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Numero do processo: 16095.720155/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
AUSÊNCIA DE NULIDADES.
Não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte e o lançamento se encontra devidamente motivado e enquadrado nos dispositivos legais pertinentes.
COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS.
O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS.
No âmbito da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos depósitos, bem como do correto oferecimento da respectiva receita à tributação ou da circunstância de não se tratar de receita ou de se tratar de receita não tributável ou isenta. Contudo, no caso, a intimação fiscal não deixou claramente definido quais os depósitos que a fiscalizada deveria comprovar, referindo-se apenas à necessidade de comprovação da diferença entre o total dos valores creditados/depositados e o montante das receitas declaradas em DIPJ, e, ademais, não analisou corretamente a resposta da contribuinte à intimação fiscal, em que foi apresentada a comprovação da escrituração e da origem de montante inclusive superior àquele que foi objeto da intimação.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL.
Aplica-se ao lançamento da CSLL, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar integralmente as exigências decorrentes da infração 0001 do auto de infração. Vencido o Relator que dava parcial provimento em menor extensão para afastar apenas parte da infração 0001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé.
(assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto Relator.
(documento assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luís Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte e o lançamento se encontra devidamente motivado e enquadrado nos dispositivos legais pertinentes. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. No âmbito da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos depósitos, bem como do correto oferecimento da respectiva receita à tributação ou da circunstância de não se tratar de receita ou de se tratar de receita não tributável ou isenta. Contudo, no caso, a intimação fiscal não deixou claramente definido quais os depósitos que a fiscalizada deveria comprovar, referindose apenas à necessidade de comprovação da diferença entre o total dos valores creditados/depositados e o montante das receitas declaradas em DIPJ, e, ademais, não analisou corretamente a resposta da contribuinte à intimação fiscal, em que foi apresentada a comprovação da escrituração e da origem de montante inclusive superior àquele que foi objeto da intimação. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. Aplicase ao lançamento da CSLL, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 55 /2 01 3- 17 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar integralmente as exigências decorrentes da infração 0001 do auto de infração. Vencido o Relator que dava parcial provimento em menor extensão para afastar apenas parte da infração 0001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto – Relator. (documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luís Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto. Relatório Em apertada síntese, tratase de auto de infração lavrado para a exigência de IRPJ e CSLL no valor de R$ 6,6 milhões, mais multa de 75%. Entendeu o Sr. AuditorFiscal (AFRF) que a ora Recorrente: i) não comprovou a origem de R$ 18 milhões depositados em sua conta bancária; e ii) considerou como ato cooperado o que não é. Pois bem. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 683/703) interposto contra o Acórdão nº 1656.331 (fls. 648/667), proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), na sessão realizada em 21/03/2014, que, por Fl. 897DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 4 3 unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e, no mérito, julgou improcedente os pedidos constantes na impugnação protocolada pela UNIMED DE GUARULHOS. Em suma, em 08/02/2012 (Fls. 03/04), a Contribuinte foi intimada do início do procedimento fiscal, cujo objetivo era verificar a regularidade das obrigações principais e acessórias no anocalendário 2009. Nesse mesmo termo, o Sr. AFRF, dentre outros, solicitou os “extratos bancários de todas as contas em sua titularidade em que ocorreram movimentação financeira, inclusive aplicações, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009” – fl. 03. Após o protocolo de petições por parte da Contribuinte, contendo, dentre outros documentos, os “extratos bancários de todas as contas de sua titularidade” (fls. 05120 e 127133), em 22/01/2013, o Sr. AFRF enviou novo Termo de Intimação Fiscal, desta vez listando supostas inconsistências encontradas nas contas bancárias da Cooperativa, que totalizavam R$ 18.226.630,51. Nesse documento a Autoridade também fez constar: “Segue anexo a esta intimação, arquivo digital que contém planilha no formato Excel de todos os depósitos identificados individualizadamente, devidamente autenticado pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA. Tal planilha deverá preenchida pelo contribuinte na coluna determinada ‘justificativas dos valores que não foram computados na Base de Cálculo do Imposto e Contribuições’, devidamente comprovados com documentos hábeis e idôneos, cujo arquivo deverá ser devolvido ao AuditorFiscal signatário” – fl. 246. Em petição datada de 05/02/2013 (fl. 352/354), a UNIMED DE GUARULHOS alegou: “Constatamos que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ, não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Essa receita foi registrada como redutora na Linha 43 – Ficha 04A” – fl. 352 (...) “Além do mais, constatamos divergência no preenchimento da linha 43 – Ficha 04A e Linhas 17 e 32 –Ficha 05A. Onde os valores foram registrados parcialmente em ambas as linhas [Ou seja, a empresa a alega que deixou de contabilizar R$ 7,7 milhões a título de Despesa Operacional]” – fl. 353. (...) Portanto, conforme demonstrado no quadro, o valor da receita é maior que os valores da movimentação bancária apresentada. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 5 4 Quanto às outras divergências referentes a recebimento e receita, acreditamos que a receita foi contabilizada pelo período de cobertura do plano de saúde, que é o procedimento estabelecido pela Agência Nacional de Saúde. Desta forma, os valores de cruzamento entre receita e crédito bancários serão divergentes devido aos critérios de registro” – fl. 354. Em 13/02/2013, a Contribuinte peticionou novamente, juntando aos autos “CDR contendo i) Esclarecimento com planilha com demonstrativo” – fl. 355/356. Novo protocolo foi feito em 02/04/2013 (361/2): “Primeiramente, informamos que a receita decorrente de intercâmbio, nas constas contábeis 4.1.2.7.1.01.01 é oriunda de Ato Cooperativo. (...) Frisase ainda que para demonstrar a própria relação de intercâmbio entre Cooperativa e outras Unimeds, demonstramos também no CD todas as faturas emitidas no ano de 2009 (origem dos recursos utilizados)” – fls. 361/2. Em 28/05/2013, o Sr. AFRF intimou a Contribuinte para “Manifestar com relação aos ‘Demonstrativos de Cálculo de Percentual para Segregação dos Atos Cooperados e NãoCooperados’ que seguem anexos ao presente” – fl. 369. A resposta foi apresentada em petição datada de 24/06/2013 (fl. 378). Por fim, em 27/08/2013 foi lavrado “Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade” – fl. 382/399, que assim relatamos: MONTANTE DE DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA “Após a execução dos procedimentos mencionados nos itens “a’ e “b” [exclusão de transferências interbancárias da mesma titularidade e expurgos de créditos] acima, resultouse na apuração dos valores dos depósitos a serem comprovados pelo contribuinte [R$ 18.226.630,51]” – fl. 385. DA ORIGEM DOS RECURSOS SEGUNDO A CONTRIBUINTE “O contribuinte apresentou em 05/02/2013 em resposta a intimação acima (22/01/2013), os esclarecimentos com demonstrativos em papel e arquivos digitais alegando que tais inconsistências apontadas pela Fiscalização, no valor de R$ 18.226.630,51, seriam Fl. 899DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 6 5 recursos movimentados à título de ‘Intercâmbio C.O – Intercâmbio Custo Operacional” com outras Unimeds” – fl. 386. (...) “No entanto, não houve atendimento nos moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal por parte da empresa, ou seja, para ‘comprovação de créditos/depósitos individualizadamente das diferenças apuradas’, nem apresentação de documentos comprobatórios” – fl. 386. (...) “Na data de 01/04/2013, em atendimento a intimação de 28/02/2013, a fiscalizada esclareceu conforme a descrição que segue abaixo, in verbis, que o evento ‘Intercâmbio C.O.’ é oriundo de Ato Cooperativo” – fl. 387. (...) “Até a presente data, não houve resposta satisfatória a fim de firmar convicção deste Auditor que os recursos apontados pelo contribuinte, a título de ‘Intercâmbio C.O’ tenham transitado integralmente nas movimentações bancárias conforme alega o mesmo. Também não houve atendimento das intimações nos moldes solicitados no Termo de Verificação Fiscal” – fl. 388. (...) “Diante dos fatos acima, somos autorizados a presumir omissão de receitas conforme a tabela abaixo [R$ 18.226.630,51]” – fl. 388. DO ERRÔNEO ENQUADRAMENTO DE TODAS AS MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS COMO SENDO ATOS COOPERATIVOS “Verificamos em sua contabilidade que o contribuinte não destacou em sua escrituração as receitas não compreendidas no conceito de ato cooperativo, bem como os correspondentes custos, despesas e encargos, a fim de permitir a apuração do lucro a ser tributado, ou seja, ele escriturou todas as movimentações financeiras como sendo atos cooperativos” – fl. 390. DO RATEIO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA “Utilizamos o rateio nos moldes dos art. 80 e seu parágrafo e art. 81 desta mesma Lei que define o cooperativismo” – fl. 393. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 7 6 “Calculamos a média trimestral dos percentuais de rateio conforme tabela 6 abaixo, utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte, nas tabelas acima [1º Tri. 58%; 2º Tri. 65%; 3º Tri. 62%; e 4º Tri. 71%]” – fl. 396. DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA “Compensamos o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa os períodos anteriores, extraídos do nosso sistema de informação – Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI) e Demonstrativos de Compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SACS), nos valores de R$ 2.077.417,23 e R$ 2.161.033,47, respectivamente” – fl. 399. Foram lavrados Autos de Infração (fl. 400/439), para constituição de IRPJ e CSL, referente ao anocalendário de 2009, nos seguintes valores: Tributo Multa Total IRPJ R$ 4.924.982,61 R$ 3.693.736,96 R$ 8.618.719,57 CSLL R$ 1.774.108,28 R$ 1.330.581,21 R$ 3.104.689,49 TOTAL R$ 6.699.090,89 R$ 5.024.318,17 R$ 11.723.409,06 Assim foram descritas as infrações no auto de infração (fl. 402): “001 – RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS RECEITAS OPERACIONAIS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Receitas operacionais escrituradas e não declaradas, apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades em anexo. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei nº 9.249/95 Art. 247,248, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279e 280 do RIR/99.” “002 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 901DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 8 7 RESULTADOS DE SOCIEDADE COOPERATIVAS – INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS Valores relativos ao resultado de sociedade cooperativas excluídos indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, em razão da inobservância de requisito (s) legal (is) autorizador (es) da não incidência do imposto, conforme Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidade em anexo. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei nº 9.249/95 Art. 182, 247, e 250 do RIR/99.” Com idêntica descrição, apenas alterando a fundamentação legal, foi lavrado auto de infração de CSL. A intimação do auto de infração ocorreu em 29/08/2013 (fl. 442), uma quintafeira. Em seguida, à fl. 445, foi lavrado Termo de Revelia. Todavia, em 17/12/13 a Contribuinte peticionou informando o erro do Fisco (447/567), juntando documentos, dentre eles, a cópia da Impugnação protocolada em 30/09/2013 (fl.461). Em 08/01/2014 (fl. 646) o Fisco reconheceu o erro e juntou aos autos a impugnação e os documentos acostados pela Contribuinte (fls. 569/643). A defesa assim foi relatada pelo d. Relator da DRJ (fls. 651/653): “a) A Unimed não presta serviços médicos (que são próprios dos médicos cooperados), mas tem por escopo precípuo ‘a geração de condições para o exercício das suas atividades profissionais, disponibilizandolhes serviços especializados e complementares para a saúde, como recursos próprios ou contratados.’ (art.2º do Estatuto). b) A Impugnante presta serviço por meio seus médicos cooperados e também através dos hospitais, laboratórios e clínicas de sua rede credenciada, ou seja, todo valor arrecadado por esta Cooperativa é revertido aos seus associados, devendo ser procedidas as deduções relativas aos atos exercidos entre a mesma e seus associados, os quais inserem no chamado do ato cooperativo. c) Em verdade, as operadoras de planos de saúde (e também essa impugnante) tem o faturamento quase que integralmente destinado a sua reversão em benefício dos usuários do plano de saúde. Daí porque a identificação da taxa de administração da Fl. 902DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 9 8 operação é o parâmetro adequado (seria o ato não cooperativo) para a definição do percentual relativo à sobra, critério para apuração do IRPJ e do CSLL. d) Quanto ao recolhimento de PIS/COFINS, o Auditor Fiscal havia acolhido a dedução do valor relativo ao ato cooperativo (reconhecendo, portanto, o ato não cooperativo, que se identifica com a taxa de administração) promovida pela Impugnante, entretanto cometeu equívoco no que se refere à análise a tal dedução, entendendo de forma errônea que a mesma ocorreu em duplicidade, o que não é verídico. e) No que tange ao recolhimento de IRPJ/CSLL, o Fisco não compreendeu as demonstrações contábeis promovidas pela Impugnante, a qual as efetuará de forma minuciosa, especificando os valores recolhidos, e os decorrentes do ato cooperativo (ou seja, da taxa de administração), a fim de demonstrar que não houve qualquer inconsistência nas informações prestadas por meio da DIPJ. (...) k) A Impugnante esclareceu que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receita, e sim como redução da despesa (conta 4.1.2.1.7.01.01.01). l) A impugnante apresentou demonstrativo com as reclassificações, bem como o envio dos ratões contábeis e faturas. m) Ocorre que deve haver a dedução dos atos cooperativos praticados pela Impugnante, uma vez que os valores deles decorrentes são revertidos em prol do usuário da própria Cooperativa/Impugnante. Ou seja, a apuração da sobra tributável deve seguir o percentual relativo à taxa de administração. n) Tal regime é adotado também para as atividades de agência de viagens e para as imobiliárias. Na hipótese da agência, esta deduz as despesas contraídas, atinentes às passagens, e prestação de serviços efetuada por hotéis, afigurandose desta forma como intermediária das atividades praticadas pelos prestadores de serviços. o) A ora impugnante, na qualidade de cooperativa. não presta serviços médicos (que são próprios dos médicos cooperados), mas tem por escopo simplesmente reunir recursos para prestar serviços ao seu corpo social, o que a caracteriza como intermediária dos serviços prestados pelos seus médicos cooperados, laboratórios, clínicas e hospitais. p) O IRPJ e a CSLL são apuráveis mediante a aplicação de percentual da taxa de administração sobre sobra (se existente). Desta forma o IRJP e a CSLL não podem incidir sobre o Fl. 903DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 10 9 faturamento, ou parcela dele, como quer o fisco no presente procedimento fiscal. q) As receitas de uma operadora de planos de saúde, mormente cooperativa, não integram o seu patrimônio, nem configuram lucro ou sobras, razão pela qual podese inferir veementemente que elas são transitórias. r) Frisase assim que esta relação existente entre a ora impugnante e seus associados (médicos, laboratórios, clínicas e hospitais) insere no conceito de ato cooperativo, nos termos do artigo 79 da lei 5764/71, a qual dispõe sobre o sistema cooperativo, vale dizer, a incidência do IRPJ E CSLL tem como base de cálculo a relação decorrente da apuração de percentual relativo à taxa de administração sobre eventual sobra. s) Requer que seja reconhecido que não houve dedução em duplicidade em relação ao recolhimento de PIS/COFINS; e no que tange ao IRPJ/CSLL que deve haver a redução da base de cálculo para contemplar tão somente as atividades que não se inserem no ato cooperativo.” Em 21/03/2014, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), por meio do acórdão nº 1656.331 (fls. 648/667), por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. O aludido acórdão restou assim ementado à fl. 648: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COOPERATIVA DE TRABALHO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei n° 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades Fl. 904DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 11 10 cooperativas. Nas relações jurídicas firmadas entre as cooperativas e terceiros, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), ou de credenciados para prestarem serviços aos cooperados, incide normalmente o IRPJ e a CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” As razões que levaram a essa conclusão podem ser assim resumidas: DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO “A contribuinte foi cientificada em 29/08/2003 (fls. 442). A impugnação foi protocolada em 30/09/2013, logo, é tempestiva e deve ser conhecida” – fl. 654. DO NÃO CONHECIMENTO DE PARTE DA IMPUGNAÇÃO: AUTO DE INFRAÇÃO DE PIS E COFINS “Neste processo apenas serão apreciadas as alegações relativas à tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que os lançamentos envolvendo a legislação específica de PIS e COFINS serão objeto do processo administrativo nº 16095.720156/201361” – fl. 654. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA “A impugnante afirma que o Fisco não compreendeu as demonstrações contábeis apresentadas e que não houve qualquer inconsistência nas informações prestadas por meio da DIPJ. Podemos exemplificar a situação encontrada pela fiscalização a partir do confronto do Livro Razão com o extrato bancário da conta corrente nº 15.566X, na agência 32220, do Banco do Brasil” – fl. 657. (...) “Eventual erro na classificação da conta Intercâmbio C.O não explica a falta de registro de valores creditados na conta corrente e não contabilizados. Seja a que título ocorreu o depósito – receita ou despesa – os montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 12 11 Os demonstrativos com as reclassificações apresentados pela contribuinte apenas se referem aos valores contabilizados, e não àqueles que ficaram à margem da escrituração” fl. 660. DO CRITÉRIO DE ESCRITURAÇÃO ESTABELECIDO PELA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE “Segundo a contribuinte as outras divergências – no caso o montante de R$ 20.078.817,70 (154.168.399,35 – 134.089.581,65) – seriam explicadas pelo procedimento contábil estabelecido pela Agência Nacional de Saúde, qual seja, o critério de registro pelo período de cobertura do plano de saúde resultaria na divergência entre a receita e os créditos bancários. (...) Verificase que o critério do registro pelo período de cobertura do risco aplicase apenas aos contratos com preços préestabelecidos. A contribuinte possui também contratos na modalidade de custo operacional, onde o cliente paga à operadora pelos serviços efetivamente prestados. Cabe à contribuinte demonstrar a existência de tais diferenças, não bastando a alegação genérica de sua ocorrência, desacompanhada de qualquer demonstrativo ou discriminação das diferenças em relação às modalidades de pagamentos adotadas” – fl. 660. (...) “A discussão relativa ao ato cooperado não se aplica aos valores não contabilizados. Aliás, como não há contabilização é difícil saber qual a natureza do numerário recebido” – fl. 660. (...) “Por fim, também não são procedentes as alegações de que a incidência do IRPJ e CSLL tem como base de cálculo a relação decorrente da apuração de percentual relativo à taxa de administração sobre eventual valor. Isto porque, a origem dos depósitos não foi comprovada, não sendo possível verificar a natureza dos valores mantidos à margem da escrituração contábil. Por conseguinte, a exigência relativa a este tópico deve ser integralmente mantida” – fl. 663. DO ATO COOPERADO “Além dos depósitos bancários de origem não comprovada, a fiscalização constatou que a cooperativa excluiu do lucro real e da base de cálculo negativa da CSLL Fl. 906DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 13 12 integralmente o valor do lucro líquido apurado nos quatro trimestres – linha 53 da Ficha 09A – Result. Não Trib. De Soc. Cooperativas e linha 46 da Ficha 17 – Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas” – fl. 663 (...) “A contribuinte recebe contraprestações dos usuários dos planos de saúde, presta serviços por meio de seus laboratórios e hospitais credenciados, e realiza aplicações financeiras, ou seja, fornece bens e serviços a não associados. Em outras palavras realiza atos não cooperativos” – fl. 664. (...) “Ou seja, são atos cooperativos apenas aqueles praticados entre a Cooperativa e seus médicos, ou com outras cooperativas” – fl. 664. (...) “Conforme já relatado a fiscalização calculou a média trimestral dos percentuais de rateio utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte. (...) “Na impugnação a contribuinte não contestou os percentuais de rateio utilizados. Além disso, não apresentou alegação específica em relação à glosa da exclusão efetuada pela fiscalização. Também não identificou o montante da ‘taxa de administração’ que considera o parâmetro adequado como critério para apuração do IRPJ e da CSLL” – fl. 666. DA JUNTADA DE DOCUMENTOS “Por fim, quanto ao pedido genérico de anexar aos autos ‘tantos documentos quanto foram necessários para o esclarecimento do aqui exposto’, deve ser mencionada a regra do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972” – 666. Em 16/04/2014 (fl. 680) a Contribuinte foi intimada da decisão, da qual recorreu em 15/05/2014 (fl. 683/703 e anexos fls. 706/836). Foram apresentados os seguintes argumentos para a reforma do acórdão: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA “Insta registrar que referidos documentos (os quais seguem anexo ao presente recurso), ainda não estavam em posse da ora Recorrente, uma vez que a Unimed sofreu a Fl. 907DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 14 13 fiscalização concernente à competência de 2009, e os documentos estavam arquivados, sendo certo que demandou tempo considerável para estarem sob posse da ora Recorrente” – fl. 686. (...) “Os valores relativos aos intercâmbios verificamse por meio de encontro de contas, documento este que a Recorrente não teve a oportunidade de apresentar perante o fisco federal, em notável violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, consagrados pela nossa carta Magna” – fl. 687. (...) Diante do exposto acima, requer a recorrente seja integralmente anulada a decisão prolatada pela Delegacia de Julgamento, posto que violadora dos princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal” – fl. 688. DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS “A Impugnante esclareceu que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receia, e sim como redução de despesa. Constatou a Recorrente que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ (abaixo descrita), não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Esta receita foi registrada como redutora de despesa, na Linha 43 – Ficha 04A, conforme quadros demonstrados abaixo” – fl. 688/9. (...) Portanto, conforme demonstrado no quadro, o valor da receita é maior que os valores da movimentação bancária apresentada” – fl. 690. (...) “A Recorrente havia apresentado demonstrativo com as reclassificações, bem como envio dos razões contábeis e faturas no início do procedimento de fiscalização instaurado pela Receita Federal, entretanto tanto as considerações tecidas, como as aludidas documentações restaram preteridas pelo órgão” – fl. 691. (...) “Ora, à guisa de exemplo, se a Recorrente deve R$ 10.000,00 para outra Unimed e tem a receber R$ 80.000,00, ela deixa de pagar os R$ 10.000,00 e recebe R$ 70.000,00, entretanto não necessariamente constará em seu registro contábil o valor de R$ Fl. 908DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 15 14 80.000,00 em razão de ter sido efetuada a compensação, a qual encontrase prevista em lei [Lei nº 9.430/1996, art. 2º, §4º]” – fl. 694. (...) “O único valor que constará no registro contábil é o valor final que a Recorrente recebeu em razão de ter efetuado o intercâmbio com as outras Unimeds, e após ter sido efetuada a compensação. Todas as quantias relativas ao intercâmbio encontramse descritas no encontro de contas (o qual segue anexo), e que a Recorrente não teve a oportunidade de exibir quando da fiscalização. Outro ponto que deve ser levado em conta, reside na questão de ter havido um erro de critério por parte da delegacia de julgamento, uma vez que as faturas (anexas ao procedimento administrativo instaurado), por meio das quais a Unimed receberia valores não demonstra que tal crédito ocorreria no mês em que a mesma foi emitida, até mesmo porque há valores que a Recorrente recebe prorata, ou seja, de forma dividida! Em 20/01/2009, a Recorrente emitiu uma fatura no valor de R$ 66.305,26, sendo certo que no livrorazão, constou o crédito em 11/02/2009, ou seja, em fevereiro do aludido ano ocorreu o efetivo recebimento do montante ao qual a recorrente fazia jus” – fl. 696. (...) “Segue abaixo tabela em que consta o montante que a Recorrente entende devido a título de IRPJ, mesmo se desconsiderados os valores atinentes ao ato cooperativo (R$ 3.061.658,55)” – fl. 701. DO ATO COOPERATIVO “Os valores recebidos a título de intercâmbio não integram o patrimônio da recorrente, pois são receitas transitórias, razão pela qual inferese que a mesma declarou inclusive valor a maior perante o Fisco Federal, pois contemplou justamente os recebimentos concernentes ao aludido sistema. (...) Ora, a própria Delegacia de Julgamento consignou na Decisão ora hostilizada que devem ser excluídos os valores recebidos de outras cooperativas” – fl. 697. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 16 15 Voto Vencido Conselheiro Relator João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Passemos à análise dos pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09/06/2015, doravante denominada “Novo Regimento Interno do CARF” (ou RICARF). Nos termos do art. 2º, incisos I e II, do Regimento Interno do CARF1, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de IRPJ e CSLL. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado (fl. 703) habilitado nos autos por meio de procuração (fl. 640) outorgada pelo Diretor Presidente da pessoa jurídica recorrente (fls. 594 e 622). Quanto à tempestividade, a decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/SP1 em 21/03/2014 (fl. 648/667) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 16/04/2014, uma quarta feira (fls. 680/1), e o recurso foi interposto em 15/05/2014, uma quintafeira (fl. 683), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33, do Decreto n° 70.235/72, afinal o dies ad quem era 16/05/2014, uma sextafeira. Nesse caminho, recebo o recurso voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, seguem os pontos controvertidos: 1. O Fisco impediu a Contribuinte de juntar documentos? Caso isso tenha ocorrido, houve cerceamento do exercício do direito de defesa? 2. A Contribuinte provou a origem dos depósitos bancários apontados pelo Fisco no valor de R$ 18.226.630,51? 1 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 910DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 17 16 3. Caso tenha sido decidido que a Contribuinte não provou a origem dos depósitos bancários, tal montante deve ser classificado como ato cooperativo? 4. Há fundamento legal para o Sr. AFRF oferecer à tributação parte da receita da cooperativa? III. DO ALEGADO CERCEAMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA A Contribuinte pede que seja decretada a nulidade da decisão prolatada pela e. DRJ, argumentando o seguinte: “Frisase ainda que os valores relativos ao sistema de Intercâmbio podem ser constatado por intermédio do ENCONTRO DE CONTAS, o qual a Recorrente não teve a oportunidade de acostar ao Procedimento Administrativo, o que enseja inclusive a NULIDADE do decisão ora guerreada, em razão de operar o CERCEAMENTO DE DEFESA!!!” (sic)– fl. 685. (...) “Inicialmente, cumpre apontar que a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento padece de flagrante vício de NULIDADE, uma vez que foi prolatada sem que tenha sido dada a devida oportunidade à empresa autuada de juntar os documentos comprobatórios de seu direito, manifestado expressamente quando da impugnação protocolizada!!!” (sic) – fl. 685. A decisão à qual a Contribuinte se refere à seguinte: “Por fim, quanto ao pedido genérico de anexar aos autos ‘tantos documentos quanto forem necessários para o esclarecimento do aqui disposto’, deve ser mencionada a regra do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972” – fl. 666. Essa decisão da e. DRJ apreciou o seguinte pedido que constou na Impugnação, o qual segue transcrito abaixo integralmente: “Por fim, requer prazo suplementar a fim de que possa juntar ao presente Processo Administrativo as planilhas que demonstram os valores recolhidos pela Impugnante a título de IRPJ/CSLL. Requer a oportunidade de realizar prova e levar aos autos tantos documentos quanto forem necessários para o esclarecimento do aqui disposto” – fl. 586. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 18 17 Não assiste razão à contribuinte. A Contribuinte foi intimada do início da fiscalização em 08/02/2012 (fls. 03/04) e em 29/08/2013, ou seja, dezoito meses depois, tomou ciência da lavratura do auto de infração (fl. 441/2). A Impugnação, por sua vez, foi protocolada em 30/09/2013 (fl. 569) e apenas seis meses depois foi prolatado o Acórdão DRJ nº 1656.331 (fl. 648). Vejam que a despeito de a decisão do d. colegiado da Delegacia de Julgamento só ter ocorrido seis meses depois do protocolo da impugnação, a contribuinte não juntou aos autos “os documentos comprobatórios de seu direito”. Ademais, não é razoável que documentos do anocalendário de 2009 “demandem tempo considerável para estarem sob a posse da Recorrente”, afinal a fiscalização se iniciou em fevereiro de 2012. Em suma, deve ser rejeitado o pedido referente à decretação de nulidade da decisão da d. DRJ sob o argumento de cerceamento do exercício do direito de defesa. Todavia, os documentos acostados ao Recurso Voluntário serão apreciados por esta d. Turma do e. CARF, nos termos do art. 16, § 6º, do DL 70.235/722. IV. DA PRESUNÇÃO SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS CONTIDA NO ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96 No termo de início do procedimento de fiscalização, dentre outros documentos, o Sr. AFRF solicitou à Contribuinte os “extratos bancários de todas as contas em sua titularidade em que ocorreram movimentação financeira, inclusive aplicações, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009” – fl. 03. Após a apresentação de tais documentos pela Contribuinte (fl. 383), o Sr. AFRF afirma ter consolidado os lançamentos, excluído as transferências bancárias entre contas da mesma titularidade e expurgado diversos créditos, tendo, por fim, apurado “valores dos depósitos a serem comprovados pelo contribuinte [R$ 18.226.630,51]” – fl. 385. Em 22/01/20013 (fl. 247) a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem de parte dos depósitos bancário. Dessa intimação deve ser transcrita a seguinte passagem: 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 912DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 19 18 “Segue em anexo a essa intimação, arquivo digital que contém planilha no formato Excel de todos os depósitos identificados individualizadamente, devidamente autenticado pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA. Tal planilha deverá ser preenchida pelo contribuinte na coluna determinada ‘justificativas dos valores que não foram computados na Base de Cálculo do Imposto e Contribuições’, devidamente comprovados com documentos hábeis e idôneas, cujo arquivo deverá ser devolvido ao AuditorFiscal signatário” – fl. 246. Pois bem. Antes de prosseguirmos, vejamos o fundamento legal apresentado pela autoridade administrativa no TVF (fl. 388), qual seja, o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Da análise do aludido dispositivo, extraise que a lei criou uma presunção de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. É dizer, após a intimação do contribuinte para que ele comprove a origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes, passa a ser ônus dele a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar tudo aquilo que não foi justificado como omitido. Igualmente por ser ônus da Contribuinte, não cabe a alegação de que a Fiscalização deveria ter analisado, meticulosamente, cada um dos depósitos bancários efetivados na conta da pessoa jurídica, bem como analisado os livros contábeis e fiscais, como afirma a Cooperativa em seu Recurso Voluntário: “Isso porque todas as documentações exibidas pela Recorrente, a saber livrorazão, planilhas, demonstram o efetivo recebimento e as despesas contraídas pela Recorrente” – fl. 691. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 20 19 (...) “Consignese que no livrorazão, que encontrase sob poder da Receita Federal consta a data do efetivo recebimento dos valores pela recorrente, não podendo a autoridade fiscal pautarse apenas pelas informações prestadas por intermédio da declaração de imposto Pessoa Jurídica (DIPJ)” – fl. 696. A despeito de a legislação impor à Contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos, o que temos nos autos são alegações genéricas e documentos meramente anexados, sem nenhuma explicação consistente por parte da pessoa jurídica. A linha de defesa da Contribuinte é “que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receita, e sim como redução da despesa” – fl. 689. Em passagem mais adiante a Contribuinte “exemplifica” o erro: “Convém assinalar ainda que no que se refere às comprovações de recebimentos dos valores, no sistema de intercâmbio, o crédito da Recorrente é compensado com o débito em relação as outras UNIMEDS, razão pela qual o que a mesma tem a receber não encontrase contemplado na DIPJ. Ora, à guisa de exemplo, se a Recorrente deve R$ 10.000,00 para outra Unimed e tem a receber R$ 80.000,00, ela deixa de pagar os R$ 10.000,00 e recebe R$ 70.000,00, entretanto não necessariamente constará em seu registro contábil o valor de R$ 80.000,00 em razão de ter sido efetuada a compensação, a qual encontrase prevista em lei [Lei nº 9.430/1996, art. 2º, §4º]” – fl. 694. Ou seja, segundo a Contribuinte, a origem dos R$ 18 milhões é “receita com intercâmbio” – fl. 689 – entre cooperativas. Defende também que esse montante foi escriturado, já que “o único valor que constará no registro contábil é o valor final que a Recorrente recebeu em razão de ter efetuado o intercâmbio com as outras Unimeds, e após ter sido efetuada a compensação” – fl. 695. Não discorreremos sobre a regularidade do procedimento contábil supostamente adotado pela Recorrente, pois este não foi questionado no TVF / auto de infração. Todavia, quanto ao lançamento contábil alegado pela Contribuinte, não há provas nos autos. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 21 20 Caberia à Contribuinte provar que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ, não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Essa receita foi registrada como redutora na Linha 43 – Ficha 04A, conforme quadros demonstrados abaixo (fl. 352): Vejam que pela planilha acima não é possível ter certeza que os R$18,0 milhões foram considerados “como redutora na Linha 43 – Ficha 04A” – fl. 352. Em suma, o ônus de analisar os livros contábeis e fiscais e relacionálos com os valores indicados pelo Sr. AFRF, nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96, é da UNIMED Guarulhos. Quanto aos documentos acostados ao Recurso Voluntário (fls. 706/836), eles não têm valor probante, pois: i) não estão assinados; e ii) não foi feita correlação com os R$ 18 milhões apresentados pelo Sr. AFRF, ou seja, não provou que o valor constante no “encontro de contas” é o mesmo montante apresentado pelo Sr. AFRF. Vejamos um exemplo: Fl. 915DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 22 21 Em suma, a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a origem dos R$ 18 milhões, o que inviabiliza considerálo proveniente de ato cooperado. Desse modo, com fundamento no disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, correto está o procedimento adotado pela Administração Tributária, para considerar os valores creditados/depositados na conta corrente da Contribuinte como omissão de receita. V. DO ATO COOPERATIVO Antes de analisarmos o conceito legal de ato cooperativo, necessário se faz discorrer sobre as duas infrações impostas à Contribuinte, quais sejam: 1) Omissão de receita no valor de R$ 18.226.630,51 e, por consequência, considerar tal montante fruto de ato não cooperado, incluído, integralmente, à base de cálculo do IRPJ e da CSLL; e 2) Não destacou em sua escrituração contábil as receitas não compreendidas no conceito de ato cooperativo, bem como correspondentes custos, despesas e encargos (fl. 390), o que levou o Sr. AFRF a ratear as despesas e custos da sociedade, “utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte” – fl. 396. A partir dos dados constantes nas DIPJ, na movimentação bancária e no percentual de rateio informado pela Cooperativa, a autoridade administrativa recalculou o lucro Fl. 916DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 23 22 antes da compensação com o prejuízo fiscal (saldo de R$ 2.077.417,23) e com a base de cálculo negativa da CSLL (saldo de R$ 2.161.033,47) – fl. 399: Conta % Rateio CSP 58% 65% 62% 71% Outras Receitas Financeiras 100% 100% 100% 100% Outras Receitas Operacionais 58% 65% 62% 71% Despesas Operacionais 58% 65% 62% 71% Outras Despesas Financeiras 100% 100% 100% 100% Rubrica 1T 2T 3T 4T Receita Líquida R$ 21.235.736,79 R$ 24.276.648,50 R$ 24.592.443,92 R$ 24.543.759,24 Receita omitida R$ 2.673.169,09 R$ 4.521.278,64 R$ 4.847.646,14 R$ 6.184.536,64 CSP R$ 12.316.727,34 R$ 15.779.821,53 R$ 15.247.315,23 R$ 17.426.069,06 Outras Receitas Financeiras R$ 821.117,33 R$ 476.797,54 R$ 562.602,47 R$ 745.409,67 Outras Receitas Operacionais R$ 16.569.575,74 R$ 18.502.457,90 R$ 17.997.875,37 R$ 21.158.401,87 Despesas Operacionais R$ 4.040.164,81 R$ 2.420.372,35 R$ 2.137.792,54 R$ 2.907.424,43 Outras Despesas Financeiras R$ 98.886,62 R$ 51.156,84 R$ 483.304,81 R$ 278.485,17 Lucro Operacional R$ 3.608.083,40 R$ 5.249.183,37 R$ 5.539.711,40 R$ 7.476.369,51 Analisemos agora os argumentos da Cooperativa. No que tange à parcela do auto de infração referente ao ato cooperativo, a Contribuinte, em seu Recurso, fundamenta: “Ora, o intercâmbio inserese no conceito de ato cooperativo, razão pelas quais as despesas e créditos provenientes do referido sistema não podem ser levadas para fins de tributação, sob pena de preterir o cooperativismo, no qual se assenta a Recorrente...” – fl. 697. Pois bem. Este capítulo do acórdão deve decidir o que consiste “ato cooperativo” e determinar se o montante fruto de depósito bancário de origem não comprovada deve ser enquadrado como ato cooperativo. Lembro que a Unimed não recorreu do critério de rateio adotado pelo Sr. AFRF. Pois bem. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp. nº 58.265/SP, submetido ao rito do art. 543C, da Lei nº 5.869/66, pacificou o entendimento que “as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam ‘atos nãocooperativos’”. Esse entendimento, sem nenhuma surpresa, vem sendo adotado pela Corte, e, Fl. 917DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 24 23 em razão da semelhança com o caso em análise, merece transcrição a ementa do AgRg no AI nº 1.221.603/SP: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AI nº 1.221.603/SP, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 06/06/2013, T2 SEGUNDA TURMA) Fl. 918DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 25 24 Ademais, a então 2º Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, ainda na vigência do antigo RICARF (Portaria MF nº 256/2009), em respeito ao art. 62A do citado regimento, reproduziu, pelo menos em dois julgados recentes, o entendimento do STJ, sendo um, inclusive, da relatoria deste conselheiro: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado”. (Acórdão nº 1102001.150, julgado em 30/07/2014, Relatoria Cons. João Carlos de Figueiredo Neto. Decisão por unanimidade) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 COOPERATIVAS. OPERAÇÕES REALIZADAS COM TERCEIROS. Em face da decisão contida no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, as situações que constituam operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 1102001.319, julgado em 24/03/2015, Relatoria Cons. Ricardo Marozzi Gregório. Decisão por unanimidade) Em suma, nos termos da decisão proferida pelo eg. STJ no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 26 25 Sendo assim, a Unimed deveria ter escriturado em separado o “Os resultados das operações com não associados”, nos termos do art. 87, da Lei nº 5.764. Não o tendo feito, o Sr. AFRF agiu nos termos dos arts. 80 e 81 dessa Lei. Vejamos: Art. 80. As despesas da sociedade serão cobertas pelos associados mediante rateio na proporção direta da fruição de serviços. Parágrafo único. A cooperativa poderá, para melhor atender à equanimidade de cobertura das despesas da sociedade, estabelecer: I rateio, em partes iguais, das despesas gerais da sociedade entre todos os associados, quer tenham ou não, no ano, usufruído dos serviços por ela prestados, conforme definidas no estatuto; II rateio, em razão diretamente proporcional, entre os associados que tenham usufruído dos serviços durante o ano, das sobras líquidas ou dos prejuízos verificados no balanço do exercício, excluídas as despesas gerais já atendidas na forma do item anterior. Art. 81. A cooperativa que tiver adotado o critério de separar as despesas da sociedade e estabelecido o seu rateio na forma indicada no parágrafo único do artigo anterior deverá levantar separadamente as despesas gerais. (...) Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Decidida a questão atinente ao “ato cooperativo”, resta determinar se o montante fruto de depósito bancário de origem não comprovada deve ser enquadrado como ato cooperativo. Como fundamentado no tópico anterior, o ônus de provar a origem dos montantes depositados na conta bancária é da contribuinte. E, no caso, a Recorrente não trouxe as provas necessárias aos autos. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 27 26 Todavia, parte do valor omitido deve ser considerado como ato cooperativo, haja vista a presunção legal, desta vez em benefício da Cooperativa. Ora, como sabido, a Lei do Cooperativismo impõe a escrituração em separado dos “resultados das operações com não associados”, (art. 87, da Lei nº 5.764); quando isso não é feito, a separação deve ser feita por meio de rateio. No que toca à omissão de receita, o art. 288 do RIR/99 dispõe que “Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão”. Aqui, regime de apuração não deve ser interpretado apenas como “Lucro Real Trimestral, Anual, Presumido, Simples ou Arbitrado”. Entendo que “regime de apuração” está em um sentido mais amplo. Tomemos as cooperativas como exemplo. A legislação determina a escrituração separada de receitas de atos cooperados e de atos não cooperados; desrespeitado esse comando, deve ser adotado o rateio. Interpretando esse dispositivo legal em cotejo com o art. 288 do RIR/99, resulta no dever de a autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pelo Sr. AFRF. Em razão do exposto, deve ser desprovido o pedido para considerar a integralidade do valor omitido como ato cooperativo, mas os percentuais de rateios devem ser aplicados sobre o montante considerado omitido, fruto de depósito bancário de origem não comprovada. VI. CONCLUSÃO Dado o exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, haja vista o dever de a autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pela autoridade fiscal. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 921DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 28 27 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Em que pese o bem fundamentado voto do ilustre relator, ouso discordar de sua fundamentação e conclusão no que toca à parte do lançamento que trata dos depósitos bancários de origem não comprovada (infração 0001, também identificada no Termo de Verificação Fiscal, assim como nos autos de infração, como "receitas operacionais escrituradas e não declaradas"). De fato, conforme bem destacado no seu relatório e voto, o lançamento abrangeu duas infrações, sendo que, com relação à outra mencionada infração (infração 002, exclusão indevida do lucro real de resultados de sociedade cooperativa considerados pela fiscalizada como não tributáveis), consoante se verifica da exposição feita pelo relator, a fiscalização efetuou o rateio utilizando dados apresentados pelo próprio contribuinte (o contribuinte considerara todo o resultado como integralmente não tributável), sendo que o contribuinte não contestou, sequer em sede de impugnação, os fundamentos deste lançamento. Neste aspecto, confirase o seguinte parágrafo contido no acórdão da decisão recorrida, ao norte transcrito pelo relator: "Na impugnação a contribuinte não contestou os percentuais de rateio utilizados. Além disso, não apresentou alegação específica em relação à glosa da exclusão efetuada pela fiscalização. Também não identificou o montante da “taxa de administração” que considera o parâmetro adequado como critério para apuração do IRPJ e da CSLL. (fl. 666)" Assim, tendo em conta o quanto constou da defesa apresentada, correto o entendimento conferido pelo o i. relator ao destacar que deve ser "desprovido o pedido para considerar a integralidade do valor omitido como ato cooperativo", e a correção do trabalho fiscal, neste aspecto, posto que é "dever da autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pelo Sr. AFRF". Contudo, com relação aos depósitos bancários de origem não identificada, entende o i.relator que o valor da omissão de receita assim configurada pela fiscalização (e confirmada pelo relator) deveria ser objeto de proporcionalização, tendo em conta os mesmos percentuais já apurados pelo fisco no procedimento de ofício. Discordo deste posicionamento. No âmbito da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei 9.430/96, é do contribuinte o ônus da prova em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada, em todos os seus aspectos. Assim, por exemplo, cabe ao contribuinte comprovar o correto oferecimento da respectiva receita à tributação, no caso de se tratar de receita tributável, ou então comprovar que aquela receita considerada omitida corresponde a uma receita não tributável ou isenta, não havendo espaço na lei para a adoção de uma presunção, em favor do contribuinte, para se proceder a um eventual rateio das receitas omitidas em razão da proporção apurada com relação a outras receitas devidamente contabilizadas. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 29 28 No caso concreto, contudo, entendo que o valor integral das receitas lançadas pelo fisco como omitidas, tendo por fundamento o art. 42 da Lei 9.430/96, deva ser exonerado, pelos motivos expostos a seguir. Analisando atentamente a autuação levada a efeito, entendo, com a devida vênia, que não foram seguidos os procedimentos normalmente adotados em casos de lançamento fiscal tendo por fundamento o mencionado dispositivo. Em autuações fundadas no art. 42 da Lei 9.430/96, determina o dispositivo legal em questão que os créditos sejam analisados individualizadamente, ou seja, há de haver uma perfeita identificação de quais são os créditos cuja origem foi considerada não comprovada, até mesmo para que o contribuinte possa adequadamente contestar a imputação fiscal, buscando eventuais elementos de comprovação da origem daqueles específicos depósitos bancários que compõe a acusação fiscal. A fiscalização até chegou a fazer uma intimação na qual, em anexo ao termo, estão relacionados, de forma individualizada, cada um dos depósitos que compõe o montante de R$ 134.089.581,65 de movimentação bancária. Entretanto, no corpo do referido termo, a autoridade fiscal intima o contribuinte a "justificar e comprovar a diferença apurada no valor de R$18.226.630.51 (ver planilha 3), que se resultou do confronto dos valores creditados/depositados, após os expurgos dos valores que em tese não fazem parte das receitas tributáveis (ver planilha 1), e das outras receitas operacionais (ver planilha 2) informadas na linha 37, da Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2010, anocalendário 2009." Ou seja, a autoridade fiscal não identificou quais seriam os depósitos que comporiam o montante de R$18.226.630.51 cuja comprovação da origem deveria ser feita. Neste contexto, dado o caráter amplo e genérico da intimação feita, entendese perfeitamente o motivo de as respostas do contribuinte também terem se dado de forma ampla e genérica, sem uma exata vinculação a cada depósito bancário havido em suas contas. Não se pode condenálo por isto, nem entender que o fato de não têlo feito ensejaria a concretização da presunção legal de omissão de receitas em comento, em face da inversão do ônus da prova, encargo do qual não se teria desincumbido adequadamente. Observese, ademais, que o próprio anexo à intimação continha uma coluna em branco, após a discriminação do depósito bancário, a ser preenchida pelo contribuinte, a qual continha o seguinte cabeçalho: "Comprovar a origem dos créditos/depósitos que não foram computados na Base de Cálculo do impostos e contribuições" (grifei). Ora, segundo a resposta ofertada pelo contribuinte, conforme se demonstrará a seguir, na verdade não haveria nenhum crédito/depósito que não tenha sido computado na base de cálculo do imposto e contribuições. Assim, a rigor, de fato nada haveria a preencher na referida coluna. Em síntese, alegou o contribuinte que foi equivocada a análise fiscal calcada na análise da DIPJ em confronto com os depósitos bancários, pelos seguintes motivos: (i) no que toca às receitas de intercâmbio, estas se encontravam registradas na sua contabilidade não como receitas, mas sim em conta redutora de despesas; e (ii) os efetivos ingressos de numerário referentes ao intercâmbio, recebidos de outras Unimeds, são, em regra, inferiores aos valores faturados contra aquelas outras Unimeds, em face do prévio procedimento de compensação existente entre as cooperativas. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 30 29 Pelo primeiro motivo, demonstrou a contribuinte que o montante de lançamentos a crédito na conta de despesas, relativo ao intercâmbio, seria de R$ 40.883.812,63, valor este que é muito superior à reclamada diferença de R$18.226.630.51, identificada pelo fisco, entre a DIPJ e os extratos bancários. Já o segundo motivo, aliado ainda a diferenças intertemporais entre o reconhecimento da receita (embora em conta de despesa) e o seu efetivo recebimento (apenas pela diferença) justificaria a aparente incongruência decorrente do fato de a receita total ser, afinal, superior à própria movimentação bancária. Conforme dito, tal resposta encontrase em perfeita consonância e sintonia com o teor e a forma da intimação fiscal que lhe fora feita. Não se encontra na acusação fiscal, por outro lado, qualquer efetiva análise acerca das alegações acima mencionadas, as quais, ressaltese, haviam sido feitas pela fiscalizada ainda durante o procedimento fiscal. A autoridade fiscal apenas registra que "até a presente data, não houve resposta satisfatória a fim de firmar convicção deste Auditor que os recursos apontados pelo contribuinte, a título de 'Intercâmbio CO', tenham transitado integralmente, nas movimentações bancárias conforme alega o mesmo", e que "não houve atendimento das intimações nos moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal por parte da empresa." Na verdade, o contribuinte não alegou que todos os recursos a título de intercâmbio haviam transitado pela movimentação bancária, ao contrário, pelo teor de suas alegações, o total da receita contabilizada (assim considerada a receita contabilizada como tal somada à receita contabilizada como redução de custo) seria superior à movimentação bancária, em razão dos dois motivos já anteriormente citados. E, por outro lado, conforme já antes referido, devese entender que as intimações foram sim atendidas, quando considerado exatamente os "moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal." Restaria ainda analisar a questão da efetiva prova quanto ao teor das alegações feitas pela fiscalizada. Neste aspecto, recorro à análise feita pela DRJ, nada obstante a sua conclusão tenha se dado em sentido contrário ao que aqui se propõe. Referida análise contém, como se verá a seguir, de um lado, uma patente inovação em termos da acusação fiscal, e, de outro, em boa medida, a ratificação das alegações da fiscalizada quanto à sua forma de contabilização. Confirase: "Podemos exemplificar a situação encontrada pela fiscalização a partir do confronto do Livro Razão com o extrato bancário da conta corrente nº 15.566X, na agência 32220, do Banco do Brasil. Analisamos os lançamentos efetuados no dia 15 de junho de 2009: Lançamentos na conta 1.2.1.2.1.9.01.01.04 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 31 30 Confronto entre valores creditados na conta corrente e os registrados na contabilidade Podemos tecer as seguintes considerações a partir dos elementos constantes dos autos: • A contribuinte não registrou em sua contabilidade dois depósitos bancários com o histórico “631Desbloqueio de deposito”. • Como podemos notar, os valores recebidos a título de intercâmbio (relação da Unimed de Guarulhos com outras Unimeds) eram contabilizados da seguinte forma: 1) Pela emissão da fatura (exemplo do lançamento da FAT. 3125733/ 09 – U.Três Corações) D – 1.2.3.7.3.9.01.01.01 – Intercâmbio entre Unimeds a receber Fl. 925DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 32 31 C – 4.1.2.1.7.1.01.01.01 – Intercâmbio C.O. 126,00 Fatura Conta debitada Conta creditada 2) Pelo recebimento da fatura D – 1.2.1.2.1.9.01.01.04 – Banco do Brasil C – 1.2.3.7.3.9.01.01.01 – Intercâmbio entre Unimeds a receber Conta debitada Fl. 926DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 33 32 Conta creditada • Eventual erro na classificação da conta Intercâmbio C.O. não explica a falta de registro de valores creditados na conta corrente e não contabilizados. Seja a que título ocorreu o depósito – receita ou despesa – os montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão. • Os demonstrativos com as reclassificações apresentados pela contribuinte apenas se referem aos valores contabilizados, e não àqueles depósitos que ficaram à margem da escrituração. (...)" Da transcrição acima, percebese: 1. A inovação, com relação à acusação fiscal, quando tenta a autoridade recorrida demonstrar que os créditos na conta bancária nos montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão, mas não teriam sido ("... ficaram à margem da escrituração"). Ora, a acusação fiscal: (i) em nenhum momento identificou precisamente quais seriam os depósitos que comporiam o montante da receita omitida, não se podendo afirmar que os referidos créditos bancários de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 integrassem este montante; (ii) na verdade, em nenhum momento sequer se referiu objetivamente ao fato de que depósitos tivessem ficado à margem da escrituração (aliás, a infração 0001 do auto de infração é de "receitas operacionais escrituradas e não declaradas"), portanto, a acusação fiscal não contempla, em absoluto, a falta de escrituração de depósitos bancários. Para arrematar, não é sequer verdade que não tenha havido lançamento no Razão destes valores. Basta verificar o Razão contido nos autos digitais (fls. 114, "envelope digital", "contendo: 3(três) Arquivos PDF “RAZÃO” de Abr a Jun de 2009 [2º Trimestre]"), com relação à escrituração da conta 1.2.1.2.1.9.01.01.04 – 1014 BANCO DO BRASIL. Ali consta, no dia 12/06, o seguinte registro (a débito) na conta contábil do Banco do Brasil, pelo recebimento do mencionado valor de R$ 41.842,55. Portanto, não deixou de ser contabilizado o referido ingresso, apenas que este foi feito no dia 12/06, e não no dia 15/06, data esta em que ocorreu tão somente o chamado "desbloqueio de depósito" pelo banco, conforme contido no extrato transcrito pela autoridade recorrida. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 34 33 2. O minucioso detalhamento da forma de contabilização adotada pela recorrente com relação ao intercâmbio, feito pela autoridade recorrida a partir de um exemplo relativo ao faturamento de R$ 126,00 contra a Unimed Florianópolis, e acima transcrito, na verdade apenas serve de elemento de confirmação e ratificação do quanto alegado pela fiscalizada, ou seja, de que o valor recebido das outras Unimeds a título de intercâmbio, embora não tenha sido contabilizado em conta de receita, o foi em conta de despesa (a crédito). Ora, o registro a crédito em conta de despesa, se considerado o lucro real — forma de tributação adotada pela recorrente e que foi mantida pela fiscalização no lançamento — possui os mesmos efeitos que um lançamento a crédito em conta de receita, ou seja, desta forma de registro contábil não decorre qualquer efeito nocivo à apuração do lucro real, o qual permanece rigorosamente o mesmo. Portanto, insubsistente o lançamento que se ampara apenas em diferença constatada entre o montante dos depósitos bancários e o montante escriturado a crédito em conta de receita, sem considerar que parte dos depósitos bancários foram na verdade contabilizados a crédito de conta de despesa. Em síntese e conclusão, temse um lançamento fiscal, nesta parte, completamente carente de sustentação. Ao contrário de todo o quanto foi aduzido pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instância — e em que pese divergentes entre si os argumentos daquelas autoridades — não houve, ou ao menos não restou demonstrada, a falta de escrituração de qualquer um dos créditos bancários, sendo que a forma de escrituração adotada pela recorrente — a qual restou, ao fim e ao cabo, devidamente corroborada pela análise feita pela própria decisão recorrida — não gera qualquer efeito nefasto sobre a apuração do lucro real, e, assim, descaracteriza por completo a acusação de que teria havido omissão de receitas. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento relativo à infração 0001 do auto de infração (receitas operacionais escrituradas e não declaradas), a qual estava fundamentada, dentre outros dispositivos legais, no art. 42 da Lei 9.430/96. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Fl. 928DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15504.002157/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
DOCUMENTOS OBTIDOS POR MEIO DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADO POR JUIZ COMPETENTE. LEGALIDADE.
É lícita a obtenção de provas decorrentes de mandado de busca e apreensão, quanto mais se tais documentos foram usados somente como indício da existência de crédito tributário, tendo este sido constituído com base em provas obtidas no procedimento fiscalizatório.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE IRPF.
Havendo a comprovação de acréscimo patrimonial sem a devida comprovação da origem dos recursos utilizados, há incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, apurado mensalmente.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE.
O cabimento da qualificadora da multa de ofício exige a conduta do sujeito passivo consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta fraudulenta ou sonegadora.
Numero da decisão: 2201-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Relator.
