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Numero do processo: 10935.906435/2012-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/12/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 35 /2 01 2- 14 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.883, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 28160.01944.180612.1.2.045123, rastreamento nº 041907850, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 6.812,41, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/11/2010, efetuado em 24/12/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906435/201214 Acórdão n.º 3802002.733 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/12/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906435/201214 Acórdão n.º 3802002.733 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906435/201214 Acórdão n.º 3802002.733 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906435/201214 Acórdão n.º 3802002.733 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16643.000083/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
Ementa:
PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA.
A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE AS INTIMAÇÕES FISCAIS
Agrava-se a penalidade, na forma do artigo 44, § 2. °, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações.
Recurso de ofício negado
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2202-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que provia parcialmente o recurso de ofício para restabelecer na base de cálculo o valor de R$ 840.108,99 em 25/08/2005. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam parcialmante ao recurso para excluir o item 2 do auto de infração (Beneficiário não Identificado). O Conselheiro RAFAEL PANDOLFO apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Humberto Lucas Marine, OAB/RJ 85688. (Assinado digitalmente)
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo Declaração de voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE AS INTIMAÇÕES FISCAIS Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2. °, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Recurso de ofício negado Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que provia parcialmente o recurso de ofício para restabelecer na base de cálculo o valor de R$ 840.108,99 em 25/08/2005. QUANTO AO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 83 /2 01 0- 91 Fl. 5822DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 RECURSO VOLUNTÁRIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam parcialmante ao recurso para excluir o item 2 do auto de infração (Beneficiário não Identificado). O Conselheiro RAFAEL PANDOLFO apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Humberto Lucas Marine, OAB/RJ 85688. (Assinado digitalmente) (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 5823DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da Contribuinte, TIM CELULAR S/A, foi lavrado auto de infração (fls. 3.868 a 3.884), acompanhado de Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.885 a 3.912) por meio do qual foram exigidas importâncias de IRRF dos anos calendário 2005 e 2006 e multa agravada de 112.5%. A ciência se deu por via postal em 13.05.2010. O Auto de Infração (fls. 3.917 a 3.933) contém a descrição de duas infrações: 1. Rendimento de residentes ou domiciliados no exterior. Falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. 2. Outros rendimentos – beneficiário não identificado. Falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiário não identificado. A autuante relata que o contribuinte retificou DCTF, em 01.12.2009, 02.12.2009 e 03.12.2009, para reduzir valores de IRRF e de CIDE dos anos de 2005 e 2006. Intimado para prestar esclarecimentos, limitouse a alegar que havia cometido equívocos quanto à constituição dos créditos tributários, sem apresentar nenhum tipo de documento comprobatório. As retificadoras, no entanto, não produziram efeito, tendo em vista que nas datas em que foram transmitidas o contribuinte já tinha a sua espontaneidade excluída, por conta da fiscalização iniciada em 21.09.2009. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, e o relatório da autoridade de primeira instância: A Auditora Fiscal observa que o contribuinte deixou de atender ou atendeu insuficientemente diversas solicitações da fiscalização quanto à apresentação de elementos para o exame de suas obrigações tributárias, afirmando que tal fato não é inédito em relação ao sujeito passivo. Cita como exemplo o processo administrativo nº 18471.000778/200631, com acórdão da DRJ/RJO1 nº 1221.809. Elabora tabela (fls. 3.938 a 3.944) contendo todas as intimações e reintimações realizadas no presente processo e a maneira como foram (ou não) atendidas pelo contribuinte, inclusive com diversas solicitações de prorrogação do prazo para tanto. A autoridade fiscal verificou o pagamento de IRRF sobre remessas ao exterior do período de 01.07.2005 a 31.12.2006, a partir de planilha apresentada pelo contribuinte com 2.523 remessas, das quais selecionou 200 itens, correspondentes aos maiores valores remetidos, totalizando R$ 617.010.034,39, para análise documental (Anexo II do Termo de Intimação nº 02). O sujeito passivo foi intimado a apresentar contratos comerciais entre as partes envolvidas, os contratos de câmbio e as invoices Fl. 5824DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 relativos àqueles 200 itens. A intimação foi atendida parcialmente. Foram realizados cruzamentos, pela data, valor e histórico, entre os valores constantes da planilha e a movimentação bancária do contribuinte, obtida nos arquivos digitais de sua escrituração contábil. A autuante ressalta que os arquivos magnéticos continham informações incompletas em alguns meses, faltando as contrapartidas de lançamentos. Cada remessa constante da planilha recebeu um número referência, que foi anotado ao lado de cada linha de remessa nas contas contábeis dos bancos, de maneira a relacionar as informações da planilha com a escrituração. As remessas a título de roaming internacional foram agrupadas em subtotais, da mesma maneira que constava na escrita contábil, por se apresentarem mais numerosas e frequentes. Como o pagamento de IRRF se dá na mesma data da remessa, os pagamentos a título de roaming internacional foram identificados na contabilidade junto aos respectivos IRRF recolhidos, pela presença dos termos “operação cambial” e “IR roaming” nos históricos dos lançamentos, consideradas as informações de data e valor. As demais remessas foram localizadas na contabilidade pela data, pelo valor e pelo histórico, com a presença dos termos “operação cambial” e “IR fornecedor”. Os campos em branco da planilha, os que continham erro do tipo “#REF!” e os que continham erro na conversão cambial foram corrigidos pela fiscalização quando imprescindíveis para o levantamento de elementos. Nos campos em branco adotaram se os valores encontrados na escrituração, levando em conta a data, o valor e o histórico do lançamento. Quanto aos erros de conversão cambial, foram levadas em conta as taxas de câmbio utilizadas nas outras remessas de mesma data e moeda. Na amostra selecionada constam seis empréstimos de valor elevado, em relação aos quais foram efetuadas remessas a título de pagamentos de empréstimo e de juros, como segue: 1. Telecom Italia Finance (28.07.2005): pagamento de “empréstimo principal – R$ 132.051.438,40”; 2. Telecom Italia Finance (28.07.2005): pagamento de “empréstimo juros – R$ 1.035.909,79”; 3. HP Financial Services (29.09.2005): pagamento de “empréstimo amortização – R$ 2.276.902,09”; 4. Telecom Italia SPA (29.09.2005): pagamento de “empréstimo amortização – R$ 276.780.000,00”; 5. Telecom Italia SPA (29.09.2005): pagamento de “empréstimo juros – R$ 1.189.139,66”; 6. Compaq (29.03.2006): pagamento de “empréstimo amortização – R$ 2.255.059,53”. Fl. 5825DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 4 5 Tais remessas foram selecionadas para análise documental. O contribuinte, apesar de intimado diversas vezes para apresentar os contratos comerciais e de câmbio correspondentes, não apresentou os contratos de empréstimo. Diante da impossibilidade do exame documental, a fiscalização limitou se à verificação da escrita contábil, o que foi documentado na planilha “Verificação dos registros contábeis dos empréstimos do Exterior” (fls. 4.394 e seguintes). Quando a data da contratação cambial foi informada na planilha de remessas, levaramse em consideração as determinações contidas na Instrução Normativa SRF nº 41/1999, que dispõe sobre a taxa de câmbio a ser utilizada na determinação da base de cálculo dos tributos decorrentes das transferências para o exterior e dele provenientes. A autuante, com a finalidade de dar maior visibilidade às informações contidas na planilha entregue pelo contribuinte, bem como para registrar os diversos cruzamentos realizados, elaborou as planilhas constantes em volumes específicos destinados a Anexos. Passa a explicar tais demonstrativos. 1. Demonstrativos mensais de apuração de CIDE pelo sujeito passivo Na planilha entregue, o sujeito passivo demonstrou a apuração da CIDE mensal, o que não permitia a visualização individualizada do tributo devido em cada remessa. A fiscalização, então, reconstituiu as parcelas individualizadas da CIDE, por meio da análise das fórmulas e dos valores utilizados como componentes da sua base de cálculo, o que se encontra demonstrado nas planilhas “Demonstrativo de Apuração da CIDE” (fls. 4.317 e seguintes). 2. Pagamentos extraídos do sistema de pagamentos da SRF As informações sobre o pagamento dos tributos foram extraídas do sistema eletrônico da RFB, e constam nos relatórios “Pagamentos IRRF Remessa Exterior” (fls. 4.661 e seguintes). 3. Planilha de remessas com indicação das contas bancárias das contabilizações das remessas Elaborada a partir da planilha original do contribuinte, para demonstrar as saídas/pagamentos de cada remessa declarada (fls. 4.277 e seguintes). 4. Razões das contas de bancos Os razões contábeis das contas de bancos foram gerados para constituir prova da ocorrência dos fatos geradores do IRRF e da CIDE (fls. 4.397 e seguintes). 5. Amostra auditada – 200 maiores remessas Gerada para demonstrar e documentar a auditoria da amostra selecionada pela fiscalização (fls. 4.366 e seguintes). 6. Apuração da CIDE sobre remessas de Agosto de 2005 pela Fiscalização Demonstra a correta apuração da CIDE devida em 08/2005 em razão de erro de fórmula detectado pela fiscalização na planilha apresentada pelo contribuinte (fls. 4.365 e seguintes). Fl. 5826DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 7. Remessas a título de Roaming Internacional – Apuração da CIDE 10% Apuração da CIDE sobre as remessas a título de roaming internacional (fls. 4.370 e seguintes). 8. Verificação dos registros contábeis dos empréstimos do Exterior Demonstra a verificação da contabilização dos empréstimos do exterior, selecionados entre as 200 maiores remessas, tendo em vista que não foi possível a verificação documental destes itens em razão da não apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização (fls. 4.394 e seguintes). 9. Remessas sem causa e a beneficiário não identificado Remessas não declaradas na planilha apresentada pelo sujeito passivo, e para as quais o fiscalizado deixou de apresentar qualquer esclarecimento ou documentação. Com exceção das remessas identificadas como roaming internacional na escrituração, as demais foram tratadas como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado (fls. 4.390 e seguintes). Continua a Auditora Fiscal relatando que o contribuinte impetrou dois mandados de segurança: Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0013031 (fls. 58 a 228), em que requereu liminar para determinar às autoridades impetradas que se abstivessem de promover atos de cobrança relativos à CIDE Royalties nos termos do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, ou, subsidiariamente, de efetuar a cobrança da contribuição no que tange à inclusão do IRRF em sua base de cálculo, e a segurança definitiva no mesmo sentido, além de autorização para compensar valores indevida e anteriormente recolhidos. Afirma a autoridade fiscal que não houve concessão de liminar, e que, mesmo com sucessivos recursos interpostos, o pleito do fiscalizado não prosperou. Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0065266 (fls. 30 a 55), em que requereu liminar para determinar à autoridade impetrada que se abstivesse de exigir o IRRF nas remessas de recursos à Telecom Italia em função da prestação de serviços de telecomunicação internacional, ou ao menos para efetuar a retenção e/ou recolhimento do imposto sobre os valores efetivamente remetidos ao exterior, depois de realizadas as compensações, e a segurança definitiva no mesmo sentido. A liminar foi deferida em 09.07.2009 para que não fosse exigido o IRRF em questão. Observa a autuante que, apesar de intimado reiteradas vezes, o contribuinte não informou se deixou ou não de recolher os tributos sob o amparo da liminar. Por isso, e tendo em vista a data de expedição da liminar, não considerou como suspensas as exigibilidades dos débitos tributários apurados, aplicandose, inclusive, as multas cabíveis. O lançamento foi realizado tendo em vista a existência de duas infrações. A primeira diz respeito à falta de recolhimento ou recolhimento a menor de IRRF constatados nas remessas constantes da amostragem, com base nos artigos 682, 685, 708, 709 e 710 do RIR/99; no artigo 3º da Medida Provisória nº 2.15970/ 2001; no artigo 17 da Instrução Normativa SRF nº Fl. 5827DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 5 7 252/2002; no artigo 2ºA da Lei nº 10.168/2000, acrescentado pelo artigo 7º da Lei nº 10.332/2001. Destaca a autuante o conceito de royalties dado pela Lei nº 4.506/1964, nos seus artigos 22 e 23. Explica que, com base na metodologia de apuração do IRRF e da CIDE demonstrada pelo próprio contribuinte na planilha apresentada e considerando o disposto nos artigos 682 e 717 do RIR/99, depreende se que ao efetuar os pagamentos aos prestadores de serviços ao exterior, o fiscalizado revestiase da condição de responsável tributário pela retenção e recolhimento do IRRF. Destaca que, com base no artigo 1º, §2º, I da Lei Complementar nº 116/2003, o fiscalizado é responsável pela retenção e recolhimento do ISS do qual o prestador no exterior é o contribuinte. Assim, as bases de cálculo do IRRF foram reajustadas pelo próprio IRRF e pelo ISS, do mesmo modo como já vinha sendo feito pelo contribuinte, nos termos do artigo 725 do RIR/99. As alíquotas do ISS empregadas em cada remessa foram deduzidas a partir das fórmulas contidas nas memórias de cálculo da CIDE contidas na planilha de remessas apresentada pelo contribuinte, o que está demonstrado no “Demonstrativo de Apuração da CIDE” (fls. 4317 e seguintes). As remessas para países não informados pelo contribuinte ou para países sem acordo internacional com o Brasil para evitar a dupla tributação foram reajustadas pela alíquota do IRRF de 15%. Para as remessas aos países com tratado (Alemanha, Chile, Espanha, Holanda e Itália), utilizouse a alíquota nele prevista, conforme a natureza do serviço prestado. A fiscalização passa a fazer algumas observações sobre as seguintes remessas: 1. Remessa do dia 21.07.2005 a Atos Origin: o contrato de câmbio está em nome da empresa Maxitel S/A, e por isso não foi objeto do lançamento; 2. Remessas do dia 27.12.2005 a Tekelec: os valores em dólares foram corrigidos em função do contrato de câmbio nº 05/096746 (folhas 3.121 e seguintes), de 27.12.2005, de USD 191.143,68 para USD 163.126,67; 3. Remessa do dia 16.02.2006 a Telecom Italia SPA: o valor em reais foi alterado, pois o contribuinte utilizou taxa errada de câmbio na planilha original, sendo a taxa correta 2,5090, a mesma usada para os demais itens da mesma data. Prossegue detalhando as infrações. Na amostra das 200 maiores remessas, foram desconsideradas as importações, sobre as quais não há incidência de IRRF, e as Fl. 5828DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 remessas a título de roaming internacional, tratadas em auto e termo próprios. Como o contribuinte não apresentou a maior parte dos contratos comerciais firmados com os beneficiários no exterior, a checagem dos serviços descritos na planilha foi realizada com a análise dos contratos de câmbio e das invoices eventualmente entregues. A planilha “Amostra auditada – 200 maiores remessas” (fls. 4.366 e seguintes) demonstra os recolhimentos a menor e a falta de recolhimento de IRRF sobre remessas ao exterior. O Termo de Verificação Fiscal contém quadro (fl. 3.957) discriminando as remessas, o valor de IRRF devido, o valor pago e a diferença devida, objeto do auto de infração. A segunda infração apurada diz respeito a remessas não comprovadas, consideradas como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Relata a autuante que nos registros contábeis do contribuinte foram localizadas remessas que não constavam na planilha entregue à fiscalização, explicitadas no “Demonstrativo da apuração do IRRF sobre remessas sem causa e a beneficiário não identificado – remessas não constantes na planilha entregue pelo contribuinte” (fls. 4.390 e seguintes). Para tais remessas, os beneficiários e as datas das contratações cambiais são desconhecidos. No caso das remessas a título de roaming internacional, a causa do pagamento pode ser identificada nos históricos dos lançamentos. Para tais remessas, foram apurados créditos tributários de CIDE, objetos de auto e termos de verificação específicos. Para as demais remessas não declaradas na planilha, apesar de intimado diversas vezes, o sujeito passivo não prestou esclarecimentos nem apresentou documentação. Os respectivos lançamentos contábeis não trazem em seus históricos uma indicação da natureza da operação, e por isso foram tratadas como pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, sujeitos à incidência de IRRF à alíquota de 35%, nos termos do artigo 674 do RIR/99. Consta no Termo de Verificação (fl. 3.959) tabela com a apuração do imposto devido. A multa de 75%, prevista no artigo 44, I da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, foi aplicada no lançamento para as duas infrações com a majoração de 50%, nos termos do § 2º, I do inciso I daquele mesmo artigo, tendo em vista que o contribuinte reiteradamente deixou de atender às intimações da fiscalização. Em 21.06.2010 o contribuinte apresentou impugnação (fls. 3969 a 3998), destacando os seguintes pontos: Fl. 5829DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 6 9 Observa que as planilhas e relatórios elaborados pela fiscalização para a apuração dos valores devidos de IRRF não lhe foram entregues quando da ciência do auto de infração, e que o presente processo administrativo ficou disponível para sua consulta em 08.06.2010, quando faltavam apenas 15 dias para o encerramento do prazo para contestação. Além disso, pelo grande volume de documentos acostados ao processo, não seria possível analisálos na repartição, pelo que solicitou a extração de cópias, que, conforme informado pela “Divisão de Arrecadação do Crédito Tributário”, apenas ficariam prontas após 15 dias úteis, ou seja, no dia em que vencia o prazo para a apresentação da impugnação. Com isso, entende que lhe foi ferido o direito à ampla defesa, já que ficou impossibilitado de se defender de todos os aspectos da autuação, especialmente sobre a apuração do IRRF, o que é elemento indispensável para se verificar a legalidade do procedimento fiscal. Requer, por isso, a declaração de nulidade do auto de infração, por cerceamento ao seu direito de defesa. No mérito, argumenta que o artigo 674 do RIR/99 (que tem como fundamento legal o artigo 61 da Lei nº 8.981/95) é inaplicável às remessas ao exterior, já que tal norma consta no Capítulo 4 do RIR/99, que trata sobre “Rendimentos Diversos”, inserido no Título I (“Tributação na Fonte”) do Livro 3 (“Tributação na Fonte e sobre Operações Financeiras”), e apenas abrange os rendimentos auferidos no País, enquanto que é o Capítulo 5 que trata dos “Rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior”. Observa que o próprio artigo 674 faz