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Numero do processo: 14751.000950/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, para que seja providenciada a juntada dos processos decorrentes ao principal. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir a Resolução.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Redatora
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, para que seja providenciada a juntada dos processos decorrentes ao principal. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Relatora) que negava provimento ao recurso. Designada a Conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir a Resolução. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 02 08, com a exigência do crédito tributário no valor de total de R$18.801,85 a título de multa de ofício isolada por falta de entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 30.06.2006. Em conformidade com o Termo de Verificação fiscal, fls. 0912, a Recorrente foi validamente intimada a apresentar as DIPJ de 2005 e não fez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 51 .0 00 95 0/ 20 09 -0 1 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 55 2 Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 2735, alegando que se defende tempestivamente e ainda com as alegações a seguir transcritas: DOS FATOS A autoridade fiscal instaurou procedimento fiscalizatório, cuja finalidade reside em apurar a existência de crédito tributário. Ao analisar as declarações e os elementos concernentes ao ano calendário de 2005, exercício de 2006, a RFB concluiu que o contribuinte havia desenvolvido atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo. Em razão deste fato, a autoridade fiscal equiparouo a condição de pessoa jurídica para fins de tributação. Assim, por força da equiparação, foi solicitado ao contribuinte o cumprimento de diversas obrigações acessórias, a exemplo da apresentação da DIPJ, DCTF e entrega dos livros diário, razão e LALUR. Esgotado o prazo sem que o contribuinte tenha apresentado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do períodobase de 2005, a autoridade fiscal impôs uma multa de 20% do montante do IRPJ apurado no Auto de Infração n° 14751.000818/200991. Eis, portanto, os fatos que ensejaram a aplicação da penalidade pecuniária. DO DIREITO Equiparação de pessoa física em pessoa jurídica. Instrução Normativa. Ato administrativo Autônomo. Ausência de amparo legal. Imputação de multa De acordo com o relatório constitutivo da autuação fiscal, a RFB reconheceu que o contribuinte havia desenvolvido atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo no ano calendário de 2005. Por tal razão, caracterizou sua atividade como sendo prestada por pessoa jurídica, classificandoa como sendo de fomento mercantil (Factoring). Assim procedeu a RFB com fundamento no art. 19, §1°, da Instrução Normativa n° SRF 748/07, [...]Observase, pois, que a RFB equiparou a pessoa física (LUIZ CARLOS NEVES DANTAS) à pessoa jurídica, passando a exigir um conjunto de tributos (IRPJ, COFINS, PIS/PASEP e CSLL) em virtude da ausência de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias, nos termos da Lei nº 9.430/96. Em termos precisos e rigorosos, a RFB procedeu a uma equiparação sem fundamento legal. E que não há norma jurídica que de sustentação ao lançamento tributário, gravando o requerente como se fora uma pessoa jurídica regularmente constituída. Mediante a expedição de ato administrativo autônomo, sem a devida convalidação por meio de lei, a RFB atuou de maneira arbitraria e ilegal. Aqui, a RFB criou um novo contribuinte para responder pelas dívidas tributárias, concebendo originariamente uma modalidade de sujeição passiva. Não há dúvidas, portanto, que somente a lei pode firmar o devedor da obrigação tributária. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 56 3 A inteligência do art. 145, III, a, CF c/c o art. 97, III, CTN corrobora a ideia de que a sujeição passiva tributária, caracterizada como elemento essencial da obrigação, está submetida a reserva de legalidade (art. 121, CTN). [...]A equiparação levada a efeito pela RFB viabilizou outra ilegalidade. É que a autoridade fiscal passou a exigir do requerente o cumprimento de algumas obrigações acessórias, cujo raio de incidência apenas vincula pessoas jurídicas. Duas foram as conseqüências: a) a imputação de multas, consubstanciadas nos Procedimentos administrativos fiscais nºs 14751.000.918/200917 e 14751.000.950/200901; b) o lançamento por arbitramento. Ora, a aplicação de multas acessórias carecem de embasamento legal, pois falta se o pressuposto material, a saber: o contribuinte atuava na condição de pessoa física. Neste caso, jamais poderia ser obrigado a apresentar DCTF, DIRF, LALUR, RAZÃO, e DIÁRIO. Em última instância, não deveria sujeitarse a sanções de natureza pecuniária próprias de pessoa jurídica. Quanto ao arbitramento, de igual modo padece de ilegalidade, porquanto não se vislumbra os requisitos contidos no Código não Tributário Nacional. A propósito do arbitramento, algumas considerações devem ser feitas. De acordo com o procedimento administrativofiscal, a RFB intimou o requerente para apresentar a DIRF, DCTF, DIÁRIO, RAZÃO e LALUR. Como o contribuinte não apresentou uma vez que não havia obrigatoriedade legal a RFB efetuou o lançamento por arbitramento, sob a alegação que o contribuinte não havia comprovado a origem dos depósitos bancários em sua contacorrente. Assim procedeu com o objetivo de mensurar a base de cálculo do tributo. Entretanto, merece ênfase o fato da RFB acharse vinculada às diretrizes normativas do CTN ( art. 148 ) em hipóteses desta natureza. Observase que o lançamento com base no arbitramento está sujeito a casos bem delimitados, mediante alguns pressupostos, assim como a procedimento especifico. Neste sentido, ao basear a constituição do credito tãosomente em informações inverossímeis, desprovida de base documental, olvidou elementos que a lei impõe como obrigatórios. [...]O arbitramento consiste em medida excepcional, adotada mediante a presença de alguns pressupostos jurídicos, a saber: recusa, inexatidão, omissão ou sonegação de informações ou documentos que concorram para a determinação da dívida tributária. [...]Em rigor, ocorreu uma inversão na ordem dos instrumentos probatórios. O essencial foi desprezado; o acidental foi evidenciado! Como existem outros elementos probatórios, caberia a autoridade federal deles valerse para aferir a verdade material. Assim deve ser compreendido, pois o arbitramento e método utilizado como instrumento derradeiro. Aqui, a base de cálculo não coincide com o valor do deságio. Antes, identificase com uma dimensão econômica, concernente a todos os depósitos bancários. Por outro lado, não se pode olvidar que todo procedimento administrativo fiscal deve ser informado pelos princípios da legalidade, igualdade, oficialidade, alem de submeterse ao postulado da verdade material. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 57 4 De acordo com o postulado da verdade material o intérprete/aplicado da lei tributária deve relativizar ou abrandar as formas em detrimento do conteúdo. Ou, ainda, deve buscar identificar os elementos que caracterizam a essência da tributação. Portanto, o princípio da verdade material restou completamente comprometido em razão da postura administrativa adotada pela RFB. [...]Em suma: a presente autuação deve ser anulada, porquanto ostenta vícios irremissíveis, na medida em que o credito tributário foi devidamente constituído com base em uma equiparação desprovida de fundamento legal e, conseqüentemente, não havia como o contribuinte se sujeitar as obrigações acessórias correspondentes. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Em face do exposto, requer a V.Exa o seguinte: o recebimento da presente defesa, suspendendo a exigibilidade do credito tributário, nos termos do art. 151, III, CTN; a emissão de certidão positiva com efeito de negativa, mediante requerimento do contribuinterequerente, nos moldes do art. 206, CTN; protesta provar o alegado, através de todos os meios de prova em direito admitidos; no mérito, seja julgado procedente o pedido para anular o Auto de Infração 14751.000950/200901 que imputou ao requerente o dever de pagar a importância de R$18.801,85. Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 36.895, de 30.04.2012, fls. 4044: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DIPJ ATRASO NA ENTREGA pessoa jurídica.. Equiparada, pela fiscalização, a pessoa física a condição de pessoa jurídica, pela prática habitual de atividade econômica, esta fica sujeita ao cumprimento da obrigação acessória de apresentar a DIPJ. A não apresentação enseja na aplicação da multa específica. Notificada em 29.05.2012, fl. 47, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.06.2012, fls. 4852, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que: DOS FATOS A autoridade fiscal instaurou procedimento fiscalizatório, cuja finalidade reside em apurar a existência de crédito tributário. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 58 5 Ao analisar as declarações e os elementos concernentes ao ano calendário de 2005, exercício de 2006, a RFB concluiu que o contribuinte havia desenvolvido atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo. Em razão deste fato, a autoridade fiscal equiparouo a condição de pessoa jurídica para fins de tributação. Assim, por força da equiparação, foi solicitado ao contribuinte o cumprimento de diversas obrigações acessórias, a exemplo da apresentação da DIPJ, DCTF e entrega dos livros diário, razão e LALUR. Esgotado o prazo sem que o contribuinte tenha apresentado a DCTF referentes ao primeiro e segundo semestres de 2005, a autoridade fiscal impôs uma multa de 20% do montante do IRPJ apurado no Auto de Infração n° 14751.000818/200991. Eis, portanto, os fatos que ensejaram a aplicação da penalidade pecuniária. DO DIREITO Da necessidade de reforma da decisão da DRJ. Equiparação de pessoa física em pessoa jurídica. Instrução Normativa. Ato administrativo Autônomo. Ausência de amparo legal. Imputação de multa. De acordo com o relatório constitutivo da autuação fiscal, a RFB reconheceu que o recorrente havia desenvolvido atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo no ano calendário de 2005. Por tal razão, caracterizou sua atividade como sendo prestada por pessoa jurídica, c1assificandoa como sendo de Fomento Mercantil (Factoring). [...]Observase, pois, que a RFB equiparou a pessoa física (LUIZ CARLOS NEVES DANTAS) à pessoa jurídica, passando a exigir um conjunto de tributos (IRPJ, COFINS, PIS/PASEP e CSLL) em virtude da ausência de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias, nos termos da Lei nº 9.430/96. Em termos precisos e rigorosos, a RFB procedeu a uma equiparação sem fundamento legal. E que não há norma jurídica que de sustentação ao lançamento tributário, gravando o requerente como se fora uma pessoa jurídica regularmente constituída. Mediante a expedição de ato administrativo autônomo, sem a devida convalidação por meio de lei, a RFB atuou de maneira arbitraria e ilegal. Aqui, a RFB criou um novo contribuinte para responder pelas dívidas tributárias, concebendo originariamente uma modalidade de sujeição passiva. Não há dúvidas, portanto, que somente a lei pode firmar o devedor da obrigação tributária. A inteligência do art. 145, III, a, CF c/c o art. 97, III, CTN corrobora a ideia de que a sujeição passiva tributária, caracterizada como elemento essencial da obrigação, está submetida a reserva de legalidade (art. 121, CTN). [...]A equiparação levada a efeito pela RFB viabilizou outra ilegalidade. É que a autoridade fiscal passou a exigir do requerente o cumprimento de algumas obrigações acessórias, cujo raio de incidência apenas vincula pessoas jurídicas. Duas foram as conseqüências: a) a imputação de multas, consubstanciadas nos Procedimentos administrativos fiscais nºs 14751.000.918/200917 e 14751.000.950/200901; b) o lançamento por arbitramento. Ora, a aplicação de multas acessórias carecem de embasamento legal, pois falta se o pressuposto material, a saber: o contribuinte atuava na condição de pessoa física. Neste caso, jamais poderia ser obrigado a apresentar DCTF, DIRF, LALUR, RAZÃO, e Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 59 6 DIÁRIO. Em última instância, não deveria sujeitarse a sanções de natureza pecuniária próprias de pessoa jurídica. Quanto ao arbitramento, de igual modo padece de ilegalidade, porquanto não se vislumbra os requisitos contidos no Código não Tributário Nacional. A propósito do arbitramento, algumas considerações devem ser feitas. De acordo com o procedimento administrativofiscal, a RFB intimou o requerente para apresentar a DIRF, DCTF, DIÁRIO, RAZÃO e LALUR. Como o contribuinte não apresentou uma vez que não havia obrigatoriedade legal a RFB efetuou o lançamento por arbitramento, sob a alegação que o contribuinte não havia comprovado a origem dos depósitos bancários em sua contacorrente. Assim procedeu com o objetivo de mensurar a base de cálculo do tributo. Entretanto, merece ênfase o fato da RFB acharse vinculada às diretrizes normativas do CTN ( art. 148 ) em hipóteses desta natureza. Observase que o lançamento com base no arbitramento está sujeito a casos bem delimitados, mediante alguns pressupostos, assim como a procedimento especifico. Neste sentido, ao basear a constituição do credito tãosomente em informações inverossímeis, desprovida de base documental, olvidou elementos que a lei impõe como obrigatórios. [...]O arbitramento consiste em medida excepcional, adotada mediante a presença de alguns pressupostos jurídicos, a saber: recusa, inexatidão, omissão ou sonegação de informações ou documentos que concorram para a determinação da dívida tributária. [...]Em rigor, ocorreu uma inversão na ordem dos instrumentos probatórios. O essencial foi desprezado; o acidental foi evidenciado! Como existem outros elementos probatórios, caberia a autoridade federal deles valerse para aferir a verdade material. Assim deve ser compreendido, pois o arbitramento e método utilizado como instrumento derradeiro. Aqui, a base de cálculo não coincide com o valor do deságio. Antes, identificase com uma dimensão econômica, concernente a todos os depósitos bancários. Por outro lado, não se pode olvidar que todo procedimento administrativo fiscal deve ser informado pelos princípios da legalidade, igualdade, oficialidade, alem de submeterse ao postulado da verdade material. De acordo com o postulado da verdade material o intérprete/aplicado da lei tributária deve relativizar ou abrandar as formas em detrimento do conteúdo. Ou, ainda, deve buscar identificar os elementos que caracterizam a essência da tributação. Portanto, o princípio da verdade material restou completamente comprometido em razão da postura administrativa adotada pela RFB. [...]Em suma: a presente autuação deve ser anulada, porquanto ostenta vícios irremissíveis, na medida em que o credito tributário foi devidamente constituído com base em uma equiparação desprovida de fundamento legal e, conseqüentemente, não havia como o contribuinte se sujeitar as obrigações acessórias correspondentes. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 60 7 Em face do exposto, requer a V.Exa o seguinte: o recebimento da presente defesa, suspendendo a exigibilidade do credito tributário, nos termos do art. 151, III, CTN; a emissão de certidão positiva com efeito de negativa, mediante requerimento do contribuinterequerente, nos moldes do art. 206, CTN; protesta provar o alegado, através de todos os meios de prova em direito admitidos; no mérito, seja julgado procedente o pedido para anular o Auto de Infração 14751.000950/200901 que imputou ao requerente o dever de pagar a importância de R$18.801,85. Pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Em relação do pedido de emissão de Certidão Positiva com Efeito de Negativa temse que essa atividade é de competência exclusiva do Delegado da Receita Federal do Brasil e do InspetorChefe da Receita Federal do Brasil aos quais incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente, decidir sobre a expedição de certidões relativas à situação fiscal e cadastral da Recorrente, em conformidade com art. 302 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Por essa razão o CARF não pode se pronunciar sobre essa matéria. No que se refere à adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado por equiparação da pessoa física a pessoa jurídica consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 0809, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: DO FISCALIZADO No decorrer do procedimento fiscal desenvolvido no contribuinte acima referido, com a finalidade de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Física do anocalendário de 2005, exercício de 2006, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela fiscalização, concluiu, com base nas declarações e nos elementos apresentados pelo contribuinte, que o mesmo desenvolveu atividade econômica em nome individual, com habitualidade e profissionalismo, no anocalendário de 2005. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 61 8 Em 17/02/2009, o contribuinte compareceu a esta DRF e tomou ciência da equiparação da pessoa física à pessoa jurídica e da sua inscrição no CNPJ. Dessa forma, foi iniciado o procedimento fiscal na pessoa jurídica LUIZ CARLOS NEVES DANTAS, CNPJ. 10.557.354/0001, através do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal de fls. 17/18, no qual foram solicitados os seguintes elementos: a Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas ao anocalendário de 2005, bem como, apresentar os livros contábeis/fiscais obrigatórios para apuração do lucro real (Diário, Razão, Lalur, etc).) dentro do prazo acima estabelecido. Informar o endereço para envio de correspondências das pessoas física e jurídica e atualização dos cadastros respectivos, tendo em vista que as correspondências enviadas para o endereço que consta dos cadastros CPF e CNPJ, estão sendo devolvidas pela EBCT com a observação "AUSENTE". Em resposta à intimação, o contribuinte declarou, com relação às declarações e aos livros solicitados, que (fls. 19): "conforme declaração verbal feita por mim ao Sr. Auditor Glauco José Eggers, a movimentação financeira (troca de cheques) era feita de forma extraoficial, por esse motivo, não tenho como apresentar os documentos exigidos por esta Auditoria" (grifo nosso). INFRAÇÃO APURADA Tendo em vista que o fiscalizado não apresentou a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica do período base de 2005, dentro do prazo estipulado no Termo de Inicio do Procedimento Fiscal de fls. 17, procedemos ao lançamento da multa regulamentar pela falta de entrega da mesma, no limite de 20 % do montante do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado no Auto de Infração (cópias as fls. 08/16), processo n ° 14751.000.818/200991. Esses lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, fls. 1023, estão formalizados no processo nº 14751.000.818/200991, cujas cópias instruem os presentes autos. Consta no Voto Condutor do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 36.895, de 30.04.2012, fls. 4044: Com relação a estas alegações a 3ª Turma da DRJ/Recife no Acórdão nº 11 31.649 de 28/10/2010, relator Benedito Nunes Pereira Filho, referente ao processo nº 14751.000818/200991, autos de infração do IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS, enfrentou as questões de forma clara e precisa, assim, adotamos este entendimento que passamos a transcrever: Da equiparação. 5. Consoante a defesa, a equiparação teria sido ilegal porquanto inexistiria “norma jurídica” a darlhe sustentação, e, de conseqüente, a fiscalização, ao terse baseado na Instrução Normativa SRF nº 748, de 2007, teria agido de forma arbitrária. 