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Numero do processo: 14041.000126/2006-14
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.071
Decisão: RESOLVEM, os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Antônio José Praga de Souza, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Moises Giacomelli Nunes da Silva, sendo que o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, superava a proposição da diligência e acolhia a preliminar de nulidade do lançamento.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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RESOLVEM, os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Antônio José Praga de Souza, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Moises Giacomelli Nunes da Silva, sendo que o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, superava a proposição da diligência e acolhia a preliminar de nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Conforme autos de infração foram formalizados lançamentos do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, em razão da infração de omissão de receitas caracterizadas por saldo credor de caixa, no anocalendário de 2001 e depósitos bancários com origem não comprovada, nos anoscalendário de 2001 e 2003, com fundamento legal no art. 528 do RIR/99. O lucro foi apurado com base no regime do lucro presumido. Calculouse 32% para a apuração do valor tributável do IRPJ e depois se aplicou a alíquota de 15% mais a alíquota do adicional. Para a CSLL apurouse o valor tributável, com o coeficiente de 12% e alíquota de 8% (em 2001) e mais adicional e alíquota de 9% (em 2003). No Termo de Encerramento de Fiscalização consta que a ação fiscal foi solicitada pelo Ministério Público para examinar recebimentos de alugueis, com o objetivo de instruir o processo nº 1.16.000.00419/200305, e pelo Ministério Público do DF e Territórios, para examinar movimentação financeira da autuada (depósito bancário de valor superior a R$ 13 milhões). Transcrevo parte do Ofício nº 2.194, de 01.12.2003, expedido pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, de fls. 65/66 dirigido ao Superintendente da Receita Federal da 1ª Região Fiscal: Informamos que a Comissão que apura os ilícitos praticados pelo Grupo Ok instaurada por força da Portaria n.681, de 27 de maio de 2003, do ProcuradorGeral de Justiça do Distrito Federal , recebeu denúncia de que foi efetuado depósito suspeito na cc n.12.6487.08, da agência BMBrasilia, do Bank Boston no dia 23/4/01, em nome da empresa EGA ADM., PART E SERV. LTDA. (CNPJ. 00.690.271/000116), em valor superior a R$ 13.000.000,00, razão pela qual requisitamos fiscalização na citada empresa, remetendo em 30 dias relatório circunstanciado. Em 02.12.2005 a fiscalizada apresentou parte dos documentos, relativamente à comprovação dos depósitos bancários do anocalendário de 2001, informando que, parte dos valores depositados, se referem a recebimentos por conta e ordem das empresas interligadas, conforme contratos de prestação de serviços, de fls. 231 a 239. Após a análise dos documentos constatou a fiscalização que de fato eles se referem a valores recebidos por conta e ordem das empresas contratantes e há compatibilização dos valores recebidos com o objeto dos contratos, porque se tratam basicamente de recebimentos de prestações mensais, docs. de fls. 209/230. Não obstante, os depósitos não comprovados, que são os maiores valores, não guardariam qualquer relação com o objeto dos contratos. Ademais, a origem desses valores não foi comprovada por nenhuma empresa do grupo, nem pelas contratantes e nem pela contratada. Portanto, excluindose os valores comprovados, remanesceram as diferenças apuradas no demonstrativo de fls. 92/116, juntamente com cópia do livro Caixa e dos respectivos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, referentes ao anocalendário de 2001. A título de exemplo, o cheque no valor de R$ 13.222.500,00 depositado no Bank Boston, em 23.04.2001, na conta corrente nº 12.6487.08, em nome da fiscalizada, escriturado no livro caixa como “recebimento nesta data”, cuja origem não foi comprovada, foi diluído em várias aplicações financeiras de interesse da fiscalizada. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 3 3 Acusa a fiscalização que no anocalendário de 2001, o livro caixa apresentou saldo credor, nos meses de fevereiro, março, junho, agosto e setembro, o que caracteriza, por presunção legal, omissão de receitas, conforme art. 281, I, do RIR/99, que foi objeto de lançamento, por não haver incompatibilidade com a infração de omissão de receitas dos depósitos não comprovados, porque os depósitos bancários foram totalmente escriturados, e mesmo assim, na própria escrituração apresentada, sem acrescentar nenhum fato novo, verificouse saldo credor, conforme demonstrativo e cópia do livro caixa, anexos às fls. 95 a 116. Cita julgados do CC a favor do fisco: acórdãos 10319888, 10805552, CSRF 0103601. Acrescenta que os documentos apresentados em 24.01.2006, referentes aos meses de fevereiro, março, maio e julho de 2001, totalizando a importância de R$ 60.426,10, anexos às fls. 278/293, não correspondem aos depósitos bancários relacionados no termo de intimação, de 06.09.2005, de fls. 47 a 49, razão pela qual não foram aceitos como prova da origem dos depósitos. Em 06 e 12/01/2006, a fiscalizada apresentou parte dos documentos comprobatórios da origem dos depósitos do anocalendário de 2003. Examinados os documentos apresentados apurouse as diferenças não comprovadas do anocalendário de 2003, excluindose todas as transferências de outras contas da própria fiscalizada, bem como todos os valores recebidos por conta de empresas interligadas, se chegou nas diferenças não comprovadas, conforme fls. 96. Destaca a fiscalização que o lançamento não está amparado somente em extratos bancários, amparase sobretudo na escrituração do Livro Caixa, pois os recebimentos escriturados não foram declarados e nem tampouco tiveram suas origens comprovadas. A informação de que todos os valores foram recebidos por conta e ordem das empresas interligadas não pode prosperar, porque os valores pertencentes às empresas interligadas foram perfeitamente comprovados, e tratase de valores compatíveis com o objeto dos contratos de prestação de serviços, conforme citado anteriormente. Ressalta a autoridade fiscal que caso os referidos recebimentos realmente pertencessem às empresas interligadas, seriam facilmente comprováveis, por meio das suas escriturações contábeis, documentação dos recebimentos e declarações junto à Receita Federal, o que não o fez. Sobre o recebimento de alugueis, afirma a fiscalização que conforme contratos firmados com os locatários mencionados fato noticiado pelo MPF, a fiscalizada nada informou a respeito. Considerando que o lançamento efetuado engloba a movimentação financeira, que não teve a sua origem comprovada, deixouse de lançar especificamente, esses recebimentos de alugueis, por já integrarem a movimentação financeira de forma global. Afirma que como se observa da escrituração dos livros caixa, fls. 97 a 166, os históricos dos lançamentos são resumidos, constam apenas as expressões “recebimentos nesta data” ou “valor referente depósito nesta data”, o que torna impossível a identificação das operações correspondentes. Acrescenta ainda os seguintes fatos: • Segundo informação do MP do DF e Territórios, o Grupo OK, em que se insere a empresa fiscalizada, estava sendo objeto de apuração de ilícitos praticados, conforme Portaria 681/03, do ProcuradorGeral de Justiça do DF, que informou também, o depósito bancário suspeito, no valor de R$ 13.222.500,00, em nome da fiscalizada, ofício 2194/03, de fls. 65/66, sendo que a origem desse depósito não foi comprovada; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 4 4 • A fiscalizada não comprovou o reconhecimento das receitas de alugueis conforme contratos firmados com os locatários mencionados, conforme citado anteriormente, fato noticiado pelo MPF, Ofício MPF/PRDF/LF 97/04, de fls. 62 a 64; • Os livros caixa, relativos ao anocalendário de 2001, apresentam saldo credor, nos meses de fevereiro, março, junho, agosto e setembro, conforme se observa das fls. 100, 106, 110, 111, o que caracteriza, por presunção legal, omissão de receitas; • A solicitação inicial para comprovação da origem dos depósitos bancários foi dirigida à fiscalizada em 06.09.2005, e durante esse período houve várias prorrogações de prazo; ressaltandose que a última resposta da empresa atendendo parte de documentos foi em 24.01.2006. Portanto, a fiscalizada teve o prazo de quatro meses e vinte dias para atendimento, que em nenhuma hipótese, poderá argüir falta de prazo para o atendimento, segundo os prazos previstos na legislação tributária em vigor. Destaca que esses fatos relatados comprovam que a ação fiscal não foi somente embasada em extratos bancários, pois estes serviram apenas como indício de produção de provas, que possibilitaram o exame de outros elementos. Assim, após o exame dos documentos apresentados, foram excluídos os valores comprovados e foram apuradas as diferenças não comprovadas, nos anoscalendário de 2001 e 2003, bem como os saldos credor de caixa, no anocalendário de 2001, conforme demonstrativos de fls. 92 a 96. DA IMPUGNAÇÃO Transcrevo da decisão de primeira instância o teor da impugnação: A contribuinte impugna fl.384 até 430 alegando (resumo): Cerceamento do direito de defesa: a fiscalização teria se negado a conceder prazos para a entrega de documentos cruciais, mesmo sabendo da doença de sua contadora; requer 30 dias para novas provas; SALDO CREDOR DE CAIXA: Alega não ter havido estouro de caixa, pois, todos os “estouros” estariam justificados pelos resgates de aplicações financeiras; OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: dissonância com o conceito de renda; da presunção legal (sem elementos), capacidade contributiva; o fisco estaria apenas tributando depósitos bancários como se fossem rendimentos líquidos (como se fosse renda), seria confisco; a presunção de que os depósitos são renda viola o princípio da igualdade, confisco; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 5 5 invoca o art. 112 do CTN, pois, haveria dúvida quanto às circunstâncias matérias do fato; questiona o uso das presunções pelo legislador ordinário; o procedimento fiscal teria violado os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada; Inversão do ônus da prova, alega que a fiscalização não trouxe provas que sustentassem a omissão de receita, e os dados da quebra do sigilo bancário não representam provas suficientes para sustentar o auto de infração; Da origem e comprovação da regularidade dos depósitos bancários: Alega que os depósitos estão todos justificados pelos contratos do anexo 7 Aponta o erro material que seria: que o valor de R$ 30.269,13, estaria errado planilha 1 pagina 2, pois, seria R$ 20.269,13; o valor de R$ 15.000,00 teria sido comprovado e aceito pelo fiscal; o valor de R$ 3.903,78, autuado em 2001, foi lançado em duplicidade anexo 10. os depósitos de pequeno valor, a contribuinte alega que entendeu não seriam lançados, e pede a dispensa do mesmo; DA MULTA DESARRAZOADA, DESPROPORCIONAL E CONFISCATÓRIA: Alega quebra do princípio da moralidade, princípio da proporcionalidade; DOS JUROS DE MORA Questiona a Selic. DA DECISÃO DA TURMA JULGADORA Sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa, consignou que a fiscalização negou prorrogações de prazo, por considerar meramente protelatórios, pois, contador doente não é motivo de prorrogação de prazo; destacou que a ação fiscal durou dez meses e a contribuinte teve muito tempo nesses dez meses para a sua defesa e além do mais, teve mais 30 dias para sua impugnação. Conclui não ser possível dar à contribuinte prazo adicional de 30 dias. Sobre o saldo credor de caixa, registrou a Turma Julgadora que as alegações da contribuinte não vão em cima do que foi o objeto de autuação, pois, a cópia do livro caixa de fl. 99/100 demonstra cabalmente que o caixa estava estourado. Quanto à infração de omissão de receitas relacionada com depósitos bancários, a Turma Julgadora levou em conta que parece que a contribuinte trouxe a mesma documentação não aceita pela fiscalização. Na documentação não está claro o nexo dos depósitos com os contratos, pois, não se identifica as operações correspondentes, não há notas fiscais e ainda Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 6 6 mais os valores não estão identificados com os valores lançados. Ademais, o referido contrato é com a pessoa física Cleucy Meireles de Oliveira. Manteve as infrações por insuficiência de comprovação. Com relação a erros materiais a Turma Julgadora reconheceu erro de digitação e valor lançado em duplicidade. Ambos de pequeno valor. Não acatou o valor de R$ 15.000,00, por não haver nenhuma evidência de que a fiscalização aceitou tal valor, muito pelo contrário, pois, foi lançado. Considerou a documentação acostada não convincente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A ciência da decisão de primeira instância se deu por meio de Edital de fls. 768, de 31.10.2006, com autorização de afixação de 01.11.2006. O recurso voluntário foi interposto em 08.11.2006. No recurso a contribuinte informa que teve vista dos autos em 11.10.2006. Alega que a Turma Julgadora deixou de considerar elementos de prova e olvidouse em apreciar em sua integralidade, as razões apresentadas maculando ao acórdão. Pede a nulidade da decisão de primeira instância. Aponta outra nulidade relativa à inadequação da capitulação legal utilizada pela autoridade fiscal. Este teria baseado a autuação apenas no art. 528 do RIR/99 que não trata de nenhuma das infrações. Entende que a fiscalização, quando muito, poderia ter utilizado o art. 281, I, do RIR/99, que trata especificamente da omissão de receita mediante a existência de saldo credor de caixa, numa outra espécie e metodologia de apuração de eventual infração. Também a suposta omissão derivada de supostos depósitos bancários de origem não comprovada não está expressamente delineada no art. 528 do RIR, além do mais, a origem dos depósitos teria sido comprovada. Diz ser flagrante a inadequação da capitulação legal aos fatos utilizados como fundamento à lavratura do auto de infração, ainda mais se levarse em conta a premissa inafastável, admitida pela fiscalização, de que todos os depósitos foram escriturados no livro caixa. Assim, seria impossível identificarse a forma utilizada pela fiscalização para apuração da receita bruta conhecida, não tendo sido apontado qualquer permissivo legal para utilização de depósitos bancários para a sua apuração. Cita acórdão CSRF 0104.996. Também alega que as disposições do art. 528 não comportam presunção de qualquer espécie, sendo ilícito à fiscalização utilizálo em situações em que não comprova, efetivamente, a ocorrência de omissão de receitas e que não se pode pretender com esse artigo, a inversão do ônus da prova. Entende que se não constou a capitulação de presunção legal no corpo dos autos é do fisco o ônus da prova. Afirma terem sido desrespeitados o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, previsto no art. 5º, LV, da CF)88, além do princípio da estrita legalidade que rege o sistema tributário e o art. 142 do CTN. Argumenta que além do mais a metodologia empregada não é clara. Também alega que por ser optante do regime do lucro presumido, caberia à fiscalização, de acordo com a capitulação legal adotada, seguir o regime de apuração do imposto pelo qual optou o contribuinte, aplicandose os percentuais estabelecidos em lei e apurando o imposto devido, mas que isso não ocorreu. Transcreve o art. 24 da Lei 9.249/95. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 7 7 Argumenta que a aplicação da alíquota do imposto diretamente sobre as receitas que supostamente foram omitidas, mormente, em se tratando de depósitos bancários, macula por completo o lançamento, à medida em que está sendo imposto ao contribuinte a tributação reconhecidamente gravosa diante dos fatos que sequer teriam sido comprovados pela fiscalização. Entende que houve falta de subsunção dos fatos à norma supostamente infringida, a utilização de capitulação inadequada, falta de instrução probatória, ausência de conexão entre o lançamento, o fundamento da autuação e da metodologia aplicada, que ensejariam todos a nulidade dos autos. Cita o art. 142 do CTN. Consigna que em obediência aos princípio da estrita legalidade e da tipicidade fechada, deve ser de plano afastada a tributação apurada com base em receita bruta supostamente omitida. Argumenta que se operou a decadência do direito de o fisco lançar qualquer crédito tributário relacionado a janeiro de 2001. (ciência dos autos em 06.02.2006). Sobre a infração de saldo credor de caixa Argumenta que a Turma Julgadora não apreciou essa matéria, pois limitouse a dizer que “as alegações da contribuinte não vão em cima do que foi objeto de autuação, pois a cópia do livro caixa fl. 99/100 demonstra cabalmente que o caixa estava estourado” Aduz que a fiscalização às fls. 95 dos autos traz planilha demonstrativa da suposta ocorrência de saldo credor de caixa, nos períodos de fevereiro, março, junho, agosto e setembro de 2001. No tocante ao mês de fevereiro de 2001, a fiscalização aponta o valor de R$ 160.040,47, a título de saldo credor no período. Referido lançamento é do dia 19.02.2001. A autoridade fiscal não teria se atentado de que na mesma data, houve o resgate de aplicação financeira no valor de R$ 300.000,00, conforme demonstraria o lançamento efetuado na linha subseqüente à do lançamento relativo ao suposto saldo credor de caixa e o extrato bancário que demonstra o efetivo resgate da aplicação financeira (fls. 172). Dessa maneira, a situação final verificada no dia mencionado foi saldo devedor no valor de R$ 139.959,53. Quanto ao mês de março, a fiscalização aponta o valor de R$ 168.517,71 relativo ao dia 12.03.2001. Também a fiscalização não considerou resgate de aplicação financeira realizado pela recorrente no valor de R$ 200 mil, conforme lançamento efetuado no livro caixa e o extrato bancário de fls. 173, sendo que ao final do dia a situação do caixa era de saldo negativo no valor de R$ 31.482,29. Também no mês de junho teria ocorrido saldo credor de caixa em 29.06.2001, no valor de R$ 308.032,43. Na mesma data, houve o resgate de duas aplicações financeiras nos montantes de R$ 327 mil e R$ 11 mil respectivamente, apontadas no livro caixa da recorrente e devidamente comprovadas pelos extratos bancários anexados às fls. 180 dos autos. Assim, a situação final a ser considerada é de saldo negativo de R$ 29.967,57. Em agosto de 2001 teria ocorrido saldo credor de caixa no valor de R$ 402.894,81, em 21 de agosto. Também nessa data ocorreu resgate de aplicações financeiras no montante de R$ 116.000,00, R$ 287.500,00, R$ 94.700,00, de forma que o saldo final foi Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 8 8 devedor n valor de R$ 95.305,19. A situação está comprovada pelos lançamentos efetuados em livro caixa às fls. 110 e 111 e extrato bancário às fls. 183 dos autos. Quanto ao saldo credor do mês de setembro no valor de R$ 102.187,89, refere se ao dia 27. Também nessa data ocorreu resgate de aplicação financeira no valor de R$ 135.000,00, de maneira que o saldo final foi de R$ 32.812,11 negativo. Restando comprovada a inexistência de saldo credor de caixa, o lançamento deveria ser neste ponto, e por mais esta razão, cancelado, ou ao menos que seja determinada diligência para que sejam efetuadas as verificações da documentação comprobatória das alegações da recorrente que não foram feitas pela decisão recorrida, bem como dos documentos juntados no anexo 6 dos documentos anexados ao recurso. Sobre a infração de omissão de receitas relacionada com depósitos bancários Argumenta que seu objetivo social é a prestação de serviços técnicos e especializados compreendidos pelo planejamento e consultoria econômica e financeira, bem como, assessoria técnica e de gestão a empresas em geral e pessoas físicas, cobranças em geral, por conta e ordem de terceiros, e gerenciamento e gestão de ativos, recebíveis e bens patrimoniais, conforme contrato social. Para o exercício de seu objetivo social firmou diversos