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Numero do processo: 16624.001204/2006-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/1995 a 31/07/2004
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA CONFIRMADA.
Confirmada a concomitância da discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, nega-se provimento ao recurso que contesta a decisão de primeira instância que decidiu por sua ocorrência.
Numero da decisão: 3803-006.327
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que dava provimento ao recurso. O conselheiro Samuel Luiz Manzotti Riemma votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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CONCOMITÂNCIA CONFIRMADA. Confirmada a concomitância da discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, negase provimento ao recurso que contesta a decisão de primeira instância que decidiu por sua ocorrência. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que dava provimento ao recurso. O conselheiro Samuel Luiz Manzotti Riemma votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 12 04 /2 00 6- 64 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16624.001204/200664 Acórdão n.º 3803006.327 S3TE03 Fl. 217 2 Trata o presente processo de Pedido de Restituição da contribuição para o PIS relativo a pagamentos efetuados entre março de 1999 a dezembro de 2002, no montante de R$ 876.881,89, com fundamento na inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999. Segundo o Requerente, referida matéria fora por ele levada à apreciação do Poder Judiciário, em que se obteve decisão a ele desfavorável, mas submetida à discussão em sede de ação rescisória, fato esse que justificava a propositura do presente pleito de restituição, quando menos para afastar qualquer dúvida quanto ao cumprimento do prazo prescricional. Requereu, subsidiariamente, o sobrestamento do presente processo até o final julgamento da referida ação rescisória. A repartição de origem não reconheceu o direito creditório, amparandose na concomitância da discussão da matéria nas esferas administrativa e judicial, o que, segundo a autoridade administrativa, importava em renúncia do pedido administrativo de restituição. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o acolhimento integral do pedido de restituição, refutando o fundamento adotado no despacho decisório quanto à renúncia à esfera administrativa, pelo fato de que, no presente caso, inexistia identidade de objeto entre os pleitos administrativo e judicial, pois, apesar da coincidência das partes e da razão de pedir, tratavase de pedidos distintos. Em sua defesa, alegou que este processo administrativo se referia a um pedido de restituição, enquanto que, na esfera judicial, se pleiteara o não pagamento da contribuição. Inquirida pela DRJ Campinas/SP, a repartição de origem esclareceu que este processo se referia apenas a pedido de restituição, não alcançando as declarações de compensação trazidas aos autos pelo interessado, que se encontravam sob análise em outros processos administrativos. O acórdão da DRJ Campinas/SP em que se indeferiu a solicitação restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PISMASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto, antes ou depois da apresentação de pedido de restituição, implica a renúncia à apreciação na esfera administrativa das razões de mérito. Solicitação Indeferida Destacou o julgador administrativo que, embora o pedido da ação judicial (que a Autoridade Fiscal se abstivesse de exigir o recolhimento do PIS e da Cofins segundo a Lei n° 9.718, de 1998) e o pedido deste processo (restituição dos valores pagos a título de PIS e Fl. 217DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16624.001204/200664 Acórdão n.º 3803006.327 S3TE03 Fl. 218 3 Cofins com base na Lei n°`9.718; de 1998) não fossem o mesmo, a causa de pedir era coincidente, qual seja, a inconstitucionalidade do art. 3º, inciso I, da Lei n° 9.718, de 1998, o que tornava o desfecho da ação judicial prejudicial à apreciação do pleito deste processo. Cientificado da decisão de primeira instância em 10 de fevereiro de 2009, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário no dia 27 do mesmo mês e reiterou o seu pedido de deferimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas, em razão dos fatos a seguir apontados, dele não tomo conhecimento. Conforme acima relatado, o Pedido de Restituição formulado pelo ora Recorrente restou não apreciado, tanto na repartição de origem, quanto na DRJ Campinas/SP, pelo fato de versar sobre a mesma matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, o que configurou renúncia à esfera administrativa. Essa questão encontrase sumulada neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Referido entendimento do CARF se coaduna com a ordem constitucional pátria, em que se assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do quê as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficaz, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16624.001204/200664 Acórdão n.º 3803006.327 S3TE03 Fl. 219 4 Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário1 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Mesmo que a demanda judicial ainda se encontre pendente de julgamento da ação rescisória proposta pelo Recorrente, com vistas à anulação da decisão em mandado de segurança transitada em julgado a ele desfavorável, mesmo assim, temse por configurada a renúncia, pois esta se caracteriza pela simples iniciativa do interessado em buscar a tutela jurisdicional. O Recorrente se defende alegando que, para se ter por configurada a concomitância da discussão da matérias nas esferas judicial e administrativa, exigese a coincidência de objeto em ambas as demandas, para o que se pressupõem, em conformidade com o art. 301, § 2º, do Código de Processo Civil (CPC), as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. Segundo ele, por se referir este processo a um pedido de restituição e o judicial a um pedido de abstenção, por parte da Administração tributária, de se exigirem as contribuições para o PIS e a Cofins com base em outras receitas além do faturamento, não se tem, aqui, uma coincidência completa de objeto, o que descaracteriza a figura da renúncia à esfera administrativa. O referido § 2º do art. 301 do CPC assim dispõe: Art. 301 (...) § 2o Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. Do excerto supra, constatase que o dispositivo legal trata de ações judiciais que podem ser consideradas idênticas, para o que se exige a coincidência cumulativa de partes, causa de pedir e pedido. Aqui, se controverte sobre o “objeto” dos processos judicial e administrativo, o que,a princípio, a meu ver, não coincide com o termo “ação idêntica” utilizado na lei processual. Tanto é assim que o próprio CPC, no art. 46, inciso III2, no art. 1033 e no art. 1044, distingue os termos “objeto” e “causa de pedir”, não se identificando no texto legal qualquer relação de subordinação ou vinculação entre eles. 1 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. 2 Art. 46. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando: (...) III entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa de pedir; 3 Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. 4 Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16624.001204/200664 Acórdão n.º 3803006.327 S3TE03 Fl. 220 5 Melhor dizendo, se a “causa de pedir” fosse um dos componentes do “objeto”, uma vez identificado este, nenhuma razão teria a discriminação do primeiro, pois que abrangido pelo termo anterior. O CPC, quando faz uso do termo “objeto”, está a tratar ou de uma determinada matéria (objeto de conhecimento), de um objetivo ou de um conteúdo (assunto). Isso pode ser constatado em seus artigos 135, IV, 202, III, § 2º, 259, V, 265, IV, “a”, 268, parágrafo único, 285B, 414, 460, 461, 461A etc. A meu ver, a súmula CARF nº 1 faz uso do termo “objeto” na sua acepção de “matéria”, tendose em conta que, ao indicar a exceção à regra da concomitância, a súmula faz uso desse mesmo substantivo, denotando que a renúncia à esfera administrativa não se configura relativamente a matérias distintas. Enfraquece, ainda, a linha de defesa do Recorrente o fato de que o mandado de segurança fora por ele impetrado em maio de 1999, tendo sido requerido medida liminar contra ato iminente do Delegado da Receita Federal no que tange às exigências futuras das contribuições Cofins e para o PIS calculadas sobre bases majoradas para além do faturamento. Neste processo administrativo, por seu turno, formalizado que fora em decorrência do Pedido de Restituição protocolizado na repartição de origem em 21/08/2006, é requerida a repetição de indébito relativamente a pagamentos efetuados nos anos de 1999 a 2002, que vêm a ser os períodos futuros em relação aos quais se pediu a segurança, o que evidencia que ambos os processos, o judicial e o administrativo, se referem aos mesmos fatos geradores e pagamentos. O fato de o objeto deste processo ser um pedido de restituição não o distingue do objeto levado à apreciação do Poder Judiciário com vistas à não incidência das contribuições sobre os mesmos fatos controvertidos. Destaquese que, na data da protocolização do Pedido de Restituição (21/08/2006), o Recorrente já tinha uma decisão judicial definitiva a ele desfavorável (o trânsito em julgado do mandado de segurança se dera em 03/02/2004), o que conota que o presente pleito destinase a suprir o desfecho adverso obtido na esfera judicial. Por outro lado, ainda que se considere que este Colegiado encontrase obrigado a reproduzir as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF), submetidas à sistemática da repercussão geral, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, como a matéria relativa à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999 (RE nº 585.235), ainda assim nenhum benefício obteria o Recorrente, dadas as seguintes constatações: a) considerando que o Pedido de Restituição fora formulado em 21/08/2006, após, portanto, a vacatio legis da Lei Complementar nº 118, de 2005, naquela data, por força da decisão definitiva do STF no âmbito do RE nº 566.621, submetido à regra da repercussão geral, já havia transcorrido o prazo de cinco para se repetir o indébito em relação aos pagamentos efetuados no período de março de 1999 a 21/08/2001; b) quanto aos demais períodos, inexiste nos autos qualquer prova relativamente à escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, bem como aos documentos Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 16624.001204/200664 Acórdão n.º 3803006.327 S3TE03 Fl. 221 6 fiscais que a lastreiam, que possibilitasse a aferição das bases de cálculo da contribuição devida no período, o que contraria a regra insculpida no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19725. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 5 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10410.007998/2007-80
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/11/2007
