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Numero do processo: 15463.721255/2014-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 19.378,49.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido
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ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 19.378,49. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 12 55 /2 01 4- 43 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15463.721255/201443, em face do acórdão nº 0436.655, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: OBJETO O contribuinte acima identificado apresentou impugnação em razão da Notificação de Lançamento relativa ao IRPF exercício 2013, oriunda da revisão de sua declaração de ajuste anual. Foi lançado imposto suplementar no valor de R$ 2.732,02, em decorrência da glosa do valor de R$ 22.257,17 deduzido, indevidamente, a titulo de Despesas Médicas, declaradas como pagas a: 1 CHRISTY PARTICIPAÇÕES LTDA – R$ 19.378,49 2 – COMPANHIA ULTRAGÁS S/A – R$ 2.878,68 A glosa deuse por não serem os documentos apresentados hábeis para comprovar o efetivo pagamento e por falta de identificação dos beneficiários do plano de saúde. IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: 1 – Relativamente à Christy Participações LTDA, o valor glosado decorre de pagamentos mensais descontados nos recibos, RPA, por ela emitidos contra a referida empresa, conforme comprovantes constantes do ANEXO II, que são como constam do ANEXO III, totalizando R$ 19.378,49. 2 – Quanto ao pagamento efetuado para Companhia Ultragás S/A, referese ao plano de saúde da Mediservice Administradora de Planos de Saúde LTDA, tendo sido realizado mensalmente, conforme boletos constantes do anexo V, somando R$ 2.878,68, de acordo com a declaração da primeira constante do Anexo VI. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte, sendo considerado que: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15463.721255/201443 Acórdão n.º 2202003.304 S2C2T2 Fl. 127 3 Como se constata, a glosa, no valor de R$ 22.257,17, deuse por não serem os documentos apresentados hábeis para comprovar o efetivo pagamento e por falta de identificação dos beneficiários do plano de saúde. Por meio de sua impugnação, a contribuinte informa que se trata de valores pagos mensalmente, a título de plano de saúde, através das empresas Christy Participações LTDA e Companhia Ultragás S/A, e apresenta os comprovantes de fls. 10/72. Quanto aos comprovantes apresentados relativos à empresa Christy Participações LTDA, verificase que não se encontram imbuídos de prova de vinculação da impugnante com a Sul América Seguro Saúde; nem, tampouco, há prova de descontos a título de plano de saúde nos recibos de pagamento. Relativamente à Companhia Ultragás S/A, há comprovantes de pagamentos a título de “convênio médico” a favor desta, fls. 60/72. Entretanto, não há comprovação alguma quanto a quem são os usuários dos serviços médicos, sabendose que tal despesa é dedutível apenas quando se referir ao próprio contribuinte e/ou a seus dependentes. Portanto, há que se manter a glosa efetuada. Inconformada com a improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 32/33, onde são reiterados parcialmente os argumentos lançados na impugnação, bem como são anexados documentos em fls. 34/53. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material. Delimitação da lide. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Primeiramente, necessário delimitar a lide. Conforme apresentado no relatório deste voto, foi realizada glosa do valor de R$ 22.257,17 a titulo de Despesas Médicas, declaradas como pagas a: 1 CHRISTY PARTICIPAÇÕES LTDA – R$ 19.378,49 2 – COMPANHIA ULTRAGÁS S/A – R$ 2.878,68 Em impugnação, a contribuinte impugnou ambas as glosas. Todavia, em recurso voluntário, somente apresenta recurso no que tange ao valor glosado de R$ 19.378,49, referente a empresa Christy Participações Ltda. Portanto, limitase o recurso voluntário a questão da possibilidade de dedução da despesa médica, em relação a pagamento efetuado à Christy Participações Ltda, no valor de R$ 19.378,49. Diante disso, a glosa de R$ 2.878,68 em relação ao pagamento à Companhia Ultragás S/A é considerada como matéria não recorrida. Dedução de despesas médicas. Quanto aos comprovantes apresentados relativos à empresa Christy Participações LTDA, a DRJ de origem entendeu que não se encontram imbuídos de prova de vinculação da impugnante com a Sul América Seguro Saúde e que tampouco haveria prova de descontos a título de plano de saúde nos recibos de pagamento. Todavia, verifico pelo documento de fl. 35 (Informe de Rendimentos), no campo 7 (Informações complementares), que este dispõe o seguinte: Despesas MédicoHospitalares Operadora: 86.878.469/000143 SUL AMERICA Valor pago no ano referente ao titular: R$ 19.378,49. Diante desta informação, temse claro que o valor pago se refere a titular, não havendo nenhuma menção a dependentes. Saliento, inclusive, que a contribuinte não possui dependentes informados em sua DIRPF. Em razão deste documento referir expressamente que o valor é pago referente ao titular, tenho como claro que a contribuinte é a beneficiária do plano de saúde e, se há dependentes, os valores destes não foram pagos pelo desconto da fonte pagadora. Ainda, pelos documentos de fls. 36 a 59 (RPA's e relatórios detalhados de pagamentos), verificase que todo mês era descontado, no RPA, valor referente ao plano de saúde (item "V Outros"), que no relatório detalhado do mês vem denominado como "assistência médica". A contribuinte apresenta o somatório destas retenções que ocorreram em todos os meses do ano de 2012, onde apurou o valor de R$ 19.378,49 (fl. 34), valor este idêntico ao informado pela fonte pagadora à Receita Federal do Brasil, conforme se percebe pelo documento de fl. 35 (Informe de rendimentos). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15463.721255/201443 Acórdão n.º 2202003.304 S2C2T2 Fl. 128 5 Portanto, diversamente do que foi compreendido pela DRJ de origem, compreendo que os documentos apresentados pela contribuinte em impugnação se encontram imbuídos de prova de vinculação da impugnante com a Sul América Seguro Saúde e que há prova de descontos a título de plano de saúde nos recibos de pagamento (RPA's). Deste modo, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a glosa impugnada. Logo, prosperam as razões apresentadas pela contribuinte, devendo ser afastada glosa de R$ 19.378,49 (Christy Participações Ltda) consubstanciada na notificação de lançamento. Ressalto, contudo, que é mantida a glosa de R$ 2.878,68 em relação ao pagamento à Companhia Ultragás S/A por ser matéria não impugnada, conforme já exposto. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 19.378,49, em relação a dedução de despesas médicas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721771/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes. Despesas médicas relativas à sogra do declarante não são dedutíveis, uma vez que esta não consta como dependente na declaração. A dedução das depesas médicas dos pais dependem da comprovação de que estes não possuem renda em montante superior ao limite de isenção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes. Despesas médicas relativas à sogra do declarante não são dedutíveis, uma vez que esta não consta como dependente na declaração. A dedução das depesas médicas dos pais dependem da comprovação de que estes não possuem renda em montante superior ao limite de isenção. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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Recorrente OSWALDO TETE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes. Despesas médicas relativas à sogra do declarante não são dedutíveis, uma vez que esta não consta como dependente na declaração. A dedução das depesas médicas dos pais dependem da comprovação de que estes não possuem renda em montante superior ao limite de isenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 17 71 /2 01 2- 11 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 4/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Transcrevo, a seguir, o relatório elaborado pela Delegacia Reginal de Julgamento DRJSP: Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento de fl.05, em 25/06/2012, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do exercício 2008, anocalendário 2007, na qual se exige imposto suplementar sujeito à multa de ofício, no valor de R$6.477,38, além dos acréscimos legais previstos na legislação. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual, tendo sido apuradas as seguintes infrações à legislação tributária, em decorrência de o contribuinte não ter atendido intimação da fiscalização para comprovar os valores declarados (fl.6/7): • Dedução Indevida de Dependentes – Em decorrência do não atendimento de intimação, foi glosado o valor de R$1.584,60 deduzido indevidamente a título de Dependentes, por falta de comprovação. • Dedução Indevida de Despesas Médicas – Em decorrência do não atendimento de Intimação, foi glosado o valor de R$21.969,52 deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Cientificado do lançamento na data de 28/06/2012 (fl.17), o contribuinte impugnou a exigência em 23/07/2012, por intermédio do instrumento de fl.2/3. A impugnação se baseou, em síntese, nos seguintes argumentos: a) no tocante à dedução indevida de dependentes, a glosa é indevida, pois o dependente informado é esposa, conforme consta em declarações anteriores e pode ser verificado na certidão de casamento anexa; b) quanto à dedução indevida de despesas médicas, os valores de R$ 7.606,32 e de R$10.023,00 se referem, respectivamente, a despesas médicas da mãe do impugnante e da mãe de sua esposa; c) há um erro na informação relativa ao pagamento feito à Santa Helena Ass. Medica; o correto é R$3.040,20, valor esse devidamente informado em Dirf apresentada pelo empregador. Considerando que a notificação de lançamento fora emitida sem que o contribuinte houvesse atendido à intimação prévia da fiscalização, o processo retornou para a malha fiscal, a fim de serem analisados os documentos e as razões de fato apresentados na impugnação, conforme orientação constante da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 04 de agosto de 2010. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 4/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.721771/201211 Acórdão n.º 2202003.281 S2C2T2 Fl. 73 3 A análise dos documentos apresentados na impugnação resultou na retificação da notificação de lançamento, com redução do valor do imposto suplementar de R$ 6.477,38 para $5.205,56, conforme fundamentação constante do termo circunstanciado de fl.20/21, aprovado pelo despacho decisório de fl.21/22. Foi restabelecida integralmente a dedução de dependente, no valor de R$1.584,60; e parcialmente a dedução das despesas médicas, no valor de R$3.040,20, mantidos os demais R$18.929,32. O sujeito passivo foi notificado do termo circunstanciado e do despacho decisório em 22/12/2014 (fl.25), por via postal, com reabertura de prazo para apresentar impugnação. Entretanto, não houve manifestação por parte do interessado. A Delegacia Regional de Julgamento julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE DE JULGAMENTO. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais e administrativas em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes. A dedução, entretanto, condicionase à comprovação das despesas, a juízo da autoridade fiscal. Impugnação Procedente em Parte Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual alega, preliminarmente, que a glosa das despesas médicas efetuadas com sua mãe e sogra deveriam ser admitidas, pois, no ano anterior (declaração 2007, anocalendário 2006) foram lançadas as mesmas deduções, sem que fosse feita a inclusão das benefíciárias como dependentes não tendo sido apontado qualquer óbice a dedução por parte da Receita Federal. O Recorrente promove a juntada, em fase recursal, da referida declaração. Quanto ao mérito, alega, resumidamente, que foi induzido a erro por pela Receita Federal, pois esta não apontou qualquer problema na declaração do ano anterior. Alega ainda que o erro formal no preenchimento da declaração não modifica o fato de as despesas foram efetivamente suportadas por ele e de que as beneficiárias (mãe e sogra) são suas dependentes. É o relatório Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 4/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Em relação a preliminar alegada pelo Recorrente, é importante ressaltar que o imposto de renda é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no artigo 150 do Código Tributário Nacional, nestes termos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa: § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Pela leitura do dispositivo acima transcrito, verificase que, nessa modalidade de lançamento, o sujeito passivo (contribuinte) apura e recolhe o tributo sem qualquer manifestação prévia da autoridade administrativa. A manifestação da autoridade administrativa pode ocorrer, em momento posterior, quando expressamente homologa o procedimento adotado pelo contribuinte. Caso não se manifeste expressamente, no prazo de 5 anos, a apuração realizada pelo contribuinte, ainda que incorreta, será extinta por ter ocorrido a decadência do direito da fazenda realizar o lançamento complementar das eventuais incorreções detectadas na apuração realizada pelo contribuinte. Sendo assim, o simples fato do contribuinte ter apresentado a declaração do exercício anterior com os mesmos erros e não ter sido objeto de notificação por parte da autoridade lançadora, significa tão somente que esta não realizou o lançamento complementar no prazo que dispunha para tanto (art. 150, §4º do CTN). Se a declaração do exercício anterior tivesse sido submetida ao procedimento de malha e desse procedimento não tivesse resultado qualquer lançamento, entendo que o Recorrente poderia pleitear a exclusão das multas, juros e correção monetária, com fundamento no art. 100, inciso III do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 4/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.721771/201211 Acórdão n.º 2202003.281 S2C2T2 Fl. 74 5 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. (grifamos) Todavia, não tendo a declaração anterior sido submetida ao procedimento de malha, o simples fato de não ter sido apontado problema na declaração não significa aceitação do lançamento por parte da administração pública de modo a induzir o Recorrente a erro. Para isso seria necessário uma das seguintes situações: a) ter a declaração anterior sido submetida ao procedimento de malha sem que fosse apontado qualquer problema; b) ter havido a homologação expressa da apuração realizada pelo contribuinte; c) ter a administração se manifestado expressamente por meio do procedimento de consulta nos artigos 46 a 58 do Decreto nº 70.235/72. Em relação ao mérito, o artigo 35 da Lei nº 9.250/95 dispôs sobre aqueles que poderão ser considerados dependentes, nestes termos: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentesos que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 4/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. (grifamos) O artigo 8º, inciso II, da mesma lei prevê as deduções das despesas efetuadas com "a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias" e, em seu §2º, inciso I, dispõe que os valores pagos a empresas destinados a cobertura de tratamentos médicos e ondotológicos também estão abrangidos pela dedução. Finalmente, no inciso II, do mencionado §2º determina que tais despesas restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e dos seus dependentes. Confirase: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependente. (grifamos) Da intepretação conjunta dos dois artigos acima transcritos, podese concluir que somente os pais podem ser admitidos como dependentes. Ainda assim, desde que comprovados que estes não aufiram rendimentos superiores ao limite de isenção. Sendo assim, a primeira conclusão é que a despesa com o plano de saúde da sogra, ao contrário do afirmado pelo Recorrente, não está contemplada como dedutível, pois ela não foi relacionada como dependente em sua declaração. Em relação a despesa com o plano de sáude da mãe, para que se pudesse admitir a dedução seria indipensável a comprovação de que ela não auferiu rendimentos superiores ao limite de isenção. Todavia, tal prova não foi trazida aos autos. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 4/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.721771/201211 Acórdão n.º 2202003.281 S2C2T2 Fl. 75 7 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 4/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10830.010678/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
VICIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a parcela relativa à omissão de rendimentos, nos termos do voto do relator. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis, Ivacir Julio de Souza e João Bellini Júnior.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a parcela relativa à omissão de rendimentos, nos termos do voto do relator. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis, Ivacir Julio de Souza e João Bellini Júnior. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 06 78 /2 01 0- 61 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado em 12/07/2010 para constituição de crédito suplementar de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de supostas omissões de rendimentos e compensações indevidas. Foi excluída da base de cálculo do imposto a parcela dos rendimentos excedente à que coube à interessada na qualidade de meeira. Seguem transcrições da decisão recorrida: RENDIMENTOS DO TRABALHO. SUCESSÃO. TRIBUTAÇÃO. Em caso de rendimentos recebidos diretamente pelos sucessores, após o encerramento do processo de inventário ou arrolamento, estes figuram como sujeitos passivos da obrigação tributária, por terem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Somente os valores constantes da declaração de bens do de cujus podem ser transferidos ao patrimônio dos sucessores com isenção de imposto de renda. Tributase na declaração da interessada a parcela dos rendimentos que lhe coube, na qualidade de meeira. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ILEGITIMIDADE. Mantémse a glosa da compensação de imposto retido na fonte, por se tratar de imposto incidente sobre honorários advocatícios auferidos por pessoa jurídica, parcialmente repassados à pessoa física. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte ... Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 24 e 25) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 452.970,57, pagos pela Procuradoria Geral do Estado, CNPJ n° 71.584.833/000276, informados na declaração de IRPF/2008, datada de 24/03/2008. Enquadramento legal: arts. 1º a 3º e §§, e 8o da Lei nº 7.713/1988; arts. 1º a 4º da Lei nº 8.134/1990; arts. 1º e 15 da Lei nº 10.451/2002; arts. 43 e 45 do Decreto nº 3.000/1999 RIR/ 1999. compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 93.348,35, por falta de comprovação. Enquadramento legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/1995; arts. 7o, §§ 1o e 2o, e 87, inciso IV, § 2o, do RIR/1999. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.010678/201061 Acórdão n.º 2300004.640 S2C3T0 Fl. 406 3 a) erro de Direito – impossibilidade de revisão do lançamento. Alega a Recorrente que o acórdão da DRJ de São Paulo modificou os critérios jurídicos que embasaram o lançamento, retificou o crédito tributário exigido e efetuou revisão do lançamento; b) não houve omissão de rendimento e sim declaração de rendimento como não tributáveis, por serem acréscimos patrimoniais decorrente de herança; e c) inexistência de compensação indevida do IRRF, visto que o imposto declarado é igual ao imposto retido, tendo ocorrido, na verdade, erro na declaração da fonte pagadora. É o Relatório. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, dele conheço e passo ao seu exame. Mérito Omissão de Rendimentos Examinando as provas trazidas aos autos pela fiscalização, em especial o relatório fiscal, e as alegações da recorrente, suas contraprovas e a decisão recorrida, concluo que o lançamento constitui crédito desprovido de razoável certeza sobre a ocorrência dos fatos geradores do IRPF em comento. Isto porque resta claro com as provas e fatos alegados, inclusive com reconhecimento da decisão recorrida, que os valores recebidos pela recorrente não seriam rendimentos do trabalho como fundamentado no auto de infração, mas decorrente de honorários devidos ao cônjuge falecido, recebidos na condição de meeira/herdeira mais de 10 anos após ao falecimento; portanto, fora do campo de incidência do imposto federal. E, contudo, independentemente da discussão de serem ou não rendimento tributável, restou comprovada a origem dos rendimentos não possui qualquer relação com alguma relação de trabalho, isto é, que seja decorrente alguma atividade laboral, como fundamentado no lançamento. Daí, entendo ainda que o lançamento contém vício material insanável de nulidade em seus fundamento que alcança também a parte correspondente à glosa de compensação, por decorrerem dos mesmos fatos. Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.010678/201061 Acórdão n.º 2300004.640 S2C3T0 Fl. 407 5 Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento Fl. 410DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.010678/201061 Acórdão n.º 2300004.640 S2C3T0 Fl. 408 7 como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No vício material há incorreção no cotejo entre a norma tributária (hipótese de incidência) com o fato jurídico tributário em um dos elementos da regramatriz de incidência. É vício material e, portanto, impossível de ser convalidado. Nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO PRESSUPOSTOS CONSISTÊNCIA JURÍDICA NULIDADE O lançamento tributário, por constituirse em Ato Administrativo, está sujeito aos princípios da Legalidade e da Publicidade, nos termos do art. 37, “caput”, da Constituição Federal. É assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, o que somente se verifica quando a matéria tributária estiver adequadamente descrita, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas. A falta desses requisitos essenciais torna nulo o Ato Administrativo de Lançamento e, em conseqüência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Processo declarado nulo ab initio. (Acórdão de número 104.23.022 em 25.01.2008 CARF) No presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Glosa de Compensação Nessa parte, o recorrente somente sustenta que teria havido erro da fonte pagadora; contudo, sem trazer aos autos qualquer prova da origem dos valores declarados como compensáveis contra os impostos devidos no anocalendário. Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade por vício material da parte do lançamento relativa à omissão de rendimentos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 412DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10283.005505/2003-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Relatório Tratase de auto de infração, que teve início com mandado de procedimento fiscal fls.6, 10/121, e apurou o período de janeiro/2002 a março/2003. Do resultado da fiscalização, resultou um auto de infração e o termo de verificação fiscal, do qual deste se extrai, in verbis: Da análise das Declarações de Tributos e Contribuições Federais, das respostas às nossas intimações e dos documentos apresentados pelo contribuinte, bem como dos dados constantes nos sistemas internos da 1 Todas as páginas referenciadas correspondem ao eprocesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 05 50 5/ 20 03 -4 6 Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10283.005505/200346 Resolução nº 3302000.519 S3C3T2 Fl. 3 2 Secretaria da Receita Federal e dos dados externos disponíveis, constatamos a ocorrência de insuficiência de recolhimentos de COFINS, nos períodos de janeiro/2002 a março/2003. A Secretaria da Receita Federal do Brasil entendeu que a contribuinte escriturou um valor e declarou outro. Do auto de infração, foi apresentada impugnação fls. 906/935 em 21 de outubro de 2003, cujas matérias foram as seguintes: i) compensação de parte do crédito tributário lavrado; ii) inclusão de parcela do Auto de Infração no PAES, programa instituído pela Lei n° 10.684/2003; iii) não inclusão dos valores recuperados a título de subvenção na base de cálculo do PIS/COFINS. Posteriormente, a ora Recorrente apresentou petição, demonstrando que sua adesão ao PAES, Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, acarretaria a desistência sobre a discussão da multa de ofício. Após a impugnação, houve manifestação da DRJ/Belém para a DRF/Manaus, in verbis: Assim, autorizo a realização de diligência, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235 de 1972, modificado pela Lei n° 8.748 de 09/12/93 e do artigo 10 da Portaria n° 258, de 24/08/2001, do Ministro de Estado da Fazenda, através da repartição de origem, para as seguintes providências: a) primeiramente, seja corrigida a numeração das folhas do Anexo I, bem como sejam assinados os seus termos de abertura e encerramento, na forma do que preceituam os itens 2.36.1.1, 2.36.1.2 e 2.40 do Manual Prático de Formalização, Preparação, Apreciação, Julgamento e Movimentação do Processo AdministrativoTributario, aprovado pela Portaria SRF n° 374, de 10/03/2002; b) informar se os créditos tributários lançados de ofício foram objeto de pedido de compensação, informando a data do pedido e o resultado decisório; c) seja juntada cópia dos processos nºs 10283.000050/200119, 10283.009478/200119, 10283.009479/200163; 10283.009480/2001 93, a que a autuada se reporta às fls. 969 e 971 do Anexo I; " d) informar a data em que a autuada ingressou no Pedido de Parcelamento Especial PAES, de que trata a Lei n° 10.684, de 2003 e relacionar os débitos incluídos nesse Parcelamento Especial; e) informar acerca da pontualidade dos pagamentos relativos ao PAES, informando valores e datas dos recolhimentos; f) informar se a autuada entregou a Declaração PAES, de que trata a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3, de 1º de setembro de 2003, anexando cópia extraída dos arquivos da Repartição Fazendária; g) outros dados/informações que julgar convenientes para a elucidação do presente feito. Às fls. 973, há uma declaração da contribuinte, desistindo das ações judiciais propostas, em razão da sua adesão ao PAES. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10283.005505/200346 Resolução nº 3302000.519 S3C3T2 Fl. 4 3 Do retorno da diligência da DRJ/Manaus, extraise do resultado, in verbis: Tendo em vista a solicitação efetuada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém PA no despacho de fls. 936/938 esta Carteira de Parcelamento tem a informar, no que se refere aos itens d), e) e f), o que segue: 1. a autuada ingressou no Parcelamento Especial PAES em 25.7.2003 e até a presente não possui sua conta PAES consolidada, o que impossibilitanos relacionar os débitos incluídos no mencionado programa (fl. 945); 2. no que se refere aos recolhimentos PAES o contribuinte os tem efetuado regularmente no cód. 7122 no período de 31.7.2003 à 31.8.2004 (fls. 946/948); e 3. quanto à entrega de Declaração PAES, informamos constar nos sistemas desta SRF a de n° 90.267 com data de transmissão registrada em 28.11.2003. Nela se verifica que o contribuinte não possui débitos informados na Pasta Débitos (fl. 949) e possui 21 (vinte e um) litígios informados na pasta correspondente (fls. 950/960). (...) Por compreender atendidas as solicitações inerentes a Carteira de Parcelamento, proponho o envio do processo a Carteira de Restituição e Compensação para atender aos itens b) e c) remetendoo a seguir ao SECAT/DRF/MNS para adoção das demais medida cabíveis a sua alçada. Às fls. 987, o Serviço de Orientação e Análise Tributária informou, in verbis: Ratificando as informações prestadas pelo interessado em sua impugnação à fl. 899, foram compensados (e portanto extintos) os valores R$ 746.101,58; 1.370.029,54 e 891.379,39, referentes aos PAs 09, 11 e 12/2002 do tributo 2172, respectivamente nos processos 10283.000050/200119 (o I o débito) e 10283.009478/200119 (os demais). A declaração de compensação do débito 2172 PA 09/2002 foi protocolizada em 02/12/2002, em substituição ao pedido de compensação anteriormente apresentado em 13/06/2001 (fls. 202204 do processo 10283.000050/200119). Quanto às declarações de compensação dos débitos 2172 PAs l i e 12/2002, foram protocolizadas em 02/12/2002 e 15/01/2003, respectivamente, tendo a I a substituído o pedido de compensação protocolizado em 07/12/2001 (fls. 0102, 292 293 e 297 do processo 10283.009478/200119). Às fls. 989/ 995, sobreveio a decisão da DRJ/Belém que, ao final, demonstrou, in verbis: 24. 