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Numero do processo: 15954.720037/2017-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2003
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 9303-009.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2003 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 72 00 37 /2 01 7- 11 Fl. 360DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.387 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15954.720037/2017-11 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência, apresentado pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 3402-003091, de 21/06/2016, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2003 COFINS BASE DE CÁLCULO Na vigência da Lei 9.718/98, a partir de fevereiro de 1999, cobrava-se a COFINS, em relação a qualquer pessoa jurídica, de forma cumulativa sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência de uma posição judicial para a matéria, deve ser prestigiado o entendimento consagrado por este Tribunal administrativo para o tema, o que se dá em busca de segurança jurídica, tratamento igualitário entre diferentes contribuintes e, ainda, unidade judicativa. Assim, deve ser mantido o ICMS na base de cálculo da COFINS. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PIS BASE DE CÁLCULO Na vigência da Lei 9.718/98, a partir de fevereiro de 1999, cobrava-se o PIS, em relação a qualquer pessoa jurídica, de forma cumulativa sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 361DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.387 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15954.720037/2017-11 Ante a inexistência de uma posição judicial para a matéria e ressalvado o entendimento pessoal deste Relator, deve ser prestigiado o entendimento consagrado por este Tribunal administrativo para o tema, o que se dá em busca de segurança jurídica, tratamento igualitário entre diferentes contribuintes e, ainda, unidade judicativa. Assim, deve ser mantido o ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso parcialmente provido. A insurgência da Fazenda Nacional refere-se à não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, reconhecida no acórdão recorrido. O recurso especial foi admitido por despacho aprovado pelo então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Cientificado, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal - Relator O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. A insurgência da Fazenda Nacional refere-se à possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O acórdão recorrido entendeu que não existe sustentação legal para a exigência. Como é sabido, esta matéria já está pacificada no âmbito dos julgamentos do CARF, por meio da Súmula CARF nº 108, in verbis: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Fl. 362DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.387 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15954.720037/2017-11 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000136/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/04/2005
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido.
Numero da decisão: 3302-007.505
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Acordam os membros do Colegiado, de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gerson Jose Morgado de Green. Trata- Inconformidade, fls. 12 a 15, contra o Despacho 03825.58996.280705.1.3.04- -36, indicado pela contribuinte. c> CSLL no valor de R$ 127.460,61, totalizando R$ 405.448,30; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF PR OC ES SO 10 50 8.0 00 13 6/2 01 0-4 NORMASNORMAS GERAISGERAIS Data do fato gerador: 30/04/2005Data do fato gerador: 30/04/2005 de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento.de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento. Fl. 58DF CARF MF Fl. 2 do 3302-007.505 - 10508.000136/2010-42 contribuinte de qualquer valor do tributo indevidamente pago, qualquer que seja a modalidade do pagamento; PIS e da Cofins; valor maior que o devido, - ali contido; c> na DCTF de 02/2005 foi declarado o valor de R$ 402.488,57 para IRPJ e R$ 173.000,92 para CSLL, sendo que esta DCTF foi retificada para o valor correto 27.40.23.28.49- 58; -58; c> fica assim esclarecido que a requerente tinha os valores de R$ 277.987,69 e hostilizad 03825.58996.280705.1.3.04- ados IRPJ R$ 277.987,69 e CSLL R$ 127.460,61; -se as 10508.000167/2005-36. A DRJ julg termos: Data do fato gerador: 30/04/2005 s pelo contribuinte por -lo na Fl. 59DF CARF MF Fl. 3 do 3302-007.505 - 10508.000136/2010-42 10508.000158/2005-45 e 10508.000159/2005-90; e (ii) con para que unidade de origem informe o resultado PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL -00373-2/001. Voto Conselheiro Walker Araujo, Relator. requisitos de admissibilidade, dele tomo parcial conhecimento. -45 e 10508.000159/2005-90; e com o pedido (ii) 05.1.00.2010-00373-2/001. saber: Art. 17. Considerar-se- expressamente contestada pelo impugnante. No mais, c u seja, por total Verifica- -36, indicado 1.3.04-6656, pois o referido -62 e 10508.000540/2003- de Contribuintes. informado na referida Dcomp origina-se de pagamento a maior ou indevido de IRPJ e CSLL de 02/2005, verifica- 2005 estavam vinculad (10508.000167/2005- Fl. 60DF CARF MF Fl. 4 do 3302-007.505 - 10508.000136/2010-42 a pagamento a maior ou indevido, em fu nenhum pagamento dos referidos tributos informados na DCTF. Ressalte- tribuinte (Artigo 373 do CPC1 30/09/2009 com a realidade dos acontecimentos. Nos processos derivados de pedidos de postulante, que deve carrear aos contribuinte ou do fisco - 401-003.096 - grifei) egar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou alegou. A imunidade, como isen extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, 1 I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 61DF CARF MF Fl. 5 do 3302-007.505 - 10508.000136/2010-42 destacado)2 Soma-se a isso, que a 3. utos documentos capazes de rio e, na parte conhecida nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo 2 3 passivo dos legais (Decreto- Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.729349/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS.
O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto.
CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL.
A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos.
ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA
É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
Numero da decisão: 3401-006.092
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, por unanimidade de votos, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (presidente).
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011) Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, por unanimidade de votos, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 93 49 /2 01 2- 66 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10120.729349/201266 Acórdão n.º 3401006.092 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve o despacho decisório que não homologou créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as seguintes teses da impugnação: (a) Das despesas com fretes entre estabelecimentos Informa que as transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica tiveram por escopo o armazenamento das mercadorias com destino certo à exportação e já negociada; que o frete contratado confere à empresa o direito ao aproveitamento do crédito, porque é decorrente de operação de venda para o exterior, onde o transporte é realizado em duas etapas, sendo a primeira até o porto — que corre às expensas do vendedor —; e a outra do porto de origem até o destino final — que é de responsabilidade do comprador. Ressalta que "se é certo que se deve considerar a remessa para exportação "frete na operação de venda", a remessa anterior para a formação de lote deve ser incluída no mesmo conceito, pois este frete nada mais é do que uma primeira etapa do transporte definitivo da mercadoria para o seu destino final". Informa que o seu estabelecimento industrial está situado no centrooeste, distante do embarque dos produtos para o exterior, realizados em Santos/SP e que, antes de chegar no Porto de Santos, os produtos são transportados por via rodoviária ou aquaviária, desde as fábricas localizadas no Estado de Goiás, até as filiais localizadas em Pederneiras/SP ou Anhembi/SP. A partir das filiais, as mercadorias são transportadas até o porto de Santos pela via ferroviária; c. o frete entre estabelecimentos tem por finalidade precípua colocar os produtos vendidos em condições de serem embarcados/vendidos para o exterior. E conclui: (...) Ainda que se entendesse que os fretes contratados pela Impugnante não se encartassem no conceito de "fretes sobre venda", tais gastos encontram amparo no inciso I do art. 3o, das L eis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, por serem gastos necessários à colocação do bem em condições de venda (tem natureza de custo), tal como definido na legislação do Imposto de Renda (art. 289 do RIR/1999); Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10120.729349/201266 Acórdão n.º 3401006.092 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, reforçar que direito ao crédito é garantido pela leitura do artigo 3º, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como despesa com venda, seja como custo a ser incorporado ao bem em estoque (neste caso se não houvesse contratado previamente a venda); (b) Despesas de armazenagens e fretes extemporâneos A contribuinte diz que o art. 3o, § 4o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, prescreve, sem fazer qualquer ressalva quanto ao prazo e formalidades para o creditamento e de forma clara e taxativa, que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. No que tange ao crédito presumido extemporâneo, assevera que o § 2º, do art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 manda aplicar o § 4o, do art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo disposição expressa em sentido contrário. Vejamos: "(...) tendo em conta que inexiste no ordenamento jurídico qualquer previsão legal que vede, de forma expressa, o aproveitamento extemporâneo, é de se concluir, reprisese, que autorizado está o contribuinte à recuperação de créditos que não foram aproveitados no passado". Prossegue afirmando que o § 8o, do art. 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não fixaram regime de competência para apropriação de créditos do PIS/PASEP e da COFINS, mas tão somente definiram critério de cálculo desses mesmos créditos, sendo que o momento da apropriação continua a ser disciplinado pelo § 1° do aludido art. 3o, de sorte que, em não havendo o aproveitamento em tal ocasião, o contribuinte pode fazêlo em período posterior, por força do permissivo contido no § 4o também daquele comando legal. Após citar um trecho do Manual de Preenchimento do DACON que estabelece: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, sem atualização monetária ou incidência de juros" e dizer que este manual se enquadra na definição de "norma complementar" estabelecida no art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, diz que a glosa de créditos extemporâneos se afigura um ato abusivo e ilegal, motivo que desautoriza o lançamento. (c) Das despesas de armazenagem prescritas Quanto à prescrição de parte do crédito relativo às despesas de armazenagens, a recorrente alega que os créditos do PIS e da COFINS não sofre qualquer hipótese de prescrição, mesmo porque as Leis federais 10.637/2002 e 10.833/2003 não preveem qualquer prazo para a fruição dos créditos (d) Aquisição de Bens usados como insumos Sobre as glosas realizadas, o contribuinte juntou documentação suporte para comprovar tais dispêndios, que não teriam sido apresentadas durante o procedimento fiscal. (e) Aquisição de Bens que seriam ativo imobilizado Reproduziu a Resolução CFC nº 1.177/2009 e citar o art. 301 do RIR, que possibilita reconhecer como despesa bem cujo valor unitário se mostre elevado, desde que o prazo de vida útil seja inferior a um ano, e a Solução de Consulta DISIT/SRRF06, de 13 de Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10120.729349/201266 Acórdão n.º 3401006.092 S3C4T1 Fl. 5 4 maio de 2015, diz que a obrigatoriedade de imobilização de gastos realizados em bens do imobilizado é bastante restrita, pois somente se aplica quando o bem beneficiário da reforma alcançar nova vida útil. No caso em tela é diferente, são peças que se desgastam ou deterioram rotineiramente, sem, contudo, elevar a vida útil da máquina ou equipamento, não se mostrando suficiente para concederlhes o tratamento de imobilizado. Arguiu que, caso se admita o enquadramento dos materiais adquiridos como bem do imobilizado, os bens conferem créditos sobre os encargos de depreciação, com observância da metodologia adotada pela Lei nº 11.774/2008. (f) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas aquisições de "sebo" para a produção de biodiesel Afirmou que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que "as aquisições realizadas pela Impugnante do insumo "sebo", destinadas a fabricação de biodiesel, ocorridas anteriormente a 15/12/2011, são abarcadas pelo direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e COFINS, por força do que prevê o art. 34 da Lei n° 12.058/2009(...)”. (g) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol" Ressalva que a fiscalização teria erroneamente desconsiderou os créditos de contribuições relativos à venda no mercado interno de farelo de girassol, haja vista o contido nos arts. 54 e 55, § 5º, inciso II, da Lei nº 12.350/2010. Nesse contexto, assegura que o "farelo de soja" é obtido por meio da industrialização da "semente de girassol" e é vendido com o benefício da suspensão de PIS e Cofins a destinatários que irão utilizálos na alimentação animal; e que “a semente de girassol utilizada para produzir o "farelo de girassol", por ser adquirida das pessoas indicadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, garante à impugnante o direito de se apropriar dos créditos presumidos de PIS e Cofins”, e por fim, “o fato de o "farelo de girassol" ser comercializado com o benefício da suspensão de PIS e Cofins, não impõe à contribuinte a obrigação de promover o estorno dos créditos presumidos anteriormente apropriados, pois inexiste na lei nº 10.925/2004 tal previsão; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja Quanto ao estorno de créditos presumidos decorrentes de venda de farelo de soja com suspensão de PIS e Cofins no mercado interno, a contribuinte diz que, nos termos da Lei Complementar nº 95/1998, a vigência da lei será sempre indicada de forma expressa e as disposições normativas serão regidas com clareza, precisão e ordem lógica; Conclui que tem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 64 da Lei nº 12.350/2010 e art. 22 da Instrução Normativa nº 1.157/2011. (i) Da glosa parcial de crédito presumido da soja adquirida para produção de farelo Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10120.729349/201266 Acórdão n.º 3401006.092 S3C4T1 Fl. 6 5 A contribuinte rejeitou a glosa parcial dos créditos presumidos da soja adquirida, na medida em que afirma que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Buscou demonstrar documentalmente que toda a soja fora utilizada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, “sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito.“ Afirmou também que que não há previsão legal que ampare o rateio de crédito empregado pela fiscalização e que a analogia não pode criar restrições, nem resultar em cobrança de tributos não previsto em lei. Por fim, rejeitou a aplicação de juros sobre a multa de ofício durante o curso do processo para atualização do crédito ora constituído, por falta de embasamento legal para aplicação da Taxa SELIC sobre essa parcela. Ainda apresentou documentos adicionais para comprovar suas alegações, em especial sobre os créditos sobre frete entre estabelecimentos e sobre o crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, entre outros. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.073, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.729209/201298. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.073): "Do mérito O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve as glosas de créditos delineadas no MPF nº 0120100201300983 a respeito das seguintes rubricas: (a) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; (b) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja; (c) Crédito presumido nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol"; Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10120.729349/201266 Acórdão n.º 3401006.092 S3C4T1 Fl. 7 6 (d) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Passo a expor: Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; Com relação aos itens que tratam das hipóteses de apropriação de crédito presumido na atividade agroindustrial, é importante destacar que, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e publicada no DOU de 15.12.2011, c/c o art. 8º da lei nº 10.925/2004, acompanhando integralmente a conclusão do acórdão da DRJ, que não há direito de crédito nas aquisições de sebo para produção de biodiesel. Tal como destacado pela fiscalização no seu Relatório Fiscal, “não obstante o crédito presumido do art 47 da Lei n° 12.546/2010 nunca ter tido eficácia, posto que foi revogado pela Lei n° 12.865/2013 antes que fosse regulamentado pela RFB, conforme determinava seu § 6o, a Lei n° 12.995/2014 introduziu naquela primeira lei o art. 47B, que convalidou os créditos do art. 47 realizados durante sua vigência (caput) e também convalidou os créditos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (§ 1o) em relação à aquisição de soja in natura por produtores de biodiesel, contudo o § 2o do citado art. 47B proibiu o crédito simultâneo do art. 47 da mesma lei e do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 em relação à mesma operação”. Assim reproduzo, por entender irretocável, a decisão ora recorrida, vez que não foram trazidos novos elementos no Recurso que pudessem afastar aquela conclusão: Já em relação à alegação da contribuinte que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que teria direito ao crédito presumido do PIS e da Cofins nas aquisições deste, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, e nas redação dada pelas Leis nºs 12.350/2010 e 12.839/2013, fazse necessário, antes de enfrentar o mérito, a reprodução dos arts. 32 e 34 da referida lei: (...) Da leitura dos artigos acima reproduzidos, verificase/concluise que: a) O direito ao crédito presumido somente se aplica à aquisição de sebo com suspensão das contribuições, no mesmo período de apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10120.729349/201266 Acórdão n.º 3401006.092 S3C4T1 Fl. 8 7 b) A suspensão aludida é obrigatória quando a venda for efetuada por pessoa jurídica que revenda o sebo bovino ou que industrialize os produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, da NCM, para outra pessoa jurídica, desde que a venda não seja no varejo; c) Sendo o sebo bovino adquirido com a incidência de suspensão do pagamento da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, e utilizado como insumo na industrialização de biodiesel, cabe ao adquirente o direito de apuração dos créditos presumidos tratados no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Como dito alhures, a contribuinte para usufruir do direito ao crédito presumido precisa, além ser pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, demonstrar que a aquisição de sebo foi com suspensão das contribuições e de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Contudo, na impugnação apresentada, a contribuinte não demonstrou que cumpriu todos os requisitos, principalmente se a aquisição de sebo foi de pessoa jurídica e com suspensão. Assim, cabendo o ônus da prova em contrário à empresa, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/197217; art. 36 da Lei nº 9.784/199918; e art. 373 da Lei nº 13.105/200519, e esta, em sua impugnação, não demonstrando o cumprimento dos demais requisitos para usufruir do direito ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, não há motivos para rever o lançamento(glosa de crédito) da matéria tratada neste tópico. Assim, mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de “farelo de soja” e de "farelo de girassol" Tampouco merece reforma o entendimento trazido pelo acórdão recorrido concernente à possibilidade de crédito presumido com a venda do produto agroindustrial estava sujeito à suspensão das contribuições. A recorrente pleiteia que sejam considerados, nas apurações de janeiro a junho de 2011, a inclusão de crédito presumido concedido pela Lei Federal 12.431/2011, cuja vigência expressamente se iniciou em 27.06.2011, quando fora publicada no DOU. Ora, não há como conceber a possibilidade de vigência retroativa à lei, sem que essa estabeleça tal aplicação, de modo que deve ser mantida a decisão da DRJ que não considerou tais créditos até a entrada em vigor daquele ato normativo. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10120.729349/201266 Acórdão n.º 3401006.092 S3C4T1 Fl. 9 8 Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Com relação a esse item, por entender ter a decisão a quo escrutinado a questão de maneira definitiva, creio que o acórdão de primeiro grau merece ser mantido na sua integralidade, de forma que acompanho tal entendimento, aproveitando os fundamentos do voto do relator que cito: A fiscalização glosou parcialmente créditos presumidos da soja adquirida, por entender que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O entendimento da fiscalização foi no sentido de que há direito ao crédito apenas quando aplicada à soja na produção de mercadoria de origem animal ou vegetal destinada à alimentação humana ou animal). Em sua impugnação, a fiscalizada contesta a glosa realizada, afirmando que toda soja, sem exceção foi empregada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na \produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito. Afirma que o aproveitamento parcial dos créditos somente seria aplicado se a empresa destinasse uma parte da soja para produção de farelo e a outra para produção de biodiesel e que, por se tratar de norma especial, a única exceção (vedação ao aproveitamento do crédito presumido) encontrase taxativamente prevista no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e não há previsão legal que imponha o aproveitamento proporcional em razão da pluralidade de produtos resultantes do mesmo processo e matériaprima, é de se concluir que a Impugnante tem direito ao crédito presumido integral. Em outras palavras, o que a impugnante defende é que toda a aquisição de soja é para a produção de "farelo de soja", sendo o biodiesel o subproduto. De acordo com o "Memorial Descritivo do Processo de Produtivo Soja decepção / Preparação / Extração / Lecitina" apresentado pela contribuinte, diferentemente do alegado, fica evidente que a soja adquirida é para a produção de óleo/biodiesel/lecitina, sendo o subproduto da industrialização o "farelo de soja". Contudo, não é o fato de o "farelo de soja" ser, ou não, o subproduto do esmagamento da soja que determina a existência do direito ao crédito presumido, mas sim o fato de as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, produzirem (a partir da soja) mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desse modo, inexistindo o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei 10.925/2004 em relação a insumos Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10120.729349/201266 Acórdão n.º 3401006.092 S3C4T1 Fl. 10 9 aplicados na fabricação de biodiesel — produto este não destinado à alimentação humana e animal — há que se excluir/glosar os valores dos insumos a eles aplicados da base de cálculo do crédito presumido informado pela contribuinte em seu Dacon. Quanto ao rateio proporcional dos valores glosados conforme a proporção das receitas da empresa, esta é a forma correta de realizar as glosas, haja vista ter sido este o método adotado na apropriação dos créditos realizada pela interessada em Dacon. Portanto, com base nos dispositivos acima expostos a glosa do credito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 proporcional à produção de biodiesel, merece ser mantido. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 345DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000370/2009-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
Numero da decisão: 9303-009.090
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização necessários ao curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, apenas não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 70 /2 00 9- 92 Fl. 516DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.090 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16349.000370/2009-92 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. A DERAT em São Paulo não reconheceu integralmente o pedido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade requerendo o reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, com a consequente homologação das compensações declaradas. Adicionalmente, pede diligência e perícia, para comprovação de suas alegações. A DRJ competente analisou a manifestação da contribuinte, indeferindo o pedido de diligência e perícia e julgando-a improcedente. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual, em síntese, discute: 1. créditos relativos a bens importados e nacionais classificados na NCM 38.08, e tratados todos como defensivos agrícolas pelo Fisco, que supostamente seriam tributados a alíquota zero ou ainda que não caracterizassem insumos, mas que contém uma diversidade de produtos assim classificados mas sujeitos à alíquota regular; 2. créditos sobre insumos utilizados no processo produtivo: a) defende o critério da necessidade em detrimento do critério do desgaste por contato direto; b) materiais de embalagem que não são destinados a mero acondicionamento, mas também para proteger o produto (tóxico) , em face de normas de agências governamentais , tais embalagens não podem ser destruídas pelo adquirente, mas tratada especificamente; c) materiais de limpeza que se inserem no processo produtivo, devendo ser separados aqueles para limpeza do pátio dos utilizados nos dutos evitando a contaminação dos produtos químicos produzidos; d) despesas com energia elétrica erroneamente classificados como despesas de alugueis de máquinas e equipamentos, mas que apesar disso devem ser reconhecidas como necessárias; 3. diferenças no rateio proporcional, a fiscalização não considerou receitas de operações financeiras e venda de imobilizado; 4. pedido de diligência e perícia. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3401-004.914, que deu parcial Fl. 517DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.090 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16349.000370/2009-92 provimento ao mesmo, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica resitradas erroneamente como aluguéis, e para produtos importados classificados na posição 3808 da NCM, para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou no acórdão paradigma nº 203-12.448, o qual adotava a tese de que a definição de insumos deveria ser aquela prevista na legislação do IPI, de que os insumos devem ser os bens aplicados diretamente na produção, de forma que sofram desgaste ou consumo, por contato, no processo produtivo enquanto o recorrido admite como insumos bens que integrem o processo produtivo sem necessidade de incidência direta com esses produtos. Tal recurso especial foi apreciado este Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que lhe deu seguimento, Contrarrazões da contribuinte Cientificada, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.049, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000356/2009-99, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.049): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Tenho por acidentais as diferenças fáticas entre os acórdãos, pois o fato de se tratarem de produtos diferentes, nem mesmo impediria que alguns insumos fossem os mesmos e persistiria a discussão sobre o critério de aplicação direta (critério do IPI) ou indireta no produto (insumo do insumo). Além disso, não há que se falar em tese superada, por inexistência de decisão vinculante sobre a matéria. Por essas razões, conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional . Mérito Admitido o recurso especial, relativamente aos créditos sobre a) material de limpeza e b) material de embalagens, para seu deslinde adoto o entendimento esposado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. Ressalvo não Fl. 518DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.090 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16349.000370/2009-92 comungar de todas as argumentações nele postas, entretanto, concordo com suas conclusões e o transcrevo no que se aproveita como razão de decidir deste caso para cada um dos itens: a) Material de limpeza - necessário para garantir processo produtivo e características do produto 100. Malgrado os julgamentos citados refiram-se apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, trata-se de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. b) Material de embalagem - necessário para garantir a segurança do uso do produto 24. Nada obstante, salienta-se que o processo de produção de bens, em regra, encerra-se com a finalização das etapas produtivas do bem e que o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente. Consequentemente, os bens e serviços empregados posteriormente à finalização do processo de produção ou de prestação não são considerados insumos, salvo exceções justificadas, como ocorre com a exceção abordada na seção GASTOS APÓS A PRODUÇÃO relativa aos itens exigidos pela legislação para que o bem ou serviço produzidos possam ser comercializados. ... 60. Nesses termos, como exemplo da regra geral de vedação de creditamento em relação a bens ou serviços utilizados após a finalização da produção do bem ou da prestação do serviço, citam-se os dispêndios da pessoa jurídica relacionados à garantia de adequação do produto vendido ou do serviço prestado. Deveras, essa vedação de creditamento incide mesmo que a garantia de adequação seja exigida por legislação específica, vez que a circunstância geradora dos dispêndios ocorre após a venda do produto ou a prestação do serviço. (Negritei.) CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento.” sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 519DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.090 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16349.000370/2009-92 Fl. 520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902232/2017-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2011
PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. INEXISTÊNCIA.
