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Numero do processo: 16682.722010/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CORREÇÃO. Tendo em vista que o acórdão embargado apresenta erro material, subiste a necessidade de acolhimento dos embargos.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão e acrescentar ao v. acórdão embargado, os fundamentos constantes neste julgamento, para, julgando o recurso voluntário apresentado por PROMON ENGENHARIA, dele conhecer em parte, e, na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CORREÇÃO. Tendo em vista que o acórdão embargado apresenta erro material, subiste a necessidade de acolhimento dos embargos. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão e acrescentar ao v. acórdão embargado, os fundamentos constantes neste julgamento, para, julgando o recurso voluntário apresentado por PROMON ENGENHARIA, dele conhecer em parte, e, na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente. Lourenço Ferreira do Prado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado
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OMISSÃO. CORREÇÃO. Tendo em vista que o acórdão embargado apresenta erro material, subiste a necessidade de acolhimento dos embargos. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão e acrescentar ao v. acórdão embargado, os fundamentos constantes neste julgamento, para, julgando o recurso voluntário apresentado por PROMON ENGENHARIA, dele conhecer em parte, e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 20 10 /2 01 5- 01 Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por PROMON ENGENHARIA LTDA em face do v. acórdão 2402004.488, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO AO PARCELAMENTO DA LEI 12.996/14. PERDA DO INTERESSE EM AGIR. Tendo em vista que o parcelamento tributário se constitui em situação na qual o contribuinte renuncia de forma expressa o direito sobre o qual se funda a autuação, com a sua adesão ao programa de parcelamento, mitigado está o seu interesse de agir. Precedentes. Recurso Voluntário Não Conhecido. Sustenta a embargante, que o v. acórdão recorrido incorreu em obscuridade e omissão, respectivamente, na medida em que: (i) no corpo do relatório do acórdão, consta a transcrição de excertos de documentos do processo nos quais são apontados a empresa IRMÃOS FERREIRA, sendo que, no entanto a empresa contratada no caso foi a PROMON ENGENHARIA, se tratando de questões estranhas aos autos, e que, portanto, devem ser corrigidas; (ii) que a inclusão do crédito tributário objeto da NFLD pela Petrobrás em parcelamento administrativo, com a consequente desistência de seu recurso, o que gerou o seu não conhecimento, não pode alcançar o recurso voluntário por si protocolado, havendo interesse jurídico próprio a demonstrar que não deu causa a constituição de qualquer cobrança do crédito objeto do presente processo em face da Petrobrás. Prestadas as devidas informações, foi determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 16682.722010/201501 Acórdão n.º 2402005.085 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado CONHECIMENTO Tempestivos os embargos, merecem conhecimento. MÉRITO Inicialmente, deixo consignado que o presente processo (16682.722010/201501) foi formalizado a fim de que os Embargos de Declaração apresentados pela solidária Promon Engenharia Ltda, CNPJ 61.095.923/000145, nos autos do processo no 18471.001860/200845, sejam analisados. Essa formalização foi efetuada tendo em vista que o contribuinte Petróleo Brasileiro S.A., CNPJ. 33.000167/000101, aderiu ao parcelamento da Lei no 12.966/14 e apresentou desistência, de forma irrevogável, do Recurso Voluntário interposto no processo no 18471.001860/200845. Posteriormente, ocorreu a homologação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão no 2402004.488. No entanto, a contribuinte Promon Engenharia Ltda., inconformada, apresentou a petição recursal declaratória, sustentando seu interesse em recorrer. Pois bem, reconheço a omissão constante no v. acórdão embargado, que não se manifestou quanto ao conhecimento ou não do recurso interposto pela empresa PROMON, o qual passo a analisar. Entendo que a adesão ao parcelamento levada a efeito pela devedora principal, enseja a perda de seu interesse de agir, diante da confissão irretratável da dívida e mesmo da assunção de compromisso para o seu pagamento. No entanto, tenho que os efeitos da adesão ao parcelamento levada a efeito pela devedora principal, não pode atingir o interesse recursal da parte que fora indicada nos autos como devedora solidária, pois esta pode deduzir pedidos diversos daqueles constantes no recurso das outras partes envolvidas no processo. Por outro lado, mesmo entendendo que o parcelamento e confissão irretratável da dívida, não pode afastar, num primeiro momento, a análise do pleito efetuado pela devedora solidária, entendo que os argumentos recursais da solidária, que se referem a legalidade da cobrança e/ou existência do crédito tributário, também não podem ser conhecidos, exatamente diante da confissão irretratável da dívida pela devedora principal e o seu consequente pagamento. Dessa forma, diante do aceite, o crédito tributário existe e seu montante foi reconhecido pela devedora principal. Assim, por entender que o parcelamento encerra a discussão sobre a existência ou não do crédito tributário, a legalidade de seu lançamento e a forma de apuração de sua base de cálculo, tenho por prejudicados os argumentos constantes no recurso voluntário Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 da ora embargante e que ataquem direta ou indiretamente o lançamento, que se relacionem com tal questão, a saber: a (i) ausência de comprovação da cessão de mãodeobra nos serviços prestados pela embargante, (ii) vícios e questionamentos quanto a base de cálculo, (iii) inexistência de lançamento prévio ou fiscalização em face da PROMON, (iv) que o lançamento fora efetuado por arbitramento, sem, no entanto, que houvesse citação da fundamentação legal para adoção do procedimento. Assim, a meu ver, somente poderíamos analisar a tese recursal da ocorrência do pagamento prévio ao lançamento. No entanto, quanto ao tema, melhor sorte não aufere a embargante, já que não vislumbro dos autos a existência de pagamento das contribuições lançadas previamente ao lançamento. Conforme se verifica dos autos, no que se refere a existência de pagamentos prévios, a 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através Acórdão 0318, de 27/03/2006 (fls. 522/527), decidiu anular a Decisão Notificação – DN, recomendando a adoção de providências mínimas para evitar a duplicidade de lançamentos fiscais, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhida. Tais providências vieram a ser adotadas, não tendo sido verificada a ocorrência dos pagamentos. Ressalto que a ora embargante veio a ser intimada do resultado de referida diligência, quedandose inerte em apresentar manifestação em sentido contrário, ou mesmo trazendo aos autos a devida comprovação do pagamento anterior das contribuições lançadas. Assim, ante o exposto, não vejo outra conclusão, senão rejeitar o pedido. Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para, sanando a omissão, acrescentar ao v. acórdão embargado, os fundamentos constantes neste julgamento, para, julgando o recurso voluntário apresentado por PROMON ENGENHARIA, dele conhecer em parte, e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Relator Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003745/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que não ocorreu no presente lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que não ocorreu no presente lançamento. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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Recorrente KELLOGG BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que não ocorreu no presente lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 45 /2 00 7- 33 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.025 2 Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão proferido pela DRJ/Salvador que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defis/São Paulo, referemse a multas isoladas pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL em alguns meses do anocalendário de 2003 e totalizaram, respectivamente, os valores de R$ 307.737,71 e R$ 97.906,90. Antes de ser distribuído para a minha relatoria, o processo foi apreciado pela 3ª Turma Especial desta 1ª Seção, em 25 de novembro de 2014, quando, pela Resolução nº 1803000.124, decidiuse declinar a competência do julgamento para a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara. Tal decisão foi motivada por se entender que haveria a necessidade de o julgamento ser realizado em conjunto com o do processo nº 11831.001429/200228, o qual, na época, estava pendente de julgamento naquele outro colegiado. Depois, conforme disposto no artigo 2º do novo Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/15, a competência para a apreciação do presente recurso foi transferida para esta Turma pelo fato de ter sido extinta a referida 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório contido no voto condutor daquela resolução: Cingese a controvérsia em imposição de multas isoladas pela falta de recolhimento de IRPJ e CSLL incidentes sobre estimativas, referentes aos períodos de 04/2003, 07/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003 no que diz respeito ao Imposto de Renda e 07/2003, 08/2003, 09/2003 e 10/2003 com relação à Contribuição Sobre Lucro Líquido. O lançamento ocorrido no Auto de Infração ora questionado teve origem no Processo 11831.001429/200228, no qual a recorrente pleiteava a compensação de crédito, no momento em que foi verificado pela autoridade Fazendária que os Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.026 3 valores não teriam sido declarados em Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF. A recorrente foi devidamente intimada da autuação e, oportunamente, apresentou Impugnação às fls. 391/399, a qual foi resumida no relatório da DRJ da seguinte forma: 1. Na data que o lançamento foi cientificado à recorrente, a Medida Provisória nº 351/07 já não mais vigorava, não podendo se sustentar a validade do lançamento. 2. Ainda que se considere que a MP 351/2007 fora convertida na Lei n° 11.488/2007, a verdade é que, repetindo o que já fizera a referida MP, a alteração feita ao invocado art. 44, § 1º, inciso IV da Lei 9.430, foi no sentido de revogálo integralmente, dessa forma não poderia ter sido invocado pela autoridade lançadora. 3. Os valores apontados na fiscalização foram regularmente compensados por meio de declarações de compensações. 4. Ao analisar o processo 11831.001429/200228, que versa sobre as declarações, a autoridade julgadora entendeu pelo reconhecimento parcial do direito creditório da Recorrente, redundando assim na compensação dos créditos. 5. Contra a decisão prolatada no processo 11831.001429/200228, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 14 de setembro de 2007, que na oportunidade não tinha sido analisada pela DRJ competente. 6. Que a exigibilidade do crédito fosse suspensa até a prolação de decisão no processo 11831.001429/200228, uma vez que sem a resolução da referida controvérsia, não se poderia ter conclusão do presente feito. A DRJ de Salvador proferiu acórdão no qual julgou procedente em parte o pleito da impugnante, para manter as multas isoladas referentes ao IRPJ e à CSLL nos valores de R$ 155.578,16 e R$ 41.519,35, e exonerar os valores de R$ 152.159,55 e R$ 56.387,37, cuja ementa restou posta da seguinte forma: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2003 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL COMPENSAÇÃO INEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Verificada a compensação indevida de tributo ou de contribuição não lançado de ofício, ou não confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário decorrente da falta de cumprimento da obrigação tributária. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.027 4 ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. IMPOSTO E CONTRIBUIÇÃO APURADOS ANUALMENTE. MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES DISTINTOS. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de ofício incidente sobre o imposto ou sobre a contribuição apurados anualmente, pois são decorrentes de fatos geradores distintos. Impugnação procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O recorrente foi intimado do acórdão da DRJ em 05/06/2007 e, tempestivamente, interpôs recurso voluntário em 01/07/2013, cujas principais fundamentações são as seguintes: 1. Que na decisão proferida pela DRF de Salvador houve alteração da fundamentação legal que embasou o auto de Infração lavrado contra a ora Recorrente. 2. Que no Auto de Infração, a recorrente foi autuada por suposta falta de recolhimento dos valores de IRPJ e CSLL devido por estimativa no ano de 2003, ao passo que a decisão recorrida tratou de autuação em razão de não declaração dos referidos débitos de IRPJ e CSLL em DCTF naquele período. 3. O julgamento deve ser feito de acordo com o que contém nos autos do processo administrativo e com o que foi pleiteado pelo próprio Fisco, não podendo, em hipótese alguma ampliar a fundamentação da autuação para prejudicar uma das partes. 4. À época em que a Recorrente foi notificada da autuação já não mais vigorava a Medida Provisória 351/07. 5. Muito embora a MP 351/07 tenha sido convertida posteriormente na Lei nº 11.488/2007, esta ratificou o que já havia feito a MP, revogando integralmente o artigo 44, § 1ª, IV da Lei 9.430. 6. A recorrida utilizou como fundamentação legal para a Autuação erroneamente um artigo já revogado, em total afronta ao artigo 106, II, do Código Tributário Nacional, que dispõe quais as situações em que a lei poderá retroagir em benefício do contribuinte. 7. Os referidos débitos foram devidamente quitados por meio do instituto da compensação com crédito decorrente do Processo Administrativo nº 11831.001429/200228. 8. Não é possível se admitir a cobrança das multas isoladas, já que não há, até o presente momento, a caracterização de qualquer infração à legislação. 9. É preciso que se aguarde a decisão definitiva do processo administrativo sem que haja qualquer punição indevida à ora Recorrente ou, ao menos, que este processo seja apensado àquele. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.028 5 10. Que todos os débitos do IRPJ e CSLL apurados por estimativa no ano de 2003 foram devidamente declarados em DCTFs, diversamente do que consta na decisão ora recorrida. 11. A ora recorrente apurou um saldo negativo de IRPJ e CSLL neste exercício, sendo esta mais uma razão para a não aplicação de multa já que não houve infração. 12. Os fatos jurídicos tributários do IRPJ e da CSLL consistentes em auferir renda e lucro líquido, só se caracterizam em 31 de dezembro de cada ano, surgindo apenas a obrigação tributária quanto ao seu recolhimento efetivo aos cofres públicos. 13. A partir do encerramento do ano financeiro, não há mais que se falar na obrigação de antecipar os valores de IRPJ e CSLL, muito menos imputar ao contribuinte a penalidade pecuniária da multa isolada pelo descumprimento do dever de antecipação. 14. A multa isolada somente pode ser aplicada quando a fiscalização ocorrer antes do término do exercício financeiro, o que não ocorreu no presente caso. 15. Como no caso em tela a autuação foi lavrada somente em 14/11/2007, ou seja, após o encerramento da apuração anual do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário de 2003, resta evidente que não se pode admitir a cobrança dos valores de multa isolada aplicada à recorrente. 16. Se fosse para a fiscalização exigir alguma multa da ora Recorrente, deveria ser esta uma multa de ofício, mas jamais uma multa isolada. 17. Admitirse a cobrança concomitante da multa isolada e a multa de ofício, é admitir a possibilidade de se impor dupla penalização sobre um mesmo fato jurídico. A Fazenda Pública não apresentou contrarrazões e os autos subiram a esta Corte Administrativa para análise. Como esclarecimento adicional, acrescento que a exoneração, pela DRJ, de parte das multas aplicadas foi motivada pelos seguintes fatos: De fato, através dos documentos de fls 220 a 251 (IRPJ) e fls. 309 a 334 (CSLL), a Impugnante traz ao PAF as comprovações de que efetivamente apresentou em 16/06/2004, Declarações de Compensação retificadoras vinculadas ao direito creditório analisado no Processo 11831.001429/200228 protocolado em 19/02/2002, (...) (...) Como se vê, alguns pedidos originais foram protocolados antes da vigência da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, período em que as Declarações de Compensação não possuíam a condição de confissão de divida, e portanto, Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.029 6 deveria o declarante confessar seus débitos em DCTF ou, em caso contrario, sujeitarse ao lançamento de oficio para constituição do débito formalizando assim o crédito tributário. (...) Da análise dos Per/Dcomp retificadores apresentados pelo contribuinte em 16/06/2004, observase que alguns pedidos foram originariamente apresentados após 30/10/2003, data em que tais declarações passaram a constituirse em confissão de divida, da mesma forma que as DCTF, motivo pelo qual, não mais caberia o lançamento para formalização dos respectivos débitos, uma vez que estes já estavam devidamente confessados nos respectivos Per/Dcomp apresentados sob a égide da nova legislação instituída pela MP 135, de 30/10/2003. Assim, quanto aos débitos declarados nos Per/Dcomp apresentados originariamente na vigência da MP 135/2003, ou seja após 30/10/2003, não há que se falar em lançamento, pois os débitos já estão constituídos pela confissão da divida, e os lançamentos respectivos devem ser exonerados. Quanto aos débitos declarados nos Per/Dcomp protocolados originariamente antes da vigência da MP 135/2003, cuja a confissão em DCTF não se materializou, os lançamentos devem ser mantidos, (...) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Apesar de a extinta 3ª Turma Especial desta 1ª Seção ter declinado sua competência por entender que o julgamento deveria ser realizado em conjunto com o do processo nº 11831.001429/200228, melhor razão assiste à instância a quo quando percebeu que o presente lançamento não se confunde com a matéria analisada no processo de compensação. Aqui, discutese a imposição de penalidades por não ter o contribuinte recolhido (ou declarado) os débitos de estimativa do anocalendário de 2003. No outro processo, discute se a homologação da compensação de um conjunto maior de débitos (nem todos caracterizados na condição de confissão de dívida, tais como os que foram mantidos como base para a parcela das multas mantida pela decisão recorrida). Tratase de aferir a fidedignidade do crédito alegado. O fato de a decisão final daquele outro processo homologar em maior ou menor extensão a compensação dos débitos informados, na conformidade do crédito reconhecido, em nada vai influenciar o fundamento utilizado para o lançamento deste processo. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.030 7 Nada obstante, a título de informação, destaco que foi negado provimento ao recurso voluntário apresentado no processo nº 11831.001429/200228, pelo Acórdão nº 1102 001.314, de 05 de março de 2015, tendo sido mantida a decisão da primeira instância, qual seja, a homologação parcial da compensação dos débitos informados. Quanto ao litígio do presente processo, restam as multas isoladas aplicadas sobre as estimativas declaradas nas PER/DCOMP que a DRJ considerou como não ensejadoras da condição de confissão de dívida. Estas teriam sido originalmente apresentadas antes da vigência da Medida Provisória (MP) nº 135/2003, depois convertida na Lei nº 10.833/2003, instrumento legislativo que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 atribuindo a referida condição para as declarações de compensação. Independentemente do controvertido pronunciamento da DRJ, segundo o qual as PER/DCOMP retificadoras apresentadas em 16/06/2004 não teriam o condão de transmutar essas declarações em confissões de dívida, quanto à matéria das multas isoladas sobre estimativas, sigo o entendimento que somente concorda com a sua aplicação se ficar constatado que houve parcela do tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. Nesse sentido, pela clareza da argumentação empreendida, peço vênia para reproduzir trecho, conquanto extenso, do voto proferido pela ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias no julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais realizado em 15/08/2012 (Acórdão nº 910101.455): A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis1: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” 1 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.031 8 A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.032 9 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004. Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.033 10 Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.034 11 Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº 105139.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.035 12 “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In:“Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.036 13 (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do ano calendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar multa isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual. Pelo que pode ser verificado nos extratos da DIPJ juntados aos autos (fls. 32 a 35 e 38 a 40 do processo em papel), o contribuinte havia deduzido na apuração anual os valores das estimativas que serviram de base para a aplicação das multas isoladas (fls. 179 do processo em papel). E, de acordo com o entendimento supra, isto significa que os tributos devidos não foram recolhidos nem como estimativas nem como resultado dos ajustes. Portanto, não se deveria lançar multas isoladas, mas, sim, as eventuais diferenças dos tributos apurados nos ajustes acompanhados de multas proporcionais. Em vista disso, inexiste parcela que deixou de ser paga na forma de antecipação, sendo paga no ajuste (caso negativo do item "ii" acima), capaz de justificar a aplicação das multas isoladas. Vale a pena também ressaltar que o caso presente não se trata de aplicação da Súmula CARF nº 105 porque as multas isoladas não foram aplicadas de forma concomitante com multas de ofício por falta de pagamento dos tributos apurados no ajuste anual. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.037 14 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado No Acórdão nº 10323370, de 24/01/2008, assim externei minha posição sobre o tema relativo à multa isolada: Realmente, a posição dominante no Conselho de Contribuinte é a espelhada na decisão da Câmara Superior que se segue: Número do Recurso: 108128691 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 13502.000331/200120 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IRPJ Recorrente: CATA NORDESTE S.A. Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 12/04/2004 15:30:00 Relator(a): José Clóvis Alves Acórdão: CSRF/0104.930 Decisão: DPM DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, Marcos Vinícius Neder de Lima, José Henrique Longo, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que negaram provimento ao recurso. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: IRPJ – MULTA ISOLADA – FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO – A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso. (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimento excedentes em períodos anteriores. (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor. (Lei nº Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.038 15 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subsequentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Se aplicada depois do levantamento do balanço a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida. Segundo esse posicionamento, a multa isolada em razão do não recolhimento de antecipações deve se ater ao imposto apurado no ajuste anual. Se nenhum imposto ao final for apurado, nenhuma multa será devida, dentre outros motivos, por ausência de base de cálculo. Não se poderia punir o particular tomando se por base um tributo que não seria mais devido. Essa jurisprudência, no entanto, é fruto da enorme carência no cenário nacional de estudos acerca do regime jurídico das sanções administrativas e, mais especificamente, das sanções tributárias. Diante disso, é comum que se apliquem princípios atinentes ao regime jurídico tributário. Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.039 16 intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.003745/200733 Acórdão n.º 1401001.540 S1C4T1 Fl. 1.040 17 É o que ocorre no presente caso. Apesar de não ter havido infração quanto ao tributo devido em definitivo (análoga ao estelionato), caracterizouse a infração pelo não pagamento da antecipação (análoga ao falso), que deve ser sancionada. Devese, assim, ser mantida na integralidade a base de incidência do percentual sancionador. Conforme relatório, não houve lançamento, sobre um mesmo valor, de multa proporcional e isolada. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 11971.000441/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.555
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345.
JOÃO BELLINI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11971.000441/200997 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.555 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de dezembro de 2015 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente UNILEVER BRASIL GELADOS DO NORDESTE Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF 26.345. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 71 .0 00 44 1/ 20 09 -9 7 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11971.000441/200997 Resolução nº 2301000.555 S2C3T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Li o relatório a quo , compulsei com os autos, acrescentando que o levantamento foi realizado por arbitramento, tendo corroborado o conteúdo, por economia processual , aproveitoo na íntegra e, com grifos de minha autoria, abaixo o reproduzo: "1. Tratase, nos termos de relatório fiscal de fls. 64 a 89, de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD na qual foram lançados os valores complementares da contribuição prevista no art 22, II da lei 8.212/91. Afirma, em síntese, o referido relatório : 1.1 a notificada reconhece (campo "Ocorrência" da OFIP) para alguns empregados a exposição a agentes nocivos; 1.2 o referido reconhecimento é apto a proporcionar a concessão de aposentadoria após 25 anos de contribuição e o conseqüente adicional de contribuição progressivamente cobrado na seguinte forma : 2% ( de 04/99 a 08/99), 4% ( de 09/99 a 02/2000) e 6% ( de 03/2000 em diante); 1.3 a base de cálculos dos adicionais mencionados é a mesma declarada pela própria notificada para os empregados expostos a agentes nocivos; 1.4 a identificação de tais empregados apoiouse nos seguintes documento ofertados pela empresa : folhas de pagamento, PPRA, PCMSO, LTCAT,DIRBEN8030,PPP e CAT 1.5 valores lançados, no período de 04/99 a 12/2005, sob o código ESP Aposentadoria Especial 25 anos; 1.6 ausência dos seguintes documentos em diversas competências : PPRA, PCMSO e LTCAT, ensejando a lavratura do Al no 37.009.550 2; 1.7 para as competências de 08, 12 e 13/1999, 10,11,12 e 13/2000, 03/2001, 03 e 04/2002, 03 e 13/2003 e 13/2004 não foram apresentadas as folhas de pagamento por centro de custo, sendo aferidos seus valores pelo valor da competência imediatamente anterior; 1.8 e por fim, do cotejo dos documentos apresentados concluiu a fiscalização pela ausência de comprovação do afastamento dos riscos detectados ( RUÍDO , CALOR E QUIMICOS) e a conseqüente cobrança do adicional de 6% relativo a aposentadoria especial cabível. 2. Documentos anexos ao relatório fiscal : 2.1 fls. 90 a 119 : planilha resumo das folhas de pagamento dos setores expostos a agentes nocivos (período de 04/99 a 13/2002); 2.2 fls. 120 e 121 : planilha resumo das folhas de pagamento dos setores expostos a agentes nocivos (período de 01/2005 a 12/2005); Fl. 577DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11971.000441/200997 Resolução nº 2301000.555 S2C3T1 Fl. 4 3 2.3 fls. 124 a 233 : planilha relação de empregados dos setores expostos a agentes nocivos (período de 01/2005 a 12/2005); 2.4 fls. 234 a 258 : planilha total de horas extras nas Areas sujeitas a agentes nocivos (período de 04/99 a 12/2005); 2.5 fls. 272 a 312: PPRA de junho de 1999; 2.6 fls. 313 a 319: PPRA de junho de 2000; 2.7 fls. 320 a 339: PPRA de junho de 2001; 2.8 fls. 340 a 354: PPRA de julho de 2002; 2.9 fls. 355 a 362 : PPRA de junho de 2003, concluindo pela existência de Ruído acima do tolerado ( 85 db(A)), determinando a prioritária adoção de medidas de proteção coletiva e registrando que o uso do protetores individuais torna adequado o ruído do ambiente ; 2.10 fls. 363 a 393: PPRA de junho de 2004; 2.11 fls. 394 a 433 : PPRA de julho de 2005; 2.12 fls. 434 e 435 : PCMSO de 2004; 2.13 fls. 436 e 437: PCMSO de 2005; 2.14 fls. 438 a 467: LTCAT de dezembro de 200333, concluindo pela existência de Ruído acima do tolerado ( 85 db(A)), determinando a prioritária adoção de medidas de proteção coletiva e registrando que o uso do protetores individuais torna adequado o ruído do ambiente ; 3. A notificada, em sua defesa ( fls. 469 a 489) , alega em síntese: 3.1 prazo decadencial para constituição de crédito; 3.2 cerceamento de defesa diante do prazo quinzenal de defesa; 3.3 no mérito, defende que o comprovado uso do EPI afasta por completo o risco e , por conseguinte, o cabimento da aposentadoria especial, ensejadora da cobrança pretendida nesta NF; 3.4 requer, ao final, a completa nulidade da presente notificação. 4. E o relatório." DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO Às fls 516 consta a DECISÃO / NOTIFICAÇÃO 15.4015 /203/2007 que negou provimento à impugnação interposta DO RECURSO VOLUNTÁRIO Às fls. 533 a Recorrente interpôs recurso onde inovou e arguiu a competência funcional do INSS É o Relatório. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11971.000441/200997 Resolução nº 2301000.555 S2C3T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro IVACCIR JÚLIO DE SOUZA DA TEMPESTIVIDADE E DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em face do que fora relatado, inferese que o presente auto de infração reporta se às diferenças de recolhimento. Desse modo é lícito concluir que houveram pagamentos antecipados. Isto posto, é de se exortar a aplicação do art. 150, §4° do Código Tributário Nacional CTN e ainda o comando da súmula 99 deste egrégio Conselho : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (..) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Embora o sobredito, para que não se embargue a decisão sob argumento de obscuridade, determino o retorno dos autos às origens para que a autoridade autuante informe com efetivos registros se a empresa efetuou recolhimentos para a rubrica em comento ou para quaisquer outras no período autuado. CONCLUSÃO Desse modo, conheço do recurso para ao abrigo do art. 29 do Decreto 70/235/72, votar pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização verifique e demonstre se efetivamente ocorreram os recolhimentos solicitados. Ressaltese que o teor desta Resolução bem como a vinculada resposta, devem ser notificados ao Recorrente Fl. 579DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11971.000441/200997 Resolução nº 2301000.555 S2C3T1 Fl. 6 5 antes de retornarem a este Conselho para que, em querendo, o sujeito passivo possa se manifestar. É como voto. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator Fl. 580DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 13924.000062/2005-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
DEDUTIBILIDADE DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS DA BASE DE
CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
Em face do disposto no art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995, os tributos e contribuições que tenham sua exigibilidade suspensa não são dedutíveis pelo regime de competência.
Numero da decisão: 9101-001.167
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias e Alberto Pinto Souza Júnior que negavam provimento.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Claudemir Rodrigues Malaquias
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 DEDUTIBILIDADE DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. Em face do disposto no art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995, os tributos e contribuições que tenham sua exigibilidade suspensa não são dedutíveis pelo regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias e Alberto Pinto Souza Júnior que negavam provimento. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Valmar Fonsêca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karen Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffman (Vice Presidente). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 7/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 13924.000062/200564 Acórdão n.º 910101.167 CSRFT1 Fl. 721 2 Relatório Com fundamento no art. 32, inciso II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55/98, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face do acórdão nº 10515.583, de 22.03.2006, proferido pela Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselhos de Contribuintes. O presente processo contempla os autos de infração lavrados em 08.03.2005 para constituir crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 462/469), foi apurada omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa no anocalendário de 2002. A Contribuinte apresentou impugnação à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em CuritibaPR que, por meio do Acórdão nº 8.956, de 04.08.2005, julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada, no que pertine a esta discussão (fls. 543556): “(...) DEDUTIBILIDADE DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS IMPUGNADOS Por força do disposto no § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, combinado com o inciso III do art. 151 do CTN, a regra geral de dedutibilidade segundo o regime de competência não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em face de impugnação interposta em instância administrativa. (...)” Em face da decisão que lhe foi desfavorável, a Contribuinte interpõe o Recurso Voluntário (fls. 561583), que fora apreciado pela Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para afastar a tributação do IRPJ e decorrentes, no que se refere ao estorno dos valores recebidos em dinheiro pela Contribuinte e quanto à possibilidade de abatimento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores lançados em decorrência dos autos relativos ao PIS e a COFINS, nos termos do Acórdão nº 10515.583 (fls. 586603), assim ementado, na parte que interessa à presente discussão: “DEDUTIBILIDADE DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS IMPUGNADOS Tratandose de lançamento em que a base de cálculo do IRPJ seja a mesma das contribuições para o PIS e COFINS, há que se deduzir na apuração do IRPJ e da CSLL, o valor correspondente as citadas contribuições calculadas em decorrência sobre a mesma base e os respectivos juros de mora.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 7/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 13924.000062/200564 Acórdão n.º 910101.167 CSRFT1 Fl. 722 3 A Fazenda Nacional insurgese contra a decisão da Câmara a quo que i) cancelou os valores de IRPJ relativos ao estorno de valores recebidos em dinheiro, não considerados pela fiscalização na apuração do saldo credor de caixa e ii) considerou a possibilidade de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores lançados de ofício correspondentes ao PIS e a COFINS. Junta acórdãos paradigmas e aponta divergência na interpretação da legislação tributária, alegando em síntese que: i) quanto ao saldo credor de caixa, a Lei nº 9.430/1996, art. 40 instituiu a presunção legal, transferindo o ônus da prova ao Contribuinte que, no presente caso, não logrou demonstrar a regularidade de sua escrita fiscal, e que ii) a partir da Lei nº 8.981/1995, art. 41, os tributos e contribuições passaram a ser dedutíveis segundo o regime contábil de competência, exceção feita àqueles cuja exigibilidade esteja suspensa, como é o caso dos autos. Conforme o Despacho PRESI nº 1050.148/2007, de 13.04.2006, o Presidente da então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento parcial ao Recurso Especial na parte relativa à dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ das contribuições PIS e COFINS lançadas de ofício. Intimada, a Contribuinte apresenta suas contrarrazões (fls. 659693), onde pugna pela manutenção a decisão recorrida. É o relatório no essencial. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 7/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 13924.000062/200564 Acórdão n.º 910101.167 CSRFT1 Fl. 723 4 Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento, nos mesmos termos do despacho PRESI nº 1050.148/2007, de 13.04.2006 (fls. 668669). Na parte conhecida, a questão a ser dirimida por este Colegiado limitase a saber se as contribuições para o PIS e COFINS, lançadas de ofício de forma reflexa a diferenças apuradas de IRPJ, devem ser deduzidas da base deste e da CSLL, por ocasião do lançamento. A decisão recorrida entendeu que há que se deduzir na apuração do IRPJ e da CSLL, o valor correspondente as citadas contribuições calculadas em decorrência sobre a mesma base e os respectivos juros de mora. Entretanto, entendo que este não é o entendimento correto. Em face do disposto no art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995, os tributos e contribuições que tenham sua exigibilidade suspensa não são dedutíveis pelo regime de competência, verbis: “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (...)” (negritouse) A partir de 1º de janeiro de 1995, os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, porém a dedutibilidade não se aplica aos tributos e contribuições que tenham sua exigibilidade suspensa. Aliás, frisese que somente são dedutíveis as despesas reconhecidas e regularmente escrituradas na contabilidade. No presente caso, tratase de valores de PIS e COFINS lançados em decorrência de receitas (omitidas) não incluídas na base de cálculo do IRPJ, ou seja, os valores exigidos referemse à diferenças encontradas pela fiscalização e que, portanto, não se encontravam devidamente registradas na contabilidade. De fato, autoridade fiscal não pode deduzir, de oficio, despesas que não haviam sido registradas na contabilidade da fiscalizada. Esta é a razão por que os demonstrativos de apuração da base de cálculo do IRPJ lançado de ofício não deduzem os tributos e contribuições reflexos cujo crédito está sendo constituído no mesmo procedimento. Nos termos do normativo vigente, os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa estão sujeitos à regras de dedutibilidade com base no regime de caixa, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 7/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 13924.000062/200564 Acórdão n.º 910101.167 CSRFT1 Fl. 724 5 sendo dedutíveis da base do IRPJ e da CSLL somente no período de apuração correspondente ao seu efetivo pagamento. Ao julgador desta instancia administrativa, também, não é permitido proceder tal dedução, pois conforme o art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95, a dedução segundo o regime de competência não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151, do CTN. No caso em apreço, o PIS e COFINS de que tratam os presentes autos, encontramse com a exigibilidade suspensa nos termos do inciso III do referido art. 151 ("reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo"). Com efeito, a impugnação interposta pela Contribuinte contra as exações do PIS e da COFINS determinou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a solução final da lide administrativa, nos exatos termos do art. 151, inciso III do CTN. Estando suspensa a exigibilidade do tributo, a regra de dedutibilidade passa a ser o regime contábil de caixa, conforme preceitua o art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/1995. Considero, assim, que a decisão recorrida merece ser reformada neste ponto, haja vista que quando da formalização do crédito tributário do IRPJ e da CSLL os valores correspondentes ao PIS e a COFINS, decorrentes de receitas não contabilizadas, estavam com sua exigibilidade suspensa, não devendo, pois, ser considerado na apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. Pelas razões expostas, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso da Fazenda Nacional para, na parte conhecida, DARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 1 7/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS
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Numero do processo: 10952.000394/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
TRIBUTOS PAGOS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Devem ser alocados aos tributos exigidos no auto de infração os valores pagos pelo sujeito passivo antes de iniciada a ação fiscal, bem como afastadas as respectivas multas de ofício.
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
Devem ser apartados para um novo processo administrativo os valores dos tributos devidos relativamente aos quais o sujeito passivo desistiu de litigar.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005, 2006
PIS/COFINS. ALÍQUOTA ZERO.
Comprovado mediante apresentação das respectivas notas-fiscais de saída que os produtos comercializados pelo sujeito passivo estão submetidos à alíquota zero do PIS/Cofins, deve-se afastar a exigência destas contribuições.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA DE OFÍCIO. PARCELAMENTO. EXIGÊNCIA.
Verificado que o parcelamento do crédito tributário requerido pelo sujeito passivo, nos termos do art. 1º, § 3º, da Lei nº 11.941/2009, foi indeferido pela autoridade local, não há como se conceder o benefício de redução da multa de ofício ali instituído.
