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Numero do processo: 10680.011949/2008-42
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.649
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 205 1 204 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.011949/200842 Recurso nº 922.643 Voluntário Acórdão nº 2801002.649 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente ADILSON BALBINO DE MOURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.011949/200842 Acórdão n.º 2801002.649 S2TE01 Fl. 206 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 9a Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte/MG que julgou “procedente em parte” a impugnação apresentada pelo contribuinte, resultando na manutenção de parcela do crédito tributário (IRPF e acréscimos legais) constituído por meio do Auto de Infração às fls. 02/08. Por bem resumir a demanda processual, transcrevese, a seguir, o Relatório constante da decisão recorrida: “Cuidase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios 2005 a 2007, anoscalendário 2004 a 2006 que formalizou a exigência do crédito tributário assim discriminado: IMPOSTO DE RENDA ........................................ R$10.087,00 MULTA DE OFÍCIO .......................................... R$7.565,25 JUROS DE MORA (até 29/08/2008) ............... R$2.749,93 TOTAL ..................................................................... R$20.402,18 Na descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 04 e Termo de Verificação Fiscal, fls. 09/15, pela narrativa da autoridade autuante apurase o seguinte: GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS Nos anoscalendário 2004 a 2006 foram glosadas as seguintes despesas médicas: 2004 — R$10.000,00 — Roberta O. N. Araújo (R$3.000,00) e Claudinei J. Rosa (R$7.000,00); 2005 — R$12.280,00 — Paulo C. V. Duarte (R$5.980,00) e Nilda P. Oliveira (R$6.300,00); 2006 — R$14.400,00 — Paulo C. V. Duarte (R$9.320,00) e Nilda P. Oliveira (R$5.080,00); Em relação aos profissionais Roberta O. N. Araújo e Claudinei J. Rosa, a autoridade lançadora informa que não foi apresentada qualquer forma de comprovação de pagamento das despesas médicas. Quanto às despesas com a profissional Nilda P. Oliveira, a fiscalização informa que os extratos bancários apresentados não permitem detectar a correspondência entre datas e valores constantes nos recibos quando confrontados com os saques realizados. Com isto os valores foram glosados em razão da falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Adverte ainda a autoridade lançadora que pelos extratos bancários apresentados foi possível identificar diversos cheques Fl. 216DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.011949/200842 Acórdão n.º 2801002.649 S2TE01 Fl. 207 3 compensados, o que demonstra o hábito do contribuinte em pagar suas despesas através desta modalidade, ao contrário da quitação em dinheiro. No que se refere a Paulo César Viana Duarte, a fiscalização informa que através do cruzamento de dados dos sistemas informatizados da RFB, apurou que 401 contribuintes declararam ter realizado pagamentos a este profissional na cifra de R$4.369.656,06 e que nestes anoscalendário o prestador de serviços declarou valor inferior a 5% dessa quantia. Em razão desta diferença de valores, iniciouse um procedimento de apuração junto ao prestador de serviços com as seguintes solicitações: Emissão de termo de intimação fiscal para que o prestador: Relacionasse, por CPF, todas as pessoas para as quais prestou serviços no período, com informação de valores mensais recebidos; Apresentasse notas fiscais de aquisição de material odontológico; Caso tenha escriturado, fornecesse o livro caixa e documentos que embasaram sua escrituração; Informasse os endereços dos consultórios onde teria prestado os serviços; Informasse se adquiriu bens imóveis, móveis ou participações societárias; Esclarecesse se no período efetuou aplicações no Brasil ou no exterior; Demonstrasse todas as despesas dedutíveis e não dedutíveis no período. Através da apresentação de termo de resposta o profissional declarou ter perdido boa parte dos documentos solicitados. Apresentou planilha contendo os nomes e CPF de alguns clientes e informou não ter prestado serviços a outros, entre eles o Sr. Adilson Balbino de Moura, em relação ao qual prestou o termo de declaração de fl. 21. Considerando que o impugnante, apesar de intimado não apresentou a comprovação das despesas médicas com Paulo César Viana Duarte e a vista da afirmação textual do profissional de que não teria prestado os serviços, a autoridade autuante entendeu ser oportuna a suspeita de que o contribuinte poderia utilizarse de recibos como procedimento geral de redução do imposto. Em 14/07/2008 o autuado compareceu à Delegacia em Belo Horizonte mas não apresentou os comprovantes de despesas médicas relativas ao Sr. Paulo César V. Duarte. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.011949/200842 Acórdão n.º 2801002.649 S2TE01 Fl. 208 4 Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou impugnação às fls. 90/91. Alega que efetua diversos pagamentos de despesas em espécie e que não há nenhum impedimento legal quanto a este procedimento. Em relação à profissional Nilda Pinheiro Oliveira entende que não está obrigado a manter o controle de suas despesas pessoais tal como uma pessoa jurídica. Não é obrigado a movimentar sua conta corrente nos dias e valores exatamente coincidentes com suas despesas. Aduz ser inteiramente possível efetuar saques parciais para atender suas necessidades sem que este ato seja considerado agressivo a qualquer norma jurídica. Junta recibos emitidos por esta profissional relativos aos anos calendário 2005 e 2006 acompanhados dos extratos bancários, além dos recibos emitidos por Claudinei José Rosa e Roberta Oliveira Neves. Ao final pugna pela improcedência total do lançamento. (...)” Constam da peça decisória de primeira instância (Acórdão DRJ/BHE nº 02 29.532, de 17/09/2010, às fls. 180/185), as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RESTABELECIMENTO PARCIAL. Os valores glosados de despesas acompanhadas de documentação devem ser restabelecidos até o montante comprovado dos gastos. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes, não há justificativa para seu restabelecimento integral sem a confirmação do efetivo desembolso. DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado do resultado do julgamento a quo em 21/03/2011 (Aviso de Recebimento – AR à fl. 189), o contribuinte encaminhou Recurso Voluntário em 25/04/2011, por via postal, conforme se observa à fl. 202. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.011949/200842 Acórdão n.º 2801002.649 S2TE01 Fl. 209 5 Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. De início, cabe apreciar a tempestividade da peça recursal apresentada pelo contribuinte em face da decisão proferida em primeira instância. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifo nosso) No caso, a ciência ao contribuinte do Acórdão da 9a Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte/MG se deu em 21/03/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR à fl. 189 dos autos. Ocorre que, somente em 25/04/2011 (data do encaminhamento por via postal) Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.011949/200842 Acórdão n.º 2801002.649 S2TE01 Fl. 210 6 foi apresentada a petição às fls. 194/195, ou seja, após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso a este Conselho. A respeito, o Ato Declaratório Normativo SRF/COSIT nº 19, de 26/05/1997, que assim dispõe: “Processo Administrativo Fiscal. Remessa da impugnação pelos Correios. Para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada (AR). O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria nº 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização. declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo. c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso.” (destaque nosso) Todavia, na espécie em exame, o término do prazo para apresentação de Recurso Voluntário se deu em 20/04/2011. Deste modo, está caracterizada a intempestividade da defesa apresentada, face o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, acima transcrito. Isto posto, VOTO por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 220DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.011949/200842 Acórdão n.º 2801002.649 S2TE01 Fl. 211 7 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 13924.000008/2010-86
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Inexistindo litígio, diante da falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, não se conhece do recurso apresentado.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.648