6 . Não há acordar com o argumento. A uma, porque falacioso. Como se sabe, a inscrição no CNPJ é obrigatória para todas as entidades. A equiparação é atitude a ser tomada no intuito de fazer valer a obrigatoriedade, viabilizando a cobrança de tributos, ou a aplicação de penalidade, contra entidade existente de fato, mas não de direito particularidade do caso em questão. 7. O art. 19 da IN SRF 748, de 20071 (revogada pela IN RFB nº 1.005, de 08 de fevereiro de 2010), que se dirige ao AuditorFiscal ressaltese: ao Auditor Fiscal , apenas estabelece procedimento a ser adotado ante a constatação de falta de inscrição, Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 62 9 não criando obrigação tributária ou firmando devedor, como se alegou , não carecendo ipso facto de previsão por meio de lei. 8. A duas, porque cumpre à autoridade administrativa observar a legislação expedida pela Receita Federal as instruções normativas são de observação obrigatória, porquanto inseridas no bojo das normas complementares das leis (inciso I do art. 100 do CTN) de maneira que não se pode qualificar a observação da referida IN de arbitrária. Do arbitramento e da receita que se adotou. 9. Consoante a defesa, o arbitramento teria sido feito com base em informações inverossímeis, desprovidas de base documental, olvidandose o art. 148 do CTN. A sua base estaria incorreta, pois que se adotou a totalidade dos depósitos como receita bruta conhecida em vez do “Deságio”, que consistiria, de fato, no faturamento das empresas de fomento mercantil. 10. Nessa esteira, questionouse que os depósitos bancários jamais poderiam ser base de cálculo do PIS e da Cofins, tampouco do IRPJ e da CSLL quanto a esses últimos, alegouse que os depósitos não evidenciariam disponibilidade econômica ou jurídica, nos termos do art. 43 do CTN; trouxese à colação demonstrativos efetuados com supostos valores de deságio (fl.191). 11. Não há concordar com os argumentos. O arbitramento do lucro se deu ante à falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração, o que impossibilitou a apuração do lucro real, como se ressaltou no Termo de Verificação Fiscal. Com efeito, o contribuinte não mantinha escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, malgrado desenvolver atividade econômica com habitualidade e profissionalismo. 12. Os valores que se adotaram não são inverossímeis, tampouco incorretos ou desprovidos de suporte documental: adotaramse como base os depósitos discriminados nos extratos bancários cuja a origem dos recursos não restou comprovada evidenciando receita omitida, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 , o que se fez com suporte no inciso do art. 532 do RIR, de 19994. 13. Não havia por que terse perscrutado sobre a efetiva receita das empresas de fomento mercantil, pois que o referido dispositivo é claro ao determinar que se caracteriza como omissão de receita os valores dos depósitos cuja origem dos recursos não restar comprovada. Ali não se cogita nenhuma dedução a título de custo ou despesa. 14. Nesse ponto, impende esclarecer, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, consoante Parágrafo único do art. 42 do CTN. De sorte que a autoridade administrativa não pode deixar de observar dispositivo de lei, a não ser que, em conformidade com o que prevê o Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, houver sido declarada sua inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o que não é o caso. 15. Por outro lado, depósito bancário em si, com efeito, não se constitui em base de cálculo de tributo. O que se adotou no caso em questão entretanto foi a receita bruta que se omitiu, que constituiu a base de cálculo de PIS e da COFINS, e por meio da qual se apurou o lucro, esse sim base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Desta forma, mantendose a equiparação da contribuinte a condição de pessoa jurídica a mesma estava obrigada a apresentar as DCTF do primeiro e segundo semestre de 2005. A não apresentação, mesmo após a intimação, sujeita a empresa a multa de 20% sobre os impostos e contribuições devidos, conforme demonstrativos da fl. 11. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 63 10 Quanto aos pedidos finais cabe novamente destacar o Acórdão nº 1131.649 de 28/10/2010, relator Benedito Nunes Pereira Filho, referente ao processo nº 14751.000818/200991, que da mesma forma adotamos: Do pedido de perícia e de emissão de certidão positiva com efeito de negativa. 21. Quanto ao pedido de perícia, é de considerálo não formulado, nos termos do § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19725, porquanto desprovido de quesitos. 22. No tocante à certidão, cumpre informar a competência para a sua emissão é da DRF da jurisdição do contribuinte. Em conformidade com informações constantes no eprocesso, esses autos se encontram no Secoj/Secex/CARF na tarefa “distribuir/sortear. Nesse processo devem ser analisadas a adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado por equiparação da pessoa física a pessoa jurídica. Assim, não cabem nos presentes autos examinar essas matérias que são próprias do processo nº 14751.000.818/200991. Sobre relação de prejudicialidade que porventura informa os presentes autos e o processo principal nº 14751.000.818/200991, temse que o art. 9º do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, determina que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Embora a Recorrente questione com ênfase a adoção de ofício do regime de tributação com base no lucro arbitrado por equiparação da pessoa física a pessoa jurídica, essas matérias devem ser tratadas no processo principal nº 14751.000.818/200991. Os presentes autos, por outro lado não podem ter seu julgamento sobrestado por inexistir fundamento normativo que ampare esse procedimento. Cabe esclarecer que as exigências tratadas no processo principal nº 14751.000.818/200991 foram mantidas em sede de primeira instância de julgamento, de acordo com o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 1131.649 de 28/10/2010, de modo que é procedente lançamento de ofício formalizado nos presentes autos. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrado sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 64 11 deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 65 12 sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal5. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 6, cujo 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 5 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 6 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 66 13 trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF7. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). A transmissão da DIPJ é obrigatória. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Vale esclarecer que a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, instituída a partir de 1º.01.1999, tem natureza jurídica tãosomente informativa, de modo que não é instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União do saldo a pagar relativo ao tributo ali informado8. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da sua entrega, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o 7 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 67 14 lançamento de ofício quando apresentada após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas9. A DIPJ entregue pela Recorrente não é modo de constituição do crédito tributário, o que não dispensa o lançamento de ofício. A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do IRPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observada na multa mínima de R$500,00 (quinhentos reais); (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do Auto de Infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 75% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples (Lei nº 9.317, de 1996); (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos10. Em relação à DIPJ, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentála, via internet, anualmente, centralizada pela matriz: (a) para os anoscalendário de 1999 a 2008 até o último dia útil do mês de setembro do anocalendário subsequente; (b) para o anocalendário de 2009 até 30 de julho de 2010; 9 Fundamentação legal: art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 10 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 68 15 (c) para o anocalendário de 2010 até 30 de junho de 2011; (d) para o anocalendário de 2011 até 29 de junho de 2012; (e) para o anocalendário de 2012 até 28 de junho de 201311. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária12. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 13 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. Consta na Descrição dos Fatos, fl. 06, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Multa por omissão na entrega da declaração do período base de 2005, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 06/07, que é parte integrante deste Auto de Infração. VALOR DA MULTA = 20% DO IMPOSTO DE RENDA APURADO Imposto = 94.009,25 Multa= 18.801,85. No presente caso, restou comprovado que houve falta de entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 30.06.2006. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, 11 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012 e Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013. 12 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 13 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 69 16 acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva VOTO VENCEDOR Ao analisar os autos, impõese decidir sobre matéria prejudicial instada pela recorrente, de natureza processual. A premissa da defesa da recorrente é a equiparação de ofício realizada pela fiscalização da pessoa física para a pessoa jurídica, argumentando ser descabida, bem como a autuação sofrida como se fosse uma pessoa jurídica – processo administrativo fiscal nº 14751.000818/200991 (crédito tributário decorrente de autuação para exigência de IRPJ, PIS, CSLL e Cofins). As contestações contra as multas infligidas por descumprimento de obrigações acessórias em função da referida equiparação e abertura de pessoa jurídica, ex officio, são estritamente vinculadas ao processo de exigência de tributos, acima referenciado. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil CPC Art.102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 70 17 propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...]. Art.108. A ação acessória será proposta perante o juiz competente para a ação principal. Os presentes autos versam sobre a exigência de penalidade pelo atraso/falta de entrega de DCTF de período abrangido pela equiparação da pessoa física à jurídica, realizada de forma retroativa para alcançar o anocalendário sob fiscalização. Em assim sendo, concluo que exigir definitivamente multas por atraso de entrega de declarações enquanto não decidida a questão da equiparação, contestada veemente pela recorrente, seria inócuo ou prejudicial à recorrente em caso de prosseguirse a cobrança. No caso, o fato jurídico que ensejou a exigência da penalidade e as contestações da recorrente contra as autuações para exigência de tributos são exatamente as mesmas. É flagrante a dependência deste processo àquele. Se não houvesse o principal, este não existiria. As discussões secundárias devem seguir à principal (mutatis mutante – art. 108 do CPC). Destarte, há que reconhecerse, ex officio, a continência instaurada no que respeita aos processos de exigência de penalidade com o de matéria mais ampla, no qual será discutida a equiparação realizada, nos termos do artigo 104 do CPC. Oportuno deixar claro à recorrente que as autuações para exigência de penalidades, quanto aos seus efeitos, não são dependentes do resultado final do processo principal, por conta dos atributos, peculiares, do ato administrativo, no caso lançamento tributário, que permitem a sua imediata vigência e efeitos: presunção de legitimidade, auto executoriedade e imperatividade. Se assim não fosse, em muitos casos, a ação do Estado fiscalização seria alcançada pela decadência. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria nº 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: Art. 1ºSerão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); [...] § 2º Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os incisos I, II e III as exigências relativas à aplicação de penalidade isolada em decorrência de mesma ação fiscal. De igual forma o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09), em seu artigo 6º e 49, § 7º, do Anexo II, dispõem: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14751.000950/200901 Resolução nº 1801000.320 S1TE01 Fl. 71 18 Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. [...] Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos não pertencem ao original) Em consulta ao sistema eprocesso, nesta data (24/03/14), verifico que o processo administrativo fiscal nº 14751.000818/200991 encontrase na atividade “para distribuição”. Com fulcro no Ricarf, portanto, solicito que este processo de exigência de multa isolada seja anexado ao processo principal retro referido e retornem a esta Turma Especial para a apreciação concomitante da matéria principal e aquelas decorrentes. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10140.721242/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral , Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral , Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 21 24 2/ 20 12 -3 1 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721242/201231 Resolução nº 2401000.344 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.338.6010, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, referentes as diferenças de contribuições declaradas em GFIP, considerando a exclusão da empresa do SIMPLES. Os fatos geradores compreendem o no período de 07/2007 a 12/2008, inclusive 13 salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 13 e seguintes, diante da constatação e caracterização de grupo econômico de fato e da consideração da receita bruta do grupo, elaborouse representação fiscal, propondo a exclusão do contribuinte Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda do regime tributário Simples Nacional, previsto na Lei Complementar 123, de 14/12/2006. O Ato Declaratório Executivo ADE n°. 15, de 21/05/2012, publicado no Diário Oficial da União n°. 99, Seção 1, de 23/05/2012, estabeleceu a exclusão do contribuinte do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/07/2007. O ADE estabeleceu ainda o prazo de 30 dias, contados da ciência deste, para a apresentação de manifestação de inconformidade. A ação fiscal estendeuse a todas as empresas, as quais são geridas pelo casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, com suporte técnico do contador Luiz Fernando Ferreira da Silva. São elas: 1 Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP; 2 Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda – ME; 3 ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda – ME e 4 ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/05/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/05/2012. Consta informação fiscal fls. 423, acerca da cientificação dos sujeitos passivos – grupo econômico, onde consta a seguinte informação: No dia 24/05/2012 foram entregues as cópias dos ADE´s nº 11, 12, 13, 14 e 15, de 21/05/2012, e da "Representação Fiscal Exclusão do Simples" e seus anexos a Arthur Lemos Nogueira (Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, CNPJ 04.716.037/000171, e Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME, CNPJ 09.555.050/000100) e a Deyse Liliana Faccin Nogueira (Contafacil Serviços Expressos Ltda– EPP, CNPJ 06.253.153/000127, Contafacil MS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.467.807/000155 e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721242/201231 Resolução nº 2401000.344 S2C4T1 Fl. 4 3 Serviços Ltda ME, CNPJ 11.471.415/000160), conforme atestam os "Termos de Entrega de Cópia de Documento". Isto ocorreu na rua Rachid Neder, nº 115, Bairro Monte Castelo, Campo GrandeMS, endereço onde mantêm escritório comercial. 2. No dia 29/05/2012, conforme anteriormente agendado, compareci neste mesmo endereço para colher ciência nos autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra estas empresas. Desta feita, entretanto, Arthur Lemos e Deyse Liliana informaram que receberiam apenas os autos e termos das empresas Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME e ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, conforme orientação recebida de seu advogado. 3. Diante disto, os autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra as empresas Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME foram encaminhados por via postal para o endereço cadastral das sedes destes contribuintes, qual seja, rua Gonçalves Luiz Martins, nº 371, Centro, JaraguariMS. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 412 a 427. 2 – a exclusão de ofício das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL deverá ocorrer em observância à forma regulamentada pelo CGSN (Art. 29, § 3o). Ainda, a lei complementar assinala o marco a partir do qual são aplicáveis as regras gerais da tributação no caso das empresas excluídas: a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (Art. 32, caput); 3 – de acordo com as disposições regulamentares a exclusão das microempresas e empresas de pequeno porte do SIMPLES NACIONAL somente se torna eficaz a partir do seu trânsito em julgado administrativo, isto é, a partir do momento em que houver decisão administrativa definitiva e desfavorável ao contribuinte. Isto, para o caso de o contribuinte ter impugnado o termo de exclusão; 4 a autoridade autuante constituiu o crédito tributário contra os impugnantes com base nas normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sem que ela estivesse sujeita ao regime jurídico geral da tributação. A primeira impugnante, quando da lavratura do auto de infração, sujeitavase ao regime do SIMPLES NACIONAL e não às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; 5 a autoridade fiscal autuou a primeira impugnante por violação à legislação tributária geral quando ela estava sujeita às normas do regime simplificado. De fato, ela pretendeu conferir à representação fiscal, mera proposta de exclusão, efeitos jurídicos que ela não possui; 6 tendo a primeira impugnante apresentado tempestivamente sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, esta não produz efeitos enquanto não se tornar definitiva a decisão favorável ao Fisco, caso ocorra. Assim, a primeira impugnante continua sujeita às normas do SIMPLES NACIONAL; Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721242/201231 Resolução nº 2401000.344 S2C4T1 Fl. 5 4 7 o Art. 75, § 5o, da Resolução CGSN n. 94/2011 prevê expressamente que é condição sine qua non para que se aperfeiçoe a exclusão de qualquer micro ou pequena empresa, que esta exclusão seja registrada no Portal do Simples Nacional na internet, sem o que não produz qualquer efeito; 8 a exclusão da primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL, no caso em tela, é ineficaz, ainda não se tornou efetiva, na forma do Art. 32, caput c.c Art. 75, § 3o, da Resolução CGSN n. 94/2011. Em consequência, autuação é ilegal, pois que fundada em normas legais inaplicáveis, no caso, o regime geral da seguridade social previsto na Lei n.8.212/91 e seu regulamento. DAS MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. 