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Numero do processo: 10855.001428/2003-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1302-000.038
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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Recorrida 5" TURMA/DRJ-RIBEIRÁO PRETO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente ti WILSO I FERNA WYZ: ''', UIMAR 7 S - Relator , EDITADO EM: ') • r' .1-- '')e, I n5 L. k, '' u LUI t,) Participarat í i •esente julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello, 1 Relatório ZF NACAM SISTEMAS DE DIREÇÃO LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, também em São Paulo, Trata o processo de pedido de restituição de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativo a saldos negativos do ano-calendário de 2002, cumulado com pedido de compensação. A Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela contribuinte, os deferiu parcialmente, reconhecendo, dos montantes pleiteados de R$ L018.678,50 (IRPJ) e R$ 372.791,24 (CSLL), os valores de R$ 941706,48 (IRRT) e R$ 345.801,32 (CSLL), promovendo a homologação das compensações pleiteadas até o limite desses créditos. Diante do deferimento parcial dos pedidos formulados, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 346/350), momento cru que ofereceu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: - que a autoridade fiscal teria se baseado em informações equivocadamente transmitidas por ela própria na DIN do ano-calendário de 2002; - que teria informado como devidos, no mês de junho de 2002, para o IRPJ e CSLL, os valores de R$ 49.742,96 e de R$ 23.183,08, respectivamente; - que os valores compensados no mês de junho de 2002 foram, em realidade, R$ 124.714,98 e R$ 50.173,00, para o IRPJ e para a CSLL; - que ela reconhecia a incorreção do procedimento anteriormente adotado e que efetuaria a retificação da DIN' do ano-calendário de 2002, de modo a conformar as informações lá constantes com aquelas corretamente inforrnadas na DCTF; - que a autoridade fiscal teria se equivocado ao proceder a compensação dos saldos de IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2002; - que a autoridade fiscal teria procedido a compensação dos referidos saldos negativos de IRPJ e CSLL, do ano-calendário de 2002, com valores de IRRF e IPI, objeto dos processos fiscais n° 10855.000779/2003-17, 10855.001096/2003-87 e 10855.001526/2003-61; - que o crédito, utilizados nos processos supra citados, teriam origem totalmente distinta, pois tratar-se-ia de imposto de renda retido na fonte do ano-calendário de 2001 e cujo saldo de imposto a compensar era de R$ 105,762,21; - que referido saldo teria sido objeto de compensação nos processos n° 10855,000779/2003-17, 10855.001096/2003-87 e 10855.001526/2003-61, erroneamente informados por ela como se referindo a "juros sobre capital próprio" ou ao próprio saldo negativo de IRPJ e CSLL de períodos anteriores; - que admitia ter falhado na apresentação de informações ao FISCO, sem, todavia, ter tido a intenção de burlar a lei ou falsear o valor passível de aproveitamento; 2 Processo n° 10855.001428/2003-23 S1-C31-2 Resolução n" 1302-W038 Fl. 2 - que estaria providenciando a retificação dos pedidos. A 5" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão if 14- 18.253, de 25 de janeiro de 2008, pela improcedência dos pedidos, conforme ementa a seguir transcrita. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO, COMPROVAÇÃO, Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez do crédito junto à Fazenda Pública do qual solicita restituição. A restituição do saldo negativo da CSLL condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação de que as estimativas devidas, utilizadas como dedução na apuração deste valor, foram efetivamente pagas/compensadas SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃ6 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez do crédito junto à Fazenda Pública do qual solicita restituição. A restituição do saldo negativo do IREI, apurado na declaração de rendimentos, condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação de que as estimativas devidas, utilizadas como dedução na apuração deste valor, .foram efetivamente pagas/compensadas. APRESENTAÇÃO DE PROVAS Sob pena de prechrsão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar; impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, .formulado na manifestação de inconformidade. Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 424/431, por meio do qual sustenta: - que, diante dos equívocos cometidos na transmissão das informações à Receita Federal, o valor do IR.P.J e da CSLL, recolhidos pelo regime de estimativa no ano-calendário de 2002, seria conforme demonstrado abaixo: Período de IRPJ CSLL Apuração (2002) DARF COMPENSAÇÃO TOTAL DARF COMPENSAÇÃO TOTAL 1412dP 3 JANEIRO 251,402,62 .. 251.402,62 91 . 224,9491,224,94- FEVEREIRO 182.958,65 - 182,958,65 66,585,11 - 66,585,11 MARÇO 224 547,75 - 224.547,75 81.557,20 - 81.557,20 ABRIL 327.817,93 - 327.817,93 118.734,45 •_ 118.734,45 MAIO 197.423,38 - 197 423,38 71,792,42 - 71.792,42 JUNHO 124 714,98 124 714,98 50.173,00 50,173,00 JULHO 8.933,34 8.933,34 4.032,79 4.032,79 AGOSTO 106 024,99 106 024,99 12,647,56 27 197,72 39,845,28 - SETEMBRO - - - - - -OUTUBRO - - - - - NOVEMBRO - - - -.. - -DEZEMBRO - - - - - TOTAL 1.184,150,33 239.673,31 L423.823,64 442.541,68 8L403,51 523.945,19 - que a explicação acima e os documentos juntados anteriormente esclarecem as dúvidas quanto à composição do saldo negativo de tributos sobre o lucro, no ano-calendário em referência, como se denota do seguinte demonstrativo: IRPJ CSLL TOTAL Tributo Devido 415.222,07 151.153,95 566.376,02 Outras Deduções (10.076,93) - (10.076,93) IRPJ/CSLL Estimativa 1.423.823,64 523.945,19 1.947.768,83 Saldo Negativo (1.018.678,50) (372.791,24) (1.391.469,74) - que estando o saldo negativo devidamente comprovado, apesar de erro de fato no preenchimento da PER/DCO.MP, não há razão alguma para dar continuidade à cobrança dos valores não homologados nesse processo, "nâo podendo o erro de fato . fundamentar qualquer exação tributária, devendo ser corrigido a qualquer tempo, quer por iniciativa do sujeito passivo, quer de oficio" (Recurso n.° 125,691 - Acórdão n.° 140-18.553 - 23,01,2002 - DOU 08,052002); - que se deve respeito ao principio da verdade material, pois quando da verificação de eventuais erros de fato na PER/DCOMP e o teor da DIPJ apresentada, tais erros devem ser . considerados corno meros erros formais, não podendo gerar a obrigação de pagar o imposto, haja vista a comprovação do direito creditório e a conseqüente compensação; - que nos casos de erros de fato contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame devem ser retificados, de oficio, pela autoridade administrativa a quem competir a revisão, conforme disposto no artigo 147, § 2 0 do CTN; - que, no caso em tela, o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada por ela é facilmente identificado, bastando, para tanto, analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada; 2r;:j7 4 Processo n° 10855.001428/2003-23 SI-C3T2 R.esoluçào o ° 1302-00,038 Fl. .3 - que da análise da planilha supracitada, em conjunto com a DTP' apresentada, é possível identificar os erros formais de preenchimento da PER/DCOMP incorrido por ela, auferindo-se que as obrigações foram cumpridas; - que as compensações foram realizadas nas datas aprazadas, bem como foi evidenciada a exatidão da compensação, e comprovado o erro de fato, que não é passível de fundamentar qualquer exação, conforme julgados que cita; - que o mero erro formal no preenchimento da Declaração Eletrônica de Compensação não é apto a afastar o saldo credor apurado, devendo este ser homologado até o montante informado; - que, em adição ao exposto acima, cabe informar que a D. Autoridade Fiscal, data venia, igualmente equivocou-se ao procedeu à compensação dos saldos de IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2002, objeto do presente processo, com valores oriundos de outros processos de compensação; - que na "Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes", anexa ao Despacho Decisório n° .341/2005, informa a D. Autoridade ter procedido à compensação de valores de IRRF e IPI, objeto dos processos fiscais n"s 10855.000779/2003-17, 10855,001096/2003-87 e 10855,001526/2003-61, com os referidos saldos negativos; - que tais créditos, porém, tiveram origem totalmente distinta, qual seja, a incidência de imposto de renda na fonte a compensar sobre aplicações financeiras, cujo rendimento foi incluído no resultado do período de apuração de 2001, e cujo saldo de imposto a compensar, no ano-calendário de 2001, era de R$ 105.762,10; - que, no decorrer do ano-calendário de 2002, ela compensou diversos tributos e contribuições, aproveitando o referido saldo — ressalta que nenhuma das compensações teve relação com o IRR1 e a CSLL devidos por estimativa, no mesmo ano-calendário — resultando no saldo, em 10 de fevereiro de 2003, de R$ 98,467,67; - que referido saldo, por sua vez, foi objeto dos processos de compensação n's 10855.000779/2003-17, 10855.001096/200.3-87 e 10855.001526/200.3-61 — erroneamente informados, por ela, como se referindo a "juros sobre capital próprio" ou ao próprio saldo negativo de IRRI e CSLL de períodos anteriores — que, por sua vez, absorveram totalmente o valor lá informado, conforme se denota do demonstrativo abaixo: DATA DESCRIÇÃO PROCESSO N" TOTAL (RS) DOC. í ......, 5 01.02.2003 Saldo a compensar . 98 467,67 05.03.2003 Compensação IRRF 10855.000779/2003-17 (13,373,07) 08 05.03,2003 Saldo a compensar 85.094,60 31 03,2003 Compensação IRRF 10855.001096/2003-87 (11454,64) 09 05.03,2003 Saldo a compensar 73.639,96 07.05.2003 Compensação IRRE 10855.001526/2003-61 (11.692,94) 10 07.05.2003 Saldo a compensar 61,947,02 04.06.2003 Compensação IRRF 10855.001526/2003-61 (12.078,68) 11 04 062003 Saldo a compensar 49,868,34 02.07.2003 Compensação IRRF 10855.001526/2003-61 (12 613,69) 17 10.07,2003 Compensação IPI 10855.001526/2003-61 (20 988,06) 13 10.07,2003 Saldo a compensar 16 266,59 06.08.2003 Compensação IRRF 10855 001526/2003-61 (13.516,31) 14 06.08.2003 Saldo a compensar 2.750,28 03.09.2003 Compensação IRRE 10855.001526/2003-61 (2.750,28) 15 03.09.2003 Saldo a compensar - que, também aqui, admite ter falhado na apresentação das infbmações ao Fisco, sem, todavia, a menor intenção de burlar a lei ou falsear o valor passível de aproveitamento, através dos processos de compensação acima mencionados; - que entende que os documentos juntados à Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para demonstrar a existência do seu crédito, ao contrário do exposto na decisão combatida; - que, caso não seja esse o entendimento desse Conselho, requer seja o processo baixado em diligência, a fim de que sejam analisados os documentos fiscais/contábeis que se entenda necessários para dirimir a questão. É o Relatório. 6 Processo e 10855 001428/2003-23 S1-C3T2 Resolução n' 1302-00.038 F1 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo: Trata a lide de reconhecimento parcial de direito creditório, relativo ao ano- calendário de 2002, e, por decorrência, de homologação parcial de compensações pleiteadas. Em sede de recurso voluntário, renovando razões expendidas na peça de defesa dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a contribuinte sustenta que cometeu equívocos na transmissão das informações à Receita Federal. Nessa linha, argumenta que a explicação trazida na peça recursal e os documentos juntados anteriormente esclarecem as dúvidas quanto à composição do saldo negativo de tributos sobre o lucro. Diz que, estando o saldo negativo devidamente comprovado, apesar do erro de fato no preenchimento da PERJDCOMP, não há razão alguma para dar continuidade à cobrança dos valores não homologados. Adita, a exemplo do que fez na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada, que a Autoridade Fiscal igualmente equivocou-se ao proceder à compensação dos saldos de IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2002, objeto do presente processo, com valores oriundos de outros processos de compensação. Em conformidade com os documentos de fls. 185 e 187, a contribuinte apresentou saldos negativos de IRPJ e CSLL, no ano-calendário de 2002, nos montantes de R$ 1.018,678,50 e R$ .372.791,24, respectivamente, Referidos saldos negativos decorreram de recolhimentos efetuados por antecipação (estimativas). Na declaração que serviu de base para apuração dos referidos saldos, foram consignados os seguintes valores: R$ 1.423,823,64, a título de estimativa de IRPJ; e R$ 523.945,19, a título de estimativa de CSLL. Tomando por base elementos disponíveis em sistemas internos e documentação apresentada pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, esclarecendo que os valores informados como compensados pelo contribuinte foram limitados, em cada mês, ao montante apurado como devido a título de estimativa no respectivo mês e informado em DCTF, concluiu pelo reconhecimento parcial do crédito, a partir da consideração dos seguintes valores a titulo de estimativas efetivamente pagas (recolhidas por meio de documento de arrecadação e compensadas): IRPT: R$ 1.348,851,62 CSLL: R$ 496.955,27 Em sede de Manifestação de Inconformidade a contribuinte trouxe, como argumento básico, a informação de que a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal havia sido fundada em informações equivocadas prestadas por ela própria, eis que, especificamente em relação ao mês de junho de 2002, informou como devidos os valores de R$ 49.742,96 para o IRPJ, e de R$ 2.3,183,08 para a CSLL, porém, incorreu em erro na respectiva Declaração, tendo em vista que os valores compensados, na realidade, foram de R$ 124,714,98 4para o 1RPJ, e de RS 50,173,00 para a CSL , 7 —.00, Para comprovar tal afirmação, juntou cópia de folhas do razão, DCTF entregues e planilhas demonstrativas (fls. 371/377). Não obstante, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinalou: As razões de defesa, como visto, estão no sentido de que os valores corretos são aqueles informados na DCTF e não aqueles informados na DIRI Ademais, a contribuinte assevera que os valores lançados na DCTF, do 20 trimestre de 2002, foram objeto de compensação com créditos decorrentes de saldo negativo de imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro apurados no ano-calendário de 2001, invocando como prova desse crédito, unicamente, sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais de fls..374/375 e planilhas genéticas de fls. 371/373. É certo que, à época da noticiada compensação (junho de 2002) e desde que envolvidos tributos da mesma espécie, não exigia a legislação que a contribuinte solicitasse o encontro de contas à Receita Federal, a ver pelo artigo 14 da IN/SRF/N° 21/97. Em se tratando de saldo negativo este podia, à opção da contribuinte, ser compensado com resultados positivos de períodos subseqüentes, ou compensado com outros tributos, e até mesmo restituído, dependendo, nas duas últimas hipóteses, de requerimento à Administração. No caso dos autos, não creio que a mera afirmação da existência de saldo negativo de IRRI e CSLL se prestem à homologação da compensação alegada, que para tanto exige liquidez e certeza do crédito do st/eito passivo contra a Fazenda Pública, a ver pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional. Indiscutivelmente, a utilização de pretensos créditos é uma opção do contribuinte, que pode ou não ser exercida Ademais, crédito dessa estirpe se comprova com registros contábeis, a expressão deste direito em balanços ou balanceies, tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de IRPI e CSLL declarado. Dai porque seria imprescindível que viessem aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao regime do Lucro Real, para a qual a lei exige contabilidade regular. No caso presente, a recorrente, inicialmente, nada trouxe com seu pedido, ancorando-o unicamente em cópia de sua declaração de rendimentos. Posteriormente, a fim de comprovar o direito à restituição pleiteada, a autoridade fiscal intimou a contribuinte, por duas vezes (fls. 102 e 154), para apresentação de informações complementares que julgou necessárias para subsidiá-la no exame de mérito do processa Quanto à primeira intimação (11 102), a interessada solicitou, em razão do grande volume de documentos, prazo adicional para que pudesse atendê-la integralmente Em 30/05/2005, a autoridade fiscal efetuou nova intimação 07. 