'Desta forma, tomandose,por base os débitos ainda presentes nestes autos (excluídos os confessados via ;PAES, segundo extratos, de fls. 929/933), são improcedentes os já compensados (09/2002, 11/2002 e 12/2002, nos montantes de R$ 746.101,58, R$ 1.370.029,54 e R$ 891.379,39), permanecendo os demais, pelas razões já expostas: Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10283.005505/200346 Resolução nº 3302000.519 S3C3T2 Fl. 5 4 Em 14 de agosto de 2007, a empresa foi cientificada do acórdão da DRJ/Belém, sendo que em 11 de setembro de 2007, apresentou recurso voluntário, fls. 1034/1063. Em 03 de março de 2010, às fls. 1098/1103, este Tribunal Administrativo converteu o feito em diligência para, in verbis: Quanto às DCTFs: a) às fls. 850/870 constam as DCTFs que abrangeriam o período, exceto a DCTF do mês de 09/2002. b) no rodapé das DCTF's de fls. 868 e 869 constam que os valores apurados para os meses de janeiro e fevereiro de 2003 teriam sido compensados, pela utilização do saldo negativo do IRPJ dos períodos anteriores, sendo: JANEIRO/2003 R$ 750.633,73 (período de 31/12/99) fls. 868 FEVEREIRO/2003 R$ 914.667,72, sendo: R$ 624.471,57 (período de 31/12/01) e R$ 290.196,15 (período de 31/12/00 fls. 869 c) já na DCTF da fl. 970 consta que o valor apurado do mês de março/2003 teria sido liquidado por dois pagamentos: R$ 1.205.058,70 e R$ 3.446,66; entretanto , na relação dos pagamentos efetuado e vinculados de fls. 888/889 consta somente o pagamento de R$ 3.446,66. d) na apuração de débito de fls. 887 consta na coluna (débito declarado/REFIS) o valor de R$ 1.208.305,36 para o mês de março/2003 (soma dos valores R$ 1.205.058,70 e R$ 3.446,66), assim, o correto seria constar somente o valor de R$ 3.446,66 e) o reflexo da situação acima resulta em que teria havido erro da fiscalização, pois deixou de ser autuado o valor de R$ 1.205.058,70 não vinculado, conforme relação de fls. 888/889. Quanto aos processos f) No que toca aos processos referidos nas informações, as fls. 943 consta informação de atendimento ao item a" da diligencia e juntada das fls. 939/942 informando que os processos constantes do item "e" estão no SEORT; consta das fls. 939/942 que o processo 10283.009480/200198 decorre do raiz 10283.009478/2001 19, ambos referentes a retificação de DI import e export, fls. 939 e 940; às fls. 941 consta que o processo 10283.009479/200163 também decorre do raiz 10283.009478/200119 referente também a retificação de DI import e export e, as fls. 942 consta que o processo 10283.000050/200119 se refere a restituição IRRF. !! g) às fls. 945/967 constam as informações sobre suposta adesão ao PAES (945), dos pagamentos (946/948), declaração PAES (949) e 21 litígios (950/960), sendo que não aparece entre os 21 litígios o processo 10283.000050/200119 (942). Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10283.005505/200346 Resolução nº 3302000.519 S3C3T2 Fl. 6 5 h) às fls. 970 consta que estariam zerados e encerrados os débitos do processo 10283.000050/200119 referente ao PIS e a COFINS do período de 09/2002, como sendo encerrado por pagamento enquanto às fls. 970 consta o valor da COFINS de 09/2002 apropriado no referido processo. i) às fls. 972/974 constam as informações do processo 10283.009478/200119 relativamente a COFINS dos meses de novembro/2002, dezembro/2002 e janeiro/2003 e do PIS dos meses de novembro/2002 e dezembro/2002 como encerrado por comp. SIEF, cujos valores da COFINS de novembro/2002 e dezembro/2002 aparecem as fls. 973 e 974, faltando a do mês de janeiro/2003; já na fl. 975 aparece informação do processo 10283.009480/200198 e 10283.009479/200163 juntado ao raiz 10283.009478/200119. uma vez que os processos 9478/9479 e 9480 se referem a retificação de DI; ora, como é possível aparecer agora como sendo encerrado por compensação?, também as fls. 976 consta informação dos referidos processos! na fls. 970 consta que o processo 000050 foi encerrado por pagamento e na fl. 971 aparece também encerrado por pagamento a COFINS de 09/2002 no valor de R$ 746.101,58 ao passo que na fls. 976 consta compensação. (...) Portanto, o voto que me cabe redigir, pela diligência, consiste em determinar o retorno dos autos à instância preparadora (DRF Manaus) para que aponte, de forma clara, quais os débitos constantes deste lançamento que estão quitados, seja por pagamento, seja por compensação, indicando, com precisão, o instrumento que o comprova. No mesmo sentido, indique aquela unidade quais os débitos já incluídos em processo de parcelamento deferido antes da lavratura do auto de infração. Da pedido de diligência deste Tribunal, as seguintes respostas foram realizadas: a) Às fls. 1231, foi colocada a tela do período de apuração de março de 2003, onde consta que o valor de R$ 1.208.505,36 referente à COFINS foi amortizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; b) Às fls. 1232, informando que não houve parcelamento do tributo COFINS referente à março de 2003; c) Às fls. 1234/1235, que demonstra que os seguintes processos estão consolidados: _ 10283005600/9858 PROFISC CONSOLIDADO _ 10283005601/9811 PROFISC CONSOLIDADO _ 10283003321/200341 PROFISCLITIGIO CONSOLIDADO _ 10283006098/200394 PROFISC CONSOLIDADO _ 10283006100/200325 PROFISC CONSOLIDADO Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10283.005505/200346 Resolução nº 3302000.519 S3C3T2 Fl. 7 6 _ 10283006101/200370 PROFISC CONSOLIDADO _ 10283006102/200314 PROFISC CONSOLIDADO _ 10283006442/200345 PROFISC CONSOLIDADO _ 10283006447/200378 PROFISC CONSOLIDADO _ 10283006742/200324 PROFISC CONSOLIDADO _ 10283008369/200265 PROFISCLITIGIO CONSOLIDADO _ 10283009815/200259 PROFISCLITIGIO CONSOLIDADO _ 10283451687/200412 PAESLITIGIO CONSOLIDADO _ 10283451688/200459 PAESLITIGIO CONSOLIDADO _ 10283451968/200467 PAES CONSOLIDADO _ 10283006244/200381 PROFISCLITIGIO CONSOLIDADO _ 10880479372/200492 AI FISCEL CONSOLIDADO _ 10880479373/200437 AI FISCEL CONSOLIDADO _ 10880479374/200481 AI FISCEL CONSOLIDADO _ 10880485886/200487 PAES CONSOLIDADO d) Em relação às fls. 1236, houve a informação de que o processo 10283.000050/200119 não foi incluído no Parcelamento Especial de trata a Lei 10.684/03; e) Às fls. 1239, o processo 10283000.050/200119, referente a setembro/2002 foi extinto por pagamento; f) Às fls. 1241, processo 10283009.478/200119, referente a novembro/2002 foi encerrado por compensação; É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. Do resultado do pedido de diligência, verificase que ela não foi integralmente cumprida, ainda, restam verificar os seguintes itens: JANEIRO/2003 R$ 750.633,73 (período de 31/12/99) fls. 868 FEVEREIRO/2003 R$ 914.667,72, sendo: R$ 624.471,57 (período de 31/12/01) e R$ 290.196,15 (período de 31/12/00 fls. 869 Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 10283.005505/200346 Resolução nº 3302000.519 S3C3T2 Fl. 8 7 Além disso, a Secretaria da Receita Federal não informou a situação de novembro/2002 e dezembro/2002. Por fim, o pedido do relator, quando resultou na conversão de diligência do feito, in verbis, não foi atendido: Portanto, o voto que me cabe redigir, pela diligência, consiste em determinar o retomo dos autos à instância preparadora (DRF Manaus) para que aponte, de forma clara, indicando, com precisão, o instrumento que o comprova. No mesmo sentido, indique aquela unidade quais os débitos já incluídos em processo de parcelamento deferido antes da lavratura do auto de infração Assim, voto para que haja o retorno dos autos à instância preparadora (DRF/Manaus) para que aponte de forma clara em um único documento, quais os débitos constantes deste lançamento que estão quitados, seja por pagamento, seja por compensação, bem como a situação de novembro/2002; dezembro/2002; janeiro/2003 e fevereiro/2003, que não foram atendidas. A unidade de origem deve elaborar uma planilha com colunas que demonstrem o período da atuação janeiro/2002 a março/2003 com respectivas colunas, indicando se o débito foi compensado, pago mediante dinheiro ou sob a forma do PAES ou está em aberto. É necessária a realização de um parecer conclusivo e, após, a ciência ao contribuinte. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Numero do processo: 13830.720655/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2013 a 31/12/2013
Ementa:
MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração.
Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 3402-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2013 a 31/12/2013 Ementa: MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada. Recurso voluntário provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2013 a 31/12/2013 Ementa: MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 06 55 /2 01 4- 81 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração para a exigência de multa, no valor total de R$ 29.617.081,40, à data da autuação, de 100% do valor comercial da mercadoria produzida no período de apuração, prevista no art. 30 da Lei n°11.488/2007, combinado com art. 58T da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 11.827/2008, abaixo transcritos: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que trata o art. 1o do DecretoLei no 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial. Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) (Regulamento) § 1o A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (Incluído pela Lei nº 11.827, de 2008) § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente ao ressarcimento de que trata o § 3º do art. 28 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, efetivamente pago no mesmo período. (Incluído pela Lei nº 11.827, de 2008) A contribuinte, em face dos produtos que industrializa, era obrigada a instalar equipamentos contadores de produção, para identificação do tipo de produto, de embalagem e Fl. 598DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 3402003.033 S3C4T2 Fl. 598 3 marca comercial. A contribuinte devia também ressarcir o valor referente à realização dos procedimentos de manutenção preventiva pela Casa da Moeda do Brasil. Conforme consta na autuação, em 26/03/2013, a Casa da Moeda do Brasil comunicou a ausência de ressarcimento devido pela empresa, em virtude da realização dos procedimentos de manutenção preventiva/corretiva efetuados no SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), referente ao período de fevereiro/2012 a janeiro/2013, no montante de RS 1.283.877,42, conforme Relatório Técnico de Ocorrências SICOBE das fls. 20/21. Foi apontado que a falta de manutenção resulta em prejuízo ao normal funcionamento dos equipamentos que integram o sistema, com reflexo na integridade das informações de produção gerenciadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em procedimento de diligência específico, a contribuinte foi intimada a regularizar os ressarcimentos, no prazo de dez dias, ocasião em que foi cientificada das consequências do descumprimento, bem como da possibilidade de deduzir o valor ressarcido à Casa da Moeda do Brasil (CMB) das contribuições para o PIS/Pasep ou COFINS, devidas em cada período de apuração, conforme dispõe o art. 12 da Instrução Normativa RFB nº 869/2008 e o art. 58T, § 2º da Lei nº 10.833/2003, incluído pela Lei nº 11.827/2008. Em resposta, a empresa esclareceu que não dispunha de fluxo financeiro para quitar os valores em atraso e que propunha o parcelamento, com pagamento semanal de RS 10.000,00 e posterior aumento no verão. Diante da falta de atendimento, foi publicado o Ato Declaratório Executivo Cofís n° 25, de 29/04/2013, (D.O.U. de 30/04/2013), caracterizando a anormalidade no funcionamento do Sicobe. A partir dessa data a CMB deixou de contar a produção da empresa, e no dia 19/02/2014, retirou parcialmente os equipamentos do estabelecimento. A diligência fiscal foi encerrada em 06/05/2013. Assim, foi exigida a referida multa de 100% (cem por cento) da valor comercial da mercadoria produzida, a cada período de apuração do IPI desde a anormalidade declarada no ADE Cofis 25/2013, sendo que a apuração foi feita com base nas informações da empresa e nas notas fiscais eletrônicas baixadas do SPED –Sistema Público de Escrituração Digital. Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que a multa exigida seria confiscatória, contrariando o disposto no art. 150, inc. IV da Constituição Federal. A impugnação da contribuinte foi julgada improcedente, mediante o Acórdão nº 1052.278 3ª Turma da DRJ/POA, de 16 de outubro de 2014, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2013 a 31/12/2013 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Fl. 599DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 Crédito Tributário Mantido Tendo sido cientificada em 07/11/2014, por via postal, da decisão da primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/11/2014, alegando, em síntese: A multa de 100% do valor da mercadoria é confiscatória e, portanto, inconstitucional, nos termos do art. 150, IV da Constituição Federal. Há muito o Judiciário tem afastada a multa confiscatória, principalmente quando não ocorre fraude, simulação ou máfé do contribuinte. O STF reconheceu repercussão geral no RE 582.461SP objetivando consolidar jurisprudência sobre o conceito de multa confiscatória, demonstrando, assim, a tendência dos Tribunais Superiores de afastar aplicação de multa desproporcional e que foge a razoabilidade, conforme ocorre no caso em testilha. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como é consabido, o agente administrativo e também o julgador do CARF ou da DRJ não podem se furtar a cumprir a lei, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido também dispõe a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não se toma conhecimento das alegações da recorrente de inconstitucionalidade da multa em face da lesão ao princípio do não confisco. Não obstante isso, verificase a existência de questão de ordem pública que pode ser apreciada pelo julgador independentemente de alegação das partes, qual seja, a retroatividade benigna. Posteriormente à decisão recorrida, a Lei nº 13.097/2015 revogou o art. 58T da Lei nº 10.833/2003, o qual dispunha sobre as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A dessa Lei, como a recorrente, bem como determinava a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n°11.488/2007, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória: LEI Nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 DOU de 20.1.2015 Art. 169. Ficam revogados: (...) III a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58 A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) [negrito desta Relatora] Fl. 600DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13830.720655/201481 Acórdão n.º 3402003.033 S3C4T2 Fl. 599 5 Assim, atualmente o dispositivo que fundamentou a autuação encontrase revogado pelo art. 169, III, "b" da Lei nº 13.097/2015. Dessa forma, não havendo mais previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe para a recorrente, em conformidade ao disposto no art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a multa sob análise deve ser cancelada: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse mesmo sentido foi decidido pelo Tribunal Regional da 1ª Região, conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. "OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA". SICOBE. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. 1. A "obrigação acessória" objeto deste MS (Sistema de Controle de Bebidas/Sicobe) foi revogada pelo art. 169/III, alínea "b", da Lei 13.097/2015. Esse fato superveniente deve ser levado em consideração (CPC, art. 462). 2. "A revogação de obrigação acessória imposta ao contribuinte constitui exceção à regra da irretroatividade da lei mais benéfica, nos estritos termos do art. 106, II, b, do Código Tributário Nacional, observada, naturalmente, a inexistência de fraude associada ao não recolhimento do tributo" (REsp 1.349.667DF, r. Ministro Og Fernandes, 2ª Turma do STJ em 14/10/2014). 3. Agravo regimental da União desprovido. (AMS 005021165.2011.4.01.3500/GO, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL NOVÉLY VILANOVA, OITAVA TURMA, eDJF1 p.5243 de 20/11/2015) Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para exonerar integralmente a exigência tributária. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 601DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 20/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720343/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 25/11/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO CONSIGNADO NA EMENTA. ERRO DE FATO. CORREÇÃO.
Constatada a ocorrência de erro de fato relativo ao período de apuração consignado na ementa, deve-se corrigir o equívoco mediante a prolação de um novo acórdão, conforme dispõe os arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2201-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanado a omissão apontada no acórdão nº de 2801-003.955, de 10/02/2015, manter a decisão original de negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Interessado FAZENDA NACIONAL E 1ª TURMA ORDINÁRIA DA 2ª CÂMARA DA 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO DO CARF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 25/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO CONSIGNADO NA EMENTA. ERRO DE FATO. CORREÇÃO. Constatada a ocorrência de erro de fato relativo ao período de apuração consignado na ementa, devese corrigir o equívoco mediante a prolação de um novo acórdão, conforme dispõe os arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanado a omissão apontada no acórdão nº de 2801003.955, de 10/02/2015, manter a decisão original de negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 43 /2 01 3- 25 Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201003.058 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado tempestivamente contra o Acórdão nº 2201002.666, proferido em 10/02/2015. Em seu instrumento de Embargos, fls. 1400/1422, alegou a Contribuinte que o aresto proferido incorreu em omissões/contradições, em síntese, verbis: II.1 Omissão: Ausência de Análise da "Opção Fiscal" Escolhida dentre as Operações Alternativas ou da Observância aos Limites do Planejamento tributário II.2 Omissão: Ausência de Enquadramento dos Atos Praticados em Fraude, Sonegação ou Conluio, Desconsideração da Inexistência de Dolo e da Ocorrência de Erro na Interpretação da Lei para a Manutenção da Multa Qualificada II.3 Contradição: Quanto à Regularidade do Aspecto Temporal do Suposto Fato Gerador II.4 Contradição e Omissão: Quanto à Manutenção do Valor do Capital Social como Custo de Aquisição III Do Erro de Fato Contido na Ementa Período de Apuração O Presidente da 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos, fls. 1516/1520, rejeitou os itens II.1, II.2, II.3 e II.4, opostos com fundamento no art. 65 do RICARF, e acolheu III, em razão do erro de fato relativo ao período de apuração consignado na ementa, conforme dispõe os arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Em sessão plenária de 10/02/2015, foi exarado o Acórdão nº 2201002.666, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 30/11/2001 a 30/12/2001 Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201003.058 S2C2T1 Fl. 4 3 IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS SITUADOS NO BRASIL. SOCIEDADE ALIENANTE NO EXTERIOR. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. É responsabilidade do adquirente, na condição de responsável tributário, a retenção e o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil. Devem ser desconsideradas as interposições de empresas no exterior, por meio de conduta planejada, para simular uma situação diferente da real alienação, sendo o ganho de capital apurado no momento em que a compra e venda foi definitivamente constituída. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47). MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. NEGÓCIO. SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE. Aplicase multa qualificada quando as partes, adquirente no Brasil e alienante no exterior, utilizamse, de forma planejada, de operações estruturadas para simular uma situação diferente da real, para afastar a tributação do Ganho de Capital auferido pela sociedade estrangeira na alienação de empresa sediada no Brasil. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem os juros de mora. Recurso Voluntário Negado (grifei) Em seu instrumento de Embargos alegou a Contribuinte erro de fato contido na ementa, já que foi consignado o período de apuração de 30/11/2001 a 30/12/2001. De fato, compulsandose os autos, verificase que a data do fato gerador objeto da exação é 25/11/2008, consoante de extrai do Auto de Infração de fls. 749/754. Assim, onde se lê: "Período de apuração: 30/11/2001 a 30/12/2001", leiase: "Data do fato gerador: 25/11/2008". Nesses termos, devese corrigir a data consignada na ementa relativa ao período de apuração, consoante dispõe os arts. 67 e 76 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201003.058 S2C2T1 Fl. 5 4 Art. 67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão (Decreto no 70.235, de 1972, art. 32). (...) Art. 76. O acórdão de segunda instância deverá observar o disposto nos arts. 65, 66, 67 e 69. (grifei) Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para reratificar o Acórdão nº 2201002.666, de 10/02/2015, para, sanado o vício apontado, manter a decisão original no sentido de "pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso, e German Alejandro San Martín Fernández, que deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e excluir os juros de mora sobre ela incidentes". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13830.722428/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. RETENÇÃO NA FONTE. RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. RETENÇÃO NA FONTE. RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 24 28 /2 01 3- 17 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722428/201317 Acórdão n.º 2402005.242 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por YASUO ASHIKAGA, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora negado pedido de restituição do imposto retido na fonte sobre a parcela do décimo terceiro salário no ano de 2010. O pedido de restituição decorre do fato do recorrente considerarse como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda, o que não restou comprovado, em razão dos motivos a seguir elencados. Consta dos autos que quando da entrega de sua DIRPF original o contribuinte informou o total dos rendimentos recebidos do INSS como sendo rendimentos tributáveis, sendo que, ao apresentar a Declaração Retificadora em 02/07/2013, passou a informar parte dos rendimentos como isentos e não tributáveis, em razão de ter obtido declaração médica oficial o considerando como portador de cardiopatia grave. Também se apura dos autos, que às fls. 62, o médico Dr. André Fernando Teixeira Coelho Filho, subscritor do laudo pericial oficial que atestou a existência de cardiopatia grave no autor desde 20/07/2008, veio a ser intimado pela Secretaria da Receita Federal, a confirmar as conclusões de seu laudo, diante da realização de uma angioplastia em 20/08/2008, emitido pelo médico Dr. Pedro Beraldo de Andrade. Ademais o médico também foi intimado a esclarecer se tinha conhecimento da realização de tal procedimento. Em resposta, o médico intimado afirmou que após o procedimento de angioplastia, a lesão no coração do contribuinte diminuiu para menos de 5% e, por este motivo, o mesmo não mais poderia ser considerado como portador de uma lesão GRAU III ou IV, mas de GRAU I ou II, situações que não se enquadrariam no conceito de cardiopatia grave. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que é portador de cardiopatia grave, o que foi atestado por 02 (dois) médicos peritos do INSS, além de outros 03 laudos médicos, dois subscritos por especialista cardiologista e outro subscrito por médico de serviço médico oficial estadual; 2. que somente um dos peritos que subscreveram a perícia oficial realizada é que mudou as suas conclusões do contribuinte ser possuidor de cardiopatia grave; 3. que é desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para a concessão da isenção do imposto de renda, bastando, para tanto, a apresentação de laudos que comprovem a cardiopatia grave; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 4. diante da contradição de laudos, deve prevalecer o entendimento mais favorável ao contribuinte; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722428/201317 Acórdão n.º 2402005.242 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de cardiopatia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Pois bem, o não reconhecimento do autor se portador de cardiopatia grave, decorreu do fato de que um dos médicos subscritores do laudo pericial oficial, quando intimado pela SRFB, veio a apresentar declaração no sentido de que a realização de um procedimento de angioplastia em 20/08/2008 trouxe melhora no quadro de saúde do autor, que ainda possuía Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 cardiopatia, mas não mais uma cardiopatia grave, em decorrência das lesões no coração terem diminuído para menos de 5%. Em face da mudança de entendimento, o recorrente trouxe aos autos outros laudos médicos, sendo um deles, subscrito por serviço médico oficial, cujo avaliador foi o Dr. José Dorivaldo Zaia. Os demais laudos foram subscritos por médicos particulares. A DRJ entendeu por afastar os argumentos do contribuinte pois entendeu que o laudo médico realizado pelo Dr. André, perito do INSS deveria prevalecer sobre os demais, tendo em vista que é realizado com a observância de metodologia específica, observando os critérios do Manual de Perícias, a seguir elencados: “4. CONCEITUAÇÃO: 4.1 Para o entendimento de cardiopatia grave tornase necessário englobaremse no conceito todas as doenças relacionadas ao coração, tanto crônicas, como agudas. 4.2 São consideradas Cardiopatias Graves: a) as cardiopatias agudas, que, habitualmente são rápidas em sua evolução, tornaremse crônicas, caracterizando uma cardiopatia grave, ou as que evoluírem para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como cardiopatia grave, com todas as injunções legais; b) as cardiopatias crônicas, quando limitarem, progressivamente, a capacidade física, funcional do coração (ultrapassando os limites de eficiência dos mecanismos de compensação) e profissional, não obstante o tratamento clínico e/ou cirúrgico adequado, ou quando induzirem à morte prematura. 4.3 A limitação da capacidade física, funcional e profissional é definida habitualmente, pela presença de uma ou mais das seguintes síndromes: a) insuficiência cardíaca; b) insuficiência coronária; c) arritmias complexas; d) hipoxemia e manifestações de baixo débito cerebral secundárias a uma cardiopatia. 4.4 A avaliação da capacidade funcional do coração permite a distribuição dos pacientes em Classes ou Graus, assim descritos: a) GRAU I Pacientes portadores de doença cardíaca sem limitação para a atividade física. A atividade física normal não provoca sintomas de fadiga acentuada, nem palpitações, nem dispnéias, nem angina de peito; b) GRAU II Pacientes portadores de doença cardíaca com leve limitação para a atividade física. Estes pacientes sentemse bem Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722428/201317 Acórdão n.º 2402005.242 S2C4T2 Fl. 5 7 em repouso, porém os grandes esforços provocam fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito; c) GRAU III Pacientes portadores de doença cardíaca com nítida limitação para a atividade física. Estes pacientes sentem se bem em repouso, embora acusem fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito, quando efetuam pequenos esforços; d) GRAU IV Pacientes portadores de doença cardíaca que os impossibilitam de qualquer atividade física. Estes pacientes, mesmo em repouso, apresentam dispnéia, palpitações, fadiga ou angina de peito. 6. NORMAS DE PROCEDIMENTO: 6.1 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus III ou IV da avaliação funcional descrita no item 4.4 destas Normas serão considerados como portadores de Cardiopatia Grave. 6.2 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus I e II da avaliação funcional do item 4.4 destas Normas, e que puderem desempenhar tarefas compatíveis com a eficiência funcional, somente serão considerados incapazes por Cardiopatia Grave, quando, fazendo uso de terapêutica específica e depois de esgotados todos os recursos terapêuticos, houver progressão da patologia, comprovada mediante exame clínico evolutivo e de exames subsidiários. 6.2.1 A idade do paciente, sua atividade profissional e a incapacidade de reabilitação são parâmetros que devem ser considerados na avaliação dos portadores de lesões citadas no item 6.2. Em que pesem os argumentos dos julgadores de primeira instância, tenho outro entendimento quanto ao presente caso. Fato é que este julgador carece do conhecimento técnico suficiente a diferenciar uma cardiopatia grave, de uma simples cardiopatia. E é exatamente por isso, que tal incumbência é reservada aos médicos oficiais do Estado, conforme prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, não vislumbrei que o médico Dr. Mario Katsutani Sobrinho, também subscritor do laudo inicialmente utilizado pelo contribuinte a justificar a Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 cardiopatia grave, também tenha sido intimado manifestarse sobre a necessidade de ratificação de suas conclusões quanto ao diagnóstico de cardiopatia grave, mesmo após a realização da angioplastia. Creio que a sua intimação deveria ser medida imperiosa a ser tomada pela Secretaria da Receita Federal, considerando que subscreveu o laudo em conjunto com o Dr. André, médico que retificou o seu diagnóstico. Em não tendo sido intimado ou provocado a sustentar ou não suas conclusões, tenho que a respeitável mudança de entendimento do médico, Dr. André, não pode ser simplesmente estendida ao médico não intimado, de modo que, a meu ver, num primeiro momento, devo considerar como válida a conclusão inicial sobre o assunto do Dr. Mário. Ademais, o contribuinte trouxe aos autos outro laudo oficial, que se adequa ao disposto na IN/SRF nº 15, de 2001, o qual, já considerando a realização da angioplastia, entendeu que o mesmo é portador de cardiopatia grave desde 20/08/2008. Assim, das provas coligidas as autos, verifico que da manifestação de 03 (três) médicos oficiais, ainda existem duas conclusões pelo diagnóstico de que o recorrente é portador de cardiopatia grave, considerando, ademais, que o laudo mais recente atesta a existência da moléstia grave. Assim, não vejo como deixar de considerar os argumentos trazidos no recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o direito creditório do recorrente. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001309/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITA. RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MANTIDOS ILEGALMENTE NO EXTERIOR.
