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Numero do processo: 10410.008205/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-007.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Thiago Duca Amoni, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório Trata-se de auto de infração relativo ao imposto de renda da pessoa física, ano calendário 2002, por ter o contribuinte incorrido na seguinte infração: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 82 05 /2 00 7- 40 Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.729 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.008205/2007-40 Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação onde alega o seguinte, conforme relatório do acórdão recorrido: Inicialmente argúi preliminar de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal por não ter logrado êxito em obter prazo necessário à obtenção dos documentos solicitados junto às instituições financeiras e em obter cópia dos autos do Mandado de Procedimento Fiscal, fato que teria impedido a apresentação dos esclarecimentos solicitados, trazendo agora documentos que comprovariam que os valores apontados pela autoridade fiscal não seriam passíveis de lançamento de oficio, razão pela qual espera a anulação do lançamento. Em relação ao mérito, afirma que a documentação acostada (extratos bancários e cópias de cheques) obtida junto às instituições financeiras, comprovaria a origem dos valores lançados, alegando serem referentes a mútuo contraído junto às próprias instituições financeiras e junto a “terceiros, pessoas do relacionamento do ora impugnante, conforme comprovam as cópias dos cheques acostados.” Argumenta existir farta jurisprudência dos Tribunais no sentido de que os valores referentes a proventos, verbas indenizatórias, transferências entre contas, empréstimo e restituição do imposto de renda, por não trazerem acréscimos ao patrimônio, não se encontrariam sujeitas ao pagamento de IRPF. Finaliza requerendo a anulação do lançamento tendo em vista que os depósitos bancários estariam com sua origem comprovada, sendo originários de empréstimos. A DRJ considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário Inconformado, o contribuinte reitera os argumentos de mérito apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade Tendo em vista serem coincidentes as razões deduzidas no recurso voluntário e aquelas ofertadas por ocasião da impugnação, e por concordar com os fundamentos expostos na decisão recorrida, adota-se como razões de decidir, o trecho do voto inserto na decisão de primeira instância, que se passa a transcrever Do Mérito Trata-se de lançamento referente a omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação de origem de depósitos bancários, tendo como fundamento legal o artigo 849 do RIR/99, cuja 'matriz legal e o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 o qual dispõe: Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.729 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.008205/2007-40 ”Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. " Como se vê, configura-se em hipótese legal de omissão de rendimentos do tipo “juris tantun”, ou seja à fiscalização cabe apenas demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para satisfazer o ônus probandi a seu cargo, cabendo ao contribuinte provar que os recursos relativos aos depósitos bancários já haviam sido tributados ou não seriam passíveis de tributação. Portanto, a simples existência de depósitos bancários cuja origem não tenha sido comprovada após realizada intimação para tal, é hipótese presuntiva de omissão de rendimentos, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. A autoridade fiscal, agindo como determina a lei, regularmente intimou o contribuinte a comprovar a origem de diversos créditos em sua conta corrente bancária, conforme demonstram as intimações constantes dos autos. De acordo com o Termo de Intimação de fl.87, o qual foi cientificado ao contribuinte conforme AR de fl. 88, a autoridade administrativa elaborou planilha listando os depósitos em relação aos quais estava sendo requerida comprovação da origem, tendo sido encaminhadas cópias do MPF e suas prorrogações e dos extratos bancários (com indicação dos lançamentos constantes da planilha mencionada), além de ser esclarecido que na elaboração da planilha haviam sido expurgados aqueles referentes a proventos, verbas indenizatórias, transferências entre contas, empréstimos, restituição de imposto de renda, cheques sem fundo e devolvidos. Em atendimento à intimação fiscal, deixou o contribuinte de apresentar a comprovação solicitada, limitando-se a apresentar por duas vezes pedido de prorrogação de prazo. Em sua impugnação, o contribuinte apresenta alegação no sentido de que os referidos depósitos seriam referentes a empréstimos realizados junto a instituições financeiras e a pessoas de seu conhecimento. No entanto, nenhuma prova da realização dessas operações de empréstimo foi trazida aos autos, portanto, não foi cumprida a determinação legal no sentido de que a comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários se faça através de documentação hábil e idônea. Quanto aos documentos anexados ao presente processo pelo contribuinte (cópias de cheques e extratos bancários) não constituem documentação hábil pois apenas comprovam a realização dos depósitos e o meio pelo qual se processou (em cheque e não em espécie) mas não comprovam o essencial, ou seja, as operações que deram origem aos recursos depositados em suas contas bancárias. Permanecendo, portanto, a falta de comprovação da origem dos créditos bancários, relativamente às contas correntes mantidas pelo contribuinte, permanece a tributação sobre tais valores. No que concerne a afirmativa apresentada no sentido da existência de jurisprudência considerando que os valores referentes a proventos, verbas indenizatórias, transferências entre contas, empréstimo e restituição do imposto de renda, por não trazerem acréscimos ao patrimônio, não se encontrariam sujeitas ao pagamento de IRPF, tem-se a esclarecer que a autoridade fiscal efetuou o expurgo de todos os valores referentes a proventos, verbas indenizatórias, transferências entre contas, empréstimos, restituição de imposto de renda, cheques sem fundo e devolvidos na elaboração da planilha relacionando os depósitos a serem objeto de comprovação pelo contribuinte, conforme relatado no Termo de Intimação de fl. 87 e demonstrativos constantes dos autos. Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.729 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.008205/2007-40 Além do mais, no que se refere à jurisprudência mencionada pelo contribuinte em sua impugnação, é de se esclarecer que a sentença judicial só tem força nos limites "da lide" e das questões decididas. Não é por outra razão que o Código do Processo Civil dispõe em seus artigos 468 e 472, que " A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas" e que "A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada. não beneficiando. nem prejudicando terceiros...." (os grifos não são do original) Do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10865.909053/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/08/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO
DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e
objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado.
Embargos Acolhidos
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.726
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 3803-002.108, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 3803002.108, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira , Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 2 ITAIQUARA ALIMENTOS S.A. formulou, em 23 de janeiro de 2012, os Embargos de Declaração de fls. s/nº, contra o Acórdão nº 3803002.108, de 7 de novembro de 2011, fls. 48 a 50, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Invocando o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, a embargante acusa a decisão embargada de incorrer em contradição ao tomar como base de decidir os fundamentos da decisão recorrida, que são distintos dos levantados na fundamentação da decisão embargada. Requer ainda reconsideração do indeferimento do pedido de sobrestamento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 3803002.108, de 7 de novembro de 2011. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Contradição Compulsando o voto condutor da decisão embargada, constato que dele constou, sob o título “Conclusão”, o que segue: Conclusão Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10865.909053/200918 Acórdão n.º 380302.726 S3TE03 Fl. 3 3 Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2011 Alexandre Kern Há que se dar razão à Embargante. Com a locução recém transcrita, o Acórdão embargado findou por encampar os fundamentos levantados pela decisão de primeira instância, sem, contudo ter discorrido sobre eles em sua fundamentação, limitandose a analisar a questão sob a ótica probatória. Nesse sentido, portanto, entendo que a contradição deve ser sanada pela via dos presentes declaratórios. A contradição é meramente aparente. Na verdade, a fórmula empregada na conclusão do voto condutor da decisão embargada não deveria dele constar, tratandose de erro manifesto na formalização do acórdão. Assim, retifico a decisão embargada, cuja conclusão passa a ser, simplesmente, a que segue: Conclusão Em face dessas considerações, nego provimento ao recurso. Pedido de reconsideração do indeferimento do pedido de sobrestamento A propósito do pedido de reconsideração, recorro à doutrina Humberto Theodoro Junior1 (2004, p. 560), que leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam à reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” (Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346) 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004. p. 560 e ss Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Salientada a natureza específica deste recurso, qual seja, a de propiciar a correção, integração e complementação da decisão, o pedido em tela não merece acolhida, posto que a via empregada não se presta para o simples reexame do litígio, obtendo nova análise da questão sob determinado ângulo, como meio de alterar o decidido Não conheço o pedido. Conclusão Com essas considerações, voto pelo acolhimento dos declaratórios do contribuinte, apenas para rerratificar a decisão embargada, sem alterarlhe o resultado do julgamento. Sala das Sessões, em Alexandre Kern Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10865.909053/200918 Acórdão n.º 380302.726 S3TE03 Fl. 4 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: Interessada: Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no , de , da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em . [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13007.000087/2003-58
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 11/03/2003 a 20/03/2003
NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo
administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC).
DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de crédito de IPI com débito de IRF com base em decisão judicial que, além de não ter reconhecido este direito, embora requerido (compensação entre tributos de espécies diferentes), nem teve seu trânsito em julgado, o que fere, também as disposições do art. 170-A do CTN.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DEBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI Nº 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada após 31/10/2003, data da publicação da MP nº
135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e antes de 20/11/2004, data da vigência da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que considerou como não declaradas as compensação lastreadas em crédito objeto de discussão judicial sem o trânsito em julgado, constitui confissão de divida. Os débitos informados em DCTF e cuja compensação não tenha sido
homologada podem ser exigidos após a decisão nesse sentido na esfera administrativa. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser
exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada
com base nas DCTF.
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Estando vedada a compensação por expressa disposição legal (crédito objeto de discussão judicial sem o trânsito em julgado), correta a aplicação da multa isolada, no percentual de 75% (inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, c/c os arts. 18 da Lei nº 10.833/2003 e 170-A do CTN).
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei nº 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC).
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-000.438
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado: I) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso para manter a decisão que não homologou as compensações; II) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso para cancelar as cartas de cobrança em face da obrigatoriedade, à época, de lançamento de oficio para a constituição de crédito tributário decorrente de débitos cuja compensação não tenha sido homologada, na linha do disposto no artigo 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24/08/2001. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (Relator). Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, para redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ';';‘±i‘t•Jt2 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO..,v-t4óàok Processo n° 13007.000087/2003-58 Recurso n° 254.068 Voluntário Acórdão n° 3401-00.438 - 4" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 17 de novembro de 2009 Matéria IPI - Declaração de Compensação de débitos de IPI Recorrente BRASICEM S/A (SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO DE OPP QUÍMICA S/A) Recorrida OU EM PORTO ALEGRE - RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 11/03/2003 a 20/03/2003 NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE LPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula n2 1, do 22 CC). DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de crédito de IPI com débito de IRRÉ com base em decisão judicial que, além de não ter reconhecido este direito, embora requerido (compensação entre tributos de espécies diferentes), nem teve seu trânsito em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N 2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada após 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 6 2 no art. 74 da Lei n2 9.430/96, e antes de 20/11/2004, data da vigência da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que considerou como não declaradas as compensação lastreadas em crédito objeto de discussão judicial sem o trânsito em julgado, constitui confissão de dívida. Os débitos infomudos em DCTF e cuja co ensação não tenha sido homologada podem ser exigidos após a decisât esse sentido na esfera administrativa. O lançamento deçllet tos kbitos indevidamente IIr â e/ compensados em DCTF so foi obngatorio na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STI. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Estando vedada a compensação por expressa disposição legal (crédito objeto de discussão judicial sem o trânsito em julgado), correta a aplicação da multa isolada, no percentual de 75% (inciso I do art. 44 da Lei n 2 9.430/96, c/c os arts. 18 da Lei n2 10.833/2003 e 170-A do CTN). CONSECTÀRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96. É cabível a cobrança: de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n2 3, do 22 CC). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado: I) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso para manter a decisão que não homologou as compensações; II) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso para cancelar as cartas de cobrança em face da obrigatoriedade, à época, de lançamento de oficio para a constituição de crédito tributário decorrente de débitos cuja compensação não tenha sido homologada, na linha do disposto no artigo 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24/08/2001. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni F. • (Relator)411 esignade o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, para redigir o voldicedor. A ti 1)/ 4riedp .4..so 1". c:a I Aos- ••urg Filho — Presidente e .. dassi ouerzoni . itorak a...ar Cm tait‘Viraysto.r., _ A EmantrigSretras ire". siS - Redator Designadoarr , • e' Processo n° 13007.000087/2003-58 53-C4T1 Acórdão n°3401-00.438 Fl. 2 EDITADO EM 05/12/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Relatório Trata este processo de Declaração de Compensação apresentada pela OPP QUÍMICA S/A em 31/03/2003, para quitação de débito de IN, relativo ao período de apuração de 11/03/2003 a 20/03/2003, com créditos de IPI calculados sobre insumos desonerados do imposto (isentos, não tributados ou tributados à aliquota zero), adquiridos no período de 11/03/2003 a 20/03/2003, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS. O MS foi impetrado em 06/07/2000 pelas empresas OPP PETROQUÍMICA S/A e OPP POLIETILENOS S/A e o direito declarado pelo TRF da <IP- Região alcançou os créditos decorrentes dos insumos utilizados na produção nos últimos dez anos, ou seja, no período de 06/07/1990 a 06/07/2000. A Delegacia da Receita Federal não homologou a compensação efetuada pela contribuinte, com fundamento no art. 170-A da Lei n 2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Consta do despacho decisório que a decisão judicial autoriza apenas o creditamento do IPI na escrita fiscal da empresa, para compensação com débitos do próprio IPI, e ainda assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo autorizado a compensação dos créditos passados com outros tributos administrados pela RFB antes do trânsito em julgado da respectiva sentença e nem a utilização de créditos posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Irresignada, a BRASICEM S/A, que incorporou a OPP QUÍMICA S/A, a qual, por sua vez, sucedera as impetrantes do mandado de segurança, apresentou manifestação de inconformidade, na qual, após requerer a suspensão da exigibilidade do débito compensado, apresenta as suas razões de defesa, que podem ser assim sintetizadas: - a Receita Federal, ao interpretar a sentença como tendo garantido o direito de aproveitamento, apenas, dos créditos anteriores à impetração do mandado de segurança, incorreu em erro tanto fático quanto jurídico. Erro fático, por inexistir nos autos qualquer negativa do direito em questão, quer na sentença, quer no acórdão do TRF da 4 a Região; e erro jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança, que tem por escopo a urgente proteção de direito legítimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro; - a existência de decisão transitada em julgado materialmente a seu favor ...s,impossibilita a cobrança do crédito tributário, porque a Fazenda Nacional interpõ agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente da decisão monocrática do STF, que não nheceu de seu recurso extraordinário, não atacando o mérito integral das decisões fa áveis à I)empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de ins oito- ,â' o- butados do, e3 (NT), a incidência de correção monetária e a definição da aliquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide; - o art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n2 104/2001, aplica-se exclusivamente às ações judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, não atingindo o mandado de segurança por ela • impetrado, que é anterior; - obsta, igualmente, a incidência do art. 170-A do CTN sobre o caso em foco, o fato de este dispositivo ter surgido quando já existia decisão judicial, cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente; - a execução provisória da sentença que conceder o mandado não comporta recurso com efeito suspensivo e a pretensão da Fazenda Nacional, de suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos; - os pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza ratificam seu entendimento sobre a matéria em discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao caso e a ocorrência do trânsito em julgado material; - o direito de aproveitamento dos créditos sobre os insumos desonerados decorre do principio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do § 3° do art. 153 da CF/88. A não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de insumos isentos, não- tributados ou tributados à aliquota zero desnaturaria a exoneração tributária intentada, pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Pugna, ainda, pelo expurgo da multa de mora e dos juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor até a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, aduz que não poderia ser considerada em mora. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do despacho decisório e o cancelamento das cartas de cobrança. A DRJ em Porto Alegre — RS manteve a não-homologação da compensação e a cobrança dos débitos indevidamente compensados, em decisão assim ementaria: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/03/2003 a 20/03/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. Denegada a segurança quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de matérias-primas isentas, não-tributadas ou sujeitas à aliquota zero, posterionnente ao ajuizamento da ação, tp, não há provimento judicial para sua utilização. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. TRÂNSITO EM JULGADO A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo A'. Processo n° 13007.000087/2003-58 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.438 Fl. 3 gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MORA TORIOS. A exigência da multa de mora e dos juros moratórios decorre de expressa disposição legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PEIA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida No recurso voluntário, a empresa repisa as mesmas razões de defesa, acrescentando que houve equivoco do órgão julgador de primeiro grau, porque, mesmo estando vinculado ao Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional que reconhecera o direito às compensações, ignorou-o por completo. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, para o fim de homologar as compensações, cancelando-se, por conseguinte, as cartas de cobrança dos débitos compensados. Com relação ao ultimo pedido, a empresa argüiu perante este Colegiado, após a apresentação do recurso voluntário, como questão de ordem pública, que a cobrança intentada pela DRF é indevida, porque as declarações de compensação apresentadas antes de 31/10/2003 não constituíam confissão de dívida, a teor do disposto na Lei n 2 10.833, de 2003. Acrescenta que, no presente caso, também não houve confissão da dívida nas DCTF, porque nelas os débitos foram quitados por compensação, não sendo declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Sendo assim, os débitos compensados não podem ser cobrados, por falta de confissão ou de lançamento. É o relatório. Voto Vencido • Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. A ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante, a OPP PETROQUIMICA S/A. Além da alegação de que o parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional lhe teria sido favorável, as demais alegações da recorrente podem ser resumidas nos seguintes tópicos: (1) preliminar de nulidade das cartas de cobrança; (2) existência de decisão transitada em julgado materialmente favorável à recorrente; (3) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (4) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao prs ente caso; (5) o mérito do direito ao crédito de IPI é decorrência lógica do principio d ão- cumulatividade, conforme já decidiu o STF; e (6) impossibilidade de exigência de m 7. de ii, II 11 , 05 mora e dos juros de mora, uma vez que a conduta da recorrente teria sido pautada em expressa determinação judicial e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Selic. 1 - Da preliminar de nulidade das cartas de cobrança porque os débitos não poderiam ser cobrados sem lançamento de oficio Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio uma vez que a Dcomp tratada neste processo não constitui confissão de dívida porque apresentada antes da vigência da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, depois convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Acrescenta que a confissão de divida também não se operou nas DCTF, pois nelas não foi declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevidas as cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. a) Dcomp como confissão de dívida De fato, somente após a edição da Medida Provisória n°135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, é que as declarações de compensação — Dcomp — passaram a se constituir em confissão de divida, aptas a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, senão vejamos o teor dos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, verbis: § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7 0, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°. Assim, esse gravame de "confissão de divida" imputado por lei nova "às Dcomp, não pode ser estendido para trás, alcançando aos fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n° 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão - IPI dos períodos de apuração do 2° decêndio de março de 2003, não pode mesmo ser exigido com fundamento na cludaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos inde amente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do a 4 da Lei n° 9.430/96, supratranscrito. r4d Processo n°13007000087/2003-58 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.438 Fl. 4 Porém, esse entendimento não impede que se prossiga na sua cobrança com outros fundamentos, conforme se explicará no tópico seguinte. b) DCTF como confissão de divida — total do débito declarado ou saldo a pagar No que se refere às DCTF, nao ha duvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, e nem é motivo de discussão, o fato de que estas declarações — DCTF - constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, o contribuinte é obrigado a informar, para o débito apurado em cada período, como efetuou ou está efetuando a sua respectiva quitação, ou seja, para cada débito deve vincular um "crédito", seja ele decorrente de: pagamento por meio de Darf, compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior; outras compensações, autorizadas judicialmente ou não; pedido de parcelamento; suspensão da exigibilidade; ou, ainda, de outros motivos. Só depois de deduzidos do valor do débito a somatória de todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que, na maioria das vezes, é sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolhê-los na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o porquê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Neste caso, entende a recorrente que a confissão de divida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, e que, como referido valor estava zerado, não havia confissão alguma a ser agora objeto de cobrança pela Administração. Aqui é preciso nos debruçarmos um pouco mais sobre a evolução legislativa da matéria, começando com o ato legal que autorizou o Ministro da Fazenda a instituir obrigações acessórias de sorte a propiciar à autoridade fazendária o conhecimento dos recolhimentos efetuados antecipadamente pelo sujeito passivo, qual seja, o art. 5 2 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, de 13/06/1984, verbis: Art. 5 0 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita FederaL § O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, • O 7 observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3 ° (•) Vê-se, portanto, que o objetivo do legislador foi, primeiro, o de permitir à administração tributária a exigência imediata (cobrança) do crédito tributário que houvesse sido informado (confessado) pelo próprio sujeito passivo e, segundo, que, o referido crédito, caso não pago no prazo legal estabelecido, poderia ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, devidamente acrescido de atualização monetária, de multa de 20% e de juros de mora. Observa-se também que ainda não havia qualquer menção à figura dos saldos apagar, e que, com outras palavras, o objetivo do legislador foi o de também evitar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado (confessado) pelo contribuinte. A sigla DCTF, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, já foi usada anteriormente para a Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela IN SRF n° 129, de 19/11/1986, com periodicidade mensal, e foi utilizada para a prestação de informações dos débitos, relativos aos períodos de apuração até 12/1996, apurados pelas Pessoas Jurídicas obrigadas à sua apresentação. A partir de janeiro de 1997 e até dezembro de 1998, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais passou a ter periodicidade trimestral, com os trimestres encerrando-se em 31/03, 30/06, 30/09, e 31/12 do ano calendário correspondente e foi utilizada para a prestação de informações dos débitos relativos aos tributos e contribuições apurados pelas Pessoas Jurídicas no respectivo trimestre, bem como os créditos a eles relacionados. Passaram a constar também da declaração as informações sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. A Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi extinta pela IN SRF n° 127, de 30/10/1998, a partir de janeiro de 1999, sendo substituída pela atual DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), instituída pela IN SRF rt° 126, de 30/10/1998. Esta nova DCTF, com alguns conceitos e definições alterados pela IN SRF n° 255, de 11/12/2002, que revogou a IN SRF n° 126/1998, também tinha periodicidade trimestral, e foi utilizada para a prestação das informações relativas aos tributos e contribuições apurados pelas Pessoas Jurídicas no trimestre correspondente Também continha informações relativas aos pagamentos efetuados, relativos aos débitos nela declarados, bem como informações sobre suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. A referida IN SRF n° 126, de 1998, que criou a nova DCTF, estabelecia originalmente em seu artigo 7° que: Art. 70 Todos os valores informados na DCTF seroo objeto de procedimento de auditoria interna. § 1° Os saldos relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. § 2° Os saldos a papar relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro liquido das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurado anualmente, serão, também, objeto de auditoria interna, LÁ*abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração 8 Processo n° 13007.000087/2003-58 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00438 Fl. 5 Integrada de Informações da Pessoa Jurídica - DIPJ, antes do envio para inscrição em Divida Ativa da União. § 3° Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de oficio, com o acréscimo de multa, moratória ou de oficio, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF n° 094, de 24 de dezembro de 1997, e n°077. de 24 de julho de 1998. (grifei) Porém, com a entrada em vigor da IN SRF n° 16, de 14/02/2000, o referido artigo 7° ficou assim redigido: Art. 7° Todos os valores informados na DCTF serao objeto de procedimento de auditoria interna. § 1° Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. § 2° Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n's 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SI?? n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensacão indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. (grifei) § 3° Os saldos a pagar relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro liquido das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurado anualmente, serão, também, objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica - DIPJ, antes do envio para inscrição em Divida Ativa da União. § 4° Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de oficio, com o acréscimo de juros moratórios e de multa, moratória ou de oficio, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF n° 094, de 24 de dezembro de 1997, e n° 077, de 24 de julho de 1998'. Relevante notar que na versão original da referida IN n° 126/98, isto é, sem as alterações introduzidas pela IN SRF n° 16, de 14/02/2000, havia menção apenas aos saldos a pagar para fins de envio à PFN caso não pagos nos prazos legais estabelecidos; agora, com a nova redação, também os débitos decorrentes de compensação indevida poderiam ser encaminhados para a cobrança executiva, porém, com a ressalva ou condição de que houvesse uma decisão definitiva na esfera administrativa mantendo o indeferimento do direito que deu causa à referida compensação considerada indevida. Seguiu-se a edição da IN SRF n°255, de 11/12/2002, que, revi • ando a IN SRF n°126, de 1998, dispunha no seu artigo 8° que: 1P2 ç.)9 Art. e Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 12 Os saldos apagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 22 Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (D1PJ), antes do envio para inscrição em Divida Ativa da União. § 32 Os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas decorrentes de informações prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidas ou não comprovadas serão enviadas para inscrição em Divida Ativa da União, com os acréscimos moratórias devidos.( * ) § 42 Serão objeto de lançamento de oficio, com multa agravada, as diferenças apuradas na DCTF, conforme disposto no § 3=; quando decorrerem de: ( * ) I - na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d)fundados em documentação falsa; II - demais hipóteses, além das referidas no inciso 1, em que também fique caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n 2 4.502, de 30 de novembro de 1964. Os asteriscos inseridos logo após os parágrafos 3° e 40 servem para ressalvar que, por conta destes terem sido instituídos com base na Medida Provisória n° 75, de 24 de outubro de 2002, os mesmos restaram prejudicados haja vista que referida medida provisória acabou sendo rejeitada pela Câmara dos Deputados em 18/12/2002. Assim, voltou a prevalecer aquele regramento estabelecido pela IN SRF n° 126, de 2000, em seu artigo 7°, com as alterações da IN SRF n° 16, -de 14/02/2000, acima reproduzido, até que o advento da IN SRF 110482, de 21/12/2004, que revogando a IN SRF n° 255, de 2002, fixou, em seu artigo 9°: Art. 9" Todos os valores informados na DCTF serão objeto de Alprocedimento de auditoria interna. § I° Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, 14 informados na DCTF, bem assim os valores das diferença go I, e», Processo n° 13007.000087/2003-58 S3-C4T1 Acórdão n.°3401-00.438 Fl. 6 apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos morató rios devidos. § 2° Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Divida Ativa da União. Observe-se, portanto, que referido ato infralegal passou a considerar como confissão de dívida não somente os saldos a pagar, mas também "os valores das diferenças apuradas em procedimentos de autoria interna, relativos a informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade", ou seja, o valor total do débito informado. E, portanto, com base nesse arcabouço de normas que o presente caso deve ser analisado, ou seja, se aqueles débitos exsurgidos a partir da não homologação da compensação podem ou não ser exigidos do contribuinte sem a necessidade de lançamento de oficio, isto é, mediante cartas de cobrança. Assim, tome-se as disposições da IN SRF n° 126, de 1998, com a redação da IN SRF n° 16, de 2000, ou as disposições da IN SRF n° 482, de 2004, o fato é que a exigência dos referidos débitos prescinde do lançamento de oficio, haja vista, de um lado, a expressa disposição inserida pela IN SRF n° 14, de 2000, na IN SRF n° 126, de 1998, no sentido de que os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento (parte final do § 2° do artigo 7°), e, de outro, o contido na parte final do § 1° do artigo 9° da referida IN SRF n° 482, de 2004, no sentido de os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento parcelamento compensação ou suspensão de exigibilidade serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e petinha a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. Me de 21/05/2008. Ementa: TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENIt. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. /1 I. E pacifico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacifico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em divida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido. 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA EMANA CALMON. D3e 07/10/2008. Ementa: TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. 1. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitos tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento especifico (DCTF, GIÁ, GFIP e congêneres), a divida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela,. b) declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em divida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em divida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CIN. Processo no 13007.000087/2003-58 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.438 Fl. 7 3. Recurso especial não provido. Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamara, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4 a Região, ofenderam ao art. 50, § 1°, do Decreto-Lei n9 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tomando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da divida tributária. Eis como o TRF-4 resumiu a sua decisão relativa ao segundo caso acima referido: CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. I. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. 11, do Código Tributário Nacional e 74, § 2°, da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos noticia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3. Apelação e remessa oficial improvidas. O TRF-4 decidira e o STJ esclareceu que, no caso de glosa de compensação declarada na DCTF, ha que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não tenha sido admitida não estará definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa e a prevalecer a tese do fisco, o débito em questão estará definitivamente constituído e a Administração estará apta a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-3512001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes tfelinos. • Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição MP n 135, de 30/10/2002, convertida na Lei naujc, art. 18 se dispôs, verbis: 1141, 13 Art.I 8. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e fiou no § 2" do art. 44 da Lei na 9.430, de 1996, conforme o caso. O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve-se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do citado art. 18,0 lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n9 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 1 1 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: § 9 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 72, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n°10833, de 29.12.2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9' e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de Processo e 13007.000087/2003-58 83-C41-1 Acórdão n.° 3401-00.438 Fl. 8 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que no caso de glosa de compensação, como vem decidindo o STJ e já estabelecera a Receita Federal por meio da IN SRF n° 16, de 2000, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a li do Decreto n° 70.235/72, que ê uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DOTE, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas de cobrança expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a exigência dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, como dito acima, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que • mantiver a não-homologação da compensação tornar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. 2 — Da alegação de que teria havido trânsito em julgado material da sentença As empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento de créditos de RI apurado com base nas alíquotas de saída, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de RI e outros tributos administrados pela SR' Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos c ditos e de negar-lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamvi , com a inclusão dos expurgos inflacionários. ifil'I ç/ I5 A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatórios da SRF. E A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 42 Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/96, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. P: Turma, 11.12.2007. No recurso extraordinário (RE 11.2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de aliquota zero e os não-tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém, o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IR!. Crédito Presumido. 1nsumos sujeitos à aliquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à aliquota zero. (destaquei) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandad de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instân que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 4 2 Região, ao contrário do que defend ,p, Processo n° 13007.000087/2003-58 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.438 Fl. 9 recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de aliquota zero e não-tributados. 3 — Da alegação de que houve erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo. e, na segunda parte, declarou: O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UFIR, até 31/12/1995, e dai até o efetivo aproveitamento segundo o § 4°, do art. 39, da L 9.250/1995. Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconfomnsmo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que lhe foi desfavorável. Desta forma, não houve interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem do órgão julgador de primeira instância, quanto ao fato de o direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, decorrentes de saídas tributadas. 4 — Da compensação de créditos de 1H posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Direito não reconhecido pela decisão judicial. Os créditos utilizados na compensação que ora se discute decorrem de insumos adquiridos em período posterior à impetração do mandado de segurança. A sentença judicial autorizou o aproveitamento dos créditos fictos dos últimos cinco anos e o TRF da 4A Região, como já foi visto, ampliou este período para alcançar os insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ao ajuizamento da ação Em nenhuma das instâncias a empresa obteve o direito de beneficiar-se dos insumos adquiridos após a data de impetração do mandado de segurança. Se é assim, não tem qualquer implicação no caso tratado nos presentes autos a limitação à compensação de créditos judiciais imposta pelo art. 170-A do CTN. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão reco i'0°Tla, quando decidiu pela não-homologação das compensações objeto do presente processo. fp Y-17 5 — Do direito ao crédito como decorrência lógica do principio constitucional da não-cumulatividade - Da renúncia à discussão da matéria na via administrativa Não se tem dúvida de que a discussão sobre o direito ao crédito está sendo travada no âmbito do Mandado de Segurança n° 2000.72.00.018617-3/RS. Tendo deslocado a lide para o Poder Judiciário, a contribuinte, ora recorrente, produziu, como efeito processual obrigatório, a renúncia à esfera administrativa ou desistência do recurso eventualmente interposto, conforme Súmula n12 1, do Segundo Conselho de Contribuintes, redigida nos seguintes termos: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo De nada adianta, pois, a alegação de que o mérito do direito ao crédito de IPI é decorrência lógica do principio da não-cumulatividade, posto que esta matéria não será objeto de apreciação por parte deste Colegiado. 6— Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3 0 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento se deu por culpa ou por força maior. Ocorrendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Colegiado, assim como também o é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a alegação de inconstitucionalidade de dispositivo legal. Estas matérias foram, inclusive, objeto da edição das Súmulas n's 2 e 3, por parte do Segundo Conselho de Contribuintes, publicadas no Diário Oficial d União de 26/09/2007, com o seguinte teor: Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. 5 Processo n° 13007.00008712003-58 S3-04T1 Acórdão n.° 3401-00.438 Fl. 10 Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Portanto, o débito indevidamente compensado deve ser exigido com os consectários legais expressamente previstos em lei. 7 — Das demais alegações do recurso voluntário Pugna a recorrente pelo acolhimento dos pareceres emitidos por professores e doutrinadores de escol, como suporte à sua defesa. No entanto, nada do que neles se contém é capaz de ilidir as conclusões a que se chegou no presente voto. Também não assiste razão à recorrente quando aduz que a Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional teria reconhecido o seu direito de realizar as compensações, até porque, após a vigência da Lei Complementar n° 104/2001, que introduziu o art. 170-A no CTN, o art. 12 da Lei tf 1.533/51, que rege o mandado de segurança, não mais prevalece em matéria tributária. Conclusão Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade das cartas de cobrança expedidas pelo Fisco e, no mérito, nego provimento ao recurso. • è t\ \ ODASSI GUERZONI F • O Voto Vencedor Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Redator Designado Admitindo a controvérsia que o tema encerra e a força da argumentação expendida no voto vencido, peço vênia ao ilustre relator para dele discordar por interpretar que no período até 30/10/2003 - antes de publicada a Medida Provisória n°' 135, de 30/10/2003, publicada em 31/10/2003 e convertida na Lei n° 10.833/2003 -, os valores compensados indevidamente não podiam ser exigidos com base na DCTF, tão-somente. Dai a divergência em relação ao subtópico, 1-b, tão-somente. Entendo que antes da MI' n° 135/2003 apenas os saldos a pagar constantes das DCTF e que restavam confessados. Assim, para se exigir os valores compensados indevidamente havia necessidade de lançamento de oficio, a ser efetuado nos te los do art. 90 da MP n° 2.158-35, de 24/08/2001, com a seguinte redação: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças Y apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação du e -19 • suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. À vista do art. r do Decreto-Lei n°2.124184 e da legislação infralegal da época (até 30/10/2003), somente os saldos a pagar informados em DCTF constituíam-se em confissão de dívida, sendo passíveis de cobrança administrativa ou de inscrição na Dívida Ativa da União, esta seguida da execução fiscal, se o débito não for pago em tempo hábil. Os demais valores consignados em DCTF, como os de compensação não homologada ou indevida, não se constituíam em confissão de dívida. Observe-se a redação do art. 5' do Decreto-Lei n°2.124/84: Art 5' O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § I° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 20 Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2' do artigo 7° do Decreto-lei n' 2.065, de 26 de outubro de 1983. (negrito ausente do original). Pelo citado artigo não se conclui que qualquer comunicação acerca da existência de crédito tributário permite a cobrança direta do valor infonnado, sem o regular lançamento. Há de se analisar cada obrigação acessória, nos termos em que instituída e em cada período de apuração, para se saber se os valores do crédito tributário nela declarados estão sendo confessados ou não. Se confessados, é permitida a cobrança sem o lançamento; do contrário, carece do ato privativo da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. Neste sentido é que Leandro Paulsen informa o seguinte: Confissão de divida. DCTF. GFIP. Efeito de Lançamento. Em sendo confessada a divida pelo próprio contribuinte, seja mediante o cumprimento da obrigação tributária acessória de apresentação da declaração de débitos e créditos tributários federais, da guia de informações à Previdência ou outro documento em que conste a confissão, torna-se desnessá ria a atividade do fisco de verificar a ocorrência do fato gerador, apontar a matéria tributável, calcular o tributo e indicar o sujeito passivo, notificando- o de sua obrigação, pois tal já foi feito por ele próprio que, portanto, tem conhecimento inequívoco do que lhe cabia recolher. (PA1JLSEN, Leandro. Direito Tributário — Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2001, p. 705/706, sublinhado ausente no original). A dispensa do lançamento tributário, na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, encontra amparo no instituto da confissão, tratada nos 348, 353, 354 e 585, II, do Código de Processo Civil. Segundo esses dispositivos há confissão quando uma parte (sujeito passivo da obrigação tributária principal) admite a verdade de um fato (ser devedora do tributo confessado), contrário ao seu interesse e favorável à outra parte (Fisco), o que pode ser feito de forma judicial ou extrajudicial. A confissão extrajudicial feita por escrito à parte contrária, como se dá mediante a DCTF, ou se deu por meio da DIP até o ano-calendário 1998, tem o mesmo efeito da judicial. Assim, em sede tributária o vale'— lat Processo n°13007.000087/2003-58 S3-C4T1 Acórdão ri.° 3401-00.438 Fl. II confessado pode ser exigido, desde que não pairem dúvidas sobre a confissão e inexistam provas em contrário, especialmente a de não ocorrência do fato gerador ou a de extinção do crédito tributário confessado. Na situação dos autos, cujo período é anterior à MP n° 135, tenho para mim que a IN SRF n° 16/2000 não peouite considerar confessados os débitos compensados indevidamente. Referida IN, ao alterar a redação do art. 7° da IN SRF 0 126/98, estabeleceu o seguinte (negritos acrescentados): Art. 7° Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1° Os saldos apagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. § 2° Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n's 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. (grifei) A nova redação, acima, não introduziu modificação substancial na norma relativa à confissão de divida, posto que apenas os saldos a pagar podiam ser inscritos na Dívida Ativa da União sem necessidade de qualquer procedimento administrativo prévio (ou "imediatamente", na dicção do § I° do art. 7° da IN SRF n° 126/98, dada pela 114 SRF n° 16/2000). Os débitos indevidamente compensados, diferentemente, continuavam a ser discutidos em processo administrativo específico, e somente após a decisão definitiva podiam ser inscritos na Dívida Ativa. A diferença é crucial, pois se os valores compensados indevidamente restassem confessados — tal como os saldos a pagar - também poderiam ser inscritos "imediatamente". O novo regime estatuído pela MP n° 135/2003 foi regulamentado pela Secretaria da Receita Federal por meio da IN SRF n° 482, de 21/12/2004 — muito depois da IN SRF ri° 16/2000, como se vê. Não IN SRF n° 482/2004 (editada após a conversão da MP n° 135/2003 na Lei n° 10.833/2003) é que surgiu, em ato infralegal, disposição que considera confissão de divida não somente os saldos a pagar, mas também "os valores das diferenças apuradas em procedimentos de autoria interna, relativos a informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade" (art. 9°, § I°, da referida IN), ou seja, o valor total do débito informado. Antes, as IN SRF n° 14, de 14/02/2000, e 16, de 14/02/2000, apenas dispunham que os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de - inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento, vale dizer, após o término do processo administrativo que discute a compensação não homologada (em vez de imediatamente, como já aconte ia em relação aos saldos a pagar constantes). Quanto ao § 30 do art. 8° da Instrução Normativa n°255, de .1 /12/2002, no dizer do qual "Os débitos apurados em procedimentos de auditoria inte inch si_n aqueles ti/ Q 21 • relativos às diferenças apuradas decorrentes de informações prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidas ou não comprovadas serão enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos", deixou de ter eficácia porque ancorado na MP n° 75, de 24110/2002, rejeitada pela Câmara dos Deputados em 18/12/2002. Por fim, observo que à confissão de divida em questão não se aplica o § 1 0 do art. 144 do CTN, segundo o qual retroage a legislação que "tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." As regras atinentes à confissão de dívida mediante entregue da DCTF, por envolver uma obrigação assumida pelo contribuinte, há de respeitar a li-retroatividade. Do contrário o sujeito passivo poderia ser surpreendido, posteriormente, com uma "confissão" que ele nunca pretendeu fazer, ferindo de morte a segurança jurídica. Pelo exposto, dou provimento ao recurso para cancelar as cartas de cobrança, em face da inexistência de confissão de divida em relação aos valores do crédito tributário cuja compensação não foi homologada, no período até 30/10/2003 (antes da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003 mas publicada em 31/10/2003). EmanuelCtb. 111: Assis 22P . Processo n° 13007.000087/2003-58 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.438 Fl. 12 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [J Apenas com Ciência; [ ] Com Recurso Especial; [J Com Embargos de Declaração; [ Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional (identificação e assinatura) • 23
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720356/2016-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2016
ACÓRDÃO RECORRIDO. OMISSÃO ACERCA DE ARGUMENTOS RELEVANTES. NULIDADE.
São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa.
No presente caso, ao se expressar e efetivamente tratar de DIRFs retificadoras, ao invés das alegadas DCTFs retificadoras, a instância a quo claramente incidiu na hipótese de nulidade por preterição do direito de defesa.