9 – há que se reconhecer a impossibilidade de aplicação aos impugnantes da multa prevista pelo Art. 35 da Lei n. 8.212/91, como pretendido pela autoridade fazendária; 10 uma vez excluída a empresa do SIMPLES NACIONAL, ela ficará sujeita ao recolhimento dos valores tributários devidos acrescidos, tão somente, de juros de moras, consoante Art. 32, § 1 o , da LC 123/2006; 11 – existe procedimento específico para a exclusão da ME ou EPP do SIMPLES NACIONAL. Primeiro, há que se excluíla, desenquadrála efetivamente, ou seja, com uma decisão definitiva no âmbito administrativo desfavorável ao contribuinte (Art. 75, § 3o , RCGSN 94/2011). Ato subsequente, à empresa deverá ser concedido prazo de 30 dias, na forma do Art. 160, caput, do CTN, já que não há previsão legislativa expressa a respeito, para que se efetue o pagamento "da totalidade ou da diferença dos respectivos tributos, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência", o que deverá ocorrer acrescidos, tãosomente, de juros de mora; 12 há que se instaurar, de modo sucessivo dois procedimentos administrativos distintos, quais sejam: O primeiro, visando a exclusão da ME ou da EPP do SIMPLES NACIONAL e, o segundo, na eventualidade de, tendo sido definitivamente excluída a empresa, e transcorrido in albis o prazo para pagamento do crédito tributário devido com o acréscimo dos juros de mora, a fiscalização de ofício, visando a aplicação das penalidades pecuniárias cabíveis, sendo que este último é absolutamente dependente do primeiro. 13 ilegal e indevida a aplicação das multas de mora e de ofício, pois embora proposta sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, ela ainda não se tornou definitiva, já que impugnada; e se tivesse sido efetivamente excluída, a LC 123/2006, regulamentada pela RCGSN n.94/2011, impõe como procedimento obrigatório, que se fixe o prazo para pagamento do crédito tributário eventualmente devido acrescido tão somente dos juros de mora. Somente depois disso, se escoado o prazo referido sem o pagamento na forma como prevista pelo Art.32, § 1 o , da LC 123/2003, poderseia falar em procedimento fiscalizatório de ofício com a consequente aplicação das penalidades. 14 a autuação fiscal é improcedente, por ausência do fato antecedente a fundamentarlhe a imputação do crédito tributário na Fl. 510DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721242/201231 Resolução nº 2401000.344 S2C4T1 Fl. 6 5 forma como pretendida e por violação ao Art. 29, I c.c § 3 o e Art. 32, caput e § 1 o , ambos da Lei Complementar n.123/2006, os quais disciplinam o procedimento de exclusão das ME's e EPP's do SIMPLES NACIONAL. Do Pedido Os impugnantes requerem: 1 – Seja anulado o auto de infração DEBCAD n.37.338.60101, afastandose, por conseguinte, a cobrança dos valores exigidos; 2 protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, diligências e, se necessário, testemunhas, a fim de alcançar a verdade material e a legalidade objetiva que informam o processo administrativo tributário; O recorrente anexou a sua impugnação cópia da manifestação de inconformidade no processo n. 10140.721137/201201, no qual questiona a sua exclusão do SIMPLES, fls. 433 a 447. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 458 a 465 , destacando àquela autoridade que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Transcrevese abaixo, ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES Os procedimentos atinentes ao ato de exclusão de empresas do programa Simples Nacional devem ser contestados em processo próprio, ou seja, em manifestação de inconformidade apresentada em razão do Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. Excluídas do Simples Nacional, as empresas sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo que os créditos tributários apurados serão acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando o pagamento for efetuado antes do início de procedimento de ofício. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A DRF apresentou embargos ao acórdão proferido, fl. 467. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela empresa PAGUEAQUI RECEBIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, ARTHUR LEMOS NOGUEIRA E DEYSE LILIANA FACCIN, conforme fls. 489 a 500, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721242/201231 Resolução nº 2401000.344 S2C4T1 Fl. 7 6 (i)preliminarmente, improcedência da autuação em razão razão da falta de definitividade da exclusão da primeira recorrente do SIMPLES NACIONAL, conforme Arts. 29 c.c. 32 da Lei Complementar n. 123/2006 e Art. 75, §§ 3o e 4o da Resolução CGSN 94/2011; (ii) aplicação indevida das multas de mora e de ofício, por inobservância ao devido processo legamente estabelecido para exclusão e autuação das MEs e EPPS, em contrariedade ao Art. 32, § 1o , da lei complementar n. 123/2006; A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721242/201231 Resolução nº 2401000.344 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 502. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi indevido enquadramento no SIMPLES de acordo com informações prestadas pelo próprio auditor fiscal em seu relatório e na Representação de Exclusão, face a caracterização de grupo econômico de fato. Importante mencionar que o presente processo encontrase vinculado ao processo n. 10140.7212422012 31, onde foi lançada a obrigação principal. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Todavia, ao contrario do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Em ´pesquisa ao sistema e processo foi possível identificar a existência de despacho determinando o arquivamento do processo, porém existe pedido de juntada de documentos em aberto, onde conta recurso voluntário do recorrente. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo o autodeinfração ficar sobrestado aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201 seja julgado no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721242/201231 Resolução nº 2401000.344 S2C4T1 Fl. 9 8 CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000288/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CONTROLE DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CÁLCULO DO PREÇO-PARÂMETRO. MÉTODO PRL60. PREVISÃO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE.
A função da Instrução Normativa é interpretativa do dispositivo legal, subordinando-se a ele, sendo-lhe vedado inovar para estabelecer obrigação tributária.
Numero da decisão: 1301-001.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva. O Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 CONTROLE DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CÁLCULO DO PREÇOPARÂMETRO. MÉTODO PRL60. PREVISÃO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da Instrução Normativa é interpretativa do dispositivo legal, subordinandose a ele, sendolhe vedado inovar para estabelecer obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva. O Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 02 88 /2 01 0- 77 Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Verificase pela análise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas do anocalendário 2005. De acordo com o disposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 817 – 831), foi levada a efeito, perante a recorrente, fiscalização acerca da apuração dos preços de transferência nas importações, relativos ao anocalendário 2005, constatandose o que no período sob exame a contribuinte realizou operações de importação com pessoas vinculadas no exterior, motivo pelo qual estaria obrigada ao controle fiscal dos preços de transferência. Segundo disposto pela Fiscalização, a contribuinte aduziu em seus esclarecimentos que os cálculos dos preços de transferência foram efetuados com base na Lei n° 9.430/96, com as alterações da Lei n° 9.959/2000 e que para as importações realizadas no anocalendário de 2005, foram adotados os seguintes métodos: a) PIC (Preços Independentes Comparados), para os produtos vendidos pela mesma empresa exportadora a pessoas não vinculadas e para os produtos adquiridos pela contribuinte de pessoas não vinculadas; b) PRL (Preço de Revenda menos Lucro), com margens de lucro de 20% (PRL20, para os produtos destinados à revenda) e 60% (PRL60, componentes importados destinados ao consumo no processo produtivo) e que quanto ao método PRL60, a contribuinte não realizou os cálculos dos preços de transferência em conformidade com a IN SRF n° 243/2002 e sim em conformidade com a Lei n° 9.430/96, com as alterações da Lei n° 9.959/2000. Atestou a Fiscalização que a recorrente teria deixado de apresentar a documentação utilizada como suporte e demais memórias de cálculo dos preços praticados, preçosparâmetro, quantidades sujeitas a ajuste e valores dos ajustes, por código de produto, em função do volume de dados envolvidos nas operações da empresa, mencionandose que no decorrer da ação fiscal, a contribuinte apresentou um novo demonstrativo de apuração dos preços de transferência (fls. 86 207) totalmente diferente do declarado na DIPJ/2006. Seguiu a Fiscalização pontuando que na DIPJ/2006, a contribuinte escriturou e adicionou ao lucro líquido, a título de preços de transferência na importação o valor total de R$ 12.559.880,79, assim distribuído: Método Ajuste (R$) PIC 0,00 PRL20 640.107,27 Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16643.000288/201077 Acórdão n.º 1301001.262 S1C3T1 Fl. 3 3 PRL60 0,00 CPL 0,00 Não especificados 11.919.773,52 TOTAL 12.559.880,79 De acordo com a Fiscalização, no entanto, no curso da ação fiscal observou se os seguintes valores ajustados: Método Ajuste (R$) Total de itens PIC 395.754,48 458 PRL20 9.123.193,39 11.584 PRL60 1.107.083,08 3.970 PRL20/PRL60 280.969,53 1.510 Ainda de acordo com a Fiscalização, os valores acima ajustados por esses métodos não constam e nem correspondem aos valores declarados na DIPJ, mas, considerando que os valores totais de ajuste são os mesmos que os declarados na DIPJ, não alterando os valores escriturados na contabilidade, alterando tãosomente os valores por produto e método, decidiu aceitar os valores de ajustes apresentados no curso da ação fiscal, sendo que para os produtos importados de vinculadas e consumidos na produção, a contribuinte não forneceu papéis de trabalho e memórias de cálculo para comprovação, alegando que não adotou os cálculos da IN SRF n° 243/2002. Feitas estas observações, assentou a Fiscalização que discordava da base legal usada pela contribuinte na realização do cálculo dos preços de transferência, porquanto a contribuinte, ao declarar que não usou as disposições da IN SRF n° 243/2002, e sim as das Leis n°s 9.430/96 e 9.959/2000, quis dizer, em outras palavras, que adotou as normas e metodologias disciplinadas pela IN SRF n° 32/2001, extinta pela IN SRF n° 243/2002, sendo que no curso da fiscalização não foi constatado ou informado pela contribuinte a existência de liminar em processo judicial que lhe assegurasse a utilização da referida IN SRF n° 32/2001 e os cálculos dos preços de transferência efetuados pela Fiscalização estariam, por seu turno, em conformidade tanto com as Leis n°s 9.430/96 e 9.959/2000 quanto a IN SRF n° 243/2002, razão pela qual não haveria dúvidas que na comparação dos valores de ajustes calculados por ambas as normas (IN SRF n° 32/2001 X IN SRF n° 243/2002) haverá divergências significativas nos valores dos ajustes, especificamente no método PRL60. Passouse então a explicar o cálculo utilizado pela Fiscalização, assentando se que no arquivo de importação, devido ao grande volume de dados, estabeleceuse um corte nos dados a serem verificados, selecionando 80% dos itens importados de pessoas vinculadas e da análise preliminar dos dados selecionados, a Fiscalização constatou três situações: a) Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 importação e revenda direta; b) importação e consumo na produção de outros bens finais ou intermediários; e c) importação para revenda direta e, também; para consumo na produção. No primeiro caso, a Fiscalização adotou o método PRL20, sendo que: i) os preços praticados foram calculados ponderandose os valores dos estoques iniciais com os custos de importação, na forma determinada pelo § 4° do artigo 4° da IN SRF n° 243/2002 (custo da mercadoria + seguros e fretes internacionais + imposto de importação), sendo tais informações extraídas do Livro Registro de Inventário — Modelo 7 e das DIs; ii) os preços parâmetro foram calculados de acordo com o item "a" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF n°243/2002; iii) as quantidades sujeitas a ajustes foram calculadas em função das quantidades vendidas. No segundo caso, a Fiscalização adotou o método PRL60, sendo que: i) os preços praticados foram calculados ponderandose os valores dos estoques iniciais com os custos de importação, na forma determinada pelo § 4° do artigo 4° da IN SRF n° 243/2002 (custo da mercadoria + seguros e fretes internacionais + imposto de importação). Essas informações foram extraídas do Livro Registro de Inventário — Modelo 7 e das DIs; ii) os preçosparâmetro foram calculados de acordo com o item "h" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002, atestandose que no caso da contribuinte é comum a importação de componentes que são consumidos em vários sistemas e subsistemas, de sorte que, para um mesmo item importado, devese calcular vários preçosparâmetro intermediários, sendo que Fiscalização adotou como preçoparâmetro a média ponderada dos preçosparâmetro intermediários. No terceiro caso, obtevese, por produto, o preçoparâmetro ponderado entre os preçosparâmetro individuais segundo o método PRL20 e o método PRL60. Sendo assim, a Fiscalização aceitou os cálculos efetuados pela contribuinte segundo o método PIC, mesmo não tendo sido declarado na DIPJ/2006 e para validação dos cálculos, efetuados em conformidade com os incisos I e II do artigo 8° da IN SRF n° 243/2002, foram solicitados os documentos comprobatórios, cujo exame foi feito por amostragem dos valores mais significativos e não foram constatados valores de ajustes pelo método PIC. Tratandose do Método PRL20, a Fiscalização apurou insuficiência no valor de ajustes, no montante de R$ 377.395,16, para os produtos relacionados no Demonstrativo de folha 825 verso e quanto ao Método PRL60, apurou insuficiência no valor de ajustes no montante de R$ 38.856.350,59, para os produtos relacionados no Demonstrativo de folhas 826 a 830. Os demais demonstrativos de apuração dos preços de transferência, de forma detalhada, estão nos anexos do TVF e o montante total dos ajustes apurados (método PRL, com margens de lucro de 20% e 60%) foi de R$ 39.233.745,75, conforme a seguir demonstrado: Método Ajuste (R$) PRL20 377.395,16 PRL60 38.856.350,59 TOTAL 39.233.745,75 Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16643.000288/201077 Acórdão n.º 1301001.262 S1C3T1 Fl. 4 5 Assentou a Fiscalização que os valores acima correspondem ao valor líquido, após a dedução dos ajustes calculados pela contribuinte, para cada código de item, conforme detalhado nos anexos constantes dos autos, sendo que em face do exposto, foram efetuados os lançamentos relativos ao anocalendário 2005. Considerando que a presente ação fiscal resultou em retificação do saldo de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, a contribuinte foi intimada a retificar o LALUR e os controles da CSLL, relativos ao anocalendário 2005, conforme demonstrativos de folha 831. Cientificada dos lançamentos em 30/11/2010 (fls. 804 e 809), a contribuinte, apresentou Impugnação (fls. 1.012 – 1.045), alegando, em síntese, que ao analisar a presente autuação, detectou um sério erro no valor do ajuste, informando, inicialmente, que o ajuste de preços de transferência efetuado por ela em sua DIPJ/2006 monta o valor de R$ 12.559.880,79 e, não obstante, no curso da fiscalização, apresentou cálculos referentes a um ajuste total no valor de R$ 10.907.000,48. Aduziu, destarte, que a diferença no valor de R$ 1.652.880,31 (= R$ 12.559.880,79 R$ 10.907.000,48) referese a uma adição efetuada a maior, a qual não tem amparo documental, destacando que não teve acesso aos cálculos completos elaborados pela Fiscalização e que nos autos do presente processo somente constam as memórias dos cálculos da Fiscalização relativos aos itens que supostamente têm ajustes. No tocante aos demais itens, afirmou que a Fiscalização somente afirma que os testou, mas não junta ao processo cópia das planilhas ou memórias com os resultados dos testes efetuados e que a estratégia adotada pela Fiscalização é tendenciosa no sentido de potencializar os ajustes favoráveis aos cofres públicos e ao não colacionar nos autos a integralidade das verificações efetuadas, a impugnante não pôde identificar os itens em que os ajustes calculados pela Fiscalização foram menores que os seus. Aduziu ainda, que se isso tivesse ocorrido, o ajuste final apurado pela fiscalização refletiria o valor do ajuste global de preços de transferência, ajuste esse que seria a tradução do que efetivamente ficou adicionado a menor e deveria, legitimamente, ser pago aos cofres públicos, sendo que em decorrência da estratégia da fiscalização, além dos efeitos perniciosos apontados acima, o valor de R$ 1.652.880,31 restou desconsiderado e, portanto, não foi descontado do total dos ajustes, sendo que esta diferença de R$ 1.652.880,31 não poderia ser ignorada pela fiscalização, pois o que sempre se ajusta, ainda que item a item, é o total da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fim de coletar aos cofres públicos o exato montante dos tributos devidos. Concluiu assim, que o Auto de Infração deveria ser cancelado, na medida em que o processo administrativo não contempla todos os trabalhos efetuados pela fiscalização, o que cerceia o direito de defesa da contribuinte, bem como acarreta a indevida tributação a maior. Quanto aos ajustes resultantes da aplicação do método PRL20, aduziu a contribuinte que notase um equívoco das autoridades fiscais, tendo sido apurado um ajuste adicional indevido, porquanto a recorrente efetua ajustes relativos ás regras de preços de transferência através do software "WebTP", fornecido pela Deloitte Touche Tohmatsu Ltda., uma das maiores empresas de auditoria do mundo, no qual o ajuste pelo método PRL20 é realizado por fornecedor, conforme relatório em anexo (doc. 06). Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Assim, segundo a recorrente, quando há mais de um fornecedor para o mesmo produto, são 2 ou mais linhas de ajustes, ocorrendo que, ignorando esse fato, a fiscalização selecionou apenas a primeira linha de cada ajuste, desconsiderando os ajustes dos demais fornecedores e, portanto, houve a apuração de um ajuste adicional indevido pela fiscalização, para os produtos relacionados na tabela de fl. 1.021. Elaborando tabela demonstrativa, concluiu a contribuinte que estaria demonstrado o equívoco da fiscalização em não considerar todos os ajustes efetuados por ela impugnante na aplicação do método PRL20, razão pela qual o ajuste no montante de R$ 377.395,16, e exigido no presente Auto de Infração, deve ser prontamente cancelado. Na sequência passou a discorrer acerca da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2002, afirmando que apurou os preços de transferências de acordo com os ditames legais da Lei nº 9.430/96. Reputou que a maior diferença entre os cálculos preparados por ela e os preparados pela fiscalização dizem respeito à forma de cálculo do PRL60, porquanto utilizou a mecânica determinada pela Lei n° 9.430/96 e a IN SRF n° 32/2001 e a fiscalização utilizou a sistemática imposta pela IN SRF n° 243/2002, a qual carece de base legal. Mencionou que qualquer simulação de cálculos comprova que são diferentes os valores apurados por cada uma das sistemáticas, sendo que aquela efetuada com base na Lei n° 9.430/96 apresenta ajustes muito menores que a regulada exclusivamente pela IN SRF n° 243/2002, relembrando que as Instruções normativas são meras normas internas da Administração, que não possuem força de lei, não tendo, assim, o condão de criar direitos ou restrições aos contribuintes, de sorte que ao estabelecer uma nova forma de cálculo do método PRL60, a IN SRF n° 243/2002 violou frontalmente o princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária, devendose cancelar o Auto de Infração. Discorreu acerca do tema citando precedentes e bases doutrinárias favoráveis, insurgindose contra a eventual aplicação de juros sobre a multa e requerendo a improcedência do auto de infração. A 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.877 a 1.893, julgou o lançamento parcialmente procedente enfrentando de início o argumento da recorrente de que, em que pese haver informado em sua DIPJ/2006 ajustes de preços de transferência no montante de R$ 12.559.880,79, o valor correto seria R$ 10.907.000,48 e dessa forma, teria havido uma adição efetuada a maior, no montante de R$ 1.652.880,31 (= R$ 12.559.880,79 R$ 10.907.000,48), a qual deveria, e não foi, considerada pela fiscalização, bem como argumento de que não teve acesso aos cálculos completos elaborados pela fiscalização, mas apenas aos relativos aos itens que tiveram ajustes adicionais, de modo que não lhe foi possível identificar os itens em que os ajustes calculados pela fiscalização foram menores que os seus, os quais também deveriam ser considerados. Quanto à primeira alegação, observou a decisão recorrida que os ajustes de preços de transferência são efetuados produto a produto e que a contribuinte não demonstra quais os produtos para os quais teria efetuado ajuste a maior, destacando que em sua DIPJ/2006 consta o montante de R$ 11.919.773,52 como ajuste para importações "não especificadas", sendo que esse montante não foi detalhado nem durante a ação fiscal, nem por ocasião da impugnação aos Autos de Infração. Ademais, segundo a decisão recorrida, caso tivesse a contribuinte, efetivamente, oferecido à tributação valor maior que o devido, deveria proceder à retificação de Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16643.000288/201077 Acórdão n.º 1301001.262 S1C3T1 Fl. 5 7 sua DIPJ (desde que não estivesse em procedimento fiscal) e pedir a restituição / compensação desse valor. Quanto à segunda alegação, destacou o acórdão impugnado que a fiscalização auditou apenas os cálculos para os quais a contribuinte foi intimada e apresentou documentação. Para os produtos cujos cálculos da contribuinte apresentaram ajustes menores que os da fiscalização, por não obedeceram à legislação de preços de transferência, foram apurados os ajustes complementares, cuja documentação consta dos autos e para os demais produtos, a fiscalização manteve os cálculos da contribuinte e mesmo que para esses produtos os ajustes da contribuinte fossem maiores que os da fiscalização, a diferença positiva não poderia ser usada para compensar a diferença negativa dos produtos objeto de autuação, pois, como já mencionado, os ajustes de preços de transferência são efetuados produto a produto, considerando assim, improcedentes estas alegações da contribuinte. Quanto aso ajustes segundo o método PRL20, (total de R$ 377.395,16), relembrou a decisão recorrida que a contribuinte alegou que a fiscalização considerou como ajuste na DIPJ/2006 valores inferiores aos efetivamente levados à tributação, porquanto os ajustes estão relacionados por fornecedor, sendo que, para alguns itens, para os quais há mais que um fornecedor, a fiscalização não considerou o total e dos ajustes. Ainda segundo a decisão recorrida, analisandose os demonstrativos elaborados pela fiscalização (fls. 847/848) e os elaborados Deloitte Touche Tohmatsu Ltda. (em especial as fls. 1612/1618, 1626, 1628, 1640, 1646), verificase que assiste razão à impugnante, porquanto apesar de as informações constantes do demonstrativo da Deloitte não corresponderem aos declarados na DIPJ/2006, estes serão aceitos nesta decisão, assim como foram aceitos pela fiscalização (em que pese o equívoco observado pela contribuinte), apresentando planilha para os itens supracitados, quais os reais ajustes a serem objeto de autuação (valores em reais) e observando ao fim que os ajustes são calculados produto a produto, de modo que eventual ajuste a maior de um determinado produto na DIPJ não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor relativos a outros produtos, de sorte que haveria de se excluir da tributação o ajuste segundo o método PRL20 no montante de R$ 199.475,97 (= R$ 215.956,57 — R$ 16.480,60), mantendose o ajuste de R$ 177.919,19 (= R$ 377.395,16 — R$ 199.475,97). Com relação aos ajustes segundo o método PRL60, relembrou a decisão recorrida que a contribuinte alega (i) a ilegalidade/inconstitucionalidade da IN SRF n° 243/2002; e (ii) que a autuação teria violado Tratados internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil com a Alemanha, a Itália, a República Tcheca, a India, a China e a Dinamarca. Quanto à primeira alegação, observou a decisão recorrida que na esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário, sendo que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (através da edição de regras administrativas, como a referida instrução normativa), limitase a aplicar as disposições ali contidas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca de sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Registrou ainda, que a alegação de que a própria RFB teria reconhecido a ilegalidade da IN SRF n° 243/2002 deve ser rechaçada, pois não há nenhum ato normativo expedido pelas autoridades administrativas nesse sentido, assim como não podem ser Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 considerados os precedentes citados pela impugnante às fls. 1036/1039, pois além de não serem definitivos, há que se ressaltar que as decisões judiciais proferidas no exercício do controle difuso têm validade somente inter partes e não vinculam as Delegacias de Julgamento. Com relação aos Tratados internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil com a Alemanha, a Itália, a República Tcheca, a Índia, a China e a Dinamarca, observouse que não procede a alegação da recorrente de que a autuação teria violado seu artigo 9° (que autoriza a realização de ajustes apenas se restar demonstrado que as importações não se deram em condição de mercado). A autuação teve por base a legislação brasileira vigente à época dos fatos, a qual implementa exatamente a regra do artigo 9° do referido acordo, na medida em que se aferem os pregos de mercado (com relação à importação, segundo os métodos PRL, PIC ou CPL — no caso, o PRL60) e se calculam os ajustes apenas se os preços praticados se afastarem acima de um certo percentual (margem de divergência) das condições de mercado, nos termos do caput do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 e dos artigos 5° e 38 da IN SRF n° 243/2002. No mais, mantevese a incidência dos juros sobre multa, concluindose pela parcial procedência da autuação. Cientificada da decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em São Paulo/SP (fl. 1.895), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos já relatados e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16643.000288/201077 Acórdão n.º 1301001.262 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como verificado no relatório acima circunstanciado a recorrente foi autuada, no que toca ao IRPJ e CSLL, porquanto realizou no anocalendário 2005 operações com coligada no exterior sujeitandoa ao controle dos preços de transferência, que teriam sido apurados, segundo imputação da Fiscalização, em desacordo com as regras regulamentares da IN SRF nº 243/2002. O sujeito passivo tem argumentado, em apertado resumo, que apurou os preços de transferência segundo metodologia da Lei nº 9.430/96, sem de fato atentarse aos comandos da IN SRF 243/2002, porquanto eivada de ilegalidade e inconstitucionalidade, gerando distorções na sistemática que terminaram por criar obrigação tributária sem o respaldo da estrita legalidade. A decisão recorrida, por seu turno, a despeito de corrigir distorções numéricas constantes da autuação no que toca ao método PRL20, cuidou de manter a autuação ao fundamento de que não lhe competia apreciar eventuais ilegalidades ou inconstitucionalidades, cabendolhe tão somente o cumprimento das normas legais e regulamentares. Marcados estes limites objetivos, sem me comprometer neste tópico com a questão concreta que passará pelo provimento ou não do Recurso Voluntário, registro que não desconheço o fundamento da decisão recorrida de que na esfera administrativa é vedado ao julgador pronunciar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de determinado ato. Contudo, proclamo que dada a organicidade do Direito e a hierarquização das normas, bem como verificado o propósito do Processo Administrativo Fiscal, não me parece acertado o argumento de que se possa chancelar, pura e simplesmente, determinada glosa fiscal lastreada em ato jurídico de envergadura inferior (Instrução Normativa), quando esta for materialmente incongruente com disciplina de status superior (Lei em sentido estrito). Daí porque, também não me parece que o afastamento da disciplina da Instrução Normativa reclame o formal pronunciamento de “ilegalidade”, ao menos aquele que a afaste do universo jurídico, basta apenas que o julgador administrativo, adstrito à legalidade que está, faça à subsunção dos fatos à norma de envergadura superior, no caso a Lei, para que a partir daí, verificando que a norma inferior versa conteúdo materialmente incompatível, refute sua aplicação em concreto. Insistese neste ponto, porquanto ao contrário do que estabeleceu a decisão recorrida, in casu, negar a aplicação da IN SRF 243/2002, se de fato verificarmos seu conteúdo contrário à Lei, é ato de cumprimento do dever do julgador administrativo em observância à legalidade, jamais intenção de imiscuirse em atividade jurisdicional reservada ao Poder Judiciário. Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Ora, imaginando abstratamente que determinado auto de infração esteja em descompasso com a Lei, pouco importa se este descompasso decorre de interpretação equivocada do próprio autuante ou de interpretação que lhe foi repassada por superior hierárquico por meio de Instrução Normativa, o fato inarredável no exemplo sugerido é que o auto de infração se encontrará com pecha de ilegalidade, passível assim, de controle administrativo. Superado o fundamento da decisão recorrida pelo qual se manteve a autuação, imperioso analisar se de fato assiste razão à contribuinte ao reputar que os ditames da IN SRF 243/2002 geraram distorções na metodologia de apuração e controle dos preços de transferência. Cumprindo este propósito investigativo, registrese de início que a análise do caso concreto, atrelado ao anocalendário 2005, se dará pelo conteúdo da Lei nº 9.430/96 em sua redação anterior, ou seja, sem as modificações trazidas pela Lei nº 12.715/2012, confrontandoas (as regras da lei) com as disposições regulamentares da tantas vezes referida IN SRF 243/2002, porquanto sabidamente a aludida Lei nº 12.715/2012 alterou a redação do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, para chancelar a disciplina da Instrução Normativa e estabelecer percentuais específicos de margem de lucro para diferentes setores da economia, resolvendo, ao menos do ponto de vista formal, o argumento de ilegalidade aventado pela recorrente. Marcados estes limites no enfrentamento da matéria alusiva aos preços de transferência no caso concreto, convém relembrar em notas conceituais gerais, que tal disciplina sobreveio com o advento da Lei nº 9.430/96, que primitivamente cuidou do controle dos preços de transferência, assim compreendido o controle dos valores dos bens, serviços ou propriedade intangível em operações de importação e exportação entre empresas vinculadas. As operações entre as partes ditas vinculadas ou não independentes, cujo conceito se extrai do artigo 23 da Lei nº 9.430/96, como bem se sabe, não se presumem precificadas como o seriam em um mercado competitivo, porquanto influenciadas por elementos alheios às regras típicas de mercado, daí porque, a despeito de as operações do gênero se revestirem de plena regularidade no âmbito formal, não são, por si só, suficientes para dar guarida aos efeitos fiscais da operação para a parte vinculada sediada no Brasil, impondose limites à dedutibilidade de despesas e apropriação de custos nas importações e um percentual de receita tributável mínimo para as exportações. Apenas para pontuar os conceitos e a título de registro dos aspectos teleológicos, o que se busca com o controle dos preços de transferência é evidenciar que as partes vinculadas não foram influenciadas, ou melhor, beneficiadas, por esta relação, de sorte que obedecem ao chamado princípio Arm’s Lenght, sendo nesta conjuntura de demonstração do cumprimento do referido princípio que se deram as regras de controle de preços de transferência contidas na Lei nº 9.430/96, versando os seguintes métodos: i) Preços Independentes Comparados (PIC); ii) Preço de Revenda menos Lucro (PRL); iii) Custo de Produção mais Lucro (CPL), sendo certo que o caso concreto, como no mais das vezes, se limita ao denominado PRL, mais especificamente o PRL60, pois em relação ao PRL20, a decisão recorrida acatou parcialmente os argumentos da recorrente. O denominado PRL60 foi introduzido com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, aplicandose, grosso modo, aos casos em que aos produtos importados se vá agregar outros insumos para a revenda no mercado interno, fixandose, por esta sistemática, margem de lucro igual para todos os setores da economia, sendo o tal método, a princípio, regulamentado pela IN SRF nº 113/2000 e IN SRF nº 32/2001 que dispunham metodologia bastante semelhante à da própria Lei, contemplando que a margem de lucro seria de 60% sobre Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16643.000288/201077 Acórdão n.º 1301001.262 S1C3T1 Fl. 7 11 a média dos preços de venda do bem produzido, subtraídos os descontos incondicionais concedidos, os impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no país. Sendo assim, sempre se argumentou que a IN SRF nº 32/2001 amoldavase às disposições da Lei de regência, figurando, como deve ser, como mera norma regulamentadora, pois se ventilava fórmula de apuração na qual o valor agregado no país reduzia a base de cálculo da incidência dos 60%, de sorte que quanto maior o valor agregado no país, menor seria a margem de lucro efetiva para se justificar a dedutibilidade das despesas de importação, fato que se amoldaria ao efeito indutor identificado na Lei nº 9.430/96. No curso da sistematização do controle dos preços de transferência, no entanto, sobreveio a IN SRF 243/2002, base da autuação ora apreciada, criando um cenário de “regulamentação” substancialmente diverso do conteúdo normativo anterior e ainda mais distante da Lei nº 9.430/96, porquanto prestigiase nessa sistemática a denominada proporcionalização do custo do bem importado sobre o custo total do bem produzido no Brasil, confirase o teor do artigo 12, da IN SRF nº 243/2002: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (...) O que se observa, de pronto, é que a Instrução Normativa em questão simplesmente suprimiu o valor agregado a que alude o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, introduzindo uma proporção de custos do produto em que há produção e custos do produto importado. Sendo assim, quer me parecer acertada a tese defendida pela contribuinte de que as disposições da IN SRF nº 243/2002 destoam das balizas legalmente estabelecidas, e o faz, de início, nos próprios dizeres enunciativos, pois ao desconsiderar o valor agregado no país como componente do cálculo do PRL e prestigiar uma proporcionalização dos custos até então estranha à Lei nº 9.430/96, seguramente inova o cenário e transborda seus limites de interpretação para figurar como legislador positivo. Com efeito, a metodologia da IN SRF nº 243/2002, abandona a comparação de preços de venda líquidos com a aplicação de margem de lucro presumida, tal como disposto na Lei nº 9.430/96, para, em verdade, comparar parte do preço de venda, denominado preço de venda proporcional aos custos importados em relação aos custos totais, distorcendo o objetivo do próprio controle dos preços de transferência. Por outro lado, caso se queira contemplar a questão pelo viés econômico e o claro efeito indutor que constava na redação do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, se vai verificar que a IN SRF nº 243/2002, invalidao, porquanto ao estabelecer limite de dedução com base em percentual de insumos importados proporcionais no preço líquido de venda, termina por estabelecer que quanto maior a agregação no país, menor o preçoparâmetro e maior a tributação, invalidando o efeito indutor constante da lei e redundando em verdadeiro desincentivo à produção nacional. Ademais, como bem se sabe, a margem de lucro do produto, segundo a mencionada IN SRF nº 243/2002 é de 150%, resultado da proporção da margem fixada de 60% sobre o preçoparâmetro na seguinte exemplificação: Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16643.000288/201077 Acórdão n.º 1301001.262 S1C3T1 Fl. 8 13 Preço de revenda = $ 100 Margem (60%) = $ 60 Preçoparâmetro = $ 40 Margem efetiva = $ 60/40 = 150% Seguramente, semelhante margem, de 150% é incompatível com qualquer seguimento econômico, valendo evidenciar, ainda, que o método de apuração e controle dos preços de transferências contido na IN SRF 243/2002, gera o denominado cálculo circular, variando tantas vezes quantas se pretenda sua aplicação, a revelar incongruência com o princípio do Arm’s Lenght. Ora, verificando o confronto entre as referidas disposições (da lei e da IN), porquanto da leitura de cada uma delas extraemse diferentes conclusões matemáticas, o imbróglio da adequada fórmula a ser aplicada nas operações praticadas pela contribuinte deve ser solucionado com o critério legal, e não com a mera interpretação contida em texto de envergadura inferior. Independentemente de toda a discussão relativa à adequação ou não do texto das normas apontadas, mormente à chancela dada pela Lei superveniente (12.715/2012), deverá prevalecer, a rigor, o método que se materialize como instrumentos para a metrificação dos valores aplicados em decorrência de operações havidas entre partes relacionadas, especificamente como forma de garantir a impossibilidade da distribuição disfarçada de resultados, o que é o cerne fundamental das normas relativas ao controle dos chamados “preços de transferência”, de sorte que, conceitualmente, o percentual da margem de lucro considerada (60%) deva incidir, especificamente, sobre o montante representativo do bem inicialmente importado na ulterior comercialização do bem produzido, não podendo, de forma alguma, ser aplicado sobre o total da venda posteriormente realizada, sob pena de causar consequências indesejadas e ilegais. De fato, a adequada interpretação das disposições originariamente contidas na Lei nº 9.430/96 levam à necessária conclusão de que a apontada margem de lucro deve incidir, apenas e tão somente, sobre o montante econômico representativo do bem importado, sendo, por isso, necessárias as deduções e exclusões apontadas. Assim, a discussão apontada redunda (confronto da Lei com IN) redunda na construção das seguintes formulações matemáticas: 1) PP = PLV – 60% (PLVVAB) 2) PP = PLV – 60% (PLV) VAB A primeira hipótese é atinente à aplicação direta das disposições contidas na Lei 9.430/96, nos termos antes previstos nas disposições da IN 32/2001, ao passo que a segunda, conforme se verifica, seria aquela construída a partir da aplicação das disposições da IN 243/2002, ou seja, a distinção que se faz entre as duas hipóteses apresentadas é verificada pelo fato de que enquanto na primeira a margem de lucro a ser aplicada (60%) incidiria pelo valor líquido da transação (Preço líquido de venda, menos, o valor agregado no país), na Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 segunda, aquela margem seria aplicada sobre o total do preço líquido de venda, sendo apenas posteriormente subtraído o valor agregado no Brasil. Seguramente o teor da indigita Instrução Normativa esbarra na estrita legalidade, tanto o é, que buscouse a alteração das disposições da respectiva legislação de regência, com vistas a compatibilizar as suas disposições com aquelas constantes na referida IN 243/2002, presentes atualmente as disposições inseridas no mencionado art. 18 da Lei 9.430/96 pela MP 563/2012, convertida na Lei 12.715/2012. Quer me parecer, destarte, que pela alteração legislativa apontada passou a ter consonância entre os critérios presentes na respectiva norma legal de regência e aquelas aplicadas pela Instrução Normativa apontada, o que, inegavelmente, na norma anterior não se verificava, pois não se vai imaginar uma lei a fazer revelação do óbvio, autorizandome a concluir que a inclusão atual das disposições apontadas, inexistentes à época da efetivação do lançamento aqui discutido, simplesmente confirma a previsão de que inexistia fundamento legal para as disposições da referida IN 243/2002. Com base nesses fundamentos, entendo, neste particular, pela completa e total invalidade/ilegalidade das disposições contidas na IN 243/2002 – especificamente em relação às disposições contidas em seu art. 12 , relativamente ao período anterior às alterações efetivadas pela MP 563/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), não se podendo, assim, de forma alguma, admitir como válida a sua aplicação pela fiscalização nos presentes autos, e, por conseguinte, concluindo pela adequada regularidade dos procedimentos adotados pela contribuinte, quando da efetiva aplicação do método PRL60, nos termos por ela então especificamente sustentado. Quanto aos ajustes do PRL20, entendo que a decisão recorrida já enfrentou o argumento da recorrente e corrigiu os valores lançados a maior, considerando, inclusive, demonstrativos apresentados e divergentes da DIPJ/06, sendo que a contribuinte em nada inova no Recurso Voluntário, motivo pelo qual este tópico da decisão recorrida subsiste por seus próprios fundamentos. Com tais considerações, encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a autuação relativa ao PRL60 e mantendo a parcela remanescente alusiva à glosa do PRL20. Sala das Sessões, em 06 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10580.722085/2009-05
