Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13971.003954/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2401-000.152
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13971.003954/2008-02
conteudo_id_s : 6404940
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-000.152
nome_arquivo_s : Decisao_13971003954200802.pdf
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 13971003954200802_6404940.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
id : 8847554
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:30:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759450050560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 156 1 155 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.003954/200802 Recurso nº 269.430 Resolução nº RES2401.000.152 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de março de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TERRA BRASIL IND DE CONFECÇÕES DE JEANS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio Souza Correa, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração AI n. 37.191.1230, no qual são exigidas contribuições para a Seguridade Social incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa autuada. O valor do crédito, com data de consolidação em 17/10/2008, atingiu o montante de R$ 755.668,61 (setecentos e cinquenta e cinco mil, seiscentos e sessenta e oito reais e sessenta e um centavos). Segundo o Relatório Fiscal do AI, fls. 64/67, em auditoria realizada nas empresas TAYKA CONFECÇÕES DE JEANS LTDA ME; BRASIL REAL INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES DE JEANS LTDA; DULLAY'N CONFECÇÕES DE JEANS LTDA ME e TERRA BRASIL INDÚSTRIA.DE CONFECÇÕES DE JEANS LTDA ME, constatouse que as mesmas integram “grupo econômico de fato”, o que as torna solidariamente responsáveis pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Informase que esse fato que motivou a exclusão da empresa autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL) encontrase relatado nos processos de Representações Administrativas n. s 13971.003976/200864 e 13971.003977/200817. A empresa autuada apresentou impugnação, fls. 78/107, cujas razões não foram acatadas pela DRJ em Florianópolis, que declarou procedente o lançamento, fls. 123/126. Inconformada a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 133/141, no qual, em apertada síntese, alega que: a) a multa aplicada tem efeito confiscatório, afrontando, assim a Constituição Federal; b) a multa também fere o princípio da proporcionalidade, merecendo ser afastada, e que também a aplicação do inciso II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 é restritivo, não abarcando a situação sob testilha; c) o AI atropela a legislação do SIMPLES, tanto quanto a sua improcedência, quanto aos efeitos retroativos dos exclusão; d) a representação que culminou com a exclusão do SIMPLES de todas as empresas citadas no Relatório Fiscal não deve prevalecer, uma vez que a existência de “grupo econômico de fato”, o seu pressuposto, não restou configurado; e) o Sr. Ari Salésio Brasil apontado pela Autoridade Fiscal como responsável pela unicidade de comando “grupo econômico" foi nomeado procurador da empresa TERRA BRASIL somente em 11/04/2007, logo, não constava como procurador no período de 11/01/2006 até 11/04/2007; f) não se pode tratar o referido Senhor como pessoa interposta, posto que o mesmo era apenas procurador da recorrente, possuindo procuração pública para exercer tal mandato; g) a recorrente não se utilizava de artifício para disfarçar o seu faturamento, tanto que solicitou espontaneamente sua exclusão do SIMPLES em 2008; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13971.003954/200802 Resolução n.º RES2401.000.152 S2C4T1 Fl. 157 3 h) na Representação Administrativa para sua exclusão do sistema simplificado não se demonstrou a ocorrência de transferências monetárias entre as empresas apontadas no relato do Fisco; i) A exclusão do SIMPLES foi contestada pela ora recorrente através da Impugnação contra os Atos Declaratórios Executivos n°s 45 e 48/2008, protocolizados tempestivamente na Delegacia da Receita Federal de Blumenau/SC, portanto, estando sub judice, não é definitiva, dependendo de evento futuro e incerto para o Fisco até que haja o trânsito em julgado. Ao final pede o cancelamento do crédito sob questão. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Verifico na espécie que o deslinde da presente contenda está a reclamar informações adicionais sobre a exclusão da empresa do SIMPLES. Afirma o Fisco que a empresa foi excluída do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, conforme processos n .s 13971.003976/200864 e 13971.003977/200817, respectivamente. A empresa por sua vez alega que tais processos de exclusão não tiveram trânsito em julgado, posto que apresentou impugnações tempestivas contra os Atos Declaratórios Executivos n°s 45 e 48/2008. O órgão de primeira instância nas suas razões de decidir asseverou que a manifestação de inconformidade contra a exclusão decorrente do processo n. 13971.003976/200864 foi apresentada a destempo e que consulta aos sistemas da RFB estariam a indicar que a exclusão do SIMPLES NACIONAL teria se consumado. Diante desse desencontro de informações, compulsei mais detidamente os autos, mas não localizei qualquer documento que pudesse me trazer convicção sobre o efetivo trânsito em julgado dos referidos processos de exclusão. Ao pesquisar a página eletrônica do SIMPLES NACIONAL (http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/), obtive a informação de que a empresa permaneceu no sistema de 01/07/2007 a 31/12/2007, tendo sido excluída por opção do próprio contribuinte. Nesse sentido, tendose em conta a impossibilidade de se chegar a uma conclusão segura sobre esse ponto do recurso, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência para que o órgão original traga à colação elementos que possam comprovar o trânsito em julgado dos processos relativos às exclusões do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL. Caso os processos acima mencionados não tenham sido definitivamente julgados na esfera administrativa, os autos deverão permanecer na origem até que se tenha uma decisão perene sobre os mesmos. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721506/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jun 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2009
BONIFICAÇÕES COMERCIAIS EM MERCADORIAS. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE.
A concessão de bonificações em operações mercantis, efetivadas em nota fiscal distinta da de vendas, mas que guardam estrita consonância com as operações mercantis que lhes originaram, e que são inerentes ao ramo de atividade, com o objetivo de manter fidelidade comercial e ampliar mercado, é considerada despesa operacional dedutível.
MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência.
Numero da decisão: 1301-005.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por determinação do art. 19-E da Lei 10.522, de 2002, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastamento da infração 1 e da multa isolada decorrente das infrações 1 e 2 constantes do Auto de Infração, vencidos a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite (Relatora) e os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Rafael Taranto Malheiros e Heitor de Souza Lima Junior, que davam provimento parcial em menor extensão ao recurso, para afastamento da infração 1 e somente da multa isolada decorrente da infração 1. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora
(documento assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocada), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: Giovana Pereira de Paiva Leite
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202104
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009 BONIFICAÇÕES COMERCIAIS EM MERCADORIAS. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. A concessão de bonificações em operações mercantis, efetivadas em nota fiscal distinta da de vendas, mas que guardam estrita consonância com as operações mercantis que lhes originaram, e que são inerentes ao ramo de atividade, com o objetivo de manter fidelidade comercial e ampliar mercado, é considerada despesa operacional dedutível. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 07 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 13116.721506/2013-23
anomes_publicacao_s : 202106
conteudo_id_s : 6394953
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1301-005.170
nome_arquivo_s : Decisao_13116721506201323.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Giovana Pereira de Paiva Leite
nome_arquivo_pdf_s : 13116721506201323_6394953.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por determinação do art. 19-E da Lei 10.522, de 2002, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastamento da infração 1 e da multa isolada decorrente das infrações 1 e 2 constantes do Auto de Infração, vencidos a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite (Relatora) e os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Rafael Taranto Malheiros e Heitor de Souza Lima Junior, que davam provimento parcial em menor extensão ao recurso, para afastamento da infração 1 e somente da multa isolada decorrente da infração 1. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocada), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2021
id : 8829051
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:29:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759453196288
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-05-05T13:15:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-05-05T13:15:49Z; Last-Modified: 2021-05-05T13:15:49Z; dcterms:modified: 2021-05-05T13:15:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-05-05T13:15:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-05-05T13:15:49Z; meta:save-date: 2021-05-05T13:15:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-05-05T13:15:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-05-05T13:15:49Z; created: 2021-05-05T13:15:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2021-05-05T13:15:49Z; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-05-05T13:15:49Z | Conteúdo => S1-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13116.721506/2013-23 Recurso Voluntário Acórdão nº 1301-005.170 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2021 Recorrente SOL DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA E OUTRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009 BONIFICAÇÕES COMERCIAIS EM MERCADORIAS. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. A concessão de bonificações em operações mercantis, efetivadas em nota fiscal distinta da de vendas, mas que guardam estrita consonância com as operações mercantis que lhes originaram, e que são inerentes ao ramo de atividade, com o objetivo de manter fidelidade comercial e ampliar mercado, é considerada despesa operacional dedutível. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por determinação do art. 19-E da Lei 10.522, de 2002, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastamento da infração 1 e da multa isolada decorrente das infrações 1 e 2 constantes do Auto de Infração, vencidos a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite (Relatora) e os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Rafael Taranto Malheiros e Heitor de Souza Lima Junior, que davam provimento parcial em menor extensão ao recurso, para afastamento da infração 1 e somente da multa isolada decorrente da infração 1. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 15 06 /2 01 3- 23 Fl. 852DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocada), Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. Relatório Trata o presente de recurso interposto em face do acórdão da DRJ n. 14-49.273, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte. Por bem retratar os fatos ocorridos até então, valho-me em parte do relatório da decisão recorrida: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foram apuradas, no ano-calendário de 2009, as seguintes infrações: 1) Dedução indevida da Receita Bruta de Venda de Mercadorias das bonificações concedidas (na forma de mercadorias), as quais não se enquadram como descontos incondicionais concedidos, conforme descrito no relatório fiscal em anexo, parte integrante deste Auto de Infração. 2) IRPJ e CSLL, incidentes sobre o lucro real apurado de acordo com a escrituração contábil apresentada pela contribuinte, que deixaram de ser declarados e recolhidos, conforme relatório fiscal em anexo, parte integrante deste Auto de Infração. 3) Falta de recolhimento do IRPJ e CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, conforme relatório fiscal em anexo. Foram lavrados autos de infração exigindo os seguintes tributos: O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontra-se descrito nos autos de infração. Consta no Relatório Fiscal de fls. 24 a 37 que, sendo intimada, a contribuinte apresentou a DIPJ do ano-calendário de 2009, as DCTF retificadoras (constando os recolhimentos efetuados antes do início do procedimento fiscal), os livros Registro de Entradas, de Saídas e de Apuração do ICMS, relativos ao AC de 2009, e arquivos digitais de notas fiscais (formato determinado pelo Sintegra) e da contabilidade (no formato definido pelo SPED). Da análise dos documentos apresentados, a fiscalização constatou que a contribuinte deduziu da receita bruta (no valor total de R$ 24.640.869,13), a título de bonificação (conta 4.1.102.000008), o valor de R$ 225.524,85 (anexo IX, fls. 85/86). Tal Fl. 853DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 bonificação é relativa às notas fiscais de saída com CFOP 5910 e 6910 (remessa em bonificação, doação ou brinde). Segundo o art.280 do RIR/1999, e Parecer CST/SIPR nº 1386, de 1982, tais valores não se enquadram como parcela redutora do preço de venda ou descontos incondicionais e não podem ser deduzidas da receita bruta, na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da CSLL. Constatou a fiscalização que a contribuinte apurou, na escrituração contábil e informou na DIPJ, lucro real e base de cálculo da CSLL no valor de R$ 342.990,96, entretanto deixou de recolher e declarar o IRPJ e a CSLL devidos no ajuste anual do ano- calendário 2009. Considerando o valor de lucro real e base de cálculo da CSLL apurados na escrituração contábil, e informados na DIPJ, e os recolhimentos de estimativa de IRPJ e CSLL relacionados na planilha juntada como ANEXO IV, foram apurados o IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual do ano-calendário 2009, nos valores de R$ 20.655,53 e R$ 6.215,06, respectivamente. Foram apuradas, ainda, diferenças das estimativas a recolher, conforme planilhas constantes dos anexos I, II e III. Sendo notificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.496 a 506, subscrita por Ronaldo Roriz (fls. 507 a 510), alegando: ● O que se deve levar em conta é que as bonificações foram realmente concedidas, conforme fazem prova as notas fiscais respectivas, devidamente identificadas como esta operação. Embora não constem da nota fiscal de venda, como orienta a Instrução Normativa n° 51/78, citada pela fiscalização, as operações de bonificação, in casu, guardam vinculação direta com as operações de vendas e não dependem de evento posterior à emissão desses documentos. Foram emitidas simultaneamente com as de vendas, são para os mesmos clientes, na mesma data, a numeração é sequencial e a natureza da operação está identificada como Remessa em Bonificação com códigos de CFOP's próprios. Guardam, consonância com as operações mercantis que lhes deram origem. Emitidas e vinculadas as notas fiscais de bonificação às de vendas, assim como está demonstrado, não há como considerar que as notas fiscais de bonificação sejam indedutíveis da receita bruta. As notas fiscais não deixam dúvidas de que é uma única operação, na qual parte da mercadoria foi emitida a nota fiscal de venda e parte da mercadoria foi emitida a nota fiscal de bonificação, guardando entre elas uma única e perfeita relação. ● Está demonstrado e provado que trata-se de uma única operação - revenda de mercadorias mais bonificação concedida - só que em notas fiscais distintas, e isso não pode ser fator determinante para retirar sua natureza de dedução. E a Contribuinte não trouxe prejuízo tributário algum ao Erário. O efeito tributário da operação em notas fiscais distintas é o mesmo que em uma mesma nota. Em nada afeta o resultado final, que é o que se deve levar em conta. ● Mas, caso entenda o ilustre julgador não ser suficiente para formar sua convicção tudo o que a Contribuinte acaba de expor e provar, solicita, então, que o valor R$ 225.524,85, concedido a título de bonificações concedidas na forma de mercadorias a clientes, seja considerado dedutível da receita bruta como despesa operacional. São despesas necessárias, usuais, guardam estrita correlação com a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e o montante das bonificações em relação ao montante da receita de vendas é absolutamente tolerável e usual no ramo. Fl. 854DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 A concessão das bonificações em mercadorias torna-se necessária, pois a sua intenção é aumentar a carteira de clientes e manter a fidelidade daqueles já captados. Se não fossem praticadas as bonificações não seria possível concorrer em patamar de igualdade com as demais empresas que atuam no mesmo ramo, que também as concedem. ● As bonificações não foram entregues gratuitamente a título de mera liberalidade da empresa sem qualquer vinculação com as vendas. Como já dito em parágrafos anteriores e de acordo com as provas (notas fiscais de vendas e notas fiscais de bonificação) acostadas nesta Impugnação, as operações de bonificações estão ligadas diretamente às operações de vendas, se coadunando perfeitamente (mesmo destinatário, mesma data de emissão, números sequenciais, etc). É incontestável que as despesas referentes às bonificações concedidas aos clientes como forma de promover seus produtos e alavancar suas vendas são usuais, normais, necessárias para a consecução dos objetivos sociais da empresa, e atendem aos conceitos genéricos de despesas operacionais, previstos no art. 299 do RIR/99. ● Quer seja como desconto incondicional, quer seja como despesa operacional, o montante referente a esse tópico deve ser decotado do presente lançamento, pois é um direito da empresa levar para o resultado de suas operações essa dedução. ● Como se pode observar, a fiscalização teve início no dia 03/04/2012 e o encerramento no dia 10/07/2013, ou seja, entre o período inicial e o final houve um lapso temporal de 15 meses. Nesse período a Contribuinte não recebeu nenhuma intimação solicitando informações sobre se havia ou não apurado os seus resultados com base em balanços/balancetes de suspensão/redução do imposto, já que sua opção na DIPJ era pelo Lucro Real Anual. ● Equivocadamente, a DIPJ foi apresentada com a forma de apuração com base na receita bruta e acréscimos. A fiscalização, por sua vez, ao verificar os valores mensais informados na DIPJ e confrontar com as receitas mensais na escrituração contábil da empresa, elaborou as planilhas mensais relativas à apuração da base de cálculo estimada apurando o IRPJ e a CSLL e aplicou a penalidade, multa isolada de 50% sobre o imposto/contribuição mensal que, no seu entendimento, deveria ter sido recolhido a título de estimativa, pela empresa fiscalizada. Agindo assim, a fiscalização desconsiderou a forma de apuração do IRPJ/CSLL pela Contribuinte que, mês a mês, procedeu à apuração do resultado do período, conforme Demonstração do Resultado do Exercício do ano de 2009, em anexo. A DRE do mês de janeiro consta às fls. 36 e 37 do Diário. A Contribuinte só não apresentou as DRE's no curso da fiscalização porque não fora intimada para tal. Houve sim, em alguns períodos de apuração, insuficiência de recolhimento de IRPJ/CSLL, mas, os valores apurados como IRPJ e CSLL realmente devidos são aqueles apurados na contabilidade, demonstrados nas planilhas comparativas que a contribuinte traz aos autos, e não da forma como levantou a fiscalização para a aplicação da multa isolada de 50%. Aliás, a contribuinte não concorda com a aplicação da multa isolada sobre a base de cálculo estimada. No mês de janeiro, por exemplo, mesmo tendo apurado o resultado na DRE às fls. 36 e 37 do Diário, a fiscalização desconsiderou aquela forma de apuração e lançou a multa isolada sobre a base de cálculo estimada. A forma de apuração do mês de janeiro passou despercebida pela fiscalização. Quanto aos demais meses, sequer fora intimada a demonstrar a forma da apuração. ● No caso presente a multa deveria ter sido aplicada somente sobre o saldo do IRPJ e da CSLL a pagar, ou seja, a diferença existente entre o valor do imposto/contribuição devido - apurado no ajuste anual em conformidade com a escrituração e a DIPJ - e o valor efetivamente recolhido durante o ano. Jamais sobre o estimado, até porque este Fl. 855DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 (estimado) é mera antecipação de tributo apurado de forma definitiva após o encerramento do ano-calendário, no caso de apuração na forma do lucro real anual. Da forma como foi autuada, está sendo penalizada com imposição de duplicidade de multas, a de oficio 75%, concomitantemente com a isolada 50%, sobre uma mesma base de cálculo. Uma multa tem que absorver a outra porque a aplicação deve ser feita sobre o IRPJ/CSLL devido e não pago, e isso só acontece no ajuste anual, em dezembro de cada ano, no caso da Contribuinte. Descabe, portanto, a aplicação da multa pelo não recolhimento do IRPJ/CSLL, no montante apurado pela fiscalização como estimativa, porque esta (a multa) deve ser limitada ao saldo do imposto/contribuição a pagar, apurado na escrituração fiscal, no caso, como já dito anteriormente, trata-se de IRPJ de R$ 20.655,53 e CSLL de R$ 6.215,06. Nesse sentido, há inúmeras decisões do CARF e da CSRF, cancelando os lançamentos referentes à aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada e de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa. A Contribuinte anexa junto a Impugnação os seguintes documentos: 1 - Quinta Alteração Contratual da empresa Sol Distribuidora de Bebidas Ltda; 2 - Relação, por amostragem, de bonificações vinculadas às vendas nos meses de janeiro a dezembro de 2009 (Anexos de n°s I a XII) e 3 - Demonstração do Resultado do Exercício e dos recolhimentos dos tributos, de janeiro a dezembro de 2009. A DRJ julgou a impugnação improcedente, através de acórdão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações concedidas em mercadorias serão indedutíveis, para determinação do lucro real, quando não revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente. DESPESAS NECESSÁRIAS. São operacionais as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. ESTIMATIVAS. SUSPENSÃO. REDUÇÃO. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago, correspondente aos meses anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado, excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Fl. 856DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. Em 10/04/2014, o contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ (Aviso de Recebimento fl. 814) e, ainda irresignado, em 07/05/2014, interpôs Recurso Voluntário, através do qual: - Argumenta a Recorrente que embora em notas fiscais distintas, trata de uma única operação, qual seja, revenda de mercadorias acompanhada de bonificações concedidas, e que esse procedimento não afeta o resultado final, pois teria natureza de descontos incondicionais; - Acrescenta que ainda assim não se entendesse, as bonificações concedidas em mercadorias, embora não tenham sido levadas para a apuração do Resultado como despesa operacional, possuem todos os requisitos necessários para serem deduzidas como tal, conforme estabelece o Art. 299 do RIR/99, pois são despesas necessárias, usuais e guardam correlação com a atividade da empresa; - A Recorrente invoca a Solução de Consulta n° 298/2007, que esclarece sobre as condições para que as bonificações em mercadorias sejam deduzidas, as quais se coadunam perfeitamente com as necessidades e os objetivos da Autuada; Cita jurisprudência; - Contesta a multa isolada, no que concerne à sua base de cálculo, pois a fiscalização teria desconsiderado a forma de apuração do IRPJ/CSLL pela contribuinte, que mês a mês procedeu à apuração do resultado conforme DRE do ano 2009; argumenta que não poderia ser lançada após encerrado o ano-calendário; aduz que o valor da multa deveria recair sobre o IRPJ/CSLL apurados ao final do exercício; Argui impossibilidade de concomitância das multas isolada e de ofício; Ao final, o sujeito passivo pugna pelo provimento do recurso e consequente cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 857DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 Conforme relatado, trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, em decorrência de 1) glosa de despesa com bonificações concedidas na forma de mercadorias, por não se enquadrar como descontos incondicionais concedidos ; 2) omissão de receita escriturada e que deixou de ser declarada e recolhida. Além dessas duas infrações, foi lançada a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal. Segue resumo abaixo: Vale frisar que foi lavrado Termo de Sujeição Passiva do sócio administrador, Sr. Ronaldo Roriz (fl. 287), o qual, devidamente cientificado não apresentou impugnação em nome próprio, não havendo qualquer contestação do vínculo de solidariedade. O contribuinte pessoa jurídica apresentou impugnação, assinada por seu representante legal o Sr. Ronaldo Roriz, a qual foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda irresignado, a Autuada apresenta recurso voluntário, cujos argumentos de defesa, passo a analisar. Da Glosa de Despesa com Bonificações Concedidas em forma de Mercadoria A Autoridade Fiscal, ao analisar a escrituração contábil digital da Recorrente, constatou que a mesma deduziu da receita bruta de vendas o valor da conta “Bonificação”, como redutor de receita bruta. Na escrituração contábil, o valor de receita bruta de vendas foi de R$ 24.640.869,13, enquanto que a conta “Bonificações” montava R$ 225.524,85. Na DIPJ, a Autuada informou como receita bruta o valor de R$ 24.415.344,28 (R$ 24.640.869,13- R$ 225.524,85), ou seja, declarou em DIPJ o valor da receita bruta de vendas já descontada das bonificações. Constatou a Autoridade autuante que as notas fiscais de bonificação têm CFOP’s nos 5.910 e 6.910 (remessa em bonificação doação, ou brinde) e são distintas das demais notas fiscais, já que estas últimas informavam CFOP’s diferentes. Ao questionar se o preço das mercadorias dadas em bonificação, cujos valores correspondiam ao total das respectivas notas fiscais de saídas, podia ser deduzido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o Auditor Fiscal concluiu que não poderia haver a redução, pois não se enquadravam com parcela redutora do preço de venda, nem como descontos incondicionais. Fundamentou seu entendimento no Parecer CST/SIPR n° 1.386, de 15 de junho de 1982, no art. 280 do RIR/99 e na IN SRF n.51/1978. Transcrevo conclusão do Auditor, constante do Relatório Fiscal (fl.35): Fl. 858DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 41. Conforme dito acima, as bonificações constam de notas fiscais específicas para as operações de CFOP’s nos 5.910 e 6.910, não se enquadrando como parcela redutora do preço de venda ou descontos incondicionais. Portanto não podem ser deduzidas da receita bruta, na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da CSLL. Argumenta a Recorrente que embora em notas fiscais distintas, trata de uma única operação, qual seja, revenda de mercadorias acompanhada de bonificações concedidas, e que esse procedimento não afeta o resultado final, pois teria natureza de descontos incondicionais. A Autuada esclareceu e demonstrou (por amostragem) que as bonificações foram realmente concedidas, que estão devidamente identificadas como esta operação, ou seja, Remessa em Bonificação com códigos de CFQP's próprios e que as notas fiscais de bonificações foram emitidas simultaneamente com as notas fiscais de vendas. São para os mesmos clientes, na mesma data e com numeração sequencial às de vendas. Não dependem de evento posterior para que sejam emitidas, pois guardam vinculação direta e estrita consonância com as operações mercantis que lhes deram origem. Acrescenta o sujeito passivo que, ainda assim não se entendesse, as bonificações concedidas em mercadorias, embora não tenham sido levadas para a apuração do Resultado como despesa operacional, possuem todos os requisitos necessários para serem deduzidas como tal, conforme estabelece o Art. 299 do RIR/99, pois são despesas necessárias, usuais e guardam correlação com a atividade da empresa. A Recorrente invoca a Solução de Consulta n° 298/2007, que esclarece sobre as condições para que as bonificações em mercadorias sejam deduzidas, as quais se coadunam perfeitamente com as necessidades e os objetivos da Autuada e cita jurisprudência. O cerne da questão reside na possibilidade ou não de dedução das bonificações em mercadorias concedidas aos clientes serem deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O Auditor Fiscal constatou que o contribuinte havia descontado as bonificações diretamente da receita bruta, dando um tratamento de descontos incondicionais ou abatimento nas vendas. De fato, as bonificações não poderiam ter o mesmo tratamento dos descontos incondicionais ou abatimentos de vendas, estes concedidos na própria nota fiscal de vendas, uma vez que esses descontos reduzem o faturamento e, por conseguinte, a base de cálculo do PIS e da COFINS. É de se observar que as contribuições sociais incidem sobre a receita bruta, diferentemente do IRPJ CSLL, que incidem sobre o lucro líquido. Cito soluções de consulta da Receita Federal com as quais concordo, apesar de não serem vinculantes para o CARF, as quais demonstram que as bonificações não podem ser excluídas da receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, se estiverem em nota fiscal distinta, mas que poderiam ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, como despesas operacionais na forma de descontos condicionais, vide: Solução de Consulta DISIT/SRRF04 n. 4007, de 23/04/2020: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 859DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. NOTAS FISCAIS DISTINTAS DAS NOTAS FISCAIS DE VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. CREDITAMENTO. RECEITA FINANCEIRA. CARACTERIZAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO FIRMADO ENTRE AS PARTES. Quaisquer alterações benéficas ao adquirente que modifiquem o preço ou a quantidade das mercadorias a serem entregues (inclusive a emissão de notas fiscais de mercadorias bonificadas, referenciadas a nota fiscal de venda distinta), não determinadas expressamente nas próprias notas fiscais de venda, devem ser tratadas apenas como desconto condicional, para fins de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. O recebimento de mercadorias sem custo, na forma de bonificação impassível de ser considerada como desconto incondicional, representa aumento do ativo do adquirente e receita a ser incluída na base de cálculo para apuração da Contribuição para o PIS/Pasep. No caso de apuração pela sistemática não-cumulativa, a aquisição de referida também possibilita o desconto de créditos a serem considerados na apuração da base de cálculo da contribuição. (grifei) Assim, a forma como a Recorrente contabilizou as bonificações não foi a correta, uma vez que implicou redução da base de cálculo do PIS e da COFINS, quando não poderiam ter sido deduzidas por se tratar de descontos condicionais. Entretanto, a autuação em tela diz respeito ao IRPJ e à CSLL, e para fins de apuração destes tributos, a bonificação em mercadorias pode ser deduzida como outras despesas operacionais, na forma de descontos condicionais, para fins de apuração do lucro real, base de cálculo dos tributos em litígio. Nessa linha de entendimento a seguinte solução de consulta: Solução de Consulta Cosit n. 205 de 26/06/2019 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ DESPESAS OPERACIONAIS. BONIFICAÇÕES COMERCIAIS CONCEDIDAS. DEDUTIBILIDADE. A concessão de bonificações em operações de natureza mercantil, com o fito de manter fidelidade comercial e ampliar mercado, visando aumento de vendas e possivelmente do lucro, é considerada despesa operacional dedutível, devendo, entretanto, as bonificações concedidas, guardarem estrita consonância com as operações mercantis que lhes originaram. As despesas com bonificações comerciais concedidas a clientes são dedutíveis no período em que incorridas, com observância do regime de competência. (grifei) Logo, as bonificações em mercadoria podem ser deduzidas como despesas operacionais, desde que guardem consonância intrínseca com a operação de vendas que lhe deu origem, e seja inerente à atividade mercantil da pessoa jurídica. No presente caso, considero que a despesa atende aos requisitos de usualidade, normalidade e necessidade para o ramo de atividade da Recorrente, a qual atua no ramo de distribuição de bebidas, e recebe do seu fornecedor bonificações a serem repassadas aos seus clientes, sendo o ingresso dessas bonificações registradas como receitas, e as suas saídas como despesas. A Recorrente demonstra, por amostragem, que toda nota fiscal com CFOP 5910 ou 6910 (Remessa em bonificação, doação ou brinde para o mesmo Estado ou para outro Estado, Fl. 860DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 respectivamente), corresponde a uma operação de venda normal, sendo destinada ao mesmo cliente e de forma sequencial. Vide (fls. 511-13): É de observar que as notas fiscais emitidas são distintas, mas são sequenciais, para o mesmo cliente, e a bonificação é através dos produtos por ela comercializados no dia a dia, estando intrinsecamente relacionada à operação de venda. A Autoridade Fiscal baseou suas conclusões no Parecer CST/SIPR n. 1.386/1982, que entende que as bonificações teriam que estar na mesma nota fiscal, para então, se caracterizarem como descontos incondicionais e, transcreve o seguinte trecho do Parecer: Entretanto, ressalta-se que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível, na determinação do lucro real. Fl. 861DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 Como visto, as bonificações não se tratam de descontos incondicionais, mas não são meras liberalidades, sem qualquer vinculação com a operação de venda. Veja que as bonificações foram concedidas a determinados clientes, mas sempre associada a uma operação de venda. A despeito de a Autuada ter equivocadamente utilizado os valores de bonificação como redutores do faturamento, o que tem implicações para fins de apuração do PIS e da COFINS, não faz diferença para fins de apuração do IRPJ e CSLL, tendo em vista que são despesas operacionais e, portanto, dedutíveis da base de cálculo destes tributos. Sendo assim, resta procedente o argumento de defesa do sujeito passivo, no sentido de que as bonificações em mercadorias associadas às operações de venda atendem aos requisitos do art. 299 do RIR e, podem ser deduzidas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Isto posto, voto por cancelar parcialmente o lançamento, no que se refere ao IRPJ e CSLL referente à glosa de despesas de bonificação, constante da infração 001, no valor de R$ 225.524,85, bem como a multa isolada decorrente dessa mesma infração. Da Multa Isolada por Falta de Recolhimento de Estimativa Mensal Importa frisar que mesmo com o cancelamento da infração 001, decorrente da glosa de despesas de bonificação, ainda resta a infração 002- Falta de declaração e recolhimento de tributo apurado na contabilidade e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal. Isto porque a multa isolada incidiu não apenas sobre a diferença apurada e lançada, mas também em receita apurada mensalmente na contabilidade para a qual não houve o recolhimento da estimativa. A Recorrente contesta a multa isolada, no que concerne à sua base de cálculo, pois a fiscalização teria desconsiderado a forma de apuração do IRPJ/CSLL pela contribuinte, que mês a mês procedeu à apuração do resultado conforme DRE do ano 2009; argumenta que não poderia ser lançada após encerrado o ano-calendário; aduz que o valor da multa deveria recair sobre o IRPJ/CSLL apurados ao final do exercício e; argui impossibilidade de concomitância das multas isolada e de ofício. Neste ponto, restam improcedentes todos os argumentos de defesa do contribuinte. Quanto à contestação da base de cálculo da multa isolada, qual seja, a estimativa devida mês a mês, a Recorrente defende que a fiscalização teria se equivocado porque considerou a receita bruta e não os resultados apurados na DRE. A Recorrente é pessoa jurídica que apura o imposto de renda com base no lucro real anual e, como tal, está obrigada ao recolhimento das antecipações a título de estimativa mensal, conforme art. 2º da Lei n. 9.430/96: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos§§1ºe2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32,34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 862DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o ano-calendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. Consta da sua DIPJ que a apuração da estimativa dar-se-ia com base na receita bruta. O que a Recorrente pretende é que a fiscalização considere a receita líquida, mas para tal deveria proceder a elaboração de balanços/balancetes suspensão, nos termos do art. 35 da Lei n. 8981/95, devidamente escriturado, todavia, na contabilidade apresentada, não consta que o tenha feito. Dessarte, afigura-se correto o cálculo das estimativas mensais elaborado pelo Auditor Fiscal, e por conseguinte, das multas isoladas. Quanto à alegação de impossibilidade de concomitância e aplicação após findo o ano-calendário, esclarece-se que, o lançamento refere-se ao ano-calendário 2009, portanto, a aplicação das multas teve como fundamento o art.44 da lei nº 9.430/96, com redação dada pela lei nº 11.488/2007, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...)(grifei) Havia discussão acerca da possibilidade de concomitância da multa isolada e de ofício. Foi editada a Súmula CARF nº 105 que impedia a exigência simultânea de ambas as penalidades. Todavia essa súmula foi editada levando em consideração a redação da lei nº 9.430/96, sem as alterações promovidas pela lei nº 11.488/2007. As discussões acerca da concomitância das multas restaram pacificadas quando referentes a imposição de multa isolada até o ano-calendário 2006. A partir do ano-calendário 2007, abrem-se novamente as divergências. Entendo que a alteração promovida pela lei nº 11.488/2007 buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Fl. 863DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 citada Súmula CARF, que conferiu, à luz do art. 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. A nova redação do art.44 da lei nº 9.430/96 distingue claramente duas hipóteses de incidência, uma para cada penalidade. A multa isolada, prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente, ainda que não seja apurado lucro tributável ao final do ano-calendário. Tem por fato gerador a inobservância do dever de antecipar, o que causa prejuízo aos cofres da União, desde a mora até o encerramento do ano-calendário. Por sua vez, a multa de ofício proporcional de 75%, prevista no inciso I do artigo em comento, é aplicada sobre lançamento de ofício da totalidade ou da diferença do tributo efetivamente devido ao final do ano-calendário, após descontadas as antecipações mensais. A imposição da multa isolada se assemelha a um descumprimento de obrigação acessória, que por sua inobservância, transforma-se em principal. Neste diapasão, resta claro que as multas isolada e de ofício são penalidades distintas, que podem ser aplicadas de maneira concomitante. Quanto à alegação de impossibilidade de aplicação da multa isolada após o encerramento do exercício, não há que prosperar. Isto porque a aplicação da penalidade após o término do ano-calendário é decorrência de interpretação literal da lei, quando determina sua aplicação "ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido". Se a norma fala em aplicação ainda que na hipótese de ser apurado prejuízo fiscal, obviamente que o prejuízo fiscal só poderá ser apurado após o encerramento do exercício. No caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, entendo como jurídica e obrigatória a aplicação concomitante das infrações nele previstas, por considerar que tais multas são completamente distintas e autônomas. Pelo exposto, voto pela manutenção da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, reduzidas apenas pelo afastamento da infração 001. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, por DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Fl. 864DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 Em que pese o entendimento da ilustre Relatora quanto à possibilidade de exigência de multa isolada no caso em apreço, durante as discussões em sessão surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões do colegiado acerca dessa matéria. Multa Isolada pelo Não Recolhimento das Estimativas Mensais Inicialmente, esclarece-se que a Relatora cancelou a exigência prevista na infração 001, e, por consequência, afastou a multa isolada aplicada por inexistência de base de cálculo. Logo, o presente voto refere-se apenas a aplicação da referida multa em face da infração 002 (omissão de receita escriturada e que deixou de ser declarada e recolhida). A recorrente contesta a exigência da multa isolada (art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/1996), em face das estimativas que deixaram de ser recolhidas em função das infrações apuradas, sob o argumento da inaplicabilidade de multa isolada após o encerramento do exercício, bem como da impossibilidade de concomitância, pois , neste último caso, representaria dupla penalização sobre o mesmo fato. Entendo que lhe assiste razão. A multa isolada aplicada tem como origem as diferenças entre as base de cálculo mensais apuradas pela recorrente e pela fiscalização, e decorre das glosas efetuadas em procedimento de fiscalização, que constatou entre outras infrações, deduções indevidas de despesas/custos na apuração do lucro real do período. Logo, não decorre do não recolhimento de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual. As discussões relacionadas à multa isolada devem levar em conta o motivo que leva a autoridade fiscal aplicar a referida multa isolada, pois ela não se destina a punir casos de infrações apuradas e relacionadas à omissão de receita, deduções indevidas de despesas, exclusões não autorizadas ou falta de adição ao lucro líquido. Nessas infrações, devem ser aplicada apenas a multa de ofício. Esta multa isolada foi instituída para punir contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixavam de recolher as estimativas mensais. É que encerrado o ano base, já não é juridicamente possível exigir as estimativas, vez que elas possuem natureza de antecipação do tributo a ser apurado no final do período. Assim, encerrado o período, o Fisco só pode exigir o valor devido e não as antecipações. Para que a norma que determina o recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa seja imperativa, e não reduzida a mera recomendação, instituiu-se a multa isolada, com o propósito específico de punir o descumprimento da norma que impõe a estes contribuintes o recolhimento mensal por estimativa. Por isso, a aplicação da referida multa isolada deve limitar-se apenas ao caso em que foi concebida. Aplicá-la a casos de cometimento de infração relativas às glosas de despesas efetuadas em procedimento de fiscalização, ou qualquer outra hipótese acima referida, é uma forma de exacerbar a penalidade, a meu ver, sem previsão legal. Fl. 865DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 De outra banda, ainda que se entenda haver previsão legal para esses casos, tanto o CARF como o STJ possuem entendimento, no sentido de afastar a exigência da multa isolada, pelo princípio da consunção. No âmbito do CARF, com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício." Na prática, a Súmula é aplicada aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2006, que não é o caso dos autos. Para os fatos posteriores, ou seja, que ocorreram a partir de janeiro de 2007, como é o caso dos autos, há quem sustente que em face das alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, não haveria interpretação diversa daquela favorável à exigência da multa isolada, mesmo nos casos em que houver sido imposta multa de ofício pela falta de pagamento anual de IRPJ e da CSLL, sob o entendimento de que, após essas alterações, estimativas mensais e a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual, em 31 de dezembro, seriam obrigações autônomas, e por isso, não poderiam ser confundidas, já que possuem naturezas diferentes (acórdão nº 1802-001.408). Com este entendimento, estaria autorizada a aplicação das multas, cumulativamente. Este foi o entendimento da I. Relatora. Penso diferente. Primeiro, como acima consignado, entendo inexistir previsão legal para aplicação de multa isolada que não decorre do não recolhimento de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo próprio contribuinte optante do lucro real anual. Na hipótese de considerar existente tal previsão, deve ser afastada a exigência da multa isolada pelo princípio da consunção, pois não se deve admitir como razoável a cumulação de multas, devendo a infração prevista no inciso II ser absorvida pelo hipótese prevista no inciso I (de acordo com a redação dada pela Lei 11.488/2007 ao art. 44 da Lei 9.430/96). Vale dizer, a cobrança de multa de ofício de 75% sobre o tributo não pago supre a exigência da multa isolada de 50% sobre eventual estimativa não recolhida, apurada em procedimento de fiscalização. Admitir o contrário, estaria-se a permitir que duas penalidades incidissem sobre uma mesma base de cálculo, o que é vedado pelo sistema jurídico. Sobre o tema, precisas as colocações do Conselheiro Marcos Takata em voto proferido no Acórdão nº 1103.001-097: É de cartesiana nitidez, para mim, que a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor não pago do IRPJ e da CSL efetivamente devidos, cobráveis juntamente como esses, exclui a aplicação da multa de ofício de 50% (multa isolada) sobre o valor não pago do IRPJ e da CSL mensal por estimativa, do mesmo ano-calendário. Isso, seja por interpretação lógica dos preceitos citados (aliás, para além disso, pode-se dizer que é corolário lógico), seja por interpretação finalística do art. 44, I e II da Lei nº 9.430/96. Apenando o continente, desnecessário e incabível apenas o conteúdo. Se já se penaliza o todo, não há sentido em se penalizar também a parte do todo. Noutros termos, é aplicação do princípio da consunção em matéria penal. Fl. 866DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 Como penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo? Isso seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos)." O STJ possui o entendimento semelhante a este, ou seja, entende que a aplicação da multa de ofício afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. Confira-se decisão proferida no REsp nº 1.496.354/PR: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplica-se aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitam-se aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1496354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Do voto condutor da decisão, da lavra do eminente Ministro Humberto Martins, se pode extrair o trecho abaixo: “Sistematicamente, nota-se que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destaca-se que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. Fl. 867DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em conseqüência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo-tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplica-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Assim, ao abrigo do princípio da consunção, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Logo, a interpretação (aparente) do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa do que o ilícito principal. Noutras palavras, as expressões "isolada" ou "conjuntamente" (com o tributo não pago) são apenas formas pelas quais podem ser exigidas as penalidades, e indicam de fato hipóteses autônomas da aplicação das multas, mas, não podem incidir concomitantemente. Conclusão Com esses fundamentos, afasta-se a exigência da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, devendo ser mantida apenas a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Fl. 868DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1301-005.170 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13116.721506/2013-23 José Eduardo Dornelas Souza Fl. 869DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721282/2016-38
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 14/04/2016
MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/07.
MULTA PELA FALTA DE INFORMAÇÃO NO SISCOMEX SOBRE CARGA TRANSPORTADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Para que o julgador administrativo avalie a proporcionalidade e a razoabilidade de multa por falta de prestação de informações sobre o embarque de carga no SISCOMEX, haveria necessariamente que adentrar no mérito da constitucionalidade da lei que estabelece a mencionada sanção, o que se encontra vedado pela Súmula nº 2 do CARF.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3003-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de ofício, e no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Lara Moura Franco Eduardo, que acatou a preliminar e deu provimento parcial ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ariene dArc Diniz e Amaral - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente), Muller Nonato Cavalcanti Silva, Lara Moura Franco Eduardo e Ariene dArc Diniz e Amaral (relatora).
Nome do relator: ARIENE D ARC DINIZ E AMARAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202105
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/04/2016 MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/07. MULTA PELA FALTA DE INFORMAÇÃO NO SISCOMEX SOBRE CARGA TRANSPORTADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Para que o julgador administrativo avalie a proporcionalidade e a razoabilidade de multa por falta de prestação de informações sobre o embarque de carga no SISCOMEX, haveria necessariamente que adentrar no mérito da constitucionalidade da lei que estabelece a mencionada sanção, o que se encontra vedado pela Súmula nº 2 do CARF. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 11128.721282/2016-38
anomes_publicacao_s : 202106
conteudo_id_s : 6408244
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3003-001.773
nome_arquivo_s : Decisao_11128721282201638.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : ARIENE D ARC DINIZ E AMARAL
nome_arquivo_pdf_s : 11128721282201638_6408244.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de ofício, e no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Lara Moura Franco Eduardo, que acatou a preliminar e deu provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Ariene dArc Diniz e Amaral - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente), Muller Nonato Cavalcanti Silva, Lara Moura Franco Eduardo e Ariene dArc Diniz e Amaral (relatora).
dt_sessao_tdt : Wed May 19 00:00:00 UTC 2021
id : 8852791
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:30:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759459487744
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-06-22T01:03:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-06-22T01:03:02Z; Last-Modified: 2021-06-22T01:03:02Z; dcterms:modified: 2021-06-22T01:03:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-06-22T01:03:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-06-22T01:03:02Z; meta:save-date: 2021-06-22T01:03:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-06-22T01:03:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-06-22T01:03:02Z; created: 2021-06-22T01:03:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-06-22T01:03:02Z; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-06-22T01:03:02Z | Conteúdo => S3-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11128.721282/2016-38 Recurso Voluntário Acórdão nº 3003-001.773 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de maio de 2021 Recorrente SERPA INTERNATIONAL LOGISTICS AGENCIAMENTO DE TRANSPORTE SAO PAULO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/04/2016 MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/07. MULTA PELA FALTA DE INFORMAÇÃO NO SISCOMEX SOBRE CARGA TRANSPORTADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Para que o julgador administrativo avalie a proporcionalidade e a razoabilidade de multa por falta de prestação de informações sobre o embarque de carga no SISCOMEX, haveria necessariamente que adentrar no mérito da constitucionalidade da lei que estabelece a mencionada sanção, o que se encontra vedado pela Súmula nº 2 do CARF. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de ofício, e no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Lara Moura Franco Eduardo, que acatou a preliminar e deu provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 12 82 /2 01 6- 38 Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-001.773 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.721282/2016-38 Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Ariene d’Arc Diniz e Amaral - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente), Muller Nonato Cavalcanti Silva, Lara Moura Franco Eduardo e Ariene d’Arc Diniz e Amaral (relatora). Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: “Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela carga lançaram a destempo o conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações neste tipo de processo questões preliminares, como ocorrência de denúncia espontânea, ausência de tipicidade, ilegitimidade passiva, ausência de motivação. Também, em outros do mesmo tipo, os quais tenho julgado em bloco, eis que possuem a mesma natureza da penalidade imposta no auto de infração, são levantadas pelos sujeitos passivos questões que destacam infringência a princípios constitucionais e até em alguns casos ocorre a solicitação de relevação da penalidade. Ou seja, são suscitados questionamentos que tragam ao auto de infração a ineficiência do instrumento de lançamento e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações. É o relatório.” A DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Destaco do voto condutor: “Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que buscam sustentar, através da desconstrução do instrumento de lançamento, a improcedência da aplicação da penalidade, quando o verdadeiro cerne da autuação encontra guarida na necessidade do controle das importações e dos prazos que devem ser cumpridos, antes ainda do respectivo Registro da DI. Nesse sentido, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-001.773 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.721282/2016-38 De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si.” A contribuinte foi cientificada da decisão em 26 de fevereiro de 2019. Em 25 de março de 2019, apresentou recurso voluntário com os seguintes argumentos: (i) existência de precedentes judiciais favoráveis aos contribuintes, (ii) ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheira Ariene d’Arc Diniz e Amaral, Relatora. O presente recurso contém matéria de competência desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sobre a tempestividade do recurso, considerando o cumprimento do prazo para interposição da peça recursal - 30 (trinta) dias a contar da intimação, é tempestivo o recurso. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Contra o recorrente foi lavrado auto de infração em razão de descumprimento dos prazos estabelecidos na desconsolidação de cargas: “1. FATO OCORRÊNCIA Nº 1. - DATA DE REFERÊNCIA 02/05/2012 O Agente de Carga SERPA INTERNATIONAL LOGISTICS AGENCIAMENTO DE TRANSPORTE SAO PAULO LTDA - EPP, CNPJ Nº06080903000106, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151205075615782 a destempo em/a partir de 02/05/2012 13:24, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205078124577. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) ECMU9274695, pelo Navio M/V SANTA CLARA, em sua viagem 216S, com atracação registrada em 04/05/2012 10:27. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 12000136640, Manifesto Eletrônico 1512500912654, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151205075470873, Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) MHBL 151205075615782 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205078124577. Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-001.773 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.721282/2016-38 Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaque-se ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151205075615782 foi incluído em 27/04/2012 09:38, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado.” 1 Conduta típica Analisando-se os fatos descritos no lançamento, resta caracterizado o cometimento da infração prevista no artigo 107, IV, alínea e: “Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (..) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (Vide) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga;” A regulamentação da infração qual seja a prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) A infração está adequadamente tipificada bem como lançamento fiscal encontra- se devidamente fundamentado, trazendo a delimitação dos fatos e normas aplicáveis, a caracterização da conduta tida como delituosa e sua subsunção à hipótese prevista em norma legal. Há nexo causal entre o fato praticado e o tipo legal cuja ocorrência deu ensejo à incidência da multa objeto da autuação. 2 Proporcionalidade e razoabilidade Sobre a alegação de falta de proporcionalidade e razoabilidade da multa imposta, valho-me do entendimento desta 3ª Turma Extraordinária, em acórdão da lavra da Ilustre Conselheira Lara Moura Franco Eduardo, no Acórdão nº 3003-001.379, com o qual concordo e adoto como razão de decidir nos termos regimentais: “Procedendo ao exame dos autos, verifico não estarem presentes, entre as razões de defesa, argumentos capazes de elidir a imputação, em face da evidente ausência do registro em questão. Pelo que se depreende, a peça que veicula o Recurso Voluntário se encerra apelando para os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, de maneira a buscar o afastamento da multa. Ocorre que, para que o julgador administrativo avalie a Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-001.773 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.721282/2016-38 proporcionalidade e a razoabilidade de multa estabelecida em lei ou decreto-lei, necessariamente haveria que adentrar no mérito da constitucionalidade da norma que estabelece a mencionada sanção, o que evidentemente supera a competência dos órgãos de julgamento administrativos. Conforme se encontra disposto na Súmula CARF nº 2 , este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em face do princípio da razoabilidade, proporcionalidade ou de quaisquer outros princípios ou regras constitucionais”. 3 Precedente judicial não vinculante Alega a contribuinte a existência de precedentes judiciais que reconhecem que aplicação das multas aduaneiras ofende princípios constitucionais mormente a proporcionalidade e a razoabilidade. Os precedentes citados não foram julgados sob a sistemática dos recursos repetitivos e da repercussão geral. Nos termos do artigo 62 do RICARF, este tribunal administrativo é obrigado a adoção e aplicação de precedentes judiciais, apenas daquelas decisões de mérito do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, proferidas segundo a sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil. Não sendo o caso, não assiste razão ao contribuinte. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ariene d’Arc Diniz e Amaral Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11543.720114/2016-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2016
SIMPLES NACIONAL. AUSÊNCIA DE REGULARIZAÇÃO DO PRAZO LEGAL. VEDAÇÃO Á OPÇÃO.
Constatada a não regularização de pendências tributárias, no prazo legal, a vedação à opção pelo regime de tributação pelo SIMPLES NACIONAL é medida que se impõe.