EDITADO EM: 20/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 DOCUMENTOS OBTIDOS POR MEIO DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADO POR JUIZ COMPETENTE. LEGALIDADE. É lícita a obtenção de provas decorrentes de mandado de busca e apreensão, quanto mais se tais documentos foram usados somente como indício da existência de crédito tributário, tendo este sido constituído com base em provas obtidas no procedimento fiscalizatório. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE IRPF. Havendo a comprovação de acréscimo patrimonial sem a devida comprovação da origem dos recursos utilizados, há incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, apurado mensalmente. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE. O cabimento da qualificadora da multa de ofício exige a conduta do sujeito passivo consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta fraudulenta ou sonegadora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Relator. EDITADO EM: 20/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 553 1 552 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002157/201056 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.153 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente MERCEZ AMARAL BATISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 DOCUMENTOS OBTIDOS POR MEIO DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADO POR JUIZ COMPETENTE. LEGALIDADE. É lícita a obtenção de provas decorrentes de mandado de busca e apreensão, quanto mais se tais documentos foram usados somente como indício da existência de crédito tributário, tendo este sido constituído com base em provas obtidas no procedimento fiscalizatório. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE IRPF. Havendo a comprovação de acréscimo patrimonial sem a devida comprovação da origem dos recursos utilizados, há incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, apurado mensalmente. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE. O cabimento da qualificadora da multa de ofício exige a conduta do sujeito passivo consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta fraudulenta ou sonegadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 21 57 /2 01 0- 56 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator. EDITADO EM: 20/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira Relatório Tratase de crédito previdenciário referente ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas relativo aos anoscalendário 2005 e 2006, decorrente de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, consoante demonstração de folhas 10 a 24 do processo digitalizado. O procedimento fiscal foi instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, MPF nº 06.1.01.002209010521, do qual o contribuinte teve ciência em 05 de junho de 2009 (AR efls 28). O contribuinte foi cientificado do lançamento tributário, relativo ao IRPF dos exercícios 2005 e 2006, em 10 de fevereiro de 2010, conforme se verifica pelo AR de folhas 10. Os presentes autos retornam a este Conselho por ter sido cumprida a diligência determinada pela Resolução 2802000.222 da 2ª Turma Especial, em sessão de 07 de outubro de 2014. Pela clareza e exatidão, adoto e reproduzo o Relatório constante da mencionada Resolução para explicitar os atos processuais ocorridos até o primeiro pronunciamento deste Colegiado (fls 349): "A fiscalização teve inicio após seleção da contribuinte pela Equipe Especial de Fiscalização de que trata a Portaria Copes n° 01, de 12/03/2009. Foi realizada análise dos autos do processo judicial n° 2008.38.00.038500 e dos documentos apreendidos durante a denominada "Operação Castelhana" deflagrada pela Policia Federal, tendo como alvo empresas do grupo que integram o escritório de advocacia "Juvenil Alves Advogados Associados" e respectivos advogados, além de terceiros a eles relacionados, conforme denúncia formalizada pelo Ministério Público Federal, do que decorreu a constatação que a contribuinte declarou ter auferido rendimentos em 2005 no montante de Fl. 554DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 554 3 R$3.600,00, encontrandose, porém, omissa na entrega de DIRPF no anocalendário de 2006 e tendo sido verificada a informação na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias D1MOB de que a contribuinte adquiriu no ano de 2005 um imóvel pelo valor de R$529.095,17. Na impugnação a contribuinte alega que agiu de boa fé, uma vez que como pensionista do INSS não poderia ter comprado o dito imóvel e que foi o Sr. Abelardo de Lima Ferreira, exmarido de sua filha, que teria pedido para usar seu nome na compra de um imóvel que seria revendido com lucro. Atribui ao Sr. Aberlado a responsabilidade pelos ilícitos praticados e alega que foi na residência deste que foram apreendidos os documentos alusivos à Operação castelhana. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese, de que se trata de presunção legal cuja desconstituição é ônus da contribuinte, há provas dos pagamentos efetuados pela contribuinte (fls. 128/173 e 187/198), que ela foi a adquirente do imóvel (fls.84/85 e 97/119) e que ela constou como vendedora do mesmo (fls. 120/127), sendo inócua a alegação de que não foi a verdadeira proprietária do imóvel, todavia a impugnante não comprovou o que alegou. A ciência do acórdão ocorreu em 19/04/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 12/05/2011. O recurso voluntário, em resumo, constituise das alegações abaixo: a) nulidade do auto de infração decorrente do emprego de provas obtidas por meios ilícitos, pois foram colhidas de processo judicial em que a recorrente não é parte, portanto a decisão judicial de compartilhamento de dados com a Receita Federal não alcança a recorrente; b) a ordem de busca e apreensão visava colher elementos de prova relativos à prática de crimes relacionados a um esquema de blindagem patrimonial, não poderiam essas provas serem empregadas para fins de lançamento tributário, logo foi ilegal a apreensão sem autorização judicial para a Receita Federal; c) falta de comprovação da suposta omissão de receita, pois não basta indício, o Fisco tem o dever de provar o acréscimo patrimonial; além do que o suposto acréscimo patrimonial adveio de doação; e a autoridade fiscal não apontou motivação para a qualificar a multa de ofício; não comprovou ter existido dolo da contribuinte. Juntou resultado de pesquisa processual alusiva ao processo judicial 2008.38.00.0038500 (fls. 331) com a relação dos réus e Certificação de “Nada Consta” da Justiça Federal Seção Judiciária de Minas Gerais (fls. 333)." (destacamos) A 2ª Turma Especial, em face das considerações abaixo transcritas, converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução acima mencionada (fls. 351): "Rejeitadas as preliminares. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 No mérito, o Acréscimo Patrimonial a Descoberto foi demonstrado pela autoridade lançadora, adotando como premissa que a contribuinte teve como dispêndios os valores empregados na aquisição do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club, pagos à Construtora Brascan Imobiliária Incorporações, cuja denominação foi alterada para Brookfield Rio de Janeiro Empreendimentos. A documentação comprova adequadamente a aquisição em nome da contribuinte. Em situações normais, estaria suficientemente comprovado o Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Essa modalidade de autuação é uma espécie de presunção legal, que inverte o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o ônus de comprovar as suas alegações. A recorrente desde a fase de fiscalização alega que não efetuou os dispêndios e sim seu exgenro, réu em processo penal, decorrente da denominada Operação Castelhana. Não obstante a presunção legal – relativa, digase, excepcionalmente neste caso, não se pode negar que há uma série de indícios de verossimilhança nas alegações da recorrente que, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, justificam maiores esclarecimentos para deixar inequívoca a ocorrência do fato gerador, sob o risco de pactuar com o esquema criminoso de blindagem patrimonial apurado na Operação Castelhana e no qual o Sr. Abelardo foi um dos investigados e que usava, dentre outros estratagemas, a interposição de pessoas. Eis os indícios: b) o sinal (R$18.613,33) para aquisição do apartamento foi pago com cheque nº SG0008, Banco 341, agência 0262 (fls. 44); o ITBI (R$12.600,00) foi pago com transação 507611217 junto ao Banco 341, agência 0262 (fls. 96); c) o Sr. Aberlado foi o procurador da recorrente na promessa de venda e compra para cessão dos direitos sobre o referido imóvel (fls. 120); cujo sinal foi dado em 12/11/2007, por meio dos cheques nº 131 e 134 do Banco Bradesco S/A, ag. 1837, no valor total de R$22.000,00; d) nas contas correntes da recorrente não há registro de débitos ou créditos relacionados aos cheques apontados nos dois itens acima; e) em sendo verídica a alegação da recorrente, a aquisição do imóvel em seu nome caracterizaria interposição de pessoa, uma das práticas investigadas na Operação Castelhana, que foi divulgada pela Receita Federal na mídia, conforme disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/automaticoSRFSinot/2006/11/ 23/2006_11_23_09_02_49_6 37850936.html, que dificultam a produção de provas imposta à contribuinte. f) também não há registro nas contas correntes da recorrente relativo ao pagamentos dos 12 boletos apreendidos na Operação Castelhana (fls. 187/198), dos quais somente dois tem na Fl. 556DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 555 5 autenticação bancária signos indicativos de pagamento em dinheiro; e g) não há qualquer outra evidência de gastos da contribuinte ou saldos bancários compatíveis com o perfil de adquirente do referido imóvel. Notesse que, além de investigado nos esquemas de blindagem patrimonial e uso de interpostas pessoas, o Sr. Abelardo foi fiscalizado e autuado pela Receita Federal, porém no presente processo não consta que a Receita Federal tenha adotado providências para verificar se a recorrente foi uma interposta pessoa. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem providencie: 1. intimação à recorrente para informar a forma de pagamento dos boletos e, em tendo sido pagos por meio de cheques, a identificação dos mesmos, ou ao menos o emitente; 2. intimação à Construtora para identificar o emitente do cheque relativo ao Sinal na aquisição do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club; 3. intimação aos Cartórios para obtenção da procuração lavrada no 16° Tabelião de Notas de São Paulo SP, Livro 2.957, fls. 311, outorgada ao Sr. Abelardo, que foi usada na promessa de venda e compra do imóvel; bem como cópia dos cheques, que segundo o instrumento integrariam o contrato; 4. intimação à adquirente do imóvel, Srª Susana Aparecida Tomazela Herndl, CPF n° 159.506.53858, para informar a quem foi pago o sinal pela compra do apartamento e apresentar cópia microfilmada dos cheques, a fim de indicar a conta em que foram depositados; 5. intimação ao corretor de imóveis, Sr. Adriano Silva, CRECI 59.373 F,para informar se as tratativas para venda do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club eram feitas pelo Sr. Abelardo ou pela Srª Mercês Amaral Batista; e como e por quem foi paga a comissão de R$37.800,00 pactuada na referida alienação (fls. 125/126); 6. identificar outros elementos, se houver, que contribuam na obtenção da verdade material acerca das alegações da recorrente; e 7. intimar a recorrente da faculdade de manifestarse no prazo de trinta dias sobre o resultado da diligência." (negritamos) Em cumprimento, a DRF de origem apresentou o resultado da diligência determinada, respondendo aos quesitos como resumidamente segue (fls 356): Fl. 557DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 · Quanto à intimação da Recorrente para que informasse a forma de pagamento dos boletos, não houve nenhuma resposta da contribuinte, aqui recorrente, não obstante as três intimações enviadas com comprovação da ciência realizada. · Quanto à intimação da Construtora para que identificasse o cheque relativo ao sinal da compra do apartamento, esclareceu: Em 31/03/2015, a construtora Brookfield apresentou Termo de Resposta ao Termo de Intimação Fiscal no 002/2015, no qual informou que não localizou qualquer documento que indicasse quem é o titular do cheque no SG0008, Banco 341, agência 0262, no valor de R$18.613,33, utilizado como pagamento da primeira parcela. Ressaltou ainda que, conforme resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal no 322/2009, em 20/12/2007, a Sra Mercez Amaral Batista cedeu os direitos e obrigações inerentes à escritura a terceiros mediante “Escritura Pública de Transmissão de Direitos sobre a Consolidação da Propriedade Fiduciária”, extinguindose toda a relação jurídica entre aquela senhora e a Brookfield há mais de 7 anos. · Quanto à intimação ao Cartório para que apresentasse a procuração utilizada na promessa de compra e veda do imóvel, tal procuração foi apresentada e tem cópia anexada às folhas 359. · Intimouse a adquirente do imóvel para que identificasse para que foi pago o sinal no valor de R$ 22.000,00, relativo a compra do apartamento,e que apresentasse cópia microfilmada dos cheques utilizados nessa compra. Tais microfilmagens constam das folhas 363 a 365. Informou ainda que pagou R$ 35.800,00 ao Sr Adriano Soares da Silva, por meio de cheque nominal a Elizangela Silva, sua conjuge. Além disso, em resposta, esclareceu: "Foram feitos dois cheques nos valores de R$2.000,00 e R$20.000,00 (totalizando R$22.000,00) como pagamento da entrada da compra do apartamento 153C situado na Av. Jurema, 200, bairro Indianópolis em São Paulo. Tais cheques foram entregues ao senhor Abelardo de Lima Ferreira, como procurador, representando a senhora Mercez Amaral Batista; · O corretor de imóveis, Adriano Silva, devidamente intimado, informou que o Sr Abelardo atuou, como procurador, na negociação do imóvel e que a responsável pela comissão foi a Sra Mercez A Batista. Porém, esclarece a Autoridade Fiscal que o cheque emitido em 20/12/2007, pela Adquirente Susana Herndl e por ela afirmado que se tratava de despesa com corretagem, foi depositada na conta da conjuge do corretor. · Por fim esclarece que a Recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência, embora regularmente intimada para tanto. É o relatório do necessário. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 556 7 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator As condições de admissibilidade do presente recurso voluntário já foram analisadas na Resolução proposta e portanto, passamos a apreciálo. Como dito tratase de lançamento relativo ao IRPF, por acréscimo Como consta do relatório, em preliminar a Recorrente alega nulidade do lançamento em razão do mesmo ter sido fundado em provas obtidas por meio ilícito, uma vez que decorrente de Mandado de Busca e Apreensão não emitido em desfavor da Recorrente que, inclusive, não é ré em processo criminal algum (acostou Certidão Negativa Criminal). Tais alegações não merecem prosperar. Como bem mencionado no voto condutor da Resolução da 2ª Turma Especial (fls 351): "Parte substancial do recurso voluntário referese à alegação de que a autuação baseouse em provas obtidas por meio ilícito, o que acarretaria a nulidade do lançamento. Essa alegação não procede. Não há ilegalidade no emprego de documentos obtidos por meio de mandado de busca e apreensão, ainda que a recorrente não seja ré no processo criminal, o que independe da finalidade da referida apreensão. Ademais, essencialmente, as provas da autuação foram a Declaração de Operação imobiliária emitida pelo Cartório, a escritura de compra e venda de imóvel, a informação prestada pela Construtora do apartamento atestando os pagamentos e os boletos bancários, somente estes últimos foram obtidos por meio de busca e apreensão." Não se pode observar ilegalidade em ato emanado de autoridade, no caso Juiz de Direito competente, cuja finalidade estava suficientemente comprovada e cujo resultado foi, novamente por decisão judicial, partilhado com órgão de Estado, no caso a Receita Federal do Brasil, demandada a executar o seu mister, no caso a Fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias. Em acréscimo, como bem apontado pela distinta 2ª Turma, as provas do lançamento tributário foram obtidas diretamente no procedimento fiscalizatório, devidamente instaurado, e junto aos interessados nos negócios jurídicos que ensejaram fatos geradores tributários desencadeadores das obrigações tributárias que se buscava fiscalizar. Rejeitadas as preliminares, passemos ao mérito. A Recorrente alega falta de comprovação de omissão de receita, uma vez que devese provar o acréscimo patrimonial. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Segundo consta do recurso, a aquisição de um imóvel é mero indício de que houve aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, devendo o Fisco promover a adequada apuração dos fatos, cumprindo assim os ditames do artigo 142 do CTN. São seus argumentos (fls 319): "Ou seja, no desespero de fazer o lançamento tributário ora impugnado, o Fisco terminou por conduzilo à nulidade, já que não juntou aos autos nenhuma comprovação de que tenha havido efetivo acréscimo patrimonial, mas tãosomente documentos obtidos por meios ilícitos que, ainda, que fossem obtidos por meios lícitos, por si só não comprovam acréscimo patrimonial e, portanto, não demonstram a realização do fato gerador da obrigação tributária. Foi totalmente desconsiderado o fato de o imóvel ter sido adquirido de forma graciosa, ou seja, em decorrência de doação. Com efeito, o genro doou o imóvel e portanto não existe sequer presunção de que tenha havido omissão de receita para aquisição do imóvel, que de resto não resultou em dispêndio financeiro por parte da Recorrente. Diante disto, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, posto que não houve omissão de receita capaz de gerar a tributação ora combatida" (negritos nossos) Não se pode concordar com os argumentos da Recorrente. Vejamos os motivos. O imposto sobre a renda tem supedâneo constitucional no artigo 150, III que outorga competência à União para a instituição do tributo. Tal competência foi exercida pela Lei nº 7.713/88, que emoldurada pelas disposições constantes do Código Tributário Nacional, em especial pelo artigo 43, determina no artigo 3º: "Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados." (destaques não constam do texto da Lei 7.713/88) Cumprindo sua função regulamentar, o Decreto nº 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda, explicita: "Art.55.São também tributáveis: (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 557 9 tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva;" (destacamos) Da simples leitura das normas tributárias acima colacionadas, podemos inferir que equivale ao conceito de rendimento bruto, sendo portanto considerado renda, todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes ao rendimentos declarados. Ao recordamos a imputação fiscal, voltando os olhos ao Termo de Verificação Fiscal constante de folhas 13, encontraremos a motivação da ação fiscal: 1. A contribuinte em epígrafe, aposentada do INSS, sogra de Abelardo de Lima Ferreira, CPF: 789.577.88620 (irmão de Juvenil Alves Ferreira Filho), foi selecionada para a fiscalização por ter auferido rendimentos, em 2005, no montante de R$ 3.600,00 e encontrase omissa na entrega de DIRPF no ano calendário de 2006. Consta informação na DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias) de que a contribuinte adquiriu, em 2005, da BRASCAN IMOBILIÁRIA INCORPORAÇÕES S/A, CNPJ 29.964.749/000130, um imóvel pelo valor de R$ 529.095,17. Em decorrência havia indícios de variação patrimonial a descoberto, caso não se confirmasse a origem dos recursos para a aquisição do imóvel." (destacamos) Tal constatação pela Administração Tributária se amolda com perfeição ao tipo tributário constante do RIR acima transcrito, acréscimo patrimonial não correspondente aos rendimentos declarados, vez que com se observou a compra de um imóvel de mais de meio milhão de reais com renda anual declarada de R$ 3.600,00. Devidamente intimada a comprovar a origem dos recursos que permitiram a compra do imóvel, a Contribuinte que se tratava de um presente dado pelo genro. Vejamos (fls 14): 3. Com relação ao item referente ao imóvel adquirido da BRASCAN IMOBILIÁRIA E INCORPORAÇÕES S/A, tendo como financiador o HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo, vem informar que, primeiramente o referido imóvel foi um presente dado pelo genro ABELARDO DE LIMA FERREIRA e que o pagamento das parcelas de sinal e prestações, até a sua venda, foram realizadas por ele. 4. Informou ainda que o imóvel já foi vendido em 12 de novembro de 2007, com a transferência do saldo devedor ao comprador Sra Susana Aparecida Tomazela Hemdl, sendo que o valor dela recebido foi diretamente para pagamento de parcelas em atraso devidas 6 BRASCAN/HSBC, pagamento de parcelas em atraso do IPTU, pagamento de parcelas em atraso devidas ao condomínio, pagamento dos serviços de corretagem e o saldo foi utilizado pelo genro para abatimento/quitação dos valores que lhes devia em razão da aquisição do imóvel." Dessa resposta duas conclusões devem ser retiradas. Primeira, há explicito reconhecimento por parte da contribuinte que houve a compra do imóvel, corroborando as Fl. 561DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 provas documentais. Segunda, a justificativa sobre a origem dos recursos empregados no negócio jurídico é a doação, o presente, dado pelo genro. Importante que tal afirmação, o reconhecimento da doação, é reiterada no recurso que aqui se analisa, conforme se observou no trecho da defesa acima transcrito. Instada, pela autoridade fiscal, a apresentar todos os comprovantes bancários dos pagamento efetuados para a aquisição do imóvel, a contribuinte alegou não possuílos, uma vez que, como dito, tratouse de um presente dado pelo genro. Embora houvesse, como fruto da Busca e Apreensão realizada no ambiente de trabalho do genro, os recibos de parte dos pagamentos realizados pela contribuinte junto à Brascan Imobiliária (item 9 do TVF, fls 15), a Fiscalização houve por bem intimar a vendedora a comprovar os pagamentos, por meio de documentação hábil e idônea, realizado pela Recorrente. Em resposta foi apresentada uma planilha com os valores efetivamente pagos, valores esses que incluíam os recibos mencionados. Tal planilha consta do item 11 do TVF (fls.16). De posse dos extratos bancários da contribuinte e das planilhas dos pagamentos efetuados, a Autoridade Fiscal elaborou Planilha de Fluxo de Caixa mensal (fls 20 a 22), com apuração de excesso de dispendios/aplicações em relação às origens de recursos., embasando o lançamento tributário realizado. De todo o exposto, verificase acertado o procedimento fiscal. Não houve, como mencionado pela Fiscalização, demonstração da origem dos recursos utilizados na compra do imóvel. A única justificativa apresentada, ausência de renda para aquisição uma vez que tratouse de presente não foi, nem indiciariamente, comprovada. Tratandose de efetiva doação, de ato de liberalidade do genro, esperase, no mínimo que haja demonstração de tal ato. Embora a mesma tese conste do recurso não houve por parte da Recorrente nenhuma iniciativa de mesmo que, superficialmente, comprovar a alegação. Recordemos que na impugnação os argumentos foram diversos, voltados ao engodo praticado pelo genro junto a contribuinte. O que comprovadamente se extrai dos autos é que: · houve compra do imóvel por parte da Recorrente; · não se comprovou origem dos recursos para a aquisição do imóvel · houve venda do imóvel por parte da Recorrente; · os cheques relativos a venda do imóvel, únicos comprovantes de pagamento efetivo existentes nos autos tem por favorecido a Recorrente; · O corretor que assessorou a venda do imóvel asseverou que o genro da recorrente atuou como seu procurador; Fl. 562DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 558 11 Desses fatos se pode afirmar que houve a compra de imóvel por parte da Recorrente, sendo tal fato comprovado e reconhecido pela Recorrente. Tal fato é fato gerador tributário nos termos da legislação ensejando a tributação do imposto sobre a renda da pessoa física. O fato impeditivo do direito do Fisco de lançar, trazido à discussão pela Recorrente, a existência de doação dos recursos, não teve comprovação nem indiciária. O recurso alega, preliminarmente, nulidade do AI e a não incidência tributária em face da doação ocorrida porém sem comprovar sua alegação. Mister recordar que, embora devidamente notificado da diligência efetuada, momento em que novamente suas alegações poderiam ser contrapostas aos esclarecimentos realizados pela Autoridade Fiscal, a Recorrente se quedou inerte. Assim, o que se encontra nos autos é a comprovação do direito do Fisco em constituir o crédito tributário. Tal crédito foi constituído segundo as regras do artigo 142 do CTN. Logo, o recurso deve ser negado nessa parte. Quanto a aplicação da qualificadora da multa, consta do recurso a seguinte argumentação (fls 323): "Os auditores fiscais impuseram multa de 150% sem nenhum fundamento fático ou jurídico. Não ressai do trabalho fiscal nenhuma motivação, explicação, alegação ou palavra que seja para sustentar a imposição de multa no percentual de 150%. Não se dignaram a tecer um único comentário, a dar uma única explicação, a fazer uma única alegação que seja para demonstrar onde reside o fato ensejador da multa qualificada. Diante disso, a defesa da Recorrente restou prejudicada, posto que não é possível saber o porquê da aplicação da multa qualificada. Todas as vezes que foi intimada a prestar esclarecimentos, a Recorrente se manifestou. Se o fisco entendeu que não eram satisfatórias, isso o levou a tributar como variação patrimonial a descoberto. Ou seja, a conseqüência pelos esclarecimentos não prestados a contento, levou o Recorrente a ter sobre si uma tributação exacerbada. Mas se o fisco entendeu que não eram satisfatórios seus não pode qualificar ou agravar a multa. Pode tão somente levar os fatos à tributação. Assim a conseqüência já foi a tributação, não pode concomitantemente apenar com multa qualificada e agravada" Consta do Termo de Verificação Fiscal, página 18, somente tal motivação para a qualificadora aplicada: Considerando que, a conduta da fiscalizada enquadrase na definição da sonegação e fraude, consoante definição contida Fl. 563DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, ao lançamento de oficio foi imputada a multa de oficio qualificada, em conformidade com art. 44 da Lei n° 9.430/96, com nova redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, in verbis: (...) A multa qualificada está prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que apresenta a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis Os artigos mencionados da Lei nº 4.502/64, apresentam os seguintes casos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Em resumo, podemos afirmar que havendo fraude, sonegação ou conluio por parte do contribuinte, e sendo tais fatos comprovados pelo Fisco, a multa prevista para o lançamento de ofício deve ser dobrada. Não comprovou a Fiscalização a ocorrência da intenção, do dolo, da Recorrente em sonegar, fraudar ou atuar em conluio, com fins específicos de mitigar ou esconder os tributos devidos. E mais, a Autoridade Fiscal nem ao menos especificou a conduta praticada pela contribuinte, mencionando genericamente que tal conduta se enquadra na definição de sonegação e fraude, aproximando de maneira desleixada, duas ações que a lei fez questão de diferenciar. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 559 13 Importante ressaltar que a conduta reprovável praticada, já foi devidamente apenada pela multa de ofício aplicável ao caso. Não se está aqui, de maneira alguma, deixando de se aplicar a pena legalmente prevista no caso de descumprimento de obrigação tributária, ao reverso, buscase a penalização prevista na legislação. Nesse sentido, corroborase o entendimento da ínclita Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que em recente julgado da CSRF ( Ac. 9202003.764, de 16 de fevereiro de 2016), asseverou sobre o tema: Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utilizando subterfúgio s escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. É nesse ponto, que não concordo como o posicionamento adotado pela Fazenda Nacional em seu recurso. No presente caso, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte acercado art. 135 do RIR, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do imposto a ser pago. O procedimento adotado pelo contribuinte deuse de forma aberta, inclusive com a prestação dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal." Diante da falta de comprovação de atitude dolosa do contribuinte, no sentido de sonegar ou fraudar, dou provimento ao recurso do contribuinte nessa parte, excluindo do lançamento a multa qualificada. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso para afastada as preliminares de nulidade, no mérito darlhe provimento parcial para excluir do lançamento a multa qualificada aplicada. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 565DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13784.720511/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ALIMENTANDO. MANUTENÇÃO DA GLOSA.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Segundo o art. 80, § 5º, do RIR, as despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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AJUSTE. GLOSA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ALIMENTANDOS Recorrente AUGUSTO ANTONIO DUARTE Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ALIMENTANDO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Segundo o art. 80, § 5º, do RIR, as despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 72 05 11 /2 01 4- 27 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13784.720511/201427 Acórdão n.º 2402005.225 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório O contribuinte sofreu Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2013, anocalendário 2012. Segundo a fiscalização, teria sido constatada: a) dedução indevida de previdência privada, no valor de R$ 3.934,44, pois referente a contribuições à carteira de pecúlio, que não são dedutíveis para fins de apuração do imposto devido na declaração de ajuste anual da pessoa física; b) dedução indevida a título de despesas médicas, no valor de R$ 12.058,82, pagas à CASSI, pois relativas ao alimentando, sem provas de que este ônus houvesse sido estabelecido em sentença, acordo judicial ou escritura pública; Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que: c) concorda com as glosas de despesas com previdência privada, mas que a glosa de despesas médicas se refere à sua ex mulher Marilda de Araújo, pagas em face das normas de Direito de Família, em virtude de sentença judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública em divórcio consensual, e que, por essa razão, é sua dependente. A DRJ, contudo, manteve o lançamento integralmente, ao argumento de que: d) deve ser mantida a glosa da dedução das despesas médicas do alimentando, pois não comprovada que foram pagas em virtude de sentença, acordo judicial ou escritura pública; e) o oficio que determinou o desconto, em folha, de pensão alimentícia, dirigido à PREVI (fls. 39), nada estabelece quanto às despesas médicas do próprio alimentando, mas apenas menciona as contribuições para o plano de saúde CASSI, para esclarecer que estas parcelas, ao contrário das consignações obrigatórias e das contribuições devidas à própria PREVI, não deveriam ser excluídas para fins de determinação da base de calculo da pensão. Notificado da decisão em 15/01/2015, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/02/2015, reiterando, em linhas gerais, os termos da sua impugnação, acrescentando ainda que: f) a despesa de saúde com a alimentada foi noticiada na petição inicial do processo de divórcio consensual que tramitou perante a Vara de Família Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 4 e Menores da Comarca de Resende (RJ), sob o n.º 8004/96, com sentença transitada em julgado em 23/07/1996 (fls. 53) É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13784.720511/201427 Acórdão n.º 2402005.225 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Glosa das despesas médicas Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros profissionais/estabelecimentos da área de saúde, conforme regra expressa do art. 80, caput, do RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (“) (destacouse) Para que seja possível a dedução dos gastos em comento, devem ser preenchidos os requisitos impostos pela legislação. O tema é tratado pelos §§ 1º e 5º do artigo supra mencionado, in verbis: § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (…) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Ainda, o artigo 73 do RIR/99 estabelece que: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Portanto, em análise aos dispositivos acima expostos, concluise que o contribuinte está obrigado a comprovar à autoridade lançadora, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as despesas médicas dedutíveis que foram informadas na Declaração de Ajuste Anual, devendo satisfazer as seguintes condições: a) tratarse de prestação de serviços na área da saúde realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) o beneficiário da prestação ou produto deve ser o contribuinte ou dependentes; c) servir como quitação da obrigação por meio de pagamento realizado pelo contribuinte; d) quanto a despesas médicas dos alimentandos, o pagamento pelo contribuinte deve decorrer de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. No caso dos autos, foi glosada despesa médica no valor total de R$ 12.058,82, paga à CASSI, pois relativas ao alimentando, sem, contudo, haver provas de que este ônus houvesse sido estabelecido em sentença, acordo judicial ou escritura pública (§ 5º do artigo 80 do RIR). Ocorre que, como dito acima, a dedução de despesa médica do alimentando deve decorrer do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ao passo que o acordo de divórcio consensual faz menção apenas à pensão alimentícia, nada especificando quanto às despesas médicas da alimentanda. No âmbito deste Conselho, essa questão tem sido decidida da seguinte forma: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS COM ALIMENTANDOS. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO JUDICIAL APÓS O LANÇAMENTO FISCAL. A dedução de despesas médicas de alimentandos somente é permitida quando referidos gastos são realizados pelo alimentante em cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente. A homologação que ratifica pagamentos de despesas médicas realizados pelo alimentante em favor do alimentando não constitui direito, na esfera tributária, à dedução da base de cálculo do imposto de renda apurado em data anterior à celebração do aditivo de acordo homologado judicialmente. Recurso voluntário negado. (Número do Processo 10680.723491/200878, Recurso Voluntário, Data da Sessão 14/08/2014, Relator(a) JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Acórdão nº 22802003.073 (destacou se) Nesse sentido, verificase que a despesa médica em comento não decorreu do cumprimento do acordo homologado judicialmente, conforme argumentado pelo contribuinte, mas sim de mera liberalidade. Ademais disso, os ofícios determinando os descontos dirigidos à PREVI e ao INSS não se referem às despesas médicas, mas à pensão. Por fim, os recibos de fl. 35 são relativos a serviços prestados ao próprio recorrente, e não ao alimentando. Mais ainda, não são relativos à CASSI. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI Processo nº 13784.720511/201427 Acórdão n.º 2402005.225 S2C4T2 Fl. 5 7 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO AL DINUCCI
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Numero do processo: 10783.010462/98-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Redatora designada
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Redatora designada (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .0 10 46 2/ 98 -1 5 Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1244.466 da 1ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:1998 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vale a transcrição do voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: “O direito creditório em análise nestes autos se refere ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/10/1998, em nome de Cotia Serviços e Comércio S/A – pois é este o direito creditório pleiteado neste processo e nos processos anexos, conforme documentos às fls. 687/693. Registrese que, no Parecer Seort nº 018/2003, às fls. 219/243, foram analisados diversos processos de restituição/compensação do interessado (e, portanto, houve a análise de outros créditos que não integram a presente lide). A DRF/Vitória, através do Parecer Seort Despacho Decisório nº 866/2011 (fls. 699/714), elaborado em face da declaração de nulidade da decisão anterior, reconheceu saldo negativo de IRPJ apurado em 31/10/1998, em nome de Cotia Serviços e Comércio S/A, no valor de R$11.570.082,52. Na manifestação de inconformidade, o interessado não questiona o referido direito creditório. O saldo negativo de IRPJ apurado em 31/10/1998, em nome de Cotia Serviços e Comércio S/A, tem repercussão em períodos posteriores, como reconhecido nos itens ii e seguintes do Parecer Seort Despacho Decisório nº 866/2011. No entanto, o fato de o saldo de IRPJ apurado em 31/10/1998 afetar o saldo negativo do período de 01/01/1999 a 28/06/1999 (no que diz respeito a dedução do saldo negativo de períodos anteriores) não permite que se estenda a lide a apuração deste, como pretende o interessado, com o exame do IRRF deduzido na apuração do saldo negativo em 28/06/1999. Pelo exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO à manifestação de inconformidade, mantendo o Parecer Seort Despacho Decisório nº 866/2011 (fls. 699/714), posto que não elididos os fatos que lhe deram causa.” A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1244.466 em 23/04/2012 (AR a fls. 920), interpôs, em 21/05/2012, recurso voluntário (doc. a fls. 927 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: “O presente feito e os demais processos a ele ligados representam diversos pedidos de compensação, vinculados a pedidos de restituição de saldos negativos de Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 4 3 IRPJ e de CSLL dos anoscalendario 1997, 1998 e 1999 e de pagamentos indevidos e/ou a maior, que foram inicialmente analisados pelo Parecer Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT n° 18/2003 (fls. 219 e ss.), mediante apreciação dos seguintes processos: (i) 11543.004185/200108; (ii) 10783.003378/9891; (iii) 10783.010462/9815; (iv) 10880.030991/9864; (v) 13808 001348/9830; (vi) 10880.001583/9995 (vii) 11831 000639/9904; (viii) 11543 006996/9931; (ix) 11543 000963/0075; (x) 11543 000153/200125; e (xi) 11543 002089/0029. Em razão do reconhecimento de apenas parte do saldo negativo pleiteado (Retenções de IRPJ e outras deduções que totalizavam R$ 2.796.958,89 fls. 227), o Despacho Decisório que aprovou referido Parecer foi objeto de Manifestação de Inconformidade, rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em decisão atacada por Recurso Voluntario. Ao analisar o feito, o então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF, declarou a nulidade da decisão de primeira instância de julgamento e determinou o retorno dos autos a repartição fazendária de origem para que fosse devidamente apurado o direito creditório da ora Recorrente. Assim é que o SEORT expediu os Termos de Intimacao Fiscal n.°s 01/2010 e 02/2010 nestes autos (fls. 570 e 578, respectivamente), os quais foram devidamente atendidos pelo Contribuinte e culminaram no Relatório de Diligência Fiscal de 17/12/2010 (fls. 633), devidamente analisado pela Recorrente em arrazoado apresentado em 29/12/2010. A DRJ/RJ1, por meio de acordão proferido em 24/02/2011 (fls. 683), declarou nulo o Despacho Decisório proferido, bem como todos os demais atos dele decorrentes, dado que não reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado com base nas informações advindas da diligência (fls. 633), além de representar inovação em relação ao despacho decisório anterior aquele, cabendo a repartição de origem nova análise do crédito e pronunciamento inicial a respeito do deferimento ou não dos pedidos de restituição/compensação. Com essa decisão, retomaram os autos ao SEORT da DRF/Vitória para nova apreciação do direito creditório da Recorrente e homologação das compensações realizadas. Ocorre que, afastandose da sabedoria tão peculiar daquele órgão, foi proferido novamente despacho imperfeito (fls. 699), desta vez por omissão, já que apreciou o direito creditório de modo incompleto, ou seja, analisou apenas os créditos formados pelos recolhimentos efetuados e pelos saldos negativos dos anosbase de 1997 e de 1998, silenciandose, erroneamente, quanto ao direito creditório da Recorrente, desde início tratado nestes autos e já parcialmente deferido (fls. 227 e 635/637), relativo ao saldo negativo de IRPJ suportado no primeiro semestre do anocalendario 1999, originariamente de titularidade de Cotia (BR) Serviços e Comércio S/A, sociedade incorporada pela Recorrente em 28/06/1999. Assim, a despeito da sabedoria daquela fiscalização local, e do seu trabalho tão árduo já realizado nestes autos, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade pois não pode se conformar com tal omissão quanta a apreciação de parte do seu direito creditório, pois não há qualquer fundamento que a sustente, tampouco precede a negativa generalizada que foi posta naquela decisão. Entretanto, para a surpresa da ora Recorrente, a D. DRJ, em acordão com voto de meia lauda, houve por bem negar provimento à Manifestação de Inconformidade, mantendo o Parecer SEORT de fls. 699/714, nos seguintes termos: Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 5 4 "O direito creditório em análise nestes autos se refere ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/10/1998, em nome de Cotia Serviços e Comércio S/A pois é este o direito creditório pleiteado neste processo e nos processos anexos, conforme documentos às fls. 687/693. Registrese que, no Parecer Seort n° 018/2003, às fls. 219/243, foram analisados diversos processos de restituição/compensação do interessado (e, portanto, houve a análise de outros créditos que não integram a presente lide). (...) No entanto, o fato de o saldo de IRPJ apurado em 31/10/1998 afetar o saldo negativo do período de 01/01/1999 a 28/06/1999 (no que diz respeito a dedução do saldo negativo de períodos anteriores) não permite que se estenda a lide a apuração deste, como pretende o interessado, com o exame do IRRF deduzido na apuração do saldo negativo em 28/06/1999." Ocorre, julgadores, que não há como aceitar a negativa de provimento constante da decisão da DRJ ora recorrida, pois nestes autos, desde a primeira análise do direito creditório da ora Recorrente, a D. Fiscalização, "ex officio", procedeu à análise do seu direito creditório, haja vista ser ele decorrente de incorporação de parte do patrimônio de outra sociedade anteriormente cindida, o que está cabalmente demonstrado, tratado e provado nestes autos, conforme será demonstrado a seguir. Reitera a ora Recorrente que concorda com o crédito já reconhecido até o momento, relativamente aos anos de 1997 e 1998, no que também peca a r. decisão recorrida, que entende se tratar de análise de crédito relativo unicamente ao ano de 1998. DO DIREITO Dos erros em que incorre a decisao recorrida e do merito recursal Primeiramente, cumpre a Recorrente delimitar o objeto de controversia tratada neste recurso. Como ja ficou evidenciado desde a manifestacao de inconformidade apresentada em face do Parecer Seort n° 866/2011, o unico credito de titularidade da Recorrente e que ainda demanda analise nestes autos e aquele concernente ao saldo negativo suportado por pessoa juridica cindida, no primeiro semestre de 1999, cuja parcela de patrimonio foi incorporada pela Recorrente. Ocorre que a decisao da DRJ ora rebatida, alem de ter se equivocado quanto a necessidade de apreciacao do credito relativo ao primeiro semestre de 1999, tambem se equivoca em outros dois momenta, quais sejam: (i) ao delimitar que nestes autos se tratou unicamente do saldo negativo do ano de 1998, quando, em verdade, o Parecer Seort de fls. 699 e seguintes, expressamente, trata do crédito de titularidade da Recorrente relativo aos anos de 1997 e 1998 (vide fls. 706/707 dos autos), bem como que (ii) os documentos acostados às fls. 687/693, retratariam que seria objeto deste feito apenas o saldo negativo de IRPJ apurado em 1998, quando, em verdade, tais páginas retratam cópias extraídas de outros processos, conforme atesta observação manuscrita nas mesmas, além do fato de que, as fls. 128/131 dos autos, a D. Fiscalização capixaba intima a Recorrente para apresentar documentos relativos às compensações e aos créditos referentes aos anos de 1997 a 2000. Diante do quanto ficou fixado acima, acerca dos pontos que não foram compreendidos pela DRJ, passa a Recorrente a demonstrar a necessidade de reforma da decisão recorrida, bem assim a necessidade de se reconhecer, nestes autos, o direito creditório da Recorrente, também relativamente ao primeiro semestre do ano de 1999. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 7 6 VOTO VENCIDO Conselheiro Relator, Alberto Pinto Souza Junior O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 961, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, cabe ressaltar que a questão posta em julgamento reside em saber se o SNIRPJ do período compreendido entre 01/99 a 06/99, reclamado pelo recurso voluntário em tela, é objeto deste processo ou não. Caso entendamos que o SNIRPJ de 01/99 a 06/99 seja objeto deste processo, os autos devem retornar à DRJ, para prosseguimento do feito, caso contrário, a presente decisão deverá concluir pela improcedência do recurso voluntário, por questionar matéria que desborda os limites objetivos da lide. Sustenta a recorrente em sua peça recursal que: “Às fls. 227 destes autos ficou apurada a existência de um saldo negativo de IRPJ no ano de 1999, no montante de R$ 4.870.088,87, este integrado por retenções suportadas no mesmo anocalendário de 1999, no montante de R$ 1.768.382,88, saldo negativos de períodos anteriores e outras deduções. Já na primeira manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente em 09/05/2003, o não reconhecimento de parte do direito creditório em comento residia na demonstração dos saldos credores de IRPJ e CSLL havidos em nome de Cotia (BR) e incorporados pela Recorrente em 28/06/99. Ficou lá evidenciado que o direito creditório pleiteado era composto por retenções de IRPJ, não no valor de R$ 1.768.382,88, mas sim de R$ 7.663.550,20”. Assim, o que a recorrente pleiteia é que se reconheça um IRRF no valor de R$ 7.663.550,20, em vez de R$ 1.768.382,88, no cálculo do SNIRPJ apurado no período de 01/99 a 28/06/1999 (vide tabela a fls. 227). Caso reconhecido o valor do IRRF pleiteado pela recorrente, o SNIRPJ em 28/06/1999 passaria de R$ 4.870.088,87 para o montante de R$ 10.765.256,20. A fls. 2 e segs. destes autos, constam pedidos de compensação/restituição, objetos do presente processo, quais sejam: a) pedido a fls. 2, cujo o crédito a compensar declarado é no valor de R$ 12.840.673,64, mas o contribuinte não informa o código do tributo relativo ao indébito a compensar; b) pedido de restituição a fls. 4, apresentado em 30/12/1998, no qual o contribuinte reclama a restituição de imposto de renda retido a maior e informa que junta, em anexo, cópia das declarações de IRPJ, sendo que a fls. 17, consta o recibo da declaração do AC 1998; Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 8 7 c) pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros a fls. 51, no qual o contribuinte informa que o crédito é objeto de pedido de restituição nos autos do PAFs 10783010462/9815 (estes autos) e 10783007734/9845. Por sua vez, cabe salientar que, como ressaltado pelo próprio recorrente, o Parecer SEORT n° 18/2003 não apreciou apenas o direito creditório de que trata este processo, mas também aqueles discutidos nos seguintes processos: 11543.004185/200108; 10783.003378/9891; 10880.030991/9864; 13808 001348/9830; 10880.001583/9995; 11831000639/9904; 11543 006996/9931; 11543 000963/0075; (x) 11543 000153/200125; e 11543 002089/0029. Cada um desses PAF foi objeto de um capítulo do Parecer Seort, sendo que vale a transcrição do seguinte excerto do Parecer Seort n° 18/2003, in verbis: a) quanto a estes autos, diz o referido Parecer: “ANÁLISE I/B – Processo nº 10783.010462/9815 – Crédito de IRPJ de Cotia (BR) Serviços e Comércio S/A – DIRPJ/99 – AnoCalendário 1998 14. À fl. 01, a empresa pleiteia um crédito de IRPJ, no valor de R$ 12.840.673,64, originado da apuração de resultado, por ocasião da cisão parcial de seu patrimônio, em favor de Cotia Trading S/A, conforme dado a conhecer na fase introdutória deste documento, para compensação com os débitos abaixo:...” b) quanto ao PAF nº 11831.00639/9904, o Parecer informa que: “41. Neste processo, à fl. 1, a interessada alega, para a compensação, um crédito no valor de R$ 5.245.767,77 (...), decorrente de recolhimento indevido da COFINS apurada em 03/99, com vencimento em 09/04/99, no valor de R$ 5.010.762,99...Para a compensação de tais valores, além do crédito de R$ 5.010.762,99, referente à COFINS de 03/99, adicionouse o saldo remanescente de CSLL apurada em 31/12/98, após as compensações do processo nº 10880.001583/9995, no valor de R$ 555.840,93 (vide parágrafos 47 e 48), bem como os saldos credores de IRPJ/CSLL pertecentes à COTIA (BR) SERV COM S/A, apurados em 06/99 – momento de sua incorporação – nos valores respectivos de R$ 4.870.088,87...”. Diante do exposto, fica evidente que o SNIRPJ apurado entre 01/99 a 06/99 não é objeto deste processo e que só poderia ser discutido nos autos do PAF nº 11831.00639/9904, conforme acima evidenciado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10783.010462/9815 Resolução nº 1302000.411 S1C3T2 Fl. 9 8 VOTO VENCEDOR Conselheira Ana de Barros Fernandes, redatora designada Em que pese a convicção formada do Conselheiro Relator no fato de que a recorrente está a pleitear nos presentes autos crédito tributário objeto de outro processo administrativo, especificamente nos autos nº 11831.000639/9904, tratandose, portanto, de matéria estranha a lide, este colegiado ponderou sobre a possibilidade efetiva de aquele crédito, inicialmente tratado em outro processo administrativo fiscal, de haver sido transferido e tratado pela autoridade administrativa a quo nos presentes autos. Pela segurança jurídica a ser aplicada nesta decisão, deliberou a maioria, então, sobre a conveniência de remeter os presentes autos à unidade da jurisdição da recorrente para que: 1) esclareça sobre o resultado final, no mérito, do litígio tratado no processo administrativo fiscal nº 11831.000639/9904; 2) remetase o referido processo a esta turma julgadora, procedendose à sua apensação a este, a fim que se prossiga ao julgamento deste litígio. A autoridade designada ao cumprimento das diligências deverá lavrar um Relatório Fiscal explicitando à recorrente o resultado final, no mérito, do litígio tratado no processo administrativo fiscal nº 11831.000639/9904. A recorrente deverá tomar ciência deste Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo regulamentar para se manifestar, se desejar. Encerrados todos os procedimentos, os autos deverão retornar ao Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 02/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13603.723589/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF 13603.720845/201210, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 32, de 08/06/2012.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF 13603.720845/201210, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES NACIONAL mediante o Ato Declaratório Executivo nº 32, de 08/06/2012. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 23 58 9/ 20 12 -1 2 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13603.723589/201212 Resolução nº 2401000.495 S2C4T1 Fl. 645 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Data de lavratura do Auto de Infração: 06/11/2012. Data da ciência do Auto de Infração: 21/11/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.342.4698, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, contratados, porém, por intermédio de interposta pessoa, optante do Simples Nacional, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 675/703. De acordo com a Resenha Fiscal, mediante procedimento de auditoria realizada na empresa Autuada Artefatos Serviços Ltda, doravante Artefatos, optante do Simples Nacional, a Fiscalização constatou que os sócios desta constituíram a Pessoa Jurídica Artefatos de Chapas Indústria e Comércio S/A, sem nenhum empregado, para abrigar o faturamento do grupo econômico constituído pelas duas empresas em realce. Consta dos autos que o sujeito passivo foi excluído do Simples Nacional, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 32, de 8/6/2012, a fl. 161 do PAF nº 13603.720.845/201210, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG, publicado no Diário Oficial da União em 22/6/2012, nos autos do Processo Administrativo nº 13603.720.845/201210, com efeitos retroativos a 01/01/2007, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V e artigo 17, inciso XII, ambos da Lei Complementar 123 de 14/12/2006. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da empresa Artefatos de Chapas Indústria e Comércio S/A, a fl. 63/64, por ter a Fiscalização constatado a existência de grupo econômico de fato, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa, a fls. 164/180. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0245.381 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 255/262, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi intimado da Decisão de 1ª Instância no dia 15/07/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 264. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13603.723589/201212 Resolução nº 2401000.495 S2C4T1 Fl. 646 3 Inconformados com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo principal interpôs Recurso Voluntário a fls. 269/277 e 459/467, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade da Decisão de 1ª Instância, pela necessidade de análise dos fundamentos do lançamento; · Que interpôs Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 32, de 8/6/2012, no Processo Tributário Administrativo n° 13603.720.845/201210, e que o presente lançamento deveria aguardar o desfecho do julgamento da Exclusão do Simples Nacional para ser levado a cabo, quando muito ser efetuado o lançamento e, imediatamente, sobrestado até o desfecho daquele feito na esfera administrativa; · Que a exclusão do Recorrente do Simples Nacional somente pode surtir efeitos a partir de Janeiro de 2009; · Que os valores utilizados pelo Auditor Fiscal como base de cálculo do lançamento ora combatido são muito superiores aos valores constantes da documentação da Recorrente; Ao fim, requer o provimento do Recurso Voluntário . Fl. 647DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13603.723589/201212 Resolução nº 2401000.495 S2C4T1 Fl. 647 4 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 15/07/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 12/08/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO O Recorrente argumenta ter interposto Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 32, de 8/6/2012, no Processo Tributário Administrativo n° 13603.720.845/201210, e que o presente lançamento deveria aguardar o desfecho do julgamento da Exclusão do Simples Nacional para ser levado a cabo, quando muito ser efetuado o lançamento e, imediatamente, sobrestado até o desfecho daquele feito na esfera administrativa; A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na confirmação ou não da efetiva exclusão da empresa autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. O Ato Declaratório Executivo nº 32/2012 acima referido foi impugnado pela Interessada, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13603.720.845/201210, no qual se analisa o mérito do ADE nº 32/2012, bem como a manutenção da empresa em tela ao albergue do mencionado sistema simplificado de tributação. Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento PAF nº 13603.720.845/201210, no qual se debate a manutenção da empresa em tela no SIMPLES NACIONAL. Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pugnamos pela conversão do julgamento do presente feito em diligência fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13603.720845/201210, suso citado, devendo a diligência ora requestada ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado. PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS, A PRESENTE DILIGÊNCIA FISCAL DEVE SER CONCLUÍDA SOMENTE APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTERPOSTA PELO AUTUADO EM FACE Fl. 648DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13603.723589/201212 Resolução nº 2401000.495 S2C4T1 Fl. 648 5 DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 32/2012, E OS PRESENTES AUTOS RETORNADOS A ESTE COLEGIADO, TÃO SOMENTE, COM A JUNTADA AO VERTENTE PROCESSO DE CÓPIA DA DECISÃO DEFINITIVA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Nº 13603.720845/201210. Em segundo lugar, o Recorrente fez acostar a fls. 480/642 cópias de resumos de folhas de pagamento, mediante as quais ele pretende demonstrar que a base de cálculo utilizada no lançamento foi superior àquela efetivamente paga pela empresa. Em razão da impossibilidade deste subscritor de apurar a fidedignidade das alegações ora suscitadas, pautamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal para que a Fiscalização se manifeste, DE MANEIRA CONCLUSIVA, a respeito das alegações de defesa acima apontadas, bem como a respeito dos documentos acostados pelo Autuado a fls. 480/642. Além disso, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13603.720845/201210, devendo ser acostada aos presentes autos cópia da decisão definitiva em apreço, bem como para que a Fiscalização se manifeste, de maneira conclusiva, a respeito das alegações de defesa e dos documentos acostados pelo Recorrente a fls. 480/642. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 19515.000428/2010-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%.
Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado.
MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. REsp nº 932.012 STJ representativo de controvérsia. Súmula STJ nº 554.