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO PLEITO.
Tratando-se de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) cujo crédito apontado se refere especificamente a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), concernente a determinado período de apuração, deve-se ater o procedimento homologatório ao que foi validamente pleiteado.
Numero da decisão: 1803-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO PLEITO. Tratandose de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) cujo crédito apontado se refere especificamente a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), concernente a determinado período de apuração, devese ater o procedimento homologatório ao que foi validamente pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 20 85 /2 00 9- 05 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 377 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 378 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 286 a 291 numeração digital ND): Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fls. 179 a 181) ao Despacho Decisório nº 718, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, em 4 de junho de 2009 (fls. 174 a 177), que não homologou compensações declaradas na DCOMP nº 26362.40269.070409.1.7.036218, nos termos que abaixo transcrevo: 01. Tratase de processo digital, formalizado em 08/05/2009, para tratamento de Declarações de Compensação Eletrônicas, por meio das quais a Empresa pretende compensar débitos de sua responsabilidade com supostos créditos referentes a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do 2º trimestre de 2005. 02. A tabela abaixo relaciona os débitos informados pelo contribuinte nessas DCOMP: [...]. 03. Os débitos em destaque estão controlados no processo eletrônico de cobrança nº 10580.722953/200949, conforme extrato à fl. 172. 04. Na Declaração de Compensação original, o contribuinte informava como período de apuração o 4º trimestre de 2004. O valor do saldo negativo de CSLL apresentado nessa DCOMP estava divergente dos valores declarados na DIPJ e na DCTF: • Na DCOMP 37087.72310.141005.1.3.030816: R$ 131.472,34; • Na DIPJ entregue em 29/06/2005 (fls. 22 a 63): CSLL a pagar de R$ 14.252,89; • Na DCTF (fl. 64): débito apurado de R$ 164.493,48. 05. Em 12/03/2009, o interessado foi intimado a retificar suas declarações de forma a sanar as divergências apontadas acima (vide Intimação SEORT nº 0137/2009, às fls. 65 a 68). 06. A resposta à Intimação está às fls. 69 a 154. Além das DCOMP retificadoras relacionadas na tabela do parágrafo 02, foram transmitidas as declarações retificadoras: DIPJ (fls. 155 a 170) e DCTF (fl. 171). O crédito informado na última DCOMP apresentada (26362.40269.070409.1.7.036218) referese a saldo negativo de CSLL apurado no 2º trimestre de 2005. Na DIPJ retificadora, a apuração da Contribuição Social resulta em CSLL a pagar de R$ 186.953,00 nesse período. Na nova DCTF, o débito apurado de CSLL também é R$ 186.953,00. Fundamentos Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 379 4 07. Como medida preliminar à análise da compensação postulada, compete ao SEORT/DRF Salvador pronunciarse acerca das Declarações de Compensação retificadoras relacionadas na tabela constante do parágrafo 02. 08. Com respeito à matéria é importante transcrever, por sua relevância, o disposto nos artigos 77 a 79 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008: [...]. 09. A análise das DCOMP retificadoras relacionadas no demonstrativo supra, indica que não ocorreu a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito, inexistindo óbices à admissão das retificações apresentadas, por estar, inclusive, a DCOMP original pendente de decisão administrativa à época do envio dos documentos retificadores. 10. Ficam afastadas, portanto, da presente análise as DCOMP retificadas, prevalecendo, no entanto, a data de transmissão da DCOMP original para fins de valoração do débito e do crédito quando da execução da compensação, na hipótese de reconhecimento do direito creditório, conforme reza o art. 81 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. [...]. 11. Cabe esclarecer que a compensação constitui uma modalidade de extinção do crédito tributário prevista no artigo 156, II, da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). 12. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 74, caput, estabeleceu condições essenciais para que fosse possível a efetivação da compensação por parte do contribuinte, conforme abaixo transcrito: [...]. 13. Verificase então que a existência de crédito é condição necessária para a compensação. Com base nos créditos é que é efetuado o ajuste de contas entre o sujeito passivo e a Fazenda Nacional. 14. O suposto crédito informado pelo contribuinte em sua Declaração de Compensação referese a saldo negativo de CSLL apurado no 2º trimestre de 2005. Da análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício 2006, transmitida em 06/04/2009, constatase que foi apurado, nesse trimestre, saldo de CSLL a pagar de R$ 186.953,00, e não saldo negativo, conforme demonstrativo abaixo, extraído da ficha 18A da DIPJ (vide fl. 159): Total da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ 186.953,00 Deduções CSLL retida na fonte por Órgão Público Federal (R$ 0,00) CSLL a pagar R$ 186.953,00 11. Assim, tendo em vista a inexistência de crédito, conforme DIPJ transmitida pelo contribuinte, proponho a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas na DCOMP nº 26362.40269.070409.1.7.036218. Decisão Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 380 5 12. Diante do relatório e da fundamentação apresentada e de tudo mais que consta do presente processo, e no uso de competência atribuída pela Portaria DRF/SDR nº 26, de 22 de maio de 2007, D.O.U. 25/05/2007, DECIDO: • Admitir a Declaração de Compensação retificadora nº 26362.40269.070409.1.7.036218. • Não homologar as compensações declaradas na DCOMP nº 26362.40269.070409.1.7.036218. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte apresenta os argumentos a seguir: I – DOS FATOS – o Despacho Decisório não fez justiça à manifestante, por não conceder a compensação do crédito tributário, em função de retenções sobre recebimentos de órgãos governamentais; – anexouse, no intuito de instruir a análise dos direitos creditórios, a planilha sob o título de “Comprovantes de Pagamento e Retenções na Fonte”, expedida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes – DNIT, planilha esta que prova todas as retenções sobre recebimentos de 2 de janeiro de 2003 até 31 de dezembro de 2005, e ainda planilha “Conta Corrente”, que ilustra os direitos creditórios (retenções na fonte, Darf pagos a maior) e os débitos decorrentes de compensações (Dcomp e/ou PerDcomp) ocorridos no período de 1º de janeiro de 2004 a 31 de dezembro de 2005 (anexo 2); – a origem do saldo remanescente do “Conta Corrente” de compensação de “Dcomp e PerDcomp”, é anexado ao processo em epígrafe, cujo crédito foi de fato reconhecido pela DRF nos autos dos processos 10580.007114/0042 e 10580.007115/0013, que, em nenhum momento, foi exigida DIPJ retificadora, e simplesmente foram aceitos os valores registrados na contabilidade, na conta “IRPJ pago a maior” e/ou “CSLL pago a maior”, recomendamos que seja analisado o Acórdão DRJ/SDR nº 08010 de 1º de setembro de 2005 (anexo 3); – como já arguido na resposta à intimação SEORT/SDR nº 0137/2009, jamais o poder tributante chegará a uma conclusão aprazível, se continuar delimitando os créditos só do período anocalendário, sem observar os saldos direitos creditórios de processos já julgados, citados no tópico anterior, e se pautar somente nos créditos do anocalendário extraídos da ficha 14A da DIPJ AC. 2004, EX. 2005, e desprezar lançados de IRPJ paga a maior, registrados na contabilidade; – comprovação dos valores informados nos Demonstrativos “Comprovante de Retenções de Imposto de Renda” e “Relação de Cedentes Pagos – Terrabrás”, emitidos pelo DNER (extinto) e DNIT citados anteriormente, ou seja, juntados os Comprovantes de Retenção na Fonte, tendo como fonte tomadora, o Ministério dos Transportes – Grupo Executivo – Portaria MT nº 971/03 – Decreto nº 4803/03 DNER (extinto c/ ofício nº 105/2005/PR/Grupo Executivo de 22/02/2004, Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás (anexo 2); – esclarecimentos da vinculação do crédito informado nas Declarações de Compensação Eletrônicas (Dcomp), citadas no item 04 do Despacho Decisório nº 718/SDR, objeto da presente manifestação de inconformidade não contempla, em que pese as declarações retificadoras (fls. 140 a 181), e bem como as DCTF Retificadoras (fl. 182), o saldo de créditos de períodos anteriores, do AC 2004 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 381 6 contabilizados na conta sob título “IRPJ pago a maior”, cuja movimentação da referida conta pode ser constatada na planilha “conta corrente de compensação” (anexo 3), a qual serviu de parâmetro para o julgamento dos processos nº 10580.007114/0042 e 10580.007115/0013 (anexo 3); – esclarecimento quanto às informações prestadas nas Dcomp nº 37087.72310.141005.1.3.030816 e comprova e identifica que as Dcomp estão relacionadas com o processo eletrônico 10580.722953/200949 (fls. 172), item 3 do Despacho Decisório nº 718, para o período de apuração de 01/04/2005 a 30/06/2005, os créditos serão julgados em conformidade com o descrito no tópico anterior; II – DA DEFESA – a empresa é tributada com base no Lucro Presumido desde o AC 2004, sujeitandose ao recolhimento do IRPJ trimestralmente em conformidade com o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, e alterações posteriores. O inciso II do aludido dispositivo legal assegura ao contribuinte o direito à compensação do imposto pago indevidamente ou a maior durante os anoscalendário com o imposto devido nos meses subsequentes ao fixado para entrega da declaração de rendimentos, concedendolhe a alternativa de requerer a restituição do montante pago a maior, através de processo específico; – das razões expendidas no julgamento da instância administrativa, em momento algum foi questionada a qualidade do sistema contábil do contribuinte, o que implica dizer que ele é bom e confiável, portanto, quanto às questões de que não foram localizados os recolhimentos das fontes pagadoras nas Dirf ou outra obrigação acessória, não cabe ao contribuinte tal responsabilidade; – sendo a fonte pagadora, por imposição legal, obrigada a fazer as retenções de fonte quando efetua os pagamentos, se eventualmente o faz ou não faz o repasse dos valores retidos para a União e deixa de informar alguns desses valores em Dirf, é de se questionar qual a responsabilidade da fonte pagadora nestas situações; – em uma empresa com múltiplas e complexas relações, querer o fisco lhe negar o direito de compensar os tributos retidos, devidamente comprovados nos extratos bancários e ainda confessados pelo órgão retentor, como no caso do Departamento Nacional de InfraEstrutura de Transportes – DNIT, documento já acostado nos vastos processos nº 10580.007114/0042 e 10580.007115/0013, e a Caixa Econômica Federal, CNPJ nº 00.360.305/000104 (AC. 2003 e 2004), agora o fazemos novamente (anexo 2), apenas para que se veja a que ponto se chega a má vontade do poder tributante; – se estes Senhores Julgadores de primeira instância tivessem um mínimo de conhecimento das regras contábeis, teriam refletido um pouco mais sobre as suas decisões; – o períodobase de apuração do imposto de renda é o espaço de tempo delimitado pela legislação tributária, compreendido no anocalendário, durante o qual são apurados os resultados econômicos das pessoas jurídicas e calculado o respectivo imposto; – o anocalendário é o período de doze meses consecutivos contados de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano (Art. 220 RIR/99); – a forma estimada é uma opção, não uma obrigação. O Contribuinte recolhia seus impostos na trimestralidade (art. 1º da Lei nº 9.430/96); Fl. 409DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 382 7 – existe falha no trabalho fiscal, que se baseou em valores inconsistentes e em critério jurídico sem sustentação e em total afronta à legislação, doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. Por esta razão, não resta alternativa, senão a realização de diligência para confirmar a correta apuração dos valores compensados e a impropriedade da glosa que ensejou o crédito tributário; – em face dos argumentos expostos, concluise que resta irrefutavelmente consubstanciado o direito da impugnante em compensar os valores recolhidos com imposto de renda a recolher, em vista da prescrição usualmente alegada pelo Fisco não lograr alcançar os recolhimentos efetuados, conforme todos os argumentos expendidos; III – DO SOBRESTAMENTO – pedese que o processo seja julgado, tendo como lastro o tratamento, os relatórios e os pareceres conclusivos nº 007/2004 e nº 006/2005 – SEORT, que nortearam os processos de nº 10580.007114/0042 e 10580.007115/0013, por serem de íntima relação de causa e efeito, estão acostados no anexo 3; IV – DO PEDIDO Pedese: O reconhecimento de que os valores compensados não estão submetidos ao regime de prescrição quinquenal puro e simples, porquanto a eles o prazo prescricional só se computa a partir da homologação, expressa ou tácita, conforme preceituam os art. 168, 165, I, e 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), não tendo sido os valores requeridos alcançados pela prescrição que o Fisco pretende opor ao exercício de seu direito; Pelo exposto, e os precedentes transcritos, requer que a presente manifestação de inconformidade seja acolhida, por ser esta uma medida de justiça. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 285 ND): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação quando na apuração do resultado constatase a existência de Saldo de Contribuição a Pagar e não Saldo Negativo de CSLL, este, sim, passível de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 10/01/2013 (fls. 297 ND), a tempo, em 08/02/2013, por via postal (fls. 298 – ND), apresenta a interessada Recurso de fls. 299 a 303 ND, instruído com os documentos de fls. 304 a 371 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 383 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Os processos mencionados, de nºs 10580.007114/0042 e 10580.007115/00 13, dizem respeito a créditos pleiteados relativos aos anoscalendários de 1993 a 1999, conforme segue (fls. 336 e 339 ND): [...]. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 384 9 5. Já as planilhas anexadas ao Recurso se referem a um contacorrente que se estende dos anos de 1995 a 2011, abrangendo créditos não só de IRPJ e IRRF, mas de CSLL e até de Cofins (pagamento em duplicidade) (fls. 326 a 333 ND). 6. Sucede, porém, que se está diante de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) cujo crédito apontado se refere especificamente a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), concernente ao segundo trimestre de 2005 (fls. 18 ND): 7. A origem do apontado saldo negativo de CSLL é a seguinte (fls. 4 ND): 8. A decisão recorrida, referentemente a retenções de órgãos públicos (DNIT), admitiu, em tese, a quantia de R$ 79.496,28 (fls. 293 – ND). 9. Porém, tendo em vista a insuficiência dessas retenções, em face da contribuição devida (R$ 186.953,00), não lhe foi reconhecido qualquer direito creditório. 10. De todo modo, ainda que se acatasse o valor de R$ 131.472,34, pleiteado como crédito de IRRF no Per/DComp, inexistiria qualquer saldo negativo de CSLL. 11. Importante consignar, como o fez a decisão recorrida (fls. 294 – ND) que: Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 385 10 [...] o IRRF sobre aplicações financeiras e/ou o IR e CSLL retidos na fonte por Órgãos Públicos contribuem para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, ou de CSLL, mas com ele não se confunde. Somente o saldo negativo de imposto de renda, ou de CSLL, a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente, desde que sua base de cálculo englobe as receitas correspondentes ao imposto ou à CSLL retidos na fonte deduzidas do imposto e/ou CSLL devidos. 12. Há que se ressaltar, por oportuno, que a “delimitação dos créditos só do período anocalendário” (sic) (fls. 301 – ND) foi feita pela própria Recorrente, quando da apresentação de seu Per/DComp, e não pelo poder tributante, como alegado. 13. Assim, não cabe qualquer irresignação quanto a esse ponto. 14. É que, tratandose de Per/DComp cujo crédito apontado se refere especificamente a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), concernente a determinado período de apuração, devese ater o procedimento homologatório ao que foi validamente pleiteado. 15. Observase, por outro lado, que a planilha “conta corrente de compensação” não serviu de parâmetro para o julgamento dos processos nºs 10580.007114/0042 e 10580.007115/0013, como afirmado pela Recorrente, mas sim os documentos expedidos, à época, pela fonte retentora (fls. 349 – ND): 16. Além disso, naqueles processos solicitouse a compensação de saldos acumulados de IRPJ e CSLL de diversos períodos, ao contrário do que aqui ocorreu (segundo trimestre de 2005). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10580.722085/200905 Acórdão n.º 1803002.036 S1TE03 Fl. 386 11 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10850.904375/2012-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Vooluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator.
