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Numero do processo: 10120.003215/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/08/2007
MULTA MORATÓRIA – JUROS TAXA SELIC – APLICAÇÃO – BIS IN
IDEM INOCORRÊNCIA
Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC e a multa de mora, conforme preceituam os arts. 34 e 35 da Lei nº 8.212/1991, respectivamente. Não há que se falar em bis in idem pela aplicação tanto da multa como da taxa de juros SELIC.
CONTRIBUIÇÃO SESI, SENAI, SEBRAE E SALÁRIO EDUCAÇÃO As
contribuições destinadas ao SESI, SENAI, SEBRAE e a relativa ao Salário Educação têm a cobrança amparada por dispositivos legais vigentes CONTRIBUIÇÃO INCRA As empresas urbanas e rurais estão sujeitas à incidência da contribuição social para o INCRA
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.116
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/08/2007 MULTA MORATÓRIA – JUROS TAXA SELIC – APLICAÇÃO – BIS IN IDEM INOCORRÊNCIA Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC e a multa de mora, conforme preceituam os arts. 34 e 35 da Lei nº 8.212/1991, respectivamente. Não há que se falar em bis in idem pela aplicação tanto da multa como da taxa de juros SELIC. CONTRIBUIÇÃO SESI, SENAI, SEBRAE E SALÁRIO EDUCAÇÃO As contribuições destinadas ao SESI, SENAI, SEBRAE e a relativa ao Salário Educação têm a cobrança amparada por dispositivos legais vigentes CONTRIBUIÇÃO INCRA As empresas urbanas e rurais estão sujeitas à incidência da contribuição social para o INCRA INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Negado
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Não há que se falar em bis in idem pela aplicação tanto da multa como da taxa de juros SELIC. CONTRIBUIÇÃO SESI, SENAI, SEBRAE E SALÁRIO EDUCAÇÃO As contribuições destinadas ao SESI, SENAI, SEBRAE e a relativa ao Salário Educação têm a cobrança amparada por dispositivos legais vigentes CONTRIBUIÇÃO INCRA As empresas urbanas e rurais estão sujeitas à incidência da contribuição social para o INCRA INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Negado Fl. 163DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/10/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 164DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/10/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.003215/200835 Acórdão n.º 2402002.116 S2C4T2 Fl. 164 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA), bem como diferenças de acréscimos legais. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 40/42), constituem fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração paga aos segurados empregados registrados na empresa, apurada com base nas folhas de pagamentos e GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social apresentados. A notificada foi intimada do lançamento em 24/03/2008 e apresentou defesa (fls. 50/86) onde alega que diversas ilegalidades foram apuradas pela impugnante nos encargos arbitrados pela fiscalização sobre o débito, além do que o débito notificado penderia de discussão judicial. Alega a ilegitimidade da cobrança da contribuição ao INCRA cuja cobrança de empresa que desenvolve atividades exclusivamente urbanas seria ilegal, pois o INCRA não exerce qualquer atividade de natureza previdenciária em beneficio dessas empresas. Considera as contribuições do Salário Educação, bem como as destinadas ao SESI, SENAI e SEBRAE inconstitucionais. Pretende que a multa seja excluída em face de alegada denúncia espontânea nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. Além disso, a multa teria caráter confiscatório. Alega a ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa de juros SELIC utilizada, bem como bis in idem pela incidência de multa e juros moratórios. Pelo Acórdão nº 0328.906 (fls 110/120), a 5ª Turma da DRJ/Brasília (DF) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresenta recurso tempestivo (fls. 126/158) onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/10/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O lançamento em questão referese a contribuições incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados as quais foram apuradas nas folhas de pagamento e GFIPs apresentadas pela recorrente que não efetuou o recolhimento das contribuições devidas em sua integralidade. O cerne do recurso apresentado pela notificada reside em atacar a legalidade/ constitucionalidade das contribuições destinadas aos terceiros e da taxa de juros SELIC utilizada. Alegar o caráter confiscatório da multa e suposto bis in idem pela incidência de juros e multa simultaneamente. Cumpre dizer que embora a recorrente tenha manifestado seu inconformismo pela cobrança de contribuições ao SESI e SENAI, tais contribuições não foram objeto de lançamento, uma vez que o lançamento compreende contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC. Ressaltase que tanto a multa, a aplicação da taxa de juros SELIC como as contribuições destinadas aos terceiros em questão têm previsão legal em dispositivos vigentes no ordenamento jurídico pátrio e não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de dispositivos vigentes. A aplicação da taxa de juros SELIC e a multa moratória tiveram amparo nos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/1991, respectivamente, os quais vigiam à época do lançamento. Asseverese que a legislação previa a aplicação tanto da taxa de juros SELIC como da multa, o que afasta a alegação de bis in idem. Além disso, a utilização da taxa de juros SELIC é matéria sumulada no âmbito do CARF, conforme se verifica na Súmula nº 04 publicada pela Portaria MF nº 383 – DOU de 14/07/2010. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. De igual forma, não cabe desconstituir o lançamento no que tange às contribuições destinadas aos terceiros, INCRA, Salário Educação e SEBRAE, pois todas tem amparo em legislação vigente. Quanto à alegada inconstitucionalidade das contribuições, cumpre dizer que a recorrente deve apresentar tal inconformismo perante o Poder Judiciário que detém a competência para manifestarse a respeito. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/10/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.003215/200835 Acórdão n.º 2402002.116 S2C4T2 Fl. 165 5 A impossibilidade de se argüir a respeito da constitucionalidade de dispositivos legais no âmbito administrativo decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 14/07/2010, por meio da Portaria MF nº 383, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/10/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A recorrente ainda alega que não seria obrigada ao recolhimento da contribuição destinada ao INCRA uma vez que se trata de empresa com atividade urbana e não rural. Não assiste razão à recorrente. Cumpre informar que a contribuição ao INCRA possui natureza jurídica de contribuição social, conforme se verifica na jurisprudência colacionada: TRIBUTÁRIO – ATIVIDADE COMERCIAL QUE É FOMENTADA PELA ATIVIDADE RURAL – LEGITIMIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO – FUNRURAL E INCRA – INOCORRÊNCIA DE LBI – TRIBUTAÇÃO – CONSTITUCIONALIDADE DA COBRANÇA – I. Nenhum óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL INCRA, eis que a contribuição social cobrada ao empregador financia a cobertura dos riscos aos quais está sujeita toda a coletividade de trabalhadores e não apenas seus empregados. II. A partir da Emenda nº 08/7 à Constituição Federal de 1967/69, a contribuição ao Funrural passou a ter natureza jurídica de contribuição social. Como tal, destinase ao financiamento de atividades que não são próprias do Estado mas que, pelas suas fundas repercussões sociais, a ele interessa incentivar e desenvolver, em benefício da coletividade como um todo, decorrendo a obrigação do sujeito passivo, na espécie, exclusivamente do mandamento que lhe impõe este dever, no caso a Lei 2.613/55, com suas alterações posteriores. III. Entendimento que se mantém após a promulgação da Carta Magna atual, à inteligência do seu art. 195, I. IV. Constitucionalidade da cobrança da parcela de 2,4%, incluída na contribuição previdenciária e destinada ao custeio da previdência rural a cargo da apelante, empresa urbana, reconhecida (TRF 2ª R – MAS 2000.02.01.0009986 – RJ – 1ª T. – Relª Desª Fed. Julieta Lídia Lunz – DU 05/04/2001). PREVIDENCIÁRIO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O INCRA – CONSTITUCIONALIDADE – As empresas urbanas e rurais estão sujeitas à incidência da contribuição social para o INCRA, mesmo após o advento da CF/88 e da criação do SENAR pela Lei 8.315/91. A exação a cargo do INCRA possui a natureza de contribuição social, pois tem como objeto atividades que interessam ao Estado, em virtude de beneficiarem toda a sociedade, atendido o princípio da solidarização da Seguridade Social, incerto no art. 195 da Constituição Federal 9TRF 2ª R – MAS 2000.02.01.0440879 – RJ 4ª T. – Des. Fed. Fernando Marques – DJU 12.03.2001 Portanto, não se verificam as ilegalidades ou inconstitucionalidades alegadas pela recorrente. Assim, o lançamento está correto e deve prevalecer. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/10/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.003215/200835 Acórdão n.º 2402002.116 S2C4T2 Fl. 166 7 Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 169DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/10/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16682.904324/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. ALTERAÇÃO. CRÉDITO. FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos pedidos de ressarcimento ou declaração de compensação, a análise do direito de crédito é o mérito da contenda submetida ao rito do PAF. Eventuais erros, de fato, de preenchimento do PER/DCOMP, podem, em tese, serem revistos sem prejuízo da continuidade do processo administrativo, ou seja, a correção efetivada não interfere no valor do crédito e nem no período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP. Existem várias situações possíveis que permitem correção pela unidade de origem, conforme explicado no Parecer Normativo COSIT de nº 2, de 28 de agosto de 2015.
Entretanto, tal possibilidade de correção não ampara erros de direito, como a situação vista nos autos, no caso a alteração e/ou introdução de período(s) de apuração de crédito (novo(s) saldo negativo), pois alterações desta natureza implicam, necessariamente, na formalização deste crédito, ou seja, o novo crédito que se apresenta precisa estar devidamente registrado em PER/DCOMP, o qual é o meio juridicamente adequado para declarar e requerer a compensação prevista no art.74 da Lei nº 0.430/1996.
Nesse caso, restava ao Contribuinte a alternativa de retificar ou cancelar o PER/DCOMP e, se possível, transmitir um novo PER/DCOMP com as informações que entender corretas, providências, entretanto, não adotadas.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO.
Apenas os documentos de retenção de imposto não são suficientes ao seu aproveitamento na formação de saldo negativo de IRPJ, sendo condição necessária a devida comprovação de que tais rendimentos foram computados na receita declarada.
Numero da decisão: 1401-006.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligências e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves.
Nome do relator: Cláudio de Andrade Camerano
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. ALTERAÇÃO. CRÉDITO. FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos pedidos de ressarcimento ou declaração de compensação, a análise do direito de crédito é o mérito da contenda submetida ao rito do PAF. Eventuais erros, de fato, de preenchimento do PER/DCOMP, podem, em tese, serem revistos sem prejuízo da continuidade do processo administrativo, ou seja, a correção efetivada não interfere no valor do crédito e nem no período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP. Existem várias situações possíveis que permitem correção pela unidade de origem, conforme explicado no Parecer Normativo COSIT de nº 2, de 28 de agosto de 2015. Entretanto, tal possibilidade de correção não ampara erros de direito, como a situação vista nos autos, no caso a alteração e/ou introdução de período(s) de apuração de crédito (novo(s) saldo negativo), pois alterações desta natureza implicam, necessariamente, na formalização deste crédito, ou seja, o novo crédito que se apresenta precisa estar devidamente registrado em PER/DCOMP, o qual é o meio juridicamente adequado para declarar e requerer a compensação prevista no art.74 da Lei nº 0.430/1996. Nesse caso, restava ao Contribuinte a alternativa de retificar ou cancelar o PER/DCOMP e, se possível, transmitir um novo PER/DCOMP com as informações que entender corretas, providências, entretanto, não adotadas. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. Apenas os documentos de retenção de imposto não são suficientes ao seu aproveitamento na formação de saldo negativo de IRPJ, sendo condição necessária a devida comprovação de que tais rendimentos foram computados na receita declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligências e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves.
