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Numero do processo: 15504.729347/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. Conforme preconiza § 9º, "c", do artigo 28, da mesma Lei nº 8.212/91, e § 9º inc. III do artigo 214, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e Ato Declaratório 03/2011, somente o pagamento do auxílio-alimentação in natura é que não é objeto de incidência das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 08/2007, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. Conforme preconiza § 9º, "c", do artigo 28, da mesma Lei nº 8.212/91, e § 9º inc. III do artigo 214, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e Ato Declaratório 03/2011, somente o pagamento do auxílioalimentação in natura é que não é objeto de incidência das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 93 47 /2 01 2- 86 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 08/2007, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.729347/201286 Acórdão n.º 2401003.657 S2C4T1 Fl. 244 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por EMPRESA SANTA MARIA LTDA, irresignada com o acórdão por meio do qual fora mantida em parte o credito tributário constituído nos seguintes autos de infração por descumprimento de obrigações principais e acessórias: a) DEBCAD 37.363.9430 referese a contribuições patronais devidas à Seguridade Social, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). b) DEBCAD 37.363.9449 que são as contribuições não descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais. c) DEBCAD 37.382.5528 contribuições devidas à Entidades/Fundos denominados “Terceiros”: salárioeducação, SEST, SENAT, INCRA e SEBRAE. d) DEBCAD 37.382.5536 lavrado em decorrência de ter apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias supra indicadas. Consta do relatório fiscal que foram considerados como fatos geradores do presente lançamento: (i) Valores pagos a segurados empregados, constantes em folhas de pagamento, a título de “Abono” previsto no subitem 2.3 das Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) 20072008 e 20082009, celebrada entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros no Estado de Minas Gerais – SINDPAS, foi pago nas competências abril de 2007, abril de 2008 e maio de 2008 (ii) Valores pagos a segurados empregados, constantes em folhas de pagamento, a título de “Alimentação” fornecida em pecúnia sem inscrição no PAT; (iii) Remunerações pagas a título de Pro Labore à sócia da empresa, qualificada como contribuinte individual; (iv) Valores pagos em processos trabalhistas a diversos empregados Parcelas salariais oriundas de processos trabalhistas (acordos e sentenças) pagas a empregados do contribuinte, quando foram recolhidos apenas os valores destinados ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, sem incluir as parcelas destinadas a “Outras Entidades e Fundos”. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Conforme demonstrado no quadro “Comparativo de Multa,” Anexo V, às fls. 107, onde restou demonstrado que para as competências 01/2007 a 07/2008, 09/2008 e 11/2008, a multa de 75% foi a mais benéfica ao contribuinte; já, nas competências 08/2008 e 11/2008 a aplicação da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, é a menos severa para a empresa O lançamento compreende o período de 01/2007 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 09/11/2012 (fls. 01). O julgamento de primeira instância excluiu do lançamento a rubrica “Abono CCT”. Em seu recurso, com relação a ajuda de custo para alimentação, sustenta que o pagamento feito em espécie não contraria o art 28, I da Lei 8.212/91, sendo tal verba de natureza indenizatória, o que neste contexto não poderia servir de base de cálculo da contribuição previdenciária. Já em relação as multas de ofício e de mora entende que os seus percentuais ferem o principio do nãoconfisco em razão de seus percentuais elevados. Insiste ainda que tal multa deve ser aplicada nos moldes definidos em jurisprudência do STF, não superior a 30%. Por fim, suscita a decadência do período de janeiro a outubro de 2007, nos termos do art 150 do CTN, pois o prazo para homologação por lançamento é de 5 anos contados a partir do fato gerador , pois segundo seu entendimento o acórdão guerreado considerou que não houve nenhuma declaração por parte do contribuinte o que nesse caso ensejaria a aplicação do art 173, I do CTN. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.729347/201286 Acórdão n.º 2401003.657 S2C4T1 Fl. 245 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso dele conheço. PRELIMINARES Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Ademais, sobre o assunto o CARF editou a Súmula n. 99,aplicável em casos como o presente: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso dos autos, considerando que o lançamento se reporta às competência de 01/2007 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 09/11/2012, encontramse fulminadas pela decadência as competências lançadas até 08/2007, com base no art. 150, §4o do CTN. Acolho, pois, a preliminar. Passo ao mérito. MÉRITO Em seu recurso apenas contesta o lançamento no que se refere à Rubrica AuxílioAlimentação, tendo deixado de se insurgir contra as demais constantes no lançamento. Sobre o assunto, vejamos o que dispôs o art. 28 da Lei n.º 8.212/91, acerca do conceito de saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I Para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação alterada pela MP n.º 1.5964, de 10/11/97, convertida na Lei n.º 9.528, de 10/12/97); Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.729347/201286 Acórdão n.º 2401003.657 S2C4T1 Fl. 246 7 Tratando das hipóteses de não incidência tributária, dispõem o § 9º, "c", do artigo 28, da mesma Lei nº 8.212/91, e § 9º inc. III do artigo 214, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, respectivamente. Art. 28. (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;" (grifos e destaques nossos). E diante de calorosas discussões sobre o assunto, sobreveio o Ato Declaratório PGFN 03/2011, a seguir: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Tal parecer não contemplou os pagamentos efetuados em espécie, como é o caso dos autos, de modo que, diante da legislação em comento, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do lançamento sobre este aspecto. Também deixo de manifestarme sobre a alegada violação ao art. 5o, XXXV, já que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 Ante todo o exposto, conheço do recurso, acolho a preliminar de decadência até a competência de 08/2007, e, no mérito em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10640.721813/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos lançamentos por homologação, havendo ausência de pagamento, o prazo de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA QUALIFICADA.
Correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, caracterizado pela escrituração de saldo credor inexistente de IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos, quanto à qualificação da multa, os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Adriana Oliveira e Ribeiro, que acompanharam a relatora quanto ao mérito.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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INEXISTÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Inexiste motivação para declarar a nulidade do Auto de Infração, posto que o lançamento atendeu a todos os requisitos previstos no art. 39 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regula o processo administrativo fiscal GUARDA LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. A Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acerca de guarda de livros e documentos, estipula, em seu art. 37, a necessidade de se guardar os livros e documentos que repercutam em exercícios futuros, pelo o prazo decandencial de constituição dos créditos tributários relativos a esses exercícios. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo ausência de pagamento, o prazo de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, caracterizado pela escrituração de saldo credor inexistente de IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 18 13 /2 01 2- 05 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos, quanto à qualificação da multa, os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Adriana Oliveira e Ribeiro, que acompanharam a relatora quanto ao mérito. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte WR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA, CNPJ 02.692.206/000155, em face do Acórdão nº 1531.804 4 ª Turma da DRJ/SDR, Sessão de 27 de fevereiro de 2013, tendo em vista que os membros daquele colegiado decidiram, por unanimidade, rejeitar a preliminar argüida e considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto, que integrou aquele julgado. Transcrevese do Acórdão recorrido trecho do relatório, visando demonstrar os fatos relatados na ação fiscal e o litígio instaurado pela contribuinte com a apresentação de impugnação ao lançamento: “Na Descrição dos Fatos, fl. 248, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias constatou que: > O estabelecimento nunca apurou ou informou o IPI nos anos calendário anteriores a 2007, conforme informação extraída das respectivas DIPJs, porém em seu Livro de Registro de Apuração do IPI do anocalendário de 2007, no mês de janeiro, constava um saldo credor do período anterior no valor de R$ 309.236,02; > O contribuinte foi intimado a apresentar os livros de Registro de Apuração do IPI dos anoscalendário de 2005 e 2006, porém nada trouxe à fiscalização no sentido de comprovar a origem do valor escriturado em 31/01/2007 a título de saldo credor do período anterior; >Cabe observar que a fiscalização decidiu agravar a multa de ofício aplicada para 150% por entender que o fiscalizado, ao escriturar um saldo credor inexistente do IPI, deixou de apurar e recolher esse imposto nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, o que lhe permitiu impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que o autuado incorreu, em tese, na Fl. 398DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.721813/201205 Acórdão n.º 3302002.727 S3C3T2 Fl. 398 3 hipótese descrita no artigo 71 da Lei 4.502/1964, sendo aplicado o disposto no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, e o processo vinculado de Representação Fiscal para Fins Penais contra os sócios Waldir Venâncio Duarte (CPF 333.896.08672) e Ronaldo Ribeiro da Fonseca (CPF 552.904.34615). Cientificada da exigência fiscal em 18/06/2012, fl. 271, a autuada apresentou, em 13/07/2012, impugnação às fls. 272 a 284, alegando em síntese que: > Não foi determinado pelo AuditorFiscal qual teria sido o dispositivo de infração tributária violado pela Impugnante, apenas a informação decorrente do Fato Gerador, relacionado ao artigo 195, §1º, do RIPI; > O Auto de Infração, não tendo estabelecido os parâmetros legais, de forma expressa e inequívoca, com ausência de indicação do dispositivo legal violado, revelase integralmente nulo, vez que, ofendeu o princípio do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório > Não existe na capitulação adotada pelo AuditorFiscal, especificamente quanto ao artigo 52 da Lei n.° 8.383/1991, qual teria sido o enquadramento legal, de acordo com seus itens, alíneas, incisos e parágrafos, do qual a Impugnante deveria se defender ou se reportar; > Assim, a ausência de fundamentação legal ou fundamentação indevida, para o ato de imposição de sanção tributária, importam violação literal do direito de defesa do contribuinte. > O argumento fundamental e exclusivo, adotado pelo Auditor Fiscal para a lavratura do Auto de Infração, com a glosa do saldo credor de IPI de exercício anterior, decorreu pela ausência de apresentação dos Livros de Apuração de IPI dos anoscalendário 2005 e 2006 > De acordo com as regras básicas e fundamentais do Direito Tributário Brasileiro, a exigência de documentação contábil, para os efeitos de fiscalização, guarda restrita e direta relação com os respectivos prazos decadenciais dos tributos que neles estiverem consignados, ou seja, a sua exigibilidade e obrigação de guarda, está atrelada à possibilidade de constituição de crédito tributário ali consignado. > Tendo em vista que para os anoscalendário 2005 e 2006 já havia se operado a decadência tributária, na forma estabelecida no parágrafo único, do artigo 195 do Código Tributário Nacional, inexistia obrigação de guarda dos referidos livros. > É bem verdade que o prazo em epigrafe, para guarda de documentos fiscais, por somente expirar com a prescrição, poderia alcançar lapso temporal extenso. No entanto, não se pode olvidar que a prescrição somente ocorrerá quando houver lançamento exigindo tributos em face de descumprimento de obrigações acessória ou principal; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 > Assim, em relação aos exercícios de 2005 e 2006, não havendo qualquer lançamento no prazo de 05 (cinco) anos, contados nos termos do C.T.N., expirouse a obrigação da guarda de documentos de interesse da fiscalização fazendária > Em conclusão, tornase evidente que a autuação em tela padece por violação literal do texto de lei, vez que, esta sustentada, exclusivamente, na ausência de Livros Fiscais cuja exigibilidade e guarda já se encontravam superadas, na forma do artigo 195, parágrafo único, do C.T.N., especificamente em relação "aos exercícios de 2005 e 2006, cujos prazos decadenciais e prescricionais já haviam se expirado. > o AuditorFiscal glosou o crédito de IPI da Impugnante, no valor de R$ 309.236,02, relativo ao valor credor apurado em 31.12.2006, que fora transferido para o exercício subsequente. > Assim, a apuração e o direito tributário creditório, relativo ao valor glosado, foi materializado e constituído em 31.12.2006, momento a partir do qual nasce para a autoridade fazendária a possibilidade de questionar sua validade ou licitude > Conforme preceitua o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (C.T.N.), que dispõe sobre o instituto jurídico da decadência, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. > Portanto, o prazo decadencial, para que fosse glosado o saldo credor de IPI constituído em 31.12.2006, seria contado a partir de 01.01.2007, expirandose em 31.12.2011. > Considerando que o Auto de Infração somente foi lavrado em 11.06.2012, já se encontrava esgotada a possibilidade de glosa deste saldo credor de IPI, tendo ocorrido a homologação tácita de tal importância, associada à decadência tributária inquestionável. > Em tais circunstâncias, a desconstituição do saldo credor de IPI da Impugnante, relativa ao exercício de 2006, somente poderia ser alvo de glosa ou questionamento até 31.12.2011, não mais podendo ser atingida por ação fiscal que se baseia em mera presunção. > Diante do exposto, claro está que não cabia ao AuditorFiscal glosar o saldo credor de IPI da Impugnante, transportado de 31.12.2006 para 01.01.2007, vez que, tal cifra já se encontrava consolidada pela homologação tácita, bem como, sobre a mesma já havia se processado o fenômeno tributário da decadência. > Embora as razões declinadas no item antecedente apontem para a ocorrência de decadência em sua forma original, em conformidade com o conteúdo do Auto de Infração, o Auditor Fiscal delimitou o Fato Gerador como tendo ocorrido em 31.01.2007.Desta forma, para os efeitos tributários, ao menos dentro dos limites impostos pelo Auditor,Fiscal, temos esta data como um suposto marco inicial do Fato Gerador; Fl. 400DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.721813/201205 Acórdão n.º 3302002.727 S3C3T2 Fl. 399 5 > Mediante este novo elemento, temos que reiterar uma nova ocorrência de decadência do lançamento correspondente ao suposto Fato Gerador de 31.01.2007, haja vista ser aplicável ao caso a regra do §4.°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional, que estabelece em 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do Fato Gerador, o prazo para que a Fazenda Pública constitua crédito tributário envolvendo o tributo submetido ao lançamento por homologação. > Com esse entendimento, o prazo final para constituição do crédito tributário, nos moldes apresentados pelo AuditorFiscal, teria se expirado em 30.01.2012, sendo que o Auto de Infração somente foi lavrado em 11.06.2012. > Poderíamos, até, admitir alguma discussão se ao caso em tela deveria ser aplicada a regra contida no inciso I, do art. 173, do C.T.N., e afastada a decadência, ou se aplicada a regra do §4.°, do artigo 150, do C.T.N., para se identificar a caracterização ou não de pagamento > Entretanto, o próprio Decreto n.° 4.544/2002, que é o Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RIPI), esclarece quais são as modalidades consideradas como pagamento, conforme definido em seu artigo 124 > Assim, a constatação da existência de saldo credor denota a ocorrência do inciso III do citado artigo 124, de modo que a utilização de saldo credor considerase como uma das modalidades de pagamento, ou seja, considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. > E, em tendo havido o pagamento antecipado, ainda que na forma do inciso III, do artigo 124, do Decreto n.° 4.544/2002, a regra para a contagem do termo inicial do termo decadencial é a do §4.°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional, de sorte que, tendo sido lavrado o Auto de Infração em 11.06.2012, deve ser cancelado o lançamento correspondente ao período de apuração relativo a 31.01.2007 > Assim operouse a decadência, na forma do artigo 150, §4.°, do C.T.N., pela extinção do direito de o Fisco lançar tributo sujeito ao lançamento por homologação, após passados mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, associado às disposições do inciso III, do artigo 124, do Decreto n.° 4.544/2002. > Caso superadas as razões declinadas nos itens antecedentes, o que se admite somente em remota hipótese, temos, ainda, que o AuditorFiscal, ao lavrar o presente Auto de Infração, estabeleceu multa agravada, sem qualquer comprovação material, pelo mero e simplório argumento de que teria ocorrido a escrituração de saldo credor inexistente de IPI, e que ele havia "decidido" agravar a sanção, e mais, que a Impugnante teria incorrido, "em tese", na "hipótese" descrita no artigo 71 da Lei n.° 4.502/1964; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 > A justificativa para a majoração da multa, de 75% para 150%, foi lastreada na argumentação de que a Impugnante teria utilizado mecanismos para "impedir" ou "retardar" o conhecimento pelo Fisco das obrigações tributárias. Entretanto, não existe em nenhum ponto do Relatório Fiscal qualquer demonstração ou comprovação de que tal fato teria ocorrido; > A majoração da multa de 75% para 150% mostrouse indevida, vez que, não se processou dentro dos limites da legalidade, tendo sido sustentada, única e exclusivamente, em argumentos subjetivos e sem qualquer comprovação material. > Por fim, requer o cancelamento do auto de infração.” O Acórdão nº 1531.804 da 4 ª Turma da DRJ/SDR possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo ausência de pagamento, o prazo de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de fraude e sonegação fiscal, caracterizado pela escrituração de saldo credor inexistente de IPI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada do julgamento na 1ª Instância Administrativa, por meio da Intimação nº 30/2013, em 25/03/2013 (documentos de efls 374/377), a contribuinte, ainda irresignada, apresenta, em 17/04/2013, o seu recurso voluntário, no qual reprisa seus argumentos de defesa anteriormente apresentados, acrescidos da alegação de nulidade da decisão recorrida, segundo os itens abaixo destacados: 1) DO OBJETO DA IMPUGNAÇÃO 2) DA AUSÊNCIA DE ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO (NULIDADE DO AI) 3) DA FUNDAMENTAÇÃO INCONSISTENTE (NULIDADE DO AI) 4) DA EXIGIBILIDADE DOCUMENTAL INDEVIDA (DOS AC 2005 E 2006, JÁ DECAÍDOS) 5) DECADÊNCIA POR HOMOLOGAÇÃO TÁCITA (GLOSA DO CRÉDITO IPI APURADO EM DEZ 2006 JÁ ESTAVA DECAÍDO) Fl. 402DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.721813/201205 Acórdão n.º 3302002.727 S3C3T2 Fl. 400 7 6) DECADÊNCIA PELO O FATO GERADOR DE JAN 2007, CONFORME ART. 124 DO RIPI 7) DA MULTA APLICADA 8) DA DECISÃO PELA 4ª TURMA DA DRJ/SDR Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto O recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A contribuinte apresenta unicamente questões preliminares.Não efetua defesa quanto ao mérito de fato, acerca da validade de seu crédito de IPI. Continua sem efetuar a comprovação da origem do crédito acumulado de IPI de exercício anterior ao de 2007. Passase, então, às questões preliminares argüidas. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração, por ausência de enquadramento da infração e por fundamentação inconsistente. Verificase que o Lançamento ora questionado resultou da glosa de saldo credor de IPI acumulado em exercício anterior (2006), cujo valor de R$ 309.236,02, no entendimento do autuante, foi indevidamente escriturado no livro Registro de Apuração de IPI em janeiro de 2007, em face de falta de comprovação de referido crédito. Em face de tal glosa foi reconstituída a escrita fiscal do Livro de Apuração de IPI a partir de janeiro de 2007 e, em conseqüência, apurado saldo devedor nos períodos de apuração de 01/02/2007 a 31/12/ 2009. A infração foi denominada como “CRÉDITOS INDEVIDOS SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR INDEVIDO” e o enquadramento legal infringido mencionado no Auto de Infração foi o art. 195, §1º do RIPI 2002, cujo dispositivo assim dispõe: “RIPI 2002 Seção IV Da Utilização dos Créditos Normas Gerais Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § Fl. 403DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). (...).” Da leitura de referido dispositivo, por dedução lógica, constatase que sendo indevido o saldo credor escriturado infringiuse a regra ali contida, posto que a utilização referida no parágrafo 1º do art. 195 do RIPI 2002 é atinente à crédito legítimo e devidamente comprovado pela contribuinte. Sendo assim, encontrase infundada a alegação da recorrente quando diz que o autuante deixou de identificar qual teria sido o artigo do Decreto n.° 4.544/2002, conhecido como RIPI (Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados), que teria sido infringido pela contribuinte. Por outro lado, o Art. 52 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, dita pela recorrente como sendo enquadramento inconsistente, foi apontado no “Demonstrativo de Multa e Juros de Mora” no sentido de informar o enquadramento legal acerca do vencimento do tributo (IPI), no período fiscalizado. Portanto, nada há de inconsistente no enquadramento apontado. Da simples leitura do dispositivo, denotase facilmente qual dos incisos do artigo aplicase ao caso em questão, posto tratarse de lançamento de IPI, não havendo razão para a contribuinte afirmar não saber qual dos incisos do dispositivo seria aplicável ao caso e alegar cerceamento de defesa de mérito. Registrese que por se referir tal dispositivo à fixação de prazo de recolhimento, tal não influenciaria na defesa de mérito, que consistiria simplesmente em comprovar o direito de crédito do IPI escriturado. Mais parece ser alegação meramente protelatória. Assim, resta demonstrado não haver nenhuma motivação para declarar a nulidade do Auto de Infração, posto que o lançamento atendeu a todos os requisitos previstos no art. 39 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regula o processo administrativo fiscal, a saber: “Art. 39. O auto de infração será lavrado no local da verificação da falta, devendo conter (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10; Lei nº 10.593, de 2002, art. 6º): I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição dos fatos; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, contados da data da ciência; e VI a assinatura do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela autuação e o número de sua matrícula.” Como já ressaltado no Acórdão ora recorrido, “No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, de acordo com o art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011, existem apenas duas hipóteses de nulidade: I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O artigo 13 do mesmo ato normativo Fl. 404DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.721813/201205 Acórdão n.º 3302002.727 S3C3T2 Fl. 401 9 acrescenta que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Portanto, não merecem guarida as alegações da recorrente acima analisadas. Da preliminar de nulidade da Decisão da 4ª Turma da DRJ/SDR Sob este tópico a contribuinte acusa a 4.a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA (DRJ/SDR) de promover o "endosso" ao Auto de Infração como se estivesse atuando como poder de fiscalização, adotando o Decreto Regulamentador n.