contratos de prestação de serviços com empresas do Grupo Econômico e parcerias, tais como, Grupo OK Construções e Empreendimentos (fls. 232/239), Sra. Cleucy Meireles de Oliveira, Lino Martins Pinto (fls. 708/710), Brasiliense Futebol Clube (fls. 711/714), entre outras. Sua atividade consiste basicamente, em receber os recursos, por conta e ordem das empresas contratantes e administrálos. Tal atividade teria sido plenamente reconhecida pela autoridade fiscal, conforme apontado no item 13 do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, onde restou consignado inclusive, que os valores recebidos o são por conta e ordem de terceiros e são compatíveis com os contratos firmados. Entende ter comprovado a origem dos valores depositados em sua conta corrente, pois, como demonstrado, tais valores referemse a recebimentos efetuados por conta e ordem de terceiros. Assim, não existiria a possibilidade de lançamento ou sua manutenção em razão de origem não comprovada, já que a origem dos recursos foi pela própria fiscalização reconhecidamente comprovada. Ainda, pequena parte remanescente foi a posteriori, quando da apresentação da impugnação devidamente comprovada; Sobre este aspecto, deveria a decisão recorrida ter se fundamentado no mesmo critério do autuante ao aceitar documentos comprobatórios, sob pena de tornar insubsistente o lançamento. Assim, deveria ter analisado os documentos juntados que comprovariam a origem dos recursos recebidos por conta e ordem de terceiros. Com relação ao valor de R$13.222.500,00, se trata de valor recebido por ordem da empresa do Grupo OK Construções e Incorporações S/A decorrente de contrato de gestão de recursos firmado por tal empresa e a recorrente. Tal valor decorre do cumprimento de obrigação prevista em escritura pública, decorrente de condenação judicial, na qual a empresa BASF S/A foi condenada a pagar ao Grupo OK Construções e Incorporações S/A a quantia estipulada na cláusula 5ª da escritura pública (DOC anexo). Nesse sentido, considerandose as Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 9 9 retenções devidas pela legislação do imposto sobre a renda, o valor líquido do pagamento passou a ser o suprareferido. Apresenta cópia dos cheques, sendo um de R$ 13.072.500,00 (fls. 721) e outro de R$ 150 mil ambos nominais ao Grupo OK Construções e Incorporações S/A. Entende ter comprovado que os depósitos decorrem de pagamento efetuado ao Grupo OK, em razão do contrato de gestão de recursos firmado com a recorrente, depositados em contacorrente. Tais valores foram registrados nos livros contábeis e não foram omitidos. Ressalta que o recebimento por conta e ordem não representa receita tributável. De outra parte, como já apontado na impugnação, o montante de R$ 1.581.702,20 foi recebido pela recorrente em decorrência do contrato de gestão de recursos firmado com a Sra. Cleucy Meireles de Oliveira (fls. 692/708), cabendo à recorrente os recebimentos de valores relativos a rendimentos de sua atividade rural. Juntou ao presente cópia da ficha de declaração de rendimentos da Sra. Cleucy relativa à atividade rural. Entende ter demonstrado a origem do depósito. Também considera comprovado o valor de R$ 2.406.203,91 que decorreria de recebimentos efetuados em nome do Sr. Lino Martins Pinto, de valores relativos à sua atividade rural conforme comprovaria a documentação que anexou, onde se verifica que mensalmente era elaborada informação relativa aos valores a serem recebidos por conta e ordem pela recorrente. Informa que o restante dos valores recebidos nos anos de 2001 e 2003, cuja origem supostamente não teria sido identificada, corresponde a pagamentos recebidos por conta e ordem de terceiros, em sua grande maioria por conta de contrato firmado com a empresa Grupo OK Construtora e Incorporadora. Nesse sentido acosta o anexo 5. Traz aos autos planilhas demonstrativas dos valores recebidos mês a mês, por conta dos contratos firmados com seus clientes, devidamente acompanhadas dos recibos emitidos pela recorrente em razão do recebimento efetuado, e em razão dos borderôs devidamente autenticados relativos a recebimentos efetuados em nome do Grupo Ok Construtora e Incorporadora. Integra o anexo 5, documentos das empresas contratantes do recorrente mencionado, inclusive a origem dos valores que deveriam ser recebidos pela recorrente por conta e ordem. Aduz que tais valores, inclusive, estão relacionados às notas fiscais e recibos de cobrança que lhes deram origem. Conclui que restou sem comprovação, o montante de R$ 200 mil, que corresponde a parte dos recebimentos por conta e ordem, inferiores a R$ 5 mil. Tais valores não foram comprovados em razão do requerido pela fiscalização, como obserado na resposta à intimação ofertada em 20.01.2006, como mencionado nos fatos, não obstante, caso entendam necessário, em eventual diligência, se requisitado pela fiscalização, a recorrente se prontifica a demonstrar também a origem desses valores. Indevida presunção de omissão de receitas Afirma que a presunção legal de omissão de receitas em razão de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada surgiu com a edição da Lei 9.430/96, em seu artigo 42. Entende que demonstrou não haver materialidade para a aplicação dessa presunção legal, que a própria autoridade julgadora teve dúvida acerca da autuação frente à documentação acostada à impugnação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 10 10 Registra que havendo dúvida em face de circunstâncias materiais do fato, se impõe a observância do disposto no art. 112 do CTN. Diz que a própria autoridade julgadora afirma que a documentação acostada à impugnação parece com a documentação que não foi aceita pela fiscalização; ademais a documentação complementar trazida aos autos é da mesma espécie que foi apresentada à fiscalização e aceita como comprovação da origem dos depósitos bancários. Faz a seguinte indagação: “...Como não havia dúvidas se a autoridade julgadora afirma que o contrato de prestação de serviços é com a Sra. Cleucy Meireles de Oliveira e se esquece que a própria fiscalização traz aos autos cópia do contrato firmado com o Grupo Ok Construções e Empreendimentos? Afirma que a decisão incorreu em erro por não averiguar a documentação. Destaca que houve presunção dos fatos ocorridos, as quais fogem ao conceito de presunção legal, porque não foi levado em conta o fato de que a recorrente exerce atividade de gestora de recursos e cobrança/recebimentos por conta e ordem de terceiro, razão pela qual é perfeitamente plausível a sua movimentação financeira. O fisco não pode presumir sob pena de infringir o art. 142 do CTN. Também discute o conceito de renda/receita e a afronta aos artigos 153, III e 195, I, da CF, bem como o disposto no art. 43 do CTN. Afirma que somente pode ser tributada a renda/lucro que efetivamente representar acréscimo patrimonial disponível novo para a empresa, conforme entendimento pacífico da doutrina e da jurisprudência dos Tribunais, inclusive do STF, sob pena de estar tributando o patrimônio do contribuinte. Ademais, além do efetivo acréscimo patrimonial, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro está adstrita a um segundo elemento, qual seja, a efetiva disponibilidade sobre o acréscimo novo. Da necessidade de consideração dos custos e do arbitramento do imposto devido/duplicidade. Ainda que se considerasse que os recursos movimentados nas contas correntes lhe pertenciam, deveriam ser considerados os custos decorrentes da movimentação que seriam muito superiores àqueles considerados na apuração do imposto pela recorrente nos anos de 2001 e 2003. Também a escrituração seria imprestável, fato que ensejaria o arbitramento do lucro, nos termos do art. 47 da Lei 8.981/95 c/c art. 16 da Lei 9.249/95, desconsiderandose por completo as declarações apresentadas e a escrita fiscal da recorrente, o que de fato, não aconteceria. Neste caso, seria imperioso a consideração dos custos efetivamente incorridos. Conclui que se não foi arbitrado o lucro e portanto, considerada inábil a contabilidade, estaria cabalmente demonstrado que a origem dos ingressos decorre de recebimento por conta e ordem de terceiros, receitas estas imputáveis a estes, já que os mesmos emitem notas fiscais devidas e são titulares dos direitos recebidos. Destaca que a conclusão lógica destas premissas é que tributar a recorrente por estes ingressos é tributar em duplicidade. Da diligência a ser realizada Considerando que (i) a fiscalização indeferiu o pedido de prazo suplementar para a apresentação do restante da documentação comprobatória da origem dos depósitos bancários, em manifesto cerceamento do direito de defesa (ii) que a autoridade fiscal sequer Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 11 11 analisou os documentos anexados à impugnação e por tal razão mitigou o direito à ampla defesa do contribuinte, (iii) a aludida documentação demonstraria cabalmente a origem dos valores depositados nas contas correntes, (iv) a decisão recorrida padece de nulidade por falta de motivação e análise dos documentos acostados, caso não cancelado os autos de infração, é imperiosa a conversão do julgamento em diligência e aquela anexada desde a fiscalização, a fim de que seja analisada a documentação trazida aos autos com a apresentação da impugnação, bem como, a documentação acostada ao recurso voluntário, a fim de que a autoridade administrativa verifique a origem dos valores depositados nas contascorrentes, bem como para que seja averiguado se houve realmente saldo credor de caixa no período apontado pela fiscalização. Faz referência ao princípio da verdade material Da tributação reflexa Afirma que não pode incidir PIS e COFINS uma vez que os valores recebidos pertencem aos seus clientes, não se adequando à base de cálculo dessas contribuições. Também refuta a exigência dessas contribuições no que se refere à inclusão de valores relativos às receitas não operacionais, com ofensa ao disposto na Lei 9.718/98. Afirma que muito embora o art. 3º dessa lei estabeleça que a base de cálculo dessas contribuições seja o faturamento, este considerado a totalidade das receitas auferidas pela empresa, não se poderia perquirir tal equiparação. Essa exigência seria ilegítima e recentemente no julgamento proferido pelo Plenário do STF, sobre o alargamento da base de cálculo dessas contribuições, se noticiou a declaração da inconstitucionalidade desse dispositivo legal. Multas e juros Conseqüentemente descaberia o lançamento da multa e dos juros. Apresenta argumentos específicos contra a aplicação da taxa selic como juros de mora. Anexos Junta cópia do demonstrativo das diferenças dos depósitos bancários de que tratam as fls. 92 a 94, do demonstrativo do saldo credor de caixa, fl. 95 dos autos, cópia do livro caixa da Ega dos anos de 2001 e 2003 que teriam sido extraídas do processo administrativo, termo de intimação para apresentação de documentação hábil e idônea quanto à origem dos depósitos escriturados nos livros caixa de 2001 e 2003 (fls. 257/276 dos autos), demonstrativo do equívoco da fiscalização quanto ao saldo credor de caixa do ano de 2001 (fls. 437, 449, 451 e 452) Razões adicionais – fls. 1276/1289. Sobre o montante de R$ 1.581.702,50 aduz que foi recebido pela recorrente em decorrência do contrato de gestão de recursos firmados com a sra. Cleucy Meireles de Oliveira (fls. 692/708), cabendo à recorrente os recebimentos de valores relativos a rendimentos de sua atividade rural. A fim de demonstrar a compatibilidade dos valores recebidos foi juntada aos autos a cópia da ficha da declaração de rendimentos dessa senhora, relativa à atividade rural exercida no anocalendário de 2003. Afirma que tais valores também tiveram a origem demonstrada não podendo ser vir de base à autuação. Já o valor de R$ 2.406.203,63, referese a recebimentos por conta e ordem do Sr. Lino Martins Ponto, referentes à sua atividade rural, em razão de contrato de gestão firmado Fl. 11DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 12 12 com a recorrente (ora anexado), conforme se verifica da inclusa ficha respectiva da DIRPF do período. Agora oportunamente demonstra de forma detalhada, a origem do restante dos valores considerados pela autoridade fiscal como fundamento para autuação e que, como afirmado, referemse a recebimento por conta e ordem de terceiros em razão dos contratos de gestão firmados com a recorrente. Entende ter comprovado o valor de R$ 13.222.500,00 relativo a valores recebidos por conta e ordem do Grupo OK, contratante dos serviços prestados pela recorrente, em razão do acordo judicial firmado entre a referida empresa e a BASF (documentos já juntados). Nessa esteira, o valor de R$ 575.892,38 referese a recebimentos efetuados em nome de terceiros, consoante demonstram as notas fiscais e recibos já anexados aos autos. O valor de R$ 243.701,40, referente a recebimento efetuado em nome da empresa do Grupo OK Construções e Empreendimentos Ltda, em razão de contrato de gestão firmado entre a aludida empresa e a recorrente (fls. 232/239). O valor de R$ 176.301,85 referese a recebimentos efetuados em nome de Brasiliense Futebol Clube S/C em razão de contrato de gestão firmado com a ora recorrente (fls. 711/714), e conforme comprovam os documentos já anexados aos autos. Da mesma maneira, o valor de R$ 496.752,90 referese a recebimentos efetuados em nome do Grupo OK Construções e Incorporações, conforme contrato de gestão firmado entre a recorrente, a aludida empresa (ora anexado) e a documentação (recibos) já anexada aos autos. O valor de R$ 1.000,00 referese a recebimento efetuado em nome da empresa Parl Way Automóveis S/A, também em razão de contrato de gestão firmado com a recorrente. O montante de R$ 58.333,33 referese a estorno de transferência bancária efetuada pela recorrente e que não foi considerado pela fiscalização, valor este que também não pode ser objeto de autuação (fl. 461). O valor de R$ 381.973,36 corresponde a valores movimentados inferiores a R$ 5.000,00 que durante o procedimento de fiscalização, deveriam ter sido desprezados conforme entendimentos efetuados à época com a autoridade fiscal, como se verifica da resposta apresentada pela recorrente em 20.01.2006 (fls. 218 e 219). Por fim o valor de R$ 3.903,78 referese a valores lançados em duplicidade pela fiscalização, conforme comprovaria a anexa documentação. Elabora quadro para melhor visualização dos valores justificados. Conclui estarem comprovados a origem dos depósitos bancários ou que alternativamente o julgamento seja convertido em diligência. Manifestação do Sr. Procurador da Fazenda Nacional Fl. 12DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 13 13 O Procurador da Fazenda Nacional manifestouse no sentido de que a contribuinte teve várias oportunidades de manifestar sua defesa, pela juntada de documentos e não o fez. Entre tantas intimações feitas pelo fisco ao contribuinte, que se manteve omisso, presumiu estar precluso o direito de apresentação de documentos bem como o pedido de conversão do julgamento em diligência. Cita o rito do processo administrativo, que no art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, o momento do pedido de diligências ocorre na propositura da impugnação, e não na fase de recurso voluntário, quando tal direito já está precluso. Entende que o mesmo se dá com a apresentação de novas provas, pois nos termos do art. 16, § 5º, a juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior, as quais menciona e conclui que o recurso voluntário não demonstrou de forma cabal, nenhum dos requisitos da juntada extemporânea de documentos. Conclui que está precluso o direito de requerer diligências e de juntar documentos quando não preenchidos os requisitos legais. Assim se opõe ao pedido do sujeito passivo delineado à fl. 817. Em setembro de 2009, o recurso entrou em pauta e foi retirado porque a contribuinte havia apresentado em 03.07.2009, petição que não havia sido juntada aos autos. Petição da recorrente de 03.07.2009 Nessa petição, a interessada pede a aceitação da documentação que apresenta, porque a maior parte da mesma já se encontraria nos autos e apresenta planilha demonstrativa com vistas a facilitar a análise da documentação. Esclarece que apresenta documentação naquele momento em razão do acórdão recorrido ter valorado prova diversa daquela realizada pela fiscalização. Caderno 1 Os documentos identificados como caderno 01, comprovariam a origem de R$ 13.222.500,00, questionado pela fiscalização e mencionado no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 371. Tratase de valor recebido por ordem da empresa Grupo OK Construções e Incorporações S/A, decorrente de contrato de gestão de recursos firmado por tal empresa e a recorrente. esse valor decorre do cumprimento de obrigação prevista em escritura pública, decorrente de decisão judicial, na qual a empresa BASF S/A foi condenada a pagar ao Grupo OK Construções e Incorporações S/A a quantia estipulada na cláusula 5ª da escritura pública. Nesse sentido considerando as retenções havidas pela legislação do imposto de renda, o valor líquido é o referido. Apresenta cópia do contrato firmado, cópia da escritura pública do acordo firmado que originou o pagamento, cópia da homologação judicial do referido acordo, os cheques e comprovantes de depósito do mesmo (extrato bancário), recibo emitido pela empresa do Grupo OK Construções e Incorporações S/A dando quitação do pagamento, e demonstrativo do valor líquido. Caderno 2 Tratase de documentação relativa a recebimentos efetuados por conta e ordem do Sr. Lino Martins Pinto, no valor de R$ 2.406.203,91; argumenta que os valores referemse à atividade rural por ele desenvolvida, conforme a documentação anexa, por meio da qual Fl. 13DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 14 14 procura demonstrar mensalmente os valores depositados em conta corrente, por meio de; (I) documentos que retratariam a autorização expressa do Sr. Lino Martins Pinto, (ii) declaração do IRPF que comprovaria que os documentos foram tributados na pessoa física, (iii) o contrato de prestação de serviços, segundo o qual, a recorrente seria responsável pelo gerenciamento e cobrança, além de sua custódia dos valores derivados da atividade agrícola do Sr. Lino Martins Pinto. Caderno 3 O caderno 3 traz documentação que comprovaria a origem do valor de R$ 1.581.702,20 que foi recebida em razão de contrato de gestão de recursos derivados da atividade rural, firmado com a Sra. Cleucy Meireles de Oliveira (fls. 692/708), cabendo à recorrente o recebimento dos valores. Além da cópia da ficha da declaração de rendimentos da sra. Cleucy, relativa à atividade rural exercida no ano de 2003, e a fim de demonstrar a compatibilidade dos valores recebidos pela recorrente, apresenta: (i) cópia do contrato firmado entre a sra. Cleucy e a recorrente, (ii) autorizações da pessoa física para a realização mensal dos depósitos (identificados individualizadamente), (iii) cópia da DIRPF comprovando que tais valores foram oferecidos à tributação pelo titular, (iv) cópia de MPF demonstrando que a contribuinte pessoa física encontrase sob fiscalização destes mesmos valores, (v) relação das notas fiscais que deram origem aos recebimentos questionados, e cópias de todas as notas fiscais em questão. Caderno 4 Essa documentação comprovaria a origem dos depósitos bancários efetuados por conta e ordem de terceiros nas contas da recorrente, totalizando o valor de R$ 575.892,38. Os depósitos decorrem de contrato de gestão de valores entre a recorrente e a Veja Comunicação e Informática Ltda, e Brasília e Comunicação Ltda, compreendendo: (i) cópia dos contratos firmados entre a recorrente e essas empresas, (ii) as notas fiscais e recibos que comprovam os valores dos depósitos efetuados Caderno 5: O caderno 5 traz documentos relativos aos depósitos recebidos pela recorrente que seriam relativos a contrato firmado para gestão de valores da empresa Grupo OK Construções e Incorporações S/A, em especial por conta de valores junto aos locatários da referida empresa. Esse caderno contém: cópia do contrato, diversos comprovantes de depósitos e recibos, e quadros demonstrativos de valores e períodos. Entende ter comprovado o valor de R$ 496.752,90, contendo apenas alguns dos recebimentos, acima de R$ 5.000,00, que demonstraria que os depósitos recebidos tinham efetivamente origem no contrato firmado, sendo feitos nos mais variados valores. Destaca que essa documentação teria sido juntada aos autos mas que teria sido desconsiderada pela fiscalização. Caderno 6 Referese a valores inferiores a R$ 5.000,00, mas cuja origem é a mesma, depósitos decorrentes de contrato firmado com a empresa Grupo OK Construções e Incorporações S/A estão descritos nas folhas 218 e 219, e o caderno 06, assim como o anexo 11 da impugnação referemse a tais valores. Caderno 7 Fl. 14DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 15 15 Aduz que esse caderno traz documentos que comprovariam a origem de depósitos derivados também do contrato para gestão de ativos, firmado com a empresa Grupo OK Construções e Empreendimentos Ltda, e contém: cópia do contrato para gestão de ativos e valores dessa empresa e documentos que identificariam depósitos realizados nas contas da recorrente no valor de R$ 243.701,40. Caderno 8: Também em razão da existência de um contrato de gestão e custódia de valores, o caderno 8 apresenta cópia do contrato de gestão de ativos e recursos firmado entre a recorrente e o Brasiliense Futebol Clube S/C e recibos e declarações que comprovariam as origens de valores que somam R$ 176.302,85. Caderno 9 Integra a base de cálculo do lançamento o valor de R$ 58.333,33, identificado às fls.261 do processo, cujo lançamento aparece duas vezes. O valor referese a estorno de TED/DOC realizado no mesmo dia, que não poderia ser considerado como receita omitida. Caderno 10 Traz documentos já acostados aos autos (antigas fls. 606/606, atuais 1139/1140), que demonstrariamm por meio de extratos bancários que o valor de R$ 52.599,53 corresponderia a um resgate de aplicação financeira mantida pela própria recorrente. Cadernos 11 e 12 Deixo de relatar os documentos apresentados porque a Turma Julgadora já excluiu esses depósitos. Caderno 13 O caderno traz documentos já acostados aos autos, mas que teriam sido desconsiderados pela fiscalização (fls.651/653, atuais 1202/1204), que comprovariam que o valor de R$ 1.000,00 decorre de acordo firmado pela empresa OK Park Way Ltda, e foi depositado na conta da recorrente, pois ela mantinha contrato de gestão dos ativos da citada empresa. Manifestação da PFN Cientificada a PFN, esta se manifestou por meio do doc. de fls. 1309, no sentido de que a documentação apresentada em nada alteraria o acórdão da DRJ, pois, apesar da insistência da contribuinte em prestar informações de forma parcelada, não é possível identificar, por documentos hábeis e idôneos, a prova inequívoca da origem dos valores apurados pela fiscalização. É o relatório. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 16 16 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. No auto de infração a acusação é de omissão de receitas caracterizadas por saldo credor de caixa, no anocalendário de 2001 e depósitos bancários com origem não comprovada, nos anoscalendário de 2001 e 2003. O lucro foi apurado com base no regime do lucro presumido. Aplicouse a multa de ofício de 75%. A ciência dos autos se deu em 06.02.2006. A empresa foi intimada a comprovar com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos bancários do anocalendário de 2001, e a comprovar a origem dos depósitos escriturados no livro caixa do anocalendário de 2003, bem como, a comprovar a falta de reconhecimento das receitas de alugueis firmados com dois locatários. A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente em parte. Excluiu da infração de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 10.000,00, pois comparando a planilha de fls. 93, valor de R$ 30.269,13 e nº de doc, com o doc. de fl. 727 (valor de 20.269,13), entendeu que houve erro material, bem como, excluiu o valor de R$ 3.903,78, lançado em duplicidade, conforme planilha de fls. 92. A recorrente alega, em síntese: as preliminares de decadência em relação ao fato gerador de janeiro de 2001, a preliminar de nulidade de decisão de primeira instância, por falta de motivação e de análise dos documentos acostados, a preliminar de inadequação da capitulação legal aos fatos utilizados como fundamento dos autos de infração (que não foi questionada na impugnação), questiona a infração de saldo credor de caixa, porque o mesmo não existiria, em razão de resgate de aplicações financeiras no mesmo dia escrituradas no livro caixa, pede a exclusão dos depósitos de valor inferior a R$ 5.000,00, porque conforme fls. 210/211, teria sido intimada a comprovar apenas os valores superiores a esse valor. Afirma que os valores dos depósitos se referem à celebração de contratos de gestão de ativos, diz ser indevida a presunção de omissão de receitas, discute o conceito de renda, da necessidade de consideração dos custos e do arbitramento, aduz que por ter optado pelo lucro presumido, a fiscalização não poderia ter aplicado as alíquotas do imposto diretamente sobre as receitas. Discute ainda a incidência das contribuições do Pis e Cofins, porque os recursos não lhe pertenciam e porque não deveria ser aplicado o art. 3º. da Lei 9.718/98, e finalmente, discute a aplicação da taxa selic. A contribuinte apresentou documentos visando comprovar a origem dos depósitos bancários e a origem dos depósitos indicados no livro caixa, na impugnação, no recurso e em aditamentos ao recurso. Em relação ao primeiro complemento do recurso apresentado, o Procurador da Fazenda Nacional se manifestou pela preclusão do direito da contribuinte requerer diligências e juntar documentos. Observo que, em relação ao pedido de diligência, este já havia sido efetuado no recurso voluntário, não sendo nenhum fato novo. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 17 17 A contribuinte na complementação do recurso basicamente faz referência a documentos já apresentados e adiciona algumas justificativas para a comprovação da origem dos depósitos bancários. Com relação aos documentos apresentados, consistem em cópia de um documento (fl. 1283) que já havia sido apresentado pela contribuinte anteriormente (fl. 706) e outra cópia de uma página da declaração de rendimentos, parte de atividade rural, “receitas e despesas” de Lino Martins Pinto, anocalendário de 2003. No segundo complemento, a grande maioria da documentação também já constava nos autos. Isto posto, e levando em conta o princípio da verdade material, e tendo em vista que oriento meu voto para a conversão do julgamento do recurso em diligência, oportunidade que a fiscalização poderá se manifestar sobre a documentação apresentada, não vejo nenhum prejuízo para a Fazenda Nacional, em se conhecer da documentação. Em relação à apreciação das provas trazidas neste recurso sobre a infração de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, do ano calendário de 2001, verificase que fiscalização intimou a interessada a comprovar os depósitos identificados individualmente, mas, ao aceitar que parte dos depósitos foi comprovada, excluiu os valores comprovados pelo valor total mensal, de forma que não se consegue identificar visualmente no lançamento, parte dos valores dos depósitos individuais que estão sendo exigidos. A tabela abaixo resume o valor mensal dos depósitos desse anocalendário considerado como não comprovado pela fiscalização, bem como o valor excluído pela Turma Julgadora e o valor da omissão em discussão no recurso voluntário. Meses do ano de 2001 Valor mensal dos depósitos Valor excluído pela DRJ Valor da omissão em discussão Janeiro 32.999,98 32.999,98 Fevereiro 243.701,40 243.701,40 Março 3.903,79 3.903,78 Abril 13.222.500,00 13.222.500,00 Maio 10.000,00 10.000,00 Mediante a elaboração de operações aritméticas verificase que dos valores dos depósitos mensais constantes da tabela acima, comparandose com os demonstrativos de fls. 92 e 93 elaborados pela fiscalização relativos às diferenças não comprovadas, chegase em parte ao valor dos depósitos individualizados que estão sendo questionados. São eles: R$ 13.222.500,00, de 23.04.2001, R$ 204.902,40 de 13.02.2001, R$ 15.000,00 de 01.02.2001, R$ 9.750,00, de 02.02.2001 e R$ 14.048,50, de 02.02.2001. Não consegui individualizar os depósitos do mês de janeiro que correspondem à diferença de R$ 32.999,98. Para o valor de R$ 13.222.500,00, a contribuinte argumenta o seguinte, transcrito a partir do recurso voluntário: Fl. 17DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 18 18 91. Com relação ao valor de R$ 13.222.500,00 (treze milhões, duzentos e vinte e dois mil, e quinhentos reais), os quais a fiscalização sustenta não haver comprovação da origem, cumpre esclarecer que se trata de valor recebido por ordem da empresa Grupo Ok Construções e Incorporações S/A, decorrente de contrato de gestão de recursos firmado por tal empresa e a Recorrente. 7. Com efeito, tal valor decorre do cumprimento de obrigação prevista em escritura pública, decorrente de condenação judicial, na qual a empresa BASF S/A foi condenada a pagar ao Grupo Ok Construções e Incorporações S/A a quantia estipulada na cláusula 5 da escritura pública (DOC ANEXO). Nesse sentido, considerandose as retenções devidas pela legislação do imposto sobre a renda o valor liquido do pagamento passou a ser suprareferido. 8. Vejase, a respeito, a cópia dos cheques juntada aos presentes autos, sendo urn de R$ 13.072.500,00 (treze milhões, setenta e dois mil e quinhentos reais) (fls. 721) e outro R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais), ambos nominais ao Grupo Ok Construções e Incorporações S/A. Diante de tais provas, não há que se perquirir acerca da origem de tais valores, urna vez que resta cabalmente demonstrado que estes decorrem de pagamento efetuado ao Grupo Ok Construções e Incorporações S/A e, em razão de contrato de gestão de recursos firmado com a Recorrente, depositados em sua contacorrente. Tais valores foram regularmente registrados nos livros contábeis da Recorrente e, em momento algum, foram omitidos do procedimento de fiscalização, não havendo qualquer razão para se desconsiderar os elementos de prova apontados. Por oportuno, o recebimento por conta e ordem não representa receita tributável da Recorrente. Tendo em vista que parte dessa documentação foi apresentada com a impugnação e parte foi apresentada somente com o recurso voluntário, entendo que a fiscalização devese manifestar se essa documentação comprova a origem do depósito bancário, realizando para tanto, as diligências que forem necessárias, inclusive deve ser verificado o resultado da apuração de que trata o Ofício nº 2.194, de 01.12.2003, expedido pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, de fls. 65/66 dirigido ao Superintendente da Receita Federal da 1ª Região Fiscal, em relação ao depósito no valor de R$ 13.222.500,00. A autoridade fiscal devese manifestar também, se em relação aos demais depósitos individualizados do anocalendário de 2001, se a documentação apresentada com a impugnação, recurso e aditamento ao recurso comprova ou não a origem dos recursos, bem como, deve informar quais os valores dos depósitos do mês de janeiro de 2001 estão sendo questionados, e se a documentação apresentada comprova sua origem. Também, devese manifestar sobre a afirmação da recorrente, na resposta a uma das intimações, fls. 210/211, de que somente deveria comprovar valores de depósitos acima de R$ 5.000,00. Tendo em vista que está em discussão também a preliminar de decadência relativa ao fato gerador de 01/2001, a autoridade fiscal deve informar se para o fato gerador de janeiro de 2001, houve pagamentos das contribuições para o PIS e Cofins. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 14041.000126/200614 Resolução n.º 140200.071 S1C4T2 Fl. 19 19 A autoridade fiscal poderá realizar as diligências que entender necessárias para as providências acima determinadas. Após a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo que deve ser cientificado à interessada, que poderá se manifestar se entender necessário, dentro do prazo de 30 dias. Salientase que as demais matérias serão apreciadas quando do retorno dos autos. Do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos acima expressos. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Fl. 19DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11330.000484/2007-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 01/12/1996
DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, independentemente de antecipação ou não de pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91,
dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.337
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso em face de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto no art. 173, I, do CTN, quanto no art. 150, § 4º, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, independentemente de antecipação ou não de pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso em face de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto no art. 173, I, do CTN, quanto no art. 150, § 4º, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD DEBCAD nº 37.041.4535, consolidada em 18/12/2006, correspondente às contribuições devidas e não recolhidas relativas à parte dos segurados, da empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como as destinadas a outras entidades (Terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais, no período de 01/1996 a 13/1996. Inconformada, a recorrente contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 53/64, alegando em síntese a ocorrência da decadência, diante da aplicabilidade dos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional, bem como a inclusão do débito em parcelamento perante a SRP/RJNORTE. Deste modo, pleiteou a recorrente pelo provimento da defesa para tornar insubsistente a NFLD impugnada. A DRJ julgou pela procedência do lançamento (fls. 90/97), rejeitando os argumentos apresentados pela Recorrente, consagrando a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8.212/91, destacando que os débitos previdenciários objeto de parcelamento pela empresa não correspondem ao débito apontado na referida NFLD. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 107/122), sob os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 11330.000484/200756 Acórdão n.º 240300.337 S2C4T3 Fl. 133 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de antecipação de pagamento. Logo, se as contribuições em apreço referemse às competências de 01/1996 a 13/1996, a decadência ocorreu no período de 01/2001 a 13/2001. Ocorre que a consolidação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD, correspondente às contribuições previdenciárias supostamente devidas, somente se deu em 18/12/2006 (conforme fl. 01), portanto, é certo que ocorreu o fenômeno da decadência do crédito tributário em sua íntegra, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, e também pelo art. 173, II do mesmo instituto (por qualquer critério prescrito no CTN) conseqüentemente, extinguindose o crédito tributário por força do inciso V, do art. 156, do CTN. A decadência é matéria de ordem pública que deve ser declarada a qualquer tempo e até mesmo de oficio. Do exposto, manifestome pelo PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário para reconhecer a decadência total dos créditos lançados, com base nos critérios estabelecidos tanto no art. 173, I, quanto no art. 150, § 4º, do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 147DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10665.000769/2007-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1997 a 28/02/2002
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.484
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150 §. 4º de CTN. Votou pelas conclusões o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150 §. 4º de CTN. Votou pelas conclusões o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 10665.000769/200742 Acórdão n.º 240300.484 S2C4T3 Fl. 160 3 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 208.293,40 (duzentos e oito mil, duzentos e noventa e três reais e quarenta centavos), no período de 03/97 a 02/02, consolidado em 15/10/2007, referente a diferença de acréscimos legais e contribuição social destinada à seguridade social correspondente às contribuições dos segurados, contribuições da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as destinadas a outras entidades e fundos terceiros apuradas com base em remunerações discriminadas em folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, conforme informado no Relatório Fiscal de fls. 81/86. A interessada foi cientificada em 15/10/2007, e apresentou impugnação, às fls. 94/130, onde faz alegação única de que se verifica a decadência do lançamento. Cita o Código Tributário Nacional e Jurisprudência. Requer a insubsistência da NFLD, pois verificada a decadência para os fatos geradores anteriores a 06/02/2002. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte (Mg) DRH/BHE, em 23/01/2008, emitiu o Acórdão n ° 0216.894 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou a alegação que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 139, recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA De plano, em atenção ao artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – RICARF, é relevante observar que o lançamento em comento referese a DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS , conforme informado no Relatório Fiscal de fls. 81/86, bem como nos DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO – DADs de fls. 04 a 19, representando parte suplementar das obrigações do contribuinte que implica que houve os tais pagamentos antecipados consoante tese reiteradamente esposada por parte do STJ. Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: Os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 ” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 10665.000769/200742 Acórdão n.º 240300.484 S2C4T3 Fl. 161 5 A Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 através do artigo 2°, § 4°, extinguiu a então Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil. Assume grande importância saber que a partir da Lei nº 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Então, somente da competência janeiro de 1999 em diante, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever que não existia antes de janeiro de 1999 de declarar, e , espontaneamente, antes de eventual ação fiscal que lhe exija, antecipar os pagamentos, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias. Obrigado a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo, inserido na dicção do artigo 150. Segundo leciona Hugo Brito Machado, em Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847: “ Por homologação é o lançamento feito quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Operase pelo ato em que a autoridade, tomando conhecimento da determinação feita pelo sujeito passivo, expressamente a homologa( CTN, art. 150), ou então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso de prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”. Nestas condições as contribuições para a Previdência Social e suas obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou tácita. Também é relevante saber que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Apresentado tal contexto, inserido nele é que estarei conduzindo minha análise. É muito relevante notar que, isto posto, de forma alguma o legislador condicionou a homologação, nos termos do artigo 150, à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 10665.000769/200742 Acórdão n.º 240300.484 S2C4T3 Fl. 162 7 Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações . O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto aplicandose forma menos severa tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN , a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput , se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 10665.000769/200742 Acórdão n.º 240300.484 S2C4T3 Fl. 163 9 Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite , sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado , por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 10665.000769/200742 Acórdão n.º 240300.484 S2C4T3 Fl. 164 11 “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma covenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório , termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 Assim, consoante a tudo que foi exposto, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 03/1997 a 02/2002 e ainda que a empresa fora notificada em 15/10/2007, na forma do artigo 150, §4° do CTN, encontramse fulminadas pelo instituto da decadência a competência 09/2002 bem como todas as anteriores. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso e em PRELIMINAR RECONHECER DECADÊNCIA TOTAL dos créditos lançados pela Notificação de Lançamento de Débitos – NFLD n° 37.024.3609, compreendidos pelas competências 03/1997 a 02/2002 com base no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional – CTN. Ivaccir Júlio de Souza Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 19647.004636/2005-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1401-000.052