Numero da decisão: 1001-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202105
ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2016 SIMPLES NACIONAL. AUSÊNCIA DE REGULARIZAÇÃO DO PRAZO LEGAL. VEDAÇÃO Á OPÇÃO. Constatada a não regularização de pendências tributárias, no prazo legal, a vedação à opção pelo regime de tributação pelo SIMPLES NACIONAL é medida que se impõe.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 11543.720114/2016-24
anomes_publicacao_s : 202106
conteudo_id_s : 6401666
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1001-002.422
nome_arquivo_s : Decisao_11543720114201624.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 11543720114201624_6401666.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
dt_sessao_tdt : Thu May 13 00:00:00 UTC 2021
id : 8842758
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:30:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759462633472
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-06-09T19:38:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-06-09T19:38:47Z; Last-Modified: 2021-06-09T19:38:47Z; dcterms:modified: 2021-06-09T19:38:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-06-09T19:38:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-06-09T19:38:47Z; meta:save-date: 2021-06-09T19:38:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-06-09T19:38:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-06-09T19:38:47Z; created: 2021-06-09T19:38:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2021-06-09T19:38:47Z; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-06-09T19:38:47Z | Conteúdo => S1-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11543.720114/2016-24 Recurso Voluntário Acórdão nº 1001-002.422 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 13 de maio de 2021 Recorrente MUNDO PEQUENO COMERCIAL LTDA EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2016 SIMPLES NACIONAL. AUSÊNCIA DE REGULARIZAÇÃO DO PRAZO LEGAL. VEDAÇÃO Á OPÇÃO. Constatada a não regularização de pendências tributárias, no prazo legal, a vedação à opção pelo regime de tributação pelo SIMPLES NACIONAL é medida que se impõe. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão n.º 10-60.091 da 7ª Turma da DRJ/POA, de 06 de setembro de 2017 (fls. 79 a 86): O contribuinte acima identificado teve o seu pedido de inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidas pelas Microempresas e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 01 14 /2 01 6- 24 Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.422 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.720114/2016-24 Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) - ano calendário 2016 - indeferido pela existência de débitos não previdenciários com a Receita Federal, controlados no processo 18208.212272/2008-55, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, e conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 24/02/2016 (fls. 04/05). Apresentou impugnação em 29/02/2016 (fls. 02/03), na qual alega que os débitos foram objetos de pedido de parcelamento protocolado na data de 26/01/2016 - processo 11543.720033/2016-24. Pugna pela sua inclusão no Simples Nacional. Diante das alegações do contribuinte e da consulta ao referido parcelamento, fl. 25, constatado que não havia como firmar convencimento se os débitos apontados como impeditivos de ingresso ao Simples Nacional, em 29/01/2016 - data limite para regularização das pendências impeditivas -, encontravam-se com sua exigibilidade suspensa, fez-se necessário converter o processo em diligência para a unidade de jurisdição para que se manifestasse sobre o seguinte apontamento: "se, em 29/01/2016, os débitos encontravam-se com sua exigibilidade suspensa pelo parcelamento protocolado em 26/01/2016, objeto do processo 11543.720033/2016-24". Em resposta, a unidade preparadora presta informações às fls. 29 e 30 e relata que: A empresa interessada protocolou/formalizou no dia 26/01/2016 reparcelamento de débitos com documentação necessária incompleta, ou seja, não apresentou o comprovante de pagamento dos 10% (dez por cento) de entrada, descumprindo desta forma o que estava descrito na alínea a do Inciso IV do Artigo 6 e inciso I do Artigo 26 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 15 de 15 dezembro de 2009. Desse modo, informa que o interessado fora intimado a apresentar o comprovante de recolhimento da entrada como condição para deferimento do parcelamento, sendo que o pagamento deu-se em 28/04/2016, havendo o deferimento do pedido em 05/05/2016. Quanto à suspensão do crédito tributário aponta que "o artigo 14 da Portaria Conjunta deixa claro também que o pedido de parcelamento/reparcelamento deferido importa na suspensão da exigibilidade do crédito". Cientificado da Resolução e da Informação prestada pela unidade preparadora, o interessado apresenta Recurso Voluntário acostado às fls. 40 a 51. No recurso, destaca a sua tempestividade e faz uma síntese do desenquadramento no Simples Nacional, argumentando que: Sabe-se que em razão da adesão do reparcelamento fica condicionado ao recolhimento da primeira parcela o valor correspondente de 10% do total dos débitos consolidados. Entretanto, em detrimento de problemas internos da própria Receita Federal, a guia para o pagamento dos 10% de entrada exigido pela legislação não estava sendo liberado, prejudicando os interesses da empresa recorrente, e em razão disto a empresa recorrente foi surpreendida com o indeferimento do seu enquadramento no Simples nacional para o ano-calendário de 2016. Alega vício material referente a não emissão das guias de parcelamento, já que as guias não foram geradas eletronicamente e, do pedido manual, também não o foram tempestivamente. Consigna que: No ano de 2008 a recorrente já havia dado início ao processo de parcelamento de seus débitos, entretanto, não logrou êxito. Em 2016, visando quitar suas Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.422 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.720114/2016-24 dívidas com a Receita Federal, solicitou novamente o parcelamento de seu débito, conforme tela acima anexada. Argumenta que não existia nenhuma razão objeto de indeferimento do Simples Nacional "até mesmo porque somente no dia 05 de abril de 2016 a recorrente foi intimada para apresentar recolhimento do DARF, data esta em que a Receita liberou a guia para que fosse feito o pagamento dos 10% de entrada, o que foi cumprido". Alega que o parcelamento suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, não podendo a dívida ser óbice ao enquadramento no Regime Simplificado. Cita decisões judiciais que diz corroboram a sua defesa. Alterca que a não inclusão no Simples Nacional não é proporcional à infração, já que as sanções devem se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita precedente do Superior Tribunal de Justiça. Por fim, pugna pela procedência do recurso voluntário, a fim de tornar insubsistente e, por consequência, sem efeito o indeferimento da recorrente, sendo incluída no Simples Nacional. O Acórdão da DRJ julgou improcedente o pedido da empresa contribuinte em ser incluída no regime de tributação pelo SIMPLES NACIONAL, por entender que não seria dever da Receita Federal disponibilizar as guias de recolhimento dos débitos previdenciários existentes (tese arguida pela contribuinte, de que a emissão das guias relativas às dívidas seriam de incumbência da Receita Federal do Brasil) e, também, que o protocolo do pedido de parcelamento do débito previdenciário não possui o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, suspensão esta que só passaria a contar a partir do deferimento do parcelamento, em 05/05/2016 (fl. 84), data esta posterior à data limite de inclusão no SIMPLES NACIONAL em 2016 (29/01/2016). A empresa contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 92 a 107), alegando que, a negativa de inclusão teria natureza de “penalidade desproporcional”, e que “não havia mais dívidas para o SIMPLES NACIONAL quando da solicitação do reparcelamento do débito anterior”, tendo apresentado, na fl. 97, o seu pedido de parcelamento datado de 26/01/2016, a seguir mencionado: Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.422 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.720114/2016-24 . Por fim, a recorrente requer o deferimento de sua inclusão no regime de tributação pelo SIMPLES NACIONAL. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF nº 329/2017, considerando-se tratar de análise de inclusão de empresa do regime de tributação pelo SIMPLES NACIONAL (inclusão Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.422 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.720114/2016-24 desvinculada de qualquer apuração de crédito tributário ainda pendente de decisão administrativa), ano-calendário 2016. Ainda, observo que o recurso é tempestivo, na medida em que foi interposto em 25/09/2017 (vide termo de solicitação de juntada, fl. 90), face à intimação recebida dia 18/09/2017 (vide A.R., fl. 89), e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Acerca do mérito do presente processo, necessário indicar que, em essência, o pleito da recorrente reside na análise de ter a empresa contribuinte regularizado ou não os seus débitos dentro do prazo legal (até 29/01/2016), previsto no art. 6º e parágrafos, da então vigente à época Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, que assim previa: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional dar-se-á por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o ano-calendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I - regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; [...] Do Deferimento Art. 50. O órgão concessor definido no art. 46 poderá, em disciplinamento próprio: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 21, § 15) I - condicionar o deferimento do parcelamento à confirmação do pagamento tempestivo da primeira parcela; II - considerar o pedido deferido automaticamente após decorrido determinado período da data do pedido sem manifestação da autoridade; III - estabelecer condições complementares, observadas as disposições desta Resolução. § 1º Caso a decisão do pedido de parcelamento não esteja condicionada à confirmação do pagamento da primeira parcela, o deferimento do parcelamento se dará sob condição resolutória, tornando-se sem efeito caso não seja efetuado o respectivo pagamento no prazo estipulado pelo órgão concessor. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 21, § 15) § 2º Na hipótese do § 1º, tornando-se sem efeito o deferimento, o contribuinte será excluído do Simples Nacional, com efeitos retroativos, caso o parcelamento tenha sido Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.422 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.720114/2016-24 solicitado para possibilitar o deferimento do pedido de opção. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 21, § 15) Conforme mencionado no art. 50 acima transcrito, normativo próprio poderá condicionar o parcelamento à exigência do pagamento de uma primeira parcela. A contribuinte demonstrou ter requerido reparcelamento de suas dívidas tributárias em 26/01/2016. No entanto, a DRJ entendeu que o requerimento do reparcelamento somente foi deferido em 05/05/2016, e que, por essa razão, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários somente teria se dado em 05/05/2016, o que resultaria no impedimento da contribuinte em optar pelo regime de tributação pelo SIMPLES NACIONAL. Apesar de a empresa contribuinte buscar responsabilizar a RFB pela não emissão de guia de recolhimento do parcelamento, entendo que, de fato, tal atribuição, por ocasião do pedido de parcelamento, haveria de ter sido desempenhada pela própria empresa contribuinte, a quem compete a geração de suas guias de recolhimento, de acordo com as instruções pertinentes. Ademais, a alegação da empresa contribuinte no sentido de que já teria quitado os débitos (após a data término de opção pelo SIMPLES NACIONAL), não afasta a observância estrita da literalidade das normas aplicáveis. Nesse contexto, necessário indicar o teor dos seguintes artigos da Instrução Normativa RFB nº 1508 de 04 de novembro de 2014: Art. 3º A partir do mês de novembro de 2014, somente produzirão efeitos os pedidos de parcelamentos formulados com o correspondente pagamento tempestivo da primeira prestação. [...] Art. 4º – Serão considerados automaticamente deferidos os pedidos de parcelamento após decorridos 90 (noventa) dias da data de seu protocolo sem manifestação da autoridade concedente. Nesses termos, a partir de novembro de 2014, de fato, o parcelamento somente teve seus efeitos iniciados a partir do pagamento da primeira parcela (e não a partir do pedido de parcelamento), conforme previsão contida no art. 3º supramencionado, concluindo-se que a regularização dos débitos somente se deu em 28/04/2016 (data da primeira parcela paga, conforme informações contidas na fl. 84), ressaltando-se que, em verdade, que o deferimento se Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.422 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.720114/2016-24 deu tacitamente em 26/04/2016 (90 dias a contar do pedido de parcelamento), na forma do art. 4º supramencionado. Referidas normas infralegais, ainda, encontram-se em consonância com entendimento do STJ, o qual, ao analisar caso similar (parcelamento pelo PAES), assim entendeu: Situação do Tema: Trânsito em Julgado Questão submetida a julgamento: Discute-se a obrigatoriedade ou não da homologação expressa do pedido de parcelamento (PAES) a fim de que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, com fulcro no artigo 151, VI, do CTN. Tese Firmada: A produção do efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, advindo do parcelamento, condiciona-se à homologação expressa ou tácita do pedido formulado pelo contribuinte junto ao Fisco. (STJ, Tema nº 365, publicada em 13/09/2019) Desse modo, verificou-se que o deferimento do parcelamento se deu em 05/05/2016, ou seja, posteriormente ao período de 90 dias para deferimento tácito, previsto em referida IN RFB nº1508/2014, o que faz com que, de fato, o parcelamento tenha sido deferido tacitamente em 26/04/2016, e não em 05/05/2016. Nesse contexto, tendo sido suspensa a exigibilidade dos débitos somente em 26/04/2016 (após a data de 29/01/2016: período de opção pelo SIMPLES NACIONAL), à luz da legislação em vigor à época, não houve a regularização devida no período de opção do SIMPLES NACIONAL, motivo pelo qual não merece prosperar o recurso. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-002.422 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11543.720114/2016-24 Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006561/2007-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.210
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 19647.006561/2007-20
conteudo_id_s : 6412473
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 29 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-000.210
nome_arquivo_s : Decisao_19647006561200720.pdf
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19647006561200720_6412473.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 8858002
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:30:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759465779200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1198; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 244 1 243 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.006561/200720 Recurso nº 000000 Resolução nº 2402000.210 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 14 de março de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ASSOCIAÇÃO COLÉGIO NÓBREGA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 15), a empresa deixou de informar em GFIP os seguintes valores: • Pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais (autônomos) verificados nos Recibos de Pagamento a Autônomo — RPA e nos registros contábeis, no período de 01/1999 a 09/2003, exceto 04/99 e nas competências de 04/2004, 09/2004 e 06/2006. • Valores de remunerações efetuadas aos segurados empregados a titulo de bolsas de estudos concedidas aos filhos de funcionários e professores identificados através dos lançamentos contábeis realizados nas contas de despesas: 3.1.05.044 (Bolsa — Filhos de funcionários e professores) e 3.1.05.053 (Bolsas de estudo) e considerados como salário indireto, sendo, portanto, saláriodecontribuição, no período de 01/1999 a 12/1999 e 01/2002 a 12/2006. • Pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho de denominação social Cooperativa de Prestação de Serviços Múltiplos do Nordeste Ltda., CNPJ 03.378.342/000138, nas competências de 04/2000; 04/2003; 02/2005 e 05/2006 identificados na contabilidade através dos lançamentos efetuados na conta 3.1.05.021. • Pagamento efetuado quando do acordo homologado pela Justiça do Trabalho do processo trabalhista n° RE.07.001.00581/01 reclamante Suely Freitas de Morais Vieira em 13/06/2001 com saláriode contribuição no R$ 1.725,56 e contribuição do segurado empregado no valor de R$ 151,21. A auditoria fiscal informa que foi verificada circunstância agravante prevista no art. 290, inciso V do Decreto nº 3.048/1999. A autuada teve ciência do lançamento em 03/07/2007 e apresentou defesa (fls. 199/202) onde alega que o Auto de Infração é lacônico ao descrever a infração cometida, não chegando a dizer sequer o período e o fato gerador das contribuições previdenciárias, no caso. Considera que a autuação prioriza a aplicação de penalidades em detrimento da orientação ao contribuinte. Alega que é entidade filantrópica e de assistência social, estando isenta ou imune as contribuições sociais à Seguridade Social, não tendo que se falar em recolhimento de contribuições patronais. No que toca à bolsas de estudos registradas, diz que ao admitir a hipótese de que os gastos da espécie constituem salário indireto resulta inócuo falar sobre contribuição Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19647.006561/200720 Resolução n.º 2402000.210 S2C4T2 Fl. 245 3 empresarial devida, eis que fulminada, no caso, pela imunidade constitucional (art. 195, § 7º, CF), uma vez que a autuada é entidade de assistência social. Considera que a bolsa de estudo constitui a colaboração da autuada para a educação, que é direito de todos e dever do Estado (art. 205, CF). Por se tratar de garantia constitucional indiscriminada e assumir, assim, interesse público, não pode e não deve constituir parcela salarial, sujeita a tributo. Menciona o art. 458, § 2º da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho. Entende que restou demonstrado que não deveria ser penalizada. Pelo Acórdão nº 1121.061 (fls. 220/224) a 5ª Turma da DRJ/Recife considerou o lançamento procedente. Inconformada, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 229/237), onde efetua a repetição das alegações de defesa reforçando os argumentos a respeito de seu alegado direito à isenção. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 VOTO Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O presente processo tem origem em autuação pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Da análise do Relatório Fiscal da Infração, verificase que os créditos correspondentes aos fatos geradores omitidos foram constituídos através de documentos próprios que resultaram em processos separados. Entretanto, há conexão entre os documentos de constituição de crédito que se referem aos mesmos fatos. Assim, o auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória deve ser julgado junto ou após o julgamento dos processos relativos à obrigação principal. Assim, reconheço a prejudicialidade para o presente julgamento e solicito as seguintes providências: a) Caso ainda pendentes de julgamento os processos principais, este presente processo fique sobrestado no órgão onde aqueles tramitam; b) Em já havendo decisão definitiva, informese sobre o resultado do julgamento. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 37330.006062/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SEGURADOS EMPREGADOS - ESTAGIÁRIO - SALÁRIO INDIRETO - PREVIDÊNCIA PRIVADA PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionarnento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
O lançamento foi efetuado em 23/09/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 26/09/2005. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 08/1997 a 12/1998, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.371
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
declarar a decadência do lançamento.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SEGURADOS EMPREGADOS - ESTAGIÁRIO - SALÁRIO INDIRETO - PREVIDÊNCIA PRIVADA PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionarnento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O lançamento foi efetuado em 23/09/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 26/09/2005. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 08/1997 a 12/1998, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 37330.006062/2006-05
conteudo_id_s : 6401693
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 15 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.371
nome_arquivo_s : Decisao_37330006062200605.pdf
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 37330006062200605_6401693.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência do lançamento.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
id : 8843086
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:30:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759488847872
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:36:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:36:31Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:36:32Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:36:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f56bba69-ef53-44fa-9cbf-e986964db742; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:36:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:36:32Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:36:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:36:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:36:31Z; created: 2010-11-24T16:36:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-11-24T16:36:31Z; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:36:31Z | Conteúdo => S2-C4T1 F I 144 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 37330.006062/2006-05 Recurso n° 147318 Voluntário Acórdão n° 2401-01.371 — 4" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 22 de setembro de 2010 Matéria SALÁRIO INDIRETO Recorrente TV SÃO JOSÉ DO RIO PRETO S.A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SEGURADOS EMPREGADOS - ESTAGIÁRIO - SALÁRIO INDIRETO - PREVIDÊNCIA PRIVADA- PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF, O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n c) 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionarnento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário''. O lançamento foi efetuado em 23/09/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 26/09/2005. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 08/1997 a 12/1998, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio, RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência do lançamento, ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antônio Souza Corrêa, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Ausente os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa 2 Processo n° 37330.00606212006-05 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01371 Fl. 145 Relatório O presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, bem como a parcela a cargo dos segurados empregados não descontada em época própria, levantadas sobre os valores pagos à título de "Previdência Privada", na modalidade "Pé de Meia"; sendo, no período de 08/1997, 01/1998, 07/1998, somente para os empregados que ocupam cargos de nível executivo da empresa e no mês 12/1998 somente para os demais empregados, cujos valores e nomes encontram-se demonstrados no ANEXO 1 do relatório fiscal. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 23/09/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 26/09/2005. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 46 a61, Foi exarada a Decisão-Notificação - DN que confirmou a procedência do lançamento, fis, 65 a 69. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fis, 78 a 107. A unidade descentralizada da SRP encaminhou o processo a este Conselho para Julgamento, tendo apresentado contra-razões às fls, 140 a 143. É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 140, Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Antes de avaliar os argumentos apresentados pelo contribuinte quanto ao mérito do lançamento, entendo necessário tecer comentários acerca do instituto da decadência. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n `) 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n" 8"Scio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário", O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Ari, 103-A, O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus nembros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei, Ao declarar a inconstitucionalidade do art, 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CIN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1 a 4 Processo ri° 37330.006062/2006-05 S2-C4T1 Acórdão w° 2401-01.371 Fl. 146 Seção no Recurso Especial de n ° 766,050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO, ISS, ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA, IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI IV' 406/68, ANALOGIA, IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA, POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3," DO ART. 20 DO CPC IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATORIA, SÚMULA 07 DO STJ DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA, ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo ,fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento .fixo. 2.. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n." 406/68, para .fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 36I829/RJ, publicado no DJ de 24,02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 2610„2006; e AgRg no Ag .577068/GO, publicado no DJ de 28,08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26,10,2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09,2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fálico-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ), 5, Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, inaneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n." 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocatkios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, áç 4, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623..659/RJ, publicado no DJ de 06,06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7.. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF),8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício . formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras . jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (h) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sePn a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Processo n° 37330.00606212006-05 S2-C4TI Acórdão n." 2401-01.371 Fl. 147 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 1.50, sr 4 0, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a , fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançantento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 1 73, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 1 73, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido ent fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário, Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3"Ed,, Max Li171011ad pág. 170). 14, A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com ,fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado.. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notcação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do ar!. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTIV; cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anzdatória. 16 In MIL' (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por- homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimphda, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da kvratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição .financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo 1SSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01..09..1999, 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributárias constituídos em 01.09.1999. 18, Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS.) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed,, Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Processo n°37330 006062/2006-05 S2-C4T1 Acárd5o n 2401-01371 Fl. 148 II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do crN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Ar 1.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento .sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa:. § 1' O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2' - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do .fato gerador,- expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art, 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições pr evidenci ári as. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 2.3/09/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 26/09/2005. Os fatos geradores ocorreram nas competências 08/1997 a 12/1998, sendo assim, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes, CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicaçâo da decadência qüinqüenal. É como voto, Sala das Sessões, em 22 de setembro de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 10 ,N /MINISTÉRIO DA FAZENDA pr, -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS / QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 373.30,006062/2006-05 .-Recurso n°: 147,518 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial ri° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão if 2401-01.371 Brasília, 2,1,de outubro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [1 Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004350/2007-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2801-000.065
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10280.004350/2007-84
conteudo_id_s : 6418100
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2801-000.065
nome_arquivo_s : Decisao_10280004350200784.pdf
nome_relator_s : AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
nome_arquivo_pdf_s : 10280004350200784_6418100.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
id : 8872190
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:31:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759493042176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 62 1 61 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.004350/200784 Recurso nº 169.156 Resolução nº 2801000.065 – 1ª Turma Especial Data 28 de setembro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MIGUEL SARATY DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 14 a 16, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$6.417,73, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos percebidos pelo interessado e/ou seus dependentes das fontes pagadoras Sesma Secretaria Municipal de Saúde e Meio Ambiente, CNPJ 07.917.818/000112 (R$12.317,20); Coopmed Cooperativa de Servs. Med. e Fl. 65DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10280.004350/200784 Resolução n.º 2801000.065 S2TE01 Fl. 63 2 Hospitalares Ltda., CNPJ 47.092.697/000131 (R$0,85) e Fundação do Desenvolvimento Administrativo, CNPJ 47.903.570/000155 (R$17.417,66). Foram computadas as diferenças de IRRF relativamente às fontes pagadoras omitidas. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 05), acatada como tempestiva. Alegou, em apertada síntese, que não fora intimado a prestar esclarecimentos anteriormente ao lançamento. Pondera que os valores recebidos da Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap são decorrentes de bolsa de estudos, rendimentos isentos à luz do disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995. Embora tal bolsa fosse advinda de residência médica, não era concedida a todos e poderia ser retirada sem prejuízo à pesquisas da doença hanseníase. Quanto aos rendimentos percebidos da Sesma, assevera que auxiliava financeiramente a genitora, remetendolhe valores para ajudála em suas despesas habituais, inclusive as referentes à aquisição de medicamentos. Assim, entendeu que poderia abatêla como dependente em sua declaração de imposto de renda, mas a situação de fato é que o contribuinte não se beneficiava dos rendimentos auferidos pela genitora e seria muito pesado arcar com IR decorrente. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 2ª Turma DRJ Belém/PA, conforme Acórdão de fls. 24 a 33, julgou procedente o lançamento. Rebateu que os rendimentos recebidos da Fundação do Desenvolvimento Administrativo não preenchiam os requisitos legais atinentes às bolsas de estudo, sendo tributáveis. Quanto aos rendimentos informados em DIRF pela Sesma, assim se posicionou: O entendimento de que poderia deixar de informar os valores recebidos da SESMA no total de R$ 12.317,20, por que destinados a auxiliar no tratamento de saúde da sua mãe, que utilizava os valores recebidos na compra de medicamentos e tratamento médico para sua moléstia não encontra amparo na legislação de regência do imposto de renda. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 18/12/2008 (fls. 36), o contribuinte apresentou, em 19/01/2009, o Recurso de fls. 37 a 43, reafirmando, em síntese, os argumentos da impugnação. Instruindo o recurso voluntário foram juntadas cópias do acórdão recorrido, da SRL que havia sido protocolizada e da Notificação de Lançamento contestada, comprovante de endereço, Declaração emitida pela Fundap e do Termo de Outorga e Aceitação de Bolsa de Estudos (fls. 44 a 60). O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 61, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Fl. 66DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10280.004350/200784 Resolução n.º 2801000.065 S2TE01 Fl. 64 3 Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, registrese que, inadvertidamente, não foi digitalizada a cópia das fls. 25 (parte do relatório do acórdão de primeira instância). Entretanto, tendo em vista que o interessado instruiu seu recurso com cópia do referido acórdão e a folha em questão consta dos autos (fls. 45), deixo de sanear a deficiência do arquivo digital, por não acarretar prejuízo à análise do litígio. No caso, em relação aos rendimentos pagos pela Sesma, compulsando os autos, não localizo a cópia da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF que embasaria o lançamento, embora constem dos autos as cópias de Dirf de fls. 23. Na descrição da autuação verificase que os rendimentos lançados foram percebidos pelo interessado e/ou dependentes. Desde a impugnação, contestando especificamente a omissão de rendimentos informados pela Sesma, o contribuinte assevera que não se beneficiava dos rendimentos auferidos pela genitora (Genoveva Saraty de Oliveira, CPF 615.410.79272), embora a ajudasse financeiramente, motivo pelo qual a declarou como dependente. Portanto, é bastante provável que a beneficiária dos rendimentos pagos pela Sesma seja a dependente declarada e não o contribuinte. Ora, os pais podem ser dependentes dos filhos desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, inc. VI). Assim sendo, considerando que a omissão lançada em relação à Sesma (R$12.317,20) está bastante próxima do limite de isenção anual (R$12.696,00), indispensável a análise da DIRF em questão para a solução da lide. Desse modo, os autos devem retornar à repartição de origem para a juntada da DIRF apresentada pela Sesma Secretaria Municipal de Saúde e Meio Ambiente, CNPJ 07.917.818/000112, para o anocalendário 2004, tendo como beneficiário o interessado (CPF 397.107.77220) e/ou sua genitora, Genoveva Saraty de Oliveira (CPF 615.410.79272). Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 67DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000025/2007-61
Data da sessão: Thu Jun 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2004
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais.