° 7.574/2011 como sendo a única norma jurídica aplicável ao caso. Afirma que ao assim agir a decisão proferida violou integralmente todo e qualquer conceito de imparcialidade e conclui que o decisum proferido afronta e desestrutura a ordem jurídica. Entretanto, há de se registrar que a contribuinte em seu recurso transcreve de forma isolada trechos do voto, fazendo assim análise do trecho transcrito fora do contexto, concluindo que a Autoridade a quo teria admitido, textualmente, que o Auto de Infração objeto deste Recurso Voluntário não possui "indicação de preceito legal infringido" e que o entendimento da 4.a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA (DRJ/SDR) "revoga", literalmente, o Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/1966), especialmente quanto ao artigo 112 e seu inciso I, que determinam que a "lei tributária, que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, sempre que houver dúvida quanto à capitulação legal do fato”. Ao contrário do concluído e conforme já acima analisado, o Auto de Infração indica, sim, o devido enquadramento legal violado e verificase que a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, após análise das hipóteses de nulidade previstas no art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011, afirmou exatamente neste sentido, concluindo pela correção do enquadramento e afastando as argüições de nulidade, quando assim se expressou: “Notese que o lançamento decorreu de lançamento de crédito indevido, cujo valor foi indevidamente escriturado no livro registro de apuração do IPI em janeiro de 2007 como saldo credor de período anterior, no valor de R$ 309.236,02. Neste caso, verificase que a fundamentação legal mencionada no auto de infração e nos demonstrativos de multa e juros guarda perfeita consonância com o fato em que ele se baseou. Acrescentese que a capitulação legal deve ser avaliada em conjunto com a descrição dos fatos e das circunstâncias feitas no relatório do auto de infração e também nos termos e demonstrativos que o acompanha. A análise em conjunto destas peças propicia uma clara e precisa descrição da irregularidade apurada. Ora, consta no auto de infração, fls. 246/249, a descrição completa e detalhada da infração apurada, cujos valores estão demonstrados nas planilhas de reconstituição do livro registro de apuração do período autuado, fls. 252/254 e 263/265, elaboradas pela fiscalização, onde constam todas as informações necessárias à perfeita identificação da glosa Fl. 405DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 efetuada e do IPI apurado mensalmente, possibilitando à contribuinte a mais ampla defesa, conforme impugnação recebida e conhecida de fls. 272 a 284. Ademais, já é corrente o entendimento que mesmo havendo falta de indicação de preceito legal ou indicação errônea, mas que não implique em cerceamento de defesa do contribuinte, o ato do lançamento é considerado perfeito. Portanto, não se observa no lançamento fiscal nenhum dos supostos vícios de procedimentos argüidos pela impugnante, quer seja para efeito de se declarar a nulidade do lançamento, quer seja para se determinar alguma medida saneadora. Logo, as arguições devem ser rejeitadas.”(grifei). Assim sendo, em nada merece ser reformada a decisão da Autoridade a quo. Da preliminar de mérito Decadência sob a ótica do período da glosa do crédito de IPI dez 2006. Improcede a alegação da contribuinte de que o prazo decadencial, para que fosse glosado o saldo credor de IPI constituído em 31.12.2006, seria contado a partir de 01.01.2007, expirandose em 31.12.2011, com base no que dispõe o art. 173, I do CTN. O artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, que dispõe sobre o instituto jurídico da decadência, preceitua que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vejase que o prazo de decadência previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN mencionado pela recorrente faz referência ao lançamento de crédito tributário e não à glosa de crédito escritural não comprovado. No caso específico, os períodos sob lançamento referemse à fevereiro de 2007 a dezembro de 2009. O lançamento não se refere à dezembro de 2006. E, segundo a regra acima estabelecida, para o período mais antigo de fevereiro de 2007, o prazo de decadência extinguirseia em 01/01/2013. O lançamento deuse em 11/06/2012. Portanto, segundo a regra do art. 173, I do CTN, os lançamentos deramse dentro do prazo de decadência. E, sendo assim, caberia à contribuinte efetuar a comprovação dos créditos de IPI que alegava possuir e que repercutiram nos períodos lançados. Crédito não comprovado é crédito inexistente. Por isso, sob esta ótica, a glosa fazse procedente. Da preliminar de mérito Decadência na forma do art. 150, §4º do CTN, sob a ótica do pagamento, nos termos do art. 124 do RIPI 2002 Tratase de glosa de crédito escriturado nos livros fiscais, em janeiro de 2007, como saldo credor de período anterior, com a consequente reconstituição da escrita fiscal. Durante a ação fiscal constatouse que a contribuinte nunca apurou ou informou o imposto sobre produtos industrializados (IPI) nos anoscalendário anteriores a 2007. O Acórdão recorrido registra: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.721813/201205 Acórdão n.º 3302002.727 S3C3T2 Fl. 402 11 “Notese, neste caso, que o lançamento nos livros fiscais ocorreu em janeiro de 2007, pois não consta nos autos e na DIPJ 2006/2007 nenhuma informação sobre a existência deste crédito em período anterior. Registrese que a contribuinte indicou nas DIPJ de 2002/2003; 2003/2004; 2004/2005; 2005/2006; e 2006/2007, fls. 144/148, que não houve apuração nem informações de IPI no período.” Sem a comprovação do crédito de IPI escriturado não há como entender tratarse de crédito admitido, nos termos da lei. Como dito, crédito não comprovado é crédito inexistente, caracterizando indevida a sua escrituração. O saldo credor apurado pela contribuinte nesses períodos decorreu unicamente da dedução dos créditos de IPI não comprovados, por isso ditos indevidos. E neste caso, não se subsumem à regra do parágrafo único, III do art. 124 do RIPI/2002, posto que, segundo o art. 125 do RIPI 2002, os atos de iniciativa da contribuinte em desacordo com as regras estabelecidas, caracterizase como não efetuadas, fazendose necessário o lançamento de ofício, nos termos previstos no art. 127 do RIPI 2002: “Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Presunção de Lançamento Não Efetuado Art. 125. Considerarseão não efetuados os atos de iniciativa do sujeito passivo, para o lançamento: I quando o documento for reputado sem valor por lei ou por este Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 23, inciso II); II quando o produto tributado não se identificar com o descrito no documento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 23, inciso III); ou III quando estiver em desacordo com as normas deste Capítulo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 23, inciso I). Parágrafo único. Nos casos dos incisos I e III, não será novamente exigido o imposto já efetivamente recolhido, e, no Fl. 407DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 caso do inciso II, se a falta resultar de presunção legal e o imposto estiver também comprovadamente pago. Lançamento de Ofício Art. 127. Se o sujeito passivo não tomar as iniciativas para o lançamento ou as tomar nas condições do art. 125, o imposto será lançado de ofício (Lei nº 4.502, de 1964, art. 21). Parágrafo único. O documento hábil, para a sua realização, será o auto de infração ou a notificação de lançamento, conforme a infração seja constatada, respectivamente” (grifei) Desta forma, glosado o crédito escriturado em janeiro de 2007 não comprovado e reconstituída a escrita fiscal, apurouse saldos devedores para os períodos de fevereiro a setembro de 2007, janeiro a maio de 2008, setembro a dezembro de 2008, Janeiro a dezembro de 2009. Estes são efetivamente os períodos de apuração lançados nos presentes autos. Portanto, com a apuração de saldo devedor, a partir da glosa de crédito indevido e não tendo a contribuinte comprovado ter feito pagamento algum do IPI,constatase a não ocorrência de pagamento. Assim, não se aplica ao caso a regra do art. 150, §4º do CTN e sim a regra do art. 173, I do CTN já acima analisado. Do Prazo para guarda dos livros e documentos A contribuinte alega que a exigência de documentação contábil, para os efeitos de fiscalização, guarda restrita e direta relação com os respectivos prazos decadenciais dos tributos que neles estiverem consignados, ou seja, a sua exigibilidade e obrigação de guarda, está atrelada à possibilidade de constituição de crédito tributário ali consignado. E que, na forma estabelecida no parágrafo único, do artigo 195 do Código Tributário Nacional1, já havia se operado a decadência tributária para os anoscalendário 2005 e 2006 e, portanto, inexistia obrigação de guarda dos referidos livros, bem como que, não havendo qualquer lançamento em relação aos exercícios de 2005 e 2006 no prazo de 05 (cinco) anos, contados nos termos do CTN, expirouse a obrigação da guarda de documentos de interesse da fiscalização fazendária Recordese que o lançamento referese ao período de apuração de fevereiro de 2007 a dezembro de 2009 e deuse em face de glosa de crédito de IPI acumulado em 31/12/2006, no valor de R$ 309.236,02, que fora transferido para o exercício subseqüente, por não ter a contribuinte apresentado comprovação da origem do valor escriturado em 31/01/2007 a título de saldo credor do período anterior. Consoante registrado na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, o valor de referido crédito repercutiu na apuração do IPI dos períodos de janeiro de 2007 a dezembro de 1 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.721813/201205 Acórdão n.º 3302002.727 S3C3T2 Fl. 403 13 2009, posto que tal montante foi suficiente para gerar saldos credores do IPI até dezembro de 2009, após o qual o contribuinte passou apurar saldos devedores que estão escriturados e declarados em DCTFs (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Pois bem, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acerca de guarda de livros e documentos, estipula, em seu art. 37, a necessidade de se guardar os livros e documentos que repercutam em exercícios futuros, pelo o prazo decandencial de constituição dos créditos tributários relativos a esses exercícios, cuja regra foi reproduzida no art. 446 do Decreto 4544, de 26 de Dezembro de 2002 (Regulamento do IPI 2002): “Art. 446. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37).” Desta forma, a contribuinte deveria, sim, efetuar a guarda dos livros e respectivos documentos que comprovassem a origem dos créditos de IPI de exercícios anteriores que repercutiram na apuração do IPI dos períodos a partir de janeiro de 2007. As alegações da contribuinte só são válidas para aqueles fatos que não gerem reflexos em exercícios futuros, o que não é o caso em questão. Da qualificação da multa de ofício A contribuinte reitera seus argumentos contra a qualificação da multa aduzindo que o autuante não promoveu qualquer tipo de apuração no sentido de demonstrar que o saldo credor de IPI seria inexistente, até mesmo porque, em suas palavras, os Livros Fiscais exigidos para este fim, dos exercícios 2005 e 2006, não mais existiam por disposição expressa em lei. Como já acima analisado, existia, sim, a obrigatoriedade da guarda dos livros e respectivos documentos de fatos que repercutem em exercícios futuros. Ademais, cabe ressaltar que se tratando de crédito escritural de IPI, o ônus de provar o respectivo direito de crédito pertence à contribuinte. Não logrando comprovar o direito ao crédito, este tornase indevido, devendo ser glosado pela fiscalização. Mais uma vez, registrese que a contribuinte indicou nas DIPJ de 2002/2003; 2003/2004; 2004/2005; 2005/2006; e 2006/2007 , que não houve apuração nem informações de IPI no período. Assim, tendo em vista que a contribuinte em nenhum momento prestou informação à RFB sobre a existência de crédito escritural de IPI em período anterior e que, nem mesmo no decorrer da fiscalização ou quando da apresentação de impugnação e /ou recurso voluntário a contribuinte faz referência e/ou comprovação da origem deste crédito de IPI que surgiu do nada na escrita fiscal em janeiro de 2007, temse evidenciado de forma clara que a mesma apostou na inércia da instituição, assumindo o risco pela escrituração de crédito inexistente. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 Em decorrência desta conduta, corroboro com o entendimento da fiscalização que assim se expressou: “ao escriturar um saldo credor inexistente do IPI, deixou de apurar e recolher esse imposto nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, o que lhe permitiu impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que o autuado incorreu, em tese, na hipótese descrita no artigo 71 da Lei 4.502/1964. Depreende se, portanto, à vista das provas materiais em que se embasa a autuação, que a conduta do contribuinte em relação à apuração do imposto sobre Produtos Industrializados nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009 configurou, em tese, sonegação nos termo do artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, pelo que se ensejam a aplicação do disposto no artigo 44, inciso I, §1°, da Lei n° 9.430/1996, e o processo vinculado de Representação Fiscal para Fins Penais contra os sócios Waldir Venâncio Duarte (CPF 333.896.08672) e Ronaldo Ribeiro da Fonseca (CPF 552.904.34615).” Tal procedimento evidencia conduta dolosa, sendo, portanto, passível de multa prevista no art. 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 19642, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Por ser oportuno, ressaltese que a conclusão acerca de conduta dolosa, por si só, já seria suficiente para afastar a aplicação do art. 150, §4º do CTN, consoante previsão contida no art. 126 do RIPI 2002: “Homologação Art. 126. Antecipado o recolhimento do imposto, o lançamento se tornará definitivo com a sua expressa homologação pela autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150). 2 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10640.721813/201205 Acórdão n.º 3302002.727 S3C3T2 Fl. 404 15 Parágrafo único. Ressalvada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, terseá como homologado o lançamento efetuado nos termos do art. 124, quando sobre ele, após cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa não se tenha pronunciado (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º);(grifei) CONCLUSÃO De acordo com o acima exposto, conduzo o meu voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 411DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10803.720142/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009
MULTA QUALIFICADA.
Descabe a exasperação da penalidade na situação em que não foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE.
A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta-se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca-se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento.
GLOSA DE DESPESAS. PROCEDÊNCIA.
Inobservadas as condições de dedutibilidade explicitadas na legislação de regência, há de se manter a glosa das despesas efetuada pela autoridade fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS.
Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.
Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
Numero da decisão: 1301-001.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (Relator), quanto aos juros de mora sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães - Relator
documento assinado digitalmente
Paulo Jakson da Silva Lucas - Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Descabe a exasperação da penalidade na situação em que não foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustentase na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 01 42 /2 01 2- 47 Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.510 2 responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. GLOSA DE DESPESAS. PROCEDÊNCIA. Inobservadas as condições de dedutibilidade explicitadas na legislação de regência, há de se manter a glosa das despesas efetuada pela autoridade fiscal. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (Relator), quanto aos juros de mora sobre a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. “documento assinado digitalmente” Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.511 3 Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.512 4 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativas aos anoscalendário de 2006, 2007 e de 2008, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) pagamentos a beneficiários não identificados – causa não comprovada; e ii) falta de comprovação de despesas com a prestação de serviços. Relativamente à infração descrita no item “i” acima (pagamentos a beneficiários não identificados – causa não comprovada), a autoridade fiscal, identificando conduta dolosa na sua prática, aplicou multa qualificada de 150%. Por bem sintetizar os argumentos trazidos pela fiscalizada em sede de impugnação, reproduzo fragmentos do relatório constante na decisão de primeira instância. [...] 4. Cientificado em 17/12/2012, pág. 1.083, o interessado interpôs a impugnação tempestiva de págs. 1.087/1.112, em 05/01/2013, por meio de seu representante legal, págs. 1.113/1.128. 5. Relata que a Autoridade Fiscal buscou demonstrar as infrações (i) a ausência de recolhimento do IRRF, que deveria ter incidido nos valores repassados à Expertise Comunicação Total S/C Ltda. (empresa de marketing de incentivo) para posterior distribuição por meio dos programas de premiação geridos por estas, estritamente vinculados à ampliação na participação da Recorrente no mercado de eletrodomésticos; e (ii) a indevida dedução, para fins de apuração do lucro real, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos montantes despendidos com os programas de marketing de incentivo. 6. Afirma que a fundamentação utilizada não se coaduna com os fatos, a legislação aplicável nem com o entendimento do CARF sobre a matéria, seja pela (i) necessidade de diligências na empresa "Expertise" para que confirmem a efetiva destinação dos valores que estavam sob sua custódia, com a correta identificação de todos os beneficiários; (ii) inexistência de legislação que ampare a incidência do IRRF nos valores repassados para distribuição de premiações vinculadas aos programas de incentivo em questão; (iii) insubsistência da responsabilidade pelos valores que supostamente deveriam ter sido retidos a título de IRRF, após a apresentação da declaração de ajuste no respectivo exercício pelo real contribuinte da exação; (iv) legalidade das deduções do lucro real, para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, relativamente às despesas efetivamente incorridas pela Recorrente em seus programas de premiação e marketing, geridos pela empresa "Expertise", cuja relação e efeitos encontrase devidamente comprovada nos contratos de prestação de serviços que regeram as relações jurídicas validas e eficazes mantidas com as mesmas. Preliminares. 7. Pleiteia a decadência parcial do crédito tributário, haja vista o art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, regra geral de decadência, não se aplicar ao lançamento por homologação, que é o caso Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.513 5 dos tributos em discussão, aos quais se aplica o disposto no art. 150, § 4º do CTN; diz que o primeiro artigo se aplica no caso em que o contribuinte deixa de pagar a totalidade do tributo devido, vez que não há o que a Autoridade Fiscal homologar, e o segundo, quando o contribuinte apura o quantum debeatur e adimple a obrigação tributária, que (é) o caso do contribuinte, conforme comprova pelos documentos anexados no curso da fiscalização; assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência é o do art. 150, § 4º do CTN e que, mesmo se assim não for atendido, também pleiteia decadência parcial dos autos nos termos do art. 173, I do CTN; transcreve julgados do Superior Tribunal de Justiça – STJ, em apoio à sua tese. 8. Requer diligência na empresa prestadora de serviços Expertise Comunicação Total S/C Ltda, CNPJ 03.069.255/000107, a fim de serem identificados os beneficiários dos programas de marketing de incentivo; assevera que não realizou qualquer pagamento em caráter remuneratório/salarial aos beneficiários dos prêmios/recompensas distribuídos pela Expertise a título dos programas de marketing de incentivo, contratados; justifica que, apesar de que a responsabilidade pela indicação dos beneficiários dos prêmios/recompensas seja da Recorrente, não manteve as relações com as identificações solicitadas em seus arquivos, justamente por ter contratado a Expertise para gerir os programas de incentivo e afirma que a contratada é quem possui a obrigação legal de manter tais relações, pois foi terceirizada justamente para reduzir custos inerentes à manutenção de registros internos. 9. Discorre sobre o conceito de marketing de incentivo, promocional e de relacionamento, que visa estimular o públicoalvo, que são empregados ou terceiros, como revendedores, prestadores de serviços, franqueados, colaboradores em pontos de venda de terceiros e outros, a alcançar/superar metas de vendas, qualidade, produção e outras intangíveis e é sustentado pelo trinômio motivação, reconhecimento e recompensa, sendo que os prêmios (em dinheiro, cartões de premiação, vouchers substituíveis por bens ou pontos) eventualmente pagos a estes não se tem definição legal de saláriocontribuição para fins de tributação previdenciária e/ou remuneração paga pelo serviço prestado, pois lhes falta Consensualidade (que decorre do contrato de trabalho ou de prestação de serviços), Habitualidade, porque são eventuais, e Retributividade, porque remuneração e salários retribuem o serviço efetivamente prestado; destaca que salário e remuneração não são conceitos do Direito Tributário e a lei tributária não pode alterar conceitos e formas de direito privado (art. 110, do CTN); as premiações concedidas não passam de incentivos ao bom desempenho, sendo vantagens esporádicas, simples liberalidade do empregador; lembra os arts. 854, 855 do Código Civil, da obrigatoriedade de cumprir o prometido decorrente de mera declaração de vontade o que não configura contrato; explica que desenvolveu junto à “Expertise” programas que resultaram em incremento nas operações do litigante e sua participação no mercado de eletrodomésticos. 10. Sobre a natureza jurídica da relação com a agência contratada e valores repassados a empregados e a terceiros a título de recompensa pelo cumprimento de metas préestabelecidas, destaca que constam dos autos os contratos firmados, os quais versam sobre a gestão/operacionalização dos programas de incentivo/premiação a funcionários e a terceiros vinculados a atividadefim da recorrente; que sua intenção foi de fomentar os programas de marketing por incentivos e jamais de promover pagamentos a funcionários e a terceiros de modo indireto, sem sujeitálos à tributação cabível. 11. Acusa a Autoridade Fiscal de pretender atribuir responsabilidade pela manutenção de dados dos beneficiários geridos por terceiros à recorrente e Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.514 6 considerar incomprovada a identificação dos beneficiários na contabilidade desta, sem ao menos considerar a efetiva comprovação da destinação de tais valores, bem como as razões que ensejaram tais pagamentos, estritamente vinculados às campanhas geridas por agência de marketing 12. Aponta insubsistência do auto de infração de IRRF: a. Devido à inexistência de legislação que valide a exigência de IRRF sobre valores despendidos com a premiação/recompensa decorrentes de programas de marketing de incentivo administrados e operacionalizados por agências terceirizadas; diz que o art. 153, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 – CF de 1988, define que o IR tem como fato gerador a renda, produto do capital e do trabalho e proventos de qualquer natureza, acréscimos patrimoniais e, por isso as premiações não se enquadram na definição; que os cartões de crédito para compras/saques distribuídos só aumentarão o patrimônio do recebedor se não consumidos, em caso contrário, tratase de fluxos; que o sujeito passivo no caso é o beneficiário; que existe a substituição do responsável pela retenção e recolhimento do IRRF como sendo a fonte pagadora que é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador, porém o contribuinte é o responsável supletivo e deve declarar anualmente a percepção da renda oriunda de premiações; que, para a aplicação do art. 674, do RIR de 1999, duas condições devem ser preenchidas, simultaneamente: os pagamentos terem sido efetuados a beneficiários não identificados e inexistir a comprovação das razões que conduziram à realização das operações que ensejaram os pagamentos – que, no caso, está demonstrado nas notas fiscais que os montantes repassados à agência objetivaram os serviços de gestão/execução das campanhas de incentivo/premiação, ou seja, a segunda condição está preenchida e os contratos e notas fiscais comprovam a realização da prestação de serviços. b. Pugna pela impossibilidade de cobrança de valores de IRRF da impugnante, se ultrapassado o prazo para a apresentação da declaração de ajuste pelo efetivo beneficiário; que, mesmo se admitida a hipótese de que os pagamentos efetuados se enquadram na regra geral de rendimentos pagos, a exigência de IRRF se torna insubsistente diante do transcurso de prazo para a apresentação de declarações de ajuste anuais pelos beneficiários dos pagamentos efetuados em 2006, 2007 e 2008, cabendo a exigência contra a autuada somente antes deste prazo, porque, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, a partir dessa data, não mais pode exigir o imposto da fonte pagadora, transcreve acórdãos administrativos; afirma também que não é aplicável ao caso a tributação do IRRF nos prêmios em dinheiro ou bens pagos em loterias e concursos de prognósticos desportivos, art. 63 da Lei nº 8.981, de 1995 e arts. 676 e 677 do RIR de 1999 e a própria SRFB, em Perguntas e Respostas, esclareceu que não se enquadra a distribuição de valebrinde, mas somente a distribuição de prêmios por sorteio e por concurso. 13. Pugna pela legalidade das deduções das despesas operacionais incorridas com os programas de marketing de incentivo, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, protestando contra a glosa dessas despesas efetuada pelo autuante, que entendeu não se enquadrarem no conceito de despesas operacionais, e portanto, não dedutíveis do lucro real consoante os arts. 249, I e 251, parágrafo único, 300, 304, do RIR de 1999, sendo que um dos requisitos previstos no último está satisfeito, ou seja, a finalidade, conforme já explicou detalhadamente; transcreve acórdãos administrativos no sentido de que prêmios de performance e contratação de empresa administradora de cartões magnéticos para pagamento de remuneração a seus funcionários, a título de gratificação ou liberalidade, prêmios por produtividade, são despesas operacionais, dedutíveis. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.515 7 14. Acusa as multa de ofício aplicadas de desproporcionais e confiscatórias, ferindo o art. 150, IV e 5º, XXII da CF de 1988; destaca que Tribunais do País têm reduzido penalidades flagrantemente confiscatórias como a multa isolada, e pleiteia que o patamar máximo é de 10%. 15. Conclui, aduzindo que embora a Recorrente não tenha identificado os beneficiários das premiações pagas, isso não obsta a necessidade de reconhecimento por parte da Autoridade Fiscal dos limites da relação jurídica firmada com a agência de marketing, regida por contratos privados, a fim de incrementar sua participação no mercado de eletrodomésticos, sem que haja violação a atos jurídicos perfeitos, pelo fato de ter sido ultrapassado os limites da discricionariedade permitidos para aplicação do artigo 116. § único, do CTN; que se equivocou a Autoridade ao imputar, além de responsabilidade exclusiva, a obrigatoriedade do pagamento do IRRF nos termos do artigo 674, do RIR/99; que não subsiste a exigência do IRRF da forma como perpetrada, porquanto não se trata de situação passível de imputação de responsabilidade exclusiva de retenção/recolhimento do IR, mas sim de recolhimento por antecipação, o que acarreta impossibilidade de cobrança do tributo da fonte pagadora (a Recorrente), caso já tenha transcorrido o prazo para a apresentação da competente declaração anual de ajuste pelos beneficiários dos prêmios/recompensas; que é indevida a glosa das despesas devendo ser imediatamente declarado improcedentes todos os lançamentos de IRPJ e CSLL correlatos, diante da demonstração da essencialidade das despesas operacionais incorridas com os programas de marketing de incentivo e de seu impacto direto na ampliação de resultado financeiro; que é necessária exclusão dos valores dos juros de mora incidentes sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos arts. 3º, 161, do CTN, e 84, da Lei n° 8.981, de 1995, aliado ao fato de a legislação vincular o caráter "indenizatório" à incidência dos juros moratórios, o que não se vislumbra na hipótese de quantias fixadas a título de punição (inexistência de prejuízo ao Erário). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 0641.396, de 13 de junho de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: DILIGÊNCIA DESNECESSÁRIA. Indeferese requerimento de realização de diligência que se considera desnecessária porque visa transferir à Administração Tributária a responsabilidade de suprir informações de responsabilidade e de conhecimento do contribuinte autuado. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, SONEGAÇÃO. O prazo decadencial dos impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de sonegação e dolo, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o que ocasiona, no regime do lucro real trimestral, em que o IRPJ e CSLL do primeiro ao terceiro trimestres podem ser lançados no mesmo ano calendário, que o prazo seja contado a partir do primeiro dia do ano seguinte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.516 8 Na hipótese em que o recolhimento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, se procede ao lançamento de ofício segundo o art. 149 do CTN, o prazo decadencial de cinco anos subsumese ao art. 173, I do CTN, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. MULTA QUALIFICADA. DOLO Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE O percentual de multa de ofício qualificada é o determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. JUROS SOBRE MULTA. Descabida a reclamação se não foram exigidos juros sobre as multas aplicadas. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Correta a glosa de despesas operacionais referentes a importâncias contabilizadas como pagas a título de comissões, quando não for comprovada a operação ou a causa. PAGAMENTOS SEM CAUSA. BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Correta a glosa de despesas operacionais referentes a importâncias contabilizadas repassadas a beneficiários não identificados, por meio de outra empresa, e em relação aos quais não foi comprovada a operação ou a causa. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, SONEGAÇÃO. O prazo decadencial dos impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de sonegação e dolo, é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.517 9 IRRF. BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. CAUSA NÃO COMPROVADA Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. PAGAMENTOS. BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. CAUSA NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado e não comprovada a operação ou a sua causa, valores contabilizados como despesas operacionais sob diversos títulos, escamoteando dessa forma a sua finalidade, pagos por intermédio de outra empresa, tendo o contribuinte se recusado a identificar os beneficiários. DISTRIBUIÇÃO DE VALESBRINDE. NÃO CARACTERIZADA. Resposta no sítio da SRFB de que a tributação definida no art. 63 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, não alcança a distribuição por valebrinde, não se aplica ao caso da autuada, pois não há provas de que tenha distribuído valesbrinde. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1.441/1.473, em que, basicamente, renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.518 10 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 131/140, foram imputadas à contribuinte fiscalizada as seguintes infrações, relativamente aos anos calendário de 2006 e 2007: i) pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa; e ii) apropriação indevida de despesas com prestação de serviços. Aprecio, pois, os recursos interpostos, esclarecendo que, por envolver questões que poderão repercutir na decisão exarada em primeira instância, analisarei primeiramente o recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO DECADÊNCIA PARCIAL E MULTA QUALIFICADA Alega a Recorrente que, no presente caso, a decadência se dá nos moldes do art. 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional. Diz que a conclusão pela existência de dolo é amparada em suposições, uma vez que ela, além de ter comprovado a relação jurídica travada com a empresa EXPERTISE e a causa e a finalidade dos pagamentos efetuados, solicitou diligência para que os beneficiários (dos pagamentos) fossem confirmados. Afirma que a Turma Julgadora de primeiro grau aplicou mal o artigo 173, I, do CTN, uma vez que não restou configurado o dolo alegado. Sustenta que apurou os tributos devidos, realizou as deduções previstas em lei e efetuou o pagamento do saldo residual, conforme se comprova por meio dos documentos anexados durante o curso da fiscalização. Admite que, na ausência de pagamento, a regra aplicável seria a prevista no inciso I, do art. 173, do Código Tributário Nacional. Aprecio primeiramente a questão da qualificação da penalidade aplicada. Do Termo de Verificação Fiscal, reproduzo as seguintes passagens: [...] incomprovada a efetiva prestação de serviços pela CONTRATADA, a causa dos pagamentos e a identificação na contabilidade dos beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos mencionados cartões, elementos suficientes a demonstrar a necessidade dos dispêndios à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora da CONTRATANTE, nos termos do Artigo 299 e §§ do RIR/99 Decreto nº 3.000/99, impõese a glosa destes valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nas importâncias relacionadas no demonstrativo denominado Anexo I. De outro lado, não identificados, nos registros contábeis, os beneficiários e, documentalmente, a efetiva prestação dos serviços e a causa, ficam os valores dos pagamentos efetuados por meio dos cartões, devidamente reajustados, sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte na forma do Artigo 674 e §§ do Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.519 11 RIR/99 Decreto nº 3.000/99, nas datas e importâncias relacionadas no mencionado Anexo I. Com o procedimento contábil adotado, o contribuinte fez ocultar a causa e os beneficiários destes pagamentos, caracterizando, assim, a hipótese de incidência da multa prevista no inciso II do Artigo 957 do Decreto nº 3.000/99 – RIR. Caracterizando o exposto, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos da Lei nº 8.137/90 e em cumprimento ao disposto no art. 1º, inciso I do Decreto nº 2.730/98 e art. 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, alterada pela Portaria RFB nº 3.182/11, será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Relativamente a essa matéria, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinala: [...] 3.3.2 Dolo. 82. Conforme já se comentou neste voto, os lançamentos como despesas de pagamentos a beneficiários não identificados foram glosados porque não permitiam a verificação se eram de dispêndios necessários às operações da empresa e sequer se podia averiguar se efetivamente foram prestados os alegados serviços. 83. Apesar de apoiados por contrato (destaquese que não registrado, portanto, não hábil a fazer prova perante terceiros), a recusa do litigante em identificar os beneficiários (que constam dos ditos contratos como indicados por ele) impede que se verifique qual a causa dos pagamentos, alegados como despesas de promoções e deduzidos para a apuração do lucro. 84. Pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, são sujeitos a retenção do imposto de renda na fonte e a encargos previdenciários; esse rendimento é considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recai o IRRF, conforme especifica a capitulação legal constante da autuação. 85. O contribuinte, mediante o artifício de repassar os valores por intermediários, e a utilização do artifício contábil descrito, ocultou a existência desses fatos geradores, durante o período fiscalizado, deixando de recolher as obrigações devidas, incidindo no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, ação dolosa visando impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. 3.3.3 Multa de ofício de 150%. 86. A multa foi qualificada conforme a legislação que já se transcreveu. 87. Também, o autuante formalizou Representação Fiscal para Fins Penais – IRPJ, em cumprimento ao disposto no art. 10, I do Decreto nº 2.730, 10 de agosto de 1998, por entender que a conduta do contribuinte se enquadra, ao previsto nos artigos 1° e 2° da Lei n. 8.137, de 1990. 88. Eis que a Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, regulamenta procedimentos a serem observados na comunicação, ao Ministério Público Federal, de fatos que configurem crimes relacionados com as atividades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.520 12 ... 89. Os crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990: ... E a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: ... 91. Verificase que a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. 92. As conclusões deste voto são de que a empresa prestou informação falsa às autoridades fazendárias e objetivando sonegar impostos e contribuições. 93. Havendo dolo, correto o lançamento da multa qualificada de 150%. (GRIFEI) Comparando os pronunciamentos, constato que a decisão de primeiro grau foi além do que foi retratado nos autos, eis que faz menção à: recusa do fiscalizado em identificar os beneficiários dos pagamentos; artifício no repasse dos valores; artifício contábil; incidência do art. 71 da Lei nº 4.502/64; sonegação; e declaração falsa. Perscrutando os autos, não identifico elementos capazes de comprovar a ocorrência de qualquer dessas circunstâncias apontadas pela decisão de primeiro grau. Ausentes tais elementos, a imputação de conduta dolosa revelase fruto de presunção, eis que carente de materialidade. Embora tenha por irrelevante até mesmo a indicação precisa do tipo tributário penal no qual a conduta do fiscalizado restou enquadrada, penso que a qualificação da penalidade exige que sejam aportados aos autos elementos que permitam aferir, com elevado grau de certeza, a existência de dolo e o enquadramento em qualquer das hipóteses autorizadoras da providência. Entendo que, no caso, a autoridade fiscal deveria ter aprofundado as suas investigações, de modo a reunir nos autos elementos capazes de criar a convicção acerca da conduta dolosa da Recorrente. Nos termos em que foi formalizada a imputação, o dolo, elemento essencial à qualificação pretendida, como dito, decorre de mera presunção, o que não se pode admitir. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.521 13 Sou, pois, pela desqualificação da penalidade aplicada, reduzindoa de 150% para 75%. Excluída a qualificação da penalidade, analiso a questão da caducidade do direito de se efetuar os lançamentos tributários. Os créditos tributários constituídos dizem respeito a fatos geradores ocorridos no período de 06 de janeiro de 2006 a 03 de junho de 2008, sendo que a Recorrente foi cientificada dos lançamentos em 17 de dezembro de 2012, conforme comprovante de fls. 1.083. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) foram apurados com base no resultado trimestral, haja vista a opção exercida pela autuada. Embora referidos tributos (IRPJ e CSLL) sejam submetidos ao denominado lançamento por homologação, resta incontroverso nos autos que, ausente o pagamento, o prazo decadencial previsto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional não opera. A Recorrente sustenta que apurou os tributos devidos, realizou as deduções previstas em lei e efetuou o pagamento do saldo residual. Diz que os documentos que comprovariam a realização desses pagamentos foram anexados durante o curso da fiscalização. A decisão recorrida, por sua vez, assinala: 17. ..., pesquisa nos sistemas da SRFB no período de 04/2006 a 03/2007, em todas as delegacias da região e na de Araraquara/SP, que é a jurisdição do contribuinte, não apontou qualquer pagamento de IRPJ nem CSLL referente aos débitos do ano de 2006 (cuja decadência pleiteia), e tampouco foram confessados em DCTF, págs. 1.167/1.346, sendo que a DIPJ 2007/2006, págs. 987/1.013, aponta valores a pagar nos trimestres 1º, 2º e 4º deste ano;... Não identifico nos autos documento capaz de confirmar a alegação da Recorrente de que efetuou pagamento, seja de IRPJ, seja de CSLL. Cabe notar, ainda, que o pronunciamento na instância precedente, acima transcrito, não foi contraditado em sede de recurso. Diante de tais circunstâncias, penso que, no caso, a regra de decadência a ser observada, relativamente ao IRPJ e à CSLL, é a apontada pelo inciso I do art. 173 do CTN. Assim, os fatos geradores relativos aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano de 2006 foram alcançados pela decadência, eis que os lançamentos tributários só poderiam ser efetivados até 31 de dezembro de 2011. No que diz respeito ao Imposto de Renda na Fonte (IRF), embora entenda que a hipótese trazida pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, reproduzido pelo art. 674 do RIR/99, não se enquadra no disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional, penso que os fatos geradores ocorridos no ano de 2006, da mesma forma, já não poderiam ser objeto de lançamento tributário. Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.522 14 As regras estampadas no art. 150 do Código Tributário Nacional estão dirigidas para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Resta evidente que a hipótese de incidência em discussão (pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado) revelase, sempre, a partir de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência preconizada pelo art. 61 da Lei nº. 8.981/95, a meu ver, sustentase na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. Nesse diapasão, resta claro que a constituição do crédito tributário em questão só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo o disposto no parágrafo 2º do art. 674 do RIR/99 (“considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância”) relevante apenas para fins de determinação dos termos iniciais dos encargos legais incidentes. Na hipótese de aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981/95, repiso, estamos diante de LANÇAMENTO DE OFÍCIO, e, por conta disso, sendo inaplicáveis as disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional, a decadência é regida pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. Não obstante, não encontro óbice capaz de impedir que a autoridade fiscal promova o lançamento de ofício do referido do imposto no próprio curso do ano em que os pagamentos foram efetuados, excetuado, obviamente, o que tenha por objeto pagamentos efetuados em 31 de dezembro. No caso dos autos, os últimos pagamentos efetuados pela Recorrente em 2006 e que foram submetidos ao lançamento de ofício ocorreram em 27 de dezembro do referido ano, logo, todos os fatos geradores ocorridos no citado ano (2006) foram alcançados pela caducidade. Aplicandose a regra estampada no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, e admitindose que a autoridade fiscal poderia promover o lançamento do imposto de renda na fonte no próprio ano em que os pagamentos foram efetuados, relativamente ao ano de 2006 o prazo fatal para a constituição do crédito se deu em 31 de dezembro de 2011. DILIGÊNCIA Afirmando reiterar posicionamento argüido durante o curso da fiscalização e na impugnação interposta, a Recorrente afirma “não ter realizado qualquer pagamento em caráter remuneratório/salarial aos beneficiários dos prêmios/recompensas distribuídos pela empresa “EXPERTISE” a título dos programas de marketing de incentivo contratados”. Alega que, muito embora tivesse a responsabilidade para indicar os beneficiários dos prêmios, por ter contratado terceiros para gerir os programas de incentivo, não manteve em seus arquivos as Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.523 15 relações com as identificações solicitadas pela Fiscalização (afirma que NÃO TINHA OBRIGAÇÃO DE MANTER TAIS RELAÇÕES, sendo que isto competia à empresa contratada). Amparada em tal argumentação, requer a realização de diligência na empresa EXPERTISE, para fins de identificação dos beneficiários dos prêmios/recompensas. Como bem assinala a Recorrente, contratualmente, competia a ela indicar os beneficiários dos recursos repassados à empresa EXPERTISE, logo, descabe falar em diligência para que o Fisco intime a referida empresa a prestar tal informação. Adiante restará demonstrada a absoluta dispensabilidade do procedimento requerido, bem como a irrelevância, no que tange às exigências formalizadas por meio do presente processo, da natureza dos pagamentos efetuados aos beneficiários não identificados. MARKETING DE INCENTIVO Neste item, a Recorrente traz considerações sobre o que denominou MARKETING DE INCENTIVO, sobre a natureza jurídica da relação firmada com “a agência contratada para o gerenciamento/execução dos programas de premiação” e sobre os valores repassados a empregados e a terceiros. Sustenta que os prêmios pagos não se confundem com salário ou remuneração por serviço prestado, eis que não se enquadram nos conceitos legais correspondentes. Adiante, alega: [...] In Casu, a Recorrente desenvolveu junto à agência “Expertise” programas visando o incremento de sua participação no mercado de eletrodomésticos, o que ensejou a elaboração de publicidades específicas e o estabelecimento de metas direcionadas aos seus funcionários e a terceiros ligados diretamente a etapa final da comercialização dos mesmos. Com efeito, a Autoridade Fiscal acostou aos autos cópia dos contratos firmados com a referida empresa, nos quais se pode facilmente constatar a similitude de todos os objetos nas contratações firmadas, que versam, basicamente, sobre a gestão/operacionalização dos programas de incentivo/premiação a funcionários e a terceiros vinculados a atividade fim da Recorrente. Nas relações jurídicas firmadas entre a Recorrente e a “Expertise” temse por certo que a intenção daquela sempre foi a de fomentar os programas de marketing de incentivo geridos por esta, de modo que jamais houve a pretensão de promover pagamentos a funcionários e terceiros de modo indireto, sem sujeitálos à tributação cabível, não podendo ser afastada a boafé inerente às operações realizadas e aos atos jurídicos praticados na vigência de contratos válidos e eficazes, que vincularam as ações das partes a um fim comum. Não obstante, a Autoridade Fiscal pretendeu, ainda, atribuir a responsabilidade pela manutenção das informações relativas aos beneficiários dos programas de incentivo, geridos e operacionalizados por terceiros, à Recorrente, bem como consignar que “incomprovada (...) a identificação na contabilidade dos beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos mencionados cartões, (...) impõe a glosa destes valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL” sem ao menos considerar a efetiva comprovação da destinação de tais valores, bem como as razões que ensejaram tais pagamentos, estritamente Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.524 16 vinculadas às campanhas geridas por agência de marketing com o fito de ampliar a participação da Recorrente no mercado de eletrodomésticos. (GRIFOS DO ORIGINAL) Para que os fatos apurados por meio do presente processo possam ser devidamente contextualizados, releva fazer referência ao que restou assinalado no TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONCLUSÃO FISCAL constante do processo administrativo nº 10803.720135/2012451, que trata do lançamento tributário relativo a contribuições previdenciárias. Com efeito, o Termo de Verificação em questão indica que: i) o procedimento fiscal na contribuinte teve origem em investigações desenvolvidas pelo Ministério Público; ii) nas referidas investigações foram identificados fortes indícios da existência de uma organização criminosa, cujo objetivo era causar danos ao erário; iii) a partir de solicitação feita pelo Ministério Público, a Receita Federal passou a participar das investigações (OPERAÇÃO AQUARELA); iv) em virtude de Mandados de Busca e Apreensão expedidos pela 1ª Vara Federal de Brasília, foram recolhidos inúmeros documentos relacionados a possíveis fraudes; v) com base nas investigações e na análise dos documentos apreendidos, foram identificadas empresas cujo objetivo era oferecer serviços relacionados à distribuição de cartões de crédito, sendo que, a partir de estudos desenvolvidos na área de planejamento das atividades fiscais da Receita Federal e das informações obtidas por meio da denominada OPERAÇÃO AQUARELA, decidiuse pela instauração de procedimento contra a empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA; vi) embora a empresa EXPERTISE não tenha sido objeto de investigação no âmbito da OPERAÇÃO AQUARELA, foi verificada, entre outras constatações, a existência de pessoas físicas ligadas diretamente à empresa investigada na referida operação e à EXPERTISE; vi) a constatação de que o modus operandi e o contrato de prestação de serviços utilizados pela empresa investigada na OPERAÇÃO AQUARELA eram idênticos aos verificados na EXPERTISE, autorizava a conclusão de que a prática estava gerando ramificações; vii) alguns clientes da EXPERTISE promoveram a retificação das suas declarações e recolheram os tributos devidos; e vii) a ora fiscalizada insere se no contexto das empresas que realizaram contrato com a EXPERTISE. Observo, pois, que o Termo de Verificação em questão aponta para existência de elementos que poderiam ter sido carreados aos autos pela autoridade fiscal, de modo a tornar robusta a imputação de prática dolosa da infração. Contudo, ausentes, como visto, elementos capazes de transformar os indícios em prova efetiva de que a Recorrente, ao adotar a forma de contabilização dos pagamentos efetuados, pretendeu deliberada e dolosamente impedir a incidência tributária sobre os valores envolvidos, resta, apenas, a presunção de que isso possa ter ocorrido, o que, à luz da legislação de regência, não autoriza a qualificação da penalidade. A Recorrente fala em “contratos”, mas o que se observa, ao menos nos autos do presente processo, é tão somente o juntado às fls. 174/178, tendo a Recorrente como contratante e a empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA como contratada. Do referido documento, merecem destaque os seguintes aspectos: 1 O referido Termo foi obtido por meio de pesquisa no eprocesso. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.525 17 i) os serviços contratados compreenderiam: a implantação e condução de programa de gerenciamento de premiação, segundo critérios definidos pela contratante; e a disponibilização do uso do cartão EXPERT CARD BPN para pagamento e recebimento da premiação, com créditos predefinidos a serem fornecidos pela contratante para os indicados como recebedores dos prêmios, a título de incentivo profissional e como meio de publicidade interna da contratante; ii) o recebimento da premiação poderia se dar mediante saque em moeda corrente nos terminais denominados BANCO 24 HORAS ou mediante aquisição de produtos ou serviços em todo território nacional, por meio do sistema VISA; iii) à contratada, caberia: fornecer os cartões; disponibilizar os créditos; emitir nota fiscal; e guardar absoluto sigilo e confidencialidade quanto às informações decorrentes do contrato; iv) à contratante (a RECORRENTE), entre outras obrigações, caberia fornecer a relação contendo os nomes e qualificação dos premiados, contendo os dados necessários para a distribuição dos prêmios, bem como o valor destes e a data definida para seu pagamento, sob sua exclusiva responsabilidade; e v) a contratante (a RECORRENTE) teria responsabilidade exclusiva sobre os critérios de premiação e do valor dos prêmios a serem distribuídos, não respondendo a contratada por eventual desvio de finalidade. Vêse, assim, que a argumentação da Recorrente não guarda conformidade com o CONTRATO aportado ao processo, fundamentalmente, quando alega que “a Autoridade Fiscal pretendeu, ainda, atribuir a responsabilidade pela manutenção das informações relativas aos beneficiários dos programas de incentivo, geridos e operacionalizados por terceiros” à ela. Ora, não é exatamente isso que restou estabelecido contratualmente? Por outro lado, a resposta acerca das razões que ensejaram os pagamentos, penso, deveria ser encontrada exatamente na documentação que não foi apresentada pela Recorrente, vez que nos termos do contrato ela detinha responsabilidade exclusiva sobre os critérios de premiação. A argüição de que a Fiscalização deveria considerar a efetiva comprovação da destinação dos valores, em um cenário em que a Recorrente não identifica os respectivos beneficiários e os critérios de premiação, revelase absolutamente desprovida de propósito. A argumentação da Recorrente no sentido de que os prêmios pagos não se confundem com salário ou remuneração por serviço prestado, não tem relevância no âmbito das exações formalizadas por meio do presente processo. No caso, a discussão deve ser tratada no bojo do referido processo nº 10803.720135/201245, eis que pertinente às contribuições ali exigidas. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE Alega a Recorrente que, ainda que os beneficiários não tenham sido identificados, a operação efetuada restou comprovada, assim como a sua causa, não ocorrendo, Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.526 18 assim, simultaneamente as condições do art. 674 do RIR/99, necessárias à aplicação das normas ali estampadas. Afirma que não existem normas específicas capazes de determinar a retenção do imposto em relação a valores despendidos com premiações e recompensas, oriundas de programas de marketing de incentivo, administrados e operacionalizados por agências terceirizadas. Argumenta “que a modalidade que a d. Autoridade Fiscal pretende imputar ao caso pressupõe a obrigação exclusiva da Recorrente de ter retido e recolhido o IR, ou seja, exime o contribuinte, real beneficiário, de declarar anualmente a percepção da renda, oriunda das premiações auferidas nos programas de marketing de incentivo, para ajustála ao patrimônio verificado no período de apuração correlato”. Sustenta que não é possível a cobrança dos valores, vez que restou ultrapassado o prazo para a apresentação da declaração de ajuste por parte do efetivo beneficiário. O art. 674 do RIR/99, que abaixo reproduzo, dispõe sobre o tratamento tributário que deve ser dispensado aos casos em que são efetuados pagamentos a beneficiário não identificado ou em que não restou comprovada a operação ou a sua causa. Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Equivocase a Recorrente ao dizer que, para a incidência do imposto na fonte na forma prevista pelo art. 674 do RIR/99, haveria necessidade de ocorrência concomitante de o beneficiário não ser identificado e inexistir comprovação da operação ou da sua causa. Em primeiro lugar, a redação do próprio dispositivo não autoriza tal interpretação, eis que ele estabelece com clareza solar que a incidência se dá em relação a todo pagamento a beneficiário não identificado e, também, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, isto é, em uma situação ou na outra. E isto, é bom que se diga, tem uma razão lógica, pois, tanto em uma (pagamento a beneficiário não identificado), como na outra situação (falta de comprovação da operação ou da sua causa), o Fisco não dispõe de meios para exigir o tributo devido. No primeiro caso, por não saber quem é o sujeito passivo; no segundo, por não dispor do elemento material da hipótese. É diante deste contexto que a legislação tributária desloca para a fonte pagadora a responsabilidade pelo recolhimento do imposto, vez que presume que os pagamentos efetuados envolveram recursos passíveis de tributação. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.527 19 Destaco que resta incontroverso nos autos que a Recorrente não identificou os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões. O Termo de Verificação Fiscal assinala, ainda, que a causa da operação também não foi comprovada. De fato, a Recorrente não comprovou a CAUSA da operação, apenas a descreveu, eis que não foram reunidos ao processo os documentos que serviram de suporte para o pagamento dos prêmios. É certo que a simples apresentação do contrato e dos comprovantes de pagamentos são insuficientes à comprovação em questão. No mais, penso, com todo respeito e devidas vênias, que a argumentação expendida pela Recorrente denota um certo desconhecimento da legislação tributária. Com efeito, a incidência aqui tratada é do tipo EXCLUSIVA NA FONTE, sendo impróprio, assim, falar em “real beneficiário”. A norma estampada no art. 674 do RIR/99, que tem seu fundamento de validade o art. 61 da Lei nº 8.981/95, impõe àquele que efetua pagamentos sem identificar os correspondentes beneficiários a responsabilidade pelo recolhimento do imposto que ela, a lei, presume ser devido, determinando, ainda, o reajustamento da base de cálculo, por considerar que o valor pago representa o montante líquido. Resta evidente que, uma vez identificado o beneficiário e comprovada a operação ou a sua causa, o lançamento não poderia ser efetuado com base na referida norma, eis que nessa circunstância a Administração Tributária teria meios de, se fosse o caso, exigir o tributo do “real beneficiário”. Absolutamente equivocada, de igual forma e pelas mesmas razões acima esposadas, as considerações da Recorrente acerca das normas que prevêem a retenção na fonte, bem como as direcionadas no sentido de sustentar a insubsistência do lançamento em virtude do transcurso dos prazos para apresentação de declarações de ajuste. Como já dito, a incidência prevista no art. 674 do RIR/99 é EXCLUSIVA NA FONTE, sendo impróprias as referências à retenção na fonte, antecipação, apuração definitiva, real beneficiário, etc. Com o devido respeito, afirmar que, no caso, estamos diante de RECOLHIMENTO POR ANTECIPAÇÃO, revela, no mínimo, ausência de atenção na leitura do dispositivo que serviu de suporte para a formalização da exigência, eis que nele consta expressamente que a tributação é EXCLUSIVA NA FONTE (caput do art. 674 do RIR/99). Absolutamente correto, pois, o lançamento do imposto de renda retido na fonte. LEGALIDADE DAS DESPESAS Argumenta a Recorrente que restou comprovada a operação que deu origem ao rendimento, bem como sua finalidade, e, além disso, os pagamentos efetuados enquadram se no conceito de DESPESAS OPERACIONAIS, as quais são dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em relação ao disposto no art. 304 do RIR/99, renova o alegação de que um dos requisitos descritos na referida norma não se faz presente no caso concreto, o que, a seu ver, impede a aplicação do dispositivo em questão. De início, rejeito, com base nos argumentos antes esposados, as alegações de que a aplicação do art. 304 do RIR/99 impõe a observância cumulativa de requisitos. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.528 20 Em conformidade com as peças de autuação, as glosas empreendidas pela Fiscalização alcançou as seguintes despesas: i) valores que, por contrato, seriam destinados à aquisição de cartões para fins de pagamento de prêmios, vez que não foi comprovada a causa e os beneficiários não foram identificados; ii) valores pagos à empresa EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA, haja vista a ausência de comprovação da efetiva prestação de serviços. As despesas relativas às aquisições de cartões não podem ser admitidas, pois o art. 304 do RIR/99 veda o seu aproveitamento na situação em que a causa dos pagamentos não é comprovada ou em que os beneficiários destes não são identificados. Quanto aos valores pagos à EXPERTISE, penso que existe uma importante e crucial associação com os fatos motivadores da glosa empreendida em relação aos valores destinados à aquisição dos cartões, pois, ausente a comprovação da causa e a identificação dos beneficiários dos pagamentos, não há como se fazer juízo acerca da necessidade do gasto. É certo que a simples apresentação do contrato de prestação de serviços e a comprovação de que os valores pactuados foram pagos não são capazes de remover a condição explicitada pela lei, isto é, para ser dedutível, a despesa deve ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Observese que, no presente caso, a falta de comprovação da causa dos pagamentos e de seus beneficiários representa a ausência de comprovação do próprio objeto do contrato, que, em essência, estava representado pelo gerenciamento da premiação. Como se pode admitir a dedutibilidade de um gasto na contratação de uma empresa para gerenciar uma premiação se, mesmo por ocasião da apresentação de suas defesas, a contribuinte não indica as pessoas premiadas, os critérios adotados para tal, os valores e as datas de pagamento? Como já visto, à contribuinte caberia, entre outras obrigações, fornecer os dados necessários para crédito dos prêmios nos respectivos cartões (beneficiários), inclusive valor e data para pagamento. Porém, nada nesse sentido foi carreado ao processo. Não merece acolhimento, assim, o argumento da Recorrente de que a operação em discussão e a sua finalidade foram comprovadas, eis que, como já dito, não foram aportados ao processo os documentos relativos à identificação dos beneficiários dos pagamentos e os critérios adotados para que tais pagamentos fossem efetuados, elementos que, uma vez apresentados, possibilitariam emissão de juízo acerca da necessidade do gasto, comprovariam a efetiva prestação de serviços por parte da contratada e impediria a tributação na fonte e a glosa da despesa relacionada aos recursos destinados aos cartões de crédito. MULTA DE OFÍCIO Sustenta a Recorrente que as multas, ainda que “determinadas” por lei, devem observar as disposições da Constituição Federal, caso contrário estarão eivadas de inconstitucionalidade. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.529 21 Como é cediço, este Colegiado não detém competência para apreciar eventuais inconstitucionalidades da lei tributária. É o que dispõe a súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Em suas conclusões, a Recorrente sustenta que é necessária a exclusão dos valores atinentes aos juros de mora incidentes sobre a multa aplicada, uma vez que não existe base legal para tanto. No que diz respeito a essa matéria, em que pese a existência de densos pronunciamentos deste Colegiado em sentido diverso, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.530 22 ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.531 23 cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. RECURSO DE OFÍCIO A matéria submetida ao recurso necessário está representada pelo reconhecimento de caducidade, nos termos abaixo indicados: quanto ao IRPJ e à CSLL, relativamente ao primeiro, segundo e terceiros trimestres do ano de 2006; quanto ao Imposto de Renda na Fonte, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 06 de janeiro até 13 de dezembro de 2006. Embora não tenha entendido porque o voto condutor da decisão de primeiro grau assinale, relativamente ao imposto de renda na fonte, que, para fins de decadência, “iniciase o prazo da contagem no 1º dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, isto é, a partir de 01/01/2007, para os fatos geradores até 27/12/2006”, mas, ao reconhecer a caducidade, o tenha feito apenas para os fatos geradores ocorridos até 13/12/2006, entendo, pelas razões expostas na apreciação do recurso voluntário, que não merece reforma o decidido em primeira instância. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer a caducidade, IRPJ e CSLL relativamente ao imposto de renda na fonte, para os fatos geradores ocorridos no ano de 2006, reduzir a multa de ofício aplicada de 150% para 75% e para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de 1% sobre a referida multa. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.532 24 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência quanto ao entendimento acerca da incidência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. Para o Relator, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos em 2006, 2007 e 2008. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.533 25 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10803.720142/201247 Acórdão n.º 1301001.545 S1C3T1 Fl. 1.534 26 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. A própria dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10320.003448/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006
INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ADESÃO AO PROUNI. ISENÇÃO FISCAL MANTIDA NA AUSÊNCIA DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. DEMAIS MATÉRIAS PREJUDICADAS.
Ainda que a adesão ao PROUNI implique, para a instituição de educação, na necessidade de apurar o lucro da exploração com vistas a separar o resultado beneficiado pela isenção daquele sujeito à incidência tributária; descabe a revogação dessa isenção como decorrência da não apuração do lucro, quando provado que no período fiscalizado não há receitas sem o benefício da isenção Prouni, mormente na ausência de crime contra a ordem tributária.
Em conseqüência resta prejudicada a análise das demais matérias provenientes destas receitas.
Numero da decisão: 1301-001.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005, 2006 INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ADESÃO AO PROUNI. ISENÇÃO FISCAL MANTIDA NA AUSÊNCIA DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. DEMAIS MATÉRIAS PREJUDICADAS. Ainda que a adesão ao PROUNI implique, para a instituição de educação, na necessidade de apurar o lucro da exploração com vistas a separar o resultado beneficiado pela isenção daquele sujeito à incidência tributária; descabe a revogação dessa isenção como decorrência da não apuração do lucro, quando provado que no período fiscalizado não há receitas sem o benefício da isenção Prouni, mormente na ausência de crime contra a ordem tributária. Em conseqüência resta prejudicada a análise das demais matérias provenientes destas receitas.
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ADESÃO AO PROUNI. ISENÇÃO FISCAL MANTIDA NA AUSÊNCIA DE CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. DEMAIS MATÉRIAS PREJUDICADAS. Ainda que a adesão ao PROUNI implique, para a instituição de educação, na necessidade de apurar o lucro da exploração com vistas a separar o resultado beneficiado pela isenção daquele sujeito à incidência tributária; descabe a revogação dessa isenção como decorrência da não apuração do lucro, quando provado que no período fiscalizado não há receitas sem o benefício da isenção Prouni, mormente na ausência de crime contra a ordem tributária. Em conseqüência resta prejudicada a análise das demais matérias provenientes destas receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 34 48 /2 00 9- 62 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10320.003448/200962 Acórdão n.º 1301001.674 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e reflexos oriundos de omissão de receitas e de falta de recolhimento de tributos, relativos aos anos calendário de 2005 e 2006, em face da suspensão da contribuinte da isenção programa Prouni. Conforme se depreende dos autos, foi inicialmente instaurado procedimento de fiscalização em razão da existência de indício de movimentação financeira incompatível com a renda declarada, ocasião em foram identificados fatos relevantes apontados no Termo de Constatação: Inicialmente a ação fiscal foi delimitada para o ano calendário de 2005, onde observei: Que o contribuinte apresentou DIPJ na forma do Lucro Presumido; Que a DIPJ acima referida foi apresentada quase na sua totalidade com os campos "zerados" notadamente os relativos a apuração dos tributos federais; Que o contribuinte apresentou DCTF semestrais sem quaisquer débitos, ou seja com os campos "zerados"; Que também apresentou DACON relativa a todos trimestres com os campos “zerados”; Que no Livro Registro de Apuração de ISS (RAISS) constam escrituradas receitas na ordem de R$ 12.837.477,07; Que não formalizou a opção pelo Lucro Presumido considerando não haver sido localizado nenhum pagamento no código específico (2089) e conforme o já relatado não houve declaração em DCTF, motivo pelo qual foi intimado a apresentar toda a documentação contábil relativa ao Lucro Real Trimestral conforme o artigo 13 da Lei n° 8.541/92 e artigo 1° da Lei n° 9.430/96, o que atendeu prontamente; Que na contabilidade apresentada o contribuinte reconheceu a receita escriturada no RAISS acima citado. Posteriormente a Ação Fiscal foi estendida ao Ano Calendário de 2006, considerando: Que o contribuinte cometeu os mesmos erros relatados para o ano calendário de 2005 no tocante a DIPJ, DCTF e DACON; Que foi detectado o agravante do mesmo ter apresentado a DIPJ original pelo Lucro Real Anual com os campos "zerados" em 27.06.2007, cujo ND é 0930926 e em 28.01.2007 retificoua declarandose como ISENTO DO IRPJ, conforme DIPJ de ND n° 1480507; Que foi constatado no Livro RAISS receitas escrituradas no montante de R$ 13.332.747,83 (2006). c) O contribuinte ao declarar para a Fazenda Nacional por dois anos calendários consecutivos valores "zerados" prestou declaração falsa, pois constatei que tanto em 2005 e 2006 a mesma possuía faturamento considerável e com tal procedimento suprimiu e/ou reduziu tributos, ficando incursa aos ditames da Lei n° 8.137/90. Ressaltese que no ano calendário de 2006 o mesmo não satisfeito em apresentar declarações "zeradas” apresentou Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 DIPJ retificadora para ISENTO apesar de ter faturado no período o montante de R$ 13.332.747,83. Cientificada pessoalmente do referido termo (fl. 8), a empresa fez juntar os documentos de fls. 91/98, e anexos, em que apresenta suas explicações. Após a devida análise, externada na Informação Fiscal de fls. 326/330, a Delegacia"da Receita Federal do Brasil em. São Luís (DRF/SLS) entendeu que era devida a suspensão da referida isenção, fazendo publicar o referido Ato Declaratório Executivo DRF/SLS 30, de 27/08/2009, com fundamento na IN/SRF 456/24004,.em razão do descumprimento das obrigações previstas no § 2° do art. 1o. e art. 3o. da mesma instrução normativa, bem como pela prática de atos que configuram, em tese, crime contra a ordem tributária. Os mesmos fatos que ensejaram a suspensão da isenção também ensejaram a qualificação da multa de ofício (150%). O lançamento de IRPJ alcança a omissão de receitas da filial, a omissão de presumida pela não comprovação dos depósitos bancários e a glosa de despesas operacionais. Os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS alcançam apenas a omissão de receitas presumida pela não comprovação dos depósitos bancários; O lançamento para exigir CSLL sobre a omissão de receitas da filial e sobre a glosa de despesas operacionais encontrase formalizado no processo 10320.003447/200918; Os lançamentos para exigir PIS e COFINS sobre a omissão de receitas da filial encontramse formalizados no processo 10320.003448/200962. Na impugnação, em resumo, alega: O profissional contratado pelo impugnante para realizar a contabilidade da empresa, em 2005, enfrentou dificuldades em lidar com a isenção recémcriada pela Medida Provisória n° 213/2004. Ele dirigiuse, incontáveis vezes, à Receita Federal do Brasil para obter esclarecimentos, mas não logrou um posicionamento consolidado, razão pela qual optou, à revelia do impugnante, em apresentar as declarações incompletas, tempestivamente, e retificálas posteriormente. Esse procedimento teve a intenção tãosomente de evitar o descumprimento das obrigações acessórias, sem causar qualquer dano ao erário, considerando a situação de isento do impugnante Contudo por erro as retificações não foram realizadas. 2. Esse erro não admite o dolo, necessário para a configuração de crime, apontado no Ato Declaratório. O dolo é afastado pelo fato do impugnante ter apresentado os valores corretos na declaração retificadora do ano calendário de 2006, embora tenha errado em optar pela declaração de isento, alem de ter apresentado os valores corretos nas declarações dos anos calendários de 2007 e 2008, após a contratação de outro profissional da contabilidade. Também afasta o dolo .o fato do impugnante ter devidamente escriturado toda a sua movimentação contábil. Há jurisprudência do STF entendendo que o crime contra a ordem tributária verificase apenas se houver o resultado material, supressão ou redução do tributo, o que não ocorreu neste caso. A IN SRF 695 de 14 de dezembro de 2006, dá ao contribuinte a oportunidade, após intimação da SRF, de corrigir ou suprir a omissão da DCTF, mas não foi dada essa oportunidade ao impugnante. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10320.003448/200962 Acórdão n.º 1301001.674 S1C3T1 Fl. 13 5 Houve. apenas o descumprimento, de uma obrigação acessória. A perda da isenção seria uma sanção drástica que feriria de morte os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, dada a discrepância existente entre a falta cometida e a dimensão da penalidade. Vale .ressaltar que a finalidade do Prouni (concessão de bolsas de estudo) está sendo fielmente cumprida, conforme pode ser comprovado através dos assentamentos carreados. Todas as receitas do impugnante são alcançadas pela isenção do Prouni, não havendo necessidade de segregação de receitas, conforme determina o artigo 1o. e 2o. da IN SRF 456 de 2004. Tal fato foi constatado por empresa contratada para apuração do fato, conforme laudo técnico anexado. ... Os referidos depósitos bancários para serem considerados receita tributável é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como receita ou renda consumida. Ou seja, mesmo após o advento da Lei 9.430/96 os depósitos bancários, não constitui, por si só, fato gerador do imposto de renda. A multa de 150% aplicada representa a utilização da tributação com efeito confiscatório. A DRJ FORTALEZA (CE) decidiu a matéria através do Acórdão 0819.451, de 30 de novembro de 2010, julgando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa. ASSUNTO:NORMAS GERIAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano 'calendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Não comprovada pela fiscalização a existência de dolo, descabe a multa qualificada de 150%, impondose a aplicação da multa de 75%. JUROS DEMORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Já foi pacificado, na esfera administrativa, que, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao órgão ,administrativo de julgamento a discussão de constitucionalidade de lei, que está devidamente fundamentando o lançamento tributário, salvo quando ela já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do relatório que antecede este voto, trata o presente processo do lançamento de PIS e COFINS decorrente de falta de recolhimento/insuficiência de recolhimento ou declaração de receitas da filial. A peça recursal envolve os quatro processos citados no relatório, e repete as argumentações iniciais (impugnação), aduzindo como fato novo e precedente específico os fundamentos do Acórdão 1402001.156, Sessão de 08/agosto/2012, citandoo como paradigma ao seu caso concreto (suspensão da isenção Prouni). Ressaltese que a presente lide encontrase relacionada diretamente com a matéria julgada nesta mesma sessão, no processo n° 10320.001356/200948, qual seja: suspensão da isenção de tributos da recorrente, anos calendário de 2005 e 2006, ambos relatos por este relator, e ao contrário da decisão recorrida encaminhei meu voto no sentido de cancelar a suspensão da isenção em questão. Neste passo, prosseguirei minha análise no pressuposto, em tese, do restabelecimento da isenção dos tributos a que se refere. Digo isto, pois muitos dos argumentos trazidos pela recorrente dizem respeito ao mérito analisado naquele processo (n° 10320.001356/200948). Aqui, a ora recorrente da mesma forma que na impugnação, não questiona a omissão de receitas da sua filial em Imperatriz e, também, não questiona a glosa das despesas escrituradas. Por outro lado, traz sua irresignação sobre a omissão de receitas presumida pela existência de depósitos bancários não comprovados, a qualificação da multa de ofício (150%) e a utilização da Taxa Selic para o calculo dos juros moratórios. Passo a análise de cada item contestado. 1. RECEITAS TRIBUTÁVEIS Extraise do Termo de Encerramento Fiscal (fls. 42): “A perda do benefício fiscal aqui analisado acarretou ao sujeito passivo as seguintes conseqüências: a) Tributação de todas as receitas advindas da prestação de serviços educacionais como contribuinte normal sem quaisquer isenções para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; b) Qualificação da multa de ofício para l50%(cento e cinqüenta por cento) em face de comprovação do crime contra ordem tributária nos termos do Inciso II, artigo 44 da Lei n° 9.430/96 e conseqüente Representação Fiscal para Fins Penais a ser remetida ao Ministério Público obedecendo à legislação em vigor.” Fl. 582DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10320.003448/200962 Acórdão n.º 1301001.674 S1C3T1 Fl. 14 7 Constatase do auto de infração que os valores tributáveis que o compõe são decorrentes, neste processo, das receitas escrituradas pela contribuinte nos anos de 2005 e 2006 (falta de recolhimento/insuficiência de tributos). Acontece que a legislação pertinente, de que trata a isenção em exame (Prouni), determina que a mesma (isenção) recairá sobre o lucro para o IRPJ e CSLL e sobre a receita auferida decorrentes da atividade de ensino superior para o PIS e COFINS (art. 8o. § 1o.). Portanto, subsistindo a isenção analisada nesta sessão de julgamento no processo n° 10320.001356/200948, levandose em consideração que toda receita da contribuinte é incentivada (provém da atividade de ensino superior), no caso, não há matéria tributável. Com efeito, resta prejudicada de análise os demais itens (MULTA DE OFICIO QUALIFICADA e TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS). Concluindo e diante de tudo o quanto exposto voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, visto que cancelada a suspensão da isenção em causa no julgado do processo n° 10320.001356/200948 (nesta mesma sessão). (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 583DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10469.730872/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RENDIMENTOS. DISTRIBUÍDOS A SÓCIOS. SEM INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA NA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NAS PESSOAS FÍSICAS BENEFICIÁRIAS.
