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Numero do processo: 12571.000014/2010-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.181
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS – mercado externo e que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno, referente ao 3º trimestre de 2007, no valor total de R$ 58.700,57. Com fulcro no crédito informado no Pedido de Ressarcimento, a contribuinte transmitiu Declaração de Compensação. A DRF em Ponta Grossa não homologou a compensação pois, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, constatouse a inexistência de créditos vinculados ao mercado externo. Segundo o despacho decisório recorrido, os créditos do período em Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 questão foram apropriados somente na rubrica “Outros Valores com Direito a Crédito”, em virtude das aquisições de grãos (milho, soja e trigo) de pessoas físicas e com a aplicação da alíquota da contribuição sobre o valor das exportações realizadas. A autoridade fiscalizadora entendeu que a Interessada não era uma empresa agroindustrial, e portanto, não poderia fazer jus ao aproveitamento do crédito pleiteado. A atividade desenvolvida pela empresa é a de comercialização de adubos, defensivos agrícolas e sementes, na matriz, e de cerealista na filial. Entendeuse, ainda, que faltava o cumprimento de outro requisito legal: “que os produtos sejam destinados à alimentação humana ou animal”. Como o crédito indicado é relativo à exportação e todos os produtos foram comercializados para empresas comerciais exportadoras, não ocorreu a destinação dos produtos à alimentação humana ou animal. A autoridade fiscal consignou que a contribuinte não faz jus ao crédito das cerealistas, tendo em vista que a partir de 01/08/2004 o crédito presumido das cerealistas está vedado pelo § 4º, do art. 8º da Lei 10.925/2004. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo o seguinte: "por tratarse de pedido eletrônico de ressarcimento de crédito, o contribuinte RATIFICA as suas razões em conteúdo na defesa dos autos processuais de n. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000". Assim, pretende que lhe seja assegurado o direito às retificações sem a incidência de penalidade, além de requerer a desclassificação do despacho decisório em virtude de manifesta nulidade das diligências em face do vício insanável do MPFF. A DRF em Curitiba reconheceu a conexão entre as demandas e apreciou todas as razões constantes nas impugnações dos processos ns. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 que, ao seu ver, guardassem relação com os motivos para o indeferimento do pedido de ressarcimento pela autoridade fiscal. A título de esclarecimento, os processos mencionados alhures dizem respeito aos Autos de Infração lavrados para a exigência de PIS e COFINS, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Verificouse, ainda, que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição, o que motivou o lançamento. Desta feita, foi analisado pelos julgadores de piso, a contestação das glosas do crédito, a nulidade alegada e o direito à retificação sem a incidência de penalidades, consubstanciada nos seguintes tópicos: “decadência”, “hermenêutica”, “créditos sobre bens para revendas”, “créditos utilizados como insumos”, “serviços utilizados como insumos”, “bens do ativo imobilizado”, “débitos apurados” , “grãos”, “das sementes” e “posição 2710 da NCM”. Por unanimidade de votos, acordaram os membros daquela DRJ, em considerar não formulado o pedido de diligência, não acatar as argüições de nulidade do procedimento fiscal e não acolher as razões de inconformidade, negando a solicitação de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12571.000014/201018 Acórdão n.º 3803000.181 S3TE03 Fl. 2 3 reforma do Despacho Decisório recorrido, de modo a manter a não homologação da compensação pleiteada. A ementa do julgado transcrevemos a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPRAS DE BENS DE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema da não cumulatividade da Cofins, não gera direito a crédito básico as compras efetuadas de pessoas físicas. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do §11 do. Art .3° da Lei n.° 10.833,de2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquirido diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na produção dos produtos especificados na lei, e , como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. AGROINDÚSTRIA. Somente a pessoa jurídica que produza mercadorias de origem animal ou vegetal., classificadas na legislação de regência, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculados sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NULIDADE.PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares e razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. COMPENSAÇÃO.HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente o corre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de transmissão da Dcomp. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetente s para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIA.PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não indica os quesitos referentes aos exames desejados. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Declarouse impedido o servidor José Ricardo Zilli, Auditor Fiscal responsável pelo despacho decisório em questão. Cientificada, apresentou recurso voluntário por meio do qual defende, em sede de preliminar, a nulidade do despacho decisório que culminou com o indeferimento do crédito, a nulidade da decisão de primeira instância por não ter autorizado o pedido de diligência fiscal bem como, quanto a impossibilidade de retificação pela autoridade fiscal de créditos e débitos anteriores a junho de 2005, tomando por vista que a glosa dos créditos e lançamento de débitos ocorreu em julho de 2010 (prescrição/decadência). No mérito, argumenta sobre a equiparação à empresa agroindustrial tendo em vista que a interessada realiza atividade de acondicionamento de grãos previamente selecionados e padronizados, após rigorosa limpeza e secagem. Defende, ainda, que o fato de a Recorrente adotar critério de apropriação do crédito presumido de PIS/COFINS baseado no valor das exportações realizadas, não retira o direito da correta apropriação dos créditos relativos às aquisições de grãos, tarefa que incumbi a à autoridade fiscal. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12571.000014/201018 Acórdão n.º 3803000.181 S3TE03 Fl. 3 5 Caso sejam superadas as alegações de prescrição/decadência, requer o direito ao crédito presumido das contribuições pela venda de grãos no período entre fevereiro e julho de 2004, argumentando seu reconhecimento pela delegacia de origem e pela DRJ. Por fim, argumenta a Recorrente que, considerando a inexistência de sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, devem ser considerados e atribuídos às receitas decorrentes das exportações, os créditos decorrentes dos outros custos ou insumos atribuídos a estas receitas pelo sistema de rateio proporcional, conforme a legislação de regência do PIS/COFINS. Reitera a observâncias dos argumentos expendidos nas impugnações constantes nos processos n. 12571.000200/201057e12571.000201/201000 e requer o acolhimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto O presente recuso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado acima, trata o feito de pedido de ressarcimento e declaração de compensação de créditos da COFINS – mercado externo que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno. A Delegacia de origem manifestouse pelo indeferimento total do crédito e a DRJ manteve o decisum. Contudo, a ora Recorrente em sua manifestação de inconformidade faz referência a defesa de outros 2 processos, os quais versam sobre a lavratura de autos de infração para a exigência de PIS e COFINS lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Ademais disso, foi verificado que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte. Da leitura do relatório do acórdão hostilizado que explicita o teor das impugnações a qual a contribuinte faz referência, observase que a ora Recorrente alegou uma série de ilegalidade e irregularidades com vistas a defender a nulidade do procedimento fiscal adotado o qual ensejou o lançamento, e portanto, a nulidade do próprio auto de infração. Observase, também, que o contribuinte se defendeu da glosa efetuada sobre a entrada de mercadorias adquiridas de pessoas físicas e dos bens e serviços utilizados como insumos, por ter o Fisco separado as atividades da matriz e da filial, sustentando que somente a cerealista poderia se creditar dos insumos. Defendeuse a ora Recorrente das glosas concernentes aos encargos com a depreciação dos bens do ativo imobilizado, crédito presumido das cerealistas, bem como a tributação dos produtos classificados na posição 2710 da NCM. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Naqueles processos, pugnou a Autuada pela reforma do indeferimento dos pedidos de ressarcimento e não homologação da declaração de compensação; de forma subsidiária requereu a desclassificação da autuação para infração formal de obrigação acessória, assegurado o direito à denúncia espontânea, bem como, a improcedência do auto de infração. Consoante preceitua o art. 103 do Código de Processo Civil, reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Neste caso, o julgador originário se torna prevento em relação a todos os processos relacionados com a matéria. Sabendose que de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal aplicamse as normas processuais civis, diligenciou este relator junto ao sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e verificou que os processos outrora mencionados foram julgados em 23 de maio de 2012, pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, cuja relatoria se atribuiu ao conselheiro Antônio Lisboa. Sabendose que as causas são conexas, e que aquele colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, cujo acórdão recebeu o nº 3301001.472 e que a decisão pode assistir aos interesses da ora Recorrente, voto no sentido de que o presente feito seja baixado em diligência a fim de que se informe o inteiro teor da decisão supracitada bem como possa verificar em que extensão os autos de infração e o decisum influenciam nos Per/Dcomps que ora se aprecia. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13227.720134/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2007
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE.
O frete entre estabelecimentos da mesma empresa é indispensável à atividade do sujeito passivo, configurando-se como frete na operação de venda, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3º, inciso IX c/c art. 15 da Lei nº 10.833/2003.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA.
Na apuração de PIS não-cumulativo, a prova da essencialidade e relevância do dispêndio cabe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a glosa ser mantida (art. 373, do CPC/2015).
EMBALAGENS DE TRANSPORTE. CRÉDITO. ART. 3° II, DA LEI 10.637/2002. POSSIBILIDADE.
As despesas incorridas com embalagens de transporte são insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, por serem essenciais e relevantes na produção de laticínios e logística. As embalagens de transporte garantem a qualidade dos produtos, mantendo a integridade, em virtude de seu rápido perecimento.
Numero da decisão: 3301-011.264
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos, serviços de remoção ou movimentação de produtos e embalagens de transporte. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário. Divergiu o Conselheiro Marcos Antonio Borges (suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário no tocante ao frete entre estabelecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.262, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13227.720136/2013-50, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2007 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE. O frete entre estabelecimentos da mesma empresa é indispensável à atividade do sujeito passivo, configurando-se como frete na operação de venda, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3º, inciso IX c/c art. 15 da Lei nº 10.833/2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. Na apuração de PIS não-cumulativo, a prova da essencialidade e relevância do dispêndio cabe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a glosa ser mantida (art. 373, do CPC/2015). EMBALAGENS DE TRANSPORTE. CRÉDITO. ART. 3° II, DA LEI 10.637/2002. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com embalagens de transporte são insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, por serem essenciais e relevantes na produção de laticínios e logística. As embalagens de transporte garantem a qualidade dos produtos, mantendo a integridade, em virtude de seu rápido perecimento.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos, serviços de remoção ou movimentação de produtos e embalagens de transporte. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário. Divergiu o Conselheiro Marcos Antonio Borges (suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário no tocante ao frete entre estabelecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.262, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13227.720136/2013-50, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
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INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE. O frete entre estabelecimentos da mesma empresa é indispensável à atividade do sujeito passivo, configurando-se como frete na operação de venda, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3º, inciso IX c/c art. 15 da Lei nº 10.833/2003. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. Na apuração de PIS não-cumulativo, a prova da essencialidade e relevância do dispêndio cabe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a glosa ser mantida (art. 373, do CPC/2015). EMBALAGENS DE TRANSPORTE. CRÉDITO. ART. 3° II, DA LEI 10.637/2002. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com embalagens de transporte são insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, por serem essenciais e relevantes na produção de laticínios e logística. As embalagens de transporte garantem a qualidade dos produtos, mantendo a integridade, em virtude de seu rápido perecimento. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos, serviços de remoção ou movimentação de produtos e embalagens de transporte. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário. Divergiu o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 01 34 /2 01 3- 61 Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 Marcos Antonio Borges (suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário no tocante ao frete entre estabelecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.262, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13227.720136/2013-50, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Por bem relatar os fatos, adota-se o relatório da decisão recorrida: Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara em parte o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. Segundo o relatório fiscal, a atividade do contribuinte consiste na produção de alguns tipos de queijo, manteigas, leites, bebida láctea e leite pasteurizado. Na fabricação de tais produtos, utiliza como insumos: leite in natura, citrato de sódio, cloreto de sódio, cloreto de cálcio, corante natural de urucum, fermento liofilizado e coalho. Da análise da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscalização informou em seu relatório que, não obstante o amparo legal que suporta parte do crédito pleiteado, identificou inconsistências que ensejaram as glosas, em síntese, comentadas a seguir: 1. A primeira está relacionada a gastos com fretes entre estabelecimentos da mesma empresa. O relatório dispôs que, dentre os documentos fiscais apresentados pelo contribuinte, havia diversos Conhecimentos de Transportes Rodoviários e Aquaviários de Carga que continham como remetente e destinatário estabelecimentos do próprio sujeito passivo. Assim, por não configurarem fretes sobre vendas e por falta de previsão legal, efetuou a glosa discriminando os valores no anexo I do relatório; 2. A seguinte diz respeito a gastos com serviços de remoção/locação de carretas/ contêineres e de instalações portuárias. Entendeu a fiscalização não serem considerados serviços de transporte de cargas ou frete, de modo que considerou incorreto o lançamento feito pelo contribuinte na rubrica “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”, efetuando, consequentemente, a glosa dos créditos relacionados a tais gastos; Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 3. Também considerou inadequada a apuração de créditos relacionados a compras de embalagens para acondicionamento e transporte, compreendidas as caixas de papelão e fitas adesivas. Entendeu que tais materiais não atendem ao conceito de insumo, conforme disposto na legislação; 4. Em relação aos gastos com óleo diesel (combustíveis), a fiscalização entendeu que, em vista da legislação vigente, não atendem ao conceito de insumo nem matéria prima. Destacou que não há ação direta do bem em questão sobre o produto em fabricação. Assim, procedeu à glosa dos créditos referentes aos gastos com combustíveis; 5. Também glosou créditos decorrentes de frete pago na aquisição de bens não utilizados como insumos. Destacou que o direito ao creditamento apenas ocorreria se os bens adquiridos fossem utilizados como insumos, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 669/06; 6. Quanto ao gasto com energia elétrica, entendeu a fiscalização que despesas diversas à energia em si não deveriam gerar créditos, como a contribuição de iluminação pública (Cosip), danos causados a medidor, despesas de postagens, prestação de serviços técnicos, taxa de vistoria, multas e juros. Desse modo, dispôs que não há previsão legal para apropriação de créditos relacionados a tais rubricas constantes das faturas de energia elétrica; 7. Em relação a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, constatou a fiscalização que os itens relacionados na linha 9 do Dacon (Sobre Bens do ativo imobilizado) não são efetivamente utilizados na produção de bens, tratando-se, em verdade, de materiais de construções, reformas, instalações, equipamentos usados em setores administrativos e na geração de energia. Diante disso, efetuou a glosa de encargos declarados nessa linha do Dacon; 8. Também efetuou a glosa do valor de R$ 248.885,68 referente à nota fiscal 121291 que o contribuinte teria utilizado em duplicidade (julho e agosto de 2007) na apuração de créditos das contribuições; 9. Em relação a despesas de armazenagem e frete na operação de venda, no mês de abril de 2007, verificou divergência entre o valor declarado em Dacon (R$ 392.334,81) e os documentos apresentados pela contribuinte (R$ 372.012,18). Constatou divergência na mesma rubrica no mês de julho, sendo o valor do Dacon de R$ 396.008,16 e o dos documentos de R$ 395.968,16. Tais diferenças ensejaram as glosas dos valores indevidamente creditados; 10. Também foram glosados créditos referentes às devoluções de vendas. Isso porque as operações de vendas do contribuinte são sujeitas à alíquota zero; 11. Por fim, glosou valores relacionados a documentos que o contribuinte não teria entregue no curso do procedimento fiscal. Cientificado do auto em 12/3/2013, o contribuinte apresentou sua defesa em 11/4/2013. Inicialmente, o sujeito passivo arguiu a nulidade do despacho decisório sob o argumento de que ocorreu a decadência. Mencionou que o fato gerador remonta a créditos provenientes do 1º trimestre de 2007 e que a ciência do auto ora combatido apenas ocorreu em 12/3/2013, momento em que já teria transcorrido o limite quinquenal. Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 Frete entre estabelecimentos da empresa Quanto à glosa referente ao frete entre estabelecimentos da empresa, menciona que a lei confere o direito de crédito do PIS e da Cofins sobre toda e qualquer despesa de frete vinculada à operação de venda. Destarte, advoga serem devidos os créditos lançados pela contribuinte sobre essa rubrica, não obstante se tratar de frete utilizado na transferência de mercadoria e/ou produtos entre seus estabelecimentos, conquanto a norma deixa claro que o escopo do benefício é desonerar a operação de armazenagem e venda. Serviços de remoção ou movimentação de mercadoria Em relação aos dispêndios com os serviços de remoção/locação de carretas/ contêineres e de instalações portuárias, explica que estão dentro da operação de logística da empresa. Defende que tais serviços caracterizam-se como frete utilizado na transferência das mercadorias destinadas para a venda. Assim, conclui que a despesa de frete nas transferências de produtos para armazenamento é despesa de venda, pois a operação é realizada com esse propósito e o ônus é suportado pelo vendedor, permitindo, então, o direito ao crédito de tal despesa. Embalagens No que diz respeito a gastos com embalagens, a contribuinte argumenta ser inimaginável transportar milhares de caixinhas de leite de 1 litro ou menos sem que houvesse uma embalagem que as agrupassem. Advoga que essas embalagens são incorporadas no processo produtivo, pois representam o final da cadeia de produção, com o acondicionamento das mercadorias individuais prontas para o transporte e venda, sendo incontroverso que sofrem significativas alterações, pois deixam de ser simples placas de papelão para assumir a forma e características das embalagens individuais que serão acondicionadas nelas, bem como as fitas e demais insumos, que se perderão após o uso dos produtos pelo consumidor, que justifica o reconhecimento da legalidade do respectivo crédito. Combustível Quanto aos gastos com combustível (óleo diesel), menciona que é utilizado no gerador de energia elétrica que funciona paralelamente com a energia fornecida pela concessionária, mas que é vital para o funcionamento das máquinas e andamento do processo produtivo. Sustenta que todas as normas postas expõem claramente o direito de crédito sobre o PIS e a Cofins derivados das despesas e custos incorridos com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da contribuinte, e em nenhum momento definem a origem dessa energia, podendo ser tanto pelo fornecimento da concessionária do serviço público como produzida diretamente através de gerador particular. Frete na aquisição de bens utilizados como insumo Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 No que tange às despesas com fretes de bens utilizados como insumos, mencionou a Instrução Normativa Instrução Normativa SRF n° 669/06, que preceitua que "Integram o custo de aquisição dos insumos o seguro e o frete pagos na aquisição, quando suportados pelo comprador". Daí, destacou que os conhecimentos de transportes rodoviários de carga lançados no DACON sob essa égide obedecem fielmente a norma acima citada, conquanto dizem respeito as despesas com frete de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda. Energia elétrica Quanto aos dispêndios decorrentes diversas rubricas inclusas na fatura de energia elétrica, advoga que a norma posta alcança todas e quaisquer despesas relacionadas ao consumo de energia elétrica, não fazendo distinção sobre as diversas rubricas atribuídas na respectiva conta de consumo. Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado A contribuinte informou que os créditos lançados como encargos de depreciação relativos aos documentos fiscais relacionados no Anexo VI do "Relatório" dizem respeito a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado da contribuinte e que são utilizados na produção de mercadorias destinadas a venda. Destacou que facilmente se dessume dos documentos fiscais relacionados no referido Anexo que se tratam de máquinas, equipamentos e outros bens destinados ao processo produtivo. Crédito calculado em duplicidade Quanto à alegação de que o contribuinte utilizou, em duplicidade, como base de cálculo para créditos do PIS e da Cofins, nos meses de julho e agosto/2007, a mesma nota fiscal n° 121291, emitida pela empresa Tetra Pak Ltda, o contribuinte asseverou que houve foi a mudança do crédito de um período para outro, e não um lançamento duplo, razão pela qual urge o restabelecimento do crédito. Regularidade dos valores declarados em Dacon Em relação aos créditos dos meses de abril e julho de 2007, nos quais supostamente haja um lançamento a maior em DACON para o mês de abril/2007, no valor de R$ 20.322,63, e para o mês de julho/2007 no valor de R$ 40,00, o impugnante alega que toda a documentação exigida fora entregue e que confere exatamente com os dados declarados em DACON. Devoluções de vendas No que diz respeito a devoluções de vendas, a contribuinte reiterou a legislação e mencionou que se creditou do PIS e da Cofins sobre os valores relativos aos bens recebidos em devolução, no mês, cuja receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior, de modo que defende ser forçoso concluir pelo desacerto da glosa. Omissão na apresentação de documentos fiscais à fiscalização Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 No que diz respeito à glosa relacionada a documentos fiscais não apresentados e que foram considerados geradores de crédito das contribuições PIS e Cofins, o contribuinte informou que todos os documentos exigidos foram devidamente apresentados. Pelo exposto, requer o recebimento da manifestação de inconformidade, para ao final ser julgada procedente, com a revogação do despacho decisório ora impugnado, e a consequente homologação da compensação declarada, na sua integralidade, bem como o deferimento integral do pedido de restituição/ressarcimento apresentado. A DRJ deu parcial provimento ao apelo, com decisão assim ementada: CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA COMPRA. A natureza dos créditos originados de despesas de frete, pagas na operação de compra, segue a natureza dos créditos provenientes da aquisição do bem transportado. Não são passíveis de creditamento as despesas de fretes pagas na aquisição de bens não abrangidos pelo conceito de insumo. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGENS. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito ao creditamento relativo às suas aquisições. ENERGIA ELÉTRICA. MULTA E JUROS POR ATRASO. CONTRIBUIÇÃO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 Por expressa previsão legal, apenas geram direito a crédito os valores gastos com energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez que a venda do produto não gerou débito da contribuição, tendo em vista tributação pela alíquota zero, não há que se falar em crédito relativo à operação de devolução. Em recurso voluntário, a empresa defende o conceito de insumo segundo o critério da essencialidade, com base no precedente do STJ, REsp 1.221.170/PR, e ressalta a legalidade dos dispêndios sobre os quais houve creditamento no regime não cumulativo das contribuições: frete entre estabelecimentos e de aquisição de bens; serviços de remoção ou movimentação de produtos e dispêndios com embalagens. Ao final, defende: Foi amplamente demonstrado, nos tópicos acima, que as razões negativas para a homologação das compensações em relação às despesas com frete para entre estabelecimentos de produtos acabados, fretes para transporte de insumos, serviços de remoção ou movimentação de produtos e, também, de aquisição de embalagens, não se sustentam. A própria construção de entendimentos do CARF caminha no sentido de reconhecer tais eventos como justificadores dos créditos de PIS e de COFINS, especialmente considerando-se todas as peculiaridades que vinculam a Recorrente na consecução de suas atividades enquanto fabricante de laticínios. Assim, o acórdão recorrido, enfim, merece a reforma. Portanto, à luz de todo o demonstrado e com fundamento na legislação trazida à lume, REQUER a Recorrente que seja RECEBIDO este Recurso Voluntário, observada a sua tempestividade nos termos dispostos no início desta, e que sejam acolhidas as explicações e argumentos expostos para, ao JULGAR TOTALMENTE PROCEDENTE este recurso, REFORMANDO INTEGRALMENTE o acórdão recorrido e, consequentemente, HOMOLOGANDO o pedido de compensação formulado pela DCOMP. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Na origem foi transmitido PER/DCOMP, referente ao 4º trimestre de 2007, para aproveitamento de crédito de PIS. A fiscalização entendeu como não passíveis de creditamento no regime não cumulativo (art. 3°, da Lei n° 10.637/2002), as despesas com frete entre estabelecimentos e de aquisição de bens; serviços de remoção ou movimentação de produtos e embalagens de transporte. A Recorrente sintetiza seu processo produtivo, nesses termos: Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 A Recorrente (Canaã Indústria de Laticínios LTDA.) é uma indústria dedicada à fabricação de laticínios em geral – leite em pó, leite UHT, queijos, etc. -, atuando, assim, com a produção e venda de produtos alimentícios extremamente difundidos na alimentação do ser humano. Compreensivelmente, a consecução desse tipo de atividade prescinde de diversos cuidados de natureza sanitária, além de demandar amplo espaço físico para a alocação de diversos maquinários e a realização adequada de todos os arranjos logísticos e de produção: (...) Avalie-se que, justamente, o perfil de contribuinte faz invocar uma série de razões de créditos de PIS e de COFINS que prescindem de análise individualizada de suas atividades - pelas fotos acima, por exemplo, facilmente já se verifica o motivo pelo qual a empresa até esse momento insiste no cabimento dos créditos de depreciação do maquinário ou aquisição de equipamentos para a linha de produção. No mais, também é importante registrar que toda a estrutura de que dispõe a Recorrente não se limita à pura atividade de fabricação desses laticínios. Afinal, até por exigências sanitárias (exemplificadas em regulamentações da ANVISA e do Ministério da Agricultura), também o armazenamento e distribuição desse tipo de produtos (assim como os alimentícios de forma geral) prescinde de cuidados especiais. Por isso, a Recorrente possui instalações especiais em diversas localidades além de Ji-Paraná (sua matriz): (...) O conjunto de estruturas fabris, de armazenagem e de distribuição contempla, como (literalmente) se faz visível nos registros acima, contempla reservatórios, depósitos, plataformas de recepção de leite, galpões para tratamento de efluentes, fábricas de queijos e manteigas, maquinários de armazenamento e fermentação de leite, armazéns refrigerados e de acesso restrito, linhas de montagem de embalagens próprias e com controles rígidos de qualidade e de composição por regramentos de INMETRO, ANVISA e Ministério da Agricultura, dentre diversos outros. Despesas com frete entre estabelecimentos e de aquisição de bens As glosas de crédito foram relacionadas a fretes de transferências de produtos entre os diversos estabelecimentos do contribuinte, por não se enquadrarem nas operações de venda, nos termos do inciso IX do art. 3º c/c art. 15 da Lei n° 10.833/2003. Sobre isso, a Recorrente sustenta: Como explicado anteriormente (e até visualmente, em certa proporção), a Recorrente, enquanto indústria de laticínios, prescinde de diversos requisitos próprios para o transporte de bens in natura desde a produção até a logística de distribuição de seus produtos. O transporte de leite retirado dos animais até as fábricas e a necessidade de transporte de embalagens próprias de acordo com a regulamentação sanitária do país – ou até mesmo o frete do produto acabado até os armazéns para conservação e distribuição – são estritamente necessárias para a produção e desempenho do funcionamento das fábricas, até a última etapa de venda. Tais fatos foram apresentados ao Fisco ao longo deste processo administrativo, deixando claro que os dispêndios incorridos a esses títulos – e, claro, o fato dos fretes entre estabelecimentos estarem umbilicalmente ligados à atividade-fim da empresa no ramo alimentício – são eminentemente imprescindíveis. (...) Vê-se, à luz dos entendimentos fixados pelo CARF, a orientação de que frete entre estabelecimentos da mesma empresa, quando se tratar de empresas Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 alimentícias, é de reconhecida extrema importância para o pleno funcionamento das atividades, e, portanto, um dispêndio intimamente ligado à atividade operacional da empresa com impactos diretos na capacidade de execução de suas finalidades. Ao mesmo tempo, os gastos com a aquisição e deslocamento de insumos para ou entre os estabelecimentos da empresa, justamente ao se tratar de natureza alimentícia (logo sujeitos a intempéries próprias dessa classe de produtos) e impactar diretamente as atividades da Recorrente, também são geradores do direito ao creditamento. Indubitavelmente, os fretes entre estabelecimentos são imprescindíveis à atividade do sujeito passivo, configurando-se como frete na operação de venda, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Em suma, deve ser revertida a integralidade das glosas do Anexo I, do relatório fiscal. No tocante às glosas estampadas na planilha IV, a fiscalização asseverou que, nos conhecimentos de transporte rodoviários de carga, os valores pagos sobre as operações de frete na aquisição referem-se a bens não utilizados como insumos. A empresa, por sua vez, apenas sustentou que as mercadorias adquiridas configuraram insumo e, portanto, o gasto com frete é passível de creditamento. Ocorre que não trouxe aos autos documentos e maiores esclarecimentos para demonstrar que os bens transportados possuíam natureza de insumos geradores de crédito. Houve falta de detalhamento: quais seriam esses bens e em qual etapa do processo industrial dos laticínios eles se encaixariam. Na apuração de PIS não-cumulativo, a prova da essencialidade e relevância do dispêndio cabe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, devem as glosas serem mantidas (art. 373, do CPC/2015). Logo, entendo devem ser mantidas as glosas do anexo IV do relatório fiscal. Serviços de remoção ou movimentação de produtos A auditoria fiscal apontou que: A análise dos elementos disponibilizados pela contribuinte (arquivos digitais, planilhas eletrônicas, documentos fiscais) revela o uso de créditos de PIS e COFINS sobre valores pagos pela utilização dos serviços de remoção/locação de carretas/containers e de instalações portuárias. Referidos valores foram lançados sobre a rubrica “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda” dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, nos períodos de apuração objeto dessa fiscalização. O contribuinte sustentou que: É até intuitiva a noção de que as empresas do ramo alimentício possuem realidade bastante distinta de outros setores – especialmente considerando que precisam sempre ter suas matérias-primas preservadas de acordo com as normas sanitárias para que as indústrias possam atuar. Num outro exemplo, todos os insumos aplicados direta ou indiretamente nas linhas de produção prescindem de um rigoroso controle de estoque e de qualidade – notadamente, tais precisam ser conduzidos até os locais de modificação da base estrutural de forma segura e de maneira que preserve suas bases, a exemplo da determinação do item 4.9 (subitens 4.9.2 e 4.9.3) do anexo da Resolução nº 216/2018 da ANVISA, que estabelece as normas técnicas de armazenamento e transporte dos alimentos. Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 É evidente que, dado o setor em que atua, a Recorrente deve observância absoluta a uma série de regras técnicas e sanitárias para a produção, estocagem, distribuição e transporte dos produtos lácteos. A título de demonstração, resume- se abaixo, em fluxograma, o processo de uma das linhas (produção do queijo tipo muçarela): 1 4.9.2 O armazenamento e o transporte do alimento preparado, da distribuição até a entrega ao consumo, deve ocorrer em condições de tempo e temperatura que não comprometam sua qualidade higiênico-sanitária. A temperatura do alimento preparado deve ser monitorada durante essas etapas. 4.9.3 Os meios de transporte do alimento preparado devem ser higienizados, sendo adotadas medidas a fim de garantir a ausência de vetores e pragas urbanas. Os veículos devem ser dotados de cobertura para proteção da carga, não devendo transportar outras cargas que comprometam a qualidade higiênico-sanitária do alimento preparado. Com razão a empresa quando afirma que a movimentação e circulação dos produtos lácteos, por sua especificidade, demandam gastos específicos e imprescindíveis. Entendo se tratarem de serviços vinculados diretamente à manutenção da qualidade dos produtos para a venda, passando pelo correto manuseio, transporte, armazenagem e exportação com a qualidade preservada. O crédito é validado pelo art. 3°, IX, c/c Art. 15 da Lei n° 10.833/2003. Assim, voto por reverter todas as glosas listadas no anexo II, do relatório fiscal. Embalagens Defende o creditamento sobre embalagens de transporte, já que ligadas à necessidade de observância estrita a requisitos técnicos e sanitários: É evidente que produtos alimentícios não podem ser conduzidos de forma avulsa, muito menos em embalagens que não estão de acordo com as normas de saúde pública. Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 Tratando, por exemplo, das embalagens de leite UHT - o conhecido comumente como “Longa vida” (cartonadas multicamadas) -, temos que, além de propiciarem estocagem doméstica por longos períodos, são responsáveis por permitir o consumo imediato sem um prévio preparo ou necessidade de fervura. Não à toa, as próprias regulamentações sanitárias estabelecem, com rigor, as especificações técnicas das citadas embalagens e o seu respectivo uso nos produtos alimentícios em geral. Da mesma forma também a embalagem para transporte (seja a secundária, seja a terciária) não pode seguir padrão de outros setores, sendo objeto de dispêndios específicos sem os quais a Recorrente seria impedida de realizar a manutenção e venda dos produtos. Tanto o é que, nas instalações de armazenamento, a Recorrente deve observar estritas condições ambientes justamente para que as embalagens utilizadas nos produtos lácteos cumpram o seu papel da melhor forma a conservar a qualidade dos produtos: (...) Por se tratar de um dispêndio específico e vinculado às regulamentações sanitárias, o entendimento desta Recorrente é que são, tais, gastos cujo creditamento do PIS e da COFINS é pertinente. Estão vinculados à movimentação dos produtos perecíveis, encaminhamento ou retirada de depósitos. Logo, são dispêndios vinculados à logística, portanto, são essenciais e relevantes. Além disso, as embalagens garantem a qualidade dos produtos destinados à venda. Sem elas, não há como manter a integridade dos produtos lácteos, em virtude de seu rápido perecimento. Por conseguinte, devem ser revertidas as glosas de caixas de papelão, fitas adesivas, embalagens cartonadas multicamadas, estrados de plástico e demais produtos utilizados como embalagem de transporte, por serem insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002. Devem ser revertidas as glosas do Anexo III, do relatório fiscal. Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos; serviços de remoção ou movimentação de produtos e embalagens de transporte. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.264 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720134/2013-61 ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos, serviços de remoção ou movimentação de produtos e embalagens de transporte. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16366.720115/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF N° 1. PARTE DAS MATÉRIAS RECURSAIS FORAM JULGADAS PELO TRF DA 4ª REGIÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula n° 1 vinculante, cf. Portaria MF nº 277/2018, DOU 08/06/2018).
CRÉDITO PRESUMIDO DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a utilização do crédito presumido calculado sobre o valor das aquisições com suspensão de produtos classificados na posição NCM 41.01.50.10 para compensação com outros tributos ou ressarcimento na vigência da Lei n° 12.058/2009 e da Instrução Normativa RFB nº 977/2009.
Numero da decisão: 3301-011.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário para, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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SÚMULA CARF N° 1. PARTE DAS MATÉRIAS RECURSAIS FORAM JULGADAS PELO TRF DA 4ª REGIÃO. NÃO CONHECIMENTO. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula n° 1 vinculante, cf. Portaria MF nº 277/2018, DOU 08/06/2018). CRÉDITO PRESUMIDO DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a utilização do crédito presumido calculado sobre o valor das aquisições com suspensão de produtos classificados na posição NCM 41.01.50.10 para compensação com outros tributos ou ressarcimento na vigência da Lei n° 12.058/2009 e da Instrução Normativa RFB nº 977/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário para, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 01 15 /2 01 1- 76 Fl. 837DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório Na origem, foi interposta a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório Emitido em função do Pedido de Ressarcimento (PER) dos créditos de PIS não- cumulativo, decorrentes das operações com o mercado externo ocorridas no 3º trimestre de 2010. A autoridade fiscal reconheceu a legitimidade de parte do credito pleiteado. A motivação foi a seguinte: - A interessada tem por atividade econômica o Curtimento e outras preparações de couro (Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE nº 1510600), todos classificados nos capítulos 41 e 64 da TIPI – Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, que correspondem a “Peles, exceto a peleteria (peles com pêlo), e couros” e “Calçados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes”; - A requerente adotou o método de rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados às exportações, com percentuais resultantes das operações de vendas no mercado externo e no mercado interno em relação à receita bruta total; - A requerente registra a totalidade de suas exportações como vendas para o exterior de mercadorias sob o regime de drawback CFOP 7127. Porém nem todas as exportações foram realizadas com drawback; - Ao proceder a análise das compras da contribuinte, observa-se grande quantidade de aquisições classificadas nos códigos CFOP 3127 - Compra para industrialização sob o regime de "drawback” (aquisições no mercado externo), com suspensão no pagamento das contribuições. Há também várias aquisições realizadas no mercado interno com suspensão das contribuições em virtude do mencionado regime aduaneiro; - A suspensão das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS abrange tanto a importação quanto a aquisição no mercado interno de insumos (matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem). Os insumos adquiridos sob o regime de DRAWBACK com suspensão das contribuições e, consequentemente, sem aproveitamento de crédito de PIS/PASEP e COFINS tem de ser integralmente utilizados no processo produtivo de mercadorias destinadas à exportação; - O disposto no art. 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003 veda “a apuração de créditos vinculados à receita de exportação”, ou seja, o dispositivo em análise impede, no tocante às empresas comerciais exportadoras: a) a apuração de créditos de PIS/Pasep e Cofins relativos às aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação; b) a apuração de créditos das contribuições em relação a custos, despesas e outros encargos comuns vinculados à receita de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico, tais como fretes, serviços, armazenagem, energia elétrica, aluguéis etc. Situação análoga ocorre com as vendas efetuadas ao exterior sob o regime de drawback, tendo em vista que os insumos adquiridos com suspensão das contribuições devem ser integramente utilizados em mercadoria destinada à exportação; Fl. 838DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 - A interessada, corretamente, não utilizou créditos em relação às mercadorias adquiridas com o benefício da suspensão das contribuições em virtude do regime aduaneiro, deixando de incluir tais valores nas fichas de apuração de créditos de seus DACON. No entanto, não foi esse o procedimento adotado com relação aos demais custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas de exportação – serviços, fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis etc sobre os quais, em tese, haveria possibilidade de creditamento. Para esses valores a contribuinte apurou créditos sobre a totalidade de seus custos e despesas, sem observar qualquer distinção para as exportações de mercadorias nas quais tenham sido utilizados insumos adquiridos no regime de “DRAWBACK”, conforme registrado em seus DACON, linhas 03 a 10/fichas 06A e 16A. - Reitere-se que as vendas efetuadas para o exterior sob o regime de “Drawback” não possibilitam crédito das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos insumos adquiridos com o benefício da suspensão nem, tampouco, os demais custos e despesas comuns (fretes, serviços, aluguéis etc). Todavia, em relação às demais receitas, oriundas das exportações de mercadorias adquiridas sem o benefício do regime aduaneiro especial, não há tal vedação, podendo a empresa apurar créditos das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS mediante adoção do rateio proporcional. - Em virtude de a contribuinte informar a totalidade de suas exportações como sendo “venda de produção do estabelecimento sob o regime de ‘Drawback’”, CFOP 7127 o que não corresponde à realidade, uma vez que nem todas foram realizadas sob o amparo do regime, a fiscalização fez o rateio dessas exportações, utilizando os percentuais definidos com base: a) nas aquisições realizadas com “Drawback” no período e; b) nas aquisições realizadas sem “Drawback” no período (valores registrados em seus DACON, linhas 02/Fichas 06A e 16A); - As receitas de exportação promovidas com “Drawback”, definidas no rateio proporcional, foram separadas das demais exportações, permanecendo, no entanto, na composição da Receita Bruta Total. Tal procedimento teve por objetivo a exclusão de parte dos custos, despesas e encargos comuns – serviços, energia elétrica, aluguéis, armazenagem, fretes, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciações vinculados às receitas de exportação com “Drawback”, para os quais a legislação veda a apuração de créditos das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, pois a contribuinte apurou créditos sobre a totalidade desses custos e despesas sem observar qualquer distinção para as exportações de mercadorias com “Drawback”; - Já para os “Bens Utilizados como Insumos”, como a contribuinte já excluíra as aquisições com o benefício do regime aduaneiro especial, a apuração dos percentuais foi feita de maneira diferenciada. Nesses demonstrativos, a receita de exportação com “Drawback” não só foi apartada como também foi excluída da composição da Receita Bruta Total, permanecendo apenas as demais receitas de exportação, vez que, as aquisições de mercadorias com “Drawback” já haviam sido excluídas pela interessada. - O procedimento em questão foi adotado em virtude de a empresa mesmo tendo deixado de incluir tais aquisições como passíveis de crédito em seus DACON considerar no total das receitas de exportações as saídas de mercadorias com “Drawback”, o que acarreta distorção quando da apuração da relação percentual. - Se as aquisições de mercadorias com suspensão das contribuições em virtude do regime aduaneiro especial já haviam sido excluídas do valor das demais aquisições com direito a Fl. 839DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 crédito, as exportações correspondentes a essas mercadorias, realizadas com “Drawback”, não podem ser somadas às demais receitas de exportação para fins de apuração dos percentuais de rateio, sob pena de se aumentar indevidamente o percentual das receitas de exportação em detrimento das demais e, como consequência, aumentar o montante de créditos passíveis de ressarcimento ou compensação. - Dos valores de PIS e COFINS apurados, a Pessoa Jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Com base no conceito de insumos fixado pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, com as alterações promovidas pelas IN SRF nº 358/2003 foram constatados, dentre os créditos pleiteados pela empresa, valores relativos a custos/despesas que não ensejam o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. - Os materiais indicados, “Pallets de madeira” e “caixas de madeira”, são incorporados aos produtos apenas depois de concluído o processo produtivo e destinam-se claramente ao transporte das mercadorias, não se enquadram no conceito de industrialização e, por conseguinte, no conceito de insumos. Portanto, foram excluídas das linhas 02 – “Bens Utilizados como Insumos” das fichas de Apuração dos Créditos de PIS/PASEP e COFINS dos DACON os valores relativos a despesas com COMPRA DE MATERIAL DE EMBALAGEM (“PALLETS DE MADEIRAS” E “CAIXAS DE MADEIRAS”); - Dentre os créditos pleiteados pela empresa, verificou-se a existência de valores relativos a fretes pagos em transferências de matérias primas entre seus próprios estabelecimentos, conforme demonstrativos de fls. 247, 248 e 600 e Conhecimentos de Transporte juntados às fls. 601 a 604. Assim, foi feita a exclusão, nas fichas de Apuração dos Créditos de PIS e COFINS do DACON, dos valores relativos a despesas com fretes empregados no transporte interno de matérias primas entre os estabelecimentos da mesma empresa, conforme comprovantes de fls. 601 a 604 e demonstrativo de fl. 600. A glosa incidiu no mês de julho de 2010 no valor de R$28.080,00. - Também ficou constatada a existência de várias aquisições de bens promovidas pela requerente com a suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, de produtos classificados nas posições 41.01.20.10 e 41.01.50.10 da NCM, no período em que a suspensão destes produtos era obrigatória pela legislação vigente. - Em seus demonstrativos, verifica-se que a requerente apurou créditos presumidos sobre aquisições efetuadas junto à empresa INDUSPAN IND. E COM. DE COUROS PANTANAL, conforme demonstrativos de fls. 58, 86, 280, 334, 341 e 394. No entanto, vinculou parte desses créditos às suas receitas de exportação, o que possibilitaria sua utilização em compensações ou ressarcimento, procedimento esse que vai de encontro à legislação de regência. Assim, foi feita a reclassificação dos créditos conforme quadro IX da fl. 702 do Termo de Informação Fiscal a fim de que possam ser utilizados para desconto do valor das próprias contribuições para o PIS/PASEP e Cofins. - Há também aquisições de COURO VERDE BOVINO - NCM 41.01.50.10 promovidas pela requerente junto a estabelecimentos que industrializam bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Para esses casos, no período em análise, a suspensão é obrigatória, nos termos do art. 32 da Lei nº 12.058/2009 e art. 4º da IN Fl. 840DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 RFB nº 977/2009. No entanto, em desacordo com a legislação de regência, a interessada apurou créditos integrais de PIS e COFINS nessas aquisições, mediante aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente. - Nas notas fiscais de entrada das aquisições em referência, juntadas às fls. 609 a 662 – em que pese não constar expressamente a informação de que a venda foi efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS - verifica-se que os produtos adquiridos enquadram-se na previsão legal de suspensão: COURO VERDE BOVINO – NCM 41.01.50.10. No que concerne às empresas vendedoras (emitentes das notas fiscais) também há concordância com pressuposto legal, vez que exercem atividades de industrialização de bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM (animais vivos da espécie bovina e carnes de animais da espécie bovina - frescas, refrigeradas ou congeladas), conforme informações cadastrais constantes nos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 663 a 666). - Os valores excluídos estão individualizados no demonstrativo “Aquisições Suspensas” (fls. 605 a 608), com os comprovantes (notas fiscais, livro Razão e demonstrativo obtido por meio dos arquivos do Sistema Público de Escrituração Digital / Escrituração Fiscal Digital – SPED / EFD apresentados pelos fornecedores da interessada) às fls. 609 a 671, resultando nos montantes discriminados no quadro X do Termo de Informação Fiscal). - Após as alterações nos percentuais resultantes das operações de mercado interno e externo em relação à receita bruta total e às exclusões/alterações mencionadas nos itens anteriores consolidadas em demonstrativo, o parecer fiscal concluiu pelo deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento. Na defesa, a empresa apresentou os seguintes argumentos: DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE DESPESAS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS EXPORTADAS NO REGIME DE “DRAWBACK” A Autoridade Administrativa equiparou as vendas efetuadas ao exterior sob o regime de drawback às vendas efetuadas por comercial exportadora. Mas não há qualquer vinculação da decisão administrativa a texto normativo, seja ele legal ou infralegal. A decisão está pautada em entendimento do próprio agente. Contribuinte tomou crédito sobre aquisição de bens e serviços inerentes à produção e comercialização dos produtos a serem exportados, sobre os quais houve pagamento de PIS e COFINS tais como energia elétrica, fretes pagos no transporte das mercadorias até o porto, aluguéis, etc. Estes créditos são assegurados pelo já transcrito artigo 3º , da Lei n° 10.637/2002, sem qualquer vedação. Quando o legislador vedou o aproveitamento de créditos por empresa comercial exportadora assim o fez pelo princípio da isonomia, uma vez que as empresas que comercializam mercadorias no mercado interno também estão impedidas de aproveitar créditos que não sejam relacionados à aquisição das mercadorias a serem comercializadas. Já em relação à empresa que promove a industrialização do bem a ser exportado, o legislador não fez qualquer restrição ao aproveitamento de créditos sobre os insumos utilizados na produção ou comercialização, a não ser nos casos de suspensão, isenção ou alíquota zero, pois tais gastos são inerentes e necessários à atividade produtora. DA APURAÇÃO DOS NOVOS PERCENTUAIS DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO Fl. 841DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 Quando o legislador disciplinou o critério de rateio proporcional estabelecendo que a proporção deve ser feita entre a receita bruta total e a receita de exportação, não discriminou se a receita de exportação seria a exportação com ou sem o regime aduaneiro de Drawback. Ao segregar as aquisições de bens e serviços utilizados na produção e comercialização dos bens em: aquisições realizadas com “Drawback” e aquisições realizadas sem “Drawback”, o Agente Público agiu à margem de qualquer norma tributária, seja ela legal ou infralegal. A decisão de estabelecer novos percentuais para fins de determinação dos créditos a serem ressarcidos, desconsiderando-se as exportações realizadas ao amparo do regime aduaneiro especial não encontram amparo na legislação tributária e devem ser reformados por esta Turma de Julgamento. DOS CRÉDITOS PLEITEADOS - “PALLETS DE MADEIRA” E “CAIXAS DE MADEIRA” Para analisar especificamente o direito a crédito sobre embalagem, o Agente Administrativo utilizou o conceito de industrialização dado pelo Decreto n° 7.212/2010. Ocorre que o conceito de insumos a ser utilizado para análise dos créditos de PIS e COFINS deve ser o conceito estabelecido pelo Regulamento do Imposto de Renda e não pelo Regulamento do IPI. Citou ementa de acórdão do CARF sobre conceito de insumos. Requer pelo reconhecimento do direito ao aproveitamento de créditos sobre os gastos realizados com a aquisição de pallets de madeiras e caixas de madeiras utilizadas no acondicionamento dos produtos exportados, uma vez que estes gastos são necessários à industrialização e comercialização dos produtos e este critério é o que melhor se amolda às contribuições ao PIS e COFINS, nos termos da legislação e jurisprudência acima citados. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Os artigos 3º, incisos II e IX, e art. 15, II, da Lei n° 10.833/03 garantem direito ao crédito de PIS/COFINS em relação as despesas com frete na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor. Ocorre que as transferências de mercadorias destinadas à exportação para estabelecimento onde se realiza operação de consolidação e armazenagem de mercadorias, cujo destino final é a comercialização, se equipara a frete sobre venda para fins de reconhecimento de direito de crédito, nos termos do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Não se pode perder de vista também que as despesas com transporte de produtos em elaboração (matérias primas) para conclusão em outra unidade fabril, constituem custos de produção, ao passo em que fretes para transporte de produtos acabados constituem despesas na operação de vendas. Dessa forma, diferente do que alega a Autoridade Administrativa responsável pela análise do crédito, as despesas (custos) de fretes com transporte de produtos em elaboração (matérias primas) se enquadram no inciso II do art. 3º , caput, das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, e as despesas com fretes para transportar produtos acabados se enquadram no inciso IX, devendo ser reconhecido o direito ao creditamento previsto na legislação de regência. DIREITO DE CRÉDITO - SUSPENSÃO - NCM 41.01.50.10 A Autoridade Administrativa responsável pela análise do crédito excluiu determinados valores relativos a aquisições de COURO VERDE BOVINO - NCM 41.01.50.10, ao argumento de terem sido adquiridas com suspensão de PIS e COFINS, autorizando apenas a concessão de crédito presumido, nos termos da Lei n.