154). A contribuinte apresentou os documentos de fls 15 6/1 75. Todavia, não 8 Processo d 10855 001428/2003-23 S1-C3T2 Resolução n." 1302-W038 Fl. 5 consta dos documentos apresentados os registros contábeis, como lançamentos em contas do ativo do IRRI e da CSLL a recuperar; respectivas compensações, a expressão deste direito em balanços ou balanceies, etc. Ao contrário, a interessada informa que a empresa ZF Nacan Sistemas de Direção Lida (ZF Miau!), CIV.P.I . 02.771 .736/0001- 99, teve origem apenas em 31/12/2002, com a incorporação da ZF Sistemas de Direção Ltda (ZF Sistemas, CNP,I • 01.771 736/0001-99, não comprovando, dessa forma, a origem dos créditos que foram objeto de compensação no ano-calendário de 2002. Cumpre, ainda, observar que com o recurso a esta instância .julgadora, a contribuinte não apresentou qualquer registro contábil comprovando referidas compensações_ Nessa esteira, registre-se que a certeza e liquidez de crédito a título de saldo negativo de 1R.R1 e CSLL, para . fins da compensação aqui pretendida, não se configura em razão do quantiam do tributo declarado como devido no ano calendário, mas em relação ao quantiam comprovado pela contabilidade e outros documentos .fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e os pagamentos por estimativa mensal apenas elementos indicativos da apuração do tributo. Como não constam dos autos elementos que possam infirmar que havia saldo negativo de IR13,1 e CSLL, no ano-calendário de .2001, suficientes para compensar os valores declarados, vez que esta informação somente veio à tona no momento da manifestação de inconformidade, nem tampouco se preocupou a recorrente em trazer qualquer elemento contábil-escritural que pudesse emba,sar seu entendimento de ed,stência de irregularidade.s no despacho decisório de fls . 217/221, os saldos negativos de IRIU e CSLL, apurados no ano calendário de 200.2, não podem ser reconhecidos integralmente, nem homologadas as declarações de compensação na sua totalidade. „ Diante desse quadro, entendendo que o processo não se encontra em condições de ser julgado, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGENCIA para que a autoridade administrativa de jurisdição da contribuinte adote as seguintes providências: 1, esclareça, em razão da informação contida no documento de fls. 293, quais os efetivos valores, relativos aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2002, que foram considerados para fins de compensação; 2, certififique, por meio de análise de documentação contábil e controles internos, que: a) os valores devidos a título de RN e CSLL do período de apuração de junho de 2002 foram compensados nos montantes de R$ 124314,98 e R$ 50,17.3,00, respectivamente, como consignado no documento de fls. .371 e registrado nos de fls. 374 e 375; e b) confirmada a compensação, informe se ela foi feita de forma regular, em especial no que diz respeito à existência de direito creditório disponível. L-C"-A--, 9 3, confirme que os créditos indicados no presente processo, oriundos de saldos negativos de IRRE e CSLL do ano-calendário de 2002, não foram utilizados para compensação com débitos indicados em outros processos administrativos, Solicita-se elaboração de parecer conclusivo acerca das providências ora requeridas e ciência ao contribuinte do referido documento para, se for o caso, apresentação de razões complementares, \ WILSON E . RNAND ARAE - Relatar o
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Numero do processo: 10469.720262/2007-25
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1301-000.142
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA, conforme relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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NUNES FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA, conforme relatório e voto proferidos pelo relator. . “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .7 20 26 2/ 20 07 -2 5 Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.524 2 Relatório F. NUNES FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2002, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada pelos seguintes fatos: i) ausência de escrituração de resultados decorrentes de descontos de títulos, nos quais a Cersel Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Seridó figurou como cedente ou como sacado (tabela 01, à fl. 52, infração 001); ii) não contabilização de resultados decorrentes de operações de factoring operacionalizadas por meio do Banco BCN (tabela 02, à fl. 53 a 55, infração 001); e iii) existência de saldos credores de caixa, verificados no próprio Razão analítico da conta Caixa (tabela 04, às fls. 63 a 68), e por decorrência da recomposição da referida conta contábil (estornos de reforços fictícios e cômputo dos valores das operações relativas a cheques recebidos da Cersel) tabela 05, às fls. 69 a 74, infração 002. Relativamente às operações de factoring que ocasionou a infração descrita no item “i” acima, na medida em que elas não foram contabilizadas e não transitaram por conta bancária de titularidade da fiscalizada, a autoridade fiscal entendeu que restou caracterizada a conduta dolosa, motivo pelo qual aplicou multa qualificada de 150%. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 884/1.042), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que teria decaído o direito de lançamento em relação aos fatos geradores correspondentes ao PIS e à COFINS dos meses de abril a maio de 2002; que deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores do PIS e da COFINS lançados de oficio, os relativos ao processo nº 10469.720249/200776 e as despesas bancárias relativas à conta mantida no BCN (tabelas às fls. 900 a 903), cuja movimentação não fora contabilizada; que não teria ocorrido "reforço fictício de caixa", porquanto teriam sido contabilizadas todas as operações de factoring a crédito da conta caixa, o que restaria evidenciado pelas operações descritas às fls. 907 a 917; Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.525 3 que no cálculo do saldo da conta caixa deveriam ter sido incluídos os valores dos pagamentos (relativos a operações de factoring) efetuados por meio da conta do BCN, consoante operações descritas às fls. 922 a 1005; que diversos lançamentos a crédito da conta caixa não refletiriam a efetiva saída de recursos, vez que não teriam sido contabilizados como entradas os descontos, os cheques sem fundos e os valores quitados, relativos a operações anteriores (relação de contratos às fls. 1011 e 1012); que algumas operações, inclusive, não refletiriam pagamento algum (relação da fl. 1009/1010), de forma que esses fatos deveriam ter sido considerados no cálculo do saldo da conta caixa; que deveriam ter sido considerados no cálculo do saldo da conta caixa (tabela 03, à fl. 56 a 62) os valores concernentes à liquidação das operações de factoring, visto que a contabilidade, erroneamente, não os teria consignado; que as provas documentais das liquidações referenciadas no item anterior não teriam sido apresentadas com a impugnação em virtude de os bancos não terem entregado, em tempo hábil, as informações solicitadas sobre as contas bancárias, o que configuraria "motivo de força maior", nos termos do § 5° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972; que deveriam ter sido considerados no cálculo do saldo da conta caixa os valores dos créditos formalizados no processo n° 10469.720140/200739, relativos à omissão de receita, no montante de R$ 323.737,18, haja vista que os concernentes recursos teriam transitado pelas contas bancárias da empresa, como teria afirmado a fiscalização; que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa por não ter sido especificado na tabela n° 2, às fls. 53 a 55, donde foram extraídos os seus dados; que teria sido indevida a aplicação da multa agravada por inexistir provas de que tenha havido qualquer ação ou omissão dolosa no sentido de ocultar do Fisco rendimentos tributáveis. A contribuinte requereu, ainda, a realização de diligência. Às fls. 1.044, consta um denominado TERMO DE ANEXAÇÃO DE OBJETO, no qual a Delegacia da Receita Federal em Natal informa que anexou ao processo uma caixa contendo quatro volumes de diversos documentos, numerados de 01 a 1.342. Atendendo solicitação efetuada por meio do Memorando de fls. 1.062, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em 25 de fevereiro de 2008, juntou ao processo os documentos de fls. 1.061/1.151, conforme registro às fls. 1.060 (diante de nova numeração do processo, a folha final é a de nº 1.152). Às fls. 1.153/1.185, consta petição da contribuinte, com registro de recepção em 02 de maio de 2008 pela Delegacia da Receita Federal em Natal, solicitando o seu encaminhamento à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, bem como a documentação a ela anexada (fls. 1.186/1.304). Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.526 4 A documentação citada no parágrafo anterior foi juntada ao processo em 30 de maio de 2008, conforme registro aposto no documento de fls. 1.306. Às fls. 1.307/1.334, consta petição da contribuinte, com registro de recepção em 27 de maio de 2008 pela Delegacia da Receita Federal em Natal, solicitando o seu encaminhamento à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, bem como a documentação a ela anexada (fls. 1.335/1.459). Referida documentação foi encaminhada para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife em 06 de junho de 2008, conforme Memorando de fls. 1.460, tendo sido juntada ao processo em 24 de julho de 2008, de acordo com registro feito citado documento. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, analisando os feitos fiscais, a peça de defesa e a documentação reunida posteriormente ao processo, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1123.847, de 19 de setembro de 2008, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA INFRAÇÃO. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa, por deficiência na descrição da infração, quando os fatos apurados, bem assim a legislação subsunsora, estão descritos de forma clara e completa no Quadro da Descrição dos Fatos e Enquadramento LegaL PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos os elementos necessários à formação da convicção da autoridade julgadora. OMISSÃO DE RECEITA. OPERAÇÕES DE FACTORING. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A falta de escrituração contábil de operações de factoring evidencia omissão das respectivas receitas auferidas. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. Haja vista a omissão derivar de presunção relativa, eventuais erros ou omissões que, comprovadamente, operarem influência no saldo da conta caixa, devem ser considerados no cálculo da omissão. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL O prazo para a constituição de crédito relativo às contribuições sociais, quando não há pagamento da dívida, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFICIO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.527 5 Não procede o agravamento da multa de ofício, com fundamento no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007), quando não restar caracterizado o dolo, elementar dos tipos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito existente. Em 15 de setembro de 2008, antes, portanto, de ter sido prolatada a decisão de primeira instância, a contribuinte autuada protocolizou na Delegacia da Receita Federal em Natal, Rio Grande do Norte, requerimento no sentido de que fossem encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife uma petição e documentos que anexara, para fins de juntada ao processo e apreciação (fls. 1.489/1.667). Referida documentação foi encaminhada para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife na mesma data, conforme Memorando de fls. 1.488. Por meio de Memorando datado de 25 de setembro de 2008 (fls. 1.668), a Delegacia da Receita Federal em Natal encaminhou a petição e os documentos de fls. 1.669/1.720 à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, que, conforme registro às fls. 1.721, foram juntados ao processo em 06 de novembro de 2008. Às fls. 1.724, consta novo Memorando da Delegacia da Receita Federal em Natal, datado de 17 de novembro de 2008, por meio do qual foram encaminhados, à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, petição e documentos apresentados pela fiscalizada (petição e documentos – fls. 1.725/1.768). Referidos documentos foram juntados ao processo pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife em 1º de dezembro de 2008, conforme registro às fls. 1.769. Por meio da empresa de correios e telégrafos (fls. 1.791), a contribuinte encaminhou, em 05 de fevereiro de 2009, novo conjunto de documentos (fls. 1.775/1.790), que, nos termos da comunicação de fls. 1.792, não foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, vez que o processo já havia sido julgado em primeira instância. Às fls.1.796, consta TERMO DE PEREMPÇÃO, lavrado com base no pressuposto de que a contribuinte não apresentara, no prazo regulamentar, recurso à instância superior. Às fls. 1.801/1.802, identificase petição da contribuinte, dirigida ao Delegado da Receita Federal em Natal e datada de 12 de fevereiro de 2009, por meio da qual são apontados equívocos no demonstrativo de débito a ela encaminhado. Irresignada com a decisão exarada em primeira instância, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 1.807/1.960, por meio do qual sustentou: a anulação da decisão de primeira instância, em virtude de cerceamento do direito de defesa, vez que não foram apreciados documentos, fatos e alegações apresentados na impugnação, em especial as complementações; a decadência do direito de constituir crédito tributário do PIS e da COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos no meses de abril e maio de 2002; Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.528 6 a dedutibilidade das contribuições lançadas (PIS e COFINS) e dos juros incidentes, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; a dedutibilidade das contribuições lançadas no processo administrativo nº 10469.720249/200776 (PIS e COFINS) das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; a dedutibilidade das despesas bancárias pagas e incorridas que não foram contabilizadas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; ter havido apuração incorreta dos valores considerados improcedentes relativos à COFINS de maio de 2002; ter havido contabilização indevida, a crédito da conta CAIXA, de cobrança de R$ 19.223,34, em 27 de dezembro de 2012, pelo Banco do Brasil, não computada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife; a nulidade da decisão de primeira instância em virtude da ausência de apreciação de alegações e documentos apensos às fls. 1.328/1.333, gerando, assim, cerceamento do direito de defesa; ter havido incorreções e conclusões equivocadas por parte da decisão recorrida, relativamente a pagamentos com cheques do Banco do Brasil relacionados a operações de FACTORING contabilizadas a crédito de CAIXA; ter havido apuração incorreta da movimentação da conta CAIXA; a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, em virtude de ausência de apreciação de argumento trazido em sede de impugnação (Título VII, fls. 1.169/1.185 – “FATO SUPERVENIENTE AO LANÇAMENTO. DOS EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO DOS SALDOS DAS CONTAS BANCOS CONTA MOVIMENTO E CAIXA, EM 31/12/2002”); a falta de justificativa para o indeferimento do pedido de diligência; ter havido contabilização de pagamentos de operações de FACTORING, a maior, a crédito de CAIXA, de forma indevida, e divergências entre “VALORES CONTABILIZADOS COMO PAGOS” e “VALORES EFETIVAMENTE PAGOS”. Às fls. 2003, consta despacho de encaminhamento a este Colegiado, datado de 26 de novembro de 2009, do qual releva destacar as seguintes informações: i) a contribuinte foi cientificada da decisão exarada em primeira instância em 11 de fevereiro de 2009 (AR – fls. 1.795); ii) o Recurso Voluntário foi apresentado em 27/02/2009, por via postal, sendo, assim, tempestivo; e iii) em virtude da tempestividade do recurso interposto, foram tornados sem efeito o Termo de Perempção e a carta de cobrança de fls. 1.796/1.799. Foram juntados aos autos, ainda, os seguintes documentos1: 1 A numeração de folhas do processo indicada é a decorrente do procedimento de digitalização. Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.529 7 Memorando da Delegacia da Receita Federal em Natal, datado de 22 de novembro de 2010 (fls. 2.203), por meio do qual são encaminhados a petição e os documentos de fls. 2.204/2.389; Memorando da Delegacia da Receita Federal em Natal, datado de 28 de dezembro de 2010 (fls. 2.390), por meio do qual são encaminhados a petição e os documentos de fls. 2.392/2.429; Memorando da Delegacia da Receita Federal em Natal, datado de 13 de dezembro de 2012 (fls. 2.430), por meio do qual são encaminhados a petição e os documentos de fls. 2.431/2.452. Em atendimento à proposição apresentada nos autos do processo administrativo nº 10469.720613/200889 (cópia às 2.457/2.458), foram distribuídos para fins de apreciação conjunta o citado processo nº 10469.720613/200889 e o de nº 10469.721334/200832. É o Relatório. Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.530 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o auto de infração de fls. 06/15, foram as seguintes as imputações feitas pela Fiscalização à contribuinte fiscalizada: i) ausência de oferecimento à tributação dos resultados auferidos em operações de factoring com a Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Seridó Ltda – CERSEL, tendo sido aplicada multa qualificada de 150% em virtude de tais operações não terem sido contabilizadas; MONTANTE TRIBUTÁVEL APURADO: 30/06/2002 = R$ 15.021,56 30/06/2002 = R$ 20.526,55 30/09/2002 = R$ 6.195,37 30/09/2002 = R$ 16.769,48 31/12/2002 = R$ 5.662,10 ii) ausência de oferecimento à tributação de receitas decorrentes de operações de factoring, extraídas de extratos bancários relativos à conta bancária não contabilizada (BANCO BCN S/A); MONTANTE TRIBUTÁVEL APURADO: 30/06/2002 = R$ 10.361,61 30/06/2002 = R$ 4.475,55 30/06/2002 = R$ 1.194,26 30/09/2002 = R$ 4.026,58 30/09/2002 = R$ 3.142,43 30/09/2002 = R$ 16.732,80 31/12/2002 = R$ 3.460,84 31/12/2002 = R$ 13.279,70 31/12/2002 = R$ 4.154,37 iii) omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de CAIXA, tendo sido detectadas as seguintes irregularidades na referida conta: a) saldos credores contabilizados; b) Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.531 9 ausência de contabilização das entradas e saídas de recursos referentes às operações realizadas com a Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Seridó Ltda – CERSEL; e c) reforços fictícios de CAIXA, representados pela manutenção na referida conta de valores destinados a transferências e a cheques compensados. MONTANTE TRIBUTÁVEL APURADO: 30/06/2002 = R$ 190.656,21 30/06/2002 = R$ 414.414,37 30/06/2002 = R$ 72.316,60 31/12/2002 = R$ 111.392,88 31/12/2002 = R$ 7.398,39 31/12/2002 = R$ 56.032,27 Em primeira instância, parte do crédito tributário constituído foi afastada, conforme descrição abaixo. 1. COFINS referente aos períodos de apuração de abril e maio de 2002, em razão de decadência; 2. redução da matéria tributável decorrente da imputação de SALDO CREDOR DE CAIXA, em virtude da constatação de erros e omissões nos registros contábeis; 3. redução da multa qualificada de 150% para 75%, no caso da ausência de oferecimento à tributação dos resultados auferidos em operações de factoring com a Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Seridó Ltda – CERSEL. A redução da matéria tributável referenciada no item 2 acima decorreu dos seguintes fatos: a) acolhimento da alegação de que algumas operações, embora tenham sido efetivadas por meio de cheques da conta (não contabilizada) do Banco BCN, foram registradas a crédito da conta CAIXA e a débito da conta TÍTULOS A PAGAR, afetando o saldo da referida conta em virtude do fato de que não houve registro contábil correspondente à transferência dos valores do banco para ela (itens 31 e 32 do voto condutor da decisão de primeira instância) ; e b) reconhecimento de que foram efetuados registros a crédito da conta CAIXA equivocados (item 40 do voto condutor da decisão de primeira instância). Por não terem ultrapassado o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008, não foi interposto recurso de ofício por parte da autoridade julgadora de primeira instância. Como se vê, o presente processo cuida de autuação que alcançou fatos geradores ocorridos no segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2002. De acordo com registro feito no voto condutor da decisão exarada em primeira instância, a contribuinte também foi autuada relativamente ao primeiro trimestre do ano calendário de 2002, objeto do processo administrativo nº 10469.720140/200739. Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720262/200725 Resolução nº 1301000.142 S1C3T1 Fl. 1.532 10 Noto que a autoridade fiscal, ao promover a recomposição da conta CAIXA a partir das irregularidades detectadas, o fez considerando o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2002, conforme tabela de fls. 56/62. A meu ver, não existe reparo a ser feito em relação à metodologia aplicada na determinação dos saldos credores passíveis de tributação, vez que o saldo inicial da conta CAIXA em 1º de janeiro de 2002 foi extraído do Livro Razão (fls. 625) e os saldos da referida conta, no dia imediatamente posterior a constatação do maior valor credor no mês, foram devidamente zerados, o que representa o mesmo que tributar, no período de apuração do imposto (no caso, trimestral, conforme DIPJ/2003 – fls. 567/622), o maior saldo credor apurado. Entretanto, diante da reconstituição anual e da possibilidade de ter havido alteração, nos autos do processo administrativo nº 10469.720140/2007392, da recomposição da conta CAIXA no período de 1º de janeiro a 31 de março de 20023, converto o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem promova a apensação do referido processo ao presente. Sala das Sessões, em 06 de agosto de 2013 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães 2 O processo em questão, de acordo com registro no sistema de controle de processos do Ministério da Fazenda (COMPROT), foi arquivado em 16 de maio de 2012. Pesquisas efetuadas no sítio do CARF na INTERNET e no eprocesso revelaramse infrutíferas. 3 Embora a decisão de primeira instância apresente recomposição da conta CAIXA do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2002, em que, a princípio, não se identifica, relativamente ao período de 1º de janeiro a 31 de março de 2002, divergência em relação à apresentada pela autoridade autuante, penso que deve restar comprovado nos autos que não houve alteração ao lançamento tributário objeto do processo nº 10469.720140/200739. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por EVA RIBEIRO BARROS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 8/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 13708.000030/93-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.163
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam tomadas providências conforme relatório e voto que desta formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam tomadas providências conforme relatório e voto que desta formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira – Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Waldir Veiga Rocha, Diniz Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13708 000030/9309 Despacho n.º 1302000.163 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório Relativamente ao anocalendário de 1990, em 1992, a contribuinte foi autuada pelas seguintes razões: 1 – IRPJ/CSLL/PIS/COFINS: Não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a quitação de pagamentos a fornecedores no montante de CR$12.756.365,08, o que foi considerado omissão de receitas. 2 – IRPJ/CSLL: Faltou ainda a comprovação de diversas despesas operacionais no valor de CR$10.979.521,03. 3 IRPJ/CSLL: Foi rejeitada ainda a dedução de despesas de benfeitorias em bens do ativo fixo com vida útil superior a um ano, no valor de CR$5.434.615,69 e respectivo 4 IRPJ/CSLL: foi computado e tributado o reflexo credor de correção monetária desses valores de benfeitorias que deixaram de acrescer os ativos fixos em CR$6.755.607,00. 5 IRPJ/CSLL: Foram glosadas também despesas com prestação de serviços de.terceiros sem a comprovação da sua efetividade, no valor de CR$4.495.488,36 e foram glosadas despesas que a autoridade entendeu incorridas por mera liberalidade no valor de CRS2.928.677,39. 6 – O benefício do PAT foi considerado irregular por falta de aprovação do programa no Ministério do Trabalho, no montante de BTNF 32.691,69. 7 – IRPJ/CSLL: foi glosada a correção monetária devedora de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital que não foi capitalizado no ano seguinte, resultando na diferença adicionada à base tributária de CR$ 2.765.456,55. 8 – IRPJ/CSLL: A autoridade fiscal houve por bem tributar, como reavaliação, a equivalência patrimonial que a contribuinte fez em empresa investida na qual detinha menos de 10% de participação, no montante de CR$ 1.299.708,64. 9 – Por último, a autoridade fiscal glosou despesas de depreciação efetuadas em percentuais superiores aos admitidos pela legislação do IRPJ sem a apresentação de laudo, no montante de CR$ 5.880.063,37. Foi lançado ainda imposto de renda na fonte decorrente desses fatos. O processo relacionado ao imposto de renda foi segregado deste, recebendo o número 13708.000027/9396 e a contribuinte desistiu do terceiro mérito. A contribuinte pediu a vinculação da defesa de ambos os processos e a apreciação de suas razões de defesa para cancelamento do lançamento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13708 000030/9309 Despacho n.º 1302000.163 S1C3T2 Fl. 3 3 Ainda antes da remessa dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, foi pedida diligência pela própria Delegacia da Receita Federal.às folhas 39. Tal diligência assim concluiu: Embora o processo seja originário do Rio de Janeiro, a competência do julgamento fora transferida para a DRJ de Belo Horizonte, que julgou, no processo relacionado ao IRPJ, manter o lançamento residual em parte. Decidiuse em linha com a diligência aberta pela DRF com exceção ao item 5 do lançamento para o qual a DRJ considerou improcedente a glosa de despesas e exonerou a base tributável equivalente a CR$ 1.017.968,44. A DRJ aceitou ainda a dedução da correção monetária do adiantamento para futuro aumento de capital no montante de CR$ 2.765.456,55. O mesmo julgamento aplicado ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ foi aplicado neste processo à Contribuição sobre o Lucro Líquido CSLL. Ciente em 07/02/2008, recorreu a contribuinte a este Conselho em 25/02/2008, pedindo mais uma vez a vinculação dos processos de IRPJ e CSLL e a absorção de suas razões de recurso neste processo. Alegou em síntese: 1 – Item 1 do lançamento: não pode a autoridade fiscal presumir como se receita fosse a diferença entre o passivo junto a fornecedores cujo pagamento foi efetivamente comprovado e o valor total do passivo com base em mera relação da composição desse passivo porque não se satisfez com as provas apresentadas. 2 – Item 2 do lançamento: o pagamento a autônomo com base em recibo descritivo do valor pago, imposto retido e beneficiário é dedutível sem a necessidade de outras provas. 3 – Item 3 da autuação: as despesas de conservação de ativos fixos que não lhe agreguem valor de mercado são dedutíveis como despesas operacionais. Além disso, várias despesas glosadas e comprovadas, citadas no recurso, têm natureza efetiva de despesas operacionais necessárias. 4 – Item 4: tal infração está ligada à infração 3 e por isso improcede igualmente. 5 – Itens 5 e 6: alega que os documentos apresentados em sede de impugnação comprovam a necessidade e usualidade das despesas, a saber: despesas com gastos odontológicos fornecidos a todos os funcionários, despesas com viagens a feiras de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13708 000030/9309 Despacho n.º 1302000.163 S1C3T2 Fl. 4 4 panificação, despesas de hospedagem no Rio de Janeiro relacionadas a funcionário de área comercial que fica em São Paulo, serviços de advocacia e auditoria, serviços de assistência técnica de máquinas e equipamentos, funilaria, assessoria de marcas e patentes bem como serviços de terceirização de mãodeobra, recrutamento e seleção, cessão de uso de software, comunicação, engenharia, redisposição de layout, desconto de duplicatas, juros pagos a fornecedores e devidos por atraso de ICMS. 6 – Item 8: a empresa Plus Vita do Nordeste faz parte do mesmo grupo econômico da recorrente, restando claro seu poder de influência na sociedade. A recorrente possuía 10% de participação acionária, o que faz dessa empresa uma coligada, submetida ao método de equivalência patrimonial, consoante o artigo 247 da Lei das S/A. Ainda que a participação da impugnante na investida vertesse a menos do que 10% em determinado período, segundo Parecer SRF 78/78, poderia a empresa perseguir fazendo a equivalência patrimonial, se julgasse que tal redução de participação não seria permanente. Nesse sentido, fica claro que sempre que a empresa julgar ter influência na investida pode fazer a equivalência patrimonial. Além disso, se a empresa tivesse feito a correção monetária do ativo, teria uma receita aproximadamente igual à equivalência patrimonial do investimento, ocasionando efeito neutro no cálculo da CSLL. Assim, é improcedente o lançamento fiscal, razão pela qual solicitou a contribuinte que seu recurso seja acolhido e provido por este Conselho. Verifico, pelo teor do processo, que ele está ligado ao processo que trata de IRPJ de número 13708.000027/9396 que foi objeto de julgamento em 19/06/2009, com Acórdão n. 120100133, de relatoria do Conselheiro Antônio Guidoni, tendo sido dado provimento parcial por maioria de votos, com a seguinte ementa: “Por maioria de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: 1) Excluir da base da cálculo relativa à infração 1 (Passivo Fictício), o valor de Cr$ 6.131.171,50; 2) Excluir do lançamento os valores lançados a título de Glosa de Despesas de Ativação Obrigatória e respectiva correção monetária, que corresponde à infração 4 do auto de infração. 3) Excluir da base de cálculo relativa à infração 5 (Glosa de Despesas Não Necessárias), o valor de Cr$ 3.405.473,37, vencido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Relator), que excluía Cr$ 3.070.673,47 e 4) Excluir do lançamento os valores lançados a título de Omissão da Equivalência Patrimonial. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.” Em suma, tal decisão conferiu ao tema o seguinte resultado. A turma a quo entendeu que a contribuinte não comprovou adequadamente a existência do passivo junto a fornecedores no valor residual disposto em 1 e não comprovou a necessidade e usualidade das despesas de que tratam os itens 2 e 5 no seu valor residual. No tocante ao item 3, a contribuinte deixou de defenderse em sede de impugnação e, do contrário, decidiu acatar os argumentos fiscais confessando a exigência fiscal Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13708 000030/9309 Despacho n.º 1302000.163 S1C3T2 Fl. 5 5 e efetuando pagamento de DARF. Já com relação ao item 9, a empresa deixou de apresentar elementos de defesa em seu recurso voluntário. Assim, precluiu o direito de defesa da empresa do item 3, nos termos do artigo 16 do Decreto 70.235/72. Precluiu ainda o direito de defesa relacionado ao item 9, tornandose a exigência líquida e certa na data em que a contribuinte deixou de recorrer dessa exigência. Em resumo, a decisão assim deliberou. Itens do Lançamento Valores Lançamento Exonerado DRJ Exonerado CARF Residual 1 12.756.365,08 (1.824.607,72) (6.131.171,50) 6.625.193,58* 2 10.979.521,03 (2.556.212,89) 8.423.308,14 3 5.434.615,69 (640.313,10) 4.794.302,59 4 6.755.607,00 (446.858,35) (6.755.607,00) 0,00* 5 7.424.165,75 (1.017.968,44) (3.405.473,37) 4.018.692,38* 6 32.691,69 (32.691,69) 0,00 7 2.765.456,55 (2.765.456,55) 0,00 8 1.299.708,64 (1.299.708,64) 0,00* 9 5.880.063,37 5.880.063,37 Total em CR$ 53.328.194,80 9.284.108,74 17.591.960,51 26.452.125,55 * Prevalece a maior redução de base de cálculo entre DRJ e CARF. Este processo, em que se discute a CSLL, contém matéria reflexa ao IRPJ objeto de discussão no Acórdão 120100133. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13708 000030/9309 Despacho n.º 1302000.163 S1C3T2 Fl. 6 6 Voto O exercício da atividade de julgador no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é vinculado ao cumprimento das condições expressas no Regimento do CARF aprovado pela Portaria 256/09. Nesses termos, define o parágrafo 7o do artigo 49: § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Assim, este processo de CSLL deveria ter sido distribuído ao mesmo relator do processo de IRPJ, número 13708.000027/9396, que foi objeto de julgamento em 19/06/2009, com Acórdão n. 120100133, de relatoria do Conselheiro Antônio Guidoni. A norma acima citada é mais do que procedimental, é processual, pois cria o juízo prevento para deliberar acerca da matéria de CSLL. Ao processo administrativo se aplica subsidiariamente as regras de processo judicial. Aduzem os artigos 103, 105 e 219 do Código de Processo Civil. Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 106 Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. Art. 219 A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; (...) Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery esclarecem: Na verdade, a lei disse menos do que queria, porque basta a coincidência de um só dos elementos da ação (partes, causa de pedir ou pedido), para que exista a conexão entre duas ações. (...) Sendo a conexão matéria de ordem pública, o juiz é obrigado a determinar a reunião de ações conexas para julgamento, nada obstante esteja consignado na norma ora comentada que o juiz "pode ordenar" (art. 105, CPC). O magistrado não pode examinar a conveniência ou a oportunidade da reunião, pois o comando emergente do CPC 105 é cogente: o juiz tem o dever legal, de ofício, de reunir as ações conexas para julgamento conjunto. (NERY, Nelson e Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 10ª edição. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008). O objetivo das normas supra é evitar decisões contraditórias. Neste caso, as razões do lançamento fiscal são idênticas, a razão de pedir ou impugnar também, os tributos são reflexos e a matéria é passível de decisão unificada. A identidade da matéria configura conexão. O juízo prevento e a litispendência, por sua vez, têm como fundamento a segurança jurídica e a necessidade de conexão dos processos é por isso matéria de ordem pública. Podese, portanto, dizer que o parágrafo 7o teve como princípio alinharse a esse direito processual civil em prol de garantias constitucionais e sua inobservância gera conseqüências muito relevantes. A distribuição de processos relativos a lançamentos reflexos a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 13708 000030/9309 Despacho n.º 1302000.163 S1C3T2 Fl. 7 7 mais de um relator, Turma e/ou Câmara fere a segurança jurídica, pois os mesmos fundamentos do lançamento fiscal, principal e reflexo, estarão sujeitos a duas decisões posteriormente divergentes. O momento do trânsito em julgado de um ou outro processo poderá ser diferente e preterirá ocasionalmente o direito ao duplo grau de jurisdição para uniformização da matéria. É o exemplo neste caso: um processo foi julgado em 2009 e o outro seria julgado apenas agora em 2012. Tanto o contribuinte quanto a fazenda ou ainda ambos podem ter seu direito ao duplo grau de jurisdição obstado. Assim, um equívoco na distribuição de processos não pode, em si, gerar tamanhos efeitos jurídicos no direito de defesa e segurança das partes. Assim, declaro a minha incompetência para proferir o julgamento deste processo e voto para que este processo seja encaminhado ao Sr. Antônio Guidoni, com base no artigo 49, parágrafo 7o, do Regimento CARF. É como voto. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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Numero do processo: 11610.007680/2003-81
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.015
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da
Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , j, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11610.007680/2003-81 Recurso n° 157.330 Resolução n° 1401-015 — 4° Câmara /18 Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria IRPJ e OUTROS - Exs.: 2001 a 2003 Recorrente CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A Recorrida TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o/julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. 7I ' )4i g , E MA AQUIAS PESSOA MONTEIRO Pre7idente ALBERTINA a SAN OS DE LIMA Relatora Formalizado em: 3 CAr 2 o o (,) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Hugo Correia Sotero, Marcos Shigueo Takata, Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Processo n° 11610.007680/2003-81 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-015 Fl. 1.061 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade relativa à discussão sobre a declaração de compensação de débitos do IRPJ e de CSLL dos períodos de apuração de janeiro a março de 2003, com saldo negativo de IRPJ e de CSLL dos anos de 2000 a 2002, no valor total de R$ 15.197.219,61 (doc. de fls. 1 e 2). A autoridade administrativa incluiu na apreciação a compensação do IRPJ do período de apuração de abril de 2003, em razão da apresentação de PER/DCOMP, de R$ 2.031.527,75. Segundo a autoridade administrativa, as compensações do saldo negativo de CSLL tiveram origem no ano-calendário de 1994, com a formalização do processo fiscal 13805.006564/94-12; quanto ao IRPJ, entende que o saldo negativo teve origem no ano- calendário de 1999. A partir dessas informações e considerando também os extratos de DIRF foram verificadas, nas DIRPJ/DIPJ, a partir desses anos-calendário, as compensações efetuadas pela contribuinte, tendo sido constatado compensações indevidas em relação à CSLL e ao IRPJ. Assim, do Pedido de Compensação, com a inclusão originada da respectiva PER/DCOMP foram reconhecidos saldo negativo de CSLL de R$ 2.903.116,92, e saldo negativo de R$ 8.621.118,81, relativo ao IRPJ, totalizando o montante de R$ 11.524.235,73, com termo inicial em 31.12.2002, e foi homologada a compensação até os limites dos valores apurados. Transcrevo trecho do voto condutor da decisão de primeira instância que aborda os principais aspectos da manifestação de inconformidade: Por sua vez, a Recorrente pugna pela incorreção dos cálculos efetuados, não tendo havido compensação indevida, estando inclusive sendo devidamente contestada a decisão prolatada nos autos de processo fiscal n" 13805.006564/94-12. Deve-se observar as correções monetárias e a fluência dos juros, da taxa Selic e dos demais acréscimos aos créditos detidos pela Requerente. Calculou, que em relação ao IRPJ, o saldo negativo não teve origem no ano-calendário 1999, mas no de 1995; em relação ao ano-calendário 1999 — considerando saldo negativo que possui referente ao 1RR_F, o saldo remanescente, atualizado conforme legislação, somou o montante de R$ 3.035.495,59. A Turma Julgadora, quanto aos cálculos efetuados relativos ao direito creditório da CSLL, considerou como incontroverso que sua origem ocorreu no ano-calendário de 1994. A partir disso e com base no . decidido no PA 13805.006564/94-12, que reconheceu direito creditório da recorrente no montante de 15.986,37 UFIR, referente ao saldo negativo de CSLL apurado no encerramento do ano-calendário de 1993, após compensação com débitos da própria CSLL relativos aos meses de abril e maio de 1994, efetuou cálculo minucioso da apuração da CSLL para os anos-calendário de 1994 a 2002 (itens 13.1 a 13.9 da decisão - fls. 889/905). 2 Processo n° 11610.007680/2003-81 S I -C4T1 Resolução n.° 1401-015 Fl. 1.062 Concluiu que para a CSLL restou saldo a pagar em relação aos anos-calendário de 2000 e 2001, além de CSLL negativa no valor de RS 2.903.116,92, em 31.12.2002. Quanto aos cálculos relativos ao IRPJ, enfatizou a Turma Julgadora que a autoridade administrativa afirma que este teve origem no ano-calendário de 1999 e a recorrente alega que sua origem ocorreu no ano-calendário de 1995. Para solucionar o litígio, efetuou cálculos a partir do ano-calendário de 1995 até o ano-calendário de 2002 (itens 14.1 a 14.8 da decisão — fls. 905/922). Concluiu pela existência de crédito tributário a recolher no importe de R$ 1.583.069,34, em relação ao ano-calendário de 2001, e de saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 6.676.338,41, referente ao ano-calendário de 2002, tendo em vista que o saldo negativo referente ao ano-calendário de 1999 (R$ 8.527.859,58) teria sido objeto de utilização integral no processo administrativo de n° 10.880.016451/00-73 (em que o próprio contribuinte solicitou sua utilização). Ou seja, para a CSLL, o direito creditório reconhecido é igual ao reconhecido pela autoridade administrativa. Para o IRPJ, a autoridade administrativa reconheceu o crédito de R$ 8.621.118,81, enquanto que a Turma Julgadora reconheceu o saldo negativo de R$ 6.676.338,41. Destacou no voto, que ficaria a critério da autoridade administrativa rever o reconhecimento do direito creditório em razão dos cálculos apresentados no voto, assim como, em conseqüência, das homologações correspondentes. Ressalta que embora o despacho decisório tenha considerado, no cálculo do direito ereditório, o valor da CSLL, a Declaração de Compensação de fis. 1 e 2 referencia apenas, como direito creditório, o IRPJ. Observou que, como há várias DCOMP apresentadas pela contribuinte, que: (i) em relação à CSLL, foram totalmente utilizados os saldos negativos do período que vai do ano- calendário de 1993 a 2001, (ii) em relação ao IRP.T, foram totalmente utilizados os saldos negativos do período que vai do ano-calendário de 1995 a 2001, (iii) que os créditos apurados no ano-calendário de 2002 (CSLL e IRPJ) foram reconhecidos e utilizados nos presente processo. A contribuinte tomou ciência do acórdão em 06.02.2007 e em 08.03.2007 apresentou recurso voluntário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Argumenta a recorrente que na prolação do acórdão da Turma Julgadora, foram desconsideradas informações imprescindíveis para apuração do crédito total e que as planilhas apresentadas possuem inúmeros erros graves que reduzem o crédito pleiteado. Procura demonstrar a evolução dos créditos de IRPJ e CSLL de 1994 a 2002 e que no ano de 2002 teria finalizado com saldo principal de IRPJ a compensar de RS 12.800.789,91 e de CSLL de R$ 2.993.263,63, sem considerar as atualizações pela Selic, ou seja, ao final de 2002, entende que possuía como principal, crédito acumulado de IRPJ e CSLL de R$ 15.794.053,54. Aduz que as distorções entre os saldos considerados pela decisão e a recorrente iniciam em 1994 e acarretaram conseqüências desde então. Menciona que todos os saldos 3 Processo n° 11610.007680/2003-81 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-015 Fl. 1.063 foram recalculados mensalmene por meio dos anexos de I a XIII, efetuando-se comparativo entre o apurado pela decisão e o apurado pela recorrente. Acrescenta que não merece prosperar a afirmação do sub-item 4.3.3 da decisão, de que as compensações realizadas em 1998 foram realizadas indevidamente, e de que teria sido deixado de recolher a contribuição de R$ 313.972,15; que após as compensações realizadas em 1998, havia saldo principal de CSLL a compensar apurados pela recorrente de R$ 1.202.041,16. Também acrescenta que não merece prosperar a afirmação do sub-item 4.3.5 de que no ano-calendário de 2000 foram realizadas compensações indevidas de 1RPJ e CS LL, pois conforme demonstraria, ao final de 2000, após as antecipações, havia saldo principal a compensar de R$ 665.556,23 a titulo de CSLL, e ao final de 2000, após as antecipações, havia saldo de IRPJ a compensar de R$ 6.857.014,40. Destaca que com relação ao ano-calendário de 1999, em 31.12.99, havia saldo de CSLL a compensar de R$ 1.202.041,16, e de IRPJ, havia saldo a compensar de R$ 5.679.154,10. Assim, requer a reforma da decisão que afirma que no ano-calendário de 2000 foram realizadas compensações indevidas de IRPJ e CSLL. Aduz que as afirmações presentes nos subitens 4.3.6 e 4.3.7 da decisão da Turma Julgadora não merecem prosperar pelos motivos que descreve, em especifico, análise da letra "H" — apuração da CSLL de 2001 — e "P" — apuração do IRPJ de 2001. • A partir dai faz minuciosa comparação entre os cálculos da Turma Julgadora e os que entende que são corretos, para a CSLL dos anos-calendário de 1994 a 2002 e para o 1RPJ dos anos-calendário de 1995 a 2002, que corresponde às fls. 948/973 c planilhas contidas nos anexos de fls. 999 a 1023. Requer a conversão do julgamento em diligência para submeter à fiscalização os argumentos, planilhas e demais documentos apresentados, a fim de que se manifeste sobre eles, e ao final, que seja reconhecida a integralidade dos direitos creditórios apresentados e que sejam homologadas as compensações de que trata a Declaração de Compensação e PER/DCOMP apresentados. É o Relatório. 4 Processo n° I 1 6 1 0.007680/2003-8 1 SI-C4T1 Resolução n.° 1401-015 Fl. 1.064 V01.0 Conselheira — ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de declaração de compensação (doc. de fis. 1 e 2) e PER/DCOMP relativos a débitos do IRPJ e de CSLL, dos períodos de apuração de janeiro a abril de 2003, com saldo negativo de IRPJ e de CSLL dos anos de 2000 a 2002. O valor do crédito seria de R$ 15.197.219,61 mais R$ 2.031.527,75. Segundo a autoridade administrativa, as compensações do saldo negativo de CSLL tiveram origem no ano-calendário de 1994, com a formalização do processo fiscal 13805.006564/94-12, enquanto que para o IRPJ o saldo negativo seria do ano-calendário de 1999. A Turma Julgadora concordou com a autoridade administrativa em relação ao direito creditório reconhecido para a CSLL, no valor de R$ 2.903.116,92. Para o IRPJ, enquanto que a autoridade administrativa reconheceu o crédito de R$ 8.621.118,81, a Turma Julgadora por meio de vários cálculos chegou à conclusão que o saldo negativo seria de R$ 6.676.338,41. A recorrente argumenta que na prolação do acórdão da Turma Julgadora, foram desconsideradas informações imprescindíveis para apuração do crédito total da recorrente e que as planilhas apresentadas possuem inúmeros erros graves que reduzem o crédito pleiteado. Procura demonstrar a evolução dos créditos de IRPJ e CSLL de 1994 a 2002 e que no ano de 2002 teria finalizado com saldo principal de IRPJ a compensar de R$ 12.800.789,91 e de CSLL de R$ 2.993.263,63, sem considerar as atualizações pela Selic. Aduz que as distorções entre os saldos considerados pela decisão e a recorrente iniciam em 1994 e acarretaram conseqüências desde então. Menciona que todos os saldos foram recalculados mensalmene por meio dos anexos de I a XIII. A recorrente faz minuciosa comparação entre os cálculos da Turma Julgadora e os que entende que são corretos, para a CSLL dos anos-calendário de 1994 a 2002 e para o IRPJ dos anos-calendário de 1995 a 2002, que corresponde às fls. 948/973 e planilhas contidas nos anexos de fls. 999 a 1023. Tendo em vista que a contribuinte afirma que a Tun-na Julgadora incorreu em vários erros e os aponta no recurso, e levando em conta a grande quantidade de informações e de cálculos relativos aos anos-calendário de 1994 a 2002, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste quanto às informações e cálculos consubstanciados no recurso, promovendo as diligências que entender necessárias, e que providencie relatório conclusivo, que deverá ser cientificado à interessada, podendo a mesma se manifestar se entender necessário. 5 -Processo n° 11610.007680/2003-81 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-015 Fl. 1.065 Do exposto, oriento meu voto para converter o julgamento em diligência nos termos acima expressos. Sala das Sessões - DF, em 17 de junho de 2009. 442 ALBERTINA SIJNASANTOS/DE LIMA 6
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002430/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.146
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento em função do art. 62-A do Ricarf.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 16024.000039/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.152
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para juntada de documentos em secretaria.