ressalva quanto ao disposto em normas específicas, no caso, justamente aquelas contidas no Capítulo 5, e lembra que as regras hermenêuticas geralmente estabelecem que as normas mais específicas prevalecem sobre as gerais. O artigo 10, inciso V da Lei Complementar nº 95/98 menciona que o agrupamento de artigos poderá constituir subseções, capítulos, livros, etc, e tal determinação deve ser considerada na interpretação da legislação, na medida em que somente podem ser agrupadas em mesmo capítulo normas que tenham correlação lógica. Procura também demonstrar que a razão para a alíquota de 35%, prevista no artigo 674, era gravar pagamentos feitos a pessoas físicas que não podiam ser identificadas, geralmente funcionários da empresa, tendo em vista que o artigo 74 da Lei nº 8.383/91 estabeleceu a incidência de IR exclusivamente na fonte sobre os benefícios indiretos pagos a administradores, diretores, gerentes e outros funcionários da pessoa jurídica à alíquota de 33%, que equivalia à alíquota máxima de 25% reajustada. Posteriormente, em 1995, a alíquot máxima com reajustamento passou a ser de 35%, e ao final as alíquotas Fl. 5830DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 máximas foram reduzidas para 25% e 27,5%, mas a alíquota de pagamento a beneficiário não identificado permaneceu em 35%. Dessa forma, tal artigo não atinge os pagamentos efetuados a Pessoas Jurídicas, como é o caso dos autos. Além disso, a alíquota máxima majorada aplicável às remessas ao exterior é de 25%, inclusive em relação aos valores remetidos para paraísos fiscais (que geralmente não permitem saber informações dos acionistas ou diversas outras informações do próprio beneficiário do rendimento), não fazendo sentido utilizar alíquota superior a tal limite para outras remessas internacionais. Por fim, os artigos 716 e 880 do RIR/99 determinam que as remessas ao exterior dependem de submeteremse ao Banco Central do Brasil e à RFB os contratos e documentos necessários para justificar a remessa, bem como a prova do pagamento do imposto devido. Ou seja, é impossível realizarse a remessa ao exterior sem a identificação da sua causa e do seu beneficiário, e sem que seja comprovado o pagamento do imposto de renda devido. O Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais vigente à época dos fatos geradores, aprovado pela Circular do BACEN nº 3.280/05, Seção 3, Capítulo 4, Título 1 prevê que é compulsória a identificação das partes contratantes nas operações de câmbio, o que foi mantido pela Circular BACEN nº 3.462/09, atualmente em vigor. Dessa forma, deveria a autoridade fiscal, em conformidade com o constante no artigo 142 do CTN e em prestígio à busca da verdade material, solicitar informações ao BACEN acerca das remessas efetuadas, com base na Lei Complementar nº 105/2001, o Decreto nº 3.724/2001 e a Instrução Normativa nº 165/2002. O contribuinte junta contratos de câmbio referentes a 4 remessas para provar a natureza das operações, os seus beneficiários e o recolhimento do IRRF, nas operações sujeitas ao tributo. Duas das remessas referemse a importação de mercadorias, não se submetendo à tributação pelo IRRF. Comprovado o beneficiário, o contribuinte entende que deve ser afastada a aplicação do artigo 674 do RIR/99 e a tributação à alíquota de 35%. O autuado afirma, por outro lado, ser inaplicável a multa de 112,5%. Alega que atendeu as intimações realizadas pela fiscalização, que exigiam apresentação de volumosa documentação, na estrita medida de suas possibilidades, e que jamais pretendeu prejudicar o procedimento fiscal. Os documentos apresentados, além disso, permitiram à autoridade fiscal lançar as diferenças que entendeu devidas, e por isso o fato de não ter podido atender a todas as informações não pode ser tomado como puro e simples desatendimento no contexto geral da fiscalização. Entende aplicável ao caso também o artigo 112, IV do CTN, no sentido de se interpretar a lei tributária que comina penalidades de maneira mais favorável ao contribuinte, quando há dúvida quanto à natureza ou graduação da penalidade aplicável. Por outro lado, a multa de 112,5% tem caráter confiscatório, o que Fl. 5831DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 7 11 conflita com o artigo 150, IV da CF/88, aplicável também às multas, conforme já decidido pelo STF (Medida Cautelar na ADIN nº 1.0751). Conclui esse tópico afirmando que a multa deve ser reduzida para o percentual de 75%. Ao menos no que se refere ao lançamento realizado com base no artigo 674 do RIR/99 deve a multa agravada ser reduzida a 75%, já que a suposta não identificação do beneficiário já é punida com o agravamento da alíquota do IRRF. Conclui a impugnação pedindo a declaração de nulidade da autuação e o cancelamento da exigência fiscal, ou ao menos o reconhecimento da impossibilidade da exigência do IRRF nos termos do artigo 674 na hipótese de remessas ao exterior. Caso mantida a autuação, requer que a multa seja reduzida ao patamar de 75%, ou, ao menos, a redução em relação aos valores exigidos com base no artigo 674 do RIR/99. Por meio do despacho de fls. 4.123 e 4.124, esta Turma Julgadora encaminhou o processo à unidade de origem, para que fosse franqueada ao contribuinte vista e extração de cópias do processo, reabrindose prazo para impugnar. Ciente do despacho em 01.03.2011, o sujeito passivo teve vistas do processo em 11.03.2011, solicitou cópias de parte dele e em 12.04.2011 apresentou impugnação complementar (fls. 4.131 a 4.137). Reitera todos os argumentos de fato e de direito expostos na impugnação anteriormente interposta, apresentando os seguintes argumentos adicionais. No que se refere ao lançamento decorrente de falta de pagamento ou pagamento a menor de IRRF incidente sobre as remessas constantes da tabela de fl. 3.957, o contribuinte afirma que o valor do imposto devido em agosto de 2005, de R$ 841.604,20, foi recolhido tempestivamente, conforme DARF que junta, no valor de R$ 840.108,99. Observa que, por um mero equívoco, o DARF foi recolhido no nome e CNPJ da Tim Nordeste Telecomunicações S/A, empresa pertencente ao grupo da impugnante e que acabou sendo por ela incorporada. Tais equívocos ocorrem eventualmente quando um mesmo departamento é responsável pela apuração e pagamento de tributos de empresas diferentes. O débito foi declarado em DCTF da Tim Nordeste e não no da impugnante. Além disso, o contrato de câmbio nº 05/01048 indica expressamente o recolhimento do IRRF no valor de R$ 840.108,99. Ademais, a remessa em questão ensejou a incidência da CIDE, devidamente recolhida pela impugnante, havendo apenas uma divergência em relação à taxa de câmbio utilizada para a apuração da base de cálculo. Fl. 5832DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 Afirma que a pequena diferença entre o valor indicado pela fiscalização e o constante do DARF decorre de diferença na taxa de câmbio adotada para apuração da base de cálculo, e tal diferença nas taxas de câmbio é o único motivo que justifica as demais exigências efetuadas neste item da autuação. Dessa forma, entende que deve ser excluído tal montante da exigência, ou, alternativamente, solicita a realização de diligência ou perícia para que seja realizada a necessária verificação. Quanto ao item relativo a pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, o contribuinte junta documentos adicionais, quais seja, telas do sistema SAP referentes às seguintes transações: Remessa para pagamento do fornecedor Tekelec, no valor de R$149.085,31, em 12.01.2006; Remessa para pagamento do fornecedor GSM Association, no valor de R$ 170.119,37, em 27.01.2006; Remessa para pagamento do fornecedor Datamax SPA, no valor de R$ 84.654,05, em 16.01.2006; Remessa para pagamento da empresa Mobistar S/A a título de roaming internacional, no valor de R$ 5.087,23, em 01.07.2006. Acredita que tais documentos identificam os beneficiários, o que implica no afastamento da aplicação do artigo 674 do RIR/99. Encerra requerendo que a autuação seja julgada improcedente. Na eventualidade da sua manutenção, requer a redução da multa para 75%. Quanto ao lançamento de IRRF no valor de R$ 841.108,99, requer, caso a turma julgadora não entenda suficiente o DARF e as DCTF acostadas para provar o pagamento do imposto, a realização de diligência para que a autoridade fiscal examine a escrituração contábil fiscal de ambas as empresas, para que possa concluir que o valor recolhido não era devido pela empresa incorporada. Apresenta os seguintes quesitos para a diligência ou para perícia: (i) queira o i. fiscal verificar através do contrato celebrado entre a Impugnante e a Atos Origin SPA se foi pactuado que a Impugnante efetuaria o pagamento de valores a título de serviços técnicos no ano de 2005; (ii) queira o i. fiscal confirmar se no ano de 2005 a Impugnante efetuou pagamentos dos valores pela prestação dos serviços à Atos Origin SPA, sujeitos ao IRRF e à CIDE; (iii) queira o i. fiscal confirmar se no mês de agosto de 2005 houve pagamento/remessa do montante de US$ 1.854.545,20, ensejando a incidência do IRRF e da CIDE; Fl. 5833DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 8 13 (iv) queira o i. fiscal confirmar se o valor da CIDE incidente nessa remessa foi recolhido pela Impugnante (embora ainda esteja sendo exigida da Impugnante diferença em função da taxa de câmbio adotada, de 2,416); (v) queira o i. fiscal informar se o valor do IRRF incidente nesta remessa, mediante a utilização da taxa de câmbio de 2,416, seria de R$ 840.108,99; (vi) queira o i. fiscal informar se o valor do IRRF foi recolhido através de DARF em nome da TIM Nordeste Telecomunicações; (vii) queira o i. fiscal responder todos os quesitos (i) a (iv) em relação à TIM Nordeste Telecomunicações S.A., ou seja, se esta possuía contrato com a Atos Origin SPA, se efetuou pagamentos pela prestação de serviços no ano de 2005 e se recolheu valores de IRRF e CIDE sobre estes pagamentos; (viii) queira o i. fiscal confirmar se o pagamento do IRRF referente ao mês de agosto de 2005, no valor de R$ 840.108,99, foi equivocadamente efetuado pela TIM Nordeste Telecomunicações S. A., sem qualquer contrato ou fatura que o suportasse. Protesta pela juntada posterior de documentos relevantes e pela apresentação de quesitos adicionais, e indica perito, caso a Turma entenda pela realização de tal procedimento. O processo foi então encaminhado à fiscalização por meio do Despacho nº 70/2011 (fls. 4.741 a 4.745) para realização da diligência requerida. São estes os termos do despacho: (...) No que se refere especificamente ao lançamento decorrente de falta de pagamento ou pagamento a menor de IRRF incidente sobre as remessas constantes da tabela de fl. 3.957, o contribuinte afirma que o imposto devido em agosto de 2005, de R$ 841.604,20, foi recolhido tempestivamente, conforme DARF que junta, no valor de R$ 840.108,99. Observa que, por um mero equívoco, o DARF foi recolhido no nome e CNPJ da Tim Nordeste Telecomunicações S/A, empresa pertencente ao grupo da impugnante e que acabou sendo por ela incorporada. Tais equívocos ocorrem eventualmente quando um mesmo departamento é responsável pela apuração e pagamento de tributos de empresas diferentes. O débito foi declarado em DCTF da Tim Nordeste e não no da impugnante. Além disso, o contrato de câmbio nº 05/01048 indica expressamente o recolhimento do IRRF no valor de R$ 840.108,99. Ademais, a remessa em questão ensejou a incidência da CIDE, devidamente recolhida pela impugnante, havendo apenas uma divergência em relação à taxa de câmbio utilizada para a apuração da base de cálculo. Fl. 5834DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 Afirma que a pequena diferença entre o valor indicado pela fiscalização e o constante do DARF decorre de diferença na taxa de câmbio adotada para apuração da base de cálculo, e tal diferença nas taxas de câmbio é o único motivo que justifica as demais exigências efetuadas neste item da autuação. Dessa forma, entende que deve ser excluído tal montante da exigência, ou, alternativamente, solicita a realização de diligência para que a autoridade fiscal examine a escrituração contábil fiscal de ambas as empresas, para que possa concluir que o valor recolhido não era devido pela empresa incorporada. Apresenta os seguintes quesitos para a diligência: Queira o i. fiscal i) verificar através do contrato celebrado entre a Impugnante e a Atos Origin SPA se foi pactuado que a Impugnante efetuaria o pagamento de valores a título de serviços técnicos no ano de 2005; ii) confirmar se no ano de 2005 a Impugnante efetuou pagamentos dos valores pela prestação dos serviços à Atos Origin SPA, sujeitos ao IRRF e à CIDE; iii) confirmar se no mês de agosto de 2005 houve pagamento/remessa do montante de US$ 1.854.545,20, ensejando a incidência do IRRF e da CIDE; iv) confirmar se o valor da CIDE incidente nessa remessa foi recolhido pela Impugnante (embora ainda esteja sendo exigida da Impugnante diferença em função da taxa de câmbio adotada, de 2,416); v) informar se o valor do IRRF incidente nesta remessa, mediante a utilização da taxa de câmbio de 2,416, seria de R$ 840.108,99; vi) informar se o valor do IRRF foi recolhido através de DARF em nome da TIM Nordeste Telecomunicações; vii) responder todos os quesitos (i) a (iv) em relação à TIM Nordeste Telecomunicações S.A., ou seja, se esta possuía contrato com a Atos Origin SPA, se efetuou pagamentos pela prestação de serviços no ano de 2005 e se recolheu valores de IRRF e CIDE sobre estes pagamentos; viii) confirmar se o pagamento do IRRF referente ao mês de agosto de 2005, no valor de R$ 840.108,99, foi equivocadamente efetuado pela TIM Nordeste Telecomunicações S. A., sem qualquer contrato ou fatura que o suportasse. Do que acima foi exposto, entendo que cabe a realização da diligência, na forma como requerida pelo contribuinte, pois há indícios de que o pagamento em questão foi realizado por equívoco no nome de outra pessoa jurídica do mesmo grupo, especialmente considerando a indicação, no contrato de câmbio, de recolhimento com valor idêntico ao DARF apresentado. Fl. 5835DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 9 15 Dessa forma, proponho o encaminhamento destes autos à Demac/SPO para realização da diligência requerida, com resposta aos quesitos formulados, verificando se, adicionalmente, se o pagamento não foi compensado ou restituído. (...) Às fls. 5.671 a 5.676 encontrase o Termo de Encerramento de Diligência. A Auditora Fiscal observa que ao longo da fiscalização intimou o contribuinte diversas vezes para apresentar o contrato de prestação de serviços técnicos celebrado com a Atos Origin SPA, e que deu origem à remessa ao exterior e ao pagamento de IRRF objeto da presente diligência, sem obter resposta. Tampouco obteve resposta às intimações efetuadas durante a diligência, limitandose o sujeito passivo a apresentar cópia do contrato de câmbio. Afirma que o pagamento pela prestação de serviços está comprovado no contrato de câmbio nº 05/010408 de 25.08.2005 (em que consta a informação de IR recolhido de R$ 840.108,99) e consta na contabilidade da autuada. Nos sistemas eletrônicos da RFB consta um único pagamento em nome da Tim Celular no código de receita 8741 (CIDE Remessas ao exterior – L 10332/01) para o período de apuração de agosto de 2005, no valor de R$ 233.077,26. Explica que a autuada efetuou pagamento de CIDE referente à remessa em questão, porém em valor incorreto, e que por isso foi autuada em outro processo. Confirma que, com a utilização da taxa de câmbio de 2,416, o valor do IRRF devido na remessa seria de R$ 840.108,99. Para a empresa Tim Nordeste Telecomunicações S/A (CNPJ nº 02.336.993/000100) foi localizado um pagamento com código 0422 (IRRF Royalties e assistência técnica) referente ao período de apuração 08/2005, efetuado em 25.08.2005. Continua a autuante afirmando que na contabilidade da Tim Nordeste encontrou apenas um pagamento à Atos Origin com data de 25.08.2005, no valor de R$ 1.521.246,76, com pagamento de IRRF no montante de R$ 231.343,21. Não foram encontrados pagamentos que correspondessem ao montante de US$ 1.854.542,20 em 25.08.2005. O pagamento de R$ 840.108,99 em 25.08.2005, a título de IRRF (código 0422), em nome da Tim Nordeste, foi localizado pela fiscalização. O pagamento de CIDE relativo a tal remessa não foi encontrado em nome daquela empresa. Conclui a autoridade diligenciante que é impossível confirmar se o pagamento do IRRF referente ao mês de agosto de 2005, no valor de R$ 840.108,99, foi equivocadamente efetuado pela Tim Nordeste, sem contrato ou fatura que o suportasse, uma vez que Fl. 5836DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 o contribuinte não apresentou o contrato celebrado com a Atos Origin, e também porque as informações contábeis da Tim Nordeste apresentadas eram precárias. Apesar de intimada e reintimada, a impugnante não apresentou o balancete analítico e o razão contábil das contas que compõem o grupo “Bancos” da incorporada Tim Nordeste do mês de agosto de 2005, apenas entregando um Livro Diário em formato “imagem TIF”, e não em PDF, como solicitado. Em 25.04.2012 este relator determinou que o contribuinte fosse intimado com a informação de que poderia apresentar manifestação acerca do resultado da diligência (fls. 5.681 e 5.682). Ciente em 23.08.2012 (fl. 5.696), a impugnante apresentou em 14.11.2012 a sua manifestação (fls. 5.699 a 5.701). Afirma que a análise conjunta dos itens (i) a (vii) respondidos pela fiscalização evidenciam, a despeito da conclusão esposada no item (viii), a existência de elementos suficientes de prova para determinar a exclusão do valor de R$ 840.108,99 da autuação. Chama a atenção para os seguintes pontos: O valor de US$ 1.854.545,20, remetido ao exterior, foi contabilizado nos seus livros; Os documentos da Tim Nordeste não apontaram qualquer pagamento que corresponda à remessa em questão; O único pagamento realizado pela Tim Nordeste à Atos Origin não corresponde ao fato gerador do IRRF objeto da autuação. Entende que a diligência demonstrou que a impugnante efetivamente praticou o fato gerador, contabilizou a remessa e recolheu PIS e COFINS, à exceção supostamente do IRRF e das diferenças de CIDE apontadas, e a Tim Nordeste recolheu o IRRF sem qualquer razão. Registra que a não apresentação do contrato que embasou a remessa não é circunstância determinante, pois o responsável pela retenção do imposto é a fonte pagadora, independentemente de haver contrato formal e escrito. Comprovado por meio de sua contabilidade e do contrato de câmbio que ela foi a fonte pagadora, e que a Tim Nordeste não praticou no mesmo período fato gerador de que decorresse obrigação de recolher o IRRF naquele valor, somente se pode concluir em favor da impugnante, pela exclusão do montante de R$ 840.108,99 da autuação. Entende que há prova suficiente do fato de defesa alegado, devendo ser prestigiado o princípio da razoabilidade dos atos administrativos. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 5837DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 10 17 Ano calendário: 2005, 2006 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. REMESSA AO EXTERIOR. O artigo 61 da Lei nº 8.981/95 aplica se às hipóteses em que são constatados pagamentos efetuados a beneficiário não identificado, não importando se pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no país ou no exterior. É dever do contribuinte manter em seu poder, para apresentação à autoridade fiscal, os contratos de câmbio relativos às remessas ao exterior, aptos a demonstrarem a natureza da operação e o beneficiário do pagamento. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF EM REMESSAS PARA O EXTERIOR. RECOLHIMENTO DE DARF EM NOME DE OUTRA EMPRESA DO GRUPO. Mantém se o lançamento no que diz respeito à apuração de falta ou insuficiência de recolhimento de IRRF em remessas para o exterior, por não ter demonstrado o contribuinte a regularidade dos recolhimentos, com exceção de remessa para a qual foi comprovado o recolhimento parcial equivocado em nome de terceiro, empresa do grupo, do IRRF devido pela autuada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005, 2006 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR ESCLARECIMENTOS E DOCUMENTOS. O agravamento da multa de ofício imputada pela falta de atendimento de intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos à autoridade fiscal competente aplica se na hipótese de esta falta dificultar a realização do procedimento fiscalizatório, exceto quando a legislação possui preceito próprio para tratar a falta de colaboração na apuração dos tributos e contribuições devidos.. Impugnação Procedente em Parte A autoridade julgadora entendeu por bem excluir o valor de R$ 840.108,99 do lançamento efetuado, referente ao período de apuração de 25/08/2005, bem como desagravar a multa de ofício relativa a infração relacionada a pagamentos a beneficiários não identificados, reduzindoa ao percentual de 75%. A autoridade de primeira instância recorreu de ofício. Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da inaplicabilidade do artigo 674 do RIR/99 às remessas ao exterior; Fl. 5838DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 18 Da redução da multa agravada de 112,5%; Da necessidade de adequação/retificação do acórdão recorrido ao contexto fáticodecisório, uma vez que o acórdão recorrido determinou que caberá ao recorrente solicitar a revisão do débito. É o relatório. Fl. 5839DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 11 19 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício e voluntários reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e devem, portanto, ser conhecidos por esta Turma de Julgamento. QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO A autoridade julgadora afastou do lançamento o valor de R$ 840.108,99, relativo a remessa realizada em 25/08/2005, bem como desagravou a multa no que toca as remessas relativas a beneficiários não identificados ou sem causa. Da exclusão de R$ 840.108,99 da base de cálculo da infração No que toca a exclusão do valor de R$ 840.108,99, a controvérsia gira em torna das provas disponíveis nos autos. Ao apreciar esse ponto assim se manifestou a autoridade recorrida: A impugnante, por sua vez, contesta especificamente apenas a remessa realizada em 25.08.2005 à Atos Origin (contrato de câmbio nº 05/01048), com valor de IRRF devido de R$ 841.604,20, alegando que o imposto foi recolhido tempestivamente, mas, por equívoco, no nome e CNPJ da Tim Nordeste Telecomunicações S/A, empresa pertencente ao mesmo grupo. Informa ainda que o débito foi declarado em DCTF da Tim Nordeste e não na sua declaração. Realizada diligência para constatar se o alegado de fato ocorreu, a autuante informa que o pagamento pela prestação de serviços consta na contabilidade da autuada e esta comprovado no contrato de câmbio nº 05/010408 de 25.08.2005 (fls. 4.259 a 4.261), que contém a informação de IR recolhido de R$ 840.108,99. Explica ainda que a autuada efetuou pagamento de CIDE referente à remessa em questão, porém em valor incorreto, e que por isso foi autuada em outro processo. Para a empresa Tim Nordeste Telecomunicações S/A (CNPJ nº 02.336.993/000100) foi localizado um pagamento com código 0422 (IRRF Royalties e assistência técnica) referente ao período de apuração 08/2005, efetuado em 25.08.2005, e na sua contabilidade foi encontrado apenas um pagamento à Atos Origin com data de 25.08.2005, no valor de R$ 1.521.246,76, com pagamento de IRRF no montante de R$ 231.343,21. Não foram encontrados pagamentos que correspondessem ao montante de US$ 1.854.542,20 (valor da remessa do contrato 05/010408 ) em 25.08.2005. Fl. 5840DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 20 O pagamento de R$ 840.108,99 em 25.08.2005, a título de IRRF (código 0422), em nome da Tim Nordeste, foi localizado pela fiscalização. O pagamento de CIDE relativo a tal remessa não foi encontrado em nome daquela empresa. Confirma que, com a utilização da taxa de câmbio de 2,416, o valor do IRRF devido na remessa seria de R$ 840.108,99. Apesar disso, concluiu que não é possível confirmar se o pagamento do IRRF referente ao mês de agosto de 2005, no valor de R$ 840.108,99, foi equivocadamente efetuado pela Tim Nordeste, uma vez que o contribuinte não apresentou o contrato celebrado com a Atos Origin, e também porque as informações contábeis da Tim Nordeste apresentadas eram precárias, já que não foi apresentado o balancete analítico e o razão contábil das contas que compõem o grupo “Bancos” do mês de agosto de 2005, apenas entregando um Livro Diário em formato “imagem TIF”, e não em PDF, como solicitado. Verifiquei (fls. 5.704 e 5.705) que o pagamento realizado pela Tim Nordeste encontrase alocado a débito de sua titularidade. O contribuinte afirma que a declaração do débito pela Tim Nordeste (fls. 4.772 e 4.773) também foi equivocada. Diferentemente da fiscalização, entendo, pelo que vai acima descrito, que houve a comprovação: da remessa efetuada pela autuada à Atos Origin, que deu causa à tributação em comento; de que a Tim Nordeste não efetuou remessa com as mesmas características; de que o pagamento efetuado pela Tim Nordeste diz respeito à remessa efetuada pela Tim Celular. O fato de não ter sido apresentado o contrato celebrado com a Atos Origin não impediu que a Auditora realizasse o lançamento com base no contrato de câmbio e na contabilidade do contribuinte, e por isso reputo tais elementos suficientes também para fazer prova a favor da empresa autuada Por outro lado, a não apresentação de balancete analítico e razão contábil das contas “bancos” da Tim Nordeste, ao meu ver, não tem o condão de tornar imprestável a contabilidade entregue e analisada pela Auditora, o Livro Diário, ainda que apresentado em “imagem TIF”. A utilização do pagamento de uma pessoa jurídica para abater valores lançados em face de uma outra apenas pode ocorrer em situações excepcionais, posto que o caminho normal é o pedido de restituição ou compensação por quem recolheu tributo indevidamente. Por isso, inclusive, é necessária a autorização expressa de quem pagou. Dadas as circunstâncias do caso em concreto, no entanto, em que a Tim Nordeste foi incorporada pela Maxitel em 30.06.2006 e esta pela Tim Celular em 31.12.2009 (fls. 5.706 a 5.710), acato o pedido da impugnante neste ponto, para excluir o valor de R$ 840.108,99 do lançamento efetuado, referente ao período de apuração 25.08.2005. Fl. 5841DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 12 21 Acompanho o arrazoado da autoridade julgadora. Assim como a mesma entendo que a luz dos elementos presentes nos autos estaria comprovado a causa do pagamento, e teria ocorrido efetivamente um erro de fato no preenchimento do DARF. Deste modo nesta parte, entendo que procedeu corretamente a autoridade de primeira instância. Do Desagravamento da Multa de Ofício em parte do Lançamento A autoridade recorrida reduziu a multa de ofício de 112,5% para 75% no que toca a infração relativa a falta de recolhimento do IRRF sobre pagamento a beneficiários não identificados. Segundo a autoridade recorrida: No caso dos autos, devemos fazer uma distinção entre a infração relacionada aos pagamentos a beneficiário não identificado e aquela referente à falta de pagamento ou pagamento a menor do IRRF. No primeiro caso, como a legislação possui preceito próprio para tratar a falta de colaboração na apuração dos tributos e contribuições devidos, não é cabível o agravamento da multa. Em outras palavras, a falta de esclarecimentos por parte do contribuinte foi a causa determinante do lançamento. Neste ponto acompanho o entendimento da autoridade julgadora, compartilho da convicção de que uma vez que o recorrente não esclareceu a causa ou o beneficiário do pagamento, já lhe foi imputado o lançamento nos termos mais rigorosos. Ante ao exposto nego provimento ao recurso de ofício. QUANTO AO RECURSO VOLUNTARIO Da inaplicabilidade do artigo 674 do RIR/99 às remessas ao exterior O contribuinte argumenta que o artigo 674 do RIR/99, que tem como base o artigo 61 da Lei nº 8.981/95, encontra se inserido no Capítulo 4 do RIR/99, que trata sobre “Rendimentos Diversos”, inserido no Título I (“Tributação na Fonte”) do Livro 3 (“Tributação na Fonte e sobre Operações Financeiras”), e apenas abrange os rendimentos auferidos no País, enquanto que é o Capítulo 5 que trata dos “Rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior”. Registrese que o Capítulo 5, ao tratar dos rendimentos de residentes no exterior, abrange tão somente os casos em que tanto o beneficiário dos rendimentos, como a causa do pagamento, são conhecidos. O artigo 61 da Lei nº 8.981/95, por sua vez, não faz distinção entre beneficiários residentes no país ou no exterior. A questão central que motivou o lançamento, e que deve ser aqui enfatizada, foi a não identificação dos beneficiários das remessas, igualmente não foi comprovada a causa dos pagamentos realizados pela contribuinte dando origem a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os pagamentos efetuados, considerados Fl. 5842DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 22 como pagamentos a terceiros, sem causa, nos termos do art. 674, do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, cuja matriz legal é o art. 61 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1o A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2o , do art. 74 da Lei no 8.383, de 1991. §2o Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3o O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O dispositivo acima transcrito prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte em três hipóteses distintas: (a) pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, quando a pessoa jurídica, regularmente intimada, não identifica a quem os recursos foram pagos; (b) pagamentos sem causa, quando a pessoa jurídica não comprova a efetividade da operação relacionada ao pagamento; (c) concessão de benefícios indiretos, na situação prevista no art. 74, §2o, da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Nas duas primeiras situações, deve o fisco comprovar a ocorrência do pagamento, uma vez que o fato gerador decorre justamente pela percepção desses valores pelos beneficiários, o que pode ser feito por meio dos registros na contabilidade da própria empresa. Na hipótese “c”, compete ao fisco provar os benefícios indiretos recebidos. Trata de tributação exclusiva na fonte, em que a pessoa jurídica que realizou o pagamento irregular é o sujeito passivo da obrigação tributária. No caso dos autos, os beneficiários do pagamento foram identificados, porém a contribuinte não consegui comprovar a efetividade da operação registrada que teria dado causa ao referido pagamento. Não há irregularidade no lançamento, de modo que correto é o procedimento empregado. As divergências de entendimentos, ainda que respeitáveis, decorrem de interpretações das normas que não consigo estruturar a partir das normas positivas postas.. Não vejo, no caso concreto qualquer impossibilidade a aplicação do artigo 674 do RIR/99 tal como entende o recorrente. Da Multa Agravada Diferente da infração relativa a beneficiários não identificados, a infração em que se apurou a falta ou insuficiência de pagamento do imposto, ficou detalhadamente demonstrado pela fiscalização, quando no termo de verificação fiscal lista as diversas intimações sobre os mesmos assuntos e sem que obtivesse respostas completas e satisfatórias, que o proceder da empresa fiscalizada prejudicou o transcorrer normal da fiscalização. Só para citar um exemplo, o contribuinte, apesar de reiteradamente intimado, não apresentou contratos comerciais que davam suporte às remessas para o exterior, chegando Fl. 5843DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 13 23 ao ponto de solicitar, em diligência, que a análise de um destes contratos fosse feita, porém mais uma vez se recusando a entregálo à fiscalização. Entendo que o sucessivos descumprimentos e a mora no atendimento a intimação por parte permite caracterizar a hipótese de agravamento da penalidade. O agravamento da multa referese à conduta do contribuinte durante a fiscalização, não importando a gravidade dos fatos que deram origem ao nascimento do crédito tributário. Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2. °, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. A jurisprudência deste Conselho quanto ao agravamento da multa por falta de atendimento as intimações fiscais é extremamente restritiva. Há que se provar nos autos que: i) o Fiscalizado, sabidamente, possuía os documentos solicitados pela Fiscalização; ii) tais documentos ou esclarecimentos eram absolutamente necessários apuração de irregularidades e/ou dos tributos devidos, importando em prejuízo para o lançamento; Ao meu ver, todas essas premissas existem no caso em questão. Citese nesse sentido o acórdão 10246.374 de 16/06/2004: MULTA AGRAVAMENTO Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.°, da lei n.° 9.430, de 1996, quando em procedimento de oficio o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus a Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Sobre o tema acórdão trataram também os seguinte acórdãos: 10422618 de 13/09/2007 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVAMENTO DE PENALIDADE FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio, quando a irregularidade apurada é decorrente de matéria questionada na referida intimação. 201 78413, de 18/05/2005 Ante ao exposto correto o agravamento do item 001 do auto de infração. Da necessidade de adequação/retificação do acórdão recorrido O recorrente entende que uma vez que o acórdão recorrido determinou que caberá ao recorrente solicitar a revisão do débito, deveria existir uma retificação do acórdão. Registrese, por pertinente, que não cabe a autoridade julgadora determinar se outro contribuinte, deverá ou não fazer alguma ato ou ação. Fl. 5844DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 24 O julgador deve se restringir aos fatos do lançamento. No caso concreto, o que interessa em termos práticos é que em função da analise de provas, restou convencida a autoridade julgadora da pertinência dos argumentos do recorrente. Parte do lançamento foi excluído, pela apreciação da provas, beneficiando a TIM CELULAR. A decisão não produz qualquer efeito para TIM Nordeste. O parágrafo questionado pelo recorrente na decisão da autoridade julgadora não tem qualquer efeito jurídico. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 5845DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 14 25 Declaração de Voto Em que pese a análise bem realizada pelo r. voto do Relator, peço licença para divergir. A contribuinte foi autuada, em parte, com base no art. 674 do RIR/99. Segundo o lançamento, a recorrente não teria comprovado a causa ou os beneficiários das remessas efetuadas por ela ao exterior. Fazse necessária a transcrição do dispositivo aplicado: Art. 674. Está sujeita à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Entendo que o caput do aludido dispositivo contém duas normas: i) uma de conduta; ii) outra de aplicação do próprio enunciado, esclarecendo sua condição residual nos casos de eventual conflito com outra regra específica de tributação. Noutros termos, a tipificação como pagamento sem causa não prevalece sempre que existir, para determinada situação, norma especial de tributação. No presente caso, tenho que há regra especial positivada no art. 682 do RIR/99, abaixo reproduzido: Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I – pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior; II – pelos residentes no País que estiverem ausentes no exterior por mais de doze meses, salvo os mencionados no art. 17; III – pela pessoa física proveniente do exterior, com visto temporário, nos termos do § 1º do art. 19; IV – pelos contribuintes que continuarem a perceber rendimentos produzidos no País, a partir da data em que for requerida a certidão, no caso previsto no art. 879. Fl. 5846DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO 26 É importante esclarecer que a própria Fiscalização, ao qualificar as condutas sujeitas à hipótese normativa tributária aplicada, descreveas como “Remessas ao Exterior”, como retrata o Termo de Verificação Fiscal (fls. 39343961 do eprocesso) : “A planilha apresentada pelo contribuinte (folhas 223/276), considerada em sua forma original com campos e colunas em branco, totalizou um montante de R$ 696.207.666,83 em 2.523 remessas para o Exterior efetuadas entre 01/07/2005 a 31/12/2006. Assim, procedeuse à seleção de amostragem pela qual se efetuou um corte de R$ 350.000,00. (...) 6.2 Remessas ao Exterior não comprovadas – pagamento sem causa ou beneficiário não identificado No processo de extração de informações dos arquivos magnéticos contendo os registros do contribuinte, foram localizadas remessas não declaradas na planilha entregue à fiscalização, as quais se encontram relacionadas na planilha “Demonstrativo da apuração do IRRF sobre remessas sem causa e a beneficiário não identificado – remessas não constantes na planilha entregue pelo contribuinte” – folhas 119 e seguintes do volume Anexo.” (fls. 3944, 3958 do eprocesso). Aliás, as remessas da planilha de fl. 3959 do eprocesso indicam a empresa norteamericana Tekelec como a beneficiária das duas maiores remessas nos valores de R$ 1.098.268,66 e R$ 2.077.414,33 efetuadas, respectivamente, em 27/07/05 e em 29/07/05 (fl. 3959 do eprocesso): Penso, ainda, que a Fiscalização poderia ter solicitado ao Bacen informações sobre os demais destinatários das operações, já que as remessas dependem de prévio registro no Banco Central e são por ele controladas, conforme disposto no art. 716 do RIR/99 : Art. 716. As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferência para o exterior a título de lucros, dividendos, juros e amortização, royalties, assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes deverão submeter aos órgãos competentes do Banco Central do Brasil e da Secretaria da Fl. 5847DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 16643.000083/201091 Acórdão n.º 2202002.751 S2C2T2 Fl. 15 27 Receita Federal e aos contratos documentados que forem considerados necessários para justificar a remessa. Parágrafo único. As remessas para o exterior dependem do registro da pessoa jurídica no Banco Central do Brasil e da prova do pagamento do imposto devido, se for o caso. Uma vez constado que os valores foram remetidos para o exterior a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, ou seja, com base no art. 682 do RIR/99. Assim, relativamente ao lançamento a título de pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa (art. 674 do RIR/99), entendo que o ato administrativo padece de capitulação legal e fundamentação válidas. Reconhecido o envio de numerário ao exterior, a situação não mais se subsume à hipótese de pagamento sem causa, norma geral, mas de remessa ao exterior, norma específica. Não se trata de mera formalidade acusatória, mas equívoco na edificação do fundamento jurídico e na constituição do próprio crédito tributário, pois a alíquota incidente sobre as remessas está limitada em 25%. Desta forma, havendo erro na tipificação e no enquadramento legal, quanto aos depósitos transcritos, estes devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte. Nesse sentido: IRPF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O erro na tipificação e no enquadramento legal da infração cometida pelo contribuinte, acarreta a nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes.2ª Câmara. Ac. 102 44.466. Rel. Conselheiro Valmir Sandri. Julg. 06/02/01). Nestes termos, voto pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso, nos termos acima consignados. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 5848DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/11/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10280.904432/2011-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 43 2/ 20 11 -1 5 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 13 2 Relatório. A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 14 3 contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904432/201115 Resolução nº 3803000.525 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13678.000065/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal - PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional - CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO COM A DIRF.
