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Numero do processo: 16905.720196/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário infrações relativas à mercadoria estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país, se não for feita prova de sua importação regular; puníveis com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida.
O legislador autorizou a utilização do preço constante da respectiva nota fiscal no cálculo da multa equivalente ao valor aduaneiro (100%).
A fiscalização assim procedeu, demonstrando os valores apurados em cinco tabelas.
Numero da decisão: 3302-005.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar e integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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OMISSÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário infrações relativas à mercadoria estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país, se não for feita prova de sua importação regular; puníveis com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. O legislador autorizou a utilização do preço constante da respectiva nota fiscal no cálculo da multa equivalente ao valor aduaneiro (100%). A fiscalização assim procedeu, demonstrando os valores apurados em cinco tabelas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar e integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 90 5. 72 01 96 /2 01 3- 21 Fl. 2358DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 24/09/2013, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), no valor de R$ 7.244.407,72. Trata o presente processo de aplicação de penalidade pecuniária aos seguintes sujeitos passivos: § LOGANTECH COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA EIRELI, CNPJ n° 71.736.318/000183; § AVIX COMERCIAL E INFORMÁTICA EIRELI, CNPJ n° 17.163.117/000199; e § DRAP 192 SERVIÇOS DE APOIO E COBRANÇA LTDA. ME', CNPJ n° 13.117.731/000163. Também foram autuados solidariamente os seus administradores de fato: · REINALDO BUSTO, CPF n° 676.899.22872; § VANESSA ORLANDO BUSTO DOS SANTOS, CPF n° 228.463.99840; § MAXLANDE FARIAS DOS SANTOS, CPF n° 218.514.78892; e § DENILSON MOREIRA VINHAS, CPF n° 073.175.05862. E seus administradores de direito: § JOSE LANDES FERREIRA MOTA, CPF n° 054.449.86825; e § VICENTE PAULO LINDOVINO, CPF n°163.720.40867. As infrações foram capituladas nos artigos 87, inciso I, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964 (Lei do Imposto de Consumo, posteriormente denominado Imposto sobre Produtos Industrializados) e 105, inciso X, do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966 (instituidor do Imposto de Importação) combinado com inciso IV do art. 23 do Decreto Lei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, penalidades estas aplicadas na forma do §3° do art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976(multa isolada). A ação fiscal deflagrada pela DIREP/83 RF, no dia 24 de julho de 2013, tendo como sujeito passivo a 'LOGANTECH COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA EIRELI', CNPJ n° 71.736.318/000183, e eventualmente, no curso da mesma ação, a 'AVIX COMERCIAL E INFORMÁTICA EIRELI', CNPJ n° 17.163.117/000199, deu Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 3 3 se no bojo de ação conjunta com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Justiça Federal, em cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão expedido pela 4a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo/SP. A apreensão autorizada pelo mandamus referiase especialmente a 'documentos mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados (...) restringindose a medida àqueles relativos às trocas comerciais suspeitas que possam configurar infração à legislação do IPI e dar ensejo à aplicação de pena de perdimento'. Tomase por referência o Relatório constante do Acórdão prolatado na primeira instância, às folhas 2.145 a 2.152 do processo digital: Depreendese da descrição dos fatos (fls. 5 a 24) que o crédito tributário em apreço decorre de investigação iniciada no âmbito da denominada “Operação Frigidus” (17/04/2013), procedimento que resultou na constatação de que a interessada realizou operações de importação mediante a entrada clandestina de bens fruto de descaminho no montante apurado e tentouse atribuir legitimidade a esses bens pela emissão de notas fiscais de empresas que não existem e/ou jamais importaram ou adquiriram regularmente esses bens. As empresas fornecedoras não apresentavam documentos fiscais de entrada de mercadorias, entretanto, emitiam notas fiscais de saída e ainda não estavam estabelecidas nos endereços informados ao Fisco. Concluiuse que tratavase de grupo econômico com confusão gerencial e patrimonial entre os seus integrantes e as empresas utilizadas, com elementos de falsidade ideológica na constituição e gestão das empresas. A ação fiscal foi deflagrada pela DIREP/8a RF, no dia 24/07/2013, e teve como sujeito passivo a LOGANTECH COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA EIRELI, CNPJ n° 71.736.318/000183, e eventualmente, no curso da mesma ação, a AVIX COMERCIAL E INFORMÁTICA EIRELI, CNPJ n° 17.163.117/000199, e decorreu de ação conjunta com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Justiça Federal, em cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão MBA expedido pela 4*a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo/SP. A representação para expedição do Mandado Judicial, lavrada pela Receita Federal do Brasil, apreciada pela PGFN, foi, por sua vez, motivada pelo Relatório de Pesquisa e Investigação n° 07/2013 (documento protegido por sigilo fiscal), lavrado pela Divisão de Repressão ao Contrabando e ao Descaminho da SRRF/8a RF. Neste relatório, no qual a LOGANTECH era apontada como destinatária de produtos importados em notas fiscais emitidas por firmas que não possuíam as correspondentes notas de entrada (a saber: SANTANA DISTRIBUIDORA, DIGIWORK, OVERBOOK, EVERBLUE E AUGIMET), tampouco estavam estabelecidas nos endereços informados ao Fisco. Em diligência inicial ao endereço da LOGANTECH (um dos cinco alvos da Fl. 2360DF CARF MF 4 Operação Frigidus), a empresa não foi encontrada no endereço informado nos cadastros da RFB. Em consultas posteriores ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), verificou se que havia se estabelecido em domicílio diverso, qual seja, Rua Timboré, n° 239 em relação ao qual se requereu a expedição de MBA. Realizadas as investigações, mediante a coleta de diversos documentos e informações de interesse fiscal, bem como depoimentos das pessoas envolvidas, a fiscalização relatou vários fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração em causa: Uma vez no endereço prescrito no Mandado, a equipe da RFB foi recebida pela Sra. VANESSA, que informou exercer atividades financeiras da empresa AVIX, (o endereço da AVIX, nos cadastros da RFB, correspondia ao diligenciado). Quando questionada em relação à empresa LOGANTECH, a Sra. VANESSA informou que só responderia a tais perguntas na presença de seu advogado inobstante, mesmo na presença dele não alterou seu posicionamento, optando por permanecer em silêncio. À falta de respostas dos funcionários aos questionamentos a eles dirigidos pela fiscalização, os documentos em papel encontrados em diversas dependências da AVIX revelaram confusão patrimonial e gerencial entre esta e a LOGANTECH. Tais documentos consistiam em Notas Fiscais relativas a operações com outras empresas que não a AVIX; Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais (DTCF) da LOGANTECH; Relações de estoque da AVIX (fls. 148/149) e LOGANTECH (fls. 150/155), Notas fiscais emitidas pela DIGIWORK firma inexistente de fato, a qual também é 'fornecedora' da LOGANTECH; e Talões de Cheque em branco, da empresa LOGANTECH, na mesa da Sra. VANESSA. A fiscalização concluiu que a AVIX já aparentava ser 'sucessora' da LOGANTECH, haja vista indícios levantados na diligência, como relação de fornecedores, no qual constam, manuscritos, dizeres de mudança de LOGANTECH para AVIX e comparação entre os valores totais de entradas de mercadorias nas empresas, discriminados mensalmente (gráfico às fls. 662). No segundo andar do estabelecimento, em sala de destaque em relação ao ambiente, encontravase mesa, sem computador, que segundo os funcionários era do Sr. DENILSON. Sugerindo que este não estava no local e empregava equipamento portátil (como os Sr. REINALDO e Sra. VANESSA) diferentemente dos demais funcionários da empresa. As mercadorias informadas nas notas fiscais emitidas por firmas inexistentes, objeto de diligências pormenorizadas no retrocitado RPI n° 07/2013, mormente projetores, não foram encontradas no endereço do cumprimento do MBA. Na fiscalização procedida no estoque da empresa, identificaram se apenas mercadorias acompanhadas de notas fiscais de Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 4 5 importadoras habilitadas para operação no comércio exterior, sugerindo a possibilidade da existência de um depósito clandestino mantido pela AVIX/LOGANTECH. Apenas uma quantidade modesta de discos rígidos, memórias e placas USB, acompanhados por nota fiscal de firma inexistente de fato (DIGIWORK ver RPI n° 07/2013) foi encontrada no estoque da AVIX/LOGANTECH, sendo objeto de retenção mediante Termo próprio, permanecendo em aberto a questão quanto à real localização dos projetores e câmeras digitais constantes de notas fiscais e na Relação de Estoque supra citada. em uma dependência da AVIX/LOGANTECH, que aparentava ser da pessoa de hierarquia elevada na empresa, encontraram se, sobre a mesa, diversos orçamentos de produtos eletrônicos, com seus respectivos preços em dólares acompanhados dos correspondentes valores em reais, bem como faturas, tudo em idioma castelhano. Diversos desses orçamentos ('presupuestos') haviam sido emitidos por 'ADVANCE INFORMATICA' empresa varejista de eletrônicos estabelecida em Ciudad Del Este/Paraguay (site: 'www.novaadvance.com.br'), e tinham como destinatário o Sr. REINALDO, o usuário da sala. Em sua página, a ADVANCE informa não realizar entregas em território brasileiro (o que só se aplica, ao que tudo indica, ao cliente comum). Não sendo a AVIX, nem a LOGANTECH, importadoras habilitadas a operarem no comércio exterior, configuravase a possibilidade de importarem clandestinamente mercadorias, à revelia de qualquer controle tributário/aduaneiro. Em análise ao disco rígido do computador à mesa do Sr. REINALDO, detectaramse arquivos magnéticos contendo históricos de conversas efetuadas através do software de comunicação instantânea. Nesses arquivos, verificamse freqüentes contatos do Sr. REINALDO com dois funcionários da empresa ADVANCE. As poucas mercadorias vinculadas à documentação fiscal inidônea emitidas pela DIGIWORK em favor da AVIX foram objeto de procedimento próprio, no valor de R$ 3.817,06. Não havendo mais mercadorias disponíveis às quais se aplicar a pena de perdimento, dado que, exclusive as poucas supramencionadas, apenas aquelas regulares, amparadas por notas fiscais emitidas por importadoras habilitadas, foram encontradas na sede da LOGANTECH/AVIX (havendo forte suspeita, portanto, da manutenção de um depósito clandestino, reforçada por depoimento do ex funcionário Diego Tibaes Novo), cumpre ao Fisco Federal estimar o valor dos produtos aos quais se aplicaria a pena de perdimento. A determinação do valor aduaneiro obedece aos critérios estabelecidos no Artigo VII do tratado internacional denominado 'GATT' (General Agreement on Trade and Tariffs), aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30/94. O primeiro critério a ser empregado na sua obtenção é o do 'valor da transação'; Fl. 2362DF CARF MF 6 Cotejandose o valor negociado dos projetores marca Epson modelo S 12, referido em diálogo às folhas 9/11, àquele que consta nas notas fiscais eletrônicas contemporâneas ao diálogo, notouse que os valores se aproximavam bastante, com diferença de poucos pontos percentuais, a qual se atribuiu, provavelmente, à prestação do serviço de emissão de nota inidônea. Isto posto, considerouse o valor das notas fiscais emitidas pelas firmas inexistentes de fato (SANTANA, DIGIWORK, AUGIMET, EVERBLUE e OVERBOOK), conforme abaixo sintetizado, cujos extratos das planilhas de apuração geradas a partir dos dados constantes do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) encontramse no anexo do presente Auto: ‘ Dessa maneira o valor total a ser aplicada a multa positivada no §3° do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76 é de R$ 7.248.224,78 R$ 3.817,06 = R$ 7.244.407,72. Ocorre fraude e simulação com relação aos reais proprietários das empresas LOGANTECH e AVIX, sendo o Sr. DENILSON e o Sr. REINALDO os reais proprietários, empregando Vicente Paulo (segurança) e José Landes (técnico de informática). A Sra. VANESSA realizava a gestão financeira da organização, o Sr. DENILSON e o Sr. REINALDO trabalhavam no local assumindo as decisões gerenciais das empresas sem estarem sequer na folha de pagamento das empresas. Analisando a dinâmica (incompatível com a prática no mercado) das Notas Fiscais da DRAP em consonância com a presença de seus sócios na LOGANTECH/AVIX e funcionário da DRAP (AFONSO CIANFRONE) nas dependências da LOGANTECH/AVIX, fica evidente que o Sr. DENILSON e o Sr. REINALDO criaram a DRAP para simular serviços prestados para a LOGANTECH e AVIX gerando fluxo financeiro destas para aquela, lavando recursos da LOGANTECH/AVIX. A DRAP sequer existe em seu endereço cadastral. Vicente Paulo e José Landes, que aparentemente poderiam até ser apenas vítimas, pois não apresentam capacidade ou movimentação financeira para serem proprietários das Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 5 7 empresas, participam efetivamente da organização criminosa, inclusive abstendose de cooperar com as investigações. O Sr. DENILSON é sócio do Sr. REINALDO na empresa DRAP. Na diligência do dia 24/07/13, retevese farta documentação da DRAP na sede da LOGANTECH/AVIX, principalmente notas fiscais de supostos serviços de telemarketing prestados pela DRAP à LOGANTECH. Quantos aos sócios de direito da LOGANTECH/AVIX, sua responsabilidade pessoal pelos mesmos atos se configura, haja vista que: 1. Não participam da administração das empresas de que são sócios, exceção feita a assinatura formal de documentos, uma vez que não foram encontrados na sede da LOGANTECH/AVIX ao dia da diligência, não possuíam mesa ou estação de trabalho, não eram interlocutores do Sr. REINALDO em qualquer conversa e sequer eram citados nessas conversas como alguém que possuísse alguma função na empresa, por mais subalterna que fosse; ou seja, em larga medida, não são gestores, muito menos proprietários das empresas. 2. Conforme Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) da LOGANTECH, o Sr. Vicente recebeu, em 2012, rendimentos de, em média, R$ 966,04 mensais, ao passo que o Sr. José Landes percebeu um montante de R$ 3.000,00 mensais; tais dados estavam consistentes com aqueles declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). São valores irrisórios comparados aos que as empresas AVIX/LOGANTECH movimentam: em declaração ao Banco Itaú, a LOGANTECH informa um faturamento de mais de 11 milhões de reais entre julho de 2011 e junho de 2012; as duas empresas, somadas, adquiriram mais de 12 milhões de reais em mercadorias nos últimos 12 meses, encerrados em 31 de julho. A responsabilização de todas as pessoas físicas arroladas é evidente, pois nos termos dos 135, II e III, do CTN, o Sr. REINALDO, o Sr. DENILSON e a Sra. VANESSA tomam as decisões gerenciais das empresas, sequer estando na folha de pagamento delas, muito menos na condição de gestores ou sócios. Essa responsabilidade é reforçada pelos excertos positivados nos art. 136 e 137 do CTN. Já a responsabilidade de José Landes e Vicente Paulo se dá nos termos do artigo 149, VII do CTN, pois resta evidente que contribuíram com a simulação e dela se beneficiaram. O caso em questão apresenta confusão patrimonial, fraude, simulação, desvio de personalidade, uma verdadeira fartura de abusos e irregularidades. Considerando as provas coletadas e o disposto no artigo 689, incisos VI, X e XI do Decreto n° 6.759/09, conclui que restou aperfeiçoada a conduta que dá ensejo à aplicação da pena de perdimento, contudo em razão da não localização das Fl. 2364DF CARF MF 8 mercadorias, terem sido consumidas ou revendidas, a penalidade restou convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Também foi formalizada a devida Representação Fiscal para Fins Penais, conforme determina a Portaria RFB n° 2439/2010, considerando que foram identificados atos e fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, bem como descaminho e outros crimes tipificados no Código Penal, conforme processo n° 16905.720197/201376. Às fls 69 a 74, os Termos de intimação foram feitas concomitantemente à AVIX e LOGANTECH. Às fls 75 a 79, Intimações para Jose Landes agendamento para abertura de volumes. Às fls 80, consta depoimento de Jose Landes que é sócio proprietário da LOGANTECH e de que a empresa está em processo de fechamento. Neste depoimento diz que desconhece a empresa AVIX bem como o fato de que exfuncionários da LOGANTECH trabalham hoje para a AVIX. Se recusou a informar se existe algum depósito de mercadorias da empresa. Às fls 87 a 92, o exfuncionário da LOGANTECH, o Sr. Diego Tibaes Novo, apontou o Sr. REINALDO Busto como dono da empresa e responsável pela sua contratação e o Sr. Jose Landes como sócio e administrador. Informou que a LOGANTECH mudouse para a Rua Timboré, n° 239, Jabaquara, São Paulo, possivelmente em março de 2013. Disse ainda que suspeitava do funcionamento de um depósito de mercadorias importadas irregularmente e freqüentemente presenciava movimentação de cargas referentes a projetores vindos do Paraguai,entre outras mercadorias. Às fls. 114 email da Sra. VANESSA LOGANTECH informando à M2 Informatica sobre a mudança de endereço para a rua Timboré, 239 Vila Oriental. Às fls 148 a 155 inventário de estoque da AVIX de 23/07/2013. Às fls 156 a 165 orçamentos da ADVANCE. Notas fiscais eletrônicas do município de São Paulo de prestação de serviços da DRAP à LOGANTECH às fls 166 a 170 (serviços de telemarking). Às fls 178 cheques de Vicente Paulo Lindovino em nome da AVIX. Às fls. 208 a 216 laudo de análise de documentos (Direp/ERA4 n° 2607_101/2013) digitais . Salários às fls. 229, onde consta a Sra. VANESSA com funcionária da DRAP. Declaração de solidariedade às fls. 231 onde a LOGANTECH se declara solidária aos pagamentos a serem efetuados pela AVIX à empresa Franco Comércio e representações Ltda. Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 6 9 Depois de devidamente cientificados do lançamento efetuado (folhas 664 a 680), somente os sujeitos passivos LOGANTECH e AVIX apresentaram impugnações. O sujeito passivo LOGANTECH apresentou a impugnação de folhas 685 a 696, alegando que: a prática de descaminho não restou configurada, na medida em que as relações comerciais entre a Impugnante e as empresas consideradas chamadas de inexistentes pela Fiscalização (Santana, Overbook, Everblue e Augimet) efetivamente ocorreram em mercado nacional. Se não há importação, não pode haver descaminho/perdimento. tanto tais fornecedores não são relevantes para a operação da Impugnante como a Impugnante não é relevante para tais fornecedores. as mercadorias foram adquiridas no mercado nacional de empresas vendedoras cujos cadastros oficiais (inscrições estadual e federal) estavam plenamente ativos à época das aquisições. tudo que estava ao alcance da Impugnante foi feito para certificarse da existência da empresa fornecedora e da sua regularidade. A autuada agiu com boafé; pois consultou a regularidade de seu fornecedor; efetuou o pagamento pelas mercadorias; as mercadorias foram recebidas; as operações foram regularmente registradas na contabilidade. O fato de o fornecedor ter alguma irregularidade não pode implicar a responsabilização do comprador. qualquer outra venda que não envolveu a Impugnante e que não possuir a respectiva entrada no fornecedor comprova, definitivamente, que não foi a Impugnante que realizou a importação, mas sim o fornecedor, a quem deveria ser imputada a responsabilidade pela suposta fraude. Em razão disso, visando desconstituir a alegação de que a autuada faria parte de uma organização criminosa, postulase pela juntada e pela abertura de vista para análise por esta Delegacia de todos os registros de saída de mercadorias das empresas com as quais a Autuada manteve relações comerciais e que foram desconsideradas (livros registro de saída ou relatório SPED de todas as operações com as mais variadas empresas no período). nunca houve qualquer operação entre a Impugnante e a Digiwork. Isso é apontado na própria autuação, sendo certo que todas as compras originaramse da coAutuada AVIX, cujo relacionamento comercial não admite a responsabilidade da Impugnante. em virtude das relações comerciais existentes entre a Impugnante e empresa AVIX, a qual também atua no ramo de informática, firmouse uma parceria comercial entre tais empresas para que a Impugnante continuasse prestando RMA para os serviços e produtos já comercializados anteriormente. Fl. 2366DF CARF MF 10 RMA corresponde a um serviço onde o dono de um produto envia o material defeituoso para o fornecedor, de forma a obter uma reparação do produto ou um novo. Em razão disso, a Impugnante passou a aproveitar o espaço e os recursos de sua parceira comercial para prestar os serviços relacionados, exclusivamente, à prática RMA em relação às mercadorias já comercializadas. Desde modo, fica afastada a suposta confusão patrimonial e gerencial entre as empresas LOGANTECH e AVIX. a Autuada não participa da gestão da empresa DRAP. O serviço prestado pela empresa em questão referese, exclusivamente, à venda e representação dos produtos disponibilizados pela Autuada. A relação existente entre as empresas consiste em uma parceria comercial, por meio da qual, a última oferece suporte de vendas aos produtos e serviços prestados pela Autuada. Desse modo, para a prestação de tal serviço, fazse necessário que a referida empresa tenha amplo acesso às informações relacionadas aos produtos e serviços oferecidos pela Impugnante. Requerse: a) a juntada de novos documentos em 15 (quinze) dias, haja vista a dificuldade em sua obtenção, pela dependência de terceiros, ou mesmo pelo curto espaço de tempo para a elaboração da defesa haja vista que a intimação ocorreu antes mesmo da restituição dos documentos em poder da Fiscalização; a juntada aos autos, por parte desta repartição, dos livros registro de saída e/ou dos relatórios SPED de todas as vendas realizadas pelas empresas fornecedoras mencionadas no auto de infração e nessa defesa, no período referente à autuação. Documentos estes cuja obtenção pela Impugnante é impossibilitada pela falta de lei que autorize a requisição por ela diretamente às empresas e cuja análise é indispensável a defesa dantes apresentada; insubsistência da autuação e, consequentemente, cancelandose integralmente o auto de infração e , imposição de multa que ora se impugna sejam todas as intimações e notificações procedidas em nome do patrono da Autuada. O sujeito passivo AVIX apresentou a impugnação de folhas 1842 a 1853, alegando os mesmos itens do sujeito passivo LOGANTECH. Porém, diferente da LOGANTECH, alega que nunca houve qualquer operação entre ela e as fornecedoras Augimet e Everblue. Em 22 de abril de 2015, através do Acórdão n° 0737.076, a 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis/SC por unanimidade de votos, JULGOU IMPROCEDENTES as impugnações apresentadas. Entendeu a Turma que entre os diversos documentos acostados aos autos pela fiscalização, os exemplos acima citados dão a exata dimensão dos atos praticados pelas interessadas e, demonstram de modo objetivo que, contrariamente ao alegado em sua peça de defesa, a interessada não agiu de boafé, nem foi vitima do interesse de importadores inescrupulosos. A interessada atuou ativamente para que as fraudes relatadas pela fiscalização Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 7 11 pudessem ser realizadas. As interessadas tinham pleno conhecimento de que as mercadorias vinham do exterior, eram “esquentadas” mediante a emissão de notas fiscais sem o registro das respectivas declarações de importação, e então, com base nestas notas eram remetidas para entrada em suas empresas. Sobre tais fatos, devidamente descritos nos autos, as interessadas nada apresentam, nada explicam, apenas limitamse a afirmar que realizaram compras no mercado interno e que agiram dentro da lei. O conjunto de indícios e provas acostados aos autos apontam para conclusão diversa. Os documentos acostados aos autos, em especial as mensagens eletrônicas anexadas em razão da execução dos mandados de busca e apreensão realizados no curso do procedimento policial e fiscal demonstram que as interessadas, contrariamente ao defendido nas impugnações, tinham pleno conhecimento das irregularidades praticadas e que, as empresas utilizadas para emissão dos documentos fiscais para amparar a introdução clandestina, eram usadas para a prática irregular com vistas a acobertar mercadorias trazidas do exterior especificamente para as interessadas. Assim, a única explicação existente para tal conduta deliberadamente praticada pelas interessadas é o interesse em satisfazer compras realizadas no exterior, de fornecedores estrangeiros. Vale dizer, as transferências bancárias em contas de fornecedores representam compras, operações financeiras relacionadas a operações de importação realizadas à margem dos controles cambial e aduaneiro. Não se pode ter por boafé a aventada hipótese de compras de fornecedor no mercado interno atreladas a pagamentos de fornecedores no exterior. As impugnantes alegam ainda que inexiste confusão patrimonial e gerencial entre elas, e entre elas e a empresa DRAP. Porém ficou demonstrado nos autos que a empresa AVIX sucedeu informalmente a empresa LOGANTECH. Ao se proceder a busca e apreensão no endereço da LOGANTECH constante no SPED, uma vez que não foi encontrada no endereço de cadastro da RFB, o que se encontrou na realidade foi a continuidade da LOGANTECH nas atividades e nos gestores da empresa AVIX. Ou seja, ambas as empresas possuíam o mesmo endereço, além de mesmo sócio de fato, o Sr. REINALDO. Documentos e notas fiscais de operações da LOGANTECH, relações de estoque da LOGANTECH e da AVIX e talões de cheque em branco da empresa LOGANTECH encontrados na mesa da Sra. VANESSA também indicam a confusão patrimonial e gerencial das duas empresas. Reforçam os indícios de que houve a sucessão informal entre as empresas LOGANTECH e a AVIX a transferência do servidor (computador principal) de utilização da LOGANTECH para o endereço onde é a sede da AVIX. Inclusive, segundo o laudo pericial às folhas 212, permaneceu em uso o sistema da LOGANTECH enquanto ela já não mais funcionava e se iniciavam as atividades da AVIX (fls. 266 a 269). Também segundo o referido laudo, em mensagem da caixa de entrada em arquivo localizado no HD denominado "REINALDO" há menção expressa de que a LOGANTECH está instalada no mesmo endereço onde é a sede da AVIX (fls. 270). Até mesmo os próprios gestores da LOGANTECH/AVIX apontaram de forma expressa que a AVIX seria a sucessora da LOGANTECH (fls. 271). Fl. 2368DF CARF MF 12 A empresa LOGANTECH COMERCIO E SERVICOS DE INFORMATICA EIRELI foi cientificada da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 07/05/2015 ( folhas 2.175). A empresa AVIX COMERCIAL E INFORMÁTICA EIRELLI foi cientificada da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 12/05/2015 ( folhas 2.176). O Sr. VICENTE PAULO LINDOVINO foi cientificado da decisão de primeira instância, via Edital, em 25/05/2015 ( folhas 2.179). A empresa DRAP 192 SERVIÇOS DE APOIO E COBRANÇA LTDAME foi cientificada da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17/06/2015 ( olhas 2.192). O Sr. REINALDO BUSTO foi cientificado da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 16/06/2015 ( folhas 2.193). O Sr. MAXLANDE FARIAS DOS SANTOS foi cientificado da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 16/06/2015 ( folhas 2.194). A Sra. VANESSA ORLANDO BUSTO DOS SANTOS foi cientificada da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17/06/2015 ( folhas 2.195). Em 11 de junho de 2015, a empresa AVIX COMERCIAL E INFORMÁTICA EIRELLI ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO de folhas 2.221 a 2.238. Foi alegado em síntese que: ü A prática de descaminho não restou configurada, na medida em que as relações comerciais entre a Recorrente e as empresas consideradas “inexistentes” no Auto de Infração, ocorreram em mercado nacional. ü A Recorrente adquiriu as mercadorias no mercado nacional de empresas vendedoras cujos cadastros oficiais estavam plenamente ativos à época das aquisições. ü Se não há importação como pode haver descaminho / perdimento? ü Inexiste confusão patrimonial entre a Recorrente e as empresas Logantech Comércio de Informática Eireli e Drap 192 Serviços de Apoio e Cobranças Ltda tais empresas apenas possuem relacionamento comercial, conforme contratos anexos aos autos. ü Com devida à erudição dos agentes estatais que analisaram este feito administrativo, mas não é fato que a Autoridade Fazendária, na famigerada ânsia de autuar a Recorrente, olvidouse de expor, de forma pormenorizada, a metodologia para constituir o crédito tributário. ü Sem essa exposição pormenorizada, tomase evidente que a Recorrente tem a elaboração de sua defesa prejudicada, tendo em Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 8 13 vista que esta não sabe, repitase, de maneira precisa, o racional de cálculo utilizados para se chegar ao valor devido de crédito tributário. ü Verificase a efetiva realização das operações com base no valor de mercado nacional por intermédio da documentação que já está anexa aos autos, composta, em especial, de (i) cópias das notas ficais referentes às operações; (ii) comprovantes bancários de pagamentos; (iii) registros de entrada da Recorrente. ü A época das aquisições (período entre janeiro de 2012 e maio 2013), a Inscrição Estadual da empresa fornecedora estava vigente e a informação constante do cadastro eletrônico da Secretaria da Fazenda era de que se tratava de empresa habilitada para os atos de comércio. ü Não há como a Recorrente adivinhar que as empresas fornecedoras estavam envolvidas em um esquema fraudulento de importações de mercadorias do Paraguai, especialmente porque, os documentos emitidos por todos os órgãos fiscais, atestavam a regularidade das empresas. ü Consoante se extrai dos portais eletrônicos que foram anexados aos autos quando se apresentou a defesa, as referidas empresas comercializam produtos com diversos outros estabelecimentos, ou seja, tem uma vasta carteira de clientes. ü Ao comparar a quantidade de produtos negociados entre tais empresas e a ora Recorrente, não é difícil concluir que os valores adquiridos pela Recorrente não correspondem sequer a uma quantia denominada “pequena”. ü Na decisão recorrida, fixouse o entendimento de que a empresa Logantech e a Recorrente são as mesmas pessoas, tendo em vista que uma é sucessora da outra no desenvolvimento da atividade empresarial. ü Equivocase a Autoridade Julgadora, pois consoante se extrai do contrato social da Recorrente, esta atua preponderantemente no comércio de equipamentos e prestação de serviços relacionados à informática. ü Na condição de prestadora de tal serviço, a Recorrente é obrigada a ficar à disposição de seus clientes para a realização de assistência técnica e ou troca/reparação dos produtos comercializados com defeito. ü Pois bem. Em meados desse ano, por dificuldades econômicas e financeiras, a ora Recorrente deixou de adquirir produtos de seus fornecedores e passou a se dedicar, exclusivamente, à prestação de serviço de RMA. Fl. 2370DF CARF MF 14 ü O Acórdão da Delegacia de Julgamento, além de afirmar que haveria confusão patrimonial entre a Recorrente e a empresa Logantech Eireli, consignou que a ora Recorrente também participava da gestão da empresa DRAP 192 Serviços de Apoio de Cobrança Ltda. ü Em função disso, afirmouse que a Recorrente arquitetou “engenhosa estrutura de lavagem de dinheiro por meio de outra empresa fictícia (DRAP) com uso de proprietários Laranjas (das EIRELPs), de maneira a dificultar a identificação dos reais administradores”. ü NADA MAIS EQUIVOCADO. Sobre tal ponto, vale esclarecer que serviço prestado pela empresa em questão se refere, exclusivamente, à venda e representação dos produtos disponibilizados pela Recorrente. ü Conforme se pode observar nos autos, está sendo exigido da Recorrente crédito tributário como se ela tivesse, de fato, realizado operações de importações de mercadorias. ü Entretanto, não há nos autos uma sequer prova de que Recorrente atravessou as fronteiras brasileiras com as mercadorias suspostamente adquiridas no Paraguai. ü Isso porque, como bem afirmado pelo Delegado de Julgamento, as mercadorias eram fornecidas pela empresa Nova Advance, por meio das pessoas Cleide e Everaldo, às empresas fornecedoras da Recorrente. ü A empresa Nova Advance, ao que tudo indica, era quem fazia as importações do Paraguai e não as empresas fornecedoras da Recorrente, nem muito menos a Recorrente. ü Agora como a empresa Nova Advance realizava as operações de importações, infelizmente é impossível a Recorrente saber como elas eram operacionalizadas, especialmente porque não matinha nenhuma relação comercial com a Recorrente. ü A Recorrente apenas negociava os preços das mercadorias e somente isso! Na hora de fechar a compra das mercadorias, a Recorrente realizava negócios com as empresas Santana, Augiment, etc. ü Devese ressaltar que as Autoridades Fiscais não carrearam aos autos um prova documental, emitida por órgãos paraguaios, de que a empresa Nova Advance era formalmente constituída no Paraguai. ü Fato curioso é que a empresa Nova Advance, que o Auditor Fiscal diz ser estabelecida no Paraguai, não tem página na internet com o domínio “.com.py”, mas “.com.br”. ü Tal fato, sem a menor dúvida, indica que a empresa Nova Advance era quem, de fato, atravessava as fronteiras entre Paraguai e Brasil, assim realizando a importação das mercadorias. DO PEDIDO Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 9 15 Ante o exposto, requer seja dado provimento integral ao presente recurso voluntário para se reconhecer: a) A INSUBSISTÊNCIA apontada no tópico preliminar, em razão dos fundamentos expostos; b) A NULIDADE por falta de explicação sobre a metodologia (racional de cálculo) utilizada na constituição do crédito tributário; c) A NULIDADE da acusação, determinando o cancelamento do Auto de Infração em comento, tendo em vista a falta de provas da ocorrência de dolo, fraude ou simulação; d) No mérito, seja dado total provimento ao recurso para cancelar o presente auto de infração, nos termos das razões expostas neste recurso voluntário. Em 11 de junho de 2015, a empresa LOGANTECH COMERCIO E SERVICOS DE INFORMATICA EIRELI ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO, de folhas 2.297 a 2.314, aduzindo basicamente as mesmas razões. Em 28 de março de 2017, através do Acórdão n° 3302003.720, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF por unanimidade de votos, em negou provimento ao Recurso Voluntário. Entendeu a Turma que as conversas transcritas no Relatório de Procedimento Fiscal evidenciam que o Sr. Reinaldo negocia o preço das mercadorias em dólares, o valor da taxa de câmbio, solicita número de conta bancária para o pagamento de mercadorias, e até mesmo discute sobre a emissão da nota fiscal eletrônica. Ora, se as empresas realmente adquirissem os produtos no mercado interno, essas conversas seriam, no mínimo, descabidas. A premissa assentada no acórdão sobre a confusão patrimonial entre as recorrentes foi amparada na análise da vasta coleção de provas (fluxo de conversas transcritas e de notas fiscais, dentre outras) apresentadas pelo fiscal autuante. A empresa LOGANTECH COMERCIO E SERVICOS DE INFORMATICA EIRELI foi cientificada da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, por via eletrônica, em 06/06/2017 ( folhas 2.295). A Sra. VANESSA ORLANDO BUSTO DOS SANTOS foi cientificada da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, via Aviso de Recebimento, em 02/06/2017 ( folhas 2.296). O Sr. MAXLANDE FARIAS DOS SANTOS foi cientificado da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, via Aviso de Recebimento, em 30/05/2017 ( folhas 2.297). O Sr. REINALDO BUSTO foi cientificado da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, via Aviso de Recebimento, em 02/06/2017 ( fo1lhas 2.298). Fl. 2372DF CARF MF 16 O Sr. JOSÉ LANDES FERREIRA MOTA foi cientificado da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, via Aviso de Recebimento, em 31/05/2017 ( fo1lhas 2.300). A empresa DRAP 192 SERVIÇOS DE APOIO E COBRANÇA LTDAME foi cientificada da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, via Aviso de Recebimento, em 02/06/2017 ( olhas 2.301). O Sr. DENILSON MOREIRA VINHAS foi cientificado da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, via Aviso de Recebimento, em 31/05/2017 ( fo1lhas 2.330). A empresa AVIX COMERCIAL E INFORMÁTICA EIRELLI foi cientificada da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, via Edital, em 19/06/2017 ( folhas 2.333). O Sr. VICENTE PAULO LINDOVINO foi cientificado da decisão da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, via Edital, em 16/06/2017 ( folhas 2.335). Em 14 de junho de 2017, a empresa LOGANTECH COMERCIO E SERVICOS DE INFORMATICA EIRELI ingressou com RECURSO ESPECIAL contra o Acórdão n° 3302003.720, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF. Alega a Recorrente que: ü Cumprindo o pressuposto recursal de demonstração analítica da divergência jurisprudencial, previsto no artigo 67, § 1° do RICARF, a Recorrente apresenta, como paradigma da discussão acerca da nulidade de decisão por omissão de pronunciamento quanto às razões de defesa do contribuinte (art. 31 e 59, incisos I e II, ambos do Decreto 70.235/1972), o acórdão n° 3801002.481, proferido pela 1a T urma Especial no PTA n° 13603.001247/00 98, Recurso Voluntário, sessão de 27.11.2013, Relatora Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (doc. n° 01), bem como o acórdão n° 3301 002.071, proferido pela 3a Câmara Julgadora / 1a Turma Ordinária no PTA n° 10480.720057/200710, Recurso Voluntário, sessão de 22.10.2013, Relator Andrada Márcio Canuto Natal (doc. n° 02). ü Portanto, o caso é de anulação do v. acórdão, posto que, embora o julgador não esteja obrigado a analisar todos os argumentos trazidos pelas partes, tal dispensa não autoriza a desconsideração tidos por autônomos que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada como ocorre, in casu, com a ausência de pronunciamento acerca da necessidade de indicação da metodologia utilizada na composição do “valor aduaneiro da mercadoria” (que não se confunde com a responsabilidade tributária); ü Ocorre que, tendo a decisão deixado de se pronunciar acerca de argumento autônomo que não se confunde com a responsabilidade tributária, o caso é de sua anulação por violação aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 10 17 E não poderia ser diferente, pois o reconhecimento da existência de confusão patrimonial não autoriza a falta de indicação da metodologia utilizada para mensuração da base de cálculo do débito. De outro modo, estarseia a chancelar todo e qualquer excesso de autuação em decorrência de mera responsabilidade tributária. Assim, versando a omissão acerca de aspecto fundamental sobre a matéria discutida, o vício apontado há de ser sanado, pois o não enfrentamento de todos os argumentos deduzidos pela Recorrente enseja a anulação do v. acórdão por este CSRF para que os autos sejam devolvidos à instância a quo para prolação de nova decisão. DO PEDIDO. Ex positis, requerse o provimento do presente recurso para anularse o v. acórdão, devolvendose os autos à instância a quo para prolação de nova decisão. Na oportunidade, protesta a Recorrente pela realização de sustentação oral. O Recurso foi recebido como Embargos de Declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 04 de agosto de 2017, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para a manifestação sobre a indicação da metodologia utilizada na composição do “valor aduaneiro da mercadoria”. Portanto, entendese que o recurso é admissível por atender a forma do artigo 65 do RICARF. 