A não incidência do imposto de renda de que trata o art. 10 Lei nº 9.249, de 1995 refere-se a rendimentos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Não se aplica a situação em que os valores restituídos ou distribuídos aos sócios sejam decorrentes da incorporação e transformação de superávit de uma associação em lucro de uma sociedade. Neste caso, os lucros incorporados ao capital e restituídos ou distribuídos aos sócios, por não terem sido objeto de tributação na pessoa jurídica, estão sujeitos à tributação nas pessoas físicas que os receberam.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICABILIDADE.
Aplica-se a multa qualificada, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência das condutas intencionalmente conduzida com o objetivo de reduzir ou suprimir tributo.
LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora.
Numero da decisão: 2201-002.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA (Relatora), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. O Conselheiro GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) fará declaração de voto.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora
Assinado digitalmente
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Redator designado.
EDITADO EM: 28/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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DISTRIBUÍDOS A SÓCIOS. SEM INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA NA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO NAS PESSOAS FÍSICAS BENEFICIÁRIAS. A não incidência do imposto de renda de que trata o art. 10 Lei nº 9.249, de 1995 referese a rendimentos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Não se aplica a situação em que os valores restituídos ou distribuídos aos sócios sejam decorrentes da incorporação e transformação de superávit de uma associação em lucro de uma sociedade. Neste caso, os lucros incorporados ao capital e restituídos ou distribuídos aos sócios, por não terem sido objeto de tributação na pessoa jurídica, estão sujeitos à tributação nas pessoas físicas que os receberam. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICABILIDADE. Aplicase a multa qualificada, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência das condutas intencionalmente conduzida com o objetivo de reduzir ou suprimir tributo. LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA (Relatora), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e GUSTAVO LIAN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 73 08 72 /2 01 2- 02 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. O Conselheiro GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) fará declaração de voto. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora Assinado digitalmente FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Redator designado. EDITADO EM: 28/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 02 a 24, lavrado em 12/11/2012, exigese do Contribuinte PAULO VASCONCELOS DE PAULA, o montante de R$ 4.828.882,06 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 2.237.221,10 de juros de mora e R$ 7.243.323,24 de multa de ofício qualificada, totalizando R$ 14.309.426,50 (atualizados até a data da autuação) referente ao anocalendário de 2007. O lançamento decorreu em razão de omissão de rendimentos recebidos de sócios de empresa (lucros). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 a 24), a fiscalização teve como objeto as implicações tributárias no âmbito da esfera do Contribuinte (pessoa física) em face da operação de redução de capital social da APEC (Associação Potiguar de Educação e Cultura), em 13/11/2007, sociedade na qual o Contribuinte era sócio. A APEC fora constituída em 14/09/1979 na forma de associação civil sem fins lucrativos. O Contribuinte e sua cônjuge, à época (Jurema Mesquita Cansanção de Paula), eram associados da referida entidade. Por se tratar de entidade educacional sem fins lucrativos, a APEC goza de imunidade constitucional. Em 09/08/2007, os associados da APEC (Contribuinte e excônjuge) firmaram contrato de compra e venda de ações da APEC junto à sociedade unipessoal espanhola – IZE INVERSIONES BRAZIL SL, sendo que a venda das ações ao comprador restava condicionada ao fato de os vendedores (associados) transformarem a associação em Fl. 323DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 3 3 uma sociedade anônima. O referido contrato de compra e venda de ações não contemplou os imóveis pertencentes à APEC. Em 01/10/2007, Assembleia Geral Extraordinária (AGE) deliberou pela transformação da associação civil sem fins lucrativos em uma sociedade anônima, sendo o patrimônio dividido em 02 (duas) quotas, cada quota equivalente a 50% do capital social da APEC, para cada sócio (Contribuinte e sua excônjuge). Devido à ausência de documentos que comprovassem o efetivo numerário que o Contribuinte entregou à APEC, ainda enquanto associação civil sem fins lucrativos, para fins de sua Declaração de Ajuste Anual reportou as ações da APEC a custo zero, conforme disposto no art. 18 da IN/SRF nº 113/98. Em 31/10/2007 por intermédio de uma AGE, restou deliberado o aumento de capital da sociedade em R$ 39.070.542,43, sendo R$ 19.535.271,22 a fração que compete ao Contribuinte (inicialmente o aumento de capital fora da ordem de R$ 54.358.691,20, porém retificado em AGE datada de 30/04/2008). O aumento de capital decorreu da “capitalização integral da conta de superávit acumulado constante do patrimônio líquido da companhia”. O capital social da APEC antes ao aumento de capital era de R$ 50.000,00 e dividido em 50.000 ações sem valor nominal. Em 12/11/2007, em sede de AGE, a APEC subscreveu as quotas da empresa GUELMIM ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. e as integralizou com os bens imóveis no montante de R$ 17.582.489,00. O Contribuinte ingressou nos quadros societários da empresa GUELMIM ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. em 12/11/2007, sendo que essa empresa fora constituída em 20/12/2006. A referida empresa tem sede em São Paulo e capital inicial de R$ 500,00, sendo seus sócios originários Sr. Welson Nelson da Costa e Sr. Marcus Vinícius Prado. Em 13/11/2007, AGE deliberou pela redução do capital social da companhia no valor de R$ 35.164.978,00, sendo R$ 17.582.489,00 a fração que compete ao Contribuinte (inicialmente a redução de capital fora da ordem de R$ 38.092.522,00, porém retificado em AGE datada de 30/04/2008). Para tanto, foi entregue ao Contribuinte como redução de capital as quotas da sociedade GUELMIM ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA que representavam exatamente a fração que lhe competia na redução do capital, ou seja, R$ 17.582.489,00. Com base nos fatos acima e com fulcro no art. 3º da Lei nº 8.849/94, a fiscalização entende que a referida redução de capital deve ser considerada como distribuição de lucros/dividendos aos sócios (Contribuinte) por ter ocorrido em prazo inferior a 05 (cinco) anos de aumento de capital com lucros ou reserva. A fiscalização sustenta que o disposto no art. 10 da Lei nº 9.249/95, qual seja, que os lucros/dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior, não se aplica ao caso em questão. De acordo com o TVF, a isenção albergada no art. 10 da Lei nº 9.249/95 apenas se aplica quando o lucro distribuído já fora tributado na pessoa jurídica que o paga ou o Fl. 324DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 credita. Como o caso em questão trata de uma entidade de educação sem fins lucrativos, que goza de imunidade, o superávit que fora objeto do aumento de capital não sofrera tributação alguma de imposto de renda. Desta feita, defende a fiscalização que a redução de capital, considerada como lucro/dividendo distribuído, por força do art. 3º da Lei nº 8.849/94, deve ser tributada pelo seu beneficiário, no caso o Contribuinte (pessoa física). Assim, a fiscalização efetua o lançamento tributário considerando que a redução de capital da APEC deve ser tributada como lucro/dividendo distribuído por pessoa jurídica, não lhe sendo aplicada a isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95, pois o superávit capitalizado não sofrera tributação do imposto de renda, em face da imunidade constitucional. Adicionalmente, a fiscalização qualifica a multa de ofício por entender que o propósito e a forma das operações efetuadas pelo Contribuinte para reduzir o capital social da APEC tiveram o fim exclusivo de suprimir pagamento de tributo (aquisição da GUELMIM ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, subscrição e integralização das quotas da GUELMIM ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA pela APEC e redução de capital da APEC com as quotas da GUELMIM ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA). Acrescenta a isso o fato do curto espaço de tempo existente entre as referidas operações. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 13/11/2012 (fls. 213) e apresentou Impugnação (fls. 218 a 249) tempestiva em 11/12/2012, alegando que: · não foi comprovada a ocorrência do fato gerador, pois a omissão de rendimentos decorrente da devolução do valor de R$ 17.582.489,00 recebida da APEC foi apurada com base no art. 3º, § 4º, da Lei nº 8.849/1995, por meio de uma interpretação extensiva, que enquadrou a devolução de capital ao acionista, ora impugnante, como passível de tributação, apesar da isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/1995. · a fiscalização buscou apoio na interpretação do item 12 da exposição de motivos do art. 10 do PL nº 913/2005, do que resultou a Lei nº 9.249/1995, ferindo o princípio da legalidade e a regra relativa à interpretação literal das normas isentivas prevista no art. 111, II, do CTN. A afirmação de que a isenção para os lucros distribuídos prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é condicionada à prévia tributação dos rendimentos não encontra amparo em nenhum dispositivo legal. · “os acionistas não experimentaram ganho patrimonial algum em razão da transformação, eis que suas participações foram avaliadas em zero” (fls. 224), pois que ausentes os documentos a que se refere o art. 18 e seu parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 113/1998. · a participação adquirida, com custo zero, possibilitou o recebimento das quotas da Guelmim consubstanciadas em imóveis, pois “no negócio celebrado para a venda das quotas da APEC os imóveis não foram incluídos” (fls. 232). · informou, na declaração de bens de sua declaração de ajuste anual, o valor contábil da participação societária recebida , de acordo com o art. 22 da Lei nº 9.249/1995 e com o art. 61, I, ‘b’, da IN SRF nº 11/1996. · “a regra insculpida na IN SRF nº 11/96 autoriza o recebimento pelo mesmo valor da participação societária extinta (alínea ‘b’), permitindo ao contribuinte pessoa física optar pelo não pagamento imediato do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, podendo diferilo para o momento da efetiva percepção desse Fl. 325DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 4 5 ganho, quando a alienação de bens e/ou direitos recebidos (no caso sua participação societária na Guelmim)” (fls. 225). · como o custo de aquisição da participação societária na APEC foi igual a zero, nos termos do art. 18 da IN SRF nº 113/1998, o valor da participação extinta também é zero, conforme art. 61 da IN SRF nº 11/1996. · mesmo que o impugnante houvesse informado em sua declaração de bens a participação recebida pelo valor de R$ 17.582.489,00, tal acréscimo patrimonial seria isento por força da isenção prevista no § 4º do art. 22 da Lei nº 9.249/1995. Transcreve ementas do então Conselho de Contribuintes em favor de suas alegações. · ademais, o recebimento da participação societária não caracteriza disponibilidade econômica e sim mera potencialidade de renda, que apenas se materializará na alienação das quotas ou dos imóveis da pessoa física, pois os ganhos de capital somente sofrem tributação quando o valor de alienação for superior ao custo de aquisição. · o fato de os resultados (superávit) acumulados capitalizados e devolvidos ao contribuinte não terem sido submetidos à tributação na pessoa jurídica não enseja a tributação na pessoa física do acionista. A legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, novembro de 2007, é o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 e não o art. 3º, §4º, da Lei nº 8.849/1994, sendo que o referido art. 10 determina a tributação dos lucros apenas no âmbito das pessoas jurídicas. Já o mencionado art. 3º, § 4º, não é aplicável aos fatos geradores ocorridos em 2007, conforme regra do art. 142 do CTN. · de acordo com o art. 10 da Lei nº 9.249/1995, como a “restituição de capital sucedeu após 1996, ao passo que a APEC constitui pessoa jurídica tributada pelo lucro real, exsurgem integralmente preenchidos os requisitos da legislação vigente sendo, assim, indubitável que tal operação societária é abrangida pela isenção de que trata o referenciado dispositivo legal, eis que, vale reprisar, a restituição de capital equiparase à distribuição de lucros e dividendos” (fls. 230). · as disposições do art. 18 da IN SRF nº 113/1998 são aplicáveis, mesmo já havendo, no momento da versão do superávit acumulado, o capital de R$ 50.000,00 isto é “a incorporação ao capital social da pessoa jurídica tributada (constituída sob qualquer das formas admitidas em direito e com finalidade lucrativa) se opere pelo valor comprovado dos bens e direitos entregues para constituição da entidade educacional” (fls. 231). · no caso, ante a falta de comprovação de bens entregues, inclusive dinheiro, foi atribuído o valor zero à participação societária adquirida pela incorporação do superávit. · como o impugnante poderia “receber uma participação adquirida a custo zero por um valor maior, se não se comprovou aporte de valores (bens e direitos) para construção do superávit capitalizado, vez que esse decorre da entidade transformada” (fls. 232). · não se aplica ao caso a regra prevista no art. 169 da Lei nº 6.404/1976 pois a APEC tem seu capital estruturado em ações sem valor nominal. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 6 · quando a lei pretende tributar a totalidade dos lucros o faz de forma expressa, como sobressai do texto do art. 44, XIX, do RIR/1999, dispositivo já revogado pelo art. 36, V, da Lei nº 9.249/1995. · a multa qualificada foi indevidamente aplicada pois, para efetuar o pagamento da devolução de capital aos acionistas não foi utilizado qualquer artifício, nem praticada simulação ou evasão. Tanto a transformação societária da APEC quanto a aquisição, pelo defendente e pela Sra. Jurema, das empresas Guelmim e Biofa, assim como o negócio jurídico praticado com a Ice Inverziones, foram devidamente registrados, inclusive, quando pertinente, submetidos a registro público. As operações foram devidamente planejadas visando ao menor ônus tributário para o contribuinte, observando, todavia as disposições legais cabíveis. · não houve a intencionalidade da conduta ilícita prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, pois o fato de não terem sido informados os valores relativos ao recebimento da devolução de capital, a título de rendimentos isentos ou não tributáveis, não teve por fim ocultar a operação. · ainda que o aumento de capital fosse tributável, o dolo de omitir rendimentos não estaria comprovado, em razão da complexidade da matéria que requereu esforço interpretativo por parte da própria fiscalização. A defesa menciona jurisprudência do STF em apoio à sua explanação · a exigência de juros sobre a multa é indevida por afrontar as disposições contidas no art. 907, §2º, do RIR/1999, além de ser inaplicável por falta de previsão, como se depreende da leitura do art. 161 do CTN, do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e do §2º do art. 907 do RIR/1999. O impugnante transcreve jurisprudência administrativa para reforçar suas razões. A 1ª Turma da DRJ/REC, em 14/02/2013, em decisão de fls. 257 a 281, julgou a Impugnação improcedente. A decisão resta resumida em sua ementa. Confirase. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Fica sujeita à incidência do imposto de renda a parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que não corresponder a lucros ou dividendos distribuídos. RESPONSABILIDADE. BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. Constatada a remuneração efetuada à pessoa física do sócio ou acionista de natureza tributável, porém sem incidência tributária, o rendimento deve ser tributado na declaração de ajuste anual pelo respectivo beneficiário. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. As regras de interpretação da lei tributária impedem se dê interpretação extensiva às normas que contemplam hipóteses de desoneração tributária, como é o caso da lei isentiva, que deve ser interpretada literalmente. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, a incidência da multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada, por meio de Fl. 327DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 5 7 fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. JUROS INCIDENTES SOBRE MULTA APLICADA DE OFÍCIO Os créditos tributários não pagos até a data do vencimento serão acrescidos de juros de mora equivalentes à variação da taxa Selic. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. O Contribuinte foi notificado da decisão em 20/02/2013 (fls. 285), tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 20/03/2013 (fls. 289 a 305) alegando, em síntese que: · não houve acréscimo patrimonial na redução de capital com devolução em bens. Isso porque como a aquisição da participação na APEC foi inferior ao seu valor patrimonial (“custo zero”), a pessoa física pode manter na sua Declaração de Ajuste Anual o mesmo valor da participação extinta (art. 61 da IN/SRF 11/96), qual seja, “custo zero” (simbólico de R$ 1,00), sem ser obrigado a registrar o valor contábil registrado na APEC (art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95). · é inaplicável o art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94. Defende o Contribuinte que o referido dispositivo legal apenas teria aplicabilidade se a devolução do capital fosse pago em espécie. Sustenta que para fins de devolução de capital em bens há normas mais contemporâneas e especiais (art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95 e art. 61 da IN/SRF 11/96) que autorizam que a pessoa física mantenha o valor da participação extinta na sua Declaração de Ajuste Anual. · ainda que fosse entendida a redução de capital como distribuição de lucros/dividendos, os mesmos estariam albergados pela isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95. Pondera que o dispositivo legal não pontua o fato de que os lucros devem ter sofrido tributação na pessoa jurídica que os distribui para fins de validade da isenção. Por se tratar de regra isentiva, defende que deve ser interpretada literalmente conforme disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN). Entende ser incabível a autoridade tributária se socorrer da Exposição de Motivos da Lei para fins de imposição tributária. · ainda que houvesse o acréscimo patrimonial, esse deveria ser tributado como ganho de capital. Por hipótese, o Contribuinte defende que se houvesse optado por declarar os bens recebidos em razão da redução de capital pelo valor apresentado contabilmente pela APEC (R$ 17.582.489,00), tal acréscimo estaria sujeito às normas de tributação de ganho de capital. · a multa qualificada não deve ser mantida, tendo em vista que não houve ocultação dolosa de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, mas sim convicção de que a Declaração de Ajuste Anual e o tratamento tributário dispensado à operação encontramse em conformidade com a legislação tributária. · os juros de mora sobre a multa de ofício não devem prevalecer. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 8 O Contribuinte apresentou aditamento ao Recurso Voluntário que foi recebido com efeitos de Memoriais, por tratar de matéria de direito não enfrentada em sede de Recurso Voluntário. Na referida peça, o Contribuinte alega que como a autuação ocorreu com base no valor do superávit, houve um acréscimo da base de cálculo do tributo. Isso porque, na linha do entendimento da fiscalização, de acordo com o art. 10 da Lei nº 9.249/95 isentamse os lucros e não o superávit, por consequência lógica, devia se tributar os lucros e não o superávit. Assim, complementa sua defesa, para em eventual manutenção da autuação, que a base de cálculo seja reajustada com vistas a ser tributado o superávit deduzidas as despesas que podem ser devidamente comprovadas pelo Livro Diário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Não há preliminares a serem vencidas, adentremos ao mérito. 1. MÉRITO 1.1. Redução de Capital A fiscalização defende que a redução de capital da APEC deve ser tributada como lucro/dividendo distribuído por pessoa jurídica, pois ocorreu em prazo inferior a 05 (cinco) anos contado do aumento de capital com lucros ou reserva (art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94). Complementa que não cabe a isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95, pois o superávit capitalizado não sofrera tributação do imposto de renda, em face da imunidade constitucional. Por seu turno, o Contribuinte defende que: (i) não houve acréscimo patrimonial na redução de capital com devolução em bens. Isso porque como a aquisição da participação na APEC foi inferior ao seu valor patrimonial (“custo zero”), a pessoa física pode manter na sua Declaração de Ajuste Anual o mesmo valor da participação extinta (art. 61 da IN/SRF 11/96), qual seja, “custo zero” (simbólico de R$ 1,00), sem ser obrigado a registrar o valor contábil registrado na APEC (art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95), (ii) é inaplicável o art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94, pois para fins de devolução de capital em bens há normas mais contemporâneas e especiais (art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95 e art. 61 da IN/SRF 11/96) que autorizam que a pessoa física mantenha o valor da participação extinta na sua Declaração de Ajuste Anual e a tributação seja diferida quando da realização do bem e (iii) ainda que houvesse o acréscimo patrimonial, esse deveria ser tributado como ganho de capital. Por hipótese, o Contribuinte defende que se houvesse optado por declarar os bens recebidos em razão da redução de capital pelo valor apresentado contabilmente pela APEC (R$ 17.582.489,00), tal acréscimo estaria sujeito às normas de tributação de ganho de capital. 1.1.1. Da aplicação do art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 6 9 A fiscalização defende que a redução de capital é entendida como distribuição de lucros/dividendos por ter sido efetuada em razão de aumento de capital de lucros/reservas em período inferior a 05 (cinco) anos. O art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94 assim dispõe: Art. 3º Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas não sofrerão tributação do imposto sobre a renda. (...) § 4º Se a pessoa jurídica, dentro dos cinco anos subseqüentes à data da incorporação de lucros ou reservas, restituir capital social aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social ou, em caso de liquidação, sob a forma de partilha do acervo líquido, o capital restituído considerarseá lucro ou dividendo distribuído, sujeito, nos termos da legislação em vigor, à tributação na fonte e na declaração de rendimentos, quando for o caso, como rendimento dos sócios, dos acionistas ou do titular. (grifos nossos) O Contribuinte entende que esse dispositivo legal não deve ser aplicado ao caso, pois existe norma mais recente e específica que versa acerca da redução de capital com a entrega de bens. Assim, pugna o Contribuinte que seja afastada a aplicação do referido dispositivo legal e sejam aplicados o art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95 e art. 61 da IN/SRF 11/96 que tratam da redução de capital com entrega de bens. Confirase: IN/SRF 11/96 Art. 61. No caso de participação societária adquirida por valor inferior ao patrimonial, em que a pessoa jurídica que estiver devolvendo capital tenha optado pela avaliação a valor contábil, a pessoa física ou jurídica que estiver recebendo os bens ou direitos deverá proceder da seguinte forma: I se pessoa física, à sua opção: a) incluir, em sua declaração de bens, os bens ou direitos pelo valor pelo qual houverem sido recebidos, tributando como ganho de capital a diferença entre este e o valor declarado da participação extinta; ou b) incluir, em sua declaração de bens, os bens e direitos pelo mesmo valor da participação extinta. (grifos nossos) Lei nº 9.249/95 Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. (...) § 4º A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não Fl. 330DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 10 será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. De fato, ao meu sentir, o art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94 não parece o mais adequado ao caso em questão. A interpretação da norma jurídica segue um rito que deve ser observado. Assim, o princípio da especialidade preconiza que em face de norma mais específica e recente, abandonase a aplicação da norma de caráter geral e pretérita. O princípio da especialidade revela que a norma especial afasta a incidência da norma geral. Lex specialis derogat legi generali. A norma se diz especial quando contiver os elementos de outra (geral) e acrescentar pormenores. Não há leis ou disposições especiais ou gerais, em termos absolutos. Resultam da comparação entre elas, da qual se aponta uma relação de espécie a gênero. Ao cotejarmos a norma disposta no art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94 e aquelas dispostas no art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95 e art. 61 da IN/SRF 11/96, verificamos que as últimas são específicas em relação à primeira. Isso porque ao passo que o art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94 versa de uma situação genérica (redução de capital), o art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95 e art. 61 da IN/SRF 11/96 versam de uma situação específica, qual seja, redução de capital com a entrega de bens. Em face ao princípio da especialidade, a norma mais específica deve ser aplicada em detrimento da norma genérica. Desta feita, entendo que ao caso em questão deve ser aplicado o tratamento tributário disposto no art. 22, § 4º da Lei nº 9.249/95 e art. 61 da IN/SRF 11/96. Ademais, entendo que em face do advento do art. 10 da Lei nº 9.249/95, o art. 3º, § 4º da Lei nº 8.849/94 restou esvaziado, sendo aplicável apenas para os casos de resultados auferidos anteriormente a janeiro de 1996. 