Mantém-se a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, identificada a partir de DIRF apresentada pela fonte pagadora.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal - PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional - CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO COM A DIRF. Mantém-se a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, identificada a partir de DIRF apresentada pela fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO COM A DIRF. Mantémse a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, identificada a partir de DIRF apresentada pela fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 00 65 /2 00 9- 81 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 89 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 30), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento acostada às fls. 10/15, relativa ao imposto de renda pessoa física (IRPF) exercício 2007, que lhe exige o crédito tributário no valor de R$ 13.162,69, assim discriminado: imposto suplementar (2904) R$ 6.709,50 multa de ofício R$ 5.032,12 juros de mora R$ 1.421,07 Total R$13.162,69 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 12/13, o lançamento decorreu da omissão de rendimentos no total de R$42.596,05 e da compensação indevida de imposto de renda no valor de R$1.463,76. Segundo a autoridade lançadora o contribuinte não declarou os rendimentos recebidos da empresa Companhia Cimento Portland Itaú, CNPJ 24.030.025/0001¬04, no valor de R$12.797,14, e declarou a menor R$29.798,91 do total de R$54.655,10 recebido da Votorantin Cimentos Ltda, CNPJ 01.637.895/000132. Ainda, compensou em sua declaração de ajuste anual o valor de R$4.869,87, ao invés de R$3.406,11, a título de imposto de renda retido pela Votorantim Cimentos Brasil S. A., CNPJ 96.824.594/000124. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 90 3 Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/08, onde aduz, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, pugna pela nulidade do lançamento sob o argumento de preterição do direito de defesa. Ressalta que foram feitas alterações em sua declaração de ajuste anual sem comprovação de onde foram extraídos os valores que ensejaram esse procedimento. Salienta que a Receita dispõe de dados obtidos por meio de Dirf Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte entregues pelas empresas que retiveram Imposto de Renda de seus empregados e/ou fornecedores. Esse documento, porém, por ser elaborado apenas pela empresa, é unilateral. Seus beneficiários desconhecem totalmente o valor declarado pela empresa. Qualquer equívoco por parte dela na informação prestada causalhes prejuízo e cerceia o direito deles contraditar tais valores. Diz que a Administração Pública é obrigada a propiciar ao contribuinte o direito à ampla defesa explicitando, de forma pormenorizada, os motivos do lançamento fiscal, o que não ocorreu, pois não há qualquer informação do fisco sobre a origem dos valores glosados e daqueles acrescentados na Notificação de Lançamento. No mérito, esclarece que a Companhia Cimento Portland Itaú CNPJ 24.030.025/000104, foi incorporada pela Votorantim Cimentos Ltda e, posteriormente seus ativos foram transferidos para a Votorantim Cimentos Brasil Ltda. Afirma que os serviços foram prestados, portanto, para uma única empresa, não tendo, as sucessões administrativas, alterado em nada a relação jurídica de tais prestações. Aduz que a maioria dos Recibos de Pagamentos a Autônomos foram emitidos em nome da Companhia Cimento Portland Itaú e os comprovantes de rendimentos fornecidos somente pelas empresas Votorantim Cimentos Ltda e Votorantim Cimentos Brasil Ltda., já que a Companhia Cimento Portland Itaú foi incorporada por estas duas primeiras. Assim, não há qualquer vínculo com a empresa incorporada. Elabora demonstrativo (fl.4) dos valores de rendimentos efetivamente recebidos mensalmente e do imposto retido, totalizando o montante de R$66.415,00 e R$9.294,06, respectivamente. Esclarece que " inicialmente a empresa é quem fazia os próprios cálculos do Imposto de Renda Retido, porém, a partir de abril de 2006 exigiu que os RPA's apresentassem individualmente o valor do IRRF a ser retido do valor do pagamento'" e informa a juntada dos Recibos de Pagamento a Autônomo, com os quais pretende comprovar os rendimentos de fato recebidos. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 91 4 Ressalta que o valor de imposto informado pela fonte pagadora está equivocado pois, conforme seus cálculos mensais, a retenção teria que ser maior que o declarado pela empresa e, mesmo de posse dessa informação, utilizouse da compensação de tão somente R$4.869,87, conforme declarado. Insurgese contra a aplicação da multa no importe de 75%, considerandoa um verdadeiro confisco tributário e alegando que o Código Tributário não estabelece o seu percentual. Assim, a lei ordinária que o determina não tem eficácia jurídica por flagrante violação à Lei Complementar n° 95/98, que disciplina sobre a feitura de lei. Requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito. Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. IMPOSTO DE RENDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Somente o imposto comprovadamente pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto devido apurado, com vistas a determinar o imposto suplementar a pagar ou a ser restituído na declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. Cientificado em 08/08/2011 (Fls. 37), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/08/2011 (fls. 38 a 48), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Em 19 de novembro de 2013, (Fls. 52) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência no sentido do retorno dos autos à DRFB de origem, para que a autoridade preparadora juntasse aos autos a DIRF e as provas acerca dos objetos do lançamento. Em 21/02/2014, (fls.58) o SACAT da DRF de DIVINÓPOLIS/MG exarou o seguinte DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 92 5 Considerando que o solicitado na Resolução do CARF de fls.52/56 , diz respeito a juntada nos autos de prova da omissão de rendimentos e da origem das diferenças de IRRF, ou seja, provas acerca dos objetos do lançamento, encaminho à SAFIS para providências e posterior remessa à ARF/Passos para ciência ao interessado. Em resposta a DRF de DIVINÓPOLIS/MG juntou às Fls.59 a 80 os seguintes documentos: Termo de Intimação Fiscal para a Votorantin Cimentos do Brasil S/A; AR com data de recebimento 06/01/2009; Extrato da tela do sistema de consulta de situação do CNPJ da Votorantin Cimentos do Brasil S/A; Dados do processamento da Declaração Retificadora do Sr. Antonio Mariosa Martins; Declaração de Ajuste Anual – 2007 do Sr. Antonio Mariosa Martins; Resumo da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, ano calendário 2006; Declarante: Votorantin Cimentos do Brasil S/A; Beneficiário: Sr. Antonio Mariosa Martins; Ofício resposta da Votorantin Cimentos do Brasil S/A; O Termo de Intimação da Votorantin Cimentos do Brasil S/A, solicitando: 1 – Apresentar comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, referente ao ano calendário de 2006, emitidos pelas empresas relacionadas abaixo, do contribuinte Antônio Mariosa Martins, CPF 306.404.90620; 2 – Confirmar os valores informados nas DIRF/2007 apresentadas pelas empresas abaixo ou encaminhar recibo de entrega de DIRF retificadora das mesmas, se for o caso: 01.637.985/000132 – Votorantin Cimentos Ltda; 24.030.025/000104n Cia de Cimento Portland Itaú; 96.824.594/000124 – Votorantin Cimentos do Brasil Ltda. Às Fls. 71 e 72, Recibo de Entrega de DIRF 2007 com exercício 2006 e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, exercício 2006 da Cia de Cimento Portland Itaú em relação ao Beneficiário Antonio Mariosa Martins; Às Fls.73 e 74 Recibo de Entrega de DIRF 2008 com exercício 2007 e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, exercício 2007, da Votorantin Cimentos Ltda em relação ao Beneficiário Antonio Mariosa Martins; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 93 6 Às Fls.75 e 76 Recibo de Entrega de DIRF 2009 com exercício 2007 e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, exercício 2007, da Votorantin Cimentos do Brasil Ltda em relação ao Beneficiário Antonio Mariosa Martins; Procuração da Votorantin indicando os prepostos. Em 25/03/2014 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis/MG, expediu o Termo de Intimação Fiscal para o Recorrente, com o seguinte conteúdo: Fica Vossa Senhoria ciente de que, em atendimento ao determinado pela Resolução n° 2801000.272 1a Turma Especial do CARF, foram juntados ao processo supra mencionado os seguintes documentos: Termo de Intimação Fiscal; AR; Declaração de Ajuste Anual (DIRPF 2007); Extrato das DIRF; Resposta à intimação apresentada pela fonte pagadora; Recibos de entrega das DIRF e comprovantes de Rendimentos. Cópia da Resolução n° 2801000.272 e dos documentos acima estão sendo enviados a Vossa Senhoria, em anexo, para que, querendo, apresente suas considerações, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento deste termo. Em resposta a Intimação o Recorrente anexou Impugnação, alegando em síntese: (...) Todos os valores recebidos a título de serviços prestados na modalidade de autônomo, foram efetivados através dos Recibos de Pagamentos à Autônomos RPA's juntados com a defesa. É estranho, para o signatário/contribuinte fiscalizado, que há declarações de rendimentos pagos pela então COMPANHIA CIMENTO PORTLAND ITAÚ, pois esta, fora incorporada pela Votorantim Cimentos Brasil Ltda. Aliás, E. Julgadores, os valores declarados pelo contribuinte foram extraídos dos RPA's emitidos mensalmente. A Declaração de Rendimento juntadas nos autos não foram encaminhadas ao signatário por ocasião da declaração de ajuste anual, o que causou o transtorno e as divergências ora questionadas. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 94 7 Assim sendo, reitera os termos da defesa, requerendo que se verifique o real valor declarados nos RPA's e, por conseqüência declarados na Declaração de ajuste anual do exercício de 2007. Caso V.Sas, não compartilhe do entendimento retro, que seja, pelo menos excluído os valores das multas aplicadas, tendo em vista a boa fé do contribuinte signatário e a omissão da fonte pagadora em enviar as Declarações de Rendimentos na época oportuna. Finalizada a diligência, o processo voltou a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Trata o lançamento de glosa de compensação de IRRF e de omissão de rendimentos. Quanto a omissão de rendimentos, o contribuinte apenas afirma que não declarou tais rendimentos em razão de não os ter recebido e afirma não haver provas destes supostos pagamentos. Já em seu recurso, o contribuinte combate o lançamento com a argumentação de nulidade da autuação em virtude de cerceamento ao seu direito de defesa, em razão de não apresentação da prova do ilícito cometido. Preliminarmente, da análise dos autos, depreendese que não assiste razão ao recorrente na pretendida nulidade do auto de infração, em razão em razão de não ter sido apresentado a prova do ilícito. O auto de infração em questão se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas posteriormente. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em ofensa ao princípio da verdade material face à motivação posta na autuação, nem tampouco em desrespeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, após a realização de diligências, foi apurado que a fiscalização providenciou junto as fontes pagadoras todas as informações e documentos que comprovavam os pagamentos que lastrearam o lançamento. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 95 8 Percebo ainda que todos os dados e documentos que lastrearam o auto de infração estão contidos no bojo dos autos e que o contribuinte foi informado da realização das diligências; sendo, inclusive, intimado para se pronunciar sobre as mesmas. Assim, o recorrente teve acesso total aos autos em comento, podendo, inclusive, solicitar cópia integral do mesmo. Portanto, entendo que ao contribuinte foi disponibilizado toda a documentação referente ao auto de infração, e que não houve cerceamento ao seu direito de defesa. Em razão do acima elencado, rejeito a preliminar argüida. Quanto ao mérito, o recorrente afirma que não declarou tais rendimentos em razão de não os ter recebido, que não há provas destes supostos pagamentos e que deve prevalecer os valores constantes em seus Recibos de Pagamentos à Autônomos. Neste ponto, cabe relembrar que, após a realização de diligências, foi apurado que a fiscalização providenciou junto as fontes pagadoras todas as informações e documentos que comprovavam os pagamentos que lastrearam o lançamento. Assim, não há como se acatar a argumentação de inexistência de provas dos pagamentos. Ademais, como bem exposto no acórdão da DRJ, as fontes pagadoras, após regular intimação, confirmaram os pagamentos e apresentaram documentação não desqualificada pelo Recorrente; in verbis: “Quanto à alegação de que a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf é documento produzido apenas pela empresa, portanto unilateral, frisese que o Impugnante não trouxe aos autos elementos que ponham em dúvida a veracidade da informação fiscal, lastreada nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf entregues e confirmadas pelas empresas à Receita Federal. Portanto, entendese que o lançamento amparouse em documentação hábil, não desqualificada pelo impugnante. Acerca dos rendimentos alegados como efetivamente recebidos num total de R$66.415,00, com imposto retido de R$R$9.294,06, o Impugnante também não carreou aos autos documentos que comprovassem a veracidade de sua alegação, em que pese ter mencionado a juntada de recibos à peça impugnatória. Em contrapartida, conforme já registrado, as fontes pagadoras, após a entrega das referidas Dirf, foram intimadas e confirmaram os valores declarados. Nesse contexto, ainda que não concorde com a exigência fiscal, o Impugnante não apresentou elementos que desconstituam o lançamento e é sabido que a resolução da lide está lastreada na força probatória dos elementos acostados aos autos aptos a comprovar os argumentos aduzidos pela defesa.” (pág. 33 dos autos) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 96 9 Embora alertado pela DRJ da existência de provas dos pagamentos, o contribuinte não apresentou qualquer outro tipo de prova; limitandose a repetir as mesmas alegações de sua impugnação. Compulsando os autos, verifico que as observações proferidas pela DRJ em seu acórdão são absolutamente pertinentes e refletem a realidade dos fatos. Assim, não há como acatar as alegações do recorrente. Em relação ao pedido de não aplicação da multa de ofício, não há como ser acatado, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu a omissão de rendimentos e a glosa de compensação de IRRF, que carreou na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, confirmada a omissão de rendimentos e a glosa, é cabível a aplicação da multa de ofício. Já o argumento de inconstitucionalidade da multa aplicada em razão da sua natureza confiscatória não pode ser analisado por este Conselheiro, em razão da Súmula CARF n 2, de aplicação obrigatória; in verbis: SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo apenas estes os argumentos do recorrente para afastar a aplicação da multa do lançamento, é dever manter sua aplicação. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13678.000065/200981 Acórdão n.º 2801003.828 S2TE01 Fl. 97 10 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13706.004709/2002-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
IRPF. IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. MANUTENÇÃO.
Está correta a glosa do valor declarado a título de imposto complementar (cód. 0246) quando não há prova de que o recolhimento declarado tenha sido efetuado.
Numero da decisão: 2102-002.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. MANUTENÇÃO. Está correta a glosa do valor declarado a título de imposto complementar (cód. 0246) quando não há prova de que o recolhimento declarado tenha sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 47 09 /2 00 2- 59 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, relativo ao anocalendário 1999, para formalização do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$7.662,06 (sete mil, seiscentos e sessenta e dois reais e seis centavos). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal através do lançamento foram alteradas as seguintes linhas de sua declaração: * rend./recebidos de pessoas jurídicas para R$ 83.808,32; * imposto de renda retido na fonte para R$ 12.122,63; * imposto complementar para R$ 0,00. Inconformada, a contribuinte ingressou com a Impugnação de f1. 03, alegando, em síntese, que: a) a cobrança não procede uma vez que o imposto reclamado pela Secretaria da Receita Federal encontrase pago desde 27/04/2000 (cópia do documento à fl.07); b) a "omissão de rendimentos" apontada no auto de infração não existe já que a declaração original incluiu tal rendimento como tributável; c) encontrase em andamento na Delegacia da Receita Federal o processo de n° 13706.001458/200251, datado de 01/04/2002, por intermédio do qual a contribuinte solicita reembolso dos impostos sobre a renda já recolhidos, de acordo com os benefícios estatuídos pela Lei n° 8.541, art. 47, de 23/12/1992. Ao apreciar as razões de Impugnação, os integrantes da 2ª Turma da DRJ/RJOII, consideraram como não impugnada a dedução indevida a título de imposto complementar. Quanto ao mérito, o lançamento fiscal foi julgado procedente em parte, reconhecendose o direito da contribuinte à isenção do imposto sobre os proventos de pensão auferidos a partir de agosto de 1998, na forma do disposto pelo artigo 39, inciso XXXI, e §§ 5° e 6°, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 e Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10/1996, sendo refeitos os dados da declaração de ajuste anual/2000 da contribuinte da seguinte forma: APURAÇÃO E CÁLCULO VALORES EM REAIS Rendimentos Tributáveis 64.985,82 Deduções 10.906,59 Base de Cálculo 54.079,23 Imposto 10.551,78 Imposto Retido na Fonte 12.122,63 Imposto a Restituir 1.570,85 A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário às fls. 165/169, por meio do qual alegou, em suma: a) que, no mesmo dia em que efetuou o pagamento do IRPF que lhe fora exigido e cujo lançamento fora cancelado pelo acórdão recorrido, a contribuinte remeteu à RFB Fl. 174DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13706.004709/200259 Acórdão n.º 2102002.937 S2C1T2 Fl. 66 3 declaração retificadora do IRPF, informando a isenção do IRPF sobre proventos de pensão auferidos e que por esta razão não são passíveis de tributação; b) que, apesar ter sido julgado parcialmente procedente a impugnação apresentada, restou omitido ponto acerca do pagamento feito a maior e indevidamente pela contribuinte, no valor de R$3.605,34 (três mil, seiscentos e cinco reais e trinta e quatro centavos), tendo o acórdão recorrido somente noticiado a existência do pagamento, afirmando, porém, que o mesmo não havia sido localizado no sistema da RFB; e c) que deveria ser reconhecido o seu direito à restituição do valor pago a maior e indevidamente pela contribuinte, no valor de R$3.605,34 (três mil, seiscentos e cinco reais e trinta e quatro centavos), conforme comprovante de fls. 7. Os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 14.09.2009, como atesta o AR de fls. 56. O Recurso Voluntário foi interposto em 14.10.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo em que se discute lançamento para exigência do IRPF em razão de alegada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (os quais haviam sido considerados isentos pela Recorrente) e ainda da glosa de imposto complementar declarado. O direito da Recorrente à isenção sobre os rendimentos tidos como omitidos neste lançamento já foi reconhecido pela decisão recorrida – implicando na alteração do resultado de sua declaração de ajuste (de imposto a pagar para imposto a restituir), sendo certo que a matéria que ela pretende submeter a este Conselho diz respeito somente ao pedido de restituição do valor de R$ 3.605,34, declarado como “imposto complementar”. Sua pretensão, porém, não merece acolhida, por dois motivos. Primeiramente, devese esclarecer que o imposto complementar (cod. 0246) é aquele recolhido ao longo do ano (até 31 de dezembro) a título de antecipação do imposto devido. O imposto recolhido pela Recorrente através do DARF de fls. 07 não é imposto complementar, mas sim pagamento do saldo devido no Ajuste Anual (cod. 0211). Assim, está correto o entendimento de que não foi localizado no sistema da RFB qualquer pagamento de imposto complementar no valor informado pela Recorrente, devendo ser mantida a glosa em questão. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Além disso, há que se ressaltar que o pedido de restituição do valor pago por ela a título de imposto apurado após o ajuste é objeto do processo nº 13706.001458/200251, como se depreende da leitura do despacho de fls. 66 – proferido naqueles autos: Em vista do exposto, tanto o pedido de restituição do IRPF referente aos Exercícios de 2000 e 2001 quanto da COTA única do IRPF/2000 (cod.0211) no valor originário de R$ 3.605,34, paga conforme DARF de f1.25 (cópia) e confirmada pelo extrato de fls.57/58, ficarão pendentes de apreciação por esta repartição até que transite administrativamente em julgado as impugnações interpostas. Como se vê, o direito ou não da Recorrente à restituição pretendida já está sendo discutido naqueles autos, não sendo este o âmbito correto para sua análise. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 176DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 30/07/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720125/2007-32
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 01 25 /2 00 7- 32 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 144 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/04, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2005, relativo ao imóvel denominado " Engenho Cruzinha Setor 4 ", localizado' no município de Itaquitinga PE, com área total de 1.302,7 ha, cadastrado na RFB sob o n° 0:124.9185, no valor de R$ 41.108,39 (quarenta e um mil cento e oito reais e trinta e nove centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30111/2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 83.844,66 (oitenta e três mil oitocentos e quarenta e quatro reais e sessenta e seis centavos). 2. O contribuinte foi intimado a apresentar, entre outros; documentos, "Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA", Termo de Intimação Fiscal — TIF no 04101100024/2007, fls. 09/10, Aviso de Recebimento — AR datado de 30/07/2007, fl. 11. 3. Em resposta ao TIF acima referido o intimado requereu dilação do prazo em mais vinte dias, no que foi atendido conforme fl. 12. I 4. Atendendo ao TIF o Intimado apresentou "Laudo de Avaliação de Imóvel Rural", fls. 16/37, "Laudo de Vistoria Referente ao Engenho Cruzinha, Componente das Terras da Usina São José", fls. 38154 e "Laudo de Vistoria Técnica Realizada em Áreas do Engenho Cruzinha da Usina São José", fls. 68169. 5. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2004 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 03, a fiscalização glosou toda a área declarada como de preservação permanente. 6. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 29/1112007, conforme cópia do Aviso de Recebimento — AR, fl. 57. 7. Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou impugnação de fls. 61/64, em 3111212007, fl. 61, alegando em síntese: 1 — a manifesta intempestividade da lavratura do Auto ora questionado, decorrente da conclusão da auditoria fiscal dessa Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 145 3 DRF relativamente à comprovação atendida, dentro do regular prazo concedido, através de Laudo de Avaliação do imóvel rural acima referido, cadastrado sob o NIRF 0.124.9185, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal; II — não há, por parte desta empresa, um específico procedimento para determinar, ano a ano, qual seja o valor que deva ser atribuído à terra nua de suas propriedades agrícolas. O que ocorre, sistematicamente, é um rigoroso controle quanto ao uso e a ocupação das terras agricultáveis; a preservação e a manutenção das áreas obrigadas pela cobertura florística do Bioma Mata Atlântica e das demais áreas de preservação obrigatória por imposição de Lei; a manutenção das benfeitorias necessárias ao desenvolvimento da atividade inerente à empresa; III —faz, sempre que necessário, uma prévia avaliação, a preços de mercado local, para um conhecimento do VALOR TOTAL DOS IMÓVEIS (sic), . objetivando a correta elaboração das respectivas Declarações do ITR; IV — faz guarda dessas avaliações procedidas. Tanto é fato que foram estas que serviram para atender ao Termo de Intimação Fiscal inicialmente enviado por essa DRF, o qual após análise foi considerado insuficiente à comprovação do VTNdeste imóvel; V — Foi apresentado Laudo de Vistoria caracterizando a tipologia das matas preservadas cora o enquadramento que as remete ao tipo de área isenta da incidência tributária do ITR; VI — Causa estranheza e inconformismo nesta empresa impugnaste a decisão que tornou a auditoria dessa SRF ao concluir que não houve comprovação, por meio do Laudo de Avaliação apresentado, do valor da terra nua 'declarado na respectiva Declaração do ITR, para o exercício de 2004. Maior estranheza, ainda, ocorre ao ser verificado que da mesma decisão fica consignado não ter havido a comprovação da isenção da área declarada a título de preservação permanente; VII — faltou ser observado (..) que a legislação tributária vigente,!, em especial a Lei na 9.393, (..) disciplina no inciso I do § 1 ° do Art. 10_ o Valor Terra Nua —VTN para os eitos de apuração do ITR, corresponde ao valor do imóvel EXCLUÍDOS os valores relativos às construções, instalações e benfeitorias; às culturas permanentes e temporárias. Às pastagens cultivadas e melhoradas e às florestas plantadas (sic); VIII — Faltou considerar também que esse disciplinamento e os valores depurados e demonstrados no Laudo apresentado contemplam, a preços de mercado, os valores aplicáveis às benfeitorias reprodutivas e não reprodutivas incorporadas ao imóvel avaliado, demonstrando, ao final, o valor do imóvel que correspondeu para o exercício requerido. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 146 4 IX — conforme se depreende do Art. 1' do mencionado Decreto n° 750, foi disciplinada a proibição de corte, exploração e supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 94/100, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele acórdão em 15/04/2011 (fl. 103), a Contribuinte, representada por seu advogado (fl. 131) interpôs recurso voluntário de fls. 122/129, em 17/05/2011, no qual, em síntese, argumenta ser desnecessário o ADA, que é ato unilateral do contribuinte, eis que, no caso presente, está comprovada a existência da área de preservação permanente em que se preserva e protege a flora e as florestas. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese ao inconformismo do Recorrente em relação à glosa da área de preservação permanente de 521,2 ha. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 147 5 No que tange à exclusão da área de preservação permanente da incidência do ITR, há que se esclarecer que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. Entretanto, como a lei não fixou prazo para a apresentação do documento, muitos passaram a defender não ser possível se admitir que isso fosse feito por atos infralegais. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Veja se, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 148 6 Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Ou seja, o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, consoante entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA ou da comunicação da existência das áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. No exame do caso concreto, se faz necessário investigar se a Contribuinte, até o início do procedimento fiscal – 30/07/2007 (fl. 15), já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência da área de preservação permanente e se existe a comprovação de sua existência. Em que pese a Contribuinte atender uma das exigências para que estas áreas sejam dedutíveis da área tributável que é a de efetivamente existirem, conforme afirmou a decisão recorrida, não se verifica nos autos a apresentação do ADA ou da comunicação da existência das áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental. Desta forma, não há como reconhecer a isenção da vindicada área de preservação permanente.. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10480.720125/200732 Acórdão n.º 2801003.789 S2TE01 Fl. 149 7 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13971.005411/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2010
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa.
Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa. Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 54 11 /2 01 0- 36 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005411/201036 Acórdão n.º 2402004.381 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 10/2005 a 06/2010. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 27/54), a empresa deixou de informar em GFIP os valores de remuneração pagos aos segurados empregados. Também informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são oriundos das remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços às pessoas jurídicas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Isso porque, em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas referidas empresas, todas optantes pelo SIMPLES, constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, que foram instituídas com o propósito de abrigar a mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes desta. Dessa forma, a autuada deixou de recolher a contribuição previdenciária patronal devida, incidente sobre a remuneração dos segurados, pois 95% dos empregados foram registrados nos CNPJ das empresas vinculadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/12/2010 (fls. 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. a fiscalização, na tentativa de vincular a impugnante às empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, inscrita no SIMPLES, se se apegou a algumas questões, valendose de parcas provas, sem se atentar à realidade das operações de natureza têxtil, onde é muito comum a abertura de empresas por antigos empregados, para regularmente atender aos antigos patrões, algumas vezes com caráter de exclusividade e outras não. Os depoimentos colhidos pela fiscalização não se prestam ao fim pretendido, pois são fruto de perguntas direcionadas e tendenciosas, tudo com o objetivo de montar uma realidade inexistente de fato; 2. ela mantém contratos de prestação de serviços com as empresas Patrick Malhas e Novatextil, a teor de tais instrumentos a contratada é responsável por todos os encargos trabalhistas, previdenciários e sociais, relativos aos empregados utilizados na execução dos serviços objeto deste contrato, tampouco estabelecem qualquer vínculo empregatício em relação ao pessoal que a contratada empregar para execução dos serviços ora contratados; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. quanto às alegadas transferências de empregados de uma empresa para outra, afirma que as mesmas se deram conforme as conveniências de cada uma das empresas envolvidas, sendo que a ausência de pagamento das verbas rescisórias decorre, única e tão somente, da relação de confiança instalada entre elas, no sentido de que os trabalhadores não terão os seus direitos preteridos. O fato de a contabilidade de todas as empresas ser de responsabilidade do Sr. Raul de Oliveira é irrelevante, pois é dado aos profissionais desta área atender a vários clientes simultaneamente; é perfeitamente possível que a sociedade outorgue procuração para que um estranho ao quadro societário a represente; 4. no tocante as despesas, pretensamente suportadas pela impugnante, cumpre dizer que, além de não comprovadas as referidas alegações, ainda que esta situação fosse verdade, isto seria facilmente explicável, vez que as terceiras empresas, por conta das industrializações procedidas, têm créditos contra a impugnante, que poderiam ser parcialmente compensados com estas despesas; 5. no tocante ao maquinário, aduz é muito normal à cessão de uso, a título gratuito, por empresas que encomendam industrialização de terceiros, para que estes o operem; em muitos casos há máquinas "encalhadas" de um lado e pessoas interessadas em utilizálas de outro, havendo empréstimos apenas por questões de amizade ou relações comerciais; tanto isto é verdade que a Patrick Malhas, por ex., recebeu em comodato máquinas da empresa Erdeck Comércio e Representações; além disso, consoante documentos anexos 6, comprovam que as referidas empresas também o adquirem, em seu nome, máquinas e equipamentos, o que obviamente desqualifica a pretendida vinculação patrimonial; 6. no ramo de confecções é comum a montagem apenas de um setor administrativo, para conduzir a industrialização procedida por terceiras empresas. O que vale, em tais negócios, é o knowhow dessas pessoas; o envio de insumos, para terceiros os transformarem em produtos acabados é uma atividade tipicamente industrial e licita, não havendo motivos para lhe aplica a pecha de fraude; ao contrário do alega a fiscalização não há em ordem de serviços, mas, sim, “direito a exigir eficiência e qualidade na fabricação dos produtos”; 7. inexiste prova material de pessoalidade, nãoeventualidade, subordinação e nem de onerosidade entre a impugnante e os funcionários/sócios das terceiras empresas, não havendo, ao contrário do que pretende a fiscalização, como se falar em relação de emprego; 8. no que tange ao levantamento das contribuições incidentes sobre os supostos valores pagos por fora da folha de pagamento cumpre registrar que, diante da falta da lavratura do termo de apreensão dos recibos que serviram de base para a fiscalização, não foram respeitadas as formalidades inerentes ao processo previstas no art. 9º, do Decreto 70.235/1972, logo, os referidos documentos não podem ser convalidados e conseqüentemente, o levantamento padece do vício de nulidade; nos termos da teoria dos frutos podres, toda e qualquer Fl. 528DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005411/201036 Acórdão n.º 2402004.381 S2C4T2 Fl. 4 5 pretensa evidência, colhida de uma prova inválida, também deve ser tida por improcedente; 9. na base de cálculo das contribuições em análise foram incluídas diversas verbas indevidas, tais como: auxiliadoença, salário maternidade, terço constitucional de férias, férias indenizadas, aviso prévio indenizado, 13 ° salário auxilio creche e adicionais noturno, de insalubridade, de periculosidade e de horasextras, devendo eles ser excluídos, mas como não é possível proceder de tal forma, forçosamente se conclui pela incerteza e iliquidez do débito reclamado, impondo como medida de justiça o seu cancelamento por completo. Caso não se repute totalmente nulas as notificações fiscais, então deverão ser excluídos os valores acima mencionados, mediante a formalização das diligências necessárias e reabertura de prazo para defesa; 10. o agente fiscal cometeu um grande equivoco ao fundir as duas espécies de penalidade aplica (multa isolada + multa de oficio), mediante aplicação retroativa da Lei 11.941/2009. Enquanto a multa em tese cabível neste auto de infração decorre do não recolhimento de tributo, o ilustre fiscal alterou a natureza da penalidade, tratando da multa isolada e da multa de oficio como se fossem uma única coisa, o que não subsiste, frente às regras vigentes ao tempo dos fatos geradores; assim, na remota hipótese de se entender pela subsistência de alguma das penalidades, deve ser aplicada ao caso em concreto as disposições contidas no art. 35, da Lei 8.212/1991, que como se sabe tem sua multa iniciada em 12%, progressiva no tempo, podendo chegar a até 100%; 11. o pressuposto para a aplicação da multa de oficio majorada, tanto na redação original do art. 44, da Lei 9.430/1996, como na redação atual, dada pela Lei 11.488/2007, é que esteja configurada ao menos uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, todos da Lei 4.502/1964; da leitura dos referidos dispositivos se colhe que todas as condutas neles descritas somente podem ser consideradas como efetivamente ocorridas nos casos em que se observe ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte, no intuito de encobrir o surgimento da obrigação tributária. Imprescindível, portanto, a prova da prática dolosa dos crimes de sonegação, fraude e/ou conluio, eis que o dolo é elemento ínsito a essas condutas, sendo certo que o dolo não se presume, se prova, o que não ocorreu no caso em comento, inconcebível, portanto a sua aplicação; 12. afirma que as contribuições apuradas na competência 11/2005 e anteriores restam fulminadas pelo instituto da decadência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0731.844 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 470/483) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005411/201036 Acórdão n.º 2402004.381 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 11/2005, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, constatase que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei 8.212/1991. Entretanto, a decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, §4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Assim – como a autuação se deu em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo (fl. 02), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 10/2005 a 06/2010, percebese que as competências posteriores a 12/2004 não foram atingidas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005411/201036 Acórdão n.º 2402004.381 S2C4T2 Fl. 6 9 Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 10/2005 a 06/2010 e as competências posteriores a 12/2004 não estão abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, rejeito a alegação de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame das demais questões. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos quadros demonstrativos, bem como nos processos: 13971.005406/2010 23 e 13971.005408/201012. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Fl. 533DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 534DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005411/201036 Acórdão n.º 2402004.381 S2C4T2 Fl. 7 11 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Assim, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos autos dos processos 13971.005406/201023 e 13971.005408/201012. Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação à constatação da fraude ou simulação objetiva na relação obrigacional tributária –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise do processo da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) O processo 13971.005406/201023 assentou em sua ementa os seguintes termos: Fl. 535DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 “[...] CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa. Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizando se dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interpostas pessoas jurídicas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. [...]” Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, Fl. 536DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005411/201036 Acórdão n.º 2402004.381 S2C4T2 Fl. 8 13 frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 537DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/19961, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no 1 Lei 9.430/1996. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005411/201036 Acórdão n.º 2402004.381 S2C4T2 Fl. 9 15 que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 432 da mesma lei. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. 2 Lei 9.430/1996. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.906463/2012-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/07/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 22/07/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/07/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 63 /2 01 2- 31 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.911, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 35952.79227.180612.1.2.048232, rastreamento nº 041907917, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.999,22, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/06/2011, efetuado em 22/07/2011, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906463/201231 Acórdão n.º 3802002.761 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 22/07/2011 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906463/201231 Acórdão n.º 3802002.761 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906463/201231 Acórdão n.º 3802002.761 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906463/201231 Acórdão n.º 3802002.761 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15586.001358/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
DIFERENÇA DE FÉRIAS - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - . 1/3 DE FÉRIAS - RECURSO REPETITIVO STJ
Os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória.
A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento.
A alegação de tratar-se genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizam-se, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição.
1/3 DE FÉRIAS - INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Nos termos do art. 28, § 9ºda lei 8212/90, não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT;
Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 - que alterou a 10.522 - nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO - ATO DECLARATÓRIO 12/2011, DE 20/12/2011
Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011, o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastando-se, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba.
AUXÍLIO EDUCAÇÃO - CURSO SUPERIOR - MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO
Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do Decreto-Lei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrar-se na exclusão legal. Vejamos dispositivos:
O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência extensível a todos os empregados e dirigentes, tendo em vista que a exclusividade da concessão deu-se por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximir-se, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho.
ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES
Para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valer-se da legislação trabalhista (art. 458, para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES
Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo-se natureza salarial a verba PLR.
O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remuneração variável encontra-se consubstanciado em acordo coletivo (TODAVIA, O AUDITOR RESSALVA POR ESCRITO QUE OS REFERIDOS ACORDOS NÃO FORAM APRESENTADOS).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento: a) diferenças de SAT; b) seguro de vida em grupo; e c) levantamento CS6 - Curso Superior. Os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim excluíam, também, o levantamento PS6 e PS7 assistência médica e odontológica para dependentes. Os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, excluíam, também, os pagamentos feitos à título de (1/3 de férias) conta G62.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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DIFERENÇA DE FÉRIAS AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA . 1/3 DE FÉRIAS RECURSO REPETITIVO STJ Os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória. A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento. A alegação de tratarse genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizamse, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição. 1/3 DE FÉRIAS INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nos termos do art. 28, § 9ºda lei 8212/90, não integram o saláriode contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: d) as importâncias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 58 /2 00 9- 30 Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 que alterou a 10.522 nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema. SEGURO DE VIDA EM GRUPO ATO DECLARATÓRIO 12/2011, DE 20/12/2011 Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011, o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. AUXÍLIO EDUCAÇÃO CURSO SUPERIOR MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do DecretoLei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrarse na exclusão legal. Vejamos dispositivos: O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES Para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valerse da legislação trabalhista (art. 458, para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindose natureza salarial a verba PLR. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 3 3 O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remuneração variável encontrase consubstanciado em acordo coletivo (TODAVIA, O AUDITOR RESSALVA POR ESCRITO QUE OS REFERIDOS ACORDOS NÃO FORAM APRESENTADOS). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento: a) diferenças de SAT; b) seguro de vida em grupo; e c) levantamento CS6 Curso Superior. Os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim excluíam, também, o levantamento PS6 e PS7 assistência médica e odontológica para dependentes. Os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, excluíam, também, os pagamentos feitos à título de (1/3 de férias) conta G62. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.230.1690, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não recolhida em época própria, no período compreendido entre 01/2005 a 12/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 109, os fatos geradores encontram se assim descritos: DIFERENÇAS DE FÉRIAS 2.2. As diferenças foram apuradas com base nas informações constantes nas folhas de pagamento, por meio das verbas G60 (férias normais), G62 (férias 1/3 constitucional) e 440 (complemento de férias acordo coletivo). Os valores mensais considerados como base de cálculo encontramse discriminados por estabelecimento e por competência no DD — Discriminativo de Débito nos levantamentos DF6 e DF7, sendo que as diferenças por empregado encontramse no anexo I. SEGURO DE VIDA EM GRUPO 2.3. Em 2005, a empresa contratou seguro de vida em grupo com a Seguradora Itati Seguros S/A para os seus empregados e dirigentes, arcando com o custo total do beneficio, não estando o mesmo, segundo informação da própria empresa, previsto no acordo coletivo, pois tal direito incorporouse definitivamente ao contrato de trabalho. 2.4. Os valores foram apurados com base nas informações constantes nas folhas de pagamento, por meio da verba 885 (Premio Total — Svg), em conjunto com as informações constantes nos relatórios anexos As apólices, os quais foram fornecidos pela empresa. Os valores mensais considerados como base de cálculo encontramse discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos SG6 e SG7, sendo que os valores discriminados por segurado encontramse no anexo I. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO 2.5. No exame da escrituração contábil foram encontrados pagamentos feitos aos empregados referentes A educação superior, não estando estes pagamentos abrangidos pela exclusão prevista na alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, se enquadrando como valor pago, devido ou creditado a "qualquer titulo", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n°8.212/91. 2.6. Além disso, a empresa informou que o beneficio foi pago apenas para os funcionários da filial Guaiba, pois faz parte da política de beneficios adotada pela fábrica de Guaiba, antes de sua aquisição pela Aracruz Celulose, que configura uma restrição à extensão a todos os segurados da empresa, contrariando outro requisito da citada alínea "t". Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 4 5 2.7. Os valores foram apurados com base na escrituração contábil na conta 321314 — Bolsa de Estudo e sua totalização mensal, discriminada por estabelecimento, encontrase no DD no levantamento CS6, sendo que os valores por empregado encontramse no anexo I. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA PARA OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES 2.8. A empresa disponibiliza aos seus empregados e dirigentes, extensivo aos dependentes, plano de saúde, de assistência médica e odontológica, através de contrato firmado com a operadora de plano de saúde MEDISERVICE, sendo extensivo a toda empresa, com exceção da filial Guaiba, cujo contrato foi realizado com a UNIMED Centro Sul e com a UNIODONTO Porto Alegre. 2.9. Os recursos destinados A cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica dos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, por não estarem expressamente previstos no art. 28, § 9°, "q", integram o salário decontribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III da Lei n°8.212/91. 2.10. Os dados relativos aos fatos geradores ocorridos baseiamse nas informações, prestadas pela própria empresa, dos valores mensais por ela suportados com os dependentes que usufruiram dos beneficios ofertados pelo plano de saúde, e encontramse discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos PS6 e PS7, estando os valores discriminados por segurado no anexo I.2.11. As despesas com o plano de saúde dos dependentes, custeadas pelos empregados e dirigentes, não foram objeto de levantamento. GESTÃO POR RESULTADOS (GPR) PAGA AOS EMPREGADOS OCUPANTES DE CARGOS EXECUTIVOS 2.12. A empresa adota dois programas de participação nos lucros ou resultados para seus empregados. Um para o nível operacional e administrativo (PLR) e outro para o nível executivo (GPR). 2.13. Pela análise dos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados, celebrados entre a Aracruz e a Comissão de Representantes dos Empregados (no caso da filial Guaiba) e com os demais Sindicatos Representantes da Categoria dos Empregados, cujas cópias estão no anexo III As fls. 522 a 603, foi verificado que em todos os acordos consta cláusula de exclusão de gerentes, coordenadores e Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 similares (cargos executivos), por já possuírem um programa de resultados com metas individuais. 2.14. A empresa foi intimada a apresentar o Termo de Acordo celebrado com o Sindicato ou Comissão escolhida entre as partes, contendo regras claras e objetivas estabelecidas para pagamento da Gestão por Resultados para os empregados ocupantes de cargos executivos. 2.15. A empresa informou que a exclusão do Termo do Acordo da PLR dos empregados que ocupam cargos executivos, por já possuírem um programa de resultados com metas individuais, permite maior liberdade para tratar da questão, cujos esclarecimentos constam no anexo IV as fls. 605 a 610, não apresentando nenhum documento comprovando que as regras contidas no Programa de Resultados com Metas Individuais foram objeto de negociação, mediante um dos procedimentos definidos no art. 2°, I e II da Lei n° 10.101/2000. 2.16. Foi analisado o manual do programa GPR 2004, que originou o pagamento da GPR em 2005, verificandose tratar de um programa híbrido, composto de metas individuais e metas corporativas, sendo extensivo a todos os ocupantes de cargos executivos,., sendo os mesmos divididos em três níveis. 2.17. Para avaliação de desempenho individual o programa estabelece uma escala de avaliação contendo 5 níveis de desempenho, para os quais não existem regras claras quanto ao valor a ser recebido pelos empregados que obtiveram classificação entre os níveis de desempenho 1 a 4. 2.18. As metas corporativas também não possuem regras claras quanto ao valor a ser recebido de GPR, no caso das metas corporativas não terem sido atingidas ou terem sido atingidas proporcionalmente, tendo o programa apenas definido o valor máximo de salários a ser pago aos empregados executivos. No programa também não existem mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento das metas corporativas. 2.19. Foi constatado, ainda, que vários empregados receberam valores expressivos e aleatórios muito superiores aos 8,5 salários estabelecidos no manual como valor máximo a ser pago a titulo de remuneração variável (GPR), o que demonstra mais uma vez a ausência de critérios claros e objetivos pré determinados exigidos pelo art. 2°, § 1° da Lei n° 10.101/2000. 2.20. Analisando a folha de pagamento foi encontrada a rubrica Bônus Espontâneo (verba 134), nas competência 08 e 09/2005. Intimada, a empresa informou que se trata de nome tecnicamente equivocado, dado h antecipação da GPR, das pessoas que participaram do Projeto Veracel, cujos esclarecimentos seguem no anexo VI, de fls. 680 a 687. 2.21. Com base nos documentos apresentados, foi constatado que o Bônus Espontâneo não se trata de uma antecipação de GPR e sim do pagamento final da GPR referente ao Projeto Veracel, já que o adiantamento ocorreu em 27/06/2005. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 5 7 2.22. Foi constatado ainda que diversos empregados receberam GPR mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que é vedado pelo art. 3, § 2°, da Lei n° 10.101/2000, sendo que os referidos funcionários constam no anexo VIII de fls. 702. 2.23. Os dados relativos aos fatos geradores foram apurados com base na escrituração contábil e nas informações constantes das folhas de pagamento, por meio das verbas 277 (Part. Lucros Resultados/GPR) e 134 (Bônus Espontâneo) e estão discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos GR6 e GR7, sendo que os valores discriminados por empregado encontramse no anexo I. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 10/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 14/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 129 a 176. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 402 a : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INCRA. FÉRIAS. ESCRITURAÇÃO CONTABIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA PARA DEPENDENTES DE EMPREGADOS E DIRIGENTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. A contribuição para o INCRA não foi extinta e é devida também pelas empresas urbanas. Para que 'determinadas rubricas sejam consideradas como de natureza indenizatória,. fazse necessária a escrituração das mesmas em títulos próprios na afitabilidade. 0 seguro de vida em *grupo, para ser excluído do salário decontribuição, deve estar previsto em acordo ou conve4ã6 coletiva. A bolsa auxilio educação, para ser. excluida do galdriode contribuição, deve ser fornecida para custear ensinó básico ; ou profissionalizante e abranger a totalidade dos empregados da empresa. A assistência médica e odontológica dos dependentes dos empregados e dirigentes integra o saláriodecontribuição Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 por expressa falta de previsão legal para sua exclusão, dado que a interpretação para outorga de isenção deve ser literal. A participação nos lucros e resultados, para ser excluída do saláriodecontribuição, deve ser prevista em instrumento de negociação com a participação do sindicato, deve possuir regras claras e não pode ser pago mais do que duas vezes no mesmo ano civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 424 a 437 , contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Para fins de cobrança do SAT, devese considerar a atividade desempenhada pelo contribuinte através de cada estabelecimento, individualizado através de seu CNPJ, o que, em razão de reiteradas manifestações do STJ, culminou com a edição da súmula n°351. (INAPLICÁVEL) 2. A contribuição ao INCRA foi extinta pela Lei n° 7.787/89 e não ha previsão da contribuição ao INCRA nas Leis re's 8.212/91 e 8.213/91. (INAPLICÁVEL) 3. A discriminação dos débitos exigidos por meio da autuação mostrase sobejamente confusa, não sendo possível ao recorrente verificar individualmente quais eventos específicos geraram tais autuações, que poderiam ser separadas por assuntos, mas que tratam de assuntos em comum, variando tão somente quanto a referências em que se mostra ser praticamente impossível identificar o período, a forma como o cálculo foi encontrado e os empregados relacionados a determinado valor cobrado. 