo totalmente o lançamento. Da mesma forma, carece de liquidez e certeza, resultando em sua nulidade integral. 4) Os valores da contribuição ao PIS, COFINS e IRRF foram atingidos pela decadência para o período de novembro de 2000 a janeiro de 2001, consoante artigo 150, §4°, do CTN. 5) Em relação à multa majorada, entende que o lançamento teve como base a “Omissão de Receitas", isto é, teve fundamento em presunção legal, portanto, não restou comprovado o intuito de fraude. Passamos, assim, à análise de cada um dos itens levantados pela recorrente: Preliminares 1º Nulidade do Auto de Infração Quanto à alegação de que o Auto de Infração é nulo por conter vício formal decorrente do fato de que o lançamento não se refere a qualquer documento trazido aos autos, em oposição ao artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, não é procedente. A nulidade do Auto de Infração está disposta no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, que assim estabelece: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Para o caso sob análise, não ocorreram aquelas irregularidades. O auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não se constata cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. A descrição dos fatos, os cálculos nela demonstrados e a capitulação legal Fl. 923DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 16 15 contida no auto de infração foram suficientes para que a contribuinte pudesse exercer seu direito de defesa. Ainda nesse ponto, no Auto de Infração, fl. 4 e seguintes, para cada tributo consta o normativo correspondente e sua respectiva penalidade. Assim, repito, não há o que se falar em nulidade e conjugo do mesmo entendimento da DRJ. 2º Eleição errônea do sujeito passivo Em relação ao erro na eleição da sujeição passiva, de fato, no meu entender, não foram juntados aos autos indícios suficientes que indiquem com gravidade, precisão e clareza que a Recorrente é o sujeito passivo. Não há provas de que os recebimentos e as remessas ao exterior foram realizadas pela Recorrente ou tenham sido usadas ou empregadas em seu benefício. Mesmo os documentos trazidos aos autos onde consta o nome Manoel Bernardes ora como ordenante, ora como beneficiário, não são comprovantes de que tais atos foram praticados pela recorrente. A recorrente atendeu à fiscalização, respondeu às solicitações e apresentou os documentos que tinha e que comprovavam as operações que praticou, que coincidiam com algumas das operações listadas na Tabela. Não é possível inferir que a recorrente não atendeu à fiscalização ou omitiu informações, já que foram apresentadas 419 pastas onde constavam os processos de operações de comércio exterior que realizou no período sob fiscalização. Assim, em relação à parcela constante da “Tabela de Recursos movimentados no exterior e não comprovados de conversão de US$ para R$ e reajuste da base de cálculo para fins do IRRF" ao informar que a documentação não foi apresentada porque a operação não fora por ela realizada, não se pode concluir que a recorrente foi autora das operações de remessa e recebimento, mas não apresentou a documentação. Afinal, como deve se responder a uma negativa de prova? Não é possível concluir que há certeza e clareza, como fez a autoridade lançadora, simplesmente porque faz menção ao seu nome e está contida numa lista de operações que confirma que realizou uma parte e outra parcela, desconhece, logo, por que não concluir que não foi executada pela recorrente? Há sim falta comprovação ainda para tal conclusão. Como a recorrente coloca em seu Recurso Voluntário, não há ficha de abertura de conta assinada e, em nenhum documento obtido na “Beacon Hill”, aqui apresentado, verificouse assinaturas da recorrente ou de seus representantes. Mesmo o laudo pericial, não é prova suficiente, ao não precisar a indicação da recorrente como ordenante ou beneficiária. A diligência foi solicitada para confirmar que os itens não comprovados se referiam a transações/operações com cliente e/ou fornecedores usuais da empresa, bem como se havia vínculo negocial entre eles, se se tratava de fornecedor ou cliente. A vinculação que se procurou foi em relação aos itens faltantes de comprovação, os quais a recorrente alega desconhecer, todavia, não foi demonstrado pela autoridade lançadora que pertencia à recorrente e não é motivo suficiente para alegar que a recorrente é o sujeito passivo. A autoridade lançadora, em sua resposta à diligência, simplesmente reproduziu os procedimentos adotados e os fatos que fundamentaram o lançamento, não trazendo nada que comprovasse o indício de que as operações, cujas documentação não foi Fl. 924DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 17 16 apresentada, foram realizadas pela recorrente e a questão ficou claramente solicitada na diligência. Como bem levantou a recorrente, nas suas considerações à resposta da diligência, esses mesmos fatos já foram analisados no Acórdão de nº 10809.669, em sessão de 13 de agosto de 2008, para o anocalendário de 1999. O referido Acórdão de nº 10809.669 citou que, no laudo pericial, em seu item 23, ficou evidenciado que o "cliente" que determinou a ordem de pagamento ("order costumer”) não é necessariamente o remetente original e esse foi o mesmo laudo utilizado para o lançamento sob análise. Essa mesma observação foi feita também na fl. 384, no Memorando Circular Cofis/Gab nº 2004/00652, de 24 de junho de 2004. O mesmo aqui se aplica, porque as provas trazidas aos autos são exatamente as narradas nesse outro Acórdão e não convergem, com clareza, certeza e precisão, para indicar que a recorrente é a remetente ou recebedora de recursos das operações que a própria recorrente alegou desconhecer. Se não é possível afirmar que o ordenante e recebedor registrados nos documentos trazidos é ele mesma, não é possível presumir. Esse mesmo Acórdão de nº 10809.669 lista os documentos que foram utilizados para aquele lançamento, os quais são exatamente os mesmo utilizados aqui no caso, a saber: Laudo de exame econômicofinanceiro que tem por objeto mídias computacionais relativas a subcontas e contas que a Beacon Hill administrava junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque. Transcrição, pela equipe de fiscalização, das operações em que a contribuinte aparece como beneficiário, ordenante ou remetente de divisas, não se afirmar exatamente qual a posição que a recorrente estava. Cópias de ordens de pagamentos autenticada pelo consultado geral do Brasil, sem qualquer assinatura, porém, ou mesmo outra identificação, como número do fax. Ora, é possível admitir que a empresa Beacon Hill Service Corp pode ter apresentado como remetente qualquer pessoa que constasse de seus cadastros ou cujo nome conhecesse. Como podemos garantir que o que lá está descrito de fato é o que ocorreu? Somente no processo de fiscalização isso poderia ficar claro e não ficou. A autoridade lançadora deve se valer das provas, diretas ou indiretas, para qualificar o fato ocorrido e, conseqüentemente, demonstrar a ocorrência ou não da hipótese de incidência tributária. Podemos até entender que há indícios de que a contribuinte poderia ser a empresa responsável por essas ordens e remessas, entretanto, o indício é o ponto inicial da investigação e não a resposta, propriamente dita, para a finalização da investigação. Sobre prova indiciária, vejamos a ementa do Acórdão n° 10708326, da sessão de 09.11.2005, que teve como relator o Conselheiro Luiz Martins Valero: “PAF PROVA INDICIARIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador.” Fl. 925DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 18 17 Também a ementa do Acórdão n° 20309180, que teve como relatora a Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins: “PIS. PRESUNÇÃO. PROVA INDICIARIA. A "presunção" consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóiase em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador” Não há documentos nos autos que confirmem o indício, não havendo clareza em relação a estes. As provas podem ser diretas ou indiretas, mas devem ser veementes, graves, precisas e convergentes, a fim de que se constate que os fatos alegados ocorreram. Assim, para concluir pela exigência dos tributos, a fiscalização deveria ter trazido aos autos provas precisas e convergentes de que as remessas e recebimentos foram sem dúvida efetuados pela contribuinte, e a partir dai, verificar com os demais elementos, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Entretanto, os elementos constantes nos autos, não provam que as operações indicadas tenham sido praticadas pela recorrente. Assim, o entendimento é que os indícios não foram comprovados no procedimento de fiscalização e nem mesmo na diligência solicitada, a fim de que fosse realizado raciocínio presuntivo capaz de se determinar um fato presumido grave, preciso e concordante, ou seja, pelos documentos apresentados, não é possível se fazer a relação entre o indício e o fato presumido. Não há provas para as remessas ou para os recebimentos indicando que a recorrente foi a beneficiária dos recursos. Sem provas, não é possível fazer qualquer acusação. Consoante o artigo 112, inciso III do Código Tributário Nacional, em caso de dúvida, a lei tributária, que define infrações, deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, razão pela qual, no meu entender, em relação a essa preliminar, o lançamento não deveria ser deferido. Esse também foi o entendimento exarado no Acórdão de nº 10809.669, supra citado, que apreciou a autuação realizada para o anocalendário de 1999. O mesmo foi decidido também para a empresa Vancox Comercial Ltda. no Acórdão 10708592, de 25 de maio de 2006, assim ementado: “LANÇAMENTO — ILEGITIMIDADE PASSIVA — PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE — Aplicase ás exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua íntima relação de causa e efeito.” Assim, em relação a essa primeira preliminar, entendo que cabe razão à recorrente. Vencida a Relatora, na preliminar de erro da indicação do sujeito passivo, passase ao exame das demais questões suscitadas. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 19 18 3º Decadência Alega a recorrente que os valores da contribuição ao PIS, COFINS e IRRF foram atingidos pela decadência para o período de novembro de 2000 a janeiro de 2001, consoante artigo 146, III, “b”, do Código Tributário Nacional em detrimento dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/1991, e, artigo 150, §4°, do CTN. De forma contrária, entendeu a DRJ, que o início da contagem do prazo se baseia no artigo 173, inciso I, do CTN, não havendo o que se falar em decadência. Contrariamente à DRJ, é o entendimento que ao caso se aplica o artigo 150, §4º, do CTN, tendo em vista que estamos tratando de tributos com lançamento por homologação, in verbis: “Art. 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ................................ §4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No âmbito administrativo, homologação significa o ato pelo qual a autoridade administrativa competente confirma ou ratifica atos particulares, a fim de instituir validade jurídica aos mesmos. Assim, conforme o disposto no artigo 142 do CTN , os atos de apuração do crédito tributário, que compreendem: i) verificação da ocorrência do fato gerador; ii) a determinação da matéria tributável; e iii) o cálculo do montante do tributo devido, são todos privativos da autoridade administrativa. Quando praticados pelo particular, reclamam a figura jurídica da homologação e, após ela, passam a ser tidos, todos eles, como atos administrativos, não praticados pela própria autoridade competente, mas como se assim fossem. Aplicando o disposto no parágrafo anterior ao caso sob análise, temos que a apuração do crédito tributário executada pelo sujeito passivo da qual pode resultar ou não em crédito tributário devido poderá ser homologada. Após a homologação, considerase a apuração como se houvesse sido praticada pela autoridade administrativa, a quem a lei compete para tanto, não fosse o lançamento por homologação. São considerados tributos sujeitos ao lançamento por homologação a contribuição ao PIS, COFINS e IRRF, tendo em vista que são “tributos cuja legislação atribua ao sujeito o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa” e “operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Assim sendo, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 20 19 Somente no caso em que a autoridade não toma conhecimento da atividade exercida pela contribuinte (omissão completa) ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação é que o dies a quo do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN). O auto de infração foi cientificado em 25 de abril de 2006 referente a receitas omitidas e remessas realizadas nos anoscalendários de 2000 a 2002. Como foi a contribuinte que apurou a base de cálculo dos tributos devidos, aplicase, inequivocadamente, a regra prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, segundo a qual, o prazo para homologação da atividade realizada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados do fato gerador do tributo. Desse modo, em relação às contribuições ao PIS e COFINS, bem como ao IRRF, reconheço que a decadência atingiu o direito de constituir o crédito tributário para os fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2000 a março de 2002, por se tratarem de tributos com bases de cálculo cujo período de apuração é mensal. O prazo decadencial de cinco anos se aplica também às contribuições (CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, contribuição ao PIS e COFINS), nos termos da Súmula do Supremo Tribunal Federal nº 8. Ademais, importante se verificar que, como o lançamento foi feito em 25 de abril de 2006, mesmo se considerada a aplicação do artigo 173, I, do CTN, considerarseiam decaídos os tributos lançados cujos fatos geradores se deram até novembro de 2000. O referido artigo 173, I, dispõe, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Assim sendo, mesmo em se aplicando o artigo 173, I, do CTN, ocorreu a decadência para os fatos geradores até novembro de 2000. 