Não se reconhece crédito líquido e certo, quando o contribuinte não aponta objetivamente os erros cometidos que justificariam sua existência, nem traz documentos que comprovem os alegados equívocos.
Numero da decisão: 1301-004.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.902235/2017-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. INEXISTÊNCIA. Não se reconhece crédito líquido e certo, quando o contribuinte não aponta objetivamente os erros cometidos que justificariam sua existência, nem traz documentos que comprovem os alegados equívocos.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. INEXISTÊNCIA. Não se reconhece crédito líquido e certo, quando o contribuinte não aponta objetivamente os erros cometidos que justificariam sua existência, nem traz documentos que comprovem os alegados equívocos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.902235/2017-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Trata-se o presente processo de Pedido de Compensação Eletrônico n. 27166.87310.061112.1.3.04-0004no qual o crédito indicado é de pagamento indevido ou a maior de CSLL referente ao período de apuração abril/2011, no valor de R$ 1.496,83, e o débito indicado para compensação é CSLL de fevereiro/2011, março/2011 e junho/2011. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 22 32 /2 01 7- 59 Fl. 143DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.074 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.902232/2017-59 O Despacho Decisório eletrônico indeferiu o pedido de compensação tendo em vista que não reconheceu existência de crédito, posto que o DARF indicado encontrava-se integralmente alocado, parte para um débito e outra parte alocado em outra DComp, conforme tela abaixo: O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde declara que é optante pela apuração anual do lucro real e que havia recolhido a maior a estimativa mensal da CSLL, tendo resolvido pedir restituição do valor pago a maior, compensando-o com débitos que indicou. Aduz que embora tenha informado por equívoco na composição do seu saldo negativo solicitado no PER/DCOMP nº21939.89197.071112.1.3.03-1300, o valor total do DARF, haveria outro equívoco cometido naquela composição que a prejudicaria e "igualaria" o valor correto do saldo negativo, anulando o efeito do mencionado equívoco, que seria o fato de que não havia sido percebido pelo Despacho Decisório em questão que o débito indicado para compensação no presente PER/DCOMP seria referente à estimativa mensal de CSLL de fevereiro do ano calendário 2010. Assevera que na análise de crédito do PER/DCOMP21939.89197.071112.1.3.03- 1300, onde consta a composição do saldo negativo do ano calendário de 2010 ali pleiteado, no campo denominado "estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, com processo administrativo, processo judicial ou DCOMP", onde deveriam constar todas as estimativas "pagas" com DCOMP, não constaria a presente DCOMP. Conclui a Recorrente que dessa forma, o efeito gerado pelo equívoco de ter informado o valor total do DARF referente à estimativa abril/2011 na composição do saldo negativo ali pleiteado seria anulado na medida em que o valor da estimativa quitada com a presente DCOMP havia deixado de ser informado na composição do saldo negativo da CSLL referente ao ano calendário de 2011, restando mantida a verdade material. -Finaliza requerendo o reconhecimento do direito creditório pleiteado. A DRJ julgou a manifestação improcedente posto que verificou que o DARF indicado já tinha sido inteiramente aproveitado, parte para liquidar um débito, e parte foi aproveitado no PerDcomp 21939.89197.071112.1.3.03-1300. O contribuinte foi cientificado do acórdão da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário, onde alega nulidade do acórdão recorrido e reitera os argumentos despendidos na manifestação, no sentido de que cometeu equívocos no PerDcomp nº 21939.89197.071112.1.3.03-1300que justificariam a existência de crédito nos PerDcomp constantes deste processo. Ao final, requer que seja dado provimento ao recurso para determinar a nulidade da decisão recorrida ou, superando a questão da nulidade, para reformar o acórdão recorrido e reconhecer o crédito pleiteado, homologando os débitos compensados. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.074 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.902232/2017-59 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-004.070, de 15 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902235/2017-92, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-004.070): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente a Recorrente alega nulidade do acórdão recorrido, pois teria se furtado em enfrentar o argumento central por ela apontada, e teria indeferido o pedido sob o fundamento de que a contribuinte teria pretendido retificar o PER/DCOMP nº. 21939.89197.071112.1.3.03-1300, em que foi pedido o Saldo Negativo de CSLL do ano de 2011, “por vias transversas”. Equivoca-se a Recorrente. Em momento algum o acórdão recorrido se referiu a “retificação por vias transversas” ou qualquer expressão do gênero. O acórdão recorrido indeferiu o pedido, porque após verificações aos sistemas da RFB, constatou que o DARF havia sido de fato aproveitado integralmente no PerDcomp nº. 21939.89197.071112.1.3.03-1300. Dessa forma, não procede o argumento de nulidade do acórdão recorrido. Quanto ao mérito, a Recorrente defende que deve ser privilegiado o princípio da verdade material, e argumenta a decisão da DRJ merece ser reformada, pois, assim como o despacho decisório emitido, privilegia a forma em detrimento da verdade material, pois, de fato, há outro equívoco cometido além da indicação do valor total do DARF naquela composição do saldo negativo, que prejudica a Recorrente e “iguala” o valor correto do Saldo Negativo, anulando o efeito do equívoco identificado. A Recorrente, de maneira confusa, alega que cometeu erros na indicação do saldo negativo referente ao ano-calendário de 2011, indicado no PerDcomp nº. 21939.89197.071112.1.3.03-1300. O contribuinte declara ter cometido erro no preenchimento da Dcomp nº 21939.89197.071112.1.3.03-1300, quanto ao valor informado de estimativa de janeiro/2011, mas não esclarece o erro, não afirma qual seria o valor devido, pago e declarado, tampouco apresenta documentos que o comprovem. A Recorrente faz referência ainda a dados informados em DCTF, a DCTF não foi anexada à manifestação de inconformidade. O que consta dos autos é a DIPJ, conforme se verifica do índice do processo digital. Fl. 145DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.074 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.902232/2017-59 Com efeito, a Recorrente argumenta que cometeu erros em outro PerDcomp nº 21939.89197.071112.1.3.03-1300, que não é objeto do presente processo. Ainda assim, os erros supostamente cometidos no preenchimento daquele PerDcomp não foram objetivamente apontados, e tampouco comprovados. Por sua vez, o acórdão da DRJ traz telas que demonstram o aproveitamento integral do saldo negativo informado na DComp n. 21939.89197.071112.1.3.03-1300, bem como o aproveitamento do DARF informado nos PerDcomp objeto de manifestação de inconformidade constantes deste processo (nº 28620.61444.061112.1.3.04-3930 e nº 05690.36504.061112.1.3.04-4700). A autoridade de primeira instância aponta que o pagamento indicado como fonte do crédito pleiteado já foi inteiramente utilizado conforme indicado no Despacho Decisório em lide. Não vislumbro, portanto, a existência de crédito líquido e certo a embasar os pedidos de compensação objeto do presente processo. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001957/2006-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MAQUINAS.
São considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço.