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência para a DRF apensar os processos nº 19647.004623/2005-05, 19647.004636/2005-76 e 19647.004640/2005-34, aguardar o julgamento em definitivo do processo n° 19647.009690/2006-99 e apurar o saldo negativo do período, vencido o relator, que negava provimento ao recurso. Proferiram sustentação oral a dra. Lenisa P. Matos, OAB-DF nº 21698 e o PFN dr. Moises de Sousa Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para a DRF apensar os processos nº 19647.004623/2005-05, 19647.004636/2005-76 e 19647.004640/2005-34, aguardar o julgamento em definitivo do processo nº 19647.009690/2006-99 e apurar o saldo negativo do período, vencido o relator, que negava provimento ao recurso. Proferiram sustentação oral a dra. Lenisa P. Matos, OAB-DF nº 21698 e o PFN dr. Moises de Sousa Carvalho. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes De Mattos - Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Eduardo Martins Neiva Monteiro (suplente convocado), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Karen Jureidini Dias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 2 RELATÓRIO O Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator: Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 104-108): Trata o presente processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, constantes de PER/DCOMP n° 09511.64836. 140404.1.3.04-5530 (fls. 01 a 05) e de PERDCOMP n° 39631. 81020.140504.1.3.04-6996 (fls. 09 a 13), apresentados pela contribuinte, para fins de compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, a título de estimativa mensal (código 2362), período de apuração setembro de 2002, no valor original de R$ 1.056.165,60, com débitos de CSLL no valor de R$ 277.741,96, estimativa do mês de março de 2004 (fl. 04) e COFINS no valor de R$ 1.096.432,66, período de apuração abril de 2004 (fl. 12). Cabe ressaltar que o PER/DCOMP de fls. 01 a 05 foi formalizado através do presente processo, ao passo que o PER/DCOMP de fls. 09 a 13 foi formalizado mediante processo n° 19647.004266/2005-77, juntado por anexação ao presente processo (n° 19647.004623/2005- 05), conforme Aviso de Juntada à fl. 08. Por meio do Despacho Decisório à fl. 20, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife, aprovando proposta contida no Relatório de Informação Fiscal às fls. 16 a 17 NÃO HOMOLOGOU as compensações declaradas mediante PER/DCOMP acima mencionados, DETERMINANDO, ainda, a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Consta do citado Relatório (fls. 16/17) que, de acordo com o que preceitua o artigo 10 da IN/SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo do IRPJ. Sendo assim, concluiu a autoridade fiscal que o valor alegado como sendo de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação — DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR", para compensação de débitos. A ciência, pela contribuinte, do Despacho Decisório de fl. 20 ocorreu em 07/03/2007, através do Termo de Ciência de fls. 22/23. Tempestivamente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 27 a 39 (juntamente com documentação de fls. 40 a 64), onde, inicialmente, afirma que, em outubro de 2006, recebeu autos de infração de IRPJ e CSLL, envolvendo diversas supostas infrações (sic), que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/2006-99 e que, entre tais infrações, constavam dos itens 6 e 7, respectivamente, "deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas" e "imposição de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 19647.004623/2005-05 Resolução n.º 1401-000.052 S1-C4T1 Fl. 2 3 multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e CSLL por estimativa mensal". Adita que as mencionadas exigências não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa da empresa autuada. Em seguida, a contribuinte alega que, em março de 2007, foi intimada pela DRF/Recife, mediante Relatório de Informação Fiscal, onde os auditores responsáveis informam que tomaram conhecimento da Solução de Consulta Interna n° 18, de 2006, que prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por ocasião da fiscalização e, por , essa razão, alguns valores foram excluídos do processo n° 19647.009690/2006-99, passando a ser tratados em processos específicos e objeto de cobrança espontânea, entre os quais o presente processo de compensação. Feitas as considerações acima, a contribuinte se insurge contra a decisão da autoridade administrativa, nos seguintes termos: 1—Previsão do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não tem amparo em lei Segundo a contribuinte, o artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 estabelece restrição à restituição e/ou compensação que a Lei n° 9.430/1996 não prevê. Transcreve, nesse sentido, redação do artigo 74 da citada Lei, dada pela Lei n° 10.637/2002, dispositivo que faculta ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive judicial transitado em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, sua utilização na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo Órgão. Assim, entende que, se foi apurado crédito fiscal, o que ocorre quando há recolhimento indevido ou a maior de tributo, o mesmo pode ser utilizado para compensar seus próprios débitos fiscais. Em seguida, afirma que o mesmo artigo 74, em seu § 3°, prevê os casos em que a compensação não poderia ser realizada e no § 12 estão relacionadas as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada. Entretanto, argumenta, o citado dispositivo não proibiu a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos, não podendo a Receita Federal criar restrições e proibições não previstas em lei. Alega que o fato de o citado artigo 74 estabelecer, em seu § 14, que cabe à Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto no mesmo artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação, não significa permitir restrição ou vedação de direitos, mas apenas estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Com relação ao IRPJ e à CSLL, manifesta seu entendimento de que tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido, com base em tais regras, configura-se a situação de recolhimento indevido ou a maior. Reporta-se ao IRRF, argumentando que, como a retenção ocorre independentemente do total do lucro apurado no Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 4 período (estimado, real ou presumido), poderá ocorrer que o imposto retido supere o valor efetivamente devido com base no lucro apurado. A contribuinte afirma que o artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não poderia ter estabelecido restrição ao direito de compensação que já não estivesse prevista em lei e que, apenas por tal razão, o Despacho Decisório de fl. 20 deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação declarada. II — Quando da compensação realizada pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 ainda não existia. A contribuinte afirma que, ainda que o questionamento anterior venha a ser superado, o Despacho Decisório de fl. 20 deve ser reformado, pois, quando da formalização da declaração de compensação, não existia a regra estabelecida no já mencionado artigo 10. Alega que a regra contida no citado artigo é a mesma estabelecida no artigo 10 da IN/SRF n° 460, de 18/10/2004 (mas não contida nas revogadas IN/SRF n° 210/2002 e IN/SRF n° 21/1997, publicadas anteriormente). Prossegue a interessada afirmando que, ao decidir pela não homologação da compensação declarada em 14/04/2004 (fl. 01) e, portanto, anteriormente à restrição contida nas IN/SRF n° 460/2004 e IN/SRF n° 600/2005 (artigo 10, em ambos os casos), a autoridade administrativa aplicou retroativamente dispositivo restritivo ao direito da empresa, afrontando as disposições contidas no artigo 5°, inciso XXXVI da Constituição Federal e nos artigos 103, 106 e 146 da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), cujas redações se encontram reproduzidas às fls. 32/33. Com as considerações acima, a contribuinte conclui que a aplicação retroativa do artigo 10 da IN/SRF n° 600, pela autoridade administrativa, contraria a legislação tributária, entendendo que tal razão, por si só, já seria suficiente para que fosse reformado o Despacho de fl. 20, homologando-se, em decorrência, a compensação declarada mediante PER/DCOMP de fls. 01 a05. III — Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de setembro de 2002, recolhido a maior, haveria saldo negativo ao final do ano. A contribuinte afirma que, mesmo que se pudesse discordar de todas as razões expostas acima, haveria mais um motivo para que se desse provimento a sua manifestação deinconformidade, homologando-se a compensação realizada. Isto porque, como defende, o IRPJ de setembro de 2002, recolhido a maior, foi utilizado em compensação da CSLL devida em março de 2004. Segundo a interessada, chega-se à mesma conclusão a partir dos termos do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005, qual seja a de que o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano- calendário somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período, de onde conclui que, no máximo, haveria um problema de inobservância de exercício em que o IRPJ de setembro de 2002, recolhido a maior, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 19647.004623/2005-05 Resolução n.º 1401-000.052 S1-C4T1 Fl. 3 5 transformar-se-ia em saldo negativo de IRPJ, passível de compensação com qualquer tributo, a • partir do final do ano de 2002. Em seguida, a contribuinte, sob o argumento de que o Despacho Decisório não contém qualquer fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico (sic), alega que, possivelmente, a DRF/Recife julgasse que, ao final do ano-calendário, não teria saldo negativo de IRPJ e que, portanto, o referido órgão teria concluído, em razão do auto de infração lavrado, constante do processo n° 19647.009690/2006-99, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte, sucedida pela TIM Nordeste S/A, foi considerada indedutível. Feitas essas considerações, a contribuinte manifesta seu entendimento no sentido de que, se a decisão a ser prolatada nos autos do mencionado processo for pelo cancelamento do auto de infração, o provimento da manifestação de inconformidade no presente processo (19647.004623/2005-05) será imperativo. IV — Indevida revisão de lançamento. Sob outro enfoque, a contribuinte questiona os termos em que foi efetuada a revisão do lançamento consubstanciado no auto de infração lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELECEARÁ Celular S/A), constante do processo n° 19647.009690/2006-99. Segundo a contribuinte, o novo valor total exigido por intermédio dos mais de vinte despachos decisórios por ela recebidos (sic) é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/2006-99. Conclui, dessa forma, ter havido uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado, que não se coaduna com o que estabelecem os artigos 145 a 149 do CTN (redação do artigo 145 e seus incisos, à fl. 37). A contribuinte afirma que, assim agindo, a autoridade administrativa, ao rever seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que uma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Adita que, ao adotar entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil contido na Solução de Consulta Interna n° 18, de 13/10/2006, posterior aos autos de infração lavrados em 09/10/2006, a autoridade administrativa introduz modificação nos critérios jurídicos por ocasião do lançamento, atentando contra o disposto no artigo 146 do CTN, segundo o qual é vedada a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento da exigência fiscal. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua manifestação de inconformidade, seja reformado o Despacho Decisório ora contestado, para que a compensação seja integralmente homologada, com base nos argumentos já expostos e sintetizados como a seguir: a) a previsão do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não tem amparo em lei; b) quando da compensação realizada pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 ainda não existia; c) se a compensação do IRPJ de setembro de 2002 recolhido a maior não fosse realizada haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais; d) o Despacho Decisório de fl. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 6 20 é fruto de uma revisão de oficio de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela autoridade administrativa), o que configura violação ao artigo 149 do CTN. Relativamente ao processo n° 19647.004266/2005-77 (anexado ao presente processo, conforme fls. 07/08), que trata da compensação de crédito do IRPJ, pretensamente apurado em setembro de 2002, com débito da COFINS (código 2172), correspondente ao período de apuração abril de 2004, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 65 a 77 (juntamente com documentação de fls. 78 a 101), onde formula as mesmas razões apresentadas na manifestação de fls. 27 a 39. A 5ª Turma da DRJ Recife, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, pormeio do Acórdão nº 11-22.752, assim ementado (v. fls. 103): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. ATRIBUIÇÃO DOS JULGADORES. O julgador da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. 1RPJ/CSLL - LUCRO REAL ANUAL - PAGAMENTO POR ESTIMATIVA MENSAL. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto ou contribuição social com base em estimativa mensal deve apurar seus resultados ao final do ano-calendário, ocasião em que, caso venha a constatar a existência de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, nasce o direito de requerer a restituição do referido saldo ou proceder a sua compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação de regência. INSTRUÇÃO NORMATIVA. APLICAÇÃO. A orientação contida em instrução normativa se aplica a fatos ocorridos anteriormente a sua vigência quando dispõe sobre procedimento compatível com diploma legal em vigor à época de ocorrência desses fatos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - EFICÁCIA A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência de débitos indevidamente compensados. Solicitação Indeferida Intimada desse Acórdão em 17/08/2009 (fls. 89), a contribunte apresentou em 14/09/2009 o Recurso Voluntário de fls. 90-109, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória e apresentando as seguintes alegações adicionais: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 19647.004623/2005-05 Resolução n.º 1401-000.052 S1-C4T1 Fl. 4 7 a) A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pela contribuinte em 2002, passível de compensação com os débitos Segundo a Recorrente, se o Fisco adotar a premissa de ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/2006-99, então deveria ser aceito o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 16.259.131,90 apurado pela contribuinte no ano-calendário de 2002 (conforme a ficha 12-A da DIPJ/2003 — doc. j). b) A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores Segundo a Recorrente, o art. 10 da Instrução Normativa n° 600/05 impediria (contrariando a Lei n° 9.430/96) apenasd a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do período-base anual com outros tributos distintos deles próprios. No entanto, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses do mesmo período-base anual. c) Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/2006-99 Segundo a Recorrente, caso admitida a vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/2006-99, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo nº 19647.009690/2006-99. Em relação ao aludido processo, a Recorrente esclarece que apresentou recurso voluntário em 20/11/2009, o qual aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes. Neste termos, requereu que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, homologando-se as compensações declaradas nos autos. É o relatório. VOTO VENCEDOR O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, redator designado: Lido o relatório e ouvidos os procuradores de ambas as partes, a turma julgadora, antes de o nobre Conselheiro Relator das prosseguimento ao julgamento do feito, questionou-o se não seria o caso, no presente feito, de baixar o feito em diligência. Mesmo após os debates, o douto Conselheiro Relator não se convenceu da necessidade da diligência, tendo desta feita, ficado vencido face o entendimento sufragado pelos seus pares, tendo eu sido designado, permissa venia, para a redação da resolução de diligência. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 8 Segundo o entendimento da maioria da turma julgadora, a estimativa desaparece quando se extingue o ano-calendário, não havendo que se falar, a priori, em devolução de estimativa recolhida a maior após o encerramento do exercício fiscal. De fato, no caso do imposto de renda e da CSLL apurados pelo regime anual, com recolhimentos mensais por estimativa, estas nada mais são do que antecipação do tributo que será apurado ao final do ano- calendário. Desta feita, encerrado o ano-calendário, realiza-se o ajuste anual e apura-se o imposto de renda e a CSLL devidas naquele exercício, deduzindo-se o valor das estimativas pagas. Caso as estimativas não tenham sido pagas, ou tenham sido pagas a maior, o seu reflexo deverá ser apurado segundo o resultado do exercício, seja pela composição do saldo de tributo a pagar, seja pela composição do saldo negativo a restituir. Por isso que, se tiver havido pagamento a maior de estimativa, esta, de per si, não é passível de restituição, mas sim o saldo negativo que decorreu desse recolhimento a maior. Assim, o pedido de restituição das estimativas deve ser entendido como pedido de restituição do saldo negativo de cada exercício fiscal. E este é o entendimento que deverá ser aplicado para a solução do presente feito. Por outro lado, estando pendente, contra o ano-calendário, a verificação do montante de tributo a pagar pela existência de auto de infração lavrado com relação ao mesmo período, não há que se negar definitivamente o direito à restituição do crédito. Fosse assim, toda autuação fiscal, ainda que pendente de revisão no curso do processo administrativo, seria ato impeditivo de restituição de saldo negativo, pensamento esse que atenta contra a boa-fé e o princípio da confiança legítima, caros ao nosso ordenamento jurídico. Mesmo porque, a demora no julgamento final da autuação fiscal poderia levar à prescrição do direito de restituição do crédito, fato este que não pode ser imputado ao contribuinte. Diante desses argumentos, a 1ª turma ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sessão do CARF decidiu o seguinte: a) baixar o feito à unidade de origem, para promover o apensamento dos processos nº 19647.004623/2005-05, 19647.004636/2005-76 e 19647.004640/2005-34; b) aguardar o julgamento do processo nº 19647.009690/2006-99; c) após o trânsito em julgado na esfera administrativa do processo nº 19647.009690/2006-99, seja apurado o saldo negativo cuja restituição se processo neste feito; d) seja dado vista à Recorrente do resultado da diligência; e) retornem os autos à este Conselho, para julgamento. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Redator Designado Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE
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Numero do processo: 13609.900580/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.058