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ATENDIMENTO. MULTA INSTITUÍDA POR LEI. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. DISPOSITIVOS LEGAIS DE APLICAÇÃO DA MULTA. DESCRIÇÃO DA MULTA. NORMA INFRINGIDA. TODOS DECLINADOS CLARAMENTE NO AUTO DE INFRAÇÃO. A AUSÊNCIA DE ENTREGA DA GFIP CARACTERIZA A INFRAÇÃO. O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO E A OCORRÊNCIA DA RETENÇÃO SÃO IRRELEVANTES NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO, POIS OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - DEVER INSTRUMENTAL - SÃO INDEPENDENTES.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Segunda Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/11/2007 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ATENDIMENTO. MULTA INSTITUÍDA POR LEI. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. DISPOSITIVOS LEGAIS DE APLICAÇÃO DA MULTA. DESCRIÇÃO DA MULTA. NORMA INFRINGIDA. TODOS DECLINADOS CLARAMENTE NO AUTO DE INFRAÇÃO. A AUSÊNCIA DE ENTREGA DA GFIP CARACTERIZA A INFRAÇÃO. O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO E A OCORRÊNCIA DA RETENÇÃO SÃO IRRELEVANTES NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO, POIS OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - DEVER INSTRUMENTAL - SÃO INDEPENDENTES. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Segunda Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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OUTROS DADOS Recorrente OBJETIVA RECURSOS HUMANOS SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/11/2007 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ATENDIMENTO. MULTA INSTITUÍDA POR LEI. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. DISPOSITIVOS LEGAIS DE APLICAÇÃO DA MULTA. DESCRIÇÃO DA MULTA. NORMA INFRINGIDA. TODOS DECLINADOS CLARAMENTE NO AUTO DE INFRAÇÃO. A AUSÊNCIA DE ENTREGA DA GFIP CARACTERIZA A INFRAÇÃO. O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO E A OCORRÊNCIA DA RETENÇÃO SÃO IRRELEVANTES NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO, POIS OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA DEVER INSTRUMENTAL SÃO INDEPENDENTES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Segunda Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 79 98 /2 00 7- 80 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007998/200780 Acórdão n.º 2803003.686 S2TE03 Fl. 615 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007998/200780 Acórdão n.º 2803003.686 S2TE03 Fl. 616 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração – AI DEBCAD 37.115.0701, que objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinada por lei, CFL.67, deixar a empresa de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento definido em Regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafos 3. e 9., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2., 3. e 4. do "caput do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal da Infração, de fls.06. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. A autuada apresentou impugnação/defesa, em 26/12/2007, conforme carimbo de recepção, as fls. 37, a defesa está acostada, as fls. 37 a 46, acompanhada dos documentos, de fls. 47 a 53 O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão N° 1122.587 7ª Turma da DRJ/REC, fls. 59 a 63. Na qual a autuação foi considerada procedente em parte. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 04/08/2008, AR, de fls. 78. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, em 02/09/2008, as fls. 80 a 90, acompanhada dos documentos, de fls. 91 a 149. A recorrente alega em síntese no recurso, o que a seguir consta. Preliminar. · que portaria não pode estabelecer multa, pois o artigo 97, inciso V e 99, do CTN firmam o princípio da estrita legalidade e assim apenas a lei é o instrumento adequado a cominar penalidades, cita doutrina Alberto Xavier e Sacha Calmon Navarro Coelho, diz, ainda, que a fiscalização previdenciária aplicou multa prevista na Portaria 142/2007, com base no artigo 373 do Decreto 3.048/99, sendo este o dispositivo que previu a multa, cita decisões do TRF5, restando clara a impossibilidade de instituição de multa por portaria; · que a autuação viola o contraditório e ampla defesa, pois em lugar algum consta o dispositivo utilizado para a aplicação da multa, nem mesmo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa determina qual foi o Fl. 616DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007998/200780 Acórdão n.º 2803003.686 S2TE03 Fl. 617 4 dispositivo da portaria utilizado para determinar a multa, sendo essa generalidade violadora do contraditório e ampla defesa, cita a Lei Federal 9.784/99 e o Profº J. J.Gomes Canotilho, bem como José Frederico Marques, estando o auto de infração eivado de vício formal, pois o enquadramento amplo não permite o correto entendimento da autuação, devendo, assim ser considerado nulo; Mérito. · que o Procurador Autárquico está mais uma vez equivocado, pois não pode dizer que a contribuinte não declarou todos os fatos geradores sem dizer quais os fatos que não foram declarados, pois além de declarar todos os fatos geradores a recorrente, também, forneceu ao agente fiscal todas as folhas de pagamento solicitadas, o que descaracteriza a autuação, não levando a efeito a autoridade administrativa a verdade material, cita Vittorio Cassone, afirmando que apresentará oportunamente planilha demonstrativa dos valores recolhidos, com caráter inafastável, devendo o auto ser invalidado; · que a recorrente como prestadora de serviços com cessão de mão de obra sempre têm retidos os 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura em observação ao parágrafo 5º, do artigo 33, da Lei 9.711/98, não podendo o agente fiscal desconsiderar a determinação legal no momento do lançamento, sendo dever do fisco fundar o lançamento em prova, cita Mizabel Derzi, contudo as retenções não foram apropriadas pela autoridade fiscal, o que gerou lançamentos indevidos, estando anexado ao presente o demonstrativo de Notas Fiscais que comprova que as tomadoras realizam a retenção; · Dos pedidos: a) total reforma do acórdão recorrido. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 151. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 07. É o Relatório. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007998/200780 Acórdão n.º 2803003.686 S2TE03 Fl. 618 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira, Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminares. Equivocase a recorrente a multa não foi criada, estipulada ou estabelecida em portaria, mas sim em lei. A empresa é obrigada a apresentar mensalmente o documento definido e exigido no artigo 32, inciso, IV, parágrafo 3º e 9º, da Lei 8.212/91. Caso não haja a entrega a empresa infratora sujeitase a multa estabelecida no artigo 32, parágrafo 4º e 7º, da Lei 8.212/91. Aliás, foi isso que aconteceu e é isso que está discriminado na Folha de Rosto do Auto de Infração, conforme a seguir transcrevo. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento definido em Regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafos 3. e 9., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2., 3. e 4. do — caput do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafos 4. e 7., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprova`do pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso I e parágrafos 1. e 2. do "caput e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. A Portaria apenas traz publicidade aos novos patamares de multa, uma vez que os artigos 92 e 102, da Lei 8.212/91 estabelecem que os patamares de multa devem ser periodicamente reajustados. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007998/200780 Acórdão n.º 2803003.686 S2TE03 Fl. 619 6 Todavia, tal reajuste se dá por meio de lei ou medida provisória, na forma de percentual, sendo o novo valor divulgado e publicado por portaria e nada mais, não é a portaria que estabelece a multa. No caso da Portaria MPS Nº 142/2007 a base legal foi a MP 362/2007 convertida na Lei 11.498/2007, que autorizou o reajuste do salário mínimo. Assim sendo, rejeito a preliminar. O Auto de Infração é bastante claro em dizer qual é o dispositivo legal que dá suporte a multa aplicada e tal dispositivo está declinado de forma clara, simples e objetiva no mínimo em dois documentos, um deles a Folha de Rosto como supramencionado e o outro o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 07, conforme a seguir transcrito, mas que preferiu ignorar a recorrente por não se ajustar a sua linha de raciocínio e defesa. 0 contribuinte, por ter infringido o disposto no o art. 32, inc. IV e §§3 0 e 9 da Lei n° 8.212, de 24.07.91, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inc. IV e §§2 0 , 30 e 40 do "caput" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99 está sendo multado em R$ 8.196,94 (oito mil cento noventa seis reais e noventa quatro centavos), valor este demonstrado na planilha anexa a este auto de infração e calculado de acordo com art. 32, inc. IV e §§4º e 7º da Lei n° 8.212, de 24.07.91, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 284, inc. I e §§1 0 e 20 do "caput" e art. 373. O valor é determinado pela Portaria Ministerial n° 142, de 11/0412007. O valor da multa aplicada é decorrente da aplicação do multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283 do RPS, em função do número de segurados da empresa, acrescido de 5% por mês calendário ou fração de atraso, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (o realce é meu). Cabe ressaltar, que além do dispositivo de aplicação da multa tanto o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 07, como o Relatório Fiscal da Infração trazem o dispositivo infringindo, o que já constava da Folha de Rosto do Auto de Infração. Desta forma, inexistente qualquer violação ao contraditório e ampla defesa, uma vez que todos os elementos exigidos pela legislação estão discriminados de forma clara, simples, objetiva e eficaz. Com esses esclarecimentos rejeito mais essa preliminar. Novamente, o contribuinte se equivoca não há nos autos manifestação de Procurador Autárquico e muito menos deixou o fisco de dizer qual foi o fato gerador não declarado. Na Folha de Rosto a Descrição Sumária da Infração deixa claro tal omissão “todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo,”, ora por que todas as informações pelo simples motivo de que a GFIP não foi apresentada para as competências indicadas a declaração toda, por inteiro. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007998/200780 Acórdão n.º 2803003.686 S2TE03 Fl. 620 7 A entrega ao agente fiscal das folhas de pagamento é irrelevante, pois a lei impõe a obrigação de declaração e apresentação de GFIP e uma vez não cumprida a determinação legal, se está diante de infração à lei tributária e descumprimento do dever instrumental de prestar as informações, via declaração da GFIP. Também, é irrelevante para a presente o recolhimento das contribuições, pois não se está cuidado de lançamento de crédito tributário por falta de pagamento da obrigação principal, ou seja, da contribuição social previdenciária, propriamente dita, mas, apenas, e tão somente da aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessaria, dever instrumental, que com aquela não se confunde. As questões relativas a acessoriedade não tem no âmbito tributário a relação com que se apresenta na seara cível. O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. Aliás, a própria lei deixa claro que o recolhimento da contribuição não interfere na aplicação da sanção, veja o que diz o parágrafo 4º, do artigo 32, da Lei 8.212/91, que transcrevo e destaco. § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados conforme quadro abaixo: (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) (o destaque é meu). No presente caso é irrelevante se as tomadoras de serviço fazem a retenção dos 11% ou não, pois como dito o presente crédito não exige diferença de contribuição previdenciária e muito menos contribuição não recolhida, ocorrendo divórcio ideológico entre Fl. 620DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10410.007998/200780 Acórdão n.º 2803003.686 S2TE03 Fl. 621 8 o que dos autos consta e o que alegado no recurso, veja a posição do Supremo Tribunal Federal – STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Isto posto, não vejo motivos para acatar as alegações da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10925.902316/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 82 1 81 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.902316/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.400 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente DICAPEL PAPÉIS E EMBALAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 23 16 /2 00 9- 14 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902316/200914 Acórdão n.º 1803002.400 S1TE03 Fl. 83 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902316/200914 Acórdão n.º 1803002.400 S1TE03 Fl. 84 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902316/200914 Acórdão n.º 1803002.400 S1TE03 Fl. 85 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902316/200914 Acórdão n.º 1803002.400 S1TE03 Fl. 86 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902316/200914 Acórdão n.º 1803002.400 S1TE03 Fl. 87 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902316/200914 Acórdão n.º 1803002.400 S1TE03 Fl. 88 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10580.722191/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE CÁLCULO. Aplica-se o regime de competência para a apuração do valor de imposto de renda devido, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal.
MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considera-se que houve boa-fé do contribuinte e exonera-se a multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da tributação a multa de ofício, por erro escusável.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: Relator
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ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE CÁLCULO. Aplicase o regime de competência para a apuração do valor de imposto de renda devido, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considerase que houve boafé do contribuinte e exonerase a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da tributação a multa de ofício, por erro escusável. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 91 /2 00 8- 08 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório O recurso voluntário visa reverter a decisão do Acórdão 1524.671 3ª Turma da DRJ/SDR, que manteve em parte o lançamento tributário do contribuinte no valor de R$ 95.315,13(valor do principal). Na autuação foram lançadas as parcelas mensais recebidas em 36 parcelas iguais, de janeiro/2004 a dezembro 2006 (exercícios 2005, 2006 e 2007), a título de URV, relativamente aos períodos 1/04/1994 a 31/08/2001. Tendo em vista o par. 1o. do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, o recurso foi sobrestado para aguardar o julgamento do recurso 614.406/RS que versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente, conforme Resolução 2101000.029. Contudo, o referido parágrafo foi excluído pela Portaria MF 545/2013 e o processo administrativo fiscal está voltando para julgamento neste Conselho. O contribuinte alega o que segue. a) A parcela recebida acumuladamente referese à recomposição salarial, correção do capital, porque não implementada no tempo certo. Essa parcela referese à diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. b) Isonomia com o estabelecido na Resolução/STF nº 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais. c) Valores pertinentes ao Abono Pasep e ao Abono de Permanência que, são rendimentos não sujeitos à tributação do imposto de renda pessoa física e devem ser excluídos da base de cálculo. d) Ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não deveriam ser tributados os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória. e) Mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamenta em lei Estadual. Colaciona decisões sobre o assunto e também sobre pareceres administrativos (PGFN, AGU). f) O lançamento deve ser considerado nulo tendo em vista vício de forma na apuração da base de cálculo do tributo, tendo em vista o entendimento do STJ referente ao assunto. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.722191/200808 Acórdão n.º 2101002.524 S2C1T1 Fl. 3 3 g) Falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado. Por último, colaciona julgados deste Conselho sobre o assunto e requer a improcedência do auto de infração e, caso seja mantida a ação fiscal, sejam excluídas a multa e os juros de mora. Importante observar que a turma a quo reconsiderou o cálculo do tributo tendo em vista jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. No novo cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, foram utilizadas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Ressaltese, ainda, que no novo cálculo do imposto somente foram tributados os valores recebidos a título de diferenças de URV, conforme consta na planilha fornecida pelo Poder Judiciário (fls. 8386). É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente o contribuinte alega ilegitimidade ativa da União para cobrar imposto de renda com base no art. 157, I da Constituição Federal de 1988. A Turma a quo assim se pronunciou sobre o assunto: "É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União". Grifei Não merece reparos a decisão a quo quanto a esse aspecto, pois a competência constitucional para instituir e legislar (além de fiscalizar, cobrar, autuar, etc.) sobre o imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza é da União, conforme art. 153, inc. III da CF/88 e art. 6 da lei 5172/66. Tal competência é indelegável. Mais ainda, como a competência legislativa sobre o tributo em questão é única e exclusiva da União, não se reconhece, no âmbito deste processo administrativo federal tributário, diplomas legais que não sejam oriundos de tal competência, como por exemplo, legislação estadual que teria considerado tal verba como indenizatória. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Também não deve prosperar o argumento de isonomia com os magistrados federais, tendo em vista a Resolução/STF 245/2002. Tal resolução não é lei federal (i.e. não obedeceu os trâmites previstos para a elaboração e aprovação de leis dentro das casas legislativas que compõem o Congresso Nacional) e abrange apenas membros do Poder Judiciário da União. Portanto, não pode ser considerada no âmbito deste processo administrativo tributário federal. Relativamente ao mérito, o contribuinte alega que a natureza da URV é indenizatória, porque visava corrigir o poder aquisitivo do cruzeiro real em relação à URV. Assim, a nova moeda (URV) não seria contaminada pelo ciclo inflacionário e evitaria a perda do poder aquisitivo da moeda antiga, o cruzeiro real. Em que pese o argumento da defasagem salarial ante o aumento da inflação e, neste caso, a correção salarial não representaria aumento de patrimônio ou renda, mas manutenção dos mesmos observase que não existem dispositivos legais que definam, em caso de aumento salarial, o que seria reposição salarial e o que seria aumento de renda/patrimônio e tampouco essa distinção na forma de tributação. São tributados igualmente os aumentos salariais que corrigem defasagem em relação à inflação e aqueles aumentos de salário reais, que realmente significam aumento de patrimônio do trabalhador. Assim, não se pode considerar o argumento do contribuinte, por falta de previsão legal. Mais ainda, considerar o reajuste salarial motivo do rendimento recebido acumuladamente como parcela indenizatória, seria tratar de forma não isonômica os contribuintes que recebem reajustes salariais para corrigir o valor da inflação e têm esses valores tributados como se aumento salarial fosse. Sob outro ângulo, o par. 2, art. 108 do Código Tributário Nacional estabelece que "o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do devido tributo". Observase ainda que o constituinte elegeu como direitos dos trabalhadores (art. 7, IV, CF/88) "salário mínimo nacionalmente unificado,... com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo..", contudo, não definiu qualquer dispositivo isentivo de imposto de renda para os tais reajustes periódicos que somente preservariam o poder aquisitivo do salário. Entendo que as diferenças salariais decorrentes da URV são acréscimos salariais (não importando se seriam reajustes em decorrência da inflação ou aumento real de salário) que não teriam sido incorporados aos salários na época própria. Entretanto, a partir do momento em que são recebidos, se constituem em renda tributável cujo fato gerador é definido pelo art. 43 do Código Tributário Nacional. Caso tivessem sido recebidos na época certa, teriam sido devidamente tributados. Assim os valores do principal recebidos acumuladamente são produto de trabalho e, como tal, devem ser tributados. O art. 43 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional) define como fato gerador do imposto a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda (o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza, (quaisquer acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior). Mais ainda, no par. 1o. do mesmo artigo fica claro que "a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento". Com relação ao lançamento do tributo que deveria ter sido retido na fonte, o entendimento consolidado deste Conselho está expresso na Súmula CARF n. 12 determina que: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a Fl. 183DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.722191/200808 Acórdão n.º 2101002.524 S2C1T1 Fl. 4 5 constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Compulsandose os autos, verificouse que a fonte pagadora realmente fez constar no informe de rendimentos os valores recebidos acumuladamente como não tributáveis, e o próprio contribuinte entende que tais valores realmente não seriam tributáveis. Não obstante, a existência de um dispositivo legal considerando a verba não tributável foi decisiva para que o requerente adotasse o procedimento incorreto. Desta forma, entendo que o erro é escusável, em acordo com a súmula 73 do CARF, a seguir transcrita. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Relativamente à metodologia de cálculo do tributo devido, está ajustada pelo parecer PGFN/CRJ N. 287/2009, em consonância com a Jurisprudência do STJ, ou seja, a tributação foi pelo regime de competência. Entendo que, neste aspecto, a decisão não merece reparos. O parecer supra está assim ementado. "Tributário. Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça." Na revisão de ofício do lançamento tributário, a autoridade fiscal consignou no relatório que foram devidamente excluídas da base de cálculo do imposto, as verbas isentas ou não tributáveis, conforme fl. 81 dos autos. O contribuinte se insurge contra a tributação dos juros recebidos acumuladamente. Entretanto, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 O presente processo não trata de verbas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho e, portanto, não se lhe pode aplicar o decidido no REsp 1089720/RS. Recurso voluntário provido em parte para exonerar o contribuinte da multa de ofício por erro escusável, consoante jurisprudência deste Conselho. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10120.003167/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. TAXA SELIC. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA.
