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4785632 #
Numero do processo: 11065.002619/90-31
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PIS - FATURAMENTO - CONTRIBUIÇÃO DECORRÊNCIA. - A decisão adotada no processo matriz estende seus efeitos ao processo decorrente. Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 106-06.715
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência parcela proporcional à excluída no processo matriz, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Albertino Nunes e Luciana Mesquita Sabino de Freitas Cussi.
Nome do relator: WILFRIDO AUGUNSTO MARQUES

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10840334 #
Numero do processo: 10882.000553/97-43
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 203-00.162
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO

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10839182 #
Numero do processo: 19515.720352/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS. OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. O arbitramento da base de cálculo, como medida excepcional, é plenamente cabível quando constatada a não apresentação ou apresentação deficiente dos documentos obrigatórios, nos termos do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A ausência do Livro Caixa de 2007 e a falta de registros bancários nos Livros Caixa de 2008 e 2009, aliadas à inércia do contribuinte em esclarecer divergências constatadas entre GFIP, DIRF e RAIS, autoriza a apuração indireta das contribuições devidas. UTILIZAÇÃO DA DIRF E RAIS COMO CRITÉRIOS DE AFERIÇÃO. LEGALIDADE. Na ausência de documentação fidedigna, a utilização de DIRF e RAIS como parâmetros de aferição indireta é legítima, especialmente diante da omissão do contribuinte em justificar as divergências apuradas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. Os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96, integrando o crédito tributário regularmente constituído. PRECLUSÃO. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havê-lo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). Na espécie, ocorreu a preclusão consumativa. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DA MULTA DOS ARTS. 32-A E 35 DA LEI 8.212/1991. SUMULA CARF Nº 196 É cabível a retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 11941/09, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8212/91. Em caso do descumprimento de obrigação acessória, em virtude da falta de informação de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, a retroatividade benigna deve ser aplicada mediante a comparação entre as multas previstas na legislação revogada (§§ 4º ou 5º da Lei nº 8.212/1991) e aquela estabelecida no art. 32-A, I, da mesma lei, acrescido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
Numero da decisão: 2102-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para adequar a aplicação das multas por descumprimento de obrigação principal e acessória aos moldes da Súmula CARF nº 196. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente)
Nome do relator: CARLOS EDUARDO FAGUNDES DE PAULA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS. OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. O arbitramento da base de cálculo, como medida excepcional, é plenamente cabível quando constatada a não apresentação ou apresentação deficiente dos documentos obrigatórios, nos termos do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A ausência do Livro Caixa de 2007 e a falta de registros bancários nos Livros Caixa de 2008 e 2009, aliadas à inércia do contribuinte em esclarecer divergências constatadas entre GFIP, DIRF e RAIS, autoriza a apuração indireta das contribuições devidas. UTILIZAÇÃO DA DIRF E RAIS COMO CRITÉRIOS DE AFERIÇÃO. LEGALIDADE. Na ausência de documentação fidedigna, a utilização de DIRF e RAIS como parâmetros de aferição indireta é legítima, especialmente diante da omissão do contribuinte em justificar as divergências apuradas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. Os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96, integrando o crédito tributário regularmente constituído. PRECLUSÃO. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havê-lo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). Na espécie, ocorreu a preclusão consumativa. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DA MULTA DOS ARTS. 32-A E 35 DA LEI 8.212/1991. SUMULA CARF Nº 196 É cabível a retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 11941/09, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8212/91. Em caso do descumprimento de obrigação acessória, em virtude da falta de informação de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, a retroatividade benigna deve ser aplicada mediante a comparação entre as multas previstas na legislação revogada (§§ 4º ou 5º da Lei nº 8.212/1991) e aquela estabelecida no art. 32-A, I, da mesma lei, acrescido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS. OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. O arbitramento da base de cálculo, como medida excepcional, é plenamente cabível quando constatada a não apresentação ou apresentação deficiente dos documentos obrigatórios, nos termos do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A ausência do Livro Caixa de 2007 e a falta de registros bancários nos Livros Caixa de 2008 e 2009, aliadas à inércia do contribuinte em esclarecer divergências constatadas entre GFIP, DIRF e RAIS, autoriza a apuração indireta das contribuições devidas. UTILIZAÇÃO DA DIRF E RAIS COMO CRITÉRIOS DE AFERIÇÃO. LEGALIDADE. Na ausência de documentação fidedigna, a utilização de DIRF e RAIS como parâmetros de aferição indireta é legítima, especialmente diante da omissão do contribuinte em justificar as divergências apuradas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. Os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96, integrando o crédito tributário regularmente constituído. PRECLUSÃO. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havê-lo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). Na espécie, ocorreu a preclusão consumativa. Fl. 616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 2 RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO DA MULTA DOS ARTS. 32-A E 35 DA LEI 8.212/1991. SUMULA CARF Nº 196 É cabível a retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 11941/09, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8212/91. Em caso do descumprimento de obrigação acessória, em virtude da falta de informação de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, a retroatividade benigna deve ser aplicada mediante a comparação entre as multas previstas na legislação revogada (§§ 4º ou 5º da Lei nº 8.212/1991) e aquela estabelecida no art. 32-A, I, da mesma lei, acrescido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para adequar a aplicação das multas por descumprimento de obrigação principal e acessória aos moldes da Súmula CARF nº 196. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por PASY Indústria e Comércio de Borracha e Plástico Ltda., contra acórdão nº 14-57.796, proferido pela 17ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente os créditos tributários constituídos nos Autos de Infração. Trata-se de lançamento de crédito tributário Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 3 relativo à cobrança de contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, bem assim ao adicional de financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho (AI DEBCAD no 37.261.852-9), contribuições devidas pelos segurados empregados, não descontadas (AI DEBCAD no 37.261.853- 7) e contribuições aos Terceiros (AI DEBCAD no 37.261.856-1), incidente sobre base de cálculo aferida em procedimento de arbitramento, no período compreendido pelas competências 09/2007 a 12/2009. Ainda, no mesmo período, compreendem os AI DEBCAD nºs 37.261.843-0, 37.261.850-2, 37.261.849-9, 37.261.858-8, todos referentes ao período de 01/09/2007 a 31/12/2009. Segundo a fiscalização, apesar de regularmente intimada, a empresa deixou de apresentar, dentre outros documentos, o Livro Caixa referente a 2007 e apresentou os Livros Caixa referentes a 2008 e a 2009 sem que dos mesmos constasse a movimentação bancária, como define o § único do art. 527 do Decreto n° 3.000, de 20/03/1999 (RIR). A atividade fiscal constatou haver saldo credor nos Livros Caixa de 2008 e 2009 (item 2.3.6). Aduziu que a base de cálculo foi aferida indiretamente, determinando-se a base de cálculo aferida do Anexo I, pela diferença entre a remuneração de trabalhadores declarada em GFIP (Guia do Fundo de Garantida do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) e o maior valor dentre: a) A base de cálculo informada pela empresa no arquivo magnético com leiaute previsto no MANAD - Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP; b) A massa salarial informada na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais); e, c) Base de cálculo do imposto de renda retido na fonte obtida na DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte); A autoridade fiscal se embasou no artigo 33 da Lei no 8.212/91 e destacou que não houve saldo a ser apropriado aos valores devidos e não declarados em GFIP, apurados no curso da ação fiscal, referente a valores recolhidos através de GPS - Guia da Previdência Social, LDC - Lançamento de Débito Confessado ou LDCG - Lançamento de Débito Confessado em GFIP. Houve destaque para as várias intimações feitas para a contribuinte com o fito de cumprir as requisições fiscais. Ao que se nota, a contribuinte foi intimada por 07 (sete) vezes. A fiscalização, então, constatou irregularidades na documentação fornecida pela empresa, eis que foram entregues arquivos digitais contendo folhas de pagamento, mas com divergências comparadas aos valores declarados na GFIP, DIRF e RAIS. Além disso, os Livros Caixa de 2008 e 2009 não apresentavam movimentação bancária, e o Livro Caixa de 2007 não foi entregue. Diante dessas inconsistências, a fiscalização realizou o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, considerando os maiores valores encontrados nas diferentes fontes. Assim, os Autos de Infração envolveram as seguintes infrações: Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 4  Falta de declaração ou divergências nas contribuições previdenciárias a cargo da empresa e dos segurados.  Contribuições devidas a terceiros (SENAI, SESI, SEBRAE, INCRA e Salário- Educação), aplicando as alíquotas específicas sobre a base de cálculo.  Descumprimento de obrigações acessórias, incluindo não entrega das GFIPs (competências 13/2007, 13/2008 e 13/2009) e falta de registros financeiros nos Livros Caixa. Foram aplicadas multas específicas de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores, respeitando as mudanças introduzidas pela MP nº 449/2008. As penalidades variaram conforme o período e a gravidade da infração, com valores mínimos atualizados por normativos vigentes. O contribuinte, devidamente intimado sobre o lançamento, apresentou sua impugnação, na qual alegou, em síntese, diversos argumentos para questionar o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Primeiramente, afirmou que o arbitramento da base de cálculo, conforme o artigo 33 da Lei nº 8.212/91, foi indevido, pois comprometeria a validade do lançamento. Baseando-se no artigo 148 do CTN, destacou que a aferição indireta só é cabível quando a empresa se recusa a apresentar documentos ou os apresenta de forma deficiente, sendo esta uma exceção e não a regra. Argumentou, ainda, que, embora tenha sido exigida a apresentação dos Livros Caixa, a documentação entregue, especialmente a folha de salários, seria suficiente para a fiscalização. Citou o artigo 54 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, que define como base de cálculo da contribuição previdenciária dos segurados o salário de contribuição, compreendendo todas as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores, incluindo gorjetas e ganhos habituais. No mesmo sentido, mencionou o artigo 57 da mesma norma, que dispõe sobre a base de cálculo para as contribuições sociais da empresa, e o artigo 109, referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos. O contribuinte sustentou que a folha de salários constitui o documento mais adequado e confiável para demonstrar a remuneração paga aos empregados, defendendo que não houve omissão ou sonegação de informações. A ausência do Livro Caixa de 2007 ou a falta de registros bancários nos livros apresentados não justificaria o arbitramento, uma vez que a folha de salários estava disponível para a fiscalização. Ademais, a empresa questionou o método adotado pela fiscalização para apurar a base de cálculo, por meio de comparações entre a folha de salários, a DIRF e a RAIS. O contribuinte se insurgiu contra a validade dessas fontes, alegando que a DIRF, destinada à declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, segue o regime de caixa e pode abranger dados de meses distintos. Por sua vez, a RAIS, segundo o Ministério do Trabalho, tem finalidade estatística e de controle trabalhista, não sendo instrumento apropriado para aferição de contribuições previdenciárias. Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 5 Nesse contexto, o recorrente afirmou que o critério de comparação adotado pela fiscalização foi inadequado e tornou o lançamento imprestável, razão pela qual deveria ser anulado. Em complemento, dispões que, mesmo que se admitisse a possibilidade do arbitramento, a metodologia utilizada seria inconsistente, pois desconsiderou os documentos apresentados e se baseou em informações alheias à natureza das contribuições previdenciárias. Além disso, o contribuinte destacou que aderiu ao programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, consolidando débitos previdenciários, inclusive os relativos ao período questionado. Tal adesão, segundo sua defesa, pressupõe a confissão dos débitos, o que tornaria o lançamento ilíquido e indevido, uma vez que a autoridade fiscal lavrou o auto de infração antes da consolidação do parcelamento. Ressaltou ainda que, na eventual inadimplência dos débitos parcelados, o auto de infração não seria o meio apropriado para a cobrança. Por fim, questionou a incidência de juros sobre multa, defendendo que o artigo 61, §3º, da Lei nº 9.430/96 refere-se apenas ao valor principal do débito, e não à multa de ofício. Argumentou que interpretar os dispositivos de forma diversa seria ignorar os princípios básicos da hermenêutica jurídica. Diante dessas alegações, o contribuinte buscou demonstrar que a fiscalização utilizou procedimentos inadequados e métodos de cálculo inconsistentes, tornando o lançamento indevido e passível de cancelamento. Em atenção aos termos da impugnação e a tudo o que dos autos consta, a DRJ debruçou-se sobre os autos e proferiu decisão colegiada negando provimento à impugnação, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2009 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INSTRUMENTO DE IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. Em face da omissão do contribuinte em impugnar expressamente outros aspectos relativos ao lançamento, em relação a estes não se instaura a fase litigiosa do processo administrativo, não ensejando pelo órgão julgador sua apreciação. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXCEPCIONAL. CABIMENTO. O procedimento de arbitramento, enquanto medida excepcional ao lançamento, tem sua razão de ser na não apresentação de documentos pelo contribuinte, ou sua apresentação deficiente. Configura hipótese de arbitramento quando o Livro Caixa do contribuinte não contém a movimentação bancária e, intimado sobre divergências verificadas quanto aos valores constantes da folha de pagamento, não os esclarece. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. DIRF. RAIS. CABIMENTO. Fl. 620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 6 A DIRF e a RAIS podem ser adotadas como critérios à aferição indireta da base de cálculo das contribuições sociais, no âmbito do procedimento de arbitramento, quando (i) o contribuinte não registra sua movimentação bancária no Livro Caixa e (ii) não esclarece, mesmo intimado, as divergências encontradas entre a folha de pagamento e as referidas declarações. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa interpôs o recurso voluntário, arguindo, em síntese, preliminarmente, nulidade do lançamento fiscal, alegando cerceamento do direito de defesa e suposta ilegalidade do arbitramento da base de cálculo e a utilização indevida de declarações como DIRF e RAIS. A recorrente alega que houve cerceamento do direito de defesa e violação do princípio do duplo grau de jurisdição, uma vez que a decisão recorrida não enfrentou integralmente as teses de defesa apresentadas na impugnação. A autoridade julgadora teria deixado de analisar argumentos essenciais, especialmente aqueles relacionados à apresentação dos documentos e à insuficiência das justificativas fiscais apresentadas. No mérito, questiona a adoção do arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, defendendo que este é um procedimento excepcional, previsto no artigo 148 do CTN e no artigo 33 da Lei nº 8.212/91, aplicável apenas em situações específicas. A empresa sustenta que a fiscalização não demonstrou a falta de documentos ou a insuficiência dos registros contábeis que justificasse a aferição indireta. A recorrente argumenta ainda que o Livro Caixa de 2007 foi solicitado, mas sua ausência não poderia invalidar os demais documentos apresentados, como a folha de salários. Além disso, questiona a comparação feita pela fiscalização entre os valores declarados na GFIP e os constantes na DIRF e RAIS, alegando que essas fontes não têm validade legal para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A defesa sustenta que a folha de salários apresentada reflete com fidedignidade as remunerações pagas aos empregados e, portanto, seria suficiente para a apuração das contribuições previdenciárias. A recorrente afirma que a fiscalização, ao desconsiderar os registros fornecidos, utilizou critérios inadequados para apuração, comprometendo o lançamento fiscal. A empresa informa que aderiu ao programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, consolidando débitos relativos ao mesmo período objeto do lançamento. Com isso, a recorrente alega que o lançamento seria ilíquido e indevido, uma vez que a adesão ao Fl. 621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 7 parcelamento pressupõe a confissão dos débitos, sendo inadequada a lavratura do auto de infração antes da consolidação. Por fim, a recorrente questiona a legalidade da incidência de juros sobre multa, argumentando que o artigo 61, §3º, da Lei nº 9.430/96 prevê a incidência de juros apenas sobre o valor principal da obrigação. Defende que a inclusão de juros sobre a multa representa dupla penalidade, contrariando os princípios de razoabilidade e proporcionalidade. Assim, contesta a incidência de juros sobre multa de ofício e questiona o lançamento em face de sua adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. A recorrente sustenta a nulidade do lançamento, afirmando que o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias seria indevido, uma vez que apresentou documentos, especialmente a folha de pagamento, suficientes para a apuração das obrigações. Com isso, pugna pelo provimento recursal, cancelando integralmente os autos de infração. Em síntese, é o relatório. VOTO Conselheiro Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Relator Da Admissibilidade e da Tempestividade O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Preliminar Cerceamento de Defesa: Alega-se que o cerceamento de defesa ocorreu, pois a decisão administrativa não enfrentou, de maneira integral e adequada, todas as teses de defesa apresentadas na impugnação inicial. Mais especificamente, a recorrente ressalta que a DRJ deixou de analisar pontos fundamentais, como a regularidade da folha de salários e a validade das informações prestadas nos documentos apresentados à fiscalização. Embora a impugnação tenha apontado que a folha de pagamentos fornecia registros confiáveis e suficientes para apuração das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que a decisão ignorou tal argumento, baseando-se exclusivamente na ausência do Livro Caixa de 2007 e na alegação de deficiência nos registros de movimentação financeira. Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 8 Além disso, a recorrente argumenta que a decisão tratou de forma genérica os pontos apresentados, ao não individualizar a análise de cada Auto de Infração lavrado. A impugnação havia ressaltado que a metodologia adotada pela fiscalização, baseada na comparação entre a GFIP, a DIRF e a RAIS, seria inadequada e deveria ser afastada. No entanto, segundo a recorrente a autoridade julgadora não enfrentou diretamente essa questão, limitando- se a ratificar os procedimentos fiscais sem uma análise fundamentada dos documentos apresentados e das contestações específicas. A recorrente enfatizou que tal omissão privou-a do direito ao contraditório e à ampla defesa, previsto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, além de impedir a garantia do duplo grau de jurisdição. Essa postura, segundo a defesa, tornou ineficaz a impugnação apresentada, obrigando a empresa a pleitear, em grau recursal, a anulação da decisão administrativa. Em que pesem os fundamentos colacionados, tenho que razão não assiste à recorrente. Sobre tal preliminar, destaco que o Relatório Fiscal e os Autos de Infração foram claros e precisos ao evidenciarem todas as apurações e lançamento empreendido com base nos elementos probatórios colhidos pela fiscalização, não tendo havido qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Sobre a validade do ato administrativo em si, vejo que o mesmo possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade ao legalmente estipulado. A fundamentação legal do lançamento de crédito é apresentada no Relatório Fiscal, onde consta toda a norma aplicável. Enalteço que as hipóteses de declaração de nulidade do ato do lançamento estão contempladas no art 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, o qual se cinge à incompetência do agente e preterição do direito de defesa. Não é o caso dos autos. Noutro turno, é preciso destacar que existem elementos formais essenciais na autuação, ao ponto de não ensejar qualquer prejuízo para a defesa. Para o Auto de Infração, os requisitos de validade constam dos incisos III , IV e V do art 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Desta feita, valho-me do ensejo para dispor que o lançamento em tela atende a todos os requisitos legais de validade, de modo que não há qualquer sinal de nulidade apto a ser suscitado. A competência do auditor para proceder ao lançamento advém do art 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), lei formalmente ordinária, porém com força de lei complementar. verifico que a autoridade fiscal discriminou de forma clara e precisa os fatos geradores da obrigação previdenciária. Repito, ainda que, no curso da ação fiscal, foi assegurado ao Recorrente o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente garantidos aos Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 9 litigantes em processo administrativo. Portanto, válidos são o auto de infração e o relatório fiscal, sendo, consequentemente , o lançamento. Nesta senda rejeito a preliminar de cerceamento de defesa. - Do Mérito - Do Arbitramento Do compulso dos autos, verifico que a DRJ, na decisão colegiada de piso, apresentou fundamentação robusta ao justificar o cabimento do arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias no caso concreto. Nesse aspecto, destaco que o arbitramento é um procedimento excepcional, conforme previsto no artigo 33, §6º, da Lei nº 8.212/91. Esse dispositivo prevê que a base de cálculo das contribuições pode ser aferida por meio indireto quando a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados ou há apresentação deficiente de informações. Vejamos o que dispõe o §6º acima mencionado: Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Atento ao caso concreto, noto que a DRJ fundamentou que o arbitramento foi necessário em razão das seguintes circunstâncias:  Ausência do Livro Caixa de 2007: A empresa não apresentou o documento, mesmo após intimações reiteradas.  Deficiência dos Livros Caixa de 2008 e 2009: Os documentos entregues não continham registros de movimentação bancária, violando exigência contida no art. 527 do então vigente Decreto nº 3.000/1999 (RIR), que dispõe sobre a necessidade de tais registros para validar a escrituração contábil.  Divergências entre Documentos: Foram constatadas inconsistências entre os valores declarados na GFIP, DIRF e RAIS, que a empresa não esclareceu, mesmo após várias intimações. Assim, ao que se vê, à empresa foi oportunizada diversas chances de justificar as divergências, mas a mesma permaneceu inerte, configurando o requisito do §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, que autoriza o lançamento de ofício em caso de omissão ou sonegação de informações. Com efeito, não vejo razão plausível para acolher a razão recursal da recorrente. Ora, a DRJ destacou que, na ausência de documentação regular, foi necessário utilizar outras fontes para aferição indireta da base de cálculo, a saber: Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 10  DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte);  RAIS (Relação Anual de Informações Sociais). Conforme exposto na decisão guerreada, embora a DIRF utilize o regime de caixa, o contribuinte poderia ter esclarecido as divergências entre as folhas de pagamento e as declarações, o que não ocorreu. Como exemplo, foram apontados casos concretos, como:  Segurados com valores divergentes entre a folha de pagamento e a DIRF (e.g., João Aparecido de Oliveira e Adelson Ferreira Lopes). Assim, não poderia a DRJ chegar a outra conclusão, senão que a utilização dessas fontes foi plenamente cabível e respaldada pela legislação, visto que as divergências demonstraram omissão de valores pagos aos empregados. Note-se, ainda, que a DRJ fundamentou sua decisão com precedentes do STJ e do TRF-4ª Região, que corroboram a legalidade do arbitramento nos casos de ausência ou irregularidade de documentos contábeis, conforme o artigo 148 do CTN e o artigo 33 da Lei nº 8.212/91. Verifico que a empresa foi devidamente intimada e reintimada a apresentar os documentos necessários, mas não atendeu às solicitações de forma completa. A ausência de registros bancários nos Livros Caixa e as divergências não esclarecidas entre a folha de pagamentos, a DIRF e a RAIS justificaram plenamente o arbitramento da base de cálculo. O procedimento adotado pela fiscalização está, portanto, respaldado nos dispositivos legais mencionados, sendo obrigação da empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, é legítimo e cabível o arbitramento aplicado no caso concreto, pelo que mantenho integralmente o crédito tributário exigido. - Dos Juros incidentes sobre a multa O caso já se encontra pacificado no âmbito deste CARF, conforme preconiza a Súmula CARF nº 108, senão vejamos: Súmula CARF nº 108 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, não assiste razão a recorrente em seus argumentos visto, não bastasse o tema já estar sumulado perante o CARF, a aplicação de juros de mora decorre de previsão legal, conforme bem delineado no acórdão recorrido que justificou a taxa aplicada no artigo 161 do CTN - Quanto à exacerbação da multa Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 11 A recorrente, na esfera recursal, se insurge contra a multa aplicada, alegando exacerbação. Ao que se perlustra dos autos, a empresa recorrente não tratou da referida matéria na seara da impugnação, não podendo, portanto, ser trazida à discussão na esfera recursal, sob pena de supressão de instância Sobre o tema, advirto que a apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Com efeito, a matéria encontra-se preclusa. Ainda assim, a limitação da multa aplicável ao caso concreto encontra respaldo na Súmula 196, do CARF, no que diz respeito ao descumprimento de obrigação principal e acessória, senão vejamos: Súmula CARF nº 196 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 21/06/2024 – vigência em 27/06/2024 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. Acórdãos Precedentes: 9202-010.951; 9202-010.923; 9202.010.872; 9202.010.666; 9202- 010.633 Nesse toar, em que pese a preclusão processual nesta seara, aplico a norma de ofício, razão pela qual, merece ser dado parcial provimento ao recurso interposto, tão somente para adequar a multa aplicável ao disposto na Súmula CARF nº 196. - Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, tão somente para adequar a aplicação da multa por descumprimento de obrigação principal e acessória aos moldes da Súmula CARF nº 196. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Fagundes de Paula Fl. 626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.566 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720352/2011-74 12 Fl. 627DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10845058 #
Numero do processo: 10882.901830/2016-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093).
Numero da decisão: 3002-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Marcos Antonio Borges (Presidente)
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093).

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Marcos Antonio Borges (Presidente)

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REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Marcos Antonio Borges (Presidente) Fl. 506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 2 RELATÓRIO Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata-se de pedido de ressarcimento, com fundamento em suposto crédito de Cofins não cumulativo relativo a operações de mercado interno do 4º trimestre de 2009, no valor de R$ 291.021,01. Ao direito creditório postulado a interessada vinculou declarações de compensação. A DRF de origem proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido e não homologando as compensações com base nele efetuadas. As razões que fundamentaram essa decisão constam dos anexos que integraram o Despacho Decisório, e foram disponibilizadas à contribuinte no endereço eletrônico indicado naquele Despacho (cópia por mim anexada aos autos às e-fls. 380/441). Registra a auditoria que a interessada fora intimada à apresentação dos documentos que amparariam seu direito creditório, e que, após análise, restaram glosados os valores relativos aos fretes nas vendas de produtos monofásicos, a teor do disposto na Lei nº 10.833, de 2003 (art. 3º, IX; art. 3º, I, alínea b; art. 2º §1º, II). Indica-se que o valor da glosa fora determinado após rateio proporcional entre as saídas tributáveis e não tributáveis, haja vista a impossibilidade de se fazer um relacionamento direto entre as despesas de frete e as mercadorias transportadas, mesmo de posse das notas fiscais. Consignase ainda o valor dos débitos apurados a partir das notas fiscais apresentadas, procedendo-se ao aproveitamento dos créditos apurados, evidenciando-se a inexistência de saldo de crédito passível de ressarcimento. Citem-se excertos da fundamentação explicitada pela auditoria: ... Pela leitura dos dispositivos em tela, podemos sintetizar o disposto da forma que se segue: “A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a fretes na operação de venda de Bens Adquiridos para Revenda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, EXCETO em relação à venda/revenda de PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL, dentre outros especificados na legislação”. As notas de transporte não fazem referência aos produtos transportados, nem a destinatários ou localidades. Cada nota pode carregar produtos de diferentes quantidades, pesos e dimensões, para um ou diversos destinatários e localidades Fl. 507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 3 diferentes, o que necessariamente pressupõe um rateio do valor entre as cargas transportadas. Soma-se a isso o fato de que uma mesma nota fiscal existem mercadorias sujeitas ao regime de tributação monofásico de COFINS e PIS, e outras sujeitas ao regime comum de tributação, não sendo possível fazer o relacionamento direto entre as despesas de frete e as mercadorias transportadas, mesmo de posse das notas fiscais. Em decorrência disso, para se obter o valor do frete passível de creditamento, lança-se mão da aferição indireta com base na técnica do rateio proporcional para a determinação do frete correspondente aos produtos sujeitos ao regime comum de tributação, uma vez que o frete correspondente aos produtos sujeitos ao regime monofásico de tributação não confere à empresa o direito ao creditamento. Antes de realizar o rateio para o frete, é necessário analisar as saídas. Os fretes, como visto anteriormente, não dão créditos caso sejam relacionados a produtos monofásicos, nisso há uma necessidade de segregação das notas de saídas, em grupo de produtos tributados e em grupo de tributados de maneira monofásica, sendo os créditos de COFINS e PIS do frete sobre o último grupo não são passíveis de ressarcimento. [...] ... Percebe-se pela situação acima que os créditos são insuficientes para acobertar os débitos referentes às saídas dos produtos/serviços. Cientificada do Despacho Decisório em 17/10/2016, a contribuinte interpôs a correspondente manifestação de inconformidade em 10/11/2016. Inicialmente, assim contextualiza sua atuação e o fundamento de seu crédito: II. DOS FATOS 2. A SS é uma sociedade limitada, que tem por objeto o comércio atacadista, importação, exportação, distribuição, armazenamento, expedição e transporte de produtos de higiene pessoal, toucador, perfumaria, cosméticos e afins, bem como de medicamentos para uso humano, inclusive fitoterápicos e homeopáticos, drogas, insumos farmacêuticos, saneantes e domissanitários, dentre outros. 3. Enquanto empresa comercial distribuidora atacadista, e em especial por atuar nº mercado por meio do canal de vendas diretas, a SS depende da contratação de inúmeros serviços de frete para entrega dos produtos [...] no endereço dos seus revendedores que, por sua vez, revendem ao consumidor final. Dada a capilaridade da distribuição pelo Brasil, da dispersão geográfica e da inexistência de pontos de venda, o serviço de frete é essencial para que o produto chegue ao consumidor final nessa modalidade de distribuição. 4. Tendo em vista que os produtos comercializados pela SS são cosméticos e produtos de higiene pessoal, aplica-se aos mesmos a tributação concentrada das Fl. 508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 4 contribuições sociais ao PIS e a COFINS, no chamado regime monofásico, previsto no artigo 1º, I, “b” da Lei nº 10.147/2000. Nesse sentido, o artigo 2º da referida lei estabelece que “são reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador”. 5. Já a Lei nº 10.865/2004 alterou as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, inserindo as receitas da comercialização dos produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada no regime não-cumulativo, permitindo, assim, a apropriação de créditos. 6. Por sua vez, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, incluiu no rol dos créditos passiveis de aproveitamento na apuração da COFINS sob o regime não- cumulativo a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos de bens adquiridos para revenda e bens e serviços utilizados como insumo, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 7. Diante disso, a SS pleiteou a compensação de créditos de [...] decorrentes da aquisição de serviços de fretes de mercadorias para revenda no montante de [...] com débitos de [...], devidamente informados nas declarações apresentadas ao Fisco [...]. 8. Contudo, no caso em referência, a Receita Federal do Brasil entendeu por bem não homologar a compensação de [...] declarada no PER/DCOMP nº [...], e indeferir o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP nº [...], se posicionando de forma contrária ao aproveitamento de créditos dessa natureza, sem qualquer fundamento legal para tanto. 9. Inclusive, em total contrasensu, recentemente a Receita Federal do Brasil editou o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2016, indicando que as empresas com produtos sob o regime monofásico podem usar créditos relativos à venda de itens isentos, tributados à alíquota zero, com cobrança suspensa ou não incidência. ... As razões de direito são assim sintetizadas na defesa da contribuinte: [...]. Sendo assim, não há que falar na impossibilidade de aproveitamento dos créditos pleiteados pela Contribuinte por meio dos PER/DCOMP em referência, em síntese: (i) pela inclusão das despesas de frete e armazenagem de mercadorias para revenda nº rol dos créditos passiveis de aproveitamento pelos contribuintes no regime nãocumulativo: (ii) pela ausência de vedação legal ao aproveitamento desses créditos; Fl. 509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 5 (iii) pela inclusão pela Lei n° 10.865/2004 das receitas da comercialização de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada no regime não-cumulativo de PIS/COFINS. permitindo a apuração de créditos; (iv) em decorrência de dispositivo legal que autoriza a manutenção dos créditos em questão, mesmo quando a saída subsequente for tributada à alíquota zero — como é o caso dos produtos sujeitos ao regime monofásico de tributação; (v) em decorrência da interpretação sistemática das Medidas Provisórias n° 413/2008(artigo 15) e 451/2008 (artigo 9º). cuja redação pretendia vedar o aproveitamento dos créditos ora discutidos, e foi suprimida pelas leis de conversão. Ora, se se pretendia introduzir uma vedação na lei, é porque essa não existia — e continuou a não existir, diante do conteúdo das leis de conversão. ... Alega ainda que acaso não sejam acolhidas suas considerações, não procede a pretensão de cobrar os débitos de IRRF objeto das compensações, conforme fundamentos que explicita. E conclui: IV. CONCLUSÃO E PEDIDO [...] Diante de todo o exposto, resta demonstrado que não só inexiste impeditivo legal ao aproveitamento de créditos decorrentes de frete e armazenagem na venda de produtos adquiridos para revenda por contribuintes sujeitos à tributação concentrada de PIS/COFINS mas que, de fato, a interpretação sistemática dos artigos 3º, XI da Lei nº 10.833/2003 e do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 demonstra que a possibilidade de creditamento decorre da não- cumulatividade das referidas contribuições – assegurada também ao regime monofásico de tributação, nos termos da Lei nº 10.865/2004. [...] Outrossim, em se tratando de compensação de créditos de PIS com débitos de IRRF, cujos prazos para apresentação da declaração de ajuste anual já decorreram, a impossibilidade de cobrança desses valores da SS, enquanto fonte pagadora, é consequência das previsões contidas no artigo 722 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) e no Parecer Normativo COSIT nº 1, de 24 de setembro de 2012. ... Ao longo de sua defesa, cita julgados administrativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e da Câmara Superior de Recursos FIscais (CSRF) que amparariam o entendimento por ela aqui defendido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 08 julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Fl. 510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA OU CONCENTRADA. FRETES VINCULADOS A OPERAÇÕES DE REVENDA. É vedada a apuração de créditos sobre dispêndios com frete em operação de revenda de produtos sujeitos a cobrança concentrada das contribuições, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante desses produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. VOTO Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Conforme relatado, a controvérsia cinge-se a possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade sobre despesas com frete em operações de venda relativos a produtos revendidos sujeitos à tributação concentrada por pessoa jurídica comercial não fabricante. Não obstante os precedentes colacionados, a CSRF analisou a matéria no Acórdão 9303-014.737, de março de 2024, cujos argumentos são perfeitamente aplicáveis ao presente processo: O inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, extensível à Contribuição para o PIS/PASEP pelo art. 15 da mesma lei, reconhece, em abstrato, o direito ao crédito referente a despesas de frete e armazenagem em operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, mas o restringe aos casos dos incisos I e II: Art. 3º - Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 7 (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifo nosso) Como certamente não trata o presente caso do inciso II (insumos), por refletir mera operação de revenda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, devemos observar o que dispõe o inciso I, como condição para a fruição do crédito: Art. 3º - Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) (grifo nosso) O inciso I, como se percebe claramente da redação, não trata de direito irrestrito ao crédito, mas de direito de crédito que comporta exceções. E, ao remeter ao inciso I, o inciso IX do art. 3º, por óbvio, não se refere a apenas a parte do inciso, mas a todo seu conteúdo Entre essas exceções, está a prevista no § 1º do art. 2º da mesma Lei 10.833/2003, para produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, tributados na forma da Lei 10.147/2000: Art. 2º - Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - no inciso I do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifo nosso) Como se vê, segundo o disposto no art. 3º, I e IX, combinados com o inciso II do § 1º do art. 2º, e com o art. 15, da Lei nº 10.833/2003, aqui transcritos, a venda de produtos de perfumaria de toucador e de higiene pessoal não gera créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. E o direito de créditos em relação a fretes na operação de revenda é vinculado ao inciso I (e não apenas a parte de seu texto), sendo indevido para produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, tributados na forma da Lei 10.147/2000. Fl. 512DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 8 O inciso IX do artigo 3º dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à despesa de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No entanto, nas alíneas “a” e “b” do inciso I desse artigo 3º, encontram-se os casos que não geram crédito, entre eles o custo na aquisição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, para revenda. Ou seja, o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da nº 10.637/2002 inicialmente reconhece o direito ao crédito de despesas de frete e armazenagem em operações de venda, entretanto, em seguida, delimita o direito ao desconto do crédito aos casos estabelecidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei, restringindo o aproveitamento do crédito a determinadas operações, das quais são excluídas as revendas de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal. Cabe reparar que no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, caso fosse a intenção do legislador autorizar o crédito para toda e qualquer operação de venda de produtos ou mercadorias, bastaria que o texto do inciso não contemplasse a delimitação “(...) nos casos dos incisos I e II ...”