Nome do relator: Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Vooluntário Negado.
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FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 43 75 /2 01 2- 35 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 15 2 Recurso Vooluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da DRJ/POR, referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relata: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Declaração de Compensação e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado crédito. Em seu pedido, a contribuinte expressamente declara no campo próprio que "o crédito não tem como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal". Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, sob o fundamento de que os pagamentos localizados foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte ingressou, com a manifestação de inconformidade e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 17 4 1. Preliminarmente, reclama o recebimento do recurso, não obstante a intimação ter sido recebida eletronicamente e considerar tal via em desacordo com os fatos, emfunção das garantias constitucionais e legais que aponta, dentre elas o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430/1996, e o art. 35, do decreto70.235/1972. 2. Alega a nulidade do Despacho Decisório decorrente da insuficiência de fundamento, dado que não foi esclarecida a indisponibilidade de crédito tampouco houve intimação da empresa para esclarecer o porquê de ter considerado o recolhimento indevido ou a maior, e, em conseqüência, não teria sido efetivamente julgado o motivo da restituição. Cita o art. 37, da Constituição Federal, e os artigos 2º, inciso VIII, e 50, da Lei nº 9.784/1999. Afirma que o despacho eletrônico não teria passado pelo crivo de um auditor fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade de crédito. Entende que o indeferimento se deveu exclusivamente ao encontro de contas entre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF e que não teria sido investigadas as possíveis causas para restituição, sequer aquelas reconhecidas pela própria Receita Federal no art. 2º da IN nº 900/2008. Reforça a argüição de nulidade com fundamento no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, pois a falta de explicação sobre os motivos da suposta indisponibilidade de crédito tornaria a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência do crédito. Traz decisão administrativa. 3. Alega também ter havido cerceamento do direito de defesa, citando o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e doutrina. Fundamenta a alegação no fato de que a autoridade administrativa não teria analisado o mérito do pedido nem intimado a empresa para prestar esclarecimentos, nos termos do art. 65, da IN nº 900/2008, o que teria violado o direito à ampla defesa e o dever de eficiência dos atos administrativos. Expõe também que a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram seu entendimento e que tal falta de motivação obstaria até mesmo a produção de provas necessárias, já que sequer seria sabido o que não foi reconhecido. 4. No mérito, afirma a legitimidade do crédito postulado. Esclarece que procedeu ao envio eletrônico do pedido de restituição/compensação, em atendimento ao disposto na IN RFB nº 900/2008, tendo utilizado para tanto o programa PER/DCOMP, e, no entanto, a análise da restituição/compensação se deu também por via eletrônica sem considerara causa do pedido, que teria sido a utilização da base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Portanto, o pedido formulado tem como base declaração de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 18 5 inconstitucionalidade já transitada em julgado, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996. 5. Clama pela produção posterior de provas, conforme regra autorizadora do art. 16, §4º, alínea a, a ser realizada no momento em que a lide esteja delineada nos seus termos, considerando que nem a autoridade administrativa nem a impugnante sabem ao certo o motivo do indeferimento, em virtude da omissão dos motivos do indeferimento pela autoridade administrativa e da falta de oportunidade para esclarecimentos por parte da empresa, conforme já defendido nos outros pontos da manifestação da contribuinte. Conclui requerendo o recebimento do recurso, em seus efeitos devolutivo e suspensivo, para seu julgamento, a declaração de nulidade do Despacho Decisório, a remessados autos à Delegacia de origem para que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, o julgamento pela total procedência do recurso, caso não sejam reconhecidas as nulidades argüidas, com o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito,em especial prova documental, bem como o direito de produzilas em momento posterior. É o relatório. Acordaram os membros da Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, restando assim a ementa do referido julgado com o seguinte teor, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO GENÉRICA. Não pode prosperar a alegação genérica de que são inconstitucionais as normas aplicáveis ao caso concreto e/ou a menção a teses tributárias e jurisprudência não especificadas, por impossibilitar à instância julgadora identificar suficientemente os argumentos a serem apreciados. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 19 6 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada apresenta a contribuinte Recurso Voluntário, onde apresenta resumo dos fatos, e após, nas razões de direito, requer a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação, bem como pela falta das diligências necessárias à comprovação do crédito pela Delegacia de origem. Por fim, caso não sejam acolhidas as nulidades argüidas, requereu que seja reconhecido o direito creditório. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 20 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de Ribeirão Preto (SP), conforme se verá a seguir. Em recurso voluntário a contribuinte requereu a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação do despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido tratou com perfeição o assunto. No tocante às preliminares de nulidade, não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende a contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação do crédito alegado, como também, não se caracteriza cerceamento de defesa o fato de a Contribuinte não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, como será demonstrado. Com relação ao instituto da compensação cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 21 8 créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevêm a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, a contribuinte declarou débitos de PIS, COFINS e IPI, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior” . Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a integralmente utilizado, não havendo, portanto, o referido “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR” do tributo em exame. Assim, a análise declaração prestada pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito pretendido pela compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pela contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que motivou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório. Em suma, os motivos da não homologação da compensação pleiteada residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Cabe observar ainda que o fato de o Contribuinte não ter sido previamente intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar prova sobre o alegado crédito indicado na Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"), objeto do despacho decisório, não configura cerceamento de defesa. Isso porque o referido e fundamentado Despacho foi exarado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dele foi a contribuinte regularmente cientificada, sendolhe possibilitada a apresentação, no prazo regulamentar de 30 dias a manifestação de inconformidade, tal como fez, contudo desacompanha de documentos comprobatórios do direito alegado. Acrescentase que, distintamente do que ocorria no regime de compensação por requerimento (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua redação original), quando o contribuinte deveria apresentar prova do seu crédito quando da formalização do pedido de restituição ou compensação, já que compete ao requerente provar o seu direito, a partir da vigência da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, dentro, portanto, do regime de compensação por via declaratória (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua nova redação), não é exigido que a prova documental do indébito acompanhe a Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"). Ao contrário do que alega a impugnante, o art. 65 da IN n°900/08 faculta à autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 22 9 a compensação, que se condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, quando houver necessidade de se comprovar a exatidão das informações prestadas, o que não ocorreu no presente caso. A Autoridade da RFB competente dispunha de todos os dados necessários, informados pelo próprio contribuinte, para decidir sobre o referido pedido de compensação, não caracterizando cerceamento de defesa a sua não intimação. Cabe observar ainda que o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972 prescreve que "A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, sendo tal disciplina, afeta ao Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, aquela que rege o contencioso concernente à nãohomologação da compensação. Assim, temos que Despacho Decisório não homologatório de compensação não se confunde com lançamento ou revisão de lançamento, estando ligado ao instituto da compensação, enquanto a manifestação de inconformidade obedece ao mesmo rito processual que também submete a impugnação do lançamento, conforme comanda o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96. Portanto, é a partir da não homologação da Declaração de Compensação que o contribuinte poderá opor resistência à pretensão, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, como ocorreu no presente caso. Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei n° 9.784/99 e do Decreto n° 70.235/72, não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de se rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, pois não há qualquer razão para que seja considerado inválido o Despacho Decisório recorrido. Assim, consoante restou apreciado pela DRJ de Ribeirão Preto, verificase que em seus pedidos originais, a contribuinte informou, no campo próprio da PER/DCOMP, que a restituição pleiteada se fundava em “pagamento indevido ou a maior” e não há registro nesse documento que indique se tratar de pedido fundado em alegação de inconstitucionalidade de norma jurídica. Ao contrário do afirmado na manifestação de inconformidade e recursos voluntário, o campo referente à existência de fundamento de inconstitucionalidade, a seguir transcrito, está preenchido com informação negando se tratar dessa situação para os casos ali expressamente identificados: O CRÉDITO, perfeitamente identificado no presente documento eletrônico, TEM como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal? NÃO (grifouse) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 23 10 Deste modo, a contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, acena com a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS alegando hipoteticamente e genericamente que haveriam afrontas a Constituição Federal, apesar de ter respondido “NÃO” ao questionamento da PER/DCOMP, consoante se verifica a fl. 02 do presente processo administrativo fiscal. Assim, temos que a contribuinte apresentou em Manifestação de Inconformidade pretensão de revisão do valor do débito confessado por ter utilizado equivocadamente a base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, “de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”. Quanto a referida alegação de inconstitucionalidade, não vislumbro motivos para alterar os argumentos trazidos no voto da DRJ de origem, in verbis: “Em primeiro lugar, a alegação de inconstitucionalidade como fundamento para o pedido deve ser analisada considerando os termos em que o próprio pedido foi materializado. O fundamento apontado no momento do registro do pedido original pela requerente foi o “pagamento indevido ou a maior”, complementado pela informação de que não se trata de “alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal”. Portanto, se no momento da impugnação é explicitado pela requerente tratarse de fundamento de inconstitucionalidade, esse só poderá ser considerado dentro do contorno estabelecido no pedido inicial, sob pena de se caracterizar inovação e, conseqüentemente, restar configurado novo pedido. Além do mais, para pedido a partir da vigência da MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que alterou a redação do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, considerase não declarada a compensação cujo crédito tenha como fundamento alegação de inconstitucionalidade fora daquelas hipóteses; portanto, a alegação de inconstitucionalidade só pode ser conhecida no regime de apreciação da manifestação de inconformidade dentro das hipóteses que não caracterizariam a compensação como não declarada. Nesses termos, há que se enquadrar o fundamento de inconstitucionalidade em uma das quatro hipóteses descritas nos parágrafos anteriores. No entanto, a precariedade da descrição do fundamento não permite sequer adentrar essa seara. A contribuinte limitase a mencionar genericamente “teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”, sem sequer indicar uma decisão Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 24 11 específica ou dispositivos legais objeto dessas teses, apenas se referindo a receitas que não deveriam compor a base de cálculo do tributo e a inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo declarada em ação já transitada em julgado. A fundamentação apresentada é tão genérica que a contribuinte sequer esclarece em seu instrumento quais seriam as parcelas indevidamente incluídas na base de cálculo ou se a contribuição seria aquela sujeita ao regime cumulativo ou ao regime nãocumulativo, apenas aponta o tipo de contribuição, o período de apuração e o valor pleiteado. Dentre outras não menos relevantes, também a omissão do regime de tributação é essencial, pois cada regime se encontra sujeito a arcabouço normativo distinto e, portanto, eventuais inconstitucionalidades seriam atribuídas a leis distintas, leis essas também não citadas na singela argumentação apresentada. Ora, a omissão, pela manifestante, da natureza das parcelas questionadas, dos dispositivos legais que estariam eivados de inconstitucionalidade, da explicitação da tese de inconstitucionalidade sustentada e das decisões de tribunais que tenham discutido a matéria impede a consideração dessa linha de argumentação por total impossibilidade de identificação da tese a ser debatida e dos elementos fáticos correspondentes. Logo, é improcedente a alegação genérica da contribuinte.” Salientase ainda que diante da alegação da contribuinte de inconstitucionalidade de lei tributária, necessária a aplicação ao presente caso do disposto na Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, deixou de fazer pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, por força do disposto na Súmula acima transcrita. Ainda, cumpre registrar que a contribuinte não traz em momento algum aos autos qualquer documento/prova que dê sustentação a qualquer de suas alegações, tratando sempre de forma genérica. Ou seja, as conjecturas aventadas não são suficientes para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, tal como expressamente referido no pedido de compensação (PER/DCOMP). O chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o sujeito passivo assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza nos termos do disposto no art.170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 25 12 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Ao não trazer aos autos documentos que comprovem suas alegações, a contribuinte viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende dos artigos 15, caput, e 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo transcrito: "Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. " Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do Código de Processo Civil: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Necessário destacar que o presente Recurso Voluntário, tal qual a Manifestação de Inconformidade, vieram desacompanhados de qualquer documento comprobatório do direito alegado. Diante disto, resta devidamente demonstrado que competia à contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904375/201235 Acórdão n.º 3801002.978 S3TE01 Fl. 26 13 liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é um requisito indispensável e cabe ao suposto credor fazêla. No entanto, a Manifestante não logrou tal comprovação. Assim, não vislumbrase nenhuma nulidade, não existindo violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no art. 5°, LV, da CF/88, devendo ser afastadas por completo a preliminares de nulidade do Acórdão recorrido. Deste modo, em conformidade com o art. 170 do CTN, bem como com ao art. 333, I, do CPC e também com os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem. Quanto a alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, aplicável ao caso concreto a Súmula 02 do CARF, não sendo o presente Conselho competente para análise de tal matéria. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10380.900757/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converteu-se o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
RELATÓRIO
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Por maioria de votos, converteuse o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. RELATÓRIO Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior de Cofins que pretende utilizar para compensar com débito de CSLL. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 75 7/ 20 09 -7 8 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900757/200978 Resolução nº 3101000.329 S3C1T1 Fl. 4 2 pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 Cofins. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 31/10/03, para fins de apuração da Cofins, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Diante da constatação de que não ocorreu recolhimento indevido, não se configura o direito do sujeito passivo ao reconhecimento do crédito pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900757/200978 Resolução nº 3101000.329 S3C1T1 Fl. 5 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, essa turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivocada a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900757/200978 Resolução nº 3101000.329 S3C1T1 Fl. 6 4 A incidência nãocumulativa das contribuições de que trata a lei n° 10.637/2002 e a lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...]§2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900757/200978 Resolução nº 3101000.329 S3C1T1 Fl. 7 5 nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como conseqüência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Essa turma de julgamento, em sua composição anterior, na Resolução 3101000.169 que determinou a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900757/200978 Resolução nº 3101000.329 S3C1T1 Fl. 8 6 sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento através da Resolução 3101000.169, foi dividido em duas partes: a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900757/200978 Resolução nº 3101000.329 S3C1T1 Fl. 9 7 O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). Apresentou os seguintes preços dos insumos: INSUMO PREÇO DATA REFERÊNCIA BASE NORMATIVA GÁS NATURAL 0,304 R$/m³ junho/2001 Portaria Interministerial MME, MF 176/2001 (2,581 U$/MBTU, câmbio 2,3436 R$/U$) TUST Pecém 0,831 R$/kW Julho/2002 Anexo I, Resolução ANEEL 358/2002 Foram apresentados os seguintes valores corrigidos dos insumos e do preço praticado na venda da CGTF para a COELCE: DATA GÁS (R$/m³) TUST (R$/Kw) CGTFCOELCE (R$/MWh) ago/02 0,30400 0,831 122,36 dez/03 0,40298 3,431 159,82 jan/04 0,40298 3,431 159,82 fev/04 0,40298 3,431 159,82 mar/04 0,40298 3,431 159,82 abr/04 0,40504 3,431 163,96 mai/04 0,40504 3,431 163,96 jun/04 0,40504 3,431 163,96 jul/04 0,40504 3,431 163,96 ago/04 0,40504 2,675 163,96 set/04 0,40504 2,675 163,96 out/04 0,40504 2,675 163,96 nov/04 0,40504 2,675 163,96 dez/04 0,40504 2,869 163,96 jan/05 0,40504 2,869 163,96 fev/05 0,40504 2,869 163,96 mar/05 0,40504 2,869 163,96 abr/05 0,40632 2,869 163,55 mai/05 0,40632 2,869 163,55 jun/05 0,40632 2,869 163,55 jul/05 0,40632 3,385 163,55 ago/05 0,40632 3,385 163,55 set/05 0,40632 3,385 163,55 out/05 0,40632 3,385 163,55 nov/05 0,40632 3,385 163,55 dez/05 0,40632 3,385 163,55 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900757/200978 Resolução nº 3101000.329 S3C1T1 Fl. 10 8 O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. Entretanto, para análise das variações do preço final praticado no contrato de fornecimento para a COELCE em contrapartida com a variação do preço dos insumos, tornase necessário conhecer a composição final do preço com base nesses insumos, ou seja, o fator de ponderação de cada insumo (gás natural e TUST) na composição do preço final da energia vendida. Apenas com base no preço dos insumos ponderados (custo total dos insumos indicados), na mesma base do preço de venda de energia (R$/MWh), é possível confirmar a afirmação dos peritos que “a variação de preço de venda não foi superior à dos insumos”. Diante dos fatos apurados nos presente autos, voto no sentido converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime novamente a recorrente, para trazer aos autos complemento do laudo pericial com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Sala das sessões, em 30 de janeiro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S
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Numero do processo: 13971.907647/2009-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - OCORRÊNCIA -
Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tal incorreção.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.
Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 3801-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani , Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes nos termos do voto do relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 76 47 /2 00 9- 75 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907647/200975 Acórdão n.º 3801002.766 S3TE01 Fl. 127 2 (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani , Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907647/200975 Acórdão n.º 3801002.766 S3TE01 Fl. 128 3 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pelo contribuinte acima identificado, com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno desse Conselho Fiscal, em face de suposta omissão constante do acórdão proferido por esta C. 1ª Turma Especial que julgou improcedente recurso voluntário do contribuinte, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do voto do relator. Delegacia de Julgamento em Florianópolis proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2004 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DEDILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMPapresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. O contribuinte alegou em recurso voluntário a inconstitucionalidade do artigo 3°, §1° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Defendeu a contribuinte que o Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo, bem como a Lei n° 11.941/09 expurgou do ordenamento jurídico o referido dispositivo legal, confirmando seu pleito. Através da Resolução nº 3801000.167 – 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907647/200975 Acórdão n.º 3801002.766 S3TE01 Fl. 129 4 · informar se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; · apurar o valor devido a título de contribuição para a COFINS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de fevereiro/2004, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL DRF/BLU/EAC1 n°. 271/2011”, fls. 86/88, onde consta, em síntese: 1 – A interessada não propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. 2 – O valor devido a título de Cofins, referente ao período de apuração fevereiro/2004, é R$ 6.060,67. 3 A interessada foi regularmente notificada e não manifestouse no prazo concedido. O acórdão embargado julgou improcedente o recurso voluntário por meio da seguinte ementa (fls. 92 a 94): COFINS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Comprovado pela autoridade fiscal, através de exame da documentação contábil e fiscal, que inexistiu pagamento indevido ou a maior no período considerado, mantêmse a decisão que não homologou as compensações apresentadas. O contribuinte entende que o acórdão é omisso por não ter se manifestando sobre o pagamento realizado mediante compensação, no valor de R$ 4.471,66, além do pagamento mediante DARF, no valor de R$ 2.032,75, tendo gerado um pagamento a maior de R$ 443,74. É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907647/200975 Acórdão n.º 3801002.766 S3TE01 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Relator Os embargos de declaração foram interpostos no prazo legal, e atendidos os demais pressupostos, razão pela qual são admitidos. Conforme assentado, o contribuinte entende omisso o presente acórdão por não ter se manifestado quanto ao fato de que em que pese ter sido recolhido mediante DARF o valor de R$ 2.032,75 a empresa declarou a compensação do equivalente a R$ 4.471,66 com saldo negativo de IRPJ. De fato, na sua fundamentação de voto o E. Relator assim se manifestou: Por seu turno, a autoridade preparadora, em atendimento a diligência requerida, informa às fls. 86/88 que a Cofins devida referente a fevereiro/2004 é de R$ 6.060,67, sendo recolhido o valor de R$ 2.032,75, não havendo, portanto, nenhum saldo a compensar. Ou seja, na composição dos valores utilizados pelo contribuinte para quitação do débito de Cofins, referente ao período de apuração fevereiro/2004, apurado em diligência pela DRF de origem, não foi considerado o valor compensado no montante de R$ 4.471,66. Como não houve manifestação expressa no voto em relação ao valor compensado, vêse que procede a alegação de omissão no acórdão recorrido. Conforme consta nos autos, o contribuinte apresentou o PERDCOMP nº 28464.12750.050304.1.3.025225, através do qual foi compensado débito de Cofins, referente ao período de apuração fevereiro/2004, no montante de R$ 4.471,66. Nos termos do art.74 da Lei 9430/96, que dispõe sobre o procedimento de compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. .(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907647/200975 Acórdão n.º 3801002.766 S3TE01 Fl. 131 6 (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifo nosso) Na Informação Fiscal elaborada pela unidade de origem em cumprimento da diligência consta que a referida DCOMP, na qual foi compensado parte do valor devido da contribuição com credito originado de saldo negativo de IRPJ, carece de análise definitiva. Decorrido o prazo de cinco anos contados da apresentação da DCOMP, no caso a partir de 05/03/2004, não tendo sido exarada decisão pela procedência ou não dos créditos, pelo que consta dos autos, considerase homologada tacitamente a compensação pleiteada. No mais, mesmo se houvesse decisão em contrário o referido débito seria cobrado naquela DCOMP. No mérito, assiste razão a recorrente sobre a exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas que divergem do conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991. O STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Ao realizar a diligência e apurar, a partir dos registros existentes nos sistemas da RFB e dos documentos apresentados pelo contribuinte, o valor devido a título de contribuição para a COFINS, período de apuração de fevereiro/2004, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, no montante de R$ 6.060,67, a Delegacia de origem confirmou a legitimidade do direito creditório, pois confrontado com o valor recolhido mediante DARF, no montante de R$ 2.032,75, somado ao valor compensado, no montante de R$ 4.471,66, resta caracterizado o indébito e tendo o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907647/200975 Acórdão n.º 3801002.766 S3TE01 Fl. 132 7 Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 443,74, utilizado na PER/DCOMP nº 12928.57648.100406.1.3.049315. Diante do exposto, voto por dar provimento aos presentes embargos, com efeitos infringentes sobre o acórdão recorrido, no sentido de reconhecer um crédito originário no valor pleiteado pela recorrente e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.727578/2012-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
OPÇÃO PELO SIMPLES. DATA DE INGRESSO NÃO RECONHECIDA. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA.
É incabível o reconhecimento de opção pelo Simples Federal para período no qual o fisco não possua qualquer registro em sua base de dados.
AS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA, SESC E SEBRAE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC).
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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DATA DE INGRESSO NÃO RECONHECIDA. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. É incabível o reconhecimento de opção pelo Simples Federal para período no qual o fisco não possua qualquer registro em sua base de dados. AS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA, SESC E SEBRAE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 75 78 /2 01 2- 30 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 340 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 341 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PLÁSTICOS APJ LTDA EPP, em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, ficando mantido o crédito tributário lançado. 2. A autuação se refere às contribuições previdenciárias de que tratam os incisos I, II e III do artigo 22 da lei nº 8.212, de 24.07.1991, bem como das contribuições sociais para outras entidades ou Fundos –Terceiros, destinadas ao FNDE, INCRA, SENAI, SESI E SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados e contribuintes individuais nas competências de janeiro de 2009 a dezembro de 2009. 3. O contribuinte foi cientificado da constituição do credito tributário e, por não se conformar, apresentou impugnação fls. 100/121. 4. O acórdão de primeira instancia, que julgou a impugnação apresentada pela contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS ATRAVÉS DE DAS DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. FUNDAMENTOS LEGAIS DO LANÇAMENTO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA E SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE. FALTA DE EFETIVA COMPROVAÇÃO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. DESNECESSIDADE DE EXCLUSÃO.INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. A presente instância de julgamento não tem competência para emitir decisões acerca da constitucionalidade de normas legais formalmente vigentes, estando vinculada à sua aplicação, exceto nas hipóteses legais. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS ATRAVÉS DE DAS DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 342 4 Em face de impedimento legal da compensação de valores recolhidos indevidamente através de DAS, para reaver eventuais créditos dos quais seja titular, o Contribuinte, mediante regular processo administrativo, junto à competente repartição da Receita Federal do Brasil, deverá formular seu pedido, apresentando os documentos e elementos necessários. FUNDAMENTOS LEGAIS DO LANÇAMENTO FISCAL. Carece de fundamento a assertiva de que o anexo FLD faz menção genérica à legislação ou de que a legislação mencionada estaria revogada, pois o anexo FLD arrola, por período de vigência e por rubrica, a legislação aplicável. CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA E SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE. O próprio STF já pacificou entendimento acerca da viabilidade legal da legislação pertinente à cobrança de contribuições para o INCRA e SEBRAE, inclusive dos Contribuintes que não exerçam atividades rurais ou não se enquadrem dentre as micro e pequenas empresas. FALTA DE EFETIVA COMPROVAÇÃO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. DESNECESSIDADE DE EXCLUSÃO. Não estando efetivada a opção (conforme informações da página eletrônica do Simples Nacional) e não estando comprovada a efetiva e tempestiva realização das medidas necessárias à regularização das pendências apontadas, não se pode considerar que o Contribuinte tenha realmente realizado a opção pelo Simples Nacional. Por isso, não há que se falar em exclusão do sistema, como condição (prévia e nem mesmo simultânea) para a realização dos lançamentos fiscais constantes deste processo. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A sistemática de determinação dos acréscimos legais sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento do lançamento fiscal (com a incidência de juros sobre a multa de ofício) está de acordo não apenas com o sistema legislativo pertinente, mas também com a jurisprudência dominante. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 5. Em razão da contribuinte não ter sido intimado via AR, a cientificação foi feita por meio de edital, conforme fls. 239. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 343 5 6. Inconformado com a decisão de primeira instância a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 249/175, alegando em síntese que: a) é optante pelo Simples Nacional por isso há a impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias o que geraria nulidade na decisão que deixou de examinar os documentos acostados aos autos; b) há possibilidade de ulterior reconhecimento de oficio da opção pelo simples nacional; c) existe a necessidade de exclusão do simples nacional para o período atuado; d) houve ilegalidade na inclusão de algumas parcelas na base de cálculo das contribuições e) há necessidade de abater dos valores exigidos o montante recolhido a título de CPP/INSS pela recorrente; f) houve inexigibilidade das contribuições de terceiros, da existência legal a imputação de responsabilidade solidária nesses casos – AI Debcad nº 51.030.3021 g) há impossibilidade de cumulação da multa de oficio e da multa de mora; h) a Taxa Selic não incide sobre multa de oficio e multa de mora; 7. Ao final, requer que seja reformada a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto, para dar integral provimento ao presente Recuso Voluntário e, assim, cancelar integralmente a exigência fiscal lançada em desfavor da contribuinte. 8. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 344 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e presentes estão os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço. DA NÃO INCLUSÃO NO SIMPLES 2. Analisando os autos, observase que em nenhum momento o contribuinte trouxe qualquer indício ou comprovação que sua solicitação de inclusão no simples fora deferida pela Receita Federal. Pelo contrário, limitase a ponderar que as supostas irregularidades de sua inscrição no Simples foram sanadas, porém não apresenta qualquer demonstração plausível que efetivamente tenha sido deferida sua inclusão ao sistema. 3. Dessa maneira, podese constatar que a contribuinte não era optante do simples no período ora analisado. Pois, como dito anteriormente, não consta para o fisco qualquer inclusão no sistema benéfico antes, durante, ou posterior ao período analisado. 4. Assim, diante da demonstração da insubsistência da opção pelo Simples no período correspondente ao lançamento, o sujeito passivo sujeitavase ao regime normal de tributação das empresas, sendo obrigatório o recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social. Como dispõe o art. 195, I, da Constituição Federal: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(...)” 5. Dessa forma, não merece acolhimento as alegações trazidas pela contribuinte neste tópico. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA 6. Muito embora a recorrida tente afastar a obrigatoriedade da contribuição ao INCRA, não se olvida que a referida contribuição tenha natureza distinta das contribuições Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 345 7 sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto.” (...). “LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: (...). Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 346 8 IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola;” 7. Assim, verificase que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, a qual relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no “caput” do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 347 9 VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas.” 8. E nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal – STF, verbis: “TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INCRA ART. 6º, § 4º, DA LEI N. 2.613/55 EXIGIBILIDADE EMPRESA URBANA. 1. A contribuição destinada ao INCRA, desde sua concepção, caracterizase como contribuição especial de intervenção no domínio econômico, sendo classificada doutrinariamente como contribuição especial atípica. 2. A contribuição ao INCRA não possui referibilidade direta com o sujeito passivo, por isso se distingue das contribuições de interesse das categorias profissionais e de categorias econômicas. 3. Possível a exigência da contribuição social destinada ao INCRA das empresas urbanas. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no REsp 991214/PE. Segunda Turma. Relator Ministro Humberto Martins. DJ 16.05.2008, p. 1) 9. Abaixo, segue ementa lavrada pelo STF no julgamento do Agravo Regimental de nº 735.665/RS, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa publicado no Diário da Justiça em 01 de abril de 2011: “AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESA URBANA. A decisão agravada está em perfeita harmonia com o entendimento firmado por ambas as Turmas deste Tribunal, no sentido de que é devida por empresa urbana a contribuição destinada ao INCRA. Agravo regimental a que se nega provimento.” 10. Dessa forma, com base nas considerações tecidas acima, entendo que não merecem prosperar as alegações trazidas pela recorrente em suas razões. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SEBRAE 11. Quanto à alegação de ilegalidade da cobrança de contribuições para o SEBRAE, tendo em vista sua vinculação com as atividades das micro e pequenas empresas, também não dou razão à recorrente. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 348 10 12. Isso porque, sobre a questão, este Conselho vem pacificando seu entendimento no sentido de que o encargo devido ao SEBRAE tratase de um adicional sobre as contribuições destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT. A título de ilustração, sito julgado recente do ilustre Conselheiro Mauro José Silva, verbis: “(...) CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas.” (Acórdão n.º 2301001. 826 – Sessão realizada em 10.02.2011 – 1ª Turma, 3ª Câmara, 2ª Seção de Julgamento do CARF).” 13. E com relação à cobrança da contribuição para o SEBRAE, a jurisprudência vem se posicionando no sentido de que o pagamento da contribuição não está diretamente relacionado com quem irá se beneficiar. 14. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, conforme ementa do Agravo Regimental no Recurso Especial de n ° 1216186/RS, publicado no DJe em 16 de maio de 2011: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DESCARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 7. REDUÇÃO DE MULTA PARA 20%. LEI SUPERVENIENTE N. 11.941/09. POSSIBILIDADE. 1. A contribuição para o SEBRAE constitui contribuição de intervenção no domínio econômico (CF art. 149) e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam às Contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico, porquanto não vinculada a eventual contraprestação dessa entidade. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN.3. Precedentes: REsp 1.189.915/ES, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 1º. 6.2010, DJe 17.6.2010; REsp1.121.230/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em18.2.2010, DJe 2.3.2010.Agravo regimental improvido.” 15. Por fim, ressalto que essa foi a vertente adotada pelo Supremo Tribunal Federal, ao analisar a questão nos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento nº 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa a seguir transcrevo: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de Fl. 348DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 349 11 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse.” 16. Por tudo, entendo que não procedem os argumentos da recorrente visto que também ela é devedora das contribuições destinadas ao SEBRAE. DA TAXA SELIC 17. Aduz a recorrente ser indevida a utilização da taxa SELIC na apuração do crédito tributário, por diversos motivos: a) a taxa SELIC tem caráter remuneratório; b) sua utilização sobre tributos em atraso implica excesso de encargos; c) seu uso como indexador dos juros de mora foi derrogado pelo inciso I do parágrafo 4° do artigo 2° da Lei n.° 9964/2000, que institui o REFIS e determina que os juros de mora passam a ser calculados pela Taxa de Juros de Longo Prazo — TJLP; d) fere o princípio da isonomia e da igualdade a continuidade do uso da Taxa SELIC; e) o Superior Tribunal de Justiça reconheceu a impertinência da Taxa SELIC como juros de mora no Recurso Especial n.° 193.681, publicado no Diário da Justiça de 20/03/2000. 18. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pela recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Fl. 349DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10830.727578/201230 Acórdão n.º 2803003.217 S2TE03 Fl. 350 12 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei).” 19. A propósito do tema convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: “Súmula CARF Nº : A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 20. Nesse contexto, correta é a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 CONCLUSÃO 21. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 18108.002417/2007-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