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ALTERAÇÃO. CRÉDITO. FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos pedidos de ressarcimento ou declaração de compensação, a análise do direito de crédito é o mérito da contenda submetida ao rito do PAF. Eventuais erros, de fato, de preenchimento do PER/DCOMP, podem, em tese, serem revistos sem prejuízo da continuidade do processo administrativo, ou seja, a correção efetivada não interfere no valor do crédito e nem no período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP. Existem várias situações possíveis que permitem correção pela unidade de origem, conforme explicado no Parecer Normativo COSIT de nº 2, de 28 de agosto de 2015. Entretanto, tal possibilidade de correção não ampara erros de direito, como a situação vista nos autos, no caso a alteração e/ou introdução de período(s) de apuração de crédito (novo(s) saldo negativo), pois alterações desta natureza implicam, necessariamente, na formalização deste crédito, ou seja, o novo crédito que se apresenta precisa estar devidamente registrado em PER/DCOMP, o qual é o meio juridicamente adequado para declarar e requerer a compensação prevista no art.74 da Lei nº 0.430/1996. Nesse caso, restava ao Contribuinte a alternativa de retificar ou cancelar o PER/DCOMP e, se possível, transmitir um novo PER/DCOMP com as informações que entender corretas, providências, entretanto, não adotadas. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. Apenas os documentos de retenção de imposto não são suficientes ao seu aproveitamento na formação de saldo negativo de IRPJ, sendo condição necessária a devida comprovação de que tais rendimentos foram computados na receita declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 43 24 /2 01 1- 98 Fl. 587DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligências e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves. Relatório Inicio transcrevendo relatório e voto da decisão recorrida, nos termos do Acórdão de nº 12-77.785 proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJO, em sessão de 20 de junho de 2015. Relatório O presente processo versa sobre os PER/Dcomp 37541.31395.190407.1.7.02- 0652 e 34829.19608.150805.1.3.02-8208. Conforme consta na Dcomp (fl.333), o crédito se refere ao saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2004 no valor de R$ 1.716.221,28. O total do crédito original utilizado na Dcomp foi de R$ 1.099.638,05. No Despacho Decisório de fl. 38 e 364, consta o reconhecimento parcial do crédito com as seguintes alegações: 11.716.221,28 10.606.919,30 a: R$ 0,00 [...] A “Análise do Crédito” está inserta nas fl. 39 a 43. Fl. 588DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 [...] [...] A interessada se insurgiu, em 17/02/2012, contra o disposto no Despacho Decisório, através da manifestação de inconformidade (fl. 2 a 29), apresentando os argumentos que se seguem: [...] DOS FATOS. O crédito o pleiteado por meio do "PER/DCOMP" n°37541.31395.190407.1.7.02-0652 se refere ao saldo negativo do "IRPJ" para o ano de 2004, sendo que a parte que deixou de ser reconhecida se refere às retenções na fonte e de estimativas compensados com saldos negativos de períodos anteriores, sendo que estas tinham por origem em saldo negativo de Imposto sobre a Renda apurado para o ano-base 2002 e devidamente indicado e constituído em sua Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") exercício 2003. DO DIREITO. Ocorreu um erro de fato, o qual, contudo, não é capaz de inviabilizar a demonstração do direito creditório. seriam oriundos de "saldo negativo do ano calendário de 1998”, quando, em verdade, a informação correta seria que os referidos créditos eram decorrentes de "saldo negativo dos anos calendários de 1994 e 1995 (IRPJ)", os quais foram refletidos nas DIPJ dos respectivos períodos. estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores que tem origem em incorporações feitas pela REQUERENTE, sendo que o valor compensado está refletido nos documentos físicos. RENTE, é realizado o pagamento do valor proporcional àquelas, conforme comprovante anexo. DOS DÉBITOS DE ESTIMATIVA COMPENSADOS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES. Parte do direito creditório utilizado refere-se aos créditos apurados sob a rubrica de saldo negativo Fl. 589DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 acumulado de períodos anteriores, que foram glosados. A mesma, em sua maior parte, é oriundo dos saldos negativos da própria impugnante. formação do referido saldo negativo, a ensejar a legitimidade da compensação. A parte restante, também não homologada, corresponde àqueles créditos decorrentes da incorporação de outra sociedade. DO SALDO NEGATIVO DO "IRPJ" DO PERÍODO ENTRE 1999 e 2002. Como se vê das "DIPJ'" de 1994 e 1995 o saldo negativo apurado nos referidos períodos de apuração eram, respectivamente, no montante de R$ 2.037.031,68 e R$ 205.065,67. -se indicados nos seus documentos fiscais, os quais, em momento algum, foram questionados ou glosados e que foram naturalmente homologados pela Autoridade Administrativa. Os referidos lançamentos, gozam da certeza e da estabilidade proporcionada pela homologação tácita por parte Administração servindo, portanto, como meios de prova legítimos para pleitear-se um direito creditório. -base de 1994 e 1995 respaldaram diversas compensações, especialmente aquelas realizadas através das "DCTF" de 1999 ainda que, repita-se à exaustão, por um simples erro de preenchimento tenha constado indicação diversa quanto à origem do saldo negativo. -calendário de 1999, constante na DIPJ 2000. O item "Antecipações IRPJ" é composto pelo somatório dos recolhimentos realizados ao longo do ano-calendário de 1999, sendo R$ 2.709.873,29 recolhidos através de DARF acrescido de R$ 971.577,50, relativos à compensação de parte do saldo negativo do ano- calendário de 1997, conforme apurado na DIPJ/1998 e utilizado nas DCTF/1999, nas quais, constou equivocadamente que o saldo negativo seria relativo ao ano-calendário de 1998. O montante relativo ao IR Fonte é aquele constante da "DIPJ/2000". Valor Final de Saldo Negativo de IRPJ para o Ano- Calendário de 1999: R$ 1.362.120,18. -calendário de 2000, constante na DIPJ 2001. negativo de 1999 no valor de R$ 1.362.120,18, através de compensações realizadas diretamente na DCTF do 1o e 2º trimestre de 2000. O montante relativo ao IR Fonte é o da "DIPJ/2001". O Saldo Negativo de CSLL para o Ano-Calendário de 2000: R$ 850.846,93. -calendário de 2001, constante na DIPJ 2003. O item "Antecipações IRPJ" é composto pelo somatório dos recolhimentos realizados ao longo do ano-calendário de 2001, sendo R$ 91.820,00 recolhidos através de DARF acrescido de R$ 458.638,75, relativos à compensação de parte do saldo negativo do ano-calendário de 2000 conforme apurado na DIPJ/2001 (R$ 850.746,93) e realizados nas DCTF do 1º e 2º trimestres de 2001. O montante relativo ao IR Fonte é aquele constante da "DIPJ/2002". Valor Final de Saldo Negativo de IRPJ para o Ano-Calendário de 2001: R$ 653.139,04. Fl. 590DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 -calendário de 2002 constante na DIPJ 2002. O item "Antecipações IRPJ" é composto pelo somatório dos recolhimentos realizados ao longo do ano-calendário de 2002, sendo R$ 486.257,41 recolhidos através de DARF acrescido de R$ 862.793,81, relativos à compensação de saldos negativos dos anos-calendário de 1999 a 2002 e realizados na DCTF do 1º trimestre de 2002. O montante relativo ao IR Fonte é aquele constante da "DIPJ/2003". Valor Final de Saldo Negativo de IRPJ para o Ano-Calendário de 2002: R$ 865.941,91 DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DA COMPENSAÇÃO QUANDO COMPROVADO O CRÉDITO -se identificadas em suas respectivas "DIPJ". Nas "DCTF" do ano de 1999 foi indevidamente informado que o saldo negativo que estava sendo utilizado para respaldar a compensação realizada era decorrente do ano-calendário de 1998, quando a informação correta era no sentido que o saldo negativo era referente aos anos-calendário de 1994 e 1995 ("IRPJ"), os quais, posteriormente, foram utilizados e refletidos nas "DIPJ" relativas aos anos-calendário de 1999 a 2002. informações contidas em documentos fiscais caberia a esta a realização de diligências. existência de um crédito em razão do instrumento que comunicou a compensação conter um erro formal. Foi apenas erro no veículo/instrumento que noticiou o Fisco da origem do direito creditório. noticia a compensação realizada, não pode servir para se ignorar o direito da requerente. Tal posição já foi amplamente reconhecida pelos órgãos julgadores e pela doutrina. DO SALDO NEGATIVO DECORRENTE DA INCORPORAÇÃO. Uma parcela dos créditos glosados, expostos no campo das "Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores, com Processo Administrativo, Processo Judicial ou DCOMP" da "Análise das Parcelas de Crédito" é oriunda do saldo negativo apurado por outra sociedade, incorporada pela REQUERENTE. 35710.17046.281204.1.3.03-2501,01971. 49604.090407.1.7.03-9760 e 39389.84432.281204.1.3.03-0019, refere-se aos saldos negativos de períodos anteriores apurados pela empresa E.M. Suprimentos Analíticos lida "CNPJ" n° 42.294.785/0001-00, no montante de R$ 805, 56, R$ 4.219,11 e R$ 906,12. 224 ao 227, da Lei n° 6.404/76, a REQUERENTE sucedeu a E. M. Suprimentos Analíticos Ltda. em seus direitos e obrigações. -calendário de 2000, 2001 e 2002 não deixam dúvidas: a pessoa jurídica E. M. Suprimentos Analíticos Ltda. apurou saldos negativos de R$ 475, 09, R$ 590,38 e$ 2.968,49. Fl. 591DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 ntes aos períodos em que os referidos saldos foram originados de forma que, pelo confronto dos PER/DCOMP com as "DIPJ" resta evidente a necessidade de que sejam homologadas as compensações. DA FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE APROVEITAMENTO EM RELAÇÃO AO ANO CALENDÁRIO 2004 EM RELAÇÃO ÀS RETENÇÕES. REQUERENTE, essa suportou o correspondente a R$ 100.900,39 de modo que deverá ser homologada quase que a totalidade do valor discrepante sob a rubrica de "Imposto de Renda Retido da Fonte". DO DIREITO DE CRÉDITO DECORRENTE DE RETENÇÕES INCIDENTES SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Parte do saldo negativo apurado se refere ao Imposto de Renda retido em razão de aplicações financeiras de renda fixa de R$ 393.944,21 efetivadas no ano de 2004 tendo sido corretamente informadas no "PER/DCOMP". Tabela na fl. 23. uma, qual seja, a de n° 0060, no total de R$ 140.478,10. Tal retenção está demonstrada pelo informe do Banco Itaú BBA S/A . sofreu retenções decorrentes de aplicações financeiras da ordem de R$ 393.944,21 motivo pelo qual está demonstrado o seu direito ao crédito. 100.217,27. Em relação às retenções em que não foram localizados os comprovantes a REQUERENTE, neste ato, comprova o seu pagamento. DO DIREITO DE CRÉDITO DECORRENTE DE RETENÇÕES INCIDENTES SOBRE PAGAMENTOS A TÍTULO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO - R$8.584.138,11 sobre o capital próprio em pagamentos efetivados pela Brasil Telecom S.A. e Centrais Elétricas Brasileiras S.A. ELETROBRÁS, pessoas jurídicas das quais a REQUERENTE é acionista, no montante correspondente a R$ 8,07 e R$ 675,05 respectivamente, os quais foram devidamente retidos pelas fontes pagadores, conforme comprovantes. recolhimentos mencionados foram considerados para fins de quantificação do saldo negativo apurado em 2004. DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL. A REQUERENTE protesta pela realização de diligência/perícia com vistas a comprovar a materialidade do direito creditório. Nas fl. 26 e 27 constam os quesitos e o nome da Assistente Técnica. Nas fl. 371 a 379, consta o Acórdão nº 12-53.069-8ª Turma DRJ/RJ que declara que a manifestação de inconformidade apresentada era intempestiva. Fl. 592DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 Nas fl. 431 a 435, consta o Acórdão 1402001.803– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária que reconhece a tempestividade da manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para apreciação do mérito do recurso. É o relatório. Voto DA TEMPESTIVIDADE Analisando-se o feito verifica-se que CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF, através do Acórdão 1402001.803– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária reconheceu a tempestividade da manifestação de inconformidade, portanto, passa-se à análise do mérito. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A impugnante requereu diligências /perícia para retificar a DCTF. A matéria que é regida no se refere ao processo administrativo fiscal pelo art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 1 º da Lei n º 8.748, de 1993, transcrito a seguir: Art 16 - A impugnação mencionará: IV- as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. Há que se ressaltar que, os documentos que constam do processo são suficientes para fazer a análise do processo. As diligências ou perícias só devem ser feitas se não houver no processo documentação suficiente para formar a convicção de quem analisa o processo. Se o contribuinte quisesse trazer aos autos outros elementos probatórios, deveria apresentá-los no momento da manifestação de inconformidade, conforme dispõe o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Ressalte-se que nos processos de compensação/ restituição cabe ao contribuinte comprovar o crédito adicionando os documentos necessários. Além disso, não cabe diligência para retificar a DCTF que tem procedimento próprio. Face o exposto, rejeito o pedido da interessada. DOS ASPECTOS GERAIS O crédito declarado em Dcomp se refere ao saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2004 no valor de R$ 1.716.221,28 (fl.333), porém, o Despacho Decisório somente reconheceu crédito no montante de R$ 1.038.930,61, homologando parcialmente as compensações. Analisando-se o Despacho Decisório (fl.38), verifica-se que a controvérsia se deve aos seguintes fatos: Fl. 593DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 570.874,86. Portanto, passa-se a análise destes itens. DO IRRF Quanto a este item, foram parcialmente glosadas as retenções na fonte no valor de R$ 106.415,81. Na manifestação de inconformidade, a interessada alega que parte do IRRF se refere à retenção de aplicações financeiras de renda fixa, no montante de R$ 393.944,21. Argumenta que todas as retenções restaram confirmadas, exceto por uma, qual seja, a de n° 0060, no total de R$ 140.478,10, informa que esta está demonstrada pelo informe do Banco Itaú BBA S/A e afirma que deve ser reconhecido o direito creditório no valor correspondente a R$ 100.217,27. Analisando-se a Dcomp (fl.341) e a “Análise do Crédito” (fl.41), verifica-se que tal retenção se refere ao CNPJ 31.516.198/0001-94 declarada no código 3426-IRRF sobre aplicações financeiras. O valor total declarado soma a R$ 140.478,10, sendo reconhecido o montante de R$ 40.260,83, restando o valor de R$ 100.217,27 a ser comprovado. Com relação ao valor de R$ 100.217,27, consta no Demonstrativo para Imposto de Renda do Banco Itaú BBA, CNPJ 31.516.198/0001-94, inserto na fl.325, que tal valor ser refere imposto de renda nas operações de SWAP (código 5273), conforme se pode verificar na imagem a seguir: Ocorre que, tal retenção na fonte não faz parte do litígio, não consta da Dcomp qualquer retenção feita no código 5273- operações de SWAP, na verdade o código indicado na Declaração de Compensação é o código 3426-IRRF sobre Fl. 594DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 aplicações financeiras, portanto, a comprovação deveria ser feita tomando por base este código. Ademais, constata-se que na ficha 53 DIPJ/2005 (Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte), também não consta qualquer retenção na fonte de imposto de renda relativa ao citado código de retenção, conforme consta das imagens a seguir: [...] O fato de o contribuinte não declarar na ficha 53 DIPJ o IRRF, indica que os rendimentos relativos a esta retenção não foram considerados na apuração do IRPJ. Atente-se que o inciso III do §4º do Art. 2º da Lei 9.430/96 somente permite a dedução do imposto devido o IRRF sobre as receitas computadas na determinação do lucro real: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas Fl. 595DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo.” Como se vê, a parcela de R$ 100.217,27, não pode constar da apuração do saldo negativo de IRPJ. Quanto à parcela restante do IRRF glosados, no valor de R$ 6.198,54, o contribuinte alega que sofreu retenção de Imposto de Renda a título de juros sobre o capital próprio em pagamentos efetivados pela Brasil Telecom S.A. e Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - ELETROBRÁS, pessoas jurídicas das quais é acionista, no montante correspondente a R$ 8,07 e R$ 675,05 respectivamente, os quais foram devidamente retidos pelas fontes pagadores, conforme comprovantes. Nas fl. 327 a 330, há comprovantes de retenção na fonte de imposto de renda. Quanto à retenção de R$ 8,07 declarada na Dcomp no código 5706, realizada pela Brasil Telecom S. A - CNPJ 76.535.764/0001-43, constata-se que somente foi comprovado o valor de R$ 3,74, conforme consta do comprovante de retenção inserto na fl.327. [...] Com relação aa retenção feita pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – ELETROBRÁS- CNPJ 00.0001.180/0001-26, também foi comprovada a retenção conforme comprovante de fl. 329, a seguir reproduzido: [...] Os montantes de IRRF de R$ 8,07 e R$ 675,05 foram declarados na ficha 53 da DIPJ/2005. Portanto, há que se reconhecer os valores de R$ 3,74 e R$ 675, 05, como retenções efetivamente realizadas, contudo, os rendimentos relativos aos juros sobre o capital próprio sobre o qual incidiu os valores de IRRF não foram incluídos nas receitas do ano-calendário de 2004, conforme se pode verificar no item 23 da ficha 06 da DIPJ/2005. Neste item, que versa sobre receitas de juros sobre o capital próprio, está declarado o valor de R$ 0,00 (zero), ou seja, as receitas de juros sobre o capital próprio não foram oferecidas à tributação: [...] Como já foi ressaltado neste voto, que o inciso III do §4º do Art. 2º da Lei 9.430/96 somente permite a dedução do imposto devido o IRRF sobre as receitas computadas na determinação do lucro real, o que impede o aproveitamento destes valores de imposto de renda retidos na fonte na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano sob análise. Portanto, não valores de IRRF a serem aproveitados na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2004. DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ Com relação às estimativas de IRPJ, foram glosadas as que as compensações não foram homologadas. Tais compensações foram objeto das Dcomp nº 35710.17046.281204.1.3.03.2501; 01971.49604.090407.1.7.03-9760; Fl. 596DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 07726.97843.141207.1.7.03-4600; 41164.51299.230908.1.7.03.3304 e 39389.84432.281204.1.3.03-0919. O valor total destas compensações perfaz a R$ 570.874,86. Na manifestação de inconformidade foram feitas alegações relativas a estas Dcomp, contudo, tais argumentações não podem ser analisadas no presente processo, posto