Recurso Especial da Fazenda Provido.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, conhecer, por unanimidade, o Recurso Especial do Contribuinte, e conhecer, por voto de qualidade, o Recurso Especial da Fazenda, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro André Mendes Moura. No mérito, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros, Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão Declaração de Voto.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
CRISTIANE SILVA COSTA - Relatora
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ MENDES MOURA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer, por unanimidade, o Recurso Especial do Contribuinte, e conhecer, por voto de qualidade, o Recurso Especial da Fazenda, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro André Mendes Moura. No mérito, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros, Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão Declaração de Voto. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA - Relatora (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES MOURA - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%. Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. REsp nº 932.012 STJ representativo de controvérsia. Súmula STJ nº 554. Recurso Especial da Fazenda Provido. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer, por unanimidade, o Recurso Especial do Contribuinte, e conhecer, por voto de qualidade, o Recurso Especial da Fazenda, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro André Mendes Moura. No mérito, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por voto de qualidade, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 28 /2 01 0- 61 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 633 2 vencidos os Conselheiros, Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão Declaração de Voto. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA Relatora (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES MOURA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ e CSLL pela compensação de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativas, à ocasião da cisão total da VBC Participações S.A., seguida da incorporação de um terço da empresa cindida pela Camargo Correa Energia S/A, sem a observância do limite de 30% (trinta por cento) em 28/11/2006. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo julgou procedente o lançamento tributário, em acórdão assim ementado (fls. 516/523): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006' Fl. 633DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 634 3 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE BASES DE CALCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO EMPRESARIAL. A sucessora responde pela multa de oficio decorrente de infração cometida pela sucedida quando se tratar de empresas do mesmo grupo econômico, ainda que lançada posteriormente ao evento societário, já que tinha conhecimento prévio da situação que levou à autuação fiscal. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho deu parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a multa de ofício, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial em 26/08/2014 requerendo a manutenção da multa de ofício imposta à sucessora, apontando como paradigmas os acórdãos: (i) 9303001863, que consignou entendimento que “Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades)”; (ii) CSRF/0202.396, do qual se extrai: “Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O Fl. 634DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 635 4 direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada”. A Camargo Corrêa Energia S/A apresentou contrarrazões a este recurso, requerendo o não conhecimento do recurso, pois (i) a matéria estaria superada pela Súmula CARF nº 47; (ii) o "primeiro acórdão paradigma" (CSRF 0202396) trataria de caso em que havia controle comum entre a sucessora e a sucedida, fato distinto do presente; (iii) o acórdão 9303001863 não serviria para demonstração de divergência, tendo em vista que ainda não publicado, ou sequer sua ementa; (iv) mesmo se considerado o acórdão 9303001863 (publicado depois da interposição do recurso), não haveria similitude fática entre os casos; (v) não teria havido prequestionamento da matéria alegada em recurso; (vi) no mérito, sustenta a improcedência do recurso, pleiteando a aplicação do artigo 76, da Lei nº 4.502/64; (vii) requer o afastamento dos juros sobre a multa de ofício. Sendo intimada em 23/06/2015 quanto a este acórdão, a Camargo Corrêa Energia S/A interpôs recurso especial em 07/07/2015, no qual sustenta divergência quanto à limitação de 30% na compensação de prejuízo fiscal, indicando como paradigma os seguintes acórdãos (i) 110300619, do qual consta que “Diante da ‘morte’ da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo” e (ii) 0003001093, no qual foi decidido que “a regra da ‘trava’, portanto, tem seu sentido equacionado na persistência da periodicidade e, assim, da interperiodicidade – no tempo, jamais no não tempo da empresa.”. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial, requerendo fosse negado provimento ao recurso especial (fls. 621/629). Os recursos especiais foram admitidos, conforme despacho às fls. 320/322 e 615/619. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Recurso Especial da Camargo Corrêa Conheço do recurso especial da contribuinte, eis que tempestivo e devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Passo à análise do seu mérito. A possibilidade de compensação de prejuízos fiscais é regulada pelo artigo 6º, §3º, alínea c, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: Fl. 635DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 636 5 a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. A Lei nº 8.981/1995 estabeleceu que a redução a ser procedida estaria limitada ao máximo de 30%, tratando também da possibilidade de utilização dos prejuízos acumulados nos anoscalendário subsequentes: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. A Lei nº 9.065/1995 também delimitou a compensação do prejuízo fiscal, para definir como limite máximo 30% do lucro líquido ajustado: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. A limitação de 30% na compensação de prejuízos é reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), verbis: Art. 250.Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): (...) III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, Fl. 636DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 637 6 cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1ºO disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2ºOs saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3ºO limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. Outrossim, sobreleva considerar que a hipótese de incorporação, há outros dispositivos legais relevantes a serem considerados, como o artigo 33, do DecretoLei nº 2.341/1.987, que expressamente autoriza que a sucessora por incorporação compense os prejuízos fiscais da sucedida: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Referida disposição legal, foi também reproduzida no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999, artigo 514), nos exatos termos constantes do Decreto Lei. A autorização para compensação integral dos prejuízos, na hipótese de incorporação, tem relação com a sucessão de direitos e obrigações da incorporada pela incorporadora, como tratam os artigos 227, da Lei nº 6.404/1964 e 1.116, do Código Civil. Afinal, se a incorporadora não puder aproveitar todo o prejuízo detido pela incorporada, não haverá a plena sucessão de direitos e obrigações. A garantia da integral compensação de prejuízos à incorporadora respeita, ainda, o conceito de lucro firmado no artigo 43, do Código Tributário Nacional, impossibilitando que patrimônio da incorporada seja objeto de tributação pelo Imposto sobre a Renda. Portanto, entendo que a compensação de prejuízos fiscais, no caso de incorporação, não está limitada ao percentual de 30%. É importante lembrar que o Supremo Tribunal Federal analisou a limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais, concluindo pela sua constitucionalidade, no acórdão cujas ementas são a seguir reproduzidas: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO Fl. 637DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 638 7 DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Tribunal Pleno, DJe 27/08/2009) DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. (RE 545.308, Tribunal Pleno, DJe 25/03/2010) Ademais, há decisão do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a repercussão geral da matéria: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (RE 591.340, DJe 06/11/2008) Não obstante o reconhecimento de repercussão geral, inexiste decisão definitiva que tenha reconhecido a constitucionalidade da limitação de 30%, para compensação de prejuízos fiscais, submetida ao rito do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Acrescentese que as decisões anteriormente proferidas pelo Supremo Tribunal Federal não são vinculantes para os julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, além disso, estas decisões não trataram da incorporação de pessoa jurídica, situação peculiar que há de ser enfrentada de forma distinta daquelas apreciadas pelo Supremo Tribunal Federal, conforme transcrição supra. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 639 8 Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso especial da Camargo Corrêa Energia S/A para reconhecer a legitimidade da compensação de prejuízos fiscais em percentual superior aos 30% (trinta por cento), reformando a decisão recorrida e cancelando o auto de infração. Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional A contribuinte Recorrida requer o não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, tendo diferentes argumentos, que serão analisados a seguir. Primeiramente, rejeito o pedido de não conhecimento do recurso especial por falta de prequestionamento, eis que o Regimento Interno deste Conselho (Portaria 343/2015) expressamente apenas exige a "demonstração precisa" do prequestionamento com relação aos recursos interpostos pelo contribuinte: Art. 67 (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Em sentido similar, previa o Regimento Interno anterior (Portaria 256/2009): Art. 67. (...) § 3º O recurso especial interposto pela contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Em que pese não seja exigida a "demonstração precisa" do prequestionamento pela Procuradoria da Fazenda Nacional, é fundamental que a questão tratada em seu recurso conste das decisões de instâncias inferiores. Afinal, não seria possível a inovação a respeito dos temas debatidos nos autos em sede de recurso especial, nem mesmo pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No caso destes autos consta do acórdão recorrido expressa análise da responsabilidade tributária da sucessora, verbis: "Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico." Diante disso, rejeito o requerimento de não conhecimento do recurso por falta de prequestionamento da matéria. Passo à análise do conhecimento quanto aos dois primeiros acórdãos paradigmas identificados no recurso especial, qual sejam, 9303001863 e 201125461. Acórdão 9303001863 A Recorrida alega que o Acórdão 9303001863 não serviria para demonstração de divergência, tendo em vista que ainda não publicado. Além disso, que não haveria similitude fática entre os casos, tendo em vista que a multa de ofício teria sido aplicada à sucessora que era do mesmo grupo econômico que a sucedida. Destaquese a ementa do citado paradigma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 22/12/2000 a 16/01/2001 IOF CÂMBIO OPERAÇÕES COM TBILLS. INCIDÊNCIA Fl. 639DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 640 9 O tipo tributário do IOFCâmbio não restringe a incidência do imposto à entrega física de moeda estrangeira ou nacional, tampouco exige que haja liquidação de contrato de câmbio. O campo de incidência é mais amplo e alcança as operações em que a entrega da moeda é feita por meio de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado. Inegavelmente, TBills são títulos representativos de moeda estrangeira. Sua compra e venda, portanto, configura operação de câmbio, tributada por esse imposto federal. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades). Rejeito o argumento de que não haveria publicação do acórdão, eis que este paradigma foi devidamente autenticado em 27/12/2012, assinado digitalmente em 18/04/2013 pelo então Presidente da CSRF. De toda forma, pondero que até a presente data este acórdão não consta no acesso ao sítio do CARF, como tampouco sua ementa. No entanto, não conheço da divergência apontada em recurso especial, diante da alegada falta de similitude fática, tendo em vista a relevância como será melhor explicitado ao longo deste voto da existência de controle comum para atribuição de responsabilidade à sucessora. Ressalvo que este não é o entendimento majoritário desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme julgamentos realizados nas sessões de julgamento de janeiro e fevereiro deste ano. Acórdão CSRF 0202396 A Recorrida sustenta que o acórdão (CSRF 0202396) trataria de caso em que havia controle comum entre a sucessora e a sucedida, fato distinto do presente. O acórdão acima referido foi proferido nos autos do processo nº 10675.003550/200271. É importante contextualizar referido julgamento. Este acórdão identificado como paradigma foi proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contendo a seguinte ementa: COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporada conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. Recurso especial negado. A falta de similitude fática apontada pela Recorrida eis que este acórdão trata de situação fática em que havia controle comum entre a sucessora e a sucedida é Fl. 640DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 641 10 bastante relevante para o julgamento da demanda, mas não me parece seja o entendimento predominante desta Turma. Afinal, em julgamentos precedentes, decidiuse que para o julgamento da responsabilidade da sucessora é irrelevante a existência de controle comum. De toda forma, ressalvo meu entendimento pessoal pela impossibilidade de conhecimento de recursos em que o acórdão paradigma trata de pessoas jurídicas com controle comum, quando o acórdão recorrido expressamente reconhece que: "o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico." Diante disso, não conheço da divergência apontada quanto ao acórdão CSRF 0202396. Mérito do Recurso Especial da Procuradoria Caso conhecido o recurso a esse respeito, passo a apreciar o seu mérito. A respeito da discussão sobre a possibilidade de responsabilização tributária do sucessor pelas multas da empresa incorporada, entendo que este Conselho está adstrito à decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial regido pelo artigo 543C, do Código de Processo Civil, por força do artigo 62, II, b, do Regimento Interno deste Conselho (Portaria nº 343/2015). Sobreleva destacar o teor da decisão do Superior Tribunal de Justiça a esse respeito, que teve trânsito em julgado em 04/06/2013: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/Jimmy1995 11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas Fl. 641DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 642 11 de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) 3. A base de cálculo possível do ICMS nas operações mercantis, à luz do texto constitucional, é o valor da operação mercantil efetivamente realizada ou, consoante o artigo 13, inciso I, da Lei Complementar n.º 87/96, "o valor de que decorrer a saída da mercadoria". 4. Desta sorte, afigurase inconteste que o ICMS descaracteriza se acaso integrarem sua base de cálculo elementos estranhos à operação mercantil realizada, como, por exemplo, o valor intrínseco dos bens entregues por fabricante à empresa atacadista, a título de bonificação, ou seja, sem a efetiva cobrança de um preço sobre os mesmos. (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 923.012, Primeira Seção, DJe 24/06/2010) A questão foi ainda consolidada em Enunciado nº 554 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. É importante anotar que a Turma a quo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais explicita que não comprovado pela fiscalização o controle comum entre a sucedida e a sucessora, como se verifica em sua ementa: SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. A questão foi formalizada na Súmula nº 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que prescreve: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Lembrese que os Conselheiros do CARF são obrigados a observar as suas súmulas, como também as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, julgadas na sistemática do artigo 543C, nos termos dos artigos 45, VI e 62, § 2º, do Regimento Interno atual: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 643 12 VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Art. 62.. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse panorama, fazse necessário apreciar a aplicabilidade da decisão do Superior Tribunal de Justiça que atribui ao sucessor a responsabilidade tributária ou da súmula deste Conselho que afasta a responsabilidade do sucessor considerando o caso dos autos. Pondero que a decisão do Superior Tribunal de Justiça, embora tenha analisado a responsabilidade tributária tratada pelo artigo 132, do CTN, não avaliou a relevância do controle comum para atribuição desta responsabilidade; enquanto a Súmula CARF 47 fundase exatamente na presunção de responsabilidade quando há controle comum. E, a contrariu sensu, a Súmula CARF afasta a responsabilidade tributária quando inexiste controle comum, como também interpretou a Turma Ordinária prolatora do acórdão recorrido. É importante também consignar que o julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça tem devolutividade limitada ao quanto decidido pelo acórdão recorrido, observandose o prequestionamento da matéria. E de acordo com o relatório do acórdão cuja ementa se transcreveu acima, aparentemente não foi tratada a questão do controle comum para julgamento a respeito da responsabilidade regida pelo artigo 132, do CTN, tanto pelo acórdão recorrido, quanto em recurso apresentado pela responsável naquele processo. Com efeito, está transcrito no relatório do acórdão do STJ trecho do acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais: Apelação. Ação ordinária. Pretensão de não incluir na base de cálculo do ICMS os valores dados em bonificação. Não comprovado que as bonificações foram incondicionais, devem ser incluídos os respectivos valores na base de cálculo. Impõese à sucessora a obrigação de pagar as multas impostas à antecessora. Ação improcedente. Sentença mantida Também foram sintetizadas as razões do recurso especial: Nas razões recursais, alegouse violação dos arts. 12 e 13 da LC 87/96, porquanto os valores não recebidos efetivamente pela recorrente, como são os descontos incondicionais, não podem integrar a base de cálculo do tributo, porquanto não correspondem ao preço praticado na operação mercantil. Nesse ponto, mostrase ilegal a legislação estadual que prevê contrariamente ao disposto na LC 87/96, havendo conflito entre as referidas leis. Outrossim, alegou que o Tribunal não atentou para as provas produzidas nos autos quanto ao fato de que as bonificações concedidas não se subordinam a qualquer evento futuro ou incerto. Aventou dissídio jurisprudencial com arestos deste Tribunal Superior. Alternativamente, postulou pela exclusão das multas punitivas aplicadas à empresa incorporada, porquanto a empresa sucessora apenas deve responder pelos tributos da sucedida, consoante precedentes Fl. 643DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 644 13 jurisprudenciais trazidos à colação para fundamentar o dissídio alegado. Nesse contexto, a decisão do Superior Tribunal de Justiça não avaliou a questão fulcral que fundamenta a Súmula CARF 47, que é a existência ou não de controle comum para justificar a responsabilização tributária na forma do artigo 132, do CTN. Assim, entendo aplicável a Súmula CARF 47 ao caso dos autos, para o fim de negativa de provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional neste ponto. É importante anotar que o E. Superior Tribunal de Justiça julgou embargos de declaração nos autos do Recurso ESpecial nº 923.012, rejeitandoos, conforme ementa transcrita a seguir: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo que o recurso de embargos de declaração, desafiado contra decisão judicial monocrática ou colegiada, se subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um destes requisitos: (a) obscuridade, (b) contradição ou (c) omissão, querendo isso dizer que, se a decisão embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido. Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade da observância rigorosa desses chamados pressupostos processuais, muito menos usar o recurso como forma de reversão pura e simples da conclusão do julgado. 2. As omissões e contradições apontadas, em verdade, não ocorreram; o que se constata é que o contribuinte pretende reverter o resultado do julgamento, tentando fazer prevalecer seu ponto de vista sobre os temas discutidos. 3. Quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo do ICMS das mercadorias dadas em bonificação, restou assentado pelo acórdão recorrido, consoante trecho transcrito no aresto ora embargado, que somente os descontos incondicionais estão livres de integrar a base de cálculo do imposto, e que a empresa não fez qualquer prova de que as bonificações concedidas foram dadas dessa forma, ou seja, sem vinculação a qualquer tipo de condição; esse entendimento não diverge daquele assentado em inúmeros julgados desta Corte. 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que Fl. 644DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 645 14 se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. (EDcl no REsp 923012, DJe 24/04/2013) Notese que os embargos declaratórios foram rejeitados, por entender a Primeira Seção do STJ que inexistiria omissão ou contradição no acórdão embargado. A respeito do assunto, são precisas as lições de Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery: "Providos os embargos fundados na omissão da decisão, está é completada pela decisão de acolhimento dos embargos, que passa a integrála. Quando a questão for de direito dispositivo, a cujo respeito se exige a iniciativa da parte, e não tiver sido arguída na forma e prazo legais, o juízo ou tributal não tem, em princípio, dever de pronunciarse sobre ela. Assim, neste último caso, são inadmissíveis os Edcl porque nõa houve omissão" (Código de Processo Civil Comentado, 13ª edição, 2013, RT, p. 1084). A decisão de embargos de declaração que os rejeita como ocorrido nos autos do Recurso Especial nº 923.012 , por não ser reconhecida qualquer omissão ou contradição, não integra a decisão embargada; diferentemente daquela decisão que acolhe os embargos. Aliás, nos termos do Código de Processo Civil, não se atribui os efeitos da coisa julgada aos motivos da decisão: Art. 469. Não fazem coisa julgada: I. os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença Também por isso, os motivos que levaram a Primeira Seção do STJ a decidir pela rejeição dos embargos de declaração são irrelevantes para o fim de determinar o alcance do acórdão prolatado no Recurso Especial nº 923.012 na forma do artigo 543C. Se o Código de Processo Civil explicitamente veda que os motivos da decisão façam coisa julgada (em princípio entre as partes, conforme artigo 472, do CPC), com mais razão não se admite a atribuição de tais efeitos a terceiros, por força do artigo 543C. Diante disso, a menção na motivação de acórdão de embargos de declaração à irrelevância do fato de já estar "formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa" serviu apenas para justificar, pela Primeira Seção do STJ, a inocorrência de omissão ou contradição no acórdão. E, assim, confirmar o entendimento manifestado no presente voto: que aquela fundamentação não altera o julgamento do recurso especial e apenas confirma que a existência de controle comum não foi tratada naquele processo pelas vias cabíveis. Por fim, aplico ao presente caso a disposição do artigo 76, da Lei nº 4.502/1964, que dispõe: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) Fl. 645DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 646 15 II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; Extraio do voto vista do Conselheiro Luis Flávio Neto, nos autos do processo nº 19515.006116/200846, acórdão n. 9101002.226, trecho relevante para análise do tema: No âmbito do CARF, é possível divisar dois momentos distintos em sua jurisprudência. A primeira compreende o período entre 2001 e 2009, enquanto que a segunda teve início em meados de 2009/2010. No acórdão n. 10806682, de 20.9.2001, a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade, julgou ser válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “INCORPORAÇÃO — DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA — LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a . norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Ainda em 2001, o acórdão n. 10193438, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou que a compensação dos prejuízos, mesmo na hipótese de extinção por incorporação, deveria respeitar a “trava dos 30%”: “IRPJ COMPESAÇÃO DE PREJUÍZOS A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIAPOSTERGAÇÃO — Não há previsão legal para exigência de multa de mora sobre o imposto postergado MULTA RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO — Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada, se o lançamento foi formalizado após a incorporação.” A incipiente divergência foi sufragada logo em 2002, quando a CSRF julgou a questão. Assim, no acórdão n. 0104258, de 2.12.2002, a CSRF, por maioria, julgou válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: Fl. 646DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 647 16 “COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada.” As decisões que se seguiram, tanto das Turmas Ordinárias quanto da CSRF, navegaram em águas tranquilas, firmes na compreensão de que seria válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação. Por unanimidade, o acórdão da CSRF n. 01 05100, de 19.10.2004, confirmou tal entendimento: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal.” (...) Em 02.10.2009, por voto de qualidade, a CSRF alterou esse entendimento até então corrente, como se observa no acórdão n. 910100401: IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Por fim, no julgamento do recurso especial objeto desta declaração de voto, realizado em fevereiro de 2016, novamente a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) pela não observância da “trava de 30%”, ainda que o contribuinte tenha sido extinto por incorporação. Com efeito, o acórdão n. 910100401, proferido nos autos do processo n. 13807.003133/200436, alterou o entendimento da última instância administrativa para então julgar indevida a compensação de prejuízo fiscal acima do limite de 30 por cento na hipótese de encerramento das atividades. Este acórdão foi publicado em 02/10/2009, segundo informações do sitio do CARF. Depois deste julgamento, não foi publicado nenhum outro acórdão entre a data de sua publicação e a ciência do auto de infração em 17/03/2010. Especificamente quanto ao julgamento nos autos do processo n. 13807.003133/200436, alega a Recorrida que teriam sido apresentados embargos de declaração e que, portanto, este julgamento não produziria efeitos antes do julgamentos destes embargos. Efetivamente, consultando o site do CARF, confirmo que não foi proferido julgamento quanto a tais embargos até 17/03/2015, assistindo razão ao Recorrido. Sobre efeito suspensivo dos embargos, destaco doutrina: "A eficácia da deisão embargada fica suspensa pela sua recorribilidade por EDcl, vale dizer, não se admite a execução da decisão que pode ser embargada pelo recurso de EDcl. Com Fl. 647DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 648 17 muito maior razão, não se pode executar a decisão que foi efetivamente impugnada pelo recurso de EDcl." Nery Junior, p. 1091 "Sendo da própria índole dos EDcl o aperfeiçoamento da decisão embargada, não se pode executála antes da correção porque de difícil compreensão e, se executada, disso poderiam advir 'perigosos efeitos práticos'" (Humberto Theodoro Júnior, RF 355/79, n. 7) Diante disso, entendo que entre a ocorrência dos fatos geradores em discussão nestes autos e a ciência do auto de infração (17/03/2010) inexistia decisão de última instância administrativa irrecorrível EFICAZ, razão pela qual aplico o artigo 76, da Lei 4502. Por tais razões, nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, aplicando a Súmula CARF 47 e o artigo 76, da Lei nº 4.502. Conclusão Pelas razões expostas, voto por não conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo. No mérito, voto por dar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo, reconhecendo a legitimidade de compensação da integralidade de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas e negar provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional aplicando a Súmula CARF 47 e o artigo 76, da Lei 4502, para afastar a multa de ofício imposta à sucessora. Caso vencida quanto ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, voto por baixar os autos à Turma Ordinária para julgamento da alegação de não incidência de juros sobre a multa. É como voto. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes Mora, Redator Designado Não obstante as considerações da I. Relatora, tão bem expostas ao Colegiado, no qual a acompanho para conhecer o recurso especial da Contribuinte, peço vênia para divergir das demais conclusões do voto, sobre os seguintes pontos: (1) admissibilidade do recurso da PGFN; (2) análise do mérito do recurso da Contribuinte, sobre aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais no evento de incorporação e (3) análise do mérito do recurso da PGFN sobre a aplicação de multa de ofício à sucessora por infração cometida pela sucedida. 1. Admissibilidade do Recurso da PGFN Votou a I. Relatora no sentido de não conhecer o Recurso da PGFN. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 649 18 Foram apresentados dois paradigmas, acórdãos nº 9303001.863 e CSRF 02 02.396, a respeito da matéria "multa de ofício na sucessão empresarial com lançamento fiscal posterior ao evento societário". Em relação ao voto vencido, remanesceram pontos dos quais entendo que devem ser enfrentados sob uma outra perspectiva: (1) que a matéria estaria superada pela Súmula CARF nº 47; (2) que os acórdãos paradigma tratariam de situações sem similitude fática com a decisão recorrida, inclusive envolvendo caso em que havia controle comum entre a sucessora e a sucedida. Em relação à Súmula CARF nº 47, restou claro que foi aplicada a contrario sensu na decisão recorrida. Vale transcrever excerto do voto: 3) Da Responsabilidade sobre a Multa de Ofício No que concerne à multa de ofício há que se notar que seu lançamento foi efetuado somente após o evento da cisão total da empresa VBC Participações S/A. Como é cediço, este Conselho pacificou entendimento segundo o qual, havendo o lançamento sido realizado somente após a ocorrência da sucessão, a sucessora não responde pela multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, exceto se restar provado que ambas estavam sob controle comum, ou que pertenciam a um mesmo grupo econômico, fato que, no caso sob exame, sequer chegou a ser levantado, seja pela autoridade lançadora, seja pela PGFN em suas contrarrazões ao recurso voluntário. Em sendo assim, incide no caso, a contrario sensu, o disposto na Súmula nº 47 de Colegiado, que assim estabelece (DOU de 09/12/2010): (...)” (grifei) Ora, não há qualquer previsão regimental para vincular interpretação do caso concreto que entende pela aplicação sumular em via inversa, não direta, a contrario sensu. Mostrase clara disposição do RICARF, Anexo II, art. 67, §3º: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vale transcrever a redação da súmula: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado Fl. 649DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 650 19 que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. O entendimento da súmula reflete o que se encontra pacificado no Tribunal, qual seja, que é cabível a aplicação da multa de ofício em debate quando restar comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. A aplicação do direito em tal situação encontrase consolidada. Por outro lado, não há nada que possa infirmar que se encontra pacificada interpretação tratando de cenário no qual as sociedades não estejam sob controle comum ou pertençam ao mesmo grupo econômico. Tanto que a situação não é abrangida pela súmula, que o debate no âmbito do CARF permanece, no âmbito dos presentes autos, na decisão recorrida e nos paradigmas apresentados. Entendo, portanto, superado óbice levantado em relação à Súmula CARF nº 47. Em relação à pretensa falta de similitude fática entre a decisão recorrida e os paradigmas, os argumentos da Contribuinte não procedem. O que se aprecia é se a decisão recorrida deu legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, conforme caput do art. 67, Anexo II do RICARF. A norma em apreciação é o art. 132 do CTN, e sobre ela devese debruçar a análise que, conforme interpretação a ser dada, poderá recorrer a outros dispositivos legais. Tomandose por base o acórdão paradigma CSRF/0202.396, constatase que a decisão que considerou que a sucessora responde por multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida antes da sucessão, sem mais nenhuma condição para a responsabilização pela multa de ofício aplicada. Por sua vez, ao discorrer sobre situação no qual sucessora e sucedida são do mesmo grupo empresarial, entendeu que tal cenário só serve para ratificar a responsabilização tributária. Basta observar o excerto do voto paradigma: Melhor sorte não merece os argumentos de defesa no tocante à responsabilidade da sucessora (incorporadora) por infrações fiscais cometidas pela sucedida, pois o direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades). Esta questão foi muito bem enfrentada por Marcus Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso que deu origem ao Acórdão 202.11845, transcrito pela Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no voto condutor do Acórdão n° que, em virtude da similitude com a questão aqui tratada, com os devidos agradecimentos aos ilustres conselheiros, peço licença para transcrever e adotar excertos do desse acórdão como minhas razões de decidir: (...) Não fossem as razões aposta linhas acima suficientes para demonstrar a procedência da multa de oficio na empresa incorporadora, a ata sumária da assembléia geral extraordinária realizada em 30 de agosto de 2.002, cópia às fls. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 651 20 213 a 219, põe, a meu ver, pá de cal na discussão, pois, conforme consta desse documento, a incorporadora era acionista controladora da incorporada, com participação superior a 99,99% das ações do capital dessa empresa, o que implica em dizer que todos os atos praticados pela incorporadora era, ao menos indiretamente, de responsabilidade da hoje incorporadora, a qual detinha o controle total da administração da incorporada. Diante disso, não consigo vislumbrar qualquer possibilidade de excluir a reclamante do pólo passivo da obrigação tributária ora em exame. (grifei) E, demonstrada a divergência entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma CSRF 0202396, tornase prescindível apreciação do outro paradigma 9303 001.863. Assim sendo, preenchidos os requisitos para exame de admissibilidade, demonstrada a divergência entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma CSRF 0202396, voto no sentido de conhecer o recurso de PGFN. 2. Mérito do Recurso da Contribuinte. Aplicação da Trava de 30% no Evento de Incorporação. Votou a I. Relatora no sentido de dar provimento ao recurso da Contribuinte, posicionamento do qual peço vênia para discordar. Isso porque, sobre a matéria aplicação da trava de 30% de prejuízos fiscais no evento de incorporação, há que se observar o disposto nas Leis nº 8.981, de 1995, e na Lei nº 9065, de 1995: Lei nº 8.981, de 1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, poderá ser reduzido em, no máximo trinta por cento. (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. .................................................................. Lei nº 9.065, de 1995: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, Fl. 651DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 652 21 observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Verificase que nos comandos legais não há nenhuma disposição no sentido de que a regra que estabelece o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado apurado pela empresa, albergue a exceção alegada pela recorrente, qual seja, de que em razão da extinção da pessoa jurídica por conta da incorporação, ou qualquer outro evento de reorganização societária, o prejuízo fiscal poderia ser aproveitado integralmente. Inclusive, quando o legislador pretendeu estabelecer exceções à aplicação da trava dos 30%, tal medida foi realizada de maneira expressa, conforme aduziu com precisão o voto proferido no Acórdão nº 910100.401, da sessão de 02 de outubro de 2009, da Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando dois exemplos. Primeiro, no que diz respeito às empresas inscritas no regime BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981, de 1995, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995: Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Beneficias Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. Inclusive, o art. 510 do RIR/99 contempla expressamente a hipótese: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, Fl. 652DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 653 22 cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. ............................................... Art. 470. Às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação Comissão BEFIEX, poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento (DecretoLei nº 2.433, de 1988, art. 8º, incisos III e V, e Lei nº 8.661, de 1993, art. 8º): I compensação de prejuízo fiscal verificado em um período de apuração com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes independentemente da distribuição dos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, não estando submetida ao limite estabelecido no art. 510 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 95, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º); (...) (grifei) Segundo, quando o legislador tratou do aproveitamento de prejuízos fiscais referentes à atividade rural, na Lei nº 8.023, de 1990. De acordo com o diploma legal e as instruções normativas da Receita Federal sobre o tema (IN SRF nº 39, de 28/06/1996 e nº 257, de 11/12/2002), mediante o atendimento de determinadas condições, não se aplica o limite de 30% à compensação de prejuízos de atividade rural com (1) lucro apurado pela mesma atividade, em qualquer anocalendário, e (2) lucro apurado pelas atividades em geral, desde que no mesmo período de apuração. Também se pode utilizar o saldo de prejuízos de atividade rural, acumulados de períodos anteriores, para compensar lucro apurado de atividades em geral, e viceversa, casos em que se aplica a trava dos 30%. Como se pode observar, o aproveitamento de prejuízos fiscais, quando recebeu tratamento de exceção, foi mediante dispositivo legal próprio, específico para a situação positivada pela norma. Em relação à jurisprudência administrativa, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, também se mostra interessante apreciar a evolução da questão, sob uma perspectiva histórica. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 654 23 A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nas sessões de 02/12/2002 (Acórdão nº 0104.258), e de 19/10/2004 (Acórdão nº 0105.100), decidiu no sentido de que o limite de utilização de 30% não seria aplicado nos casos de extinção de pessoa jurídica. Ocorre que tal posicionamento foi modificado, conforme o já mencionado Acórdão nº 910100.401, de 02/10/2009, pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja publicação ocorreu em 02/01/2011: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (grifei) E, em oportunidade posterior, o entendimento foi ratificado, nos Acórdãos nº 9101001.337 e 9101001.760: INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. (Acórdão nº 9101001.337, 1ª Turma/CSRF, sessão de 26 de abril de 2012, redator do voto vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. A mesma limitação se aplica à compensação de bases negativas da CSLL. (Acórdão nº 9101 001.760, 1ª Turma/CSRF, sessão de 16 de outubro de 2013, redator do voto vencedor Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão) No que concerne ao voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, na decisão proferida no Acórdão nº 9101001.760, peço vênia para transcrever excerto no qual rebate, com precisão, argumento de que o não aproveitamento do prejuízo fiscal implicaria em tributar o patrimônio: O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estarseia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a Fl. 654DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 655 24 devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contraargumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativocontábil, não transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repisese, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei. Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo Fl. 655DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 656 25 contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. Enfim, no Supremo Tribunal Federal, em 25/03/2009, ao julgar o RE 344.9940/PR (ocasião em que foi vencido relator Ministro Marco Aurélio), prevaleceu entendimento do Ministro Eros Grau, que redigiu o voto vencedor, conforme ementa a seguir. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/2009, DJe 162 DIVULG 27082009 PUBLIC 28082009 EMENT VOL 0237104 PP00683 RDDT n. 170, 2009, p. 186194) Na mesma direção foi proferido o acórdão no RE 545.308/SP (em que foi vencido o relator Marco Aurélio), no qual o voto vencedor da Ministra Carmen Lúcia foi assim ementado: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Fl. 656DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 657 26 Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido.(RE 545308, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2009, DJe055 DIVULG 25032010 PUBLIC 26032010 EMENT VOL0239505 PP01244 RTJ VOL00214 PP00535) Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte. 3. Mérito do Recurso da PGFN. Aplicação da Trava de 30% no Evento de Incorporação. Votou a I. Relatora no sentido de negar provimento ao recurso da PGFN, posicionamento do qual peço vênia para discordar. A matéria em debate, relativa a aplicação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, já foi apreciada recentemente pelo presente Colegiado, em decisão formalizada no acórdão nº 9101002.225 (em fevereiro de 2016). Sendo assunto já analisado e debatido pelo Colegiado, tomo a liberdade de utilizar os fundamentos, objetivos e precisos, apresentados no mencionado voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que inclusive enfrentou com propriedade argumento trazido pela Contribuinte a respeito da aplicação do art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964 no caso concreto. Passando a enfrentar o mérito da questão trazida no recurso fazendário, tenho que é a sucessora, sim, responsável pela multa de ofício aplicada pela fiscalização por infração cometida pela sucedida antes do evento da sucessão. Neste sentido vem decidindo o STJ, havendo recentemente sido publicada a Súmula 554, julgada em 9/12/2015, DJe de 15/12/2015, nos seguintes termos: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Contudo, como a súmula é silente quanto ao fato de a sucessão ocorrer entre pessoas jurídicas integrantes ou não do grupo econômico, esclareço que o meu entendimento é no sentido de que a "responsabilidade dos sucessores" é tratada na Seção II do capítulo do Código Tributário Nacional CTN que trata da responsabilidade tributária. Logo no primeiro artigo dessa seção (art. 129) consta regra geral de interpretação que se aplica a todas as disposições da seção (inclusive ao art. 132), estabelecendo que "o disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data" (sublinhei). Como se vê, o mandamento geral de interpretação faz referência à expressão "créditos tributários", que abarca, a toda evidência, tanto o tributo em si, quanto a multa por infração à legislação tributária. Dessa maneira, fazendose uma interpretação sistemática do CTN, só se pode interpretar o art. 132 sob a orientação da regra interpretativa do art. 129, daí defluindo que, quando o art. 132 estabelece a Fl. 657DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 658 27 responsabilidade da sucessora "pelos tributos devidos" até à data da sucessão pela sucedida, incluise aí a multa. É desnecessário para aplicação dessa regra, portanto, qualquer vinculação entre empresa sucedida e sucessora, visto que tal multa é a básica de 75%, tem natureza objetiva, e se liga ao crédito tributário. No que diz respeito ao pleito da contribuinte, em contrarrazões, para ver afastada a multa na sucessora por força do art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, entendo que não merece prosperar porque tal dispositivo legal, genérico para penalidades, em lei que trata do imposto sobre consumo, não tem o condão de afastar o repetitivo do STJ julgados no RESP Nº 923.012/MG, que, por força do art. 62 do Anexo II do RICARF, deve ser observado. Por oportuno, transcrevo parte da ementa dessa decisão: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) Fl. 658DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 659 28 Como também, transcrevo parte do voto do julgamento dos embargos desse repetitivo, para deixar claro que para o repetitivo do STJ é indiferente o fato do evento sucessório ter ocorrido antes ou após o fato gerador: 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observese que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: [...] 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404/76 e art. 1.116 do CC/02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entendese que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 9. Todos esses aspectos foram bem examinados no acórdão embargado, in verbis: [...] 11. Ante o exposto, rejeitamse os Embargos Declaratórios. Além disso, também entendo que o art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado à luz do próprio CTN, que foi publicado quase dois anos depois, e cujo art. 100 assim dispõe: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 659DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 660 29 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ou seja, aqui temos uma lei complementar, publicada após uma lei ordinária, afirmando que decisões administrativas somente podem excluir a imposição de penalidades se a lei lhes atribuir eficácia normativa. Ocorre que não existe, em nosso ordenamento jurídico, nenhuma lei que atribuiu eficácia normativa às decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes, a ponto de afastar o que dispõe as leis vigentes, que no caso seriam as leis que determinam a trava de 30% para a compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL, respectivamente arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 . Neste sentido também entendeu o Parecer Normativo Cosit nº 23, de 6 de setembro de 2013, por sua vez atualizou o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971 (apenas para substituir Conselho de Contribuintes por CARF), nos seguintes termos: Relatório Cuidase da atualização do Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, que, embora tenha vigorado até a presente data, faz referências a normas já revogadas ou modificadas. 2. Trata o presente Parecer Normativo sobre a prevalência ou não de acórdãos prolatados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ou pelos extintos Conselhos de Contribuintes (CC) do Ministério da Fazenda, em que se declara a classificação fiscal de produtos na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, ou quaisquer outras matérias, sobre decisões que venham a ser fixadas pelas diversas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em situações que versem sobre a mesma matéria. Fundamentos 3. Resumese a questão na delimitação do âmbito de eficácia das decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ou pelos extintos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 4. O inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional determina que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 660DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 661 30 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (...) 5. Necessário esclarecer que, embora o acima reproduzido diploma legal, em seu inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões prolatadas nos acórdãos dos Conselhos, a sua eficácia limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 6. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral, a decisão em processo fiscal proferida pelo Conselho (CARF ou CC) não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. 7. Há que se ressalvar, por oportuno, que, nos termos do caput e parágrafo 2º do art. 75 do Regimento do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o Ministro da Fazenda poderá atribuir às súmulas editadas por aquele conselho efeito vinculante em relação à administração tributária federal, mediante edição de portaria específica. Somente em tal hipótese fica a administração tributária federal sujeita à observância do entendimento esposado na súmula a que se atribua tal efeito (súmula vinculante) mediante portaria da autoridade competente. 8. Por conseguinte, ao pretender orientação no sentido de conhecer a classificação de produtos na TIPI ou sobre interpretação da legislação tributária federal, caberá ao contribuinte formular consulta específica à autoridade competente na forma do que lhe facultam os art. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 1972, e os art. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 1996, ressalvandose, todavia, o disposto no art. 76, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 4.502, de 1964. 9. Entretanto, não prevalece a guarida deste dispositivo legal art. 76, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 4.502, de 1964 quando sobrevenha ato normativo emanado pela autoridade competente, versando sobre a mesma matéria e de forma distinta da solução apresentada no processo de consulta, porquanto este ato se insere entre as normas complementares da legislação tributária, conforme dispõe o art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 662 31 10. Esclareçase, finalmente, que o Parecer Normativo do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil é ato administrativo de natureza normativa, por força do disposto no art. 1º, inciso III, combinado com o art. 280, inciso III, todos do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 2012, incluindose, portanto, entre os atos normativos apontados no art. 100, inciso I, do CTN. Conclusão 11. Diante do exposto, concluise que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. Aliás, o Regulamento do IPI vigente ao tempo do fato gerador (como também o atual), no caso o Decreto nº 4.543, de 2002, em seu art. 610, reproduziu esse dispositivo, porém o aplicou apenas aos casos em que o interessado seja parte da decisão administrativa: Art. 610. Não será aplicada penalidade enquanto prevalecer o entendimento, a quem cumprir as obrigações acessória e principal (Decretolei nº 37, de 1966, art. 101): I de acordo com interpretação fiscal constante de decisão de qualquer instância administrativa, proferida em processo de determinação e exigência de créditos tributários ou de consulta, em que o interessado seja parte; ou II de acordo com interpretação fiscal constante de ato expedido pela Secretaria da Receita Federal. Ou seja, a penalidade deixará de ser aplicada, se o sujeito passivo pagou o imposto em observância a uma decisão administrativa do qual foi parte. Ademais, ainda que houvesse decisões administrativas, ao tempo do fato gerador, permitindo a compensação além da trava de 30% nos casos de extinção de pessoa jurídica, havia também outras em sentido contrário, a exemplo do acórdão 10515908, de 16/8/2006, do acórdão 10708562, de 24/5/2006 e do acórdão 10708607, de 21/6/2006. Nesse sentido, voto no sentido de dar provimento ao recurso da PGFN. 4. Conclusão Pelas razões expostas, acompanho a relatora para conhecer o Recurso Especial da Contribuinte, e voto no sentido de conhecer o Recurso Especial da PGFN. No mérito, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte e por dar provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) André Mendes Moura Fl. 662DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 663 32 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Durante o julgamento foi ventilado na sustentação oral, e via memorial, um interessante argumento que afastaria a aplicação da multa no presente caso, e que merece maiores considerações. O argumento consiste na ideia de que o art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964 teria o condão de afastar a aplicação da multa em um lançamento de ofício quando o contribuinte tiver agido em conformidade com decisão irrecorrível de última instância administrativa. Eis o dispositivo mencionado: Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: I aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, procurarem espontâneamente, a repartição fazendária competente, para denunciar a falta e sanar a irregularidade, ressalvados os casos previstos no art. 81, nos incisos I e II do art. 83 e nos incisos I, Il e III do art. 87; II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; c) de acôrdo com interpretação fiscal constante de circulares instruções, portarias, ordens de serviço e outros atos interpretativos baixados pelas autoridades fazendárias competentes. (Destaques nossos). Seguindo esta linha, a argumentação considera que se o contribuinte seguiu a jurisprudência consistente em “decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal" existente à época do fato gerador, não poderia contra ele ter sido lançado multa de ofício, e para tanto traz o histórico da jurisprudência do CC/CARF sobre o mérito da questão (trava dos 30% no encerramento de atividades). Argumenta que à época do fato gerador (novembro de 2006, mês em ocorreu a cisão total da sucedida seguida de incorporação pela autuada, sendo a DIPJ corresponde te entregue em dez/2006) havia uma decisão unânime da CSRF (Ac. 0105100), de 19/10/2004, no sentido de afastaria a ‘trava dos 30%”, e que a decisão em sentido contrário da CSRF só surgiria em 02/10/2009 (caso Bunge – Ac. 9101 00401), sendo que as outras decisões (conforme pesquisa do recorrente) seriam todas no sentido de afastar a trava nessas situações, exceto a do caso Bunge em recurso voluntário (Ac. 10515.908, de 16/10/2006), mas ainda sujeita à revisão na CSRF.1 1 Na verdade, havia pelo menos mais uma decisão dando pela aplicação da trava nesses casos. Tratase do Ac. 101093 438, da 1ª C. do 1º CC, julgado em 19/01/2001, que transitou em julgado, não sendo objeto de recurso especial, tornandose, portanto irrecorrível. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 664 33 Pois bem, ainda que se aceite o conceito de decisão definitiva, como sendo uma única decisão ainda que haja outra(s) contrária(s), ou seja, poderseia admitir uma decisão definitiva ainda que a matéria fosse controvérsia (e no caso, sempre o foi, tanto é que os casos continuaram a subir à CSRF), ou mesmo que a decisão definitiva seja somente a CSRF entendo que esta norma (art. 76 da Lei 4.502/1994) não se aplica ao caso presente. Primeiro porque havia pelo menos uma decisão definitiva no âmbito do CARF, ainda que não da CSRF, quando ocorreu o fato gerador, contrário à pretensão do contribuinte (Ac. 101093 438, da 1ª C. do 1º CC, decidido em 19/01/2001). Assim, qual decisão definitiva deveria o contribuinte seguir? É questão que se resolve a partir de uma intepretação histórica. À época da edição da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, havia sido recentemente editado o Decreto n. 54.767, de 30 de outubro de 1964 que regulava a organização e o funcionamento do Conselho de Contribuintes e Conselho Superior de Tarifas. Este Regulamento, que fazia parte de um conjunto de medidas ligadas à tributação da época, trazia em seu art. 27 a possibilidade do representante da Fazenda interpor recurso de decisão do CC, pedindo ao Ministro da fazenda a reforma da decisão. Ou seja, àquela época, uma decisão definitiva contrária à política tributária ou fazendária poderia ser revista pelo Ministro, daí que atribuirlhe força normativa era consentânea com o sistema, e isto é relevante, pois, pelo menos em tese, não coexistiam decisões definitivas discrepantes. Contudo, de há muito a possibilidade de revisão superior não mais prevalece e, portanto deixou de existir a lógica inicial do dispositivo do art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964. Porém, este dispositivo nunca foi formalmente revogado, e assim seguindo o brocardo verba cum effectu sunt accipienda há que se lhe dar um significado, mas, agora, do ponto de vista evolutivo, promovendo a denominada adequação normativa. E a melhor intepretação do dispositivo remete ao caput do inciso II do art. 76, que diz “enquanto prevalecer o entendimento”, ou seja, a jurisprudência deve ser mansa e pacífica, sem decisões em sentido contrário (uma que seja). Assim não poderia ser avocado hodiernamente o dispositivo do art. 76 da Lei n. 4.502/1964 para afastar a aplicação da multa com base em uma decisão da CSRF que era definitiva à época do fato gerador, mas que convivia com outra decisão definitiva em sentido contrário (e no caso há pelo menos uma, conforme já mencionado), a menos, por óbvio, que a decisão que foi obedecida tenha sido proferida em processo do qual o contribuinte seja parte. Somente por este fundamento já se afastaria a incidência do o art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964 ao presente caso. Porém há outros argumentos, conforme seguem. A questão é que após a edição da Lei n. 4.502/1964, sobreveio o Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1996), editado sob a forma de lei ordinária, mas que veicula normas gerais de Direito Tributário, sendo lei nacional (é consenso está assentado na jurisprudência do STF que o CTN foi recepcionado pela Constituição de 1988 como o status de lei complementar). Deve ser considerado que o CTN estabelece em seu art. 96 quais as fontes do Direito Tributário nacional e em seu art. 100, quais são essas fontes na categoria de normas complementares. Dizem os dispositivos: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ... Fl. 664DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 665 34 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Primeiramente devese descartar, de plano, qualquer possibilidade de aplicação do inciso III do art. 100 aos casos semelhantes ao presente, eis que não se está tratando de “práticas reiteradas”, mas de decisões de órgãos de jurisdição administrativa, que é tratada em dispositivo específico. Pois bem, a primeira questão que surge é se o dispositivo do art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964 teria sido recepcionado pelo CTN, pois este lhe é posterior. Há um argumento no sentido da recepção com base no princípio do lex specialis derogat legi generali. Porém, esta orientação hermenêutica se presta apenas para resolver conflito de normas de mesmo nível hierárquico e no caso, a rigor não se teria conflito de normas, há que se discutir, portanto, recepção. Isto porque a Lei n. 4.502/1964 não é norma de mesmo nível hierárquico do CTN, que é norma geral, conforme diz seu art. 1º e como preconizava o artigo 5º, inciso XV, alínea “b”, da Constituição Federal de 1946 (vigente quando de sua edição) e, póstemporalmente, o art. 146, inciso III, da Constituição de 1988. O argumento de que a Lei 4.502/1964 teria sido recepcionada pela Constituição de 1988 como lei complementar carece de mínima fundamentação plausível. Primeiro que a teor da Constituição vigente à época, a Lei 4.502/1964 foi editada como lei específica do Imposto de Consumo (depois transformada em normativa do IPI, por força do Decretolei n. 34/1966), segundo porque as normas editadas como sendo normas gerais (caso do CTN), remetem ao artigo 5º, inciso XV, alínea “b”, da Constituição Federal de 1946, o que não é o caso. Não é por outro motivo que os dispositivos da Lei n. 4.502/1964 se referem internamente, em todos seus dispositivos a “este impôsto” (grafia original). Qual imposto? O IPI, nenhum outro. O fato de alguns de seus dispositivos serem referidos em outras leis (caso paradigmáticos de seus arts 71, 72 e 73 referidos no art. 44 da Lei n. 9.430/1996) corresponde ao fenômeno da referenciação normativa, de forma a evitar repetir termos já existentes previamente, e aproveitarse da jurisprudência já formada em torno daquelas normas. Só isso, nada mais. Ou seja, a Lei n. 4.502/1964, enquanto tal, só se aplicaria ao IPI (âmbito da discussão do mencionado PN Cosit n. 23, de 05/09/2013). Improcedente, pois, o entendimento que estaria havendo violação ao princípio nemo potest venire contra factum proprium. Assim, caso se entenda que houve a recepção pelo CTN e pela Constituição de 1988, o dispositivo em discussão só se aplicaria ao IPI. Tratase de norma especial, especialíssima, sendo certo, absolutamente certo, que não se aplica ao IRPJ e à CSLL, tributos sob discussão no presente caso. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 666 35 Outro argumento trazido á baila nas discussões e que demanda também alguma contradita, ainda que em menor escala, é a possibilidade de se aplicar ao caso o art. 112 do CTN. Diz o dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Ora, ao discutir a aplicação do art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964 não estamos falando de lei que define infrações ou comina penalidades, mas de aplicação de precedentes, i.e., de uma norma que trata de aplicação de precedentes (stare decisis et non quieta movere) – portanto foge completamente do escopo do art. 112, bastando, para tanto, uma leitura mais atenta do seu caput. Ademais, in casu, não há nenhuma dúvida em relação à capitulação legal do fato ou punibilidade, eu, pelo menos, não tenho dúvida. E esta norma é dirigida ao intérprete, e eu não tenho dúvidas aqui em relação à aplicação de nenhum dos incisos do art. 112 do CTN. Na verdade, a única questão que ensejaria alguma discussão sobre a imputabilidade ou punibilidade, reside nalguma controvérsia que envolve a aplicação do art. 132 do CTN – mas também em relação a este ponto, não tenho dúvida de que a sucessora responde pelas infrações da sucedida em casos como os dos presentes autos, pelos exatos fundamentos que expus no Acórdão da 1ª T. da CSRF, de n. 9101002.212, de minha relatoria, decidido em 3 de fevereiro de 2016. Do exposto, tenho que é inaplicável ao caso presente o dispositivo contido no art. 76, inciso II, “a”, da Lei 4.502/1964, bem assim que é inaplicável ao caso o art. 112 do CTN, e considero viável a imputação da multa à sucessora. Assim, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Na sessão de março de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou os recursos especiais interpostos por CAMARGO CORRÊA ENERGIA S/A. (doravante “CAMARGO CORRÊA” ou “contribuinte”) e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN”) no processo n. 19515.000428/201061, em face do acórdão n. 1201000.803 (doravante “acórdão a quo”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 2 a Câmara desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”), assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 667 36 COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No julgamento dos recursos especiais interpostos pela, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) levada a termo no AIIM, bem como a cobrança de multa e juros de mora. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo cancelamento da autuação, os quais serão divididos em duas partes: 1. O mérito principal do recurso especial: a “trava dos 30%”. 2. A punição do contribuinte pela prática de conduta razoável, considerada legítima pelo CARF à época dos fatos (proibição de venire contra factum proprium). 1. O MÉRITO PRINCIPAL DO RECURSO ESPECIAL: A “TRAVA DOS 30%” O núcleo do recurso especial ora em exame consiste em saber se, na hipótese de uma pessoa jurídica, submetida ao lucro real, apresentar lucros no exercício em que vier a ser extinta por incorporação (art. 227, § 3º, da Lei n. 6.404/64), poderá compensar integralmente, em sua última declaração de rendimentos, o seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa (CSL) acumulado de exercícios anteriores, sem a “trava de 30%” que seria aplicável caso a sua existência fosse continuada (arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95). Para a melhor compreensão do tema, suponhase, por hipótese, que uma empresa inicie as suas atividades no “ano 1”, com o capital social integralizado pelos sócios de $4.000, obtendo prejuízo no “ano 2” de $ 1.000, prejuízo no “ano 3” de $1.000 e lucro no “ano 4” de $3.000. O gráfico a seguir ilustra essa sequência de resultados: Fl. 667DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 668 37 0 1 2 3 4 5 6 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Figura 01. Formação de prejuízos fisc a is seguida de período lucra vo. Nos anos “1”, “2” e “3”, naturalmente não haveria IRPJ ou CSL devidos sob a sistemática do lucro real. Tais tributos, por sua vez, poderiam incidir no “ano 4”, para a tributação dos resultados positivos obtidos. No entanto, para a apuração do referido resultado positivo, o contribuinte poderia considerar os resultados negativos obtidos nos exercícios anteriores, tendo em vista a necessária comunicação entre estes. Conforme a sistemática estabelecida pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, no “ano 4” e também em todos os próximos exercícios em que obtivesse resultados positivos, o contribuinte poderia compensar até 30% de seus lucros com os prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) apurados naqueles anos “1”, “2” e “3”. É o que ilustra o gráfico a seguir: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Saldo de prejuízos acumulados compensáveis em exercícios futuros (“ano 5”, “ano 6” etc) Compensação de prejuízos fis c a is Figura 02. “Trava de 30%”. Aplicação às empresas em con nua a vidade. Não há dúvida que legislador garantiu ao contribuinte o direito de compensar a totalidade do prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), mas diluiu o seu exercício durante o tempo de atividade da empresa. A questão que se coloca no presente recurso especial consiste em saber como deve proceder o contribuinte quando não houver a aludida continuidade em suas atividades, especialmente em face de extinção por incorporação. Assim, no caso concreto ora em análise, a empresa CAMARGO CORRÊA possuía saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL) acumulado de exercícios anteriores. No ano em que foi extinta em razão de incorporação (2003), o contribuinte havia obtido lucros e, em sua última declaração de rendimentos, os compensou com o aludido saldo. Diante da impossibilidade prosseguir compensando prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL) em exercícios futuros (pois, com a extinção, estes não existiriam), a contribuinte compreendeu inaplicável a “trava dos 30%”. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 669 38 A interpretação sustentada pelo contribuinte conduziria à tributação da renda, dos lucros obtidos durante o exercício de suas atividades, de tal forma que apenas o efetivo acréscimo patrimonial seria tributado pelo IRPJ e da CSL, deixando a salvo desses tributos aquilo que corresponderia efetivamente ao seu patrimônio (o que, de fato, não é hipótese de incidência do IRPJ e da CSL). Com vistas ao exemplo exposto nas figuras “1”, “2” e “3”, acima, a interpretação sustentada pelo contribuinte pode ser representada da seguinte forma: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Compensação de prejuízos fisc a is sem a “trava de 30%” Lucro tributável Patrimônio inicial Figura 03. “Trava de 30%”. Interpretação do contribuinte. Por um lado, é muito diferente a interpretação adotada pelo i. agente fiscal na lavratura do AIIM, bem como pela PFN em sua manifestação perante esta CSRF. Por esta, na hipótese de incorporação, fusão ou cisão, o contribuinte perderia até 70% do saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), de tal forma que referidos tributos incidiriam sobre o patrimônio da empresa. É o que ilustra o gráfico a seguir: 0 1 2 3 4 5 6 Ano 4 Patrimônio Prejuízo Lucro Lucro tributável Patrimônio inicial Parcela do patrimônio tributada pelo IRPJ e CSL. Compensação de prejuízos fisc a is com “trava de 30%" Figura 04. “Trava de 30%”. Interpretação da PFN. É importante sublinhar que o presente caso não trata de “incorporação às avessas” ou de compensação de prejuízos da empresa incorporada contra os lucros da empresa incorporadora, as quais são tuteladas pelos arts. 513 e 514 do RIR/99. No presente caso, o saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e de base negativa (CSL), apurado pela empresa incorporada foi Fl. 669DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 670 39 compensado com os lucros obtidos por ela, em sua última declaração de rendimentos entregues em função de sua extinção por incorporação. 1.1. A tributação dos “acréscimos patrimoniais” do contribuinte Na Constituição brasileira, há expressa e detalhada repartição de competências tributárias entre os entes federados, a qual estabelece quais signos presuntivos de capacidade contributiva podem ser onerados privativamente por cada um dos entes federados. A “renda” e o “lucro”, no caso, podem ser tributados exclusivamente pela União. Saber o sentido de “renda” e “lucro” é, então, essencial para a boa aplicação das normas constitucionais de distribuição de competência tributária e das normas de incidência tributária em sentido estrito. Isso explica as constantes discussões ao seu respeito, especialmente em torno de teorias como da “renda como acréscimo patrimonial” e da “renda produto (ou “teoria fonte”). A teoria da renda como acréscimo patrimonial pode ser compreendida a partir do caso Antártica2, julgado pelo Supremo Tribunal Federal cinco anos após a promulgação da Constituição de 1988, em que esteve em foco o conceito de “renda” presente no sistema tributário de 19643. Acompanhando o voto do Min. Carlos Velloso, houve unanimidade no Plenário do Tribunal quanto ao entendimento de que “o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso”. Notese que, caso se adote um conceito de “renda” que a identifique como o produto (“teoria da rendaproduto” ou “teoria da fonte”), apenas o fruto, o produto dos bens de capital ou do trabalho poderiam ser considerados “renda”. Sob tal perspectiva, estaria excluído do conceito de renda quaisquer ganhos e perdas de capital obtidos pela alienação da fonte produtora da renda, já que, metaforicamente, a tributação alcançaria apenas os frutos da árvore, mas não a alienação da árvore em si.4 1.1.1. O papel da lei complementar para a definição de “renda” tributável No atual sistema jurídico brasileiro, o debate sobre qual o conceito de renda tributável deve considerar que o art. 146 da Constituição Federal atribui à lei complementar a competência para estabelecer normas gerais, especialmente sobre a definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados no texto constitucional. Assim, embora não haja delimitação expressa na Constituição quanto ao signo “renda” para fins tributários, o art. 43 do CTN veicula norma que permite que o legislador ordinário se valha ao menos de duas significações possíveis: (i) o inciso I, ao se referir à “renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos”, se aproxima da teoria da rendaproduto; (ii) o inciso II, ao se referir a “proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior”, se aproxima da teoria da renda acréscimo patrimonial. Em ambos os casos, o conceito estabelecido pelo CTN exige que haja a aquisição de disponibilidade econômica ou 2 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDA CONCEITO. Lei n. 4.506, de 30.XI.64, art. 38, C.F./46, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. I. Rendas e proventos de qualquer natureza: o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso. C.F., 1946, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. II. Inconstitucionalidade do art. 38 da Lei 4.506/64, que institui adicional de 7% de imposto de renda sobre lucros distribuídos. III. R.E. conhecido e provido. (STF, RE 117887, Relator Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 11/02/1993, DJ 23041993) 3 Anterior ao atual Código Tributário Nacional. 4 Vide, sobre o tema: LANG, Joachim. The influence of tax principles on the taxation of income from capital, p. 1821; BELSUNCE, HORACIO GARCÍA. El concepto de rédito en la doctrina y en el derecho tributario. Depalma : Buenos Aires, 1967, p. 88 e seguintes. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 671 40 jurídica sobre a renda, a fim de que seja possível a tributação. O legislador complementar exige que haja a “aquisição de disponibilidade”, pouco importando ser ela “econômica” ou “jurídica”. O legislador ordinário deve eleger hipóteses de incidência do imposto de renda que estejam compreendidas nos referidos moldes estabelecidos pela Constituição e pelo CTN. 1.1.2. A decisão do legislador ordinário: a lógica da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL e a não tributação de situações que não geram acréscimo patrimonial. Independentemente das predileções doutrinarias quanto ao mais adequado conceito de “renda” e embora se possa argumentar que a Lei Complementar tenha outorgado possibilidades mais amplas, não há dúvida que o legislador ordinário utiliza sistematicamente, como diretriz central para a tributação da renda, a teoria da renda enquanto acréscimo patrimonial. A constatação é pragmática: as regras do imposto de renda brasileiro, de forma geral, conduzem a uma base tributável que tende ao acréscimo patrimonial realizado pelo contribuinte em um determinado intervalo de tempo. Na sistemática do lucro real, aplicável no caso, a base de cálculo adotada pelo legislador ordinário corresponde ao lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. O lucro líquido, no caso, será apurado com observância das disposições das leis comerciais. É o que prescreve o art. 247 do Decreto 3.000/99 (doravante “RIR/99”), que veicula o Regulamento do Imposto de Renda, com a sistematização de toda a legislação esparsa: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). (...) Por meio das “adições”, são incluídos à base de cálculo do tributo valores deduzidos na apuração contábil e que não são dedutíveis para fins fiscais, a exemplo de uma despesa indedutível de multa de trânsito. Com as “exclusões”, são excluídos da base de cálculo do tributo as receitas apuradas pela contabilidade que não sejam passíveis de tributação, a exemplo de dividendos isentos recebidos. Finalmente, pela “compensação”, o resultado tributável passível de tributação no período de apuração é diminuído pelos resultados negativos apurados em períodos anteriores. Especialmente em relação aos prejuízos fiscais, o RIR/99 reflete em seus arts. 519 e 510 das regras vigentes sobre a matéria: CAPÍTULO XIV COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Disposições Gerais Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de Fl. 671DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 672 41 1977, art. 64, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 1º A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 2º). § 2º A absorção, mediante débito à conta de lucros acumulados, de reservas de lucros ou capital, ao capital social, ou à conta de sócios, matriz ou titular de empresa individual, de prejuízos apurados na escrituração comercial do contribuinte não prejudica seu direito à compensação nos termos deste artigo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 3º). Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e Posteriores Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. A sistemática do lucro real, portanto, cristaliza a diretriz adotada pelo legislador ordinário de tributar os acréscimos patrimoniais, ainda que ajustes sejam realizados à apuração contábil. 1.2. A evolução legislativa a respeito da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa (CSL) Na sistemática do lucro real, a compensação de prejuízos fiscais é elemento essencial da diretriz erigida pelo legislador para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A investigação da evolução legislativa sobre a matéria nos últimos 80 anos demonstra que o legislador ordinário jamais negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) ou de base negativa (CSL). Nos idos de 1947, a Lei n. 154 regulou a compensação de prejuízos fiscais, nos seguintes termos: Art. 10. O prejuízo verificado num exercício, pelas pessoas jurídicas, poderá se deduzido, para compensação total ou parcial, no caso da inexistência de fundos de reserva ou lucros Fl. 672DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 673 42 suspensos dos lucros reais apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Parágrafo único. Decorridos os três exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes, do prejuízo porventura não compensado. A norma então estabelecida prescreveu que: i) o lucro apurado em um determinado exercício poderia ser integralmente compensado com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 3 anos para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Em 1976, o DecretoLei n. 1.493 trouxe ligeira alteração na regulamentação da matéria, estendendo o prazo prescricional de aproveitamento dos prejuízos fiscais: Art. 12. O prejuízo verificado num exercício a partir do período base relativo ao exercício de 1977 poderá ser compensado total ou parcialmente, com os lucros contábeis apurados dentro dos 4 (quatro) exercícios subseqüentes. § 1º Entendese como prejuízo, para os fins de Imposto de Renda o verificado na apuração contábil da pessoa jurídica no período base, diminuído dos custos despesas operacionais e encargos não dedutíveis. § 2º Decorridos 4 (quatro) exercícios, não será permitida a dedução, nos seguintes de prejuízos porventura não compensados. A norma em questão vigorou no sistema jurídico brasileiro até 1995, alterou pouco a sistemática anterior, prescrevendo que: i) lucro apurado em um determinado exercício poderiam ser integralmente compensados com prejuízos acumulados de exercícios anteriores; ii) o contribuinte teria 4 anos (e não mais 3 anos) para utilizar o prejuízo fiscal verificado em um determinado exercício. Notese que, sob a égide da norma vigente até 1995, inexistia discussão quanto à possibilidade de compensação integral dos prejuízos acumulados na última declaração de rendimentos da empresa extinta por incorporação. Afinal, a possibilidade de compensação integral, em um único período, era garantida inclusive às empresas em continuidade. Em 1987, o DecretoLei n. 2.341 regulou operações como as chamadas “incorporações às avessas” e situações específicas de aproveitamento de prejuízos fiscais em restruturações societárias, com a limitação, em especial, da compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora. Aludidas normas estão refletidas nos ars. 513 e 514 do RIR/99: Mudança de Controle Societário e de Ramo de Atividade Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Incorporação, Fusão e Cisão Fl. 673DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 674 43 Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Em 1991, diante do novo cenário econômico e da sistemática então adotada de apuração mensal do IRPJ, a compensação de prejuízos fiscais foi objeto de nova regulação pela Lei n. 8.383/91: Art. 38. A partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de renda das pessoas jurídicas será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas deverão apurar, mensalmente, a base de cálculo do imposto e o imposto devido. (…) § 7° O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. § 8° Para efeito de compensação, o prejuízo será corrigido monetariamente com base na variação acumulada da Ufir diária. A Lei n. 8.383/91, como se vê, manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas deixou de prescrever prazo de prescrição ao seu exercício. Mas, logo em 1992, foi enunciada a Lei n. 8.541, que também manteve o reconhecimento do direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, mas estabeleceu prazo para o seu exercício: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1° de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendários, subseqüentes ao ano da apuração. Finalmente, em 1995, foi editada a nova tutela à compensação de prejuízos fiscais, que permanece vigente até a atualidade e é aplicável ao presente caso. Sucedendo a 8.981/95, a Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veicula norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos em sua totalidade, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 675 44 Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Como se pode observar da evolução dos dispositivos legais que regulam a matéria nos últimos 80 anos, em nenhum momento o legislador negou o direito do contribuinte à compensação da totalidade de seu prejuízo fiscal. A ordenamento jurídico: Em alguns períodos da história, embora tenha estabelecido prazos ao exercício do direito, garantiu ao contribuinte o aproveitamento integral de prejuízos fiscais acumulados em ato único, inclusive (norma revogada); Vedou a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra lucros da incorporadora, sem restringir de qualquer forma a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros (norma vigente); Garantiu ao contribuinte o aproveitamento da totalidade dos prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) acumulados de exercícios anteriores, mas diluiu o exercício desse direito no período de existência do contribuinte, sem prazo de prescrição (norma vigente). A Lei n. 9.065/1995, em seus arts. 15 e 16, veiculam norma de diferimento dos prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSL), pela qual o contribuinte poderá aproveitálos integralmente, mas diluídos no decorrer de seu período de existência: 1.3. A “trava dos 30%”: norma de diferimento da compensação dos prejuízos fiscais. A norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 regula a compensação de prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), sopesando os interesses de caixa da União com a diretriz central para a tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. Com vistas aos interesses de caixa da União, a norma postergou, adiou, diferiu o exercício do direito do contribuinte à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base negativa (CSL), de forma a manter um fluxo arrecadatório mais contínuo. Sob essa perspectiva, a sua explicação tem raízes mais no Direito financeiro e na necessidade de superávit nos orçamentos públicos anuais do que necessariamente no Direito tributário. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 676 45 Houvesse o legislador cumulado a “trava de 30%” a algum prazo de prescrição para a compensação dos prejuízos fiscais acumulados (por exemplo, 4 ou 5 anos), poderíamos ter, aí, um problema sistêmico. Ocorre que, nessa hipótese, o legislador poderia entrar em contradição com a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial. O diferimento em questão, contudo, não nega o direito do contribuinte ao aproveitamento da integralidade de seus prejuízos acumulados. Pelo contrário, ao afastar a limitação temporal ao seu aproveitamento, garantindo ao contribuinte valerse do tempo que for necessário até esgotar todo o seu estoque de prejuízos fiscais acumulados (IRPJ) e bases negativas (CSL), o legislador ordinário justamente reconhece que o aludido saldo poderá ser esgotado em sua totalidade. O legislador ordinário prescreveu norma pela qual os prejuízos fiscais acumulados serão diluídos nos períodos de apuração em que o contribuinte apresentar lucros, indefinidamente, até que se esgote todo o seu saldo de prejuízos. O pressuposto de incidência da norma é, então, a continuidade da pessoa jurídica, pois somente assim o diferimento e o aproveitamento integral diluído no tempo seria possível. A exposição de motivos da medida provisória posteriormente convertida na Lei n. 9.065/95 é relevante para essa análise, in verbis: “Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n. 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje ‘vacatio legis’ em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo”. (negrito acrescido) Também é de grande relevância a análise desenvolvida pelo TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.5 em face da eludida exposição de motivos, in verbis: “O recurso à E.M. é um importante indício da chamada mens legis. De um lado, ali se evidencia o objetivo do legislador: limitar, quantitativamente, sem retirar o direito de compensar até integralmente num mesmo ano. O exercício do direito à compensação do prejuízo, pela E.M., é que sofre uma limitacã̧o quantitativa. Não o próprio direito. Tanto que, como não há limite temporal para esse exercício do direito, e se trata até expressamente de prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de um ano (1995), que poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados em anos anteriores (até 31 de dezembro de 1994), com lucros auferidos em anos subsequentes, a simples postergacã̧o, à eviden̂cia, abrese espaço para a consideração de um âmbito de inferen̂cia ilocutiva: não poder haver perda ou eliminacã̧o do 5 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 677 46 direito à compensacã̧o. É a lei que estabelece a garantia da plena utilização do saldo de prejuízos. Tratase de significado indireto (ilocucã̧o), isto é, por meio de uma elocuca̧õ (asserção do direito de compensar, com limite quantitativo) o legislador assevera algo expressamente. Mas mediante essa asserção também realiza uma ação que não chega a asseverar: sem limitacã̧o de tempo, a garantia de utilização é plena”. (negrito acrescido) No entanto, diante da ausência de continuidade da pessoa jurídica, tornase jurídica e faticamente impossível a diluição dos prejuízos fiscais em exercícios, sendo lícito ao contribuinte concentrar a sua compensação pelo término do diferimento. Nesse caso, o único limite aplicável à compensação de prejuízos fiscais acumulados, na hipótese de extinção da sociedade por incorporação, consiste nos lucros auferidos pela empresa no ano de sua extinção. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $2.000 venha a obter, no ano de sua extinção, lucro de $ 1.000, restaria um saldo de prejuízos acumulados de $1.000, que não poderia vir a ser aproveitado por mais ninguém, incluindose a incorporadora (DecretoLei n. 2.341/87, art. 33). Ocorre que, em termos gerais, dois fatores interferem na velocidade e na grandeza com que se dará o aproveitamento do prejuízo fiscal acumulado: Prosperidade do contribuinte: Quanto maiores forem os lucros líquidos obtidos pelo contribuinte, proporcionalmente maior será a fatia do prejuízo que poderá ser compensada. Assim, caso uma pessoa jurídica com prejuízos fiscais acumulados de $100 obtiver desempenho que lhe proporcione lucro líquido de $1.000 após adições e exclusões previstas na legislação, tenha ela perspectiva de continuidade ou não, poderá compensar em um único ato todo esse seu estoque de prejuízos. Vitalidade do contribuinte (ou continuidade da pessoa jurídica): A diluição dos prejuízos fiscais acumulados nos períodos de apuração futuros pressupõe que a vitalidade do contribuinte proporcione a continuidade de suas atividades (aliada à sua prosperidade, que lhe garantirá lucros passíveis de compensação). Conjugando tais fatores, a norma dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 poderá apresentar as seguintes consequências em variados cenários: baixa prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será consumido mais lentamente e até que os lucros gerados sejam suficientes para a sua compensação integral, sem limite temporal; elevada prosperidade vs. continuidade da entidade: com a adoção da “trava dos 30%”, o saldo de prejuízos fiscais acumulados será rapidamente consumido em face dos lucros gerados; elevada prosperidade vs. extinção da entidade: o saldo de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta; Fl. 677DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 678 47 baixa prosperidade vs. extinção da entidade: o estoque de prejuízos fiscais acumulados poderá ser integralmente consumido em face dos lucros gerados, sem a adoção da “trava dos 30%” na última declaração de rendimento da empresa extinta, mas como não seriam suficientes para absorver todo o prejuízo de exercícios anteriores, haverá saldo residual não aproveitado. Para a solução do caso concreto, devemos verificar qual interpretação dos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 – a do contribuinte ou a da PFN – melhor se amolda a esse arcabouço normativo e, em especial, à diretriz da renda enquanto acréscimo patrimonial adotada pelo legislador. É forçoso reconhecer que a interpretação sustentada pelo contribuinte realmente se alinha à diretriz da tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial. A “Figura 03”, acima, evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade das atividades da empresa por conta de sua extinção por incorporação, deve haver o acerto final de contas, com a compensação do saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) da incorporada contra os seus próprios lucros. Tal interpretação coincide com aquela adotada pelo e. STJ em uma série de julgados (vide no tópico “1.4”, abaixo). Assim, por exemplo, nos acórdãos do REsp 516849/CE, do AgRg no REsp 944.427/SP e do AgRg no REsp 516.849/CE, a Primeira Turma daquele Tribunal reconheceu como pressuposto de legitimidade da “trava dos 30%” exatamente a manutenção do direito do contribuinte à compensação da totalidade de seus prejuízos, ainda que o seu exercício seja diluído no tempo: o legislador “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada”. Na mesma linha, a Segunda Turma do e. STJ, em acórdãos como do REsp 993.975/SP e do REsp 1.132.256/SP, concluiu que a norma em questão “diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN”, bem como que “a legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem” (grifamos). Nos termos adotados pelo e. STJ, ao diferir o aproveitamento integral dos prejuízos acumulados (IRPJ) e da base negativa (CSL), o legislador estabeleceu um escalonamento, de forma que as empresas que apresentem continuidade – como ocorre em geral – devem observar a “trava dos 30%”. Coerentemente, esse percentual poderá ser superior na hipótese de não haver continuidade da pessoa jurídica, como se dá com a sua extinção por incorporação, fusão ou cisão. É digno de nota o voto da i. Min. Eliana Calmon, no REsp 993.975/SP, in verbis: “Pela legislação do imposto de renda, vigente até 30∕12∕94, era possível às empresas contribuintes compensar integralmente os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas apuradas e registradas no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), como previsto nos arts. 6º e 64 do DL nº 1.598∕77 e art. 12 da Lei 8.541∕92. Em 31∕12∕94, pela MP nº 812∕94, convertida na Lei nº 8.981∕95, limitouse a autorização da dedução do prejuízo compensável ao percentual de 30%, a partir de 1º de janeiro de 1995, conforme se observa dos arts. 42 e 58 do mencionado diploma legal. Apesar de limitada a dedução de prejuízos para o exercício de 1995, não existia empecilho de que os 70% restantes fossem Fl. 678DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 679 48 abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução. A prática do abatimento total dos prejuízos afasta o sustentado antagonismo da lei limitadora com o CTN, porque permaneceu incólume o conceito de renda, com o reconhecimento do prejuízo, cuja dedução apenas restou diferida. O diferimento da dedução, a meu ver, não descaracterizou o crédito, tendo sido somente manipulado pelo fisco, segundo critérios de política econômica e fiscal arrecadatória. A limitação, que no meu ponto de vista, constitui em empréstimo compulsório, é aquela que obsta a devolução de um valor tomado do contribuinte injustamente, como ocorreu em relação à correção monetária das demonstrações financeiras, quando a Lei 8.200∕91, em reconhecendo a ilegalidade da correção estipulada no balanço de 1989, permitiu a devolução escalonada. Na hipótese dos autos, diferentemente, não tomou o fisco valor do contribuinte. O contribuinte é que teve frustrada uma expectativa de ganho com o desenvolvimento de sua atividade empresarial e suportou prejuízos, tendo direito de abater as perdas nos anos posteriores, dentro de um limite que não seja devastador para o fisco, que já contava com exações vindas da atividade empresarial. (...) Uma outra argumentação, comum nas ações onde é defendida a tese do direito à dedução integral dos prejuízos, é a de que foi vulnerado o art. 110 do CTN, eis que não poderia a Lei nº 8.981∕95 subverter o conceito de renda. Como visto no início deste voto, entretanto, não houve subversão alguma, porque não se olvidou o prejuízo, mas apenas foi ele disciplinado de tal forma que se tornou escalonado.” Por sua vez, a “Figura 04” acima evidencia que, diante da impossibilidade de continuidade, com a extinção da pessoa jurídica por incorporação, a interpretação sustentada pela PFN conduziria à tributação do patrimônio e não da renda. Caso essa interpretação seja adotada, não se tributária o acréscimo patrimonial (teoria da rendaacréscimo patrimonial), mas o próprio patrimônio; não se tributaria o produto do capital (teoria da renda produto), mas o próprio capital investido pelos sócios. Das duas interpretações apresentadas, apenas a sustentada pela PFN tem o condão de desvirtuar a diretriz de renda enquanto acréscimo patrimonial eleita pelo legislador ordinário e, em afronta aos arts. 43 e 44 do CTN, transformar o IRPJ e a CSL em tributos incidentes sobre a propriedade. Tudo isso à revelia de decisão do Congresso Nacional, pois o legislador ordinário não pode ser acusado de ter cerceado o direito do contribuinte ao aproveitamento da totalidade de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) quando, na verdade, apenas diluiu o seu exercício no tempo de existência da pessoa jurídica. Esse também é o entendimento majoritário da doutrina. Destacase trecho do erudito estudo publicado por TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JR.6 sobre o tema, in verbis: 6 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário ‑ RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012, p. 212. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 680 49 “Assim, de um lado, a opção do legislador é garantir/autorizar a compensação de prejuízos à condição de uma limitação quantitativa (asserção expressa), manifestando um direito de compensar prejuízos, sem limitação temporal (asserção implícita). Promover esse bem (direito de compensar prejuízos até o seu limite total, sendo integral a dedução) constitui, de outro, o objetivo, cujo fundamento, que Schauer (ver acima) chama de justificação da regra, aponta para respeito à isonomia, na medida em que se observa que uma periodicidade estanque, que terminaria por impedir a compensação de prejuízos anteriores com lucros posteriores, conduziria a um tratamento mais oneroso de determinados contribuintes (que praticassem atividades de maior risco, a exigir período maior de investimento até o surgimento de resultados positivos), o que violaria a igualdade. Aparece aqui aquela tensão (ver Schauer anteriormente citado) entre a regra (ao limite de 30%, prejuízos fiscais poderão ser compensados) e sua justificacã̧o (princípio da isonomia), que conduz, mediante teleologia, a novas generalizacõ̧es. Isto é, ao teor da norma “é autorizado compensar prejuízos fiscais, desde que não ultrapasse o limite de 30%”, a generalização que a fundamenta (seu telos, seu objetivo: compensaçaõ de prejuízos até seu esgotamento total por exigência da isonomia) faz surgir significados indiretos, ali presentes em forma ilocutiva: a restrição quantitativa não deve implicar perda do direito de compensar prejuízos, até porque a ausen̂cia de restrição temporal significa possibilidade de transferen̂cia para períodos posteriores até o seu esgotamento. Ou seja, partese da exigen̂cia de uma periodicidade estanque (até 30% no período) para uma nova generalizacã̧o da regra por força da sua justificação: a periodicidade anual dos tributos não impede, ao contrário, autoriza a compensação de prejuízos acumulados, em períodos subsequentes. Pois bem, e dessa nova generalização (que atende, com base em isonomia, à diferença entre contribuintes) segue outra: o aproveitamento integral dos prejuízos, num único período, por sociedade incorporada, dada a impossibilidade de seu aproveitamento integral, diferido no tempo. Notese, na tensão regra/fundamento, passamos de uma generalizacã̧o (direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo) para uma segunda (não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução) e dessa, para uma terceira (ressalvada a situacã̧o dos que de fato ou de direito estão impedidos ou impossibilitados de realizar o diferimento no tempo). Nos termos de Schauer, antes referidos, na segunda generalização temos uma sobreinclusão, na terceira, uma subinclusão, ambas dentro da mesma ratio legis.” (grifos do original) Fl. 680DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 681 50 Sequer é possível sustentar que sustentar que o princípio da legalidade exigiria disposição expressa quanto à possibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais na hipótese em análise: o referido princípio, aplicado em conjunto com muitos outros na maior medida possível, como o da capacidade contributiva, justamente corroboram à norma da não aplicação da trava dos 30% nos casos em que a continuidade da pessoa jurídica resta impossibilitada pela extinção da pessoa jurídica. Na mesma linha, ao examinar a questão, IVES GANDRA DA SILVA MARTINS7 concluiu, in verbis: “a) não há lacuna na lei que limitou a 30% a compensação de prejuízos fiscais, pois apenas dedicada a empresas em funcionamento, como o STJ e a exposição de motivos das MPs e projetos de conversão em lei resultantes esclareceram; b) a lei objetivou, exclusivamente, distender, no tempo, o aproveitamento de prejuízo, MAS NÃO eliminálo, em havendo lucros; (...) A lei que permite a compensação do prejuízo determina QUE TODO O PREJUÍZO SERÁ COMPENSADO, DISTENDIDO NO TEMPO (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS DA LEI). A conclusão lógica é que se não há mais tempo para aproveitálo, em havendo lucros na extinção, a lei permite seu aproveitamento, de uma só vez, para que não haja tributação sobre um “não acréscimo patrimonial” vedado pelo CTN (arts. 43 e 44) e pelo artigo 150, inciso I, da Lei Suprema, que impõe o princípio da legalidade para a incidência tributária”. No presente voto, então, não se afastam os arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95, bem como não se infirma a constitucionalidade8 de tais dispositivos no presente voto. Pelo contrário, aplicase ao caso concreto a norma prescrita pelo legislador ordinário, que encerra o ciclo de diferimento do direito à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) com a extinção da pessoa jurídica. Interpretação diversa, tal qual a sustentada pela PFN, macularia a cobrança tributária de flagrante ilegalidade. 1.4. A jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário sobre o tema. O e. STF ainda não possui decisões a respeito do tema em análise. Não se pode confundir o presente caso com a discussão existente perante aquele Corte, afetada inclusive pelo rito da repercussão geral9, quanto à (in)constitucionalidade da “trava de 30%” em todos e quaisquer casos. Como foi dito, neste processo administrativo, inclusive por 7 SILVA MARTINS, Ives Gandra da. Incorporação de empresa com extinção da incorporada Possibilidade de aproveitamento do prejuízo além de 30%, acesso em: http://www.fiscosoft.com.br/a/4qc6/incorporacaodeempresacom extincaodaincorporadapossibilidadedeaproveitamentodoprejuizoalemde30ivesgandradasilvamartins 8 Não cabe no bojo deste processo administrativo analisar possíveis inconstitucionalidades da tributação da permute, o que é reservado ao Poder Judiciário, conforme o RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicaçaõ ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” 9 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. (STF, RE 591.340 RG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 09/10/2008) Fl. 681DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 682 51 respeito ao RICARF10, assumese como legítima a “trava dos 30%” nos termos estabelecidos pelo legislador ordinário, o qual não prescreveu a sua aplicação às hipóteses de extinção da pessoa jurídica por incorporação, fusão ou cisão. Por sua vez, na linha da jurisprudência do e. STJ, a legalidade da “trava dos 30%” pressupõe a garantia ao contribuinte de que poderá aproveitar a totalidade dos seus prejuízos fiscais (IRPJ) ou de sua base negativa (CSL). No âmbito da 1a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO INTEMPESTIVA. REMESSA OFICIAL. EFEITO DEVOLUTIVO. PRECLUSÃO. INTERESSE DO PODER PÚBLICO. CSSL. IMPOSTO DE RENDA. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITES DA COMPENSAÇÃO. LEI N. 8.981/95. LEGALIDADE. 10 RICARF, art. 62. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 683 52 1. O recurso especial é cabível contra acórdão que, constatando a intempestividade do recurso voluntário da Fazenda, decidiu a controvérsia apenas em sede de remessa ex offício, tendo em vista que o reexame necessário tratase de instituto criado em benefício do Poder Público. Precedente: (Resp 435.645, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJU de 19.05.03). 2. "A limitação da compensação em 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais acumulados em exercício anteriores, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e do Imposto de Renda, não se encontra eivada de ilegalidade." (ERESP 429730/RJ, Primeira Seção, DJ de 11.04.2005). 3. Afastase, inclusive a alegação de afronta a direito adquirido. (REsp 885.893/RJ, DJ 01.03.2007). 4. A Lei 8.981/95, ao estabelecer a aludida limitação, "não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada" (AgRg no REsp 516849/CE, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 03.04.2006). 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 944.427/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 25/05/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. MP 812/94. LEIS 8.981/95 E 9.065/95. LIMITAÇÃO DE 30%. LEGALIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Esta Corte, em diversas oportunidades, manifestouse no sentido da legalidade da limitação de trinta por cento (30%) na compensação de prejuízos fiscais, sob o fundamento de que a Lei 8.981/95, que estabeleceu essa limitação, não alterou os conceitos de renda e de lucro, nem tampouco ofendeu os arts. 43 e 110 do CTN, porquanto o art. 52 da mencionada lei diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada. 2. É legal essa limitação, em relação à compensação de prejuízos fiscais verificados até o dia 31.12.1994, a partir do exercício de 1995, não havendo contrariedade ao princípio da anterioridade. 3. Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no REsp 516.849/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 03/04/2006, p. 228) No âmbito da 2a Turma do e. STJ, destacamse as seguintes decisões: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC NÃO CARACTERIZADA – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – Fl. 683DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 684 53 DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981/95: LEGALIDADE. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981/95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 993.975/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 2. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 3. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 4. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 5. Recurso especial não provido. (STJ, REsp 1.132.518/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS – LIMITAÇÃO DA LEI Nº 8.981∕95: LEGALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do recurso extraordinário 232.0849, relator o Ministro Relator Ilmar Galvão, decidiu que Medida Provisória nº 812∕94, convertida na Lei 8.981∕95, foi publicada no dia 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado financeiro do exercício, encerrado no mesmo dia, sendo irrelevante, para tanto, que o último dia do ano Fl. 684DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 685 54 de 1994 tenha recaído num sábado, se não se acha comprovada a nãocirculação do Diário Oficial da União naquele dia. 2. A limitação estabelecida na Lei 8.981∕95 não alterou o conceito de lucro ou de renda, porque não se imiscuiu nos resultados da atividade empresarial. 3. O art. 52 do mencionado diploma legal diferiu a dedução para exercícios futuros, de forma escalonada, começando pelo percentual de 30%, sem afronta aos arts. 43 e 110 do CTN. 4. A legalidade do diferimento não atingiu direito adquirido, porque não existia o direito à dedução dos prejuízos de uma única vez, mas, sim, à dedução integral, hipóteses que não se confundem. 5. Controvérsia já pacificada pela Primeira Seção desta Corte. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido. (STJ, REsp 1.132.256/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2009) No âmbito do CARF, é possível divisar dois momentos distintos em sua jurisprudência. A primeira compreende o período entre 2001 e 2009, enquanto que a segunda teve início em meados de 2009/2010. No acórdão n. 10806682, de 20.9.2001, a 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade, julgou ser válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: “INCORPORAÇÃO — DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA — LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a . norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Ainda em 2001, o acórdão n. 10193438, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou que a compensação dos prejuízos, mesmo na hipótese de extinção por incorporação, deveria respeitar a “trava dos 30%”: “IRPJ COMPESAÇÃO DE PREJUÍZOS A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIAPOSTERGAÇÃO — Não há previsão legal para exigência de multa de mora sobre o imposto postergado MULTA RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO — Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada, se o lançamento foi formalizado após a incorporação.” A incipiente divergência foi sufragada logo em 2002, quando a CSRF julgou a questão. Assim, no acórdão n. 0104258, de 2.12.2002, a CSRF, por maioria, julgou válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 686 55 “COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA – No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada.” As decisões que se seguiram, tanto das Turmas Ordinárias quanto da CSRF, navegaram em águas tranquilas, firmes na compreensão de que seria válida a compensação dos prejuízos fiscais sem a “trava dos 30%” na hipótese de extinção por incorporação. Por unanimidade, o acórdão da CSRF n. 0105100, de 19.10.2004, confirmou tal entendimento: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal.” Destacamse as seguintes decisões das Turmas Ordinárias que se seguiram, boa parte por unanimidade de votos: IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA – À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão n. 10807456, de 2.7.2003, da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. (Acórdão n. 10194515, de 17.3.2004, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — EMPRESAS EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL A jurisprudência do Conselho que afasta a limitação só alcança a compensação feita na declaração final de extinção.” (Acórdão n. 10195856, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% – EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, Fl. 686DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 687 56 temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. (Acórdão n. 10195872, de 9.11.2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. (Acórdão CSRF/0105.100, em Sessão de 19 de outubro de 2004, publicado no DOU de 28/02/2002). (Acórdão n. 10709.243, de 05.12.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) CSL — INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM PROCESSO DE EXTINÇÃO (REGIME DE LIQUIDAÇÃO ORDINÁRIA) — TRAVA. DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — INAPLICABILIDADE — A denominada trava de 30% na compensação de prejuízos, que pressupõe o principio de continuidade da empresa, não pode ser aplicada quando a sociedade se encontra em processo de extinção em razão do regime de liquidação ordinária em que se encontra. (Acórdão n. 10707.856, de 11.11.2007, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade) IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, vez que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. (Acórdão n. 10709.447, de 13.8.2008, a 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por maioria de votos) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – TRAVA – CISÃO – Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela do prejuízo proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30% do lucro líquido ajustado. (Acórdão n. 10196509, de 22.1.2008, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por unanimidade). Em 02.10.2009, por voto de qualidade, a CSRF alterou esse entendimento até então corrente, como se observa no acórdão n. 910100401: IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido Fl. 687DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 688 57 lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Por fim, no julgamento do recurso especial objeto desta declaração de voto, realizado em março de 2016, novamente a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) pela não observância da “trava de 30%”, ainda que o contribuinte tenha sido extinto por incorporação. Permissa venia, conforme se procurou demonstrar, tal decisão destoa de todo o ordenamento jurídico. 1.5. Conclusão quanto ao mérito principal do recurso especial. O caso ora em análise envolve a compensação de prejuízos fiscais da empresa incorporada contra os seus próprios lucros, todos apurados antes do evento de extinção por incorporação, ocorrido em 2006. Pelo que foi exposto e em linha com meu voto proferido no julgamento do presente recurso especial, entendo que o ciclo de diferimento do direito à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL), tal como prescrito pelos arts. 15 e 16 da Lei n. 9.065/95 (“trava dos 30%”), encerrouse com a extinção da contribuinte pela incorporação realizada, não sendo legal a glosa levada a termo no AIIM. 2. A PUNIÇÃO DO CONTRIBUINTE PELA PRÁTICA DE CONDUTA RAZOÁVEL CONSIDERADA LEGÍTIMA PELO CARF À ÉPOCA DOS FATOS: PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E PROIBIÇÃO DE VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM. O contribuinte requer seja afastada a cobrança multa punitiva que lhe foi imposta pela compensação de seu saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa (CSL), sem a observância da “trava dos 30%”, em sua última declaração de rendimentos entregue em razão de sua extinção por incorporação, ocorrida em 2006. Alega que teria agido de boafé, acompanhando o entendimento consolidado deste Tribunal à época dos fatos, o que reclamaria a aplicação, inclusive, da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. A análise da questão demanda que se compreenda: Se há proteção à confinça do contribuinte em relação à atuação da administração fiscal brasileira; Se há, no sistema jurídico brasileiro, proteção ao contribuinte que, de boa fé, age de forma razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento; Se existente, qual seria a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose a possibilidade de cobrança do débito principal e das penalidades pecuniárias que o acompanham; Por fim, caso existente a referida proteção ao contribuinte, se o caso concreto se adequa às situações que reclamam a sua aplicação. 2.1. A proteção da legítima confiança do contribuinte. Mais do que nunca o respeito às instituições deve ser reafirmado no Brasil, não apenas por meio de argumentos de autoridade, mas com fundamentos e demonstrações de que o cidadão pode realmente lhes depositar confiança. Como parte desse reclamo, é essencial Fl. 688DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 689 58 que o cidadãocontribuinte tenha condições de pautarse de boafé na forma como a administração fiscal interpreta e aplica reiteradamente uma certa norma jurídica para, assim, organizar as suas atividades e os seus investimentos, sem o risco de vir a ser punido por adotar tais diretrizes da administração. Em sua obra sobre Segurança Jurídica, HUMBERTO ÁVILA11 foi preciso ao afirmar que “O essencial é que, tendo o indivíduo atuado em razão do ato administrativo, aquele não possa ter a sua confiança simplesmente frustrada. Do contrário, o seu investimento, em vez e orientado e respeitado pelo Direito, transformarseia em jogo de azar”. Ocorre que “a exigência de legalidade não decorre apenas do princípio democrático mas igualmente do princípio do Estado de Direito, que justifica a proteção daqueles que utilizaram o Direito como fundamento para o planejamento, ainda mais considerando que os atos provenientes da Administração são muitas vezes necessários, devido à indeterminação legal e à carência de uniformização administrativa”. Mais adiante, concluiu o referido professor: “O princípio da segurança jurídica é um princípiocondição, garantidor, de um lado, de um estado de respeitabilidade dos direitos fundamentais do cidadãocontribuinte e, de outro, de um ideal de moderação da atuação estatal. A sua definição como um princípio preservador da respeitabilidade da ação e da argumentação do contribuinte como cidadão racional, provoca uma extraordinária mudança na própria análise do Direito Tributário: a validade, a vigência e a eficácia das normas tributárias não podem mais ser analisadas sob o ângulo exclusivo da sua estrutura formal, do seu alcance semântico ou da sua relação intertemporal; esses elementos precisam ser investigados, em vez disso, sob uma perspectiva que conjugue equilibradamente o modo, o ritmo e a intensidade do exercício dos direitos fundamentais com o modo, o ritmo e a intensidade da atuação estatal”.12 Tal substrato teórico tem enorme pertinência ao caso concreto, pois segurança jurídica, nessa condição de princípiocondição, torna essencial a preservação da confiança e da nãosurpresa quanto aos às decisões administrativas: “o Estado não pode nem se afastar injustificadamente das suas próprias posições, bem pode deixar de atribuir tratamento uniforme a todos os cidadãos”13, afinal, “como os atos administrativos se revestem de força normativa, também a confiança daqueles que acreditaram na sua sua aparência de legitimidade deve ser protegida”14. Nesse seguir, a premissa que deve ser adotada neste julgamento é de que há, sim, proteção à confinça do contribuinte em relação à atuação da administração fiscal brasileira. 11 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica no Direito Tributário – entre permanência, mudança e realização. Tese apresentada no concurso de professor titular de Direito Tributário da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2009, p. 48795. 12 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica no Direito Tributário – entre permanência, mudança e realização. Tese apresentada no concurso de professor titular de Direito Tributário da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2009, p. 765. 13 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica no Direito Tributário – entre permanência, mudança e realização. Tese apresentada no concurso de professor titular de Direito Tributário da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2009, p. 491. 14 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica no Direito Tributário – entre permanência, mudança e realização. Tese apresentada no concurso de professor titular de Direito Tributário da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2009, p. 486. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 690 59 2.2. O sistema jurídico brasileiro protege o contribuinte que, de boafé, age de maneira razoável e compatível com o entendimento da administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento? Essa análise possivelmente representa um dos temas mais relevantes da teoria do Direito tributário, pois suscita posicionamentos relacionados à justiça e à sua efetiva concretização em um dado sistema jurídico, o que requer, para isso, igualdade, segurança jurídica e boafé nas relações entre fisco e contribuinte. KLAUS TIPKE15 oferece um bom ponto de partida para a compreensão do presente caso, in verbis: “As Constituições dos Estados de Direito não permitem que o Direito Positivo seja dissociado da Ética. Elas partem do pressuposto de que é possível reconhecer o que é justo e o que é injusto. A Constituição Brasileira declarase por ‘uma sociedade livre, justa e solidária’. A Constituição Alemã não contém qualquer declaração expressis verbis em favor da justiça, mas estatui – assim como a Constituição Brasileira – o direito fundamental à igualdade perante a lei. Tratamento isonômico como corolário da justiça pressupõe, porém, um critério adequado de comparação, um tertium comparationis orientado pela justiça. Contudo, é amplamente aceito que o princípio da igualdade seja um produto da justiça. Não existe um critério uniforme para todo o Direito. Muito mais correto é que cada ramo do Direito tenha seu próprio critério. Em outras palavras, deve ser decidido qual princípio ou qual critério é adequado para o particular ramo do Direito, tal como o Direito Tributário. Na Alemanha falase, portanto, em justiça adequada à matéria. O que é adequado à matéria depende da finalidade da regulamentação do particular ramo do Direito. O Direito Penal orientado pela culpabilidade mede a pena justa segundo o grau de culpa. Subvenções são medidas segundo a necessidade ou segundo um mérito especial. Por isso se fala em princípio da necessidade e principio de mérito. Para o Direito Tributário é amplamente reconhecido que este deve ser orientado pelo princípio da capacidade contributiva. Isso não vale, porém, para normas extrafiscais.” A justiça naturalmente também deverá ser observada na lei tributária que define infrações. Mas nessa seara há peculiaridades especiais, pois, como bem observa MARIA ÂNGELA L. PAULINO PADILHA16, “é preciso ter em mente que os interesses punitivos não se confundem com os interesses arrecadatórios do Estado, sob pena de desvirtuarse o sistema repressivo de seus propósitos”. E não se espera apenas que o legislador imprima justiça ao sistema jurídico, cabendo esse dever também ao aplicador do Direito. MORIS LEHNER17 constata que o “princípio fundamental da tributação justa” não deve ser observado apenas na edição das leis, mas 15 TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contributiva. São Paulo : Melhoramentos, 2002, p. 21. 16 PAULINO PADILHA, Maria Ângela Lopes. As Sanções no Direito Tributário. São Paulo : Noeses, 2015, p. XXIX. 17 LEHNER, Moris. Consideração econômica e tributação conforme a capacidade contributiva. Sobre a possibilidade de uma interpretação teleológica de normas com finalidades arrecadatórias. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; ZILVETI, Fernando Aurélio (coords.). Direito tributário: estudos em homenagem a Brandão Machado. São Paulo: Dialética, 2001, p. 1436. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 691 60 também quando de sua aplicação, de forma que a interpretação da lei também deve ser orientada por esse “princípio normativo diretivo”. O Direito brasileiro não se furtou de tais constatações, o que se comprova pela análise do CTN, especialmente em seus arts. 100 e 112. O art. 112 do CTN se dirige diretamente aos aplicadores do Direito tributário, inclusive aos Conselheiros do CARF, pois trata da interpretação da legislação ordinária. O Legislador Complementar, imbuído da competência que lhe foi outorgada pelo art. 146 da CF/88, torna mandatório ao intérprete considerar fatores como a “natureza ou às circunstâncias materiais do fato” e a sua “punibilidade”. Em caso de “dúvida” que circunde os referidos fatores, a norma deve ser aplicada “da maneira mais favorável ao acusado”. Eis a redação do dispositivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Parece claro que tal norma persegue a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé nas relações entre o fisco e o contribuinte. Entre outras variáveis fáticas alcançadas por essa norma, as condutas praticadas pelo contribuinte que apresentem dúvida razoável quanto à sua legitimidade devem ser escusadas de penalização. Tratase de norma de escusa de penalidade à conduta razoável, que encontra fundamento na proibição de venire contra factum proprium, com paralelo no Direito penal no consagrado “erro de proibição”. A pedra de toque para a sua aplicação é a aferição, pelo intérprete, da razoabilidade da conduta praticada pelo contribuinte, o que reclama por critérios para a outorga dessa proteção. A seleção de critérios para a identificação de condutas razoáveis, que imponham dúvida quanto à sua legitimidade capaz de amenizar ao máximo possível a aplicação de penalidades tributárias, não é tarefa das mais simples, como observa a doutrina. Nesse sentido, leciona LUÍS EDUARDO SCHOUERI18, in verbis: “À primeira vista, o dispositivo acima [CTN, art. 112] poderia ser visto como de difícil aplicação prática, ou pelo menos de difícil controle, já que seu pressuposto – a dúvida – carrega extremo grau de subjetividade. Aquilo que para um é duvidoso surge no espírito de outrem com clareza. Entretanto, a peculiaridade do processo brasileiro – tanto o administrativo quanto o judicial – em que preveem órgãos colegiados de julgamento, com sessões públicas, oferece um controle objetivo da dúvida. Não é incomum, com efeito, que decisões sejam tomadas em estreita maioria, ou até mesmo por voto de qualidade do presidente do presidente órgão julgador. Em tais casos, a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida”. Entre os critérios que podem ser adotados para aludida aferição, o caso concreto nos impõe decidir se é ou não fator relevante a constância de um determinado 18 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 692 61 entendimento pela a administração fiscal, especialmente por seu órgão máximo de julgamento, acompanhada da adoção, pelo contribuinte, de conduta trilhada nessa mesma direção. As decisões do CARF, produzidas para o controle da legalidade dos lançamentos tributários, são públicas e influenciam a tomada de decisões do mais cauteloso dos contribuintes. De fato, o particular que, de boafé, se preocupar em ser diligente e cumprir com todos os seus deveres perante o fisco brasileiro, sem dúvida precisará contar com o auxílio de um consultor tributário (“compliance cost”), que terá como parte fundamental de seu trabalho verificar diligentemente como a administração fiscal, especialmente por seus órgãos decisórios, aplicam os enunciados legais que influenciam o caso sob a sua análise. Para bem localizar a questão, suponhase, por hipótese, que decisões reiteradas do CARF afirmem, de forma irrecorrível para variados contribuintes, que uma determinada conduta seria plenamente legítima (“permitido”), como ilustrado na representação gráfica a seguir: Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 05. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. A representação gráfica suscita propositadamente situação de ausência de homogeneidade absoluta das decisões, exatamente para evidenciar que esta não é uma exigência para a aplicação do art. 112 do CTN. Para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável, o Legislador Complementar exige que exista “dúvida” (CTN, art. 112, caput), o que não é afastada simplesmente por uma decisão divergente (“não permitido”) de uma série constante de decisões em um mesmo sentido (“permitido”). Bem compreendidos, julgados de Turmas Ordinárias do CARF, que destoem de uma série constante de decisões, tem um papel fundamental no processo de estabilização do Direito tributário, em que o Tribunal administrativo, no âmbito de sua competência, esclarece à sociedade qual o seu entendimento quanto à legítima aplicação das normas tributárias: tais decisões divergentes (“não permitido”) ensejam a atuação da CSRF para a uniformização da jurisprudência administrativa. Diante de uma decisão da CSRF, a sociedade pode compreender com mais certeza quais condutas são (ou têm sido) legitimadas pela administração fiscal, como um aceno de segurança jurídica àqueles que seguirem o mesmo caminho. Nos moldes de nosso sistema jurídico, a decisão da CSRF apresenta elevada eloquência para a transmissão de mensagem à sociedade que, de boafé, poderá compreender como deverá agir para estar em conformidade com o entendimento da administração fiscal. Graficamente, em continuidade à ilustração acima, poderíamos ter a seguinte imagem como decorrência de uma decisão da CSRF: Fl. 692DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 693 62 Permi do Permi do Permi do CSRF: PERMITIDO!!! Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Permi do Não permi do Figura 06. Norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Nesse seguir, independentemente de decisão divergente isolada (“outlines”), caso o contribuinte trilhe o mesmo caminho indicado por uma constância de decisões do CARF, confirmada por decisão ou decisões da CSRF, a sua conduta deve ao menos ser considerada razoável pela administração fiscal. Caso esse tribunal administrativo posteriormente altere o seu padrão de entendimento sobre o tema em questão, então será preciso reconhecer que haveria, ao menos, a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN para a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Essa questão foi analisada pelo CARF, por exemplo, em face da guinada de sua jurisprudência a respeito do planejamento tributário. Assim, no acórdão n. 10195.537, este Tribunal compreendeu que não seria legítimo punir o contribuinte que teria sido induzido, à época dos fatos, pela jurisprudência pretérita: PENALIDADE QUALIFICADA — INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE — ERRO DE PROIBIÇÃO — ARTIGO 112 DO CTN — SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI — Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudenciais contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. Recurso provido parcialmente. (Acórdão n. 10195.537, Processo n. 11065.001589/200467, sessão de 24/05/2006) A aludida norma também encontra reforço no art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 693DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 694 63 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Como se observa, o art. 100 do CTN deixa clara a necessidade de exclusão de penalidade pecuniária caso o contribuinte obedeça normas complementares consubstanciadas, por exemplo, em decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa (inciso II) ou, ainda, em práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (inciso III). É preciso compreender claramente a relação estabelecida entre os arts. 100 e 112 do CTN. Se, por um lado, o art. 112 deixa em aberto quais critérios podem ser utilizados para que o aplicador verifique se há a “dúvida” que lhe obriga a interpretar a penalidade da forma mais favorável ao acusado, por outro, o art. 100 do CTN não exclui das decisões administrativas colegiadas a serventia de se prestarem à aferição da referida “dúvida” e da razoabilidade da conduta adotada pelo contribuinte. Também é preciso observar que constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal pode ser compreendido como práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, abarcadas pelo art. 100, III, do CTN. Tais normas encontram fundamento de validade na Constituição Federal. Entre outras normas constitucionais que podem ser citadas, merece destaque a que prescreve a observância no “princípio da razoabilidade”, explicitado por REGINA HELENA COSTA19 do seguinte modo ao lecionar sobre “princípios gerais do direito sancionador”: “Merece referencia, outrossim, o princípio da razoabilidade. No direito brasileiro, a razoabilidade encontra fundamento expresso no art. 5o, LIV, CR, segundo o qual “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. A razoabilidade é medida em relação ao interesse público específico. A razoabilidade deve ser tomada como aquilo que a sociedade pode admitir como uma das soluções possíveis para o caso concreto; é o padrão social a respeito de certas condutas e, portanto, só pode ser aferida em função da realidade, de um contexto determinado. Pensamos, assim, que razoabilidade e proporcionalidade sejam termos fungíveis, a significar diretriz implícita fundamentada nas ideias de devido processo legal substantivo e de justiça, com vistas à proteção da arbitrariedade” 19 COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 305 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 695 64 Desse modo, os aplicadores do Direito tributário, entre eles os Conselheiros do CARF, possuem uma bússola prescrita pelo ordenamento jurídico para que, no caso de conduta razoável do contribuinte que suscite “dúvida” quanto à sua punibilidade, trilhem a interpretação mais favorável ao contribuinte. Não se pode deixar de observar que o art. 100, II, do CTN, erigiu “as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa” com status de normas complementares, desde que a lei lhes atribua “eficácia normativa”. Notese que o ordenamento atribui juridicidade às normas “gerais e abstratas”, “gerais e concretas”, “individuais e abstratas” ou “individuais e concretas”20. A todos esses enunciados prescritivos o sistema jurídico atribui “eficácia normativa”. E os acórdãos enunciados pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes, que compõem a série constante referida nas ilustrações acima, possuem “eficácia normativa”, de natureza individual e concreta. A atribuição de eficácia normativa individual e concreta às referidas decisões é suficiente para os propósitos da norma de escusa de penalidade à conduta razoável: evidenciar que outros contribuintes, mesmo que estranhos ao procedimento administrativo, poderiam ter justificáveis “dúvidas” sobre a vedação de uma conduta. 2.3. Qual a relevância ao presente caso do art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64? O art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64 também atribui eficácia normativa às decisões dos tribunais administrativos para afastar a aplicação de penalidades aos contribuintes que lhe adotarem como diretriz para a condução de seus atos, o que reforça a subsunção à norma do art. 100, II, do CTN. O referido dispositivo possui a seguinte redação: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...) A adoção da norma em questão pode ser observada em precedentes como o seguir, proferido pelo Conselho de Contribuintes no acórdão 220200142: “DECISÃO IRRECORRÍVEL DE ÚLTIMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MULTA DE OFÍCIO. INCABÍVEL. Na constituição de crédito tributário relativo ao IPI, é incabível a exigência da multa prevista no art. 80 da Lei n°4.502, de 1964, quando comprovado que o sujeito passivo agira ou pagara o 20 É o que leciona PAULO DE BARROS CARVALHO, in verbis: “Por fontes do direito havemos de compreender os focos ejetores de regras jurídicas, isto é, os órgãos habilitados pelo sistema para produzirem normas, numa organização escalonada, bem como a própria atividade desenvolvida por essas entidades, tendo em vista a criação de normas. O significado da expressão fontes de direito implica refletirmos sobre a circunstância de que regra jurídica alguma ingressa no sistema do direito positivo sem que seja introduzida por outra norma, que chamaremos, daqui avante, de “veículo introdutor de normas”. Isso já nos autoriza a falar em “normas introduzidas” e “normas introdutoras”. Pois bem, nos limites desta proposta, as fontes do direito serão os acontecimentos do mundo social, juridicizados por regras do sistema e credenciados para produzir normas jurídicas que introduzam no ordenamento outras normas, gerais e abstratas, gerais e concretas, individuais e abstratas ou individuais e concretas. Agora, tais ocorrências serão colhidas enquanto atos de enunciação, já que os enunciados consubstanciam as próprias normas. Tratase de um conceito sobremaneira relevante porque a validade de uma prescrição jurídica está legitimamente ligada à legitimidade do órgão que a expediu, bem como ao procedimento empregado na sua produção.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000.pg 45) Fl. 695DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 696 65 imposto em conformidade com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida anteriormente à ocorrência dos fatos geradores.” É preciso, então, verificar a relevância ao presente recurso especial do art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64. Analisadas as normas do CTN sobre a matéria, é possível avançar na análise do ciclo de positivação do Direito tributário para cogitar, por hipótese, três possíveis reações do legislador ordinário: i) regular, sem restringir, a fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável; ii) restringir ou mesmo proibir que a interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida na penalização de conduta razoável; iii) quedarse silente, tendo em vista que os aplicadores do Direito tributário já se encontram suficientemente tutelados sobre a questão. O art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, como se vê, cuida da fruição da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. O legislador ordinário requereu decisão da CSRF como requisito para a demonstração da razoabilidade da conduta do acusado capaz de evidenciar “dúvida” que lhe garanta a mais favorecida das interpretações e o afastamento de penalidades (“decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal”). Além disso, o legislador ordinário não exigiu qualquer constância de entendimento do Tribunal, valendose do singular (“decisão irrecorrível”) para fazer referência àquilo que serviria de escusa à aplicação de penalidade, enfatizando que o contribuinte não necessita ser parte do procedimento administrativo que deu origem à decisão paradigmático (“seja ou não parte o interessado”). Assim, perece correto compreender que a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, apresenta três espectros normativos. Primeiro, apenas declara a norma de escusa de penalidade à conduta razoável já prescrita pelo CTN, ao que se poderia chamar de meramente pedagógica ou didática21. Segundo, ao tornar prescindível a pluralidade das decisões de mesmo sentido, satisfazendose com uma única decisão irrecorrível da CSRF, o legislador ordinário tornou mais objetiva a aferição da “dúvida” que garante ao acusado a mais favorecida das interpretações. Por fim, ao exigir decisão irrecorrível da CSRF, o enunciado prescritivo por ser considera restritivo, pois tais condições não foram requeridas pelo legislador complementar. São controvertidas algumas questões sobre a eficácia da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. Seria possível, por exemplo, questionar se haveria proporcionalidade na suposta distinção do legislador, em agraciar exclusivamente as relações jurídicotributárias atinentes ao IPI com uma norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Porque o legislador garantiria apenas em relação às relações em torno do IPI a aplicação de tal norma que, afinal, vivifica a segurança jurídica, a justiça fiscal e a boafé? Tais questões poderiam ser solucionadas, por exemplo, considerandose o caráter geral da Seção II da Lei n. 4.502/64, que trata “Da aplicação e graduação das penalidades”, com eficácia normativa sobre todos os tributos federais. No entanto, não me parece necessário enfrentar tais questionamentos, pois o presente caso seria igualmente solucionado com ou sem a aplicação direta da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”. 