1.1.2. Da aplicação dos art. 18 da IN/SRF 113/98 e art. 61 da IN/SRF 11/96 O Contribuinte defende que devido à ausência de documentos que comprovassem o efetivo numerário que o mesmo entregou à APEC, ainda enquanto associação civil sem fins lucrativos, quando da sua transformação em sociedade anônima, o custo de aquisição da participação destinada ao Contribuinte foi reportado a “zero” na sua Declaração de Ajuste Anual (R$ 1,00 como valor simbólico), em face do disposto no art. 18 da IN/SRF 113/98. Confirase: Art. 18. A participação societária no capital social da pessoa jurídica resultante, relativa a cada um de seus sócios ou acionistas, será avaliada pelo valor em dinheiro ou em bens e direitos que houver entregue à instituição anteriormente imune ou isenta, para formação de seu patrimônio, comprovado com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor com o constante dos registros da referida instituição. Parágrafo único. Na ausência dos documentos comprobatórios a que se refere o caput, o valor da participação societária será considerado, para todos os efeitos tributários, igual a zero. (grifos nossos) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 7 11 Logo, quando da redução de capital da APEC, o Contribuinte se valeu do disposto no e art. 61 da IN/SRF 11/96 que autoriza a pessoa física manter bem recebido em devolução de capital pelo custo de aquisição do investimento da sociedade, cujo capital está sendo devolvido. Para tanto: (i) a participação societária deve ter sido adquirida por valor inferior ao patrimonial (o que de fato aconteceu com a participação da APEC, pois como o Contribuinte não conseguiu comprovar os aportes de numerários que efetuou na entidade enquanto associação civil sem fins lucrativos atribuiu “custo zero” a referida participação), (ii) a pessoa jurídica que estiver devolvendo capital tenha optado pela avaliação a valor contábil (o montante de R$ 17.582.489,00 é o valor contábil) e (iii) a devolução de capital ocorra com recebimento de bens ou direitos (a redução de capital foi efetuada com a entrega de investimento detido pela APEC). Desta feita, o Contribuinte atendeu ao disposto na legislação em vigor ao manter o custo do investimento recebido em devolução de capital como o custo do investimento na APEC. A tributação de eventual acréscimo patrimonial resta postergada para quando da realização do investimento recebido em devolução de capital. Diferente seria se o Contribuinte tivesse optado por reportar na sua Declaração de Ajuste Anual os bens recebidos em devolução do capital pelo valor que foram recebidos. Neste cenário, o acréscimo patrimonial apurado entre o valor dos bens recebidos em devolução de capital e o custo de aquisição reportado na Declaração de Ajuste Anual seria tributado como ganho de capital. Mas, essa não foi a opção do Contribuinte. O argumento da fiscalização, corroborado pela decisão da DRJ, no sentido de que o superávit da APEC não fora tributado e, por isso, a redução de capital deve ser tributada, sob pena do “ganho do superávit” não ser tributado, não encontra respaldo. Isso porque, de fato, não há uma tributação imediata quando da redução de capital, por força da interpretação combinada dos art. 18 da IN/SRF 113/98 e art. 61 da IN/SRF 11/96. Entretanto, quando da realização dos bens recebidos em redução de capital, eventual ganho nessa realização será tributado. Não se trata de nãotributação, mas sim do momento e da forma da tributação. A tributação é diferida para o momento da realização dos bens recebidos em devolução de capital e eventual acréscimo tributado na modalidade de ganho de capital. O fato de o Contribuinte ter participado uma empresa GUELMIM ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA – para fins de operacionalizar a redução de capital não altera o tratamento tributário a ser dispensado ao caso em questão. Suponhase que ao invés de receber quotas da empresa GUELMIM ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, o Contribuinte recebesse os bens imóveis da APEC. Em face do disposto no art. 61 da IN/SRF 11/96, tais imóveis também poderiam ser registrados na Declaração de Ajuste Anual pelo custo de aquisição da participação na APEC, não alterando o tratamento tributário aqui apresentado. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 12 Desta feita, entendo que eventual acréscimo de capital auferido em face da redução de capital da APEC em bens está sujeito ao ganho de capital e a tributação diferida para o momento da realização desses bens. 1.2. Multa Qualificada Por entender que o lançamento não deve prevalecer, resta prejudicada a análise da qualificação da multa. 1.3. Juros de Mora sobre Multa de Ofício Como restei vencida no mérito, enfrento o argumento subsidiário. O Contribuinte em antecipação já defende a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, em razão da ausência de respaldo legal, bem como se tratar de uma dupla penalização. A cobrança de juros sobre multa de oficio ocorre em face do Parecer MF nº. 28, de 02.04.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), cuja conclusão deixa exposto que: “O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3º, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições – inclusive, pois, relativos às multas de ofício não pagas nos respectivos vencimentos.” Contudo, essa conclusão parte de uma exegese equivocada, porquanto o art. 61 da Lei nº. 9.430/96 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de oficio, que não são espécie tributária, conforme previsão do art. 3º do Código Tributário Nacional. Assim, entendo não ser cabível a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Voto Vencedor Fl. 333DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 8 13 Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Reportome ao relatório e voto de lavra da ilustre Conselheira Relatora, de quem ouso divergir da tese que sustenta, na qual o contribuinte teria atendido ao disposto na legislação em vigor ao manter o custo do investimento recebido em devolução de capital como o custo do investimento na APEC, postergando o eventual acréscimo patrimonial para a ocasião de sua realização. As questões levantadas nos autos estão relacionadas à transformação de entidade imune em Sociedade Anônima, transformação da natureza jurídica da conta Superávit Acumulado em Lucros Acumulados, incorporação da conta de Lucros Acumulados ao Capital Social com posterior redução do capital e devolução do excesso aos sócios e, ainda, a aplicação de multa qualificada em decorrência do planejamento fiscal intencional para elidir a tributação, sobre a qual incidiu juros de mora. A autoridade fiscal considerou que a operação teria transmudado a natureza jurídica de superávit para lucro, incorporado ao capital da S/A, acarretando um acréscimo patrimonial aos sócios (o capital inicial passou de R$ 50.000,00 para R$ 39.120.542,34) sem que essa alteração tenha sido reconhecida na declaração de bens do contribuinte. Assim, lavrou o auto de infração tendo por objeto a omissão de rendimentos/lucros recebidos pelos sócios, com base no art. 3º, § 4º, da Lei nº 8.849, de 1994, com as alterações introduzidas pela nº 9.064, de 1995, e do art. 43 do CTN, ressaltando que a incorporação de lucros não tributados ao capital, com a posterior redução e restituição aos sócios, dentro dos cinco anos subsequentes à incorporação, seria considerado como rendimento das pessoas físicas sujeito à tributação, na declaração ou na fonte, conforme legislação então vigente. O contribuinte argumenta que, por ocasião da transformação do Patrimônio Social da APEC em Capital Social da Sociedade Anônima, devido à ausência de documentos que comprovasse a efetiva entrega de numerários no ato da integralização, foi considerado o valor zero como custo de aquisição de tais ações, nos termos da IN 113/1998, sendo o “superávit acumulado” convertido em capital social em 31 de outubro de 2007, recebendo o recorrente as cotas da Guelmim então avaliadas em R$ 17.582.489,00. Entretanto, a redução do capital social da APEC teria sido realizada com base no art. 22, §2º da Lei nº 9.249, de 1995, sendo informado na DIRPF os bens avaliados nos termos do art. 61 da IN SRF 11/1996, que permite o registro dessa opção quando a participação societária tiver sido adquirida por valor inferior ao patrimonial. Nesse aspecto, é importante salientar que o art. 61 da IN não trata genericamente da devolução do capital em si, mas, especificamente, da aquisição de participação societária com deságio, com posterior devolução dessa participação (quotas ou ações). Tanto a alínea “a” quanto a “b” da citada IN se refere a “participação extinta”, e no presente caso não houve devolução ou extinção de participação no capital, e sim a entrega de bens e direitos em contrapartida à redução do valor. Também, como justificou a fiscalização, há uma clara distinção entre a expressão “devolução de participação no capital social”, referido no art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, e a simples devolução de capital proveniente de uma redução motivada “por ser excessivo às necessidades decorrentes do exercício das atividades compreendidas no objeto social da Companhia”, nos termos do disposto nos artigos 173 e 174 da Lei das S.A., como consignado no item 5, alínea (i) da Ata da AGE realizada em 13 de novembro de 2007. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 14 Observase que, no presente caso, o número de ações, tanto no aumento quanto na redução, permaneceu o mesmo, não ocorrendo extinção, total ou parcial, da participação, e os sócios permaneceram com o mesmo percentual de participação no capital social da APEC. Portanto, em nenhum momento, houve devolução de participação societária, já que os sócios permaneceram proprietários das 50.000 ações. Caso o contribuinte tivesse declarado corretamente o valor de sua participação no capital social da APEC, ao menos pelo custo contábil de R$ 19.046.261,00, na redução efetuada apenas faria a substituição em sua declaração de bens parte do valor pelas quotas da Guelmim. Porém, ao contrario disso, o contribuinte declarou como quotas de capital da empresa Guelmim apenas R$ 500,00 em 31/12/2007. O recorrente justifica que optou por registrar as 17 milhões de cotas da Guelmim recebidas em devolução do capital social da APEC pelo mesmo valor da participação extinta (zero) e, mesmo após a redução de capital da APEC, continuou proprietário das 25.000 ações, que permaneceram declaradas pelo valor (simbólico) de R$ 1,00, bem como das cotas da Guelmim, a um custo de R$ 500,00. Porém, o fato jurídico defendido pelo recorrente não condize com os fatos descritos dos autos. Primeiro, porque não houve participação extinta na APEC. Segundo, porque o recorrente omite o aumento do capital social com a incorporação dos lucros acumulados. Sua participação não é de R$ 25.000,00 ou R$ 1,00, como informado, e sim de R$ 19.560.271,17, conforme consta na ata da assembléia do dia 31 de outubro de 2007. Tanto é que, na redução, recebeu como pagamento as quotas detidas pela APEC na Guelmim, no valor de R$ 17.582.489,00 (AGE da APEC S.A. de fls. 76 a 79 e sua rerratificação de fls. 81 a 114). Quando ocorreu o aumento do capital, de R$ 50.000,00 para R$ 39.120.542,34, com a incorporação da conta Lucros Acumulados, a participação do recorrente aumentou em valor. Isso estaria resguardado pelos rendimentos isentos e não tributáveis na sua declaração de imposto de renda apenas se estivessem abrangidos pelos critérios inseridos no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995. Ou seja, se o imposto fosse apurado com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Fora disso, o lucro incorporado ao capital e restituído aos sócios está sujeito à tributação nas pessoas físicas que o receberam. Outro ponto defendido no recurso voluntário é a inaplicabilidade do art. 3º, 4º da Lei nº 8.849, de 1995, que seria empregado apenas se a devolução tivesse sido paga em espécie. O recorrente argui que para a situação existiriam regras mais específicas e posteriores, quais sejam, o art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995 e os arts. 60 e 61 da IN SRF 11, de 1996, que permitem às pessoas físicas reconhecer os bens recebidos em devolução de capital pelo valor da participação extinta. Porém, a referida lei, em momento algum, se refere a pagamento em espécie, como interpretado pelo contribuinte. Também, o tratamento dado aos bens a que refere o art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995 e a IN SRF nº 11, de 1996, são aplicáveis à restituição de capital decorrente da extinção (total ou parcial) da participação, isto é, quando os sócios se desfazem ou reduzem suas quotas ou ações (alienam), o que não é o caso. O acréscimo patrimonial obtido, por sua vez, tem suporte em rendimentos isentos e não tributáveis (art. 10 da Lei nº 9.249/95), haja vista ser oriundo de entidade imune. E a norma citada trata de isenção na distribuição, qual seja apuração do imposto com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Assim, o aumento da participação societária não foi consequência de distribuição de lucros ou de dividendos decorrentes da incorporação de lucros ou de reservas de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 9 15 lucros, como previsto na legislação tributária, e sim da transformação do superávit da Associação em lucros acumulados da Sociedade. O acréscimo patrimonial obtido, na qualidade de proventos de qualquer natureza, nos termos dispostos no art. 43, inciso II, do Código Tributário Nacional, é fato gerador do imposto de renda. Segundo essa regra, basta que haja a disponibilidade econômica ou jurídica, não é necessária a existência da disponibilidade financeira. A disponibilidade econômica traduzse pelo patrimônio acrescido e passível de avaliação econômica, sem importar se o direito já é exigível ou se o crédito seja duvidoso ou difícil de ser liquidado pelo devedor. O recorrente reforça o seu posicionamento defendendo que, por forca do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, os lucros e dividendos apurados a partir de 1º de janeiro de 1996 pelas pessoas jurídicas passariam a não mais estar sujeitos a tributação do imposto de renda. A restrição constante do §4 do art. 3º da Lei nº 8849, de 1995, seria inócua no caso em questão, pois o capital restituído teria passado a ser rendimento não tributável. O dispositivo condicionaria apenas que o rendimento não tenha sido tributado na pessoa jurídica que os distribuiu e, por regra isentiva, deve ser interpretada literalmente nos termos do art. 111 do CTN. Porém, a isenção preconizada no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995 não se aplica à entidade ora referida, cujo objetivo da lei, como expôs a auditoria, e evitar a dupla tributação. Ou seja, a não tributação e aplicável apenas às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, que não é o caso da APEC, que, à época, transformou o superávit em lucros acumulados, ora incorporados. Somente os lucros gerados a partir da transformação em 1º de outubro de 2007 poderiam entrar na regra prevista no dispositivo acima citado. Ou seja, para usufruir do benefício seria necessário que (i) o lucro tivesse sido apurado a partir de janeiro de 1996; e (ii) a pessoa jurídica fosse tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado. O recorrente argui que a tributação, se existisse, seria como ganho de capital e não rendimentos, mesmo que a APEC fosse isenta, como dispõe o art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, e a IN SRF nº 11, de 1996. Assim, mesmo que a redução do capital social tivesse resultado em acréscimo patrimonial jamais seria tributável. O art. 17 citado além de não contemplar as entidades imunes – posto que estas não podem distribuir seu patrimônio aos associados, mas a uma entidade congênere –, referese taxativamente à devolução de patrimônio. E, no caso em questão não ocorreu devolução de patrimônio aos sócios, mas, tãosomente, uma redução do capital social, sem redução de participação, sem desfazimento das ações. Também, como já explicado, não se aplica neste caso a IN SRF nº 11, de 1996. Assim, em resposta ao argumento do contribuinte, como não houve alienação da participação societária, nem como os sócios se retiram da sociedade, e sim uma simples redução no valor patrimonial das ações, permanecendo os sócios com o mesmo percentual de participação no capital da sociedade, não há que se falar em apurar ganho de capital. Mantido o lançamento, por voto de qualidade, foram apreciados os demais argumentos do contribuinte, quais sejam: a aplicação da multa qualificada, de 150%, e os juros sobre a multa de ofício. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 16 No que diz respeito à multa de ofício, a autoridade fiscal qualificoua por considerar que o contribuinte teve o objetivo de impedir ou retardar, de forma intencional, o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da Fazenda Pública. Já o contribuinte se defende dizendo não ter havido a intenção de omitir do conhecimento do fisco o acréscimo patrimonial decorrente da operação de devolução, já que as participações societárias junto à APEC S.A e à Guelmim Ltda. seriam isentos de tributação. E que, mesmo que tivesse ocorrido o referido acréscimo patrimonial, não seria caso de majoração de multa, uma vez que não houve qualquer omissão dos fatos, que estariam declarados, bem como por os atos citados encontraremse devidamente arquivados na Junta Comercial. Em relação a isso, não há dúvidas quanto à qualificação da multa de ofício. Analisando os autos, o que se vê não é uma mera omissão, erro ou equivoco do declarante, de direito ou de fato, que possa gerar dúvidas quanto à intencionalidade da operação, mas uma manobra detalhadamente planejada com o fito de omitir a real operação e esquivarse do pagamento do tributo devido. Por essa razão, deve ser mantida a multa de 150% na forma lançada. No que refere aos juros de mora sobre a multa de ofício, basta observar o disposto no art. 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Isso fica claro na Lei nº 9.430, de 1996, que, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora diz, expressamente, no parágrafo único do art. 43 ser possível tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos nossos) Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal punitiva encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de Fl. 337DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 10 17 juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha adotada pela Segunda Turma do STJ (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Também, no âmbito do CARF, destacamse as decisões das Primeira e Segunda Turmas da CSRF do CARF, bem como da Quarta Câmara da CSRF do antigo Conselho de Contribuinte: Acórdãos nº 910100.539, nº 920201.806 nº CSRF 0400.651. Portanto, correto o lançamento quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício. Assim sendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Francisco Marconi de Oliveira Declaração de Voto Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Quanto aos fatos, em breve resumo, extraio dos autos que a “APEC”, originariamente uma sociedade civil sem fins lucrativos, em outubro de 2007 foi transformada em Sociedade Anônima e, no mesmo mês, capitalizou o “superávit” acumulado, resultando em Ações na “APEC S/A.” para o recorrente. Em novembro de 2007, foi reduzido o capital da “APEC S/A.” e transferidas ao sócio, ora recorrente, participações (quotas) que a “APEC S/A.” detinha na “Guelmim”, pelo mesmo valor, ou seja, o recorrente deixou de possuir as ações que detinha na “APECS/A.” e passou a ter Quotas de Capital da “Guelmim”. Diante desses eventos, entendeu a fiscalização ter havido “Distribuição de Lucros” ao recorrente, uma vez que a redução de Capital na “APEC S/A.” aconteceu antes de 5 (cinco) anos da capitalização e, na sequência, concluiu que o valor da redução do capital seria “Rendimento”, fazendo incidir a tributação como “Acréscimo Patrimonial” com base nas Leis n.º 7.713/88 e 8.134/90. Pois bem, após detido exame dos autos, não vejo como dar sobrevida à exigência tal como formulada pelo fisco e mantida pela Delegacia de Julgamentos, ora recorrida, isto pelos seguintes motivos. Em primeiro lugar, tenho como equivocado o critério do fisco ao determinar a base de cálculo da incidência eis que “superávit” e “lucro” não se confundem, o que, aliás, é matéria pacífica no Conselho, à exemplo do julgamento que deu origem ao Acórdão n.º 10516357, assim ementado na parte que interessa. Acórdão nº 10516357 (28/03/2007) – 1º CCMF / 5ª Câmara “IRPJ Lançamento Base de Cálculo Lucro Real. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 18 A base de cálculo do imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica é o lucro real, arbitrado ou presumido e se a autoridade fiscal optar pela tributação com base no lucro real, o lucro deve ser apurado na forma do artigo 60 e seus §§ do Decretolei nº 1.598/77 e observância do disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 113/98 e, por consequência, a tributação do “superávit” correspondente à diferença entre as receitas e despesas não serve como base de cálculo por não constituir lucro real, nem lucro presumido ou arbitrado.” Grifos não do original Em segundo lugar, porque a partir de 1996 a distribuição de lucros não mais sofre tributação, isto por força do art. 10 da Lei n.º 9.249/95, sendo certo que eventual tributação dos resultados/lucros deveria ser dirigida à pessoa jurídica, jamais à pessoa física, restando evidente o erro na identificação do sujeito passivo. Diz o referido dispositivo legal: “Lei n.º 9.249/95 Art. 10 Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base calculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior.” Grifos não do original Nessa linha, é inaceitável que a Decisão da DRJ, ora recorrida, tenha negado vigência à norma legal (art. 10 Lei 9.249/95) ao prestigiar a equivocada interpretação da exposição de motivos feita pela fiscalização e que ficou assim grafadano Termo de Verificação Fiscal: ... “Ora, o disposto no art. 10 da Lei 9.249/95 só tem aplicabilidade se em alguma etapa (veja a exposição de motivos: “...completa integração entre pessoa física e pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa”) os rendimentos foram submetidos à tributação.” Sem dúvida e novamente, resta flagrante que eventual tributação não poderia atingir o sócio / pessoa física, mas tão somente (no caso IRPJ e CSLL)alcançar a pessoa jurídica“APEC S/A.” Em terceiro lugar, constato grave equívoco/contradição na decisão recorrida (fls. 271 item 24.2), quando disse: “Ressaltese que, ao contrário do que aduz a defesa, o §4º do art. 3º da Lei n.º 8.849/1994, com alterações promovidas pela Lei n.º 9.064/1995 é aplicável aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007 pois era norma válida e vigente à época da ocorrência do fato gerador, como determina o art. 144 da Lei n.º 5.172/1966.” Ora, se vigente em 2007 (data do fato gerador) a Lei n.º 8.849/94 para o tema “incorporação de lucros ao capital” e “redução do capital”, por óbvio, também era válida para a tributação nela prevista. Vejamos: “Lei n.º 8.849/94 Art. 2º Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no Fl. 339DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 10469.730872/201202 Acórdão n.º 2201002.471 S2C2T1 Fl. 11 19 País, estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. §1º O imposto descontado na forma deste artigo será: (Redação dada pela lei nº 9.064, de 1995) a) Deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa física, assegurada a opção pela tributação exclusiva; (Incluída pela Lei nº 9.064, de 1995). “ Grifos não do original Como se vê, mesmo que prevalecendo a equivocada posição da DRJ no sentido de que para o tema debatido nos autos vigia a Lei n.º 8.849/94, em 2007, também seria aplicável a tributação nela prevista, ou seja, de Fonte (exclusiva) à alíquota de 15%, jamais na Declaração / tabela progressiva com alíquota de 27,5%, o que evidencia, mais uma vez, que o sujeito passivo foi mal eleito pelo fisco. Em quarto lugar, a conclusão a que chegou o fisco de que a “Redução de Capital” evidenciaria “Acréscimo Patrimonial” capaz de presumir “Omissão de Rendimentos” e daí atrair os efeitos do Art. 43 do CTN e a incidência prevista nas Leis n.º 7.713/88 e 8.134/90, simplesmente esbarra em “impossibilidade lógica”. A razão é muito simples, inexiste na operação eleita pelo fisco como ilícita (redução de capital em 11/2007) qualquer acréscimo ou mutação no patrimônio do recorrente, porquanto este, que era possuidor de ações da “APEC S/A.”, passou a deter, na mesma proporção, Quotas de Capital da “Guelmim”, mera troca e/ou permuta patrimonial, nada mais. Para que fique mais claro, o fato indiciário que eventualmente se adequaria ao disposto no art. 43 do CTN e Leis 7.713/88 e 8.134/90 e, consequentemente, à exigência, tal como formulada pelo fisco, seria a capitalização do “superávit” na “APEC S/A.”, ocorrida em outubro de 2007, momento em que o recorrente passou a ter o que não tinha, ou seja, adquiriu as ações da “APEC S/A.”. Em quinto lugar, o único cenário em que a imputação fiscal com base na norma tido como infringida (Lei n.º 8.849/94) seria a tributação de lucros auferidos em 1994 e 1995, abstraindo a questão do conceito de “superávit”, período em que a Lei estava vigente para o tema, o que implicaria na manutenção parcial da exigência (redução da base de cálculo) caso se tivesse notícia nos autos dos valores de lucros correspondentes aos citados anos (94/95), se é que existiram. Em sexto lugar, de resto, simplesmente não vejo como abrigar no bojo da Lei n.º 8.849/94 as operações de que tratam os autos, ocorridas em 2007, porquanto, sem dúvida alguma, a matéria foi regulada em normas posteriores, mais precisamente no § 2º do art. 22 da Lei n.º 9.249/95 e no § 4º do art. 60 e art. 61 da Instrução Normativa n.º 11/96. Assim, plenamente convencido do desacerto da exação e firme nos fundamentos acima expostos, que considero mais do que suficientes para revelar a improcedência da ação fiscal, acompanho a Relatora e DOU integral provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 20 Assinado digitalmente Guilherme Barranco de Souza Fl. 341DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 28/10/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 16682.901300/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVO. INOCORRÊNCIA NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Se o fundamento trazido na peça de defesa para que seja decretada a nulidade do ato administrativo efetivamente não tem consistência, não há porque negar os efeitos jurídicos que dele decorrem.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. INSUFICIÊNCIA.