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Inexistindo litígio, diante da falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, não se conhece do recurso apresentado. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Inexistindo litígio, diante da falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, não se conhece do recurso apresentado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13924.000008/201086 Acórdão n.º 2801002.648 S2TE01 Fl. 96 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário 2007, exercício 2008, consubstanciado na Notificação de Lançamento às fls. 17 a 21. O valor do crédito tributário originalmente lançado foi o seguinte: Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) R$ 36.803,27 Multa de Ofício R$ 27.602,45 Juros de Mora (até 30/12/2009) R$ 6.668,75 Imposto Sujeito à Multa de Mora R$ 22.596,45 Multa de Mora R$ 4.519,29 Juros de Mora (até 30/12/2009) R$ 4.094,47 Total R$ 102.284,68 Depreendese dos autos que a exigência fiscal decorreu de revisão efetuada na declaração de rendimentos apresentada pelo contribuinte, e que resultou na glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 26.611,35, bem como na apuração de omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 133.830,07. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que: declarou equivocadamente o INSS como fonte pagadora do valor de R$ 133.830,07, todavia, em verdade, o valor foi pago pela Caixa Econômica Federal; o valor tributável correto é de R$ 97.877,25, pois R$ 9.352,82 referese a 13º Salário e R$ 26.600,00 de honorários advocatícios; o valor do IRRF de R$ 4.014,90 foi efetivamente retido conforme documentos anexos, como também o IRRF de R$ 22.596,45 foi retido pela fonte pagadora Itibra; Ao final, o contribuinte solicitou o arquivamento da Notificação de lançamento. Face o disposto na Portaria MF nº 441, de 30/07/2010, que acrescentou os artigos 208B e 284A ao Regimento Interno da RFB, os autos foram baixados em diligência à unidade lançadora. Após análise dos documentos acostados ao processo pelo contribuinte, concluiu a fiscalização que: Despacho à fl. 65 dos autos “Assim, excluída a tributação em duplicidade dos rendimentos decorrentes da ação contra o INSS, constante na DIRF da Caixa Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13924.000008/201086 Acórdão n.º 2801002.648 S2TE01 Fl. 97 3 Econômica, permanecendo apenas R$ 10.583,53 declarados a menor na ação movida contra a Itibra, o montante de R$ 102.284,68 apurado às fls.11, 17 e 50, fica reduzido ao imposto suplementar de R$ 2.910,48 sujeito à multa de ofício de R$ 2.182,86 (75%), imposto de R$ 22.596,45, sujeito à multa de mora de R$ 4.519,29 (20%) e juros de 18,12% entre maio de 2008 e dezembro de 2009, de R$527,38 e R$4.094,48, totalizando R$ 36.830,93 (fl.51).” (grifos originais) Desta forma, em razão desta revisão, o lançamento em pauta passou a totalizar R$ 36.830,93. No prazo para manifestação sobre o Despacho Decisório que reduziu o crédito tributário o contribuinte alegou que declarou Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de R$ 22.596,45 em sua DIRPF relativa ao exercício 2008, anocalendário 2007, vez que recebera o valor através do Banco do Brasil sem detalhamento das verbas e sem a informação de que o IRRF não havia sido recolhido, motivo que o levou a declarar o crédito naquele ano calendário (2007). Posteriormente, a Receita Federal constatou que o recolhimento foi efetuado em novembro de 2008 pelo Banco do Brasil. Desta forma, apurouse a dívida de R$ 22.596,45 em 2007 pois este crédito somente poderia ter sido aproveitado em 2008 (conforme extrato anexo, a fonte pagadora recolheu o valor de R$ 25.645,33 em novembro de 2008). Argumentou ainda que a multa de 75% não poderia ser aplicada, pois não houve nenhuma infração dolosa, cabendo deste modo apenas a exigência de multa de 20%, no máximo. Por fim, solicitou que fossem confrontados os valores mencionados (da dívida de 2007 com o crédito de 2008) apurandose o saldo final com a devida aplicação dos juros. E deste modo, sendo o saldo favorável ao requerente, que lhe fosse restituído, e sendo favorável à União, efetuaria o requerente a quitação do devido. Após apreciar o litígio, a 7a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR decidiu, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/CTA nº 0632.731, de 15/07/2011, às fls. 79/81. Consta nesta decisão o seguinte ementário: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% encontrase devidamente prevista em Lei (art.44, inciso I e §3° da Lei 9.430/96) e não cabe ao agente administrativo afastála, situação que configuraria desrespeito ao princípio da legalidade. DIRPF. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13924.000008/201086 Acórdão n.º 2801002.648 S2TE01 Fl. 98 4 agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado da decisão a quo em 12/08/2011, conforme AR à fl. 84, o contribuinte apresentou, em 24/08/2011, a petição às fls. 86/88. Neste documento o recorrente assevera que: “(...) 2) O resultado apurado no Acórdão 0632.731, quanto ao valor apurado, que resultou saldo a pagar, contribuinte reconhece como devido esse valor. 3) O contribuinte possui reconhecido pela Autoridade Fazendária, através do processo n° 13924.000007/201031, o crédito de R$ 2.706,52, com juros SELIC a partir de maio/2009 (cópia anexa). 4) O contribuinte sofreu retenção de IRRF em novembro de 2008, no valor de R$ 25.645,33 (vinte e cinco mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e trinta e três centavos), incidentes sobre as verbas recebidas em 2007 e 2008, conforme amplamente discutido através do processo n° 13924.000008/201086, que comprova pelo extrato emitido pela SRF de Pato Branco, no dia 02/06/2011. 5) Nas discussões no decorrer do processo ora recorrido, foi pedido pelo contribuinte que o valor do IRRF mencionado no item 4 acima fosse utilizado para pagar a dívida apurada no Acórdão 0632.731 (ou parte dela), na forma de compensação. Esse pedido foi negado. (...) a Fazenda Nacional pode, respaldada pelo disposto nos Artigos 170 e 171 do CTN e nos Artigos 891 e 892 do Regulamento do Imposto de Renda, fazer a compensação entre os débitos e créditos acima descritos. (...) À vista de todo o exposto, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim assim ser decidido, promover a compensação dos débitos com os créditos demonstrados.” É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13924.000008/201086 Acórdão n.º 2801002.648 S2TE01 Fl. 99 5 Compulsando os autos verifico que o contribuinte concentra o seu recurso em apenas duas vertentes: primeiramente, assevera que concorda com o valor do crédito tributário mantido pela decisão proferida em primeira instância (Acórdão DRJ/CTA nº 0632.731, de 15/07/2011, às fls. 79/81), reconhecendo tal valor como devido; e como segundo ponto, pleiteia a compensação deste débito com suposto crédito do próprio requerente objeto do processo administrativo n° 13924.000007/201031. Portanto, facilmente se conclui que não existe litígio a ser apreciado no caso que ora se apresenta, pois, quanto à matéria posta no lançamento (glosa de IRRF e omissão de rendimentos com a exigência de imposto, multa de ofício e juros moratórios), o contribuinte em nada discordou da decisão de piso, restringindose, portanto, sua manifestação, ao pleito de compensação em referência. Quanto a essa solicitação do contribuinte, o órgão julgador a quo já havia esclarecido que: fl. 80 dos autos “(...) não cabe no referido processo administrativo, ano calendário 2007, o pedido de confronto entre o valor devido em 2007 com um suposto crédito em 2008. Isso porque, aceitandose o referido pedido, estarseia extrapolando os limites do contencioso estabelecido no presente lançamento – Declaração de Ajuste de Imposto de Renda DIRPF exercício 2008, ano calendário 2007. 4 Caso o contribuinte queira ter reconhecido/restituído seu suposto crédito no anocalendário de 2008, deve buscar a forma apropriada que definitivamente não é na impugnação do lançamento referente a 2007. Cumpre ressaltar que a “compensação” é um procedimento regulado por legislação específica, e disciplinado, no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB), por instruções normativas próprias. Sendo assim, no caso concreto, por ser matéria estranha ao presente processo administrativo fiscal, que trata de lançamento de ofício do IRPF relativo ao exercício 2008, falece a este Colegiado competência para apreciação do pleito formulado pelo contribuinte, que deverá ser tratado em procedimento administrativo próprio junto à unidade local da RFB. Isto posto, VOTO por não conhecer do recurso interposto nos autos. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13924.000008/201086 Acórdão n.º 2801002.648 S2TE01 Fl. 100 6 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004541/89-84
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 1991
Ementa: A importação de produto diferente do licenciado configura importação ao desabrigo de G.I., apenada com a multa do artigo 526, inciso II do R.A.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: 303-26.978
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Cons. Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, relator, e Milton de Souza Coelho, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o acórdão o Cons. Sérgio de Castro Neves.
Nome do relator: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIAS JÚNIOR
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score : 1.0
Numero do processo: 10840.720127/2009-57
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS.
