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Numero do processo: 19985.722664/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTES.
A dedução de despesa médica restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes para o Imposto de Renda.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-003.189
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTES. A dedução de despesa médica restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes para o Imposto de Renda. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTES. A dedução de despesa médica restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes para o Imposto de Renda. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 26 64 /2 01 4- 29 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 19985.722664/201429 Acórdão n.º 2201003.189 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1271.598, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Trata o presente processo de notificação de lançamento (fls. 06/11), emitida em nome do contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), referente ao exercício de 2013, ano calendário de 2012, tendo sido apurado IR suplementar no valor de R$ 2.351,39 sujeito à multa de ofício e juros de mora. Conforme descrição dos fatos foi constatada Dedução indevida de Despesas Médicas, glosa do valor de R$ 22.371,95. Conforme consta da descrição dos fatos, não são dedutíveis as despesas pagas em favor de terceiros que não estão listados como dependentes do declarante. Cientificado em 16/07/2014 (fl. 26), o Contribuinte apresentou em 11/08/2014 a impugnação de fl. 02 com os argumentos abaixo reproduzidos em síntese: Na data de 02/12/2013, compareceu à Receita Federal de JoinvilleSC para tratar da pendência em sua declaração de IRPF 2013 onde foi informado que deveria aguardar o termo de intimação fiscal. Como não recebeu nenhuma notificação, buscou novamente a Receita Federal quando foi informado que os Correios não havia conseguido entregar o referido termo por não ter sido atendido. Ocorre que o condomínio possui dois zeladores presentes no período das 08:00 h às 20:00 h, guarita, portaria e sistema de monitoramento. Portanto, em razão do não recebimento não ter sido por sua culpa impugna a notificação de lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Anexou à impugnação a DAA 2012 e 2014 para demonstrar que sempre declarou os mesmos pagamentos, especialmente Unimed Curitiba e Associação Assistencial para Idoso. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 · Fez prova que possui plano de saúde Unimed. · Os valores declarados foram suportados pelo recorrente. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 19985.722664/201429 Acórdão n.º 2201003.189 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de realizar deduções de despesas médicas próprias e de seus dependentes da base de cálculo do imposto de renda Além do direito de realizar deduções, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual. A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 8 da Lei nº 9.250/95 e o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: Lei 9.250/95 Art.8. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seu art. 80: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 19985.722664/201429 Acórdão n.º 2201003.189 S2C2T1 Fl. 5 7 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Neste processo, foram glosadas despesas médicas para Unimed (declarado R$ 13.718,58 e alterado para R$ 7.491,53 e Associação Assistencial para Idosos (declarado 16.145,00 e alterado para R$ 0,00). A motivação para ao lançamento foi "Não são dedutíveis as despesas pagas em favor de terceiros que não estão listados como dependentes do declarante." Observo que o voto condutor da decisão de primeira instância registra que "em relação às despesas glosadas, o contribuinte não se manifesta e nem apresenta qualquer documento comprobatório. Dessa forma, diante da ausência de provas, deve ser mantido o lançamento na forma efetuada." Ao recurso foram anexados recibos emitidos pela Associação Assistencial para Idosos Lar das Flores referentes a pagamentos mensais da Sra Dagmar Linhares Santana, não dependente do recorrente e Demonstrativo de Movimentação Financeira emitido pela Unimed Curitiba, especificando pagamentos para o "Contrato 25 Família 38853", no total de R$ 13.718,58, sendo R$ 7.491,63 para o beneficiário Nelson Tabajara do Amaral Costa (recorrente) e R$ 6.226,95 para a beneficiária Maria Aparecida Santana do Amaral Costa, cônjuge, não dependente. Entendo que o lançamento está correto. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728446/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa
MOLÉSTIA GRAVE . OCORRÊNCIA
Reconhecida a existência da alienação mental, impõe-se admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88.
DATA DE INICIO DA ISENÇÃO
Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2201-003.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 26/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (presidente substituto), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz .
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa MOLÉSTIA GRAVE . OCORRÊNCIA Reconhecida a existência da alienação mental, impõe-se admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. DATA DE INICIO DA ISENÇÃO Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (presidente substituto), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz .
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OCORRÊNCIA Reconhecida a existência da alienação mental, impõese admitir o direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. DATA DE INICIO DA ISENÇÃO Os tribunais superiores pacificaram o entendimento no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão, deve ser a partir da data em que foi comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 84 46 /2 01 2- 74 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (presidente substituto), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato Dos Santos (suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos De Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz . Relatório Tratase de recurso contra a decisão proferida no acórdão 1253.636 da 18ª Turma da DRJ/RJ1, de 13 de março de 2013, fls.49/52, que julgou improcedente a impugnação oferecida contra exigência de imposto de renda de pessoa física, por omissão de rendimentos, no ano calendário de 2007. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2007, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 13 a 16, em que foram apuradas omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Justiça, no valor de R$ 41.371,96, e do Comando do Exército, no valor de R$ 34.659,96. Em função dessas alterações, foi apurado imposto suplementar de R$ 6.302,35, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 13.658,45. Após ter sido cientificada do indeferimento de sua solicitação de retificação de lançamento (fl. 43), a Contribuinte, por intermédio de seu curador judicial, apresentou a impugnação de fls. 2 a 7 em 29/06/2012, alegando, em síntese, que a Interessada seria portadora de moléstia grave desde janeiro de 2007 e faria jus, em razão disso, à isenção do imposto de renda. Foi solicitada prioridade no julgamento do processo, com fulcro no Estatuto do Idoso. Ciente da decisão em 11/04/2013, conforme AR de fls.54, há oferecimento de recurso voluntário, às fls.67/71, interposto pelo inventariante, legalmente constituído, do Espólio da Contribuinte. Inicia noticiando a juntada da decisão judicial, transitada em julgado, proferida em 12 de maio de 2012, pelo Des. Aluísio Gonçalves de Castro, no mandado de segurança nº000613658.2011.4.02.5101(doc.05), que reconheceu a isenção dos rendimentos recebidos pela Contribuinte, ante a constatação da moléstia grave, a partir de janeiro de 2007. Requer ao final o cancelamento da exigência de R$ 34.659,96 e R$ 41.371,96, referente ao ano de 2007, bem como a restituição de todos os valores pagos a título de imposto de renda daquele ano calendário. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 12448.728446/201274 Acórdão n.º 2201003.116 S2C2T1 Fl. 141 3 O processo é distribuído, por sorteio, em 09/12/2015, conforme despacho de fls.139,. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Como anteriormente relatado tratase exigência do imposto de renda de pessoa física referente ao ano calendário de 2007, no valor de base de cálculo de R$ 76.031,92,conforme descrição dos fatos e enquadramento legal defls.13/16, recebidos de aposentadoria e pensão naquele ano calendário. Em função dessas alterações, foi apurado imposto suplementar de R$ 6.302,35, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 13.658,45, até a data do lançamento. A recorrente, através de retificação da declaração do ano calendário de 2007, em 04/03/2012, ofereceu Declaração de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física retificadora pretendendo a restituição de R$ 7.216,63. No voto condutor da decisão recorrida, a negativa se deu nos termos seguintes: Quanto ao primeiro requisito, restou demonstrado que a Interessada era aposentada do Ministério da Justiça desde 1995 (fl. 30 e 31) e pensionista do Comando do Exército (fls. 11, 12 e 32) no anocalendário de 2007. Assim, os rendimentos recebidos do Ministério da Justiça e do Comando do Exército configuram, respectivamente, proventos de aposentadoria e pensão. No que tange ao segundo requisito legal, a Interessada apresentou os laudos médicos do Ministério da Justiça (fls. 18 a 21) e do Ministério da Defesa – Exército Brasileiro (fl. 25). O laudo médico de fls. 18 a 20 e o Parecer de fl. 21 atribuem à Interessada o diagnóstico de Doença de Alzheimer (CIDX – G30), que não se encontra no rol das moléstias graves discriminadas no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. A Cópia de Ata de Inspeção de Saúde do Ministério da Defesa – Exército Brasileiro (fl. 25), datada de 14/06/2011, atesta ser a Interessada portadora de alienação mental, moléstia grave prevista na Lei nº 7.713, de 1988, porém especifica a data de início da doença em 09/02/2011. Considerase, então, como data de início da alienação mental a data a que se reporta a inspeção de saúde de fl. 25, qual seja, 09/02/2011. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 Isso posto, concluise que os documentos expedidos por serviços médicos oficiais juntados aos autos não atestam ser a Interessada portadora de moléstia grave isentiva no anocalendário de 2007, não se cogitando, assim, da isenção pleiteada na impugnação em tela. Mantémse, portanto, a omissão de rendimentos apurada na notificação de lançamento de fls. 13 a 16 Ou seja, a autoridade julgadora entendeu que o início da doença só poderia ser contado a partir da data consignada no laudo de fls.25, ou seja 09 de fevereiro de 2011. Já em sede de recurso voluntário o Recorrente, às fls.88 e seguintes , junta cópia da Apelação/Reexame necessário de nº 006132658.2011.4.02.5101, oriunda do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Em pesquisa no site da Justiça Federal em 21/03/2016, temse a movimentação do processo e a notícia do seu arquivamento, na forma seguinte: Processo:Nº0006136 58.2011.4.02.5101 (TRF2 2011.51.01.0061364) IV APELAÇÃO / REEXAME NECESSÁRIO ( APELRE /541124 ) AUTUADO EM 31.01.2012 PROC. ORIGINÁRIO Nº201151010061364JUSTIÇA FEDERAL.RIO DE JANEIRO.VARA: 20CI APTE THALITHA VIEIRA LIMA REP/ P/ RICARDO VIEIRA DE LIMA ADV: MARCELO PEREIRA REPSOLD APDO OS MESMOS ADV: RELATOR: J.F.CONV.ALUISIO GONCALVES DE CASTRO MEN 3A.TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Todas as Partes Movimentos: · Em 23/08/2012 13:15 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(O) Vigésima Vara Federal do Rio de Janeiro (GR 00/0115090)12/0115090 · Em 23/08/2012 13:03 Trânsito em Julgado EM,22/08/2012 DATA DO ÚLTIMO PRAZO: 22.08.2012 Em 24/07/2012 16:38Recebimento NA(O) SUBSECRETARIA DA 3A.TURMA ESPECIALIZADA Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 12448.728446/201274 Acórdão n.º 2201003.116 S2C2T1 Fl. 142 5 O acórdão do Tribunal está assim ementado: TRIBUTÁRIO.MANDADO DE SEGURANÇA.ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.ALIENAÇÃO MENTAL.ARTIGO 6º,INCISO XIV,DA LEI Nº7713/88.DATA DE INÍCIO DA ISENÇÃO QUE DEVE RETROAGIR AO MOMENTO EM QUE SE DIAGNOSTICOU A PATOLOGIA.EFEITOS PATRIMONIAIS PRETÉRITOS EM MANDADO DE SEGURANÇA.MANIFESTA DIVERGÊNCIA COM AS SÚMULAS 269 E 271 DO STF.LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ NÃO CARACTERIZADA. I Reconhecida a alienação mental da impetrante, que sofre do Mal de Alzheimer, impõese admitir seu direito à isenção do imposto de renda, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/88. II No que diz respeito à data de início do benefício, nossos tribunais possuem entendimento de pacificado no sentido de que o termo inicial para ser computada a isenção e, conseqüentemente, a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria , deve ser a partir da data em que comprovada a doença, ou seja, do diagnóstico médico, e não da emissão do laudo oficial, o qual certamente é sempre posterior à moléstia e não retrata o objetivo primordial da Lei 7713/88. III Inviável a devolução das quantias descontadas em período anterior a impetração, já que o mandado de segurança não é via adequada para pleitear a concessão de efeitos patrimoniais pretéritos, a teor do contido nas Súmulas 269 e 271 do STF. A base legal para a concessão do benefício legal é , a Lei n.º 7.713/88, art. 6º, incisos XIV e XXI, com redação dada pelas Leis nº 8.541/92, nº 9.250/95 e nº 11.052/2004, reproduzida no inciso XXXIII e §§ 4º e 5º do art. 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999,nos termos seguintes: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional,tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 “§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). §5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” E a decisão de primeiro grau já reconheceu a natureza dos rendimentos , contudo negou a restituição do Contribuinte, por entender que no laudo de fls. 25, a data de início da isenção se deu em 09/02/2011. Contudo, a decisão judicial consignou que a data do início da doença foi 02 de janeiro de 2007, conforme fls.104, quando assim versou: Assim sendo, merece prosperar o apelo da impetrante, neste particular, para fixar como termo inicial do benefício de isenção de imposto de renda, o mês de janeiro de 2007. E mais, às fls.108, último parágrafo, assim constou: Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento à remessa necessária e ao recurso de apelação da União e dar parcial provimento aquele interposto pela impetrante, tão somente para reconhecer como termo inicial do benefício de isenção de imposto de renda o mês de janeiro de 2007. Nessa conformidade encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. 3"#)*#()$,%,3"0 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 12448.728446/201274 Acórdão n.º 2201003.116 S2C2T1 Fl. 143 7 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011302/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 21/12/2005
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 - O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra insculpida no Código Tributário Nacional. Assim, houve a decadência das contribuições previdenciárias levantadas no período de 01/1997 a 12/2001. No presente lançamento se aplica a regra insculpida no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. O lançamento em testilha foi realizado em 30/03/2007, estando parcialmente decadente o período de 01/1997 a 02/2002.