A presunção legal não foi suplantada por provas diretas ou indiretas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, acolher a decadência quanto a períodos já afastados pelo Acórdão cancelado da DRJ, nos termos do voto do relator; II) por maioria de votos, negar provimento ao mérito. vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MANTIDOS ILEGALMENTE NO EXTERIOR. A presunção legal não foi suplantada por provas diretas ou indiretas. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, acolher a decadência quanto a períodos já afastados pelo Acórdão cancelado da DRJ, nos termos do voto do relator; II) por maioria de votos, negar provimento ao mérito. vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Documento assinado digitalmente. Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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Omissão de receita com base em pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade. IRRF. Pagamentos sem causa. Multas qualificadas. Recorrente FIGWAL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MANTIDOS ILEGALMENTE NO EXTERIOR. A presunção legal não foi suplantada por provas diretas ou indiretas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, acolher a decadência quanto a períodos já afastados pelo Acórdão cancelado da DRJ, nos termos do voto do relator; II) por maioria de votos, negar provimento ao mérito. vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Documento assinado digitalmente. Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 09 /2 00 7- 20 Fl. 12771DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.770 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 12772DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.771 3 Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel, a menos que se faça menção expressa ao processo eletrônico. Tratase de recurso voluntário interposto por FIGWAL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA contra acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência integral dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defis/São Paulo, referentes ao IRPJ e reflexos, bem como ao IRRF, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2000 a 2004, totalizaram, respectivamente, os valores de R$ 104.709.951,19 e R$ 152.694.019,63. Tal autuação foi fundamentada (i) na omissão de receita com base em pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade e (ii) em pagamentos sem causa. Sobre os tibutos lançados, foram aplicadas multas qualificadas. Devese esclarecer, ainda, que o lançamento de IRRF havia sido inicialmente consubstanciado no processo nº 19515.001310/200754, o qual, no entanto, foi anexado ao presente processo. Da autuação: Em seu relatório, a decisão recorrida assim transcreveu o feito fiscal: Os Termos de Verificação Fiscal (TVs) dão conta (fls. 430 a 444 e 494 a 503), dos seguintes fatos: 1 quanto às investigações relativas ao "MERCHANTS BANK": a) em 27/04/2004, a Policia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba a quebra de sigilo bancário no exterior da documentação referente ao "Merchants Bank", recebida via acordo MILAT, em virtude de conexão entre os responsáveis pelas contas ali mantidas e outras contas administradas pela "Beacon Hill Services Corporation"; na mesma data, o mesmo juízo decretou "a quebra do sigilo bancário sobre as contas do 'Merchants Bank' de Nova York relacionadas no oficio 837/04 da autoridade policial"; b) a documentação havia sido entregue ao Ministério da Justiça do Brasil pelo "U.S. Department of Justice Criminal Division Office of International Affairs", a pedido do Governo Brasileiro, datado de 26/11/2003, após certificações de diversas autoridades daquele país a respeito da origem da documentação relacionada ao caso; a descrição dos documentos está no Certificado assinado por Tom Dombrowski, Fl. 12773DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.772 4 Agente Especial Sênior do "Department of Homeland Security, Newark Field Office"; c) em 18/02/2004, o Diretor da Secretaria Nacional de Justiça, Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, pelo Oficio n.° 66/2004/DRCISNJMJ, aponta o recebimento dos documentos e os encaminha ao Dr.Carlos Fernando dos Santos Lima, Procurador da República do Paraná; d) o Juiz Federal da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, conforme item 26 do despacho no Processo n.° 2.004.7000082670, em 29/04/2004, autorizou o compartilhamento com a Receita Federal do material relativo ao "MTBCBC Hudson Bank" e "Lespan" e, pelo Oficio n.° 146/2004GJ, explicitou ao Coordenador Geral de Fiscalização que a autorização "abrange todo o material já obtido relativamente às contas mantidas no 'Merchants Bank' de Nova York"; 2 quanto às investigações relativas ao "MTBCBCHudson Bank", "Lespan" e "Safra": a) em 16/12/2003, o Juiz da Suprema Corte, "Honorable" John Cataldo, expediu "Order to Disclose" para liberar à CPMI do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos obtidos em investigações e procedimentos do Grande Júri conhecido como "International Money Laudering by John Doe"; b) em 29/04/2004, em decisão no processo n.° 2.004.70000082670, o Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba decretou a quebra de sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidas da CPMI do Banestado, que, por sua vez, os recebeu da Promotoria Distrital de Nova York relativamente às contas mantidas no "MTBCBCHudson Bank", "Safra Bank" e "Lespan"; no item 26 da mesma decisão, o Juízo autorizou o compartilhamento de todos esses dados com a Receita Federal, Bacen e Coaf, para instruir as atividades especificas desses órgãos; c) em 24/11/2004, Laura Billings, "Assistant District Attorney of the County of New York", autorizou representantes do Congresso e da Policia Federal brasileira a obterem cópias de diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre os quais constam nominados o "MTBCBCHudson Bank", "Lespan" e "Safra Bank"; d) com base nesses elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional ordenando, remetendo ou se beneficiando desses recursos, utilizandose de contas mantidas no "Merchants Bank" administradas por Maria Carolina Nolasco, que representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas "off shore" com participação de brasileiros ou em contas mantidas no "MTBCBC Hudson Bank", "Lespan" e "Safra Bank"; e) para examinar tais fatos e documentos, foi constituída Equipe Especial de Fiscalização, nos termos da Portaria SU n.° 463 de 30/04/2004, integrada por representantes das áreas de Fiscalização, Aduana e Pesquisa e Investigação, cujos trabalhos limitaramse à verificação documental e da mídia eletrônica, para identificar os contribuintes nacionais que enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando desses recursos, por meio de contas no "Merchants Bank", administradas por Maria Carolina Nolasco, e representar tais fatos às Regiões Fiscais de domicilio, sem prévia análise econômicofinanceira; 3 quanto às investigações do caso "Beacon Hill": Fl. 12774DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.773 5 a) em 04/08/2003, a Policia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal de Curitiba a quebra de sigilo bancário no exterior da empresa "Beacon Hill Service Corporation" (em Nova York) que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas (ou de pessoas jurídicas, representadas por cidadãos brasileiros), em agência do "JP Morgan Chase Bank"; b) em 14/08/2003, o mesmo Juízo encarregou a autoridade policial presidente do inquérito de obter a documentação pertinente; tal autoridade oficiou à Promotoria de Nova York sobre o afastamento do sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos EUA; em 09/09/2003, a Promotoria apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros relativos à empresa "Beacon Hill", após a decisão judicial ("Order to Disclose"), de 29/08/2003; tais informações e documentos foram trazidos para o país pela autoridade policial e, conforme decisão da 2" Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, transferiu os dados à Receita Federal, que iniciou a sua análise pela Equipe Especial de Fiscalização; c) com base nesses elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais possivelmente "doleiros" ou brasileiros com participação em empresas "off shore" teriam atuado como intermediários para a movimentação de divisas no exterior em seu próprio nome ou em nome de terceiros, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank", pela empresa "Beacon Hill Service Corporation"; d) a Equipe Especial de Fiscalização examinou tal documentação, para qualificar os responsáveis brasileiros pelas diversas contas administradas pela "Beacon Hill Service Corporation", e por meio do Memorando EEF/Port. 463/2004, n.° 33/2006, encaminhou à Superintendência Regional da Receita Federal na 8ª RF representações eletrônicas relativas aos contribuintes dessa Região Fiscal, relativamente às movimentações no exterior ocorridas no "Merchants Bank", "Lespan", "Safra Bank" e "MTBCBCHudson Bank"; 4 encontrandose a fiscalizada dentre esses contribuintes que movimentaram recursos no exterior, como ordenante/beneficiário, utilizandose de contas/subcontas mantidas em diversas instituições financeiras no exterior, em nome de terceiros, a Equipe Especial de Fiscalização efetuou levantamento analítico dessa movimentação, de forma que o contribuinte foi intimado, em 20/12/2006, a apresentar: a) registros contábeis dos valores movimentados; b) quando o contribuinte for o beneficiário das operações, e caso estas não estejam escrituradas, comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos recebidos pelo mesmo; c) quando o contribuinte for o remetente/ordenante das operações e caso estas não estejam escrituradas, identificar, através de documentação hábil e idônea, a(s) natureza(s) da(s) operação(bes) ou a(s) sua(s) causa(s); d) não sendo o contribuinte o titular dos recursos remetidos/recebidos e tendo operado em nome de terceiros, identificar o real proprietário/beneficiário, juntando documentação hábil e idônea que comprove este fato; e) esclarecer as razões dessas movimentações financeiras e outras que julgar necessárias. 5 a Figwal respondeu que: Fl. 12775DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.774 6 a) tem como objetivo social principal o agenciamento, comissão e corretagem de cargas de qualquer natureza, prestação de serviços de assessoria ao comercio exterior, transporte marítimo e aéreo nacional e internacional e despacho aduaneiro de mercadorias; b) foi contratada, em 2.000, pela ALCATEL SUBMARINE, de Londres, para prestar serviços de assessoria na implantação e execução de um projeto internacional (na condição de DDP), de instalação de subestações em terra e da substituição do cabo submarino de telecomunicação brasileira, desde Fortaleza, CE, até Praia Grande, SP, para interligação com o resto da América do Sul e do mundo; todo o planejamento, assessoria, execução, administração e controle financeiro deste projeto, no que se refere à nossa atividade, ficou concentrada em nosso exdiretor operacional, financeiro e despachante aduaneiro, Sr Arlindo Dotta (falecido em 24 de agosto de 2.005, sócio com 1 %); c) a Figwal faturava os gastos previstos em cada processo contra a empresa acima, que disponibilizava a verba; todos os valores recebidos foram acolhidos numa conta especifica na agência Parque Thomas Edson (Barra Funda), do Banco do Brasil, com os quais foram efetuados todos os pagamentos por conta e ordem do cliente, sendo que o maior volume dos recursos foi utilizado para recolher impostos, taxas, despesas de armazenagem, aeroportuárias, serviços aduaneiros, e comissárias de despachos, transporte rodoviário e aéreo nacional, Sindicato Nacional dos despachantes, CPMF, taxas de urgência etc., e que o II, IPI e ICMS, representaram mais de 80% do volume financeiro envolvido, recolhido em nome das seguintes empresas no Brasil: I GCG SERVICES CNPJ 02.934.071/000359, situada na cidade do Rio de Janeiro. II 360 AMERICAS DO BRASIL CNPJ 02.934.071/000278, situada na cidade de Fortaleza; III BRASIL TELECOM CABOS SUBMARINOS CNPJ 02.934.071/0002 78, situada na cidade de Fortaleza; IV SAC BRASIL CNPJ 03.427.524/000232, situada na cidade do Rio de Janeiro; d) quanto aos recursos financeiros movimentados no exterior através de contas correntes mantidas nas instituições financeiras citadas na intimação, esclarece que a FIGWAL, não é beneficiária das referidas contas; apenas ordenava que os recursos fossem direcionados às citadas contas para que a verba chegasse com maior velocidade à sua conta corrente no Banco do Brasil, agência Parque Thomas Edson, cujos valores estão devidamente escriturados em nossos livros Diário e Razão. Os TVs dão conta, também, de que a fiscalização juntou cópias das planilhas eletrônicas do período de 2.000 a 2.004, que mostram as transações realizadas no exterior, em que a FIGWAL aparece como ordenante das transações, o valor objeto da transação em dólares americanos, a data em que foi efetuada, o banco remetente, o banco recebedor, a conta beneficiária, informações adicionais da instituição de origem, nessas transações efetuadas no exterior, e que em nenhum dos casos existe uma remessa de numerário para as empresas acima citadas e nem tão pouco ordem para que o dinheiro fôsse enviado para a agência do Banco do Brasil na Barra Funda (Parque Thomas Edson), como consta da resposta dada. Para melhor compreensão das planilhas eletrônicas juntadas, elenca seus principais campos, a saber: Fl. 12776DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.775 7 1 IN (ordens recebidas) OUT (remetidas); 2 Current date: data da efetivação da transação (IN e OUT); 3 Value SECPONT: valor da transação expresso em dólares americanos (IN e OUT); 4 a 3100 name: banco remetente (IN); 5 a 3400 rec fi: banco recebedor (IN e OUT); 6 a 4200 identifier: conta bancária (IN); 7 a 5000 org.: ordenante (IN); 8 a 5100 orig. fin: informações adicionais da instituição de origem (IN); 9 a 5200 ins fin: outros dados da instituição de origem ou ordenante (IN); 10 a 6500 bbi: informações adicionais de banco para banco (IN); 11 a 4200 acc: conta beneficiária (OUT); 12 a 4200 name: nome do beneficiário (OUT); 13 a 5000 acc: conta debitada (OUT); 14 a 5000 name: nome da conta debitada (OUT); 15 a 6000: informação do ordenante ao beneficiário (OUT); 16 a 4100: instituição detentora da conta do beneficiário; 17 a 6100: detalhes e observações do pagamento (OUT). Os TVs são concluídos apontando os seguintes lançamentos: 1 IRPJ e reflexos: OMISSÃO DE RECEITA: tendo em vista pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade e a não comprovação da origem dos recursos financeiros movimentados no exterior, farseá o lançamento de oficio relativo ao IRPJ, anoscalendário de 2.000 a 2.004 e tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS, com base no art. 249, inciso II, art. 251 e parágrafo único, art. 279, art. 281, inciso II, e art. 288, todos do RIR/99. II IRRF: não tendo a fiscalizada comprovado a causa das transferências de recursos no exterior, conforme intimação, os valores movimentados, ordenados pelo contribuinte, serão considerados como pagamentos sem causa sujeitos, portanto, à incidência do IRRF, à alíquota de 35%, conforme disposto no § 1° do art. 674 do RIR1999; como o rendimento é considerado liquido, farseá o reajustamento da base sobre a qual recairá o imposto, de acordo com o § 3° do art. 674 e art. 725 do RIR/99. Os TVs reportam, também, a aplicação de multas qualificadas de 150%, conforme o inciso II do art. 44 da Lei n.° 9.430/96 e, em conseqüência, a formalização de processo de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (em 3 volumes), de n.° 19515.001313/200798, apensado a este processo, para dar conhecimento ao Ministério Público Federal, dos crimes, EM TESE, cometidos nos moldes do inciso I do art. 1°, da Lei n.° 4.729/65 (crime de sonegação fiscal) e do inciso I do art. 1°, da Lei n.° 8.137/1990 (crime contra a ordem tributária). Fl. 12777DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.776 8 Os TVs trazem, ainda, o quadro resumo das movimentações financeiras no exterior e as tabelas de conversão de dólares para reais, efetuada de acordo com o art. 1° da IN SRF n.° 41 de 19/04/99, que diz: “para fins de determinação da base de cálculo... o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si" Fazem parte integrante dos TVs as planilhas de conversão dos dólares em reais. Foram juntadas cópias de ofícios da Policia Federal, decisões da Justiça Federal do Paraná, decisões da Suprema Corte de New York, ofícios da Promotoria de New York, laudos (fls. 8 a 48), bem como de todos os demonstrativos e seus resumos extraídos das bases de dados com a movimentação financeira da empresa no exterior, no período de 2.000 a 2.004, que dão conta de detalhes das transferências de recursos (fls. 49 a 122). Os autos de infração e suas bases legais constam às fls. 445 a 492 e 504 a 521. Da impugnação: Essencialmente, a empresa autuada apresentou em sua impugnação (fls. 530 a 549) os argumentos que assim foram relatados pela decisão recorrida: 1 a impugnação é tempestiva; 2 ocorreu a decadência de todos os tributos em tela, cujos fatos geradores ocorreram antes de 30/05/2002, nos moldes do art. 150, § 4°, do CTN, pois os autos de infração foram lavrados em 30/05/2007, conforme argumentos de praxe; quanto ao IRRF sobre os pagamentos sem causa, seu fato gerador ocorre no dia do pagamento; quanto ao IRPJ, PIS. COFINS e CSLL, seus fatos geradores ocorreram antes das transferências dos valores, que se deram entre 19/05/2000 e 08/05/2004; ou seja: somente os tributos exigidos com base nas transferências ocorridas a partir de 18/06/2002 (sic) é que poderiam ser mantidos; em outras palavras: cada omissão teria ocorrido no momento do recebimento, que é anterior a data de transferência, de forma que somente os tributos referentes as transferências ocorridas a partir de 18/06/2002 é que podem ser mantidos; transcreve doutrina; e, ainda que se considere que houve fraude, dolo ou simulação, a aplicação da regra do art. 173 do CTN resultaria na decadência dos tributos exigidos com base nas transferências realizadas em 2000 e 2001; 3 foi contratada em 2000 pela Alcatel Submarine Ltd. (ALCATEL) para prestar serviços logísticos e aduaneiros para esse grupo substituir cabos marítimos de comunicação, conforme projeto aprovado pela ANATEL em 1999 (doc. 3); 4 recebeu recursos da ALCATEL para efetuar, por conta e ordem desta, pagamentos de tributos e despesas vinculados a importação por empresas brasileiras desse grupo, a saber: Fl. 12778DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.777 9 a) OCG SERVICES (posteriormente denominada 360 Americas do Brasil e Brasil Telecom Cabos Submarinos), com estabelecimentos no Rio de Janeiro (CNPJ 02.934.071/000359) e Fortaleza (CNPJ 02.934.071/000278); b) SOUTH AMERICAN CROSSING SAC BRASIL (CNPJ 03.427.524/000232), situada no Rio de Janeiro; 5 a ALCATEL disponibilizava a verba solicitada (pelo seu sócio, administrador e diretor operacional a época, Sr. Arlindo Dotta, responsável pelo estudo logístico, desenvolvimento da rotina operacional, administrativa e financeira da operação, falecido em 24.8.05) para viabilizar o desembaraço aduaneiro; a solicitação feita por meio de fatura, assinada pelo referido sócio, na medida da necessidade, conforme o vencimento das obrigações, principalmente tributárias, decorrentes das importações; 6 a ALCATEL, por sua vez, efetuava os depósitos em duas contas correntes abertas pela impugnante para este projeto: a) "BNP" Ag. Miami USA; e b) "Bank of Ireland" Ag. Old Brompton Road, LondonUK; 7 possui farta documentação para comprovar essa afirmação e a origem licita dos valores depositados nas contas correntes acima mencionadas, tal como os comprovantes de depósito emitidos pelos respectivos bancos; 8 em virtude do grande volume dos documentos, anexa, a titulo de exemplo, os seguintes comprovantes de depósito provenientes da Alcatel Submarine Networks Ltd. (ALCATEL NET), na sua conta mantida no: a) "Bank of Ireland", em 27/11/2000, no valor de US$ 3.933.938,31 (doc. 4), identificado pela fiscalização em virtude da transferência para a conta no "Merchants Bank", NY, um dia após o seu recebimento; b) Banco "BNP", em 25/09/2000, no valor de US$ 6.703.548,65 (doc. 5), identificado pela fiscalização em virtude da transferência para a conta no "Merchants.Bank", NY, dois dias após o seu recebimento; c) "Bank of Ireland", em 23/04/2001, no valor de US$ 13.717.217,50 (doc. 6); 9 além dos comprovantes, junta uma declaração da ALCATEL de que esta efetuou diversos pagamentos no período de 2000 a 2004 em favor da impugnante, para fazer face as despesas e tributos relacionados à importação pelas empresas brasileiras do Grupo (doc. 7); 10 as transferências para o "Merchants Bank", solicitadas pelo Sr. Arlindo Dotta, visavam a internação dos recursos (que eram recebidos no Brasil em sua conta corrente mantida na Ag. Parque Thomas Edison São Paulo, do Banco do Brasil, aberta para atender aos compromissos desse cliente) para pagar as despesas e tributos de importação (II, IPI, ICMS, AFRMM, contribuições sindicais, Taxa de Renovação da Marinha Mercante, Sindicato dos Despachantes Aduaneiros, Armazenagem Oficial Portuária, Aeroportuária e de Entrepostos Aduaneiros EADI's), sendo que todos os valores foram escriturados; em virtude do grande volume de documentos, junta, a titulo de exemplo, nove "invoices" e respectivos comprovantes de pagamento de impostos (doc. 8); Fl. 12779DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.778 10 11 o doc. 9 comprova (desde o recebimento até o pagamento) a transferência de US$ 1.920.000.00, em 19/06/2000, da sua conta no "BNP" para a sua conta no "Merchants Bank", conforme extrato emitido pelo primeiro, cuja origem é comprovada pelos extratos de crédito emitidos pelo banco "BNP", que mostra que os valores de US$ 1.067.716,08 e US$ 867.613,16, totalizando US$ 1.935.329,24, entraram na sua conta apenas 4 dias antes da transferência, em 15/06/2000, sendo que a pequena diferença recebida seria considerada em futuros recebimentos e pagamentos, tendo a natureza de adiantamento, que seria objeto de ajuste em faturas posteriores; estes valores estão respaldados pelas faturas 092/00, 113/00, 115/00, 205/00 e 207/00, no total de US$ 1.930.062,42, devidamente contabilizado, e cada fatura é acompanhada dos respectivos comprovantes de pagamentos de impostos e outras despesas; estão anexos as faturas: a) os extratos do SISCOMEX comprovando o débito em conta do II e do IPI; b) guias de recolhimento do ICMS; c) DIs; 12 traz tabela que condensa essas informações e de mais dois casos. 