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Numero do processo: 10711.002691/2005-36
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 06/05/2005
PRODUTO DO SETOR AERONÁUTICO. ALIQUOTA. REDUÇÃO.
Para ser possível a aplicação da aliquota de 0% (zero por cento) do Imposto de Importação, nos termos do item "2" da Regra de Tributação para Produtos do Setor Aeronáutico é necessário que, além da anuência e de ser classificado na subposição beneficiada, o equipamento importado seja utilizado na fabricação, reparação, manutenção, transformação ou modificação de aeronaves, ou de outros veículos aéreos, o que não ocorre no presente caso.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARGA E DESCARGA DE MERCADORIAS.
Correta a classificação fiscal do contribuinte, tendo em vista que o produto importado tem como objetivo a carga e descarga de mercadorias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-00.374
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/05/2005 PRODUTO DO SETOR AERONÁUTICO. ALIQUOTA. REDUÇÃO. Para ser possível a aplicação da aliquota de 0% (zero por cento) do Imposto de Importação, nos termos do item "2" da Regra de Tributação para Produtos do Setor Aeronáutico é necessário que, além da anuência e de ser classificado na subposição beneficiada, o equipamento importado seja utilizado na fabricação, reparação, manutenção, transformação ou modificação de aeronaves, ou de outros veículos aéreos, o que não ocorre no presente caso. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARGA E DESCARGA DE MERCADORIAS. Correta a classificação fiscal do contribuinte, tendo em vista que o produto importado tem como objetivo a carga e descarga de mercadorias. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
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Processo n° 10711.002691/2005-36 Recurso n° 143.613 Voluntário Acórdão n° 3201-00.374 — r Câmara 11' Turma Ordinária Sessão de 17 de novembro de 2009 Matéria II/CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente SEAVIATION SERVIÇOS AEROPORTUÁRIOS LTDA. Recorrida DAI - FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/05/2005 PRODUTO DO SETOR AERONÁUTICO. ALIQUOTA. REDUÇÃO. Para ser possível a aplicação da aliquota de 0% (zero por cento) do Imposto de Importação, nos termos do item "2" da Regra de Tributação para Produtos do Setor Aeronáutico é necessário que, além da anuência e de ser classificado na subposição beneficiada, o equipamento importado seja utilizado na fabricação, reparação, manutenção, transformação ou modificação de aeronaves, ou de outros veículos aéreos, o que não ocorre no presente caso. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARGA E DESCARGA DE MERCADORIAS. Correta a classificação fiscal do contribuinte, tendo em vista que o produto importado tem como objetivo a carga e descarga de mercadorias. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 221 Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. 1 Processo n° 10711.00269112005-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.374 Fl. 203 JUDI di nA-- IP . 110 • • • • L MARCONDES • • ANDO Preside, 2 ,— LUCIANO L ,) r , • DE ALMEIDA MORAES • Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros, Mércia Helena Trajano D Amorim, Ricardo Paulo Rosa, Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus Costa de Castro. 1 2 Processo n° 10711.002691/2005-36 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00374 Fl. 204 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Cuida-se nos presentes autos da reclassificação fiscal da mercadoria descrita pelo importador como sendo: plataforma autopropulsora e elevadora de cargas, equipada com transportador de correias, para carga e descarga de paletes/contéineres em aeronaves, completa, com todos os acessórios para seu pleno funcionamento, marca TLD Lantis, modelo 828. fiscalização, embora não discuta a identidade da mercadoria, com base nas Nesh — Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 8428, desloca seu enquadramento tarifário do código NCM 8428.33.00, que abriga outras máquinas de tiras ou correias, para elevação/carga/descarga ou movimentação, para o código NCM 8428.90.90, que abriga outras máquinas e aparelhos dessa natureza, não classificáveis nos códigos anteriores. Além do reenquadramento tarifário, que deu causa à exigência da multa por errônea classificação fiscal, a autuação excluiu a mercadoria da tributação com base na alíquota zero, prevista no anexo Ida Resolução Camex n° 42, de 26 de dezembro de 2001, e, portanto, a exigência dos Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, da Cofins, do Pis/Pasep, e de suas respectivas multas de oficio. Em impugnação tempestiva, a autuada repele, preliminarmente, o enquadramento legal inscrito na peça acusatória; defende que as Nesh têm valor apenas subsidiário na classificação de mercadorias; que não é excludente a subdivisão do produto em grupos, apresentada pelas Nesh; que o reenquadramento tarifãrio proposto na autuação pressupõe exame técnico da mercadoria, não realizado pela fiscalização; que a mercadoria é um aparelho de ação contínua em qualquer região do planeta, conforme atesta o próprio fabricante; que a classificação de mercadorias é regida pelas regras gerais de interpretação e pelos textos das posições, das Notas de Seção e dos Capítulos; que os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm valor apenas indicativo e que a mercadoria em questão enquadra-se nas regras de tributação para produtos do setor aeronáutico. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FNS n° 12.844, de 06/06/2008, fls. 120/129: Assunto: Classificação de Mercadorias 3 Processo ról 10711.00269112005-36 S3-C2T1 Acórdão nd 3201-00374 Fl. 205 Data do fato gerador: 06/05/2005 PRODUTO DO SETOR AERONÁUTICO. ALQUOTA. REDUÇÃO. Para ser possível a aplicação da aliquota de 0% (zero por cento) do Imposto de Importação, nos termos do item "2" da Regra de Tributação para Produtos do Setor Aeronáutico é necessário que além da anuência e de ser classificado na subposição beneficiada, o equipamento importado seja utilizado na fabricação, reparação, manutenção, transformação ou modificação de aeronaves, ou de outros veículos aéreos (por exemplo: helicópteros, aviões); veículos espaciais (incluídos os satélites) e seus veículos de lançamento, e veiculas suborbitais. Lançamento Procedente. Às fls. 130/v o contribuinte toma ciência da decisão, ofertando recurso voluntário de fls. 131/188 e, assim, é dado andamento ao processo. 4 Processo n° 10711.002691/2005-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00374 Fl. 206 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discute-se nos autos a aplicabilidade das aliquotas favorecidas da tributação de bens destinados ao setor aeronáutico, a desclassificação fiscal do produto importado, bem como os tributos e multas lançados. A recorrente importou o bem descrito como sendo "plataforma autopropulsora e elevadora de cargas, equipada com transportador de correias, para carga e descarga de paletes/contêineres em aeronaves, completa, com todos os acessórios para seu pleno funcionamento, marca TLD Lantis, modelo 828". A empresa classificou-o na NCM 8428.33.00, enquanto a fiscalização entende deva ser classificado na posição NCM 8428.90.90. Este é o cerne da discussão. • Do tratamento tributário favorecido Primeiramente trataremos do tratamento tributário favorecido ao setor aeronáutico previsto na Resolução Camex n°42, de 26 de dezembro de 2001, c/c seu Anexo I: RESOLUÇÃO No 42, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2001 O PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3o do art. do do Decreto no 3.981, de 24 de outubro de 2001, e tendo em vista as Decisões nos 67/00 e 06/01, do Conselho do Mercado Comum (CMC), e Resoluções nos 11/01, 12/01, 29/01, 30/01, 32/01, 45/01, 46/01, 48/01 e 57/01, do Grupo Mercado Comum (GMC), do MERCOSUL, e as emendas à Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, RESOLVE, ad referendum da Câmara: Art. 1 o A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) e as alíquotas do Imposto de Importação que compõem a Tarifa Externa Comum (TEC) passam a vigorar na forma do Anexo Ia esta Resolução. Parágrafo único. As alíquotas do Imposto de Importação da TEC incluem o acréscimo temporário de um e meio pontos percentuais, de que tratam as Decisões CMC nos 67/00 e 06/01, exceto as referentes aos códigos indicados no Anexo II a esta Resolução e as dos códigos de Bens de Capital, indicados na TEC com a sigla "BK". 5 Processo ri 10711.002691/2005-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00374 Fl. 207 Art.2o A Lista de Exceções à TEC e a Lista de Convergência do Setor de Bens de Informática e de Telecomunicações, com as respectivas aliquotas do Imposto de Importação, passam a vigorar conforme indicado nos Anexos III e IV a esta Resolução, respectivamente. Parágrafo único. Os códigos integrantes destas Listas estão identificados na TEC com o sinal gráfico "#". Art.3o Ficam reduzidas a zero por cento, até 31 de agosto de 2002, as aliquotas do Imposto de Importação das mercadorias descritas nos códigos relacionados no Anexo V a esta Resolução, gravados na TEC com o símbolo Art. 4o As preferências e consolidações tarifárias decorrentes de compromissos assumidos pelo Brasil, no âmbito de negociações tarifárias internacionais continuam em vigor nos termos anteriormente estipulados, observada a legislação pertinente. Art. 5o Esta Resolução entra em vigor em lo de janeiro de 2002, revogando-se as disposições em contrário, especialmente as Resoluções desta Câmara de no 7, de 22 de março de 2001, no 16, de 1 o de junho de 2001, no 24, de 26 de junho de 2001, no 27, de 16 de agosto de 2001, nos 28 e 29, de 29 de agosto de 2001, e no 35, de 1 o de novembro de 2001. ANEXO I REGRA DE TRIBUTAÇÃO PARA PRODUTOS DO SETOR AERONÁUTICO I. Estão sujeitas à aliquota de 0% (zero por cento) as importações das seguintes mercadorias: a. aeronaves e outros veículos, compreendidos na posição 88.02; c. aparelhos de treinamento de vôo em terra e suas partes, compreendidos nas subposições 8805.21 e 8805.29; 2. produtos fabricados em conformidade com especificações técnicas e normas de homologação aeronáuticas, utilizados na fabricação, reparação, manutenção, transformação ou modificação dos bens mencionados no item I) a), e compreendidos nas subposições relacionadas na tabela abaixo: 3916.90 7019.52 8302.10 8414.59 8471.49 8504.10 8531.10 9030.10 3917.21 7019.59 8302.20 8414.80 8471.50 8504.31 8531.20 9030.20 3917.22 7219.24 8302.42 8414.90 8471.60 8504.32 8531.80 9030.31 3917.23 7304.31 8302.49 8415.81 8471.70 8504.33 8533.39 9030.39 3917.29 7304.39 8302.60 8415.82 8479.89 8504.40 8536.20 9030.40 3917.31 7304.41 8307.10 8415.83 8479.90 8504.50 8536.41 9030.82 3917.33 7304.49 8307.90 8415.90 8481.20 8507.10 8536.50 9030.83 3917.39 7304.51 8407.10 8418.10 8481.30 8507.20 8537.10 9030.89 3917.40 7304.59 8408.90 8418.30 8481.40 8507.30 8539.10 9030.90 3919.90 7304.90 8409.10 8418.40 8482.50 8507.40 8543.81 9031.80 3920.51 7306.30 8411.11 8418.61 8483.10 8507.80 8543.89 9031.90 Processo n e' 10711.002691/2005-36 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.374 Fl. 208 3926.90 7306.40 8411.12 8418.69 8483.30 8507.90 8543.90 9032.10 4008.29 7306.50 8411.21 8419.50 8483.40 8511.10 8544.30 9032.20 4009.12 7306.60 8411.22 8419.81 8483.50 8511.20 8544.59 9032.81 4009.22 7307.21 8411.81 8419.90 8483.60 8511.30 8803.10 9032.89 4009.32 7307.22 8411.82 8421.19 8483.90 8511.40 8803.20 9032.90 4009.42 7307.92 8411.91 8421.21 8484.10 8511.50 880130 9104.00 4011.30 7312.10 8411.99 8421.23 8484.90 8511.80 8803.90 9109.19 4012.13 7312.90 8412.10 8421.29 8501.20 8516.80 8805.21 9109.90 4012.20 7318.15 8412.21 8421.31 8501.31 8518.10 8805.29 9301.19 4016.10 7318.23 841219 8421.39 8501.32 8518.21 9001.90 9301.20 4016.93 7322.90 8412.31 8424.10 8501.33 8518.22 9002.90 9301.90 4016.95 7324.10 8412.39 8425.11 8501.34 8518.29 9014.10 9401.10 40 / 6.99 7324.90 84 / 2.80 8425.19 8501.40 8518.30 9014.20 9401.90 4017.00 7326.20 8412.90 8425.31 8501.51 8518.40 9014.90 9403.20 4504.90 7326.90 8413.19 8425.39 8501.52 8518.50 9020.00 9403.70 4823.90 7413.00 8413.20 8425.42 8501.53 8520.90 9025.11 9405.10 4908.90 7508.10 8413.30 8425.49 8501.61 8521.10 9025.19 9405.60 5903.90 7508.90 8413.50 8426.99 8501.62 8522.90 9025.80 9405.92 6307.20 7604.29 8413.60 8428.10 8501.63 8525.10 9025.90 9405.99 6812.90 7606.12 8413.70 8428.20 8502.11 8525.20 9026.10 6813.10 7608.10 8413.81 8428.33 8502.12 8526.10 9026.20 6813.90 7608.20 8413.91 8428.39 8502.13 8526.91 9026.80 6815.10 7616.10 8414.10 8428.90 8502.20 8526.92 9026.90 7007.21 7616.91 8414.20 8471.10 8502.31 8527.90 9029.10 7019.40 7616.99 8414.30 8471.30 8502.39 8529.10 9029.20 7019.51 8108.90 8414.51 8471.41 8502.40 8529.90 9029.90 (grifo nosso) 2) Quando se tratar de importação de produtos mencionados no item I) c), o importador deverá apresentar, além da declaração de que tais produtos serão utilizados para os fins ali especificados, autorização de importação expedida pela autoridade competente do Estado Parte. Para Imposto sobre Produtos Industrializados, foi dispensado pelo importador o tratamento previsto na Nota Complementar da TIPI - NC (84-1), que estabelece: NC (84-1) Ficam reduzidas a zero as aliquotas do imposto incidentes sobre os produtos do capitulo, fabricados com conformidade com especificações técnicas e norma de homologação aeronáuticas, quando adquiridos por empresas industriais para emprego na fabricação dos produtos da posição 8802, ou por estabelecimentos homologados pelo Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, especializado na manutenção, revisão e reparo de produtos aeronáuticos, para emprego nos produtos da referida posição. Como tanto a classificação fiscal adotada pela recorrente quanto a adotada pela fiscalização podem ser beneficiadas pelo tratamento tributário favorecido, não é aqui que reside a celeuma. Para que o referido tratamento tributário favorecido possa ser aplicado, além de estar enquadrado na classificação fiscal prevista, deve o referido bem importado se adequar 7 Processo 0010711.002691/200536 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.374 Fl. 209 à seguinte exigência prevista na legislação, qual seja, ser utilizado na "fabricação, reparação, manutenção, transformação ou modificação dos bens mencionados no item 1)", como "aeronaves e outros veículos, compreendidos na posição 88.02". Ocorre que da descrição do bem importado na DI, verificamos que este não se presta a "abricação, reparação, manutenção, transformação ou modificação" de aeronaves, mas simplesmente para carga e descarga, fls. 10: plataforma autopropulsora e elevadora de cargas, equipada com transportador de correias, para carga e descarga de paletes/contéineres em aeronaves, completa, com todos os acessórios para seu pleno funcionamento, marca TID Lantis, modelo 828 (grifb nosso) Em outros documentos dos autos temos a mesma função descrita: - Fls. 158— Manual de Especificação do bem: 2. ESTRUTURA E DIMENSÕES GERAIS 2.1 Em um chassi adequado, o carregador fornecerá duas plataformas: (..)que permanece nesta posição durante a operação de carregamento/descarregamento (.) Declaração da recorrente, fls. 178: SEAVIATION (.) declarar para os devidos fins que o equipamento (.) será utilizado exclusivamente como equipamento aeroportuário de suporte em terra, na carga e descarga de aeronaves (.) Diante destes documentos e declarações, resta afastado o cumprimento da exigência previsto no regime de tributação favorecida para o setor aeronáutico, já que o bem importado não se adequou às exigências lá previstas de destina*, pois é utilizado apenas para carga e descarga. Assim, deve ser afastada a aliquota zero em face do não enquadramento no beneficio fiscal pretendido. Da classificação fiscal A recorrente entende que o produto importado deva ser enquadrado na NCM 8428.33.00, enquanto a fiscalização na NCM 8428.9090. Assim dispõem as referidas classificações: 84.28 Outras máquinas e aparelhos de elevação, de carga, de descarga ou de movimentação (por exemplo, elevadores, escadas rolantes, transportadores, teleféricos). 8428.10.00 -Elevadores e monta-cargas O 8428.20 -Aparelhos elevadores ou transportadores, pneumáticos 8428.2010 Transportadores tubulares (transvasadores) móveis, acionados com motor de O potência superior a 90kW (120HP) 8428.20.90 Outros 0 Processo n° 10711.002691/2005-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00374 Fl. 210 8428.3 -Outros aparelhos elevadores ou transportadores, de ação continua, para mercadorias: 3428.31.00 --Especialmente concebidos para uso subterrâneo O 3428.32.00 --Outros, de caçamba O 5428.33.00 --Outros, de tira ou correia O 8428.39 --Outros 3428.39.10 De correntes O 3428.39.20 De rolos motores O 5428.39.30 De pinças laterais, do tipo dos utilizados para o transporte de jornais O 3428.39.90 Outros O 8428.40.00 -Escadas e tapetes, rolantes 10 8428.60.00 -Teleféricos (incluídos as telecadeiras e os telesquis); mecanismos de tração O para funiculares Ex 01 - Telecadeiras e telesquis 10 8428.90 -Outras máquinas e aparelhos 9428.90.10 Do tipo dos utilizados para desembarque de botes salva-vidas, motorizados O 31.1 providos de dispositivo de compensação de inclinação 8428.90.20 Transportadores-elevadores (transelevadores) automáticos, de deslocamento O horizontal sobre guias 3428.90.30 Máquina para formação de pilhas de jornais, dispostos em sentido alternado, O de capacidade superior ou igual a 80.000 exemplares/h 8428.90.90 Outros O Para a classificação pretendida pela recorrente, necessário que o referido aparelho seja utilizado para transportar "mercadorias". Segundo o dicionário Aurélio, mercadoria pode ser conceituada como "aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia". Entendo que a operação de "carga e descarga de aeronaves" por pallets e contêineres se enquadra como tal, motivo pelo qual a classificação fiscal adotada pela recorrente é a correta. Da competência para lançamento Apesar da irresginação da recorrente, entendo não haver qualquer irregularidade no procedimento que agora se debate. Neste sentido, adoto integralmente a decisão recorrida quanto a este tópico: Sobre a autorização concedida para importação de produtos do setor aeronáutico pelo Departamento de Aviação Civil — DAC, através de sua Comissão de Coordenação do Transporte Aéreo Civil — COTAC, é importante destacar que tal autorização está devidamente respaldada na Portaria do DAC n° 938/DGAC, de 11 de julho de 2000, que dispõe sobre a importação e exportação de componentes aeronáuticos por empresas de transporte aéreo regular, não-regular e de manutenção de aeronaves, e em seu artigo 7° assim dispôs: Art. 7°. A importação ou exportação inadequada de qualquer componente aeronáutico, que venha contrariar requisito previsto na legislação em vigor, ensejará a exclusão da empresa em obter a anuência antecipada prevista nesta portaria. 9 Processo n°10711.002691/2005-36 S3-C2T1 Acórdão n.`' 3201-00374 Fl. 211 Da leitura da citada Portaria se observa claramente a intenção e a preocupação com aspectos relativos à segurança e normas do Setor Aeronáutico, setor extremamente sensível, onde fatores como qualidade, eficiência e durabilidade dos produtos tem fundamental importância, carecendo portanto de rigoroso controle administrativo, que não se confunde em hipótese alguma com a competência tributária da autoridade fazendária. As competências de cada autoridade administrativa estão devidamente resguardadas, não há qualquer interferência da autoridade fiscal no que diz respeito à anuência promovida pela autoridade administrativa do DAC. Não há, no caso dos autos, qualquer tentativa da autoridade fiscal em interferir quanto à anuência prevista no tratamento administrativo para concessão de "Licença de Importação — LL". Entretanto a competência para reconhecer o uso de beneficios com redução de aliquota está devidamente resguardada, e esta é exclusiva da autoridade fazendária. Portanto, não há qualquer tentativa de usurpar competência alheia, cada autoridade tem seus limites de competência devidamente delineados. O Decreto n° 4.543/02 em seus artigos 120 e 121 assim estabeleceu: Art. 120. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, nela autoridade aduaneira com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei e 5.172, de 1966, art. 179). § P O reconhecimento referido no caput não gera direito adquirido e será anulado de oficio, sempre que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do beneficio (Lei tf 5.172, de 1966, art. 179, § § 2' A isenção ou a redução poderá ser requerida na própria declaração de importação. § 3 O requerimento de beneficio fiscal incabível não acarreta a perda de beneficio diverso. § O Ministro de Estado da Fazenda disciplinará os casos em que se poderá autorizar o desembaraço aduaneiro, com suspensão do pagamento de impostos, de mercadoria objeto de isenção ou de redução concedida por órgão governamental ou decorrente de acordo internacional, quando o beneficio estiver pendente de aprovação ou de publicação do respectivo ato regulamentador (Decreto-lei n e 2.472, de 1988, art. 12). Art. 121. Na hipótese de não ser concedido o benefício fiscal pretendido, para a mercadoria declarada e apresentada a despacho aduaneiro, serão exigidos o imposto correspondente e os acréscimos legais cabíveis. (Grifas acrescidos) 10 Processo n° 10711.002691/2005-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00374 Fl. 212 Evidente que a competência para reconhecimento do beneficio fiscal pretendido é da autoridade fazendária, a anuência concedida pelo DAC não atinge o aspecto tributário, mas tão- somente o aspecto administrativo relativo ao setor aeronáutico, que sem qualquer sombra de dúvidas é de sua estrita competência. E neste sentido foi o seu pronunciamento no oficio no 29/COTAC/07227 de 24/05/2005 07. 99), onde informa apenas que deferiu a importação de um "Cargo Loader". Deste modo, não há como prosperar a alegação da interessada no sentido de considerar o DAC autoridade competente para determinar qual a regra tributária para o caso em questão, o legislador Pátrio assim não o ordenou, portanto ilações neste sentido são desprovidas de amparo legal, tanto que a interessada não informa em momento algum qual o dispositivo legal que daria amparo à outra autoridade, que não a fiscal, para aplicar as regras de tributação na importação de produtos do setor aeronáuticos, aspectos tributários da presente questão. A autoridade fiscal sesubmete ao principio da estrita legalidade, assim não lhe cabe indagar se outra autoridade levou em consideração determinado dispositivo legal ou não; apresentados os fatos deve aplicar a lei, não há previsão legal para que se esquive da aplicação da legislação tributária sob a justificativa de que tal situação já foi analisada por outra autoridade, as atribuições previstas na legislação não podem ser dispensadas pela própria autoridade fazendá ria, as prerrogativas atribuídas pela lei são verdadeiras obrigações de agir. E neste sentido, quanto à competência para fiscalização de qualquer questão tributária para o presente caso não há dúvidas, é da autoridade fiscal. A declaração anexada aos autos (fl. 46) pela interessada em verdade apenas confirma que o equipamento em questão, a despeito de ser para uso exclusivo no setor aeronáutico, foi projetado com a finalidade de apoio terrestre às aeronaves (carga e descarga). Portanto definitivamente não se enquadra nas hipóteses previstas para redução de aliquota dos tributos, como pretendido pela interessada. À folha 02, a autoridade fiscal claramente informa que os tributos foram lançados em face do não cumprimento das condições necessárias ao enquadramento da mercadoria nas Regras de Tributação para Produtos do Setor Aeronáutico (Resolução CAMEK 42/01). Por outro lado a defesa da interessada não deixa dúvidas quanto ao seu conhecimento do enquadramento legal para a exigência do imposto de importação, assim não se vislumbra qualquer prejuízo ao contraditório, à ampla defesa ou cerceamento do direito de defesa. Ademais, a interessada não trouxe aos autos argumentos ou provas suficientes para comprovar o direito alegado de redução das aliquotas (citado nos dados complementares da D.1). Ao contrário, traz documentos que confirmam que de fato o 11 Processo n° 10711.002691/2005-36 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00374 Fl. 213 equipamento importado não cumpre os requisitos previstos para a redução de aliquota dos tributos em questão. Em suma, não se enquadrando o bem importado no regime de tributação favorecida pretendido, não podem ser mantidas as reduções tributárias pretendidas pela recorrente, devendo ser mantido o lançamento neste tópico quanto aos tributos incidentes e respectivos encargos legais. Já no que se refere aos valores lançados em decorrência da desclassificação fiscal ocorrida, estes devem ser afastados, já que, nos moldes do já exposto, deve ser mantido o entendimento proferido pelo recorrente neste tópico, não havendo motivos para alterar a classificação fiscal adotada. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, - 17 de novembro de 2009. • LUCIANO OP.. DE ALME II A MORAES 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA e• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS itt.y-U- v;i :,:up TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 711002691/2005-36 Recurso n.°: 143613 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.374. Brasília, 05 de feve eira e e 2010 II I i ' LUIZ HUMBlIgia for . ANDES Chefe da 2' Ç • . ji ; erce a Seção I fr l , Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 14474.000336/2007-95