2. DA TEMPESTIVIDADE O Acórdão n° 3302003.720, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, data de 28 de março de 2017. A Embargante tomou ciência da decisão de segunda instância em 04/07/2017, como informa o Edital Eletrônico n° 002023341, à efolha 2.333, e protocolou os embargos de declaração em 21/06/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada à folha 2.336 (postado no correio em 16/06/2017 efolhas 2.338) portanto antes de ser regularmente cientificada. Assim, concluise que o recurso foi apresentado dentro do prazo legal. O recurso é tempestivo. 3. DA OMISSÃO Fl. 2374DF CARF MF 18 Às folhas 2.225 e 2.226 do processo digital, constatase que a matéria foi questionada em sede de recurso voluntário. III.2 Da falta de explicação sobre a metodologia utilizada Com a devida à erudição (sic) dos agentes estatais que analisaram este feito administrativo, mas não é fato que a Autoridade Fazendária, na famigerada ânsia de autuar a Recorrente, olvidouse de expor, de forma pormenorizada, a metodologia para constituir o crédito tributário. Sem essa exposição pormenorizada, tomase evidente que a Recorrente tem a elaboração de sua defesa prejudicada, tendo em vista que esta não sabe, repitase, de maneira precisa, o racional de cálculo utilizados para se chegar ao valor devido de crédito tributário. Tal fato, por conseguinte, sinaliza a presente autuação foi lavrada com base em presunções. Portanto, tendo em vista que a fundamentação utilizada pelo Fiscal não reflete a realidade dos fatos, não restam dúvidas quanto à necessidade de se declarar a nulidade deste auto de infração. Asseverase isso, pois, por meio do procedimento fiscal de autuação, o Auditor Fiscal deve trazer os elementos formadores da sua convicção (explicar sua metodologia), os quais, por sua vez, devem ser sustentados por documentos probatórios ou métodos de avaliação empíricos. E isso atesta a necessidade do Auditor Fiscal explicar o racional de cálculo para se atingir o valor do crédito tributário. Portanto, resta claro que o presente auto de infração foi lavrado sem a explicação precisa do racional de cálculo. Por isso não possui a necessária consistência para amparar esta autuação e as penalidades aplicadas, visto que se encontra fundado em presunções, ficções ou meros indícios. (Grifos próprios do original) A leitura do inteiro teor do voto condutor da decisão recorrida leva a conclusão de que, de fato, o acórdão omitiuse a respeito do assunto. 4. DO INDEFERIMENTO No rosto do presente Auto de Infração, lavrado em 24/09/2013, consta a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), no valor de R$ 7.244.407,72 (folhas 02 do processo digital). Às folhas 03 do processo digital consta o seguinte quadro referência: O quadro é seguido pelo Enquadramento Legal: Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 11 19 Fatos Geradores a partir de 30/12/2003. 100,00% Art. 23, § 3° do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/02 combinado com art. 81, inciso III da Lei n° 10.833/03. ° Decreto Lei 1.455/76: Artigo 23. (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (Grifo e negrito nossos) Portanto, o legislador autorizou a utilização do preço constante da respectiva nota fiscal no cálculo da multa equivalente ao valor aduaneiro (100%). E foi assim que a fiscalização procedeu, demonstrando os valores apurados de folhas 39 a 61 do processo digital. A autoridade preparadora confeccionou cinco tabelas contendo as seguintes informações: ° folhas 39 do processo digital: Total: R$ 1.392.610,89 ( folhas 40 do processo digital ); ° folhas 41 do processo digital: Total: R$ 2.324.167,00 ( folhas 54 do processo digital ); ° folhas 55 do processo digital: Fl. 2376DF CARF MF 20 Total: R$ 103.556,50 ( folhas 55 do processo digital ); ° folhas 56 do processo digital: Total: R$ 181.159,73 ( folhas 57 do processo digital ); ° folhas 58 do processo digital: Total: R$ 3.246.730,66 ( folhas 61 do processo digital ) Somando os subtotais, temos: Esse valor é superior ao da exigência constante no presente auto de infração, que é de R$ 7.244.407,72. Provavelmente, a fiscalização deixou de considerar o valor de alguma importação no cômputo da exigência aqui analisada, o que é benéfico para a parte. Com base nas razões acima expostas, acolho os embargos de declaração interpostos pela contribuinte, sem efeitos infringentes. Jorge Lima Abud. Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 16905.720196/201321 Acórdão n.º 3302005.730 S3C3T2 Fl. 12 21 Fl. 2378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000425/2005-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2000
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, DECADÊNCIA, A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do
fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.346
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e cancelar a autuação, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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Recorrida 38 TURMA/DM-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, DECADÊNCIA, A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação, Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e cancelar a autuação, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente ALDIR VEIGA CHA - Relator EDITADO EM: 12 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório KDR ENGENHARIA E GERENCIAMENTO DE PROJETOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão á' 16-16.441, de 20/02/2008, da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração lavrados em 21/02/2005 (ciência do sujeito passivo em 22/02/2005) para constituição de créditos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fl. 127) e reflexos tributários de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fl. 140), Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fl. 131) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fi. 135), por fatos geradores ocorridos no ano-calendário 1999. O total da exação alcançou R$ 1.328.911,11, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 07), aí incluídos multa de oficio de 75% e juros de mora. Em primeira instância, os fatos fbram assim descritos pelo diligente relator do processo: De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 116/118), foi constatado o que se segue: > Constam dos livros Diário e Razão lançamentos contábeis representativos de ingressos de numerários escriturados corno empréstimos e como suprimento de caixa. >. Intimada a justificá-los, a empresa alegou tratarem-se de reembolso de despesas (notas de débito). A documentação disponibilizada não é coincidente em data e valor, não havendo como inferir que diversas notas fiscais e comprovantes de despesas correspondam aos valores escriturados. > De ressaltar que mesmo se tais valores representassem reembolso de despesas, o que não ficou comprovado, estes deviam ser tratados como receitas pelo contribuinte, > Urna vez não suportados por documentos hábeis e idôneos para justificar tais ingressos, bem como para identificar a sua autoria, a fiscalização adotou o procedimento de recomposição da conta Caixa, cujo saldo apurado nos trimestres fiscalizados foi credor. Em 22/02/2005, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 127) e, em 24/03/2005, apresentou defesa (fls. 161/190), resumidamente, nos seguintes termos: > O conceito trazido pelo artigo 150 do Código Tributário Nacional se centra no procedimento a ser adotado pelo contribuinte, no tocante ao pagamento do imposto efetuado sem o prévio exame da autoridade administrativa. >- O IRRI se enquadra na modalidade de "lançamento por homologação", o que torna claro que a ação fiscal encerrada em fev/2005 não podia alcançar fatos ocorridos no penado de janeiro a dezembro/1999. 2 Processo n° 19515000425/2005 .60 SI-C3T1 Acórdão n 1301-00-346 Fl. 2 > Tal entendimento também se aplica a CSLL„ PIS e COFINS, > No mérito, assinale-se que a fiscalização dispunha dos elementos a possibilitar a checagem da movimentação financeira da empresa, > A impugnante está providenciando junto às empresas Alcoa e Alumar a emissão de documento que esclarece e detalha todos os reembolsos de despesas efetuados no ano-calendário de 1999, cujas operações foram efetuadas por via bancária. > Ora, estando as operações registradas nos assentamentos contábeis da empresa, cabia ao fisco aprofundar-se nas investigações, com vistas a verificar uma eventual irregularidade dos lançamentos efetuados > Se houve ingresso de numerário em conta bancária, obrigatoriamente a sua origem tem de estar dentro da própria movimentação financeira da empresa. > Dai pode-se afirmar com segurança que houve erro na identificação temporal do lançamento, o que pode levar a sua nulidade total. > A exigência fiscal está fundada em presunções, ficções e indícios, os quais se incompatibilizam com os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação. > O CTN define o fato gerador do imposto de renda como sendo a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos (artigo 43); enquanto não se verificar concretamente esse fato, não há que se falar em obrigação tributária (artigos 113, 114 e 116) e, dessa forma, o crédito tributário não pode ser constituído (artigo 142). > A taxa SELIC é ilegal, pois contraria o disposto no artigo 161 do CTN. > A referida taxa, por ser remuneratória do capital, não se presta para a cobrança de juros de mora pretendida pela Administração Pública quando do inadimplemento de tributos federais. > Impor ao contribuinte o pagamento de juros extorsivos cobrados pelo mercado de capitais representa flagrante desvio de finalidade, uma vez que configura uma inadmissível forma de remuneração do Estado, ao invés de ser meramente indenizatório, > Ademais, a sua aplicação infringe a Súmula 121 do STF, que veda a capitalização de juros sobre juros A 3' Turma da DRJ em São Paulo - I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-16.441, de 20/02/2008 (1.1s, 217/231), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — Ano-calendário: 1999 PRELIMIN4R DE NULIDADE INOCORRÊNCIA, 3 incabível cogitar-se sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não se caracteriza o lançamento por homologação quando não ocorre o pagamento antecipado, hipótese em que o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Deve, portanto, remanescer o lançamento formalizado com base em fato gerador do 4" trimestre de 1999, Cancelam-se os lançamentos relativos ao 1" a 3" trimestres de 1999, por terem sido concretizados após o prazo legal para formalização da exigência. DECADÊNCIA, CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COFINS, PIS E CSSL. Com o advento da Lei n" 8.212/91, entrou em vigor o prazo decenal para a constituição de créditos das contribuições para a seguridade social. OMISSÃO DE RECEITAS. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. A não comprovação documental de ingressos de numerários escriturados enseja a recomposição da rubrica representativa dessas disponibilidades. Se, desse procedimento, resultar em saldo credor de caixa, correta a exigência do tributo, tendo como marco temporal de ocorrência do falo gerador o trimestre em que for constatada a irregularidade tipificada pela legislação tributária. ALEGA çÃo DE INCONSTITUCIONAL IDADE E ILEGALIDADE A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. JUROS DE MORA SELIC A , falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, com base na taxa SELIC TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Ciente da decisão de primeira instância em 25/06/2008, conforme termo à 237, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/07/2008 conforme carimbo de recepção à folha 248, 4 É o Relatório. Processo tf 19515 000425/2005-60 S1-C3T1 Acórdão n " 1301-00,346 El 3 No recurso interposto (fls. 248/262), a recorrente argúi, preliminarmente, que a decadência teria alcançado a integralidade do lançamento, e não apenas os fatos geradores ocorridos do primeiro ao terceiro trimestres de 1999 para o IRPJ, conforme decidiu a Turma Julgadora em primeira instância. Sustenta que teria apresentado tempestivamente sua declaração de rendimentos, além de recolher pontualmente os tributos devidos, pelo que seriam aplicáveis as disposições do art. 150, § 40, do CTN, afastada, ainda, a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Estende seus argumentos também aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS, invocando a aplicação da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, a qual declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8212/1991. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido e o acolhimento da preliminar de decadência. Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço O único argumento aduzido pela recorrente diz respeito à decadência, e passo a apreciá-lo, Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: Art, 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [ Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras específicas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 40: Art ]50. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a refèrida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador,. expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Quanto aos tributos exigidos no presente processo, entendo submeterem-se ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. O critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de oficio deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. A regra do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do IPTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento. Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de ofício, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. 6 Processo nü 19515.000425/2005-60 S1-C3T1 Acórdão n.' 1301-00.346 Fl. 4 O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Em primeira instância, a Turma Julgadora entendeu que, na ausência de pagamento, o dispositivo aplicável seria o inciso 1 do art. 173. Pelo anteriormente exposto, não sigo essa linha de pensamento e devo divergir. Observo que, no caso concreto, o contribuinte não fez qualquer pagamento de IRPJ e de CSLL no 4° trimestre de 1999 em razão de que, no período, apurou prejuízo fiscal (fi. 40) e base de cálculo negativa da contribuição (fl. 51). O contribuinte adotou, portanto, os procedimentos de apuração dos tributos da forma que lhe pareceu correta, e deles deu conhecimento ao Fisco, mediante a tempestiva entrega da declaração apropriada. Considero, pois, perfeitamente caracterizado o exercício da atividade pelo contribuinte de tal forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4 0, do CTN. Ainda, em primeira instância a Autoridade Julgadora, valendo-se do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que estabelecia prazo decenal para a decadência das contribuições sociais de que tratava, negou a ocorrência da decadência para o PIS, a COF1NS e a CSLL. Sobre a matéria, trago à colação o entendimento do Supremo Tribunal Federal, consubstanciado na Súmula Vinculante n° 8, publicada no D.O.U. do dia 20/06/2008, com a seguinte redação: Súmula vinculante n" 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n" 1 569/1977 e os artigos 4.5 e 46 da Lei n" 8 212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário Diante da manifestação definitiva e expressa da Corte Suprema e, ainda, à luz do art. 103-A da Constituição em vigor t e do que dispõe o Decreto n° 2,346/1997, não se há de aplicar, em qualquer caso, o prazo decenal do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Assim, aos tributos aqui discutidos devem ser aplicadas as disposições do art. 150, § 4', do CTN, o que implica a necessidade de rever a decisão a quo. No ano-calendário 1999, o lançamento foi feito por periodos de apuração trimestrais, para o IRPJ e a CSLL. Consumando-se os fatos geradores tributários no último dia de cada trimestre civil, e tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 25/02/2005 (fl. 127), constato que a decadência alcançou a totalidade dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL do presente processo. No que toca ao PIS e à COFINS, cujos fatos geradores são mensais, aplicando-se o mesmo raciocínio acima, chega-se a idêntica conclusão. Ari. 103-A O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei, (Incluído pela Emenda Constitucional n" 45, de 2004). 7 Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto e pelo cancelamento integral da exigência, em face da decadência. WALDIR VEIGA ROCHA - Relator 8
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720630/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
CERCEAMENTO DE DEFESA. MÉTODO MAIS BENÉFICO.
A Lei nº 9.430, de 1996 e a IN nº 243, de 2002, autorizam o contribuinte a adotar o valor mais benéfico de preço de transferência, se a empresa efetuar as apurações por vários métodos; se a empresa optou pelo método PRL 60%, sem apurar pelos demais, não há previsão para que o órgão fiscalizador levante dados e efetue também cálculos pelos outros métodos, que o contribuinte não adotou, nem calculou para fins de comparação, sendo incabível alegar cerceamento de defesa, neste caso.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2003
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.
