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Numero do processo: 13005.000560/2003-17
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.502
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: NANCI GAMA
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A. DRJ-FLORIANOPOLIS/SC Processo n° Recurso n° Assunto Resolução n° Data Recorrente Recorrida • RESOLUÇ ÃO 1■12 303-01.01.502 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. AN ISE DAUDT PRIETO Presidente e4L-7--C I Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges: Processo n.° 13005.000560/2003-17 Resolução n.° 303-01.502 CC03/CO3 Fls. 171 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos da causa adoto o relatório da desição 07- 8.641-1, da 1° Turma da Delegacia de Julgamento de Florianópolis, que passa a transcrever: "Trata o presente processo de Auto de Infração relativo ao Imposto de Exportação (IE), formalizando credito tributário no valor total de R$ 71.640,22, em virtude de compensação indeferida nos autos do processo administrativo n° 13052.000813/2002-14. Conforme consta da 'Descrição dos Fatos" de fl. 07, a interessada efetuou duas operações c/c exportação de mercadorias sujeitas ao Imposto de Exportação (couros bovinos), mediante os despachos 2030038512/9 e 2030187823/4. Para guitar as exações, utilizou o instrumento da compensação, formalizando pedidos que foram anexados ao processo supramencionado, protocolizado em nome da empresa matriz. Uma vez que o Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul/RS, ell1 despacho datado de 28/03/2003, indeferiu o pleito da contribuinte, o Imposto de Exportação (1E) que se pretendia compensar foi lançado de oficio no Auto de Infração objeto do presente. Cientificada dci autuação, a interessada apresentou a defesa de fls. 69 a 91, acompanhada dos documentos de fls. 92 a 104, alegando, emit síntese, que: - o lançamento tributário sob exame decorre exclusivamente da glosa dos créditos postulados em outro processo administrativo; - ocorre que tal glosa ainda depende de confirmação, estando com seus efeitos suspensos, visto que a interessada interpõs manifesta cão de inconformidade em relação a decisão que lhe restringiu indevidamente os créditos; - assim, evidente que o lançamento é totalmente nulo, pois tem como único amparo tuna decisão que ainda pode ser alterada por duas instâncias administrativas; - conforme estipula o ssç' 6° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, introduzido pela Medida Provisória no 135/2003, o procedimento de ressarcimento/compensação passou a suspender a exigibilidade do crédito fiscal objeto de declaração de compensação, até sua apreciação pela autoridade achninistrativa; 2 Processo n.° 13005.000560/2003-17 Resolução n.° 303-01.502 CC03/CO3 Fls. 172 - nos termos do citado dispositivo e do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), a impugnação, o recurso e a nzanifestação de inconformidade tem efeito suspensivo, impossibilitando a administração de tomar qualquer medida para exigir o crédito, enquanto não apreciadas as razões da contribuinte; - em defesa de sua tese, cita ensinamentos doutrinários e jurisprudência judicial as fls. 74 e 75; - no que se refere a combustíveis e energia elétrica, não há qualquer motivo para estes inswnos não fazerem parte do cálculo do crédito em questão, até mesmo porque tais inswnos foram tributados pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COF INS; - a Medida Provisória n° 948/1995, que versa a respeito do crédito presumido de IPI, para ressarcimento do PIS/PASEP e da COF1NS incidentes sobre 111S111710S de produtos industrializados exportados, sucessivamente reeditada até o advento da Lei n° 9.363/1997, não contem qualquer restrição quanto ao fato de os referidos insumos estarem ou não sujeitos as contribuições, outorgando o crédito presumido a todos os exportadores; - a limitação criada pela Instrução Normativa SRF no 23/1997, no sentido de que o crédito presumido deve ser calculado, exclusivamente, em relação as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas as contribuições P1S/PASEP e COFINS, é incompatível com o teor da Lei e das Medidas Provisórias mencionadas no parágrafo anterior; - pelo principio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária, não há dúvida da prevaléncia das disposições COM força de lei sobre atos normativos oriundos do Poder Executivo, que devem sei- editados apenas para regulamentar a lei; - a presunção absoluta criada pelo legislador outorga aos exportadores o direito ao crédito independentemente de qualquer vedação relativa a tributaçâo ou não dos produtos adquiridos, portanto a simples aplicação das regras elementares de hermenêutica é suficiente para resolver a questão, visto que não fazendo o legislador a distinção, não cabe ao interprete fazê-lo; - entende, portanto, que é legitima, no cômputo do credito presumido, a inclusão das aquisições realizadas de cooperativas e de produtores rurais; - a jurisprudência administrativa, reproduzida ás fls. 79 e 80, ampara o seu entendimento; - a multa aplicada tem caráter nitidamente confiscatório, sendo desproporcional c‘i suposta infração praticada, contrariando princípios constitucionais; cr 3 • Processo n.° 13005.000560/2003-17 Resolução 11.0 303-01.502 CC03/CO3 Fls. 173 - a exigência da taxa SELIC como fator de juros ou correção monetária afronta a Constituição Federal e a consolidada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, impondo-se a sua substituição por juros de um por cento ao nids, não capitalizados, e correção monetária calculada coin base na variação da UFIR, visto que qualquer outra forma de calcular os juros encontrará obstáculo 110 .sç 3° do art. 192 da Lei Major. Ao final, a impugnante requer que o presente processo seja suspenso até o julgamento final do processo n° 13052.000813/2002-14, ou, então, que seja julgada improcedente a imposição tributária apurada pela zelosa fiscalização da Receita Federal. A DRJ de Florianópolis, por maioria de votos, julgou procedente em parte o lançamento, cancelando a imposição de multa de oficio. o Relatório. • 4 Processo n.° 13005.000560/2003-17 Resolução n.° 303-01.502 CC03/CO3 Fls. 174 VOTO Conselheira NANCI GAMA, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário por conter matéria de competência deste Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes. Como se pode verificar do relatório e das demais peças do processo, o contribuinte não nega que o imposto de exportação objeto do auto de infração é devido, mas entende que o lançamento não poderia ter sido efetuado ou, ao menos, deveria ficar suspenso até decisão defenitiva a ser proferida nos autos do processo n° 13052.000813/2002-14, onde o mesmo requer a extinção da obrigação em causa, com créditos que afirma deter. A Delegacia de julgamento, em seu voto, manifesta que o pedido de compensação não impede o lançamento; ao contrário, não poderia a fiscalização deixar de lançar o imposto, sob pena de responsabilidade funcional e, ainda, que diante do indeferimento do pedido de compensação não ter sido deferido, independentemente da inconformidade do contribuinte e eventual reforma da decisão, a liquidez e certeza do credito que se pretende compensar encontra-se abalada, não sendo suscetível de utilização para quitação do débito em causa. Quanto ao pedido de suspensão do julgamento do processo realizado pelo Recorrente, a Delegacia de Julgamento não o acatou, sob a alegação que, à época da autuação fiscal, a existência de discussão administrativa relativa a eventual direito credit6rio a ser utilizado pela contribuinte, não se encontrava entre as hipóteses legais de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Afirma, a reforçar o seu entendimento, que somente a impugnação ao lançamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. certo que o imposto não poderia deixar de ser lançado como manifestado pela DRJ, sob pena de responsabilidade funcional e da própria decadência do direito da Fazenda Nacional sobre o referido crédito relativo ao imposto de exportação em causa. No entanto, não posso concordar que o pedido de compensação formulado pelo contribuinte e não concluído a época da autuação, não suspenda a exigibilidade do imposto que se pretende liquidar por intermédio da compensação. Não vejo como restringir no caso presente a aplicação do disposto no artigo 151, inciso III, do CTN. A própria fiscalização, após indeferir o pedido de compensação, facultou ao contribuinte o direito de recorrer de mencionada decisão, abrindo-lhe o direito constitucional de ampla defesa, e confirmando, por decorrência, a existência de processo administrativo, suscetível de suspender a exigibilidade do débito do contribuinte nele questionado, de que trata o artigo do CTN acima mencionado. 65(< 5 • Processo n.° 13005.000560/2003-17 Resolução n.° 303-01.502 CC03/CO3 Fls. 175 Logo, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência A repartição de origem e IA permaneça para posterior devolução a esse Terceiro Conselho, quando da solução definitiva do processo administrativo fiscal de compensação. como voto. Sala das Sessões, 12 de novembro de 2008. ,...__. CI GA - Relatora • 6
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001786/99-71
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.900
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência de
julgamento para o Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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PROCESSO N° SESSÃO DE RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 16327.001786/99-71 02 de julho de 2003 126.754 BANCO BMC S.A. DRJ/SÃO PAULO/SP R E S O L U ç Ã O N° 303-00.900 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • • • RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência de julgamento para o Primeiro Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 02 de julho de 2003 o 1 OUT 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, PAULO DE ASSIS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente o Conselheiro FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. tIne • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA • RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.754 303-00.900 BANCO BMC S.A. DRJ/SÃO PAULO/SP ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO • • • Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação de valor recolhido a maior a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, que foi parcialmente deferido pela Divisão de Tributação da Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada pela sa Turma da DRJ/São Paulo, em decisão ementada da seguinte forma: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO. TUTELA ANTECIPADA. A compensação espontânea lastreada em antecipação de tutela equivale ao pagamento antecipado de tributo sob condição resolutória de ulterior homologação e, portanto, não obriga a Administração Fazendária a proceder à extinção automática de créditos tributários. Solicitação Indeferida" . A empresa recorreu ao Conselho de Contribuintes, aduzindo que o crédito tributário proveniente da compensação que já efetuara encontrava-se com a exigibilidade suspensa em função de decisão judicial e pleiteando a suspensão do pedido de restituição, bem corno eventuais débitos decorrentes de compensações já implementadas mediante a utilização do valor do crédito pleiteado no processo até o julgamento em definitivo da ação ordinária de referência. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo encaminhou os autos a este Conselho. É o relatórior 2 • .,J MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 126.754 303-00.900 VOTO • O presente processo restituição/compensação do IRPJ. diz respeito a pedido de • • • • A Portaria MF n° 1.132, de 30/0912002, amparada no disposto no Decreto nO 4.395, de 27/0912002, trouxe nova redação ao Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, consubstanciado na Portaria MF 55/1998. Esta, no que concerne à competência do Primeiro Conselho, dispõe o seguinte: "Artigo 7°. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, observada a seguinte distribuição: (...) Parágrafo Único. Na competência de que trata este artigo incluem-se os recursos voluntários pertinentes a pedidos de: (...) II-apreciação de direito creditório dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (redação dada pela Portaria MF nO 1.13212002). (...)"(grifei). Pelo exposto, voto por declinar competência para julgar este recurso ao Primeiro Conselho de Contribuintes, para onde o presente processo deverá ser encaminhado. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2003 3 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 10865.002174/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Súmula CARF nº 9.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF Nº 26.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF nº 38.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CORRENTE EM COTITULARIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao autuado o ônus de provar a alegação de manutenção de conta corrente em cotitularidade.
DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA.
São passíveis de glosa as despesas médicas que não tenham sido devidamente comprovadas pelo autuado, mediante documentação hábil e idônea que comprove a efetiva ocorrência das despesas e respectivo desembolso financeiro.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00, CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE A R$ 80.000,00
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DA DEFESA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Em decorrência da preclusão, não se admite a apresentação de argumentos e/ou documentos com o propósito específico de afastar pontos incontroversos por não terem sido objeto de contestação na impugnação, pois estão fora dos limites da lide estabelecida. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. A lide se estabelece na impugnação, não se conhecendo das alegações recursais que não tenham sido articuladas na impugnação.
JUROS. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. SÚMULACARFnº4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.. SúmulaCARFnº4.
Numero da decisão: 2202-007.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às alegações relativas ao § 3°, inciso II, do art. 42 da Lei nº 9.430/96, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Súmula CARF nº 9. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF Nº 26. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF nº 38. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CORRENTE EM COTITULARIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao autuado o ônus de provar a alegação de manutenção de conta corrente em cotitularidade. DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. São passíveis de glosa as despesas médicas que não tenham sido devidamente comprovadas pelo autuado, mediante documentação hábil e idônea que comprove a efetiva ocorrência das despesas e respectivo desembolso financeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 21 74 /2 00 5- 11 Fl. 908DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 DEPÓSITOS BANCÁRIOS IGUAIS OU INFERIORES A R$ 12.000,00, CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE A R$ 80.000,00 Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DA DEFESA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Em decorrência da preclusão, não se admite a apresentação de argumentos e/ou documentos com o propósito específico de afastar pontos incontroversos por não terem sido objeto de contestação na impugnação, pois estão fora dos limites da lide estabelecida. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. A lide se estabelece na impugnação, não se conhecendo das alegações recursais que não tenham sido articuladas na impugnação. JUROS. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. SÚMULACARFnº4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.. SúmulaCARFnº4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às alegações relativas ao § 3°, inciso II, do art. 42 da Lei nº 9.430/96, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), que julgou procedente em parte o lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor original de R$ 294.435,46, relativo aos exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004, anos-calendário 2000, 2001, 2002 e 2003, face à apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (sinais exteriores de riqueza), omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e dedução indevida de previdência privada, de despesas médicas e despesas com instrução. Fl. 909DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 O autuado impugnou a exigência em 27/01/2006 (fls. 594/631, acompanhada de anexos, onde requer preliminarmente a invalidade da intimação no que tange ao Aviso de Recebimento (AR) de fl. 588, datado de 28/12/2005, posto que, segundo alega, não teria sido por ele recebido e nem por seu procurador e pelo fato de não ter sido entregue no seu endereço, uma vez que se encontrava em viagem à época e os documentos teriam sido entregues no escritório do Sr. Antônio José da Silva. Entende assim que, para efeito de contagem dos prazos processuais e também para efeito de decadência, deve ser considerada como data de ciência o dia de desafixação do Edital Nº 0811205/PFA/009/2005 (fl. 586), qual seja, 04/01/2006 e não a data relativa ao recebimento do AR acima referenciado (28/12/2005), uma vez que não recebido em seu domicílio e por pessoa não que não seria seu procurador. Em decorrência de tais alegações, suscita preliminar de decadência relativamente ao ano-calendário de 2000 (exercício 2001), posto que cientificado somente em 04/01/2006, ou seja, após transcorrido o prazo decadencial para lançamento do IRPF relativo a tal exercício. Na sequência alega que a quase totalidade dos depósitos é justificada por rendimentos e reembolsos do requerente e de sua esposa, que, por possuírem algumas contas em conjunto, acabam por mesclar seus depósitos e saques, como aconteceu com diversos depósitos, os quais passa a exemplificar. Afirma que também deixou de ser considerado pela autoridade fiscal lançadora o fato de que mantém contas bancárias em conjunto com sua esposa, deixando assim de observar a legislação específica que determina a intimação de ambos os titulares e que seja considerada movimentação financeira proporcionalmente. Apresenta comprovantes de algumas despesas com instrução, de despesas médicas e com previdência privada incorridas, questiona o lançamento baseado em depósitos bancários, posto que não configuradores de renda tributável, além de ter deixado clara a origem de tais depósitos. Quanto à autuação referente aos sinais exteriores de riqueza, afirma ter sido utilizada hipótese de tributação não existente e que também deixou claro, durante o procedimento fiscal, que os gastos do impugnante têm origem concreta em rendimentos percebidos pelo casal, conforme atesta a variação patrimonial de suas declarações de renda entregues. Ao final, contesta a incidência dos juros moratórios calculados pela taxa SELIC e solicita que os mesmos venham a incidir somente após o lançamento do crédito tributário. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de primeiro grau tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, sendo o processo baixado em diligência (despacho de fls. 780/781), para verificação da efetiva titularidade conjunta de algumas contas bancárias e discriminação dos beneficiários e valores correspondentes relativos ao plano de saúde apresentado. Após o retorno da diligência, no julgamento de piso o lançamento foi considerado parcialmente procedente. Foram consideradas devidamente comprovadas as despesas com instrução, limitadas ao valor individual fixado pela legislação, as despesas comprovadas com previdência privada e FAPI e parte das despesas médicas. Foi excluída do lançamento, em sua totalidade, a infração relativa a acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que se considerou não observados os ditames normativos de regência da matéria. Também foram excluídos, metade dos depósitos bancários de origem não comprovada efetuados na conta corrente n° 908-5, agência 153 do Banco Banespa SA (R$ 2.000,00 - ano-calendário 2000; R$375,00 - ano-calendário 2001 e R$ 779,06 - ano-calendário 2002), e os depósitos bancários nos valores de R$ 2.500,00 e R$800,00, realizados, respectivamente, em 20/08/2001 e 07/01/2002, no CCR Bom Jesus da Lapa Ltda e Banco Banespa S/A. Fl. 910DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 Foram mantidos os demais valores e infrações apontadas, sendo exarada a seguinte ementa: CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. Considera-se válida a ciência do auto de infração, efetuada mediante intimação por via postal enviada ao domicílio eleito pelo sujeito passivo, ainda que o Aviso de Recebimento não tenha sido assinado pessoalmente pelo sujeito passivo, mas, por terceira pessoa. DECADÊNCIA. Tendo havido lançamento de oficio, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância no processo administrativo fiscal,por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve se limitar à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da norma legal. SIGILO BANCÁRIO. Considerando que a disponibilizando dos dados bancários para fins de apuração da regularidade fiscal do contribuinte foi decretada judicialmente por requerimento do Ministério Público Federal, não há que se falar em ilegalidade na quebra do sigilo bancário. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N°105/2001. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. GLOSA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE. Restabelece-se a dedução de despesa com instrução de dependente, quando comprovada, limitada ao valor individual fixado na legislação. GLOSA. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Devem ser considerados como dedução da base de cálculo os valores comprovados a título de previdência privada, cancelando-se a respectiva glosa. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS (PARTE). Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, consolidando-se administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS (PARTE). Restabelece-se parte da dedução comprovada mediante documentação hábil e idônea, na forma estabelecida pela norma de regência. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Há que se excluir, em sua totalidade, a exigência decorrente do acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez não observados os ditames legais que regem a matéria. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. . A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 911DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Excluem-se da base de cálculo do lançamento fundamentado em depósito bancário com origem não comprovada, os valores oriundos de contas bancárias de mesma titularidade. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, não havendo previsão legal para a modificação de seu termo inicial de incidência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi interposto recurso voluntário (fls. 868/893), onde o autuado, em síntese: - reitera a alegação de decadência do direito de lançamento, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), relativamente ao ano-calendário de 2000 (exercício 2001), citando julgados do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Para tanto, volta à questão levantada no momento da impugnação, onde requer a invalidade da intimação no que tange ao Aviso de Recebimento (AR) de fl. 588, datado de 28/12/2005. Posto que, segundo alega, não teria sido por ele recebido e nem por seu procurador e pelo fato de não ter sido entregue no seu endereço, uma vez que se encontrava em viagem à época e os documentos teriam sido entregues noutro local ao Sr. Antônio José da Silva. Entende assim que, para efeito de contagem dos prazos processuais e também para efeito de decadência, deve ser considerada como data de ciência o dia de desafixação do Edital Nº 0811205/PFA/009/2005 (fl. 586), qual seja, 04/01/2006 e não da data relativa ao recebimento do AR acima referenciado (28/12/2005), uma vez que não recebido em seu domicílio e por pessoa não que não seria seu procurador. Em decorrência de tais alegações, suscita preliminar de decadência relativamente ao ano-calendário de 2000, uma vez que cientificado somente em 04/01/2006, ou seja, após transcorrido o prazo decadencial para lançamento do IRPF relativo a tal exercício. Anexa declaração do contador Sr. Antônio José da Silva, recebedor da correspondência, anexo I do recurso (fl. 895) , na qual se afirma que retirou a correspondência na agência dos Correios atendendo a solicitação, recebida por telefone, do Auditor Fiscal, devido ao fato de que o fiscalizado se encontrava ausente de seu domicílio em viagem: “...a correspondência por mim recebida no dia 28/12/2005, remetida para o meu cliente ANTÔNIO GUILHERME MACHADO DE CASTRO, foi retirada junto à Agência dos Correios da cidade de Descalvado”. Requer, caso persista dúvida quanto ao alegado, que o processo seja baixado em diligência para intimação do Chefe dos Correios de Descalvado, para que o mesmo venha esclarecer estes fatos, ou. doutra forma, diligência junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira, para atestar a existência de telefonemas daquela unidade para o escritório do contador Antônio José da Silva, cujo número é 19-3583-3812, como também para o telefone dos Correios de Descalvado, naquele dia 28/12/2005. - questiona novamente o lançamento baseado em depósitos bancários, afirmando que simples depósitos bancários não são suficientes para configurar renda tributável e não constituem fato gerador do imposto sobre a renda, posto que não se traduzem em ganho de capital e nem do trabalho, e muito menos da combinação de ambos, citando julgados do extinto 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; Fl. 912DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 - alega impropriedade do lançamento relativo aos depósitos bancários, sob o fundamento de que não teria sido observada a periodicidade mensal para o efeito de lançamento. Sustenta que o IRPF deve ser apurado mês a mês e eventuais omissões também devem seguir tal regra, o que não teria sido observado na presente autuação, implicando em seu cancelamento; - solicita que sejam reapreciadas as, segundo seu entendimento, comprovações e justificações de depósitos realizadas na impugnação, requerendo a aceitação destas comprovações, com consequente exoneração do respectivo crédito tributário advindo de tais depósitos. Entretanto, sequer relacionou supostas comprovações, limitando-se a remeter à impugnação solicitando sua análise; - volta a afirmar que mantém contas bancárias em conjunto com sua esposa, deixando assim a autoridade lançadora de observar a legislação específica, posto que não intimada a cotitular e que não seria a totalidade dos depósitos nas referidas contas correntes de sua responsabilidade, de forma que, caso houvesse omissão de rendimentos, tal omissão não poderia ser imputada apenas a um dos titulares, devendo ser considerados proporcionalmente a cada um dos correntistas. Complementa que no julgamento de piso somente foi considerada tal situação relativamente à conta mantida em cotitularidade junto ao Banco Banespa SA. Cita a Sumula CARF nº 29, requerendo a aplicação de tal verbete no presente julgamento e a exclusão da base de cálculo do presente lançamento de 50% dos depósitos considerados como não justificados, relativos à contas mantidas em cotitularidade:“...posto que os depósitos considerados não justificados pelo Sr. Auditor, e pela Sra. Relatora, não são, até prova em contrário, de única e exclusiva responsabilidade do recorrente.” - contesta a não consideração de despesas com tratamento odontológico de sua filha/dependente, nos valores de R$ 715,00 no ano-calendário de 2003 e R$ 3.616,00 no ano- calendário de 2002; - da mesma forma, contesta a não consideração de despesas com tratamento fisioterápico, no valor de R$ 10.707,00; - requer a manutenção de dedução de despesa com instrução da dependente/filha, no valor de R$ 840,00, anexando recibo, sob o argumento de que já havia apresentado o respectivo recibo no momento da fiscalização e que entendeu não haver necessidade de reapresentação no momento da impugnação; - inova no recurso, com apresentação de tese não constante da impugnação, ao invocar a aplicação do disposto no § 3°,. Inc. II, do art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sob o argumento de que: “Após considerados os créditos de valores decaídos, bem como os que já foram comprovados e não aceitos, os de responsabilidade da co-titular das 3 contas bancárias citadas, e os que são comprovados' neste Recurso Voluntário, o total anual dos depósitos não comprovados é menor que R$ 80.000,00, e nenhum dos depósitos é maior que R$ 12.000,00, como se observa do resumo de folhas 10/11 e 14 a 24, tais devendo ser anulado o valor lançado nos anos-base em discussão.” Ao final, volta a contestar a incidência dos juros moratórios calculados pela taxa SELIC, solicita que os mesmos venham a incidir somente após a data de lançamento do crédito tributário e apresenta o seguinte pedido: 11.DO PEDIDO Por todo o exposto, requer que seja julgado improcedente o lançamento, liberando-se o Recorrente de qualquer pagamento ao Erário, exceto daqueles já reconhecidos e pagos, sem prejuízo, se for o caso, dos demais pedidos alternativos, pois: Fl. 913DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 a) Não sendo simples depósitos bancários configuradores de renda, nem do capital nem do trabalho, nem da combinação de ambos, não se prestam a incidência do imposto sobre a renda, conforme entendimento jurisprudencial citado; b) A Lei 7.713/88 e o art. 42, § 40 da Lei 9.430/96 estabelecem que o imposto de renda das pessoas físicas tem seu período de apuração mensal, devendo ser apurado mês a mês eventuais omissões de rendimentos, para se ter atendido o estabelecido em lei. Não se seguiu tal regra, presumindo-se sem qualquer critério legal, como se todos os rendimentos tivessem sido omitidos no mês de Dezembro de 1999; c) Sendo a intimação entregue por via postal para pessoa não autorizada, e em domicílio diferente daquele eleito pelo recorrente, não pode ser considerada válida. Portanto, a única ciência válida foi feita por Edital; d) Os períodos lançados após os 5 anos do fato gerador (ano-base 2000), e cientificados por Edital, sejam cancelados pela ocorrência da decadência, conforme exposto, e nos termos da Súmula Vinculante nr. 8/2008, do Supremo Tribunal Federal; e) Requer-se o restabelecimento das glosas de despesas de instrução e das despesas médicas comprovadas; f) Sejam deduzidos dos valores autuados, todos os depósitos comprovados, seja no decorrer da fiscalização, ou após esta, como também restabelecidas as despesas glosadas; g) A taxa de juros SELIC afronta o Código Tributário Nacional, e se mantido o lançamento, deve ser calculados somente após a constituição do crédito tributário, eis que até então inexistia crédito tributário; h) No caso em que o montante apurado como omissão é inferior a R$ 80.000,00, deve ser desconsiderado para os fins de presunção de omissão de receita, nos termos do § 3° inciso II do art. 42 da Lei 9430/96; i) Junta-se novamente o recolhimento da parte considerada não impugnada, relativa a despesas médicas, conforme DARF; Requer-se a aplicação da Sumula CARF nr. 29: "Súmula CARF nr.29 - Todos os co- titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Assim, reitera-se os termos da impugnação, e requer-se o cancelamento integral dos valores lançados dos exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004, exceto o valor já pago, reformando-se a decisão da instância primeira. É o relatório, cumprindo esclarecer que os argumentos apresentados no recurso serão pormenorizados na sequência, por ocasião do voto. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. O recorrente foi intimado da decisão de primeira instância, por meio de Aviso de Recebimento (fl. 867), em 23/07/2010. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 20/08/2010, conforme atesta o carimbo de protocolo aposto pela Agência da Receita Federal do Brasil em Porto Ferreira/SP na fl. 868, considera-se tempestivo, assim como, atende aos demais requisitos de admissibilidade, deve portanto ser conhecido. DATA DE CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 914DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 Alega o autuado a invalidade da intimação ocorrida por meio de Aviso de Recebimento (AR) de fl. 588, datada de 28/12/2005, sob o argumento de que tal intimação não teria sido por ele recebida e nem por seu procurador e pelo fato de não ter sido entregue no seu endereço. Informa que se encontrava em viagem à época e que os documentos teriam sido entregues ao Sr. Antônio José da Silva na agência dos Correios. Entende assim que, para efeito de contagem dos prazos processuais e também para efeito de decadência, deve ser considerada como data de ciência o dia de desafixação do Edital Nº 0811205/PFA/009/2005 (fl. 586), qual seja, 04/01/2006 e não a data relativa ao recebimento do AR acima referenciado (28/12/2005), uma vez que não recebido em seu domicílio e por pessoa não que não seria seu procurador. Em decorrência de tais alegações, suscita preliminar de decadência relativamente ao ano-calendário de 2000, uma vez que cientificado somente em 04/01/2006, ou seja, após transcorrido o prazo decadencial para lançamento do IRPF relativo a tal exercício. Anexa declaração do contador Sr. Antônio José da Silva, recebedor da correspondência, anexo I do recurso (fl. 895), na qual se afirma que foi retirada a correspondência na agência dos Correios atendendo a solicitação, recebida por telefone, do Auditor Fiscal, devido ao fato de que o fiscalizado se encontrava ausente de seu domicílio em viagem: “...a correspondência por mim recebida no dia 28/12/2005, remetida para o meu cliente ANTÔNIO GUILHERME MACHADO DE CASTRO, foi retirada junto à Agência dos Correios da cidade de Descalvado”. Requer, caso persista dúvida quanto ao alegado, que o processo seja baixado em diligência para intimação do Chefe dos Correios de Descalvado, para que o mesmo venha esclarecer estes fatos, ou. doutra forma, diligência junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira, para atestar a existência de telefonemas daquela unidade para o escritório do contador Antônio José da Silva, cujo número é 19-3583-3812, como também para o telefone da agência dos Correios de Descalvado, naquele dia 28/12/2005. Analisando tais alegações, assim decidiu a autoridade julgadora de piso. Ciência do Auto de Infração Consoante a informação da SAFIS/DRF em Limeira-SP e a pesquisa efetuada ao sítio dos Correios (fls. 552/553), de início, não foi possível cientificar o contribuinte do presente Auto de Infração por via postal, tendo havido duas tentativas frustradas de entrega, em 24/11/2005 (17:36h) e 25/11/2005 (17:09 h), com o assinalamento da ocorrência "Destinatário Ausente". Em função do exposto, foi elaborado o Edital de n° 0811205/PFA/009/2005 (fls. 555), que foi afixado em dependência franqueada ao público, na data de 19/12/2005, permanecendo afixado até o dia 04/01/2006. Paralelamente, constata-se, a partir do Aviso de Recebimento (AR) de fls. 557, que o auto de infração foi enviado ao domicílio fiscal do contribuinte e recebido em 28/12/2005. Em sede de impugnação, o interessado alega ser inválida a entrega do auto de infração efetuada por via postal, em 28/12/2005, porquanto não outorgou procuração para o recebedor, sendo que o endereço de entrega não tem vínculo com o seu, suscitando ainda a quebra do sigilo fiscal por parte do servidor, que repassou a terceiros informação sigilosa, que, por dever de ofício, deveria resguardar. (...) Observe-se que não há qualquer menção na legislação atinente à matéria no sentido de condicionar a ciência da intimação ao seu recebimento pelo próprio sujeito passivo. Desse modo, quando a intimação é por via postal, o Fisco não tem a obrigação de intimar pessoalmente o contribuinte, mas sim de enviar a intimação para o domicílio fiscal informado por ele. Fl. 915DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 No presente caso, a despeito das duas tentativas frustradas de dar conhecimento ao contribuinte do auto de infração em apreço, por via postal, que resultou, inclusive, na expedição do Edital n° 0811205/PFA/009/2005 (fls. 555), a fiscalização enviou novamente a autuação, por meio de Aviso de Recebimento — AR, para a Rua Pedro de Alcântara Camargo, 528, Centro, Descalvado/SP (fls. 557), endereço este que coincide com o constante dos sistemas da Receita Federal à época (fls. 773). Diga-se, domicílio tributário indicado pelo contribuinte visando à concretização da comunicação entre ele e a Administração Tributária. Vale frisar ainda que não há nos autos, qualquer notícia de alteração, perante o Fisco, do domicílio fiscal do recorrente, visto que, no sistema CPF, permanece informado o supracitado endereço (fls. 774), que é também o identificado em sua impugnação (fls. 563). Portanto, a argumentação expendida pelo autuado de que o auto de infração foi encaminhado para endereço diverso do seu domicílio fiscal, tendo sido recebida por pessoa para a qual não outorgou procuração, não é suficiente para descaracterizar a ciência do lançamento, em data de 28/12/2005, uma vez que a intimação foi enviada ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, nos termos do art. 23, § 2°, II, do Decreto n° 70.235, de 1972, o qual não faz ressalva quanto à pessoa que a recebe nem condiciona a ciência da intimação ao seu recebimento pelo próprio sujeito passivo. Esse é o entendimento do Conselho de Contribuintes, tendo sido foi objeto de Súmula exarada pelo egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes: "Súmula 1° CC n° 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Assim, não obstante alegue que tomou conhecimento do procedimento fiscal somente em 09/01/2006, considera-se o contribuinte regularmente notificado da presente autuação na data de recebimento do AR no endereço por ele eleito, ou seja, em 28/12/2005. Um breve histórico. Conforme