Ausente a comprovação, na íntegra, do direito creditório apontado para fins de compensação tributária, a homologação da extinção deve se dar na proporção do direito reconhecido, mormente na circunstância em que o contribuinte teve inúmeras oportunidades para demonstrar a procedência do seu pedido.
Numero da decisão: 1301-001.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada). O Conselheiro Valmir Sandri declarou-se impedido.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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AUSÊNCIA DE MOTIVO. INOCORRÊNCIA NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Se o fundamento trazido na peça de defesa para que seja decretada a nulidade do ato administrativo efetivamente não tem consistência, não há porque negar os efeitos jurídicos que dele decorrem. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento, há que se indeferir o pedido correspondente. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Ausente a comprovação, na íntegra, do direito creditório apontado para fins de compensação tributária, a homologação da extinção deve se dar na proporção do direito reconhecido, mormente na circunstância em que o contribuinte teve inúmeras oportunidades para demonstrar a procedência do seu pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada). O Conselheiro Valmir Sandri declarouse impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 13 00 /2 01 0- 04 Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.088 2 “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.089 3 Relatório TNL PCS S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu, em parte, pedido veiculado por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de declarações de compensação, em que a contribuinte busca extinguir débitos de sua titularidade com crédito decorrente de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário de 2005. Despacho Decisório emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJO), fls. 78/83, deferiu parcialmente as compensações pleiteadas, visto que de uma das parcelas que compunha o crédito (R$ 34.614.062,80 de retenções na fonte), apenas parte foi confirmada (R$ 4.376.125,92). Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 87/92), a contribuinte trouxe as seguintes alegações: que o despacho decisório seria nulo por não ter demonstrado os motivos para desconsiderar o saldo negativo retratado na declaração de IRPJ (DIPJ); que, em que pese o despacho ter indicado quais as retenções glosadas, não haveria qualquer explicação adicional que permitisse entender o porquê da glosa; que o despacho decisório nada mais fez do que o cruzamento de informações; que o despacho transferiria ao contribuinte o dever de comprovar a existência do crédito em sede de manifestação de inconformidade; que o despacho deveria ser declarado nulo, por ausência de fundamentação clara e precisa e violação ao direito de defesa; que pelo motivo da não localização de todas as retenções, o Fisco jogou sobre o ombro do contribuinte a tarefa de localizar todos os informes de rendimentos; que juntava a prova das retenções sofridas e declaradas na DIPJ; que, para que não restasse dúvidas, entendia ser necessária a baixa dos autos em diligência para comprovação dos fatos; que protestava pela juntada posterior de documentos. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.090 4 Objetivando aportar ao processo novos comprovantes de retenção e alegando ter havido erro de identificação da responsável pela retenção, a contribuinte juntou aos autos os documentos de fls. 291/305. A já citada 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1239.534, de 16 de agosto de 2008, pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Este instituto não se presta para comprovação de fatos nas situações em que o ônus da prova é do contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inocorre o cerceamento do direito de defesa diante da constatação de que o ato decisório de homologação parcial das compensações declaradas encontrase revestido das condições legais, bem como o contribuinte demonstra ter entendido os fundamentos do deferimento parcial do pleito. A Turma Julgadora de primeira instância, analisando a documentação apresentada pela contribuinte a partir da interposição da Manifestação de Inconformidade, reconheceu crédito adicional de R$ 27.966.669,90. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1.032/1.039), por meio do qual alega: que, para as retenções não confirmadas pela Turma Julgadora de primeira instância, apresenta a prova da sua ocorrência; que todos os informes de rendimentos trazidos aos autos se referem a retenções sofridas no anocalendário 2005 e estão devidamente contabilizadas; que, para comprovar o restante das retenções, apresenta o Razão da conta IRF sobre aplicações financeiras da incorporada PEGASUS TELECOM; que as retenções sofridas em nome da PEGASUS TELECOM devem compor o saldo negativo, uma vez que ela foi incorporada em novembro de 2005 e tais valores foram contabilizados como retenção na fonte na incorporadora; que, em razão do volume de documentos, entende ser necessária a “baixa” dos autos em diligência, para que restem comprovados os fatos narrados; A contribuinte reitera argumentos no sentido de que o despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal é nulo, haja vista a ausência de fundamentação clara e precisa e violação ao seu direito de defesa. Embora anexado em folhas precedentes, a contribuinte trouxe aos autos, ainda, o documentos de fls. 987/1.029, por meio dos quais busca complementar comprovação do imposto de renda incidente na fonte sobre rendimentos auferidos pela empresa PÉGASUS TELECOM e reitera o pedido de diligência. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.091 5 É o Relatório. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.092 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de compensação tributária em que o crédito apontado pela requerente diz respeito a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do ano calendário de 2005. Nos termos do indicado pelo Despacho Decisório de fls. 79, referido saldo negativo decorre de retenções na fonte no montante de R$ 34.614.062,80 e de pagamentos de antecipações obrigatórias (estimativas) no valor de R$ 2.074.278,99, perfazendo o total de R$ 36.688.341,79. Os pagamentos das estimativas foram confirmados, mas, em relação às retenções na fonte, a Demac/RJO só considerou o montante de R$ 2.301.846,93, de modo que só homologou as compensações até o valor do direito creditório reconhecido (R$ 4.376.125,92, que representa a soma de R$ 2.301.846,93 com R$ 2.074.278,99). Apreciando os argumentos (e documentos) trazidos pela contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade, a autoridade julgadora de primeiro grau deferiu em parte o pedido nela veiculado. Em primeira instância foram acolhidas as seguintes comprovações: i) diferença de retenção promovida pelo BANCO J. SAFRA S/A, no valor de R$ 101.434,80; ii) retenção efetuada pelo Banco do Brasil, no montante de R$ 2.370,00; iii) retenção efetuada pelo Banco Bradesco, no montante de R$ 21.743.441,16; iv) retenção efetuada pelo UNIBANCO, no valor de R$ 926.879,30, relativa a operações realizadas pela empresa PEGASUS TELECOM S/A, incorporada pela ora Recorrente em 30 de novembro de 2005 (a retenção foi admitida por ter sido efetuada em dezembro de 2005); v) retenção promovida pelo Banco ABN AMRO Real S/A, no montante de R$ 5.192.544,64, decorrente de operação com a empresa PEGASUS TELECOM S/A em dezembro de 2005. Assim, do total do saldo negativo indicado para compensação (R$ 36.688.341,79), foram comprovados pela Demac/RJO e no julgamento em primeira instância os seguintes montantes: Imposto de Renda Retido na Fonte: R$ 30.268.516,83 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.093 7 Estimativas: R$ 2.074.278,99 Total comprovado: R$ 32.342.795,82 A matéria objeto do recurso voluntário interposto, portanto, diz respeito aos seguintes valores remanescentes: a) R$ 3.891.480,15 – relativamente a tal diferença, assinala o voto condutor da decisão de primeira instância: [...] 23 O interessado indica retenção efetuada pelo Banco do Brasil (CNPJ 00.000.000/436992), no valor de R$ 25.637.291,36. Na DIRF consta somente o valor de R$ 2.370,00 (código 3426 fl. 318). Entretanto, nos documentos juntados pelo interessado as fls. 196 e 202 a 209, com a logomarca do Banco do Brasil, há a indicação de que as aplicações foram feitas em fundo de investimento do Banco Bradesco. A DIRF deste banco indica retenções na fonte no montante de R$ 21.743.441,16 (fl. 319), que confere com o informe de rendimentos juntado pelo interessado as fls 298/299. Portanto, é de se de reconhecer as retenções nas fontes, nos valores de R$ 2.370,00 e R$ 21.743.441,16, totalizando R$ 21.745.811,06. b) R$ 86.863,30 – quanto a tal valor, registra a decisão recorrida: [...] 25 No que se refere à retenção indicada como tendo sido feita pela Cia Aix de Participação, no valor de R$ 86.863,30, o interessado não apresentou qualquer documento, como também não consta na DIRF da empresa Aix informação em nome do interessado. Neste caso, não se reconhece o crédito, por falta de comprovação. c) R$ 367.202,52 – a justificativa que consta da decisão de primeira instância é a seguinte: [...] 26 Para o Banco Itaú BBA S.A. (CNPJ 31.516.198/000194) o interessado informa que sofreu retenções no valor de R$ 367.202,52 e junta os documentos de fls. 211/213 e 215/220. Analisando estes documentos verificase que todas as operações ocorreram em 2004 e que, com exceção do documento de fl. 213, não há qualquer IRRF. Adicionalmente é de se destacar que este banco não apresentou DIRF. Portanto, não há comprovação de retenção na fonte. Em resumo, temos o seguinte: DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO.....................................R$ 36.688.341,79 RECONHECIDO PELA DEMAC/RJO......................................R$ 4.376.125,92 RECONHECIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA.......................R$ 27.966.669,90 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.............................................R$ 4.345.545,97 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.094 8 Como já foi anotado, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário em 18 de novembro de 2011, e, posteriormente, em 24 de novembro de 2011, aditou razões, sendo que a anexação das referidas peças foi feita sem observância da ordem cronológica. No recurso voluntário propriamente dito, a contribuinte, em apertada síntese, alega que tem como comprovar todas as retenções sofridas no ano calendário de 2005; afirma que o despacho decisório é nulo, visto que não restou demonstrado os motivos para a desconsideração do saldo negativo; e, argumentando que a comprovação requerida envolve grande volume de documentos, requer a realização de diligência fiscal. Afasto, de imediato, a alegação de nulidade do Despacho Decisório de fls. 79/84, eis que no referido documento consta de forma clara a razão de não ter sido reconhecido a totalidade do direito creditório pleiteado (fls. 81), cabendo registrar que a própria contribuinte assinala na peça recursal que “...foi proferido o despacho decisório, reconhecendo apenas parcialmente o saldo negativo pleiteado no PER/DCOMP..., ao argumento de que não os sistemas da RFB não teriam localizado todas as retenções utilizadas para compor o saldo negativo, conforme quadro abaixo...” A Recorrente, inclusive, reproduz o quadro constante no despacho decisório, no qual consta o MOTIVO do reconhecimento parcial, qual seja, RETENÇÃO NA FONTE NÃO COMPROVADA OU COMPROVADA PARCIALMENTE. Equivocase a Recorrente quando afirma que os pagamentos efetuados a título de antecipação obrigatória (estimativas) não foram confirmados pela DEMAC/RJO (indevidamente nominada na peça recursal de DERAT), eis que também consta de forma expressa no Despacho Decisório combatido que os pagamentos correspondentes foram confirmados. Inexistente, pois, qualquer cerceamento do direito de defesa, até porque a contribuinte o exerceu (e ainda está exercendo) de forma plena, descabe falar em nulidade do ato administrativo em questão. No que diz respeito à comprovação, a contribuinte limitouse a anexar documentos que já haviam sido apreciados pela autoridade julgadora de primeira instância, não trazendo qualquer argumentação acerca dos motivos esposados na decisão recorrida para não reconhecer a totalidade do direito creditório pleiteado. No que parece ser um aditamento à peça recursal (documento protocolado em 24 de novembro de 2011), a contribuinte inicia suas considerações trazendo quadro que não guarda compatibilização com o direito creditório não reconhecido em primeira instância, eis que nele resta assinalado o valor de R$ 4.651.263,82 como “total não confirmado”, enquanto o montante efetivamente não aceito após análise na instância precedente totaliza R$ 4.345.545,97, como já visto. Inexiste, pois, total correlação entre os valores assinalados na decisão de primeiro grau e no citado quadro1. 1 O único valor que guarda correspondência com a decisão de primeira instância diz respeito à retenção supostamente efetuada por COMPANHIA AIX PART., no valor de R$ 86.863,30. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.095 9 Não obstante, assinala a Recorrente, in verbis: [...] Em relação aos informes de rendimento do Bradesco, o crédito decorre de IRRF sobre rendimentos auferidos na aplicação BRADESCO FIC, da incorporada PÉGASUS TELECOM junto ao Banco do Brasil. Nesse aspecto, para tornar inequívoca a prova dessa retenção, a Requerente vem juntar aos autos a cópia do informe de rendimento obtido junto ao próprio Bradesco FIC Multimercado Rio de Janeiro, onde se indica IRRF no exato valor de R$ 3.101.502,44 para o mês de novembro/2005 (doc nº 01). Oportuno destacar que tal valor não entrou na composição do saldo negativo da incorporada PÉGASUS TELECOM, conforme se pode verificar da análise de sua DIPJ 2005 (doc. nº 2) e de seu razão contábil (doc. nº 3). Assim, a Recorrente entende que a documentação juntada aos autos comprova, por si só, o saldo negativo de IRPJ utilizado no PER/DCOMP ora em análise, no respectivo anocalendário. Entretanto, em razão do volume dos documentos já acostados aos autos, e para que não restem dúvidas sobre o seu direito, a Recorrente reitera o pedido de baixa dos autos em diligência, para que se comprovem os fatos narrados. Primeiramente, não identifico razões para que o presente processo seja “baixado” em diligência, vez que a solução do litígio que ora se aprecia, no estágio em que ele se encontra, depende tão somente da análise de informes de rendimentos, documentos de fácil anexação, vez que é nisso que as decisões precedentes se fundam. Vêse que a única comprovação trazida pela Recorrente diz respeito ao informe de rendimentos identificado como “doc. nº 1”, anexado ao complemento de recurso apresentado em 24 de novembro de 2011. Ausente a correlação entre as retenções não aceitas indicadas na decisão recorrida e o quadro apresentado na peça recursal, depreendese que a comprovação trazida pela Recorrente está associada ao item 23 da referida decisão, no qual restou assinalado: [...] 23 O interessado indica retenção efetuada pelo Banco do Brasil (CNPJ 00.000.000/436992), no valor de R$ 25.637.291,36. Na DIRF consta somente o valor de R$ 2.370,00 (código 3426 fl. 318). Entretanto, nos documentos juntados pelo interessado as fls. 196 e 202 a 209, com a logomarca do Banco do Brasil, há a indicação de que as aplicações foram feitas em fundo de investimento do Banco Bradesco. A DIRF deste banco indica retenções na fonte no montante de R$ 21.743.441,16 (fl. 319), que confere com o informe de rendimentos juntado pelo interessado as fls 298/299. Portanto, é de se de reconhecer as retenções nas fontes, nos valores de R$ 2.370,00 e R$ 21.743.441,16, totalizando R$ 21.745.811,06. Embora a DIPJ anexada pela Recorrente comprove que, de fato, o imposto retido na fonte de R$ 3.101.502,44 não foi computado pela PÉGASUS TELECOM S/A, identifico duas razões para que tal valor não seja acolhido como integrante do crédito pleiteado no presente processo, quais sejam: Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 16682.901300/201004 Acórdão n.º 1301001.580 S1C3T1 Fl. 1.096 10 1ª) nenhum esclarecimento foi apresentado acerca do fato de o rendimento (R$ 20.676.683,04) e o correspondente imposto na fonte (R$ 3.101.502,44) também constar do documento de fls. 209, que integra o conjunto probatório (fls. 196 e 202 a 209) que serviu de suporte para o reconhecimento de R$ 21.743.441,16 por parte da autoridade julgadora de primeira instância; 2ª) ainda que o valor em questão não tenha sido considerado no montante de R$ 21.743.441,16, o que não pode ser verificado em virtude da ausência de detalhamento acerca das parcelas que integraram este total, por se tratar de retenção relativa à operação realizada na mesma data em que houve a incorporação da PÉGASUS TELECOM S/A pela ora Recorrente (30/11/2005), deveriam ter sido aportados aos autos documentos capazes de comprovar que os rendimentos do qual o citado imposto na fonte decorre foram efetivamente oferecidos à tributação pela requerente. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10925.903292/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 32 92 /2 00 9- 11 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903292/200911 Acórdão n.º 1803002.417 S1TE03 Fl. 79 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903292/200911 Acórdão n.º 1803002.417 S1TE03 Fl. 80 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903292/200911 Acórdão n.º 1803002.417 S1TE03 Fl. 81 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903292/200911 Acórdão n.º 1803002.417 S1TE03 Fl. 82 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903292/200911 Acórdão n.º 1803002.417 S1TE03 Fl. 83 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903292/200911 Acórdão n.º 1803002.417 S1TE03 Fl. 84 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 15374.724425/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXIGÊNCIA.
A compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a teor do art. 74, caput da Lei nº 9.430/96, exige que o direito creditório de titularidade do sujeito passivo seja passível de restituição ou ressarcimento por ocasião do encontro de contas, o que não se verifica quando aludido direito creditório se assenta em anterior compensação ainda pendente de aferição por parte da Administração Tributária, faltando-lhe, portanto, os atributos da liquidez e certeza.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Cons. Eloy Eros acompanhou pelas conclusões.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXIGÊNCIA. A compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a teor do art. 74, caput da Lei nº 9.430/96, exige que o direito creditório de titularidade do sujeito passivo seja passível de restituição ou ressarcimento por ocasião do encontro de contas, o que não se verifica quando aludido direito creditório se assenta em anterior compensação ainda pendente de aferição por parte da Administração Tributária, faltandolhe, portanto, os atributos da liquidez e certeza. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Cons. Eloy Eros acompanhou pelas conclusões. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 44 25 /2 00 9- 83Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Albergam estes autos declarações de compensação cujo direito creditório se refere a pagamento a maior verificado no mês de maio/2006, no montante de R$ 13.694.384,76. Segundo Parecer Demac/RJO nº 106/2012 (fls. 1503/1513), a compensação correspondente não foi homologada por inexistência do direito creditório apontado, tendo em conta que a DCTF original indicava um débito, para o mês de maio/2006, no montante de R$ 530.701.231,71, cuja liquidação se dera através de pagamento (R$ 494.115.248,40) e compensação (R$ 36.585.983,31), sendo posteriormente retificada para reduzir o valor devido para a quantia de R$ 517.006.846,95. Ocorre que, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, verificouse que as compensações indicadas (R$ 36.585.983,31) foram integralmente não homologadas, restando apenas o recolhimento de R$ 494.115.248,40, de maneira que o contribuinte era devedor de tributos e não credor, como pleiteava. Considerando que os despachos decisórios correspondentes foram contestados, ad cautelam a autoridade administrativa examinou, também, o direito aos créditos vindicados, à luz da legislação de regência, e concluiu pela sua improcedência em face da inclusão de diversos serviços que não se qualificariam como insumos, bem assim, pelo cômputo indevido de despesas com transportes de pessoas/equipamentos, traslados de produtos, apoio marítimo, mudanças de funcionários, afretamento de navios e balsas, gasodutos, despesas com praticagem, dentre outros, a título de despesas com armazenagem e frete na operação de vendas, uma vez que ora não se enquadravam nesta rubrica, ora não havia prova que se tratava de frete em operação de venda, mas sim transferência de produto entre estabelecimentos e plataformas da empresa. A par disso, a documentação apresentada, mormente os arquivos magnéticos, não permitiram certificar a correção das informações prestadas pelo contribuinte em seus DACONs. Em manifestação de inconformidade o contribuinte calcou sua defesa, como motivação do não reconhecimento do direito creditório, em três premissas: i) ausência de apresentação de documentação probatória, ii) créditos a títulos de serviços utilizados como insumos e iii) despesas de armazenagem e frete na operação de venda. A seu respeito asseverou que as compensações relativas ao montante de R$ 36.585.983,31 estavam com a exigibilidade suspensa por força de apresentação de recurso administrativo; que a Administração Pública se pautaria pelo princípio da verdade material, de modo que os esclarecimentos/provas apresentados pela recorrente seriam mais que suficientes para aferir o direito creditório invocado; que a classificação dos serviços como insumos deveriam guardar pertinência com a própria existência e manutenção da atividade econômica exercida pelo contribuinte, razão pela qual todos os valores glosados deveriam ser restabelecidos; relativamente às despesas de armazenagem e frete, alegou que houve equívoco na alocação de algumas rubricas, que deveriam compor os “serviços utilizados como insumo” e “locações de equipamentos”, erro material este que não prejudicaria ou impediria a apuração do crédito; e, que as despesas com frete não se restringiriam àquelas vinculadas à entrega das mercadorias/produtos, citando jurisprudência do CARF, mas também às despesas indispensáveis à sua movimentação interna, em razão da logística operacional da empresa. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ manteve o indeferimento mediante acórdão assim ementado: Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724425/200983 Acórdão n.º 3401002.734 S3C4T1 Fl. 11 3 “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. COMPROVAÇÃO. Os créditos decorrentes de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda podem ser descontadas pelo sujeito passivo da Cofins. Os gastos com frete para simples transferência de produtos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram créditos.” O recurso voluntário se limitou a reproduzir, com alguma variação, o teor da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Examinando atentamente o parecer conclusivo (1503/1513) que embasou o despacho decisório que não homologou a compensação ora reclamada, verifiquei que a principal razão para conclusão nele estampada repousa na efetiva ausência de direito creditório para a realização da compensação pretendida e não pelos demais motivos, visto que arrolados apenas de forma alternativa ante a possibilidade de revisão de sua conclusão, como extraio da seguinte passagem: “No presente caso, tendo em conta que a contribuinte originalmente declarou em DCTF a título de Cofins, código 6840, de maio de 2006, o montante de R$ 530.701.231,71, recolhendo o referido valor por intermédio de DARF e Declarações de Compensação, e posteriormente retificou o tributo devido para R$ 517.006.846,95, com efeito, é preciso que a contribuinte demonstre o seu direito creditório, até porque o art. 147 do CTN estabelece que a retificação de declaração por iniciativa do sujeito passivo, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do alegado erro. Importante esclarecer que, no presente momento, tendo em vista a não homologação das compensações que quitavam parte da Cofins em discussão, na importância de R$ 36.585.983,31, independente do resultado das verificações efetuadas neste Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 procedimento, o direito creditório pleiteado não tem fundamento, posto que o único pagamento liquido e certo feito pela contribuinte cingese ao DARF de fl. 317, cujo valor de R$ 494.115.248,40 é inferior ao montante declarado, seja na DCTF original, seja na DCTF retificadora. Convém ressaltar que tais compensações podem ter seus resultados revertidos na DRJ ou no CARF. Por oportuno, registrese que as duas Declarações de Compensação com os maiores créditos já foram apreciadas pela correspondente Delegacia de Julgamento, havendo sido mantida o resultado desfavorável à contribuinte, conforme mostra os acórdãos de fls. 327/353. Assim, realizarseá ainda a análise dos créditos de Cofins não cumulativa referentes: aos serviços de utilizados como insumos e às despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, conforme a legislação de regência, as informações e documentos trazidos em resposta às intimações e os dados constantes nos sistemas da RFB.” O recorrente, por seu turno, relativamente a esta circunstância, apenas destacou que o crédito em comento estaria em discussão administrativa e o crédito tributário respectivo com a exigibilidade suspensa, verbis: “Contudo, não assiste razão à Receita, como comprovado por meio das DCTFs e DACONs anexados à impugnação. Vale ressaltar que o valor de R$ 36.585.983,31, apontado pela Receita, referese a processos de compensações (PER_DCOMPs) que foram lançados na DCTF retificadora (vide página 121 do documento ‘DCTF_ret_05_2006’ DOC. 2 da impugnação), conforme tabela abaixo e DCOMPs: (...) As PERD/COMPs acima indicadas já foram objeto de análise pela RFB e já há despachos decisórios para as mesmas, e os respectivos processos encontramse com sua exigibilidade suspensa, pendente de julgamento.” Ou seja, o próprio interessado reconhece, ainda que indiretamente, que seu alegado direito creditório não era líquido, muito menos certo, por ocasião da efetivação da compensação, eis que ainda pendente de reconhecimento por parte da Administração Tributária. Para balizar o julgamento reputo conveniente trazer alguns dados fáticos acerca da compensação realizada. As declarações de compensação tratadas no presente processo são as seguintes: 37838.50606.300608.1.3.040845, transmitida em 30/06/2008 e retificada em 24/03/2011 pela DCOMP 39590.88180.240311.1.3.042010, e 24087.29152.240311.1.7.04 0665, que utilizou o pretenso resíduo de crédito. Neste diapasão, as compensações (e respectivos processos administrativos) que deram origem ao crédito utilizado nas declarações de compensação acima referenciadas, referentes a maio/2006, são as seguintes: Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15374.724425/200983 Acórdão n.º 3401002.734 S3C4T1 Fl. 12 5 DCOMP Parcela utilizada Parcela reconhecida Processo Administrativo 25314.10993.140606.1.3.049222 20.393.454,85 0,00 15374.724404/200968 04660.34525.140606.1.3.041366 14.685.895,86 0,00 16682.720192/201143 32413.06475.140606.1.3.048247 1.506.632,60 0,00 16682.720236/201135 Total 36.585.983,31 0,00 Do cruzamento dos dados disponibilizados é possível concluir que as declarações de compensação originárias do vindicado direito de crédito foram transmitidas, todas, em 14/06/2006. Em 30/06/2008 (data de transmissão da declaração de compensação tratada nestes autos) o contribuinte detectou o recolhimento em valor superior àquele efetivamente devido. Ocorre que, ao invés de proceder à retificação das declarações de compensação, uma vez que ainda gozava de espontaneidade para tanto, o contribuinte optou por reivindicar um direito de crédito que sequer havia sido reconhecido pela Administração Tributária. Ao adotar esse modus operandi equivocado, digase o contribuinte criou uma vinculação desnecessária e absurda entre o presente processo e aqueles relacionados no quadro acima, pois, ainda que fosse possível suplantar o obstáculo que se erige (inexistência do crédito) e prosseguir a discussão acerca do mérito das glosas realizadas, não haveria como reconhecer a procedência, por si só e de imediato, do direito arrogado neste processo, pois haveria a questão prejudicial consistente nas compensações examinadas naqueloutros, devendose, por essa imbricação, aguardar o seu encerramento para se confirmar a (in)existência dos créditos lá glosados, o que, a meu juízo, não se compagina com o escopo do instituto da compensação e sua sistematização pelos atos normativos baixados pela RFB. O quadro até aqui descortinado é o seguinte: a pessoa jurídica é devedora de Cofins, no período de apuração maio/2006, segundo a DCTF apresentada, do valor de R$ 517.006.846,95, à qual está vinculado, para sua liquidação, apenas um pagamento de R$ 494.115.248,40, de maneira que, abstraídas as compensações lá não homolgadas, o contribuinte ainda possuiria um crédito tributário exigível da ordem de R$ 22.891.598,55. Como pode, então, o contribuinte ser simultaneamente devedor (R$ 22.891.598,55) e credor (R$ R$ 13.694.384,76) do mesmo tributo, no mesmo período de apuração? Não há explicação lógicojurídica que justifique essa inusitada situação, a não ser um erro na tentativa de correção de outro. Aliás, o simples fato de estarse aqui discutindo o problema é o maior indicativo desta hipótese. O art. 74 da Lei nº 9.430/96, que hodiernamente regula a compensação no âmbito dos tributos administrados pela RFB, dispõe categoricamente que o crédito que possibilita a realização da compensação é aquele passível de restituição ou ressarcimento, à época de sua realização, o que não era o caso do “crédito” do mês de maio/2006, que somente viria a atender este requisito quando homologada a compensação lá realizada, seja através da aferição por parte da Administração Tributária, seja pelo transcurso in albis do prazo qüinqüenal para sua revisão. Até então, o que existia era uma compensação pendente, que, nada obstante possuir o condão de extinguir o crédito tributário, sujeitavase à condição Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 resolutória de sua ulterior homologação, não podendo gerar direito creditório algum, ainda que constatada compensação em valor maior que o devido. Em que pese a ausência de prescrição expressa destes atributos no art. 74 da Lei nº 9.430/96, é indubitável que o direito creditório passível de compensação deve ostentar algum grau de certeza e liquidez, como apregoa o art. 170 do Código Tributário Nacional, sem o qual não há sequer a possibilidade de se falar em compensação. Portanto, o procedimento correto a ser observado seria a retificação, além da DCTF e do DACON, das declarações de compensação respectivas visando reduzir o valor compensado, o que era perfeitamente possível à luz das disposições dos arts. 59 a 61 da IN SRF 600/05, vigente por ocasião dos fatos. Acentuo, por pertinente, que na data de transmissão da declaração de compensação tratada nestes autos, dia 30/06/2008, o contribuinte, como já dito, gozava de espontaneidade para retificar as declarações de compensação que geraram o crédito ora reclamado, uma vez que, salvo equívoco, não havia qualquer procedimento fiscal instaurado tendente a verificar a sua procedência. Em síntese, entendo inadmissível a realização de compensação cujo crédito utilizado seja proveniente de outra compensação ainda pendente de aferição por parte da Administração Tributária, como ocorre no presente caso. Convicto deste posicionamento, concluo ser inócuo, a par de despropositado, avançar no julgamento e debater o enquadramento dos gastos arcados pela recorrente como insumos, para fins de incidência não cumulativa da Cofins, haja vista que o próprio direito creditório, como demonstrado, por ocasião de sua utilização, não era passível de ressarcimento ou restituição e tampouco se mostrou existente. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003187/2009-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/03/2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
QUESTÕES APRESENTADAS NA IMPUGNAÇÃO. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE. SUSCITADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. ALÍQUOTA ZERO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO.
Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa e os pontos de discordância e as razões e provas que possuir devem ser apresentados na impugnação, conformando os limites objetivos da lide, precluindo o direito de fazê-lo na fase recursal.
Numero da decisão: 3803-006.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e em não conhecer do recurso, quanto à alegação de alíquota zero, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. QUESTÕES APRESENTADAS NA IMPUGNAÇÃO. LIMITES OBJETIVOS DA LIDE. SUSCITADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. ALÍQUOTA ZERO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa e os pontos de discordância e as razões e provas que possuir devem ser apresentados na impugnação, conformando os limites objetivos da lide, precluindo o direito de fazêlo na fase recursal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/03/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 31 87 /2 00 9- 60 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e em não conhecer do recurso, quanto à alegação de alíquota zero, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003187/200960 Acórdão n.º 3803006.552 S3TE03 Fl. 356 3 b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/03/2009 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 02/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 15/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003187/200960 Acórdão n.º 3803006.552 S3TE03 Fl. 357 5 Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003187/200960 Acórdão n.º 3803006.552 S3TE03 Fl. 358 7 Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência da alíquota zero sobre os produtos do código 9018.90.99 Como referido esta matéria não foi apresentada à apreciação do órgão de primeira instância. É consabido que a impugnação estabelece os limites objetivos da lide, de sorte que preclui a faculdade de o contribuinte defenderse quanto à matéria sobre as quais não fizer as alegações de fato de direito. Portanto, não há como conhecer deste mérito sem que sobre ele o órgão de primeira instância tenha se manifestado. Pedido de intimação no endereço dos advogados Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003187/200960 Acórdão n.º 3803006.552 S3TE03 Fl. 359 9 III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e por não conhecer do recurso, quanto à alegação de alíquota zero, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10670.720132/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, deve ser considerada como não impugnada a parcela do lançamento sobre a qual a parte interessada não se insurgiu, não podendo inovar em sede de Recurso Voluntário - sob pena de não ser conhecido seu recurso.
Numero da decisão: 2102-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por tratar de matéria preclusa, nos termos do voto da Relatora.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos
Presidente à época da formalização
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
Relatora
(acórdão reapresentado em meio magnético)
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Giovanni Christian Nunes Campos e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por tratar de matéria preclusa, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora (acórdão reapresentado em meio magnético) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Giovanni Christian Nunes Campos e Eivanice Canário da Silva.
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Recorrida DRJ BRASILIADF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, deve ser considerada como não impugnada a parcela do lançamento sobre a qual a parte interessada não se insurgiu, não podendo inovar em sede de Recurso Voluntário sob pena de não ser conhecido seu recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por tratar de matéria preclusa, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora (acórdão reapresentado em meio magnético) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Giovanni Christian Nunes Campos e Eivanice Canário da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 01 32 /2 00 7- 05 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01/05 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) incidente sobre o imóvel denominado Fazenda Santa Fé, em razão da revisão da DITR por ela apresentada para o exercício de 2004. Através deste lançamento, foi alterado o Valor da Terra Nua declarado pela contribuinte (sendo um novo arbitrado através do sistema SIPT), em razão da falta de apresentação de um laudo que demonstrasse o VTN declarado na DIAT, e que preenchesse todos os requisitos da ABNT, com fundamento e grau de precisão II. Além disso, foi reduzido o grau de aproveitamento da propriedade, em razão da falta de comprovação da área objeto de plano de manejo sustentado, conforme informada pela contribuinte em sua DITR. Foram alteradas as áreas declaradas pela contribuinte da seguinte forma: 2005 Declarado Considerado no lançamento Valor da Terra Nua 356.543,90 3.700.240,00 Área de exploração extrativa 3.690,00 0,00 Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou a impugnação de fls. 96/104, por meio da qual alegou, quanto ao arbitramento do VTN, que o mesmo laudo de avaliação foi apresentado à fiscalização para o ITR dos anos de 2003, 2004 e 2004, sendo que foi aceito para o primeiro ano (2003) e não foi aceito para os anos seguintes, gerando dois lançamentos. Alegou que o referido laudo fora elaborado nos termos da norma ABNT 14.653 3; 2004, discorrendo sobre os critérios necessários para que um laudo preencha os requisitos ditados pela norma. Concluiu então que o laudo apresentado não poderia ter sido desconsiderado, e que o arbitramento do VTN foi incorreto. No que diz respeito à glosa da área declarada como de exploração extrativa, alegou a Impugnante ter comprovado a existência da referida área, e que o plano de manejo fora devidamente aprovado pelo Ibama, o que seria a única condição imposta pelo art. 10, inc. VI, §5º da Lei nº 9.393/96. Requereu o julgamento da Impugnação em conjunto com aquela relativa às Notificações dos exercícios 2003 e 2005, com o cancelamento de ambas e da exigência do imposto. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Brasília decidiram pela parcial manutenção do lançamento, ao entendimento de que o laudo trazido pela Interessada deveria sim ser acolhido, porém, o VTN apontado no mesmo era 882,14% superior àquele declarado pela autuada, e bastante próximo daquele tomado pela fiscalização. Quanto ao grau de utilização a ser considerado para a apuração do imposto, entenderam que deveria ser acolhida a área de exploração extrativa declarada pela Impugnante, pois se o plano de manejo não vinha sendo executado, isto ocorria por determinação imposta pelo Instituto Estadual Florestal, e não por vontade dela. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10670.720132/200705 Acórdão n.º 2102000.794 S2C1T2 Fl. 247 3 Por este motivo, a Impugnação foi parcialmente provida, para que se acolhesse o laudo, fixandose o VTN do imóvel Fazenda Santa Fé em R$ 3.145.217,60. Inconformada com tal decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 208/217, por meio do qual alega que 100% da área da fazenda em questão está inserida no Parque Estadual Verde Grande, tratandose por isso mesmo de área de uso limitado – o que foi reconhecido até mesmo pela decisão recorrida. Por este motivo, deveria ser aplicado o disposto no art. 10 da Lei nº 9.393/96 para que a propriedade não se sujeitasse ao ITR. Afirmou que a decisão recorrida estaria equivocada por ter considerado as áreas de benfeitoria e de exploração extrativa como áreas tributáveis, já que as mesmas já teriam sido reconhecidas como áreas de interesse ecológico e por isso não estariam sujeitas à tributação, por serem isentas. Em seguida, discorreu sobre o entendimento do Conselho de Contribuintes acerca da possibilidade de retificação da Declaração do ITR quando é apresentada prova irrefutável pelo contribuinte da existência de área de interesse ecológico – alegando que tal linha de raciocínio leva em consideração o disposto no §7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96. Concluiu que os 4.625,30 hectares da fazenda seriam área de uso limitado e por isso não poderiam estar sujeitos à tributação pelo ITR. Desta forma, a decisão recorrida estaria equivocada, pois apesar de ter reconhecido este fato, deixou de considerar que a área era isenta. Discorreu ainda sobre a necessidade de busca do princípio da verdade real, pugnando, ao final, pela revisão da decisão recorrida, reconhecendose que 100% da Fazenda Santa Fé estaria localizada em área de interesse ecológico, sendo isenta do ITR. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 11.02.2008, como atesta o AR de fls. 207. O Recurso Voluntário foi interposto em 04.03.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo em que se discute lançamento de ITR incidente sobre o imóvel denominado “Fazenda Santa Fé” relativamente ao exercício de 2004. O lançamento foi motivado pela falta de apresentação de laudo que comprovasse o valor do VTN declarado pela Interessada, de forma que foi feito arbitramento do valor do mesmo através do SIPT, pela autoridade lançadora; e ainda pela falta de comprovação do cumprimento do plano de manejo sustentado. Com o julgamento de primeira instância, o lançamento foi Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 parcialmente reformado, para que fosse acolhido o laudo trazido pela Interessada, e ainda para que fosse revisto o grau de utilização considerado pela autoridade fiscal. Contra a decisão da DRJ, a Recorrente se dirige a este Conselho, agora sem tratar do valor do VTN (que motivou o lançamento) ou da área de exploração extrativa, mas para salientar que 100% da área da fazenda em questão está situada em área de interesse ecológico, desde 1998, razão pela qual o ITR não poderia incidir sobre a mesma. Pugnou pela aplicação do princípio da verdade material para que seu pleito fosse acolhido, já que a própria decisão recorrida já reconhecera a referida área como tal. A matéria discutida neste recurso, então, é diversa daquela discussão travada na decisão recorrida, pois as questões relativas ao valor do VTN e ao grau de utilização da terra – motivadoras do lançamento – não são mais motivo de insurgência por parte da Recorrente. De fato, a questão suscitada em sede recursal não fora aventada em sede de Impugnação, razão pela qual antes de analisar o pleito recursal, há que se analisar a possibilidade de análise do pedido da Recorrente, diante do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da leitura da Impugnação fica claro que a isenção da integralidade da fazenda quanto ao ITR não foi lá suscitada, razão pela qual é aplicável aqui a referida norma para considerar preclusa a matéria. Tratandose de matéria preclusa, não poderá a mesma ser conhecida por este Colegiado. Diante do exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do Recurso. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2010 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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