Numero da decisão: 9303-008.989
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MAQUINAS. São considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MAQUINAS. São considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de PIS, que não foi integralmente reconhecido pela DRF de origem. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual, em síntese segue discute relativamente aos créditos: das aquisições para manutenção e reposição, que teriam a natureza de insumos por necessidade do processo produtivo; dos custos com energia elétrica, pois parte da energia elétrica creditada, registrada no nome da empresa MADEMÓVEL LTDA., é de utilização da recorrente, como locatária do prédio daquela empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 19 57 /2 00 6- 55 Fl. 718DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.989 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11020.001957/2006-55 O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3202-00.238, que lhe deu provimento. Recurso especial da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência que se estribou no acórdão paradigma nº 203-12.448, o qual adotava a tese de que a definição de insumos deveria ser aquela prevista na legislação do IPI, de que os insumos devem ser os bens e serviços aplicados diretamente sobre os produtos utilizados na fabricação, enquanto o recorrido admite como insumos bens que integrem o processo produtivo sem incidência direta com esses produtos. Tal recurso especial foi apreciado pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que lhe deu seguimento, Contrarrazões da contribuinte Cientificada, a contribuinte apresentou suas contrarrazões e Recurso Especial, sendo este último não admitido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.985, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.001955/2006-66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.985):. “O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo. Conhecimento Tenho por acidentais as diferenças fáticas entre os acórdãos, pois o fato de se tratarem de produtos diferentes, nem mesmo impediria que alguns insumos fossem os mesmos e persistiria a discussão sobre o critério de aplicação direta (critério do IPI) ou indireta no produto (insumo do insumo). Por essa razão conheço do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional. Mérito Admitido o recurso especial, para seu deslinde adoto o entendimento esposado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. Ressalvo não comungar de todas as argumentações nele postas, entretanto, concordo com suas conclusões e o transcrevo no que se aproveita como razão de decidir deste caso: 87. Perceba-se que, em razão de sua interpretação restritiva acerca do conceito de insumos, esta Secretaria da Receita Federal do Brasil somente considerava insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços utilizados na Fl. 719DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.989 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11020.001957/2006-55 manutenção dos ativos diretamente responsáveis pela produção dos bens efetivamente vendidos ou pela prestação dos serviços prestados a terceiros. 88. Ocorre que, conforme demonstrado acima, a aludida decisão judicial passou a considerar que há insumos para fins da legislação das contribuições em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, e não somente na etapa-fim deste processo, como defendia a esta Secretaria. 89. Assim, impende reconhecer que são considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. Portanto, também são insumos os bens e serviços utilizados na manutenção de ativos responsáveis pela produção do insumo utilizado na produção dos bens e serviços finais destinados à venda (insumo do insumo). (Negritei.) Assim, apesar de, como ocorrido na decisão a quo, aqui se admitir como insumos os materiais para manutenção de máquinas, há que se destacar que não é com base no mesmo critério por ela adotado, de que qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ que o faço, mas no de essencialidade ou relevância. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para, no mérito, negar- lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 720DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720790/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE. PROVA.
Valores em espécie informados em DIRPF no exercício anterior devem ser considerados como origem de recursos capaz de justificar as despesas incorridas pelo contribuinte no ano seguinte, nos casos de exame de acréscimo patrimonial a descoberto, salvo quando o contribuinte, intimado, não demonstre a sua propriedade no período considerado.
MÚTUO. PROVA.
A alegação de que foram recebidos recursos decorrentes de empréstimos obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes da transferência para o patrimônio do contribuinte.
Numero da decisão: 2402-007.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo das alegações quanto (i) à inaplicabilidade da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96; (ii) à impossibilidade de aplicação da Taxa Selic; e (iii) ao caráter confiscatório da multa de 75%, e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para que seja incluído no Demonstrativo de Variação Patrimonial elaborado pela fiscalização, como origem, o montante em espécie de R$ 130.000,00, em posse do contribuinte em 31/12/07, conforme informado na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do ano-calendário 2007, exercício 2008. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira (relator), que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE. PROVA. Valores em espécie informados em DIRPF no exercício anterior devem ser considerados como origem de recursos capaz de justificar as despesas incorridas pelo contribuinte no ano seguinte, nos casos de exame de acréscimo patrimonial a descoberto, salvo quando o contribuinte, intimado, não demonstre a sua propriedade no período considerado. MÚTUO. PROVA. A alegação de que foram recebidos recursos decorrentes de empréstimos obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes da transferência para o patrimônio do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo das alegações quanto (i) à inaplicabilidade da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96; (ii) à impossibilidade de aplicação da Taxa Selic; e (iii) ao caráter confiscatório da multa de 75%, e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para que seja incluído no Demonstrativo de Variação Patrimonial elaborado pela fiscalização, como origem, o montante em espécie de R$ 130.000,00, em posse do contribuinte em 31/12/07, conforme informado na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do ano-calendário 2007, exercício 2008. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira (relator), que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 457 1 456 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.720790/201289 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.508 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de agosto de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA Recorrente ELPIO EMMEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE. PROVA. Valores em espécie informados em DIRPF no exercício anterior devem ser considerados como origem de recursos capaz de justificar as despesas incorridas pelo contribuinte no ano seguinte, nos casos de exame de acréscimo patrimonial a descoberto, salvo quando o contribuinte, intimado, não demonstre a sua propriedade no período considerado. MÚTUO. PROVA. A alegação de que foram recebidos recursos decorrentes de empréstimos obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes da transferência para o patrimônio do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo das alegações quanto (i) à inaplicabilidade da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96; (ii) à impossibilidade de aplicação da Taxa Selic; e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 07 90 /2 01 2- 89 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 458 2 (iii) ao caráter confiscatório da multa de 75%, e, na parte conhecida, por maioria de votos, darlhe provimento parcial para que seja incluído no Demonstrativo de Variação Patrimonial elaborado pela fiscalização, como origem, o montante em espécie de R$ 130.000,00, em posse do contribuinte em 31/12/07, conforme informado na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2007, exercício 2008. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira (relator), que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 0638.876, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba/PR, fls. 391 a 399: Trata o presente processo de Autuação lavrada para apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, relativo ao exercício de 2009, ano calendário 2008, no valor original de: Conforme o Termo de Verificação Fiscal, o lançamento é resultado da apuração de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos conhecidos (§ 1º do art.3º da Lei 7.713/88 e Art. 807 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999) e de omissão de rendimentos de Ganho de Capital em duas operações em 2008 (artigos 117, 123 e 124 do RIR combinado com o art.16 da Lei 7.713/88). Foi aplicada multa de ofício de 75% (inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96) e foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais por se verificar, em tese, crime contra a ordem tributária (artigos 1º e 2º da Lei 8.137/90). Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 459 3 Intimado em 23/05/2012, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 22/06/2012, alegando em síntese que: O contribuinte é comerciante do ramo imobiliário e exerce sua atividade tanto como pessoa física como em nome da pessoa jurídica da qual é sócio – Elpio Emmel CNPJ 06.183.748/000153. Alega que as transações são feitas, em regra, em espécie e, pelo dinamismo da atividade de compra e venda, tais valores não permanecem “parados” pois a abertura de novos negócios se dá concomitantemente ao fechamento de outro. Aduz que atendeu às intimações fiscais e apresentou seus documentos e esclarecimentos, inclusive de sua cônjuge, Sra. Dione Huppes Emmel. Esclarece que contestou pontos da planilha de fluxo de caixa apresentada pela fiscalização e que ingressos de receita consignados na DIRPF do impugnante não foram aceitos, são eles: 1 Retirada de lucros da empresa Elpio Emmel de R$ 290.000,00; 2 Saldo de disponibilidade financeira em espécie declarado em 31/12/2007 de R$ 130.000,00; 3 Empréstimo da cônjuge de R$ 175.000,00. Alega que os documentos apresentados à fiscalização são suficientes para comprovação dos valores, informa que inclusive foram confrontados com diligências junto às pessoas jurídicas e à cônjuge do impugnante. Aduz que a retirada de lucros da empresa Elpio Emmel – Loteamento Universitário estão registrados no Livro Diário apresentado nos valores de: R$ 100.000,00 em 26/06/2008 e R$ 170.000,00 em 31/12/2008. Entende que os recibos acostados, por si só, comprovam as retiradas. Ademais, entende que o informe fiscal e contábil da pessoa jurídica comprova o registro dos recibos de retirada na época própria e o resultado operacional de R$ 121.780,39. Já o Demonstrativo de Lucros ou Prejuízos Acumulados de 2008 traz saldo inicial que, somado ao lucro do exercício, totaliza R$ 270.000,00. Afirma que no razão analítico acostado constam lançamentos que somam R$270.000,00 nas contas Caixa e Lucros Acumulados. Conclui, assim, que resta demonstrado o recebimento de lucros de R$ 100.000,00 em 26/06/2008 e de R$ 170.000,00 em 31/12/2008. Contesta a exigência de comprovação da efetiva transferência dos numerários alegando que tal exigência é um “capricho” desnecessário. Alega ainda que o lucro já foi tributado na pessoa jurídica, cita jurisprudência do CARF e conclui que o rendimento não pode ser novamente tributado na pessoa física. Protesta alegando que o fiscal presumiu má fé do contribuinte sem juntar provas do ilícito cometido. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 460 4 Prossegue citando Acórdãos do CARF e conclui que a escrituração contábil da pessoa jurídica, aliada a informação em DIRPF, é prova suficiente da distribuição de lucros. Quanto à disponibilidade em espécie declarada em 31/12/2007, entende que o saldo declarado, por ser legítimo e pela lógica, deve ser considerado como renda em 01/01/2008. Protesta contra a exigência de prova da existência do valor declarado em espécie pois não há base legal para tanto. Afirma que somente com a análise pormenorizada de 2007 é que o fiscal poderia aferir a existência ou não do numerário declarado. Cita novamente decisão do CARF no sentido de que as informações prestadas em DIRPF presumemse verdadeiras. Entende que não há meio robusto de comprovar a existência do dinheiro em espécie e questiona a existência do campo para esta informação em DIRPF. Reafirma que é do comércio e que, por vezes, trabalha com dinheiro em espécie. Conclui, então, que o valor declarado em 31/12/2007 deve ser considerado como origem em 2008. Quanto ao empréstimo da cônjuge (R$ 120.000,00), afirma que o instrumento de confissão de dívida foi elaborado após a intimação fiscal e não foi registrado em cartório mas entende que tal situação não permite concluir, como fez o fiscal, que houve simulação e forja de documentos. Alega que não houve má fé, que agiu com transparência e que poderia, caso quisesse, ter elaborado documento com data retroativa, mas não o fez. Aduz que havendo consenso sobre o empréstimo, o instrumento com as condições pode ser elaborado a posteriori. Assim, entende que o instrumento apresentado é hábil para produzir efeitos. Quanto ao registro e as testemunhas para o contrato de mútuo, alega que perante a fazenda pública deve imperar a verdade material e não simples assinaturas de testemunhas ou registro. Novamente diz que não houve má fé e esclarece que a origem dos recursos foi esclarecida pela Sra. Dione conforme documentos juntados. O impugnante entende comprovada a transferência dos numerários com dois depósitos em dinheiro em sua conta bancária, nos valores somados de R$ 120.000,00, constando como depositário o próprio impugnante. Informa que o fato de o contribuinte ser o próprio depositante não comprova que houve simulação, como entendeu o fiscal. Esclarece que o empréstimo consta nas DIRPF (originais) do impugnante e de sua cônjuge e que esta situação compõe o conjunto probatório. Conclui que o recurso advindo do empréstimo (R$ 120.000,00) deve ser considerado como receita em 26/06/2008, data dos depósitos. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 461 5 Repete seus argumentos quanto ao valor de R$ 55.000,00, também supostamente recebido por empréstimo de sua cônjuge e complementa alegando que o valor tem como origem dois cheques recebidos por sua esposa a título de recebimento de lucros. Informa que os cheques não foram depositados pelo impugnante mas foram utilizados no pagamento parcial de uma chácara que consta na DIRPF do impugnante, comprovado pelos documentos acostados. Informa que na relação de pagamentos da compra do citado imóvel consta o depósito dos citados cheques, devidamente endossados pela Sra. Dione. Conclui que o recurso advindo do empréstimo (R$ 55.000,00) deve ser considerado como receita em 13/08/2008, data dos depósitos. Cita o princípio da Verdade Material, além de jurisprudência administrativas e doutrinas, e alega que o fisco não pode agir com arbitrariedade baseado em presunções não devidamente comprovadas nos autos. Por fim, pede que os argumentos e provas apresentados sejam apreciados à luz do princípio da verdade material e que se declare a improcedência da exigência tributária. Em 21/06/2012 houve o pagamento dos valores apurados referentes às operações com Ganho de Capital, valores de R$ 5.184,10 e R$ 765,03, recolhidos com os devidos acréscimos e com o desconto na multa de ofício, conforme DARF juntados conferidos como descrito no Despacho de Encaminhamento. Assim, o débito em litígio é de: Em 31/10/2012, 161 dias após a ciência, o contribuinte juntou aditamento de sua impugnação trazendo novos argumentos e doutrinas/jurisprudências a respeito da nulidade no lançamento baseado em presunções, da falta de razoabilidade, da inaplicabilidade da presunção legal de omissão de rendimentos, da impossibilidade da utilização da taxa Selic e quanto ao caráter supostamente confiscatório da multa aplicada. Ao julgar a impugnação, em 19/3/10, a 7ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, conforme assim restou ementado no decisum: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 462 6 bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NUMERÁRIO DECLARADO EM DINHEIRO. PROVA. Valores declarados como “dinheiro em espécie”, “dinheiro em caixa” e outras rubricas semelhantes não podem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua existência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada. MÚTUO. PROVA. A alegação de que foram recebidos recursos decorrentes de empréstimos obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes da transferência para o patrimônio do contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, em 26/12/12, segundo o termo de ciência de fl. 400, assinado por seu representante, o Contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fls. 324 e 389), interpôs o recurso voluntário de fls. 403 a 457, em 23/1/13, no qual repete a sua impugnação, e acrescenta o seguinte: Que seria inaplicável a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/96 ao presente caso; Que seria impossível a aplicação da Taxa Selic como taxa de juros moratórios sobre débitos fiscais; e Que a multa aplicada de 75% apresentaria caráter confiscatório. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e foi apresentado por advogado devidamente constituído, porém, não será conhecido em relação às seguintes alegações, uma vez que não prequestionadas em sede de impugnação: Inaplicabilidade da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96; Impossibilidade de aplicação da Taxa Selic; e Caráter confiscatório da multa de 75%. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 463 7 Cabe salientar que o conhecimento de tais alegações importaria em afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o processo administrativo tributário. Das alegações recursais Inicialmente, cumpre esclarecer que o recurso voluntário se constitui em instrumento de defesa a ser interposto contra a decisão de primeira instância. Nessa linha, inclusive, é o art. 33, do Decreto 70.235, de 6/3/72, que assim dispõe: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A impugnação, por sua vez, nos termos do art. 14, do Decreto 70.235/72, é interposta diretamente contra o lançamento: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Portanto, em seu recurso voluntário, cabe ao contribuinte rebater as razões de decidir do órgão julgador de primeiro grau e não simplesmente repetir as alegações constantes da impugnação, pois, nesse caso, o contribuinte não estará recorrendo da decisão tomada em primeira instância, mas sim estará pleiteando, tão somente, um reexame da sua impugnação. Dessa forma, tendo em vista que o Recorrente transcreve a sua impugnação, ipsis litteris, na parte conhecida do seu recurso, reproduziremos no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão recorrida, com as quais concordamos e mantemos: Inicialmente, analisando detidamente a impugnação tempestiva apresentada, verificase que o contribuinte contesta basicamente três pontos desconsiderados no fluxo patrimonial: supostos empréstimos recebidos da cônjuge, posse de dinheiro em espécie declarado e recebimento de lucros de sua pessoa jurídica. Necessário de pronto esclarecer que a presunção de omissão de rendimentos aplicada no lançamento decorre de lei, não havendo qualquer nulidade em se apurar a omissão por meio da aferição indireta do patrimônio a descoberto. Destacase ainda que o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova. Conforme art. 807 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, a autoridade lançadora efetua o lançamento baseado na análise patrimonial, cabendo ao contribuinte provar a origem dos rendimentos que justificam seu patrimônio. No caso em tela, observase que o fiscal esmerouse em comprovar a ocorrência de acréscimo injustificado de renda, conforme se observa do Termo de Verificação Fiscal e do fluxo de caixa e respectivas planilhas. Os acréscimos patrimoniais foram apurados mensalmente, considerandose o saldo de disponibilidade de um mês como recurso para o mês subsequente (dentro do mesmo anocalendário), na determinação da base de cálculo anual do tributo, em obediência aos dispositivos legais citados no Auto de Infração. Empréstimo Prova Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 464 8 Sustenta o defendente que não poderia ser desconsiderado pela auditoria os empréstimos recebidos de sua cônjuge, Sra. Dione, declarados tempestivamente em DIRPF, para justificar seu acréscimo patrimonial. Destaca que embora seus documentos tenham sido produzidos após o início da fiscalização é sabido que transferências entre pessoas da família ocorrem comumente sem formalidades. A tese defensiva não merece qualquer amparo. Ocorre que laços familiares não conferem privilégio ao contribuinte em relação à prova do empréstimo que informa ter contraído para justificar seu acréscimo patrimonial. Também a declaração deste empréstimo em DIRPF não é o bastante para comprovar perante o Fisco o negócio jurídico. As informações constantes da Declaração de rendimentos sujeitamse a comprovação posterior por meio de provas contundentes perante o Fisco, em especial, quando implicar variação patrimonial. É o que determina o Regulamento do Imposto de Renda: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. No mesmo sentido, dispõe a Jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atual CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 10612836 de 23/08/2002). Ressaltese que o valor de R$ 250.000,00, depositado pela cônjuge do impugnante diretamente em sua conta bancária, foi acatado pela fiscalização. Já com relação ao suposto empréstimo no valor de R$ 120.000,00, não foi carreado aos autos prova inequívoca da transferência dos recursos entre as pessoas envolvidas na suposta transação, a exemplo do que ocorreria se fossem apresentados os extratos bancários do mutuante e do mutuário; posto que esta prova, originária de fonte externa, no caso, uma instituição financeira revelaria a efetiva movimentação do dinheiro, situação que pôde ser verificada na transferência de R$ 250.000,00, acatada pela fiscalização com a seguinte justificativa: Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 465 9 A propósito, cabe pontuar que o empréstimo de R$ 250.000,00 que também aparece no suposto contrato, somente foi reconhecido por esta fiscalização como origem de recursos do contribuinte porque está fundamentado em depósitos que atestam a transferência dos recursos de Dione Huppes Emmel para Elpio Emmel, quer dizer, o convencimento da existência desse empréstimo se deu pela apresentação dos comprovantes de depósito e não do contrato, porquanto este foi tido por inidôneo. Obviamente que depósitos em dinheiro na conta do impugnante (de R$ 50.000,00 e de R$ 70.000,00) não tem o condão de demonstrar a transação, ainda mais sendo o próprio contribuinte autuado o depositante. Assim, sem apego às formalidades do contrato elaborado após a fiscalização, temse que sem a prova robusta da transferência efetiva dos valores entre mutuário e mutuante, não há como acatar o valor como origem de recursos no fluxo patrimonial. Da mesma forma, quanto ao suposto empréstimo de R$ 55.000,00, também de sua cônjuge, verificase que os cheques de sua esposa, supostamente utilizados na aquisição de imóvel rural do impugnante, não demonstram cabalmente que efetivouse empréstimo entre mutuante e mutuário. Como esclarecido pela autoridade fiscalizadora, as cópias dos cheques (fls. 219 e 220) são nominais a Dione Huppes Emmel, não havendo qualquer menção ao contribuinte. A alegação de que os cheques não foram depositados, mas foram utilizados pelo impugnante na aquisição de sua chácara carece de comprovação. No caso, o autuado informa que constaria nos autos uma relação de pagamentos referentes à aquisição da chácara que consta em sua DIRPF. Na citada relação de pagamentos, ainda segundo a impugnação, constariam os referidos cheques endossados pela sua cônjuge. Ocorre que, consultando cuidadosamente os documentos carreados aos autos pelo impugnante, verificase que não consta a referida relação que traria a indicação dos cheques da Sra. Dione como pagamento de chácara em nome do autuado. Também não constam nos autos os cheques com o endosso da Sra. Dione mencionados na impugnação. Em consequência, sem qualquer comprovação idônea, não há condições de considerar o empréstimo no fluxo patrimonial. Repisese que operações desse gênero, por terem repercussões na esfera tributária, devem estar devidamente documentadas. Não se pode entender como demasiada a exigência de prova do contrato de mútuo contemporâneo e da efetiva transferência dos valores. Isso porque o terceiro interessado, no caso o Fisco Federal, não participou do negócio jurídico, necessitando, pois, de prova robusta para verificar sua veracidade. Assim, entendese acertada a conduta da autoridade lançadora de desconsiderar os empréstimos, em razão da ausência de prova de sua ocorrência. Disponibilidade em Espécie Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 466 10 Suscita o impugnante que possuía, ao final de 2007, R$ 130.000,00 em espécie devidamente declarados em DIRPF. Esclarece que em casos dessa natureza, compete a fiscalização fazer prova em contrário da existência do dinheiro declarado e cita a