Numero da decisão: 2402-010.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202106
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2004 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais.
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 14098.000025/2007-61
anomes_publicacao_s : 202107
conteudo_id_s : 6421269
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-010.009
nome_arquivo_s : Decisao_14098000025200761.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 14098000025200761_6421269.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 10 00:00:00 UTC 2021
id : 8877542
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:31:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759496187904
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-07-06T20:44:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-07-06T20:44:11Z; Last-Modified: 2021-07-06T20:44:11Z; dcterms:modified: 2021-07-06T20:44:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-07-06T20:44:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-07-06T20:44:11Z; meta:save-date: 2021-07-06T20:44:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-07-06T20:44:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-07-06T20:44:11Z; created: 2021-07-06T20:44:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2021-07-06T20:44:11Z; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-07-06T20:44:11Z | Conteúdo => SS22--CC 44TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 14098.000025/2007-61 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2402-010.009 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 10 de junho de 2021 RReeccoorrrreennttee TERCERIZE ADMINISTRADORA DE SERVIÇOS LTDA. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2004 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, Gregorio Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 25 /2 00 7- 61 Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.009 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000025/2007-61 Relatório Cuida-se de recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação e manteve em parte o crédito tributário constituído em 25/07/2007 mediante a NFLD – DEBCAD 37.084.617-6 – período de apuração 01/01/2000 a 31/08/2004 – valor total de R$ 113.638,00 – com fulcro em contribuições sociais previdenciárias devidas ao Fundo de Previdência e Assistência Social, parte da empresa e do segurado, pela remuneração de contribuintes individuais, em face das remunerações pagas aos sócios da empresa, contabilizados irregularmente em várias contas e com diversos históricos, dentre eles "distribuição de lucros aos sócios", fato detectado pela análise dos documentos que originaram os lançamentos contábeis, conforme discriminado no relatório fiscal. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/04/2009, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 19/05/2009, aduzindo, em apertada síntese, excesso de exação fiscal; legalidade da distribuição de lucros; não aplicação da taxa Selic; multa punitiva; princípio da Administração Pública e o Procedimento Administrativo; levantamentos fiscais; fato gerador; e materialidade da hipótese de incidência. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator. Da admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/1972, portanto, dele conheço. Das alegações recursais O presente litígio cinge-se aos seguintes tópicos enumerados no recurso voluntário: excesso de exação fiscal; legalidade da distribuição de lucros; não aplicação da taxa Selic; multa punitiva; princípio da Administração Pública e o Procedimento Administrativo; levantamentos fiscais; fato gerador; e materialidade da hipótese de incidência. Inicialmente, por bem retratar a presente lide, resgato o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD 37.084.617-6 e anexos de f. 01-64, através do qual se exige o valor consolidado em 21/05/2007 de R$ 113.638,00 (cento e treze mil seiscentos e trinta e oito reais), com ciência em 25/07/2007, conforme aviso de recebimento postal de f. 202. A exigência se refere às contribuições ao Fundo de Previdência e Assistência Social, parte da empresa e do segurado, pela remuneração de contribuintes individuais. De acordo com o relatório fiscal de fls. 69-81, o lançamento tem por fato gerador as remunerações pagas aos sócios da empresa, contabilizados irregularmente em várias Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.009 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000025/2007-61 contas e com diversos históricos, dentre eles "distribuição de lucros aos sócios", fato detectado pela análise dos documentos que originaram os lançamentos contábeis. O termo de encerramento de ação fiscal encontra-se às f. 67-68. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 148-212, em 20/08/2007 através da qual a interessada, após qualificar-se e resumir os fatos, preliminarmente argúi excesso de exação fiscal, por não ter o lançamento observado o teto do salário de contribuição individual, prosseguindo em sua defesa nos seguintes pontos: DA LEGALIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS Defende a interessada a legalidade da distribuição dos lucros, por estarem todos seus débitos suspensos, por força de parcelamento especial, nos termos do art. 151, inc. VI, do CTN, além de estarem totalmente garantidos por arrolamento de bens. A seguir, faz histórico da Lei 4.357/64, com extensa digressão se pode ser seu art. 32 interpretado no sentido de impedir a distribuição de dividendos e sua recepção pela Constituição Federal de 1988, concluindo pela impossibilidade do Fisco proibir a distribuição de lucros de sociedade em débito para com a União e suas autarquias ligadas à Previdência e Assistência Social. NÃO APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Argumenta a impugnante pela abusividade dos índices de correção monetária, por sinal, não existentes no presente lançamento, e pela inaplicabilidade da taxa SELIC, que afirma ter sido julgada inconstitucional e que entende ter de se submeter ao art. 192 da CF. Historia a criação da taxa, salientando que não houve explicitação de sua natureza e dos casos em que seria empregada, além de não ter sido criada por lei para fins tributários (apenas para apurar rendimento de títulos federais), o que desrespeita o princípio da legalidade. Cita ilustre doutrinador e acórdão judicial para sustentar seus argumentos. Conclui este ponto dizendo que não há porque manter a incidência da taxa SELIC e, prevalecendo o auto de infração, deve ser extirpada a correção monetária e juros aplicados, devendo ser julgado insubsistente tal exigência pela ilegalidade que lhe permeia. MULTA PUNITIVA Trata a impugnante da multa dizendo que sua natureza jurídica é de sanção, tendo por finalidade punir o contribuinte pelo atraso no pagamento. Apresenta lições sobre os princípios e entende aplicável ao caso o da proporcionalidade, adentrando na seara constitucional e dos direitos fundamentais do homem, cuja contraposição com o do Estado ao tributo leva à formação de outro direito, o de não confisco, traduzido em princípio constitucional. Cita juristas e enumera valores por ordens dando primazia à preservação do trabalho humano e da empresa sobre a preservação do Estado. Fala da pesada carga tributária, da qual pode resultar a destruição da empresa, arrazoando também que as sanções devem ser proporcionais ao tributo, e não à sua base de cálculo, trazendo jurisprudência acerca da matéria. Assevera quanto à possibilidade da Administração e do Judiciário ajustar o valor da multa, por ser punição draconiana, o que não constitui declaração de inconstitucionalidade, mas simples exercício do poder de auto-tutela. Invoca o princípio da proporcionalidade, explicando-o e concluindo que a multa é necessária para coibir a inexecução da obrigação tributária, mas inadequada por sua grandeza, no sentido de não atingir a finalidade perseguida, destruindo o bem do qual o fruto é desejado. Transcreve ementa e trechos de acórdãos pertinentes à matéria. Conclui dizendo que a multa tem efeito de confisco e viola princípios constitucionais do não confisco e da proporcionalidade, devendo ser excluída ou, ao menos, reduzido seu percentual. PRINCÍPIO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO A interessada palestra sobre a evolução do Estado de Direito, do que decorreu a ampliação da legalidade e redução do campo de arbítrio da administração fazendária, enfatizando o princípio da legalidade, para o que cita veneráveis doutrinadores, com a finalidade de dizer que o lançamento tributário deve se pautar pela estrita legalidade. Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.009 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000025/2007-61 LEVANTAMENTOS FISCAIS Neste ponto, reconhece a impugnante o direito-dever do Fisco em realizar procedimentos tendentes a verificar o regular cumprimento das obrigações por parte dos contribuintes, não podendo, contudo, realizar os procedimentos que enumera: arbitrar com desprezo à documentação idônea do contribuinte; efetuar levantamentos desconsiderando quebras ou perdas normais aos processos; desconsiderar valores contabilizados, devidamente apoiados em documentos idôneos; e efetuar o arbitramento ou levantamento com quebra ao princípio do contraditório. Diz então que o arbitramento só cabe como medida excepcional, exercido de modo cauteloso e prudente, observadas regras que garantam o equilíbrio jurídico entre as partes, com respeito ao contraditório e a ampla defesa, antes de lavrada a notificação. FATO GERADOR Leciona a impugnante sobre o fato gerador, tanto como norma abstrata, a hipótese de incidência, quanto sobre a norma concreta, o fato imponível, decorrendo a primeira necessariamente de lei, sob o princípio da estrita legalidade. Por isso, a peça fiscal deve descrever o fato gerador, sua materialização e as provas que atestem sua ocorrência, de molde a permitir a ampla defesa. Aponta que qualquer ficção legal ou fática, presunção ou suposição, retirará do lançamento sua validade administrativa e eficácia jurídica. MATERIALIDADE DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA Com relação à materialidade da hipótese de incidência, diz a interessada que somente ocorrerá o fato gerador quando da existência da folha de pagamento, que entende deva ser investigada e submetida a perícia com vistas a comprovar a ocorrência material do fato gerador. Por isso considera indispensável que o lançamento contenha o nome do segurado e o período de contribuição, sob pena de transformá-lo em uma coleta de dinheiro a esmo, desvirtuando o princípio da finalidade e da utilidade, servindo apenas para o locupletamento ilícito da autarquia. Argumentando que nulo é o lançamento que empregar interpretação analógica e extensiva, sem prova material, documental ou pericial contábil da ocorrência do fato gerador, infere que a notificação afronta princípios fundamentais do direito, devendo ser julgada nula em todos os seus termos. PEDIDO Pelo que expôs, requer a interessada a procedência da defesa, declarando a insubsistência da notificação; a juntada posterior de documentos; que a decisão enfrente todas as questões postas, sob pena de nulidade; que seja observada a plenitude do direito de defesa; e que as intimações e notificações sejam realizadas no endereço que indica, sob pena de nulidade. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente repisa os argumentos aduzidos na impugnação, sem aduzir novas razões de defesa perante a segunda instância. Pois bem. Preliminarmente, impende destacar que a decisão a quo reconheceu a decadência em face das competências compreendidas entre 01/2000 a 11/2000, inclusive, com fulcro na regra especial do art. 150, § 4º., do CTN. Destarte, efetuado o recorte pela DRJ, remanesce em litígio o crédito tributário relacionados às competências 12/2000 a 08/2004. Passo à análise. Do mérito A Recorrente, no seu recurso voluntário, abre um capítulo intitulado “Preliminares”, que, na verdade, aduz questões que se confundem com o próprio mérito, e, portanto, com este será apreciado. Com relação ao excesso de exação, em sede de julgamento de impugnação, a DRJ enfrentou a matéria de forma exaustiva e conclusiva: Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.009 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000025/2007-61 O item 28 do relatório fiscal esclarece que a contribuição dos segurados foi incluída no lançamento, observado o teto do salário de contribuição vigente em cada competência. Entretanto, argüiu a impugnante que houve excesso de exação justamente por não se observar tal limite. Confere-se a seguir. Pelo demonstrativo analítico de débito da NFLD constata-se que foram lançadas as contribuições incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, parte do segurado, nas seguintes competências (valores em Reais - R$): No quadro anterior foram também indicados os limites do salário de contribuição e a contribuição que sobre ele seria exigível, percebendo-se que somente nas competências 05/2004 e 06/2004 o valor lançado seria superior ao máximo de contribuição exigível de um contribuinte individual. Portanto, a alegação de excesso de exação, quando muito, poderia prosperar somente nessas competências, mas, como a remuneração diz respeito a mais de um contribuinte individual, é necessário analisar a quantos deles corresponde a exigência nessas competências, o que se faz no quadro a seguir (valores em Reais- R$): Conforme se vê no quadro, as contribuições lançadas nas competências 05/2004 e 06/2004 são inferiores ou iguais à contribuição máxima que incidiria considerando o limite do salário de contribuição para os contribuintes individuais. Desta forma, não prospera a alegação de excesso de exação, tampouco, em relação a essas competências. Não merece reparo a decisão recorrida nesse ponto. No que diz respeito à distribuição de lucros, impende esclarecer que a autoridade lançadora ao efetuar o lançamento, apenas fez a devida subsunção do fato à norma (na espécie, art. 52 da Lei n. 8.212/1991), que, na redação vigente à época dos fatos, é de uma clareza indiscutível. Senão vejamos: Art. 52. À empresa em débito para com a seguridade social é proibido: I - distribuir bonificação ou dividendo a acionista; II - dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio-cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo sujeita o responsável à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas a partir da data do evento, atualizadas na forma prevista no art. 34. Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.009 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000025/2007-61 Essa redação só viria a sofrer alteração apenas em 4 de dezembro de 2008 com a publicação da Medida Provisória n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, oportunidade em que o débito a obstar distribuição de lucros passou a ser aquele não garantido. Nessa perspectiva, são despiciendas as alegações da Recorrente, tendo em vista que resta comprovado nos autos que à época da lavratura da NFLD em apreço ocorreu distribuição de lucros aos sócios-cotistas, aplicando-se a norma então vigente (art. 52 da Lei n. 8.212/1991). Quanto ao questionamento relativo à aplicação da taxa Selic, não merece maiores considerações, vez que se trata de matéria já consolidada neste Conselho, a teor do Enunciado 4 de Súmula CARF, de natureza vinculante, verbis: A partir de 1º. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para tributos federais. As demais alegações aduzidas pela Recorrente relativas ao princípio da Administração Pública e o Procedimento Administrativo; levantamentos fiscais; fato gerador; e materialidade da hipótese de incidência, foram devidamente abordadas pela DRJ, e, ademais, não tratam de matérias fáticas ou de direito que possam ilidir o lançamento em lide. Assim, em face de tais alegações, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, que conferiu o tratamento adequado aos argumentos aduzidos pelo Impugnante, agora Recorrente. Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13804.008932/2003-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2801-000.045
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 13804.008932/2003-48
conteudo_id_s : 6417008
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2801-000.045
nome_arquivo_s : Decisao_13804008932200348.pdf
nome_relator_s : ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
nome_arquivo_pdf_s : 13804008932200348_6417008.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
id : 8869706