A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos das despesas médicas questionadas, enseja a manutenção da glosa efetuada na ação fiscal, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.657
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos das despesas médicas questionadas, enseja a manutenção da glosa efetuada na ação fiscal, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 169 1 168 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720127/200957 Recurso nº 927.092 Voluntário Acórdão nº 2801002.657 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente ADIB DAMIÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos das despesas médicas questionadas, enseja a manutenção da glosa efetuada na ação fiscal, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10840.720127/200957 Acórdão n.º 2801002.657 S2TE01 Fl. 170 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Por bem descrever os fatos transcrevese, a seguir, o Relatório constante da decisão recorrida. “Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2006 do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, através da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 32/37. Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados 172.153,28 2) Omissão de Rendimentos Apurada 0,00 3) Total das Deduções Declaradas 48.625,78 4) Glosa de Deduções Indevidas 30.000,00 5) Prev. Oficial sobre Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+ 45) 153.527,50 7) Imposto Apurado após as Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) 36.635,86 8) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 9) Glosa de Dedução de Incentivo 0,00 10) Total de Imposto Pago Declarado 15.672,74 11) Glosa de Imposto Pago 0,00 12) IRRF sobre infração e/ou CarnêLeão Pago 0,00 13) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (7+8+ 9+10+11+12) 20.963,12 14) Saldo do Imposto a Pagar Declarado/calculado 12.713,12 15) Imposto já Restituído 0,00 16) Imposto Suplementar 8.250,00 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a glosa de R$ 30.000,00 correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, em decorrência da falta de comprovação dos pagamentos relacionados no item (a) da intimação (cheques nominativos, ordem de pagamentos, transferências e/ou extratos bancários, etc.) coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou da prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, não permitindo a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02/23, alegando, em síntese, que: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10840.720127/200957 Acórdão n.º 2801002.657 S2TE01 Fl. 171 3 Dedução de Despesas Médicas Os recibos, receitas/declarações e exames ora apresentados bem como os já entregues à fiscalização, se referem efetivamente a despesas médicas (terapeuta, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e dentista) despendidas para si e para seus dependentes; Foi tratado pela terapeuta Dra. Carla Regina Scarafici, inscrita no Crefito 3/5481TQ, no ano de 2005, tendo pago por esse serviço o valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) em dinheiro, conforme declaração prestada por essa profissional e recibos emitidos pela mesma; Foi tratado pela fisioterapeuta Dra. Daniela Jardim de Mello Profeta Gentil, inscrita no Crefito 21.466F, no ano de 2005, por conta de uma lesão no joelho direito, tendo, pago por esse serviço o valor de R$ 10.000.00 (dez mil reais) em dinheiro, conforme declaração prestada por essa profissional, recibos emitidos pela mesma e receituários subscritos pelos médicos Dra. Eliane de Almeida Costa, CRM 63.786, e Dr. Luciano J. Meireles, CRM 103.450; Suas filhas, as menores Soraia Quaranta Damião e Raquel Quaranta Damião, foram submetidas a tratamento pela fonoaudióloga Elaine Franklin, CRF 11.011SP, pelo qual foi paga a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) em dinheiro, no ano de 2005, de acordo com a inclusa declaração dessa profissional, dos recibos por ela emitidos e das recomendações médicas feitas pelo profissional Dr. Jorge Abrão Damião, CRM 26.614; Fez tratamento com o dentista Nelson Dias de Morais Filho, CROSP 84.308, no ano de 2005, tendo pago a esse profissional o valor de R$ 7.000,00 (sete mil reais), conforme recibos anexos; Ao contrario do que consta na autuação, o valor de R$ 27.000,00 (vinte e sete mil reais) glosado pela fiscalização não foi objeto de declaração do Imposto sobre a Renda do exercício de 2006, anocalendário de 2005, mas sim do ano anterior; Está apresentando os comprovantes que demonstram claramente as despesas médicas efetuadas no período de apuração fiscalizado (recibos + declarações dos profissionais). Tudo em total conformidade com os requisitos exigidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 80; Somente caberia a exigência de cheque para a comprovação das despesas médicas, no caso de não ser possível a prova, por documento, que preencha os requisitos estabelecidos no art. 80; As autoridades fiscalizadoras buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta ao Impugnante, o que é arbitrário, inadmissível e ilegal; Os Juros Aplicados Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10840.720127/200957 Acórdão n.º 2801002.657 S2TE01 Fl. 172 4 A incidência da TAXA SELIC sobre o suposto débito apontado no auto também não encontra respaldo jurídico; A Multa Confiscatória Aplicada A multa aplicada no auto de infração ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal; Os Pedidos Em face do exposto, requer seja acolhida a presente impugnação, julgandose improcedente o lançamento tributário especialmente pelas questões acima expostas, bem como com base na documentação acostada aos autos, tendo em vista sua insubsistência como medida de legalidade. Requer, ainda, seja reconhecida a inaplicabilidade da taxa SELIC, bem como, acaso superado o entendimento acima, seja reconhecido o caráter confiscatório da multa aplicada no percentual de 75%, devendo a mesma ser redimensionada para 20% de conformidade com o art. 61, § 2º da Lei n. 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado. Após exame do litígio, a 11a Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP), decidiu pela procedência em parte da impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/SP2 nº 17 53.639, de 05/09/2011, às fls. 123/131. Considerou aquele Colegiado que restou comprovada nos autos as despesas médicas efetuadas pela contribuinte com as profissionais Carla Regina Scarafici (no valor de R$ 8.000,00), Daniela Jardim de Mello Profeta Gentil (no valor de R$ 10.000,00), e Elaine Aparecida Franklin da Silva (no valor de R$ 5.000,00). No entanto, foi mantida a glosa do valor de R$ 7.000,00 correspondente às despesas médicas declaradas como tendo sido realizadas com o profissional Nelson Dias de Morais Filho. Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 24/10/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14/11/2011, por meio de representantes legais, reiterando os argumentos de defesa apresentados quando da impugnação ao lançamento. Posteriormente junta ao processo declaração assinada pelo cirurgião dentista Nelson Dias de Morais Filho. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10840.720127/200957 Acórdão n.º 2801002.657 S2TE01 Fl. 173 5 Nesta instância, a discussão restringese à glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte como tendo sido realizadas no anocalendário 2005 com o odontólogo Nelson Dias de Morais Filho, no valor total de R$ 7.000,00. Diante da declaração assinada pelo profissional e dos recibos acostados ao processo, entende o recorrente que referida documentação seria suficiente para fins de comprovação de que o serviços foram prestados, bem como dos correspondentes gastos. Todavia, quanto a este dispêndio em discussão, o acórdão recorrido deixou bem claro que (fl. 128): “Os recibos apresentados relativos ao profissional Nelson Dias de Morais Filho não contêm os requisitos legais exigidos pelo art. 8º, § 2º, III da Lei 9.250/95, uma vez que faltalhes o CPF do profissional e, em alguns deles, a indicação do paciente. Cabe destacar que os recibos apresentados somente podem fazer prova das despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste se atenderem a todos os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda, uma vez que analogamente à legislação que concede isenções, a matéria relativa à redução de base de cálculo de tributos deve ser interpretada literalmente. (...) Sendo considerados inválidos, somente com a comprovação do efetivo pagamento é que se poderia aceitar as deduções efetuadas pelo contribuinte. Essa comprovação poderia ser feita por meio de cheques nominativos coincidentes em valores e datas (que podem ser próximas) aos recibos apresentados ou, se efetuado o pagamento em dinheiro, fosse provada a disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, como apresentação de extratos bancários com saques que justificassem os pagamentos, permitindose, assim, a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados, com base no artigo 73 do RIR. Portanto, conforme já havia destacado a autoridade lançadora na peça de autuação, em decorrência da falta de comprovação do efetivo pagamento (através de cheques nominativos, ordem de pagamentos, transferências e/ou extratos bancários, etc.) referido valor de R$ 7.000,00 foi objeto de glosa. Neste contexto, impende repisar que a simples apresentação de recibos e declarações, por si só, não se revela hábil a comprovar valores elevados de despesas médicas. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação do pagamento correspondente. No mesmo sentido, destaco os seguintes julgados deste Egrégio Conselho: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS APRESENTAÇÃO DE RECIBOS SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10840.720127/200957 Acórdão n.º 2801002.657 S2TE01 Fl. 174 6 solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Recurso negado. (Acórdão nº 2101000675, 1a Câmara – 2a SJ, Sessão de 18/08/2010)” “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO. A dedução relativa às despesas médicas limitase aos pagamentos especificados em recibos e notas fiscais comprovados com os efetivos desembolsos. Recurso negado. (Acórdão nº 10249110, 2a Câmara 1o CC, Sessão de 30/05/2008)” (grifei) Ressaltese ainda que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Quanto à alegação de ilegalidade da aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios, é de se observar que a mesma está sendo aplicada em consonância com os dispositivos legais validamente editados, no caso, a Lei n° 8.981/95 que estabeleceu, no seu art. 84, inciso I, que os juros de mora seriam equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Divida Mobiliária Federal Interna. A MP n° 947, de 23/03/1995, em seus arts. 13 e 14, alterou o disposto para juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, a serem aplicados a partir de 01/04/1995. Por seu turno, a MP n° 972, de 22/04/1995, convalidou a Medida Provisória anterior e, finalmente, a Lei n° 9.065, de 21/06/1995, no seu art. 13, convalidou o art. 13 das duas Medidas Provisórias antes mencionadas, sendo posteriormente ratificados pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96, que vigora até a presente data. O fato é que também a questão dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC não comporta mais discussão neste E. Conselho, nos termos da Súmula CARF no 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, salientase ainda que não procede a argumentação do recorrente de que no presente caso houve a incidência de multa sobre juros. Como se observa da peça fiscal, a multa de oficio 75% exigida nos autos foi aplicada sobre o valor do imposto não recolhido, conforme determina a legislação de regência. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o disposto constitucional à espécie dos autos. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10840.720127/200957 Acórdão n.º 2801002.657 S2TE01 Fl. 175 7 Rejeitase, portanto, a inconformidade do defendente, a teor do que determina a Súmula CARF no 2, in verbis: Súmula CARF no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Face o acima exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720098/2005-08
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RESSARCIMENTO. IN SRF nº 33/99. DECRETO N° 4.544/2002
IMUNIDADE. ALCANCE IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO
DOS CRÉDITOS. PRODUTO N/T. SÚMULA CARF nº 20.