. Se estivesse redigido apenas como “(...) armazenagem e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, restaria clara a autorização para o crédito decorrente de qualquer operação de frete na venda, se suportado pelo vendedor. Todavia, esta não foi a intenção nem a redação dada pelo legislador. Há que se indagar, portanto, a razão de existir do limitador ao final do texto normativo do inciso IX, buscando dar-lhe eficácia. Aliás, na Exposição de Motivos 197-A/2003, anexa à Medida Provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003, restou consignada a seguinte mensagem, dentro do título “DA COBRANÇA NÃO-CUMULATIVA DA COFINS”: 11. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não-cumulativa da COFINS, foram excluídas do modelo, em vistas de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo SIMPLES, as instituições financeiras, as pessoas jurídicas de que trata a Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983, as tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado, os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, as pessoas jurídicas imunes a impostos, as receitas tributadas em regime monofásico ou de substituição tributária, as referidas no art. 5º da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998, as decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações e de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens. (grifo nosso) Quanto ao comando que rege o regime de apuração não cumulativa das contribuições introduzido pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que permitiu a manutenção dos créditos vinculados à suspensão, isenção, alíquota zero e não Fl. 513DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 9 incidência, é certo que não gerou crédito algum, mas apenas permitiu a manutenção dos já existentes, resta cristalino em seu texto: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” (grifo nosso) Assim decidiu o CARF, de forma unânime, v.g., no Acórdão 3401-006.841, sob minha relatoria: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. LEI 11.033/2004 (ART. 17). LEI 11.116/2005 (ART. 16). NÃO DERROGAÇÃO. Os comandos do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n. 11.116/2005 não são geradores de créditos, em derrogação a norma anterior que os vedava. (Acórdão 3401-006.841, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 21/08/2019 - presentes ainda os Cons. Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) (grifo nosso) Não há dúvidas de que o disposto na Lei 11.033/2004 não tem o condão de manter créditos cuja aquisição a lei vedou desde a sua definição. Efetivamente, ele não revogou os arts. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.833, de 2003 e nº 10.637, de 2002. Cabe mencionar, de forma complementar, que tal vedação foi reproduzida na norma procedimental que trata do tema, a IN SRF 594/2005 (art. 38), sendo mantida também na norma da RFB que atualmente rege o tema, a IN 1.911/2019 (art. 424). Por fim, ainda em endosso, cabe mencionar a Solução de Consulta COSIT n. 99.709, de 20/06/2017, referente à COFINS não cumulativa, que também se aplica ao PIS, e que dirimiu dúvidas existentes sobre o aproveitamento de créditos vinculados a produtos sujeitos à tributação concentrada/monofásica. Embora tal Solução de Consulta fosse direcionada a um varejista de combustíveis, aplica-se perfeitamente ao caso concreto, pois, conforme já visto, os produtos também se enquadram nas exclusões do inciso I do art. 3º das leis de regência das contribuições. Não se está aqui, portanto, a tratar de insumos usados na produção ou na prestação de serviços (inciso II do art. 3º da Lei 10.833/2003), mas de frete na simples revenda (inciso I do art. 3º da mesma Lei 10.833/2003), e que deve obedecer às limitações estabelecidas pelo próprio texto legal, que deve ser lido no todo, e não apenas na parte inicial do texto. Assim, a remissão do inciso IX do art. 3º ao inciso I do mesmo artigo da lei objetiva (sob pena de ser inócuo esse excerto da disposição normativa) restringir o direito ao crédito às hipóteses permitidas no inciso I, entre as quais não está a referente Fl. 514DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 10 a revenda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, tratada na Lei 10.147/2000 e alterações posteriores. ... Registre-se, derradeiramente, o posicionamento atual do STJ, no Tema Repetitivo 1.093 (com menção expressa ao setor farmacêutico): “RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. RECURSO REPETITIVO. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA AS SITUAÇÕES DE MONOFASIA. RATIO DECIDENDI DO STF NO TEMA DE REPERCUSSÃO GERAL N. 844 E NA SÚMULA VINCULANTE N. 58/STF. VIGÊNCIA DOS ARTS. 3º, I, "B", DAS LEIS N. N. 10.637/2002 E 10.833/2003 (COM A REDAÇÃO DADA PELOS ARTS. 4º E 5º, DA LEI N. 11.787/2008) FRENTE AO ART. 17 DA LEI 11.033/2004 COMPROVADA PELOS CRITÉRIOS CRONOLÓGICO, DA ESPECIALIDADE E SISTEMÁTICO. ART. 20, DA LINDB. CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS INDESEJÁVEIS DA CONCESSÃO DO CREDITAMENTO. 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: Súmula Vinculante n. 58/STF: “Inexiste direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, o que não contraria o princípio da não cumulatividade”; Repercussão Geral Tema n. 844: “O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero”. 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto- Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Isto porque a vedação para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (creditamento), além de ser norma específica contida em outros dispositivos legais - arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 (critério da especialidade), foi republicada posteriormente com o advento dos arts. 4º e 5º, da Lei n. 11.787/2008 (critério cronológico) e foi referenciada pelo art. 24, §3º, da Lei n. 11.787/2008 (critério sistemático). Fl. 515DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 11 4. Nesse sentido, inúmeros precedentes da Segunda Turma deste Superior Tribunal de Justiça que reconhecem a plena vigência dos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, dada a impossibilidade cronológica de sua revogação pelo art. 17, da Lei n. 11.033/2004, a saber: [...] 5. Também a douta Primeira Turma se manifestava no mesmo sentido, antes da mudança de orientação ali promovida pelo AgRg no REsp. n. 1.051.634 / CE, (Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Regina Helena Costa, julgado em 28.03.2017). [...] 6. O tema foi definitivamente pacificado com o julgamento dos EAREsp. n. 1.109.354 / SP e dos EREsp. n. 1.768.224 / RS (Primeira Seção, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgados em 14.04.2021) estabelecendo-se a negativa de constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (negativa de creditamento). 7. Consoante o art. 20, do Decreto-Lei n. 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB): "[...] não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão". É preciso compreender que o objetivo da tributação monofásica não é desonerar a cadeia, mas concentrar em apenas um elo da cadeia a tributação que seria recolhida de toda ela caso fosse não cumulativa, evitando os pagamentos fracionados (dupla tributação e plurifasia). Tal se dá exclusivamente por motivos de política fiscal. 8. Em todos os casos analisados (cadeia de bebidas, setor farmacêutico, setor de autopeças), a autorização para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica, além de comprometer a arrecadação da cadeia, colocaria a Administração Tributária e o fabricante trabalhando quase que exclusivamente para financiar o revendedor, contrariando o art. 37, caput, da CF/88 -princípio da eficiência da administração pública - e também o objetivo de neutralidade econômica que é o componente principal do princípio da não cumulatividade. Ou seja, é justamente o creditamento que violaria o princípio da não cumulatividade. 9. No contexto atual de pandemia causada pela COVID - 19, nunca é demais lembrar que as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS possuem destinação própria para o financiamento da Seguridade Social (arts. 195, I, "b" e 239, da CF/88), atendendo ao princípio da solidariedade, recursos estes que em um momento de crise estariam sendo suprimidos do Sistema Único de Saúde - SUS e do Programa Seguro Desemprego para serem direcionados a uma redistribuição de renda individualizada do fabricante para o revendedor, em detrimento de toda a coletividade. A função social da empresa também se realiza através do pagamento dos tributos devidos, mormente quando vinculados a uma destinação social. 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: Fl. 516DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 12 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. [...] (REsp 1894741 RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2022, DJe 05/05/2022) (REsp 1895255 RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2022, DJe 05/05/2022)” (grifo nosso) O referido Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação Fl. 517DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.391 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901830/2016-05 13 prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). Assim, tendo em vista o entendimento manifestado no acórdão acima, o qual adoto como razões de decidir e a vedação no desconto de créditos da COFINS não cumulativa prevista nos arts. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.833, de 2003 e nº 10.637, de 2002, c/c o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei, a glosa dos créditos descontados sobre despesas com fretes na operação de vendas de produtos sujeitos à tributação monofásica/concentrada, efetuada pela Fiscalização, deve ser mantida. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges Fl. 518DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10314.720353/2019-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2015 LANÇAMENTO DE IPI. COBRANÇA. DIFERENÇA. Cabe o lançamento de ofício para cobrar a diferença de imposto que deixou de ser declarado e recolhido entre o que foi destacado em nota fiscal e/ou registrado no Livro de Registro da Apuração do IPI e o informado em DCTF. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIDO. Em vista do novo limite de alçada e estando o valor exonerado abaixo desse limite entendo por não conhecer do RO da recorrente POLIPRINT. Aplica-se Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023: RECURSO DE OFÍCIO.RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. CONHECIDO. Em vista do novo limite de alçada e estando o valor exonerado acima desse limite entendo por conhecer do RO quanto aos responsáveis solidários. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA. SÚMULA CARF Nº 108 Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). DA REDUÇÃO DO PATAMAR DA MULTA DE OFÍCIO.VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROIBIÇÃO DE CONFISCO. Ao CARF é vedado analisar alegações de violação a princípios constitucionais por força da Súmula nº 02. PEDIDO DE APLICAÇÃO DO ART. 112, IV DO CTN.INAPLICABILIDADE. A legislação incidente não deixa qualquer dúvida quanto à penalidade aplicável, tendo estabelecido critérios objetivos, de modo que inaplicável o art. 112, IV do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS.INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem o requisito de indicação do perito, de acordo com o inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. PERÍCIA - DESNECESSIDADE Não restando comprovada a sua necessidade e os requisitos a ela ensejadores, a perícia não se justifica.
Numero da decisão: 3301-014.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio relativo à POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA, em conhecer dos recursos de ofício relativos aos responsáveis solidários e, no mérito, negar-lhes provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários dos responsáveis tributários e conhecer parcialmente do recurso voluntário da POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA para rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Rachel Freixo Chaves votaram pelas conclusões em relação à solidariedade. Sala de Sessões, em 11 de fevereiro de 2025. Assinado Digitalmente Márcio José Pinto Ribeiro – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Aniello Miranda Aufiero Junior, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: MARCIO JOSE PINTO RIBEIRO

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E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA.E FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2015 LANÇAMENTO DE IPI. COBRANÇA. DIFERENÇA. Cabe o lançamento de ofício para cobrar a diferença de imposto que deixou de ser declarado e recolhido entre o que foi destacado em nota fiscal e/ou registrado no Livro de Registro da Apuração do IPI e o informado em DCTF. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIDO. Em vista do novo limite de alçada e estando o valor exonerado abaixo desse limite entendo por não conhecer do RO da recorrente POLIPRINT. Aplica-se Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023: RECURSO DE OFÍCIO.RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. CONHECIDO. Em vista do novo limite de alçada e estando o valor exonerado acima desse limite entendo por conhecer do RO quanto aos responsáveis solidários. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA. SÚMULA CARF Nº 108 Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). DA REDUÇÃO DO PATAMAR DA MULTA DE OFÍCIO.VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROIBIÇÃO DE CONFISCO. Ao CARF é vedado analisar alegações de violação a princípios constitucionais por força da Súmula nº 02. PEDIDO DE APLICAÇÃO DO ART. 112, IV DO CTN.INAPLICABILIDADE. Fl. 564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 2 A legislação incidente não deixa qualquer dúvida quanto à penalidade aplicável, tendo estabelecido critérios objetivos, de modo que inaplicável o art. 112, IV do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS.INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem o requisito de indicação do perito, de acordo com o inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. PERÍCIA - DESNECESSIDADE Não restando comprovada a sua necessidade e os requisitos a ela ensejadores, a perícia não se justifica. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio relativo à POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA, em conhecer dos recursos de ofício relativos aos responsáveis solidários e, no mérito, negar-lhes provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários dos responsáveis tributários e conhecer parcialmente do recurso voluntário da POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA para rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Rachel Freixo Chaves votaram pelas conclusões em relação à solidariedade. Sala de Sessões, em 11 de fevereiro de 2025. Assinado Digitalmente Márcio José Pinto Ribeiro – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Fl. 565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 3 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Aniello Miranda Aufiero Junior, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) RELATÓRIO Por bem retratar os fatos adoto e transcrevo excertos do relatório da decisão recorrida: 1. Versa o presente processo sobre auto de infração de IPI com valor total de Crédito Tributário de R$25.285.692,83, fls.64/71. 2. A motivação da autuação foi a seguinte: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI - DEMAIS PRODUTOS INFRAÇÃO: FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS (COM PARTE DO VALOR RECOLHIDO) 3. De acordo com Termo de Verificação Fiscal, fls.51/62 (..) Em 31/01/2019, o sujeito passivo foi intimado a apresentar: A ECD (Escrituração Contábil Digital), ECF (Escrituração Contábil Fiscal), EFD e SPED-CONTRIBUIÇÕES, enviá-las ao SPED referente ao ano-calendário 2015. (...) O sujeito passivo não encaminhou nenhum expediente até a data de lavratura do Termo de Verificação Fiscal. (...) Importante ressaltar que o contribuinte, em relação ao ano-calendário 2014, foi intimado nos mesmos moldes dos Termos de Intimação Fiscal supracitados e quedou-se inerte não transmitindo os arquivos EFD, ECD, ECF E SPED- CONTRIBUIÇÕES ao ambiente nacional do SPED, ensejando a constituição do crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal nº 10314.720.008/2019-24. Do IPI (IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS) Ação Fiscal teve como objeto verificar a insuficiência de declaração e recolhimento do IPI e os confessados em DCTF no ano de 2015, uma vez que o contribuinte não apresentou o SPED EFD, escrituração fiscal digital, na qual constam as informações referentes à apuração do IPI. Da análise das notas fiscais emitidas pelo contribuinte e das notas tendo o mesmo como destinatário (PARTICIPANTE), foi possível apurar os créditos e débitos do IPI Fl. 566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 4 e constar divergência com o valor do DARF ALOCADO. O valor total do IPI (IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS) alocado de conformidade com os DARFs importa R$ 629.917,02, ao passo que, no levantamento efetuado das notas fiscais, o valor do débito é de R$ 7.615.402,56, conforme quadro de fls.55. O valor de R$ 7.615.402,56 encontra-se demonstrado na planilhas CRÉDITOS DE IPI, DÉBITOS DE IPI e DCTF DARF anexas ao processo. (...) Portanto, uma vez que o contribuinte foi intimado e reintimado a transmitir o SPED EFD e não o tendo feito até a lavratura do presente termo de verificação fiscal, todos os elementos e dados usados para a constituição do crédito tributário referente ao IPI (IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS) foram extraídos do SPED NFE. (...) Assim, uma vez que a fiscalizada quedou-se inerte, configura fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no art. 44, §1º e § 2º, incisos I e II, da Lei nº 9.430 de 1996, que assim dispõe: (...) A base legal para a qualificação da multa são os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964. (...) Ressalte-se que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de1964. No presente trabalho, as condutas dos dirigentes da fiscalizada se amoldam perfeitamente ao tipo legal capitulado no art. 72 supra, razão pela qual será aplicada a multa qualificada, prevista no Art; 44, § 1°, da Le i nº 9.430/96 (com a redação da Lei nº 11.488, de 2007). Pelas condutas praticadas pelos dirigentes da fiscalizada, entendemos que os mesmos também infringiram o Inciso II, Art. 1º e Inciso I, Art. 2º da Lei 8.137/90, conforme redação abaixo: (...) Repisando, uma vez que o sujeito passivo quedou-se inerte, configura-se fato suficiente para justificar a penalidade na forma prevista no art. 44, §2º, inciso I, da Lei nº 9.430 de 1996, que assim dispõe: (...) DA SOLIDARIEDADE De acordo com o disposto acima, verificamos que os sócios administradores, Roberto Takashi Ikuno, CPF: 689.691.988-49, Shogoro Ykuno, CPF: 259.407.168- 49, Eduardo Yutaka Ikuno, CPF: 006.168.398-12 e Abel Felipe Ortega, CPF: Fl. 567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 5 879.046.248-34, conforme ficha cadastral JUCESP anexa, respondem pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder. Ficou demonstrado, de acordo com o exposto no presente termo, que os administradores da empresa POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA. à época da ocorrência dos fatos, cometeram fraude elencada no item 2, quando confessou, em DCTF, valores do IPI inferiores aos que deveriam ser confessados. Com isso, o mesmo infringiu o Art. 72 da Lei nº 4.502/64 e o Inciso II,Art. 1º e Inciso I, Art. 2º da Lei 8.137/90, uma vez que reduziu, de forma fraudulenta, os valores a recolher do IPI. (...) 