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0223.053, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteMG. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n° rastreamento 757724371 emitido eletronicamente em 24/04/2008 (fl. 08), referente ao PER/DCOMP n° 10999.91612.300304.1.3.048977 (fls. 01/05). DO DESPACHO DECISÓRIO O Despacho Decisório proferido pela DRF Sete Lagoas não homologou a compensação declarada, nos seguintes termos: ' Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$246.025,55. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 30/03/2004 com o objetivo de compensar o débito código receita: 2484 1 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, do mês de fevereiro de 2004/ vencimento em 31/03/2004, no valor de R$200.000,00 (fl. 05), com crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, data de arrecadação 30/01/2004 (fl. 02). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, em 06 de maio de 2008 (fl. 09), protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 13/21, documentação de fls. 22/42 e 55/104, com as argumentações a seguir sintetizadas: apurou crédito relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou ressarcimento. Solicitou à SRF a compensaçaão de tais valores por meio de PER/DCOMP, no valor de R$200.000,00, nos termos da Instrução Normativa nº 376, de 23 dezembro de 2004. Das razões para a Reforma do Despacho Decisório equivocouse a autoridade, uma vez que verificando os documentos anexados (DARFs, PER/DCOMP e a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), percebese que a empresa faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por tratar de se saldo negativo de CSLL. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13609.900580/200803 Resolução n.º 140100.058 S1C4T1 Fl. 91 3 ressalta que cometeu erro no preenchimento do PER/DCOMP, ao informar como crédito Pagamento Indevido ou a Maior e o correto era crédito de saldo negativo sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. não pode ser prejudicada na compensação de saldo negativo de tributos por causa de simples erro material no preenchimento do PER/DCOMP. diz que, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes demonstra indubitavelmente que simples erro ao preencher qualquer tipo de obrigação acessória não pode acarretar no ‘perdimento do direito’, transcrevendo ementas neste sentido. erro material não afeta em nada o direito em ter o crédito declarado devidamente homologado, uma vez que o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) – art. 170, autoriza o contribuinte a compensar créditos tributários. ressalta que a legislação aplicável ao caso deve ser aquela que era utilizada na época da realização da Declaração de Compensação. tanto na lei ordinária (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) quanto na Instrução Normativa nº 210, de 2002, que à época disciplinava sobre a restituição e a compensação de tributos federais, não havia regra quanto a não homologação do crédito tributário por simples hipótese de erro material. o PER/DCOMP utilizado foi aprovado pela Instrução Normativa nº 376, de 2003, sendo que a referida instrução pode tãosomente fazer com que seja aplicada corretamente a lei em seu sentido estrito. ilustra o entendimento com texto do professor Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, que diz que as instruções normativas são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam prevista na lei ou no decreto dela decorrente. aos processo tributários administrativos são aplicados inúmeros princípios constitucionais e legais que condicionam toda a atividade estatal, coibindo os procedimentos fiscais que porventura, ao exigir tributos e penalidades, não são desenvolvidos dentro dos limites legais e de acordo com os princípios inerentes do ordenamento jurídico. a Lei nº 9.784, de 1999 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 2º, dispõe sobre a obrigatoriedade de obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, dentre outros. um dos princípios primordiais para melhor decisão da presente lide é o princípio da verdade material. Ressalta que a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Reforça, citando entendimento do Conselho de Contribuintes. Diante de todo o exposto, requer o recebimento e provimento in totum da Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o Despacho Decisório, no sentido de reconhecer integralmente os créditos declarados pelo contribuinte. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 4 A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004. Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13609.900580/200803 Resolução n.º 140100.058 S1C4T1 Fl. 92 5 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material no preenchimento da DCOMP, uma vez que indicou equivocadamente Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL, do Exercício de 2004, ano calendário2003. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo trecho do voto da DRJ: Ao indicar Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, no processamento do PER/DCOMP n° 10999.91612.300304.1.3.048977 de fls. 01/05, objeto do presente processo, fezse eletronicamente, o batimento do DARF (indicado no PER/DCOMP fl. 03) com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls. 55/56). Nesta análise automática de créditos informados em PER/DCOMP, considerase: pagamento a maior, a diferença entre o pagamento efetuado em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o valor alocado, nos sistemas de cobrança, ao respectivo débito confessado pelo sujeito passivo (DCTF). Na DCTF do 4o trimestre de 2003 (fl. 56) foi declarado, um débito de CSLL, para o mês de dezembro, no valor de R$4.597.374,37. Daí, a conclusão do Despacho Decisório n° rastreamento 757724371 emitido eletronicamente em 24/04/2008, que não existia crédito, não homologando a compensação declarada (valor do DARF é exatamente igual ao valor declarado em DCTF como débito de CSLL do mês de dezembro de 2003 fl. 56). . No caso de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, o processamento eletrônico da declaração de compensação, a partir do período'de apuração do saldo negativo informado pelo contribuinte no PER/DCOMP, consulta a DIPJ correspondente para confirmação da forma de tributação e de apuração no período,bem como a exatidão do saldo negativo apurado, para sua validação : A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ e pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. As antecipações referentes a retenções na fonte, pagamentos por estimativa ou renda variável e estimativas compensadas são validadas mediante confronto com informações constantes nos sistemas da RFB. Percebese, que a estimativa do mês de fevereiro de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$1.166,05 fl. 62) e parte por meio de PER/DCOMP n° 09444.54877.040603.1.3.049736 (processo n° 10620.900186/200659), no valor de R$ 120.000,00, não homologada (fl. 63). Uma vez que, não foi indicado corretamente a origem do crédito tributário, no caso saldo negativo de CSLL do Exercício de 2004, não houve a validação e a verificação da exatidão do referido saldo e consequentemente não houve o reconhecimento do direito creditório, competência do Delegado da Receita Federal do Brasil de origem do contribuinte. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 6 A DRJ, por seu turno, colocando ênfase no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação nos seguintes termos: Assim, a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação (artigo 56 da IN SRF nº 460 de 18/10/2004, 57 da IN SRF nº 600 de 28/12/2005 e 77 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que admitem a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa). De fato, restou configurado que não existe pagamento a maior das estimativas pagas da CSLL (Cod. 2484), podendo existir porém em tese, saldo negativo da CSLL, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente se por um lado confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2003. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. É que o campo “Valor Original do Crédito Inicial” no contexto da Ficha de Pagamento Indevido, no valor de R$ 246.025,55 (fl. 02) coincidente com o valor do Saldo Negativo da CSLL também neste mesmo valor revela (fl.61) essa intenção e o conseqüente erro material. Nesse contexto, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da CSLL para o anocalendário de 2003, levando a PER/Dcomp a tratamento manual; Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide; Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; Após as verificações acima, apurando a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. Fazer essa verificação em conjunto com o processo n 13609.900252/200807, que também foi baixado em diligência neste mesmo sentido e se refere também à compensação de saldo negativo do ano calendário de 2003; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 37311.000432/2004-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício:1993
PEDIDO DE REVISÃO. PORTARIA DO MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Nº 88/04.
O Pedido de Revisão, previsto na Portaria do Ministério da Previdência Social nº 88/04 (atualmente revogada) não se presta para rediscussão de matéria que já se submeteu a apreciação dos Colegiados administrativos.
DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, independentemente de antecipação ou não de pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as
contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2403-000.391
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em não
conhecer do pedido de revisão.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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PORTARIA DO MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Nº 88/04. O Pedido de Revisão, previsto na Portaria do Ministério da Previdência Social nº 88/04 (atualmente revogada) não se presta para rediscussão de matéria que já se submeteu a apreciação dos Colegiados administrativos. DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, independentemente de antecipação ou não de pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de revisão. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Marcelo Magalhães Peixoto Relator. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD emitida em 05/02/2004 (fl. 01), tendo por objeto contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações percebidas por empregados da empresa Jupiá Engenharia Ltda. que laboraram na empresa Bollhoff Neumayer Industrial Ltda. em serviços de construção civil. O valor apurado pela autoridade fiscal corresponde a R$ 2.142,59 (dois mil, cento e quarenta e dois reais e cinqüenta e nove centavos), competência de 07/93. O crédito é exigido das duas empresas em virtude da responsabilidade solidária estabelecida pela legislação previdenciária. Destacase que a presente NFLD fora lavrada em substituição a NFLD nº 36.386.5990, lavrada em 28/02/2003, que fora declarada nula em abril de 2003, face a ausência de notificação dos devedores solidários, de acordo com documentos acostados pela Recorrente às fls. 75. O notificado Bollhoff Neumayer Industrial Ltda. apresentou tempestivamente sua impugnação por meio do instrumento de fls. 25/55., alegando, em síntese: em sede preliminar, alega que a NFLD n° 35.386.5990 foi anulada pela Autoridade Julgadora e que foi determinada a substituição dela por outra. Contudo, somente quatro meses após a decisão que anulou a NFLD n° 35.386.5990 foi iniciada nova ação fiscal. Deste modo, temse uma nova ação fiscal para fiscalizar período já fiscalizado pelo INSS sem que tal procedimento tenha sido determinado na decisão que anulou a NFLD n° 35.386.5990, estando ausente, portanto, fundamento legal ou fático para se iniciar esta nova fiscalização; a conduta do INSS afronta, a seu ver, o principio da segurança jurídica, pois o contribuinte não pode permanecer em eterno estado de incerteza e insegurança sem saber quando irá se submeter a novo procedimento fiscalizatório em relação a período já fiscalizado; argumenta que a NFLD impugnada não pode ser admitida como uma substituição da NFLD anulada; e ainda, se a intenção era substituir a NFLD nula, não se pode modificar os responsáveis pelo débito tributário, tal como fora levado a efeito pela presente Notificação Fiscal que considerou como coresponsáveis os administradores que iniciaram sua gestão após 1999, embora a NFLD se refira a período anterior; acentua ainda que os administradores que ingressaram na sociedade em 1999 não podem responder por um crédito anterior a sua gestão, ao qual não deram causa. Um administrador, quando muito, pode ser responsabilizado por crédito relativo ao período em que atuou na empresa; e mesmo se assim não fosse, defende a Recorrente a decadência das contribuições previdenciárias, face a aplicação dos artigos 173, I, e 150, § 4°, do Código Fl. 379DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37311.000432/200459 Acórdão n.º 240300.391 S2C4T3 Fl. 367 3 Tributário Nacional, já que o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 padece de vícios de inconstitucionalidade; o prazo decadencial não está sujeito a suspensão e o direito de o INSS constituir seu crédito decaiu para os fatos geradores anteriores a 09/02/1999. mesmo que se acatada a decadência decenal, as contribuições relativas ao ano de 1993 não podem ser exigidas, pois o Termo de Inicio da Ação Fiscal foi emitido em agosto de 2003. Por conseguinte, requer que seja declarada a decadência para as competências anteriores a 01/01/1994; violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, pois não foram indicadas especificamente quais as normas legais violadas. O relatório de Fundamentos Legais do Débito é um mero conglomerado de dispositivos legais, o que não permite ao notificado analisar se a subsunção do fato à norma ocorreu adequadamente; o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, o qual é complemento do artigo 30 da mesma lei, está em conflito com a Constituição Federal, pois a matéria relativa a responsabilidade tributária é reservada a lei complementar; impossibilidade da utilização da taxa SELIC. Diante da ausência de apontamento do dispositivo legal que sustenta a NFLD, o AuditorFiscal, devidamente intimado, informou quais as normas aplicadas para aferição indireta das contribuições objeto de autuação, bem como retificou o relatório de co responsáveis (fls 97 e 98). O responsável solidário Bollhoff Neumayer Industrial Ltda., cientificado do Relatório Fiscal Complementar em 08/11/2004 (consoante AR de fls 100), apresentou a impugnação complementar de fls. 133/163. Em julgamento, o INSS de Jundiaí (fls. 139157, considerou o lançamento procedente, sob os seguintes argumentos: (i) para a emissão de nova NFLD, a legislação determina seja iniciada nova fiscalização; (ii) no relatório de coresponsáveis devem estar indicados o período de atuação de cada um deles; (iii) a decadência previdenciária é decenal, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91; (iv) não há cerceamento de defesa quando o Auditor Fiscal informa adequadamente os fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento; (v) o dono da obra é responsável solidário pelo pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados do prestador de serviços que laboraram em sua obra; (vi) a utilização da taxa SELIC como juros de mora na esfera tributária é legal e constitucional. Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 162 a 201), sob as mesmas alegações da defesa e, também: (i) ilegalidade do art. 688 da IN INSS/DC nº 100/2003 relativa a competência da autoridade administrativa para se pronunciar acerca de ilegalidade de norma administrativa; (ii) recolhimento das contribuições; (iii) ilegalidade dos arts. 31 e 32 da Lei nº 8.212/91. A Previdência Social apresentou contrarazões, fls. 207210, alegando que (i) o INSS não pode afastar a aplicação de normas por força do art. 20 da Portaria MPAS 520/2004 e art. 70 do Regimento Interno do CRPS; (ii) que o Fisco tem 10 (dez) anos para constituir débito previdenciário a partir da data que anulou lançamento anterior; (iii) a Fl. 380DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 autoridade administrativa não pode decidir sobre matéria constitucional; (iv) não há provas nos autos de que as referidas contribuições foram recolhidas. A 4ª Câmara de Julgamentos do Conselho de Recursos da Previdência Social, fls. 211 a 216, conheceu do Recurso Voluntário para anular a NFLD sob o argumento de que a ausência de indicação do fundamento legal que autoriza o procedimento de aferição indireta das contribuições previdenciárias, não constando do anexo denominado de Fundamentos Legais do Débito FLD, configura vício insanável no procedimento fiscal, impondo a sua nulidade. O INSS de Jundiaí requereu Revisão de Voto (fls. 218 a 288), fundamentando que a elaboração de relatório fiscal complementar e a devolução do prazo de 15 dias para a empresa impugnar o lançamento importou na correção do vício apontado pela decisão. A empresa apresentou contrarazões, fls. 233 a 245. A 4ª Câmara de Julgamentos, às fls. 278/289, houve por bem não acolher o Pedido de Revisão formulado pelo INSS. Diante da decisão, a Secretaria da Receita Previdenciária formulou Pedido de Uniformização de Jurisprudência (fls 291/304), alegando que a 2ª e 4ª Câmara de Julgamento do CRPS possuem entendimentos diversos acerca dos efeitos jurídicos da ausência no Fundamentos Legais do Débito – FLD da NFLD de fundamentação legal para aferição indireta prevista no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91, ou seja, se, neste caso, há vício insanável ou vício sanável. A empresa apresentou ContraRazões ao Pedido de Uniformização de Jurisprudência formulado pelo INSS (Fls 309/326), alegando não ser suficiente constar o apontamento da fundamentação legal, que autoriza o lançamento por arbitramento (neste caso, a aferição indireta pelo Agente Fiscalizador) apenas no Relatório Fiscal, conforme entendimento da 2ª Câmara de Julgamentos da CRPS e da Recorrente, sendo imprescindível sua discriminação expressa no Anexo FLD, por ser requisito essencial e exigência legal, nos termos do DecretoLei 70.235/72. No entendimento da empresa, referido vício é insanável, devendo se confirmar a decisão já proferida pela 4ª Câmara de Julgamentos. O Pedido de Uniformização de Jurisprudência apresentado pelo INSS fora indeferido (Fls 328/329) por ser considerado intempestivo, já que o Pedido de Revisão não suspende o prazo para sua interposição, sendo certo que, o prazo de 30 (trinta) dias deve ser contado a partir da data da ciência do acórdão de fls. 211/216. O INSS apresentou segundo Pedido de Revisão (Fls 330/332), pleiteando a aplicação do Enunciado nº 29 do CRPS: “Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD ou no Relatório Fiscal — REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento." Aos 28/01/2008 o processo foi transferido para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Fls 333/334). Embora a legislação tenha revogado tacitamente o Pedido de Revisão, de acordo com a Portaria/MF nº 147/07, os pedidos formulados no prazo devem ser apreciados de acordo com a Portaria do Ministério da Previdência Social nº 88/04. Fl. 381DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37311.000432/200459 Acórdão n.