21 Há no sistema jurídico normas cuja função é meramente pedagógica, declaratória, didática. Tais normas não são, em absoluto, imprescindíveis, já que não lhes cabe mais do que repisar de forma mais clara e eficaz à sociedade algum mandamento já existente no ordenando jurídico. A importância de normas gerais e abstratas meramente pedagógicas pode estar relacionada com a necessidade de se lembrar aos aplicadores do Direito a sua cogência, de modo que, quanto menor a eficácia social das normas do sistema jurídico, mais pertinência pode vir a ter enunciados prescritivos meramente pedagógicos, didáticos. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 697 66 Ocorre que, na hipótese da Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ser aplicável apenas ao IPI e, assim, não poder ser suscitado aos casos envolvendo IRPJ e CSL, o art. 112 do CTN possui eficácia suficiente para vincular o julgador. Se o legislador ordinário quedouse silente ao voltar as suas atenções à tributação sobre a renda, o seu silêncio transmite a mensagem eloquente de que a justiça fiscal, a segurança jurídica e a boafé administrativa foram adequada e suficientemente prestigiadas pelo CTN, não sendo necessário mais qualquer atividade legislativa para dar eficácia à norma de escusa de penalidade à conduta razoável. Da mesma forma, não é aplicável ao caso concreto o Parecer Normativo COSIT n. 23, de 6 de setembro de 2013, que trata da força vinculante de um acórdão administrativo em relação a terceiros. Ocorre que, no caso concreto, não se trata simplesmente de aplicar, com força de norma complementar, o teor de um acórdão do CARF, emanado em relação a um terceiro, com a consequente exclusão de penalidades (CTN, art. 100, II). Tratase de reconhecer se há ou não a “dúvida” requerida pelo art. 112 do CTN decorrente da constância de precedentes do órgão máximo de julgamento da administração fiscal, que se aproxima mais da hipótese do art. 100, III, do CTN. 2.4. Qual a extensão da proteção ao contribuinte, distinguindose o débito principal das penalidades pecuniárias que o acompanham? Na análise da obrigação tributária objeto do presente processo administrativo, é preciso distinguir o crédito tributário da penalidade pecuniária (CTN, art. 113, §1º). Ocorre que a norma de escusa de penalidade à conduta razoável apenas tem eficácia sobre a penalidade pecuniária, sem afetar a cobrança do tributo (CTN, art. 3o). O art. 146 do CTN tutela os casos em que a administração fiscal altera o seu entendimento quanto à correta aplicação de uma norma de incidência tributária. Para os contribuintes que tiveram as suas condutas já fiscalizadas para averiguação de subsunção a uma norma tributária no período em que a administração mantinha, por exemplo, entendimento de não incidência, o referido dispositivo do CTN prescreve a inalterabilidade da situação jurídica estabelecida. Em relação aos exercícios ainda não fiscalizados, no entanto, a novel interpretação poderia ser legitimamente adotada, não havendo direito adquirido desse contribuinte à interpretação pretérita. Por sua vez, a ressalva “em relação a um mesmo sujeito passivo”, contida no art. 146 do CTN, não estende a terceiros a garantia de que serão observados, pela administração fiscal, idênticos critérios jurídicos para o lançamento do tributo. Assim, se duas empresas concorrentes forem fiscalizadas pela primeira vez, para a averiguação de fatos semelhantes, em um mesmo período, pelo mesmo agente fiscal, não há, a priori, garantia a nenhuma delas de que lhes seja aplicada homogênea interpretação jurídica. Da mesma forma, ainda que todos os concorrentes de uma empresa obtenham da administração fiscal um mesmo entendimento (não cobrança de um tributo, por exemplo), não poderia esse contribuinte, apenas por esse fundamento, exigir da administração fiscal não ser cobrado desse tributo. Ocorre que “as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas”, que por qualquer razão venham a ser alteradas, tem relevância para afastar penalidades, mas não afetam a cobrança do tributo em si (CTN, art. 100, III e parágrafo único). Como se constata, o ordenamento jurídico proíbe que o fisco castigue, com penalidades pecuniárias, o contribuinte que agiu, à época dos fatos, em conformidade com a interpretação então mantida pela administração fiscal. Mas a proteção em exame não proíbe a administração fiscal de alterar o seu entendimento e realizar a cobrança de certo tributo dentro do prazo de 5 anos, contados conforme o art. 150 ou 173 do CTN. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 698 67 Assim, se aplicável ao presente caso, a norma de escusa de penalidade à conduta razoável afastaria apenas a cobrança da multa imposta no AIIM. 2.5. O caso concreto se adequa às situações que reclamam a proteção da norma de escusa de penalidade à conduta razoável? No presente caso, é preciso aferir se, em 2006, quando a conduta do contribuinte foi concretizada, haveria uma padrão nas decisões deste Tribunal administrativo que indicasse como legítimo o caminho então trilhado. Já se verificou, na análise do mérito do presente recurso especial (vide tópico “1.4”), a evolução da jurisprudência do CARF atinente à “trava dos 30%”. A representação gráfica abaixo ilustra a constância do entendimento mantido pelas Turmas Ordinárias e pela CSRF do antigo Conselho de Contribuintes quando o contribuinte, em face de sua extinção por incorporação, realizou a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. Ac. 108‐06682, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐93438, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes CSRF, Ac. 01‐04258 Ac. 108‐07456, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2001 2002 2003 CSRF, Ac. 01‐05100 2004 Ac. 101‐94515, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95856, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2004 2006 Figura 06. Constância de decisões do CARF sobre a “trava dos 30%”. 2006 ANO DA EXTINÇÃO POR INCORPORAÇÃO E COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO ACUMULADO Ac. 105‐15908, 5ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐95872, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09243, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 101‐96509, 1ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐07.856, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes Ac. 107‐09447, 7ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes 2006 2007 2008 2009 2007 2008 CSRF, Ac. 9101‐00401 2016 JULGAMENTO DO CASO CONCRETO PELA CSRF: POR VOTO DE QUALIDADE, DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE (…) Como se observa, em 2006, o contribuinte estava imerso em um sistema jurídico no qual as decisões enunciadas pelo CARF, inclusive por sua CSRF, manifestavam com constância que, em face de extinção da pessoa jurídica por incorporação, seria legítima a compensação de seus prejuízos fiscais (IRPJ) e bases negativas (CSL) sem a “trava dos 30%”. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 699 68 A CSRF se manifestou sobre a matéria em 2002 e em 2004, considerando legítima tal conduta, sem destoar da imensa maioria dos acórdãos proferidos pelas Turmas Ordinárias. É muito coerente a observação de ROBERTO DUQUE ESTRADA22 a respeito do cenário instaurado à época da conduta praticada pelo contribuinte (2006), in verbis: “Qualquer consultor em matéria tributária, entre dezembro de 2002 e outubro de 2009, quando indagado por clientes se uma pessoa jurídica, no período base de sua extinção, em virtude de cisão, fusão ou incorporação, poderia compensar integralmente o saldo de prejuízos fiscais acumulados, isto é, sem observar o limite de 30% de redução do lucro líquido, teria respondido afirmativamente à questão e classificado como muito remota a probabilidade de perda em eventual discussão administrativa. O consultor tributário fundamentaria sua resposta na jurisprudência consolidada da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), inaugurada pelo Acórdão CSRF/0104.258, de 1o de dezembro de 2002, da relatoria do conselheiro Celso Alves Feitosa, assim ementado: (…)” Apenas a partir de 2009 (ou agosto de 2010, quando foi formalizado o acórdão n. 910100401, da CSRF) é possível identificar uma mensagem diferente transmitida pelo órgão máximo de julgamento da administração fiscal quanto à legitimidade da conduta em questão. Dessa forma, caso se compreendesse aplicável o art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502/64, para situações envolvendo a tributação da renda (e não apenas IPI), então será forçoso concluir que há substrato fático para a sua incidência ao caso concreto: o dispositivo exige uma única decisão irrecorrível da CSRF para suscitar o afastamento de penalidade, mas o contribuinte possuía, à época dos fatos, dois acórdãos da CSRF que reconheciam a legitimidade de seu agir. Não obstante, ainda que por qualquer razão se considere inaplicável ao presente caso a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”, ainda assim deve ser reconhecida a incidência da norma de escusa de penalidade à conduta razoável. No presente caso, o padrão da jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte à época da conduta praticada pelo contribuinte, inclusive em face das decisões da CSRF, demonstra que os atos praticados apresentavam elevada razoabilidade e não seriam, a priori, considerados como sujeitos à punibilidade. Quando muito, haveria “dúvida” (CTN, art. 112, caput) quanto à sua “punibilidade” (CTN, art. 112, III). Tais normas do CTN, que tratam da interpretação da legislação ordinária, se dirigem diretamente aos agentes fiscais e aos julgadores (administrativos ou judiciais), não havendo discricionariedade quanto à sua obediência. Notese que a aferição da “dúvida”, no presente caso, se torna manifesta pelo próprio julgamento do presente recurso especial, ocorrido em 2016. Neste, houve empate entre os julgadores, pois 5 deles entenderam como legítima a conduta praticada pelo contribuinte, embora outros 5 tenham entendido pela ausência de permissivo expresso no sistema para a sua realização. Por voto de qualidade do i. Presidente da Turma, considerouse como não permitido o aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas sem a “trava dos 30%”. 22 ESTRADA, Roberto Duque. Não há segurança jurídica sem decisões estáveis, in CONJUR. Acesso em: http://www.conjur.com.br/2012nov21/consultortributarionaosegurancajuridicadecisoesestaveis Fl. 699DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 700 69 Assim, se em 2003, quando a conduta foi praticada, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte indicava para a legitimidade dos atos praticados pelo contribuinte, em 2016 apenas um voto, em meio a um colegiado composto por 10 julgadores, seria suficiente para que a conduta em questão fosse considerada perfeitamente legítima. Nesse caso, como adverte a doutrina acima analisada, “a dúvida fica manifesta pela expressiva opinião da minoria vencida” 23. 2.4. Conclusões finais quanto à imposição de multa contra o contribuinte. Por todos os fundamentos expostos, entendo que deve ser afastada a imposição da multa imposta no AIIM contra o contribuinte. No presente no caso, seria coerente que o contribuinte conduzisse os seus atos em conformidade com o padrão estabelecido pela constância das decisões do CARF, especialmente diante das decisões da CSRF que apontavam para a mesma direção. Se duas interpretações seriam possíveis, mas o órgão máximo de julgamento da administração fiscal confirmou que uma deles seria a correta, é razoável esperar que o contribuinte trilhasse por esse caminho, não sendo legítimo ao Estado lhe penalizar por agir de tal maneira. Certa vez, REGIS FERNANDES DE OLIVEIRA24 asseverou que “O contribuinte não pode se convencer da justiça da tributação a que se vê submetido porque não encontra racionalidade na tributação nacional. Registrase grande imoralidade fiscal no país”. Se a constatação desse professor estiver minimamente correta, urge que os operadores do Direito, especialmente os agentes fiscais e os membros dos tribunais administrativos e judiciários, empenhem os seus maiores esforços para que a justiça fiscal, a segurança judicia e a boafé nas relações entre fisco e contribuinte façam parte da realidade brasileira. Se no Brasil o contribuinte pode ter a confiança de, hoje, pautarse de boafé na forma como a administração fiscal interpreta e aplica reiteradamente uma certa norma jurídica, então nossa nação já terá evoluído para um Estado democrático de Direito que garante a segurança jurídica aos seus administrados. Contudo, se um particular corre o risco de amanhã vir a ser punido por ter agido exatamente da forma como a administração fiscal, por seu órgão máximo de julgamento, afirmava ser legítima à época dos fatos, então ainda falhamos vergonhosamente em termos de justiça fiscal, segurança jurídica e boafé nas relações mantidas entre fisco e contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Declaração De Voto Conselheiro Ronaldo Apelbaum Na sessão de março de 2016, essa Câmara se debruçou sobre Recursos apresentados pelo Contribuinte e pela PGFN em face de acórdão proferido pela r. 1a T.O. da 2 a Câmara desta 1 a Seção, assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. 23 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 708709. 24 OLIVEIRA, Regis Fernandes de. Contribuições sociais e desvio de finalidade. In: SCHOUERI, Luís Eduardo; (coord.). Direito Tributário: Homenagem a Paulo de Barros Carvalho. São Paulo: Quartier Latin, 2008. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 701 70 COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No julgamento dos recursos especiais, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e da base de cálculo negativa (CSL) levada a termo no AIIM, bem como a cobrança de multa e juros de mora. Em relação à possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL sem observância da denominada “trava de 30%”, defendi sua inaplicabilidade em situações de extinção da pessoa jurídica que carrega em seus livros fiscais o prejuízo e/ou base negativa. Nessa matéria, corroboro os argumentos expostas pela d. Relatora. Outra argumentação, aduzida pelo Contribuinte, se refere à aplicabilidade do Art. 76, II, “a” da Lei 4.502/64. Embora a Lei tenha sido promulgada há mais de 4 décadas, podemos dizer que sua pertinência à situação em discussão é matéria nova no âmbito dessa Câmara. Alega que deveria ocorrer a exclusão de penalidade por ter agido de boafé, acompanhando o entendimento consolidado deste Tribunal à época dos fatos. Em primeiro lugar, cumpre transcrever a Lei n. 4.502/64, art. 76, II, “a”: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: I aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, procurarem espontâneamente, a repartição fazendária competente, para denunciar a falta e sanar a irregularidade, ressalvados os casos previstos no art. 81, nos incisos I e II do art. 83 e nos incisos I, Il e III do art. 87; II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; c) de acôrdo com interpretação fiscal constante de circulares instruções, portarias, ordens de serviço e outros atos interpretativos baixados pelas autoridades fazendárias competentes. Defende o Contribuinte, baseado nesse artigo e inciso mencionados, que à época dos fatos interpretou o dispositivo legal em conformidade com interpretação constante Fl. 701DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 702 71 de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, portanto, irrecorrível dentro da sistemática aplicável ao processo administrativo. Em relação à vigência e aplicabilidade desse dispositivo nos tempos atuais, utiliza como argumentação a expedição do recente Parecer RFB 23/2013 como fundamento da aplicabilidade desse artigo. Nesse ponto, ouso discordar frontalmente do Contribuinte, já que o Parecer não se presta a essa finalidade, apenas mencionando o artigo em questão e não reforçando sua validade. Todavia, entendo que tal discussão não é relevante, já que o art. 76 da Lei 4.502/64 encontrase em sua plena vigência. Baseiome no fato de que a legislação do IPI (origem do dispositivo) passou por diversas mudanças e sua última regulamentação (Decreto 7.212/10, art. 567) ainda reproduz tal regra. Portanto, em minha opinião, não há dúvidas sobre sua vigência e aplicabilidade. E o Poder Executivo corrobora esse entendimento. Mas remanesceu a dúvida desse fato em razão da evolução legislativa no tempo. Isso porque o Código Tributário Nacional, recepcionado como Lei Complementar e posterior à Lei 4.506/64, traz regras específicas a respeito da matéria. Durante o julgamento, foi suscitado o art. 100 do Código, que, em seu inciso II, claramente menciona que as decisões dos órgãos administrativos somente podem ser encaradas como regra universal e posta se houver Lei que atribua caráter normativo à decisão. Senão vejamos: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ora, a leitura desse inciso do art. 100 do Código Tributário Nacional não coloca dúvidas a respeito sobre a continuidade do art. 76 da Lei. Especificamente em relação ao inciso III, que dá natureza de norma complementar às práticas reiteradas das autoridades administrativas, quantas seriam as decisões desse Conselho necessárias para considerar uma prática como reiterada? Não se trata de equação de simples solução, já que estamos navegando em um sistema tributário altamente complexo e de difícil compreensão. Contudo, a argumentação de que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 100, disciplinou as situações em que as condutas das autoridades fiscais possuem força normativa, ainda que complementar, não explica a existência da ressalva do artigo 76, II da lei 4.502/64. A saída não está no artigo que dispõe sobre a força dos atos de autoridade, mas sim naquele que disciplina a aplicação de penalidades. E, nesse ponto, adentro na análise do art. 112 do Código. Fundamentado na outorga de competência dada pelo art. 146 da CF/88, determina ao intérprete que deve considerar fatores como a “natureza ou às circunstâncias materiais do fato” para interpretar as Fl. 702DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 19515.000428/201061 Acórdão n.º 9101002.262 CSRFT1 Fl. 703 72 regras tributárias que definem penalidades. Em caso de “dúvida”, a norma deve ser aplicada “da maneira mais favorável ao acusado”, conforme se depreende: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. As decisões do CARF, quando vacilantes e finalizadas de forma pouco unânime (aliás, como no caso aqui em discussão), são verdadeiras demonstrações da existência de dúvidas quanto à extensão dos efeitos da aplicação de determinada regra jurídica. Quando falamos da CSRF, esse quadro é ampliado, já que os julgamentos dessa Câmara são fartamente utilizados por todos os aplicadores do Direito Tributário no Brasil. Enquanto não houver consolidação da jurisprudência na CSRF, haverá sempre dúvida razoável. No presente caso, podemos dizer que no ano de 2006 havia dúvida razoável sobre a aplicabilidade da limitação de 30% aos casos de extinção da pessoa jurídica? O Conselheiro Luis Flávio Neto, durante o julgamento, demonstrou de forma bastante eloquente a existência de decisões do CARF e também da CSRF favoráveis à tese defendida pelos Contribuintes. Esse quadro apenas se estabilizou a partir de 2009, quando foi formalizado o acórdão n. 910100401, dessa Câmara Superior. Somente a partir daí era possível identificar uma mensagem diferente transmitida pelo órgão máximo de julgamento da administração fiscal quanto à legitimidade da conduta em questão, de forma clara e evidente. Por tais razões, entendo que no caso em apreço deve ser afastada a aplicação de penalidade sobre as parcelas dos tributos que deixaram de ser recolhidas pela inobservância do limite de 30% estabelecido pela legislação. Em nome de verdadeira justiça fiscal e homenagem à proteção trazida pelo art. 112 do Código Tributário Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Fl. 703DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assina do digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO APELBAUM
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Numero do processo: 13808.000993/95-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-003.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, não se conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, não se conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 09 93 /9 5- 83 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3201001.567, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. Incabível o lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência cuja exigibilidade encontrar se suspensa por medida judicial.” Não obstante a decisão acordada pelo Colegiado, importante trazer parte do voto do relator, que contempla a particularidade do caso concreto (Grifos meus): “Constatase que o tributo exigido neste Auto de Infração foi objeto de questionamento, pela recorrente, junto ao Poder Judiciário, que teve decisão transitada em julgado no sentido da exigência do Finsocial à alíquota de 0,5%, considerando inconstitucionais as majorações de alíquota da contribuição. A matéria submetida ao Poder Judiciário não foi conhecida pela instância a quo, tendo sido julgada parcialmente procedente a impugnação em relação a multa de ofício, que teve seu percentual reduzido para 75%. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA Processo nº 13808.000993/9583 Acórdão n.º 9303003.823 CSRFT3 Fl. 295 3 Em seu recurso voluntário, a recorrente contesta a exigência da multa de ofício, que entende indevida tendo em vista a mesma possuir, à época do lançamento, decisão judicial que lhe concedia a suspensão da exigibilidade da contribuição, bem como cartas de fiança bancária que garantiriam o débito. Delimitada a lide, observase que a recorrente, à época do lançamento (05/12/1995), possuía decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, nestes termos: Ante o exposto, julgo PROCEDENTE a medida liminar requerida, com eficácia provisória durante toda a pendência do processo principal, em relação fiança bancária apresentada nestes autos. (sentença fls. 62) (grifo nosso) Observese que, em que pese a decisão liminar obtida em 21/01/1992 (fls. 36) ter restringido a suspensão da exigibilidade do crédito ao “depósito em dinheiro ou fiança bancária da integralidade do quantum ora em discussão”, a sentença datada de 12/08/1992, ao conceder a medida liminar, a vinculou as cartas de fiança bancária apresentadas nos autos. Desta forma, sob pena de descumprimento de decisão judicial, não é permitido a este órgão administrativo invalidar as cartas de fiança devido a não acobertarem a totalidade do crédito tributário. Assim sendo, mostrase aplicável a disposição prevista no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, que determina a não aplicação da multa de oficio nos casos em que houver a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência da concessão de liminar ou de tutela antecipada: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio § 1° O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA 4 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando a exigência da multa de ofício. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Relator” Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso especial, requerendo a exclusão da incidência dos juros moratórios exigidos no lançamento impugnado, aduzindo, entre outros, que: · Três anos antes da lavratura do Auto de Infração, a recorrente já havia recolhido a contribuição e ajuizado a ação de repetição do indébito, justamente pelo fato de que recolhera com base na alíquota de 2%, ao passo que a decisão judicial lhe garantiu o recolhimento com base na alíquota da 0,5%; · A ação judicial foi julgada totalmente procedente; · Dessa forma, não há que se falar também em aplicação dos juros de mora por falta de recolhimento, eis que o débito encontravase integralmente garantido e com a exigibilidade suspensa, sob pena de ser desconsiderada a própria sentença judicial; reconhecendo, assim, não ser devida qualquer quantia pela recorrente. O apelo do sujeito passivo foi admitido nos termos do despacho de fls. 282 de fls. 285. A Fazenda Nacional tomou conhecimento do Despacho de Admissibilidade, apresentando Contrarrazões, alegando ser correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal que lançou o crédito tributário, com a incidência dos demais encargos legais como a multa de ofício e juros, pois entender de outra forma resultaria na declaração da inconstitucionalidade dos artigos 141 c/c art. 151, inciso II, do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96, violados com a decisão a quo, o que é defeso pelo CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA Processo nº 13808.000993/9583 Acórdão n.º 9303003.823 CSRFT3 Fl. 296 5 Depreendendose da análise do Recurso interposto pelo sujeito passivo é de se conhecêlo, considerando ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, eis que a divergência apontada foi descrita adequadamente em seu recurso interposto. Eis que o confronto das ementas dos acórdãos recorrido e paradigma 2401003.510 evidencia a divergência jurisprudencial sobre a inclusão ou não dos juros de mora, quando efetuado o depósito do montante integral do tributo. Neste passo, conheço do Recurso Especial do contribuinte. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Voto Vencedor Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado. Pelo voto de qualidade, a Turma não conheceu do recurso por falta de similitude fática entre o paradigma e a decisão vergastada. Essa conclusão se deu porque foi entendido que não se pode comparar depósito integral, previsto no inciso II do art. 151 do CTN, com carta fiança, para fins afastar a aplicação dos juros de mora. Neste momento, oportuno se faz discorrer acerca do significado extraído inciso II do art. 151 do CTN: O referido artigo 151 do CTN assim prescreve: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA 6 V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Inciso incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001)” O depósito é o ato de o contribuinte depositar, voluntariamente, o valor integral do tributo supostamente devido. Pode ser definido também como a quantia debatida em juízo que, para fins de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, poderá ser entregue a uma instituição financeira determinada que fará a guarda do numerário (dinheiro) até o final do processo. O depósito, segundo o artigo 151, II do Código Tributário Nacional, constitui em uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Porém, para tanto, diz a súmula 112 do STJ, que é necessário que o contribuinte o realize de maneira integral e em dinheiro. O artigo 151, II do CTN, mencionado acima, também aduz à necessidade de o depósito ser feito de modo integral para que possa ocorrer a suspensão. Esse depósito tem a finalidade de evitar a aplicação de multa pelo atraso no recolhimento do tributo, bem como dos juros de mora. Segundo o art. 111 do CTN devese interpretar literalmente a legislação que disponha sobre suspensão do crédito tributário, mandamento que objetiva afastar qualquer ampliação do comando legal, e que, forçosamente, levanos à conclusão de que o depósito de montante integral não pode se equipara com carta fiança e, por conseguinte, suspender a exigibilidade do crédito tributário. Por derradeiro, a melhor lição a respeito do caráter dos juros de moratório é encontrada no voto do ilustre Professor Moreira Alves, nos autos do RE nº 906568, julgado pelo Pleno do STF. Diz ele: Os juros são, portanto, uma compensação que aufere o credor pela privação em que fica e também pelo risco que corre com o empréstimo de seu capital: sob este aspecto, podese dizer que os juros de qualquer espécie são compensatórios. Mas pode também acontecer que os juros não representem essa compensação, mas antes constituam sob uma forma precisa e fixa o equivalente legal das perdas e danos que nas dívidas de dinheiro ou coisa fungível podem resultar da mora no cumprimento da obrigação; chamamse moratórios, por isso são devidos pela mora. No direito tributário os juros de mora são regulados pelo art. 161 do CTN: Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Acerca da natureza penal dos juros de mora, ouçamos a doutrina de Bernardo Ribeiro de Moraes: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA Processo nº 13808.000993/9583 Acórdão n.º 9303003.823 CSRFT3 Fl. 297 7 Do ponto de vista do direito tributário, a natureza jurídica dos juros de mora é de sanção pecuniária em razão da impontualidade do sujeito passivo no cumprimento da obrigação, objetivando não retardar o recolhimento da respectiva dívida. Os juros de mora são devidos independentemente da prova de prejuízo do credor pela demora do devedor. Os juros de mora são, portanto, uma sanção (conseqüência do ilícito) pecuniária que tem causa jurídica na impontualidade em relação ao adimplemento da obrigação. Assim, os juros de mora serão devidos sempre que o principal for recolhido a destempo, seja qual for o motivo determinante da falta. Na verdade, a fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo do lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a ocorrência do fato gerador, o atributo da exigibilidade. Na forma da legislação em vigor, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decretolei nº 1.736/79, art. 5º), de sorte que a pretensão da interessada, ao alegar que os juros não incidem quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não pode prosperar. Por outro lado, a Norma de Execução Csar/CST/CSF nº 02, de 14/01/1992, determina, em seus itens II.B. 2 e II.B. 5, que o depósito judicial é considerado um pagamento na data em que efetivado, vale dizer, se o depósito foi efetuado após o prazo de vencimento do tributo devem ser exigidos juros moratórios. No caso de depósito efetuado dentro do prazo de vencimento, o DARF de conversão em renda da União Federal deve corresponder aos depósitos atualizados desde a data da efetivação até a data da conversão. Portanto, havendo conversão em renda da União Federal, e tratandose de depósito judicial efetuado dentro do prazo de vencimento do tributo, o crédito tributário está extinto, como, aliás, determina o art. 156, inciso VI, do CTN, pois o valor depositado é considerado, na amortização do débito, como um DARF pago, na data do depósito. Com a edição da Lei nº 9.703, de 17/11/1998 (conversão da Medida Provisória nº 1.721, de 28/10/1998), o depósito judicial passou a ser, obrigatoriamente, efetuado em dinheiro e junto à Caixa Econômica Federal, que, por sua vez, os repassa para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para o recolhimento dos tributos e das contribuições federais. Além disso, que, mediante ordem judicial, após o encerramento da lide, é devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável, ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, ou transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Portanto, a conversão do depósito em renda em favor da União, se for o caso, equivale a um pagamento, que deve ser confrontado com o valor do débito devido à data em que efetuado o depósito, de modo que essa é a razão pela qual, quando realizado no seu montante integral, deve inibir o lançamento de juros de mora por meio de auto de infração, ainda que para se prevenir o Fisco quanto à ocorrência da decadência. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA 8 Na linha do raciocínio desenvolvido, o valor do depósito efetuado tempestivamente pelo contribuinte afasta qualquer discussão acerca dos juros de mora. Como dito alhures, o que afasta o juros de mora é o adimplemento da obrigação dentro do prazo estabelecido por lei. No caso de carta fiança, não houve depósito do crédito, apenas uma garantida para uma eventual ação de execução fiscal. Cravada a premissa que carta fiança não faz as vezes de depósito integral para fins de suspensão do crédito tributário e para o afastamento da incidência dos juros moratórios, retorno aos autos, analisando a decisão reclamada e o paradigma. No acórdão recorrido a suspensão se deu por existência de uma liminar, condicionada a apresentação de carta fiança. Já no paradigma, a suspensão teve supedâneo no depósito integral por parte do sujeito passivo. Uma simples operação metal de abstração conduz à claríssima percepção de falta de similitude entre as matérias fáticas discutidas na decisão combatida e na paradigmática. Ex positis, não conheço do recurso. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Numero do processo: 10835.720015/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DA INOVAÇÃO INCORRIDA PELA DRJ.
Acrescentando um fundamento diverso do Auto de Infração para manter a autuação, é evidente que a DRJ incorreu em inovação, razão pela qual este argumento deve ser desconsiderado por este e. CARF.
CANA-DE-AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição.
REFLEXOS: CSL
Aplica-se à CSL a mesma solução que foi dada ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques, que lhe negava provimento. Fez sustentação oral, por parte do sujeito passivo, o Dr. Roberto Quiroga, OAB 83.755/SP.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Acrescentando um fundamento diverso do Auto de Infração para manter a autuação, é evidente que a DRJ incorreu em inovação, razão pela qual este argumento deve ser desconsiderado por este e. CARF. CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. REFLEXOS: CSL Aplicase à CSL a mesma solução que foi dada ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques, que lhe negava provimento. Fez sustentação oral, por parte do sujeito passivo, o Dr. Roberto Quiroga, OAB 83.755/SP. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 15 /2 01 4- 32 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 628/667) interposto contra o Acórdão nº 1451.823 (fls. 593/621), proferido pela 3ª Turma da DRJ/RPO, na sessão realizada em 24/07/2014, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação e manteve os autos de infração de IRPJ e CSL, lavrados em virtude da dedução integral pela Contribuinte dos gastos com o plantio do canavial, como se ela fizesse jus à depreciação acelerada incentivada. Tendo sido contextualizada a lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Em 24/02/2012, foi formalizado Termo de Início de Fiscalização (fls. 3/4), intimando a Contribuinte a apresentar, no prazo de vinte dias, o LALUR do anocalendário de 2009 e cópia do contrato social e de suas alterações. Cientificada em 24/02/2012 (fl. 4), a Contribuinte cumpriu com a fiscalização (fls. 5/33). Após diversas intimações, solicitando diversos documentos e/ou esclarecimentos, os quais foram devidamente cumpridos pela Contribuinte (fls. 34/333), finalmente, em 22/01/2014, a Fiscalização elaborou Relatório de Fiscalização (fls. 334/341 e docs. anexos fls. 342/348), cujos principais pontos podemos resumir assim: DO TRIBUTO “Desse modo, como a plantação de canadeaçúcar não se extingue com o primeiro corte, mas permite cortes adicionais, deve ser objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados), não se aplicando a depreciação incentivada concedida pelo art. 314 do RIR/99 [A Fiscalização sustentou essa conclusão no Parecer Normativo CST nº 18/79, nos ensinamentos de José Carlos Marion e Silvio Aparecido Crespaldi e no NBC T 10.14.5.6]. Neste caso, não se tem a extração de frutos, mas a própria cultura é ceifada, cortada ou extraída do solo. (...) Diante do exposto, considerando que os gastos com a formação do canavial do anocalendário de 2009 (plantio de cana conforme o Anexo I do Relatório de Fiscalização) são objeto de exaustão, dedutível gradualmente na apuração do resultado operacional da Fl. 672DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 672 3 exploração da atividade ao longo dos anos, ao invés depreciação acelerada rural integral no próprio ano de ocorrência, foi procedida a recomposição da base de cálculo do IRPJ e CSLL e exigência de ofício das diferenças devidas.” – fl. 341. DA POSTERGAÇÃO “Ao se considerar as cotas dedutíveis de exaustão ao invés das cotas depreciação acelerada rural integral empregados pelo contribuinte na apuração do IR e da CSLL no anocalendário fiscalizado (2009) e subsequentes (2010 a 2012), verificase expressivo aumento no valor da base de cálculo do IR e CSLL (vide Anexo II do Relatório de Fiscalização), por conseguinte aumento no IR e CSLL devidos superiores ao originariamente declarados. Assim, não há que se falar, até o momento, de compensação no períodobase fiscalizado de valores pagos a maior nos exercícios seguintes. Verificase, desse modo, que o imposto de renda do anocalendário de 2009, a princípio postergado, não foi objeto de recolhimento em períodos subsequentes, pelo contrário, ao se considerar a base de cálculo do IR e CSLL declarada pelo contribuinte sem o excesso de dedução de depreciação integral, os valores a pagar nos períodos subsequentes são maiores, cabendo a autuação por redução indevida do lucro líquido” – fl. 340. DA MULTA ISOLADA “A fiscalizada optante pelo lucro real anual pagou a menor, mensalmente, no anocalendário de 2009, o IRPJ e a CSLL devidos por antecipação calculados com base em balancetes mensais, por deduzir em excesso na determinação do lucro real cotas de exaustão, conforme relatado anteriormente, sujeitandoa à multa isolada lançada de ofício no percentual de 50% sobre o valor que deixou de ser antecipado (vide Anexo III deste Relatório de Fiscalização), nos termos da Lei nº 9.430/1996, art 44, in verbis.” – fl. 341. Em 22/01/2014, a autoridade lançadora lavrou Autos de Infração, para constituição de IRPJ e CSL (fls. 349/368), referentes ao anocalendário de 2009, acrescidos de multa de ofício e isolada, compondo os seguintes valores: MEMÓRIA DE CÁLCULO IRPJ CSL TRIBUTO R$ 20.413.882,13 R$ 7.348.997,57 MULTA PROPORCIONAL R$ 15.310.411,60 R$ 5.511.748,18 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 MULTA ISOLADA R$ 7.771.442,79 R$ 2.779.583,31 TOTAL R$ 43.495.736,52 R$ 15.640.329,06 TOTAL R$ 59.136.065,58 A infração ao IRPJ foi assim descrita no auto de infração (fls. 352/353): “001 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR ANTECIPAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS O contribuinte reduziu indevidamente o Lucro Real em virtude de antecipação no reconhecimento de custos ou despesas dedutíveis referentes à formação da lavoura de cana de açúcar, resultando no recolhimento a menor do IRPJ, conforme descrito no Relatório de Fiscalização, que integra o presente Auto de Infração. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251,273 e 274 do RIR/99 arts. 250 e 314 do RIR/99 002 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ POR ANTECIPAÇÃO MENSAL Falta de pagamento antecipado do Imposto de Renda Pessoa Jurídica calculado com base em balancetes mensais, conforme relatado no Relatório de Fiscalização. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2009 e 31/07/2009: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07” Com idêntica descrição, apenas alterando a fundamentação legal, foi lavrado o auto de infração de CSL (fls. 361/362). Em 27/01/2014, foi formalizado Termo de Devolução de Documentos (fl. 369), devolvendo o LALUR, o Livro Diário e os Balancetes para a Contribuinte. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 673 5 Intimada em 27/01/2014 (fls. 370/371 e 375/376), a Contribuinte, em 25/02/2014, apresentou impugnação (fls. 378/417 e docs. anexos – fls. 418/588), cujos principais argumentos foram muito bem sintetizados no Recurso Voluntário à fl. 634, razão pela qual transcrevemonos: “i) a discussão ora enfrentada diz respeito a uma cultura específica, qual seja, a canadeaçúcar. Por isso, o ponto de partida foi a indicação das características agronômicas da cana de açúcar, tarefa empreendida com base em parecer emitido por Professores da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ), vinculados ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA); ii) tendo em conta as características da canadeaçúcar, foram analisados(sic) as definições legais de depreciação e de exaustão, o que indicou que a cultura somente pode ser encartada como sujeita a depreciação; iii) com base em pareceres de estudiosos da FEAUSP e da FEA USP de Ribeirão Preto, essa solução foi confirmada pela análise da normatização contábil. Ou seja, a partir dessa perspectiva também se verifica que a depreciação é a classificação mais adequada para qualificar os custos da formação do canavial; iv) sucessivamente, promoveuse a interpretação do dispositivo que prevê a depreciação acelerada incentivada, para se chegar na norma jurídica que disciplina este assunto e, com isso, verificar que, diante do conteúdo e o alcance desta regra, é irrelevante, para os fins de fruição deste benefício, a distinção entre depreciação e exaustão; v) demonstrouse que as conclusões destacadas nos itens precedentes estão em conformidade com a jurisprudência desta Colenda Corte Administrativa. vi) por derradeiro, por força da regra da eventualidade, foram apontadas as imprecisões relativas à aplicação da multa isolada e à determinação da base imponível.” Em 24/07/2014, a 3ª Turma da DRJ/RPO, por meio do acórdão nº 1451.823 (fls. 593/621), votou, à unanimidade, em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Aludido acórdão restou assim ementado à fl. 593: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. CANADE AÇÚCAR. EXAUSTÃO. DEPRECIAÇÃO. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos a exaustão e não a depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6° da Medida Provisória n° 2.15970, de 2001. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase postergada a parcela de imposto relativa a determinado anocalendário somente quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, fato que deve ser comprovado e não apenas alegado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” As razões que levaram a essa conclusão podem ser assim resumidas: DA POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE E DA FORÇA DOS PRECEDENTES “Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca de aspectos de sua validade, não cabendo manifestarse sobre eventual ferimento a princípio insculpido na Constituição Federal. Quanto aos julgados do CARF, sabese que seus efeitos não são vinculantes, ante a inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa (art. 100 do CTN).” – fl. 612. DA NECESSIDADE DE SER ATIVIDADE RURAL Fl. 676DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 674 7 “Portanto, no caso em análise, no qual temos empresa com atividade rural de cultivo de cana, que fornece insumo para atividade agroindustrial, deve a contribuinte apresentar contabilidade por departamentos, apurandose de forma segregada o resultado do ‘departamento de atividade rural – cultivo de cana’ que será base para cálculo do insumo cana deaçúcar a ser utilizado pelo ‘departamento Agroindústria’. Entender de forma diversa seria estender o benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício [o que se extrai dos arts. 58 do RIR e 2º da IN SRF nº 257/02]” – fl. 615. DEPRECIAÇÃO X EXAUSTÃO “Concluise, portanto, que somente poderá ser deduzido no mesmo ano da aquisição o valor dos bens sujeitos à depreciação, de que trata o art. 305 do RIR, de 1999. A dedução integral não se estende aos ativos sujeitos à amortização e exaustão” – fl. 615. “Assentada essa premissa fundamental, passase a perquirir sua relação com a cultura da canadeaçúcar, a ver se esta estaria sujeita à depreciação ou à exaustão.” – fl. 616. Com base na obra “Contabilidade rural contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária, IRPJ”, de José Carlos Marion, no PNCST 18/79, no item 10.14.5.6 das Normas Brasileiras de Contabilidade, no art. 183, § 2º, da Lei nº 6.404/76 e em julgado do CARF, a DRJ defendeu que “(...) custo de formação de florestas ou de plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas voltam a produzir novos troncos ou ramos e permitem um segundo ou até um terceiro corte, deve ser objeto de quotas de exaustão, ao longo do período total de vida útil do empreendimento, efetuandose os cálculos em função do volume extraído em cada período, em confronto com a produção total esperada que engloba os diversos cortes” – fl. 617. Nesse sentido, a DRJ destacou que, “Ao informar que ‘no caso dos ciclos da cultura canavieira, a touceira/soqueira é a parte subterrânea da canadeaçúcar que permanece viva, com suas raízes, corte após corte da planta, sendo que somente após quatro, cinco cortes a cultura da cana se torna economicamente inviável’ ou seja, se exaure a contribuinte também reforça o entendimento fiscal de que o método aplicável é o da exaustão.” – fl. 618. Por fim, reforçando esse entendimento, a DRJ questionou “(...) qual seria a quota de ‘depreciação’ aplicável à lavoura de canadeaçúcar em formação escriturada pela autuada? Inexiste norma que trate do tema, pois sobre recursos florestais e minerais se calcula a ‘exaustão’, na forma descrita no art. 334 do RIR/99 e não com base em percentual estabelecido, como no caso de depreciação.” – fl. 619. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 MULTA ISOLADA “Verificase, assim, que a multa isolada é devida pela falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais devidas, ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do anocalendário.” – fl. 620. POSTERGAÇÃO “A fiscalização, ao lavrar o auto de infração, analisou a ocorrência de postergação dos tributos e concluiu que eles não foram objeto de recolhimento em períodos subsequentes, ‘pelo contrário, ao se considerar a base de cálculo do IR e CSLL declarada pela contribuinte sem o excesso de dedução de depreciação integral, os valores a pagar nos períodos subsequentes são maiores, cabendo a autuação por redução indevida do lucro líquido’. Ademais, caberia à contribuinte demonstrar a tese da postergação tanto por meio de escrituração contábil e respectiva documentação comprobatória, quanto por intermédio de demonstrativos e planilhas, nos quais ficasse comprovada de maneira inequívoca a existência da postergação, o que não foi feito.” – fl. 620. Por sua vez, cientificada em 31/07/2014 (fl. 625), a Contribuinte, em 26/08/2014, interpôs Recurso Voluntário (fls. 628/667), aduzindo, em síntese, que: DA INOVAÇÃO INCORRIDA PELA DRJ “(...) [no acórdão proferido pela DRJ] apresentase fundamento não contemplado no auto de infração, o que, obviamente, não pode ser admitido. E mais. Nesse novo fundamento, desconsiderouse o perfil da agroindústria que, sem receio repetir de óbvio, conjuga atividades rural e industrial e ainda que a Recorrente apenas usufruiu o benefício tendo em conta os custos advindos da formação do canavial, que, ninguém ousaria duvidar, constitui atividade rural. Assim sendo, não há qualquer sentido a assertiva na direção de que haveria extensão do ‘benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício’.” – fl. 637. NÃO HOUVE CONTRADIÇÃO NA IMPUGNAÇÃO “(...) consoante se extrai da leitura isenta da impugnação, a Recorrente não sustentou que as touceiras ou soqueiras se exaurem após quatro ou cinco cortes. Na realidade, escorada no parecer de especialistas, disse que ‘a canadeaçúcar é uma planta que, em Fl. 678DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 675 9 condições ambientais normais, não sofre esgotamento após sucessivos cortes. Para que a planta deixe de produzir colmos é necessário que suas raízes sejam retiradas do solo’.” – fl. 640. DO PARECER NORMATIVO CST Nº 18/1979 O Parecer Normativo CST nº 18/1979, ao ampliar o conceito de recurso mineral ou florestal contido no artigo 183, § 2º, da Lei nº 6.404/76, para abarcar também as espécies vegetais de menor porte, violou o princípio da legalidade, deixando de atuar de forma vinculada à lei. Mesmo que fosse válido, o que se admite apenas para argumentar, o Parecer Normativo CST n° 18/1979, ele não poderia ser aplicado para justificar a qualificação dos custos de formação do canavial como sujeitos à exaustão, pois “(...) não é viável, destarte, igualar a cultura da canadeaçúcar às ‘plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem no primeiro corte, voltando, depois deste, a produzir novos troncos ou ramos, permitindo um segundo, ou até terceiro corte” – fl. 644. Nesse sentido, fez alusão a trecho da Solução de Consulta nº 33/87 da Receita Federal. DO ENQUADRAMENTO DA CANADEAÇÚCAR “Nos termos da Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 10.14 Entidades agropecuárias, as culturas agrícolas dividemse em temporárias, que se extinguem pela colheita, sendo seguidas por um novo plantio, e permanentes, que são aquelas com duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita, sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre colheita.” – fl. 645. Por sua vez, o Pronunciamento VII do IBRACON, interpretando o quanto disposto no artigo 179, IV, da Lei n° 6.404/1976, destacou se classificarem “(...) no imobilizado os direitos representados por bens tangíveis ou intangíveis utilizados ou a serem utilizados na manutenção das atividades da entidade, cuja vida útil econômica, em praticamente todos os casos seja igual ou superior a um ano e que não estejam destinados a venda ou a transformação em numerário” – fl. 646. Por fim, “Na linha do disposto no § 2o do artigo 186 da Lei n° 6.404/1976, amplamente debatido no item precedente, o Pronunciamento VII do IBRACON prescrevia que ‘devem ser depreciados os bens tangíveis sujeitos a desgaste ou deterioração pelo uso e/ou ação da natureza, ou por obsolescência’. Já ‘o conceito de exaustão está ligado com bens tangíveis sujeitos a esgotamento por exploração (minas, jazidas, florestas), ou seja, recursos naturais que, Fl. 679DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 através de mineração, extração, corte ou outro procedimento, perdem a sua substância que se transforma em matériasprimas’.” – fl. 646. Com base nos dispositivos acima e nos pareceres colacionados com a Impugnação, a Contribuinte defendeu que a cultura de canadeaçúcar, por proporcionar mais de uma colheita, durar mais de um ano e não se esgotar, se enquadraria como cultura agrícola permanente, se classificaria como ativo imobilizado e deveria ser depreciada. Exercendo atividade rural e enquadrando a cultura de canadeaçúcar como ativo imobilizado, a Contribuinte faria jus ao benefício do artigo 6º da MP nº 2.15970/01, ou seja, ao reconhecimento integral, no próprio ano da aquisição, da perda econômica, por meio da depreciação, dos custos relativos ao bem adquirido. Ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para argumentar, analisando o artigo 6º da MP nº 2.15970/01, constatou que “(...) a única interpretação compatível com o princípio da igualdade é aquela que autoriza a fruição do benefício da depreciação incentivada, independentemente do tipo de atividade rural, o que torna irrelevante a distinção entre depreciação e exaustão” – fl. 659. Quanto aos pareceres colacionados, destacou ainda que “Destarte, a solução empregada pela Recorrente recebeu o apoio, seja da academia, seja de empresa de auditoria e consultoria independente, intencionalmente reconhecida, sendo que tais elementos nem mesmo foram analisados pela Turma Julgadora.” – fl. 662. Ademais, a Contribuinte colacionou diversos julgados do CARF no sentido que o cultivo de canadeaçúcar se sujeita a depreciação acelerada e concluiu que “Enfim, a Turma Julgadora divergiu do posicionamento da jurisprudência administrativa” – fl. 666. DA MULTA ISOLADA “A multa isolada não pode prevalecer, porquanto, como longamente defendido, a Recorrente tem o direito de usufruir do benefício da depreciação acelerada” – fl. 666. DA POSTERGAÇÃO “No entanto, o que se deve ter em mente é que, neste caso, a postergação decorre da própria funcionalidade do mecanismo da depreciação acelerada incentivada. Ou seja, ao aplicar a depreciação incentivada, integralmente no primeiro ano, nos anos subsequentes a depreciação será adicionada no cálculo do lucro real, ou aumentando o lucro ou reduzindo o prejuízo. Consequentemente, pela conformação da depreciação acelerada incentivada, somente pode existir a postergação do pagamento do tributo.” – fl. 667. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 676 11 É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do artigo 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos voluntários interpostos em face de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação relativa ao IRPJ e de CSL, quando reflexa ao IRPJ, razão pela qual é patente a competência desta C. Turma para apreciação do presente caso. No que tange à legitimidade, este requisito se faz presente, já que o recurso da Contribuinte está assinado por advogado (fls. 628 e 667) devidamente habilitado por procuração (fls. 418/419), que foi outorgada por pessoa habilitada para tanto (fl. 449), conforme demonstra o artigo 13, “a”, do estatuto social (fl. 437). Quanto à tempestividade, este requisito também se faz presente, vez que a decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/RPO em 24/07/2014 (fl. 593) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 31/07/2014, uma quintafeira (fl. 625), e o recurso foi interposto em 26/08/2014, uma terçafeira (fl. 628), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72, afinal o dies ad quem era 30/082014, que, por ser um sábado, seria prorrogado para o dia 01/09/2014. Nesse caminho, recebo o Recurso Voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS 1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos podem ser assim resumidos: 1. Houve inovação por parte da DRJ? Em se entendendo pela inexistência de inovação, somente faria jus ao benefício da depreciação acelerada a empresa que auferisse receitas de venda de sua produção rural? 2. A cultura da canadeaçúcar está sujeita a depreciação ou a exaustão? Poderia a Contribuinte ter se utilizado do benefício da depreciação acelerada contido no artigo 6º da MP nº 2.15970/01? 3. Em sendo negativa a resposta anterior, houve postergação do pagamento dos tributos? 4. Deve ser afastada a multa isolada? III. DA INOVAÇÃO INCORRIDA PELA DRJ Dispõe o artigo 6º da Medida Provisória 2.15970/2001, transcrito no artigo 314 do RIR/99, que: Art. 6°. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Da leitura do aludido dispositivo, extraise que, para se valer do benefício da depreciação acelerada, o contribuinte deve explorar a atividade rural e os bens do ativo permanente imobilizado usados na atividade rural devem ser passíveis de depreciação. No que tange ao cumprimento do primeiro requisito exigido pelo artigo 6º da Medida Provisória 2.15970/2001, ou seja, a exploração de atividade rural pela Contribuinte, a 3ª Turma da DRJ/RPO, por meio do acórdão nº 1451.823, afirmou que: “(...) no caso em análise, no qual temos empresa com atividade rural de cultivo de cana, que fornece insumo para atividade agroindustrial, deve a contribuinte apresentar contabilidade por departamentos, apurandose de forma segregada o resultado do ‘departamento de atividade rural – cultivo de cana’ que será base para cálculo do insumo canadeaçúcar a ser utilizado pelo ‘departamento Agroindústria’. Entender de forma diversa seria estender o benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício” – fl. 615. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 677 13 Refutando esse argumento, a Contribuinte asseverou que o aludido acórdão: “(...) apresentase fundamento não contemplado no auto de infração, o que, obviamente, não pode ser admitido. E mais. Nesse novo fundamento, desconsiderouse o perfil da agroindústria que, sem receio repetir de óbvio, conjuga atividades rural e industrial e ainda que a Recorrente apenas usufruiu o benefício tendo em conta os custos advindos da formação do canavial, que, ninguém ousaria duvidar, constitui atividade rural. Assim sendo, não há qualquer sentido a assertiva na direção de que haveria extensão do ‘benefício fiscal que é destinado à atividade rural para outras atividades que não gozam do benefício’.” – fl. 637. Realmente, da análise do Relatório Fiscal, constatase que a Fiscalização não questionou o cumprimento do primeiro requisito pela Contribuinte; apenas questionou o segundo requisito: se os bens seriam passíveis de depreciação. Confirase: “Desse modo, como a plantação de canadeaçúcar não se extingue com o primeiro corte, mas permite cortes adicionais, deve ser objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados), não se aplicando a depreciação incentivada concedida pelo art. 314 do RIR/99. Neste caso, não se tem a extração de frutos, mas a própria cultura é ceifada, cortada ou extraída do solo. (...) Diante do exposto, considerando que os gastos com a formação do canavial do anocalendário de 2009 (plantio de cana conforme o Anexo I do Relatório de Fiscalização) são objeto de exaustão, dedutível gradualmente na apuração do resultado operacional da exploração da atividade ao longo dos anos, ao invés depreciação acelerada rural integral no próprio ano de ocorrência, foi procedida a recomposição da base de cálculo do IRPJ e CSLL e exigência de ofício das diferenças devidas.” – fl. 341. Assim, considerando que foi trazida nova discussão pela DRJ, é inconteste que ela, ao assim proceder, excedeu sua competência, que estava limitada a verificar a adequação do lançamento em face da legislação nele indicada, ou seja, a efetuar o controle da legalidade do ato administrativo do lançamento. A autoridade julgadora também desobedeceu aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, prescritos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, pois, no caso, Fl. 683DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 não pôde a Contribuinte presumir qual seria a fundamentação legal utilizada pela DRJ e, consequentemente, se defender dela em sede de impugnação. Nesse sentido, sustentando a impossibilidade de inovação do lançamento pela autoridade julgadora, há precedentes das três Seções deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quais sejam: Acórdão nº 9101001.638, da 1ª Turma do CSRF, Sessão de 18 de abril de 2013; Acórdão nº 9202002.879, da 2ª Turma do CSRF, Sessão de 11 de setembro de 2013; e Acórdão nº 9303001.690, da 3ª Turma da CSRF, Sessão de 05 de outubro de 2011. Desse modo, concluise que, confrontando o relatório fiscal com o acórdão proferido pela DRJ, foi trazido um novo fundamento para a manutenção da autuação, razão pela qual esse argumento não pode ser analisado por este e. CARF, por evidente inovação. Como o Sr. AFRF apresentou outro fundamento para a manutenção da autuação, a anulação do capítulo do Acórdão da DRJ fruto da inovação não é suficiente para o provimento do Recurso Voluntário, razão pela qual se passa a análise do outro fundamento. IV. DO BENEFÍCIO DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA Conforme visto no tópico anterior, para se valer do benefício da depreciação acelerada, o artigo 6º da Medida Provisória 2.15970/2001 exige que o contribuinte explore a atividade rural e os bens do ativo permanente imobilizado usados na atividade rural sejam passíveis de depreciação. Demonstrada a impossibilidade de discussão quanto ao cumprimento do primeiro requisito, em virtude da inovação, quanto ao segundo requisito, a Fiscalização entendeu que ele não restou cumprido, uma vez que a lavoura de canadeaçúcar seria passível de exaustão e, não, de depreciação, de acordo com o PN CST nº 18/1979. Nada obstante, segundo o artigo 183, parágrafo 2º, letras “a” e “c”, da Lei n° 6404/76 (Lei das S/A), o decréscimo do ativo permanente pode ser representado contabilmente com base numa das seguintes alternativas: §2° A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado registrada periodicamente nas contas de a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 678 15 Da mesma forma, o Pronunciamento VII do IBRACON salientou que “devem ser depreciados os bens tangíveis sujeitos a desgaste ou deterioração pelo uso e/ou ação da natureza, ou por obsolescência” e “o conceito de exaustão está ligado com bens tangíveis sujeitos a esgotamento por exploração (minas, jazidas, florestas), ou seja, recursos naturais que, através de mineração, extração, corte ou outro procedimento, perdem a sua substância que se transforma em matériasprimas”. Da leitura do aludido artigo e do pronunciamento, extraise que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão ocorre quando, durante o processo, o próprio bem é extinto. Assim, concluise que o que diferencia a exaustão da depreciação é o esgotamento ou desaparecimento físico do ativo. Devidamente diferenciada a exaustão da depreciação, cumpre verificar como se enquadra a lavoura da canadeaçúcar. Sobre o tema, a antiga 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, em sessão de 15/03/2012, no acórdão nº 140200.914 (processo nº 13855.003821/200854), defendeu que o canavial não desaparece, mas se desgasta. Vejamos: “O produtor da canadeaçúcar, a exemplo de outras culturas, investe em melhorias do solo, procurando garantir adequado suprimento nutricional à planta, o que é possível se fazer, em média, no caso da cana, em até cinco cortes, quando, então, a baixa qualidade se torna inevitável, finalizando o ciclo de produção, por incapacidade de retorno futuro do investimento. Após esse decurso o canavial tornase economicamente inviável pelo seu desgaste, deterioração do seu uso e por ações da natureza de onde se destacam o empobrecimento do solo e a superficialização do sistema radicular da planta, que diminuem a qualidade da sacarose.” (destacamos) De igual modo, a antiga 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF, em sessão de 12/06/2012, no acórdão nº 1202000.795 (processo nº 13116.002967/200755), asseverou que a lavoura de canadeaçúcar, diferentemente das árvores, não se exaure, permanecendo viva após cada plantio. Confirase: " De fato, o plantio da canadeaçúcar se dá através de mudas (toletes), que se fixam na terra e se denominam touceiras (os toletes com as suas raízes). Essas mesmas touceiras se desenvolverão e se tornarão colmos, que serão os "caules" da cana a serem cortados para a produção, dentre outros produtos, Fl. 685DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 16 de açúcar e álcool. O que se corta da canadeaçúcar, pois são os colmos, safra a safra, até que eles se tornem pobres em sacarose por conta dos sucessivos cortes e torne inviável, economicamente a lavoura anteriormente constituída, devendo o produtor, nesse momento, constituir uma nova lavoura para a respectiva exploração. Mas, durante toda a existência da lavoura, a cana plantada subsiste, invariavelmente, com a sua touceira (que, após o primeiro corte, se chama soqueira), ainda que um indivíduo eventualmente margeie a lavoura sem vêla, visto que a cana está fincada e enterrada sob a terra. O que se cortou, na verdade foi o seu colmo, a cana, todavia, lá permanece, viva, com sua touceira/soqueira enraizada na terra, pronta para crescer novamente. A lavoura de canadeaçúcar, assim, enquanto formada, safra a safra, permanece o tempo todo na terra — diferentemente do que ocorre com a exploração econômica de uma floresta, em que as árvores são cortadas e mortas, para plantação de outras, se for o caso (aqui, sim, caso de exaustão). A canadeaçúcar permanece viva, com suas raízes, corte após corte da planta, da mesma forma que uma árvore permanece viva após cada colheita de frutos e podas." (grifamos) Também nesse sentido, é o parecer dos Srs. Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, Mirian Rumenos Piedade Bacchi, Heloisa Lee Burnquist e Lucilio Rogério Aparecido Alves (fls. 489/499), in verbis: “A canadeaçúcar é uma cultura perene que não se exaure ou se esgota com o corte de seus colmos, componentes de sua aérea, que correspondem aos frutos desta cultura. Assim é que, na sua parte subterrânea (soqueira), a cana continua fisiologicamente ativa, mesmo após sucessivas colheitas de seus colmos para a extração do caldo e posterior transformação deste em açúcar e etanol, sendo que a reforma do canavial tem como justificativa essencial fatores econômicos inerentes a sua exploração. Dessa maneira, a canadeaçúcar é uma planta que, em condições ambientais normais, não sofre esgotamento após sucessivos cortes. Para que a planta deixe de produzir colmos é necessário que suas raízes sejam retiradas do solo” – fls. 495/496. Ainda nesse sentido, é o parecer da PWC (fls. 500/517): “A cada corte da canadeaçúcar não irá desaparecer a soqueira, o que se corta são os colmos, os quais rebrotam após o corte. A perda econômica do canavial não implica no desaparecimento físico do mesmo, diferente do cultivo de florestas para a comercialização e das jazidas de minério e de petróleo, onde o Fl. 686DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 679 17 próprio bem é utilizado ou consumido na atividade final da pessoa jurídica. Portanto, nosso entendimento é que os custos com a formação da lavoura de canadeaçúcar sujeitaramse à depreciação” – fl. 509. Corroborando com a linha acima exposta, foram ainda os pareceres da FUNDACE (fls. 518/545) e do Sr. Ariovaldo dos Santos (fls. 547/579). Portanto, com base nos acórdãos e pareceres acima, verificase que a lavoura de canadeaçúcar propriamente dita nunca se esgota ou acaba, pois, quando cortada, brota novamente e, assim, sucessivamente até que, após vários cortes, perde a produtividade, devendo ser arrancada, e, consequentemente, que ela é objeto de depreciação. Nesse sentido, é a Solução de Consulta n° 33, de 1987, segundo a qual “o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação”. Nesse mesmo sentido, é o Parecer MF/SRF/Cosit/Ditir n° 1.383/1995: “Os bens do ativo imobilizado (dispêndios aplicados na formação de canaviais), exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados, integralmente, no próprio períodobase da aquisição”. Por todos os motivos expostos acima, entendo que a Contribuinte preencheu o segundo requisito para fazer jus ao benefício da depreciação acelerada, previsto no artigo 6º da Medida Provisória 2.15970/2001. Ainda que se enquadrasse a lavoura de canadeaçúcar como exaustão, como defendido pela Fiscalização, o que se admite apenas para argumentar e o que não é, destacase, o entendimento deste Relator, a Contribuinte faria jus ao benefício da depreciação acelerada. Semelhante entendimento é esposado pelo d. Conselheiro Marcelo Cuba Netto, como pode ser lido no Acórdão nº 1201001.243, publicado em 06/01/2016 e cujo julgamento ocorrera em 10/12/2015: “Em relação à primeira questão entendo que sim, os custos ativáveis na lavoura de canadeaçúcar, incorridos por pessoa que exerce atividade rural, submetemse à depreciação acelerada. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 18 É importante notar que embora seja possível defenderse, como fez a Solução de Consulta nº 05/2004, da DISIT da 4º Região, que a lavoura de canadeaçúcar sujeitase à exaustão e não à depreciação, o fato é que, a meu ver, o termo ‘depreciados’ contido no abaixo transcrito art. 12, § 2º, da Lei nº 8.023/90 (revogado em 1995 e, após, devolvido ao mundo jurídico pelo art. 6º da Medida Provisória nº 2.15970/2001), não deve ser interpretado em seu sentido técnicojurídico (o conceito de depreciação encontrase estabelecido no art. 183, § 2º, "a", da Lei nº 6.404/76): (...) Isso porque o art. 12, § 2º, da Lei nº 8.023/90 foi criado com a finalidade de conceder incentivo tributário à atividade rural como um todo, tal como definida em seu art. 2º, e não apenas às atividades rurais submetidas à depreciação em sentido técnicojurídico. Então, segundo uma interpretação finalística da lei, o termo ‘depreciados’ contido em seu art. 12, § 2º, deve ser compreendido como ‘deduzidos como despesa’.” Realmente, analisando o artigo 6º da MP nº 2.15970/01, constatase que, segundo uma interpretação finalística, é indiferente o bem do “ativo permanente imobilizado” ter o seu valor diminuído por exaustão ou depreciação, já que o benefício visa incentivar a atividade rural como um todo. Desse modo, seja porque a lavoura de canadeaçúcar está sujeita a depreciação, seja porque o art. 6º da Medida Provisória nº 2.15970/01 adota o conceito amplo de depreciação, correto foi o procedimento adotado pela Contribuinte e deve ser afastada a glosa da exclusão do valor relativo a canadeaçúcar. V. DA POSTERGAÇÃO DO TRIBUTO Diante do reconhecimento de que a Contribuinte faz jus ao benefício previsto no artigo 6º da MP nº 2.15970/01 e, por conseguinte, do provimento do Recurso Voluntário, deve ser reconhecido que restou prejudicada a questão relativa à postergação do tributo. VI. CONCLUSÃO Por fim, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e darlhe integral provimento, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 688DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10835.720015/201432 Acórdão n.º 1201001.441 S1C2T1 Fl. 680 19 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10783.723297/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO. DOCUEMNTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS.
Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos.
PEDIDO DE RESTIUIÇÃO. SOBRE 13º SALÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS. EXISTÊNCIA DA MOLÉSTIA TIPIFICADA NO TEXTO LEGAL.
Para o gozo da isenção pleiteada, motivo dos pedidos de restituição, os valores recebidos, devem ser oriundos de aposentadoria ou reforma e pensão e que a moléstia existente deve ser comprovada por existência de doença grave, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
O laudo apresentado pela contribuinte foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e comprova a existência de doença grave.
No presente caso, ficou comprovado nos autos que a contribuinte aposentou-se em 19/05/2010, cumprindo o requisito, motivo do provimento parcial do recurso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório referente ao décimo terceiro de 2010.
Ronaldo de Lima Macedo Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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PRECLUSÃO. DOCUEMNTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS. Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. PEDIDO DE RESTIUIÇÃO. SOBRE 13º SALÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS. EXISTÊNCIA DA MOLÉSTIA TIPIFICADA NO TEXTO LEGAL. Para o gozo da isenção pleiteada, motivo dos pedidos de restituição, os valores recebidos, devem ser oriundos de aposentadoria ou reforma e pensão e que a moléstia existente deve ser comprovada por existência de doença grave, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O laudo apresentado pela contribuinte foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e comprova a existência de doença grave. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 32 97 /2 01 1- 30 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 No presente caso, ficou comprovado nos autos que a contribuinte aposentou se em 19/05/2010, cumprindo o requisito, motivo do provimento parcial do recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório referente ao décimo terceiro de 2010. Ronaldo de Lima Macedo – Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 137 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF SOBRE 13º SALÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A comprovação de moléstia grave, para fins de isenção do imposto de renda pessoa física, é feita através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou do Município devendo o laudo se revestir de detalhamento, especificidade e conclusividade suficientes e conter diversos elementos que o embasam para se tornar um meio capaz de formar a convicção da autoridade. A Solução de Consulta Interna nº 11 Cosit, de 21 de junho de 2012, define que o laudo médico oficial deve conter elementos, entre os quais, a descrição do diagnóstico da moléstia, os elementos que o fundamentaram, a data em que a pessoa é considerada portadora, em caso de moléstia passível de controle o prazo de validade do laudo, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM) e o número de registro no órgão público do médico oficial responsável. Sem conter o laudo médico os requisitos necessários, não se confirma a existência de moléstia grave prevista no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, não cabendo isenção do Imposto de Renda, nem a sua restituição de imposto retido na fonte pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 21ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sendo mantida a Decisão de fls. 74/79 que indeferiu o pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte, por não reconhecer o direito à isenção pleiteada. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Trata o processo de pedido de restituição indeferido pela autoridade preparadora. Em síntese, a contribuinte solicitava em seu pleito a restituição de valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), sobre os décimos terceiros salários nos anos calendário de 2007, 2008, 2009 e 2010, devido a doença incapacitante, conforme laudo médico apresentado pelo seu empregador, o Governo do Estado do Espírito Santo. A recorrente anexou decisão judicial que lhe deu direito à aposentadoria, por ser considerada, por perícia médica oficial, inválida para o trabalho. Ao analisar o caso, a fiscalização solicitou da recorrente, por termo próprio, a seguinte documentação, em síntese: 1) Laudo Pericial emitido por Serviço Médico Oficial que, nos termos da Informação Cosit nº 75, de 28 de novembro de 2003, contenha: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia compreendendo: I a descrição; II – o código correspondente à Classificação Internacional de Doenças (CID); III – os elementos que o fundamentaram; IV – a data a partir da qual o paciente deve ser considerado portador da moléstia; e) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial, ao fim do qual o paciente provavelmente esteja assintomático; f) a assinatura e a qualificação do(s) profissional(is) responsável(is) pela emissão do laudo pericial, sendo indispensável constar o nome completo e o número do registro no respectivo Conselho Regional de Medicina (CRM). Em 31/01/2012, conforme aviso de recebimento, a recorrente recebeu o termo acima. Como resposta, a recorrente apresentou a documentação que lhe serviu de fundamento para a aposentadoria por invalidez, com laudos e decisão judicial, já citados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) indeferiu o pleito, em síntese, nos seguintes termos: Assunto: Restituição de IRPF. 13º Salário. Exercícios 2008, 2009, 2010 e 2011 – Anos Calendário 2007, 2008, 2009 e 2010. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 138 5 Ementa: Pedido de Restituição. 13º Salário. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, para fins de determinação da base de cálculo do imposto de Renda Pessoa Física, os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, quando o contribuinte for portador de moléstia grave, identificada em Laudo Médico Pericial. Dispositivos Legais: Artigo 39 do Decreto 3000/1999, artigo 6º, XIV da Lei nº 7.713/1988, artigo 47 da Lei 8.541/1992 e artigo 30, § 2º da Lei 9.250/1995. Pedido Indeferido. ... 10. Da análise do texto legal, depreendese que dois são os requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal que deve ser comprovada mediante laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial, conforme o dispositivo legal. 11. Com relação à natureza dos rendimentos da contribuinte, o documento de fls. 41, comprova que correspondem a proventos de Aposentadoria, com vigência a desde 01/10/2009, implicando assim, que este requisito está satisfeito a partir de tal data. 12. Entretanto, com relação ao fato do laudo médico em conformidade com a lei, não ter sido apresentado, implica assim, que o segundo requisito não está satisfeito. 13. Em que pese o fato da Declaração de Incapacidade para o Trabalho, emitida pela Perícia Médica da Secretaria de Estado da Administração e dos Recursos Humanos do Governo do Estado do Espírito Santo ( fl. 52), informar que o interessado é portador de moléstia profissional, classificada no CID 10 M 65 9, (Sinovite e Tenossinovite), não foi constatado no referido documento, a informação de que a referida moléstia é passível de controle ou não, e em caso de ser passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial, bem como não foi mencionada a data de início da doença. 14. Portanto, não está o referido documento em consonância com o Laudo Médico Pericial solicitado, que deve ser emitido em conformidade com o texto legal (artigo 30, da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995), não podendo se considerado, portanto, documento hábil para análise da isenção em questão. 15. Nesse giro, é importante ressaltar também, que a essência de um laudo médico pericial, é uma exposição técnica e conclusiva, com base em fatos identificáveis, verificados e mencionados pelo profissional no exercício de sua função de perito. Tal se deve ao fato de o laudo pericial ser mais preciso e mais detalhado, precisão e detalhamento, estes, necessários à formação da convicção de seu destinatário, qual seja, a Receita Federal. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 CONCLUSÃO/PROPOSIÇÃO 16. Em face de todo o exposto, manifestome pelo indeferimento dos pedidos de restituição de fls. 03, 06, 09 e 12, com o não reconhecimento do direito à isenção de Imposto de Renda, uma vez que não foi comprovado mediante laudo pericial, nos termos que a lei estabelece, que a contribuinte é portadora de moléstia grave. Em 30/07/2014, conforme aviso de recebimento, a recorrente recebeu a decisão sobre o indeferimento. Em 12/08/2014, tempestivamente, a recorrente apresentou seu inconformismo com a decisão, alegando, em síntese, que, como bem relatado pela decisão a quo: "O texto lançado na declaração de incapacidade para o trabalho utiliza como fundamento legal, para deferimento da aposentadoria, o art. 195, I, da Lei Complementar 46/94 ( Lei Estadual), transcrito na impugnação. A norma em referência toca aos casos de invalidez permanente, ou seja, sem prazo determinado, em razão da moléstia que acometeu a Recorrente, moléstia não passível de controle. Não há que se falar em irregularidade do laudo médico por ausência de indicação do prazo de validade do laudo, por se tratar de moléstia não passível de controle. Em língua portuguesa o conceito de invalidez tange a qualidade ou estado de inválido e o conceito de permanente é “o que fica, contínuo”. Reproduz o art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, concluindo que se enquadra na hipótese legal de isenção fiscal. Outro ponto é a suposta ausência de indicação do início da moléstia incapacitante, sendo que o laudo pericial, em sua parte final, informa que a aposentadoria teve início em 13/04/2000. O ato que deferiu a isenção do imposto de renda, publicado no Diário Oficial do Estado em 11 de fevereiro de 2011, informa que o início dos sintomas da doença remonta à data de 14/05/1997, esclarecendo tratarse de incapacidade com data de validade indeterminada, não tendo respaldo a informação da SEORT de que teria inexistido indicação da data do início da moléstia. Evidente que a patologia foi iniciada antes do ato que reconheceu a incapacidade permanente para o trabalho. Transcreve decisões judiciais que amparam a tese de que o direito à isenção deve retroagir à data do início da doença. Preenchidos, portanto, os requisitos previstos na Lei nº 9.250/1995, Lei nº 7.713/88 e no Decreto 3.000, impõese a reforma da decisão proferida em desacordo com a legislação aplicável. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 139 7 Pelo exposto, requer a reforma do Despacho Decisório proferido pelo SEORT, reconhecendo o direito creditório postulado. A DRJ analisou os autos e julgou, como já assinalado, improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa transcrita, e com base, em síntese, nos seguintes argumentos: "Em análise ao documento apresentado, fls. 05, constatase que este carece de força probante para comprovação da existência de moléstia profissional, uma vez que se trata de uma declaração voltada especificamente para a aposentadoria da servidora, não constando a descrição da moléstia, os elementos que fundamentaram o laudo (exames médicos, conclusões, observações, esclarecimentos sobre a doença), especificação se a doença tratase de moléstia profissional, se é ou não passível de controle, se tem prazo de validade, a data do início da doença e o número de registro no órgão público do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial. Para se concluir pela validade de um documento como laudo médico pericial é necessário que tal instrumento se revista do detalhamento, especificidade e conclusividade suficientes para se tornar um meio capaz de formar a convicção da autoridade fiscal, o que não acontece no laudo apresentado. ... Ressaltese que, ainda que a Contribuinte apresentasse um laudo médico hábil a comprovação da moléstia grave, somente seriam considerados isentos os rendimentos auferidos após a publicação da aposentadoria que se deu em 19/05/2010. Em 02/06/2015, conforme aviso de recebimento, a recorrente recebeu a decisão expressa no acórdão da DRJ. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 10/06/2015, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, os mesmos fundamentos já expressos nos autos. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, como já exposto nos autos, a legislação exige requisitos para o deferimento de isenção de IRRF oriundos de proventos e pensões: Lei 7.713/1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ... Decreto 3.000/1999: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ... XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão; ... Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 140 9 XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ... § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. A recorrente, em 30/01/2015, anexou documentação, em que consta laudo médico pericial, de 19/12/214, onde constam, de forma clara a descrição da moléstia, os elementos que fundamentaram o laudo, especificação de a doença tratarse de moléstia profissional, que a doença está ativa, que não há necessidade de retorno do paciente para reavaliação, que o prazo de validade do laudo é permanente, que a data do início da doença é de 14/05/1997, consta, por fim, o número de registro no órgão público do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial. Conforme já esclarecido nos autos para a recorrente, há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: 1. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS, devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão; e 2. EXISTÊNCIA DA MOLÉSTIA TIPIFICADA NO TEXTO LEGAL, sendo a comprovação da doença grave feita obrigatoriamente através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Nesse sentido, verificase que o segundo ponto está de acordo com a Lei. Não desrespeitamos o § 4º, Art. 16, do Decreto 70.235/1972, pois mesmo com laudo apresentado após a emissão da decisão a quo, esse se mostra válido para a solicitação do litígio, pois foi somente um detalhamento de outros laudos já apresentados, emitidos por órgão da administração pública estadual. A utilização dessa documentação para a solução da questão está em consonância com decisões já proferidas pelo CARF. Sobre a questão, muito bem desenvolve a questão da preclusão o nobre conselheiro Ronnie Soares Anderson, que no acórdão 2802003.088 assim se pronuncia: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 "A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas, os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativo tributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boa fé. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizando se assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários." A documentação apresentada soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados, desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. Portanto, por todo exposto, o segundo requisito foi cumprido. Ocorre, na questão do primeiro requisito, natureza dos valores recebidos, consta dos autos que a recorrente somente se aposentou em 19/05/2010. Portanto, seu direito à isenção, fundamentada na documentação apresentada, somente ocorre após a publicação da aposentadoria, o que acarreta seu direito à restituição para o décimo terceiro salário de 2010. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10783.723297/201130 Acórdão n.º 2402004.904 S2C4T2 Fl. 141 11 Nesse sentido, parcial o direito à restituição pleiteada. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer o direito creditório referente ao décimo terceiro de 2010, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16682.720233/2010-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calenddrio: 2005, 2006, 2007, 2008
PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. 0 conceito do ágio é
disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7°
e 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário,
premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica.
APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA.
EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. Sao dois os eventos em que a
investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa
de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa
jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se
em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão).
DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o
ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e,
naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas
disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade,
usualidade e normalidade.
DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que
recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer
de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como
estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas
de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação
econômica e financeira da pessoa jurídica.
CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE
VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa
por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos
arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal
estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração
de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de
mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.
INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7° e
8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997 se dirigem As pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida.
Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que
compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.312
Decisão: Acordam os membros do colegiado, conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, dar provimento ao recurso por voto de qualidade com retorno dos autos à Turma a quo, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathdlia Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. 0 Conselheiro Luis Flávio Neto apresentará declaração de voto
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. 0 conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. Sao dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.666 terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997 se dirigem As pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, dar provimento ao recurso por voto de qualidade com retorno dos autos à Turma a quo, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathdlia Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. 0 Conselheiro Luis Flávio Neto apresentará declaração de voto. (Assinado digitahnente) Carlos Alberto Freitas Barreto — Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator 2 Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.667 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valaddo, Luis Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Nathdlia Correia Pompeu, Maria Teresa Martinez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN (e-fls. 1499/1543) em face da decisão proferida no Acórdão n° 1101-000.835 (e-fls. 1448/1497), pela P Turma Ordinária da P Câmara da Primeira Seção, na sessão de 04/12/2012, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal tratou de (1) glosa de amortização do ágio, (2) divergência entre valores escriturados e declarados na DIPJ e (3) insuficiência no recolhimento das estimativas mensais. Na primeira instância (DRJ), foi afastada prejudicial de mérito decadencial (arguida pela contribuinte no sentido de que as operações de reorganização societária teriam ocorrido no ano de 2003, e a lavratura do auto de infração ter-se-ia dado após os cinco anos previstos no art. 149, § 40 do CTN) e, no mérito, a impugnação foi julgada improcedente. A infração 2 não foi impugnada e por isso transitou em julgado administrativamente. 0 recurso voluntário interposto pela contribuinte pugnou sobre as matérias (a) decadência, (b) da glosa da despesa de amortização de ágio, (c) da multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal, (d) da ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio e (e) da ilegalidade da utilização da taxa SELIC para os juros de mora. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) manteve a decisão da DRJ em relação à prejudicial de mérito decadencial e, no mérito, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, para afastar a glosa de amortização do ágio, razão pela qual não foi necessária a apreciação das demais matérias (c, d, e). A PGFN interpôs recurso especial e a contribuinte apresentou contrarrazões. 0 recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuarão Fiscal 0 Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal (e-fls. 36/53) discorre que a GUARANIANA (atualmente com a razão social NEOENERGIA) efetuou aquisição de ações da contribuinte (TERMOPE) junto à CELPE, com ágio fundamentado na perspectiva de rentabilidade futura. Posteriormente, foi criada a RIO JAPURI (empresa de propósitos específicos), controlada integralmente pela GUARANIANA. A RIO JAPURI teve seu capital social aumentado por meio da transferência das ações da TERMOPE. Assim, a GUARANIANA continuou controlando diretamente a RIO JAPURI, e a RIO JAPURI passou a controlar diretamente a TERMOPE. Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.668 Em seguida, a TERMOPE incorporou a RIO JAPURI, e passou a registrar o ágio em conta de ativo diferido e promover a dedução da despesa de amortização. Entendeu a Fiscalização que as operações de reorganização societária conduziram ao aproveitamento de um "ágio em si mesmo", sendo a sequência de atos desprovidos de racionalidade econômica tendo objetivado especificamente reduzir a tributação de IRPJ e CSLL, tanto que a estrutura societária, ao final, voltou a ser a mesma do inicio da operação. Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (e-fls. 1097/1146), que foi julgada improcedente pela 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, nos termos do Acórdão n° 12-36.068 (e- fls. 1293 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NÃO CONTESTAÇÃO COISA JULGADA DIFERENÇA ENTRE OS VALORES APURADOS NO LALUR E NA DIPJ Considera-se definitivamente julgada matéria não expressamente contestada, precluindo o direito de fazê-lo posteriormente, nos termos do artigo 17 do Decreto n° 70.235/72. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado corn o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato continuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veiculo" para transferência do ágio incorporadora. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES APURADOS NO LALUR E NA DIPJ REDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO Verificada a diferença a favor do contribuinte, do comparativo do LALUR e da DIPJ, deve ser computada na determinação do tributo devido, reduzindo a base de cálculo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. MULTA ISOLADA É o cabível o lançamento para cobrança de multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas devidas de IRPJ e CSLL, após o encerramento do ano-calendário, obrigatório para aqueles que declaram optando pelo lucro real. 4 Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.669 JUROS DE MORA MULTA ISOLADA DE OFÍCIO Cabe a incidência de juros de mora sobre a multa isolada de oficio, conforme determina o artigo 43 combinado com artigo 61, ambos da Lei n°9.430/96. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente as mesmas. Foi interposto recurso voluntário pela contribuinte, apreciado pela l a Turma Ordinária da l a Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 04/12/2012. Decidiu o Acórdão n° 1101-000.835 (e-fls. 1448 e segs) dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa de despesa de amortização de ágio, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTARIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTIV). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas 5 Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.670 como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e registrado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇà O. A amortização do ágio está prevista no art. 386 do RIR11999. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n°9.532, de 1997. TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES. ÁGIO. NASCIMENTO. EXTINÇÃO. O ágio nasce com uma aquisição e se transfere por uma incorporação reversa, cisão ou fusão. A transferência das ações não implica em transferência de ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de novo ágio na adquirente. A disciplina legal a que se submete o novo ágio é decorrente de suas características, e não das características do ágio que existia na alienante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA E COMERCIAL. As regras contcibeis aceitas pelo direito tributário são apenas aquelas previstas na legislação comercial referendada pelas regras tributárias e desde que não conflitem com regra fiscal especifica. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA E COMERCIAL. CONTABILIDADE. ÁGIO. Os institutos, conceitos e formas contábeis aceitos pelo direito tributário são apenas aqueles definidos na legislação comercial referendada pelas regras tributárias e desde que não conflitem com definição especifica posta em regra fiscal. Caso a legislação tributária defina de modo diferente um instituto, conceito, ou forma, vale a definição fiscal para fins tributários. Regra tributária especifica define o que é ágio, como deve ser calculado, seus pressupostos (aquisição da participação e fundamento econômico), e como sua amortização pode ser considerada para fins fiscais. Por isso, nesses aspectos, os institutos, conceitos e formas contábeis e as regras de direito comercial são irrelevantes. ÁGIO. ART 109 CTN. A legislação tributária define o que é ágio para fins fiscais e determina os efeitos. 6 Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.671 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. 0 fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÓMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). SIMULAÇÃO. ABUSO DE DIREITO. FRAUDE A LEI. A fiscalização não precisa (e nem pode) recorrer ás figuras de direito civil, utilizadas por juizes imparciais para soluções de litígios entre as pessoas. O Fisco não precisa (e nem pode) recorrer ás figuras da simulação, abuso de direito, fraude a lei ou demais previstas no Código Civil, que são utilizadas pela Justiça para resolver litígios. A fiscalização tem poderes especificos e disciplinados na legislação tributária. PODERES DO FISCO. LANÇAMENTO. A fiscalização pode apontar os fatos que entende ocorridos, pode afastar os que entende não ocorridos ou falseados, pode aplicar o direito que entende aplicável aos fatos verificados, e pode cobrar o tributo conforme sua convicção, sem ter de recorrer a qualquer figura do Código Civil. A única exigência da lei é que o Fisco comprove os fatos que confirmam o direito que aplica. LANÇAMENTO. O lançamento é atividade vinculada a lei. SEGURANÇA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO. A segurança jurídica, ao lado da justiça, é um dos pilares do sistema jurídico. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. 7 Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.672 A PGFN interpôs recurso especial (e-fls. 1499 e segs.), protestando pelo restabelecimento da autuação fiscal. Discorre que a reestruturação societária não consumou a necessária confusão patrimonial entre investidor e investida, que na realidade deu amparo a operações meramente formais e desprovidas de finalidade econômica. O ágio criado foi meramente escritural e teria como único objetivo a redução da carga tributária, tendo sido caracterizada uma operação sem propósito negocial. 0 Despacho de Exame de Admissibilidade de e-fls. 1546/1554 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pelo contribuinte (e-fls. 1562 e segs). Inicialmente, discorre que o recurso especial interposto pela PGFN não teria preenchido os requisitos de admissibilidade, vez que as premissas fáticas do paradigma não guardariam similitude com a do acórdão recorrido. Sobre o mérito, relata que as operações de reorganização societária, inseridas num contexto de desverticalização, tiveram aprovação do órgão regulador do setor elétrico, a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, e que o ágio estaria devidamente justificado por laudo de avaliação elaborado por empresa de auditoria independente. Discorre que a operação encontrava-se inserida no âmbito do Programa Nacional de Desestatização (PND), que tinha fundamento econômico, sendo beneficio fiscal previsto no art. 386 do RIR/99, e que não poderia ter sido aproveitado de outra maneira senão a empreendida na reorganização societária em debate, inclusive mediante utilização de empresa veiculo, e cita as razões apresentadas pelo Acórdão n° 1402-00.802 (caso Santander). Discorre sobre as formas de aquisição de participação societária, que podem se dar de diversas formas jurídicas, ou seja, não apenas mediante pagamento. Entende que a cobrança da multa isolada por insuficiência de estimativa mensal não é cabível, por já ter sido encerrado o ano-calendário, pela inexistência da base de cálculo e pela concomitância com a multa de oficio. o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator Em relação á admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de e-fls. 1546/1554, com fulcro no art. 50, § 10 da Lei n° 9.784, de 1999 1 , que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do Recurso Especial da PGFN. Em relação ao mérito, a principio há que se apreciar a matéria glosa de amortização do ágio. 1. Conceito e Contexto Histórico 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V - decidam recursos administrativos; (...) § 1 0 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 8 Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.673 Pode-se entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo (mercadoria, investimento, dentre outros). Tratando-se de investimento decorrente de uma participação societária em uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é formado quando uma primeira pessoa jurídica adquire de uma segunda pessoa jurídica um investimento em valor superior ao seu valor patrimonial. 0 investimento em questão são ações de uma terceira pessoa jurídica, que são avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações da empresa B, avaliadas patrimonialmente em 60 unidades. A empresa C adquire, junto empresa A, as ações da empresa B, por 100 unidades. Interessante é que emergem dois critérios para a apuração do ágio. Adotando-se os padrões da ciência contábil, apesar das ações estarem avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, deveriam ainda ser objeto de majoração, ao ser considerar, primeiro, se o valor de mercado dos ativos tangíveis seria superior ao contabilizado. Assim, supondo-se que, apesar do patrimônio ter sido avaliado em 60 unidades, o valor de mercado seria de 70 unidades, considera-se para fins de apuração 70 unidades. Segundo, caso se constate a presença de ativos intangíveis sem reconhecimento contábil no valor de 12 unidades, tem-se, ao final, que o ágio, denominado goodwill, seria a diferença entre o valor pago (100 unidades) e o valor de mercado mais intangíveis (60 + 10 + 12 = 82 unidades). Ou seja, o ágio passível de aproveitamento pela empresa C, decorrente da aquisição da empresa B, mediante atendimento de condições legais, seria no valor de 18 unidades. Ocorre que o legislador, ao editar o Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977, resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários. Isso porque positivou no art. 20 do mencionado decreto-lei que o denominado ágio poderia ter três fundamentos econômicos, baseados: (1) no sobrepreço dos ativos; e/ou (2) na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido e/ou (3) no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7 0 e 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, autorizaram a amortização do ágio nos casos (1) e (2), mediante atendimento de determinadas condições. Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos fundamentos econômicos, consolidou-se a prática de se adotar, em praticamente todas as operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no caso (2): expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. 0 ágio passou a ser simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento. Assim, voltando ao exemplo, a empresa A, investidora, ao adquirir ações da empresa investida B avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, pelo valor de 100 unidades, poderia justificar o sobrepreço de 40 unidades integralmente com base no fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. Na realidade, a legislação tributária ampliou o conceito do goodwill. E como dar-se-ia o aproveitamento do ágio? Em duas situações. Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao alienar a empresa B para uma outra pessoa jurídica. Assim, se vendesse a empresa B para a empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades. Isso porque, ao patrimônio liquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades, perfazendo 50 unidades. 9 Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.674 Na segunda, no caso de a empresa A (investidora) e a empresa C (investida) promoverem uma transformação societária (incorporação, fusão ou cisão), de modo em que passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa A incorpora a empresa C, ou, a empresa C incorpora a empresa A. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia passar a ser amortizado, para fins fiscais, no prazo de sessenta meses, resultando em uma redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar. Naturalmente, no Brasil, em relação ao ágio, a contabilidade empresarial pautou-se pelas diretrizes da contabilidade fiscal, até a edição da Lei n° 11.638, de 2007. 0 novo diploma norteou-se pela busca de uma adequação aos padrões internacionais para a contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre a forma e a orientação por princípios sobrepondo-se a um conjunto de regras detalhadas baseadas em aspectos de ordem escritural 2 . Nesse contexto, houve um realinhamento das normas contábeis no Brasil, e por consequência do conceito do goodwill. Em síntese, ágio contábil passa (melhor dizendo, volta) a ser a diferença entre o valor da aquisição e o valor patrimonial justo dos ativos (patrimônio liquido ajustado pelo valor justo dos ativos e passivos). E recentemente, por meio da Lei n° 12.973, de 13/05/2014, o legislador promoveu uma aproximação do conceito jurídico-tributário do ágio com o conceito contábil da Lei n° 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de análise do presente voto. Enfim, resta evidente que o conceito do ágio tratado para o caso concreto, disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, alinha-se a um conceito jurídico determinado pela legislação tributária. Trata-se, portanto, de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. 2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses Apesar de já ter sido apreciado singelamente no tópico anterior, o destino que pode ser dado ao ágio contabilizado pela empresa investidora merece uma análise mais detalhada. Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei n° 6.404, de 1.976 trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica: Art. 219. Extingue-se a companhia: I - pelo encerramento da liquidação; 11 -pela incorporação ou fusão, e pela cisão corn versão de todo o patrimônio em outras sociedades. E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida, sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço. Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). 2 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações: (aplicável As demais sociedades), P ed. São Paulo : Editora Atlas, 2008, p. 31. 10 Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.675 Pode-se dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente, com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações. 3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida No primeiro evento, trata-se de situação no qual a investidora aliena o investimento para uma terceira empresa. Nesse caso, o ágio passa a integrar o valor patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo Decreto-Lei n° 1.598, de 27/12/1977, arts. 391 e 426 do RIR/99: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 25, e Decreto-Lei n°1.730, de 1979, art. 1°, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Art. 426. 0 valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio liquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 33, e Decreto-Lei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V): I - valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II - ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III - provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (.) (grifei) Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação. 4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida Já o segundo evento aplica-se quando a investidora e a investida transformarem-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). ágio pode se tornar uma despesa de amortização, desde que preenchidos os requisitos da legislação e no contexto de uma transformação societária envolvendo a investidora e a investida. Contudo, sobre o assunto, há evolução legislativa que merece ser apresentada. Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977: 11 Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.676 Art 34 - Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo liquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei n° 12.973, de 2014) (Vigência) I - somente será dedutivel como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo liquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei n°12.973, de 2014) (Vigência) II - será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo liquido que exceder o valor contcibil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1° e 2°, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei n° 12.973, de 2014) (Vigência) § 1° 0 contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei n°12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo liquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada período-base; e (Revogado pela Lei n°12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8°, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei n°12.973, de 2014) (Vigência) § 2° - 0 contribuinte deve computar no lucro real de cada período-base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei n° 12.973, de 2014) (Vigência) 0 que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo liquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo liquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão 3 . Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagando-se ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. 3 Ver Acórdão n° 1101-000.841, da P Turma Ordinária da P Câmara do CARF, da relatora Edeli Pereira Bessa., p. 15. 12 Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.677 E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP n° 1.602, de 1997 4 , que, posteriormente, foi convertida na Lei n° 9.532, de 1997. 11. 0 art. 8° estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, corn a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUIS EDUARDO SCHOUERI5 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente a edição da Lei n° 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. 0 que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei n° 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiram-se as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Corn a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista 6 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 1997: 4 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional n° 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senadoleg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2 . Acesso em 15/02/2016. 5 SCHOUERI, Luis Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). Sao Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. 13 Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.678 O artigo 8° altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio liquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo corn as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente a diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. 0 ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anos-calendário subsequentes à incorporação, a razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (..) Percebe-se que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, sobre situações especificas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegou-se a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um beneficio fiscal. Em breves palavras, caso fosse beneficio fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP n° 1.607, de 1997 (convertida na Lei n° 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização. E qual foram as novidades trazidas pelos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997? Primeiro, há que se contextualizar a disciplina do método de equivalência patrimonial (MEP). Isso porque o ágio aplica-se apenas em investimentos sociedades coligadas e controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. 0 método tem como principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio liquido das investidas. As variações no patrimônio liquido da pessoa jurídica investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio liquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora. 6 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional n° 27, de 03/12/1997, pg. 18024, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2 . Acesso em 15/02/2016. 14 Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.679 Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio liquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei n° 6.404, de 1976, e as seguintes normas (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 21, e Decreto-Lei n°1.648, de 1978, art. 1°, inciso III): Art. 388. 0 valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio liquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 22). Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio liquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 23, e Decreto-Lei n° 1.648, de 1978, art. 1°, inciso IV). Resta nítida a separação dos patrimônios entre investidora e investida, inclusive as repercussões sobre os resultados de cada um. A investida, pessoa jurídica independente, em razão de sua atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio liquido em razão de resultados positivos, por meio do MEP há uma repercussão na contabilidade da investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é excluída na apuração do Lucro Real. Com certeza, não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio liquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. E esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio liquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio liquido na época da aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: Art. 385. 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 20): I - valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II - ágio ou descigio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1° 0 valor de patrimônio liquido e o ágio ou descigio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 20, § 1°). § 2° 0 lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 20, § 2°): 15 Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.680 I - valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II - valor de rentabilidade da coligada ou controlada, corn base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III -fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° 0 lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 20, § 3°). (grifei) Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2° do art. 385 do RIR/99, (1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, conforme já dito, por ser a motivação adotada pela quase totalidade das empresas, todos os holofotes dirigem-se ao fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Trata-se precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio liquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3° do art. 385 do RIR/99. E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, consolidados no art. 386 do RIR/99. Como já dito, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n°9.532, de 1997, art. 7°, e Lei n°9.718, de 1998, art. 10): I - deverá registrar o valor do ágio ou descigio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2° do artigo anterior, em contrapartida a conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II - deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2° do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes a apuração de lucro real, levantados posteriormente a incorporação, fusão ou cisão, a razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; 16 Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.681 IV - deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes a apuração do lucro real, levantados durante os cinco anos-calendário subseqüentes a incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.(.) (grifei) Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindo-se em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. 5. Amortização. Despesa. Definido que o aproveitamento do ágio pode dar-se por meio de despesa de amortização, mostra-se pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (Decreto-Lei n° 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontra-se no Subtítulo II (Lucro Real), Capitulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). 0 artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n°4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 2°). § 3° 0 disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutiveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99 7 Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente A recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei n° 4.506, de 1964, art. 58, e Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 15, § 1°). § 1° Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei n° 4.506, de 1964, art. 58, § 2°). § 2° Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei n° 4.506, de 1964, art. 58, § 5°). § 3° Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei n° 4.506, de 1964, art. 58, § 4°). § 4° Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei n° 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). 17 Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.682 Percebe-se que a amortização constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. 6. Despesa Em Face de Fatos Construidos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. 0 direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amolda-se à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contrata-se um prestador de serviços, compra-se uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos d. amortização do ágio, proliferaram-se situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratam-se de operações especialmente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social minim, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias ou meses, serem objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindo-se uma construção artificial do suporte fático, consumar-se-ia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o principio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes. 7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir com a apreciação da legislação especifica que trata de sua amortização. 18 Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.683 Vale recapitular os dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida (investida) com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma so universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). E repetir que estamos, agora, tratando da segunda situação. Cenário que se encontra disposto nos arts. 7 0 e 8 0 da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para o debate: Art. 385. 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 20): I - valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II - ágio ou descigio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1° 0 valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 20, § 1°). § 2° 0 lançamento do ágio ou descigio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 20, § 2°): I - valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II - valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III -fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° 0 lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 20, § 3°). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n°9.532, de 1997, art. 7°, e Lei n°9.718, de 1998, art. 10): III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente a incorporação, fusão ou cisão, a razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (..) (grifei) Percebe-se claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. 19 Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.684 A conclusão é ratificada analisando-se a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 8 . Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunido lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originaria, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utiliza-se de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucede-se evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deu-se pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontram-se situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6a ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. 20 Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão IL° 9101-002.312 Fl. 1.685 A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 torna-se impossível, vez que o fato imponivel (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida coin ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoa-se o encontro de contas entre o real investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI 9 , com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. 0 lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio liquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostra-se clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolida-se cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verifica-se, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Trata-se precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveita- se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que 9 SCHOUERI, 2012, p. 62. 21 Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.686 provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerando-se o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoa-se o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial. 8. Consolidação Considerando-se tudo o que já foi escrito, entendo que a cognição para a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos pela norma encontram-se atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado. A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observa-se que a discussão mais relevante insere-se precisamente neste momento, situado antes da subsunção do fato à norma. Fala-se insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. 0 ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida? Quem tomou a decisão de adquirir um investimento com sobrepreço? Respondo: a investidora originária. Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C, ou (2) efetuado aportes financeiros (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária. Pode-se dizer que, de acordo com as regras contábeis, em decorrência de reorganizações societárias empreendidas, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida). Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários. Isso porque se trata de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas entre a despesa incorrida pela pessoa jurídica A (investidora originária que efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida). Mostra-se insustentável, portanto, ignorar todo um contexto histórico e sistêmico da norma permissiva de aproveitamento do ágio, despesa operacional, para que se autorize "pinçar" os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, promover uma interpretação isolada, blindada em uma bolha contábil, e se construir uma tese no qual se permita que fatos construidos artificialmente possam alterar a hipótese de incidência de norma tributária. Caso superada a primeira verificação, cabe prosseguir com a segunda verificação, relativa a aspectos de ordem formal, qual seja, se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3° do Decreto- Lei n° 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. Enfim, refere-se a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes, distante de 22 Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.687 situações que possam indicar ocorrência de negociações eivadas de ilicitude, que poderiam guardar repercussão, inclusive, na esfera penal, como nos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 1990. 9. Sobre o Caso Concreto Feitas as considerações, passo a analisar o caso concreto. Vale apreciar a sequência dos fatos: 1 0) 16/10/2003: a empresa GUARANIANA adquire com ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, ações da TERMOPE (Contribuinte) junto à CELPE. A GUARANIANA passa a deter 100% das ações da TERMOPE. 2°) 04/11/2003: é criada a empresa RIO JAPURI (empresa de propósitos específicos), com capital social de R$100,00. 3°) 26/11/2003, a empresa GUARANIANA transfere as suas ações da TERMOPE para aumentar e integralizar o capital social da RIO JAPURI. Assim, a empresa GUARANIANA controla diretamente a RIO JAPURI, e a RIO JAPURI controla diretamente a TERM OPE. 5 0) 31/12/2003: a TERMOPE incorpora a RIO JAPURI. A TERMOPE passa novamente a ser controlada diretamente pela empresa GUARANIANA. Posteriormente o ágio passa a ser aproveitado pela TERMOPE para fins de despesa de amortização. Nota-se que as pessoa jurídica investidora GUARANIANA integralizou o capital da RIO JAPURI mediante a transferência das ações da TERMOPE (pessoa jurídica investida). Em seguida, a TERMOPE incorpora a RIO JAPURI. Diante de todo o escrito no presente voto, a operação em análise não passa pela primeira verificação. Nota-se a construção artificial (vide item 6 do voto) empreendida pelo sujeito passivo para se enquadrar na hipótese de incidência permissiva do aproveitamento do ágio A criação de empresa sem nenhuma substância (RIO JAPURI) e sua capitalização para adquirir investimento com ágio, não lhe confere a condição de pessoa jurídica investidora (vide item 7 do voto). Somando-se ainda o fato de que a confusão patrimonial se consumou entre a RIO JAPURI e a TERMOPE, não restou aperfeiçoada a hipótese de incidência prevista na norma, que exige, com clareza, a absorção do patrimônio compreendida entre pessoa jurídica investidora (GUARANIANA) e pessoa jurídica investida (TERMOPE), ou vice versa, o que não ocorreu no caso em análise. As conclusões da autoridade autuante foram precisas (e-fl. 47): 46. A prática adotada pela GUARANIANA, detentora do controle da empresa fiscalizada, consistiu numa série de procedimentos, num curtíssimo intervalo de tempo, corn o objetivo de "construir" uma situação contábil que permitisse o aproveitamento (indevido) do beneficio fiscal de amortização do ágio previsto no art. 386 do RIR/99, isso sem que a empresa que efetivamente fez o investimento de aquisição de controle acionário com ágio, liquidasse esse investimento. 47. Assim, procedendo a uma série "reestruturações societárias" que, de fato, não passou de atos formais desprovidos de racionalidade econômica, a GUARANIANA S.A. conseguiu: i) permanecer com os seus investimentos na TERMOPE intocados, apenas, agora, não mais apresentado contabilmente desdobrado 23 Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.688 em "investimento + ágio", e ii) constituir, na contabilidade da TERMOPE, uma conta de ativo imobilizado em valor igual ao ágio pago pela Guaraniana quando da aquisição das ações TERMOPE de propriedade da Celpe, de forma a poder amortizar esse ativo, no prazo de sua concessão, fabricando assim uma extraordinária despesa a deduzir do lucro tributável. 48. 0 único fim visado foi a utilização do beneficio fiscal de redução da carga tributária na TERMOPE, cujo permissivo condicionava a incorporação/fusão/cisão das empresas investidoras -investida. Engendrou-se (então) o artificio jurídico com as reorganizações societárias acima descritas, sem qualquer propósito negocial ou racionalidade econômica. 49. No comando do art. 386 do RIR/99, a legislação tributária, para permitir a dedutibilidade da amortização do ágio, tem sua inteligência fundamentada na efetiva extinção do investimento através dos institutos da fusão, cisão ou incorporação entre as empresas (investidora e investida); ou seja, a legislação tributária instituiu um disciplinamento para tributação do resultado (ganho/perda) de um negócio jurídico particular que culmina numa "confusão patrimonial" - o ágio de si mesmo. 50. No caso aqui tratado, não houve a requerida unificação patrimonial, apenas fabricou-se na TERMOPE o que deveria ser o "ágio de si mesma". A GUARANIANA detentora da totalidade das ações da TERMOPE tentou se ajustar a letra da lei, sem atender à sua fundamentação; praticando uma série de "reestruturações societárias" sem qualquer motivação econômica para, ao final das operações, apresentar a mesma estruturação societária de antes. Tudo não passando de uma estratégia para tentar conseguir ganho tributário em prejuízo do Fisco Federal. 51. De sorte que, se considerarmos a participação societária que a GUARANIANA possuía na TERMOPE no inicio das operações, essa mesma participação continuou existindo ao final do processo de reestruturação. 52. A interposição de outras pessoas jurídicas entre a investidora e a investida corn o único desiderato de permitir o aproveitamento do ágio, faz com que a situação aqui versada não se enquadre nas condições preconizadas pela lei de forma a permitir a sua utilização. Assim, cabe ser restabelecida a autuação fiscal relativa á glosa de despesa de amortização de ágio. Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Enfim, em razão do resultado do julgamento da turma a quo que deu provimento ao recurso da contribuinte para afastar a glosa de despesa de amortização de ágio, as matérias relativas a (I) multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal, (2) juros de mora sobre multa de oficio e (3) aplicação da taxa SELIC para os juros de mora não foram apreciadas. Portanto, determino o retorno dos autos para a turma a quo, estritamente para julgamento destas matérias. 24 Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão II.° 9101-002.312 Fl. 1.689 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso da PGFN, e determinar o retorno dos autos à turma a quo para apreciação das matérias multa isolada sobre insuficiência de estimativa mensal, juros de mora sobre multa de oficio e aplicação da taxa SELIC para os juros de mora. (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura 25 Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.690 Declaração de Voto Conselheiro Luis Flávio Neto Na reunido de maio de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante "CSRF") analisou o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante "PFN" ou "recorrente"), em que é recorrida a TERMOPERNAMBUCO S/A (doravante "TERMOPERNAMBUCO", "recorrida", "investida" ou "adquirida"), no processo n. 16682.720233/2010-11. Em tal recurso, a PFN requer a reforma do acórdão n. 1101-000.835 (doravante "acórdão a quo" ou "acórdão recorrido"), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da l a Câmara desta 1a Seção (doravante "Turma a quo"), no que concerne à legitimidade da amortização fiscal de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇà 0 ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONL4IS COM REPERCUSSÃO TRIBUTARIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTIV). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 385 do RIR/1999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das 26 Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.691 ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e registrado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. A amortização do ágio está prevista no art. 386 do RIR /1999. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n°9.532, de 1997. TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES. ÁGIO NASCIMENTO EXTINÇÃO. O ágio nasce com uma aquisição e se transfere por uma incorporação reversa, cisão ou fusão. A transferência das ações não implica em transferência de ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de novo ágio na adquirente. A disciplina legal a que se submete o novo ágio é decorrente de suas características, e não das características do ágio que existia na alienante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA E COMERCIAL. As regras contábeis aceitas pelo direito tributário são apenas aquelas previstas na legislação comercial referendada pelas regras tributárias e desde que não conjlitem com regra fiscal especifica. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA E COMERCIAL. CONTABILIDADE. ÁGIO. Os institutos, conceitos e formas contábeis aceitos pelo direito tributário são apenas aqueles definidos na legislação comercial referendada pelas regras tributárias e desde que não conflitem com definição especifica posta em regra fiscal. Caso a legislação tributária defina de modo diferente um instituto, conceito, ou forma, vale a definição fiscal para fins tributários. Regra tributária especifica define o que é ágio, como deve ser calculado, seus pressupostos (aquisição da participação e fundamento econômico), e como sua amortização pode ser considerada para fins fiscais. Por isso, nesses aspectos, os institutos, conceitos e formas contábeis e as regras de direito comercial são irrelevantes. 27 Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -002.312 Fl. 1.692 ÁGIO. ART 109 CTN. A legislação tributária define o que é ágio para fins fiscais e determina os efeitos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO , NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. 0 fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocia!" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). SIMULAÇÃO. ABUSO DE DIREITO. FRAUDE A LEI A fiscalização não precisa (e nem pode) recorrer às figuras de direito civil, utilizadas por juizes imparciais para soluções de litígios entre as pessoas. O Fisco não precisa (e nem pode) recorrer ás figuras da simulação, abuso de direito, fraude a lei ou demais previstas no Código Civil, que são utilizadas pela Justiça para resolver litígios. A fiscalização tem poderes específicos e disciplinados na legislação tributária. PODERES DO FISCO. LANÇAMENTO. A fiscalização pode apontar os fatos que entende ocorridos, pode afastar os que entende não ocorridos ou falseados, pode aplicar o direito que entende aplicável aos fatos verificados, e pode cobrar o tributo conforme sua convicção, sem ter de recorrer a qualquer figura do Código Civil. A única exigência da lei é que o Fisco comprove os fatos que confirmam o direito que aplica. LANÇAMENTO. O lançamento é atividade vinculada à lei. 28 Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.693 SEGURANÇA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO. A segurança jurídica, ao lado da justiça, é urn dos pilares do sistema jurídico. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. Em breve resumo, verifica-se o seguinte cenário no presente caso: - houve aquisição de investimento relevante com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, com efeito fluxo financeiro ou sacrificios econômicos envolvidos na operação de aquisição: A TERMOPERNAMBUCO, anteriormente pertencente à Companhia Enérgica de Pernambuco, doravante "CELPE" ou "alienante"), foi adquirida pela GUARANIANA S.A. (doravante "GUARANIANA" ou "adquirente"), com efetivo pagamento de sobrepreço (ágio) com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida (TERMOPERNAMBUCO). - Adotando-se o Método de Equivalência Patrimonial (MEP), o custo de aquisição do investimento foi desdobrado no valor patrimonial da TERMOPERNAMBUCO e no ágio suportado, justificado pela expectativa de futuros lucros trazidos por esta. - Em 04/11/2003, foi constituída a RIO JAPURI S.A. (doravante "JAPURI"). Em 26/12/2003, foi realizada reestruturação societária, em que a GUARANIANA (adquirente) subscreveu aumento de capital na JAPURI, e integralizou este capital com as ações que detinha da TERMOPERNAMBUCO. Em 31/12/2003, a TERMOPERNAMBUCO incorporou a JAPURI. Desde a referida absorção patrimonial, passou a ser realizada a amortização fiscal do aludido ágio apurado contra os lucros da TERMOPERNAMBUCO, cuja expectativa de lucratividade deu causa ao ágio pago quando de sua aquisição, com fundamento nos arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97; - Não houve, conforme se depreende do acordão a quo, simulação, abuso do direito ou fraude A. lei. Do acórdão a quo, colhe-se, in verbis (fls. 1.487 e seg. do e-processo): "Conforme em 16/10/2003, Guaraniana (atualmente Neoenergia) comprou as ações que sua controlada CELPE detinha na Termopernambuco, pagando ágio de R$ 130.673.922,93. Coin isso a Guaraniana ficou coin 100% da Termopemambuco. Em 04/11/2003, foi constituída a Rio Japuri SA. Em 26/12/2003, a Guaraniana subscreveu aumento de capital da Rio Japuri SA e integralizou este capital corn a entrega das ações que tinha da Termopernambuco SA. Corn esta operação a Rio Japuri SA passou a deter 100% do capital social da Termopernambuco. Em 31/12/2003, a Termopernambuco incorpora a Rio Japuri e passa a amortizar o ágio (ágio por expectativa de rentabilidade futura). 