5. Tendo tomado ciência do lançamento em 02/07/2019, fls.77, o contribuinte apresentou impugnação em 18/07/2019, fls.93/150, alegando que: DA FISCALIZAÇÃO SER FEITA POR DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE OUTRA JURISDIÇÃO FISCAL Embora possua domicílio tributário/fiscal na Cidade de Guarulhos, Estado de São Paulo, foi fiscalizada pela Delegacia Especial de Fiscalização de Comércio Exterior e Indústria - DELEX, que fica na Avenida Celso Garcia nc 3.580, 5º andar, Tatuapé - São Paulo/SP. DA APLICAÇÃO INDEVIDA DA MULTA QUALIFICADA E DE SEU AGRAVAMENTO A aplicação da multa de ofício qualificada e seu agravamento, no percentual de 225% (duzentos vinte e cinco por cento) somente se justifica nas situações em que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n 4.502764, fato este que não ocorreu na espécie. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Ao acessar o e-processo n° 10314.720353/2019-46 teve conhecimento do arquivo de planilhas, que se encontra sem numeração e em formato EXCEL o qual não foi dado ciência de sua existência a contribuinte em flagrante desrespeito ao direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. Percebe-se assim que a fiscalização inseriu esse arquivo "às escondidas", sem dar o devido conhecimento à parte interessada, unicamente com o objetivo de dar veracidade aos valores utilizados como base de cálculo para a autuação. Importa ressaltar que, dentro do processo administrativo, é indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual. (...) MÉRITO DO NÃO CABIMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE IPI Fl. 568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 6 As operações industriais e comerciais da POLIPRINT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA., se resumiam na aquisição de matérias-primas das empresas BRASKEM (POLIETILENO ALTA DENSIDADE -NCM's 390112029 e 3901111010, à alíquota de IPI de 5% (cinco por cento), ÁLCOOL ST A. CRUZ (SOLVENTE - NCM 38140090) à alíquota de 10% (dez por cento) e OLDFLEX (THINNER - NCM 30140090) à alíquota de 10% (dez por cento) e às vendas de produtos acabado (SACOLAS DE MATERIAL PLÁSTICO - NCM 39232110) á alíquota de 15% (quinze por cento). Por se tratar de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, a fiscalização para apurar o valor tributável do tributo deveria ter efetuado planilha demonstrativa mensal, com base nas GIAs do Fisco Estadual, já que nessas guias, seguramente, estão demonstradas as notas fiscais de entradas e saídas. (...) DO PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO IPI E O DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO DE IPI NA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO (IPI) (...) Por se tratar de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, a fiscalização para apurar o valor tributável do tributo deveria ter feito a planilha demonstrativa mensal, com base nas GIA's do Fisco Estadual, já que nessas guias, seguramente, estariam demonstradas os vaiores das notas fiscais de entradas e saídas. (...) Nos autos constam somente planilhas preenchidas pelo Fisco, as quais, por não constarem o código chave das e-nfs, imprescindíveis para validação dos dados e autenticidade da e-nf, não servem para a base de cálculo do valor tributável. Esperava-se que a fiscalização separasse os produtos, de acordo com o NCM e alíquotas, para constituir o crédito tributário e, por isso dispunha de instrumentos e programas de fiscalização capazes de identificá-los e segregando de acordo com o tipo do produto, o que não foi feito, talvez por pura preguiça ou desconhecimento da legislação tributária, que por si só denota que o crédito constituído é considerado incerto, ilíquido e, portanto, indevido. Além de que, nessa autuação não foram considerados na apuração do valor tributável do IPI, as vendas com suspensão de IPI, notas fiscais de devolução e notas de entradas, apesar da expressa menção na legislação tributária que tais valores reduzem a base de cálculo do tributo. (...) Requer-se o cancelamento do auto de infração de IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI, e o arquivamento do processo administrativo fiscal, protestando-se provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente apresentação de demonstrativos, extratos, declarações, Fl. 569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 7 documentos, inclusive perícias, diligencias, vistorias, aditamentos, juntada de documentos e, as que mais se fizerem necessárias. DA SOLIDARIEDADE 6. A defesa apresentada pelos responsáveis solidários Roberto Takashi Ikuno, Shogoro Ykuno, Eduardo Yutaka Ikuno, fls.93/161, fls.303/320, fls.321/338, de acordo com a autuação, sócios administradores à época da ocorrência dos fatos infracionais ora imputados, em resumo tratou dos seguintes aspectos: Não foi formalmente informado da fiscalização, mas tão somente da autuação nomeando-o solidário, cerceando assim sua defesa. Descabe a responsabilidade de ex-sócio. A solidariedade só caberia entre sujeitos que figurassem no mesmo pólo de relação obrigacional. Deve existir ainda um interesse jurídico. Só poderá subsistir a responsabilidade solidária quando todos os sujeitos passivos houverem realizado conjuntamente o fato gerador. É o relatório. A 3ª Turma da DRJ/BE, em sessão datada de 12 de maio de 2020 por unanimidade de votos, julgou por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o Crédito Tributário, em razão da retirada da qualificação e agravamento da multa, restabelecendo a mesma ao patamar de 75%. conforme o Acórdão nº 01-37.963. Foram cientificados do Acórdão de Impugnação: POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA ciência em 01/09/2020 Shogoro Ykuno, CPF: 259.407.168-49 - ciência:06/10/2020 Roberto Takashi Ikuno, CPF: 689.691.988-49 - ciência: 07/10/2020 Eduardo Yutaka Ikuno, CPF: 006.168.398-12 - ciência: 02/10/2020 Abel Felipe Ortega, CPF: 879.046.248-34 - ciência:.02/10/2020 Cientificados do Acórdão de Impugnação interpuseram Recurso Voluntário Shogoro Ykuno, Roberto Takashi Ikuno, Eduardo Yutaka e Ikuno , POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA todos em 25/09/2020 e Abel Felipe Ortega em 30/09/2020 onde alegam que: Shogoro Ykuno, alega que : DO INTERESSE RECURSAL DA OMISSÃO DA PARTE DISPOSITIVA DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA (...) IMPOSSIBILIDADE DE INSERÇÃO DO IMPUGNANTE COMO RESPONSÁVEL. NÃO PREENCHIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS Fl. 570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 8 (...) Ante o todo acima exposto e considerando as nulidades que maculam o lançamento, tal como efetuado, requer seja julgado totalmente improcedente o presente Termo de Sujeição Passiva face a Inexistência de Provas para imputação e seu cabimento de Responsabilidade Solidária do Recorrente, vez que não houve participação do fato gerador tributável, quiçá, obteve qualquer benefício, muito menos agiu com excesso de poderes até mesmo porque não compunha o quadro societário da empresa, donde se apresenta repudiável considerá-lo solidariamente responsável por atos que não lhe competia diverso da situação jurídica que participou nos termos dos Artigos 124, inciso I do CTN, aplicando-se o artigo 112 do Código tributário nacional. Roberto Takashi Ikuno, alega que: Da Ilegitimidade da Parte deste Recorrente Em que pese a Fiscalização tenha incluído o Recorrente pelo simples fato de ser sócio, o que fora revertido pela r. decisão de primeira instância, contudo, não conta em sua parte dispositiva, motivo pelo qual interpõe o presente recurso. (...) DO INTERESSE RECURSAL DA OMISSÃO DA PARTE DISPOSITIVA DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA (...) IMPOSSIBILIDADE DE INSERÇÃO DO IMPUGNANTE COMO RESPONSÁVEL. NÃO PREENCHIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. (...) Ante o todo acima exposto e considerando as nulidades que maculam o lançamento, tal como efetuado, requer seja julgado totalmente improcedente o presente Termo de Sujeição Passiva face a Inexistência de Provas para imputação e seu cabimento de Responsabilidade Solidária do Recorrente, vez que não houve participação do fato gerador tributável, quiçá, obteve qualquer benefício, muito menos agiu com excesso de poderes até mesmo porque não compunha o quadro societário da empresa, donde se apresenta repudiável considerá-lo solidariamente responsável por atos que não lhe competia diverso da situação jurídica que participou nos termos dos Artigos 124, inciso I do CTN, aplicando-se o artigo 112 do Código tributário nacional. Eduardo Yutaka Ikuno alega que: DO INTERESSE RECURSAL DA OMISSÃO DA PARTE DISPOSITIVA DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA (...) Fl. 571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 9 IMPOSSIBILIDADE DE INSERÇÃO DO IMPUGNANTE COMO RESPONSÁVEL. NÃO PREENCHIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. (...) Ante o todo acima exposto e considerando as nulidades que maculam o lançamento, tal como efetuado, requer seja julgado totalmente improcedente o presente Termo de Sujeição Passiva face a Inexistência de Provas para imputação e seu cabimento de Responsabilidade Solidária do Recorrente, vez que não houve participação do fato gerador tributável, quiçá, obteve qualquer benefício, muito menos agiu com excesso de poderes até mesmo porque não compunha o quadro societário da empresa, donde se apresenta repudiável considerá-lo solidariamente responsável por atos que não lhe competia diverso da situação jurídica que participou nos termos dos Artigos 124, inciso I do CTN, aplicando-se o artigo 112 do Código tributário nacional. Abel Felipe Ortega alega que: DA ILEGITIMIDADE DA PARTE RECORRENTE DO INTERESSE RECURSAL DA OMISSÃO DA PARTE DISPOSITIVA DA R. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA DA IMPOSSIBILIDADE DE INSERÇÃO DO IMPUGNANTE COMO RESPONSÁVEL. NÃO PREENCHIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA em 25/09/2020 onde alega em síntese que: Da Nulidade do Auto de Infração Da ausência de recolhimento de IPI Do não cabimento do Auto de Infração de IPI Da impossibilidade de incidência de juros de mora sobre as multas de ofício Da redução dos patamares das multas de ofício Da imparcialidade deste julgamento Observa-se que o recorrente Abel Felipe Ortega não apresentou impugnação nesse processo motivo pelo qual seu recurso está precluso. É o relatório. VOTO Conselheiro Márcio José Pinto Ribeiro, Relator Fl. 572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 10 1 ADMISSIBILIDADE Não conheço do Recurso de Ofício da POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA em vista do valor exonerado abaixo do limite estabelecido na Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023. Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento de Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Conheço do recurso de ofício com referência aos responsáveis solidários por estar acima do valor determinado na Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023. Por concordar com os fundamentos do acórdão recorrido em razão da retirada da qualificação e agravamento da multa, restabelecendo a mesma ao patamar de 75%.adoto esses fundamentos para negar provimento ao recurso de ofício quanto aos responsáveis solidários. Não conheço dos recursos voluntários dos responsáveis solidários que impugnaram o Auto de Infração. Constata-se que foi afastada a responsabilidade solidária pela decisão recorrida Quanto ao responsável solidário Abel Felipe Ortega por não ter impugnado entendo pelo não conhecimento do seu Recurso voluntário posto que precluso. Ademais entendo que a solidariedade não seja matéria de ordem pública que permita seu conhecimento de ofício. O recurso voluntário da POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA é tempestivo posto que tomou ciência do acórdão de impugnação em 01/09/2020 e protocolizou recurso voluntário em 25/09/2020 assim tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade , portanto, dele tomo conhecimento. 2 PRELIMINAR 2.1 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Alega a recorrente que: O artigo 37 caput da Carta Magna exige como pressuposto de eficácia e validade de todo e qualquer ato administrativo a moralidade, impessoalidade e a legalidade , isto é, a prática do ato sempre de acordo com a previsão legal; legalidade esta que é inarredável no direito tributário em face da estrita vinculação e regramento de todos os atos à lei. (...) Fl. 573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 11 Inexistindo justa causa para a lavratura do auto de infração sob impugnação, ilegítimo e nulo se apresenta a proposta de lançamento que ora se hostiliza, cuja pretensão está eivada de nulidade absoluta, imprestabilizando por completo a exação fiscal. Isto porque, conforme já narrado a presente autuação tem como embasamento a verificar os recolhimentos de IPI no ano calendário de 2017, vez que fora listado na Regra de Seleção de IPI. Ocorre que, tais disposições na autuação não refletem a realidade, haja vista que: por primeiro os valores de IPI foram devidamente escriturado com a apresentação de notas fiscais e planilhas esclarecedoras, não cabendo a fiscalização realizar uma análise subjetiva ou até mesmo superficial de todos os documentos apresentados pela empresa; por segundo, não foi dado acesso a Recorrente ao arquivos de planilhas que se encontram no e-processo n.° 10314.720353/2019-46, acarretando nulidade por cerceamento de defesa. (...) A decisão recorrida assim se posicionou: 8. O Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 59 dispõe sobre os casos de nulidade: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 9. Vê-se que as questões apresentadas na defesa não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a incompetência de que trata o inciso I e não ocorreu a hipótese de preterição do direito de defesa contida no inciso II. Portanto, não há qualquer nulidade no trabalho fiscal, como veremos no voto a seguir. 10. No que concerne às jurisprudências invocadas há que ser esclarecido que as decisões administrativas e judiciais, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. 11. Quanto às doutrinas transcritas, cabe esclarecer que mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. (...) Fl. 574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 12 13. Novamente cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifou-se). 14. Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (...) 17. Além disso, nenhuma irregularidade pode ser atribuída ao procedimento fiscal, tendo inclusive o contribuinte tomado ciência regular do Termo de Intimação Fiscal n°1, fls.09, respondendo à esta intimação às fls.10; tomando ciência do Termo de Reintimação Fiscal, fls.25, respondendo a esta segunda intimação, fls.28/30, e finalmente sendo autuado às fls.51/72, com ciência regular às fls.77. 18. Como vimos, não houve qualquer mácula que gerasse nulidade por incompetência ou ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa, sendo conferida ao contribuinte a plena oportunidade de apresentar os documentos solicitados durante a fiscalização, assim como de defender-se da autuação pela produção de sua impugnação, agora em análise. 19. Continuando no tema ampla defesa, o contribuinte faz menção a um arquivo em excel da seguinte maneira: teve conhecimento do arquivo de planilhas, que se encontra sem numeração e em formato EXCEL o qual não foi dado ciência de sua existência a contribuinte em flagrante desrespeito ao direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. 20. Esclarecemos que as planilhas citadas no Termo de Verificação Fiscal (CRÉDITOS DE IPI, DÉBITOS DE IPI e CRÉDITOS DCTF), que orientaram a autuação, constam do bojo do processo às fls.45/50, conferindo ao contribuinte a plena oportunidade de dizer que um determinado valor contido na discriminação das notas fiscais ou nas DCTFs apresentadas, não estaria de acordo com a realidade. Fl. 575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 13 21. A mera tentativa de desqualificar a totalidade do trabalho fiscal, sem sequer fazer um questionamento a um dos documentos relacionados, ou mesmo apresentar um documento probante, não é passível de reverter a constatação pormenorizadamente demonstrada pela fiscalização nas citadas planilhas, fls.45/50. CONSTITUCIONALIDADE 22. Argüições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, inclusive violações aos direitos fundamentais, constituem matéria que não pode ser apreciada no âmbito deste Processo Administrativo. Somente o Judiciário é competente para julgá-la, nos termos da Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Assim, não podem tais arguições ser utilizadas como fundamento no presente julgamento. Entendo acertada a decisão recorrida e adoto seus fundamentos como razão de decidir. Aprecio, Rejeito a preliminar. 2.2 BENEFICIO "IN DUBIO CONTRA FISCUM" Alega a recorrente que: O artigo 112 do Código Tributário Nacional expõe um dos princípios mais importantes contra a atuação abusiva do Fisco, que prescreve exemplificadamente algumas situações "in dúbio contra fiscum", assim se manifestando: Artigo 112: A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: Inciso H - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. A lei em questão é a mais clara possível, estabelecendo que no caso de dúvidas a interpretação será sempre em favor do contribuinte, desrespeitando "in totum" a Autoridade Pública este princípio inerente às normas "stricto sensu", que andam em conjunto com o princípio da reserva legal. (...) Assim, sempre que houver dúvida quanto ã formação de uma ideia, deverá a mesma sempre pender para o lado favorável do contribuinte, que é e sempre será a parte mais fraca na relação Fisco - Contribuinte. Aprecio, Fl. 576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 14 Não assiste razão à recorrente. não se demonstrou nesse tópico quais dúvidas pairam sobre o lançamento da multa de ofício. Entendo que no caso concreto não se observa qualquer dúvida na fundamentação aplicada pelo acórdão recorrido na imposição da multa de ofício. Rejeito a preliminar. 