4º Omissão de Receitas Como o entendimento é que não ficou comprovado que a recorrente é o sujeito passivo da relação jurídicotributária aqui sob análise, uma vez que não restou comprovado que executou as operações, mas claramente explicou que as desconhece, não vincula a recorrente a elas (transações não comprovadas). O seu desconhecimento não caracteriza falta de emissão de notas fiscais, recibos ou documentos equivalentes, ou mesmo falta de registro contábil de suas operações. Ou seja, nesse sentido, não há também o que se falar em omissão do registro de receitas, portanto, não há aplicação o fundamento legal do lançamento que são os artigos 278, 279, 280, 283 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/1999, uma vez que não ficou comprovado o vínculo dessa operações com a recorrente e o seu desconhecimento não caraceriza a omissão das receitas. 5º Erro na determinação do aspecto temporal da hipótese de incidência Fl. 928DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 21 20 Alega também a recorrente que houve erro na determinação do aspecto temporal porque a autoridade lançadora se baseou nas ordens de pagamentos para comprovar que houve remessas feitas para a mesma empresa americana. Todavia, não se verificou que havia saldo em contacorrente, logo, o recebimento da receita deverseia se considerar em data pretérita à existência deste saldo. Assim, não seria possível determinar qual a legislação aplicável e a data. Novamente, não é possível concluir ou mesmo presumir que os pagamentos tiveram origem em receitas omitidas, não temos comprovação de que os pagamentos foram feitos pela recorrente, portanto, o entendimento é que essa parcela do lançamento não deve prevalecer. Tivesse ficado comprovado que a recorrente efetuou o pagamento, tal alegação poderia prevalecer uma vez que a apuração do lucro líquido do exercício ou prejuízo contábil tem como premissas a contabilidade que se vale de partilhas dobradas, logo, se o custo/gasto incorrido não é comprovado e também omitido nos registros/livros contábeis, tem se que a receita correspondente também o é, segundo o artigo 24 da Lei nº 9249/1996 constante do fundamento legal do lançamento. Todavia, os pagamentos não foram comprovados como feitos pela recorrente, logo, não procede tal lançamento. 6º Multa qualificada Em relação à multa majorada, concordo com a recorrente que não restou comprovado o intuito de fraudar. Segundo o artigo 44, II, da Lei nº 9430/1996, com redação na época do lançamento, ou seja, sem alteração introduzida pela Lei nº 11.488/2007, artigo 14: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ....................................... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502. de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Os artigos 71, 72 e 73, citados no inciso II antes transcrito, assim dispõem: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 929DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 22 21 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Os três artigos tratam de ação ou omissão dolosa, onde há a intenção de agir ou omitir, o que não é possível identificar no caso sob análise. A contribuinte prestou todas as informações solicitadas pelas autoridades fiscais e que, necessariamente, possuía alguma documentação para fundamentar. A contribuinte sempre negou ter realizado as operações para as quais não trouxe alguma documentação, presumindo a autoridade, a partir daí, que a contribuinte efetuou as operações/remessas tidas como desconhecidas, meramente por estar citado o nome “Org. Manoel Bernardes” nos documentos levantados na empresa Beacon Hill Service. Não ficou constatado que houve dolo, portanto, não cabe a multa agravada. Nesse mesmo sentido, temos a Súmula do CARF nº 25: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.” 7º Juros incidentes sobre a multa de ofício A recorrente alega que, ao verificar os cálculos apresentados pela Receita Federal do Brasil, temse que há incidência de juros sobre a multa lançada de ofícios, o que é de todo improcedente. Esclarece que a matéria foi trazida somente agora uma vez que, quando da lavratura do Auto de Infração, a multa não tinha sido constatada, até porque o termo inicial da incidências de tais juros é o mês seguinte ao da lavratura. Como explica a recorrente, o artigo 43 e parágrafo único da Lei 9.430/96, determina a incidência de juros sobre a multa isolada, a saber: " Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Não trata o referido artigo de multas decorrentes de lançamento de oficio, as quais são disciplinadas no artigo 44 da mesma Lei 9.430/96, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 930DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 23 22 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § lo O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § lº deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº ll.488.de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3° Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4° As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal.” Os normativos que se referem à multa de ofício não tratam de incidência de juros de mora, ao contrário da multa isolada. Ademais, o fundamento da aplicação dos juros é o § 3º do artigo 61, da Lei n° 9.430/96, que diz: Fl. 931DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 24 23 " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3 o Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)." Assim sendo, há juros de mora somente sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, conforme o § 3º do mesmo, isto é, só se aplica os juros sobre os tributos e contribuições e, não, sobre as penalidades aplicadas aos tributos e contribuições. Esse também foi o entendimento desse colegiado, cuja ementa do Acórdão assim dispõe sobre os juros sobre multa de ofício: “Processo nº 19515.003663/200527 Acórdão 10196523 Sessão de 23/01/2008 INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado. RV Provido em Parte.” Por todo o exposto, meu voto é de rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e acolher as preliminares de não identificação da sujeição passiva e decadência, e no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Nereida de Miranda Finamore Horta – Relatora Fl. 932DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 25 24 Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora Designada Em que pese os argumentos apontados pela ilustre relatora, durante a sessão de julgamento, a tese da defesa restou vencida. Passase a expor as razões que levaram o colegiado a decidir pela manutenção do lançamento. Sobre a preliminar de erro na indicação do sujeito passivo, as razões apontadas pela recorrente não merecem prosperar. Primeiramente, deve ser esclarecido que o sujeito passivo é aquele que realiza o fato gerador (contribuinte) ou seja por ele responsável e que assume o pólo passivo da relação jurídicotributária, tanto material quanto processualmente. Ocorre erro na indicação do sujeito passivo quando é apontado como infrator pessoa que não tenha qualquer relação com o fato gerador indicado e isso seja passível de constatação de plano. Uma vez caracterizada a relação com o fato gerador descrito, não se fala em erro na indicação do sujeito passivo e, com isso, afastase a preliminar, passandose ao mérito para verificar a efetiva realização, pelo sujeito passivo indicado, da infração fiscal apontada. De acordo com o TVF, com base nos dados financeiros relativos à empresa Beacon Hill Service Corporation, obtidos após decisão judicial da Suprema Corte Americana e disponibilizados à Justiça brasileira, os quais foram transferidos à Receita Federal do Brasil para averiguação de eventual infração tributária, constatouse diversos contribuintes praticando operações financeiras à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, através de contas ou subcontas mantidas no JP Morgan Chase Bank por aquela empresa, que atuava como preposto bancáriofinanceiro destas. Os documentos juntados aos autos reproduzem os dados disponibilizados ao Fisco, decorrentes de laudos periciais elaborados pela Policia Federal, em razão do compartilhamento de provas obtidas pela CPI do Banestado, autorizado judicialmente. Na análise desses dados, foi adotado o seguinte procedimento fiscal, consoante trecho do TVF: De posse dessas informações, procedeuse à verificação, por amostragem de dados, do cumprimento das obrigações tributárias da pessoa jurídica relativas ao período de 11/10/2000 até dezembro/2002, sempre relacionando as movimentações de recursos no exterior com os registros contábeis, notas fiscais de exportação e importação e os dossiês de exportação e importação, constatando, resumidamente, que: as movimentações dos recursos no exterior, onde a contribuinte consta como beneficiária ou remetente, reportamse basicamente às exportações efetuadas pela empresa, conforme demonstram os registros nos livros contábeis e fiscais, contratos de câmbio, processos de exportação/importação e notas fiscais de exportação/importação; do cotejamento realizado entre as movimentações e os registros contábeisfiscais, ora como beneficiário ora como remetente, restaram não comprovadas algumas operações correspondentes à movimentação de recursos no exterior, porque não foram escrituradas nos livros comerciais e fiscais nem mesmo justificadas, motivo Fl. 933DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 26 25 pelo qual estão sendo consideradas como omissão de receitas, conforme consta do demonstrativo "Tabela de Recursos movimentados no exterior e não comprovados de conversão de US$ para R$ e reajuste da base de cálculo para fins do IRRF." Ao contrário do que entende a recorrente, o fato do "Laudo de Exame EconômicoFinanceiro” ("Laudo n° 1258/04 INC"), ter sido preparado pelo Instituto Nacional de Criminalística, vinculado à Polícia Federal, encarregada da investigação, e seu exame ter se limitado às mídias eletrônicas contendo arquivos de dados relativos às contas e subcontas que a Beacon Hill Service Corporation administrava junto ao banco JP Morgan Chase Bank em Nova York, sem ter sido analisado qualquer documento com assinatura da recorrente não invalida a conclusão fiscal. Ao contrário. Em se tratando de ilícitos dessa natureza, representados por operações que buscam meios alternativos para escapar aos controles oficiais, especialmente do Banco Central do Brasil, pela não utilização do Sistema Financeiro Nacional, a apuração dos fatos através de prova direta é praticamente impossível. Resta patente a impossibilidade de se localizar eventual “ficha de abertura de conta assinada pelo contribuinte” ou outro documento que o vincule tão explicitamente à realização dos respectivos depósitos. Nesses casos, bastam indícios veementes, graves, precisos e convergentes que, examinados em conjunto, levem ao convencimento do julgador. As presunções e os indícios são considerados como meios de prova no Direito, por representarem o conjunto de meios ou elementos destinados a demonstrar a existência ou inexistência dos fatos alegados. A comprovação material de determinada situação fática pode ser feita por uma única prova concreta e direta ou por um conjunto probatório constituído por elementos que, somados, indiquem uma conclusão lógica e razoável dentro do contexto apresentado. Estes são os indícios. Nesse sentido, os indícios representam o meio pelo qual o julgador normalmente se utiliza para formar convicção a respeito da existência ou não de um determinado fato ou situação. É certo que os indícios possuem alta relevância na formação da convicção do julgador, consoante a lição de Maria Rita Ferragut sobre o tema presunções abordado no trabalho “Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação” (Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, págs. 119 e 120), verbis: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. No caso concreto, para chegar à ilação de que a recorrente efetuou operações sem a devida tributação das receitas auferidas, a fiscalização partiu de vários indícios que, Fl. 934DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 27 26 segundo sua tese, seriam suficientes para identificar o sujeito passivo e caracterizar a infração apontada. A DRJ determinou diligência para que fossem juntados aos autos “os documentos que serviram de base para a elaboração da TABELA DE RECURSOS MOVIMENTADOS NO EX 1 ERIOR E NÃO COMPROVADO; DE CONVERSÃO DE US$ PARA REAL E REAJUSTE DA BASE DE CÁLCULO PARA FINS DO IRRF (fl. 44) e dos demonstrativos OPERAÇÕES DE RECURSOS MOVIMENTADOS NO EXTERIOR (fls. 66/69 e 71/73)” Em resposta, foram juntados: Representação Fiscal n° 154/04 e Representação Complementar da Representação fiscal n° 154/04, emitida pela Equipe Especial de Fiscalização, autorizada