Numero da decisão: 1302-004.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
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OMISSÃO ACERCA DE ARGUMENTOS RELEVANTES. NULIDADE. São nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. No presente caso, ao se expressar e efetivamente tratar de DIRFs retificadoras, ao invés das alegadas DCTFs retificadoras, a instância a quo claramente incidiu na hipótese de nulidade por preterição do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por YASSUI E MUNHOZ ADVOGADOS ASSOCIADOS - EPP contra acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada diante do indeferimento de opção pelo SIMPLES NACIONAL promovido pela DRF/São Bernardo do Campo-SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 03 56 /2 01 6- 66 Fl. 592DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.808 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.720356/2016-66 Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata-se o presente processo de indeferimento da solicitação de opção pelo Simples Nacional por estar a contribuinte em débitos com a SRFB, cuja exigibilidade não está suspensa, a fundamentação Legal deu-se na Lei Complementar nº123, de 14/12/2006, art.17, inciso V. A contribuinte apresentou impugnação onde afirma que os débitos referem-se a tributos retidos em notas fiscais de prestação de serviço. Apresenta juntamente com a impugnação os as notas fiscais emitidas e as DIRF´s retificadoras por não terem sidos tais tributos informados incorretamente na declaração original. Pede a reconsideração da decisão. A DRJ/Juiz de Fora-MG proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2016 RETENÇÃO NOTAS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DIRF Tributos retidos em notas fiscais devem ter sua comprovação feita por documentação hábil e idonêa, bem como, caso não haja declaração em DIRF dos valores retidos o contribuinte há que comprovar efetivamente a retenção sofrida. As retificações em DIRF com o intuito de excluir o débito anteriormente declarado podem ser feitas, entretanto devem ser demonstrada o erro de fato que deu origem a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Cumpre, ainda, esclarecer que a autoridade julgadora elaborou duas tabelas: (i) na primeira, comparou os valores mensais de PIS e COFINS originalmente declarados (conforme informação obtida na lista de débitos que acompanhou o despacho decisório) com os valores mensais desses mesmas tributos, totalizados por mês, conforme destacados nas notas fiscais de serviços apresentadas com a manifestação de inconformidade; e (ii) na segunda, comparou os valores mensais das retenções sob o código 5952 (consolidadas a título de PIS, COFINS e CSLL) informadas em DIRF por fontes pagadoras tendo a interessada como beneficiária com os valores de retenções dessas três contribuições, totalizados por mês, a partir dos destaques contidos naquelas mesmas notas fiscais. Como encontrou divergências nos valores mensais das duas tabelas, concluiu que: Assim, ainda que a impugnante faça as retificações em DIRF, estas alterações tem que se mostrar incorretas e serem devidamente comprovadas o que, apesar dos esforços da impugnante, não obteve êxito. Inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário onde, inicialmente, alega a nulidade da decisão recorrida por tratar de matéria não ventilada nos autos. Neste sentido, contesta o fato de esta ter se referido à “retificação de DIRFs” enquanto que sua manifestação de inconformidade anunciou que havia apresentado DCTFs retificadoras excluindo os débitos de Fl. 593DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.808 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.720356/2016-66 PIS e COFINS que motivaram a sua exclusão do regime do Simples Nacional. No mérito, essencialmente, afirma que os valores de PIS e COFINS destacados em suas notas fiscais foram indevidamente informados nas DCTFs originais. Como já sofria a retenção desses tributos pelas alíquotas cheias na sistemática da cumulatividade (0,65% e 3%, respectivamente), entende que a obrigação principal recaiu sobre as fontes pagadoras. Junta, novamente, cópias das DCTFs retificadoras e notas fiscais dos serviços prestados nos meses dos débitos questionados. Acrescenta, ainda, cópias de alguns comprovantes de rendimentos emitidos por suas fontes pagadoras. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Assiste razão à interessada quando sustenta que a decisão recorrida tratou de matéria não ventilada nos autos. Com efeito, já no relatório, a autoridade julgadora afirmou que a interessada apresentava “juntamente com a impugnação os as notas fiscais emitidas e as DIRF’s retificadoras”. Depois, em seu confuso voto, há dois outros trechos onde aquela autoridade corrobora a ideia de que seu entendimento foi no sentido de que o contribuinte teria retificado as DIRF. Nada obstante, a peça impugnatória foi clara quanto ao cometimento de erros informados em DCTF e que estes teriam sido corrigidos mediante a apresentação de DCTF retificadora. Inclusive, com as notas fiscais do período, a interessada apresentou cópias dessas retificadoras (fls. 24 a 215). Além disso, como é cediço, as DIRF são emitidas e apresentadas pelos fontes pagadoras dos tributos retidos. O contribuinte beneficiário nunca poderia promover a retificação de tais declarações. No máximo, poderia solicitar que aquelas fontes a fizessem. Isso, em nenhum momento, foi dito nos autos. Poder-se-ia até cogitar de que a decisão recorrida repetiu o erro de digitar o termo “DIRF” ao invés de “DCTF”. No entanto, a elaboração de tabelas comparando valores de tributos retidos com valores destacados nas notas fiscais parece revelar uma não compreensão do problema apresentado nos autos. Afinal, o que o contribuinte alega foi o equívoco cometido ao informar débitos de fontes pagadoras em suas DCTF originais. O que isso tem a ver com a exatidão das informações mensais desses valores em DIRF quando comparados com os destaques nas notas fiscais? O que se haveria de questionar era a pertinência e a necessidade de comprovação da ausência total de débitos daqueles tributos (e mesmo de outros) tal como consta informado nas DCTF retificadoras apresentadas. Mas isto, de forma nenhuma, foi aventado. Fl. 594DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.808 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.720356/2016-66 O art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF) é taxativo quanto às hipóteses de nulidade dos atos processuais. Confira-se: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifei) Assim, decisões proferidas com preterição do direito de defesa são passíveis de nulidade. No presente caso, como já demonstrado, a DRJ deixou de analisar argumentos relevantes para o deslinde do litígio inaugurado com a manifestação de inconformidade. Ao se expressar e efetivamente tratar de DIRFs retificadoras, ao invés das alegadas DCTFs retificadoras, a instância a quo claramente incidiu na referida hipótese de nulidade. De imediato, também não vislumbro a possibilidade de decidir diretamente o mérito a favor do contribuinte consoante prevê o § 3º do mesmo art. 59 do PAF. Diante disso, oriento meu voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido a fim de que a instância a quo produza nova decisão que efetivamente enfrente os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 595DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10680.938622/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/10/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DE DIREITO NÃO
ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal.
Numero da decisão: 3803-003.473
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DE DIREITO NÃO ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal.
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MATÉRIA DE DIREITO NÃO ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório BANCO BMG S/A transmitiu a Dcomp nº 14341.58570.220409.1.7.048570, fls. 34 a 39 com vistas a extinguir débito de IRPJ (cód. 2319), no valor de R$ 55.037,99, pela via de sua compensação com direito creditório advindo de indébito de CPMF, pago em 27/10/2006, no valor de R$ 63.710,60. O Despacho Decisório eletrônico de número de rastreamento 849771718, fl. 32, indeferiu o pleito porque o pagamento invocado estava integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por A LEXANDRE KERN 2 disponível para a compensação dos débitos informados na Dcomp. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 1 a 3, o declarante alegou ter constatado erro no pagamento, ao incluir na base de cálculo valores debitados em conta corrente pelo pagamento dos tributos retidos na qualidade de responsável, que são tributados à alíquota zero, nos termos do §1º do art. 3º da Portaria MF nº 244, de 23 de agosto de 2004, olvidandose, contudo, de retificar a DCTF respectiva para identificação do crédito a ser compensado. Instrui sua manifestação com cópias do DARF, do recibo de entrega da DCTF e da própria Dcomp. A 1ª Turma da DRJ/BHE julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente sob a consideração de que inexistiam provas do indébito. O Acórdão nº 02 39.385, de 28 de maio de 2012, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA – CPMF Data do fato gerador: 20/10/2006 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase de recurso voluntário interposto contra a decisão da DRJ/BHE1ª Turma. O arrazoado de fls. 54 a 56, após resumo dos fatos relacionados com a lide, explica que, por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, atevese a alegar que a compensação deveria ser homologada, deixando de apresentar o razão contábil. Retoma a alegação de erro, desta feita, no preenchimento da Dcomp. Explica que o crédito correto não é o originalmente informado, atinente ao pagamento efetuado em 20/10/2006, mas a pagamento efetuado em 27/10/2004, no valor de R$ 63.418,50. A comprovar sua alegação de erro, instrui o recurso com cópia do DARF, da DCTF do 3º trimestre de 2004, retificada, e do Razão Analítico. Ilustra seus argumentos recursais com jurisprudência administrativa. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10680.938622/200909 Acórdão n.º 380303.473 S3TE03 Fl. 112 3 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 54 a 56 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/BHE1ª Turma nº 0239.385, de 28 de maio de 2012. Como se constata a partir do relatório, o recorrente inovou por completo sua argumentação. Propõe que se analise agora, não mais o encontro de contas objeto da Dcomp nº 14341.58570.220409.1.7.048570 (crédito por pagamento a maior de CPMF cód. 5884 efetuado em 20/10/2006 X débito de IRPJ PA 10/2006, no valor de R$ 63.710,60), mas o de um outro pagamento de CPMF – cód. 5884 – efetuado em 27/10/2004, com débito de IRPJ montante a R$ 405.900,37. Por preclusa, deixo de conhecêla, haja vista que em nenhum momento da peça reclamatória o manifestante tratara dessa alegação de erro de fato no preenchimento da DComp. Vejase, a propósito, o teor do artigo 473 do CPC, verbis: "é defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão." Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade.” A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para comprovar o direito creditório oposto em compensação de débito próprio, até o momento processual da reclamação. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. Implicitamente, destaco que, com essa inovação recursal, o interessado findou por dar razão à decisão recorrida, que manteve, por falta de provas do indébito, o Despacho Decisório de indeferimento. Por outro lado, ainda que se a conhecesse, a alegação de erro na Dcomp não prosperaria, posto que esta Turma Especial não detém competência originária para apreciação de pleitos de compensação, matéria reservada ao titluar da titular da Delegacia da Receita 1 MARINONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Federal do Brasil (DRF), da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) ou da Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, nos termos do art. 57 Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Com essas considerações, não conheço do recurso. Alexandre Kern Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 35232.000456/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 14/02/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA DESNECESSIDADE. REJEIÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DEFESA PRÉVIA. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO. ATO UNILATERAL. VINCULADO. VIOLAÇÃO DEVIDO PROCESSO LEGAL. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.530
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), devendo ser recalculada a multa aplicada no presente auto para ajustá-la a nova determinação legal do artigo 32A,
da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009, caso seja mais favorável ao contribuinte, não se aplicando a PT PGFN/RFB 14/2009, por contrariar o ordenamento jurídico, bem como, deve ser excluída do crédito a parcela do PAT, pois padece do vício formal por falta de fundamentação legal. Vencido o Conselheiro Oséas Coimbra Junior quanto a exclusão do PAT.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA DESNECESSIDADE. REJEIÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. DEFESA PRÉVIA. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO. ATO UNILATERAL. VINCULADO. VIOLAÇÃO DEVIDO PROCESSO LEGAL. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), devendo ser recalculada a multa aplicada no presente auto para ajustála a nova determinação legal do artigo 32A, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009, caso seja mais favorável ao contribuinte, não se aplicando a PT PGFN/RFB 14/2009, por contrariar o ordenamento jurídico, bem como, deve ser excluída do crédito a parcela do PAT, pois padece do vício formal por falta de fundamentação legal. Vencido o Conselheiro Oséas Coimbra Junior quanto a exclusão do PAT. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000456/200713 Acórdão n.º 2803000.530 S2TE03 Fl. 126 3 . Relatório O presente Auto de Infração – AI – DEBCAD 37.053.9940, CFL.68, apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, com período de apuração de 05/2002 a 08/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 08, objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinado por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 14/02/2007, Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 31 a 47, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 48 a 107. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 108, uma vez que o contribuinte foi cientificado do AI, em 14/02/2007, e, em 01/03/2007, fls. 31, protocolizou a impugnação. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a DecisãoNotificação – DN N° 18.401.4/0069/2007, fls. 104 a 118, em 27/03/2007. Na qual a autuação foi considerada procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/04/2007, AR, fls. 120. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, fls. 124 a 145, onde alega em síntese. • Preliminarmente – • Que o recurso é tempestivo; • Que o depósito recursal é inconstitucional; • Que na decisão guerreada o julgador alegou não poder tecer comentários sobre a inconstitucionalidade de normas e nem tão pouco sobre a desproporcionalidade da multa; • Que os requisitos para a realização de perícia não foram cumpridos, indeferindo a mesma e isto caracteriza cerceamento de defesa; • Que a multa é decorrente do fornecimento de alimentação in natura sem inscrição no PAT e que o STJ têm remansosa jurisprudência sobre a não incidência da exação; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 4 • Que o contribuinte não concorda com a decisão de primeiro grau e interpõe o presente recurso para que o CRPS declare a improcedência da notificação; • Mérito – • Que o auto é insubsistente, pois todas as informações foram prestadas e que os documentos juntados provam isto, além do que pedimos perícia; • Que a multa é calculada por critérios matemáticos que leva em consideração o número de funcionários, mas em momento algum o fiscal autuante informou tal número e que assim deve ser levado em conta o número mínimo para não haver abusos; • Que não ocorrem irregularidades, mas se por acaso existissem foram corrigidas antes do fim do prazo de impugnação, o que outra ação fiscal pode comprovar ou a realização de perícia; • Que o contribuinte é primário e não houve agravantes apuradas no AI; • Que o AI se refere apenas a três sócios e a um contribuinte individual e assim a multa deve ser reduzida ao mínimo; • Que em relação ao contribuinte individual Dr. Inamar sua contribuição foi recolhida, constando este na folha de pagamento; • Que o salário in natura alimentação em restaurante próprio sem custos para os empregados, não tem natureza salarial, segundo o STJ, independentemente de inscrição no PAT, bem como não se excluiu o décimoterceiro salário, não sendo devida a multa sobre o PAT e nem o valor estratosférico; • Que o não recolhimento e não informação em GFIP dos valores relativos a cooperativa foi regularizado; • Que todas as falhas foram sanadas e corrigidas, antes do encerramento do prazo de impugnação, que perícia técnica nos documentos, arquivos e microcomputadores da empresa, podem provar isso, razão pela qual se requer a produção de tal prova, sendo cerceamento de defesa a sua negativa; • Que a multa leva em conta o número de funcionários, mas em momento algum o fiscal autuante informou tal número, sendo impossível verificar o limitador, devendo ser aplicado o mínimo, sendo seu valor desproporcional e abusivo; • Que a infração cometida é de pequena monta e já foi sanada e que assim a multa é desproporcional, irrazoável e descabida, além de não se poder fixar o limite legal por faltar o número de funcionários; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000456/200713 Acórdão n.