Por força do art. 62-A, do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99):
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 07/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, substituídos pelos Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A, do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99): Recurso especial negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 24 17 /2 00 7- 59 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 07/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, substituídos pelos Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Relatório Tratase de NFLD que tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de contribuintes individuais. O lançamento compreende o período de 01/2001 a 12/2001. Os fatos geradores foram apurados por meio de GFIP. A NFLD foi lavrada em 29/11/2007 e a ciência ao sujeito passivo ocorreu em 01/12/2007. Em sessão plenária de 16/03/2011, foi julgado o Recurso Voluntário 272.108, prolatandose o Acórdão 240101.710 (fls. 228 a 240), assim ementado: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO DIA PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE Á OCORRÊNCIA DO FATO IMPONÍVEL. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato imponível. Recurso Voluntário Provido” Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 18108.002417/200759 Acórdão n.º 9202003.115 CSRFT2 Fl. 13 3 A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por declarar a decadência até 11/2001. Designado para redigir o vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.” Cientificada do acórdão em 03/06/2011 (fls. 179), a Fazenda Nacional opôs, na mesma data, os Embargos de Declaração de fls. 182 a 184, rejeitados conforme o Despacho 2401057, de 26/07/2011 (fls. 185). Intimada da rejeição de seus Embargos em 22/08/2011 (fls. 186), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 189 a 201, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, contendo os seguintes argumentos, em síntese: na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante “lançamento por homologação”, a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN; o tema foi apreciado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na sessão de julgamentos do dia 12/08/2009, que, ao analisar o Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, na sistemática dos Recursos Repetitivos (Art. 543C do CPC), definiu que no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento do tributo; confirase: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543Ç, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 42, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando; a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração previa do debito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2003). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 4 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", ed., Max'' Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos/ previstos nos artigos 150, § 40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito l Tributário Brasileiro", 34 ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano 'Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 1W ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3 ed., Max Liimonad, São Paulo, 2004, págs. 1831199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex :lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários' respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos c) créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. em 22/12/2010 foi editada a Portaria MF nº 586, de 22/12/2010, que incluiu o artigo 62A no Regimento Interno do CARF, para dispor que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de PrOcesso Civil deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no' âmbito do CARF; deste modo, a existência ou não de pagamento é fator decisivo quanto a aplicação do artigo 150, § 49 do CTN ou do artigo 173, I do Código; consoante essa linha de interpretação, o art. 150, §4º do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação); Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 18108.002417/200759 Acórdão n.º 9202003.115 CSRFT2 Fl. 14 5 portanto, o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §4º; com efeito, nos casos como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; conforme destacado no voto vencido, a decadência se operou apenas para as competências até 11/2001, porém no voto vencedor, o entendimento esposado foi o de que o primeiro dia do exercício seguinte para a competência 12/2001, é o dia 1º/01/2002; entretanto o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Especial na sistemática do artigo 543C (repetitivo) do Código de Processo Civil decidiu o seguinte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173,I, do CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJ 26/02/2010) aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, a competência de 12/2001 não esta decaída, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento em janeiro de 2002, data em que se exigia o pagamento antecipado; o prazo decadencial para tal competência possui termo de início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o dia 1º de janeiro de 2003, o qual findaria em 01 de janeiro de 2008. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja o recurso conhecido e provido, para afastar a decadência da competência 12/2001, uma vez que efetuado o lançamento dentro do prazo legalmente fixado, do art. 173, I, do CTN. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 6 Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400450/2011, de 20/09/2011 (fls. 254 a 256). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 12/12/2011 (AR de fls. 207), o Contribuinte ofereceu, em 22/12/2011, as ContraRazões de fls. 209 a 217, contendo os seguintes argumentos, em resumo: trata o presente feito de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada sob o n° 37.120.7886, por meio da qual a Recorrente. faz a exigência de contribuições previdenciárias relativas à incidência de 20% sobre os valores pagos a contribuintes individuais, não recolhidas em épocas próprias, conforme relatório de lançamentos elaborados pela fiscalização e relativos ao período entre janeiro e dezembro de 2.001, no valor total de R$ 452.633,29; primeiramente, cumpre anotar que a presente exigência fiscal não merece prosperar, como bem asseverou o v. acórdão recorrido, eis que os débitos autuados referemse ao período compreendido entre janeiro/2001 e dezembro/2001, os quais estão extintos pela decadência do direito de constituição do crédito tributário, eis que superado está o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional; com efeito, o prazo decadencial de cinco anos, previsto no Código Tributário Nacional, era adotado também para as contribuições previdenciárias, até 25/07/1991, quando foi publicada a Lei n° 8.212, denominada Lei Orgânica da Seguridade Social; no entanto, com a mera incumbência de regulamentar a Lei n° 8.212/91, o Decreto n° 2.173/97, exorbitou sua função e modificou direitos, violando, de uma só vez os princípios da legalidade e da irretroatividade; tendo em vista que a NFLD ora impugnada apurou supostas diferenças de contribuições relativas ao período entre janeiro/2001 e dezembro/2001, as quais foram cientificadas à Recda. em 29 de novembro de 2007, resta evidente que tais valores estão sendo exigidos indevidamente, com base no Decreto n° 2.173/97, eis que tais créditos tributários encontramse extintos, por força da decadência, conforme previsto no art. 156, V, do CTN. com efeito, uma vez lavrada a NFLD ora atacada em 29.11.07, forçoso reconhecer que todos os débitos constituídos, os quais se referem ao ano de 2001, já estavam alcançados pela decadência quinquenal, não mais podendo ser objeto de lançamento pela autoridade administrativa, em razão da patente inconstitucionalidade do art. 70, do Decreto 2.173/91, por violação aos princípios da legalidade e da hierarquia das leis, resultando na ilegalidade da exigência do débito correspondente ao período mencionado; e, a teor do quanto dispõe o Código Tributário Nacional, é de cinco anos o prazo de decadência (art. 173), e também de cinco anos o prazo de prescrição (art. 174); entretanto, é de se verificar que, ao analisar em definitivo a questão atinente ao prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, o STF decidiu pela inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 8.212/91, os quais pretenderam alterar tais prazos para 10 anos, o que motivou a edição da Súmula Vinculante; como se vê, o STF sedimentou, de forma definitiva, o assunto em questão, dispondo em definitivo que os débitos previdenciários estão sujeitos ao prazo qüinqüenal de decadência e prescrição, tal como previsto no próprio Código Tributário Nacional; Fl. 284DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 18108.002417/200759 Acórdão n.º 9202003.115 CSRFT2 Fl. 15 7 e, nesse sentido, tendo em vista que tal decisão vincula não só as esferas judiciais, como também as instâncias administrativas, a Súmula n° 08 editada pelo STF foi aplicada ao presente feito, com a conseqüente declaração da decadência do lançamento relativo ao crédito tributário exigido pela NFLD n° 37.120.7886, compreendido entre o período de janeiro/2001 e dezembro/2001; o entendimento acima exposto está tão sedimentado no âmbito do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou acerca do assunto, conforme se infere da leitura do julgado abaixo transcrito, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PRE VIDENCIÁ RIAS Exercício: 1997, 1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECADÊNCIA SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, o qual, no caso em apreço, em que a autuada é responsável solidária da construtora, ocorre no mês em que os serviços foram prestados. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Ademais, é aplicável ao caso a Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial negado. (Processo n° 11516.002579/200736 Recurso n° 244.310 Especial do Procurador Acórdão nº 920200.337 2" Turma Sessão de 27 de outubro de 2009) (g.n.) por fim, como bem asseverou o v. acórdão recorrido, o período de dezembro/2001 também está extinto pela decadência eis que, "o marco inicial para a aferição da decadência deve ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Portanto, verificase que, para a competência 12/2001, esse momento ocorreu no dia 01/01/2002, tendose como prazo fatal para o Fisco efetuar o lançamento o dia 31/12/2006. Considerandose que a cientificação do lançamento somente ocorreu em 01/12/2007, o fisco já houvera perdido o direito de lançar a competência 12/2001 nesta data" (fls. 178); portanto, assentado que as cobranças exigidas no Auto de Infração em questão não procedem, eis que se trata da cobrança de contribuições previdenciárias extintas pela decadência que se operou no caso vertente, é forçosa a conclusão pela integral manutenção do v. acórdão recorrido. Ao final, o contribuinte pede o não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose integralmente o acórdão recorrido. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 8 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de NFLD que tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de contribuintes individuais. O lançamento compreende o período de 01/2001 a 12/2001. Os fatos geradores foram apurados por meio de GFIP. A NFLD foi lavrada em 29/11/2007 e a ciência ao sujeito passivo ocorreu em 1º/12/2007. No caso dos autos, o único período em discussão é a competência 12/2001, e no acórdão recorrido entendeuse pela ausência de pagamento, bem como pela aplicação do art. 173, I, do CTN, porém considerouse que o termo inicial do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador. Confirase: “Verificase dos autos que a notificada não efetuava o recolhimento das contribuições ora debatidas. Assim, não há o que se falar em antecipação de pagamento, pelo que se deve lançar mão para aferir o prazo decadencial da norma prevista no inciso I do art. 173 do CTN. Assumido esse pressuposto, de acordo com o julgado do STJ acima transcrito, o marco inicial para a aferição da decadência deve ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Portanto, verificase que, para a competência 12/2001, esse momento ocorreu no dia 01/01/2002, tendose como prazo fatal para o Fisco efetuar o lançamento o dia 31/12/2006. Considerandose que a cientificação do lançamento somente ocorreu 01/12/2007, o fisco já houvera perdido o direito de lançar a competência 12/2001 nesta data. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência de todas as competências lançadas.” Em seu recurso, a Fazenda Nacional reitera a inexistência de pagamento e defende que o termo inicial da contagem do prazo decadencial, conforme o art. 173, I, do CTN, é 1º/01/2003, e não 1º/01/2002. Em sede de ContraRazões, o Contribuinte referenda o termo inicial do prazo decadencial fixado no acórdão recorrido. Ao mesmo tempo, cita como exemplo da jurisprudência do CARF o Acórdão nº 920200.337, em que foi aplicado o artigo 150, §4º, do CTN. Entretanto, dito julgado foi proferido em 27/10/2009, portanto antes da vigência do art. 62A, inserido no Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº MF nº 586, de 2010, que determina a reprodução, pelos Colegiados do CARF, das decisões dos Tribunais Superiores, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Repitase que a decisão recorrida vaza o entendimento no sentido de que não houve pagamento e aplica o art. 173, inciso I, do CTN. Assim, em princípio, a matéria que restaria a este Colegiado decidir diria respeito unicamente ao termo inicial do prazo Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 18108.002417/200759 Acórdão n.º 9202003.115 CSRFT2 Fl. 16 9 decadencial, não cabendo mais perquirir se teria ou não havido pagamento antecipado, apto a atrair a aplicação do artigo 150,§ 4º, do CTN. Entretanto, após os debates verificados na sessão anterior, e buscando orientação nas decisões emanadas do Poder Judiciário, convencime de que, uma vez tratando se de decadência, a abertura da via do Recurso Especial autoriza a revisão de forma ampla, abarcandose todas as questões afetas ao tema, inclusive quanto à existência de pagamento, sob o ângulo admitido pela Instância Especial, e sobre qual o dispositivo legal a ser aplicado, se o art. 150, § 4º, ou 173, inciso I, do CTN. Tratase, no caso, da necessidade de harmonização dos efeitos devolutivo – delimitação da matéria submetida à Câmara Superior – e translativo – possibilidade de decidir, respeitando os limites do apelo, porém aplicando fundamento diverso, desde que não ocorra reformatio in pejus. Quanto a esse aspecto, qualquer que seja o resultado do recurso, não existe possibilidade de que o acórdão da CSRF venha a adotar resultado mais prejudicial à Recorrente que aquele esposado no acórdão recorrido. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese adotada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 10 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Quanto à verificação acerca da existência de pagamento, no que tange às contribuições previdenciárias, por concordar com eles, adoto os fundamentos do brilhante voto integrante do Acórdão 920201.413, de 12/04/2011, de relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que a seguir reproduzo. “(...) Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 18108.002417/200759 Acórdão n.º 9202003.115 CSRFT2 Fl. 17 11 consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação a essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. Ante o exposto, constatase que durante a ação fiscal foram analisadas guias de recolhimentos relacionadas às folhas de pagamento da empresa que não incluíram a rubrica objeto do presente lançamento, conforme consta à fl. 27, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, razão pela qual o prazo decadencial a ser aplicado, considerando os dispositivos retro mencionados, é o quinquenal contado do fato gerador, isto é, nos Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 12 termos do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo dos valores relacionados aos demais itens da folha de pagamento consolidada. Assim, considerando que foi demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN.” Nesse mesmo sentido é a Súmula CARF nº 99, aprovada pela Segunda Turma da CSRF, em 09/12/2013: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, com base nos fundamentos acima, que adoto, e tendo em vista que foram efetuados pagamentos, conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 58, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 1º/12/2007, e o fato gerador ocorreu em 12/2001, constatase a ocorrência da decadência. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, esclarecendo que esta era a única matéria que restara sem julgamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO
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Numero do processo: 10925.907299/2012-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 99 /2 01 2- 07 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 5.926,77, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 13/05/2005. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907299/201207 Acórdão n.º 3803005.795 S3TE03 Fl. 65 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907299/201207 Acórdão n.º 3803005.795 S3TE03 Fl. 66 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907299/201207 Acórdão n.º 3803005.795 S3TE03 Fl. 67 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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