pela Portaria SRF n° 463/04 — CoordenaçãoGeral de fiscalização (fls.335 a 336); Relação/transcrição das operações em que o contribuinte identificado aparece como beneficiário, ordenante e/ou remetente de divisas através das contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova York por Beacon Hill Service Corporation, e planilha (fls. 337 a 363); Cópias de diversas ordens de pagamento relacionadas ao contribuinte, referentes às operações acima, disponibilizadas no dossiê, devidamente atestadas pelo consuladoGeral do Brasil em Nova York (fls. 364 a 380). Além disso, foram juntados diversos documentos extraídos dos dossiês de fiscalização, dentre os quais: históricos da investigação, decisões exaradas pela Justiça Federal, afastamento de sigilo fiscal e pedido de investigação criminal nos EUA, Laudo Pericial da Polícia Federal, bem como a relação das taxas de conversão do dólar utilizadas e as memórias de cálculo da apuração do IRRF. Nos documentos juntados aos autos o nome “Manoel Bernardes Ltda” ou “Org. Manoel Bernardes” aparece ora como ordenante, ora como beneficiário, e sempre acompanhado do endereço completo no município de Belo HorizonteMG, equivalente ao endereço constante do cadastro do CNPJ. Como bem observado pela decisão recorrida, as ordens de pagamentos referentes às operações tributadas que identificam a recorrente como remetente e seu endereço (ORG. MANOEL BERNARDES, AV. DO CONTORNO, 5417 — BH — MG BRASIL), juntadas por cópias aos autos (fls. 364/380), contrariam a tese da defesa de erro na identificação do sujeito passivo, ainda mais em se considerando que a empresa admitiu a autoria das operações em relação às quais conseguiu comprovar a natureza e a origem dos recursos. O indício representado pelo fato do nome e endereço inconfundíveis da recorrente constarem dos documentos como “order customer” (item 23 do LAUDO nº 1613/04 – INC, fl.138), tornase grave, preciso e convergente quando combinado com o fato da própria recorrente ter assumido que realizou uma parte das operações, registrandoas em sua contabilidade. Ou seja, parte das operações foi devidamente registrada na contabilidade, e outra parte omitida. Exatamente esta parte é o objeto da autuação em comento. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 28 27 Assim, no caso concreto, não pairam dúvidas que a forma de identificação do contribuinte autuado como remetente dos recursos foi a conjugação do nome inequívoco e do endereço constantes dos registros de ordens de transferências, aliado ao fato de que parte das operações, com as mesmas informações, fora realizada e comprovada pela própria recorrente. Isso leva a uma única possibilidade de identificação positiva: a da própria recorrente. A ilustre relatora do recurso voluntário, ora vencida, reconheceu que “há indícios de que a contribuinte poderia ser a empresa responsável por essas ordens e remessas”, mas aduz que estes não seriam suficientes para sustentar a acusação fiscal sem um maior aprofundamento da investigação. Na diligência determinada anteriormente, buscouse verificar qual “o vínculo entre a empresa autuada e o destinatário da remessa, e o remetente do exterior dos recursos para a empresa autuada” e sua relação com os beneficiários dos pagamentos constantes da listagem considerados como omissão de receitas, em comparação com aqueles reconhecidos na contabilidade da recorrente. Ora, não compete à fiscalização comprovar o vínculo entre os remetentes ou destinatários das remessas com a pessoa jurídica fiscalizada ou a sua relação com os beneficiários dos pagamentos não comprovados. No caso dos autos, não se trata de exigir uma prova negativa por parte da recorrente, como entendeu a douta relatora. O que se exigiu foi a comprovação das informações constantes dos arquivos e documentos obtidos no exterior, através de investigação criminal, em que a recorrente consta como remetente ou beneficiária de recursos não declarados. Segundo a tese da recorrente, é possível que a empresa Beacon Hill Service Corp tenha apresentado como remetente qualquer pessoa que constasse de seus cadastros ou cujo nome conhecesse. De fato, isso é possível. Nesse caso, contudo, aquela empresa teria que efetuar um controle paralelo sobre as operações reais efetuadas por seus clientes e as operações fictícias, efetuadas em nome desses mesmos clientes, mas por ordem de clientes “ocultos”, ou seja, nessa última hipótese, o cliente, antes real, estaria funcionando como “laranja” de outro. Seria o controle paralelo de operações paralelas realizadas por instituições financeiras paralelas... Embora, em tese, tudo seja possível, é difícil imaginar essa situação ocorrendo na prática... De toda a sorte, aqui, as provas convergem todas contra a recorrente e a presunção de omissão de receita milita em favor da Administração Tributária. A partir do momento em que a recorrente é reconhecidamente cliente (“order customer”) da empresa Beacon Hill Service Corporation, inclusive, assumindo que praticou diversas operações de remessa ou recebimento de divisas, devese presumir que todas as operações registradas em seu nome pela “prestadora de serviço” tenham sido por ela (recorrente) realizadas. Caberia à recorrente comprovar o alegado erro de sujeição passiva, o que não ocorreu nos autos. No presente caso, descabe invocar a aplicação do art. 112, inciso III, do Código Tributário Nacional, que prevê que, em caso de dúvida, a lei tributária, que define infrações, deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, visto que a interpretação mais favorável ao acusado não alcança a hipótese de inversão do ônus da prova em face de presunção legal. Tratase de questão probatória, em que os elementos são livremente apreciados pelo julgador até que forme sua convicção motivada, e não de interpretação de lei. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 29 28 Assim, é de se rejeitar a preliminar de nulidade por erro de sujeição passiva. MÉRITO Omissão de Receitas No presente caso, examinandose as provas constantes dos autos, verificase que a tese da autoridade fiscal, de que houve omissão de rendimentos, deve prevalecer. Dos autos se extrai que, a partir das informações recebidas na planilha oriunda da mídia eletrônica disponibilizada pela Polícia Federal, a autoridade fiscal analisou os seguintes dados: rol de operações de recursos movimentados no exterior, data, ano, banco creditado, beneficiário/remetente e valor, e intimou o contribuinte a prestar informações e/ou juntar documentação acerca das operações financeiras no exterior, conforme Termo de Intimação Fiscal (de 02/12/2005), retificado pelo Termo de Intimação Fiscal II (de 15/12/2005). Em outras palavras, a recorrente foi regularmente intimada a apresentar informações sobre a natureza das operações que motivaram as operações de movimentação de divisas no exterior, a apresentar a documentação correspondente (notas fiscais, contratos, contratos de fechamento de câmbio, documentos de remessas e recebimentos, folhas do livro Diário e Razão) e a comprovar a origem dos recursos utilizados naquelas operações (fls. 64, 65 e 70). Em resposta, a empresa apresentou documentação relativa a diversos itens constantes da planilha, inicialmente aqueles correspondentes ao período de janeiro/dezembro/2000, e solicitou prazo para apresentação dos documentos relativos aos períodos de 2001 e 2002. Após, apresentou documentação justificando algumas das operações de 2001 e 2002. As operações que não foram comprovadas ou justificadas foram objeto de autuação. Nesses casos, como se vê, embora regularmente intimada, a recorrente deixou de comprovar, com documentação hábil e idônea, qual a natureza das operações que lhe deram causa e a origem dos recursos utilizados. Considerandose que os indícios apontados são graves e convergentes para caracterizar a realização das operações de remessa ou recebimento de recursos do exterior à margem da contabilidade, evidenciase a omissão da receita respectiva, pela falta de comprovação, após intimação para tanto, dos correspondentes custos ou despesas incorridos, em razão da sistemática das partidas dobradas adotada no Brasil para fins de registro contábil e apuração do lucro líquido ou prejuízo do exercício. Assim, a falta de escrituração de pagamentos efetuados junto à empresa Beacon Hill Service Corporation, dada a ausência de comprovação da causa e origem dos recursos, caracteriza omissão de receita para fins tributários, a teor do disposto no art. 281, inciso II, do RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): Fl. 937DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 30 29 [...] II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; [...] Nesse caso, tendo sido a recorrente intimada, não basta alegar que desconhece as operações, quando estas foram realizadas em seu nome e através do mesmo modus operandi utilizado por ela própria em outras ocasiões. Diante dos elementos analisados e expostos no item anterior, restou comprovado que a recorrente é o sujeito passivo da relação jurídicotributária aqui sob análise, competindolhe a prova de que não as executou, pela inversão do ônus da prova previsto no dispositivo retro mencionado. Assim, resta caracterizada a omissão, consoante o disposto nos arts. 278, 279, 280, 283 e 288 do RIR/99. A recorrente ainda alega erro na determinação do aspecto temporal da hipótese de incidência, por considerar que, como o recebimento ocorreu em data pretérita à existência do saldo, seria impossível se determinar qual a legislação aplicável, por não se saber com precisão a data da remessa, o que tornaria o lançamento nulo por carecer de liquidez e certeza. Equivocase novamente. Em se tratando de omissão de receitas, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos na data da movimentação bancária dos recursos financeiros não registrados na escrituração contábil e fiscal, cuja origem e natureza das operações correspondentes não foram comprovadas com documentação hábil e idônea, mesmo após intimação. Diante disso, mantémse o lançamento de IRPJ, referente aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, por omissão de receitas. Lançamentos reflexos A omissão de receitas apurada nestes autos enseja o lançamento de CSLL, PIS e Cofins de forma reflexa, por se basear nos mesmos elementos fáticos, nos termos do §2º do art. 24 da Lei nº 9.249/95: § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Segundo a autoridade fiscal, os valores remetidos ao exterior, apurados a partir dos registros de “remetente”, foram considerados como pagamentos sem causa e sem comprovação, sujeitandose à incidência do IRRF, consoante o disposto nos §§ 1º, 2º e 3º do artigo 674 do RIR/99. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 31 30 De fato, a omissão caracterizada nos termos das razões acima apontadas efetivouse através da utilização de empresa intermediária e sem o devido registro contábil da entrada dos recursos na recorrente, consequentemente, os pagamentos efetuados pela recorrente não possuem a identificação da causa da operação efetuada, o que atrai a regra do art. 674 do RIR/99 ao caso concreto. Com isso, mantémse o lançamento de IRRF. Multa qualificada A multa qualificada aplicase nos casos em que restar caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64, em conformidade com o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 (art. 957 do RIR/99). É o que se impõe neste caso. Como se viu, a recorrente utilizouse de interposta pessoa, representada por Beacon Hill Service Corporation, para remeter recursos não declarados ao exterior. A omissão de receitas no caso concreto foi realizada através de operações que buscavam meios alternativos para escapar aos controles oficiais, especialmente do Banco Central do Brasil, pela não utilização do Sistema Financeiro Nacional, bem como da Receita Federal do Brasil. Diante dos fatos acima descritos, resta clara a intenção da recorrente de agir para ocultar a ocorrência do fato gerador representado pelo auferimento de receitas, caracterizando ação ou omissão dolosa, para fins de imputação da multa qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Ademais, as irregularidades foram perpetradas continuamente nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, com a omissão de declaração das receitas respectivas de forma reiterada. No caso dos autos, pois, considerando o modus operandi utilizado e sua reiteração, fica evidenciado o intuito de fraude do sujeito passivo, não se aplicando as Súmulas CARF nº 14 e 25, por não se tratar de simples omissão de receita. De outro lado, pode ser referido que a jurisprudência do CARF é pacífica em casos semelhantes, em que as operações são realizadas dentro do Sistema Financeiro Nacional, ao considerar que “nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas” (Súmula CARF vinculante nº 34). Por tudo isso, deve ser mantida a multa no patamar de 150%. Juros sobre a multa de ofício Quanto aos juros incidentes sobre a multa de ofício, a posição da maioria da turma é pela sua manutenção, em conformidade com a legislação vigente e seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, bem assim da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto ao adotado pela ilustre relatora do voto vencido, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação Fl. 939DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 32 31 combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Cabe utilizar aqui os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício, assim sintetizados: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional; (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago”; (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; Fl. 940DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 33 32 (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 4 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Cabe ainda referir que, adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Vêse que todos os argumentos retro mencionados convergem para a conclusão de que é perfeitamente legal e válida a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada, aplicandose a taxa de juros Selic. Decadência Finalmente, sobre a decadência, diante da manutenção da qualificação da multa, mesmo em relação aos tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica a regra do art. 150, §4º, do CTN, em razão de sua parte final. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Processo nº 10680.720787/200675 Acórdão n.º 1202000.735 S1C2T2 Fl. 34 33 A constatação de dolo, fraude ou simulação atrai a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem para o prazo decadencial de lançamento no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. No caso dos autos, em relação ao PIS, COFINS e IRRF, até o período de apuração de novembro de 2000, o lançamento poderia ter sido realizado ainda em dezembro de 2000, logo, a contagem se inicia em 1º de janeiro de 2001, encerrandose em 31 de dezembro de 2005. Assim, visto que a ciência dos autos de infração ocorreu em 25 de abril de 2006, deve ser reconhecida a decadência para o lançamento de PIS, COFINS e IRRF referentes ao período de apuração de novembro de 2000. DISPOSITIVO Diante disso, reconhecese a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de novembro de 2000, em relação ao PIS, COFINS e IRRF e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 942DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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Numero do processo: 13227.720143/2008-94
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. FALTA DA CIÊNCIA DO
MPFF.
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em
nulidade do auto de infração.
Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10
do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN.
A falta da ciência do MPFF,
da sua prorrogação, ou a própria ausência do
mesmo no processo não enseja em nulidade do lançamento fiscal, por ser um
documento que se constitui em mero instrumento de controle dos
procedimentos fiscais a cargo da administração tributária.
LANÇAMENTO FISCAL EM PRAZO INFERIOR A CINCO ANOS.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Verificado que o lançamento fiscal ocorreu em prazo inferior a cinco anos do
fato gerador, descabe falar em decadência.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS
OBRIGATÓRIOS E DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE.
Por expressa disposição legal, está autorizado o arbitramento do lucro do
contribuinte que não apresenta à autoridade tributária, apesar de regularmente
intimado, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. CABIMENTO.
Comprovado nos autos a ação dolosa mediante a prática de fraude, com o
objetivo de se eximir ou reduzir o montante dos tributos devidos, é de se
manter a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%.
Por expressa previsão legal, a multa de ofício aplicada deve ser agravada em
50% quando o contribuinte, regularmente intimado, deixar de prestar
esclarecimentos à autoridade fazendária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS.
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que
lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os
mesmos.
Numero da decisão: 1202-000.978
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. FALTA DA CIÊNCIA DO MPFF. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. A falta da ciência do MPFF, da sua prorrogação, ou a própria ausência do mesmo no processo não enseja em nulidade do lançamento fiscal, por ser um documento que se constitui em mero instrumento de controle dos procedimentos fiscais a cargo da administração tributária. LANÇAMENTO FISCAL EM PRAZO INFERIOR A CINCO ANOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Verificado que o lançamento fiscal ocorreu em prazo inferior a cinco anos do fato gerador, descabe falar em decadência. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS E DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE. Por expressa disposição legal, está autorizado o arbitramento do lucro do contribuinte que não apresenta à autoridade tributária, apesar de regularmente intimado, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. CABIMENTO. Comprovado nos autos a ação dolosa mediante a prática de fraude, com o objetivo de se eximir ou reduzir o montante dos tributos devidos, é de se manter a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%. Por expressa previsão legal, a multa de ofício aplicada deve ser agravada em 50% quando o contribuinte, regularmente intimado, deixar de prestar esclarecimentos à autoridade fazendária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS. Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. FALTA DA CIÊNCIA DO MPFF. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. A falta da ciência do MPFF, da sua prorrogação, ou a própria ausência do mesmo no processo não enseja em nulidade do lançamento fiscal, por ser um documento que se constitui em mero instrumento de controle dos procedimentos fiscais a cargo da administração tributária. LANÇAMENTO FISCAL EM PRAZO INFERIOR A CINCO ANOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Verificado que o lançamento fiscal ocorreu em prazo inferior a cinco anos do fato gerador, descabe falar em decadência. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS E DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE. Por expressa disposição legal, está autorizado o arbitramento do lucro do contribuinte que não apresenta à autoridade tributária, apesar de regularmente intimado, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. CABIMENTO. Comprovado nos autos a ação dolosa mediante a prática de fraude, com o objetivo de se eximir ou reduzir o montante dos tributos devidos, é de se manter a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 01 43 /2 00 8- 94 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 521 2 Por expressa previsão legal, a multa de ofício aplicada deve ser agravada em 50% quando o contribuinte, regularmente intimado, deixar de prestar esclarecimentos à autoridade fazendária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS. Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Geraldo Valentim Neto. Relatório Trata o processo de lançamentos formalizados em Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativos ao ano de 2005, com a aplicação da multa de ofício, no percentual de 225%, e juros de mora, com base na taxa Selic. A empresa apresentou a declaração DIPJ, do ano de 2005, informando que a apuração do lucro seria com base na sistemática do lucro real trimestral, fls. 2 e seguintes. A referida declaração foi apresentada com os valores “zerados”. De acordo com a Termo de Verificação Fiscal, o lucro da pessoa jurídica foi arbitrado em razão da não entrega de nenhum dos livros obrigatórios e dos documentos de suporte, contábeis e fiscais. O arbitramento do lucro ocorreu com base nos valores da receita bruta conhecida (venda de mercadorias), informados no livro Registro de Saídas, cuja cópia se originou de fiscalização realizada em período anterior, fls. 35 e 89. A multa de ofício foi agravada em razão da não entrega dos documentos solicitados no prazo marcado e foi qualificada em face da ocorrência de sonegação pelo claro intuito de impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Após ter tomado ciência dos Autos de Infração, a empresa apresentou sua impugnação, com as alegações sintetizadas no relatório do Acórdão da DRJ/Belém, de fls. 191 a 197, que a seguir transcrevo e passo a adotar: Fl. 521DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 522 3 “III DA IMPUGNAÇÃO Em 21.11.2008, a empresa apresentou impugnação de fls. 137 a 185, na qual aduz os seguintes argumentos: 3. DAS PRELIMINARES 3.1 DA DECADÊNCIA No item 05 — DO PEDIDO, o contribuinte menciona a decadência, mas no decorrer da impugnação não foi levantada esta questão. Vejamos o pedido: Acolher as PRELIMINARES arguidas, declarando a. nulidade do Auto de Infração por estar totalmente eivado de vicio insanável de forma e Decadência: "(grifouse) 3.2 DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO FORMAL: a) A falta de ciência do Mandado de Procedimento Fiscal DO Inicio da Fiscalização e de continuidade do mesmo procedimento. A falta de comunicação ao contribuinte das prorrogações do MPF, na forma determinada pelo § 2° do art. 13 da Portaria SRF 3.007, de 26/11/2001, ofende, notadamente, os Princípios, da legalidade e da Moralidade Administrativa, de sorte que o lançamento efetuado em tal circunstância padece de vários irremediáveis vícios, impondo, assim a anulação do ato exacional.(fl. 140/166); b) Por erro no enquadramento legal — 0 lançamento não haveria como se sustentar o enquadramento legal, como codificou a fiscalização, no art. 521 do RIR/99, afrontado o princípio da legalidade, pela inexistência de fundamento jurídico necessário para darlhes o devido embasamento legal; 4.00 MÉRITO 4.1 DA MULTA AGRAVADA Alega o Contribuinte: ‘...não haveria como se sustentar a aplicação da multa de oficio agravada de 150%, como pretendeu a fiscalização. De fato, como já mencionado no item 3.2.1 da presente impugnação, a fiscalização não logrou comprovar o evidente intuito de fraude, a simulação ou o conluio, que pudesse da supedâneo à aplicação da multa agravada contra a impugnante. Limitouse, isto sim, a alegar a existência de fraude e mesmo assim em um única frase no segundo parágrafo de fl. 138. Nada mais! Desta forma, não se pode admitir que mesmo que devido o imposto lançado, que a multa correspondente seja agravada em 150% com base no art. 44 ,inciso II parágrafo 1° da Lei n° 9.430/96’.” Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0114.274 da DRJ/Belém, de fls. 191 a 197, mantendo integralmente o lançamento, com o seguinte ementário: DECADÊNCIA. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 523 4 Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamentos, assim como na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo para contagem de prazo decadencial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há por que se acatar os argumentos de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros comerciais, quando optante pela apuração do lucro real. 0 arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária, mas sim uma modalidade de apuração do lucro tributável obrigatória quando a apuração do lucro real tornase impossível ou deficiente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos a hipótese de sonegação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Lançamento Procedente Fl. 523DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 524 5 Irresignada com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou arrazoado com seu recurso voluntário, com data de assinatura de 19/01/2010, de fls.203 a 254, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas em sua peça impugnatória. Despacho do Chefe da SARAC/DRF/JIP/RO, de fls. 256, encaminhou o processo a este CARF, com o seguinte teor: “Em 22/12/2009 f1.255, o contribuinte foi intimado e cientificado da decisão da DRJ/REC, constante no Acórdão n° 0114.274 de 10 de JUNHO de 2009 que proferiu a decisão como Lançamento Procedente. Inconformado com a decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e fls. 203 a 254. Entretanto, não foi possível identificar a data do protocolo do recurso. Diante do exposto, proponho encaminhamento deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise e julgamento. JiParaná, 21 de julho de 2010.” Encontrase nos autos procuração outorgada pela autuada, datada de 20/06/2012, conferindo poderes aos advogados ali relacionados para atuar junto a órgãos públicos. Dessa forma, os outorgados impetraram aditivo ao recurso voluntário, de fls. 257 a 303, com data de assinatura de 14/06/2012. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator Conforme mencionado no relatório deste acórdão, foi elaborado despacho de encaminhamento do recurso voluntário a este CARF onde consta, expressamente, a informação de que “não foi possível identificar a data do protocolo do recurso”. O acórdão de primeira instância foi recebido pela autuada em 22/12/2009, conforme AR de fl. 255. O recurso voluntário foi firmado com data de 19/01/2010, fls. 254, mas sem a data que comprove o recebimento do recurso pelo órgão de origem. A obrigação de apor a data de recebimento do recurso é da unidade preparadora do processo. Se não o fez, foi por esquecimento ou desídia. Não se pode, entretanto, criar prejuízo ao contribuinte pela existência de falha procedimental ocasionada pela própria repartição de origem. Assim, para se evitar possível alegação do cerceamento do direito de defesa, devese entender que o recurso voluntário foi recebido no prazo legal. Portanto, dele tomo conhecimento. Quanto ao “aditivo” de recurso voluntário, apresentado por outro procurador e datado de 14/06/2012, é de se registrar que não existe previsão legal no rito do processo administrativo fiscal para a apresentação de razões complementares ao recurso já entregue, Fl. 524DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 525 6 ainda mais quando entregue fora do prazo regulamentar de 30 dias, de modo que o mesmo não deve ser conhecido por esta turma julgadora. Preliminares Em seu recurso, a defesa alega, em preliminar, a nulidade do auto de infração por vício formal em razão da falta de ciência do Mandado de Procedimento Fiscal no início da fiscalização e de continuidade do mesmo procedimento. Compulsando os autos verificase que inexiste cópia do Mandado de Procedimento FiscalFiscalização MPFF no processo, muito menos a ciência do referido documento. Inobstante tal fato, constatase que o Termo de Início de Fiscalização, devidamente cientificado ao contribuinte, informa a emissão do MPFF, inclusive indicando a possibilidade de consulta do seu conteúdo pelo contribuinte no site da Receita Federal na internet, com o seguinte teor, fls. 54: “(...) vinculada ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 02.5.02.002008 000086, cujo conteúdo pode ser verificado por intermédio do sitio da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br , cujo código de acesso é: 66051739.” Portanto, foi franqueado ao contribuinte, por meio de um código de acesso, junto ao site da Receita Federal do Brasil na internet, os dados relativos ao procedimento fiscal que se iniciava junto à empresa, nada podendo ser reclamado nesse sentido. Além disso, esclareçase que a falta da ciência do MPFF, das suas prorrogações, ou da falta do próprio MPFF no processo, não é razão suficiente para anular os lançamentos fiscais. O MPFF é mero instrumento de controle administrativo interno da Receita Federal no desempenho das atividades dos agentes fiscais, constituindose em instrumento de controle da administração tributária e em garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se, de fato, o auditorfiscal que o esteja fiscalizando se encontra no exercício legal de suas funções. Já a atividade de constituição do crédito tributário é privativa da autoridade administrativa, revelandose vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos exatos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN: “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”, descabendo se falar em nulidade do lançamento por falta de ciência/prorrogação do MPFF. Ademais, não se poderia interpretar que uma suposta irregularidade na emissão do MPF, instrumento instituído por norma infralegal (Portaria SRF nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007), pudesse acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (CRFB/88, art.37), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do CTN: Verificase também que o auto de infração contém todos os elementos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações. A autuada teve a oportunidade de se defender do lançamento efetuado pela fiscalização, ao apresentar as suas razões de defesa na impugnação e no recurso ora examinado, demonstrando estar plenamente ciente dos motivos da autuação. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 526 7 As nulidades dos atos administrativos somente ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, fatos que definitivamente não ocorreram no presente caso: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Assim, uma vez que os autos de infração foram lavrados por autoridade competente e contêm todos os elementos previstos nos arts. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e 142 do CTN, e não provada violação das disposições contidas no art. 59 do mesmo Decreto 70.235, de 1972, é de se rejeitar a preliminar de nulidade levantada. Quanto à ocorrência da decadência, mencionada apenas no pedido final do recurso voluntário, registrese que essa matéria não foi contestada expressamente nas razões do recurso apresentado. Em que pese a falta de contestação expressa, tratase de matéria de ordem pública, que pode ser apreciada de ofício. O CTN estipulou um prazo de cinco anos para o fisco proceder ao lançamento, contados da ocorrência do fato gerador, caso haja pagamento antecipado (art. 150, § 4º) ou contados do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ser efetuado, caso não haja pagamento antecipado ou nas hipóteses da ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 173, inciso I). No caso em análise, as autuações se referem aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005 e a ciência dos Autos de Infração ocorreu 23/10/2008, fls. 95, 102, 110 e 118, portanto, em prazo bem inferior ao estipulado em lei (cinco anos), devendo ser rejeitado o pedido de ocorrência da decadência. Mérito Em relação ao mérito, a recorrente alega que não haveria como sustentar o enquadramento legal adotado pela fiscalização, art. 521 do RIR/99. Argumenta, ainda, que a fiscalização desatendeu aos princípios da legalidade e da moralidade que devem reger os atos administrativos. Sem razão à recorrente. Por oportuno, necessário deixar registrado que não há no processo evidência de que tenha havido, mesmo no curso da fiscalização, eventual ato praticado com abuso de poder ou qualquer procedimento adotado que fosse ilegal ou que pudesse causar eventual constrangimento à empresa interessada ou a terceiro. Verificase que o agente fiscal agiu nos estritos limites impostos pela legislação, tendo feito várias intimações à interessada durante a fiscalização, oferecendolhe, assim, oportunidades diversas para ela apresentar esclarecimentos, documentos comprobatórios e os livros obrigatórios. Entretanto, em nenhum momento a fiscalizada entregou qualquer documento ou os livros contábeis/fiscais, limitandose a solicitar prorrogação de prazo para atendimento do solicitado, o que evidencia a falta do dever de colaboração a que estava sujeito. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 527 8 O lançamento fiscal decorreu porque o contribuinte entregou as declarações DIPJ e DCTF com os valores zerados, fls. 4 a 24, e também porque não recolheu qualquer espécie de tributo no ano fiscalizado. Baseado em cópias do livro de Registro de Saída em poder da administração tributária, em razão de fiscalizações anteriores realizadas no mesmo sujeito passivo (fls. 35), o agente fiscal apurou o valor das receitas com vendas no ano de 2005, que totalizou o expressivo montante de R$ 136.044.597,30, fls. 89/90. O lucro foi arbitrado porque o contribuinte, regularmente intimado, deixou de apresentar os livros obrigatórios e os respectivos documentos de suporte. Os motivos da autuação foram relatados com clareza no Termo de Verificação de Infração, de fls. 86 a 93, com ciência ao contribuinte, de modo que deve ser afastada qualquer alegação de falta de fundamentação para efetuar o lançamento fiscal. Ao contrário do que alega a defesa, o enquadramento legal utilizado na autuação não foi o art. 521 do RIR/99, mas sim os arts. 532 e 537 do RIR/99, fls. 97. A ciência do Termo de Início de Fiscalização ocorreu 16/01/2008 (fls. 54/55) e a ciência dos Autos de Infração em 23/10/2008. Portanto, transcorreram mais de 270 dias entre a data da primeira intimação para a apresentação dos documentos e dos livros fiscais e a data da ciência das autuações, tempo mais do que suficiente para que a fiscalizada providenciasse na entrega da documentação de suporte dos registros contábeis a que o contribuinte estava obrigado a manter, nos termos dos arts. 251 e 264 do RIR/99: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (destaquei) Após o Termo de Início de Fiscalização, o agente fiscal ainda efetuou diversas intimações à autuada para que apresentasse os livros obrigatórios e os documentos que lastreavam os registros contábeis, sem que houvesse a entrega de qualquer livro/documento à fiscalização. Não tendo ocorrido a entrega dos respectivos documentos e livros obrigatórios, não restou outra alternativa ao agente fiscal senão o arbitramento do lucro da Fl. 527DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 528 9 pessoa jurídica, com base nos elementos que dispunha, no caso, o livro Registro de Saídas, nos termos dos arts. 530, 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou ∙b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (...) Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). (grifei) A jurisprudência do CARF é pacífica nesse sentido, como se pode verificar na ementa do Acórdão nº 140100510, sessão de 31/03/2011: ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 529 10 O arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária. É uma modalidade de lançamento necessária à apuração do lucro tributável, obrigatória quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, de acordo com o disposto no art. 530, inciso III, e parágrafo único do art. 527 do RIR Em vista das razões acima expostas, encontrase correto o lançamento fiscal devendo ser mantido o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. Multa qualificada Sustenta a recorrente que não há como manter a multa qualificada, no percentual de 150%, uma vez que a fiscalização não teria comprovado o evidente intuito de fraude. Já o acórdão recorrido manteve a multa aplicada, no percentual de 225%, ou seja, 150% pela qualificação da multa, acrescido em 50% pela não apresentação de esclarecimentos e dos livros e documentos no prazo marcado na intimação, sob o seguinte fundamento, fls. 196verso: “A Fiscalização, ao contrário do que argumenta o contribuinte, demonstrou no Termo de Verificação de Infração(fl. 92/93), a qualificação da infração como crime tributário em tese: a) — No decorrer da fiscalização, o Contribuinte não apresentou suas escriturações contábeis, omitindo informações importantes à autoridade fiscal; b) — Declarou em sua Declaração de Informações EconômicasFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, não haver auferido nenhuma receita durante o período fiscalizado; c) — E em sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, que constitui confissão de divida, afirma que não foram contraídas obrigações tributárias perante o Tesouro Nacional; d) —Quando Intimado, por diversas vezes, o Contribuinte deixou de prestar esclarecimentos à fiscalização. Além do mais, as receitas omitidas e/ou não declaradas pelo contribuinte apontadas pela fiscalização, não de são de centavos, dezenas de reais, e sim um valor em torno de R$ 136.000.000,00 (cento e trinta e seis milhões) de reais. Logo, conforme visto nas razões acima elencadas, está assente que o contribuinte agiu, com vistas a retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação. Assim, diferentemente do que argumentou o contribuinte, constatase que sua ação teve o objetivo de fugir à tributação. Assim, revelase plenamente razoável e proporcional a qualificação da multa.” Fl. 529DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 530 11 Os fundamentos utilizados pela DRJ/Ribeirão Preto encontram apoio nos fatos e documentos dos autos. As multas constantes do lançamento foram aplicadas com base na legislação que rege a matéria, qual seja, a Lei no 9.430, de 1996, art. 44, inciso II, e seu § 2º , in verbis: Art. 44 – Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição: (...) II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 (destaquei) A nova redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 não alterou o percentual da multa para o caso em tela. Já os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 530DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 531 12 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. A prova da existência da conduta dolosa do sujeito passivo na prática de fraude ficou evidenciada pelas seguintes condutas: 1) prestação de informação falsa em sua declaração DIPJ (valores zerados), caracterizada pela omissão dos valores de receitas no expressivo valor de R$ 136.044.597,30, em apenas um ano (fls. 02 a 21); 2) prestação reiterada de informações falsas em declaração DCTF, com o registro/confissão da não apuração de débitos tributários (fls. 22 a 25); 3) não entrega ao agente do fisco dos livros fiscais e contábeis e documentos a que estava obrigado a manter nos termos da legislação comercial/fiscal; As condutas acima descritas evidenciam o claro intuito do contribuinte de se eximir ou de reduzir o montante dos impostos/contribuições devidos, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, nos exatos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, acima transcrito. Assim, caracterizada a ação dolosa na prática de fraude em relação às informações prestadas nas declarações DIPJ e DCTFs, incide a hipótese para a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, como corretamente entendeu o acórdão recorrido. O agravamento em 50% da multa aplicada também deve ser mantido, uma vez que o contribuinte deixou de prestar esclarecimentos/documentos nos prazos previstos, a teor do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Em face do exposto, voto no sentido de que sejam rejeitadas as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 531DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13227.720143/200894 Acórdão n.º 1202000.978 S1C2T2 Fl. 532 13 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/05/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10830.002186/99-35
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
Ementa: RESSARCIMENTO DE CREDITOS INCENTIVADOS DE IPI A
PARTIR DA LEI Nº 9779/99.