que, já foram objeto de análise em outros processos. Foi feita uma pesquisa no sistema SIEF para se saber a situação de cada Dcomp e constatou-se que há algumas compensações homologadas e outras que não foram homologadas estando os processos no CARF, conforme se constata nas imagens a seguir: [...] Como se vê foram homologadas as compensações relativas as Dcomp 01971.49604.090407.1.7.03-9760 e 39389.84432.281204.1.3.03-0919. Com relação às outras Dcomp, os seus respectivos processos encontram-se no CARF para julgamento de recursos, ou seja, já foram analisadas em 1ª instância e não foram homologadas, o que impede o seu reconhecimento para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ. Os valores das estimativas de IRPJ extintas por compensação estão especificados na tabela a seguir: DA CONCLUSÃO Da análise do processo, concluiu-se que não deve ser reconhecido qualquer valor à titulo de IRRF e quanto as estimativas de IRPJ o valor reconhecido monta a R$ 5.125,23. Tal valor aumenta o saldo negativo de IRPJ para R$1.0440.55,84. Como já tinha sido reconhecido pelo Despacho Decisório o valor de R$ 1.038.930,61, o valor a ser reconhecido por este voto monta a R$ 5.125,23. Face o exposto, dar provimento parcial à manifestação de inconformidade, para reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$ 5.125,23 e homologar parcialmente as compensações decorrentes, até o limite do direito creditório reconhecido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme Despacho de Encaminhamento (fls.584), o recurso voluntário é tempestivo. Fl. 597DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 Eis os tópicos: - DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSAR AS ESTIMATIVAS COMPENSADAS NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO – NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÉBITO, QUE DEVERÁ SER ADIMPLIDO PELO CONTRIBUINTE; - DA ORIGEM DO DIREITO CREDITÓRIO DA RECORRENTE – SALDO NEGATIVO DE IRPJ ORIGINADO EM DIVERSOS PERÍODOS DE APURAÇÃO E DE RETENÇÕES SUPORTADAS; Nota deste Relator: Desde já, destaco que a narrativa a seguir é, em sua essência, idêntica àquela apresentada no processo 13707.001028/2003-18, ora julgado nesta sessão. [...] [...] Fl. 598DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 - DOS DÉBITOS DE ESTIMATIVA COMPENSADOS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES [...] - DA FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ DO PERÍODO ENTRE O ANO-CALENDÁRIO 1999 E O ANO-CALENDÁRIO 2002 [...] Fl. 599DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 [...] - SALDO NEGATIVO DE IRPJ PARA O ANO-CALENDÁRIO DE 1999 [...] - SALDO NEGATIVO DE IRPJ PARA O ANO-CALENDÁRIO DE 2000 [...] - SALDO NEGATIVO DE IRPJ PARA O ANO-CALENDÁRIO DE 2001 [...] - SALDO NEGATIVO DE CSLL PARA O ANO-CALENDÁRIO DE 2002 [...] - DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO – IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DA COMPENSAÇÃO QUANDO COMPROVADO O CRÉDITO [...] [...] Fl. 600DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 A seguir, algo próprio deste recurso apenas: - DO SALDO NEGATIVO DECORRENTE DE INCORPORAÇÃO Fl. 601DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 - PREJUDICIALIDADE – DA NECESSIDADE DE ANÁLISE DO PRESENTE PROCESSO COM OS PROCESSOS 13701.002083/2007-09 e 15374.720008/2007-08 [...] - DA FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE APROVEITAMENTO EM RELAÇÃO AO ANO-CALENDÁRIO 2004 ACERCA DAS RETENÇÕES SOFRIDAS - Do direito de crédito decorrente de retenções incidentes sobre aplicações financeiras [...] Fl. 602DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 - Do direito de crédito decorrente de retenções incidentes sobre pagamentos a título de juros sobre capital próprio - da necessidade de realização de diligência fiscal Fl. 603DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 [...] [...] É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, Relator. Preenchido os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se conhece. O crédito informado no PER/DCOMP de final 02-0652 está relacionado ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, tendo sido reconhecido em parte pela unidade de origem, uma vez que houve glosa de parte das retenções de imposto na fonte e glosado o valor total das estimativas então compensadas com saldos negativos de períodos anteriores. Fl. 604DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 Das Estimativas Compensadas: Glosa Eis o quadro montado pela unidade de origem em seu Despacho Decisório: Conforme relatoriado, os saldos negativos de períodos anteriores, a exemplo dos processos anteriores, contém períodos de apuração que não foram informados no PER/DCOMP, procedimento atestado pela Recorrente e por ela tratado como um simples erro de fato. Daí a razão das estimativas ora compensadas serem todas glosadas, uma vez que essas antecipações de IRPJ sofreram reduções por compensação com saldos negativos (créditos) não formalizados em PER/DCOMP. Apenas para lembrar, reproduzo o relato no recurso: Conforme já destaquei no relatório deste voto, as alegações recursais seguem a mesma linha dos recursos voluntários vistos nos processos anteriores, ora julgados nesta mesma sessão. De forma que reproduzo aqui parte da decisão proferida no processo administrativo fiscal de nº 13707.001028/2003-18, proferida pelo Acórdão de nº 1401-006.020, ora julgado nesta data: Fl. 605DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 Reitere-se, não estamos diante aqui de um simples erro de fato, de um erro simples que poderia ser corrigido ou superado, tanto na unidade de origem quando na instância julgadora. Por exemplo, e este Colegiado já se deparou com inúmeras vezes a seguinte situação: a contribuinte informa em PER/DCOMP que seu crédito seria de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ, quando na realidade queria se referir ao saldo negativo de IRPJ, mas tudo do mesmo período de apuração, o crédito é um só, é o mesmo, apenas corrige-se a sua natureza, algo que que não causa nenhum embaraço à legislação aplicável. Ora, a situação ora vista afronta as regras aplicáveis à compensação, uma vez que a Recorrente simplesmente quer que se considere um novo crédito (saldos negativo de períodos anteriores), um crédito diverso ao informado nos PER/DCOMP, um crédito que não passou pelo crivo da autoridade fiscal originária, pois foi anunciado em manifestação de inconformidade, ou seja, um crédito que não encontra-se devidamente formalizado para a pretensão que dele se almeja: a compensação de débitos. Nos pedidos de ressarcimento ou declaração de compensação, a análise do direito de crédito é o mérito da contenda submetida ao rito do PAF. Eventuais erros, de fato, de preenchimento do PER/DCOMP, podem, em tese, serem revistos sem prejuízo da continuidade do processo administrativo, ou seja, a correção efetivada não interfere no valor do crédito e nem no período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP. Existem várias situações possíveis que permitem correção pela unidade de origem, conforme explicado no Parecer Normativo COSIT de nº 2, de 28 de agosto de 2015. Entretanto, tal possibilidade de correção não ampara erros de direito, como a situação vista nos autos, no caso a alteração e/ou introdução de período de apuração de crédito (novos saldos negativos), pois alterações desta natureza implicam, necessariamente, na formalização deste crédito, ou seja, o novo crédito que se apresenta precisa estar devidamente registrado em PER/DCOMP, o qual é o meio juridicamente adequado para declarar e requerer a compensação prevista no art.74 da Lei nº 0.430/1996. A Recorrente apela para a busca da verdade material, que detém os documentos e os registros contábeis das compensações, entretanto, tal idolatrado princípio revela-se inócuo no caso dos autos. Neste momento processual, torna-se irrelevante se todo o procedimento de compensação estiver contabilizado e com eventual grau de confiabilidade, a questão não é esta! A questão é que os créditos utilizados para a compensação estejam, todos, devidamente informados em PER/DCOMP, conforme dispõe o art.74 da Lei 9.430 de 1996: Art.74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 606DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 §1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A utilização na compensação de saldos negativos de IRPJ e de CSLL de períodos de apuração não indicados no instrumento jurídico adequado, o PER/DCOMP, nada mais é do que um ato unilateral da Recorrente, feito ao arrepio do conhecimento do Estado, um crédito constituído de modo insindicável pela Administração Pública. Neste sentido, trago comentários ao artigo 170 do CTN, de Ariella Ferreira da Mota, Procuradora da Fazenda Nacional, na obra Constituição e Código Tributário Nacional Comentados – Sob a Ótica da Fazenda Nacional, de 2020, Coordenadores-Gerais Cláudio Seefelder e Rogério Campos - Com entendimentos da PGFN e Jurisprudência do STJ e STF: “Constituição dos créditos do contribuinte O crédito do contribuinte perante a Fazenda Pública demanda um ato de constituição a ser realizado pelo Estado em ordem a ser executado, satisfeito, compensado. Sem esse ato estatal de reconhecimento do direito de crédito do contribuinte, não há crédito constituído a ser executado pelo contribuinte contra o Estado. O direito abstrato ao indébito tributário não garante ao contribuinte a sujeição do Estado, mas apenas lhe assegura uma pretensão oponível ao Estado e um dever do Estado de exarar uma resposta a essa pretensão, resposta que, acaso positiva, gera para o contribuinte o direito a uma prestação e, para o Estado, o dever de satisfazê-la. Não existe, no ordenamento vigente, direito incondicionado ou bastante em si para que o particular constitua unilateralmente uma obrigação pecuniária contra o Estado. Tanto quanto qualquer outro vínculo obrigacional, também o direito à execução de indébito somente pode surgir pelo reconhecimento da existência da obrigação de repetição pelas partes, resultante de um consenso obtido pelo processo administrativo de restituição ou pelo procedimento administrativo de compensação, ou ainda, por decisão judicial. [...] Logo, o direito à satisfação dos créditos somente surge logicamente se houver a constituição dos créditos.” Como já dito, restava ao Contribuinte Recorrente a alternativa de retificar ou cancelar o PER/DCOMP e, se possível, transmitir um novo PER/DCOMP com as informações que entendesse corretas, providências, entretanto, não adotadas. Ante tudo que foi exposto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, a qual reproduzi integralmente no relatório, onde ficou demonstrado, em toda a sua extensão, a clareza e solidez de sua fundamentação e o adequado seguimento à legislação que rege o instituo da compensação tributária. Ante o exposto, não há que se cogitar também de realização de diligências, conforme já acentuado de maneira adequada pela decisão recorrida. Conclusão É o voto, rejeitar o pedido de realização de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 607DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 1401-006.022 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.904324/2011-98 A inovação no recurso voluntário encontra-se nos quesitos formulados na solicitação de diligências, os quais se referem exatamente à verificação dos saldos negativos de IRPJ de períodos anteriores, comprovadamente não informados no PER/DCOMP, sendo incabível o seu deferimento, uma vez que o próprio mérito do procedimento da compensação revelou-se irremediavelmente prejudicado, neste momento processual. Das retenções glosadas e mantidas pela decisão recorrida. Neste item, a Recorrente procura demonstrar seu direito ao aproveitamento das retenções na formação do saldo negativo, destacando que os informes de rendimentos e pagamentos seriam suficientes para tal, entretanto, a decisão recorrida enfatizou que os rendimentos em questão, de aplicação financeira e juros sobre capital próprio, não haviam sido computados na determinação do lucro real, na DIPJ, questão não contestada no recurso voluntário. É o que basta para decidir. Conclusão É o voto, rejeitar o pedido de diligências e negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 608DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13707.003725/00-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 202-01.089
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA
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GLAXO WELLCOME S/A (incorporada por Glaxosmithkline Brasil Ltda.) DRJ em Juiz de Fora - MG RESOLUÇÃO N£ 202-01.089 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GLAXO WELLCOME S/A (incorporada por Glaxosmithkline Brasil Ltda.) RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. 25 de janeiro de 2007. An DlO Carlos Atuhm Presidente ;/JOY~ rl.;b",- j1 i Ú ) maria Cristina Roza da!oi.ta ,Rellltora Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Simone Dias Musa (Suplente) Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. 13707.003725/00-81 133.272 F ';F:;EGlJ7'-'~---- ~ '. .~. C I'D?_CONSE.LHO DE Cor'JTRIS'U' INTE"'S1 22 CC-MF Ministério da Fazenda Oi\I,f.l.nC (''-~'' O., ~,'.~ -'-li": Qf,IGINt,L FI. Segundo Conselho de Contribuintes '.., C".~~~:::-:~-JL-t-:';-~-~~~.:~:,~-"-:-;,;-[-,,~,~> j' I --- I ...."""",~_.---- GLAXO WELLCOME S/A (incorporada por Glaxosmithklin~Bi-asil Ltda.)Recorrenté .. Processo n£ .. Recurso n£ .,. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MG. Informa o relatório da decisão recorrida tratar-se de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao periodo de janeiro de 1999 a junho de 2000, cumulado com pedidos de compensação constantes dos autos. O referido pedido foi apreciado pela autoridade administrativa da unidade de jurisdição da recorrente, oportunidade em que auditores-fiscais em diligência promoveram a verificação fiscal da certeza e liquidez do saldo credor pleiteado. Constatadas as irregularidades na aplicação da legislação de regência, efetuaram a glosa de parte do montante reclamado como direito creditório. Entretanto, a autoridade administrativa indeferiu a totalidade do saldo credor pretendido, em face de não haver a recorrente procedido o devido estorno dos valores pleiteados na escrita fiscal no mesmo período de apuração em que apresentado o pedido de ressarcimento. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou cerceamento do direito de defesa por imprecisão dos fundamentos do despacho denegatório, pugnando pela nulidade do mesmo. No mérito alegou que o art. 375 do RIPI/98 não impôs qualquer prazo para a realização do estorno do saldo credor pelo contribuinte, não podendo a autoridade administrativa condicionar o reconhecimento do crédito requerido pela interessada ao seu prévio estorno, uma vez que não há previsão legal para tanto. Quanto à taxa Selic aplicada aos valores pretendidos como juros de mora, alegou que sua utilização assegura a igualdade de tratamento entre o Fisca e o contribuinte. Solicitou a realização de diligência para apuração e confirmação dos valores apresen::ados. A solicitação de ressarcimento de montante pleiteado, sob pena de Apreciando os termos da manifestação de inconformidade, a Turma Julgadora proferiu decisão sintetizada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000 Ementa: IPL RESSARCIMENTO. ESTORNO. crédito escriturai do IPI exige o estorno do indeferimento do pedido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000 ~. 2 I 2" CC-MF I FI. I-I Ementa: DILIGÊNCIA. É de se indeferir o pedido de diligência quando o motivo para indeferimento do pleito não depende da certeza quanto ao montante objeto do ressarcimento. Solicitação Indeferida ". Cientificada da decisão em 30/01/2006, a interessada apresentou recurso voluntário dirigido a este Conselho de Contribuintes em 24/02/2006, com as seguintes razões de dissenso: I) o efeito contábil que visa impedir a duplicidade no aproveitamento do crédito é alcançado no momento da homologação da compensação ou do ressarcimento do crédito requerido; 2) a decisão recorrida reporta-se às IN SRF n2s 125/89,210/2002 e 460/2004 para fundamentar o momento do estorno do valor do crédito pleiteado em ressarcimento, não possuindo tais atos força legal para criar ou restringir direitos, nos termos do art. 52, inciso II e art. 37 da Constituição Federal. Cita doutrina; 3) a Lei n2 9.779/1999 não determinou o momento de efetivação do estorno; 4) defende inexistir inconveniente quanto à efetivação do estorno dos valores pretendidos em momento posterior ao pedido de ressarcimento, podendo o órgão condicionar a homologação do pedido à realização do mesmo para impedir o aproveitamento em dobro do crédito. Cita jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes; 5) quanto ao valor objeto do pedido de ressarcimento, esclarece que o pedido alcançou o valor de R$2.262.409,81, havendo a fiscalização realizado diligência e reconhecido o direito ao valor de R$1.l22.324,58, sendo a diferença glosada arbitrariamente; 6) assevera a nulidade do ato, por desrespeitar os princípios da ampla defesa, da fundamentação dos atos administrativos e da legalidade; 7) a decisão recorrida reconheceu a falha do procedimento fiscal; 8) respeitante à taxa Selic, defende que a correção monetária dos saldos credores não é um plus, mas simples atualização da moeda. Incidindo tal taxa em favor do Fisco deve também incidir em favor do contribuinte. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Segundo Conselho de Contribuintes. Alfim requer o provimento do recurso, bem como a aferição da liquidez do crédito pleiteado mediante realização de pericia. Para tanto indica assistente-técnico e apresenta quesitos. É o relatório. (j/ 3 I "CO~ IH VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARlA CRlSTINA ROZA DA COSTA O recurso voluntário é tempestivo e atende aos d=ais requisitos legais para sua admissibilidade e conhecimento. Trata-se de pedido de ressarcimento de saldos credores do IPI, nos teImos estabelecidos pelo art. II da Lei n2 9.779/1999, relativos ao período de janeiro de 1999 a junho de 2000, apurados junto ao estabelecimento matriz e mais dois estabelecimentos filiais. O pedido foi objeto de veríficação fiscal direta no estabelecimento da recorrente, tendo sido reconhecido o direito a parte do crédito pretendido, porém, indeferido pela autoridade administrativa sob a alegação de não haver a recorrente efetuado o estorno dos créditos na escrita fiscal no momento em que requerida a restituição. Alega a recorrente a nulidade do despacho da autoridade administrativa que indeferiu o pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação com outros tributos, por considerar ter havido cerceio ao direito à ampla defesa, pela arbitrariedade das glosas realizadas pela fiscalização, inexistindo fundamento para a efetivação das mesmas, impedindo o pleno exercício de defesa, bem como ao princípio da legalidade. Verifica-se a ocorrência de diversas irregularidades praticadas na escrita fiscal da recorrente, cujas cópias foram acostadas nos autos. A primeira delas diz respeito ao Livro de Apuração do IPI, modelo 8, que, em face do descumprimento do art. 290 do Regulamento de- IPI de 1998 - RlPII98, não merece fé, devido as rasuras perpetradas em todo o Livro. É regra de escrituração contábil e fiscal a aposição dos registros em ordem cronológica e sem rasura ou emendas para que possa fazer prova em favor do contribuinte. Exata'llente por se tratar de verificação fiscal de direito alegado pela recorrente - ressarcimento de crédito do imposto pago na aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem (MP, PI e ME) empregados no processo produtivo de produtos isento>. ou de alíquota zero - deve a liquidez dos valores pretendidos ser devidamente validada pelo Fi~co. E para isso não se pF~sta o Livro de Apuração do IPI no estado em que se encontra nos autos. Entretanto, não é por si só motivo para afastar o direito ao crédito pretendido. É histórico, no contexto da imposição tributária relativa ao IPI, o direit<) a ressarcimento de sddos credores provenientes de créditos incentivados. A propósito disso destaca-se a Portaria n2 002, de 09/02/1984, expedida pelo então Coordenador do Sistema de Fiscalização, a qual aprovou um programa de fiscalização denominado Programa de Fiscalização de Ressarcimento de Créditos de IPI - REIPI, em cujo roteiro de fiscalização havia a orientação no sentido de a fiscalização determinar que a empresa interessada providenciasse a imediata regularização de sua escrita fiscal, caso verificasse que a interessada não havia procedido a anulação do valor do crédito do tributo no livro Registro de Apuração do IPI; modelo 8, ao se habilitar ao ressarcirrento,. ~ 4 MF . SEGüN;õCõ'liSãHO DEéi);iÍ~mÜíNfÊSI Ministério da Fazenda CONFEI~E COM O Of,IGINAL Segundo Conselho de Contribuintes Brasília II f o ~ .J 0)- Processo n.". :: 13707.003725/00-81 I I",ma Cló:';;" Silva Castro i R o 133 272 . _ !\ lal. Siapl: 9"' ll(j ~ecurso n-... " --._.-..."' """""'""""'''''t ..,•..>..,.,.,''',..";;.~.,..:..,;,.,,..,.... ~ ••••••• or..-.._,l I 2ºCC-MF I FI. I~_I Antes de prosseguir deve ser esclarecido à recorrente o porquê da exigência da anulação (e não estorno) do crédito pleiteado, independente de a norma fiscal determinar expressamente tal conduta. Trata-se de exercício de direito o pedido de ressarcimento do saldo credor acumulado trimestralmente na escrita fiscal, o qual, por sua vez, é representado por determinada quantia em dinheiro (valor) apurado a partir do confronto mensal entre débitos do IPI lançados nas notas fiscais de saida e créditos decorrentes das aquisições de insumos realizadas. Pois bem, ao apurar saldo credor no trimestre e exercendo o direito de requer a restituição/compensação de tais valores a recorrente estará optando por uma das formas possiveis de utilização do saldo credor que são: o ressarcimento em espécie ou a continuidade de utilização na escrita fiscal. Ao exercer a opção por uma das modalidades de utilização do saldo credor não poderá, por juridicamente óbvio, prosseguir na utilização do mesmo saldo credor na outra modalidade. Isso representaria o exercício de direito em duplicidade com risco de possiveis danos ao direito do sujeito ativo. É sofistica a alegação de que nada impede que a anulação do crédito na escrita fiscal se dê no momento de efetivação do ressarcimento, seja via restituição dos valores, seja via homologação de compensação requerida. Isso porque, estando em curso o exerci cio do direito por uma das modalidades, não comporta a manutenção do exercício de direito sobre o mesmo bem em outra modalidade, traduzindo exercício irregular e anormal de direito, em razão da flagrante duplicidade do proveito em detrimento do credor, sujeito ativo da relação juridico- tributária. E o duplo proveito encontra-se representado pelo tributo que deixou de ser recolhido na data do vencimento em razão do pedido de ressarcimento cumulado com o pedido de compensação de tais débitos, sendo, ao mesmo tempo, mantido o saldo credor registrado e não anulado, concomitantemente ter-se-á o não recolhimento do imposto lançado nas notas fiscais de saida ou, se isso não ocorrer, em virtude de novo excesso de crédito, ao fim do trimestre seguinte, com nova apuração de saldo credor para fins de novo pedido de ressarcimento, estará o mesmo acrescido do valor anterior. Essa a face aritmética do direito pleiteado. A continuidade da utilização dos créditos na escdta fiscal é declaração expressa da recorrente da opção no sentido de utilizá-los como redutor do imposto devido, apurado na escrita fiscal. Entretanto, sendo constatado pela fiscaliza,;ão que o saldo credor é constantemente cumulativo, não há como negar o direito material da recorrente somente em face de descumprimento das normas pertinentes à escrituração do tributo. Esta pode resultar em penalidade específica, porém não em condição sine qua non para o exercício do direito material. Consoante parcial apuração realizada a partir de cópia dos livros fiscais, a qual segue anexada a este voto, constatei a existência de falta de recolhimento do IPI em decêndios anteriores ao surgimento do créditO, com o qual estãosend6. compensados. Ou seja, foi efetuada a compensação de débito previamente existente com créditos fonnados posteriormente . .~. 5 , í~fi.1fJ. SEGU:é,fiO CONsELHõlJEco::lrr<iêUíNflisl Mnnsténo da Fazenda ! CONFf,f(f., CO!\/' O OF1:GiNAL, Segunào Conselho àe Contribullilesf ':'r,,~;llo IJ.. j O ~ J O"}k I) (l,::lilç. ~ __ ~ __ Processo n£ : 13707.003725/00-81 i'. Ivana Clau,::: SilvaCastro J RecUrso n.2. 133.272 ~~~",,=~1~=:.~~ 921 ~~_ I 22 CC-MF I FI. [~_I Também foi identificado na referida apuração que a recorrente não se valeu do saldo credor acumulado no Livro de Apuração do IPI, havendo apurado os saldos credores diretamente dos débitos e créditos escriturados. A forma como a recorrente procedeu à apuração dos saldos credores pretendidos é tecnicamente incorreta, assim como o estado em que se encontra o Livro de Apuração do IPI. A técnica da não-cumulatividade exige que o referido saldo credor seja apurado no ,corpo do Livro de Apuração de IPI e não por controles paralelos ou pelo desprezados campos contidos no referido livro destinados a tal mister, bem como a fornecer a cronologia temporal dos valores apurados, sendo juridicamente impossivel que créditos formados no decêndio seguinte seja utilizado para quitar saldo devedor apurado no decêndio anterior, sem que se apliquem os devidos acréscimos legais. Entretanto, por não merecer fé o Livro de Apuração do IPI na forma como escriturado, não é possível acolher o pedido formulado sem prévia verificação do montante total dos créditos pretendidos. Da verificação fiscal anteriormente realizada não consta dos autos a justificativa pela não consideração dos créditos escriturados, gerados a partir das importações efetuadas pela recorrente e constatadas pelo relator do voto condutor da decisão resistida. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que sejam novamente apurados, pela fiscalização, os créditos que efetivamente a recorrente tiver direito, afastando da compensação com os mesmos, nos moldes em que efetuados, os débitos que forem anteriores à sua formação, devendo fundamentar eventual recusa de parte dos valores pretendidos, identificando-os individualmente. Para fins de garantir a liquidez e certeza do saldo credor que for apurado pela fiscalização deverá ser desconsiderado o Livro de Apuração do IPI, na forma em que se apresenta a escrituração, em face de sua imprestabilidade para formar prova em favor da recorrente. Por prudência, deverá a fiscalização lavrar Termo, do qual deverá ser dado ciência à recorrente do esgotamento do saldo credor dentro do período pretendido, dando a ela, ainda, ciência de que não poderá .se apropriar do mesmo, devendo estornar todo o valor no último decêndio do último mês requerido nestes autos, no Livro de Apuração do IPI, que deverá estar escriturado em conformidade com o disposto no art. 290 do RIPI/98. Da apuração dos saldos credores deverá ser dado ciência à recorrente do trabalho e das conclusões da fiscalização para que, se quiser, se manifeste no prazo de 30 dias. Após o transcurso do referído prazo ou após a apresentação das contra-razões, se houver, deverão os autos retornar a esta Câmara para continuidade do julgamento. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2007. !J//~ ~~ /&k~ CRISTIN A ZÁ DA COSTAf I" 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 18470.731144/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. DÉBITOS QUITADOS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA GUIA DE PAGAMENTO.
Constatando-se que os débitos constantes no Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional foram pagos tempestivamente, faz jus a contribuinte ser reincluída no regime simplificado de tributação.
Numero da decisão: 1401-006.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o Ato Declaratório Executivo DRF/RJO nº 562992, e determinar a reinclusão da Contribuinte no SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2013.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: André Severo Chaves
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ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. DÉBITOS QUITADOS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA GUIA DE PAGAMENTO. Constatando-se que os débitos constantes no Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional foram pagos tempestivamente, faz jus a contribuinte ser reincluída no regime simplificado de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o Ato Declaratório Executivo DRF/RJO nº 562992, e determinar a reinclusão da Contribuinte no SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2013. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 01-30.593, da 2ª Turma da DRJ/BEL, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, mantendo-se os efeitos da exclusão do SIMPLES NACIONAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 11 44 /2 01 2- 82 Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.078 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.731144/2012-82 Tem-se que a controvérsia do presente caso reside na exclusão da Recorrente do SIMPLES NACIONAL (LC nº 123/06), por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/RJO nº 562992, de 03.09.2012, em razão da constatação de débitos para com a Fazenda Pública. Como fundamento legal, enquadrou o ADE na vedação prevista no inciso V, do Art. 17, da LC nº 123/2006, “in verbis”: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte: (Redação dada pela Lei Complementar nº 167, de 2019) (...) V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;” Ainda, quanto aos efeitos, o ADE determinou que se dariam a partir de 01.01.2013, em conformidade com o que dispõe o inciso IV do art. 31 da mesma legislação: “Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I - na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir de 1 o de (...) IV - na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do ano-calendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão;” Inconformado o sujeito passivo protocolou sua Manifestação de Inconformidade na data de 26/10/2012, ao qual transcrevo o resumo da DRJ: a) Que constatou um débito na SRF – débito referente à inscrição 70412001450-24, processo nº 18208235989/2008-75, com valor principal de R$ 2.711,56, conforme notificação emitida pela RFB; b) Que tal débito foi pago a maior em 10/01/2006, no valor de R$ 2.782,71, não constando sua quitação, ficando o valor em aberto na RFB; c) Que o DARF SIMPLES da competência 12/2005 pago no valor de R$ 2.782,71, refere-se ao débito existente; d) Requereu a análise do fato para verificar que não existe nenhum débito, que a empresa não pode ser excluída do Simples Nacional e a acolhida da impugnação. 3. Para comprovar suas argumentações juntou cópia dos seguintes documentos: a) DARF recolhido sob o código 6106, relativo à competência 12/2005, no valor de R$ 2.782,71, fl nº 9. 4. Para instruir o processo a Delegacia de Origem juntou ao processo tela do Sistema SIVEX de “CONSULTA DÉBITOS APÓS PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO”, na qual consta a Inscrição 70412001450 de débitos não-previdenciários em cobrança na PGFN, no valor consolidado de R$ 5.779,00, fl nº 14. Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.078 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.731144/2012-82 5. É o que importa relatar.” A seguir, a transcrição da ementa do acórdão proferido pelo órgão julgador de 1ª instância: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2013 EMENTA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. Poderão continuar sendo tributadas pelo Simples Nacional os contribuintes que regularizarem as pendências existentes até 30 dias contados da data da ciência do ADE. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio No acórdão proferido pela DRJ, esta destacou as seguintes razões: “7. A questão em foco pauta-se no reconhecimento, ou não, da possibilidade de manutenção de tributação em apreço - Simples Nacional, a partir de 1º de janeiro de 2013, tendo em vista que a empresa foi excluída por possuir débitos não previdenciários, com a Fazenda Pública Federal. 8. Analisando os documentos acostados ao processo, e mais especificamente os constantes nas fls 9 e 14, verificou-se que o sujeito passivo não regularizou as pendências existentes, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência do ADE. 9. No que concerne à argumentação de que o débito que motivou a exclusão seria o débito de SIMPLES FEDERAL, relativamente ao mês de dezembro de 2005, o sujeito passivo poderia ter ingressado na Delegacia de Origem com Pedido de Revisão de Débitos inscritos na PGFN, e uma vez comprovado que efetivamente realizou o pagamento, ter sua inscrição cancelada, procedimento que não adotou, para que pudesse tornar sem efeito a exclusão, conforme previsto no art. 4º do próprio ADE. Conclusão 10. Pelo exposto, encaminho o meu voto, no sentido de considerar a Manifestação de Inconformidade como IMPROCEDENTE.” Cientificado da decisão de primeira instância em 08/12/2014 (Aviso de Recebimento à e-Fl. 26), inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/12/2014 (e-Fls. 29 a 46). Em sede de recurso, a Recorrente basicamente reiterou os argumentos da Impugnação. O processo fora então encaminhado para 1ª Turma Extraordinária do Carf (antiga Turma deste relator) que, ao analisar o caso, proferiu uma Resolução, convertendo o julgamento em diligência nos seguintes termos: Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.078 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.731144/2012-82 (...) Na peça Recursal, a recorrente alega que já havia realizado o pagamento do débito constante no ADE, referente a inscrição de nº 70412001450-24, cujo valor originário era de R$ 2.711,56 (competência: 12/2005 | vencimento:10/01/2006). Com o intuito de comprovar o alegado, a interessada apresentou ao processo um comprovante de arrecadação parcialmente legível (e-Fl. 09) na quantia de R$ 2.782,71, referente à mesma competência em litígio, mas com um valor pago a maior, à vista do recorte a seguir: Por outro lado, analisando-se o extrato da PGFN (e-Fl. 39 a 42) juntado pela própria contribuinte, e que fora emitido em 28.09.2012, consta que o referido débito ainda encontrava-se em aberto nesta data, conforme observa-se a seguir: Dessa forma, por haver indícios de que o referido débito pode ter sido pago à época do vencimento, mas que não fora confirmado pelo relatório da PGFN, entendo que a diligência é medida necessária para confirmar a validade e autenticidade do comprovante de arrecadação apresentado, bem como para esclarecer se este débito fora extinto pelo pagamento. Conclusão Assim, com supedâneo no Art. 18, do Decreto nº 70.235/72, voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que esta: i. Averigue a validade e autenticidade do comprovante de arrecadação apresentado (e- Fl. 09), bem como confirme se este pagamento refere-se ao débito constante no ADE; Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.078 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.731144/2012-82 ii. Em seguida, esclareça se o pagamento fora realizado na data de vencimento (10/01/2006), e se fora suficiente para extinguir integralmente a obrigação tributária; iii. Caso necessário, intime a contribuinte a apresentar o comprovante de pagamento integralmente legível; Em cumprimento à decisão supra, a DRF elaborou um breve Despacho (e-Fl. 61), em 15 de março de 2021, apreciado mais adiante no voto. Em seguida, a contribuinte fora intimada do resultado da diligência em 23 de maio de 2021 (A.R. à e-Fl. 67), contudo, não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Como relatado, o presente processo está retornando de uma diligência, ao qual a unidade de origem emitiu o seguinte parecer conclusivo: O débito motivador da exclusão de ofício do Simples Nacional foi objeto de pedido de revisão no processo 18208.235989/2008-75, que foi deferido, conforme Ofício nº 907/2012/DICAT/DRF/RJII. Conforme esse Ofício, “… De acordo com as informações extraídas dos sistemas da RFB, as alegações do do contribuinte são procedentes, e a inscrição em DAU só se deu porque o recolhlimento informado foi cadastrado com período de apuração errado, 31/12/2000 ao invés de 31/12/2005 (Anexo 1), o que provocou inicialmente a inclusão do débito no PAEX, e posteriormente a inscrição em DAU (Anexo 2); - Após retornar a situação do processo administrativo nº 18208.235989/2008-75 no sistema SIEF, e providenciar a retificação do recolhimento acima citado (Anexo 3), efetuamos a vinculação do recolhimento ao débito em questão, e obtivemos como resultado a quitação integral do saldo devedor ...” Dessa forma, considerando o desfecho do processo 18208.235989/2008-75, concluímos pela validade e autenticidade do comprovante de arrecadação em 10/01/2006, assim como pela suficiência desse pagamento para amortizar integralmente o débito. Em consulta ao extrado da DAU na PGFN, às fls. 55 a 57, verifica-se que esta inscrição encontra-se na situação “EXTINTA POR CANCELAMENTO – COM BASE EM QUITAÇÃO ANTERIOR À INSCRIÇÃO” Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.078 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.731144/2012-82 Pelo exposto, consideramos a diligência concluída, e retornamos o presente processo à 1ª Turma Extraordinária do CARF para dar seguimento ao julgamento do recurso. Como se vê no relatório, ficou constatado que a contribuinte cometeu um equívoco ao preencher as informações do DARF, mas que já fora solucionado, e o pagamento fora devidamente vinculado ao débito que ocasionou a exclusão. Desse modo, afastada a única causa que motivou a exclusão da recorrente do simples nacional, tem-se pelo cancelamento do ato declaratório, com a consequente reinclusão da contribuinte ao regime simplificado. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o Ato Declaratório Executivo DRF/RJO nº 562992, e determinar a reinclusão da Contribuinte no SIMPLES NACIONAL com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2013. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 76DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15983.000105/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados.
SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA.
Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa que, vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento da obrigação tributária.
LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
INOCORRÊNCIA.
Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto de infração.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PRÓLABORE Recorrente ALICERCE REFORMAS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa que, vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento da obrigação tributária. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto de infração. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Walter Murilo Melo de Andrade. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000105/200966 Acórdão n.º 240202.212 S2C4T2 Fl. 118 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração do segurado contribuinte individual (sóciogerente), relativas às contribuições decorrentes do percentual de 20% (vinte por cento) sobre os valores pagos a título de pro labore a sócio, para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 29/34) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas ao segurado contribuinte individual (sóciogerente) e a base de cálculo foi apurada por meio da técnica de arbitramento/aferição indireta, posto que durante o procedimento fiscalizatório restou constatado que o autuado efetivamente emitiu Notas Fiscais de Prestação de Serviços para o período de 01 a 12/2004, contradizendo documentos apresentados: a) RAIS negativa; b) GFIP’s sem movimento; bem como não apresentou folhas de pagamento para o período fiscalizado e não comprovou que os serviços prestados tenham porventura sido executados por intermédio de subcontratação de mão de obra. Esse Relatório Fiscal informa, ainda, que a base de cálculo (salário de contribuição) relativa aos fatos geradores apurados foram calculados da seguinte forma: a) o valor anual referente a retirada de pro labore do sócio Paulo Sérgio Cardoso, constante da DIPJ 2004 (R$3.120,00), foi dividido por 12 meses (janeiro a dezembro de 2004), o que resultou no valor mensal de R$260,00; e b) a alíquota aplicada para o cálculo da contribuição previdenciária patronal devida foi de 20% sobre os rendimentos arbitrados mensalmente. Foram deduzidos do crédito tributário apurado os valores recolhidos constantes do conta corrente do estabelecimento fiscalizado (CCOR – consulta conta corrente de estabelecimentos). Foram examinados pela Fiscalização durante a ação fiscal: a) contrato social e alterações; b) GFIP’s sem movimento; c) DIRPJ ano 2004 – tela rendimento de dirigentes, sócios e titulares; c) Notas Fiscais de Serviços de 01/2004 a 12/2004. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 03/03/2009 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 54/70) – acompanhada de anexos de fls. 71/77 –, alegando, em síntese, que: 1. o auto de infração foi lavrado sem estar consubstanciado em provas incontroversas de que a impugnante tenha realmente cometido as infrações elencadas pelo Fisco, somente em observância a uma presunção e alegações; 2. o auto de infração não demonstra entendimento certo, detalhado e explícito do Fisco a demonstrar de onde provém seu intento e a forma pela qual chegou a valor tão expressivo, onde não consta o demonstrativo anexo de onde originaram os números, sendo impossível chegar a uma conclusão lógica; Fl. 124DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. é legitimo a responder a demanda a pessoa física de Paulo Sérgio Cardoso, sendo totalmente infundada a intimação da impugnante na pessoa deste como seu sócio, sem que tenha sido declarado como responsável solidário. A impugnante como pessoa jurídica não pratica nenhum ato a ensejar sua legitimidade para figurar no pólo passivo da demanda, vez que todos os atos que “pratica” são de inteira responsabilidade de seu responsável. Nesse passo, figurase como correto a lavratura da autuação na pessoa física do sócio, o Sr. Paulo Sérgio Cardoso. Apresenta como fundamento a embasar a sua assertiva os artigos 121 e 134, VII, ambos do CTN; 4. deve ser declarada a nulidade da autuação, posto que a lavratura desta se deu em local diverso do domicílio da autuada, restando infringido o artigo 10 do Decreto n.° 70.235/72, sendo que não cabe ao Fisco inovar ou alterar a Lei, mas tão somente cumprila; 5. em nenhum momento o Fisco determinou o ilícito cometido pela empresa, vez que a prova que se utiliza para imputar a ela (aferição indireta) foi consubstanciada na falta de apresentação de alguns documento, ou seja, são provas frágeis; 6. requer que o valor arbitrado seja minorado e recalculado por expert, ao passo que excessivo, por não haver a prática de qualquer irregularidade e ser medida de justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo II/SP – por meio do Acórdão no 1732.814 da 8a Turma da DRJ/SPOII (fls. 81/93) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 97/108), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Santos/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 115/116). É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000105/200966 Acórdão n.º 240202.212 S2C4T2 Fl. 119 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas às contribuições previdenciárias decorrentes do percentual de 20% (vinte por cento) sobre os valores pagos a título de prolabore a sócio, para as competências 01/2004 a 12/2004. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/52) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n° 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 29/34) e seus anexos (fls. 01/28 e 35/52) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 16/17), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 04/06). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD), fls. 07/08; Relatório de Lançamentos (RL), fls. 09/10; as planilhas contendo a relação das Notas Fiscais emitidas, com seu valor e tipo de serviço prestado, (fls. 35/47); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Início da Ação FiscalTIAF (fls. 20/22), no Termo de Intimação FiscalTIF (fls. 25/26) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 27/28) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 29/34. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes do percentual de 20% (vinte por cento) sobre os valores pagos a título de prolabore, incidentes sobre a remuneração do segurado contribuinte individual (sócio Paulo Sérgio Cardoso), fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/52) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente argumentas que seria ilegal o presente auto de infração pelo fato deste ter sido lavrado fora do seu estabelecimento comercial. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000105/200966 Acórdão n.º 240202.212 S2C4T2 Fl. 120 7 Tal argumentação não será acatada, eis que não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à circunscrição administrativa e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto. O certo é que a verificação ocorre em qualquer local onde o Fisco realize seu trabalho, como por exemplo, dentro da repartição. Isso está em consonância com a jurisprudência administrativa deste Conselho no sentido de serem válidos os lançamentos, mesmo quando o Auto de Infração (ou Notificação) é lavrado fora do estabelecimento do sujeito passivo, conforme Enunciado no 6 de Súmula do CARF (Portaria MF no 383, DOU de 14/07/2010). Súmula CARF no 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Ainda em sede de preliminar, a Recorrente alega que haveria ilegitimidade de parte, pois ela não pode figurar no polo passivo da demanda, tendo o presente Auto de Infração indicação errônea quanto a parte que deva figurar como sujeito passivo, não sendo medida de direito a mantença da Recorrente, pessoa jurídica que é, como responsável pelo valor cobrado. Cumpre esclarecer que a responsabilidade tributária é decorrente do art. 121 do CTN. Este artigo define a sujeição passiva referente à obrigação tributária de forma dual: (i) contribuinte, consiste naquele que praticou a ação descrita como núcleo do fato gerador, a quem pode ser imputada a autoria do fato imponível, que é o caso do presente processo; e (ii) responsável, consiste em um sucessor ou um terceiro vinculado ao fato gerador, respondendo solidária, subsidiária ou substitutivamente pela cobrança do tributo. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Verificase que as contribuições sociais lançadas no presente processo decorrem da relação pessoal e direta da Recorrente com a situação concreta do fato gerador, que é a contratação de segurados para execução de atividades de seu objeto contratual: prestação de serviços auxiliares da construção; manutenção; conservação e limpeza de prédios. Dentro desse contexto, é bom esclarecer que não há imputação de responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Sérgio Cardoso, pois este encontrase apenas arrolado no Relatório de Representantes Legais (REPLEG) e de Vínculos (fls. 18/19). Os valores apurados neste processo foram lançados unicamente contra a pessoa jurídica: Alicerce Fl. 128DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Reformas e Prestação de Serviços em Geral Ltda (Recorrente). Com isso, correta a intimação efetuada na pessoa jurídica por intermédio de seu representante. O representante legal do autuado não integra o polo passivo deste auto de infração. Na verdade, os anexos "REPLEG" e "VÍNCULOS" servem apenas como subsídios Fazenda Nacional para o caso de haver, futuramente, a constatação de motivos que tornem necessário (e juridicamente possível) o redirecionamento de eventual execução judicial do crédito previdenciário. Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento de aferição indireta utilizado para a apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas, incidentes sobre a remuneração do segurado contribuinte individual (sóciogerente), a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente, eis que inexistiu recusa de apresentação de documentação. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal (fls. 29/34), visto que a auditoria fiscal demonstrou que a contabilidade da empresa não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, nem do faturamento nem do seu lucro. Além disso, ficou caracterizado nesse Relatório Fiscal que a Recorrente deixou de apresentar integralmente alguns documentos – tais como: folhas de pagamento com a retirada de prolabore; Livro Caixa 2004; Contratos de Prestação de Serviços celebrados com empresas tomadoras no ano de 2004; e Contratos de empreitada e subempreitada de obras de construção civil. Isso foi motivo ensejador da lavratura do auto de infração n° 15983.000110/200979, capitulado no Código de Fundamento Legal (CFL) 38. Esse Relatório Fiscal registrou ainda que (itens “5” a “8”): “[...] 5. Conforme contrato social e alterações a empresa tem por objeto social o ramo de atividade de prestação de serviços auxiliares da construção; manutenção; conservação e limpeza de prédios. (...) 6. As contribuições previdenciárias lançadas foram apuradas através do método de ARBITRAMENTO/AFERIÇÃO INDIRETA fundamentado na legislação em vigor. Convém esclarecer que o procedimento do arbitramento foi adotado pela fiscalização Em razão da constatação de que o sujeito ter declarado na DIPJ ano calendário 2004 valores pagos ao sócio a título de "Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular" — PRO LABORE no montante de RS3.120,00. 7. Foram devidamente observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade quando do lançamento do crédito tributário em questão. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000105/200966 Acórdão n.º 240202.212 S2C4T2 Fl. 121 9 8. As contribuições previdenciárias devidas foram arbitradas com base nos seguintes documentos: * Valores declarados constantes da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ – ano calendário 2004 a título de "Rendimentos de Dirigentes, sócios ou Titular". [...]”. Em decorrência da Recorrente ter remunerado o sócio Paulo Sérgio Cardoso, Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), ano calendário 2004, justificase o procedimento utilizado pela auditoria fiscal. Pela leitura do Relatório Fiscal de fls. 29/34, verificase que a fundamentação legal que embasou o lançamento fiscal é justamente o art. 33, §§3° e 6°, da Lei n° 8.212/1991. Essa fundamentação legal também está registrada no anexo Fundamentos Legais do Débito (FLD). Logo, a forma de apuração da base de cálculo, mediante critério de aferição indireta, encontrase devidamente demonstrada nas peças que integram a notificação, tais como: Relatório Fiscal; Fundamentos Legais do Débito (FLD); Discriminativo do Débito (DD); Relatório de Lançamentos (RL); dentre outros. Nesse sentido, dispõem o art. 148 do CTN e o art. 33, parágrafos 3° e 6°, da Lei no 8.212/1991: Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei no 8.212/1991 – Plano de Custeio da Previdência Social: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 130DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§3° e 6°, da Lei no 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. A Recorrente alega dentro desse contexto do procedimento de aferição indireta que a base de cálculo seria indevida. Tal alegação dever ser afastada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – especificamente os itens “5” a “8” –, visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Vêse que os valores do presente lançamento fiscal não foram constituídos com base em meras presunções, como quer fazer crer a Recorrente, mas sim nos dados e nas informações constantes no Relatório Fiscal com seus anexos. Disso decorre que a auditoria fiscal utilizouse, com prudência, do valor anual referente a retirada de pro labore do sócio Paulo Sérgio Cardoso, constante da DIPJ 2004 (R$3.120,00), foi dividido por 12 meses (janeiro a dezembro de 2004), o que resultou no valor mensal de R$260,00. Foram deduzidos do crédito tributário apurado os valores recolhidos constantes do conta corrente do estabelecimento fiscalizado (CCOR – consulta conta corrente de estabelecimentos). Esse procedimento utilizado pela auditoria fiscal está em consonância com o princípio da razoabilidade e com o art. 33, §§3° e 6°, da Lei n° 8.212/1991, retromencionado. Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da base de cálculo dos valores lançados no presente processo, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que a contabilidade da Recorrente não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, nem do faturamento nem do seu lucro, bem como demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Quanto ao argumento de que os valores lançados teriam caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que eles seriam abusivos e desproporcionais, e deveriam ser relevados, razão não confiro ao Recorrente. Os valores lançados foram apurados em conformidade com a legislação previdenciária em vigor na época da ocorrência do fato gerador. Ademais, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que os valores lançados vão de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teriam caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000105/200966 Acórdão n.º 240202.212 S2C4T2 Fl. 122 11 Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15504.018931/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO.
Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídico tributário,
o recurso de ofício será negado.
CONTRIBUIÇÕES PARA O SESCOOP. ERRO DE ENQUADRAMENTO
NO CÓDIGO DE TERCEIROS. LANÇAMENTO INDEVIDO.
O enquadramento equivocado no código de outras Entidades/Terceiros não
autoriza, por si só, o lançamento fiscal com o objetivo exclusivo de destinar
as contribuições sociais para a entidade beneficiária.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-002.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. CONTRIBUIÇÕES PARA O SESCOOP. ERRO DE ENQUADRAMENTO NO CÓDIGO DE TERCEIROS. LANÇAMENTO INDEVIDO. O enquadramento equivocado no código de outras Entidades/Terceiros não autoriza, por si só, o lançamento fiscal com o objetivo exclusivo de destinar as contribuições sociais para a entidade beneficiária. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 563DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 564DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018931/200826 Acórdão n.º 240202.084 S2C4T2 Fl. 431 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, lavrado em face da UNIMED Belo Horizonte – Cooperativa de Trabalho Médico Ltda, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, concernentes às contribuições destinadas a Outros fundo/Terceiros (SESCOOP), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados que lhe prestaram serviços, para as competências 10/2003 a 12/2006. O Relatório Fiscal (fls. 70/72 – Volume I) informa que os créditos lançados correspondem a contribuições sociais para o Sescoop (Terceiros), na alíquota de 2,5%, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados do contribuinte, perfazendo o valor de R$3.132.490,76. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o lançamento decorreu do fato do contribuinte ter informado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) o código 0115 de Terceiros – que gera contribuições sociais para o Salário Educação/FNDE, Incra, Sesc, Senac e Sebrae (alíquota 5,8%) –, quando deveria ter informado o código 4163 – que direciona as contribuições para SalárioEducação/FNDE, Incra, Sebrae e Sescoop (alíquota 5,8%). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/10/2008 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 99/117 – Volume I) – acompanhada de anexos de fls. 118/413 –, alegando, em síntese, que: 1. a impugnante é cooperativa de trabalho médico, devidamente constituída, estando sujeita ao recolhimento de contribuições previdenciárias. A auditora fiscal procedeu ao lançamento em razão de suposta ausência do recolhimento das contribuições destinadas a Terceiros, a titulo de Sescoop, nas competências de 10/2003 a 13/2006, entretanto, o crédito exigido não merece prevalecer eis que decorre de simples erro material cometido pelo contribuinte quando do preenchimento das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social GFIP; 2. a impugnante informou inadequadamente o código de Terceiros no qual se enquadrava, tendo indicado o código 0115, pelo qual é realizado o direcionamento ao SalárioEducação, Incra, Sesc, Senac e Sebrae (alíquota 5,8%), quando deveria informar o código 4163, direcionando o recolhimento ao Salário Educação, Incra, Sebrae e Sescoop (alíquota 5,8%). Assim, pretende a fiscalização novo recolhimento de valores devidos a Terceiros que já foram devidamente recolhidos pela impugnante aos cofres da Previdência Social, mas que por mero erro de preenchimento daquela declaração Fl. 565DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 foram direcionados a terceiros diversos (Sesc, Senac) ao efetivamente devido (Sescoop); 3. a busca da verdade material não pode sucumbir a formalismos no que diz respeito à elaboração pelo contribuinte de documentos fiscais (GFIP’s). O que importa na tributação é a efetiva ocorrência do fato gerador e a existência do pagamento. Além disso, a impugnante prontamente procedeu à retificação da totalidade das GFIP (obrigações acessórias) abrangidas no presente lançamento, conforme documentos anexos, o que obsta a constituição e cobrança do crédito tributário em tela; 4. ressalta que a alíquota total para o recolhimento das contribuições destinadas a Terceiros, seja para o código 0115 ou para o código 4163 é a mesma: 5,8%. Tendo em vista que o código de Terceiros é informado exclusivamente em GFIP, não abrangendo a respectiva GPS, os valores devidos a título de Terceiros informados em GFIP, calculados com base na alíquota de 5,8% foram integralmente recolhidos na guia de pagamento pela Impugnante. Transcreve julgados administrativos que tratam de erro de preenchimento de declarações, para referendar seus argumentos; 5. a multa aplicada tem caráter confiscatório e fere a capacidade contributiva, importando em majoração do tributo para além da capacidade econômica adquirida pela empresa, além de majorar a própria alíquotas de forma dissimulada e indireta. Alega que a taxa Selic é inaplicável , inconstitucional e ilegal, por exceder ao limite máximo do CTN, artigo 161, § 1° e pela Constituição Federal, artigo 192, §3°, qual seja, de 12% ao ano; 6. requer a procedência da presente impugnação e a nulidade do Auto de Infração em razão do integral pagamento e das retificações procedidas nas GFIP. Na remota hipótese de não serem acatados tais argumentos, requer a modificação da multa, levandose em conta os princípios constitucionais de proporcionalidade, capacidade contributiva e não confisco, com a exclusão da taxa Selic como juros. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão no 0225.344 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 418/422 – Volume III) – considerou o lançamento fiscal improcedente, eis que ocorreu erro de enquadramento referente ao código de Terceiros, e não ao código FPAS. Esse erro de enquadramento nos dois casos resulta em mudança da entidade destinatária das contribuições. Após devidamente cientificada da decisão prolatada por meio do acórdão de fls. 418/422, a empresa não apresentou recurso voluntário (fls. 427/428 – Volume III). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para que a decisão de primeira instância seja submetida a reexame necessário (fl. 429). É o relatório. Fl. 566DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018931/200826 Acórdão n.º 240202.084 S2C4T2 Fl. 432 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator No que tange ao requisito de tempestividade, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. Tratase de recurso de ofício contra decisão que considerou improcedente o lançamento fiscal, lavrado pelo descumprimento de obrigação tributária principal. O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em questão, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que a decisão recorrida não merece reparo. Verificase que o motivo do lançamento fiscal decorre do fato da empresa ter informado em GFIP o código 0115 (alíquota 5,8%) de Terceiros, quando deveria informar o código 4163 (alíquota 5,8%). O equívoco cometido pela autuada fez com que ela contribuísse para o SalárioEducação, Incra, Sesc, Senac e Sebrae, quando deveria contribuir para o SalárioEducação, Incra, Sebrae e Sescoop. Posteriormente, a empresa corrigiu a falta integralmente, conforme documentos juntados aos autos e confirmação por meio de consulta aos sistema informatizados da Receita Federal do Brasil (fl. 422). Como se trata de erro de enquadramento no código de Terceiros e não no código de FPAS, entendo que a auditoria fiscal, ao proceder à revisão desse enquadramento feito pela empresa, não poderia ter desconsiderado os recolhimentos efetuados ao Sesc e Senac e, em ato continuo, lançar as contribuições destinadas ao Sescoop, já que ambos os códigos de recolhimento de Terceiros ensejam a mesma alíquota de 5,8%. Assim, o lançamento fiscal só poderia ocorrer caso houvesse falta ou insuficiência de recolhimento, que não é o caso do presente processo. Fl. 567DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Esse entendimento está em consonância com o artigo 148, §§ 3° e 4°, da IN INSS/DC n° 100, de 18/12/2003, e com o art. 139, §§ 3° e 4°, da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005. Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18/12/2003 Art. 148. Compete ao INSS, nos termos do art. 94 da Lei 8.212, de 1991, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas as outras entidades e fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS. (...) § 3° Havendo enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo II, o INSS, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. § 4o O sujeito passivo será cientificado do reenquadramento de que trata o § 3°, havendo ou não lançamento de débito sob o novo código correspondente a entidade e ao fundo para o qual deve contribuir, para, caso queira, no prazo de quinze dias, apresentar defesa contra o reenquadramento ou o lançamento, conforme o caso. § 5° Na hipótese de enquadramento incorreto, será emitida Representação Administrativa, prevista no art. 633, com o objetivo de comunicar a ocorrência as entidades ou fundos que, de acordo com as atividades econômicas desenvolvidas pelo sujeito passivo, são as destinatárias das contribuições. Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei n° 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3o da Lei n° 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas as outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. (...) § 3° Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, a SRP, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. § 4o O sujeito passivo será cientificado do reenquadramento de que trata o § 3o, havendo ou não lançamento de débito sob o novo código correspondente à entidade e ao fundo para o qual deve contribuir, para, caso queira, no prazo de quinze dias, apresentar defesa contra o reenquadramento ou o lançamento, conforme o caso. Considerando que os recolhimentos efetuados para o Sesc e Senac correspondem aos mesmos valores devidos para o Sescoop e que não houve falta ou insuficiência de recolhimento, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, eis que ela está em conformidade com a legislação jurídicotributária de regência. Fl. 568DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018931/200826 Acórdão n.º 240202.084 S2C4T2 Fl. 433 7 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício e NEGARLHE PROVIMENTO. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 569DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 18470.730260/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009
Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem.
Descrição dos Fatos. Procedimentos de Fiscalização. Atendimentos de Intimações Fiscais.
O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilita o exercício de sua defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. LEGITIMIDADE.
O lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, Contribuição para o Pis/Pasep e COFINS, neste processo, são reflexos/decorrentes da fiscalização do IRPJ, da mesma irregularidade (omissão de receitas) apurada no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista da íntima relação de causa e efeito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2009
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Numero da decisão: 1401-006.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade dos autos de infração e, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves.
Nome do relator: Cláudio de Andrade Camerano
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RIO COMERCIO DE VEICULOS EIRELI - EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. Descrição dos Fatos. Procedimentos de Fiscalização. Atendimentos de Intimações Fiscais. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilita o exercício de sua defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. LEGITIMIDADE. O lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, Contribuição para o Pis/Pasep e COFINS, neste processo, são reflexos/decorrentes da fiscalização do IRPJ, da mesma irregularidade (omissão de receitas) apurada no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista da íntima relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 02 60 /2 01 2- 84 Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade dos autos de infração e, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves. Relatório Por bem sintetizar o caso dos autos, transcrevo o relatório da decisão de piso, nos termos do Acórdão de nº 12-52.553 proferido pela 15ª Turma da DRJ/RJ1, em sessão de 06 de fevereiro de 2013: Relatório Trata-se de Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda, referente ao ano-calendário de 2009, uma vez que o contribuinte apesar de regularmente intimado a comprovar mediante documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem de cada um dos depósitos/créditos efetuados na conta corrente 656762/100.000 do Banco Itaú, bem como informar se estes foram oferecidos à tributação, não atendeu as intimações, sendo assim lançados os tributos abaixo: Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 2. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 169/171, em síntese, descreve: 2.1. O contribuinte foi intimado e reintimado, através dos Termos 001 e 002, a apresentar, dentre outros, os extratos bancários de contas correntes, contas de poupança e fundos de investimentos mantidos junto a Instituições Financeiras no Brasil e no Exterior, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009. 2.2. Em 14/03/2012, o Sócio-gerente da fiscalizada compareceu à repartição e espontaneamente apresentou os extratos bancários da conta corrente 656762/100.000, do Banco Itaú. 2.3. De posse dos extratos apresentados, a Fiscalização elaborou planilha contendo a individualização de cada um dos depósitos/créditos efetuados na conta corrente 656762/100.000, do Banco Itaú e indicando o total mensal dos depósitos/créditos efetuados na citada conta corrente, planilha esta que foi entregue ao contribuinte anexa ao Termo 008, que intimou o mesmo a: comprovar, mediante documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem de cada um dos depósitos/créditos efetuados na citada conta; apresentar Livro Caixa e/ou Diário; informar se os créditos/depósitos em questão foram oferecidos à tributação; apresentar notas fiscais de entrada e saída e contratos de consignação, para fins de apuração da receita bruta, no caso de esta ser originada da venda de veículos usados e/ou de vendas em consignação. 2.4. Diante da não apresentação de qualquer resposta, o fiscalizado foi reintimado, na data de 10/09/2009, através do Termo 009. 2.5. Diante da não apresentação de qualquer resposta aos Termos 008 e 009, foi constituído o crédito tributário com relação aos depósitos/créditos de origem não comprovada, conforme Auto de infração, demonstrativos e planilhas acostados ao presente processo, com base no artigo 42 da Lei 9.430/96 e demais dispositivos legais citados. 2.6. A Receita Omitida já havia sido então apurada, conforme planilha encaminhada ao contribuinte em anexo ao Termo 008, indicando os valores consolidados, mês a mês, em conformidade com o parágrafo 1° do artigo 42 da Lei 9.430/96 e demais dispositivos legais citados. 2.7. Tendo em vista a não apresentação da escrituração por parte do contribuinte, o IRPJ devido foi determinado com base no Lucro Arbitrado, conforme estipulado no parágrafo único do artigo 45 e inciso III do artigo 47, ambos da lei 8.981/95. 2.8. Os valores devidos para o IRPJ e CSLL foram apurados trimestralmente, conforme disposto nos artigos 1° da Lei 9.430/96; 57 da Lei 8.981/95 e 3° da Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 IN SRF 390/04, tendo sido detalhados nos Demonstrativos de Apuração constantes do Auto de infração. 2.9. Os valores devidos para o PIS/PASEP e COFINS foram apurados mensalmente, conforme disposto no artigo 3° da Lei 9.715/99; arts. 2° e 3° da Lei 9.718/98; e artigo 2° da lei Complementar 70/91, e pelo regime cumulativo, nos termos do artigo 8° da Lei 10.637/02 e art. 10 da Lei 10833/03. Da Impugnação 3. Inconformada, a Impugnante, que tomou ciência do lançamento em 10/10/2012, fls. 173, apresentou impugnação, fls. 221/235, em 09/11/2012, na qual, em síntese, argumenta: 3.1. Apresentou os extratos bancários à fiscalização, a partir dos quais foram levantadas as receitas conhecidas, conforme aduz o Fiscal Autuante. 3.2. Leigo na especialidade Direito Tributário, cipoal de filigranas jurídicas no âmbito do ordenamento pátrio, desconhecendo poder optar por tributação mais benigna – lucro presumido, real ou pelo próprio imposto único (simples), foi obrigado a não responder literalmente àquela intimação. 3.3. Há na legislação do Imposto de Renda uma norma que fecha toda esta questão: “A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. (Art 9°, § 1°, do Decreto 1 598/77). 3.4. Indução ao contribuinte ao erro, por pressão psicológica, também fulmina o lançamento tributário em lide. 3.5. Impõe-se afirmar a inconstitucionalidade da multa de 75%, aplicada no auto de infração em lide, por ter caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150 da Lei Maior 3.6. Aplicar a taxa SELIC é ilegal. 3.7. Não foram suficientes os documentos solicitados pelo agente fiscalizador, através de termo de intimação, para que pudesse fazer uma análise técnica contábil completa para efetiva determinação da possível omissão de receita, destacando receita/faturamento dos demais créditos não conhecidos. 3.8. O prazo que a autoridade fiscal concedeu para reunir e ou reconstituir uma documentação de um ano de escrituração contábil, com um volume diário expressivo de documentos, foi insuficiente. 3.9. A pressão psicológica do fiscal pelo encerramento determinou ao autuado a não atentar aos prazos fornecidos. 3.10. Existem créditos bancários (depósito em dinheiro) que eram empréstimos de mútuo solicitados a terceiros para a sobrevivência da empresa e outros eram antecipações para aquisição de veículos encomendados por clientes/terceiros. 3.11. Poderia o fiscal ter apurado se as transferências bancárias e os depósitos em dinheiro efetuados, transferência entre contas dos sócios, eram para Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 suporte e cobertura de saldo insuficiente em outra conta da própria empresa, ou até uma simples transferência de instituição. 3.12. Os créditos bancários (ordem bancária) configurados nos extratos e no relatório levantado pelo fiscal, eram créditos provenientes da relação comercial com seus clientes, valores esses, por analogia, pertencentes a terceiros, embora transitoriamente passados pela conta corrente da empresa, que não quer dizer que configurem omissão de receita. 3.13. Não obstante todo o respeito que merecem as autoridades que funcionaram no processo, e opinaram pelo pedido postulado, da leitura atenta e judiciosa das normas legais que lastreiam o seu entendimento, forçoso é reconhecer ter havido excesso de zelo, uma vez que, como é pacífico na doutrina e na jurisprudência, muito mais importante do que a letra fria da Lei é o seu espírito, ou seja, o alcance dos reais e sociais objetivos da norma legal aplicada. 