dificuldade de se provar existência de numerário em espécie. A tese não merece amparo. O art. 806 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999 dispõe a respeito da comprovação das origens: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Resta claro, portanto, que o contribuinte está sujeito a comprovar, mediante documentos e esclarecimentos, as origens de recursos e as alterações ocorridas em seu patrimônio, sempre que intimado a fazêlo. Não basta, portanto, com fez a defesa, informar de forma vaga e lacônica que possuía dinheiro em espécie e pronto. É mister provar a origem desse recurso e sua disponibilidade efetiva por meio de documentos idôneos e robustos. A jurisprudência administrativa é pacífica no sentido de que a disponibilidade em dinheiro somente pode ser aceita quando houver prova inconteste de sua existência no final do anobase em que foi declarado. O entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes a esse respeito encontrase reproduzido nos seguintes acórdãos: Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO Tributase o valor do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Valores declarados como dinheiro em espécie, dinheiro em caixa, numerário em cofre e outras rubricas semelhantes não podem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua existência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada.” (Acórdão 10610228/1.998) Ementa: IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DINHEIRO EM CAIXA Para que os recursos disponíveis em moeda ao final de cada anocalendário constituamse lastro para eventuais acréscimos patrimoniais no mês, imediatamente, subsequente, devem estar incluídos na respectiva declaração de bens, e, como todos os dados declarados, ter sua origem comprovada e justificativa para a permanência em caixa sem remuneração. Não se prestam para esse fim eventuais sobras decorrentes da confrontação entre rendimentos e aplicações declaradas, mesmo aquelas apuradas em levantamentos fiscais para constatação do fato gerador do Imposto de Renda, pois não expressam a efetiva posse do bem no último dia do período. (Acórdão 10245383/20021025) Retirada de Lucros da Empresa Elpio Emmel – Loteamento Universitário Quanto às supostas retiradas de lucro de sua empresa nos valores de R$ 100.000,00 em 26/06/2008, R$ 170.000,00 em 31/12/2007 e R$ 20.000,00 também em 31/12/2008 temse que: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 467 11 Conforme esclarecido no Termo Fiscal, não há prova documental da transferência do dinheiro da pessoa jurídica para a física. Os simples recibos apresentados não guardam plena identidade com a contabilidade apresentada e, sem a existência de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, não há como acatar a suposta retirada de lucros. É manso e pacífico o entendimento de que a aceitação de valores de percepção de lucros no fluxo patrimonial depende, inequivocamente, da comprovação da efetiva transferência dos recursos entre os envolvidos. Ademais, a autoridade fiscal descreve com propriedade a falta de base contábil para justificar a tese defensiva, cito: Chamou a atenção desta fiscalização o fato de a empresa Elpio Emmel – Loteamento Universitário haver escriturado a manutenção de altos valores em dinheiro durante 2008. Eis que o Livro Razão da empresa informa saldo inicial de 2008 de R$ 233.671,52 e, como pode se verificar à fl.246, esse saldo não variou significativamente no ano. Se a contabilidade da empresa refletisse verdadeiramente os fatos, significaria que teriam sido mantidos em espécie, num cofre ou gaveta, durante todo o ano de 2008, valores acima de R$ 200.000,00, por vezes mais de R$ 300.000,00. Não parece que tenha sido essa a realidade da empresa em 2008 já que se trata de pequena empresa individual aberta para comercializar terrenos em um loteamento... Realmente não é razoável admitir que tanto dinheiro vivo fosse mantido na empresa, sem transitar pelo sistema bancário. Muito menos é crível que expressivos numerários tenham sido distribuídos à pessoa física sem deixar rastro bancário compatível. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria ao Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6/3/72), o que não ocorreu. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio da Silva – Redator Não obstante os fundamentos do voto condutor, pedese vênia para discordar parcialmente do ilustre relator, especificamente por entender que, no caso concreto, deve ser Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10945.720790/201289 Acórdão n.º 2402007.508 S2C4T2 Fl. 468 12 considerado como origem de recursos válida a disponibilidade em moeda corrente, no valor de R$ 130.000,00, regularmente informada em DIRPF pelo contribuinte no exercício anterior ao auditado. Tal entendimento devese ao fato de que a fiscalização em apreço visou analisar a regularidade do IRPF incidente no anocalendário 2008 (exercício 2009), tendo o contribuinte informado em DIRPF, do exercício anterior, possuir R$ 130.000,00 em moeda corrente nacional ao final do ano de 2007. Sobre a efetiva posse de tais valores, não foi localizado nos autos, e tampouco no Termo de Verificação Fiscal, qualquer informação de que o contribuinte tenha sido intimado e não comprovado tal disponibilidade, constando do processo apenas pedido de informações referente a dados da DIRPF 2009 (AC 2008): Dessa forma, a efetiva propriedade de tais valores não foi objeto de exame pela autoridade fiscal, fato que inviabilizada a sua desconsideração como origem de recurso válida a suportar as despesas incorridas pelo contribuinte no ano seguinte. Conclusão Posto isso, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, considerando válido como origem de recurso o montante de R$ 130.000,00 em espécie, declarados pelo contribuinte na DIRPF 2008 (AC 2007), devendo, por isso, ser recalculado o IRPF incidente. No mais, acompanho o relator do voto vencido. (Assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12670.000260/2009-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-001.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe dava provimento integral.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe dava provimento integral. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 28/33) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005 (e-fls. 34/38), onde se apurou Dedução Indevida com Dependentes, Dedução Indevida com Despesa de Instrução e Dedução Indevida de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 67 0. 00 02 60 /2 00 9- 18 Fl. 165DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.412 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12670.000260/2009-18 A contribuinte apresentou Impugnação parcial (e-fls. 02/16, 108), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 116/129): A notificada requer o cancelamento do lançamento de credito tributário efetuado em relação à glosa de dedução indevida a título de despesas médicas, sob a argumentação de que: a) Todos os recibos apresentados à fiscalização encontram-se revestidos das formalidades exigidas pela lei; b) A fiscalização ignorou os esclarecimentos prestados c corroborados por recibos médicos perfeitamente validos, em afronta â lei vigente, que estabelece presunção de veracidade em favor do contribuinte, o que transfere o ônus da prova à administração tributária. c) Em relação a essa matéria, inexiste presunção legal em favor do fisco. Portanto, a exigência de comprovação do desembolso agride o principio constitucional da legalidade; d) A exigência de provar a efetividade da prestação de serviços por meio da apresentação de exames e orçamentos, que dizem respeito unicamente à esfera médico / paciente, afronta o principio da intimidade, de que trata o artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal. e) A autuação realizada nada mais revela do que a prática do crime de excesso de exação, previsto no artigo 316 §1º do Código Penal. A Impugnação foi julgada improcedente pela 10ª Turma da DRJ/SP2 em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. O direito á dedução é condicionado à comprovação da relação de dependência com o declarante, conforme legislação de regência. Não comprovada a relação de dependência por meio de documentação legalmente exigida, mantém-se a glosa da dedução indevida. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São passíveis de dedução as despesas com instrução relativas ao próprio contribuinte c/ou a seus dependentes, quando comprovado o dispêndio por documentação hábil e respeitados os limites legais, conforme legislação de regência. Não comprovado o dispêndio em curso previsto pela legislação de regência, por meio de documentação hábil, mantém-se a glosa da dedução indevida. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. O direito à dedução de despesas é condicionado à comprovação da relação de dependência do beneficiário dos serviços e o declarante, da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. A não comprovação, por meio de documentação hábil, do efetivo desembolso dos valores que se pretende deduzir, obsta a dedução. GLOSA DE DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Havendo dúvidas quanto a regularidade de deduções pleiteadas, cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em impugnação oposta, que deve ser instruída com elementos de prova hábeis que fundamentem os argumentos de defesa. Assim, não configura afronta ao princípio da legalidade a exigência de comprovação da efetividade do Fl. 166DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.412 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12670.000260/2009-18 pagamento de despesas médicas / odontológicas consignadas cm recibos c declarações unilaterais, por decorrer de expressa disposição legal. DIREITO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros, quando houver procedimento de fiscalização cm curso e tais exames forem indispensáveis, tendo como garantia o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio, EXCESSO DE EXAÇÃO. A atividade de fiscalização é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. Cientificada do acórdão de primeira instância em 11/07/2011 (e-fls. 133), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 01/08/2011 (e-fls. 134/160) com os argumentos a seguir sintetizados. - Inicialmente apresenta descrição dos fatos processuais até a decisão recorrida. - Reproduz legislação e jurisprudência sobre a dedução de despesas médicas e aduz que a única exigência que a legislação tributária impõe é a apresentação de comprovante de pagamento onde esteja especificado o nome e o número de inscrição no CPF do seu beneficiário. Sustenta que não há dispositivo na legislação condicionando a dedução da despesa ao pagamento efetuado por meio de cheque ou por meio bancário. Acrescenta que não pode o funcionário público criar óbices à efetiva dedução da despesa realizada, exceto na hipótese em que sejam falsos os comprovantes de pagamento ou que o profissional apontado como prestador do serviço negue que os emitiu, circunstância essa aqui inocorrente. Expõe que no presente caso os profissionais não foram indagados pela Fiscalização. - Reitera os argumentos apresentados em sua Impugnação sobre a presunção de veracidade dos esclarecimentos por ela prestados. Defende que, inexistindo presunção legal em favor do Fisco, mas sim a presunção de veracidade estabelecida em favor do contribuinte, consubstanciada nas disposições do artigo 845, §1º, do RIR/99, verifica-se a completa impossibilidade de a autoridade administrativa negar validade aos recibos apresentados, posto que não aponta os vícios ou nulidades neles constantes. - Assevera que em nenhum momento a autoridade lançadora fez reparos quanto ao fato de que os comprovantes de pagamentos apresentados não preenchiam os requisitos exigidos pela legislação, como argumentado no acórdão recorrido. Alega ter ocorrido evidente alteração do fundamento da autuação, qual seja o de falta de comprovação do desembolso dos valores tidos como pagos como está no Auto de Infração, o que inquina de nulidade absoluta a decisão ora recorrida. Apresenta jurisprudência sobre o assunto. - Expõe que na impugnação oferecida invocou as disposições do artigo 845, §1º, do RIR/99, que estabeleceu uma presunção legal em favor do contribuinte, mas que tal aspecto foi ignorado na decisão recorrida. Entende que, visto que o acórdão omitiu-se em apreciar argumento constante da impugnação, ficou evidenciada a sua nulidade, cumprindo seja este processo devolvido àquela instância administrativa para que outra decisão seja ali proferida. Fl. 167DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.412 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12670.000260/2009-18 - Suscita a nulidade da autuação em face do fato de que cabia, quer ao auditor, quer à relatora do acórdão recorrido, esclarecer os motivos que os levaram a ignorar a jurisprudência dominante sobre a matéria, por força do contido no artigo 50, VII, da Lei n° 9.784/99. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a Dedução Indevida de Despesas Médicas apurada no lançamento. As demais infrações não foram impugnadas pelo sujeito passivo. Extrai-se da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal procedeu à glosa de parte das despesas informadas na declaração em exame por não ter a contribuinte, regularmente intimada, comprovado o desembolso dos pagamentos e a efetividade dos serviços prestados (e-fls. 31,87). Impõe-se observar que o lançamento foi regularmente constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados na Notificação de Lançamento, não havendo vício que enseje a sua nulidade. O Colegiado a quo manteve a infração apurada corroborando as razões expostas pelo auditor. Cabe esclarecer nesse ponto que a decisão de piso não alterou o fundamento da autuação, ao contrário do que afirma a recorrente. Ainda que o relator tenha observado a ausência de formalidades nos recibos apresentados, a motivação para a manutenção da glosa permaneceu a mesma: a falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. Vale reproduzir trecho do voto condutor nesse sentido (e-fls. 123): Da compulsão dos autos, verifica-se que a contribuinte não anexou à impugnação documentos que comprovem o efetivo desembolso, concernente às despesas médicas indicadas em sua Declaração de Ajuste Anual, o que não permite à autoridade julgadora concluir pelo direito a dedução pleiteada pela carência de comprovação do efetivo pagamento das despesas alegadas. Também não se vislumbra qualquer omissão no acórdão recorrido quanto à presunção legal em favor do contribuinte suscitada na Impugnação. Ao contrário, verifica-se que o relator apreciou o tema em item específico intitulado “GLOSA DE DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. PRINCIPIO DA LEGALIDADE.” (e-fls. 123/126), no qual apresentou suas razões de decidir acompanhada da base legal pertinente. O mesmo se aplica à alegação da recorrente de que a decisão de piso não esclareceu os motivos que levaram o Colegiado a quo a ignorar a jurisprudência dominante sobre a matéria. O voto condutor enfrentou o assunto no item “EXTENSÃO DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS.” (e-fls. 128/129), não havendo reparos a serem feitos nesse ponto. Vale lembrar que a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, e que esta não está Fl. 168DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.412 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12670.000260/2009-18 obrigada a discorrer sobre cada um dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo quando no voto há fundamentos suficientes para legitimar a conclusão por ela abraçada. Quanto à infração em litígio, verifica-se que, apesar da motivação indicada na Notificação de Lançamento, a contribuinte não juntou à sua defesa nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência entre suas movimentações financeiras e os recibos por ela acostados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas glosadas. Cumpre ressaltar que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é lícito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová-las de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. É importante salientar que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, ao contrário do que entende a recorrente, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202-005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401-004.122, de 16/2/2016) Fl. 169DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.412 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12670.000260/2009-18 Equivoca-se, ainda, a recorrente ao entender que foram impostas restrições quanto à forma de pagamento das despesas médicas para fins de dedução na Declaração de Ajuste. É possível que a contribuinte tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. No entanto, para comprová-los caberia a ela trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Impõe-se observar que o Termo de Intimação lavrado durante o procedimento fiscal já apontava expressamente os elementos a serem apresentados na hipótese de pagamento em espécie (e-fls. 87), não havendo qualquer irregularidade nesse ponto: “Caso o pagamento tenha sido em dinheiro, comprovar a disponibilidade do numerário através de saque bancário ou outro meio em que o recurso fez-se disponível, em data e valor compatível com o recibo”. Vale mencionar, por fim, que não cabia à autoridade lançadora realizar diligências junto aos profissionais envolvidos para estes corroborassem as informações prestadas pela contribuinte. Como já exposto, sendo a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000518/2005-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-009.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 05 18 /2 00 5- 66 Fl. 275DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3803-006.596, de 16 de outubro de 2014 (fls. 211 a 219 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria dos votos, deu provimento parcial aos embargos, que alterou, mediante efeitos infringentes, o acórdão em Recurso Voluntário nº 3803-001.444 (fls. 187/193). A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI, protocolado pelo Contribuinte, referente ao período 01/01/2005 a 31/03/2005, para ser utilizado na compensação de débitos que declarou. De acordo com o despacho decisório exarado, foi indeferido o pedido em razão dos produtos, que a empresa produz e comercializa, serem jornais classificados como NT (não- tributado) na TIPI. Inconformado com a decisão que indeferiu o seu pedido de ressarcimento, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) tem direito ao ressarcimento por força dos princípios da seletividade e da não-cumulatividade previstos no artigo 153, § 3°, II, da Constituição Federal; b) o direito pleiteado encontra amparo na Lei n° 9.779, de 1999, art. 11, e que a própria IN SRF n° 33/99 corrobora o entendimento de que os produtos imunes possuem direito à utilização e manutenção do crédito do IPI, independentemente de serem classificados na TIPI como NT, conforme consultas, julgados e acórdãos que cita. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Fl. 276DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF Nº 20. O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 196 a 201, sendo que estes foram acolhidos parcialmente, para alterar mediante efeitos infringentes, o acórdão em Recurso Voluntário nº 3803-001.444 (fls. 187/193), conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitem-se, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, para correção de premissa equivocada, na hipótese de ocorrência de error in judicando decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE JORNAL COM PUBLICIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO. Fl. 277DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 Como o jornal com publicidade se sujeita à alíquota zero do IPI, a lei autoriza o ressarcimento dos créditos apurados na aquisição de insumos aplicados em sua produção. A Fazenda Nacional também opôs embargos de declaração às fls. 221 a 223, sendo que estes foram acolhidos (despacho 226 a 229), mas não foram providos, conforme acórdão nº 3302-003.349 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 25 de agosto de 2016 (fls.230 a 235). A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 237 a 246) em face do acórdão em embargos, que alterou mediante efeitos infringentes o acórdão em Recurso Voluntário, a divergências suscitadas pela Fazenda Nacional dizem respeito às seguintes matérias: 1 - Nulidade do acórdão em embargos do contribuinte - 3803-006.596, com efeitos infringentes, eis que a modificação da decisão decorreu de error in judicando em face de apreciação equivocada dos fatos; e 2 - Preclusão temporal de documentos disponíveis desde a impugnação, mas que somente foram juntados na fase recursal. Para comprovar as divergência jurisprudenciais suscitadas, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma os acórdão de nºs 3403-002-844 e 2302-003.544 (1), bem como, os acórdãos de nºs 3403-002-213 e 2302-002.156 (2). A comprovação dos julgados firmou-se pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi parcialmente admitido, conforme despacho de fls. 248 a 253, sob o argumento que que a divergência jurisprudencial foi comprovada somente em relação à nulidade do acórdão em embargos do contribuinte, com efeitos infringentes, eis que a modificação da decisão decorreu de error in judicando em face de apreciação equivocada dos fatos. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 262 a 272, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda se funda na afirmação de que o Acórdão em que foram julgados os embargos de declaração da contribuinte é nulo, pois nele foi modificado o V. Aresto anterior, embora não fosse o caso de modificação, sendo assim descumprido o disposto no artigo 65 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e deu outras providências. Assim, a divergência jurisprudencial foi suscitada pela Fazenda Nacional quanto à nulidade do acórdão em embargos do contribuinte - 3803-006.596, com efeitos infringentes, eis que a modificação da decisão decorreu de error in judicando em face de apreciação equivocada dos fatos. Do acórdão Paradigma n. 3403-002.844 – Processo n.º 11831.000275/00-97: Segundo o contesto do processo citado, por meio do Acórdão n.º 20218.943 o colegiado não tomou conhecimento do Recurso Voluntário em virtude de concomitância com processo judicial de execução, no qual se discutia a liquidação do indébito do PIS (semestralidade e índices de correção), conforme excerto do voto do Conselheiro Antonio Zomer: "(...) Afirma a recorrente que todas as compensações objeto do presente pedido foram homologadas tacitamente e que os créditos vinculados a estas compensações foram apurados segundo as regras aceitas pela Administração Tributária. Fl. 279DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 À vista deste fato, há que se entender que o litígio remanesce apenas quanto ao montante total do indébito fundado na decisão judicial transitada em julgado em 1999, que é exatamente a parte discutida na ação judicial de execução, segundo informa a própria recorrente em seu recurso voluntário, e de cuja desistência não se em notícia nos autos. Assim, se a forma de apuração dos créditos, tanto no que diz respeito ao direito à semestralidade da base de cálculo quanto aos índices de atualização monetária dos indébitos, não resta qualquer matéria diferenciada a ser apreciada neste processo administrativo. Isto porque a via judicial é opção da contribuinte, que a ela recorre no exercício de sua livre escolha, com amparo no inciso XXXV do art. 52 da Constituição Federal de 1988. No entanto, a propositura de ação judicial torna ineficaz o processo administrativo nos pontos em que haja idêntico questionamento. (...)" Assim, o contribuinte opôs embargos de declaração, sob alegação de erro material, pois a decisão teria sido lastreada em premissa não condizente com a realidade, uma vez que a desistência do processo de execução teria sido juntada aos autos com a manifestação de inconformidade. Informa que em 23/01/2006 desistiu da execução do julgado, prosseguindo apenas com a discussão sobre os percentuais que devem ser convertidos em renda da União. Ao analisar o caso a Turma julgado em sede de embargos, através do acordão 3403002.844, (paradigma) assim determinou: De erro material evidentemente não se trata, pois o "erro material" referido no art. 58 do RICC, vigente à época da interposição dos embargos, é o erro devido a lapso manifesto em cálculos ou na escrita do documento. Nos embargos o contribuinte alegou que o relator "errou" por não ter considerado o documento anexado com a impugnação no qual o contribuinte teria comprovado a desistência da execução judicial. Fl. 280DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 Ora, se isso de fato aconteceu, o "erro material" alegado como fundamento dos embargos é na verdade um erro de julgamento (error in judicando), que não é passível de correção por meio de embargos de declaração. Quando muito, o que poderia ter acontecido no caso concreto seria omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado. Esta omissão residiria no fato de o relator não ter considerado a prova anexada com a manifestação de inconformidade. E tal omissão é passível de saneamento por meio de embargos de declaração, a teor do art. 57 do RICC. Nesse passo, verifica-se que o relator consignou o seguinte em seu voto: "(...) À vista deste fato, há que se entender que o litígio remanesce apenas quanto ao montante total do indébito fundado na decisão judicial transitada em julgado em 1999, que é exatamente a parte discutida na ação judicial de execução, segundo informa a própria recorrente em seu recurso voluntário, e de cuja desistência não se tem notícia nos autos. (...)" Do acordão paradigma n.