Tendo o período em exame transcorrido durante a vigência do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação anterior à MP n º 563, de 3 de abril de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, e da IN SRF, nº 243, de 2002, deve se obedecida esta legislação, então em vigor, que determinava que integram o custo, para efeito de dedutibilidade o valor da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação; a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste último estarão, necessariamente, incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2003
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2003
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL.
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 1201-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. MÉTODO MAIS BENÉFICO. A Lei nº 9.430, de 1996 e a IN nº 243, de 2002, autorizam o contribuinte a adotar o valor mais benéfico de preço de transferência, se a empresa efetuar as apurações por vários métodos; se a empresa optou pelo método PRL 60%, sem apurar pelos demais, não há previsão para que o órgão fiscalizador levante dados e efetue também cálculos pelos outros métodos, que o contribuinte não adotou, nem calculou para fins de comparação, sendo incabível alegar cerceamento de defesa, neste caso. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Tendo o período em exame transcorrido durante a vigência do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação anterior à MP n º 563, de 3 de abril de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, e da IN SRF, nº 243, de 2002, deve se obedecida esta legislação, então em vigor, que determinava que integram o custo, para efeito de dedutibilidade o valor da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação; a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste último estarão, necessariamente, incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2003 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
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NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. MÉTODO MAIS BENÉFICO. A Lei nº 9.430, de 1996 e a IN nº 243, de 2002, autorizam o contribuinte a adotar o valor mais benéfico de preço de transferência, se a empresa efetuar as apurações por vários métodos; se a empresa optou pelo método PRL 60%, sem apurar pelos demais, não há previsão para que o órgão fiscalizador levante dados e efetue também cálculos pelos outros métodos, que o contribuinte não adotou, nem calculou para fins de comparação, sendo incabível alegar cerceamento de defesa, neste caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 30 /2 00 8- 94 Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 3 2 Tendo o período em exame transcorrido durante a vigência do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação anterior à MP n º 563, de 3 de abril de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, e da IN SRF, nº 243, de 2002, deve se obedecida esta legislação, então em vigor, que determinava que integram o custo, para efeito de dedutibilidade o valor da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação; a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste último estarão, necessariamente, incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2003 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 4 3 Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$1.714.729,72, devido à infração 001 GLOSA DE CUSTOS, referente à diferença de valores de custos decorrente de conversão irregular de moeda, quando da importação do produto 8036345, conforme reconhecido pelo contribuinte na cartaresposta datada de 28/05/2008 (fls.103/306numeração manual), fato gerador em 31/12/2003, apenada com multa de ofício de 75%; infração 002 NÃO ADIÇÃO DE PARCELA DE CUSTOS, BENS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR DE PESSOA VINCULADA, fato gerador em 31/12/2003, multa de 75%; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$617.302,69, relativa às mesmas infrações, multa de 75%, págs. 8/66; a descrição dos fatos e da autuação consta do auto de infração de IRPJ. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, págs. 471/545, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL, Acórdão nº 0113.072 de 129 de fevereiro de 2009, págs. 627/640, que considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário in totum, destacando que a infração 001 não foi impugnada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa:MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarse não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. COBRANÇA IMEDIATA. Em caso de impugnação parcial, a matéria não impugnada deve ser apartada dos autos para cobrança imediata. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improficuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 5 4 dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.°45. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa editada pela autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. APURAÇÃO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IMPRESTABILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INIMPUTABILIDADE. A inimputabilidade prevista no art. 100 do CTN só é possível nos caso de observância das normas complementares, taxativamente enumeradas pelo mesmo dispositivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 Ementa:Aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido o que foi decido para o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Lançamento Procedente 3. Cientificado em 27/04/2009, pág. 648, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 655/747, em 26/05/2009, tempestivo, resumido a seguir. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 6 5 4. Diz que foi autuado em face da não adição de suposto excesso de custos de bens adquiridos de pessoas vinculadas situadas no exterior, verificado pelo método do preço de transferência; que a fiscalização desconsiderou a metodologia de cálculo da Recorrente, método PRL60%, na apuração do preço parâmetro de importação, e refez, aplicando metodologia de cálculo da IN SRF nº 243, de 2002, e adicionando o custo do frete (CIF), ou seja, metodologia diversa daquela estabelecida pela Lei n° 9.430, de 1996. 5. Informa que já recolheu o valor devido, relativo à parcela não impugnada. 6. Reclama de preterição do direito de defesa na lavratura do auto de infração, pela fiscalização, que justificou o encerramento do procedimento, com base na suposta ausência de documentos suficientes a comprovar o critério de cálculo e não diligenciou em buscar a verdade dos fatos, pois os documentos apresentados não foram analisados com a devida profundidade e diligência, o que justifica a nulidade. 7. Acusa que tanto o auto de infração como o Acórdão DRJ feriram o princípio da Busca da Verdade Material pois o último foi fundamentado pela DRJ/BEL com base nos documentos trazidos pela parte contrária e a autoridade administrativa competente não fica obrigada ao exame ao que foi alegado em 1ª Instância, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. 8. Reclama da imprecisão da matéria tributável, o que enseja o cancelamento dos autos de infração, devido tanto à aplicação indiscriminada da IN SRF nº 243, de 2002, quanto pela adição do custo do frete (CIF) no cálculo do preço parâmetro; que é imprescindível alterar o critério, pois deveria ter sido considerado o preço FOB das importações e o critério de cálculo da Lei nº 9.430, de 1996. 9. Diz que, tendo a fiscalização desconsiderado o método escolhido pela Recorrente, deveria, nos termos do § 4º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, ter efetuado os cálculos pelos outros métodos e aplicado o mais benéfico, sendo descabida a alegação fiscal de que a Recorrente não tinha apurado o preço parâmetro por mais de um método; e a acusação de que não disponibilizou documentos é ainda mais grave e prejudicial; ressalta que a autoridade fiscal está obrigada a adotar o método mais benéfico para o contribuinte, depois de ter apurado o preço parâmetro pelos três métodos existentes: PIC, CPL e PRL, o que não foi feito, invalidando a autuação, pois a Recorrente havia escolhido o PRL 60% e não está obrigada a fazer os cálculos pelos três métodos e disponibilizar os dados para a fiscalização, ou seja, executar o trabalho desta; reitera que a autoridade fiscal não observou a verdadeira essência no princípio do arm's length, na busca da verdade material, e os princípios da capacidade contributiva, da isonomia, do nãoconfisco e da aplicação da lei mais benéfica, art. 106 do CTN. 10. Sobre o método PIC, aponta que a Fiscalização tem acesso ao Siscomex de onde poderia extrair informações relativas a operações semelhantes às da Recorrente. 11. Acusa de ilegal a IN SRF nº 243, de 2003, argumento que a DRJ não julgou a acusação de ilegalidade dizendo não ser de sua competência, mas a Recorrente quis só demonstrar a impropriedade do lançamento com base em IN que extrapolou seus limites de competência, ao inovar o critério de cálculo da Lei nº 9.430, de 1996; cita decisões do Conselho de Contribuintes que apreciaram a questão e afirma: Fl. 834DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 7 6 91. Muito embora o Sr. AFRFB tenha se fundamentado na IN SRF n° 243/02 para refazer o referido cálculo, tal IN diverge da Lei n° 9.430/96 quanto ao cálculo do preço parâmetro através do método PRL60%. 92. Isso porque, enquanto a Lei determina que o preço parâmetro calculado pelo método PRL60% deva ser o resultado decorrente da margem de lucro de 60% apurada sobre a média aritmética dos preços de revenda dos bens diminuida do valor agregado no país (entre outros valores irrelevantes para a discussão), a IN SRF no 243/02 desvirtua esse comando determinando que a margem de lucro de 60% deve ser calculada sobre a receita liquida proporcional ao produto importado (entre outros valores irrelevantes para a discussão). 93. Ou seja, o valor agregado acaba sendo completamente ignorado na sistemática do cálculo do preço parâmetro, adotada pela IN SRF n° 243/02. 12. E explica que: 96. 0 art. 18, inciso II, alínea d, item 1, da Lei n° 9.430/96, com as alterações da Lei n° 9.959/00, é claro ao dispor sobre o cálculo do método PRL60%, verbis: "Artigo 18 — (...) Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção; ..." 97. Da leitura do artigo acima transcrito, fácil é o entendimento de que a intenção do legislador era retirar do cálculo o valor agregado, diminuindoo da média ponderada do valor liquido de vendas, e sobre este resultado aplicar a margem de 60%. 98. A contrario sensu, o art. 12, § 11, da IN n° 243/02, impõe a utilização de uma margem de lucro de 60% sobre os custos de importação de matériasprimas considerando um preço de venda liquido proporcional à participação do custo da matériaprima importada no custo total do produto acabado. 99. Explicase. De acordo com a IN, a margem de 60% deve ser aplicada diretamente no percentual de participação da matéria prima importada no produto acabado, reduzindo consideravelmente o preço parâmetro. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 8 7 100. Logo, com a redução do preço parâmetro, evidentemente que o ajuste calculado será muito maior. 13. E apresenta exemplo de cálculos para evidenciar que o preço parâmetro calculado segundo a IN SRF n° 243, de 2002, é consideravelmente menor quando comparado com o cálculo da Lei n° 9.959, de 2000 (que alterou a Lei n° 9.430, de 1996), acarretando excessivos ajustes a serem adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; por isso, é flagrante a distorção no cálculo do preço parâmetro na interpretação da Fiscalização. 14. Afirma que é ilegal e inconstitucional a IN SRF n° 243, de 2002, no que tange à mensuração do parâmetro de preço com base no PRL60%, cita acórdãos do CARF e opiniões de autores. 15. Sobre a inclusão do frete pago a terceiros no cálculo do preço parâmetro, discorda ter interpretado de forma equivocada o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, pois o preço FOB deve ser adotado sem a inclusão do valor do frete pago a terceiros; assevera que, para que não restassem dúvidas quanto às parcelas que se sujeitam ao controle de dedutibilidade, o legislador foi cuidadoso ao indicar que, tanto as parcelas de frete, como as de seguro e imposto de importação, integrariam a parte dedutivel do preço, uma vez que não representam quaisquer parcelas pagas a pessoas vinculadas; aduz que a Lei 9.430, de 1996, não impõe a inclusão no cálculo do preço parâmetro desses encargos pagos a terceiros, que não a pessoa vinculada. Logo, não pode a IN 243/2002, no § 40 do art. 40, impor tal acréscimo; cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes; diz que o disposto no parágrafo 6°, do art.18, não significa inserção do frete, seguro e tributos sobre importação, na composição do preço praticado que se sujeitará à comparação, mas, sim, que estes são dedutiveis além do que for apurado mediante a aplicação dos três métodos; que frete e seguro somente são justificados como Preço Praticado quando a importação de pessoa vinculada for CIF, mas não como preço pago pelo bem e sim como preço de serviço de transporte, apartado do preço do bem; que o "caput" do art. 18 alude que "custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, serão dedutiveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos", é dizer, somente se consideram para fins de comparação os custos, despesas e encargos devidos a pessoa vinculada; que não é possível a distinção entre os métodos PRL e PIC, porque o § 6° se aplica aos três métodos dos incisos do "caput", eis que não há direcionamento a qualquer um deles em particular, como ocorre nos parágrafos 2° e 3°. Quando a lei tratou separadamente de um determinado método, o fez expressamente. Como se vê, o preço praticado com base no valor CIF é muito superior àquele com base no valor FOB, uma vez que inclui parcelas que não são pagas à pessoa vinculada de quem se importou a matériaprima. 147. Essa diferença é bastante relevante e leva ao necessário cancelamento ou, no mínimo, à anulação dos Autos de Infração, eis que foram utilizados critérios equivocados para composição do preço praticado e, por conseqüência, para a constituição do crédito tributário. 16. Pleiteia que deve ser afastada a aplicação de penalidades, os juros e a correção monetária dos tributos exigidos; deve ser excluída a taxa Selic, bem como as multas aplicadas, por força do art. 100 do CTN; cita Acórdão do Conselho de Contribuintes. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 9 8 17. Acusa de indevida a cobrança da taxa Selic sobre a multa de ofício, pois ofende o principio da legalidade, assegurado pela CF, de 1988 (arts. 5°, II e 150, I) e pelo CTN (art. 97), e art. 20, I, da Lei n° 9.784, de 1999; se mantida, advoga que os juros se limitem a 1% ao mês e cita Acórdão do Conselho de Contribuintes. 18. Se mantida a multa de ofício, deve se limitar a 30%, conforme decisões do STF e TRF5. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Nulidade 19. Acusa que a fiscalização desconsiderou a metodologia de cálculo da Recorrente, método PRL60%, e refez aplicando metodologia da IN SRF nº 243, de 2002, e adicionando o custo do frete (CIF), ou seja, utilizou metodologia diversa daquela estabelecida pela Lei n° 9.430, de 1996. Pleiteia nulidade dos autos, devido a preterição do direito de defesa pois a fiscalização encerrou o procedimento, com base na suposta ausência de documentos suficientes a comprovar o critério de cálculo e não diligenciou em buscar a verdade dos fatos; diz que, tendo a fiscalização desconsiderado o método escolhido pela Recorrente, deveria, nos termos do § 4º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, ter efetuado os cálculos pelos outros métodos e aplicado o mais benéfico, sendo descabida a alegação fiscal de que a Recorrente não tinha apurado o preço parâmetro por mais de um método; e a acusação de que não disponibilizou documentos é ainda mais grave e prejudicial; ressalta que a autoridade fiscal está obrigada a adotar o método mais benéfico para o contribuinte, depois de ter apurado o preço parâmetro pelos três métodos existentes: PIC, CPL e PRL, o que não foi feito, invalidando a autuação. 20. O procedimento fiscal iniciouse em 17/04/2007 e se encerrou em 27/06/2008, com a ciência dos autos; portanto, desenvolveuse na vigência da IN SRF n° 243/2002, assim como o fato gerador, em 2003. 21. O contribuinte foi intimado a informar o método de determinação do preço de transferência, apresentar as memórias de cálculo e a documentação de suporte correspondentes (pág. 70); a empresa apresentou "01 CDROM Contendo os arquivos em excel do preço de tranferencia do ano de 2003", que estão impressos às págs. 106, 108, 110 e 112; a fiscalização cientificou o contribuinte mediante Termo de Constatação de que as informações foram apresentadas de forma sintética, não permitindo a identificação dos preços de transferência individualizada por produto ou insumo importado, bem como não foram apresentadas as memórias de cálculo e a documentação utilizada como suporte, conforme previsto na IN SRF n° 243, de 2002, art. 40, incisos I e II, o que autoriza o AFRF, com base em documentos de que dispuser, aplicar um dos métodos referidos na IN SRF nº 243, de 2002, págs. 114/115; o contribuinte foi intimado a fornecer dados e documentos de importações, estoques, vendas, insumos, enfim, dados necessários à apuração e na forma das planilhas que a fiscalização lhe apresentou e foi advertido que a falta de apresentação dos elementos solicitados implicaria na apuração, pela Fiscalização com as informações e documentos de que dispusesse e aplicando um dos métodos referidos na Instrução Normativa n° 243/2002, págs. 116/134, 174/175, 220/222; a empresa Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 10 9 requereu dilações de prazo e ao fim, apresentou as planilhas com os dados requerido, págs. 144/168; a fiscalização cientificou o contribuinte do Termo de Intimação para Prestação de Esclarecimentos, no qual apresenta os valores de Ajuste Total, por cada insumo, que apurou pelo mesmo método que o contribuinte informou ter utilizado, isto é, PRL 60%, porém com resultados diferentes; a fiscalização encontrou valores a ajustar e o contribuinte havia apurado zero, págs. 182/202; novamente a fiscalização, via Termo de Constatação e Reintimação para Prestação de Esclarecimentos, reapresentou os cálculos e intimouo a se manifestar quanto às diferenças apuradas, págs. 216/218; a Autuada respondeu que as diferenças decorrem da aplicação da IN SRF n.° 243, de 2002, no que esta é divergente da Lei no 9.430, de 1996, quanto ao cálculo do preço parâmetro através PRL 60%, questão que está em litígio nestes autos, págs. 224/230. 22. Da descrição supra se evidencia que a fiscalização não modificou o método de apuração pelo qual a Autuada havia optado, PRL 60%, mas refez a apuração, segundo o procedimento determinado pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002. 23. E tais elementos, não são hipóteses de nulidade, pois estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 24. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 25. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 1.1 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. 26. Argumenta que a fiscalização não diligenciou em buscar a verdade dos fatos, pois os documentos apresentados não foram analisados com a devida profundidade e diligência e porque a Fiscalização não efetuou a apuração mediante os três métodos, PIC, CPL e PRL 60%, para identificar qual seria o mais benéfico. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 11 10 27. Já se avaliou no item precedente que o método utilizado pela fiscalização foi o mesmo pelo qual optou o contribuinte. 28. A IN SRF nº 243, de 2002, especifica que a empresa submetida à fiscalização deverá fornecer a indicação do método por ela adotado e fornecer a documentação utilizada como suporte para a apuração; no caso, o Autuante informou que o método praticado pela empresa foi o PRL60%; a fiscalização e utilizou os dados fornecidos pelo contribuinte e revisou os cálculos. 29. A empresa não informou que tivesse efetuado cálculos segundo os outros métodos além do citado e no recurso voluntário acusa ser esta obrigação da fiscalização e assevera que não cabe à Recorrente arcar com esta obrigação da Administração Tributária. 30. A Lei nº 9.430, de 1996 e a IN nº 243, de 2002, autorizam o contribuinte a adotar o valor mais benéfico de preço de transferência, se a empresa efetuar as apurações por vários métodos; se a empresa optou pelo método PRL 60%, sem apurar pelos demais, não há previsão para que o órgão fiscalizador levante dados e efetue também cálculos pelos outros métodos, que o contribuinte não adotou, nem calculou para fins de comparação. 31. Portanto, descabe a alegação de cerceamento no direito de defesa do contribuinte. 2 Preço de Transferência. Apuração do Preço Parâmetro. 32. Após intimar o contribuinte a lhe fornecer planilhas de importações, estoques iniciais e finais, vendas, produtos fabricados com insumos importados de empresas vinculadas, custos unitários de importação, preçosparâmetro, valores de ajustes unitários e totais, custos médios anuais de produção dos produtos vendidos, no ano 2003, o Autuante elaborou os cálculos dos preços parâmetro, a fim de verificar os custos dos produtos fabricados com insumos importados de empresas vinculadas e os apresentou ao contribuinte e destacou: Ressaltase que o método de cálculo para o preço de transferência utilizado pela fiscalização foi o mesmo que o utilizado pelo contribuinte. A diferença está nos valores de ajustes calculados pela fiscalização e pelo fiscalizado. 33. E afirma o Autuante que os cálculos foram elaborados de acordo com as determinações dos artigos 18 a 24 e 28 da Lei n ° 9.430/96, no Artigo 2 ° da Lei n ° 9.959, de 2000, nos artigos 3° e 4° da Lei n° 10.451, de 2002, art. 45 da Lei n° 10.637, de 2002, regulamentados pelos arts. 241 e 245, do Decreto n ° 3.000, de 1999, e disciplinados pela Instrução Normativa SRF n ° 243, de 2002, e transcreve o art. 12 desta. 34. A Recorrente questiona, em síntese: a. que a fiscalização desconsiderou o método escolhido pela Recorrente, por isso, deveria obedecer ao § 4º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996: ( § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente."); b. IN SRF nº 243, de 2002 é ilegal, pois extrapolou a Lei; nela o valor agregado no País é ignorado; a margem de lucro de 60% é aplicada diretamente no percentual de participação da matériaprima importada no produto acabado, Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 12 11 reduzindo consideravelmente o preço parâmetro, ou seja, o valor agregado acaba sendo completamente ignorado na sistemática do cálculo; c. que o disposto no §6°, do art. 18, não significa inserção do frete, seguro e tributos sobre importação, na composição do preço praticado que se sujeitará à comparação, mas, sim, que estes são dedutíveis além do que for apurado mediante a aplicação dos três métodos; que frete e seguro somente são justificados como Preço Praticado quando a importação de pessoa vinculada for CIF, mas não como preço pago pelo bem e sim como preço de serviço de transporte, apartado do preço do bem; d. que o custo do frete pago a terceiros, não vinculados não deve ser considerado, mas sim o preço FOB. 2.1 INTERPRETAÇÃO DO ART. 18 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. DEMONSTRATIVO APRESENTADO PELA RECORRENTE, NO RECURSO VOLUNTÁRIO, PÁG. 711. 