3.14. Trata-se de empresa de reputação ilibada, com um princípio de vida fiscal correta. 3.15. Confia no provimento da impugnação e protesta pela reabertura da Fiscalização e por todo o gênero de prova em direito permitido, e a juntada de novos documentos. 4. É o relatório. DA DECISÃO DE PISO O órgão julgador de primeira instância manteve integralmente a autuação. Eis suas ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A existência de depósitos bancários cuja origem não venha a ser comprovada pelo titular da conta, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação, autoriza a presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430/1996). O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Correta a aplicação da multa de oficio de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, nos casos de falta de pagamento de tributo devido ou declaração inexata. Ao julgador administrativo não cabe conhecer da alegação de confisco. JUROS DE MORA Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada em 02 de julho de 2014 da decisão recorrida, a Interessada apresentou recurso voluntário, protocolado em 01 de agosto de 2014, no qual, em essência, repete os argumentos trazidos na Impugnação, apenas com uma roupagem um pouco diferente, como destacamos a seguir: - que seria muito difícil reunir a os documentos e reconstituir a escrituração contábil de um ano em três meses; que sem essa regularização contábil não há como apresentar a origem dos créditos bancários; - questiona os procedimentos legais de fiscalização, que eventuais divergências nas informações dos contribuintes deveriam ser objeto de comunicado para as regularizações; - que depósitos bancários, por si só, não podem servir de base à presunção legal de omissão de receitas, havendo necessidade de o fisco apresentar provas evidentes de auferimento de renda; que antes da legislação atual era assim; - que, após extensa explanação, alega que o art.42 da Lei nº 9.430 de 1996 não está compatível com o art.5º da Lei Complementar 105/2001, que seria uma verdadeira antinomia, onde conclui que “...é possível constatar a revogação tácita do citado artigo 42 da Lei 9.430/96 pelo §4º do artigo art.5º da Lei Complementar 105/2001.” Dedicando esparsas linhas ao mérito da autuação, alegou que não teve prazo suficiente para a apresentação da origem dos créditos bancários, que o auto de infração seria impagável, que “....trabalha com a venda consignada e que tais existem valores que são recursos de terceiros, transitados na conta corrente da Recorrente como antecipação.” Ainda, que a cobrança da multa de ofício de 75% violenta a Constituição Federal (confisco) e que a orientação de sua cobrança está pacificada na Súmula CARF de nº 14. Eis o relato final: Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele conheço. Conforme adiante se mostrará, soa despropositado as alegações de eventual violação ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, não havendo que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. Ainda, não houve qualquer limitação ao direito de defesa da Recorrente. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilita o exercício de sua defesa, algo que não ocorreu nos autos. Como relatoriado, insurge-se a contribuinte com argumentações tendentes a descaracterizar a tributação com base nos depósitos bancários, com alegações do tipo, ilegalidade do lançamento tributário efetuado com base exclusivamente em extratos bancários, presunção de fato gerador de imposto de renda e contribuições sociais, que havia recursos creditados que eram provenientes de terceiros, em função de sua atividade comercial e que, em suma, deveria o Fisco agir nos moldes do art.6º da Lei 8.021/90, ou seja, evidenciar o nexo causal entre os depósitos bancários e eventuais sinais exteriores de riqueza. Apreciando-se o arguido, impõe-se, desde já, bem caracterizar a existência de duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira como base para a Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 caracterização da omissão de receitas. Tais realidades têm como delimitadores os arts. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/1990 (parágrafo este revogado pela Lei 9.430/96) e o art.42, da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 8.021/1990 “Art. 6º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far- se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (.........) § 5º - O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações.”[revogado] Lei nº 9.430/1996 “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” O que vem a distinguir uma realidade da outra, portanto, é que a partir de 01/01/1997 – data esta a partir da qual a Lei nº 9.430 tornou-se eficaz --, a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornou-se uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuou- se a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão inexistia, e com isso o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6º, caput e § 5º, da Lei nº 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo, que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. Ainda assim, é de se perceber que o que aproxima ambas as realidades é a circunstância de que as mesmas conformam-se como presunções legais; o que as distingue, entretanto, é o fato de que as duas presunções legais atribuem diferenciados ônus, em termos de provas, à autoridade fiscal. Tem-se, de um lado, uma presunção mais sumária -- a do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 --, que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, e, de outro lado, uma presunção de evidenciação menos célere, -- a do art. 6º da Lei nº 8.021/1990 --, que determinava ao fisco, não apenas a obrigação de constatar a existência dos depósitos bancários, mas, também, ao estabelecimento de um nexo de causalidade entre tais depósitos e fatos concretos ensejadores do ilícito. À evidência, esta segunda hipótese, ao mesmo tempo que se afasta das feições de uma presunção típica, se aproxima mais de uma comprovação material de omissão de receitas; É de se ressaltar que as presunções estão, de há muito, incorporadas à nossa ordem jurídica. Por meio delas, estabelece a lei, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos – baseando-se, entretanto, na aplicação de um critério de razoabilidade – que, ocorrida determinada situação fática, pode-se presumir, até prova em contrário – esta a cargo do Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 contribuinte --, a ocorrência da omissão de receitas. Exemplos de hipóteses de presunção são incorporadas ao art. 281 do RIR/1999 (desde há muito incluídas na legislação fiscal): “Art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III – a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.” A estas hipóteses vieram se juntar aquelas já acima indicadas (arts. 6º da Lei nº 8.021/1990 e 42, da Lei nº 9.430/1996), o que faz com que as alegações do contribuinte de que não pode haver tributação a partir de depósitos bancários escriturados destoa da legislação vigente. Feitas tais digressões e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação ao ano-calendário de 2009, objeto da ação fiscal em discussão, as alegações trazidas pelo contribuinte mostram-se despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, em tal ano-calendário, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. A legislação do imposto de renda, como vimos, autoriza ao fisco presumir a omissão de receitas diante da existência de depósitos bancários sem comprovação de origem. É o que reza o art. 42 da Lei nº 9.430/96: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...)” Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 No caso dos autos, a Recorrente, optante pela tributação com base nas regras do Lucro Presumido, não apresentou escrituração contábil e/ou Livro Caixa, livro este de registro obrigatório caso não se opte pela contabilidade. O simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de rendimentos, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, no caso dos autos não as apresentou. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, (e não a simples movimentação/transmissão de valores e de créditos de natureza financeira), caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Reitere-se, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque, depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Mas, pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido - ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta provém de rendimentos então omitidas. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. Consoante Termo de Intimação Fiscal nº 008 (fls.133/166), com planilha anexa indicativa dos créditos bancários individuais existentes no ano de 2009, o contribuinte foi intimado, em 15/08/2012, a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira ali indicada. Ainda, solicitou-se a apresentação do Livro Caixa e/ou Diário. E, considerando a atividade comercial da Contribuinte, a Fiscalização destacou: Tendo em vista o não atendimento da intimação, a Contribuinte foi reintimada em 05/09/2012, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 009 (fls.167/168) para apresentação dos elementos/esclarecimentos solicitados na intimação anterior. E, como nada apresentou, foi feito o lançamento de ofício tendo como enquadramento legal o art.42 da Lei nº 9.430 de 1996. Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 E, tendo em vista que a Contribuinte não apresentou Livro Caixa e/ou Livro Diário, sem qualquer justificativa ou, até mesmo uma solicitação de prazo para uma eventual regularização de seus registros, não restou alternativa que não fosse o arbitramento de lucro relativo ao ano calendário de 2009. Neste sentido, a Recorrente alega que o prazo foi pequeno para apresentação dos documentos solicitados, que nem em três meses seria possível a regularização da escrituração contábil. Estamos aqui diante de uma fiscalização iniciada em 2012 e, em não havendo comunicação legal de extravio de documentos e/ou de livros, pode-se concluir que, a Recorrente não detinha os registros contábeis pertinentes e nem, alternativamente, os registros em Livro Caixa naquele ano de 2009. A Contribuinte não apresentou os documentos e livros durante a ação fiscal, nem na sua impugnação e nem no recurso voluntário, de forma que prazos para tal foram mais do que suficiente. No caso em questão, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei n o 9.430/1996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de conta(s) bancária(s) com expressiva movimentação financeira em comparação à receita declarada, intimou o contribuinte a manifestar-se quanto a cada um dos depósitos efetuado na referida conta e a juntar a documentação que comprovasse a origem de tais ingressos. A Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, deve ser a esta a que se refere a Recorrente, estabelecia a ilegitimidade dos lançamentos de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos e depósitos bancários: “É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários”. Trata-se de juízo firmado com base na legislação então vigente (década de 80 do século passado), consolidando entendimento jurisprudencial coevo. Na esteira da Súmula, o Decreto-lei nº 2.471/88 determinou o cancelamento dos débitos para com a Fazenda Nacional, originários de cobrança do imposto de renda, arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. A sistemática de lançamento com base em valores de depósitos bancários de origem não comprovada, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, já mereceu a apreciação do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se depreende dos seguintes julgados: IRPF – OMISSÃO DE RENDIMENTOS – LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – Caracteriza como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 a origem dos recursos utilizados nessas operações”.(Ac. 1º CC 104-18307, sessão de 19/09/2001) IRPJ/... /DEPÓSITOS BANCÁRIOS – Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42 da Lei 9.430/96)” (Ac. 1º CC 108-06889 – Sessão de 19/03/2002). IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - PROVAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Provando o fisco que a recorrente, a despeito de declarar-se sem movimento, exercera atividades, através de sua movimentação bancária e, não logrando a mesma demonstrar a origem dos referidos recursos, a despeito de intimada para tal, os correspondentes valores constituem receitas omitidas” (1º CC, 3ª Câmara, acórdão 103-20318 de 07/06/00, relator: Márcio Machado Caldeira). DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. (CARF/Acórdão nº 1401-003,277, de 20/03/2019) Completamente despropositada uma outra alegação, agora de eventual antinomia entre as leis citadas no recurso voluntário. Ora, a Lei Complementar 105/2001 permitiu à autoridade fiscal o acesso à informações bancárias dos contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos sem prévia autorização judicial, considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao passo que o art.42 da Lei nº 9.430 de 1996 requer que os contribuintes esclareçam a natureza dos créditos bancários com documentação hábil e idônea, caso contrário os referidos créditos serão tratados como receitas omitidas, ou seja, uma presunção legal que já está aí no cenário jurídico há mais de vinte anos. A Recorrente, desde que foi cientificada do lançamento de IRPJ em 10 de outubro de 2012 e até mesmo antes de estar sob procedimento fiscal, poderia ter providenciado os documentos pertinentes à origem dos créditos bancários de apenas uma conta corrente de sua titularidade, mas não o fez. Se não consegue a devida explicação, como pode justificar as receitas que declarou em sua DIPJ do ano calendário de 1999? Conforme relação individualizada dos créditos bancários, detalhado no Termo de Intimação Fiscal nº 008, foi apurado no 1º trimestre de 2009 crédito de R$ 1.775.553,79, ao passo que na DIPJ registrou-se neste trimestre a importância de R$ 37.334,87 e assim foi constatado nos demais trimestres. Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 O total de créditos bancários apontados no ano de 2009 foi de R$ 8.692.049,03, enquanto que na DIPJ, o total declarado foi da ordem de R$ 108.953,87, sendo que no 4º trimestre de 2009 apurou-se créditos de R$ 2.683.396,29, enquanto que nada foi declarado de receita na DIPJ neste trimestre. Durante a ação fiscal, a contribuinte, regularmente intimada e reintimada, não trouxe qualquer documento acerca da origem dos créditos bancários, o que deixou a Fiscalização em uma posição de inércia, sem poder avalizar de maneira adequada a natureza dos créditos bancários, (afinal, qual o correto tratamento jurídico a ser dado a estes valores?). A contribuinte, mesmo sendo optante pelo Lucro Presumido, está obrigada da guarda dos documentos que serviram de base para a escrituração contábil ou, alternativamente, para o Livro Caixa. Alternativa não restou que não fosse a obedecer o receituário determinado na legislação tributária acerca desta matéria, qual seja, a caracterização, por presunção legal, de receita omitida por conta de créditos bancários sem origem justificada. Com relação à multa de ofício aplicada, de 75%, a Recorrente invoca seu efeito confiscatório, proibido pela CF/88, de se dizer que este Colegiado, em função de sua Súmula nº 2, lhe falece competência para apreciação de alegações desta natureza: Súmula CARF n 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Menciona, também, a Súmula de nº 14 do extinto CC, mas inaplicável ao caso dos autos pois a multa de ofício foi aplicada em seu patamar típico, de 75%, e não a de 150%, que seria a qualificação a que se refere a referida súmula, a qual, atualmente, a Súmula CARF 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. LANÇAMENTOS DECORRENTES O lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Pis/Pasep e COFINS, neste processo, são reflexos/decorrentes da fiscalização do IRPJ, da mesma irregularidade (omissão de receitas) apurada no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista da íntima relação de causa e efeito. Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.059 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.730260/2012-84 Conclusão É o voto, rejeitar as preliminares de nulidade dos autos de infração e, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 37184.000347/2004-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-002.120
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente o lançamento realizado em 29/03/2004, substituto de outro datado de 15/08/2001, anulado por vício formal em 24/05/2002. Seguem transcrições da ementa e parte do relatório que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1992 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212_ /91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio; devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado ... Ocorre que, como já dito, in casu, o crédito tributário foi constituído em substituição ..., cuja ciência do sujeito passivo se deu em 15/08/2001, conforme pesquisa realizada no Sistema PLENUS, anulada por vício formal. Portanto, muito embora o presente crédito tenha sido lançado somente em 30/04/2004, ele apenas está substituindo o aludido crédito tributário declarado nulo. Logo, dados os efeitos retroativos da decisão do STF em sede de controle abstrato de constitucionalidade, devese primeiramente examinar se na data da ciência da NFLD original, ou seja, dia 15/08/2001, aplicandose a decadência quinquenal do CTN seja pelo § 4° do art. 150 ou pelo inciso I do art. 173, "conforme haja ou não recolhimentos parciais quaisquer das competências objeto deste débito já havia sido alcançada pela decadência. ... Contra a decisão, o recorrente reitera as alegações trazidas na impugnação, em especial a decadência do direito de constituição do crédito tributário. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 37184.000347/200493 Acórdão n.º 2402002.120 S2C4T2 Fl. 303 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. ... Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ... Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase que independentemente da regra, mesmo à época do lançamento anterior, declarado nulo por vício formal, já havia decaído o direito de constituição do crédito. Em razão do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003584/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 27/05/2004 a 12/05/2009
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
null
NÃO INCIDÊNCIA. ART. 5°, II, DA LEI N° 10.637/2002. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. PROVA DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E DO INGRESSO DE DIVISAS.