ADESÃO PARCIAL AO PARCELAMENTO ISTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941/2009. PERDA DO INTERESSE DE AGIR. RENÚNCIA PARCIAL DAS ALEGAÇÕES DE DIREITO SOBRE AS QUAIS SE FUNDAM AS RAZÕES RECURSAIS. A adesão ao parcelamento tributário para as competências 01/2002 a 13/2005 importa na desistência parcial e renúncia das alegações de direito, referentes a esse período, do Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, para reconhecer como decadentes as competências até 02/2002.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 21/12/2005 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 - O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra insculpida no Código Tributário Nacional. Assim, houve a decadência das contribuições previdenciárias levantadas no período de 01/1997 a 12/2001. No presente lançamento se aplica a regra insculpida no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. O lançamento em testilha foi realizado em 30/03/2007, estando parcialmente decadente o período de 01/1997 a 02/2002. ADESÃO PARCIAL AO PARCELAMENTO ISTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941/2009. PERDA DO INTERESSE DE AGIR. RENÚNCIA PARCIAL DAS ALEGAÇÕES DE DIREITO SOBRE AS QUAIS SE FUNDAM AS RAZÕES RECURSAIS. A adesão ao parcelamento tributário para as competências 01/2002 a 13/2005 importa na desistência parcial e renúncia das alegações de direito, referentes a esse período, do Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SÚMULA VINCULANTE Nº 08 O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra insculpida no Código Tributário Nacional. Assim, houve a decadência das contribuições previdenciárias levantadas no período de 01/1997 a 12/2001. No presente lançamento se aplica a regra insculpida no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. O lançamento em testilha foi realizado em 30/03/2007, estando parcialmente decadente o período de 01/1997 a 02/2002. ADESÃO PARCIAL AO PARCELAMENTO ISTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941/2009. PERDA DO INTERESSE DE AGIR. RENÚNCIA PARCIAL DAS ALEGAÇÕES DE DIREITO SOBRE AS QUAIS SE FUNDAM AS RAZÕES RECURSAIS. A adesão ao parcelamento tributário para as competências 01/2002 a 13/2005 importa na desistência parcial e renúncia das alegações de direito, referentes a esse período, do Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 13 02 /2 00 7- 30 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial, para reconhecer como decadentes as competências até 02/2002. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.011302/200730 Acórdão n.º 2401004.301 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/1997 a 12/2005 Data de lavratura do Auto de Infração: 30/03/2007. Data de ciência dos Autos de Infração: 05/04/2007. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 9ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal, instituído pela NFLD DEBCAD Nº 37.074.6007– referente a contribuição da empresa destinadas à Seguridade Social, no valor total de R$ 297.699,58 (duzentos e noventa e sete mil, seiscentos e noventa e nove reais e cinquenta e oito centavos). Dos quais se discriminam os autos infracionais descritos no Relatório Fiscal. O presente lançamento fiscal referese a créditos de contribuições previdenciárias correspondentes à parte devida pelos segurados, à parte da empresa, ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT (para competências até junho/1997), ao financiamento concedido em razão do grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT a partir da competência de 07/1997 e contribuições destinadas a Terceiros. Serviram de base para o levantamento dos valores das notas fiscais faturadas os Abonos Indenizatórios (AB1 e AB2); Acréscimos Legais (DAL); Folha de Pagamento, Matriz e Filiais, período anterior à Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP (FP e FPF); Folha de Pagamento pós GFIP (FP1); Folha de Pagamento Caracterização de Segurado Empregado (FP4); Contribuinte Individual (PCI); Participação nos Resultados (PL1); Reclamatória Trabalhista (RT) e Vale Transporte pago em espécie (VRT), no período de 01/1997 a 12/2005. Dentre as informações trazidas pelo Relatório Fiscal de fls. 256/274, consta que parcelas a títulos de abonos indenizatórios, previstas em Acordos Coletivos de Trabalho, foram pagas em desacordo com a Lei Nº 8.212/91, art. 28, § 9º, “e’, item 7. Os requisitos legais não foram atendidos, vez que essas parcelas não se desvincularam expressamente dos salários. Ao contrário, incorporaramse a eles, sofrendo, inclusive, reajustes nos mesmos índices salariais. Esclarece, também, acerca da alteração de enquadramento em categoria de segurados, levantamento FP4. Trabalhadores considerados contribuintes individuais pela Notificada foram enquadrados como segurados empregados. A Fiscalização constatou que a prestação de serviços era executada de forma direta, habitual, remunerada, pessoal e subordinada. Não comportava independência de horário , nem autonomia em seu desenvolvimento. Havia carga horária determinada, com quantidade mínima de horas a serem cumpridas diariamente, pelos segurados envolvidos, quais sejam, Ariosvaldo Luiz Ferreira, vigilante na obra de construção civil executada nas instalações da Rua Senador Lúcio Bittencourt, 140, Carlos Prates/BH, no período de janeiro a junho de 2001, e Ruth Ovício dos Fl. 417DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Santos, faxineira, no mesmo local, na competência dezembro de 2005. Ressaltou, ainda, que a partir de janeiro de 2006, a referida segurada fora registrada como empregada da entidade. A ciência do lançamento fiscal se deu em 05/04/2007, inconformado o contribuinte apresentou impugnação ((fls. 280/315), manifestandose, dentre outros, pela arguição de decadência do crédito tributário anteriores à competência dezembro de 2001. O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal, em acórdão Nº 0215.568 – 9º Turma da DRJ/BHE, considerou procedente o lançamento (fls. 321/330), alegando que o contribuinte é obrigado a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. O contribuinte foi cientificado da decisão e inconformado interpôs recurso voluntário (fls. 337/373), alegando em síntese: a) Que há decadência do direito de a Seguridade Social cobrar as contribuições anteriores à competência dezembro de 2001. b) Que a multa tem efeito confiscatório e exigila nesta Notificação como em autos de infração é aplicar dupla punição para o mesmo ato. c) Que a Fiscalização não cuidou de verificar se os contribuintes individuais recolheram contribuições como autônomos, por meio de matrículas próprias, uma vez que são eles os sujeitos passivos da obrigação ora cobrada. d) Que é indevida a cobrança de contribuições sobre os abonos concedidos, pois que se tais abonos têm caráter exclusivamente indenizatório e resultaram de Acordos Coletivos de Trabalho firmados na forma da lei e chancelados por autoridade judicial. A fiscalização não pode pretender desnaturar legítima manifestação de vontades. Os Acordos Coletivos são instrumentos de flexibilização de direitos trabalhistas, resguardando, a própria Constituição Federal, sua validade e eficácia. Necessário frisar, então, que as cláusulas normativas somente podem ser anuladas ou canceladas pelas partes a quem aproveitam. Junta jurisprudência. e) Que é indevida a cobrança de contribuição previdenciária incidente em valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados. Assevera que esses valores não possuem natureza salarial. São parcelas desvinculadas da remuneração e, assim, fora do campo de incidência de contribuição previdenciária. Erroneamente, o contribuinte informa que esses valores se referem aos meses de agosto e setembro de 2006, quando se vê, no Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fl. 38), tratarse dos meses de julho e setembro de 1997. f) Que a Fiscalização está a cobrar contribuições previdenciárias incidentes sobre ações trabalhistas, não se importando com a natureza dos pedidos formulados e sob qual título foi efetuada a quitação. Ainda, que de um contato de trabalho sobressaem verbas indenizatórias que não são passíveis da incidência de contribuições. As normas legais não determinam que se deva especificar parcelas ou mesmo que o recolhimento de contribuições seja efetuado pelo total do Acordo. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.011302/200730 Acórdão n.º 2401004.301 S2C4T1 Fl. 4 5 g) Que não há nenhuma previsão legal que autorize o Fisco a descaracterizar uma relação de trabalho autônomo para relação de emprego e que na situação narrada pela Fiscalização não houve preenchimento dos requisitos determinados pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, art. 3º. h) Que o simples fato do vale transporte ser pago em pecúnia, ou por outro meio qualquer, não desnatura sua condição de parcela indenizatória. i) Que não é legítimo o fato de a empresa ser responsável pelo pagamento de parte de contribuição devida pelos próprios empregados. j) Que o conceito da base de cálculo foi estendido, passando a alcançar parcelas que não possuem natureza salarial. A Lei 8.212/91 estaria a criar novo tributo, extrapolando as diretrizes emanadas da Constituição Federal em seu art. 195, que autorizou a criação de contribuição desde que incidente sobre a folha de salários. k) Que a multa cobrada tem caráter confiscatório, além de constituir em dupla punição já que houve cobrança de multa da obrigação principal e cobrança de multa da obrigação acessória. l) Que os juros aplicados, assim como a correção monetária, chegam às raias da abusividade e da usura, uma vez que os valores dos juros são superiores a 50% da contribuição, por óbvio, indevidos e ilegais. O recurso foi recebido tempestivamente, em 14/07/2008(fl. 376). Em 24/02/2010 foi anexado Requerimento de Desistência Parcial ao Recurso Voluntário (fls. 377 e 378), em que o contribuinte informa ao Delegado da Receita Federal de Julgamento/Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a desistência parcial da impugnação e recurso interposto constante do presente processo administrativo – AI/NFLD Nº 37.074.6007. Declarou, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direitos sobre quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso. Referindose a desistência parcial aos débitos do período 01/2002 a 13/2005. Os autos foram devolvidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG para análise (fl. 379). Foi solicitado o desmembramento do crédito originalmente apurado e, em despacho de fl. 411, confirmado o desmembramento para transferência dos valores referente à parte não discutida do DEBCAD Nº 37.074.6007 a um novo processo DEBCAD Nº 37.402.2771. Ainda, foram mantidas no crédito originário as competências 01/1997 a 12/2001. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Egrégio Conselho. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 24/06/2008, conforme AR juntado às fls. 333 e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 14/07/2008; entretanto, em 24/02/2010 o Recorrente apresentou “Requerimento de Desistência Parcial ao Recurso Voluntário” (fls. 377 e 378), ocorrendo a desistência parcial do recurso interposto constante do presente processo administrativo, o qual foi desmembrado para transferência dos valores referente à parte não discutida do DEBCAD Nº 37.074.6007. Ainda, foram mantidas no crédito originário as competências 01/1997 a 12/2001, razão pela qual CONHEÇO PARCIALMENTE DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade referente ao período mencionado. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”, de modo que o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 5 (cinco) anos. Nesse descortino, no lançamento em testilha se aplica a regra insculpida no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Assim, tendo em vista que o lançamento ora guerreado foi realizado em 30/03/2007, restando parcialmente decadente, já que, diante do caso concreto, o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tornase, com isso, obrigatório acolher a preliminar suscitada pelo Recorrente para reconhecer a decadência do crédito tributário para o período de 01/1997 a 02/2002. 2.1 – DA RENÚNCIA EM FACE DE ADESÃO AO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941/2009 PARA O PERÍODO DE 01/2002 A 13/2005. O Recorrente em 24/02/2010 anexou Requerimento de Desistência Parcial ao Recurso Voluntário (fls. 377 e 378), informando a desistência parcial do recurso interposto constante do presente processo administrativo – AI/NFLD Nº 37.074.6007. Declarou, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direitos sobre quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso. Referindose a desistência parcial aos débitos referentes ao período 01/2002 a 13/2005, e mantendo o recurso para os débitos referentes ao período 01/1997 a 12/2001. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10680.011302/200730 Acórdão n.º 2401004.301 S2C4T1 Fl. 5 7 Assim, como ocorreu a renúncia do recurso voluntário apresentado em razão das contribuições previdenciárias lançadas no período de 01/2002 a 12/2001, não conhecerei das razões de mérito apresentadas à essa instância recursal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer a decadência em face da decadência ocorrida para o período de 01/1997 a 02/2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 16327.720402/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/08/2008, 31/10/2009, 30/04/2010, 31/05/2010
DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO.
No processo denominado desmutualização, realizado pela BM&F e CETIP, consistente na cisão de associações sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedades empresárias, criadas sob forma de sociedades anônimas, a entrega de ações destas novas companhias aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos.
DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. IMPUTAÇÃO FISCAL. PROVA.
A classificação contábil das ações recebidas, na "desmutualização", está intimamente vinculada à intenção da empresa em negociar ou não em curto prazo as ações. No entanto, incumbe à autoridade autuante apresentar os elementos que comprovem que a recorrente, no momento do recebimento das ações, tinha efetivamente a intenção (ou mesmo a obrigação) de negociá-las em curto prazo.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: i) relativamente às vendas de ações da BM&F-Bovespa - por maioria, deu-se provimento, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio, que negavam provimento, sendo que os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros acompanharam pelas conclusões; ii) relativamente às vendas de ações da CETIP compromissadas, conforme "Termo de Adesão e Procuração" - por maioria, negou-se provimento, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros, que davam provimento, sendo que o conselheiro Elias Fernandes Eufrásio acompanhou pelas conclusões; e, iii) quanto às demais vendas de ações da CETIP - por maioria de votos, deu-se provimento, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida, que negavam provimento, sendo que os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros e Elias Fernandes Eufrásio acompanharam pelas conclusões. Designado o conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. O conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco declarou-se suspeito. Presente ao julgamento o advogado Luis Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ no 88.704.
Robson José Bayerl - Presidente Substituto e Relator.
Rosaldo Trevisan - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Elias Fernandes Eufrásio (suplente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/08/2008, 31/10/2009, 30/04/2010, 31/05/2010 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado “desmutualização”, realizado pela BM&F e CETIP, consistente na cisão de associações sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedades empresárias, criadas sob forma de sociedades anônimas, a entrega de ações destas novas companhias aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. IMPUTAÇÃO FISCAL. PROVA. A classificação contábil das ações recebidas, na "desmutualização", está intimamente vinculada à intenção da empresa em negociar ou não em curto prazo as ações. No entanto, incumbe à autoridade autuante apresentar os elementos que comprovem que a recorrente, no momento do recebimento das ações, tinha efetivamente a intenção (ou mesmo a obrigação) de negociálas em curto prazo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/08/2008, 31/10/2009, 30/04/2010, 31/05/2010 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado “desmutualização”, realizado pela BM&F e CETIP, consistente na cisão de associações sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedades empresárias, criadas sob forma de sociedades anônimas, a entrega de ações destas novas companhias aos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 02 /2 01 3- 12Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. IMPUTAÇÃO FISCAL. PROVA. A classificação contábil das ações recebidas, na "desmutualização", está intimamente vinculada à intenção da empresa em negociar ou não em curto prazo as ações. No entanto, incumbe à autoridade autuante apresentar os elementos que comprovem que a recorrente, no momento do recebimento das ações, tinha efetivamente a intenção (ou mesmo a obrigação) de negociálas em curto prazo. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: i) relativamente às vendas de ações da BM&FBovespa por maioria, deuse provimento, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio, que negavam provimento, sendo que os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros acompanharam pelas conclusões; ii) relativamente às vendas de ações da CETIP compromissadas, conforme "Termo de Adesão e Procuração" por maioria, negouse provimento, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Waltamir Barreiros, que davam provimento, sendo que o conselheiro Elias Fernandes Eufrásio acompanhou pelas conclusões; e, iii) quanto às demais vendas de ações da CETIP por maioria de votos, deuse provimento, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida, que negavam provimento, sendo que os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros e Elias Fernandes Eufrásio acompanharam pelas conclusões. Designado o conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. O conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco declarouse suspeito. Presente ao julgamento o advogado Luis Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ no 88.704. Robson José Bayerl Presidente Substituto e Relator. Rosaldo Trevisan Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Elias Fernandes Eufrásio (suplente). Relatório Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.649 3 Alberga este feito lançamento de PIS/Pasep e Cofins decorrente de operações de alienação de ações envolvendo processos de “desmutualização”, referentes a fatos geradores ocorridos entre agosto/2008 e maio/2010. Considerando os detalhes do caso sub examine, adoto o relatório da decisão de primeiro grau administrativo, que passo a reproduzir: “2.2. O objeto da ação fiscal foi, dentre outros, a apuração de ganho de capital obtido em decorrência da desmutualização das Bolsas de Valores e da CETIP Associação, ocorridas em 2007 e 2008, bem como lucros auferidos quando da subsequente alienação das ações subscritas nestas operações. Anteriormente à abertura da ação fiscal em exame, foi lavrada no processo no 16327.001281/2010 55 uma autuação contra o mesmo contribuinte, havendo a constituição de crédito tributário a título de PIS e Cofins relativo à venda de ações da BOVESPA/Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. 2.3. O Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. tem por objeto social a prática de todas operações permitidas aos bancos de investimentos, dentre as quais as operações de participação societária de caráter temporário (conforme o art. 1o da Resolução CMN no 2.624, de 1999). Por ser banco de investimento, a referida instituição financeira está sujeita à tributação do PIS e da Cofins, nos moldes da Lei no 9.718, de 1998. 2.4. A BM&F foi constituída sob a forma de uma associação civil sem fins lucrativos. A partir de 20/09/2007, através de um processo de cisão parcial, o patrimônio daquela associação foi vertido para a BM&F S.A., sendo que na ocasião os títulos patrimoniais detidos pelos associados foram convertidos em ações, conforme deliberação de Assembléia Geral Extraordinária, operação denominada de desmutualização. 2.5. Os apontados títulos patrimoniais representavam frações ideais do patrimônio da BM&F, contabilizados em conta do Ativo Permanente dos detentores e atualizados periodicamente, com base nas demonstrações financeiras. A contrapartida dos acréscimos ao valor do citado ativo era contabilizada na conta de ‘Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais’, dentro da conta de ‘Reserva de Capital’, que compõe o Patrimônio Líquido. 2.6. Segundo consta no mencionado processo no 16327.001281/201055, o Credit Suisse possuía dois títulos patrimoniais na BM&F (Membro de Compensação e Sócio Efetivo). Em decorrência do processo de desmutualização, ficou estabelecido que para cada título de Membro de Compensação corresponderiam 4.961.610 ações, perfazendo o montante de R$ 4.961.610,00 e que para cada título de Sócio Efetivo corresponderiam 10.000 ações, perfazendo o montante de R$ 10.000,00. 2.7. O Credit Suisse alienou as ações da BM&F S.A. em três etapas, conforme quadro a seguir, cabendo frisar que apenas a operação realizada em 31/12/2009 foi oferecida à tributação do PIS e da Cofins: Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 2.8. Ao ser intimado a esclarecer a exclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins da receita na alienação das ações (BM&F S.A.), o contribuinte explicou que os ganhos auferidos nestas operações não suscitaram pagamento das contribuições, pois, além de não serem receitas provenientes da venda de bens ou serviços, tais ações compunham o seu Ativo Permanente. 2.9. Já a CETIP Associação foi constituída pelos participantes do mercado de renda fixa privado, sob a forma de associação civil sem fins lucrativos. Os títulos patrimoniais da CETIP Associação apresentavamse sob dois aspectos: (i) um de caráter patrimonial e (ii) outro de caráter operacional (denominado de direito de acesso). Por meio do processo de desmutualização, os direitos patrimoniais dos antigos associados foram desvinculados dos direitos de acesso e convertidos em participações acionárias, mediante processo de subscrição. Após a mencionada operação, as atividades da CETIP passaram a ser desempenhadas por uma nova sociedade por ações, com fins lucrativos, denominada CETIP S.A. 2.10. Na desmutualização da CETIP Associação, em 31/07/2008, o Credit Suisse subscreveu 406.506 ações da CETIP S.A., a um custo de R$ 447.827,362. Em 30/10/2009, esta instituição financeira alienou 250.672 ações da CETIP S.A, tendo auferido um resultado da ordem de R$ 2.479.144,07. Em seguida, o saldo de ações restante foi alienado em 30/04/2010 e 17/05/2010, tendo sido apurado um resultado de R$ 2.985.682,85 e R$ 411.974,33, respectivamente. Estes resultados também foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins, ao mesmo argumento de se tratar de venda de bens do Ativo Permanente. 