° 12.058/09 e alterações posteriores. Fl. 842DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 Para aplicação da suspensão em comento o destaque na Nota Fiscal configura medida devida e imprescindível, já que a expressão “deve” não configura mera faculdade e encontra-se dentro dos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Decorre dai que nas notas fiscais em que não há o destaque exigido pela legislação tributária, não foi aplicada a suspensão disciplinada pela Secretaria da Receita Federal, tornando assim perfeitamente possível a apuração de créditos integrais de PIS e COFINS com vistas a concretizar a não cumulatividade, mesmo porque o fornecedor não aplicou a suspensão, estando, portanto, sujeito ao pagamento das contribuições incidentes nas operações. No caso, portanto, prevalece a concretização da não-cumulatividade que é inerente à Cofins e ao PIS. Frise-se que a empresa/Contribuinte somente apurou créditos integrais vinculados às Notas Fiscais de entrada em que não houve o destaque de suspensão e, portanto, não foram preenchidos os termos e condições imprescindíveis para ser aplicada a suspensão disciplinada pela Secretaria da Receita Federal, na forma da legislação de regência. Assim, em decorrência da prevalência da não cumulatividade, requer pelo reconhecimento do direito ao aproveitamento de créditos integrais sobre as aquisições de insumos e matérias primas vinculados as Notas Fiscais sem qualquer destaque de suspensão. Ao final, solicitou que fosse reconhecido o crédito no montante pleiteado no pedido de ressarcimento e homologadas integralmente as compensações efetuadas. A 5ª Turma da DRJ/RPO, acórdão n° 14-91.008, deu parcial provimento ao apelo, com decisão assim ementada: DRAWBACK. RESSARCIMENTO DE DESPESAS COMUNS ADQUIRIDAS SEM SUSPENSÃO. DIREITO. A aquisição tributada de serviços e demais custos e despesas comuns como energia elétrica, aluguéis, fretes, armazenagem, devoluções de vendas, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciações vinculados às receitas de exportação geram direito a ressarcimento. No regime de Drawback, apenas insumos como matérias primas, produtos e materiais de embalagens adquiridos com suspensão não geram direito a crédito. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. CRITÉRIO DE RATEIO PARA INSUMOS. As receitas de exportações realizadas sob o regime de Drawback devem ser excluídas do cômputo do percentual de rateio para não aumentar indevidamente o montante de créditos passíveis de ressarcimento ou compensação. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. Embalagens para transporte de mercadorias acabadas são gastos posteriores à finalização do processo de produção e por conseguinte estão excluídos do conceito de insumos de PIS e COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO. RESSARCIMENTO. É vedada a utilização do crédito presumido calculado sobre o valor das aquisições com suspensão de produtos classificados nas posições NCM 41.01.20.10 e 41.01.50.10 para compensação com outros tributos ou ressarcimento na vigência da Lei n° 12.058, de 13 Fl. 843DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 de outubro de 2009 e da Instrução Normativa (IN) RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE MATÉRIAS PRIMAS. Despesas com fretes de matérias primas entre estabelecimentos da mesma empresa são considerados insumos e geram direito a crédito de PIS e COFINS. A decisão de piso deu provimento parcial à manifestação de inconformidade para: - reverter a glosa de fretes no transporte interno de matérias-primas entre os estabelecimentos da mesma empresa à luz do conceito de insumos firmado pelo REsp 1.221.170/PR, de 22/02/2018. - conceder o direito a crédito relativo às despesas com serviços, energia elétrica, aluguéis, fretes, armazenagem, devoluções de vendas, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciações vinculados às receitas de exportação com “Drawback. Em consequência, as linhas 03 a 12 das fichas 06A e 16A do DACON devem ser computadas sem qualquer exclusão para efeito de ressarcimento ou compensação, observado o critério de rateio proporcional entre as Receitas Totais de Exportação (com e sem drawback) e a Receita Bruta Total. A fundamentação foi a seguinte: (...) O regime de “drawback” possui regulamentação própria e específica que prevê a não tributação nas operações e não possibilitam crédito das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos insumos adquiridos com o benefício da suspensão. Ou seja, somente matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem previstos no inciso II do art. 3º da Lei n° 10.833 e 10.637, adquiridos com suspensão de PIS e Cofins não geram direito a crédito. Isto está claro e tal procedimento foi adotado pelo contribuinte. A aquisição de serviços (também previstos no inciso II do art. 3º) e demais custos e despesas comuns previstos nos incisos III a IX não estão ao abrigo da suspensão. Ou seja, foram adquiridos com tributação e portanto geram direito a crédito. A vedação ao aproveitamento de crédito não pode ser estendida por analogia a esses custos e despesas comuns (fretes, serviços, aluguéis etc), uma vez que tal aproveitamento está expressamente previsto nos arts. 3º e 6º da Lei nº 10.833, de 2003 e nos arts. 3º e 5º da Lei nº 10.637, de 2002, que não fazem tal distinção em relação ao regime aduaneiro especial: Lei n° 10.833, de 2003 Art. 6° A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 844DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3°, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1opoderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3° O disposto nos §§ 1°e 2° aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8° e 9° do art. 3°. Lei n° 10.637, de 2002 Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3° para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1°, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Portanto, a glosa das despesas com serviços, de energia elétrica, aluguéis, fretes, armazenagem, devoluções de vendas, contraprestações de arrendamento mercantil e depreciações vinculados às receitas de exportação com “Drawback”, previstas nos Fl. 845DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 incisos III, IV, V, VI, VII, VIII, IX dos art 3º das Lei 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 deve ser revertida a favor do interessado. Sendo assim, as linhas 03 a 12 das fichas 06A e 16A do DACON devem ser computadas sem qualquer exclusão e com a proporcionalidade entre Receitas de Exportação e Tributadas no Mercado Interno sem diferenciação entre vendas com e sem drawback. Em recurso voluntário, ratificou suas razões da manifestação de inconformidade. Ao final, requer: (...)em razão da adoção do critério de rateio proporcional para cálculo dos créditos de PIS/COFINS vinculados às receitas de exportação, passíveis de ressarcimento, seja reconhecida e DECLARADA a inexistência de disposição legal que determine a segregação das operações com “Drawback” e sem “Drawback” para cálculo dos créditos de PIS/COFINS vinculados às receitas de exportação, passíveis de ressarcimento, bem como a correção dos percentuais de rateio utilizados pela Contribuinte, no Pedido de Ressarcimento, uma vez que efetuado na forma prevista no art. 6º, § 3º e 15, inciso III, da Lei 10.833/03, distribuindo assim os créditos na forma apresentada na DACON, o que importa no reconhecimento dos valores pleiteados e indevidamente não reconhecidos; seja reconhecido e DECLARADO o direito aos créditos de PIS e COFINS, sobre os gastos realizados com a aquisição dos materiais de embalagem “pallets de madeiras” e “caixas de madeiras” utilizadas no acondicionamento dos produtos exportados, pleiteado no Pedido de Ressarcimento, uma vez que estes gastos são essenciais, relevantes e necessários à industrialização e comercialização dos produtos para o exterior e este critério é o que melhor se amolda às contribuições ao PIS e COFINS, nos termos da legislação (art. 3º, II da Lei 10.833/03 e 10.637/02 c/c §12° do art. 195 da Constituição Federal) e jurisprudência acima citados. seja reconhecido e DECLARADO o direito a aproveitamento de créditos de PIS e COFINS integrais, sobre a aquisições de insumos e matérias primas (NCM 41.01.20.10 e 41.01.50.10) vinculados as Notas Fiscais emitidas sem qualquer destaque relativo à suspensão, bem como seja afastadas presunções, indícios, médias, arredondamentos e amostragens, na análise do direito creditório; reconhecidos os argumentos expendidos, seja reconhecido o crédito no montante pleiteado pela Contribuinte no pedido de ressarcimento, e homologadas integralmente as compensações vinculadas efetuadas. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, contudo será conhecido apenas em parte, como se explicitará a seguir. Apuração dos novos percentuais de receita de exportação Créditos pleiteados "pallets de madeira" e "caixas de madeira" Fl. 846DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 Insurgiu-se a Recorrente contra o critério de rateio adotado pela autoridade fiscal no que se refere à linha 02 das fichas 06A e 16A do DACON. Sustenta que os novos percentuais de rateio dados pela autoridade fiscal para fins de determinação dos créditos a serem ressarcidos, que desconsiderou as exportações realizadas com o regime aduaneiro especial de Drawback, não tem amparo na legislação. Isso porque o legislador na disciplina do critério de rateio proporcional entre a receita bruta total e a receita de exportação, não discriminou se a receita de exportação seria a exportação com ou sem o regime aduaneiro de Drawback. Ademais, aponta que tem direito ao desconto de créditos de PIS e COFINS sobre os gastos com materiais de embalagem - “pallets de madeiras” e “caixas de madeiras” - utilizadas nos produtos exportados, por serem insumos necessários à industrialização e indispensáveis para a armazenagem (art. 3º, II e IX e art. 15, II, da Lei n° 10.833/03 e n° 10.637/02). Em seu recuso voluntário, a Recorrente citou orientação jurisprudencial do e. TRF da 4ª Região, sobre o tema recorrido: TRIBUTÁRIO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS SOBRE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. APURAÇÃO DOS PERCENTUAIS DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO SOBRE O VALOR DE PALLETS E CAIXAS DE MADEIRA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA NÃO EQUIVALENTE. 1. A parte autora tem direito aos créditos de PIS/COFINS sobre os custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas de exportação, utilizados na produção e comercialização de mercadorias para o exterior, tais como energia elétrica, aluguéis, armazenagem, fretes, contraprestações de arrendamento mercantil, depreciações, serviços, bens e insumos, sobre os quais houve pagamento de PIS e COFINS, ainda que exportadas ao amparo de regime aduaneiro especial “Drawback", nos termos do previsto no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Descabida a equiparação a empresas comerciais exportadoras, que implicaria a aplicação da vedação do § 4º do art. 6º. 2. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins vinculados a receitas de exportação, de que tratam o art. 5º da Lei nº 10.637/2002, e o art. 6º da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, devem observar o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 3. O método de rateio proporcional, conforme disciplina o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado nas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições, sendo descabida a exclusão de qualquer valor da receita bruta total para efeitos de cálculo daqueles créditos vinculados à exportação. 4. Não tem o contribuinte o direito de dedução de crédito de PIS e COFINS sobre o valor de embalagens tipo pallets e caixas de madeira por não constituírem insumos segundo a definição legal. Fl. 847DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 5. O termo inicial da atualização monetária do crédito presumido ou escritural reconhecido ao contribuinte, na hipótese de negativa ilegítima do Fisco, são as datas dos protocolos dos pedidos administrativos. 6. Configurada hipótese de sucumbência recíproca não equivalente, os ônus sucumbenciais devem ser distribuídos na medida da sucumbência das partes. (TRF4, AC 5010683-49.2016.4.04.7001, SEGUNDA TURMA, Relator ANDREI PITTEN VELLOSO, juntado aos autos em 04/10/2017) Entretanto, em consulta à referida decisão no site do e. TRF da 4ª Região, Apelação n° 5010683-49.2016.4.04.7001/PR, é possível verificar que se trata de ação promovida pela própria Recorrente para contestar despachos decisórios com o mesmo teor do que embasa o presente processo, mas para períodos de apuração diferentes: COFINS 2°, 3° e 4° Trimestres de 2011 e PIS 4° Trimestre de 2011. Por isso, observa-se que estão submetidas ao Poder Judiciário, parcialmente, as matérias postas no recurso voluntário. Transcrevo: RELATÓRIO Trata-se de apelação e recurso adesivo interpostos contra sentença que decidiu a lide nos seguintes termos, in verbis: "Ante o exposto, julgo parcialmente procedentes os pedidos, com fulcro no artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), para o fim de: a) declarar o direito da autora aos créditos de PIS/COFINS sobre os custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas de exportação, ou seja, utilizados na produção e comercialização de mercadorias para o exterior, tais como energia elétrica, aluguéis, armazenagem, fretes, contraprestações de arrendamento mercantil, depreciações, serviços, bens e insumos, sobre os quais houve pagamento de PIS e COFINS, ainda que exportadas ao amparo de regime aduaneiro especial “Drawback"; b) declarar a inexistência de disposição legal que determine a segregação das operações “com Drawback” e “sem Drawback” para cálculo dos créditos de PIS/COFINS vinculados às receitas de exportação, passíveis de ressarcimento, com a condenação do Fisco à correção dos percentuais de rateio nos Pedidos de Ressarcimento de COFINS - Não-cumulativa - Exportação do 2º, 3º e 4º Trim./2011 e no Pedido de Ressarcimento de PIS - Não-Cumulativo - Exportação do 4º Trim./2011, na forma da fundamentação; c) condenar a União ao ressarcimento dos créditos a serem apurados conforme a presente sentença, atualizados pela SELIC, desde a data dos protocolos administrativos até a data da efetiva disponibilização dos valores ao contribuinte. No mais, julgo improcedente o pedido de reconhecimento do direito à apuração de créditos sobre os gastos realizados com a aquisição dos materiais para acondicionamento “pallets de madeira” e “caixas de madeira”. Dada a sucumbência recíproca, mas não equivalente, e na forma do disposto no art. 85, §§ 2º, 3º e 14, e no art. 86, do CPC, condeno ambas às partes ao pagamento dos honorários advocatícios à parte adversa na proporção de 80% ao patrono do autor e 20% à União. Fl. 848DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 Sopesados os critérios legais, fixo os honorários no percentual mínimo de cada faixa estipulada pelo artigo 85, §3°, do mesmo diploma processual, dependendo da apuração do montante em eventual cumprimento de sentença, observado o §5° do artigo 85 do CPC. A base de cálculo será o proveito econômico obtido pela parte autora. Ainda, deverá a parte autora arcar com 20% do valor da custas processuais. A União é isenta do pagamento de custas (art. 4º, I, Lei n. 9.289/96). Sentença não sujeita a reexame necessário, considerando que, por estimativa, verifica-se que a condenação não alcançará o valor de mil salários mínimos, conforme inciso I do § 3º do artigo 496 do Código de Processo Civil. (...)" (...) A parte autora recorre adesivamente, visando a reforma parcial da sentença, para reconhecer: a) o direito aos créditos de PIS e COFINS, sobre os gastos realizados com a aquisição dos materiais de embalagem “pallets de madeiras” e “caixas de madeiras”, pleiteados nos Pedidos de Ressarcimento–COFINS–Não cumulativo– Exportação do 2º, 3º e 4º Trim./2011 e o Pedido de Ressarcimento–PIS–Não Cumulativo–Exportação do 4º Trim./2011, uma vez que estes gastos são necessários à industrialização e comercialização dos produtos industrializados para o exterior e este critério é o que melhor se amolda às contribuições ao PIS e COFINS, nos termos da legislação tributária (art. 3º, II e IX e art. 15 inciso II da Lei 10.833/03 e 10.637/02 c/c §12° do art. 195 da Constituição Federal) e jurisprudência judicial e administrativa acima citados; b) Por consequência, caso provido o presente recurso de apelação adesiva e reconhecido o direito ao desconto de créditos de PIS e COFINS, sobre os gastos realizados com a aquisição dos materiais de embalagem “pallets de madeiras” e “caixas de madeiras”, requer seja reformada da sucumbência fixada para condenação exclusiva da União (Fazenda Nacional) ao pagamento dos ônus de sucumbência; c) sucessivamente, requer seja reformada a sucumbência para considerando a sucumbência mínima da parte Autora, ora Apelante, condenar a União, por inteiro, ao pagamento das despesas e honorários, conforme art. 86, parágrafo único do CPC ou na proporção de 95% ao Autor e 5% à União, na forma do art. 86, caput, do CPC/2015, conforme razões articuladas acima; VOTO Da apuração dos percentuais de receita de exportação Igualmente sem razão a União nesse aspecto, uma vez que a sistemática empregada pelo Fisco não encontra respaldo na legislação de regência, a qual determina, na hipótese de aplicação do método de cálculo do rateio proporcional para fins de apuração dos créditos referentes ao PIS/COFINS, que sejam consideradas as receitas brutas sujeitas à incidência de tais contribuições. Em atenção à correção dos argumentos exarados, e com o fito de evitar censurável tautologia, trago à colação excerto da sentença no ponto, que ratifico integralmente, in verbis: Fl. 849DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 "No que se refere à segregação das operações "com Drawback” e "sem Drawback” para cálculo dos créditos de PIS/COFINS vinculados às receitas de exportação passíveis de ressarcimento, consignou-se no Termo de Informação Fiscal (evento 1, PROCADM32, p. 37): De acordo com o § 3º do art. 6º e o inciso III do art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003, os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados a receitas de exportação, de que tratam o art. 5º da Lei nº 10.637/2002, e o art. 6º da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, devem observar o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Prevê, de seu turno, o § 8º do art. 3º e do art. 15, inciso III, da Lei nº 10.833/2003, que a pessoa jurídica sujeita parcialmente à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS e da Cofins, pode, quando da determinação dos créditos dessas contribuições, aplicar, a seu critério, um dos seguintes métodos para calculá- los: a) apropriação direta; ou b) rateio proporcional. O método de rateio proporcional, conforme disciplina o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado nas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. Em referida metodologia de cálculo, deve ser aplicada "aos custos, despesas e encargos comuns a Fl. 850DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês". Observa-se que o percentual a ser aplicado diz respeito à relação existente entre a receita bruta que sofre incidência não cumulativa das contribuições e o total da receita bruta auferida pela pessoa jurídica (que corresponde à soma das receitas brutas sujeitas às incidências cumulativa e não cumulativa dessas contribuições). Não há dispositivo legal que autorize a exclusão de qualquer valor da receita bruta total para efeitos de cálculo daqueles créditos vinculados à exportação. Dessa forma, não deve prevalecer a forma utilizada pelo Fisco, com a exclusão dos créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas de exportação "com drawback", pois, como visto, não há que se aplicar ao caso a analogia em relação à comercial exportadora, tampouco devem ser excluídas da composição da receita bruta total ou da receita de exportação as receitas de exportação "com drawback". Em resumo, os créditos da sociedade autora devem ser recalculados, com a correção dos percentuais utilizados e sem a segregação das operações “com Drawback” e “sem Drawback”, devendo ser observado o disposto nos arts. 6º, § 3º e 15, inciso III, da Lei 10.833/03, consoante a fundamentação acima. (...)" Do direito ao crédito com a aquisição de “pallets de madeira” e “caixas de madeira” No tocante ao alargamento do conceito de insumo, para abarcar 'pallets e caixas de madeira' tenho que não merece guarida a pretensão da parte impetrante. A legislação do IPI considera como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda, exclusivamente, a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa fabricante. Ou seja, insumo é o que se incorpora no processo de transformação do qual resultará o produto industrializado, podendo ser esse conceituado como "aquele que passa por um processo de transformação, modificação, composição, agregação ou agrupamento de componentes de modo que resulte diverso dos produtos que inicialmente foram empregados neste processo" (In Anotações ao Código Tributário Nacional, Pedro Roberto Decomain, ed. Saraiva, p. 205). Já as leis que instituíram o PIS e a COFINS não cumulativos apenas autorizam a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como "insumos" na fabricação de produtos destinados à venda, sem explicitar qual o alcance desse termo. Isso não significa, porém, que se possa caracterizar como insumo todos os elementos, inclusive os indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como mão-de-obra e energia elétrica. Embora o sistema de não cumulatividade das contribuições seja distinto do aplicado aos tributos indiretos, como o IPI (também conforme já considerou o Plenário desta Casa ao julgar o Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS nº 2005.70.00.000594-0/PR, Rel. Des. Otávio Roberto Pamplona, D.E. 14/07/2008), entendo que em relação aos insumos há semelhança de Fl. 851DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 tratamento, na medida em que somente pode ser assim considerado o que se relaciona diretamente à atividade da empresa, com restrições, portanto. Ademais, evidencia-se que o legislador não pretendeu alargar o conceito de insumo da forma defendida pela impetrante quando se verifica que as Leis n.ºs 10.637/02 e 10.833/03 trataram de incluir dentre as possibilidades de desconto os créditos calculados em relação a "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica", "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa", e outros, o que seria despiciendo se tais elementos estivessem abrangidos no conceito de insumos. Nessa medida, podem ser abatidos na etapa seguinte apenas os créditos previstos na legislação de regência do PIS e COFINS não cumulativos. E não há falar no malferimento dos princípios da isonomia e da livre concorrência. Registre-se ainda que, com o intuito de regulamentar a não cumulatividade prevista nas leis que servem de suporte à pretensão da parte autora (Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003), foram editadas a IN SRF n.º 247/02 (quanto ao PIS) e a IN SRF n.º 404/04 (quanto à COFINS), que vieram a explicitar o conceito de insumos, estabelecendo o seguinte: - IN SRF n.º 247/02: (...) - IN n.º 404/04: (...) Da leitura dos referidos dispositivos, verifica-se que a autoridade administrativa, ao definir insumos, não amplia o conteúdo legal, apenas reforça o modo legalmente previsto de aproveitamento dos créditos no sistema não cumulativo do PIS e da COFINS, ou seja, considera, para efeitos de creditamento, apenas os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, de modo que as referidas instruções normativas não incorrem em vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. Nessa linha, colhe-se os seguintes precedentes deste Tribunal: (...) O entendimento do STJ corrobora o posicionamento acima: (...) Insumo, por isso, deve ser entendido como cada um dos elementos imprescindíveis para a produção de mercadorias ou para a prestação de serviços. Logo, não pode ser considerado "insumo" todo e qualquer custo e despesa necessários à atividade estabelecida nas finalidades sociais da empresa, dentre os quais os itens ora examinados, os quais não estão intrinsecamente vinculados ao processo produtivo. Fica mantida a sentença no tocante, dessarte. A Súmula CARF n° 1 prescreve: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 852DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 Então, as alegações recursais relacionadas à apuração dos novos percentuais de receita de exportação e aos créditos pleiteados "pallets de madeira" e "caixas de madeira” não podem ser conhecidos, por concomitância. Glosa relativa ao ressarcimento de créditos de aquisições de produtos adquiridos com suspensão, classificados na posição NCM 41.01.50.10 Nos termos da Lei n° 12.058/2009 e da Instrução Normativa RFB nº 977/2009, a suspensão nas aquisições de produtos classificados nas posições NCM 41.01.20.10 e 41.01.50.10 de pessoas jurídicas que industrializem bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM (animais vivos da espécie bovina e carnes de animais da espécie bovina frescas, refrigeradas ou congeladas), era obrigatória: Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009 Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I- animais vivos classificados na posição 01.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM; II- produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30, da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I- não alcança a receita bruta auferida nas vendas a consumidor final; II- aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda as mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM poderá descontar da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2° O direito ao crédito presumido somente se aplica às mercadorias de que trata o caput deste artigo, adquiridas com suspensão das contribuições, no mesmo período de Fl. 853DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Posteriormente, a Medida Provisória nº 497/2010 (DOU 28/07/2010) deu nova redação aos art. 32 a 34 da Lei 12.058/2009: Art. 27. Os arts. 32 a 34 da Lei no 12.058, de 13 de outubro de 2009, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 32 (...) I - animais vivos classificados na posição 01.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nas posições 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10, 1502.00.1, 41.01.50.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM; II - produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10, 1502.00.1, 41.01.50.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10, 1502.00.1, 41.01.50.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda as mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10, 1502.00.1, 41.01.50.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, poderá descontar da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a quarenta por cento das alíquotas previstas no caput do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 33. Esta Medida Provisória entre em vigor na data de sua publicação Como bem posto na informação fiscal, são efetuadas com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS as aquisições de produtos classificados nas posições 41.01.20.10 e 41.01.50.10 promovidas pela interessada junto a pessoas jurídicas que industrializem bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM (animais vivos da espécie bovina e carnes de animais da espécie bovina - frescas, refrigeradas ou congeladas), como demonstrado a seguir: a) NCM 41.01.20.10: período de 01/11/2009 a 27/07/2010 (primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da Lei nº 12.058/2009 até o dia anterior à publicação da MP nº 497/2010); Fl. 854DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-011.322 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720115/2011-76 b) NCM 41.01.50.10: período de 28/07/2010 a 20/12/2010 (data de publicação da MP nº 497/2010 até o dia anterior à publicação da Lei nº 12.350/2010); Havia à época vedação da utilização do crédito presumido calculado sobre o valor das mercadorias classificadas nessas posições para compensação ou ressarcimento, conforme art. 13 da IN RFB nº 977/2009, devendo ser utilizado apenas para desconto das próprias contribuições para o PIS/PASEP e COFINS a recolher. Isso porque a possibilidade de compensação ou ressarcimento surgiu apenas com a edição da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 34 da Lei n° 12.058/2009, mas que também excluiu do texto as NCM do capítulo 41: IN RFB nº 977/2009 Art. 13. O crédito presumido apurado na forma dos arts. 6º e 8º deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno e, quando não aproveitado em determinado mês, poderá sê-lo nos meses subsequentes. Parágrafo único. O crédito presumido de que trata o caput não poderá ser objeto de compensação com outros tributos, nem de pedido de ressarcimento. A fiscalização constatou que as aquisições de bens (notas fiscais de COURO VERDE BOVINO) obrigatoriamente estavam sujeitas à suspensão das contribuições e a Recorrente tomou créditos integrais com a aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,6%, além de pleitear o ressarcimento/compensação. Da análise da legislação citada, a autoridade fiscal corretamente concedeu o crédito presumido de 40% para a dedução do valor devido das próprias contribuições. Conclusão Do exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário para, na parte conhecida, negar provimento. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Fl. 855DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16682.720184/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VENDA. ATIVO CIRCULANTE. QUALIFICAÇÃO COMO RECEITA TRIBUTÁVEL.