29 Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.694 A fiscalizac,a-o diz que se trata de "ágio de si mesma". Afirma que "a sequência de 'reestruturavo-es societárias' procedida simplesmente deságua na transferencia para a Termopernambuco do ágio com que a investidora Guaraniana adquiriu os seus investimentos nela". Informa que "a seqüência de atos praticados objetivou unicamente reduzir tributacp-o com utilizac,a-o do beneficio da dedutibilidade da amortizac,a-o do ágio do IRRI e da CSLL". Adiciona que diversos documentos das empresas confirmam que a intencp-o das empresas era a transferência do agio. Explica que o objetivo das operacp-es era projetar na Termopernambuco o ágio pago pela Guaraniana. o Fisco alega que não se verificou a finalidade do instituto da incorporacp-o, pois ao término das operacp-es, tudo ficou como era: Guaraniana detendo 100% das acp-es da Termopernambuco. Informa que a própria CVM reconhece a distorcp-o da legislac,a-o societária em razão destas operacp-es. Diz que todas as operacp-es foram feitas por empresas do mesmo grupo. Argumenta que para ser possível o aproveitamento do ágio nos termos do art. 386 do RIR11999, é preciso que exista a absorc,a-o do patrimoilio da incorporada, pois so assim haverá a "confusão patrimonial". Enfatiza que, no caso, nem a investidora (Guaraniana) investida (Termopernambuco) deixaram de existir. A fiscalizac,a-o frisa que a série de atos não passou de atos formais desprovidos de racionalidade económica, cujo unico fim foi a reduc,a-o de carga tributária na Termopernambuco. Alega que esta reduc,a-o s6 poderia ocorrer se a Termopernambuco houvesse incorporado a Guaraniana. Conclui que tudo não passou de uma estratégia para se obter ganho tributário em prejuízo do Fisco Federal. Por outro lado, a fiscalizac,a-o na-o questiona o montante do ágio surgido na integralizacp-o, nem seu fundamento, e nem o seu laudo. Também, não aponta qualquer óbice especifico para a deduc,a-o da amortizac,a-o da base de cálculo da CSLL e nem para o prazo de amortizac,a-o." No julgamento do recurso especial interposto pela PFN, por maioria de votos, a CSRF decidiu reformar o acórdão recorrido, de forma a manter a cobrança dos tributos, multas e juros lançados no AIIM. Com isso, foi mantida a glosa da amortização das despesas de ágio, não obstante tenha sido reconhecida a legitimidade do ágio apurado. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional no que concerne à questão da amortização fiscal das despesas de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria, em especial aquelas que decorrem do art. 7° e 8° da Lei n. 9.532/97. Tais fundamentos serão organizados do seguinte modo: 1. 0 conceito de "ágio" por expectativa de rentabilidade futura e o Método de Equivalência Patrimonial ("MEP"). 30 Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.695 2. A evolução da legislação e do tratamento jurídico-tributário do "ágio". 3. A norma de dedutibilidade fiscal das despesas de amortização de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. 4. Evidenciação analítica dos elementos componentes da norma dedutibilidade fiscal das despesas de amortização de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura 5. 0 vicio imputado pela fiscalização para a glosa das despesas de amortização de ágio no presente caso. 6. Conclusões finais quanto ao caso em análise. 1. 0 conceito de "ágio" por expectativa de rentabilidade futura e o Método de Equivalência Patrimonial ("MEP"). A palavra "ágio" conduz à ideia de um sobrepreco que se paga por algo, um valor superior àquele que seria o parâmetro esperado. l° Um exemplo simplificado é útil para situar essa ideia geral. Na década de 90, em plena transformação da indústria automobilística brasileira, era comum que as concessionárias levassem meses para receber os automóveis adquiridos por seus clientes. 0 cliente comum, ansioso para receber o automóvel em que empenhava as suas economias, era submetido a uma longa e angustiante espera mesmo após já ter concretizado a compra. As concessionárias, então, vislumbraram nisso uma oportunidade: adquiriam antecipadamente alguns automóveis novos, assumindo o risco (baixo, devido à elevada procura) de não os vender. Assim, aos clientes eram apresentadas duas possibilidades: (i) a aquisição do veiculo pelo preço de tabela, com a espera de alguns meses até a entrega pela fábrica ou; (ii) a aquisição do veiculo em estoque (entrega imediata), com o acréscimo um determinado valor sobre o preço da tabela, a titulo de "ágio". Note-se que, ao optar pelo veiculo em estoque e o pagamento do "ágio" referido, o adquirente realizaria o pagamento de um sobrepreço com o objetivo de desfrutar da posse do veiculo antecipadamente, ao que estaria destituído dessa fruição imediata caso optasse por desembolsar apenas o preço de tabela do bem. Já o vendedor, por sua vez, seria recompensado pelo risco assumido e pelo adiantamento à fábrica do custo do automóvel. "ágio", nesse simplório exemplo outrora corriqueiro no mercado automobilístico brasileiro do varejo, ilustra bem quão normal é o pagamento de sobrepreços, bem como que este pode ser justificado por motivos distintos sob as perspectivas dos dois polos do negócio jurídico (adquirente e alienante). O ágio analisado no presente processo administrativo se refere à aquisição de participação acionária relevante em empresas (investidas) por outras empresas (investidoras). Nesse caso, como se verá no tópico "2" a seguir, o legislador reconheceu como justificativa negocial para o pagamento de ágio (ou deságio) a expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, o valor de mercado de bens do ativo da empresa investida superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. No presente recurso especial, está em análise um caso concreto no qual uma pessoa jurídica adquiriu participação societária relevante em outra pessoa jurídica (investimento), com o pagamento de um sobrepreco (ágio) justificado pela expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. I° Vide: SCHOUERI, Luis Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo: Dialética, 2012, p. 13 e seg. 31 Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-Tl Acórddo n.° 9101-002.312 Fl. 1.696 1.2. A identificação do ágio pelo Método de Equivalência Patrimonial ("MEP) Quando uma pessoa jurídica possui participação societária relevante em outra pessoa jurídica (controlada ou coligada), deve refletir em sua contabilidade tal investimento avaliando-o conforme o método da equivalência patrimonial (doravante "MEP"). Por sua vez, "ágios" e "deságios" são itens evidenciados nas demonstrações contábeis pelo MEP: a companhia deve evidenciar que parte do investimento mantido em sua controlada ou coligada não se justifica pelo valor patrimonial desta, mas sim por um ágio despendido quando de sua aquisição, considerando o fundamento pelo pagamento deste l I . Nos idos de 1976, a Lei 6.404 ("Lei das SAs") regulou a adoção do MEP, especialmente em seu art. 248: "Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio liquido, de acordo com as seguintes normas: 6--)" A legislação brasileira passou a prever que as pessoas jurídicas que detenham investimentos em controladas ou coligadas devem, ao realizar sua escrituração pelo MEP, desdobrar o custo destas (i) no valor do patrimônio liquido existente no momento da aquisição da respectiva empresa investida e (h) no ágio ou deságio eventualmente suportado para a aludida aquisição: Decreto-lei n. 1.598/77 Art. 20 - 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I - valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II - ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I ,sS' 1° - 0 valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. sS' 2°- 0 lançamento do ágio ou deságio cleverer indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. "Após a Lei 12.943/2014, que se aplica a período posterior ao dos presentes autos, o ágio por expectativa de rentabilidade futura se tornou residual ao valor justo dos ativos da investida. 32 Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.697 sç 3 0 - o lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Avaliação do Investimento no Balanço Art 21 - Em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio liquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no artigo 248 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas: I - o valor de patrimônio liquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até 2 meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto a dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda. II - se os critérios contábeis adotados pela coligada ou controlada e pelo contribuinte não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios; III - o balanço ou balancete da coligada ou controlada levantado em data anterior â do balanço do contribuinte deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período; IV - o prazo de 2 meses de que trata o item I aplica-se aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades, de que trata o § 4° do artigo 20, de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente. ✓ - o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio liquido ajustado de acordo com os números anteriores, da porcentagem da participação do contribuinte na coligada ou controlada. Note-se que, para fins meramente contábeis e sem consequências tributárias, na empresa investidora, o ágio (ou deságio) lançado no ativo permanente, na conta de investimento, como ativo diferido, devendo ser deverá ser amortizado mediante débito ou crédito ao seu lucro liquido. Na empresa investida, por sua vez, o ágio componente do preço de emissão de ações, lançado como reserva de capital, não está sujeito à amortização e não afeta de modo algum o resultado. 12 Ainda sob a perspectiva contábil, vale observar que, contabilmente, o desdobramento do referido ágio também pode ser observado sob a perspectiva da pessoa jurídica investida, embora tais registros contábeis não apresentem qualquer importáncia para a questão em análise. Supondo-se que uma pessoa jurídica (investidora) realize aumento de capital com sobrepreço em uma outra empresa (investida), referido ágio seria escriturado em conta do ativo, de investimento. Já as demonstrações financeiras da investida, em tese, deveriam evidenciar o ágio em questão em conta de reserva de capitall3 12 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária, in Direito tributário atual - Vol. 23. São Paulo: Dialética, 2009, p. 461. 13 Pode-se supor, ainda, a hipótese em que uma pessoa jurídica investidora adquira os investimentos em uma outra pessoa jurídica, adquirindo as suas ações diretamente das mãos de seus antigos detentores. Caso seja pago ágio nessa operação, tais valores sequer viriam a ser escriturados pela empresa investida. 33 Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 FL 1.698 A referida escrituração de ágio pela investida não possui relevância para a análise em tela, pois não há comunicação necessária com os lançamentos contábeis realizados pela empresa investidora. Por essa razão, em nenhum momento a legislação que rege a matéria se volta aos valores contabilizados como ágio pela empresa investida, sendo relevante, apenas, a conta de investimento presente nas demonstrações financeiras da empresa investidora. A apuração ou mesmo amortização contábil do aludido ágio por expectativa de rentabilidade futura, escriturados pela empresa investidora em função do MEP, sempre permaneceram neutros para fins tributários nas diversas alterações legislativas atinentes matéria. No que é mais relevante ao presente caso, prescreve o Decreto-lei 1.598/77: Art. 25 - As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. Conforme será evidenciado nos tópicos "2" e "3" e "4" a seguir, as consequências tributárias apenas surgiriam com a realização do investimento, com a apuração do ganho (ou perda) de capital prescrita pelo art. 33 do Decreto-lei 1.598/77, ou com a amortização do ágio à fração 1/60 decorrente da implementação da fórmula operacional básica prescrita pelo art. 7 ° da Lei n. 9.532/97. 2. A evolução da legislação e do tratamento jurídico-tributário do "ágio". Os lançamentos tributários atinentes ao caso concreto se reportam ao período compreendido de 2005 a 2008. A posição cronológica dos fatos em tela é relevante para que possamos identificar os regramentos jurídicos aplicáveis diante das alterações legislativas sobre a matéria. No período que antecedeu a Lei n. 12.973/2014, vigorou no sistema jurídico brasileiro dois regimes distintos relacionados ao ágio, dedicados a funções bastante distintas: um regime contábil e outro regime tributário.14 Embora possuíssem pontos em comum, eram evidentes os seus distanciamentos. Sob a perspectiva do Direito tributário, as três grandes reformas atinentes ao ágio se deram em 1977, 1997 e 2014, como será brevemente explicitado abaixo. Já sob a ótica do Direito contábil, é possível identificar apenas dois períodos, um anterior e outro posterior à Lei n. 11.638/2007. Note-se que essa lei introduziu alterações marcantes à matéria contábil, com a convergência das normas brasileiras aos padrões internacionais, mas não afetou em nada a apuração do ágio para fins fiscais. 15 Tais alterações de métodos contábeis, contudo, permaneceram neutras para fins fiscais até a edição da Lei n. 12.973/2014. Nos subtópicos a seguir, com a necessária ênfase ao que importa para a solução do caso concreto, o tratamento tributário do ágio nos marcos temporais de 1977, 1997 e 2014 serão analisados com paralelos A. contabilidade, de forma a revelar a comunicação e os distanciamentos dessas searas. 14 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luis Eduardo; PEREIRA, Roberto Codorniz Leite. 0 ágio interno na jurisprudência do CARF e a (des)proporcionalidade do art. 22 da Lei n. 12.973/2014, in Análise de casos sobre o aproveitamento de ágio: IRPJ e CSL á. luz da jurisprudência do CARF (Coord.: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FARO, Mauricio Pereira). São Paulo : MP, 2016, p. 355. 15 Nesse sentido, vide: DIAS, Karem Jureidini; LAVEZ, Raphael Assef. "Áigio interno" e "empresa-veiculo" na jurisprudência do CARF: um estudo acerca da importância dos padrões legais na realização da igualdade tributária, in Análise de casos sobre o aproveitamento de ágio: IRPJ e CSL à luz da jurisprudência do CARF (Coord.: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FARO, Mauricio Pereira). Sao Paulo: MP, 2016, p. 328. 34 Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.699 2.1. A legislação do período pré-1997. Conforme se expôs acima, a apuração do ágio conforme os arts. 20 e 21 do Decreto-lei 1.598/77 jamais apresentou consequências tributárias imediatas. E realmente possível dizer que a amortização contábil das despesas de ágio sempre permaneceu neutra para fins tributários nas diversas alterações legislativas atinentes ei matéria. Até 1997, a única consequência tributária para o ágio por expectativa de rentabilidade futura, apurado na contabilidade da empresa investidora pela adoção MEP, se daria apenas em caso de futura realização do investimento (por exemplo, futura venda da empresa investida), no momento da apuração do ganho ou perda de capital então apurado. Foi o que prescreveu o art. 33 do Decreto-lei 1.598/77: Investimento Avaliado pelo Valor de Patrimônio Liquido Art. 33 - 0 valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio liquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I - valor de patrimônio liquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II - ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. III - ágio ou deságio na aquisição do investimento com fundamento nas letras b e c do § 2° do artigo 20, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte IV - provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. § 1° - Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente. § 2° - Sera() computados na determinação do lucro real: El a) como ganho de capital, o acréscimo do valor de patrimônio liquido decorrente de aumento na porcentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada, resultante de modificação do capital social desta com diluição da participação dos demais sócios; b) como perda de capital, a diminuição do valor de patrimônio liquido decorrente de redução na porcentagem da participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada, em virtude de modificação no capital social desta com diluição da participação do contribuinte. Dessa forma, desde a década de 70 até 1997, o ágio suportado pela investidora com fundamento em expectativa de rentabilidade futura teria relevância para fins tributários apenas no momento de eventual e posterior realização do investimento, com a redução proporcional da base de cálculo do ganho de capital então apurado. Em tal momento, tais despesas poderiam ser aproveitadas integralmente na apuração do ganho (ou perda) de capital, sem qualquer fracionamento. 35 Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.700 Essa possibilidade de aproveitamento fiscal integral do ágio pago conduziu a debates em torno de situações consideradas abusivas, A. certa insegurança jurídica e, finalmente, alteração de sua sistemática pela edição da Lei n. 9.532, de 10.12.1997. 2.2. A legislação que perdurou de 1997 a 2014: aplicável ao caso dos autos, cuja apuração perfaz o período de 2005 a 2008. Com edição da Lei n. 9.532/97, o legislador ordinário alterou sensivelmente as consequências fiscais do ágio por expectativa de rentabilidade futura. A partir de então, passou a ser possível o aproveitamento do ágio à fração 1/60 ao mês, desde o momento em que o ágio escriturado pela investidora viesse a ser confrontado, em um mesmo acervo patrimonial, com os lucros advindos da empresa investida que justificaram o pagamento desse sobrepreço por expectativa de rentabilidade futura. A possibilidade de amortização das despesas de ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma prescrita pela Lei n. 9.532/97, depende do cumprimento de uma fórmula operacional básica, que pressupõe o fenômeno societário da absorção patrimonial, com a reunião (por incorporação, fusão ou cisão) do patrimônio da pessoa jurídica investidora com a pessoa jurídica investida, a fim de que o aludido ágio registrado naquela seja emparelhado com os lucros gerados por esta. Concretizada a absorção patrimonial exigida pelo legislador, o ágio apurado em aquisição precedente pode ser amortizado, com a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSL, no mínimo em 60 meses, nos balanços levantados após a ocorrência de um desses eventos, ainda que a incorporada ou cindida seja a investidora (incorporação reversa). o que se observa dos arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97: Art. 7 0. A pessoa jurídica que absorver património de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I - deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II - deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 22 do art. 20 do Decreto-lei n 2 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes el apuração de lucro real, levantados posteriormente et incorporação, fusão ou cisão, et razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração 16; IV - deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "h" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes ez apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos-calendários subseqüentes a incorporação, fusão ou cisão, a razão de 1/60 16 Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998. 36 Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.701 (um sessenta avos), no minim, para cada mês do período de apuração. § 100 valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2° Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta eleven) registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o des(jigio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3°o valor registrado na forma do inciso lido caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4° Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização económica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa fisica ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. ssç 5 0 0 valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8 0. 0 disposto no artigo anterior aplica-se, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio liquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. 11á quem aponte que os arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97 veiculariam beneficio fiscall7 . Para LUCIANO AMARO, tratar -se-ia de "estimulo a investimento na aquisição de empresas privadas com perspectivas de crescimento de rentabilidade, como incentivo a geração de riqueza, de empregos e, como consequência, de incrementar a própria arrecadação tributária". Ainda que tais efeitos indutores possam ser observados em alguns casos, parece mais correto compreender que os arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97 enunciam mera norma de dedutibilidade para apuração do IRPJ e da CSL, que inclusive limita quantitativamente a 17 AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 anos do humanista. Sao Paulo: Ed. IASP, 2015, p. 714. 37 Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.702 amortização do ágio em questão à fração 1/60 ao mês (ao contrário de "ampliar", ao que seria um beneficio), antes consumada em um único ato 18 . De beneficio fiscal não se trata. 0 legislador simplesmente impõe que o sobrepreço em questão seja processado contra os lucros da empresa investida, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição. Trata-se de norma que regula a amortização fiscal de despesas com ágio por meio de uma fórmula operacional básica, bem como limita quantitativamente o exercício de tal direito à fração 1/60 ao mês. Ainda que não seja determinante para a interpretação da norma em apreço, a exposição de motivos da Lei n. 9.532/97 é ilustrativa, in verbis 9 : "11. 0 art. 8° estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já conhecidos 'planejamentos tributários', vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos as hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo". A exposição de motivos reafirma algo que esta claro no texto legislado: o legislador não pretendeu restringir o legitimo aproveitamento do ágio por expectativa de rentabilidade futura, mas sim regular a sua fruição aos casos em que realmente ocorra aquisição de investimento relevante em pessoa jurídica com efetivo sobrepreço. A decisão do legislador foi segregar situações em que lid correta apuração do ágio por expectativa de rentabilidade futura de outras que, por corresponderem a operações fictícias, realmente não poderiam ser tratadas da mesma forma. Se algum "beneficio" foi pretendido em 1997 pelo legislador ordinário, este consistiu no estabelecimento de ambiente de segurança jurídica para a realização de aquisições de empresas privadas brasileiras. Em franco plano econômico de desestatização aclamado pelo governo, seguido de período de intenso movimento econômico e investimentos em empresas privadas brasileiras ("M&A"), seria relevante aos investidores ter ambiente jurídico seguro, com uma objetiva fórmula operacional básica a ser seguida. As discussões existentes sobre o ágio até 1997 poderiam fragilizar o ambiente de confiança jurídica e econômica com inevitável inibição de investimentos, o que foi remediado pelo legislador ordinário com a edição da Lei n. 9.532/97. No entanto, o presente julgamento, ocorrido aproximadamente 20 anos após a enunciação da Lei n. 9.532/97, demonstra que a sua aplicação tem gerado uma série de outras 18 No mesmo sentido, vide: FAJERSZTAJN, Bruno; COVIELLO FILHO, Paulo. "Transferência" de ágio por meio da chamada empresa-veiculo. Reflexões sobre o tema A luz da lógica e da finalidade dos arts. 7 e 8 da Lei n. 9.532/1997, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 231. São Paulo: Dialética, 2014, p. 25 e seg. 19 Note-se apenas que, no projeto de lei, o dispositivo era numerado como "8 °", mas na redação aprovada foi veiculado pelo art. 38 Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.703 incertezas. E, permissa vênia, a interpretação adotada pela fiscalização na lavratura do auto de infração em tela demonstra que uma enorme insegurança jurídica — justamente o contrario do pretendido com a Lei n. 9.532/97 — está sendo imposta a contribuinte, ora Recorrida, o que não deve prosperar. 2.3. Período pós 2014: alterações trazidas pela Lei n. 12.973 ao reconhecimento e aproveitamento fiscal do ágio. Desde a edição da Lei n. 12.973/2014, o tratamento fiscal do ágio sofreu algumas modificações, mas manteve-se em boa medida incólume. Note-se que, em 2014, o legislador mais uma vez manifestou a sua decisão sobre a apuração e o aproveitamento do ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. 0 legislador teve a oportunidade para aprimorar o sistema jurídico de forma a reduzir o contencioso com nova regulamentação quanto as exigências para a amortização do ágio. Tal decisão legislativa restou bastante aclarada em relação a discussões como a demonstração do valor do ágio por expectativa de rentabilidade futura (agora a lei exige a elaboração de um laudo especifico e em determinado prazo, o que não existia anteriormente) 20 e a validade do "ágio interno" (agora a lei veda a apuração de ágio na aquisição de investimento relevante realizada entre partes dependentes, o que não existia anteriormente) 21 . O silêncio do legislador, na reforma de 2014, em relação a temas igualmente contenciosos, como o da transferência de investimento com ágio analisado nos presentes autos, pode ser compreendido como inexistência de oposição as possíveis restruturações societárias que o participar venha a sofrer. Referido silêncio pode ser considerado como reconhecimento do direito de auto-organização garantido ao particular pelo principio da livre iniciativa, de forma que não haverá nenhuma sanção a isso no que concerne ao aproveitamento do ágio legitimamente apurado na operação originária de aquisição de investimento relevante. Trata-se de um silêncio eloquente. 3. A norma de dedutibilidade fiscal das despesas de amortização de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. A norma em questão prescreve que, na hipótese de aquisição de investimento relevante com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, com a correta adoção do MEP para apuração pela investidora do patrimônio liquido da investida e do correspondente ágio, acompanhada da fórmula operacional básica estipulada em lei para a absorção, pela pessoa jurídica investidora, do acervo patrimonial da controlada ou coligada que justificou o ágio incorrido em sua aquisição (ou vice versa), então a consequência jurídico-tributária deverá ser a amortização da fração de 1/60 por mês do ágio por expectativa de rentabilidade futura contra as receitas da empresa investida (cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição). 20 Com as alterações introduzidas pela Lei n. 12.973/2014, o art. 20 do Decreto-lei 1.598/76 passou a contar com o seguinte dispositivo: "§ 3° 0 valor de que trata o inciso II do caput deverá ser baseado em laudo elaborado por perito independente que deverá ser protocolado na Secretaria da Receita Federal do Brasil ou cujo sumário deverá ser registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, até o último dia útil do 13 0 (décimo terceiro) tries subsequente ao da aquisição da participação". 1 Vide Lei n. 12.973/2014 prevê, art. 22: "Art. 22. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes, apurado segundo o disposto no inciso III do caput do art. 20 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data da aquisição da participação societária, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração.". 39 Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.704 4. Evidenciação analítica dos elementos componentes da norma de dedutibilidade fiscal das despesas de amortização de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura Este tópico se dedica à exposição analítica da norma de amortização do ágio, com o isolamento de elementos essenciais A. sua aplicação. Também serão suscitados fatores que, embora não sei am determinantes, corroboram para o reconhecimento da legitimidade das operações envolvidas, bem como outros que são indiferentes e não devem interferir na fruição da amortização das despesas com ágio. A doutrina do Direito tributário há muito evidencia que, para que se desencadeiem as consequências jurídicas da norma, devem ser verificadas no mundo fenoménico todas as notas previstas em sua hipótese de incidência pelo legislador. 0 principio da legalidade, explicado por essa formulação, se consubstancia na exigência de lei em sentido estrito para a eleição dos elementos essenciais tanto da hipótese de incidência do tributo quando do seu consequente normativo (obrigação tributária). A norma de amortização do ágio está sujeita a tais exigências, pois interfere diretamente na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Desse modo, no subtópico "4.1" a seguir, serão identificados quais elementos são requisitos essenciais para a amortização fiscal do ágio por expectativa de rentabilidade futura. A jurisprudência do CARF, por sua vez, passou a consagrar fatores que corroborariam para que a estrutura jurídica adotada pelo contribuinte seja considerada "real". Tais elementos não são requisitos essenciais, por não terem sido erigidos de tal forma pelo legislador, mas tem corroborado para a formação do convencimento em algumas decisões proferidas no âmbito do CARF, como uma espécie de safe harbour. Em homenagem a essa jurisprudência administrativa e à função de uniformização da CSRF, os aludidos fatores serão analisados no subtópico "4.2". Por fim, não se pode deixar de sublinhar alguns elementos cuja ocorrência é completamente indiferente para que o contribuinte possa ou não amortizar do ágio na forma prescrita pelos arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97, os quais serão analisados no subtópico "4.3". 4.1. Elementos que são requisitos essenciais para a amortização fiscal do ágio. A hipótese de incidência da norma que atribui consequências tributárias ao ágio incorrido por expectativa de rentabilidade futura apresenta elementos cuja presença é essencial, como: - Aquisição de investimento relevante com contraprestação de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura; - Fluxo financeiro ou sacrificios econômicos envolvidos na operação de aquisição; - Desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial da investida e ágio ou deságio incorrido; - A amortização do ágio deve se processar contra os lucros da empresa investida (cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição); - Absorção da pessoa jurídica a que se refira o ágio ou deságio (investida) pela pessoa jurídica investidora (ou vice-versa). 4.1.1. Aquisição de investimento relevante com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura; 40 Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.705 0 art. 7° da Lei n. 9.532/97 estabelece um marco originário para a apuração do ágio potencialmente dedutivel da base de cálculo do IRPJ e da CSL: o momento da aquisição de investimento com sobrepreço fundado em expectativa de rentabilidade futura. Essa operação é que sera determinante para a apuração do ágio que, caso cumprida fórmula operacional básica prescrita pelo legislador, dará ensejo a amortização fiscal. Assim, é requisito essencial da norma analisada que seja realizada, por pessoa jurídica, uma operação (real, obviamente) de aquisição de investimento em outra pessoa jurídica, na qual haja contraprestação pela investidora de um sobrepreço fundado em expectativa de rentabilidade futura por parte da investida. 4.1.2. Fluxo financeiro ou sacrificios econômicos envolvidos na operação de aquisição. A Lei n. 9.532/97, em seu art. 7°, apenas faz referência à "participação societária adquirida com ágio ou deságio", sem especificar a forma como deve ser implementada tal aquisição. A maneira mais obvia de aquisição seria o pagamento em moeda, embora seja muito comum que aquisições desse tipo ocorram, por exemplo, por meio de integralização de ações. 0 legislador não restringiu qualquer dessas possibilidades. Pelo contrário, o legislador utilizou de termos amplos o suficiente para abarcar aquisições realizadas por quaisquer formas de contraprestação: o pressuposto de aplicação da norma é a aquisição, por qualquer forma jurídica, na qual exista contraprestação com ágio, o que pressupõe a existência de fluxo financeiro ou quaisquer outras formas de sacrificios econômicos envolvidos na operação. Do legado do Conselheiro MARCOS SHIGUEO TAKATA 22 , observa-se que "esse preço, repita-se, pode dar-se em 'moeda' diversa a dinheiro, como ações emitidas pela companhia incorporadora de ações, como já descrito, no caso de incorporação de ações". 4.1.3. Desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial e ágio por expectativa de rentabilidade futura. A legislação brasileira dispõe sobre pessoas jurídicas obrigadas à adoção do MEP para refletir em suas demonstrações contábeis o valor do investimento mantido em sociedades coligadas ou controladas pelo valor do patrimônio liquido destas. Por sua vez, também há pessoas jurídicas que, embora não possuam a priori tal obrigação, tornam-se igualmente obrigadas a adotar o MEP em situações especificas. No caso, a norma obtida dos arts. 7 ° e art. 8° da Lei n. 9.532/97 e art. 20 do Decreto-lei n. 1.598/77, torna obrigatória a avaliação do investimento pelo MEP a toda pessoa jurídica que realizar aquisição, por qualquer forma jurídica, na qual exista contraprestação com ágio. 0 contribuinte que realizar a referida aquisição de investimento deverá, por ocasião desse evento, desdobrar o custo de aquisição em: (0 valor do patrimônio liquido da empresa investida verificado no momento de sua aquisição e; (i0 ágio por expectativa de rentabilidade futura incorrido na referida aquisição. 22 TAKATA, Marcos Shigueo. Ágio Interno sem Causa ou "Artificial" e Ágio Interno com Causa ou Real — Distinções necessárias, in Controvérsias jurídico-contábeis (aproximações e distanciamentos), vol. 3 (Coord.: MOSQUERA, Roberto Quiroga; BROEDEL, Alexsandro. São Paulo: Dialética, 2012, p. 211-212. 41 Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.706 0 art. 20 do Decreto-lei n. 1.598/77 prevê que o ágio por expectativa de rentabilidade futura "deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração". Há, assim, determinação para que o contribuinte realize tal segregação e a demonstração dos fundamentos adotados, de tal forma que não lhe é dado seguir por outro caminho caso pretenda amortizar as fiscalmente tais despesas. 23 A decomposição do investimento nesses dois elementos é mandatória, apenas sendo facultativa a amortização do ágio para fins fiscais (IRPJ e CSL) na proporção máxima de 1/60 ao mês. Tratando-se de deságio, por sua vez, as suas consequências fiscais são naturalmente cogentes. 24 4.1.4. A amortização do ágio deve se processar contra os lucros da empresa investida, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição. Analiticamente, enquanto os dois fatores anteriores ("4.1.1", "4.1.2" e "4.1.3") e o fator seguinte ("4.1.5") compõem a hipótese de incidência da norma de amortização do ágio, o presente elemento compõe o seu consequente normativo. No entanto, para que se compreenda a razão da adoção pelo legislador da fórmula operacional básica analisada a seguir ("4.1.5"), é essencial compreender como o pareamento dos lucros efetivamente gerados pela empresa adquirida com o ágio incorrido pela sua aquisição interfere na efetiva dedutibilidade do ágio (consequente normativo). A regra de amortização do ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura não traz ao contribuinte um beneficio fiscal pela criação de "créditos presumidos" ou "fictícios". 0 legislador simplesmente reconhece um sobrepreço efetivamente incorrido e impõe que este seja processado contra os lucros da empresa investida, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição. Ao conceber a amortização do ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura como mera norma de dedutibilidade em conformidade com o conceito de renda tributável, o legislador, então, prescreveu o necessário emparelhamento dos lucros efetivamente gerados pela empresa adquirida com o ágio incorrido pela sua aquisição. 0 legislador se baseou no "principio do emparelhamento das receitas e despesas", que é decorrência principio da competência, aplicável como regra geral para a apuração do IRPJ e da CSL25 . Mais do que ter se baseado, é possível afirmar que o legislador tributário, ao tutelar a amortização fiscal do ágio, se manteve coerente com o regime de competência e com as normas que o regulam no Direito societário. Note-se o que prescreve o art. 177 da Lei n. 6.404/76: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifos acrescidos) 23 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária, in Direito tributário atual - Vol. 23. São Paulo: Dialética, 2009, p. 457-8. 24 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária, in Direito tributário atual - Vol. 23. Sao Paulo: Dialética, 2009, p. 457-8. 25 fld exceções ao principio da competência, cabendo ao legislador ordinário optar entre este e o regime de caixa. Mas, aqui, aplica-se a regra geral do regime de competência. 42 Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.707 0 legislador foi enfático, pois entre os "princípios de contabilidade geralmente aceitos" ou "princípios fundamentais da de contabilidade" 26 está justamente o principio da competência, do qual decorre o "principio do emparelhamento das receitas e despesas". A adoção de tais princípios contábeis como regra geral para a apuração do resultado das companhias também foi prescrita de forma expressa no art. 187 da Lei n. 6.404/76: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (.) § 1° Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. A Resolução CFC n. 750/93 também exprimiu ser decorrência necessária do principio da competência a adoção do método (ou "principio') do confronto das receitas e despesas, como se observa do art. 9 ° da aludida norma contábil: Art. 9 0. As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1° 0 Principio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio liquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Principio da OPORTUNIDADE. § 20 0 reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Com as alterações introduzidas pela Resolução CFC n. 1.282/10, o aludido dispositivo passou a constar com outra redação, sem alterar em nada o principio do emparelhamento das receitas e despesas. Como nem poderia ser diferente, a norma contábil reafirma o método do emparelhamento de receitas e despesas como pressuposto para a concretização do principio da competência: Art. 9°. 0 Principio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Principio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. No caso da amortização fiscal das despesas de ágio por expectativa de rentabilidade futura, o referido método (ou principio) contábil é vivificado sob a premissa de que "despesas antecipadas devem ser 'guardadas' (ativadas) até que se verifiquem as receitas 26 Vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 1038 e seg. 43 Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.708 que lhe são correspondentes." 27 , o que condiz com a observância do principio da competência e do emparelhamento de receitas e despesas: a amortização do ágio deve se processar contra os lucros da empresa investida, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição. A questão técnica imediatamente surgida ao legislador foi identificar, nas normas societárias e contábeis brasileiras, formas possíveis para operar o aludido emparelhamento dos lucros efetivamente gerados pela empresa investida com o ágio apurado pela investidora quando de sua aquisição. Afinal, a despesa com o ágio por expectativa de rentabilidade futura se encontraria em uma entidade (empresa investidora), enquanto que as receitas que ocasionariam a realização dos lucros futuros seriam gerados por outra entidade (empresa investida). Em alguns países, a exemplo dos Estados Unidos, em que o principio da entidade é tratado de forma diversa e há a consolidação dos demonstrativos contábeis da controladora e de suas subsidiárias, é comum verificar-se o que se chama de "push down accounting". Por meio desse, em hipótese, com a consolidação dos balanços da controladora e de suas subsidiárias, as despesas de ágio apuradas por aquela seriam trazidos para baixo e confrontados com lucros gerados por esta. Se o legislador tributário brasileiro estivesse imerso em tal tradição jurídica, certamente não teria qualquer desafio para implementar um permissivo legal a amortização do ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura: em razão da consolidação dos balanços e do "push down accounting", haveria comunicação natural das despesas com o ágio e as receitas cuja expectativa de geração futura justificou a sua assunção. No Brasil, no entanto, não há correspondente ao chamado "push down accounting", com uma tradição societária e contábil firme no principio da entidade. 0 problema se mostrou evidente: como possibilitar que a empresa investidora amortize o ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, deduzindo-o dos aludidos lucros quando se concretizarem, se estes (ágio e lucro) se encontram em entidades distintas (controladora e controlada)? Assim, com base nas normas societárias e contábeis brasileiras, coube ao legislador tributário estabelecer uma fórmula operacional básica apta a emparelhar o ágio escriturado pela investidora com os efetivos lucros gerados pela empresa investida, cuja expectativa tenha dado causa ao ágio apurado quando de sua aquisição. 4.1.5. Fórmula operacional básica: absorção da pessoa jurídica a que se refira o ágio ou deságio (investida) pela pessoa jurídica investidora (ou vice-versa). Caso se adote o sentido estrito da expressão "planejamento tributário" 28 , a questão do ágio estará fora de sua matéria. Ocorre que a regra expressa pelos arts. 7 0 e 8° da 27 POLIZELLI, Victor Borges. Caso ALE Combustíveis: distinção entre ágio com fundamento em "fundo de comércio" ou "rentabilidade futura" e a utilização de empresa veiculo e propósito negocial. In: Planejamento Tributário: Análise de Casos, volume 2 (Coord.: CASTRO, Leonardo Freitas de Moraes e). São Paulo: MP Editora, 2014, p. 150-151. 28 Em meio ás muitas divergências que o tema suscita na doutrina nacional, alguns autores incluem no conceito de planejamento tributário a utilização de opglies fiscais e de normas tributárias indutoras, já que o contribuinte, ao praticar os referidos atos, certamente teria realizado prévio estudo, planejando-os. Nesse sentido, vide: ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Planejamento tributário. São Paulo : Saraiva, 2009, p. 02. Outros, por sua vez, as excluem "do âmbito do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivo coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha" Nesse sentido, vide: GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo : Dialética, 2008, p. 100. BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária - limites normativos. Tese apresentada ao concurso de livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de sac, Paulo. Sao Paulo : USP, 2008, p. 240. 44 Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.709 Lei n. 9.532/97 situa a amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura, em termos estritos, entre as "economias de opção" ou "opções fiscais"29 Nas chamadas opções fiscais, o sistema jurídico tributário oferece ao contribuinte mais de uma sistemática para que submeta os seus signos de riqueza A. tributação: é garantida ao contribuinte a liberdade para optar pelo caminho que lhe parecer mais adequado, seja por praticidade ou por lhe proporcionar menor ônus tributário. Explorando o exemplo da DIRPF 30, com opção pela sistemática simplificada ou completa, verifica-se que o legislador prescreveu ao contribuinte uma fórmula procedimental básica a ser seguida pela pessoa física: no programa de computador fornecido pela Receita Federal, o contribuinte deve pura e simplesmente optar pelo modelo simplificado ou completo. 0 programa de computador calcula para o contribuinte qual opção lhe trará o menor custo de IRPF e, caso se opte pelo modelo mais oneroso, o sistema não prossegue até que o contribuinte confirme estar certo de que realmente irá optar por pagar mais (mensagem semelhante não aparece caso o contribuinte opte pelo caminho mais natural de poupar despesas tributárias). Neste exemplo, não estaria o contribuinte realizando um "planejamento tributário", mas algo não apenas tolerado como regulado e incentivado pelo legislador: "opções fiscais" ou economias de opção". Por sua vez, com o objetivo de permitir expressamente a amortização fiscal (IRPJ e CSL) do ágio por expectativa de rentabilidade futura, o legislador tributário também forneceu a fórmula procedimental básica a ser seguida: - os lucros gerados pela pessoa jurídica investida devem ser confrontados coin a fração de amortização do ágio apurado pela empresa (coerência do legislador coin tradicional método do emparelhamento de receitas e despesas para a apuração do IRPJ e CSL). - como não há no sistema jurídico brasileiro norma de consolidação de balanços que conduza ao "push down accounting", o legislador tributário prescreveu ao contribuinte a necessidade de reunido das pessoas jurídicas investidora e investida (absorção patrimonial), por meio de incorporação, fusão ou cisão. necessário deixar claro que o legislador não buscou induzir a concentração de empresas por meio das normas do art. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97. Não há vestígios de discussões legislativas nesse sentido, não há indicações de tal jaez no texto legislação e também não se concebe plausividade em indução de concentração econômica das empresas. 0 legislador não buscou induzir a concentração de empresas pura e simplesmente, como se isso fosse algum valor a ser alcançado pela sociedade. Caso a tradição jurídica brasileira consagrasse norma geral consolidação de balanços, o referido "push down accounting" tornaria prescindível o fenômeno da absorção para a reunido patrimonial das empresas investida e investidora, pois a adoção deste método faria com que a empresa investida trouxesse para si ("para baixo') as despesas de ágio apurado pela empresa investidora. 29 No mesmo sentido, vide: FAJERSZTAJN, Bruno; COVIELLO FILHO, Paulo. "Transferdncia" de ágio por meio da chamada empresa-veiculo. Reflexões sobre o tema 5. luz da lógica e da finalidade dos arts. 7 e 8 da Lei n. 9.532/1997, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 231. São Paulo : Dialética, 2014, p. 25 e seg. 30 DIRPF - Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física. 45 Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.710 A exigência normativa, portanto, reside simplesmente em uma necessidade técnica de reunido (0 do acervo patrimonial cuja rentabilidade futura justificou o ágio com (i0 o acervo patrimonial em que estão registrados os sacrificios do investimento realizado, com a segrega cão, pelo MEP, dos valores atinentes ao ágio e ao valor patrimonial da investida identificado quando de sua aquisição. A exigência do legislador consiste simplesmente no emparelhamento de receitas e despesas, o que se dá com "a realização' do investimento, mediante operação que integre, numa mesma entidade, a investidora e o acervo objeto do investimento"31 . Essa fórmula operacional básica é bem descrita por LUCIANO AMAR0 32, quando identifica que "o que autorizará a amortização do ágio é a operação de incorporação (ou fusão ou cisão) que implique a "confusão" na mesma entidade (investidora ou investida, ou terceira empresa resultante de fusão de ambas) do investimento societário e do acervo da investida que justificou o ágio pago na aquisição desse investimento". Conclui esse professor, acertadamente, que "A lei não criou obstáculos. Pelo contrário, afastou-os expressamente" 33 . Para que a junção em uma mesma entidade do fluxo futuro de renda (gerado pelo acervo da investida) com as despesas de ágio para a aquisição do investimento (contabilizado na empresa investidora), a norma prevê amplas formas jurídicas, contemplando incorporações, fusões ou mesmo cisões. Assim, considerando que uma empresa ("X") adquire investimento relevante de outra empresa ("Y"), com o pagamento de sobre prep (ágio) justificado por expectativa de rentabilidade futura, a norma conduz a situações como: - se a empresa investidora ("X") incorporar a empresa investida ("Y"), esta deixaria de existir, passando a existir apenas aquela ("X") com a sucessão universal de todos os direitos e obrigações desta ("Y"). Assim, das receitas da então empresa investida ("Y") poderiam ser deduzidas, no limite de 1/60 mensais, as despesas de amortização de ágio apuradas pela investidora ("X"). 0 mesmo se daria com a incorporação reversa, na hipótese da empresa investida ("Y") incorporar a investidora ("X"), por permissivo expresso do art. 8°, "b" da Lei n. 9.532/97. - se a empresa investidora ("X") for cindida, resultando na criação de nova empresa ("X2") com o investimento detido na investida ("Y") e, posteriormente, incorporar esta, a empresa investida ("Y") deixará de existir, passando a existir apenas cindida ("X2"). Devido A. sucessão universal de todos os direitos e obrigações, as receitas da então empresa investida ("Y") poderão ser amortizadas, no limite de 1/60 mensais, com as despesas de ágio apuradas pela investidora ("X2"). A cisão parcial seguida da incorporação reversa também seria possível, por permissivo expresso do art. 8°, "h" da Lei n. 9.532/97. - se a empresa investidora ("X") e a investida ("Y") forem fusionadas, deixando de existir para dar lugar ao nascimento da empresa fundida ("Z"), a qual receberá por sucessão universal todos os direitos e obrigações daquelas ("X" e "Y"), as receitas da então empresa investida ("Y") poderão ser amortizadas, no limite de 1/60 mensais, com as despesas de ágio apuradas pela investidora ("X"). 31 AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por anos do humanista. São Paulo: Ed. IASP, 2015, p. 715. 32 AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por anos do humanista. São Paulo : Ed. IASP, 2015, p. 719. 33 AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por anos do humanista. São Paulo : Ed. IASP, 2015, p. 718. rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 46 Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.711 Nesse seguir, a mens legis ou ratio legis das regras em análise se torna evidente: o ágio decorrente da aquisição deverá ser amortizado do lucro obtida pela empresa adquirida, o que demanda comunicação entre ambas ou seja, "absorção". E dizer: para que o objetivo da norma seja alcançado (qual sei a, a amortização do ágio), o meio selecionado como requisito essencial foi a reunido, "absorção" das pessoas jurídicas investidora e investida. Permitam-me a transcrição das acertadas ponderações de RICARDO MARIZ DE OuvErRA34, emitidas em âmbito acadêmico: "Destarte, para que esse objetivo legal seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com a expectativa de rentabilidade da mesma, ou levar o ágio ou deságio para dentro da pessoa jurídica produtora do resultado esperado, o que se faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levando-se o ágio ou deságio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas, que ficam absorvidas pela nova. Em suma, no contexto dos arts. 7 0 e 8° é essencial que haja absorção de patrimônio por via de incorporação, fusão ou cisão, de maneira a reunir ágio ou deságio e lucro numa única pessoa jurídica. por isso mesmo — por ser acontecimento inerente ao tratamento objetivado pela lei — que a reunido das pessoas jurídicas é coisa natural e não deve ser vista com a desconfiança que tem caracterizado alguns procedimento fiscais, a qual é totalmente descabida quando efetivamente tenha ocorrido uma aquisição com ágio, eis que o passo subsequente inevitável, previsto na lei, é a incorporação, fusão ou cisão das pessoas jurídicas investidora e investida." importante observar que as operações referidas nos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97 não devem ser consideradas fora de seu contexto. Assim, se uma empresa ("X") adquire investimento relevante de outra empresa ("Y"), com o pagamento de ágio justificado por expectativa de rentabilidade futura, a norma fiscal não autoriza a amortização do referido ágio, por exemplo, se a empresa investidora ("X") for incorporada por uma terceira empresa ("Z"). Nesse caso, a referida empresa incorporadora ("Z"), por sucessão universal de todos os direitos e obrigações, passaria a deter o investimento da empresa cuja expectativa de rentabilidade futura justificou o pagamento de ágio ("Y"). Ocorre a transferência do investimento e do respectivo ágio, o que é indiferente sob a perspectiva tributária, isto 6, nem é vedado e nem gera o direito à amortização, conforme será melhor analisado no tópico "4.3.2". Apenas se a aludida incorporadora ("Z"), por exemplo, incorporar, ser incorporada ou realizar fusão com a empresa investida ("Y"), é que estaria autorizada a amortização fiscal do ágio em questdo. 35 34 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária, in Revista Direito tributário atual - Vol. 23. São Paulo: Dialética, 2009, p. 459-0. 35 Nesse sentido, vide: AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 anos do humanista. São Paulo : Ed. IASP, 2015, p. 715-720. 47 Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.712 correta, então, a afirmação de RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA36, de que "a condição legal de reunido das pessoas jurídicas não é simplesmente formal, vazia de conteúdo racional, pois a absorção, seja por via de fusão ou de incorporação ou de cisão, é verdadeiramente necessária para que se possa dar a reunião do ágio ou deságio e do lucro numa única pessoa jurídica." A precisão dessa assertiva é confirmada com o requisito analisado no subt6pico anterior, qual seja: o legislador impõe que o ágio em questão seja processado contra os lucros da empresa investida, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição. 4.2. Elementos que não são requisitos essenciais, mas que corroboram para reconhecimento dos elementos da hipótese de incidência e, assim, com o desencadeamento da consequência tributária (amortização fiscal do ágio). Desde a edição da Lei n. 9.532/97, uma série de questionamentos passaram a ser suscitados diante de casos concretos. Em uma era farta de restruturações societárias ("M&A") impulsionadas por ambiente econômico favorável ao investimento doméstico e estrangeiro, os contribuintes e seus consultores jurídicos precisaram analisar a aplicação das regras de amortização de ágio as peculiaridades dos mais variados negócios jurídicos. A administração tributária, por sua vez, passou a acompanhar e a identificar casos de possível "abuso" no aproveitamento do ágio fiscal. A jurisprudência administrativa, por sua vez, empiricamente gravou situações como indicativas de "abuso", o que viciaria de tal modo as operações que lhe destituiriam o direito A. amortização de "ágio" referido nos arts. 7° e 8° da Lei n. 9.532/97. Ao mesmo tempo, a pragmática do CARF também resultou em progressiva indicação de safe harbours, fatores que, quando presentes, evidenciariam à administração fiscal a legitimidade fiscal dos negócios praticados pelo contribuinte, colocando-o em um porto seguro. Muitas vezes, a presença de algum desses fatores resulta na consideração de uma operação como a priori legitima. Há um limite que deve ser observado em relação a tais critérios de análise colhidos da experiência e de julgados do CARF. Embora sejam importantes para a sistematização da forma como os casos são julgados em vista de elementos em comum, não podem descarrilhar para uma legislativa imprópria desse Tribunal, com enunciação de critérios não previstos nos enunciados legislativos vigentes A. época dos fatos geradores. Alguns desses fatores são objetivos, como é o caso da aquisição realizada de partes não relacionadas ("4.2.1", abaixo), da existência de minoritários que demandem medidas societárias de proteção ("4.2.2", abaixo), da inexistência de "prejuízos" à Fazenda Pública decorrente das restruturações societárias realizadas ("4.2.3", abaixo). Outros fatores, por sua vez, possuem natureza subjetiva, cujo maior exemplo é a verificação de propósitos negociais e extratributcirios ("4.2.4", abaixo). Não se trata de lista exaustiva, pois tem como propósito a análise do caso concreto dos presentes autos, de forma que está sujeita a atualização e consideração de especificidades. 4.2.1. Aquisição de investimento de partes não relacionadas. 36 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária, in Direito tributário atual - Vol. 23. São Paulo: Dialética, 2009, p. 459-0. 48 Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.713 Até a edição da Lei n. 12.973/2014, não havia, na legislação, vedação expressa ou mesmo qualquer referência 6. figura do "ágio interno". Tal rótulo surgiu da experiência e do manejo de situações concretas e passou a ser regulada expressamente pelo legislador a partir produção da aludida lei. Por se tratar de um rótulo, é preciso compreender a sua extensão e as consequência jurídicas que emanam da qualificação de uma operação como "ágio interno". Em termos muito gerais, o chamado "ágio interno" consiste em situações nas quais não se encontram presentes partes independentes, com a transmissão do investimento em uma pessoa jurídica para outra, pertencente ao mesmo grupo empresarial. Diz-se, então, que o ágio foi constituído "internamente", sem a participação de nenhum participante externo. Em face de uma série de casos considerados abusivos, em que particulares constituiriam ágios internamente, sem qualquer causa, com o propósito exclusivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSL, passou-se a considerar que a presença de um terceiro independente na operação originária de aquisição representaria um safe harbour ao contribuinte. Nesse contexto, as aquisições de investimento entre partes não relacionadas passaram a ser consideradas a priori legitimas para fins fiscais. Tal fator, embora possa ter alguma capacidade de influenciar a decisão do intérprete, não 6, por si só, decisivo (ao menos até a edição da Lei n. 12.973). Ocorre que outros fatores devem ser verificados, como, por exemplo, o requisito fundamental da existência de fluxo financeiro ou sacrificios econômicos envolvidos na operação de aquisição. Quando se está diante de operações rotuladas de "ágio interno", é necessário investigar as suas peculiaridades, a fim de atribuir-lhes a qualificante "válido" ou "inválido". Enquanto o primeiro, válido, mantém incólume a possibilidade de amortização fiscal, este, inválido, não. Ocorre que, sob a perspectiva fiscal, as modalidades de ágios internos podem ser agrupadas em dois grupos: válidos ou inválidos. Nas ponderadas palavras de MARCOS SHIGUEO TAKATA37 , "há ágios internos e 'ágios internos" . 4.2.1.1. 0 "ágio interno" inválido perante o Direito tributário brasileiro. Os casos rotulados de "ágio interno inválido", "ágio em si mesmo", são operações societárias realizadas exclusivamente dentro dos muros do grupo econômico, consideradas sem causa legitima, fictícias, simuladas. Sua característica distintiva não se esgota apenas na realização de operações entre partes dependentes, mas tem como pressuposto a ausência de fluxo financeiro ou de sacrifícios econômicos na aquisição do investimento. Nesse seguir, uma série de casos julgados pelo CARF vem considerando como ilegítimas algumas operações, em vista da inexistência de transação financeira entre as partes relacionadas, ausência de preço realmente estabelecido acompanhado de seu pagamento ou, ainda, troca efetiva de titularidade do investimento. 0 elemento da simulação também está presente em tais decisões. Vale observar os seguintes precedentes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo a decisão devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em nulidade. 0 fato dela não ter rebatido ponto a ponto as razões da defesa não implica vicio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 37 TAKATA, Marcos Shigueo. Ágio Interno sem Causa ou "Artificial" e Ágio Interno com Causa ou Real — Distinções necessárias, in Controvérsias jurídico-contábeis (aproximações e distanciamentos), vol. 3 (Coord.: MOSQUERA, Roberto Quiroga; BROEDEL, Alexsandro. São Paulo: Dialética, 2012, p. 194. 49 Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.714 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DOS VALORES. Despesas operacionais são aquelas necessárias a atividade operacional da empresa e, no caso de prestação de serviços, devem ser comprovadas mediante documentos que permitam identificar os prestadores, sem o que procede a glosa fiscal. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. 0 ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veiculo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/01/2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, sS' 3 0, da Lei 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (CENTER AUTOMOVEIS LTDA. Acórdão n. 1103-000.501. Processo 10980.017128/2008-35) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Anos- calendário: 2001 e 2002 Ementas: NULIDADE- REEXAME DE FATOS JÁ VALIDADOS EM FISCALIZAÇÃO ANTERIOR- A Secretaria da Receita Federal não valida ou invalida fatos, mas analisa sua repercussão frente a legislação tributária e exige o tributo porventura deles decorrentes. No caso, a repercussão tributária dos fatos só surgiu com a amortização do suposto ágio. ATOS SIMULADOS. PRESCRIÇÃO PARA SUA DESCONSTITUIÇA - O. No campo do direito tributário, sem prejuízo da anulabilidade (que opera no plano da validade), a simulação nocente tem outro efeito, que se dá plano da eficácia.. os atos simulados não têm eficácia contra o fisco, que não necessita, portanto, demandar judicialmente sua anulação. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SIMULAÇÃO. A reorganização societária, para ser legitima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A caracterização dos atos como simulados, e não reais, autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado. MULTA QUALIFICADA A simulação justifica a aplicação da multa qualificada. COMPARTILHAMENTO DE DESPESAS- DEDUTIBILIDADE. Para que sejam dedutiveis as 50 Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.715 despesas com comprovante em nome de uma outra empresa do mesmo grupo, por terem sido as mesmas rateadas, imprescindível que, além de atenderem os requisitos previstos no Regulamento do Imposto de Renda, fique justificado e comprovado o critério de rateio. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDO COMO DESPESA. Não caracterizada a infração pelo fisco, não prospera a glosa das despesas contabilizadas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Se nenhuma razão especifica justificar o contrário, aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz. Recurso voluntário e de oficio negados. (LIBRA TERMINAL 35 S/A. Acórdão n. 159.490. Processo n. 18471.000947/2006-33) 4.2.1.2. 0 "ágio interno" válido perante o Direito tributário brasileiro. Como se viu, "há ágios internos e ágios internos"' 38 , sendo necessário reconhecer que alguns deles foram apurados legitimamente, de forma a não apresentar maiores distinções no que concerne a possibilidade de seu aproveitamento fiscal. 39 A análise dos precedentes do CARF demonstra que há casos de ágio interno reputado de válido, como se observa das ementas a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR/1999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstância da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o 38 TAKATA, Marcos Shigueo. Ágio Interno sem Causa ou "Artificial" e Ágio Inferno com Causa ou Real — Distinções necessárias, in Controvérsias juridico-contábeis (aproximações e distanciamentos), vol. 3 (Coord.: MOSQUERA, Roberto Quiroga; BROEDEL, Alexsandro. São Paulo: Dialética, 2012, P. 194. 89 Vide, nesse sentido: SCHOUERI, Luis Eduardo; PEREIRA, Roberto Codorniz Leite. 