A imunidade indicada na regulamentação do art. 11 da Lei nº 9.779/2002, remete apenas às saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, sobre eles recai o manto da • imunidade tributária prevista no inciso III, § 3°, do art.153 da • Constituição Federal. Incluir a imunidade de livros, periódicos no campo de abrangência da norma regulamentadora é admitir a invasão da reserva legal. Aplicável ao caso a Súmula nº 20 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.552
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. IN SRF nº 33/99. DECRETO N° 4.544/2002 IMUNIDADE. ALCANCE IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. PRODUTO N/T. SÚMULA CARF nº 20. A imunidade indicada na regulamentação do art. 11 da Lei nº 9.779/2002, remete apenas às saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, sobre eles recai o manto da • imunidade tributária prevista no inciso III, § 3°, do art.153 da • Constituição Federal. Incluir a imunidade de livros, periódicos no campo de abrangência da norma regulamentadora é admitir a invasão da reserva legal. Aplicável ao caso a Súmula nº 20 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUN 10: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS OS INDUS I RIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. IN SRF IV 33/99, DECRETO N° 4.544/2002 IMUNIDADE, ALCANCE IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. PRODUTO N/T, SÚMULA CARE IV 20. A imunidade indicada na regulamentação do art. 11 da Lei n" 9.779/2002, remete apenas As saidas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, sobre eles recai o manto da • imunidade tributária prevista no inciso III, § 3°, do art.153 da • Constituição Federal. Incluir a imunidade de livros, periódicos no campo de abrangência da norma regulamentadora é admitir a invasão da reserva legal_ Aplicável ao caso a Súmula IV 20 do CARE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. lexai dre Kern — Presidente Bel hior Melo de Sousa - Relator Part ciparam da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Turin ), Belchior Mel() de Sousa (Relator), Daniel Mauricio Fedato, Carlos Henrique Martins de ima, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Petrucci Morin. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 14-23.658, de 06 de maio de 2009, da DRJ-Ribeirão Preto/SP, fls. 186 a 190, que indeferiu a solicitação pelo que restou não homologada aS compensações declaradas face ao não-reconhecimento do direito a crédito dc ressarcimento de IPI apurado no 2 0 trimestre de 2001, fls. 01 a 59, no valor de R$ 6.214,08. Cientificada da decisão em 08 de juLho de 2009, irresignada, apresenta o recurso voluntário de fls. 195 a 211, em 20 de julho de 2009, em que maneja o mesmo arrazoado vergastado na impugnação, na defesa do seu direito à manutenção e utilização na forma de ressarcimento, do IP1 incidente nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens aplicados na fabricação de produtos não-tributados. E o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos pata sua admissibilidade, portanto dele conheço. Não prospera o pleito da recorrente. Deslinda-se o caso ao delimitar-se a prevalência do conceito de produto não tributado sobre o de produto imune, cujo direito ao ressarcimento teria sido reconhecido pelo art. 195, § 2', do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, ao entendimento da recorrente verbis: Art. 195 1 I § 22 O saldo credor de que trata o § 12, acumulado em coda trimestre-calendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento au tributado el aliquota zero ou brumes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a .209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11) Antes, a norma do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, já se encontrava regulamentada pelo art. 4' da IN SRF IV .33/99, verbis: Art 4". O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidos no art 11 da Lei n° 9.. 779, de 1999, do voldo credor do IP I decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à aliquoto zero, alcança, exclusivamente, os insumos 2 Processo 10840.720098/2005-08 S3-I £03 Aceird5o n 3803-00352 Fl 2 recebidos no e.stabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1 O de janeiro de 1999. Note-se que a instrução normativa acrescenta a expressão "inclusive m11111122.5" ao texto do aitigo 11 da lei, A considerar que todo beneficio fiscal há de ser concedido por lei, a teor do art. 150, § 6", da CF/88, relembre-se que a norma regulamentadora não tem força para fazer nascer direitos, send() delinear os contornos em que tais direitos devem ser exercidos. Esse o seu papel. Logo, ha que se concluir, inapelavelmente, que a IN SRF n° 33/99, assim como o Decreto IV 4,544, de 2002, ao destacarem o teimo "brumes" não estão estendendo o beneficio concedido pela Lei 9.779/99, porque não o poderiam, aos produtos que gozam de imunidade objetiva, entre os quais se enquadram os produtos da recorrente, mas estão a referir- se a ressarcimento do IPI incidente nas MP, PI e ME aplicados em produtos tributados, que gozem da imunidade decorrente da exportação, prevista no art. 153, 3', III, da CF/88. A imunidade dos produtos da recorrente faz que figurem na TIPI como produtos NT, e entendimento, a instrução normativa encaminha ao estorno os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados, segundo o seu art. 2', § 3'. E sobre esses fundamentos, a matéria encontra-se pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a edição e publicação da Súmula CARE n" 20, segundo a qual "nab há direito aos créditos de 1P1 em relação às aquisições de i115111110S aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Be c lifo-f-IVI-dlo de Sousa 3
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000272/2007-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/2001
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-000.365
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base nos termos do Art. 150, § 4º, CTN; votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Cid Marconi Gurgel de Souza.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base nos termos do Art. 150, § 4º, CTN; votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Cid Marconi Gurgel de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Carlos Alberto Mees Stringari e Cid Marconi Gurgel Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 de Souza. Ausentes os Conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte, Acórdão 0217.352 7ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim resumida no acórdão: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 60 a 63, referese à contribuição destinada à Seguridade Social, parte dos segurados, da empresa, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), não recolhida e incidente sobre valores pagos aos empregados, a título de alimentação, no período de 10/1997 a 12/2001. A notificada fornece alimentação a seus empregados, sem que esteja devidamente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) criado pela Lei 6.321, de 1976, condição necessária para que não haja incidência de contribuições sobre os valores dispendidos a esse título, conforme artigo 28, § 9°, alínea "c", da Lei 8.212, de 1991. Na apuração da base de cálculo foi deduzida a parcela a título de "refeição" descontada dos segurados na folha de pagamento, como informado às fls. 61. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese: • que ocorreu a decadência; • que quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial; • que a empresa fornece refeição a seus funcionários. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13864.000272/200776 Acórdão n.º 240300.365 S2C4T3 Fl. 279 3 O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Decadência O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário e com a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, deste CARF. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13864.000272/200776 Acórdão n.º 240300.365 S2C4T3 Fl. 280 5 a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.( Recurso 140.076, Acórdão 9101 da 1ª Turma da CSRF) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. O Relatório de documentos Apresentados – RDA, folhas 27 a 34, apresenta guias de recolhimento e parcelamento para o período do débito. Esses documentos evidenciam a existência de pagamentos parciais e nos levam a aplicar a regra do § 4° do art. 150 do CTN, isto é, 5 anos da ocorrência do fato gerador. O período do lançamento é de 10/1997 a 12/2001. A ciência do lançamento acorreu em 13/09/2007. Concluo que ocorreu a decadência em todo o período. Conclusão À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900574/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.059
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Viviani Aparecida Bacchmi e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900574/200803 Resolução n.º 140200.059 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Conforme demonstra o contrato social de fls. 87/90 a recorrente foi constituída no ano de 1976, sob a denominação social de Laboratório Bauru de Patologia Clínica Sociedade Civil Ltda., tendo por objeto “a prestação de serviços de análises, abrangindo (sic.) os campos da bioquímica, hematologia, parasitologia, anatomia patológica, citologia, micro biologia, etc., elaborando exames científicos de sangue, urina, fezes, secreções, etc, atendendo a todos os tipos de exames atinentes ao campo de análises clínicas.” A alteração contratual de fls. 82/86, datada de 11/11/2003, indica que em tal data a recorrente manteve o objeto social no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. A DIPJ fls. 13/26, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/2000 a 31/12/2000, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). O acórdão recorrido, à fl. 94, diz que a retificação das DCTF’s do segundo trimestre de 2000 ocorreu somente em 26/03/2008. Todavia, examinando os autos não foi possível localizar a existência da referida declaração retificadora. As DCTF’s de fls. 27/75 se referem ao segundo trimestre de 2004 e não se tratam de retificadoras, conforme esclareço no parágrafo seguinte. Constam dos autos as DCTF`s de fls. 27 e seguintes, referentes ao segundo trimestre de 2004, entregues em 11/08/2004, onde se verifica que a parte interessada pagou parte do IRPJ (fl. 30) e da CSLL (fl. 43), mediante compensações. À fl. 61, apenas para citar mais um exemplo das compensações realizadas no período, verificase que o débito relativo ao PIS do segundo trimestre de 2004, também foi objeto de compensação com valor alegadamente recolhido a maior no período de apuração que se concretizou em 30/06/2000 (fl. 61). Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32%, a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 2000. O acórdão de fls. 93 e seguintes não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Dos fundamentos do acórdão recorrido transcrevo a seguinte passagem: “A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que Fl. 152DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900574/200803 Resolução n.º 140200.059 S1C4T2 Fl. 3 3 teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos.,..” Após citar o artigo 45, da Lei nº 8.981, de 1995, que determina que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido deverá manter todos os livros e documentos que serviram de base à escrituração e que as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, o acórdão guerreado julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada, de forma tempestiva, a parte ingressou com recurso alegando: a) que o Pedido de Compensação PER/DCOMP, objeto deste processo, foi transmitido à Receita Federal do Brasil em 23/10/2003, portanto dentro do prazo de 5 (cinco) anos do pagamento indevido ou a maior; b) quanto à averiguação da liquidez e certeza do pagamento indevido ou a maior de tributo, confrontando documentos com registros contábeis e fiscais, entende correto e necessário o procedimento, porém esqueceuse o julgador de primeira instância, que o poder dever dessa obrigação é ônus do Estado; e c) que os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, onde se destacam, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços e Notas Fiscais. Junto com o recurso, o sujeito passivo trouxe aos autos o documento de fl. 109, referente ao início de fiscalização iniciada em 06/08/2007, relativa ao período de 2003 a 2005, que resultou no auto de infração cuja cópia parcial consta da fl. 110/111, notificado ao sujeito passivo em 18/03/2008, que gerou o processo administrativo nº 15889.000.137/200859. Em consulta realizada no COMPROT, em 08/02/2011, verifiquei que o referido processo encontra se na Terceira Turma da Delegacia de Ribeirão Preto. Por inexistir nos autos cópia do referido processo não é possível avaliar se há conexão entre este processo e aquele ou, se aquele, em tese, poderia ser prejudicial ao julgamento deste, o que não considero. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao segundo trimestre de 2000 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 2000 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTFs de fls. 27 e seguintes, no montante de R$ 34.066,18. O acórdão recorrido indeferiu a compensação por entender que a parte interessada não havia apresentado a documentação necessária, sendo que sequer havia retificado as DCTF’s relativas ao ano de 2000, procedimento que só realizou em 2008. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900574/200803 Resolução n.º 140200.059 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito. À luz do parágrafo único, do artigo 142, do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, base de cálculo, a alíquota incidente e, quando devido, realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos legalmente fixados. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988 e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142, do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170 ,do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de Fl. 154DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900574/200803 Resolução n.º 140200.059 S1C4T2 Fl. 5 5 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” No caso dos autos, a prevalecer o argumento de que a parte recorrente, tributada com base no lucro presumido, no segundo trimestre de 2000, recolheu tributo levando em consideração base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto, em tese, seria 8% (oito por cento), não há o que se falar em extinção do direito de postular a compensação, visto que tal direito foi exercido no decorrer do anocalendário de 2004, conforme especificado nas DCTF`s. As DCTF`s entregues em 2004 são documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não há o que se falar em decadência. A falta de retificação imediata da DIPJ referente ao ano de 2000, em nada altera as informações contidas nas DCTF`s referentes ao ano de 2004, cujos créditos de 2000 foram utilizados para pagamento de débitos apurados neste período. Superadas as questões acima enfrentadas, adentro ao mérito donde se extrai que o contrato social de fls. 87/90 e a alteração contratual de fls. 82/86, datada de 11/11/2003, dão conta de que a recorrente se constitui de Laboratório que tem por objeto social a atuação no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”, cuja base de cálculo do imposto de renda é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento), conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a seguinte ementa: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido.” (REsp 837.913/SC, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010). "DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS Fl. 155DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900574/200803 Resolução n.º 140200.059 S1C4T2 Fl. 6 6 NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO 'SERVIÇOS HOSPITALARES'. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão 'serviços hospitalares' prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de 'serviços hospitalares' apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que 'a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares'. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decidida anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade Fl. 156DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900574/200803 Resolução n.º 140200.059 S1C4T2 Fl. 7 7 diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido." (Resp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010). O artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, com a redação dada pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, à luz do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, há que se reconhecer que a base de cálculo dos Laboratórios de Análises Clínicas, em relação às receitas destas atividades, quanto ao IRPJ é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento). Quanto aos aspectos até aqui enfrentados, ao que se depreende do acórdão recorrido, não há divergência. A controvérsia surge em relação à instrução da impugnação. A impugnação foi desacolhida porque a parte recorrente deixou de apresentar documentos que a autoridade julgadora considerou essenciais, dentre os quais a Declaração do Imposto de Renda da época, documento este que, à época, ainda não havia sido retificado e que, ao meu sentir, por estar em poder da Administração esta, à luz do artigo 29, segunda parte, artigo 36, segunda parte e artigo 37, todos da Lei nº 9.784, de 1999, podia ter juntado aos autos. Ao meu sentir, quando da impugnação, em relação ao pedido de compensação não homologado, que tenha por objeto controvérsia relacionada à base de cálculo, a parte recorrente deve apresentar: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido Fl. 157DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900574/200803 Resolução n.º 140200.059 S1C4T2 Fl. 8 8 se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, finalmente, os valores pagos a maior; e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP, etc.). ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: (i) que a requerente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, prestar as informações constantes nas letras “a” a “e”, acima referidas; (ii) após juntada dos documentos apresentados, a fiscalização deverá lançar manifestação analisando a veracidade das informações trazidas aos autos, informando a efetividade dos valores alegadamente pagos ou compensados, em cada um dos períodos; (iii) na análise de que trata o item anterior, a autoridade preparadora também deverá analisar se o mesmo crédito, se existente, foi ou está sendo objeto de compensação em outros processos e, caso afirmativo, em que montantes. (iv) após a manifestação da fiscalização, deverá a parte interessada ser intimada para se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, devendo os autos, juntamente com eventuais processos conexos, retornarem ao CARF para exame do mérito. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 158DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 13942.720047/2015-90
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.387
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 94 2. 72 00 47 /2 01 5- 90 Fl. 64801DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720047/2015-90 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. Fl. 64802DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720047/2015-90 INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. Fl. 64803DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.387 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720047/2015-90 A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64804DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10183.004932/2002-54
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 18/11/1999 a 27/09/2001
NORMAS PROCEDIMENTAIS. MPF. EXTINÇÃO POR DECURSO DE PRAZO. EFEITOS.
Decorrido o prazo para conclusão dos trabalhos explicitados no
MPF, a autoridade fiscal deverá emitir novo Mandado de
Procedimento Fiscal designando outro(s) agente(s) fiscal(is) para
os trabalhos, sem prejuízo dos atos já praticados.
IVIPE. NULIDADE
A expedição de novo MPF decorrente de extinção por decurso de
prazo do anterior, que conscientemente não designa novos
agentes para continuidade da ação fiscal, implica em
descumprimento das normas atinentes aos procedimentos
indispensáveis à regularidade da ação fiscal e consequentemente
à regularidade do ato administrativo de lançamento.
MPF. FORMALIDADE INDISPENSÁVEL.