13 não houve omissão de receita, seja em razão do elevado montante em tão curto prazo, desproporcional para uma empresa que fatura cerca de R$ 12.000.000,00 por ano, com lucro aproximado de R$ 2.500.000,00, seja pelas características da sua atividade, pois os documentos anexos comprovam que os valores autuados e movimentados no exterior têm origem na empresa ALCATEL e foram aplicados no pagamento de despesas e tributos de importações desse grupo, não tendo os recebimentos a natureza de receitas, mas sim de adiantamentos para efetuar pagamentos por conta e ordem das empresas do grupo, o que é comprovado pela aplicação dos recursos, de forma que tampouco houve pagamentos sem causa aptos a justificar a exigência de IRRF; 14 a autoridade entendeu que a omissão de receitas pode ser presumida em virtude da falta de escrituração de pagamentos efetuados, nos moldes do art. 281, do RIR/99; entretanto, esta presunção é relativa, e a jurisprudência confirma que se há prova da origem e da aplicação dos recursos, a autuação deve ser cancelada, que é o que ocorre neste caso, pois os pagamentos por conta e ordem foram contabilizados e estão devidamente documentados, conforme provas anexas, de forma que tampouco houve pagamentos sem causa; 15 em virtude do grande volume de operações, não foi possível anexar todos os documentos e nem conciliar todos os valores autuados; as provas foram anexadas como amostragem; mas possui as demais, razão pela qual requer a realização de perícia documental, por um expert contabilista, ou simples diligência, para efetuar a conciliação dos valores e a prova de que não houve omissão de receitas e tampouco pagamentos sem causa; caso as provas apresentadas não sejam suficientes para cancelar a autuação; designa o Sr. Constantino José Gonçalves Fraga Filho, domiciliado na Rua Afonso Celso, 694, apt. 142, CEP 04119060, Bairro Vila Mariana, Sao Paulo, SP, técnico em contabilidade inscrito no CRC/SP sob n° 106016/04 e administrador de empresas; os quesitos para a perícia ou diligência são: a) existem documentos aptos a comprovar o recebimento de grande volume de recursos pela Impugnante, provenientes da ALCATEL SUBMARINE LTD., notadamente do volume de recursos indicados nos autos de infração? Fl. 12780DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.779 11 b) existem documentos aptos a comprovar o pagamento de grande volume de despesas e tributos por conta e ordem das empresas do Grupo ALCATEL, notadamente do volume de recursos indicados nos autos de infração? c) há razão para se manter a autuação diante dos documentos analisados, ou seja, há razão para se manter a presunção relativa prevista na legislação no sentido de que os recebimentos caracterizamse como receitas omitidas e os pagamentos como pagamentos sem causa? 16 a multa de 150% é inaplicável, pois não agiu de forma dolosa, não houve o "evidente intuito de fraude" e não há prova da existência de sonegação, fraude ou conluio, não sendo admissível a aplicação da multa baseada em presunção (de que os pagamentos configuram omissão de receita ou que foram feitos sem causa); ao contrário, a documentação acostada é suficiente para comprovar a sua boafé da e afastar o evidente intuito de fraude; transcreve jurisprudência administrativa que rechaçaria a aplicação da multa de 150% em casos análogos. Da diligência: Diante dos elementos apresentados com a impugnação a instância a quo resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos (fls. 765 a 767): “(...) apresentar provas das operações de câmbio, sejam diretas, sejam indiretas (prova presuntiva), todas claramente legíveis após sua anexação ao processo. Caso a prova seja direta, (...) apresentar os comprovantes dos ingressos no Banco do Brasil dos recursos provenientes do Merchants Bank (contas administradas por Maria Carolina Nolasco), Hudson United Bank, Lespan Account e Lespan TBL. Caso a prova seja presuntiva, a impugnante deve apresentar as seguintes provas materiais: 1 todos os avisos de crédito do BNP e do Bank of Ireland, para confirmar a origem dos valores autuados; 2 todos extratos bancários de 2000 a 2004 das contas ou subcontas da impugnante nas seguintes instituições financeiras, para permitir avaliar a consistência das alegadas transferências: a) BNP Agência Miami USA; b) Bank of Ireland Agência Old Brompton Road London UK; c) Merchants Bank (contas administradas por Maria Carolina Nolasco), Hudson United Bank, Lespan Account e Lespan TBL, se possível; caso contrário, a fiscalização deverá fornecer as datas e valores dos débitos nas referidas contas; d) Banco do Brasil, conta 20000 da Agência Parque Thomas Edson; Fl. 12781DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.780 12 3 relação das cotações do dólar (mínima, máxima e média, dos vários mercados de cambio), de 2000 a 2004, obtidas em fontes de consulta pública, devidamente identificadas; 4 planilha vinculando todas as datas e valores recebidos da "Alcatel Submarine Networks Ltd.", no BNP e no Bank of Ireland, de 2000 a 2004, às datas e valores transferidos para o Merchants Bank e outros, e, em seguida, as datas e valores recebidos e pagos no Banco do Brasil, com o cálculo da respectiva taxa de câmbio efetiva em cada operação, além dos totais mensais de créditos e débitos, desde o BNP e Bank of Ireland até o Banco do Brasil, com a apuração do saldo em cada conta após cada crédito e cada débito; essa planilha deve ser apresentada, também, em "disquette" de 3 1/2" ou CD. Devem, também, ser apresentadas provas diretas hábeis a enfrentar as questões da omissão de receitas e dos pagamentos sem causa, a saber: 1 todos os contratos de prestação de serviços com a "Alcatel Submarine Networks Ltd."; 2 todas faturas e notas fiscais de prestação de serviços emitidos para a "Alcatel Submarine Networks Ltd."; 3 todas as notas de débito emitidas contra a "Alcatel Submarine Networks Ltd."; 4 plano de contas; 5 Diário e Razão das contas Bancos (Banco do Brasil), Adiantamentos de Clientes ("Alcatel Submarine Networks Ltd.") e Receita de Prestação de Serviços ("Alcatel Submarine Networks Ltd."), de forma a comprovar a alegada escrituração comercial de todos os valores envolvidos; 6 comprovantes de pagamento de todos os débitos efetuados na conta do Banco do Brasil; 7 explicações consistentes e abrangentes, acompanhadas de provas sobre: a) o preço dos serviços prestados à "Alcatel Submarine Networks Ltd.", a forma do seu pagamento e a forma de sua contabilização; b) o tratamento contábil dado às variações cambiais dos adiantamentos e das receitas. (...) encaminhar o processo (...) para que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar as provas ora exigidas e outras que julgar necessárias (fornecendolhe, se necessário, as datas e os valores dos débitos nas contas ou subcontas objeto desta autuação) apreciandoas em relatório conclusivo (...)". A empresa autuada, então, em atendimento aos termos da diligência, apresentou extensa documentação, a qual foi reunida em 52 volumes numerados de fls. 773 a 11112, acompanhada das seguintes informações (fls. 11079 a 11081): 1. Primeiramente, o contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal todos os avisos de crédito decorrentes dos depósitos bancários efetuados por seu cliente ALCATEL Fl. 12782DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.781 13 SUBMARINE LTD. nas duas contas correntes abertas pelo contribuinte nos bancos BNP Agência Miami USA e Bank of Ireland Agência Old Brompton Road, London UK, para consecução do projeto logístico e aduaneiro de importação de mercadorias a serem utilizadas pelo grupo ALCATEL para efetuar o projeto de substituição de cabos marítimos de comunicação para fins de prestação de serviços de telecomunicação. 2. Juntamente com referidos avisos de crédito, o contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal as respectivas faturas emitidas pelo contribuinte, através das quais solicitava à ALCATEL SUBMARINE as verbas necessárias para a realização do desembaraço aduaneiro das mercadorias e equipamentos importados. 3. O contribuinte está impossibilitado de disponibilizar os extratos bancários das contas correntes mencionadas haja vista que já não mantém contas em referidos bancos e não possui extratos da época em que manteve referidas contas exclusivamente para a consecução do projeto aduaneiro e logístico da ALCATEL. 4. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal os extratos bancários do Banco do Brasil, conta 20000, da agência Parque Thomas Edson. 5. O contribuinte disponibiliza a relação das cotações do dólar, no período de 2000 a 2004, conforme publicação oficial do Banco Central do Brasil. 6. O contribuinte apresenta ao Sr. AuditorFiscal arquivo eletrônico no qual descreve, em forma de planilha, em relação ao período de 2000 a 2004, com somatória anual e mensal: (i) os valores recebidos da ALCATEL SUBMARINE nas duas contas correntes mantidas pelo contribuinte no Banco BNP e Bank of Ireland, para consecução do projeto; (ii) os valores transferidos de referidas contas correntes, visando a internalização dos recursos; e (iii) os valores em Reais (de acordo com a taxa de conversão efetivamente utilizada à época) recebidos no Banco do Brasil em conta corrente aberta para atender aos compromissos aduaneiros da ALCATEL (pagamento das despesas e tributos decorrentes da importação de mercadorias e equipamentos pelas empresas do grupo ALCATEL). 7. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal a declaração da ALCATEL SUBMARINE (tradução juramentada) no sentido de que esta empresa efetuou diversos pagamentos no período de 2000 a 2004 em favor do contribuinte, todos os pagamentos com o objetivo de fazer face às despesas e tributos relacionados à importação de equipamentos e materiais pelas empresas brasileiras do grupo ALCATEL, o que comprova a contratação dos serviços do contribuinte. 8. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal todas as faturas que emitiu para a ALCATEL com os valores das despesas decorrentes das importações, inclusive os tributos incidentes nas importações e a CPMF debitada na conta do contribuinte em virtude da saída do numerário para o pagamento das despesas e tributos, bem como as notas fiscais dos serviços prestados. 9. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal o plano de contas relacionados ao projeto da ALCATEL. 10. O contribuinte disponibiliza os Livros Diário e Razão das contas Banco do Brasil (conta 20000), Adiantamentos do cliente ALCATEL, Receitas de Prestação de Serviços para o cliente ALCATEL, o que comprova ter o contribuinte escriturado devidamente todos os valores envolvidos no projeto. Fl. 12783DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.782 14 11. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal, juntamente com as faturas emitidas à ALCATEL, todos os comprovantes das despesas aduaneiras e dos pagamentos dos impostos incidentes nas importações efetuadas, relativas ao projeto. 12. Finalmente, esclarece o contribuinte que, conforme demonstrado através dos documentos que está disponibilizando ao Sr. AuditorFiscal, para cada processo de importação, o contribuinte emitia duas faturas: (i) a fatura referente ao desembaraço, na qual constava o percentual de 12,5% sobre o valor do desembolso na importação além de US$ 350.00; e (ii) a fatura com a cobrança dos impostos incidentes na importação. O pagamento pela ALCATEL SUBMARINE era feito abatendose o valor das faturas dos valores por ela adiantados para cada processo. Todas as receitas auferidas pelo contribuinte pela prestação dos serviços eram devidamente contabilizadas, no último dia útil de cada mês, pelo total dos processos encerrados e faturados de acordo com a emissão das notas fiscais de serviço, conforme listagem anexa. A Variação Cambial foi apurada ao final dos anos de 2002 e 2003 e registrada contabilmente pela emissão das seguintes notas fiscais complementares anexas: NF 019463 de 31/12/2002 R$ 466.954,96 NF 019464 de 31/12/2002 R$ 543.674,17 NF 022120 de 31/12/2003 R$ 800.000,00 Desta forma, tendo apresentado as informações acima e disponibilizado todos os documentos citados, requer o contribuinte sejam analisados e considerados para a realização da diligência, eis que comprovam claramente que (i) os valores levantados pela Fiscalização e movimentados no exterior têm origem na empresa ALCATEL SUBMARINE; (ii) os valores foram aplicados no pagamento de despesas e tributos relacionados com a importação de materiais e equipamentos feitos por empresas do grupo ALCATEL no Brasil; (iii) os valores não têm a natureza de receitas, mas sim de recebimentos e pagamentos por conta e ordem das empresas do grupo ALCATEL; e (iv) não houve pagamentos sem causa aptos a justificar a exigência do IRRF. Ao analisar a documentação recebida, a autoridade fiscal encarregada da diligência (a mesma que efetuou a autuação) enunciou a seguinte e singela conclusão (fls. 11133): (...) Entretanto o fato de não terem sido fornecidos os extratos das instituições financeiras solicitados no item 3, a saber: a) BNP Agência Miami USA b) Bank of Ireland Agência Old Brompton road London UK c) Merchants Bank (contas administradas por Maria Carolina Nolasco), Hudson United Bank, Lespan Account e Lespan TBL. continuam a não solucionar Fl. 12784DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.783 15 uma questão fundamental, que é a não explicação da movimentação financeira efetuada pela empresa em tela, em instituições financeiras no exterior. No nosso entender, em virtude do que pudemos diligenciar, os autos de infração lavrados, são revestidos de legitimidade e como tal devem ser mantidos em seus atos e formas processuais. A empresa autuada replicou a diligência nos termos assim resumidos pela decisão recorrida: A impugnante manifestouse ao final da diligência, em 13/10/2008 (fls. 11.135 a 11.144), discordando da conclusão da fiscalização, da seguinte forma, em resumo: 1 já havia informado ao fiscal que estava impossibilitado de disponibilizar os extratos bancários das contas correntes mencionadas; 2 em razão dessa impossibilidade é que foi requerida a diligência, pois possui outros documentos capazes de justificar a movimentação financeira dessas contas bancárias e, assim, demonstrar a origem e destinação dos recursos objeto da autuação fiscal; 3 não foram citados os motivos pelos quais a vasta documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a licitude da operação; 4 ao alegar que os autos de infração lavrados seriam revestidos de legitimidade, por não terem sido apresentados os extratos bancários, o AFRFB, além de não observar o principio da verdade material, feriu também o principio da ampla defesa; 5 a análise da planilha apresentada permite confrontar os valores recebidos da ALCATEL com os valores efetivamente transferidos das contas correntes no exterior à conta do contribuinte no Banco do Brasil, disponibilizada; 6 os documentos apresentados são capazes de demonstrar que os valores movimentados no exterior tinham origem na empresa ALCATEL e foram aplicados no pagamento de despesas e tributos relacionados com a importação por empresas do grupo no Brasil; 7 o relatório de conclusão de diligência resumese a uma cópia literal da descrição dos documentos requisitados pela autoridade fiscal e das respostas apresentadas, sem qualquer menção ou consideração a respeito dos demais documentos; 8 é inadmissível que após mais de 1 ano analisando toda a documentação apresentada, o AFRFB conclua que em razão da ausência dos extratos bancários das contas no exterior, não há como explicar a movimentação financeira no exterior, pois foram disponibilizados outros meios para justificar tais movimentações; se tal documentação tivesse sido analisada, no mínimo, teriam sido feitos comentários a seu respeito no relatório, o que não ocorreu; Fl. 12785DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.784 16 9 o AFRFB ao copiar em seu relatório de diligencia os documentos solicitados e as respostas do contribuinte demonstra que a diligência foi "formal", ou seja, sem empenho de buscar a verdade material; 10 ao ignorar a vasta documentação apresentada livros fiscais, declarações de pagamentos, planilhas conciliando remessas e recebimentos de valores, dentre outros o AFRFB violou os princípios da ampla defesa, do contraditório, da legalidade, e da busca pela verdade material, o que torna nula a "diligência", que deve ser realizada novamente, desta vez sob o enfoque de efetivamente analisar toda a documentação já apresentada e planilhas, que conciliam todas as movimentações financeiras questionadas, e na hipótese de o AFRFB julgar insuficiente, que apresente as justificativas em respeito ao principio da ampla defesa, de forma que o contribuinte possa se defender e apresentar toda informação suplementar necessária a fim de elucidar o ocorrido. Da decisão recorrida: A já mencionada 4ª Turma da DRJ/São Paulo, ao apreciar a impugnação interposta e o resultado da diligência efetuada, proferiu o Acórdão nº 1621.493, de 21 de maio de 2009, por meio do qual decidiu pela integral procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Diligência não é ato de julgamento e não vincula os julgadores, de forma que a alegação de nulidade da diligência realizada e o pleito para realização de nova diligência são indeferidos. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO NO EXTERIOR. DOLO. RECURSOS NÃO CONTABILIZADOS E NÃO DECLARADOS MOVIMENTADOS ILEGALMENTE NO EXTERIOR. Movimentar no exterior, ilegalmente, recursos não contabilizados e não declarados configura procedimento doloso com evidente intuito de fraude, o que afasta a caracterização do lançamento como sendo por homologação, de forma que o prazo de decadência é contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, que, neste caso, não poderia ter ocorrido antes de o Poder Judiciário autorizar o compartilhamento das informações bancárias do exterior com a RFB, ou seja, antes de 2004, de forma que o prazo de 5 anos para lançar iniciouse em 01/01/2005. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MANTIDOS ILEGALMENTE NO EXTERIOR. A presunção legal não foi suplantada por provas diretas ou indiretas. Fl. 12786DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.785 17 AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. IRRF. A decisão de mérito da omissão de receitas repercute na tributação reflexa. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de manter ilegalmente no exterior recursos não declarados e não contabilizados, bem como efetuar operações de câmbio à margem do Sistema Financeiro Nacional, visa ocultar a ocorrência do fato gerador e configura sonegação, evidente intuito de fraude e conluio, que justificam a aplicação da multa qualificada de 150%. O voto condutor da decisão recorrida (fls. 11412 e 11413) argumenta que a tese da defesa pressupõe que as infrações poderiam ser afastadas pela comprovação (mediante avisos de créditos) de que recursos foram recebidos em suas contas (mantidas no BNP e no Bank of Ireland) por conta e ordem da empresa ALCATEL e que tais valores foram transferidos (mediante avisos de débitos) para as contas nas quais a autuação foi baseada (Merchants Bank, MTB Hudson Bank, Lespan Account e Lespan TBL). E que, com isso, seria possível estabelecer uma associação de datas e valores autuados e datas e valores dos depósitos no Banco do Brasil, os quais estariam devidamente escriturados. No entanto, segundo aquele voto, a falta de apresentação dos extratos das contas mantidas no BNP e no Bank of Ireland não permitiria afirmar com certeza que todos os avisos de crédito e débito nessas contas foram apresentados. Com isso, não seria possível afirmar que as transferências efetuadas para as contas nas quais a autuação foi baseada são de valores provenientes da ALCATEL, bem como não seria possível afirmar que as internações de recursos são todas provenientes da ALCATEL. Ademais, a autoridade julgadora de primeira instância aponta algumas inconsistências (fls. 11413 a 11416): avisos de débito que indicam transferência de valores para contas que não são objeto da autuação; ausência de explicações sobre a origem de alguns recursos transferidos; discrepâncias de datas e valores; ausência de destaques dos depósitos efetuados no extrato da conta do Banco do Brasil; falta de detalhes na tradução juramentada do documento expedido pela ALCATEL dando conta de que pagou valores à FIGWAL no período autuado; planilhas com falta de vinculação entre bancos, datas e valores, tal como pedido na diligência; planilhas que revelam um total de recebimentos da ALCATEL um pouco inferior ao total das transferências que teriam sido efetuadas para as contas nas quais a autuação foi baseada; e Fl. 12787DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.786 18 planilha que evidencia, por amostragem, mais de US$ 2,35 milhões em transferências inconsistentes com os valores autuados. Por tais motivos, conclui que: Em resumo: não faz sentido tentar provar a origem dos recursos autuados no exterior, sua internação e escrituração, nos moldes da defesa da impugnante, trazendo apenas prova direta (I) dos gastos efetuados no Brasil por conta e ordem da ALCATEL, escriturados, e (II) do recebimento de recursos da mesma, no BNP e no Bank of Ireland, sem apresentar (I) os extratos dessas contas e (II) uma planilha que atenda as exigências lógicas de um resultado provável de internação desses recursos e sua escrituração. Cumpre esclarecer, também, que a instância a quo havia anteriormente proferido uma outra decisão (fls. 11338 a 11377), a qual foi cancelada, que reconhecia a decadência para o IRPJ e a CSLL do anocalendário de 2000 e para o PIS, a COFINS e o IRRF dos anoscalendário de 2000 e 2001 (exceto, para este último, o mês de dezembro). Do recurso voluntário: Além de repetir muito do que foi alegado na impugnação, a empresa autuada adicionou em seu recurso voluntário novos argumentos motivados pelas razões de decidir do voto condutor do acórdão recorrido. Nesse sentido, essencialmente, acrescentou que: 1. Havia requerido a realização de perícia contábil, no entanto, a DRJ deferiu a realização de diligência. Essa decisão dificultou imensamente sua defesa porque a perícia permitiria a participação de um assistente e possuiria maior valor explanatório, dado o contraditório. 2. Para sua surpresa, o agente fiscal responsável pela diligência, talvez assustado com o volume de documentos apresentados, alegou que a recorrente não conseguiu apresentar as informações necessárias para explicar a movimentação financeira. Para ele, seriam necessários os extratos das contas. Entretanto, há comprovantes de crédito e débito que suprem a necessidade dos extratos. 3. Inconformada, solicitou a realização de nova diligência ou mesmo de uma perícia para a análise dos 58 volumes de documentos do presente processo. Porém, a DRJ, que havia reconhecido a necessidade de maior análise dos fatos (pois tinha determinado a diligência), contentouse com a diligência realizada e decidiu que a recorrente não fez prova da origem e aplicação dos recursos. 4. Todos os valores identificados pela fiscalização foram depositados pela empresa ALCATEL nas suas contas mantidas nos bancos BNP e Bank of Ireland. Na verdade, a fiscalização nem identificou todos os valores. Só no ano de 2000, a fiscalização identificou aproximadamente US$ 21,3 milhões enquanto que a recorrente apresentou comprovantes de depósito em valores que aproximam de US$ 27 milhões. Nos demais anos a situação é a mesma. Fl. 12788DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.787 19 5. A título de exemplo, detalha o caso de algumas das transações identificadas pela fiscalização e procura fazer uma associação com os depósitos feitos pela ALCATEL em suas contas nos referidos bancos. Relata, inclusive, que a fiscalização traduziu equivocadamente algumas datas por causa da inversão de ordem na informação do dia pelo mês, característica da língua inglesa. Portanto, haveria sólidas explicações para eventuais diferenças de datas e valores, sendo importante mencionar que na maioria absoluta dos casos as datas e valores são equivalente e que os valores totais são consistentes. 6. O extrato da conta no Banco do Brasil comprova a correlação dos valores retirados das contas mantidas nos bancos BNP e Bank of Ireland com os valores depositados naquela conta. A título de exemplo, detalha o caso de algumas identificadas pela fiscalização e procura fazer uma associação com os valores recebidos na conta do Banco do Brasil. Assim, haveria clara relação entre os volumes de transferências identificadas pela fiscalização e os valores recebidos na conta do Banco do Brasil. As pequenas diferenças entre datas e valores decorreriam do próprio mecanismo utilizado para a transferência dos recursos para o Brasil. 7. Se alguma ilegalidade foi cometida esta não foi a evasão de tributos. Não pode a Receita Federal pretender punir uma suposta infração cambial mediante a cobrança de tributos. Todos os recursos recebidos na conta do Banco do Brasil foram devidamente contabilizados. 