2.11. A autoridade fiscal desenvolveu argumentação sobre a descaracterização da intenção de permanência na aquisição dos apontados ativos, considerados de caráter temporário e que deveriam ter sido registrados no Ativo Circulante do Credit Suisse. Para se atingir este entendimento, foi analisada a natureza das operações dos bancos de investimentos, bem como a legislação societária, comercial e tributária, as quais conduziram à mesma conclusão de impossibilidade de classificação das indigitadas ações no Ativo Permanente. 2.12. Dessa forma, por ter considerado irregular a exclusão nas bases de cálculo do PIS e das Cofins das receitas das alienações da BM&F S.A e CETIP S.A., a Fiscalização efetuou o lançamento de ofício das contribuições, ora em exame. 3. Devidamente cientificado da exigência em 23/04/2013, a pessoa jurídica autuada apresentou a sua impugnação no dia 23/05/2013, contendo as seguintes justificativas, em síntese: 3.1. Informa que em 09/10/1985 adquiriu um título de patrimonial da CETIP Associação; em 09/05/1989 adquiriu um título patrimonial da BM&F, na categoria ‘Sócio Efetivo’, e em 01/11/2001 adquiriu outro título patrimonial desta mesma entidade, na categoria ‘Agente de Compensação’. Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.650 5 3.2. Esclarece que nesta época a BM&F e a CETIP Associação eram entidades sem fins lucrativos e a aquisição dos seus títulos patrimoniais, que representavam frações ideais de seus patrimônios, era condição necessária para que as instituições financeiras e corretoras pudessem operar em seus mercados. Segundo normas baixadas pelo Banco Central do Brasil (BACEN), o impugnante registrava as apontadas participações no Ativo Permanente. 3.3. Este quadro permaneceu até setembro de 2007, para a BM&F, e maio de 2008, para a CETIP Associação, quando houve a aprovação dos respectivos processos de desmutualização, ocasião em que as atividades de mercado passaram a ser exercidas por sociedades anônimas, denominadas BM&F S.A. e CETIP S.A., respectivamente, as quais incorporaram parcelas cindidas dos correspondentes patrimônios das entidades originárias. 3.4. O número de ações de emissão da BM&F S.A. e da CETIP S.A. foi determinado com base na posição patrimonial dos detentores de títulos patrimoniais, sendo que coube ao impugnante a titularidade de 4.971.610 ações da BM&F S.A. e 406.650 ações da CETIP S.A., com mesmo valor contábil do título substituído. 3.5. Disse que as ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A. foram registradas no Ativo Permanente, por terem sido recebidas em substituição a títulos patrimoniais detidos há anos e por representarem a continuidade dos investimentos do impugnante na BM&F e na CETIP Associação. 3.6. Em 30/04/2008, sete meses após o processo de desmutualização da BM&F, o impugnante alienou 4.464.449 ações da BM&F S.A. Posteriormente, em 30/10/2009, 30/04/2010 e 17/05/2010, alienou a totalidade das ações da CETIP S.A. Esclareceu que as receitas das indigitadas alienações não foram oferecidas à tributação do PIS e da Cofins por representarem venda de bens do Ativo Permanente, segundo disposto na Lei nº 9.718, de 1998. 3.7. Contesta o que chamou de ‘absurda tese da Fiscalização’, segundo a qual o impugnante, por ser um banco de investimento, jamais poderia contabilizar títulos e/ou valores mobiliários no seu Ativo Permanente. Refutou, também, a conclusão de que teria alienado as ditas participações em um curto espaço de tempo. 3.8. O contribuinte informa que em 15/09/2009, ajuizou Mandado de Segurança Preventivo, distribuído à 5a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo (autuado sob o no 2009.61.00.0207292), para questionar a constitucionalidade e a legalidade da cobrança de PIS e Cofins sobre receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios e sobre quaisquer outras receitas não decorrentes exclusivamente de venda de mercadorias e prestação de serviços. Relata que interpôs recurso de apelação, requerendo reforma integral da decisão e concessão da segurança, então denegada, o qual fora recebido no efeito devolutivo e remetido ao TRF da 3a Região onde aguardava julgamento. Aduz que o processo encontrase pendente de decisão judicial, mas não configura óbice ao julgamento administrativo, porquanto trata de matéria distinta da tratada no presente processo. 3.9. Adverte contudo que, no caso de vir a obter êxito em sua demanda judicial e, por conseguinte, ver reconhecido que as contribuições sociais em comento somente poderão ser cobradas sobre suas receitas de venda de mercadorias e prestação de serviços, os presentes autos terão de ser cancelados, tendo em vista que as receitas ora em discussão não correspondem a receitas de venda de mercadorias ou de prestação de serviços. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 3.10. Passa então a discorrer sobre o conceito de Ativo Permanente e, para tal, reportase ao Parecer Normativo CST no 78 (parágrafo 7), de 01/09/1978, ao COSIF, instituído pela Circular BACEN no 1.273, de 1987, editada com base na Lei no 4.595/64, (Capítulo 1, Seção 11, Item 3 e subitens 10 e 11); aos parágrafos 7 e 7.1 do PN CST no 108, de 31/12/1978; à doutrina de Nelson Gouveia e José Luiz Bulhões e a excerto de Solução de Consulta publicada no DOU de 17/07/2006, concluindo, em suma, que: (a) Tanto as normas contábeis aplicáveis às instituições financeiras, como a melhor doutrina, defendem que a classificação do bem no Ativo Permanente não depende da sua natureza, mas sim da intenção de permanência, manifestada no momento da aquisição, pela contabilização em conta de Ativo Permanente; (b) Independentemente da intenção de permanência, são também classificáveis no Ativo Permanente os investimentos contabilizados no Ativo Circulante e não alienados até o final do exercício subseqüente ao da sua aquisição; e (c) A intenção de permanência não impede a venda do bem, não havendo necessidade, nesse caso, da sua prévia reclassificação para o Ativo Circulante para que seja alienado. 3.11. Tece comentários sobre a natureza contábil das ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A. recebidas nos processos de desmutualização, já referenciados. 3.12. Informa que a aquisição de títulos patrimoniais da BM&F e da CETIP Associação, que representavam frações ideais de seu patrimônio, era condição necessária para que instituições financeiras e corretoras pudessem operar em seus mercados. 3.13. Os mencionados títulos patrimoniais tinham a característica de bens permanentes, seja em razão da intenção de permanência, seja por presunção legal, na medida em que a aquisição de tais títulos havia se dado há muitos anos. 3.14. Em função das operações de cisão parcial da BM&F e da CETIP Associação, seguida pela incorporação das parcelas cindidas pela BM&F S.A. e CETIP S.A., os títulos patrimoniais da BM&F e da CETIP Associação, até então detidos pelo impugnante, foram substituídos por ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A., aduzindo que nestas operações (cisão e incorporação) não há alienação de bens e sim sucessão. Apontou que as ações foram recebidas pelo mesmo valor contábil dos títulos, até então detidos nas BM&F e CETIP Associação. 3.15. Caso a BM&F e da CETIP Associação tivessem sido extintas ou tivessem tido seus capitais reduzidos, seus bens teriam transitado pelo patrimônio dos associados/acionistas, que poderiam, então, manifestar sua intenção de transferilos, ou não, à BM&F S.A. e CETIP S.A., o que, de fato não se verificou no caso concreto. As indigitadas ações das BM&F S.A. e CETIP S.A. recebidas, em essência representaram a continuidade dos investimentos do impugnante na BM&F e na CETIP Associação, que passaram a ser controladas por aquelas; ou seja, as desmutualizações não tiveram o efeito de descontinuar ou extinguir o investimento que o impugnante detinha naquelas entidades, que continuaram a existir sob outra estrutura. Explica que não haveria sentido em se reclassificar os referidos investimentos do Ativo Permanente para o Ativo Circulante; pois, pelo contrário, tal procedimento contraria à própria orientação da Receita Federal (segundo exposto no item 5.15 de sua defesa). Afirmou que a natureza desses investimentos, bem como os ativos subjacentes das entidades investidas permaneceram os mesmos. 3.16. Asseverou que nenhum dos ativos integrantes do patrimônio cindido da BM&F e CETIP Associação foram entregues aos seus associados, uma vez que Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.651 7 foram apenas atribuídos a eles ações de emissão da BM&F S.A. e da CETIP S.A., operação que equivale a uma devolução do patrimônio destas entidades aos seus associados. 3.17. Aduziu que as ações não representaram investimentos novos, mas apenas a continuidade dos investimentos mantidos junto à BM&F e à CETIP Associação, trazendo, neste sentido, decisão do CARF (Acórdão no 3403001.757), a seguir transcrita (ementa): (...) 3.18. Sustenta que a intenção da continuidade deve ser verificada tomando por base a data de aquisição dos títulos na BM&F e CETIP Associação, e não do mero recebimento, por sucessão, das ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A. 3.19. Justifica que o fato de as ações da BM&F S.A. e da CETIP S.A. terem sido alienadas pouco tempo depois de recebidas não autoriza que a Fiscalização presuma que tais ‘novos’ investimentos sejam registrados no Ativo Circulante, transcrevendo, neste particular, ementa do Acórdão do CARF no 3403001.734. (...) 20. Destaca que há uma particularidade que diferencia este processo de outros também envolvendo as operações de desmutualização na Bolsa de Valores. É que a proximidade temporal entre o recebimento das ações e a sua alienação foi bastante levado em consideração, inclusive no julgamento de 1ª instância do processo no 16327.001281/201055: ‘Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. Correta a classificação, no Ativo Circulante, das ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F e que foram negociadas logo após o seu recebimento, no caso, dentro de poucos meses de seu ingresso nos registros contábeis da impugnante. ............................................................................................................................. 5.8. No caso, como a alienação da totalidade das ações da Bovespa Holding e parte das ações da BM&F S/A se deu logo após ao seu recebimento, isto é, dentro de alguns meses de seu ingresso nos registros contábeis da impugnante, é certo que haveria de se classificar esse bem (ações) no Ativo Circulante. Haja vista que os protocolos e atas das assembléias das bolsas já sinalizavam tal procedimento.’ (grifos adicionados na impugnação) 3.21. Sustenta que no processo em tela a alienação não foi realizada logo após o recebimento das ações, mas em: (i) 7 meses; (ii) 1 ano e 4 meses; (iii) 1 ano e 10 meses; e (iv) 1 ano e 11 meses após o recebimento das respectivas ações. Por tal fato, a Fiscalização não utilizou a mencionada tese, desenvolvendo um novo argumento de que os bancos de investimentos jamais poderiam contabilizar títulos ou valores mobiliários no seu Ativo Permanente, pois, pela sua natureza, somente poderiam adquirir tais bens com a intenção de revenda. Alega que tal argumentação não procede, pois o art. 1o da Resolução CMN no 2.624, de 29/07/1999, citado pela Fiscalização, não prevê, mesmo que implicitamente, esta situação. Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 3.22. Afirma que o COSIF prevê expressamente a possibilidade do registro de ações em conta de Ativo Permanente, além de prever que a intenção de permanência neste tipo de investimento se manifesta no momento de sua aquisição. 3.23. Contesta a justificativa para a autuação com base no disposto no item 7 do PN CST no 108/78, que supostamente levaria ao entendimento que um bem alienado antes do final do período subseqüente a sua aquisição teria a natureza de bem do Ativo Circulante, independentemente de sua classificação contábil inicial, pois, em seu entender, este dispositivo apenas prevê que: (i) a intenção de permanência ou não de uma participação societária deve ser verificada por ocasião da aquisição dessa participação e, (ii) que essa intenção de permanência passa a ser presumida caso a pessoa jurídica tenha registrado inicialmente esta participação em seu Ativo Circulante e não a tenha alienado até o término do exercício seguinte àquele da aquisição. 3.24. Acusa que a Fiscalização, ao perceber que algumas alienações ocorreram após o término do exercício seguinte ao da aquisição, buscou justificar a autuação sob o argumento que a aquisição das ações teriam ocorrido em um mesmo momento e que, por conseguinte, se submeteria ao mesmo enquadramento contábil, tese que não encontra amparo legal.” A DRJ Recife/PE reputou o lançamento procedente mediante decisão assim ementada: “DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. EXTINÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS. AÇÕES RECEBIDAS COMO DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DAS ENTIDADES. Na desmutualização de associação civil sem fins lucrativos há a devolução do patrimônio entregue pelos associados, sob a forma de ações das novas sociedades empresariais constituídas com finalidade lucrativa. BANCOS DE INVESTIMENTOS. VENDA DE PARTICIPAÇÕES TEMPORÁRIAS. RECEITA OPERACIONAL. FATURAMENTO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA. A venda das ações das novas sociedades constituídas com a desmutualização das Bolsas de Valores, subscritas sem o caráter de permanência, é receita operacional dos Bancos de Investimentos, pois decorre do exercício de sua atividade empresarial típica, estando inserido no conceito de faturamento para fins da incidência do PIS e da Cofins, previsto no caput do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das associações civis sem fins lucrativos, subscritas com manifesta intenção de venda, ainda que parte da venda tenha se concretizado após exercício subseqüente ao recebimento das ações.” O recurso voluntário, com alguma variação, reprisou a argumentação da impugnação, juntando, ainda, parecer jurídico acerca da matéria. Na sessão de 17/09/2014, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse verificada a existência de documentos indicativos da assunção de compromisso para oferta de ações de titularidade do autuado, em relação a ambos os processos de desmutualização. Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.652 9 Realizada a diligência requerida, providenciouse a ciência do contribuinte, que apresentou suas considerações, retornando os autos para prosseguimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso já foram a seu tempo aferidos, quando de sua primeira inclusão em pauta de julgamento. Preambularmente, consigno, na linha defendida pelo contribuinte, convergente com o entendimento das autoridades recorridas, que o Mandado de Segurança Preventivo no 2009.61.00.0207292, em trâmite no TRF 3ª Região, onde se questiona a constitucionalidade/legalidade da incidência de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios e sobre quaisquer outras receitas não decorrentes exclusivamente de venda de mercadorias e prestação de serviços, não interfere diretamente na solução do presente litígio, sendo inaplicável ao caso a Súmula CARF no 1 e, por via reflexa, não havendo que se falar em renúncia ao contencioso administrativo, ante a diversidade de matérias debatidas perante o Poder Judiciário e este sodalício. Na sequência, diante da conversão do julgamento e da diligência realizada, necessário trazer à baila as informações oriundas deste procedimento e não narradas no relatório. Neste passo, atendendo ao primeiro item da diligência verificar junto ao contribuinte autuado, à Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F Associação e BM&F S/A) e à CETIP (CETIP Associação e CETIP S/A) a existência de instrumentos de assunção de encargos ou documentos equivalentes, firmados por estas entidades e o autuado, que impunham a disponibilização de quantitativo mínimo de ações recebidas em devolução de capital para realização da oferta pública primária (IPO) aduziu a fiscalização, respaldada em documentos e respostas apresentadas pelo contribuinte, que, em relação à BM&F, houve apenas o compromisso de cessão de 10% (dez por cento) das ações recebidas ao Grupo de Private Equity General Atlantic, ocorrida em 20/09/2007, em período não abrangido pelo lançamento, cujo escopo foi averiguar a operação realizada em 30/04/2008. Destarte, a alienação daquelas ações foi objeto de lançamento no processo no 16327.001281/201055, acrescento eu. Ainda no que tange à operação da BM&F, o contribuinte informou que não participou da primeira oferta de ações no mercado secundário (IPO), não tendo assinado o documento intitulado “ReRatificação do Acordo de Acionistas da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”, mas o Anexo I do Acordo de Acionistas, no qual expressamente consignou que não aderia à alienação no IPO (cláusula 3.4 do acordo) e, também, às restrições à alienação dos títulos patrimoniais e das ações (cláusula 4 do acordo). Concernente à desmutualização da CETIP S/A, esclareceu o contribuinte que não firmou instrumento prévio de cessão a terceiros, equivalente ao acordo firmado com o Private Equity General Atlantic, no caso da BM&F. Junto à resposta foram anexados o Termo Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 10 de Adesão e Proposta (fl. 1144), onde o contribuinte se compromete a ceder, na oferta inicial, a quantia de 250.672 ações de emissão da CETIP. Confere ainda o contribuinte, à CETIP, poderes aos seus mandatários para a prática de atos e assinaturas de documentos listados no aludido termo de adesão, dentre eles destacase, para a finalidade deste julgamento, o “viii) Contrato ou instrumento restringindo a venda, negociação, transferência ou oneração da totalidade das ações de titularidade do signatário (...), por período igual a 180 (cento e oitenta) dias da data da publicação do anúncio de início de distribuição da Oferta (lockup letters)”. Segundo a fiscalização, o lançamento das ações ocorreu em 27/10/2009 e a liquidação da operação em 30/10/2009. Em suas observações, constantes do relatório circunstanciado (fls. 2619 e ss.), a autoridade diligenciante transcreve excerto do “Histórico do Emissor”, constante do documento “Formulário de Referência – 31 de dezembro de 2009” (fls. 1223 e ss.), elaborado pelo emissor (CETIP) em atendimento a exigência da Instrução CVM no 480/2009, que entendo pertinente a sua reprodução, verbis: “Em 29 de maio de 2008, foi aprovada a Desmutualização da CETIP Associação que passou a ter efeitos a partir de 1o de julho de 2008. Em conexão com o processo de Desmutualização e através da incorporação da ANDIMA SND1, nos tornamos os únicos detentores dos direitos sobre o SND (inclusive contratos e ativos intangíveis, notadamente marcas e direitos sobre os sistemas e softwares com vidas úteis indefinidas) e da marca ‘SDT’, passando a auferir a totalidade da receita gerada pelo SND. Por meio da Desmutualização, os direitos patrimoniais dos antigos associados foram desvinculados dos Direitos de Acesso, e convertidos em participações acionárias. Assim, desde a Desmutualização, as atividades da CETIP passaram a ser desenvolvidas por uma sociedade por ações com fins lucrativos. 1984 CETIP inicia suas atividades 1986 CETIP é estabelecida como uma organização sem fins lucrativos 1988 Acordo com ANDIMA para operar o SND 2008 Processo de desmutualização, criação da CETIP SA 2009 Advent se torna acionista da Companhia com 32% de participação 2009 Listagem no Novo Mercado Uma única classe de ações com direito a voto CTIP3 Em 29 de dezembro de 2008, assinamos um Memorando de Entendimentos com a Advent do Brasil, uma subsidiária da Advent, que resultou na aquisição, pela Advent Depository, em 8 de maio de 2009, de participação societária na nossa Companhia correspondente a 30% de nosso capital social total, pelo valor aproximado de R$360 milhões. 1 "Sistema Nacional de Debêntures". Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.653 11 Nosso Estatuto Social, aprovado em Assembleia Geral de Acionistas realizada em 07 de maio de 2009, incorporou novas e sólidas práticas de governança corporativa e de autorregulação. (...). Em 26 de outubro a Companhia obteve o registro de companhia aberta e suas ações passaram a ser negociadas no Mercado de Bolsa a partir de 28 de outubro de 2009, sob o código CTIP3. 6.4. DATA DO REGISTRO NA CVM Nosso registro como companhia aberta emissor categoria ‘A’ foi concedido pela CVM em 26 de outubro de 2009.” Feito esse intróito fático, necessário ao deslinde da celeuma sub examine, passase ao mérito. A primeira questão a ser decidida, invertendo a ordem de enfrentamento proposta no recurso, diz respeito à natureza da operação de “câmbio” dos títulos patrimoniais, então emitidos pelas associações posteriormente desmutualizadas, BM&F e CETIP, pelas correspondentes ações. A fiscalização e a decisão recorrida entendem que não houve uma simples troca de títulos representativos de patrimônio/capital, como sustenta o autuado, mas algo mais complexo, dado o regime jurídico das entidades, regrado pelo Código Civil, associações sem fins lucrativos, de maneira que teria havido uma devolução de patrimônio das associações para os seus integrantes mediante a entrega de novos direitos, consubstanciados nas ações das novas entidades, agora sociedades empresárias, sob forma de sociedades anônimas. Este posicionamento reflete a interpretação emprestada ao assunto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consolidada na Solução de Consulta COSIT no 10/2007, que ostenta seguinte ementa: “OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei no 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei no 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associações se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei no 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002). O art. 61 da Lei no 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa. As sociedades corretoras devem avaliar as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo custo de aquisição. O fato de a operação de ‘desmutualização’ de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores.” O contribuinte, por seu turno, como dito, defende que a operação se resumiu a uma substituição de títulos, substituição esta, inclusive, alheia à sua vontade, segundo consta, não havendo qualquer alienação ou devolução de patrimônio, mas apenas a sucessão de direitos, razão porque, assevera, corresponderia a uma continuidade dos investimentos, de modo que o regime contábil dos títulos substituídos permaneceria o mesmo. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 12 Pois bem, de minha parte, à luz das especificidades dos eventos de desmutualização e da legislação de regência, com todo respeito às vozes dissonantes, filiome à primeira corrente, defendida pelas autoridades administrativas precedentes, eis que o modelo jurídico brasileiro, tal como delineado na Lei no 10.406/2002, Código Civil, não permite tomar, como singela “troca de títulos”, a operação consistente na cisão patrimonial de uma associação sem fins lucrativos, com a versão do patrimônio cindido a uma sociedade empresária, onde os antigos associados passam à condição de acionistas, deixando de ser detentores de títulos patrimoniais, mas de ações. Ora, basta dizer que a própria condição jurídica destes títulos, e, conseqüentemente, de seus titulares, é distinta, possuindo direitos e obrigações próprios, motivo pelo qual, entendo, não ser possível acatar a tese proposta pelo recorrente. Em razão da similitude fática, ainda que a análise dos efeitos tributários açambarque o IRPJ e CSLL, trago à colação decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, da lavra do Desembargador Federal Márcio Moraes, nos autos do processo no 2008.61.00.0087063/SP (000870605.2008.4.03.6100/SP): “TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO ‘MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL’. CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada ‘desmutualização’. 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.654 13 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo ‘método da equivalência patrimonial’, posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembléia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente ‘mandamus’. 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida.” (destacado) A importância do debate ora travado, como ponto antecedente, reside na manutenção do regime contábil de registro destes novos títulos, pois a desmutualização exige a baixa dos títulos patrimoniais e o correspondente registro das ações recebidas, ainda que pelo mesmo valor, ao passo que possuem natureza diversa, o que, aliás, vem a confirmar a impossibilidade de se tratar de uma simples substituição de títulos. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 14 Neste diapasão, ainda que se tomasse a operação sob o ângulo de uma “troca de títulos”, a realização dos lançamentos contábeis pertinentes exigiria necessariamente a observância do seu propósito negocial, isto é, se destinadas a alienação ou manutenção em carteira, como será abordado ao longo do voto, porquanto se trata de uma “aquisição”, assim entendida como a agregação de um bem ou direito ao patrimônio e que, até então, não o compunha, ainda que em substituição a outro bem ou direito baixado. Em síntese, tenho que a operação melhor se compagina como devolução de patrimônio da associação e imediata aquisição de ações das sociedades empresárias. Por pertinente, acentuo que este ponto de vista, sob enfoque algum, pode ser qualificado como desconsideração de negócio jurídico, a teor do art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, representando unicamente a leitura que faço dos fatos carreados ao processo, sem qualquer reclassificação jurídica dos negócios firmados entre o contribuinte, a BM&F e a CETIP. Definido, pois, que não houve apenas a substituição dos títulos, por conseqüência, não há possibilidade de comunicação do regime contábil do registro dos títulos patrimoniais com as novéis ações, ao argumento de “continuidade dos investimentos”, devendo o contribuinte, ao proceder os lançamentos contábeis respectivos, manifestar novamente a sua intenção de manter os investimentos no Ativo Permanente ou, acaso pretenda negociálos, registrálos no Ativo Circulante. Neste momento passase, então, ao segundo ponto da querela: a forma adequada de registro contábil das ações recebidas no processo de “desmutualização”. A teor do art. 179 da Lei no 6.404/76, as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte, devem ser registrados no Ativo Circulante (I); enquanto os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial, no Ativo Imobilizado (II). Como bem destacado pelo recorrente, segundo o Capítulo 1, Seção II, Item 3 (Ativo Permanente – Outros Investimentos) das normas do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), subitens 1011, “consideramse também como investimento de caráter permanente, além das participações acionárias registradas pelo custo histórico e dos investimentos avaliáveis pela equivalência patrimonial, os direitos de qualquer natureza não classificáveis no Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo, nem no Imobilizado, tais como bens artísticos e valiosos, coleções (moedas e selos) e títulos de clubes, que se contabilizam na adequada conta do subgrupo Investimentos do Ativo Permanente, pelo custo de aquisição. (Circ 1273), sendo que a intenção de permanência ou não dos investimentos se manifesta no momento da aquisição, mediante sua inclusão no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos, ou registro no Ativo Circulante. (Circ 1273)” Nesta linha intelectiva, assim se manifesta o Parecer Normativo CST no 108/78, sobre cujas conclusões há aparente consenso entre a decisão recorrida e o recorrente: “INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no Ativo Circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.655 15 companhia ou empresa (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no Ativo Circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no Ativo Circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” Concluise, portanto, que a definição do grupo do ativo em que devem ser contabilizados, no caso vertente, as ações recebidas do processo de desmutualização exige perscrutar a intenção do contribuinte, na data de aquisição, de negociar ou não indigitados direitos. Tratandose de elemento volitivo, a sua investigação perpassa a análise das circunstâncias que nortearam a posterior alienação das ações, que é o objeto do lançamento, para aferir se a sua contabilização no Ativo Permanente foi realmente adequada, como sustenta o recorrente, ou não. Neste diapasão, o argumento central do contribuinte consiste, basicamente, em aduzir que, estando os títulos patrimoniais originalmente registrados no Ativo Permanente, uma vez ocorrida a singela substituição por ações, com continuidade dos investimentos, deveria ser mantido este regime contábil, o que justificaria a não incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins com fulcro na hipótese de não incidência estampada no art. 3o, § 2o, IV da Lei no 9.718/98. A tese, por si só, não convence, eis que, como adrede exposto, não ocorreu uma simples troca de títulos, de maneira que não há comunicação entre o regime contábil dos títulos patrimoniais e das ações, mesmo porque, a razão da manutenção em carteira dos títulos patrimoniais – condição para operar os mercados da BM&F e CETIP – não se reprisou quando houve a alteração da personalidade jurídica dessas entidades, de associações para sociedades anônimas. Dessarte, como registra o recorrente, a propriedade de títulos patrimoniais da BM&FAssociação e CETIPAssociação era exigência para operar os seus mercados, verbis: “6.1 Como já destacado, a aquisição de títulos patrimoniais da BM&F e da CETIP ASSOCIAÇÃO, que representavam frações ideais de seus patrimônios, era condição necessária para que Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 16 instituições financeiras, corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários pudessem ter acesso a seus serviços e sistemas; assim, no passado, o RECORRENTE foi obrigado a adquirir títulos patrimoniais dessas entidades, para poder desempenhar suas atividades sociais”. Ora, essa obrigatoriedade cessou quando aludidas entidades se transformaram em sociedades, de sorte que o motivo que se afigurava como válido para registro dos títulos patrimoniais no Ativo Permanente, não pode ser alegado para manutenção das ações, recebidas no processo de “desmutualização”, no mesmo subgrupo. Resta, então, a averiguação pura e simples da existência de intenção negocial, à época da aquisição do direito. Relativamente às ações da BM&F S/A, a diligência trouxe a informação que o contribuinte não participou da oferta inicial de ações (IPO), limitandose a se compromissar com a alienação de 10% (dez por cento) do acervo recebido em favor do Grupo de Private Equity General Atlantic, ocorrida em 20/09/2007, não tendo assinado o documento intitulado “ReRatificação do Acordo de Acionistas da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”, mas o Anexo I do Acordo de Acionistas, no qual expressamente consignou que não aderia à alienação no IPO (cláusula 3.4 do acordo) e, também, às restrições à alienação dos títulos patrimoniais e das ações (cláusula 4 do acordo). Segundo o “Instrumento Particular de Assunção de Obrigações”, a qual pertence o aludido Anexo I, as cláusulas 3.4 e 4 impunham, respectivamente e grosso modo, i) a alienação de 25% (vinte e cinco) das ações recebidas na oferta inicial, bem como, ii) a limitação de venda das ações, a partir da conclusão do processo de desmutualização, até 06 (seis) meses da data em que as ações passem a ser admitidas à negociação na BOVESPA. Ou seja, ao mesmo tempo em que não se obrigou à oferta inicial, o contribuinte também não se submeteu às restrições de alienação dos títulos, de maneira que tão logo possível a negociação das ações em bolsa poderia o recorrente delas se desfazer, a seu livre arbítrio. Até aí não se vislumbra qualquer atitude que demonstrasse a intenção de negociação ou de permanência destas ações em carteira, considerando que a oferta inicial ocorreu em novembro/2007 e o contribuinte alienou a maioria das ações remanescentes, 4.464.449, em 30/04/2008, conforme quadro estampado no relatório deste aresto. A solução para este impasse está nas colocações do item 7.1, segunda parte, do PN CST no 108/78, reproduzido linhas atrás, ao destacar que seria presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no Ativo Circulante não fosse alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tivesse sido adquirido, sendo que, neste caso, deveria o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos. Por este mesmo raciocínio, a contrario senso, é possível afirmar que seria também presumida a intenção de alienação sempre que o valor registrado no Ativo Permanente – Subgrupo Investimentos fosse efetivamente negociado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tivesse sido adquirido, devendo o valor correspondente enjtão ser transferido para o Ativo Circulante, arcandose com todos os efeitos tributários daí decorrentes. Assim, se a aquisição ocorreu em outubro/novembro de 2007 e a alienação, objeto deste lançamento, em abril de 2008, independentemente deste intervalo ser qualificado como curto ou longo interregno temporal, pelo critério objetivo fornecido pelo epigrafado ato Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.656 17 opinativo (PN CST 108/78), os valores correspondentes deveriam ser transferidos do Subgrupo Investimentos para o Ativo Circulante e, nessa condição, dado o objeto social do contribuinte, bem assim, a natureza operacional desta receita, ser oferecida à tributação do PIS/Pasep e Cofins. Parafraseando o recorrente, a intenção de permanência não é incompatível com a venda do bem, tampouco desnatura a sua opção de contabilização, entretanto, digo eu, do exame do contexto em que ocorridas as operações de aquisição/alienação, aliada à inteligência do PN CST 108/78, com a qual concordo, não é possível extrair categoricamente esta “intenção de permanência”, o que cede lugar à presunção de intenção oposta, isto é, de negociação dos títulos. Respeitante à desmutualização da CETIP, mais uma vez, aconselhável reconstruir os fatos relacionados à operação, oportunidade que transcrevo excerto do voto condutor da decisão administrativa de primeiro grau que bem sintetiza o ocorrido: “Na desmutualização da CETIP Associação, em 31/07/2008, o Credit Suisse subscreveu 406.506 ações da CETIP S.A., a um custo de R$ 447.827,36 (posteriormente ajustado em 25/09/2009 para R$ 451.146,36, equivalente a 501.344 ações). Em 30/10/2009, esta instituição financeira alienou 250.672 ações da CETIP S.A, tendo auferido um resultado da ordem de R$ 2.479.144,07. Em seguida, o saldo de ações restante foi alienado em 30/04/2010 e 17/05/2010, tendo sido apurado um resultado de R$ 2.985.682,85 e R$ 411.974,33, respectivamente. Estes resultados também foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins, ao mesmo argumento de ser tratar de venda de bens do Ativo Permanente." Como adrede salientado, o contribuinte informou que não assinara qualquer compromisso de alienação nos moldes da operação da BM&F com o Grupo Private Equity General Atlantic, tendo, no entanto, firmado o “Termo de Adesão e Procuração” (fls. 1144 e ss.) obrigandose a aderir à oferta pública de distribuição secundária com a quantidade de 250.672 ações, além de comprometerse a não negociar qualquer título remanescente no período de 180 (cento e oitenta) dias da publicação do anúncio de início de distribuição da oferta, conforme cláusula “viii” (fls. 1146). Temse, portanto, o seguinte quadro: as ações da CETIP foram subscritas pelo recorrente em 31/07/2008 e o início da alienação em 30/10/2009, o que, se levado apenas o fator “tempo” em consideração, poderia revelar a intenção de permanência destes títulos em carteira. Entretanto, como destacado pela fiscalização no relatório circunstanciado, houve uma razão para justificar esse intervalo. Nos termos do “Formulário de Referência – 31 de dezembro de 2009” (fls. 1223 e ss.), entre a distribuição das ações da CETIP S/A e a realização do IPO ocorreram eventos societários relativos à cisão/incorporação da ANDIMA (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro) pela CETIP S/A, bem como, a aquisição de participação acionária, nesta companhia, pela Advent Depository Participações S/A, cujo processo encerrou se apenas em 05/10/2009, sendo que, segundo o mesmo prospecto, a data de registro na Comissão de Valores Mobiliários – CVM, como companhia aberta emissora de categoria “A”, foi concedido em 26/10/2009, tendo a oferta pública ocorrido um dia após, em 27/10/2009, com a liquidação da operação, pelo recorrente, em 30/10/2009. Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 18 Diante das peculiaridades até aqui descritas, parece claro que não havia qualquer pretensão à manutenção dos títulos em carteira, eis que o interstício temporal decorrido entre a subscrição e a primeira alienação deveuse exclusivamente à impossibilidade de negociação destas ações, seja pelos eventos societários ocorridos, seja pela ausência de registro na CVM, mesmo porque havia compromisso de venda de parcela das ações recebidas, mais especificamente, 250.672, exatamente a quantidade alienada na oferta inicial. O compromisso de alienação firme destas ações é claramente incompatível com a pretensa “intenção de permanência” aventada, uma vez que já havia prévia ciência da obrigação de venda destes títulos. Quanto à segunda e terceira operações de alienação, mais uma vez, o intervalo se justificou pela assunção da restrição de não efetuar qualquer operação com as ações no prazo de 06 (seis) meses, contados do lançamento da oferta pública, ocorrida em outubro/2009. Como a liberação deste obstáculo ocorreu em abril/2010, as operações subsequentes, realizadas em 30/04/2010 e 17/05/2010, ocorreram tãologo houve oportunidade para sua efetivação. Ou seja, as circunstâncias dos negócios jurídicos realizados com as ações da BM&F S/A e CETIP S/A revelam claro intuito de sua negociação, como realização do objeto social da recorrente, sem qualquer intenção de permanência destes investimentos em carteira, salvo pela álea das condições de mercado para sua alienação, o que, no entanto, não autoriza o registro de ações negociáveis no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos, como pretende o recorrente. A atividade típica dos bancos de investimentos, nesta seara, é a realização de operações de participação societária de caráter temporário, de tal arte que os títulos adquiridos com esse objetivo devem ser registrados, modo geral, no Ativo Circulante, reservandose a contabilização no Ativo Permanente – Investimentos apenas àqueles destinados à manutenção das atividades da empresa, como era o caso dos títulos patrimoniais das associações BM&F e CETIP, que o exigiam para operação em seus mercados, o que, todavia, não se estende às operações na BM&F S/A e CETIP S/A, não sendo a titularidade destas ações exigível para tal desiderato. Em conclusão de raciocínio, ante todos os elementos, informações e considerações do processo, entendo que não restou demonstrado o interesse de permanência das ações recebidas nos processos de desmutualização em carteira, como direito inerente e necessário à realização de sua atividade, mas, pelo contrário, denotouse a intenção em negociálas, ante as circunstâncias em que realizados, como exposto. A partir desta premissa, o registro contábil adequado, no momento da subscrição, seria no grupo Ativo Circulante, considerandose o produto da venda, quando da alienação do direito, como receita operacional oriunda das atividades típicas da instituição, submetendose à tributação do PIS/Pasep e Cofins, nos termos do art. 3o da Lei no 9.718/98. Mostrase, então, procedente o lançamento nos moldes em que lavrado, não merecendo, também, qualquer reparo a decisão recorrida. Com estas considerações, voto por negar provimento recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.657 19 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator designado Manifesto, por meio do presente voto, divergência em relação ao entendimento do relator, especificamente no que se refere à leitura do Parecer Normativo CST no 108/1978, nos excertos que destaco abaixo: “7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no Ativo Circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no Ativo Circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no Ativo Circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” Está o parecer claramente a afirmar que existem duas possibilidades, no momento da aquisição das ações: (a) contabilizálas como investimento, se houver interesse de permanência; ou (b) contabilizálas como ativo circulante, caso haja a intenção de venda. E essa opção não é do fisco, mas do contribuinte, segundo sua intenção. E explicita ainda o parecer que há presunção de intenção de permanência quando o montante registrado no ativo circulante não for alienado até o balanço do exercício seguinte (vejase que a presunção não opera para prejudicar o contribuinte, mas para beneficiá lo). Em outras palavras, se o contribuinte manifestar a intenção de venda, registrando as ações no Ativo Circulante, e não as vender até balanço do exercício seguinte, resta desfigurada a intenção manifestada. O raciocínio "a contrario sensu" promovido no voto do relator apresenta, a nosso ver, falácia, em termos lógicos. Em nenhum lugar o parecer afirma que caso a empresa manifeste intenção de permanência, a venda das ações antes do final do balanço do exercício Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 20 deve ser realocada no Ativo Circulante (presunção inexistente no parecer, e que operaria em prejuízo do contribuinte). A fiscalização não autua o contribuinte por vender as ações, mas por ele ter indevidamente contabilizado como investimento, quando tinha a intenção de vender. Então, o mínimo que se espera no campo probatório é que o fisco se desincumba do ônus de comprovar tal intenção, não com presunções desprovidas de amparo normativo, mas com documentos. Sinto extrema dificuldade em alcançar o raciocínio de que se o contribuinte adquiriu ações em outubro/novembro de 2007 e as alienou em abril de 2008, era óbvio que ele tinha a intenção de alienálas, desde outubro/novembro de 2007. Não vejo nenhuma obviedade nesse raciocínio, tanto que se tem que invocar a presunção falaciosa para empreendêlo. Entretanto, sob nosso ponto de vista, é documento comprobatório hábil da intenção de venda qualquer compromisso prévio assumido pelo contribuinte, como o de oferecer as ações em oferta pública. No caso em análise, tal prova não figura nestes autos, no que se refere às ações da BM&F. Contudo, no que se refere às ações da CETIP, há um "Termo de adesão e procuração relativo a Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações da CETIP S.A. Balcão Organizado de Ativos e Derivativos", às fls. 1144 a 1148: Vejase que, pelo termo, a recorrente manifesta claramente "interesse em aderir à oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Companhia ('Oferta' e 'Ações'), para vender 250.672 Ações de emissão da Companhia", ou seja, manifesta inequivocamente a intenção de venda, permitindo a nítida contextualização, diante do Parecer Normativo CST no 108/1978. Nesse aspecto, acordamos com o relator, quando este afirma que "o compromisso de alienação firme destas ações é claramente incompatível com a pretensa “intenção de permanência” aventada, uma vez que já havia prévia ciência da obrigação de venda destes títulos". Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 16327.720402/201312 Acórdão n.º 3401003.126 S3C4T1 Fl. 2.658 21 Assim, a autuação é procedente no que se refere à venda das 250.672 ações, efetuada em 30/10/2009, com resultado da ordem de R$ 2.479.144,07 (conforme Termo de Verificação Fiscal fl. 423): Mas em relação às vendas restantes, efetuadas em 30/04/2010 e 17/05/2010, a imputação fiscal resta ao desamparo de prova que pudesse levar à conclusão da inadequação da contabilização efetuada pela recorrente. Pelo exposto, cabe a manutenção da autuação exclusivamente no que se refere à venda das 250.672 ações, "compromissadas", efetuada em 30/10/2009, sendo improcedente o lançamento no que se refere às demais vendas, por carência probatória. Mantenho, assim, o posicionamento externado por diversas vezes neste CARF (v.g., em declarações de voto nos Acórdãos no 3403001.734, no 3403001.757, no 3403 001.829), de que, à luz do art. 179 da Lei no 6.404/1976, e do Parecer Normativo CST no 108/1978, entre outros, a contabilização das ações recebidas deveria ter sido efetuada no Ativo Circulante somente se, ao momento de seu recebimento, por ocasião da "desmutualização", houvesse a intenção de realização no exercício social subsequente. Nos acórdãos indicados, consignei, em declaração de voto, sempre, a seguinte mensagem: Não se afigura dúvida, assim, em relação à classificação contábil, que está intimamente vinculada à intenção da empresa em negociar ou não em curto prazo as ações. No entanto, incumbe à autoridade autuante apresentar os elementos que comprovem que a recorrente, no momento do recebimento das ações, tinha efetivamente a intenção (ou mesmo a obrigação) de negociálas em curto prazo. No segundo dos acórdãos citados (no 3403001.757), fui, inclusive, acompanhado em meu raciocínio pelo relator do presente processo, embora tenhamos sido vencidos, diante do entendimento do colegiado, por voto de qualidade, de que a "desmutualização" não envolveu um ato de restituição de patrimônio ou sucessão, mas mera troca de ativos. Vejase o resultado do julgamento: "Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho e Rosaldo Trevisan, que votaram por dar provimento parcial para reconhecer que as contribuições só podem incidir sobre o produto da venda das ações que não ultrapasse a quantidade que a corretora se comprometeu a ceder para a oferta pública..." Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 22 Assim, reafirmo o teor das citadas declarações, e voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para manter a autuação somente em relação à parcela referente à venda das 250.672 ações, "compromissadas", efetuada em 30/10/2009. Rosaldo Trevisan Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11052.001367/2010-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 17/12/2009.