A venda de participações societárias registradas no Ativo Circulante, ante o objeto social da pessoa jurídica, qualifica-se como receita sujeita à incidência da contribuição à COFINS, sendo irrelevante que aludidas participações estivessem, anteriormente, registradas no Ativo Permanente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este conselho administrativo para examinar constitucionalidade da legislação tributária.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VENDA. ATIVO CIRCULANTE. QUALIFICAÇÃO COMO RECEITA TRIBUTÁVEL.
A venda de participações societárias registradas no Ativo Circulante, ante o objeto social da pessoa jurídica, qualifica-se como receita sujeita à incidência da contribuição à COFINS, sendo irrelevante que aludidas participações estivessem, anteriormente, registradas no Ativo Permanente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este conselho administrativo para examinar constitucionalidade da legislação tributária.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.113
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, no tocante à tributação das receitas lançadas, vencidos os conselheiros Waltamir Barreiros (relator), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Olivieira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, designado o conselheiro Elias Fernandes Eufrásio para redigir o voto vencedor. Respeitante à exclusão da multa e dos juros de mora, por unanimidade, negou- se provimento. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Miquerlam Chaves Cavalcante.
Nome do relator: WALTAMIR BARREIROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VENDA. ATIVO CIRCULANTE. QUALIFICAÇÃO COMO RECEITA TRIBUTÁVEL. A venda de participações societárias registradas no Ativo Circulante, ante o objeto social da pessoa jurídica, qualifica-se como receita sujeita à incidência da contribuição à COFINS, sendo irrelevante que aludidas participações estivessem, anteriormente, registradas no Ativo Permanente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este conselho administrativo para examinar constitucionalidade da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VENDA. ATIVO CIRCULANTE. QUALIFICAÇÃO COMO RECEITA TRIBUTÁVEL. A venda de participações societárias registradas no Ativo Circulante, ante o objeto social da pessoa jurídica, qualifica-se como receita sujeita à incidência da contribuição à COFINS, sendo irrelevante que aludidas participações estivessem, anteriormente, registradas no Ativo Permanente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este conselho administrativo para examinar constitucionalidade da legislação tributária. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: PDFium; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-04-08T21:44:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; pdf:docinfo:creator_tool: PDFium; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-04-08T21:44:25Z; created: 2016-04-08T21:44:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2016-04-08T21:44:25Z; pdf:charsPerPage: 2365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-04-08T21:44:25Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 6.164 1 6.163 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720184/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.113 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2016 Matéria PIS/PASEP E COFINS Recorrente BNDES PARTICIPAÇÕES S.A. BNDESPAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VENDA. ATIVO CIRCULANTE. QUALIFICAÇÃO COMO RECEITA TRIBUTÁVEL. A venda de participações societárias registradas no Ativo Circulante, ante o objeto social da pessoa jurídica, qualificase como receita sujeita à incidência da contribuição à COFINS, sendo irrelevante que aludidas participações estivessem, anteriormente, registradas no Ativo Permanente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este conselho administrativo para examinar constitucionalidade da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VENDA. ATIVO CIRCULANTE. QUALIFICAÇÃO COMO RECEITA TRIBUTÁVEL. A venda de participações societárias registradas no Ativo Circulante, ante o objeto social da pessoa jurídica, qualificase como receita sujeita à incidência da contribuição à COFINS, sendo irrelevante que aludidas participações estivessem, anteriormente, registradas no Ativo Permanente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios à taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, falecendo competência a este conselho administrativo para examinar constitucionalidade da legislação tributária. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 84 /2 01 0- 16Fl. 6164DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, no tocante à tributação das receitas lançadas, vencidos os conselheiros Waltamir Barreiros (relator), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Olivieira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, designado o conselheiro Elias Fernandes Eufrásio para redigir o voto vencedor. Respeitante à exclusão da multa e dos juros de mora, por unanimidade, negou se provimento. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Miquerlam Chaves Cavalcante. Robson José Bayerl – Presidente substituto Waltamir Barreiros – Relator Elias Fernandes Eufrásio – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O presente processo foi apreciado por esta Turma julgadora, em 23 de julho de 2013, tendo o colegiado, por maioria de seus membros, decidido converter o julgamento do recurso em diligência, por meio da Resolução nº 3401000.734 (Fls. 4765/47671) cujo relatório da então Conselheira Ângela Sartori, faço uso: "A auditoria fiscal respaldada no Mandado de Procedimento Fiscal 201000.1594 constituiu créditos tributários de PIS e COFINS, supostamente não declarados no período de Outubro de 2005 a dezembro de 2005, tomando como base, fatos apurados em trabalho anterior. O crédito tributário lavrado foi consolidado no valor de R$ 56.062.258,90 (cinquenta e seis milhões sessenta e dois mil duzentos e cinqüenta e oito reais e noventa centavos) de PIS e R$ 258.226.162,22 (duzentos e cinquenta e oito milhões duzentos e vinte e dois mil cento e sessenta e dois reais e vinte e dois centavos) de COFINS. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão referemse à numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocesso) Fl. 6165DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.165 3 Segundo o relatório fiscal: 4. Do lançamento O lançamento ora efetuado constitui os créditos tributários de PIS e COFINS devidos e não declarados, relativos ao mês de Outubro/2005. O lançamento tomou por base exclusivamente dados fornecidos pela contribuinte em atendimento a intimações. A documentação fornecida pela fiscalizada integrará os autos do processo formalizado após a ciência deste auto. A fiscalização atevese aos fatos descritos, ressalvado o direito de a Fazenda nacional proceder a novos exames, surgindo elementos novos que os justifiquem. Devidamente intimado da decisão, o contribuinte apresentou impugnação que foi analisada pela a DRJ no Rio de Janeiro – DRJ/RJ2, na sessão de 27 de fevereiro de 2012, prolatou acórdão de número 1340.066, mantendo a autuação fiscal, com decisão ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 RECEITA ORIUNDA DE ALIENAÇÃO DE ATIVO CIRCULANTE. Os proventos advindos da venda de ativo circulante constituem receita operacional, devendo ser incluídos na base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 RECEITA ORIUNDA DE ALIENAÇÃO DE ATIVO CIRCULANTE. Os proventos advindos da venda de ativo circulante constituem receita operacional, devendo ser incluídos na base de cálculo do PIS/Pasep. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não satisfeito com a manutenção da autuação o BNDESPAR interpôs Recurso Voluntário, nas fls. 608/645, alegando, em síntese, o seguinte: A empresa fez uma consulta à RFB, que foi respondida pela Solução de Consulta SRRF/7ºRF/DISIT N. 36, de 06/02/2006, a qual concluiu que a receita decorrente da venda das respectivas participações societárias de titularidade da BNDESPAR, qualificadas como Ativo Permanente, deveriam ser excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS. Não obstante isso, a RFB decidiu instaurar procedimento fiscal que concluiu que a receita decorrente da alienação de ações no mês de outubro/2005 deveria integrar a base de cálculo do PIS/COFINS pelo fato de terem sido alienadas diretamente do Ativo Circulante no momento da venda; As ações alienadas no mês de outubro de 2005 foram realizadas com o intuito de constituir fundo de investimentos e que, mesmo que classificadas no ativo circulante, estas constituíam receitas não operacionais, decorrentes da venda de Ativo Permanente da BNDESPAR; A reclassificação do ativo permanente para o circulante não desnatura sua natureza; a classificação contábil, por si só, não é determinante para definir sua natureza de receita; a expectativa de Fl. 6166DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 permanência de um bem no ativo imobilizado por mais de 12 meses é condição para classificação no ativo permanente, o que confere natureza nãooperacional à receita decorrente de sua venda; quando o bem é comercializado antes do período de 12 meses não se presume a permanência, que deve ser provada; A exclusão da multa, uma vez que o recorrente agiu com boa fé; Requer a realização de diligência e perícia para aferição da real natureza da receita, se operacional ou não. É o relatório" É mister que se acrescentem, ao que até aqui foi exposto, os seguintes fatos que julgo importantes para melhor compreensão da lide. O Mandado de Procedimento Fiscal 201000.1594 lavrado pela DIFIS/DEMAC/RJ, que deu origem ao crédito tributário em análise, abrange receitas dos meses de outubro a dezembro de 2005, cujas DACON e DCTF foram retificadas pela contribuinte. Contudo, como se verifica no Termo de Verificação Fiscal, fl. 183, todas as ações alienadas nos meses de novembro e dezembro de 2005 estavam registradas no ativo permanente e, portanto, as receitas correspondentes não integram as bases de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. Quanto às receitas decorrentes das alienações ocorridas no mês de outubro de 2005, assim relatou a DEMAC/RJ às fls. 181 e 182 do TVF: "Análise da documentação apresentada indica que as retificações promovidas foram no sentido de excluir, das bases de cálculo de PIS e COFINS, as receitas de vendas de ações que a empresa considerou enquadradas no conceito de ativo permanente. A empresa destacou que o motivo pelo qual ocorreu venda de participação societárias não permanentes, no mês de Outubro/2005, foi a necessidade de adquirir certa quantidade de títulos no mercado, visando à constituição do fundo PIBB. Cumpre observar, no entanto, que parte das ações que a empresa considerou como do Ativo Permanente estavam na verdade contabilizadas, no momento da venda, no Ativo Circulante. Significa dizer que parte das ações alienadas em Outubro/2005 foi transferida para o Ativo Circulante meses antes de sua venda. Neste ponto, voltamos à Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 36, de 06/02/2006, apresentada pela contribuinte, na resposta à Carta Dipac/Demac/RJO nº 036/2010. Como visto, a BNDESPAR formulou questionamentos acerca da tributação da venda de participações societárias. Na ocasião, a consulente delineou o objeto da consulta como sendo operação específica de alienação de participação societária, ocorrida em 13/12/2005. Ao descrevêla, afirmou que a participação alienada foi contabilizada no Ativo Permanente até sua liquidação, mas questionou: 'para atender à legislação societária, mediante solicitação de adutores externos, diante da pretensão de alienação, poderia ocorrer sua reclassificação para o ativo circulante?' (item 15.3 da Solução de Consulta). Examinando esta questão, a Solução de Consulta pronunciouse nos seguintes termos: Fl. 6167DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.166 5 '31. A participação societária permanente deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação. O resultado decorrente da operação considerase não operacional.' (...) '38. .... soluciono parcialmente a consulta para esclarecer que a participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação, em 13 de dezembro de 2005.' Resta claro que, para que a receita de venda de ações não seja tributada pelo PIS e pela COFINS, as participações alienadas devem estar registradas no Ativo Permanente." Em face das considerações acima apontadas, permaneceram sujeitas a questionamento apenas as receitas de venda ocorridas no mês de outubro de 2005, concernentes às participações societárias que estavam registradas no ativo circulante no momento de suas alienações. Segundo a autoridade lançadora, no mês de outubro de 2005, "o total da receita bruta de venda de ações foi de R$ 1.859.692.864,41. Deste total, R$ 1.837.034.932,77 vieram da venda de ações registradas no Ativo Circulante; o restante, de R$ 22.657.931,64, de ações registradas no Ativo Permanente", da seguinte forma: OUTUBRO/2005 Receita Bruta de Venda de Ações R$ 1.859.692.864,41 ( ) Receita de Venda de Ações do Ativo Permanente R$ 22.657.931,64 = Receita Tributável de Venda de Ações R$ 1.837.034.932,77 Receita Oferecida à Tributação pela Fiscalizada R$ 359.704.326,59 Receita a Tributar de Ofício R$ 1.477.330.606,18 O valor da receita tributada de ofício deu ensejo à lavratura, em 21/10/2010, dos Autos de Infração referentes à contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 24.375.955,00, que acrescido de juros e multa, totaliza R$ 56.062.258,90 (fls. 185/191) e à COFINS no valor de R$ 112.277.126,06, que acrescidos de juros e multa, totaliza 258.226.162,22 (fls 192/198). Intimado da decisão, a contribuinte interpôs impugnação em 19/11/2010, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (fls. 4.634/4.648), do qual transcrevo partes que considero imprescindíveis para elucidação dos fatos. " Preliminarmente, o impugnante informa ter realizado, em 16/11/2010 o depósito voluntário do montante integral do débito tributário ora impugnado, no valor total atualizado de R$ 56.503.463,69 e R$ 260.258.378,20 para os fins previstos no artigo 151, II, do CTN (doc. 2). (...) No contexto das atividades de fomento, as operações de apoio realizadas pela BNDESPAR, via de regra, são realizadas no longo prazo, razão pela qual, as inversões em participações societárias adquiridas com Fl. 6168DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 intenção de permanência são mantidas até o término do ano calendário subsequente ao de sua aquisição classificadas originariamente no subgrupo de Investimentos do Ativo Permanente. Em contrapartida, por configurarem exceção às atividades da BNDESPAR, as participações societárias adquiridas sem intenção de permanência são classificadas originariamente no Ativo Circulante e alienadas até o término do ano calendário seguinte ao de sua aquisição. Com o objetivo de sanar quaisquer dúvidas referentes à incidência de PIS e de Cofins sobre receitas decorrentes de alienação de participação acionária de titularidade da BNDESPAR realizada em dezembro de 2005, o contribuinte formulou consulta à RFB. A Solução de Consulta SRRF/7ª/RF/DISIT N° 36, de 06/02/2006 (fls. 74/82) elucidou parcialmente a consulta, restando assim ementada no tocante à COFINS, verbis: ‘(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: BEM DO ATIVO PERMANENTE. ALIENAÇÃO. RECEITA NÃO INTEGRA A BASE DE CÁLCULO. A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 06 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente da venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra a base de cálculo da Cofins. A mera intenção de alienação de participação societária permanente é incapaz de alterar a classificação, como não operacional, da receita decorrente de eventual concretização da operação. Dispositivos Legais: Art. 1o, § 3o, II, da Lei n° 10.833/2003; e art. 511 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999).’ Há que se destacar que o tempo de manutenção da participação acionária nos ativos da BNDESPAR até sua alienação foi elemento determinante para que a Receita Federal concluísse que o ativo alienado preenchia os requisitos necessários para qualificálo como permanente, conforme sobressai do seguinte trecho da solução de consulta (fIs.81) verbis: '35. Dessa forma, a receita decorrente da alienação de participação societária em tela, mantida por mais de quatro anos, não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, por ser não operacional, decorrente da venda de ativo permanente.' No ponto, há que se destacar que o critério da temporariedade é aplicado pela Receita Federal para demonstração da intenção de permanência, conforme depreendese do acórdão 078667 de 6/10/2006 da 4ª Fl. 6169DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.167 7 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis verbis: 'Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: ATIVO PERMANENTE. CARACTERIZAÇÃO. A manutenção do investimento até o fim do exercício seguinte ao de sua aquisição caracteriza a intenção do investimento permanente. Anocalendário: 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002. 01/01/2003 a 31/12/2003'. Outra importante premissa firmada na Solução de Consulta que merece destaque é o entendimento de que 'a mera intenção de alienação de participação societária permanente é incapaz de alterar a classificação, como não operacional, da receita decorrente de eventual concretização da operação'. Desse modo, da mesma forma que a mera intenção de alienação de participação societária qualificada como permanente é incapaz de alterar sua natureza não operacional, o mesmo raciocínio deve ser aplicado para a simples reclassificação contábil de Ativo Permanente realizada com a única finalidade de retratar a intenção de alienálos no curto prazo. O procedimento contábil, por si só, não tem o condão de alterar a natureza da receita (nãooperacional) da alienação de ativos adquiridos com intenção de permanência, os quais de fato permaneceram classificados no Ativo Permanente da BNDESPAR por mais de um ano calendário, ainda que discorde a Receita Federal da classificação contábil que seja adotada. A Comissão de Valores Mobiliários, autarquia criada pela Lei n. 6.385/64 com a finalidade de exercer poder de polícia das atividades desenvolvidas no mercado de valores mobiliários, detém poder regulamentar e fiscalizador das respectivas atividades, cabendolhe aplicar sanções àqueles que infringires suas normas. No exercício de seu poder regulamentar, a CVM editou a Deliberação nº 496/2006, a qual ratifica a Norma de Procedimento Contábil nº 27, dispondo que: 'ATIVO CIRCULANTE E NÃO CIRCULANTE 54. Um ativo deve ser classificado como circulante quando: a se espera que seja realizado ou é mantido para venda, negociação ou consumo dentro dos 12 meses seguintes à data do balanço; ou b é um ativo em dinheiro ou equivalente, cuja utilização não está restrita.' Fl. 6170DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Como frisado no DACON retificador referente a outubro de 2005, somente as ações adquiridas para constituição do Fundo PIBB II que não permaneceram no ativo da BNDESPAR por mais de um anocalendário foram mantidas na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, excluindose as que faziam parte do Ativo Permanente. Nesse contexto, mesmo classificadas no ativo circulante, as ações alienadas em outubro/2005 cujo valor da venda foi retirado da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS constituíam receitas não operacionais, decorrentes da venda de Ativo Permanente da BNDESPAR. Assim, aplicando os procedimentos contábeis normatizados pela CVM, a BNDESPAR realizou procedimento de reclassificação contábil com o único propósito de adequar as demonstrações contábeis à intenção de alienação das ações no curto prazo, conferindo transparência à contabilidade do contribuinte. A aprovação, pela CVM, da NPC 27 revela não só que o procedimento contábil adotado revelase adequado, mas também, impositivo, sob pena de, em caso de sua inobservância, a BNDESPAR vir a sofrer sanções administrativas. Nada obstante, tais normas provocaram repercussão apenas no plano formal das demonstrações contábeis, o que per si não desnatura a intenção de permanência por ocasião da aquisição das ações pela BNDESPAR. A efetiva permanência dos ativos, independentemente da classificação contábil adotada, pode ser aferida de forma objetiva uma vez que as ações alienadas no mês de outubro/2005 faziam parte do Ativo Permanente da BNDESPAR por prazo superior a um ano calendário, como demonstram os razões contábeis (doc. 04), o que ratifica que as aquisições foram realizadas com intenção de permanência. No ponto, vale ressaltar que a Instrução Normativa da SRF n.° 25/2001, estabelecia critério objetivo de classificação dos Ativos para fins fiscais considerando como Ativo Permanente toda participação societária que permanecesse no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao da aquisição verbis: 'Art. 35. Estão dispensados a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto de renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos: III na alienação de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas, e de participações societárias que permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições'.(Grifouse). (...) No caso em questão, frisa o contribuinte, as ações alienadas pela BNDESPAR permaneceram no Ativo Permanente por período superior a doze meses, o que ratifica a aquisição com intenção de permanência. Fl. 6171DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.168 9 Assim, concluise que a condição de Ativo Permanente não foi perdida e não pode ser ignorada em razão da mera reclassificação formal para o Ativo Circulante, razão pela qual a receita decorrente da venda das referidas ações não enseja PIS/Cofins. A própria autoridade fiscal reconheceu, às fls.182, que a receita excluída da base de cálculo do PIS/Cofins e objeto da autuação foi reclassificada do Ativo Permanente para o Circulante pouco tempo antes da venda ao asseverar que "parte de ações alienadas em Outubro de 2005 foi transferida para o Ativo Circulante meses antes de sua venda", fato que per si já justificaria o cancelamento da autuação por inexistência de fato gerador do PIS/Cofins. Desta forma, a mera reclassificação contábil dos referidos Ativos, do Permanente para o Circulante, é questão de forma que não tem o condão de por si só descaracterizar a natureza nãooperacional da receita auferida e, via de consequência, provocar a incidência de PIS e Cofins na hipótese. Levandose em consideração que a conclusão pela incidência ou não de Cofins no caso depende, não meramente de sua classificação contábil, mas da verificação da real natureza da receita, se operacional ou não, a BNDESPAR entende ser imprescindível a realização de diligência e perícia para aferição de sua real natureza ex vi do artigo 18 do Decreto n.° 70.235/72. Diante do exposto, a BNDESPAR requer: i) a suspensão da exigibilidade ipso iure do crédito tributário impugnado ex vi do artigo 151, III, do CTN e em razão do depósito voluntário integral realizado ex vi do art. 151, inciso II, do CTN; ii) o cancelamento integral das autuações impugnadas no presente processo administrativo fiscal; iii) a exclusão da multa, dos juros de mora e do valor correspondente à atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, na forma do parágrafo único do artigo 100 do CTN, conforme exposto no item 4.6 retro; e iv) o levantamento, pela BNDESPAR, do montante integral do valor depositado voluntariamente, com os acréscimos legais." Concluída a exposição fática, a DRJ/RJ analisou, preliminarmente, o pedido de diligência apresentado pela contribuinte que alegou ser imprescindível para conclusão da incidência ou não de COFINS que, "no caso depende não meramente da classificação contábil mas da verificação da real da natureza da receita, se operacional ou não", tendo decidido pelo seu indeferimento pelas razões que expôs. Quanto ao mérito, peço vênia para transcrever, parcialmente, o voto do i. relator que embasou a decisão dos julgadores de 1º piso pela improcedência da impugnação: "Tanto o contribuinte quanto o órgão fiscal – a DEMAC/RIO – concordam em que se deve aplicar ao caso em apreço a solução de consulta Fl. 6172DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 DISIT/7ªRF/SRRF nº 06 de fevereiro de 2006, chegando ambas as partes a invocála para corroborar seus respectivos argumentos. (...) A consulta citada ressalta, no item 31, que “a participação societária permanente” (descrita nos itens 5 a 8) “deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação. O resultado decorrente da operação considerase não operacional”. Notese que, em nenhum momento tal afirmação é refutada quer pelo contribuinte quer pela DEMAC. Em sua impugnação, o contribuinte confessa ter procedido à reclassificação do ativo permanente para a rubrica de circulante; alega, porém, ter respeitado a Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários nº 496/2006, a qual ratifica a norma de procedimento contábil nº 27 do IBRACON, dispondo que se deva classificálo com “circulante quando (...) se espera que seja realizado ou é mantido para venda, negociação ou consumo dentro dos 12 meses seguintes à data do balanço”. Alega, ademais, o contribuinte, em síntese, que ao assim proceder, cumpriu determinação do órgão competente para classificação contábil – o que não desvirtua a natureza jurídica do ativo em apreço (referente a outubro de 2005 objeto de lançamento fiscal) de permanente. Na realidade, é à luz da solução de consulta DISIT/7ªRF/SRRF nº 06 evocada por ambos os litigantes que deve ser resolvido o contencioso. Como já se observou, ambas as partes concordam em que ela se aplica à espécie. (...) Senão vejamos, verbis: "31. A participação societária permanente deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação. O resultado decorrente da operação conserase não operacional" (...) "38 ... soluciono parcialmente a consulta para esclarecer que a participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação, em 13 de dezembro de 2005." O contribuinte deveria manter, segundo a solução de consulta evocada na própria impugnação, o ativo em discussão contabilizado como permanente. E não o fez, evidentemente com ciência das conseqüências tributárias de tal conduta: o resultado da alienação do ativo circulante compõe a base de cálculo ordinária do PIS e da Cofins, de acordo com o art. 2º da Lei 9.718/98. Fl. 6173DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.169 11 Notase, em suma, que, no presente processo, a DEMAC limitouse a cumprir o disposto na solução de consulta que o próprio contribuinte invoca em sua impugnação – corroborando, assim, os próprios fundamentos dos autos de infração. Voto, por tudo o que se expôs, por julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído." Cientificado da decisão de piso em 22/08/2012 (fl. 4653), a contribuinte, ora recorrente, apresentou recurso voluntário em 18/09/2012 (fls. 4658/4685), no qual repisa substancialmente os argumentos expostos em sua impugnação. Assevera que foram anexados à Intimação nº 1.162/2012, do Acórdão recorrido, DARFs para que a contribuinte efetuasse, até 31/08/2011, o pagamento do PIS/Pasep e da COFINS nos valores de R$ 57.738.105,79 e R$ 265.945.214,63, respectivamente. Aduz que os DARFs foram indevidamente encaminhados à contribuinte, vez que já havia realizado, em 16/11/2010, o depósito voluntário do montante integral do débito tributário impugnado, à época atualizados, de R$ 56.503.463,69 e R$ 260.258.378,20, para os fins previstos no art. 151, II do CTN. Adicionalmente, traz à lide a tese de que a receita em análise, "ainda que se qualificasse como receitas operacionais", seriam complementares e, como tal, consideradas receitas financeiras, sujeitas a alíquota zero, por força do Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005. Retorno à Resolução 3401000.734 que converteu o julgamento em diligência, cujo voto vencedor do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, teve o propósito de obter informações acerca dos títulos negociados no mês de outubro de 2005, nos seguintes termos: (...) "Isso porque a descrição dos fatos enfatiza que eles se encontravam no ativo circulante no momento da venda – e quanto a isso não há contestação por parte da autuada – mas não deixa suficientemente claro se eles foram meramente reclassificados contabilmente pouco antes da venda, tendo a aquisição ocorrido há vários anos como resta insinuado em passagens da defesa, ou se eles foram adquiridos há menos de um ano. E é essa informação que o colegiado entende significativa. Assim, a diligência deve trazer aos autos, de forma clara e à luz da análise dos registros contábeis da autuada, a informação de quando os títulos foram adquiridos, devendo dar ciência à autuada das conclusões alcançadas, abrindoselhe prazo de trinta dias para manifestação, após o que deve o recurso retornar para este colegiado." Em atendimento aos requisitos da Resolução 3401000.734, a DIFIS/DEMAC/RJ lavrou o Termo de Início de Diligência, intimando a recorrente a apresentar informações sobre as ações vendidas no mês de outubro de 2005, cujas receitas foram tributadas de ofício (ações transferidas do ativo permanente para o circulante em 2005, antes da venda), informando, para cada uma, ao menos os seguintes dados: a) data do evento; b) tipo do evento (compra, venda, grupamento, reclassificação contábil etc.); c) quantidade de ações envolvidas (compradas, vendidas, reclassificadas etc.); Fl. 6174DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 d) valor contábil das ações envolvidas no evento; e) saldo de ações antes e depois do evento (quantidade e valor contábil); f) valor da receita bruta de venda das ações em Outubro/2005; g) quantidade vendida em Outubro/2005; h) valor da receita de venda que a empresa considerou tributável, na apuração das bases de PIS e COFINS de Outubro/2005; i) critério de cálculo do valor a que se refere o item “h”. Além dos elementos acima, a recorrente foi intimada a apresentar os razões das contas que registram as ações, desde as aquisições até as vendas em outubro de 2005, bem como os comprovantes das aquisições e os respectivos pagamentos. Em resposta, foram apresentados os seguintes documentos: 1. PlanilhaResumo, denominada “Venda de Participações Societárias Permanentes em Out 2005”, contendo as seguintes informações para cada ação: a) quantidade vendida; b) preço médio unitário de venda; c) receita de venda; d) receita tributada pela empresa, e quantidade de ações correspondente; e) receita excluída da tributação e quantidade de ações correspondente; f) receita tributada de ofício no auto de infração e quantidade de ações correspondente. 