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO. DESTAQUE OBRIGATÓRIO NA NOTA FISCAL DE SERVIÇOS.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra.
O valor a ser retido deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e poderá ser compensado pela empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
COMPENSAÇÃO DA RETENÇÃO DE 11%. PRESCRIÇÃO. DIES A QUO.
O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições extingue-se em cinco anos contados do dia seguinte ao do vencimento para recolhimento da retenção efetuada com base na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços.
REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA.
A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.
RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO CONTÁBIL. LIVRO JÁ AUTENTICADO PELA JUNTA COMERCIAL. SUBSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada.
GFIP. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funda, e antes de notificado o lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO APRECIAÇÃO.
A apreciação de questões atinentes a requerimentos de restituição de retenção, alheios ao objeto da lide, escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO. DESTAQUE OBRIGATÓRIO NA NOTA FISCAL DE SERVIÇOS. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra. O valor a ser retido deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e poderá ser compensado pela empresa cedente da mão-de-obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. COMPENSAÇÃO DA RETENÇÃO DE 11%. PRESCRIÇÃO. DIES A QUO. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições extingue-se em cinco anos contados do dia seguinte ao do vencimento para recolhimento da retenção efetuada com base na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO CONTÁBIL. LIVRO JÁ AUTENTICADO PELA JUNTA COMERCIAL. SUBSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada. GFIP. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funda, e antes de notificado o lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação de questões atinentes a requerimentos de restituição de retenção, alheios ao objeto da lide, escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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RETENÇÃO. DESTAQUE OBRIGATÓRIO NA NOTA FISCAL DE SERVIÇOS. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra. O valor a ser retido deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e poderá ser compensado pela empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. COMPENSAÇÃO DA RETENÇÃO DE 11%. PRESCRIÇÃO. DIES A QUO. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições extinguese em cinco anos contados do dia seguinte ao do vencimento para recolhimento da retenção efetuada com base na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL OBRIGATÓRIA. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter, além do Livro de Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO CONTÁBIL. LIVRO JÁ AUTENTICADO PELA JUNTA COMERCIAL. SUBSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 03 36 /2 00 7- 95 Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada. GFIP. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funda, e antes de notificado o lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação de questões atinentes a requerimentos de restituição de retenção, alheios ao objeto da lide, escapa à competência desta Corte Administrativa, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.929 3 Período de apuração: 01/02/2002 a 30/11/2004 Data da lavratura da NFLD: 26/10/2007. Data da Ciência do NFLD: 29/10/2007 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados e da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e a contribuintes individuais, ambas não declaradas em GFIP, apuradas nas folhas de pagamento e na escrita contábil da empresa, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 65/71. Informa a Autoridade Lançadora que os créditos apurados foram divididos, de acordo com as suas particularidades, nos levantamentos NGF e PRO, sendo este destinado unicamente aos lançamentos de prólabore e aquele destinado aos lançamentos de fatos geradores encontrados na folha de pagamento, todos não declarados em GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 81/103, acompanhada pelos documentos a fls. 104/1026. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR baixou o feito em diligência para que a fiscalização se manifestasse a respeito das alegações oferecidas pela Notificada em sede de impugnação administrativa, conforme despacho a fls. 1.029/1.030. Relatório Fiscal Complementar a fls. 1.036/1.039 e Informação Fiscal a fls. 1040/1044. Promovida a ciência dos referidos Relatório Fiscal Complementar e Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 1.053/1.082. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1.198/ julgando procedente em parte o lançamento aviado na vertente Notificação Fiscal, extirpando do lançamento as competências atingidas pela decadência, nos termos do art. 150, §4º do CTN, e mantendo o crédito tributário na forma assentada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 1.196/1.197. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15 de abril de 2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1.204. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1.206/1.237, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que a glosa de compensação foi indevida; Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que a aferição indireta é carente de motivação; · Que os lançamentos contábeis realizados de forma globalizada foram retificados mediante a escrituração de Livros Contábeis substitutos; · Que a empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido esta desobrigada a apresentação de escrituração contábil, fato que desautorizaria a apuração da base de cálculo por aferição indireta; · Que a empresa tem o direito de se compensar de todas as retenções destacadas nas suas notas fiscais de serviço; · Que tem direito à restituição integral dos valores requeridos, uma vez que os valores de compensação foram indevidamente glosados. Ao fim, requer a declaração de improcedência da NFLD. O julgamento em segunda Instância Ordinária houvese por convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 230200.141, a fls. 1850/1865, proferida pela 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF em 08 de fevereiro de 2012, para que a autoridade fiscal emitisse parecer conclusivo a respeito da comprovação ou não, por parte do contribuinte, do erro que motivou a retificação das GFIP referentes às competências 11/2002, 05/2003, 06/2003; 07/2003; 08/2003; 09/2003; 10/2003; 11/2003; 13/2003; 01/2004 e 02/2004 indicadas no item 1.9 do Relatório Fiscal, a fls. 1037/1038. Informação Fiscal a fls. 1871/1873, na qual o Auditor Fiscal notificante assevera não ter havido qualquer comprovação de nenhum valor compensado. Ao Sujeito Passivo foi conferida a ciência da diligência requerida e do teor da Informação Fiscal acima citada, em 06/12/2012, conforme Ofício e Aviso de Recebimento a fls. 1875 e 1876, respectivamente, que se manifestou nos autos mediante o Instrumento a fls. 1878/1895, reproduzindo praticamente na íntegra as alegações expendidas em seu Recurso Voluntário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.930 5 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/04/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 13 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento pela DRJ/CTA da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a outubro/2002, exclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em razão da perda do objeto. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DOS FATOS GERADORES Tratase o presente lançamento de crédito tributário consubstanciado em contribuições previdenciárias incidentes sobre o Salário de Contribuição de segurados empregados e pro labore de administradores, apurados em folhas de pagamento e na escrita contábil da empresa, os quais não foram declarados nas GFIP correspondentes. Os valores lançados a título de pro labore foram apurados mediante aferição indireta a partir de lançamentos genéricos de despesas com valores expressivos, cujos históricos não definiam a destinação desses valores nem a origem das despesas, fato que ensejou a necessidade de análise da documentação contábil que lhes desse sustentação contábil. Solicitada, mediante TIAD, a apresentação da documentação comprobatória de tais lançamentos contábeis, o contribuinte não apresentou nenhum documento nem elemento comprobatório dos lançamentos acima referidos, circunstância que motivou a quantificação da base de incidência, mediante arbitramento, nos termos do §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Assim informa o Relatório Fiscal, a fls. 67/68: “Segundo o Contrato Social da empresa, são sócios e administradores João Helder Mottin e Astrid Rosmandi Viola, cada um com metade das cotas. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Em consulta às bases de dados da Previdência Social, podese constatar que o sócio João Helder Mottin, NIT 2 1.128.284.355 3, recolhia as suas contribuições sociais desde a abertura da empresa (12/1990) até a competência 03/2001, quando optou por não mais receber prólabore. A sócia Astrid Rosmandi Viola nunca recebeu remuneração da empresa sob nenhum título, apenas distribuição de lucros. No período auditado, não houve nomeação de nenhum administrador alheio ao contrato social. Na folha de pagamento, não consta pessoa com cargo ou função de direção da empresa. Os contratos firmados pela empresa, o pedido de restituição protocolado sob n° 35196.000412/200688 e os demais documentos analisados comprovam que a administração está unicamente a cargo de João Helder Mottin. Toda empresa obrigatoriamente precisa ter um administrador. Poderia o sócio administrador absterse da retirada de pró labore somente no caso de a administração da empresa ficar a cargo de outra pessoa, pois não cabe prestação de serviços sem remuneração no caso em tela. Apesar de não estar declarado em GFIP e não estar contabilizado como tal, a auditoria mostra que há remuneração pelos serviços prestados pelo sócio administrador, disfarçada da maneira explicada a seguir. Durante a análise da contabilidade, foram encontrados lançamentos genéricos de despesas com valores expressivos (entre R$ 9.185,30 e R$ 1.213.454,52). Como os históricos desses lançamentos não definem a destinação desses valores nem a origem das despesas, restou necessária a análise da documentação contábil que sustenta esses lançamentos, pois poderia se tratar de criação de despesas inexistentes para acobertar o pagamento de prólabore. (...) Em 31/12/2001, houve um lançamento no valor de R$ 518.000,00 (quinhentos e dezoito mil reais), saindo do Caixa a titulo de "adiantamento a fornecedores diversos". Da mesma forma, houve um lançamento de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) em 29/11/2002. Entre 28/02/2002 e 31/12/2002, diversos lançamentos transformaram esses adiantamentos a fornecedores em despesas com combustíveis, sem nenhuma documentação comprobatória. Em 02/01/2003, o saldo da conta de adiantamento a fornecedores, R$ 401.373,28 (quatrocentos e um mil e trezentos e setenta e três reais e vinte e oito centavos), foi transferido para diminuir o saldo da conta de lucros acumulados a título de adiantamento a fornecedores de exercícios anteriores. Na mesma data, houve procedimento semelhante realizado entre Caixa e lucros acumulados, no valor de R$ 203.711.85 (duzentos e três mil e setecentos e onze reais e oitenta e cinco centavos). Além da situação descrita, há diversos lançamentos como despesas de combustíveis entre 2002 e 2004 e um lançamento em 31/12/2003 de R$ 1.213.454,52 (um milhão, duzentos e treze mil Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.931 7 e quatrocentos e cinquenta e quatro reais e cinquenta e dois centavos), a título de ajuste referente a pagamentos diversos em conta de despesas com veículos. Não foi apresentada a documentação comprobatória dos lançamentos contábeis. A empresa alegou não haver boletos nem comprovantes de pagamento. Não soube informar nem sequer a identificação de quem recebeu os valores. Dessa forma, os valores foram arbitrados como prólabore, com fulcro no art. 33, §3°, da Lei n°8.212/91”. Com efeito, autorizam os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 à fiscalização a lançar de ofício a importância reputada como devida, apurada mediante aferição indireta, sempre que houver recusa, sonegação ou apresentação deficiente de qualquer documento ou informação, ou nos casos em que se constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados, transferindose para a empresa o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Nesse contexto, ante a inexistência de documentação idônea que desse amparo aos lançamentos contábeis em voga, e diante da total inexistência de lançamentos a título de remuneração de administradores, concluiu a fiscalização ali estarem “embutidos”, de forma dissimulada, o efetivo valor do Salário de Contribuição dos administradores da empresa, Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 cujas contribuições previdenciárias associadas foram reputadas como devidas, e, assim, lançadas, transferindose para a empresa o ônus da prova em contrário. No exercício de tal encargo, alega a empresa estar desobrigada a apresentação de escrituração contábil, eis que enquadrada no regime de tributação com base no lucro presumido, fato que desautorizaria a apuração da base de cálculo por aferição indireta. Quanto aos lançamentos contábeis, alega o Recorrente ter firmado contratos de prestação de serviço com diversas empresas, nos quais, em função de aspectos operacionais da execução dos serviços, consta a responsabilidade da contratante em fornecer o combustível durante a execução dos serviços, descontando tais despesas quando dos pagamentos através de medições. Aduz que, quando da apresentação das medições, a empresa recebeu o valor equivalente à diferença entre o valor do faturamento constante da Nota Fiscal e os descontos e retenções efetivadas. Alega que, em função de um equívoco, houve o lançamento globalizado como sendo despesas de combustíveis de valores que, na realidade, foram representados por vários eventos, alguns dos quais não corretamente classificados contabilmente na época própria, tais como valores de Caução por determinação contratual, retenção para a Seguridade Social, retenção de outros impostos como ISS, e também descontos em função de fornecimento de combustíveis para a frota pelos tomadores de serviço. Pondera que tais disfunções contábeis não caracterizam sonegação, já que todos os impostos foram recolhidos pela apuração de lucro presumido pelo valor total de todo o faturamento da empresa, e os fatos geradores de contribuições previdenciárias foram todos oportunamente lançados em títulos próprios, representando, somente, uma disfunção em termos de resultados da empresa. Argumenta que, mesmo não obrigada à apresentação de escrituração contábil, a empresa reclassificou os lançamentos indevidos, utilizando os grupos e subgrupos já existentes em seu próprio Plano de Contas. Contabilizou de forma correta todos os eventos de acordo com a realidade dos fatos, onde o valor recebido relativo a cada Nota Fiscal corresponde, exatamente, à diferença entre o valor faturado e as deduções de cauções, de impostos retidos e dos reembolsos de despesas suportadas antecipadamente pelas tomadoras. As alegações da empresa, todavia, não possuem força bélica suficiente para ilidir o lançamento que ora se opera. Em primeiro lugar, com efeito, a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, encontrase dispensada da escrituração contábil, desde que mantenha, porém, a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário, a teor do art. 225, §16 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. De fato, o art. 45 da Lei nº 8.981/95 dispõe que, mesmo a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deve manter, além do Livro Registro de Inventário, escrituração contábil nos termos da legislação comercial, salvo se mantiver o livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Lei nº 8.981/95 Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.932 9 II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Configurandose, portanto, a não escrituração contábil como uma faculdade da empresa optante pelo regime do lucro presumido, caso esta não se cline a tal opção, permanece obrigada à escrituração contábil nos termos da legislação comercial, para todos os fins e efeitos. Em segundo lugar, as cópias acostadas a fls. 723/1.022 não se configuram como lançamentos contábeis stricto sensu, eis que os livros contábeis já devidamente autenticados não admitem substituição. No caso em tela, havendo sido detectado erros de escrituração contábil, deveria a empresa se pautar de acordo com os procedimentos de correção aceitos pela técnica contábil (NBC T 2.4 e Resolução CFC 1.330/2011), mediante a retificação nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a ocorrência de erro. Nada obstante, o Recorrente simplesmente substituiu livros 04 a 06, já autenticados na Junta Comercial do Paraná, pelos Livros Diário 08 a 10, contendo escrituração retificada, em total violação à norma inscrita no art. 5° da Instrução Normativa n° 102/2006 do Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC, valendo frisar que tal substituição de livros contábeis só se mostra admissível nas hipóteses de extravio, deterioração ou destruição de qualquer dos instrumentos de escrituração, o que não é o caso dos autos. Instrução Normativa DNRC nº 102, de 25 de abril de 2006 Art. 5º A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada. Art. 18. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de qualquer dos instrumentos de escrituração, o empresário ou a sociedade empresária fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste fará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas à Junta Comercial de sua jurisdição. §1º Recomposta a escrituração, o novo instrumento receberá o mesmo número de ordem do substituído, devendo o termo de Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 autenticação ressalvar, expressamente, a ocorrência comunicada. §2º A autenticação de novo instrumento de escrituração só será procedida após o cumprimento do disposto no caput deste artigo. Não se configurando como escrituração contábil válida e regular, não possuem as cópias acima referidas o conteúdo probatório pretendido pelo Recorrente. Por outro lado, os contratos apresentados pelo Recorrente não comprovam, por si só, os lançamentos contábeis ora em debate, mesmo que em alguns deles, não todos, reste consignada a obrigação do contratante pelo fornecimento de combustíveis, eis que ilíquida e incerta. Constatase que inexiste nos citados contratos a discriminação exata dos valores a serem pagos e das datas de pagamento. Estão contratados valores unitários por hora de serviço ou serviço executado, havendo uma previsão de custo global do contrato. Além de ser uma previsão, esse custo global é passível de alteração por aditivos de contrato, providência corriqueira nos documentos analisados, circunstâncias que impede a precisa identificação de todas as despesas de combustível ocorridas. A empresa foi intimada, então, a apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos, incluindo comprovação da conta bancária creditada. Em atendimento, a empresa apresentou algumas planilhas de medição visando a justificar uma reclassificação contábil acima referida. Ocorre, todavia, que as planilhas de medição relacionadas a obras da Construtora Norberto Odebrecht revelam que as despesas referentes a combustíveis foram pagas pelo contratante e não foram incluídas no valor pago à contratada, demonstrando que o Recorrente não veio a arcar com qualquer despesa referente a combustíveis. Nas demais planilhas, os valores apresentados são diferentes das despesas lançadas, inexistindo correlação fechada entre os documentos apresentados e as despesas contabilizadas. Citese ainda que contrato com a Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A a fls. 799/816 prevê expressamente como obrigação da contratada – a Recorrente , o fornecimento de pneus, combustível, lubrificantes e de todas as peças de reposição que se fizerem necessárias. Além disso, dispõe a cláusula 5.4 – Descontos que “Se a CONTRATANTE vier a colocar à disposição da CONTRATADA qualquer dos bens ou serviços que, nos termos deste contrato, constituam obrigação da CONTRATADA, o respectivo valor será descontado pela CONTRATANTE em medição, consideradas também para tais efeitos as despesas indiretas com exceção dos combustíveis e lubrificantes em que não incidirão os referidos descontos”. De forma análoga, o contrato nº 46006933/CNV/4.53/2004, a fls. 858/867, prevê como obrigação da contratante, e não da contratada, o fornecimento de combustíveis e lubrificantes aos equipamentos locados. Da mesma forma, o aditivo ao contrato N° 46004524/CNV/4.53/2002, a fls. 868/874, prevê que “O fornecimento de óleo diesel necessário aos caminhões basculantes da CONTRATADA serão de fornecimento da CONTRATANTE sem ônus para CONTRATADA, limitados ao consumo de 12 litros/hora,. apurados no consumo da frota, no fechamento da medição mensal”. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.933 11 Não foge à regra o contrato com o Consórcio Construtor IrapéCivil, a fls. 876/896, cuja cláusula 4.04 prevê como obrigação da contratante o fornecimento a seu inteiro custo de óleo diesel para a frota de equipamentos da contratada diretamente envolvida na execução dos serviços. Registrese que, nas notas fiscais de serviços emitidas pelo Recorrente não consta qualquer desconto referente a dedução de combustíveis. Nesse contexto, mesmo havendo promovido uma reclassificação dos lançamentos contábeis após o lançamento, não logrou a empresa apresentar qualquer documento que conferisse suporte fático aos valores assim retificados, permanecendo sua escrituração contábil carente de confiabilidade, restando intactos os pressupostos justificadores da aferição indireta da base de cálculo. 2.2. DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO Insurgese o Recorrente contra a glosa de compensação promovida pela Autoridade Lançadora porquanto, em seu entender, as compensações foram realizadas regularmente. Razão não lhe assiste. O direito à restituição de créditos tributários pagos indevidamente ou a maior foi regulamentado em nosso Direito Positivo pelo Código Tributário Nacional, ao disciplinar em seus artigos 165 ao 169, a repetição de indébito a que tem direito o sujeito passivo, independentemente de prévio protesto, mediante a restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento. A restituição abrange todo e qualquer pagamento em desconformidade com a lei. Ocorrendo o fato gerador previsto na norma jurídica nasce a obrigação tributária. Se por qualquer circunstância substancial, temporal ou quantitativa, o imposto pago for superior àquele previsto no preceito legal, haverá indébito a repetir. O art. 165 do CTN prevê todas as hipóteses de restituição. Será devolvido o tributo pago em desconformidade com as circunstâncias materiais ou em duplicidade, ou quando houver erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito. A restituição pode ser feita diretamente em moeda ou por compensação com tributos de mesma espécie, vencidos ou vincendos. Tratandose a compensação de uma modalidade de restituição, àquela se aplica, no que couber, o regime jurídico que regulamenta a restituição tributária. O art. 168 do CTN fixou o prazo de 5 anos, a contar da extinção do crédito tributário, para a apresentação de requerimento de restituição de tributos que tenham sido pagos indevidamente ou a maior. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 inseriu no ordenamento jurídico norma tributária de natureza interpretativa, dispondo que a Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorrerá no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. Lei Complementar nº 118/2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. Não se deve perder de vista que, por se tratar de norma de natureza interpretativa, esta se aplica indistintamente aos casos pretéritos, consoante disposição expressa do art. 106, I do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Nesse contexto, somente será deferida a restituição ou compensação de contribuições previdenciárias se estas forem formuladas dentro do prazo prescricional de 5 anos contados da data do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. No âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei 8.383/91, cujo art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.934 13 instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (grifos nossos) Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação tributária foi regulamentado pelo art. 89 da Lei nº 8.212/91, o qual reproduzimos, in totum, a seguir : Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no §3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Acontece que a Lei nº 8.212/91 estabeleceu como dever instrumental da empresa a obrigação de declarar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, no exercício da competência que lhe fora atribuída pelo dispositivo legal suso transcrito, igualmente asseverou a obrigação da empresa de informar mensalmente, mediante GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da autarquia previdenciária federal, na forma por ela estabelecida. Regulamento da Previdência Social Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Nesse cenário, a IN INSS/DC nº 100/2003, disciplinando os procedimentos de compensação de contribuições previdenciárias, estabeleceu como providência necessária da empresa o dever de declarar os valores por ela compensados nas GFIP relativas às competências em que foram realizadas as compensações. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 232. Os valores deduzidos ou compensados deverão ser declarados na GFIP relativa a competência em que foi realizada a dedução ou a compensação. Registrese, por relevante, que o dever de informar as compensações efetuadas pela empresa em GFIP não se constitui mero capricho da administração tributária, mas, sim, uma informação de elevado interesse do fisco, porquanto somente a partir do conhecimento da ocorrência de tal batimento de créditos e débitos é que o órgão fazendário pode sindicar a regularidade do procedimento levado a efeito pelo sujeito passivo. Nesse sentido, o Manual da GFIP determina como de declaração obrigatória os valores objeto de compensação, mesmo aquela decorrente da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação lhe foi dada pela Lei nº 9.711/98. Manual da GFIP. 2.16 COMPENSAÇÃO Informar o valor corrigido a compensar, efetivamente abatido em documento de arrecadação da Previdência – GPS, na correspondente competência da GFIP/SEFIP gerada, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido à Previdência, bem como eventuais valores decorrentes da retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei n° 9.711/98) não compensados na competência em que ocorreu a retenção e valores de salário Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.935 15 família e saláriomaternidade não deduzidos em época própria, obedecido ao disposto na Instrução Normativa que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais administradas pela RFB. (grifos nossos) Informar também o período (competência inicial e competência final) em que foi efetuado o pagamento ou recolhimento indevido, em que ocorreu a retenção sobre nota fiscal/fatura não compensada em época própria ou em que não foram deduzidos o saláriofamília ou saláriomaternidade. (grifos nossos) A GFIP/SEFIP da competência em que ocorreu o recolhimento indevido, ou em que não foram informados o saláriofamília, saláriomaternidade ou retenção sobre nota fiscal/fatura deve ser retificada, com a entrega de nova GFIP/SEFIP, exceto nas compensações de valores: a) relativos a competências anteriores a janeiro de 1999; b) declarados corretamente na GFIP/SEFIP, porém recolhidos a maior em documento de arrecadação da Previdência GPS; c) decorrentes da retenção sobre nota fiscal/fatura (Lei nº 9.711/98), salário família ou salário maternidade não abatidos na competência própria, embora corretamente informados na GFIP/SEFIP da competência a que se referem. Em geral, a compensação não deve ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social (não inclui outras entidades e fundos), sendo este percentual calculado antes da dedução do valor relativo ao salário família e ao saláriomaternidade e antes da compensação dos valores de retenção sobre nota fiscal/fatura da competência (Lei n° 9.7 11/98). Assim, no contexto que ora se nos cerca, somente poderá ser considerada como regular a compensação de contribuições previdenciárias que houverem sido declaradas corretamente nos campos específicos das GFIP correspondentes. Quanto à retificação de GFIP, apenas produzirá efeitos para fins de compensação a retificação relativa às competências ainda não atingidas pelo prazo de prescrição legal, já analisado em parágrafos precedentes. Nesse sentido, a Instrução Normativa em foco também destaca em seu art. 227, in verbis. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 227. O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados do dia seguinte: I do recolhimento ou do pagamento indevido; II em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória; Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 III do vencimento da competência em que deixou de ser efetuado o reembolso, mediante dedução; IV do vencimento para recolhimento da retenção efetuada com base na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. (grifos nossos) No caso presente, informa a Autoridade Lançadora em planilha disposta no item 1.9. do Relatório Fiscal Complementar a fls. 1.037/1.038 a relação de compensações que foram objeto de glosa ou por não terem sido declaradas em GFIP em suas épocas próprias e cujas GFIP retificadoras houveramse por entregues após o decurso integral do lustro prescricional, ou por não haver sido apresentada documentação comprobatória da compensação realizada. Ocorre, no entanto, que, para que as retificadoras em questão possam produzir os efeitos ora pretendidos, não basta que hajam sido entregues dentro do prazo prescricional em apreço. Exige o §1º do art. 147 do CTN, como providência indispensável, que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, nas hipóteses em que se objetive reduzir ou a excluir tributo, encontrese adornada com os documentos comprobatórios do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. O Recorrente fez coligir aos autos extenso volume de documentos consistentes em cópias de GFIP (fls. 105/179), Livros Diário retificadores nº 08, 09 e 10, e Razão (fls. 180/555), os quais, conforme esclarecido tópico precedente, não possuem o poder probatório que lhe seria típico, Declaração de Ajuste Anual do IRPF dos sócios (fls. 556/566 e 675/686), DIPJ 2003, 2004 e 2005 (fls. 567/674 e 687/722), notas fiscais de serviço (fl. 723/798), além de contratos de prestação de serviços. Compulsando os autos, todavia, não logramos localizar os documentos comprobatórios que indicassem a origem dos créditos do sujeito passivo que deram causa à compensação em debate. A própria DecisãoNotificação, a fl. 1.201, em seus itens 10.5 e seguintes, alertou sobre a carência, nos autos, de tal comprovação, nos seguintes termos: “A contabilidade e a referida documentação hábil e idônea não foram carreadas aos autos. Os Livros Diário n° 8, 9 e 10 e dos Livros Razão n° 8, 9 e 10 constantes dos autos em cópias não autenticadas (excetuados os termos de abertura e encerramento) não podem ser considerados como livros contábeis válidos, conforme será explicitado infra. Acrescentese que a impugnante não especifica qual seria tal documentação hábil e idônea. Por outro lado, a fiscalização, além da contabilidade, ao efetuar o lançamento considerou as folhas de pagamento, GFIPs, guias de recolhimento e notas fiscais de prestação de serviços (item 5.1.7 do Relatório Fiscal).”. Estando carecedor o processo dos documentos comprobatórios dos erros que motivaram as retificações das GFIP em realce, o julgamento em segunda Instância Ordinária houvese por convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 230200.141, a fls. 1850/1865, proferida por esta mesma 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em 08 de fevereiro de 2012, para que a autoridade fiscal emitisse parecer conclusivo a respeito da comprovação ou não, por parte do contribuinte, do erro que motivou a retificação das GFIP referentes às competências 11/2002, 05/2003, 06/2003; 07/2003; 08/2003; 09/2003; 10/2003; 11/2003; 13/2003; 01/2004 e 02/2004 indicadas no item 1.9 do Relatório Fiscal, a fls. 1037/1038. Fruto de tal incidente processual, o Auditor Fiscal notificante emitiu Informação Fiscal, na qual assevera não ter havido qualquer comprovação. Dada ciência ao Sujeito Passivo a respeito da diligência comandada e do teor da Informação Fiscal suso Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.936 17 mencionada, este limitou a reproduzir, quase que na íntegra, os argumentos desfiados em seu Recurso Voluntário, sem acostar aos autos qualquer justificativa, tampouco indícios de prova material, que desse fundamento às retificações das GFIP das competências referidas no parágrafo anterior. Recordese que, conforme expressamente consignado na Resolução nº 2302 00.141 promanada por esta mesma 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, o julgamento em 2ª Instância Ordinária houvese por convertido em Diligência para que a autoridade fiscal emitisse parecer conclusivo a respeito da comprovação ou não, por parte do contribuinte, do erro que motivou a retificação das GFIP referentes às competências 11/2002, 05/2003, 06/2003; 07/2003; 08/2003; 09/2003; 10/2003; 11/2003; 13/2003; 01/2004 e 02/2004 indicadas no item 1.9 do Relatório Fiscal, a fls. 1037/1038. Mesmo ciente de que o cerne determinante da questão concentravase no exame de tal conjunto probatório, a deficiência na demonstração e comprovação dos erros substanciais que ensejaram à retificação das GFIP acima mencionadas perpetuouse na manifestação oferecida pelo Recorrente, a fls. 1878/1915, consequente da Diligência Fiscal requerida por este Colegiado. Na oportunidade que teve para se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, não produzindo as provas necessárias a demonstrar e comprovar os erros que motivaram as retificações das GFIP em realce, limitandose a transcrever excertos das decisões e informações fiscais anteriormente acostadas aos autos do processo e a verter alegações repousadas no vazio, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da negativa de provimento do pleito pretendido, não logrando assim desincumbirse do ônus que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por repetir quase que na íntegra, ipsis litteris, os termos do Recurso Voluntário antes interposto, os quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Não escapa ao conhecimento daqueles que militam com profissionalismo no ramo do Direito Tributário que, nas hipóteses legais de aferição indireta da base de cálculo de contribuições previdenciárias, a lei promove a inversão do ônus da prova. Nada obstante, nas oportunidades em que teve de se pronunciar, formalmente, nos autos, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações desprovidas de esteio em indício de prova material, ou fundadas em pseudos documentos, os quais, por não possuírem força probatória, como assim se revelaram os Livros Diário nº 08, 09 e 10, se mostraram insuficientes para a elisão do lançamento. Diante desse quadro, não se revela possível a esta Corte Administrativa o deferimento do pleito ora requerido pela empresa em epígrafe em razão da carência de conjunto probatório robusto que dê esteio ao direito por si alegado. Cabe a quem alega o recolhimento a maior, o ônus probatório dessas alegações, a teor do §1º do art. 147 do CTN. Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 2.3. DA RETENÇÃO Alega o Recorrente ser titular do direito de se compensar de todas as retenções destacadas nas suas notas fiscais de serviço. Com efeito, o tem. De fato, o foi. De fato, no seu Relatório Fiscal Complementar, item 2, a fl. 1038, afirma a Autoridade Lançadora que, em razão das inconsistências verificadas do confronto entre GFIP e recolhimentos, a retenção considerada foi obtida pela análise das retenções destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços e dos recolhimentos efetuados, acentuando o prevalecimento da situação de fato. Acrescenta que, com as retificações de GFIP realizadas durante a auditoria fiscal, na maioria das competências o valor declarado na GFIP correspondeu ao efetivamente recolhido, desprezandose as duplicidades das competências 06/2001, 08/2001 e 11/2001, e que nas competências 03/2004 e 08/2004, o valor declarado em GFIP foi desconsiderado por estar divergente em relação aos documentos analisados. Nessa prumada, o montante considerado pela fiscalização, nessas competências, atingiu a cifra de R$ 20.551,63 enquanto que nas GFIP somente fora declarado R$ 18.780,01. Nas demais competências, considerouse o valor informado em GFIP. Tal situação demonstra não ter havido prejuízo para o contribuinte, mas, sim, vantagem. Realmente, o direito da empresa de se compensar dos valores retidos não se encontra condicionado à comprovação do recolhimento de tal retenção, mas, tão somente, à comprovação da ocorrência de tal retenção, a qual se vincula ao efetivo destaque na nota fiscal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no §5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.937 19 serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). Ilimpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IIvigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IIIempreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IVcontratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). O efetivo e expresso destaque da retenção nas notas fiscais de serviço, além de ser uma obrigação legal, faz prova em desfavor do contratante de serviços de que este deveria ter efetuado a retenção do montante ali expresso e o recolhimento do valor assim retido. Dessarte, havendo o destaque na nota fiscal de serviços entregue à empresa contratante, a respectiva retenção presumirseá sempre efetivada. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Não havendo a empresa produzido provas de que teria sofrido outras retenções que não aquelas apuradas pela Fiscalização, nada mais há a ser considerado no presente lançamento. No Processo Administrativo Fiscal, alegar sem nada demonstrar ou provar produz o mesmo efeito que nada alegar. 2.4. DO REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO Pondera o Recorrente ter direito à restituição integral dos valores requeridos, uma vez que os valores de compensação foram indevidamente glosados. A análise da restituição pleiteada pelo Recorrente, nos termos do Requerimento de Restituição da Retenção, protocolado sob nº 35196.000412/200688, de 10/02/2006, escapa à competência deste Colegiado, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. Ademais, em seu louvor, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Colegiado. O Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação não tem por objeto Requerimento de Restituição da Retenção, mas, sim, lançamento tributário de contribuições previdenciárias. Por outro viés, o poder de decisão a respeito da restituição em voga incluise na competência do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, conforme destacado no item 3.1. da Informação Fiscal a fl. 1040. 2.5. DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS O Recorrente renova o protesto pela produção de novas provas. Pois não ... Basta aviar petição requerendo expressamente a juntada de novos documentos e demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de ao menos uma das condições previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.938 21 preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que a produção de provas e a juntada de documentos após a fase processual da impugnação somente será deferida mediante a comprovação, a ônus do Recorrente, da impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, de a prova se referir a fato ou a direito superveniente ou de a prova se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afora as exceções delineadas no parágrafo precedente, podese asselar categoricamente que se encontrará precluso o direito do Recorrente de produzir provas ou apresentar documentos em momento posterior à fase processual da impugnação. Conforme demonstrado, no Processo Administrativo Fiscal o sujeito passivo não tem que protestar pela produção de provas documentais, mas sim, produzir as provas do direito alegado, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14474.000336/200795 Acórdão n.º 2302002.615 S2C3T2 Fl. 1.939 23 Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005150/2003-81
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 20/12/2002, 16/01/2003, 26/03/200.3
PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir', em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pela contribuinte.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS COM FUNÇÕES MÚLTIPLAS. NOTA 3 SEÇÃO XVI.