relatado, devido a tentativas sem sucesso de intimação do autuado por via postal, foi publicado o Edital Nº 0811205/PFA/009/2005 (fl. 586), para efeito de ciência do Auto de Infração (AI). Edital este afixado na unidade de preparo do contribuinte em 19/12/2005 e desafixado em 04/01/2006. Ocorre que, foi enviada nova intimação de ciência do AI, destinada ao endereço do domicílio fiscal do contribuinte e recebida no dia 28/12/2005, pelo seu contador o Sr. Antônio José da Silva. Requer o autuado a desconsideração de tal intimação, sob argumento de que não teria sido entregue em seu domicílio fiscal e sim retirada na agência dos Correios pelo referido contador sem sua autorização, a pedido do auditor fiscal que realizou o procedimento fiscal. Segundo preceitua a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, nos termos de tal verbete sumular, não se sustenta a tese do autuado quando solicita a desconsideração de tal ato pelo fato de que o recebedor do Auto de Infração, enviado por via postal, não estaria munido de procuração para o recebimento. Resta a alegação de que o AI não teria sido entregue em seu domicílio fiscal, e sim na agência dos Correios. Ora, não se contesta ou questiona o fato de que a intimação de ciência do AI teria sido enviada por via postal. Correspondência essa enviada ao endereço constante como domicílio fiscal do contribuinte, fato também não contestado. Considerando tais premissas, e o fato de que consta no respectivo AR o recebimento da correspondência pelo contador do contribuinte, profissional esse que acompanhou todo o procedimento fiscal, juntamente com o fiscalizado, conforme atestam diversos documentos constantes dos autos, Fl. 916DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 entendo como regular a intimação. Frise-se, que o AI foi enviado por via postal ao domicílio tributário do contribuinte e recebido por preposto, profissional responsável pela elaboração das declarações do autuado e que acompanhou todo o procedimento fiscal, portanto, sem razão o recorrente quanto a tais alegações. ANO-CALENDÁRIO DE 2000 – DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA Requer o autuado o reconhecimento da decadência relativa ao ano-calendário de 2000, exercício de 2001. Conforme as conclusões do item anterior, o sujeito passivo foi cientificado do crédito tributário em 28/12/2005, de acordo com o Aviso de Recebimento de fl. 588. O fato gerador do IRPF relativo ao ano-calendário de 2000 ocorreu em 31/12/2000 e consta dos autos ter havido retenção do imposto na fonte durante todo o período de apuração, dessa forma, o normativo legal a se considerar, para o efeito de contagem de prazo de decadência, é o art. 150 § 4º do CTN, iniciando-se na data da ocorrência do fato gerador. A despeito das alegações quanto à suposta apuração mensal do imposto, é consabido que o IRPF é tributo devido mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos, a título de antecipações, sem prejuízo do ajuste anual. Cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento, independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, consumando-se o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano-calendário. É o que a doutrina classifica como tributo cuja apuração é complexiva, posto que envolve as situações ocorridas no período compreendido entre o primeiro e o último dia de cada exercício. Assim, a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 7º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995), o que o caracteriza como tipo de lançamento por homologação, tendo dessa forma como regra para definição do prazo de decadência o disposto no §4º do art. 150 do CTN, salvo se comprovada prática de dolo, fraude ou simulação. Ocorrido o fato gerador em 31/12/2000, a Administração Tributária teria prazo até 31/12/2005 para lançamento do respectivo crédito tributário. Tendo sido o autuado cientificado em 28/12/2005, não há que se falar em decadência do direito de lançamento relativo ao ano- calendário de 2000. À vista de alegações quanto ao momento de ocorrência do fato gerador relativo aos depósitos bancários objeto de lançamento, cumpre destacar os termos da Súmula CARF nº 38, a qual preceitua que: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.” Dessa forma, uma vez que o fato gerador de tal infração, no presente caso, ocorreu em 31/12/2000, tinha a Administração Tributária prazo até 31/12/2005 para seu lançamento. Tendo sido o autuado cientificado do crédito tributário em 28/12/2005, de acordo com o AR fl. 588, sem razão quanto à suposta decadência relativa ao ano-calendário de 2000. ARGUMENTOS, APRESENTADOS SOMENTE NESTA FASE RECURSAL – PRECLUSÃO - INTERPRETAÇÃO DO ART. 42, § 3° INCISO II DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Quanto às novas alegações apresentadas somente em sede do recurso a este Conselho, no que se refere à omissão de rendimentos cujos depósitos são inferiores a R$ 12.000,00 e cuja soma anual é menor que R$ 80.000,00, era dever do autuado já no ensejo da Fl. 917DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 apresentação da impugnação, momento em que se inicia a fase litigiosa do processo, municiar sua defesa com os elementos de fato e de direito que entendesse suportarem suas alegações. Assim, deveria, sob pena de preclusão, instruir sua impugnação apresentando todos os motivos e provas que entendesse fundamentar sua defesa, assim como, os documentos que respaldassem suas afirmações. É o que disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Novos argumentos, apresentados somente nesta fase recursal, não devem ser apreciados, uma vez que não foram objeto de análise e julgamento pela autoridade julgadora de piso, sendo preclusa a sua apresentação em fase posterior à da impugnação, motivo pelo qual deixo de conhecer do recurso no que se refere a tais alegações. Não obstante, apresento breve esclarecimento quanto ao entendimento do recorrente de que não deveriam ser considerados (para efeito de determinação da receita omitida), os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), até o valor de R$ 80.0,00,00 (oitenta mil reais), posto que interpreta equivocadamente o comando legal. A lei somente assevera que não devem ser considerados como rendimentos omitidos os depósitos abaixo de R$ 12.000,00, desde que seu somatório não exceda a R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário Não há uma determinação legal genérica de que deva ser excluído o valor de R$ 80.000,00 em qualquer hipótese. Nesse sentido, temos a Súmula CARF nº 61: “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” Portanto, somente não serão considerados os depósitos abaixo de R$ 12.000,00, caso a soma dos mesmos não ultrapasse o limite superior de R$ 80.000,00, hipótese não verificada nos presentes autos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Antes da análise do presente tópico, cumpre esclarecer que é vedado ao órgão julgador administrativo negar a vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei ou inconstitucionalidade. O controle de legalidade efetivado por este Conselho, dentro da devolutividade que lhe compete frente à decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em consonância com a legislação vigente. Perquirindo se o ato administrativo de lançamento atendeu aos requisitos de validade e observou corretamente os elementos da competência, finalidade, forma e fundamentos de fato e de direito que lhe dão suporte, não havendo permissão para declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis. Também deve ser esclarecido que o Auto de Infração se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Saliente-se que o art. 59, do mesmo Decreto, preconiza apenas dois vícios insanáveis: a incompetência do agente do ato, situação esta não configurada, vez que o lançamento foi efetuado por agente competente (Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil), e a preterição do direito de defesa, circunstância também não verificada no presente procedimento, não se encontrando, portanto, presentes situações que ensejem a requerida nulidade do lançamento. Alega o autuado que é nulo o lançamento pelos elementos em que se embasou, pois simples depósitos bancários não seriam suficientes para configurar renda tributável, e não constituem fato gerador do imposto de renda, pois depósitos bancários não configuram ganho de capital e nem do trabalho, e muito menos combinação de ambos. E que, o lançamento de crédito Fl. 918DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 tributário baseado em simples depósitos bancários poderia ocorrer se houvesse nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento, ou a utilização dos valores depositados como renda consumida Para melhor entendimento do tema, relevante se fazer um histórico da legislação que trata dos depósitos bancários e sua utilização para o efeito de lançamento de crédito tributário. Para tanto, valho-me de extratos de voto proferido no Acórdão nº 2202-004.892, desta 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, em julgamento de 16/01/2019: A lei que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei n° 8.021, de 12 de abril de 1990, que assim dispõe em seu art. 6º e parágrafos: Art. 6º O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1º Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. §3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4º No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6º Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. O texto legal, portanto, permitia o arbitramento dos rendimentos omitidos utilizando-se depósitos bancários injustificados desde que demonstrados os sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível, e desde que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. Percebe-se claramente que, na vigência da Lei n° 8.021, de 1990, o fator que permitia presumir a renda omitida eram os sinais exteriores de riqueza, que deviam ser comprovados pela fiscalização, e não os depósitos bancários injustificados, mero instrumento de arbitramento. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei n° 8.021, de 1990, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4º da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, assim dispõe: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § Iº O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, Fl. 919DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) Art. 88. Revogam-se: (...) XVIII - o §5° do art. 6o da Lei n" 8.021, de 12 de abril de 1990; Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Como regra, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Porém, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, a produção de tais provas é dispensada. Sobre a questão, estabelece o Código de Processo Civil, nos seus artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I- ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é presunção relativa (júris tantum), a qual admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte, a sua produção. No caso em tela, a fiscalização, de posse dos valores movimentados nas contas do contribuinte mantidas junto às instituições financeiras, intimou-o a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos nelas efetuados. Por comprovação de origem, entende-se a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder identificar a natureza da transação, se tributável ou não. Faz-se necessário esclarecer que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Fl. 920DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. O objeto da tributação não foi o depósito bancário em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, sendo esses utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. O depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao deixar de comprovar tal origem, limitando-se a afirmações de origens diversas sem apresentação de documentação hábil e idônea comprobatória de suas afirmações, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A matéria é, inclusive, objeto de Súmulas deste Conselho, onde se destaca a Súmula nº 26 publicada, no Diário Oficial da União de 22/12/2009 (Seção 1, págs. 70 a 72) que tem caráter vinculante para a Administração Tributária Federal, que apresenta o seguinte comando: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Não sendo comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente, devendo ser mantido o lançamento. DESPESAS COM TRATAMENTO ODONTOLÓGICO É contestada a não consideração de despesas com tratamento odontológico de sua filha/dependente Lívia Rech de Castro, nos valores de R$ 715,00 no ano-calendário de 2003 e R$ 3.616,00 no ano-calendário de 2002, sendo anexada ao recurso declaração de fl. 896, firmada pela prestadora dos serviços a Cirurgiã Dentista Srª Áurea Lima Souza Fahei, atestando o recebimento dos valores, e articulada a seguinte motivação: Também foi glosado e mantido pelo Acórdão o valor de R$ 3.616,00 para a mesma Dra. Áurea Lima Souza Fahel, do ano de 2002, relativo a tratamento da dependente Lívia Rech de Castro, onde foi alegado pela Sra. Relatora (folha 804) que a declaração juntada à folha 685 carece de força probante, visto que embora tenha confirmado a prestação dos serviços odontológicos, não informou o diagnóstico e o tipo de procedimento executado. Entendemos que este tipo de comprovação de profissional de odontologia ter que detalhar o diagnóstico e o tipo de procedimento para dar direito a dedução da despesa junto ao Imposto de Renda é de caráter bastante fiscalista, e pensamos não estar acobertado pela legislação vigente. Se os recibos e uma declaração confirmando a prestação dos serviços pela profissional, inclusive constando qual foi a paciente, não seja suficiente para a relatora, dificilmente teria algum documento que lhe convencesse que este dispêndio dá direito a dedução médica. A declaração de fls. 567, apresentada por ocasião da impugnação somente da conta do início de tratamento em “ortopedia funcional dos maxilares” com a referida profissional, cirurgiã dentista. Juntamente com o recurso somente foi apresentado o recibo de fl. 896, onde se declara o recebimento de R$ 715,00, a título de serviços odontológicos prestados, na data de 20/06/2003. Fl. 921DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 Não consta qualquer comprovação de valores pagos à profissional Srª Áurea Lima Souza Fahei a título de tratamento odontológico da dependente Lívia Rech de Castro no ano-calendário de 2002. Observe-se que a declaração prestada pela profissional apenas da conta do início de tratamento da dependente, sem qualquer informação quanto a eventuais valores recebidos. Situação distinta verifica-se no exercício de 2003, onde há emissão de boletos de cobrança por parte da profissional e foram apresentados comprovantes de efetiva quitação de tais boletos (vide fls.237/242). Correto assim o procedimento fiscal quanto à glosa dos supostos pagamentos declarados e não comprovados relativos ao ano-calendário de 2002. Com relação ao recibo apresentado, no valor de R$ 715,00, verifica-se na folha 239 a existência de boleto bancário de cobrança, onde consta como data do documento o dia 07/05/2003 e com vencimento para 20/06/2003. Entretanto, não consta em tal boleto a respectiva autenticação, diferentemente dos demais boletos de quitação apresentados pelo recorrente. Considerou-se no julgamento de piso que tal documento não poderia ser acatado, justamente pelo fato de não constar do mesmo a autenticação mecânica do pagamento. Por outro lado, na folha seguinte (240) há um outro boleto, com a mesma data de documento (o dia 07/05/2003) e com vencimento para 20/07/2003, no qual consta a efetiva quitação com indicação de cálculo de Mora/Multa, no valor de R$ 28,60, o que autoriza se concluir tratar-se da mesma cobrança, cujo pagamento ocorreu em atraso. Ocorre que este último boleto foi considerado pela autoridade fiscal como comprovante de pagamento de despesas odontológicas, sendo o somatório dos boletos anexados pelo contribuinte às fls. 237/242, justamente o valor declarado como pagamentos à referida profissional no exercício de 2003 e aceitos pela fiscalização. Exceto os R$ 715,00 relativo ao boleto não quitado, posto que pago no mês seguinte, com acréscimos moratórios, mediante emissão de um outro boleto (fl. 240) o qual foi devidamente considerado. Assim, a consideração do valor pleiteado de R$ 715,00 implicaria em duplicidade de dedução, posto que referente a um único pagamento, devendo ser negada tal solicitação. DESPESAS COM TRATAMENTO FISIOTERÁPICO Foi desconsiderado pela autoridade fiscal autuante o valor de R$ 10.707,00, declarado como despesa incorrida com tratamento fisioterápico no ano-calendário de 2002. Glosa esta mantida no julgamento de piso pelos seguintes fundamentos: Já a declaração de fls. 686, subscrita pela profissional Cilzer Carla da Silva com a qual foi pleiteada, no ano-calendário de 2000, a dedução de despesa médica no valor de R$ 10.707,00, também não transmite a certeza necessária de que o tratamento fisioterápico ali mencionado foi, de fato, prestado, porquanto não discrimina o beneficiário do serviço, não trazendo também informação a respeito do diagnóstico nem a identificação do tipo de tratamento efetuado. Assim é que, nas circunstâncias mencionadas, a mera apresentação de declarações, desacompanhada de documentação que ateste a realização dos serviços e o pagamento dos valores nelas constantes, é insuficiente para caracterizar a efetividade da despesa passível de dedução, mormente se levarmos em consideração os valores envolvidos A alegação de que os pagamentos foram feitos em dinheiro também não pode ser acatada em beneficio do impugnante. É claro que é perfeitamente possível a realização de pagamentos em dinheiro, não havendo nada de ilegal neste procedimento. Entretanto, o contribuinte há de concordar que o pagamento em dinheiro é de difícil comprovação. Além disso, não é este o meio usual de pagamento adotado pelas pessoas, considerando-se os valores dos recibos, os quais, em uma situação de normalidade, seriam pagos por meio de cheques bancários nominais, transferências eletrônicas bancárias, e similares. Observe-se que a lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre, como visto anteriormente, no caso das deduções. Fl. 922DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 Como já visto anteriormente, o art. 11, § 3° do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las, deslocando para ele o ônus probatório. Tal dispositivo está em sintonia com o princípio de que o ônus da prova cabe a quem a alega. Assim, diferentemente do que entende o interessado, o ônus da prova recai sobre aquele de cujo beneficio se aproveita, não cabendo ao fisco, neste caso, obter provas da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento das despesas, mas, sim, ao sujeito passivo apresentar elementos que dirimam quaisquer dúvidas que pairem a esse respeito. Cabe, portanto, ao contribuinte, no seu interesse, produzir as provas dos fatos consignados em suas declarações de rendimentos, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, sob pena de não tê-la aceita pelo Fisco. Prova que deve estar