Tendo a contribuinte incorrido em erro na ocasião da formalização do pleito de ressarcimento do saldo credor do IPI originário de créditos incentivados, por obediência a Ordem de Serviço expedida pelo Delegado da Receita Federal urisdicionante do seu domicilio, cabe a nulidade do processo a partir da decisão da DRF de origem, inclusive, que indeferiu o pleito por não se adequar às novas regras impostas pela legislação de vigência, de forma que a contribuinte seja intimada a regularizar seu pedido nos exatos termos da legislação vigente à época da formalização do pedido.
Processo que se anula a partir da decisão proferida pela DRF de origem,
inclusive.
Numero da decisão: 204-00.031
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento em anular o processo a partir da decisão proferida pela DRF de origem, inclusive.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Nayra Bastos Manatta
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Tendo a contribuinte incorrido em erro na ocasião da formalização do pleito de ressarcimento do saldo credor do IPI originário de créditos incentivados, por obediência a Ordem de Serviço expedida pelo Delegado da Receita Federal jurisdicionante do seu domicilio, cabe a nulidade do processo a partir da decisão da DRF de origem, inclusive, que indeferiu o pleito por não se adequar às novas regras impostas pela legislação de vigência, de forma que a contribuinte seja intimada a regularizar seu pedido nos exatos termos da legislação vigente à época da formalização do pedido. Processo que se anula a partir da decisão proferida pela DRF de origem, inclusive. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento em anular o processo a partir da decisão proferida pela DRF de origem, inclusive. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente e Relatora Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10830.002186/9935 Acórdão n.º 204 S2C2T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros:Julio Cesar Alves Ramos, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Leonardo Siade Manzan e Marcelo Baeta Ippolito (suplente). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento relativos aos incentivos fiscais instituídos pelo art. 1º, inciso II da Lei nº 8402/92 e art. 4º da Lei nº 8248/91, relativos ao mês de fevereiro/99. O pedido foi indeferido sob o argumento de que foi formulado por decêndio, conforme sistemática prevista pela IN SRF nº 114/88, em desacordo com o estabelecido pela Lei nº 9779/99 e com o disposto na IN SRF nº 33/99. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando em sua defesa: • Observando a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores da origem dos creditos, bem como a que rege o ressarcimento de creditos incentivados do IPI, no âmbito da DRF em Campinas/SP não estava obrigada a apresentar o pedido de ressarcimento por trimestre calendário, nos termos da IN SRF nº 33/99, pois só em 09/07/99 foi publicada a Ordem de Serviço nº 01/99 da Delegacia da Receita Federal em Campinas, alterando a Ordem de Serviço nº 03/97 da mesma delegacia, vinculando o pedido da empresa à nova sistemática de apuração estabelecida pela Lei nº 9779/99 e IN SRF nº 33/99; • Consta da Ordem de Serviço nº 01/99 que as solicitações de ressarcimento protocoladas de 01/01/99 até a data de sua publicação deveriam ser adequadas à nova sistemática, desta forma, cabia à autoridade administrativa fazer tal adequação e não simplesmente indeferir o pleito; • O art. 11 da Lei nº 9779/99 só se aplica aos casos de saídas de produtos isentos ou tributos à alíquota zero, não tendo afetado as relações disciplinadas pela legislação vigente, especialmente pelo art. 4º da Lei nº 8248/91 e art. 1º da Lei nº 8402/92, sujeitos à exclusiva aplicação da IN SRF 21/97; • A apuração trimestral seria obrigatória apenas para os creditos utilizados nas saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero; • Ao final do trimestre calendário a recorrente mantinha saldo credor do IPI, mesmo considerando os estornos realizados em virtude dos pedidos de ressarcimento protocolados (fls. 105 e 149/166 – RIPI), ou seja, a empresa é detentora de creditos do IPI neste periodo, ainda Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10830.002186/9935 Acórdão n.º 204 S2C2T2 Fl. 3 3 mais se considerado que a compensação com outros tributos somente ocorreu em abril/02; • A manutenção da decisão recorrida representa enriquecimento sem causa da União, uma vez que a empresa sempre manteve em sua escrita fiscal saldo credor decorrente dos creditos incentivados que hora se cuida. A DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve a decisão da DRF em Campinas considerando que com o advento da Lei nº 9779/99 ocorreu inovação na forma como os creditos do IPI poderiam ser aproveitados, independente de sua natureza – incentivados ou não. Argumenta ainda que apenas com o advento da referida lei os creditos básicos puderam ser objeto de ressarcimento em espécie e as regras para tal foram estabelecidas pela IN SRF nº 33/99, que, expressamente, revogou a IN SRF nº 114/88. Inconformada a contribuinte apresenta recurso voluntário argüindo em sua defesa: • Os produtos fabricados pela empresa estão isentos do IPI (mercado interno), segundo as Leis nº 8248/91 e 10176/01, ou imunes (exportação), segundo art. 153, §3º, III da CF/88; • Ainda assim a legislação – art. 4º, §3º da Lei nº 8248/91 e art. 1º, II da Lei nº 8402/92, assegurou a manutenção e utilização de creditos do IPI incidentes sobre a aquisição de insumos utilizados no processo produtivo; • Os creditos em analise não são creditos básicos do IPI, mas sim creditos incentivados, no que se equivocou a decisão recorrida ao consideralos como creditos básicos sujeitos à aplicação da IN SRF nº 33/99; • O ressarcimento de creditos incentivados já se encontrava previsto no art. 179 do RIPI/98; • Os procedimentos relacionados ao ressarcimento em espécie de creditos incentivados do IPI foram fixados pela IN SRF nº 21/97; • À época dos fatos vigorava a Ordem de Serviço nº 03/97 do Delegado da Receita Federal em Campinas que expressamente determinava que os pedidos de ressarcimento de credito incentivados do IPI deveriam ser apresentados em formulário especifico para cada período de apuração, e na época a apuração do IPI era decendial; • Apenas em 09/07/99 foi publicada a Ordem de Serviço nº 01/99, alterando a anterior, determinando que os pedidos de ressarcimento do IPI fossem formulados por trimestrecalendario; • A situação em tela não estava enquadrada no art. 11 da Lei nº 9779/99, visto que não se trata de credito básico decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10830.002186/9935 Acórdão n.º 204 S2C2T2 Fl. 4 4 embalagem aplicados na industrialização inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, submetidos à normas de ressarcimento expedidas pela SRF, qual seja a IN SRF nº 33/99; • No caso dos autos, a manutenção e utilização dos creditos não decorre do disposto no art. 11 da Lei nº 9779/99, mas sim de lei anterior – Lei nº 8248/91 e Lei nº 8402/92, aplicandose a este caso a IN SRF nº 21/97, tendo em vista que a IN SRF nº 33/99 sequer alterou suas disposições, permanecendo em vigor até a edição da IN SRF nº 202/02, que a revogou; • No caso de creditos de IPI decorrente da saída de produtos isentos e tributados à alíquota zero, a IN SRF nº 33/99 estabeleceu a aplicação da IN SRF nº 21/97, alterando apenas a apuração dos creditos para períodos trimestrais; • Demonstra que ao final do trimestre calendário a recorrente mantinha saldo credor do IPI, mesmo considerando os estornos realizados em virtude dos pedidos de ressarcimento protocolados (fls. 105 e 149/166 – RIPI), ou seja, a empresa é detentora de creditos do IPI neste periodo, ainda mais se considerado que a compensação com outros tributos somente ocorreu em abril/02; • Consta da Ordem de Serviço nº 01/99 que as solicitações de ressarcimento protocoladas de 01/01/99 até a data de sua publicação deveriam ser adequadas à nova sistemática, desta forma, cabia à autoridade administrativa fazer tal adequação e não simplesmente indeferir o pleito; • A Ordem de Serviço nº 01/99, publicada em 09/07/99 não poderia retroagir seus efeitos para alcançar os fatos ocorridos em março/99; • A manutenção da decisão recorrida representa enriquecimento sem causa da União, uma vez que a empresa sempre manteve em sua escrita fiscal saldo credor decorrente dos creditos incentivados que hora se cuida; • A decisão recorrida privilegiou o principio da formalidade em detrimento do principio da verdade material, que é o principio básico do processo administrativo fiscal. O julgamento do recurso foi convertido em diligencia, por maioria de votos, para que fosse identificado o valor relativo às aquisições de insumos isentos e o valor relativo às aquisições de insumos tributados à alíquota zero. Em resposta à diligencia proposta a fiscalização informou que foram utilizados nos cálculos dos valores a serem ressarcidos apenas os insumos adquiridos com tributação, não havendo, por conseqüência, insumo isento ou tributado à alíquota zero. Cientificada do teor da diligencia a contribuinte manifestouse reafirmando o que foi dito pela fiscalização acerca da não utilização nos cálculos dos valores a serem Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10830.002186/9935 Acórdão n.º 204 S2C2T2 Fl. 5 5 ressarcidos de insumos isentos ou tributados à alíquota zero, reafirmando todo o seu direito creditório, citando jurisprudência deste Conselho acerca da matéria, inclusive em casos semelhantes da mesma empresa. É o relatório. Voto Conselheiro Relatora Nayra Bastos Manatta O recurso encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. A questão a ser tratada nos autos diz respeito unicamente à obrigatoriedade de pedidos de ressarcimentos de creditos incentivados do IPI, relativos a fevereiro/99, formalizado em 29/03/99, observarem a determinação da IN SRF nº 33/99, que previa a apuração trimestral e não decendial – estabelecida pela IN SRFR nº 21/97. Os creditos pretendidos pela recorrente são originários de insumos utilizados para fabricação de produtos de informática, sendo que parte da produção da empresa é vendida no mercado interno, e portanto, tais produtos estão isentos do IPI em virtude do disposto na Lei nº 8248/91, e parte é exportada, sendo, por conseguinte, imune ao IPI em virtude do disposto no art. 153, §3º, III da CF/88. Todavia é de se observar que a Lei nº 8248/91 no seu art. 4º, §3º expressamente assegura a “manutenção e utilização do credito do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI relativos a matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização dos bens de que trata este artigo” , estes bens são os de informática e os de automação. Ou seja, a citada lei concedeu a manutenção e utilização de tais creditos como um incentivo à industria nacional de informática e automação. São, pois, creditos incentivados. De igual forma, o art. 1º, inciso II da Lei nº 8402/92 e art. 5º do Decretolei nº 491/69 asseguram a manutenção e utilização do credito do IPI relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados. Tratase de um incentivo à exportação, e, por conseguinte, tais creditos são considerados como incentivados. Verificase que o art. 179 do RIPI/98 já previa a o ressarcimento, inclusive em espécie, de creditos incentivados do IPI. A IN SRF nº 21/97, no seu art. 3º, inciso I, também já previa o ressarcimento, sob a forma de compensação com debitos do próprio IPI, de creditos decorrentes de estímulos fiscais, inclusive os relativos a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos para fabricação de produto imunes, isentos e tributados à alíquota zero, para os quais tenha sido assegurada a manutenção e utilização de tais creditos. Os arts. 4º e 5º da citada Instrução Normativa asseguravam, ainda a possibilidade de tais creditos serem ressarcidos em espécie e de serem compensados com debitos de quaisquer espécie de tributos administrados pela SRF: Art. 3º Poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma compensação com débitos do Imposto sobre Produtos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10830.002186/9935 Acórdão n.