A classificação de máquinas e equipamentos com funções múltiplas suscetíveis de serem classificados no Capítulo 90, depende de que seja conhecida a função principal desenvolvida pelo bem objeto da lide.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.735
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/12/2002, 16/01/2003, 26/03/200.3 PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir', em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pela contribuinte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS COM FUNÇÕES MÚLTIPLAS. NOTA 3 SEÇÃO XVI. A classificação de máquinas e equipamentos com funções múltiplas suscetíveis de serem classificados no Capítulo 90, depende de que seja conhecida a função principal desenvolvida pelo bem objeto da lide. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/12/2002, 16/01/2003, 26/03/200.3 PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCOI-RÊNCIA, Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir', em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pela contribuinte, CLASSIFICAÇÃO FISCAL, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS COM FUNÇÕES MÚLTIPLAS. NOTA .3 SEÇÃO XVI. A classificação de máquinas e equipamentos com funções múltiplas suscetíveis de serem classificados no Capítulo 90, depende de que seja conhecida a função principal desenvolvida pelo bem objeto da lide. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever,. Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para a cobrança da diferença do — imposto de importação e do 1.1).1 — imposto sobre produtos industrializados (fls. 01/15), tendo em vista a reclassificação fiscal da mercadoria importada e das multas pela falta de recolhimento dos citados impostos, prevista no artigo 44, inciso 1 da Lei no, 9.430/96 e mi 80, inciso I da Lei no. 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei no, 9,430/96, respectivamente, da multa do II exigida isoladamente (art. 636 do RA e art 84 daIt4P 2 158/2001) e juros moratórias. Constam da descrição dos fatos que faz parte integrante da autuação fiscal as seguintes informações,' - através das Declarações de Importações n" 02/1128414-3 registrada em 20/12/2002, 03/0041639-8 registrada em 16/01/2003 e 03/0249979-7 registrada em 26/03/2003, o contribuinte importou 04 unidades de mercadorias descritas como "sistema de fluoroscopia de raiox X, com arco em C, modelo Stenoscope ", adotando a classificação tarifária NC1V1 9022.14,90, - furam solicitados Laudos Técnicos inicialmente ao engenheiro Roberto Raya da Silva, o qual entendeu que a posição adotada estava errada, sugerindo a posição 9022.14,19 como correta. O importador, com base nesta informação, retificou a DA no. 02/0935605-1 para esta nova classificação (9022. 14.19); - o importador voltou a registrar a D 1 no. 03/0041639-8 com a classificação original (9022,14 90), embasada em entendimento exarado em Laudo Técnico elaborado pelo engenheiro Benjamim Grossman; - em decorrência da divergência entre os dois Laudos citados, foi consultado o IPI — Instituto de Pesquisas Tecnológica.s da USP, sendo que o Laudo deixou a questão CM aberto, não havendo posicionamento por uma ou outra classificação; - tendo em vista o Laudo do IPT, alega a fiscalização que o equipamento realiza diagnóstico médico, sendo que o importador aigunzenta que esta não é a . função principal do equipamento; - aplicando-se a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado No, 3 (a posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas), a . fiscalização entendeu que houve erro de classificação ,fiscal, lavrando o presente Auto de Infração. A classificação correta, para a fiscalização, é aquela sugerida pelo primeiro Laudo Técnico, ou seja, 9022.1419. Processo o 10314.005150/200.3-81 S3-C1T2 Acórdão n ° 3102-00.135 Fl. 2 Encontram-se anexados aos autos os seguintes documentos. 1o.) Laudo Técnico elaborado pelo engenheiro Roberto Raya da Silva,' folhas 17/23.. 2°) Relatório de Perícia Técnica processo 03/0041639-8 elaborado pelo engenheiro Benjamim Grossmanr . folhas 24/26 3°) Parecer Técnico no, 8308, elaborado pelo IPT — Instituto de Pesquisas Tecnológicas.' folhas .27/34. Ciente da exigência fiscal em 23/09/2003, a autuada apresentou tempestivamente a Impugnação , em 23/10/2003, (fls. 77/87), onde alega em síntese que: - a fiscalização adotou a classificação 9022.14,19 com base em Laudo Técnico emitido pelo engenheiro Roberto Raya da Silva, que não é especialista em equipamentos médicos, logo não estaria habilitado a proferir laudo sobre o tema em questão; - a posição adotada pela hnpugnante - 9022.14.90 — foi adotada com base em Laudo emitido por engenheiro especialista na área médico-hospitalar; - o Laudo do IPT não foi conclusivo, ou seja, não esclareceu qual a correta classificação; - não há dúvidas quanto à função da mercadoria, vez que se presta à realização de procedimentos cirúrgicos, e não à realização de diagnósticos. O diagnóstico presta-se à identificação e à determinação do 'Problema"; o procedimento cirúrgico procura resolver o "problema" anteriormente identificado; - o aparelho "Stenoscope" presta-se a transmissão de imagens, em tempo real, bem como à nzonitoração, durante e nos procedimentos médicos, enz especial cirúrgicos. Ele converte imagens de raio X em sinal de vídeo, disponibilizando-as para o cirurgião num monitor de vídeo, sendo que esta conversão ocorre em tempo real e dentro da sala de cirurgia, atuando como suporte ou ferramenta essencial nas cirúrgicas de natureza ortopédicas; - a posição 9022 abarca todos os "aparelhos de raio X e aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários". A posição 902.2.1 refere-se especificamente aos "aparelhos de raios X, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, etc...,". A posição 9022.14 engloba "outros aparelhos de raio .X para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários"; - dentro da posição 9022,14 encontram-se: a 9022.14.19 que se refere a "outros aparelhos de raio X para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários de diagnóstico" e a posição 9022.14.90 que se refere a outros aparelhos de raio X para usos médicos, cirúrgicos ou veterinário, que não utilizados em diagnósticos, mas por exemplo em cirurgias; - entende que não há como se pretender classificar as mercadorias da Impugnante na posição 9022 14.19, uma vez que não guardam relação com atividades inerentes ao diagnóstico médico; - aduz que para a DI na 02/1128414-3 de 20/12/02 deve ser aplicada a aliquota de 4% para o IPI e não a aliquota de 5% majorada pelo Decreto 4,542 de 26/12/2002; - alega que a cobrança dos furos de mora com base na taxa SELIC é inconstitucional, tornando-a abusiva, - a multa imposta não poderia ser aplicada na medida em que não houve por parte da Impugnante sonegação, fraude ou aproveitamento econômico de qualquer natureza. O art. 112 do CTN estabelece a interpretação benigna em favor do contribuinte, e no caso em apreço, deve ser aplicado; - requer, ainda, a realização de perícia técnica em relação ao aparelho "Stenoscope", indicando seus quesitos; - conclui solicitando o cancelamento dos Autos de Infração ora combatidos; Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente, Assunto... Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 20/12/2002, 16/01/2003, 26/03/2003. Ementa. Equipamento descrito como "sistema de fluoroscopia de raios X, com arco em C, modelo Stenoscope", com base na aplicação das Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado, em particular as Regras I e 6, bem como a RGC-1, deve ser classificado no código NCM/SH 9022.14. 19 - aparelho de raio-X para uso médico - de diagnóstico. O equipamento tem a função de converter as imagens de raio X em sinal de vídeo em tempo real utilizado, para serem utilizadas em diagnósticos médicos. O equipamento pode ser utilizado como suporte às intervenções cirúrgicas, .fazendo "diagnósticos" que serão fornecidos ao cirurgião para subsidiar informações para sua tomada de decisões. Irrelevante para o correto enquadramento tarifário do equipamento o local onde o mesmo pode ser utilizado: seja em centros cirúrgicos de hospitais, laboratórios de diagnósticos, clinicas ou consultórios médicos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, renovando protestos contidos na peça impugnatória. Em sede de preliminar, requer a nulidade da decisão proferida na Delegacia da Receita Federal de Julgamento por preterição ao direito de defesa ante a negativa de ealização de novo laudo. Processo el0314 005150/2003-81 S3-C1T2 Acórdão n° 3102-00.735 F1 3 Insiste que o primeiro laudo, no qual o engenheiro sugere a classificação escolhida pela fiscalização, foi elaborado por perito não especializado neste tipo de equipamento, ao contrário do que aconteceu no segundo laudo e que o terceiro laudo não é conclusivo na parte que mais interessa à identificação da melhor classificação fiscal para as mercadorias importadas. Entende ser de aplicação pacífica o princípio ijr chetbiu pra réu no caso de dúvidas sobre a correta classificação fiscal de mercadorias. Cita farta jurisprudência.. Reitera que o equipamento presta-se à realização de procedimentos cirúrgicos e não de diagnósticos, confisco. Voto voluntário. Protesta contra o percentual das multas aplicadas, que julga terem efeito de É o Relatório, Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, torno conhecimento do recurso Quanto à preliminar de cerceamento do direito de defesa ante a negativa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento ao pedido de realização de novo laudo técnico, é consabido que a decisão objetada constitui-se em prerrogativa da autoridade julgadora. Conforme entenda necessário obter informações adicionais, baixará o processo em diligência ou, em caso contrário, indeferirá o pedido, bastando, para tanto, que fundamente sua decisão. Assim determina a legislação de regência, Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 28, Na decisão em que .for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Ao longo do voto condutor da decisão recorrida, o L Julgador de primeira instância deixa claro as razões por que considera desnecessário a elaboração de mais um laudo técnico. Tratando-se de um poder exercido discricionariamente pelo servidor imbuído de formar a sua convicção a respeito da lide, não há como, sem que haja fortes evidências de que trata-se de uma necessidade de caráter objetivo, considerar que assim o fez er detrimento da defesa do administrado, se justificadas, corno no caso, as razões por qu . considerou suficientemente esclarecidas as questões de natureza técnica, 5 Superada a preliminar, passo ao mérito. A dúvida gira em torno do Item no qual a mercadoria deve ser classificada, já que até o nível de Subposição (9022.14) fiscalização e contribuinte partilham da mesma escolha. A Subposição 9022,14 refere-se aos Aparelhos de Raio X, para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários. No item 1 (9022.14.1) classificam-se os Aparelhos deste tipo quando forem de diagnóstico. Em caso contrário, ou seja, não sendo de diagnóstico, classificam-se no item 9 (9022,14.9). O primeiro laudo técnico, de lavra do Eng. Roberto Raya da Silva, contém no corpo do próprio documento uma ressalva quanto à qualidade das informações prestadas. Assim manifestou-se o Perito. Devido à falta de informações técnicas necessárias sobre o princípio de funcionamento dos principais blocos do equipamento, (vide e-mail em anexo do dia 10/11/2002), e não constarem nos manuais que acompanham a mercadoria, somente , foi possível concluir o laudo técnico com algumas informações sucintas envidadas no dia 16/12/2002 as 12.20 lis Com efeito, não há no documento maiores esclarecimentos sobre a funcionalidade do equipamento, se não pelas respostas dando conta da efetiva possibilidade de que o mesmo seja utilizado para realização de diagnóstico médico, fato com o qual ninguém discorda. O segundo laudo, elaborado por Benjamin Grossman contém informações um tanto mais detalhadas do equipamento. Não nega que o mesmo pode ser utilizado na elaboração de diagnósticos, mas assevera que não é esta sua finalidade precípua. O terceiro laudo foi elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tencológicas IPT e descreve pormenorizadamente o equipamento. Atesta que o mesmo pode ser utilizado em procedimentos invasivos (cirurgia), tais como posicionamento de implantes (placas, pinos, parafilsos, próteses, marca-passo cardíacos, etc), cirurgias de traumas, ortopedia, abdominal, biópsia, gastroscopia, broncoscopia, entre outras. Por outro lado, esclarece que o equipamento gera raios-x para gerar imagens, as quais podem ser utilizadas para um diagnóstico. Sendo assim, e segundo o documento da 11121't Sa [3], o equipamento é um produto médico ativo para diagnóstico, ( ..). Com base nas informações das perícias técnicas, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou correta a classificação escolhida pela fiscalização por ser a mais específica, dentre as possíveis, se não vejamos. Enquanto a fiscalização adotou a classificação mais especifica, ou seja, a do "Aparelho de raio-X para uso médico — de diagnóstico", o contribuinte preferiu o código genérico: "Aparelho de raio-X para uso médico — outros", desatendendo as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado, em particular as Regras 1 e 6, bem como a RGC-1: Neste ponto não há o que contestar. Conforme provas técnicas acostadas aos autos podemos concluir que efetivamente o equipamento importado é um "Aparelho de raio-X para uso médico — de diagnóstico", Vejamos: Processo n u 10314.005150/2003-81 S3-C1T2 Acórdão n 0 3102-00.735 Fl. 4 (-) Assim, .face às informações técnicas acima transcritas, entendo que o equipamento importado (sistema de fluoroscopia de raios X, modelo Stenoscope) efetivamente tem a fincão de converter as imagens de raio X em sinal de vídeo em tempo real utilizado como suporte às intervenções cirúrgicas, fazendo "diagnósticos" que serão fornecidos ao cirurgião para subsidiar informações para sua tomada de decisões Portanto, o equipamento .faz "diagnóstico" que podem servir para dar suporte em procedimentos cirúrgicos.. (grifos no original) As regras 1 e 6 não observadas pela empresa autuada conforme entendimento manifesto no voto condutor da decisão de piso estabelecem que as mercadorias serão classificadas de acordo com teor dos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulo e pelas Regras seguintes, desde que não contrariem esses textos (Regra 1), e que a classificação nas subposições de uma mesma posição é obedecerá à mesma sistemática (Regra 6). A Regra Geral Complementar 1, também não observada sempre conforme decisão de primeira instância, estende a mesma sistemática à determinação do Item aplicável. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura rege-se pelas seguintes regras: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitzdas têm apenas valor indicativo Para os efeitos legais, a classificaç'ão é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, =datis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo- se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são tanzbém aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) I. (RGC-1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "inutatiS nzutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível Neste ponto, peço vênia para discordar dos fundamentos informados no voto. O mesmo parágrafo no qual é informado o descumprimento da Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado, em particular as Regras 1 e 6, bem comO RGC-1, inicia-se com a afirmação de que enquanto a fiscalização adotou a classific4q 711 a is especifica, o contribuinte preferiu o código genérico, consideração que, a meu ver, remete ao teor da Regra 3 "a", se não vejamos. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte; a) A posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. (grifos meus) Embora isso, creio que esse fato não tem, de per si, qualquer conseqüência na solução do litígio se, feita a ressalva, não influenciar em nada na escolha da classificação mais correta para o bem importado. Por outro lado, penso que, data máxima vênia, não tenha sido levado em consideração um importante pré-requisito para aplicação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado de Mercadorias, qual seja, a condição de que ela não seja contrária ao texto das Notas de Seção e de Capítulo. A Nota 3 do Capítulo 90 traz a seguinte disposição. As disposições das Notas 3 e 4 da Seção XVI aplicam-se também ao presente Capitula As Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado — NESH correspondentes trazem as seguintes considerações A Nota 3 precisa que as disposições das Notas 3 e 4 da Seção XVI se aplicam também ao presente Capítulo (ver as Partes VI e VII das Considerações Gerais da Seção XVI) Regra geral, uma máquina concebida para executar várias funções diferentes é classificada segundo a função principal que a caracteriza, As máquinas de funções múltiplas são capazes de executar diversas operações. Nos casos em que não é possível determinar a função principal e na ausência de disposições em contrário estipuladas no texto da Nota 3 da Seção XVI, aplica-se a Regra Geral Interpretativa 3 c). Como se vê, a classificação de máquinas e equipamentos com funções múltiplas suscetíveis de serem classificados no Capítulo 90 depende de que seja conhecida a função principal desenvolvida pelo bem objeto da lide. Tratando-se de uma Nota de Capítulo, a Nota 3 do Capitulo 90 precede a Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação, já que a escolha da posição mais específica pode contrariar a determinação de que o equipamento se classifique de acordo com a sua função principal ou, na impossibilidade de determinar-se esta, pela aplicação da Regra 3 "c" eXã' o pelas Regras 3 "a" ou "b". Processo n" 10314 005150/2003-81 S3-C1T2 Acórdão n ° 3102-00.735 Fl 5 Desta forma, o fato de haver uma posição mais especifica para uma das funções desempenhadas pelo equipamento em nada influenciará na escolha da classificação, bastando que a função principal seja a outra, no caso realização de procedimentos cirúrgicos, para que a classificação seja deslocada para o código correspondente a outros. Percebo que são escassos os esclarecimentos a esse respeito no processo. Com efeito, se quer isso foi considerado pelo i. Julgador de primeira instância, que firmou sua convicção com base no fato de o equipamento poder ser utilizado para realização de diagnósticos, e haver urna posição especifica para equipamentos assim identificados, o que, como já disse, é incontroverso, assim corno o é o fato de que o equipamento também poder ser utilizado para procedimentos cirúrgicos, o que o torna uma máquina concebida para executar várias funções diferentes. Inobstante, o terceiro laudo técnico, que prestou-se a dirimir as dúvidas decorrentes de informações contraditórias contidas nos dois primeiros laudos, trouxe considerações preciosas a esse respeito, se não vejamos. 4.2 — O sistema de fluoroscopia de raios-x, modelo Stenascope, utiliza raios-x para realizar diagnóstico médico? O equipamento gera raios-x para gerar imagens, as quais podem ser utilizadas para um diagnóstico. Sendo assim, e segundo o documento da Anvisa P], o equipamento é um produto médico ativo para diagnósticos, pois pela definição enquadram-se equipamentos que proporcionam informações para detecção, diagnóstico, nzonitoração ou tratamento das condições fisiológicas ou de saúde, enfermidade ou deformidades congênitas; e também, conforme informações no catálogo do equipamento, o equipamento realiza procedimentos gerais de intervenção como biópsia, broncascopia, gastroscopia e radiologia. (gritos no original), Considerações: Segundo informações do fabricante, de catálogo e manual técnico, o equipamento foi projetado e desenvolvido com a principal finalidade de gerar imagens para intervenções cirúrgicas e monitoração de tratamentos terapêuticos. (gritos meus) Poro todo o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade da decisão de primeira instância e, considerando que as informações técnicas trazidas aos autos )indicam que a funçã6 principal do equipamento é a realização de intervenções cirúrgicas e não a realização de diag, lóst\icos, VOTO POR DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário apresentad pela contribuinte, 9,41u(o\ Rosa 9
score : 1.0
Numero do processo: 10380.004298/00-91
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE.
Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano-calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausentes os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano-calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 324 1 323 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.004298/0091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.228 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria IRPF Recorrente MARCELO DE PONTES ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausentes os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 42 98 /0 0- 91 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.004298/0091 Acórdão n.º 2801003.228 S2TE01 Fl. 325 2 Contra o recorrente foi lavrado o auto de infração de fls. 02 e seguintes, com ciência em 30/03/2000, em razão de acréscimo patrimonial a descoberto, nos anoscalendário de 1994 e 1995, e da omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, no ano calendário de 1994. Foi apurado imposto devido de R$ 57.493,55, acrescido de multa de 75%, no valor de R$ 43.120,15, mais juros de mora de R$ 53.294,76, totalizando o crédito tributário de R$ 153.908,46. A Câmara Julgadora, no acórdão de fls. 199/204, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para declarar a decadência do lançamento em relação aos fatos ocorridos em 30/04/94, 31/05/94, 30/06/94, 31/07/94, 31/08/94, 30/11/94; 31/01/95 e 28/02/95, remanescendo somente a exigência quanto ao lançado relativamente a 31/10/95, nos termos da ementa que segue abaixo transcrita: "IRPF DECADÊNCIA Tratandose de Imposto de Renda Pessoa Física, lançamento por homologação, apuração mensal, a decadência ocorre no prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL Não logrando o contribuinte comprovar razoavelmente a origem do descompasso patrimonial apurado pela fiscalização, é de se manter o lançamento na forma constituída. Recurso parcialmente provido." Intimada do acórdão, tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial de contrariedade à lei, às fls. 534 e seguintes, alegando que o fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, e não é contado de forma mensal. Conforme Acórdão 920200.682 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 297/306, foi negado provimento ao recurso especial. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração contra o acórdão n° 920200.682, suscitando a ocorrência de obscuridade, contradição e omissão. Indicou contradição entre a ementa do julgado e o voto condutor do acórdão embargado. Conforme a Embargante, nos termos da ementa do julgado embargado, a controvérsia enfrentada estaria na existência ou não de pagamento antecipado. Contudo, no voto condutor, apenas se decidiu pela aplicação do artigo 150, §4°, do CTN, tendo em vista tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. Alegou, por outro lado, a ocorrência de omissão, consistente no fato de que não se apontou, no voto condutor do acórdão embargado, os documentos comprobatórios da existência do pagamento parcial antecipado, bem como no que se refere à ausência de enfrentamento acerca do fato gerador do Imposto de Renda. A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de acordo com o Acórdão de fls. 316/319, acolheu os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão com alteração do resultado, para afastar a decadência do anocalendário de 1995, e determinar o retorno dos autos à Câmara de origem para a análise das demais questões. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.004298/0091 Acórdão n.º 2801003.228 S2TE01 Fl. 326 3 A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Cuida o presente lançamento de exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracteriza por acréscimo patrimonial a descoberto, nos anoscalendário de 1994 e 1995, e omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, no anocalendário de 1994. Conforme relatado, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de acordo com o Acórdão de fls. 316/319, acolheu os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão com alteração do resultado, para afastar a decadência do anocalendário de 1995, e determinar o retorno dos autos à Câmara de origem para a análise das demais questões. Com efeito, remanescem para apreciação os valores lançados referentes ao acréscimo patrimonial a descoberto apurado para os meses de janeiro, fevereiro e outubro de 1995. A autoridade preparadora informou, à fl. 294, que foi recolhido o crédito tributário do período 31/10/1995 (documentos de folhas 268 a 273 e folha 281), razão pela qual se manifestou no sentido de tornase inexequível a recomendação para cientificar o sujeito passivo sobre a possibilidade de interposição de recurso especial contra a decisão prolatada no Acórdão n° 10245.993, tendo em vista que o crédito tributário então remanescente, que poderia ser objeto de recurso especial, foi extinto por pagamento. Diante disso, realizase que o litígio restringese aos valores de R$ 53.806,72 e R$ 1.555,35, referentes ao acréscimo patrimonial apurado para os períodos de apuração 01/1995 e 02/1995, respectivamente. O contribuinte sustenta que o saldo de disponibilidade financeira acumulado no mês de dezembro de 1994 seria suficiente para justificar o pagamento feito, em janeiro de 1995, do empréstimo que antes contraíra junto ao BANFORT, conforme demonstrativo mensal da evolução patrimonial. Verificase que, no presente caso, a própria fiscalização apurou saldo positivo de recursos em dezembro de 1994, no montante de R$ 152.408,48 (fl. 13), o qual foi desconsiderado ao iniciar o exame do mês seguinte (janeiro de 1995), à fl. 14, pela simples mudança do anocalendário. Ocorre que não existe nenhuma regra jurídica e nem fundamento ou interpretação razoável a justificar a transferência de valores de um mês para o outro, dentro do anocalendário e não considerálos do mês de dezembro para o mês de janeiro. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.004298/0091 Acórdão n.º 2801003.228 S2TE01 Fl. 327 4 Vale registrar que outro não foi o entendimento da 2ª Turma da CSRF, conforme julgamento unânime referente ao Processo de nº 10825.000618/9636, Acórdão nº 920200.521, proferido em 09 de março de 2010: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO QUE SE ESTENDE POR MAIS DE UM ANOCALENDÁRIO SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Assim, o valor de R$ 152.408,48 referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de 1994, ou seja, no início de janeiro de 1995, deve integrar o “DEMONSTRATIVO MENSAL DA EVOLUÇÃO PATRIMONIAL” do anocalendário 1995, Por conseguinte, relativamente ao anocalendário de 1995, não resta acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que o valor dos recursos não computados anteriormente R$ 152.408,48 supera o total de 55.362,07 do acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização relativamente aos períodos de janeiro e fevereiro de 1995. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10980.007982/2003-89
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3803-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis e Ivan Allegretti. RELATÓRIO Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0615.808 , de 18 de outubro de 2007, da DRJ/Curitiba/PR, fls. 24 a 26, que julgou o lançamento procedente, em face da impugnação, fls. 01. A contribuinte, em sua defesa, informou ter compensado os débitos de PIS lançados, relativos ao segundo e terceiro trimestres de 1998, com crédito que apurara de IRPJ no encerramento do exercício de 1997. Apresentou Pedido de Restituição em 27/11/1997, com que constituiu o processo nº 10980.014976/9779, e em face da demora da autoridade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 07 98 2/ 20 03 -8 9 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.007982/200389 Resolução nº 3803000.002 S3TE03 Fl. 63 2 administrativa de prover uma decisão, efetuou Pedidos de Compensação dessas contribuição a partir de 07/05/1998. Em julgamento, a DRJ/Curitiba não identificou a existência dos pagamentos informados na DCTF, relativamente ao segundo trimestre, ao tempo em que consignou que o processo de restituição indicado pela Impugnante dá cobertura a outros débitos. Cientificada da decisão de primeira instância em 21 de novembro de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 30, em 14 de dezembro de 2007, por meio do qual apenas corrige sua informação, consignando que todos os débitos lançados foram objeto de compensação no processo administrativo nº 10980.014976/9779, e anexa cópias dos pedidos de compensação recepcionados pela Delegacia da Receita Federal de Curitiba e que cobrem os débitos sob exigência. É o sucinto relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. As DCTFs da contribuinte, de fato, vinculam: i) pagamento aos débitos declarados referentes aos meses de abril a junho; e ii) o processo administrativo nº 10980.014976/9779, já referido, aos meses de julho a setembro. A busca feita pelo sistema operacional da malha não localizou os pagamentos e identificou este processo com outros débitos, segundo a decisão recorrida. Consta dos autos cópia do pedido de compensação apresentado à DRF para anexação ao dito processo de restituição, referente ao débito de abril de 1998, em data anterior ao seu vencimento, 07/05/1998. Ainda que tenha vindo à tona apenas um pedido de compensação este relativo ao debito de abril de 1998 , fl. 45, como comprovação do alegado, penso que a sua presença nos autos justificaria a conversão do julgamento de primeira instância em diligência, para que a Unidade de origem averiguasse a sua legitimidade, bem como a existência e suficiência do crédito para a extinção do dito débito, mesmo que não solicitasse a confirmação quanto aos demais débitos, pela ausência das cópias. Deixouse conduzir, o colegiado a quo, meramente, pelos informes trazidos pelo sistema de malha que embasaram o lançamento e dele constante, não se curvando a apreciar a prova trazida aos autos. Não há na impugnação informação de que houve pagamento para o segundo trimestre de 1998, diversamente do declarado nas DCTFs. A possibilidade do erro de fato do contribuinte, quanto ao dado consignado nessa confissão de dívida, uma vez que a fiscalização de malha abrangia também outro trimestre, para cujos débitos estava vinculado um processo de compensação, haveria de ter reforçado o encaminhamento pela diligência, com o fito de obter se o conteúdo do aludido processo e do seu desfecho, caso tratasse, de fato, de compensação. Neste recurso, a recorrente apresenta as cópias dos pedidos de compensação no dito processo nº 10980.014976/9779, dando conta do registro, neles, de cada débito objeto do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.007982/200389 Resolução nº 3803000.002 S3TE03 Fl. 64 3 lançamento. No caso presente, vejo que é necessária a prova do conteúdo do dito processo, para se ter a certeza de não tem qualquer pertinência com os aludidos débitos ou a insuficiência de crédito para alcançálos. Pelo exposto, voto por converter o processo em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Curitiba apresente o conteúdo dos processos nº 10980.014976/9779 em que teriam sido compensados os débitos do terceiro trimestre, conforme a DCTF (e/ou dos débitos de maio a setembro, segundo a defesa), bem assim o débito de abril/1998, fl. 45. Após a instrução, dêse ciência à Interessada, nos termos legais. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10909.004278/2007-61
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/08/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.RETENÇÃO.BASE DE CÁLCULO.
Nas hipóteses da ocorrência de retenção de 11% de valores pagos pelos contratantes aos prestadores de serviços com cessão de mão-de-obra, as bases de cálculo observaram, também, o comando dos §§7°e 8° do art. 219 do Decreto 3048/91.
PROVA PERICIAL.
Conforme facultado no art. 29 do Decreto 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, é prerrogativa do julgador requerer diligências para obter prova pericial se as entender necessárias..
PROVA DOCUMENTAL
Em razão do prazo decorrido desde a data do Acórdão de primeira instancia, 30 de maio de 2008, transcorreu-se tempo mais do que suficiente para a juntada de novos documentos que descabendo conceder novo prazo para fazê-lo.
MULTA DE MORA.
Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
O artigo 106, c , do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até 09/2002, inclusive, em conformidade do art. 150 do CTN. No mérito:1) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para: a) Exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES. b) Ajuste conforme planilha Anexo III- da diligência. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disciplinado no artigo 35, da Lei nº 8.212, na redação dada pela Lei nº 11.941, limitando a 20%, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1999 a 30/08/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.RETENÇÃO.BASE DE CÁLCULO. Nas hipóteses da ocorrência de retenção de 11% de valores pagos pelos contratantes aos prestadores de serviços com cessão de mão-de-obra, as bases de cálculo observaram, também, o comando dos §§7°e 8° do art. 219 do Decreto 3048/91. PROVA PERICIAL. Conforme facultado no art. 29 do Decreto 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, é prerrogativa do julgador requerer diligências para obter prova pericial se as entender necessárias.. PROVA DOCUMENTAL Em razão do prazo decorrido desde a data do Acórdão de primeira instancia, 30 de maio de 2008, transcorreu-se tempo mais do que suficiente para a juntada de novos documentos que descabendo conceder novo prazo para fazê-lo. MULTA DE MORA. Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O artigo 106, c , do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até 09/2002, inclusive, em conformidade do art. 150 do CTN. No mérito:1) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para: a) Exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES. b) Ajuste conforme planilha Anexo III- da diligência. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disciplinado no artigo 35, da Lei nº 8.212, na redação dada pela Lei nº 11.941, limitando a 20%, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. CESSÃO DE MÃODEOBRA.RETENÇÃO.BASE DE CÁLCULO. Nas hipóteses da ocorrência de retenção de 11% de valores pagos pelos contratantes aos prestadores de serviços com cessão de mãodeobra, as bases de cálculo observaram, também, o comando dos §§7°e 8° do art. 219 do Decreto 3048/91. PROVA PERICIAL. Conforme facultado no art. 29 do Decreto 70.235/72, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Portanto, é prerrogativa do julgador requerer diligências para obter prova pericial se as entender necessárias.. PROVA DOCUMENTAL Em razão do prazo decorrido desde a data do Acórdão de primeira instancia, 30 de maio de 2008, transcorreuse tempo mais do que suficiente para a juntada de novos documentos que descabendo conceder novo prazo para fazêlo. MULTA DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 42 78 /2 00 7- 61 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O artigo 106, “c” , do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até 09/2002, inclusive, em conformidade do art. 150 do CTN. No mérito:1) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para: a) Exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES. b) Ajuste conforme planilha Anexo III da diligência. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disciplinado no artigo 35, da Lei nº 8.212, na redação dada pela Lei nº 11.941, limitando a 20%, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 169 3 Relatório Compulsei com os autos o relatório do voto de primeira instância e, tendo corroborado os registros, complementei com as demais ocorrências surgidas a partir do fim de seu relato que abaixo o reproduzo: “ Por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 37.060.2897, às folhas 01, e anexos, foi exigido do contribuinte, acima qualificado, a importância de R$ 1.349.456,26 (um milhão e trezentos e quarenta e nove mil e quatrocentos e cinqüenta e seis reais e vinte e seis centavos), consolidado em 10 de outubro de 2007, que, de acordo com o Relatório Fiscal e anexos de fls. 243/335, referese às contribuições sociais correspondente à retenção de onze por cento sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, prevista no art. 31 e parágrafos da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.711, de 20 de novembro de 1998, c/c o art. 219, §§ 2° e 3° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto IV 3.048, de 06 de maio de 1999, não retidas ou parcialmente retidas pela notificada quando da quitação das respectivas notas fiscais, no período de 07/99 a 0812007. A base de cálculo para retenção foi apurada com base: (a) valor bruto das NF relativas exclusivamente à mão de obra; (b) valor bruto das NF em que constam destacados valores referentes a reembolsos não contemplados pelo art. 219, §§ 7° e 80 do RPS e art. 152 da IN SRP IV 3/2005, art. 161 da IN 1NSS/DC n° 100/2003 e art, 105 da IN INSS/DC n°71/2002; (c) valor declarado nas NF como relativo à mãodeobra nos casos em que a empresa apresentou contrato conforme previsto no art. 219, §§ 7° e 8° do RPS e art. 158 da IN INSS/DC 100/2003; (d) 50% do valor bruto das NF em que consta o destaque de reembolso referente à utilização desgaste de equipamento utilizados para os quais a empresa apresentou contrato conforme previsto pelo art. 219, §§ 7° e 8 °do RPS e art. 150 da IN SRP n°3/2005, art. 159 da 1N INSS/DC n° 100/2003 e art. 105, inciso III, e art. 106 da IN INSS/DC n°71/2002; (e) 50% do valor bruto das NF de locação de equipamentos (empilhadeira) com operador conforme estabelecido em contrato na forma do art. 219, §§ 7" e 8° do RPS e art. 146, inciso XVI combinado com o art. 150, inciso 1, combinado com o art. 170, inciso XV, da IN SRP n°3/2005, art. 155, inciso XVI, combinado Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 com o art. 159, inciso I, combinado com o art. 179, inciso XII, da IN INSS/DC n° 100/2003. Esclarece, ainda, o REFISC que nas notas fiscais relacionadas no Anexo IV, o prestador de serviços não efetuou o destaque da retenção e, no Anexo V, o destaque foi parcialmente efetuado. No caso de ter havido destaque, retenção e recolhimento a menor, o crédito lançado corresponde ao total da retenção devida menos a recolhida, conforme demonstrado no Anexo III, na coluna "recolhido". Os valores das notas fiscais foram verificados na contabilidade, exceto no período de 04/2002 a 12/2003, em razão da falta de apresentação dos livros Diário e Razão. No campo "fonte", dos anexos, estão relacionados onde foram obtidos os valores de base de cálculo de cada nota fiscal de prestação de serviços. Anexo ao REFISC encontramse os seguintes documentos: (a) Anexo 1 fls. 248, contém a relação nominal e CNPJ dos prestadores de serviços, em ordem alfabética; (b) Anexo II fls. 249, contém a relação dos prestadores de serviços, em ordem pelo if do CNPJ; (c) Anexo III fls.250/291, contêm o demonstrativo das notas fiscais e correspondentes bases de cálculo; (d) Anexo IV fls. 292/319, contém o demonstrativo das notas fiscais sem destaque da retenção; (e) Anexo V fls. 320/335, contém o demonstrativo das notas fiscais com destaque e retenção. (O Anexo VI fls. 337/366, contém cópias dos contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas: Maria Assunta Mainardi ME; Rocape Transporte e Beneficiamento de Madeiras Ltda; Tropical Locação e Manutenção de Empilhadeiras; Antonio Carlos Isá de Souza ME; Valdir Vieira Portilho; Rodrigo Neto dos Santos; Jackson Luiz Piovezan; e Reni Moraes Pereira ME. Inconformado com o lançamento, o sujeito passivo, por intermédio de procuradora constituída, fls. 418, apresentou a impugnação de folhas 382/393, requerendo a improcedência da notificação. Alega, em síntese, que: (a) decaiu o direito do INSS lançar as contribuições relativas às competências anteriores a outubro de 2002, conforme reza o art. 173 do CTN; (b) não se aplica ao caso o art. 45 da Lei n°8.212/91, com o prazo decadencial de dez anos e não de cinco, porque tal dispositivo é inconstitucional; (c) o artigo 146 da Constituição Federal estabelece que compete à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 170 5 legislação tributária, especialmente sobre, dentre outras matérias, prescrição e decadência; (d) o Código Tributário Nacional foi recepcionado como lei complementar porque trata de matéria hoje reservada a essa espécie normativa, já a Lei n° 8.212/91, não se presta a regular tal matéria por ser lei ordinária; (e) a jurisprudência em âmbito judicial é farta no reconhecimento do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de contribuições previdenciárias; (1) também a jurisprudência em âmbito administrativo, notadamente a do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, vem de há muito reconhecendo que as autoridades administrativas não só podem como devem observar as decisões judiciais reiteradas em seus julgamentos, notadamente quando digam respeito à inconstitucionalidade de normas; (g) é indiscutível a obrigatoriedade da empresa contratante de reter 11% do valor bruto das notas fiscais. Todavia, discorda do entendimento do Auditor Fiscal que desconsiderou os percentuais pactuados entre as partes, referentes ao fornecimento de material e utilização de meios mecânicos e o da mãodeobra,aplicando percentuais diferentes; (h) mesmo que nem a impugnante, nem os terceiros tivessem pago os valores devidos, como há contrato estipulando os percentuais de 70 e 30%, não poderiam ter sido desconsiderados os percentuais pactuados, devendo observar os §§ 70 e rdo art. 219 do RPS; (i) houve o recolhimento por parte dos terceiros conforme comprovam guias de recolhimento anexadas a impugnação; (j) são anexados aos autos contratos que não haviam sido apresenta os à fiscalização e que pactuam o percentual de 70 % para os materiais. Ao final requer que lhe seja oportunizada a juntada de novos documentos que venham ser localizados, e prova pericial para comprovar o efetivo recolhimento das contribuições objeto dos documentos anexo. Indica perito e formula o seguinte quesito: "diga a pericia se os documentos anexados a esta impugnação, e demais documentos que sejam apresentados pela Impugnante até a data da realização dos trabalhos, correspondem e fazem prova do recolhimento de valores lançados de oficio na NFLD ora impugnada” Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.47, a 5 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, em 03 de junho de 2011, exarou o Acórdão n° 0724.767, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.1039 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. Analisado o recurso e a decisão de primeira instância, este Colegiado, na forma do voto de minha relatoria, resolveu converter o julgamento em Diligência conforme registra o documento de fls. 1.076, n° 2403000.025, datado de, 24 de agosto de 2011. Participaram da sessão, além de mim, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. O retorno da Diligência suscitou nova intimação ao Recorrente que diante das informações fornecidas pelo Auditor que as providenciara às fls. 1.167, não satisfeita, às fls. 1.180, reiterou de forma sumária, os argumentos já trazidos à colação quando da interposição do Recurso Voluntário. É o Relatório. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 171 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DOS §§ 7° E 8° DO ART. 219 DO RPS Em sede de impugnação, na peça interposta a então impugnante alegou que: “(h) mesmo que nem a impugnante, nem os terceiros tivessem pago os valores devidos, como há contrato estipulando os percentuais de 70 e 30%, não poderiam ter sido desconsiderados os percentuais pactuados, devendo observar os §§ 7° e 8° do art. 219 do RPS;” Às fls 1.017,na condução do voto a quo, aludindo os §§ 7° e 8°, retro, a I. Relatora registrou que “impõe a condição irrenunciável de que para a contratada se utilizar da faculdade de deduzir os valores correspondentes ao uso de equipamentos, deve relacionálos em nota fiscal, fatura, além da previsão contratual.” : “ Além disto, nos §§ 7° e 8°, do mesmo artigo, impõe a condição irrenunciável de que para a contratada se utilizar da faculdade de deduzir os valores correspondentes ao uso de equipamentos, deve relacionálos em nota fiscal, fatura ou recibo além da previsão contratual. Coube ao Fisco, então, somente a hipótese de normatizar situações em que não exista a previsão contratual dos valores correspondentes ao uso de material ou equipamentos...” As diversas Instruções Normativas sobre a matéria tiveram o condão de causar certo ruído gerando interpretações tais como a em tela. Aduz que o Decreto 3.048/99 , Regulamento da Previdência Social, sendo diploma legal e de hierarquia superior às Instruções Normativas, à luz do comando nele inserto, merece pois ser corrigida a interpretação que foi dada aos termos “facultada” e a obrigação de relacionar. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Nos termos do §7°, na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, o que fica facultado ao contratado é a discriminação do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. Logo , por ser ‘uma faculdade , o contratado pode sim renunciar e deixar de fazêlo, verbis: “§7°, Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado.” Cometeu também equivoco a instância a quo ao deduzir que na falta de registro expresso na nota fiscal que foi visto tratarse de uma faculdade do contratado o limite mínimo tomado como base de cálculo para aplicação dos percentuais de 11% seriam os ora aplicados no lançamento em comento. Na interpretação literal do comando do § 8° do sobredito art. 219, consta que tal procedimento será levado à termo na hipótese de NÃO HAVER PREVISÃO CONTRATUAL dos valores correspondentes a material ou a equipamentos, verbis: “ §8° Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos.” Às fls. 337/367, o Auditor Fiscal colacionou contratos de algumas prestadoras. Abaixo destaquei uma delas com resumo do objeto dos contratos que podese considerado um padrão utilizado para todos os demais apresentados nos autos : “ MARIA ASSUNTA MAINARDI ME 1.1. carregamento de toras nos veículos autorizados, e 1.2. serviços de transporte de toras da FLORESTAL RIO LARGO LTDA, às serrarias autorizadas pela ITAPINUS INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA. 3.2. transporte de toras de madeira: R$ 11,55 por tonelada Parágrafo Único: Os valores mencionados nessa cláusula serão pagos seguindo os percentuais: b)Pela mão de obra de corte, carregamento e desbaste 30% (trinta por cento) 10. A responsabilidade por todo e qualquer ato das pessoas que estiverem por sua ordem em serviço nas florestas será da CONTRATADA, independentemente de culpa ” ( grifos de minha autoria) Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 172 9 Às fls 1.022, na condução do voto a instância a quo , enfrentando a questão dos 30% referente a mão de obra , assim se manifestou: “Da análise do discriminativo das notas fiscais, que constitui o Anexo III do REFISC, fls. 250/291, observase que a maioria das notas fiscais emitidas até meados de 2006, não discrimina o valor da mãodeobra e dos equipamentos/materiais, razão pela qual, independentemente de ter sido apresentado o contrato à fiscalização, ou na impugnação, o percentual a ser aplicado sobre estas notas fiscais é de 100% sobre o valor bruto das mesmas.” Embora I. Relatora tenha destacado no item (j) de seu Relatório que constam anexados aos autos contratos que não haviam sido apresentado à fiscalização e que pactuam o percentual de 70 % para os materiais, ao corroborar o lançamento sem observar os percentuais de 30 % para mãodeobra contratualmente previstos nos contratos, impôs reformar a decisão e proceder a correção dos créditos constituídos utilizando base de cálculo diferente do comando legal. Desse modo, o valor base para efetuar a retenção do percentual de 11%, será o obtido mediante cálculo dos 30% do montante descrito nas notas fiscais sobre cujo resultado incidira a sobredita retenção. Na forma do contrato social, o objeto da Recorrente é a exploração de florestas próprias e de terceiros, industrialização de toras de madeiras brutas e a exportação de madeiras e artefatos, sendo que a extração e manejo da matériaprima e de desdobramento são feitos mediante contratação de mãodeobra de terceiros. Assim, não se tem dúvidas da obrigação de efetuar as retenções e recolhimentos legais quando dos pagamentos realizados às empresas contratadas na condição de prestadoras dos sobreditos serviços. A questão de fundo trata dos percentuais relativos à dedução da base de cálculo na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros. A Recorrente alega que vinha deduzindo, da base de cálculo dos valores sujeitos à retenção de 11%, conforme pactuado no contrato celebrado com as empresas prestadoras de serviços, por força das despesas referentes à utilização de seus próprios equipamentos (trator, muck, .motoserra, etc.), o percentual de 70% (setenta por cento) do valor da nota fiscal. Neste recurso, irresignada com o lançamento e a decisão a quo, a Recorrente reitrera que a Autoridade autuante ignorando o disposto nos contratos firmados pela Recorrente e seus prestadores de serviço, calculou da seguinte forma: 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços em que consta o destaque do reembolso referente à utilização e desgaste de equipamento utilizado para os quais a empresa apresentou Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 contrato de Cessão de mãodeobra e 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto das notas fiscais de locação de equipamentos (empilhadeira) com operador. Concluiu exortando que como há contrato estipulando os percentuais de 70 e 30%, a Autoridade Fiscal não poderia ter desconsiderado o pactuado entre as partes e lançado o valor a ser retido com base de cálculo em percentuais de 100%. DOS VALORES PAGOS NÃO RELATIVOS A SERVIÇOS CONTRATADOS A Recorrente alegou , ainda , que foram constituídos créditos sobre valores não relativos ao pagamento a prestação de serviços e que tal ocorreu porque a autoridade fiscal simplesmente tomou como base de cálculo da contribuição lançada de oficio valores outros, lançados no contacorrente do fornecedor, relativos a outras operações, inclusive de crédito (meramente financeiras), de modo que há um manifesto excesso de lançamento, e absurda ilegalidade, derivados do equivocado procedimento de lançar INSS com base em relatórios de razões contábeis. Ressaltese que a afirmação não veio acompanhada de elementos probantes apontando efetivamente quais foram os lançamentos e os equívocos cometidos. Neste sentido não há como dar provimento ao arrazoado. DO ERRO FORMAL NA EMISSÃO DAS NOTAS FISCAIS. Produziu tese amparada na hipótese de a falta de registro dos valores da mão deobra utilizada não ter sido destacada em nota fiscal ser encarada como mero erro formal o qual não pode contribuir para obliterar a verdade material estabelecida no pacto contratual. Colacionou decisão da Câmara Superior deste Egrégio Conselho que , a seu juízo, tem a mesma essência e corrobora seu entendimento, verbis: "INCENTIVO FISCAL ÀS EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA 'SUDAM'. IRPJ GLOSSA. Erro formal no preenchimento da declaração de rendimentos não autoriza a glosa dos benefícios fiscais". (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes, Recurso 115693, rel.Edwal Gonçalves dos Santos, Sétima Câmara, julgado em 17/02/1998). A decisão colacionada, por ser caso específico e individual, não se presta para anuir identidade de objetos posto que não se pode admitir que , como no caso em comento, as várias empresas prestadoras de serviço quando da emissões das inúmeras notas fiscais tenham cometido erro formal coletivo. Descabe pois dar provimento a tese. DA PROVA DOCUMENTAL A Recorrente reitera o pedido e alega que requereu em sede de impugnação, em nome do principio da verdade material, que lhe fosse oportunizada a juntada de novos documentos que seriam de ser ainda localizados, o que foi indeferido. Quanto a isso, considerando que a decisão que lhe negou deferimento ocorreu em 30 de maio de 2008, Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 173 11 daquele momento até o presente, transcorreuse tempo mais do que suficiente para a juntada dos tais novos documentos que , eventualmente, poderiam ser admitidos para análise da verdade material no presente recurso. Não o fez. Assim a alegação resta desprovida de sentido real. DA PROVA PERICIAL A recorrente reclama, também, de que o acórdão ora recorrido indeferiu pedido de prova pericial e que portanto restaria nula tal decisão, por cerceamento de defesa. Neste sentido cumpre destacar que os argumentos trazidos à colação, desde em sede de impugnação, muito embora as planilhas preparadas pela Autoridade lançadora oferecessem tal condição, não apontaram efetivamente, à luz de elementos probantes, mesmo que por simples amostra, quais lançamentos estavam maculados pelos erros de molde a suscitar tal perícia. Na forma dos mesmos sobreditos argumentos, considerando que a decisão que lhe negou deferimento ocorreu em 30 de maio de 2008, daquele momento até o presente, transcorreuse tempo mais do que suficiente para providenciar tais evidências que exibiriam ao relator pelo menos fumaça de bom direito o que não se materializou em face da precária e não sustentada argumentação trazida à colação. O comando do art. 29 do Decreto 70.235/72, aduz que para formar sua convicção, a Autoridade julgadora tem prerrogativa legal para determinar diligências, se as entender necessárias , verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias” ( grifos de minha autoria) Desse modo, entendendo que pela razões trazidas à colação, descabe diligenciar no sentido de requisitar PROVA PERICIAL. Assim, não dou provimento ao solicitado. DA RESOLUÇÃO Na conclusão da Resolução que converteu o julgamento em diligência foi requerido verificar o abaixo transcrito: “Diante de tudo que foi exposto, na forma do art. 29 do Decreto 70/235/72, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que se procedam às providências sobre a retificação do cadastramento do débito na questão da solidariedade; verificar as informações disponíveis relativas ao contratado, se houve ou não ação fiscal com exame de contabilidade contra este e se os créditos referentes a prestação de serviço ora tributada não foram objeto de lançamento contra a contratada; Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Confrontar os contratos à luz dos parágrafos 7° e 8 °do RPS e conceder o direito estritamente na forma daqueles comandos; Reexaminar a decisão do Acórdão 0712.714 exarado pela da 5° Turma da DRJ/FNS/FLORIANÓPOLIS (SC) quanto a retificar as exclusões dos créditos já retificados. Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação.” DA INTIMAÇÃO DA DILIGÊNCIA Ao ser intimada da diligência a Recorrente alegou que mesmo com os recálculos determinados, o auto manteve os valores anteriores a 2002, por este motivo, conforme já referido nas manifestações anteriores. Reiterou que é necessário o cancelamento da NFLD relativa a valores já recolhidos pelos terceiros aos valores lançados sobre outras operações havidas com os fornecedores, que não pagamento por serviços prestados, sejam considerados os percentuais pactuados entre a Recorrente e os terceiros, de forma que sejam deduzidos 70% de materiais das notas fiscais. DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA Ás fls. 1.165, o Auditor responsável pela condução da diligência produziu planilha onde destaca os percentuais de 30 % de mão de obra e às fls. 1.169, registra que houvera produzido recálculo na forma do indicado na Resolução ou seja considerando as bases de cálculo com 30 % Sobre os valores “ já recolhidos por terceiros” , às fls. 1.167 o Auditor que efetuou a diligência respondeu que verificara nos sistemas se as prestadoras arrolados no presente lançamento sofreram ação fiscal no período cujo resultado pudesse significar duplicidade uma vez que adimplidas suas obrigações para com o fisco, desnecessário seria constituir créditos via retenções eventualmente não efetuadas. A resposta foi negativa logo os argumentos da Recorrente não procedem posto que os recolhimentos feitos pelas prestadoras não foram submetidos a ações fiscais dando por adimplidas suas obrigações. Às fls 1.169 , o Auditor Fiscal destacou os contratos apresentados que justificariam ser alteradas as bases DE ACORDO COM DETERMINAÇÃO JUDICIAL . Relevante ressaltar que a alusão a hipotética determinação judicial e estranha aos autos. Concluiu informando que refizera os cálculos na forma final apresentada na planilha denominada ANEXO 3 resultando novos valores originais de R$ 742.667, 53 . Ressaltou que a sobredita planilha denominada CORREÇÕES EFETUADAS PARA ATENDER O COMANDO DO CONSELHO DE RECURSOS FISCAIS – SEGUNDA SESSÃO DE JULGAMENTO, tratase de planilha final. Destacou que não foram retirados os valores abrangidos pela decadência. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 174 13 Muito embora a manifesta planilha supra , cumpre notar que não consta nos autos que tenha sido procedidas efetivas retificações dos lançamentos nos sistemas. DA MULTA Às fls. 01 se observa que a empresa fora penalizada com multa de mora A infração ocorrera no período 07/99 a 08/2007 .Aduz que no Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD , às fls.168, no item, 601 – Acréscimos Legais da Multa, a multa moratória fora aplicada com a previsão nos incisos I, II e II do art. 35 da Lei n 8.212/91 Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996verbis : “Art.35 . Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996” Anterior ao sobredito comando, vigiam os incisos I, II, e III do art. 35 na forma abaixo transcrita: “Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos:( Restabelecido pela n° 9.528, de 1997) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ( Restabelecido pela n° 9.528, de 1997) a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) b) sete por cento, no mês seguinte; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ( Restabelecido pela n° 9.528, de 1997) Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) :( Restabelecido pela n° 9.528, de 1997) a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.( Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 175 15 Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) “ grifos de minha autoria) Eis que o caput e § 2º da Lei no 9.430/96 determinam taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso limitada ao percentual de vinte por cento, verbis: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Face ao apresentado, cabe recálculo da multa de mora. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para EM PRELIMINAR , nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, reconhecer a decadência dos créditos constituídos para as competências 09/2002 ( inclusive) e anteriores. No MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que se procedam os recálculos dos créditos constituídos onde não se tenha observado as bases de cálculo estabelecida no percentual de 30% de mão de obra pactuadas nos contratos com as prestadoras de serviço, excluir as empresas optantes pelo SIMPLES e, ainda que se proceda o recálculo da multa de mora na forma do previsto na art. 35 da Lei n° 8.212/912 conforme a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13837.000025/2004-54
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE CÓPIA DO ADE NOS AUTOS. DILIGÊNCIA.
Não havendo nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo de Exclusão, mesmo depois de diligência para que o mesmo fosse juntado pela autoridade competente, e tratando-se de processo de exclusão por pendências fiscais, o comando da Súmula n° 02 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes deve incidir na hipótese.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999 SIMPLES. EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE CÓPIA DO ADE NOS AUTOS. DILIGÊNCIA. Não havendo nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo de Exclusão, mesmo depois de diligência para que o mesmo fosse juntado pela autoridade competente, e tratando-se de processo de exclusão por pendências fiscais, o comando da Súmula n° 02 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes deve incidir na hipótese. Recurso Voluntário Provido.
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EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE CÓPIA DO ADE NOS AUTOS. DILIGÊNCIA. Não havendo nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo de Exclusão, mesmo depois de diligência para que o mesmo fosse juntado pela autoridade competente, e tratando-se de processo de exclusão por pendências fiscais, o comando da Súmula n° 02 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes deve incidir na hipótese. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. • ROA LE A T‘ JANO DAMORIM‘ - Presidente MARCELO RIBEIR NOGUEIRA — Relator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Processo n° 13837.00002512004-54 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.026 Fl. 132 Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Trata o presente feito de processo de exclusão do contribuinte, ora recorrente, por alegado débito junto ao INSS, que teria sido efetuado através de ADE n° 110.537, conforme consta do Despacho de Indeferimento de fls. 27 e da decisão de primeira instância de fls. 64 e seguintes. Ocorre que ao examinar os autos, este Conselheiro percebeu que não havia nos mesmos cópia do referido ADE e este Colegiado, logo, determinou que o julgamento fosse convertido em diligência para que fosse trazida pela autoridade preparadora cópia do Ato Declaratório Executivo de exclusão do ora recorrente da sistemática de tributação do Simples aos autos. Ocorre que não foi possível localizar o referido ADE, nem sequer prova de sua real existência, ao contrário, as consultas ao SIVEX de fls. 115 e 116 indicam que não há qualquer ADE vinculado ao processo em exame. Neste particular, é interessante a informação trazida pela autoridade preparadora, às fls. 120, cito: Trata-se recurso voluntário contra decisão de primeiro grau de jurisdição convertido em diligência a esta unidade para que seja juntada aos autos cópia do ADE n° 110.537. Não encontrado o ADE, segue às fis. 119, cópia do edital n° 13839/002/99 através do qual o contribuinte foi cientificado da exclusão no Simples Federal. A cópia de edital a que se refere a informação acima está às fls. 119 e faz referência a uma "tabela a seguir e suas respectivas correspondências para cada CNPJ relacionado", entretanto, não foi trazida aos autos a referida tabela, nem qualquer referência ao contribuinte ora recorrente. Noto ainda que o ora recorrente trouxe aos autos (fls. 08, 10 e 13) cópias de certidões negativas junto ao INSS datadas de 1997, 2003 e 2004, tendo a alegada exclusão ocorrido em 1999, conforme se extrai do edital acima mencionado. Os autos foram devolvidos ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e pedi sua inclusão na pauta para julgamento, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, o processo foi mantido em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 2 Processo n° 13837.000025/2004-54 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.026 Fl. 133 Voto Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Parece a este relator que o presente caso é de simples aplicação da Súmula n° 02 do Terceiro Conselho de Contribuintes, verbis: Súmula 3°Cr n° 2 - É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Isto porque, tendo o contribuinte negado a existência do débito e produzido nos autos indícios de sua regularidade fiscal e não havendo sequer como apresentar cópia do ato de exclusão respectivo, é evidente a violação do direito de defesa do ora recorrente, na forma que pretendeu protegê-lo a referida súmula. Assim, VOTO, por conhecer do recurso e dar-lhe integral provimento, acolhendo a preliminar de nulidade do ato declaratório argüida pelo contribuinte em seu recurso e reconhecendo o direito do contribuinte a sua reinclusão na sistemática de tributação do Simples desde 31 de dezembro de 1997, devendo a autoridade competente observar o preenchimento dos demais requisitos legais para a manutenção do contribuinte nesta sistemática de tributação. N/\axci:CQUeL1/4„0 11k 4.,LRAAP- • MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA\--) 3
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001369/2007-13
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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score : 1.0
Numero do processo: 10907.002201/2006-95
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS - FALTA DE COMPROVAÇÃO - GLOSA MANTIDA.
1. Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de tratamento médico e odontológico, mantém-se a exigência do crédito tributário. (Inteligência do artigo 11 § 3°., do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943).
PROCESSO TRABALHISTA - VALORES PAGOS A TÍTULO DE ANUÊNIO - VERBAS QUE NÃO POSSUEM NATUREZA INDENIZATÓRIA.
2. Os valores pagos pela fonte pagadora a titulo de anuênio estão inseridos na remuneração devida pelo trabalho e, desta forma não possuem natureza indenizatória, razão pela qual estão sujeitos à incidência do imposto de renda.
DEPENDENTE - NETO - NECESSIDADE DE TERMO DE GUARDA JUDICIAL PARA FINS DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.
3. Nos termos do artigo 35 V da Lei n°9.250, de 1995, para que o neto seja considerado dependente, para fins de dedução do imposto de renda, é necessário que o contribuinte, no caso o avô, detenha guarda judicial, requisito este que não existe no caso dos autos.
LANÇAMENTO FEITO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS POR MEIO DE DIRF - CONTRIBUINTE QUE NEGA TER RECEBIDO OS VALORES - EMPRESA INTIMADA, POR SUA MASSA FALIDA INFORMA NÃO POSSUIR COMPROVANTE - INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO - VALORES AFASTADOS DA BASE D
CÁLCULO.
A parte que nega a existência de determinado fato que lhe é atribuído e que não tem como fazer prova negativa de que o fato não ocorreu. Para se exigir imposto de renda com base em pagamento, cabe à autoridade lançadora fazer prova do pagamento. A circunstância da empresa que encaminhou a DIRF ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o
pagamento sobre o qual exige imposto de renda.
Recurso acolhido em relação
a este ponto.
LIMITE DE ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS
- RESTRIÇÃO INCOMPATÍVEL COM AS GARANTIAS
FUNDAMENTAIS ASSEGURADAS AOS IDOSOS NA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL E NO ESTATUTO DO IDOSO - COMPENSAÇÃO DOS
VALORES COM O MONTANTE DESCONTADO NA FONTE SOBRE
INDENIZAÇÃO TRABALHISTA
5. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, que
deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos
termos dos art. 111 e 176 do CTN, assim, não há que se falar em ofensa as
garantias fundamentais conferidas ao idoso na CF/1988 e no Estatuto do
Idoso.
6. Sendo tributáveis tanto os rendimentos decorrentes da reclamatória
trabalhista quanto os valores excedentes ao limite de isenção para
contribuintes maiores de 65 anos, incabível o pedido de compensação.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-000.535
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS - FALTA DE COMPROVAÇÃO - GLOSA MANTIDA. 1. Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de tratamento médico e odontológico, mantém-se a exigência do crédito tributário. (Inteligência do artigo 11 § 3°., do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943). PROCESSO TRABALHISTA - VALORES PAGOS A TÍTULO DE ANUÊNIO - VERBAS QUE NÃO POSSUEM NATUREZA INDENIZATÓRIA. 2. Os valores pagos pela fonte pagadora a titulo de anuênio estão inseridos na remuneração devida pelo trabalho e, desta forma não possuem natureza indenizatória, razão pela qual estão sujeitos à incidência do imposto de renda. DEPENDENTE - NETO - NECESSIDADE DE TERMO DE GUARDA JUDICIAL PARA FINS DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 3. Nos termos do artigo 35 V da Lei n°9.250, de 1995, para que o neto seja considerado dependente, para fins de dedução do imposto de renda, é necessário que o contribuinte, no caso o avô, detenha guarda judicial, requisito este que não existe no caso dos autos. LANÇAMENTO FEITO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS POR MEIO DE DIRF - CONTRIBUINTE QUE NEGA TER RECEBIDO OS VALORES - EMPRESA INTIMADA, POR SUA MASSA FALIDA INFORMA NÃO POSSUIR COMPROVANTE - INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO - VALORES AFASTADOS DA BASE D CÁLCULO. A parte que nega a existência de determinado fato que lhe é atribuído e que não tem como fazer prova negativa de que o fato não ocorreu. Para se exigir imposto de renda com base em pagamento, cabe à autoridade lançadora fazer prova do pagamento. A circunstância da empresa que encaminhou a DIRF ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o pagamento sobre o qual exige imposto de renda. Recurso acolhido em relação a este ponto. LIMITE DE ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS - RESTRIÇÃO INCOMPATÍVEL COM AS GARANTIAS FUNDAMENTAIS ASSEGURADAS AOS IDOSOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E NO ESTATUTO DO IDOSO - COMPENSAÇÃO DOS VALORES COM O MONTANTE DESCONTADO NA FONTE SOBRE INDENIZAÇÃO TRABALHISTA 5. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, que deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos art. 111 e 176 do CTN, assim, não há que se falar em ofensa as garantias fundamentais conferidas ao idoso na CF/1988 e no Estatuto do Idoso. 6. Sendo tributáveis tanto os rendimentos decorrentes da reclamatória trabalhista quanto os valores excedentes ao limite de isenção para contribuintes maiores de 65 anos, incabível o pedido de compensação. Recurso parcialmente provido.
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Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de tratamento médico e odontológico, mantém-se a exigência do crédito tributário. (Inteligência do artigo 11 § 3°., do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943). PROCESSO TRABALHISTA - VALORES PAGOS A TÍTULO DE ANUÊNIO - VERBAS QUE NÃO POSSUEM NATUREZA INDENIZATORIA. 2. Os valores pagos pela fonte pagadora a titulo de anuênio estão inseridos na remuneração devida pelo trabalho e, desta forma não possuem natureza indenizatória, razão pela qual estão sujeitos à incidência do imposto de renda. DEPENDENTE - NETO - NECESSIDADE DE TERMO DE GUARDA JUDICIAL PARA FINS DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 3. Nos termos do artigo 35 V da Lei n°9.250, de 1995, para que o neto seja considerado dependente, para fins de dedução do imposto de renda, é necessário que o contribuinte, no caso o avô, detenha guarda judicial, requisito este que não existe no caso dos autos. LANÇAMENTO FEITO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS POR MEIO DE DIRF - CONTRIBUINTE QUE NEGA TER RECEBIDO OS VALORES - EMPRESA INTIMADA, POR SUA MASSA FALIDA INFORMA NÃO POSSUIR COMPROVANTE - INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO - VALORES AFASTADOS DA BASE D CÁLCULO.. • 4. A parte que nega a existência de determinado fato que lhe é atribuído e que não tem como fazer prova negativa de que o fato não ocorreu. Para se exigir imposto de renda com base em pagamento, cabe à autoridade lançadora fazer prova do pagamento. A circunstância da empresa que encaminhou a DIRF ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o pagamento sobre o qual exige imposto de renda. Recurso acolhido em relação a este ponto. LIMITE DE ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS - RESTRIÇÃO INCOMPATÍVEL COM AS GARANTIAS FUNDAMENTAIS ASSEGURADAS AOS IDOSOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E NO ESTATUTO DO IDOSO - COMPENSAÇÃO DOS VALORES COM O MONTANTE DESCONTADO NA FONTE SOBRE INDENIZAÇÃO TRABALHISTA 5. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, que deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos art. 111 e 176 do CTN, assim, não há que se falar em ofensa as garantias fundamentais conferidas ao idoso na CF/1988 e no Estatuto do Idoso. 6. Sendo tributáveis tanto os rendimentos decorrentes da reclamatória trabalhista quanto os valores excedentes ao limite de isenção para contribuintes maiores de 65 anos, incabível o pedido de compensação. Recurso parcialmente provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os memb do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, os t o- do vo- e •r. Franci • • -sis de Oliveira Júnior - Presidente % ----- Moisés : come - • • va - Relator EDITADO EM: • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). 2 1 Processo n° 10907.00220112006-95 S2-C2T1 I Acórdão n.° 2201-00.535 Fl. 2 I I I Relatório Trata o presente processo de exigência feita por meio do auto de infração de fls. 179 e seguintes, correspondente aos anos-calendário de 2001 a 2005, notificado à parte interessada em 25/09/2006, conforme AR de fl. 196. Foi apurado crédito tributário no valor de RS 101.871,27. A exigênCia do crédito tributário deu-se com multa de 75% e 112,5%. As declarações de ajuste anual correspondentes aos anos fiscalizados constam das fls. 03 e seguintes, pelo que se extrai dos autos que o recorrente é médico aposentado. As infrações que ensejaram o lançamento foram as seguintes: 1) omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, em 17/03/2002, em decorrência de ação trabalhista; 2) omissão de rendimentos recebidos da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, nos anos-calendário de 2002 e 2003; 3) dedução indevida de dependente, nos anos-calendário 2001 a 2003, em razão da falta de comprovação da relação de dependência do neto Ian Lucas Bettega Almeida do Nascimento; 4) dedução indevida de despesas com instrução, nos anos-calendário de 2001 a 2003, também por falta de comprovação da relação de dependência de Ian Lucas Bettega Almeida do Nascimento; 5) dedução indevida de despesas médicas, nos anos-calendário de 2001 a 2005; 6) classificação indevida de rendimentos na DIRF, excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 25/10/2006 o contribuinte apresentou a impugnação de .fls. 200/206 e juntou documentos (fls. 208/281) Em suas razões, alegou, em síntese, que: a) não há incidência de imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo INSS, por se tratar de verba indenizatoria auferida em ação trabalhista; b) nos últimos anos não trabalhou junto ao estabelecimento hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, conforme comprova documento acostado às fls. 230, com as informações prestadas pelo Diretor Geral do Hospital Regional do Litoral — HAL. Assim, incabível o lançamento feito com base em DIRF; c) lan Lucas Bettega Almeida do Nascimento é seu neto e está sob sua ‘idependência econômica e financeira, de acordo com os documentos de fls. 232 e seguintes; 3 d) efetivamente recebeu tratamento odontologico, oftalmológico, psicológico e de emergência (fls. 238/279), os quais foram paáos em dinheiro. Neste ponto, aduziu que os profissionais que lhes prestaram atendimento médico já prestaram esclarecimentos à. SRF, além do que o TRF da 4' Região, em recente decisão, decidiu ser dispensável a prova dos pagamentos efetuados com cheques, quando são apresentados os recibos que comprovam os serviços prestados; e) em razão de Ian Lucas Bettega Almeida do Nascimento estar sob sua dependência econômica e financeira, são legítimas as deduções quanto às despesas de instrução, já que pagou as mensalidades escolares do neto, de acordo com os documentos de fls. 232/236 e 280/281; f) quanto à classificação indevida de rendimentos tributáveis como isentos, por excederem o limite se isenção para declarantes com 65 anos ou mais, sustenta ser a restrição incompatível com as garantias fundamentais asseguradas aos idosos na Constituição Federal e no Estatuto do Idoso. Requereu, em última análise, a compensação destes valores com o montante descontado indevidamente na fonte sobre a indenização trabalhista (fl. 205), com a redução do valor tributado para R$ 15.192,08. Em razão das informações prestadas pelo Diretor Geral do HRL (fl.230), de que o contribuinte, nos últimos dez anos, não prestou serviços para o estabelecimento hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, o processo retomou à DRF para que fosse intimada a fonte pagadora a se manifestar sobre a percepção dos rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício, nos anos-calendário de 2002 e 2003. Vieram aos autos os documentos de fls. 284/300 informando que o patrimônio fisico da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá tinha sido adquirido pelo Estado do Paraná, mas que a massa falida do referido hospital ainda existia, tendo como responsável o Dr. Olavo Muniz de Carvalho. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 303 e seguintes, julgou, por unanimidade, procedente em parte o lançamento, afastando a multa agravada por entender que a falta de esclarecimento não causou nenhum embaraço à fiscalização e acolheu as seguintes despesas médicas: R$ 1.500,00 de tratamento fisioterápico (fls. 238/260), em cada um dos anos- calendário de 2002 a 2005; R$ 140,00, de tratamento psicológico, em 10/04/2002 (fl. 263), conforme as declarações prestadas pelo profissional às fls. 151/152 e 156/160; R$ 3.200,00 de gastos com oftalmologista, em 22/07/2004 (fl. 262), corroborados pela declaração médica de fls. 146, e por estarem relacionados com as despesas hospitalares de fls. 266/270. Assim, foi restabelecido R$ 1.640,00; R$ 1.500,00; R$ 4.700,00 e R$ 1.500,00, nos anos-calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, respectivamente. Em relação à tributação dos proventos de aposentadoria excedentes ao limite de isenção, em relação ao ano-calendário de 2005, foi reduzido o valor de R$ 25934,21 para R$ 13 968 uma vez que a parcela isenta correspondente à aposentadoria especial (fl. 87) já foi integralmente tributada (fl. 19). • Assim, o acórdão manteve R$ 36.457,53 de imposto, R$ 27.343,14 de multa de 75%, valores estes referentes aos exercícios de 2002 a 2006. Intimado da decisão em 16/07/2007 (fl. 318), o contribuinte, em 15/08/2007, interpôs recurso de fls. 319 e seguintes, reiterando as alegações contidas quando da impugnação. \kl É o relatório. 4 • Processo'? 10907.00220112006-95 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.535 Fl. 3 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235 de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado Assim, conheço do recurso e passo ao exame da matéria. Em síntese, a parte interessada recorre contra as infrações abaixo relacionadas, que serão analisadas de forma individualizadas: • a) omissão de rendimentos recebidos no ano-calendário de 2002, do INSS, no valor de R$ 54.504,95, conforme processo trabalhista n° 95.0016088-9, da 1P Vara da Justiça Federal de Curitiba; b) omissão de rendimentos recebidos da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, nos anos-calendário de 2002 e 2003, nos valores de R$ 12.280,00 e R$ 12.500,00, respectivamente; c) dedução indevida da base de cálculo com o neto de lan Lucas Almeida Nascimento, nos anos de 2001, 2002 e 2003, nos valores de R$ 1.080,00; R$ 1272,00; e R$ 1.272,00,00, respectivamente; d) glosa de despesas médicas nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, respectivamente; e) dedução indevida com dependente e glosa de despesas com instrução, todas relativas ao neto Ian Lucas Bettega Almeida Nascimento, nos anos calendário de 2001, 2002 e 2003; f) rendimentos excedentes ao limite de isenção do declarante com 65 anos ou mais, nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003 e 2005, nos valores de R$ 5.338,89; R$ 10.020,43; R$ 25.403,50 e R$ 28.934,21, respectivamente. (I) Da quesião tratada no recurso em relação â omissão de rendimentos recebidos no ano-calendário de 2002, do INSS, no valor de R$ 54.504,95, em razão de processo trabalhista. O recorrente, conforme especificado no auto de infração (fl.• 180), não fez constar em sua declaração de rendimentos o valor que recebeu no processo trabalhista n° 95.0016088-9, da 11 Vara da Justiça Federal de Curitiba, ajuizado contra o INSS. Argumenta que ditos valores são de natureza indenizatoria, em relação aos quais não incide imposto de renda, e que o valor retido a este título, quando do pagamento, o foi de forma indevida e deve ser compensado com a exigência em relação aos rendimentos de aposentadoria que excederam ao limite da isenção. Do que se depreende dos documentos de fls. 30, 31, 34 e 35, os referidos rendimentos têm origem em ação patrocinada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde e Trabalho contra o INSS. Constam dos autos, em relação ao mencionado processo, dois alvarás, sendo um no valor de R$ 9270.969,52, referente ao pagamento devido aos substituídos no processo, dentre os quais o recorrente e outro no valor de R$ 1.028.104,98 correspondente ao Imposto de Renda na Fonte, com recolhimento automático mediante DARF que acompanhou o alvará, conforme especificado na própria ordem judicial. Os documentos fornecidos pelo INSS, às fls. 32 e 33, indicam que o reclamante recebeu R$ 60.397,93, com R$ 13.734,07 de 112R1 e R$ 5.677,70 descontado a título de INSS. Além dos valores aqui referidos pagou mais R$ 6.056,10 a título de honorários advocatícios. Ao apurar a base de cálculo, a autoridade fiscal pegou o valor principal, incluindo nele correção monetária de R$ 163,12, conforme especificado no demonstrativo de fl. 30. (R$ 60.397,93 + 163,12 = RS 60.561.05). Do valor encontrado foi subtraído o montante pago a título de honorários (R$ 60.561,05 - R$ 6.056,10 = R$ 54.504,95). Ao julgar a impugnação a DRT exclui da base de cálculo os valores descontados a título de previdência oficial, no valor de RS 5.677,70. A importância paga a título de honorários já havia sido excluída da base de cálculo, quando do lançamento. Não prospera o argumento do recorrente de que a importância recebida no• processo antes referido tem natureza indenizatória, pois conforme documento de fl. 30, fornecido pelo Sindicato, que serviu de base para o lançamento, trata-se de cobrança de anuênios retroativos, os quais reputo que têm natureza remuneratoria e não indenizatória. Assim, neste ponto, não prospera o recurso. (II) Da omissão de rendimentos recebidos da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, nos anos-calendário de 2002 e 2003, nos valores de R$ 12.280,00 e 14$ 12.500,00, respectivamente. Em relação a este item, trata-se de autuação feita com base na DIRF (fls. 170 e 176). Conforme decisões deste Conselho, sempre que aquele a quem se atribui um pagamento, por meio de DIRF, negar que recebeu, cabe à autoridade lançadora fazer prova do pagamento, pois o autuado não tem como fazer prova de fato que afirma não ter ocorrido. A circunstância do Hospital ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o pagamento sobre o qual exige imposto de renda. O acórdão recorrido, em relação a este ponto,-argumenta que caberia ao Dr. Carlos Eduardo M. Lobo, como responsável pelo Hospital, localizar e fornecer a documentação contábil da Santa Casa ao Sr. Olavo Muniz de Carvalho, síndico da Massa Falida, para que este entregasse ao recorrente ou demonstrasse o erro de preenchimento das DIRFs. Tal fundamento mostra-se Subsistente, pois o fato de terceiro não ter localizado a prova do pagamento, que o fiscalizado nega ter recebido, não permite à autoridade fiscal presumir que este se efetivou, pois pagamento, no direito brasileiro, somente se prova mediante recibo ou crédito em conta bancária pertencente ao beneficiário. Por não ter a Fiscalização comprovado a materialidade do pagamento, neste ponto dou provimento ao recurso para excluir da base de cálculo, nos anos-calendário de 2002 e 2003, os valores de 12$ 12.280,00 e R$ 12.500,00, respectivamente, devendo, na execução do acórdão, também ser desconsiderado os valores informados a título de IRItF, especificados Es. 170 e 176. 