2. Planilhas analíticas, uma para cada ação, contendo o histórico de movimentação das ações negociadas em outubro de 2005 (quantidades compradas/vendidas, valor de compra/venda, saldos). Informa, ainda, a autoridade fiscal que foi constatado que a recorrente "valorou seus estoques de ações pelo sistema de preço médio" e que "o critério da empresa, quanto à venda de ações em Outubro/2005, foi de: a) considerar como vendidas as ações adquiridas há mais tempo; e b) considerar como tributáveis apenas as receitas de venda de ações adquiridas a partir de 2004." (grifos do original). A partir de tais informações, a fiscalização elaborou 41 demonstrativos da diligência (fls. 6094/6134), sendo um para cada bloco de ações alienadas, as quais foram enquadradas em duas situações distintas: Situação 1, "as ações alienadas em Outubro/2005 foram todas adquiridas em datas anteriores a 2004." Foram relacionadas nesta situação, 26 blocos de ações. Situação 2, "o estoque disponível para alienação em Outubro/2005 era composto de ações adquiridas em datas diversas, sendo parte aquisições recentes (em 2004 e 2005), e outra parte aquisições mais antigas (anteriores a 2004). Considerando que a empresa avaliou seus estoques de ações pelo preço médio, não é possível identificar com precisão, nestes casos, quais foram as ações negociadas em Outubro/2005 – se as adquiridas antes ou depois de 2004. As planilhas da empresa indicam que esta adotou o critério de sempre atribuir as vendas a ações adquiridas há mais tempo. O que podemos afirmar, com base nos documentos e informações disponíveis, é que, em todos os casos, os estoques de ações adquiridas antes de 2004 são suficientes para absorver as vendas efetuadas em Outubro/2005." Foram relacionadas nesta situação, 15 blocos de ações: Reproduzo abaixo, para ilustração, parte do demonstrativo de um dos blocos de ações enquadrados na situação 2 acima (fl. 6097). DEMONSTRATIVO DA DILIGÊNCIA MOVIMENTO DE AÇÕES BB ON ESTOQUE EM 31/12/2004 Fl. 6175DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.170 13 DT AQUIS QTDE até 2002 42.822.675 2004 4.141.352 TRANSF CIRC / VENDA PIBB EM 2005 DT AQUIS QTDE até 2002 (359.975) TRIBUTADA DE OFÍCIO ESTOQUE APÓS VENDA DE 2005 DT AQUIS QTDE até 2002 42.462.700 2004 4.141.352 Concluídas as verificações, o agente fiscal elaborou o correspondente Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência (fls. 6137/6143). A recorrente tomou ciência, por via postal, em 02/04/2015, tendo apresentado manifestação em 30/04/2015 (fls. 6146/6150). Em sua manifestação, a recorrente comentou os procedimentos adotados para atendimento à diligência e teceu considerações acerca trechos do Relatório de Diligência: "Após análise dos documentos apresentados, constatamos que a empresa valorou seus estoques de ações pelo sistema de preço médio." O auto de infração em discussão pretende tributar de ofício a receita de venda das ações, em que pese pareça mais justo, que se devida a tributação, tivesse como base o ganho líquido, nesse caso seria importante a valoração do custo do estoque, todavia, a avaliação financeira do estoque não representa opção do contribuinte, mas tão somente a observação do art. 25 da IN SRF nº 25/2001, vigente à época, com redação mantida na atual normatização, no art. 47 da IN RFB nº 1022/2010: "art. 47. Nos mercados à vista, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição, calculado pela média ponderada dos custos unitários." Outro trecho do relatório: "Também verificamos que o critério da empresa, quanto à venda de ações em Outubro/2005, foi de: a) considerar como vendidas as ações adquiridas há mais tempo; e b) considerar como tributáveis apenas as receitas de venda de ações adquiridas a partir de 2004." (sublinhado no original) Quanto ao item a), novamente o contribuinte atemse a observação da legislação do art. 295 do Decreto nº 3000/1999, que consagra como fluxo físico dos estoques o método PEPS Primeiro a entrar, primeiro a sair: "Art. 295.O valor dos bens existentes no encerramento do período de apuração poderá ser custo médio ou o dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente, admitida, ainda, Fl. 6176DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 a avaliação com base no preço de venda subtraída a margem de lucro..." Quanto ao item b), reporta o que já havia sido observado pela fiscalização quando da lavratura, onde as ações alienadas em Outubro/2005 que não permaneceram ao menos um anocalendário em estoque foram oferecidas a tributação e portanto não fazem parte do auto de infração em discussão.” A recorrente ainda realçou que "cerca 40% das ações alienadas em outubro de 2005 foram meramente reclassificadas para o ativo circulante em junho/2005, por solicitação dos auditores externos", em face da divulgação da pretensão de instrumentar no segundo semestre do "fundo de investimento que refletisse o índice IBR50 da Bovespa. Aduziu que os outros 60% das ações foram reclassificadas na data de sua efetiva venda, para serem baixadas com as demais e ressaltou que o "preparador" elaborou os demonstrativos da diligência, constantes das fls. 6094 a 6134 com base nas informações apresentadas. Por fim, a recorrente ressalta que a documentação acostada ao processo demonstra que as ações objeto do auto de infração foram adquiridas há vários anos e reclassificadas contabilmente para o ativo circulante pouco antes da venda, "fato corroborado pelas conclusões alcançadas pelo relatório da diligência, com evidências nos demonstrativos que elaborou às fls. 6094/6134". Reitera que o auto de infração não pode prosperar e clama pelo provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waltamir Barreiros, Relator Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já haviam sido verificados anteriormente, por ocasião da conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência. O cerne do litígio fiscal, no caso concreto, repousa unicamente na questão da transferência contábil dos investimentos classificados no ativo permanente para o ativo circulante, antes de sua alienação, porquanto, tanto a autoridade de jurisdição quanto os julgadores de piso entendem que somente poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, as receitas de venda das participações societárias classificadas no ativo permanente no momento de suas alienações. No relatório do acórdão recorrido, a DRJ lança mão da solução de consulta apresentada pela recorrente para formular o voto que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, asseverando que "Na realidade, é à luz da solução de consulta DISIT/7ªRF/SRRF nº 36 evocada por ambos os litigantes que deve ser resolvido o contencioso. Como já se observou, ambas as partes concordam em que ela se aplica à espécie", dando ênfase os itens 31 e 38, in verbis: "31. A participação societária permanente deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de Fl. 6177DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.171 15 sua alienação. O resultado decorrente da operação considera se não operacional" "38 ... soluciono parcialmente a consulta para esclarecer que a participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação, em 13 de dezembro de 2005." É compreensível que os julgadores de piso tenham assim procedido, porquanto, mesmo que não concordassem, teriam que seguir os posicionamentos expressos na Solução de Consulta. Ignorálos, seria, em tese, insurgirse contra um ato da própria Receita Federal do Brasil, ao qual a autoridade fiscalizadora está vinculada. O mesmo não ocorre com o CARF, que, por se tratar de órgão externo à Receita Federal do Brasil, não se encontra vinculado ao processo de consulta em comento. Como se verá adiante, a Solução de Consulta DISIT/7ªRF/SRRF nº 36/2006 não pode servir de norte ao julgamento do presente caso. De feito, a mencionada Solução de Consulta tem alicerce no Parecer Normativo CST nº 3, de 28 de janeiro de 1980, cuja ementa e os itens 3, 4 e 6 a 8, transcrevo, observando que os grifos não são do original: "Para os efeitos da legislação do imposto de renda, os bens que se destinem à exploração do objeto social ou à manutenção das atividades da pessoa jurídica devem permanecer classificados em contas do ativo permanente até o momento de sua alienação, baixa ou liquidação." "3. Destarte, diante da nova sistemática legal de correção monetária, a classificação das contas nos diversos agrupamentos do balanço patrimonial adquiriu fundamental relevância perante a legislação do imposto de renda, visto que a correção dos valores registrados no ativo permanente (investimentos, imobilizado e diferido) por contrapartida créditos à conta especial de correção monetária (art. 39, alínea II), cujo saldo positivo aumenta o lucro real; por sua vez, a correção das contas do patrimônio líquido tem por contrapartida débitos à referida conta transitória de correção monetária, a qual, registrando saldo negativo, reduz o montante sujeito a tributação. 4. Por outro lado, convém notar que os resultados obtidos pela pessoa jurídica na alienação, baixa ou liquidação de bens do ativo permanente são considerados na sistemática do Decretolei nº 1.598/77, ganhos ou perdas de capital (art. 31) e, por conseguinte, classificados como resultados não operacionais; tendo em vista que esses resultados têm influência na formação do lucro da exploração (art. 19), é fácil compreender que a transferência de bens do ativo permanente para outros grupamentos também pode acarretar conseqüências na base de cálculo do lucro isento ou do lucro sujeito a alíquotas reduzidas. (...) Fl. 6178DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 6. Os critérios de classificação a serem observados devem ser aqueles consubstanciados nos arts. 178 a 182 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável por expressa determinação do parágrafo 4º do art. 7º do DecretoLei nº 1.598/77. No caso sob exame, a reclassificação, para o ativo circulante, de direitos registrados no ativo imobilizado fere frontalmente disposições do art. 179 da Lei nº 6.404/76. (...) 7. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 071, de 29 de dezembro de 1978, determina expressamente que é vedado à pessoa jurídica deixar de corrigir quaisquer das contas do ativo permanente, ou corrigir contas do passivo não autorizadas pela lei. Esse comando elimina a possibilidade de adoção de critérios de classificação diversos daqueles nomeados na lei. 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados a utilização na exploração do objeto social ou manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem." Ora, o Parecer Normativo utilizado na elaboração da solução de consulta foi editado em janeiro de 1980, quando vigia a sistemática de correção monetária de balanço, instituída pelo art. 185 da Lei nº 6.404, de 1976. À época, a correção monetária do ativo permanente gerava um débito em sua respectiva conta e, em contrapartida, um crédito em conta especial no resultado, como bem explanado no item 3 do parecer. Ao fazer uso deste ato normativo como fundamento para solucionar consulta da contribuinte e, por consequência, determinar a inclusão da receita de venda de participações societárias permanentes, alienadas após o término do ano calendário seguinte ao de aquisição, na base de cálculo PIS/Pasep e da Cofins, as respeitáveis autoridades fiscais deixaram de considerar aspectos relevantes, tais como: a) O parecer normativo foi expedido em face de um caso envolvendo a reclassificação, para o ativo circulante, de direitos registrados no ativo imobilizado, conforme consta do item 6 e teve sua abrangência estendida aos demais subgrupos do ativo permanente. No caso examinado à época, tal reclassificação de ativo imobilizado para o ativo circulante poderia, inadequadamente, fazer cessar o cálculo da correção monetária, com efeito redutor na apuração do lucro real; e b) O art. 185 da Lei nº 6.404, de 1976, que criou a sistemática de correção monetária de balanço, foi revogado pela Lei nº 7.730, de 1989, o que torna ineficaz o ato normativo em tela, no que tange à vedação da transferência contábil objeto do auto de infração, ou seja, operouse a sua caducidade. Como se verifica, é manifesto que o PN citado estava vinculado a questões envolvendo a sistemática da correção monetária de balanço e seus efeitos fiscais nos lucros das empresas, e não do PIS/Pasep e COFINS. Ora, o critério objetivo para fins fiscais foi estabelecido pelo art. 77, II da Lei nº 8.981, de 1995, matriz legal do art. 774, III do Decreto nº 3.000, de 1999, que considera como permanente as participações societárias que permanecerem no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições. Este é, portanto, o requisito legal para que as receitas decorrentes de venda de ações sejam consideradas não operacionais para fins fiscais. Fl. 6179DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.172 17 Por outro lado, os demonstrativos elaborados pela fiscalização, para atendimento da Resolução de diligência, comprovam que todas as ações objeto do auto de infração em exame foram adquiridas anteriormente a 2004, cumprindo, portanto, o requisito legal para considerálas permanentes. Mesmo nas situações em que se verificaram aquisições antigas e também mais recentes (2004 até 2005), tratatas no Relatório de Diligência como "Situação 2" (fl. 6141), ficou demonstrado pelo fiscal que "em todos os casos, os estoques de ações adquiridas antes de 2004 são suficientes para absorver as vendas efetuadas em Outubro/2005." Não há, portanto, como sustentar que a mera transferência contábil de participações societárias permanentes mantidas pela contribuinte por vários anos para o ativo circulante poucos meses antes de sua alienação, descaracteriza a natureza da receita não operacional, para fins de exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, pois a contabilidade não faz sumir nem aparecer direito e tampouco serve de único suporte a manifestação textual da ocorrência do fato jurídico tributário. Neste sentido, a orientação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para o qual: “A contabilidade não cria nem modifica direitos, apenas deve registrar os fatos. 2” e que “A contabilidade apenas registra fatos, não lhe sendo próprio a força de criar, extinguir ou modificar direitos."3. Como consequência cai por terra a motivação do lançamento tributário eleita pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e confirmada pela autoridade julgadora de piso, no sentido de que as receitas de venda de participações societárias adquiridas em caráter permanente, e assim mantidas por vários anos, passam a compor a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins pelo simples fato de a recorrente ter transferido as ações para o ativo circulante, poucos meses antes de suas alienações. A roborar o assunto, não se pode perder de vista que a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a Lei das S.A., assim dispõe em seu art. 177, § 2º: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (...) § 2º A companhia observará em registros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem a elaboração de outras demonstrações financeiras. Nessa trilha, veio a vigorar posteriormente o Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, que em seu art. 8º, I, cria o LALUR. A por uma pá de cal sobre o assunto, é imperioso observar que a própria Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, preceituam que a denominação ou a classificação contábil não podem servir de fundamento à 2 1º CCMF; Processo n.o 0108.000.535/8625; Recurso: 94948; Acórdão: 10310391. 3 1º CCMF; Processo n.o 10640.000.934/8893, Recurso: 96229; Acórdão: 10310472. Fl. 6180DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 18 análise da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Nessa vereda, o texto expresso do art. 1º, da Lei nº 10.833/2003, que prescreve, in verbis: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Grifos em sublinha e negrito não constam do original) Por fim, cumpre destacar, para evitar dúvidas sobre o critério fiscal da temporariedade, que, no intuito de conceituar a natureza não operacional das receitas de venda das ações, a contribuinte, por vezes, alegou em seu recurso voluntário que as ações alienadas em outubro de 2005 permaneceram registradas no ativo permanente por "mais de 12 meses" ou "mais de um ano calendário", valendose, para isto, de dispositivos que definem um dos requisitos para classificação de bens no subgrupo imobilizado. No caso concreto, em que o ativo em questão se refere a ações, tal caracterização exige a permanência no ativo permanente (atualmente, ativo não circulante), subgrupo investimento, até o término do ano calendário seguinte ao de aquisição das participações societárias e não por 12 meses. Frisese, contudo, que esta incursão conceitual é irrelevante na solução da lide, porquanto a recorrente, em outros momentos no curso do processo evocou o requisito adequado e, principalmente, porque as alienações objeto do auto de infração em tela ocorreram vários anos calendários após a aquisição das respectivas ações, conforme se verifica nos demonstrativos elaborados pela fiscalização no durante a diligência (fls. 6094/6134). No que respeita ao pedido para a “exclusão da multa, dos juros de mora e do valor correspondente à atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, na forma do parágrafo único do artigo 100 do CTN 4" , não cabe razão à contribuinte, porquanto, o auto de infração em análise foi lavrado exatamente porque a autoridade fiscal pautou sua decisão substancialmente nos itens 315 e 386 da Solução de Consulta SRRF/7ºRF/DISIT N. 36, de 06/02/2006, que deixaram de ser observados ao se transferirem as participações societárias do ativo permanente para o ativo circulante antes de suas alienações. Este pleito perde o interesse recursal no caso de prevalecer o provimento total do recurso voluntário previsto neste voto. De outra forma, não sendo provido o recurso, há que se negar provimento, também, em relação a este item, pelos motivos aqui expostos. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado. Waltamir Barreiros 4 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 5 31. A participação societária permanente deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação. O resultado decorrente da operação considerase não operacional. 6 38 ... soluciono parcialmente a consulta para esclarecer que a participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação, em 13 de dezembro de 2005. Fl. 6181DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.173 19 Voto Vencedor Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio, Redator designado Com todo o respeito, venho divergir do voto bem fundamentado do Ilustre Conselheiro Waltamir Barreiros, para apresentar o entendimento resultante deste julgamento, o qual diverge do entendimento do eminente Conselheiro Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Os julgadores de 1º piso declararam por julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído, por entenderem que a contribuinte deveria manter, segundo a solução de consulta, o Ativo, objeto da venda, classificado no Ativo Permanente até o momento da efetiva venda. Por consequência, o resultado da alienação das participações societárias, classificadas no ativo circulante no momento da alienação pela própria recorrente, deveriam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, de acordo com o art. 2º da Lei 9718/98. Inicialmente cabe esclarecer que a recorrente em sua peça de defesa argumenta o seguinte: “Uma vez definidas as condições de comercialização das cotas do fundo, aqueles investimentos adquiridos originariamente com intenção de permanência e, portanto contabilizados no Ativo Permanente, foram transferidos para o Ativo Circulante para que as Demonstrações Contábeis do BNDESPAR refletissem de forma mais adequada e transparente a intenção de comercialização no curto prazo manifestada pela BNDESPAR na Decisão da Diretoria nº 68/2005 (doc.3). Em outubro de 2005, a receita originada da venda de participações societárias foi de R$ 1.859.692.864,42 (,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,) dos quais R$ 1.837.034.932,77 (........................... , foram gerados pela venda de ações que estavam registradas no Ativo Permanente e reclassificados para o Ativo circulante apenas para a constituição do fundo PIBB II.” Ao descrever os motivos que levaram a recorrente a justificar o procedimento contábil adotado, extraise do excerto acima reproduzido a constatação de que quem definiu e declarou expressamente que a classificação no Ativo Circulante daria maior transparência a intenção de comercialização da BNDESPAR foi a própria administração da recorrente. Podemos entender que, apesar de haver registro no Ativo Permanente, a intenção da administração, a partir de um determinado momento, em relação às citadas participações societárias, era de fato a venda operacional das mesmas, classificável no Ativo Circulante, como Ativo de venda, e por consequência o registro contábil era o de RECEITA BRUTA DE VENDA. Além disso, se analisarmos as Demonstrações Contábeis da recorrente, levantadas em 31122005, exercício social em que foram realizadas as vendas dos referidos Ativos, extraídas de seu sítio virtual, verificamos que a reclassificação contábil anteriormente à Fl. 6182DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 20 efetiva venda das referidas participações societárias, para o Ativo Circulante, objeto da constituição do crédito tributário, permitiu a recorrente demonstrar uma RECEITA OPERACIONAL bastante expressiva, representando a venda destas participações societárias em torno de 32,66% do total de todas as RECEITAS OPERACIONAIS realizadas. Esta classificação adotada, por si só, modifica toda a análise econômica que qualquer usuário da informação contábil fizer, conforme se pode verificar no demonstrativo abaixo: Exercícios 2005 2004 RECEITAS OPERACIONAIS 4.624.637 3.780.470 DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS 3.190.721 2.102.683 Receita de equivalência patrimon ial 603.827 594.762 Dividendos 374.918 246.816 Resultado com alienações de títulos e valores mobiliários 1.510.556 495.609 32,66% Juros sobre o capital próprio 701.420 765.496 DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS 1.433.916 1.677.787 Receitas de operações de crédito 557.930 691.979 Títulos e valores mobiliários 682.844 814.388 Resultado com fundo mútuo de investimentos 14.196 144.613 Comissões e prêmios 138.279 9.751 Atualização monetária de ativos – SELIC 39.033 16.769 Diversas 1.634 287 A legislação societário (Lei 6.404/1976) e a legislação tributária (DecretoLei 1.598/1977), bem como a doutrina contábil é rica no entendimento de definir que os ativos adquiridos com o objetivo de venda são classificavéis no ATIVO CIRCULANTE. A incerteza da recorrente quanto a classificação contábil levou a sua administração, em relação a incidência ou não, dentre outro tributos, das Contribuições para o PIS e para a COFINS, no regime cumulativo, nas operações de alienação de participação acionária realizadas no último trimestre de 2005, a efetuar consulta tributária à Receita Federal sobre o tema, defendendo que, no que tange à COFINS, no regime não cumulativo, seria adotado o disposto no art. 1º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 29122003. Pensa, ainda, que com relação à Contribuição para o PIS/Pasep, no regime não cumulativo, seria aplicado critério análogo ao estipulado à COFINS, parágrafo anterior, de acordo com o art. 1º, § 3º, VI, da Lei nº 10.637, de 30122002, com redação dada pelo art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Afirma ainda, que “15.3 A participação societária alienada foi mantida contabilizada no ativo permanente até a sua liquidação, entretanto, para atender à legislação societária, mediante solicitação de auditores externos, diante da pretensão de alienação, poderia ocorrer sua reclassificação para o ativo circulante? Dita reclassificação descaracteriza o ganho ou perda de capital como resultado não operacional? Fl. 6183DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.174 21 Em resposta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, através da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 36, de 06 de fevereiro de 2006, assim se manifestou: 31. A participação societária permanente deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação. O resultado decorrente da operação considerase não operacional. 38. Isto posto, soluciono parcialmente a consulta para esclarecer que a participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, deve permanecer classificada em conta do ativo permanente até o momento de sua alienação, em 13 de dezembro de 2005. 39. A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 6 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente de venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep a da Cofins. Portanto, a solução de consulta foi no entendimento da Lei nº 6.404/76, qual seja, quando tratarse de venda de bens classificados no Ativo Permanente, o produto dessas vendas, são classificadas no resultado econômico do exercício como RECEITA NÃO OPERACIONAL. Neste ponto, a solução de consulta se referiu às vendas das participações societárias classificadas no Ativo Permanente e alienadas enquanto classificadas nesta rubrica. A recorrente não efetuou vendas de participações societárias do Permanente. Ela efetuou vendas classificadas no Ativo circulante. Há uma diferença muito grande, para fins de análise financeira e patrimonial dessa classificação. Outra questão importante é a afirmação da recorrente de que “a mera intenção de alienação de participação societária permanente é incapaz de alterar a classificação, como não operacional, da receita decorrente de eventual concretização da operação.” É verdade, a mera intenção de alienar uma participação societária, classificada no Ativo Permanente, é incapaz de alterar a classificação contábil. Em outras palavras, se a recorrente tivesse efetuada a venda das participações societárias como elemento patrimonial do Ativo Permanente, a simples intenção de venda não poderia modificar a classificação contábil, mantendo o registro da venda como Vendas Não Operacionais. O que se afirma aqui é que a recorrente modificou a natureza do Ativo antes da sua efetiva alienação, ou seja, com esta reclassificação, o valor que compunha as participações societárias foi retirado do Ativo Permanente e registrado contabilmente no Ativo Circulante como bem de venda. Este procedimento obrigou a recorrente, de acordo com as normas contábeis vigentes e de acordo com a legislação societária, Lei nº 6.404/76, e de acordo com o Decreto Lei nº 1.598/77, registrar todo o valor da alienação, discutida no processo, como RECEITAS BRUTAS DE VENDAS, chamada pela recorrente de RECEITAS OPERACIONAIS. As chamadas Receitas Operacionais foram denominadas tecnicamente pela Lei 6.404/76 de RECEITA BRUTA DE VENDAS. Neste momento, através do procedimento contábil de Fl. 6184DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 22 primeiro reclassificar as participações societárias para o Ativo Circulante e por último realizar a venda, tornou obrigatório a baixa do ativo, formado por estoque de títulos negociáveis, e em contrapartida o registro do produto da venda no grupo de contas do resultado de RECEITAS OPERACIONAIS. Por outro lado, se a recorrente não tivesse realizada essa movimentação no seu patrimônio, de forma a modificar a sua estrutura patrimonial, mantendo a baixa contábil das participações societárias no próprio Ativo Permanente e registrando a Receita como não operacional, caberia, neste caso, a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS. Aqui é necessário frisar a expressão – mantidas no Ativo Permanente até a efetiva venda das referidas participações societárias – desconsiderando qualquer reclassificação contábil anterior à venda. No momento em que a recorrente reclassificou o referido Ativo do Permanente para o Ativo Circulante, ocorreu uma mudança na natureza do ativo, para fins de classificação patrimonial. O ativo naquele momento perdeu o caráter de permanente para se transformar em um ativo de venda, de receita operacional. Esta reclassificação provocou um fenômeno na formação do Ativo da recorrente, deixando evidenciado no Balanço Patrimonial a nova natureza patrimonial, pelo fato de transformarse em bens de venda. A consequência dessa reclassificação foi a modificação do resultado econômico do exercício no qual a recorrente apresentou uma Receita Operacional (denominação por ela usada) a maior no valor de R$ 1,5 bilhões de reais. Esta mudança, para fins de análise econômica, tem uma importância relevante maior, ao ser comparada com o registro deste valor como RECEITA NÃO OPERACIONAL. Em resumo, segundo a Lei 6.404/76, no Ativo Permanente devem ser classificadas as participações societárias permanentes, assim entendidas as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participações societárias, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para se obter o controle societário, seja por interesses econômicos, entre eles, como fonte permanente de renda. Portanto, esta não foi a intenção da administração da recorrente. A intenção era mesmo a de manter referidas participações societárias como bem de venda o que efetivamente ocorreu no momento em que se materializou a reclassificação de ativo permanente para ativo circulante e o consequente registro das receitas em Receita Bruta de Venda, permitindo incluirr o valor das vendas dessas participações societárias na base de cálculo do PIS e da COFINS, na forma da Lei vigente à época dos fatos. Outro aspecto muito importante para a questão em análise é o objeto social da recorrente, dentre os quais trata de administrar carteira de valores mobiliários, próprios e de terceiros, realizando aquisição e venda de valores mobiliários no mercado secundário e por consequência fortalece o entendimento de que as participações societárias adquiridas são classificadas no Ativo Circulante e a sua venda integra a Receita Bruta de Venda da entidade. Tomando como exemplo, uma empresa com a atividade de incorporação de imóveis, poderá ter um ou mais imóveis classificados no Ativo Circulante por um, dois ou vários anos, em função de não ter encontrado ainda o cliente, ou um mercado mais apropriado para aquele tipo de investimento. Nem por isso este ativo deverá ser classificado no Ativo Permanente pelo fato de permanecer tanto tempo no Ativo Circulante. A temporariedade neste caso, tratandose de empresa com o objeto social de incorporação, não é o requisito essencial para reclassificar o bem como Ativo Permanente. Neste exemplo, o bem permanecerá classificado no Ativo Circulante e o valor da sua venda comporá a Receita Bruta de Venda e por consequência esta venda integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 6185DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16682.720184/201016 Acórdão n.