º 240300.391 S2C4T3 Fl. 368 5 Deste modo, intimada, a empresa apresentou as respectivas ContraRazões (fls 339/358), sustentando o não cabimento do Pedido de Revisão, posto que, de acordo com o art. 60, III, do Regimento Interno do CRPS referido pedido não se presta a rediscutir matéria já alegada, sendo certo que, o Enunciado nº 29 do CRPS não representa documento novo que sustente o seu cabimento. Ademais, reitera a nulidade da NFLD e impossibilidade de imputação de responsabilidade para os sócios da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO O presente julgamento recai sobre Pedido de Revisão realizado pelo INSS, em face de decisão da 4ª Câmara de Julgamentos do CRPS, que declarou a nulidade da NFLD em questão. Não obstante, a legislação atual já tenha revogado os dispositivos que possibilitavam a apresentação de Pedidos de Revisão, é de ser aplicado o artigo 5º, § 2º, da Portaria MF nº 147/07: Art. 5º, § 2º Aplicase o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS), aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social nº 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recursos interpostos até o termo final do prazo fixado no § 1º, nos processos administrativofiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. Assim sendo, dispõe o artigo 60, da Portaria do Ministro da Previdência Social nº 88/04: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I – violarem literal disposição de lei ou decreto; II – divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do AdvogadoGeral da União, na forma da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; III depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV – for constatado vício insanável. § 1º Considerase vício insanável, entre outros: Fl. 382DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 I – o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; II – a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III – o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV – a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. § 2º Na hipótese de revisão de ofício, o conselheiro deverá reduzir a termo as razões de seu convencimento e determinar a notificação das partes do processo, com cópia do termo lavrado, para que se manifestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, antes de submeter o seu entendimento à apreciação da instância julgadora. § 3º O pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS, que, após proceder sua regular instrução, no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, conforme o caso. § 4º Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contrarazões § 5º A revisão terá andamento prioritário nos órgãos do CRPS. § 6º Ao pedido de revisão aplicase o disposto nos arts. 27, § 4º, e 28 deste Regimento Interno. § 7º Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. § 8º Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar recurso à instância superior. § 9º O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de ofício o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricional. § 10 É defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. § 11 Nos processos de benefício, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância, ressalvado o disposto no art. 57, § 2º, deste Regimento. Deste modo, de acordo com a Portaria MPS nº 88/04, o Pedido de Revisão somente é cabível em situações estritamente determinadas, que correspondem a vícios graves no julgamento do processo administrativo, tal como, violação a literal dispositivo de lei, divergência com pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem Fl. 383DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 37311.000432/200459 Acórdão n.º 240300.391 S2C4T3 Fl. 369 7 como do AdvogadoGeral da União, obtenção de documento novo, antes ignorado ou outro vício insanável. E ainda, não caberá o Pedido de Revisão quando a matéria comportar recurso a Instância superior, não podendo ser processado visando à recuperação de prazo recursal ou a mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. Deste modo, concluise também que é defeso às partes renovar o pedido de revisão de acórdão sob os mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. Ocorre que, verificandose os autos, podemos certificar que, proferida a decisão que se pretende reformar – ou seja, a declaração de nulidade da NFLD por ausência de indicação do fundamento legal proferida pela 4ª Câmara de Julgamentos do CRPS – o INSS apresentou o primeiro Pedido de Revisão alegando que o vício apontado no acórdão fora posteriormente objeto de correção em Relatório Fiscal Complementar, sendo possível de ser sanado, já que não trouxe prejuízos ao contribuinte. Referido Pedido de Revisão não fora acolhido pela 4ª Câmara de Julgamentos da CRPS. Deste modo, o INSS apresentou Pedido de Uniformização de Jurisprudência, em face a divergência de posicionamentos entre as Câmaras de Julgamento da CRPS. No entanto, este pleito não fora deferido, já que intempestivo, tendo em vista que o Pedido de Revisão anteriormente apresentado não suspende o prazo para sua interposição. Diante desta decisão, o INSS apresentou novo Pedido de Revisão (objeto deste julgamento) fundamentando o seu cabimento no surgimento do Enunciado nº 29 do CRPS, cujo entendimento vai de encontro ao acórdão refutado, configurando assim, documento novo ou violação a literal disposição de lei. Ora, de acordo com a Portaria MPS nº 88/04, nem mesmo o primeiro Pedido de Revisão apresentado pela recorrente seria cabível, pois o seu cabimento depende da matéria não comportar outro recurso (art. 60, § 8º). No caso, a matéria comportava o Pedido de Uniformização de Jurisprudência que posteriormente fora apresentado pela Recorrente. E ainda, expirado o prazo para interposição do Pedido de Uniformização de Jurisprudência (conforme decisão de fls. 328/329), o Pedido de Revisão não se presta para recuperar o prazo recursal e rediscutir matéria já apreciada Pelos Colegiados. (art. 60, § 7º) Se não bastasse, o INSS não apontou o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do Pedido de Revisão, posto que o surgimento do Enunciado nº 29 do CRPS não pode ser considerado documento novo, figurando como uniformização de entendimento do Colegiado, sendo certo que a sua publicação não importa em tornar as decisões proferidas em período anterior como decisões que violam literal dispositivo de lei. Assim, é defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. (art. 60, § 10, Portaria MPS 88/04) Deste modo, não preenchidos os requisitos legais, não é de ser conhecido o Pedido de Revisão. Fl. 384DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Do exposto, manifestome pelo NÃO CONHECIMENTO do Pedido de Revisão, mantendose a decisão de PROCEDÊNCIA do presente Recurso Voluntário da Colenda 4ª Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 385DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 31/03/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, 04/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 13899.900221/2006-68
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.071
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0523.713, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CampinasSP. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo das PER/DCOMP n°s 16601.45320.080903.1.3.031302 e 10336.63343.130906.1.7.030971 (fls. 01/09 e 10/13), transmitidas em 08/09/2003 e 13/09/2006, para extinção de débitos tributários com crédito originado de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor total de R$ 412.986,00. Foi ressaltado nas declarações que o crédito teria origem na empresa sucedida, Henkel Surface Technologies Brasil Ltda, CNPJ 43.425.057/000145, incorporada em 31/12/2001. Conforme Parecer SEORT/DRF/OSA n° 422/2008 de fls. 121/131, foi indeferido o direito creditório, em razão das seguintes alterações na DIPJ/Ex.2002 analisada, as quais resultaram em CSLL a Pagar: • glosa de despesas com brindes (R$ 708.474,19); • majoração da receita de prestação de serviços (R$ 430.371,30), dos rendimentos auferidos em operações de SWAP (R$_487.429,91) e da receita de juros sobre capital próprio (R$ 2.140.602,06), de acordo com as informações da DIRF; • glosa das estimativas de CSLL cujo recolhimento/compensação não restou devidamente comprovado (R$ 141.701,47). Cientificada em 26/05/2008 (AR de fls. 132), a contribuinte interpôs, em 25/06/2008, manifestação de inconformidade de fls. 133/144, acompanhada dos documentos de fls. 145/255. Após breve resumo dos fatos, contrapõese às alterações efetuadas na DIPJ/Ex. 2002, que resultaram no indeferimento do direito creditório. Quanto à glosa das despesas com brindes, diz que informou o valor de R$ 708.474,19 na conta contábil 460180, sob a imprecisa denominação de "brindes com relações comerciais", compondo as despesas operacionais apontadas na linha 30, Ficha 05 A da DIPJ/2002. Acusa que, ao contrário da alegação sustentada pela fiscalização, apenas a parcela de R$ 1.521,35 se refere a despesas com brindes, sendo que os R$ 706.952,84 restantes referemse a despesas com comissões pagas à empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda, por serviços de intermediação de negócios e divulgação de produtos químicos fabricados pela Manifestante para o mercado automobilístico, conforme pode ser visto pela planilha anexa (doe. 09). E para comprovar o alegado, anexa ao processo, por amostragem, cópia de alguns dos recibos emitidos pela empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda (doe. 11). Esclarece que a conta contábil 460180 é facilmente identificável no balancete anexo (doe. 10A pág. 62), na petição que entregou para a fiscalização (doe. 08) e nos recibos de comissões ora anexados (does. 9 e 11), protestando pela dedutibilidade das despesas de R$ 706.952,84 da base de cálculo da CSLL. Quanto à omissão de receitas de prestação de serviços, aduz, em suas palavras: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13899.900221/200668 Resolução n.º 1401000.071 S1C4T1 Fl. 351 3 "14. (...), a fiscalização adotou um procedimento extremamente simplista e equivocado, qual seja, baseouse supostamente em todas as DIRFs de terceiros em que a Manifestante aparece como beneficiária no anocalendário de 2001, especificamente em relação ao código de receita 1708 (...). 15. (...), verificando que a Manifestante informou em sua DIPJ haver auferido apenas R$ 3.205,66 a título de receita de prestação de serviços (doc. 12), a d. fiscalização considerou a diferença de R$ 430.371,30 como receitas supostamente omitidas, (...). 16. Ora, esse total por si só não se sustenta, uma vez que com uma rápida análise do balancete de 2001 da Manifestante, particularmente quanto à conta contábil na qual consta a "alegada diferença de receita omitida" (conta contábil 409650 doe. 10A pág. 64), demonstra que o total de receitas efetivamente auferido pela Manifestante em 2001 (RS 783.852,91) foi muito superior ao levantado pela d. fiscalização em sua análise nas DIRFs de terceiros (RS 433.576,96). Em outras palavras, análise da d. fiscalização não pode ser tida como exaustiva para a conclusão desse assunto contida no Parecer ora questionado. 16.1. Tais receitas supostamente omitidas foram devidamente contabilizadas pela Manifestante em conta redutora de despesas com serviços prestados para Liofol e Schanko, no valor de R$ 783.852,91 ("409650 Desp. Serv. Prestados p/ Liofol/Scharzko"), como se pode verificar da página anexa, extraída de seu balanço contábil relativo ao anocalendário de 2001 (doc. 10A pág. 64). 16.2. Além disso, informa ainda que o valor dessa conta contábil foi devidamente informado na linha 04 da Ficha 05A da DIPJ relativa ao ano calendário de 2001. 16.3. Apesar de todo o exposto, a Manifestante ressalta que o seu "Lucro Líquido do Período de Apuração"devidamente informado na DIPJ — Ficha 06A Demonstração do Resultado (contábil) " é de () R$ 1.627.792,34 (doe. 12), o qual nos termos da lei coincide com aquele resultado escriturado em seu balancete (doc.l0A pág. 65). Ora, diante disso, somente resta reforçar a conclusão de que a receita contida na conta redutora de despesa de serviços (conta 409650) compõe o resultado que foi devidamente oferecido à tributação da CSLL, apesar de não ter sido na linha 08 da Ficha 06A da DIPJ analisada de forma simplista pela d. fiscalização, "(negrejouse) Quanto aos rendimentos auferidos em operações de SWAP, diz ter incorrido em erro de preenchimento da linha da DIPJ em que os referidos valores foram alocados. Que ao invés de incluir na linha 21 da Ficha 06A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"), como determina o MAJUR, incluiu na linha 20 da Ficha 06A ("variações cambiais ativas"), juntamente com as variações cambiais ativas, cujo valor total monta R$ 3.018.135,73 (doe. 14). Esclarece que na própria escrituração contábil tratou suas operações de SWAP conjuntamente com outras operações financeiras relacionadas com o resultado de variações cambiais (doe. 10A págs. 64 e 65), conforme demonstrado às fls. 141. Aponta que é de fácil verificação que o total das receitas de variações cambiais compõe o lucro líquido devidamente contabilizado de () R$ 1.627.792,34 (doe. 10A pág. 65), o qual coincide com aquele resultado informado na Ficha 06A da DIPJ (doe. 14), pelo que protesta pela glosa do acréscimo feito pela fiscalização. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 No que versa sobre os rendimentos relativos a juros sobre o capital próprio, alega: "25. (...) a d. fiscalização verificou que ela teria recebido "dela mesma" (???), no anocalendário de 2001, um total de R$ 2.140.602,06 relativo à juros sobre capital próprio (código de receita 5706). 26. (...). Realmente, (...), a Manifestante aparece como declarante e beneficiária dos juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o que torna claro o equívoco cometido por ela no preenchimento de sua DIRF. (...) _ „.. 27. Neste ponto, perguntase: qual seria a lógica de a Manifestante pagar juros sobre capital próprio para ela mesma? Ora, é impossível a Manifestante ser quotista dela mesmo, o que torna claro o equívoco cometido no preenchimento de sua DIRF, na qual ela informou o seu próprio CNPJ como se fosse a beneficiária dos juros sobre capital próprio, que de fato, foram pagos a sua quotista Henkel KommanditgesellschaftAufAktien. 28.Sendo assim, é evidente que a Recorrente não recebeu qualquer valor relativo a juros sobre capital próprio, o que foi corretamente informado na Linha 23, da Ficha 06 A, de sua DIPJ. Na verdade, os juros sobre capital próprio efetivamente existiram, mas não como receita da Manifestante, e sim como despesa sua. Tais juros foram creditados pela Henkel Surface Technologies Brasil Ltda. (incorporada pela ora Manifestante) em favor de sua quotista Henkel Kommanditgesellschaft Auf Aktien. tendo sido efetivamente utilizados por esta empresa para realização de aumento de capital social na Henkel Surface (incorporada pela ora Manifestante). 29. Observese que o referido valor sofreu a retenção de IRRF à alíquota de 15% como determina a legislação tributária, sendo que apenas o valor líquido foi utilizado para fins de aumento de capital. 29.1. Assim, no anocalendário de 2001, a Henkel Surface deliberou pelo pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o qual, após exclusão do IRRF à alíquota de 15% (i.e. R$ 321.093,31), foi utilizado para aumento de capital social da Manifestante no valor remanescente de R$ 1.819.511,75, conforme se pode verificar do "Instrumento Particular de 9a Alteração do Contrato Social da Henkel Surface Technologies Brasil Ltda", para aumento de capital de R$ 34.684.703,00para R$ 36.504.214,00 (doe. 17). 30. Em vista disso, resta claro que não merece prosperar o acréscimo de RS 2.140.602,06 ao lucro da Manifestante, (...)." Por fim, quanto às estimativas glosadas, afirma o seguinte: "resta claro que se trata de inevitável conseqüência das glosas realizadas pela d. fiscalização nos itens anteriores (as quais, como visto, são completamente improcedentes), de forma que esta parte do Parecer SEORT n° 422/2008 deve acompanhar a sorte do que for decidido em relação aos itens anteriores".— . . Encerra protestando pela reforma do Parecer recorrido, homologandose as compensações pleiteadas. A DRJ, por unanimidade de votos, DEFERIU EM PARTE a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13899.900221/200668 Resolução n.º 1401000.071 S1C4T1 Fl. 352 5 A restituição de saldo negativo da CSLL, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da base de cálculo da contribuição, bem como à comprovação do pagamento/compensação das estimativas levadas à dedução, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo. Eventuais erros de classificação contábil e de preenchimento da declaração, bem como a regular escrituração e o cômputo no resultado de rendimentos tributáveis, devem ser comprovados por meio dos livros de escrituração obrigatórios, alicerçados por documentação hábil e idônea. Demonstrado nos autos o erro no preenchimento da DIRF quanto à beneficiária de rendimentos de juros sobre capital próprio, afastase a omissão da receita correspondente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada apresentou PER/DCOMPs pretendendo compensar os débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 2001. A não homologação das compensações advém do fato de que foram omitidos rendimentos tributáveis de operações de SWAP (R$ 487.429,91), de prestação de serviços (R$ 430.371,30) e de juros sobre capital próprio (R$ 2.140.602,06), bem como que foi deduzida indevidamente despesa com brindes (R$ 708.474,19), fatos estes que, reunidos, ensejariam a apuração de CSLL suplementar de R$ 339.018,97; bem como constatou a dedução de estimativas cujo pagamento/compensação não restou comprovado (R$ 141.701,47), o que, juntamente com a CSLL suplementar anteriormente citada (R$ 339.018,97), resultaria a adição da parcela de R$480.720,44 (R$339.018,97 + R$ 141.701,47) ao cálculo da CSLL devida, acarretando saldo de CSLL a pagar positivo na declaração da incorporada, invalidando o direito creditório protestado. Como visto, dos cinco pontos da lide citados acima, um deles a DRJ cancelou (Juros sobre capital próprio), remanescendo, portanto, quatro deles. Essa diligência, por sua vez, se restringe apenas dois desses pontos, ficando de fora a questão referente à glosa de despesas com brindes e a dedução de estimativas cujo pagamento/compensação não restou comprovado, pois considero que a prova dos autos é suficiente para o deslinde dessas questões. 1) Omissão de rendimentos de operações em SWAP Em relação ao primeiro ponto específico a que pertine esta diligência , assim se pronunciou a DRJ para negar a solicitação da Recorrente: (...)Sobre a omissão de rendimentos de operações em SWAP (compra de câmbio à vista, vinculada a venda futura, com obtenção de lucro), no valor de R$ 487.429,91, alega a contribuinte que houve erro no preenchimento da DIPJ/2002, com a indicação das receitas correspondentes na linha 20, ao invés da linha 21, da Ficha 06A, juntamente com as variações cambiais ativas, cujo valor total monta R$ 3.018.135,73. Deveras, a própria natureza das operações de SWAP permite considerar o seu rendimento como ganho com variação cambial, sendo plausível a ocorrência de equívoco, acaso não constasse do Majur, expressamente, que os rendimentos em operações com SWAP deveriam ser informados à linha 21 da Ficha 06A, e não à linha 20, da DIPJ/2002: "Linha 06A/20 Variações Cambiais Ativas Indicar, nesta linha, os ganhos apurados em razão de variações ativas decorrentes da atualização dos direitos de crédito e obrigações, calculados com base nas variações nas taxas de câmbio. (...) Também incluemse nesta linha os rendimentos auferidos em operações de swap e no resgate de quota de fundo de investimento cujas carteiras sejam constituídas, no mínimo por 67% (sessenta e sete por cento) de ações no mercado à vista de bolsa de valores ou entidade assemelhada (Lei n" 9.532, de 1997, art. 28, alterado pela MP n° 1.636, de 1998, art. 2o, e reedições). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13899.900221/200668 Resolução n.