REMISSÃO. LEI Nº 13.097/2015. APLICABILIDADE
O artigo 49 da Lei nº 13.097/2015 expressamente afasta as multas previstas no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até 20/01/2015, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Constatado o preenchimento dos requisitos, deve ser extinta a multa aplicada.
Numero da decisão: 2803-0004.203
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor, redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei nº 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do artigo 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.
Nome do relator: Andrea Brose Adolfo - Relatora designada ad hoc na data da formalização
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/12/2009. REMISSÃO. LEI Nº 13.097/2015. APLICABILIDADE O artigo 49 da Lei nº 13.097/2015 expressamente afasta as multas previstas no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até 20/01/2015, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Constatado o preenchimento dos requisitos, deve ser extinta a multa aplicada.
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Obrigação Acessória Recorrente CUECAS DUOMO LTDA - ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/12/2009. REMISSÃO. LEI Nº 13.097/2015. APLICABILIDADE O artigo 49 da Lei nº 13.097/2015 expressamente afasta as multas previstas no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até 20/01/2015, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Constatado o preenchimento dos requisitos, deve ser extinta a multa aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor, redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei nº 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do artigo 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF na data da formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora designada ad hoc na data da formalização Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo - Relatora designada ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter apresentado GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social - com incorreções, conforme relatório fiscal. O r. acórdão – fls 295 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: Nulidade do auto lavrado em razão de ausência de requisitos fundamentais para a sua validade; Ao longo do ano de 2003 não houve qualquer remuneração a título de pro-labore ao sócio José Fábio; e o que tange ao sócio Antonio Ricardo, a ausência foi suprida perante a Receita Federal; Requer prova pericial; e Requer ao final a declaração de nulidade da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo - Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro relator ter deixado o colegiado antes de sua formalização, assim como o conselheiro designado para formalização do voto vencedor e o presidente da turma, fui designada ad hoc para fazê-lo. Esclareço que, em que pese não ter participado da sessão de julgamento em que o colegiado apreciou o recurso e proferiu a presente decisão, formalizo o acórdão, com base na ATA de Julgamento, na minuta deixada pelo conselheiro relator e no entendimento da turma já exarado em outros julgados semelhantes, constantes dos arquivos do CARF, com os quais não necessariamente concordo. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11052.001367/2010-31 Acórdão n.º 2803-004.203 S2-TE03 Fl. 2 3 Feito o registro. O conselheiro relator votou por dar provimento parcial ao recurso, nos termos a seguir. DO PEDIDO DE PERÍCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de perícia deve ser indeferido pois os autos já carreiam todos os elementos necessários ao deslinde da demanda. Segundo Pontes de Miranda, "A perícia serve à prova de fato que dependa de conhecimento especial, ou que simplesmente precise de ser fixado(...)." (Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo IV,pg. 625, Forense, 2º edição, 1979) Não obstante, o decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1º e 4º consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O impugnante – fls 318 formulou pedido de produção de provas, sem apresentar os necessários quesitos ou indicar seu perito, em total desacordo com a norma citada. Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica-se a regra do § 1º, considerando-se não formulado o pedido de perícia. DOS SÓCIOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES EM GFIP Informa o relatório fiscal que não foram informadas as remunerações pagas a título de pró-labore aos sócios, bem como seus dados cadastrais. O relatório fiscal informa claramente a conduta considerada, destacando ainda que o recorrente, consciente da falta, informou em carta que “considerando-se que os valores que envolveram a prestação de serviços prestados pela cooperativa - COOPSEGUR, bem como os valores pagos a título de pró-labore, foram lançados nos autos (AIOP) n° 37.202.617-6 e 37.202.618-4, entendemos ser desnecessária a apresentação de GFIP's retificadoras”. A remuneração atribuída aos sócios consta da DIPJ - Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica da empresa. Sobre a alegação de que a ausência de informação do sócio Antonio Ricardo, teria sido suprida perante a Receita Federal, nenhuma prova foi acostada aos autos, não havendo assim como apreciar o alegado. Uma vez não declaradas em GFIP as informações pertinentes aos sócios, temos como procedente a autuação, nesse ponto. DA INFRAÇÃO REFERENTE A COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, considerou o artigo 22, IV, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, inconstitucional. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF informa: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11052.001367/2010-31 Acórdão n.º 2803-004.203 S2-TE03 Fl. 3 5 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa feita, considerada a lei que justifica a autuação como em descompasso com a Constituição Federal, desaparece o fundamento jurídico que sustenta o auto lavrado, devendo assim o mesmo ser desconstituído, nessa parte. Entretanto, o conselheiro relator restou vencido e a maioria do colegiado acompanhou o entendimento do conselheiro designado para redação do voto vencedor, como se segue. O Artigo 49 da lei 13097/15 assim traz: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32-A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Da norma legal depreende-se que as multas em GFIP, caso dos autos, serão afastadas desde que: 1- Sejam lançadas até a publicação da lei (20.01.2015) e 2 - tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. É o caso dos autos. O auto foi lavrado em 17.12.2010 e, conforme relatório fiscal de fls 13 e ss, trata-se de rubricas não declaradas em GFIPs efetivamente entregues. A norma legal determina apenas que a GFIP seja entregue para que o contribuinte usufrua do favor legal, não havendo exigência de que a GFIP entregue não contenha omissões ou incorreções, bastando sua apresentação até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega para que se enquadre na hipótese de remissão, que deve ser reconhecida por este Colegiado. Cumpre registrar que, a teor do art. 156, IV do CTN, estamos a tratar de remissão e não de anistia, como consta da recém editada norma. Em face do exposto, o colegiado decidiu, na sessão pública de julgamento, dar provimento ao recurso, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n° 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão, nos termos do artigo 156, IV, do CTN. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904387/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO DE OUTRO PROCESSO
Homologa-se a compensação até o limite do direito de crédito reconhecido definitivamente, ainda que em outro processo administrativo.
Numero da decisão: 1301-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator.
(documento digitalmente assinado)
Waldir Veiga Rocha- Presidente.
(documento digitalmente assinado)
Flávio Franco Corrêa- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO DE OUTRO PROCESSO Homologase a compensação até o limite do direito de crédito reconhecido definitivamente, ainda que em outro processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. (documento digitalmente assinado) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento digitalmente assinado) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto que, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 43 87 /2 01 3- 20 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904387/201320 Acórdão n.º 1301002.074 S1C3T1 Fl. 168 2 creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, nos termos do voto da relatora. Pela clareza do relatório do Acórdão recorrido, reproduzoo para, em seguida, adotálo, verbis: "Tratase do Pedido de Restituição Eletrônico (PER) nº 36610.91425.170409.1.6.020052, relativo a crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, informado no PER com demonstrativo de crédito e na DIPJ no valor originário de R$ 1.440,47. Conforme Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 067695375, de 04/11/2013, o direito creditório não foi reconhecido, mediante o seguinte fundamento: COMPOSIÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO: a) período de apuração do crédito: anocalendário de 2004 b) tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ c) total do IRFONTE na DCOMP : R$ 31.768,08 d) total do IRFONTE confirmado: R$ 31.768,08 e) estimativas compensadas com outros tributos ou demais estimativas compensadas = R$ 340.102,47 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904387/201320 Acórdão n.º 1301002.074 S1C3T1 Fl. 169 3 f) estimativas compensadas confirmadas com outros tributos ou demais estimativas compensadas confirmadas = R$ 106.656,85 g) soma das parcelas de crédito = R$ 371.870,55 h) soma das parcelas de crédito confirmadas = R$ 138.424,93 i) valor original do saldo negativo informado na DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.440,47 j) valor do saldo negativo informado na DIPJ = R$ 1.440,47 k) somatório das parcelas do composição do crédito na DIPJ: R$ 371.870,55 l) IRPJ devido: R$ 370.430,08 m) valor do saldo negativo disponível: ZERO Enquadramento legal da não homologação: artigo 168 do Código Tributário Nacional (CTN). Inciso II do parágrafo 1º do artigo 6º da Lei nº 9.430, de 1996. Artigo 5º da IN SRF nº 900, de 2008. Artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Nas Informações Complementares da Análise de Crédito, fls. 10/11, constam os dados abaixo: a) parcela confirmada do IRFONTE, com 7 fontes pagadoras = R$ 31.768,08 b) demais estimativas compensadas confirmadas com 4 DCOMP = R$ 106.656,85 c) demais estimativas compensadas não confirmadas = R$ 233.445,62 c.1) na PER/DCOMP nº 08798.12119.260906.1.7.012805: R$ 10.698,26 c.2) na PER/DCOMP nº 22416.96633.301204.1.7.579326: R$ 48.874,02 c.3) na PER/DCOMP nº 33965.69340.110205.1.7.570141: R$ 13.612,16 c.4) na PER/DCOMP nº 25735.93896.011204.1.3.015573: R$ 12.089,25 c.5) na PER/DCOMP nº 15404.35459.011204.1.3.014050: R$ 110,47 c.6) na PER/DCOMP nº 07688.71400.011204.1.2.01.06866: R$ 4.698,56 c.7) na PER/DCOMP nº 25899.18715.301204.1.3.576334: R$ 41.277,96 c.8) no processo nº 13982.000777/9903: R$ 33.331,96 c.9) no processo nº 13982.000113/9945: R$ 13.607,73 c.10) no processo nº 13982.000114/9916: R$ 11.704,97 c.11) no processo nº 13982.000778/9968: R$ 43.440,30 Total das demais estimativas compensadas não confirmado = Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904387/201320 Acórdão n.º 1301002.074 S1C3T1 Fl. 170 4 = R$ 10.698,26 + R$ 48.874,02 + R$ 13.612,16 + R$ 12.089,25 + R$ 110,47 + + R$ 4.698,56 + R$ 41.277,96 + R$ 33.331,96 + R$ 13.607,73 + R$ 11.704,97 + R$ 43.440,30 = R$ 233.445,62 Chamada a decidir, com a impugnação do despacho decisório, entendeu a DRJ que se deveria reconhecer a compensação relativa à DCOMP nº 08798.12119.2600906.1.7.012805, enquanto esta aguardava tratamento manual ainda dentro do prazo decadencial de que trata o artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em conta que os efeitos compensatórios extintivos do débito são gerados imediatamente à entrega da DCOMP, sob condição resolutória da ulterior homologação, na forma do artigo 74, § 2º, da Lei nº 9.430/1996. Quanto às demais PER/DCOMP, anotouse que as compensações que lhes são correlatas já estavam homologadas, conforme fls. 89/92. Do mesmo modo, com a consulta ao SIEFProcesso, percebeuse que estavam extintas, por compensação, as estimativas compensadas nos processos 13982.000777/9903, 13982.000113/9945 e 13982.000114/9916, a teor de fls. 93/96. Já em relação à compensação de estimativa de IRPJ objeto do processo nº 13982.000778/9968, manifestou a DRJ, à fl. 96, a impossibilidade de se declarar o efeito extintivo a incidir sobre o débito, porque essa questão é pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, diante da apresentação de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assentouse, ainda, que, enquanto perdurar a lide, está suspensa a exigibilidade do débito que se quer compensar. Em suma, com o julgamento da impugnação, mantevese a glosa, exclusivamente, do valor de R$ 43.440,30, confirmandose, por outro lado, a extinção das demais parcelas, no total de R$ 190.005,32. Decisão de primeira instância às fls. 80/102, assim ementada: " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (PER). SALDO NEGATIVO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. A DIPJ tem efeito meramente informativo, constituindo, apenas, demonstrativo da existência do direito creditório pleiteado, cumprindo à pessoa jurídica comprovar a veracidade das informações prestadas em tal documento, quando o pedido de restituição/compensação se origina de saldo negativo apurado em referida declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904387/201320 Acórdão n.º 1301002.074 S1C3T1 Fl. 171 5 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (PER). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES. ESTIMATIVA COMPENSADA. A restituição e/ou compensação de saldo negativo condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. A estimativa é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovada a sua extinção mediante pagamento e/ou compensação homologada." Ciência do acórdão recorrido no dia 22/10/2014, às fl. 103. Recurso voluntário e documentos às fls. 106/142, com entrada na repartição no dia 20/10/2014. Nesta oportunidade, aduz que se deve reconhecer a extinção da parcela restante de R$ 43.440,30, completandose o que falta para se deferir a compensação pretendida. Isso porque o valor mencionado é parte do crédito presumido de IPI de R$ 64.235,22, reconhecido no processo nº 13982.000778/9968. Afirma, ainda, que a matéria em debate no processo acima não diz respeito ao montante reconhecido pelas instâncias ordinárias, e, sim, ao montante não reconhecido, na importância de R$ 695.823,73, que é a diferença entre o total pleiteado, de R$ 750.058,95, e a parcela de R$ 64.235,22. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição deste recurso, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. A Recorrente vinculou o precitado crédito de R$ 43.440,30 à PER/DCOMP, que veicula a compensação objeto de apreciação neste processo (DCOMP nº 36610.91425.170409.1.6.020052). Tal valor é parte do montante já reconhecido no processo nº 13982.000778/9968, que estava em fase de julgamento de recurso especial na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Consulta à pagina do CARF na internet revela a prolação de decisão, por parte daquela instância especial, sobre o aludido recurso, malgrado ainda não se saiba se tal decisão é definitiva ou não. Mas isso pouco importa, porque o julgamento de recurso eventualmente ainda cabível, a ser interposto nos autos de processo nº13982.000778/9968, não irá reduzir o crédito de R$ 43.440,30, porque este valor é parte do crédito de R$ 64.235,22, o qual, tendo sido proclamado em despacho da autoridade fiscal à fl. 563 do referido processo nº 13982.000778/9968, é insuscetível à diminuição, nos termos do artigo 27, inciso I, da Lei nº 10.522, de 2002. Esclareçase, ainda, que o saldo negativo discutido nestes autos não está sob a dependência da solução de questão prévia sobre a homologação de compensação, vinculada a direito de crédito com vistas à extinção de estimativa, indicada como componente do saldo negativo, o que seria determinante do sobrestamento do feito até a decisão sobre a compensação, a exemplo do quadro fático revelado no processo nº 10925.904388/201374. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10925.904387/201320 Acórdão n.º 1301002.074 S1C3T1 Fl. 172 6 Nesse sentido, não resta impedimento ao aproveitamento imediato do crédito de R$ 43.440,30. Diante do exposto, voto no sentido de prover o recurso voluntário, reconhecendose o direito creditório acima, homologandose a compensação até o limite do direito de crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por FLAVIO FRANCO CORREA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 13864.000527/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/06/2007
AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS.
Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando os resultados dos julgamentos dos processos lavrados na mesma ação fiscal não têm influência recíproca.
VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP.
Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP).
Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte.
SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS.