Nome do relator: WiILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para juntada de documentos em secretaria. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16024.000039/200935 Resolução n.º 1302000.152 S1C3T2 Fl. 877 2 Relatório PRODUTORA DE CHARQUE ROSARIAL LTDA (ATUAL ROSARIAL ALIMENTOS S/A), já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS) e multa isolada1, relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação2 ao feito fiscal (fls. 794), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que os extratos bancários demonstrariam que as movimentações financeiras poderiam ser facilmente detectadas no Livro Razão e no Livro Diário, esclarecendo a origem dos créditos alegados como receita omitida; que tais créditos seriam decorrência de empréstimos bancários a título de conta garantida e até mesmo empréstimos financeiros firmados com as citadas entidades financeiras, e que as operações bancárias de desconto de títulos, liquidação de empréstimos e liquidação de cobrança poderiam ser facilmente vistas no movimento dos citados livros. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1430.869, de 16 de setembro de 2010, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. 1 Na decisão de primeira instância consta informação de que a MULTA ISOLADA foi exigida por meio do processo administrativo nº 16024.000040/200960, anexado ao presente em virtude de determinação judicial. 2 Esclarece a autoridade julgadora de primeiro grau que a impugnação foi dirigida especificamente para o processo nº 16024.000040/200960, que tratou do lançamento da multa isolada, mas, sentença proferida em mandado de segurança determinou a reunião dos processos, estabelecendo que a referida impugnação produzisse efeito em relação a todos os autos de infração lavrados. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16024.000039/200935 Resolução n.º 1302000.152 S1C3T2 Fl. 878 3 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 865/866, por meio do qual sustenta: que as movimentações bancárias podem ser esclarecidas se confrontadas com os Livros Razão, Diário e Registro de Saídas, onde constam os registros dos fatos geradores da receita; que, como a empresa realiza inúmeras operações financeiras com diversos estabelecimentos bancários, grande parte da movimentação são transferências de conta; que, ao analisar os extratos, até mesmo valores creditados e estornados pelo próprio banco foram postos como receita omitida; que solicitou documentação junto às instituições financeiras; que os créditos bancários são decorrência de empréstimos a título de conta garantida e até mesmo empréstimos firmados com entidades financeiras, que deve ser promovida uma nova apreciação dos contratos, extratos, Livros Diário, Razão e de Registros Fiscais, bem como das próprias notas fiscais de saída e de todo documento que se fizer necessário. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16024.000039/200935 Resolução n.º 1302000.152 S1C3T2 Fl. 879 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Reflexos e multa isolada, relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). Tais exigências foram integralmente mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância. Por ocasião dos debates que antecederam o julgamento, representante da autuada esclareceu que protocolizou junto à secretaria desta Terceira Câmara documentos que, apesar de não representarem provas distintas das que já haviam sido aportadas ao processo, possibilitarão uma maior compreensão dos seus argumentos de defesa. Assim, em homenagem ao princípio da verdade material, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a documentação acima referenciada seja carreada aos autos para fins de análise. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.722129/2017-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS.
As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE.
Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-011.290
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS. As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE. Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-02-28T12:58:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-02-28T12:58:02Z; Last-Modified: 2022-02-28T12:58:02Z; dcterms:modified: 2022-02-28T12:58:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-02-28T12:58:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-02-28T12:58:02Z; meta:save-date: 2022-02-28T12:58:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-02-28T12:58:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-02-28T12:58:02Z; created: 2022-02-28T12:58:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2022-02-28T12:58:02Z; pdf:charsPerPage: 2517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-02-28T12:58:02Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10950.722129/2017-43 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-011.290 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2021 Recorrente COCAMAR COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS. As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata- se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE. Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 21 29 /2 01 7- 43 Fl. 857DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.290 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722129/2017-43 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS Não-Cumulativa – Mercado Interno do 1º Trimestre de 2012, informando crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 2.011.511,86. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, em síntese: (1) A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; (2) Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações e prestar Liquidez e Certeza ao direito alegado; (3) Regra geral, as decisões administrativas e judiciais têm eficácia inter-partes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio; (4) É vedado o aproveitamento de créditos da não-cumulatividade em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; (5) Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua defesa anterior e defende a aplicação do laudo como prova de seus alegações. É o relatório. Fl. 858DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.290 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722129/2017-43 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltou-se à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte, que foram objeto de pedidos de ressarcimento. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade de cooperativa agroindustrial. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de Fl. 859DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.290 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722129/2017-43 serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. As glosas são analisadas a seguir. Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit Alega a Recorrente que “não houve a devida análise da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit em que Manifestante, na ocasião Consulente, logrou êxito na consulta, sendo eficaz (leia-se favorável a Manifestante) exatamente na manutenção dos créditos”. Interessa ao presente litígio, portanto, verificar a conclusão da referida Solução de Consulta, e estabelecer a sua relação e pertinência com o direito ora em discussão: Conclusão 36. À vista do exposto, conclui-se que: 36.1. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. 36.2. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. Observe-se, inicialmente, que as conclusões da solução de consulta circunscrevem-se a definir os créditos que a cooperativa pode descontar e manter (item 36.1 da conclusão), diferenciando-os dos créditos que a cooperativa não pode descontar e, tampouco, manter (item 36.2). A Solução de Consulta não é “conclusiva nos exatos termos formulados pela Manifestante, ou seja, que as saídas beneficiadas com a exclusão da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS merecem o mesmo tratamento das saídas Fl. 860DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.290 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722129/2017-43 beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência (...)”, como pretende concluir a Recorrente, como bem posto na decisão de piso conforme os argumentos abaixo: Observe-se que, além de limitar a possibilidade de desconto/manutenção dos créditos às hipóteses descritas no item 36.1 da Solução de Consulta, a referida conclusão trata apenas dos efeitos concernentes aos próprios créditos das contribuições, não havendo qualquer menção ao tratamento das receitas correspondentes no que se refere ao rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo, que foi o objeto da fiscalização ao concluir que “os valores relativos a essas receitas devem compor o somatório da receita bruta total para fins de rateio (...)”. Tal conclusão, contida no Termo de Verificação Fiscal é relevante, visto que o pedido de ressarcimento ora em pauta apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, ou seja, os créditos apurados na forma do art. 3º da mesma lei relacionados às receitas de exportação (receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; e vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação). Caso a autoridade fiscal assim não procedesse, haveria o risco de ressarcir, a título de créditos do mercado externo, eventuais créditos apurados sobre receitas em operações realizadas no mercado interno, como são as operações que foram objeto da indigitada Solução de Consulta, o que aconteceria ao arrepio de todas as autorizações legais e normativas. Por isso, não há no Despacho Decisório e no TVF qualquer desconsideração, contradição ou incompatibilidade com a posição expressa na Solução de Consulta nº 151, da SRRF09/Disit. Do Direito à Manutenção e Ressarcimento do Crédito nas Saídas Beneficiadas com Exclusão da Base de Cálculo por Equiparação à Norma Prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Trata-se da mesma temática do tópico anterior, a violação da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit, da qual figurava como consulente. Adoto também as razões da decisão de piso, por com elas concordar integralmente: A própria conclusão do tópico, em que afirma que “todo contexto jurídico apresentado de forma escorreita demonstra que a Manifestante, com suas operações cooperativista, a luz do que dispõe o art. 15 da Medida Provisória nº 2.58-35 de 2001, justificou de forma plausível e incontroversa que as saídas beneficiadas com exclusão da base de cálculo devem ter o mesmo tratamento tributário das demais hipótese como "suspensão", "isenção", "alíquota zero" ou "não-incidência”, razão pela qual faz jus ao pedido de ressarcimento nos termos dos arts. 17 da Lei n° 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005”, demonstra que a alegante mantém-se ao redor da questão da possibilidade de desconto e manutenção de créditos decorrentes das suas operações cooperativistas. Como já clareado anteriormente, a real questão levantada pela fiscalização, considerando que o pedido de ressarcimento apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, é estabelecer o quanto de crédito vinculado às receitas de exportação encontra-se disponível para o pretendido ressarcimento. Para tanto, é necessário corrigir o tratamento das Fl. 861DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.290 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722129/2017-43 receitas correspondentes às operações com cooperados, computando os seus valores na receita bruta, para fins de estabelecer o correto rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo. Considerando que a manifestante sequer tangencia tal questão, e que os eventuais créditos decorrentes de operações no mercado interno, ainda que porventura existentes, não estão contemplados diretamente na fundamentação do pedido de ressarcimento, temos por prejudicadas as alegações manifestas neste tópico, com manutenção das conclusões da autoridade fiscal no Despacho Decisório. Logo, não se acolhe também os argumentos tecidos pela empresa neste tópico. Do Direito ao Créditos nas Aquisições de Bens para Revenda - Aquisição de Cooperados Insurge-se contra o entendimento da Autoridade Fiscal, de que as aquisições realizadas junto a cooperados não poderiam gerar crédito das contribuições para o PIS e a COFINS, tendo em vista que a Instrução Normativa nº 635/2006 restringe o crédito apenas para aquisições de “não associados”. Não há razão no argumento. A decisão de piso foi precisa também neste tópico: A possibilidade de descontar, do valor das contribuições incidentes sobre a receita bruta, o crédito calculado em relação a aquisições de bens para revenda, estava regulamentada, à época dos fatos, pela Instrução Normativa SRF nº 635/2006, que assim dispunha: Dos Créditos a Descontar na Apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Dos créditos decorrentes de aquisição e pagamentos no mercado interno Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I -bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) II - aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...) Tal disciplina mantém-se hígida até os dias atuais, através do art. 298, I, da IN RFB nº 1.911/2019. Assim, existe base legal para o desconto de créditos na aquisição de não associados, mas inexiste base para o creditamento na aquisição de associados. Relevante, ainda, estar-se diante de ato cooperativo, na acepção dada pelo art. 79 da Lei nº 5.764/1971 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”), in verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 862DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.290 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722129/2017-43 Inexistindo a incidência das contribuições, nas operações em questão, por tratarem-se de atos cooperativos, é natural que inexista, também, o direito ao creditamento, por força do inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) Observe-se que tais conclusões foram evidenciadas, até mesmo, nos parágrafos 8 a 11 da própria Solução de Consulta nº 151 - SRRF09/Disit, de 27 de junho de 2011, que a empresa utiliza em seu socorro em outros momentos da presente Manifestação de Inconformidade. Mantém-se, portanto, as disposições do Despacho Decisório. Despesas com Frete – Transferência de Produtos entre Estabelecimentos Sustenta a Recorrente que: Outrossim, deve-se entender melhor a atividade agroindustrial da Recorrente para certificar de que as despesas com transporte de carga são todas, sem qualquer exceção, realizadas para a movimentação de matérias-primas entre as unidades industriais e de beneficiamento. Basta analisar o Laudo do Processo Produtivo que facilmente se comprova a necessidade de deslocamento de um insumo/matéria-prima para uma das unidades da Recorrente, tendo em vista a localização geográfica das plantas industriais. Logo, não se tratam de deslocamento de produto final pronto para comercialização, mas sim, insumos que serão utilizados em alguma das unidades de beneficiamento. Há no laudo do processo produtivo, ora anexado, descrição do processo de beneficiamento dos insumos soja em grãos e para refino, café em grãos e para refino, algodão caroço, canola e girassol para refino, trigo para refino e grãos, inclusive seguindo instruções normativas do MAPA (Ministério da Agricultura e Abastecimento). Dessa forma, não se tratariam apenas de produtos acabados, mas insumos que são utilizados no processo produtivo, como café, soja, trigo para refino, algodão caroço, canola e semente de girassol para refino, laranja e néctar etc. Operações de transporte de matéria-prima de um ponto de coleta até as unidades de beneficiamento, e destes a outras unidades da Recorrente conforme a necessidade da produção. Em análise do Laudo, identifica-se que há vários processos produtivos que demandam insumos e fases diferentes. Por essa razão, não há como afastar a essencialidade dos dispêndios com frete. Assim, reverto as glosas referentes a: Fl. 863DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.290 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722129/2017-43 (i) Frete na aquisição de insumos, por representar custo de aquisição, com crédito fundamentado no inciso II, do art. 3°. (ii) Frete na transferência de insumos/produtos inacabados entre diferentes estabelecimentos da empresa, por representar também custo de aquisição, com crédito fundamentado também no inciso II. Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado O Laudo técnico identifica os principais bens do ativo imobilizado da empresa e suas respectivas utilizações. Da leitura em conjunto com as planilha de glosas dos imobilizados, cabe a reversão das glosas do sistema de aeração do armazém, balança rodoviária, ventilador centrifugo, forno elétrico industrial, conjunto de irrigação, equipamentos de conservação do armazém, trator agrícola, pulverizador hidráulico, cultivador São Francisco, pulverizador atomizado, secador de ar comprimido, sistema de termometria, prensa hidráulica, podador lateral, trilhadeira de parcela, determinador de umidade, dosadores, rack para armazenamento, tanques, balanças, centrifugadoras, filtros, misturador, trocador de calor, reator, medidores de vazão e secador adubadeira, agitador magnético, alicate amperímetro, analisador de rede, alinhador de eixo, aparelho de GPS, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos, balanças, betoneira, bicicleta cargueira, bomba diversas, caixas d’água, calibrador de pressão, carretas diversas, carrinhos diversos, compressores de ar, conjuntos de irrigação, dosimetro de ruído, empilhadeira, enceradeira, endoscópio, escadas, esmerilhadeiras, exaustores eólicos, forno elétrico industrial, furadeiras, lavadoras de alta pressão, máquinas de cortar grama, medidores de distância, de energia, de nível, motobombas diversas, motoserra, parafusadeiras pistolas para pintura e pulverização, politriz, prensas hidráulicas, pulverizadores, roçadeiras, semeadeira, sistema de alarme, soprador, talhas, tanques para diesel, termômetro, testador digital de cabos, transformadores, tratores agrícolas, ventiladores, entre outros, por serem utilizados na produção de bens destinados à venda. A utilização de todo o maquinário está descrita nos laudos de processo produtivo anexados aos autos, logo, em síntese, cabe a reversão das glosas do ANEXO VI – “BENS DO ATIVO IMOBILIZADO – DEPRECIAÇÃO - GLOSAS – GERAL”. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: PIS – COFINS – ATIVO IMOBILIZADO – CREDITAMENTO –LIMITAÇÃO – LEI Nº 10.865/2004. Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento do PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIMITAÇÃO TEMPORAL. ART. 31 DA LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A limitação temporal do aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004, no regime não-cumulativo do PIS e COFINS, ofende os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da não-surpresa. Fl. 864DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.290 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722129/2017-43 Declarada a inconstitucionalidade o art. 31 da Lei nº 10.865/05 pela Corte Especial deste Tribunal. Por conseguinte, deve ser afastada a trava do limite temporal. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 865DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11634.001689/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.058
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.278 2 RELATÓRIO FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006, formalizada em razão da imputação de omissão de receitas. Reproduzo a seguir relato feito em primeira instância acerca dos fundamentos da autuação e dos argumentos de defesa trazidos pela contribuinte em sede de impugnação. 3. A interposição fraudulenta de pessoas ... 3.1. Foram agregadas informações relacionadas às contas em nome de Maurício Moura da Silva (Banco Itaú, ag. 3734, conta 10.7513; Banco HSBC, ag. 0363, conta 0773704; Sicredi, ag. 58/999, conta 14.7133), Janaína Rocha Gongora (BB, ag. 2110 5, conta 14.5319; Sicredi, ag. 58/999, conta 13.9980) e Rúbia Angélica Lombardi (BB, ag. 21105, conta 9.330). Embora a titularidade formal das contas seja atribuída às pessoas físicas, a análise das origens dos respectivos lançamentos bancários, à luz dos dados obtidos, indica que são resultantes de operações comerciais do Frigorífico Morro Santo Ltda. 3.2. A caracterização das transações como pertencentes à pessoa jurídica é decorrente, entre outras, de informações prestadas por clientes, fornecedores, prestadores de serviço, etc., que, intimados a informar a natureza jurídica das operações em que foram partes, desconstituíram qualquer ligação comercial com os titulares de direito das contas bancárias. Confirmaram, contudo, que essas transações foram frutos do relacionamento mercantil com o Frigorífico Morro Santo Ltda. Foram apresentadas notas fiscais, recibos, contratos, declarações, escrituração contábil, etc., em que são sustentadas essas afirmações. Alguns dos créditos em conta foram precedidos, inclusive, por autorizações, por escrito, dos administradores do Frigorífico Morro Santo Ltda, para os depósitos especificados nas fls. a que se refere a fl. 1.963. O próprio escritório contábil responsável pela escrita do contribuinte confirmou o recebimento de um cheque de terceiros para o pagamento dos seus honorários. O resumo das operações consta da planilha de fls. 1.963/1.966. A conduta era habitual e envolve grande parte das receitas. 3.3. A movimentação da conta própria da empresa, no Banco Santander, foi de apenas R$ 13.910,33, em 2004, e R$ 14.715,55, em 2005, valores ínfimos, quando comparados à receita bruta registrada na contabilidade e nas DIPJs; pela dinâmica empresarial, é imprescindível que tais valores transitem pelo sistema bancário. 3.4. Alguns depósitos em contas de terceiros foram lançados nos livros contábeis do contribuinte. Planilha “Relação de operações comerciais escrituradas do Frigorífico Morro Santo Ltda., com pagamentos em contas de terceiros”, item 3 do Termo de Verificação. Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.279 3 3.5. O perfil financeiro das três pessoas físicas, com base nas DIRPFs e, no caso de Maurício Moura, também na Carteira de Trabalho, não se coaduna com os vultosos recursos encontrados. 3.6. Há, ainda, declarações peremptórias dos procuradores do contribuinte, Joaquim Gongora Filho e Joaquim Gongora Neto, e das três pessoas físicas, sobre a forma da cessão e uso das contas bancárias pela empresa. 3.7. Devese considerar, portanto, na base de cálculo do IRPJ, CSLL. COFINS e PIS, os créditos agregados às contas desses terceiros 4. Omissão de receitas 4.1. Por intermédio de intensa pesquisa, constatouse que a movimentação de recursos do contribuinte, nos anos de 2004 e 2005, foi realizada em contas bancárias de terceiros, o que estabelece a responsabilidade da empresa e de seus procuradores, no tocante às eventuais conseqüências tributárias oriundas desse patrimônio. 4.2. Joaquim Gongora Filho, Joaquim Gongora Neto e Paulo Henrique de Oliveira foram intimados a comprovar a origem dos créditos bancários das contas, e as provas por eles fornecidas não atendem às condições de validade estabelecidas no art. 42 da Lei n° 9.430/96, não são "documentação hábil e idônea"'. Não foi possível encontrar uma correlação entre os dados constantes dos livros contábeis e das notas fiscais com os elementos contidos na resposta do contribuinte. 4.3. Não serão considerados receita omitida os depósitos cuja origem foi identificada pela Fiscalização, em contas de terceiros, por intermédio das respostas a intimações feitas aos clientes da empresa, em que o número da nota fiscal permitiu a sua localização nos livros contábeis da fiscalizada. 4.4. A base de cálculo é apresentada nas tabelas de fls. 1.972/1.976. 5. Compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa: foi aplicada a compensação, conforme resumo de fls. 1.788/1.809. 6. Responsabilidade solidária: 6.1. Parte das receitas da empresa transitou por contas de terceiros, caminho indevido, com o nítido objetivo de esconder do Fisco essa realidade e promover uma vantagem indevida; não foram registradas na contabilidade essas operações. Essas irregularidades são decorrentes de atos praticados por seu sócioadministrador Paulo Henrique de Oliveira e pelos mandatários Joaquim Gongora Filho e Joaquim Gongora Neto. 6.2. O administrador permitiu que contas de terceiros fossem usadas indevidamente pela empresa, em clara oposição às leis vigentes. Questionado sobre a origem desses créditos, reconheceu a vinculação desses com as operações comerciais do Frigorífico Morro Santo Ltda. (fls. 1.784/1.787). 6.3. Joaquim Gongora Filho e Joaquim Gongora Neto, munidos de procuração com amplos poderes, inclusive responsável (sic) pela locação de instalações físicas, estabeleceram um regime de administração que sistematicamente prejudicava o interesse público. O uso de contas de terceiros implicou vantagens tributárias, ingerência provada documentalmente e reconhecida pelos próprios mandatários e terceiros envolvidos. Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.280 4 6.4. Por tudo isso, são os três responsáveis tributários solidariamente com o contribuinte. Sob a égide do art. 135, I e II, do Código Tributário Nacional (CTN Lei n° 5.172/66). 7. Qualificação da multa de ofício: 7.1. A omissão de receita foi fruto da conduta dolosa dos envolvidos, pois os resultados alcançados foram desejados pelos agentes. Houve sonegação e fraude, conforme arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. O uso de contas bancárias de terceiros para encobertar os resultados da atividade comercial, combinado com a falta da escrituração dessas operações nos livros contábeis apontam, de forma absoluta, para as condutas mencionadas na norma. Houve também conluio, conforme o art. 73 do mesmo diploma. Tudo isso implica a qualificação da multa de ofício, nos níveis do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96. 8. O contribuinte e o responsável solidário Joaquim Gongora Filho foram cientificados pessoalmente, dos autos de infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 17/12/10. Os responsáveis solidários Joaquim Gongora Neto e Paulo Henrique de Oliveira foram cientificados dos autos de infração e do termo em 18/12/2010, via postal. Em 17/01/2011, foram apresentadas três impugnações, cada uma pelo contribuinte em conjunto com um dos responsáveis solidários, em que se insurge contra o decidido, expendendo os seguintes argumentos, em síntese. 9. Preliminarmente: 10. Prescrição parcial: o fato gerador ocorreu dia 31.01.2004, logo, competia à Fazenda Pública formalizar o seu crédito até 01.01.2009, conforme o art. 173 do CTN, que concede o prazo de cinco anos. Do mesmo modo, ocorreu a extinção da obrigação em relação a 2005, pois o fato gerador ocorreu em 31.01.2006, devendo ser lançado até 02.01.2010; e 2006, fato gerador em 31.01.2006, lançamento até 02.01.2011. 11. Mérito: 12. Inexistência de solidariedade passiva: Conforme o instrumento público de procuração, somente a partir de 05.10.2007 foi que Joaquim Gongora Filho assumiu a condição de procurador da sociedade, conforme instrumento de substabelecimento lavrado por Joaquim Gongora Neto. Se o fato gerador se deu em período anterior, não há como lhe atribuir a solidariedade passiva. Joaquim Gongora Neto defendese dizendo que não possui vínculo formal com a sociedade, apenas "sempre" foi seu procurador. Paulo Henrique de Oliveira apenas diz que '"Conforme se vislumbra do cópia do instrumento contrato social de constituição da alteração social da empresa, o sócio cotistas somente responderá até o limite do seu capital social na Impugnante" (sic). 13. Arrolamento de bens: é inconcebível arrolamento de bens como condição de procedibilidade da impugnação, pois estabelece desigualdade entre os contribuintes e infringe a capacidade contributiva e, por via oblíqua, a ampla defesa e o contraditório. 14. Preliminar: 15. Nulidade do auto de infração: o auto de infração é nulo, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura, não podendo agora, fora do prazo, levantar inocorrência de ilicitude na forma pretendida pela autoridade fiscal {sic). A impugnante de fato incorreu em erro formal, mas possível de oportuna retificação, pois inadvertidamente efetuou depósitos bancários de valores em nome de terceiros, mas se fez foi por absoluta impossibilidade efetuálos em suas contas própria (sic).Tal ato, Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.281 5 embora irregular, é passível de ser sanado, não violou direitos tributários, não caracteriza sonegação, vez que foram oriundos de vendas devidamente declaradas mediante emissão de notas fiscais. As planilhas juntadas demonstram o montante efetivamente de depósitos levados às contas de terceiros,... (sic). 16. Depósitos em contas de terceiros: O contribuinte não possuía à época conta corrente para a realização de seus depósitos, o que aconteceu por absoluta impossibilidade de obtenção de crédito junto ao sistema bancário. 17. Da solidariedade passiva: a alegada omissão de receita operacional deveria ser procedida de uma análise nos atos constitutivos dos balanços dos exercícios pretéritos, períodos fiscalizado e descrito {sic) no auto de infração ora impugnado da fiscalização, eis que não foi procedido o levantamento dos exercícios nos livros competentes da autuada, para dar sustentação de validade (prova material) aos demonstrativos que acompanham a ação fiscal. 18. Ao final, tece considerações e pede a exclusão de Joaquim Gongora Filho do pólo passivo, o reconhecimento da prescrição parcial e a ilegitimidade da autuação. 19. Idênticas impugnações foram apresentadas (ressalvandose a questão sobre a solidariedade passiva, em que diferem, conforme item 12), mas assinadas também por Joaquim Gongora Neto e Paulo Henrique de Oliveira, cada um requerendo a sua exclusão do pólo passivo. 20. Não consta dos autos a planilha que o contribuinte afirma ter juntado anexa às impugnações. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, analisando o trabalho fiscal e as peças de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0630.684, de 11 de março de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: PIS E COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. No que se refere à COFINS e ao PIS, nos meses de janeiro a novembro de 2004, o lançamento já poderia ser feito em 2004, razão pela qual o prazo decadencial se iniciou em 1º de janeiro de 2005, vindo a expirar em 31 de dezembro de 2009, antes, portanto, do lançamento, que está fulminado pela decadência, em relação aos períodos focalizados. IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTOS DURANTE O ANOCALENDÁRIO. INÍCIO DO PRAZO. Quando o contribuinte não efetua qualquer pagamento a título de IRPJ e/ou de CSLL durante o anocalendário, o Fisco só pode efetuar o lançamento a partir do ano calendário seguinte, em razão de não ter sido fixada, durante o ano, a opção pelo regime de tributação desses tributos (p.ex., poderia o contribuinte ter optado pelo lucro real anual com suspensão do pagamento mensal por estimativa em razão da confecção de balanços de suspensão), de maneira que o prazo decadencial, tal qual previsto no art. 173, I, do CTN, somente se inicia no 1º dia do exercício seguinte ao exercício em que o lançamento poderia ser efetuado. SOLIDARIEDADE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS E OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.282 6 Há responsabilidade solidária do sócioadministrador e dos mandatários que, com suas condutas, ensejam a ocorrência de interposição fraudulenta de pessoas com omissão dc receitas. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 2.265/2.273, do qual transcrevo os seguintes excertos: A Recorrente vem alegar em suas razões recursais que, embora efetuasse alguns depósitos nas contas correntes de terceiras pessoas conforme constatados pelo V. Acórdão ora questionado, mas na verdade tais fatos não passaram de meras irregularidades, as quais não causaram ao fisco qualquer prejuízo de ordem econômica, que pudesse vir a ser considerada por sonegação, porque se tratam de valores oriundos de operações comerciais do Frigorífico Morro Santo Ltda., cujos valores por serem controlados através da emissão de notas fiscais eletrônicas, não permitem que os valores não sejam tributados na forma preconizada pela legislação tributária vigente. Senhores Conselheiros, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: ... No entendimento do Auditor Fiscal, o agente passivo ora impugnante cometeu condutas contrárias ao ordenamento jurídico e aos poderes concedidos em contrato social, ficando assim caracterizada a situação prevista no artigo 135, inciso II, do Código Tributário Nacional (CNT) cuja infração que teria cometido à autuada estaria apoiada nos artigos 121, 124 e 135inciso II, e Portaria RFB n°. 2.284/20010. Suposta omissão de receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º , 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002, seria a causa justificadora da autuação, contudo, é oportuno ressaltar que a Impugnante emitiu as notas fiscais regulares, registrouas todas no seu sistema contábil, permitindose a incidência dos tributos pertinentes no caso em apreciação o COFINS. Não como admitir pacificamente que esteja sujeita ao apenamento tributário exigido pelo Auditor Fiscal representante legal da Impugnada. Não consta dos autos haver a Impugnada examinada balanços financeiros dos exercícios pertinentes necessários à caracterização da omissão da receita que deu à incidência dos tributos reclamado. Ora de forma inexplicável obteve informações bancárias das contas de terceiros onde encontrou depósitos bancários que entendeu serem pertinentes ao movimento financeiro da Impugnante. O artigo 173 do CTN estabelece que a Fazenda Pública tem o prazo de 5(cinco) anos para constituir o crédito tributário. O fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 31/01/2004, conforme bem ilustra o questionado Auto de Infração ora impugnado, logo, competia à Fazenda Pública ora Impugnada haver formalizado o levantamento do seu crédito até o dia 02 012009, isto com relação ao exercício de 2004. Do mesmo modo ocorreu a extinção da obrigação com relação ao exercido de 2005, pois, o fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 3101/2006, conforme bem ilustra o questionado Auto de Infração ora recorrido, logo, competia à Fazenda Pública ora Recorrida haver formalizado o levantamento do seu crédito até o dia 0201 2010 isto com relação ao exercício de 2005. Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.283 7 Melhor sorte não contempla a Recorrida com relação ao exercido de 2006, posto que ocorreu a extinção da obrigação de constituição do crédito com relação ao exercido de 2006, porquanto o fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 3101/2006, conforme bem ilustra o questionado Auto de Infração ora impugnado, logo, competia à Fazenda Pública ora Impugnada haver formalizado o levantamento do seu crédito até o dia 02012011, isto com relação ao exercício de 2006. ... Consoante se verifica dos autos, pretende a Recorrida à caracterização do enquadramento do representante legal da Impugnante, como se fosse responsável solidário da obrigação tributária. Tal enquadramento não pode prosperar pela seguinte razão fática: Conforme se vislumbra da cópia do instrumento contrato social de constituição da alteração social da empresa, o sócio cotista somente responderá até o limite do seu capital social na Recorrente. Quanto ao Arrolamento de Bens No presente feito é inconcebível o arrolamento de bens ou direitos como condição de procedibilidade da Impugnação, contudo, o suposto devedor solidário, recebeu expediente formalizado pela Impugnada, dandolhe conta da formalização de medida preparatória de Arrolamento de Bens e certamente que isso infringe o Princípio da Capacidade Contributiva, porque estabelece verdadeira desigualdade entre contribuintes. O contribuinte que possui situação financeira boa poderá recorrer e defender seu direito, enquanto aquele que não possui bens suficientes não poderá recorrer, ou seja, em virtude de sua má condição econômica terá seu direito à ampla defesa cerceado. Diante do exposto, constitui a regra do arrolamento de bens a maneira infralegal de obstar o direito à ampla defesa à contribuinte que não tenham bens ou disponibilidades financeiras infringindo, portanto, os Princípios da Igualdade e da Capacidade Contributiva e por via oblíqua o Princípio da Ampla defesa e do contraditório. Da Nulidade do Auto de Infração: Portanto, é nulo o auto de infração que ora se impugna, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura contra a empresa impugnante, por não observar requisito básico do direito tributário que seria a constituição regular e válida do crédito tributário, não podendo agora fora de o prazo legal levantar inocorrência de ilicitude na forma pretendida pela autoridade Fiscal. Na verdade, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos que além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos à investidas ilegais. Vejamos a determinação constitucional: ... Inexistindo justa causa para a lavratura do auto de infração sob impugnação, ilegítimo e nulo se apresenta à medida proposta de lançamento de arrolamento de bens que ora se hostiliza, cuja pretensão está viciada pela nulidade absoluta, imprestabilizando por completo a exação fiscal. Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.284 8 A Impugnante de fato incorreu erro formal, mas possível de oportuna retificação, pois inadvertidamente efetuou depósitos bancários de valores em nome de terceiros, mas se fez foi por absoluta impossibilidade efetuálos em suas contas própria. Tal ato, embora tenha sido praticado irregularmente, é passivo de ser sanado, não violou direitos tributários, porque os tributos que incidiram sobre o montante apurado quando das emissões das notas fiscais que resultou no faturamento ora questionado, tal montante sofreu a incidência regular dos tributos, conforme se depreende das planilhas ora acostadas. Portanto, a Impugnante não violou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, que deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. Está comprovado no levantamento de que os depósitos efetuados nas contas são inferiores ao faturamento, logo, temse que considerar que tais depósitos só ocorreram por manifesta impossibilidade da Impugnante em efetuálos diretamente em suas respectivas contas conforme mandamento legal. Todavia, os depósitos formalizados em conta de terceiros, não se caracterizam em sonegação de tributos nem mesmo em omissão de receitas, vez que foram oriundos de vendas da Impugnante devidamente declarada mediante emissão de notas fiscais correspondentes, logo, sujeitandose à correspondente tributação. As planilhas já levantadas pela Impugnante e juntadas nos autos em manifestação anterior demonstram o montante efetivamente de depósitos levados às contas de terceiros, ... DOS DEPÓSITOS EM CONTAS DE TERCEIROS. A Impugnante não possuía na época da incidência do fato gerador, conta corrente para realização dos seus depósitos, e isso ocorreu por manifesta impossibilidade de obtenção de crédito junta ao sistema bancário, que não permitiu á necessária abertura de contas. Assim as diferenças bancárias encontradas, conforme se vê das planilhas, são oriundas de valores lançados no caixa da Impugnante. Os valores são resultados de vendas regulares efetivadas nos exercícios mediante a necessária emissão das notas fiscais declaradas e relacionadas nas planilhas apresentadas ao fisco Federal. Não se constatou qualquer possibilidade de sonegação fiscal de tributos, pois todos os valores foram regularmente registrados como saídas de produtos de origem animal, que sofreram a incidência tributária pertinente. Da Solidariedade Passiva No caso, pela ilegitimidade da lavratura do auto de infração, cuja alegação de conduta ilícita, não passa de equívocos, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento apresentado, tampouco abre espaço ou possibilidade para a pretensão deduzida, temse como ilegítima a autuação, devendo por isso, ser declarada nula, dandose baixa dos registros pertinentes, como o conseqüente arquivamento do processo, que lhe propiciou origem. A alegada omissão de receita Operacional caracterizada, deveria ser procedida de uma análise nos atos constitutivos dos balanços dos exercícios pretéritos, períodos fiscalizado e descrito no Auto de Infração ora impugnado da fiscalização Federal, eis que não foi procedido o levantamento dos exercícios nos livros competentes da autuada, para dar sustentação de validade (prova material) aos demonstrativos que acompanham a ação fiscal; e, sem essa apuração não possui qualquer valor legal a ação fiscal. Com Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.285 9 efeito, a autoridade lançadora ao oferecer as incertezas de que trata o auto de infração sob exame, deixou duvidas, porquanto da forma como foi realizada, não enseja a nossa empresa a chegar a um raciocínio lógico da suposta infração cometida, porquanto, referida ação fiscal, realizouse de forma equivocada, eis que os demonstrativos que poderiam oferecer suporte ao auto de infração nenhuma validade jurídica possuem. ... Não vulnerou a empresa qualquer norma da legislação federal pertinente, cometeu atos irregulares passíveis de serem sanadas, para sujeitarse às cominações que se lhe venha apresentar o auto de infração em referência, como adiante será demonstrado, pela invalidade de como se deu a referida ação fiscal. O lançamento que ora se questiona, quer impor apenamento indevido, portanto, à revelia da lei. Neste caso, dúvida existe quanto à inexistência de prática ilícita. Não há como oferecer sustentação ao auto de infração que ora se impugna, que não tem alicerce nem mesmo na legislação vigente, e que não poderia, como não pode dissociarse do Pacto Fundamental e suas demais leis complementares hierarquicamente superiores. O autor dos levantamentos fiscais que dão suporte ao lançamento, negou vigência também ao artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN. Mais erros registrados no lançamento de ofício que invalida a propositura fiscal. Conclusão insofismável há de ser no sentido de padecer de amparo, a qualquer título, a pretensão da autoridade fiscal atuante máxime pela exegese emergente do artigo 112 do Código Tributário Nacional, que disciplina "verbis": ... DOS PEDIDOS Assim colocada à questão e, em síntese, considerando: I) a falta de comprovação material o ilícito fiscal constante do auto de infração; II) a não prevalência do crédito tributário pretendido, por inocorrente e incomprovada a ilicitude indicada na autuação ora combatida; III a indevida instauração da ação fiscal, já que inexistente a obrigação principal, o apenamento não tem qualquer valor. IV a minha exclusão na relação jurídica por não ser parte como solidário passivo da obrigação, no período indicado; V o reconhecimento da prescrição parcial de que trata o artigo 173 do CTN. Senhores Conselheiros, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. É o Relatório. Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11634.001689/201030 Resolução n.º 1301000.058 S1C3T1 Fl. 2.286 10 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Apreciando as condições de admissibilidade do recurso impetrado, constato, preliminarmente, que a autoridade fiscal, ao constituir o crédito tributário, colocou no pólo passivo da obrigação tributária, além da contribuinte fiscalizada (FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA.), as seguintes pessoas: PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA (sócio administrador), JOAQUIM GONGORA FILHO (mandatário) e JOAQUIM GONGORA NETO (mandatário). Às fls. 2245, 2.250 e 2.255, verifico que a repartição competente cientificou o FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA (aviso de recebimento às fls. 2.264), o Sr. JOAQUIM GONGORA NETO (aviso de recebimento às fls. 2.260) e o Sr. PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA (aviso de recebimento às fls. 2.263). Não identifico, porém, encaminhamento de intimação e respectiva ciência relativos ao Sr. JOAQUIM GONGORA FILHO, que, como já foi dito, foi incluído no pólo passivo da obrigação tributária. Destaco que a decisão prolatada em primeira instância não acolheu os argumentos trazidos pelo Sr. Joaquim Gongora Filho em sede de impugnação. Face ao exposto, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO em diligência para que sejam trazidos os autos os comprovantes de ciência, pelo Sr. JOAQUIM GONGORA FILHO da decisão prolatada em primeira instância. Sala das Sessões, em 09 de maio de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 10735.001814/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.133
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 454DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10735.001814/200543 Resolução n.º 1302000.133 S1C3T2 Fl. 444 2 RELATÓRIO OLIVAMAR COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2004, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Diante da ausência de apresentação de livros de escrituração obrigatória (Diário, Razão e Registro de Inventário), foi promovido o arbitramento do lucro. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnações (fls. 310/329; 330/352; 353/375; e 376/401), oferecendo, em síntese, os seguintes argumentos: que a jurisprudência administrativa teria se firmado no sentido de que o depósito bancário não serve como base para a aplicação de omissão de receita, a não ser nas hipóteses em que reste comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de receitas; que a Constituição Federal, ao outorgar a competência à União para instituir o imposto de renda, não teria concedido ampla liberdade de ação ao legislador, pois além das limitações ao poder de tributar expressas no texto constitucional, haveria que se reconhecer a existência de um pressuposto conceito constitucional de renda e proventos de qualquer natureza; que só o acréscimo patrimonial, a titulo oneroso, comportaria a tributação pelo imposto de renda; que a taxa Selic como taxa de juros moratórios incidentes sobre débitos de natureza fiscal seria ilegal; que a legislação tributária que embasou os lançamentos de PIS, COFINS e CSLL seria inconstitucional; que a autoridade administrativa julgadora deveria apreciar a inconstitucionalidade das leis, assegurando, assim, o direito de "ampla defesa". A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 18.516, de 28 de fevereiro de 2008, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 455DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10735.001814/200543 Resolução n.º 1302000.133 S1C3T2 Fl. 445 3 A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa Selic, na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Irresignada, MERITI CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, nova denominação de OLIVAMAR COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, apresentou o recurso de folhas 420/437, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 456DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10735.001814/200543 Resolução n.º 1302000.133 S1C3T2 Fl. 446 4 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Aprecio, em primeiro lugar, as condições de admissibilidade do apelo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu decisão em sessão realizada em 28 de fevereiro de 2008, indeferindo as impugnações interpostas pela contribuinte (fls. 411/418). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu elaborou intimação à contribuinte para fins de ciência da citada decisão (fls. 419). No corpo da referida intimação, foi juntado histórico da empresa de correios e telégrafos, também às fls. 419, indicando que a entrega do citado documento (intimação) se deu em 26 de março de 2008. Em 05 de maio de 2008, conforme registro de fls. 420, a contribuinte impetrou recurso voluntário. Não obstante, às fls. 442, a Agência da Receita Federal em Duque de Caxias informa que o recurso foi tempestivamente apresentado. Assim, diante da natureza do documento que supostamente atesta a ciência da decisão de primeira instância por parte da contribuinte (HISTÓRICO DO OBJETO – ECT) e da informação prestada pela unidade preparadora, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Agência da Receita Federal Duque de Caxias se manifeste acerca da informação de fls. 442, vez que na fls. 420 do processo consta que o recurso foi protocolizado em 05 de maio de 2008, enquanto às fls. 419 consta indicação de que a intimação foi entregue em 26 de março de 2008. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 457DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 1/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 13808.001181/00-11