º 1401000.071 S1C4T1 Fl. 353 7 Considerase ganho o resultado positivo auferido nas operações citadas acima, realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações. (...)” Compulsandose a declaração, notase que, de fato, nas linhas 21 e 33 da Ficha 06A a empresa incorporada pela manifestante nada registrou, como ganho ou perda no mercado de renda variável, onde se inclui a operação de SWAP. O demonstrativo apresentado pela interessada às fls. 141, a justificar o total lançado na linha 20 da Ficha 06A, onde constariam equivocadamente os rendimentos de operações de SWAP, é o seguinte: A denominação das contas contábeis envolvidas não permite identificar, com clareza, em qual rubrica poderiam estar considerados os rendimentos de SWAP, por ser possível a sua classificação em mais de uma das contas apontadas. Assim, não é possível visualizar a Receita de SWAP no valor de R$ 487.429,91 nas contas acima, sem a apresentação de cópia do Livro Diário e Razão abrindo a composição e os lançamentos que compõem as contas indicadas. De tal sorte, a documentação apresentada na defesa mostrase insuficiente para comprovar o erro no preenchimento da declaração alegado, impondose a manutenção da omissão da receita de SWAP. (destaquei) A Recorrente, por sua vez, em seu recurso voluntário reforça sua defesa no sentido de primeiro levantar uma questão relativa ao cerceamento do seu direito de defesa e, por fim, ratifica que o valor em questionamento estaria mesmo na conta contábil de variação monetária ativa: . Conforme relatado na Manifestação de Inconformidade, para a apuração da suposta omissão de receitas, a d. fiscalização verificou que em sua DIPJ, a Recorrente informou na Linha 21, Ficha 06 A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade") o valor zero para tais operações, ao passo que, analisando as DIRFs em que a Manifestante aparece como beneficiária, consta que a Recorrente teria recebido, no anocalendário de 2001, um valor total de R$ 487.429,91 a título de rendimentos em operações de swap (código de receita 5273). Este valor foi considerado pela d. fiscalização como receita supostamente omitida, a qual foi indevidamente adicionada para fins de apuração da base de cálculo da CSLL pela d. fiscalização. Cont a Contábil Nome da Conta Valor 480022 ganhos cl diferenças de câmbio a/p 1.409,63 480022 ganhos c/ diferenças de câmbio a/p 1.242,55 480022 ganhos cl diferenças de câmbio a/p 437,52 480001 ganhos cl moeda estrangeira 1.739.916,26 480006 translation operações financeiras 75.232,74 944050 Ganhos variação cambial s/ mútuo 714.089,47 944060 Perdas variação cambial s/ mútuo 156.956,20 944500 Ganhos com diferenças de câmbio operaç. 1.121,46 944502 Receita de hedging 327.729,90 TOTAL 3.018.135,73 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 48. Assim como mencionado no item anterior, a d. fiscalização mais uma vez sequer indicou quais seriam as fontes pagadoras que pagaram o suposto rendimento de swap no valor de R$ 487.249,91 em favor da ora Recorrente, ofendendo ao princípio do contraditório e da ampla defesa. 49. A falta de indicação das fontes pagadoras novamente prejudicou o direito de defesa da ora Recorrente, que sequer foi informada a respeito de quais seriam as instituição financeiras responsáveis pelo pagamento dos referidos rendimentos de swap para que pudesse, por exemplo, localizar os respectivos Informes de Rendimentos em seus arquivos ou. se fosse o caso, solicitar uma 2a via do respectivo documento para a fonte pagadora. (...) 52. Subsidiariamente, e apenas na hipótese desse E. Conselho de Contribuintes vir a entender não ter existido nulidade por cerceamento do direito de defesa o que se admite apenas para fins de argumentação, a Recorrente esclarece que ao invés de incluir os rendimentos auferidos nas operações de swap na Linha 21 da Ficha 06A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"), como determina o MAJUR, a Recorrente incluiu tais rendimentos na Linha 20 da Ficha 06A ("variações cambiais ativas"), juntamente com as variações cambiais ativas, cujo valor total monta em R$ 3.018.135,73. 53. Isso porque, na própria escrituração contábil, a Recorrente tratou suas operações de swap, as quais visaram a troca de variações de moedas (i.e., variações cambiais), conjuntamente com outras operações financeiras relacionadas com o resultado de variações cambiais (doe. 10A da Impugnação págs. 64 e 65), conforme demonstrado quadro abaixo, cujo total monta os referidos R$ 3.018.135,73 constantes da Linha 20 da Ficha 06A: (...) 54. De fato, a Recorrente reconhece que, à época, não tinha conhecimento a respeito da instrução contida no MAJUR para que os rendimentos auferidos em operações de swap fossem incluídos na Linha 21, Ficha 06 A, cuja descrição referese a "ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade". De todo modo, é evidente que a Recorrente não pode ser penalizada por este simples ^rro de preenchimento, tendo em vista que os valores relativos às operações de swap foram devidamente incluídos em sua DIPJ e submetidos à tributação independentemente da linha de preenchimento, de forma que não houve qualquer prejuízo para o Fisco Federal. 55. Notese que a própria fiscalização reconheceu que de fato a confusão em questão era plausível, sendo que as próprias autoridades julgadoras reconheceram "ser possível a sua classificação [rendimentos de swap] em mais de uma das contas apontadas". 56. Não obstante, tais autoridades se ativeram ao aspecto meramente formal, sem considerar a verdade material que deve prevalecer na esfera administrativa. 57. Ocorre, porém, que independentemente da linha em que foi incluído o rendimento, se na linha de swap, ou se na linha de variação cambial, o importante é que houve a inclusão do rendimento como uma receita tributável, tanto na apuração do lucro contábil como na apuração do lucro real, como já amplamente demonstrado pela Recorrente. O mero equívoco formal no preenchimento da DIPJ não é fato gerador de impostos, e não pode ser tomado pela d. fiscalização como ensejador de tributação. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13899.900221/200668 Resolução n.º 1401000.071 S1C4T1 Fl. 354 9 2) Omissão de rendimentos de prestação de serviços Em relação a apuração dessa omissão de receitas, a. fiscalização baseouse em todas as DIRFs de terceiros em que a Recorrente aparece como beneficiária no anocalendário de 2001, especificamente em relação ao código de receita 1708 ("remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica"). Nesse passo, a. fiscalização constatou que a Recorrente teria recebido um total de R$ 433.576,96 a título de remuneração por serviços prestados a outras empresas. Como a Recorrente informou em sua DIPJ haver auferido apenas R$ 3.205,66 a título de receita de prestação de serviços, o autuante considerou a diferença de R$ 430.371,30 como receitas supostamente omitidas. A Recorrente defendese por seu turno em primeiro lugar indicando cerceamento do seu direito de defesa, bem assim robusteceu as justificativas amparandose em documentação fiscal e contábil no sentido de indicar que as referidas receitas em quase sua totalidade teriam sido oferecidas à tributação, muito embora em conta contábil errada, ou seja, como redução de despesas: 24. Ocorre que, embora a DIRF tenha inegável valor probatório, em conjunto com as demais provas colhidas no processo, no caso em análise a d. fiscalização sequer indicou quais seriam as fontes pagadoras que supostamente pagaram os R$ 433.576.96 em favor da Recorrente, ofendendo ao princípio do contraditório e da ampla defesa. A omissão da d. fiscalização pode ser constatada no Parecer SEORT 422/2008, e na própria decisão de primeira instância proferida pela DRJ/CPS, visto que em os dados das fontes pagadoras não foram mencionados em nenhuma das duas decisões. 25. Como se sabe, o princípio do contraditório e da ampla defesa está inserido no artigo 5o, inciso LV, da Constituição Federal de 1998, segundo o qual "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". (...) . Ora, no caso em análise, ao indicar apenas o valor constante da DIRF. sem mencionar quais seriam as fontes pagadoras, a d. fiscalização prejudicou e muito o direito de defesa da ora Recorrente. Tanto é assim que, pelo fato de não ter sido informado pela d. fiscalização quais seriam as fontes pagadoras, a Recorrente faz toda a sua Manifestação de Inconformidade alegando que os referidos rendimentos decorriam de serviços prestados para a Liofol e Scharzko, o que apenas após a decisão da primeira instância proferida pela DRJ/CPS descobriu não ser verdade. Sem dúvida, este equívoco poderia ter sido facilmente evitado caso a DRF/OSA tivesse informado em seu Parecer SEORT 422/08 quais eram as fontes pagadoras questionadas. (...) Com efeito, após longa procura em seus arquivos (e tentando "adivinhar" a que fontes pagadoras a d. fiscalização se referia), a Recorrente conseguiu identificar que os lançamentos efetuados a crédito na conta contábil 409650, como redutores das despesas, referemse, na verdade, a certos serviços de gerenciamento químico prestados pela Recorrente às empresas Peugeot Citroen do Brasil S/A, General Motors do Brasil Ltda., entre outras. Com base em critérios internos de alocação de receitas aos seus respectivos centros de custos, a Recorrente contabilizou tais serviços mediante Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 lançamento a crédito em conta de despesa (a conta contábil 409650), ao invés de realizar o lançamento a crédito em conta de receita, como seria o mais usual. 36. Ocorre, porém, que esta forma de contabilização em nada alterou a apuração do seu lucro tributável. Isso porque, seja registrando um crédito em conta de receita ou seja registrando um crédito em conta de despesa, o efeito em relação ao lucro contábil (base a partir da qual é calculado o lucro real) é exatamente o mesmo. De fato, como se sabe, para fins contábeis qualquer lançamento a crédito em conta de resultado produz o mesmo efeito na apuração do lucro (na medida em que o fato de reconhecer uma receita sem reduzir as despesas ou deixar de reconhecer contabilmente uma receita mas, por outro lado, reduzir em montante equivalente as despesas produz exatamente o mesmo efeito esta conclusão é matemática). 37. Notese que a abertura da conta contábil 409650 do Livro Razão (doe. 02) uma conta de despesas permite identificar claramente que as referidas receitas de prestação de serviços foram devidamente reconhecidas pela Recorrente mediante lançamento a crédito na referida conta de despesas, como uma redutora de despesas. 38. Ora, o valor da referida conta contábil foi devidamente incluído na Linha 04, Ficha 05 A, da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, tendo composto tanto o resultado contábil como o resultado tributável da Recorrente em relação àquele período. Vejase, na tabela abaixo, a composição da Linha 04, Ficha 05 A, da DIPJ: (...) (grifos do original) À luz deste quadro, entendo, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, que cabe à Receita Federal do Brasil realizar verificações adicionais, levandose em conta: possível cerceamento do seu direito de defesa; a documentação acostada pela defesa e alegações relacionadas ao oferecimento à tributação dos rendimentos financeiros supostamente omitidos relacionados às retenções identificadas. Posto isso e em nome do princípio da verdade material, para não pairar dúvidas quanto à validez e certeza do despacho decisório da DRF, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Em relação as operações de Swap, indicar as fontes pagadoras responsáveis pelo pagamento dos referidos rendimentos de swap para que a Recorrente possa, por exemplo, localizar os respectivos Informes de Rendimentos, bem assim indicar de forma mais precisa em sua contabilidade o oferecimento à tributação de referidas receitas; Conta Descrição Valor 465150 Honorários de auditoria R$ 79.254,72 465180 Honorários de consultores R$ 68.653,99 465190 Honorários advocatícios R$ 248.956,06 467000 Serviços de vigilância R$ 157.157,60 409700 Serviços contábeis e Administração R$ 2.778.240,37 409650 Receita de Prestação de Serviços (R$ 783.852,91) TOTAL R$ 2.548.409,84 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13899.900221/200668 Resolução n.º 1401000.071 S1C4T1 Fl. 355 11 Da mesma forma, quanto aos rendimentos de prestações de serviços, verificar, à luz da documentação acostada pela defesa e de outra mais a ser exigida durante a diligência, se já foram oferecidos à tributação, na forma como alega o contribuinte; Apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide; Se for o caso, refazer os cálculos e após as imputações e atualizações pertinentes, apontar montante de débitos a serem homologados; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10660.720729/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, determinando a apensação do p.p. ao processo nº 19515.002777/200711, para que sejam apreciados e decididos em conjunto.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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score : 1.0
Numero do processo: 10314.002143/2001-65
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI.
Data do fato gerador: 16/05/2001
PERDIMENTO, PENA PECUNIÁRIA_ AÇÃO JUDICIAL, MEDIDA LIMINAR, ANTECIPAÇÃO DE TUTELA.
A concessão de tutela jurisdicional pleiteada pela Interessada, importa à autoridade administrativa estrita observância aos direitos reconhecida liminarmente em Ação Ordinária com pedido de antecipação de tutela, dada à prerrogativa constitucional do poder judiciário para o controle jurisdicional dos atos administrativos, e, sobretudo, do principio da segurança jurídica. Auto de Infração Nulo por descumprimento de ordem judicial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.219
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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Auto de Infração Nulo por descumprimento de ordem judicial, Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. ( 4.-g iza~ix- j2,77,e_ Henrique Pinheiro Ton-es - 1Y-residente Vai essa Albuquerque Relatora EDITADO EM: 09/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Vaidete Aparecida Marinheiro e Henrique Pinheiro Torres, 2 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, às fls. 39/40, que transcrevo, a seguir: "1 Segundo consta dos autos, foi importado, através da D1 007966/96, registrada em nome da empresa 1TS IMF EXP. E COM DE MAO. EQUIP. LTDA, um automóvel JEEP GRAND CHEROKEE, chassis 1J4GZ849TC267142, placa C1H 4140 — São Bernardo do Campo, A referida importadora impetrou o M.S. 96/11585-0 na 6" V, Judiciária do Paraná, obtendo liminar. que lhe assegurava os benefícios .fiscais previstos no Decreto 1863/96 e MP 1483/96. Por artificio doloso, a empresa apresentou Certidão Negativa de Quitação de Tributos e Contribuiçães Federais comprovadamente adulterada, resultando na lavratura do A.1 0915100/0088/96, com base no artigo 514 do R.A, itens VI e XL qual seja: Art. 514. Aplica-se a pena de perdimeizto da mercadoria (Decreto-lei 37, de 1996, art. 105, e Decreto-lei n° 1,455, de 1976, art 23, IV, parágrafb único). VI — estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Xi — estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso 2.Ciente de tal delito, o MM Juiz procedeu ao indeferimento da liminar; tornando o veículo em situação irregular. Conseqüentemente, o atual proprietário, a Sra Hilda Ildsevaina, , foi intimada em 1999 a entregar o bem em comento à SRF; o que não ocorreu até a lavratura do presente Auto de Infração, 16/05/2001, que foi lavrado para aplicar a penalidade prevista no artigo 463 Ido RIP1/98, no valor de R$ 30..000,00 3.Cientificada em 20/07/2001, a contribuinte apresentou, em 08/08/2001, a tempestiva impugnação de lis 26/29, acompanhada de cópia do pedido de anulação da intimação para entrega do veículo de fls. 30/32, alegando, em síntese, o seguinte.. 3,1 Embora conste na notificação o n° do MPF, 0815500/01414/01, não recebeu, nem antes e nem juntamente com o Auto de Infração enviado por via postal, o mandado de procedimento fiscal, ficando caracterizada irregular idade administrativa, 3.2 À vista do disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, § 1°, o Auto de Infração jamais poderia ter sido lavrado, pois foi impetrada a Ação Ordinária de Desconstituição de intimação administrativa, com pedido de antecipação dos efeitos de tutela, Processo rf 10314.002143/2001-65 53-C111 Acen dão n.° 3101-00,219 Fl 87 o que foi concedido, cujo processo está em andamento na 7" vara da Justiça federal de São Paulo, sob o n° 1999..61 .00.026905-8. 3.3 A impugnante protocolizou junta à IRF a petição de fls.. 30/3.2, expondo a situação existente na ocasião sobre a matéria, e, não recebeu nenhuma resposta até a presente data. 3.4 O Auto impugnado repete os vícios formais da intimação original, citando a empresa ITS IMP. EXP. E COM DE MAQ. EOUIP. LTDA, com a qual, a impugnante não tem nada a ver. Além disso, a intimação não especifica o porquê da entrega do veículo, bem como não apresenta qualquer fundamentação jurídica, sendo que a declaração .falsa é de autoria de terceiro, constituindo em fator sem vinculação, Ademais, para uma operação que ocorreu em 1996, o Auto de Infração ampara-se em Decreto de 1998. 3.5 A capitulação que fundamenta a autuação impede o direito de defesa, pois não se sabe qual seria a .falta tipificada, aliás, mesmo que não tivesse ocorrido a . falta de identificação de .fato indevido, que por ventura se tivesse cometido, nada daquilo abrangido pelo texto legal ocorreu por parte da impugnante, pois, não se trata de importadora ou comerciante, mas simples adquirente de produto comercializado por terreiros, devidamente constante da nota de compra de estabelecimento devidamente inscrito e regular, objeto do devido licenciamento .junto ao DETRAN/SP. Assim, a impugnante seria terceiro de boa-fé que não pode ser responsabilizado por ato anterior cometido por terceiro sem seu conhecimento, compartilhamento ou motivação, conforme vem decidindo reiteradamente o Conselho de Contribuintes, de acordo com as acórdãos que cita. 4. Encerra requerendo que se anule as Intimações 228/99 e 0514/2001 e o presente Auto de Infração," A 2" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, em 05 de novembro de 2003, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n° 4,396, nos temos da ementa a seguir transcrita: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados —IPI Data do fato gerador: 16/05/2001 Ementa. MERCADORIA ESTRANGEIRA. O consumo de mercadoria estrangeira entrada irregularmente no País enseja a aplicação da multa do artigo 83, inc. Ida Lei n° 4.502/64 Lançamento Procedente." Ciente da decisão de primeira instância, a interessada, apresenta Recurso Voluntário às fls. 50/65. Nesta petição, as lazões iniciais são reiteradas noutras palavras, para aduzir, em síntese, que: 1 3 (i) A responsabilidade da importação e da venda é respectiva e exclusivamente das empresas ITS Importação, Exportação e Comércio de Máquinas Ltda e da Só Zero Ltda.; (ii) É terceira de boa fé, que não pode ser punida por atos ilícitos de terceiros com quem manteve exclusivamente uma relação de consumo; (iii) Tal fato, o poder judiciário já reconheceu expressamente para o caso concreto, quando do julgamento do processo n° 1999.61.00.026905-8 — 7 11 Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo. Requer, ao final, a total improcedência do Auto de Infração, e, por conseguinte, o arquivamento do feito. O processo foi distribuído a esta Conselheira, conforme consta da informação de fis. 85. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, Relatora Presentes os requisitas de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo Contribuinte. Conforme relatado, a matéria a ser apreciada é concernente à exigência da multa prevista no art, 463, inciso I, do Decreto n° 2.637 de 1998 - RIPI/98, face à importação com amparo em medida judicial liminar que permitiu o desembaraço, com os benefícios fiscais, de 01 veículo O KM, através da D.I. n° 007966/96, registrada em nome da empresa ITS IMP. EXP. E COM. DE MAQ. EQUIP. LTDA. O entendimento motivador da autuação foi o de que tendo em vista o indeferimento da medida judicial liminarmente concedida por meio de Mandado de Segurança, e sendo a ora Recorrente, proprietária do veículo importado, intimada a entregar o bem à SRF através da Intimação GP N° 228/99, o não atendimento desta ocasionou a lavratura do presente A.I. Da análise das peças que substanciam os autos, primeiramente, faz-se necessário analisar o objeto do presente litígio e a matéria em debate na "Ação Ordinária de De,sconstituição de Intimaçêia Administrativa, com pedido de antecipação dos efeitos de tutela", que tramitou na 7' Vara da Justiça Federal de São Paulo sob o n° 199961.00.026905-8. Consoante se verifica, a Recorrente propôs em 16 de junho de 1999, anteriormente a lavratura do auto em discussão, a "Açâo Ordinária de Desconstituição de Intimação Administrativa, com pedido de antecipação dos efeitos de tutela", cuja cópia da petição inicial repousa às fls. 68/77 do presente processo. Nessa ação, a Recorrente, visando a anulação da Intimação GP 228/99, discute acerca da ilegalidade das restrições sobre a propriedade de seu veículo que o adquiriu de boa fé, requerendo quando DO PEDIDO: a) a antecipação dos efeitos da tutela, maldita altera pars, nos termos do artigo 273, inciso I do Código de Processo Civil, para impedir que a Ré tome qualquer medida para retirar da Autora a posse do seu veículo e efetue representação criminal contra ela; Processo o' 0.314002143/2001-65 S3-C1T1 Acórdão o" 3101-00.219 Fl. 88 b) a citação da Ré, por meio de seu representante legal para, querendo, contestar a presente ação que, ao final, deverá ser julgada totalmente improcedente para anular a Intimação GP 228/99, desobrigando a Autora do recolhimento do seu veículo, legitimamente adquirido, ao depósito da Receita Federal, em vista da ofensa a vários princípios constitucionais e ao Código de defesa do Consumidor, (grifos nossos) Com efeito, em 17 de junho de 1999, a Recorrente obteve o deferimento do pedido de antecipação de tutela, no sentido de que o veículo em questão permanecesse na sua posse até decisão final, O despacho de concessão de liminar encontra-se às fis, 78 e verso dos autos. Destaque-se, referida ação judicial teve seu julgamento de mérito procedente, cuja sentença, proferida pela MM Juíza Federal, às fis, 79/81, para urna melhor análise da questão, entendo oportuna a sua transcrição: "Vis-tos, etc. Trata-se de Ação Ordinária, com pedido de antecipação de tutela, em que pretende a autora a anulação da Intimação GP n" 228/99, desobrigando a autora do recolhimento de seu veículo modelo JEEP GRAND CHEROKEE L1MITED V8, cor preta, ano fabricação e modelo 1996, a gasolina, chassis IJ4G278Y9TC267142, legitimamente adquirido, ao depósito da Receita Federal, em vista da ofensa a vários princípios constitucionais e ao Código de defesa do Consumidor. Esclarece que na qualidade de consumidor final, adquiriu de empresa importadora veículo zero quilômetro, para uso próprio, desembaraçado e completamente nacionalizado, estando com a documentação em ordem. No entanto foi lavrado contra si a intimação GP — 228/99, expedida pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira — SEFIA, para recolher seu veículo ao depósito da receita, dada irregularidades na importação. Sustenta que o processo não observou as garantias fundamentais do contraditório e da ampla defesa. Juntou procuração e documentos (fls. 12/20). Deferido o pedido de antecipação de tutela para que o veículo, A União Federal apresentou contestação (fls. 32/289). Vieram os autos à conclusão. É o relato do essencial, Fundamento e decido. A questão tratada nos presentes autos refere-se à possibilidade de o terceiro de boa-fé responder por penalidade imposta em decorrência de vícios na importação. Pela documentação carreada aos autos verifica-se que a importação do veículo apontado na inicial apresentava ( ( ) contornos de regularidade, tendo inclusive sido expedido corretamente certidão de propriedade do mesmo. Dessa forma, a pena de perdimento não pode atingir terceiro de boa-fé, conforme entendimento pacífico da jurisprudência Neste sentido, o decidido pelo ST1 no AGA 518995, DJU 28/06/2004, pg 253: "'TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO, VEICULO USADO TERCEIRO DE BOA-FÉ, INAPLICABILIDADE PENA DE PERDIMENTO, 1 É entendimento pacífico desta Corte de que não se aplica a pena de perdimento, na hipótese em que terceiro de boa-fé adquire mercadoria estrangeira no mercado interno do comerciante regularmente estabelecido, mediante nota fiscal 2 Agravo regimental improvido." Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e extingo o processo com julgamento do lnérito, nos termos . do Artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil, para o fim de determinar a anulação da Intimação GP 228/99, desobrigando a autora do recolhimento de seu veiculo ao depósito da Receita Federal," (gmfos nossos). Da leitura do texto acima transcrito, infere-se com clareza que a discussão de mérito no Poder Judiciário diz respeito à possibilidade de o terceiro de boa-fé responder por penalidade imposta em decorrência de vícios na importação. Corno se vê, na fundamentação da respeitável sentença, a magistrada, fez consignar que "a pena de perdimento não pode atingir terceiro de boa-fé", determinando, assim, a anulação da Intimação GP 228/99, e, por conseguinte, desobrigando a Recorrente do recolhimento do seu veículo ao depósito da Receita Federal. Todavia, no presente processo administrativo, verifica-se que, a Recorrente, desde o início, em sua impugnação, fls.. 26/29, manifesta-se requerendo a anulação das Intimações n's, GP 228/99 e 514/2001, bem como, do presente Auto de Inflação, sob tal argumento de que é terceira de boa-fé e não pode ser responsabilizada por ato anterior e cometido por terceiro sem seu conhecimento, compartilhamento ou motivação.. Na espécie, penso que a matéria não requer maiores delongas, vez que, tendo sido o presente Auto de Infração lavrado em razão do não atendimento à Intimação GP 228/99, encontrava-se, a ora Recorrente, quando da sua lavratura, sob os efeitos da antecipação da tutela jutisdicional concedida (medida liminar). Nesse particular, entendo que assiste razão à Recorrente, pois, ao meu sentir, o auto de infração em comento não deveria ter sido lavrado. De fato, referido Auto de Infração reputa o ato passível de punição à recusa de entregar o bem para a SRF, ignorando a existência de decisão judicial que anulava os efeitos da intimação GP 228/99 decorrente de outro processo administrativo. No caso vertente, entendo, que a concessão de tutela jurisdicional importa à autoridade administrativa estrita observância aos direitos reconhecidos liminarmente em Ação Ordinária com pedido de antecipação de tutela, dada a prerrogativa constitucional do poder 6 d/ Processo n" 10314.002143/2001-65 S3-C I TI Acórdão n "31O1-O0219 Fl. 89 judiciário para o controle jurisdicional dos atos administrativos, e, sobretudo, do princípio da segurança jurídica. Portanto, independentemente da "Ação Ordinária de Desconstituição de Intimação Administrativa, com pedido de antecipação dos efeitos de tutela" ter transitado em julgado ou não, entendo irrelevante tal fato, em razão da tutela jurisdicional liminarmente obtida pela Recorrente, Com essas considerações, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário interposto, dar-lhe provimento, a fim de tomar NULO o presente Auto de Infração por descumprimento de ordem judicial , Vánbssa Albuquerque Valente 7
score : 1.0
Numero do processo: 10746.001435/2004-43
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF
Ano-calendário: 1999, 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO - 1NTEMPESTIVIDADE -
Tratando-se de intimação por edital, o recurso voluntário deve ser
interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo
sexto dia da data de sua afixação na repartição. O não
atendimento deste prazo acarreta a intempestividade do recurso.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 104-23.068
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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I 4,51 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA t1.4.4" e :* *" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';>Lzfn?5.- QUARTA CÂMARA Processo n° 10746.001435/2004-43 Recurso n° 159.292 Matéria IRF Acórdão n° 104-23.068 Sessão de 06 de março de 2008 Recorrente PEDRA GRANDE S.A. Recorrida r. TURMA/DRJ-BRASILIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Ano-calendário: 1999, 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO - 1NTEMPESTIVIDADE - Tratando-se de intimação por edital, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias, contados do décimo sexto dia da data de sua afixação na repartição. O não atendimento deste prazo acarreta a intempestividade do recurso. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PEDRA GRANDE S.A. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • AR A HaltaARDOZ Presidente v s; A TONI L t O M TINEZ Relator . . Processo n° 10746.001435/2004-43 CC01/C04 Acórdão n.° 104-23.068 Fls. 2 FORMALIZADO EM: 30 ABEI 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nelson Mallmann, Heloisa Guarita Souza, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Remis Almeida Estol. rk. )1 2 PrOCeSSO n° 10746.001435/2004-43 CC01/C04 Acórdão n.° 104-23.063 Fls. 3 Relatório Tratam os autos de lançamento de IRRF, consubstanciado no auto de infração às fls. 369/390, referente aos anos-calendário 1999/2000, com crédito tributário total de R$ 9.461.282,93 (sendo os juros de mora calculados até 29/10/2004). O lançamento decorreu de falta de recolhimento de IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. As razões que justificaram os lançamentos constam do Relatório Fiscal às fls.379/389, que integra o auto de infração. Os pontos principais deste estão apresentados abaixo: Os indícios que levaram à lavratura do auto de infração originaram-se da detecção, por meio da análise dos livros contábeis e fiscais apresentados, de gastos com implantação justificados por meio de notas fiscais com expressivo montante. As notas teriam sido emitidas pelas seguintes empresas . Brasfértil Agroindustrial Norte Ltda, Agroverde Ltda, Construtora Dantas Ltda e Construtora Crescimento Ltda. Foram realizadas diligências junto às emitentes das notas e junto ao contribuinte Cientificado do lançamento em 03/12/2004, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fls. 399/445, em 04/01/2005, acostada dos documentos às fls. 446/659, onde alegou em síntese o que segue, extraido do relatório da autoridade recorrida. Preliminar — Tempestividade; Nulidade por descumprimento de decisão judicial — o Ministério Público (MP) requisitara abertura de inquérito policial em julho de 2001, visando investigar supostas irregularidades cometidas quanto à obtenção e utilização de verbas liberadas pelo Finam. Em conseqüência disto, foi aberto no dia 26/11/2001 processo judicial para quebra do sigilo bancário, o que foi indeferido. Da decisão, não houve qualquer recurso, transitando em julgado em 2003. Acontece que após a decisão judicial, que ocorreu em dezembro de 2002, o MP demandou a Secretaria da Receita Federal (fevereiro de 2003) para que adotasse providências no sentido de apurar irregularidades/desvios de recursos oriundos do Finam. Ignorando a decisão judicial, os Auditores requereram ao Banco da Amazônia (Basa) cópia de documentos bancários. O fisco estava impedido de se valer dos dados protegidos pela decisão judicial. O auto deve ser declarado nulo, em virtude da afronta à decisão judicial; Decadência — operou-se decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/11/99, haja vista o disposto no art. 150, parágrafo 4°, do CTN; Mérito — A documentação em anexo, composta por projetos, escrituras, contratos, alvarás, certidões e outros, inclusive com fotografias do 3 Processo n° 10746.00143512004-43 Ca 1 /CO4 Acórdão n.° 104-23.068 Fls. 4 empreendimento e notícias publicadas em jornais da região, bem assim por relatórios de acompanhamento da Sudam e seus expedientes oficiais, afastam definitivamente qualquer acusação leviana de desvio de finalidade de dinheiro público, demonstrando de forma cabal e irrefutável que o empreendimento financiado com recursos dos sócios e da Sudam foi implantado dentro das estritas normas de fiscalização quanto à execução de suas etapas. Para a conclusão do projeto resta apenas a aquisição de gado; As obras e serviços pagos foram executados, conforme pode ser visto nos relatórios de acompanhamento da Sudam, que conferiu e atestou a progressão das etapas do empreendimento; No que se refere às pessoas jurídicas fornecedoras de bens e prestadoras de serviços, o AFRF em nenhum momento pôs em dúvida a existência das mesmas, baseando-se em suposições de que elas não teriam "capacidade financeira e operacional para as vultosas quantias paga", sem que se possa entender o que ele pretende com tal ilação; Junta os contratos de prestação de serviços com a Brasfértil Agroindustrial Norte, com a Construtora Dantas e com a Construtora Crescimento; Com a Agroverde não houve contrato escrito em função das operações referirem-se a venda de bens e equipamentos, não sendo exigido pela Sudam, neste caso, instrumento especifico para o fim, bastando documento fiscal e prova de entrega das mercadorias. Sobretudo em relação aos equipamentos adquiridos da Agroverde, os AFRF poderiam ter comprovado a sua existência, o que não ocorreu; Improcedente a afirmação fiscal de que a Brasfértil Agroindustrial Norte não possuía qualquer movimentação bancária em qualquer instituição financeira, vez que, conforme comprovantes em anexo (extrato bancário e cópia de cheque), constata-se que tal empresa era titular da conta bancária no. 11.95106, agência no. 0705, do Bradesco; Com relação ao contrato de prestação de serviços com a Construtora Crescimento, anexa cópia de Discriminativo Analítico de Débitos dessa e comprovante de matrícula da obra junto ao INSS. O depoimento do contador da construtora, em anexo, rebate as acusações contra seu desempenho funcional e de suposta subtração de talonários de notas fiscais, etc. Ao contrário do que a representante da construtora afirmou à SRF, foram executadas as obras objeto de emissão das notas fiscais; O AFRF baseia-se em meras presunções, consideradas pela jurisprudência administrativa como insuficientes para fundamentar lançamentos. Prefere, numa postura tendenciosa, acreditar piamente nas declarações inverídicas de outras pessoas jurídicas que querem se esquivar de problemas com o fisco, haja vista suas irregularidades no cumprimento das próprias obrigações tributárias; É injusto que infrações alheias sejam utilizadas para atribuir-lhe o cometimento de desvio de recursos da Sudam e defraude; 4 Processo n°10746.001435/2004-43 CCOI/C04 Acórdão n.° 104-23.068 Fls. 5 Confirmadas as assertivas suas, deve-se aplicar o disposto no art. 43, parágrafo 5°, da IN SRF no. 200/2002; Multa de oficio — sendo incabível o lançamento de oficio efetuado, inexiste fundamento para a imposição de multa de oficio, pois esta é acessória da exação principal. A multa no percentual de 150% é confiscatória, violando a Constituição Federal (CF). A fiscalização não comprovou a ocorrência dos ilícitos previstos nos art. 71/73 da Lei no. 4.502/64. A fraude e conluio pressupõem a intenção de causar o dano, o dolo, que não restou comprovado. Juros de mora - a utilização da taxa Selic desobedece o disposto no art. 161, parágrafo I°. do C77V e afronta a CF; Protesta pela realização de diligências e produção de todos os meios de prova admitidos em direito. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, através do Acórdão-DRUBSA n". 19.211, de 24/11/2006, às fls. 2625/2641, para determinar o prosseguimento da cobrança do crédito tributário nos seguintes termos. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1999, 2000 PAGAMENTO SEM CAUSA. Restou provado nos autos que os pagamentos efetuados não tiveram a destinação indicada pelo sujeito passivo, qual seja, realização de projeto financiado pela Sudam, retornando de forma ilícita aos seus sócios, reais beneficiários. MULTA QUALIFICADA. Comprovado a intuito defraude, aplica-se a multa qualcada nos termos do art. 44, II, da Lei no. 9.430/96. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de oficio, em virtude da ocorrência do disposto no inciso V, do art. 149, do CTN, é contado conforme a regra contida no inciso I, do art. 173 do CTN. CONSTITUCIONALIDADE. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade ou ilegalidade de normas é privativa do Poder Judiciário. Encaminhada a decisão para o domicilio que constava no sistema de consulta CNPJ, não foi possível realizar a ciência do recorrente por via postal. Diante da incapacidade de se intimar, a autoridade lançadora intimou o contribuinte mediante edital, com data de fixação 23/01/2007, constante às fls. 2648. Transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o contribuinte apresentado recurso a instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, foi determinada a perempção as fls. 2649. Em 03 de abril de 2007, o recorrente afirma ter receibo cópia da decisão, apresentado o documento de fls. 2653, onde indica que impugnou os lançamentos de oficio , e que não se justificaria a intimação realizada por edital, pois o endereço para o qual foi encaminhada a correspondência representa de fato a propriedade rural onde ficavam as instalações da empresa, como também já constava no processo o endereço dos sóc . s em • • • Processo n°10746.001435/2004-43 CCOI/C04 Acórdão n.° 104-23.088 Fls. 6 Brasilia-DF, para o qual a Secretaria da Receita Federal dirigira correspondências anteriores. Diante disso requer nova intimação e reabertura do processo administrativo regular. Em recurso voluntário apresentado no dia 02/05/2007, a recorrente suscita basicamente em sua maioria nos mesmos argumentos da impugnação, resumindo-se em síntese nos seguintes pontos: - Como preliminar indica que o recurso é tempestivo, uma vez que lhe foi dado ciência pessoal apenas no dia 03/04/2007. - A título de preliminar suscita a nulidade do feito, por explicito descumprimento de decisão judicial. - Argui a decadência do lançamento. - No mérito indica que a farta documentação apresentada afastaria a hipótese de pagamento sem causa. - Questiona a multa de oficio aplicada, desproporcionalmente elevada. - Contesta os juros de mora calculados com base na Taxa Selic. É o Relatório. 6 . • . Processo n° 10746.001435/2004-43 CCOI/C04 Acórdão n.° 104-23.068 Fls. 7 Voto Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator Do exame dos autos verifica-se que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário aos Conselhos de Contribuintes. A decisão de primeira instância foi encaminhada para o domicílio que constava no sistema de consulta CNPJ, não sendo possível realizar a ciência do recorrente por via postal. Diante da incapacidade de se intimar, a autoridade lançadora intimou o contribuinte mediante edital, com data de fixação 23/01/2007, constante às fls. 2648. Transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o contribuinte apresentado recurso a instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, foi determinada a perempção às fls. 2649. Em breve síntese, a decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao contribuinte, via correio, não tendo sido recebida. Diante disso, no âmbito do processo administrativo tributário entendo como válida a citação por edital. Uma vez transcorrido o prazo regulamentar e não havendo o contribuinte apresentado recurso, encerra-se o direito do contribuinte, na cabendo apreciação a posteriori. Em 03 de abril de 2007, o recorrente afirma ter recebido cópia da decisão, apresentado o documento de fls. 2653, onde indica que impugnou os lançamentos de oficio, e que não se justificaria a intimação realizada por edital, pois o endereço para o qual foi encaminhada a correspondência representa de fato a propriedade rural onde ficavam as instalações da empresa, como também já constava no processo o endereço dos sócios em Brasilia-DF, para o qual a Secretaria da Receita Federal dirigira correspondências anteriores. Diante disso requer nova intimação e reabertura do processo administrativo regular. Em que pese os argumentos suscitados, a intimação postal só tem validade quando realizada no domicílio fiscal do contribuinte, que para todos os efeitos é aquele declarado e constante nos sistemas da Receita Federal. Por sua vez para que a intimação por edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação por via postal. No caso concreto utilizou- se a citação por edital, instrumento jurídico válido, quando o sujeito passivo não é localizado no domicílio tributário constante nos cadastros da Receita Federal. Acolher a pretensão do suplicante implicaria grave ofensa aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, já que é valida a intimação via edital. 7 Processo n° 10746.001435/2004-43 CC01/054 Acórdão n.° 104-23.088 Fls. 8 Nestes termos, posiciono-me no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. É o meu voto. 4ON Sala d s Sessões, 06 de março de 2008 ni lo /1101 Vtii" IO OP MA NEZ 8 Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1
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