amparada em documentos hábeis e idôneos, de modo a comprovar cabal e inequivocamente o que foi declarado/pleiteado, não deixando nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. É conveniente lembrar ainda que o contribuinte é o responsável perante o fisco pela guarda dos documentos que serviram de base para o preenchimento de sua declaração, enquanto não decorrido o prazo decadencial. Assim, ao fazer pagamentos de despesas que serão utilizadas a posteriori, para dedução da base de cálculo do imposto de renda, tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação. Relativamente a tais pagamentos, o então fiscalizado foi intimado, pelo “Termo de Intimação Fiscal nº 53/3” (fls. 77/78), datado de 24/02/2005, a apresentar cópias dos cheques, frente e verso, relativos aos pagamentos, ou, se pagos em espécie, comprovar as origens, conforme “Demonstrativo de Análise de Pagamentos e Doações Efeutados” (fl. 104). O autuado apresenta declaração lavrada pela profissional, onde a mesma atesta os supostos pagamentos e afirma que teriam sido recebidos em numerário/espécie mensalmente, e apresenta a seguinte alegação: “....não há dúvida da realização dos serviços, nem do desembolso, e não saberíamos qual a forma de "transmitir a certeza necessária de que o tratamento fisioterápico foi prestado" senão pela declaração da profissional contratada. Também desconhecemos orientação fiscal que para deduzir os gastos médicos, sejam necessárias discriminar no recibo/declaração, qual o diagnóstico e qual o tipo de tratamento efetuado.” Conforme já repisado no presente voto e em consonância com o disposto no Acórdão recorrido, caberia ao contribuinte, no seu interesse, produzir as provas dos fatos consignados em suas declarações, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, sob pena de sua desconsideração pela autoridade fiscal. Prova que deve estar amparada em documentos hábeis e idôneos, de modo a comprovar cabal e inequivocamente o que foi declarado/pleiteado, não deixando nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Declarações desacompanhadas de maiores elementos probantes não justificam a respectiva despesa declarada, motivo pelo qual entendo pela manutenção da glosa relativa ao suposto gasto com tratamento fisioterápico, pelos motivos já expostos no julgamento de piso. DESPESAS COM INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE É requerida a manutenção de dedução de despesa com instrução, no ano- calendário de 2000, da dependente/filha Victória Rech de Castro, no valor de R$ 840,00, anexando o devido recibo, expedido pela pessoa jurídica Lar Escola Imaculada Conceição, CNPJ nº 47.546.049/0001-08. Alega o recorrente que já havia sido apresentado tal comprovante no momento da fiscalização, assim, entendeu não haver necessidade de reapresentação no momento da impugnação. Fl. 923DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 Engana-se o recorrente quanto a tais alegações. Verifica-se no “Termo de Verificação de Irregularidade” elaborado pela autoridade fiscal lançadora, especificamente na folha 20, a glosa de R$ 2.588,86 relativos a despesas com instrução não comprovadas e conforme discriminado no Anexo 3-A do referido termo. Analisando o referido Anexo 3-A (fl. 36), consta na 1ª linha a especificação da referida glosa, sendo a diferença entre o valor declarado de R$ 3.506,75 e o valor comprovado (R$ 811,14), relativo a pagamento de despesa com instrução ao Instituto São José de Educação e Instrução - Colégio John Kennedy. Esta é a única glosa de despesas com instrução ocorrida no ano-calendário de 2000. Na Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2001- ano-calendário 2000 - (fls. 50/51) apresentada pelo autuado constam declarados três pagamentos a título de despesas com instrução (código 02), sendo: R$ 820,00 para o Curso de Educ. Infantil do Lar Escola I. Conceição, outros R$ 820,00, para o Lar Escola Imaculada Conceição e R$ 3.506,75 para o Instituto São José de Educação e Instrução - Colégio John Kennedy, tendo sido somente este último pagamento objeto de glosa parcial, conforme apontado acima. Conclui-se que não houve qualquer glosa com relação aos valores declarados a título de despesa com instrução pagos ao Curso de Educ. Infantil do Lar Escola I. Conceicão, no valor de R$ 820,00 ou para o Lar Escola Imaculada Conceição, também no valor de R$ 820,00, os quais, são declarados com o mesmo número de CNPJ 47.546.049/0001-08, induzindo tratar- se do mesmo estabelecimento. Sem razão assim o recorrente quanto ao pedido de manutenção de tal despesa, no ano-calendário de 2000, posto que não foi objeto de glosa no lançamento fiscal, sendo mantidas em sua integralidade, conforme declaradas, inclusive em valor superior ao dos recibos apresentados juntamente com a peça recursal. ALEGAÇÃO DE CONTAS CORRENTES MANTIDAS EM COTITULARIDADE Afirma o recorrente manter contas bancárias em conjunto com sua cônjuge. Srª Karla Rech de Castro e que a autoridade lançadora deixou de observar a legislação específica, posto que não foi intimada a cotitular. Acrescenta que não seria a totalidade dos depósitos nas referidas contas correntes de sua responsabilidade, de forma que, caso houvesse omissão de rendimentos, tal omissão não poderia ser imputada apenas a um dos titulares, devendo ser considerados proporcionalmente a cada um dos correntistas. Complementa que no julgamento de piso somente foi considerada tal situação relativamente à conta mantida em cotitularidade junto ao Banco Banespa SA, cita a Sumula CARF nº 29, requerendo a aplicação de tal verbete no presente julgamento e a exclusão da base de cálculo do presente lançamento de 50% dos depósitos considerados como não justificados, relativos à contas mantidas em cotitularidade. Entendeu a autoridade julgadora de piso como devidamente comprovada a cotitularidade apenas da conta corrente n° 908-5, agência 153 do Banco Banespa SA, sendo procedido ao expurgo de 50% do respectivo valor do lançamento relativo a tal conta, conforme requerido pelo então impugnante. Quanto às contas mantidas nos bancos do Brasil e Bradesco, foi constatado que os extratos das contas, anexos às fls. 309/387, trazem apenas o nome do contribuinte, não registrando nem mesmo a informação "e/ou", utilizada para designar as contas cuja titularidade é conjunta. Além do fato de que as declarações prestadas pelas instituições financeiras (fls. 709/710), embora confirmem que as contas sejam conjuntas, reportam-se às datas em que foram emitidas (janeiro de 2005 e janeiro de 2006), não fazendo menção às datas dos fatos geradores (anos-calendário de 2000 a 2003), entendendo-se, assim, como não comprovada a cotitularidade. Confira-se: Fl. 924DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 Não pode prosperar o intento de excluir da base de cálculo 50% (cinquenta por cento) dos depósitos não justificados efetuados nas contas bancárias n° 3898-9 do Banco do Brasil e 4608-6 do Banco Bradesco S/A, sob o argumento de que tais contas são de titularidade conjunta com a esposa Karla Rech de Castro, que apresenta separadamente as declarações anuais de imposto de renda. Senão vejamos. Os extratos das mencionadas contas, anexos às fls. 282/399, 402/505, trazem apenas o nome do contribuinte, não registrando nem mesmo a informação "e/ou", utilizada para designar as contas cuja titularidade é conjunta. As declarações prestadas pelas instituições financeiras (fls. 677/678), por sua vez, embora confirmem que as contas acima referidas são conjuntas, reportam-se ao momento atual, ou seja, às datas em que foram emitidas (janeiro de 2005 e janeiro de 2006), não fazendo menção às datas dos fatos geradores (anos-calendário de 2000 a 2003). No que tange à conta n° 0153-92-000908-5 do Banespa, contudo, assiste ao razão ao interessado, vez que a cópia do cadastro sistêmico de fls. 757, trazida aos autos em atendimento à diligência solicitada por esta DRJ/SP 2, confirma que Karla Recha de Castro é co-titular da mencionada conta desde 15/03/1990. Assim, cabe excluir do montante dos depósitos efetuados na conta-corrente 0153-92- 000908-5 do Banespa metade dos valores, posto que se referem ao outro titular da conta-corrente, Karla Rech de Castro que não é dependente do interessado para fins tributários. À vista da decisão de piso, afirma o autuado que para o convencimento do Sr. Auditor, e mesma da relatora da DRJ, deveria haver intimação para a cotitular Karla Rech de Castro, e também para a empresa Castro Rech & Cia Ltda, fonte de vários depósitos ocorridos em sua conta corrente, apresentar esclarecimentos quanto a origem dos depósitos. Analisando a declaração apresentada pelo autuado (fl. 709) juntamente com a peça impugnatória, declaração essa oriunda da Agência Descalvado/SP do Banco do Brasil SA, datada de 9/01/2006, de fato verifica-se constar a informação de que a conta corrente de nº 3898- 9, mantida pelo Sr. Antônio Guilherme Machado de Castro, possui como segundo titular a Srª Karla Rech de Castro. Nessa mesma linha, temos na fl. 710 declaração oriunda da Agência Descalvado/SP do Banco Bradesco SA, datada de 5/01/2005, constando a informação de que a conta corrente de nº 4608-6, mantida pelo Sr. Antônio Guilherme Machado de Castro, possui como segundo titular a Srª Karla Zanoni Rech de Castro. Foi apontado no julgamento de piso o fato de que tais declarações reportam-se à data de sua expedição, quais sejam, 9/01/2006 e 5/01/2005, respectivamente, não fazendo qualquer menção ao período que se refere a presente autuação, anos-calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Também se destacou que os extratos das mencionadas contas trazem apenas o nome do contribuinte, não registrando nem mesmo a informação "e/ou", utilizada para designar as contas cuja titularidade é conjunta. Ciente de tal impropriedade apontada pela autoridade julgadora de piso, deveria o recorrente trazer aos autos elementos que eventualmente refutassem as inconsistências apontadas. Ônus esse do qual não se desincumbiu, preferindo afirmar que: “Pensamos que para o convencimento do Sr. Auditor, e mesma da relatora da DRJ, deveria haver intimação para a co-titular Karla Rech de Castro, e também para a empresa Castro Rech & Cia Ltda, apresentar esclarecimentos quanto a origem dos depósitos.” Caberia ao autuado instruir sua defesa, juntamente com os motivos de fato e de direito, com os documentos que respaldassem suas afirmações, ou entendesse pertinentes a sua comprovação, conforme disciplina o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como o disposto Fl. 925DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. No caso, documentação que indicasse, clara e objetivamente a alegada cotitularidade das referidas contas correntes, nos períodos correspondentes à autuação (2000, 2001, 2002 e 2003). Ônus este que se torna ainda mais patente, haja vista as justificativas motivadoras claramente colocadas no Acórdão recorrido para desconsideração de tais afirmações. Consonante com o julgamento de piso, também entendo que as declarações de que as contas correntes nº 3898-9 do Banco do Brasil e nº 4608-6 do Banco Bradesco possuíam cadastrada uma segunda titular em 9/01/2006 e 5/01/2005, respectivamente, não possui o condão de provar a situação de tais contas nos períodos que se referem a presente autuação, anos- calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Assim, deve ser mantida a autuação, nos exatos termos do lançamento, referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, relativo às contas correntes nº 3898-9 do Banco do Brasil e nº 4608-6 do Banco Bradesco de titularidade do autuado. DEPÓSITOS NÃO SUFICIENTEMENTE COMPROVADOS OU JUSTIFICADOS Reitera o contribuinte a solicitação de que sejam considerados diversos depósitos bancários que entende já ter demonstrado durante o procedimento de auditoria fiscal, e também na impugnação, a origem dos recursos utilizados nessas operações com documentação hábil e idônea, mediante os seguintes argumentos: No Auto de Infração, item que tem como fundamento o art. 42 da Lei 9430/96, cuja base de cálculo são os depósitos supostamente não justificados listados pelo Sr. Auditor Fiscal, com valores totais no ano de 2000 de R$ 51.274,48, no ano de 2001 no valor total de R$ 62.626,03; no ano de 2002 no total de R$ 69.182,06 e no ano-base de 2003 no total de R$ 55.894,13; os quais foram nominados nas folhas 12 e 13, e nenhum dos depósitos é maior que R$ 12.000,00, podemos verificar que alguns dos valores estão justificados na própria documentação já juntada, citando-se que na impugnação, folhas 573, 574, 575, 576, 577 e 578 foram citados e esclarecidos 47 depósitos, dos quais a Sra. Relatora sempre refutou motivos diversos, tais como não há nos autos provas nos autos de que tais valores tenham decorrido de pro-labore, ou de que não há provas de que seriam do recebimento de despesas com viagens, etc. Mesmo nos casos em que há coincidência de datas e valores, esta relatora sempre opôs alguma outra exigência condicionando o seu aceite como "depósito justificado". Assim, mesmo tendo dispendido bons esforços para relembrar cada um destes 47 depósitos, o esforço foi em vão. Ante o exposto, requer-se aos senhores e senhoras desta Câmara julgadora que reapreciem as comprovações feitas na impugnação, solicitando desde já a aceitação destas comprovações, e exonerando o recorrente do crédito tributário advindo de tais depósitos. Assim, entendemos que não há como prevalecer as argumentações trazidas pela digna relatora da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo II, visto irem em sentido contrário as provas. Solicita-se que estes esclarecimentos sejam acolhidos por esta Egrégia Câmara, e que todos os valores comprovados sejam deferídos como justificados, bem como aqueles já comprovados anteriormente, seja perante ao nobre Auditor, na impugnação, e neste Recurso Voluntário. Foi destacado já no julgamento de piso que a existência de depósitos bancários em nome do contribuinte representa, inicialmente, um indício de que tais depósitos se realizaram a partir de rendimentos deste mesmo contribuinte. Deve assim, ser ouvido o interessado para que Fl. 926DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 indique a origem desses depósitos. Mas não se trata simplesmente de prestar uma informação, pois a lei é bastante clara ao exigir que o contribuinte comprove a efetiva origem dos recursos. E esta não-comprovação, tem o poder de transformar os depósitos, que eram meros indícios, em meios de prova em favor da Administração Tributária. Nesse linha, passo à análise dos valores e esclarecimentos prestados no Recurso ora objeto de apreciação, posto que somente estes devem ser considerados como objeto da presente defesa, uma vez que não cabe a simples remissão aos termos da impugnação, sem a apresentação de argumentos na própria peça recursal: - depósitos efetuados na conta-corrente do autuado nº 4.608-4, agência 1.841-4, do Banco Bradesco S/A, cuja origem seria a conta corrente nº 1.032-4, agência 918-0, mantida junto ao Banco do Brasil e pertencente à empresa Castro Rech & Cia Ltda, CNPJ 02.053.587/0001-22, de propriedade de sua esposa Karla Rech de Castro." (folhas 813/814). Alegações do recorrente: Além de afirmar a origem destes depósitos, este autuado juntou extrato bancário da pessoa jurídica Castro Rech, apontando todos os cheques que deram origem aos depósitos, conforme folhas 609, 624, 627, 628, 631, 641, 649. Estes cheques possuem coincidência de datas e valores, e no entendimento da relatora, apesar das coincidências de datas e valores, não foi demonstrado que tais valores tenham decorrido do recebimento de pró-labore, distribuição de lucros e devolução de empréstimos. Mas se a autuação foi porque os depósitos não são justificados, qual seria a necessidade de demonstrar que é de pró-labore, distribuição de lucros e devolução de empréstimos, se a responsável pela empresa Castro Rech é sua esposa, se a conta em que foram efetuados os depósitos é conjunta, e os valores são da responsabilidade da esposa, e não do autuado? A defesa está centrada na afirmação de tratar-se de rendimentos pagos pela empresa Castro Rech & Cia Ltda, CNPJ 02.053.587/0001-22, à esposa do recorrente e que a conta corrente nº 1.032-4 do Banco do Brasil seria mantida em cotitularidade. Entretanto, conforme demonstrado no item próprio (ALEGAÇÃO DE CONTAS CORRENTES MANTIDAS EM COTITULARIDADE), não foi apresentada pelo autuado documentação que indicasse, clara e objetivamente a alegada cotitularidade das referidas contas correntes, nos períodos correspondentes à autuação (2000, 2001, 2002 e 2003), o que motivou o não acatamento de tais argumentos. Por outro lado, mera alegação de que a responsável pela empresa Castro Rech é sua esposa não possui o condão de atestar que os valores depositados seriam de responsabilidade da esposa e não do autuado. Da mesma forma, a apresentação de extratos da conta corrente da pessoa jurídica Castro Rech, onde constam os referidos depósitos, não atestam a natureza de tais pagamentos, motivo pelo qual devem ser mantidos tais valores na base de cálculo da autuação. - depósitos realizados na conta-corrente no. 3.898-9, agência 918-0, do Banco do Brasil S/A (fls. 14/15, 296/297, 299, 301, 304/306, 309/312, 314/321 e 323). É informado pelo recorrente que tais depósitos seriam provenientes do ressarcimento de despesas com viagens, estadias e compra de medicamentos e vacinas (folhas 814), tendo sido rejeitada tal justificativa, ainda segundo consta do recurso, porque os supostos reembolsos de despesas não foram acompanhados dos documentos que as respaldassem. Alegações: Não nos parece lógico que um cidadão seja ressarcido de suas despesas, e mantenha consigo estes documentos que indiquem as despesas. Parece-nos mais lógico, que o responsável por ressarci-los os guarde para futura comprovação para o fisco, visto que é este último que deve demonstrar a pertinência de suas despesas, ainda mais se tratando de contribuinte sujeito a fiscalização por exercer atividade produtiva. Então, as declarações firmadas do efetivo responsável pelo ressarcimento, indicando pormenorizadamente quais foram os ressarcimentos, nos parece suficiente para Fl. 927DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 comprovar os depósitos, eis que o declarante assume inteira responsabilidade pelo que afirma. (...) Por isso, pensamos que a afirmativa do Sr. Luiz Fernando Mattar (folha 119) não contestada pelo fisco ou pela relatora, sejam as provas necessárias que justificam aqueles depósitos apontados. No julgamento de piso entendeu-se que simples declaração subscrita pelo Sr. Luiz Fernando N. Mattar e respectiva planilha anexada, não obstante a priori confirmarem e relacionarem os pagamentos realizados ao contribuinte nos anos-calendário de 2000 e 2001, mediante depósitos em sua conta-corrente, não são suficientes para comprovar o suposto reembolso de despesas, na medida em que não se fizeram acompanhar de provas documentais que as respaldassem, mesmo após a intimação da fiscalização. Ademais, intimado a indicar nos extratos bancários os débitos correspondentes às despesas que teriam dado causa aos ressarcimentos, o contribuinte não o fez. Também