3 MÉRITO 3.1 RECURSO VOLUNTÁRIO POLIPRINT 3.1.1 DA AUSÊNCIA DE INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IPI Alega a recorrente que: A autuação que ora se impugna dispõe que , supostamente fora verificado a insuficiência de recolhimento de IPI, entre os valores confessados em DCTF (colacionamos resumo abaixo) , onde constam débitos, ao passo que, do levantamento efetuado nas notas fiscais, verificou-se valor de débito autuado no valor de R$ 25.285.692,83, fls.64/71. Contudo, tal assertiva não merece prosperar. Isso porque, o Auditor Fiscal sequer teve acesso ao Livro Registro de Entradas (mod. 01), Livro Registro de Saídas (mod. 02) e o Livro Registro de Apuração de IPI (mod. 08) documentos estes consignados no SPED FISCAL da empresa, mas apenas como constante no relatório, se baseou integralmente no SPED-NFE (parte do Sped destinado as notas fiscais). Assim, vemos que a situação está calcada em meras presunções, vez que não como efetivamente levantar que que o estabelecimento industrial deixou de escriturar os débitos lançados em suas notas fiscais de saída. A decisão recorrida se manifestou: DA AUTUAÇÃO 23. Conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal e nos documentos a que este faz referência, o sujeito passivo foi intimado e reintimado a apresentar a ECD (Escrituração Contábil Digital), ECF (Escrituração Contábil Fiscal), EFD - ICMS/ IPI e SPED-CONTRIBUIÇÕES, enviá-las ao SPED e também entregá-la em meio magnético à AV. CELSO GARCIA, 3.580 – 5°ANDAR – SÃO PAULO – SP, aos cuidados do AFRFB HAROLDO LUIZ DA SILVA LIMA. 24. Porém, conforme foi descrito no relatório fiscal, o sujeito passivo não encaminhou nenhum expediente a lavratura da autuação. Fl. 577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 15 25. Como vemos, ao contrário do que foi alegado, a autoridade fiscal solicitou reiteradamente, os documentos fiscais que poderiam servir como elemento de prova em favor do próprio contribuinte, se apresentados. 26. Observa-se que a autoridade fiscal não mediu esforços para obter os documentos necessários para levar adiante o procedimento fiscal, inclusive reintimando e diligenciando junto à empresa e, apesar de todo o tempo que a contribuinte dispôs, esta não apresentou a escrituração requisitada, levando a autoridade fiscal a proceder ao lançamento do IPI tendo como base os elementos e dados extraídos do SPE NFE (Nota Fiscal Eletrônica). 27. O contribuinte afirma que não foram considerados pela fiscalização os créditos adquiridos na entrada dos produtos, porém não apresenta qualquer documento fiscal que comprove sua versão. Sobre este ponto a fiscalização descreveu exatamente o contrário, como é possível compreender do seguinte excerto do Termo de Verificação Fiscal: Da análise das notas fiscais emitidas pelo contribuinte e as notas tendo o mesmo como destinatário, foi possível apurar os créditos e débitos do IPI e constatar divergência com o valor do DARF alocado. O valor total do IPI alocado de conformidade com os DARFs importa em R$629.917,02, ao passo que, no levantamento efetuado das notas fiscais, o valor do débito é de R$7.615.402,56. 28. Não houve qualquer contestação específica em relação aos valores levados à tributação e também não se verifica qualquer irregularidade no procedimento adotado pela fiscalização. Da mesma forma não procede o argumento de que o auto de infração foi gerado equivocadamente e que a fiscalização deveria basear- se nas GIAs do Fisco Estadual para apurar o valor tributável. A fiscalização realizou o cômputo do valor devido e não recolhido a partir das informações prestadas pela contribuinte através do Sistema Publico de Escrituração - NF-e. Entendemos que o uso destas informações é um caminho perfeitamente válido para determinar a infração cometida, não sendo obrigatória a observação do que a contribuinte informou ao Fisco Estadual para que se conclua a fiscalização do IPI. 29. Ademais, a impugnante não se encarregou de demonstrar documentalmente qualquer erro cometido na autuação. A menção que faz sobre a necessidade de observação do que consta em seus livros fiscais ou contábeis, penderia em seu favor se apresentasse os mesmos, e embasada em documentos hábeis que corroborassem seu conteúdo, comprovasse o cometimento de algum erro supostamente cometido pela fiscalização. 30. Afirma ainda a contribuinte que: o lançamento deveria ter sido feito, por Nota Fiscal, com identificação do produto (NCM) e correspondente alíquota fixada na TIPI para cada um deles, por ser este imposto incidente sobre produtos industrializados, com à anexação aos autos das notas fiscais de saída emitidas, o qual não foi feita. Fl. 578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 16 31. O extrato que apresentamos abaixo demonstra de forma cristalina que a planilha fornecida ao contribuinte contém todos os elementos necessários a embasar a autuação, assim como a rebatê-la documentalmente: (...) 32. Na imagem acima consta o cabeçalho e apenas a primeira linha da planilha, mas o arquivo contém 3161 linhas de notas fiscais de saída, todas contendo as informações como acima detalhado. Decai assim a alegação de cerceamento do direito de defesa, posto que o contribuinte tem o pleno acesso às informações que embasaram a autuação, e que ao invés de apresentar provas documentais, limita-se a tentar desqualificar as provas que embasaram a autuação. Entendo acertada a decisão recorrida e adoto seus fundamentos como razão de decidir. Aprecio, Não assiste razão à recorrente. 3.1.2 DO NÃO CABIMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE IPI Repisa a recorrente argumentos já parcialmente ventilados no tópico anterior aduzindo que: Por se tratar de Imposto sobre Produtos Industrialializados- IPI, a fiscalização para apurar o valor tributável do tributo deveria ter efetuado planilha demonstrativa mensal, com base nas GIAs do Fisco Estadual, já que nessas guias, seguramente, estão demonstradas as notas fiscais de entradas e saídas. (...) Vê-se, assim, que a fixação de base tributável e alíquota única foram feitas por presunção, sem qualquer fundamentação legal, visto que, por se tratar de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, o lançamento deveria ter sido feito, por Nota Fiscal, com identificação do produto (NCM) e correspondente alíquota fixada na TIPI para cada um deles, por ser este imposto incidente sobre produtos industrializados, com à anexação aos autos das notas fiscais de saída emitidas. (...) Assim, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável deve ser clara e precisa, bem como assegurar-lhe o direito de ampla defesa, previsto de modo taxativo em nosso Estado de Direito vigente desde a Constituição Federal de 1988, pois o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. Não se pode efetuar lançamentos imprecisos ou mal fundamentados para, na fase de julgamento, aperfeiçoá-los com novos argumentos e nova fundamentação. Consta do acórdão recorrido como transcrito no tópico anterior que: Fl. 579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 17 28. Não houve qualquer contestação específica em relação aos valores levados à tributação e também não se verifica qualquer irregularidade no procedimento adotado pela fiscalização. Da mesma forma não procede o argumento de que o auto de infração foi gerado equivocadamente e que a fiscalização deveria basear- se nas GIAs do Fisco Estadual para apurar o valor tributável. A fiscalização realizou o cômputo do valor devido e não recolhido a partir das informações prestadas pela contribuinte através do Sistema Publico de Escrituração - NF-e. Entendemos que o uso destas informações é um caminho perfeitamente válido para determinar a infração cometida, não sendo obrigatória a observação do que a contribuinte informou ao Fisco Estadual para que se conclua a fiscalização do IPI. 29. Ademais, a impugnante não se encarregou de demonstrar documentalmente qualquer erro cometido na autuação. A menção que faz sobre a necessidade de observação do que consta em seus livros fiscais ou contábeis, penderia em seu favor se apresentasse os mesmos, e embasada em documentos hábeis que corroborassem seu conteúdo, comprovasse o cometimento de algum erro supostamente cometido pela fiscalização. 30. Afirma ainda a contribuinte que: o lançamento deveria ter sido feito, por Nota Fiscal, com identificação do produto (NCM) e correspondente alíquota fixada na TIPI para cada um deles, por ser este imposto incidente sobre produtos industrializados, com à anexação aos autos das notas fiscais de saída emitidas, o qual não foi feita. 31. O extrato que apresentamos abaixo demonstra de forma cristalina que a planilha fornecida ao contribuinte contém todos os elementos necessários a embasar a autuação, assim como a rebatê-la documentalmente: (...) 32. Na imagem acima consta o cabeçalho e apenas a primeira linha da planilha, mas o arquivo contém 3161 linhas de notas fiscais de saída, todas contendo as informações como acima detalhado. Decai assim a alegação de cerceamento do direito de defesa, posto que o contribuinte tem o pleno acesso às informações que embasaram a autuação, e que ao invés de apresentar provas documentais, limita-se a tentar desqualificar as provas que embasaram a autuação. Verifica-se que a recorrente assim como ocorreu na sua Impugnação persiste em não demonstrar documentalmente qualquer erro cometido na autuação. A menção que faz sobre a necessidade de observação do que consta em seus livros fiscais ou contábeis, penderia em seu favor se apresentasse os mesmos. Por outro lado não houve no feito inovação jurídica como alegado pela recorrente : “lançamentos imprecisos ou mal fundamentados para, na fase de julgamento, aperfeiçoá-los com novos argumentos e nova fundamentação”. No caso a fundamentação da decisão recorrida foi precisa mantendo parcialmente o Auto de Infração Fl. 580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 18 Entendo como acertada a decisão recorrida e adoto seus fundamentos como razão de decidir Aprecio, Não assiste razão à recorrente. 3.1.3 DAS MULTAS - CONFISCO (DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE AS MULTAS DE OFICIO). Alega a recorrente que: Em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, entende a Impugnante ser absolutamente descabido esse expediente ante a manifesta ausência de previsão legal, sendo certo que já foram proferidos diversos julgados no 'âmbito do Col. CARF nesse sentido (e.g.: Acórdão n. 103-23428, de 17/04/2008, da 1' Turma da Cãmara Superior; Acórdão n. CSRF/02- 03133, de sua 2 Turma, proferido em 06/05/2008). Com efeito, o artigo 61 da Lei n.9.430/96 é claro ao afirmar que apenas se sujeitam à incidência de juros os débitos referentes a tributos devidos pelo contribuinte. O parágrafo terceiro do dispositivo, por sua vez, esclarece que a SELIC incide, isto é, sobre os tributos somente, in verbis: (...) Neste sentido, uma vez confesso pela Impugnante as diferenças ensejadoras do crédito tributário apontado pelo Sr. Auditor Fiscal, totalmente incabível a aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento). Sendo assim, dúvidas não restam que no caso como este, o tributo foi auto- declarado pelo contribuinte, dessa forma o mesmo sujeita-se exclusivamente à multa de mora prevista na legislação de regência de 0,33% ao dia, não excedendo ao percentual de 20% (vinte por cento) sobre o valor do tributo. Assim, caso se entenda pela manutenção do auto de infração (ainda que em parte), é essencial que as multas sejam revistas e minoradas para.20%por este d. órgão Julga dor. A decisão recorrida assim se manifestou: CONSTITUCIONALIDADE 22. Argüições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, inclusive violações aos direitos fundamentais, constituem matéria que não pode ser apreciada no âmbito deste Processo Administrativo. Somente o Judiciário é competente para julgá-la, nos termos da Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Assim, não podem tais arguições ser utilizadas como fundamento no presente julgamento. Aplica-se a súmula CARF nº 108. Fl. 581DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 19 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Aprecio , Não conheço do recurso nesse ponto. 3.1.4 DA REDUÇÃO DOS PATAMARES DAS MULTAS DE OFÍCIO A recorrente alega que : Acerca das multas de oficio aplicadas no caso, essas também merecem revisão! Com efeito, veja-se que as multas cobradas nos Autos de Infração são excessivas e claramente possuem efeito confiscatório. (...) Paulo César Bania de Castilhos conclui que, embora multa não seja tributo, tanto a moratória quanto aquela por sonegação podem ser confiscatórias quando extrapolam os limites da razoabilidade e desvirtuam sua finalidade, uma vez que nossa Carta Política de 1988 veda tanto o confisco tributário (art. 150, inc. IV), quanto o confisco de forma geral (art. 50, inc.e art. 170, inc. II). Consta da decisão recorrida que: DA QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA 33. Em que pese decisão em sentido contrário desta mesma turma de julgamento, no processo N.10314.720008/2019-24 (Acórdão N.01-037.149), no presente processo entendemos que a melhor decisão é pela retirada da qualificação e agravamento da multa. 34. No que diz respeito a qualificação, assim dispõe art. 80, caput e § 6º, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964, com redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007, base legal da multa: "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. ....... § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: .............. II - duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. Fl. 582DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 20 ........" (grifou-se). 35. Por sua vez, o art. 71, I, do mesmo dispositivo entende como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ......." (grifou-se) 36. No caso sob exame, ao que consta dos autos, o sujeito passivo transmitiu via sistema NFE (Nota Fiscal Eletrônica), os dados referentes às suas operações de venda, o qual foi baixado pela Fiscalização e utilizado como parâmetro para a verificação e cálculo da infração. 37. Entende-se que, caso houvesse restado demonstrado que o contribuinte não efetuara a transmissão das informações relativas às suas, via Nota fiscal Eletrônica, as houvesse lançado em seus livros contábeis em sistemático desacordo com o seu real conteúdo ou quando tal conteúdo das Notas Fiscais Eletrônicas fosse comprovadamente inverídico, neste caso os fatos relatados poderiam ganhar contornos típicos. 38. Entretanto, a transmissão da NFE, contendo a totalidade do IPI incorrido em cada operação, descaracteriza intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, uma vez que, mesmo não tendo os débitos sido confessados em DCTF, os mesmos não foram omitidos da Fazenda, tanto é que embasaram a lavratura do presente auto. Assim, vota-se pela redução da multa de ofício para 75%, afastando a qualificação da mesma. 39. Quanto ao agravamento, fundamentado no mesmo art.80, da Lei N.4.502/64, o qual dispõe em seu parágrafo 7º . § 7º Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6º deste artigo serão aumentados de metade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. 40. Vimos que no presente caso, o contribuinte respondeu às intimações, e que, embora as informações prestadas pelo mesmo não tenham sido suficientes a aplacar a imposição da autuação, entendemos que de fato este prestou esclarecimentos, descabendo o agravamento da multa impingido. Como visto a decisão recorrida afastou a qualificação da multa . Fl. 583DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 21 Certo que a decisão recorrida reduziu a multa de ofício para 75% conforme a legislação aplicável ao caso. Quanto a argumentação para aplicação do princípio constitucional da vedação ao confisco aplica-se a súmula CARF Nº 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aprecio, Não conheço desse tópico do recurso . Aplica-se a Súmula CARF nº 2: 3.1.5 DA IMPARCIALIDADE DESTE JULGAMENTO A recorrente aponta que busca a verdade material e assim se manifesta: O julgamento deve ser formulado com base na acusação, defesa ou prova e para embasar ainda mais estas alegações, pede-se vênia para expor os ensinamentos da inesquecível obra do mestre HELY LOPES MEIRELLES, em Direito Administrativo, que assim nos ensina: DO JULGAMENTO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO: ...0 essencial é que a decisão seja motivada com base na acusação, na defesa e na prova, não sendo lícito à autoridade julgadora argumentar com fatos estranhos ao processo ou silenciar sobre as razões do acusado, porque isto equivale a cerceamento de defesa e conduzirá à nulidade do julgamento, que não é discricionário, mas vinculado ao devido procedimento legal. Realmente, se o julgamento de processo administrativo fosse discricionário, não haveria necessidade de procedimento, justificando-se a decisão como ato isolado de conveniência e oportunidade administrativa, alheio à prova e refratário a qualquer defesa do interessado. Aprecio, Não assiste razão à recorrente. A recorrente não aponta neste tópico quais os argumentos que não teriam sido analisados pela decisão recorrida. Aprecio , Não assiste razão à recorrente. Não se vislumbra parcialidade no feito. 3.1.6 PERÍCIA Ao final formula pedido de perícia: Ademais, caso seja o entendimento deste Nobre Julgador que seja reanalisada a documentação apresentada pela Impugnante, ou ainda se entender necessária que seja realizada perícia nos termos do artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72. Entendo por todo o exposto e discutido nos tópicos anteriores que é desnecessária a perícia visto que constam dos autos todos elementos necessários ao julgamento e ademais .O Fl. 584DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.394 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720353/2019-68 22 pedido de perícia não possui o requisito de indicação do nome, do endereço e a qualificação profissional do perito, o que seria suficiente ao seu indeferimento. Aprecio, não assiste razão à recorrente. 4 CONCLUSÃO Por todo o exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio da recorrente POLIPRINT e conhecer do recurso de ofício relativo aos responsáveis solidários , não conhecer do RV do responsável solidário Abel Felipe Ortega por precluso e dos demais responsáveis por ter havido a exclusão da responsabilidade solidária pelo acórdão recorrido, conhecer parcialmente do recurso voluntário da POLIPRINT IND. E COM. DE EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA para REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Márcio José Pinto Ribeiro Fl. 585DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 ADMISSIBILIDADE 2 PRELIMINAR 2.1 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 2.2 Beneficio "IN DUBIO CONTRA FISCUM" 3 MÉRITO 3.1 Recurso voluntário POLIPRINT 3.1.1 Da ausência de insuficiência de recolhimento de IPI 3.1.2 Do Não Cabimento Do Auto De Infração De IPI 3.1.3 DAS MULTAS - CONFISCO (Da Impossibilidade de incidência de juros de mora sobre as multas de oficio). 3.1.4 Da Redução dos patamares das multas de ofício 3.1.5 DA IMPARCIALIDADE DESTE JULGAMENTO 3.1.6 PERÍCIA 4 CONCLUSÃO

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Numero do processo: 10314.720703/2019-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2016 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Com a apresentação da impugnação pelo contribuinte é que instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, momento no qual o contribuinte deve aduzir todas suas razões de defesa, conforme dispõe os artigos 14 e 16, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo inovações nas matérias apresentadas em sede recursal, mas não alegadas em sede de primeira instância, pela defesa, não há que se admitir o Recurso Voluntário apresentado, sob pena de supressão de instância, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. Não configurada hipótese que autorize a apresentação de novos fundamentos na fase recursal, deve ser reconhecida a preclusão consumativa, com o não conhecimento do respectivo Recurso. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. MÉRITO NÃO FOI DISCUTIDO PELO CONTRIBUINTE. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto 70235/72. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Cabível a imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na hipótese de existência de processo pendente de julgamento, seja administrativa ou judicialmente, tendo como origem auto de infração ora lavrado com base na regra geral de qualificação, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. Recurso Voluntário conhecido em parte para, na parte conhecida, ser improvido. Redução, de ofício, da multa qualificada de 150% para 100%. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2016 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se à tributação reflexa da CSLL idêntica solução dada ao lançamento principal, do IRPJ, em face da estreita relação da causa e efeito. Recurso Voluntário conhecido em parte para, na parte conhecida, ser improvido. Redução, de ofício, da multa qualificada de 150% para 100%.