Numero da decisão: 1201-001.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para:
a) determinar a alocação dos pagamentos realizados pelo sujeito passivo a título de IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL, conforme demonstrativo à fl. 885, aos respectivos débitos objeto do lançamento. Tendo em vista que os referidos pagamentos foram efetuados antes de iniciado o procedimento fiscal, deve-se afastar a multa de ofício proporcional correspondente a esses débitos;
b) determinar, tendo em vista não mais serem objeto de litígio, sejam apartados para um novo processo os valores principais de IRPJ e CSLL remanescentes;
c) exigir da contribuinte e dos responsáveis solidários (fl. 50 e ss.) o pagamento da multa de ofício qualificada incidente sobre os débitos de IRPJ e CSLL indicados no item anterior;
d) exonerar a contribuinte e os responsáveis solidários do pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins remanescentes, após a alocação determinada no item a, retro.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 TRIBUTOS PAGOS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Devem ser alocados aos tributos exigidos no auto de infração os valores pagos pelo sujeito passivo antes de iniciada a ação fiscal, bem como afastadas as respectivas multas de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. Devem ser apartados para um novo processo administrativo os valores dos tributos devidos relativamente aos quais o sujeito passivo desistiu de litigar. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006 PIS/COFINS. ALÍQUOTA ZERO. Comprovado mediante apresentação das respectivas notasfiscais de saída que os produtos comercializados pelo sujeito passivo estão submetidos à alíquota zero do PIS/Cofins, devese afastar a exigência destas contribuições. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO. PARCELAMENTO. EXIGÊNCIA. Verificado que o parcelamento do crédito tributário requerido pelo sujeito passivo, nos termos do art. 1º, § 3º, da Lei nº 11.941/2009, foi indeferido pela autoridade local, não há como se conceder o benefício de redução da multa de ofício ali instituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 2. 00 03 94 /2 01 0- 81 Fl. 13033DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: a) determinar a alocação dos pagamentos realizados pelo sujeito passivo a título de IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL, conforme demonstrativo à fl. 885, aos respectivos débitos objeto do lançamento. Tendo em vista que os referidos pagamentos foram efetuados antes de iniciado o procedimento fiscal, devese afastar a multa de ofício proporcional correspondente a esses débitos; b) determinar, tendo em vista não mais serem objeto de litígio, sejam apartados para um novo processo os valores principais de IRPJ e CSLL remanescentes; c) exigir da contribuinte e dos responsáveis solidários (fl. 50 e ss.) o pagamento da multa de ofício qualificada incidente sobre os débitos de IRPJ e CSLL indicados no item anterior; d) exonerar a contribuinte e os responsáveis solidários do pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins remanescentes, após a alocação determinada no item “a”, retro. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otavio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos nos termos dos arts. 33 e 34 do Decreto nº 70.235/72, contra acórdão exarado pela 2ª Turma da DRJ em Salvador – BA. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 872 e ss.): Tratamse de autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), fls. 02/25, decorrentes da apuração de receitas da atividade escrituradas e não declaradas, em relação aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005 e 2006, segundo o Relatório de Verificação Fiscal de fls. 26/49, que t em o seguinte teor: 1. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL: o sujeito passivo foi selecionado para verificação de omissão e/ou insuficiência de declaração e recolhimento de PIS, Cofins, CSLL e IRPJ, nos anoscalendário de 2005 e 2006, tendo em vista a existência de divergências entre os valores de vendas de mercadorias e/ou prestação de serviços informados à Secretaria da Fazenda do Estado Fl. 13034DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 4 3 da Bahia, por meio de Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA, e os valores de receita bruta informados à RFB em DIPJ, constatadas em cruzamento de informações da RFB com o órgão estadual, conforme demonstrado a seguir: Anocalendário de 2005 Saída de Merc. (...) em DMA R$ 35.461.676,93 Receita Bruta informada em DIPJ (original) R$ 6.305.451,23 Diferença R$ 29.156.225,70 Anocalendário de 2006 Saída de Merc. (...) em DMA R$ 40.921.643,79 Receita Bruta informada em DIPJ (original) R$ 0,00 Diferença R$ 40.921.643,79 2. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL: a fiscalização teve início em 22/09/2009, com a ciência pessoal do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 66/67), tendo sido a empresa, no ato, representada por seu procurador (fl. 69), Marcos Eriberto Moreno Freitas, CPF n° 261.173.20515; a referida ciência foi realizada no endereço comercial do citado procurador da empresa, por não terem sido encontrados quaisquer dos sócios administradores no endereço cadastral da fiscalizada, consoante Termo de Constatação e Declaração de fl. 95; 3. DESENVOLVIMENTO DO PROCEDIMENTO FISCAL: 3.1 DO ATENDIMENTO AO TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL: o objetivo social da empresa é o comércio atacadista de bebidas, mais especificamente distribuição exclusiva de produtos da marca Schincariol, à época dos fatos geradores tributários, na praça de Itabuna/BA; no ato de ciência do Termo de Início, o procurador da fiscalizada (Marcos Eriberto Moreno Freitas) forneceu à auditoria fiscal os documentos em seu poder, quais sejam: instrumento de mandato, datado de 02/12/2008, no qual o sujeito passivo, representado pelo sócio administrador José Roberto Dias Machado, o nomeia seu procurador, inclusive, e especialmente, com amplos poderes de representação junto à RFB; cópias simples das identificações civis dos sócios administradores (José Roberto Dias Machado e José Lins Motta); e contrato social e alterações de n°s 01, 02, 03, 04, e uma sem número, esta datada de 15/09/2008, na qual já figura como testemunha o procurador Marcos Eriberto; em 01/10/2009, foi solicitada prorrogação de prazo para o atendimento do Termo de Início, entretanto, escoado o prazo concedido, e após diversos contatos telefônicos com o procurador, e Fl. 13035DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 5 4 contador, do sujeito passivo, que sempre alegava que os livros comerciais e demais documentos solicitados estavam em Itabuna, em poder do seu antigo contador, foi realizada nova diligência em seu endereço cadastral; após tentativa infrutífera de reintimação do Termo de Início, por via postal, no endereço cadastral da empresa, cujo Aviso de Recebimento (AR), datado de 14/07/2010, retornou com a indicação de mudança de endereço, foi realizada nova diligência, em 19/07/2010, que constatou ter a mencionada mudança ocorrido há cerca de três meses, além do desconhecimento, pelo depoente, do endereço dos sócios da fiscalizada, conforme Termo de Constatação e Declaração lavrado; o então procurador e contador da empresa, Marcos Eriberto, foi mais uma vez diligenciado, na mesma data, ocasião em que afirmou não mais desejar exercer a representação do sujeito passivo, tendo alegado também desconhecer o seu novo endereço. Em relação ao sócio administrador, José Roberto Dias Machado, alegou que ouvira dizer que se mudara para Uberaba/MG; ao longo do procedimento fiscal, foi solicitado ao procurador da fiscalizada a presença, em qualquer repartição fiscal da RFB, do citado sócio administrador, ou mesmo seu contato telefônico, pedido nunca atendido; salientese que, no curso do procedimento fiscal, foi emitido o Oficio n° 96/2010 (fl. 304), dirigido à Junta Comercial do Estado da Bahia JUCEB, solicitando cópia autenticada de todos os atos societários relativos ao sujeito passivo, depositados naquele órgão, que, em resposta, enviou o contrato social e suas alterações (fls. 305/352), sendo que a última foi de n° 06, datada de 12 de novembro de 2009, mas somente protocolada na Junta em 28/01/2010, por meio da qual é alterado o domicílio da empresa para Salvador/BA, Ladeira da Praça, 152, Edf. Dos Arquitetos, loja 07, Centro, bem como é excluído o sócio José Lins Motta, com a admissão do novo sócio, Sidney Rodrigues da Silva, este também com domicílio fiscal em Salvador/BA; o novo sócio admitido, Sidney Rodrigues da Silva, consta no CPF como detentor de quatro inscrições, três delas j á baixadas, por multiplicidade; cabe registrar que a citada alteração contratual de n° 06 jamais foi comunicada ou alegada pelo sujeito passivo a esta auditoria fiscal, nem mesmo no procedimento de inaptidão do CNPJ da fiscalizada, por inexistência de fato, que considerou, em suas razões, o endereço constante da alteração contratual datada de 15 de setembro de 2009, no município de Eunápolis/BA. Salientese que este endereço em Eunápolis vem sendo declarado em todas as petições apresentadas a esta auditoria fiscal, mesmo as protocoladas em 2010; 3.2 DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA PESSOA JURÍDICA: em 20/07/2010, foi protocolada Representação Fiscal Pessoa Jurídica Inapta, Processo n° 10952.000246/201066 (fls. 359/374), tendo em vista o disposto nos arts. 22, 39, 41 e 47 da Instrução Normativa RFB n° 1.005, de 2010, bem como o previsto na Súmula do Fl. 13036DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 6 5 STJ n° 435, de 2010, e a determinação da Portaria PGFN n° 180, de 2010, que tratam da responsabilidade tributária dos sócios administradores quando da dissolução irregular da pessoa jurídica (transcreve os citados dispositivos); por meio do Ato Declaratório Executivo n° 24, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itabuna (fls. 356/358), de 26 de julho de 2010, publicado no DOU em 02/08/2010, foi declarada inapta a inscrição do CNPJ da fiscalizada, cuja possível consequência, entre outras, é a imputação de responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores do sujeito passivo; 3.3 DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA EM PESSOAS VINCULADAS AO SUJEITO PASSIVO E SUAS RESPOSTAS: o comportamento reiteradamente evasivo e não colaborativo do sujeito passivo passou a mudar a partir da realização de novas diligências, pois, logo a seguir, conforme Termo de Constatação em anexo, a contribuinte retificou suas DIPJ 2006 e 2007, em 30/07/2010, e entregou parte dos livros fiscais, em 09/08/2010, sendo que a entrega desses documentos foi acompanhada de protocolo sem a identificação e a assinatura do representante legal da empresa; tendo constatado que a empresa havia constituído uma outra procuradora, além do contador Marcos Eriberto, dado obtido no procedimento de fiscalização anterior, objeto do Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 29/07/2010 (fls. 148/150), foi decidida a abertura de nova diligência; o citado Termo de Constatação e Intimação Fiscal, de 29/07/2010, foi enviado para o endereço da procuradora, Onesina Martins da Silva Ramos Machado, e recebido, por via postal, em 02/08/2010 (fl. 151). O sujeito passivo, em resposta, protocolou, por meio de seu também procurador, Erivaldo Pereira Benevides, pedido de prorrogação de prazo, sob a alegação de que parte dos documentos estaria na posse do "contador na cidade de Eunápolis", o Marcos Eriberto, já identificado, sendo que o referido contador, anteriormente, então representante do sujeito passivo, tinha alegado, para o mesmo fim, o mesmo motivo, ou seja, que o material solicitado estaria localizado na cidade de Itabuna; também foram abertas diligências em relação às exsócias da fiscalizada, Bárbara Coutinho Ramos e Indira Coutinho Ramos, pessoas que também constituíram, em 01/02/2007, a CM Distribuidora de Bebidas Ltda., no antigo endereço da Comercial M Distribuidora Ltda., em Itabuna; diligências cumpridas no idêntico endereço cadastral de Bárbara Coutinho Ramos e Indira Coutinho Ramos constataram que, na verdade, tratase de imóvel pertencente a um parente (tia) das diligenciadas, Ranulfa Martins Ramos Habib, irmã da procuradora da fiscalizada, Onesina Martins da Silva Ramos Machado, entretanto, restou constatado que nesse endereço elas não moravam há mais de seis meses (fl. 106); também foi efetuada diligência em relação a Onesina Martins, com endereço cadastral no mesmo condomínio onde residiriam Indira e Fl. 13037DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 7 6 Bárbara, sendo que o declarante, conforme Termo em anexo (fl. 105), confirmou o domicílio da diligenciada, mas disse que no momento ela estaria ausente; no endereço da CM Distribuidora de Bebidas Ltda., idêntico ao ocupado pela fiscalizada antes de sua mudança de domicílio para Eunápolis, não foram encontrados seus sócios, Raimundo Jerônimo Dias Machado Júnior e Onesina Martins, marido e mulher; o agente fiscal foi recebido por Silvana Carvalho de Santana Curvelo, atual empregada e gerente administrativa da diligenciada e pessoa que possuía, à época do procedimento fiscal já encerrado, vínculo trabalhista com a fiscalizada, também como gerente administrativa, ocasião em que representou a Comercial M Distribuidora na ciência do Termo de Início. Silvana também figura como testemunha na 4ª Alteração do Contrato Social do sujeito passivo, por meio da qual Indira Coutinho Ramos foi admitida na sociedade; no Termo de Constatação e Declaração lavrado durante esta diligência, Silvana confirmou a data de constituição da CM Distribuidora de Bebidas, janeiro de 2007, mas com início de atividade em agosto de 2008, e também que a diligenciada utiliza as mesmas instalações físicas da Comercial M Distribuidora, empresa que teria sido mudada para Eunápolis, para desenvolver atividade diversa do ramo de distribuição de bebidas, segundo a declarante (fl. 107); quanto ao aproveitamento dos bens pertencentes à Comercial M, afirmou Silvana que tais bens teriam sido adquiridos, entregando, no ato, relação da frota de veículos, própria e locada. Foi realizada vistoria no pátio de estacionamento de veículos da diligenciada, cujo resultado encontrase em Termo de Constatação específico (fls. 136/147); o fato é que a diligência constatou a presença, no pátio de estacionamento/descarregamento de veículos da diligenciada, de caminhões pertencentes ou que foram de propriedade da fiscalizada, evidenciando a utilização, em sua atividade operacional, pela CM Distribuidora de Bebidas Ltda.; ainda em relação à frota utilizada pela diligenciada, foram entregues 11 contratos de locação de veículos de carga, todos firmados em 2009 e 2010, tendo a CM Distribuidora como locatária, representada ora por sua sócia administradora, Onesina Martins, ora por Bárbara Coutinho Ramos, esta presumivelmente representante da diligenciada, tendo em vista ter se desligado, como sócia, da CM Distribuidora, antes da assinatura de tais documentos; em relação às exsócias da Comercial M e da CM Distribuidora, Bárbara e Indira, a declarante afirmou que provavelmente eram sobrinhas do atual sócio da diligenciada, Raimundo Machado Júnior; novo Termo de Constatação e Reintimação Fiscal foi lavrado, em 02/09/2010, por conta do não atendimento do Termo lavrado em 29/07/2010, e enviado aos sócios administradores do sujeito passivo e à Fl. 13038DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 8 7 procuradora Onesina Martins da Silva Ramos Machado, cujo teor é reproduzido às fls. 32/35. Os termos enviados aos sócios administradores, José Lins Motta e José Roberto Dias Machado, por via postal, foram devolvidos, com as informações de que o número do endereço cadastral indicado não existe (José Roberto) e de que o destinatário é desconhecido (José Lins Motta); a única correspondência efetivamente entregue, portanto, foi para a procuradora, Onesina Martins, conforme Aviso de Recebimento de fl. 204, sendo que, no dia 23/09/2010, o sujeito passivo voltou a se manifestar, por meio de seu procurador, Erivaldo Pereira Benevides, conforme expediente de fls. 213/215; 3.4 DA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS: as receitas brutas contidas nas DIPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006, entregues pela contribuinte em 29/06/2006 e 29/06/2007, respectivamente, revelam incompatibilidade com os valores de vendas de mercadorias e serviços informados em suas declarações enviadas ao fisco estadual (DMA), assim como os valores escriturados em seus livros fiscais; no curso da ação fiscal, o sujeito passivo apresentou DIPJ retificadoras, para os anoscalendário de 2005 e 2006, na data de 30/07/2010, ocasião em que não mais se encontrava sob espontaneidade, não sendo consideradas essas retificadoras no atual procedimento fiscal; as declarações Dacon e DCTF, por outro lado, não revelam créditos ou débitos relativos a tributos do sujeito passivo, assim como demonstrativos de PIS e de Cofins, por terem sido preenchidos, sistematicamente, com valores zerados. Quanto às receitas auferidas pela venda de produtos com tributação monofásica, o sujeito passivo, mesmo sob intimação (fls. 353/355), enviada ao seu procurador, Erivaldo Pereira Benevides, preferiu o silêncio; também foi solicitado à contribuinte apresentar retificadoras das declarações Dacon e DCTF, com informação dos tributos eventualmente recolhidos antes do início da ação fiscal, providência que não adotou; foi apurada, portanto, omissão de receitas nos anos sob análise, já que a contribuinte não informou à RFB, ou informou a menor, receitas de vendas de mercadorias e serviços, embora as tenha informado ao fisco estadual, por meio de DMA, e realizada a sua escrituração no Livro de Registro de Saídas, conforme quadro resumo apresentado a seguir; 3.5 DA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO E ALÍQUOTAS IRPJ, CSLL, PIS E COFINS: a sistemática de tributação pelo lucro presumido considera a receita bruta apurada pela contribuinte, escriturada no Livro de Saídas, em cotejo com o Livro de Apuração de ICMS e DMA transmitidas ao fisco estadual, conforme quadro à fl. 37; Fl. 13039DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 9 8 nesse procedimento fiscal, foram considerados os valores escriturados pela contribuinte no Livro de Saídas, visto que, com exceção do mês de maio de 2006, não apresentam diferenças significativas com os valores transmitidos via DMA; sobre as bases tributáveis trimestrais e mensais, incidem as alíquotas de 15% e 10% para o IRPJ e adicional, 3% para a Cofins, 9% para a CSLL e 0,65% para o PIS; 3.6 DO APROVEITAMENTO DOS VALORES DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS: diante do não exercício da faculdade da contribuinte, mesmo sob intimação fiscal, de retificar suas DCTF, os recolhimentos efetuados espontaneamente não serão aproveitados no presente procedimento, por não ter havido confissão de dívida. No entanto, em havendo impugnação ao presente lançamento de ofício, o órgão julgador poderá exonerar a contribuinte do montante pago e da respectiva multa, razão pela qual foi feito o quadro resumo de fl. 38/40, com os pagamentos realizados pela empresa, de acordo com a data de apuração; 4 DA SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA: 4.1 HISTÓRICO DE ALTERAÇÃO DE ENDEREÇO DO SUJEITO PASSIVO E PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR: o estabelecimento comercial da empresa sempre ocupou o galpão e demais salas do endereço na Rua São Sebastião, 111, no Bairro de Fátima, em Itabuna/BA, onde desenvolvia sua atividade de distribuidora exclusiva da marca Schincariol na respectiva base territorial; em 29/08/2007, foi iniciado procedimento de fiscalização respaldado pelo MPF 529/2007, cuja ciência do Termo de Início se deu no citado endereço, que resultou em lançamento de tributos com a mesma fundamentação do atual procedimento (receita da atividade não declarada). Os autos de infração correspondentes foram cientificados à empresa na pessoa de Onesina Martins da Silva Ramos Machado, procuradora com amplos, gerais e ilimitados poderes de administração em relação ao sujeito passivo, pelo menos desde 17 de novembro de 2006, consoante instrumento de mandato apresentado à época dos fatos; em 21/11/2008, conforme consulta ao CNPJ, foi alterado, pela contribuinte, seu endereço cadastral, para a Avenida Santos Dumont, 100, Bairro Pequi, Eunápolis/BA, local onde foram realizadas tentativas de ciência pessoal dos atos relativos a este procedimento, todas infrutíferas. Tal modificação teve suporte na alteração do Contrato Social datado de 15 de setembro de 2008, que também excluía do seu quadro social as então sócias e irmãs Bárbara Coutinho Ramos e Indira Coutinho Ramos, tendo como testemunha o procurador e contador da empresa Marcos Eriberto Moreno Freitas; Fl. 13040DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 10 9 diligências efetuadas no curso do procedimento fiscal, em relação às pessoas físicas e jurídica Bárbara, Indira, Onesina e CM Distribuidora, todas vinculadas entre si por parentesco ou por participações em empresas, não comprovaram a razoabilidade e a validade da alteração do Contrato Social da Comercial M, datada de 15/09/2008, em que as sócias Bárbara e Indira deixam a sociedade e em que é alterado o domicílio da empresa para Eunápolis. As diligenciadas, sob intimação, não comprovaram a efetividade dessa modificação contratual, ao não demonstrarem, com documentação hábil e idônea, o recebimento do preço pela venda de suas cotas na Comercial M; 4.2 A EXTINÇÃO E A SUCESSÃO DE FATO DO SUJEITO PASSIVO: as instalações físicas do atual endereço do sujeito passivo em nada se equivalem às existentes em seu endereço anterior, em Itabuna, sendo certo que não comportam o desenvolvimento da atividade de distribuição atacadista de bebidas da marca Schincariol, pela total inadequação de suas instalações físicas e ausência de mão de obra. Há ainda o aspecto impeditivo de continuação da atividade de distribuidor dessa marca em Eunápolis, por já estar estabelecida, nessa praça, há anos, uma empresa que detém a exclusividade dessa distribuição; as informações de vendas contidas nas declarações fiscais da tradicional indústria fornecedora do sujeito passivo, Primo Schincariol Ind. de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A, acusam relacionamento comercial com o sujeito passivo até o ano de 2007, ano em que suas vendas à interessada somaram R$13.202.336,67, não havendo informações, por meio de declarações enviadas à RFB, a partir de 2008, de vendas de bebidas dessa marca para a fiscalizada. No ano de 2008, por exemplo, o total de vendas declaradas por fornecedores outros soma apenas pouco mais de R$ 76.000,00 e, a partir de 2009, não constam quaisquer informações de vendas de produtos ao sujeito passivo, confirmando sua extinção de fato, em relação a essa atividade; as informações de movimentação financeira da contribuinte, via CPMF/DIMOF, também atestam a sua extinção de fato, na medida em que esses valores caíram, de mais de R$ 22 milhões, em 2007, para cerca de R$1 milhão, em 2008, e, em 2009, ano em que se iniciou o atual procedimento fiscal, registrase movimentação financeira de apenas R$225 mil; a análise do histórico do número de empregados da pessoa jurídica ao longo dos anos analisados é decisiva na confirmação da extinção de fato da empresa e na caracterização de ter havido sucessão, segundo consulta aos bancos de dados informatizados relativos aos vínculos trabalhistas e previdenciários; em setembro de 2008, foi iniciado o processo de demissão dos empregados da empresa, cujo efetivo médio mensal, até então, era de 70 empregados, e ao final desse mês, já havia caído para 46, passando a 35 no final de outubro, a 19 no final de novembro e a 8 no final de dezembro de 2008. A última declaração GFIP, de setembro de 2010, registra que havia apenas 2 empregados ao final desse mês, sendo que ambos sob licença por acidente de trabalho. Nenhum desses Fl. 13041DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 11 10 empregados, demitidos ou não, possui domicílio no município de Eunápolis; a relação de empregados do mês de agosto de 2008, mês imediatamente anterior ao processo de demissão de seus empregados, revela um total de 68 inscritos na Previdência Social, um deles inscrito na qualidade de sócio (Bárbara Coutinho Ramos), outro na condição de empregado sob contrato de trabalho a termo, outro sob licença por acidente de trabalhos e os demais 65 como empregados ativos, dos quais 43 foram imediatamente contratados, após demitidos da Comercial M, pela CM distribuidora de Bebidas Ltda., CNPJ 08.681.197/000183, empresa que passou a ocupar as mesmas instalações físicas da fiscalizada; em agosto de 2008, foi iniciado o processo de admissão de empregados da CM distribuidora de Bebidas Ltda., cujo efetivo ao final desse mês alcançou o número de 5, crescendo exponencialmente a partir de setembro, a saber: 27 empregados em setembro de 2008, 49 em outubro, 68 em novembro e 76 em dezembro. A partir de janeiro de 2009, o número de contratações e demissões indica uma estabilização no quadro de empregados da empresa, com uma leve tendência de crescimento, até a estabilização em torno de 92 empregados, segundo as últimas declarações GFIP transmitidas; ao contrário do movimento decrescente de compra de mercadorias para revenda, demonstrada em relação à Comercial M Distribuidora, os dados atribuídos à CM Distribuidora de Bebidas acusam crescimento vertiginoso em suas aquisições, passando de um valor de compras de pouco mais de R$5,8 milhões no ano de 2008, para R$15,5 milhões em 2009, segundo informações da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (ICMS Entradas); os dados do Sistema SINAL (pagamentos de tributos federais) revelam também início de atividades operacionais da CM Distribuidora em agosto de 2008, assim como as movimentações financeiras, que somaram nesse mês R$ 303 mil (nos meses anteriores zero), totalizando no ano cerca de R$ 7,0 milhões, sendo que, já no ano seguinte, os créditos em suas contas bancárias totalizaram R$ 20,7 milhões; deve ser lembrado que a Comercial M foi constituída em 19/12/2002 e a CM Distribuidora em 01/02/2007, ambas originalmente no mesmo endereço, local onde também consta a existência da empresa Alto Astral Distribuidora Ltda. ME, CNPJ n° 04.442.787/000187, constituída em 16/05/2001, hoje na condição de ATIVA perante a RFB, mas que, durante a diligência no endereço cadastral, por conta da CM Distribuidora, não se mostrou visível à auditoria fiscal. A constituição, o desenvolvimento operacional e o controle dessas empresas são realizados por pessoas da mesma família, parentes ou afins, como será detalhado a seguir; em relação à identidade de endereços, as duas empresas só diferem na numeração que possuem na Rua São Sebastião: galpão comercial de n° 111/C , para a Comercial M, e de n° 112, para a CM Distribuidora. Para esclarecer tal divergência, foi efetuada diligência junto ao locador do imóvel, Délio Nunes da Rocha, que esclareceu que, no passado, havia, nesse endereço, duas numerações, que foram unificadas Fl. 13042DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 12 11 no cadastro do município de Itabuna, tratandose, na verdade, de um único endereço para fins comerciais; as cópias dos contratos de locação revelam que as empresas Comercial M e CM Distribuidora, de maneira não simultânea, são as únicas locatárias desse ponto comercial, desde 01/12/2002 até esta data, sendo que, em agosto de 2008, início das atividades da CM Distribuidora, ainda estava em vigência o contrato de locação comercial com sua sucedida, Comercial M, que, nesse mês, iniciou seu processo de extinção de fato da empresa; 4.3 O CONTROLE DAS EMPRESAS POR PESSOAS PARENTES OU AFINS: na constituição da Comercial M Distribuidora Ltda., constaram como sócios iniciais, no Contrato Social, Bárbara Coutinho Ramos e João Luiz Martins da Silva Ramos. Em relação a esses sócios, e a outros que os sucederam, além de outras pessoas vinculadas às empresas Comercial M e CM Distribuidora, podese afirmar que: a) João Luiz: exsócio da Comercial M, atual sócio da Alto Astral Distribuidora, irmão de Onesina Ramos (procuradora com plenos poderes da Comercial M e sócia da CM Distribuidora, casada com Raimundo J. Machado Júnior, também sócio da CM Distribuidora); irmão de Ranulfa Martins Ramos, cujo endereço cadastral é o mesmo de Bárbara e de Indira Coutinho Ramos, suas sobrinhas. Tem como fonte pagadora (DIRF) a empresa Alto Astral, da qual é sócio, situada no mesmo endereço da CM Distribuidora; b) Bárbara C. Ramos: exsócia da Comercial M e CM Distribuidora, apesar de nunca ter recebido rendimentos tributáveis dessas empresas, como, por exemplo, pro labore. Foi sócia da Comercial M até novembro de 2008, data em que a empresa realizou alteração do Contrato Social pelo qual modificou seu endereço para Eunápolis/BA, com o estratagema de extinguila de fato, passando por sua dissolução irregular, por inexistência de fato, proporcionando à CM Distribuidora sucedêla em sua atividade. É sobrinha de Onesina Martins, procuradora com amplos poderes de administração da fiscalizada; c) Maria Marcelina Bastos Machado: exsócia da Comercial M e da Alto Astral Distribuidora, mãe de Raimundo Jerônimo Dias Machado Júnior, este atual sócio da CM Distribuidora de Bebidas; mãe de José Roberto Dias Machado, que é atual sócio da Comercial M, após a transferência da empresa para Eunápolis. Tem como fonte pagadora (DIRF) a empresa Alto Astral, da qual é sócia, situada no mesmo endereço da CM Distribuidora; d) Indira Coutinho Ramos: exsócia da Comercial M e da CM Distribuidora, apesar de nunca ter recebidos destas empresas rendimentos tributáveis. Foi sócia da Comercial M até novembro de 2008 e é sobrinha de Onesina Martins. Tem ou teve como fonte pagadora (DIRF) a empresa Hotel Mar Aberto Ltda., também controlada pela família Ramos Machado; e) José Roberto Dias Machado: atual sócio da Comercial M, desde a alteração contratual datada de 15/09/2009, data em que a empresa Fl. 13043DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 13 12 mudou seu domicílio para Eunápolis. Cunhado de Onesina Ramos Machado e irmão de Raimundo Jerônimo Dias Machado Júnior, atual sócio da CM Distribuidora de Bebidas; f) Gerson Barros Machado: contado da CM Distribuidora de Bebidas e excontador da Comercial M; irmão de Carlos Alberto Barros Raimundo, que foi preposto da Comercial M quando do último procedimento de fiscalização, encerrado em 27/09/2007; g) Onesina Martins da Silva Ramos Machado: procuradora com plenos poderes da Comercial M Distribuidora e sócia da CM Distribuidora de Bebidas, respectivamente sucedida e sucessora de fato. Casada com Raimundo Jerônimo Dias Machado Júnior, também sócio da CM Distribuidora, e tia de Bárbara e Indira Coutinho Ramos, exsócias da Comercial M e da CM Distribuidora; h) Raimundo Jerônimo Dias Machado Júnior: sócio da CM Distribuidora e casado com Onesina Ramos Machado, procuradora da Comercial M, cujas exsócias são suas sobrinhas; por outro lado, alterações do Contrato Social com o objetivo de promover a extinção de fato da sociedade, como as ocorridas em 15/09/2008 e em 12/11/2009, esta omitida pelo sujeito passivo e pessoas diligenciadas ao longo de todo o procedimento fiscal, por meio das quais a fiscalizada retirouse de sua base territorial, onde desenvolvia, sob contrato de exclusividade, a distribuição de bebidas de forte marca nacional, estabelecendose em outro município, no qual não poderia exercêla, revela total falta de finalidade dos referidos negócios jurídicos; no presente caso, apesar de não caracterizada a sucessão legal, de direito, restou comprovada a sucessão real do sujeito passivo por empresa que passou a desenvolver exatamente suas atividades, com a mesma clientela, sem solução de continuidade, no mesmo endereço da sucedida e com transferência dos ativos (recursos humanos e materiais) até então utilizados; os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, conforme o disposto nos arts. 129, 132, 133 e 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 5 o do Decretolei n° 1.598, de 1977 (transcreve) e também conforme doutrina reproduzida; dispõe o art. 124, caput e inciso I, do CTN que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum com a situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por outro lado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, os diretores, gerentes, representantes de pessoas jurídicas de direito privado, os mandatários, prepostos e empregados, de acordo com os incisos II e III do art. 135 do CTN; no caso, restou comprovado que os sócios administradores do sujeito passivo praticaram condutas que resultaram nos seguintes ilícitos: Fl. 13044DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 14 13 a) dissolução irregular da sociedade, ao não comunicar à RFB ter deixado de exercer suas atividades em seu endereço cadastral, conforme consta do Processo Administrativo n° 10952.000246/2010 66; b) extinção de fato do sujeito passivo, ao transferir sua sede para município onde não poderia exercer sua atividade de distribuição de bebidas sob contrato de exclusividade; c) sonegação fiscal, ao não recolher os tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) sobre os fatos geradores ocorridos nos anos de 2005 e 2006, lançados de ofício com a penalidade de multa qualificada de 150%; d) alteração do Contrato Social da empresa com desvio de finalidade dos negócios jurídicos; 5. DA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA MULTA QUALIFICADA: foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre os créditos tributários constituídos, em conformidade com o art. 44, inciso I, c/c o § I o e o § 2o, II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, pois restou configurado que a fiscalizada agiu de maneira dolosa ao não declarar, ou declarar a menor, rendimentos ao Fisco Federal, apesar de têlos escriturado em seus livros fiscais e informado ao Fisco Estadual, de maneira sistemática, ao longo de todos os meses dos dois anos fiscalizados. Tal conduta lesiva da contribuinte aos interesses fazendários j á fora constatada em ação fiscal anterior, por meio da qual também foi lançada a multa qualificada de 150%>; diante de todas as condutas constatadas na ação fiscal, já descritas neste Relatório de Verificação Fiscal, restou demonstrado que a interessada agiu, em seus negócios jurídicos, dolosamente, com desvio de finalidade, no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; 6. OBSERVAÇÕES FINAIS: provada a conduta dolosa praticada pelo sujeito passivo, por meio de seus sócios administradores, procuradores e sucessora, impõese a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do art. 1º da Portaria RFB n° 665, de 2008; a ciência dos lançamentos será também efetuada em face das pessoas nomeadas como responsáveis tributários solidários, sócios administradores, procuradores com amplos, gerais e ilimitados poderes, além de sua sucessora, por meio dos respectivos Termos de Sujeição Passiva, a saber: a) Bárbara Coutinho Ramos, CPF n° 010.028.71581 (fls. 54/56); b) Indira Coutinho Ramos, CPF n° 029.308.58512 (fls. 57/59); c) José Roberto Dias Machado, CPF n° 032.771.58551 (fls. 60/62); Fl. 13045DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 15 14 d) Onesina Martins da Silva Ramos Machado, CPF n° 163.391.42591 (fls. 50/52); e) CM Distribuidora de Bebidas Ltda., CNPJ n° 08.681.197/000183 (fls. A ciência da interessada foi considerada como ocorrida em 18/11/2010, através de editais dirigidos aos seus responsáveis tributários, anexados às fls. 631/633, conforme Despacho SARAC DRF/ITA n° 4.020/2010, anexado à fl. 871. A autuada apresentou, em 26/11/2010, a impugnação de fls. 641/662, acompanhada dos documentos de fls. 663/870, por meio de seu procurador, devidamente constituído através da procuração de fl. 681, com as seguintes alegações, em síntese: CONTESTAÇÃO DO RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: • a autuada, conforme contrato de exclusividade de produtos da marca Schincariol, exercia atividade de comércio atacadista de bebidas, mais especificamente cervejas, refrigerantes e água mineral, nas regiões elencadas no contrato, fato do conhecimento do autuante, e, por razões meramente contratuais, negociais e de política de mercado (nova marca) entre a autuada e a Schincariol, o contrato foi rescindido, perdendo a exclusividade em Itabuna, ocasião em que foi obrigada a transferir a empresa para outro endereço, Avenida Santos Dumont, 100, Eunápolis/BA, com outro objeto social, o Comércio Varejista de Materiais para Construção e Comércio Atacadista de Cerveja, Chopps e Refrigerantes, com a expectativa de ainda conseguir contrato de exclusividade com a Schincariol, ou até mesmo ser uma simples distribuidora atacadista, sem exclusividade, fato este que se prolongou por muito tempo e não veio a se consumar, justamente quando foi objeto de fiscalização pela Receita Federal. Neste período, com a frustração da não realização do contrato, a empresa teve que ser transferida para a Ladeira da Praça, 52, Ed. Dos Arquitetos, Loja 07, Centro, Salvador/BA, e, ao tentar obter a transferência, foi surpreendida com a inaptidão de ofício, razão pela qual ora requer o retorno à condição de Ativa, com a improcedência do Ato Declaratório; • ao contrário do que foi relatado pelo autuante, nesse período, os sócios da autuada conseguiram outro contrato de exclusividade, em Itabuna, com outras exigências de política e mercado, assim como garantias, impondo a constituição de outra empresa, que de boafé foi constituída, de início com os mesmos sócios, do mesmo grupo familiar de empreendedores, atendendo a exigências contratuais, ocasião em que, de fato e de direito, iniciou suas atividades, gerando centenas de empregos diretos e indiretos, conforme Contrato Social e alterações anexas; • a autuada teve o seu CNPJ incluído na condição de inapta, sem que o agente fiscal tenha diligenciado para saber o motivo do não início de atividade e o porquê da transferência para o endereço em Salvador. Conforme estabelece a Instrução Normativa RFB n° 1.005, de 2010, art. 46, a empresa está providenciando a regularização da situação com o objetivo de ativar o seu CNPJ, uma vez que ainda possui patrimônio e parcelamento junto à RFB; Fl. 13046DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 16 15 DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS EM PESSOAS VINCULADAS E SUAS RESPOSTAS DA SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA: • o auditor fiscal preocupouse por demasia em vincular os sócios da autuada e da CM Distribuidora de Bebidas Ltda., esta última operando suas atividades normalmente, cumprindo suas obrigações fiscais, trabalhistas e tributárias, e, mesmo assim, o autuante, extrapolando suas competências, diligenciou de todas as formas, com o objetivo de imputar a essas pessoas a responsabilidade solidária pelos créditos tributários ora constituídos de ofício, esquecendo de verificar os aspectos fiscais e contábeis verdadeiros, constituindo créditos indevidos e deixando de considerar os tributos devidamente pagos e/ou parcelados, conforme a Lei n° 11.941, de 2009, o que mais adiante restará comprovado, com farta documentação; DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS PROCESSO N° 13558.001563/200745: DA IMPOSSIBILIDADE DE DENÚNCIA E INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL ANTES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: • a ação penal, ou início de inquérito policial, contra o contribuinte, pela eventual prática de crime contra a ordem tributária, ou apreciação indevida de verba previdenciária, só pode ser iniciada após o encerramento da processo administrativo que comprove a irregularidade fiscal, conforme posicionamento das Cortes Superiores e de vários juristas, o que não ocorreu no presente caso, nem vai ocorrer, uma vez que ficará demonstrado que a autuada nada deve aos cofres da Fazenda Nacional; • o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça tem determinado que, nestas situações, há impedimento de instauração de inquérito policial ou de denúncia antes do término do procedimento administrativo, conforme acórdãos reproduzidos; • o STF editou a súmula vinculante n° 24, dizendo que "não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º , incisos I a IV, da Lei 8.137, de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo"; • na hipótese de parcelamento do crédito tributário, o que ocorreu no processo ora impugnado, através da Lei n° 11.941, de 2009, antes do oferecimento da denúncia, essa somente poderia ser aceita na superveniência de inadimplemento da obrigação objeto da denúncia (arts. 67, 68 e 69 da Lei n° 11.941, de 2009, transcritos na impugnação); MÉRITO DO AUTO DE INFRAÇÃO: DA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS: • o início de fiscalização ocorreu em 22/09/2009, sendo reiniciado em 02/09/2010, conforme Termo de Continuidade e Reintimação Fiscal, à fl. 197, encaminhado à exsócia Onesina Martins da Silva Ramos Machado, que tomou ciência somente em 02/08/2010 (sic), conforme AR de fl. 204; Fl. 13047DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 17 16 • observe que houve uma paralisação de quase um ano, por parte da Receita Federal, ou seja, mais de 60 dias, fazendo renascer a espontaneidade da contribuinte; • as DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 2005 e 2006, enviadas pela internet em 30/07/2010, antes da ciência do reinício da fiscalização, nas quais a autuada reconhece os equívocos e informa os valores corretos da sua receita, sendo posteriormente objeto de parcelamento, nos termos da Lei n° 11.941, de 2009, devem ser consideradas como denúncia espontânea, uma vez que o sujeito passivo recuperou o direito à espontaneidade; • o auditor fiscal informa que solicitou a retificação da DACON e da DCTF, alegando ele preservar os direitos do sujeito passivo, no entanto, contrariando essa informação, já estando o CNPJ na condição de Inaptidão, não foi possível o envio pela internet das referidas declarações retificadoras. Se se quer a apuração correta dos tributos devidos, porque o autuante não aceitou as DIPJ retificadoras de 2005 e 2006, em que constam os valores corretos dos tributos devidos, ou retificou, de ofício, a DACON e a DCTF, por não mais ser possível a retificação via internet? DIVERGÊNCIA NO RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO FISCAL COMPARADA COM A VERDADEIRA RECEITA, CONSTANTE NA ESCRITURAÇÃO FISCAL E PREENCHIMENTO DA DMA MENSAL E DIPJ ANOS DE 2005 e 2006: • o autuante discriminou no Relatório de Fiscalização que o faturamento bruto da empresa foi o total geral das saídas impresso no recibo de entrega do Resumo da DMA mensal, conforme quadros demonstrativos à fl. 26. No entanto, a verdadeira e correta situação não considerada pelo fiscal é a seguinte: ANOCALENDÁRIO DE 2005 Saídas de Mercadorias (em DMA e escrituradas) 17.143.008,52 Outras Saídas (vasilhames, brindes, doações) 18.318.668,41 Total Geral das Saídas da DMA mensal 35.461.676,93 Receita Bruta informada na DIPJ retificadora 17.143.008,52 Diferença 0,00 ANOCALENDÁRIO DE 2006 Saídas de Mercadorias (em DMA e escrituradas) 18.816.567,21 Outras Saídas (vasilhames, brindes, doações) 22.105.076,58 Total Geral das Saídas da DMA mensal 40.921.643,79 Receita Bruta informada na DIPJ retificadora 18.610.945,22 Vendas Canceladas 205.621,99 Diferença 0,00 Fl. 13048DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 18 17 • o fiscal considerou o total geral das saídas, discriminado no recibo de entrega da DMA mensal, mas não observou que, dentro deste valor, estão incluídas todas as operações de saídas da empresa, além das vendas, ou seja, remessa de vasilhames, brindes, outras saídas, bonificações, doações, remessa de conserto, conforme lista de discriminação de CFOP (Código Fiscal de Operação), em anexo às fl. 678/680; • os valores corretos do faturamento, para a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de R$ 17.143.008,52 (2005) e de R$ 18.816.567,21 (2006), encontramse escriturados nos livros de registro de saídas e de apuração de ICMS, estando de acordo com o preenchimento da DMA mensal entregue no prazo, conforme planilhas e cópias em anexo, informadas nas DIPJ retificadoras, não havendo omissão de receitas nos períodos fiscalizados: o Anexo I (fl. 663) evidencia os valores individuais escriturados nos livros de apuração de ICMS e de saídas, no ano de 2005, coincidindo com o preenchimento das DMA mensais e as DIPJ retificadoras; o Anexo II (fl. 664) evidencia os valores individuais escriturados nos livros de apuração de ICMS e de saídas, no ano de 2006, coincidindo com o preenchimento das DMA mensais e as DIPJ retificadoras; o Anexo III (fl. 665) demonstra os valores apurados do IRPJ dos anos de 2005 e 2006, calculados trimestralmente de acordo com as receitas de vendas declaradas nas DIPJ, além dos valores pagos dos tributos através de DARF. Os valores devidos do IRPJ foram declarados e parcelados, de acordo com o benefício da Lei n° 11.941, de 2009, conforme recibos de pedido de parcelamento e DARF em anexo; o Anexo IV (fl. 666) demonstra os valores apurados da CSLL dos anos de 2005 e 2006, calculados trimestralmente de acordo com as receitas de vendas declaradas nas DIPJ, além dos valores pagos dos tributos através de DARF. Os valores devidos de CSLL foram declarados e parcelados, de acordo com o benefício da Lei n° 11.941, de 2009, conforme recibos de pedido de parcelamento e DARF em anexo; os Anexos V e VI demonstram o resumo da escrituração dos livros de apuração do ICMS, dos anos de 2005 e 2006, respectivamente, bem como as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anos fiscalizados; A VERDADEIRA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E A COFINS APURADAS NO PERÍODO: • o fiscal, equivocadamente, considerou a receita bruta total arbitrada nos anos de 2005 e 2006, nos valores de R$ 35.461.676,93 e R$ 40.921.643,79, respectivamente, como base de cálculo do PIS e da Cofins, e tributou o total desse faturamento, conforme já demonstrado em planilhas, e também não observou que a empresa trabalha apenas com bebidas (água mineral, refrigerantes e cervejas), em que a tributação se dá no regime diferenciado, monofásico, ocorrendo em apenas uma fase, na industrialização ou na importação, sendo que, nas fases seguintes, a alíquota é zero, conforme legislação reproduzida no Anexo VII (fls. 669/677); Fl. 13049DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 19 18 • a empresa possuía exclusividade na venda desses produtos, conforme contrato em anexo, incidindo o PIS e a Cofins apenas sobre uma pequena parte do faturamento, relativa à venda de sucos de frutas, conforme DARF recolhidos no período e extrato de recolhimento em anexo; • o próprio auditor reconheceu esse fato durante a ação fiscal (fls. 35/36) e solicitou que fossem retificadas a DACON e a DCTF do período, para que fosses reconhecidas as verdadeiras receitas e bases de cálculo das contribuições, no entanto, não foi possível transmitir as retificadoras, tendo em vista que a empresa já estava cadastrada como inapta no sistema da RFB, fato que impede a transmissão das declarações via internet; • os valores corretos apurados encontramse demonstrados nas planilhas de fls. 659/660, nas quais se nota que a contribuinte nada deve a título de PIS e de Cofins no período fiscalizado; DA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO E ALÍQUOTAS IRPJ, CSLL, PIS E COFINS: • o lançamento do imposto e das contribuições foi efetuado mediante provas emprestadas pelo fisco estadual, na confrontação dos valores informados nas DMA com os valores declarados equivocadamente nas DIPJ, não cometendo a contribuinte nenhuma fraude, mesmo porque tais valores foram devidamente escriturados; • o auditor fiscal utilizou os dados dos livros fiscais e das DMA e, mesmo assim, atribuiu valores superiores aos realmente devidos, quando optou por utilizar indevidamente o valor total das saídas, desprezando os valores constantes nos livros fiscais. Já a autuada retificou tempestivamente a DIPJ, com dados já informados nos livros fiscais e nas DMA; DO APROVEITAMENTO DOS VALORES DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS: • a autuada realizou pagamentos do IRPJ e da CSLL, conforme DARF em anexo, demonstrados no próprio auto de infração pelo Sistema SINAL, faltando ser considerado na apuração os valores reconhecidos e informados nas DIPJ retificadoras de 2005 e 2006, que foram objeto de parcelamento, dentro dos critérios estabelecidos pela Lei n° 11.941, de 2009, sendo que a autuada atendeu a todos os requisitos e encontra se, atualmente, adimplente com as parcelas; • o próprio autuante diz que não considerou em seu levantamento os valores reconhecidos e informados nas DIPJ retificadoras, sob a alegação de que tais valores deveriam ter sido informados em DCTF, declaração esta que a autuada ficou impossibilitada de enviar, como j á explicitado; DO PEDIDO: • do exposto, a autuada requer diligência e perícia fiscal e que sejam reconhecidos os equívocos dos lançamentos efetuados, com sua total improcedência. Fl. 13050DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 20 19 Apreciadas as razões de defesa, a DRJ de origem decidiu pela procedência parcial da impugnação. Em breve síntese, o órgão julgador afastou parte da exigência do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, acolhendo o argumento da impugnante segundo o qual o montante apurado pela autoridade fiscal a título de omissão de receitas está incorreto, tendo em vista que não foram por ele excluídas as saídas de mercadorias que não representam receitas, tais como as remessas de vasilhames e sacarias, as remessas em bonificação, doação ou brinde, etc. Também foi afastada pelo órgão a quo a exigência de multa de ofício sobre os tributos pagos pela contribuinte antes de iniciada ação fiscal, mas não informados em DCTF. Em razão de haver exonerado a contribuinte do pagamento de tributos e encargos de multa em montante superior ao limite de alçada, a DRJ submeteu sua decisão ao duplo grau de jurisdição. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário parcial para: a) reconhecer como devidos o IRPJ e a CSLL mantidos na decisão de primeiro grau. Afirma ainda que tais valores foram objeto de pedido de parcelamento, nos termos da Lei nº 11.941/2009 (fl. 785 e ss.); b) contestar a exigência da multa de ofício sobre os valores acima referidos, sob o argumento de que houve apresentação espontânea das DIPJs retificadoras, com a consequente confissão dos respectivos débitos. Alega que o início da ação fiscal ocorreu somente em 23/09/2010, data em que a procuradora da pessoa jurídica foi cientificada do termo de constatação e reintimação fiscal, conforme AR (fl. 204). Afirma serem inválidas as intimações anteriores àquela data, pois dirigidas a pessoa que não mais detinha poderes para representar a empresa; c) contestar a exigência da contribuição para o PIS e da Cofins, haja vista que é monofásica a incidência dessas contribuições sobre os produtos comercializados pela recorrente, quais sejam, cervejas e refrigerantes. Neste contexto, foram anexadas ao recurso as notas fiscais exigidas na decisão de primeiro grau; d) contestar a exigência de multa qualificada, sob a alegação de que não houve máfé. Ao final de sua peça recursal pede a interessada o seguinte: A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal e de parte do Acórdão, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente Recurso Voluntário, para o fim de assim ser decidido, requerendo o seguinte: A) Reconhecer o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 667.079,07 (seiscentos e sessenta e sete mil e setenta e sete reais e sete centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no montante de R$ 386.142,70 (trezentos e oitenta e seis mil, cento e quarenta e dois reais e setenta Fl. 13051DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 21 20 centavos), desistindo do recurso administrativo relativo a este dois tributos; B) Desistência de impugnação ou de recurso administrativo ou da ação judicial de que tratam o caput e o § 1º do art.13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009, relativo ao IRPJ e CSLL da letra A acima; C) Manutenção no parcelamento de acordo com a Lei 11.941 de 27/05/2009, que está em fase de consolidação dos débitos no âmbito da Receita Federal do Brasil, agora com reabertura do prazo pela portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 03 de fevereiro de 2011; D) Nulidade da Multa agravada de 150%, por não estar nas hipóteses da Lei 4.502/64; E) Total improcedência da cobrança das contribuições do PIS e da COFINS, por ser tributada pelo regime monofásico, sendo comprovadas com documentação hábeis e idôneas, notas fiscais de aquisição e vendas, dos produtos submetidos a este regime. F) Exclusão da responsabilidade solidária das pessoas físicas e jurídica citadas no processo, uma vez, que a Recorrente passará a existir de fato, conforme processo de restabelecimento do CNPJ sob n° 10580.723078/201137. Trazidos os autos a apreciação, a Turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que a fiscalização confirme (fl. 12.946 e ss.): a) se o parcelamento foi consolidado; b) se o débito objeto do auto de infração em discussão neste processo foi incluído no parcelamento, e; c) para que seja verificado o efetivo número de parcelas para a proporcional redução da multa nos termos do que dispõe a Lei nº 11.941/2009. Realizada a providência, a autoridade diligenciante informou o seguinte em seu Despacho SARAC DRF/ITA nº 0771/2013: Em consulta aos sistemas da RFB verificouse que o contribuinte é domiciliado em SalvadorBA, encontrase como “Inapta” em sua situação cadastral e possui pedido de parcelamento da Lei nº 11.941/2009 para débitos PREVIDENCIÁRIOS nos termos do Art 1º e 3º e débitos inscritos em DAU (PGFN), não sendo possível identificar o pedido de parcelamento para débitos fazendários objeto de questionamento neste processo (...) Constatouse o pagamento para os códigos: 1194 (Lei nº 11.941, de 2009 PGFN Demais Débitos Parcelamento de Dívidas Não Parceladas Anteriormente Art. 1º), 1233 (Lei nº 11.941, de 2009 RFB Débitos Previdenciários Parcelamento de Dívidas Fl. 13052DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 22 21 Não Parceladas Anteriormente Art. 1º), 1240 (Lei nº 11.941, de 2009 RFB Débitos Previdenciários Parcelamento de Saldo Remanescente dos Programas Refis, Paes, Paex e Parcelamentos Ordinários Art. 3º), não foi confirmado pagamento para os códigos: 1285 (Lei nº 11.941, de 2009 RFB Demais Débitos Parcelamento de Saldo Remanescente dos Programas Refis, Paes, Paex e Parcelamentos Ordinários Art. 3º) e 1279 (Lei nº 11.941, de 2009 RFB Demais Débitos Parcelamento de Dívidas Não Parceladas Anteriormente Art. 1º). Entretanto, existe o processo administrativo nº 10580.723369/201125, localizado na DRF de jurisdição (Salvador/BA), que trata de pedido de revisão de parcelamento da Lei nº 11.941/2009 onde alega que a empresa na situação cadastral “INAPTA” estava, segundo o interessado, “impedida de acessar o sítio da RFB na internet, ficando prejudicada nos procedimentos a serem observados pelo Requerente para a consolidação dos débitos nas modalidades de pagamento e de parcelamento de que tratam os arts. 1º a 13 da lei nº 11.941/2009”. Tendo em vista a não conclusão sobre a consolidação do parcelamento da Lei 11.941/2009, proponho o retorno deste ao CARF. Novamente trazidos os autos a apreciação, a Turma resolveu, mais uma vez, converter o julgamento em diligência com o seguinte propósito: Isso posto proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que a autoridade local: a) elabore novo relatório de diligência onde seja informada existência, ou não, de decisão administrativa quanto ao pedido de revisão de parcelamento feito no âmbito do processo nº 10580.723369/201125; b) intime a contribuinte a, se assim lhe convier, apresentar no prazo de 20 dias contrarrazões ao Despacho SARAC DRF/ITA nº 0771/2013 bem como ao novo relatório de diligência. Levada a efeito a nova diligência a autoridade local concluiu o seguinte: Foram anexadas às fls. 13.024 a 13.027, cópia do Despacho Decisório nº 0203/2015, exarado nos autos do processo 10580.723369/201125, que INDEFERIU o pedido de revisão de consolidação do parcelamento, para inclusão da modalidade RFBDEMAIS ART. 1º do parcelamento especial da Lei 11.941/2009. O contribuinte foi cientificado do indeferimento em 02/09/2015, via Edital, cuja cópia foi anexada à fl. 13.028, tendo em vista o disposto no §1º, do art. 23, do Decreto 70.235/72 (“quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital”). (...) Fl. 13053DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 23 22 Intimada por edital, a recorrente não se manifestou sobre as conclusões do relatório fiscal. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade dos Recursos Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. 2) Do Recurso de Ofício O órgão de primeiro grau exonerou a contribuinte do pagamento dos seguintes valores constantes do auto de infração: a) de parte do IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins, CSLL e respectivos encargos legais, conforme demonstrativo à fl. 883 e ss., tendo em vista haver entendido não se configurarem receitas os valores registrados no livro registro de saídas a título de devoluções de compras, remessas de bonificação e doação, remessas de mercadoria em consignação, devoluções de mercadoria em consignação, remessas de vasilhames e sacarias, outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços não especificados, devolução de compras (outro estado) e devolução de vasilhames (outro estado); b) dos encargos de multa de ofício relativos a tributos e contribuições que não foram informados pela contribuinte em DCTF, mas que foram pagos antes do início da ação fiscal, conforme demonstrativo à fl. 885. Em relação ao item “a” acima, dúvida poderia surgir quanto às “outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços não especificados – CFOP 5949”, já que as demais rubricas ali arroladas evidentemente não implicam auferimento de receita. No entanto, é sabido que aquele CFOP é comumente utilizado em eventos de troca de mercadorias. Examinando, por amostragem, as notas fiscais de saída emitidas pela contribuinte, é possível concluir que o CFOP 5949 foi por ela utilizado justamente nas operações de troca de mercadorias (fl. 3528). Como as trocas também não representam receitas, correta a decisão da DRJ de origem. Quanto ao item “b”, tendo em vista que os tributos não foram informados em DCTF, correta a sua manutenção no presente processo. Ademais, como foram pagos antes do início do procedimento fiscal, correta também a exclusão da respectiva multa de ofício. 3) Da Parcela não Litigiosa – Valores Principais de IRPJ e CSLL Ao final de sua peça recursal a interessada reconheceu como devidos os valores de IRPJ e CSLL mantidos pela decisão de primeiro grau, conforme transcrito a seguir: A) Reconhecer o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 667.079,07 (seiscentos e sessenta e sete mil e setenta e sete reais e sete centavos), à Contribuição Social Fl. 13054DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 24 23 sobre o Lucro Líquido, no montante de R$ 386.142,70 (trezentos e oitenta e seis mil, cento e quarenta e dois reais e setenta centavos), desistindo do recurso administrativo relativo a este dois tributos; Pleiteou também a recorrente o seguinte: B) Desistência de impugnação ou de recurso administrativo ou da ação judicial de que tratam o caput e o § 1º o do art.13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009, relativo ao IRPJ e CSLL da letra A acima; C) Manutenção no parcelamento de acordo com a Lei 11.941 de 27/05/2009, que está em fase de consolidação dos débitos no âmbito da Receita Federal do Brasil, agora com reabertura do prazo pela portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 03 de fevereiro de 2011; Pois bem, parte do valor dos débitos ora reconhecidos pela interessada já foi paga antes de iniciado o procedimento de ofício, conforme descrito no item “b” do item anterior deste voto. Como dito ali, deve a autoridade local promover a alocação desses pagamentos aos respectivos débitos, afastando a exigência de multa de ofício proporcional. Quanto ao IRPJ e CSLL restantes, apesar de alegado, não há nos autos deste processo qualquer documento que comprove que os referidos débitos realmente tenham sido objeto de parcelamento. De ver que os recibos de pedido de parcelamento juntados pela interessada (fl. 785 e ss.) não comprovam que os débitos sob exame estejam ali incluídos. Seja como for, o reconhecimento da existência dos débitos de IRPJ e CSLL, e a desistência do recurso voluntário, implicam o fim do litígio quanto ao seu valor principal, já que a multa de ofício proporcional foi contestada pela recorrente, conforme será examinado mais a frente. Isso posto, em relação aos valores principais de IRPJ e CSLL remanescentes, deve a autoridade local apartálos para um novo processo. 4) Da Contribuição para o PIS e da Cofins – Tributação Monofásica Em sua impugnação a interessada alegou ser indevida a exigência da contribuição para o PIS e da COFINS, sob o argumento de que os produtos por ela comercializados, quais sejam, água mineral, refrigerantes e cervejas, sofrem a incidência dessas contribuições de maneira monofásica, pelo industrial ou importador. Afirma que incide PIS e Cofins apenas sobre uma pequena parte das receitas da empresa, relativamente à venda de sucos de frutas, e que os respectivos débitos encontramse quitados, conforme DARFs em anexo à impugnação. Ao apreciar as razões de defesa a DRJ de origem manteve a exigência sob o argumento de que a contribuinte não apresentara as notas fiscais de saída, as quais comprovariam se os produtos ali descritos estão, ou não, abrangidos pelo regime monofásico da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 13055DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 25 24 No recurso voluntário a interessada repetiu os argumentos suscitados na impugnação e anexou a quase totalidade das notas fiscal de compra e venda de produtos (fl. 1296 e ss.). Pois bem, sobre a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre água mineral, refrigerantes e cervejas os arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833/2003, com as alterações legislativas vigentes no período objeto do lançamento, assim estabelecem: Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º O disposto neste artigo, relativamente aos produtos classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água, refrigerante e cerveja sem álcool. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda: I dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; (...) Pelo exame, por amostragem, das notas fiscais de saída, é possível concluir que os produtos comercializados pela ora recorrente subsumemse à água mineral, refrigerantes e cervejas. Isso posto, e como a atividade da interessada é justamente a revenda por atacado desses produtos, devese afastar a exigência da contribuição para o PIS e da Cofins. 5) Da Multa de Ofício Alega a recorrente haver apresentado DIPJs retificadoras antes de iniciada a ação fiscal, informando ali os corretos débitos de IRPJ e CSLL. Diz que a ação fiscal iniciouse em 06/09/2010 (fl. 204), e que são inválidas as intimações anteriores àquela data, já que dirigidas à pessoa que, à época, não mais era procuradora da empresa. Pois bem, ao contrário do que alega a recorrente, a ação fiscal iniciouse em 23/09/2009, data em que o Sr. Marcos Eriberto Moreno Freitas foi pessoalmente cientificado do termo de início da ação fiscal (fl. 66 e ss.). Referida pessoa possui procuração outorgada pela ora recorrente com poderes expressos para representála perante a Receita Federal (fl. 69). Fl. 13056DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 26 25 Caberia à recorrente comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a revogação da referida procuração em data anterior a 23/09/2009. Como não o fez, é de se presumir que o mandato encontravase válido e eficaz. Afirma ainda a recorrente ser incabível a qualificação da multa de ofício, tendo em vista não ter havido máfé. Também aqui não assiste razão à interessada. O dolo em sua conduta pode ser facialmente verificado em razão de: a) haver apresentado DIPJs relativas aos anos de 2005 e 2006 informando receitas em montante muito inferior àquelas declaradas ao fisco estadual. Registrese que, como visto acima, as DIPJs retificadoras contendo os valores corretos somente foram apresentadas após o início da fiscalização; b) não haver informado os tributos devidos em DCTF; c) haver adotado comportamento evasivo após a paralisação das operações da empresa, alterando por mais de uma vez o seu domicílio sem comunicar o fato ao fisco, dificultando assim a sua localização pelos agentes fiscais. Em assim sendo, correta a qualificação da multa de ofício. Entretanto, tendo em vista a alegação de parcelamento dos débitos de IRPJ e da CSLL ora exigidos no âmbito da Lei nº 11.941/2009, e uma vez que o art. 1º, § 3º, daquela lei prevê a redução de 60% a até 100% da multa de ofício lançada, a depender do número de parcelas requerido pelo interessado no parcelamento, a Turma decidiu converter o julgamento em diligência exatamente para verificar a existência do parcelamento bem como o número de parcelas. Após duas diligências, constatouse que a ora recorrente realmente solicitou, no âmbito do processo nº 10580.723369/201125, que o Fisco promovesse de ofício a consolidação do parcelamento dos débitos de IRPJ e de CSLL de que cuida o presente processo, haja vista que, por estar na situação cadastral "Inapta", não estava conseguindo prestar, no sítio da RFB na internet, as informações sobre os débitos que desejava incluir no parcelamento. Apesar de a autoridade diligenciante não haver informado o número de parcelas requerido pela interessada, afirmou que os mencionados débitos de IRPJ e de CSLL não encontramse parcelados uma vez que a petição protocolada no processo nº 10580.723369/201125 fora indeferida, conforme Despacho Decisório nº 0203/2015 SECAT/DRF/SDR, que anexou aos presentes autos. Isso posto, não estando os débitos de IRPJ e de CSLL incluídos no alegado parcelamento, não há que se falar em redução da multa de ofício. 6) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: Fl. 13057DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10952.000394/201081 Acórdão n.º 1201001.421 S1C2T1 Fl. 27 26 a) determinar a alocação dos pagamentos realizados pelo sujeito passivo a título de IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL, conforme demonstrativo à fl. 885, aos respectivos débitos objeto do lançamento. Tendo em vista que os referidos pagamentos foram efetuados antes de iniciado o procedimento fiscal, devese afastar a multa de ofício proporcional correspondente a esses débitos; b) determinar, tendo em vista não mais serem objeto de litígio, sejam apartados para um novo processo os valores principais de IRPJ e CSLL remanescentes; c) exigir da contribuinte e dos responsáveis solidários (fl. 50 e ss.) o pagamento da multa de ofício qualificada incidente sobre os débitos de IRPJ e CSLL indicados no item anterior; d) exonerar a contribuinte e os responsáveis solidários do pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins remanescentes, após a alocação determinada no item “a”. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 13058DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10280.720043/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/07/2014
VALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O relatório fiscal e anexos descrevem com clareza os fundamentos de fato e de direito que embasam o lançamento tributário.
Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
JUROS. FORMA DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Os juros incidem a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 c/c § 3º do art. 61 da Lei 9.430/96.
Sobre o crédito tributário incidem juros de mora e multa e não há incidência simultânea de juros e de correção monetária.
Prescinde de perícia a verificação de elementos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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Recorrente MUNICÍPIO DE BARCARENA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/07/2014 VALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O relatório fiscal e anexos descrevem com clareza os fundamentos de fato e de direito que embasam o lançamento tributário. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. JUROS. FORMA DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Os juros incidem a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 c/c § 3º do art. 61 da Lei 9.430/96. Sobre o crédito tributário incidem juros de mora e multa e não há incidência simultânea de juros e de correção monetária. Prescinde de perícia a verificação de elementos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 00 43 /2 01 5- 54 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ivacir Julio de Souza. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10280.720043/201554 Acórdão n.º 2301004.625 S2C3T1 Fl. 685 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo Município de Barcarena, fls. 670678, em face do Acórdão n.º 0368.628 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF), fls. 659668, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA), abaixo discriminados, que compõem o presente processo: AIOP nº 51.074.5636: referente à contribuição social a cargo da empresa incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, não declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no ano de 2010; AIOP nº 51.074.5644: referente à contribuição social a cargo da empresa incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, não declaradas nas GFIP, nas competências 08/2013 e 12/2013 (inclusive o 13º salário); AIOP nº 51.074.5652: referente à contribuição dos segurados empregados incidente sobre a sua remuneração, não declaradas nas GFIP, no ano de 2010; AIOP nº 51.074.5660: referente à contribuição dos segurados empregados incidente sobre a sua remuneração, não declaradas nas GFIP, nas competências 08/2013 e 12/2013 (inclusive o 13º salário). De acordo com o relatório fiscal de fls. 608655, nos lançamentos acima mencionados, a base de cálculo considerada pela fiscalização foi obtida junto ao Tribunal de Contas do Estado do Pará – TCE (PA), devido a um convênio existente entre esse órgão e a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após comparação entre os dados obtidos através do TCE e as GFIPs, o sujeito passivo foi intimado a justificar as divergências apresentadas e a a apresentar folhas de pagamento e escrituração contábil. Entretanto, a Municipalidade deixou de apresentar a escrituração contábil, de modo que o lançamento foi feito com base nos dados obtidos no TCE (PA), excluídos os valores declarados em GFIP. O Relatório de Lançamentos discrimina todas as contas contábeis consideradas pela fiscalização, fls. 198567. AIOP nº 51.074.5679: referente à glosa de compensação, nas competências 06/2014 e 07/2014, originárias de créditos de terceiros, supostamente pertencentes à sociedade empresária Sigma Comércio de Material de Construção Ltda. AIOA nº 51.074.5687: referente à exigência de multa pela falta de apresentação da escrituração contábil. O Município apresentou impugnação, alegando, em síntese, invalidade do auto de infração, ilegalidade da taxa Selic, ausência de discriminação da forma e dos índices de Fl. 686DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 cálculo dos juros e necessidade de realização de perícia, pois os relatórios que acompanham os autos de infração são ininteligíveis. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/07/2014 VALOR ATUALIZADO. JUROS. Valor Atualizado corresponde ao Valor Principal, sem incidência de juros e multa. Valor Atualizado e Juros não se confundem. JUROS. TAXA SELIC. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. O cálculo dos juros está previsto no a art. 34 da Lei 8.212/91. A utilização da multa amparada legal no artigo art. 34 e 35A da Lei 8.212/91, combinado o art. 44 da Lei nº 9.430/96. DO PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de realização de perícia quando esta se revela desnecessária. A ciência do auto de infração foi dada ao sujeito passivo em 29/01/2015, fls. 584585, e ele foi cientificado do acórdão da DRJ em 16/07/2015, quintafeira, fl. 669, de modo que o prazo para recurso encerrouse em 15/08/2015, sábado, prorrogandose para o primeiro dia útil seguinte, 17 de agosto de 2015. Em 12/08/2015, o Ente Federado interpôs recurso, fls. 670680, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia pelo órgão julgador de primeira instância, uma vez que existem divergências entre os valores das remunerações dos servidores considerados como base de cálculo e os valores das remunerações dos servidores registrados na contabilidade, além da ausência de clareza quanto à origem dos valores lançados. No mérito, suscita a ilegalidade da incidência simultânea de correção monetária e de juros, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, da ausência de demonstrativo da forma de cálculo dos juros, notadamente quanto ao início e término de incidência. Postula, para a satisfação desses vícios, a realização de perícia contábil. Ao final, requer que o lançamento seja julgado improcedente. É o relatório. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10280.720043/201554 Acórdão n.º 2301004.625 S2C3T1 Fl. 686 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Invalidade do Lançamento A origem do lançamento tributário referente às diferenças de remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados consta do relatório fiscal de forma minuciosa, tendo sido esclarecido que as remunerações não declaradas dos segurados empregados foram extraídas dos dados obtidos junto ao Tribunal de Contas do Estado do Pará. As bases de cálculo constam do Relatório de Lançamentos, fls. 198567, assim como a identificação, pelo número, das contas contábeis das quais os valores das bases de cálculo foram extraídos, sendo que às fls. 97144 constam as cópias dos balanços contábeis, contemplando os dados identificadores das referidas contas (nº, nome e valor do lançamento contábil). Consignouse, ainda, no relatório fiscal, que os referidos dados tributários somente foram adotados após intimação do Município para esclarecer as divergências entre o valor declarado e o valor registrado no TCE, o que, entretanto, o Recorrente deixou de atender. Portanto, extraise do relatório fiscal que o cotejo entre os dados declarados em GFIP e as informações do TCE constituiu técnica de investigação de fatos tributários, que permitiu a identificação de fatos geradores de contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal pode se valer dos dados do TCE para investigar incidências tributárias, notadamente por se tratarem de documentos que contêm informações produzidas pelo próprio Município. A omissão do Recorrente em apresentar seus documentos fiscais e contábeis, e em prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, constitui infração ao seu dever de colaboração com o Fisco e é situação suficiente para justificar a adoção da técnica do arbitramento, sobretudo neste caso em que o Município, previamente à autuação, foi intimado a esclarecer as divergências, oportunizandolhe corrigir eventuais erros. Em caso de omissão do sujeito passivo, fica autorizada a apuração da base de cálculo por meios indiretos, nos termos do art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 33 §§ 3o e 6º da Lei 8.212/91: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os Fl. 688DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 3ª Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Diante da omissão do sujeito passivo, a prova da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados passa a ser seu ônus, conforme art. 33, §§ 3º e 6º da Lei 8.212/91, acima transcrito. A prova pericial prestase a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não para substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação. Revelase, portanto, prescindível a perícia contábil, pois estão satisfatoriamente esclarecidos nos autos os fatos sobre os quais o pedido recai, e não foram apontadas, pelo Recorrente, eventuais divergências de valores. Em suma, o relatório fiscal contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, a natureza das contribuições lançadas, o período e a fundamentação jurídica do lançamento tributário, assim como a indicação dos documentos nos quais se materializaram os fatos geradores. Nos relatórios anexos ao auto de infração foram demonstradas as bases de cálculo, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas e os dispositivos legais autorizadores do lançamento. O auto de infração, em síntese, descreve a motivação fática e jurídica do lançamento, permitindo, ao contribuinte, defenderse plenamente. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe Fl. 689DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10280.720043/201554 Acórdão n.º 2301004.625 S2C3T1 Fl. 687 7 impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Concluo que o lançamento contém os requisitos aptos a lhe garantir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade invocada. Mérito Juros. Pedido de Perícia O recorrente pede a realização de prova pericial para que seja demonstrada a forma de cálculo dos juros aplicados no lançamento tributário. Os fundamentos jurídicos que embasam os juros incidentes sobre o crédito tributário constam dos relatórios de fundamentos legais de cada auto de infração, nos quais está indicada a forma de cálculo de juros, incidentes a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 c/c § 3º do art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os mencionados relatórios demonstram que não há incidência simultânea de correção monetária e de juros. Revelase, portanto, prescindível a perícia, pois estão satisfatoriamente esclarecidos nos autos os fatos sobre os quais ela recai. Portanto, indefiro o pedido de perícia, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negarlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 691DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000281/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta.
DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador.
CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL.
Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais.
ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS
Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-003.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento PARCIAL ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.131/1.147; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quanto aos itens (i) Big Bags, pagamento de fretes (item 9.2 do voto), vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas discriminados na planilha de fls. 1216/1219, exceto clichê impressão de embalagens, oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU - Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, constantes do item 8.2.i do voto; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 81 /2 00 9- 46 Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratandose de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento PARCIAL ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deuse provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.131/1.147; limpeza das instalações, inspeção Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.047 3 sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deuse provimento para reverter as glosas quanto aos itens (i) Big Bags, pagamento de fretes (item 9.2 do voto), vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas discriminados na planilha de fls. 1216/1219, exceto clichê impressão de embalagens, oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, constantes do item 8.2.i do voto; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072. Relatório O presente litígio decorre de processo de Declarações de Compensação DCOMP de créditos do PIS, não cumulativa, vinculados a receita de exportação, para o período de apuração do 4º trimestre de 2006. O Fisco reconheceu apenas parte do direito de crédito pleiteado, realizando as glosas, descritas na Informação Fiscal do Despacho Decisório às fls. 3.469/3.516. Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMP de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, não cumulativa, vinculados à receita de exportação, período de apuração 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 505.525,90. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação das DCOMP de números 19107.15014.081206.1.3.083363, 25623.33652.201206.1.7.087937, 2980.75835.201206.1.7.080849, 38529.72597.211206.1.3.085558, 14679.13241.261206.1.3.087871 e 23171.93087.281206.1.3.080412. Relatório Fiscal Relata a autoridade fiscal que: com a finalidade de verificar os créditos informados nos Dacon respectivos, foram utilizadas as memórias de cálculo fornecidas pelo contribuinte (em atendimento aos itens 8, 9 e 10 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 001/00242); as informações presentes nas citadas memórias de cálculo foram cruzadas com as informações fornecidas em atendimento ao item 14 da mesma intimação, no caso, os arquivos de notas fiscais, cujas informações correspondentes foram totalizadas e comparadas com as informações constantes dos livros Registro de Apuração do ICMS de cada filial. Conclui: que este procedimento permitiu a validação dos arquivos recebidos sendo todas as notas fiscais confirmadas e consideradas no cálculo do crédito; que, dessa forma, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes a: 1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda linha 01 da ficha 06A – diferença entre a soma das notas fiscais identificadas como desta linha na Memória de cálculo e o valor informado no Dacon; 2. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 06A 2.1) aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos de acordo com art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 2.2) aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; 2.3) despesas com os serviços de fretes contratados para transferências de produtos acabados entre filiais, que não geram Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.048 5 créditos a teor art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; 2.4) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; 2.5) notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; 2.6) IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição; 2.7) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins, no caso, milho (NCM 1005.90.10) e soja a granel (NCM 1201.00.90), a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004; 3. Serviços Utilizados como Insumos Ficha 06A Linha 03 3.1) aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos de acordo com art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3.2) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, tais como: serviço de vigilância ou serviço de despachante aduaneiro e fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa, o que não se enquadra como bem utilizado como insumo e nem como serviço utilizado como insumo, uma vez que o produto já está pronto; 3.3) os valores das notas fiscais Notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. 4. Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Ficha 06A Linha 05 aluguéis pagos a pessoas físicas, alguns referentes a imóveis rurais, que não se enquadram no conceito de prédios, em descompasso com o prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 5. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Ficha 06A Linha 06 notas fiscais que não representam aluguel de máquinas e equipamentos e nem outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço de copiadora (xerox). 6. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Ficha 06A Linha 07 6.1) pagamentos a pessoas físicas, que não podem gerar créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º, inciso I das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. 6.2) pagamentos relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 na operação de venda, como prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, Também foram glosados os valores informados a título de: 7. Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais linha 25 No tópico em que trata do crédito presumido decorrente das atividades agroindustriais, a autoridade fiscal trouxe uma listagem dos produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (notas cujos CFOP não representam aquisições, perfeitamente identificados na listagem individualizada, identificadas na listagem pela informação “Não se aplica” ou “0” na coluna alíquota) ou redução de alíquota. Nessa listagem, a autoridade fiscal, nos termos do caput do art. 82 da Lei nº 10.925/2004, aplicou o percentual de 35% da alíquota das contribuições às aquisições de: animais vivos classificados no capítulo 01 da NCM; trigo, milho e sorgo classificados no capítulo 10; soja no capítulo 12; lenha, maravalha e resíduos de madeira no capítulo 44; sêmen no capítulo 05; itens que também não atendem às condições para creditamento pelo percentual de 60% da alíquota das contribuições. 8. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 06B foram glosados os valores: 8.1) das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona; 8.2) os valores das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551 Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada; 8.3) os valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição; 9. Créditos Extemporâneos Foram glosados da base de cálculo do crédito do período em questão os valores que se referem à base de cálculo de créditos de outros períodos de apuração – valores constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela contribuinte. 10. Indevida utilização créditos de períodos anteriores Ficha 23 Não foram aceitos os créditos de dezembro de 2002 e de fevereiro de 2003, relativos ao PIS/Pasep não cumulativo, que a contribuinte pretendeu descontar do PIS/Pasep devido em novembro e dezembro de 2006. Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.049 7 11. Do Recalculo dos Saldos das Ficha 25B A autoridade fiscal informa que em razão das correções realizadas nas fichas 06A e 06B da Dacon, restou saldo a pagar da Contribuição para o PIS. Tendo em vista que tal saldo devedor, decorrente de glosa de créditos, não foi declarado em DCTF, necessário o lançamento através de auto de infração. Acrescenta que o auto de infração poderá incluir, ainda, a análise das saídas tributadas com algum tipo de incorreção, não analisadas neste processo, e pode resultar alteração dos valores das linhas 1 a 5 da ficha 15, o que será tratado no processo digital nº 11516.722107/201180, que deve ser movimentado e julgado em conjunto com este, por tratar dos mesmos fatos. 12. Do controle dos Saldos da Ficha 14 Tendo em vista os autos de infração relativos ao 1º trimestre de 2006, tratados no processo 11516.721278/201191 e relativos ao 2º e 3º trimestres de 2006, tratados no processo 11516.721279/201136, o saldo inicial da linha “01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores é nulo em todos os tipos de crédito”. Por conta das glosas realizadas, resultou nulo o saldo final da linha “11.CRÉDITO REMANESCENTE”, da ficha 14, em todos os tipos de crédito. Manifestação de Inconformidade Nulidade do despacho decisório A interessada, preliminarmente, alega a nulidade do despacho decisório em decorrência da violação ao princípio da motivação. Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo pelo qual está glosando cada um dos valores das operações da contribuinte. Nesse sentido alega que não é possível glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro em seu relatório que “analisou por amostragem e, no momento da glosa, inseriu no mesmo entendimento diversos produtos, mercadorias, serviços e demais bens sem motivar de forma clara, explícita e congruente”. Segue alegando que “cabia ao Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela impugnante” e que o fato de “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade do ato administrativo, eis que lá não consta expressamente a motivação (fática e jurídica) explícita, clara e congruente”. Em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação, alega também o cerceamento de defesa, e, com conseqüente, a violação ao devido processo legal administrativo. Inconstitucionalidade das leis e ilegalidade das IN Segue apontando a inconstitucionalidade das leis que regem o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS e da Cofins. Nesse sentido: ressalta “ser impossível, a partir da Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 constitucionalização da não cumulatividade para o PIS e COFINS, pela Emenda Constitucional n. 42/2003, a restrição de créditos pelo legislador infraconstitucional... já que o papel do legislador perante a Constituição é de aplicador”; aduz que em “sendo a matriz constitucional de tais contribuições a receita, a não cumulatividade e o sistema de abatimento de créditos necessariamente deve restar atrelado também a esta” e “como a noção de receita no regime não cumulativo é ampla, ... amplos serão também os reflexos de sua noção na não cumulatividade para o PIS e COFINS para o reconhecimento de créditos”; e conclui que “ O postulado adotado diz respeito à supremacia da Constituição. Em razão disso, há de se entender que resta impossível à legislação infraconstitucional restringir, sobremaneira, tal princípio e, por conseguinte, os créditos de PIS e Cofins”. Passa, então, a alegação de ilegalidade das Instruções Normativas n° 247/2002 n° 404/2004 ao restringir, tendo como fundamento a legislação de IPI, o conceito de insumo estabelecidas pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Em síntese, discorre sobre a não cumulatividade no âmbito da tributação das contribuições para demonstrar que, nos termos das leis, o crédito deve ser considerado sobre os insumos em geral, sem as restrições postas pelas mencionadas IN, considerando como tal todos os “dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribua para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comercio ou serviços) visando à obtenção de receita”. Glosas de valores da base de cálculo do crédito Como razão de contestação comum às glosas procedidas pela autoridade fiscal, a interessada coloca que todas seriam improcedente por ter a autoridade fiscal se pautado em critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, sendo, todos “legítimos, eis que contribuem de forma direta ou indireta visando o exercício da atividade econômica da impugnante a fim de obter receita. São inclusive necessários e inerentes à atividade”. Menciona que exerce atividade econômica submetida a diversos tipos de controles e exigências de órgãos públicos, como, por exemplo, ANVISA, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, SERVIÇO DE INSPEÇÃO FEDERAL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, o que reflete significativamente na amplitude do conceito de insumo e que não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou despesa vinculado à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. Acrescenta que a noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade. Após tais ponderações, passa a tratar das glosas especificamente. Ficha 16A Linha 02 bens utilizados como insumos – item 4.3.2 do relatório fiscal Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.050 9 Aquisições de pessoas físicas Defende serem legítimos os créditos decorrentes de aquisições de bens pessoas físicas, pois, embora o art. 3º , § 2º, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 impeçam a manutenção do crédito, o fato é que o art. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 expressamente reconhecem o direito ao crédito presumido, no caso, de 60% sobre o valor das aquisições. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Contesta a glosa das aquisições de equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária com base no argumento de tais bens “se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela impugnante em sua atividade produtiva”. Nesse sentido diz: Vejamos, por exemplo, os fios de poliéster, utilizamos dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. [...]Todos estes materiais (ex. fita sanitária, luvas, etc) são peculiares da atividade desempenhada. Isto porque, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (v. Portaria SVS/MS n. 326/1997. Por conseguinte, tais equipamentos têm por finalidade, além de proteger os empregados por determinação legal, permitir a fabricação adequada de alimentos ao consumo humano segundo determinação do Ministério da Saúde e, assim, devem ser qualificados como essenciais e necessários à atividade peculiar da impugnante, permitindo caracterizálo como insumo, até mesmo pelo fato de que são utilizados no parque industrial. Em complemento, ainda, a impugnação do item 4.3.2 quantos bens e a noção de insumo, são totalmente legítimos os créditos dos pallets, bolsa térmica, caixa de proteção e afins. Tais produtos (em especial, o pallet) são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias primas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização Ora, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA. Acrescenta que, mesmo que não se acolha a interpretação de que se trata de um produto vinculado à produção, o crédito há de ser mantido do mesmo modo por meio da aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003, que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria. Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Em relação à gasolina, alega que o combustível é empregado no processo industrial de fabricação dos alimentos, maquinas e veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. Pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa Em relação aos serviços de frete, inicialmente, alega ser improcedente a glosa, pois o fiscal teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. Descreve os fretes praticados durante o processo produtivo de alude terem sido ignorados pelo fisco, como segue: 1. frete com a aquisição de prima para fabricar ração (exemplo grãos); 2. A impugnante remete para industrializar a ração; 3. Após, encaminha por frete até seus integrados, os quais criam animais (frangos, entre outros) e remetem novamente à impugnante; 4. há industrialização com emprego de tais matérias primas; 5. a. Frete do produto elaborado até um distribuidor ou supermercado; 5.b. Frete até outro estabelecimento da impugnante para armazenagem e venda final. [...]Mesmo o frete entre o frigorífico e os estabelecimentos de distribuição (câmaras frigoríficas) e, posteriormente, o envio ao destinatário final, há participação no ciclo de produção. Conclui que “o processo produtivo da impugnante não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes”, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Aquisição de bens sujeitos à alíquota zero A interessada, primeiro, alega que os diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas; cita: alho em pasta, caldo de galinha, tempero para carne, entre outros. Segundo, que, em se tratando de aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, entre outros) que enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei n. 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, impossível se torna excluir o crédito, pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925. Terceiro, que diversos produtos estão vinculados à noção de insumos (vacinas, antibióticos, amoxilina, ivermectina, entre outros) de sorte que resta totalmente viável a manutenção do crédito. Por fim, defende que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório. Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.051 11 Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito A recorrente reclama que a fiscalização englobou, de forma genérica e sem critério, diversos bens que não dariam direito ao crédito tendo em conta o CFOP da nota fiscal em especial, etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa térmica, mola, pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, entre outros. Alega que a descrição dos produtos e materiais glosados permite reconhecer a utilidade, inerência e relevância no processo produtivo da impugnante. Assim explica a utilidade de alguns dos bens glosados: faca, tratase de equipamento que é manuseado por seus empregados no processo fabril de um frigorífico a fim de elaborar cortes; faca, lâmina, mola, sensor de temperatura, martelo, rolamento, alfinete, termostato e pino são equipamentos, peças e materiais destinados à manutenção de máquinas e equipamentos ou empregados em sua atividade econômica, em especial, do processo de industrialização. Aduz ser possível reconhecer a viabilidade do crédito para os materiais adquiridos visando à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos, por estarem vinculados à atividade econômica e produtiva da impugnante, caracterizando como insumo. De que defende que são legítimos os créditos em relação aos lubrificantes, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. Menciona que “Isto fica ainda mais evidente diante da noção ampla de insumo, que não se restringe aos critérios do IPI”. Contesta, ainda, a glosa de etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Alega que alguns itens chegam a incorporar o produto final, como etiquetas para fatiados, adesivo perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos. E que, caso assim não se entenda, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito, pois as embalagens estão vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade, tratandose de um material que acompanha o produto a ser comercializado. Aduz que determinações da ANVISA, as quais traz transcritas, demonstram claramente que na atividade de produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final. Explica que as embalagens são utilizadas durante todo o processo de produção e comercialização visando garantir segurança e evitar contaminação e proliferação de organismos. Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 E afirma que, diante da noção ampla de insumo, vinculação direta com o processo produtivo e a peculiaridade da atividade econômica desempenhada pela impugnante, é possível reconhecer o direito ao crédito quanto às etiquetas para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. O valor do IPI recuperável, constante das notas fiscais de aquisição Alega que a Receita Federal do Brasil, sem adequada motivação e justificativa jurídica, glosou os créditos vinculados ao custo do IPI dos produtos adquiridos pela impugnante, sob alegação de que poderão ser recuperáveis. Afirma que o IPI vinculado à operação de aquisição de bens integra o custo do produto que adquiriu, de maneira que inexiste razão jurídica e previsão legal para determina sua exclusão da base de cálculo dos créditos das contribuições. Defende que o fato de a legislação específica do IPI permitir a recuperação de crédito (operações sem a exigência do imposto) não é fundamento que permite justificar a presente glosa, pois são “operações distintas e que não se confundem”. Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins A recorrente inicia defendendo que o crédito integral há de ser mantido uma vez que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + PIS). Afirma que a Lei nº 10.925/2005 somente é aplicável, nos condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e Cofins; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicase o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que, pode se concluir da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes desta última a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Caso seus argumentos não sejam acatados, a interessada pugna que se reconheça procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido. Ficha 6A Linha 03 serviços utilizados como insumos – item 4.3.3 do relatório fiscal Quanto aos itens “a”, “c” e “d”, do item 4.3.3 do relatório fiscal aquisições de pessoas físicas, pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados e Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços – a recorrente remete aos argumentos já colocados sobre o mesmo assunto, em relação às aquisições de bens, enfatizando a total improcedência das glosas. Em relação ao item “b” aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo , a interessada defende que o direito ao crédito em razão dos valores glosados se referirem a serviços totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.052 13 econômica da impugnante; Menciona os serviços: movimentação saída, de montagem/desmontagem, limpeza, recuperação frio, carregamento de aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro, inspeção sanitária, análise da água, entre outros, Ficha 6B Linha 02 bens utilizados como insumos – item 4.3.8 do relatório fiscal A recorrente contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando que há que se reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que a Lei nº 10.865/2004, ao disciplinar o PIS/Cofins na importação, permitiu o emprego de tais créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Em relação à aquisições de peças e máquinas acrescenta que são bens que claramente a legislação permite reconhecer como insumo, pois estão vinculados à atividade produtiva da empresa; mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, “ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)”. Quanto às glosas de operações de importação registradas com o CFOP 3551, 3556 e 3949, inicialmente alega cerceamento de defesa, alegando que “não localizou a descrição exata no processo administrativo de quais seriam estes bens e, principalmente, o porquê da glosa” e a “total ausência de fundamentação e descrição dos bens glosados”. No mérito, alega: há previsão legal que permite crédito de PIS/Cofins para a hipótese de aquisição de ativo imobilizado, salvo se usado, o que não é o caso dos autos; em relação aos demais itens glosados (uso e consumo e outros), a noção ampla de insumo ligada à inerência, essencialidade e qualidade permite a tomada de créditos. A recorrente tem como encerrada a questão do direito ao crédito em relação a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos e passa às demais glosas. Ficha 6A Linha 05 Despesas com alugueis de prédios locados de pessoas jurídicas item 4.3.4 do relatório fiscal A contribuinte alega que embora não previsto em lei, pelo princípio da não cumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas. Defende, ainda, a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Ficha 6A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica – item 4.3.5 Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Defende o direito ao crédito sobre as notas fiscais de locação de máquinas destinadas ao serviço de cópias (xerox) argumentando que o serviço de fotocópias, embora não esteja diretamente vinculado à fabricação do alimento, é essencial à atividade econômica de qualquer empresa. Que diante da noção ampla de insumo e da não cumulatividade, tal crédito também deve ser considerado legítimo. Ficha 6A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda – item 4.3.6 Quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, depois de novamente alegar a nulidade em razão do cerceamento de defesa, a interessada argumenta que: o crédito decorrente dos pagamentos à pessoa física é devido com fundamento na noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; é preciso reconhecer que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral. Acrescenta: A armazenagem compreende todas as despesas e gastos vinculados a ela, entre elas energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, serviços portuários, entre outros; [...]Além disso, podemos reconhecer nas despesas portuárias, além da natureza de despesa ligada à armazenagem, também à continuidade do frete na venda, especificamente, aquele destinado à exportação. Ficha 6A – Créditos Presumidos das atividades agroindustriais – item 4.3.7 do relatório fiscal Em relação aos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais, a contribuinte afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Ficha 16A bens adquiridos para revenda item 4.3.1 Em relação à glosa das notas fiscais com valor inferior aquele declarado em Dacon defende que os créditos são legítimos, sendo que a contabilidade dá total suporte. Explica que, em verdade, houve um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes dos informados no demonstrativo. Fl. 4059DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.053 15 Argumenta que, ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em Dacon. Créditos extemporâneos utilizados sem retificadora item 4.4 Defende que os créditos extemporâneos devem ser considerados no cálculo das contribuições devidas apuradas para o 4º trimestre pois, em suas palavras: (i) não se nega a existência dos créditos pelo Fisco; (ii) o impedimento é meramente formal, sendo de rigor atenuar o exagero ao formalismo em detrimento ao próprio direito material, com fundamento na razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e vedação do enriquecimento sem causa do Fisco; (iii) vale lembrar, ainda, que o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Ou seja, se não houve o aproveitamento, não impede o aproveitamento nos meses subseqüentes, como no presente caso. A lei não traz expressamente a exigência de retificadora. Créditos inexistentes Ficha 23 e saldo da linha 24 – item 5 e 7 do relatório fiscal. A contribuinte, inicialmente, argumenta que o despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão pela qual tais créditos seriam inexistentes pelo que é evidente a nulidade em razão do cerceamento de defesa. Alega, ainda, que “os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor contribuinte”. Aduz que, como informa a fiscalização, os valores foram lançados em Dacon e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente o crédito, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boa fé. Pedido Requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade a fim de reconhecer a nulidade, ou, no mérito, total improcedência do indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme razões aduzidas. Ao final, pugna pela prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos, serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. É o relatório. Fl. 4060DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 3.642/847): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano Calendário: 2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.054 17 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a créditos calculados a alíquota regular da contribuição para o PIS não cumulativa sobre as aquisições de pessoas físicas. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004, e regulada pelo art 2º da IN 660/2006, no caso de venda de produtos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa, referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo, à pessoa jurídica que, cumulativamente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º da mencionada IN; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na Fl. 4062DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º na mesma IN. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO NA VENDA. VEDAÇÃO DE TOMADA DE CRÉDITO. As vendas feitas sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permite a tomada de créditos pelo adquirente. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Contribuição para o PIS e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo impugnante. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 25/05/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 3.707). Inconformada, em 19/06/2012 (fl. 3.715), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 3.715/3.817), repisando os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentando os argumentos abaixo resumidos; informa que é tradicional e importante empresa da agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral; reproduz uma relação dos os itens que foram objeto de glosa do pedido de ressarcimento no Despacho Decisório: a) deixa consignado que TODAS as matérias envolvidas nestes autos foram expressamente delimitadas (uma a uma), impedindo de forma clarividente qualquer alegação específica para este caso, de que não houve impugnação, aplicando os efeitos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72; b) solicita preliminarmente a nulidade da Decisão recorrida e também a nulidade do Lançamento; c) que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o pedido de perícia adequadamente formulado segundo a legislação. Alega o princípio da busca pela verdade material; d) se deparar com o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento percebese a nulidade do ato em decorrência da violação ao princípio da motivação; Fl. 4063DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.055 19 e) que há cerceamento de defesa da Recorrente, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o despacho decisório foi proferido sem qualquer explicitação e detalhamento acerca do não reconhecimento de inúmeros créditos, impossibilitando, de fato e de direito, o pleno exercício do direito de defesa da recorrente; f) se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento de defesa, o presente lançamento de ofício e despachos decisórios de glosa não cumprem o disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72. Em prejuízo da defesa da impugnante, a fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos que estaria glosando. Quanto ao MÉRITO: g) inicia fazendo uma longa contextualização sobre as Contribuições do PIS e da COFINS, da não cumulatividade, explorando seus aspectos legais e constitucionais; cita autores renomados que reportaram sobre o assunto e jurisprudências; h) argumenta da problemática da restrição dos créditos de COFINS e do PIS por atos InfraLegais, como Instrução Normativas; da impossibilidade, conforme o Relatório Fiscal apresentado, a glosa de diversos créditos da recorrente se deu pelo fato de que o Fisco adota uma interpretação evidentemente rígida e com o intuito de mera arrecadação, fundada especificamente nas IN da SRF nºs 247, 358 e 404/04; essas instruções normativas e a própria fiscalização, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei e diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à legalidade por tais atos. i) Dos Insumos Glosados argumenta das ilegalidades, afirma que em uma primeira e genérica conclusão, o método utilizado pela fiscalização no sentido de que, como a glosa se pautou por critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, esta se torna improcedente, uma vez que todos os bens, produtos e serviços descritos em contabilidade, DACON e no pedido de ressarcimento são legítimos. Discorre sobre cada item nominalmente glosados solicitando a reversão dessas glosas e traz argumentações específicas sobre os seguintes casos concreto: (i) de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (itens 4.3.4 e 4.3.5 do Despacho Decisório); (ii) despesas de armazenagem e frete na operação de venda (item 4.3.6 do Despacho Decisório); (iii) dos créditos presumidos na agroindústria base de cálculo item 4.3.7 do despacho decisório); j) dos bens adquiridos para revenda (item 4.3.3); créditos extemporâneos (item 4.4) e créditos inexistentes (item 5), todos do Despacho Decisório. k) dos Juros Selic aduz que os juros são devidos à razão de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1º, do CTN, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Fl. 4064DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 l) dos Juros sobre a Multa de Ofício Não há previsão legal para o cômputo de juros sobre a Multa de Ofício. Caráter confiscatório. Posto isto, espera a Recorrente, que seja conhecido e provido o recurso interposto com o objetivo de reconhecer a nulidade ou reforma da decisão recorrida e, por conseguinte, a total improcedência do lançamento realizado. Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao analisar o recurso, definiu pela conversão do processo em diligência, conforme a Resolução nº 3202000.483, de 25/10/2012, com o seguinte teor (fl. 3.831): "(...) Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que seja esclarecida a participação de cada bem glosado pela Autoridade Fiscal que entendeu não se enquadrar no conceito de insumo, no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual". Em 23/12/2014 (fl. 3.871), a unidade de origem (DRFFlorianópolisSC), cumprindo o contido na Resolução, intimou a Recorrente, conforme decorre do Termo de Intimação nº 1903/2014 às fls. 3.828/3.869. Em 08/01/2015, a Recorrente apresentou seus documentos e informações solicitados (fls. 3.873/3.886), bem como o apresentou o Memorial descritivo, fluxo do processo produtivo, Laudo Técnico e cópia de plantas da fábrica às fls. 3.886/4.014. A DRF/Florianópolis, analisou os documentos e informações apresentadas e concluiu a Informação Fiscal da seguinte maneira: " 4. Conclusão Foram totalizados por descrição os itens glosados por não enquadramento no conceito de insumo da IN SRF 404/2004. A contribuinte foi intimada a informar exatamente onde foram utilizados cada um dos bens glosados, não tendo atendido à intimação neste item. Ressaltese que o ônus da prova é da contribuinte em relação aos créditos que alega ter. Informou seu processo produtivo e respondeu de forma genérica que os bens glosados são insumos considerandose conceito amplo da palavra. O único conceito de insumo previsto na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins é aquele da IN SRF nº 247/2002, art. 66, § 5º, reforçado na IN SRF nº 404/2004, art. 8º, § 4º, que por força de seu § 9º aplicase também ao PIS/Pasep. Fl. 4065DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.056 21 Isto posto, é necessário relembrar que todas as glosas dos demais itens do Despacho Decisório de fls. 3.469/3.516 não citadas nesta Informação Fiscal não têm qualquer relação com o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004 e suas razões estão muito bem explicadas e fundamentadas no corpo da Informação Fiscal de folhas 3.469 e seguintes". A empresa foi regularmente intimada da referida Informação Fiscal (fl. 4.027), via DTE eCAC, no dia 19/03/2015 (fl. 4.030), sendo que em 27/04/2015 protocolou suas contrarazões conforme documento de fls. 4.034/4.041. Os autos, então, retornou a este CARF, para prosseguimento do julgamento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1 Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como relatado de início, o presente processo se refere exclusivamente à Contribuição para o PIS, relativa ao período de apuração do 4º trimestre de 2006. 2 Do Conceito de INSUMOS O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: Fl. 4066DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não Fl. 4067DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.057 23 cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da Cofins nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Verificase no Estatuto Social e também informado pela Recorrente em seu recurso, que a empresa BRF é uma tradicional e importante agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 3 Processo produtivo Descritivo dos Insumos Destacase que quando da efetivação da Diligência a Recorrente apresentou documentos, demonstrando o fluxo de Processo de Produção da empresa, laudo técnico, os respectivos descritivo de utilização dos insumos, conforme documentos de fls. 3.886/4.014. 4 Sistemática das DCOMP Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMP de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, não cumulativa, vinculados à receita de exportação, período de apuração 4º trimestre de 2006. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 30 de dezembro de 1996, atribuiu à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Verificase, dessa forma, que com tal mudança de sistemática a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. 5 Preliminares 5.1 Matérias não contestadas na Impugnação Fl. 4068DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 Na decisão a quo, consignouse que em análise da manifestação de inconformidade, a Recorrente não contestou todas as operações cujos valores foram glosados nas planilhas. Por isso, impedido, então, o julgador administrativo de pronunciarse em relação ao conteúdo do feito fiscal no que se refere as operações cujas glosas não foram contestadas, reputase definitivo na esfera administrativa o ajuste no cálculo do crédito a estas correspondente. Por outro lado, a recorrente consigna em seu recurso que TODAS as matérias envolvidas nestes autos foram expressamente delimitadas (uma a uma), impedindo de forma clarividente qualquer alegação específica para este caso de que não houve impugnação, aplicando os efeitos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. Este tema será tratado tópico mais adiante quando da verificação das glosas, ressaltando que todas as matérias apontadas no recurso serão tratados neste voto. 5.2 Das Nulidades apontadas (i) A Recorrente requer a nulidade do Despacho Decisório, da Decisão recorrida, do Lançamento e argumenta que houve cerceamento de defesa e violação do devido processo legal. Quanto ao Despacho Decisório, alega a nulidade em decorrência da violação ao princípio da motivação. Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo pelo qual está glosando cada um dos valores das operações da contribuinte. Aduz que em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação, alega também o cerceamento de defesa, e, em consequência, a violação ao devido processo legal administrativo. Nesse sentido informa que não é possível glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro em seu relatório que “analisou por amostragem e, no momento da glosa, inseriu no mesmo entendimento diversos produtos, mercadorias, serviços e demais bens sem motivar de forma clara, explícita e congruente”. Segue alegando que “cabia ao Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela impugnante” e que o fato de “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade do ato administrativo”. No entanto, na Informação Fiscal, junto ao Despacho Decisório (fls. 3.469/3.516), o Fisco deixa consignado que em atendimento ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001/00242 (fls. 772/786), foram fornecidos os arquivos de notas fiscais previstos na legislação. Essas informações correspondentes foram totalizadas e comparadas com as informações constantes dos livros Registro de Apuração do ICMS de cada filial. Foram constatadas algumas inconsistências, tendo sido solicitada a complementação destas informações para algumas filiais, através do Termo de Intimação e Constatação Fiscal nº 002/00242 (fls. 1043/1057), o que foi atendido pela empresa. Informa que estão anexados no processo nº 16349.000272/200955, às fls. 229, 231, 233, 237, 241 e 256 os CD/DVDs entregues pela contribuinte e utilizados neste trabalho, juntamente com o recibo do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos SVA, nas folhas imediatamente subseqüentes. Com a finalidade de verificar os créditos informados nos Dacon respectivos, foram utilizadas as memórias de cálculo fornecidas pela Recorrente em atendimento ao Termo Fl. 4069DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.058 25 de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001. Notese que as memórias de cálculo são essenciais para a comprovação do crédito pedido, uma vez que é através das memórias de cálculo que o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos de PIS/Pasep e Cofins no regime não cumulativo declarados em Dacon. A segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”. A fiscalização analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens que davam direito a crédito. A terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo. Com este procedimento, podese identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita. Os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte seqüência: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do DACON; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não dão direito a crédito; subtraindose o segundo do primeiro, chegase ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Caso a diferença seja igual a zero ou negativa, não há glosa. Em resumo e de forma sequencial, podese representar que os procedimentos foram desenvolvidos da seguinte forma: (1). Soma dos itens na memória de cálculo; (2). Resultado da aplicação da matriz de glosas; (3). Valor reconhecido, e (4). Valor glosado = diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido pelo Fisco. Ao final dos procedimentos descritos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. Todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios, presentes neste processo nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. No que diz respeito aos créditos presumidos declarados nas linhas 25 e 26 do Dacon, os procedimentos de verificação também foram tratados detalhadamente. Verificase, então, que o Fisco não só esclareceu os critérios e parâmetros adotados na análise das informações apresentadas pela contribuinte, como também em seu Relatório Fiscal: tratou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, o que, à evidência, já seria suficiente para a contribuinte identificar o seu fundamento legal; indicou a razão fática e/ou a razão legal para o não reconhecimento do direito (não acolhimento de despesas de outros períodos, não comprovação de créditos trazidos de outros períodos; não comprovação da natureza da operação em razão do CFOP da nota fiscal registrada; e o não enquadramento das despesas registradas nas hipóteses legais permissão do crédito); e por fim, a autoridade fiscal também trouxe um relatório para cada tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado”. Fl. 4070DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 A Recorrente foi cientificada das glosas elencadas no Despacho Decisório e apresentou a sua manifestação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Ficou claro que as glosas teve sua origem e a motivação em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada na Informação Fiscal, onde detalhouse a motivação para o procedimento e as provas que conduziram a fiscalização a efetuar as glosas efetivadas. Como se vê, é totalmente improcedente a alegação da Recorrente de falta de motivação e de que teria sido cerceada em seu direito de defesa por não ter tido conhecimento do motivo de cada item glosado. Tal fato se confirma em sua Manifestação de Inconformidade e neste Recurso Voluntário, onde a Recorrente demonstra exatamente o contrário do que alega, quando contesta cada glosa, insurgindose contra os fatos e os fundamentos legais alegados pelo Fisco. Não assiste razão a Recorrente, uma vez que a autuação foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa, havendo sido atendidas todas as garantias processuais, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, art. 142 do CTN e do Decreto nº 70.235/1972, não existindo cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta refutando essas imputações. Portanto, rejeitase essas preliminares de nulidade. 5.3 da Nulidade do lançamento Quanto ao disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72, informa em seu recurso que se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento de defesa, o presente lançamento de ofício e despachos decisórios de glosa não cumprem o disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72. Em prejuízo da defesa da impugnante, a fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos que estaria glosando. Pois bem, não assiste razão a Recorrente também neste caso. É cediço que o auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. No entanto no caso dos presente autos, não estamos tratando de lançamento de ofício, e sim de caso de utilização de direito creditório pela Recorrente. A situação posta tratase de Declarações de Compensação DCOMP de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, não cumulativa, vinculados à receita de exportação. Quando se trata de desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do crédito pretendido. O Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Neste caso, foi exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a Instrução Fl. 4071DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.059 27 Normativa RFB nº 900, de 2008, que rege (atualmente a IN RFB nº 1.300, de 2012) os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos. Portanto não há o que se falar em nulidade do lançamento. 5.4 Do indeferimento Pedido de perícia nulidade da decisão Alega a Recorrente que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o pedido de perícia adequadamente formulado segundo a legislação. Aduz o princípio da busca pela verdade material. Como relatado, a Recorrente infirma a decisão recorrida, que lhe teria cerceado o direito de defesa ao indeferir o pedido de perícia. A decisão recorrida trilhou bom caminho ao considerar não formulado o pedido de perícia, haja vista a omissão do atendimento aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do PAF, a teor do que determina o §1º do mesmo artigo. Tratandose, portanto,de recusa bem fundamentada, não se fale em cerceamento do direito de defesa. Portanto, rejeitase essa preliminar de nulidade. De se passar, agora, à análise das questões concretas relacionadas com cada uma das matérias postas. 6 Ônus da Prova Por compartilhar do entendimento deduzido no voto condutor da decisão recorrida, reproduzi as considerações da AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes a respeito da distribuição do ônus probatório nos processos administrativos fiscais, que deverão ser observadas para a inteligência deste voto: "Antes que se passe à análise das razões de contestação contra o feito fiscal, importa que se teçam algumas considerações acerca do ônus da prova do contribuinte, no âmbito dos processos administrativos em que se trate de direito de crédito por este utilizado pelos meios legalmente previstos. Coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; ao contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de ofício: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, entretanto, o quadro resta modificado. Quando a situação posta se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência deste. O Fl. 4072DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Nos casos de pedido de restituição, reembolso ou ressarcimento e declaração de compensação de créditos é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF no 900/2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...]§ 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [...]Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (grifouse) Assim, em entendendo a autoridade fiscal que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou entendendo que o crédito inexiste, em razão de as operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a este negar o direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. Neste caso, cabe ao contribuinte, em sua defesa ao crédito, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o crédito alegado. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar; não basta, Fl. 4073DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.060 29 simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito; a contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que alega, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Assim sendo, salientese que, no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, todas as declarações, informações e documentos e registros contábeis elaborados pelo contribuinte somente fazem prova a seu favor perante o Fisco, quanto à existência do direito que declare, se calcados em documentos fiscais. Destarte, a efetiva comprovação da ocorrência, dos valores e da natureza das operações registradas e declaradas pela pessoa jurídica somente se dá por meio de documentos fiscais representativos destas. E a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Para a correta análise dos argumentos de contestação das glosas realizadas pela autoridade fiscal, é necessário ter claro a sistemática por esta adotada na aferição da procedência do crédito pleiteado pela contribuinte, conforme por ela apurado em Dacon. No arquivo digital contendo a memória de cálculo dos montantes informados em Dacon o auditor fiscal buscou identificar, dentre todas as operações de entrada registradas pela contribuinte adotando como critério de identificação o CFOP das respectivas notas e a descrição dos bens aquelas que não se referissem a uma operação de aquisição de insumo, na acepção firmada no item 2 deste voto. Identificadas essas operações, excluiu o montante mensal apurado dos valores informados na linha 02, para cada mês do trimestre. Notese, então, que as notas fiscais cujos valores foram glosados não foram trazidas aos autos pela autoridade fiscal; não teve a necessidade de as solicitar para efetuar as glosas, haja vista ser possível somente a partir dos registros da empresa verificar a improcedência dos créditos correspondentes. Das operações registradas, excluiu: os valores daquelas notas fiscais cujos CFOP e/ou descrição do bem não condiziam com operações de aquisição de insumo. Dentro deste quadro, firmese que, no presente caso, somente restará efetivamente comprovada a operação glosada que a contribuinte tenha trazido, em sede de manifestação de inconformidade, a cópia da respectiva nota fiscal." Posto isto, tanto para serviços quanto para bens utilizados na produção industrial em se tratando de pedido de ressarcimento e declaração de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o direito invocado existe. Neste ponto, acresçase o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 4074DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, vejase: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da Recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização e também nesta fase de julgamento no CARF, uma vez que foi solicitado diligência a fim de elaboração de Laudo Técnico, com o fim de esclarecer dúvida do julgador, e também como complementação probatória. 7 Da Diligência realizada laudo técnico e fluxograma apresentados Esclareçase que a Recorrente, quando da intimação para cumprimento da diligência, juntamente com sua manifestação, fez a juntada dos seguintes documentos: (i) Laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, onde retrata tecnicamente o processo de produção e diversos insumos; (ii) fluxograma do processo produtivo com respetiva descrição deste por meio de seu engenheiro responsável; (iii) fluxograma do processo produtivo com ilustrações; e (iv) plantas da estrutura dos estabelecimentos (fls. 3.873/4.026). 8 Das GLOSAS realizadas A fiscalização concluiu que o procedimento permitiu a validação dos arquivos com os dados e informações recebidos da empresa BRF, sendo todas as notas fiscais confirmadas e consideradas no cálculo do crédito. Que, dessa forma, apenas as notas fiscais Fl. 4075DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.061 31 cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que as mesmas foram glosadas. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela Recorrente, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes relacionados na Informação Fiscal. Já é praticamente pacificado nesta Turma o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do Imposto de Renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Então vamos a eles: 8.1 Bens adquiridos para revenda Informa o Fisco em seu relatório que tratase de notas fiscais com valor inferior aquela declarada em DACON. Em relação a este item, a Recorrente alega em seu recurso que "os créditos são legítimos conforme declarado em DACON, sendo que a contabilidade dá total suporte. Houve, em verdade, um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes neste item em face da DACON. Ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosa com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em DACON". Como se vê, em relação à glosa das notas fiscais com valor inferior aquele declarado em Dacon explica que, em verdade, houve um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes dos informados no demonstrativo. Argumenta que, ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em Dacon. O valor de R$ 50.412,22, glosado no mês de dezembro, foi justamente o valor informado pela Recorrente no DACON e a diferença do somatório dos itens de notas fiscais informados na memória de cálculo e que foram admitidos como passíveis de gerar créditos a descontar (quadro fl. 3.477 da Informação Fiscal). No entanto, subscrevo abaixo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. "Consoante o caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a utilização de créditos na apuração da contribuição devida representa uma faculdade do contribuinte. Só que, em optando o contribuinte em utilizarse de crédito que entende ter direito, lhe cabe o ônus de estar à frente da atividade probatória do direito alegado, nesse sentido trazendo as informações e esclarecimentos solicitados pelo fisco e as provas hábeis e suficientes a atestar não só a existência dos custos e despesas incluídos na base do crédito apurado, como sua natureza, conforme por ele informado em Dacon, para fins da necessária análise e conferência dos créditos pela autoridade fazendária competente. Dos autos, verificase que a autoridade fiscal competente, solicitou a memória de cálculo dos diversos valores lá informados, conforme as linhas de que dispõe o tal demonstrativo (DACON). Fl. 4076DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 A autoridade fiscal, considerando que a memória de cálculo fornecida continha os registros das notas fiscais de todas as operações de entrada incluídas pela contribuinte no cálculo do crédito pleiteado e que estas teriam ocorrido e foram incluídas pela contribuinte no cálculo de seu crédito conforme lá registradas (CFOP e valores), em verificando que os valores declarados em cada linha do demonstrativo não correspondiam aos informados na memória de cálculo: (i) glosou a diferença a maior no Dacon, por considerála resultante da inclusão na base de cálculo de operações não comprovadas, já que decorrentes de notas fiscais não registradas pela empresa; (ii) em sendo os valores do Dacon iguais aos da memória de cálculo, os manteve por aceitálos como verdadeiros, já que registrados; (iii) em sendo menores, manteve os valores do Dacon por presumilos verdadeiros e por ter sido este o valor pedido. Resumindo, a autoridade fiscal reconheceu o crédito em relação à totalização dos itens de notas fiscais registradas na memória de cálculo e admitidos como geradores de crédito em cada linha do Dacon, tendo como limite superior o valor informado na respectiva linha do Dacon, haja vista, à evidência, não poder conceder crédito maior do que foi apurado pelo contribuinte. O procedimento fiscal foi o correto, pois é justamente a memória de cálculo o instrumento através do qual o contribuinte, quando intimado para tanto, deve demonstrar ao Fisco de forma individualizada e precisa todos os valores incluídos na composição do valor que declarou em cada linha do Dacon para fins de análise da pertinência e existência do crédito pretendido, sob pena de não ter reconhecido o crédito, tal como lá declarado. Assim, no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, ante o fim colimado com a sua solicitação, tal instrumento vincula o contribuinte perante o fisco. De outro turno, em havendo dúvidas quanto ao crédito, a memória de cálculo, assim como o Dacon e a escrituração contábil da empresa, somente faz prova a favor do contribuinte, quanto à existência do direito que declare, se calcada em documentos fiscais. O Dacon e a memória de cálculo, bem como os registros contábeis da empresa, não consistem de documentos fiscais; tendose como tal aquele que tem como característica que lhe é própria, decorrente de sua oficialidade e obrigatoriedade, a presunção, embora relativa, de veracidade, como ocorre com a nota fiscal. Em verdade, tais documentos, cada um com suas características próprias, consistem de documentos elaborados pelo contribuinte cujos registros e declarações, para os fins e os efeitos que se pretenda perante o fisco, devem estar calcados em documentos fiscais, ou seja, nas notas fiscais representativas das operações que representam. Em última análise, portanto, a comprovação do crédito declarado em Dacon não se dá pela sua simples declaração, assim como a comprovação das operações lançadas na memória de cálculo ou nos registros contábeis não se dá pelo seu simples lançamento. Como visto, a contribuinte, manifestase contra a presente glosa aduzindo que os valores informados na memória de cálculo não representam, como deveriam (a teor do que foi demandado na intimação fiscal), a composição dos valores declarados no Dacon. Ocorre que a contribuinte limitase a alegar, sem, no entanto, minimamente laborar no sentido de comprovar tal alegação. Destarte, não basta o contribuinte vir em sede de Manifestação de Inconformidade alegando que, ante a divergência verificada pela fiscalização entre declarações por ela própria prestadas, válida seria aquela declaração que lhe convém, principalmente se esta declaração se referir a direito creditório, cuja comprovação está a seu cargo. Bem, certo é que para comprovar que os valores gerados do crédito são, efetivamente, os declarados no Dacon, cabia à recorrente demonstrar/comprovar, por meio de documentos hábeis e suficientes pata tanto, que estes valores, e não os consignados na memória de cálculo, é que correspondem aos reais montantes de suas operações". Portanto, devem ser mantidas as glosas. 8.2 Bens Utilizados como Insumo Fl. 4077DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.062 33 Alega a Recorrente em seu recurso que houve glosas referente a: a) aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento de PIS/COFINS, em especial, ovo incubável, suíno vivo de terceiros, suíno vivo de terceiros (integrados), suínos de corte, milho granel, rede nylon ref mortadela bologna; b) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária; c) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados; d) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/COFINS, entre eles, defensivo, leite, queijo, cebola, massa de mandioca, palmito enlatado, alho em pasta, tempero para carne, pimenta, aroma de galinha, calcário, caulim, sodalita, desinfetante, veneno rodilon, herbicida, farinha de trigo, farinha de milho, vacinas, lispec, pinto de 01 dia, antibiótico, ivermectina, amoxilina injetável, sêmen suino; e) notas fiscais cujo código de operação não concede crédito (etiqueta, ira fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor,sacc elástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsatérmica, mola, pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo,entre outros); f) o valor do IPI recuperável em processo específico (art. 11 da Lei n. 9.779/99); g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS e COFINS. 8.2. a) Das Aquisições de bens pessoas físicas. Alega a Recorrente que a fiscalização glosou os valores das aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos previstos no art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a saber: "aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento de PIS/COFINS, em especial, ovo incubável, suíno vivo de terceiros, suíno vivo de terceiros (integrados), suínos de corte, milho granel, rede nylon ref mortadela bologna." Argumenta que são legítimos os créditos decorrentes de aquisições de bens pessoas físicas, pois, embora o art. 3º , § 2º, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 impeçam a manutenção do crédito, o fato é que o art. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 expressamente reconhecem o direito ao crédito presumido, no caso, de 60% sobre o valor das aquisições. Ressaltese que como bem asseverado na decisão recorrida, o crédito negado pelo Fisco (relação cf. Planilha de fls. 1.170/1.175), não é o mesmo alegado pela Recorrente, qual seja, o crédito presumido da atividade agroindustrial, a ser informado no Dacon na “Linha 06A/25 que são os Calculados à Alíquota de 0,99 %”. Fl. 4078DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 34 O crédito em questão é o previsto no art. 3º das mencionadas Leis, onde sobre o montante dos gastos e despesas da empresa elencados em seus incisos há a incidência da alíquota normal da contribuição (1,65%). Em relação a esse crédito, no §2º do mencionado artigo, há a expressa vedação da inclusão dos valores pagos a pessoas físicas. No Dacon, o referido crédito deve ser apurado pelo contribuinte na “Ficha Apuração dos Créditos de PIS/Pasep Aquisições no Mercado Interno Regime Não cumulativo”, cujo resultado aparece na “Linha 06A/15 Créditos a Descontar à Alíquota de 1,65%”. Portanto, à evidência, diante da expressa previsão legal de vedação ao crédito, a autoridade fiscal agiu corretamente ao excluir da base de cálculo do crédito calculado à alíquota normal da contribuição, informados na linha 02 da Ficha 06A do Dacon, os custos dos bens adquiridos de pessoas físicas Planilha fls. 1.170/1.175. Correto, portanto, a glosa efetuado pela fiscalização e deve ser mantida. 8.2. b) Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Alega a Recorrente em seu recurso que as "aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária". Conforme a memória de cálculo fornecida pela Recorrente a fiscalização glosou: a) as aquisições de bens cujas descrições não demonstram que o bem se refira a insumo, conforme conceito extraído do art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; e b) os valores das notas fiscais cujo CFOP não se refere a operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. Informa no Despacho Decisório que de acordo com o § 9º do mesmo art. 8º, o entendimento acima aplicase também para o PIS/Pasep. Assim, bens como cimento 50 kg e pallet de madeira foram excluídos da base de cálculo. A recorrente, inicialmente, manifestase contra as glosas constante da Planilha de fls. 1.131/1.147, alegando que a autoridade fiscal as teria realizado de forma “genérica”, “exemplificativa” e “sem critério”. No entanto, verificase que o Fisco tratou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon e também trouxe um relatório para cada tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado”. Os itens glosados constam do relatório “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às fls. 1131 a 1147 e do relatório “NFGlosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”, à fls. 1148 a 1151. De outro turno, como veremos, a Recorrente não cuidou de identificar todas as operações de aquisição em relação às quais defende o direito e nem juntou as cópias das notas fiscais correspondentes. Salientase que a recorrente contesta as glosas partindo do entendimento de que de todos os dispêndios ocorridos que contribuam, direta ou indiretamente, para a obtenção de receita geram créditos das contribuições. Fl. 4079DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.063 35 Neste caso, temse que a fiscalização, entendendo que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não se mostram suficientes para demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou verificando que o crédito inexiste, em razão de as operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, negoulhe o direito pretendido, explicitando claramente sua motivação. Em sua defesa ao crédito, cabe a Recorrente, provar o teor das alegações que contrapôs aos argumentos postos pelo Fisco para não acatar o crédito alegado, não bastando, todavia, apenas alegar possuir o direito, mas devendo comproválo cabalmente, individualizando e provando a ocorrência de cada operação cujo valor foi glosado, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência, o que não ocorreu no presente caso. Como já dito, o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas aqui tratados deve abranger os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Glosas pela descrição das operações A recorrente contesta a glosa das aquisições de equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária com base no argumento de tais bens “se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela impugnante em sua atividade produtiva”. Nesse sentido informa em seu recurso que: "Antes de buscarmos, apesar do evidente cerceamento de defesa e falta de motivação, impugnar um a um, reiteramos todas as ponderações acerca da noção de insumo, uma vez que são bens que se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela recorrente em sua atividade produtiva. Vejamos, por exemplo, os fios de poliéster, utilizamos dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. Daí porque é possível se reconhecer desde logo a improcedência da glosa realizada, merecendo reforma a referida decisão. Tais materiais na atividade da recorrente não podem ser desconsiderados como insumos, uma vez que são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, contribuindo para a elaboração do produto industrializado e a obtenção de receita. Todos estes materiais (ex. fita sanitária, luvas, etc) são peculiares da atividade desempenhada. Isto porque, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde conforme Portaria SVS/MS n. 326/1997. 8.2. c) Dos Pallets (de madeira) Informa que os PALLET MADEIRA 120X100X14CM DURA PBR PL6; PALLET MAD 120X100X14CM EXPORT PL7 REFO; PALLET MADEIRA 110X90X11CM M.CONT PL3, têm por finalidade a armazenagem de matériasprimas ou as mercadorias produzidas e destinadas à comercialização (exportação), o que possui expressa permissão legal para descontar créditos. Fl. 4080DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 36 Especificamente sobre este item, aduz a Recorrente em seu recurso que, "Tais produtos (em especial, o pallet) são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias primas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização Ora, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA". Quando da sua manifestação na Diligência solicitada, acrescenta que (fls. 3.873/3.886): "Os pallets são amplamente aplicados dentro do processo produtivo da requerente, sendo essenciais. São relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. Conforme PARECER (laudo) do INT às fls. 42 há expressa menção no sentido de que os pallets são utilizados "sempre nas movimentações externas às linhas de produção", sendo que no ambiente interno "são utilizadas para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora". Ademais, principalmente, quanto aos pallets de madeira, ainda possuem a função indispensável dentro do processo produtivo de "transporte para área de estocagem, dentro da unidade produtora, expedição com carregamento em caminhões, viagem até o cliente, descarregamento do caminhão, movimentação interna no cliente...". Afirma que são insumos por participarem do processo produtivo como produto essencial e inerente à atividade econômica da recorrente, inclusive, visando cumprir exigências de higiene e limpeza para a produção de um bem de maior qualidade. Por outro lado, o Fisco, na Informação Fiscal da Diligência (fl. 4.019), informa que "A razão da glosa, à luz da IN SRF 404/2004 é evidente: o 'palete' de madeira é mero equipamento de transporte de produto acabado, que não se incorpora ao produto, não é consumido na sua produção e não é material de embalagem do produto, sendo inclusive boa parcela retornável. O relatório técnico apresentado pela contribuinte informa que, nas linhas de produção são utilizados apenas 'paletes' de fibra de vidro, e nenhum destes foram glosados. Ressaltese que nunca foi questionada a utilidade dos paletes, a todos evidente" (g.n). Quanto ao Relatório Técnico nº 000.903/13, fl. 3.933, a partir do item 13 localizase a parte relativa a palete, onde é verificado que são utilizados para diversos fins. Na folha 3.934, informa no item 15: (...) No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas, foi apurado que existem três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibradevidro [sic]. Nos casos das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção. Já no ambiente interno, onde são utilizados para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que sejam utilizados somente paletes de fibradevidro [sic]. (...) (destaquei) Pois bem. Não resta dúvidas que tais materiais (pallets) objetivam também garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia as normas da ANVISA. Na planilha de funcionalidades apresentado quando da diligência (fl. 4.034), consta que ficam no setor de palletização e "utilizado para paletizar as caixas produtos como embalagem secundária protegendo os insumos e materiais do contato direto com o solo". Fl. 4081DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.064 37 Portanto, segundo a descrição oferecida pela recorrente, concluise de imediato não se tratar de material de embalagem, já que o item não acompanha o produto acabado. A tomada de créditos, nestas condições, dependeria do critério adotado pelo próprio contribuinte para a contabilização do bem. Se a aquisição dos pallets for lançada à conta de despesa operacional, em função do seu valor unitário e de sua vida útil, entendo admissível o creditamento do gasto como insumo. No entanto, tratandose de bem de ativação obrigatória, como parece ser (observo que, entre os serviços contratados pelo contribuinte, há o de manutenção de pallets, o que induz à conclusão nesse sentido), o creditamento só seria possível como despesa de depreciação. O deslinde da controvérsia portanto leva em conta o sistema de distribuição do ônus da prova adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tratandose de pedido de ressarcimento, como é o caso, a iniciativa é do contribuinte, e sobretudo, de insistência recursal de que o item seja considerado como insumo, a ele incumbe a prova de que deu a tal gasto a natureza de despesa operacional. A prova requerida, no entanto, não se encontra nos autos. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas dos pallets. 8.2. d) Das "Big Bags" Em sua manifestação quando da Diligência (fls. 3.873/3.886), argumenta que "Podemos, ademais, identificar entre os insumos utilizados no processo produtivo pela requerente as embalagens em geral e itens afins, especialmente, fio de poliéster, bolsa termina PVC, sacola big bag, caixa de proteção, fita sanitária, nylon, malha de algodão". Afirma que tais bens estão totalmente vinculados ao processo produtivo e de comercialização, sendo essenciais e inerentes à especifica atividade econômica da recorrente com o fim de gerar receita. São hipóteses de embalagens ou produtos afins incorporados ao processo produtivo. Por isso, diante da noção ampla de insumo, vinculação direta com o processo produtivo e a peculiaridade da atividade econômica desempenhada pela requerente, é possível reconhecer o direito ao crédito. Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 38 Por outro lado, informa o Fisco quando da diligência que " (...) Quanto aos “big bags”, conforme verificado nos itens 32 e 33 do mesmo Relatório Técnico (folha 3.941), servem para “transportar o subproduto formado para a fábrica de ração, para armazenamento dos materiais granelizados e para transportar a ração da sua fábrica até aos produtores de aves que não possuem silo.” Da mesma forma, não são incorporados ao produto, não são consumidos na produção e não são materiais de embalagem. Da mesma forma, nunca foi questionada a utilidade dos “big bags” (...). Como se vê, não há como atestar que os "big bags" tenham sido efetivamente utilizados, de forma direta, no processo produtivo, sem que o interessado faça descrição pormenorizada de como se dá essa utilização, ônus que lhe cabe e não o fez no momento apropriado (quando da diligência, conforme visto na Informação Fiscal), de acordo com o sistema de distribuição da prova adotado no processo administrativo federal. Assim por falta de prova da pertinência e da essencialidade das "big bags" no custo de produção, nos termos do conceito de insumo adotado neste voto, mantenhamse as glosas. 8.2. e) Da Gasolina, solventes e gás A Recorrente formula que também houve glosa de combustível, em específico, a gasolina e solventes. E que o combustível é empregado no processo industrial de fabricação dos alimentos, maquinas e veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. No curso da diligência informou que (fl. 3.877), "Temos, ainda, os combustíveis (gasolina, solvente, etc), inclusive, gás glosados, além de existir expressa previsão legal para o crédito, também se vinculam diretamente ao processo de produção, como se pode notar claramente dos fluxogramas e laudo juntado". A princípio não me parece razoável afirmar que as máquinas e equipamentos utilizados pela empresa (empilhadeiras, etc), se utilizam de gasolina e solventes para movimentar suas operações. Quanto a gasolina, conforme descritivo nas Planilhas apresentada quando da diligência (fls. 4.035/4.041), informa que seria utilizado nos veículos da empresa. Percebese que essas aquisições são pouco frequentes, o que, além da descrição da operação, denotam que o combustível não é próprio para utilização em máquinas e equipamentos do parque fabril, única hipótese em que aquisições de combustíveis geram crédito, a teor da legislação de regência. É certo que o combustível utilizado seria óleo diesel. Quanto aos solventes, conforme descritivo nas Planilhas apresentada quando da diligência (fls. 4.035/4.041), os mesmos ficam localizados no setor embalagens inicial e sala de cortes e são utilizados nas datadoras de embalagens (os solventes são aplicados em impressoras), não ficando comprovado que seria custo de produção e sim controle de produtos acabados. Sobre o gás, nada foi manifestado. Desta forma mantenhase as glosas sobre gasolina, solventes e gás. 8.2. f) Material de embalagem e outros itens especificados Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.065 39 Quanto ao material de embalagem, este também está dentre os que poderiam ser considerados insumo no âmbito da legislação da contribuição ao PIS e da Cofins. Como se vê, das descrições dos bens adquiridos não é possível afirmar que consistam de insumos, ou seja, de embalagens que podem ser atribuídos como custo de produção. De outro turno, os esclarecimentos trazidos pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade é que as embalagens apontadas, notadamente os "bolsa térmica e caixas de proteção", consistem de embalagem somente utilizada depois de concluído o processo produtivo do bem, utilizadas no armazenamento e/ou transporte dos produtos acabados. Como visto a própria interessada afirma que “... tais produtos têm por finalidade a armazenagem de matérias primas ou as mercadorias produzidas e destinadas à comercialização...”, por conta disso, alternativamente, reclama que o crédito há de ser mantido pela “aplicação do art. 3º inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria”. Já em sede de diligência, manifesta complementando que (fls. 3.873/3.886): "(...) tais bens estão totalmente vinculados ao processo produtivo e de comercialização, sendo essenciais e inerentes à especifica atividade econômica da recorrente com o fim de gerar receita. São hipóteses de embalagens ou produtos afins incorporados ao processo produtivo. Um primeiro ponto diz respeito ao fato de que alguns itens chegam a incorporar o produto final, como de fios de nylon, fio de poliéster, fita sanitária, o que nos deixa evidente a legitimidade do crédito. Por hipótese, caso assim não se entenda e se sustente que tais itens não incorporam ao produto final, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito. Isto porque, as embalagens estão vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade.Tratase de um material que acompanha o produto a ser comercializado e é inerente e essencial na atividade econômica, principalmente, quando se trata da produção e venda de alimentos. Ora, além da embalagem de apresentação, também deve ser reconhecido o crédito para aquelas que têm por função armazenar a matériaprima ou o produto acabado. Tais determinações da ANVISA demonstram claramente que na atividade de produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final. Isto porque, as embalagens são utilizadas durante todo o processo de produção e comercialização visando garantir segurança e evitar contaminação e proliferação de organismos. Daí porque se tem embalagem sem acabamento ou mesmo aquelas que acondicionam uma quantidade maior de produtos do que o comercializado normalmente. Elas possuem objetivo diverso no ciclo de produção e comercialização, porém, também relevante e inerente à atividade econômica da recorrente, já que garantem que desde o insumo até o produto industrializado finalizado chegue apto ao consumo humano e sem qualquer avaria". Em seu recurso afirma que “fita sanitária, luvas, etc... são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações”. Do arquivo de glosas, identificouse algumas operações que possivelmente tenham relação com esses bens Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 40 itens com descrições do tipo: "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção e fita sanitária". Neste sentido, existe evidência de que esses bens são utilizados na atividade de “industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral”, ou seja, produção de bem destinado à venda. Portanto, correto o entendimento da Recorrente de que tais bens consistem de insumo. Desta feita, há que se reverter as glosas contestadas para os seguintes produtos "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária", por configurarem despesas com embalagens ou de armazenagem de produtos fabricados. 8.2. g) Indumentárias (malha algodão e camisa Vemag) Em sua manifestação da diligência, aduz a Recorrente que também identificou as indumentárias, que não são consideradas meros uniformes, mas peças utilizadas dentro do processo produtivo, segundo determinação de órgãos regulatórios. Neste sentido, malha algodão, camisa vemag, entre outros. Isto porque, mais do que equipamentos de segurança para os empregados, por força de lei (o que já seria suficiente para legitimar o crédito), em verdade, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (v. Portaria SVS/MS n. 326/1997). Na informação Fiscal (fl. 4.018) a fiscalização informa que: "Ressaltese que não foi glosado item de indumentária. CAMISA VEMAG 920350150 PET GL, presente na listagem de glosas, figura na TIPI na posição 8438.90.00, conforme informação da própria contribuinte, que se refere a “Máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo, para preparação ou fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais.”, sendo o subitem 90.00 destinado a partes. E a malha de algodão glosada não parecia enquadrarse nas atividades da empresa. Salientese que a malha em tela tem a largura de sete centímetros, conforme descrito na listagem de itens glosados, não sendo usual seu uso em confecções. Por outro lado, há também glosada um tipo de malha de algodão com poliéster. Pode ter sido a esta que a contribuinte fez referência. Se de fato foi utilizada para confecção de indumentária, ainda assim não pode ser considerada insumo, pois não teria qualquer relação com a produção em si. Portanto, conforme informado pelo Fisco, e pode ser verificado pela Planilha de relação das glosas às fl. 1.147, a indumentária não foram objeto de glosa. O bem denominado Camisa Vemag PET GL, tratase de Máquinas e aparelhos, como pode ser visto pela classificação fiscal. Já as informações trazidas pela Recorrente quando da diligência, a cerca deste itens, carecem de provas de suas alegações, o que não foi juntado nos autos. Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.066 41 Portanto, há que se manter as glosas destes itens. 8.2. h) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas Em sua manifestação de Diligância (fl. 3.878) argumenta que "(...) consta da relação de bens glosados diversos peças e itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas utilizadas totalmente dentro do processo produtivo, amplamente descrito por dois fluxogramas juntados, tais como cabo, caracol do eixo, flange, válvula, foto célula, cilindro, corrente de roleie, carter de óleo, mancal, bloqueador de válvula, rolamento, engrenagem, motor 90KW, caracol, correia sanitária. Afirma que são peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo. Efetuado uma análise do Laudo Técnico juntado aos autos deixa evidente que tais itens estão vinculados ao processo produtivo da recorrente, especialmente, diante de sua atividade e plantas industriais juntadas (fls. 3.893/4.014). É possível também chegar a esta conclusão, verificando a Planilha de funcionalidades por cada item glosado, juntada aos autos quando da diligência, fls. 4.035/4.041. Pelos motivos expostos acima e conforme entendimentos mantidos por este CARF, concluise que é possível reconhecer a legitimidade do crédito de peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.131/1.147, uma vez que os mesmos se enquadra, neste caso, como custo de produção. 8.2. i) Notas fiscais CFOP que não representa aquisição e nem operação com direito a crédito Aduz a recorrente que, "da noção de insumo, a fiscalização de forma genérica englobou sem critério diversos bens que não dariam direito ao credito diante do CFOP, em especial, etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, entre outros. Desde logo, é possível perceber que se faz uma junção de itens que deveriam estar segregados para se justificar de modo adequado a glosa. Isto, entretanto, não ocorreu, o que prejudica o direito à defesa. Sem embargo disso, já ressaltamos que pela noção de insumo exposta no início da defesa, não resta dúvida da legitimidade dos créditos". O Fisco verificou, a partir das informações prestadas pela própria Recorrente, que esta inseriu na base de cálculo do crédito valores indevidos em razão de as operações demonstradas, tendo em conta os CFOP das notas fiscais registradas; ou seja, a fiscalização glosou as notas fiscais cujos CFOP não condizem com uma operação de aquisição de insumo, no caso, os códigos: 1.101, 2.101 Compra para industrialização ou produção rural e 1.653, 2.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. As entradas dos produtos mencionados pela recorrente foram por ela registradas com os CFOP: 1.556, 2.556, 3.556 e 1.407 Compra de material para uso ou consumo, 1.925 Retorno de mercadoria remetida para industrialização; 2.303 Aquisição de Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 42 serviço de comunicação por estabelecimento comercial. Observese, ainda, que para alguns produtos tais como botão, chave, lixa, tomada – não há registros de entradas glosadas na listagem da autoridade fiscal. Quando da Diligência, desta forma se manifestou a Recorrente (fl. 3.883), "(...) Por fim, quanto aos bens glosados, podemos ainda identificar diversos itens que estão totalmente relacionados ao processo produtivo da requerente, notadamente, malha algodão, tesoura, proteção chaira, formulário de declaração de aves, sensor de temperatura, modulo analógico, sensor de luz, lâmina bisturi, colher de aço inox, borracha raspadora depiladora de suínos, luva látex coleta de sêmen, camisa vemag. Todos os itens acima descritos são utilizados diretamente no parque fabril durante ao processo produtivo da requerente. Neste sentido, a "proteção de chaira" diz respeito ao item ligado ao amolador de facas. Temos ainda dentro deste mesmo ponto de vista a tesoura, o bisturi, a colher. São itens utilizados dentro do processo produtivo para limpeza, desossa e demais procedimentos no tocante à manipulação do principal insumo da requerente, qual seja, animais (aves, suínos, em especial). Convém frisar que o local onde se realiza todo o processo produtivo há de ser refrigerado, por imposição regulatória, sendo fundamental a manutenção da temperatura, dai a razão de se considerar insumo o sensor de temperatura, sensor de luz, módulo analógico". Pois bem. Verificase que dentro dos itens glosados (conforme consta da Planilha de fls. 1.148/1.151), como: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, anel de pressão, bucha, parafuso, tesoura, proteção chaira, formulário de declaração de aves, sensor de temperatura, modulo analógico, sensor de luz, lâminabisturi, colher de aço inox, borracha raspadora depiladora de suínos, luva látex coleta de sêmen, pelas suas características são insumos, uma vez que tratamse de equipamentos, ferramentas e materiais utilizados na atividade produtiva ou em máquinas com esta destinação. Entendo que a simples descrição dos produtos e materiais glosados já nos permite reconhecer a sua utilidade, inerência e relevância no processo produtivo de industrialização da recorrente. Como bem explicado em seu recurso, destacase por exemplo, a faca, que foi objeto de glosa. Tratase de equipamento que é manuseado por seus empregados no processo fabril de um frigorífico a fim de elaborar cortes, descartar partes da matériaprima a ser inutilizada, entre outras funções. Significa dizer, assim, que é um equipamento inerente e essencial no próprio processo de fabricação dos alimentos pela recorrente. No mesmo caminho podemos ainda ressaltar a glosa do termostato e o sensor de temperatura, que estão diretamente vinculados à atividade produtiva e industrial da recorrente, eis que, como foi ressaltado durante a defesa, estamos diante de produtos alimentícios com rígido controle de higiene e padrões de qualidade, inclusive, de TEMPERATURA. Ressalta ainda ser possível reconhecer a viabilidade do crédito para os materiais adquiridos visando à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos, por estarem vinculados à atividade econômica e produtiva, caracterizando como insumo. Contesta, ainda, a glosa de outros bens, como: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Alega que alguns desses itens chegam a incorporar o produto final, como etiquetas para fatiados, adesivo perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos. E que, caso assim não se entenda, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito, pois as embalagens estão vinculadas à Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.067 43 elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade, tratandose de um material que acompanha o produto a ser comercializado. Neste caso, tendo em conta que a hipótese de crédito de aqui se trata é a decorrente de aquisição de bens utilizados como insumo e considerando os vários tipos de materiais mencionados pela interessada, digase no meu entender, "quase" todos geram créditos, uma vez que efetivamente respondam pela fabricação de bens ou produtos destinados à venda (desde que não façam parte do ativo imobilizado). Desta feita, analisandose a relação de glosas às fls. 1.216/1.219, considerandose os argumentos da empresa e com base nos documentos e informações juntados aos autos (laudo técnico e funcionalidades), verificase o direito ao crédito dos insumos adquiridos, conforme notas fiscais relacionadas, sendo que há que se reverter as glosas contestadas para os ítens constantes na referida planilha, exceto, para o seguintes bens constante da relação: cliche impressão de embalagens, oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, (estes últimos tratados em tópico anterior). Quanto aos bens excluídos, não foi possível comprovar sua efetiva utilização no processo industrial da empresa (custo de produção). 8.2 j) Cimentos Alega em seu recurso que "Assim, bens como cimento 50 kg e pallet de madeira foram excluídos da base de cálculo". Quanto ao item CIMENTO 50KG, como bem asseverado pela fiscalização, não há como entender seu uso em atividade de produção, senão para ser utilizado em reparos ou construção de imóveis. Portanto, há que ser mantido a glosa. 9 Dos SERVIÇOS utilizados como Insumos 9.1 Diversos Serviços relacionadas e glosados Aduz em seu recurso que embora tenha impugnado sob a noção de insumo no sistema nãocumulativo de PIS e COFINS diversos bens, efetua de forma mais breve e já fazendo remissão a todos os fundamentos ventilados até o momento, defesa quanto à glosa de diversos serviços que não foram acolhidos como insumo (item 4.3.3 do despacho decisório "a", "b" e "c"). Conforme informado pela Recorrente, dos montantes informados a título de serviços utilizados como insumo a fiscalização glosou: a) as aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento do PIS/COFINS; b) aquisições de serviços que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos dos seguintes serviços: MOVIMENTAÇÃO SAÍDA, DE MONTAGEM/DESMONTAGEM, limpeza, recuperação frio, carregamento de aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro, inspeção sanitária, análise da água, entre outros. c) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados Fl. 4088DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 44 entre unidades da empresa; d) os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços. Os itens glosados constam da Planilha “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às folhas 1.131 a 1.147 e da Planilha “NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”, à fls. 1.148 a 1.151. Quanto aos itens “a”, “c” e “d” relacionado acima (tópico 4.3.3 da Informação fiscal), a recorrente remete aos argumentos já colocados sobre o mesmo assunto, em relação às aquisições de bens, enfatizando a total improcedência das glosas. No entanto, informa que "(...) Daremos ênfase, todavia, o item "b" que cuida de diversos serviços glosados, entre eles MOVIMENTAÇÃO SAÍDA, DE MONTAGEM/DESMONTAGEM, LIMPEZA, RECUPERAÇÃO FRIO, CARREGAMENTO DE AVES PARA VENDA, T IPALETIZAÇÃO, DESPACHANTE ADUANEIRO, INSPEÇÃO SANITÁRIA, ANÁLISE DA ÁGUA, ENTRE OUTROS. "(...) Tais crédito são legítimos em virtude de as prestações de serviços realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e contribuintes de PIS/COFINS serem totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica da recorrente. Por exemplo, entre os serviços prestados está a limpeza e inspeção sanitária. Na atividade desempenhada pela recorrente, diante de suas peculiaridades, tais serviços são essenciais e inerentes ao seu processo produtivo com a finalidade de obtenção de receita, principalmente, com qualidade, como determina a legislação." Em relação aos serviços, os mesmos são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores dos serviços prestados por pessoa jurídica, os aplicados na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda, assim considerados somente aqueles serviços que, por serem aplicados na cadeia produtiva da empresa, concorrem como custos no processo de transformação dos insumos e produtos intermediários em produto pronto e acabado para venda. Ocorre porém que, da listagem “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às folhas 1.131 a 1.147, para linha 03 do Dacon, tendo em conta a descrição das operações, conforme bem asseverado pela decisão recorrido, verificase que a maior parte dos serviços claramente não consistem de insumo e em relação à outra parte dos serviços não há como afirmar que sejam insumo, pois somente pelas descrições não é possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da empresa. As operações registradas têm consignadas as descrições: SERVIÇO MONTAGEM/DESMONTAGEM SEM CONTRATO, SERVIÇO RECARGA CARTUCHO IMPRESSORA, SERVIÇO MOVIMENTAÇÃO SAÍDA (a maioria das operações), SERVIÇO LIMPEZA GERAL EM INSTALAÇÕES, ALUGUEL VEICULO CARGA, SERVIÇO MÃO DE OBRA, SERVIÇO VIGILÂNCIA, SERVIÇO MONITORAMENTO, PESAGEM CAMINHÃO, SERVIÇO INSPEÇÃO SANITÁRIA, SERVIÇO RECUPERAÇÃO FRIO, SERVIÇO REFORMA PALLETS, SERVIÇO TREINAMENTO, SERVIÇO LIMPEZA GERAL EM INSTALAÇÕES, SERVIÇO CAMINHÃO MUNCK, SERVIÇO DE APLICAÇÃO DE STRECH PALLET, OUTROS SERVIÇOS, SERVIÇO DE CARREGAMENTO DE AVES P/ VENDA, SERVIÇO DE REPALETIZAÇAO (TROCA PALLET), SERVIÇO TRANSPORTE FUNCIONÁRIOS, SERVIÇO DESPACHANTE ADUANEIRO, SERVIÇO MONTAGEM/DESMONTAGEM, SERVIÇO ANALISE D'ÁGUA e OUTROS. Fl. 4089DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.068 45 Em sua manifestação quando da diligência (fls. 3884/3.885), a recorrente informa e reafirma que "(...) De outra parte, temos ainda serviços que com clareza meridiana são considerados insumos: serviço portuário, serviço de movimentação de carga saída, serviço de monitoramento, serviço de inspeção sanitária, serviço de vigilância, serviço de limpeza de instalações, aluguel de veiculo de carga, serviço de pesagem, serviço de armazenagem, reparo alojamento, serviço de recuperação de frigorífico, serviço de estrech, serviço de lavagem de uniformes (indumentárias). Apresenta algumas definições, conforme o fluxograma e Laudo técnico, bem como atividade da requerente, os seguintes serviços glosados pela Fiscalização: (i) serviço técnico: são aqueles prestados em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, por exemplo, o serviço de monitoramento, serviço de recuperação de frigorífico; (ii) serviços de limpeza, lavagem dos uniformes indumentárias), inspeção sanitária: do mesmo modo que as indumentárias, tratase de procedimento obrigatório segundo regulamentação do setor a completa limpeza e higienização do local e também dos uniformes (indumentárias), estando totalmente vinculadas ao processo produtivo da atividade de frigorífico e do setor alimentício, conforme laudos, documentos, normativas e jurisprudência do CARF. Do mesmo modo o serviço de inspeção sanitária; (iii) serviço de movimentação de carga: conforme fluxograma e laudos tais serviços ocorrem durante todo o processo produtivo mediante carga e descarga de insumos (frango, outras matériasprimas), durante a industrialização, bem como no momento da venda das mercadorias elaboradas; (iv) expedição e armazenagem: o processo produtivo é extremamente amplo e complexo, de tal maneira que há armazenagem de matériasprimas, como o caso de cereais, utilizados na elaboração de seus produtos. Além disso, produtos acabados cuja armazenagem se dá venda, sobretudo, nas operações de exportação. A Fiscalização em sua Informação Fiscal quando da diligência (fl. 4021/4022), informa que "Quanto aos Serviços Utilizados Como Insumos – Ficha 06A – Linha 03, foi glosado o aluguel de veículos porque a Lei 10.637/2002, art. 3º, inciso IV, estabelece que podem ser descontados créditos sobre “IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, o que não inclui veículos. Por evidente, os serviços SERVIÇO ANIMAÇÃO/SONORIZAÇÃO, SERVIÇO ANUNCIO, SERVIÇO PROPAGANDA, SERVIÇO DESPACHANTE ADUANEIRO, SERVIÇO PORTUÁRIO, não são realizados nas unidades da empresa com fins de produção. Nada se pode afirmar a respeito de OUTROS SERVIÇOS, SERVIÇO EXTRAORDINÁRIO, SERVIÇO MÃODEOBRA, SERVIÇO MONITORAMENTO, SERVIÇO RECARGA CARTUCHO IMPRESSORA, SERVIÇO TRANSPORTE FUNCIONÁRIOS. Todos os demais serviços são realizados nas unidades da empresa ou têm relação com as atividades da empresa. Nenhum dos serviços glosados, entretanto, atende às condições definidas na IN SRF 404/2004, art. 8º, §4º, inc. I, alínea b: “b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. (destaquei) Fl. 4090DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 46 A informação abaixo consta do relatório "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos", de folhas 1.131/1.147, tendo sido apenas reordenada e totalizada pela descrição do produto. A contribuinte foi intimada a, “com relação a cada bem ou serviço citado abaixo, esclarecer a participação de cada um no processo produtivo da empresa, identificando a etapa onde é utilizado e para que finalidade” e não atendeu a este item. Afirma que entre os serviços descritos, temos ainda: Serviço de pesagem, o qual é utilizado no processo produtivo para pesagem da matériaprima. Serviço de strech, também utilizado durante o processo produtivo para embalar os produtos a serem vendidos, especialmente, no caso de exportação. Serviço portuário, de fundamental importância nas operações de exportação de seus produtos, intimamente ligado ao serviço de armazenagem10. Reparo de alojamento, cujo crédito há de ser concedido conforme art. 3o, inciso VI, das Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Aluguel de veiculo de carga, considerado um insumo por transportar matériaprima e também os produtos elaborados. Dos montantes informados na linha 3 da ficha 6A do Dacon como gastos com serviços utilizados como insumos, glosaramse os que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º , inc. I, alínea "b" da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. A recorrente reclama das glosas, em seu recurso retoma a defesa do critério da inerência e essencialidade dos itens para a sua atividade produtiva. Acrescenta que todos os bens e serviços adquiridos que tenham como finalidade a higiene, limpeza e desinfecção e evitar a contaminação do processo de industrialização, conforme determinação dos órgãos públicos de controle, devem ser considerados como insumo. Analisandose o laudo técnico e levandose em consideração os argumentos da Recorrente, especificamente quanto aos serviços prestados de limpeza de instalações e inspeção sanitária, entendo que pela atividade desempenhada pela recorrente, diante de suas peculiaridades, tais serviços são essenciais e inerentes ao seu processo produtivo com a finalidade de obtenção de receita, principalmente, com qualidade, como determina a legislação e há de se ter em mente que a recorrente é fabricante de gêneros alimentícios, sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições ambientais das atividades, se não atendidas, implicam na própria impossibilidade da produção. Nesse contexto, entendo que há perfeito enquadramento na definição de insumos aqui esposada. A assepsia ambiental é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. De ver que, não houvessem os serviços de limpeza e inspeção sanitárias, haveria a possibilidade de interdição do estabelecimento produtivo. No mesmo sentido entendo que o serviço de análise de água, que como já exposto, a recorrente por ser fabricante de alimentos destinados ao consumo humano, segue rígidos controles de higiene e boas práticas de fabricação, inclusive por determinação legal, sendo o controle de seus insumos algo obrigatório. No caso da água, ela participa em diversos momentos do processo produtivo, desde a limpeza dos insumos, a fabricação e a limpeza do próprio parque fabril. Assim, impõese considerar a abrangência ao termo "insumo" para contemplar, no creditamento, desses serviços (limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água), devidamente comprovados nos autos, mediante notas fiscais.de prestação de serviços específicas. Fl. 4091DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.069 47 Quanto aos demais serviços relacionados e glosados, defende a legitimidade do crédito com base na sua relevância à atividade empresarial/industrial, nada mais. Novamente, rechaço a acusação recursal. Como já dito, a fiscalização não se furtou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, e também as relacionou, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado, no demonstrativo "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, fls. 1.131/1.147. Como se vê, não há como atestar que estes serviços tenham sido efetivamente utilizados, de forma direta, no processo produtivo, sem que o interessado faça descrição pormenorizada de como se dá essa utilização, ônus que lhe cabe e não o fez no momento apropriado (quando da diligência, conforme visto na Informação Fiscal), de acordo com o sistema de distribuição da prova adotado no processo administrativo federal. No entanto, concluindo, entendo que deve ser revertido apenas as glosas dos serviços de limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Os demais serviços glosados neste tópico, por falta de prova da pertinência e da essencialidade do serviço, nos termos do conceito de insumo adotado neste voto, mantenhamse as glosas. 9.2 Pagamentos de fretes A fiscalização também desconsiderou o frete na transferência entre estabelecimentos sob alegação de serem "produtos acabados", com base em presunção vinculada ao fato de que a transferência se deu entre estabelecimentos da recorrente. Segundo a Informação Fiscal, dos valores informados a título de “Bens utilizados como Insumo”, a fiscalização glosou as despesas com os serviços de fretes constantes da memória de cálculo sob a denominação "SERVIÇO FRETE E CARRETO", que correspondem a serviços contratados para transferências de produtos acabados entre filiais e valores escriturados em contas que refletem despesas com vendas: na conta 0501 DESPESAS COM VENDAS, sub contas n.° 0000510580 " Frete Transf. Prod. Acabados (UP p/Filiais)", e n.° 0000510581 " Frete Transf. Prod. Acabados (Entre Filiais)". Informa que cada um dos conhecimentos de transporte glosados está especificado na listagem “NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados” juntado às fls. 1.176/1.402. Alega a Recorrente ser improcedente essas glosas, pois a fiscalização teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. A expressão "produto acabado" como utilizada pelo Fisco é equivocada e não leva em consideração o contexto peculiar da atividade da recorrente. Afirma que todas as transferências, desde o ingresso da matériaprima básica (por exemplo, grãos) até o produto industrializado acabado e com destino ao consumidor (frete por meio de veículos específicos segundo regras da ANVISA) decorrem de uma participação ativa no processo produtivo, sendo essenciais e inerentes a sua atividade econômica, a fim de permitir que, deveras, possa a recorrente comercializar seu produto industrializado (qualidade e condições de consumo para o adquirente). Fl. 4092DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 48 Descreve os fretes praticados durante o processo produtivo de alude terem sido ignorados pelo fisco, como segue: 1. frete com a aquisição de prima para fabricar ração (exemplo grãos); 2. A impugnante remete para industrializar a ração; 3. Após, encaminha por frete até seus integrados, os quais criam animais (frangos, entre outros) e remetem novamente à impugnante; 4. há industrialização com emprego de tais matérias primas; 5. a. Frete do produto elaborado até um distribuidor ou supermercado; 5.b. Frete até outro estabelecimento da impugnante para armazenagem e venda final. Destaca ainda que "(...) Mesmo o frete entre o frigorífico e os estabelecimentos de distribuição (câmaras frigoríficas) e, posteriormente, o envio ao destinatário final, há participação no ciclo de produção". "Daí porque se pode afirmar, peremptoriamente, que há processo produtivo, desde o recebimento da primeira e mais rudimentar matériaprima (ex: sorgo) até o recebimento pelo destinatário; final em condições aptas ao consumo humano (supermercado)". Citando a Portaria da ANVISA SVS/MS nº 326/2007 e Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984, conclui que o processo produtivo da recorrente não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Como analisado na decisão a quo, para que bem se analise a questão posta, importa que se tenha em conta, antes de tudo, a evolução legal relativa ao creditamento de valores relativos a serviços de fretes pagos pela pessoa jurídica, contribuinte no regime não cumulativo da contribuição para o PIS e da Cofins. A Lei nº 10.637, de 2002, que instituiu o regime de apuração não cumulativa PIS/Pasep, já estabelecia, por meio de seu art. 3º, os valores que poderiam integrar a base de cálculo do crédito passível de utilização pelo contribuinte da contribuição, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo. As disposições de tal artigo foram parcialmente modificadas pelo artigo 37 da Lei nº 10.865, de 2004, contudo, não houve qualquer modificação no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos serviços utilizados como insumo. Com o advento da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS, passou a ser admitido também o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, na operação de venda, caso o ônus seja suportado pela própria empresa vendedora. Conforme estabelece o inciso IX do art. 3º desta lei. Já o art. 15 da citada Lei no 10.833/2003, tratou de estender o comando previsto no inciso IX às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa do PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 2004 (a teor do art. 93, I, da mesma lei). Vêse, então, que, em se tratando de serviço de frete, a legislação permite o creditamento, desde que tomados de pessoas jurídicas, nas seguintes hipóteses: 1 no caso de se entender que o serviço seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002); e 2 no caso de serviço de frete Fl. 4093DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.070 49 na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor (inciso IX do artigo 3º c/c com artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Observese que há, ainda, uma terceira hipótese de creditamento de custos com serviços de frete possível, além das expressamente previstas na legislação acima colocadas. Esta se verifica quando o custo do serviço de frete, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo base a ser informada na linha 01 ou na linha 02, conforme o caso. Esclareçase que a glosa de que aqui se trata referese a valores que compõem a base de cálculo informada na linha 2 do Dacon, linha própria para informar as despesas com aquisição de insumos, ou seja, a terceira das hipóteses acima postas. Razão pela qual a análise deve ser se os valores glosados referemse a custos, suportados pelo contribuinte, vinculados a aquisições de insumos. Inicialmente, não procede o argumento de que a fiscalização teria ignorado alguns dos fretes praticados durante o processo produtivo. Como visto, o Fisco glosou as despesas escrituradas pela interessada em contas próprias para registro de despesas com vendas na conta 0501 DESPESAS COM VENDAS, sub contas n.° 0000510580 " Frete Transf.Prod.Acabados (UP p/Filiais)", e n.° 0000510581 " Frete Transf.Prod.Acabados (Entre Filiais)". Razão pela qual não podem ser aceitas como despesas vinculadas a operações de aquisição de insumo. A recorrente, por seu turno, em seu recurso, claramente trabalha no sentido de defender que as despesas glosadas dão direito a crédito a título “serviços utilizados como insumo”, despesa que deve ser informada na linha 03 das fichas 06A e 16A do Dacon. Argumenta que “o processo produtivo da Recorrente não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final” pelo que os fretes que menciona “participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Em análise à contestação, verificase que não procede a alegação de que a fiscalização teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. Como pode ser visto, as próprias descrições das mencionadas contas contábeis, evidenciam a natureza das operações lá escrituradas. Por óbvio que não caberia a autoridade fiscal comprovar que as despesas escrituradas pela empresa como despesas de vendas de fato consistem deste tipo de operação. Ademais, em se tratando de direito de crédito que a contribuinte pretende ter reconhecido, caberia a ela, isto sim, a prova de que os valores registrados como despesas com vendas consistem, como declarado em Dacon, de despesas de transportes vinculados a operações de aquisições de insumo. Na diligência, nada foi acrescentado sobre os fretes. Assim, restou claro nos autos que os valores dos fretes glosados de fato não se referem a fretes vinculados a operações de aquisição de insumo e, correta, portanto, a exclusão destes valores dos montantes mensais informados na linha 02 do Dacon, própria para informar as despesas com aquisição de insumos (relacionados às fls. 1.176/1.402). 10 Vedação a geração de créditos aquisições de bens ou serviços alíquota zero Fl. 4094DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 50 Informa em seu recurso ainda, a glosa de diversos produtos sob alegação de não serem tributados (item 4.3.2, "d"), em especial, "defensivo, leite, queijo, cebola, massa de mandioca, palmito enlatado, alho em pasta, tempero para carne, aroma de galinha, calcário, caulim, sodalita, desinfetante, herbicida, farinha de trigo, farinha de milho, vacinas, lispec, antibiótico, ivermectina, amoxilina injetável, sêmen suíno, havendo improcedência na glosa de referidos créditos. O Fisco glosou as aquisições desses bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Listou no relatório “Glosadas Alíquota zero”, às fls. 1152 a 1169, todos os itens glosados, indicando o dispositivo legal correspondente que reduziu a alíquota; na primeira folha, traz um quadro onde indica as legendas para os motivos das glosas. Este argumento não merece ser acolhido haja vista que a alíquota incidente sobre tais produtos ter sido reduzida à zero, não pelo dispositivo alegado pela interessada, mas por força do inciso III, do art. 28, da Lei nº 10.865/04, que determina que: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de (...): III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI” e (...). Em análise aos mencionados capítulos, verificase que os mencionados bens, e os demais que foram glosados pelo mesmo motivo (identificados na Informação Fiscal pela legenda CAP78), se enquadram aos tipos de bens lá previstos. A recorrente, alega ainda que, “em se tratando de aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 01 dia, entre outros)” que se enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, há que ser mantido o crédito presumido, pelo que “impossível se torna excluir o crédito, pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925”. Como bem concluído pela decisão recorrida, também não procede esse argumento de defesa. Destarte, a Lei nº 10.925/2004 revogou os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637/2003, que tratavam do crédito presumido possível para as pessoas jurídicas que produziam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos NCM lá indicados, passando este tipo de crédito a ser regrado, a partir de então, pelo art. 8º desta lei. Todavia, o inciso II do §2º do art. 3º, das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2003, que vedam a geração de créditos das contribuições em relação a aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, permaneceram plenamente vigentes e igualmente aplicáveis ao crédito presumido, não havendo qualquer conflito nos regramentos postos pelas mencionadas leis em relação a esta matéria. E é por conta dessa vedação expressa em lei que também é improcedente o argumento de que é totalmente viável a manutenção do crédito em relação a produtos “vinculados à noção de insumos”, tais como “vacinas, antibióticos, amoxilina, ivermectina, entre outros”. Esses produtos, por se tratarem de bens sujeitos a alíquota zero, não houve tributação em sua aquisição, pelo que não há o alegado direito a crédito. Fl. 4095DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.071 51 Quanto ao argumento de que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório, não cabe aqui qualquer manifestação, pois, como visto, a vedação está prevista em lei, sendo este CARF incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Desta forma, improcedentes os argumentos de defesa, mantémse a glosa, dos insumos constantes da planilha às fls. 1.152 a 1.169. 