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:31:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759500382208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 47 1 46 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.008932/200348 Recurso nº 164.282 Resolução nº 2801000.045 – 1ª Turma Especial Data 09 de fevereiro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente DÉCIO DAVID Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Relatório O processo tem início com a petição à fl. 01, assinada pelo contribuinte acima identificado, com protocolização em 26/11/2003, cujo objetivo é o reconhecimento da isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, uma vez que afirma o interessado ser portador de cardiopatia grave. Acompanhou o seu pedido de restituição a declaração à fl. 02, emitida pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Em decisão às fls. 06/08, a DERAT/SP negou o pedido formulado pelo requerente, sob o fundamento de que a documentação apresentada não atendia às exigências legais para o reconhecimento da isenção. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13804.008932/200348 Resolução n.º 2801000.045 S2TE01 Fl. 48 2 Notificado desse indeferimento, o contribuinte, tempestivamente, protocolou a manifestação de inconformidade às fls. 10/12, juntando aos autos os documentos às fls. 13/22 e 26. A 6a Turma da DRJ/São Paulo II, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da decisão às fls. 34/38, baseandose nas seguintes considerações: [...] 5.1 O doc. de fl. 15, que o recorrente cita na manifestação, com o título de Laudo Médico, não apresenta timbre de qualquer órgão oficial; 5.2 O único documento que contém indicação do Hospital do Grajaú é uma cópia de um cartão, com dados do contribuinte, com dados de marcação de consulta; 5.3 Já o doc. de fl. 15 corresponde a um relatório médico, efetuado em uma folha de receituário da Secretaria da Saúde; 5.4 O doc. de fl. 16 com o timbre da Clínica e Cirurgia Cardiovascular atesta ter o paciente antecedentes de infarto e os de fls. 17/18 cuida do uso contínuo dos remédios elencados; 5.5 Os docs. de fls. 19/22 retratam apenas exames realizados pelo recorrente; 5.6 Não há dúvidas que a IN SRF n° 15/2001, em seu artigo 50 dispõe serem isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os rendimentos recebidos pelos portadores de cardiopatia grave, mas nas condições do § 2°, não restando, portanto, atendidos os requisitos exigidos para a concessão da isenção; 5.7 Assim, ressaltando que à Administração Pública cabe obedecer a lei, e sendo a atividade tributária totalmente vinculada, não podem os seus servidores deixar de cumprila, seguindo todos os procedimentos legais previstos para bem executar o seu trabalho, atuando com base nos princípios da igualdade, motivação, do interesse público, bem como da impessoalidade, não se tratando de excesso de formalismo, mas de obediência aos ditames legais [...] (destaque original) Cientificado em 07/12/2007 da decisão exarada pela DRJ/SPO II, conforme “AR” à fl. 39, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Egrégio Tribunal Administrativo, em 27/12/2007, por meio do documentação às fls. 40/45. Assim se manifestou o recorrente: [...] vem respeitosamente no prazo legal, apresentar o documento comprobatório, qual seja exame pericial com parecer conclusivo assinado por médico perito especialista na patologia (cardiopatia grave) LAUDO PERICIAL, o qual foi emitido por médico perito do INSS, conforme determina o artigo 30 da Lei 9.250/95. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13804.008932/200348 Resolução n.º 2801000.045 S2TE01 Fl. 49 3 Desta feita, com a apresentação dos respectivos documentos, entende se que se encontra devidamente cumprida a exigência do artigo 30 da lei 9.250/95, e ainda, com relação a Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001, e por conseqüência requerse seja deferido o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E ISENÇÃO DO IRRF, tendo em vista a comprovação inequívoca de ser portador de doença incapacitante, qual seja, CARDIOPATIA GRAVE, nos termos da lei vigente, estando preenchido todos os requisitos legais á sua concessão.[...] É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A não tributação dos proventos de aposentadoria ou reforma recebidos por portador de moléstia grave encontrase expresso no artigo 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999, a seguir transcrito juntamente com seus parágrafos 4º e 5º, que definem critérios a serem devidamente observados para o reconhecimento da isenção: Decreto nº 3.000/1999 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ........................................ XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n.º 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei n.º 8.541, de 1992, art. 47, e Lei n.º 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); ....................................... § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle; § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: Fl. 54DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13804.008932/200348 Resolução n.º 2801000.045 S2TE01 Fl. 50 4 I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifos nossos) Verificase claramente que, para a aplicação da isenção veiculada no referido dispositivo, é necessário que sejam atendidas cumulativamente as seguintes condições: i) os proventos percebidos decorram de aposentadoria, reforma ou pensão; e ii) o beneficiário seja portador de moléstia grave tipificada no texto legal. No presente caso, muito embora o contribuinte tenha juntado nesta fase recursal novos documentos (Ofício e Laudo Médico de Exame Pericial emitidos pelo INSS, às fls. 42/44) visando demonstrar ser portador de moléstia grave elencada no artigo 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3.000/99, cabe destacar que não consta do presente processo qualquer documentação comprobatória de que os rendimentos por ele auferidos no período em que declara encontrarse albergado pela isenção são decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, com vistas ao saneamento do processo e elucidação da questão acima posta, VOTO no sentido de converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que o contribuinte seja intimado a apresentar documentação comprobatória de que os rendimentos auferidos no período em que pleiteia a isenção (a partir de novembro de 2000) são decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 55DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720491/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Exercício: 2007
RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Os sócios, gerentes, administradores ou representantes da pessoa jurídica são responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto.
ARBITRAMENTO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou que apresente irregularidades ou vícios insanáveis que a tornem imprestável para determinação do lucro real.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP.
MULTA QUALIFICADA.
É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de reduzir indevidamente os tributos devidos.
Numero da decisão: 1401-005.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente e pelo apontado como Responsável Solidário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Itamar Artur Magalhães Ruga e André Severo Chaves.
Nome do relator: Itamar Artur Magalhães Alves Ruga
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202106
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2007 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Os sócios, gerentes, administradores ou representantes da pessoa jurídica são responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. ARBITRAMENTO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou que apresente irregularidades ou vícios insanáveis que a tornem imprestável para determinação do lucro real. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. MULTA QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de reduzir indevidamente os tributos devidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 13971.720491/2012-15
anomes_publicacao_s : 202107
conteudo_id_s : 6427511
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1401-005.638
nome_arquivo_s : Decisao_13971720491201215.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Itamar Artur Magalhães Alves Ruga
nome_arquivo_pdf_s : 13971720491201215_6427511.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente e pelo apontado como Responsável Solidário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Itamar Artur Magalhães Ruga e André Severo Chaves.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2021
id : 8888131
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 12:32:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713054759505625088
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-07-16T15:25:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-07-16T15:25:33Z; Last-Modified: 2021-07-16T15:25:33Z; dcterms:modified: 2021-07-16T15:25:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-07-16T15:25:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-07-16T15:25:33Z; meta:save-date: 2021-07-16T15:25:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-07-16T15:25:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-07-16T15:25:33Z; created: 2021-07-16T15:25:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2021-07-16T15:25:33Z; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-07-16T15:25:33Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13971.720491/2012-15 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-005.638 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2021 Recorrente DEL MONDO CONFECCOES LTDA ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2007 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Os sócios, gerentes, administradores ou representantes da pessoa jurídica são responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. ARBITRAMENTO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou que apresente irregularidades ou vícios insanáveis que a tornem imprestável para determinação do lucro real. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. MULTA QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de reduzir indevidamente os tributos devidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 04 91 /2 01 2- 15 Fl. 399DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente e pelo apontado como Responsável Solidário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Itamar Artur Magalhães Ruga e André Severo Chaves. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a Decisão da Acórdão 02-51.654 - 2ª Turma da DRJ/BHE (Acórdão 02-51.654, fls. 279 e ss.) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente. A Autoridade Fiscal arbitrou o lucro, porquanto considerou imprestável a escrituração mantida pelo contribuinte (cf. “Razão do arbitramento” com fulcro no art. 530, inciso II do RIR/99 — fl. 184; e tópico 2 “DA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA COMERCIAL” — fls. 221 e ss.). Em síntese, verificou: 1. Livro Diário sem autenticação obrigatória do Registro do Comércio; sem assinatura do sócio-responsável nos termos de abertura e encerramento; e sem registro do plano de contas; 2. Balancete anual acostado no Livro Diário apresenta movimentação em contas que não são encontradas no Livro Razão, ou, se encontradas apresentam valores absolutamente divergentes. Como não foram apresentadas as declarações (DIPJ e DCTF), foram utilizados os dados do SINTEGRA fornecidos pela Secretaria de Fazenda de SC ), contendo a movimentação operacional da empresa. Para determinação do lucro sujeito à tributação pela incidência do percentual legal. Foram considerados nos demonstrativos fiscais constantes do TVF (fls. 219 e ss.) apenas os códigos que compõem a apuração da receita bruta. As multas de ofício aplicadas foram qualificadas, no percentual de 150%, porque a Fiscalização identificou: (i) omissão na entrega de declarações ao Fisco Federal, o que não ocorreu em relação ao Fisco Estadual (cumpridas as obrigações com a entrega da DIME) e (ii) extinção irregular da empresa, o que lhe propiciou omitir receitas e reduzir indevidamente os Fl. 400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 tributos devidos. Concluiu a Autoridade Fiscal que tais fatos caracterizam o dolo específico e a sonegação, hipótese legal necessária para qualificação da multa. Discordando, tanto o contribuinte como a pessoa arrolada como responsável pelo crédito lançado apresentaram argumentos de defesa, onde, em síntese, alegam: (a) ilegalidade no arbitramento do lucro; (b) exigência de multa de ofício com efeito confiscatório; (c) ausência de solidariedade da pessoa arrolada como responsável; (d) desconsideração da personalidade jurídica sem autorização judicial; e (e) ausência de prova da fraude ou dolo ou que o sócio arrolado como responsável tenha praticado atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto. Na sequência os atos processuais são reproduzidos com mais detalhes. Do Relatório da Decisão Recorrida (Acórdão 02-51.654, fls. 279 e ss) Transcrevo relatório da decisão que resume os fatos até aquele momento: I – DO LANÇAMENTO. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração e respectivos Anexos, de fls 181/218, a saber: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, no valor de R$354.140,64, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 05/2012. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$527.452,37, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 05/2012. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$189.145,14, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 05/2012. Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$114.281,36, cumulada com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes, calculados até 05/2012. I.1 – DESCRIÇÃO DOS FATOS. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “LANÇAMENTO DO IRPJ. “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de ofício, nos termos dos arst. 904 e 926 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), em face da apuração da(s) infração(ões) abaixo descrita(s) aos dispositivos legais mencionados. Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2007 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas abaixo enumeradas, detalhadas no Termo de Verificação Fiscal: Fl. 401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 1. Livro Diário sem autenticação obrigatória do Registro do Comércio; sem assinatura do sócio-responsável nos termos de abertura e encerramento; e sem registro do plano de contas; 2. Balancete anual acostado no Livro Diário apresenta movimentação em contas que não são encontradas no Livro Razão, ou, se encontradas apresentam valores absolutamente divergentes. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos. A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso II, do RIR/99. 001 – OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA O contribuinte não emitiu as notas fiscais referentes a vendas de produtos de fabricação própria, caracterizando omissão de receitas da atividade, conforme relatório fiscal em anexo. (...) Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2007 e 31/12/2007 Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 537, do RIR/99. I.2 - DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (FLS. 219/229). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. 1. CONTEXTO - Trata-se de procedimento de fiscalização instaurado sob nº 0920400.2011.00370-8, para apurar indícios de omissão de receitas auferidas no AC (ano-calendário) 2007, caracterizadas pela falta de apresentação de declaração ao Fisco Federal, conforme extrato de fl. 002, e concomitante entrega à Fazenda Pública do Estado de Santa Catarina, de declaração com valores de receita bruta auferida, conforme DIME (Declaração do ICMS e do Movimento Econômico). - Ao tempo da intimação inicial, a empresa não foi localizada no domicílio tributário cadastrado, onde se constatou funcionar a empresa SUED TÊXTIL LTDA. - De fato, o imóvel foi adjudicado pela TÊXTIL GOITACAZ LTDA, empresa com sede em CATAGUAZES/MG, CNPJ nº 28.613.685/0001-60, credora de dívidas contraídas e não liquidadas pela DEL MONDO que motivaram o ajuizamento da ação de execução hipotecária nº 008.07.003997-3 junto à 1ª Vara Cível de Blumenau, com decisão adjudicatória prolatada em 25/04/2008, sobrevindo alienação, em 17/07/2008, à SANTA CLRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/C LTDA, empresa também ligada a TEXTIL GOITACAZ por vínculos familiares, e posteriormente transferido, em 11/03/2010, à MFV EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, empresa coligada à SUED TÊXTIL pela composição de sócios comuns nos respectivos quadros societários. Nesse percurso, o imóvel tornou-se efetivamente disponível ao atual ocupante. Fl. 402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 - Ocorre que, em relação à adjudicação, OSWALDO DE ARAUJO, CPF nº 047.633.436-53, figurou em 2007 no quadro social de ambas empresas como sócio- administrador, conforme atos constitutivos e alterações da DEL MONDO, às fls. 020- 081, e da TEXTIL GOITACAZ, às fls. 084-117, exercendo monocraticamente plenos poderes administrativos a partir do afastamento, por decisão judicial prolatada em 26/03/2007, de fls. 121-123, do outro sócio, CARLOS ROBERTO ZEFERINO. - Nessa condição, OSWALDO DE ARAÚJO foi intimado (fls. 130/131) a indicar a atual localização da empresa e regularizar o endereço cadastral, além de apresentar atos constitutivos e alterações e livros e documentos da escrituração obrigatória, sucedendo apenas a entrega intempestiva dos livros e documentos, ainda após prorrogação requerida (fls. 133), eximindo-se portanto da obrigatória atualização cadastral requisitada, ressaltando-se que a apresentação dos livros implica reconhecer o controle administrativo sobre a empresa DEL MONDO, ainda com paradeiro ignorado, afastando, de imediato, qualquer justificativa para a resistência à regularização do endereço cadastral. - Essas circunstâncias motivaram a declaração de inaptidão consignada no ADE RFB/9ªRF/DRF/BLU nº 002/2012 (fls. 177), na dupla condição de omissa, de que trata a Lei nº 9.430/96, art. 81, e IN RFB nº 1.183/2011, art. 37, I, c/c o art. 38; e de não localizada, art. 37, II e §2º, c/c o art. 39, II e §§ 2º e 4º, tudo conforme os autos do processo nº 13971.722705/2011-15. - Não obstante, os livros apresentados foram examinados e considerados imprestáveis para a apuração do lucro real, tendo-se recorrido aos registros do SINTEGRA (Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços), obtidos através do convênio firmado entre a RFB e o Estado de Santa Catarina, pelo qual apuraram-se receitas omitidas. Instado a justificá-las (fls. 170/175), o contribuinte não se manifestou, embora tenha solicitado prorrogação por meio da carta de fls. 176. 2. DA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA COMERCIAL - No exame das formalidades extrínsecas do Livro Diário constatou-se ausência de autenticação obrigatória no órgão competente do Registro do Comércio; de assinatura do sócio-administrador, OSWALDO DE ARAÚJO, nos termos de Abertura e Encerramento (fls. 80 e 90); e de registro do plano de contas. - O balancete anual (fls. 136) acostado ao Livro Diário apresenta saldos anteriores nulos em todas as contas. E totais de débitos e créditos divergentes dos mesmos valores no Livro Razão, como se verifica, por exemplo, no confronto dos valores do grupo 81 (Caixa), no balancete, onde consta movimento da ordem de R$581 mil, com os valores da conta 98 (Caixa Geral), no Livro Razão, onde consta (fls. 178) movimento da ordem de R$90 mil, observando-se que a conta 98 é a única que se apresenta dentro do grupo 81, razão pela qual os valores deveriam coincidir. O mesmo ocorre no grupo 135 (Bancos/Contas correntes, fls. 179/180), e em diversas outras contas, senão todas, o que revela a falta de sincronismo entre os livros Diário e Razão, e compromete múltiplos aspectos essenciais da escrituração que se apresenta imprestável para a apuração do lucro real, impondo-se a tributação pelo regime arbitrado, nos termos do art. 530, I, do RIR. 3. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - A receita bruta informada no balancete das contas de resultado (fls. 137) é da ordem de R$1,3 milhão, mas os valores informados por alguns clientes em suas respectivas declarações (DIPJ), apresentam-se conforme demonstrados abaixo: - (...) ... TOTAL R$2.514.480,51. Fl. 403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 - Observa-se que o total de compras efetuadas apenas por alguns dos seus clientes, declaradas nas respectivas DIPJ, é da ordem de R$2,5 milhões e supera de longe a receita bruta contabilizada pelo contribuinte, configurando de forma imponderável a omissão de receitas. - Essa discrepância, conjugada com as deficiências da escrituração já relatadas, motivaram a utilização dos dados do SINTEGRA para tributação das receitas omitidas por meio do arbitramento do lucro, tendo sido fornecidos pela Secretaria de Fazenda de SC por meio de convênio e encaminhados em meio eletrônico pelo Ofício DIAT nº 14/12, em atendimento ao Ofício 336/2011 SRRF09/Gabin. - O contribuinte deixou de apresentar a DIPJ e DCTF do período fiscalizado, contudo o movimento operacional constante do SINTEGRA apresenta os seguintes valores: - (...) ... Total Geral R$ 5.813.060,81. - As operações consideradas no demonstrativo restringem-se aos códigos que compõem a apuração da receita bruta, e revelam um faturamento da ordem de R$ 5,8 milhões. - Os valores mensais compuseram a base de cálculo trimestral do IRPJ e tributados pelo regime do lucro arbitrado, com reflexos na tributação da CSLL, PIS e COFINS, conforme autos de infração e respectivos demonstrativos de apuração. 