8. Existe farta documentação que comprova a aplicação dos recursos recebidos no Banco do Brasil em favor do grupo ALCATEL. Vale ressaltar que a planilha que demonstrava essa comprovação foi aperfeiçoada e sua nova versão foi juntada com o recurso (fls. 11499 a 11518). Aduz, também, que na atividade de assessoria em importações, os despachantes aduaneiros e demais profissionais que atuam no ramo incorrem em despesas em nome dos contratantes dos serviços e posteriormente são reembolsados. Agem como mandatários e pagam as despesas de importação por conta e ordem do contratante dos serviços. 9. Reitera o pedido de perícia, preferencialmente ao de nova diligência, nos mesmos termos anteriormente invocados, bem como o afastamento da multa qualificada e o reconhecimento da decadência. Relativamente a esta última, argumenta que, ainda que se considere aplicável ao caso os mandamentos do artigo 173, I, do CTN, não há embasamento legal para sustentar que, devido ao suposto fato de o Fisco não ter tido acesso aos documentos necessários para o lançamento, o início da contagem do prazo decadencial só teria início quando o acesso tenha sido autorizado. Ao final, requer o cancelamento do crédito tributário, bem como do termo de arrolamento e da representação fiscal para fins penais. Ademais, cumpre ressaltar que, depois do recurso voluntário, a recorrente apresentou um parecer expedido por empresa de auditoria contábil (11521 a 11559), o qual analisou os documentos contidos no presente processo e, segundo a recorrente, chegou aos seguintes resultados: Fl. 12789DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.788 20 Do confronto dos valores apresentados nos Controles de Recebimentos com os valores apresentados nas contascorrentes da Recorrente no exterior (BNP Paribas e Bank of Ireland), valores transferidos para as contascorrentes mantidas nos bancos intermediários das operações e os valores depositados na contacorrente no Banco do Brasil, foram validadas 96,1% das movimentações; Do confronto dos valores apresentados nos Controles de Pagamentos versus documentação suporte (notasfiscais, notas de débito, recibos, entre outros), foram validadas 99% das movimentações; Do confronto dos valores apresentados nos Controles de Pagamentos com o razão contábil da conta do Banco do Brasil, foram validados 98% dos pagamentos efetuados; Do confronto dos valores apresentados nos Controles de Pagamentos com os extratos bancários, foram validados 99% dos pagamentos efetuados; e Do confronto dos valores apresentados no Controle de Recebimento com o razão contábil, foram validados 97% dos recebimentos. A recorrente, alega que este parecer tem a finalidade de contrapor o posicionamento do Fisco que foi conhecido após a decisão da DRJ e que não foi apresentado juntamente com o recurso voluntário porque o minucioso trabalho elaborado pelos auditores independentes levou um certo tempo para ser concluído. Da nova diligência: Considerando os fatos do presente caso, a extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção, em 06/05/2014, por meio da Resolução nº 1102000.242, resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos (fls. 11579 a 11581 do processo eletrônico): Como pode ser constatado pelo relato do caso, a instância a quo havia convertido o julgamento em diligência, no entanto, ao invés de delimitar as questões que deveriam ser esclarecidas pelo procedimento fiscal, resolveu listar um considerável conjunto de elementos probatórios que julgava serem necessários para a apreciação conclusiva da fiscalização. Dentre esses, figurava a exigência de que fossem apresentados todos os extratos bancários, do período entre 2000 e 2004, das contas ou subcontas mantidas nos bancos BNP, Bank of Ireland e do Brasil, bem como nas demais contas nas quais a autuação foi baseada (Merchants Bank e outros). Seguindo essa determinação, a autoridade fiscal (a mesma que efetuou a lavratura dos autos de infração) repetiu em sua intimação idêntica lista de elementos probatórios. A empresa autuada, como resposta, apresentou uma extensa documentação que foi reunida em 52 volumes neste processo. Relativamente aos extratos bancários, só apresentou o do Banco do Brasil. Fl. 12790DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.789 21 Diante disso, a fiscalização, efetivamente, limitouse a concluir que o fato de não terem sido fornecidos os extratos das instituições financeiras no exterior não solucionaria a questão fundamental da movimentação financeira efetuada. A empresa autuada protestou afirmando que os documentos apresentados seriam capazes de demonstrar que os valores movimentados no exterior teriam origem na empresa ALCATEL e que teriam sido aplicados no pagamento de despesas e tributos relacionados com a importação do grupo no Brasil. A decisão recorrida, todavia, confirmou o entendimento segundo o qual a ausência daqueles extratos seria um motivo determinante para afastar a alegação de que os valores (pagamentos) nos quais a autuação foi fundamentada foram, de fato, provenientes da ALCATEL e aplicados conforme mencionado pela defesa. Além disso, apontou algumas inconsistências na documentação apresentada. Sem embargo, diante das circunstâncias expostas, entendo que os fatos alegados pela recorrente apresentam uma verossimilhança que não pode ser singelamente refutada pelas razões invocadas pela decisão recorrida. Ademais, a extensa documentação apresentada não foi devidamente analisada pela fiscalização no sentido proposto pela recorrente, ou seja, no sentido de saber se os valores (pagamentos) nos quais a autuação foi fundamentada corresponderiam aos recursos que foram utilizados para o pagamento de despesas de importação por conta e ordem da ALCATEL. Por outro lado, a recorrente apresenta, ainda que de forma extemporânea, um parecer elaborado por empresa de auditoria contábil no qual são firmadas conclusões que lhe são favoráveis. Contudo, tal parecer carece também de maiores detalhes sobre como se chegou às referidas conclusões. Noutro giro, constato que a fiscalização considerou como base dos lançamentos, quais sejam, os pagamentos não escriturados e sem causa, a totalidade dos valores indicados nos demonstrativos e resumos acostados de fls. 49 a 122. Entretanto, os Termos de Verificação Fiscal, conforme relatado, fazem referência a planilhas eletrônicas cujos campos teriam denominação um pouco distintas daqueles demonstrativos e resumos. Salvo melhor juízo, os extratos dessas planilhas eletrônicas não foram juntados aos autos, mas nelas seria mais fácil identificar as informações relativas aos remetentes, ordenantes, destinatários e beneficiários dos recursos. Como tais informações não estão claras nos citados demonstrativos e resumos, penso que o exame daquelas planilhas eletrônicas seria de grande valia para uma análise mais apurada da correspondência dos valores autuados com os valores refletidos na documentação juntada pela recorrente. Nada obstante, o pedido de perícia sugerido pela recorrente me parece desnecessário. Como ensina o Professor Humberto Theodoro Júnior (Cf. Curso de Direito Processual Civil, 1 v., 38ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 191.), o perito é um auxiliar eventual do juízo, que assiste o juiz quando a prova do fato litigioso depender de conhecimento técnico ou científico. Tratase, geralmente, de pessoa estranha aos quadros de funcionários permanentes da Justiça. No caso do processo administrativo fiscal, o auditorfiscal já é um especialista na matéria contábilfiscal. É por isso que o artigo 20 do Decreto nº 70.235/72 assim se manifesta: Art. 20. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, a designação de servidor para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias recairá sobre AuditorFiscal do Tesouro Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 12791DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.790 22 Portanto, tanto a diligência como a perícia, se tratar de matérias atinentes ao âmbito de conhecimento da Receita Federal, será executada por profissional do mesmo perfil, qual seja, o auditorfiscal. Somente na hipótese de serem necessários conhecimentos estranhos a este especialista, como, por exemplo, no caso de análises grafotécnicas ou análises químicas, é que será demandada a participação de um profissional estranho aos quadros daquele órgão. Assim, para o presente caso, não haverá prejuízo em se determinar uma diligência. No entanto, em consonância com a demanda da recorrente de que se estabeleça um maior nível de contraditório no procedimento, no sentido de que seu assistente técnico possa apresentar sua versão dos fatos, sugerese que a empresa autuada dê conhecimento a este profissional sobre o resultado da diligência. Assim, este, querendo, poderá apresentar tal versão. Pelo exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade administrativa promova a efetiva verificação da extensa documentação apresentada pela recorrente, especialmente: da documentação acostada com a impugnação (fls. 659 a 715); da documentação apresentada em resposta à intimação promovida na diligência anteriormente efetuada (fls. 773 a 11112); da nova planilha, apresentada com o recurso voluntário, que trata da aplicação dos recursos recebidos no Banco do Brasil (fls. 11490 a 11518); do parecer emitido pela empresa de auditoria contábil (fls. 11521 a 11559), especialmente dos papéis de trabalho que o fundamentaram, sendo que estes últimos devem ser solicitados à recorrente para que a fiscalização confirme ou infirme os resultados apontados no citado parecer; de outros elementos que julgar necessários. Ademais, a autoridade administrativa poderá confrontar sua verificação com as inconsistências apontadas pela autoridade julgadora da primeira instância (fls. 11413 a 11416), bem como, com as informações relativas aos remetentes, ordenantes, destinatários e beneficiários dos recursos que, salvo melhor juízo, estão mais facilmente identificadas nas planilhas eletrônicas referidas nos Termos de Verificação Fiscal. É recomendável que eventuais dúvidas sejam esclarecidas com o assistente técnico indicado pela empresa autuada. No desfecho da diligência, a autoridade administrativa deverá produzir um relatório preliminar que ateste de forma conclusiva se existem (e em que medida) valores (pagamentos) nos quais a autuação foi fundamentada que correspondem aos recursos que foram utilizados para o pagamento de despesas de importação por conta e ordem da ALCATEL. Devese promover ciência à empresa acerca do mencionado relatório e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. A fiscalização poderá, então, apresentar sua réplica na forma de um relatório final e a recorrente, sua tréplica em novo prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 12792DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.791 23 Diante disso, a unidade de origem designou o mesmo AuditorFiscal (responsável pela autuação e realização da primeira diligência) para efetuar a nova diligência. Pelo que se pode aferir dos elementos juntados aos autos, tal procedimento foi conduzido da seguinte forma: Em 31/07/2014, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 11739 do processo eletrônico). Em 30/09/2014, a empresa tomou ciência de uma intimação (fls. 11741 e 11742 do processo eletrônico) que solicitou cópia autenticada do já mencionado parecer expedido por empresa de auditoria contábil. Foi atendida conforme a documentação juntada de fls. 11743 a 11774 do processo eletrônico. Em 26/11/2014 e 09/01/2015, a empresa tomou ciência de dois Termos de Prosseguimento da Ação Fiscal (fls. 11775 a 11778 do processo eletrônico). Em 06/03/2015, a empresa tomou ciência de uma intimação (fls. 11779 e 11780 do processo eletrônico) que solicitou cópia autenticada dos papéis de trabalho que fundamentaram aquele mesmo parecer. Depois de um pedido de prorrogação, em 02/04/2015, a empresa informou que estava apresentando os papéis de trabalho solicitados em seis volumes encadernados (fls. 11781 a 11785 do processo eletrônico). Esses volumes foram digitalizados e juntados ao processo (fls. 11786 a 12516 do processo eletrônico). Em 16/04/2015, a empresa tomou ciência de uma intimação (fls. 12542 e 12544 do processo eletrônico) que novamente solicitou o fornecimento dos extratos bancários das contas mantidas pela empresa nos bancos BNP e Bank of Ireland. Em 06/05/2014, mais uma vez, a empresa respondeu que não possui documentos originais ou cópias daqueles extratos e que, nada obstante, já havia apresentado farta documentação que comprova a origem dos recursos depositados pela ALCATEL nas referidas contas. A título exemplificativo, anexa, novamente: declaração da ALCATEL atestando que efetuou os pagamentos em seu favor, comprovantes de depósitos feitos pela ALCATEL naquelas contas e planilha contendo a movimentação dos correspondentes recursos (fls. 12525 a 12541 e 12545 a 12695 do processo eletrônico). Em 29/05/2014, o AuditorFiscal lavrou o Relatório de Diligência (fls. 12696 a 12709 do processo eletrônico), no qual teceu as seguintes considerações: 1) O trabalho da empresa de auditoria teve por base "procedimentos previamente acordados" e não representa uma auditoria independente de acordo com as normas a esta aplicáveis. Por isso, não se faz menção ao termo de asseguração (assurance) citado pela empresa elaboradora do Parecer. Os referidos "procedimentos" são os seguintes: a) analisar a conciliação financeira do período de 2000 a 2004, preparada pelo Departamento Financeiro da FIGWAL, referente aos numerários depositados por seu cliente ALCATEL em conta corrente no exterior e posteriormente transferidos para a contacorrente da FIGWAL, mantida no Banco do Brasil, em São Paulo, Brasil; Fl. 12793DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.792 24 b) analisar a quantidade de fluxo dos dados e/ou informações, desde o início da operação no exterior até o destino no Brasil; c) analisar a documentação utilizada durante o fluxo (recibos bancários, extratos bancários, notas fiscais, prestações de conta, entre outros); d) analisar se as transações financeiras foram adequadamente apresentadas e registradas nas demonstrações contábeis dos períodos sob análise; e) analisar se os valores depositados pelo cliente ALCATEL SUBMARINE no exterior foram utilizados pela FIGWAL na realização dos pagamentos de serviços prestados por terceiros subcontratados pela FIGWAL, dos pagamentos de impostos e dos custos de importação das operações sob análise. 2) O Relatório da Diligência apresenta, então, os testes efetuados em consonância com esses "procedimentos": TESTE 01: Controle de Recebimentos versus Extratos Bancários TESTE 02: Controle de Pagamentos versus Documentação Suporte TESTE 03: Controle de Pagamentos versus Razão Contábil TESTE 04: Controle de Pagamentos versus Extratos Bancários TESTE 05: Controle de Recebimentos (FIGWAL) versus Razão Contábil TESTE 06: Discussão e Análise de Resultados 3) Em seguida, o Relatório faz uma breve descrição dos campos contidos nas planilhas e demais documentos apresentados nos papéis de trabalhos referentes aos cinco primeiros testes, concluindo que: É de se fazer mencionar, que um número expressivo de planilhas foram juntadas ao processo, a título de papéis de trabalho referentes aos testes acima mencionados e fazendo menção, grande parte das vezes a documentos anteriormente juntados ao processo. Examinando as referidas planilhas e respectivos documentos (por amostragem, valores mais significativos), não apuramos, no nosso entender, nada de novo que propiciasse a resolução do litígio de modo definitivo. 4) Por fim, o Relatório repete os mesmos argumentos da decisão recorrida no sentido de que: a) A tese da defesa pressupõe que uma vez comprovados os gastos por conta e ordem da ALCATEL, devidamente escriturados, e comprovado, também, o recebimento de recursos da ALCATEL, nas contas mantidas no exterior, bastaria a comprovação de que valores foram transferidos dessas contas para as contas autuadas (avisos de débitos), para que uma associação entre datas e valores dos depósitos no Banco do Brasil, estes devidamente escriturados, justificassem os pagamentos sem causa autuados no exterior, afastando, dessa forma, a autuação por pagamento sem causa e por decorrência, por omissão de receitas. Nessa linha de Fl. 12794DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.793 25 raciocínio, a não apresentação dos extratos da BNP e do Bank of Ireland não prejudicaria a prova. b) É possível que a empresa não possua esses extratos. Mas, o argumento de que o encerramento das contas impossibilita a sua apresentação é muito provavelmente falso, pois não é razoável supor que uma instituição financeira se negue a fornecêlos, tanto a clientes quanto a exclientes, pois há imposições legais que obrigam essas instituições a manter os registros da movimentação financeira de clientes por um certo período de tempo, como no Brasil, e a empresa não provou a efetiva impossibilidade de obtêlos, seja por meio de declarações desses bancos, devidamente fundamentadas na legislação aplicável dos respectivos países, seja por meio da simples apresentação dessas legislações. c) A falta desses extratos impede a formação da prova indireta de que todos os recursos (ou de quais recursos) autuados foram recebidos da ALCATEL, inviabilizando a prova presuntiva em seu favor. O desconhecimento dos valores efetivamente aportados naquelas contas não permite afirmar, com certeza, que todos os avisos de crédito foram apresentados e, portanto, não é possível afirmar que todos os ingressos e suas transferências para as contas autuadas foram provenientes da ALCATEL. d) Da mesma forma, o desconhecimento dos valores efetivamente debitados naquelas contas não permite afirmar, com certeza, que todos os avisos de débitos foram apresentados e, portanto, que não houve quaisquer outras internações de recursos, provenientes ou não da ALCATEL, por outros meios, tanto em outras contas no exterior, como no Brasil, inclusive pelo SISBACEN. e) Portanto, os avisos de crédito e débito desacompanhados dos extratos, são insuficientes para demonstrar que os valores autuados provinham originalmente da ALCATEL. Isso impossibilita a formação de um juízo claro a respeito do argumento de que os valores autuados eram todos provenientes originalmente da ALCATEL. f) Os elementos que sustentam a presunção legal foram todos juntados aos autos (fls. 08 a 122); os elementos apresentados pela empresa possuem inconsistências; e não se pode provar a origem dos recursos autuados no exterior sem a apresentação dos extratos bancários das contas no BNP e no Bank of Ireland. Em sua manifestação acerca dos trabalhos da diligência (fls. 12717 a 12730 do processo eletrônico), a recorrente fez os seguintes comentários: (i) Houve desprezo às constatações do parecer da empresa de auditoria. (ii) O AuditorFiscal procura desmerecer o parecer com o argumento de que não se pode considerar como resultante de uma auditoria, porém não leva em consideração que Fl. 12795DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.794 26 seu procedimento foi regulado na Resolução CFC nº 1.277/10, que aprovou a NBC TSC 4400 Trabalhos de Procedimentos Previamente Acordados sobre Informações Contábeis. (iii) Apesar de afirmar que o parecer "não contém nada de novo que propiciasse a solução do litígio de modo definitivo", o AuditorFiscal não apresentou qualquer comentário que desautorizasse suas constatações nem analisou com a profundidade necessária os seus papéis de trabalho. (iv) Quanto à pretensão de que seria fácil e factível a obtenção dos extratos bancários, informa que tais contas foram abertas especificamente para as necessidades do projeto ALCATEL e foram fechadas há praticamente dez anos. (v) O Relatório de Diligência está certo sobre a tese da defesa, mas insiste que a ausência dos extratos bancários compromete de forma irremediável o seu mérito. Nada obstante, a empresa comprova que os valores que serviram de base para a lavratura do auto de infração fazem parte de um fluxo perfeitamente identificado e explicado. Não há como prevalecer as presunções legais de omissão de receita e de pagamentos a beneficiário não identificado. (vi) Tece algumas considerações acerca das inconsistências originalmente apontadas pela DRJ. (vii) Para demonstrar que há uma forte correlação entre as saídas de recursos das contas no exterior (BNP e Bank of Ireland) e as subsequentes entradas de recursos em sua conta no Banco do Brasil, transcreve a tabela já apresentada na impugnação que condensa a informação apresentada a título de exemplo (os US$ 1.920.000,00 recebidos da ALCATEL) e mais dois outros casos. (viii) Renova alguns comentários contidos no recurso voluntário que demonstram que há subsídios para comprovar a legitimidade do alegado. É o relatório. Fl. 12796DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.795 27 Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso, o longo relato de todo o histórico processual permite uma boa aproximação em relação às questões que constituem o cerne das infrações imputadas ao contribuinte. Como visto, tratase de considerar como omissão de receita e pagamento sem causa os valores identificados em planilhas eletrônicas, fornecidas pelo Poder Judiciário, nas quais a recorrente figura como ordenante de transações financeiras realizadas no exterior. Essas transações foram resumidas pela fiscalização, conforme a instituição financeira e o ano calendário em que foram identificadas, da seguinte forma (fls. 435 e 436): AnoCalendário Instituição Financeira Valor (US$) 2000 MERCHANTS BANK NYC 21.337.806,18 2001 MERCHANTS BANK NYC 16.192.341,49 2002 MERCHANTS BANK NYC 1.029.872,16 2003 MTB HUDSON BANK 49.660,60 2004 LESPAN ACCOUNT 53.812,60 2004 LESPAN TBL 97.020,00 TOTAL: 38.760.513,03 Portanto, a maior parte da movimentação financeira identificada se concentra nos anos de 2000 e 2001. Houve, inclusive, questionamentos sobre a decadência do direito de lançar os tributos cujos fatos geradores ocorreram no decorrer desses anos. Contudo, depois de cancelar sua própria decisão que dava guarida a esses questionamentos, a instância a quo afastou a decadência sob o argumento de que o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado (na conformidade do artigo 173, I, do CTN) não poderia se materializar enquanto o Poder Judiciário não autorizasse o compartilhamento das informações bancárias do exterior com a Receita Federal. Independentemente do juízo que se faça sobre essa polêmica decisão, convém enfrentar logo o mérito do lançamento. A fiscalização considerou como base de cálculo para o lançamento os valores indicados nos demonstrativos e resumos acostados de fls. 49 a 122. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 434 e 435) lista os principais campos existentes nas planilhas eletrônicas, fornecidas Fl. 12797DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.796 28 pelo Poder Judiciário, e afirma que elas foram juntadas ao processo. Na conversão deste julgamento em diligência, foi ventilado que os campos das planilhas (tais como listados) teriam denominação um pouco distintas daqueles informados nos demonstrativos e resumos. Por isso, diferentemente do quanto afirmado, os extratos das planilhas talvez não tivessem sido juntados aos autos. Imaginouse que nelas seria mais fácil identificar as informações relativas aos remetentes, ordenantes, destinatários e beneficiários dos recursos. Como tais informações não estão claras nos citados demonstrativos e resumos, pensouse que o exame daquelas planilhas eletrônicas seria de grande valia para uma análise mais apurada da correspondência dos valores autuados com os valores refletidos na documentação juntada pela recorrente. Nada obstante, a diligência fiscal não trouxe uma só palavras acerca dessa questão, o que me leva a crer que, apesar da distinção na denominação dos campos, os demonstrativos e resumos configuram, de fato, as próprias planilhas eletrônicas. Destarte, o que temos é um conjunto de demonstrativos em que o nome da recorrente figura em campos consignados com as seguintes denominações: "a5000_org" nos demonstrativos do MERCHANTS BANK NYC (fls. 52 a 113) "Originator" nos demonstrativos do MTB HUDSON BANK (fls. 113 e 114) "ORIG_LINE_1_NM" nos demonstrativos do LESPAN ACCOUNT (fls. 115) "ORP_LN234" nos demonstrativos do LESPAN TBL (fls. 116 a 122) A fiscalização, quando lista os principais campos das planilhas, dá a entender que a recorrente é a ordenante das transações que envolvem o MERCHANTS BANK NYC porque, neste caso, informa que o campo "a5000_org" se refere a "ordenante (IN)", sendo que a sigla "IN" representaria "ordens recebidas" (cf. fls. 434 e 435). Quanto às transações que envolvem os outros bancos, não há, no Termo de Verificação Fiscal, qualquer referência aos campos nos quais figura o nome da recorrente. Mesmo assim, há que se presumir que a fiscalização inferiu que ela também se tratava de sua ordenante posto que deu a essas últimas idêntico tratamento dispensado às transações do MERCHANTS BANK NYC. De qualquer sorte, a recorrente não questiona essa situação e, de certa forma, reconhece sua condição de ordenante de todas transações que foram autuadas. Pois bem. Considerando que a recorrente era a ordenante das transações no exterior, a fiscalização entendeu que os respectivos valores representavam pagamentos por ela efetuados aos quais imputou duas consequências: por concluir que houve falta de sua escrituração, com base na presunção legal contida no artigo 281, II, do RIR/99, lançou a infração de omissão de receita; e por concluir que foram efetuados sem causa, com base na presunção legal contida no artigo 674, § 1º, do RIR/99, lançou a infração de não recolhimento do IRRF. Além disso, sem maiores explicações, pelo menos nos Termos de Verificação Fiscal que instruíram as duas infrações (fls. 430 a 444 e 494 a 503), considerouse que a conduta seria suficiente para a qualificação das multas aplicadas e para a caracterização de crimes contra a ordem tributária capazes de ensejar a formalização de representação fiscal para fins penais. Fl. 12798DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.797 29 A DRJ, por sua vez, entendeu que os argumentos trazidos na impugnação mereciam alguma atenção. Nesse sentido, converteu o julgamento em diligência, porém, ao invés de delimitar as questões que deveriam ser esclarecidas pelo procedimento fiscal, resolveu listar um considerável conjunto de elementos probatórios que julgava serem necessários para a apreciação conclusiva da fiscalização. Dentre esses, figurava a exigência de que fossem apresentados todos os extratos bancários, do período entre 2000 e 2004, das contas ou subcontas mantidas nos bancos BNP, Bank of Ireland e do Brasil, bem como nas demais contas nas quais a autuação foi baseada (MERCHANTS BANK NYC e outros). Seguindo essa determinação, a autoridade fiscal (a mesma que efetuou a lavratura dos autos de infração) repetiu em sua intimação idêntica lista de elementos probatórios. A empresa autuada, como resposta, apresentou uma extensa documentação que foi reunida em 52 volumes neste processo. Relativamente aos extratos bancários, só apresentou o do Banco do Brasil. Diante disso, a fiscalização, efetivamente, limitouse a concluir que o fato de não terem sido fornecidos os extratos das instituições financeiras no exterior não solucionaria a questão fundamental da movimentação financeira efetuada. A empresa autuada protestou afirmando que os documentos apresentados seriam capazes de demonstrar que os valores movimentados no exterior teriam origem na empresa ALCATEL e que teriam sido aplicados no pagamento de despesas e tributos relacionados com a importação do grupo no Brasil. A decisão recorrida, todavia, confirmou o entendimento segundo o qual a ausência daqueles extratos seria um motivo determinante para afastar a alegação de que os valores (pagamentos) nos quais a autuação foi fundamentada foram, de fato, provenientes da ALCATEL e aplicados conforme mencionado pela defesa. A empresa, em seu recurso, voltou a insistir que a farta documentação apresentada fazia prova da movimentação financeira. Acrescentou um parecer expedido por empresa contábil que analisou essa documentação e validou quase que a totalidade das transações nos testes sugeridos. A extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção entendeu, então, que os fatos alegados pela recorrente apresentavam uma verossimilhança que não poderia ser singelamente refutadas pelas razões invocadas pela decisão recorrida. Determinou, assim, nova diligência para que a extensa documentação fosse, de fato, analisada e confrontada com os resultados do parecer. A fiscalização, contudo, limitouse a descrever alguns aspectos dos papéis de trabalho que serviram de base para a elaboração do parecer e, na essência, mantevese firme no entendimento de que, sem os extratos bancários do BNP e do Bank of Ireland, seria impossível comprovar o quanto alegado pela empresa (chegou a intimar novamente a empresa para a apresentação desses extratos mesmo sem ser provocada nesse sentido pela determinação diligencial). Chega, inclusive, a repetir diversos trechos da argumentação empreendida pela DRJ. Fl. 12799DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.798 30 Como se vê, apesar de não ter expressamente formulado tal exigência durante o procedimento de fiscalização, a autoridade se apegou ao entendimento da DRJ no sentido de que não é possível aceitar as justificativas externadas pela empresa sem os extratos bancários do BNP e do Bank of Ireland. A DRJ fundamenta a necessidade desses extratos por sustentar que eles seriam o único meio de confirmar algumas proposições lógicas que foram elaboradas depois de enunciados alguns pronunciamentos doutrinários e jurisprudenciais sobre a aceitação das provas ditas indiretas (presuntivas) em matéria processual. Tais proposições foram apresentadas nos seguintes termos (fls. 11514 e 11515): Com essas diretrizes em mente, cabe extrair as seguintes proposições lógicas a respeito dos requisitos exigidos para que os elementos apresentados pela impugnante formem provas indiretas aptas a formar presunção em seu favor: 1 quanto ao resultado provável, tais elementos devem conduzir, com alto grau de probabilidade, a um resultado consistente e muito intimamente ligado com o fato a ser provado, que neste caso corresponde a provar que os valores encontrados em seu nome em contas no exterior foram escriturados e oferecidos à tributação; para efetuar tal prova, no caso concreto, é necessário que se prove que: a) todos os recursos objeto da autuação tenham sido recebidos da Alcatel, e para isso é necessário que: I todos os créditos nas contas da impugnante no BNP e no Bank of Ireland tenham sido recebidos da Alcatel; II todos os débitos nessas contas da impugnante tenham sido transferidos para as contas autuadas; b) todos os recursos objeto da autuação tenham sido transferidos para a conta da impugnante no Banco do Brasil, admitindose: I diferença de, no máximo, um dia, salvo fins de semana ou feriados, entre a data de saída e a de entrada dos recursos, nas transferências entre contas; II pequenas diferenças entre a taxa de câmbio praticada e a taxa média do dia, no mercado livre, desde que a soma das diferenças positivas e negativas tenda a zero, para o ingresso dos recursos no Brasil, e pequenas diferenças a menor nas transferências internacionais para as contas autuadas, que poderiam corresponder a taxas cobradas pelos "doleiros"; III todas as internações efetuadas devem ter sido debitadas na conta Bancos Banco do Brasil, a crédito da conta Adiantamento de Clientes ALCATEL; c) os pagamentos expressivos feitos por conta e ordem da Alcatel devem ter saído dessa conta no Banco do Brasil; e, 2 quanto às dúvidas e contradições lógicas, tais elementos não devem deixar dúvidas ou contradições lógicas e devem convergir para o fato a ser provado, de forma que, evidentemente, há, também, que haver aderência total das provas indiretas à versão dos fatos apresentada pela impugnante, o que significa que se os requisitos acima não forem atendidos, a versão da impugnante dos fatos Fl. 12800DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.799 31 ocorridos perde credibilidade e abremse, por decorrência lógica, as possibilidades de que outras contas no exterior e/ou no Brasil, em nome da impugnante e/ou de terceiros tenham servido para receber recursos não escriturados. Nada obstante, essas proposições carecem de maior acuidade no presente caso. Pelo que se pode inferir, elas foram concebidas como requisitos para a formação da presunção em favor da impugnante. Ou seja, a DRJ entende que o contribuinte deve constituir uma prova presuntiva (indireta) de que suas afirmações são verdadeiras. Ora, considerando que o lançamento já foi fundamentado em duas presunções (legais), o que se propõe é afastar essas últimas por intermédio de outra presunção (hominis). Assim, sugerese desconstituir os fatos indiciários das presunções legais (a ausência de escrituração e de causa dos pagamentos) ou seus nexos causais com os fatos presumidos (a omissão de receita e o não recolhimento do IRRF) através de uma outra presunção. Com a devida vênia, ao invés de se inserir um outro juízo de probabilidade, há que se ter certeza acerca da ocorrência dos fatos indiciários e de seus nexos causais com os fatos presumidos pela lei. Pelo que se depreende de todo o contexto fático relatado, a fiscalização identificou valores em contas no exterior que foram caracterizados como pagamentos ordenados pela recorrente. Esta não negou tal situação e apresentou sua justificativa para proceder dessa forma. A fiscalização considerou, então, satisfeitas as condições para a implementação das consequências das presunções legais, quais sejam, o lançamento por omissão de receita e não recolhimento do IRRF. Diante disso, a empresa apresentou farta documentação para provar que havia uma causa para aqueles pagamentos (a consecução dos serviços prestados à ALCATEL) e que eles teriam sido efetivamente escriturados (pelo menos, nos valores convertidos em reais que haviam sido transferidos para a sua conta no Banco do Brasil). Este é o ponto que merece maior reflexão. A recorrente alega e tenta provar que os pagamentos tiveram uma causa e que foram, de alguma forma, escriturados. Por outro lado, tanto a DRJ, quanto a fiscalização, rejeitam essa tentativa porque entendem não poder aferir com total certeza (relativamente à totalidade dos valores que serviram de base para o lançamento) a inocorrência daqueles fatos indiciários sem a juntada dos extratos bancários do BNP e do Bank of Ireland. No entanto, é de se questionar se, antes, na autuação, a sua ocorrência havia também sido aferida com essa total certeza. Não me parece. Como ressaltado, a empresa já havia apresentado sua justificativa para a utilização das contas no exterior. Independentemente dos ilícitos cambias que tal conduta poderia caracterizar, não se pode imputar suas consequências no âmbito tributário. Como, diante do contexto fático do caso, havia boa possibilidade de as alegações da empresa serem verdadeiras, a fiscalização deveria persistir na prova dos fatos indiciários das presunções legais. Essa verossimilhança ficou ainda mais latente depois da farta documentação e do parecer de auditoria acostados aos autos. Fl. 12801DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.800 32 A exigência dos extratos bancários do BNP e do Bank of Ireland não se sustenta. De acordo com o que foi relatado, as contas correntes abertas nesses bancos serviram para que os recursos financeiros necessários para a consecução dos serviços fossem inicialmente depositados pela ALCATEL. Mas, o que se precisava provar era os fatos indiciários das presunções legais, isto é, a causa e a escrituração dos pagamentos. Para isso, bastava relacionar os valores debitados das contas autuadas (MERCHANTS BANK NYC e outros) com os valores creditados na conta corrente do Banco do Brasil e confirmar que estes últimos, assim como os subsequentes débitos em contrapartida dos pagamentos para a consecução dos serviços prestados à ALCATEL, foram escriturados pela empresa. É certo que se poderia constatar que alguns pagamentos confirmariam as presunções legais e, nesta conformidade, serem mantidos na autuação. Entretanto, é pouco provável que a totalidade não pudesse ser relacionada ou, mesmo, não tivesse sido escriturada. A fiscalização, inspirada no que foi dito pela DRJ, afirma que a falta dos extratos impede a formação da prova de que todos os recursos (ou de quais recursos) autuados foram recebidos da ALCATEL e que o desconhecimento dos valores efetivamente aportados naquelas contas não permite afirmar, com certeza, que todos os avisos de crédito foram apresentados. É verdade. Mas, o lançamento não se baseou nos créditos nas contas do BNP e do Bank of Ireland, nem mesmo nos créditos nas contas autuadas (MERCHANTS BANK NYC e outros). Esse argumento só faria sentido se a omissão de receita fosse presumida com base na não comprovação dos depósitos bancários nessas contas. Noutro giro, alegam (a DRJ e a fiscalização) que o desconhecimento dos valores efetivamente debitados naquelas contas (BNP e Bank of Ireland) não permite afirmar, com certeza, que todos os avisos de débitos foram apresentados e, portanto, que não houve quaisquer outras internações de recursos, provenientes ou não da ALCATEL, por outros meios, tanto em outras contas no exterior, como no Brasil, inclusive pelo SISBACEN. Novamente, é verdade. Porém, o conhecimento dos valores efetivamente debitados nas contas do BNP e do Bank of Ireland também não garante que os recursos que foram internados (na conta do Banco do Brasil) são os mesmos que serviram de base para a autuação. Em outras palavras, o fato de se ter certeza que os recursos recebidos nas contas autuadas (MERCHANTS BANK NYC e outros) foram provenientes da ALCATEL, a partir de uma consolidação dos créditos verificados nestas últimas com os débitos nas contas do BNP e do Bank of Ireland, em nada colabora com a investigação da causa e da efetiva escrituração dos pagamentos que serviram de base para a autuação. A incerteza quanto à possível fonte dos recursos internados persistiria. Como se disse, o que se deveria (e poderia) ter feito era uma verificação, por aproximação, do relacionamento dos valores debitados das contas autuadas (MERCHANTS BANK NYC e outros) com os valores creditados na conta corrente do Banco do Brasil e confirmar que estes últimos, assim como os subsequentes débitos em contrapartida dos pagamentos para a consecução dos serviços prestados à ALCATEL, foram escriturados pela empresa. E não se diga que as inconsistências apontadas pela DRJ, e meramente reprisadas pela fiscalização (apesar de ter sido determinada sua confrontação com o que esta deveria ter verificado na diligência solicitada pela Resolução nº 1102000.242), teriam o condão de desqualificar a prova da totalidade dos pagamentos que serviram de base para a autuação. Fl. 12802DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.801 33 Com efeito, a instância a quo (fls. 11413 a 11416) apontou que os elementos juntados pela impugnante mostravam: avisos de débito que indicam transferência de valores para contas que não são objeto da autuação; ausência de explicações sobre a origem de alguns recursos transferidos; discrepâncias de datas e valores; ausência de destaques dos depósitos efetuados no extrato da conta do Banco do Brasil; falta de detalhes na tradução juramentada do documento expedido pela ALCATEL dando conta de que pagou valores à FIGWAL no período autuado; planilhas com falta de vinculação entre bancos, datas e valores, tal como pedido na diligência; planilhas que revelam um total de recebimentos da ALCATEL um pouco inferior ao total das transferências que teriam sido efetuadas para as contas nas quais a autuação foi baseada; e planilha que evidencia, por amostragem, mais de US$ 2,35 milhões em transferências inconsistentes com os valores autuados. Nada disso, contudo, é suficiente para desqualificar a tentativa de prova feita pela empresa. Como dito, tratamse de meras inconsistências que poderiam ter sido sanadas ou esclarecidas se a fiscalização tivesse feito a confrontação determinada na solicitação de diligência. Ademais, a maioria delas recai naquela ideia acima rechaçada, qual seja, a de que se deveria provar que os valores depositados nas contas no exterior (tanto no BNP e no Bank of Ireland, quanto no MERCHANTS BANK NYC e outros) eram provenientes da ALCATEL. E é importante repetir, para deixar claro, que não se está aqui a julgar a conduta possivelmente ilícita, do ponto de vista cambial, de movimentar recursos no exterior à margem dos controles do sistema financeiro nacional. Mas, apenas, suas repercussões tributárias nos estritos limites delineados pela fiscalização. Nesse sentido, é que proponho o cancelamento das infrações imputadas. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Nada obstante, como fui vencido nesse entendimento, fui instado a me pronunciar sobre a questão da decadência. Como relatado, a DRJ havia proferido uma decisão (fls. 11338 a 11377) que reconhecia a decadência para o IRPJ e a CSLL do anocalendário de 2000 e para o PIS, a COFINS e o IRRF dos anoscalendário de 2000 e 2001 (exceto, para este último, o mês de Fl. 12803DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.802 34 dezembro). No entanto, tal decisão foi cancelada e substituída por outra (antes da ciência do contribuinte), ao que tudo indica, porque a instância a quo resolveu abraçar uma tese segundo a qual o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso da hipótese prevista no artigo 173, I, do CTN, não poderia ter ocorrido antes de o Poder Judiciário autorizar o compartilhamento das informações bancárias do exterior com a RFB, ou seja, antes de 2004, de forma que o prazo de cinco anos para lançar teria se iniciado em 01/01/2005. Sem embargo, não concordo com essa tese. Quando constatado dolo (conforme entendimento da maioria da Turma), a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício, de acordo com a ressalva contida no § 4º do artigo 150 do CTN, deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do mesmo Código, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. Não há nenhuma previsão na lei sobre situações que impeçam o Fisco de ter conhecimento acerca dos fatos necessários para o lançamento. A própria conduta do contribuinte (dolosa, com fraude a lei ou simulação) tendente a impedir o Fisco de ter esse Fl. 12804DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.803 35 conhecimento já o penaliza com o deslocamento do termo do prazo decadencial para a regra do artigo 173, I. Portanto, uma vez vencido no mérito da questão principal, voto por acolher a decadência quanto aos períodos afastados pelo acórdão cancelado na DRJ (fls. 11338 a 11377). Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 12805DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.804 36 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Redator Designado O ilustre Conselheiro Relator apresentou alentado voto, ao final do qual propôs dar provimento integral ao recurso voluntário. Colhidos os votos, por maioria de votos, este colegiado decidiu negar provimento ao recurso quanto ao mérito, recaindo sobre mim a designação para redigir o voto vencedor. Com a devida vênia, apresento a seguir as razões que levaram esse colegiado a divergir do respeitável entendimento adotado pelo ilustre Conselheiro Relator. Uma visão geral do caso BANESTADO Ab initio, considero útil reproduzir alguns artigos, extraídos da decisão de piso, os quais fornecem uma visão mais detalhada a respeito do caso BANESTADO, permitindo uma melhor compreensão do que se encontra descrito no Termo de Verificação Fiscal. Tais artigos resultaram de buscas na Internet, efetuadas pelo relator da decisão de piso, que localizaram dois interessantes "clippings" temáticos elaborados pelo Ministério Público do Estado do Paraná. Por economia, transcrevei aqui apenas o primeiro destes clippings, e de forma parcial, na medida do que considero suficiente para esclarecer aspectos relevantes do caso BANESTADO: "Assunto:BANESTADO / CC5 Megaoperação prende 63 por lavagem de dinheiro (CORRELATAS : Toninho da Barcelona tenta escapar com liminar / Em São Paulo ainda há 30 suspeitos foragidos / Doleiros são essenciais nas operações de lavagem / Operção Farol da Colina teve ajuda dos EUA) Data: 18/08/2004 Autor: VANNILDO MENDES Fonte: o Estado de S.Paulo Diretor da PF avisa que, agora, corporação quer identificar quem está por trás de doleiros BRASÍLIA Na maior operação de combate à lavagem de dinheiro já realizada no Brasil, a Policia Federal prendeu ontem 63 pessoas, na maioria doleiros, acusados de ter enviado irregularmente para o exterior cerca de US$ 20 bilhões, entre 1997 e 2002. Desde ontem de manhã estão sendo cumpridos 123 mandados de prisão e 208 mandados de busca e apreensão em oito cidades de sete Estados. O próximo passo será a identificação e prisão dos clientes para os quais os doleiros Fl. 12806DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.805 37 fizeram as remessas, incluindo empresários, politicos e autoridades. "Vamos agora atrás de quem estava por trás das remessas", avisou o diretorgeral da PF, Paulo Lacerda. Ao apresentar o balanço da operação, batizada de Farol da Colina, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse que se trata de um trabalho ambicioso e profundo, que pode ter ainda muitos desdobramentos. "A operação reflete a política de combate ao crime organizado, que o governo federal realiza de forma impessoal e republicana." O nome da operação foi inspirado na Beacon Hill, nome da conta do Banestado em Nova York, para a qual os doleiros faziam as remessas, a partir das agências do banco no Paraná. (...) A Operação Farol da Colina já estava nas ruas de São Paulo, os federais no encalço do seu maior alvo, Antônio Oliveira Claramunt, alcunhado Toninho da Barcelona, apontado como um dos mais poderosos doleiros em ação no Pais. (...). Relatório enviado pela Divisão de Inteligência da PF ao juiz Hélio Egydio de Matos Nogueira, da 6.