º 3401003.113 S3C4T1 Fl. 6.175 23 Então, em várias ocasiões não é o tempo que determina se o bem deverá ser classificado no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Na opinião deste julgador, portanto, a expectativa de permanência de um bem no Ativo de uma entidade por mais de 12 meses não é condição para a classificação no Ativo Permanente. A condição necessária está vinculada aos objetivos sociais e a intenção de manter o Ativo no Patrimônio da entidade, ou seja, o ativo é para venda ou é para manutenção da atividade. Esta intenção deverá ser manifestada no momento da aquisição do Ativo ou em qualquer outro momento da vida econômica do patrimônio. Outra questão apresentada pela recorrente em sua peça de defesa é a afirmação de que “ no exercício de seu poder de regulamentar padrões de contabilidade previsto expressamente no inciso IV, § 1º, do art. 22 da Lei nº 6385/76, a CVM editou a Deliberação nº 496/2006, a qual ratificou a Norma de Procedimento Contábil nº 27, emitida pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – Ibracon, que confere interpretação ao artigo 179 da Lei nº 6.404/76, dispondo que: “ e continua às folhas 227 do processo que “A aprovação, pela CVM, da NPC 27, revela não só que o procedimento contábil adotado revela se adequado, mas também, impositivo, sob pena de, em caso de sua inobservância, a BNDESPAR vir a sofrer sanções administrativas.” Em relação à normativa acima, utilizada pela recorrente para fundamentar o seu procedimento contábil e fiscal, a mesma não merece acolhimento em função de que naquele exercício ela não estava vigente. A sua vigência foi prorrogada para o exercício iniciado a partir de 1º de janeiro de 2006. Portanto, para o exercício social terminado em 31 122005 a tão comentada norma não tinha efeito contábil e nem jurídico. Concluímos que, em função dos comentários acima, o procedimento tomado pela recorrente de retirar do ativo permanente o valor das participações societárias, reclassificandoas para incluílas no ativo circulante, anteriormente à efetiva venda dessas mesmas participações societárias, caracterizou Receita Bruta de Vendas (Vendas Operacionais) e por consequência a referida receita deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, de acordo com o art. 2º da Lei 9718/98, razão pela qual nego provimento ao recurso. É como voto. Elias Fernmandes Eufrásio Fl. 6186DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 19/04/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por ELIAS FERNANDES EUFRASIO, Assinado di gitalmente em 01/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10120.720035/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO. PIS NÃO-CUMULATIVO. ALÍQUOTA DO CRÉDITO NO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DIFERENTE DA REQUERIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO DE DIREITO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO.
Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de direito presentes na manifestação de inconformidade, a omissão relativa à alegação de que a alíquota do crédito presumido do PIS não-cumulativo, decorrente do estoque existente antes do ingresso no regime não-cumulativo, determinado para as sociedades cooperativas de produção agropecuária pela Lei nº 10.865, de 30/04/2004, deve ser calculado à alíquota de 1,65%, em vez de à alíquota de 0,65% utilizada pelo contribuinte no pedido de ressarcimento. Apesar de o contribuinte ter aplicado no pedido de ressarcimento a alíquota que lhe é desfavorável, o direito ou não ao crédito presumido sobre o estoque anterior ao ingresso no regime não-cumulativo, a ser calculado com a base de cálculo e a alíquota determinadas na legislação de regência, integra o litígio por haver manifestação expressa na manifestação de inconformidade contra a alíquota inicialmente empregada.
Numero da decisão: 3401-001.791
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão da DRJ, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. PIS NÃO-CUMULATIVO. ALÍQUOTA DO CRÉDITO NO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DIFERENTE DA REQUERIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO DE DIREITO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de direito presentes na manifestação de inconformidade, a omissão relativa à alegação de que a alíquota do crédito presumido do PIS não-cumulativo, decorrente do estoque existente antes do ingresso no regime não-cumulativo, determinado para as sociedades cooperativas de produção agropecuária pela Lei nº 10.865, de 30/04/2004, deve ser calculado à alíquota de 1,65%, em vez de à alíquota de 0,65% utilizada pelo contribuinte no pedido de ressarcimento. Apesar de o contribuinte ter aplicado no pedido de ressarcimento a alíquota que lhe é desfavorável, o direito ou não ao crédito presumido sobre o estoque anterior ao ingresso no regime não-cumulativo, a ser calculado com a base de cálculo e a alíquota determinadas na legislação de regência, integra o litígio por haver manifestação expressa na manifestação de inconformidade contra a alíquota inicialmente empregada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.015 1 1.014 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720035/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401001.791 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria RESSARCIMENTO. GLOSAS. OMISSÃO NO ACÓRDÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Recorrente COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO Recorrida DRJ BRASÍLIAPA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. PIS NÃOCUMULATIVO. ALÍQUOTA DO CRÉDITO NO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DIFERENTE DA REQUERIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO DE DIREITO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de direito presentes na manifestação de inconformidade, a omissão relativa à alegação de que a alíquota do crédito presumido do PIS nãocumulativo, decorrente do estoque existente antes do ingresso no regime nãocumulativo, determinado para as sociedades cooperativas de produção agropecuária pela Lei nº 10.865, de 30/04/2004, deve ser calculado à alíquota de 1,65%, em vez de à alíquota de 0,65% utilizada pelo contribuinte no pedido de ressarcimento. Apesar de o contribuinte ter aplicado no pedido de ressarcimento a alíquota que lhe é desfavorável, o direito ou não ao crédito presumido sobre o estoque anterior ao ingresso no regime nãocumulativo, a ser calculado com a base de cálculo e a alíquota determinadas na legislação de regência, integra o litígio por haver manifestação expressa na manifestação de inconformidade contra a alíquota inicialmente empregada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão da DRJ, nos termos do voto do Relator. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.016 2 Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata de Pedido de Ressarcimento do PIS nãocumulativo cujo total soma R$ 1.958.946,94, relativo ao 1º trimestre de 2005 e cumulado com Declarações de Compensações (DCOMP). Nos termos do Despacho Decisório nº 1.181, da DRFB em Goiânia (fls. 774/781, na numeração tipográfica), escorado no relatóro fiscal de 759/762 e três nos demonstrativos de fls. 756/758 (1 demonstrativo para cada mês), foi deferido R$ 110.644,33. O citado relatório fiscal informa o seguinte: item 4: ...compras que não fazem jus a quaisquer dos créditos do Pis/Pasep não cumulativo previstos na Lei nº 10.637/02, ou fazem jus apenas ao crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04, com a redação dada pela Lei nº 11.051/04, tais como: Período: janeiro/2005 Compras de produto junto a pessoa física para revenda, CFOP 1102, notas fiscais relacionadas às folhas nº 102/144, no valor total de R$ 1.531.025,23, sem direito a crédito; Aquisição, para revenda, de produtos sujeitos à alíquota zero ou à cobrança monofásica do Pis/Pasep, CFOP 1102 e 2102, notas fiscais relacionadas às folhas nº 145/152 e nº 599/604, no valor total de R$ 2.296.994,87, sem direito a crédito; Compras, destinadas à produção de alimentos, de soja em grãos junto a pessoa física, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas às folhas n° 153/180, no valor total de R$ 1.096.032,30, com direito apenas ao crédito presumido da agroindústria; Compras, destinadas à produção de alimentos, de milho em grãos junto a pessoa física, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas à folha nº 181, no valor total de R$ 208.822,43, com direito apenas ao crédito presumido da agroindústria; Compras junto a pessoa física de insumos aplicados na produção de produtos não destinados à alimentação humana ou Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.017 3 animal, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas à folha nº 182, no valor total de R$ 1.517.448,42, sem direito a crédito; Compras de insumos sujeitos a alíquota zero de Pis/Pasep, CFOP 1101 e 2101, notas fiscais relacionadas à folha n° 183, no valor total de R$ 386.878,10, sem direito a crédito; Transferência de insumos entre estabelecimentos, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas à folha n° 184, no valor total de R$ 5.572,32, sem direito a crédito; Aquisição de serviço de transporte junto a pessoa física, CFOP 1353, notas fiscais relacionadas às folhas nº 185/186, no valor total de R$ 446,00, sem direito a crédito: Aquisição de material para uso ou consumo e de outros produtos que não se enquadram nos conceitos de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem ou de quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (Instrução Normativa SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º). CFOP 1556 e 2556, notas fiscais relacionadas às folhas n° 187/217, no valor total de R$ 1.604.803,63, sem direito a crédito; Período: fevereiro/2005 Compras junto a pessoa física de produtos destinados a revenda, CFOP 1102, notas fiscais relacionadas às folhas n° 218/262, no valor total de RS 1.906.363,49, sem direito a crédito; Compras, para revenda, de produtos sujeitos à alíquota zero ou à cobrança monofásica do Pis/Pasep, CFOP 1101 e 2102, notas fiscais relacionadas às folhas n° 263/271 e n° 605/611, no valor total de RS 2.472.664,52, sem direito a crédito: Compras, destinadas à produção de alimentos, de soja e milho em grãos junto a pessoa física, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas às folhas N° 272/349, no valor total de RS 60.589.817,93, com direito apenas ao crédito presumido da agroindústria: Compras JUNIO a pessoa física de insumos aplicados na produção de produtos não destinados à alimentação humana ou animal, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas às folhas n° 350/357, no valor total de RS 2.041.359,99, sem direito a crédito; Compras de insumos sujeitos a alíquota zero de Pis/Pasep, CFOP 1101 e 2101, notas fiscais relacionadas à folha n° 358, no valor total de R$ 670.313,1 8, sem direito a crédito: Transferência de insumos entre estabelecimentos, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas à folha n° 359, no valor total de R$ 34.578,00, sem direito a crédito; Aquisição de serviço de transporte junto a pessoa física, CFOP 1353, notas fiscais relacionadas às folhas n° 360/361, no valor Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.018 4 total de RS 735,50, sem direito a crédito; Aquisição de material para uso ou consumo e de outros produtos que não se enquadram nos conceitos de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem ou de quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (Instrução Normativa SRF n° 404/04, art. 8º, § 4º). CFOP 1556 e 2556, notas fiscais relacionadas às folhas n° 362G97, no valor total de RS 1.541.624,81, sem direito a crédito; Período: março/2005 Compras junto a pessoa física de produtos destinados a revenda, CFOP 1102, notas fiscais relacionadas às folhas n c 398/445, no valor total de RS 1.781.214,96, sem direito a crédito; Compras, para revenda, de produtos sujeitos à alíquota zero ou à cobrança monofásica do Pis/Pasep, CFOP 1101 e 2102, notas fiscais relacionadas às folhas n° 446/459 en° 612/619, no valor total de RS 2.583.748,77, sem direito a crédito: Compras, destinadas à produção de alimentos, de soja e milho em grãos junto a pessoa tísica. CFOP 1101, notas fiscais relacionadas às folhas n° 460/534, no valor total de RS 101.005.741.40. com direito apenas ao crédito presumido da agroindústria: Compras junto a pessoa física de insumos aplicados na produção de produtos não destinados à alimentação humana ou animal, CFOP 1101, notas fiscais relacionadas às folhas n° 535/540, no valor total de RS 1.985.847,95, sem direito a crédito; Compras de insumos sujeitos a alíquota zero de Pis/Pasep, CFOP 1101 e 2101, notas fiscais relacionadas à folha n 541, no valor total de RS 319.910,86, sem direito a crédito; Aquisição de serviço de transporte junto a pessoa física, CFOP 1353, notas fiscais relacionadas às folhas n° 542/544, no valor total de RS 867,00, sem direito a crédito; Aquisição de material para uso ou consumo e de outros produtos que não se enquadram nos conceitos de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem ou de quaisquer outros bens. que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (Instrução Normativa SRF n° 404/04, art. 8, § 4), CFOP 1556 e 2556, notas fiscais relacionadas às folhas np 545/598, no valor total de RS 1.341.867,66, sem direito a crédito; item 5: Foi também constatado no Livro de Apuração do ICMS que a fiscalizada realizou exportações de mercadorias industrializadas nos valores de R$ 3.238.548,43, R$ 6.404.230.42 e R$ Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.019 5 10.388.899,55, respectivamente nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005; item: Com base nos valores levantados na auditoria ora relatada, esta fiscalização elaborou o demonstrativo denominado Resumo Geral da Auditoria Fiscal que demonstra a apuração dos custos, despesas e encargos, que de acordo com a legislação pertinente, são admitidos para compor a base de cálculo dos créditos relativos ao Pis/Pasep não cumulativo, decorrentes das operações realizadas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005. (620/622). item 7: ...vendas sujeitas a alíquota zero da referida contribuição. (...) Ressaltamos que dos produtos relacionados pelo contribuinte como sujeitos à alíquota zero, foram excluídos o creme de leite comigo, o queijo mussarela migo e o queijo prato migo, uma vez que tais produtos passaram à alíquota zero depois do período sob análise (lo trim/2005) Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte alega o seguinte, conforme o relatório da primeira instância que reproduzo (fls. 935/940): 1.1 Do MPF o MPF de 08/05/2008, com prazo para execução até 05/09/2009, não colacionados aos autos pela autoridade fiscal, já caracteriza nulidade processual (art. 2º do Decreto 3.724, c/c, de 10/01/2001 c/c 59 do Decreto n ° . 72.235/1972); após duas prorrogações, para 04/11/2008 e 03/01/2009, das quais não foi intimada, em total afronta às disposições dos art. 23 c/c art. 8°. do Decreto n°. 70.235, d e 1972 e art. 247 e 618 do CPC, o referido MPF foi encerrado, com as conclusões que serão oportunamente combatidas; além disso, só foi notificada do despacho decisório mais de urrrlino após o encerramento do MPF, contrariando as orientações da própria RFB que dispõe que o MPF é ato administrativo que permite a instauração de procedimento fiscal, conforme esclarece o artigo 2º da Portaria R F B n° 4.066 de 02/05/2007; assim, segundo o princípio da vinculação dos atos administrativos, a autoridade competente, quando frente à imposição legal que lhe atribui um fazer, deve agir atendose aos limites impostos pela norma. Ao impor qualquer sanção de natureza fiscal, no processo administrativo, tem que garantir a ampla defesa e o contraditório; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.020 6 o princípio do contraditório é a garantia de resistência à pretensão da Fazenda Pública, para que o sujeito passivo da relação tributária possa defenderse e alegar as cabíveis exceções à tentativa da Fazenda de executálo, ou, como no caso, extinguir seus direitos. A ampla defesa afigurase além de uma garantia constitucional material, também como um requisito de procedibilidade; a Administração Pública quando se depara com um ato seu contrário ao ordenamento jurídico , tem o dever de declarar a sua anulação. Este inclusive é o entendimento do STF Supremo Tribunal Federal refletido na Súmula 4 7 3: as incorreções ou omissões do MPF são causa de nulidade do mesmo, porquanto afrontam de forma cabal e definitiva dispositivos legais e princípios mencionados, pois o ato administrativo contrário à lei não gera n e n h um direito. Logo, requer a nulidade por ausência da peça inicial essencial o MPF bem como pelo decurso de prazo processual, em nome dos princípios da vinculação e da legalidade do ato administrativo, previstos n o art. 37 da Constituição Federal de 1988. 1.2 DO CERCEAMENTO AO DIREITO DEFESA o procedimento afronta às disposições do § 4º do art. 9 do Decreto n°.70.235/1972, pois nas laudas lhe enviadas, inexistem planilhas identificando quais são as operações, bem como qualquer fundamentação legal sobre as razões que levaram os Auditores Fiscais e reduzir o montante do crédito apurado e declarado pela manifestante; a omissão da fundamentação legal e da apresentação de informações "indispensáveis para a comprovação do ilícito" que determinou a redução dos créditos se caracteriza verdadeiro cerceamento ao direito de ampla defesa e contraditório, caracterizada pela omissão de informações e documentos e redução do prazo útil para sua elaboração, objetivo maior da citada disposição processual, em consonância com o artigo 5°., LV, da Constituição Federal; a notificação cuja natureza é de ato jurídico , exige para sua validade que o agente fiscal seja capaz, que o objeto seja lícito e que obedeça à forma prescrita em lei, consoante art. 104 do Código Civil. Citando, o Prof. H U G O DE BRITO MACHADO, temse por corolário necessário um processo administrativo, conforme o princípio inserto na Constituição Federal: nos mais comezinhos princípios de processo, seja judicial ou administrativo, é assegurado o contraditório e a ampla defesa, mas é lógico que somente será possível exercer esses direitos até constitucionalmente assegurados se sabido o que contraditar ou do q u e se defender: ensina Antônio da Silva Cabral em sua conhecida obra “Processo Administrativo Fiscal" (p. 223) que a descrição do Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.021 7 jato è essencial, pois a tipicidade é inerente à tributação. O fato é a situação existente e que autoriza o lançamento. SE a matéria for contestada, o tribunal que for apreciar a matéria deverá conhecer precisamente a matéria de fato; descrever fatos não é apenas contar parte do ocorrido, mas explicitar exatamente o que aconteceu. Esta imposição é ainda mais importante quando, a parte contrária é o Fisco, haja vista todas as suas prerrogativas materiais e processuais. Além disso, contraria as condições de lançamento do crédito tributário, previstas no art. 142 do CTN, ao não identificar a matéria tributável, bem como calcular o montante do tributo, no caso o crédito indevido; o despacho decisório é extemporâneo e nulo de pleno direito, porquanto fundamentado em MPF encerrado após o prazo estipulado inicialmente, prorrogados em completa desatenção às formalidades previstas na legislação que rege o processo tributário; o Conselho de Contribuintes tem reiteradamente promovido a anulação de autos de infração que n ã o continham a descrição dos fatos, conforme se infere das seguintes decisões selecionadas; essas razões são suficientes para anular o despacho decisório e deferir integralmente o pedido de ressarcimento do crédito pleiteado, exaustivamente verificado pela autoridade fiscal, bem como as compensações realizadas, homologadas pela autoridade revisora. 1.3 DO MÉRITO a Lei n°. 10.865/2004 impôs às sociedades cooperativas agropecuárias a nâocumulatividade, a partir do dia 1º. de maio de 2004. A Lei n°. 10.892/2004, concedeu, aquelas cooperativas que não observaram obrigações assessorias, a opção de retroagir ou n ã o a data de inclusão, sem contudo ter o condão de prejudicar direitos tributários adquiridos, em face dos art. 101 c/c 106 do CTN; a Lei n°. 10.833/2003 regulamentada pela IN SRF n° 247, de 2002, até a edição da IN 404 de 2004, consolidando a legislação das contribuições para o PIS/PASEP , que tratava dos vários regimes de tributação, relativas às atividades econômicas dos contribuintes; o Auditor Fiscal citou várias vezes (fls. 772) a IN SRF n° 600, de 2005, como utilizada para homologar ou não créditos e compensações, bem como reduzir o valor; no entanto, na fundamentação legal, afirmase a aplicação da IN FRB n° 900 de 2009, muito posterior às datas dos créditos e das compensações pleiteadas; segundo o art. 101 c/c 106, do Código Tributário Nacional, os efeitos da lei fiscal não podem retroagir, senão em favor do Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.022 8 contribuinte. Assim, os créditos de PIS apurados por ela devem ser analisados sob a égide das Instruções e demais dispositivos legais vigentes nos respectivos períodos de apuração e não naqueles editados dois anos após o fato gerador, a menos que estes venham a favorecêla. Só isso, já impõe a revisão dos conceitos e cálculos efetuados, bem como ao restabelecimento do crédito declarado. 1.4 DAS IMPROPRIEDADES NA DENEGAÇÃO PARCIAL o relatório as "fls. 757 a 760", não trouxe as demonstrações dos cálculos efetuados pela Fiscalização, (fls. 99 a 101, 102 a 144. 145/152. 599/604, entre outras),indispensáveis para ela identificar os créditos indeferidos, contrariando as disposições do art. 9° do Decreto n°. 70.235, de 1972, preferindo termos genéricos, limitandose a citar folhas do processo onde, inferese porque não se tem certeza, estão as operações, o que passa a combater; o relatório não especifica a fundamentação legal para denegar total ou parcialmente o direito a créditos, tampouco onde (fl, 754) foi reduzida a base de crédito. Limitase a apresentar valores a serem apostos nas linhas do DACON sem identificar quais as notas fiscais foram acatadas e quais foram descartadas em completa contradição ao art. 142 do CTN, o que determina o direito da manutenção do crédito, conforme art. 165, II, do CODEX; as operações das folhas 102 a 144, 218 a 262 e 398/445, tratamse de aquisições de leite in natura recebido de associados e não associados, destinados à produção de lácteos e/ou para comercialização no mercado. Destarte, não se pode ter certeza que as tenha considerado vendas com suspensão prevista no art. 9o . da Lei n°. 10.925/2004: a fiscalização não comprovou se as condições impostas pela SRF foram ou não cumpridas pelos adquirentes das mercadorias porque realmente não o foram razão pela qual não se aplica a suspensão supostamente arguida, mas a integra do disposto no art. 8o. da Lei n°. 10.925/2004; conforme o item 21 do Relatório da Fiscalização (fls.776), com base no art. 17 da Lei n°. 11.033/2004, tem direito de manter o crédito presumido das operações com leite ih natura, conforme definido nos art. 8o . e 9o . da Lei n°. 10.925/2004, com as alterações posteriores, o que, desde já se requer; repete o vício de nulidade caracterizado pela ausência da delimitação da matéria tributária e das razões da glosa do crédito. Novamente infere que se trata de aquisições de peças e implementos agrícolas para fornecimento aos associados, destacadas nas folhas 145 a 152,263 a 271, 446 a 459, 599 a 619; Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.023 9 a fiscalização esqueceu que as sociedades cooperativas podem excluir da base de apuração ingressos inerentes ao fornecimento de bens e serviços aos associados e que nos produtos de tributação monofásica está inclusa a parcela de contribuição devida pelo comerciante varejista, indevida pelas sociedades cooperativas agropecuárias. Foi esta parcela, que ela se creditou e tem direito, conforme os arts. 3 o . da Lei 10.833 c/c 165,1, do CTN; a sua principal atividade é o esmagamento e a industrialização de soja e derivados, fabricação de rações e demais produtos destinados à alimentação humana e animal, conforme relatado no item 3 (fls.757). A fiscalização quando manteve o crédito presumido das aquisições citadas nas fls. 153 a 181, 272 a 349 e 460 a 354, conforme o art. 8o. da Lei n°.10.925/2004, andou bem. Porém, exclui indevidamente do valor restituível, crédito inerente às exportações, contraria disposição legal e orientação da própria RFB; a compensação e o ressarcimento estão limitados aos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação devendo ser feito o rateio proporcional ou apropriação direta, em relação aos custos, despesas e encargos comuns a receitas de exportação e de venda no mercado interno. A decisão contraria ainda decisões de outras delegacias; os créditos presumidos referentes às aquisições de matérias primas e produtos agrícolas destinados aos mercados intemo e externo, devem ser restabelecidos, pois se manteve os créditos sobre as mesmas operações (fls. 153 a 181), requer o restabelecimento do crédito registrado relativo à glosa das aquisições de soja; os produtos elencados às fls. 183 são matérias primas que, misturadas, vão integrar produto sujeito à alíquota zero. Contudo, individualmente e a granel são aquisições, produtos que escavem sujeitos às alíquotas normais. Consoante o art. 3 o . da Lei n°.10.833/2003 são créditos devidos e básicos, inexistindo qualquer vedação aos seus registros, manutenção e restituição; ao contrário do que infere a fiscalização, a legislação tributária em vigor (IN 247/2002, art. 66) permitia o crédito de tais aquisições, quando destinadas à manutenção da atividade e utilizadas como custos de produção (NFs fls. 187/217, 362 a 397, e 545 a 598); as aquisições de insumos e materiais secundários aplicados nos meios de produção, embora não se incorporem fisicamente ao produto acabado, são parte da estrutura de custos e devem ter seus créditos mantidos, conforme o art. 20 da LC n°. 