São passíveis de restituição, com os devidos acréscimos legais, as receitas da União, não administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, arrecadas mediante DARF, decorrentes de pagamentos espontâneos, indevidos ou a maior. A restituição sem a devida correção monetária seria não há como ser justificada, ainda mais quando tal correção fora objeto de pedido formal do contribuinte.
Numero da decisão: 1302-001.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Alberto Pinto Souza Júnior, pois o mesmo não conhecia do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 13/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. TAXA SELIC. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. São passíveis de restituição, com os devidos acréscimos legais, as receitas da União, não administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, arrecadas mediante DARF, decorrentes de pagamentos espontâneos, indevidos ou a maior. A restituição sem a devida correção monetária seria não há como ser justificada, ainda mais quando tal correção fora objeto de pedido formal do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Alberto Pinto Souza Júnior, pois o mesmo não conhecia do recurso. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 31 67 /2 00 4- 51 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 2 EDITADO EM: 13/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10120.003167/200451 Acórdão n.º 1302001.552 S1C3T2 Fl. 411 3 Relatório CARAMURU ALIMENTOS S.A., já qualificado nos autos, recorre de decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF – DRJ/BSB, que, por unanimidade, considerou improcedente a manifestação de inconformidade para reconhecer o crédito no valor estipulado pela Procuradoria. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Cuidam os autos de Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União, convertido em Pedido de Restituição (apresentado em outubro/2004). Irresignada com a devolução do valor reconhecido (R$ 17.395,57), mas sem atualização monetária pela taxa Selic, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: O parágrafo 4º do art. 66 da Lei 9.250/1995 determina claramente que o pagamento indevido ou a maior é restituído acrescido da Selic; O STJ e o CARF tem se posicionado no sentido de que cabe correção monetária de créditos de IPI, quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Em face do exposto, pelas razões fáticas e jurídicas apresentadas, requer seja reconhecido o direito à atualização do crédito pela Selic. A ora Recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, reiterando os mesmos pedidos que já haviam sido formulados. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 4 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo DO CABIMENTO DO RECURSO Houve intenso debate na Sessão de Julgamento acerca do cabimento do presente recurso voluntário, uma vez tratarse de tributo não administrado pela Secretaria da Receita Federal, tendo inclusive ficado vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior nesta preliminar, pois aquele Conselheiro entende que este litígio deveria ser endereçado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, uma vez tratarse de crédito oriundo de pagamento indevido de débito inscrito em dívida ativa. Em que pese o intenso debate, prevaleceu o entendimento que toda restituição, mesmo aquelas que versem sobre créditos administrados por outros órgãos, estariam regidos e abarcados pelo artigo 35 da Instrução Normativa 210, a qual estava em vigor quando formulada e transmitida a restituição objeto deste processo, portanto é tal IN 210 que rege o procedimento sobre o qual ora nos debruçamos. Transcrevo abaixo o referido artigo 35: Art. 35. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do ato que não homologou a compensação de débito lançado de ofício ou confessado, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. § 1 Da decisão que julgar a manifestação de inconformidade do sujeito passivo caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de trinta dias, contado da data de sua ciência. § 2 A manifestação de inconformidade e o recurso a que se referem o caput e o § 1 o regerseão pelo disposto no Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. Portanto, tendo sido o Recurso Voluntário tempestivo, bem como atendidos os demais requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, dele conheço. DO MÉRITO Como se vê no relatório a contribuinte alega que a lei prevê atualização pela SELIC dos créditos decorrentes de pagamento a maior ou indevido. De fato, o parágrafo 4º, do artigo 39 da Lei nº 9.250 de 1995 estabelece, sem deixar qualquer dúvida, que a partir de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10120.003167/200451 Acórdão n.º 1302001.552 S1C3T2 Fl. 412 5 com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1 (VETADO) § 2 (VETADO) § 3°(VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Não há qualquer limitação e/ou diferenciação na lei quanto a tributos cuja receita não estejam a cargo da RFB, uma vez que o § 4º acima citado trata dos institutos da compensação ou restituição de forma genérica. Assim, qualquer tentativa por parte da administração pública em limitar o alcance do comando legal, ao meu ver, não teria respaldo legal. Ainda que assim não fosse, a Procuradoria, em despacho às fls. 281, reconhece que o contribuinte efetivamente recolheu o valor objeto deste litígio e, a posteriori, a inscrição em dívida ativa fora considerada improcedente, liberandose, assim, para que a Receita Federal pudesse processar a restituição pleiteada. Desta forma, propõe a Procuradoria que os autos sejam retornados à SACAT/DRF/GOIÂNIA/GO e recomenda que o pedido seja atendido. Portanto, o que se vê é que a Procuradoria sugere que o pedido seja atendido pela SRF, sem contudo se manifestar especificamente sobre qualquer dos pedidos formulados pela interessada. Uma vez que o contribuinte pede expressamente que a restituição se dê incluindose eventuais acréscimos legais (pedido às fls. 251), entendo que a SRF não poderia acatar o pedido formulado apenas em parte, pois havia pedido claro quanto aos acréscimos e não há elementos que suportem a quebra do referido pedido em partes, ou seja, tudo o que fora pedido deveria ser atendido, conforme sugestão da própria Procuradoria. Segue abaixo a parte do pedido formulado pelo contribuinte às fls 231 que comprova que o mesmo se manifestou quanto à eventuais acréscimos legais, verbis: “[...] e) Finalmente, o encaminhamento desse processo à Procuradoria da Fazenda Nacional em Goiás, após todas as providências acima, para, nos termos do art. 13 da IN SRF n.° 210/2002, reconhecerse o direito creditório constante no "Pedido de Restituição" anexo, incluindo os acréscimos legais pagos, conforme autoriza o artigo 167 do CTN.” (grifei) Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 6 Além do pedido expresso acima citado, no Pedido de Restituição às fls. 251, item 4 – Outras Informações, o contribuinte mais uma vez deixa claro seu pedido para que o valor a ser restituído seja devidamente atualizado: O crédito deverá ser reconhecido pela Procuradoria da Fazenda Nacional em Goiás, conforme artigo 13 da IN SRF nº 210/2002 e, na ocasião do pagamento, o valor deverá ser atualizado nos termos da legislação em vigor. (grifei) Contudo, em que pese o contribuinte tenho pedido expressamente que a restituição se dê com os devidos acréscimos legais, e tendo a Procuradoria sugerido que tal pedido seja atendido pela SRF, esta, em Despacho da lavra da DRF/GOI, propõe a restituição do crédito no valor de R$ 17.395,57, sem contudo se manifestar sobre eventuais acréscimos legais. Assim, tendo sido o pedido de restituição expresso quanto aos acréscimos legais, e nos termos do art. 39 da Lei 9.250, entendo que a restituição deveria ter sido feita com os acréscimos legais devidos, ou seja, que os mesmos sejam corrigidos à taxa SELIC. De mais a mais, a manutenção de uma situação em tais moldes (restituição sete anos após o pagamento) geraria para o Estado a reprovável figura do enriquecimento sem causa, a qual está disciplinada pelo art. 884 do Código Civil. Do Enriquecimento Sem Causa Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituíla, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. Diante de todo o acima exposto, tendo permanecido silentes quanto ao pedido expresso formulado pelo contribuinte, não vejo como não acrescer à restituição deferida os juros à taxa SELIC. Desta forma, dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para deferir a aplicação da taxa SELIC à restituição deferida. Sala de Sessões, 23 de outubro de 2014. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 10120.003167/200451 Acórdão n.º 1302001.552 S1C3T2 Fl. 413 7 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 10830.012692/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.329
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter, novamente, o julgamento em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte de Resolução anteriormente proferida, bem como do resultado da diligência efetuada.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter, novamente, o julgamento em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte de Resolução anteriormente proferida, bem como do resultado da diligência efetuada. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter, novamente, o julgamento em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte de Resolução anteriormente proferida, bem como do resultado da diligência efetuada. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 69 2/ 20 10 -0 8 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.012692/201008 Resolução nº 2302000.329 S2C3T2 Fl. 158 2 Relatório e Voto Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 16/09/2010, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 29/09/2010, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32 A, caput, inciso I, §§2º e 3º, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, todos os trabalhadores identificados nas folhas de pagamento nas competências de 01/2007, 02/2007 e 05/2007 a 12/2007, conforme planilhas de fls. 11/12. O relatório fiscal de fl. 09 diz que as competências de 07/2006 a 12/2006, 03/2007 e 04/2007 foram lançadas em outro auto de infração, de Código de Fundamento Legal–CFL 68, em virtude da aplicação da multa ter se mostrado mais benéfica. Após impugnação, Acórdão de fls.52/83, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário arguindo em síntese: cerceamento de defesa devido a falha na descrição do fato gerador, que as informações omitidas não foram discriminadas pelo fisco; bis in idem com o AI 37.286.5526, já que a autuação se refere aos mesmos fatos geradores; que os valores não declarados são indenizatórios; que os valores pagos se prestavam a ressarcir despesas com veículos, cujo entendimento é pacífico nos tribunais quanto a não incidência de contribuição previdenciária; que as despesas pagas com cartão "infiniti" visam recompor o patrimônio do trabalhador; que houve erro na aplicação da multa que não poderia ultrapassar o limite de R$ 500,00. Requer a suspensão do julgamento até a decisão final das NFLD’s 37.286.5550; 37.286.5542; 37.286.5585 e 37.286.5577, assim como o apensamento do AI 37.286.5526. Requer, ainda a reforma do Acórdão recorrido para determinar a nulidade do auto de infração e o cancelamento do lançamento, ou que a multa seja reduzida a R$ 500,00. Solicita que as intimações seja feitas ao seu patrono. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Da análise dos autos e das alegações recursais, tive o entendimento de que as obrigações principais, relativas aos pagamentos que não foram informados em GFIP, estavam Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.012692/201008 Resolução nº 2302000.329 S2C3T2 Fl. 159 3 sendo discutidas em outros processos e somente após o julgamento daqueles é que se poderia julgar este auto de infração que trata do descumprimento de obrigação acessória. Por este motivo, Resolução 2302000.117, de 27/10/2011, converteu o julgamento em diligência para que fosse julgado conjuntamente com os processos que tratam das obrigações principais conexas a este auto de infração. Todavia, em resposta à diligência solicitada, Informação Fiscal contida no Despacho de fls. 155, explicita que as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos trabalhadores discriminados neste auto de infração, conforme planilhas de fls. 11 e 12, e que não constavam das GFIP's, foram recolhidas pela recorrente antes do início do procedimento fiscal e que possuem bases distintas do processo 10.830.12693/201044. Com tal informação, os autos retornaram a este Colegiado. Entendo que, em atendimento ao princípio constitucional do contraditório é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99 Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Pelo exposto, converto novamente o processo em diligência para que seja conferida ciência à recorrente desta Resolução, da Resolução de fls. 138/139, bem como do Despacho de fls. 155, com a abertura de prazo para manifestação. Após o cumprimento da diligência retornem os autos a este Colegiado para julgamento. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 16327.000373/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Tratase de recurso voluntário apresentado em 18 de agosto de 2008 contra o Acórdão nº 1614.309, da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo I (efls 106 a 114), cientificado em 17 de julho de 2008 (AR de efl 124), que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de janeiro de 1999 a dezembro de 2001 considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário:1999, 2000, 2001 PIS. DECADÊNCIA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 37 3/ 20 04 -7 0 Fl. 897DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000373/200470 Resolução nº 3302000.442 S3C3T2 Fl. 898 2 O direito de constituição do crédito relativo à Cofins decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente” Para demonstrar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido, ressaltando que a numeração citada acerca das folhas referese à numeração inicial do processo físico: “Em consequência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 15/03/2004, contra a contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 04/14) para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 10.085,89 (dez mil e oitenta e cinco reais e oitenta e nove centavos), incluindo os juros de mora e a multa de ofício (75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período de 31/01/1999 a 31/12/2001. A contribuinte tomou ciência da autuação, por via postal, em 26/03/2004, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 32. 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04), o crédito tributário referese à FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS. e o lançamento está fundamentado nos artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 07/70; art. 3º da Lei nº 9.715/1998; arts. 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.718/1998. 2.1. No Termo de Verificação (fl. 20), o autuante, assim descreve os fatos: Nas funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em trabalho de revisão interna dos dados obtidos nos sistemas da SRF relativas ao relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal 0816600 2003.002644, cuja fiscalização baseada em dados bancários encontrase suspensa em virtude de ação judicial, observamos que o contribuinte informou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002 apenas receitas de serviços e outras receitas operacionais. Tratandose de receitas operacionais do contribuinte, ambas estão sujeitas à tributação do PIS e da COFINS. Cotejandose os valores oferecidos à tributação do PIS e da COFINS nas referidas DIPJ, verificase que o contribuinte ofereceu à tributação Fl. 898DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000373/200470 Resolução nº 3302000.442 S3C3T2 Fl. 899 3 apenas as receitas decorrentes de prestação de serviços, omitindo à tributação as demais receitas operacionais. O lançamento do crédito tributário se faz necessário tendo em vista o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, consoante o disposto no artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei 5.172/66, facultado ao contribuinte o direito de ampla defesa administrativa, inclusive com a realização de diligências ou perícias e o acesso ao Judiciário. 3.Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu sócio gerente (doc. de fls. 58 a 71), apresentou, em 26/04/2004, a impugnação de fls. 33 a 57. 3.1. Na peça de defesa, a contribuinte, em preliminar, argúi a extinção do crédito tributário pela decadência, com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos fatos geradores ocorridos em janeiro/1999 e fevereiro/1999. Entende que a Lei nº 8.212/1991 não se aplica à COFINS à luz do que dispõe o artigo 146, inciso III, “b”, da Constituição Federal. 3.2. Defende a impugnante que a exigência a título do PIS, no período de fevereiro/99 a dezembro/01, nos termos da Lei nº 9.718/98, notadamente a inclusão de todas as receitas na base de cálculo da contribuição, é ilegal e inconstitucional, por ofender diversos artigos da CF e do CTN. Contrapõese à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS e afirma que “faturamento” deve ser entendido como receita decorrente da venda de bens e serviços , afastadas quaisquer outras receitas; 3.3. Reportase a julgados do STF (RE nº 150.7551/ PE) e do STJ (4a Turma – REsp nº 501.628), afirmando que o STJ já reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/1998; 3.4. Por fim, reclama que a Taxa Selic não pode ser usada como taxa de juros de mora na atualização do suposto débito, dada sua natureza eminentemente remuneratória, , não refletindo, efetivamente, as variações do valor da moeda e reportase ao REsp nº 215.881/PR.” No recurso voluntário, a contribuinte alegou: a) haver ocorrido a decadência em relação a parte do crédito tributário referente ao PIS (fatos geradores ocorridos em jan/99 e fev/99), em face do disposto no art.150, § 4°, do CTN e da Súmula Vinculante nº 8 do E. STF; b) ser inconstitucional a exigência do PIS além do faturamento; mencionou o julgamento dos REs n°s 357.950, 358.273 e 390.840, onde restou consolidado entendimento da Corte Suprema no sentido de que os valores recolhidos a titulo de PIS e COFINS, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 são indevidos em face da patente inconstitucionalidade do citado dispositivo legal; Fl. 899DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000373/200470 Resolução nº 3302000.442 S3C3T2 Fl. 900 4 c) ser possível o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei na instância administrativa aplicando o entendimento já consolidado pelo E. STF acerca da matéria em debate; e d) a ilegalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic. Na sessão de 12/08/2011, esta Turma de Julgamento conheceu o Recurso Voluntário e, por unanimidade, resolveu converter o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 330200.164 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de relatoria do Conselheiro José Antonio Francisco, na qual se determinou as seguintes providências por parte da UL da RFB: “Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização, mediante intimação da Interessada, discrimine as receitas que fizeram parte da base de cálculo, informando especialmente as que se refiram a receitas financeiras e, eventualmente, outras receitas que não representem faturamento. Após lavratura de relatório, dele deverá ser dada ciência à Interessada, para apresentar resposta em trinta dias, caso não se constate a alegação de que a totalidade de receitas é de natureza financeira.” O Relatório Fiscal da Diligência realizada informa que: “Em 16/03/2012 recebemos a resposta do contribuinte, que agora passaremos a analisar. Em síntese, o contribuinte alega que a base de cálculo dos autos de infração consiste em receitas financeiras e outras receitas não oriundas do faturamento, e sim de recuperação de custos. Alega também, que para o ano calendário de 1999 o AFRFB autuante fez o lançamento a maior do que o devido. Trataremos primeiro deste período.” Realizada a análise,o Relatório Fiscal conclui: “Portanto, para o ano de 1999 constatamos que as alegações do sujeito passivo são parcialmente corretas. Assiste razão quanto ao cálculo das contribuições para o PIS e são insubsistentes em relação à COFINS, conforme o material apresentado em resposta ao nosso termo de início. Para os anos calendários subseqüentes, 2000 e 2001, o sujeito passivo não alegou quaisquer diferenças em relação à base de cálculo dos autos de infração. No que diz respeito à natureza das receitas que serviram de base de cálculo aos autos de infração, constatamos a veracidade das alegações feitas pelo contribuinte. Estas foram oriundas de receitas financeiras e de recuperação de custos, conforme os relatórios apresentados”. A contribuinte foi devidamente intimada do resultado da diligência,mas não se manifestou. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000373/200470 Resolução nº 3302000.442 S3C3T2 Fl. 901 5 É o relatório. VOTO Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Constatase tratar a contribuinte de uma empresa de Faturização ou Factoring, consoante consta de seu Contrato Social: “CLAUSULA 3ª O objeto Social será a exploração das operações comerciais, não financeiras,' de "FATURIZAÇÃO ou FACTORING", como especifica a Circular n° 1.359 de 30/09/1988, do Banco Central do Brasil, nas normas vigentes do nosso direito legislado, principalmente na Constituição Federal, em seu artigo 5º inciso XIII, e, nos artigos 191 a 226 do Código Comercial Brasileiro, lastreados em sua essência, nas definições estabelecidas no Código Civil, em seus artigos 1065 a 1078, compreendendo os atos de: a) aquisição de direitos creditórios decorrentes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços; b) cessão de direitos creditórios a terceiros e realização de cobrança por conta própria e de terceiros; e, c) exercer, ainda, outras atividades da modalidade "factoring" autorizadas pela ANFAC — Associação Nacional das Empresas de Factoring e que não contrariem expressamente a legislação em vigor no pais. CLAUSULA 4ª A sociedade poderá participar de outras empresas de qualquer ramo industrial, comercial ou de prestação de serviços, desde que, para tanto, haja a concordância dos sóciosquotistas que representem a maioria do capital social da empresa;” A Lei 8.981, de 20 de Janeiro de 1995, em seus arts. 28, par.1º, c.c 4 e art.48, parágrafo único, dd.2, definiu a operação de “factoring” como sendo "a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços", cuja definição foi ratificada pela Resolução 2144/95, do Conselho Monetário Nacional. Segundo a doutrina, o contrato tradicional de factoring trata de modalidade de faturização em que o faturizador garante o pagamento das faturas do faturizado antes do vencimento, i.e., antecipandolhe seus respectivos valores. Nesta espécie de faturização três elementos são marcantes: os serviços de administração de crédito, o seguro e o financiamento. Enquanto que no contrato denominado "maturity factoring" ou no vencimento trata de modalidade de faturização em que o faturizador paga o valor das faturas ao faturizado apenas Fl. 901DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000373/200470 Resolução nº 3302000.442 S3C3T2 Fl. 902 6 na data do seu vencimento, sem qualquer antecipação de valores. Aqui presentes estão apenas dois elementos: os serviços de administração de crédito e o seguro. 1 Sendo assim, é provável que as receitas ditas pela contribuinte como sendo de natureza financeiras, ou parte delas, sejam oriundas de seu objeto social, compondo as suas receitas operacionais, tais como a própria contribuinte declarou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002. Por tal motivo, conforme acima relatado, em sessão anterior em que se conheceu do presente recurso, entendeu a turma pela necessidade de se demonstrar a composição dessas receitas ditas pela contribuinte como sendo “receitas financeiras”, in verbis: “Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização, mediante intimação da Interessada, discrimine as receitas que fizeram parte da base de cálculo, informando especialmente as que se refiram a receitas financeiras e, eventualmente, outras receitas que não representem faturamento. Após lavratura de relatório, dele deverá ser dada ciência à Interessada, para apresentar resposta em trinta dias, caso não se constate a alegação de que a totalidade de receitas é de natureza financeira.”(Grifei) No entanto, o Relatório Fiscal não efetuou essa discriminação solicitada, tendo apenas afirmado tratarse de “receitas financeiras”, tal como alegado pela contribuinte, devolvendo o processo para esse conselho, sem, também, anexar quaisquer elementos comprobatórios. Portanto, tendo em vista a atividade empresarial da contribuinte, entendo necessário que se identifique a composição das “outras receitas operacionais”, assim declarada pela contribuinte em suas DIPJ, discriminando e comprovando principalmente quais as receitas que a contribuinte denominou como sendo financeiras. Motivo pelo o qual, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade preparadora: i) intime a contribuinte para que esta discrimine a natureza e comprove quais as receitas que compõem as “outras receitas operacionais”, principalmente as ditas “receitas financeiras”, anexando documentos probatórios e efetuando planilha demonstrativa; ii).preste demais informações que entendam necessários; iii) dê ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vi). Após o que, retorne o presente processo ao CARF para posterior julgamento. (Assinado digitalmente) 1 www.direitopositivo.com.br; Contrato De "factoring" E Seus Aspectos Jurídicos Relevantes". Autor do artigo: : Frederico dos Santos Messias Fl. 902DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000373/200470 Resolução nº 3302000.442 S3C3T2 Fl. 903 7 Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Fl. 903DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10314.005543/2001-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 17/04/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. Existindo débitos para com a fazenda publica cuja exigibilidade não se encontra suspensa, possível o lançamento de oficio com a multa correspondente.
Recurso Volutário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 08/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto (ausente momentâneamente).
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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LANÇAMENTO. Existindo débitos para com a fazenda publica cuja exigibilidade não se encontra suspensa, possível o lançamento de oficio com a multa correspondente. Recurso Volutário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 08/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto (ausente momentâneamente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 55 43 /2 00 1- 22 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de São Paulo II: Trata o presente da lavratura de autos de infração, fls. 01/30, contra a empresa acima qualificada por descumprimento do compromisso do Regime Aduaneiro de Drawback, na modalidade Suspensão, concedido pelo Ato Concessário n° 200098/01685, de 17/03/1998, com prazo de exportação para 17/03/1999, Aditivos n°200099/0013155, de 07/10/1999, com prazo de validade de exportação para 13/09/1999, n°2000 99/0016170, de 23/12/1999, para 1/03/2000 e n° 2000 00/0002560, de 04/04/2000 para 17/04/2000, respectivamente, fls.311/312/314 e 316. Segundo o AI, em ato de auditoria foi apurada a existência de crédito tributário devido à Fazenda Nacional, pelo descumprimento do regime de drawback. As fls.26, encontrase o Demonstrativo da quantidade de produto importado não utilizado na exportação compromissada, e, as fls.27, o Demonstrativo das bases de cálculo para efeito de tributação. Informa ainda a fiscalização que o beneficiário do regime, em 30/11/2000 requereu a nacionalização espontânea, tendo sido indeferido o seu pedido por falta de pagamento dos impostos e acréscimos legais devidos. Acresce, ainda, que a autuada impetrou Mandado de Segurança (proc.2000.61.00.0457414, l a Vara da Justiça Federal de Sao Paulo),deferida a liminar determinando que a autoridade coatora promovesse o parcelamento dos referidos impostos e acréscimos legais. A determinação foi encaminhada à DRF/Osasco/SP, que, por intermédio do processo 10882.002071/0041, teve o seu pedido indeferido e arquivado. Por outro lado, por descumprimento do disposto no art. 319 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, com a redação dada pelo Decreto n°636/92, a fiscalização da IRF/SP considerou estar resolvida a suspensão da exigibilidade, do que resultou a lavratura deste auto de infração. 0 contribuinte apresentou sua Impugnação as fls.333/342, alegando que: a) o crédito tributário não pode ser exigido em razão de medida liminar concedida (mandado de segurança n°2000.61.00.0457414 1" Vara Federal Sao Paulo/SP) em que foi autorizado o pedido de parcelamento do débito fiscal; b) a multa fiscal também não é devida em face da denúncia espontânea, visto que o parcelamento ocorreu antes de qualquer procedimento fiscal; Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10314.005543/200122 Acórdão n.º 3302002.692 S3C3T2 Fl. 3 3 c) o Delegado da Receita Federal em Osasco alegou ilegitimidade passiva, e que a competência para exame do pedido de parcelamento seria do Inspetor da Receita Federal em São Paulo, o que foi sanado no próprio mandado de segurança pela autoridade judicial; d) pela denúncia espontânea descabe a aplicação da multa de oficio, visto que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa, encontrando amparo no art. 63 da Lei n°9.430/96. O julgamento foi convertido em diligência (art.29 da Lei n° 9.748/99 e art.18 do Decreto n° 70.235/72), para que a fiscalização e o próprio contribuinte prestassem alguns esclarecimentos, contidos na Resolução n° 25, de 06/06/2003, fls.390/393. No exercício do amplo direito de defesa, o processo retornou ao impugnante para sua manifestação atendendo o disposto no art. 44 da Lei no 9.784/99. (...) A contribuinte se manifestou, fls.409/415, alegando que: não discute a existência dos débitos, mas a cobrança ilegal da multa de oficio de 75% sobre débitos confessados mediante dernincia espontânea; requereu o parcelamento para pagar o II e o IPI, das mercadorias despachadas no regime de drawback e que não foram objeto de exportação, e a autoridade administrativa recusouse a receber o pedido com base na Portaria PGFN/SRF n° 663/98; impetrou MS sendo concedida liminar para que a autoridade administrativa apreciasse o pedido de parcelamento; a partir do referido pedido iniciou o pagamento das parcelas dos débitos a titulo de antecipação, art.11 da MP 197367/00, convertida na Lein° 10522/02, acrescidas de juros de mora e multa de mora; em 26/11/2001, desatendendo o disposto no § 40 do art. 11 da MP n°1.97367/00, a IRF São Paulo indeferiu o pedido de parcelamento, sob a alegação de que não tinha sido incluída no pólo passivo do MS; em 21/12/2001, a Inspetoria lavrou os presentes autos de infração para a constituição dos débitos do IL e do LPL acrescido de juros de mora (Selic) e multa de oficio (de 75%); inconformada apresentou impugnação para contestar a multa de oficio e solicitou ao MM Juízo para que a IRE São Paulo cumprisse a liminar, o pedido foi deferido e aquela unidade incluída no pólo passivo do MS; Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 o Inspetor, em 25/02/2002, apreciou o pedido de parcelamento indeferindoo, num procedimento ilegal e descabido, pois tratandose de confissão de divida, desnecessária a lavratura dos autos de infração, e, ainda assim não poderia exigir a multa de oficio de 75%; não encontra sustentação na legislação (MP 1973 67/2000, convertida na LEI n° 10.522/2002) o entendimento da Inspetoria de que o parcelamento de débitos dependeria de sua constituição formal por meio de auto de infração, pois a própria MP prevê que a exatidão do valor poderá ser objeto de verificação 9art.11, §5°), denotando não ser necessário a prévia constituição do débito por meio de auto de infração; a multa de oficio não poderia ser aplicada pois os débitos foram confessados (denunciados espontaneamente) pela autuada antes de qualquer procedimento fiscal. Ao final requer o cancelamento da multa de oficio (75%) e que os valores já recolhidos a titulo de parcelamento sejam deduzidos dos valores apurados por meio dos autos de infração, afim de evitar a cobrança em duplicidade dos mesmos valores. Às fls.429/430, encontramse as seguintes cópias: pedido de parcelamento de débitosPEPAR (protocolo 10882.002071/00 41, datado de 22/11/2000), referente ao Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado; Discriminação do débito a parcelar DIPAR, do II e IPI, fls.431/432,; fls.434/488, DARF's, o Relatório. A par dos argumentos lançados na Impúgnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 17/04/1998 Ementa:Drawback.Descumprimento. Crédito tributário exigível conforme legislação de regência.Pedido de parcelamento dever decorrer da exigência dos tributos formalizados em auto de infração. Contra esta decisão foi apresentado recurso voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na impugnação apresentada É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10314.005543/200122 Acórdão n.