º 2803000.530 S2TE03 Fl. 127 5 • Que a multa assume caráter confiscatório, vedado pela CF, sendo interdição à injusta apropriação do patrimônio, rendimentos ou capital financeiro; • Que esta não pode comprometer o exercício do direito a existência digna, a prática de atividade ou a satisfação das necessidades básicas, pelo excesso de carga tributária; ainda, que em razão de multa excessiva; • Que a autuada faz jus a relevação da multa, pois presentes todos os requisitos, primariedade; ausência de agravantes, pedido de relevação e correção da falta realizados dentro do prazo de impugnação; • Que alternativamente faz a autuada jus a atenuação da multa, pois corrigiu a falta, dentro do prazo de impugnação; • Que na apuração do quantum debeatur o agente não informou de forma plena e eficaz como tais valores foram apurados, sequer informou o número de trabalhadores considerados; • Que os demonstrativos analíticos e sintéticos não demonstram a forma como se chegou nos valores, nem o número de funcionários, o que torna o auto insubsistente; • Que o contribuinte sempre atendeu a todas as solicitações do fisco, que não teve a intenção de fraudar ou lesar a este, o que prova sua boafé; • Que ocorreram apenas equívocos já sanados, ou, equivoco da própria fiscalização; • Que o PAT não tem natureza salarial, conforme pacífico entendimento do STJ; • Finaliza pedindo: a) declaração de improcedência do AI; b) não acolhido o pleito anterior, que sejam afastados: a multa arbitraria e desproporcional; juros moratórios além de 1% am; taxa SELIC; anatocismo; c) recebimento do recurso sem o depósito. A alegações quanto ao juros moratórios; taxa SELIC e anatocismo não serão aqui resumidas, o que se explicará no voto. Consta, dos autos, as fls. 174 a 178, sentença de procedência no MS 2007.84.00.0032162 para que os recursos administrativos sejam processados sem a exigência do depósito recursal. Os autos subiram ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 186. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, em 11/05/2007, conforme, fls. 123, uma vez que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeiro grau, em 17/04/2007, AR, fls 120. No que tange ao depósito recursal a empresa não o realizou, mas está amparado por sentença de procedência no MS 2007.84.00.0032162, fls. 174 a 178. A tempestividade do recurso foi reconhecida. Quanto ao depósito recursal, ainda, que necessário a época da impetração do recurso voluntário, hoje este não mais vige, uma vez que revogado pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Ainda, que se alegue que tal condição deva ser averiguada tendo como marco a data da interposição do recurso, tenho para mim que tal exigência estava com os dias contados, basta ver a ADIN 19767, que exclui do Decreto 70.235/72, tal exigência, acrescentada pela Lei 10.522/2002. Neste diapasão temos, também, a Súmula Vinculante n° 21 do STF, ou seja, se não tivesse sido revogado tal depósito na seara previdenciária fatalmente este acabaria declarado inconstitucional, sendo inexigível desde a origem. Não fosse esses argumentos suficientes o Regimento Interno do CARF Portaria MF 256/2009, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, estabelece que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Assim, verifico no caso a possibilidade do afastamento desta exigência, uma vez que em RE, conforme abaixo transcrito o STF já reconhecera a inconstitucionalidade do artigo 126, §§ 1° e 2°, da Lei 8.213/91, senão vejamos: RECURSO ADMINISTRATIVO DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo. (RE 389383, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/2007, DJe047 DIVULG 28062007 PUBLIC 29062007 DJ 29062007 PP00031 EMENT VOL 0228208 PP01625 RDDT n. 144, 2007, p. 235236. (grifos neste). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000456/200713 Acórdão n.º 2803000.530 S2TE03 Fl. 128 7 Tal decisão transitou em julgado em 14/09/2007, conforme resumo de andamento do processo, consultado no site do STF. Desta forma, e tendo em vista os princípios da isonomia e da segurança jurídica, bem como a decisão judicial em MS, admito o presente recurso. Na seara do contencioso administrativo os órgão julgadores estão limitados em sua atividade cognitiva, assim, certas matérias lhe são vedadas o conhecimento, a exemplo: NO PRIMEIRO GRAU. PORTARIA RFB Nº 10.875, DE 16 DE AGOSTO DE 2007 DOU DE 24/08/2007 Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. NO SEGUNDO GRAU. PORTARIA MF Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 8 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993 . (grifos meus). Equivocase a recorrente ao argüir cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia, pois este pode ser rejeitado, caso o perícia seja desnecessária, protelatória e seu pedido não preencha os requisitos legais. A jurisprudência e forte nesta vertente. Assim rejeitase esta preliminar. HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostra se prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) (grifo meu). O crédito não é composto exclusivamente do PAT, também, fazem parte deste a remuneração paga a prestador de serviço pessoa física contribuinte individual e, ainda, a dos sócios PRÓLABORE. Os contribuintes de uma forma geral têm o livre exercício e arbítrio para concordarem ou não com o que bem entenderem, sendo sua prerrogativa pessoal. O fato de ter o contribuinte prestados todas as informações, apesar de não sabermos onde, não torna o auto insubsistente, pois ficou claro como demonstrou a fiscalização que as Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP não espelhavam a totalidade das contribuições da empresa, o que enseja a atuação por violação a dispositivo legal. O tema perícia já foi abordado. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000456/200713 Acórdão n.º 2803000.530 S2TE03 Fl. 129 9 Assiste razão ao contribuinte quando diz que a multa é calculada com base em critérios matemáticos, bem como que o número de segurados é levado em consideração neste cálculo. Entretanto, não se pode dizer isso em relação ao pedido de se usar o número mínimo de segurados para cálculo da multa, sob argumento de que tal informação não estaria no auto de infração. A uma, porque tal número mínimo seria um e hospital não tem só um segurado. A duas, porque tal número foi indicado, pois o artigo 32, § 4°, da Lei 8.212/91 traz uma tabela onde se correlaciona o número de empregado e o fator multiplicador e no auto de infração sob debate, no anexo VI Quadro demonstrativo da multa calculada, fls. 23 a 27, o agente autuante na linha denominada “g) Faixa limite da multa por competência”, deixa cristalino que no período de 05/2002 a 03/2005 o fator de multiplicação foi dez (10), logo faixa de segurado de 101 a 500 e no período de 04/2005 a 08/2006 o fator de multiplicação foi vinte (20), logo faixa de segurados de 501 a 1000. Estas faixas estão estabelecidas em lei e são facilmente verificáveis, pois indicadas com clareza no auto e a ninguém e dado desconhecêlas. Desta forma, tal alegação é infundada. Quanto a ocorrência da falta as alegações do contribuinte são no mínimo alto excludentes, pois ou não ocorreram, ou ocorram e foram corrigidas, mas sua alegação de que se caso ocorridos foram sanadas é intrigante, como ele corrigiu um erro que não aconteceu, em sua palavras. A ação fiscal não é meio de verificação das obrigações do contribuinte após este ter sido fiscalizado o pedido de perícia já foi analisado e rejeitado. A autoridade julgadora de primeiro grau deixou claro que a falta não foi corrigida O contribuinte tem o dever, segundo artigo 16, § 4°, do Decreto 70.235/72 de apresentar as provas de suas alegações junto com a impugnação sob pela de preclusão, salvo exceções. Assim não o fazendo perdeu a oportunidade. A alegação de que a multa se refere a três sócios e a um contribuinte individual, não condiz com a realidade dos autos, pois a alimentação aqui cobrada salário in natura referese a totalidade dos trabalhadores da empresa ou o restaurante é seletivo, isto é, é só para alguns. Além do que, o que importa segundo a lei, artigo 32, § 4°, da Lei 8.212/91, é o número de trabalhadores da empresa e não o número de trabalhadores listados no auto de infração. As folhas de pagamento anexadas a impugnação, fls. 84 a 88, foram emitidas em 22/02/2007, ou seja, após o procedimento fiscalizatório. Tais folhas fizeram parte do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, de fls. 09 e 10, e foram objeto do lançamento, o que demonstra que a empresa no curso da fiscalização não provou o recolhimento desta contribuição. A apresentação de tal folha agora, também, não é eficaz para o fim pretendido, pois o recolhimento se prova via GPS e não pela folha de pagamento, bem como o artigo 147, §1°, do CTN, diz “A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Não fosse isto suficiente as folhas apresentadas, também, não atendem ao padrão estabelecido pela legislação previdenciária. Assim, não há por quê excluir a exigência. O fato do Superior Tribunal de Justiça – STJ ter reconhecido que o PAT não é parcela remuneratório não exime a fiscalização de cumprir seu mister nos termos do artigo 37, caput, da CF/88 c/c o artigo 142, da Lei 5.172/66. A decisão de primeiro grau já asseverou e o contribuinte deve ter notado em especial do anexo VI, fls. 23 a 28, que não há exigência da contribuição sobre décimoterceiro. Aliás, o lançador afirma isto no item 1, “c”, de seu relatório. O PAT é devido nos termos da legislação previdenciária, artigo 28, § 9°, “c”, da Lei Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 10 8.212/91 da qual não pode se afastar o órgão fiscal. O valor é decorrente da própria falta de recolhimento do principal pelo contribuinte, sendo seu valor determinado em lei. A regularização do valor de cooperativa em GFIP, se realizado só promoveria alteração na multa, caso todas as falhas fossem regularizadas e não apenas parte dela. O Acórdão de primeiro grau asseverou no item 22, fls. 117, que: Não foi devidamente comprovada a correção da falta objeto do presente processo, já que a defendente não apresentou prova material de eventual correção e que, através de consulta aos sistemas de cobrança da Secretaria da Receita Previdenciária, foi verificado que não foi procedida à correção da falta durante o prazo legal de defesa. Assim fica evidente que as falhas apontadas não foram corrigidas. A perícia requisitada é desnecessária, pois as verificações foram realizados nos sistema informatizados e não foi vislumbrada a correção da infração. Novamente, indefiro a perícia. O contribuinte não tem como mensurar a extensão dos efeitos que a falta das informações obrigatórias são capazes de promover. Ficou demonstrado como supramencionado que o contribuinte não corrigiu a falta, persistindo seus efeitos danosos. Quanto ao número de trabalhadores foi esclarecido linha atrás que o contribuinte tinha condições plenas de verificá lo, pois bastava olhar o artigo 32, parágrafo 4°, das Lei 8.212/91 e que tal dado este presente na exação. A multa é proporcional aos valores não declarados e ao números de meses em que esta conduta se repetiu, sendo decorrente exclusivamente da ação/omissão do contribuinte e é definida em lei. A multa não busca confiscar nada, apenas representa as múltiplas infrações ao longo de cinqüenta e duas competências (52 meses) e de várias rubricas. A multa não busca extrair do contribuinte seus direitos constitucionais. Não é esta a sua função. A função da multa punitiva é desestimular os contribuintes a quererem deixar de adimplir sua obrigação originária, pois o fazendo, esta ira incidir e ela buscar dissuadir a conduta “ilícita” antes de sua ocorrência. Nos termos da legislação para obter a relevação da multa o autuado deve preencher quatro requisitos de forma simultânea, ou seja, ser primário; não ter incorrido em circunstâncias agravantes; ter feito pedido no prazo da impugnação e ter corrigido a falta no prazo da impugnação. Como foi asseverado anteriormente o julgador de primeiro grau consignou em seu acórdão que a recorrente não corrigiu a falta dentro do prazo da impugnação, o que não permite a concessão da relevação. Ocorre a mesma restrição para a concessão da atenuação, pois para esta a única exigência é a correção da falta no prazo da impugnação e como tal correção não se deu a atenuação, também, não é aplicável ao caso em tela. O valor da multa é de fácil averiguação, pois como disse a recorrente advém de critérios matemáticos e as bases de cálculo, alíquotas, contribuições, valores e metodologia de cálculo estão todos demonstrados nos relatórios e planilhas. A alegação de que o Discriminativo Analítico de Débito DAD e Discriminativo Sintético do Débito – DSD não demonstram os valores e número de segurados e que por isso o auto é insubsistente é equivocada e impertinente, pois Auto de Infração não possui tais relatórios, haja vista que estas são peças integrantes apenas de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000456/200713 Acórdão n.º 2803000.530 S2TE03 Fl. 130 11 A intenção do contribuinte é irrelevante para a fixação da multa nos termos do artigo 136, do CTN. TRIBUTÁRIO. ILÍCITO. NÃOEMISSÃO DE NOTA FISCAL. MULTA. INEXISTÊNCIA DE LACUNA LEGISLATIVA, DÚVIDA, EXAGERO OU TERATOLOGIA. REDUÇÃO PELO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Hipótese em que os fatos e a norma local são incontroversos: a contribuinte deixou de emitir nota fiscal, mesmo tendo vendido e entregue a mercadoria a seu cliente. Só emitiu o documento após o início da fiscalização. A multa prevista na legislação local é de 30% sobre o valor do bem. 2. O Tribunal de origem reconheceu o ilícito e a aplicabilidade da multa, razão pela qual deu parcial provimento à Apelação do Estado, reformando a sentença que afastara a exigência. No entanto, entendeu inexistir máfé da contribuinte ou dano ao Erário, de modo que reduziu a multa de 30% para 5% do valor da mercadoria. 3. "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do CTN). 4. Na hipótese dos autos, a emissão da nota fiscal somente ocorreu após o início da fiscalização, o que afasta a presunção de boafé, não havendo falar no benefício do art. 138, parágrafo único, do CTN. Ainda que assim não fosse, é pacífico o entendimento de que as sanções por infrações formais (entrega de declarações, emissão de documentos fiscais) não são afastadas pela denúncia espontânea. Precedentes do STJ. 5. A reprovabilidade da conduta é avaliada pelo legislador ao quantificar a penalidade prevista na lei. É por essa razão que às situações que envolvam fraude ou máfé são fixadas, não raro, multas muito mais gravosas que os 30% previstos pela legislação local. 6. Recurso Especial provido. (RESP 200901791123, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, 16/09/2010. (grifos meu). Os equívocos praticados pelo contribuinte não foram saneados, como ficou consagrado em outras passagens. A fiscalização não se equivocou apenas constatou as irregularidades nas GFIP apresentadas. A situação do PAT quanto a sua natureza remuneratória ou não já foi objeto de tratamento acima e a fiscalização não tem como entender diferente, visto o que determina o texto legal em vigor. As decisões judiciais têm efeitos apenas inter partes e não atingem a generalidade das situações e pessoas e assim as decisões citadas não protegem a recorrente. Entretanto, o fato acima não limita o conhecimento das demais situações que possam surgir no entorno do lançamento, relativo a rubrica PAT. O Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls 66 e 67, em seu item 1, “c”, bem como o Anexo III, fls. 71 e 72, informam que tal rubrica foi apurada por aferição indireta e para tanto se louvou do artigo 758, da IN/SRP N° 03/2005. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 12 Ocorre que a aferição indireta é um critério de apuração da base de cálculo a utilizar sobre situações excepcionais, as quais, em regra, previstas em lei. E foi o que aqui ocorreu, pois o agente fiscal deixou claro que seu utilizou desta metodologia em razão do contribuinte lançar em sua contabilidade de forma globalizada o valor de alimentação de funcionários e dos pacientes, isto é, não há separação dos valores gastos com um e com o outro, mas apenas o gasto geral. Porém, ao se usar a aferição indireta é necessário fundamentar sua aplicação e a fundamentação deve ser a da lei, pois só a lei pode exigir a cobrança de tributos. No REFISC do presente auto a fundamentação da aferição indireta não consta, logo não pode ser exigida a rubrica por falta de requisito essencial. Desta forma, tal parcela deve ser excluída do presente crédito, pois padece de vício formal. Esta é a posição deste colegiado. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 PREVIDENCIÁRIO.NFLD.VÍCIO MATERIAL E FORMAL. Caracteriza vício material do lançamento a falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores das contribuições exigidas. A apuração das contribuições devidas por aferição, sem que o fisco aponte a fundamentação legal que autoriza o procedimento, inquina o crédito de nulidade por vício formal. Recurso Voluntário Provido em Parte. 20601428 Elias Sampaio Freire Sexta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes 08/10/2008 indireta Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. ADICIONAL DE APOSENTADORIA ESPECIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO.AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A ausência do fundamento de direito que autoriza o procedimento de arbitramento, determina a nulidade do lançamento em decorrência de vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. Processo Anulado. 20601851 Cleusa Vieira de Souza Sexta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes 05/02/2009. A MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009 determinou uma nova sistemática de cálculo da multa, ou seja, o novel instrumento jurídico, além de aglutinar as infrações mudou substancialmente a penalidade imposta. Assim, não se há que falar, mutatis mutandis em abolitio criminis. Mas sim em criação de novo preceito secundário da norma, isto é, criação de nova pena. O artigo 106, II, “c”, do CTN determina a aplicação retroativa de lei que comine penalidade menos severa, o que parece ser o caso, pois na redação anterior do artigo 32, parágrafos 4°, 5° , e 6°, da Lei 8.212/91 tinhase as seguintes situações/autuações e as multa/penas. 1. parágrafo 4° NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP Multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283 do RPS, em função do número de segurados da empresa, acrescido de 5% por mês calendário ou fração de atraso, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ser entregue. 2. parágrafo 5° APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO EM FATOS GERADORES 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite, do parágrafo 4°. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 35232.000456/200713 Acórdão n.º 2803000.530 S2TE03 Fl. 131 13 3. parágrafo 6° ERRO DE PREENCHIMENTO – INEXATAS – OMISSAS – INCOMPLETAS 5% do valor mínimo previsto no caput do art. 283 do RPS por campo omisso, incompleto ou incorreto, respeitado o limite máximo por competência. O novo texto legal, artigo 32A, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009 trouxe novas multas que aparentam ser bem mais brandas, embora estabeleça valores mínimos para estas novas multas. 1. NÃO APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO FORA DE PRAZO – 2% ao mês ou fração do montante das contribuições informadas até 20%. 2. APRESENTAÇÃO COM INCORREÇÕES OU OMISSÕES – R$ 20,00 por cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas No presente auto temse que comparar a situação dois, o artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/91 com a situação dois do novo artigo 32 A, acrescentando pela lei 11.941/2009, a fim de estabelecermos a correspondência entre a infração antiga e a infração nova. Após apurada tal correspondência e que podemos e devemos verificar o patamar das multas a serem consideradas, apurandose, assim, a mais benéfica entre a velha e a nova multa. A metodologia estabelecida pelo artigo 3°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 14/2009, não é consentânea com o que determina a lei em sua nova redação, pois determina para a apuração da multa benéfica a soma da multa moratória do antigo artigo 35, da Lei 8.212/91 aplicado na notificação fiscal (obrigação principal) a multa punitiva do antigo artigo 32 parágrafos 4°e 5°, da Lei 8.212/91 para após comparálos com o novo artigo 35A, da Lei 8.212/91, ou seja, multa de ofício. Assim esta sistemática manda juntar multas distintas e comparar com multa que não existia na época da lavratura deste auto de infração, o que não pode ser aceito, devendo ser afastada a aplicação da citada PT 14/2009, pois compara multas distintas e aplica retroativamente multa nova, o que não de coaduna com nosso ordenamento jurídico. As teses e argumentos sobre juros moratórios; taxa SELIC e anatocismo não citados na relatório e nem tratados no voto, pois tais itens não são aplicados em Auto de Infração, basta ver que, quando da lavratura do auto seu valor foi de R$ 1.156,95, em 14/02/2007, sendo que em 12/04/2007, fls. 59, relatório Consulta Dados Identificadores de Processo – CCADPRO o valor não foi alterado. Igual situação verificase em 05/10/2007, fls. 85, relatório Consulta Dados Identificadores de Processo – CCADPRO, onde o valor continua sem alteração. Esta é a razão pela qual tais alegações não foram apreciadas. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA 14 CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER DO RECURSO, porém afastando as preliminares suscitadas, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser recalculada a multa aplicada no presente auto para ajustála a nova determinação legal do artigo 32A, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009, caso seja mas favorável ao contribuinte, não se aplicando a PT PGFN/RFB 14/2009, por contrariar o ordenamento jurídico, bem como deve ser excluída do presente crédito a parcela do PAT, pois padece de vício formal, por falta de fundamentação legal, podendo o fisco se assim entender a seu exclusivo, critério promover novo lançamento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.924384/2009-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Financiamento para a Seguridade Social – COFINS
Ano Calendário 2001
PRELIMINAR. NULIDADE. INOVAÇÃO DOS MOTIVOS DA DECISÃO
PROFERIDA EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Incumbe à autoridade administrativa verificar a liquidez e a certeza do direito creditório, além da existência de outros débitos, quando o sujeito passivo declara a extinção de débito tributário próprio, com crédito de valor certo, por meio de Per/DComp, com vistas a ulterior homologação. A confirmação da
insuficiência de crédito para a realização da compensação, ou mesmo das assertivas formuladas pela contribuinte em sua defesa, somente poderiam ser aferidas pelo juízo de primeira instância mediante o exame de documentos hábeis e idôneos o suficiente a atestar quaisquer dessas situações mencionadas. A impossibilidade desse cotejo motivou a decisão pela improcedência da manifestação de conformidade em razão de ausência de elementos probantes que atestassem o direito alegado pelo contribuinte, ou infirmasse o decidido no despacho decisório, o que não significa inovação de
motivos.
PRELIMINAR. NULIDADE. INTIMAÇÃO. OBRIGAÇÃO FUNCIONAL.
IMPROCEDÊNCIA.
A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. A insuficiência de provas enseja a não homologação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-003.547
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Financiamento para a Seguridade Social – COFINS Ano Calendário 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. INOVAÇÃO DOS MOTIVOS DA DECISÃO PROFERIDA EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Incumbe à autoridade administrativa verificar a liquidez e a certeza do direito creditório, além da existência de outros débitos, quando o sujeito passivo declara a extinção de débito tributário próprio, com crédito de valor certo, por meio de Per/DComp, com vistas a ulterior homologação. A confirmação da insuficiência de crédito para a realização da compensação, ou mesmo das assertivas formuladas pela contribuinte em sua defesa, somente poderiam ser aferidas pelo juízo de primeira instância mediante o exame de documentos hábeis e idôneos o suficiente a atestar quaisquer dessas situações mencionadas. A impossibilidade desse cotejo motivou a decisão pela improcedência da manifestação de conformidade em razão de ausência de elementos probantes que atestassem o direito alegado pelo contribuinte, ou infirmasse o decidido no despacho decisório, o que não significa inovação de motivos. PRELIMINAR. NULIDADE. INTIMAÇÃO. OBRIGAÇÃO FUNCIONAL. IMPROCEDÊNCIA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. A insuficiência de provas enseja a não homologação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-22T17:22:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-22T17:22:10Z; Last-Modified: 2014-07-22T17:22:10Z; dcterms:modified: 2014-07-22T17:22:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:1e98bda7-75d9-4c2f-bfba-deedb5ed8e5f; Last-Save-Date: 2014-07-22T17:22:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-22T17:22:10Z; meta:save-date: 2014-07-22T17:22:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-22T17:22:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-22T17:22:10Z; created: 2014-07-22T17:22:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2014-07-22T17:22:10Z; pdf:charsPerPage: 2475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-22T17:22:10Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.924384/200978 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.547 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de setembro de 2012 Matéria Compensação a Maior ou Indevida Recorrente ARAPAN AGROPASTORIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Financiamento para a Seguridade Social – COFINS Ano Calendário 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. INOVAÇÃO DOS MOTIVOS DA DECISÃO PROFERIDA EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Incumbe à autoridade administrativa verificar a liquidez e a certeza do direito creditório, além da existência de outros débitos, quando o sujeito passivo declara a extinção de débito tributário próprio, com crédito de valor certo, por meio de Per/DComp, com vistas a ulterior homologação. A confirmação da insuficiência de crédito para a realização da compensação, ou mesmo das assertivas formuladas pela contribuinte em sua defesa, somente poderiam ser aferidas pelo juízo de primeira instância mediante o exame de documentos hábeis e idôneos o suficiente a atestar quaisquer dessas situações mencionadas. A impossibilidade desse cotejo motivou a decisão pela improcedência da manifestação de conformidade em razão de ausência de elementos probantes que atestassem o direito alegado pelo contribuinte, ou infirmasse o decidido no despacho decisório, o que não significa inovação de motivos. PRELIMINAR. NULIDADE. INTIMAÇÃO. OBRIGAÇÃO FUNCIONAL. IMPROCEDÊNCIA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendêlas necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 suficientes a essa comprovação. A insuficiência de provas enseja a não homologação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) NOME DO PRESIDENTE Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues E Eu, Areovaldo Mariano Tavares, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório O contribuinte por meio do Per/Dcomp nº 04625.89261.031106.1.3.047257, transmitido em 03/11/06 (fls. 06/10), compensou créditos de Cofins recolhidos a maior ou indevido, com débitos próprios de IRPJ apurados em 31/10/01, com vencimento em 14/11/01, buscando a correspondente homologação. Por meio do despacho decisório nº 843151755, de 07/07/09, o seu pleito foi analisado e não homologada a compensação declarada, por inexistência de crédito o suficiente à satisfação da pretensão. Insurgindose contra o feito o interessado manifestou a sua inconformidade aduzindo sucintamente: (i) o débito de Cofins relativo ao período de apuração out/2001 não corresponde ao valor do DARF de pagamento; (ii) o valor devido de Cofins para o período de out/2001 foi revisto, constatandose que o montante apurado àquela época fora indevido. Portanto embora tenha o contribuinte informado em DCTF que aquele era o valor efetivamente apurado à época e, mesmo que não tenha retificado essa declaração, não se falar em Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.924384/200978 Acórdão n.º 3803003.547 S3TE03 Fl. 2 3 inexistência de direito creditório; (iii) o direito creditório está relacionado com o efetivo pagamento do tributo, comprovado a partir da guia DARF devidamente autenticada pela instituição que recebeu o pagamento; (iv) o documento legitimador do crédito é a respectiva DARF e não a DCTF e/ou DIPJ; e (v) o pagamento indevido decorreu de equívoco constatado na apuração do valor devido a título de Cofins que não corresponde ao valor constante da DARF de pagamento. Logo, apenas a instituição fazendária é capaz de autorizar o contribuinte a retificar a DCTF, com isso, explícito o direito creditório que a empresa possui. No mais, juntou aos autos a DCTF. Conclusos foram os autos a julgamento pela 2ª Turma da DRJ/POA que, por meio do Acórdão nº 1035.505, de 11/11/11 (fls. 25/26), proferiu decisão sintetizada na forma da ementa adiante transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 DCOMP. DCTF. PREENCHIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não e suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Ainda mais quando as declarações apresentadas pelo contribuinte — DCTF e DIPJ — estão de acordo com o valor do pagamento em DARF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido O sujeito passivo tomou ciência do teor do Acórdão retromencionado e, irresignada com o seu desfecho contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 29/12/11 (vide protocolo), reiterando minudentemente os argumentos expendidos na exordial, para aduzir resumidamente: A instituição fazendária tem o dever de intimar a recorrente para apresentar documentos contábeis para comprovar o erro ocasionado no preenchimento da DCTF, sob pena de incorrer em manifesta ilegalidade. Não pode a administração alterar a motivação do ato administrativo acarretando a sua nulidade, por violação aos arts. 2o e 50 da Lei nº 9.784/99. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Conforme o entendimento do CARF e jurisprudência pacificada no STJ, a cópia autenticada do DARF é suficiente para comprovação do recolhimento indevido de tributos. O pagamento indevido decorreu do equívoco decorrente da apuração do valor devido a título de Cofins. Apenas a fiscalização tem o poder de autorizar que a empresa retifique a DCTF, motivo pelo qual a recorrente reitera seus argumentos para que seja possível sanar o erro cometido. Neste contexto argüiu a recorrente por duas preliminares de nulidade quais sejam: (a) por inobservância dos preceitos da Lei nº 9.48799 e do Decreto nº 70.235/72; e (b) por haver a decisão recorrida inovado em relação aos motivos atinentes ao indeferimento da manifestação de inconformidade. Ademais disso repisa os argumentos acerca da existência do seu direito creditório para, ao final, requerer pelo provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues É mister registrar que não consta dos autos o Aviso de Recebimento (AR) instrumento este utilizado para a verificação da tempestividade do recurso. Outrossim, há uma informação acolhendo o recurso voluntário como protocolado em 29/12/2011, propondo o encaminhamento do presente processo ao CARF para apreciação. Subscreve tal indicação Carolina Machado Tenius, mat. 1292571, da DRF/POARS, com a anuência de Isadora Detanico Busetti, mat. 1291411, SEORT/COMP RESTIT. Incumbe à repartição preparadora a juntada aos autos do Aviso de Recebimento, com a respectiva ciência do teor do acórdão proferido pelo juízo de primeira instância. O § 5o do artigo 26 da Lei nº 9.784/99, utilizada subsidiariamente no julgamento dos processos administrativos fiscais no âmbito do CARF, dispõe que as Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.924384/200978 Acórdão n.