A não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pressupõe o atendimento de dois requisitos: os serviços devem ser prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e o correspondente pagamento deve representar efetivo ingresso de divisas.
Numero da decisão: 3301-011.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO INCIDÊNCIA. ART. 5°, II, DA LEI N° 10.637/2002. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. PROVA DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E DO INGRESSO DE DIVISAS. A não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pressupõe o atendimento de dois requisitos: os serviços devem ser prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e o correspondente pagamento deve representar efetivo ingresso de divisas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 35 84 /2 00 9- 43 Fl. 794DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.095 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.003584/2009-43 Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Pedido de Restituição, apresentado em formulário (papel) em 15/07/2009, relativo a valores retidos na fonte de PIS nos anos-calendário de 2004 a 2009, no valor de R$ 27.479,48. Posteriormente, foi transmitida declaração de compensação nº 00674.54524.290110.1.3.04-9006 vinculada ao pedido de restituição. Analisando o pedido, a autoridade administrativa de origem proferiu Despacho Decisório, indeferindo o pleito sob o argumento de que o contribuinte não comprovou, em cada operação: (i) através de contrato formalizado entre as partes, o necessário ele negocial entre o tomador do serviço residente ou domiciliado no exterior e o prestador de serviço no país;(ii) os necessários ingressos de divisas no país. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: (...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está à prestação de serviços para armadores estrangeiros. Na consecução de suas atividades, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não-incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais. (...) Assim, ainda que uma prestação tenha início, desenvolvimento e conclusão exclusivamente em território brasileiro, e aqui se verificar o seu resultado, esta pode vir a ser considerada, para efeitos de PIS e da COFINS, como exportação de serviços, bastando, para tanto, que (i) essa atividade tenha sido desenvolvida em favor de terceiro não residente e que (ii) sua contraprestação acarrete a entrada de divisa no país. (...) A. Do tomador de serviço residente ou domiciliado no exterior Os contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil do transportador estrangeiro. Porém, resta claro que o fato do pagamento ser Fl. 795DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.095 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.003584/2009-43 feito por representante no Brasil, daquela pessoa jurídica (armador estrangeiro), em reais, não descaracteriza, por si só, para efeitos de não-incidência do Pis/Pasep e da COFINS. (...) Assim, ainda que o preço dos serviços seja pago à Recorrente por empresa nacional, representante do armador estrangeiro, é este último, na qualidade de real tomador dos serviços, quem arca com tal encargo, enviando previamente ao país divisas suficientes à sua quitação. O custeio dos serviços prestados pela Recorrente, portanto, tem imediata relação com o ingresso de divisas no país. (...) C. Dos normativos do Banco Central do Brasil aplicáveis ao caso O Banco Central do Brasil acompanha a atividade dos armadores estrangeiros no país mediante rígido controle das divisas que entram e das divisas que saem do Brasil, as primeiras para pagamento dos fornecedores brasileiros, as segundas relativas ao frete contratado por nacionais. (...) Os normativos do BACEN estipulam que todo armador estrangeiro que atue no Brasil deve ter representante constituído no país, sobre o qual recairá a responsabilidade pela comprovação dos resultados da atividade de transporte marítimo realizada por aquele. Em suma, as divisas remetidas ao país para pagamento das despesas decorrentes do serviço de transporte marítimo serão destinadas ao representante do armador estrangeiro, que fica obrigado a comprovar o destino dado a tais valores e manter o registro dessas operações. O representante nacional do transportador estrangeiro é também quem recolhe das empresas nacionais contratantes do serviço de transporte o frete cobrado, remetendo-o ao exterior mediante o fechamento de contratos de câmbio com as instituições autorizadas para tal mister pelo próprio BACEN. (...) DA COMPROVAÇÃO DO VALOR DO CRÉDITO Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Senhoria entender ser devido. A 1ª Turma da DRJ/JFA, acórdão n° 09-56.895, negou provimento à manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. A decisão foi assim ementada: Fl. 796DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.095 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.003584/2009-43 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO Para que ocorra a homologação da compensação declarada pela contribuinte, faz-se necessário a comprovação da existência de direito creditório líquido e certo. DIREITO CREDITÓRIO. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E DO INGRESSO DE DIVISAS. PROVA. A imunidade das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pressupõe o atendimento de dois requisitos: os serviços devem ser prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e o correspondente pagamento deve representar efetivo ingresso de divisas. A falha na comprovação do cumprimento de qualquer um desses requisitos afasta a liquidez e certeza do direito de crédito e impede a homologação de compensação que dele tenha se aproveitado. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Na origem, o contribuinte pleiteou a restituição de PIS indevidamente retido na fonte. Sustenta que é caso de não incidência da contribuição sobre as receitas de exportação de serviços de praticagem prestados a transportador estrangeiro ou a representante deste no Brasil, cujo pagamento teria representado ingresso de divisas. Dispõe o art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002, que: Art. 5º. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A caracterização da não incidência de PIS sobre as receitas de exportação depende da prova de que as receitas têm origem na prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior e que a contraprestação representou o ingresso de divisas. Por isso, a fiscalização intimou a empresa a apresentar: para cada operação, a comprovação de que a respectiva prestação de serviços foi efetivamente realizada para o residente/domiciliado no exterior e a prova documental do ingresso de divisas. Em atendimento à intimação, foram apresentadas notas fiscais cujo tomador é a empresa brasileira William Serviços Marítimos Ltda., com endereço no Brasil e os recibos. Nos Fl. 797DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.095 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.003584/2009-43 documentos constam as retenções na fonte de PIS, COFINS, CSLL e IR, além da indicação de incidência do ISS. Observa-se que as notas fiscais e recibos não comprovam o serviço prestado a empresa estrangeira. Além disso, foi juntada a seguinte declaração de terceiro: A declaração da SINDANEAL não tem valor de prova do ingresso de divisas. Assim, não foram apresentados: (i) contratos com pessoa jurídica no exterior; (ii) contratos de câmbio; (iii) notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e (iv) o livro fiscal com escrituração de receitas decorrentes de prestação de serviço para pessoa jurídica no exterior. Ademais, na hipótese de intermediação da agência marítima, deveria ter sido apresentado o contrato firmado entre ela e o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando-a como representante em território nacional a atuar em seu nome, com os poderes conferidos. Dispõe o art. 170, do CTN, que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Isso porque, considera-se que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373, do CPC/15. Então, a comprovação da liquidez e certeza do crédito é ônus que cabe ao contribuinte desde a apresentação da declaração de compensação. Fl. 798DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.095 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.003584/2009-43 Em vista disso, restam ausentes a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Por isso, não há falar-se de homologação da compensação. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 799DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720087/2012-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.519
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligêncoa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligêncoa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório PLÁSTICOS NOVACOR LIMITADA teve contra si lavrado o Auto de Infração (AI) de fls. 596/599 para formalização da constituição de crédito tributário relativo à Contribuições para o PIS/Pasep, no valor de R$ 204.204,69, do período de 01/01/2008 a 31/10/2008, acrescido de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) e juros de mora. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 578/591, os valores inseridos no Demonstrativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Cofins – DACON, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2008, reduziram indevidamente a zero o valor da Contribuição a recolher em 2008. Não obstante as intimações emitidas para a contribuinte em epígrafe, os seguintes créditos não foram comprovados com documentos hábeis e idôneos: 2008 ORIGEM DO CRÉDITO INFORMADO NO DACON VALOR (R$) Janeiro Ajustes Positivos de Crédito 24.384,64 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .7 20 08 7/ 20 12 -1 0 Fl. 1218DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15393.3NV6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.720087/201210 Resolução nº 3403000.519 S3C4T3 Fl. 1.219 2 2008 ORIGEM DO CRÉDITO INFORMADO NO DACON VALOR (R$) fevereiro Outras Deduções 12.734,47 Março Outras Deduções 9.445,69 Abril Outras Deduções 6.274,10 Maio Outras Deduções 6.804,42 Junho Bens Utilizados como Insumos 50.216,77 Julho Crédito Presumido Estoque de Abertura 5.921,02 Agosto Crédito Presumido Estoque de Abertura 25.527,15 Setembro Crédito Presumido Estoque de Abertura 25.358,18 Outubro Crédito Presumido Estoque de Abertura 14.510,61 TOTAL 204.204,69 Em impugnação (fls. 606/652) alega ter atendido a todas as notificações que lhe foram encaminhadas, sustenta direito a creditamento extemporâneo, independentemente da retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência. Esclarece que os créditos que não foram aproveitados referemse a arrendamento mercantil, energia elétrica, importações, estoque de abertura (2003 e 2004) e máquinas importadas. Alega ainda ter instruído sua impugnação com documentação hábil para a comprovação dos créditos. Combate a presença de qualificadoras da infração (não houve dolo de supressão de tributo nem de impedir que o Fisco tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador) e argúi a confiscatoriedade da penalidade aplicada. A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/FNS. O colegiado a quo recusouse a analisar a documentação que instruiu a impugnação porque (i) não foi procedida a conc1liação dos lançamentos contábeis com os créditos glosados; (ii) o impugnante não justificou a razão pela qual não apresentou tal documentação, no curso da fase inquisitorial do procedimento, quando foi instado a fazêlo, e (iii) não houve a prévia retificação dos DACON respectivos, condição sine qua non para o creditamento extemporâneo, no entendimento defendido no voto condutor da decisão recorrida. O Acórdão nº 0732.216, de 9 de agosto de 2013, fls. 1151/1162, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 PROCESSO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL. LIMITES À COGNIÇÃO As provas passíveis de serem conhecidas na impugnação do sujeito passivo são aquelas destinadas a contraditar, de forma individualizada e específica, a análise já efetuada pelo fisco, pelo que não é lícito examinar, em sede de impugnação, os mesmos documentos ou outros que, sem razão justificável, a impugnante subtraiu à apreciação da autoridade fiscal. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Fl. 1219DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15393.3NV6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.720087/201210 Resolução nº 3403000.519 S3C4T3 Fl. 1.220 3 No regime da não cumulatividade, a repetição/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É aplicável a multa de 150% no caso em que ficar caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1167/1215, após síntese dos fatos relacionados com a lide, argúi, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, na media em que esta deixou de apreciar argumentos considerados cruciais para o deslinde do processo. No mérito, transcreve a legislação que entende reger a matéria para concluir ser possível, enquanto não esgotado o prazo prescricional, o desconto extemporâneo de créditos. Cita e transcreve doutrinas que sustentam serem despiciendas a retificação de obrigações acessórias e mesmo a observância do princípio jurídicocontábil da competência. Na continuação, invoca a regra de distribuição do onus probandi mo processo civil e acrescenta que demonstrou, mediante juntada de planilhas e documentos contábeis, a existência dos seguintes créditos do PIS nãocumulativo, que não haviam sido objeto de desconto, respeitado o prazo prescricional qüinqüenal: Fl. 1220DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15393.3NV6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.720087/201210 Resolução nº 3403000.519 S3C4T3 Fl. 1.221 4 ARRENDAMENTO MERCANTIL Valor Base = R$ 730.636,86 PIS 12.055,51 (base x 1,65%) COFINS R$ 55.528,40 (base x 7,6%) ENERGIA ELÉTRICA Valor Base R$ 4.988.760,32 PIS = R$ 82.314,55 (base x 1,65%) COFINS = R$ 331.309,84 (base x 7,6%) IMPORTAÇÕES Valor Base = R$ 2.336.424,85 PIS = RS 38.551,01 (base x 1,65%) COFINS R$ 177.567,17 (base x 7,6%) ESTOQUE DE ABERTURA – 2003 Valor Base = R$ 947.901,97 PIS = R$ 15.640,38 (base x 1,65%) COFINS = ESTOQUE DE ABERTURA – 2004 Valor Base R$ 1.382.883,00 PIS = COFINS R$ 41.486,49 (base x 7,6%) DEPRECIAÇÃO – 2004 Valor Base = R$ 58.533,07 PIS R$ 965,80 (base x 1,65%) COFINS RS 4.448,51 (base x 7,6%) MÁQUINAS IMPORTADAS Valor Base = RS 1.499.685,26 PIS R$ 24.744,81 (base x 1,65%) COFINS = RS 113.976,08 (base x 7,6%) TOTAL DO CRÉDITO PIS RS 174.272,05 Os documentos juntados foram os seguintes: 1. ARRENDAMENTO MERCANTIL: Planilha e Cópia do Livro Diário 2. ENERGIA ELÉTRICA Planilha e Contas de energia elétrica de janeiro de 2003 a dezembro de 2007 3. IMPORTAÇÕES Planilha e Cópia Livro Diário e Notas Fiscais 4. ESTOQUE DE ABERTURA2003 e 2004 5. Planilha e Cópia Livro Diário 6. DEPRECIAÇÃO 2004 Planilha e Cópia Livro Diário 7. MÁQUINAS IMPORTADAS Planilha e Cópia Notas Fiscais Insurgese também contra o agravamento da penalidade, argumentando que não obstaculizou o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador, já atendeu às intimações e apresentou DCTF e DACON. Transcreve jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 1221DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15393.3NV6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.720087/201210 Resolução nº 3403000.519 S3C4T3 Fl. 1.222 5 Apresentase como de boafé. Argúi o caráter confiscatório da penalidade, mesmo em percentual básico. Mais doutrina e jurisprudência que entende amparar a arguição. Conclui, requerendo a intimação pessoa do patrono da causa, no endereço que cita, e o provimento do recurso. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1167/1215 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS1ª Turma nº 0732.216, de 9 de agosto de 2013. A propósito do creditamento extemporâneo, este Colegiado já teve oportunidade de enfrentar a matéria e decidiu, à unanimidade, que, nem a Lei, nem o regulamento vedam o a apropriação de crédito em momento posterior ao de sua apuração ou o condicionam à prévia retificação dos controles fiscais ou contábeis daquele exato mês em que o crédito foi gerado. (Acórdão nº 3403002.420, de 21 de agosto de 2013, Rel. Conselheiro Ivan Allegretti). Com vistas postas nesse entendimento, no sistema de distribuição do ônus da prova adotado pelo Processo Administrativo Federal1 e no que dispõe o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, proponho que se converta o presente julgamento em diligência, baixandose o processo à autoridade autuante, para que lá se tomem as seguintes providências: a) Apuremse os créditos a que faz jus o contribuinte, ora recorrente, com apoio na documentação acostada aos autos até o momento processual da impugnação (inclusive), ou outras mais que a autoridade diligenciante julgar conveniente intimar o autuado a apresentar; b) Repercutase essa apuração no lançamento ora sub judice, em parecer circunstanciado; c) Abrase o prazo regulamentar para que o autuado, querendo, se manifeste sobre esse parecer; d) Devolvase o processo a esta 3ªTO/4ªC/3ªS/CARF, para julgamento do RV. É como voto. 1 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 1222DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15393.3NV6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.720087/201210 Resolução nº 3403000.519 S3C4T3 Fl. 1.223 6 Sala de sessões, em 27 de novembro de 2013 Fl. 1223DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0121.15393.3NV6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE KERN em 28/11/2013 10:04:00. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE KERN em 28/11/2013. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 29/11/2013 e ALEXANDRE KERN em 28/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 27/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP27.0121.15393.3NV6 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2FC3E25F00D1E8F4A55FE2E1DFA873E43E40ABB7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10932.720087/2012-10. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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