Numero da decisão: 1401-007.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte em que conhecido, negar-lhe provimento, mantendo o lançamento efetuado e a responsabilidade solidária e, de ofício, reduzir a multa qualificada de 150% para 100%, conforme o disposto na Lei nº 14.689/2023. Sala de Sessões, em 20 de fevereiro de 2025. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Goncalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Andressa Paula Senna Lísias e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: ANDRESSA PAULA SENNA LISIAS

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ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Com a apresentação da impugnação pelo contribuinte é que instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, momento no qual o contribuinte deve aduzir todas suas razões de defesa, conforme dispõe os artigos 14 e 16, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo inovações nas matérias apresentadas em sede recursal, mas não alegadas em sede de primeira instância, pela defesa, não há que se admitir o Recurso Voluntário apresentado, sob pena de supressão de instância, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. Não configurada hipótese que autorize a apresentação de novos fundamentos na fase recursal, deve ser reconhecida a preclusão consumativa, com o não conhecimento do respectivo Recurso. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. MÉRITO NÃO FOI DISCUTIDO PELO CONTRIBUINTE. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto 70235/72. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Cabível a imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na hipótese de existência de processo pendente de Fl. 558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 2 julgamento, seja administrativa ou judicialmente, tendo como origem auto de infração ora lavrado com base na regra geral de qualificação, a nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. Recurso Voluntário conhecido em parte para, na parte conhecida, ser improvido. Redução, de ofício, da multa qualificada de 150% para 100%. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2016 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se à tributação reflexa da CSLL idêntica solução dada ao lançamento principal, do IRPJ, em face da estreita relação da causa e efeito. Recurso Voluntário conhecido em parte para, na parte conhecida, ser improvido. Redução, de ofício, da multa qualificada de 150% para 100%. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte em que conhecido, negar-lhe provimento, mantendo o lançamento efetuado e a responsabilidade solidária e, de ofício, reduzir a multa qualificada de 150% para 100%, conforme o disposto na Lei nº 14.689/2023. Sala de Sessões, em 20 de fevereiro de 2025. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Goncalves – Presidente Fl. 559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 3 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Andressa Paula Senna Lísias e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de autos de infração visando à exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (R$ 40.146.587,73), e os reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (R$ 14.476.788,38) relativamente ao ano-calendário de 2016, decorrentes da glosa de custos deduzidos do lucro tributável por suposta falta de comprovação das aquisições de mercadorias que geraram a dedução. Além dos juros calculados pela SELIC, foi também aplicada a multa qualificada de 150% (art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07). Foi também imposta a responsabilidade solidária com base nos art. 124, I do CTN à pessoas física Sr. SEIKO KOMESU. Após 18 termos de intimação, a D. Fiscalização concluiu que não houve a comprovação da existência das operações de aquisição feitas pelo sujeito passivo, motivando, assim, a glosa dos respectivos custos deduzidos no lucro real, conforme indica o Termo de Constatação Fiscal, cujos excertos transcrevo a seguir: “III – GLOSA DE CUSTO Como relatado, o exame fiscal se iniciou com vistas ao PIS e a COFINS – AC 2016. No início do exame, cotejando os dados constantes das NFe extraídas da base do SPED - NFe, tendo o fiscalizado como participante, com os documentos fiscais indicados no registro C170 da EFD Contribuições, constatou-se que o sujeito passivo informou Notas Fiscais relativas à aquisição de mercadorias sem a completa identificação das mesmas, ou seja, informou na EFDContribuições Notas Fiscais de Entrada sem a identificação de chave, nos meses de JAN a DEZ/2016, com a finalidade de aproveitamento de seus créditos, no total de R$ 57.959.906,89. Observo que estas Notas Fiscais de “aquisição de bens para revenda” declaradas na EFD-contribuições- AC 2016 não foram localizadas no Receitanet BX ao solicitarmos Notas Fiscais emitidas por terceiros tendo a fiscalizada como participante. Fl. 560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 4 Estas mesmas Notas Fiscais registradas na EFD-Contribuições, também compõem o custo declarado na ECF – AC 2016 - “CUSTO DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS DAS ATIVIDADES EM GERAL” , e estão registradas na Escrituração Contabil Digital ECD – AC 2016, na conta 510 - MERCADORIAS DE REVENDA . [...] Neste exame fiscal, a fiscalização intimou a empresa a apresentar os documentos que embasaram os registros de Notas Fiscais (solicitados por amostragem) aproveitados como crédito na apuração do PIS e da COFINS NÃO CUMULATIVOS. O contribuinte, em atendimento, alegou em cartas respostas apresentadas que os referidos documentos haviam sido extraviados ou deteriorados, por motivos de vazamento e de chuvas. Mesmo quando reintimado a comprovar as citadas aquisições mediante a apresentação de Notas Fiscais, bem como apresentar demais documentos que pudessem comprovar a efetividade das operações de aquisição de bens para revenda, tais como comprovantes de pagamento, extratos bancários, informações sobre o transporte e outros esclarecimentos, a empresa se manifestou sempre alegando impossibilidade de apresentar os documentos, em virtude de extravio e deterioração a fiscalizada não apresentou quaisquer outros documentos que pudessem comprovar a aquisição declarada,nem comprovantes de transporte das mercadorias, nem do pagamento a ela relativos. Não houve qualquer comprovação do recebimento ou ingresso dos produtos no estabelecimento do contribuinte. [...] Se a comprovação é possível e o contribuinte não o faz, é lícito concluir que a operação não ocorreu de fato, tendo sido registrada unicamente com o objetivo de majorar o aproveitamento de créditos de PIS E COFINS, reduzindo indevidamente o PIS e a COFINS a recolher, bem como IRPJ E CSLL, já que referidas Notas Fiscais também compuseram o custo deduzido na apuração de resultado. Dispõe o RIR, de 1999, nos arts. 251 e 264, que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais e que é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 4º). [...] a autoridade tributária tem a faculdade legal de verificar o lucro real determinado pelo contribuinte, com base no exame de livros e documentos de Fl. 561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 5 sua escrituração ou de terceiros, no entanto, compete ao contribuinte o ônus de comprovar a efetiva e real aquisição de mercadorias cujos valores foram deduzidos como custos na determinação do lucro real, pois como já relatado, a escrituração apenas faz prova a favor da contribuinte dos fatos nela registrados se eles estiverem comprovados por documentos hábeis e idôneos. Não sendo comprovadas a natureza e a efetividade das aquisições registradas, efetua-se a glosa dos valores não comprovados. (destaques feitos pela Relatora) Tendo sido intimado dos lançamentos, o contribuinte, ora Recorrente, apresentou a Impugnação de fls. 480/487, em que alega que a multa de 150%: - viola o direito de propriedade, bem como os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e proibição de confisco; - tem natureza jurídica de punição; - deveria ser limitada a 20% ou, no máximo, a 100%, citando a jurisprudência do STF, do CARF e dos tribunais locais do poder judiciário reduzindo o percentual da multa a 75%, 50% do valor do tributo. Ato seguinte, foi proferido o Acórdão nº 105-002.958 (e-fls. 497/515), proferido pela 2ª TURMA da DRJ/05, julgando improcedente a Impugnação apresentada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2016 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. A apreciação de questionamentos relacionados a validade, legalidade e constitucionalidade de dispositivos que integram a legislação tributária não se insere na competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Fl. 562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 6 PROVA TESTEMUNHAL A prova testemunhal não está prevista na legislação que regulamenta o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2016 CUSTOS NÃO COMPROVADAS Mantém-se a glosa da dedução de custos escriturados e não comprovados por documentos hábeis e idôneos. LANÇAMENTO DECORRENTE Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL Aplicam-se à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, inclusive aquelas atinentes às regras de dedutibilidade de custos. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. PREVISÃO EM LEGISLAÇÃO. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO NÃO CONFISCO, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. EXCLUSÃO OU REDUÇÃO DO VALOR. IMPOSSIBILIDADE. Sempre que restar configurada a sonegação, a fraude ou o conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverá ser duplicado. A alegação de que a multa é confiscatória e viola os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em normas às quais o julgador administrativo é vinculado, não lhe sendo permitido excluir ou reduzir o seu valor estabelecido na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Como visto, a multa foi mantida, mantendo-se os lançamentos nos termos em que proferido. Em seguida, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (e-fls 530/541), reiterando os argumentos quanto à necessidade de afastamento da multa qualificada. No entanto, acrescentou nesta oportunidade que (i) o acórdão recorrido seria nulo porque desconsiderou que à época da pandemia o Recorrente estava impossibilitado de buscar documentos, devendo ser-lhe concedida nova oportunidade de produção de provas; e (ii) a responsabilidade solidária do sócio Sr. SEIKO KOMESU deveria ser afastada até a constituição definitiva do lançamento tributário. Fl. 563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 7 Não foram apresentadas Contrarrazões ao Recurso Voluntário pela PGFN. Por fim, os autos vieram a esta Conselheira Relatora. É o relatório do essencial. VOTO Conselheira Andressa Paula Senna Lísias, Relatora. Verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo. No que diz respeito aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, farei a seguir a análise quanto ao conhecimento. Não conhecimento - Matérias não impugnadas - Preclusão De início, é preciso enfatizar que o mérito da controvérsia (quanto à inexistência das operações comerciais e a ilegitimidade da glosa de custos) nunca foi questionado no presente processo. Assim, em relação às acusações do auto de infração não impugnadas pelo contribuinte desde o início e que não foram objeto de recurso, as exigências ficam mantidas nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Aliás, é isso que dispõe a recente Súmula CARF n. 162 de observância obrigatória por este Conselho: Súmula CARF nº 162. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Fl. 564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 8 Considerando que não foram impugnadas desde o início do contencioso administrativo, sendo, portanto, incontroversas, o crédito tributário correspondente fica mantido em definitivo. Ademais, em relação à alegação quanto ao afastamento da responsabilidade solidária atribuída ao sócio, percebe-se que, do cotejo analítico das razões deduzidas em primeira e segunda instâncias, parece evidente a inovação recursal, não merecendo, por esta razão, ser o pleito da recorrente apreciado por este Conselho, uma vez que também não se trata de fato novo ou matéria de ordem pública. Em primeira instância, apenas o contribuinte apresentou impugnação, abordando como único assunto a ilegitimidade da multa, e apenas em segunda instância o responsável solidário apresentou Recurso Voluntário questionando a solidariedade. Nesses pontos não conheço o recurso, portanto. Nulidade do v. acórdão recorrido Por outro lado, o Recorrente sustenta a suposta nulidade do v. acórdão recorrido, invocando como único argumento que não teria sido analisado pela DRJ o fato de que parte da fiscalização teria se dado no contexto da pandemia e que isso teria impossibilitado a entrega de parte dos documentos. Conheço o recurso nesse ponto. No entanto, ao analisá-lo, vejo que esse tema nunca tinha sido questionado no presente processo, e note-se que a Impugnação foi apresentada em agosto de 2020, no auge da pandemia, e nada tinha sido questionado nesse sentido. Assim como aliás a existência das operações comerciais e todo o mérito relativo às glosas efetuadas nunca foram tangenciados e debatidos em primeira instância. Portanto, embora conhecido nesse aspecto, o recurso deve ser improvido. Multa qualificada de 150% - Não conhecimento dos argumentos quanto à inconstitucionalidade – Redução de ofício de 150% para 100% O Recorrente basicamente alega em seu recurso que a multa de 150% é desproporcional e não é razoável, devendo ser reduzida em face ao princípio de proibição do confisco e o princípio constitucional da proporcionalidade. Contudo, apesar de compreender o inconformismo da parte, certo é que o recurso, em relação a tais fundamentos não poderá ser sequer conhecido. Fl. 565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 9 Isso porque estando o CARF vinculado à estrita legalidade, não poderá afastar a lei vigente por meio de juízo de inconstitucionalidade. Há que se lembrar de que irresignações quanto à inconstitucionalidade não podem ser conhecidas por este órgão julgador, pela vedação imposta pelo art. 26-A do Decreto nº 70.235/72: “Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” E também pelo enunciado da Súmula nº 2, CARF: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Em resumo, a autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário. Assim, não conheço do Recurso Voluntário no que diz respeito a esses fundamentos. No entanto, ainda em relação à multa qualificada, porém, há um reparo a ser feito ainda que de ofício, já que a questão aqui invocada por esta Relatora não foi objeto nem da Impugnação nem do Recurso Voluntário. Com a superveniência do art. 8º da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, que deu nova redação ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, a multa de ofício passou a ter seu percentual limitado ao teto de 100% (salvo casos de reincidência na infração tributária, o que não houve no presente processo): “Art. 8º O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 44. ................................................................................. ......................................................................................................... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de Fl. 566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 10 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023): (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023)” Assim, há que se reduzir as multas qualificadas 150% para 100%, com suporte no artigo 106, II, “c”, do CTN (retroatividade benigna aplicável à sanção tributária posterior e menos severa), tendo em vista nova redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Diante disso, nego provimento ao Recurso Voluntário para manter o acórdão recorrido, com exceção à multa qualificada que, de ofício, reduzo de 150% para 100% devido ao artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023. Lançamentos reflexos de CSLL Como regra, o decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento, salvo quando houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Desse modo, a decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração reflexo, uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, sendo clara a relação de causa-efeito entre eles. É como voto. Conclusão e dispositivo Considerando o exposto, voto no sentido de conhecer em parte o Recurso Voluntário, para na parte conhecida, negar-lhe provimento, mantendo-se todos os lançamentos e Fl. 567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.396 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720703/2019-96 11 responsabilidade solidária. Por fim, reduzo de ofício a multa qualificada de 150% para 100% devido ao artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, e à retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias Fl. 568DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11968.720353/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DO AGENTE MARÍTIMO/TRANSPORTADOR NA ATUALIZAÇÃO DA PREVISÃO DA ESCALA DE ATRACAMENTO. Esta conduta viola as obrigações previstas nas normas estabelecidas nos dispositivos 8º do Ato Declaratório Executivo Corep nº. 03, de 28 de março de 2003 c.c. 6º da IN 800/2007 e 107, IV, “e” do Decreto Lei nº 37/1966. O agente marítimo representa o transportador internacional e incorre nos mesmos direitos e deveres perante as autoridades aduaneiras do Brasil. Mesmo antes da entrada em vigor das alterações trazidas pela IN 1473/2014 havia previsão do dever do transportador promover a atualização da escala em previsão até a efetiva atracação, momento em que a escala se torna operacional.