4. Verificouse que significativa parte, sendo a integralidade, das verbas relativas a férias, se referem a pagamentos efetuados a titulo de terço constitucional de férias e outros adicionais de caráter indenizatório e não integram o saláriodecontribuição, nos termos do art. 28, § 9°, "d" da Lei n° 8.212/91. 5. Os valores pagos a titulo de seguro de vida em grupo estão expressamente desvinculados dos salários dos segurados, na forma do disposto no art. 458, § 2°, V da CLT, não podendo o Regulamento da Previdência Social dispor de forma diferente, dado que haveria grave lesão h. hierarquia entre as normas. As verbas pagas quanto aos seguros de vida sequer podem ser individualizadas por empregado, o que, naturalmente, impede que possam integrar o salário de contribuição. 6. O valor da bolsa de educação pago pelo recorrente não possui natureza jurídica de remuneração pelos serviços prestados, tendo em vista que, no período em que está estudando, o trabalhador sequer está à disposição da empresa. 7. O art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei n° 8.212/91, ao excluir do salário de contribuição os valores destinados a "cursos de capacitação e qualificação profissionais", se conclui com nítida tranqüilidade que os cursos superiores também estariam compreendidos por tal categoria, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 6 9 8. No que tange ao fato de que os beneficios seriam concedidos apenas a funcionários da filial de Guaiba da recorrente, impõese registrar que tal estabelecimento foi incorporado pela mesma pouco antes do advento do exercício objeto da autuação. Todos os valores autuados se resumem a bolsas concedidas anteriormente à tal incorporação, de modo que o acesso da integralidade dos funcionários e dirigentes da empresa incorporada a esses benefícios era fielmente observado, não podendo as referidas bolsas serem simplesmente cassadas, pois os funcionários agraciados não poderiam arcar com o pagamento dos respectivos cursos, sob pena de terem que desistir de continuálos, o que revela com clareza a correção da opção do recorrente em manter os benefícios anteriores, caracterizando o conceito de ato jurídico perfeito. 9. A assistência médica e odontológica não possui natureza remuneratória, por tratarse de beneficio concedido para o trabalho e não pelo trabalho, posto que objetiva a manutenção da plena saúde dos seus funcionários, a qual resultará no incremento da sua produção. 10. A assistência médica não possui as características de gratuidade, habitualidade e contra prestação dos serviços do empregado. O fato de tal beneficio ser estendido a dependentes não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. A concessão de tal beneficio aos dependentes é uma liberalidade da recorrente para dar maior saúde e tranqüilidade à família de seu empregado para que este possa produzir de forma mais eficiente. Houve a plena concordância do sindicato com o auxilio promovido, nos termos das respectivas convenções coletivas aprovadas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, conforme documentos 05 e 06 em anexo. 11. A Lei n° 10.243/04, ao alterar o art. 458 da CLT, tornou inaplicáveis as disposições que condicionavam a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento de assistência médica ou odontológica. 12. O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. 13. No que tange à participação nos lucros, optou o constituinte originário por prever que a mesma seria desvinculada da remuneração dos trabalhadores, deixando de impor qualquer tipo de restrição, valendo dizer que a expressão "conforme definido em lei", presente no dispositivo constitucional supracitado, somente se aplica participação dos trabalhadores na gestão da empresa e não à participação nos lucros, tendo o art. 7°, XI da Constituição Federal, desde a sua promulgação, plena eficácia em relação à participação nos lucros, especialmente quanto a impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. 14. Ainda que se entenda que a expressão "conforme definido em lei" também se aplica à participação nos lucros, não poderia o legislador, sob pretexto de regulamentar o texto constitucional, alterar o seu conteúdo, como o fez o art. 28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91. 15. O § 40 do art. 218 da Constituição Federal estabelece que cabe a lei apoiar e incentivar a distribuição dos lucros pelas empresa, sendo impossível tal comando atingir o seu objetivo se for imposta às empresas pesada carga previdencidria em razão do descumprimento de pequenas formalidades, como no caso em tela, sendo que a legislação infraconstitucional não pode ignorar o referido dispositivo constitucional, Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 sendo esta a posição dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais, transcrevendo jurisprudência. 16. No que tange a não comprovação de que o programa de metas dos funcionários executivos foi objeto de negociação sindical, as próprias convenções emitidas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, As fls. 1.153 a 1.178, corroboraram o tratamento em separado da participação dos gerentes e executivos através do GPR, cujo instrumento às fls. 1.180 a 1.197, ao contrário do alegado pela fiscalização, constou efetivamente da análise por parte do Sindicato, tendo em vista que o mesmo foi anexado aos acordos de participação nos lucros, As fls. 1.199 a 1.221. 17. No que se refere à pretensa inexistência de regras claras quanto aos valores a serem pagos aos empregados na hipótese de as metas não serem atingidas ou serem atingidas parcialmente, importa recordar que, ao revés, tal argumentação é demasiadamente clara, pois os percentuais e pesos traçados pelas tabelas apostas no instrumento que regulamentou o GPR e, sem prejuízo, as diretrizes especificas de cada área, delimitam com precisão a aludida remuneração em quaisquer casos, exemplificando através de casos concretos de calculo, conforme fls. 1.223 a 1.274. 18. Quanto à suposta usurpação do limite estabelecido no GPR e o alegado desrespeito A periodicidade de dois pagamentos anuais; insta observar que tais conclusões da fiscalização foram estrita e diretamente influenciadas por remunerações vinculadas ao "Projeto Veracel", as quais não podem ser equiparadas As participações nos lucros, uma vez que, dotadas de caráter eminentemente eventual e extraordinário, são alheias incidência de contribuições previdenciárias, conforme documentos juntados As fls. 1.276 a 1.321. 19. Além disso, os valores foram distribuídos unicamente em razão de determinados funcionários terem atingido especificamente a meta de construção da unidade VERACEL, recebendo, em contrapartida, bônus de caráter excepcional, tendo sido concedida em caráter eventual, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias por força do disposto no art. 28, § 9 0, V, "j" da Lei n° 8.212/91, assim como no § 11 do art. 201 da Constituição Federal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1442. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Alega o recorrente nulidade do acórdão recorrido, que resultaria na nulidade do próprio lançamento consubstanciado em síntese: Nesse sentido, antes de adentrar na discussão quanto observância, ou não, da legislação previdenciária por parte da Recorrente, importa, desde já, registrar que a cobrança perpetrada pela fiscalização e, reiterese, considerada procedente pelo Acórdão recorrido, compreende verbas cujo cálculo não foi procedido corretamente ou, até, cuja exigência não mais se encontra respaldada pelo ordenamento jurídico vigente, tal como se verifica, respectivamente, quanto às contribuições destinadas ao SAT e ao INCRA. 11. Demais disso, a confusa e imprecisa discriminação dos débitos exigidos por meio das referidas autuações originarias, confirmadas pela autoridade julgadora revisora, impedem o devido e inafastável exercício do direito A ampla defesa, constitucionalmente garantido A Recorrente, conforme sera devidamente demonstrado posteriormente. 12. Portanto, com base no ordenamento jurídico vigente e nas manifestações da doutrina e das próprias autoridades administrativas, tais vícios certamente ensejarão,como abaixo demonstrado, a anulação do Acórdão ora recorrido. Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou seja por erro nos cálculo, ou relatório fiscal confuso ou impreciso na discriminação dos débitos ou mesmo dos fatos geradores. Destacase que todos os passos necessários a realização do procedimento: encontramse devidamente descritos no processo, inclusive encontramse anexados os respectivos termos que não apenas demonstram a regularidade do procedimento, como as devidas intimações, Quando do encerramento do procedimento, foram entregues ao recorrentes os relatórios e documentos descrevendo os fatos geradores, digase de forma individualizada e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve mensalmente, a base de cálculo apuradas, as contribuições e respectivas alíquotas. Inclusive ressaltese a elaboração de planilha individualizada, (ANEXO I)contendo nominalmente o salário de contribuição apurado em relação a cada rubrica (levantamento), o que permitiria ao recorrente conferir as bases de cálculo ali apuradas com os documentos apresentados durante o procedimento e aqueles descritos na contabilidade do autuado. Ao contrário do que alega o recorrente a fiscalização não precisa separar em AI cada uma das rubricas apuradas durante o procedimento fiscal para que se tornasse claro e preciso o lançamento. A obrigação da autoridade fiscal é lavrar o AI na forma prevista na lei e atos normativos, deixando claro ao autuado os fatos geradores e períodos a que se refere. Analisando o auto de infração, entendo restar evidenciado cada um dos fatos geradores apurados, no relatório DAD encontramos por competência cada um dos fatos geradores, como nome do lançamento e competência a que se refere. Já no anexo I, digase citado no relatório fiscal, o auditor detalha cada fato gerador, razão pela qual entendo infundados os argumentos de nulidade do lançamento. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, afastando a pretensa nulidade argüida pelo recorrente, seja em relação a decisão proferida, ou ao próprio auto de infração. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Quanto a alegação de ausência de averiguação por parte da autoridade de primeira instância dos requisitos de validade do AI, entendo que razão não assiste ao recorrente. Bastanos ler a Decisão de primeira instância, para observar ter o julgador cumprido seu papel em apreciar os argumentos trazidos pelo recorrente, frente ao relatório fiscal apresentado. A interpretação dada pelo julgador ou mesmo pelo auditor fiscal, nem sempre se coaduna com o entendimento esboçado pelo impugnante, até porquê, se fosse o mesmo, não haveria litígio. Contudo, cabe a autoridade julgadora enfrentar as questões trazidas pelo impugnante, mas sem a necessidade de apreciálas, ponto a ponto, desde que a teses trazidas pela defesa seja no todo ou afastadas ou mesmo acatadas parcialmente. O julgador não tem, assim como este colegiado, acesso a todos os documentos e provas apresentados durante o procedimento fiscal. Dessa forma, é consubstanciado no relatório fiscal, e nos documentos e argumentos trazidos na defesa e recurso é que será possível estabelecer um juízo de valor, para identificar se os fatos descritos pelo auditor realmente caracterizam como fato gerador de contribuição previdenciária. Conforme dito acima, a discordância do julgador com as argumentações trazidas aos autos pelo recorrente, de forma alguma demonstram qualquer vício. Este vício estaria presente se não fosse apreciada matéria trazida na impugnação, nem mesmo tendo a mesma sido averiguada em conjunto com as demais. Todavia, o próprio recorrente transcreve parte da decisão, no qual demonstrase a apreciação da nulidade. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA e SAT Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 8 13 Em relação aos argumentos acerca do INCRA, destaco, assim como já abordado pelo julgador de primeira instância, que essa contribuição não encontrase abrangida no presente lançamento, razão pela qual abstenhome de apreciar a questão.No mesmo sentidonão há o que ser apreciado acerca do SAT. DIFERENÇA DE FÉRIAS Quanto ao levantamento férias, primeiro convém destacar os aspectos trazidos pelo auditor para fundamentar o lançamento, fls. 204 do REFISC: DIFERENÇAS DE FÉRIAS 4.1.1. Neste levantamento encontramse as diferenças de férias pagas aos empregados por ocasião da sua concessão, não oferecidas à tributação. 4.1.2. As diferenças foram apuradas com base nas informações constantes nas folhas de pagamento, por ,. meio das verbas G60 (Férias Normais), G62 (Férias 1/3 Constitucional) e 440 (Complemento de Férias Acordo Coletivo). 4.1.3. Os valores mensais considerados como basedecálculo, encontramse discriminados por estabelecimento e por competência no DD — Discriminativo do Débito (anexo ao presente Al), nos levantamentos "DF6" e "DF7". As diferenças discriminadas por empregado encontramse no anexo I. Por outro lado, o recorrente em seu recurso alega a impossibilidade de identificar os fatos geradores, face a imprecisão do relatório fiscal, bem como a vinculação do conceito de salário de contribuição a efetiva retribuição pelo trabalho, sendo que não devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária a verbas com caráter eminentemente indenizatório. Assim, argumenta: Portanto, as verbas adicionais referentes a férias que possuam tal caráter indenizatório não podem justificar a cobrança de contribuições previdenciárias, tal como pretendido pela fiscalização através das autuações originárias, o que enseja, evidentemente, a declaração de sua manifesta improcedência, reformandose, deste modo, Acórdão recorrido. Por outro lado o julgador ao apreciar a questão, afastou prontamente os argumentos do recorrente descrevendo que a própria nomenclatura adotada no relatório fiscal, baseada na própria folha de pagamento do recorrente demonstra, que o lançamento não envolve apenas pagamento de 1/3 de férias trazido pelo recorrente em seu recurso. Notese, que após a referida decisão o recorrente traz a mesma argumentação sem especificar suas alegações em relação aos valores apurados em sua própria contabilidade quanto a contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo). Observase às fls. 860, que os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável que realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória. Assim, de início entendo que a ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), restando apenas a apreciação do lançamento em relação ao 1/3 férias. A alegação de tratarse genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizam se, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição. Contudo, antes de seguir com a apreciação da natureza da verba, entendo pertinente transcrever a legislação que define o conceito de salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) No caso do 1/3 pago à titulo de adicional de férias, embora o pagamento das verbas seja compulsório, dáse simplesmente consubstanciado na existência de vínculo laboral, o qual o pagamento não se coaduna com verba indenizatório, visto que o valor recebido, nada mais é do que um ganho, não uma despesas com destinação certa e provável. Esse ganho também não apenas será usufruído pelo empregado, como poderá fazer uso da maneira que achar convenientes Conforme descrito anteriormente o alegado afastamento da incidência de contribuição sobre essa parcela com base no disposto na alínea “d” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 não se sustenta. Vejamos o que dispõe a norma: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (...) Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 – que alterou a 10.522 nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 9 15 observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema. Assim, consistindo em um ganho para o trabalhador, nítida a sua feição salarial, razão pela qual compõem a base de cálculo de contribuições previdenciárias., sendo novamente descabida a compensação realizada. Notese que o valor em questão sendo computado como salário de contribuição, será incluído no cálculo do salário de benefício do empregado, quando do cálculo dos benefícios a ele devidos. CONCLUSÃO: não assiste razão ao recorrente em relação a exclusão da incidência de contribuições sobre os pagamentos feitos à título de (1/3 de férias) – conta G62, bem como, mantendose o lançamento, pela não impugnação expressa em relação aos demais contas G60 e 440. SEGURO DE VIDA EM GRUPO Embora tenha a autoridade fiscal seguido a estrita observância legal, que define claramente nos limites para que o seguro de vida em grupo esteja desvinculado do conceito de salário de contribuição, (indicando na lei a necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva) convém analisar a questão de forma um pouco mais aprofundada, inclusive quanto aos atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional. Foram fundamentos para o presente lançamento, conforme podemos extrair do relatório fiscal: Em 2005, a Aracruz contratou Seguro de Vida em Grupo para os seus empregados e dirigentes, arcando com o custo integral do beneficio. 0 Seguro de Vida foi contratado com a Seguradora IWO Seguros S/A. 4.2.3. 0 artigo 28 da Lei n° 8.212 de 24/07/91, define claramente o salário de contribuição. E o artigo 214, parágrafo 9 0 , inciso XXV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06 de maio de 1999, .abaixo transcrito, estabelece que o valor das contribuições efetivamente pagas pela pessoa jurídica, relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, somente não é saláriode contribuição se estiver previsto em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho e disponível totalidade de seus empregados e dirigentes. Portanto, para que a referida parcela não integre o saláriode contribuição, é necessário que a mesma esteja prevista em Acordo ou Convenção Coletivo de Trabalho e disponível a totalidade de seus empregados e dirigentes. 4.2.5. Neste sentido, a empresa foi intimada a apresentar o Acordo ou Convenção Coletiva do Trabalho, contendo a previsão para fornecimento do Seguro de Vida em Grupo para seus empregados e dirigentes. Em atendimento a intimação, a empresa informou que "Inexiste previsão no acordo coletivo, pois tal direito incorporouse definitivamente ao contrato de trabalho". (esclarecimentos encontramse no anexo II) Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 4.2.6. Diante desta constatação, os recursos destinados pela empresa para cobertura do prêmio de Seguro de Vida em Grupo para seus empregados e dirigentes, integram o saláriode contribuição, nos termos do artigo 28, incisos I e Ill, da Lei 8.212, de 24/07/1991 e §§ 9°, XXV e 10°, do artigo 214, do Regulamento da Previdência Social— RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme identificamos nos normativos da própria empresa, o benefício concedido está assim definido: 4.44 Seguro de Vida em Grupo SVG E o pagamento de indenizaçõess na ocorrência de morte ou invalidez permanente, total ou parcial do empregado. Ele cobre ainda morte do cônjuge e dependentes. 0 empregado, seu cônjuge e dependentes estão cobertos por este seguro a partir de sua admissão. 0 custo do seguro é totalmente coberto pela Aracruz. Na data de admissão, o empregado assina um cartão proposta que garante a cobertura a partir daquele instante como segurado principal. As coberturas estão definidas na apólice. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes de apreciar os argumentos da autoridade fiscal em relação ao lançamento. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº2119 /2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda: Contribuição Previdenciária. Seguro de Vida em Grupo. O seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. Analisando a apólice colacionada aos autos, fls. 733, volume 4, identificase que não se trata de seguro individual, mas um seguro único que atende a todos os empregados na empresa, estabelecendo valor máximo de seguro: GRUPO SEGURÁVEL Constituem grupo segurável desta apólice todos os diretores, funcionários e estagiários da Estipulante, denominados componentes principais, e os seus respectivos cônjuges e filhos, denominados componentes dependentes. 7. CAPITAL SEGURADO • O capital segurado da garantia Básica de cada componente principal corresponde a 25 (vinte e cinco) vezes seu salário do mês da cobertura, observado limite e máximo de R$ 430.000,00 (quatrocentos e trinta mil reais) Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 10 17 7.1. Os cônjuges participam automática 50% (cinquenta por cento) do capital da do respectivo segurado principal. 7.2. 0 capital segurado dos filhos corresponde a 10% (dez por cento) do capital da garantia Básica do respectivo segurado principal, observado o disposto no item 6 da Cláusula Suplementar de Inclusão de Filhos. O referido parecer ensejou a publicação do Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011 o qual no meu entender, atribui razão ao recorrente, posto que o “seguro de vida” fornecido pela empresa se coaduna, com o benefício mencionado no descrito parecer.Transcrevo abaixo, o ato declaratória para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2119 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.”(grifo nosso) JURISPRUDÊNCIA: REsp 759.266/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2009, DJe 13/11/2009; REsp 839.153/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/12/2008, DJe 18/02/2009; REsp 701.802 / RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA julgado em 06/02/2007, DJ 22/02/2007 p. 166; REsp 1121853 / RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 14/10/2009; AgRg no REsp 720.021/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 26/08/2009; AgRg no Ag 903.243/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06.11.2007, DJe 31.10.2008; REsp 794.754/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14.03.2006, DJ 27.03.2006; e REsp 441.096/RS, Rel.Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 03.08.2004, DJ 04.10.2004. CONCLUSÃO: Neste ponto, entendo que assiste razão ao recorrente quanto a exclusão da rubrica “seguro de vida em grupo” do lançamento em questão, face a aplicação do ato declaratório n. 12/2011. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO (EDUCAÇÃO SUPERIOR) Conforme descrito pela autoridade fiscal, a verba paga em função da bolsa auxílio educação e pósgraduação , não se enquadra nas exclusão prevista no art. 28, § 9, “t” da Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 lei 8212/91, razão pela qual constitui salário de contribuição. Vejamos trecho do relatório fiscal: 0 artigo 28, § 9°, "V', da Lei n°. 8.212/91, estabelece que não integra o saláriodecontribuição: "0 valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada. pela Lei n°9.711, de 20.11.98)" (grifo nosso) • • 4.3.4. 0 artigo 21 da ,Lei n°. 9.394/96, divide: .a educação escolar em: básica (formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e educação superior. 4.3.5. De acordo com o dispositivo legal, para que não haja incidência das contribuições previdenciárias, os valores devem ser gastos apenas com educação básica e com cursos de capacitação e qualificação profissionais, vinculados as atividades desenvolvidas pela empresa, não englobando educação superior, de que trata os arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394/96. Analisando a cartilha de benefícios da empresa, verificamos também que não existe previsão para fornecimento desse beneficio aos empregados e dirigentes. 4.3.8. A empresa informou que o beneficio foi pago apenas para os funcionários da filial Guaíba, pois faz parte da política de benefícios adotada pela fábrica de Guaíba, • antes de sua aquisição pela Aracruz Celulose. 4.3.9. A empresa ao disponibilizar o beneficio apenas para os funcionários da filial Guaiba, está impondo um óbice à extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, contrariando o disposto na alínea § 9°, artigo 28, da Lei n°. 8.212/91. 4.3.10. Diante do exposto, os recursos destinados pela empresa para fornecimento de Bolsa Auxilio Graduação e Pós Graduação para os empregados da filial Guaiba, integram o saláriodecontribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. • Assim, podemos destacar que dois são os fundamentos da autoridade fiscal, o primeiro por simplesmente tratarse de educação superior e o segundo por não ser extensível a todos os empregados. Quanto a questão da educação superior valhome de trecho da decisão de primeira instância para fundamentar minha decisão. Vejamos o trecho pertinente: 19. Sobre o argumento de que os cursos de capacitação e qualificação profissionais abrangem os cursos superiores, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário, o art. 39, abaixo transcrito, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n° 9.394/96, seja em sua redação original, vigente Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 11 19 à época dos fatos geradores, como na dada pela Lei n° 11.741/2008, vigente época da lavratura do Auto de Infração, de fato estabelece a possibilidade de os cursos superiores abrangerem os cursos profissionais: Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, a ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. (redação original). Parágrafo único. 