Nas auditorias fiscais no âmbito da Receita Federal, a regra geral impõe a regular expedição do MPF como formalidade
indispensável para o inicio, para o desenvolvimento e para o
encerramento dos trabalhos externos. A inobservância dessa
norma procedimental macula de nulidade formal o ato
administrativo de lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3101-000.221
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: 1) por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres; 2) pelo voto de qualidade, para considerar formal o vicio apontado. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Tarásio Campeio Borges.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10183.004932/2002-54 Recurso n° 332.262 Voluntário Acórdão n° 3101-00.221 - P Câmara / 1° Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2009 Matéria VALOR ADUANEIRO Recorrente SENA PNEUS RONDONOPOLIS LTDA. Recorrida DRI-SA0 PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 18/11/1999 a 27/09/2001 NORMAS PROCEDIMENTAIS. MPF. EXTINÇÃO POR DECURSO DE PRAZO. EFEITOS. Decorrido o prazo para conclusão dos trabalhos explicitados no MPF, a autoridade fiscal deverá emitir novo Mandado de Procedimento Fiscal designando outro(s) agente(s) fiscal(is) para os trabalhos, sem prejuízo dos atos já praticados. IVIPE. NULIDADE A expedição de novo MPF decorrente de extinção por decurso de prazo do anterior, que conscientemente não designa novos agentes para continuidade da ação fiscal, implica em descumprimento das normas atinentes aos procedimentos indispensáveis à regularidade da ação fiscal e consequentemente à regularidade do ato administrativo de lançamento. MPF. FORMALIDADE INDISPENSÁVEL. Nas auditorias fiscais no âmbito da Receita Federal, a regra geral impõe a regular expedição do MPF como formalidade indispensável para o inicio, para o desenvolvimento e para o encerramento dos trabalhos externos. A inobservância dessa norma procedimental macula de nulidade formal o ato administrativo de lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: 1) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres; 2) pelo voto de qualidade, para considerar formal o vicio apontado. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Tarásio Campeio Borges. Herffique Pinheiro forres"- Presidente • 7 a/ yfrk •n Luiz Robi, o Domingo - Relator Tarásio Campeio orges - Redator Designado EDITADO EM: 08/12/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário que sob a apreciação desta Câmara o julgamento foi convertido Lin diligência à repartição de origem para que subsidiasse o processo com informações e documentos para possibilitar o julgamento do presente feito. Adoto o relatório de fls. 994/995 por bem narrar os fatos e atos processuais até aquele momento. Retomam os autos para julgamento após cumprimento de diligência detenninada pela Resolução n° 301-1.937, cujo objetivo era para a repartição de origem explicar porque foi designado para proceder a fiscalização o mesmo auditor que já havia sido designado no primeiro MPF e ainda para que fosse juntado aos autos os documentos oficiais e respectivas publicações em Diário Oficial da União que atestasse ser o audito fiscal Marcos Lopes de Oliveira cumulava os cargos de Auditor, Supervisor e Chefe de Fiscalização à época da expedição do 1)/LPF em questão. A diligência devidamente cumprida, trouxe aos autos as seguintes informações: "a) Na ficha Multifuncional n°2002-00.038-3 (FL. 08) do processo, constata-se que o servidor AFRF Mauricio Ferraz, matric 0025437 foi deslocado do procedimento fiscal, urna vez que à época era servidor lotado na Seção de Fiscalização — Tributos Interno, (Doc. FL 1014). No mesmo documento consta a locação do servidor AFRF Luis Fernando Tosaki, matr. 0076065, este sim, servidor lotado na Saana da DREACBA. - h) Na data da emissão do MPF — Fiscalização n° 0130100 2002 001380 (18.11.2002), o servidor ,4FRF Shizuo Takayama, matr. 0021097, que constava no MPF — Fiscalização Especial n° 01301002002 00038 3 como Supervisar, de acordo com a Portaria n° 292 do Sr. Superintendente da 1" RF foi dispensado da função j( 2 Processo n0 10183.004932/2002-54 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.221 19. 1.020 gratificada de Chefe da Seção de Controle Aduaneiro da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá — MT, sendo substituído, conforme portaria n° 293 pelo servidor AFRF Marcos Lopes de Oliveira, matr. 19022, conforme publicado no Diário Oficial da União, em 13.01.2002 (Doc. FL 1015). c) O servidor AFRF Luis Fernando Tosalci, matr. 0076065 não foi designado no MPF Fiscalização n° 01301002002 001380 de 18.11.2002, pelo fato de ter participado da equipe do MPF — Fiscalização Especial n° 0130100 2002 00038 3 (Doc. FL 08), extinto por decurso de prazo. d) Assim, em 18.11.2002, data da Emissão do MPF Fiscalização n° 0130100 2002 00138 0, além dos servidores AFRF Marcos Lopes de Oliveira, e Luis Fernando Tosaki, havia apenas mais um AFRF lotado na Seção Controle Aduaneiro da Delegacia da Receita Federal, em Cuiabá — MT Tratava-se do AFRF José Dias Bastos, =tr. 0064295, que no período de 11.11 a 25.11.2002 encontrava-se de férias, conforme demonstra o Histórico de Férias do Servidor. (Doc. FL. 1016). Devido às ocorrências acima mencionadas o 2' MPF, n° 0130100 2002 001380, foi emitido em 18.11.2002, tendo como Chefe da Fiscalização, Supervisar e Auditor o servidor AFRF Marcos Lopes de Oliveira, matr. 19022." É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por atender aos requisitos de admissibilidade. Trata-se de Recurso Voluntário que, sob a apreciação desta Câmara, houve a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que subsidiasse o processo com informações e elementos acerca da regularidade do Mandado de Procedimento Fiscal uma vez que foram verificadas inconsistências dos documentos juntados aos autos. Tal inconsistência diz respeito à emissão de novo Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que o primeiro não foi cumprido no prazo nem renovado o que ensejou seu cancelamento por decurso de prazo. Repiso que, o parágrafo étnico do artigo 15 da Portaria 11.371/07, antes disciplinado com igual redação pelo § único do artigo 16 da Portaria 3.007/01 (vigente à época da expedição do MPF), não permite que no caso de o MPF ter sido extinto e houver sido expedido um novo MPF, que esse novo mandado seja cumprido pelo mesmo auditor fiscal antes designado, senão vejamos o artigo in verbis: Art. 15. A hipótese de que trata o inciso H do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. 3 Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Afundado extinto. Assim, constato de plano uma irregularidade na expedição do MPF, posto que de fato o auditor fiscal designado para o cumprimento do primeiro e do segundo MPF foi o auditor fiscal Marcos Lopes de Oliveira. Ademais, no segundo MPF o auditor fiscal Marcos Lopes de Oliveira cumulava três funções, quais sejam: auditor, supervisor e chefe de fiscalização. E ainda, a Lei n° 8.112, que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, dispõe em seu art. 1160 seguinte: "Art. 116. São deveres do servidor: 1- exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo; II - ser leal às instituições a que servir; III- observar as normas [canis e regulamentares• IV - cumprir as ordens superiores exceto quando manifestamente . ilegais;..." A preexistência e renovação continua do MPF no procedimento liscalizatório e a manutenção de sua exigência para validar o ato administrativo de lançamento é, em verdade, norma que cumpre os desígnios legais do ato vinculado e, também, constitui ordem, emanada por superior hierárquico que não pode ser desrespeitada pelo servidor. Sendo a Portaria SRF n° 11.371/07 um ato normativo derivado, cujo objetivo foi dar complementação às exigências do art. 196 do CTN, bem como do art. 6o da MP 2.175- 29/2001 (hoje Lei n°10593/2002), não haveria como o MPF, instituto por ela disciplinado, ser desconsiderado e desprezado como se fosse mero instrumento integrante do rol dos atos discricionários e desvinculados à autorização e controle da execução dos procedimentos de fiscalização. Se o Mandado de Procedimento Fiscal é peça inaugural da ação fiscalizadora, seu desatendimento, seja quanto ao objeto, seja quanto à emissão, seja quanto aos prazos previstos, constitui motivo para nulidade do ato administrativo do lançamento, vez que o MPF figura dentre aqueles atos que são exigidos para o cumprimento das formalidades impostas pela legislação tributária. Pois bem, não obstante, a fiscalização, em atendimento à diligência proposta por esta Câmara, aduz que "O servidor AFRF Luis Fernando Tosaki, matr. 0076065 não foi designado no MPF Fiscalização tf' 0130100.2002.001380 de 18.11.2002, pelo fato de ter participado da equipe do MPF — Fiscalização Especial n° 0130100.2002.00038 3 (Doc. FL 08), extinto por decurso de prazo", o que denota que já à época dos fatos tinha consciência da vigência da norma de regência e que não poderia figurar como fiscal designado pelo novo MPF agente que participara do MPF anterior. Ocorre que verificando o primeiro MPF — Fiscalização Especial n° 0130100.2002.00038 3, constatamos que o Agente Marcos Lopes de Oliveira, auditor fiscal matricula 0019022, também participara da equipe, donde concluímos que, da mesma forma que o Agente Luis Fernando Tosaki, não 'poderia participar do MPF Fiscalização n° 0130100.2002.001380 de 18.11.2002. Em análise das informações prestadas pela repartição de origem às fls. 1017, conclui-se que realmente ocorreu no presente feito irregularidade insanável quando na emissão do MPF n° 0130100.2002.00138 0, haja vista que o auditor fiscal designado para o „47,• Processo n°10183.004932/2002-54 S3-C/T1 Acórdão n.