11 Notas fiscais aquisições de pessoas jurídicas com suspensão obrigatória de PIS Argumenta em seu recurso que no despacho decisório (item 4.3.2 "g") rejeita o crédito integral (ordinário 7.6% no caso da COFINS e 1,65% na hipótese de PIS), em relação às aquisições) de pessoas jurídicas que venderam insumos com tributação (9,65%) à recorrente, sob alegação de nos meses de outubro a dezembro de 2006, a aplicação da suspensão seria obrigatória. O primeiro ponto decorre da circunstância de que o crédito integral há de ser mantido uma vez que a aquisição ocorreu mediante tributação de 9,25% (COFINS + PIS). Portanto, se houve aquisição sem a suspensão de pessoa jurídica de insumo, aplicase o art. 3° da Lei nº 10.833/2003 e 10.637/2002, implicando na legitimidade do crédito em tais operações. Isto porque, a Lei nº 10.925/2005 somente cabe aplicação, nas condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e COFINS. Se não ocorreu venda com suspensão, aplicase a regra geral, ou seja, as Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002, que permite nesta hipótese o crédito ordinário integral. Pois bem. Da base de cálculo do crédito básico (art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002), a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições de insumos, no caso, de milho (NCM 1005.90.10) e de soja a granel (NCM 1201.00.90), que representam aquisições de pessoas jurídicas que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. Acrescenta: que, à época de suas ocorrências, as aquisições de tais produtos por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004; a Perdigão Agroindustrial S/A preenche todos os requisitos elencados no art 4º da IN SRF 660/2006, configurando, então, a hipótese para qual a mencionada lei, artigos 8º e 9º, determina que não há incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Informa, ainda, que cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “NFGlosadas– Aquisicao PJ Suspensão obrigatória”, às fls. 3.376 a 3.468 do processo. Destarte, o artigo 8º da Lei 10.925/2004 passou a tratar do crédito calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003 – , especificamente para o caso de estes serem adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Tal dispositivo passou a permitir que as pessoas jurídicas que produzam Fl. 4096DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 52 mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos que indica, deduzam, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado pela aplicação de uma alíquota diferenciada ao montante das aquisições dos insumos adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária. Desta feita, para este tipo de insumo, não se aplica o crédito calculado nos termos do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, mas o crédito calculado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. A impugnante não nega tal fato, mas defende o crédito argumentando que a suspensão de PIS e Cofins, à época dos fatos, a teor da IN 660/2006, era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração) e que, se as aquisições ocorreram mediante tributação, há direito ao crédito pelas alíquotas ordinárias, previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002: Vejase: "A mais disso, até o advento da IN RFB nº 977, de 2009, as vendas com suspensão NÃO ERAM OBRIGATÓRIAS, o que se pode concluir da interpretação da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada por aquela quanto ao art. 4°". Pois bem. À presente matéria foi muito bem analisada pela decisão a quo, que adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os argumentos expostos que passam a fazer parte integrante do presente voto, mesmo porque a recorrente não apresentou qualquer defesa em face deles, apenas repisando os argumentos da manifestação. "À presente matéria, além do artigo 8º, importa o art. 9º da Lei 10.925/2004. Através deste, a lei suspendeu a incidência de PIS e Cofins nas vendas de produtos in natura de origem vegetal, e de insumos para a produção de mercadorias mencionadas no caput do art 8º, conforme descrito acima, desde que as vendas fossem feitas pelas pessoas jurídicas e cooperativas mencionadas e destinadas a pessoas tributadas pelo lucro real: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Fl. 4097DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.072 53 (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (grifo nosso) Notese que, nos casos em que o adquirente tiver direito à apropriação do crédito presumido de que se trata, a aplicação da suspensão da incidência por parte do vendedor dos insumos é regra e não exceção, portanto tem cunho obrigatório. A redação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabelece marco imperativo, ao dispor que: “A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:”. Esses dispositivos foram regulamentados, inicialmente, na IN SRF nº 636, de 24 de março de 2006, depois revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, com as alterações da IN SRF nº 977, de 14 de dezembro de 2009. Do texto da IN SRF nº 660/2006, anterior às alterações introduzidas pela IN SRF nº 977/2009, é oportuno transcrever os seguintes trechos, que disciplinaram a situação sob análise: Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Dos produtos vendidos com suspensão Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...]IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...]III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: [...]II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e [...] Das condições de aplicação da suspensão Fl. 4098DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 54 Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e II I utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. [...] Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...]Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (grifos nossos) Como se vê, a suspensão foi estabelecida pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 e regulada pelo art 2º da IN 660/2006. No art 4º da IN, foram colocadas os requisitos necessários e suficientes para que a suspensão se impusesse; notese que o previsto no §1º deste artigo não consiste de uma condição ou requisito para que a operação de venda se opere com suspensão das contribuições, mas de obrigações a serem cumpridas pelas partes envolvidas na operação. É inequívoco, pois que, quando o adquirente dos bens preenchesse as condições previstas nos incisos I a III do art. 4º da IN 660/2006, ainda em sua redação anterior à dada pela IN nº 977/2009, suas aquisições seriam obrigatoriamente feitas com suspensão das contribuições na etapa anterior da operação independentemente de qualquer solicitação efetuada pelo fornecedor ou Fl. 4099DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.073 55 informação prestada pelo respectivo adquirente; seria, todavia, compulsório que a adquirente prestasse as pertinentes informações ao vendedor dos bens, mediante a apresentação do Anexo I daquele diploma, de forma a permitirlhe aplicar o correto tratamento tributário à operação. Posteriormente, a IN nº 977/2009 introduz alterações à IN 660/2004, deixando explícita a obrigatoriedade da suspensão em questão a partir de 4 de abril de 2006; observese que o §1º do art 4º, que prevê a exigência da Declaração do Anexo I, foi revogado expressamente: Da Aplicação da Suspensão (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente:(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) §2º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) [...]Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; (g.n.) Portanto, para que a suspensão das contribuições se imponha, todos os requisitos elencados nos incisos do art 4º da IN SRF 660/2006, e somente eles, devem estar presentes. Sendo assim, no presente caso, preenchidos pela impugnante (adquirente) os tais requisitos, só se poderia cogitar de não ser aplicável a suspensão (para o vendedor) na hipótese, aparentemente remota, de a impugnante adquirir produtos agropecuários, a serem utilizados como insumo, de pessoas jurídicas diversas daquelas tipificadas no art. 3º, inciso III, da IN SRF nº 660/2006, ou seja, de pessoa jurídica ou cooperativa que não exercesse atividade agropecuária. Resta claro que a venda com suspensão é direito do vendedor (art. 9º da Lei nº 10.925/2004 e art. 2º da IN 660/2004), quando se verifique a hipótese legal para tanto (art. 4º da IN 660/2004), sendo o adquirente, por seu turno, obrigado a fornecerlhe, quando solicitado, a declaração contida no Anexo I do §1º do art. 4º da IN 660/2004, de forma a permitirlhe aplicar o correto tratamento tributário à operação (na redação original da IN). Assim, cabe razão a autoridade fiscal quando afirma que a consequência do pagamento indevido da contribuição pelo vendedor, caso tenha ocorrido, é simplesmente a repetição do indébito, não se configurando qualquer hipótese legal de geração de crédito para o adquirente. Fl. 4100DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 56 Com efeito, o fato de as vendas terem ocorrido sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permite a tomada de créditos pelo adquirente, por se tratar de procedimento contrário ao legalmente prescrito em relação ao setor agroindustrial. A interessada, portanto, pretende se aproveitar de um direito que não lhe cabe, pois o benefício fiscal em comento foi criado em favor do vendedor, que poderá vir a exercêlo enquanto não for decadente o seu direito de repetir a contribuição indevidamente recolhida. Diz, ainda, a autoridade fiscal que “Restaria à Perdigão Agroindustrial S/A apurar os créditos presumidos oriundos das compras com suspensão”. Nesse sentido, como relatado, a impugnante solicitou que fosse reconhecido a “procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido”. Em que pese a menção da autoridade fiscal, sobre eventual direito a crédito presumido, não há como ora acolher o pleito da impugnante. Vejamos. O Dacon instrumento através do qual a empresa deve manter o controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos possui fichas e linhas específicas que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo dos créditos apurados, identificando corretamente os custos e despesas que as compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo dos créditos apurados no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem destes, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência pela administração fazendária competente, no caso, a DRF que possui a competência originária para analisar e decidir sobre o crédito da impugnante, utilizados por meio de desconto ou objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. Firmese, então, que nos casos de desconto de créditos e de pedidos de ressarcimento/compensação, não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e mesmo das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da impugnante. Outrossim, como é no Dacon que o impugnante demonstra o crédito pretendido/utilizado, não resta dúvidas que a análise e reconhecimento deste crédito limitase ao escopo do que consta no próprio Dacon não sendo, portanto, permitido a Autoridade Administrativa, em sede de análise de contestação de decisão que não reconheceu o crédito do impugnante, conceder crédito diverso do informado ou não constante deste demonstrativo. Ou seja, à Autoridade Administrativa julgadora não cabe assentir com a inclusão, na base de cálculo do crédito pretendido, de custos e despesas, supostamente hábeis de gerar créditos, não informados ou incorretamente informados, que seja, no respectivo Dacon, em detrimento da função precípua deste demonstrativo e da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre o crédito da impugnante. Observese que se assim não fosse, restaria prejudicada a correta aferição e controle pelo fisco da procedência e do real e efetivo aproveitamento dos créditos pelos impugnantes. Logo, é necessário que a apuração do crédito esteja perfeitamente demonstrada no Dacon, em havendo qualquer erro de declaração é ônus do impugnante corrigilo em tempo hábil a fim de se assegurar que a análise de seu direito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir". Portanto, devese manter a glosa efetuada pelo Fisco. 12 Do valor do IPI recuperável Alega que o Fisco sem adequada motivação e justificativa jurídica, glosou os créditos vinculados ao custo do IPI dos produtos adquiridos pela recorrente, sob alegação de que poderão ser recuperáveis. O IPI vinculado à operação de aquisição de bens da recorrente é custo de maneira que inexiste razão jurídica e previsão legal para determina sua exclusão. Compõe o Fl. 4101DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.074 57 custo do produto que adquiriu. O fato de a legislação específica do IPI permitir a recuperação ressarcimento em decorrência do acúmulo ocorrido quando existirem operações em tributação (NT, isenção, alíquota zero) não é fundamento que permite justificar a glosa do crédito. Por outro lado, coloca a fiscalização “O valor do IPI, recuperável em processo específico de saldo credor do IPI (art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999), constante das notas fiscais de aquisição deve ser abatido da base de cálculo do crédito”. Como visto, a autoridade fiscal diz o motivo da glosa. Por outro lado, ante a legislação de regência, o argumento expendido pela impugnante não pode ser acolhido. É a lei, no caso a Lei nº 9.779, de 1999, em seu art.11, que estabelece que o IPI incidente nas aquisições de insumo é recuperável, ou seja, quando o impugnante não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá recuperálo por meio de restituição ou ressarcimento e através de compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições, em conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996. Além disso, como já dito neste voto, as hipóteses de creditamento no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins resultam do cruzamento dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com o artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e com o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. E as mencionadas IN expressamente determinam que, em sendo recuperável, o IPI não integra o valor do custo dos insumos. No caso, o IPI excluído foi somente o incidente sobre os insumos, que é recuperável nos termos da lei, caso em que, independentemente de ter sido utilizado ou não pela interessada, nas formas legalmente permitidas, não integra o valor dos insumos para fins de apuração de crédito no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins. Desta feita entendo correta a exclusão desses valores da base de cálculo do crédito pleiteado. 13 Despesas com alugueis de prédios locados de pessoas jurídicas Argumenta a Recorrente que "o ato administrativo também glosou dentro de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (art. 3°, IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) os seguintes itens": a) Ficha 6A Linha 05 Despesas com alugueis de prédios locados de pessoas jurídicas (item 4.3.4): pagamentos a pessoas físicas e aluguéis de imóveis rurais e b) Ficha 6A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica (4.3.5): notas fiscais que não representam aluguel como serviço de copiadora (Xerox). A própria recorrente admite em seu recurso que "Entendemos que embora não previsto em lei, pelo princípio da nãocumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas". Fl. 4102DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 58 A autoridade fiscal glosou os valores dos aluguéis pagos a pessoas físicas, alguns referentes a imóveis rurais, que não se enquadram no conceito de prédios, em descompasso com o prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A impugnante alega que embora não previsto em lei, pelo princípio da não cumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas. Defende, ainda, a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Não merecem ser acolhidos os argumentos da impugnante ante a expressa previsão legal: a teor do dispositivo legal acima mencionado, não geram créditos os aluguéis pagos a pessoas físicas e nem os aluguéis de imóveis que não consistam de “prédios”. Deve ser mantidas essas glosas, conforme Planilha de fl. 1.404. 14 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica Informa em seu recurso que "(...) Por sua vez, o item b. (Ficha 16 A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica (4.3.5), ao glosar a locação de máquinas destinadas ao serviço de cópias (Xerox), incorreu em grave equívoco. Isto porque, o serviço de fotocópias é essencial à atividade econômica de qualquer empresa, embora não esteja diretamente vinculado à fabricação do alimento. Assim, diante da noção ampla de insumo e da nãocumulatividade, tal crédito também deve ser considerado legítimo, com a improcedência da glosa realizada" (g.n). A autoridade fiscal glosou os valores das notas fiscais que não representam aluguel de máquinas e equipamentos e nem outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço de copiadora (xerox). Os itens glosados se encontram no relatório “Itens Glosados – Alugueis de Maquinas”, à folha 1.403. Uma breve análise aos itens contidos na Planilha “Itens Glosados – Alugueis de Maquinas” verificase que, a teor da descrição das operações registrada, os valores glosados são referentes a “SERVIÇO DE COPIADORA (XEROX)” e não à locação de máquinas de xerox, como alega a impugnante. A Recorrente, por seu turno nada trouxe em sede de recurso a fim de comprovar a alegada natureza das operações. À ausência de comprovação do direito ao crédito, mantémse a glosa. Portanto, correta a exclusão desses valores do montante informado a título de “Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica”. 15 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A fiscalização quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (art. 3º, IX, da Lei n. 10.637/2002), desconsiderou como crédito (item 4.3.6 do despacho Ficha 16 A linha 07): a) pagamentos a pessoas físicas; b) serviço portuário entre outros (despesas aduaneiras em geral.) A autoridade fiscal glosou: os pagamentos a pessoas físicas, que não podem gerar créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º, inciso I das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; os pagamentos relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se Fl. 4103DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.075 59 referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, como prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003. Quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, depois de novamente alegar a nulidade em razão do cerceamento de defesa, a interessada argumenta que: "o crédito decorrente dos pagamentos à pessoa física é devido com fundamento na noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; é preciso reconhecer que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral". Acrescenta: "A armazenagem compreende todas as despesas e gastos vinculados a ela, entre elas energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, serviços portuários, entre outros. Tais despesas são intrínsecas à armazenagem. Por exemplo, a energia elétrica. É um dever legal o armazenamento em câmaras frias com temperatura segundo determinações da ANVISA, SIF, entre outros órgãos públicos. São despesas inerentes à armazenagem e que foram custeadas pela recorrente. Daí porque são legítimas. Além disso, podemos reconhecer nas despesas portuárias, além da natureza de despesa ligada à armazenagem, também à continuidade do frete na venda, especificamente, aquele destinado à exportação. O que nos dá ainda mais legitimidade no crédito. Não merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente. A alegação de nulidade pelo cerceamento de defesa tem como fundamento o fato de não estar presente no “sumário das planilhas e documentos... qualquer menção a este caso, com planilhas e documentos que foram utilizados para fundamentar a glosa”. Neste caso, salientase que todas as operações glosadas foram identificadas a partir dos registros elaborados pela própria Recorrente. Novamente, como muito bem abordado pela decisão recorrida, não merece ser acolhida a alegação da Recorrente de desconhecer as operações glosadas quando foi da memória de cálculo por esta fornecida como demonstrativo dos valores informados na linha 07 da ficha 6A (DACON) que o Fisco identificou os pagamentos efetuados a pessoas físicas e os relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, apurando assim os montantes glosados em cada mês, conforme discriminado em seu relatório. Desta feita, à evidência, é do conhecimento da impugnante o montante informado na linha 07 no Dacon, para cada mês, as operações e seus valores por ela considerados na apuração desses montantes. Também é de seu conhecimento, já que claramente colocado no relatório fiscal, o valor total das operações glosadas em cada mês pela autoridade fiscal, e os motivos e fundamentos legais da glosa. Essas informações são suficientes para a empresa identificar cada uma das operações glosadas, conforme por ela própria registradas, viabilizando assim a produção da prova do direito ao crédito a elas relacionado. Todavia, como visto, assim não procedeu a impugnante em sua impugnação. Fl. 4104DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 60 Já quanto ao mérito da questão, por disposição legal expressa o crédito a que o impugnante tem direito é em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Assim quaisquer serviços de armazenagem e transporte que não estejam vinculados a uma operação de venda já efetivada, ou por outra, quaisquer outros serviços, direta ou indiretamente, ligados à operação de venda, que não se refira unicamente a serviço de armazenagem e transporte da mercadoria já vendida, não geram crédito por inexistir permissivo legal para tanto. Neste caso, a Recorrente não levou a efeito o ônus de comprovar a ocorrência e a natureza das operações por ela incluídas na base de cálculo do crédito pretendido a título de Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda. Por falta de comprovação do direito pela Recorrente, mantémse a glosa. 16 Dos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais Neste tópico, a Fiscalização listou os produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido, em que o contribuinte tomou créditos a 60% da alíquota para insumos que não se enquadram nas condições da legislação. Segundo a Informação Fiscal, tal alíquota, prevista no inciso I do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, destinase apenas para aquisições de insumos de origem animal e que sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e de misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. A aquisição de insumos que não se classifiquem nos citados capítulos e posições fatalmente recai no inciso II, que admite a tomada de créditos a 35% da alíquota. Dá conta ainda que todos os animais vivos listados na planilha são classificados no capítulo 01 da NCM; milho e sorgo, no capítulo 10; soja, no capítulo 12, lenha, maravalha (aparas de madeira) e resíduos de madeira no capítulo 44 sêmen no capítulo 05, itens que não atendem às condições para creditamento à 60% da alíquota. Também não se admitiu crédito presumido no caso de aquisições para revenda. Quando foi o caso, a Fiscalização deferiu o creditamento a 35% da alíquota de incidência, conforme se constata na coluna “Valor não reconhecido” da Planilha "Crédito presumido detalhe outubro a dezembro" constante das fls. 1.407 a 2.662. As notas fiscais não admitidas estão arroladas na lista “Credito presumido detalhe” referenciada. A Recorrente, em defesa ao crédito, afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Para análise da questão, transcrevese ao artigo 8º e parágrafos da Lei nº 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, Fl. 4105DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.076 61 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 4106DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 62 § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) (grifo nosso). Verificase, portanto, que o valor de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) para as empresas que produzam mercadorias de origem animal nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. De outro modo, sobressai que o legislador elegeu o critério da natureza do "produto" a ser produzido (isto é, do resultado decorrente do processo industrial) como método de discriminação das alíquotas. Assim, se o produto a ser produzido (ao qual os insumos agregados/consumidos) for de origem animal ou vegetal (carne para alimentação humana, p. ex.), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos. Verificase que o Fisco trouxe uma listagem dos produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (fls. 1.407 a 2.662), (notas cujos CFOP não representam aquisições, perfeitamente identificados na listagem individualizada, identificadas na listagem pela informação “Não se aplica” ou “0” na coluna alíquota) ou redução de alíquota. Nessa listagem, a fiscalização, aplicou o percentual de 35% da alíquota das contribuições às aquisições de: animais vivos classificados no capítulo 01 da NCM; trigo, milho e sorgo classificados no capítulo 10; soja no capítulo 12; lenha, maravalha e resíduos de madeira no capítulo 44; sêmen no capítulo 05; itens que também não atendem às condições para creditamento pelo percentual de 60% da alíquota das contribuições. No entanto, conforme consta dos autos, tratamse de insumos adquiridos para produção de mercadorias de origem animal (carnes e derivados para consumo humano), que se trata da atividade fim da empresa. Posto isto, verificase que com as modificações introduzidas pela Lei nº 12.865, de 2013, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, é de 60% das aquisições realizadas. Ressaltese que o argumento definitivo em favor do quanto se afirmou, veio recentemente, com a promulgação da Lei nº 12.865/13, cujo artigo 33 acresceu enunciado interpretativo ao § 10, do artigo 8°, da Lei nº 10.925/04, com o seguinte teor: “Para efeito de interpretação do inciso I, do §3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos”. Pareceme, pois, fundado o argumento de que a IN SRF nº 660/06 modifica, de fato, os critérios com base nos quais o artigo 8°, da Lei nº 10.925, de 2004 define o montante do crédito presumido. Posto isto, reconheçase à recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2002. 17 Outros Bens utilizados como insumos importações (item 4.3.8 do relatório fiscal) Fl. 4107DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.077 63 Alega a Recorrente que o Despacho Decisório realizou as seguintes glosas improcedentes: a) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: Partes de Máquinas e peças de reposição de elevado valor, entre outras; b) importações cujo CFOP não traduz em crédito, especialmente, compra para ativo imobilizado (conta 3551), material de uso e consumo (3556) e outras entradas (3949); e c) valor do IPI recuperável. Por outro lado, verificase na Informação Fiscal (do Despacho Decisório), que as aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumo (linha 02 da ficha 06B), foram glosados os valores referente às aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, em especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona, relacionados na listagem listados na Planilha "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos" às fls. 1.131/1.147, das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551 Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada Planilha "NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)" às fls. 1.148/1.151 e dos valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição. 17.1 Do crédito em relação às importações efetuadas A recorrente contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando, inicialmente, que há que se reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que o art. 15 da Lei nº 10.865/2004, ao disciplinar o PIS/Cofins na importação, permitiu o emprego de tais créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na Fl. 4108DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 64 prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) [...] § 4º Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3º deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. Da leitura do mencionado dispositivo vêse que é improcedente essa alegação da Recorrente. Como se vê não são todas as importações que dão direito a crédito, mas apenas as elencadas nos incisos do artigo. Quanto ao direito à tomada de crédito sobre o valor das importações, por outro lado, está exaustivamente regulado no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que admite o desconto de créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições sociais não cumulativas, de bens que sejam destinados à revenda ou à utilização como insumo os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Sendo assim, reiterase que toca ao contribuinte a prova de que os itens importados enquadramse nessas hipóteses restritivas, o que não o fez nem em seu recurso nem quando da diligência. Mais uma vez, infelizmente, a recorrente não se preocupou em fazêlo, perdendose em alegações genéricas e alheias aos fatos concretos do processo. 17.2 Aquisições de partes e peças de reposição aquisições com CFOP 3949, 3551 e 3556 Em relação às aquisições de peças e máquinas acrescenta que são bens a legislação permite reconhecer como insumo, pois estão vinculados à atividade produtiva da empresa; mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, “ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)”. Quanto às glosas de operações de importação registradas com o CFOP 3551 "Compra de bem para o ativo imobilizado", 3556 "Compra de material para uso ou consumo" e 3949 “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado”, inicialmente alega cerceamento de defesa, alegando que “não localizou a descrição exata no processo administrativo de quais seriam estes bens e, principalmente, o porquê da glosa” e a “total ausência de fundamentação e descrição dos bens glosados”. A alegação de cerceamento de defesa já foi afastada em tópico anterior deste voto, nada sendo necessário aqui acrescentar. Com dito, foram glosados pelo Fisco os créditos por insumos tomados sobre as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona. Da mesma forma, a Fiscalização também extirpou do cálculo os valores das importações de notas fiscais com CFOP, por exemplo, 3551, 3556 e 3949. Este CARF já examinou, por ocasião da prolação do Acórdão nº 3403 002.536 (Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim), a subsistência das glosas listadas pela Fiscalização correspondentes a aquisições de itens cujas conclusões se aplicam à hipótese ora em julgamento: Fl. 4109DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.078 65 "Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação ao custo de aquisição dos insumos, com base no art. 3o, II, da Lei nº 10.637/2002, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um daqueles bens que foram glosados se enquadra nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame da planilha de glosa revela que a maioria dos bens listados pela fiscalização pode ser considerado como passível de ativação obrigatória, seja em razão dos prazos de vida útil (art. 301, 2º do RIR/99), seja em razão de serem utilizados em conjunto com vários bens da mesma natureza (art. 301, 1º, do RIR/99). Exemplo disso são as vestimentas de proteção dos empregados, os coturnos de segurança e os utensílios utilizados em laboratório. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas na planilha de fls. 335 a 379" . Assim, ante a falta da prova da liquidez e certeza do crédito pretendido, mantenhase a glosa 17.3 Do IPI recuperável Em relação ao IPI, alega ser indevida a glosa, afirmando fazer parte do custo do bem importado. Como já abordado em tópico anterior (item 12), no caso, o IPI excluído, que é recuperável nos termos da lei, caso em que, independentemente de ter sido utilizado ou não pela interessada, nas formas legalmente permitidas, não integra o valor dos insumos para fins de apuração de crédito no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins. Desta feita correta a exclusão desses valores da base de cálculo do crédito pleiteado. 18 Créditos extemporâneos Alega que "os créditos são legítimos conforme declarado em DACON, sendo que a contabilidade dá total suporte. Houve, em verdade, um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes neste item em face da DACON. Ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em DACON". Fl. 4110DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 66 Ocorre que foram glosados pelo Fisco, da base de cálculo dos créditos descontados, nos meses do trimestre em questão, os valores que se referem à base de cálculo de créditos de outros períodos de apuração, meses e trimestres valores constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela impugnante. A fiscalização coloca que o saldo de crédito presente no Dacon dos meses anteriores pode ser aproveitado para desconto dos débitos gerados no mês em curso, como prescreve a Lei, mas que o crédito que não foi informado nos meses anteriores não pode ser informado no Dacon do mês em curso. A Recorrente, por seu turno, defende que os créditos extemporâneos devem ser considerados no cálculo das contribuições devidas apuradas para o 4º trimestre, pois, em suas palavras: (i) não se nega a existência dos créditos pelo Fisco; (ii) o impedimento é meramente formal, sendo de rigor atenuar o exagero ao formalismo em detrimento ao próprio direito material, com fundamento na razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e vedação do enriquecimento sem causa do Fisco; (iii) vale lembrar, ainda, que o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Ou seja, se não houve o aproveitamento, não impede o aproveitamento nos meses subseqüentes, como no presente caso. A lei não traz expressamente a exigência de retificadora. Em análise da argumentação posta, há que se dizer que se equivoca a Recorrente. Escorreita e precisa a análise efetuada pela decisão a quo, a qual me filio e as adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99: "(...) É que a razão de ser da necessidade de segregação dos créditos por períodos de apuração, no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, se deve ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de utilização segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de utilização por qualquer uma das formas previstas (desconto, compensação ou ressarcimento). É preciso ter em conta que a forma de utilização tem a ver com a natureza dos créditos apurados e com o período em que foram gerados. De forma sintética, tais formas de repetição estão assim delineadas pela legislação: (a) créditos associados a receitas tributadas no mercado interno: meio preferencial é o desconto no mês; (b) créditos associados a receitas não tributadas no mercado interno (custos, despesas e encargos, inclusive estoque de abertura, vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, inclusive no caso de importação com pagamento de PIS e Cofins importação): compensação ou ressarcimento no próximo trimestre; (c) créditos associados a receitas de exportação (custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação): compensação no próximo mês ou ressarcimento no próximo trimestre. De tal sorte, como a apuração dos créditos depende, no mais dos casos, da prévia confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, inevitável é que o reconhecimento do direito creditório deva se dar por períodos de apuração. Neste sentido, a teor do parágrafo 1.o do artigo 3.o das Leis n.o 10.637/2002 e n.o 10.833/2003, os créditos, no regime da não cumulatividade, devem ser apurados por via da aplicação da alíquota sobre o valor dos bens adquiridos no mês ou sobre o valor das despesas incorridas no mês, ou seja, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos Fl. 4111DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.079 67 de apuração, e isto com o fim, como já se disse, de que a análise tanto da existência quanto da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro período específico de geração do crédito. Como alega a impugnante, de fato também mencionado pela autoridade fiscal, o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 permite que crédito não aproveitado (salientese, por meio de desconto) em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Tais dispositivos, no entanto, não querem dizer que despesas e gastos ocorridos em outros períodos possam ser trazidos a compor a base de cálculo de créditos apurados em períodos posteriores; mas, que créditos, já oportunamente apurados e não descontados da contribuição devida no próprio mês de apuração, possam sêlo das contribuições devidas nos meses subsequentes". Portanto, quanto ao aproveitamento de Créditos Extemporâneos, entendo que não ser possível o aproveitamento direto de créditos resultantes da aquisição de um determinado insumo em mês diverso da aquisição. O que é possível é aproveitar o saldo de créditos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês, pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes. Essa matéria, no entanto já tem entendimento pacificado neste colegiado, plasmado, por exemplo, no Acórdão nº 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons.Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se conhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, reputase correto o procedimento do Fisco, mantendose a glosa efetuada. 19 Créditos inexistentes item 5 e 7 do relatório fiscal. Alega a Recorrente em seu recurso que: "Enfim, o item "c" relata a glosa de supostos créditos inexistentes. Ora, por qual razão seriam inexistentes? O despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão pela qual tais créditos seriam inexistentes. Não são insumos? Não houve comprovação por notas fiscais? Não consta da contabilidade? Qual a razão jurídica e fática? Inexiste descrição no despacho decisório. Assim, há evidente nulidade e cerceamento de defesa neste item c (item 5 do despacho decisório), sendo, portanto, improcedente. Caso não se reconheça a nulidade e o cerceamento de defesa, a recorrente rechaça a glosa, pois, os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor contribuinte. Como informa a fiscalização, os valores foram lançados em DACON e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente o crédito, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boafé. Fl. 4112DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 68 Novamente entendo precisa a análise efetuada pela decisão a quo, a qual me filio e as adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. Vejase: "A teor do item 5 do relatório do fiscal, não foram aceitos os créditos de dezembro de 2002 (R$ 257.771,15) e de fevereiro de 2003 (R$ 239.701,77), relativos ao PIS/Pasep não cumulativo, que a impugnante pretendeu descontar do PIS/Pasep devido em novembro e dezembro de 2006 – na ficha 13 (Créditos Descontados no Mês PIS/Pasep Regime Não Cumulativo). A autoridade fiscal esclarece que os créditos anteriores ainda não utilizados em 31/12/2005 deveriam, obrigatoriamente, ter sido informados no Dacon de janeiro de 2006, na Ficha 26B – Saldos de Créditos Não Utilizados até 31/12/2005 PIS/Pasep e na Ficha 28B –saldos de "Créditos Não Utilizados até 31/12/2005 Cofins", o que não ocorreu. Além disso, a autoridade fiscal coloca que não foi confirmada a existência dos saldos informados nas fichas 13, já que estes tinham sido consumidos anteriormente, razão pela qual não podem ser considerados na apuração da contribuição a pagar. Nesse sentido informa: que no Dacon de janeiro de 2006, fichas 26B e 28B, as quais reproduz, os saldos existentes em 31/12/2005 eram R$ 252.119,97 de Pis e R$ 779.476,90 de Cofins; e que no balancete daquele período, à folha 2.666, em janeiro de 2006, o saldo inicial da conta “0000114030 PIS a Recuperar” era “R$ 252.119,97 D” e o da conta “0000114035 Cofins a Recuperar” era “R$ 779.476,90 D”, os mesmos valores informados nas fichas 26B e 28B do Dacon de janeiro de 2006 e relativo a dezembro de 2005. Por fim acrescenta que os tais saldos, presentes na contabilidade e informados no Dacon de janeiro de 2006, não foram confirmados pelos Despachos Decisórios da DRF, relativos ao 1º trimestre de 2006 e tratados nos processos 16349.000279/200977 (PIS/Pasep), e 16349.000271/2009 19 (Cofins). Já no item 7 de seu relatório, a autoridade fiscal coloca que tendo em vista os autos de infração relativos ao 1º trimestre de 2006, tratados no processo 11516.721278/201191 e relativos ao 2º e 3º trimestres de 2006, tratados no processo 11516.721279/201136, o saldo inicial da linha “01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores” da ficha 14 (Controle de Utilização dos Créditos no Mês – Contribuição para o PIS/Pasep –Regime Não cumulativo) é nulo em todos os tipos de crédito. A impugnante reclama que os créditos são legítimos. Nesse sentido, inicialmente, argumenta que o despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão, fática ou jurídica, pela qual tais créditos seriam inexistentes se por não serem insumos, ou por não haver comprovação por notas fiscais, ou por não constar da contabilidade pelo que é evidente a nulidade em razão do cerceamento de defesa. Alega, ainda, que “os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor impugnante”. Aduz que, como informa a fiscalização, os valores foram lançados em Dacon e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente os créditos, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boafé. Pelo que acima foi relatado, vêse claramente que as glosas não foram de valores indevidamente inseridos na base de cálculo do crédito do período em análise, mas de crédito apurados em períodos anteriores, nos anos de 2002 e 2003, trazidos para serem utilizados no quarto trimestre de 2006. Da narrativa da autoridade fiscal, verificase que esta esclareceu satisfatoriamente o motivo pelo qual desconsiderou os créditos trazidos de 2002/Dezembro, 2003/fevereiro: os créditos anteriores ainda não utilizados em 31/12/2005 deveriam, obrigatoriamente, ter sido informados no Dacon de janeiro de 2006, compondo, assim, o crédito passível de utilização do primeiro e não do quarto trimestre de 2006; pelo que consta da contabilidade da empresa, os créditos anteriores ainda não utilizados até 31/12/2005, informados no Dacon de janeiro de 2006, já tinham sido utilizados; os saldos presentes da contabilidade e informados no Dacon de janeiro de 2006 não foram reconhecidos nos autos dos processos 16349.000279/200977, de PIS/Pasep, e 16349.000271/200919, de Cofins. Salientese que a Fl. 4113DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.080 69 autoridade fiscal cuidou de reproduzir as fichas mencionadas a fim de identificar perfeitamente os valores dos créditos não aceitos. Desta feita, não há que se falar em nulidade do feito fiscal em face do cerceamento do direito de defesa. Como se vê essas informações são suficientes para a empresa identificar os valores excluídos e o motivo da exclusão, viabilizando assim a produção da prova em contrário, ou seja, a prova da existência do crédito e do direito dele se utilizar como fez, nos termos do firmado no item 3 deste voto. Todavia, como visto, assim não procedeu a recorrente. Em sua manifestação de inconformidade limitouse a contestar a legalidade do feito fiscal e dizer ser legítimo o crédito pelo simples de o ter declarado em Dacon, sem, no entanto, trazer qualquer prova da existência do valor lá consignado. Assim, a contribuinte não levou a efeito o ônus de comprovar as alegações postas contra o feito fiscal". E, como pode ser visto, no recurso voluntário, a Recorrente em nada se preocupou em apresentar provas do crédito alegado, reputandose, portanto, legítimo e correto a glosa destes valores no procedimento fiscal. 20 Inconstitucionalidade das leis, ilegalidade das IN, conceito de insumo Em síntese, a Recorrente argumenta que as instruções normativas citadas e a própria fiscalização no presente auto de infração, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei. "Ora, diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à legalidade por tais atos. Não resta dúvida, por conseguinte, de que a Receita Federal tem se utilizado de artifício ilegal para restringir o conceito de insumo para fins de PIS e COFINS, no regime nãocumulativa correndo clara violação à legislação vigente, além de exigir tributo indevidamente". Tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 21 Dos Juros e da Multa 21.1 Dos Juros (taxa Selic) A Recorrente, não se sabe ao certo por que, informa em seu recurso que "Os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do CTN, sendo de total improcedência o lançamento realizado". A insurgência contra a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora não merece maiores considerações. É que o tratamento de tal matéria já tem entendimento pacificado no âmbito do CARF e do Segundo Conselho de Contribuintes, plasmado na Súmula nº 4, (DOU de 22/12/2009), que assevera ser cabível a cobrança de juros de mora sobre débitos Fl. 4114DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 70 para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. 21.2 Dos Juros sobre a Multa Informa que é preciso ressaltar a impossibilidade, uma vez que não há previsão legal para o cômputo de juros sobre a multa de ofício, conforme o disposto no art. 61, da Lei n. 9.430/96. Nada se há de dizer em relação à insurgência recursal contra multa de lançamento de ofício ou mesmo sobre a incidência de juros sobre ela, simplesmente porque não se cogita da aplicação de multa de lançamento de ofício no presente processo. Quanto à objeção contra a exigência de multa de mora (sobre os débitos não compensados, pelo que se pode presumir, já que a recorrente não esclarece sobre que hipóteses trata), sob o argumento de que esta ao abrigo da qualidade de sucessora (Perdigão Agroindustrial S.A. foi sucedida pela Perdigão S.A., atual BRF Brasil Foods S.A., em 09/03/2009), subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir (forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto). Os sucessores respondem não somente pelos créditos tributários definitivamente constituídos na data da sucessão e pelos créditos tributários em curso de constituição na mesma data, mas também pelos créditos tributários cuja constituição se iniciou posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores surgidos até a referida data. 22. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado e com base nos documentos acostados aos autos, reconhecer o direito ao crédito em relação ao seguintes bens e serviços: (i) para os seguintes produtos adquiridos, conforme o "item 8.2.f: saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária", por configurarem despesas com embalagens ou de armazenagem de produtos fabricados; (ii) para os seguintes produtos adquiridos conforme contido no "item 8.2. h: peças e itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas"; (iii) para os itens relacionados da Planilha "NF Glosadas Operação sem direito a crédito (CFOP)" às fls. 1.216/1219, exceto, para o seguintes bens da relação: Cliche impressão de embalagens, Oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, constante do "item 8.2. i"; (iv) dos serviços com limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água, conforme disposto no "item 9.1", e Fl. 4115DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.081 71 (v) reconheçase à recorrente, o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2002 "item 16". Mantenhase a decisão recorrida em TODOS os demais termos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 4116DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 72 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula 1. "BIG BAGS" E DISPÊNDIOS COM OS FRETES Na sessão de julgamento ousei divergir do Ilustre Relator relativamente ao creditamento relativo às aquisições das embalagens "Big Bags" e aos dispêndios com os fretes, no que fui seguida pela maioria dos Conselheiros da Turma. Entendo que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nessa mesma linha já foi decidido por esta 3ª Seção do CARF, no Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, com Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: "(...) Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente (...)". Este Colegiado, no Acórdão nº 3402002.809 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 10 de dezembro de 2015, também se manifestou nesse sentido: "(...) Assim, conforme exposto neste item, relativamente à rubrica Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas, foi indevida a exclusão da base de cálculo efetuada pela fiscalização somente dos seguintes bens: (...) BIG BAGS, (...)". No que concerne aos fretes de transferências de produtos acabados entre filiais, denominado "SERVIÇO FRETE E CARRETO", alega a recorrente que o seu processo produtivo não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita” (Portaria da ANVISA SVS/MS nº 326/2007 e Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984). Não obstante, como regra geral, eu entenda que o serviço de frete de produto acabado entre estabelecimentos da contribuinte não gere o direito ao correspondente creditamento, no caso dos autos, que trata de um frete especializado para atender às exigências sanitárias, essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, considero que tais dispêndios tratase de despesas operacionais, cabendo o correspondente creditamento. Nesse sentido já foi decidido por este CARF no precedente abaixo acerca do frete especializado para a carga de alta periculosidade: Acórdão nº 3803003.749 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de novembro de 2012 Fl. 4117DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.082 73 Relator: JORGE VICTOR RODRIGUES (...) Considerando a contextualização do conceito de insumo, bem como que o serviço de frete comporta atividades de coleta, transferência e entrega da mercadoria transportada, além de vários aspectos que devem ser contemplados, como custo com gerenciamento de riscos, percurso, tipo de carga, dentre outros aspectos; Considerando que a carga transportada pela contribuinte é de alta periculosidade e que a contribuinte se sujeita à legislação aplicável ao transporte rodoviário de produtos perigosos, ao ponto de ser tratado como caso especial, que envolve o cumprimento de exigências nela estabelecidas, que impõe acompanhamento técnico especializado, o transporte preferencialmente em veículos próprios e que prevê a necessidade de acompanhamento de escolta, mediante prévia obtenção de Autorização Especial de Trânsito – AET, nos termos da Resolução DNIT nº 11/04; Considerando que o dispêndio realizado para o transporte, mesmo que ocorrendo após o processo produtivo, é necessário à consecução do desiderato e suportado pela própria fabricante, a nosso sentir, deve integrar o conceito de insumo, compreendido dentre as despesas operacionais da contribuinte, classificadas ou não como parte integrante das despesas com frete. (...) Assim, conforme acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas quanto às embalagens "Big Bags" e pagamento de fretes. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada. 2. ALUGUEIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS Imóveis Rurais Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto A autoridade fiscal glosou os valores dos aluguéis pagos a pessoas jurídicas referentes a imóveis rurais, por entender que não se enquadram no conceito de prédios, na linha do prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A Recorrente defende a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Fl. 4118DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 74 A legislação traz, em seu art. 3º, inc. IV, o direito aos créditos relativos aos "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". Restando incontroverso que os aluguéis foram pagos a pessoas jurídica e que foram utilizados na atividade da empresa, resta discutir o alcance da expressão "prédios". Buscando uma definição no dicionário Caldas Aulete, verificase os seguintes sentidos: "1. Propriedade imóvel. 2. Edificação com vários pavimentos ou andares, destinada a habitação ou a atividades comerciais ou industriais; 3. Qualquer edificação". Por sua vez, o dicionário Michaelis traz como significados: "1 Construção que contém uma série de apartamentos individuais. 2 Propriedade imóvel, rural ou urbana. 3 Construção feita de material apropriado ao fim a que se destina e segundo as regras arquitetônicas.". De pronto, podese constatar com entre os sentidos possíveis da expressão prédio está a noção de propriedade imóvel, seja ela rural ou urbana. Resta verificar se tal sentido é aceito também na legislação pátria. Para isso remetese imediatamente às definições do art.4º, I, da Lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), no qual se define "Imóvel Rural", o "prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada". Disso não discrepa o Código Civil, que em diversas oportunidades utiliza o termo prédio no sentido de imóvel. Senão vejamos: Art. 206. Prescreve: § 3o Em três anos: I a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; Art. 609. A alienação do prédio agrícola, onde a prestação dos serviços se opera, não importa a rescisão do contrato, salvo ao prestador opção entre continuálo com o adquirente da propriedade ou com o primitivo contratante. Art. 964. Têm privilégio especial: VI sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico, nos prédios rústicos ou urbanos, o credor de aluguéis, quanto às prestações do ano corrente e do anterior; Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividirseá entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Fl. 4119DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000281/200946 Acórdão n.º 3402003.149 S3C4T2 Fl. 4.083 75 Parágrafo único. Recusandose ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendose que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente. Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha. Art. 1.282. A árvore, cujo tronco estiver na linha divisória, presumese pertencer em comum aos donos dos prédios confinantes. Art. 1.283. As raízes e os ramos de árvore, que ultrapassarem a estrema do prédio, poderão ser cortados, até o plano vertical divisório, pelo proprietário do terreno invadido. Art. 1.285. O dono do prédio que não tiver acesso a via pública, nascente ou porto, pode, mediante pagamento de indenização cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo será judicialmente fixado, se necessário. Ao tratar da expressão prédio, especialmente no âmbito do livro do Direito das Coisas, o legislador utiliza a expressão inequivocamente no sentido de imóvel, e não de edificação caso contrário, teriase que imaginar, por exemplo, o absurdo de uma árvore nascendo na linha divisória de duas edificações, situação de todo pitoresca. Não só isso, distingue o legislador entre prédios urbanos e rústicos, rurais e agrícolas distinção esta que não é feita pelo legislador tributário ao enunciar como causa do crédito no regime de PIS e Cofins não cumulativos os "aluguéis de prédios". Tal constatação atraia a aplicação do art.109 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Ao utilizar a expressão prédio termo secular no Direito Privado, o legislador tributário se vinculou a definição, conteúdo e alcance do mesmo naquele âmbito, sobrandolhe apenas definir os efeitos tributários, quais seja, a geração de créditos pela comprovação de despesas com aluguéis. Fl. 4120DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 76 Diante disso, não restam dúvidas de que, se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art.3º, IV das leis 10.637 e 10.833. Em vista disso, dou provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito referentes ao aluguel de imóveis rurais. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado Fl. 4121DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13896.720259/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Acompanharam o julgamento: pelo recorrente, o Dr. Marcos de Carvalho, OAB/SP 147.268; pela Fazenda Nacional, o Dr. Aarão Andrade.