º 3803003.547 S3TE03 Fl. 3 5 intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre a sua falta ou irregularidade. Considerando que a juntada do AR aos autos não é incumbência do contribuinte, bem assim que o mesmo compareceu aos autos mediante a interposição de recurso voluntário suprindo a falha detectada e, em homenagem ao princípio da economia processual e da razoável duração do processo, nestas condições, conheço do recurso. O contribuinte pretendeu compensar crédito oriundo de suposto pagamento a maior ou indevido com débitos próprios de IRPJ, no período de apuração de outubro/2001, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela inexistência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência, sendo aqueles apresentados insuficientes ao mister. O deslinde da querela circunscrevese à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. PRELIMINAR DE NULIDADE POR INOBSERVÂNCIA DO CONTIDO NO ART. 2º DA LEI Nº 9.784/99 E DECRETO Nº 70.235/72. O teor do decidido no aresto recorrido respaldouse nas razões de fato contidas no despacho decisório eletrônico, notadamente sobre o exame da documentação constante dos autos à época da ocorrência dos fatos geradores, inclusive aquela anexada à manifestação de inconformidade, qual seja: a DCTF referente à 10/200, que informa o valor do crédito inicial de R$ 8.029,98, vinculado a débito de igual valor. Transcrevese, adiante, excertos do relatório que resume a motivação das razões de decidir do acórdão hostilizado. Verifiquese: Nessa DCOMP a empresa informa crédito inicial no valor de R$ 8.029,98, decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS referente ao período de apuração de outubro de 2001 (data da arrecadação 14/11/2001), e que o credito original na data da transmissão seria de R$ 2.349,86. Sobre esse valor o contribuinte aplicou uma SELIC de 84,94% de correção, o que levaria a um crédito atualizado de R$ 4.345,83 (fl. 15). Identificamos outras declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte onde ele procura se utilizar desse mesmo crédito. 0 valor que estaria sendo compensado seria exatamente de R$ 4.345,83 correspondentes ao valor principal de IRPJ (R$ 4.261,04), mais multa de R$ 42,18 e juros de R$ 42,61, com data de vencimento em 13/10/2006 (fl. 16). O despacho decisório (fl. 1) aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 A interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando que a COFINS da competência de outubro de 2001 teve recolhimento a maior. No entanto, confessa que o valor declarado em DCTF era outro, e que até o momento dessa manifestação de inconformidade não havia apresentado nenhuma retificação. Argumenta como justificativa para não apresentar a retificadora de DCTF o fato de que o direito credit6rio estaria relacionado com o efetivo pagamento do tributo comprovado via DARF, e não com declarações como DCTF e DIPJ, as quais não gerariam créditos, nem afetariam a presente compensação. Também não junta a sua manifestação documentos de sua escrita fiscal e contábil que dessem suporte ao que alega. Da análise dos citados documentos o juízo recorrido constatou que o suposto recolhimento indevido ou a maior, informado no Per/DComp, foi integralmente utilizado na quitação de débitos do próprio contribuinte, bem assim que os documentos acostados aos autos não foram suficientes o bastante para lograr a comprovação das assertivas formuladas pelo contribuinte. Estas são as razões que levaram à conclusão pela não homologação da Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte à repartição preparadora, sob o argumento de inexistência de crédito para satisfazer a pretensão. A contestar tais argumentos fundados na decisão recorrida veio o Recorrente a formular assertivas no sentido de que a autoridade administrativa fiscalizadora ao constatar a insuficiência dos dados apresentados para o fim de reconhecimento do direito ao crédito alhures descrito, o deveria haver intimado à apresentação de novos documentos contábeis e fiscais, ou mesmo diligenciar acerca da constatação de certeza e liquidez do aludido crédito, para comprovar o erro ocasionado no preenchimento da DCTF, sob pena de incorrer em manifesta ilegalidade. Portanto, assim não procedendo deve ser anulada o Despacho Decisório. Acerca desta questão, qual seja: a quem incumbe a obrigação de comprovação do seu direito, o Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. E mais, na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação quando entendêlas necessárias, ex vi artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 131 do CPC. É inconteste que o contribuinte transmitiu eletronicamente DCOMP em face de crédito alegado. Neste sentido a autoridade fiscalizadora, no cumprimento do dever legal, após verificar a existência de fato impeditivo/extintivo ao reconhecimento do crédito informado na DCOMP, decidiu por não homologálo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.924384/200978 Acórdão n.º 3803003.547 S3TE03 Fl. 4 7 De acordo com o texto legal caberia ao contribuinte, então, por ocasião da manifestação de inconformidade, apresentar todos os elementos materiais probantes do alegado às autoridades julgadoras do feito com vista à sua pacificação, restando demonstrado nos autos pelo próprio contribuinte que tal medida não foi adotada, fazendose necessário o apelo ao reexame da lide, com pedido de reforma daquilo que já fora decidido, mediante a apresentação de novos documentos para exame pelo juízo ad quem. Por sua vez a decisão recorrida, por ocasião da verificação da veracidade dos fatos alegados pela contribuinte, buscando elementos probantes da certeza e da liquidez do crédito indicado no Per/DComp, não encontrou nenhum documento que atestasse essa situação, ou mesmo uma DCTF retificadora, sendo certo que a DCTF original não é o bastante para atestar a certeza e liquidez do crédito. O próprio recorrente informou haver revisto o valor devido de Cofins para o período de out/2001, após a constatação que o montante apurado àquela época não era o correto, entretanto não informou à autoridade administrativa acerca deste ajuste. Com a finalidade de justificar a existência do crédito informado no Per/DComp em questão, o recorrente formulou assertivas no sentido de que a existência de crédito independe dos valores informados em declarações, que o mesmo é comprovado a partir das guias DARF, devidamente autenticadas pela instituição que recebeu o pagamento, bem assim que todos os valores compensados possuem os correspondentes DARFs, legitimandolhe o crédito. Considerandose as informações contidas na DCTF e nos DARFs assinalados pelo contribuinte, ainda assim, não há suficiência de informações que permita a autoridade administrativa afirmar acerca da liquidez e certeza do crédito alegado pelo interessado. Não restou descumprido nenhum artigo de lei pela autoridade fiscalizadora (Lei nº 9.784/99, art. 26), uma vez que o contribuinte foi notificado tanto do teor contido no despacho decisório, contra o qual apresentou defesa, como também da decisão recorrida, mediante a interposição de recurso voluntário. Em ambas as oportunidades lhe restou garantido o direito a defesa. Portanto, não há se alegar descumprimento ao disposto no artigo 2o da Lei nº 9.784/99, ou mesmo ao contido no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, ou ainda, em relação ao artigo 29 daquele diploma legal, eis que o disposto nesse mandamus não ilide a iniciativa do contribuinte de apresentação de elementos probantes o suficiente à comprovação do direito alegado, notadamente quando na primeira oportunidade de fazêlo, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, quedouse silente. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não procede a alegação de negação ao exercício do direito do contribuinte, muito menos da prática de ilegalidade por parte da autoridade administrativa eis que o procedimento investigativo é exclusivo por força de lei (CTN, art. 142). Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN 8 DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR INOVAÇÃO DOS MOTIVOS ATINENTES AO INDEFERIMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Vêse, ainda, que não há mudança de critério entre o teor do motivo alegado no despacho decisório, que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de saldo credor, e aquele utilizado pela decisão a quo para indeferir a manifestação de inconformidade, por ausência de provas que comprovassem as declarações prestadas no Per/DComp. A bem da verdade há uma integração necessária entre o fundamento argüido no despacho decisório e o fundamento alegado na decisão recorrida, pois não haveria como atestar a liquidez e certeza do crédito informado pelo contribuinte, que não restara comprovado pela autoridade administrativa que subscreveu o despacho decisório, se não houvesse documentos hábeis e idôneos o suficiente para demonstrar que a declaração prestada pelo contribuinte se mostrava acertada. Não é o que o juízo recorrido constatou dos autos. Igualmente não há se falar que tenha a decisão recorrida inovado em relação aos motivos atinentes ao indeferimento da manifestação de inconformidade. Isto posto julgo improcedentes as duas preliminares de nulidade suscitadas pelo recorrente, eis que nesta parte, por se encontrar escorreito, o aresto recorrido não merece reparo. Ademais, o contribuinte ao admitir a existência de erro de fato, mesmo que tardiamente não procedeu à retificação da DCTF e, tampouco, em momento algum, apesar do esforço desenvolvido, logrou demonstrar que a assertiva formulada no Despacho decisório acerca da insuficiência de crédito na data de transmissão da DCOMP para satisfação da compensação, se encontrava equivocada, ou mesmo que os documentos acostados aos autos levassem a esta constatação. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11080.924384/200978 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.924384/200978 Acórdão n.º 3803003.547 S3TE03 Fl. 5 9 Interessada: ARAPAN AGRO PASTORIL LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.547 , de 26 de setembro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 26 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 22/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000044/98-36
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2007
Ementa: COMPENSAÇÃO - Deferida a compensação de créditos e débitos do
contribuinte, a autoridade procederá à conciliação entre tais valores, observando os respectivos vencimentos e elaborando os demonstrativos de imputação, se for o caso.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 105-16.392
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
)
Nome do relator: DANIEL SAHAGOFF
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MINISTÉRIO DA FAZENDA EL PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n• 0 p ,, t r , ,Ifinof j QUINTA CÂMARA Processo n° : 13629.000044/98-36 Recurso n° : 151.633 Matéria : SIMPLES - EX.: 1998 Recorrente : CONSTRUTÉCNICOS CARVALHO E GOMES LTDA. Recorrida : DRJ EM JUIZ DE FORA/MG Sessão de : 25 DE ABRIL DE 2007 Acórdão n° : 105-16.392 COMPENSAÇÃO - Deferida a compensação de créditos e débitos do contribuinte, a autoridade procederá à conciliação entre tais valores, observando os respectivos vencimentos e elaborando os demonstrativos de imputação, se for o caso. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por CONSTRUTÉCNICOS CARVALHO E GOMES LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. )7:1 L4/ A! SIDENTE daee-~e/i DANIEL SAHAGOFF RELATOR FORMALIZADO EM: 15 JUN 2007 J. .4. MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 13629.000044/98-36 Acórdão n° : 105-16.392 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUES ALBERTO BACELAR VIDAL, ROBERTO BEKIERMAN (Suplente convocado), WILSON FERNANDES GUIMARÃES, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Ausente, justificadamente o Conselheiro EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT. ore .. MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl.-. . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES #,h,, QUINTA CÂMARA Processo n° : 13629.000044198-36 Acórdão n° : 105-16.392 Recurso n° : 151633 Recorrente : CONSTRUTÉCNICOS CARVALHO E GOMES LTDA. RELATÓRIO CONSTRUTÉCNICOS CARVALHO E GOMES LTDA., empresa já qualificada nos autos deste processo, protocolizou em 2610111998 junto à Delegada da Receita Federal em Juiz de Fora/MG, Pedido de Compensação (fls. 01/04). A DRF de Governador Valadares/MG, em Decisão SASIT/GVA n° 10630.071/99, de 25/03/1999, reconheceu o direito creditório (fls. 37 e 38), propondo a autorização da compensação dos valores recolhidos em DARF's específicos, no montante de R$ 2.859,89, com os débitos calculados na forma do SIMPLES, discriminados nos formulários PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, fls. 01, 02, 03 e 04. O processo foi encaminhado Á SAORT da ORE/CEM para os procedimentos de compensação, quando se tomou necessário intimar a contribuinte para que prestasse Informações sobre sua declaração de rendimentos. Em resposta, foi formulado por ela novo Pedido de Compensação (fl. 50), corrigindo débitos anteriormente informados. Com base na nova situação, e em consonância com os elementos juntados às fls. 52180, foram elaborados pela autoridade preparadora os demonstrativos de fls. 81/82, os quais apontam para a existência de um saldo remanescente a pagar de R$ 360,99 que, atualizado até maio/2000, perfaz o valor de R$ 643,38. Não concordando com a carta de cobrança expedida, a contribuinte à fl. 187, manifesta sua inconformidade, alegando o que segue: • fez a opção pelo SIMPLES em 21/11/1997; • até a data da opção era enquadrada no regime de Lucro Presumido; 5a) MINISTÉRIO DA FAZENDA Fi. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :> QUINTA CÂMARA Processo n° : 13629.000044198-36 Acórdão n° : 105-16.392 • recolheu dentro do prazo todos os tributos devidos; • solicitou a compensação dos referidos impostos para o SIMPLES; • a SRF reconheceu seu direito creditório; • não pode concordar com a cobrança, pois não houve recolhimento em atraso. Em 06 de dezembro de 2000, a DRJ de Juiz de Fora/MG indeferiu o pedido (fls. 189/191), conforme ementa abaixo transcrita: 'COMPENSAÇÃO. Deferida a compensação de créditos e débitos do contribuinte, a autoridade procederá à conciliação entre tais valores, observando os respectivos vencimentos e elaborando os demonstrativos de imputação, se for o caso. Solicitação Indeferida." a) Irresignada com a decisão proferida pela instância 'a quo", a interessada em 26/02/2003 interpôs Recurso (fls. 195) repetindo as razões contidas na peça inicial. A recorrente promoveu o arrolamento de bens como garantia recursal nos termos do artigo 33, do Decreto n° 70235/72. Olk É o Relatório. 9/9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "P QUINTA CÂMARA Processo n° : 13629.000044/98-36 Acórdão n° : 105-16.392 VOTO Conselheiro DANIEL SAHAGOFF, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Ao contrário da tese esposada pela recorrente, verifica-se, consoante fls.11 e 23, que alguns recolhimentos foram efetuados com atraso e que nem sempre há coincidência entre os débitos e os créditos. A título de exemplo, aponte-se que em 06102/1997, como se denota a fl. 56, foi feito um recolhimento de R$ 50,53, sendo que o valor que deveria ser recolhido em 0710211997, a título de SIMPLES, seria a quantia de R$ 227,61. Os Demonstrativos Analíticos da Imputação juntados a fls. 56/68 espelham passo a passo, todas as trinta e nove imputações efetuadas, sendo que a contestante sequer aponta qual daqueles passos estada incorreto. Assim, é de se entender que os argumentos da recorrente não apontam qualquer irregularidade nos citados demonstrativos, não merecendo, por conseguinte, ser acolhido o recurso voluntário interposto. Diante do exposto, Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, mantendo-se integralmente a decisão "a quo". Sala das Sessões - DF, em 25 de abril de 2007.lace--0-47fraad DANIEL SAHAGOFF Page 1 _0047700.PDF Page 1 _0047800.PDF Page 1 _0047900.PDF Page 1 _0048000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.727305/2009-89
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003)
As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C.