° 3101-00.221 Fl. 1.021 cumprimento do primeiro e do segundo MPF foi o mesmo servidor Marcos Lopes de Oliveira, contrariando o parágrafo único, do art. 15 da Portaria 11.371/07, antes disciplinado com igual redação pelo parágrafo único, do art. 16 da Portaria 3.007/01, vigente à época dos fatos. Considerando todo o acima exposto, o que ocorreu, no caso presente, foi o preterimento de formalidade prescrita na norma legal, o que, conseqüentemente, tomou incompetente o agente e, por conseguinte, inquinou de nulidade o feito fiscal. Não havendo a possibilidade de discricionariedade com relação à matéria, uma vez que o ato administrativo é vinculado, o ato praticado fora dos ditames legais e regulamentares é inválido, pois o mesmo prescindiu certos requisitos que formam a competência legal de quem o praticou e a forma prescrita em lei. De acordo com o CTN, art. 96: "A expressão 'legislação tributária' compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes". Ora, no rol das normas diseiplinadora do procedimento administrativo tendente a constituição do crédito tributário, encontra-se a Portaria, motivo pelo qual não se pode conceber a constituição de crédito tributário em fatal descordo com a Portaria n° 3007/01, bem assim com a Portaria n° 11.371/07. Ademais, como já firmado há anos pela doutrina a norma expedida pela administração (Portaria) não pode ser entendida como um conselho para o agente público ou para a própria administração, mas norma cogente e de cumprimento obrigatório dos agentes da administração. Portanto, sendo o MPF peça inaugural da ação fiscalizadora, seu desatendimento, seja quanto à emissão, seja quanto aos prazos previstos, constitui motivo para nulidade do produto desse atividade desempenhada fora dos contornos legalmente estabelecidos, ou seja, a nulidade do ato administrativo do lançamento. O "lançamento" do art. 142, apesar de ser definido pela norma como procedimento, tem merecido grandes estudos dogmáticos justificando e motivando sua ascensão à categoria de ato administrativo. As teses jurídicas acerca desse tema, apesar de majoritárias encontram forte contraposição dos que entendem que o lançamento seja procedimento como literalmente aduz o texto normativo. Numa visão sistêmica do Direito, entendo que ambas as teses tem forte argumentos de sustentação, a primeira alicerçada nos parâmetros da Teoria Geral do Direito e do Direito Administrativo que entende que é o ato administrativo que constitui, modifica ou extingue direitos. A segunda, na estrutura idealizada pelo Código, ou seja, a de que o lançamento instaura a relação jurídica através de um ato procedimental sujeito à revisão de oficio. Podemos notar que, independentemente de qualquer norma que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, o poder-dever de a Fazenda realizar o lançamento é: (i) vinculado, ou seja, deve ser realizado segundo os ditames normativos legais, tanto no que tange às norma de competência que possibilitam o exercício da fiscalização, como no que tange às normas de incidência tributária, que estabelecem o direito subjetivo da Fazenda no âmbito da relação jurídica tributária que acomete o sujeito passivo do dever de adimplir certa obrigação; e (ii) obrigatório, ou seja, salvo norma de igual ou superior hierarquia em sentido contrário, deve ser inexoravelmente o exercício funcional. //,' Li As normas legais veiculam, no mundo do direito positivo, conceitos que devem ser observados no momento em que o intérprete se defronta com uma situação como a que se apresenta nestes autos. O que se verifica é que o lançamento é um ato administrativo, ainda que decorrente de um procedimento fiscal, mas um ato administrativo de caráter declaratório da ocorrência de um fato imponível (fato ocorrido no mundo fenomênico) e constitutivo de uma relação jurídica tributária, entre o sujeito ativo, representado funcionalmente pelo agente prolator do ato segundo as formalidade estabelecidas pela administração tributária, e o sujeito passivo, que fica acometido de um dever jurídico, cujo objeto é o pagamento de uma obrigação pecuniária. Da mesma forma que a pessoa jurídica de direito privado é representada por quem de direito, segundo a norma de regência, o contrato social, a eleição de diretoria, a procuração, o agente fiscal só pode atua se quando e na forma da lei, não se admitindo que a representação se dê contra legem. Sendo ato administrativo de lançamento é privativa da autoridade administrativa a quem tiver sido atribuída a competência específica para exercer o poder de aplicar o direito e reduzir a norma geral e abstrata em norma individual e concreta. Não se quer dizer que o fiscal não tem a competência para a fiscalização, mas por ordem da própria administração foi afastado daquele procedimento específico porque não o cumpriu no prazo nem renovou o prazo para encerramento. Portanto, a vinculação requerida pelo CTN alcança não só a aplicação da norma tributária, mas também as normas de competência especificas atinentes à atribuição do objeto da fiscalização contido no MPF. O Professor, Hugo de Brito Machado l ensina: "Á atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Tomando conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, ou do descumprimento de uma obrigação tributária acessória, que a este eqüivale porque faz nascer também uma obrigação tributária principal, no que concerne à penalidade pecuniária respectiva, a autoridade administrativa tem o dever indeclinável de proceder ao lançamento tributário. O Estado, como sujeito ativo da obrigação tributária, tem um direito ao tributo, expresso no direito potestativo de criar o crédito tributário, fazendo o lançamento. A posição do Estado não se confunde com a posição da autoridade administrativa. O Estado tem um direito, a autoridade tem um dever." (g.n.) No mesmo sentido Alberto Xavier2 lembra que: "O lançamento é ato de aplicação da norma tributária material ao caso em concreto, e por isso se distingue de numerosos atos regulados na lei fiscal que, ou não são a rigor atos de aplicação da lei, ou não são atos de aplicação de normas instrumentais." ... "Devemos, por isso, aperfeiçoar a noção de lançamento por nós inicialmente formulada, definindo-o como o ato administrativo de aplicação da norma tributária material que se traduz na declaração da existência e quantitativa da prestação tributária e na sua conseqüente exigência." op. cit. Pág. 120 2 Xavier, Alberto. Do Lançamento — Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, r ed., -7 Forense, Rio de Janeiro, 1998, pág. 54 e 66 Processo n° 10181004932/2002-54 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00221 Fl. 1.022 Aliomar Baleeiro, ao estudar o Direito Tributário como ramo do Direito das Finanças3 , cuja origem não pode ser negada, entendia, a exemplo do Código Tributário Nacional, que: • "Esses atos dos agentes públicos, provocados pelo fato gerador, se chamam lançamento e têm por finalidade a verificação, em caso concreto, das condições legais para a exigência do tributo, calculando este segundo os elementos quantitativos revelados por essas mesmas condições." Não menos categórico, Américo Masset Lacombe 4 ao tratar do tema "Crédito Tributário", postula: "A atividade do lançamento é, assim, conforme determina o parágrafo único deste artigo, vinculada e obrigatória. É vinculada aos termos previstos na lei tributária. Sendo a obrigação tributária decorrente de lei, não podendo haver tributo sem previsão legal, e sabendo-se que a ocorrência do fato imponivel prevista na hipótese de incidência da lei faz nascer o vinculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, o lançamento que gera o vinculo patrimonial, constituindo o crédito tributário (obligatio, haftung, relação de responsabilidade), não pode deixar de estar vinculado ao determinado pela lei vigente na data do nascimento do vinculo pessoal (ocorrência do fato imponivel previsto na hipótese de incidência da lei). Esta atividade é obrigatória. Uma vez que verificado pela administração o nascimento do vínculo pessoal entre o sujeito ativo e o sujeito passivo (nascimento da obrigação tributária, debitum, shuld, relação de débito), a administração estará obrigada a efetuar o lançamento. A hipótese de incidência da atividade administrativa será assim a ocorrência do fato imponivel previsto na hipótese de incidência da lei tributária." Nos conceitos colacionados, vemos a atividade da administração tributaria como um dever de aplicação da nomm tributária, alcança, também as normas de competência, sendo que o agente administrativo, somente se habilita para o exercício da competência atribuída pela lei, com a regular emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. Não tem o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional qualquer discricionariedade ao aplicar a norma, vinculando-se integralmente aos ditames da lei e das normas complementares que o obriga a realizar o lançamento atendendo às formalidades exigidas, com