João Bellini Júnior Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Júlio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araújo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Acompanharam o julgamento: pelo recorrente, o Dr. Marcos de Carvalho, OAB/SP 147.268; pela Fazenda Nacional, o Dr. Aarão Andrade. João Bellini Júnior – Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Júlio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araújo Nogueira. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 16ª Turma da DRJ/SP1, nº 1651.642, constante em fls. 1.311/1.357: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 20 25 9/ 20 13 -1 6 Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.705 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 675 a 680, para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 8.494.785,03, acrescido de multa de ofício de R$ 6.371.088,77 e juros de mora calculados até fevereiro de 2013, em razão da apuração de omissão de ganhos de capital nas alienações de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores, ocorridas em julho e agosto de 2009, conforme descrito no Termo n° 09 – Verificação Fiscal, integrante do auto de infração. Foram apontados como enquadramento legal do lançamento os seguintes dispositivos: arts. 224, 225 e 252 da Lei n° 6.404/1976; arts. 3º, 16 e 19 da Lei nº 7.713/1988; art. 2º, §7º, da Lei nº 8.383/1991; art. 21 da Lei n° 8.981/1995; arts. 17 e 23 da Lei n°9.249/1995; arts. 117, 118, 123, 126, 128 a 133, 135 e 138 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999). No Termo n° 09 – Verificação Fiscal, de fls. 681 a 725, integrante do auto de infração, a fiscalização arrola os termos lavrados e os esclarecimentos e documentos apresentados no curso do procedimento fiscal. Menciona, ainda, o embasamento legal, doutrinário e jurisprudencial que daria suporte à exigência fiscal. Por fim, consigna o que segue, quanto aos fatos que motivaram o lançamento: III.2.1. Integralização de capital social da HFF Participações S.A. pelo contribuinte: Ganho de capital Imposto de Renda 50. Conforme Estatuto Social de fls. 111 a 121, a HFF Participações S.A. foi constituída em 12/05/2008 com a denominação social "BERNA SP PARTICIPAÇÕES SA", para participar de outras sociedades civis ou comerciais (objeto social descrito no artigo 2°) ; com o capital social de R$800,00, dividido em 800 ações ordinárias nominativas (artigo 5°, caput), e com apenas 2 sócios (Vinícius Aguillar Duarte e Simone Burck Silva). 51. Na AGE de 18/05/2009 (ata em fls. 123 a 1263), dentre outras deliberações, sua denominação social foi alterada para HFF Participações S.A., resultando em novo Estatuto Social (fls.), e o contribuinte ingressou no cargo de direção da companhia. Mantiveramse o valor do capital social e o número de ações componentes deste. 52. Nesta mesma data (18/05/2009) o contribuinte adquiriu de Vinícius Aguillar Duarte, mediante compra e venda, 400 ações, conforme Termo de Transferência n° 01, constante do Livro de Transferência de Ações Nominativas (...) 53. Posteriormente, em 29/05/2009, o Sr. Luiz Fernando Furlan alienou para o Sr. Caio Weil Vlllares, por compra e venda, 200 ações (Termo de Transferência n° 04), restando, assim, para si, 200 ações. (...) Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.706 3 54. Na AGE de 08/07/2009 (ata em fls. 127 a 1344), aprovouse um grupamento de ações, pelo qual 200 ações seriam convertidas em 1 ação, sem modificação do capital social, o qual passou a ser dividido, então, em 4 ações (item 4.5). 55. Com este grupamento, o contribuinte, que possuía 200 ações da HFF Participações S.A., tornouse proprietário de 1 ação. 56. Conforme Termo de Transferência n° 05 (...), nesta data (08/07/2009) ele também adquiriu, por compra e venda, do Sr. Caio Weil Villares 1 ação, totalizando, assim, em seu patrimônio, 2 ações da HFF Participações S.A. (...) 57. Sucessivamente e na mesma ocasião, isto é, na AGE de 08/07/2009 aprovouse o aumento do capital social da HFF em R$9.926.613,00, mediante a emissão de 9.926.611 ações. 58. Estas 9.926.611 novas ações foram todas subscritas pelo Sr. Luiz Fernando Furlan e integralizadas mediante a transferência de 9.926.613 ações ordinárias da Sadia S.A., de propriedade do subscritor, para o patrimônio da HFF Participações S.A., pelo valor unitário de R$1,00 e total de R$9.926.613,00. (...) 61. O custo médio ponderado destas ações ordinárias da Sadia S.A. era R$0,8529, conforme informação prestada pelo contribuinte (histórico de fls. 136 a 139 e documentos de fls. 140 a 404), em atendimento à intimação feita para que ele demonstrasse, em detalhes e em conformidade com a legislação, este custo médio ponderado (itens 2 a 4 do Termo n° 05). 62. Então, verificase, por simples cálculo matemático ou pela leitura do Boletim de Subscrição de fls. 135, que as 9.926.613 ações ordinárias da Sadia S.A. foram transferidas à HFF Participações S.A. pelo montante de R$9.926.613,00, que é superior ao respectivo custo de aquisição (R$8.466.408,23). 63. Há, pois, diferença positiva, entre o valor de transferência das ações ordinárias da Sadia S.A. e o custo destas, representativa de ganho de capital tributável. 64. Em síntese, concluíse que: 64.1. Em 08/07/2009 o Sr. Luiz Fernando Furlan transferiu à HFF Participações S.A., para integralização do capital social subscrito, 9.926.613 ações ordinárias da Sadia SA, pelos valores unitários de R$1,00 e total de R$9.926.613,00; 64.2. O custo total de aquisição de suas ações da Sadia S.A., conferidas ao capital social da HFF Participações SA, foi R$8.466.408,23 (9.926.613 x R$0,8529, que é o custo médio ponderado de cada ação) ; Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.707 4 64.3. Portanto, o ganho de capital auferido pelo contribuinte foi R$1.460.204,77 (R$9.926.613,00 R$ 8.466.408,23) ; 64.4. O imposto de renda devido pelo contribuinte em relação a este ganho de capital é R$219.030,72 (R$1.460.204,77 x 15%). (...) III.3.1. Ações da HFF Participações S.A., do Sr. Luiz Fernando Furlan 84. Como está exposto, em detalhes, no item III.2, parágrafos 52, 53, 55, 56 e 58, em 08/07/2009 o contribuinte – após grupamento, aquisição de ação e subscrição de capital social – passou a proprietário de 9.926.613 ações ordinárias da HFF Participações S.A. 85. Esta mesma AGE da HFF Participações S.A., de 08/07/2009, que deliberou (dentre outras questões) o aumento de capital social em R$9.926.613,00 – totalmente subscrito pelo contribuinte – aprovou, ainda, dois, imediatamente posteriores, aumentos de capital social, de R$628.670,00 (item 4.7 da ata) e de R$215.840.122,00 (item 4.8 da ata), efetivados mediante a emissão, respectivamente, de 628.668 e 215.840.122 ações ordinárias nominativas. 86. Portanto, após os três sucessivos (quase concomitantes) aumentos aprovados na AGE de 08/07/2009, o capital social da HFF Participações S.A., que antes era R$800,00, dividido em 4 ações, cresceu para R$226.395.804,55, partido em 226.395.405 ações, das quais 9.926.613 eram patrimônio do Sr. Luiz Fernando Furlan. (...) 88. A evolução acionária do Sr. Luiz Fernando Furlan na HFF encontrase no Livro de Registro de Ações Nominativas (fls. 405/406), o qual corrobora as quantidades acima expostas. 89. O custo médio ponderado das ações da HFF Participações S.A., do Sr. Luiz Fernando Furlan, é R$1,00, consoante cálculo a seguir: EVENTO DATA QUANTIDAD E CUSTO DA AQUISIÇÃ O ESTOQUE (QUANTIDADE ) CUSTO TOTAL DO ESTOQUE (R$) CUSTOMÉDIO PONDERADO (R$) AQUISIÇÃO 18/05/0 9 400 400,00 400,00 400,00 1,00 ALIENAÇÃO 29/05/0 9 200 200 200,00 1,00 GRUPAMENT O 08/07/0 9 200 para 1 1 200,00 200,00 AQUISIÇÃO 08/07/0 1 200,00 2 400,00 200,00 Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.708 5 9 SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL SOCIAL AUMENTADO 08/07/0 9 9.926.611 9.926.613,00 9.926.613 9.927.013,00 1,00 (...) III.3.2. Incorporação das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A.: Ganho de capital Imposto de Renda 91. A incorporação da totalidade das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. – operação de reorganização societária que converteu essa em subsidiária integral desta – foi prevista, inicialmente, no Acordo de Associação firmado em 19/05/2009 entre a Perdigão S.A. (anterior denominação social da BRF Brasil Foods S.A., vigente até 07/07/2009), a Sadia S.A. e a HFF Participações S.A., cujo teor está sintetizado no Fato Relevante de 19/05/2009 (fls. 410 a 417). 92. Este Acordo ressaltou que o propósito mediato desta operação de reorganização societária (a incorporação das ações da HFF pela BRF) era a iminente associação entre as empresas Perdigão S.A. e Sadia S.A., sendo, portanto, uma das etapas da futura junção. 93. Neste Acordo já estava prevista a relação de substituição de 1 ação da HFF por 0,166247 ação da (futura) BRF. 94. Ulteriormente, em 22/06/2009 a (ainda) Perdigão e a HFF celebraram o "Protocolo e Justificação da Incorporação das Ações de Emissão da HFF Participações S.A. pela Perdigão S.A." (fls. 418 a 427), que é documento obrigatório e inerente à incorporação de ações, por disposição expressa do caput do art. 252 da Lei n° 6.404/1976, o qual que remete às prescrições dos arts. 224 e 225 desta Lei. 95. O "Protocolo e Justificação" previu, como condição suspensiva da efetivação da operação de reorganização societária, a HFF tornarse proprietária de ações da Sadia (131.070.000 ações, no mínimo, e 231.236.725 ações, no máximo) até 08/07/2009, que foi a data eleita para a aprovação, em Assembleia Geral da Perdigão, da incorporação de ações (item "c" da Cláusula Primeira). 96. Em sintonia com o Acordo de Associação, a Cláusula Segunda do "Protocolo e Justificação" destacou a incorporação de ações como uma das etapas da iminente associação entre a Perdigão S.A. e a Sadia S.A., enquanto a Cláusula Terceira dispôs sobre a relação de substituição, já previamente definida, de 1 ação da HFF por 0,166247 ação ordinária da (futura) BRF, tendo em vista as conclusões alcançadas nos laudos de avaliação econômicofinanceira. 97. A Cláusula Oitava, item 8.2, condicionou a consumação da incorporação de ações à convocação de assembleias gerais, no âmbito da HFF e da Perdigão, nestes Termos: Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.709 6 8.2. Os seguintes atos societários deverão ser realizados para a consumação da Incorporação das Ações da HFF: (a) Assembleia Geral Extraordinária da HFF para aprovar o Protocolo e Justificação e a incorporação das Ações da HFF e autorizar a subscrição, pelos administradores da HFF, das ações a serem emitidas pela BRF; e (b) Assembleia Geral Extraordinária da BRF para (í) aprovar o Protocolo e Justificação de Incorporação das Ações da HFF e autorizar o aumento de capital social a ser subscrito e integralizado pelos administradores da HFF, bem como ratificar a nomeação da Instituição Financeira para elaboração do laudo de determinação da relação de substituição das ações e do Avaliador como sociedade especializada responsável pela avaliação que fixou o valor econômico das ações da HFF, (ii) aprovar os laudos de avaliação apresentados pela Instituição Financeira e pelo Avaliador e a Incorporação das Ações da HFF, e (iii) autorizar a diretoria da BRF a celebrar todos os contratos e instrumentos, praticando todos os demais atos necessários à efetivação da Incorporação de Ações da HFF. 98. Os laudos de avaliação econômicofinanceira (da HFF, feito pela "PLANCONSULT", e da Perdigão, feito por "CREDIT SUISSE") foram anexados ao "Protocolo e Justificação" (Anexos I e II), com a ressalva de que as nomeações das empresas que os elaboraram seriam ratificadas na AGE que deliberaria a incorporação de ações. 99. O laudo de avaliação econômicofinanceira da HFF, elaborado pela PLANCONSULT Planejamento e Consultoria Ltda. com a database 31/12/2008, concluiu que, tendo a HFF, em seu patrimônio, 226.395.405 ações ordinárias da Sadia, avaliadas em R$6,55, seu valor econômico seria R$1.482.889.902,75, que é o produto da multiplicação de 226.395.405 por R$6,55 – fls. 428 a 484. 100. Já o laudo de avaliação econômicofinanceira da Perdigão, elaborado por Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. em 19/05/2009 (fls. 485 a 569), avaliou as ações da Perdigão no intervalo compreendido entre R$38,58 e R$42,43. 101. No âmbito da HFF, o "Protocolo e Justificação" foi aprovado na AGE realizada em 08/07/2009 as 10h:30 (item 4.10 da ata), registrandose, nesta ocasião, que houve a implementação de todas as condições de eficácia da incorporação de ações (item 4.11). (...) 102. No âmbito da BRF, a AGE foi realizada em 08/07/2009 as 12h:00 (ata em fls. 570 a 57613), com as seguintes deliberações: 103.1. aprovação do "Protocolo e Justificação" (item 8); 103.2. aprovação da contratação das empresas avaliadoras Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. e PLANCONSULT Planejamento e Consultoria Ltda. (item 9); Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.710 7 103.3. aprovação dos laudos de avaliação (item 10); 103.4. aprovação da incorporação da totalidade das ações da HFF pela BRF e da consequente conversão da HFF em subsidiária integral da BRF (item 11); 103.5. autorização do aumento do capital social da BRF em R$1.482.889.902,75, mediante a emissão de 37.637.557 ações ordinárias no valor unitário de R$39,40, que seria (e foi) integralizado por meio da conferência, à BRF, de 226.395.405 ações da HFF (item 11), de propriedade dos (ex) acionistas do HFF, subscritores destas novas ações ordinárias emitidas; 103.6. registro do recebimento, pelos acionistas da HFF, de 0,166247 ação da BRF para cada ação da HFF transferida para a BRF, conforme item 3.1 do "Protocolo e Justificação". (...) 105. Portanto, a incorporação da totalidade das ações da HFF pela BRF foi deliberada no "Acordo de Associação", de 19/05/2009; no "Protocolo e Justificação", de 22/06/2009, e nas AGES ocorridas, nas duas empresas, em 08/07/2009, e observou todas prescrições legais pertinentes. 106. Esta operação de reorganização societária consubstanciou a alienação, pelos acionistas da HFF, para a BRF, de todas as suas ações, mediante o recebimento de 0,166247 ação da BRF (com preço unitário de R$39,40) por cada ação da HFF alienada. 107. O evento resultou, ainda, no aumento de R$1.482.889.902,75 no capital social da BRF (correspondente ao valor econômico atribuído à HFF no laudo de avaliação de fls. 428 a 484) – por meio da emissão de 37.637.557 ações ordinárias, a R$39,40, a serem integralizadas pelos (ex) acionistas da HFF com suas ações –, assim como na conversão da HFF em subsidiária integral da BRF, que passou a ser sua única acionista. 108. Os seguintes lançamentos contábeis, extraídos da contabilidade da BRF Brasil Foods S.A. constante do sistema "SPED Contábil", demonstram este aumento do capital social: (...) 109. Concluída a análise da "incorporação de ações", passase à análise do relevante efeito tributário deste evento na seara individual do contribuinte: 109.1. Em 08/07/2009 o Sr. Luiz Fernando Furlan alienou à BRF Brasil Foods S.A., por meio da incorporação de ações, 9.926.613 ações da HFF Participações S.A., das quais ele era proprietário, conforme parágrafos 52, 53, 55, 56, 58 e 84; 109.2. O custo de aquisição de suas ações da HFF Participações S.A. foi R$9.926.613 (9.926.613 x R$1,00, que é o custo médio ponderado de cada ação da HFF, conforme item III.3.1, parágrafo 89) ; Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.711 8 109.3. Em contraprestação, ele recebeu, dentre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. emitidas em aumento de capital social, 1.650.269 ações, nos valores unitário de R$39,40 e total de R$65.020.598,60 (produto da multiplicação do número de ações recebidas – 1.650.269 – pelo preço unitário destas – R$39,40) ; 109.4. Portanto, o ganho de capital auferido pelo contribuinte foi R$55.093.985,60 (R$65.020.598,60 – R$9.926.613,00) ; 109.5. O imposto de renda devido pelo contribuinte em relação a este ganho de capital é R$8.264.097,84 (R$55.093.985,60 x 15%). (...) 111. A quantidade de ações da HFF de titularidade do contribuinte em 08/07/2009, bem como o correspondente custo de aquisição, estão registrados no Livro de Registro de Ações Nominativas, no item 4.6 da ata da AGE de 08/07/2009 e no Boletim de Subscrição de fls. 135. 112. Já a quantidade de ações da BRF recebidas pela incorporação de ações pode ser confirmada no Extrato de Movimentação de fls. 577 e nos arquivos digitais, formatos txt (fls. 578/579) e excel (abaixo copiado e colado), referentes ao contribuinte, os quais demonstram, respectivamente, as movimentações ocorridas no âmbito do quadro societário da BRF e a sua posição acionária nesta empresa. EMPRESA: POSIÇÃO DA BRF POSTERIOR A INCORPORAÇÃO DA HFF ACIONISTA CPF/CNPJ EO LUIZ FERNANDO FURLAN 019.489.97800 1.650.269 III.3.3. Ações preferenciais da Sadia S.A. do Sr. Luiz Fernando Furlan 113. Em 18/08/2009 – data em que se efetivou a incorporação da totalidade das ações da Sadia S.A. pela (já) BRF Brasil Foods S.A., que foi fato pertencente ao processo de associação destas empresas, como será explicitado adiante –, o Sr. Luiz Fernando Furlan era proprietário de 16.164 ações da Sadia S.A., todas da classe preferencial, como foi informado nos seguintes tópicos de sua resposta com data 25/06/2012 (referente ao Termo n° 03), extraídos da cópia digitalizada de fls. 41 a 45: (...) 114. O Livro de Registro de Ações da Sadia S.A., fornecido pela BRF Brasil Foods S.A. em sua resposta ao Termo n° 03 (MPF Diligência n° 06.1.85.002012000299), em arquivo digital (formato PDF), também atribui ao contribuinte esta mesma quantidade de ações preferenciais (16.164). 115. O custo médio ponderado de cada uma destas ações era R$0,42, conforme cálculo apresentado pelo contribuinte, na resposta ao Termo n° 05, de 30/11/2012 (fls. 580). Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.712 9 III.3.4. Incorporação das ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A.: Ganho de capital Imposto de Renda 116. Da mesma forma que a incorporação das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A., a incorporação das ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. foi prevista, inicialmente, no Acordo de Acionistas de 19/05/2009, firmado entre a então Perdigão S.A., a Sadia S.A. e a HFF Participações S.A., como mais uma das operações pertinentes à unificação das operações dessas empresas (Perdigão S.A. e Sadia S.A.). 117. Em 08/07/2009 os administradores da BRF e da Sadia firmaram o "Protocolo e Justificação" (cópia em fls. 581 a 594; documento registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina sob o n° 20092879586), o qual ratificou a relação de substituição (anteriormente prevista no Acordo de Associação) pela qual os acionistas da Sadia S.A. receberiam, em contraprestação à transferência de cada ação ordinária ou preferencial à BRF Brasil Foods S.A. – a título de integralização do capital social subscrito –, 0,132998 ação ordinária desta empresa. Esta relação de substituição foi estabelecida com base no laudo de avaliação econômico financeira, elaborado por Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. em 19/05/2009 (fls. 485 a 569). (...) 120. O "Protocolo e Justificação" previu, também, o aumento do capital social da BRF em montante correspondente ao valor econômico atribuído à Sadia no Laudo de Avaliação elaborado pela PLANCONSULT Planejamento e Consultoria Ltda., com data base 31/12/2008, o qual definiu o valor de R$5,23 por ação (fls. 595 a 651) – cláusulas 5.1 e 5 2. 121. Finalmente, o "Protocolo e Justificação" condicionou a consumação da incorporação de ações à realização de AGE, no âmbito das duas empresas, com os seguintes escopos (cláusula décima, item 10.1): (...) 122. Informações importantes referentes à incorporação das ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. foram divulgadas no Fato Relevante de 03/08/2009 (fls. 652 a 658). 123. No âmbito da BRF, a AGE de 18/08/2009 (ata em fls. 659 a 663) deliberou a aprovação de: 123.1. "Protocolo e Justificação" de 08/07/2009; 123.2. contratações das empresas avaliadoras, assim como dos respectivos laudos de avaliação (Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. e PLANCONCULT Planejamento e Consultoria Ltda.); 123.3. incorporação das ações ordinárias (dos acionistas minoritários) e preferenciais da Sadia S.A., tornandoa sua subsidiária integral; Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.713 10 123.4. aumento do capital social em R$2.335.484.255,61, mediante a emissão de 59.390.963 ações ordinárias pelo preço de R$39,32, bem como a subscrição desta elevação pelos (ex) acionistas da Sadia S.A., e a integralização com 25.904.595 ações ordinárias e 420.650.712 ações preferenciais, todas da Sadia S.A., destes acionistas. 124. Os seguintes lançamentos contábeis, extraídos da contabilidade da BRF Brasil Foods S.A. constante do sistema "SPED Contábil", demonstram este aumento do capital social. (...) 125. A AGE da Sadia ocorreu na mesma data, 18/08/2009 (ata em fls. 664 a 671, registrada na JUCESC sob o n° 20092879624), e também aprovou o "Protocolo e Justificação", a incorporação de ações e a subscrição do capital social da BRF aumentado em virtude deste evento (dentre outras deliberações). 126. O Boletim de Subscrição de 18/08/2009 (fls. 672), registrado na JUCESC sob o n° 20092998011, demonstra, com clareza, o número de ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. subscritas pelo DiretorPresidente da Sadia S.A., por conta dos acionistas desta empresa; o valor do capital social da BRF Brasil Foods S.A. correspondente à subscrição e, ainda, a forma de integralização do capital social subscrito (qual seja, a conferência de todas as ações da Sadia S.A.). 127. Portanto, a incorporação da totalidade das ações da Sadia pela BRF foi deliberada no "Acordo de Associação", de 19/05/2009; no "Protocolo e Justificação", de 08/07/2009 e nas AGES ocorridas, nas duas empresas, em 18/08/2009, e observou todas prescrições legais pertinentes. 128. Concluída a análise da "incorporação de ações", passase à análise do efeito tributário, desta decorrente, em relação ao contribuinte: 128.1. Em 18/08/2009 o Sr. Luiz Fernando Furlan alienou à BRF Brasil Foods S.A., por meio da incorporação de ações, 16.164 ações preferenciais da Sadia S.A., das quais ele era proprietário, conforme item III.3.3; 128.2. O custo total de aquisição de suas ações preferenciais da Sadia S.A. foi R$6.788,88 (16.164 x R$0,42, que é o custo médio ponderado unitário, conforme item III.3.3, parágrafo 115) ; 128.3. Em contraprestação, ele recebeu, dentre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A., emitidas em aumento de capital social, 2.149 ações, nos valores unitário de R$39,32 e total de R$84.498,68 (produto da multiplicação do número de ações recebidas – 2.149 – pelo preço unitário destas – R$39,32) ; 128.4. Portanto, o ganho de capital auferido pelo contribuinte foi R$77.709,80 (R$84.498,68 – R$6.788,88) ; 128.5. O imposto de renda devido pelo contribuinte em relação a este ganho de capital é R$11.656,47 (R$77.709,80 x 15%). Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.714 11 129. (...) 130. O arquivo digital fornecido pela BRF Brasil Foods S.A. em resposta ao Termo n° 03 (MPFD n° 06.1.85.002012000299), denominado “LIVRO ACOES BRASILFOODS.pdf”, confirma a quantidade de ações ordinárias desta empresa subscritas pelo contribuinte, mediante a conferência de suas ações preferenciais da Sadia S.A., no evento de incorporação de ações. O Extrato de Movimentação de fls. 577 também demonstra este número. III.4. Síntese: infrações 131. Conforme os fatos e as verificações fiscais já expostos, com base nos documentos que embasam o trabalho desenvolvido neste procedimento fiscal, concluise que foram omitidos, no anocalendário 2009, rendimentos sujeitos à tributação definitiva, correspondentes aos ganhos de capital decorrentes de: 131.1. integralização do capital social da HFF Participações S.A., no montante de R$9.926.613,00, por meio da conferência de 9.926.613 ações ordinárias da Sadia S.A., em 08/07/2009 (item III.2); 131.2. alienação de 9.926.613 ações ordinárias da HFF Participações S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 08/07/2009 (Item III.3, especialmente o III.3.2); 131.3. alienação de 16.164 ações preferenciais da Sadia S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 18/08/2009 (item III.3, especialmente o III.3.4). 132. Segue uma síntese da apuração efetuada: OPERAÇÃO DATA GANHO DE CAPITAL (R$) IR DEVIDO (R$) VENCIMENTO Integralização de capital social na HFF Participações S.A. 08/07/09 1.460.204,77 219.030,72 31/08/09 Incorporação de ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. 08/07/09 55.093.985,60 8.264.097,84 31/08/09 Incorporação de ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. 18/08/09 77.709,80 11.656,47 30/09/09 O sujeito passivo foi cientificado em 18 de fevereiro de 2013, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 728 e 729. Em 20 de março de 2013, apresentou a impugnação de fls. 742 a 807, por intermédio de procuradores (fls. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.715 12 809 a 819), acompanhada dos documentos de fls. 814 a 1304, relacionados à fl. 813, numerados de “Doc. 01” a “Doc. 18”. Após breve relato dos atos societários praticados com vistas à incorporação de ações da HFF e da Sadia pela BRF e do reflexo que essas operações teriam acarretado na declaração de ajuste anual do interessado, alega a defesa o que segue, em síntese: é possível extrair da leitura conjunta do artigo 153, inciso III, da Constituição Federal e do artigo 43 do Código Tributário Nacional (CTN) que o fato gerador do imposto de renda se dá, necessariamente, com a existência de aumento de patrimônio, independentemente da forma como isto ocorre; o legislador ordinário, por sua vez, utilizouse da faculdade a ele conferida pela Constituição Federal e pelo CTN para, seguindo os limites de tributação que lhe foram impostos, prever, no artigo 3º da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (Lei 7.713/1988), a incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre os ganhos e rendimentos de capital, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição; com base no acima exposto, concluise que, existindo ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o custo de aquisição de um bem ou direito objeto de determinada transação e o preço nesta praticado e, sendo ele claramente um acréscimo ao patrimônio do contribuinte, deverá o ganho/acréscimo patrimonial sujeitarse à tributação pelo IRPF, uma vez materializada sua hipótese de incidência; por fim, a Lei 7.713/1988 prevê que o IRPF é devido mensalmente e à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, deixando clara a eleição pelo legislador do regime de caixa como método para a apuração do referido imposto; sendo assim, nos casos em que uma transação implicar a alienação de um bem ou direito e desta resultar a apuração de ganho de capital pelo alienante, apenas quando do seu efetivo recebimento pela pessoa física, poderá tal montante ser considerado na apuração do IRPF; é equivocado o entendimento adotado pela Fiscalização para justificar a apuração das infrações 1 a 3: (i) uma vez consistir a incorporação de ações em instrumento societário exaustivamente regulamentado pela Lei das Sociedades por Ações (LSA), com contornos próprios que não guardam relação alguma com elementos necessários à caracterização de uma alienação; (ii) o valor do principal apurado pela Fiscalização não está correto, conforme se demonstra pelo Levantamento Contábil solicitado pelo Impugnante; e (iii) o ganho de capital decorrente da alienação de ações adquiridas até 1983 é isento de IRPF; a incorporação de ações consiste em um instituto criado com o intuito de viabilizar a constituição de subsidiária integral, conforme artigo 252 da LSA, que não se confunde com a operação de incorporação de sociedades clássica, na qual a Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.716 13 incorporada é extinta/absorvida pela sociedade incorporadora, nem com a operação de subscrição de capital com integralização em bens, pois esta envolve a expressa manifestação de vontade dos acionistas em deixar de serem acionistas de uma determinada sociedade para se tornarem acionistas de outra sociedade; a legislação tributária brasileira, ao delimitar a incidência do IRPF sobre ganhos de capital, define como operação de alienação a compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (art. 117 do RIR, com redação dada pela Lei n° 7.713/1988) ; não há, em outras normas de natureza tributária, definição dos elementos necessários à caracterização de uma operação como alienação; em atenção ao disposto no artigo 110 do CTN, é necessário examinar o conceito do termo "alienação" sob a ótica do Direito Civil; o Código Civil, em seu artigo 1.275, utiliza a expressão "alienação" como uma modalidade de perda da propriedade; ao analisarem este dispositivo, ilustres doutrinadores civilistas definiram "alienação" como ato que implica a transmissão da propriedade de determinado bem ou direito para outrem com expressa manifestação de vontade; assim, são elementos estruturais para a caracterização de uma operação como alienação: (i) a transmissão da propriedade; e (ii) a vontade do alienante de transmitila; apenas por amor ao debate, poderseia argumentar que o elemento volitivo dos acionistas controladores restaria caracterizado na medida em que estes, possuindo direito de voto, participam da Assembleia Geral da companhia responsável pela aprovação da operação de incorporação de ações; no entanto, mesmo no caso de acionistas com direito de voto, não merece acolhida argumento neste sentido, já que as deliberações da Assembleia Geral devem ser feitas sempre em vista do interesse social e não do interesse individual daqueles que a compõem, ainda que por estas decisões venham a ser afetados; ou seja, em uma incorporação de ações, os acionistas não participam do processo de sua aprovação tampouco do processo de subscrição dela decorrente, recebem diretamente, de forma passiva, ações da companhia incorporadora em substituição às suas antigas ações; admitir que esta operação é uma alienação sujeita à apuração de ganho de capital, além de ser uma afronta ao bom direito, é um perigo à economia e ao desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil, em atitude diametralmente oposta à tentativa de fazer a economia do país crescer, em especial em época de crise mundial; Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.717 14 a tributação dos acionistas da empresa incorporada por um suposto ganho de capital que não existe inviabiliza a prática do próprio instituto, em prejuízo da economia nacional como um todo; ante a ausência da manifestação de vontade do Impugnante no sentido de transferir sua participação societária na HFF e Sadia para a BRF, a operação de incorporação de ações resultou tão somente na substituição das ações da HFF e Sadia, que anteriormente compunham o patrimônio do Impugnante, por ações da BRF, na mesma proporção e pelo mesmo valor do investimento anteriormente detido; tal fenômeno de substituição corresponde à hipótese de subrogação real legal, instituto previsto no Direito Civil, que compreende a substituição de um bem por outro em virtude de expressa disposição legal, com a manutenção da relação jurídica inicialmente estabelecida; no caso de uma incorporação de ações, por força do disposto no artigo 252 da LSA, as ações incorporadas são substituídas por ações da companhia que as incorpora sem alteração do valor que lhes era inicialmente atribuído, preservando se os direitos dos acionistas envolvidos na operação; enquanto uma substituição decorrente de um fenômeno de subrogação real legal, resta claro que a incorporação das ações da HFF e Sadia pela BRF não consiste em um evento de alienação apto a ensejar o auferimento de eventual acréscimo patrimonial sujeito à incidência do IRPF, diante da ausência do elemento volitivo por parte do Impugnante; deste mesmo entendimento compartilha a RFB por meio do Parecer Normativo n° 39, de 19 de outubro de 1981 (PN 39/1981), ao tratar do prazo decadencial aplicável à isenção do ganho de capital na alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decreto0lei 1.510/1976; de acordo com o PN 39/1981, as ações recebidas em substituição de outras participações societárias em virtude de operação de incorporação, cisão e fusão, e na mesma proporção das ações anteriormente detidas, não podem ser consideradas novamente subscritas ou adquiridas por aqueles que as recebem; em outras palavras, concluise que o entendimento da RFB é no sentido de que as operações de incorporação clássica, cisão e fusão não possuem natureza jurídica de alienação, pois ocorre mera substituição de ações, à semelhança do que ocorre na incorporação de ações; apesar de serem distintas quanto à sua finalidade (concentração empresarial via manutenção da personalidade jurídica das sociedades envolvidas versus concentração empresarial em que uma das sociedades é extinta via incorporação ou fusão), a operação de incorporação de ações em muito se assemelha à incorporação clássica de sociedades no que se refere ao recebimento de ações da sociedade incorporadora por parte dos acionistas da sociedade incorporada ou cujas ações foram incorporadas; Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.718 15 para manter o posicionamento em conformidade com aquele manifestado anteriormente, as autoridades fiscais devem aplicar o entendimento constante do PN 39/1981 aos casos de incorporação de ações, para considerar tais operações como eventos de subrogação com substituição de posições acionárias e não como operações envolvendo alienação de ações; em recentíssima sessão de julgamento (19.2.2013), a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) proferiu decisão favorável ao contribuinte em processo administrativo semelhante ao caso objeto destes autos, sob o entendimento de que a operação de incorporação de ações não consiste em evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda; no caso concreto, buscouse, por meio da incorporação de ações, a unificação/associação de dois negócios que antes eram executados separadamente; conforme destacado no Fato Relevante (doc. 02) e no Protocolo e Justificação da Incorporação das Ações de Emissão da HFF Participações S.A. pela Perdigão (doc. 10), o objetivo de ambas as companhias em se associarem consistiu em passar a atuar conjuntamente no mercado, ganhando força operacional, administrativa e negocial em escala nacional e internacional; não houve em momento algum intenção do Impugnante em deixar de investir na Sadia (direta e indiretamente por meio do investimento na HFF) para investir na BRF, o que se buscava era a unificação das atividades de ambas as sociedades de forma a assegurar a maximização e perpetuação do investimento mantido pelo impugnante na Sadia por mais de quarenta anos e que, durante todos os exercícios, representou o principal bem de seu patrimônio; assim, não haveria interesse negocial por parte do Impugnante em desfazer se de tal bem para um dos maiores concorrentes à época da Sadia no mercado a Perdigão (atual BRF) ; a intenção da unificação ou associação de ambas as sociedades pode ser evidenciada pelo fato de que, quatro anos após a operação de incorporação de ações objeto do Auto de Infração, a maioria dos acionistas continua sendo titular das ações BRF recebidas em substituição às ações Sadia anteriormente detidas; o Impugnante registrou as ações BRF em sua DIRPF pelo mesmo valor que fora outrora atribuído às ações Sadia e HFF; tal fator contribui ainda mais para evidenciar que não houve, quando da incorporação de ações da HFF e Sadia pela BRF, a intenção tampouco a manifestação de vontade do Impugnante em transferir a propriedade de suas ações à BRF que pudesse conferir a esta operação a natureza jurídica de alienação; uma vez não enquadrada a operação de incorporação das ações da HFF e Sadia pela BRF como alienação, a fim de ensejar a tributação pelo IRPF sobre ganho de capital nos termos do artigo 43 do CTN, a pretensão consignada no Auto Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.719 16 de Infração representa violação patente ao principio da tipicidade, consagrado no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal; a incorporação de ações não se encontra expressamente prevista no ordenamento tributário como fato gerador do IRPF; se ignorada a ausência de interesse do Impugnante em transferir a propriedade de suas ações HFF e Sadia à BRF, a incorporação de ações consistiria em uma operação de permuta; no caso de operações de permuta sem torna, há mera troca de posições patrimoniais que se equivalem e não há percepção ou recebimento de ganho de capital a ingressar no patrimônio do titular do bem permutado; a própria RFB, ao emitir a Instrução Normativa 107/1988, reconheceu que permutas não são operações aptas à geração de acréscimo patrimonial, ao tratar da permuta de imóveis; nem se levante que permutas de unidades imobiliárias seriam neutras sob a ótica tributária e permutas de bens móveis não, como passou a sustentar a RFB em ato contraditório, exposto na resposta à pergunta de número 582 do “Perguntão" editado para o ano de 2012, o que leva à flagrante falta de segurança jurídica; a irrelevância da natureza dos bens dados em troca na permuta para fins da neutralidade fiscal foi reconhecida no Parecer do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional n° 970, de 23 de setembro de 1991 (Parecer PGFN 970/1991), no qual se conclui que "a entrega pelo licitante vencedor de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União como contrapartida à aquisição das ações leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização caracteriza se como permuta"; passado um ano, o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN n° 454, de 6 de maio de 1992, já com fundamento no Parecer PGFN 970/1991 e no posteriormente editado artigo 65 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, pronunciouse no sentido de que o tratamento tributário dado ao vencedor do leilão deve ser igualmente dado ao alienante das ações das empresas públicas incluídas no Programa Nacional de Desestatização; o tratamento tributário conferido pelas autoridades fiscais às operações de permuta envolvendo unidades imobiliárias, sem o recebimento de torna, resulta compatível com o ordenamento jurídico, na medida em que prescreve a apuração de ganho de capital em relação à parcela da torna recebida em dinheiro; contudo, não há como vislumbrar amparo legal na restrição imposta pelas autoridades fiscais no sentido de assegurar o tratamento neutro apenas às permutas envolvendo bens imóveis, exigindo a apuração de ganho de capital nas operações de permuta envolvendo bens móveis como participações societárias, direito de propriedade intelectual e outros; Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.720 17 no caso objeto destes autos, houve apenas uma troca de participação, na qual o Impugnante permaneceu com um investimento na BRF no mesmo grau de liquidez e na mesma proporção do investimento anteriormente detido na HFF e na Sadia, mantendo em sua DIRPF o custo histórico; tratandose a incorporação de ações de uma permuta de participações societárias, o que se admite ad argumentandum, qualquer acréscimo patrimonial somente se materializaria na hipótese de venda das ações emitidas pela BRF a preço maior que o custo envolvido em sua DIRPF; como inexistiu alienação de ações BRF por valor maior que o seu custo, não há que se falar em incidência do IRPF, uma vez que não houve aumento de patrimônio, inexistindo renda nos termos em que concebida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário 117.8876, ainda que o evento societário (ou conjunto de eventos) ora analisado seja considerado uma espécie de alienação (permuta) ; na esteira da jurisprudência do CARF, a permuta não precisa envolver bens de mesmo valor; no caso concreto, foram elaborados laudos para aferir o valor econômico das sociedades envolvidas na incorporação de ações e, assim, estabelecer uma relação de troca entre as ações de emissão da HFF, Sadia e da BRF; assim, se mesmo em uma permuta com bens de diferentes valores os julgadores do CARF entendem que não há ganho de capital, pois não há mutação patrimonial, é evidente que no caso em tela, no qual foi fixada uma relação de troca entre o valor das ações HFF, Sadia e BRF, a interpretação deve ser a mesma; resta