O sucessor é responsável por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva. Decisão do STJ no REsp 923.012/MG, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, de reprodução obrigatória pelo CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Lívia Maria Marques, OAB/DF 33.534.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 30/06/2007 AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando os resultados dos julgamentos dos processos lavrados na mesma ação fiscal não têm influência recíproca. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP. Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS. O sucessor é responsável por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva. Decisão do STJ no REsp 923.012/MG, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, de reprodução obrigatória pelo CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte
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IMPUTAÇÃO. Recorrente TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/06/2007 AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS NA MESMA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando os resultados dos julgamentos dos processos lavrados na mesma ação fiscal não têm influência recíproca. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. PAGAMENTOS DESVINCULADOS DA GFIP. Constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Entretanto, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, é possível a apropriação do indébito aos créditos tributários constituídos em desfavor do contribuinte. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS. O sucessor é responsável por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva. Decisão do STJ no REsp 923.012/MG, submetido ao rito do art. 543C do CPC, de reprodução obrigatória pelo CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 27 /2 01 0- 04 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Lívia Maria Marques, OAB/DF 33.534. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Andrea Brose Adolfo, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000527/201004 Acórdão n.º 2301004.521 S2C3T1 Fl. 402 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0533.985 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campinas (SP), fl. 657661 do Processo nº 13864.000528/201041, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 37.316.8217. De acordo com o relatório fiscal de f. 2528, o lançamento trata de exigência das contribuições dos segurados empregados de responsabilidade da empresa por substituição tributária, incidentes sobre as remunerações a eles pagas devidas ou creditadas, apuradas com base na técnica do arbitramento, no período de 02/2007, 04/2007 e 06/2007. Ficou consignado no relatório fiscal que as bases de cálculo do lançamento foram extraídas da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e se referem a pagamentos feitos a empregados e a prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício que não constaram das folhas de pagamento disponibilizadas à fiscalização em meio digital, das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nem da contabilidade, e que deixaram de ser justificadas pela empresa após ter sido intimada a fazêlo. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que efetuou o pagamento das contribuições apuradas no lançamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado, sob o fundamento de que a mera juntada de guias de recolhimentos sem a demonstração da vinculação delas aos fatos geradores das contribuições sociais exigidas não é prova de pagamento do crédito constituído. O sujeito passivo foi intimado do lançamento em 22/12/2010, fl. 36, e teve ciência do acórdão da DRJ em 12/09/2011, fl. 668 do Processo 13864.000528/201041., segundafeira, sendo que o prazo para apresentação de recurso iniciouse em 13/09/2011 e terminou em 12/10/2011, cujo vencimento foi prorrogado para o dia 13/10/2011 em razão do feriado nacional de 12/10/2011. Em 13/10/2011, a autuada, por meio de procuradora qualificada nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, fl. 793806 do Processo 13864.000528/201041, repetido às fl. 731744 e 793786, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega conexão deste processo com os demais processos de lançamento constituídos na mesma ação fiscal, e, por conseguinte, a necessidade de julgamento conjunto para evitar decisões contraditórias. Também em preliminar, sustenta a nulidade do lançamento, por falta de motivação, e a nulidade do acórdão recorrido, porque deixou de apreciar as guias de recolhimento apresentadas na impugnação, incorrendo em cerceamento de defesa. No mérito, afirma que as guias apresentadas na impugnação comprovam que a recorrente efetuou o recolhimento dos valores lançados. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Afirma também que a obrigação tributária em questão é da empresa incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, e que no momento da incorporação o crédito tributário dela decorrente não estava constituído, motivo pelo qual não tem responsabilidade sobre a multa aplicada, sustentandose no art. 132 do CTN e em jurisprudência do STJ no sentido de que a possibilidade de responsabilização do incorporador por multas só existe quando essa tiver sido aplicada antes da incorporação. Ao final, requer: (i) que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida (ii) o cancelamento integral do crédito tributário lançado, e, subsidiariamente (iii) que seja reconhecida sua ilegitimidade para responder por multas da empresa incorporada. O julgamento do recurso foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2402000.475, da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, voto dessa relatora, fls. 240 244, solicitando, à autoridade lançadora, esclarecer se as Guias de Pagamento (GPS) juntadas aos autos, bem como quaisquer outro recolhimento feito pela recorrente, estariam disponíveis para serem vinculadas aos débitos dela. Em resposta foi produzido o relatório de diligência fiscal de fls. 285290, esclarecendo que os pagamentos efetuados pela recorrente, por meio de GPS, estão vinculados aos valores das contribuições confessadas em GFIP, com exceção das diferenças apuradas em alguns estabelecimentos e competências, conforme demonstrado na tabela de fls. 290. Em seguida, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000527/201004 Acórdão n.º 2301004.521 S2C3T1 Fl. 403 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar. Pedido de Reunião dos Processos Administrativos Tributários A Recorrente requer o julgamento conjunto de todos os auto de infração lavrados na mesma ação fiscal, a fim de se evitar decisões conflitantes. Na conformidade da norma processual vigente, impõese a reunião das ações para julgamento quando configurada a conexão entre duas ou mais ações, vale dizer, quando há identidade do objeto ou da causa de pedir. O objeto do presente processo é a obrigação de a empresa recolher as contribuições a cargo dos segurados empregados, detectados em sua Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). O mesmo fato tributário embasa as exigências das contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros 5,8%), objeto Processo Administrativo nº 13864.000526/201051 (Debcad nº 37.316.8225), e das contribuições a cargo da empresa (20% destinada ao FPAS e 2% destinada ao SAT), de que trata o Processo Administrativo nº 13864.000528/201041 (Debcad nº 37.316.8209). Há, portanto, conexão entre os processos mencionados e o julgamento dos recursos neles apresentados está sendo realizado em conjunto, nessa mesma sessão de julgamento, evitandose decisões conflitantes. Quanto aos demais processos tributários decorrentes da mesma ação fiscal, verificase, em consulta ao sistema eprocesso, que existe decisão deste Conselho em sede de Recurso Voluntário, conforme demonstrado abaixo: nº nº Processo nº Debcad Tipo Matéria Sujeito Passivo Nº Ac CARF Decisão 1 13864.000508/201070 373113765 AIOA 22 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.466 nulidade do lançamento 2 13864.000509/201014 373113722 AIOA 68 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.467 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 3 13864.000510/201049 373113757 AIOA 38 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.468 negado provimento ao recurso 4 13864.000511/201093 373113749 AIOA 69 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.469 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 5 13864.000512/201038 372917160 AIOA 34 TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.470 negado provimento ao recurso 6 13864.000513/201082 373113730 AIOP Retenção 11% TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.561 dado provimento ao recurso 7 13864.000514/201027 373168284 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.455 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 8 13864.000515/201071 373168276 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.456 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 9 13864.000516/201016 373168268 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.457 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 10 13864.000517/201061 373168195 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.458 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 11 13864.000518/201013 373113838 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.459 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa Fl. 405DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 12 13864.000519/201050 373113803 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.738 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 13 13864.000520/201084 373113820 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.460 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 14 13864.000521/201029 373168241 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.739 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 15 13864.000522/201073 373113811 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.740 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 16 13864.000523/201018 373168233 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.741 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 17 13864.000524/201062 373168250 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.742 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa 18 13864.000525/201015 373113781 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.471 nulidade do lançamento 19 13864.000534/201006 373113773 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.472 nulidade do lançamento 20 13864.000535/201042 373182872 AIOP Retenção 11% TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.562 dado provimento ao recurso 21 13864.000536/201097 373113790 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS SERVIÇOS E TECNOLOGIA 2301003.743 dado provimento parcial ao recurso para alterar a multa O presente processo é autônomo em relação aos demais listados na tabela acima, pois eles têm objetos distintos, e a solução quanto à existência do fato gerador da obrigação tributária tratada naqueles, ou da validade daqueles lançamentos, não refletirá na obrigação tributária deste, de modo que não existe motivação jurídica para se adotar aqui o resultado do julgamento de quaisquer daqueles processos sem relação de conexão. Entretanto, será observado neste voto o entendimento consolidado no resultado do julgamento daqueles processos, no que tange aos pontos controvertidos comuns, quando for compatível. Preliminar de Invalidade do Lançamento A Recorrente suscita a nulidade do lançamento, argumentando que a comparação entre os dados da DIRF em cotejo com a folha de pagamento e a GFIP não é prova suficiente da materialidade da incidência tributária. Extraise do relatório fiscal que o cotejo entre os dados declarados em DIRF, GFIP e Folha de Pagamento constituiu técnica de investigação de fatos tributários, que permitiu a identificação de fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme item 4 do relatório fiscal: 4.1 Informou na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF valores pagos a pessoas físicas, conforme abaixo: a) Identificados empregados que deixaram de constar na folha de pagamento digital, na GFIP e na RAIS. O contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos e documentos conforme Termo de Intimação Fiscal TIF nr. 18. Responderam que as verbas cnstaram na folha de pagamento, no entanto, a folha de pagamento digital não apresenta os segurados nas competências em questão: Elizabete de Almeda Otero (02/2007), Sergio Batista Reis (04/2007) e Gisele Villaça Lima (06/2007). A autoridade fiscal pode se valer da DIRF para investigar incidências tributárias, notadamente por se tratar de documento produzido pela própria empresa. Macula a fé dos documentos fiscais da Recorrente o fato de a folha de pagamento não espelhar todos os pagamentos feitos a empregados e prestadores de serviços e sua contabilidade não registrar os pagamentos feitos a todas as pessoas físicas. É dever instrumental da empresa elaborar folha de pagamento contemplando todos os segurados a seu serviço, bem como todas as parcelas da remuneração paga, devida ou Fl. 406DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000527/201004 Acórdão n.º 2301004.521 S2C3T1 Fl. 404 7 creditada aos segurados, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9o do art. 225 do RPS/99. A escrituração contábil também deve ser feita de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e dos montantes descontados, devidos e recolhidos a título de contribuições previdenciárias, apenas com base nos títulos das contas contábeis. Para tanto, o registro contábil das parcelas da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados deve ser feito em títulos próprios, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição. Tratase de dever instrumental previsto no inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Os vícios apontados são suficientes para tornar a contabilidade, as folhas de pagamento e as GFIPs ineficazes como meio de prova das bases de cálculo dos fatos geradores aqui tratados, de modo a justificar a adoção da técnica do arbitramento, sobretudo neste caso, quando a empresa, previamente à autuação, tenha sido intimada a esclarecer os dados declarados em DIRF, bem como a natureza dos pagamentos ali informados, oportunizandolhe corrigir eventuais erros. Na falta de comprovação, pela Recorrente, que seus documentos fiscais que constituem meios diretos de apuração das contribuições aqui tratadas (folha de pagamento, GFIP e contabilidade) são suficientes para permitir a descoberta direta das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, fica autorizada a apuração da base de cálculo por meios indiretos, nos termos do art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 33 §§ 3o e 6º da Lei 8.212/91: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 3ª Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade Fl. 407DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O mesmo fundamento autoriza a presunção da incidência tributária das parcelas pagas aos empregados identificados na DIRF, pois, na hipótese, a mácula da folha de pagamento e da GFIP atinge, além dos dados quantitativos, os dados qualitativos desses documentos, e, por força legal, passa a ser da autuada o ônus da prova do caráter não remuneratório dessas parcelas. Em suma, o relatório fiscal contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, a natureza das contribuições lançadas, o período e a fundamentação jurídica do lançamento tributário, assim como a indicação dos documentos nos quais se materializaram os fatos geradores. Nos relatórios anexos ao auto de infração foram demonstradas as bases de cálculo, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas e os dispositivos legais autorizadores do lançamento. O auto de infração, em síntese, permite à interessada conhecer a motivação fática e jurídica do lançamento, permitindolhe defenderse plenamente. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Concluo que o lançamento contém os requisitos mínimos aptos a lhe garantir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade invocada. Pagamento De acordo com o relatório fiscal, os valores lançados originamse de pagamentos não declarados em GFIP e não incluídos em folhas de pagamento, de modo que as contribuições daí decorrentes não foram recolhidas pela empresa. A recorrente rebate este argumento afirmando que os valores lançados foram devidamente pagos, tendo apresentado, com a impugnação, as guias de pagamento (GPS) supostamente comprobatórias do alegado. Ainda de acordo com a Recorrente, o órgão julgador de primeira instância deixou de apreciar esses documentos, o que ensejaria a nulidade do acórdão recorrido. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000527/201004 Acórdão n.º 2301004.521 S2C3T1 Fl. 405 9 Ao apreciar os fundamentos do voto condutor do acórdão questionado, encontrase a passagem que trata dessa matéria, a seguir reproduzida: Quanto aos recolhimentos, não consta que as remunerações que motivaram a autuação tenham sido declaradas nas folhas de pagamento da empresa. Tivessem sido declaradas, serviriam de fundamento do Processo n° 13864.000520/201084, o qual se baseia justamente nos fatos geradores reconhecidos nas folhas de pagamento, mas não declarados em GFIP. Como não há indícios de que, em algum momento, a impugnante tenha admitido a incidência das contribuições exigidas, não vejo a menor verossimilhança de que tenha recolhido as contribuições exigidas. A juntada de inúmeras guias de recolhimento não demonstra o pagamento dos tributos exigidos. A impugnante deveria ter sido mais cuidadosa na comprovação de suas alegações, juntando outros documentos que vinculariam as guias de recolhimento aos fatos geradores objeto da exação. A impugnante deixou, portanto, de demonstrar qualquer fato extintivo do direito do Fisco. Em suma, o relator rejeitou as guias apresentadas pela recorrente por não terem sido vinculadas, pela Recorrente, aos fatos geradores tratados neste processo. Não houve omissão, do órgão julgador de primeira instância, na apreciação deste ponto da impugnação, estando hígido, portanto, o acórdão recorrido. Mas, em razão do efeito devolutivo do recurso, a questão passa a ser reapreciada, agora nessa instância. Com efeito, constitui ônus do sujeito passivo vincular os pagamentos aos fatos geradores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), sendo que, na espécie, a vinculação darseia mediante retificação, pela empresa, das GFIPs entregues com omissão dos fatos geradores aqui tratados. De qualquer sorte, se pagamentos existirem que não foram vinculados a fatos geradores por meio de GFIP, entendo que é facultado ao contribuinte solicitar a imputação do indébito a créditos tributários constituídos em seu desfavor, motivo pelo qual essa relatora solicitou a apreciação desses documentos pela autoridade lançadora. A fiscalização, em relatório de diligência fiscal, informou que o total das GPS da empresa, disponível no banco de dados de arrecadação da Receita Federal, incluindo as apresentadas na impugnação, relativas aos estabelecimentos 0001 a 0009, estão vinculadas às contribuições declaradas pela empresa, em GFIP, demonstrando o valor declarado em GFIP e o valor pago em GPS. por estabelecimento e por competência. Entretanto, identificouse que, em algumas competências e estabelecimentos, existem diferenças relativas a valores recolhidos que não estão vinculados às contribuições declaradas em GFIP, conforme demonstrativo de fls. 290. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 Ainda de acordo com o relatório de diligência fiscal, a Recorrente deixou de vincular essas diferenças a quaisquer fatos geradores, o que também não foi feito pela fiscalização; além disso, a Recorrente não procedeu à compensação desses créditos com seus débitos e nem solicitou restituição do valor pago a maior. Portanto, é cabível a imputação, ao lançamento, do pagamento correspondente às diferenças apontadas na tabela de fls. 289, caso tenham a mesma natureza das contribuições aqui lançadas. Responsabilidade da Incorporadora pela Multa A Recorrente afirma que o presente auto de infração se refere à obrigação tributária da empresa Telefutura Centrais Telefônicas S/A, que foi por ela incorporada em junho de 2007, e que, na condição de sucessora, não responde pela multa dos débitos da incorporada constituídos após a data da incorporação. Essa afirmação não encontra verossimilhança nos autos, pois, de acordo com o relatório fiscal, o presente lançamento trata de débito próprio da Recorrente, relativo aos pagamentos feitos a segurados empregados, e a Recorrente não trouxe prova em contrário. De qualquer modo, ainda que se tratasse de débito da empresa incorporada, persistiria a responsabilidade da Recorrente pelo pagamento do tributo e da multa, na condição de sucessora, considerando que a matéria está pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, que, em sede do REsp 923.012/MG, eleito como representativo de controvérsia dos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, decidiu pela responsabilidade tributária do sucessor por todos os fatos geradores ocorridos até a data da sucessão, incluindo as multas moratória e punitiva, conforme ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.° 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário Fl. 410DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000527/201004 Acórdão n.º 2301004.521 S2C3T1 Fl. 406 11 (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9a ed., p. 701) 3. A base de cálculo possível do ICMS nas operações mercantis, à luz do texto constitucional, é o valor da operação mercantil efetivamente realizada ou, consoante o artigo 13, inciso I, da Lei Complementar n.° 87/96, "o valor de que decorrer a saída da mercadoria". 4. Desta sorte, afigurase inconteste que o ICMS descaracteriza se acaso integrarem sua base de cálculo elementos estranhos à operação mercantil realizada, como, por exemplo, o valor intrínseco dos bens entregues por fabricante à empresa atacadista, a título de bonificação, ou seja, sem a efetiva cobrança de um preço sobre os mesmos. (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 923.012/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010). Demonstrada, portanto, a responsabilidade da Recorrente em relação ao crédito tributário em questão (...). Cabe a este Conselho reproduzir as decisões dos Tribunais Superiores, tomadas sob o rito dos artigos 543B e 543C do CPC, conforme dispõe o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Esse entendimento, inclusive, foi adotado nos julgamentos dos recursos voluntários dos processos lavrados na mesma ação fiscal em face da Recorrente, na condição de responsável por sucessão de Telefutura Centrais Telefônicas S/A: nº Processo nº Debcad Tipo Matéria Sujeito Passivo Nº Ac CARF 13864.000514/201027 373168284 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.455 13864.000515/201071 373168276 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.456 13864.000516/201016 373168268 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.457 13864.000521/201029 373168241 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.739 13864.000523/201018 373168233 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.741 13864.000524/201062 373168250 AIOP parcelas remuneratórias FP/GFIP TIVIT S/A SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DA TELEFUTURA CENTRAIS TELEFÔNICAS S/A 2301003.742 Além disso, é entendimento pacificado no CARF, por meio do enunciado da Súmula nº 47, de observância obrigatória, que é devida a multa de ofício à sucessora, quando ela, juntamente com a sucedida, formavam grupo econômico à época dos fatos geradores, ou estavam sob controle comum, o que afasta a tese de desconhecimento, por parte da sucessora, da exigência tributária. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. No caso, a empresa incorporada, Telefutura Centrais Telefônicas S/A, formava com a Recorrente, à época dos fatos geradores, grupo econômico, estavam sob a mesma direção, e a primeira era sócia majoritária da segunda, conforme consta do item 1 da Justificação da Incorporação, de 11 de maio de 2007, abaixo transcrito: 1. Justificação da Incorporação da TFSA pela TAT1 1.1 Tendo em vista que TFSA detém a quase totalidade das quotas da TAT e ambas as empresas têm objeto social e atividades bastante coincidentes, o signatário, na qualidade de diretor Presidente e Diretor Financeiro das duas empresas, entende que a incorporação da TFSA pela TAT trará consideráveis beneficios aos negócios que hoje são desenvolvidos por ambas de forma separada e implicara a racionalização e aumento de produtividade de ordem administrativa, econômica e financeira: Adicionalmente, a simplificação da estrutura societária do grupo constitui ato preparatório para a associação que se pretende formar entre o grupo a que pertence a TAT e a Tivit Tecnologia da Informação S.A., já amplamente divulgada na imprensa, a qual propiciará a futura expansão dos negócios sociais combinados ao melhor aproveitamento de sinergias já existentes entre os dois grupos. Nesse cenário, preliminarmente à incorporação da TFSA pela TAT pretendese promover a transformação desta em uma sociedade por ações de forma que, uma vez aprovada a incorporação, possam ser assegurados aos acionistas da TFSA então admitidos como sócios da TAT os mesmos direitos e prerrogativas que lhe são atualmente assegurados na qualidade de acionistas da TFSA. Diante do exposto, o signatário, na qualidade de Diretor Presidente e Diretor Financeiro das duas empresas representadas neste instrumento, entende que a incorporação da TFSA pela TAT, com a consequente extinção da TFSA, se impõe e se justifica como medida de racionalização das atividades do grupo empresarial que as sociedades pertencem e sua preparação para nova, fase de desenvolvimento e crescimento.(g.n.) Em síntese, a Recorrente é responsável pelo pagamento da multa. 1 TFSA: Telefutura Centrais de Atendimento S/A; TAT: Tivit Atendimentos Telefônicos Ltda, que depois passou a se chamar Tivit Terceirização de Processos, Serviços e Tecnologia S.A. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13864.000527/201004 Acórdão n.º 2301004.521 S2C3T1 Fl. 407 13 Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam apropriados, neste lançamento, os pagamentos correspondentes às diferenças apontadas na tabela de fls. 289, caso tenham a mesma natureza das contribuições aqui lançadas, observadas as cautelas de praxe. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 11516.722649/2011-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - IMUNIDADE ART. 195, § 7º CF/88 - ART 9º E 14 CTN - INAPLICABILIDADE.
Para usufruir da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88 o contribuinte deve se adequar aos requisitos contidos nas Leis 8.212/91 e 12.101/09, tendo em vista que a inconstitucionalidade dessas leis não foi reconhecida pelo STF.
Não comprovado o cumprimento dos requisitos legais, não há direito à imunidade.
Recurso não provido.