na fase impugnatória não foram trazidos documentos que demonstrassem a vinculação entre os depósitos bancários consignados no quadro acima e os supostos reembolsos de despesas. Tenho por presentes os mesmos elementos que levaram ao entendimento da autoridade julgadora de piso por não considerar devidamente comprovadas as alegações do recorrente. Conforme já discorrido em outra passagem do presente voto, simples argumentações, desacompanhadas de provas, não possuem o condão de desconstituir a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Adicionalmente, há que se destacar a existência de uma efetiva relação de prestação de serviços, sem vínculo empregatício, entre o autuado e o Sr. Luiz Fernando N. Mattar, o que justificaria o recebimento da respectiva e natural remuneração por tais serviços. Dessa forma, caberia ao interessado provar que os depósitos ora objeto de análise teriam a natureza alegada e distinta da referida remuneração, encargo do qual não se desincumbiu, devendo assim ser mantidos os valores na base de cálculo da presente autuação. - depósitos ocorridos na conta-corrente no. 3.898-9, agência 918-0, do Banco do Brasil S/A (fls. 16,17, 333, 344, 345), cuja justificativa seria o reembolsos de gastos de viagem, hospedagem e alimentação, efetuados por organizadores das palestras ministradas pelo interessado. Entende o recorrente que: “...pelas mesmas razões do item anterior, pode-se afirmar que as despesas ressarcidas, que deram origem aos depósitos que ora foram justificados, ficaram de posse dos responsáveis pelos ressarcimentos, e não com o autuado.” Justifica o recorrente tais depósitos como resultantes de reembolsos de gastos com viagem, hospedagem e alimentação, efetuados por organizadores das palestras por ele ministradas, anexando relatórios de viagem emitidos pela empresa aérea TAM, cópias de certificados, programas e convite para palestras. Decidiu-se no julgamento de piso que tais documentos não se prestam a tal comprovação, haja vista que não indicam os valores reembolsados, nem as datas de tais reembolsos, de modo a permitir a sua vinculação com os depósitos realizados na conta do interessado, além do que, não está amparada por documentos hábeis e idôneos. Mais uma vez deve-se repisar que, simples alegações, desacompanhadas de provas, não possuem o condão de desconstituir a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O fato do contribuinte participar de eventos como palestrante, por si só, não comprova a natureza dos valores por ele recebidos, posto que é comum a remuneração de participantes de seminários pelas palestras proferidas. Remuneração esta que pode ser, ou não, complementada com o reembolso de despesas incorridas, tais como, passagens aéreas, estadia, alimentação e deslocamento, cabendo Fl. 928DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 ao interessado provar tal circunstância. Encargo do qual, mais uma vez, não se desincumbiu, devendo ser mantidos tais valores. - depósitos realizados na conta-corrente nº 3.898-9, agência 918-0, do Banco do Brasil S/A (fls. 17/18, 342, 344/345, 347, 349/351, 353, 355, 357, 359/360), cuja a origem seria rendimentos de aluguel já tributados na respectiva declaração de ajuste. Afirma o autuado que: “Compulsando os autos, consta da folha 50, cópia da Declaração de Ajuste do ano-base 2003, e consta claramente ali, valores recebidos de pessoas físicas (aluguéis), oferecidos à tributação. Então, como pode ser afirmado que não foram tributados ? Aliás, além do valor do aluguel, foram oferecidos a tributação, até as taxas cobradas do inquilino.” Compulsando os valores declarados a título de “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas”, constantes na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2004 (fl. 59), com os valores discriminados pelo recorrente na impugnação como recebidos a título de aluguel (conforme planilha constante do Acórdão recorrido – fl. 855), é incontroverso o fato de tratarem-se de valores distintos. Assim, mais uma vez temos uma alegação desacompanhada de qualquer documento que a respalde, sequer foi informado de forma clara o depositante, acompanhado do suposto contrato de locação, com correspondência de valores, para corroborar as afirmativas, motivo pelo qual, devendo também ser mantidos tais valores. - valores depositados nos anos-calendário de 2001 a 2003, na conta-corrente nº 000638-6, da instituição bancária CCR Bom Jesus da Lapa Ltda (fls 22/23), que informa o contribuinte relacionar-se à venda de bananas realizadas por seu pai Sr. Daniel Pereira de Castro. Alegações: A relatora adentra na questão de não emissão de Notas Fiscais de Produtor e em outras questões. Pode-se afirmar com tranquilidade absoluta que o produtor de bananas da família é o Sr. Daniel Pereira de Castro, pequeno produtor rural do sertão baiano, mesmo porque entre Descalvado/SP e Bom Jesus da Lapa/BA, existe uma distância considerável, que impossibilitaria o autuado de deslocar-se seguidamente para aquela localidade para produzir bananas. Além disso, seria economicamente inviável este deslocamento. Foi suscitado pelo recorrente a possibilidade de considerá-lo como produtor rural, tendo em vista que não é outra a origem dos depósitos que não a venda de bananas produzidas pelo genitor do recorrente. A renda desta produção pertence ao Sr. Daniel, e em regra, este último é o responsável por eventual Imposto de Renda desta produção. O que o recorrente tentou provar foi a origem destes depósitos, já que o art. 42 da Lei 9.430 induz que os depósitos não justificados seriam considerados receitas. Mas não é o caso destes depósitos, que são justificados pela venda de bananas. Conforme apontado no julgamento de piso, o autuado, mais uma vez, se limita a alegar, não trazendo aos autos provas de que os recursos decorrentes desta atividade coincidem com os depósitos tributados, ou mesmo que estes recursos tenham passado pelas suas contas bancárias. Não sendo possível identificar a origem e a causa dos depósitos de modo a afirmar que estes se encontram relacionados à alegada atividade. Assim se pronunciou a autoridade julgadora de piso: Aduz ainda o impugnante que todos os valores depositados nos anos-calendário de 2001 a 2003, na conta-corrente n° 000638-6, da instituição bancária CCR Bom Jesus da Lapa Ltda (fls. 22/23), relacionam-se à venda de bananas realizadas por seu pai. Afirma que a declaração subscrita pela Frutilapa Associação dos Fruticultores da Região de Bom Jesus da Lapa, trazida aos autos durante a ação fiscal (fls. 141) e o documento de fls. 536 apresentado pela referida Associação, em atendimento à intimação efetuada pela fiscalização (fls. 535), atestam o alegado. Não lhe assiste razão. Em primeiro lugar, a declaração da Frutilapa não faz qualquer alusão aos créditos ocorridos no período de janeiro a setembro de 2001 e nos anos-calendário de 2002 e Fl. 929DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 2003, limitando-se a mencionar valores que teriam sido depositados nos meses de outubro a dezembro de 2001, os quais não guardam correspondência com os depósitos constantes dos extratos bancários (fls. 508/510). Não condiz com a verdade a afirmação do contribuinte de que o documento de fls. 536, juntado pela Frutilapa, atendeu à solicitação feita pela fiscalização para que fossem apresentadas as cópias das Notas Fiscais de Produtor correspondentes às vendas de bananas. O citado documento informa simplesmente que as transações não são feitas com a emissão de Notas Fiscais de Produtor, razão pela qual deixa de fornecê-las. Também não é possível classificar os valores depositados nos anos-calendário de 2001 a 2003, na conta-corrente da instituição bancária CCR Bom Jesus da Lapa Ltda, como omissão de receita da atividade rural e tributá-la como tal, como deseja o impugnante. Para tanto, seria necessário que ditos depósitos/créditos tivessem a sua origem de recursos, individualmente, justificados/comprovados pelo interessado, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, conforme estabelece o art. 61, § 50, do Decreto 3.000, de 1999. (...) No caso concreto, constata-se que o autuado limitou-se a alegar, não tendo trazido aos autos provas do efetivo exercício da atividade rural que apregoa exercer ou de que os recursos decorrentes desta atividade coincidem com os depósitos tributados pela Fiscalização, ou mesmo que estes recursos tenham passado pelas suas contas bancárias. Não é possível identificar a origem e a causa dos depósitos de modo a afirmar que estes se encontram relacionados às alegada atividade. A necessidade de provas inequívocas da vinculação entre os créditos e atividade rural se faz ainda mais importante em razão do fato de a tributação do ganho da atividade rural possuir tratamento diferenciado, mais benéfico, por parte do Fisco. Destarte, não tendo o contribuinte logrado comprovar, documentalmente, a origem dos valores depositados nos anos-calendário de 2001 a 2003, na conta-corrente da instituição bancária CCR Bom Jesus da Lapa Ltda, não se pode subtraí-los da tributação nem tampouco tributá-los como omissão de receita da atividade rural. O único documento apresentado pelo recorrente é a declaração prestada pela Frutilapa - Associação dos Fruticultores da Região de Bom Jesus da Lapa, de que os valores de R$ 1.878,94, R$ 1.810,00 e 180,00, depositados na conta corrente nº 638-6 da Sicoob Credilapa,, nos meses de outubro/2001, novembro/2001 e dezembro/2001, respectivamente, referem-se a vendas de bananas efetuadas pelo Sr. Daniel Machado de Castro. Ocorre que o lançamento fiscal reporta créditos de R$ 12.469,35 no ano-calendário de 2001, R$ 12.436,01 no ano-calendário de 2002 e de R$ 7.880,00 no ano-calendário de 2003, ou seja, valores totalmente discrepantes, e muito superiores, aos informados na declaração prestada pela Frutilapa. Noutro giro, não foi apresentada qualquer alegação com o intuito de justificar o fato de o valor relativo de supostas vendas efetuadas pelo Sr. Daniel Machado de Castro estar sendo depositado na conta corrente do fiscalizado. Tampouco a motivação para manutenção, por parte do autuado, de referida conta corrente no município de Bom Jesus da Lapa, posto que alega que entre sua residência em Descalvado/SP e Bom Jesus da Lapa/BA, existe uma distância considerável, que impossibilitaria o autuado de deslocar-se seguidamente para aquela localidade. Pelo exposto, mais uma vez em consonância com o julgamento de piso, entendo pela manutenção dos valores objeto deste item no presente lançamento, uma vez que não comprovada sua origem. COBRANÇA DE JUROS – TAXA SELIC Finalmente, no que se refere à irresignação relativa à cobrança de juros de mora, que toma por base a taxa SELIC, desde a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, há Fl. 930DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 2202-007.226 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002174/2005-11 orientação expressa deste Conselho quanto ao tema, consolidada na Súmula CARF nº 4, que possui efeito vinculante para seus Conselheiros, conforme a Portaria nº 277, de 7 de junho de 2018, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Ante todo o exposto, voto por não conhecer do recurso na parte em que apresenta alegações relativas ao § 3° inciso II do art. 42 da Lei 9430/96 e no mérito, para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 931DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16707.000002/2005-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Ano-calendário: 2000
Impedimento. Excesso de Receita.
Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo sócio que
detém percentual superior a 10% do Capital participe de outra
pessoa jurídica com receita bruta superior ao limite fixado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.481
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2000 Impedimento. Excesso de Receita. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo sócio que detém percentual superior a 10% do Capital participe de outra pessoa jurídica com receita bruta superior ao limite fixado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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Recorrente RS COMÉRCIO LTDA. Recorrida DRJ-RECIFE/PE 11 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2000 Impedimento. Excesso de Receita. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo sócio que detém percentual superior a 10% do Capital participe de outra pessoa jurídica com receita bruta superior ao limite fixado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do • voto do relator. Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. ANELIS DAUDT PRIETO - Presidente - • •9 C O GUERRA DE CASTRO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Heroldes Balir Neto e Celso Lopes Pereira Neto. Processo n° 16707.000002/2005-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.481 Fls. 55t. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: A empresa acima identificada, mediante Ato Declarató rio Executivo n° 539.404 de 02 de agosto de 2004, à fl. 17, de emissão do Senhor Delegado da Receita Federal em Natal-RN, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES pelo seguinte motivo: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2000 ultrapassou 1111 o limite legal. Inconformada com a exclusão a contribuinte a apresentou sua impugnação, às fls. 01 a 05, na qual ressalta o seguinte: - Afirma a contribuinte que no ADE não consta quais as empresas teriam motivado uma soma além do limite estabelecido para os optantes do simples, bem como não descrevia o sócio que destas empresas participava. - diante do parágrafo anterior alega a contribuinte cerceamento do direito de defesa tendo e vista a falta de descrição adequada dos fatos. Assim, requer a nulidade do ato declarató rio de exclusão, citando ementas de acórdãos do consleho de contribuintes Ponderando os fundamentos expostos na manifestação de inconformidade, decidiu o órgão julgador de 1' instância por, nos termos do voto do relator, indeferir o pedido de inclusão, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: 111 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 Ementa: EXCLUSÃO SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. Dá-se ensejo à situação excludente do sistema simplificado quando o sócio de empresa optante pelo SIMPLES participa com mais de 10% no capital da outra empresa e ocorre de o faturamento global superar, em todo o ano-calendário, o limite máximo legalmente estabelecido para permanência na condição de Empresa de Pequeno Porte — EPP. Solicitação Indeferida Mantendo sua irresignação, comparece a recorrente aos autos para, em sede de Recurso Voluntário, sinteticamente, reiterar suas razões de inconformidade e pugnar pela reforma da decisão de P instância. 1;ç2i 2 , , Processo n° 16707.000002/2005-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.481 Fls. 56 Analisando os fundamentos de recurso, decidiu esta Terceira Câmara, por meio da Resolução no 303 - 01344, converter o julgamento em diligência a fim de que fosse indicada e documentalmente comprovada a fonte de informação que levou à RFB a formar convicção acerca: 1. do faturamento de cada uma das empresas consideradas para o cômputo da receita global em 2000; 2. do percentual de participação do sócio, ou titular, de CPF 711.401.827-49 (Arnaldo Gaspar Júnior), em cada uma das outras oito empresas cujos CNPJ's foram indicados no ADE. I1 Determinou-se ainda que tais informações fossem encaminhadas à recorrente, a quem deveria ser franqueado prazo para apresentação de suas contra-razões. Cumprida tal diligência, com a juntada dos documentos de fls. 32 a 51,II retornaram os autos a este Colegiado sem que a recorrente apresentasse manifestação. Considerando o encerramento do mandato do i. conselheiro Zenaldo Loibman, inicialmente designado para relatar o presente processo, foi-me atribuída tal responsabilidade, por força do despacho de fl. 52. É o Relatório, i il , 3 Processo n° 16707.000002/2005-02 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.481 Fls. 57 VO Co selheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator Pouco resta a acrescer em relação à matéria que envolve o presente processo. Como bem ponderou o i. relator original, o recurso é tempestivo e envolve mat 'ria relativa à competência deste Terceiro Conselho. Ainda em sede de preliminar, encontra-se superada a discussão acerca do cer, emento do direito de defesa, eventualmente ameaçado pela alegada falta de clareza do Ato Deblaratório de exclusão. • Conforme se observa, foram juntadas aos autos telas dos sistemas inf.rmatizados da Receita Federal do Brasil, demonstrando a efetiva subsunção dos fatos à hip ' tese de exclusão abstratamente prevista no art. 9 0, IX, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 996 1 , bem assim que a recorrente teve acesso a tais informações. Com efeito, pode-se observar no resumo de fl. 43, somadas, as pessoas jurídicas que o sr. Arnaldo Gaspar Júnior detém percentual equivalente a 50% do Capital Social, regi.traram um faturamento de R$ 1.323.180,94. De se relembrar que o limite mencionado, nos termos do inciso II do art. 2° da me i a lei, após a redação dada pelo art. 3° da Lei n° 9.371/98, era de R$ 1.200.000,00 (um mil ão e duzentos mil reais). Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. • Sala das Sessões, em 7 de julho de 2008 LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Relator . 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o incis. II do art. 2"; (...)". 4
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Numero do processo: 35884.001514/2007-43
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/11/2006
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. FORMALIDADE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. DECADÊNCIA. 10 ANOS.
I - Contendo o Auto-de-Infração, todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária, não há qualquer nulidade por cerceamento do direito de defesa, ainda mais quando o Recorrente não demonstra onde situaria a nulidade apontada; II - Nos termos do § 11º art. 32 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela MP nº 1.596-14/97, convertida na Lei nº 9.528/97, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações formais de natureza previdenciária devem permanecer arquivados na empresa pelo lapso de 10 (dez) anos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.098
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/11/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. FORMALIDADE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. DECADÊNCIA. 10 ANOS. I - Contendo o Auto-de-Infração, todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária, não há qualquer nulidade por cerceamento do direito de defesa, ainda mais quando o Recorrente não demonstra onde situaria a nulidade apontada; II - Nos termos do § 11º art. 32 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela MP nº 1.596-14/97, convertida na Lei nº 9.528/97, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações formais de natureza previdenciária devem permanecer arquivados na empresa pelo lapso de 10 (dez) anos. Recurso Voluntário Negado.