0 ágio interno na jurisprudência do CARF e a (des)proporcionalidade do art. 22 da Lei n. 12.973/2014, in Análise de casos sobre o aproveitamento de ágio: IRPJ e CSL à luz da jurisprudência do CARF (Coord.: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FARO, Mauricio Pereira). Sao Paulo: MP, 2016, p. 359-0. 51 Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.716 ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n°9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano- calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ART 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. E a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. 0 fato de não ser considerado adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. 0 conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. 0 lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISA -0. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. 0 fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas só pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURIDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. (GERDAU ACOMINAS S/A. Acórdão n. 1101- 000.708 Processo n. 10680.724392/2010-28) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. NÃO- HOMOLOGAÇÃO DAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. Verificado que o lançamento tributário versou não-homologação its declarações apresentadas, cujas bases de cálculo foram impactadas pela despesa considerada indedutivel, verifica-se que a insurgência fiscal não se dá no tocante a contabilização da despesa, mas, quanto a sua utilização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO OU DEFICÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO OCORRENCL4. Tendo em vista que a Fiscalização discriminou detidamente os fatos imputados, permitindo a Recorrente exercitar, com plenitude e suficiência, sua defesa técnica e bem fundamentada, verifica-se a total ausência de prejuízo ao contribuinte, bem como de pecha capaz de inquinar de nulidade o feito. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7° E 8° DA LEI N° 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRENCIA. A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veiculo, não resulta economia 52 Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.717 de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veiculo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponivel ao fisco. 0 "abuso de direito" pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veiculo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violá-los. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veiculo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veiculo deu-se, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. LANÇAMENTO DECORRENTE - Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. (BANCO GMAC S.A. Acórdão n. 1301-001.224. Processo n. 16327.001482/2010-52) Por fim, é curioso notar que EL1SEU MARTINS e SÉRGIO DE IuDiciBus4° suscitam que a máxima contábil, de que "só se ativa o ágio por rentabilidade futura quando fruto de uma transação, jamais quando ele é criado pela própria entidade", demanda a questão do que seja "entidade". Enquanto países como EUA adotam como tradição a elaboração de balanços consolidados, como se viu acima, no Brasil e em uma série de outros países o balanço consolidado é exceção, sendo a regra o balanço individual. Como conclusão, então, seria possível o reconhecimento de ágio gerado em operação entre entidades distintas, ainda que pertencentes ao mesmo grupo econômico. O argumento contábil, então, pode restringir substancialmente a extensão de situações abrangidas pelo rótulo "ágio interno". E a partir de tal constatação que Luis EDUARDO SCHOUERI e ROBERTO CODORNIZ LEITE PEREIRA 41 suscitam que "o substantivo 'ágio', para receber o adjetivo 'interno', teria que ser necessariamente gerado nas estritas fronteiras de uma entidade contábil o que, no Brasil, só ocorreria nas hipóteses de ágio interno artificial, desde que, evidentemente, resta caracterizada a simulação da operação, pois, neste caso, não mais haverá duas pessoas distintas participando da operação, mas, tão somente, uma". De todo modo, é necessário concluir que nem todas as operações em que não existam terceiros envolvidos são necessariamente inaptas para a apuração de ágio por expectativa de rentabilidade futura. Quando se está diante de operações rotuladas de "ágio interno", antes de se assumir o estigma que esse rótulo tem suscitado, é necessário investigar as peculiaridades do caso concreto, a fim de lhe atribuir o correto qualificante "valido" ou "inválido". 4.2.2. Existência de minoritários que demandem medidas societárias de proteção. A jurisprudência do CARF também tem considerado como fator relevante, ou mesmo um safe harbour em casos de amortização de ágio por expectativa de rentabilidade futura, a existência de sócios minoritários que demandem proteção e que justifiquem 4° MARTINS, Eliseu; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Ágio interno é um mito?, in Controvérsias jurídico-contábeis: aproximações e distanciamentos (Coord.: MOSQUERA, Roberto Quiroga; BROEDEL, Alexsandro. São Paulo: Dialética, 2013. 41 SCHOUERI, Luis Eduardo; PEREIRA, Roberto Codorniz Leite. 0 ágio interno na jurisprudência do CARF e a (des)proporcionalidade do art. 22 da Lei n. 12.973/2014, in Análise de casos sobre o aproveitamento de ágio: IRPJ e CSL A. luz da jurisprudência do CARF (Coord.: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FARO, Mauricio Pereira). São Paulo : MP, 2016, p. 363. 53 Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.718 restruturações societárias. Assim vocacionadas, situações que seriam consideradas suspeitas pela fiscalização, como muitas vezes é o caso da utilização de empresa-veiculo, passariam a ser aceitas como legitimas quando encontrassem justificativa na proteção de minoritários. E o que se observa do seguinte precedente deste Tribunal: "0 'abuso de direito' pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veiculo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violá-los. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veiculo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veiculo deu-se, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio". (BANCO GMAC S.A. Acórdão n. 1301-001.224. Processo n. 16327.001482/2010-52) Nesse sentido, é conhecido o entendimento de MARCOS TAKATA42 , de que "6 quando inexiste pagamento de preço e minoritários ou terceiros que se põe a condenação ao reconhecimento contábil do ágio interno". Em declaração de voto no acórdão 1103-000.501 43 , tal questão foi muito bem colocada, in verbis: "Para fins jurídico-tributários, o ágio interno, formado dentro do grupo societário, para ser real ou com causa, deve ter uma efetividade econômica ou um significado econômico. Suponha-se que haja aumento de capital de uma sociedade e um dos sócios ou acionistas não a subscreva, sendo integralmente subscrito pelo outro sócio ou acionista (por ex., o controlador). Como a empresa em que se organiza a sociedade vale mais que seu valor contábil, o sócio ou acionista que subscrever o aumento de capital daquela irá apurar ágio no aumento de sua participação societária, para que não haja diluição injustificada do outro sócio ou acionista. E um exemplo de ágio interno real ou com causa. Há efetividade ou significado econômico nesse ágio. Imagine-se que uma pessoa jurídica resolva incorporar as ações de uma controlada sua que possui minoritários. Aqui, também, se a investida vale mais que seu valor contábil, a relação de substituição de ações pode se dar com base no valor econômico da investida (e da investidora) e a incorporação de ações pode vir a ser feita por esse valor de econômico (um critério de avaliação) da investida. Haverá um ágio no investimento, pago pela incorporadora de ações, através da emissão de ações entregues aos acionistas da incorporadora de ações. Outro exemplo de ágio interno real ou com causa. 116 significado econômico nesse ágio. Há pagamento pela aquisição de ações (entrega de ações da incorporadora de ações): sua contrapartida é aumento do investimento com ágio". 42 TAKATA, Marcos Shigueo. Ágio Interno sem Causa ou "Artificial" e Ágio Interno com Causa ou Real - Distinções necessárias, in Controvérsias jurídico-contábeis (aproximações e distanciamentos), vol. 3 (Coord.: MOSQUERA, Roberto Quiroga; BROEDEL, Alexsandro. São Paulo : Dialética, 2012, P. 198-211. 43 CENTER AUTOMOVEIS LTDA. Acórdão n. 1103-000.501. Processo 10980.017128/2008-35. 54 Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.719 Trata-se de elemento relevante e persuasivo, que corrobora para o reconhecimento da lisura das operações realizadas pelo contribuinte. No entanto, não se trata de um requisito essencial, de forma que a sua ausência não conduziria à inoponibilidade fiscal de tais operações. 4.2.3. Inexistência de "prejuízos" à Fazenda Pública decorrente das restruturações societárias realizadas. A crescente complexidade dos negócios é naturalmente refletida na organização societária das empresas. Por isso, não se pode atribuir à complexidade de operações realizadas pelo contribuinte qualquer pré-conceito que resvale em "ilegitimidade a priori" para fins fiscais, bem como não se pode esperar ser possível enquadrar todas as inumeráveis variáveis dos mais diversos negócios jurídicos em apenas algumas poucas caixas hermeticamente fechadas a revisões conceituais. Na verdade, há na Constituição Federal garantia A. liberdade auto-organização. Como o particular possui liberdade de auto-organização, decorrente imediata do principio da livre iniciativa, restruturações societárias realizadas no âmbito da empresa investidora ou em suas controladas/coligadas (investida) são plenamente possíveis. Se uma restruturação societária não conduzir A. minoração de ônus tributário em comparação com aquele que seria suportado com a mais simples e direta absorção da empresa adquirida pela adquirente e, inclusive, não multiplicar ou de alguma forma ampliar o ágio, então a administração fiscal sequer teria interesse de agir. A inexistência de "prejuízos" à Fazenda Pública decorrente das restruturações societárias realizadas passou, então, a ser considerada como um safe harbour em acórdãos do CARF. Como exemplo, é possível observar a decisão a seguir, a qual confirmou a legitimidade da amortização fiscal do ágio: "A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veiculo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veiculo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponivel ao fisco. 0 "abuso de direito" pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veiculo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violá-los. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veiculo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veiculo deu-se, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio" (BANCO GMAC S.A. Acórdão n. 1301-001.224. Processo n. 16327.001482/2010-52) Como inflexão imediata desse safe harbour, é necessário reconhecer que também não é licito A. Fazenda Nacional tributar mais a renda em questão do que seria tributado em comparação com o ônus que seria suportado com a mais simples absorção da empresa adquirida pela adquirente. A máxima jurídica de que é preciso dar a cada um o que lhe pertence ("Suum Cuique Tribuere") também se aplica ao Direito público e vale tanto para o contribuinte quanto para a fisco. 55 Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.720 E, então, defeso A. administração fiscal sancionar o contribuinte pelo exercício de sua liberdade de auto-organização, apenas possuindo interesse de agir na hipótese das restruturações societárias implementadas de alguma forma majorarem a amortização das despesas de ágio que seria possível com a mais simples absorção da empresa adquirida pela adquirente. 4.2.4. A apuração de ganho de capital pelo alienante da empresa adquirida com sobrepreço fundado em expectativa de rentabilidade futura. A jurisprudência do CARF, com contribuição digna de nota de MARCOS SHIGUEO TAKATA, caminhou para o estabelecimento de safe harbours em restruturações societárias que, embora não tivessem a participação de terceiros estranhos ao grupo econômico, poderiam apurar ágio potencialmente amortizável para fins de IRPJ e CSL. Surgiu a proposta para adoção de um requisito de grande influência para a validação de ágio apurado em operações com partes relacionadas ("ágio interno"): a apuração de ganho de capital por 4parte da empresa alienante do investimento. Em declaração de voto no acórdão 1103-000.501 4 , tal questão foi muito bem colocada, in verbis: "Mais um exemplo. Uma investida pode se encontrar com passivo a descoberto (PL negativo). Não obstante, sua controladora acredita na capacidade de recuperacp-o e de rentabilidade da empresa. Para tanto, a controladora injeta dinheiro na empresa, por aumento de capital, revertendo o passivo a descoberto da investida (PL positivo), para a capacitar a sua recuperação e a geração de rentabilidade. O novo valor de investimento da controladora ê o custo de aquisição no aumento de capital (valor em dinheiro aportado): a diferença entre o valor patrimonial da investida segundo o percentual de participação da controladora (equivalência patrimonial) e o custo de aquisição e ágio. Há efetividade econômica nesse ágio. Há pagamento em dinheiro pelo aumento de capital feito: sua contrapartida é aumento do investimento com ágio. O ágio interno é real ou efetivo". 4.3. Elementos que são indiferentes e não interferem na amortização fiscal do ágio. Na mesma marcha para a interpretação e aplicação das regras da Lei 9.532/97 relacionadas à amortização do ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura, alguns fatores passaram a ganhar atenção da jurisprudência administrativa. No entanto, "permissa maxima yenta", conforme explicitado nos subtópicos seguintes, tais fatores não apresentam qualquer relevância para a aplicação ou não da norma dos arts. 7 ° e 8 ° da Lei n. 9.532/97. Deve-se repetir a advertência de que os elementos a seguir não compõem uma lista exaustiva. Trata-se apenas de coleção de fatores corriqueiros no debate sobre o tema em análise e que estão presentes no caso concreto ora sob julgamento. 4.3.1. Aspectos temporais da norma de aproveitamento do ágio e as "entidades efêmeras". Como se viu, buscando racionalidade no sistema jurídico brasileiro — que tem como premissa fundamental o emparelhamento de receitas e despesas, mas não possui regra geral e automática de consolidação de balanços que possibilite o chamado "push down accounting", o legislador prescreveu como condição para a amortização do ágio a reunido do 44 CENTER AUTOMOVEIS LTDA. Acórdão n. 1103-000.501. Processo 10980.017128/2008-35. 56 Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.721 patrimônio da empresa investida com o da investidora, de forma que os lucros daquela possam ser amortizados com as despesas de ágio escriturados por esta. Em nenhum momento o legislador exigiu que o contribuinte aguardasse algum lapso temporal mínimo para levar a cabo as operações necessárias para o aproveitamento do ágio em questão. A fórmula operacional básica prescrita para viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio simplesmente não estabelece exigências temporais: não consta qualquer prazo nos enunciados prescritivos da Lei n. 9.532/97, tal como não há prazos nas normas societárias que regulam aquisições, fusões e cisões societárias. Nessa mesma linha, RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA45 apresenta ponderações relevantes não apenas em âmbito acadêmico, mas de grande valia para a adequada compreensão de casos concretos: "É ainda por isso que, nestes casos, se torna irrelevante como se processa a reunião das duas pessoas jurídicas, para o que a lei abre inúmeras alternativas, e nem mesmo é prejudicial aos efeitos da lei que essa reunião se tenha realizado em curto ou em largo prazo, podendo mesmo efetivar-se no próprio dia da aquisição investimento". Dessa forma, não possui qualquer relevância para a análise do presente caso argumentos que demonstrem o decurso de longo lapso temporal entre as operações realizadas pelo contribuinte ou, ainda, que tenham sido utilizadas estruturas por curso espaço de tempo ("efêmeras"). 4.3.2. Reorganizações societárias que não ocasionem o encontro dos acervos patrimoniais da investidora e da investida: operações periféricas que não conduzem à absorção patrimonial requerida pela Lei n. 9.532/97. A Lei n. 9.532/97 estabeleceu uma fórmula operacional básica, segundo a qual, por meio de determinados atos societários, deverá haver a reunião do acervo patrimonial cuja rentabilidade futura justificou o ágio com o acervo patrimonial em que se localiza o investimento realizado com o respectivo ágio: receitas e despesas devem ser emparelhadas, com "a realização' do investimento, mediante operação que integre, numa mesma entidade, a investidora e o acervo objeto do investimento"46 . Ocorre que muitas outras operações podem ser realizadas no interim entre a aquisição de investimento com ágio e a absorção desta pela empresa investidora (ou vice- versa), o que exige que se compreenda qual a relevância tributária de tais operações intermediárias, periféricas, adjacentes. Exemplificando, se uma empresa ("A") adquire investimento relevante de outra empresa ("B"), com o pagamento de ágio justificado por expectativa de rentabilidade futura, a norma fiscal não autoriza a amortização do referido ágio, por exemplo, se a empresa investidora for incorporada por uma terceira empresa ("C"). Essa operação será periférica neutra, indiferente para a norma prescrita pelo art. 7° da Lei n. 9.532/97. A referida empresa incorporadora ("C"), por sucessão universal de todos os direitos e obrigações, passaria a deter o investimento da empresa cuja expectativa de rentabilidade futura justificou o pagamento de 'u Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária, in Revista Direito tributário atual - Vol. 23. São Paulo: IBDT/Dialética, 2009, p. 460. 4 6 AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 anos do humanista. Sao Paulo: Ed. IASP, 2015, p. 715. 57 Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.722 ágio ("B"). Ocorre a transferência do investimento e do respectivo ágio, o que é indiferente sob a perspectiva tributária, isto 6, nem é vedado e nem gera o direito à amortização fiscal do ágio. Apenas se a aludida incorporadora ("C") vier, por exemplo, a incorporar, ser incorporada ou realizar fusão com a empresa investida ("B"), é que se daria se a absorção patrimonial exigida e seria autorizada a amortização fiscal do ágio em questdo. 47 Nesse mesmo exemplo, se a empresa investida ("B") viesse a ser incorporada por uma outra ("D") também controlada pela empresa investidora ("A"), essa operação periférica seria neutra, indiferente para a norma prescrita pelo art. 7 ° da Lei n. 9.532/97. E requisito essencial a reunido patrimonial da empresa que detém o investimento com ágio ("A") com a empresa investida ("B"), pois a amortização do ágio deve se processar contra os lucros desta, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição. Apenas quando a empresa investidora ("A") incorporar a empresa investida resultante da incorporação ("D"), que por sucessão universal passou a corresponder ao acervou patrimonial que justificou a expectativa de rentabilidade, seria legitima a amortização fiscal do ágio em questão. Nesse cenário, nos casos rotulados de "transferência de ágio", ocorre uma operação de aquisição precedente, entre partes independentes, com a posterior transferência do investimento adquirido para outra empresa do grupo. Em outras palavras, após a aquisição de investimento em outra pessoa jurídica com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, este investimento é transferido para outra pessoa dentro do mesmo grupo econômico, previamente A. operação de incorporação, cisão ou fusão que dá ensejo ao direito de amortização das despesas de ágio contra os lucros da empresa adquirira. A referida transferência do investimento com ágio pode se dar por diversas maneiras e por variados motivos. Assim, é comum que, por razões de mercado, regulatórias ou societárias, a pessoa jurídica que originalmente tenha adquirido investimento (investidora) em outra pessoa jurídica (investida) efetue subscrição de capital em outra sociedade do mesmo grupo econômico, mediante conferência das ações adquiridas a valor de custo, transferindo, além do investimento, o respectivo ágio. Restruturações societárias no nível da empresa investidora ou da empresa investida, que não ocasionem a reunião patrimonial destas, não geram qualquer efeito tributário, isto 6, não enseja a amortização do ágio ou altera o potencial de amortização deste em caso de posterior operação de fusão, incorporação ou cisão que ocasione o aludido encontro. Por isso é correto afirmar que tais operações são neutras, não alterando a esfera de direitos dos contribuintes ou do fisco no que concerne a efetiva amortização do ágio. A Lei n. 9.532/97 não veda, expressa ou implicitamente, a prática de tais operações intermediárias, que são indiferentes ao legislador, gozando daquilo que TÉRcio SAMPAIO FERRAZ JR. 48 classifica de "permissão fraca". Ensina o Professor que: "Permissões, no entanto, não resultam apenas de um preceito expresso, mas também da ausência de norma, do que decorre a chamada liberdade negativa. A permissão por ausência de norma (livre por não estar proibido nem ser obrigado) chama-se permissão fraca. Já a permissão que resulta da norma se chama permissão forte, que aponta para a liberdade no sentido positivo." 47 Nesse sentido, vide: AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 anos do humanista. Sao Paulo: Ed. IASP, 2015, p. 715-720. 48 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Da compensação de prejuízos fiscais ou da trava de 30%, in Revista Fórum de Direito Tributário - RFDT, ano 10, n. 60. Belo Horizonte, 2012. 58 Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 Acórdão n.° 9101-002.312 CSRF-T1 FL 1.723 A neutralidade de tais reorganizações societárias em relação ao direito amortização do ágio é evidenciada nos elementos textuais da aludida lei e pela análise sistemática do ordenamento jurídico brasileiro. Textualmente, se por um lado o legislador não inseriu na Lei n. 9.532/97 limitações ao direito de livre organização para a fruição do direito A. amortização das despesas com ágio, por outro consignou que inclusive a absorção realizada mediante a prévia cisão da empresa incorporadora ou incorporada, seguida da posterior fusão ou incorporação que emparelhe o investimento com o a investida anteriormente cindidos, dá ensejo A. legitima amortização do ágio. 0 texto legislado, então, não expressa vedação a operações intermediárias, focando apenas na operação que consume a derradeira absorção do patrimônio da investida com a investidora (ou vice-versa). Caso o legislador houvesse expressamente vedado, por meio de dispositivos específicos da Lei n. 9.532/97, que fossem realizadas reorganizações societárias periféricas e intermediárias ao evento de absorção por ele eleito para ensejar a amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura, aludida limitação as liberdades econômicas, especialmente à livre iniciativa e organização, poderia, em tese, estar sujeita ao competente controle de constitucionalidade. Aludida análise certamente estaria fora deste Tribunal administrativo 49, de tal forma que a obediência a essa hipotética lei deveria ser cegamente seguida por seus julgadores, entre os quais me incluo. No entanto, não há lei expressa nesse sentido. 0 que há é uma tese sobre uma possível "interpretação" da Lei n. 9.532/97, pela qual a PFN sustenta a perda do direito do contribuinte d. amortização do ágio em face de reorganizações societárias periféricas, como as exemplificadas acima. Como não há disposição expressa nesse sentido que dê ensejo a argumentos contundentes apoiados em interpretação literal, é necessário investigar se uma interpretação sistemática, teleológica ou mesmo histórica apoiariam tal tese. Parece fora de dúvida que, ausente manifestação clara e expressa do legislador para a limitação de liberdades fundamentais, qualquer interpretação que conduza a tal limitação deverá ser avaliada a partir das normas constitucionais que tutelam a liberdade que se pretende restringir. Na ausência de tal manifestação expressa de forma clara pelo legislador, a análise sistemática do ordenamento demanda, antes de tudo, verificar se a interpretação em questão contraria liberdade constitucional de empresa, de investimento, de organização e de contratação, me parece ser dever do julgador administrativo evitá-la. A razoabilidade dessa tese deve ser enfrentar esse teste fatal. A tese em questão evidencia duas interpretações antagônicas do art. 25 da Lei n. 9.532/97: l a) As reorganizações societárias que não ocasionem o encontro da entidade investida e da que detém o investimento sio indiferentes e neutras para fins fiscais: por esta, não há ampliação ou redução de qualquer direito amortização de ágio por parte do contribuinte e nem o Estado amplia ou reduz a sua esfera de direitos em relação amortização de tais despesas; '19 Não cabe no bojo deste processo administrativo analisar possíveis inconstitucionalidades, conforme o RICARF, art. 62: "Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicac. A o ou deixar de observar tratado, acordo internacional, .lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucional idade" 59 Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.724 2a) As reorganizações societárias em questão fazem com que pereça o direito à amortização de ágio por expectativa de rentabilidade futura, ainda que este tenha sido legitimamente apurado: por esta, há restrição ao direito do contribuinte a amortização de despesas com ágio, com a consequente ampliação da participação do Estado no patrimônio privado. premissa inafastável que a atividade arrecadatória do Estado deve observar todo o repertório de direitos assegurados as pessoas fisicas e jurídicas, o que evidentemente inclui as liberdades econômicas. Desrespeitado esse limite, a tributação perde legitimidade. E, no Brasil, a Ordem Econômica é amparada por normas constitucionais 50 geralmente suscitadas para fundamentar o direito do contribuinte à auto-organização de suas atividades sem a interferência do fisco: a garantia et livre iniciativa e A. livre concorrência. A livre iniciativa foi eriOda como fundamento da ordem econômica pelo caput do art. 170 da Constituição Federal' 1 . Como observa EROS ROBERTO GRAu52 , a livre iniciativa assume uma dupla feição, protegendo ao capital e ao trabalho. Na explicação de TERCIO SAMPAIO FERRAZ JÚNIOR53 , trata-se de mandamento para que o Estado atue de forma negativa, no sentido de não interferir na expansão da criatividade do indivíduo e, ainda, positiva, de atuação para a valorização do trabalho humano. A esse propósito, leciona esse professor: 50 EROS ROBERTO GRAU apresenta longo repertório de princípios econômicos prestigiados pela Constituição Federal: "Cumpre neles identificar, pois, os princípios que conformam a interpretação de que se cuida. Assim, enunciando-os, teremos: — a dignidade da pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil (art. 1 a, III) e como fim da ordem econômica (mundo do ser) (art. 170, caput); — os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa como fundamentos da República Federativa do Brasil (art. 1°, IV) e — valorização do trabalho humano e livre iniciativa — como fundamentos da ordem econômica (mundo do ser) (art. 170, caput); — a construção de uma sociedade livre, justa e solidária como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (art. 3°, I); — o garantir o desenvolvimento nacional como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (art. 3°, II); — a erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (art. 3°, III) — a redução das desigualdades regionais e sociais também como principio da ordem econômica (art. 170, VII); — a liberdade de associação profissional ou sindical (art. 8°); — a garantia do direito de greve (art. 9°); — a sujeição da ordem econômica (mundo do ser) aos ditames da justiça social (art. 170, caput); — a soberania nacional, a propriedade e a função social da propriedade, a livre concorrência, a defesa do consumidor, a defesa do meio ambiente, a redução das desigualdades regionais e sociais, a busca do pleno emprego e o tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte, todos princípios enunciados nos incisos do art. 170; Além desses, outros, definidos como princípios gerais não positivados — isto 6, não expressamente enunciados em normas constitucionais explicitas — são descobertos na ordem econômica da Constituição de 1988. Ai, particularmente, aqueles aos quais dão concreção as regras contidas nos arts. 7° e 201 e 202 do texto constitucional. (GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988 (interpretação e critica). São Paulo : Malheiros, 2007, p. 194) 51 BRASIL, CF/88, Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I - soberania nacional; II - propriedade privada; III - função social da propriedade; IV - livre concorrência; V - defesa do consumidor; VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; VII - redução das desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do pleno emprego; IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no Pais. Parágrafo único. E assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. 52 GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988 (interpretação e critica). Sao Paulo : Malheiros, 2007, p. 212-213. Conforme o autor: "não pode ser reduzida, meramente, à feição que assume como liberdade econômica, empresarial (isto 6, da empresa, expressão do dinamismo dos bens de produção); pela mesma razão não se pode nela, livre iniciativa, visualizar tão-somente, apenas, uma afirmação do capitalismo". 53 APUD GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988 (interpretação e critica). São Paulo : Malheiros, 2007, p. 206-207. 60 Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo no 16682.720233/2010-11 Acórdão n.° 9101-002.312 CSRF-T1 Fl. 1.725 "Não há, pois, propriamente, um sentido absoluto e ilimitado na livre iniciativa, que por isso não exclui a atividade normativa e reguladora do Estado. Mas há ilimitação no sentido de principiar a atividade econômica, de espontaneidade humana na produção de algo novo, de começar algo que não estava antes. Esta espontaneidade, base da produção da riqueza, é o fator estrutural que não pode ser negado pelo Estado. Se, ao fazê-lo, o Estado a bloqueia e impede, não está intervindo, no sentido de normar e regular, mas está dirigindo e, com isso, substituindo-se a ela na estrutura fundamental do mercado". A autonomia privada decorre do principio da livre iniciativa, atribuindo aos particulares o direito A. liberdade contratual, isto 6, de livremente celebrar ou não um contrato (liberdade de celebração), bem como de eleger o tipo contratual mais adequado (liberdade de seleção do tipo contratual) e de preencher o seu conteúdo de acordo com os seus interesses (liberdade de fixação do conteúdo do contrato ou de estipulação). 54 Garante-se, por esse principio, a liberdade de empresa, de investimento, de organização e de contratação 55 . A liberdade contratual, que garante ao particular a faculdade de contratar ou não contratar, de escolher como e com quem estabelecer uma relação contratual e, por óbvio, de decidir qual o conteúdo dos contratos, decorre da autonomia privada.56 TULIO ROSEMBUJ57 observa que a liberdade da empresa não se esgota no exercício da liberdade contratual, no exercício do direito de propriedade ou na atividade de produção de bens de terceiros no mercado livre: trata-se da garantia de se poder combinar fatores de produção e de utilizar de riqueza para produzir nova riqueza. Já o principio da livre concorrência pode ser compreendido como garantia de oportunidades iguais a todos os agentes do mercado, de tal forma que o particular possui a faculdade de conquistar a clientela por seus próprios méritos e na expectativa de que sejam premiados os eficientes e excluídos os ineficientes, embora seja vedada a detenção do mercado e a pratica de concorrência desleal. A livre concorrência tem como pressuposto a livre iniciativa e induz à distribuição de recursos a preços mais baixos ao consumidor. Não se exige, contudo, identidade de condições entre os participes do mercado, que, respeitados os limites prescritos pelo Direito econômico, podem se valer de todas as suas forças para conquistar a clientela58 . Note-se que nenhuma dessas liberdades é absoluta. As liberdades econômicas, segundo EROS GRAU59, nem mesmo em sua formulação original (Edito de Turgot, de 1776) pretendiam a omissão total do Estado. Em trabalho publicado em 1969, LUIGI FERRI° já apontava que: "El problema de la autonomia es ante de todo um problema de limites, y de 54 Cf. BOULOS, Daniel M. Abuso do Direito no novo Código Civil. São Paulo: Editora Método 2006, P. 226-240. No mesmo sentido, TORRES, Heleno Taveira. 0 conceito constitucional de autonomia privada como poder normativo dos particulares e os limites da intervenção estatal, in Direito e poder: nas instituições e nos valores do público e do privado contemporâneos. Heleno Taveira Torres (coordenador). Barueri : Manole, 2005, p. 567. 55 Cf. BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária - limites normativos. Tese apresentada ao concurso á. livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2008, p. 128-129. 56 Tais figuras, inclusive, podem inclusive com vir a confundir-se. Conforme BOULOS, Daniel M. Abuso do Direito no novo Código Civil. Sao Paulo: Editora Método 2006, p. 226-227. 57 ROSEMBUJ, Tulio. El fraude de lei, la simulación y el abuso de Ias formas em el derecho tributario. Barcelona: Marcial Pons. 1999, p. 57. 58 Cf. GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988 (interpretação e critica). Sao Paulo: Malheiros, 2007, p. 210. 59 GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988 (interpretação e critica). Sao Paulo: Malheiros, 2007, p. 203. 69 FERRI, Luigi. La autonomia privada. Madri: Editora Revista de Derecho Privado, 1969, p. 4-5. 61 Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO CSRF-T1 Fl. 1.726 Processo n° 16682.720233/2010-11 Acórdão n.° 9101-002.312 limites que son siempre el reflejo de normas juridicas, a falta de las cuales el mismo problema no podria siquiera plantearse a menos que se quiera identificar la autonomia com la liberdad natural o moral del hombre". 0 que se coloca em questão é a necessidade de manifestação expressa e clara do legislador para a restrição de tal liberdade ou, ao menos, a existência de razoabilidade na interpretação conduzida pela administração fiscal que conduza A tal restrição. Afinal, como ensina TERCIO SAMPAIO FERRAZ JONIOR61 , a "intervenção que possa afetar a liberdade deve, antes de tudo, estar pautada por regras claras e públicas, que permitam ao indivíduo planejar seu curso de vida, ciente das consequências jurídicas de seus atos." Resta evidenciado, então, que, a ausência de decisão clara do agente competente (Poder Legislativo) é realmente fator suficiente afastar restrição A liberdade de auto-organização consubstanciada na penalização de operações societárias periféricas, que em nada ampliam ou reduzem o montante do ágio que de todo modo poderiam vir a ser aproveitado. Não obstante, por esforço dialético, pode-se questionar se há norma implícita no sistema que conduza excepcionalmente à restrição aprioristica de tal liberdade. Ao final desse exercício, somente se uma mensagem suficientemente clara e pública puder ser construída da análise sistemática do ordenamento é que se poderia cogitar aceitar a tese proposta pela PFN. Contudo, por uma investigação sistemática, o cotejo analítico das aludidas normas constitucionais torna evidente não ser razoável a interpretação que, à revelia de lei em sentido estrito nesse sentido, conclua que as reorganizações societárias intermediárias ao encontro patrimonial da entidade investida com o investimento faz que pereça o direito à amortização de ágio por expectativa de rentabilidade futura legitimamente apurado. Seria proporcional ou razoável penalizar o contribuinte que realizou a transferência de um investimento, integralizando-o em outra empresa do grupo, com a perda completa do direito A amortização do ágio, ainda que uma série de fatores demonstrem a legitimidade de tal agir? Se a transferência do investimento detido por uma pessoa jurídica desencadear a perda de legitimo direito A amortização de ágio, haverá norma de desincentivo à realização de novas operações societárias. Mas o que justificaria a exigência, pela administração fiscal, da estagnação das estruturas societárias, com a penalização de restruturações e da adoção de outras formas licitas de organização? Se há limites ao exercício da liberdade, também há limites à sua restrição, pois "a liberdade pode ser disciplinada, mas não pode ser eliminada" 62 . A exigência de congelamento completo da estrutura societária do grupo empresarial, sob pena de perda do direito à potencial amortização do ágio legitimamente apurado, sem dúvida consiste em uma liberdade de empresa, de investimento, de organização e de contratação. Em linha com o quanto exposto acima, se uma liberdade econômica é bloqueada, ainda que por via obtusa, o Estado deixa de "normar e regular, mas está dirigindo e, com isso, substituindo-se a ela na estrutura fundamental do mercado", o que é consentâneo com a Constituição. Ocorre que a liberdade de empresa, que pressupõe a livre contratação e auto-organização colocam em xeque a tese ora em análise, pela qual uma operação válida perante o Direito privado e que não traz qualquer "prejuízo" ao el-Ark', seria sancionada com o 61 FERRAZ JÚNIOR, Tercio Sampaio. Direito Constitucional: liberdade de fumar, privacidade, estado, direitos fundamentais e outros temas. - Barueri, SP : Manole, 2007, p. 195. 62 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Direito Constitucional: liberdade de fumar, privacidade, estado, direitos fundamentais e outros temas. - Barueri, SP : Mamie, 2007, p. 195. 62 Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.727 perecimento do direito A. amortização fiscal das despesas de ágio garantida pela Lei n. 9.532/97. A inexistência de vantagens extras ao contribuinte e a ausência de prejuízos ao fisco evidencia a ausência de razoabilidade e proporcionalidade dessa tese limitadora da transferência de investimento no qual haja registro, pelo MEP, de ágio por expectativa de rentabilidade futura. Afinal, porque seria válida interpretação que conduz à manifesta desigualdade tributária, autorizando a amortização do ágio a algumas empresas, mas negando-a para outras? 0 exemplo dos fundos de previdência é muito ilustrativo, pois geralmente há normas regulatórias que não permitem a absorção das empresas investidas ou, ainda, que sejam absorvidas por estas. Porque seria legitimo restringir o direito à livre iniciativa e de contratar de tais entidades, com a vedação da transferência de investimentos a outra empresa controlada que pudesse realizar os procedimentos societários necessários amortização do ágio? Ou, com olhos ao principio da livre concorrência, porque tais fundos deveriam ser submetidos a condições desiguais, com o cerceamento de seu direito amortização do ágio? Tal consideração não se aplica apenas quando empresa adquirente do investimento seja um fundo de previdência, instituição bancaria ou outras entidades com normas regulatórias próprias. A interpretação proposta pela PFN imputaria à mais comum das empresas desigualdade em relação a outras que se encontrem em situação semelhante, o que redundaria em inevitável vilipendio do principio da livre concorrência. Para que reste evidenciada a seriedade de tal constatação, suponha-se que dois grupos empresariais do mesmo seguimento econômico concorram por uma mesma fatia do mercado e que ambos realizaram recentes aquisições de participação relevante em controladas e coligadas. Se a tese proposta pela PFN for levada a termo, caso apenas um desses grupos passasse por restruturação societária que importasse em integralização dos aludidos investimentos em outras empresas do grupo (por motivos familiares e sucessórios, por exemplo), o referido grupo empresarial seria privado da possibilidade de se valer da economia de opção assegurada pelo legislador. Por sua vez, o outro grupo empresarial ficaria livre para se valer dessa opção fiscal, por exemplo com uma cisão parcial seguida de uma incorporação reversa, dando ensejo d. amortização das despesas com ágio à fração de 1/60 mensais. 0 tratamento desigual e o desiquilibrio concorrencial evidenciados nesse exemplo hipotético denunciam a desproporcionalidade e ausência de razoabilidade dessa interpretação que restringe direitos revelia de lei que lhe dê suporte. Tal conclusão também é indicada por LUCIANO AmAR063 , para quem "a mera utilização de uma empresa-veiculo não vicia o ágio, especialmente se este poderia ser amortizado por outro caminho, sem a utilização da empresa-veiculo". Na receita procedimental básica prescrita pelo legislador para que o contribuinte opte (economia de opção) pela amortização fiscal do ágio em aquisição oneroso de investimento, a chamada empresa veiculo funciona como instrumento para o emparelhamento das receitas (da empresa investida) com as despesas da amortização do ágio (apurados pela empresa investidora), o que, afinal, pressupõe alguma forma de "push down accounting". Dai a assertiva de VICTOR BORGES P0LIZELLI 64 : "Enfatiza-se: a 'empresa veiculo' 63 AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 anos do humanista. São Paulo : Ed. 1ASP, 2015, p. 723. 64 POLIZELLI, Victor Borges. Caso ALE Combustíveis: distinção entre ágio com fundamento em "fundo de comércio" ou "rentabilidade futura" e a utilização de empresa veiculo e propósito negocia!, in Planejamento Tributário: Análise de Casos, volume 2 (Coord.: CASTRO, Leonardo Freitas de Moraes e). São Paulo : MP Editora, 2014, p. 157-8. 63 Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 Acórdão n.° 9101-002.312 CSRF-T1 Fl. 1.728 foi legalmente criada pela Lei n. 9.532/1997 como condição para o carregamento do ágio para baixo, para a empresa investida". A restrição ao direito do contribuinte A amortização de despesas com ágio, com a consequente ampliação da maior participação do Estado no patrimônio privado, encontra como obstáculo a liberdade de empresa, de investimento, de organização e de contratação, torna defesa A. administração fiscal ingerências As licitas decisões empresariais. Ausente lei em sentido estrito, sob pena de arbitrariedade, não pode a administração fiscal se opor As aludidas reorganizações societárias, especialmente quando tal ato conduza, por si só, à maior tributação do patrimônio privado. 4.3.3. Propósitos negociais e extratributários nas operações fiscalizadas. A existência de propósitos unicamente fiscais como locomotiva para o exercício de liberdades econômicas tem polarizado a doutrina brasileira. De um lado, por exemplo, PAULO AYRES BARRET0 65 , leciona que o contribuinte possui o direito de gerir as suas atividades com o menor 'emus fiscal possível, desde que aja de forma licita, ou seja, sem a prática de atos qualificados como ilícitos, simulados ou fraudulentos. Para esse professor, a tese que defende a desqualificação dos negócios realizados exclusivamente para a redução da carga tributária conduziria à obrigação de o contribuinte sempre ter de escolher a forma mais onerosa em termos fiscais para a sua atividade. 66 Em outra direção, por exemplo, MARCO AURELIO GREco67 sustenta que "a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto". No caso dos autos, a discussão ganha novas cores. Afinal, o legislador tributário prescreveu, por meio dos arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97, uma receita operacional básica que deve ser seguida pelo contribuinte, que exige basicamente que seja realizada operação de absorção patrimonial (incorporação, fusão ou cisão) por razões exclusivamente tributárias: a amortização do ágio. Tratando-se de opção fiscal (ou economia de opção, conforme exposto no tópico "4.1.5"), o legislador abre caminhos diversos ao contribuinte, entre os quais este poderá escolher aquele que melhor lhe aprouver e assumidamente interessado na carga fiscal que lhe seja menos onerosa. Assim como uma pessoa fisica não precisa demonstrar por quais razões deseja adotar o modelo "simplificado" ou "completo" para sua DIRPF, a investidora e investida não precisam demonstrar quaisquer razões extratributárias para que procedam a absorção patrimonial necessária a operacionalizar a amortização fiscal do ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. Uma operação realizada por determinado partilhar, que trilhe um caminho aberto por lei que prescreve opções fiscais, encontra-se legitimada imediatamente pelo legislador ordinário. Nesse caso, é impróprio inquirir do particular qualquer outra justificativa, sob pena subjugar-se a competência do Poder Legislativo. Se o legislador outorgou uma economia de opção As empresas que adquiram investimento em controladas ou coligadas com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, prescrevendo uma fórmula operacional básica para a implementação dessa opção fiscal, então aqueles que estiverem dispostos a implementar uma incorporação, fusão ou cisão (absorção patrimonial) estarão suficientemente 65 BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária - limites normativos. Tese apresentada ao concurso A. livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de Sao Paulo. Sao Paulo: USP, 2008, p. 128-129. 66 BARRETO, Paulo Ayres. Imposto sobre a renda e pregos de transferência. São Paulo: Dialética, 2001, P. 127. 67 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo: Dialética, 2008, p. 200. 64 Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.729 legitimados pelo agente competente (Poder Legislativo) a fazê-lo ainda que exclusivamente para a implementação dessa condição. Se por qualquer motivo determinada empresa (investidora), que tenha adquirido investimento relevante em outra pessoa jurídica (investida) com sobrepreço fundado em expectativa de rentabilidade futura, restar impossibilitada ou encontrar obstáculos para absorver o patrimônio da empresa investida (ou vice-versa), poderá, ainda que imbuida única e exclusivamente no propósito de se valer da economia de opção e aproveitar a amortização fiscal do ágio, realizar as restruturações societárias necessárias para desobstruir o seu caminho. Se a constituição de uma outra subsidiária para lhe transferir o investimento for a solução, a operação estará suficientemente justificada pelo propósito de viabilizar a fórmula operacional básica prescrita pelos arts. 7 ° e 8° da Lei 9.532/97, não lhe sendo exigida a demonstração de qualquer outro propósito extratributdrio. Não há, nessa hipótese, qualquer óbice no Direito privado ou no Direito tributária para a realização da referida restruturação societária e transferência do investimento com ágio. De fato, o legislador tributário estabeleceu uma fórmula operacional básica para que fossem emparelhados o ágio escriturado pela investidora com os efetivos lucros gerados pela empresa investida, cuja expectativa tenha dado causa ao ágio apurado quando de sua aquisição. O propósito da realização das operações de absorção patrimonial é justamente cumprir com a necessidade técnica do emparelhamento de receitas e despesas observada pelo legislador para possibilitar a amortização do ágio. Nesse cenário, por ser impróprio inquirir do particular propósitos extratributdrios para a implementação de opção fiscal prescrita pelo legislador competente, o chamado "propósito negocial" nas operações para a implementação da fórmula operacional básica prescrita nos arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97 é indiferente e não interfere na legitimidade da amortização fiscal do ágio. 5. 0 vicio imputado pela fiscalização para a glosa das despesas com ágio no presente caso. O núcleo do recurso especial ora em análise consiste em saber se, a partir de uma aquisição de investimento relevante em controlada ou coligada, com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura, na qual todas as exigências da legislação tributária, contábil e societária tenham sido cumpridas, o direito A. amortização das referidas despesas com ágio seria perdido caso tal investimento viesse a ser transferido em função de restruturação societária. Em linhas gerais, a tese sustentada pela PFN tem como consequência que a restruturação societária implementada pela TERMOPERNAMBUCO e GUARANIANA seja penalizada com a impossibilidade de futura amortização do ágio, de forma a glosar-se as despesas já deduzidas com a cobrança de multa e juros. Já o contribuinte, em linhas gerais, sustenta que o ágio legitimamente apurado na operação originária de aquisição do investimento permanece perfeitamente sujeito a amortização fiscal, não obstante a realização da aludida reorganização societária anterior ao evento de absorção previsto pelos arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532/97. Antes de prosseguir, no entanto, é preciso aclarar que o presente caso não envolve o chamado "ágio interno" ou "ágio em si mesmo". No presente caso, realmente NÃO estamos diante de operação que possa ser rotulada de "ágio interno artificial", delineado nos tópicos "4.2" e seguintes desta declaração de voto, inclusive pela efetiva existência de fluxo financeiro ou sacrifícios econômicos na aquisição de investimento com agio fundado em expectativa de rentabilidade futura. 65 Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.730 voto vencedor do acórdão a quo bem sintetizou o caso, ao expor, in verbis (11. 1.487 do e- processo): "Conforme em 16/10/2003, Guaraniana (atualmente Neoenergia) comprou as ações que sua controlada CELPE detinha na Termopernambuco, pagando ágio de R$ 130.673.922,93. Com isso a Guaraniana ficou com 100% da Termopemambuco. Em 04/11/2003, foi constituída a Rio Japuri SA. Em 26/12/2003, a Guaraniana subscreveu aumento de capital da Rio Japuri SA e integralizou este capital com a entrega das ações que tinha da Termopernambuco SA. Com esta operação a Rio Japuri SA passou a deter 100% do capital social da Termopernambuco. Em 31/12/2003, a Termopernambuco incorpora a Rio Japuri e passa a amortizar o ágio (ágio por expectativa de rentabilidade futura). (.) Por outro lado, a fiscalização não questiona o montante do ágio surgido na integralizaçcio, nem seu fundamento, e nem o seu laudo. Também, não aponta qualquer óbice especifico para a dedução da amortização da base de cálculo da CSLL e nem para o prazo de amortização." Note-se que a questão do efetivo pagamento do ágio restou incontroverso no acórdão a quo, como se pode observar do voto vencido, proferido pela i. Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, in verbis (fl. 1481 do e-processo): "Evidenciado, portanto, que não houve a extinção do investimento, inadmissível a amortização fiscal do ágio. Significa dizer que a amortização contábil do ágio transferido para o patrimônio da Terrnopernambuco S/A deve ser adicionada ao lucro real, e seu reflexo no patrimônio da Guaraniana S/A, mediante equivalência patrimonial, deve ser controlado na parte B do LALUR para integrar o valor contábil do investimento na apuração de ganho ou perda de capital em caso de alienação ou liquidação do investimento." Portanto, em si, o fundamento adotado para o lançamento tributário não subsiste. Não se pode deixar de observar que, ainda que o presente caso viesse a ser confundido com aquilo que se rotula de "ágio interno" (como o fez a fiscalização), ainda assim a validade para fins tributários das operações praticadas deveria ser verificada diante de cada um dos elementos analisados no tópico "4" deste voto. Seria necessário investigar tratar-se de "ágio válido" ou "inválido", não se admitindo conclusões aprioristicas pela consideração apressada de meros rótulos. Nesse cenário, para verificar se o auto de infração lavrado merece prosperar, é necessário testar como as operações realizadas pelo contribuinte reagem A norma de amortização fiscal do ágio, em cada um de seus elementos analisados no tópico "4" desta declaração de voto. 5.1. Elementos que são requisitos essenciais para a amortização fiscal do ágio. 66 Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -002.312 Fl. 1.731 Como resta incontroverso neste processo administrativo, houve efetiva aquisição de investimento relevante com ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura: a TERMOPERNAMBUCO, foi adquirida pela GUARANIANA, com efetivo pagamento de sobrepreço (ágio) fundado em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. No presente caso, não se questiona que o ágio por expectativa de rentabilidade futura da TERMOPERNAMBUCO foi efetivamente apurado e demonstrado. Não pararece haver dúvidas, neste processo administrativo, que a GUARANIANA, caso absorvesse ou fosse absorvida pela TERMOPERNAMBUCO, teria plenamente garantido o direito a amortização do ágio em questão, à fração de 1/60 ao mês. Houve efetivo pagamento, com fluxo financeiro ou sacrificios econômicos envolvidos na operação de aquisição, conforme reconheceu o acórdão a quo. Tal questão já se tornou incontroversa. Foi cumprida a exigência do efetivo desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial e o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Igualmente foi cumprida a exigência do art. 8°, "b", da Lei 9.532/97, com a absorção patrimonial da pessoa jurídica que detinha o investimento adquirido com ágio, qual seja, a JAPURI, pela pessoa jurídica investida e cuja expectativa de rentabilidade futura justificou o sobrepreço pago, qual seja, TERMOPERNAMBUCO. Note-se que a JAPURI, por sucessão universal de todos os direitos e obrigações da GUARANIANA, passou a deter legitimamente o investimento na TERMOPERNAMBUCO, cuja expectativa de rentabilidade futura justificou o pagamento de ágio na operação originária de aquisição. 0 contribuinte cumpriu adequadamente com a absorção patrimonial exigida na fórmula operacional básica prescrita pelo legislador, o que torna fora de dúvida a legitimidade do aproveitamento do ágio apurado. Também foi cumprida a exigência de que a amortização do ágio apurado pela investidora se processe contra os lucros da empresa investida, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição: a absorção da JAPURI pela TERMOPERNAMBUCO justamente possibilitou o emparelhamento de receitas e despesas tecnicamente requerido pelo legislador. No presente caso, então, todos os requisitos essenciais para a amortização fiscal do ágio foram preenchidos, razão pela qual não merece reparos a decisão recorrida, que afastou o AIIM lavrado pela autoridade fiscal. 5.2. Elementos que NÃO sic, requisitos essenciais, mas que corroboram para reconhecimento do direito à amortização fiscal do ágio. Verificando-se que foram cumpridos todos os elementos essenciais, previstos pelos arts. 7° e 8° da Lei n. 9.532/97, já seria possível afirmar a legitimidade da amortização fiscal. Não obstante, em homenagem a jurisprudência deste Tribunal e ao papel de uniformização da CSRF, cumpre enfrentar o presente caso com vistas aos safe harbours expostos no subtópico "4.2". A análise conjunta das questões incontroversas nessa fase processual (efetivo pagamento de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura) e do núcleo do recurso especial em análise (a legitimidade ou não da transferência de investimento com ágio) denunciam que as operações realizadas pelo contribuinte e contestadas pela administração federal não importam em "prejuízo" à Fazenda Pública, ou melhor, nenhum tributo deixou de ser recolhido. 67 Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.732 A ausência de prejuízo ao fisco com a transferência do investimento e de respectivo ágio é argumento contundente, com acolhida doutrinária e na jurisprudência do CARF. Assim, LUCIANO AmAR068 aduz que, "se a investidora original 'A' podia incorporar a investida e passar a amortizar o ágio, o mesmo se dá quando 'Al' incorpora a fatia do investimento que lhe tenha sido transferida por 'A'. A inexistência de economia tributária distinta daquela que seria obtida sem a transferência do ágio, como se daria com a duplicação do ágio, representa exigência coerente e razoável adotada na jurisprudência do CARF, pois decorre de um elemento essencial: o ágio deve ser legitimo em sua origem, de modo que a sua transferência não gere dedutibilidades maiores que aquelas que seriam percebidas pela entidade que o transfere. 69 E é justamente esse o caso dos autos! A transferência do investimento detido da TERMOPERNAMBUCO para outra empresa do grupo (JAPURI) foi realizada de forma transparente e de acordo com os termos legais, não podendo a vontade dos agentes poderem operar em seu desfavor se não houver prova cabal de sua atuação ilícita. Não merece reparo o voto vencedor da decisão recorrida, quando concluiu que "a circunstância das pessoas envolvidas agirem intencionalmente para registrar um ágio na Rio Japuri e depois transferir e amortizar este ágio na Termopernambuco não opera em detrimento do contribuinte, porque todos os atos praticados estão de acordo e dentro da lei. Todos os atos foram lícitos e a fiscalização não conseguiu infirmar nenhum deles" (fl. 1.493 do e-processo). No presente caso, então, militam a favor das operações realizadas pelo contribuinte algumas das salvaguardas construídas pela jurisprudência deste Tribunal Administrativo, o que corrobora para a evidenciacão da legitimidade da amortização das despesas de ágio em tela. 5.3. Elementos que são indiferentes e não interferem na amortização fiscal do ágio por expectativa de rentabilidade futura. Conforme se verificou, a fórmula operacional básica prescrita pelo legislador para viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio simplesmente não estabelece exigências temporais. Não consta qualquer prazo nos enunciados prescritivos da Lei 9.532/97, tal como não há prazos nas normas societárias que regulam aquisições, fusões e cisões societárias. Devem ser ignorados, então, questionamentos desse jaez para a solução do presente caso. Assim, ainda que os atos societários praticados fossem muito próximos, o que não se verifica necessariamente no presente caso, tal fator não teria a menor relevância. Além disso, conforme verificado acima, também é indiferente toda uma gama de possíveis reorganizações societárias que não ocasionem a reunião patrimonial da entidade investida com a entidade investidora (absorção patrimonial). Não merece reparos o acórdão a quo, quando conclui que a restruturação societária implementada, com a adoção da empresa JAPURI, em nada interferiu no direito A. amortização do ágio legitimamente apurado com a aquisição da TERMOPERNAMBUCO. Por fim, o voto vencedor do acórdão a quo apresentou sólida fundamentação para afastar os argumentos quanto à suposta ausência de razões extratributárias que tornariam 68 AMARO, Luciano. Amortização fiscal do ágio por rentabilidade futura, in Direito, Economia e Política: Ives Gandra, 80 anos do humanista. São Paulo: Ed. IASP, 2015, p. 719. 69 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luis Eduardo; PEREIRA, Roberto Codorniz Leite. 0 ágio interno na jurisprudência do CARF e a (des)proporcionalidade do art. 22 da Lei n. 12.973/2014, in Análise de casos sobre o aproveitamento de ágio: IRPJ e CSL à luz da jurisprudência do CARF (Coord.: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FARO, Mauricio Pereira). São Paulo: MP, 2016, p. 371-2. 68 Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.733 o agio em questão indedutivel, inclusive por não haver disposição legal que autorize tal expediente (fls. 1.494 do e-processo): "As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominam-se motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes chama-se causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, pode-se dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum As partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um Juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Assim, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicada sequer por juizes aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. E, muito menos, poderia ser aplicada pela fiscalização, para efetuar lançamento de oficio. De outra banda, não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios.". Conclusão oposta à que chegou o acórdão recorrido não encontraria guarida no sistema jurídico brasileiro. Não obstante, é oportuno notar que o contribuinte possuía razões extratributárias para realizar a restruturação em questão. Em especial, é contundente constatar que a Lei n. 10.848/04 prescreveu o dever de desverticalização das empresas do setor elétrico e todas as questões regulatórias apresentadas pelo contribuinte, que justificaram (ou melhor, obrigaram, com indubitável coercitividade) a realização das operações societárias realizadas. No presente caso, diante da impossibilidade da CELPE manter sob o seu controle a TERMOPERNAMBUCO, bem como da GUARANIANA (adquirente com efetivo desembolso de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura) implementar a fórmula operacional básica prescrita pelos arts. 7 ° e 8° da Lei n. 9.532, deve ser questionado por qual fundamento deveria essa empresa sofrer restrições ao seu direito de auto-organização, não lhe sendo permitida a transferência de seu investimento na TERMOPERNAMBUCO, com a observância de todas as normas societárias e regulatórias, a uma empresa controlada (JAPURD que possa implementar tecnicamente a reunido de acervos patrimoniais tecnicamente prescrita pelo legislador? Ou, com olhos ao principio da igualdade e da livre concorrência, a administração fiscal está utilizando um critério de discriminação válido e legitimo para que tais empresas sejam submetidas a condições desiguais em comparação com outras concorrentes que, por não possuírem os mesmos "obstáculos negociais" reconhecidos pelo acórdão a quo, poderiam se aproveitar da aludida dedução fiscal? A única resposta condizente consiste no reconhecimento da legitimidade das operações realizadas, de forma a ser garantido o aproveitamento fiscal do ágio tal como realizado pelo contribuinte. 6. Conclusões sobre o caso em análise. 69 Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo n° 16682.720233/2010-11 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-002.312 Fl. 1.734 No recurso especial interposto pela PFN, ora em análise, foi requerido, entre outras coisas, que esta CSRF decida quanto A. validade de operações de restruturação societária realizadas pelo contribuinte, rotuladas como transferência de investimento registrado, pelo MEP, com ágio por expectativa de rentabilidade futura. A PFN interpôs o referido recurso em face de acórdão da Turma a quo, que reconheceu a legitimidade do ágio por expectativa de rentabilidade futura apurado na aquisição da TERMOPERNAMBUCO, bem como o seu posterior aproveitamento fiscal. Na busca da melhor solução à presente demanda, foram analisados elementos prescritos pelo legislador como requisitos essenciais para a amortização fiscal do ágio: os aludidos requisitos foram atendidos pela contribuinte, o que já seria suficiente para manter incólume o acórdão recorrido, que considerou legítimos os atos praticados pelo contribuinte. Também foram analisados elementos que vêm sendo adotados pela jurisprudência do CARF como uma espécie de safe harbours em casos semelhantes ao ora em análise: o contribuinte apresenta características para se valer dos safe harbours em questão. Embora pessoalmente não considere os referidos elementos determinantes, é eloquente saber que o caso em julgamento preenche uma série de requisitos adotados por respeitados Conselheiros em diversos julgamentos do CARF, os quais militam a favor da legitimidade das operações realizadas pelo contribuinte. Por fim, foram investigados elementos que, embora adotados como fundamento em alguns julgados do CARF, são na verdade indiferentes e não interferem na amortização fiscal do ágio: ainda assim, o contribuinte apresenta características para se valer desses fundamentos que se prestariam a demonstrar a legitimidade de seus atos. Embora pessoalmente considere os referidos elementos não interfiram em nada para a aferição da legitimidade da amortização fiscal das despesas de ágio, é curioso saber que o caso em julgamento preenche também esses elementos, o que mais uma vez milita a favor da legitimidade das operações realizadas pelo contribuinte. Por todo o exposto, permissa vênia aos Conselheiros que compreenderam de forma diversa, deve ser negado provimento ao recurso especial da PFN quanto A. matéria analisada nesta declaração de voto, a fim de que se mantenha a acertada decisão da Turma a quo, que reconheceu a legitimidade e dedutibilidade das despesas de amortização do ágio pelo contribuinte. E como voto. (Assinado digitalmente) Conselheiro Luis Flávio Neto 70 Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 08/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO
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