º 204 S2C2T2 Fl. 6 6 Industrializados IPI, da mesma pessoa jurídica, relativos às operações no mercado interno, os créditos: I decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, inclusive os relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, para os quais tenham sido asseguradas a manutenção e a utilização; Art. 4º Poderão ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie, os créditos mencionados nos inciso I e II do artigo anterior, que não tenham sido utilizados para compensação com débitos do mesmo imposto, relativos a operações no mercado interno. Art. 5º Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2º , nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4º. No formulário anexo à citada IN relativo aos pedidos de ressarcimento de creditos do IPI observase que os períodos de apuração seriam aqueles do tributo, ou seja, o periodo de apuração do IPI, no período era decendial, assim os pedidos poderiam ser formulados por períodos decendiais. Exatamente neste esteio é que o Delegado da Receita Federal em Campinas/SP expediu a Ordem de Serviço nº 03/97 que no seu item 1.2 determinava que “os pedidos de ressarcimento devem ser apresentados em formulário especifico para cada período de apuração. O processo poderá conter mais de 1 (um) pedido, até o limite maximo referente ao ano calendário”. Todavia com o advento da Lei nº 9779, de 19/01/99, todo o saldo credor do IPI acumulado a cada trimestrecalendario decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicado na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos pode ser utilizado na compensação com outros tributos administrados pela SRF ou ressarcido em especie, nos termos das normas expedidas pela SRF . Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. (grifo nosso). Verificase daí que a partir da Lei nº 9779/99 os creditos básicos do IPI, apurados por trimestre calendário, passaram a ser, como os creditos incentivados já o eram, passiveis de ressarcimento ou compensação com tributos de espécies diversas administrados pela SRF. Todavia esta lei estabeleceu tanto para os creditos básicos como para os incentivados o período do trimestrecalendario para apuração do saldo credor do IPI. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10830.002186/9935 Acórdão n.º 204 S2C2T2 Fl. 7 7 A norma regulamentadora referida na Lei nº 9779/99, expedida pela SRF, foi a IN SRF nº 33, datada de 24/03/99 que no seu art. 2º estabelece a nova sistemática para apuração do credito de IPI a ser ressarcido: Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. Até março/99 inexistia norma regulamentadora para apuração do saldo credor do IPI, mas é certo que, tanto para os creditos básicos como para os incentivados, a partir de janeiro/99 – data da publicação da Lei nº 9779/99, o período de apuração passou a ser por trimestrecalendario. Todavia para os contribuintes da Delegacia da Receita Federal em Campinas/SP permaneceu em vigor a Ordem de Serviço nº 03/97, já mencionada anteriormente, até 09/07/99 quando foi publicada no DOU a Ordem de Serviço nº 01/99 que no seu item 1.1.1 estabeleceu que os pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI deveriam ser formalizados em “formulário próprio, um por trimestrecalendário, denominado PEDIDO DE RESSARCIMENTO, anexo II da IN SRF nº 21/97, em 02 (duas) vias. O processo poderá conter mais de 01 (um) pedido até o limite maximo referente ao ano calendário. Ressaltese que, no Anexo II da IN SRF nº 21/97, onde se lê Período de Apuração leiase TrimestreCalendário”. Nas Considerações Gerais da acima mencionada Ordem de Serviço nº 01/99 consta: “A Ordem de Serviço nº 03, de 24/06/97, permanece em vigor somente para creditos passiveis de ressarcimento ocorridos até 31/12/98. Os pedidos de ressarcimento de IPI relativos a creditos passiveis de ressarcimento ocorridos a partir de 01/01/99 observarão rigorosamente as normas estabelecidas neste ato. As solicitações protocolizadas no período de 01/01/99 até a data da publicação desta Ordem de Serviço deverão ser adequadas aos procedimentos aqui consignados.”. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10830.002186/9935 Acórdão n.º 204 S2C2T2 Fl. 8 8 Verificase, portanto que, como frisou a decisão recorrida os pedidos de ressarcimentos de IPI formulados a partir de 01/01/99 deveriam ter sido adequados às novas disposições estabelecidas pela Lei nº 9779/99, IN SRF nº 33/99 e Ordem de Serviço da Delegacia da Receita Federal em Campinas/SP nº 01/99. Dentre as novas disposições contidas nos citados atos legais está que o saldo credor do IPI a ser ressarcido, decorrente de creditos básicos ou incentivados, deveria ser apurado por trimestrecalendário. Entretanto, como o pedido formulado pela recorrente foi protocolizado na repartição de origem em 29/03/99, na vigência da Ordem de Serviço nº 03/97, embora o saldo credor já devesse ser apurado por trimestrecalendario em virtude da aplicação da Lei nº 9779/99, em vigor desde janeiro/99, não tendo a contribuinte adequado o pedido às novas regras caberia à autoridade administrativa intimála para que assim procedesse, já que o equivoco no procedimento adotado decorreu não da lei, que é expressa, mas de uma Ordem de Serviço que permaneceu em vigor até 01/07/99, embora os dispositivos legais já estivessem disciplinando a matéria de modo diverso. Ou seja, o equivoco da recorrente na formulação do pedido deuse por outro equivoco da autoridade administrativa que manteve em vigor Ordem de Serviço disciplinando os pedidos de ressarcimento de creditos incentivados do IPI de forma contraria ao estabelecido pela nova sistemática da lei de regência sobre a matéria. Alem do mais, a recorrente alega e demonstra em sua impugnação, bem como no seu recurso, que possuía saldo credor do IPI a ser ressarcido ainda que a apuração fosse por trimestrecalendário, conforme instituído pela sistemática da Lei nº 9779/99. No processo administrativo fiscal o principio da verdade material há de prevalecer sobre o da formalidade, ainda mais quando o não atendimento deste ultimo principio decorreu de equivoco cometido pelo próprio Fisco. O que deveria ter sido feito, no caso em concreto, seria a intimação da recorrente por parte da autoridade administrativa para que adequasse o pedido de ressarcimento formulado às novas regras estabelecidas pela lei. O simples indeferimento do pedido por falta de cumprimento do formalismo exigido, quando tal descumprimento foi motivado por equivoco da autoridade administrativa, levaria a um enriquecimento sem causa da União, o que seria inadmissível. Verificase, por outro lado, que os creditos pretendidos pela recorrente não foram objeto de conferencia por parte da autoridade fiscal, impossibilitando, nesta fase recursal o deferimento do pleito inicial da contribuinte, por carecerem os creditos de certeza e liquidez. Diante dos fatos constantes dos autos só há uma solução para o deslinde da questão: anular o processo a partir da decisão da DRF em Campinas/SP (inclusive) para que seja intimada, a recorrente, a adequar o pedido formulado às novas regras estabelecidas pela Lei nº 9779/99 e IN SRF nº 33/99, considerando a apuração do saldo credor a ser ressarcido por trimestrecalendário, procedendose, a partir daí, a analise do pleito adequado às novas regras para o ressarcimento de saldo credor do IPI. É como voto. Nayra Bastos Manatta Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10830.002186/9935 Acórdão n.º 204 S2C2T2 Fl. 9 9 Sala das Sessões, em Relatora Nayra Bastos Manatta Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA
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Numero do processo: 13312.000609/2004-49
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/09/1999
pedido de compensação anterior a 31/10/2003. lançamento. cabimento. É cabível o lançamento de crédito tributário, objeto de pedido de compensação efetuado antes de 31/10/2003, pendente de apreciação á data da lavratura do auto de inflação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-00.546
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recuso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'amorim
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S3-C2TI Fl. 275 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13312.000609/2004-49 Recurso n0 238.894 Voluntário Acórdão no 3201 -00.546 r Câmara / 1 0 Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2010 Matéria PIS Recorrente MOAGEIRA SERRA GRANDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/1999 pedido de compensação anterior a 31/10/2003. lançamento. cabimento , cabível o lançamento de crédito tributário, objeto de pedido de compensação efetuado antes de 31/10/2003, pendente de apreciação á. data da lavratura do auto de inflação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recuso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FORMALIZADO EM: 10/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice- presidente), Mércia Helena Trojan() D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em For Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "Contra o sujeito passivo acima identificado foi law ado auto de infração relativo à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS, fis 03/13, para formaliza cão e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 22.617,71. 2.0 lançamento teve origem em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obriga cães tributárias pelo contribuinte onde . foi constatada a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago para os períodos de apuração a que se refere o auto de infração. fls. 12 e 08/09 3 Inconformado com a exigência, da qual tonzou ciência em 23/12/2004 (fls. 03), o contribuinte impugnou (fls. 209) apenas o crédito tributário referente aos períodos de apuração de setembro/1999 e .1..01o/2002, alegando, em síntese, quanto ao primeiro período de apuração, que efetuam a compensa cão do crédito tribuicirio conforme cópia de pedido de compensação ris lis. 211 — refer acia processo n" 13312.000279/99-54; quanta ao segundo, que se utilizara de compensação corn débitos pagos a maior conforme declaração de compensação PERIDC0114P ás .fts. 214/219. 