º 2302003.544 Já o acordão paradigma n.º 2302003.544, trata- se de embargos opostos contra acórdão que, negou provimento ao recurso voluntário interposto, o qual conheceu do pedido de revisão da Receita Previdenciária e resolveu rescindir Acórdão anterior e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento crédito até a competência 06/1998, em vista do prazo decadencial do artigo 150, § 4 do CTN. A embargante alegou no caso que: Fl. 281DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 1. Não foi apreciada a preliminar de cerceamento do direito de defesa, posto a falta de ciência da embargante da diligência fiscal de fls. 226/227. Nulidade, pois, da decisão de primeira instância. 2. Os argumentos acerca da apresentação de todos os documentos necessários para a elisão completa da responsabilidade solidária, independentemente da utilização da aferição indireta como meio de lançamento, não foram analisados. Razões de decidir do acordão embargado: Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado, concluímos que não há razão na peça recursal, vez que restou aventado, explicitamente, no acórdão recorrido que a prestadora do serviço VIA ENGENHARIA S/A (VIA DRAGADOS S/A) foi cientificada da NFLD e de todos os atos processuais. O enunciado do Conselho Pleno n° 29 editado pela Resolução n°06, foi publicado no Diário Oficial da União de 21/12/2006, seção 01, pag.76, nos seguintes termos: Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD ou no Relatório Fiscal REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento. De outra parte, afirmar que os argumentos acerca da apresentação de todos os documentos necessários para a elisão completa da responsabilidade solidária, independentemente da utilização da aferição indireta como meio de lançamento, não foram analisados, demonstra a tentativa de rediscutir a matéria. Afora tais hipóteses, devidamente elencadas no Regimento Interno deste Conselho, os embargos não são o meio hábil a alterar uma determinada decisão proferida pelo Colegiado, sendo certo que existem outros recursos para tanto. Analisando a pretensão da recorrente, em seu segundo argumento, resta claro que a motivação da Embargante é a de revisão deste julgado, ou seja, Fl. 282DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 rediscussão da matéria, o que não é admissível – como dito – pela estreita via dos embargos declaratórios. Feitos estes esclarecimentos, e por não se tratar da hipótese de verdadeira omissão ou contradição por parte da decisão embargada, entendo que os embargos não merecem ser providos neste ponto, por absoluta falta de previsão legal para tanto. Por essas razões, concluise que não há qualquer reparo a se feito no acórdão embargado, motivo pelo qual voto pela rejeição dos presentes embargos. Do confronto Entendo que os acórdãos paradigmas apresentadas não se aplicam ao caso, por terem por objeto a oposição de embargos de declaração por erro de julgamento (error in judicando). Nos embargos declaratórios (paradigmas) foram alegados erros materiais. Já no Acórdão proferido pela turma a quo, foi fundada em premissas equivocadas. Foram essas alegações que levaram o a turma a reconhecer que na verdade o produto em questão era sujeito à alíquota zero. Na parte dos embargos de declaração a contribuinte alega que a tributação é pela alíquota zero, aponta erros materiais em relação às seguintes questões: “aos documentos juntados; à premissa equivocada de que partiu a decisão embargada, porque a questão de classificação fiscal estava esclarecida no Parecer Saort nº. 10820/52/2009; ao não conhecimento do argumento de tributação com alíquota zero”, como consta a página 5 da petição. O recurso voluntário não foi conhecido na parte do argumento acerca da incidência de alíquota zero sob o fundamento de não haverem sido juntados os documentos 6 a 12 mencionados na petição de impugnação. Aplica-se nessa, por ser caso semelhante, o entendimento jurisprudencial mencionado no texto transcrito, de erro material relativo a “não conhecimento manifestamente equivocado do recurso”. Fl. 283DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 Se esses documentos deveriam ter sido objeto de diligência e deveriam ter sido considerados no V. Acórdão em que foi julgado o recurso voluntário, ou se os documentos deste processo eram suficientes para provar que o jornal é publicado seis vezes por semana e contém publicidade, então o mencionado V. Acórdão partiu de premissa equivocada, de modo que se aplica por similitude o entendimento jurisprudencial mencionado no acima transcrito trecho de julgado, sobre erro material relativo a “a uma premissa equivocada de que haja partido a decisão embargada”. Mesmo que a alteração do V. Acórdão tenha se baseado nos mesmos documentos que já constavam dos autos, seria perfeitamente possível essa alteração, por ocorrido erro material, dado que no Parecer Saort nº. 10820/52/2009, juntado como documento 13 na impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba (SP) reconheceu, como se pode ver da fundamentação legal invocada, que a contribuinte dá saída a produto industrializado enquadrado na alíquota zero de IPI. Ou seja, se o próprio Fisco reconhece que se aplicaria a alíquota zero, houve erro material quanto aos fatos nos quais se fundou o V. Acórdão em que foi julgado o recurso voluntário, que se baseou assim em premissa equivocada, a qual, segundo o precedente jurisprudencial transcrito acima, pode fundamentar a alegação de ocorrência de erro material. Vê-se, portanto, que ocorreram quatro tipos de erro material, expostos no texto transcrito linhas acima. Pela análise dos outros argumentos expostos nas páginas 3 e 4 da petição dos embargos de declaração também ficaria caracterizada a ocorrência de erro material, visto que a repartição fiscal deveria ter intimado a contribuinte para juntar as peças que por acaso estivessem faltando; e que, ante a particularidade do caso, cumpriria ao órgão julgador determinar, de ofício, diligência para suprir a deficiência na instrução do processo. A douta Procuradora da Fazenda Nacional consignou que seria o caso de error in judicando, e não de erro material. No entanto, isso apenas estaria caracterizado se nos embargos de declaração a recorrida tivesse tratado diretamente de tese jurídica, e não foi o caso. Na Fl. 284DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-009.366 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10820.000518/2005-66 verdade, as teses jurídica foram modificadas no V. Acórdão em decorrência do reconhecimento do erro material. Ademais, e considerando estar demonstrado que não há qualquer semelhança fática e jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas, voto por não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13210.720165/2016-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2012
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. PROCEDÊNCIA.Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF n.º 121. COMPROVAÇÃO. DEFERIMENTO.
A súmula CARF 121 dispõe que a isenção do imposto de renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.º 7.713, de 1988, referente à cegueira, inclui a cegueira monocular". Assim, o recorrente comprovando, por meio de laudo médico oficial, possuir moléstia grave e tendo os proventos advindos de aposentadoria, a isenção deve ser deferida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-006.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2012 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. PROCEDÊNCIA.Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF n.º 121. COMPROVAÇÃO. DEFERIMENTO. A súmula CARF 121 dispõe que a isenção do imposto de renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.º 7.713, de 1988, referente à cegueira, inclui a cegueira monocular". Assim, o recorrente comprovando, por meio de laudo médico oficial, possuir moléstia grave e tendo os proventos advindos de aposentadoria, a isenção deve ser deferida. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. PROCEDÊNCIA.Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF n.º 121. COMPROVAÇÃO. DEFERIMENTO. A súmula CARF 121 dispõe que a isenção do imposto de renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.º 7.713, de 1988, referente à cegueira, inclui a cegueira monocular". Assim, o recorrente comprovando, por meio de laudo médico oficial, possuir moléstia grave e tendo os proventos advindos de aposentadoria, a isenção deve ser deferida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 21 0. 72 01 65 /2 01 6- 43 Fl. 130DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.260 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13210.720165/2016-43 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por IRANY AGUIAR MACIEL BRAGA, contra o Acórdão de julgamento (e-fls. 31, e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada. O Acórdão recorrido assim descreve: "Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrada, em 01/04/2013, a Notificação de Lançamento de fls. 12 a 16, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física- IRPF, exercício 2012, ano-calendário 2011, que resultou em imposto suplementar, no valor de R$ 29.971,98, acrescido de multa de ofício, no valor de R$ 22.478,98, e juros de mora, no valor de R$ 2.125,01 (calculados até 03/2013). Motivou o lançamento de ofício a omissão de rendimentos decorrentes de ação na Justiça Federal, no valor de R$ 128.513,67. A fiscalização ainda informa que: O contribuinte omitiu rendimentos tributáveis no valor de R$112.743,67, já abatido o valor de R$15.770,00 pago a titulo de honorários advocatícios, recebidos através do Banco do Brasil, decorrente de ação da justiça federal, conforme informações apresentadas em DIRF. O contribuinte, equivocadamente, declarou esses rendimentos com isentos e não tributáveis". Em seu recurso, a recorrente solicita a isenção do IR por ser portadora de moléstia grave, glaucoma avançado, terminal em ambos os olhos. Informa e comprova que foi aposentada por invalidez em razão da doença acometida. O colegiado diante dos fatos apresentados, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução n.º 2301-000.737, de 3 de outubro de 2018, para que a recorrente fosse intimada para apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial, podendo ser de algum dos entes federados União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, inclusive, que comprove a cegueira, ou a visão monocular (cegueira de um olho). Em resposta à intimação, a recorrente juntou documentos nas e-fls. 75 e seguintes. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha, Relator. O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisá-lo. Conforme já informado anteriormente, Inicialmente, deve ser mencionado novamente que a recorrente reconhece erro no preenchimento da DAA, pois teria declarado como isentos os valores recebidos de ação judicial que visava buscar direitos quanto proventos de sua aposentadoria, ao invés de declarar como valores de rendimentos recebidos acumuladamente. Por outro lado, alega a recorrente que é portadora de moléstia grave, glaucoma avançado e irreversível (cegueira), e que deveria ter a concessão do benefício da isenção, pois os valores são provenientes de aposentadoria e possui requisito legal de moléstia grave. Juntou diversos documentos da comprovação da doença acometida. Fl. 131DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.260 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13210.720165/2016-43 Diante do retorno da diligência, as informações prestadas pela recorrente, indicam que a contribuinte possui de fato a moléstia grave mencionada, desde janeiro de 2011. O laudo médico oficial está juntado na e-fls. 79 e 81. Com isso, a recorrente solicita a isenção do IR por ser portadora de moléstia grave, glaucoma avançado, terminal em ambos os olhos. Informa e comprova que foi aposentada por invalidez em razão da doença acometida. Assim, o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei) Nesse sentido, a matéria, no que tange aos requisitos para o usufruto da isenção em tela, já se encontra sumulada no CARF, assim descrito: Súmula CARF nº 63. "Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Grifei. A nova Súmula CARF n.º 121, assim dispõe: "A isenção do imposto de renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.º 7.713, de 1988, referente à cegueira, inclui a cegueira monocular". Diante da nova documentação apresentada onde indica que a recorrente possui doença grave que permite o benefício da isenção, é de ser deferido seu pleito. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, cancelando a exigência fiscal. (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 132DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.260 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13210.720165/2016-43 Fl. 133DF CARF MF
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