87, de 1996, cujos conceitos são aplicáveis ao caso, a própria fiscalização reconhece; as peças de reposição são aplicadas em substituição a outras, no processo industrial. Da mesma forma, os óleos, lubrificantes, materiais de limpeza, são indispensáveis para o funcionamenio Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.024 10 da indústria e sofrem alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas. Assim, a glosa não encontra fundamento, ao contrário, os dispositivos legais citados pela fiscalização são a própria base da manutenção dos créditos; 1.5 DO DIREITO DE MANUTENÇÃO INTEGRAL DOS CRÉDITOS nada mais fez senão seguir a legislação que rege a não cumulatividade tributária, aplicando os conceitos previstos na norma legal (Art. 66 da IN 247/2002 c/c art. 8o. da IN SRF 404/2004), e na melhor doutrina, conforme ensina Martins, 2003, p. 41 e 429, de modo que requer o restabelecimento do crédito, no valor total de R$ 1.848.303,61, reduzido pela fiscalização sem qualquer arrazoado técnico, legal e/ou doutrinário; 1.6 DO CRÉDITO PRESUMIDO DOS ESTOQUES DE ABERTURA as sociedades cooperativas somente passaram não cumulatividade a partir de maio de 2004, com a Lei n°. 10.865, de 2004, que alterou o art. 10 da Lei n°. 10.833, de 2002. Nesta data seus estoques estavam tributados a alíquota de 1,65%. Assim, não se pode aplicar o percentual original, previsto na lei, sob pena de ter sua tributação elevada sem autorização legal e quebrando o princípio da nãocumulatividade; o Superior Tribunal de Justiça, já se manifestou denegando aplicação da alíquota de 7,6% nos estoques existentes em 01 de fevereiro de 2004. A decisão do STJ impede a aplicação de alíquota majorada (1,65%) sobre os estoques na data de vigência da Lei (01/02/2004), porquanto estes foram tributados pela alíquota vigente na cumulatividade (0,65%) e sua aplicação caracterizaria enriquecimento sem causa do contribuinte; seguindo a lógica da d e c i s ã o do STJ, manter o crédito em 0.65°/o sobre os estoques iniciais, causa enriquecimento sem causa do fisco e aumento tributário desautorizado por lei, visto que seus estoques são produtos agrícolas, peças de reposição, materiais de embalagem, adubos e fertilizantes, entre outros, adquiridos com tributação de 1,65%, haja vista todas as compras ocorreram entre março e j u l h o de 2004, em plena vigência das Leis n°. 10.833/2002 e n ° . 10.865/2004, que t r i b u t a v am as operações pela alíquota máxima; o art. 11 da Lei n ° . 10.637, de 2002, não seleciona as aquisições, manda aplicar simplesmente o percentual sobre o v a l o r dos estoques existentes em 31/01/2004, não autorizando a R F B fazer tal distinção; é seu direito, creditarse de 1,65% sobre os valores de estoques em 31 de j u l h o de 2004, data em que ingressou n a não cumulatividade, de modo que requer restauração e homologação do crédito no valor de RS 530.762,58 referente à diferença de Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.025 11 alíquota aplicada sobre os estoques existentes em 31/07/2004, b em como a realização de ajustes nos DACON e NO PEDIDO, p o r derradeiro, requer o seguinte, seja: A 4ª Turma da DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão de fls. 934/951, mantendo integralmente o Despacho Decisório. Não se manifestou em relação ao valor de RS 530.762,58, relativo à diferença de crédito presumido apurado sobre o estoque existente em 31/07/2004, por entender que o pedido não foi objeto do Pedido de Ressarcimento (PER), e no mais rejeitou as preliminares e negou o mérito. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte alega preliminarmente o seguinte: homologação tácita do Pedido de Ressarcimento, por descumprimento do prazo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), não juntada aos autos pela fiscalização e ausência de intimações de suas prorrogações nulidade do Acórdão recorrido, porque “não houve o devido enfrentamento da matéria abordada na manifestação de inconformidade” (fl. 962), contrariou o art. 9º do Decreto nº 70.235/72 ao não verificar os cálculos efetuados pela fiscalização, não atendeu ao princípio da razoabilidade, limitouse a dizer que não houve ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa no Despacho Decisório, não se atendo às justificativas da contribuinte, e ainda cerceou o direito de defesa da ora Recorrente porque o prazo para contestatação é por demais exíguo e nem todas as informações e documentos foram fornecidos com a intimação do Acórdão da DRJ; insuficiência na descrição dos fatos dos fatos e generalidade dos dispositivos legais, por parte do Despacho Decisório (mantém o que afirmou na Manifestação de Inconformidade, asseverando ter havido ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa tanto no Despacho quanto no Acórdão da DRJ). No mérito, repete os argumentos da Manifestação de Inconformidade, cujos itens 2.2, 2.3, 2.4 e 2.5, correspondem, respectivamente aos itens III.1, III.2, III.3 e III.4 da peça recursal. Em relação aos ao crédito presumido dos estoques de abertura existentes antes da cooperativa ingressar no regime cumulativo, que a Recorrente quer ver calculado à alíquota de 1,65%, contesta o Acórdão recorrido afirmando que o “PER” (referência ao Pedido de Ressarcimento) abrange, sim, esse crédito, “porque à época em que foi formalizado não existia separações” (fl. 997). No final requer, nesta ordem (fls. 1000/1001): – a nulidade do Acórdão recorrido e a homologação das compensações pleiteadas, com “restituição” do saldo remanescente “atualizados monetariamente”; – caso superadas as preliminares, a reforma parcial do Acórdão recorrido, com o reconhecimento dos créditos no valor de R$ 1.848.302,61 (diferença entre o total do ressarcimento solicitado e a parcela deferida), acrescido de R$ 530.762,58 (parte Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.026 12 correspondente ao Crédito Presumido pelos estoques em 31/07/2004, adquiridos sob o regime nãocumulativo do PIS, quando calculado à alíquota de 1,65%, em de 0,65%); – a homologação das compensações existentes e o ressarcimento imediato dôo crédito não compensado. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não deve ser julgado em definitivo nesta oportunidade por haver omissão a ser corrigida no Acórdão recorrido. Refirome à alegação, que consta da Manifetação de Inconformidade, de que o crédito presumido dos estoques de abertura existentes em 31/07/2004, antes da cooperativa Recorrente ingressar no regime não cumulativo, deve calculado à alíquota de 1,65%, em vez de 0,65%. Como no Pedido de Ressarcimento (e na diligência anterior ao Despacho Decisório, como demonstrado adiante) a própria contribuinte empregou a alíquota menor, a resultar em crédito presumido inferior ao defendido a partir da Manifestação de Inconformidade, o acórdão recorrido não conheceu da alegação por entender “não ser objeto do pedido de restituição (PER) indeferido no despacho decisório, ora questionado.” (fl. 938). A Recorrente argúi, em contrapartida, que o Pedido de Ressarcimento abrange, sim, esse crédito presumido, “porque à época em que foi formalizado não existia separações” (fl. 997). Tenho para mim que o tema deve ser tratado na instância recorrida e, se for objeto de novo recurso voluntário, nesta segunda instância posteriormente, porque o direito (e não simplesmente o seu valor, a ser quantificado com a base e alíquota determinadas pela legislação de regência, independentemente das empregadas pela requerente) integra o Pedido de Ressarcimento. É certo que no total do Pedido de Resssarcimento o valor foi considerado pela contribuinte a menor, em relação ao requerido a partir da Manifestação de Inconformidade. Também é certo que na diligência realizada antes do Despacho Decisório a contribuinte novamente informou o valor inferior, em resposta à intimação solicitando o detalhamento dos créditos apurados (ver fl. 97), já que consignou como “Crédito Presumido Estoque 1/12 avos” R$ 28.749,64 (fls. 99/101), enquanto o montante questionado na Manifestação de Inconformidade, igual a R$ 530.762,58, corresponde a um inteiro (ou 12/12 avos) da diferença entre as alíquotas de 0,65% e 1,65%, como demonstrado pela equação [(28.749,64*12)/0,65%]*1,65% (28.749,64*12). Apesar disso, na primeira oportunidade que teve após o levantamento da fiscalização a contribuinte falou do seu erro (embora não o tenha admitido explicitamente), manifestandose, tempestivamente, contra os cálculos da fiscalização (que no tocante ao crédito presumido do estoque anterior é igual ao informado no primeiro momento pela contribuinte). Daí o litígio contemplar uma questão de direito suscitada na primeira Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.027 13 oportunidade: deve ser aplicada a alíquota de 0,65% ou de 1,65%? Dessa questão a DRJ deve cuidar, sob pena de supressão de instância caso este Colegiado recursal entenda, postoriormente, não haver razão à contribuinte. Caso admitida a argumentação posta na Mainifestação de Inconformidade, no sentido de que a alíquota aplicável é 1,65%, a fiscalização deve corrigir o valor para mais, já que não há questionamento quanto ao montante do estoque a diligência anterior ao Despacho Decisório chegou ao mesmo duodécimo informado pela contribuinte inicialmente (com o cálculo a 0,65%). Assim como na hipótese em que a contribuinte tivesse erronemante calculado os créditos da nãocumulatividade a 0,65% a fiscalização devia recalculálos a 1,65% (porque é o determinado pela legislação), na situação deste processo a fiscalização também deve efetuar o cálculo com alíquota das normas de regência. Mesmo que o aproveitamento dos créditos da nãocumulatividade seja uma faculdade, a ser exercida mediante redução dos débitos ou, na existência deste, do ressarcimento nas hipóteses admissíveis, não me parece razoável que a fiscalização efetue os cálculos repetindo os erros em desfavor da contribuinte, se a lei determinar o contrário. Destaco, por crucial, que como o Pedido de Ressarcimento contempla somente um trimestre, o valor em discussão, a ser adicionado ou não ao montante do ressarcimento, corresponde a 3/12 avos, e não aos 12/12 avos pretendidos pela Recorrente. Os outros 9/12 avos podem integrar pedidos de ressarcimento em outros processos, onde o desfecho pode ser diferente deste. Aqui, onde o Pedido de Ressarcimento não abrange todo o ano seguinte ao ingresso na nãocumulatividade, durante o qual o crédito presumido sobre o estoque existente até antes da mudança de regime pode ser descontado, na proporção de um duodécimo em cada mês, eventual reconhecimento à alíquota de 0,65% não pode ser estendido a outros meses. Ao não conhecer do direito quanto à alíquota a ser empregado no crédito presumido do estoque anterior ao ingresso na nãocumulatividade, o Colegiado da DRJ incorreu em omissão que caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, e que necessita ser sanada sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a alíquota é 0,65%, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/725.1 Daí a necessidade de complementação do Acórdão recorrido, que deve ser anulado para que outro seja elaborado de modo a suprir a omissão. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a alíquota a ser empregada no cálculo do crédito presumido do estoque existente antes do ingresso no regime da não 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Acórdão n.º 3401001.791 S3C4T1 Fl. 1.028 14 cumulatividade do PIS. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010076/2005-23
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3402-000.015
Decisão: RESOLVEM os Membros da 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN
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Numero do processo: 10650.720707/2019-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2015
MULTA. ATRASO. ENTREGA. DCTF. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
As alegações de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de ato legal instituidor de penalidade, por descumprimento ou cumprimento a destempo de obrigação acessória, não são passíveis de apreciação neste tribunal administrativo.
SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-005.909
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-005.907, de 15 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo10650.720714/2019-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves.
Nome do relator: Cláudio de Andrade Camerano
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2015 MULTA. ATRASO. ENTREGA. DCTF. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As alegações de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de ato legal instituidor de penalidade, por descumprimento ou cumprimento a destempo de obrigação acessória, não são passíveis de apreciação neste tribunal administrativo. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-005.907, de 15 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo10650.720714/2019-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves.
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ATRASO. ENTREGA. DCTF. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As alegações de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de ato legal instituidor de penalidade, por descumprimento ou cumprimento a destempo de obrigação acessória, não são passíveis de apreciação neste tribunal administrativo. SÚMULA CARF Nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-005.907, de 15 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo10650.720714/2019-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 07 07 /2 01 9- 53 Fl. 33DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.909 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10650.720707/2019-53 O presente processo trata da cobrança de multa por atraso na entrega da DCTF A exigência de Multa teve como fundamentação legal o art.7o. da Lei nº 10.426/02, com redação do art.19 da Lei 11.051/04. Vejamos o que dispõe o referido dispositivo: ”Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II - de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3º; III - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II - a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 34DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.909 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10650.720707/2019-53 I- R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal.” Como se vê, a legislação deixa absolutamente claro que o sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados está sujeito à multa, no caso, de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF (respeitado o limite de 20% dos tributos declarados). Sendo a multa mínima, no caso de pessoa jurídica ativa, no valor de R$ 500,00 conforme determina o §3º, inciso II do artigo citado acima. No caso de Inativa conforme inciso I do §3º o valor é de R$ 200,00. Esta legislação específica para o atraso na entrega da DCTF não se confundindo com a aplicação de outras multas para casos não especificados no art 7º da Lei nº 10.426/02, com redação do art.19 da Lei 11.051/04, não havendo erro de capitulação legal da Notificação de Lançamento do presente processo. Ciente do lançamento, o contribuinte ingressou com impugnação na qual solicitou o cancelamento da exigência tributária, afirmando que a multa aplicada fere os princípios constitucionais, tais como razoabilidade e proporcionalidade, tornando esta multa ilegal. Afirmou que não deixou de recolher o valor dos tributos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil decidiu por julgar improcedente a impugnação, mantendo a Notificação de Lançamento do presente processo. Cientificada da decisão recorrida, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as arguições da Impugnação, reiterando a ilegalidade e inconstitucionalidade da lei instituidora da multa aplicada. É o relatório do essencial. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Do Conhecimento Conforme relatoriado, toda a peça de defesa apresentada na Impugnação e agora no recurso voluntário limita-se a considerações acerca da inconstitucionalidade da penalidade aplicada e de violações a princípios constitucionais, temas que não são passíveis de apreciação por parte deste Colegiado: Fl. 35DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.909 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10650.720707/2019-53 Nesse sentido, a Súmula Carf nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em assim sendo, oriento o voto no sentido de não se conhecer do recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Fl. 36DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 12448.926473/2016-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2012
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018.
Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
Numero da decisão: 2301-009.532
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a isenção com base no Decreto - Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, e determinar a análise do direito creditório pela autoridade preparadora. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-009.527, de 08 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 12448.926466/2016-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: Maurício Dalri Timm do VAlle
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2012 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a isenção com base no Decreto - Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, e determinar a análise do direito creditório pela autoridade preparadora. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-009.527, de 08 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 12448.926466/2016-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a isenção com base no Decreto - Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, e determinar a análise do direito creditório pela autoridade preparadora. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-009.527, de 08 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 12448.926466/2016-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 92 64 73 /2 01 6- 34 Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.532 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.926473/2016-34 Trata-se de recurso voluntário em que o recorrente sustenta, em síntese: a) O recorrente tem direito à restituição de IRPF. Isso porque a participação societária alienada – referente à pessoa jurídica “Suíssa Comércio e Indústria Ltda” – foi adquirida pelo recorrente anteriormente ao prazo de 5 anos a contar da vigência da Lei 7.713/88 e, assim, sendo, o havia o direito à não-incidência do IRPF conferida pelo Decreto-Lei 1510/76, art. 4º, “d”. Ao contrário do que aduz a DRJ, o percentual da participação societária do Recorrente se manteve o mesmo, tendo sim ele direito a não incidência acima grifada. Os valores e quantidades de cotas se alteraram sem retificar ou aumentar a participação do recorrente; b) Os presentes Autos devem ser apensados ao processo que trata do mesmo crédito; c) Houve nulidade do despacho decisório que indeferiu a restituição do IRPF. Isso porque o recorrente deveria ter sido intimado antes da decisão administrativa para apresentar documentos que comprovassem o seu direito de crédito, o que não ocorreu. Essa falta de intimação torna o despacho decisório nulo, ainda que o Recorrente tenha trazido à colação a prova do pagamento indevido posteriormente, pois, como se notará adiante, a decisão foi imotivada e reduziu a defesa apresentada por meio de manifestação de inconformidade. A decisão também foi imotivada, por adotar fundamentação genérica e superficial e não apresentar as razões especificas do indeferimento do pedido de restituição; d) Houve também cerceamento de direito de defesa, na medida em que o contribuinte se viu impossibilitado de apresentar documentos e conhecer a posição específica da DRJ; e) Deveria ter a DRJ realizado diligência para que houvesse quantificação da parcela da participação societária detida até 31/12/1983, a valoração desta frente ao preço da alienação e, por conseguinte, a quantia do imposto recolhido indevidamente, pois que seria este abrangido pela não incidência descrita no Decreto-Lei 1510/76; f) O recorrente possui o direito adquirido à isenção de que trata o mencionado Decreto-Lei. Isso porque o recorrente cumpriu os requisitos de tempo e de oneração para tanto. Tal direito não pode ser usurpado em razão da vigência da Lei 7.713/88; e g) Devem ser reunidos os processos referentes a outros pedidos de restituição realizados pelo recorrente e fundados nas mesmas normas, para que sejam evitadas decisões dissonantes. Ao final, formula, em síntese, os seguintes pedidos: (i) apensado este feito ao processo (...) como forma de preservar a segurança jurídica das partes; Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.532 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.926473/2016-34 (ii) apensado todos os processos decorrentes das PER/DCOMPs como enaltecido no item “II.d” acima; e, por fim, (iii) conhecido e provido o recurso voluntário, para o fim de que seja anulado ou, quando menos, reformado o v. acórdão nos termos acima trazidos, garantindo-se ao Recorrente a consideração de todas as provas trazidas em sua manifestação de inconformidade e, por conseguinte, a restituição integral do valor recolhido indevidamente a título de IRPF no recebimento de montante decorrente da venda de participação societária, devidamente atualizados pela TAXA SELIC. A presente questão diz respeito ao Pedido de Restituição – PER/DCOMP, protocolado pelo Espólio de Reinaldo Arnaud (CPF nº 040.708.287-53), referente a pagamento supostamente indevido de Imposto de Renda de Pessoa Física incidente sobre o ganho de capital resultante de alienação de participação societária de pessoa jurídica. O pedido foi indeferido conforme o despacho decisório constante nos autos O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, pela qual sustenta argumentos semelhantes aos posteriormente formulados no recurso voluntário, especialmente no que se refere à origem do direito de crédito no art. 4º, “d”, do Decreto-Lei nº 1510/76, à nulidade do despacho decisório que indeferiu a restituição, ao direito adquirido à restituição dos valores recolhidos e à necessidade de reunião dos demais processos referentes aos pedidos de restituição protocolados pelo contribuinte. Ao final, formulou, em síntese os seguintes pedidos: (i) concedida prioridade no julgamento, dado o fato do falecimento de Reinaldo Arnaud e a idade avançada da inventariante e sucessora, Alda Maria Confort Arnaud (doc. 2), nos termos do art. 69-A, da Lei nº 9.784/1999; e (ii) conhecida e provida a manifestação de inconformidade, garantindo-se ao Recorrente a restituição integral do valor recolhido indevidamente a título de Imposto de Renda Pessoa Física no recebimento de montante decorrente da venda de participação societária, devidamente atualizados pela TAXA SELIC; e (iii) apensado ao processo administrativo em questão todos os demais que tratam do mesmo crédito nos termos pleiteados no tópico “II.e” acima. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação, deixando de reconhecer o direito creditório. É o relatório do essencial. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.532 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.926473/2016-34 Conhecimento A intimação do Acórdão se deu em 28 de julho de 2017 (fl. 314), e o protocolo do recurso voluntário ocorreu em 11 de agosto de 2017 (fl. 317). A contagem do prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. O recurso, portanto, é tempestivo, e dele conheço integralmente. Mérito 1. Da nulidade do Despacho Decisório e do cerceamento de direito de defesa. Alega o recorrente que há nulidade do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição. Isso porque antes dessa decisão não houve a intimação do contribuinte para que apresentasse documentos comprobatórios do crédito alegado. Além disso, as justificativas apresentadas para o indeferimento teriam sido genéricas e superficiais, sem motivar suficientemente o afastamento da pretensão do recorrente. Estes mesmos fatos indicariam também o cerceamento de direito de defesa do contribuinte. Menciona-se, ainda, que a fiscalização estaria obrigada a intimar o contribuinte para que fornecesse as provas de seu direito, conforme Art. 161 da IN 1717/2017, Art. 76 da IN 1.300/2012 e Art. 65 da IN 900/2008. Isso em conformidade com o Art. 3º, III, da Lei nº 7984/1999. Nesse ponto, manifestou-se a DRJ da seguinte forma: Em sede de manifestação de inconformidade para com despachos que indeferem pedidos de restituição, o contribuinte tem a faculdade de apresentar todos os meios de prova de que dispõe para contrapor as decisões proferidas. Referidos elementos de prova são analisados pelo órgão julgador, como no presente caso, e se os documentos apresentados comprovam de forma inequívoca o direito pleiteado, este é reconhecido com todos os seus consectários. Portanto, a falta de intimação para apresentação de documentos quando da análise de pedido de restituição pelas Delegacias da Receita Federal não acarreta prejuízos ao contribuinte. Assim considerando que o processo foi constituído com observância das normas legais, descabe falar em nulidade. Veja-se que os dispositivos constantes de Instruções Normativas citadas pelo contribuinte prescrevem que a Autoridade da RFB “poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito”. Da faculdade a que se referem as normas administrativas não é possível extrair que seria uma obrigação da fiscalização a intimação do contribuinte para o fornecimento de documentos. Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.532 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.926473/2016-34 Quanto à suposta ausência de fundamentação do Despacho Decisório, note-se que o indeferimento do pedido foi fundamentado a partir das informações disponíveis naquele momento processual da seguinte forma: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ou seja, o contribuinte declarou o valor devido e efetuou o recolhimento, logo o sistema PER/DCOMP, por batimento, indeferiu o pedido, posto que o valor era condizente com o valor declarado anteriormente como devido. Assim, descabe a alegação de falta de motivação do Despacho. De outro lado, possui razão a DRJ ao afirmar que o recorrente teve a oportunidade de apresentar todos os documentos e razões quando de sua manifestação de inconformidade. É de se ressaltar que o sistema eletrônico PER/DCOMPD realmente não comporta a apresentação de documentos, sendo que é a partir da ciência do Despacho Decisório que efetivamente poderá o contribuinte exercer o contraditório e a ampla defesa. Por essas razões, não se vislumbra a alegada nulidade e, tampouco, o cerceamento de direito de defesa. 2. Do reconhecimento da isenção. Alega o recorrente que possui direito adquirido à isenção contida no art. 4º, “d”, do Decreto-Lei nº 1510/76. Isso porque o débito de IRPF pago foi decorrente de ganho de capital resultante da alienação de participação societária na empresa Suíssa Industrial e Comercial LTDA, a qual havia sido adquirida em momento anterior ao dia 31/12/1983. Nesses termos, haveria direito à restituição do quanto recolhido. Verifica-se pelos documentos dos autos que a participação societária em apreço realmente já era de propriedade do recorrente desde antes de 31/12/1983 e com ele permaneceram, não havendo a mudança de titularidade até momento posterior a 22/12/1988. Neste caso, nos termos do art. 62, § 1º., II, alínea "c", do RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, quando houver Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Veja-se que o Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018, aprovado pelo Ministro da Fazenda, que autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.532 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.926473/2016-34 Nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluem-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros). Sendo assim, entende-se que o caso em tela está albergado pela hipótese delineada no referido Ato Declaratório. Citam-se, por oportuno, as seguintes decisões dessa Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão de Julgamento do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. (Acórdão nº 2301-006.399, de 8 de agosto de 2019). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. (Acórdão nº 2301-007.586, de 9 de julho de 2020) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. (Acórdão nº 2301-007.587, de 9 de julho de 2020) 3. Da reunião dos processos referentes aos pedidos de restituição. Sobre esse ponto, verifica-se que os demais processos referentes aos pedidos de restituição que se encontram nessa fase processual, a saber, nº 12448.925189/2016-41, nº 12448.926481/2016-81, nº 12448.926469/2016-76, nº 12448.900943/2018-00, nº 12448.908236/2018-53 e nº 12448.911107/2018-42, serão julgados nessa mesma sessão de julgamento, razão pela qual deixo de acolher o pedido. Fl. 381DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.532 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.926473/2016-34 Diante do exposto, voto por da parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à isenção alegado. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma adotados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a isenção com base no Decreto - Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, e determinar a análise do direito creditório pela autoridade preparadora. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Redatora Fl. 382DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000369/2007-32
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1996 a 28/02/2005
RECURSO DE OFÍCIO - VALOR CRÉDITO INFERIOR À ALÇADA - NÃO CONHECIMENTO
Não se conhece recurso de oficio, cujo crédito envolvido tenha valor inferior à alçada prevista por ato do Ministro da Fazenda vigente à época do julgamento de segunda instância.