ª Vara Criminal Federal em São Paulo, aponta detalhes de transações e os nomes da clientela de Barcelona, que constam do programa Barter, apreendido no computador central do doleiro. Quando o denunciou formalmente à Justiça, em fevereiro 03, o Ministério Público Federal sustentou que o doleiro "possui conexão estrutural com agentes do poder público, que mantiveram contatos esporádicos ou freqüentes, mas sempre demonstrativos de elevada intimidade ou mesmo de relacionamento comercial com a organização criminosa". (F.M.)" (grifouse) "Em São Paulo ainda há 30 suspeitos foragidos FAUSTO MACEDO Computadores, pilhas de documentos contábeis e bancários, dinheiro US$ 120 mil, R$ 500 mil , maconha, lançaperfume. O resulta Operação Farol da Colina em São Paulo foi divulgado ontem no fim de. Após 11 horas de buscas, 90 equipes da Policia Federal localizara e prenderam 23 doleiros e empresários estabelecidos na capital e outras cidades do Estado. Trinta suspeitos, não encontrados, são considerados foragidos. Os federais percorreram 79 endereços residenciais e comerciais, munidos de ordem expedida pelo juiz Sérgio Moro, da 2ª Vara Federal em Curitiba. As 5 horas, os delegados Moacir Moliterno e Wagner Castilho reuniram na sede da PF paulista 280 agentes e outros delegados 65 policiais vieram do Paraná. A operação, que estava sendo mantida em sigilo, foi desencadeada a partir de informações sobre a instituição Beacon Hill fornecidas pelo promotor distrital de Manhattan, Robert Morgenthal, à CPI do Banestado e aos procuradores federais Carlos Fernando dos Santos Lima e Wladimir Aras. Os procuradores suspeitam que a Beacon Hill seria um dos principais lavadores de dinheiro no esquema do Banestado de Foz do Iguaçu, que teria movimentado, ao todo, US$ 30 bilhões em conexão com o Banestado de Nova York. Empresa de fachada, a Beacon Hill Service Corp teria sido usada como intermediária no processo de abertura de contas em paraísos Fl. 12807DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.806 38 fiscais e Estados Unidos. A promotoria americana calcula que a Beacon pode ter captado US$ 3,4 bilhões só em 2001 e 2002, enviados por doleiros brasileiros. Holding As contas operadas pela Beacon Hill eram identificadas por nomes fantasia como Flamingo, Tucano e Global, abertas no banco J.P. Morgan Chase para recebimento de transferências não declaradas. A Beacon mantinha representações em São Paulo e no Rio. Em 2003, o senador Antero Paes de Barros (PSDBMT) fechou o escritório paulista: "A Beacon Hill é a holding dos doleiros." Ele e os procuradores que investigam o Banestado receberam nove DVDs com milhares de movimentações financeiras da Beacon, presidida pelo panamenho Anibal Contreras, processado e condenado nos EUA. (...). Doleiros são essenciais nas operações de lavagem. Os doleiros tornaramse o maior alvo da Operação Farol da Colina porque assumiram importante função em esquemas de lavagem de capitais e remessas ilegais de divisas para paraísos fiscais. O Banco Central regulamentou transferências em 96, mas tais operações se tornam suspeitas quando não são declaradas e a origem dos recursos não é conhecida. O delegado Wagner Castilho anotou que as casas de câmbio tem autorização do BC para funcionar, mas dentro de limites muito abaixo daqueles com que os doleiros operam. "Eles podem tocar agencias para troca de dinheiro para turistas, para quem vai viajar, mas não para remessas de grande valor." Os doleiros caíram na rede da PF porque a promotoria de Nova York identificou transferências que eles realizaram pelo dólar cabo, mecanismo por meio do qual o dinheiro nem chega a sair do Pais o doleiro recebe a importância no Brasil e determina, a seu correspondente no exterior, depósito de igual quantias em conntas bancárias sem registro no BC. (F.M.)" (grifouse) "Operação Farol da Colina teve ajuda dos EUA Suspeita de atividades terroristas facilitou quebra do sigilo bancário de brasileiros ALEXANDRE RODRIGUES, ROBERTA PENNAFORT e RODRIGO MORAIS RIO A existência de remessas ilegais de dólares a partir da região da Tríplice Fronteira e a suspeita de que elas pudessem estar relacionadas a atividades terroristas facilitou a quebra de sigilos bancários nos Estados Unidos e a investigação brasileira que resultou na Operação Faro da Colina. "Por causa da suspeita de terrorismo, os americanos se interessar muito mais pela quebra dos sigilos", disse o procurador do Ministério Público Federal do Paraná Vladimir Aras, que veio ao Rio acompanhar o trabalho. A Operação Farol da Colina é um "filhote" da investigação sobre o caso Banestado. As autoridades americanas descobriram que muitos brasileiros que mantinham contas na agência do Banestado em Nova York migraram para o esquema da empresa americana Beacon Hill Service Corp (BHSC) após o fechamento daquela agência. As pessoas procuradas ontem pela Policia Federal são titulares, procuradores ou beneficiários de subcontas dentro de uma conta maior, apelidada de "contaônibus", que a BHSC mantém no Fl. 12808DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.807 39 Banco Chase Manhatan, de Nova York. Codinomes "Essa é uma operação nacional, mas Rio de Janeiro e São Paulo são as principais praças nesse relacionamento com a Beacon Hill", disse Aras. As contas eram numeradas, mas recebiam codinomes. No Rio, eram 13: Atlantis, Avalon, Blue Coast, Eleven, Felker, Pacifico, Pescara, Titia, Visela, Gravata, Meddox e Juscelio. Elas também batizaram as equipes da PF na operação de ontem. O BHSC era administrado, no Brasil, por Juscélio Nunes Vidal, cujo nome foi citado no escândalo do propinoduto. Ele foi investigado pela PF porque era titular de uma conta no Banestado que recebia dinheiro proveniente de contas no exterior abertas pelos fiscais do Rio. Segundo Aras, os nomes dos envolvidos com as contas foram repassados à força tarefa por promotores do Distrito de Manhatan, em Nova York. Segundo fontes da PF, na lista de procurados estariam Raul Davis, que tem um escritório no Leblon, também vasculhado pela PF; Armando Santome e Dario Messer. Os nomes não foram confirmados oficialmente pela Policia Federal para não tornar inviável o cumprimento dos demais mandados. Aras ressaltou que não há ainda acusação formal do MP contra os suspeitos. Dono de uma casa de câmbio no shopping Cassino Atlântico, em Copacabana, Dario Messer é outro que tem ligação com o episódio propinoduto. Ele teria movimentado uma conta em Nova York que tinha US$ 55 milhões. O nome dele consta na agenda de um funcionário dos empresários Reinaldo Pitta e Alexandre Martins, condenados por remeter dinheiro ilegalmente para o exterior. De acordo com o procurador, a conta da Beacon Hill recebeu remessas de dinheiro brasileiro oriundo de caixa dois, contrabando, corrupção e superfaturamento de obras públicas. "Embora não seja esse o foco da investigação, devemos esbarrar em outros casos, como o propinoduto do Rio e o dos precatórios", diz. Os suspeitos podem responder pelos crimes de evasão de divisas, manutenção de depósitos nãodeclarados no exterior, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica, caso seja comprovado o uso de "laranjas". Além do Esquema Beacon Hill, disse Aras, havia também o Esquema Nolasco, com contas no Merchants Bank, de Nova York, que seria operado pela gerente Maria Cândida Nolasco, uma portuguesa naturalizada americana. Ela chegou a ser presa, acusada de lavagem de dinheiro, foi solta sob fiança e, de acordo com Aras, colaborou com informações "preciosas" para a investigação." (grifouse) Dos fundamentos da autuação Em face da constatação da existência de recursos movimentados no exterior em nome da impugnante, a presente autuação se apóia, dentre outros dispositivos, no de presunção legal de omissão de receitas do art. 281, inciso II, do RIR/99 A contribuinte, em suas sucessivas peças de defesa, sustenta que tais recursos são provenientes da exportação de serviços, sugerindo têlos internado no Pais à margem do Sistema Financeiro Nacional. Tal fato, se verdadeiro, tornaria praticamente, impossível fazer prova direta de suas alegações. Fl. 12809DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.808 40 Não obstante este fato, como bem destacado pela decisão de piso, mesmo diante do descumprimento do art. 264, do RIR/99 (que dispõe sobre a conservação de livros e comprovantes), concedeuse à contribuinte o direito de formar prova indireta (presuntiva) das suas alegações, em vista do principio da verdade material. A contribuinte, contudo, não teve êxito em apresentar quaisquer elementos, ainda que indiciários, capazes de sustentar a sua tese de defesa. Sobre o tema, a decisão de piso mencionou relevantes precedentes administrativos: AUSÊNCIA DA CONTABILIZAÇÃO DE RECEITAS E MEIOS DE PROVA A ausência de contabilização de receitas da empresa caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de oficio sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto, sem prejuízo da tributação sobre o lucro apurado. A omissão de receitas, quando a sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 10174.888/83 Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 26/85, pág. 754). MEIOS DE PROVA (EX.86/7) A omissão de receitas, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1054.032/90 DO 14/09/90). OMISSÃO DE RECEITAS (MEIOS DE PROVA) (EX. 85/6) A ausência de contabilização de receitas caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de oficio sobre as parcelas subtraidas ao crivo do imposto. A omissão de receitas, quando a sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos no Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1054.152/90 DO 14/09/90). VENDAS OMITIDAS (EX. 88) A prova da omissão de receitas, quando não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos no Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1053.350/89 Resenha Tributária, IR Jurisprudência Administrativa 12.7, pág. 245). OMISSÃO DE RECEITAS Para a sua apuração, o Fisco não sofre qualquer restrição (art. 174 do RIR/80); detectada a omissão, deverá ser adicionada ao lucro liquido do exercício (art. 387, II, do RIR/80). Até prova em contrário, presumese que os custos da receita omitida foram imputados à receitas contabilizada; em conseqüência, a receita bruta no caso é igual ao lucro (Ac 1° CC 10224.027 e 24.028/89 DO 06/06/90)." (grifouse) , O voto condutor da decisão de piso, com muita propriedade, apresentou as seguintes proposições lógicas a respeito dos requisitos exigidos para que os elementos trazidos Fl. 12810DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.809 41 aos autos pela recorrente pudessem formar provas indiretas, aptas a formar presunção em seu favor (elidindo a presunção de omissão de receitas, que possui amparo na própria lei): 1 os elementos deveriam conduzir, com alto grau de probabilidade, a um resultado consistente e muito intimamente ligado com o fato a ser provado (resultado provável). No caso em apreço, isso significa que: a) todos os recursos objeto da autuação deveriam ter sido recebidos da Alcatel, ou seja: I todos os créditos nas contas da impugnante no BNP e no Bank of Ireland devem ter sido recebidos da Alcatel; II todos os débitos nessas contas da impugnante devem ter sido transferidos para as contas autuadas; b) todos os recursos objeto da autuação deveriam ter sido transferidos para a conta da impugnante no Banco do Brasil, admitindose: I diferença de, no máximo, um dia, salvo fins de semana ou feriados, entre a data de saída e a de entrada dos recursos, nas transferências entre contas; II pequenas diferenças entre a taxa de câmbio praticada e a taxa média do dia, no mercado livre, desde que a soma das diferenças positivas e negativas tenda a zero, para o ingresso dos recursos no Brasil, e pequenas diferenças a menor nas transferências internacionais para as contas autuadas, que poderiam corresponder a taxas cobradas pelos "doleiros"; III as internações efetuadas devem ter sido debitadas na conta Bancos Banco do Brasil, a crédito da conta Adiantamento de Clientes — ALCATEL; c) os pagamentos expressivos feitos por conta e ordem da Alcatel deveriam ter saído dessa conta no Banco do Brasil; e, 2 os elementos não deveriam deixar dúvidas ou contradições lógicas e deveriam convergir para o fato a ser provado, de forma que, evidentemente, há, também, que haver aderência total das provas indiretas à versão dos fatos apresentada pela contribuinte. Isso significa que se os requisitos acima não forem atendidos, a versão da contribuinte acerca dos fatos ocorridos perde credibilidade e abremse, por decorrência lógica, as possibilidades de que outras contas no exterior e/ou no Brasil, em nome da impugnante e/ou de terceiros tenham servido para receber recursos não escriturados. Análise das provas constantes dos autos Diante das proposições lógicas acima apresentadas, solicitouse a apresentação dos extratos das contas da contribuinte no BNP e no Bank o Ireland (e, se possível, os extratos das contas autuadas), dentre outros elementos. Fl. 12811DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.810 42 No entanto, a tese da defesa, em vista da capitulação no art. 281, inciso II, do RIR/99, presupõe que uma vez comprovados os gastos por conta e ordem da ALCATEL, devidamente escriturados, e comprovado, também, o recebimento de recursos da ALCATEL, nas contas mantidas no exterior, no BNP e no Bank of Ireland (avisos de crédito), bastaria a comprovação de que valores foram transferidos dessas contas para as contas autuadas (avisos de débito), para que uma associação entre datas e valores autuados e datas e valores dos depósitos no Banco do Brasil, estes devidamente escriturados, justificasse os pagamentos sem causa autuados no exterior, afastando, dessa forma, a autuação por pagamentos sem causa e por decorrência, por omissão de receitas. Na linha de raciocínio da contribuinte, a não apresentação dos extratos do BNP e do Bank of Ireland não a prejudicaria, de forma que não foram apresentados, sob o pretexto de que não os possuía e de que, como já havia encerrado essas contas, não poderia mais obtêlos. A decisão de piso analisou com muita clareza, objetividade e precisão estes fatos, verbis: Sem dúvida, é possível que a impugnante não possuísse tais extratos, mas o argumento de que o encerramento dessas contas impossibilita a sua apresentação é muito provavelmente falso, pois não é razoável supor que uma instituição financeira se negue a fornecêlos, tanto a clientes como a exclientes, pois há imposições legais que obrigam essas instituições a manter registros da movimentação financeira de clientes por um certo período de tempo, como no Brasil, e a impugnante não provou a efetiva impossibilidade de obtêlos, seja por meio de declarações desses bancos, devidamente fundamentadas na legislação aplicável dos respectivos países (EUA e Inglaterra), seja por meio da simples apresentação dessas legislações. No entanto, verdadeira ou falsa a assertiva da impugnante, a falta desses extratos impede a formação da prova indireta de que todos os recursos (ou de quais recursos) autuados foram recebidos da ALCATEL, inviabilizando a formação da prova presuntiva em seu favor. Para entender essa implicação, basta uma analogia entre a movimentação financeira da impugnante no exterior e o conceito de "vasos comunicantes": apenas dois recipientes (que seriam as contas no BNP e no Bank of Ireland, dando crédito à assertiva da impugnante) recebendo recursos e abastecendo outro (a conta no Merchants Bank, por exemplo), que por sua vez abastece apenas um no Brasil (a conta no Banco do Brasil, dando novamente crédito à assertiva da impugnante)., O desconhecimento dos valores efetivamente transferidos nas duas primeiras contas não permite afirmar, com certeza, que todos os avisos de créditos foram apresentados e, portanto, que todas as transferências efetuadas para as contas autuadas são de valores provenientes originariamente da ALCATEL. Da mesma forma, o desconhecimento dos valores efetivamente transferidos das duas primeiras contas não permite afirmar, com Fl. 12812DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.811 43 certeza, que todos os avisos de débito foram apresentados e, portanto, que não houve qualquer internação de recursos, provenientes da ALCATEL ou de terceiros, por outros meios, tanto em contas no exterior, como no Brasil, inclusive pelo SISBACEN. Assim, sem o cotejo dos extratos dessas duas contas com os avisos de crédito e de débito apresentados, não se pode afirmar, com certeza, que todas as transferências efetuadas para as contas autuadas são de valores provenientes originariamente da ALCATEL. Portanto, os avisos de crédito e débito elementos essenciais para demonstrar os recebimentos da ALCATEL e as transferências para as contas autuadas desacompanhados dos extratos são insuficientes, para demonstrar que os valores transferidos (e autuados) provinham originariamente da ALCATEL. Em resumo: a falta dos extratos impede o seu confronto com os avisos de credito e de debito, o que impossibilita a formação de um juízo claro a respeito do argumento de que os valores autuados eram todos provenientes originariamente da ALCATEL. Dessa forma, a primeira parte dos requisitos lógicos da presunção (item 1, "a", I e II) não foi atendida, o que já seria suficiente para tornar desnecessário prosseguir com o exame das provas, pois os requisitos lógicos não são alternativos, mas, sim, concomitantes. Apesar disso, será feito um rápido exame dos elementos para apurar a aderência das provas indiretas à versão dos fatos apresentada pela impugnante Análise das dúvidas e contradições lógicas Conforme bem apontado pelas autoridades autuantes, bem como pelo colegiado julgador a quo, os elementos que sustentam a presunção legal cópias de ofícios da Policia Federal, cópias de decisões da Justiça Federal do Parana, cópias de decisões da Suprema Corte de Nova Iorque, cópias de oficios da Promotoria de Nova Iorque, e cópias de laudos, bem como de todos os demonstrativos e seus resumos extraídos das bases de dados com a movimentação financeira da empresa no exterior, no período de 2.000 a 2.004 constam dos autos, às fls. 8 a 122. Os referidos demonstrativos, fls. 52 a 122, provam a movimentação de recursos no exterior, abrangendo um período inicial não autuado e um período já decaído, desde 07/04/2000 ate 05/03/2004. Os demonstrativos em questão informam valores, datas, banco de origem, banco de destino, ordenante e beneficiário da conta, dentre outros detalhes. No caso específico dos autos, as "rotas" de transferências de recursos são as seguintes: Fl. 12813DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.812 44 1 do banco BNP (BNP) e do Bank of Ireland (BI) para o Merchants Bank, New York, em que a impugnante aparece como ordenante e a "Gatex Corp" ou a "Milano Finance Inc" (fl. 96), como beneficiárias (fls. 52 a 113); 2 do BAC Florida Bank (BAC) para o MTB Hudson Bank "(MTB), em que a impugnante aparece como ordenante e a "Abalone Investments Inc" como beneficiária (fls. 113 e 114); 3 do BI para o Wachovia Bank, "Lespan Account", .em que a impugnante aparece como ordenante e a "Lespan S/A", de Montevidéu, Uruguai, como beneficiária (fl. 115); 4 do BI para o Bank of America (BOFA), "Lespan TBL", em que a impugnante aparece como ordenante e a "Lespan S/A", de Montevideu, Uruguai, como beneficiária, referindo "Menage Capital Ltd." (fls. 115 a 117); 5 do BI para o Deutsche Bank, em que a impugnante aparece como ordenante e a "Lespan S/A", como beneficiária, referindo "Menage Capital Ltd." (fls. 118 e 119); 6 do BI para o BOFA, em que a impugnante aparece como ordenante e a "Lespan S/A", de Montevidéu, Uruguai, como beneficiária, referindo "Menage Capital Ltd." (fls. 120 e 121); 7 do BI para o Deutsche Bank, em que a impugnante aparece como ordenante e a "Lespan S/A", como beneficiária (fl. 122). Os elementos apresentados pela contribuinte, fls. 775932, mostram que: 1 houve recebimento de recursos da ALCATEL, no exterior, originários do banco ABN AMRO, ag. Grand Central Station e do seu escritório central, em Nova Iorque, depositados em conta da impugnante no BNP, ag. Miami, conforme, por exemplo, avisos de crédito de fls. 776, 779, 780, 782, 786, 788, 792, 794 a 797 (vol. 4), e diversos do vol. 5; 2 houve transferência de recursos dessa conta no BNP para a: a) conta da Mondale Trading, no Bank Audi, Nova Iorque, conforme, por exemplo, avisos de débito de fls. 777, 778, 781, 783, 784, 799 (vol. 4), que não é objeto desta autuação; b) conta da Hudson Trading, no Pinebank, Miami, conforme, por exemplo, avisos de débito de fls. 785 (vol. 4), que não é objeto desta autuação; c) conta da Gatex Corp, no Merchants Bank, ag. Broadway, New York, subconta administrada por Maria Carolina Nolasco, objeto da autuação, conforme, por exemplo, avisos de débito de fls. 787, 789, 793, 798 (vol. 4) e diversos do vol. 5; Fl. 12814DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.813 45 d) Caixa postal, telefone e nome da contribuinte, conforme aviso de débito de fl. 804 (vol. 5), que não é objeto desta autuação e que mostra que transferências do BNP diretamente para o Brasil podiam ser feitas; e) conta da Alcatel, no ABN AMRO, ag. Grand Central Station, New York, conforme aviso de débito de fl. 834 (vol. 5), que não é objeto desta autuação; 3 houve transferência de recursos da conta da contribuinte no BI, ag. Old Brompton Road, London, para a Gatex Corp, no Merchants Bank, New York, subconta administrada por Maria Carolina Nolasco, objeto da autuação, conforme aviso de fl. 841; 4 houve recebimento de recursos da Alcatel, no exterior, originários de contas mantidas no BI, transferidos para conta da impugnante no BI, ag. Old Brompton Road, London; 5 houve transferência de recursos da conta da impugnante no BI , ag. Old Brompton Road, London, para a Gatex Corp, no Merchants Bank, New York, subconta administrada por Maria Carolina Nolasco, objeto da autuação, conforme, por exemplo, avisos de fls. 853, 854 e 856 a 932 (vol. 5); 6 houve recebimento de recursos no exterior, na conta da contribuinte no BI, provenientes de "Jardine Freight Services", por meio do Barclay's Bank, conforme ordem de pagamento de fl. 900 (vol. 5); 7 houve transferência de recursos no exterior, da impugnante, de sua conta no BI, conforme avisos de pagamento, para a "Lespan S/A", em contas mantidas no: a) Wachovia Bank, referindo como detalhes do pagamento "Montero Securities Inc" ou "Menage Capital Ltd." (fls. 916 e 926); b) First Union National Bank, New York, referindo como detalhes do pagamento "Azteca Montevideo/Uruguay" que não é objeto desta autuação (fl. 924); c) First Union National Bank, New York, referindo como detalhes do pagamento "Menage Capital Ltd." que não é objeto desta autuação (fl. 929); d) BOFA, referindo como detalhes do pagamento "Menage Capital Ltd." (fls. 931 e 932). A decisão de piso procedeu uma análise bastante elucidativa acerca destas movimentações, fls. 1137111372: Verificase, assim, inicialmente, que, dentre as movimentações autuadas, não há explicações sobre a origem dos recursos: a) transferidos do BI para o Merchants, em que aparece como beneficiária a "Milano Finance Inc" (fl. 96); Fl. 12815DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.814 46 b) transferidos do BAC para o MTB, em que a "Abalone Investments Inc" aparece como beneficiária (fls. 113 e 114); c) transferidos do BI para o Deutsche Bank, em que a "Lespan S/A" aparece como beneficiária (fls. 118, 119 e 122). Vejase que, dentre os avisos de crédito, pelo menos um não é da ALCATEL, mas, sim, da "Jardine Freight Services", e que, dentre os avisos de débito apresentados, vários referemse a transferências que nenhuma relação têm com os valores autuados, seja porque se destinaram a outros bancos, como Bank Audi, de Nova Iorque, e Pinebank, de Miami, seja porque as transferências provavelmente se deram de forma direta para o Brasil, como, por exemplo, as de fls. 868, 871, 882, 896, 902, 903, 905 e 911, pois há um exemplo de que tais transferências diretas para o Brasil poderiam ser efetuadas (fl. 804). Cotejando os elementos referentes ao período não totalmente decaído, de fls. 83 a 122, com os de fls. 867 a 932, verificase que há diversas discrepâncias de datas e valores, que mostram que há valores autuados para os quais não foram apresentada avisos de débito, como por exemplo, os de fls. 83, 96, 98, 100, 102, 103, 111, 112, 113, 114 e 116. A decisão de piso se alonga, analisando todos os demais elementos de prova trazidos aos autos pela contribuinte. Considero, contudo, desnecessário proceder tão longa análise, posto que os elementos até aqui analisados são, ao meu ver, suficientes para demonstrar que as alegações da defesa são inconsistentes e não encontram respaldo nos elementos de prova constantes dos autos. O fato é que a contribuinte indiscutivelmente e confessadamente movimentou recursos no exterior. Uma vez que a mesma contribuinte não logrou êxito em demonstrar a origem de tais movimentações, revelase inteiramente ao amparo da lei a presunção de omissão de receitas, objeto do presente processo. Diante do exposto, em relação à matéria principal do presente processo (presunção de omissão de receitas), considero que o presente recurso voluntário não merece provimento. É como voto. Documento assinado digitalmente. Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Fl. 12816DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 19515.001309/200720 Acórdão n.º 1401001.550 S1C4T1 Fl. 12.815 47 Fl. 12817DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 5/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 10768.001483/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1998
AMORTIZAÇÃO LINEAR (IMPUTAÇÃO LINEAR). IMPOSSIBILIDADE.