35. Alega que efetuou a apuração segundo a Lei nº 9.430, de 1996, em 2003: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) IIMétodo do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a)dos descontos incondicionais concedidos; b)dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c)das comissões e corretagens pagas; d)da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 36. O contribuinte exemplificou que o cálculo de acordo com a Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 9.959, de 2000, é: 1 2 3 4 5 6 7 Preço mé venda () desc incond () impostos e contr s/venda () comiss e corretagens Valor agreg no País Margem 60% (sobre Preço Venda Líquido* () Valor agreg no País) Preço Parâmetro (mé aritm Preço venda Líquido*() margem de lucro 60%) Valor da import ação Ajuste Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 13 12 1.000,00 180,00 330,00 294,00 526,00 500,00 Não há Preço Venda líquido* (1)(2) 37. A mesma demonstração, explicitando a participação percentual em relação ao Preço de Venda Líquido*, é: Preço médio de venda 1.000,00 () desc incond () imp e contr s/venda () comiss e corretg 180,00 (=) Preço de Venda líquido 820,00 100,00% ()Valor agreg no País 330,00 40,24% Margem 60% (sobre Preço Venda Líquido* () Valor agreg no País) 294,00 35,85% Preço Parâmetro (mé aritm Preço Venda Líquido*() margem de lucro 60%) 526,00 64,15% 38. Observase que a soma do valor agregado no País, mais o Preço Parâmetro do insumo importado, perfaz 104,39% do Preço de Venda Líquido, o que, certamente, não vem de encontro à determinação da lei de margem de lucro de 60%!. 39. Cabe lembrar que o conceito de margem de lucro, ou lucratividade, conforme adotado em Administração Financeira é, a relação entre o lucro (bruto, operacional ou líquido) e a receita (bruta ou líquida), não havendo o conceito de margem de lucro sobre a receita líquida deduzida de custo agregado na produção. (fonte: Princípios de Administração Financeira, Lawrence J. Gitmann), o que torna improvável que a Lei nº 9.430, de 1996, pretendesse inovar o conceito, ao arrepio do art. 110 do CTN. 2.2 ENTENDIMENTO DA RFB. ACÓRDÃO Nº 9101.002.835 DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FICAIS CSRF, DE 12/05/2017. LEGALIDADE IN SRF Nº 234, DE 2002. 40. É de todo pertinente que se adote o racional explicitado no irretocável voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101.002.835 da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de 12/05/2017, que se transcreve a seguir: "Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator Designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para divergir no mérito. Sobre a legalidade de IN SRF n° 243. de 2002, em face do art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 14 13 planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparai' as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase. assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm's length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries (United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016.) No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país. mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados). PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 15 14 definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em tomo dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato. em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100. inciso I do CTN (Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...)), extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, peço vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri (SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759) 3.11 Em certos circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei n° 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei n° 9.430/9617. Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 16 15 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei n° 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei n° 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro principio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do principio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no principio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não falta., (grifei) 17 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF n° 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF n° 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo ait. 18 da Lei n° 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). (GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195.) No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em eixo gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 17 16 Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF n° 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parámetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir' a realidade da situação em análise. Por outro lado. admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF n° 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse. indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF n° 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que. por consequência, irá compor o custo total (Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.). Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11. do art 12, da IN SRF n° 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 18 17 agregado no Pais e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro: PL: preço líquido de venda. PPart: percentual de participação dos bens. serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido. D: descontos incondicionais concedidos. I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez. o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = ______ CTBP ou, ainda, por: CII PPart = __________________ CII + valor agregado Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 19 18 onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que. muna situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CIIm resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se data de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II alínea "d", item 2 da Lei n° 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CII CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12. da IN SRF n° 243, de 2002. é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL). a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 20 19 Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF n° 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF n° 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art 18 da Lei n° 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tomado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei. o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei n° 9.430, de 1996. ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados "Preços de Transferência", de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 21 20 retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico, (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referencia clara ao principio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de Janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF n° 243, de 2002, tendo o Acórdão n° 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF n° 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no Pais, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial como. por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3a Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF n° 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo n° 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI N° 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.° 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n. ° 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. IS da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 22 21 (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, em 18/2/2011. A Terceira Tunna rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN n° 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo n° 2003.61.00.006125 8/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS N°S. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMA TIVAS/SRF N°S 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÉNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF n° 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF n ° 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF n° 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF n° 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF n° 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto á margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 23 22 parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF n° 32/2001 considerava o preço liquido de venda do bem produzido, a IN/SRF n° 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. A parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF n° 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF n° 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário n° 153.600 processo n° 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5a Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clóvis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação eivei n° 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF n° 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas enfie a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei n° 9.430/96, com a Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 24 23 redação dada pela Lei n° 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3aRegião, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF n° 243/2002. cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação paia a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência." 2.2.1 Apuração fiscal, neste processo. 41. O Autuante demonstra os valores de Preços Parâmetro apurados, à pág. 52, na PLAN8. Método do Preço de Revenda Menos Lucro PRL, da qual se extrai a primeira linha: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Cód Insumo Custo unit Imp Cód Pr Vendido Quant Vendida Preço Líqu Unit Venda Custo Médio Produção Valor agregado (62) Part Percentual (2/6) Rec Líqu Proporc (8x5) Margem de Lucro (60% de 9) Preço Parâmetro (910) Valor Ajuste Unit (211) Valor Ajuste Total (4x12) 8000549 1,15 6464614 Total 1.008.200 3,56 1,60 0,45 71,88% 2,56 1,54 1,02 0,13 127.537,30 42. A mesma demonstração, explicitando a participação percentual, é: R$ unitário % Preço mé venda () desc incond () impostos e contr s/venda () comiss e corretg (=) Preço de Venda líquido * 3,56 100,00% Valor agregado 0,45 12,64% Preço Parâmetro 1,02 28,65% 41,29% Valor da importação 1,15 43. Observase que a soma do valor agregado no País, mais o Preço Parâmetro do insumo importado, perfaz 41,29% do Preço de Venda Líquido, restando a Margem de lucro de 58,71% sobre o Preço de Venda Líquido*. Isso porque o Autuante a fim de apurar a Margem de 60% tomou por base o valor do Preço de Venda Líquido* proporcional à participação do custo do insumo importado (a preço praticado) sobre o custo total de produção. 44. A abordagem do autuante foi apurar a ML60% relativa somente ao insumo importado, na proporção em que este participa do produto fabricado, consoante determina a IN SRF nº 243, de 2002. 2.2.1.1 Valor agregado. 45. E como se observa, o valor agregado foi levado em consideração, ao contrário do que afirma o Recorrente; o Autuante deduziu o valor agregado no País, subtraindo do custo total de produção informado pela recorrente, o valor do insumo importado pelo preço praticado (pois a apuração do custo total de produção do contribuinte incluiu o insumo importado pelo preço praticado); e a partir daí, refez a apuração do preço parâmetro deste mesmo insumo. Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 25 24 2.2.2 Comparação entre as interpretações da Recorrent, e do Autuante, utilizando os valores da PLAN08 de pág. 52 46. Tomouse o primeiro insumo da PLAN08, um intermediário e o último, como amostragem, para a comparação das apurações. 2.2.2.1 Cálculo da Recorrente. Cód Insumo Preço mé venda unitário () desc incond () imp e contr s/venda () comiss e corretg Valor agreg no País Margem 60% (sobre Preço venda Líquido* ( ) Valor agreg no País) Preço Parâmetro (mé aritm Preço venda Líquido*( ) margem de lucro 60%) Valor da importação Ajuste unitário 8000549 0,45 1,87 1,69 1,15 0,54 sem ajuste 8000549 Preço venda líquido* (1)(2) 3,56 8000549 1,37 2,24 2,86 1,15 1,71 sem ajuste 8000549 Preço venda líquido* (1)(2) 5,10 M8000911 6,12 4,33 9,01 1,47 7,54 sem ajuste M8000911 Preço venda líquido* (1)(2) 13,34 M8000911 Preço venda líquido* (1)(2) 13,34 2.2.2.2 Cálculo da Fiscalização. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Cód Insumo Custo unit Imp Cód Pr Vendido Quant Vendida Preço Líqu Unit Venda Custo Médio Produção Valor agregado (62) Part Percentual (2/6) Rec Líqu Proporc (8x5) Margem de Lucro (60% de 9) Preço Parâmetro (910) Valor Ajuste Unit (211) Valor Ajuste Total (4x12) 8000549 1,15 6464614 Total 1.008.200 3,56 1,60 0,45 71,88% 2,56 1,54 1,02 0,13 127.537,30 8000549 1,15 6464663 Total 1.924.304 5,10 2,52 1,37 45,63% 2,33 1,40 0,93 0,22 421.514,21 M8000911 1,47 6467658 Total 100.660 13,34 7,59 6,12 19,37% 2,58 1,55 1,03 0,44 43.942,67 2.2.2.3 Comparação e conclusões. Ajustes Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 26 25 Cód Insumo Contribuinte AI 8000549 0,54 (sem ajuste) 0,13 8000549 1,71 (sem ajuste) 0,22 M8000911 7,54 (sem ajuste) 0,44 2.3 INCLUSÃO DAS DESPESAS COM FRETES, NO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. 47. Determina o RIR de 1999: Art.289.O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1ºO custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). 48. O teor do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, em 2003, era: §6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. 49. Essa redação continuou a mesma até a MP n º 563, de 3 de abril de 2012, ser convertida na Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, quando a redação passou a ser a seguinte (art. 48), com vigência a partir de 01/01/2013: § 6o Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) § 6oA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Vigência) 50. Portanto, no período autuado neste processo, anocalendário 2003 e do procedimento fiscal, vigia a redação anterior, cabe a análise da questão sob esta ótica. a. O art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme redação em 2003, somente autoriza a dedução de custo relativo a bens e serviços adquiridos de pessoa vinculada no Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 27 26 exterior, até o limite de valor apurado por um dos métodos que define: Método dos Preços Independentes Comparados PIC, Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL e Método do Custo de Produção mais Lucro CPL, ou o valor de aquisição e inclui frete e seguro e tributos na importação: "§ 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, (...)"; e "§ 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último..", e "§ 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação." b. O mesmo determina a IN SRF 243, de 2002. 51. Cabe destacar que a contabilidade de custos de estoques é, fonte: Manual de Contabilidade Societária, Fipecafi, 2º ed. 2013: Apuração do Custo dos estoques de matérias primas e outros itens dos estoques, exceto os produtos em processo e acabados. 1. Componentes do Custo: Estes tipos de itens têm normalmente seu custo identificado pela documentação de compra (Notas fiscais , etc). Todavia o conceito de custo de aquisição é que deve englobar o preço do produto comprado, mais os custos incorridos adicionalmente, até estar o item no estabelecimento da empresa. Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 16 Estoques, o valor do custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação. Para isso, define que o custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos, bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Os descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (...) No caso de importações de matérias primas, ao custo deve ser adicionado o imposto de importação, o IOF incidente sobre operações de câmbio, os custos alfandegários e outras taxas, além dos serviços de despachante correspondente. (Grifouse.) 52. Portanto, o custo dos insumos aplicados na produção segue esta sistemática. Então, os demais itens agregados no País também são valorados incluídos os custos incorridos na aquisição, como fretes e seguro de transporte. 53. Obviamente, o valor do Preço Praticado, a ser comparado com o Preço Parâmetro, também deve incluir tais parcelas (que são em valor igual) e deve ser destacado que, no presente caso, o Autuante demonstrou na PLAN6 Importações Selecionadas pela Fiscalização, de Empresas Vinculadas, págs. 36/48, que o Custo Unitário de Importação que utilizou nos cálculos incluiu fretes e seguros. 54. Tendo o período em exame transcorrido durante a vigência do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação anterior à MP n º 563, de 3 de abril de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, e da IN SRF, nº 243, de 2002, deve se obedecida esta legislação, então em vigor. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 28 27 3 Multa de Ofício. 75% 55. Pleiteia a redução da multa de ofício para 30%. 56. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 57. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 58. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 59. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 4 Juros De Mora. Taxa Selic. 60. A validade da aplicação da taxa Selic é entendimento pacífico na jurisprudência do CARF, conforme a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 5 Juros sobre multa de ofício. 61. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 62. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 29 28 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, /DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 63. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. Tipo do Recurso: Recurso nº Especial do Contribuinte Data da Sessão: 03/04/2018 Acórdão nº: 9101003.510 Voto vencedor: Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria deste Colegiado. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 30 29 Ressalvo que em precedentes desta Turma, pronuncieime pela ilegitimidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdãos 9101003.053 e 9101003.216, dentre outros). Ocorre que, diante de reiterados julgamentos em que restei vencida, curvome ao entendimento predominante do Colegiado, ponderando que a matéria é unicamente de direito e há orientação prevalecente na jurisprudência do CARF pela manutenção da cobrança de juros sobre a multa. A esse respeito, destaco voto elaborado pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Presidente desta Turma e do CARF (acórdão 9101003.376): (...) 64. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 65. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 66. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 67. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 68. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 31 30 6 Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10283.720630/200894 Acórdão n.º 1201002.270 S1C2T1 Fl. 32 31 Fl. 860DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915937/2008-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-006.396
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 37 /2 00 8- 32 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.531, de 24/09/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário. No Recurso Especial, o contribuinte insurgiuse contra o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) ao pagamento da contribuição, alegando, em síntese, que as vendas realizadas para empresas localizadas naquela Zona Franca, para todos os efeitos fiscais, se equiparam a exportações e, por forca do disposto no art. 4º, do Decretolei nº 288/1967, c/c o art. 40 do ADCT da CF/1988, e, portanto, são isentas do PIS, nos termos do art. 14, II, c/ o § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, desde fevereiro de 1999. Por meio de despacho de exame de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.390, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915948/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.390): "O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 4 3 Consoante o acórdão recorrido, o recurso voluntário do contribuinte foi improvido sob dois fundamentos a saber: i) falta de comprovação da certeza e liquidez do indébito reclamado, ou seja, não apresentou as notas fiscais (cópias) das vendas de mercadorias para empresas localizadas na ZFM nem documentos de suas internações naquela Zona Franca; e, ii) o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas de vendas de mercadorias para aquela Zona Franca ao pagamento do PIS e da Cofins. No entanto, o contribuinte, em seu recurso especial, suscitou divergência apenas em relação ao fundamento II: o não reconhecimento da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas à ZFM. Este fato, por si só, implicaria o não conhecimento do presente recurso, tendo em vista que apenas um dos fundamentos é suficiente para o indeferimento do ressarcimento pleiteado e, consequentemente, a não homologação da Dcomp em discussão. Contudo, por força do princípio da ampla defesa, entendo que o recurso deve ser conhecido. Como se trata de matéria recorrente nesta 3ª Turma da CSRF, adoto como fundamento para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, o Acórdão de nº 9303004.932, que proferi nos autos do processo nº 10380.008890/200202, na sessão realizada em 10 de abril de 2017, reproduzido a seguir: "O Sujeito Passivo sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Entendo que esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa dispõe, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 5 4 IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 6 5 Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Vale lembrar que esse status somente foi modificado pela Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Tal matéria já foi objeto de discussão neste Colegiado, razão pela qual adoto como fundamentos para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, o entendimento aplicado no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, no qual foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido pela CSRF no julgamento do processo 10650.902444/201141, conforme reproduzido abaixo: A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 7 6 da MP nº 2.03724/ 00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/ 2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/ 2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais, nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 8 7 vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia –pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decreto lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 9 8 algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 10 9 entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 11 10 E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 9303006.396 CSRFT3 Fl. 12 11 o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte." Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Como visto, com a edição da Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei nº 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, o legislador, de forma acertada, reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu o Sujeito Passivo. Assim, até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência." À luz do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido mas, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722355/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/03/2011
DECISÃO A QUO. REDUÇÃO OU EXONERAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância para reduzir penalidade representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos do art. 27, V da Lei nº 10.522/2002, com a alteração dada pela Lei nº 12.788/2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor.