º 3302002.692 S3C3T2 Fl. 4 5 Em resumo, o presente processo é decorrente de autos de infração lavrados para cobrar Imposto de Importação e IPI incidentes na importação de mercadorias inicialmente acobertadas por Regime Especial de Drawback. A questão relativa ao descumprimento das obrigações assumidas no âmbito do regime não está em discussão, posto que a Recorrente assume o descumprimento. Por conta do não cumprimento do regime, a Recorrente pretendeu parcelar o valor dos impostos devidos. Porém encontrou resistência no âmbito da Receita. Buscou por fundamento do seu pedido de parcelamento, as regras contidas na Medida Provisória nº 1.97367/00, que determinavam: Art.10.Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional poderão ser parcelados em até trinta parcelas mensais, a exclusivo critério da autoridade fazendária, na forma e condições previstas nesta Medida Provisória. Parágrafo único.O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar, com ou sem o estabelecimento de alçadas de valor, a competência para autorizar o parcelamento. Art.11.Ao formular o pedido de parcelamento, o devedor deverá comprovar o recolhimento de valor correspondente à primeira parcela, conforme o montante do débito e o prazo solicitado. §1o Observados os limites e as condições estabelecidos em portaria do Ministro de Estado da Fazenda, em se tratando de débitos inscritos em Dívida Ativa, a concessão do parcelamento fica condicionada à apresentação, pelo devedor, de garantia real ou fidejussória, inclusive fiança bancária, idônea e suficiente para o pagamento do débito, exceto quando se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte optantes pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996. §2oEnquanto não deferido o pedido, o devedor fica obrigado a recolher, a cada mês, como antecipação, valor correspondente a uma parcela. §3oO nãocumprimento do disposto neste artigo implicará o indeferimento do pedido. §4oConsiderarseá automaticamente deferido o parcelamento, em caso de não manifestação da autoridade fazendária no prazo de noventa dias contados da data da protocolização do pedido. §5oO pedido de parcelamento constitui confissão irretratável de dívida, mas a exatidão do valor dele constante poderá ser objeto de verificação. §6oAtendendo ao princípio da economicidade, observados os termos, os limites e as condições estabelecidos em ato do Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Ministro de Estado da Fazenda, poderá ser concedido, de ofício, parcelamento simplificado, importando o pagamento da primeira parcela confissão irretratável da dívida e adesão ao sistema de parcelamentos de que trata esta Medida Provisória. §7oAo parcelamento de que trata o parágrafo anterior não se aplicam as vedações estabelecidas no art. 14. §8oDescumprido o parcelamento garantido por faturamento ou rendimentos do devedor, poderá a Fazenda Nacional realizar a penhora preferencial destes, na execução fiscal, que consistirá em depósito mensal à ordem do Juízo, ficando o devedor obrigado a comprovar o valor do faturamento ou rendimentos no mês, mediante documentação hábil. §9oO parcelamento simplificado de que trata o §6o deste artigo estendese às contribuições e demais importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, na forma e condições estabelecidas pelo Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social. A Receita Federal,k por sua vez, afastou a possibilidade de parcelamento com base no que determinava a Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 663/1998: Art. 32. No âmbito das competências a que se refere o art. 1° desta Portaria, não será concedido parcelamento relativo a: (...) VII — Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados vinculados a importação, exigíveis na data do registro da Declaração de Importação." (g.n.) Por conta da negativa da Receita Federal em promover o parcelamento do débito, a Recorrente procurou o judiciário e obteve decisão liminar no mandado de segurança n° 2000.61.00.0457414 que determinou o recebimento e análise do pedido de parcelamento efetuado, nos seguintes termos: 3. DEFIRO, pois, liminar, com efeitos até a decisão final para em afastando os efeitos da Portaria Conjunta PGFN/SRF n. 663/1998, determinar à autoridade coatora que receba no protocolo, incontinente, o requerimento administrativo do impetrante e apreciando o pedido de parcelamento do imposto de importação e do Imposto sobre produtos industrializados na forma da Medida Provisória 197367, sem as implicações da Portaria e, comunicando ao juízo a decisão. Como se percebe do trecho transcrito da decisão judicial, o Mandado de Segurança afastou as vedações impostas pela Portaria Conjunta e determinou o recebimento e análise do parcelamento na forma estipulada na MP nº 197367. Com a liminar deferida, foi protocolado, em 22 novembro de 2000, o pedido de parcelamento que recebeu o numero nº 10882.002071/0041. A Recorrente começa a recolher os valores que entende devidos. Contudo, em 22/11/2001 (1 ano após o protocolo), sobreveio despacho exarado pela SECAT de São Paulo em que, após afirmar que aquela unidade da Receita Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10314.005543/200122 Acórdão n.º 3302002.692 S3C3T2 Fl. 5 7 Federal não estaria sujeita a decisão judicial do Mandado de Segurança, decidiu pelo não acolhimento do parcelamento protocolado. Ato contínuo, em 03/01/2002 é lavrado o auto de infração controlado neste processo administrativo fiscal. Diante dos fatos, a Recorrente novamente procura o judiciário que determina a inclusão da Inspetoria de São Paulo no pólo passivo do Mandado de Segurança. Cientificado, o Inspetor da Receita Federal novamente indefere o parcelamento (25/02/2002) nos seguintes termos: Numa interpretação sistemática depreendese que o parcelamento aplicase ao crédito tributário, que é constituído pelo lançamento, enquanto a denúncia espontânea trata do pagamento/depósito do tributo, ou seja numa fase anterior a constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa. (...) Para atender ao pedido de parcelamento do contribuinte, dentro da previsão legal, foi portanto formalizado, pela autoridade administrativa, o processo n° 10314.005543/200122 com crédito tributário constituído de acordo com o art. 142. Foi aberta ao contribuinte, de acordo com a lei, dentro de 30 dias da ciência, a opção velo pagamento, parcelamento ou impugnação. O contribuinte não optou pelo parcelamento e sim pela impugnação do processo n°10314.005543/200122. Finalmente, nos termos dos dispositivos legais examinados depreendese que o tributo e crédito tributário são institutos distintos e que somente para o último, crédito tributário, há previsão leal para parcelamento. Com base no exposto, proponho o indeferimento do pedido de parcelamento constante do processo em questão, nr. 10882.002071/0041 (.) De acordo com o despacho supra, INDEFIRO o presente pedido de parcelamento. Por fim, sobrevém sentença no Mandado de Segurança onde é confirmada a liminar deferida e delineado o alcance da decisão judicial: "Contudo, não se pode discutir, nestes autos, regularidade ou não da conclusão do pedido formulado administrativamente, pois se trata de fato superveniente que consubstancia pedido não contido na inicial dos presentes autos. Portanto, a controvérsia aqui posta cingese unicamente ao pedido da impetrante de ver o seu requerimento apreciado pela autoridade coatora. (grifo nosso). Este breve relato fazse necessário para que se tenha a convicção de que, no presente processo administrativo, o Mandado de Segurança é irrelevante. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 Digo isto porque, a ação judicial serviu apenas para determinar que a autoridade competente recebesse e apreciasse o pedido de parcelamento da Recorrente. Isto, de fato foi efetuado, porém o pedido de parcelamento foi indeferido. Portanto, aparentemente não havia impedimento para o lançamento efetuado pela autoridade administrativa. As razões relacionadas ao indeferimento do parcelamento, não podem ser analisadas dentro deste processo administrativo fiscal, uma vez que antecedem o próprio lançamento. Feitos estes esclarecimentos, resta analisar a ultima matéria contestada que está relacionada aplicação da multa de oficio de 75%. Alega a recorrente que tendo efetuado o parcelamento do débito antes do lançamento apenas seria aplicável a multa de mora de 20%. Colaciona decisões do antigo Conselho de contribuintes. Sem razão a recorrente. Tendo seu parcelamento sido indeferido antes do lançamento ora impugnado, não há que se falar em denuncia espontânea dos débitos. Assim sendo, estando a multa de oficio de 75% prevista em lei vigente à época do lançamento (Art. 44 da Lei 9.430/96) e sendo aplicável aos débitos lançados por meio de auto de infração, correta a sua manutenção. Por fim, conforme se depreende de tudo o que já foi dito no presente processo, pareceme inconteste o fato de que vários recolhimentos foram realizados no âmbito do parcelamento nº 10882.002071/0041 antes mesmo do lançamento efetuado por meio do auto de infração. Os pagamentos anteriores ao inicio da fiscalização devem ser deduzidos e devidamente imputados ao auto de infração pela autoridade preparadora como pagamentos espontâneos a fim de que os valores devidos sejam devidamente ajustados. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 13056.000535/2003-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS.
Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial..
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE
Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica.
Numero da decisão: 3302-001.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negavam provimento. O conselheiro José Antonio Francisco acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial.. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negavam provimento. O conselheiro José Antonio Francisco acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 05 35 /2 00 3- 38 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo. A Delegacia de origem do processo reconheceu parcialmente o direito creditório. 2. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde discorda da glosa efetuada, insurgindose contra a inclusão na base de cálculo do PIS nãocumulativo das receitas provenientes de transferências de ICMS. Defende a legitimidade do direito creditório oriundo de aquisições efetuadas de pessoas físicas, de despesas financeiras, administrativas, comerciais e industriais. A partir de tais argumentos requereu o reconhecimento da inexigibilidade do PIS sobre as quantias decorrentes da transferência de saldo credor de ICMS a fornecedores/terceiros. Todavia, entendendo que a interessada não estava legitimada para reivindicar eventual direito creditório, foi indeferida a solicitação da interessada, ratificando a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.” Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13056.000535/200338 Acórdão n.º 3302001.648 S3C3T2 Fl. 153 3 O presente recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo de receitas provenientes de transferência onerosa de créditos de ICMS, bem como da legitimidade do direito creditório oriundo de aquisições efetuadas de pessoas físicas, de despesas financeiras, administrativas, comerciais e industriais. A recorrente questiona, em sua peça, a inclusão por parte da Receita Federal, dos valores relativos à transferência de créditos de ICMS na base de cálculo da PIS, alegando que tal operação não implica em receita para a mesma, e mesmo que implicasse, seria qualificada como receita de exportação, caracterizada como isenta e imune à incidência de PIS e COFINS. Passamos agora a discutir tais pontos abordados no recurso voluntário em questão: I – DA INCLUSÃO DOS VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: Prosseguindo, vejo então que a análise de mérito no presente processo restringese primordialmente sobre a exigibilidade ou não de PIS sobre os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros. A recorrente alega em sua peça que tais transferências não se caracterizam como receita, e mesmo se receita fosse, seria proveniente de exportações, isenta de tributação por parte de PIS e COFINS. Contudo, no que tange a esse tema controverso, tenho que razão assiste ao contribuinte, posto que a cessão de créditos do ICMS tratase de operação meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera os de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar, para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. No entanto, previu o legislador hipótese de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica – em especial quando o própria contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos –, desde que atendidas as condições constantes no Regulamento do ICMS do EstadoMembro em questão. Assim, até por ser o ICMS um tributo estadual, inexistindo previsão legal para compensação deste com tributos federais, a contribuinte ora recorrente transferiu créditos de ICMS para seus fornecedores, em operação denominada cessão de créditos. Assim, em verdade, tal operação não transitou em contas de resultado, e nem representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação patrimonial, utilizando Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 se de créditos de ICMS registrados em seu Ativo como meio de pagamento para com seus fornecedores, em virtude do princípio da livre convenção entre as partes, basilar do Direito Comercial, para satisfazer sua obrigação para com seu(s) fornecedor(es), mediante dação em pagamento, na figura de cessão de créditos. Ora, apenas em se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS ou COFINS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pela PIS ou COFINS. Nesse sentido decidiu a antiga Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade, como adiante, no Acórdão no. 20180.505, de 15 de Agosto de 2007: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Recurso provido.” II – DOS INSUMOS TIPIFICADOS NA LEGISLAÇÃO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DESPESAS ADMINISTRATIVAS, COMERCIAIS, INDUSTRIAIS E FINANCEIRAS A sistemática da não cumulatividade visa evitar o efeito "cascata" da tributação das contribuições ao PIS e COFINS. No caso das contribuições em exame, estas incidem sobre o faturamento ou receita, diferindo dos moldes do IPI e do ICMS, que incidem sobre uma cadeia econômica. Sendo assim, a não cumulatividade do PIS e da COFINS é operada mediante redução da base de cálculo, com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre o faturamento em etapas anteriores (Método Subtrativo Indireto). A questão deve ser vista como uma forma de atenuar a incidência dos efeitos destes tributos sobre a receita ou o faturamento, que são altamente nefastos à economia nacional e aos contribuintes de todas as áreas de negócios. As Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003, posteriormente modificadas pela Lei nº 10.865/2004, estabeleceram regras com a finalidade de regulamentar a cobrança não cumulativa relativamente às contribuições ao PIS e a COFINS, atendendo a demanda do setor produtivo da economia, com o objetivo de aumentar sua eficiência. Por essa sistemática os contribuintes a ela sujeitos podem apurar créditos correspondentes à aplicação das respectivas alíquotas sobre determinados custos, para serem descontados do que for apurado a título de PIS e COFINS. Para a apuração desses créditos foi adotado o critério de listar os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou à respectiva Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13056.000535/200338 Acórdão n.º 3302001.648 S3C3T2 Fl. 154 5 função de INSUMO utilizado na produção de bens e serviços, para a sua dedutibilidade. Obviamente, ser insumo de uma determinada atividade não impõe a que esse mesmo bem ou serviços seja insumo de uma outra determinada atividade econômica. Entendo que o termo insumo, deve ser interpretado de forma extensiva, como sendo aqueles bens e serviços, que adquiridos de pessoas jurídicas no caso concreto, sejam direta e efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, seja na pré, na produção, ou na pósprodução. Por fim, no que tange ao princípio da nãocumulatividade em relação às contribuições ao PIS e à COFINS, divergem da previsão constitucional originária em relação ao IPI e ao ICMS, dependendo, no caso do PIS e da COFINS de regulamentação por lei infraconstitucional, o que ocorreu com a edição das Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003, posteriormente modificadas pela Lei nº 10.865/2004, não havendo que se falar em violação ao referido princípio no caso em tela. Assim temos que a aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto a ser fabricado. A própria recorrente afirma, que para fins apuração dos créditos, foram computados créditos sobre aquisições de insumos de serviços de pessoas físicas, bem como, sobre valores de despesas financeiras, despesas administrativas e comerciais.”, sobre esses valores foram procedidas as glosas, e não foram demonstrados nos autos do processo a inserção desses serviços no respectivo processo produtivo. III CONCLUSÃO Neste sentido, conheço do presente recurso, e doulhe provimento parcial. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado Digitalmente) Declaração de Voto Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 O Conselheiro José Antonio Francisco não apresentou a declaração de voto no prazo regimental Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/08/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10980.015841/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2201-000.069
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 05/09, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 4.064,94, calculados até julho de 2007. A fiscalização apurou omissão parcial de rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista movida contra o Banco do Brasil, no valor de R$ 20.862,24. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.015841/200763 Resolução n.º 2201000.069 S2C2T1 Fl. 2 2 ... a Fazenda tributou o total dos rendimentos pelo regime de caixa, sem observar a natureza das verbas que compuseram o valor resgatado e os meses de competência, ou seja, tributando as verbas mês a mês, conforme orientação jurisprudencial. Aduz que a tributação mês a mês é mais justa e a legalmente determinada, afastando a tributação pelo regime de caixa que, além de ilegal é visivelmente consfiscatória, portanto, inconstitucional. Acrescenta que, para fins dos cálculos mensais, já apresentou a sentença judicial, os cálculos periciais e demais peças extraídas do processo trabalhista, alegando, ainda, incabível a tributação dos juros, por ser ilegal e contrária ao entendimento doutrinário e jurisprudencial, posto que configuram verba indenizatória e, portanto, isentas do IR. Solicitouse a diligência de fl. 19, para que a unidade de origem acostasse o dossiê de malha, o que foi atendida pela juntada dos documentos de fls. 21/36. A 4ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, por expressa determinação legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO. VINCULAÇÃO À LEI. A aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza constitui fato gerador do IRPF, considerandose isentos apenas os rendimentos expressamente previstos em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. APRESENTAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Impugnação Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 22/03/2011 (fl. 44), Antonio Carlos Vieira de Araújo apresenta Recurso Voluntário em 25/04/2011 (fls. 48/51), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, a aplicação do regime de competência no cálculo do imposto de renda sobre a receita obtida por sentença judicial e que lhe foi paga acumuladamente pelo Banco do Brasil S/A. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.015841/200763 Resolução n.º 2201000.069 S2C2T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos alega o recorrente, em apertada síntese, que por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente devese, necessariamente, aplicar o regime de competência no cálculo do imposto de renda sobre as verbas recebidas por meio de sentença judicial. Quanto à forma de tributação dos rendimentos, se regime de caixa ou regime de competência, impende registrar que de acordo com o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelos artigos 543B do Código de Processo Civil CPC. Transcrevese, outrossim, o art. 62A do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 001, de 03 de janeiro de 2012, dispõe: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Assim sendo, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários (Recurso Extraordinário n. 614406/RS). Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10980.015841/200763 Resolução n.º 2201000.069 S2C2T1 Fl. 4 4 inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 0403 2011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ). Ante a todo o exposto, voto no sentido de sobrestar os autos até decisão definitiva do STF. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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