Quando se trata da imputação do pagamento entre os valores do principal, multa e juros, de um mesmo crédito tributário, a amortização proporcional é a única forma admitida pelo Código Tributário Nacional.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira, Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Fabio Piovesan Bozza, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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IMPOSSIBILIDADE. Quando se trata da imputação do pagamento entre os valores do “principal”, “multa” e “juros”, de um mesmo crédito tributário, a amortização proporcional é a única forma admitida pelo Código Tributário Nacional. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira, Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Fabio Piovesan Bozza, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 14 83 /2 00 2- 11 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, nº 1243.646, constante em fls. 263/269: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada à interessada acima identificada, por meio do auto de infração de imposto de renda retido na fonte IRRF, de fls. 198/253, no qual é exigido o crédito tributário de R$78,77 de imposto, acompanhado da multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora, além de multa paga a menor no valor de R$19,21, juros pagos a menor ou não pagos no valor de R$4.736,63 e multa de ofício exigida isoladamente no valor de R$711.129,71. 2. O lançamento é decorrente de auditoria interna efetuada pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro – Defis/RJ na Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF apresentada pela interessada correspondente ao 1º trimestre do anocalendário de 1997, a partir da qual se constatou que a mesma incorreu na seguintes irregularidades: 2.1. Falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata: Não teria sido localizado o pagamento do IRRF sobre rendimentos de juros e comissões em geral – cód. 0481, referente ao período de apuração da 4ª semana de fevereiro/97, no valor de principal de R$78,77; 2.2. Multa de mora e/ou juros de mora pagos a menor, relativamente aos seguintes recolhimentos do IRRF listados no Anexo IV do auto de infração (fls. 249/253) adiante relacionados: 2.2.1. Sobre rendimentos do trabalho assalariado – cód. 0561, referente aos períodos de apuração da 4ª semana de fevereiro/97 e 4ª semana de março/97; 2.2.2. Sobre rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício – cód. 0588, correspondente aos fatos geradores ocorridos na 4ª semana de fevereiro/97; 2.2.3. Sobre remuneração por serviços prestados por pessoa jurídica – cód. 1708, correspondente aos fatos geradores ocorridos na 2ª e 4ª semanas de fevereiro/97 e 4ª semana de março/97; 2.2.4. Sobre aplicações financeiras de renda fixa – pessoa jurídica – cód. 3426, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração da 4ª semana de fevereiro/97 e 4ª semana de março/97; 2.2.5. Sobre aplicações financeiras em fundos de investimentos imobiliários – cód. 5232, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração da 4ª semana de fevereiro/97 e 4ª semana de março/97; Fl. 420DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.001483/200211 Acórdão n.º 2301004.587 S2C3T1 Fl. 420 3 2.2.6. Sobre operações de Swap (art. 74 lei 8981/95) – cód. 5273, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração da 4ª semana de fevereiro/97 e 4ª semana de março/97; 2.2.7. Sobre aplicações financeiras de renda fixa – pessoa física – cód. 8053, referente aos fatos geradores ocorridos na 4ª semana de fevereiro/97; e 2.3. Falta de pagamento de multa de mora, relativamente aos demais recolhimentos do IRRF listados no Anexo IV do auto de infração (fls. 249/253) não mencionados no item 2.2. A falta de pagamento da multa de mora levou à exigência da multa isolada no percentual de 75% sobre o principal, na forma do art. 160 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN); art. 1º da Lei nº 9.249/95; arts. 43 e 44, incisos I e II e § 1º, inc. II e § 2º, da Lei nº 9.430/96. 3. O fundamento legal do lançamento consta à fl. 199. 4. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou o lançamento através da petição de fls. 03/07, na qual alega, em síntese, o seguinte: 4.1. Que relativamente ao débito de R$ 78,77 (anexo Ia do auto de infração), vem apresentar a anexa guia DARF devidamente recolhida em 14/01/2002, com os devidos acréscimos legais, no total de R$ 218,58 (doc. 03); 4.2. Quanto aos débitos do anexo IIa do auto de infração, a situação que se apresenta não é a verdadeira, uma vez que em 1997 estavam vigentes as instruções de preenchimento de DCTF versão 5.1, que determinava que o campo 02 (período de apuração) deveria ser preenchido com a data da ocorrência ou do encerramento do período base de apuração. Neste sentido, o conceito do termo “Final do Período de Apuração” foi assim disposto: "O termo final do período de apuração dos tributos ou contribuições de periodicidade semanal será o último dia do período, mesmo que não seja útil". Alega ser de conhecimento geral, que à época o mercado adotou como sendo o último dia do período a sextafeira, e o termo "mesmo que não seja útil" foi aplicado às sextasfeiras que coincidiam com feriado, e não aos sábados. No entanto, é certo que o que se pretendia era estabelecer o sábado como sendo o termo final do período de apuração, tanto assim que as instruções de preenchimento de DCTF versão 6.1, editadas posteriormente, esclareceram definitivamente a controvérsia ao dispor que "no caso de apuração semanal, exceto para a CPMF, o período de apuração iniciase (termo inicial) no domingo e encerrase (termo final) no sábado". Ocorre que em razão da interpretação equivocada adotada pelos contribuintes em geral, houve erro de preenchimento de DCTF, razão porque apresenta em anexo à impugnação DCTF Retificadora (doc. 04), relativamente à qual requer o seu regular processamento, para retificar os períodos de apuração e respectivas datas de vencimento, conforme demonstram os quadros de fls. 06 e 07; 4.3. Que entende estar demonstrado que todos os recolhimentos foram regularmente efetuados nos seus respectivos vencimentos, não havendo que Fl. 421DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 se falar em recolhimento extemporâneo e, por via de conseqüência, nem na aplicação de juros moratórios ou multa de ofício, devendo ser julgada procedente a presente impugnação, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e o arquivamento deste processo administrativo. 5. O processo foi enviado a esta DRJ para julgamento, tendo sido devolvido à unidade de origem através do despacho de fl. 259, em virtude de o contribuinte alegar pagamento dos débitos, o que motivaria revisão do lançamento por parte da delegacia de jurisdição do contribuinte. 6. A Dicat da DRF/RJI proferiu o despacho de fl. 262, esclarecendo o seguinte: 6.1. Que não consta nos sistemas informatizados apresentação de DCTFs Retificadoras (fl 261), e ainda, que DCTF Retificadora não produz efeito quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal; 6.2. Que quanto à alegação de pagamentos, que motivaria a Revisão de Lançamento por parte da Delegacia que jurisdiciona o contribuinte, tratase apenas de um débito de IRRF no valor de R$ 78,77, relativo ao código de receita 0481, período de apuração 0402/ 1997, o qual já havia sido extinto automaticamente pelo próprio sistema, com a alocação do respectivo pagamento. 6.3. Que quanto aos acréscimos legais, tratase de multas de ofício e juros isolados por atraso de pagamentos do IRRF do 1º Trim/97, apuração semanal, cujo vencimento é até o 3º dia útil da semana subsequente à ocorrência do fato gerador. A interessada argumenta que não houve recolhimento fora do prazo, mas tão somente erro de preenchimento de DCTF, o que enseja, salvo melhor juízo, julgamento de mérito. A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a impugnação. O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1243.646 da 6ª Turma da DRJ/RJ1 em 18/06/2012 (fl. 280 pdf). Sobreveio Recurso Voluntário em 18/07/2012 (fls. 289/298), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi, Relatora O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.001483/200211 Acórdão n.º 2301004.587 S2C3T1 Fl. 421 5 Relativamente à infração descrita como “Multa de mora e/ou juros de mora pagos a menor”, que resultou no lançamento de ofício de diferença de multa paga a menor no valor de R$19,21 e de juros de mora pagos a menor ou não pagos no valor total de R$4.736,63, alega a Recorrente que estavam vigentes as instruções de preenchimento de DCTF versão 5.1, que determinava que o campo 02 (período de apuração) deveria ser preenchido com a data da ocorrência ou do encerramento do período base de apuração. Argumenta que em razão da interpretação equivocada adotada pelos contribuintes em geral, houve erro de preenchimento da DCTF, e apresentou anexo a impugnação, DCTF Retificadora quanto aos períodos de apuração e respectivas datas de vencimento. Dito isso, utilizo como razões de decidir, o voto do Ilustre Relator João Bellini Júnior, no Acórdão 2102003.296, abaixo transcrito: A multa e aos juros de mora, lançados isoladamente, devem ser afastados uma vez que decorrem do chamada imputação, ou amortização, linear, a qual levava em conta o preenchimento, efetuado pela contribuinte, das linhas do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) com que ela pagava, a destempo, o débito tributário. A imputação linear foi objeto dos pareceres PGFN/CDA 1936/2005 e PGFN/CAT 74/2012, que concluíram pela impossibilidade de sua utilização. A ementa do primeiro parecer (PGFN/CDA 1936/2005) é citada no corpo do segundo (PGFN/CAT 74/2012), a saber: Amortização linear. Impossibilidade. No silêncio do art. 163 do Código Tributário Nacional, aplicase o disposto no art. 167, por analogia e simetria. Quando se trata da imputação do pagamento entre os valores do ‘principal’, ‘multa’ e ‘juros’, de um mesmo crédito tributário, a amortização proporcional é a única forma admitida pelo Código Tributário Nacional. (Parecer PGFN/CDA 1936/2005) (Grifouse.) Destaco também alguns trechos do PGFN/CAT 74/2012: A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Memorando nº 1533/2011RFB/Gabin, de 20 de dezembro de 2011, encaminha consulta a esta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, constante da Nota Técnica 36 – Cosit, de 2 de dezembro de 2011, nos termos seguintes: (...) 9. Contudo, ressaltase que tanto a Nota Cosit nº 106, de 2004, como o Parecer PGFN/CDA nº 1.936/2005 foram emitidos antes da alteração ocorrida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007. A alteração foi no sentido de excluir o inciso II do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, porque tal dispositivo ensejava a amortização linear, que a PGFN havia refutado por ocasião do Parecer PGFN/CDA nº 1.936/2005. Portanto, entendese que a imputação proporcional é compatível com a Lei nº 9.430, de Fl. 423DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 1996, e, inclusive, temse que os sistemas da RFB foram adequados para adoção dessa modalidade de imputação e não da imputação linear. (...) 38. Ocorre que – e aqui já começamos a adentrar mais diretamente o cerne da consulta – o CTN não contém (como corretamente apontado pela SRFB) nenhuma regra expressa de imputação de pagamento para os casos em que o contribuinte tenha um débito tributário vencido para com o mesmo Fisco, composto de principal e juros, e efetue pagamento insuficiente para extinguilo em seu todo. No que, portanto, distinguese do direito privado, onde, como já vimos, há expresso comando de imputação primeiramente aos juros vencidos (artigo 354 do NCC). 39. Diante desse silêncio, o que cumpre indagar é: como a autoridade administrativa há de proceder diante de um caso assim? (i) Pode ela escolher um daqueles elementos (p. ex., os juros) para nele imputar o pagamento? (ii) Deve ela aceitar eventual imputação efetuada pelo contribuinte (p. ex., no principal)? (iii) Ou deve ela fazer a imputação primeiramente nos juros, por força de eventual aplicação subsidiária analógica do artigo 354 do NCC? Para o caso de rejeitaremse tais soluções, é de indagarse: (iv) deve a autoridade proceder a rateio, imputando, proporcionalmente, uma parte do valor pago ao principal e a outra aos juros? Ou (v) deve a autoridade simplesmente abater do débito o valor pago, desconsiderando, tout court, que ele se compõe de tais elementos? Qual deve ser a solução, afinal? (...) 102. De tudo isso se dessume que a única solução viável para o nosso problema à luz do CTN é aquela descrita no item 39.iv, consistente em que o pagamento deve ser imputado a todos os elementos de que se componha o crédito tributário, mediante rateio, pois dessa forma é que se terá um equilíbrio entre a posição do contribuinte e a posição do Fisco nesta seara. (...) 108. De tudo, nossa conclusão é no sentido de que, diante do pagamento nãointegral de crédito tributário composto por mais de um elemento (principal, juros, penalidades pecuniárias), deve a autoridade administrativa efetuar a imputação proporcional entre cada um desses elementos.1 109. A idêntica conclusão, mas por caminho hermenêutico diverso, chegou o Parecer PGFN/CDA/Nº 1936/2005,2 que consubstancia o entendimento prevalecente até esta data no âmbito desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional sobre o 1 Exemplificando: débito de IOF de 4.000 reais, composto de principal de 3.000 reais (equivalentes a 75% do débito), de juros de 500 reais (equivalentes a 12,5% do débito) e de multa de mora de 500 reais (equivalentes a 12,5% do débito); pagamento de 400 reais (insuficientes para cobrir o débito, ou mesmo qualquer de seus componentes); pela imputação proporcional o valor pago (400 reais) será dividido entre cada componente do débito conforme a proporção acima referida (75%, 12,5% e 12,5%): 300 reais para o principal, 50 reais para os juros e 50 reais para a multa. 2 A que já fizemos referência, sendo que a própria consulta parte das conclusões nele postas, na matéria. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.001483/200211 Acórdão n.º 2301004.587 S2C3T1 Fl. 422 7 assunto. Ali, com efeito, também se conclui que, na hipótese aqui tratada, a imputação deve ser proporcional entre os componentes da dívida. O fundamento ali utilizado foi, no entanto, o da analogia com a regra do artigo 167, caput, do CTN, relativa à restituição de tributos, que dispõe: (...) 120. Dito tudo isso, prossigamos na análise da consulta, lembrando que a situação de fato subjacente à controvérsia nela descrita é aquela em que o particular tem um débito tributário que não é pago no seu vencimento, mas em data posterior, ainda que o valor pago corresponda, exatamente, ao montante que era devido na data do vencimento. Exemplificando: o contribuinte devia 10.000 reais em MAI de 2009; pagou exatos 10.000 reais; mas fêlo, v.g., três (3) anos depois, em MAI de 2012.3 121. Ora, sabendose que sobre o débito tributário não pago no vencimento incidem, pelo menos4, encargos relativos à mora – juros de mora (sempre)5 e multa de mora (quando prevista)6 –, o que se tem é que o contribuinte, a rigor, deveria ter pago, além daquele valor (10.000 reais), também a quantia referente aos citados encargos moratórios, incidentes entre a data do vencimento e a data do pagamento. (...) 123. Anotese que os referidos encargos (juros de mora e multa de mora) incidem imediatamente após o vencimento do débito tributário, decorrentes, como são, diretamente da lei, não se fazendo necessária, para que isso ocorra, a prática de qualquer ato da autoridade administrativa.7 124. Fácil concluir, portanto, que um pagamento como aquele acima descrito – que não inclui nem o valor dos juros de mora nem o valor da multa de mora (esta, quando prevista8) – jamais se poderá caracterizar como um pagamento integral do débito tributário. 125. Sendo, pois, parcial um pagamento assim e estando o débito tributário – desde o vencimento – composto por mais de um elemento (quais sejam: principal e, pelo menos, encargos da 3 Não vamos analisar neste Parecer a situação em que o particular paga – prosseguindo no exemplo – 9.000 reais, ou seja, menos que o próprio valor original. 4 Ou seja, sem prejuízo de outras cominações. 5 Vide nota de rodapé adiante. 6 Vide nota de rodapé adiante. 7 É o que demonstra, quanto à multa de mora e aos juros de mora, GILBERTO RODRIGUES GONÇALVES [Juros de Mora sobre Dívidas Tributárias: Ilegitimidade da Contagem de Prazo Adotada, Revista Dialética de Direito Tributário nº 152, maio 2008, pp. 93102 (p.96)] e, quanto aos juros de mora, LUCIANO AMARO (Direito Tributário, cit., p. 392). 8 E que, além disso, não seja excluída por força da aplicação do artigo 138 do CTN. Esse dispositivo, como se sabe, afasta a responsabilidade por infrações quando denunciadas espontaneamente pelos contribuintes antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração e desde que pago, se for o caso, o respectivo tributo, o que impede a incidência de multas de natureza punitiva, categoria em que a multa de mora se inclui, conforme reconhecido, de resto, por esta PGFN no Parecer PGFN/CAT/Nº 1347/2001, de 12 de junho de 2001, onde se afasta sua caracterização como cominação de índole meramente indenizatória. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 mora), a conseqüência inarredável é a de que será necessário efetuarse a imputação do valor pago por entre esses elementos. 126. Essa imputação, mais que necessária, é, como toda imputação de pagamento na seara tributária, um dever da autoridade administrativa, não podendo deixar de ser praticada – nos termos do artigo 163 do CTN –, e, isto, de forma proporcional entre aqueles componentes do crédito tributário, tudo, na forma do que mais acima exposto. 127. Com isso, rechaçase, de pronto, a postura que, segundo a consulta, algumas Delegacias Regionais de Julgamento, da SRFB, vêm adotando – na situação em que o contribuinte paga débito tributário federal em data posterior à do vencimento sem incluir o valor referente à multa de mora –, consistente em lançar simplesmente a citada multa.9 128. Por meio de tal postura, como se vê, a autoridade administrativa não procede à imputação proporcional do pagamento, deixando de lançar o resíduo de principal, o resíduo de juros de mora e o resíduo de multa de mora que, necessariamente, dela (imputação proporcional) decorreriam, o que, a toda evidência, não pode ser aceito. (...) 130. Retomando o raciocínio, não se pode, com efeito, acatar a postura acima descrita, porque ela não é condizente com o dever imposto pelo artigo 163 do CTN à autoridade administrativa de efetuar a imputação de pagamento nos casos em que o contribuinte paga valor insuficiente para saldar todo o débito tributário e de fazêlo proporcionalmente entre os elementos de que ele seja composto, como tanto vimos enfatizando nesta manifestação. (...) 133. De tudo, a solução correta, segundo nos parece, será então a de: 1) apurar o valor do débito tributário na data do pagamento, fazendo, para isso, o acréscimo dos encargos da mora (multa de mora e juros de mora) sobre o valor que era devido na data do vencimento, incidentes entre essa data e a do pagamento; 2) apurar quanto de principal, quanto de juros de mora e quanto de multa de mora, foram efetivamente pagos; noutras palavras: efetuar a imputação do pagamento proporcionalmente aos elementos de que passou a ser composto, a partir do vencimento, o débito tributário (principal, multa de mora e juros de mora); 3) lançar o saldo devedor remanescente10, isto é, o valor não pago11, para, em seguida, iniciarse a respectiva cobrança (...) 9 Imaginandose uma multa de mora de 30%, teríamos, então, no mesmo exemplo que demos acima, 30% sobre 10.000 reais, que é o valor não pago no vencimento, perfazendo 3.000 reais, num total de 13.000 reais. 10 Discriminandose, evidentemente, os elementos de que composto o saldo (resíduo de principal, resíduo de juros de mora, resíduo de multa de mora). 11 Sem prejuízo da incidência de juros de mora sobre esse saldo, na forma do § 3º do já citado artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, acima reproduzido. Tratase, também aqui, da taxa SELIC. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.001483/200211 Acórdão n.º 2301004.587 S2C3T1 Fl. 423 9 143. Chamavase linear essa forma de imputação porque levava em conta o preenchimento, efetuado pelo próprio contribuinte, das linhas do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) com que ele pagava, a destempo, o débito tributário. 144. Podese ver a associação entre a imputação linear e a formatação original do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mediante o seguinte exemplo: pagando o contribuinte, em MAI 2012, a quantia de 10.000 reais, correspondente ao valor do débito tributário devido na data de vencimento (MAI 2009) –, sem incluir, portanto, o valor da multa de mora –, e escrevendo, naturalmente, 10.000 reais na linha do DARF correspondente ao principal, não se fazia, àquela época, nenhuma imputação a título de multa de mora, ou seja, consideravase imputado o pagamento exclusivamente ao principal, lançandose a multa de ofício, de 75% (ou 150%, se houvesse fraude), sobre os 10.000 reais. 145. Tal procedimento não era – insta dizêlo com todas as letras – condizente com os ditames do artigo 163 do CTN, porque representava simples acatamento de pretendida imputação feita pelo próprio contribuinte, tendo a imputação linear, de resto, sido objeto de expresso rechaço por este órgão jurídico no Parecer PGFN/CDA/Nº 1936/2005, acima referido, com conclusão no sentido da obrigatoriedade de observância da imputação proporcional (ainda que, como já dito, se tenha trilhado ali caminho interpretativo diverso daquele que aqui utilizamos). No âmbito da Receita Federal do Brasil, por sua vez, a Nota Cosit 106, de 2004, analisou a questão de qual método de imputação – linear ou proporcional – deveria ser utilizado no âmbito da RFB, também concluindo pela imputação proporcional. Com base em tais fundamentos, descabe a imposição dos juros e da multa de mora lançados isoladamente. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000919/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo contradição no Acórdão embargado, ela precisa ser sanada, como foi o caso, porém sem gerar efeitos infringentes.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS.
IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA
Encerrado o período de apuração do tributo não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual, não havenda mais base de cálculo para exigência da multa
Numero da decisão: 1401-001.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em PARTE os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição e integrar a decisão embargada com as razões de decidir expostas no voto do Relator, bem assim retificar a ementa relacionada à concomitância das multas isoladas, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em PARTE os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição e integrar a decisão embargada com as razões de decidir expostas no voto do Relator, bem assim retificar a ementa relacionada à concomitância das multas isoladas, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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Havendo contradição no Acórdão embargado, ela precisa ser sanada, como foi o caso, porém sem gerar efeitos infringentes. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do tributo não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual, não havenda mais base de cálculo para exigência da multa Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em PARTE os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição e integrar a decisão embargada com as razões de decidir expostas no voto do Relator, bem assim retificar a ementa relacionada à concomitância das multas isoladas, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 09 19 /2 00 8- 08 Fl. 15918DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 15919DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.000919/200808 Acórdão n.º 1401001.592 S1C4T1 Fl. 1.039 3 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO interpostos pela PFN em que se alega contradição no Acórdão nº 1401001.321, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que julgou o recurso voluntário cujo Acórdão restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS NO PAF. A propositura de ação judicial preventiva (antes do lançamento do tributo) não desobriga a Fazenda Pública de formalizar o lançamento, mesmo que haja suspensão da exigibilidade do crédito tributário por qualquer das formas mencionadas no art. 151 do CTN A propositura de ação judicial, antes ou depois da autuação, importa em renúncia à instância administrativa, desde que tenham o mesmo objeto. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO EM AÇÃO JUDICIAL. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação somente será recepcionada pela Receita Federal após prévia habilitação do crédito. O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento Fl. 15920DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para cancelar as multas isoladas sobre estimativas não pagas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Bezerra (relator) e Fernando. Designado o Conselheiro Sérgio Presta para redigir o voto vencedor. O Contribuinte tomou ciência (presumida) do referido Acórdão em 11/10/2015 (trinta dias após a remessa eletrônica) e interpôs os presentes embargos no dia 22/09/2015. Em seu arrazoado, alega contradição do Acórdão embargado, nos seguintes termos: (...)Segundo os trechos acima transcritos, as multas isoladas foram exoneradas sob o fundamento de concomitância com a multa de ofício aplicada no lançamento do tributo apurado pelas regras do ajuste anual. Contudo, diante da análise dos autos, não se confirma o lançamento da multa de ofício vinculada ao tributo apurado no ajuste anual. No quadro delineado, o acórdão embargado se mostra contraditório, porquanto, em suas razões de decidir, parte de premissa equivocada para fundamentar a exoneração das multas isoladas. É o relatório. Fl. 15921DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.000919/200808 Acórdão n.º 1401001.592 S1C4T1 Fl. 1.040 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os embargos são tempestivos, mas para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência contradição apontada. Analisando os autos, verifiquei que vislumbro razão no vício de contradição apontado pela embargante. O relatório e voto vencido deixou claro de que se tratava de multas isoladas lançadas em razão de diferenças de estimativas não pagas Eis os termos do voto vencido: Questões de Mérito Da Alegação de Inocorrência de diferenças entre o escriturado e o que foi declarado/quitado — extinção do crédito tributário por compensação. A Recorrente em síntese, alega que o Auto de Infração desconsiderou as compensações efetivadas, devidamente apontadas em procedimentos administrativos próprios, e oriundas de transferências de créditos à Defendente, daí os lançamentos das multas isoladas e cobranças de diferenças de PIS e COFIN. Nesse ponto a DRJ, bem delimitou a lide: Em primeiro lugar é importante esclarecer que o presente litígio não envolve a discussão acerca da existência do direito creditório que a defesa alega ter, nem tampouco se seria passível ou não de compensação com os débitos de estimativa indicados neste processo. Essas questões devem ser (ou foram) analisadas em processo administrativo específico, a partir de petição inicial do contribuinte solicitando o reconhecimento do crédito e a realização da compensação. Considerandose que os autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL são decorrentes da imposição de penalidade por falta de recolhimento da estimativa mensal, o que importa perquirir é se anteriormente à data de formalização da exigência já estava extinto, mediante compensação, o crédito tributário cuja falta de recolhimento ensejou a aplicação da multa, conforme alega a defesa na peça impugnatória. O mesmo se aplica aos lançamentos por falta de recolhimento do PIS e da Cofins. Assim, poderemos ter as seguintes opções: a) se existem pedidos anteriores ainda não definitivamente apreciados/julgados na esfera administrativa, tal fato implicará no sobrestamento do presente julgamento; b) se já tiverem sido objeto de julgamento em última instância, a decisão se tornou definitiva na esfera administrativa, restando apenas observar no presente processo a extensão de seus efeitos; Fl. 15922DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 se não existe qualquer petição neste sentido, não há como acolher os argumentos da defesa, devendo ser mantida a exigência. A DRJ a partir daí fez um trabalho minucioso no sentido de esclarecer essas questões, baixando o processo inclusive em diligência. As conclusões obtidas são procedentes e ficou bem comprovado no presente caso que somente após a lavratura dos autos de infração o contribuinte ingressou com o pedido de habilitação do crédito, restando superada a análise da alegação da defesa de que os valores lançados de ofício teriam sido anteriormente compensados pelo sujeito passivo. Porém, o voto vencedor, de fato, na ementa e em alguns trechos do voto condutor, partiu do entendimento que estarseia diante dos casos de concomitância de multa isolada com a multa de ofício que soa acontecer nos casos de autuações provenientes de omissões de receitas onde pode haver repercussão simultânea tanto nas estimativas não declaradas/pagas quanto no imposto devido no final do ano. Eis os termos da Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação Eis os termos do voto vencido na parte relevante: (...) A partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do ano calendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1º. do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. As turmas ordinárias e a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF têm reiteradas decisões no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, conforme pode ser visto abaixo: Fl. 15923DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.000919/200808 Acórdão n.º 1401001.592 S1C4T1 Fl. 1.041 7 Entretanto, o Conselheiro Sérgio Bezerra Presta, no voto condutor do acórdão, deixou também claro que o seu voto se referia a um provimento mais amplo com relação ao cancelamento integral das multas isoladas. Ou seja, deixou claro que o afastamento da multa isolada se deu também porque uma vez encerrado o anocalendário, as estimativas são absorvidas pelo tributo apurado no ajuste, de modo que, segundo seu entendimento, não haveria mais base para a sua aplicação. Vejamos alguns trechos do seu voto nesse sentido: Observando tudo que consta dos autos, não tenho como concordar com as razões de decidir do Conselheiro Antonio Bezerra Neto em relação ao tema da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, neste ponto considero procedentes os argumentos da Recorrente tendo em vista que a questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais já está pacificada no âmbito do processo administrativo fiscal federal. Dos inúmeros julgados a respeito do tema uma maioria esmagadora entende que é impossível à imposição da multa isolada, nos termos do inciso IV do §1º, independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. E, isso demonstra que encerrado a ano calendário, não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Até porque, encerrado o ano calendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do ano calendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do ano calendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Na verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º. do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do ano calendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele ano calendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do ano calendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. De fato, a contradição existiu apenas em função da ementa que conflitava com os trechos acima do voto condutor, sendo na verdade uma aparente contradição. Sanouse a contradição demonstrando que o escopo do voto condutor é mais amplo do que a simples tese da "concomitância das bases"; bem assim retificando a ementa do Acórdão embargado para o seguinte teor mais adequado ao que ficou decidido pelo colegiado: Fl. 15924DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do tributo não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual, não havenda mais base de cálculo para exigência da multa Pelo exposto, ACOLHO em parte os embargos, sanando a contradição e integrando a decisão embargada com as razões de decidir expostas no voto, bem assim retificando a ementa relacionada à concomitância das multas isoladas, nos termos acima proposto. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 15925DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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