Numero da decisão: 3401-013.853
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente MATEUS SOARES DE OLIVEIRA – Relator Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, George da Silva Santos, Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira (Relator), Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA

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OMISSÃO DO AGENTE MARÍTIMO/TRANSPORTADOR NA ATUALIZAÇÃO DA PREVISÃO DA ESCALA DE ATRACAMENTO. Esta conduta viola as obrigações previstas nas normas estabelecidas nos dispositivos 8º do Ato Declaratório Executivo Corep nº. 03, de 28 de março de 2003 c.c. 6º da IN 800/2007 e 107, IV, “e” do Decreto Lei nº 37/1966. O agente marítimo representa o transportador internacional e incorre nos mesmos direitos e deveres perante as autoridades aduaneiras do Brasil. Mesmo antes da entrada em vigor das alterações trazidas pela IN 1473/2014 havia previsão do dever do transportador promover a atualização da escala em previsão até a efetiva atracação, momento em que a escala se torna operacional. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente MATEUS SOARES DE OLIVEIRA – Relator Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, George da Silva Santos, Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira (Relator), Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Fl. 161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 2 RELATÓRIO Trata-se de Embargos Inominados admitidos por Conselheiro em face da r. decisão (Acórdão nº 3401-010.265) em razão do despacho de encaminhamento promovido pela unidade de origem que solicitou esclarecimentos sobre os termos do julgado em epígrafe nos termos que se seguem: 5. O ACÓRDÃO está claramente referindo-se à inclusão de CONHECIMENTO ELETRÔNICO DE CARGA (CE) após o prazo previsto na legislação e sua posterior retificação no sistema SISCOMEX CARGA e a OCORRÊNCIA citada é matéria estranha ao presente AUTO DE INFRAÇÃO. 6. Considerando que o valor do AUTO DE INFRAÇÃO é de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) e o ACÓRDÃO faz referência explícita ao valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) não foi possível vislumbrar com clareza o valor do “PARCIAL PROVIMENTO” e o verdadeiro teor do ACÓRDÃO, dessa forma, proponho que o presente PAF seja encaminhado ao CARF para que esclareça as divergências citadas. Consoante o r. despacho de admissibilidade, com razão a unidade de origem posto que realmente o teor da decisão recorrida não se amolda aos fatos e fundamentos presentes neste processo, fato que caracterizou o lapso manifesto. Neste sentido o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles assim dispôs: Contudo, todas as infrações aqui são da mesma espécie, ou seja, atualização da data e hora de atracação, de modo que não há a possibilidade de provimento parcial, mas sim de provimento total ou negativa de provimento, conforme as situações fáticas sejam tratadas como retificação, ou não. De qualquer forma, o resultado proferido é incompatível com a situação fática, revelando propriamente um erro procedimental quanto à sistemática de recursos repetitivos, uma vez que a situação fática aqui julgada não corresponde à situação fática julgada no acórdão paradigma. De fato o colegiado não apreciou os fatos aqui postos em julgamento, posto não serem correspondentes aos fatos postos em julgamento no processo paradigma. Destarte, avoco o presente pedido de esclarecimento como embargos inominados destinados a corrigir lapso manifesto quanto ao resultado do julgamento, por ser incompatível com o provimento parcial decidido no processo paradigma. Em razão do exposto, o processo retornou a esta Egrégia Corte para fins de processamento, nova distribuição e para o respectivo julgamento. Fl. 162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 3 VOTO Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. 1 DO CONHECIMENTO O recurso dos Embargos Inominados encontra sua previsão no artigo 117 do Regimento Interno do RICARF: As alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto ou de erro de escrita ou de cálculo existentes na decisão, suscitadas pelos legitimados a opor embargos, deverão ser recebidas como embargos, mediante a prolação de um novo acórdão. Referida alegação de inexatidão foi devidamente apresentada pelo Sr. Auditor Fiscal e admitida em sede do juízo de admissibilidade, motivo pelo qual se conhece do recurso e o processa como Embargos. Portanto, conheço dos Embargos. 2 DO MÉRITO De início é necessário consignar assistir plena razão aos fundamentos presentes nos Embargos Inominados apresentados pela unidade de origem por meio do pedido de esclarecimento e admitidos pelo Conselheiro Diefenthaeler Dornelles. Em obediência ao disposto no § 1º do artigo 117, o erro manifesto entre o que foi julgado e o objeto deste processo pode ser constatado claramente por meio do confronto e transcrição de alguns trechos dos autos a saber: Objeto da Decisão Recorrida: De saída, esta Casa sumulou entendimento no sentido de ser inaplicável a DENÚNCIA ESPONTÂNEA (Súmula 126) ao caso em voga (a qual, acolho por obrigação regimental) e da LEGITIMIDADE DA AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO (Súmula 185) (a qual, acolho por concordar com seu conteúdo, em especial ante o disposto no artigo 95 do Decreto-Lei 37/66). Inaplicável ao presente caso o instituto da RETROATIVIDADE BENIGNA uma vez que a sanção é (era, e continua a ser) imposta por Lei (art. 107, inciso III, alínea e do Decreto-Lei 37/66), sendo indiferente alterações em instruções normativas. Por fim, por força de outra Súmula CARF (186) – com a qual concordo em absoluto – afasto a aplicação da sanção por retificação de informação; retificação esta constatada pela própria fiscalização, diga-se: Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 4 Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para afastar a multa por retificação de carga após a atracação. Observa-se que adotou-se como fundamento para fins do provimento parcial a Súmula 186 que não considera como infração a retificação de informações prestadas tempestivamente. Mas o caso em tela não comporta o cenário de intempestividade de informações, especialmente aquelas de desconsolidação. O objeto deste processo e limite da discussão no feito reside na FALTA DE ATUALIZAÇÃO, pelo transportador e seu representante em solo nacional, das informações de ESCALA. Não se ignora que houve inclusão da escala em períodos anteriores aos 05 (cinco) dias que precederam o atracamento. Todavia, a partir do momento em que houve a inclusão em escala, naturalmente insere-se a DATA PREVISTA para o atracamento. Eventuais atrasos para com aquela da efetiva atracação devem ser atualizados pelos respectivos responsáveis para que a fiscalização aduaneira tenha condições de exercer o controle aduaneiro. A fim de ilustrar a referida contradição, apresentam-se prints e a transcrição de determinados trechos dos autos: AUTO DE INFRAÇÃO: Ao contrário do Auto de Infração e seu respectivo relatório, a decisão da DRJ passou longe de ser clara o necessário para delimitação do julgado, incluindo diversas matérias que não Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 5 fazem parte do presente processo. Contudo, mesmo que superficialmente, abordou o objeto do Auto de Infração. Em sede do Recurso Voluntário a empresa trouxe inúmeros pontos a serem enfrentados a seguir descritos e individualizados. No entanto, delimitou novamente o objeto deste processo: A redação do artigo 17 do Decreto 70.235/1972 estabelece a aplicação da preclusão em relação as matérias não impugnadas, nos termos da redação assim posta: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Observa-se que o contribuinte impugnou e recorreu de dois temas centrais, existência da infração e respectiva responsabilidade. Para tanto estruturou seu recurso voluntário com as seguintes rubricas/teses: a- Ausência de responsabilidade (responsabilidade do Operador Portuário); b- FATO NOVO (2) – infração prejudicada - Revogação dos arts. 45 a 48 da IN/RFB 800/07pela IN-RFB N. 1.473/2014; c- FATO NOVO (2) – COSIT - SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA N. 2 – 04.02.2016 – EFEITO VINCULANTE INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO (declara sem nenhum sentido tratar-se de retificação de informações). Fl. 165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 6 d- DA OBRIGAÇÃO DE MANTER ATUALIZADA A DATA E A HORA DE PREVISÃO DE ATRACAÇÃO - responsabilidade do transportador (DA OBRIGAÇÃO DE MANTER ATUALIZADA A DATA E A HORA DE PREVISÃO DE ATRACAÇÃO - responsabilidade do transportador (art. 8º, do Ato Declaratório Executivo Corep nº. 03, de 28 de março de 2003); e- DENÚNCIA ESPONTÂNEA Lei 12.350/2010 alterou o parágrafo 2º, do art. 102, do Decreto-Lei 37/66. Considerando o descompasso entre a decisão recorrida e o objeto deste feito, aliado ao fato de que todo o processo encontra-se centrado em duas questões, far-se-ão as respectivas abordagens nos termos que se seguem: 2.1 DA EQUIPARAÇÃO DO AGENTE MARÍTIMO AO TRANSPORTADOR INTERNACIONAL Esta questão já encontra-se mais do que pacificada nesta Egrégia Corte e no Poder Judiciário. A Instrução Normativa nº 800/2007, mesmo antes da sua alteração por meio da IN 1.473/2014, já estabelecia a equiparação entre o Transportador Internacional e o seu representante no Brasil. Redação Original da IN 800/2007 Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Os fatos geradores ocorreram no ano de 2009. A intimação do julgado se deu no ano de 2013. Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 7 Conclui-se que na época dos fatos geradores já havia previsão expressa da equiparação de responsabilidades entre o transportador marítimo e o agente marítimo nos termos da redação do artigo em epígrafe, cuja disposição em nada foi alterada para com as atualizações e adendos promovidas pela IN 1.473/2014. Consequência natural desta equiparação, é a atração da regra da solidariedade prevista no artigo 95, I do Decreto Lei 37/1966: Art.95 - Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;e” Há claro e inequívoco interesse comum e econômico entre o Transportador e o Agente Marítimo na operação, até mesmo em razão de previsão normativa, sem prejuízo das contratuais. Com efeito, todas as rubricas apresentadas em sede do Recurso Voluntário que buscam afastar a equiparação do transportador e da sua responsabilidade já são, desde já, afastadas por absoluta falta de amparo legal, motivo pelo qual se nega provimento. 2.2 DA INFRAÇÃO O relatório fiscal constante no Auto de Infração foi preciso e muito bem redigido, cuja descrição de toda a evolução normativa sobre a capitulação legal e a respectiva subsunção dos fatos a norma ocorreu com uma riqueza impar de detalhes. Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 8 Não procede a tese de que a infração prevista no artigo 107, IV, “e” do Decreto Lei 37/1966 seria inaplicável e, portanto, haveria falta de tipicidade na conduta perpetrada pelo recorrente. Primeiro porque o legislador equiparou transportador ao agente marítimo. Segundo porque no mundo inteiro é totalmente impossível descolar para a fiscalização o dever de fiscalizar cada uma das unidades de carga e seus respectivos volumes que chegam aos portos. A redação do dispositivo merece ser transcrita, posto que ela prega respeito a prazos e formas de prestação de informações, estabelecidos pela SRFB. Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga; e Não por acaso a SRFB sempre buscou desenvolver ferramentas tecnológicas voltadas a integração entre o contribuinte e a fiscalização no tocante ao intercâmbio de informações para fins de despacho aduaneiro, de modo a se ganhar tempo, economizar custos e fortalecer o controle aduaneiro, privilegiando os bons contribuintes e a própria sociedade. Fruto deste intercambio são os prazos que foram estabelecidos pela SRFB por meio da IN 800/2007, com especial destaque ao inciso I do artigo 22 na versão vigente a época dos fatos e que, novamente, não foi alterada no ano de 2014 no tocante ao prazo: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e Da leitura dos extratos de Escalas que acompanham o Auto de Infração, salienta-se que este prazo mínimo foi devidamente observado pelo contribuinte, como se nota pela data da inclusão da previsão de escala. No entanto, a infração ocorreu entre a data da inclusão de escala e a data da efetiva atracação no primeiro porto do conhecimento master, ocasião em que a escala deixa de estar no status de prevista e passa para operacional. A falta de atualização das informações dos atrasos ocorridos neste meio tempo é que configurou a infração e violação ao disposto no artigo 8ª do Ato Declaratório Executivo Corep nº. 03, de 28 de março de 2003: Art. 8º O transportador que informou a escala deverá manter atualizada a data e a hora de previsão de atracação, auxiliando os demais intervenientes no Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 9 cumprimento dos prazos determinados na Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, para prestação de informações Portanto, conjugando-se os dispositivos 8º do Ato Declaratório Executivo Corep nº. 03, de 28 de março de 2003 e o 107, IV, “e” do Decreto Lei 37/1966, conclui-se pela violação da norma e, por conseguinte, materialização da infração e sujeição a respectiva sanção. A prova das infrações encontra-se nos respectivos Extratos de Escalas dos Navios que acompanham o Auto de Infração, onde constam datas diferentes entre aquelas previstas e das efetivas atracações. Caberia ao recorrente trazer aos autos o motivo pelo qual houve a diferença de datas de modo a tentar ilidir a ocorrência da infração. Não o fez. Preocupou-se em tentar ilidir sua reponsabilidade, fato que a legislação não permite nos termos já apontados. Sendo assim, inquestionável a existência das infrações, cujos fatos geradores se concretizaram a cada registro nas datas apontadas no Auto de Infração. 2.3 DEMAIS MATÉRIAS Considerando que a responsabilidade e a existência da infração já esta mais do que demonstrada nos autos, as demais matérias, como os fatos novos apontados em sede do Recurso Voluntário e a denúncia espontânea serão analisados neste tópico. Em relação ao fato novo referente a tratar-se de retificação de informações, não há como conhecer desta matéria posto que não consta na respectiva impugnação, muito menos no Auto de Infração e, com fulcro no artigo 17 do Decreto Lei 70.235/1972, não se conhece desta matéria. No tocante ao suposto fato novo decorrente da alteração normativa introduzida pela IN 1.473/2014 que, ao excluir a redação original dos artigos 45 a 48 da versão original da IN 800/2007, teria o condão de atrair as regras da retroatividade benigna, também não merece melhor sorte a tese do contribuinte. Explica-se: A Versão original, aplicável a época dos fatos, continha a seguinte redação dos respectivos dispositivos: CAPÍTULO IV DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1o Configura-se também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 10 mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. Art. 46. O depositário que dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira por inobservância do disposto no artigo 36 desta Instrução Normativa está sujeito à penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966. Art. 47. Aplica-se a pena de perdimento da mercadoria: I - sujeita a conhecimento de carga, encontrada a bordo ao desamparo de manifesto eletrônico vinculado à escala, com fundamento no inciso IV do art. 105 do Decreto-Lei no 37, de 1966; II - carregada ou descarregada do veículo sem informação de manifesto eletrônico ou em desobediência a bloqueio registrado no sistema, com fundamento no inciso I do art. 105 do Decreto-Lei no 37, de 1966. Art. 48. A aplicação das penalidades previstas nesta norma não prejudica a exigência dos tributos incidentes, a imposição de outras penalidades previstas na legislação e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. Parágrafo único. Em nenhuma hipótese a aplicação de penalidades será motivo para bloqueio da carga, exceto nos casos de aplicação da pena de perdimento da mercadoria ou veículo. Ao excluir os respectivos artigos mediante revogação da norma prevista na IN , a versão atual contém a seguinte redação: CAPÍTULO IV DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES CAPÍTULO IV DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ELETRÔNICO (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 2044, de 19 de agosto de 2021) (Vide Instrução Normativa RFB nº 2044, de 19 de agosto de 2021) Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configura-se também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo Fl. 170DF CARF MF Original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=119999#2286162 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=119999#2286162 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=119999#2286172 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=119999#2286172 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 11 mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Art. 46. O depositário que dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira por inobservância do disposto no artigo 36 desta Instrução Normativa está sujeito à penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Art. 47. Aplica-se a pena de perdimento da mercadoria: (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) I - sujeita a conhecimento de carga, encontrada a bordo ao desamparo de manifesto eletrônico vinculado à escala, com fundamento no inciso IV do art. 105 do Decreto-Lei no 37, de 1966; (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) II - carregada ou descarregada do veículo sem informação de manifesto eletrônico ou em desobediência a bloqueio registrado no sistema, com fundamento no inciso I do art. 105 do Decreto-Lei no 37, de 1966. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Art. 48. A aplicação das penalidades previstas nesta norma não prejudica a exigência dos tributos incidentes, a imposição de outras penalidades previstas na legislação e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Parágrafo único. Em nenhuma hipótese a aplicação de penalidades será motivo para bloqueio da carga, exceto nos casos de aplicação da pena de perdimento da mercadoria ou veículo. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Não prospera o argumento de que referidas revogações retiraram do Transportador a obrigatoriedade pela prestação adequada das informações, de modo que sejam atualizadas a cada alteração no status da escala. E os fundamentos não são poucos. Inobstante todos já constarem neste voto, reitera-se que o Decreto Lei 37/1966 foi recepcionado por força de lei. Portanto e, somente por este motivo, a infração já estaria prevista na lei que, não é demais lembrar, não pode ser revogada por Instrução Normativa. Fl. 171DF CARF MF Original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416141 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.853 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11968.720353/2013-41 12 Mas não é só. A própria IN 800/2007, em sua versão original, já previa expressamente a obrigação do transportador de prestar as informações tempestivamente. E mais: o Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28 de março de 2008 tem por finalidade básica estabelecer as diretrizes sobre as ações operacionais e em sistemas informatizados quanto à utilização do Siscomex Carga. E logo o seu primeiro artigo assim dispõe em relação a IN 800/2007: Art. 1º As orientações de utilização do Siscomex Carga, instituído pela Instrução Normativa RFB no 800, de 27 de dezembro de 2007, e as ações necessárias ao controle de cargas são as descritas neste Ato Declaratório Executivo. Ato contínuo seu artigo 8º prevê que: Art. 8º O transportador que informou a escala deverá manter atualizada a data e a hora de previsão de atracação, auxiliando os demais intervenientes no cumprimento dos prazos determinados na Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, para prestação de informações. Portanto, não há como prosperar a tese de fato novo que visse a resultar na aplicação do instituto da retroatividade benigna ao processo. Por fim, entende-se que inexiste razão no tocante a denúncia espontânea. Primeiramente há Súmula 126 CARF: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Na medida em que o contribuinte não manteve atualizadas as informações e alterações nos prazos da escala do navio, naturalmente promoveu prestação intempestiva de informações, motivo pelo qual nega-se provimento ao recurso. 3 DO DISPOSITIVO Isto posto, conheço parcialmente do recurso e, no mérito, rejeito os embargos. Assinado Digitalmente MATEUS SOARES DE OLIVEIRA Fl. 172DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Acórdão Relatório Voto 1 do conhecimento 2 do mérito 2.1 DA EQUIPARAÇÃO DO AGENTE MARÍTIMO AO TRANSPORTADOR INTERNACIONAL 2.2 da infração 2.3 DEMAIS MATÉRIAS 3 do dispositivo

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4819516 #
Numero do processo: 10580.009354/91-64
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 1994
Ementa: ITR - Lançamento sem a redução prevista em lei, por constatação errônea de inadimplência de exercícios anteriores, deve ser corrigido. Recurso provido.
Numero da decisão: 203-01.636
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Mauro Wasilewski, Tiberany Ferraz dos Santos e Sebastião Borges Taquary.
Nome do relator: RICARDO LEITE RODRIGUES

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Numero do processo: 10882.905863/2017-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093).
Numero da decisão: 3002-003.389
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.367, de 22 de novembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10882.901824/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Marcos Antônio Borges – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Marcos Antônio Borges (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.367, de 22 de novembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10882.901824/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Marcos Antônio Borges – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Marcos Antônio Borges (Presidente).