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.017
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da
Primeira Seção do Conselho Administrativo Fiscais — CARF, por -unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , . .‘.r.,-.4...:~. , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13808.001181/00-11 Recurso n° 155.511 Resolução n° 1401-00017 — 4" Câmara / 1 0 Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 Matéria IRPJ - Ex.: 1996 Recorrente BAHIANA DISTRIBUIDORA DE GÁS LTDA Recorrida DRJ SÃO-PAULO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo Fiscais — CARF, por -unanimidade de votos, CONVERTER o julga -nto do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. f. ) ...ir,' VE MAL • QUIAESSOA MONTEIRO Pres dente ALBERTINA SILVA SANTOS E LIMA 1 : Relatora I Formalizado em: -- 1 A GO 2009, Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Vinicius Neder de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Hugo Correia Sotero, Marcos Shigueo Takata, Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. 1 Processo n° 13808.001181/00-11 S1-C4T1 Rcsoluçào n.° 1401-00017 Fl, 507 Relatório Trata-se de lançamento do IRPJ do ano-calendário de 1995 por glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente, por inobservância do limite de 30% imposto pelo art. 42 da Lei 8.981/95. A ciência dos autos se deu em 31.05.2000. Em razão de existir liminar obtida em mandado de segurança (processo 95.0033586-7 da 17'. Vara Federal), a exigibilidade do crédito tributário ficou suspensa até decisão final da ação, consoante o disposto no ativ. 151, inciso IV do CTN. A decisão de primeira instância rejeitou as alegações preliminares e as relacionadas aos juros de mora, e deixou de tomar conhecimento da impugnação no tocante ao 1RPJ, em razão da matéria já ter sido levada à apreciação do Poder Judiciário. A ciência da decisão foi dada em 13.01.2006 e o recurso foi apresentado em 14.02.2006. No recurso, argumenta que o lançamento é insubsistente, mesmo que lavrado apenas para evitar a decadência, bem como, a inafastabilidade da via administrativa, a improcedência da autuação e a postergação. Ao final, requer o cancelamento do lançamento em sua integraliclade, por entender que o mesmo (i) deixou de cumprir ordem judicial que suspendeu a exigibilidade dos supostos créditos cobrados; (ii) desconsiderou a postergação do imposto, deixando de proceder aos ajustes que prescreve a lei; (iii) na hipótese do lançamento ser mantido, requer que o mesmo seja revisto com observância do tratamento da postergação, para assim, recompor os prejuízos e cancelar a exigência, reconhecendo a extinção do crédito pelo pagamento; (iv) na hipótese de ser mantido o lançamento, pede o sobrestarnento da cobrança até o trânsito em julgado de decisão judicial e (v) que seja afastada a incidência da taxa Selic; (vi) na hipótese de desacolhidos esses pedidos, requer o sobrestamento do feito até o trânsito em julgado da medida judicial ainda pendente de julgamento, ou ao menos, o sobrestamento da inscrição na Dívida Ativa. Sobre a insubsistência do lançamento, mesmo que lavrado para evitar a decadência, argumenta que não sendo possível à fiscalização exigir da recorrente o pagamento do crédito tributário, em razão da medida judicial, o auto de infração também não poderia ser aproveitado para esse fim e a autuação tampouco poderia prevalecer, por configurar desrespeito à decisão judicial. Acrescenta que ainda que fosse viável a exigência, não poderia ter exigido os juros de mora, sendo o lançamento insubsistente. Com respeito à inafastibilidade da via administrativa, alega que a propositura da ação antecedeu a lavratura do auto de infração, e que não restava outra alternativa à recorrente, senão prosseguir na discussão administrativa para resguardar os seus direitos. Afirma que negar ao contribuinte o debate sobre o suposto crédito tributário, até o exaurimento da via administrativa, configura afronta às garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa (CF, art. 50, LV). (*)? 2 s/ Processo n° 13808.001181/00-11 S1-C4 f 1 Resolução n.° 1401-00017 Fl. 508 A respeito da improcedência da autuação aduz que a própria administração tributária por meio de decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes, tem decidido que a compensação de prejuízos rege-se pela lei vigente à época de sua apuração, sob pena de afronta ao direito adquirido. Assim, se a legislação anterior determinava que o prejuízo acumulado poderia ser compensado em até 4 anos-calendário subseqüentes, sob pena de extinção do direito à aludida compensação é porque não se tratava de mera expectativa de direito, mas sim, de efetivo direito do contribuinte já constituído, conquanto ainda não exercido. Em relação à alegação de postergação, afirma que a decisão deve ser reformada porque a autuação não observou o tratamento da postergação, contrariando os arts. 193 e 219 do RIR/94. Diante do excesso de compensação, que seria do montante de R$ 1.258.338,23 (1.797.622,04 — 539.287,81), o autuante retificou a quantia compensável (R$ 539.287,81), indicando o valor tributável (R$ 1.258.338,23), em face do qual, apurou o tributo de RS 472.685,43 e juros selic. Aduz que verificando que a contribuinte teria antecipado a compensação de valores, postergando, com isso o recolhimento de tributo, a própria auditoria deveria ter procedido desde logo, aos ajustes do lucro real dos períodos subseqüentes, para, somente então efetuar o eventual lançamento, pelo valor líquido. Não o fazendo, caberia a este colegiado, constatar à vista do pagamentos nos períodos seguintes, de todo o tributo lançado para o ano de 1995, a perda de objeto dos autos. Cita o § 2° do art. 193 e o § 1°, caput, do art. 219 do RIR/94. Entende que essa é jurisprudência deste Conselho, em sintonia com o Parecer COSIT 02/96. Cita diversos julgados e entre eles, o acórdão 107-07.125, de 13.05.2003. Afirma que recompondo-se os prejuízos fiscais e os lucros reais dos períodos subseqüentes àquele em que teria ocorrido excesso de compensação de resultados negativos, tem-se que a diferença apurada pela fiscalização no ano de 1995, resultante do cotejo entre o total do imposto apurado após a recomposição dos prejuízos e o total do imposto apurado pela empresa, sem a referida limitação de 30%, foi quitada a partir de 1998. Alega que em 1998, ano cujos resultados também deveriam ter sido examinados pelo auditor fiscal, a empresa teria apurado, com observância da trava, imposto de renda no montante de R$ 1.247.204,15. Para esse mesmo período, as deduções, que representam pagamento de imposto, totalizaram R$ 1.620.608,15 (doc.9). Dessa diferença (R$ 373.404,00) deve ser descontado o crédito apurado pela empresa, sem a trava (R$ 138.230,75), obtendo-se saldo credor de R$ 235.173,25. Esse saldo deveria ter sido imputado ao imposto pago a menor no ano de 1995 (R$ 472.685,43); vale dizer, o imposto pago a menor em 1995 teria sido parcialmente postergado para 1998 (doc. 10). Da mesma forma, em 1999, observando a trava, a recorrente teria apurado imposto de R$ 4.445.706,18 e deduções no montante de R$ 6.474.958,55 (doc. 9). Teria portanto, crédito de R$ 2.029,252,37. Excluindo-se desse valor, o montante apurado sem a trava (RS 1.398.865,68), restaria saldo credor de R$ 630.386,69, ao qual deveria ser imputado o remanescente do imposto pago a menor no ano de 1995 (R$ 237.512,19). E ainda restariam R$ 392.874,50, como saldo credor da recorrente. (iP 3 Processo n° 13808.001181/00-11 SI-C4TI Resolução ti.° 1401-00017 Fl. 509 Conclui que à vista dos saldos credores de imposto de renda dos períodos de 1998 e 1999, a recorrente quita toda a suposta diferença de imposto do ano de 1995 (R$ 472.685,43) (doc. 10). Sobre o descabimento dos juros de mora, aduz que enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário é inconcebível a fluência dos juros moratórios, uma vez que mora, pressupõe dívida vencida, exigível e falta do contribuinte. Assim, se o contribuinte obteve liminar antes do vencimento do tributo, e conseguiu seu restabelecimento antes de expirado o prazo do art. 63, § 20 da Lei 9.430/96, não se poderia falar em dívida vencida e tampouco em falta que lhe seja imputável, por estar respaldado em pronunciamento judicial. Ressalta que no presente caso, não há termo inicial para a contagem dos juros moratórios, tendo em vista que a liminar, concedida antes do próprio lançamento, tem o atributo legal de interromper a incidência da mora. Acrescenta que tampouco há que se falar em enriquecimento ilícito do contribuinte que age em conformidade com a lei. Aduz que como o CTN, não prevê a incidência de juros remuneratórios, inexistiria fundamento para o pretendido ressarcimento do Tesouro. Cita acórdão da 3 a Câmara do 2° CC (proc. 13982.000313/93-49). Em relação à inaplicabilidade da Selic alega que nenhuma lei tributária tem o condão de estabelecer, legitimamente a aplicação da Selic como juros de mora incidentes sobre os créditos tributários, pois não poderiam alterar o CTN, que estabelece a taxa de 1% ao mês, como limite máximo. Alega que como taxa remuneratória, a taxa selic não é juro, pois é também correção monetária, pois objetiva neutralizar os efeitos da inflação, sendo portanto, imprestável para efeitos tributários, ademais, é o Comitê de Política Monetária do Banco Central que indica a meta para o índice da taxa, delegando ao Presidente do BACEN a faculdade de alterá-la. Conclui haver franca violação aos princípios da legalidade e da indelegabilidade de atribuições, o que aliado às demais razões expendidas, invalidaria a aplicação da selic na cobrança de créditos tributários. Sobre o sobrestamento na esfera administrativa até o trânsito em julgado da decisão judicial, ressalta que a decisão recorrida deve ser reformada no que tange ao requerimento de sobrestamento do feito até o trânsito em julgado da medida judicial em curso, não devendo prevalecer a conduta da autoridade julgadora, que deixou de apreciar tal pedido e deu prosseguimento ao feito e que essa seria jurisprudência do Conselho de Contribuintes. É o Relatório. (I? 4 Processo n° 13808.001181/00-11 S 1-C4T1 Resolução ri.° 1401-00017 Fl. 510 Voto Conselheira — ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Trata-se de lançamento do IRPJ do ano-calendário de 1995 por glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente, por inobservância do limite de 30% imposto pelo art. 42 da Lei 8.981/95. A ciência dos autos se deu em 31.05.2000. Em razão da existência de liminar em mandado de segurança, a exigibilidade do crédito tributário foi suspensa até decisão final da ação impetrada. A decisão de primeira instância não tomou conhecimento da matéria levada à discussão na esfera judicial e apreciou a matéria diferenciada, mantendo o lançamento. Em relação ao pedido da recorrente de sobrestamento do julgamento deste recurso até o trânsito em julgado de medida judicial pendente de julgamento, não há base legal que ampare tal pedido. Quanto à sua alegação de que o lançamento deve ser cancelado porque não teria sido cumprida ordem judicial que suspendeu a exigibilidade dos créditos tributários, não assiste razão à recorrente, pois o lançamento foi efetuado com a exigibilidade dos créditos tributários suspensa e sem multa de oficio. Portanto, não houve descumprimento da ordem judicial. Quanto à argumentação de que deveria ser cancelado o lançamento porque a fiscalização não efetuou os ajustes da postergação, entendo que a contribuinte pode trazer os elementos necessários para comprovar que efetivamente ocorreu a postergação, entretanto, essa não é razão suficiente para cancelamento do lançamento, uma vez que o mesmo pode ser corrigido. Para comprovação da ocorrência de postergação, a interessada juntou com o recurso, o seguinte: • Cópia das DIRPJs dos anos-calendário de 1995, 1996, 1997 e das DIPJs dos anos-calendário de 1998 e 1999, docs. de fls. 246 a 446; • Planilha de fls. 447, com cálculo do imposto de renda com compensação do saldo do prejuízo fiscal, conforme declarado (anos-calendário de 1995 a 1999); não apurou imposto em 1995 e apurou saldo negativo (após as deduções) de R$ 13,42, em 1996, R$ 11.166,52 em 1997, R$ 138.230,75 em 1998 e R$ 1.398.865,68 em 1999; • Planilha de fls. 448, com cálculo do imposto de renda com compensação do saldo de prejuízo fiscal limitado a 30%, para os anos de 1995 a 1997, e nos anos da postergação de 1998 e 1999; apurou imposto a pagar de R$ 472.685,44 em 1995, R$ 440.226,72 em 1996 e R$ 99.568,72 em 1997; apurou saldo negativo do imposto de renda (após as deduções) nos anos de 1998 (R$ 373.404,00) e de 1999 (R$ 2.029.252,37); • Na planilha de fls. 449, calcula o imposto de renda postergado, efetuando o cálculo dos créditos supostamente pagos a menor (anos de 1995 a 1997) e cálculos no momento da postergação em 1998 e 1999; calcula o valor pago a menor de R$ 472.685,44 parap 5 Processo n° 13808.001181/00-11 S I-C4T1 Resolução n.° 1401-00017 Fl. 511 1995, R$ 440.240,14 para 1996 e R$ 110.735,24 para 1997 e acumula esses créditos que totalizam R$ 1.023.660,82; • No momento da postergação, na mesma planilha, compara o imposto com liminar, com o imposto com compensação obedecendo ao limite, em 1998 e em 1999. Para 1998, obteve o saldo negativo de R$ 138.230,75 (antes) e de R$ 373.404,00 (com a liminar) e calcula o valor pago a maior de R$ 235.173,25. Para 1999, obteve o saldo negativo de R$ 1.398.865,68 (antes) e de R$ 2.029.252,37 (com a liminar) e calcula o valor pago a maior de R$ 630.386,69. • Na mesma planilha, do valor pago a menor acumulado de R$ 1.023.660,82 diminui o valor que teria sido pago a maior em 1998 de R$ 235.173,25 e obtém o valor pago a menor acumulado de R$ 788.487,57; depois diminui dessa importância o valor de RS 630.386,69 que teria sido pago a maior, obtém a diferença de R$ 158.100,88 que corresponderia a valor pago a menor; • Afirma que o lucro tributável em 1995 após a compensação de prejuízo fiscal é de R$ 1.258.338,23, que calculado à aliquota de 37,5%, sem postergação corresponde a R$ 472.685,44, e que levando em conta a alíquota de 25% vigente no momento da postergação, equivale a RS 314.584,56; ou seja, a diferença de R$ 158.100,88 é devida em função da redução da alíquota do IRPJ de 37,5% para 25%. Concluo que o recurso não está em condições de ser julgado. Entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a autoridade fiscal, à vista dos valores apurados de IRPJ constantes nas DIRPJs e DIPJs dos anos-calendário de 1995 a 1999, constantes dos sistemas eletrônicos da Receita Federal, se pronuncie sobre os cálculos elaborados pela contribuinte relativos à alegada postergação, nos termos do DL 1598/77, art. 60 e Parecer COSIT 02/96. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo, a ser cientificado à recorrente, que poderá se manifestar se entender necessário. Do exposto, oriento meu voto para converter o julgamento em diligência nos termos acima expressos. Sala das Sessões - DF, em 18 de junho de 2009. ALBERTINA SIVASANTQ DE LIMA e
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