0 aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso a educação profissional. (redação original) Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei n° 11.741, de 2008) (..) § 29 A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos:(incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) III — de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação. (incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) 20. Ocorre que a empresa não logrou êxito em comprovar que tais cursos eram, de fato, capacitações e qualificações PROFISSIONAIS, ligadas ás atividades desenvolvidas pelos empregados na empresa, ou se eram cursos do interesse pessoal de cada trabalhador. No mais, nunca é demais relembrar a previsão do CIN acerca de interpretação no que concerne h. outorga de isenção: É nesse ponto que entendo assistir razão ao recorrente, o fundamento para não exclusão da verba como base de cálculo de contribuição é que o recorrente não comprovou a correlação entre o curso de graduação e pósgraduação e a atividade desenvolvida por cada empregado. Porém não foi esse o fundamento para o lançamento, e sim o simples fato de tratar se de curso superior. Contudo, entendo que o órgão julgador só poderia utilizarse desse argumento se a imputação fiscal fosse a não comprovação por parte da empresa de que os cursos oferecidos possuíam relação com as atividades desenvolvidas. Não estou com isso afirmando que os cursos oferecidos enquadravam na exclusão prevista na alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, que assim, descreve: “t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011)”. O que entendo é que a imputação fiscal não se mostrou clara ao descrever esse fundamento como lançamento, e não acato a argumentação do julgador que competiria a empresa o ônus de provar que o seu benefício enquadravase na exigência legal. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 O outro fundamento para o lançamento, é que não preenchido o requisito de extensão a todos os empregados, nos termos da antiga redação do “t” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991: t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Quanto a este ponto, devemos identificar os argumentos do recorrente para justificar a concessão do benefício a apenas parte de seus empregados: No que se refere ao fato de que tais benefícios seriam concedidos apenas a funcionários da filial de Guaiba da Recorrente, imp8e se registrar que tal estabelecimento foi incorporado pela mesma pouco antes do advento do exercício objeto de autuação (doc. 04 da Impugnação). 86. Tal informação se mostra essencial na medida em que todos os valores autuados se resumem a bolsas concedidas anteriormente a tal incorporação, e não a novas solicitaq8es posteriores a este evento societário, de modo que o acesso da integralidade dos funcionários e dirigentes da empresa incorporada a esses benefícios era fielmente observado, estando os valores respectivamente quitados a titulo de financiamento de cursos de graduação e pósgraduação plenamente de acordo com o cogitado dispositivo previdenciário A época das correspondentes concessões. Significa dizer que, a despeito de não ter o costume de financiar tais cursos a seus funcionários e dirigentes, a ora Recorrente, ao incorporar estabelecimento que assim procedia (registrese, de forma plenamente regular com os requisitos legalmente tragados), optou por manter os benefícios que já haviam sido concedidos antes da incorporação. Novamente entendo que o argumento trazido pelo julgador não se mostra o mais acertado, para que a empresa pudesse usufruir do benefício: “22. Na situação ocorrida, a empresa tinha duas alternativas para tal importância não integrar o saláriodecontribuição, no que tange a este aspecto, totalidade de acesso: estender à outras filiais o que já era praxe em Guaiba ou encerrar tais pagamentos para os funcionários de tal unidade.”. Realmente, a época do lançamento (2009), o exclusão descrita na alínea “t” do § 9. do art. 28, determinava a extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, porém entendo que os argumentos do recorrente são pertinentes a que se diga que nesse ponto também o lançamento não se aperfeiçoou para que se possa afirmar que o recorrente descumpriu os preceitos legais para usufruir do benefício de exclusão da base de cálculo. Nesse ponto, a primeira questão a ser respondida é: “A empresa Aracruz institui plano para fornecer o benefício de educação superior e pósgraduação a apenas parte dos seus empregados? Entendo que não. A mesma descreveu que o fornecimento deuse face a incorporação de empresa da cidade de Guaíba (empresa essa que sim, possuía plano de educação extensível a todos os empregados). Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do DecretoLei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 12 21 empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrarse na exclusão legal. Vejamos dispositivos: Art. 10 Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. (...) Art. 448 A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Dessa forma, entendo que o fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. Apenas para esclarecer não estou me valendo do disposto no art. 458 § 2 da CLT para determinar a exclusão da base de cálculo (conforme argumentado pelo recorrente), posto que entendo que a legislação previdência, por ser norma específica, sobrepõemse a legislação trabalhista quando define os critérios de isenção. Contudo, não podendo o empregador (autuado) cumprir exigência legal por não ter sido ele instituidor do benefício, não cabe a fiscalização simplesmente penalizálo sem verificar se a empresa incorporada isoladamente (em período anterior), preenchia os requisitos legais. CONCLUSÃO: face as ponderações acima, entendo que deve ser excluído do lançamento, o levantamento CS6 – Curso Superior. ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DEPENDENTES Quanto a assistência médica e odontológica fornecida ao dependentes dos empregados e dirigentes constituírem base de cálculo de contribuições os fundamentos apontados pela autoridade fiscal para o lançamento foi que a legislação apenas exclui da base de cálcuco da contribuição a assistência fornecida ao próprio empregado e não aos dependentes deste. Vejamos o relatório fiscal: 2.8. A empresa disponibiliza aos seus empregados e dirigentes, extensivo aos dependentes, plano de saúde, de assistência médica e odontológica, através de contrato firmado com a operadora de plano de saúde MEDISERVICE, sendo extensivo a toda empresa, com exceção da filial Guaiba, cujo contrato foi realizado com a UNIMED Centro Sul e com a UNIODONTO Porto Alegre. 2.9. Os recursos destinados A cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica dos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, por não estarem expressamente previstos no art. 28, § 9°, "q", integram o salário decontribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III da Lei n°8.212/91. 2.10. Os dados relativos aos fatos geradores ocorridos baseiamse nas informações, prestadas pela própria Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 empresa, dos valores mensais por ela suportados com os dependentes que usufruiram dos beneficios ofertados pelo plano de saúde, e encontramse discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos PS6 e PS7, estando os valores discriminados por segurado no anexo I.2.11. As despesas com o plano de saúde dos dependentes, custeadas pelos empregados e dirigentes, não foram objeto de levantamento. Por outro lado, o recorrente entende que a legislação trabalhista não restrige a concessão apenas aos empregados, mas descreve que a assistência medica não é considerado salário in natura.. Nesse sentido afirma o recorrente: A assistência médica e odontológica não possui natureza remuneratória, por tratarse de beneficio concedido para o trabalho e não pelo trabalho, posto que objetiva a manutenção da plena saúde dos seus funcionários, a qual resultará no incremento da sua produção. A assistência médica não possui as características de gratuidade, habitualidade e contraprestação dos serviços do empregado. O fato de tal beneficio ser estendido a dependentes não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. A concessão de tal beneficio aos dependentes é uma liberalidade da recorrente para dar maior saúde e tranqüilidade à família de seu empregado para que este possa produzir de forma mais eficiente. Houve a plena concordância do sindicato com o auxilio promovido, nos termos das respectivas convenções coletivas aprovadas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, conforme documentos 05 e 06 em anexo. A Lei n° 10.243/04, ao alterar o art. 458 da CLT, tornou inaplicáveis as disposições que condicionavam a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento de assistência médica ou odontológica. O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. Analisando os dispositivos legais, entendo que razão não assiste ao recorrente, sendo que a extensão do benefício aos seus dependentes não encontrase no rol de exclusão previsto na alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei 8212/91: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Ao contrário do que entende o recorrente para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 13 23 art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valerse da legislação trabalhista para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. Da mesma forma, o conceito de salário de contribuição abarca todos os pagamentos feitos aos empregados, conforme previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Observase, ainda que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. CONCLUSÃO: Face os fatos descritos acima, entendo que deva ser mantido o lançamento em relação ao levantamento PS6 e PS7. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Quanto a este ponto, entendo que a base para o lançamento descrita pela autoridade fiscal é a ausência de acordo que respalde o pagamento de participação nos lucros ou resultados aos empregados de nível gerencial e executivo. a chamada GPR. QUANTO A EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES Vejamos as questões colocadas pela autoridade fiscal: GESTÃO POR RESULTADOS (GPR) PAGA AOS EMPREGADOS OCUPANTES DE CARGOS EXECUTIVOS 2.12. A empresa adota dois programas de participação nos lucros ou resultados para seus empregados. Um para o nível operacional e administrativo (PLR) e outro para o nível executivo (GPR). 2.13. Pela análise dos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados, celebrados entre a Aracruz e a Comissão de Representantes dos Empregados (no caso da filial Guaiba) e com os demais Sindicatos Representantes da Categoria dos Empregados, cujas cópias estão no anexo III As fls. 522 a 603, foi verificado que em todos os acordos consta cláusula de exclusão de gerentes, coordenadores e similares (cargos executivos), por já possuírem um programa de resultados com metas individuais. 2.14. A empresa foi intimada a apresentar o Termo de Acordo celebrado com o Sindicato ou Comissão escolhida entre as partes, contendo regras claras e objetivas estabelecidas para pagamento da Gestão por Resultados para os empregados ocupantes de cargos executivos. 2.15. A empresa informou que a exclusão do Termo do Acordo da PLR dos empregados que ocupam cargos executivos, por já possuírem um programa de resultados com metas individuais, permite maior liberdade para tratar da questão, cujos esclarecimentos constam no anexo IV as fls. 605 a 610, não apresentando nenhum documento comprovando que as regras contidas no Programa de Resultados com Metas Individuais foram objeto de negociação, mediante um dos procedimentos definidos no art. 2°, I e II da Lei n° 10.101/2000. Quanto a existência de acordo que ampare o pagamento de PLR aos executivos, assim indicou o recorrente. No que tange a não comprovação de que o programa de metas dos funcionários executivos foi objeto de negociação sindical, as próprias convenções emitidas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, As fls. 1.153 a 1.178, corroboraram o tratamento em separado da participação dos gerentes e executivos através do GPR, cujo instrumento às fls. 1.180 a 1.197, ao contrário do alegado pela fiscalização, constou efetivamente da análise por parte do Sindicato, tendo em vista que o mesmo foi anexado aos acordos de participação nos lucros, As fls. 1.199 a 1.221. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 14 25 Considerando, as colocações do recorrente de existência de acordo que ampare o pagamento, não tenho como lhe atribuir razão. O item 4.5.4 do relatório fiscal, assim, descreve o descumprimento da lei. Pela análise dos. Acordos de Participação nos. lucros e Resultados, celebrados entre a Aracruz, e a Comissão de Representantes dos Empregados (no caso da filial Guaiba) e com os demais Sindicatos Representantes da Categoria dos Empregados (cópias anexo Ill). Verificamos que em todos os Acordos constam a seguinte cláusula: "2.2. Estio excluídos deste acordo: a — Os Gerentes, Coordenadores e similares (cargos executivos) por já possuírem um programa de resultados com metas individuals e os casos não previstos no item 2.1."(grifo nosso) OU seja, fato é que o citado acordo coletivo não alcança os cargos executivos, tendo o auditor no item seguinte (4.5.5) intimado a empresa “apresentar o Termo de Acordo celebrado com o Sindicato ou Comissão escolhida entre as partes, contendo regras claras e objetivas estabelecidas para pagamento da Ge do por Resultados (GPR) em 2005, para os empregados ocupantes de cargos executivos. O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remunueração variável encontrase consubstanciado em acordo coletivo (TODAVIA, O AUDITOR RESSALVA POR ESCRITO QUE OS REFERIDOS ACORDOS NÃO FORAM APRESENTADOS). CONCLUSÃO: descumprimento do art. 2 da lei 10.101/2000, posto que o plano GPR não cumpriu o rito legal, para que os valores pagos fossem excluídos do conceito de salário de contribuição. QUANTO A NEGOCIAÇÃO DO PLANO DIRETAMENTE COM A EMPRESA Segue o recorrente ainda destacando após citar o item 2.1, acima transcrito, que exclui os cargos executivos. Assim, claro está que houve, inequivocamente, negociação sindical e concedida liberdade para a Empresa e seu nível executivo tratarem diretamente da questão, não cabendo ao próprio sindicato ou a quem quer que seja, estabelecer juizo de valor em relação à forma como a Empresa deve implementar essa gestão, posto que esse nível de empregado nada mais é do que a exteriorização e representação da própria Empresa. Além disso, a parcela individual GPR está instrumentalizada através de acordo escrito celebrado entre o executivo e a Companhia, representada por seu chefe imediato, contendo todos os requisitos formais exigidos por lei, e que caracterizam um verdadeiro e legal programa de remuneração variável, sem qualquer mácula ou burla à lei, prestigiando o esforço e a Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 contribuição individual dos empregados mais decisivos para o sucesso do negócio. Quanto a este ponto, concordo com o recorrente que nada impede que seja feito em documento apartado, desde que cumpra o mesmo rito do acordo principal. Senão vejamos: DA EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA FORMALIZAÇÃO DO ACORDO A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Da leitura do § 1º do art. 2 da lei 10.101/2000, podemos extrair claramente a necessidade de constar dos instrumentos (seja realizada a negociação em documentos apartados ou no mesmo documentos) as regras, metas ou critérios que ensejarão ao pagamento. Neste caso, a exigência legal é que se negocie com os sindicatos, ou mesmo com a comissão de empregados, assistida por representante do sindicato, o “pretendido”, o que se deseja alcançar e o que isso representará de retorno para os empregados. Qualquer estabelecimento de planos diretamente pelo empregador, ou até mesmo sua negociação direta com os empregados (sem a participação do sindicato), adquire verdadeiro caráter de “acordo por adesão”, posto que a hipossuficiência do empregado frente Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 15 27 ao empregador detentor do poder econômico”, não permite que sejam verdadeiramente negociadas as cláusulas (coerção presumida). O sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador; dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que não reflete nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, !3 salário etc.). CONCLUSÃO: entendo que a fixação de metas pela própria empresa posteriormente, não se amolda a pretensão constitucional de negociação de PLR, muito menos a exigência da lei que rege a matéria. FUNDAMENTAÇÃO: Descumprimento do § 1º do art. 2 da lei 10.101/2000. QUANTO A EXISTÊNCIA DE METAS Embora entenda que a inexistência de acordo com a participação do sindicato já seja suficiente para manutenção do lançamento, passa a apreciar os demais itens apresentados pelo recorrente. Assim, descreveu o auditor: 2.16. Foi analisado o manual do programa GPR 2004, que originou o pagamento da GPR em 2005, verificandose tratar de um programa híbrido, composto de metas individuais e metas corporativas, sendo extensivo a todos os ocupantes de cargos executivos,., sendo os mesmos divididos em três níveis. 2.17. Para avaliação de desempenho individual o programa estabelece uma escala de avaliação contendo 5 níveis de desempenho, para os quais não existem regras claras quanto ao valor a ser recebido pelos empregados que obtiveram classificação entre os níveis de desempenho 1 a 4. 2.18. As metas corporativas também não possuem regras claras quanto ao valor a ser recebido de GPR, no caso das metas corporativas não terem sido atingidas ou terem sido atingidas proporcionalmente, tendo o programa apenas definido o valor máximo de salários a ser pago aos empregados executivos. No programa também não existem mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento das metas corporativas. Quanto a alegação de que o GPR da empresa não possua critérios para pagamento, discordo do posicionamento do auditor. Observando os termos do GPR entendo terem sim estipulado cirtérios para pagamento fixando inclusive os limites para os pagamento de acordo com os resultados. CONTUDO, DESTACO QUE ESSE ACORDO NÃO CUMPRIU O REQUISITO DE NEGOCIAÇÃO. QUANTO AO PAGAMENTO EM VALORES SUPERIORES AO ACORDADO – PR e PR1 Descrição fiscal do descumprimento: 2.19. Foi constatado, ainda, que vários empregados receberam valores expressivos e aleatórios muito superiores aos 8,5 salários estabelecidos no manual como valor máximo a ser pago a titulo de remuneração variável (GPR), o que demonstra mais Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 uma vez a ausência de critérios claros e objetivos pré determinados exigidos pelo art. 2°, § 1° da Lei n° 10.101/2000. Quanto a este ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. A lei 10.101/2000, estabelece a necessária negociação da participação dos lucros ou resultados, sendo livre as partes para pactuar as regras, metas e critérios para o pagamento, contudo ao pactuálos deverá obedecer os termos do acordo, sendo que ao pagar acima dos limites convencionados, afastase da exclusão da base de cálculo prevista no art. 28, §9 da lei 8212/91. No meu entender, tendo o recorrente descumprindo os limites do acordo, passa a conceder à título de parcela excedente uma mera gratificação (ou mesmo prêmio descrito pelo auditor), ou seja, sob essa acaba por incidir contribuição previdenciária. Não é a nomenclatura “participação nos lucros” que define, por si só, a natureza da verba, mas sua finalidade e características. Se os valores pagos ultrapassam aqueles previstos no instrumento que autorizam o pagamento, não há que se falar em previsão dos mesmos no acordo, razão pela qual correto o procedimento adotado. Vejamos trecho de decisão dos tribunais acerca dessa questão: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS X PRÊMIO – DENOMINAÇÃO DA PARCELA E SUA NATUREZA – PREVALÊNCIA. Verificandose que, embora denominada “participação noslucros”, a parcela paga ao trabalhador tinha natureza de “prêmio”, assim considerada a promessa de vantagem caso o empregado atinja certo nível de produção ou observe determinada conduta, temse como inaplicável o disposto no art. 10, XI da Constituição Federal e na lei 10.101/00, devendo ser reconhecida a natureza remunueratória dos valores pagos e eferidos os respectivos reflexos, não sendo admissível a prevalência do rótulo em relação ao conteúdo.” TRT – 24 Reg – Proc 00556200103124002 – RO Rel: Juiz Amaury Rodrigues Pinto Junior – DJMS 22.1.2003. CONCLUSÃO: Independente de não te cumprido o rito para formalização do acordo, ao pagar valores acima dos estipulados no acordo diretamente como empregador, nãao há que se falar em pagamento à titulo de PLR, assemelhandose a um mero bônus. PAGAMENTO DE BÔNUS – EMPRESA VERACEL. Por fim, quanto a este item, assim, argumenta a autoridade fiscal. 2.20. Analisando a folha de pagamento foi encontrada a rubrica Bônus Espontâneo (verba 134), nas competência 08 e 09/2005. Intimada, a empresa informou que se trata de nome tecnicamente equivocado, dado h antecipação da GPR, das pessoas que participaram do Projeto Veracel, cujos esclarecimentos seguem no anexo VI, de fls. 680 a 687. 2.21. Com base nos documentos apresentados, foi constatado que o Bônus Espontâneo não se trata de uma antecipação de GPR e sim do pagamento final da GPR referente ao Projeto Veracel, já que o adiantamento ocorreu em 27/06/2005. 2.22. Foi constatado ainda que diversos empregados receberam GPR mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que é vedado pelo art. 3, § 2°, da Lei n° 10.101/2000, sendo que os referidos funcionários constam no anexo VIII de fls. 702. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 16 29 2.23. Os dados relativos aos fatos geradores foram apurados com base na escrituração contábil e nas informações constantes das folhas de pagamento, por meio das verbas 277 (Part. Lucros Resultados/GPR) e 134 (Bônus Espontâneo) e estão discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos GR6 e GR7, sendo que os valores discriminados por empregado encontramse no anexo I. Por outro lado argumenta o recorrente, sinteticamente em seu recurso Quanto à suposta usurpação do limite estabelecido no GPR e o alegado desrespeito A periodicidade de dois pagamentos anuais; insta observar que tais conclusões da fiscalização foram estrita e diretamente influenciadas por remunerações vinculadas ao "Projeto Veracel", as quais não podem ser equiparadas As participações nos lucros, uma vez que, dotadas de caráter eminentemente eventual e extraordinário, são alheias incidência de contribuições previdenciárias, conforme documentos juntados As fls. 1.276 a 1.321. Além disso, os valores foram distribuídos unicamente em razão de determinados funcionários terem atingido especificamente a meta de construção da unidade VERACEL, recebendo, em contrapartida, bônus de caráter excepcional, tendo sido concedida em caráter eventual, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias por força do disposto no art. 28, § 9 0, V, "j" da Lei n° 8.212/91, assim como no § 11 do art. 201 da Constituição Federal. Quanto a este item na verdade, alega o recorrente que a periodicidade restou descumprida, mas não em relação ao PLR norma, ajustado originalmente no GPR, mas originouse do projeto de alcance de metas na construção da unidade VERACEL. Quanto a este ponto, também não acato os argumentos do recorrente. Ora, se a empresa estabelece vários planos de pagamento de lucros pelo alcance de metas, seja em relação a uma nova meta, acaba por se distanciar do conceito de PLR, passando, conforme descrito anteriormente a efetivar pagamentos pelo alcance de metas, mas não na concepção de PLR, mas sim de um mero prêmio, ou bônus. Em ambos os casos, evidente a sua natureza salarial. Por outro lado,mesmo que se acatasse o argumento de pagamento na modalidade de PLR, descumprido estaria de qualquer forma a periodicidade prevista em lei. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, também em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 30 resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. CONCLUSÃO: independente de já descumprido o requisito da negociação, também entendo descumprido o requisito da periodicidade. APLICAÇÃO IRRESTRITA DO TEXTO CONSTITUCIONAL Independente dos apontamentos quanto a regularidade do PLR, assim, argumentou o recorrente O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. No que tange à participação nos lucros, optou o constituinte originário por prever que a mesma seria desvinculada da remuneração dos trabalhadores, deixando de impor qualquer tipo de restrição, valendo dizer que a expressão "conforme definido em lei", presente no dispositivo constitucional supracitado, somente se aplica participação dos trabalhadores na gestão da empresa e não à participação nos lucros, tendo o art. 7°, XI da Constituição Federal, desde a sua promulgação, plena eficácia em relação à participação nos lucros, especialmente quanto a impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. Ainda que se entenda que a expressão "conforme definido em lei" também se aplica à participação nos lucros, não poderia o legislador, sob pretexto de regulamentar o texto constitucional, alterar o seu conteúdo, como o fez o art. 28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91. O § 40 do art. 218 da Constituição Federal estabelece que cabe a lei apoiar e incentivar a distribuição dos lucros pelas empresa, sendo impossível tal comando atingir o seu objetivo se for imposta às empresas pesada carga previdencidria em razão do descumprimento de pequenas formalidades, como no caso em tela, sendo que a legislação infraconstitucional não pode ignorar o referido dispositivo constitucional, sendo esta a posição dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais, transcrevendo jurisprudência. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte ds argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 17 31 Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 32 empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15586.001358/200930 Acórdão n.º 2401003.641 S2C4T1 Fl. 18 33 CONCLUSÃO: o disposto no texto constitucional, não confere imunidade absoluta aos valores pagos a título de PLR, devendo, obedecer os preceitos da lei 10101/2000. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos do voto acima, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância, rejeitar a nulidade do lançamento e no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para: I) excluir do lançamento o levantamento “seguro de vida em grupo”, levantamentos SG6 e SG7; II) excluir do lançamento o levantamento CS6 – Curso Superior. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722845/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RETENÇÕES NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO.