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Fe • ..: -- rira .. n" ay*S-"" MINISTÉ • e I • r ' -ai a. : `1' 1683 m!= : ;v1' : 11/ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES..—.-..,. SEXTA CÂMARA--4-7#:-.- Processo n° 35884.001514/2007-43 Recurso n° 141.670 Voluntário Matéria Auto-de-Infração Acórdão n° 206-0.098 Pubbcadn no Drát J.Onwa n. I ill I ~--- OSessão de 20 de novembro de 2007 de_...,1S-- __ # or, Ronca s. Recorrente Beleza Natural Cabeleireiros Ltda mEsegundo Conselohode Recorrida Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro-RJ coidnatriubustantoes Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/11/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO- DE-INFRAÇÃO. FORMALIDADE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. DECADÊNCIA. 10 ANOS. I - Contendo o Auto-de-Infração, todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária, não há qualquer nulidade por cerceamento do direito de defesa, ainda mais quando o Recorrente não demonstra onde situaria a nulidade apontada; II - Nos termos do § 11 0 art. 32 da Lei n°8.212/91, na redação conferida pela MP n° 1.596-14/97, convertida na Lei n° 9.528/97, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações formais de natureza previdenciária devem permanecer arquivados na empresa pelo lapso de 10 (dez) anos. Recurso Voluntário Negadoi Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . . . ME- SEGUNDO CONS;:l HO 1).€ COMEM& r'S CONFER I; co,1/4: c. , •:.)RIGENAL Processo n.° 35884.001514/200743 Brasaia, 2. 1 (3 9.. , 200 CCO2/C06 Acórdão n.°206-0.Q98 Fls. 146 Maria de Fáj:4411-4)t Cavilhe Mat. Sirgue 731683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. q';"\f"•----% ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente /sakfl• 4 RO 1 . ELLIS PINTO Rei tir Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.° 35884.001514/200743 ME - SEGUNDO Cr.rstr..1 .H0 DF CONTRIBUrntS CCO2/C06 Acórdão n.° 206-0.098 coNnt.).: . O CalG1NAL Fls. 147 . 02-- / d•DO tilmarai*, ..2., 1 fr 1. 1..,.rii de Fali erremn de CarvalhoRelatório Mat. Suipe 751683 . ....w. Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela empresa BELEZA NATURAL CABELEIREIROS LTDA, contra Decisão Notificada, exarada pela Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro-RJ, que julgou procedente o presente Auto-de-Infração no valor de RS 1.156,95 (um mil, cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos). Segundo o Relatório da Infração, a autuação se deu em vista da empresa deixar de incluir em suas folhas de pagamento os segurados demitidos, bem como suas verbas rescisórias, em infração ao disposto no art. 32, I da Lei n. 8.212/91. A empresa alega em seu recurso que as infrações apuradas pela fiscalização teriam ocorrido há mais de 05 (cinco) anos, portanto estaria decadente o direito de lançar, trazendo doutrina e decisões judiciais para amparar suas pretensões. Aduz que o AI teria sido lavrado com inobservância de seus requisitos formais, citando vários pontos em que essa irregularidade estaria presente, tais como ausência de seus característicos, de clareza e precisão, entre outros, afirmando ainda que seria ilegal e inconstitucional a fixação de obrigação acessória por meio de mero decreto, para encerrar solicitando o provimento do seu recurso. A SRP apresentou suas contra-razões conforme se extrai das fls., reiterando os fundamentos da DN, requerendo a sua manutenção. (.),É o Relatório. Processo n.• 35884.001514/200743 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-0.098 N1F . SEGUNDO r n‘r: -1 /I ICI‘ DF. - C°INANTRIL C.":;;;1 Fls. 148 CONn,F2,-- . f.',' 1, t. MG . 9...k , o 9- , amt- 13:-...h.,.. ___,,______ ZP Voto markt de Fa Carvalho Mat Siape 751683 Conselheiro ROGERIO DE LELLIS PINTO, Relator Sendo o recurso tempestivo, precedido do depósito prévio, e considerando presente ainda todos os requisitos para sua admissibilidade, passo à sua análise. Em que pese o enorme esforço argumentativo demonstrado pelo ilustre subscritor da peça inconformista, não vejo, em suas razões, fundamentos que possam levar a desconstituição da Decisão de 10 grau ou mesmo a improcedência do Auto-de-Infração. O Recorrente inicia sua insurreição contra o AI em tela, afirmando que este seria nulo por violação há várias de suas formalidades legais, o que faz, contudo, sem qualquer razão. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de oficio, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a estreita observância à legislação de regência, de forma que todo o procedimento fiscal instaurado abarque os requisitos legais exigidos. Não é menos certo, que a inobservância a legislação que rege o lançamento fiscal, ou ainda de seus requisitos, implica em nulidade do lançamento efetuado, neste caso, por vicio na sua formulação. De igual sorte, ao contribuinte deve ser assegurado o amplo e irrestrito direito de defesa, sem o qual, o lançamento em si pode até subsistir, mas não sem afastar dele o vicio causado pelo cerceamento da defesa. Nesse passo, analisando com acuidade o lançamento contido no vergastado AI, não vejo onde a autoridade lançadora, ou mesmo a ilustre julgadora singular tenha incorrido em falha na condução de seu labor. A ampla defesa não se mostra agredida, na medida em que o procedimento fiscal traz em seu bojo todos os elementos necessários para a perfeita compreensão do débito, sua origem, e seus fundamentos legais. Os anexos que constam dos autos, nos mostram os percentuais adotados para efeito dos cálculos, e indicam o caminho e os critérios seguidos pela fiscalização, bastando para se confrontar e afastar as argüições recursais a sua mera analise perfunctória. Em verdade, o lançamento encontra-se satisfatória e exaustivamente fundamentado, conforme se pode aferir das fls. n° 01, que traz toda a legislação que apóia e autoriza a postura da fiscalização do INSS, indicando horário de lavratura, local e data, não restando omisso em nenhum ponto. Ademais, o AI ora atacado foi lavrado em conformidade com os ditames legais que o regulam, sendo certo que os documentos juntados ao procedimento fiscal pela autoridade lançadora permitem a total compreensão da origem do crédito levantado, pois particulariza minuciosamente a exigência lançada, não se vislumbrando qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo. Portanto, rejeito as preliminares de nulidade.i 117 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL '37ES CONFERE O ORIGINAL Processo n." 35884.001514/2007-43 Brasília, 2.- / / CCO2JC06 Acórdão n.° 206-0.098 (-4tAdiC) • Fls. 149 Maria de Fátima Carvalho Mat. Siape 751683 A empresa alega ainda em seu recurso que o direito do Fisco efetuar o presente lançamento estaria decadente, posto estar além dos 05 (cinco) anos previstos no CTN, ventilando ainda a suposta ilegalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o que merece uma manifestação de nossa parte. Sem embargos, a questão da decadência das contribuições vertidas para o Custeio da Seguridade Social, tem sido objeto de constantes discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto no âmbito jurisprudencial. Nesse ideal, é sabido que o E. STJ recentemente, por meio de seu plenário, e em decisão unânime, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo o prazo qüinqüenal para esses fins, muito embora o Pretório Excelso, guardião maior do texto Constitucional, ainda não tenha enfrentado definitivamente o tema. Não posso negar que, enquanto Conselheiro junto a uma das extintas Câmaras do V. CRPS, responsável por julgar o Custeio Previdenciário, vinha me posicionando sobre a possibilidade de aplicação do prazo de 05 anos para a decadência das contribuições previdenciárias, em situações especificas. Em verdade, creio que uma análise técnica e isenta da matéria em discussão, tal qual aquela realizada pelo STJ, nos levaria a reconhecer que, de fato, o art. 45 da Lei n° 8.212/91, padece de irremediável vício de constitucionalidade, já que trata de matéria de alçada de Lei Complementar, o que levaria a aplicação do prazo decadencial previsto no Códex Tributário, qual seja 05 anos. Não obstante esse entendimento, não podemos perder de vistas que o atual Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, veda expressamente, em seu art. 49, que suas Câmaras pronunciem ou mesmo deixem de aplicar a legislação em vigor, mesmo quando entender pela sua inconstitucionalidade. Reforçando esse posicionamento, o Pleno do 2° Conselho de Contribuinte, referendou em súmula (n° 2) a matéria, impossibilitando que seus Órgãos Julgadores pronunciem a inconstitucionalidade da legislação tributária. Desse modo, mesmo considerando que o art. 45 da Lei n° 8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, desafiou diretamente a nossa Lei Maior, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que concluo não haver nenhum crédito tributário alcançado pela decadência decenal, rejeitando assim a preliminar aventada na peça recursal. Não vejo razão também na alegação da Recorrente de que a infração em baila decorreria de previsão em mero Decreto, que seria insuficiente para sustentar a atuação estatal. Sem espaços para dúvidas, o dever tributário formal em baila, não tem seu figurino legal apenas em Decreto como alardeia o Contribuinte, mas sim no art. 32, I da Lei n° 8.212/91. Contudo, ainda que o Decreto fosse a única norma a prever a obrigação discutida, o entendimento da Recorrente não seria sustentável, posto que nos termos do § 2° do art. 113 do CTN, as obrigações acessórias, ao contrário das principais, decorrem não apenas da Lei, mas também da legislação, compreendida esta, nos moldes fixados pelo art. 96 do mesmo diploma legal, nas Leis, tratados, decretos, normas complementares etcp, . . MF - SEGUNDO COM.Sall0 DE CONTRIB CONFERE COM O ORiGINAL. ' Processo n.° 35884.001514/2007-43 Eitasilá, 2 Â , 02- __, 9.001/4 cco2/06Acórdão n.° 206-0.098 Fls. 150 Maria de sFiaabirts ai);s.;:gità"..11/41 5#$ Diante do exposto, voto no sentido de CONHECEWbO RECURSO, para NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação supra, mantendo-se inalterada a decisão de 1° grau, que espelha fielmente a legislação previdenciária. Sala das Sásõ s, em 20 de novembro de 2007 I f 411) R • a l? NI a ; LELLIS PINTO Page 1 _0065100.PDF Page 1 _0065200.PDF Page 1 _0065300.PDF Page 1 _0065400.PDF Page 1 _0065500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001788/2007-65
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/10/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
Tratando-se de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN.
Encontram-se atingidas pela decadência às competências anteriores à 11/2001, inclusive.
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §60, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente
auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive e que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/10/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratando-se de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Encontram-se atingidas pela decadência às competências anteriores à 11/2001, inclusive. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §60, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive e que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 130 1 129 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.001788/200765 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280300.945 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria Auto de Infração. Obrigação Acessória Recorrente VOTORANTIM CIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/10/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Encontramse atingidas pela decadência às competências anteriores à 11/2001, inclusive. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §60, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001788/200765 Acórdão n.º 280300.945 S2TE03 Fl. 131 2 consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive e que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001788/200765 Acórdão n.º 280300.945 S2TE03 Fl. 132 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária conforme disposto no relatório fiscal, por ter deixado de declarar na Guia do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não foram declaradas remunerações de segurados empregados referentes a participação nos lucros em desacordo com a legislação e pagamentos a contribuintes individuais. A DecisãoNotificação – fls 93 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • Decadência do crédito do período de fevereiro de 2001 a outubro de 2002. • Sobre o pagamento de participação nos lucros ou resultados da empresa não há incidência de contribuição. Em consonância ao disposto no artigo 70, XI, da Constituição Federal e as disposições da Lei no 10.101/00, a Recorrente celebra anualmente "ACORDO SOBRE PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DA EMPRESA", juntamente com o Sindicato de classe — SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DO CIMENTO, CAL E GESSO DE SÃO PAULO, e com a concordância de comissão de empregados eleitos para negociar as metas e condições do acordo. • Os valores pagos aos empregados enquadrados no Grupo Salarial 34 e acima decorrem de programa de participação nos resultados e cumprimento de metas, não havendo que se falar em bonificação ou outra espécie de remuneração, sujeita ao recolhimento de contribuição previdenciária. • Descabida a coresponsabilidade dos Diretores arrolados. • Requer a Recorrente seja o presente Recurso Voluntário julgado totalmente procedente, reformandose a decisão de primeira instância administrativa para que seja cancelada a Notificação Fiscal de Lançamento de Debito constante na NFDL — DEBCAD n° 37.134.0217. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001788/200765 Acórdão n.º 280300.945 S2TE03 Fl. 133 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 29/10/2007 em razão da apresentação de GFIP´s com ausência de fatos geradores, período fevereiro de 2001 a abril de 2006. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive. Considerando que a entrega da GFIP 12/2001 se dá em janeiro de 2002 esta competência não se encontra atingida pela decadência Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001788/200765 Acórdão n.º 280300.945 S2TE03 Fl. 134 5 Ante o exposto, acolho parcialmente a preliminar de decadência nos termos do voto proferido. DO MÉRITO Às fls 120, temos a transcrição da cláusula 11ª do acordo coletivo, nesses termos: "Cláusula Décima Primeira A empresa, a seu critério, poderá definir modalidade diferente de Participação nos Resultados para seus empregados enquadrados no sistema Hay GS 34 e acima, e neste caso, os mesmos não farão jus ao pagamento dos valores previstos neste ACORDO COLETIVO DE TRABALHO SOBRE PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS RESULTADOS DA EMPRESA — PPR." (Destacamos). Do que acima transcrito, percebemse duas situações. Na primeira, o pessoal do sistema HAYGS34 segue o que definido no acordo coletivo, não se diferenciando dos demais segurados. Na segunda situação abrese a possibilidade de, a critério da empresa, se criar novas regras de participação nos resultados. Assim sendo, na segunda hipótese, caso implementada, não há que se falar no favor legal, uma vez que tal sistema não obedece o que disposto na lei 10.101/00, art. 2º, posto que a empresa, a seu critério, é que define modalidade diferente de participação, o que afasta a negociação dos empregados em sua formulação. Resta então definir se os valores percebidos pelo grupo HAYGS34 foram pagos segundo as normas gerais do acordo coletivo, ou segundo novas regras, determinadas pela empresa. Nesse segundo caso, temos hipótese de salário de contribuição. A empresa alega que “as metas de referidos profissionais [grupo HAY GS34] são diferenciadas, sendo totalmente legal o procedimento adotado pela Companhia, uma vez que está de acordo com os requisitos da lei e com a anuência do Sindicato e Comissão de empregados. Verificase pelos documentos acostados aos autos que o programa de remuneração variável é composto de diversas metas que são negociadas com os funcionários e em plena concordância com Sindicato dos Trabalhadores.” Do que exposto, temos que a própria recorrente informa que “as metas de referidos profissionais são diferenciadas”, o que informa que os mesmos se sujeitam a regime distinto do que consta do acordo coletivo. Esclarecemos que, apesar de a recorrente afirmar que “Depreendese pelos acordos anexados à Impugnação, que a Recorrente opta pelo programa de metas e observa a todos os requisitos legais e necessários para pagamento da participação nos resultados. Ao que resulta da interpretação lógica e sistemática do conjunto de documentos apresentados”, nenhum acordo foi anexado. Assim sendo, como não demonstrado que a remuneração paga aos trabalhadores do grupo HAYGS34, a título de participação nos resultados, se sujeita as regras Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001788/200765 Acórdão n.º 280300.945 S2TE03 Fl. 135 6 expressas que estão dispostas em acordo coletivo, tenho como não atendidos os requisitos previstos no art. 2º da lei 10.101/00, devendo a decisão recorrida ser mantida em sua integralidade. DA EXCLUSÃO DOS SÓCIOS RELATÓRIO VÍNCULOS O relatório VÍNCULOS RELAÇÃO DE VÍNCULOS traz os responsáveis pela administração da empresa, com sua respectiva qualificação e período de atuação. Os referidos relatórios foram lavrados em consonância com a legislação vigente, não tendo que se falar em retificação dos mesmos. Acrescentese que a presença nos referidos relatórios não implica em automática sanção, pois apenas sintetizam informações que constam dos registros de constituição da própria empresa. A responsabilidade pelos débitos apurados, até o presente momento, é somente da empresa autuada. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas, após a lavratura do auto, pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 14485.001788/200765 Acórdão n.º 280300.945 S2TE03 Fl. 136 7 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer a decadência referente ao período anterior a 11/2001, inclusive e que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10510.002473/99-59
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1996
Ementa:
IRPF. PDV. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO
AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N.º 118/2005.
No julgamento do Recurso Extraordinário n.º 566.621, sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que a contagem do prazo de cinco anos para repetição ou compensação de indébito tributário a partir do pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, tal como previsto na Lei Complementar n.º
118, de 2005, aplica-se a partir de 9 de junho de 2005, data do início de vigência da referida lei. Assim, para as ações e/ou pedidos protocolados antes desse termo inicial, o prazo aplicável é de dez anos, contado do pagamento indevido.
IRPF. PDV. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Reconhecida a não incidência tributária, não existiu fato gerador. Com isso, a restituição de imposto retido na fonte, incidente sobre valores relativos a PDV, deve ser agregada, desde a data da retenção, dos juros calculados com base na SELIC.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-001.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do relator, para que seja considerada na restituição em foco a incidência dos juros desde a data da retenção calculados com base na Selic.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer R$21.300,00 (vinte e um mil e trezentos reais) como dedução de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/05/2012 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003 , anocalendário 2002, em virtude de glosa de despesas médicas com a fundamentação de que o contribuinte após ser intimado, embora tenha apresentado recibos, não comprovou os respectivos pagamentos. A glosa referese aos pagamentos declarados como efetuados aos profissionais Ana Paula de Souza Santos (R$12.600,00) e Marília de Carvalho Nunes (R$9.000,00). Na impugnação foi alegado que a comprovação ocorreu com recibos autênticos, que foi provada a mobilização de recursos suficientes para efetuar os pagamentos e que mantém um caixa domiciliar para pagamento de despesas urgentes em razão de sua idade avançada e problemas de saúde, havendo saldo de 19.500,00 em 31/12/2000 e R$7.500,00 em 31/12/2001. A impugnação foi deferida em parte, sendo restabelecidas as despesas referentes aos recibos aos quais havia saque em conta corrente em data coincidentes ou com pouca antecedência, não sendo admitida a alegação de que o saldo em caixa domiciliar justificava as despesas. No dia 07/03/2008 se deu a ciência do acórdão e em 03/04/2008 foi interposto recurso voluntário, contendo, em síntese, as seguintes alegações: 1.os recibos são documentos hábeis para comprovar os pagamentos como reconhecido em decisões deste Conselho; 2. junta atestado médico que comprova a necessidade do tratamento médico; e 3. o desencontro de datas entre recibos e saques bancários (alguns com diferença menor que 24horas) não pode ser impeditivo para a dedução, nem pode ser desconsiderada a existência de caixa emergencial mantido pelo recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.009802/200621 Acórdão n.º 280201.621 S2TE02 Fl. 104 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Foram apresentados, na fase de impugnação, 10 recibos de R$900,00 referentes a Marília de Carvalho Nunes, somando R$9.000,00 e 41 recibos de R$300,00, emitidos por Ana Paula de Souza Santos, totalizando R$12.300,00. Quanto à última profissional o valor que constou na Declaração de Ajuste Anual e que foi glosado foi de foi de R$12.600,00. Destarte, embora a glosa seja de R$21.600,00, o recorrente comprova por meio de recibos R$21.300,00. No lançamento e na decisão de primeira instância não se apontou que os recibos apresentados tenham descumprido qualquer requisito de forma, nem foi indicado qualquer indício que desabone a presunção de idoneidade dos recibos emitidos pelos profissionais de saúde. Não cabe nessa fase recursal averiguar eventual descumprimento de regularidade formal dos recibos. Portanto, o litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal não apontou quais as razões pelas quais os recibos apresentados não são suficientes ainda que atendam as formalidades legais. Em casos desta natureza, tenho reiteradamente decidido que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e nela não vejo apontamento algum de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, logo não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Não havendo prova em desfavor dos recibos emitidos pelos profissionais – ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Desta maneira, meu voto é DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$21.300,00 (vinte e um mil e trezentos reais) como dedução de despesas médicas. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 24 de maio de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.009802/200621 Acórdão n.º 280201.621 S2TE02 Fl. 105 5 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /05/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005564/2003-31
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA.