STJ e deste E. Sodalício.
JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.
Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.126
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$35.861,40 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. Designado(a) para redigir o voto vencedor, exclusivamente quanto
à multa, o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$35.861,40 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. Designado(a) para redigir o voto vencedor, exclusivamente quanto à multa, o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. e Redator Designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 1 de maio de 2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), de fls. 69/74, que considerou procedente o lançamento relativo a classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Consoante relatório da decisão de primeira instância: “As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727305/200989 Acórdão n.º 2802001.126 S2TE02 Fl. 82 3 de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente.” Na decisão de 1ª instância foi mantido o lançamento nos termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente A ciência de tal julgado se deu por via postal em 16/11/2010, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl.78. À vista da decisão, foi protocolizado, em 19/11/2010, recurso voluntário de fls. 79/117, com vistas a obter a reforma do julgado, com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação, assim sintetizadas: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Em que pesem os argumentos do recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instalem o processo, concluise que o Acórdão recorrido, deve ser parcialmente mantido. Para tanto, peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, voto recentíssimo, Acórdão n° 2802000.991 de 24/08/2011, proferido ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández e também desta Turma Especial, acolhido de forma unânime, quando do julgamento, de recurso especial do contribuinte admitido no Processo: 10580.726616/200921 “Passo, então, à análise da preliminar argüida. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727305/200989 Acórdão n.º 2802001.126 S2TE02 Fl. 83 5 Alega a recorrente em Voluntário, nulidade do lançamento, por não ter a fiscalização apurado corretamente a base de cálculo do imposto. Deveria a fiscalização, no entendimento da recorrente, “(...) ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de ´URV` recebido, ter ´refeito` as três DIRFs (2004, 2005 e 2006) da Contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores do imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos”. (fl. 89 dos autos). Sem razão a recorrente. Conforme razões expostas na decisão ora recorrida e não ilididas pelo contribuinte “(...) o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, conforme dispõe o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009”. Na mesma toada, as alegações de que as diferenças foram tributadas isoladamente, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declaradas não merecem acolhida. Isto porque, nos respectivos anos calendários (1994 a 2001), as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte ora recorrente à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Logo, nos termos da decisão guerreada, o “imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão.” (fl. 72). Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto à alegação de não incidência de IR sobre os juros moratórios/ compensatórios recebidos pela recorrente em virtude de decisão judicial, adoto o entendimento do STJ (REsp 1072609/SC), no sentido de que os juros de mora possuem caráter acessório e devem seguir a mesma sorte da importância principal, de sorte a se tratar de matéria a ser decidida por ocasião da análise da natureza jurídica dos valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%). Passo ao mérito. Com a ressalva do meu entendimento pessoal já exposto em julgados anteriores, nos quais decidi pela natureza indenizatória de tais valores, em especial pela existência de lei estadual válida, vigente e eficaz, a assim qualificálos, voto no sentido de acompanhar o entendimento desta C. Turma e do STJ em relação ao tema. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Com efeito, em que pese a expressa qualificação legal dada aos rendimentos pela lei baiana, o C. Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente decidido, em casos análogos, que os valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%) têm natureza remuneratória, constituindo, assim, fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN (RMS nº 19.088/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 20/04/2007; RMS nº 19.089/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 20/02/2006; RMS nº 19.196/MS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 30/05/2005; RMS 27.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 16/08/2010; AgRg no Ag 1281129/PE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 01/07/2010; ). Esse posicionamento foi reafirmado em recente julgado da Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, cuja ementa é a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇA SALARIAL DECORRENTE DA CONVERSÃO DA URV (11,98%). INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou se no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. 2. Agravo Regimental não provido. AgRg no REsp 1235069/MA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2011/00175830. j. em 24/05/2011 . DJe 30/05/2011. Pela clareza do quanto decidido, transcrevo trecho de voto do Ministro José Delgado, no RMS 19.196/MS, a seguir: “8. Inferese dos autos que as quantias foram pagas em razão das diferenças retroativas da URV, devidamente corrigidas pelo IGPMFGV, referentes ao período de 01 de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 2000, que corresponde aos cinco anos anteriores à decisão em que foi reconhecido o pagamento correspondente a 11,98% (onze vírgula noventa e oito por cento) decorrentes da implantação da URV. 9. Ora, vêse claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727305/200989 Acórdão n.º 2802001.126 S2TE02 Fl. 84 7 10. Evidente, pois, que tais verbas são derivadas de benefício nitidamente salarial. 11. A incidência da tributação deve obediência estrita ao princípio da legalidade, e, conforme bem esposado pelo Exmo. Des. Relator do acórdão recorrido, a definição prevista no inciso I, do artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque, as quantias percebidas pelos recorridos são produto do trabalho, e do trabalho não nascem indenizações. 12. Ademais, o conceito de acréscimos patrimoniais abarca salários e abonos e vantagens pecuniárias.(...)” Logo, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, insuficiente a qualificação de verbas indenizatórias dada pelo art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003, para excluir os rendimentos recebidos (principais e acessórios) da tributação pelo imposto de renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1o do artigo 43 do CTN e inciso I do § 2º do artigo 153 da CF/88 (“A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento ...”). Entretanto, voto pela exclusão da multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, sem incorrer em qualquer das modalidades de culpa exigidas para a tipificação da conduta infracional. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). No mesmo sentido os seguintes acórdãos deste Sodalício: 10616801, 10616360 e 19600065, cujas ementas são a seguir reproduzidas: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Na mesma toada, o C. Superior Tribunal de Justiça, ao admitir a exigência do imposto e a exclusão da multa, em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: RECURSO ESPECIAL . TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727305/200989 Acórdão n.º 2802001.126 S2TE02 Fl. 85 9 da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus).’ Quanto aos Juros de Mora Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Entretanto, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS que, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Quanto a multa de mora Apesar de já ter me manifestado, em sessões anteriores, no sentido de que a exclusão da multa de ofício não implica em exigir a multa de mora, no presente caso, manifestome favorável a mitigar a penalidade de ofício para multa de mora. Explico: Ademais, entendo que a legislação, abaixo transcrita, não exclui em nenhum momento a exigência de multa do auto de infração. transcrevo o art. 74 da Lei nº 7.799/1989: Art. 74. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data de vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e juros de mora na forma da legislação pertinente, calculado sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (Grifei) Outros diplomas legais posteriores trataram do tema: Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, art. 3º; Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 59; e Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.'. (Vide Lei nº 9.716, de 1998). Como se percebe pela redação do dispositivo legal acima transcrito, resta clara a incidência dos acréscimos de juros e multa de mora aos tributos e contribuições não pagos no seu vencimento. É sabido, que todo cidadão, sendo ou não sujeito passivo da obrigação tributária principal, está obrigado a certos procedimentos que visem facilitar a autuação estatal. Uma vez não atendidos esses procedimentos estaremos diante de uma infração que tem como conseqüência lógica à aplicação de uma sanção. As sanções pela infração e inadimplemento das obrigações tributárias acessórias são as mais importantes da legislação tributária, pois conforme previsto no CTN quando descumprida uma obrigação acessória, esta se torna pessoal e independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ora, da mesma forma é sabido que a multa de mora tem natureza meramente indenizatória e não punitiva., visa essencialmente recompor, ainda que parcialmente, o patrimônio do Estado pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária e a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, é uma pena de natureza tributária. A multa de mora, é o instrumento criado pela lei ordinária para inibir o descumprimento de prazo para pagamento de tributos/contribuições. Esse foi meu entendimento divergente para o caso, que achei por bem, com as devidas vênias, registrar. Assim, rejeitadas as preliminares argüidas, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, para excluir a à multa de ofício e juros de mora, nos termos do voto acima.. Isto posto, deve ser aplicada a multa de mora em substituição à multa de ofício. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727305/200989 Acórdão n.º 2802001.126 S2TE02 Fl. 86 11 Brasília/DF, Sala de Sessões, 26 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Com a devida vênia, divirjo da ilustre Conselheira relatora, exclusivamente, quanto à exigência de multa de mora, pois tal como tem entendido esse Colegiado, por maioria de votos, a exemplo do Acórdão nº 2802001.028, julgado em 27 de setembro de 2011, a exclusão da multa de ofício não implica em exigir a multa de mora, pois exigir a multa de mora nessa circunstância seria inovar o lançamento o que seria vedado nessa fase recursal. Destarte, meu voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, no termos do voto da relatora, porém sem exigir a multa de mora em substituição à multa de ofício ora excluía. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Redator designado Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727305/200989 Acórdão n.º 2802001.126 S2TE02 Fl. 87 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1.1.1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão acima mencionado. Brasília/DF, 1 de maio de 2012 ____________________________________________ JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 01/05/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 18192.000030/2007-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/10/2006
DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO.
A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Infração a dispositivo legal.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-000.322
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Infração a dispositivo legal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENC1ARIA ASSUNTO: OBRIGACõES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TITULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Infração a dispositivo legal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). - Presidente. OSEAS CO BRAI JUNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). i 1. Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdencidria conforme disposto no relatório da decisão impugnada, que trancrevo. A empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, as remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica 'prêmios", o montante das quantias descontadas e as contribuições da empresa sobre esses valores. Apesar da empresa ter registrado em sua escrituração as Notas Fiscais emitidas pela empresa Incentive House S/A, este fato não supre a exigência legal de destacar o fato gerador da contribuição previdenciária, as quantias descontadas e as contribuições devidas pela empresa sobre tais valores. A Decisão-Notificação — fls 236 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte : • Inexigibilidade de depósito prévio. • Os prêmios são ganhos não habituais, sendo que, caso o empregado os receba mediante cumprimento de metas pré-estabelecidas pela empregadora e de forma não habitual, isto 6, eventualmente, como no presente caso, não integra a sua remuneração. • Nos termos da doutrina e jurisprudência aplicável ao caso em tela, considerando a não habitualidade no pagamento dos prêmios, estes não se revertem da condição de salário de contribuição • Pugna pelo provimento do recurso, com a declaração de improcedência da notificação impugnada. É o relatório. Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator DO DEPÓSITO RECURSAL A lei 8.213/91 teve o § 1 0 do artigo 126 revogado pela lei 11.727/08, não sendo mais necessário o depósito recursal para o seguimento do recurso apresentado, dessarte, a falta do depósito não é razão impeditiva de análise do mesmo. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS Dos documentos acostados, depreende-se que a empresa efetuava pagamentos a empresa Incentive House S/A, que repassava parte desses valores aos c t 2 Processo n° 18192.000030/2007-56 S2-TE03 cordão n.° 2803-00.322 Fl. 2 empregados através de cartões eletrônicos, sendo também lavrada a NFLD 37.027.910-7 onde se apurou as contribuições devidas em razão dos valores pagos. Incentive House é responsável por gerir um sistema de premiação — Programa Estimulo ao Aumento da Produtivida onde o contribuinte é responsável por especificar os premiados e os respectivos valores, bem como o tipo de premiação. Uma vez confeccionada a lista com os nomes e montantes, é feito o pagamento através de cartões eletrônicos. 0 art. 28 da lei 8.212/91 informa o conceito de salário de contribuição: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição. I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as godetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) A leitura da legislação informa que qualquer retribuição ao trabalho prestado, em regra, considera-se salário de contribuição, independentemente do titulo utilizado. 0 § 9° do mesmo artigo traz as exclusivas hipóteses de pagamentos que, excepcionalmente, não integram o salário de contribuição. Nesse rol não se encontram valores pagos através de cartões de premiação, e nem poderia ser diferente, pois a forma adotada para o pagamento aos empregados não desnatura a natureza salarial do mesmo, sendo irrelevante que tais valores sejam pagos através de terceiros, pois ocorrem por conta e ordem da recorrente. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, como alega a recorrente, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins do conceito salarial. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência de contribuições previdencidrias somente é relevante quando a parcela paga não for em dinheiro. Temos também que os pagamentos de prêmios e incentivos por aumento de produtividade também se enquadram como rendimentos sujeitos à contribuição social, não se confundindo com a hipótese de participação nos lucros e resultados, a qual demanda estrita observância a específicos critérios legais, o que não ocorre in casa. A situação descrita deixa claro que os valores pagos a Incentive House e, repassados aos empregados, não se enquadram nas exceções trazidas no §9°, tratando-se de remuneração, portanto sujeita a incidência de contribuição à seguridade social. Concluímos que houve pagamento a Incentive House cujos valores foram repassados aos empregados da recorrente, nos termos desta, como contraprestação de serviços 3 prestados, evidenciando-se a natureza salarial de tais verbas com consequente repercussão nas contribuições previdenci Ari as. DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS EM DESACORDO COM AS NORMAS LEGAIS A legislação previdencidria, em especial a lei 8.212/91, art. 32,11, combinado com o art. 225, II, e paragrafos 13 ° . a 17° . do Regulamento da Previdencia Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, determina a obrigatoriedade de "lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos". O relatório fiscal informa que a irregularidade consistiu na omissão dos lançamentos referentes as remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica "prêmios", o montante das quantias descontadas e as contribuições da empresa sobre esses valores. Como já demonstrado, os prêmios pagos têm natureza salarial, o que atrai a aplicação da norma do art. 32,11 da lei 8.212/91 e, uma vez não contabilizados em títulos próprios os fatos geradores de contribuições sociais, temos configurada a infração. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, nego-lhe provimento. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2010 OSEAS COIM R - Relator e 4
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