o fim, inclusive, de preservar o bem e o interesse públicos. Quanto à competência para exercer a fiscalização de determinado sujeito passivo, note-se que, ainda que o Sistema de Direito Positivo a estabeleça de forma geral ao agente fiscal, a competência específica só lhe é atribuída pela Mandado de Procedimento Fiscal, o qual expedido em desacordo com as normas de regência não instaura a competência específica, maculando de nulidade material o ato administrativo de lançamento. Tácio Lacerda Gama s explica que a nulidade decorre de uma invalidadc da norma (geral e abstrata ou individual e concreta): 3 Aliomar Baleeiro, "Uma Introdução à Ciência das Finanças", vol. 11281, n° 193 4 Lacombe, Américo Masset. Curso de Direito Tributário", coordenação de Ives Gandra da Silva Martins, Ed, CEJUP, Belém, 1997 -5 Gama, Tácio lacerda. "Competência Tributária - Fundamentos para urna teoria da nulidade. São Paulo: Noeses, 2009, p. 103 e 108. "De fato, defendemos a premissa segundo a qual o ato de criar norma é uma conduta como outra qualquer. Podemos diferençá-la das demais apenas pelo seu resultado, que é a produção de enunciados prescritivos a partir dos quais se podem elaborar normas jurídicas. Ao confrontar esse resultado com oque prescrevem as normas de competência, a conduta de criar normas juridicas pode ser considerada lícita ou ilícita, conforme seja compatível ou não com a norma de competência. É fácil, então, relacionar a idéia de nulidade das normas jurídicas, ou invalidade, à idéia de sanção pelo exercício irregular da competência. Sendo sanção, não temos, propriamente, uma cláusula alternativa, mas sim norma que prescreve a reação do sistema jurídico à prática de uma conduta ilícita. Desta forma, sempre que alguém pretenda argumentar pela não aplicação de uma norma ao caso concreto, ou pela suspensão de sua vigência no sistema de direito positivo, o que se está pedindo, em última análise, é a aplicação de uma norma sancionató ria, em face do exercício irregular da competência. Em face desses argumentos, mantenhamos esta idéia: a sanção pelo descumprimento da norma primária de competência é prevista pela norma secundária que prescreve a invalidada como sanao pelo exercício irrezular da competência." (g.n) Vejamos o caso em apreço. A norma de competência específica, aquela individual e concreta que conecta a competência geral do agente fiscal àquele contribuinte especificamente, é vertida pelo Mandado de Procedimento Fiscal norma primária que prescreve a competência para fiscalizar. Ocorre que dentre as normas contidas no regulamento de expedição do Mandado de Procedimento Fiscal, uma foi descumprida, justamente aquela que veda que um agente, que compunha equipe de fiscalização em Mandado de Procedimento Fiscal extinto por decurso de prazo, volte a ter a competência para compor a nova equipe de fiscalização quando da expedição do novo MPF, ou seja, que retida, para o caso concreto a competência geral e abstrata daquele agente. Desta forma, tratando-se de exercício irregular da competência, o que era conhecido pelo agente desde à época da emissão do mandado, não se instaura a relação jurídica tributária pela norma individual e concreta pois feita a incidir por quem não tinha competência no momento da aplicação. De modo que, sendo a competência exercida incompatível com o regramento especifico dado pelos enunciados prescritivos atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, a norma secundária aplicável pelo descumprimento da norma primária é a de invalidade do ato administrativo de lançamento. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade material do auto infração ante a irregularidade insanável na emissão do MPF. r Luiz Roberto Do - ingo / 8 Processo n° 10183.004932/2002-54 53-C1TI Acórdão n.° 3101-00.221 Fl. 1.023 Voto Vencedor Conselheiro Tarásio Campeio Borges, Redator Designado Discordo das conclusões do eminente relator apenas no que respeita ao pretendido caráter material da nulidade declarada. Com efeito, não entendo que a ausência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) regularmente expedido seja suficiente para macular a competência do auditor-fiscal outorgada por lei. No entanto, considero o MPF um requisito formal indispensável nas auditorias fiscais no âmbito da Receita Federal. Essa é a regra geral que impõe a regular expedição do mandado como formalidade indispensável para o inicio, para o desenvolvimento e para o encerramento dos trabalhos externos. Outrossim, a inobservância dessa norma procedimental macula de nulidade formal o ato administrativo de lançamento, consoante definição contida no artigo 2°, parágrafo único, alínea "b", da Lei 4.717, de 29 de junho de 1965, que regula a ação popular, verbis: Ard 2°[..j Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar- se-ão as seguintes normas: b) o vicio de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade formal do auto de infração ante a irregular emissão do MPF. Tarásiãampe &Borges 9
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Numero do processo: 10970.000131/2009-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 14/04/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES À FISCALIZAÇÃO
Constitui infração a empresa deixar a empresa de prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.481
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES À FISCALIZAÇÃO Constitui infração a empresa deixar a empresa de prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto E Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0928.624 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação contra o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória. Segundo a fiscalização, a autuação decorreu do fato de a empresa não ter apresentado as informações em meio digital na forma estabelecida. A empresa submetida a ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal N° 0610900.2009.00161 no período de 01/2005 a 12/2006 sendo intimada a apresentar documentos através Termo de Início de Procedimento Fiscal datado de 10/03/09. Está sendo autuada por não apresentar informações em meio digital nos exercícios 2005 e 2006 referente sua Escrituração Contábil no formato Manad de acordo com o disposto na Portaria MPS/SRP n° 058/2005 Manad versão 1.0.0.1 vigente de 31.01.05 a 31.05.06 e IN/MPS/SRP n° 012/2006 que aprova a versão Manad 1.0.0.2, vigente a partir de 20.06.06. Dessa forma, houve infringência ao previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, III e na Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 8°, combinados com o art. 125, III e § 22 (acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado peio Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Constatamos que a empresa é usuária do sistema de processamento de dados em consulta à DIPJ dos anos 2006 e 2007 referente aos anos calendários de 2005 e 2006 respectivamente, ficha 58A (anexa), declarando sua escrituração em meio Magnético. Esclarecemos que devido ao volume de dados a serem analisados demanda a utilização de tais ferramentas de modo a otimizar os resultados da ação fiscal em termos de tempo, eficiência e qualidade. Abaixo são apresentados descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada e dispositivos legais da gradação da multa aplicada: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da . Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de Fl. 69DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.000131/200910 Acórdão n.º 240300.481 S2C4T3 Fl. 65 3 dados, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III e na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 8., combinados com o art. 225, III e parágrafo 22 (acrescentado pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, a partir de 01/07/2003. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "b" e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. Foi aplicada multa de R$ 13.291,66 e está registrado que não houve circunstâncias agravantes ou atenuantes. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese, que: • A imposição de penalidade pelo fato do contribuinte não ter entregue os arquivos digitais em . um determinado "layout" e que não influenciam na materialidade da Obrigação Tributária Principal, não tem razão de existir. • Prejuízo algum sofreu a fiscalização. • Todos os documentos e esclarecimentos, bem como procedimentos exigidos pela fiscalização foram atendidos. • Não houve qualquer imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação principal. É o Relatório. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. A autuação ocorreu por a recorrente não apresentar informações em meio digital nos exercícios 2005 e 2006 referente sua Escrituração Contábil no formato estabelecido pelo Fisco. Registra o Relatório Fiscal que a empresa é usuária do sistema de processamento de dados. Constatamos que a empresa é usuária do sistema de processamento de dados em consulta à DIPJ dos anos 2006 e 2007 referente aos anos calendários de 2005 e 2006 respectivamente, ficha 58A (anexa), declarando sua escrituração em meio Magnético. A recorrente não nega o fato que motivou a autuação. Entendo o lançamento procedente. Conclusão À vista do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 71DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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