6 Processo o° 10907.002201/2006-95 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00335 Fl. 4 (III) Da dedução indevida da base de cálculo com dependente nos anos de 2001, 2002 e 2003, nos valores de R$ 1.080,00; R$ 1.272,00; e R$ 1.272,00,00, respectivamente, e dedução indevida com educação do neto Ian Lucas Almeida Nascimento, nos anos de 2001, 2002 e 2003, nos valores de R$ 1.700,00; R$ 1.998,00 e R$ 1.998,00, respectivamente. Nos termos do artigo 35, inciso V, da Lei n° 9.250, de 1995, abaixo transcrito, o neto só pode ser considerado dependente nos casos em que o avô detenha a guarda judicial. Art. 35. Para efeito do disposto nos artigos 4°, inciso III, e 8°, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: .... V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos desde que o contribuinte detenha a euarda judicial ou de qualquer idade quando incapacitado fisica ou mentalmente para o trabalho; Assim, se a legislação exige, como caracterização de dependência e requisito da dedutibilidade, a detenção da guarda conferida pela autoridade judicial, formalidade não demonstrada neste processo, o simples fato de Ian Lucas Almeida Nascimento encontrar-se sob dependência econômica e financeira do recorrente, por si só, não autoriza sua condição de dependente para efeito de dedução nas declarações do ERRE. Desta forma, não detendo a guarda judicial não há como se considerar a dependência do neto Ian Lucas Almeida Nascimento para fins de dedução, inclusive despesas com instrução, da base de cálculo do imposto de renda. (IV) Da glosa de despesas médicas nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, nos valores de R$ 15.661,57, R$ 11.225,96, 14$ 12.836,73, R$ 10.730,00 e R$ 6.829,95. Das despesas acima referidas, o acórdão recorrido restabeleceu R$ 1.500,00 referente a tratamento fisioterápico (fls. 238/260), em cada um dos anos-calendário de 2002 a 2005; R$ 140,00, de tratamento psicológico, em 10/04/2002 (fl. 263), conforme as declarações prestadas pelo profissional às fls. 151/152 e 156/160; R$ 3.200,00 de gastos com oftalmologista, em 22/07/2004 (fl. 262), corroborados pela declaração médica de fls. 146, e por estarem relacionados com as despesas hospitalares de fls. 266/270. Assim, foi restabelecido R$ 1.640,00, R$ 1.500,00, R$ 4.700,00 e R$ 1.500,00, nos anos-calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, respectivamente. Ao julgar a . questão relacionada à glosa das despesas médicas, o acórdão recorrido o fez com base nos seguintes fundamentos: Com relação à glosa das despesas médicas, afirma que recebeu os serviços prestados por cirurgião dentista, médico oftalmologista, psicólogo e atendimentos emergenciais, . conforme documentos de fls. 238/278, os quais foram pagos em dinheiro. Acrescenta que os emitentes dos recibos já prestaram os devidos esclarecimentos a ,SRF, e o TRF da 4° Região decidiu, 9recentemente, que é dispensável a comprovação de pagamentos 7 com cheques, quando se tem recibos médicos que atestam os serviços prestados. No que tange à glosa das despesas médicas, a Lei n° 9250, de 1995, em seu art. 80 estabelece: "Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: 1(4 II- das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas. fonatudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I— (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Fisicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifou-se) . Por outro lado, o artigo 73 e § 1° do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que, verbis: Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n°5.844, de 1943, art. II, § 39. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, • poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. II, Ç4. (Negritou-se). Depreende-se dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. As deduções são significativas e incomuns e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do Decreto-Lei ns 5.844, de 1943. Não se prestam a comprovar a efetividade de pagamento meras alegações de que o fez por meio de moeda em espécie. Tal argumento não pode ser aceito. Não é este o meio usual de pagamento adotado pelas pessoas, mormente quando os recibos 8 Processo n°10907.002201/2006-95 52-C2TI Acórdão n.' 2201-00.535 Fl. 5 são de valores expressivos, tanto o é, que o pagamento ao Dr. Henrique S. Kilaita foi efetuado por meio do cheque 850597, •conforme mencionado no recibo à fl. 262. Sendo o impugnante aposentado da previdência oficial e recebedor de rendimentos apenas de pessoas jurídicas seus vencimentos são creditados em conta corrente, não possuindo outros rendimentos próprios declarados que pudessem ser recebidos em espécie, assim, forçosamente os recursos para pagar as despesas médicas tiveram que ser sacados de sua movimentação financeira bancária ou pagas por meio de cheques ou transferências bancárias. Ora, nesse sentido, para comprovar os pagamentos • dessas despesas, bastaria ter apresentado as retiradas que fez, as quais seriam facilmente identlficáveis pela expressividade dos valores. Vale ressaltar também, que é equivocado entender que o inciso III do art. 8° da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso ifi do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação refere-se aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificacão e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento . comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso lido mesmo art. 8° da Lei 9.250, de 1995. Documentos, de natureza particular, por si sós, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento. ' Entretanto, embora não tenha sido apresentado provas do efetivo pagamento, acolhem-se as despesas havidas com fisioterapia junto a profissional Andréa S. M. Xavier (fls. 238/260), no montante de R$ 1.500,00, em cada um dos anos- calendário de 2002 a 2005; a despesa de psicoteratia junto à profissional Suely de Fátima Dutra, no valor de R$ 140,00, em 10/04/2002 (fl. 263-inferior), uma vez corroboradas pelas declarações dos profissionais às fls. 151/152 e 156/160; e os gastos com cirurgia oftalmológica junto ao profissional Henrique S. Kilcuta, no valor de R$ 3.200,00, em 22/07/2004, por estar relacionada com as despesas hospitalares às fls. 266/270, conter a indicação do n° do cheque no recibo de fl. 262, e estar corroborada pela declaração do profissional à fl. 146. Assim, • cabe restabelecer R$ 1.640,00, R$ 1.500,00, R$ 4.700,00 e R$ 1.500,00, nos anos-calendário de 2002 a 2005, respectivamente, a título de despesas médicas. Por outro lado, não são hábeis à comprovação os recibos de fls. 263-superior e 264, supostamente emitidos pela empresa Cidade Emergências Médicas Ltda., CNPJ 01.381.744/0002-47, pois, em se tratando de pessoa jurídica o documento idôneo à ccomprovação seria a nota fiscal. Além disso, os recibos, . 9 apresentados não preenchem os requisitos mínimos para se analisar a dedutibilidade ou não das despesas - são genéricos e englobam despesas anuais, não identificam o(s) procedimento(s) tampouco o(s) paciente(s) -. Vale lembrar, ainda, que não é esta . forma de cobrança adotada pelas empresas prestadoras de serviços de emergências médicas, uma vez que os usuários, normalmente, optam por um plano e pagam uma taxa mensal e, em não havendo, efetua-se o pagamento a cada atendimento. Ademais, sendo o litigante médico e beneficiário de plano de saúde da Unimed que tem ampla cobertura para emergências médicas e hospitalares, restam dúvidas quanto à idoneidade desses documentos. Assim, não há, pois, como acolhê-los. Da mesma forma, não há como acolher as supostas despesas odontológicas do interessado e sua esposa havidas junto ao profissional Artur Kuniyoshi, nos montantes de R$ 1.150,00, R$ 1.950,00 e R$ 2.000,00 (fls. 261/262), nos anos-calendário de 2002, 2004 e 2005, respectivamente, pois além de não ter sido apresentado comprovação do efetivo pagamento, causa-nos estranheza que o litigante e sua esposa tenham se deslocado até Campo Mourão —situado há mais de 500 Km. de Paranaguá, para fazer um tratamento odontológico comum, que poderia ser feito em Paranaguá ou em Curitiba que está há 90 Km. de seu domicilio e possui profissionais competentes e renomados que atuam em todas as especialidades. • Os documentos de fls. 266/270, já foram acolhidos pela autoridade lançadora quando do lançamento, assim, não cabe restabelecer a dedução das despesas constantes dos mesmos. O recurso do sujeito passivo não demonstra, de forma direta, onde estaria o erro do acórdão. Limita-se a argumentar: a) que efetivamente recebeu os serviços médicos; b) que realizou os pagamentos em dinheiro; c) que os profissionais prestadores de serviços médicos já prestaram os devidos esclarecimentos à SRF atestando a prestação dos serviços; e d) que o TRF da 4' Região diz que é dispensável a comprovação de pagamentos com cheques quando se tem recibos médicos que atestam os serviços prestados. Em conformidade com o artigo 11, § 3°, do Decreto-lei n°5844, de 1943, a seguir transcrito, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a Fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. ' Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capitulo, necessárias à percepção dos rendimentos. § 1° As deduções permitidas senão as que corresponderem a despesas efetivamente pagas. • § 2° As despesas deduzidas numa cédula não o serão noutras. ' lo Processo n° 10907.002201/2006-95- S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.535 A. 6 § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. § 5° Ás deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação, exigidas na forma deste decreto-lei, não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrivel na órbita administrativa. O artigo 8 0, § 2°, In, da Lei n° 9.250, de 1995, disciplina que a comprovação dos valores pagos pelo contribuinte aos profissionais da área da saúde deve dar-se por meio de recibo com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebe. Na falta do recibo, o legislador admitiu como prova a indicação do cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Nos casos de lançamento por homologação, cabe ao sujeito passivo informar o valor dos gastos realizados com despesas médicas, sendo assegurado à fiscalização, nos termos do artigo 11, § 3 0, do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, exigir a respectiva comprovação. Conforme tenho me posicionado em julgamentos anteriores, trilho no entendimento de que apresentados recibos exigidos pela lei, acompanhados de declaração do profissional fornecedor dos serviços, a mera suspeita de que os serviços não foram prestados, desacompanhada de outros elementos de convicção, não se constitui em meio de prova capaz de afastar a presunção de veracidade dos recibos. A boa-fé se presume e a má-fé se prova. No entanto, no caso dos autos, em relação aos recibos que não acolheu, como por exemplo os relacionados a tratamentos odontológicos supostamente realizados com profissional estabelecido há mais de quinhentos quilômetros da residência do recorrente, ou os três recibos padrão atribuídos à empresa Cidade Emergências Médicas, o acórdão recorrido, de forma precisa, especifica os fundamentos pelos quais não os acolheu, sem que o recorrente tenha apresentado qualquer prova ou argumento em contrário. Não é crível que alguém, por vários anos consecutivos, gaste consideráveis valores em estabelecimento médico sem dispor de um único exame que pudesse comprovar o tratamento de saúde. Registro que em relação aos atendimentos médicos em que os profissionais atestaram a efetiva prestação de serviços e os pagamentos, o acórdão recorrido restabeleceu a dedução no que diz respeito aos valores comprovados. Por tais fimdamentos, neste ponto, mantenho integralmente o acórdão recorrido. V) Dos rendimentos excedentes ao limite de isenção do declarante com 65 anos ou mais, nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003 e 2005, nos valores de R$ 5.338,89, R$ 10.020,43, R$ 25.403,50 e R$ 28.934,21, respectivamente. Compensação de valores. Em relação a este ponto, o acórdão recorrido está alicerçado nos seguintes fundamentos: 456 i • • Relativamente à tributação dos proventos de aposentadoria excedentes ao limite de isenção prevista para declarantes maiores de 65 anos, há que se observar as disposições do art. 39, XXICP, do R1R/1999, in verbis: Art 39. Mio entranio no cômputo do rendimento bruto: XXXIV — os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência S rio( da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos• Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de Idade, sena prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei 7.713, de 1988, ar!. 6°, XV, e Lei 9.250. de 1995. art 28). O valor de isenção de RS 900,00 foi alterado para R$ 1.058,00 a partir de 01/01/2002, pelos art. 2°e 15, da Lei 10.451, de 2002, e para R$ 1.164,00 a partir de 01/01/2005, pelo art. 2°, vi; da Lei 11.119, de 25 de maio de 2005. Por sua vez a Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, relativamente à parcela isenta de aposentadoria ou • pensão, em seu art. 52, estabelece: An 52. No caso de recebimento de uma ou mais aposentadorias ou pensões pagas pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a contribuinte com 65 anos de idade ou mais, a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos, observados os limites mensais. Parágrafo único. O limite anual representa a soma dos valores mensais computados a partir do mis em que o contribuinte completar 65 anos de idade até o término do ano-calendário. Depreende-se, portanto, que o fato de o contribuinte perceber mais de uma aposentadoria paga pela previdéncia oficial, não lhe autoriza a excluir, cumulativamente, o valor previsto nos dispositivos acima transcritos, de cada um dos rendimentos auferidos. O interessado completou 65 anos de idade em 02/10/2001, tendo, a partir dessa data, direito à isenção mensal nos limites estabelecidos, cabendo-lhe, no entanto, o dever de proceder ao ajuste da parcela isenta submetendo à tributação a valor • excedente ao limite de isenção, independentemente do número de aposentadorias que receber. Com efeito, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos art. 111 e 176 do CTN, assim, não ha que se falar em ofensa as garantias fundamentais conferidas ao idoso na CF/I988 e no estatuto do idoso. À luz dessas considerações reputam-se corretas as parcelas tributadas nos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003, montantes de R$ 5.338,89, R$ R$ 10.020,43 e R$ 25.403, respectivamente. 12 Processo n° 10907.002201/2006-95 S2-C2TE Acórdão n.° 2201-00335 Fl. 7 Em relação ao ano-calendário de 2005, cabe reduzir o montante tributável de R$ 28.934,21 para R$ 13.968,00, uma vez que a parcela isenta correspondente à aposentadoria especial constante do documento à fl. 87, já foi integralmente tributada na declaração de ajuste anual el. 19. Logo, sendo tributáveis tanto os rendimentos decorrentes da reclamatória trabalhista quanto os valores excedentes ao limite de isenção para contribuintes maiores de 65 anos, incabível o pedido de compensação pleiteado em sua impugnação à fl. 205. Diante dos fundamentos acima referidos, argumenta o recorrente que devem prevalecer as disposições constantes da Constituição Federal e do Estatuto do Idoso. No entanto, tais normas, de caráter geral, não conferem isenção de imposto de renda ao idoso, motivo pelo qual, no aspecto tributário, aplicam-se as disposições antes referidas, que por sinal foram modificadas, em parte pela redação dada pela Lei n° 11.482, de 31.05.2007, DOU 31.05.2007 — Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n° 340, de 29.12.2006, DOU 29.12.2006 - Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.012007, passando o artigo 6°, XV, da Lei 7.713, de 1988, a vigorar com a seguinte redação: Art. e. Ficam isentos do Imposto sobre a Renda os seguintes rendimentos percebidas por pessoas fisicas: XV- os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, de transferência para a reserva remunerada ou de reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal de imposto até o valor de: a) R$ 1313,69 (mil, trezentos e treze reais e sessenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2007; b)RS 1.372,81 (mil, trezentos e setenta e dois reais e oitenta e um centavos), •por mês, para o ano-calendário de 2008; c) R$ 1.434,59 (mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e cinqüenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2009; d) R$ 1.499,15 (mil, quatrocentos e noventa e nove reais e quinze centavos), por més, a partir do ano-calendário de 2010; (Redação dada ao inciso pela Lei e 11.482, de 31.05.2007, DOU 31.05.2007 - Edição Extra, conversão da Medida Provisória n° 340, de 29.12.2006, DOU 29.12.2006 - Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.01.2007). Não havendo no estatuto do idoso qualquer norma que confere isenção em relação ao imposto de renda, neste ponto, mantém-se o acórdão recorrido, destacando que a questão relativa à compensação, em relação a esta exigência, com os valores retidos a título de imposto de renda no processo trabalhista, já foi analisada anteriormente e não acolhida. e 13 • Isso posto, dou parcial provimento ao recurso para: a) afastar da base de cálcuto, nos anos-calendário de 2002 e 2003, os valores de R$ 12280,00 e R$ 12.500,00, respectivamente, atribuidos a supostos pagamentos feitos pela Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, devendo, na execução do acórdão, também ser desconsiderado os valores informados a título de 1RRF, especificados às fls. 170 e 176. É o voto. MOISÉSSGIACO DA SILVA. • • 14 • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10907.002201/2006-95 Recurso n° : 161.360 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (á) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n°2201-00.535. Brasi ia/DF .• FRANCI O A . SIS DE OLIVEIRA JUNIOR President: da Se:, da Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 11831.001604/2007-91
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.726
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. 3. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 16 04 /2 00 7- 91 Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa. Tais contribuições têm como fatos geradores os valores pagos a segurados contribuintes individuais, nas competências 01/1999 a 02/1999. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 16 de agosto de 2007 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999 Documento: NFLD nº 37.038.8283 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo de decadência para a constituição do crédito previdenciário é de 10 (dez) anos, conforme art. 45 da Lei 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/91, nos termos do art. 30, inc, IX, do mesmo diploma legal. A solidariedade fixada na legislação previdenciária em relação ao grupo econômico (art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91 e art. 748 da IN MPS/SRP nº 03/2005) é bastante ampla. Basta uma das componentes do grupo não cumprir as obrigações previdenciárias, para outra delas assumir a responsabilidade pro via da solidariedade, o que possibilita ao FISCO, proceder contra qualquer delas, sem que se possa arguir a defesa de ilegitimidade de parte, ou benefício de ordem. INCONSTITUCIONALIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da lei não se discute em instância administrativa. Tais teses deverão ser discutidas na esfera própria, Supremo Tribunal Federal, conforme competência estabelecida no Capítulo III, da Constituição Federal (art. 102, inciso I, alínea “a”). TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadas pelo INSS, não pagas dentro do prazo legal, incidem juros de mora, calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic – Art. 34 da Lei 8.212/91. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 5 4 Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminares. O acórdão recorrido deve ser anulado, tendo em vista a incompleta ementa que, como parte integrante do v. acórdão, não pode ostentar as características da seletividade em seus termos. O contribuinte não teve ciência das prorrogações do originário MPF (09303971, de 18/05/06). Os argumentos preliminares suscitados não foram contemplados na ementa do acórdão recorrido, e, receberam contrapontos decisórios que, no franco sentir do contribuinte, não ofereceram um mínimo de palavras revestidas de juridicidade hábil á comporem uma ementa e julgamento, daí , talvez, a omissão seletiva, data vênia. Mérito. A caracterização de grupo econômico está inadequada. Resta impugnada, na sua totalidade, esta NFLD, diante da falta de adequada demonstração quanto à apropriação de recolhimentos feitos oportunamente pelo contribuinte aos cofres previdenciários. Espera o contribuinte o recebimento e processamento deste recurso administrativo, com o acolhimento de suas arguições ainda em sede de primeira instância administrativa, através da realização de diligências, determinadas na fase de contrarrazões do fisco previdenciário, encerrandose desde logo a controvérsia instaurada nestes autos administrativos. Mas, mantendo a instância administrativa originária seu posicionamento, ou seja, insistindo em seu erro, e, em sendo processado o presente recurso, que o e. Conselho de Contribuintes, ponderando nas razões recursais, reconheça a insubsistência da NFLD, extirpandoa em definitivo do mundo jurídico. Por fim, mantémse o contribuinte na expectativa do acolhimento das nulidades aventadas em sede preliminar, ou, na improvável hipótese de serem superadas, que seja declarada a improsperidade do lavor fiscal, no seu mérito. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Quanto à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212 há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 7 6 No presente caso o lançamento foi efetuado em 30 de novembro de 2006, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplicase a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente, fevereiro de 1999, o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 2000, o que findaria em 1 de janeiro de 2005. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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