evidente que, ao considerar a incorporação de ações fato gerador do IRPF, a Fiscalização pretendeu tributar o próprio patrimônio do Impugnante, seu "capital produtor" (i.e. suas ações BRF) e não acréscimo patrimonial (i.e. renda), pois não houve acréscimo patrimonial nenhum, ainda que se considere que houve alienação de ações; não havendo acréscimo patrimonial, não há, por óbvio, que se discutir sobre a necessidade ou não de disponibilidade financeira para que a renda seja tributada; a própria ementa do acórdão proferido no Agravo Regimental nos Embargos de Declaração no Recurso Especial 1232796/RS, transcrita no Termo de Verificação Fiscal, menciona que é necessário o acréscimo patrimonial para que haja disponibilidade econômica; por equívoco, o relator do v. acórdão consignou que o IRPJ deveria incidir sobre a integralidade da variação positiva dos investimentos de empresas brasileiras investidoras em investidas no exterior, tendo sido opostos embargos de declaração em face do v. acórdão para que ficasse claro que os tributos deveriam Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.721 18 incidir apenas sobre os lucros das investidas, ou seja, acréscimo patrimonial, no entender esposado pelo Superior Tribunal de Justiça na ocasião; o referido acórdão nem mesmo deveria ter sido mencionado pela Fiscalização, uma vez que discute a incidência do imposto de renda de pessoas jurídicas, sujeitas ao regime de competência, e não ao regime de caixa, ao qual estão sujeitas as pessoas físicas; ao realizar a incorporação de ações, não existiu nem mesmo uma expectativa de renda por parte do Impugnante, que nunca pretendeu alienar as ações da BRF; no caso da pessoa física, o imposto deve incidir no momento da disponibilidade de fato deste acréscimo, ou seja, quando a renda for efetivamente recebida pelo beneficiário, nos termos do artigo 2o da Lei 7.713/1988; revisitando sua documentação contábil, constatou o Impugnante erro de fato na apuração do custo de aquisição de seu investimento detido na Sadia; nos termos do artigo 16, parágrafo 3º, da Lei 7.713/1988, no caso de aumentos de capital resultantes da incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com estes lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista beneficiário; para a apuração do custo de aquisição correto do Impugnante na Sadia, foi solicitada a elaboração de relatório por contador independente, visando ao levantamento contábil das mutações patrimoniais sofridas pela Sadia ao longo dos anoscalendários de 1997 a 2009 que pudessem impactar o custo de aquisição registrado pelo Impugnante em relação ao seu investimento na Sadia ("Levantamento Contábil”) ; o material resultante do mencionado trabalho encontrase anexado à presente Impugnação com o intuito de auxiliar a Delegacia de Julgamento na verificação das inexatidões materiais constantes do custo de aquisição do investimento na Sadia registrado pelo Impugnante em sua DIRPF, passando por todas as correções permitidas por lei necessárias ao cálculo correto do custo de aquisição de tal investimento (doc. 11) ; ao longo dos anoscalendários de 1999, 2000, 2003, 2005 e 2007, foram efetivadas capitalizações de lucros auferidos pela Sadia posteriormente ao mês de janeiro de 1996, de acordo com as Atas de Assembléias Gerais Ordinárias e Extraordinárias anexas (docs. 12 a 16) ; tendo em vista que parte das reservas capitalizadas nos termos dos atos societários mencionados era composta por lucros auferidos pela Sadia após janeiro de 1996, conforme se depreende da planilha "Sadia S.A. Segregação dos Lucros Anteriores e Posteriores a 1.1.1996" (doc. 11), tais lucros deveriam, de acordo com o artigo 16, parágrafo 3º, da Lei 7.713/1988, ter sido acrescidos ao custo de Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.722 19 aquisição do investimento registrado pelo Impugnante na Sadia, na proporção de sua posição acionária nas datas em que tais capitalizações foram levadas a feito; por um descuido do Impugnante, referido acréscimo não foi refletido no custo de aquisição das ações Sadia de sua titularidade; assim, ao custo de aquisição de R$9.228.695,22, apurado pelo Impugnante em 8.7.2009, conforme se constata da aba "LFF Evolução dos Investimentos na Sadia" do Levantamento Contábil (doc. 11), deveria ter sido adicionado o valor total de R$20.001.451,61, passando o custo de aquisição total do investimento na Sadia a corresponder ao montante de R$29.230.146,83 (custo médio por ação de R$2,701370), conforme planilha "LFF Quadro Resumo Movimentação das ações da Sadia" (doc. 11) ; no que se refere à Infração 1, o efeito prático do acréscimo dos montantes relativos à capitalização de lucros pela Sadia ao custo de aquisição erroneamente registrado pelo Impugnante é a obtenção de um custo médio unitário de ações da Sadia, na data da operação (i.e., 8.7.2009) de R$ 2,701370, superior ao valor atribuído na integralização das ações da HFF subscritas pelo Impugnante, resultando na inexistência de ganho de capital em decorrência da efetivação desta operação; com relação à Infração 2, as ações HFF recebidas pelo Impugnante em substituição às ações Sadia de sua titularidade foram registradas em sua DIRPF pelo mesmo custo de aquisição (e na proporção das ações recebidas) pelo qual se encontravam registradas suas ações Sadia; este procedimento encontrase em consonância com o disposto no artigo 23 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que estabelece duas metodologias distintas para o reflexo de operações envolvendo a integralização de capital com entrega de bens em suas respectivas DIRPF, dispondo que o IRPF somente seria devido sobre eventual ganho de capital quando a conferência de bens para integralização de capital se der a valor de mercado; tendo em vista que o Impugnante registrou as ações HFF em sua DIRPF pelo mesmo custo de aquisição das ações Sadia anteriormente detidas (i.e. pelo custo com base no qual conferiu as ações Sadia à HFF), para a apuração do valor correto do IRPF devido sobre suposto ganho de capital apurado pelo Impugnante na operação de incorporação das ações HFF pela BRF (Infração 2), deve ser considerado como custo unitário das ações HFF o custo unitário correto e devidamente corrigido das ações Sadia, já contemplando as capitalizações de lucros realizadas por esta sociedade, a saber, R$ 2,701370; no que diz respeito à Infração 3, considerando as capitalizações de lucros da Sadia e o acréscimo decorrente destas capitalizações ao custo de aquisição do investimento detido pelo Impugnante na Sadia, o valor de principal apurado pela Fiscalização deve ser corrigido de forma a refletir um custo unitário de ações Sadia correspondente a R$ 2,701370, reduzindose o ganho de capital proporcionalmente; Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.723 20 há ainda outro ajuste a ser feito, em razão da não incidência do IRPF sobre eventuais ganhos de capital decorrentes das alienações de participações societárias efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data de sua respectiva subscrição ou aquisição, previsto no Decretolei 1.510, de 27 de dezembro de 1976 (Decretolei) ; por se tratar de um direito adquirido, os efeitos da revogação do referido dispositivo pela Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não retroagem para afastar a isenção sobre o ganho de capital decorrente da alienação de ações que já estavam incorporadas ao patrimônio dos contribuintes há mais de cinco anos, conforme jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça; conforme relatório de movimentação de ações anexo (relatório doc. 11), o Impugnante possuía 41.719.771 ações Sadia em 1983; assim, quando da revogação do Decretolei, seu direito subjetivo à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação desta participação societária tornouse um direito adquirido, que não pode ser modificado, conforme determina a Constituição Federal e a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro; o referido relatório, que parte do saldo de ações Sadia declarado pelo Impugnante na DIRPF do anocalendário de 1983 e reflete ano a ano a movimentação de sua participação societária com base nas informações declaradas em DIRPF (doc. 11) até o ano calendário de 2009, está dividido nas seguintes colunas: (A) período da movimentação de ações; (B) quantidade de ações movimentadas de acordo com a DIRPF do Impugnante; (C) segregação da movimentação das ações de acordo com o período a que se referem; (D) quantidade total de ações adquiridas até 1983 ou em ano posterior após cada movimentação; e (E) tipo de evento que resultou no aumento ou diminuição de ações do Impugnante. conforme se observa do anexo relatório, considerando as movimentações havidas desde o anocalendário de 1984, o Impugnante detinha, em 2009, 1.685.546 ações Sadia referentes às ações adquiridas até 1983; assim, o suposto ganho de capital decorrente da alegada alienação destas ações está isento nos termos do artigo 4o do Decretolei; nos anos calendários de 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989 e 1990, o Impugnante recebeu bonificação de ações, ou seja, ações emitidas pela Sadia em decorrência de aumento de seu capital, realizado por incorporação de reservas de lucros, distribuídas aos acionistas na proporção de sua participação societária; referidas bonificações foram devidamente rateadas pelo Impugnante no extrato de movimentação de ações anexo, para refletir quais se referiam à sua participação no capital social da Sadia até o ano de 1983 e quais se referiam à participação societária adquirida posteriormente; Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.724 21 uma vez que as ações adquiridas até o anocalendário de 1983 estão subordinadas à disciplina contida no Decretolei, por expressa determinação legal do artigo 5°do mesmo diploma, devese presumir que a aquisição das respectivas bonificações se deu "às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem"; assim sendo, o ganho de capital relativo às alienações de bonificações também é isento do IRPF, uma vez que também adquiridas até 1983 por presunção legal, possuindo, portanto, direito adquirido à isenção prevista no art. 4°, "d", do Decretolei; ao se estabelecer um prazo para o início da vigência da isenção, houve uma concessão condicional, onerosa, sendo aplicável ao caso a Súmula 544 do Supremo Tribunal Federal (STF), que veda a supressão de isenções onerosas, como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suas duas Turmas; seja na subscrição ou na incorporação de ações, também por este ângulo, não subsiste a pretensão da Fiscalização em tributar suposto ganho auferido pelo Impugnante com relação às suas ações adquiridas até 1983, conforme remansosa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e dos Tribunais Superiores; caso venha prevalecer ainda que parte da exigência fiscal, o Impugnante requer seja afastada a provável exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, que têm sido exigidos em total afronta à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica, de acordo com interpretação que faz do disposto nos artigos 3º, 113, 139, parágrafo 1º, e 161 do CTN, e nos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.460/1996 e com julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais que menciona. Na sequência, apresenta uma síntese das razões pelas quais considera que não deve prosperar a pretensão fiscal, que seguem transcritas: Incorporação de Ações (i) A incorporação das ações da HFF foi deliberada e aprovada por sua assembleia geral em vista dos interesses da sociedade e não de seus acionistas; (ii) não houve, no referido processo de aprovação, manifestação de vontade expressa por parte dos acionistas, incluindose o Impugnante, no sentido da transmissão da propriedade das ações HFF à BRF no contexto de tal operação. Os acionistas que participaram de tal processo enquanto integrantes da Assembleia Geral e votaram acerca da aprovação da operação, o fizeram no exercício de sua função social e não em vista de seus interesses individuais; (iii) tratase a incorporação de ações de hipótese de subrogação real legal por meio da qual se operou a substituição das ações HFF de titularidade do Impugnante por ações da BRF, mantendose a mesma proporção e valor do investimento anteriormente detido; Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.725 22 (iv) com efeito, não houve, em momento algum, a intenção por parte do Impugnante em transferir o investimento detido na Sadia (por meio da HFF) à BRF por consistir este no bem que por mais de 40 anos representou a maior parte de seu patrimônio. Inclusive, eventual alienação deste investimento pelo Impugnante iria de encontro com o propósito primordial de sua constituição: a preservação do investimento na Sadia no âmbito familiar; (v) buscouse, por meio do uso desse instrumento societário (i.e. incorporação de ações) a unificação/associação de dois negócios que antes eram performados/executados separadamente. Conforme destacado no Fato Relevante e no Protocolo e Justificação da Incorporação das Ações de Emissão da HFF Participações S.A. pela Perdigão, o objetivo de ambas as companhias em se associarem consistiu em passar a atuar conjuntamente no mercado, ganhando força operacional, administrativa e negocial em escala nacional e internacional; (vi) em recente sessão de julgamento (19.2.2013 – i.e posterior à lavratura dos Autos de Infração aqui impugnados)), a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF proferiu decisão favorável ao contribuinte em processo administrativo semelhante ao caso objeto destes Autos de Infração, sob o entendimento de que, de fato, a operação de incorporação de ações não consiste em evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda; (vii) Diante da ausência da manifestação de vontade do Impugnante em transferir a propriedade de suas ações HFF à BRF no contexto de tal operação, não pode ser esta tratada como evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à regular incidência do IRPF; (viii) admitir que a incorporação de ações é uma operação de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, além de ir contra o ordenamento jurídico pátrio, como se mostrou, levará à autuação de mais de dez mil antigos acionistas da Sadia, que investiram seu patrimônio na sociedade devido à sua sólida tradição e não necessariamente pretendiam alienar as suas ações; e, (ix) se em complemento à inexistência da cultura de investimentos em bolsa no Brasil, o Governo passar a tributar fatos que independem da vontade dos acionistas e/ ou exigir tributos sobre ganhos irreais, criarseá um ambiente de insegurança jurídica generalizada no Mercado, no qual as pessoas deixarão de investir em bolsa com receio de serem autuadas sem nem mesmo saberem que ocorreu uma operação supostamente sujeita à incidência de imposto de renda Permuta e Inexistência de acréscimo Patrimonial (x) ad argumentandum, tendo em vista que a própria D. Fiscalização reconhece que o Impugnante recebeu ações BRF em contraprestação às suas ações da HFF, não há dúvidas de que, na remota hipótese de se considerar que a incorporação de ações é alienação, tratarseia de uma típica operação de permuta. Conforme remansosa jurisprudência do E. CARF, a permuta não está sujeita à incidência de IRPF se não houver torna, sendo a autuação insubsistente também por este ângulo. Regime de Caixa Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.726 23 (xi) ainda que se entenda que a incorporação de ações é uma forma de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, o auto guerreado não merece prosperar nos termos em que lavrado, na medida em que o suposto ganho nunca foi percebido pelo Impugnante. Insubsistência do valor de principal apurado (xii) ao custo de aquisição de R$9.228.695,22, apurado pelo Impugnante em 8.7.2009, deve ser adicionado o valor total de R$20.001.451,61, passando o custo de aquisição total do investimento detido pelo Impugnante na Sadia a corresponder ao montante de R$29.230.146,83, custo médio por ação de R$2,701370, devendo, data maxima venia, tal aumento de custo ser considerado pelos I. Julgadores na determinação das Infrações 1, 2 e 3. Isenção do IRPF (xiii) considerando que, conforme relatório de movimentação de ações anexo, o Impugnante possuía 41.719.771 ações Sadia em 1983, quando da revogação do Decretolei, seu direito subjetivo à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação desta participação societária tornouse um direito adquirido, que não pode ser modificado, conforme determina a Constituição Federal e a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Sendo assim, seja na subscrição ou na incorporação de ações, também por este ângulo, não subsiste a pretensão da D. Fiscalização em tributar suposto ganho auferido pelo Impugnante com relação às suas ações adquiridas até 1983. Juros (xiv) merecem ser afastados os juros de mora sobre a multa de ofício, por manifesta ofensa à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica. Ao final, requer sejam acolhidos os argumentos expostos para que seja cancelado o Auto de Infração objeto do presente processo administrativo, uma vez que (i) a incorporação de ações não seria fato gerador do IRPF; e (ii) a integralização de ações da HFF com ações Sadia teria se dado a valor inferior ao custo de aquisição destas ações, conforme Levantamento Contábil. Caso o pedido acima não seja acolhido, pleiteia: (i) seja retificado o auto de infração para que o suposto ganho de capital decorrente da incorporação de ações seja calculado com base no custo efetivo das ações Sadia e HFF pertencentes ao Impugnante, corrigido conforme levantamento contábil apresentado; (ii) seja considerada isenta do IRPF supostamente incidente a parcela do ganho de capital decorrente da suposta alienação das ações e respectivas bonificações adquiridas até 1983; e (iii) sejam afastados os juros de mora sobre a multa de ofício, por manifesta ilegalidade. Protesta por provar o alegado por todos os meios de direito, em especial pela realização de diligências e/ou perícia contábil para comprovar o custo Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.727 24 efetivo do investimento na HFF e Sadia (quesitos anexos, doc. 18), indicando assistente técnico (item 225 da impugnação, fl. 806). Solicita, por fim, que todas as intimações e/ou comunicações referentes ao presente processo sejam feitas e remetidas em nome do Impugnante. A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 08/07/2009, 18/08/2009 INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SUBSCRITO MEDIANTE A CONFERÊNCIA DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. A integralização de capital mediante a conferência de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo, sujeita, portanto, à apuração do ganho de capital, considerado como tal a diferença positiva entre o valor atribuído às ações transferidas e o respectivo custo de aquisição, por configurar acréscimo patrimonial. A incorporação de ações caracteriza operação de subscrição de capital com integralização em bens, porquanto os acionistas da companhia cujas ações são incorporadas as transferem para a companhia dita incorporadora, a título de integralização de capital. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BONIFICAÇÃO EM AÇÕES. INEXISTÊNCIA. No caso de ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao acionista. Uma vez que, no caso concreto, não houve recebimento de ações bonificadas a partir do anocalendário de 1996, não procede a alegação de erro na determinação do custo de aquisição do investimento alienado. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI Nº 1.510/1976. NÃOINCIDÊNCIA. REVOGAÇÃO PELA LEI N° 7.713/1988. Inexiste direito adquirido a isenção, salvo se houver sido concedida a prazo certo e sob condição onerosa (CTN, art. 178). Para que possa haver a fruição do benefício, a lei isentiva deve estar em vigor no momento em que ocorre o fato gerador. Raciocínio que se aplica a hipóteses de nãoincidência. A nãoincidência prevista no Decretolei nº 1.510/1976, art. 4º, alínea “d”, não gerou direito adquirido ao contribuinte, eis que não era onerosa e nem foi estabelecida a prazo determinado. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.728 25 Está sujeita ao imposto sobre o ganho de capital a alienação de participação societária efetuada a partir de 1o de janeiro de 1989, ainda que, nessa data, já houvesse decorrido o período de cinco anos da subscrição ou aquisição da participação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência de juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1651.642 16ª Turma da DRJ/SP1 (fl. 1.360) em 22/01/2014, mediante Aviso de Recebimento – AR. Sobreveio Recurso Voluntário em 21/02/2014 (fls. 1.362/1.443), no qual, o contribuinte, em suma, repisa os argumentos trazidos com as impugnações. Acosta jurisprudência deste Conselho que entende pertinente. A PGFN junta contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 1.502/1.522), postulando a manutenção da decisão “a quo”, discorrendo sobre a natureza jurídica do instituto de alienação e ações, entendendo a operação como apta a gerar ganho de capital e conseguinte incidência de IRPF. A procuradoria traz ensinamentos doutrinários: [...] Há várias correntes doutrinárias que buscam explicar a natureza jurídica da incorporação de ações. A vertente adotada pelo contribuinte é a de Nelson Eizerik1. O referido autor entende ocorrer na incorporação de ações um procedimento de mera substituição, configurando uma subrogação real. Este instituto jurídico é definido por Pontes de Miranda como a substituição jurídica de uma coisa por outra, mantida a relação jurídica base anterior. O artigo 252 da Lei das S/A seria, ao ver dessa corrente, a fonte normativa que determina a subrogação real. O cerne dessa abordagem é de que não haveria manifestação de vontade dos acionistas para a efetivação da operação, de modo que não se poderia equiparar a incorporação de ações à subscrição de aumento de capital com bens. Da mesma forma, não se pode falar em equiparar a incorporação de ações à de sociedades, esta regulada pelo artigo 223 da Lei das S/A, uma vez que não haveria desaparecimento da sociedade incorporada. Assim, a incorporação de ações seria um caso bastante particular de subrogação real determinada pela lei societária. Como na subrogação real pressupõese a equivalência de valores entre os bens substituídos, conclui Eizirik que a incorporação de ações não importa em acréscimo patrimonial para o acionista, não sendo, portanto, justificável a incidência do Imposto sobre a Renda. [...] Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.729 26 Destaca outros diversos doutrinadores e acosta jurisprudência no sentido de que a incorporação de ações importa em alienação em sentido amplo. Refuta os demais argumentos expendidos pelo contribuinte em sua defesa. Em 26/11/2014, o recorrente acosta petição (fls. 1.541/1.543) trazendo o que entende ser fatos supervenientes à interposição do Recurso Voluntário. Acostou Parecer da CVM acerca da análise da questão de Incorporação de Ações (fls.1.544/1.554). Neste sentido, dispõe o referido parecer: “De qualquer forma, entendo haver, no momento da incorporação de ações, mera substituição das ações da incorporada pelas ações da incorporadora, na proporção determinada por meio da avaliação contratada para esse fim (art. 252, § 1o), respeitados o protocolo e a justificação nos termos dos arts. 224 e 225 da LSA (art. 252, caput). Não há que se falar, portanto, em alienação de ações da incorporada para posterior compra de ações da incorporadora, até mesmo porque a incorporação (e a conseqüente substituição das ações) pode ocorrer sem o consentimento do acionista, uma vez que não depende de unanimidade na deliberação da Assembleia Geral, prescindindo dessa forma, da manifestação de vontade do sócio na sua qualidade de subscritor. [...] Por todo exposto, não existe alienação das ações pelos acionistas da incorporada, cujas manifestações de vontade estão dirigidas à celebração do negócio social. Embora a vontade individual seja relevante para a efetiva substituição dos títulos, não o é para a perfectibilidade do negócio. A substituição final é a conseqüência legal e lógica da operação e condição imprescindível ao equilíbrio dos interesses contíguos. ” Em 20/01/2016 (fls. 1.557), a Procuradoria da Fazenda nacional solicitou a retirada de pauta do processo para que pudesse se manifestar acerca do documento juntado pelo contribuinte. Às fls. 1.561, a PGFN junta petição arguindo que o Parecer nº 2014/GJU2/PFE CVM/PGF/AG não possui efeito vinculante sobre os Conselheiros que atuam no CARF, lembrando que a procuradoria Federal junto à CVM se “esquivou da análise de questões tributárias e contábeis, relativo à operação de incorporação de ações”. Ainda teceu a seguinte consideração: Partindo dessas premissas, é possível concluir que a manifestação da CVM, na forma do PARECER Nº 2014/GJU2/PFECVM/PGF/AG confeccionado pela Procuradoria Federal que atua perante aquela autarquia, não pode ser considerada a interpretação definitiva e inquestionável sobre o instituto da incorporação de ações. Tratase de uma manifestação meramente opinativa, de uma das diversas entidades governamentais que atuam como agente regulador ou normatizador do mercado de capitais. Nessa perspectiva, a opinião Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.730 27 exarada pela CMV, no mencionado Parecer, não se sobrepõe, por exemplo, a eventual parecer exarado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional sobre o instituto da incorporação de ações. Pensar de forma diferente seria conferir à CVM o monopólio da atividade de interpretação da Lei nº 6.404, de 1976, no âmbito da Administração Pública Federal, o que não tem qualquer fundamento jurídico. Em 23/05/2016 o contribuinte acosta nova petição (fls. 1.584/1.592), trazendo recentes julgados favoráveis à sua tese. Por fim, postula seja julgado procedente o presente recurso, cancelandose o lançamento ou, caso não seja esse o entendimento, que seja reconhecida a existência de dúvida objetiva quanto à natureza da operação de incorporação de ações e de seus efeitos, aplicandose o art. 100, inciso II, parágrafo único e/ou art. 112, inciso II, do CTN. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Alega o recorrente que relativamente ao item "III.2.1. Integralização de capital social da HFF Participações S.A. pelo contribuinte: Ganho de capital Imposto de Renda", assim descrito no Termo de Verificação Fiscal em fls. 697/702, constatou erro de fato em sua DIRPF quanto a apuração do custo de aquisição de seu investimento na Sadia, uma vez que não foi considerado em seu custo as capitalizações de lucros realizadas nos anoscalendário de 1999, 2000, 2003, 2005 e 2007. Argumenta o recorrente que "nos termos do artigo 16, parágrafo 3º da Lei 7.713/1988, no caso de aumentos de capital resultantes da incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com estes lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista beneficiário." Para corroborar sua afirmação e apurar o correto custo de aquisição das ações, o recorrente acostou na impugnação (fls. 864/1.304), relatório elaborado por contador, que realizou o levantamento contábil das mutações patrimoniais sofridas pela Sadia ao longo dos anoscalendários de 1997 a 2009 que pudessem impactar o custo de aquisição registrado pelo contribuinte em relação ao seu investimento na Sadia, em consonância com a Atas de Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária destes respectivos anos. Concluiu o recorrente que, considerando a sua posição acionária na Sadia nas datas das deliberações envolvendo as operações societárias que deram ensejo à Infração supratranscrita, o custo de aquisição das suas ações fora informado no total de R$ 8.466.408,23, no entanto, deveria ser adicionado o valor total de R$ 20.001.451,61, passando o custo de aquisição total do investimento na Sadia a corresponder o montante de R$ Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.720259/201316 Resolução nº 2301000.622 S2C3T1 Fl. 1.731 28 29.230.146,83 (custo médio por ação de R$ 2,701370), e não o inicialmente informado, de R$ 0,852891 (sem considerar as capitalizações de lucros desta sociedade). Dá análise dos documentos acostados pelo contribuinte na impugnação (Planilhas elaboradas por contador e Atas das Assembleias Geral Ordinária e Extraordinária fls. 869), verificase que há verossimilhança nas suas alegações quanto ao erro de fato ocorrido no valor informado em sua DIRF quanto ao custo de aquisição das ações. Assim, para melhor deslinde do feito, entendo que o julgamento do recurso deve ser convertido em diligência, e encaminhado os autos ao Auditor Fiscal autuante, a fim de que o mesmo analise os argumentos trazidos pelo contribuinte em relação à Infração supracitada, "III.2.1. Integralização de capital social da HFF Participações S.A. pelo contribuinte: Ganho de capital Imposto de Renda", em consonância com as planilhas e demais documentos relacionados, acostados pelo recorrente na impugnação, constante em fls. 864/1.304, no que tange a alegação de erro de fato em sua DIRPF quanto a informação do custo de aquisição de seu investimento na Sadia, inicialmente informado o custo médio das ações no valor de R$ 0,852891, e posteriormente, conforme deliberações societárias, apurado no valor de R$ 2,701370, a fim de verificar a veracidade do respectivo aumento e do alegado erro de fato na DIRPF, buscando se necessária documentação complementar junto ao contribuinte e às empresas envolvidas. Por fim, após verificados os itens anteriores, Sr. Auditor Fiscal, informar se ainda persiste ganho de capital apurado e descrito item "III.2.1." do Termo de Verificação Fiscal, proveniente da integralização do capital social da HFF Participações S.A. pelo contribuinte com as 9.926.613 ações ordinárias da Sadia. Após apresentadas as conclusões pelo Auditor Fiscal autuante, seja dado vista ao contribuinte pelo prazo de 30 dias, e após, conclusão para julgamento do recurso. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 09/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10886.721358/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Deve ser restabelecida a dedução com despesas médicas se o contribuinte logra trazer a comprovação das despesas médicas, com todos os requisitos exigidos pela legislação.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-003.093
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecida a dedução com despesas médicas se o contribuinte logra trazer a comprovação das despesas médicas, com todos os requisitos exigidos pela legislação. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 13 58 /2 01 2- 57 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10886.721358/201257 Acórdão n.º 2201003.093 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1252.999, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe (fls 07/12), decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011, ano calendário de 2010. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls 09/10, procedeuse à glosa sobre a dedução indevidamente realizada pela contribuinte a título de despesas médicas, no valor de R$ 4.810,00, tendo sido recusada a despesa relativa à IMBRA S.A (Imbrapar Sul Participações Societárias S.A CNPJ nº 08.980.121.002100) por falta de comprovação. Após a revisão, foi apurado o imposto suplementar de R$ 1.322,75, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Regularmente cientificada da Notificação por via postal na data de 19/07/2012, conforme documento de fl 38, a interessada apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal em 10/08/2012 (fls. 02/05), tendo informado que firmou contrato de prestação de serviços odontológicos com a empresa Imbrapar Sul Participações Societárias S.A, e sido compelida a financiar o tratamento dentário contratado através de contrato de abertura de crédito com o Banco Panamericano S.A, conforme documentos em anexo (fls 22/26). Informa que resgatou a obrigação pecuniária contraída com o aludido banco, através do pagamento de nove dentre os dez cheques prédatados, embora seu tratamento dentário não tenha sido concluído em face da insolvência da IMBRA. Por conseguinte, adotou as medidas judiciais cabíveis em face da IMBRA, Banco Panamericano e SERASA, tendo obtido Tutela Antecipada (em sede de Ação Indenizatória) perante o Juizado Especial Cível da Comarca de Araruama/RJ, conforme documentos em anexo (fls 28/29) . Deste modo, discorda do lançamento tributário, haja vista ter realizado o pagamento do valor efetivamente glosado através Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 dos cheques emitidos pela impugnante contra o Banco do Brasil, constantes do Contrato de Adesão retromencionado. Informa que pagou, ainda, ao Banco que financiou seu tratamento dentário, conforme farta documentação acostada à presente impugnação. Deste modo, requer o deferimento de sua pretensão, por ser medida de justiça. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · O Termo de Adesão e o Contrato de Abertura de Crédito comprovam efetivamente vínculos obrigacionais entre a recorrente e as empresas Banco Panamericano e Imbrapar Sul Participações Societárias SA. · Os cheques anexos reportamse aos pagamentos contratados e realizados através de cheques pré datados, embora o tratamento odontológico não fosse concluído. · O tratamento dentário foi pago À entidade financiadora Banco Panamericano e não à Imbra. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10886.721358/201257 Acórdão n.º 2201003.093 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de realizar deduções de despesas médicas próprias e de seus dependentes da base de cálculo do imposto de renda Além do direito de realizar deduções, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual. A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 8 da Lei nº 9.250/95 e o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: Lei 9.250/95 Art.8. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seu art. 80: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10886.721358/201257 Acórdão n.º 2201003.093 S2C2T1 Fl. 5 7 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Neste processo, a contribuinte declarou a despesa odontológica de R$ 4.180,00 com a IMBRA. O fisco glosou por falta de comprovação. Após apreciar a impugnação, a DRJ concluiu pela falta de comprovação. No recurso foram apresentados cheques compensados no valor de R$ 481,00 cada, emitidos em favor do Banco Panamericano, todos datados do dia 22, dos meses de março a novembro de 2010, folhas 58 a 66. Entendo comprovado o financiamento junto ao Banco Panamericano para pagamento da IMBRA (tratamento odontológico) e os pagamentos efetuados. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 10860.902971/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(Documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Redator ad hoc da formalização da Resolução
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Redator ad hoc da formalização da Resolução Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 02 97 1/ 20 12 -6 1 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10860.902971/201261 Resolução nº 1301000.331 S1C3T1 Fl. 167 2 RELATÓRIO Tratase o presente processo de PER/DCOMP nº 34131.43522.200112.1.3.04 4161 com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 114.850,06 recolhido em data de 30/07/2010 – CSLL – período de apuração JUN/2010. Foi feita análise do crédito pleiteado e o Despacho Decisório eletrônico não homologou a compensação declarada, por entender que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para promover a compensação, vez que ele foi utilizado na quitação de débito do contribuinte. O ora Contribuinte, inconformado com referido despacho e regulamente cientificado do Despacho Decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que teria transmitido a DCTF retificadora que confirmava o seu crédito e que o crédito informado no PER/DCOMP seria suficiente para a compensação do débito declarado. O V. Acórdão julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por entender que o crédito informado deve existir já na data da transmissão da Declaração, e considerando que a DCTF retificadora teria sido entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluiu que não haveria qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O Contribuinte em seu recurso de fls. 32/36, alega que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário, dispensandose outra providência por parte do fisco. Alega que no caso em tela, diante da identificação do erro na apuração dos impostos devidos bem como na falta de retificação da DCTF, requereu através de PER/DCOMP as compensações necessárias, declarandose o crédito tributário constituído na PER/DCOMP nº 34131.43522.200112.1.3.044161 de R$ 114.850,06 recolhido em 30/07/2010. Alega que o não reconhecimento do indébito ocorreu pelo simples fato de o Contribuinte ter apresentado apenas a Retificadora da DCTF. Entendeu o Contribuinte que naquela oportunidade a base de dados da Receita Federal do Brasil sobre todas as operações financeiras fiscais e contábeis seriam suficientes para a homologação requerida. Alega também que o indeferimento anterior, por aquela Egrégia Delegacia, não tiraria do Recorrente o direito constitucional do indébito, o qual agora requer através de todos os documentos acostados ao presente recurso. Requereu a juntada de demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido e também os documentos hábeis cabíveis para suportar esse demonstrativo – Livros de Saída com resumo por CFOP ao final de cada mês, Razão das contas do período envolvido, DIPJ do exercício base de 2010 e o DARF de recolhimento do valor a maior que o devido. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10860.902971/201261 Resolução nº 1301000.331 S1C3T1 Fl. 168 3 Por fim, requer a homologação da PER/DCOMP apresentada nos seus exatos termos e valores, bem como seja procedido a compensação do débito informado na DCTF. Esse o Relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10860.902971/201261 Resolução nº 1301000.331 S1C3T1 Fl. 169 4 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães redator ad hoc. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 13/12/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 13/01/2014. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto por HYDROSTEC TECNOLOGIA E EQUIPAMENTOS LTDA., em face da decisão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, ratificando o Despacho Decisório de não homologação da compensação. Entendeu a autoridade tributante que, somente fazer a retificação de DCTF não seria suficiente para o reconhecimento do direito creditório. Após a apresentação do Recurso Voluntário novos documentos foram apresentados, com os quais busca a Recorrente confirmar as alegações recursais, demonstrando os equívocos perpetrados – memória de cálculo da CSLL devida, Livros de Saídas, Razão de contas, DIPJ e DARF gerador do suposto recolhimento indevido. Pois bem. Apesar do minucioso exame do caso já realizado pelas autoridades fiscais, que reconheceram o que se podia reconhecer, no tocante a créditos da Recorrente para serem compensados, há que se buscar sempre a verdade material. O contribuinte recorrente, em seu recurso – fls e45, faz quadro resumo de débitos e de recolhimentos a maior e aponta, para o presente caso, excesso no recolhimento da PER/DCOMP n. 34131.43522.200112.1.3.044161, processo administrativo n. 10860.902971/201261 (devido R$ 66.129,38 e recolhido R$ 114.850,06). E, em função dos documentos apresentados, mesmo após o oferecimento do Recurso Voluntário, pode haver elementos suplementares, que devem ser considerados em análise do crédito pleiteado a qual deve ser final e definitiva. Bem por isso, e em busca da verdade material, é que voto por converter o julgamento em diligência para, à luz da documentação juntada, ser feita análise última do crédito da contribuinte. Pedese à autoridade fiscal que examine, à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito. Caso necessário, deve ser intimado o contribuinte para apresentar outros documentos que possam comprovar a existência do crédito por força do suposto recolhimento a maior. Esse o meu Voto. (Documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães redator ad hoc Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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