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REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.367, de 22 de novembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10882.901824/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Marcos Antônio Borges – Presidente Redator Fl. 988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.389 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.905863/2017-05 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Marcos Antônio Borges (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que tratou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA OU CONCENTRADA. FRETES VINCULADOS A OPERAÇÕES DE REVENDA. É vedada a apuração de créditos sobre dispêndios com frete em operação de revenda de produtos sujeitos a cobrança concentrada das contribuições, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante desses produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Fl. 989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.389 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.905863/2017-05 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Conforme relatado, a controvérsia cinge-se a possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade sobre despesas com frete em operações de venda relativos a produtos revendidos sujeitos à tributação concentrada por pessoa jurídica comercial não fabricante. Não obstante os precedentes colacionados, a CSRF analisou a matéria no Acórdão 9303-014.737, de março de 2024, cujos argumentos são perfeitamente aplicáveis ao presente processo: O inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, extensível à Contribuição para o PIS/PASEP pelo art. 15 da mesma lei, reconhece, em abstrato, o direito ao crédito referente a despesas de frete e armazenagem em operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, mas o restringe aos casos dos incisos I e II: Art. 3º - Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifo nosso) Como certamente não trata o presente caso do inciso II (insumos), por refletir mera operação de revenda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, devemos observar o que dispõe o inciso I, como condição para a fruição do crédito: Art. 3º - Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) (grifo nosso) O inciso I, como se percebe claramente da redação, não trata de direito irrestrito ao crédito, mas de direito de crédito que comporta exceções. E, ao remeter ao inciso I, o inciso IX do art. 3º, por óbvio, não se refere a apenas a parte do inciso, mas a todo seu conteúdo Fl. 990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.389 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.905863/2017-05 4 Entre essas exceções, está a prevista no § 1º do art. 2º da mesma Lei 10.833/2003, para produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, tributados na forma da Lei 10.147/2000: Art. 2º - Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - no inciso I do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifo nosso) Como se vê, segundo o disposto no art. 3º, I e IX, combinados com o inciso II do § 1º do art. 2º, e com o art. 15, da Lei nº 10.833/2003, aqui transcritos, a venda de produtos de perfumaria de toucador e de higiene pessoal não gera créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. E o direito de créditos em relação a fretes na operação de revenda é vinculado ao inciso I (e não apenas a parte de seu texto), sendo indevido para produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, tributados na forma da Lei 10.147/2000. O inciso IX do artigo 3º dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à despesa de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No entanto, nas alíneas “a” e “b” do inciso I desse artigo 3º, encontram-se os casos que não geram crédito, entre eles o custo na aquisição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, para revenda. Ou seja, o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da nº 10.637/2002 inicialmente reconhece o direito ao crédito de despesas de frete e armazenagem em operações de venda, entretanto, em seguida, delimita o direito ao desconto do crédito aos casos estabelecidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei, restringindo o aproveitamento do crédito a determinadas operações, das quais são excluídas as revendas de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal. Cabe reparar que no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, caso fosse a intenção do legislador autorizar o crédito para toda e qualquer operação de venda de produtos ou mercadorias, bastaria que o texto do inciso não contemplasse a delimitação “(...) nos casos dos incisos I e II ...”. Se estivesse redigido apenas como “(...) armazenagem e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, restaria clara a autorização para o crédito decorrente de qualquer operação de frete na venda, se suportado pelo vendedor. Todavia, esta não foi a intenção nem a redação dada pelo legislador. Há que se indagar, portanto, a razão de existir do limitador ao final do texto normativo do inciso IX, buscando dar-lhe eficácia. Fl. 991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.389 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.905863/2017-05 5 Aliás, na Exposição de Motivos 197-A/2003, anexa à Medida Provisória 135, convertida na Lei 10.833/2003, restou consignada a seguinte mensagem, dentro do título “DA COBRANÇA NÃO-CUMULATIVA DA COFINS”: 11. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não-cumulativa da COFINS, foram excluídas do modelo, em vistas de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo SIMPLES, as instituições financeiras, as pessoas jurídicas de que trata a Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983, as tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado, os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, as pessoas jurídicas imunes a impostos, as receitas tributadas em regime monofásico ou de substituição tributária, as referidas no art. 5º da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998, as decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações e de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens. (grifo nosso) Quanto ao comando que rege o regime de apuração não cumulativa das contribuições introduzido pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que permitiu a manutenção dos créditos vinculados à suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência, é certo que não gerou crédito algum, mas apenas permitiu a manutenção dos já existentes, resta cristalino em seu texto: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” (grifo nosso) Assim decidiu o CARF, de forma unânime, v.g., no Acórdão 3401-006.841, sob minha relatoria: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. LEI 11.033/2004 (ART. 17). LEI 11.116/2005 (ART. 16). NÃO DERROGAÇÃO. Os comandos do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n. 11.116/2005 não são geradores de créditos, em derrogação a norma anterior que os vedava. (Acórdão 3401-006.841, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 21/08/2019 - presentes ainda os Cons. Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) (grifo nosso) Não há dúvidas de que o disposto na Lei 11.033/2004 não tem o condão de manter créditos cuja aquisição a lei vedou desde a sua definição. Efetivamente, ele não revogou os arts. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.833, de 2003 e nº 10.637, de 2002. Cabe mencionar, de forma complementar, que tal vedação foi reproduzida na norma procedimental que trata do tema, a IN SRF 594/2005 (art. 38), sendo mantida também na norma da RFB que atualmente rege o tema, a IN 1.911/2019 (art. 424). Por fim, ainda em endosso, cabe mencionar a Solução de Consulta COSIT n. 99.709, de 20/06/2017, referente à COFINS não cumulativa, que também se aplica ao PIS, e que dirimiu dúvidas existentes sobre o aproveitamento de créditos vinculados a produtos sujeitos à tributação concentrada/monofásica. Embora tal Fl. 992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.389 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.905863/2017-05 6 Solução de Consulta fosse direcionada a um varejista de combustíveis, aplica-se perfeitamente ao caso concreto, pois, conforme já visto, os produtos também se enquadram nas exclusões do inciso I do art. 3º das leis de regência das contribuições. Não se está aqui, portanto, a tratar de insumos usados na produção ou na prestação de serviços (inciso II do art. 3º da Lei 10.833/2003), mas de frete na simples revenda (inciso I do art. 3º da mesma Lei 10.833/2003), e que deve obedecer às limitações estabelecidas pelo próprio texto legal, que deve ser lido no todo, e não apenas na parte inicial do texto. Assim, a remissão do inciso IX do art. 3º ao inciso I do mesmo artigo da lei objetiva (sob pena de ser inócuo esse excerto da disposição normativa) restringir o direito ao crédito às hipóteses permitidas no inciso I, entre as quais não está a referente a revenda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, tratada na Lei 10.147/2000 e alterações posteriores. ... Registre-se, derradeiramente, o posicionamento atual do STJ, no Tema Repetitivo 1.093 (com menção expressa ao setor farmacêutico): “RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. RECURSO REPETITIVO. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA AS SITUAÇÕES DE MONOFASIA. RATIO DECIDENDI DO STF NO TEMA DE REPERCUSSÃO GERAL N. 844 E NA SÚMULA VINCULANTE N. 58/STF. VIGÊNCIA DOS ARTS. 3º, I, "B", DAS LEIS N. N. 10.637/2002 E 10.833/2003 (COM A REDAÇÃO DADA PELOS ARTS. 4º E 5º, DA LEI N. 11.787/2008) FRENTE AO ART. 17 DA LEI 11.033/2004 COMPROVADA PELOS CRITÉRIOS CRONOLÓGICO, DA ESPECIALIDADE E SISTEMÁTICO. ART. 20, DA LINDB. CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS INDESEJÁVEIS DA CONCESSÃO DO CREDITAMENTO. 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: Súmula Vinculante n. 58/STF: “Inexiste direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, o que não contraria o princípio da não cumulatividade”; Repercussão Geral Tema n. 844: “O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero”. 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.389 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.905863/2017-05 7 3. Isto porque a vedação para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (creditamento), além de ser norma específica contida em outros dispositivos legais - arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003 (critério da especialidade), foi republicada posteriormente com o advento dos arts. 4º e 5º, da Lei n. 11.787/2008 (critério cronológico) e foi referenciada pelo art. 24, §3º, da Lei n. 11.787/2008 (critério sistemático). 4. Nesse sentido, inúmeros precedentes da Segunda Turma deste Superior Tribunal de Justiça que reconhecem a plena vigência dos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, dada a impossibilidade cronológica de sua revogação pelo art. 17, da Lei n. 11.033/2004, a saber: [...] 5. Também a douta Primeira Turma se manifestava no mesmo sentido, antes da mudança de orientação ali promovida pelo AgRg no REsp. n. 1.051.634 / CE, (Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Regina Helena Costa, julgado em 28.03.2017). [...] 6. O tema foi definitivamente pacificado com o julgamento dos EAREsp. n. 1.109.354 / SP e dos EREsp. n. 1.768.224 / RS (Primeira Seção, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgados em 14.04.2021) estabelecendo-se a negativa de constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica (negativa de creditamento). 7. Consoante o art. 20, do Decreto-Lei n. 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro - LINDB): "[...] não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão". É preciso compreender que o objetivo da tributação monofásica não é desonerar a cadeia, mas concentrar em apenas um elo da cadeia a tributação que seria recolhida de toda ela caso fosse não cumulativa, evitando os pagamentos fracionados (dupla tributação e plurifasia). Tal se dá exclusivamente por motivos de política fiscal. 8. Em todos os casos analisados (cadeia de bebidas, setor farmacêutico, setor de autopeças), a autorização para a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica, além de comprometer a arrecadação da cadeia, colocaria a Administração Tributária e o fabricante trabalhando quase que exclusivamente para financiar o revendedor, contrariando o art. 37, caput, da CF/88 -princípio da eficiência da administração pública - e também o objetivo de neutralidade econômica que é o componente principal do princípio da não cumulatividade. Ou seja, é justamente o creditamento que violaria o princípio da não cumulatividade. 9. No contexto atual de pandemia causada pela COVID - 19, nunca é demais lembrar que as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS possuem destinação própria para o financiamento da Seguridade Social (arts. 195, I, "b" e 239, da CF/88), atendendo ao princípio da solidariedade, recursos estes que em um momento de crise estariam sendo suprimidos do Sistema Único de Saúde - SUS e do Programa Seguro Desemprego para serem direcionados a uma redistribuição de renda individualizada do fabricante para o revendedor, em detrimento de toda a coletividade. A função social da empresa também se realiza através do pagamento dos tributos devidos, mormente quando vinculados a uma destinação social. Fl. 994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.389 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.905863/2017-05 8 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. [...] (REsp 1894741 RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2022, DJe 05/05/2022) (REsp 1895255 RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2022, DJe 05/05/2022)” (grifo nosso) O referido Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDA DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. VEDAÇÕES LEGAIS. Na apuração da COFINS não cumulativa não existe a possibilidade de desconto de créditos calculados sobre as despesas com frete na operação de venda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à tributação prevista na Lei nº 10.147/2000, pois o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que daria este direito (dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme Fl. 995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.389 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.905863/2017-05 9 art. 15, II, da mesma lei) remete ao inciso I, que, por seu turno, expressamente excepciona os citados produtos. Entendimento em consonância com precedente vinculante do STJ (Tema 1.093). Assim, tendo em vista o entendimento manifestado no acórdão acima, o qual adoto como razões de decidir e a vedação no desconto de créditos da COFINS não cumulativa prevista nos arts. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.833, de 2003 e nº 10.637, de 2002, c/c o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, dispositivo válido também para a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme art. 15, II, da mesma lei, a glosa dos créditos descontados sobre despesas com fretes na operação de vendas de produtos sujeitos à tributação monofásica/concentrada, efetuada pela Fiscalização, deve ser mantida. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcos Antônio Borges – Presidente Redator Fl. 996DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13706.000540/00-61
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 31/01/1995 RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO, SEMESTRALIDADE. DECADÊNCIA. SEMESTRALIDADE, COMPENSAÇÃO. OUTROS TRIBUTOS, O prazo prescricional para a restituição de tributos considerados inconstitucionais tem por termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da lei ou Resolução do Senado Federal da República em que se fundamentou o gravame. Até o advento da Medida Provisória n° 1.212/95 a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, a base de cálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar número 7/70, corresponde ao fatutamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, conforme Súmula número 15 do CARF. COMPENSAÇÃO. É possível a compensação de valores recolhidos a título de PIS com as demais exações administradas pela SRF, CORREÇÃO MONETÁRIA. Os valores dos indébitos remanescentes, após o desconto da contribuição devida, com base nas Leis Complementares nºs 7/70 e 8/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27/06197, devendo incidir a Taxa SELIC, a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4ª, da Lei n° 9.250/95. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-000.444
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao indébito do PIS no período pleiteado pelo contribuinte, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula n° 15 do CARF. Vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Atulim e Marcos Tranchesi Ortiz quanto à decadência.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO

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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 31/01/1995 RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO, SEMESTRALIDADE. DECADÊNCIA. SEMESTRALIDADE, COMPENSAÇÃO. OUTROS TRIBUTOS, O prazo prescricional para a restituição de tributos considerados inconstitucionais tem por termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da lei ou Resolução do Senado Federal da República em que se fundamentou o gravame. Até o advento da Medida Provisória n° 1.212/95 a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, a base de cálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar número 7/70, corresponde ao fatutarnento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, conforme Súmula número 15 do CARF. COMPENSAÇÃO. É possível a compensação de valores recolhidos a título de PIS com as demais exações administradas pela SRF, CORREÇÃO MONETÁRIA. Os valores dos indébitos remanescentes, após o desconto da contribuição devida, com base nas Leis Complementares rrgs 7/70 e 8/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n" 8, de 27/06197, devendo incidir a Taxa SELIC, a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4', da Lei n° 9.250/95. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao indébito do PIS no período pleiteado pelo contribuinte, observado o critério da semestralidade da base de cálculo nos termos da Súmula n° 15 CARtneidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Marcos Tranchesi Ortiz quant à decadência. A. ntonio Carlos Atulim - Presidente ( Domi ,tos de SÁ Filho - Relat.r EDITADO EM 3/08/2010 Participaram do p esente julL..mento os Conselheiros Robson José Bayer, Domingos de Sá Filho, Winderle Mor.': 'mira, Ivan Allegretti, Marcos Tranehesi Ortiz. e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata-se de pedido de restituição/compensação apresentado em 28 de fevereiro de 2000, conforme documento de fl. 01, para tanto, juntou cópia de pagamento por meio de DARF, referente ao período de apuração de 01.01 ,1991 a 3101,1995, O pedido de restituição refere-se crédito oriundo de pagamento considerado indevido ou a maior para a contribuição do Programa de Integração Social - PIS, por imposição da norma contida nos os Decretos Lei números 2.445 e 2449, ambos de 1988. O pleito teria sido indeferido por ter sido alcançado pela decadência, segundo os fundamentos da decisão recorrida, o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributos se extingue após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme disposto nos art. 165, 1, e 168, I, do CTN. A recorrente aduz em sua peça recursal, resumidamente, que o Acórdão a quo merece ser reformado, conforme jurisprudência deste Conselho e dos Tribunais, vez que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional os Decretos-Leis 2,445, de 29 de junho de 1988 e 2.449, de 21 de julho de 1988. Sustenta que a contagem do prazo decadencial para o exercício de um direito conta da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido, portanto, não pode ser iniciada antes da data de sua aquisição, no caso vertente, da edição da Resolução de número 49, de 10 de outubro de 1995, do Senado Federal da República, que exercendo sua competência constitucional, retirou definitivamente do mundo jurídico os Decretos-Leis 1445, de 29 de junho de 1988 e 2.449, de 21 de julho de 1988. Traz à colação julgados e concluiu requerendo o provimento do recurso no sentido de determinar a restituição das contribuições ao PIS. É o relatório. 2 Processo n° 13706.000540/00-61 S3-C4T3 Acórdão n ° 3403-00.444 FL 2 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conheço do Recurso por ser tempestivo e preencher os pressupostos de admissibilidade. Trata-se de pedido de restituição de valores pagos a maior de acordo com a sistemática dos Decretos-Lei 2.445 e 2449, ambos de 1988, declarados inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal e retirados do mundo jurídico por força da Resolução do Senado Federal de número 49/95, publicada em 09 de outubro de 1995. É de conhecimento geral que a decadência do direito de pleitear a compensação/restituição, no caso dos autos, tem como prazo inicial a data da publicação da Resolução número 49/95 do Senado da República. Na hipótese deste caderno processual o indeferimento se refere ao crédito do período de janeiro/93 a julho de 1994, portanto, compreendido no lapso temporal albergado pela Resolução 49/95. É sabido que os períodos de apuração até setembro/95, são alcançados pela Resolução n2 49/95, pois o prazo decadencial conta-se a partir de 10 de outubro de 1995, estendendo-se até 10 de outubro de 2000. Tendo o pedido de restituição sido formulado em 28 de janeiro de 2000, conforme se vê do documento de fl. 01, sendo, portanto, tempestivo, não há que se falar em decadência, Deste modo impõe-se o afastamento do reconhecimento de decadência. Devendo, portanto, ser examinado o mérito, Não há dúvida de que os parâmetros para apuração da contribuição devida a título de PIS, durante a vigência dos Decretos-Lei 2.445 e 2449, ambos de 1988, devem ser realizados de acordo com o que determina a Lei Complementar 07/70. É de conhecimento geral que o posicionamento deste Conselho, no que se refere ao cálculo do crédito do PIS a restituir ou compensar decorrente do reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis 2.445188 e 2.449/88, conforme jurisprudência pacificada é no sentido da aplicação da semestralidade no cômputo da base de cálculo do PIS, desde a edição da Lei Complementar número 7/70 até edição da Medida Provisória número 1.212/95. Desse modo não há que se falar em aplicação do fattnamento mensal como base de cálculo da contribuição, devendo, portanto, servir de base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Assim, é assegurado ao Contribuinte apurar o PIS com base na Lei Complementar de número 07/70, afastando aplicação dos Decretos 2.445/88 e 2449/88 e determinando a restituição/compensação dos valores que tenham sido recolhidos a maior. ( 3 • Nesse sentido, transcrevo a ementa do julgado do CARF: "PIS/FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO SEMESTRALIDADE COMPENSAÇÃO, A base de cálculo da Contribuição ao PIS, eleita pela Lei Complementar número 7/70, art 6", parágrafo único (A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro, a de agosto com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente), é o . faturamento verificado no 6" mês anterior ao da incidência o qual permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP número 1,212/95, quando, a partir de então, o faturamento do mês anterior passou a ser considerado para sua apuração. O indeferimento do pedido de compensação fundou-se na desconsideração da semestralidade do PIS prevista na Lei Complementar número 7/70, tornando-o insubsistente, Recurso Provido". (Recurso número 121,720, 1" Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, Relator Antônio Mario de Abreu Pinto, data da sessão: 07/11/2002, decisão por maioria de votos) Faz-se o registro de que esta Egrégia Câmara aprovou a Súmula número 15, antiga Súmula número 11 do Conselho de Contribuinte, que tem o seguinte teor: "A base de cálculo do PIS, prevista no artigo da Lei Complementar número 7/70, é o faturamento do sexto 772êS anterior, sem correção monetária". Do exposto, voto no sentido de afastar a decadência e dar provimento parcial ao recurso a fim de reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos a maior a título de contribuição ao P1S/Pasep, no período de janeiro de 1991 a janeiro de 1995, com base nos Decretos-Leis n2s 2,445/88 e 2A49/88, devendo ser apurados com base na Lei Complementar n2 7/70, sem correção da base de cálculo, confoune Súmula n 2 15 do CARF. Reconheço ainda, que os valores dos indébitos remanescentes, após o desconto da contribuição devida, com base nas Leis Complementares n2s 7/70 e 8/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995, sobre os indébitos passa a incidir juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação, acrescida de 1% relativamente, até ao mês da ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art, 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. É o voto. (Do mgos de Sá ilho 4

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