AUTO DE INFRAÇÃO. REFORMA. REVERSÃO DAS GLOSAS. DRJ. REPERCUSSÃO.
Deve ser mantida a reforma do auto de infração decorrente das glosas revertidas pela DRJ nos processos de ressarcimento conexos, cujas decisões, inclusive, nem são passíveis de recurso de ofício, nos termos do inciso II do art. 27 da Lei 10.522/2002.
A repercussão no auto de infração do resultado do julgamento da DRJ dos processos de ressarcimento é medida que se impõe em face da redução dos valores de insuficiência de recolhimento das contribuições sob exigência, decorrente do aumento de créditos da contribuinte nos períodos de apuração respectivos.
PROCESSOS. CONEXÃO. MATÉRIA COMUM. ESPECÍFICA.
O processo conexo deve seguir o resultado definitivo do julgamento do processo a ele vinculado no que concerne à matéria comum entre os dois processos, sendo cabível a apreciação diferenciada pelo Colegiado apenas da matéria restante, específica do processo analisado.
No caso, o auto de infração em face da insuficiência de recolhimento das contribuições de PIS/Cofins deve refletir o resultado do julgamento dos processos de ressarcimento conexos nos mesmos períodos de apuração.
Recurso de Ofício negado na parte conhecida
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-005.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (a) não conhecer em parte o recurso de ofício e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora; e (b) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar do auto de infração o montante das contribuições de PIS/Pasep e Cofins decorrente da reversão das glosas e do critério de rateio proporcional determinado pelo Colegiado nos processos de ressarcimento relativos aos mesmos períodos de apuração, indicados no voto da relatora
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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REDUÇÃO OU EXONERAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância para reduzir penalidade representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos do art. 27, V da Lei nº 10.522/2002, com a alteração dada pela Lei nº 12.788/2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor. AUTO DE INFRAÇÃO. REFORMA. REVERSÃO DAS GLOSAS. DRJ. REPERCUSSÃO. Deve ser mantida a reforma do auto de infração decorrente das glosas revertidas pela DRJ nos processos de ressarcimento conexos, cujas decisões, inclusive, nem são passíveis de recurso de ofício, nos termos do inciso II do art. 27 da Lei 10.522/2002. A repercussão no auto de infração do resultado do julgamento da DRJ dos processos de ressarcimento é medida que se impõe em face da redução dos valores de insuficiência de recolhimento das contribuições sob exigência, decorrente do aumento de créditos da contribuinte nos períodos de apuração respectivos. PROCESSOS. CONEXÃO. MATÉRIA COMUM. ESPECÍFICA. O processo conexo deve seguir o resultado definitivo do julgamento do processo a ele vinculado no que concerne à matéria comum entre os dois processos, sendo cabível a apreciação diferenciada pelo Colegiado apenas da matéria restante, específica do processo analisado. No caso, o auto de infração em face da insuficiência de recolhimento das contribuições de PIS/Cofins deve refletir o resultado do julgamento dos processos de ressarcimento conexos nos mesmos períodos de apuração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 23 55 /2 01 4- 52 Fl. 3598DF CARF MF 2 Recurso de Ofício negado na parte conhecida Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (a) não conhecer em parte o recurso de ofício e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora; e (b) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para exonerar do auto de infração o montante das contribuições de PIS/Pasep e Cofins decorrente da reversão das glosas e do critério de rateio proporcional determinado pelo Colegiado nos processos de ressarcimento relativos aos mesmos períodos de apuração, indicados no voto da relatora (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário e de recurso de ofício em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, para: a) cancelar a multa isolada de R$ 142.209.531,89 e b) reformar os autos de infração de glosa de créditos de PIS/Cofins, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2009 a 31/03/2011 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. PROCESSO DE RESSARCIMENTO. EFEITOS NO LANÇAMENTO. O lançamento deve ser alterado quando restar comprovado que uma parcela das glosas de créditos da não cumulatividade da Cofins foi cancelada no julgamento proferido em específico processo administrativo de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2009 a 31/03/2011 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. PROCESSO DE RESSARCIMENTO. EFEITOS NO LANÇAMENTO. O lançamento deve ser alterado quando restar comprovado que uma parcela das glosas de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep foi cancelada no julgamento proferido em específico processo administrativo de ressarcimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2009 a 31/03/2011 Fl. 3599DF CARF MF Processo nº 10880.722355/201452 Acórdão n.º 3402005.311 S3C4T2 Fl. 3.599 3 MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Versam os autos sobre as seguintes exigências: a) multa isolada aplicada em decorrência de pedidos de ressarcimentos indeferidos ou indevidos, no montante de R$ 142.209.531,89; b) Cofins não cumulativa, multa de ofício 75% e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da contribuição, relativamente aos períodos de apuração de 08/2009 a 03/2011, no total de R$ 11.879.631,51 ; e c) PIS/Pasep não cumulativo, multa de ofício de 75% e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da contribuição, nos mesmos períodos de apuração, no total de R$ 3.737.631,65. A ação fiscal originouse da análise de Pedidos de Ressarcimento e de Declarações de Compensação oriundos de créditos de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, tendose apurado, em síntese: Em 2011 a TAM Linhas Aéreas S/A, a partir de uma releitura das normas relativas do PIS/Cofins, revisou os critérios que até então utilizou na apuração dos créditos, passando a considerar como não cumulativas as receitas provenientes do transporte aéreo internacional de passageiros. Diz que tal entendimento gerou o alargamento da base de cálculo dos créditos, de modo que, por meio da transmissão de novos Dacon, a empresa retificou os valores dos créditos informados para o período de 01/2007 a 03/2011. Entretanto, entende a fiscalização que a contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve observar o disposto no inciso XVI do art. 10° da Lei n° 10.833/2003, aplicável ao PIS por força do artigo 15, inciso V, da referida lei, que manteve no regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham sido elas obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional. A empresa possui receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros, e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins), tendo optado pelo método da “Incidência Não Cumulativa sobre Receita Parcial e/ou Receita de Exportação com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida”. Verificou a fiscalização que, na aplicação do método de rateio proporcional, “a contribuinte inflou o total da receita não cumulativa, incluindo em sua composição as receitas financeiras e as receitas obtidas com o transporte internacional de passageiros. Por outro lado, na determinação da Receita Bruta, valor em relação ao qual é apurada a margem percentual não cumulativa das receitas, considerou como Receita Total a totalidade de suas receitas, mantendo entre elas as financeiras e as obtidas com a venda de bens do ativo Fl. 3600DF CARF MF 4 permanente”. Entende a autoridade fiscal, no entanto, que o rateio deveria ser aquele resultante do somatório somente das receitas cuja obtenção teve o envolvimento do consumo dos insumos sobre os quais são apurados os créditos. No tópico “Sobre a Apuração de Créditos do PIS e da Cofins”, afirma a autoridade que a receita do transporte internacional de cargas ou de passageiros deve ser lançada na linha 12 do Dacon (Receita Isenta e Demais Receitas Sem Incidência da Contribuição) e a receita de exportação na linha 11 (Receita Sem Incidência da Contribuição – Exportação). Em relação aos créditos vinculados às receitas isentas, eles podem ser mantidos em face do disposto no artigo 17 da Lei n° 11.033/2004. No tópico “Utilização dos Créditos Apurados pelo Contribuinte”, a fiscalização efetuou glosas do 2º trimestre de 2008 e relativos ao período de 01/2007 a 03/2008. No mês 03/2008, período de apuração anterior ao contido no primeiro PER transmitido, descontadas as parcelas de crédito até então utilizadas na dedução das contribuições, a contribuinte havia apurado o saldo acumulado de R$ 56.687.316,11 (Cofins) e R$ 12.307.114,68 (PIS/Pasep), mas tais valores foram considerados inexistentes, conforme demonstrado nos anexos que compõem os despachos decisórios dos processos de n°s 16692.720037/201370 e 16692.720038/201314. No tópico “Glosa de Créditos Apurados pela Empresa” a fiscalização passa a relatar as glosas realizadas: a) “Tarifas Aeroportuárias”: orientação de voo, controle do espaço aéreo e administração de aeroportos; b) “Combustível de Aviação Utilizado no Transporte Internacional"; c) “Gastos com o Atendimento ao Passageiro”; d) “Aquisição de Bens Patrimoniais": aquisição de máquinas, equipamentos e ferramentas de uso manual; e) “Créditos Extemporâneos”: créditos provenientes de aquisições efetuadas nos anos de 2005 e 2006; f) “Gastos com Importação”: gastos efetuados com desembaraço aduaneiro e o posterior transporte dos bens importados; g) “Estadia de Tripulantes”: hospedagem e alimentação dos tripulantes; h) “Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção": reparação de macacos hidráulicos, escadas, aspiradores, lixadeiras, equipamentos de remoção de resíduos e de abastecimento de água e energia, utilizados na manutenção e abastecimento das aeronaves; i) “Gastos não diretamente relacionados à atividade de transporte aéreo”: gastos decorrentes da contratação de serviços de comunicação por rádio, serviços de despachantes, serviços de segurança patrimonial, serviços gráficos, serviços gerais de limpeza, gastos com treinamentos, serviços de telefonia e banda larga, e serviços de lavagem, abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), bem como gastos despendidos com a manutenção de instalações, aparelhos telefônicos e de ar condicionado, manutenção de extintores e de aparelhos de raio X, cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, rede de dados e voz não geram direito a crédito; j) “Créditos Apurados sobre pagamentos Efetuados a Pessoas Físicas"; k) "Outros Gastos e Despesas não Classificáveis como Insumo”: aquisição de materiais de consumo, tais como cadeados, coadores descartáveis, espátulas, estopas, lâmpadas para projetores, materiais de limpeza, solventes, materiais de pintura e outros; l) “Fornecedor com inscrição baixada pela RFB”: aquisições feitas do fornecedor “Politécnica Serviços e Comércio de Equipamentos Ltda” (CNPJ 54.432.844/000130), que encerrou suas atividades em 04/02/2000; m) Importação de Bens com Alíquota Zero”; n) “Valores ausentes da memória de cálculo”: na composição da base de cálculo do crédito apresentada pelo contribuinte constou a maior, no mês de fevereiro de 2008, na conta “Serviços de Handling” – código 5150010 , a importância de R$ 787.598,76, que foi glosada; e o) “Crédito apurado sobre transferências de materiais”entre unidades da contribuinte. Cientificada da autuação a contribuinte apresentou impugnação, mediante a qual alegou, em síntese: Fl. 3601DF CARF MF Processo nº 10880.722355/201452 Acórdão n.º 3402005.311 S3C4T2 Fl. 3.600 5 O cálculo dos percentuais de rateio para apropriação dos créditos do PIS/Cofins foram significamente alterados pela fiscalização. A diferença entre os valores relativos à “Receita Bruta Total” apurada pela fiscalização e calculada pela contribuinte está contida na “Receita Financeira”, primeiro ponto de divergência. A segunda divergência é que a impugnante qualifica as receitas originadas da prestação de serviço de transporte aéreo internacional de passageiros como pertencentes ao regime não cumulativo do PIS/Cofins, enquanto a fiscalização as enquadram como “Receitas Cumulativas” e, portanto, inservíveis para cômputo dos percentuais apropriáveis de crédito. Enfim, as divergências são as seguintes: possibilidade ou não de a “Receita Financeira” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”; e a possibilidade ou não de a “Receita de Transporte Internacional de Passageiros” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”. Com base em decisão do CARF, aduz que não pode o aplicador da legislação ordinária, a seu exclusive alvitre, estabelecer condições que lei não estabelece. Conclui que a fiscalização desgarrouse dos ditames legais ao fixar critérios próprios para a identificação das receitas que devem compor a referida fórmula para cálculo do percentual aplicável aos custos, despesas e demais gastos comuns, base para a apropriação de créditos do PIS/Cofins. As receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Cofins. Após a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo da Lei n° 9.718/1998 e decidiu, em caráter definitivo, que faturamento equivale exclusivamente à receita bruta decorrente da venda de bens e/ou serviços, de forma que as contribuições passaram a contar com o regime cumulativo de incidência que onera apenas o faturamento das pessoas jurídicas e o não cumulativo cujo campo de incidência abrange todas as receitas das pessoas jurídicas, inclusive as financeiras. Assim, está correto o seu procedimento de incluílas no cálculo das receitas brutas não cumulativas a que se refere o mencionado inciso II do §8° do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, de mesmo modo que foi correta a sua inclusão no cálculo das receitas brutas totais a que também se refere o aludido dispositivo. Diversamente do sustentado pela fiscalização, o inciso XVI do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 abrange, exclusivamente, as receitas originadas pela prestação de serviços de transporte aéreo de passageiros em percurso nacional, de forma que as receitas vinculadas à prestação de serviços de transporte aéreo de passageiros em percurso internacional estão, necessariamente, submetidas ao regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Cofins. Não procede o entendimento da fiscalização que interpreta os dispositivos que se referem aos créditos do PIS/Cofins, com viés próprio do regime não cumulativo do IPI, em que vigora o crédito físico de insumos que tenham sido consumidos em contato direto com o produto fabricado. Os gastos que permitem qualificarse como créditos apropriáveis neste regime não cumulativo são aqueles que atendam às mencionadas definições de custo (art. 290) ou despesa (art. 299) do RIR/99 e, ainda, sejam imprescindíveis e estejam intrínseca e necessariamente relacionados às atividades que contribuem para a prestação dos serviços de transporte aéreo, de carga, de manutenção, etc. todos estritamente vinculados às atividadesfim da ora Peticionária. O pagamento das tarifas aeroportuárias é condição sine qua non para que a Peticionária preste os serviços de transporte aéreo. Tais tarifas não apenas remuneram o uso de Fl. 3602DF CARF MF 6 áreas, edifícios, instalações, equipamentos, facilidades e serviços dos aeroportos, como também são exigidas por questões de segurança quando da navegação, pousos e decolagens das aeronaves. Diz que não é dada a opção de pagálas, sendo obrigatórias de acordo com Resolução da Agência Nacional de Aviação Civil. O CARF “já reconheceu que os custos e despesas incorridos em razão de obrigações impostas por órgãos de regulação como a ANAC, geram direito a crédito das referidas contribuições”. Os dispositivos da legislação ordinária não podem limitar o direito constitucionalmente atribuído. O direito de crédito sobre os combustíveis também decorre do fato de que há custos incorridos pelos produtores e importadores deste tipo de combustível que se sujeitam integralmente ao PIS/Cofins, os quais, portanto, estão integralmente incorporados ao valor destes combustíveis. Aduz que não se admitir o crédito ofende o regramento constitucional que impõe para estas contribuições a sistemática não cumulativa. O transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo do PIS/Cofins, de modo que os insumos utilizados na prestação deste serviço são passíveis de gerar o respectivo crédito, nos termos dos art. 3o, inciso II das Leis n°s 10.833/2003 e 10.637/2002. A descrição utilizada pelo Fisco é genérica, sendo dever considerar que apurou uma grande quantidade de subespécies de serviços, por meio dos códigos das contas contábeis dispostos no demonstrativo de débitos. Relativamente ao “serviço de atendimento de pessoas nos aeroportos”, em qualquer embarque aéreo em voo comercial não há hipótese de o passageiro conseguir embarcar sem que tenha se identificado e realizado o check in no balcão da companhia aérea emissora do bilhete. Não há dúvidas a respeito da necessidade de atendimento aos usuários dos serviços de transporte aéreo, inclusive por ser obrigação regularmente estabelecida às companhias aéreas. No que tange aos “serviços auxiliares aeroportuários”, tais serviços são regulados pela ANAC, de modo que as empresas que o realizam são obrigadas a atender os requisitos técnicos também quanto aos serviços auxiliares ao transporte e que são indispensáveis à atividadefim desenvolvida pelas empresas aéreas, por imposição regulamentar, razão que demonstra a total incorreção da glosa de créditos de PIS/Cofins relativas aos gastos incorridos para sua realização. Entendimento semelhante se aplica aos “serviços de handling”, “serviços de comissaria”, “serviços de transportes de pessoas e cargas” e “gastos com voos interrompidos”. Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, são de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas e consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave, que pode também ser alugado. Relativamente à glosa de aquisições de bens patrimoniais, a fiscalização ignora o fato de que presta serviço de manutenção de suas aeronaves e de aeronaves de terceiros. Com relação à glosa de gastos com importação, a fiscalização que restringiu as suas atividades ao mero transporte aéreo de carga, contudo a impugnante é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros, sendo que, para o desenvolvimento destas atividades, é imprescindível o uso de máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, que não estão disponíveis no mercado nacional. Informa que é preciso importálas, transportálas e armazenálas com terceiros, naquelas hipóteses em que sua capacidade de guarda não é compatível com tais bens. Fl. 3603DF CARF MF Processo nº 10880.722355/201452 Acórdão n.