3. lErn adição, o contribuinte anexou cópia do pedido de parcelamento — processo n" 13312.000021/2005-76 (fts 231/238), onde constam os demais cr éditos tributários apurados no auto de infração ora em analise. 4. Vetificando que os elementos acostados ao processo eram insuficientes para uma análise conclusiva da lide, esta Turma de Julgamento determinou a realização de diligência para que a DRF de origem se pronunciasse sobre os itens a seguir relacionados. Em que data a peça impupatória (fls. 209/238) foi recebida pela DRF/Sobral? Houve feriado local no dia 24/01/2005? Tais informações são imprescindíveis para a analise da tempestividade do pleito. Qual a relação entre o crédito lançado no auto de infração para o período de apuração de 09/1999 (R$1.926,68) e aquele constante do pedido de compensação (fls 211 e extrato do processo n" 13312,000279/99-54, fis 241), no valor de R$2 225,25? Ambos representam o mesmo fato gerador? Caso 2 Processo n" 13312.000609/2004-49 S3-C2T1 Fl 276 AcOrdilo n ° 3201-00.546 positivo, explicar a diferença entre os valores, discriminando as parcelas correspondentes a juros e multa de mora; A DRF/Sobral se manifestou a respeito do pedido c/c compensação de fls. .211? Isla é, existe despacho decisório relativo aquae pedido? Caso positivo, anexar cópias da informação fiscal e do despacho. Apresentar, caso existam, os docuntentos comprovando a continuidade da ação fiscal entre 30/12/2003 e 18/09/2004. Fazer constar no relatório de diligência, caso não existam tais documentos. 5 Em resposta, a DRF/Sobral juntou os relatórios e docunzentos ('lis. 246/251) com a seguinte informação, referentes aos quesitos o formulados acima: quesito (i): que não tinha condições de (Omar quando a pep impugnatória teria sido recebida por' aquela Delegacia; quesito o crédito tributário lançado, referente ao período de aptuação 09/1999, é o que consta do pedido de compensação (processo n" 13312.000279/99-54). Acredita ter havido erro do contribuinte ao atualizar o débito e informá-lo como valor origintirio no pedido de compensação; quesito (iii): juntou cópia do despacho decisório (lis. .247/249) relativo ao referido pedido de compensação; quesito (iv)' informou (SOFIS/DRF/Sobral-CE) its jis. 251 que não há documentos para o período indicado. " O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instancia, nos termos do acórd5o DRJ/FOR n ° 08-9,409, de 31/1012006, proferida pelos membros da 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto . Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/1999, 31/07/2002 pedido de compensação anterior a 31/10/2003. lançamento. cabimento. É cabível o lançamento de crédito tributário objeto de pedido de compensação efetuado antes de 31/10/2003, pendente de apreciação à data da lavratura do auto de infração. pedido de compensação posterior a 31/10/2003. lançamento. descabimento Incabível o lançamento de cm édito tributário objeto de declaração de compensação apresentada após 31/10/2003, vez que tal declaração constitui confissão de divida e instrument° hábil e stificiente à exigência do débito lá relacionado. Espontaneidade. Reaquisição. Havendo inércia c/a fiscalização, presumida pelo transcurso de 60 (sessenta) dias sem qualquer ato escrito indicando o prosseguimento dos trabalhos, 3 considera-se readquirida a espontaneidade do contribuinte, ex vi do artigo 7", §2" do Decreto n°70235/72. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE," 0 julgamento foi no sentido de manter parcialmente o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o recorrente, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário repisando praticamente os mesmos argumentos da impugnação. 0 processo foi distribuído a esta Conselheira. o relatório. 4 Processo n" 13312 000609/2004-49 S3-C2T1 AcOrdzio n 3201-00.546 Fl 277 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Relatora. O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de auto de infração relativo à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS, às fls. 03/13, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 22.617,71. Foi constatada a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago (PIS/FATURAMENTO) para os períodos de apuração a que se refere o auto de infração, fls. 12 e 08/09. A decisão a quo ressalta que do crédito tributário levantado no auto de infração, apenas foram impugnados os períodos de apuração de setembro/1999 e julho/2002_ Portanto, o restante do crédito tributário lançado de oficio foi reconhecido pelo contribuinte e transferido para o processo de n° 13312.000021/2005-76 (pedido de parcelamento com extrato fl. 240). No tocante, ao período de apuração de julho/2002, a decisão DRJ prescindiu o lançamento de oficio, tendo em vista que a Declaração de Compensação de fls. 214/219 foi entregue após a data da publicação da MP n" 135/2003 (31/10/2003), convertida na Lei 10.833/2003 e considerou que o contribuinte readquiriu espontaneidade, entendendo que tal declaração se constitui em confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência do débito ali relacionado. Destarte, resta o período de apuração de setembro/1999, que passo As minhas conclusões.. Verifica-se que o contribuinte apresentou, à LI 211, pedido de compensação, datado de 14/01/2000, que incluía o período de apuração em discussão. De acordo com o Despacho Decisório, à fl. 249 da DRF/Sobral-CE, o pleito foi indeferido em 31/03/2006. O despacho aludido baseou-se na impossibilidade legal de o sujeito passivo utilizar direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva ação, para compensar débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, concluindo, pois, que os pedidos de compensação objeto do presente processo não foram considerados declaração de compensação, conforme previsto no § 40 do art. 74, da Lei n°9.430/1996, com a nova redação dada pela Lei n° 10.637/2002. No caso, débitos incluidos em pedidos de compensação apresentados antes da publicação da MP if 135/2003, como não configuravam divida declarada, deveriam ser objetos de lançamento mesmo nas situações em que o pedido de compensação ainda estivesse por ser analisado. A situação fatica no momento do lançamento era essa. Saliento que a ação fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração teve inicio em 18/10/2003. Por todo o exposto é de se manter a exigência referente ao período de apuração de setembro/99. Logo, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. IA HELENA TRAL&NO D'AMORIM 6
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009084/2005-27
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2004
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Na forma da jurisprudência do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3102-000.166
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Na forma da jurisprudência do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-19T12:49:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-19T12:49:33Z; Last-Modified: 2009-08-19T12:49:33Z; dcterms:modified: 2009-08-19T12:49:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-19T12:49:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-19T12:49:33Z; meta:save-date: 2009-08-19T12:49:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-19T12:49:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-19T12:49:33Z; created: 2009-08-19T12:49:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-08-19T12:49:33Z; pdf:charsPerPage: 1224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-19T12:49:33Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 33 vffilMig MINISTÉRIO DA FAZENDA tt CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,se.Lto:: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.009084/2005-27 Recurso n° 142.774 Voluntário Acórdão n° 3102-00.166 — ia Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente INFANTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE IMPRESSOS GRÁFICOS LTDA. Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Na forma da jurisprudência do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA /2* TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. ' A ' LENA T4-0 D'AMORIM Pre *dente lokivii3 a.A....,j,t.A.x.44,cx) 2- M RCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Judith do Amaral Marcondes Armando, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Processo n° 10980.009084/2005-27 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.166 Fl. 34 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Versa o presente processo sobre auto de infração, mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 2.000,00, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa aos quatro trimestres de 2004. O enquadramento legal do lançamento encontra-se discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do auto de infração. O contribuinte apresentou a impugnação tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: A empresa não concorda em recolher a multa em z virtude de ter entrado com pedido de inclusão no SIMPLES que dispensaria a empresa da entrega da DCTF. Entretanto, a Receita Federal demorou a dar o retorno quanto ao pedido permitindo somente em 2005 a inclusão da empresa no SIMPLES. Afirma ainda que é uma empresa idônea e cumpridora de suas obrigações. Por fim, requer o acolhimento da impugnação e o acompanhamento de todo o processo. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DCTF. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. O simples descumprimento da obrigação acessória autônoma acarreta a respectiva sanção prevista em lei e torna devido o crédito resultante da autuação. SIMPLES. NÃO INSCRIÇÃO. APRESENTAÇÃO DA DCTF. OBRIGATORIEDADE. A não inscrição da empresa no SIMPLES no período sujeita o contribuinte ao cumprimento das obrigações das empresas em geral. Lançamento procedente. 2 Processo n° 10980.009084/2005-27 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.166 Fl. 35 O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n°41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 3 Processo n° 10980.009084/2005-27 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.166 Fl. 36 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator O recurso é tempestivo e os requisitos recursais foram atendidos, portanto conheço do mesmo. Na via estreita do processo fiscal administrativo é descabida qualquer discussão sobre matéria constitucional. Sobre o assunto, foi o seguinte o posicionamento do STJ em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional n° 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União — DJU-e): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais — DCTF. I. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. Cite-se, ainda, Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 02- 01.046, sessão de 18/06/01, assim ementado: DCTF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA — ESPONTANEIDADE — INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Assim, ressalvada minha opinião sobre a matéria, conheço do recurso para, adotando a referida jurisprudência, negar-lhe provimento, tendo em vista que a denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa mínima. É como voto. Sala das Sessões em 27 de março de 2009. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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