Não integram o cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da COFINS, por falta de previsão legal.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Ao ressarcimento de IPI, inclusive do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96, inconfundível que é com a restituição ou compensação, não se aplicam os juros Selic.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2803-000.048
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DO
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: I) por maioria de votos, em negar a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento. Vencido o Conselheiro Luís Guilherme Queiroz Vivacqua; e II) quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANDRÉIA DANTAS LACERDA MONETA
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INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Não integram o cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da COFINS, por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Ao ressarcimento de IPI, inclusive do crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363/96, inconfundível que é com a restituição ou compensação, não se aplicam os juros Selic. Recurso Negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: I) por maioria de votos, em negar a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento. Vencido o Conselheiro Luís Guilherme Queiroz Vivacqua; e II) quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A - GI SO MA E 1 0 g OS NBURG FILHO Riesidente Géa.— ANDREIA DANTAS LACERDA MONETA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Kern e Luis Guilhernie Queiroz Vivacqua. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 114/123) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 14/11/2007, contra acórdão n° 09-17.406 — 2 a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, que indeferiu o crédito presumido do IPI relativo às aquisições de insumos de pessoas físicas e a atualização do mesmo pela taxa Selic, nos ternios da ementa do acórdão (fls. 106), abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IFI INSUMOS PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IP' RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível atualização monetária ou juros de mora incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento por ausência de previsão legal. Solicitação Indeferida. • Em 29/04/2003, o contribuinte apresentou declaração de compensação pleiteando o reconhecimento do direito creditório relativo ao crédito presumido de IPI, regido pelas leis 9.363/96 e 10.276/2001, no intuito de ressarcir o valor de PIS/PASEP e COFINS incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, relativamente ao 40 trimestre de 2002, no valor de R$ 97.996,51, valor este posterioimente retificado para R$ 90.884,42, conforme fls. 16 Em 16/03/2007 (fls. 74) a autoridade local deferiu parcialmente o crédito pleiteado, não tendo sido reconhecido o valor de crédito presumido no valor de R$ 49.122,69, em decorrência das glosas efetuadas em relação às aquisições de carvão vegetal de pessoas fisicas e do frete não destacado em nota fiscal, tendo a contribuinte interposto Manifestação de Inconfounidade (fls. 79/87). A DRJ indeferiu a solicitação, nos termos da Ementa já transcrita. Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, aduzindo, em suma, possuir direito ao crédito pre4lido do IPI, previsto na Lei n°. 9.363/96 e IN/SRF n° 23/97 também quando da aquisição de I. umos de trk 2 Processo n° 10680.005564/2003-31 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.048 Fl. 93 pessoas fisicas, bem como ser possível a atualização do referido crédito pela Taxa SELIC, instituída pela Lei n°. 9.250/95. É o relatório. Voto Conselheira ANDREIA DANTAS LACERDA MONETA, Relatora O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Quanto à matéria em discussão, trata-se do beneficio fiscal instituído pela Medida Provisória n°. 948/95, convertida na Lei n°. 9.363/96, que fixou as bases do crédito presumido de IPI, concedido a estabelecimento produtor exportador como ressarcimento da contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Registre-se, inicialmente, que, a despeito da jurisprudência colacionada favorável à interessada, hoje em dia, adotou-se entendimento diverso em relação, consoante os argumentos que se seguem. A norma instituidora do beneficio tem a natureza incentivadora que a ordem jurídica considera conveniente estimular. O incentivo em questão consiste em um crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em função do valor das aquisições de insumos aplicados em produtos exportados. Tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos tennos do art. 10 da MP n°. 948/95, posteriormente convertida na lei n°. 9.363/96. Para melhor análise, transcreve-se o referido artigo: -Art. 1' - O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares números 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 197; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo." (grifei) O legislador estabeleceu que o incentivo fiscal deve ser concedido como ressarcimento da contribuição ao PIS e da COFINS. A empresa produtora exportadora paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do credito presumido. Portanto, o crédito Asumido é uma forma de compensação pelos tributos pagOna etapa anterior, tanto que a pro eria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. \ 3 Nesse diapasão, verifica-se que o artigo 1° restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições incidentes nas respectivas aquisições". O ressarcimento de créditos por valores estimados, tratamento empregado pelo legislador na concessão de incentivos, visa facilitar os mecanismos de execução e controle. No presente caso os insumos adquiridos pela recorrente de pessoas físicas não sofreram a incidência de contribuição e, portanto, não há como haver o ressarcimento previsto na nolina. Se alguma etapa anterior houve o pagamento de contribuição ao PIS e da COFINS, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento específico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no art. 1°. O estímulo concedido foi materializado como crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. Instituir uma sistemática que peimitisse o crédito de todo o valor dos tributos/contribuições, que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produtor exportador é tarefa complexa e de muito difícil controle, pela qual não optou o legislador. Esse entendimento é reforçado através do que dispõe o art. 5° da Lei n°. 9.363/96, abaixo transcrito, o qual prevê o imediato estorno a ser promovido pelo produtor exportador, quando o seu fornecedor se beneficiar, através de restituição ou compensação, da • contribuição que havia sido paga: "Art. 5°A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente.- Conforme se verifica, a despeito de que a lei isentiva deva ser interpretada literalmente, confoime preceitua o art. 111 do CTN, e no caso presente não haver qualquer resquício autorizativo de utilização dos insumos adquiridos de pessoas físicas, nos quais não ocorreu a incidência da contribuição em sua última etapa, ainda que a interpretássemos de modo sistêmico o resultado seria o mesmo, ou seja, não há previsão para tal beneficio. Alegar as hipóteses de fruição de tal beneficio equivale a criar rega jurídica nova. Portanto, não foi a edição de Instrução Nolinativa que limitou a utilização dos créditos e sim a própria Lei n°. 9.363/96, instituidora do beneficio. Desse modo, quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas, não há o que ressarcir, dado que os fornecedores não são contribuintes das referidas contribuições. No que se refere à aplicação da taxa Selic no referido crédito, melhor sorte não assiste à recorrente. Não existe previsão legal para a incidência de juros ou correção monetária sobre créditos escriturais de IPI, tendo a Lei n° 9.250/95 estabelecido a incidência da Taxa SELIC apenas nos casos de restituição ou compensação por pagamento indevido ou a maior. Nesse ponto, cumpre destacar que os institutos não se confundi e não mantém relação de gênero e espécie. De acordo com o artigo 165 do CTN, em dir-ito à \\ 4 Processo n° 10680.005564/2003-31 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.048 Fl. 94 restituição o sujeito passivo que pagou tributo indevidamente. Já o ressarcimento de que trata a Lei n° 9.363/96 é uma forma de incentivo fiscal concedido ao sujeito passivo. A lei estabelece que apenas nos casos de compensação ou restituição de tributos ou contribuições pagos indevidamente ou a maior haverá a incidência de juros equivalente à Taxa SELIC a partir de 1° de janeiro de 1996. Em se tratando de ressarcimento, não existe previsão legal específica para essa incidência. Logo, indefere-se a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária no ressarcimento pleiteado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 11 de março de 2009. 4,2-- ANDREIA DANTAS LACERDA SONET 5
score : 1.0
Numero do processo: 35465.000478/2005-70
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000
COMPENSAÇÃO. LIMITE LEGAL.GLOSA
A compensação, sem a observância do limite estabelecido no art. 89 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei n" 9.129/95, ou em desrespeito ao prazo disciplinado no art. 253 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, autoriza a glosa correspondente.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08 declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN, Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.050
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e dar provimento parcial, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA JÚNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000 COMPENSAÇÃO. LIMITE LEGAL.GLOSA A compensação, sem a observância do limite estabelecido no art. 89 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei n" 9.129/95, ou em desrespeito ao prazo disciplinado no art. 253 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, autoriza a glosa correspondente. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08 declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN, Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:28:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:28:46Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:28:46Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:28:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7165b2ad-eb5a-4574-8e7b-371fdcc99e76; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:28:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:28:46Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:28:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:28:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:28:46Z; created: 2010-12-15T10:28:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-15T10:28:46Z; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:28:46Z | Conteúdo => S 2-T E.03 F I 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO '44-Z4~r' Processo n" 35465.000478/2005-70 Recurso n" 257.903 Voluntário Acórdão n" 2803-00.050 — 3" Turma Especial Sessão de 27 de abril de 2010 Matéria COMPENSAÇÃO: GLOSA Recorrente INDÚSTRIA BRASILE1R.A DE EVAPORADORES LTDA Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR IA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000 COMPENSAÇÃO. LIMITE LEGAL.GLOSA A compensação, sem a observância do limite estabelecido no art. 89 da lei n" 8.212/91, na redação dada pela lei n" 9.129/95, ou em desrespeito ao prazo disciplinado no art. 253 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, autoriza a glosa correspondente. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08 declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN, Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, L Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e dar provimento parcial, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado HELTO •, á. ÍL S PR.,' A DE LIMA — Presidente , OSEAS CORJA 11 OR - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempers de Moraes Abreu (suplente), Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório ata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão da Receita Previdenciaria em São Paulo/SP, fis. 77-80, que ratificou a glosa de compensações efetuadas acima do limite 30% das contribuições devidas e referentes a periodos decadentes. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese, que: 1. Houve recolhimento a maior de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a administradores e trabalhadores autônomos, calculado à aliquota de 20% (vinte por cento), contribuição esta declara da inconstitucional pelo STF. 9 É legitimo direito do Suplicante em promover, sem restrições e sem limitações, a compensação dos pagamentos indevidos 3 Por fim requer a reforma da r.decisão, declarando insubsistente o lançamento aplicado. É o relatório.. Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR., Relator DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA • A sumula vinculante do STF, ri" .08 tá2: "São inconstitucionais o parágrafo único do ai ligo 5" do Dec, eto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que ti atam de piescriçáo e decadência de crédito a ibutát io" Com a decisão da Pretória Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art 150, § 42 e 173, ambos do Código Tributário Nacional — CTN.. Transcrevemos o artigo 173: Art 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributár io exlingue-se após 5 (cinco) anos, contados- 2 Processo n" 35465 000478/2005-70 52-T E03 Acórdão n " 28G3-00,.050 Fl 2 I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado,. II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo esfingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipótese de inexistência de pagamento antecipado ou na oconência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. "Ementa 11 Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de .fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art 173, .I, do CTN " (STI REsp .39.5059/RS Rel. Min Diana Calmo!? 2" Turma Decisão 19/09/02 DI de 21/10/02, p 347) "Ementa Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, à fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os. arts 150, § 4", e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo ácadencial será de cinco CUM" a contar da ocorrência do fato gerador .. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de ,fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no cut 173,1, do CTN ."(STI EREsp 278727/DF Rel.. Min Franciulli Netto 1" Seção. Decisão 27/08/03 Dide 28/10/03, p 184) Já o artigo 150, § 4', informa: Art 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento .sem prévio evame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim ever chia pelo obrigado, eyressamente a homologa § 4" - Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fruo ger odor, espirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pi onunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente estimo o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, (ande ou simulação (grifo nosso) 3 Tal rem é aplicada quando temos antecipação parcial de pagamento e inocorrência de fraude ou dolo: Uma vez que °contribuinte teve ciência da Notificação em 29/04/2005, aplicando-se as regras do art. 150, há que se reconhecer à decadência referente às competências anteriores a 03/2000, inclusive, o que, no presente caso, se resume às competências 11 e 12 de 1999. As competências 04/2000 e seguintes não estão atingidas pela decadência. Ante o exposto, declaro de oficio a decadência, nos termos do voto proferido. DA COMPENSAÇÃO A lei 8212/91, em seu art. 89, na redação dada pela lei 9.129/95, disciplina a matéria. AH 89 Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Segui idade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido (Redação dada pela Lei n" 9,129, de 1995) 1" Admitit-se-à apenas a restituição ou a compensação de comi ibuição a cargo da emptesa, recolhida ao INSS, que, por sua nanneza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço orei acido à sociedade (Redação dada pela Lei n" 9 129, de 1995) 2" Somente poderá sei restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das pai celas tele) idas nas alíneas a, b e c, do parági gf.° 1'717iC0 do alt11 desta Lei (Redação dada pela Lei n" 9.129, de 1995) ,sS' 3" Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei 17" 9.129, de 1995) Pela leitura da norma, fica a constatação de que o limite para os valores a serem compensados, é de 30%(trinta por cento) do valor a ser recolhido em cada competência. Em relação ao prazo para que se efetue a compensação, temos o disciplinamento do art. 25:3 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: "Ari 2.53 O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras impai téincias extingue-se uni cinco anos, contados da data'' 1 - do pagamento ou recolhimento indevido, ou, 4 Processo n" 35465 0004782005-70 S2- T E.03 Acórdão n 2803-00.050 H .3 li - em que .se tomar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha ieformado, anulado ou revogado a decisão condenatória Aplicando-se a compensação fora dos limites determinados pela legislação, tem-se como correta a glosa pela Autoridade Fiscal, CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e dou-lhe PROVIMENTO PARCIAL para declarar a decadência referente às competências anteriores a 03/2000, inclusive, mantendo o crédito tributário referente as demais competências Sala de sessões cm 27 de abril de 2010. OSÉAS C MBR JUNIOR Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002541/2009-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
INSUMOS. ALCANCE DO TERMO.
São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes.
CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS
NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi
consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da
contribuição.
CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE
VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito.
CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO.
IMPOSSIBILIDADE.
Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO.
INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL.
O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
ART. 62-A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS
QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-002.987
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovadas pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregadas do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira reconheceu também o direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e
higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório. O Relator, além destes, reconheceu também o direito ao creditamento quanto às aquisições de pessoas físicas.
Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ART. 62-A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovadas pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregadas do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira reconheceu também o direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório. O Relator, além destes, reconheceu também o direito ao creditamento quanto às aquisições de pessoas físicas. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 2 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS não – cumulativo – Exportação, transmitido em 18/09/2008, relativo ao segundo trimestre de 2008, no valor de R$ 90.337,01. Também consta pedido de compensação para este crédito. A unidade de origem, após diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, buscando a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, emitiu Despacho Decisório embasado em Relatório Fiscal, por meio do qual reconheceu parcela do crédito invocado no valor de R$ 63.295,67 e homologou a compensação no limite do crédito reconhecido. Consta ainda que foram glosadas as seguintes despesas: a) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção); b) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção; c) Produtos sujeitos à alíquota zero; d) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, peças diversas); e) Materiais de Transporte; f) Compras de pessoas físicas. Cientificada em 24.03.2010, apresentou manifestação de inconformidade na qual impugna todas as glosas efetuadas pelo auditor fiscal e acima elencadas, e alega, em apertada síntese: a) Pretende o auditor aplicar o conceito do IPI para definição de insumos na apuração dos créditos de COFINS, para fins da nãocumulatividade, quando inexiste lei formal permissiva para tal extensão interpretativa; b) O entendimento aplicado ao caso vai de encontro ao externado em decisões administrativas em situações análogas. Oportunamente colaciona decisões administrativas e judiciais favoráveis aos seus interesses; A DRJ em Belém não reconheceu a parcela do crédito impugnada (R$ 27.041,34) nem homologou a compensação declarada, conforme se observa da ementa que transcrevemos abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. PIS NÃOCUMULATIVO.CRÉD1TOS. INSUMOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 13/06/2011, apresentou voluntariamente recurso em 29/06/2011 para este Conselho, no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e, pleiteia a reforma do julgado recorrido, com o deferimento do pedido de ressarcimento, considerando que a Recorrente planta, produz e comercializa maçãs, e demais atividades agropastoris. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Rasip Agropastoril S.A. tem por objeto social a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 3 5 atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes a essas atividades. Busca a contribuinte a repetição do indébito relativo ao Cofins não cumulativo – exportação, relativo ao segundo trimestre de 2008, por meio de Per/Dcomp. Seu pleito foi parcialmente deferido, tendo a autoridade fiscal oportunamente esclarecido que os valores glosados dizem respeito à aquisições que estariam fora do conceito de insumos tendo em vista que não configuram matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e também não são serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. A Recorrente utiliza como argumento, em suma, que todos os elementos objetos de glosa pelo auditor fiscal fazem parte do processo produtivo da empresa, de modo que os gastos e custos de produção devem gerar crédito de Pis/Pasep e COFINS. Sobre o tema central da discussão, em 29 de agosto de 2002, foi editada a Medida Provisória nº. 66, que instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindoa na Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2000. Em seu art. 3º, inciso II, a referida lei autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. In verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifamos) Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 324DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. O art 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõe sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Buscando normatizar o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 325DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 4 7 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...]b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 326DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (grifamos) [...] O que se extrai da leitura dos dispositivos acima transcritos é que o creditamento das contribuições sociais encontramse adstritas aos bens utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o qual se transcreve abaixo a título comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI. O regime da nãocumulatividade do IPI, cujo critério material é a operação relativa à produtos industrializados, encontra respaldo no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática da nãocumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito da entrada do insumo que foi aplicado no produto industrializado, fazendo com que haja a compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores. Por tal razão, o conceito de "insumo" para fins de nãocumulatividade do IPI, restringese basicamente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como aos produtos que são consumidos no processo de industrialização, que tenham efetivo contato com o produto. Por outro lado, no caso do Pis/Pasep e da Cofins, o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Ademais, a tributação do IPI se relaciona com o produto, enquanto que a do PIS/Pasep e a COFINS se relaciona com a produção. Entrementes, não podemos admitir que se amplie tal conceito ao ponto de permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial, conforme preceitua os arts. 290 e 299 do RIR (despesas operacionais). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 5 9 A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além das contribuições incidirem sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questão. Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as depesas necessárias à atividade da empresa. Assim, tal qual o Estudo realizado pela PGFN/COCAT, elaborado pela D. Procuradora Bruna Garcia Benevides, acerca do alcanse do termo “insumos” pra fins de creditamento das contribuições aqui abordadas, entendo que “apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Se entre tais dispêndios e os respectivos processos produtivos houver uma inerência direta, haverá, então, direito ao crédito pleiteado.” Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão somente os gastos com bens ligados à “essencialidade ao processo produtivo” ante o seu inegável subjetivismo. Neste ponto, faço minhas as palavras do Il. Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, no acórdão nº 310201.143, em trecho que transcrevo a seguir: “Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo.” Assim, creio que o critério que mais confere segurança jurídica para a Administração Fazendária e seus administrados é o da aplicação direta do bem no processo produtivo. Desta forma, como outrora demonstrado, a abrangência do termo “insumos”para fins de creditamento do Pis/Pasep e da Cofins vai além daquele estabelecido pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do IR, ressaltando que o gasto necessita ser essencial ao processo produtivo, de forma que sua subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo. Tecidas essas considerações, passemos à análise mais específica das glosas procedidas pela autoridade preparadora em fls. 105/112 dos autos. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM EMPILHADEIRAS No relatório fiscal, narra o auditor responsável que quando da visita à empresa, verificouse que o contribuinte utilizava as empilhadeiras para descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento. Assim, pelo critério da essencialidade, observase que as empilhadeiras, participam efetivamente do processo produtivo da empresa uma vez que trabalham diretamente no produto, movimentando a maçã desde à produção até a expedição. Neste sentido, tendo em vista que a subtração do serviço importa em óbice à atividade da empresa, entendo que as despesas com as empilhadeiras devem gerar o creditamento . APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTE Continua a narrativa do fiscal atuante, desta vez no tocante aos gastos oriundos de despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes sobre os quais tenta a empresa se creditar: A aquisição de combustíveis e lubrificantes constitui parcela vultosa do total de créditos escriturados pela contribuinte, de acordo com a memória de cálculo apresentada pela contribuinte. Durante a execução da diligência fiscal à empresa constatamos que grande parte destes combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores. Contudo, há de se lembrar que a contribuinte utiliza tais tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Tal constatação é embasada pelas informações contábeis da empresa, em especial no grupo de contas 13214 MOBILIZAÇÕES EM ANDAMENTO. Analisando o razão das contas de nível inferior (nível 5), constatamos que nas contas referentes aos pomares ainda i não produtivos ("POMAR NOVO") existem lançamentos a débito cujas contrapartidas estão localizadas nas contas de estoque, em especial na conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Ou seja, a contribuinte adquire os combustíveis e lubrificantes, realizando um lançamento a crédito em fornecedores e a débito nas contas de estoque e PIS/COFINS a recuperar. Contudo, parcela deste estoque de combustíveis não é efetivamente utilizada como insumo, pois acaba destinada ao ativo imobilizado. Seguindo o mesmo raciocínio do tópico anterior, somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento da Cofins pleiteado pela contribuinte. Assim, do estoque de combustíveis que não foram efetivamente utilizados como insumos e foram, portanto, destinados ao ativo imobilizado, destes valores não poderá a empresa se creditar. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO Fl. 329DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 6 11 No que tange ao aproveitamento dos créditos relativos a bens sujeitos à alíquota zero, transcrevemos a vedação expressa apresentada pelo inciso II, §2° do art. 3º das Leis n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Percebese que o que a somente possibilita a tomada de crédito relativamente a bens e serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. Vale dizer: se sobre a receita gerada na operação anterior, quando da aquisição do bem ou serviço, não incidiram (ou estavam isentos ou sujeitos à alíquota zero) o PIS e a COFINS, não há que se falar em crédito na operação seguinte. 1 Este mesmo entendimento foi refletido no julgamento do Resp nº 1.134.90300/SP, submetido ao crivo dos recursos repetitivos (543C do CPC), que por força do art. 62A do RICARF estamos obrigados a reproduzir: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não 1 Vide: AMS 2006.32.00.0026522/AM, Rel. Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, Conv. Juíza Federal Gilda Sigmaringa Seixas (conv.), Sétima Turma,eDJF1 p.236 de 27/11/2009; IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO CREDITAMENTO INEXISTÊNCIA DO DIREITO EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353657, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe041 DIVULG 06032008 PUBLIC 07032008 EMENT VOL0231003 PP00502 RTJ VOL0020502 PP00807) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo Fl. 331DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 7 13 método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE BENS DIVERSOS Restou apurado pela autoridade fiscal que a contribuinte , registra créditos sob a rubrica "Outras Operações com Direito a Crédito" em seus DACONs. Através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Consta ainda que a fiscalizada trouxe neste momento nova memória de cálculo adicionando colunas para o número do bem aplicado, a descrição do bem, centro de custo, bem como a respectiva descrição de cada um dos itens inclusos como "Outros créditos". No tocante ao Centro de custos MAPE (máquinas pesadas), MACE (manutenção civil e elétrica), DIFR e MANU, tenho que as despesas vinculadas a estes centros de custos não podem ser consideradas insumos para fins de creditamento, tendo em vista que tais receitas descritas como "Oficina (geral)", "Conservação de maquinas (Geral)", incluindo até mesmo manutenção em veículos leves, ou seja, são utilizadas de diversas formas que não, diretamente e especificamente no processo produtivo que ora se analisa. As despesas com manutenção de veículos Gol, Ford Courier, Kombi e Meriva, bens destinados a estoque/oficinas,também seguem as considerações tecidas acima. Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Os demais insumos lançados na rubrica "Insumos Linha 2" e descritos pelo fiscal como estacas e fita para enxertia bem que deve ser destinado ao imobilizado; decalco de caminhão, areia, palitos, lonas, e vinhos não serão considerados por não apresentarem características de insumo. APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE MATERIAL DE TRANSPORTE Outrossim, a autoridade fiscal glosou, ainda, o que considerou “embalagem de transporte”. Em sua justificativa, a glosa se fundou na impossibilidade de enquadrar a respectiva nas hipóteses previstas no art. 3º das Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, seja como insumo da produção (inciso II), seja como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). Para tanto, utilizouse da legislação do IPI, que distingue a embalagem de apresentação e a de acondicionamento para transporte, pois separam a que pode ser considerada insumo e a que não pode. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Não poderíamos concordar com tal decisão. Isso porque a embalagem de transporte, de fato, faz parte do custo de venda daquele produtor. Elas visam a conservação proteção do produto durante o transporte contra agentes externos indesejáveis como choques mecânicos, poeira, outros agentes contaminantes, água, umidade, etc, mormente porquanto será manuseada por pessoal não especializado. Assim, se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens em questão serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e podem ser consideradas como insumos deste. Numa interpretação extensiva, podese considerar o material de transporte insumo sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias, nos termos definidos no art. 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002. No caso da COFINS, o inciso IX deixou bem clara esta intenção quando incluiu os serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, quando suportados pelo vendedor. A própria lei mais recente, ao dar efetividade ao princípio da nãocumulatividade expresso no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, visando sempre diminuir os custos finais do produto, pelo nãorepasse a este de tributos cobrados em toda da cadeia produtiva, considerou a situação de o próprio produtor arcar com os custos de armazenagem de frete, descontandose os créditos de PIS e COFINS referentes a estes serviços da apuração do tributo correspondente. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2 APURAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE OS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO No que tange à defesa destinadas aos bens do ativo imobilizado, embora o relatório fiscal tenha detalhado a contabilidade apresentada pela Recorrente e identificado cada uma das glosas, percebese que a mesma limitouse a tecer considerações genéricas em relação ao ponto impugnado, alegando que a impossibilidade de verificação e identificação dos valores que compõem a glosa que nos dizeres do julgador de piso, se encontraram “em frontal antagonismo à evidente clareza e precisa descrição constante do ato impugnado”. Consequentemente, meras objeções genéricas e desacompanhadas de provas não serão conhecidas por inobservância do disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, o qual exige impugnação específica dos pontos em que haja discordância. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS Finalmente, no que toca a aquisição de produtos de pessoas físicas, consta do Relatório Fiscal que foram glosadas as seguintes aquisições realizadas de pessoas físicas: alfafa enfardada, mel, feno, tifton, milho para consumo, bezerras pardas, macho pardo, vacas registradas. 2 REsp 1125253/SC. Relatoria do Min. Humberto Martins. Julgado em 19/08/2009. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 8 15 A autoridade preparadora glosou as referidas aquisições tendo em vista que tal procedimento não encontraria embasamento legal, consoante § 3º do art. 3º das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Assim, advoga a contribuinte tese defensiva no sentido de que a Lei n° 10.925 de 23 de julho de 2004 concedeu o direito ao contribuinte de efetuar o crédito presumido de PIS/COFINS nas aquisições de produtos de pessoas físicas tomando por vista que a Recorrente se enquadra no capítulo 2, como produtora de Leite e no capítulo 8 como produtora de maçã. Portanto, não se trataria de crédito básico de PIS e COFINS, mas sim de crédito presumido destas contribuições. Vejamos o dispositivo legal que rege a matéria: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada ao caput pela Lei n° 11.051, de 29.12.2004, DOU 30.12.2004) (g.n) O normativo legal acima transcrito permite o aproveitamento de créditos relativos às aquisições de pessoas físicas condicionadas à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apesar de já mencionado no inicio do voto, a Recorrente tem por objeto social a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes a essas atividades. Do conceito de insumos adotado no presente voto, percebese que produtos como alfafa enfardada, mel, feno, tifton, milho para consumo, bezerras pardas, macho pardo, vacas registradas encontramse inseridas no processo produtivo da empresa, sendo o mel, produto destinado à alimentação humana, oriundo da apicultura e os demais decorrentes da atividade agropecuária, sem os quais a contribuinte não produziria o leite comercializado, sendo, portanto, essencial à atividade da empresa. Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que Fl. 334DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 16 efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório d) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto as maquinas que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção; e) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), f) aquisições de pessoas físicas bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado não reconheço a parcela do crédito pleiteado decorrente de despesas contabilizadas como ativo imobilizado, manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), créditos sobre bens diversos que não tiveram contato direto com o produto e não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, assim como, apuração de créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero e a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado da Interessada (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES). [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Em relação ao voto vencido, há apenas duas questões a serem abordadas neste voto vencedor, sobre as quais houve entendimento majoritário em sentido contrário ao esposado pelo relator, a saber: a) direito ao creditamento em relação às despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório; b) direito ao creditamento em relação às aquisições de pessoas físicas – crédito presumido. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapola os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 9 17 Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. O regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 3. Como nos ensina Marco Aurélio Greco4, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Além da possibilidade, em tese, de um determinado bem cumprir, para fins de creditamento, o requisito de utilidade ou necessidade para a produção, devem constar dos autos informações convincentes de que ele seja aplicado diretamente na produção, sem o que não se pode concluir quanto à sua inclusão no conjunto de aquisições sobre o qual se calculará o direito creditório. I. Creditamento. Gastos com materiais de limpeza e higienização, cercas para rebanho e manutenção de laboratórios. Inobstante as peculiaridades da não cumulatividade das contribuições sociais, conforme acima abordado, não se pode ampliar o direito ao creditamento no sentido de alcançar o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial. 3 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 4 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 18 Conforme apontado pelo relator, a “autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a COFINS ao imposto de renda, o que não seria adequado”, já que as contribuições incidem sobre a receita, e não sobre o lucro. Inexiste nos autos comprovação inequívoca de que os gastos com materiais de limpeza e higienização se encontram vinculados direta, necessária ou totalmente ao processo produtivo da pessoa jurídica. Os materiais de limpeza e higienização podem ser utilizados de forma generalizada em todos os departamentos e setores do estabelecimento, inclusive os administrativos, inexistindo nos autos prova manifesta que possibilite a discriminação de seu uso apenas no processo produtivo da pessoa jurídica. Quanto às cercas para rebanho, elas se mostram mais consentâneas com bens do ativo imobilizado, cujo direito ao creditamento deriva de depreciação e não do valor total de sua aquisição. Os dispêndios com manutenção de laboratório não se encontram discriminados da forma precisa que possibilite aferir a sua natureza, se vinculados ao processo produtivo ou não. Segundo a Fiscalização, essas despesas não se referem a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Nesse sentido, uma vez que não se têm por configurados os requisitos da utilidade ou da necessidade e da aplicação direta na produção, não se acatam tais dispêndios no cálculo do crédito decorrente da não cumulatividade da contribuição. II. Aquisições de pessoas físicas. Agroindústria. Ressarcimento do crédito presumido. Impossibilidade. A Lei n° 10.833/2003, que instituiu a Cofins não cumulativa assim dispunha: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a aliquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 10 19 § 6º Relativamente ao crédito presumido referido no § 5º: 1 seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de aliquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2º desta Lei; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. De acordo com os dispositivos legais supra, a agroindústria poderia se valer de créditos presumidos para deduzilos dos débitos a recolher em decorrência da não cumulatividade, podendo, ainda, nos casos de haver crédito disponível no final do trimestre, compensálos ou requerer seu ressarcimento, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Contudo, os §§ 5º e 6º do art. 3º acima reproduzidos foram revogados pela Medida Provisória n° 183/2004, convertida na Lei n° 10.925/2004, que reinstituiu os créditos presumidos da agoindústria nos seguintes termos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Conforme excerto supra, a Lei n° 10.925/2004 dispôs sobre a possibilidade da pessoa jurídica apenas deduzir da contribuição devida em cada período de apuração o crédito presumido, tendo sido mantidas as revogações promovidas pela Medida Provisória que a originou, não se aplicando a partir de então, por conseguinte, a apuração da contribuição, no que se refere ao crédito presumido, da forma prevista no art. 3° da Lei nº 10.833/2003. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 20 Nessa nova sistemática, deixou de existir a possibilidade de compensação ou ressarcimento do crédito presumido, por inexistir autorização legal nesse sentido, dado que, após as alterações legislativas supra referenciadas, o aproveitamento dos créditos da contribuição, via dedução, compensação ou ressarcimento, da forma prevista nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, passou a se restringir aos casos de apuração na forma do art. 3º dos mesmos diplomas legais, não alcançando a nova hipótese de apuração do crédito presumido sob análise. A autorização legal à compensação e ao ressarcimento prevista no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 se restringe às hipóteses previstas no art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. Os artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 não se encontram abarcados pelo permissivo legal. Dessa forma, após a vigência da Lei n° 10.925/2004, passouse a prever, tão somente, o aproveitamento do crédito presumido por meio de dedução dos débitos da própria contribuição devida em cada período, na sistemática da não cumulatividade, não se aplicando, no caso, o disposto na Lei n° 11.116/2005. Eis o teor do art. 16 da Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Nos termos do caput do art. 16 supra, constatase que apenas nas hipóteses dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, o saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser utilizado por meio de compensação ou ressarcimento. Portanto, a partir da vigência da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido sob análise deixou de ser passível de compensação ou ressarcimento, podendo, apenas, ser utilizado para a dedução dos débitos da contribuição devida em cada período na sistemática da não cumulatividade. III. Conclusão Fl. 339DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.002541/200905 Acórdão n.º 380302.987 S3TE03 Fl. 11 21 Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para RECONHECER o direito a crédito e autorizar o ressarcimento quanto às a) despesas com empilhadeiras; b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela contribuinte sua participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado em 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES; c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, quanto às maquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), bem como, homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Por outro lado, voto por NÃO RECONHECER o direito de crédito relativamente às parcelas decorrentes de (i) despesas contabilizadas como ativo imobilizado, (ii) manutenção de instalações (colchão, areia, tinta), (iii) créditos sobre bens diversos que não foram essenciais para a produção, ou seja, que foram genericamente utilizados pela empresa, (iv) créditos quanto aos produtos sujeitos à alíquota zero, (v) a parcela segregada do combustível/ lubrificante que integralizou o ativo imobilizado (conta 11701009 ESTOQUE DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES), (vi) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório e (vii) aquisições de pessoas físicas (crédito presumido). É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 22 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11020.002541/200905 Interessada: RASIP AGRO PASTORIL S/A 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.987, de 23 de maio de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 23 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 341DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 31/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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