º 3402005.311 S3C4T2 Fl. 3.601 7 Em relação aos gastos com despachantes aduaneiros, estes são qualificados como custos dos produtos importados, o que já justificaria o direito aos respectivos créditos sobre os pagamentos a pessoas jurídicas com expertise em despachos aduaneiros de bens destinados a companhias aéreas. No que concerne aos gastos com estadia de tripulantes, tratase de atividade em que o núcleo central pressupõe a deslocação contínua dos tripulantes, de modo que tais gastos se qualificam como insumos, consoante os critérios já expostos. Na glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos, no entender da fiscalização, somente as máquinas e equipamentos que permitam que o voo da aeronave é que dariam azo para a apropriação de créditos. No entanto, tal interpretação é desprovida de qualquer fundamento. A manutenção não é somente realizada em aeronaves próprias, mas também nas de terceiros. Todos os bens citados pela fiscalização são utilizados não somente na manutenção das aeronaves, como também no abastecimento destas, não havendo qualquer razoabilidade em não se reconhecer tais gastos como insumos. No que concerne aos "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo", a glosa decorre da falta de conhecimento da fiscalização acerca da natureza do serviço que presta, uma vez que resultou na desconsideração de que os referidos serviços estão relacionados a sua atividade fim. Relativamente às glosas relativas a "pagamentos a pessoas físicas", "gastos com fornecedor com inscrição baixada pela RFB", "gastos com importação de bens com alíquota zero" e a "valores ausentes da memória de cálculo", a empresa concorda com a glosa realizada e em razão disto pretende quitar os respectivos valores tão logo sejam devidamente quantificados pela RFB. Quanto aos "gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo", constituem insumos para a prestação de serviços de transporte aéreo não apenas os bens e demais serviços estritamente vinculados a tais atividades, mas também todos os custos diretos e indiretos que sejam empregados nesta prestação de forma a deixála em condições de ser executada. A noção de insumo, para fins de crédito do PIS/Cofins, lastreiase na demonstração de que os gastos assumidos contribuem decididamente para a atividade por ele executada que, no caso, não se resume no mero transporte aéreo de carga. Entende que tal conceito não pode ser restritivo, como sustenta a autoridade fiscal, abrangendo, em realidade, todos os gastos em que incorre para a consecução de sua atividade de produção de bens ou prestação de serviços. Uma análise mais atenta da funcionalidade dos bens glosados revela que todos estão vinculados à prestação do serviço de transporte aéreo. No que tange à glosa relacionada aos "produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento, a tomada de crédito decorre do fato dos créditos de PIS/Cofins não terem sido aproveitados pelo estabelecimento adquirente responsável pelas transferências. Os créditos das contribuições estão vinculados às notas fiscais de aquisição até porque são apurados em face da pessoa jurídica e não de seus estabelecimentos. Assim, a fiscalização equivocase ao não investigar estas notas de aquisição que legitimamente embasam os créditos apropriados extemporaneamente. Sobre a aplicação da multa isolada pelo indeferimento do crédito e da multa de ofício pelo débito não quitado, embora essas multas possuam bases de cálculo divergentes, ambas decorrem do mesmo concatenamento de condutas, o que implica afirmar que houve Fl. 3604DF CARF MF 8 cumulação indevida de multas. A sua conduta de apropriarse de créditos supostamente indevidos é condutameio para aquela de não recolher o tributo devido, assim considerada como condutafim, razão pela qual requer que seja aplicado no caso presente o “Princípio da Consunção ou Absorção”, segundo o qual quando há relação de dependência entre uma conduta e outra, a infração mais grave deve absorver a de menor gravidade. Aduz que, no caso, a infração mais grave é o da alegada inadimplência, haja vista a relevância que as receitas tributárias possuem para a União. A previsão da multa isolada passou a vigorar apenas a partir de 11/06/2010, não podendo, por isso, retroagir. A multa em questão foi inserida no ordenamento jurídico somente com a publicação da Lei nº 12.249/2010. O art. 139, inciso I, alínea d, desta Lei, determinou que a vigência do art. 62 (que incluiu a multa regulamentar na Lei n° 9.430/1996) se desse retroativamente à data de 16/12/2009, quando foi publicada a MP nº 472/2009. Tal multa, entretanto, não estava prevista na referida MP, motivo pelo qual não é possível fazer retroagir tal dispositivo, fato que configuraria afronta à Constituição (inciso XL do art. 5º da CF/88). Afirma que dada a ausência de regra específica sobre a sua vigência, ela deva entrar em vigor 45 dias depois de publicada. Em conclusão, alega que como a Lei nº 12.249/2010 foi publicada em 11/06/2010, seus efeitos relativos à multa em questão somente podem atingir créditos apropriados a partir do 3º trimestre de 2010. A multa regulamentar ofende a Constituição Federal, o que está sendo discutido no Poder Judiciário na ADIN de n° 4.905, tendo o STF reconhecida a Repercussão Geral, motivo pelo qual requer o reconhecimento da improcedência e afastamento da aplicação desta multa ao caso dos autos. A Delegacia de Julgamento acatou parcialmente os argumentos da impugnante, nos seguintes pontos: i) A Medida Provisória 656, de 1.10.2014, revogou expressamente a multa isolada de 50% sobre o valor do objeto do pedido de ressarcimento indevido ou indeferido. Com a mesma determinação foi editada a Medida Provisória de n° 668, de 30 de janeiro de 2015, que foi convertida na Lei de n° 13.137, de 19 de junho de 2015. Assim, devese aplicar ao caso a retroatividade benigna. ii) Relativamente às glosas de créditos realizadas nos diversos pedidos de ressarcimento entregues pela contribuinte, é de se observar, inicialmente que as razões aduzidas pela impugnante neste recurso já foram analisadas detalhadamente por esta Delegacia de Julgamento nas respectivas manifestações de inconformidade relativos ao indeferimento dos processos de ressarcimento. Entendese, por isso, ser absolutamente desnecessário analisálas novamente, uma vez que a lide, quanto aos fatos que ensejaram as glosas de créditos, se estabeleceu naqueles processos. Ademais, os resultados dos julgamentos dos processos dos pedidos de ressarcimento, tanto da DRJ, quanto do CARF, se for o caso, devem refletir, necessariamente, no resultado do Auto de Infração em análise. O reflexo dos julgamentos dos processos relativos aos pedidos de ressarcimento no presente processo foi detalhado em tabela constante na decisão recorrida. iii) Em função do reconhecimento pela DRJ de mais crédito que foi deferido pela fiscalização, os valores constituídos nos Autos de Infração também devem ser reformados, conforme os quadros elaborados. A interessada foi cientificada da decisão de primeira instância em 01/06/2016, por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, e, em 30/06/2016, apresentou recurso voluntário, sob os seguintes tópicos: Fl. 3605DF CARF MF Processo nº 10880.722355/201452 Acórdão n.º 3402005.311 S3C4T2 Fl. 3.602 9 I Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas Financeiras pertencem às receitas brutas não cumulativas II Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte 3. Da glosa relacionada aos gastos ao atendimento ao passageiro 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação 7. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes 8. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo 10. Da glosa relacionada aos gastos com pagamentos efetuados a pessoas físicas 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo 12. Da glosa relacionada aos gastos com fornecedor com inscrição baixada pela RFB 13. Da glosa relacionada aos gastos com importação de bens com alíquota zero 14. Da glosa relacionada a valores ausentes da memória de cálculo 15. Da glosa relacionada aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento Posteriormente a recorrente apresentou petições requerendo: i) a vinculação por conexão dos processos relativos aos pedidos de ressarcimento/compensação; ii) a juntada do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 8/2016, que uniformizou o entendimento de que a multa objeto do presente processo (já afastada pela DRJ/Curitiba), não deve ser aplicada aos pedidos de ressarcimento pendentes de decisão; e iii) a juntada de Parecer elaborado por profissionais com ampla expertise em Direito Aeronáutico e à luz da legislação regulatória brasileira atinente à Aviação Civil, a fim de auxiliar a compreensão das atividades desempenhadas pelas companhias aéreas. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Trata o recurso de ofício da exoneração efetuada pela DRJ no que concerne ao cancelamento da multa isolada de R$ 142.209.531,89, bem como da reforma efetuada no auto de infração em face da reversão de algumas glosas. Quanto ao cancelamento da multa isolada em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a" do CTN, a matéria não deve ser conhecida por este Colegiado, eis que, a partir da alteração do art. 27 da Lei nº 10.522/2002 dada pela Lei nº 12.788/2013, não Fl. 3606DF CARF MF 10 cabe mais recurso de ofício nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna, nesses termos: Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013: Art. 11. Os arts. 19 e 27 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passam a vigorar com as seguintes alterações: (...) “Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; IV quando se tratar de homologação de compensação; V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e [negritei] VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19.” (NR) No que concerne à reforma do auto de infração decorrente das glosas revertidas pela DRJ nos processos de ressarcimento, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, mesmo porque não caberia recurso de ofício, nos termos do inciso II do art. 27 da Lei 10.522/2002 acima, nos processos de ressarcimento. A repercussão do resultado do julgamento da DRJ dos processos de ressarcimento no presente processo é medida que se impõe em face da redução dos valores de insuficiência de recolhimento das contribuições, sob exigência no presente auto de infração, decorrente do aumento de créditos nos períodos de apuração respectivos. Ademais, como se sabe, o conceito de insumo adotado no âmbito deste Colegiado para fins de creditamento das contribuições não cumulativas de PIS/Cofins é um pouco mais abrangente do que aquele aplicado pelas Delegacias de Julgamento, vinculadas às disposições das Instruções Normativas sobre a matéria, de forma que as glosas que foram revertidas pela DRJ/Curitiba enquadramse também no conceito de insumo aplicado por este Colegiado, conforme fundamentado nos Acórdãos relativos aos processos de ressarcimento/compensação dos períodos de apuração sob análise. Dessa forma, não se deve conhecer parte do recurso de ofício, quanto ao cancelamento da multa isolada por retroatividade benigna; e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. É de ser reconhecida a conexão do presente processo com aqueles processos de ressarcimento/compensação relativos aos períodos de apuração autuados (agosto/2009 a março/2011), abaixo relacionados, inclusive a reforma efetuada pelo Colegiado nestes trará repercussão no presente auto de infração, no que concerne às insuficiências de recolhimentos das contribuições de PIS/Pasep e Cofins nos respectivos períodos de apuração. Períodos de Apuração Cofins Processo do PER PIS/Pasep Processo do PER ago/09 12585.720013/201204 12585.720026/201275 set/09 12585.720013/201204 12585.720026/201275 Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 10880.722355/201452 Acórdão n.º 3402005.311 S3C4T2 Fl. 3.603 11 out/09 12585.720014/201241 12585.720027/201210 nov/09 12585.720014/201241 12585.720027/201210 dez/09 12585.720014/201241 12585.720027/201210 jan/10 12585.720015/201295 12585.720028/201264 fev/10 12585.720015/201295 12585.720028/201264 mar/10 12585.720015/201295 12585.720028/201264 abr/10 12585.720016/201230 12585.720029/201217 mai/10 12585.720016/201230 12585.720029/201217 jun/10 12585.720016/201230 12585.720029/201217 jul/10 12585.720017/201284 12585.720030/201233 ago/10 12585.720017/201284 12585.720030/201233 set/10 12585.720017/201284 12585.720030/201233 out/10 12585.720018/201229 12585.720031/201288 nov/10 12585.720018/201229 12585.720031/201288 dez/10 12585.720018/201229 12585.720031/201288 jan/11 12585.720019/201273 12585.720032/201222 fev/11 12585.720019/201273 12585.720032/201222 mar/11 12585.720019/201273 12585.720032/201222 Os argumentos apresentados pela recorrente no presente processo já foram todos discutidos por este Colegiado nos processos de ressarcimento/compensação relativos aos períodos de apuração respectivos, razão pela qual basta que aqui seja repercutido os resultados dos julgamentos destes outros processos. Nesse sentido já tinha esclarecido julgador a quo que: Da glosa de créditos Relativamente às glosas de créditos realizadas nos diversos pedidos de ressarcimento entregues pela contribuinte, é de se observar, inicialmente que as razões aduzidas pela impugnante neste recurso já foram analisadas detalhadamente por esta Delegacia de Julgamento nas respectivas manifestações de inconformidade relativos ao indeferimento dos processos de ressarcimento. Entendese, por isso, ser absolutamente desnecessário analisálas novamente, uma vez que a lide, quanto aos fatos que ensejaram as glosas de créditos, se estabeleceu naqueles processos. Ademais, os resultados dos julgamentos dos processos dos pedidos de ressarcimento, tanto da DRJ, quanto do CARF, se for o caso, devem refletir, necessariamente, no resultado do Auto de Infração em análise. Sendo assim, a planilha abaixo relaciona os resultados dos julgamentos dos processos relativos aos pedidos de ressarcimento e seu reflexo nas glosas realizadas e descritas nos Autos de Infração em análise: (...) Em conclusão, os Autos de Infração devem ser reformados, no que toca à indicação das glosas realizadas, para os valores descritos na coluna “valor da glosa DRJ”. Da insuficiência de recolhimento Em função do reconhecimento pela DRJ de mais crédito que foi deferido pela fiscalização, os valores constituídos nos Autos de Infração também devem ser reformados, conforme os seguintes quadros: (...) Dessa forma, aplicando o mesmo entendimento acima, deverá a Unidade de Origem refazer o cálculo dos créditos em face das glosas revertidas e do novo critério de rateio determinado por este Colegiado nos processos de ressarcimento especificados no quadro acima para depois apurar as insuficiências de recolhimento das contribuições nos respectivos períodos de apuração. Fl. 3608DF CARF MF 12 Assim pelo exposto, voto no sentido de: i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar em parte a exigência das contribuições de PIS/Pasep e Cofins, e a multa de ofício respectiva, no montante decorrente da reversão das glosas e do critério de rateio proporcional determinado pelo Colegiado nos processos de ressarcimento relativos aos mesmos períodos de apuração; e ii) não conhecer em parte o recurso de ofício, na parte relativa ao cancelamento da multa isolada por retroatividade benigna; e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 3609DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000225/2007-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato Gerador: 11/06/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 02 25 /2 00 7- 89 Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 13826.000225/200789 Acórdão n.º 9202006.774 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 13826.000225/200789 Acórdão n.º 9202006.774 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 13826.000225/200789 Acórdão n.º 9202006.774 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 13826.000225/200789 Acórdão n.º 9202006.774 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 13826.000225/200789 Acórdão n.º 9202006.774 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 13826.000225/200789 Acórdão n.º 9202006.774 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 13826.000225/200789 Acórdão n.º 9202006.774 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 13826.000225/200789 Acórdão n.º 9202006.774 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2254DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.008239/2001-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES PIS/COFINS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para caracterizada a oposição ilegítima do Fisco, reconhecer a atualização pela Taxa SELIC a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES PIS/COFINS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES PIS/COFINS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 82 39 /2 00 1- 83 Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.551 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para caracterizada a oposição ilegítima do Fisco, reconhecer a atualização pela Taxa SELIC a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais, interpostos pela Procuradoria Nacional, por contrariedade à lei em decisão não unânime (fls. 1.267 a 1.273), e pelo contribuinte, este de Divergência (fls. 1.304 a 1.315), contra o acórdão 20402.323, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1.249 a 1.263), sob a seguinte Ementa (à época do julgamento, o Nome Empresarial era BERTIN LTDA.): IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES PESSOAS FÍSICAS. Excluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à Cofins no fornecimento ao produtor exportador. DESPESAS COM MÃODEOBRA PARA DESCARREGAMENTO DE PRODUTOS. DESCABIMENTO. Não constituindo nem matériaprima, nem produto intermediário, as despesas com pessoal não podem ser incluídas na base de cálculo do incentivo, ainda que possam compor o custo contábil da empresa. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA. DESCABIMENTO. Somente podem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima, de produto intermediário ou de material de embalagem. Nos termos da legislação do IPI a energia elétrica somente pode ser considerada como tal se consumida por ação direta sobre o produto em elaboração. APLICAÇÃO TAXA SELIC. Não se revestindo a atualização monetária de nenhum plus, deve incidir sobre os valores a serem ressarcidos a título de incentivo fiscal, desde o protocolo do pedido, a taxa Selic, sob pena de afrontar a própria lei instituidora do benefício se este tiver seu valor corroído pelos Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.552 3 efeitos da inflação. De outro turno, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese de verdadeiro enriquecimento ilícito da parte contrária. Recurso provido em parte. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.275 e 1.276), a PGFN contesta a aplicação da Taxa SELIC, alegando que não há previsão legal para a atualização de créditos escriturais, sendo descabida a extensão dos efeitos do indébito tributário (restituição) para o ressarcimento. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 1.279 a 1.289). Na sequência, interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1.304 a 1.315), ao qual, em Exame (fls. 1.339 a 1.342) e Reexame (fls. 1.516 a 1.518) de Admissibilidade, somente foi dado seguimento no que tange à inclusão, na base de cálculo do Crédito Presumido, das aquisições de não contribuintes do PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 1.345 a 1.357). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço dos Recurso Especiais, na parte admitida. A matéria que nos foi trazida à apreciação relativa ao Recurso Especial da Fazenda Nacional é o cabimento ou não da atualização pela Taxa SELIC no caso de Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Utilizome aqui do Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, desta mesma 3ª Turma da CSRF: A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.553 4 reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.554 5 INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.555 6 No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.556 7 \razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, \DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.557 8 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.558 9 Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei n° 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto por dar parcial provimento para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. Resta saber então se houve oposição estatal ilegítima ou não na análise, pela Unidade de Origem, do direito creditório, posteriormente revertida nas instâncias de julgamento. Houve, sim, mas somente no que tange à parte admitida do Recurso Especial do contribuinte, qual seja, a inclusão, na base de cálculo do Crédito Presumido das aquisições de nãocontribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas. A matéria não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da ementa do referido acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.559 10 Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disso, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 13807.008239/200183 Acórdão n.º 9303006.806 CSRFT3 Fl. 1.560 11 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para, caracterizada a oposição ilegítima do Fisco, reconhecer a atualização pela Taxa SELIC a partir de 360 dias do protocolo do pedido, e dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1560DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.009435/2005-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/01/2004
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO. STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
A decisão que considerou constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98 e declarou a inconstitucionalidade de seu § 1º estabeleceu que apenas o faturamento mensal da sociedade empresária, representado pela receita bruta advinda das atividades típicas da pessoa jurídica, integram a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
Em razão do AE PGFN nº 4/2017, entende-se que são isentas do PIS e da Cofins as receitas de vendas de mercadorias nacionais com destino à Zona Franca de Manaus.