4. DA MULTA QUALIFICADA - Conforme já relatado, o contribuinte não apresentou as principais declarações ao Fisco Federal, mas não se furtou a cumprir suas obrigações com o Fisco Estadual, entregando a DIME regularmente preenchida. Obviamente o contribuinte subestimou o risco da irregularidade, optando em não se expor perante o Fisco catarinense, de reconhecida presença fiscal. - A existência da DIME com valores de receita bruta informados regularmente demonstra que a empresa dispunha das informações e conhecia a obrigação principal. Esse fato, associado à omissão de declarações federais e à extinção irregular da empresa, comprovam o evidente intuito de se eximir do pagamento dos tributos federais, bem como o dolo específico e a sonegação fiscal, na acepção do art. 71 da Lei nº 4.502/64, que assim dispõe: - (...) - Essa conduta atrai, por via de consequência, a aplicação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, que comina a majoração da multa de ofício, nos seguintes termos: - (...) - Em razão disso foi aplicada a multa qualificada de 150%, sobre o montante dos tributos devidos em decorrência da irregularidade, bem como lavrou-se a correspondente Representação Fiscal para fins penais (processo nº 13971.721309/2012- 43), tendo em vista a prática, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, I, da Lei nº 8.13790, imputável a OSVALDO DE ARAÚJO, pela condição de sócio- administrador. 5. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE OSWALDO DE ARAÚJO - Ao tempo da 20ª Alteração Contratual da empresa TEXTIL GOITACAZ LTDA (fls. 84 e seguintes), firmada em 01/03/2001, OSWALDO DE ARAJÚJO já figurava como sócio-administrador da empresa TEXTIL GOITACAZ, possuindo quase 81% das cotas de capital e ocupando o cargo máximo de diretor-presidente, até sua retirada da Fl. 404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 sociedade, em 20/01/2008, quando transfere a totalidade de suas cotas por meio da 22ª Alteração Contratual. - Antes porém, por meio da 6ª Alteração Contratual da DEL MONDO (fls. 56/73), firmada em 03/07/2003, OSWALDO ARAÚJO ingressa na sociedade adquirindo 50% das cotas de capital, compondo assim o quadro societário com CARLOS ROBERTO ZEFERINO, destituído da administração da empresa por decisão judicial prolatada em 26/03/2007 (fls. 121/123), nos autos de uma ação de dissolução de sociedade limitada movida por OSWALDO contra CARLOS ZEFERINO. Ressalte-se portanto que a partir de abril de 2007, o sócio remanescente passou a administrar monocraticamente a empresa DEL MONDO, sendo o único responsável pelas decisões ou omissões que constituíram as infrações já detalhadas, bem como pela extinção irregular da empresa, expropriando judicialmente o ativo da empresa em benefício de uma coligada, momento em que sabidamente deveria ter iniciado o procedimento de baixa junto aos órgãos de controle (Junta Comercial, RFB, SEF/SC, etc), com a prévia liquidação de eventuais débitos e demais pendências. - Mantendo-se inerte, OSWALDO DE ARAÚJO permitiu que a empresa se tornasse apenas uma ficção jurídica sem paradeiro certo, e nesse sentido a Súmula nº 435 do STJ esclarece: “Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente”. - A responsabilidade preconizada no texto está prevista no art. 135, I, do CTN, que assim dispõe: - (...) - Dentre as “pessoas referidas no artigo anterior” encontra-se, no inciso VII do art. 134, “os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas”. - Assim é que os atos praticados com excesso de poderes por OSWALDO DE ARAÚJO, que levaram à sonegação fiscal e à extinção irregular da empresa, constituem infração à legislação tributária, penal e também civil, especialmente às normas contidas no art. 1.011 e 1.109 do Código Civil, que assim dispõe: - (...) - Consoante o disposto no art. 1.109, a Cláusula Décima, caput e Parágrafo Único, do Contrato Social da empresa, vigente desde 2006 a partir da 7º alteração, impunha a nomeação de liquidante, nos seguintes termos: - (...) - A imposição do liquidante implica, obviamente, na liquidação regular, que consiste, além do cumprimento dos requisitos legais, no ajuste das pendências de caráter tributário. - Portanto, certo é a responsabilidade solidária de OSWALDO DE ARAÚJO pelo crédito tributário ora lançado, em face das decisões que levaram à extinção irregular da DEL MONDO, como também das omissões que deram causa às infrações cometidas, razão pela qual cabe, por derradeiro o ato do presente procedimento, a lavratura do correspondente Termo de Sujeição Passiva Solidária, na forma do art. 135, I, do CTN, ressaltando-se que o disposto legal alcança a multa de ofício. Fl. 405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 6. CONCLUSÃO - Tendo sido apurada infração à legislação tributária lavrou-se os correspondentes autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. II – DA IMPUGNAÇÃO Lavrado o presente Auto de Infração e feito o correspondente Termo de Sujeição Passiva Solidária da pessoa arrolada como responsável pelo crédito tributário lançado, consoante o TVF (vide documentos de fls. 230), esses foram enviados pelo correio e recebidos no endereço do responsável OSWALDO DE ARAÚJO, em 17/05/2012, conforme atesta o “AR”, de fls. 233. Cientes todos do lançamento, foram apresentadas, em 15/06/2012, defesas, em nome da empresa DEL MONDO CONFECÇÕES LTDA. ME (fls. 254/266) e de OSWALDO ARAÚJO (246/253). Adiante compendiam-se suas razões. DEL MONDO CONFECÇÕES LTDA. ME. I. DO AUTO DE INFRAÇÃO. - (...) - 3. A Fiscalização utilizou-se do arbitramento para apuração do lucro,alegando que a escrituração mantida pela Impugnante é imprestável para determinação do Lucro Real. - 4. Contudo, a Impugnante não concorda com os autos lavrados. II. RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO. II.1 DA ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. - (...) - 6. O arbitramento de tributos devidos e de sua base de cálculo é modalidade excepcional de lançamento, só admitida em casos especialíssimos, tanto pelo CTN como pelo art. 529 do RIR/1999, nos quais haja impossibilidade da autoridade fiscal determinar o valor das receitas auferidas pela empresa. - (...) - 10. Das lições acima transcritas, conclui-se que a técnica do arbitramento só se justifica nos casos em que a autoridade fiscal encontra-se sem a possibilidade de aferir o real fluxo econômico do contribuinte. Não basta que a escrita esteja irregular, até porque erros são inerentes à espécie humana, mas faz-se necessário que essas irregularidades acarretem obstáculos insuperáveis para a aferição dos fatos geradores e das bases de cálculo efetivamente ocorridos. - 11. Ressalta-se que os documentos solicitados pela Fiscalização foram apresentados e, em nenhum momento, estes poderiam ser considerados imprestáveis para apuração do lucro real. A Fiscalização não demonstra claramente porque os referidos documentos foram considerados imprestáveis e qual a impossibilidade de efetuar a apuração do lucro real. - 12. Ou seja, o Agente Fiscal possuía todos os elementos materiais e quantitativos necessários para serem apurados sem fazer recurso à técnica do arbitramento. - (...) Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 - 15. Dificuldades na fiscalização, irregularidades sanáveis na escrita contábil, não podem e não são causas aptas a acarretar a desconsideração da contabilidade da empresa e o emprego do arbitramento. II.2 DA MULTA DE OFÍCIO COM EFEITO DE CONFISCO. - 16. Quanto à multa de ofício, imposta no percentual de 150%, não obstante prevista em lei, deve ser reduzida! Sua imposição nos patamares pretendidos encontra óbice no texto constitucional, mais precisamente no art. 150, IV da CF/88, face o seu evidente caráter confiscatório. - (...) - 25. Desta forma, diante do acima mencionado, deve-se afastar o percentual arbitrado a título de multa, entendendo-a onerosa, desproporcional e abusiva. III. DOS REQUERIMENTOS. - 26. Face o exposto nesta peça impugnatória, requer-se de Vossa Senhoria o recebimento da presente impugnação administrativa e seu processamento, sendo anulado o lançamento fiscal, por ofensa aos fundamentos jurídicos apontados em cada um dos tópicos acima argüidos. OSWALDO DE ARAÚJO. I. DO AUTO DE INFRAÇÃO. - (...) - 2. Aos dezessete dias do mês de maio de 2012, o Impugnante foi cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária. - 3. Tal procedimento ocorreu pelo fato do auditor fiscal julgar ter elementos suficientes para atribuir responsabilidade tributária solidária ao Impugnante. Em síntese, sob a ótica da autoridade fiscal, “os atos praticados com excesso de poderes por OSWALDO DE ARAÚJO, que levaram à sonegação fiscal e à extinção irregular da empresa, constituem infração à legislação tributária, penal e também civil (...)”. - (...) - 6. Contudo, o Impugnante não concorda com o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado, requerendo desde já o seu CANCELAMENTO, de acordo com exposto a seguir. II. RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO. - (...) II.3 DA AUSÊNCIA DE SOLIDARIEDADE DO IMPUGNANTE. - (...) - 29. Com base no art. 135, I, do CTN, a Fiscalização lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Impugnante Oswaldo de Araújo: - (...) - 30. Ocorre que o referido artigo não é aplicável ao presente caso,conforme se passa a demonstrar. Fl. 407DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA - 31. O art. 20 do Código Civil estabelece que “as pessoas jurídicas têm existência distinta dos seus membros”. - (...) - 33. Em razão da grande autonomia e independência da pessoa jurídica em relação à responsabilidade limitada dos sócios, em algumas situações são desviados os objetivos estabelecidos no ato constitutivo da empresa, usufruindo desta autonomia patrimonial para mascarar atos ilícitos e abusivos por parte de uma pessoa física que tem poderes para representar a sociedade. - 34. Quando da ocorrência destes fatos surge a figura da desconsideração da pessoa jurídica, ou, o “disregard of the legal entity”. - (...) - 37. Vale dizer que se trata de medida excepcionalíssima, pois a regra é que prevaleça a autonomia patrimonial, sendo uma exceção a desconsideração. Apenas se comprovado cabalmente o desvio no uso da pessoa jurídica é que cabe falar em desconsideração, e sacrificar a autonomia patrimonial. - 38. Ou seja, em razão da individualização da pessoa jurídica, a regra geral é a de que o contribuinte é o primeiro responsável pelo pagamento do tributo gerado por alguma ação que este praticou, a exceção é que tal responsabilidade possa ser transferida para terceiro – sócio ou administrador. - (...) - 42. Evidente, portanto, que a desconsideração da personalidade jurídica deve preceder de processo judicial aplicável ao caso, a fim de que a decisão seja prolatada por um JUIZ, conforme disposto no artigo supramencionado. - (...) - 44. Apesar de, na prática, a Fiscalização ter agido, no seu entendimento, como se houvesse existido a desconsideração da personalidade jurídica, esta não ocorreu. Isto porque, a Fiscalização lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária em face do ora Impugnante,d e modo a fazer que o sócio respondesse pro obrigação não cumprida pela sociedade, Del Mondo Confecções Ltda. ME. - 45. Portanto, houve a desconsideração da personalidade jurídica sem que fosse precedida de decisão judicial prolatada por um juiz, conforme prevê o art. 50 do Código Civil. Assim, totalmente nulo o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado, devendo este, conseqüentemente, ser cancelado!! DA AUSÊNCIA DE PROVA DA FRAUDE OU DOLO - 46. A responsabilidade pessoal do sócio somente ocorrerá quando ficar comprovado que o sócio praticou atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto, ou seja, se houve ação realizada com má-fé objetivando lesar o Fisco. Caso estas condutas não sejam comprovadas, a responsabilização pelo pagamento do tributo não pode persistir ao sócio. - 47. E este é o caso dos autos, visto que a Fiscalização não comprovou cabalmente o dolo praticado pelo Impugnante Oswaldo de Araújo e, nem mesmo, sua intenção de lesar o Fisco. Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 - (...) - 50. O Impugnante não possui qualquer relação com o fato gerador, visto ter sido a empresa Del Mondo Confecções Ltda, ME, autuada pelos tributos por ela supostamente devidos à Fazenda Nacional. Da mesma forma não há qualquer disposição de lei que estabeleça a condição de responsável do mesmo pelo débito da empresa. - (...) - 56. Além disso, o principal pressuposto para a responsabilidade tributária dos sócios ou administradores das pessoas jurídicas reside no dolo. É imprescindível a comprovação da intenção do sócio em fraudar a lei ou contrato social para auferir uma vantagem indevida em nome próprio. - 57. E absolutamente não foi o que se deu no caso concreto, visto que não ficou comprovado o dolo do Impugnante e nem mesmo que este tenha auferido alguma vantagem econômica com a situação em apreço. - 58. Portanto, a Fiscalização lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária em face do ora Impugnante sem carrear aos autos qualquer prova da infração a lei ou do excesso de poderes praticados pelo sócio. - (...) - 62. Assim, o ordenamento tributário brasileiro não adotou a responsabilidade objetiva como forma de cobrança do crédito tributário. - 63. Logo, é manifestamente ilegal a atribuição da responsabilidade tributária do então Impugnante Oswaldo de Araújo pelos débitos em questão, através do Termo de Sujeição Passiva Solidária contra sua pessoa, uma vez que não estão presentes os requisitos que a justificariam. III. DOS REQUERIMENTOS. - 64. Face o exposto nesta peça impugnatória, requer-se de Vossa Senhoria o recebimento da presente impugnação administrativa e seu processamento, sendo anulado o lançamento fiscal ou o Termo de Sujeição Passiva Solidária, por ofensa aos fundamentos jurídicos apontados em cada um dos tópicos acima argüidos. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário em litígio, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Os sócios, gerentes, administradores ou representantes da pessoa jurídica são responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. ARBITRAMENTO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou que apresente irregularidades ou vícios insanáveis que a tornem imprestável para determinação do lucro real. Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. MULTA QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de reduzir indevidamente os tributos devidos. Do Recurso Voluntário (Sr. Oswaldo de Araújo — fls. 372 e ss. e Recorrente — fls. 383 e ss.) Em essência, apresentam as mesmas razões expostas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Em essência, os recorrentes (pessoa jurídica autuada e responsável solidário) apresentam os mesmos argumentos expostos na impugnação. Dessa forma, utilizo-me da faculdade do art. 57, § 3º do Regulamento Interno do CARF, para transcrever e adotar as razões de decidir consignadas no voto condutor da decisão recorrida, o qual enfrentou adequadamente as questões levantadas pelos recorrentes. Do Voto Condutor da Decisão Recorrida (fls. 290 e ss.) ADMISSIBILIDADE E TEMPESTIVIDADE DA DEFESA. O Decreto nº 70.235, de 1972, rege o processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da União (art. 1 o ). No art. 15 consta que a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Também é importante ressaltar o contido na Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, em especial os seguintes dispositivos: “Art. 1º Os processos de determinação e exigência de créditos tributários relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nas Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 hipóteses em que houver pluralidade de sujeitos passivos, serão disciplinados conforme o disposto nesta Portaria. Art. 2º Os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. [...] Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. [...] Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante.” (Grifos acrescentados) Considerando os autos de infração lavrados e o Termo de Sujeição Passiva Solidária, anexado aos autos, conforme documentação já citada, constata-se que o procedimento de intimação dos interessados para a ciência do lançamento seguiu estritamente as normas do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, e do art. 3 o , parágrafo único, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010. A intimação da exigência ocorreu por via postal, enviados os Autos de Infração, TVF e Termo de Sujeição Passiva em 14/05/2012, que foram recebidos em 17/05/2012, no endereço do sócio Oswaldo de Araújo (“AR”, de fls. 233). Foram apresentadas impugnações, as quais foram entregues na repartição fiscal em 15/06/2012. Constata-se, pois, obediência ao prazo legal previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 7º, “caput”, da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, motivo pelo qual dela se toma conhecimento. RESUMO DA LIDE. Cuida o presente lançamento das exigências do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, e respectivos reflexos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. A tributação decorreu das infrações constatadas no curso do procedimento fiscal, tendo a Fiscalização procedido ao arbitramento do lucro, descartando a possibilidade de apuração do lucro real, feita a desclassificação da escrita comercial do contribuinte, tendo em vista as diversas irregularidades extrínsecas e intrínsecas constatadas e devidamente apontadas no TVF, no item “2”: “DA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA COMERCIAL”. Para determinação do lucro sujeito à tributação pela incidência do percentual legal previsto nesses casos, levando-se em conta que o contribuinte não apresentou no período fiscalizado nem DIPJ nem DCTF, foram utilizados os dados do SINTEGRA, fornecidos pela Secretaria de Fazenda de SC (em razão de convênio), contendo a movimentação operacional da empresa. Nesse sentido, foram considerados nos Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 demonstrativos fiscais constantes do TVF os códigos que compõem a apuração da receita bruta. As multas de ofício aplicadas foram qualificadas, no percentual de 150%, com base no art. 957, II, do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996), porque a Fiscalização entendeu que a conduta do contribuinte, notadamente, pela (i) omissão na entrega de declarações ao Fisco Federal, o que não se deu em relação ao Fisco Estadual (cumpridas as obrigações com a entrega da DIME) e (ii) extinção irregular da empresa, lhe propiciaram omitir receitas e reduzir indevidamente os tributos devidos. Tais fatos caracterizam o dolo específico e a sonegação, hipótese legal necessária para qualificação da multa. Em relação a um dos aspectos formais do lançamento, mormente no que diz respeito à identificação do sujeito passivo da obrigação tributária (art. 142 do CTN), a Fiscalização, além da pessoa jurídica do próprio contribuinte, a empresa DEL MONDO CONFECÇÕES LTDA ME, normalmente identificada na primeira folha dos Autos de Infração, arrolou ou identificou como responsável solidário pelo crédito tributário lançado, nos termos do art. 135, I, do CTN, mediante o Termo de Sujeição Passiva Solidária (documento de fls. 230), o Sr. OSWALDO DE ARAÚJO. O procedimento fiscal foi muito bem realizado, feitas as intimações de praxe e produzidas nos autos provas soberbas e robustas das irregularidades fiscais cometidas pelo contribuinte. Nesse sentido, a ação fiscal encontra-se minuciosamente narrada no TVF, acompanhado dos correspondentes demonstrativos e tabelas que consolidam as bases de cálculo dos tributos lançados. Discordando, tanto o contribuinte como a pessoa arrolada como responsável pelo crédito lançado apresentaram argumentos de defesa, onde, em síntese, alegam: (a) ilegalidade no arbitramento do lucro; (b) exigência de multa de ofício com efeito confiscatório; (c) ausência de solidariedade da pessoa arrolada como responsável; (d) desconsideração da personalidade jurídica sem autorização judicial; e (e) ausência de prova da fraude ou dolo ou que o sócio arrolado como responsável tenha praticado atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto. As narrativas contidas tanto no TVF como na Impugnação encontram-se resumidas no relatório que antecede ao presente voto. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, documento de fls. 230, com fulcro no art. 135, inciso I, do CTN, no qual foi arrolado como responsável solidário, pelo crédito tributário lançado o Sr: OSWALDO DE ARAÚJO. No TVF, item 5 (titulado como: Da Responsabilidade Solidária de Oswaldo de Araújo), o Fisco relata o porquê adotou tal medida e quais os fundamentos e bases legais que a ancoram. Na impugnação apresentada, tal medida levada a cabo pela Fiscalização foi rebatida, tendo sido alegado, em síntese, que não há prova do dolo ou da fraude ou que o sócio tenha agido com excesso de poder, infração à lei ou estatuto social. Alegou-se ainda questão afeta à desconsideração da personalidade jurídica que somente é válida mediante autorização judicial. Primeiramente, quanto às alegações postas pela defesa acerca da desconsideração da personalidade, diga-se que no caso vertente, não se pode dizer que houve simplesmente a descaracterização da personalidade jurídica da empresa autuada, mas a atribuição de responsabilidade tributária a outra pessoa física, que na condição de sócio agiu com excesso de poder e infração à lei. Note-se que o sujeito passivo da obrigação tributária é, em primeiro lugar, a pessoa jurídica, DEL MONDO CONFECÇÕES LTDA. ME. Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 Em relação ao tema, vale lembrar que a existência das pessoas jurídicas, dentre elas estão as sociedades comerciais, começa com a inscrição de seus atos constitutivos no registro que lhes é peculiar (para o comércio, tal registro deve ser feito nas Juntas Comercias). Portanto, as sociedades comerciais que arquivam seus contratos ou atos constitutivos no Registro do Comércio adquirem, assim, personalidade jurídica própria, distinta, pois, das pessoas que a constituem. Desse modo, a sociedade transforma-se em um novo ser, estranho à individualidade das pessoas que participam de sua constituição, dominando um patrimônio próprio e possuindo órgãos que deliberam e executam, fazendo, assim, cumprir sua vontade. Todavia, certo é que, ocorrendo abuso de direito ou fraude através da personalidade jurídica, segundo a doutrina da penetração, deve-se desconsiderar a personalidade jurídica, isto é, não considerar os efeitos da personificação, para atingir a responsabilidade dos sócios. Em qualquer caso, focaliza-se a doutrina da superação da personalidade jurídica com o propósito de demonstrar que a personalidade jurídica não constitui um direito absoluto, mas está sujeita e contida pela teoria da fraude contra credores (inclusive o Fisco) e pela teoria do abuso de direito. No caso concreto, pelas provas carreadas nos autos, ficou demonstrado que a pessoa jurídica, por meio de ações comandadas pelo seu sócio administrador (que detinha plenos poderes), sonegou tributos, por artifícios que impediram ou retardaram, total ou parcialmente, o conhecimento pela autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador. Então, em defesa do interesse público, é possível que o próprio Fisco, sem necessidade de socorrer-se ao Poder Judiciário, aja, promovendo a desconsideração da personalidade jurídica, em processo administrativo, como forma de responsabilizar os verdadeiros sócios do empreendimento comercial. A despeito da discussão que envolve a descaracterização da personalidade jurídica, vale notar que a Fiscalização, à luz do art. 135, I, c/c o art. 134, VII, do CTN, deu enfoque à responsabilidade solidária e pessoal do sócio OSWALDO DE ARAÚJO que, passando a administrar monocraticamente a empresa DEL MONDO, foi o único responsável pelas decisões ou omissões devidamente relatadas no TVF. O dispositivo legal invocado pelo Fisco, art. 135, do CTN, preceitua que: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. " Desta forma, este dispositivo legal determina que qualquer das pessoas citadas nos incisos I, II e III, que praticar determinado ato, com excesso de poderes ou violação à lei, contrato social ou estatutos, responde pelo crédito tributário que dele advier. Deste modo, prevalece na doutrina e na jurisprudência a responsabilidade tributária subjetiva dos administradores. O administrador, de fato ou de direito, somente é responsável por atos por ele praticados, de forma dolosa ou culposa, no exercício da gestão da pessoa jurídica (domínio dos fatos), que representem infração à lei ou excesso de poderes, ou seja, um ato ilícito. Neste sentido, transcreve-se abaixo o voto vencido do Ministro Ari Pargendler, do Superior Tribunal de Justiça, proferido no REsp 1.674/GO: Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 "(...) não basta, para tipificar a responsabilidade do sócio-gerente, o inadimplemento da sociedade, porque este pode decorrer do risco natural aos negócios (...) a falta de pagamento de tributos, quando resulta de álea natural aos negócios, não pode ser assimilada à infração prevista no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional; esta é modalidade restrita de infração à lei, aquela em que o sócio-gerente da pessoa jurídica, através de procedimentos ilícitos, visa a encobrir a própria obrigação tributária (v.g.. falta de escrituração regular) ou a diminuir as garantias do crédito tributário (v.g..dissolução irregular da sociedade) (...) (grifo nosso) . " Também configura hipótese de que trata o art. 135, por se tratar de infração à lei e ao contrato social, a dissolução irregular. A Súmula 435 do STJ pacificou o entendimento no tocante à pessoa jurídica não localizada caracterizar dissolução irregular: "Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente". Quanto à natureza da responsabilidade derivada do art. 135, III, CTN, a interpretação sistemática deste artigo conduz ao reconhecimento da responsabilidade solidária dos administradores, da mesma forma que os arts. 124 e 125 do CTN. O Novo Código Civil, exemplarmente, assim determina: Art. 1.016. "Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções (grifo nosso)". Enquanto que a Lei n° 6.404/1976 já dispunha o seguinte: “Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: I - dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; II - com violação da lei ou do estatuto. § Io O administrador não é responsável por atos ilícitos de outros administradores, salvo se com eles for conivente, se negligenciar em descobri-los ou se, deles tendo conhecimento, deixar de agir para impedir a sua prática. Exime-se de responsabilidade o administrador dissidente que faça consignar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou, não sendo possível, dela dê ciência imediata e por escrito ao órgão da administração, no conselho fiscal, se em funcionamento, ou à assembléia-geral. § 2o Os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados em virtude do não cumprimento dos deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da companhia, ainda que, pelo estatuto, tais deveres não caibam a todos eles (grifo nosso). (...)” Finalmente, o Parecer PGFN/CRJ/CAT N° 55/2009, aprovado em 14/01/2009, elucida a questão, ao considerar a responsabilidade do art. 135, III como solidária, ainda que imprópria: “(...) q) Quando incide o art. 135, III, do CTN, não se tem uma obrigação solidária, senão duas ou mais obrigações solidárias; trata-se de solidariedade imprópria, em que obrigações distintas são atadas pelo nexo de adimplemento. Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 (...)” No caso vertente, é bom lembrar que constitui infração à lei a sonegação, a fraude ou o conluio, práticas ilícitas caracterizadas, à luz dos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964. No TVF, a Fiscalização descreve detalhadamente as condutas praticadas pelo Impugnante, sócio administrador da empresa e único responsável pelos seus atos, que levaram à qualificação da multa de ofício (questão apreciada mais adiante). Nesse sentido, fica evidente o dolo específico do administrador da empresa DEL MONDO, o Sr. Oswaldo de Araújo, que (a) a dissolveu irregularmente, (b) omitiu declarações ao Fisco Federal, e não ao Fisco Estadual, e (c) manteve escrituração contábil que apresentou diversas irregularidades extrínsecas e intrínsecas constatadas e devidamente apontadas no TVF. É inegável que as referidas condutas devem ser atribuídas, na sua totalidade, ao gerente, administrador e representante da empresa DEL MONDO, o Sr. OSWALDO DE ARAÚJO. Enfim, fica com base no art. 135, I, c/c o art. 134, VII, do CTN, solidariamente e pessoalmente responsável pelo crédito tributário lançado, o Sr. OSWALDO DE ARAÚJO arrolado como tal no Termo de Sujeição Passiva Solidária anteriormente citado. DO LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Segundo prescreve o art. 44 do CTN, o lucro, como base de cálculo do IRPJ, pode ser medido pelo seu montante real, arbitrado ou presumido. Sendo assim, uma vez ocorrido o fato gerador da obrigação tributária e na impossibilidade de apurar-se o montante real ou presumido, o lucro, para efeito de tributação, deve ser arbitrado. Isso porque, à luz do art. 142 do mesmo CTN, o Fisco, ao constituir o crédito tributário pelo lançamento em atividade vinculada e obrigatória, está obrigado a determinar a matéria tributável e calcular o montante devido do imposto. A base legal para o arbitramento do lucro consta do art. 47, I, II, III e VII, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (matriz legal do art. 530, do RIR/1999), que dispõe o seguinte: “Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de1995. Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decreto-Lei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único. (...) Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 VII - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário”. (Grifou-se) Portanto, a falta dos livros fiscais e comerciais obrigatórios e da documentação que lhes dê fundamento ou se a escrituração mantida contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira e bancária ou constituir-se em fator impeditivo da correta apuração do lucro real e verificação da regularidade dos procedimentos do contribuinte, são hipóteses que legitimam, à luz das normas legais já mencionadas, o arbitramento do lucro nos períodos considerados. No TVF, item “2”, foram apontadas diversas irregularidades contidas na contabilidade da empresa DEL MONDO, ora Impugnante, que embasam o arbitramento do lucro levado a cabo pela Fiscalização. Em síntese, vejam-se algumas das irregularidades apontadas: (i) Irregularidades Extrínsecas: ausência de autenticação do Diário; falta de assinatura do sócio-administrador, Sr. OSWALDO DE ARAÚJO, nos Termos de Abertura e Encerramento; e de registro de plano de contas. (ii) Irregularidades Intrínsecas: o balancete anual acostado ao Diário apresenta saldos anteriores nulos em todas as contas; totais de débitos e créditos do Diário divergentes dos mesmos saldos no Livro Razão; e falta de sincronismo entre os livros Diário e Razão. Diante da legislação citada, os motivos narrados na descrição dos fatos complementada pelo TVF são mais do que suficientes para garantir a legalidade do arbitramento do lucro levado a cabo pelo Fisco. Ocorre que a escrituração mantida pelo contribuinte não se presta à determinação do lucro real, porque contém vícios insanáveis. E, segundo prescreve o art. 532, do RIR/1999, “o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei Nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei Nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I)”. Então, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi considerada a partir da receita bruta conhecida, que no caso corresponde aos valores levantados com base nos dados contidos no SINTEGRA. Conforme se viu, todo o procedimento fiscal está pautado nas normas regulamentares e foi realizado em consonância com as disposições do art. 142 do CTN. Evidencia-se, portanto, que o contribuinte relegou a segundo plano as suas obrigações fiscais, tornando-se inadimplente no tocante ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Por tais motivos, a tributação com base no lucro arbitrado se fez ao amparo da lei e nada existe no procedimento que vicie o critério adotado. Desta forma, foi legítimo e legal o arbitramento do lucro, ficando, soberbamente, comprovado, nos autos, que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do lucro real. LANÇAMENTOs REFLEXOS. No caso, portanto, constatada a omissão de receitas, não sendo possível a apuração do lucro real ou presumido, a tributação do IRPJ e da CSLL deve ser levada a efeito com base no lucro arbitrado. A omissão de receitas repercute ainda nos lançamentos do PIS e da Cofins. Tudo consoante o estabelecido no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP.” (Grifos acrescentados) DA MULTA DE OFÍCIO. No caso concreto, o lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, “in verbis”: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007).” (Grifos acrescentados) Diante dos fatos narrados no TVF, a Fiscalização entendeu presente, no caso concreto, os pressupostos definidos em lei e necessários à qualificação. À luz da legislação pertinente, constitui hipótese de qualificação da multa de ofício a prática de sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964, nos seguintes termos: (i) sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; (ii) fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 (iii) e conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos anteriormente como sonegação ou fraude. Logo, as ações caracterizadas como sonegação ou fraude (o conluio é o ajuste que combina ambas), nos termos acima definidos, são as que autorizam a qualificação da multa. Ocorre que as diversas irregularidades existentes na contabilidade da empresa, devidamente apontadas pela Fiscalização no TVF, aliadas à omissão na entrega de declarações ao Fisco Federal e à extinção irregular da pessoa jurídica, indubitavelmente caracterizam a conduta dolosa perpetrada pelo Impugnante, no intuito de reduzir indevidamente o pagamento de tributos. Ainda, as circunstâncias de omissa e extinção irregular motivaram a declaração de inaptidão, Ato Declaratório Executivo – ADE RFB/9ªRF/DRF/BLU nº 002/2012 (fls. 177), na dupla condição (a) de omissa, de que trata a Lei nº 9.430, de 1996, art. 81, e IN/RFB nº 1.183/2011, art. 37, I, c/c art. 38; e (b) de não localizada, de que trata a mesma instrução normativa em seus artigos 37, II e §2º, c/c art. 39, II e §§ 2º e 4º, consoante processo º 13971.722705/2011-15. Vislumbra-se, nessa montagem, a sonegação ou a fraude, nos termos definidos na Lei 4.502, de 1964 (acima transcrita), fato esse definido em lei como suficiente para autorizar a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%. DEMAIS QUESTÕES. O Impugnante argumentou ainda que a imposição da penalidade fere a princípios constitucionais, tais como, Não-Confisco, Proporcionalidade e Capacidade Contributiva. Entretanto, vale considerar que o princípio contido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de mais nada, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1 o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco. Cumpre ressaltar ainda que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões de tal natureza. Vale esclarecer que não cabe às autoridades administrativas se manifestarem sobre matéria do ponto de vista constitucional, excetuado os casos em que houver declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, situação em que é permitido às autoridades fiscais a quo afastar a sua aplicação (Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, e Parecer da PGFN/CRE n.º 948, de 2 de junho de 1998). No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, não há como negar efetividade à cobrança da multa de ofício lançada sob o argumento acerca de sua natureza confiscatória ou da violação aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e moralidade. DA CONCLUSÃO. Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a IMPUGNAÇÃO, para CONFIRMAR como responsável pelo crédito tributário lançado, solidária e pessoalmente, a pessoa arrolada como tal no correspondente Termo de Sujeição Passiva Solidária, constante dos autos. Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 MANTER, integralmente, as exigências do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da COFINS, acrescidas de multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e dos juros de mora cabíveis. Belo Horizonte, Sala das Sessões 2 da DRJ/BHE, 26 de novembro de 2013. Documento assinado digitalmente Marcos Antônio Pires/Relator. Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Considerações acerca da Responsabilidade Solidária No que toca à responsabilização do sócio, cabe destacar que a imputação de responsabilidade não se trata de desconsideração de personalidade jurídica, mas sim de imputação direta de responsabilidade tendo em vista os atos praticados com infração de lei (art. 135, inciso I, do CTN). É importante realçar que, de fato, “a existência da DIME — Declaração do ICMS e do Movimento Econômico (Estado de Santa Catarina), com valores de receita bruta informados regularmente demonstra que a empresa dispunha das informações e conhecia a obrigação principal”. Ainda, como bem realçou a Autoridade Lançadora “esse fato, associado à omissão de declarações federais e à extinção irregular da empresa, comprovam o evidente intuito de se eximir do pagamento dos tributos federais, bem como o dolo específico e a sonegação fiscal”. Acrescenta que “a partir de abril de 2007, o sócio remanescente passou a administrar monocraticamente a empresa DEL MONDO, sendo o único responsável pelas decisões ou omissões que constituíram as infrações já detalhadas, bem como pela extinção irregular da empresa, expropriando judicialmente o ativo da empresa em benefício de uma coligada, momento em que sabidamente deveria ter iniciado o procedimento de baixa junto aos órgãos de controle (Junta Comercial, RFB, SEF/SC, etc), com a prévia liquidação de eventuais débitos e demais pendências Mantendo-se inerte, OSWALDO DE ARAÚJO permitiu que a empresa tornasse apenas uma ficção jurídica sem paradeiro certo” e nesse sentido destaca a Súmula nº 435 do STJ. Entendo, portanto, que a Autoridade Lançadora evidenciou que o sócio administrador agiu com dolo, furtando-se de suas obrigações fiscais, como também praticou ato ilícito ensejador da responsabilização prevista no art. 135 do Código Tributário Nacional. Para se extinguir uma empresa, necessariamente há de se observar o procedimento previsto na legislação. Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 1401-005.638 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.720491/2012-15 Conclusão Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente, bem como ao recurso voluntário interposto pelo responsável solidário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