Numero da decisão: 9202-003.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que deram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GERSON MACEDO GUERRA - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - IMUNIDADE ART. 195, § 7º CF/88 - ART 9º E 14 CTN - INAPLICABILIDADE. Para usufruir da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88 o contribuinte deve se adequar aos requisitos contidos nas Leis 8.212/91 e 12.101/09, tendo em vista que a inconstitucionalidade dessas leis não foi reconhecida pelo STF. Não comprovado o cumprimento dos requisitos legais, não há direito à imunidade. Recurso não provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA - Relator. EDITADO EM: 22/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2.411 1 2.410 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.722649/201152 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.884 – 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS IMUNIDADE Recorrente CENTRO DE SOLIDARIEDADE HUMANA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS IMUNIDADE ART. 195, § 7º CF/88 ART 9º E 14 CTN INAPLICABILIDADE. Para usufruir da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88 o contribuinte deve se adequar aos requisitos contidos nas Leis 8.212/91 e 12.101/09, tendo em vista que a inconstitucionalidade dessas leis não foi reconhecida pelo STF. Não comprovado o cumprimento dos requisitos legais, não há direito à imunidade. Recurso não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA Relator. EDITADO EM: 22/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 26 49 /2 01 1- 52 Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados Autos de Infração para cobrança das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da parte patronal e ao SAT/RAT/GILRAT, bem como as contribuições destinadas à outras entidades e fundos – terceiros, no período de 01/2007 a 13/2008. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 77 e seguintes, no período de 01/01/2007 a 09/11/2008 (vigência da Lei 8.212/91) o contribuinte não possuía o reconhecimento da isenção, a teor do artigo 55 da mencionada Lei. Já no período de 10/11/2008 a 31/12/2008 (vigência da MP 446/08), o contribuinte não possuía o certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS). No curso do regular processo administrativo o contribuinte apresentou Impugnação, julgada improcedente pela DRJ. Ato seguinte, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário. No julgamento deste Recurso a 3ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a ele deu parcial provimento, para aplicar a multa mais benéfica, limitada das multas aplicadas a 75%, exarando a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/09/2011 AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS; DO RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL; DO REQUERIMENTO DE ISENÇÃO; DO ATO DECLARATÓRIO; DA APRESENTAÇÃO DOS RELATÓRIOS ANUAIS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA TRIBUTÁVEL COMPROVADA. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA NECESSIDADE DE CORREÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificado da decisão, o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial, ao qual foi dado regular seguimento. Conforme entendimento do presidente da 2ª Seção, a decisão recorrida decidiu que a regra a ser seguida, para o gozo de isenção do Art. 195, da CF/1988, é a do Art. 55, da Lei 8.212/1991, a decisão paradigma decidiu que a regra a ser seguida, para o gozo de isenção do Art. 195, da CF/1988, é a do Art. 14, do CTN (conforme despacho de fls. 2.389). Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.722649/201152 Acórdão n.º 9202003.884 CSRFT2 Fl. 2.412 3 Em suas razões, em resumo o contribuinte alega: 1. Que é associação civil sem fins lucrativos inscrita no Conselho Municipal de Assistência Social de Florianópolis, sendo declarada como entidade de Utilidade Pública em âmbito municipal. Assim, possui direitos e vantagens previstos em Lei; 2. Que se encontrava dentro dos parâmetros assistenciais determinados pela constituição e apta para usufruir da imunidade tributária, pois preenchia os três requisitos fundamentais para tanto, quais sejam: (i) não distribuiu patrimônio e rendas; (ii) aplicou seus recursos exclusivamente no país; e (iii) manteve a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades legais; 3. Que os requisitos legais impostos desrespeitam a constituição e o código tributário, pois não se pode condicionar o direito à imunidade à apresentação de certificados, gratuidade e exclusividade de serviços, bem como não remunerar dirigentes, tendo em vista que não são requisitos previstos na constituição; 4. Que por estar inscrita no Conselho Municipal de Assistência Social, bem como por ter sido declarada de Utilidade Pública cumpre os requisitos contidos no artigo 18, da Lei 12.101/09 para se configurar como entidade de assistência social; Regularmente intimada, a União apresentou contarrazões, pedindo o não conhecimento do recurso do contribuinte, pela inexistência de divergência entre a decisão recorrida e os paradigmas e, sendo o recurso conhecido, a União pede seu não provimento, na medida em que o contribuinte não possuía CEBAS no período da ocorrência dos fatos geradores. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Com relação à admissibilidade do recurso do contribuinte, dúvidas não há, dado que a interpretação do artigo 195, §7º, da Constituição dado pela Turma a quo foi divergente da interpretação dada pela Turma julgadora da decisão paradigma. De fato, houvesse esta Turma julgado o presente caso, a decisão seria outra. Em assim sendo, sigo na análise do mérito. A Constituição da República, no § 7º, do art. 195, estabelece que "são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei". Apesar do vocábulo “isentas” no comando normativo, tal norma trouxe, em verdade, hipótese de imunidade para as entidades beneficentes de assistência social. Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Referido §7º, do artigo 195 da Constituição é um clássico exemplo de norma constitucional de eficácia limitada programática, pois depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É daí que surge a principal questão a ser aqui enfrentada, após a publicação da Lei 8.212/91. Referida Lei veio ao mundo jurídico regulamentando a norma constitucional em apreço. Em 2008, foi sucedida pela MP 446/08, que foi rejeitada pela Câmara dos Deputados, e pela Lei 12.101/09, atualmente vigente. Ocorre que, parte da doutrina jurídica pátria entende que a Lei mencionada na Constituição deve ser formalmente Lei Complementar, haja vista que somente à essa é dado o poder de regular uma limitação constitucional ao poder de tributar, conforme determinação do artigo 146, II, da Constituição, de modo a considerarem serem formalmente inconstitucionais referidas Leis ordinárias. Vale aqui a transcrição do entendimento do Professor Roque Antônio Carrazza: XIIIa – A natureza e o alcance da “lei” a que alude o art. 195, §7º, in fine, da CF: consoante procuramos demonstrar, são imunes de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social “que atendam às exigências estabelecidas em lei” (art. 195, §7º, da CF). A referida lei só pode ser complementar (nunca ordinária), justamente porque vai regular uma imunidade tributária, que é uma “limitação constitucional ao poder de tributar”. Ora, como já vimos, as limitações constitucionais ao poder de tributar, nos termos do art. 146, II, da CF, só podem ser reguladas por meio de lei complementar. Ao argumento de que a Carta Suprema não empregou, em seu art. 195, §7º, a expressão “lei complementar” contrapomos o de que ela também não utilizou a expressão “lei ordinária”. Antes, limitouse a fazer uma referencia genérica à lei, deixando aos doutrinadores a tarefa de dilucidar que tipo de lei é esta. Em suma, a Hermenêutica Jurídica revelanos que tal lei só pode ser uma lei complementar nacional (editada, pois, pelo Congresso Nacional). Para essa corrente doutrinária, a regra que atualmente regulamenta a imunidade das contribuições para a seguridade social é o artigo 14 do CTN, de modo que para fazerem jus ao benefício da imunidade as entidades beneficentes de assistência social devem observar os seguintes requisitos: (i) não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (ii) aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e (iii) manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Essa é a tese defendida pelo contribuinte recorrente. A outra parte da doutrina entende que quando a Constituição exige Lei Complementar para regular qualquer regra constitucional o faz expressamente, o que não ocorre no presente caso. Pois bem. Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.722649/201152 Acórdão n.º 9202003.884 CSRFT2 Fl. 2.413 5 A par das discussões doutrinárias a respeito do tema, o fato é que as Leis 8.212/91 e 12.101/09 possuem presunção de constitucionalidade, dado que não foram declaradas inconstitucionais em decisão com efeito erga omnes. Logo, não nos cabe, como julgadores administrativos afastar a aplicação das Leis, conforme orienta o artigo 62, do RICARF, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vale frisar, por fim, que dentre os requisitos contidos nas Leis reguladoras da imunidade, o contribuinte apenas possuía o reconhecimento de utilidade pública municipal, ou seja, apenas um dos requisitos exigidos pela Lei 8.212/91. Diante disso, considerando que as Leis ordinárias reguladoras da imunidade prevista no artigo 195, §7º, da Constituição não foram declaradas inconstitucionais pelo STF, em âmbito administrativo não se pode afastar sua aplicação. Assim, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/05/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11080.730073/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/10/2008
OMISSÃO. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO, QUANTO A MULTA DE MORA BENÉFICA. OMISSÃO SANADA. A MULTA DE MORA APLICADA NO LANÇAMENTO ENCONTRA LASTRO NA LEGISLAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE VINTE POR CENTO, UMA VEZ O LANÇAMENTO É DE OFÍCIO, SENDO VEDADO PELA LEI A APLICAÇÃO DESSE PATAMAR DE MULTA PARA O TIPO DE LANÇAMENTO REALIZADO.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2202-003.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os Embargos de Declaração, reconhecendo a omissão no que tange a multa de mora benéfica, atribuindo-lhes efeitos meramente integrativos, sanando a omissão, para manter a decisão embargada no sentido de negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que atribuíam efeitos infringentes, para recalcular a multa de mora, com base no artigo 35, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se mais benéfica ao contribuinte.
(Assinatura Digital)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinatura Digital)
Eduardo de Oliveira Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO, QUANTO A MULTA DE MORA BENÉFICA. OMISSÃO SANADA. A MULTA DE MORA APLICADA NO LANÇAMENTO ENCONTRA LASTRO NA LEGISLAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE VINTE POR CENTO, UMA VEZ O LANÇAMENTO É DE OFÍCIO, SENDO VEDADO PELA LEI A APLICAÇÃO DESSE PATAMAR DE MULTA PARA O TIPO DE LANÇAMENTO REALIZADO. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os Embargos de Declaração, reconhecendo a omissão no que tange a multa de mora benéfica, atribuindolhes efeitos meramente integrativos, sanando a omissão, para manter a decisão embargada no sentido de negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que atribuíam efeitos infringentes, para recalcular a multa de mora, com base no artigo 35, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se mais benéfica ao contribuinte. (Assinatura Digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinatura Digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 73 /2 01 3- 26 Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730073/201326 Acórdão n.º 2202003.176 S2C2T2 Fl. 1.554 2 Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa e José Alfredo Duarte Filho. Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730073/201326 Acórdão n.º 2202003.176 S2C2T2 Fl. 1.555 3 Relatório Tratase no presente Processo Administrativo Fiscal – PAF de Autos de Infração de Obrigações Principais, como abaixo exposto, sendo que o acórdão do recurso voluntário foi objetivo de Embargos de Declaração interposto pela contribuinte Thyssenkrupp Elevadores S.A. a) Debcad 37.384.5456: relativo às contribuições previdenciárias patronais, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b)Debcad 37.396.6016: relativo às contribuições dos segurados empregados, não descontada de sua remuneração; e c) Debcad 37.396.6024: relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE). Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnações (fls. 805/911 e 1041/1147) aos autos de infração, visando desconstituir as razões do lançamento fiscal, sustentando, para tanto, que os prêmios de incentivo não são contrapartida da prestação de serviços ou da disponibilidade do empregado e não compõem o núcleo oneroso do contrato de trabalho, que obriga o empregador a remunerar e cria a expectativa de ganho pelo empregado. O colegiado de primeira instância administrativa julgou procedente em parte as impugnações apresentadas, em acórdão lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/10/2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do fato gerador. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. PRÊMIO. INCENTIVO À PRODUTIVIDADE. Os prêmios concedidos a título de incentivo à produtividade são parcelas de natureza retributiva, de natureza jurídica salarial, compondo a remuneração e integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. TERCEIROS. INCRA. SEBRAE. É legítima a cobrança da contribuição ao INCRA de empresas urbanas. A cobrança da contribuição ao SEBRAE é exigível, independentemente de serem micro, pequenas, médias ou grandes empresas, porquanto não vinculada a eventual contraprestação dessas entidades. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730073/201326 Acórdão n.º 2202003.176 S2C2T2 Fl. 1.556 4 Após ter sido cientificada do referido acórdão (fl. 1259), a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 1269/1287), no qual apresentou as razões pelas quais entende indevida a manutenção de parte do lançamento fiscal: O recurso foi julgado na assentada, de 03/12/2014, sendo prolatado o Acórdão Nº 2803003.873, que teve o resultado abaixo transcrito. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Sustentação oral Advogado Dra Maria Raphaela Dadona Matthiesen, OAB/SP nº 346.026. O contribuinte foi cientificado do Acórdão do CARF, em 13/03/2015, AR, de fls. 1.528. O sujeito passivo impetrou Embargos de Declaração, em 20/03/2015, fls. 1.530 a 1.535. Os Embargos foram parcialmente admitidos, conforme Despacho Nº 2803 064, de fls. 1.548 a 1.551. É o relatório. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730073/201326 Acórdão n.º 2202003.176 S2C2T2 Fl. 1.557 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os Embargos de Declaração foram propostos, recebidos e admitidos, parcialmente, assim merecem ser apreciados. No que tange a omissão suscitada relativa a multa de mora, ela não merece guarida, realmente, não me pronuncie a respeito da multa benéfica do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 por entender que essa não se aplica ao caso em questão. A notificação fiscal em vergasta foi lançada em 04/10/2013, e nessa ocasião apesar de já estar em vigor o artigo 35 e o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, ambos, na redação dada pela Lei 11.941/2009 que previam multa de vinte por cento e setenta e cinco por cento, respectivamente, no caso de denúncia espontânea ou no caso de lançamento de ofício, essas multas não são aplicáveis ao presente feito, pois, devese aplicar ao presente o artigo 144, da Lei 5.172/66. A multa pretendida pela recorrente de vinte de por cento como determinada pelo atual artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 só se aplica a denúncia espontânea, ou seja, quando o próprio contribuinte promove o recolhimento antes de qualquer atitude do fisco em relação a exação pretendida, situação que não ocorreu no caso, sendo assim inaplicável a multa pretendida. A multa a ser aplicada ao caso foi a utilizada pelo agente lançador, ou seja, o artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação dada pelas Leis 9.528/97 e 9.876/99 que previam multa variável de vinte e quatro a cem por cento a depender da fase do processo, no caso de lançamento de ofício, caso expresso nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por acolher os Embargos de Declaração reconhecendo a omissão no que tange a multa de mora benéfica, atribuindo aos Embargos de Declaração efeitos meramente integrativos da decisão anterior, sanando a omissão, mas mantendo o que decidido no acórdão embargado. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.730073/201326 Acórdão n.º 2202003.176 S2C2T2 Fl. 1.558 6 Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 12457.725798/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/08/2012
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. FRAUDE DOCUMENTAL. PENA DE PERDIMENTO.