Numero da decisão: 9303-007.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2000 a 31/01/2004 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO. STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão que considerou constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98 e declarou a inconstitucionalidade de seu § 1º estabeleceu que apenas o faturamento mensal da sociedade empresária, representado pela receita bruta advinda das atividades típicas da pessoa jurídica, integram a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. Em razão do AE PGFN nº 4/2017, entende-se que são isentas do PIS e da Cofins as receitas de vendas de mercadorias nacionais com destino à Zona Franca de Manaus.
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BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO. STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão que considerou constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98 e declarou a inconstitucionalidade de seu § 1º estabeleceu que apenas o faturamento mensal da sociedade empresária, representado pela receita bruta advinda das atividades típicas da pessoa jurídica, integram a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. Em razão do AE PGFN nº 4/2017, entendese que são isentas do PIS e da Cofins as receitas de vendas de mercadorias nacionais com destino à Zona Franca de Manaus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 94 35 /2 00 5- 14 Fl. 5830DF CARF MF Processo nº 11080.009435/200514 Acórdão n.º 9303007.041 CSRFT3 Fl. 3 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda e pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 210100.056, de 06 de maio de 2009 (e folhas 5.074 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/01/2004 DECADÊNCIA: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4° DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar o credito tributário decai em 5 (cinco) anos após verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 150, § 4°, do CTN). SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. A base de calculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso provido. DESCONTOS CONCEDIDOS. CONDIÇÃO. Fl. 5831DF CARF MF Processo nº 11080.009435/200514 Acórdão n.º 9303007.041 CSRFT3 Fl. 4 3 É condicional o desconto quanto decorrente de qualquer circunstância que exija do adquirente qualquer reciprocidade ou contraprestação pela redução concedida no preço constante da nota fiscal. Recurso provido em parte. A divergência suscitada no recurso especial do contribuinte (efolhas 5.690 e segs) diz respeito (i) à exclusão da base de cálculo da Cofins das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus e (ii) aos montantes relativos a descontos incondicionais e/ou abatimentos1. A divergência suscitada no recurso especial da Fazenda Nacional (efolhas 5.116 e segs) diz respeito (i) à incidência da Contribuição sobre as receitas financeiras, (ii) à inclusão do Crédito Presumido do IPI na base de cálculo da Contribuição. O recurso especial do contribuinte foi parcialmente admitido, apenas em relação à isenção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativa às vendas realizadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, ocorridas a partir de dezembro de 2000, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 5.721 e segs e despacho de agravos, efolhas 5.802 e segs. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 5.172 segs. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 5.194 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida na matéria contraditada pela Fazenda Nacional. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 5.817 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida na matéria contraditada pelo contribuinte. É o Relatório. 1 O Despacho de Exame de Admissibilidade do RE do contribuinte fez menção indeva à divergência que teria sido suscitada pelo contribuinte a respeito dos "serviços que não foram enquadrados no conceito de insumos para fins de apuração da contribuição para o PIS nãocumulativo". Fl. 5832DF CARF MF Processo nº 11080.009435/200514 Acórdão n.º 9303007.041 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recursos, deles tomo conhecimento. Mérito Recurso Especial da Fazenda Nacional O pleito da Fazenda Nacional, tanto no que diz respeito à incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social sobre as receitas financeiras quanto sobre o Crédito Presumido do IPI está fundamentado na constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Desnecessário dizer que essa matéria, hodiernamente, encontrase pacificada. Conforme entendimento assentado, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, Recurso Extraordinário nº 585.235, o conflagrado alargamento da base de cálculo promovido pela Lei 9.718/98 foi considerado inconstitucional. À luz do entendimento manifesto pela Suprema Corte, apenas o faturamento decorrente das atividades típicas da pessoa jurídica estão sujeitos à incidência da Cofins no sistema cumulativo de apuração da Contribuição. RE 585235 QORG / MG MINAS GERAIS REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. CEZAR PELUSO Julgamento: 10/09/2008 Órgão Julgador: Tribunal Pleno EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Fl. 5833DF CARF MF Processo nº 11080.009435/200514 Acórdão n.º 9303007.041 CSRFT3 Fl. 6 5 Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria,aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. 110 Ampliação da base de cálculo da COFINS. Tese É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98. Na decisão do RE, o Relator do processo, Ministro Cezar Peluso esclarece que O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Fl. 5834DF CARF MF Processo nº 11080.009435/200514 Acórdão n.º 9303007.041 CSRFT3 Fl. 7 6 Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (...) (grifos acrescidos) Por conseguinte nem a tese defendida pela Fazenda Nacional pode prosperar, nem a exigência nela fundamentada pode ser satisfeita. A autuada, segundo seu estatuto, é uma sociedade empresarial que atua na exploração de atividades ligadas aos setores agrícola, industrial e comercial de produtos alimentícios em geral. Receitas decorrentes de operações financeiras não podem ser classificadas como receitas oriundas do exercício de suas atividades empresariais típicas. Tratamse de receitas gerais, que, segundo entendimento consolidado pela Suprema Corte, não são equivalentes e não se enquadram no conceito de faturamento empresarial. Ou seja, são, justamente, as receitas que a decisão tomada em regime de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal considerou estarem excluídas da base de cálculo da contribuição. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte2. No que se refere ao Crédito Presumido do IPI, entendo que, pelas mesmas razões relativas às receitas financeiras e, com muito mais razão, também deve ser excluído da base de cálculo da contribuição. Recurso Especial do Contribuinte A controvérsia cingese à isenção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nas vendas realizadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, ocorridas nos anoscalendário de 01/04/2000 a 31/01/2004. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 5835DF CARF MF Processo nº 11080.009435/200514 Acórdão n.º 9303007.041 CSRFT3 Fl. 8 7 No entendimento da recorrente, estas vendas são isentas com base no art. 4º do DecretoLei nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da Constituição Federal. Jamais concordei com esse entendimento e tal fato está expresso entre outros no acórdão nº 9303005186, no qual, na oportunidade fui designado para redigir o voto vencedor. Porém em 16/11/2017 a PGFN publicou o Ato Declaratório nº 4, nos seguintes termos: "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." (...) “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” Diante desse posicionamento, nada nos resta a fazer senão por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Com base em todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 5836DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908642/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 08/08/2006
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
Numero da decisão: 1302-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 86 42 /2 00 9- 22 Fl. 119DF CARF MF 2 Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou pelo indeferimento, via Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, de pedido de compensação, no qual o ora Recorrente, Yakult S/A Indústria e Comércio, pretendia quitar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativas. No Despacho Decisório proferido, aquela douta Delegacia, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte, assim se manifestou, in verbis: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta feita, como não foi reconhecido o direito creditório, o pedido de compensação não foi homologado, sendo cobrado, por consequencia, o débito que se pretendia quitar, acrescido de multa e juros. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defendeu o seu direito creditório. Suas alegações foram bem colocadas no acórdão recorrido. Assim, pedese venia para transcrever trecho do relatório daquele acórdão, na parte em que são expostas as razões defendidas pelo Recorrente: Em direito tributário, a compensação depende de lei (art. 170 do Código Tributário Nacional). Portanto, data vênia, não da ao FISCO o direito de enriquecerse ilicitamente em detrimento dos contribuintes. A compensação, notadamente no âmbito tributário, é instrumento moralizador, porquanto afasta o contribuinte dos transtornos inerentes à restituição em espécie. O que ocorre é que as compensações, por força dos art. 74, §§1° e 14, da Lei 9.430/96, têm, necessariamente, que ser declaradas ao Fisco, na forma que foi regulamentada. A Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, é que regulamenta a compensação, e estabelece que sera efetuada mediante a utilização do programa PER/DCOMP (art. 34, §1°). O problema é que o dito PER/DCOMP não distingue os débitos de IRPJ/Estimativa e CSLL/Estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) ou com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230). Em ambos os casos, o código da receita, estipulado pela Receita Federal do Brasil (RFB) é o mesmo. Assim sendo, decorre que o programa gerador de compensação (PER/DCOMP) não pode fazer a distinção entre débitos de Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13819.908642/200922 Acórdão n.º 1302002.855 S1C3T2 Fl. 120 3 estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) e débitos de estimativas calculados com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230), o que ocasiona a errônea analise do FISCO, conforme decisão de IMPROCEDÊNCIA. A contribuinte esta devidamente amparada pela citada legislação em vigor e atende os requisitos legais para seja concedido e deferido o presente pedido de compensação. Ressaltando novamente que os pagamentos efetuados foram efetuados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, de acordo com o que foi declarado da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, na ficha 11 (IRPJ), e na ficha 16 (CSLL). Ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) indeferiu o pleito do contribuinte, sob o mesmo argumento que motivou o Despacho Decisório. Citase trecho do acórdão neste sentido: (...) Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação de IRPJ/CSLL a serem apurados ao final do anocalendário, pois somente no final do exercício, em face do balanço patrimonial levantado, é que o crédito tributário se exteriorizará, fruto da aplicação da respectiva alíquota sobre uma base de cálculo tributável, decorrente do lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões impostas pela lei fiscal, confrontado com a somatória das parcelas recolhidas e retidas ao longo do período, no caso o ano civil, podendo dessa operação aflorar a situação de ter sido antecipado e retido mais que o devido, o que passou a ser chamado de saldo negativo. Argumentou ainda, aquela d. DRJ, que seria ônus do contribuinte comprovar o seu direito creditório, com a apresentação de livros contábeis e fiscais, com a composição e cálculo dos valores recolhidos. Neste sentido, alegou que o contribuinte não fez prova do seu direito creditório. Vejase mais um trecho do acórdão: Além do mais, é oportuno registrar que, ainda que se pudesse admitir o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Devidamente, intimado da decisão proferida pela DRJ, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos para sustentar o seu direito creditório, além de ter acostado aos autos cópias do LALUR, livros contábeis e fiscais e Fl. 121DF CARF MF 4 DARF´s de pagamento, que, a princípio, comprovariam o direito creditório invocado no pedido de compensação que não foi homologado pela Receita Federal do Brasil. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido, em 02/06/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 29/06/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente, em pedido de compensação apresentado, indicou como crédito o pagamento indevido ou a maior de estimativas, de acordo com o regime de apuração do lucro real do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório emitido, entendeu que não estava configurado o direito creditório, sob o argumento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas para compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a princípio, pelo entendimento exarado, não foram analisados os livros contábeis e fiscais do contribuinte, para se verificar se o crédito invocado no pedido de compensação era legítimo. Tendo em vista o entendimento pela impossibilidade de compensação das estimativas, o pedido de compensação não foi homologado. E a DRJ, apesar de ter alegado em argumento subsidiário que o contribuinte não comprovou o seu direito creditório, deixou bem claro o seu entendimento: as estimativas pagas a maior ou indevidamente só podem compor o saldo negativo, não podendo ser compensadas no mesmo exercício. Pois bem. No que tange à motivação do despacho decisório, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem posição consolidada e sumulada diametralmente oposta ao que restou consignado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo (SP). Vejase, neste sentido, o teor da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. E quando se analisa os acórdãos que deram origem ao entendimento sumulado, fica fácil perceber o equívoco daquele Despacho Decisório. Como exemplo, citase trecho extraído do acórdão CARF nº 1202000.458, no qual é externado, inclusive, o entendimento da Receita Federal do Brasil, em que admite a compensação das estimativas, sem Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.908642/200922 Acórdão n.º 1302002.855 S1C3T2 Fl. 121 5 a vinculação à composição do saldo negativo, como restou assentado equivocadamente, data venia, no Despacho Decisório exarado: A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 – SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Por outro lado, a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 05 de Dezembro de 2011, ao analisar questionamento interno que tem o mesmo objeto da presente discussão, assim concluiu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a Fl. 123DF CARF MF 6 compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, a motivação para indeferir o direito creditório do contribuinte não deve prevalecer. Por outro lado, como relatado acima, a DRJ, em argumento subsidiário, após aderir ao equivocado entendimento consignado no Despacho Decisório, afirmou que o contribuinte não havia feito prova do seu direito creditório, o que reforçaria a manutenção da decisão combatida pelo Recorrente. Contudo, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, até mesmo porque, como mencionado, o crédito não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal que não homologou a compensação. A possibilidade de a instância julgadora determinar, de ofício, a realização de diligências esta prevista no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.908642/200922 Acórdão n.º 1302002.855 S1C3T2 Fl. 122 7 formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade Fl. 125DF CARF MF 8 material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, no presente caso, é patente o equivoco do acórdão recorrido, que, partindo de uma premissa há muito superada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vide o teor da Súmula nª 84 acima transcrita), manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação do contribuinte, e, por consequencia, por argumento subsidiário (inovação), não analisou a legitimidade do crédito indicado na PerDcomp transmitida. Desta feita, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que reconhece a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, reformandose o acórdão neste ponto. Por consequência, ANULO PARCIALMENTE, no que se refere à inovação, o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta analise, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias. Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.906224/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação.
Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado.
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PAGAMENTO TOTALMENTE UTILIZADO. FUNDAMENTAÇÃO. Considerase fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 62 24 /2 01 2- 71 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10855.906224/201271 Acórdão n.º 1301003.256 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho decisório da DRF Sorocaba. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o despacho decisório carecia de fundamentação, já que não expunha os motivos que levaram ao indeferimento do direito creditório. Por conseguinte, teriam sido violados os princípios da legalidade e da ampla defesa. Aduziu ainda que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento, e não intimou a interessada a apresentar as razões pelas quais o pagamento seria indevido. Concluiu, portanto, ser nulo o despacho decisório. A contribuinte se manifestou acerca da origem de seu direito nos seguintes termos: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. A DRJ, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. interpôs recurso, afirmando ter feito recolhimento a maior, "considerando as discussões jurídicas de legalidade e conceituação das disposições que regulam os tributos". Aduziu que "em Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10855.906224/201271 Acórdão n.º 1301003.256 S1C3T1 Fl. 4 3 decorrência das diversas legislações, da complexidade do ordenamento jurídico e, ainda, notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis aos tributos, a Recorrente postulou a restituição de tributos, utilizando o crédito em compensação.". Diversas seriam as "teses jurídicas" aplicáveis ao caso, que ensejariam a restituição ou compensação do valor recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofíns. Aduziu que o direito de repetir o indébito decorre diretamente da Constituição Federal e também do Código Tributário Nacional CTN, que asseguram ao contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação ao direito imposta por norma regulamentar. No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da DCTF do período a que se refere o indébito. Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não subsistem, e que foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de provas, as quais devem ser produzidas por iniciativa da autoridade administrativa, antes do despacho decisório. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10855.906224/201271 Acórdão n.º 1301003.256 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.245, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900721/2012 66, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado no 2º trimestre/2008. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao 4º trimestre/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.245): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na decisão recorrida. O despacho decisório está devidamente fundamentado. O fundamento consiste no fato de que o valor que a recorrente queria ver restituído estava integralmente utilizado para quitar débito que a própria recorrente havia declarado. Essa circunstância é suficiente para respaldar a decisão denegatória. Não há violação ao direito de defesa, nem ao contraditório. A recorrente poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na mesma oportunidade, deveriam ser expostas as razões de fato e de direito da pretensão ao crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova. A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento. A autoridade administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque alocado a um débito que a recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria ter sido confessado, isso competia à recorrente explicar. Não cabe, ademais, falar em violação do princípio da eficiência, que nunca foi requisito de validade de ato Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.906224/201271 Acórdão n.º 1301003.256 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração Pública não implica a invalidade do ato praticado. Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida para o exercício desse direito. A dcomp, ademais, produzindo efeito extinto da obrigação compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração. Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito. Com essas razões, afastase a preliminar de nulidade. Foi requerida a realização de diligência, a qual deve ser indeferida, pois a recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto. No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações, o ônus da prova do fato constitutivo do direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. No caso em exame, a recorrente falou que o direito estaria ancorado em "teses jurídicas", "discussões" e "teses já decididas pelo STF como inconstitucionais", sem, entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ. Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto. É importante notar que a recorrente pleiteou a integralidade do pagamento, dando a entender que, no período, ela não devia IRPJ, sem explicar a razão, sem demonstrar qual a tese jurídica que prevaleceu no Supremo Tribunal Federal e afastou, no todo, a obrigação de pagar IRPJ. Frisese, por último, que a questão envolvendo a base de cálculo de PIS e Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido. Em suma, por todas essas razões, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Conclusão Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.906224/201271 Acórdão n.º 1301003.256 S1C3T1 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 93DF CARF MF
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