Se a documentação constante dos autos permitiu confirmar retenções que ainda não haviam sido computadas no lançamento, e também verificar que as receitas correspondentes compuseram a base de cálculo do tributo, tais retenções devem ser deduzidas do auto de infração, conforme os valores indicados na tabela constante do Termo de Encerramento de Diligência.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RETENÇÕES NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO. Se a documentação constante dos autos permitiu confirmar retenções que ainda não haviam sido computadas no lançamento, e também verificar que as receitas correspondentes compuseram a base de cálculo do tributo, tais retenções devem ser deduzidas do auto de infração, conforme os valores indicados na tabela constante do Termo de Encerramento de Diligência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 28 45 /2 00 9- 76 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.722845/200976 Acórdão n.º 1802002.340 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 3 a 35, nos valores de R$9.847,14, R$12.237,61, R$6.774,36 e R$56.481,68, respectivamente, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios. A Fiscalização apurou receitas de prestação de serviços e de vendas de mercadorias escrituradas nos livros Diário e Razão, mas não declaradas na DIPJ do ano calendário de 2006. De acordo com o Termo de Verificação da Ação Fiscal (fls. 36 a 44), todos os valores recolhidos/declarados foram considerados para a exigência das diferenças em aberto. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 213 a 221, a Contribuinte inicialmente apontou pequenas incorreções no lançamento, que decorreram de divergências entre o valor de algumas notas fiscais e o que foi registrado na contabilidade. Além disso, alegou que não foram consideradas as retenções na fonte por parte das empresas pagadoras, e que valores relacionados como pendentes de pagamento no auto de infração já haviam sido parcelados e pagos, conforme processo de parcelamento nº 10580.011077/2006 89. Como mencionado, a DRJ em Salvador/BA considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO. LUCRO PRESUMIDO. É legítimo o lançamento de ofício do imposto de renda devido, apurado com base na escrituração da pessoa jurídica, quando esta deixar de registrálo na respectiva DCTF e de recolhêlo, cabendo, entretanto, a dedução do valor do imposto retido pelas fontes pagadoras, desde que informado nas DIRF e devidamente comprovado pela pessoa jurídica, bem como dos valores objeto de parcelamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 545DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.722845/200976 Acórdão n.º 1802002.340 S1TE02 Fl. 4 3 Confirmada, parcialmente, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento. Lançamento Procedente em Parte Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento corrigiu as incorreções que estavam devidamente comprovadas, relativamente às diferenças entre o valor de algumas notas fiscais e o que foi registrado na contabilidade. Quanto às retenções na fonte constantes de uma planilha apresentada juntamente com a impugnação, a DRJ registrou que a Contribuinte deveria ter trazido cópia das notas fiscais envolvidas nas operações que geraram retenção de tributo; que havia diversas operações cujo valor bruto é inferior a R$5.000,00, não sujeitando, dessa forma, a contratante à retenção na fonte das contribuições; que estavam relacionados vários órgãos e entidades das administrações públicas federal, estadual e municipais, igualmente não sujeitos à retenção; que nas poucas notas fiscais trazidas aos autos, embora haja a menção do percentual de retenção do IRPJ – e, às vezes, das contribuições – não constam os valores retidos na fonte, como preceitua o § 10 da IN SRF 459/2004; e que em algumas destas notas, o valor dos serviços (valor bruto) é idêntico ao valor da nota fiscal (valor líquido), o que denota a não retenção de tributo. Diante desse contexto, foram aceitas como comprovadas somente as retenções apontadas pela Impugnante que estavam registradas nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF encaminhadas à Receita Federal do Brasil pelas empresas tomadoras dos serviços (fls. 314 a 356). Em relação aos valores pagos pelo referido processo de parcelamento, a DRJ identificou alguns que já haviam sido deduzidos do auto de infração, porque correspondiam a valores anteriormente declarados em DCTF, já descontados na realização do lançamento. Entretanto, constatou outros que realmente correspondiam ao período autuado e que ainda não tinham sido considerados. Tais pagamentos foram utilizados para reduzir as diferenças a serem exigidas. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/11/2009, a Contribuinte apresentou em 18/12/2009 o recurso voluntário de fls. 382 e 383, onde alega que a decisão de primeira instância não considerou todos os valores retidos na fonte, e que está apresentando planilha dos valores retidos com os respectivos comprovantes de rendimentos e retenções, bem como as notas fiscais correspondentes. Em 23/11/2011, esta turma julgadora exarou a Resolução nº 1802000.046, às fls. 473 a 478, demandando realização de diligência pela unidade de origem. Cumprida a resolução, o processo retornou ao CARF com o Termo de Encerramento de Diligência às fls. 534 a 538, para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.722845/200976 Acórdão n.º 1802002.340 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para exigência de IRPJ e reflexos, realizado a partir de diferenças entre as receitas contabilizadas e as declaradas em DIPJ no anocalendário de 2006. A maioria dos pontos controvertidos já foi dirimida na 1ª instância, mas a Contribuinte alega que ainda restam retenções na fonte a serem consideradas, e apresenta uma planilha, às fls. 467, onde indica os valores que entende devidos, após a dedução das referidas retenções, as quais estão sintetizadas às fls. 384 a 388. A parte não litigiosa foi transferida para outro processo, nº 10580.720378/201083 (fls. 468/469). Os argumentos e documentos apresentados pela Contribuinte nessa fase recursal motivaram a realização de diligência, determinada pela mencionada Resolução nº 1802000.046, às fls. 473 a 478, nos seguintes termos: Os documentos apresentados nessa fase recursal (fls. 389 a 465) correspondem às seguintes fontes pagadoras: Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina; Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região; Companhia Brasileira de Trens Urbanos; Petrobrás; Base Naval de Aratu; CA Programas de Computador Ltda.; Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial; Agência Nacional de TelecomunicaçõesBA; Companhia de Gás da Bahia – Bahiagás; Procuradoria da República – BA; Iate Clube da Bahia; Comando 6ª Região Militar; CODEBA – Companhia Docas do Estado da Bahia; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.722845/200976 Acórdão n.º 1802002.340 S1TE02 Fl. 6 5 Hospital Geral de Salvador; Universidade Federal da Bahia; Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba; Tigre S/A Tubos e Conexões; Real Soc. Portuguesa Benef. 16 setembro; Thyssenkrupp Automotive Systems do Brasil Ltda.; e Praia Grande Transportes Ltda. Para algumas destas fontes pagadoras, como é o caso da Petrobrás e de outras empresas que estão sublinhadas na relação acima, a indicação é de que as retenções já foram consideradas na primeira instância, porque estas empresas também estão relacionadas no relatório DIRF de fls. 314 a 356. Mas a decisão recorrida apresentou apenas uma planilha com valores globais de retenção, o que dificulta essa conferência. Por outro lado, há documentos que indicam a existência de retenções ainda não aproveitadas. Vale registrar que além da retenção prevista no art. 30 da Lei 10.833/2003 (que foi mencionada na decisão recorrida), há outras hipóteses de retenção na fonte, como é o caso do art. 64 da Lei 9.430/1996 c/c art. 34 da Lei 10.833/2003, estabelecida para os órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades de que a União participe. Nesse sentido, há vários comprovantes de pagamentos registrados no sistema SIAFI onde constam valores retidos pela própria União, acompanhados das respectivas notas fiscais emitidas pela Recorrente, informações estas que não constam no relatório das DIRF, onde se baseou a decisão recorrida. Há ainda “comprovantes de rendimentos e retenções” emitidos por outras empresas que contrataram com a Recorrente, conforme relação acima, os quais também apresentam informações que não constam do relatório referente às DIRF. O aproveitamento destas retenções não depende apenas da confirmação de sua existência. Também é necessário que as receitas correspondentes tenham sido computadas na apuração da base de cálculo que deu origem às exigências fiscais, mas os autos não possibilitam uma conclusão segura a esse respeito. Deste modo, entendo que o processo deve ser encaminhado à Delegacia de origem para que ela: manifestese sobre a efetividade das retenções constantes dos documentos apresentados pela Recorrente, às fls. 389 a 465; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.722845/200976 Acórdão n.º 1802002.340 S1TE02 Fl. 7 6 informe se as receitas correspondentes a estas retenções estão incluídas na base de cálculo apurada pela Fiscalização; apresente relatório que expresse suas conclusões sobre o montante das retenções a serem consideradas por tributo e período, demonstrando a composição destes valores em planilhas detalhadas; intime a Contribuinte para se manifestar sobre estas conclusões, antes de o processo retornar ao CARF. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Salvador/BA atenda a solicitação acima. A diligência foi realizada, e o processo devolvido ao CARF com o Termo de Encerramento de Diligência às fls. 534 a 538. No atendimento à resolução, a Delegacia de origem intimou a Contribuinte a apresentar alguns elementos e documentos, no intuito de verificar/confirmar as alegadas retenções que ainda não haviam sido computadas pela Fiscalização. Posteriormente, fez as seguintes considerações no referido Termo de Encerramento de Diligência: [...] Com base na análise do material recebido e os esclarecimentos acima reproduzidos, contidos na correspondência recebida em 07 de outubro de 2013, fica evidenciada que a diligenciada entende desnecessários os elementos solicitados no Termo de Início de Diligencia Fiscal, uma vez que apresenta tão somente uma planilha onde são relacionadas notas fiscais emitidas por ela no ano calendário de 2006. Em seguida, verificamse as questões propostas pelo Órgão Julgador e suas devidas respostas: a) Retornar o processo à DRFSalvador para que esta manifeste se sobre a efetividade das retenções constantes dos documentos apresentados pela Recorrente, às fls. 389 a 465: Resposta: Em que pese à ausência dos elementos/esclarecimentos solicitados no Termo de Inicio de Diligencia Fiscal, já que o único elemento apresentado, uma planilha que relaciona as notas fiscais emitidas e que está incompleta, tendo em vista o livro razão da diligenciada, algumas constatações podem ser feitas tendo em vista os documentos constantes às páginas 389 a 465 do processo em questão, bem como cópia da escrituração contábil constante às páginas 56 a 76 do referido processo. A planilha elaborada abaixo compatibiliza as informações constantes às páginas 389 a 465 com a escrituração contábil da diligenciada, constante as páginas 56 a 76 do processo em questão. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.722845/200976 Acórdão n.º 1802002.340 S1TE02 Fl. 8 7 Valores Retidos pela Fonte Pagadora Cód. Pág. Fonte Pagadora CNPJ n° NF.n° Data Vlr.Bruto IRRF CSLL PIS COFINS Total Ret. Proc. TRE SC 05.858.851/000193 2324 11/01/2006 234.625,00 2.815,50 2.346,25 1.525,06 7.038,75 13.725,56 6147 390 e 61 TRE SC 05.858.851/000193 2326 11/01/2006 950,00 11,39 9,50 6,18 28,50 55,57 6147 395 e 61 TRE SC 05.858.851/000193 2476 22/02/2006 1.920,00 23,04 19,20 12,48 57,60 112,32 6147 398 e 63 TRE SC 05.858.851/000193 2627 18/04/2006 189,99 2,28 1,90 1,23 5,70 11,11 6147 401 e 64 TRT 5a RF 02.839.639/0001 90 2293 04/01/2006 1.052,00 12,63 10,52 6,83 31,56 61,54 6147 408 e 61 TRT 5a RF 02.839.639/000190 2557 27/03/2006 8.600,00 103,20 86,00 55,90 258,00 503,10 6147 404 e 63 TRT 5a RF 02.839.639/000190 2641 26/04/2006 13.210,00 158,52 132,10 85,86 396,30 772,78 6147 407 e 64 1.275,88 6147 402 CBTU 42.357.483/000126 não comprovado 6147 412 Base N. de Aratu 00.394.502/002864 2513 08/03/2006 3.607,05 43,28 36,07 23,45 108,21 211,01 6147 414 e 63 Base N. de Aratu 00.394.502/002864 2518 09/03/2006 350,00 4,20 3,50 2,27 10,50 20,47 6147 417e** CA Prog.Comp. 50.053.636/000170 não comprovado 1708 420 CA Prog.Comp. 50.053.636/000170 não comprovado 5952 421 ANATEL BA 02.030.715/001860 não comprovado 6147 428 late Club da BA 15.154.354/000168 não comprovado 1708 435 Coraô3 Reg.Mil. 00.394.452/043848 3267 07/11/2006 42.174,00 506,09 421,73 274,14 1.265,22 2.467,18 6147 438 e 75 CODEBA 14.372.148/000161 3258 31/10/2006 35.695,00 428,34 356,96 232,01 1.070,85 2.088,16 6147 444 6 73 Hosp.Geral SSA 00.394.452/038844 2957 28/07/2006 11.921,00 143,05 119,21 77,49 357,63 697,38 6147 448 e 67 UFBA 15.180.714/000104 2702 12/05/2006 1.980,00 23,76 19,80 12,87 59,40 115,83 6147 454 e 65 UFBA 15.180.714/000104 3296 13/11/2006 34.320,00 411,84 343,20 223,08 1.029,60 2.007,72 6147 453 e 74 TRE da Paraíba 06.017.798/000160 3128 22/09/2006 4.557,00 68,35 68,35 1708 459 e 72 Assim é que foram confirmadas as retenções tributárias efetuadas pelas seguintes fontes pagadoras: Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina; Tribunal Regional do Trabalho da 5a Região; Base Naval de Aratu; Comando 6a Região Militar; CODEBA Companhia Docas do Estado da Bahia; Hospital Geral de Salvador; Universidade Federal da Bahia e Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Ressalvando que a escrita contábil apresentada não registra a nota fiscal de n° 2518, emitida em 09032006, no valor de R$ 350,00 contra a Base Naval de Aratu.. Já as retenções tributárias efetuadas por Companhia Brasileira de Trens Urbanos; CA Programas de Computador Ltda.; Agência Nacional de Telecomunicações BA e late Clube da Bahia não foram confirmadas tendo em vista a falta de apresentação, pela diligenciada, dos elementos / informações / documentos solicitados no Termo de Início de Diligencia Fiscal e aqueles constantes no processo não serem suficientes para gerar a certeza necessária. b) informe se as receitas correspondentes a estas retenções estão incluídas na base de cálculo apurada pela Fiscalização: Resposta: As planilhas de apuração das Receitas Tributáveis, elaboradas pela fiscalização, constantes às páginas 52 a 55 deste processo, bem como o teor do Termo de Verificação Fiscal, mas especificamente na página 38, revelam que foram tomadas como base de cálculo dos tributos apurados os valores constantes na escrituração contábil apresentada pela diligenciada às páginas 56 a 76. Dessa forma, como demonstrado na planilha acima elaborada, na resposta ao quesito a) restou confirmadas, tanto as retenções tributárias, como a contabilização, e, por sua vez, a tributação através de Fl. 550DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.722845/200976 Acórdão n.º 1802002.340 S1TE02 Fl. 9 8 auto de infração lavrado pela fiscalização, os faturamentos e retenções tributárias efetuadas pelas seguintes fontes pagadoras: Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina; Tribunal Regional do Trabalho da 5a Região; Base Naval de Aratu; Comando 6a Região Militar; CODEBA Companhia Docas do Estado da Bahia; Hospital Geral de Salvador; Universidade Federal da Bahia e Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Ressalvando que a escrita contábil apresentada não registra a nota fiscal de n° 2518, emitida em 09032006, no valor de R$ 350,00 contra a Base Naval de Aratu. Ressaltando ainda que não foram confirmadas, a tributação, a retenção nem a contabilização das seguintes fontes pagadoras: Companhia Brasileira de Trens Urbanos; CA Programas de Computador Ltda.; Agência Nacional de Telecomunicações BA e late Clube da Bahia, pelas razões já explicitadas acima, na resposta ao quesito a). c) apresente relatório que expresse suas conclusões sobre o montante das retenções a serem consideradas por tributo e período, demonstrando a composição destes valores em planilhas detalhadas: Resposta: O montante das retenções que deve ser considerado, por tributo e por período, está detalhado na planilha elaborada na resposta ao quesito a) acima. d) intime a Contribuinte para se manifestar sobre estas conclusões, antes de o processo retornar ao CARF. A partir da data da Ciência deste Termo de Diligência Fiscal, nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70.235/72, fica o contribuinte acima mencionado intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste Termo possa se manifestar. E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em duas vias de igual teor e forma, assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto,que neste ato recebe uma das vias. Intimada do Termo de Encerramento de Diligência, a Contribuinte não questionou suas conclusões. Pela documentação constante dos autos, foi possível confirmar parte das alegadas retenções que ainda não haviam sido computadas no lançamento, e também verificar que as receitas correspondentes compuseram a base de cálculo dos tributos. Tais retenções, portanto, devem ser deduzidas dos autos de infração, conforme os valores indicados na tabela acima transcrita. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.722845/200976 Acórdão n.º 1802002.340 S1TE02 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para que as retenções constantes da tabela acima sejam deduzidas dos autos de infração. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 552DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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