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-001.051
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de oficio, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio, nos te nos- --dds's7dto da relatara v/ Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lenis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. 2 É o relatório„ Processo n° 17546.000369/2007-32 S2-C4T2 Acórdão n.' 2402-01.051 FI 413 Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais, bem como a contribuição destes, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei n° 10.666/2003. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 77181) os fatos geradores das contribuições lançadas são a remuneração dos segurados contribuintes individuais (autônomos), lançadas na contabilidade, nas contas contábeis, sob os títulos de "Brindes e Comemorações", "Brindes e Presentes" e "Premiação a Funcionários". Tais pagamentos eram efetuados aos chamados "colaboradores" (funcionários das empresas de trabalho temporário contratadas) com o intuito de incentivar e tentar garantir a assiduidade e empenho desses trabalhadores, uma vez que a condição de contratação era temporária, ou seja, tais trabalhadores por não possuírem um vínculo com a empresa e permanecerem por um curto período na mesma, muitos não se empenhavam ou faltavam ao trabalho. A notificada apresentou defesa (fls. 279/298) onde alega que teria ocorrido a decadência do direito de constituição de parte do lançamento, que como empresa tomadora dos serviços, não mantém qualquer vínculo de emprego ou de natureza civil com a trabalhadores temporários (pessoas físicas), que os valores pagos são eventuais e que não foi observado o limite máximo do salário de contribuição para o cálculo da contribuição dos segurados. Aduz ainda que a taxa de juros SELIC seria imprestável para o cálculo dos juros de mora e a ausência de corresponsabilidade dos sócios. Pelo Acórdão n° 03-2.3,261 (fis. 390/400) a 7 a Turma da DRJ/BSA considerou o lançamento improcedente sob o argumento de que os trabalhadores temporários não possuiriam os pressupostos necessários para serem considerados contribuintes individuais em relação à empresa notificada. De tal decisão, a DRJ/BSB recorreu de oficio e o sujeito passivo vem aos t, autos (fi . 408/410) para argumentar que o valor desonerado seria inferior à alçada vigente parçP que o recurso de oficio fosse admitido. . 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatara Trata-se de recurso de oficio contra decisão que considerou improcedente o lançamento objeto da presente notificação. O processamento de recurso de oficio está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. In cant, embora à época do julgamento de primeira instância, o valor do crédito exonerado fosse superior ao limite de alçada estabelecido pelo Ministério da Fazenda, atualmente, o limite estabelecido é de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). O novo limite foi estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1" O .Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerai .- o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000,000,00 (um milhão de reais). Corno a determinação acima tem entre seus objetivos dar celeridade ao contencioso administrativo fiscal, bem como desonerar a segunda instância de julgamentos da análise de recurso, cujo crédito envolvido seja inferior ao valor estabelecido, não cabe processar recurso de oficio apresentado, cujo valor seja inferior ao valor de alçada estabelecido. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso de oficio. É corno voto. Sala das Sessões, em 16 de agosto de 2010 / ,,'Y° AN(MARIA BAND RA - Relatora 4 /MINISTÉRIO DA FAZENDA yq, -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 17546.000369/200732 ,-Recurso n': 156226 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial tf 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-0L051 Brasília, 1/3 de ¡outubro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13152.720036/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL A PEDIDO DO CONTRIBUINTE. NEGATIVA DE AUTORIA.
Tendo o contribuinte negado ter solicitado a sua exclusão do regime do SIMPLES NACIONAL motivada pela existência de débitos tributários e não havendo prova da existência desses débitos, é ônus da fiscalização demonstrar a efetivação do pedido.
Numero da decisão: 1402-005.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL, mantendo a sua opção por essa modalidade de tributação no ano-calendário de 2012.
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA
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NEGATIVA DE AUTORIA. Tendo o contribuinte negado ter solicitado a sua exclusão do regime do SIMPLES NACIONAL motivada pela existência de débitos tributários e não havendo prova da existência desses débitos, é ônus da fiscalização demonstrar a efetivação do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL, mantendo a sua opção por essa modalidade de tributação no ano-calendário de 2012. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iagaro Jung Martins, Jandir Jose Dalle Lucca, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto face ao v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, via do qual foi mantido o indeferimento do pedido de cancelamento da exclusão da Recorrente do Simples Nacional devido à existência de débitos tributários sem a exigibilidade suspensa, estampando a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 2. 72 00 36 /2 01 2- 63 Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13152.720036/2012-63 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE INCLUSÃO. DEFESA DE NÃO AUTORIA DE EXCLUSÃO POR COMUNICAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. Uma vez não comprovada a não autoria da exclusão, não há que se deferir o pedido de inclusão à sistemática do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Para melhor compreensão da matéria versada nos autos, consulte-se os seguintes excertos do Relatório da r. decisão recorrida: Trata-se originalmente de "PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL" (fl. 02) de excertos abaixo: "A requerente consultou o sitio da Receita Federal no portal do Simples Nacional em janeiro/2012 e se encontrava como optante pelo regime unificado do Simples Nacional, no entanto, no dia 13.02.2012 ao fazer uma consulta no sitio da SEFAZ-MT, verificou que não estava mais enquadrada neste regime de tributação. Ato contínuo verificou o sitio da Receita Federal e qual não foi o seu espanto ao verificar a mensagem que a requerente se encontrava excluída do Simples Nacional por sua própria opção. Ocorre [...] que a requerente jamais fez este pedido de exclusão do Simples Nacional [...]. [...] [...] requer [...] o cancelamento do pedido de exclusão do simples nacional e por conseqüência o enquadramento da requerente no Simples Nacional com efeitos a partir de 01.01.2012. A requerente não possui pendências com a RFB, conforme relatório anexo e, portanto, não há motivo para que seja excluída do Regime do Simples" Às fls. 20-21, Despacho Decisório (DD), cuja ementa é a seguinte: "Ementa: Exclusão do Simples Nacional por possuir débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal". Já os fundamentos daquele DD para o indeferimento do pedido de cancelamento da exclusão da contribuinte na sistemática do Simples Nacional (SN) encontram-se abaixo assentados: "3. [...]. A Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 94, em seu texto, afirma que: Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, dar-se-á: ... II - obrigatoriamente, quando: Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13152.720036/2012-63 d) possuir débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa... 4. Da leitura desse artigo, conhece-se uma das razões de comunicação obrigatória de saída do Simples Nacional: ter débitos em exigência com os entes que gerem o SN. E de acordo com o histórico da folha 18, esse foi o critério aplicado para essa Contribuinte. E tal critério foi aplicado mediante comunicação da própria Requerente. Conforme esse mesmo histórico, tal comunicação ocorreu em 31/01/2012. E isso explica o motivo de ela ainda estar presente no Simples, quando de consulta durante esse mês." Às fls. 25-33, manifestação de inconformidade em face daquele DD, na qual, além de renovar os argumentos despendidos no referido pedido, são aduzidas as seguintes razões de defesa, em síntese: "[...] a insurgente há época não possuía débito com o INSS ou com as Fazendas Ressalta-se que a contabilidade da nossa empresa é feita em um escritório contábil que teve 10 empresas desenquadradas do simples por solicitação do contribuinte [...] sendo certo que nenhum deles fez tal solicitação [...]. Não sabemos o que aconteceu, mas é público e notório que vez ou outra se detecta problemas nos sites públicos por invasão de rackers, ou por problemas de sobrecarga de informações [...]. [...] há época não possuía débito com o INSS ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, tanto que formos a todos esses órgãos à época e ficou constatado por todos os atendentes que não havia débito algum. E, frisa-se que o julgador disse haver débito, mas não demonstrou a existência de nenhum débito. A insurgente fez a até Boletim de Ocorrência na Polícia Federal (cópia anexa). [...] As folhas 18 [...] que trás o histórico de eventos do simples nacional temos que o tipo do evento é: exclusão por comunicação do contribuinte - Débitos. Mas em nenhum momento o auditor fiscal relata qual o tipo de débito. Pois não tem débito nenhum a ser informado, uma vez que o contribuinte não possuía débitos com os órgãos públicos. [...] Não nos conformamos com a decisão do Auditor fiscal da Receita Federal, pois a mesma não demonstrou a existência de débitos, não analisou o pedido do contribuinte e não considerou a informação de que o contribuinte não fez o pedido de sua exclusão do simples nacional." Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reeditando os argumentos da impugnação e juntando aos autos cópias de certidões negativas de débitos de todas as esferas, além de comprovantes de pagamento de DAS de todos os meses do ano de 2012 (fls. 77/164). Submetido a julgamento em sessão de 13.04.2021 (fls. 168/174), foi determinada a realização de diligência para que a fiscalização demonstrasse quais eram os débitos que se encontravam sem exigibilidade suspensa no período de 01.01.2012 até 31.12.2012. Tendo sido cumprida a medida proposta nos termos da Informação Fiscal de fls. 178, retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13152.720036/2012-63 É o relatório. Voto Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade. Cuidam os autos de exclusão do Simples Nacional, supostamente levada a efeito por solicitação do próprio contribuinte, por ter débitos com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, nos termos do art. 73, II, “d” da então vigente Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 94, de 2011, verbis: Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, dar-se-á: (..._ II - obrigatoriamente, quando: (...) d) possuir débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa (...) O item 4 do Despacho Decisório de fls. 20 é suficientemente claro ao indicar as razões pelas quais foi a Recorrente foi excluída do regime do Simples Nacional (fls. 70/71): 4. Da leitura desse artigo, conhece-se uma das razões de comunicação obrigatória de saída do Simples Nacional: ter débitos em exigência com os entes que gerem o SN. E de acordo com o histórico da folha 18, esse foi o critério aplicado para essa Contribuinte. E tal critério foi aplicado mediante comunicação da própria Requerente. Conforme esse mesmo histórico, tal comunicação ocorreu em 31/01/2012. E isso explica o motivo de ela ainda estar presente no Simples, quando de consulta durante esse mês. De fato, o “Histórico dos Eventos pelo Simples Nacional” de fls. 18 traz a seguinte informação: Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13152.720036/2012-63 (original sem destaque) Apreciando a manifestação de inconformidade oportunamente oferecida pela Recorrente, assim se pronunciou o v. acórdão recorrido (fls. 69/72): De um lado, a par da defesa passiva quanto à não autoria da "Exclusão por comunicação do contribuinte - Débitos" do Simples Nacional, em 31/01/2012, estampada no documento de fl. 18, não há nos autos nenhum Termo de Indeferimento em face da contribuinte onde constassem débitos com exigibilidade não suspensa, que suscitassem a exclusão da opção por comunicação, obrigatória. Se tanto, o "TERMO DE INDEFERIMENTO" da Sefaz/MT datado em 15/02/2012 (p. 9 do documento de fls. 25-33), o único que se encontra nos autos, dá-se em face de outras pessoas jurídicas, que não a contribuinte, além do que nele não consta nenhum débito, situação que o macula de vícios de nulidade. Por outro lado, malgrado as várias certidões acostadas aos autos - certidão conjunta negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União, da negativa de débito referente ao ICMS/IPVA do estado do Mato Grosso, da negativa de débitos relativos às contribuições previdenciárias e às de terceiros, do certificado de regularidade do FGTS - CRF da Caixa Econômica Federal, da negativa de débitos junto ao município de Tangará da Serra-MT - bem como o Boletim de Ocorrência junto à Polícia Judiciária Civil, documentos estes entremeados às pp 30-37 do documento de fls. 43-61, fato é que a contribuinte não logrou êxito em comprovar sua tese de defesa sobre sua não autoria. Some-se a tudo isso que, para o ano calendário 2012, a contribuinte apresentou a respectiva DIPJ com base no Lucro Presumido, portanto, ao ensejo de que optou por essa via de tributação, em vez de manter-se no Simples Nacional nesse mesmo ano. Pelo exposto, VOTO no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Já em atendimento à diligência proposta, vieram aos autos as seguintes informações (fls. 178): Trata-se de Recurso Voluntário apresentado em razão de exclusão do Simples Nacional, registrada em 31/01/2012, evento Exclusão por comunicação obrigatória do contribuinte – Débitos, data do fato motivador 31/01/2012 e data de efeito em 01/01/2012. Assim, a exclusão, conforme consulta no sistema às fls. 176, decorreu de comunicação do próprio contribuinte. Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13152.720036/2012-63 Após apresentação de manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte alega que jamais fez este pedido de exclusão, a DRJ decidiu pelo indeferimento do pedido de cancelamento da exclusão pelo Simples Nacional. Conforme Acórdão 09-54.756 – 2ª Turma da DRJ/JFA, acostado às fls. 69/72, uma vez que não há exclusão realizada pela Administração, bem como “que a contribuinte não logrou êxito em comprovar sua tese de defesa sobre sua não autoria”. Em análise do recurso, o CARF resolveu converter o julgamento em diligência, e, na sequência, encaminhou os autos para que a fiscalização demonstre quais eram os débitos que se encontravam sem exigibilidade suspensa no período de 01/01/2012 até 31/12/2012. Inicialmente, cumpre destacar que a exclusão não se efetuou por ato da Receita Federal do Brasil (fls. 177). Dessa forma, não há como consultar eventuais débitos exigíveis na data da exclusão, visto que não houve sequer levantamento de irregularidades pela RFB. A exclusão por comunicação obrigatória realizada pelo próprio contribuinte não gera relatório de pendências fiscais. O contribuinte apresentou CND em momento posterior. Cumpre esclarecer que, ao realizar a exclusão, a Administração Tributária relaciona os débitos exigíveis que geraram a pendência motivadora daquele momento, o que possibilita posterior acompanhamento. Como essa situação não ocorreu na exclusão em discussão dos autos, realizada, em tese, pelo contribuinte, não há relatório gerado daquele momento. Posto isso, considerando que não foi possível demonstrar a situação fiscal do contribuinte em 31/01/2012, encaminho ao CARF para prosseguimento. Pois bem, ao teor das certidões negativas de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e com as Fazendas Públicas Federal, Estadual e Municipal juntadas às fls. 54/59, emitidas em data próxima a que teria sido efetivado o suposto pedido de exclusão do SN (aquelas em 13.02.2012 e 04.06.2012, este em 31.01.2012), alia-se o fato de a fiscalização não ter sido capaz de apontar a existência de débitos em aberto, seja com ou sem a exigibilidade suspensa. Diante desse panorama, não é razoável supor que o contribuinte, não possuindo débitos tributários, fosse deduzir pedido de exclusão do SN, regime de tributação que lhe é favorável, motivado exatamente pela existência dessas pendências, como indica o “Histórico dos Eventos pelo Simples Nacional” de fls. 18. Exigir que o contribuinte, nessas circunstâncias, faça prova negativa de que não teria realizado o pedido de exclusão, soa iniquo e kafkiano, além de configurar o que a doutrina convencionou chamar de “prova diabólica”. Conforme lecionam Caio Augusto Takano e Arthur Leite da Cruz Pitman: (...) A “prova diabólica”, como é chamada, trata‑se de “expressão que se encontra na doutrina para fazer referências àqueles casos em que a prova da veracidade da alegação a respeito de um fato é extremamente difícil, nenhum meio de prova sendo capaz de permitir tal demonstração”, e ainda utilizada pela jurisprudência para designar a prova de algo que não ocorreu, ou seja, a prova de fato negativo. Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-005.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13152.720036/2012-63 Ainda sob a égide do Código de Processo Civil de 1973, em seu antigo art. 333, se estabelecia que o ônus da prova incumbia ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Dessa forma, a distribuição do ônus da prova era regida pela regra de que incumbiria provar àquele que alega o fato, pois, uma vez produzida a prova, a relevância daquele que a produziu não subsiste, sendo certo que o importante passa a ser se os fatos foram provados ou não. A internalização deste regramento ao processo administrativo fiscal reforça o problema da “prova diabólica” em situações em que caberia ao contribuinte tão somente negar a ocorrência do que originariamente foi alegado pelo Fisco, por ocasião do lançamento fiscal. Assim, o legislador ordinário positivou no art. 373, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015, a possibilidade de “inversão do ônus da prova” que, a rigor, instituiu uma nova etapa de “divisão de trabalhos na atividade probatória”. Dessa forma, da sistemática de “distribuição estática” do ônus da prova – que era a única possibilidade trazida pelo art. 333 do CPC/1973, pela qual “àquele que alega tem o ônus de provar o alegado” –, passou‑se à uma fase de “distribuição dinâmica” do ônus da prova, que inaugura uma flexibilização da regra prevista no caput do art. 373 do CPC/2015 para “possibilitar a formação do convencimento judicial através de uma distribuição do ônus probatório que possa ser maiormente ajustada ao caso concreto”. As lições de Elpídio Donizetti são esclarecedoras ao expor que “de acordo com a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova, o encargo probatório deve ser atribuído casuisticamente, de modo dinâmico, concedendo‑seao juiz, como gestor das provas, poderes para avalizar qual das partesterá maiores facilidades na sua produção”. Dessa forma, caberia ao julgador determinar àquele que tem maiores condições técnicas e práticas de produção da prova que o fizesse em benefício da instrução mais qualificada do processo. Tal iniciativa teria o condão de evitar a problemática da prova de fato negativo e o pesado fardo probatório que é atribuído ao contribuinte. Ademais, o processo administrativo fiscal sempre esteve aberto aos influxos das normas processuais civis, principalmente para superar a existência de lacunas normativas ou para se buscar uma interpretação sistemática de determinado comando prescritivo encontrado na legislação do contencioso administrativo de um ente público. Não obstante o art. 15 do CPC/2015 tenha contribuído para se pacificar a questão – prevendo a aplicação supletiva e subsidiária de normas de processo civil aos processos administrativos, desde que não haja incompatibilidade para tal aplicação –, há diversas manifestações dos tribunais administrativos fiscais, ainda sob a égide do CPC/1973, que já aplicavam as disposições do Código de Processo Civil para colmatar as lacunas existentes na legislação de processo administrativo tributário. Estamos convencidos de que a aplicação supletiva e subsidiária das disposições do CPC/2015 deve ser entendida como a aplicação em todos os casos em que tais dispositivos puderem informar a interpretação das legislações do contencioso administrativo dos entes federativos, buscando‑se uma interpretação que revele maior aderência aos princípios informadores do processo administrativo fiscal, bem como nas situações em que existirem lacunas naquelas legislações que possam ser colmatadas pela aplicação das normas processuais civis, desde que não haja incompatibilidade ao regime jurídico aplicável. Eis porque o art. 373, § 1º do CPC/2015 não apenas pode, como deve ser aplicado no processo administrativo fiscal para redistribuir dinamicamente o ônus da prova entre Fisco e contribuinte, sobretudo, quando o encargo probatório representar prova de fato negativo – vulgarmente chamada “prova diabólica”. Para tanto, é necessário que o julgador administrativo deva apreciar o pedido de inversão de ônus probatório a partir do princípio da verdade material, seu livre convencimento motivado (art. 26 da Lei nº Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-005.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13152.720036/2012-63 13.457/2009 do Estado de São Paulo), converter os autos em diligência, nos termos do art. 25 da referida lei, em decisão motivada e esclarecedora do seu convencimento. (...)” (in “Princípios Gerais de Direito Aplicados ao Contencioso Fiscal Paulista”, vários autores, Lex Editora, 2019, p. 47/49) Portanto, nesse contexto, caberia ao fisco o ônus de demonstrar a realização do pedido de exclusão do SN, não sendo suficiente para tal desiderato o mero “print” da tela de consulta ao “Histórico da Empresa no Simples Nacional” (fls. 18), que não permite conhecer seu inteiro teor, autoria e demais elementos correlacionados. Por fim, anote-se que o fato de a Recorrente ter apresentado, para o ano calendário de 2012, a DIPJ com base no Lucro Presumido não reflete a opção por essa via de tributação em detrimento do SN, mas apenas em relação ao Lucro Real, uma vez que, àquela altura, os sistemas fazendários indicavam a sua exclusão do SN. Ademais, as razões deduzidas no RV são elucidativas em relação à motivação da Recorrente para ter apresentado a referida DIPJ adotando essa modalidade de tributação: Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exclusão da Recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL, mantendo a sua opção por essa modalidade de tributação no ano- calendário de 2012. (documento assinado digitalmente) Jandir José Dalle Lucca Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital
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