A constatação por parte da fiscalização da prática fraudulenta de subfaturamento na importação caracteriza hipótese de Dano ao Erário, sujeitando a mercadoria à pena de perdimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Hélcio Lafetá Reis, Valcir Gassen e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/08/2012 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. FRAUDE DOCUMENTAL. PENA DE PERDIMENTO. A constatação por parte da fiscalização da prática fraudulenta de subfaturamento na importação caracteriza hipótese de Dano ao Erário, sujeitando a mercadoria à pena de perdimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Hélcio Lafetá Reis, Valcir Gassen e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 72 57 98 /2 01 4- 21 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório A importadora TRANSPORTADORA BINACIONAL registrou, junto à RFB, dentre outras operações, uma declaração de importação (DI) no valor de R$ 60.941,90 (sessenta mil, novecentos e quarenta e um reais e noventa centavos), declarando ao Fisco tratarse de importação direta, realizada por sua própria conta (com recursos próprios) e ordem (a pedido/demanda própria), conforme verificado nas bases de dados oficiais da RFB. Através da operação em tela, a BINACIONAL introduziu no território nacional aproximadamente 23 toneladas de recipientes flexíveis para acondicionamento de produtos a granel, de procedência indiana. Em virtude da detecção de indícios da ocorrência de subfaturamento na importação registrada, a empresa foi incluída em procedimento de fiscalização aduaneira, no qual restou caracterizada a falsidade da fatura comercial (documento necessário ao embarque ou desembaraço das mercadorias), infração punível com o perdimento das mercadorias importadas, conforme previsto no artigo 105, inciso VI, do Decretolei nº 37/1966. Insta destacar que o Decretolei 1.455/1976 estabelece que esta conduta é considera DANO AO ERÁRIO, conforme artigo 23, IV, determinando, também, a aplicação da penalidade de perdimento. Portanto, a questão controvertida nestes autos é a ocorrência de subfaturamento na importação, referente à DI n° 12/14378325, mediante fraude dolosa, a falsificação da fatura comercial em seu valor, nos termos apontados pela Fiscalização: Dentre a documentação encontrada pela Equipe de Fiscalização de Paranaguá que subsidiou a referida fiscalização estavam, também, diversas correspondências eletrônicas que comprovavam que o valor pago pelas embalagens importadas por intermédio da DI 12/1437832 5 era superior ao constante na Fatura Comercial e declarado pela BINACIONAL. O Recurso Voluntário foi interposto contra a decisão da 24ª Turma da DRJ/SPO, no Acórdão 1667.664, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da Recorrente, mantendo o crédito tributário exigido. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/08/2012 SUBFATURAMENTO. DANO AO ERÁRIO. A constatação por parte da fiscalização da prática fraudulenta de subfaturamento na importação caracteriza hipótese de Dano ao Erário sujeitando a mercadoria à Pena de Perdimento. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. FALSIDADE DOCUMENTAL. SUBFATURAMENTO QUALIFICADO. APREENSÃO. POSSIBILIDADE. IRREGULARIDADE PUNIDA COM PENA DE PERDIMENTO. Encontrando o subfaturamento acompanhado de falsidade documental da Fl. 325DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 12 3 fatura comercial, inexiste ilegalidade no ato administrativo que aplicou a pena de perdimento com base no art. 195, VI do DecretoLei nº 37/66 e art. 689, VI, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O relatório da DRJ/SPO, ademais, descreve os demais pormenores do caso em comento: Segundo a fiscalização, o importador TRANSPORTADOR BINACIONAL, CNPJ: 77.945.368/000157, registrou em 06/08/2012 a declaração de importação DI n° 12/14378325 contendo 23 toneladas de embalagens flexíveis para acondicionamento a granel, de origem indiana. O valor declarado da importação era de US$ 29.764,05 ou em valores da época R$ 60.941,90. Com base em indícios de ocorrência de subfaturamento, a fiscalização iniciou auditoria na referida operação e concluiu pela falsidade da fatura comercial e pela prática da interposição fraudulenta na importação. Em função dessas conclusões foi aplicada neste processo a Pena de Perdimento das mercadorias nos termos do art. 105, VI, do Decretolei n°37/66. Também em decorrência dos mesmos fatos foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais n°12457.725805/201494. Intimada do Auto de Infração em 05/06/2014 (fl. 184), a autuada TRANSPORTADRA BINACIONAL apresentou impugnação e documentos em 27/06/2014, juntados às fls. 188 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a nulidade do auto de infração por utilização de provas obtidas de forma ilícita. Alega que os documentos utilizados na autuação foram obtidos em diligência na nova sede da empresa, junto ao computador pessoal do funcionário Sr. Christopher Paolo Scremin Figueira, sem autorização judicial e com a ameaça de utilização de reforço policial caso fosse necessário. Alega que haveria a necessidade de autorização judicial pois a pessoa não era aquela diretamente investigada. Alega violação do art. 5°, LV da CF. Alega que o funcionário não pode prestar esclarecimentos sobre os arquivos e documentos apreendidos. Alega que também houve violação do Princípio da Intimidade do art. 5°, X da CF. Peticiona pelo desentranhamento de todas as provas obtidas no computador de seu funcionário. 2. Alega violação aos procedimentos de valoração aduaneira. Cita dispositivos do Acordo de Valoração Aduaneira – AVAGATT. Alega que a fiscalização não poderia desconsiderar o Valor de Transação e partir para o segundo ou terceiro métodos. Alega também que a fiscalização não pode fazer comparações com preços de venda para outro país. Cita doutrina sobre valoração. Cita dados de importações de “big bags” (contentores flexíveis) da Índia em novembro de 2011 extraídos do site da Receita Federal do Brasil. Alega que os preços praticados estão próximos aos de importações similares. Alega que o ônus da prática do subfaturamento é da autoridade aduaneira. Cita o art. 82 do RA de 2009. Cita jurisprudência sobre o tema. Cita a IN SRF n° 327/2003. Cita jurisprudência judicial sobre o art. 84 do RA de 2002. Cita jurisprudência sobre subfaturamento na importação. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 13 4 3. Alega a inocorrência de interposição fraudulenta na importação. Alega que a autuada é a importadora de fato e que não há a suposta real adquirente – sociedade de fato – NEO CORP BRASIL LIMITADA com os sócios Celso Antônio Gallegario, Christopher Paolo Scremin e Maykool Robert O Barbosa de Oliveira. Alega ser empresa séria e consolidada no mercado de transporte e logística há mais de 35 anos. Alega que o sócio majoritário Celso Gallegario contatou Christopher Scremin para contato com fabricantes asiáticos de embalagens para fertilizantes. Alega que estabeleceuse assim termos comerciais com a fabricante NEO CORP INTERNACIONAL LTD e sua representante TEXTO VENTURES FZE. Alega que Christopher não foi registrado pela impugnante por falta de tempo. Alega que o contrato de representação indica equivocadamente Christopher como representante, constando ainda o endereço da autuada como sendo deste funcionário. Alega que foi fixado um bônus para Christopher para cada operação realizada. Alega que as chances de rentabilidade permitiram ótimas condições relativas ao valor unitário das mercadorias. Alega que as vendas seriam feitas para a impugnante ou para outra empresa do grupo, a TRANSPORTADORA BINACIONAL SRL, empresa paraguaia. Cita correspondência de Christopher a funcionário da NEO CORP INT. cobrando exclusividade na representação da fabricante em território sulamericano. Alega que paralelamente à importação buscou os conhecimentos comerciais de MAYKOOL relativos ao comércio varejista e atacadista de lacres e embalagens para armazenagem e transporte de produtos agrícolas. Alega que MAYKOOL era apenas um agente comercial da autuada. Alega que foi pessimamente orientada a criar um site com a marca NEO CORP (www.neocorpbr.com.br). Alega que sua intenção era apenas ser mais facilmente encontrada na internet. Alega que tal site não representa uma empresa própria, mas apenas uma ferramenta da estrutura da autuada. Alega que o aluguel de imóvel em nome do sócio CELSO foi erro e que o imóvel deveria ser locado em nome da autuada. Alega que os tratamentos de “sócios” utilizados em mensagens eletrônicas decorriam do fato de Christopher e Maykool receberem comissões pelas vendas. 4. Alega que os fatos relativos à sociedade de fato citada pela fiscalização são posteriores à importação autuada neste processo. Alega que as negociações relativas à mercadoria autuada ocorreram em janeiro e fevereiro de 2012. Afirma que o visto para Índia de Christopher é de 20/03/2012 e que o site foi adquirido em 06/2012. Alega que a sede da suposta empresa de fato foi alugada em 30/06/2012. Afirma que nessa data quatro dos cinco contêineres já haviam embarcado para o Brasil. 5. Alega que várias são as provas de que a autuada é a real importadora: A contabilidade da autuada. Os preços declarados pelo exportador coincidem com os preços declarados à Aduana Brasileira. As retiradas das contas bancárias das autuadas coincidem com os pagamentos apresentados pela empresa EXACTA COMISSÁRIA DE DESPACHOS ADUANEIROS LTDA. Cita jurisprudência judicial sobre o art. 23, V, do DL n° 1.455/76. Alega que a autuada tinha capacidade econômica de realizar as operações autuadas. Alega que operações de grande monta podem ser feitas com dinheiro em espécie. 6. Alega que os pagamentos de R$ 9.776,36 feitos por NACIONAL ORGANIZAÇÃO LOGÍSTICA DO TRANSPORTE DE CARGAS LTDA ME, da qual Maykool é sócio, decorre de operações que não se concretizaram originando débitos da autuada com a citada empresa. Alega que pediu a NACIONAL que fizesse pagamentos relacionados a operações em questão para amortizar tais débitos. Alega que tais pagamentos não se referem às mercadorias aqui autuadas. Reafirma que não ocorreu a hipótese de interposição do art. 23, V, do Decretolei n° 1.455/76. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 14 5 7. Alega que as alegações de que TEXCO seria uma empresa fantasma são meras suposições da fiscalização. Afirma que as negociações com TEXCO ocorriam em conjunto com NEO CORP INT de forma triangularizada. Alega que não teria poder para determinar qual empresa efetuaria a venda de exportação para ela. Alega que não teria qualquer vantagem em escolher entre TEXCO e NEO CORP como exportador. 8. Afirma que os pagamentos feitos no Paraguai são relativos a indenizações relativas a rescisões comerciais com anteriores representantes de NEO CORP INT na América do Sul. Alega que as diferenças de preços decorrem de diferenças na qualidade das mercadorias. Cita os resultados dos laudos técnicos produzidos no PECA n° 09178002012001359. Cita ainda que negociações de abertura de mercado contribuíram para a queda nos preços, visto ser o mercado brasileiro muito mais importante que o mercado paraguaio. Alega que as cinco cotações recebidas por Christopher não decorriam de uma negociação forte mas apenas de cotações eletrônicas. 9. Alega novamente que não houve falsificação da fatura comercial. 10. Requer, por fim, que seja julgado improcedente o presente auto de infração. Com relação à prática de interposição fraudulenta, itens 3 a 7 acima, cabe esclarecer que este foi o objeto de outro processo administrativo n° 10907.721207/201394. Por sua vez, no presente processo discutese a falsificação da fatura comercial, mormente em relação ao valor aduaneiro declarado. Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera os termos da impugnação, contudo, são impertinentes os argumentos apresentados em relação à infração de interposição na importação que, como dito acima, não foi imputada neste auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. DAS ALEGAÇÕES DE UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA Alega preliminarmente a Recorrente que as provas obtidas no computador do funcionário Christopher, foram obtidos de forma ilegal. Contrariamente ao alegado pela parte recorrente, não há mácula no procedimento fiscal realizado pela autoridade administrativa, pois o ato da fiscalização realizado na sede da empresa ora Recorrente estava amparado por mandado de procedimento fiscal. Não há que se falar que a prova na qual o fisco embasou o presente auto de infração foi colhida de modo ilícito, mediante coação e sem autorização, tanto do proprietário, quanto a Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 15 6 judicial, pois observese que a prova foi colhida nos presentes autos, após o contribuinte ter sido devidamente intimado da realização do procedimento fiscal de fiscalização aduaneira e instado a apresentar fatura comercial, extratos bancários, declarações e outros documentos atinentes à atividade desempenhada pela pessoa jurídica, conforme o Mandado de Procedimento Fiscal n. 09106002014001543. Ademais, o ingresso dos AuditoresFiscais da Receita Federal nos recintos da empresa para proceder ao exame e à apreensão de documentos é possível sem qualquer autorização judicial, por estar a fiscalização amparada pela prescrição do art. 195 do CTN, verbis: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Bem explicados pela Fiscalização, os procedimentos de coleta da prova documental (e fl. 163), nestes termos: No dia 22/10/2012 a fiscalização realizou diligência em sala comercial que era utilizada pela BINACIONAL para suas negociações em relação às DI´s sob análise. A diligência foi acompanhada por CÉSAR ADOLFO DE SOUZA, CPF nº 025.929.96931, representante da Transportadora Binacional, e CHRISTOPHER PAOLO SCREMIN FIGUEIRA, CPF nº 038.542.74920, e consistiu basicamente em reconhecimento do local e busca de informações e documentos relacionados às importações investigadas. Durante a diligência, a fiscalização analisou, junto de CHRISTOPHER PAOLO, as informações contidas no seu computador de trabalho. Ao final, foram gravados 2 CD'S com as mensagens eletrônicas (emails) armazenadas no seu computador. Após, os arquivos magnéticos foram autenticados através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), e os relatórios gerados com o código de identificação de cada arquivo foram enviados através do email de CHRISTOPHER PAOLO para os emails dos AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento. Desse modo, devem ser afastados os argumentos suscitados no recurso voluntário no que toca à prova produzida no auto de infração, já que se trata de prova lícita. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 16 7 DAS ALEGAÇÕES DE CERCEAMENTO DE DEFESA A autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, minuciosa e precisa, não deixando qualquer dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à Transportadora Binacional identificar o fundamento da exigência fiscal. Consta nos autos, que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Ademais, consta que os sócios prestaram esclarecimentos sobre os fatos narrados no auto de infração. Portanto, não se vislumbram nulidades do auto de infração, por ausência de violação às prescrições dos artigos 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto n. 70.235/1972. Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa. DA OCORRÊNCIA DE SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO REFERENTE À DI 12/14378325 No que tange à penalidade imposta neste caso, transcritos abaixo os dispositivos legais aplicáveis: O artigo 23 do DecretoLei n.º 1.455, de 07 de abril de 1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, determina: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV – enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas “a” e “b” do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decreto Lei número 37, de 18 de novembro de 1966. Parágrafo único. O dano ao Erário decorrente das infrações previstas no “caput” deste artigo, será punido com a pena de perdimento das mercadorias. O artigo 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, prescreve: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 17 8 VI – Estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou DESEMBARAÇO tiver sido falsificado ou adulterado; VII – Nas condições do inciso anterior possuída a qualquer título ou para qualquer fim; Ao passo que a regulamentação da pena de perdimento em questão encontra amparo no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, e alterações), nestes termos: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1, este com a redação dada pela Lei n. 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade ideológica na fatura comercial. Seguem abaixo os documentos extraídos dos computadores da Recorrente, colacionados pela Fiscalização e reproduzidos pela DRJ (efls. 158s) e também, nesta oportunidade, adotados: Na mensagem abaixo, a comissária de despachos EXACTA, despachante contratada por TRANSPORTADORA BINACIONAL, envia mensagem a Christopher com os gastos relativos à importação da fatura comercial TEX/EXP/001/1112. Essa fatura é a mesma que ampara a DI n° 12/14378325. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 18 9 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 19 10 A DI foi registrada em 07/08/2012 e foi direcionada para o canal vermelho de conferência aduaneira. O desembaraço ocorreu em 14/08/2012 e a mercadoria foi entregue ao importador em 14/08/2012. Em 16/08/2012, Christopher envia a Celso mensagem, com cópia para Maykool, cujo título é “Relatório de Controle Por Contêiner MSCU9946799 Invoice TEX/EXP/0011112” abaixo reproduzida. Nessa mensagem percebese que o custo real das mercadorias foi de R$ 110.404,80 e não o de R$ 54.610,28 do registro da DI. Em mensagens seguintes, Christopher e Maykool discutem a margem de lucro da operação e confirmam que o valor das mercadorias seria de R$ 110.404,80: Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 20 11 A fiscalização obteve o extrato bancário da empresa TRANSPORTADORA BINACIONAL e confirmou que em 13/06/2012 esta recebeu o valor de R$ 57.214,08. Ressaltese que a DI só foi registrada em 07/08/2012. O conjunto probatório carreado aos autos identificou a participação da Recorrente em um esquema fraudulento, de constar valores diversos das mercadorias importadas na fatura comercial entregue para a autoridade fiscal, com fins ilícitos. A explicação para a diferença de valores é encontrada nas mensagens abaixo apresentadas pela fiscalização, trocadas entre Everaldo da TRANSPORTADORA BINACIONAL e Christopher: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 21 12 Assim resta claro que foram declarados à Aduana Brasileira US$ 27.720,00 e outros US$ 26.400,00 foram remetidos ao Paraguai para pagamento da importação. Com base no dólar da data de registro da DI, de R$ 2.0475, essas quantias em dólar correspondiam aos R$ 110.404,80 citados como custo das mercadorias. Nas fls. 172 a 174 constam a DI, a fatura e o contrato de câmbio que indicam os valores declarados à Aduana Brasileira, em decorrência da auditoria da DI nº 12/14378325: Fl. 335DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 22 13 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 23 14 Síntese processual Quanto a parte da prova produzida pela fiscalização, ressaltese que emails são provas lícitas, pois no dia a dia da empresa tornouse comum a negociação e celebração de contratos serem realizadas eletronicamente. Essas transações ocorrem no meio empresarial nos mais variados contratos, especialmente nas fases de negociação, independentemente da complexidade ou valor envolvidos. Como mencionado acima, o acesso ao conteúdo dos emails corporativos como meio de prova, resultaram de diligência nas instalações da Recorrente, devidamente amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal, não se tratam de mensagens pessoais, mas de interesse empresarial e, com isso, passível de análise e utilização pela fiscalização tributária. Dispõe o Código de Processo Civil que: Art. 332 do CPC/1973: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provas a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 24 15 Art. 369 do CPC/2015: Art. 369. As partes tem o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Portanto, atrelados aos outros elementos coletados pela fiscalização, os emails possibilitaram a demonstração de vontade dos agentes envolvidos, a integridade de conteúdo, a autoria e a existência dos fatos, então podem ser utilizados também como prova. Assim, restou comprovada a simulação na operação comercial objeto da Declaração de Importação DI em comento registrada pela BINACIONAL. Houve o intuito doloso de impedir que o Fisco tomasse conhecimento de informações imprescindíveis ao controle aduaneiro, ou seja, o valor real da operação. Por esse motivo entendeu a fiscalização tratarse de fatura comercial (documento necessário ao embarque ou desembaraço das mercadorias) falsa. Como ressaltou a fiscalização: As correspondências eletrônicas comprovam que o valor consignado na fatura comercial apresentado na DI 12/1437832 5 não corresponde ao valor transacionado entre importador e exportador. Tanto é que a parte não faturada seria enviada pelo Paraguai, ilicitamente, não fazendo parte do Contrato de Câmbio, que somente cobria aquele valor subfaturado. Assim, concluise que o valor constante na fatura comercial TEX/EXP/001/11 12 que instruiu a operação da BINACIONAL não reflete a real operação comercial em análise, sendo necessário entendêla como ideologicamente falsa. Em contestação ao apontamento oficial de ocorrência de subfaturamento, a Recorrente não trouxe nenhuma prova para sua refutação (efls. 316318). Em razão da desproporção entre o valor declarado e o valor negociado, evidenciase a inidoneidade da fatura apresentada e a legitimidade da decretação da pena de perdimento. Nesse sentido, trazse à colação os precedentes: TRIBUTÁRIO FATURA COMERCIAL EM DESACORDO COM O VALOR EFETIVO DA OPERAÇÃO MÁFÉ CARACTERIZADA. LEGALIDADE PENA DE PERDIMENTO APLICADA. INDENIZAÇÃO QUE SE AFASTA. Observadose erro ou falsa declaração dolosa de quantidade, valor ou natureza da mercadoria importada, bem como clandestinidade ou fraude, com a intenção de causar dano ao Erário, cabível a Pena de Perdimento. Precedentes jurisprudenciais. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 25 16 Condenação em verba honorária, nos termos do artigo 20, parágrafos 3º e 4º, do Código de Processo Civil. Apelação e remessa oficial providas. (TRF 3ª Região, TERCEIRA TURMA, APELREEX 0011186 53.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR, julgado em 27/11/2014, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/12/2014) TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA DESEMBARAÇO ADUANEIRO APREENSÃO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS SUBFATURAMENTO PENA DE PERDIMENTO (ART. 105, VI, DO DECRETOLEI Nº 37/66) APLICABILIDADE VALOR DA TRANSAÇÃO ACORDO GATT POSSIBILIDADE DE REVISÃO. 1. A Constituição Federal de 1988 recepcionou a pena de perdimento, porquanto não se trata de imposição de tributo com efeito de confisco, mas somente de consequência legal de ilícito praticado. Entendimento pacificado no âmbito do Egrégio Supremo Tribunal Federal. 2. A autoridade alfandegária, em regular ato de fiscalização, constatou indícios de subfaturamento, porquanto o valor indicado na fatura comercial correspondia a aproximadamente 1/4 do valor normalmente declarado por outros importadores em semelhantes transações. 3. Possibilidade de a autoridade fiscal apreender as mercadorias importadas, nos termos do art. 105, VI, do Decretolei nº 37/66, bem assim do art. 618, VI, do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto nº 4553/02). 4. Observância dos requisitos previstos no art. 690 do Regulamento Aduaneiro, de forma a assegurar o respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. 5. Em atendimento às disposições do Acordo GATT e do artigo 84 do Decreto 4.543/2002, não se exclui a apuração do preço internacional, mediante método substitutivo ao valor da transação, observado o princípio da razoabilidade. 6. Apelação a que se nega provimento. (TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, AMS 0004159 75.2006.4.03.6104, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL MAIRAN MAIA, julgado em 19/01/2012, eDJF3 Judicial 1 DATA:26/01/2012) Em suma, verificase, pois, que a legislação de regência determina a aplicação da pena de perdimento na hipótese dos autos. Percebese, também, que a locução 'dano ao Erário' não se restringe aos casos em que os tributos devidos em virtude da importação efetuada não são pagos. Ao revés, a atividade alfandegária ultrapassa em muito a questão da mera arrecadação Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 26 17 fiscal, de tal sorte que a expressão dano ao erário também se destina aos casos em que são praticadas as infrações previstas nos incisos I a XIX do art. 105 do DecretoLei nº 37/66. VALOR DA MULTA ADUANEIRA Através das provas trazidas aos autos colecionadas pela fiscalização, percebese que o valor real da operação não foi o declarado na DI de R$ 54.610,28, mas sim de R$ 110.404,80. Sobre este segundo valor foi calculada a multa aplicada segundo o art. 23, §3° do DecretoLei n° 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. Em virtude da impossibilidade de apreensão das mercadorias suscetíveis à aplicação da pena de perdimento, já que as mesmas foram vendidas, e de forma vinculada à determinação constante na redação original do parágrafo 3º, do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias: Decretolei nº 1.455/1976 Art. 23 § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. De acordo com o artigo 23, §3º do DL 1.455/76, na importação, será exigido o valor aduaneiro da mercadoria. § 3º. As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12457.725798/201421 Acórdão n.º 3301002.975 S3C3T1 Fl. 27 18 rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Vale destacar que, como o valor realmente transacionado foi o comprovado pela fiscalização, e não aquele fraudulentamente declarado pela Recorrente, a multa de conversão é aplicada sobre o valor de transação, sob a taxa de dólar referente ao dia do desembaraço das mercadorias. Já o valor aduaneiro é estabelecido no AVAGATT em seu artigo primeiro: O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8 (...) Segue abaixo a tabela com os citados valores: Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a integralidade do auto de infração. Sala de Sessões, em 18 de maio de 2016 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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